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depressão mato-grossenseem sete tipos, sendo cinco aluviões fluviais e dois aluviais de 
espraiamento sobre área pediplanizada. Assine (2005) descreve que “a sucessão 
estratigráfica mostra afinamentotextual para o topo e preenchimento essencialmente 
siliciclástico”. 
Almeida (1959) descreve a Formação Pantanal como uma das maiores planícies 
de nível de base interiores do globo, ainda em processo de entulhamento, a qual, sob 
influência da Orogenia Andina, desenvolveu-se em ambiente fluvial e/ou flúviolacustre. 
Del’Arco et al. (1982) crêem que adeposição está relacionada à subsidênciagradativa do 
embasamento ao longo de falhas. 
 
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A Formação Pantanal se caracteriza por três Fáceis: Fáceis de Depósitos 
Coluvionares, Fáceis de Terraços Aluvionares e Fáceis de Depósitos Aluvionares. 
Na área de estudo encontra-se a Fáceis de Depósitos Aluvionares que segundo 
Merino (2011) compreendem a porção do topo, constituída de sedimentos argilo-
sílticoarenosos. É a Fáceis de maior área no pantanal sul-mato-grossense, com 66.895 
Km²,isto é, mais de 18,6% do território estadual. Abrange desde o extremo SW do 
estado, até o limite com o Mato Grosso, a Noroeste. 
 
2.3 Geomorfologia 
 
De acordo com Mendes et al., (2004), a geomorfologia da porção Sul doPantanal 
é bastantediversificada, e abrange os seguintes compartimentos (ou 
unidades)geomorfológicos: as depressões de Bonito, Miranda, Aquidauana, Bela Vista e 
Apa; os piemontês da Serra de Maracaju; as encostas elevadas Serra da Bodoquena e 
planícies coluviais pré-Pantanal, bem como grande extensão de planícies da borda sul 
doPantanal. 
Nos arredores da margem esquerda do rio Miranda predomina patamares 
maiselevados de relevo com topos convexos, enquanto que na margem direita as 
formastabulares de topo aplanado, com diferentes ordens de grandeza e grau de 
aprofundamento das drenagens. A planície é constituída por áreas inter fluviais baixas 
ligadas a sistemas fluvio-lacustres, depressão alagadas, e morros testemunhos e 
terraçoselevados que permanecem secos em boa parte do ano (ALVARENGA et. al., 
1982). 
 
2.4 Pedologia 
 
Referente aos solos encontrados na Bacia do rio Miranda, Nogueira et. al. (1978) 
reconheceram seis tipos principais: 1) Latossolos, que ocorrem nas áreas pediplanizadas 
com coloração avermelhada e textura argilosa; 2) Solos Calcimórficos, concentrados na 
região da Serra de Bodoquena oriundos de rochas carbonáticas e normalmente com 
perfil incipiente; 3) Litossolos, relacionados a litologias do Grupo Cuiabá, são pouco 
desenvolvidos e muito pedregosos com fragmentos de quartzo; 4)Solos Hidromórficos, 
confinados às planícies aluviais dos rios e no Pantanal, são decoloração cinza a cinza 
escuro com textura argilosa e com alta concentração de matéria orgânica; 5) Solos 
Halomórficos, presentes no Pantanal em regiões onde em decorrênciada intensa 
evaporação nos períodos de estiagem há concentração de sais; 6) SolosAluviais, 
 
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distribuídos ao longo das margens e confluências dos principais rios, detextura arenosa, 
inconsistente e algumas vezes pedregosa, bastante permeáveis. 
 
2.5 Vegetação 
 
Segundo Merino (2011) a vegetação do Pantanal apresenta grande variação 
deum local para o outro, criando um complexo mosaico vegetacional, onde predomina o 
bioma Cerrado. Ocorrem formações florestadas típicas, como por exemplo, matas 
decordilheira e capões. Ambas são naturalmente fragmentadas e se formam em 
patamares mais elevados da planície. 
Normalmente não são alagadas durante as cheias, o que ocorre nas áreas 
abertas, denominadas vazantes, onde predominam espécies degramíneas. Há espécies 
Hidrófilas, Mesófilas e Xerófilas cuja ocorrência é condicionada pelo grau do alagamento. 
 
2.6 Clima 
 
Conforme a classificação de Köppen, o tipo climático da região é o “AW”,definido 
como clima tropical úmido, com temperaturas médias anuais em torno de 25ºC. As 
estações chuvosas e secas são bem definidas, com concentração pluviométrica mais 
acentuada nos meses de Dezembro a Março. 
A precipitação média anual é de 1.400 mma 1.500 mm no trecho superior e de 
1.000mm a 1.200 mm no trecho inferior (Pogodim e Resende, 2005). Contudo, podem 
ocorrer variações em alguns anos, com precipitação significativa durante o inverno, que 
normalmente é seco. Isso ocorre devido à altitude ea localização continental da região 
que é sujeita a influências de massas de ar polares durante o inverno, que podem causar 
quedas bruscas de temperatura e, até mesmo, ocorrência de geadas (IBGE, 1989). 
Para a elaboração do trabalho e identificação das mudanças morfológicas foram 
utilizadas imagens de satélite do Landsat TM 5 de 18/09/1984 do período seco (figura3), 
Landsat OLI 8 de 21/09/2014 do período seco com cheia (figura 4), as duas cenas com a 
mesma resolução espacial de 30m com a órbita ponto (226/74). A imagem Landsat TM 5 
de 1984 foi adquirida pelo site do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a 
imagem Landsat OLI 8 de 2014 foi do site USGS (Serviço Geológico dos Estados 
Unidos).A opção pela imagem de 1984 foi o fato de ser a imagem mais antiga 
disponibilizada pelo INPE e com uma melhor visualização sem nuvens, já a de 2014 
foiem 21/09/2014 ao qual proporciona uma melhor visualização da área a ser estudada e 
sem nuvens. 
 
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Para análise e identificação das mudanças morfológicas foi necessário à 
criaçãode um banco de dados geográficos e de um projeto no QGIS 2.0, que é um 
Sistema de Informações Geográficas (SIG), para executar a manipulação e 
processamento digital das imagens. As imagens trabalhadas passaram por vários 
procedimentos: na imagem Landsat TM 5 foi feito o georreferenciamento de 60 pontos na 
imagem com resolução espacialde 30 m, com uma margem de erro menor que meio 
pixel, pois o processo de georreferenciamento foi feito tendo como base uma imagem 
Landsat 8, esse processo é importante porque as imagens de satélites não proporcionam 
precisão cartográfica eprecisam ser corrigidas para obter um melhor resultado no 
trabalho. 
Por fim, realizou-se o realce das imagens e a utilização da composição colorida 
para o satélite Landsat TM 5 foi utilizado R5G4B3, para o satélite Landsat OLI 8 a 
composição colorida R6G5B4. O realce das imagens nos permite melhorar sua qualidade 
para obter uma melhor discriminação dos objetos que se encontram na imagem. O 
sistema de cores do SIG é baseado nas cores primárias RGB (vermelho,verde e azul) e a 
composição colorida facilitam a identificação dos alvos nas imagens apartir da 
combinação das bandas. 
 
 
 
Figura 2. A) Imagem Landsat5 TM de 09/1984, composição colorida (R5/G4/B3). 
 
 
 
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Figura 2. B) Imagem Landsat OLI 8 de 09/2014, composição colorida (R6/G5/B4). 
 
 
As imagens Landsat TM 5 e Landsat OLI 8 passaram por processo de vetorização 
das margens e dos meandros para identificação dos pontos de mudanças morfológicas 
na área estudada e receberam tratamento de contraste para realçar elementos 
geomorfológicos (Figura 3). 
Foi utilizada também uma fotografia obliqua do ano de 2014 e imagens de alta 
resolução do satélite Spot. A fotografia e as imagens foram utilizadas para mostrar a 
evolução do canal, seus meandros e onde ocorreram as mudanças morfológicas no rio 
Miranda na área estudada, suas feições morfológicas como as barras em pontal e 
tipologia das margens. 
 Para análise de dados da vazão que serve para medir o volume de água que 
passa entre dois pontos e a cota que é a quantidade de água que o rio atinge, foram 
utilizados os dados disponibilizados pela Agência Nacional de Águas (ANA) da estação 
Tição de Fogo (Código da estação: 66920000).