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A 
 
B 
 
Figura 3. Foto interpretação do rio Miranda usando como base imagens: A) 
Landsat-5TM e B) Landsat OLI 8. 
 
 
3 Resultados e discussão 
 
O rio Miranda na região de estudo apresenta em seu percurso um padrão de 
canal meandrante, com índice de sinuosidade de 2.13, segundo Cristofoletti (1977) a 
sinuosidade é medida a partir de relação entre o comprimento do canal e a distância do 
eixo, a planície de inundação apresenta aproximadamente 600 metros de largura, o rio 
apresenta erosão em suas margens côncavas e deposição de sedimentos nas margens 
convexas (figura 4). 
Devido ao processo de deposição (margem convexa) e erosão (margem côncava) 
ocorre uma acentuação na sinuosidade, provocando o rompimento do meandro 
acarretando a formação de lagos conhecidos como meandros abandonados (DRAGO, 
1976). 
 
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Figura 4. Rio Miranda. Presença de meandros abandonados e margem côncava e 
margem convexa. 
 
A morfologia do sistema fluvial reflete a história de denudação da paisagem do rio, 
caracterizada pela hidrologia, carga em transporte e comunidade biótica que mostram o 
resultado de todos os processos operativos dentro do ecossistema (PETTS e FOSTER, 
1990). 
O aspecto morfológico do canal fluvial depende do equilíbrio entre erosão e 
deposição. Se um eventual desequilíbrio acontece entre estes processos, o canal fluvial 
sofre um ajustamento de suas variáveis morfológicas, a fim de alcançar nova forma 
estável compatível com as novas condições, o que pode ocorrer em um intervalo de 
tempo, seja longo, médio ou curto prazo, devido às mudanças na vazão e transporte de 
sedimentos (FERNANDEZ, 1990). 
A descarga no rio Miranda varia de acordo com os índices pluviométricos, de 60 
m³/s na estação seca (junho a setembro) a 110 m³/s na estaca úmida (janeiro a abril). A 
partir da análise dos dados disponíveis pela ANA (Agência Nacional de Águas) da 
estação fluviométrica de Código (66920000) podemos analisar as vazões médias 
mensais do rio Miranda (Figura 5). 
A análise do gráfico da figura 12 mostra dois períodos na dinâmica do rio Miranda, 
o de cheia de Dezembro a Maio e o de vazante de Junho a Novembro caracterizando 
assim o ano hidrológico do rio Miranda (vazante-cheia-vazante) na região. Os períodos 
de cheia e vazante são expressamente bem definidos, onde o pico de cheia ocorreu na 
vazão média mensal de mês de Dezembro (115,88 m³/s) e mínima no período de vazante 
que ocorre no mês de Agosto (35,82 m³/s). Durante o período de análise entre os anos 
 
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de 1969 a 1979 a quantidade média de água que passou por essa seção foi de 2,471 
m³/ano, este valor é igual a área do gráfico acima (Figura 6). 
O rio Miranda próximo a cidade de Miranda-MS apresenta uma vazão de 33,11 
m³/s e velocidade aproximada de 0,29 m/s e próximo a confluência do rio Paraguai 
apresenta uma vazão de 124,24 m³/s (segundo SILVA, 2012, dados não publicados). 
 Do ponto de vista da hidrografia no trecho estudado, o rio Miranda apresenta um 
comportamento variado, pois em 1968 apresentou a cota de 119 cm aumentando para 
279 cm em 1969, chegando a atingir a maior média em 1982 com 433 cm (Figura 6). 
 
 
 
Figura 5. Vazão média mensal do rio Miranda. Estação Fluviométrica Tição de Fogo 
de Miranda. 
 
 
 
 
Figura 6. Gráfico de variação mensal histórica do nível de água do rio Miranda de 
1968 a 1988. 
 
Observa-se na figura 6 que entre os anos de 1980 a 1988 existem espaços vazios 
no gráfico que são falhas onde não ocorreram registros de vazão. 
 
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 Com base na imagem de satélite analisada foi possível observar se existiram 
algumas mudanças no rio Miranda. 
No segmento estudado foi identificada apenas uma mudança morfológica por 
ação natural do rio e possíveis pontos de rompimentos de meandros abandonados, 
sendo classificados em Ponto (possível ponto de rompimento do canal, podendo 
ocasionar impactos ambientais), Ponto B (meandro em processo de abandono) e Ponto C 
(possível ponto de rompimento de meandro) (Figura 7). 
Em sistemas fluviais como o rio Miranda, que é um rio dinâmico, estudos de 
mudanças morfológicas nos proporcionam a previsão de futuras mudanças, colaborando 
para o uso e ocupação das áreas marginais. 
 Na Figura 7 também é possível observar o meandro em processo de abandono, 
com isso, podendo causar impactos referentes à Base de Estudos, pois devido ser uma 
área de pesquisas da UFMS possui barcos de uso contínuo de pesquisadores e com o 
rompimento do meandro haveria uma dificuldade em onde deixarem os barcos, pois 
estaria longe da margem do rio Miranda. 
Na Figura 7(A) Landsat TM 5 de 1984 e 7(B) Landsat OLI 8 de 2014 nos permite 
observar o surgimento de um meandro abandonado, nota-se a possível mudança no 
percurso do rio, na Figura 7(C) imagem do Google Earth com destaque a seta em 
vermelho mostra local onde esta sofrendo a ação antrópica. 
Na margem direita do rio encontra-se a Base de Estudos da UFMS, que com o 
rompimento do canal e a formação do meandro abandonado a Base de Estudos passará 
a ter sua margem junto do Meandro, que ao longo do período será todo sedimentado 
ocasionando um impacto, pois a Base ficara sem ter acesso ao rio. As mudanças nos 
canais fluviais dificilmente acontecem com respostas imediatas. 
As modificações são percebidas ao longo do tempo (BROOKES, 1996). 
Entretanto, a ação antrópica pode acelerar a mudança na morfologia do canal, 
acarretando danos ao meio ambiente, por causa do repentino desequilíbrio entre a saída 
e entrada de sedimentos, fato esse que esta ocorrendo nesta área de estudo da Base 
sendo indicado na figura C com destaque na seta vermelha. Com base nas imagens de 
satélites dos Landsat TM 5 e Landsat OLI 8 foi possível verificar no segmento do rio 
Miranda o processo de rompimento de um meandro abandonado (Figura 8). 
É possível observar que na Figura 8(A) o rio Miranda esta em processo de 
rompimento do canal principal, na Figura 8(B) nota-se que o rio já mudou completamente 
o seu percurso e é possível observar a presença do meandro abandonado, 8(C) 
fotografia aérea obliqua do local analisado no período de 2014 e na Figura 8(D) imagem 
do Google Earth de 2014. A presença de água no meandro é devida as cheias ocorridas 
 
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no Pantanal, cujo, as águas do rio Miranda transbordam e inundam várias áreas da 
planície trazendo mais sedimentos para dentro do meandro. 
O rio Miranda, por ser um rio de planície, está sujeito a várias alterações, pois 
suas características hidrológicas, geomorfológicas e sedimentares tornam-o dinâmico. 
Trabalhos como o de Merino (2011), Caracterização Geomorfológica do Sistema 
Deposicional do Rio Miranda (Borda Sul do Pantanal Mato-Grossense, MS) Com Base 
em Dados Orbitais, faz comparações de imagens contendo a mesma área de estudo 
demonstrada no Ponto B (meandro em processo de abandono) onde é possível observar 
que a área estudada acima (Figura 9) o canal do rio é rompido aproximadamente por 
volta do período de 1988 a 2000, em um período de 12 anos (Figura 10). 
 
 
 
 
Figura 7. A) Imagem do Landsat-TM5 de 09/1984, B) Imagem do Landsat OLI 8 
09/2014, C) Possível ponto de rompimento do canal, Base de Estudos 
UFMS. 
 
 
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Figura 8. Meandro em processo de abandono. A) Imagem do Landsat TM 5 de 
09/1984, B) Imagem Landsat OLI 8 09/2014, C) Fotografia aérea obliqua de 
2014 e D) Imagem de alta resolução doSPOT. 
 
A utilização de imagens de anos e estações diferentes, também é uma das 
alternativas para contornar dificuldades de identificação de geoformas deposicionais em 
regiões como o Pantanal, onde a paisagem está em constante transformação (Assine, 
2005).