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NEGÓCIOS INTERNACIONAIS
Unidade III
5 POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA
De acordo com Silva (2016), a política externa brasileira teve início com a conquista da soberania 
pelo Brasil, ou seja, com a independência em 1822 e seu posterior reconhecimento pelos demais países. 
Conforme destaca o autor, a herança colonial, porém, deixou resquícios no novo país, no que diz 
respeito tanto à unidade territorial quanto às instituições políticas e sociais. 
Por outro lado, Westmann et al. (2017) colocam que a política externa tem um papel-chave em 
nossa eterna fuga para o futuro. Diferentes projetos de desenvolvimento pedem diferentes perspectivas 
internacionais. Os autores destacam que qualquer estratégia de desenvolvimento está incompleta sem 
uma perspectiva internacional, no entanto, fazer parte de uma estratégia de desenvolvimento confere 
à política externa um conteúdo mínimo para a noção de interesse nacional. 
Segundo Racy (2006), a política externa é a forma como os Estados, visando à satisfação de suas 
necessidades e à defesa de seus interesses, organizam suas ações no campo externo de suas relações, 
isto é, a forma como determinam suas relações com outros Estados. 
Conforme Racy (2006), a política externa realizada pelos Estados deve considerar, portanto, duas 
condições fundamentais: internas e externas. As motivações políticas internas de uma sociedade são 
extremamente importantes para a condução dos negócios de Estado, de tal forma que as relações com 
outros Estados só podem ser legitimadas com a concordância da sociedade nacional. 
No entanto, destaca Racy (2006), por mais legitimadas internamente que estejam as ações de um 
Estado, elas somente encontram possibilidade de implementação se as relações internacionais como 
um todo se apresentarem receptivas a elas. 
Racy (2006) destaca alguns passos que devem ser considerados para o processo de implementação 
da política externa. Confira o quadro a seguir:
Quadro 16
1. Diagnóstico Análise dos ambientes políticos nacional e internacional, com todas as variantes possíveis.
2. Levantamento de alternativas Elaboração de alternativas de curso de ação.
3. Tomada de decisão Escolha do melhor curso de ação e forma de implementação.
4. Implementação Disponibilização e acionamento dos meios para a implementação.
5. Acompanhamento Avaliação do curso de ação.
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Unidade III
6. Correção Em caso de necessidade, aplicação dos recursos e adoção de medidas necessárias à mudança de curso de ação.
7. Avaliação Análise de resultados da política implementada e avaliação de possibilidades de continuidade ou transformação da política externa.
Adaptado de: Racy (2006, p. 13).
A participação do Brasil no cenário internacional, por meio de uma política externa que possibilite 
novos investimentos e trocas comerciais vantajosas para os países envolvidos é o grande desafio dos 
diplomatas, conforme o texto a seguir: 
Lançamento das negociações de um acordo de comércio entre o Mercosul e a 
República da Coreia
As negociações para um acordo de comércio entre o Mercosul e a República da Coreia 
serão lançadas em Seul, Coreia, em 25 de maio de 2018.
O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e o ministro da Indústria, 
Comércio Exterior e Serviços do Brasil, Marcos Jorge de Lima, com os representantes dos 
demais Estados-Partes do Mercosul – o Secretário de Relações Econômicas Internacionais do 
Ministério de Relações Exteriores e Culto da Argentina, Horacio Reyser; o Ministro de Relações 
Exteriores do Paraguai, Eladio Loizaga; e o Ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo 
Nin Novoa –, deverão reunir-se com o ministro coreano de Comércio, Indústria e Energia, 
Hyun Chong Kim, em Seul, para a cerimônia oficial de lançamento das negociações do acordo.
O futuro acordo deverá contemplar, entre outros, capítulos sobre bens, 
serviços, compras governamentais, propriedade intelectual, comércio eletrônico, 
investimentos, desenvolvimento sustentável e competição. 
Ainda na capital coreana, será realizado um Fórum Empresarial, no qual autoridades do 
Mercosul apresentarão aos empresários sul-coreanos oportunidades de negócios e investimentos. 
A Coreia é um importante parceiro comercial do Brasil, sendo o 13º destino de nossas 
exportações e o 5º principal país de origem de nossas importações.
Fonte: Brasil (2018c).
 Saiba mais
Para conhecer um pouco a política externa brasileira e pesquisar 
sobre sua relação com outros países, acesse o site:
<http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/>.
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NEGÓCIOS INTERNACIONAIS
5.1 Política de comércio exterior no Brasil
Souza (2009) coloca que o desenvolvimento econômico do Brasil esteve desde sempre relacionado 
às políticas de comércio exterior, refletindo o elevado grau de dependência do país em face dos 
mercados exteriores. Se por um lado isso poderá́ indicar uma forte tendência à assimilação, 
pelo Brasil, do fenômeno da globalização, não deixa de alertar muitos defensores de políticas 
desenvolvimentistas para os riscos das aberturas amplas de mercado, sobretudo quando não existe 
o controle da comercialização.
Conforme destaca Souza (2009), desde a Proclamação da República até meados do século XX, 
o comércio exterior brasileiro limitou-se fundamentalmente à exportação de produtos agrícolas e 
à importação de bens manufaturados, em face da fraca produção industrial que não atendia ainda 
as necessidades do consumo interno. Até́ a crise da década de 1930, o café representava cerca de 
70% dos produtos exportados pelo Brasil, que tinha como principal cliente os Estados Unidos.
Figura 17
De acordo com Souza (2009), a discussão sobre as políticas de comércio exterior no Brasil tem 
como referencial a questão do desenvolvimento econômico em razão da forma como foi aplicada 
a estratégia de Industrialização de Substituição de Importações (ISI), sobretudo atendendo seus 
efeitos negativos.
Entre as explicações para o desenvolvimento industrial no Brasil, W. Suzigan apud Souza (2009, 
p. 131) identifica quatro teorias interpretativas: 
• A teoria dos choques adversos. 
• A industrialização liderada pela expansão das exportações. 
• O capitalismo tardio. 
• A industrialização intencionalmente promovida por políticas do governo. 
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Unidade III
Segundo Souza (2009), no Brasil, verificou-se, a partir dos anos 1950, uma intervenção agressiva 
mediante políticas protecionistas como fórmula para a substituição de importações que conduzissem 
ao desenvolvimento industrial. 
 
Conforme destaca o autor, o país passou a ter uma liderança marcante e decisiva do Estado, 
exigindo que se fizesse poupança imposta, acelerando a formação de capital, organizando e 
coordenando estratégias de desenvolvimento, atraindo empresas multinacionais e investindo em 
empresas estatais e infraestrutura.
O protecionismo é uma característica marcante da política industrial adotada pelos países para 
proteger o mercado nacional. Trata-se da adoção de um sistema de tarifas ou cotas para restringir o 
fluxo das importações. Com a formação do mercado capitalista em nível internacional, os partidários de 
medidas protecionistas envolveram-se num amplo debate com os defensores do livre-campismo, isto 
é, da divisão do trabalho em escala internacional, com a especialização de cada áreana produção de 
determinado bem agrícola ou industrial. 
No entanto, o protecionismo exercido pelos países desenvolvidos pode representar a diferença 
entre a pobreza e a possibilidade de que os países em desenvolvimento tenham condições dignas de 
sobrevivência nesse mercado altamente competitivo.
A tendência à globalização do mercado estimula os fluxos internacionais de mercadorias e os 
investimentos, atuando no sentido da eliminação dos entraves à competição no espaço mundial. 
A tendência à regionalização dos mercados atua no sentido de erguer barreiras entre os blocos, 
protegendo a esfera de influência de cada uma das grandes zonas econômicas. 
As nações se organizam em torno de grandes blocos regionais, predominando uma firme posição 
em defesa do livre-comércio. Os organismos e acordos internacionais procuram fixar essa visão como 
sendo a única válida, e, em especial, a Organização Mundial do Comércio (OMC) vem contribuindo para 
torná-la quase dogmática, com o encargo de administrar duas categorias de acordos: os multilaterais e 
os plurilaterais.
Nos últimos anos, as transformações de diversos sistemas econômicos e o dinamismo do processo 
evolutivo da economia mundial nos mostraram que a tendência das relações econômicas na década de 
1990 seria a consolidação do processo de globalização dos mercados.
 Observação
Os blocos econômicos regionais são associações de países que 
estabelecem relações econômicas privilegiadas entre si.
As relações entre os diversos países do mundo vão, aos poucos, cedendo lugar às negociações 
multilaterais, com o objetivo de substituir a concorrência entre nações por aquela entre regiões, visando 
melhorar o nível de competitividade dos países que formam um bloco econômico e, a partir daí, criar 
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NEGÓCIOS INTERNACIONAIS
condições necessárias à inserção de cada um deles no cenário econômico internacional. Por meio 
da formação de blocos regionais, os países conseguem se fortalecer para uma melhor colocação no 
altamente competitivo mercado globalizado.
Exemplo de aplicação
O Mercosul é um passo histórico no processo de integração competitiva dos países da América 
Latina na economia mundial, mas quais as consequências do protecionismo adotado pelos países 
desenvolvidos para a consolidação desse processo e futuras negociações bilaterais com outros blocos 
no intuito de alavancar a competitividade no comércio internacional? Faça uma pesquisa e verifique o 
estágio atual das negociações no âmbito do Mercosul.
No quadro a seguir, apresentamos uma síntese dos aspectos e fatos mais significativos em relação à 
política de comércio exterior brasileira. 
Quadro 17
Período Situação
Período de 1930 a 1964
Regra geral, a característica básica da economia brasileira foi de acentuado 
sentido de introversão. Política voltada para a restrição de importação 
e performance sofrível de exportações. Política cambial inadequada e 
desestimulante. Fortalecimento dos controles administrativos.
Período de 1965 a 1973.
Sensíveis reduções tarifárias, proteção via similaridade, lentíssimo 
crescimento das exportações e importações. A partir de 1967, extroversão 
do processo, estratégia de exportação, crescimento do PIB. Criação de 
incentivos fiscais à exportação e liberação de importações. Início da 
utilização de entrepostos e drawback.
Período de 1974 a 1975
Desaceleração do crescimento, crise internacional (petróleo, inflação 
etc.). Política restritiva das importações (controle de déficit e da dívida 
externa), manutenção e ampliação dos incentivos à exportação, Fundo de 
Financiamento à Exportação (Fine).
Período de 1976 a 1992 Significativo crescimento das exportações, contratação e posterior expansão das importações, aumento de 7,4% das vendas externas entre 1974 e 1988.
Período de 1993 a 2000 Abertura comercial, crescimento das importações e das exportações de produtos manufaturados.
Período de 2001 a 2005
Ritmo acelerado das exportações e diminuição das importações, com 
ajustes de mercado, superávit comercial e envolvimento acentuado da 
logística, problemas de infraestrutura operacional.
Período de 2005 a 2007
Consolidação de investimentos brasileiros no exterior e preocupação em 
atrair investimento para o Brasil, sobretudo pela introdução de benefícios 
fiscais ao investidor estrangeiro e pelo esforço na redução do risco-país.
Após 2008
Introdução das políticas de desenvolvimento produtivo com foco na 
redução de dependência externa, descentralização da produção e 
investimentos em tecnologia beneficiando vários setores da economia, mas 
visando especialmente às microempresas e empresas de pequeno porte.
Adaptado de: Souza (2009, p. 133).
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Unidade III
Ainda, de acordo com Souza (2009), na primeira metade do século XX, as políticas comerciais eram 
mais utilizadas como fonte de receita ou para satisfazer determinados grupos, como os produtores de 
café, do que como meio de alcançar metas de desenvolvimento econômico.
Conforme destaca Souza (2009), ainda durante a Segunda Guerra Mundial, a unificação das taxas 
de câmbio inicia uma crise na balança comercial brasileira provocando o controle administrativo 
das divisas e originando um mercado paralelo. Até 1964, a política comercial apresentou, como 
sintoma predominante, a sobrevalorização cambial, que se inicia com as políticas cambiais que 
vigoraram durante a guerra. 
 Lembrete
Balança comercial refere-se às importações e exportações realizadas 
pelo país em um determinado período. 
De acordo com Souza (2009), em consequência da sobrevalorização, as exportações caíram 
fortemente, e as importações aumentaram, provocando a redução substancial das reservas cambiais 
e levando, em 1947, o governo a administrar as divisas, liberando-as somente para aquisições de bens 
essenciais ou de interesse estratégico.
Após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil reativou seu ciclo industrial com a instalação de inúmeras 
indústrias, inclusive a automobilística, alcançando, afinal, maturidade econômica e entrando no rol dos 
países em desenvolvimento acelerado, convertendo-se na oitava economia industrial. 
Souza (2009) coloca que, entre 1953 e 1957, foram introduzidas múltiplas taxas de câmbio procurando 
encorajar algumas transações e desencorajando outras. Em 1957, pela Lei nº 3.222, são criados o sistema 
tarifário (Lei das Tarifas, de 1934) e o Conselho de Política Aduaneira (CPA) para estabelecer, rever ou 
atualizar as tarifas de importação, de acordo com os objetivos nacionais de desenvolvimento. O sistema 
criado favoreceu os produtores nacionais de produto acabado e facilitou a importação de bens de 
capital e produtos intermediários.
Segundo Souza (2009), até 1964, a reforma de 1957 não foi alterada, mas, em razão do 
enorme déficit do balanço de pagamentos, o serviço da dívida acabou provocando novas medidas 
bloqueadoras de importações, como os casos dos depósitos antecipados em 150 dias do valor das 
importações e da sobretaxação de produtos considerados supérfluos.
Nesse sentido, a cooperação entre as nações nas áreas tecnológica, científica e econômica é de 
fundamental importância para o desenvolvimento econômico. A integração revela-se cada dia mais 
necessária para que os países possam enfrentar problemas, cuja solução deve ser encarada de forma 
coletiva, como o aproveitamento dos recursos existentes nas regiões. 
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NEGÓCIOS INTERNACIONAIS
5.2 Abertura comercial e sua evolução
Segundo Corseuile Kume (2003), até fins da década de 1980, a industrialização brasileira, baseada 
no processo de substituição de importações, e as recorrentes crises cambiais geraram uma política de 
importação que permitia apenas a entrada no país de bens sem similar nacional ou bens necessários 
para suprir um eventual excesso de demanda.
Segundo os autores, essa política apoiava-se em tarifas aduaneiras elevadas, controles 
discricionários, como lista de produtos proibidos, limite máximo anual de compras externas por 
empresa, entre outros, e regimes especiais de tributação pelos quais parcela substancial das 
importações era favorecida com redução ou isenção da tarifa. 
Conforme destacam os autores, essas políticas viabilizaram um parque industrial relativamente 
amplo e diversificado, mas acomodado ao protecionismo exagerado e, portanto, incompatível com o 
propósito de integração competitiva da indústria brasileira no comércio internacional.
Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, Lacerda (2013) coloca que o Brasil 
intensificou a sua abertura comercial com diminuição de restrições e redução de tarifas de 
importação. Colocou-se a indústria local diante da concorrência dos produtos importados, 
favorecidos pelas reduzidas tarifas, e posteriormente se seguiu longo período de valorização da 
nossa moeda (1994-1999 e 2004-2010). 
Foi um processo que, embora no curto prazo fosse favorável ao consumidor, não se sustentou nem 
se sustenta, por exemplo, por seus impactos deletérios na balança comercial. 
Lacerda (2013) ainda relata que não se completou o processo oferecendo condições isonômicas 
de competitividade sistêmica. Todos os fatores que não dependem das empresas, mas que afetam a 
competitividade do País, continuaram muito ruins: carga e estrutura dos impostos, excesso de burocracia, 
deficiências de infraestrutura e logística, educação deficiente etc.
Por outro lado, Racy (2006) diz que as condicionalidades externas e internas na década de 1980 
obrigariam o Brasil a rever sua política externa a partir da década de 1990, de forma a buscar uma nova 
inserção no sistema internacional e na economia internacional agora globalizada.
Para tanto, o primeiro passo seria promover a abertura da economia brasileira, amparada no 
desenvolvimento de políticas internas que viessem a erradicar a inflação e, nessa medida, favorecer a 
capacitação do país para a competição internacional. 
Nesse sentido, diz Lacerda (2013) que a negociação de acordos internacionais deve visar ao acesso 
aos mercados pelos produtores brasileiros, mediante avanços no quadro da competitividade sistêmica 
interna e contrapartidas dos países parceiros comerciais.
É isso que deve ser levado em conta num processo de abertura, que não se justifica por si só, mas 
como parte de uma estratégia de inserção autônoma e soberana. 
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Unidade III
 Saiba mais
Para se aprofundar nesse tema, leia:
BACHA et al. Estado da economia mundial: desafios e respostas. 
Seminário em homenagem a Pedro S. Malan. São Paulo: LTC, 2015.
Mariano e Carmo (2007) destacam que, desde os recentes movimentos de maior abertura da economia 
brasileira, ocorreram mudanças importantes em algumas cadeias produtivas do país, principalmente nos 
setores voltados para o mercado externo. 
É verdade que esse quadro, como bem observado, foi fortemente influenciado pelo processo de 
desvalorização cambial, no entanto, ocorreu um aumento de produtividade das empresas, com a 
incorporação de novas tecnologias aliada ao aumento do número de empresas exportadoras.
Já Magnoli e Serapião Jr. (2006) colocam que o comércio exterior redistribui renda dentro de cada 
economia nacional e produz, portanto, vencedores e perdedores. As teorias econômicas sobre o comércio 
explicam e radiografam essa dinâmica, mas elas não proporcionam, por si mesmas, um roteiro para a 
diplomacia comercial. 
Ainda de acordo com Magnoli e Serapião Jr. (2006), nas negociações internacionais, os representantes 
dos Estados renunciam à defesa de interesses setoriais e regionais de suas nações em busca de algo que 
é definido como interesse nacional. Os diplomatas devem, sem dúvida, conhecer a teoria do comércio e 
ter prática em negociação, mas precisam também ser exímios praticantes da arte política de construir 
consenso doméstico em torno desse interesse.
Com o objetivo de impulsionar a liberalização comercial e combater práticas protecionistas adotadas 
desde a década de 1930, foi criado o GATT, em 1947, para regular as relações comerciais, sendo o instrumento 
que de fato regulamentou por mais de quatro décadas as relações comerciais entre os países.
Por conseguinte, a redução de barreiras comerciais tarifárias por acordos multilaterais entre 
Estados no âmbito de diversas rodadas do GATT forneceu a base para as Rodadas Kennedy, Tóquio 
e Uruguai, que culminaram em importantes facilidades para o comércio. A Rodada do Uruguai foi 
concluída em 1993 com facilitações significativas para o comércio mundial e com a transformação 
do GATT na nova OMC.
Em decorrência da diminuição de barreiras, a importação e a exportação de bens e serviços, 
que antes, em razão dos obstáculos comerciais, não eram competitivas, tornaram-se rentáveis, 
o que possibilitou um comércio exterior mais atrativo em diversos lugares e contribuiu para 
que o comércio mundial crescesse.
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NEGÓCIOS INTERNACIONAIS
 Lembrete
O GATT, Acordo de Livre-Comércio, transformou-se na OMC, Organização 
Mundial do Comércio.
Dessa forma, um melhor ordenamento nas relações comerciais entre os países trouxe reconhecidos 
benefícios aos menos desenvolvidos. Entretanto, ainda persistem alguns privilégios, o que possibilita que 
princípios gerais sejam interpretados ao sabor da conveniência dos países mais poderosos.
5.3 Plano Nacional de Cultura Exportadora – PNCE
Outro projeto interessante para impulsionar a política de comércio exterior é o Plano Nacional da 
Cultura Exportadora (PNCE), que integra a Política de Comércio Exterior do Governo Federal, a qual visa 
a ampliar e diversificar as exportações brasileiras.
Segundo o MDIC, o PNCE busca difundir a cultura exportadora e contribuir para ampliar o número 
de exportadores brasileiros por meio de uma rede de apoio a empresas formada por diversas instituições 
– públicas e privadas – que atuam no fomento às exportações brasileiras.
De acordo com o MDIC, o principal papel do PNCE é organizar as ações desenvolvidas por essas 
instituições de modo que sejam executadas de forma harmônica e encadeada, evitando duplicidades e 
sombreamentos, minimizando lacunas e otimizando os esforços.
O PNCE conta com a participação de entidades nacionais, todos os governos estaduais e distrital, 
além de diversas instituições regionais.
A coordenação nacional do PNCE é feita pelo MDIC e, nas unidades da Federação, por comitês 
estaduais compostos pelos principais intervenientes no comércio exterior regionais.
A metodologia do PNCE é desenvolvida em cinco etapas: 
Sensibilidade Inteligência comercial
Adequação de 
produtos e 
processos
Promoção
comercial Comercialização
Figura 18
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Unidade III
Essas etapas constituem a trilha de internacionalização, conforme demonstrado a seguir, ou seja, 
o caminho para uma empresa exportar. De acordo com o MDIC, ao serem cadastradas no PNCE, 
as empresas são alocadas na trilha de internacionalização de acordo com seu grau de maturidade 
exportadora. À medida que avançam natrilha, são enquadradas nas etapas seguintes.
Em cada uma dessas etapas das trilhas, há o acompanhamento dos órgãos responsáveis.
 
Ampliar a base exportadora
Sensibilização Inteligência comercial
Adequação de
produtos e
processos
Promoção
comercial Comercialização
1 2 3 4 5
Conscientizar as empresas 
quanto aos benefícios da 
exportação
Identificar potenciais 
mercados externos
Adequar produtos 
e processos aos 
mercados-alvo
Promover produtos e 
serviços no mercado 
externo
Efetivar vendas no
exterior de forma 
continuada
Financiamento
Qualificação
Gestão
Figura 19
Vejamos as ações desenvolvidas em cada uma dessas etapas, de acordo com o MDIC. 
Quadro 18
Etapa Ação
Sensibilização
São desenvolvidas ações com o intuito de mostrar para as empresas as 
vantagens da exportação. São ações voltadas para empresas que nunca 
exportaram, que têm potencial exportador e que não conhecem os benefícios 
da exportação e/ou os princípios básicos do processo exportador. São ações 
coletivas (voltadas para um grupo de empresas).
Adequação de produtos e processos
Nesta etapa são oferecidas ações voltadas para empresas que já têm definido 
um mercado-alvo e informações detalhadas sobre esse mercado. Essas ações 
podem ser coletivas ou individuais.
Promoção comercial
A empresa será convidada a participar de feiras e rodadas de negócios. São 
ações destinadas a empresas que já possuem produtos que atendem as 
exigências do(s) mercado(s) em que pretendem atuar ou que buscam conhecer 
in loco os requisitos exigidos pelos seus potenciais compradores e informações 
sobre seus concorrentes e consumidores. São ações coletivas, podendo ser 
individuais no âmbito estadual.
Comercialização
Nesta etapa são ofertadas ações de apoio à negociação, logística, distribuição 
etc. São voltadas para empresas que estejam prontas para comercializar seu(s) 
produto(s) no exterior, mas que necessitam de apoio quanto à identificação de 
compradores, formas de distribuição, procedimentos alfandegários etc. Essas 
ações podem ser coletivas ou individuais.
Adaptado de: Brasil ([s.d.]g).
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NEGÓCIOS INTERNACIONAIS
Outro ponto importante a ser observado é que, além dessas etapas, são previstas ações transversais 
– que podem ocorrer em todas as etapas da trilha – ligadas a financiamento, qualificação e gestão.
 Saiba mais
Para obter informações sobre a participação no PNCE, acesse o site do 
MDIC. 
BRASIL. Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. 
Informações sobre o PNCE. Brasília: MDIC, 2018d. Disponível em: 
<http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/pnce/838-plano-nacional-da-
cultura-exportadora-pnce%E2%80%8B>. Acesso em: 23 jul. 2018. 
Leia o texto a seguir e faça uma pesquisa sobre os principais acordos do Brasil. 
Abertura comercial do Brasil é caminho para desenvolvimento econômico e social
Autoridades do governo e economistas reafirmaram, nesta terça-feira (7), a 
necessidade de se continuar a fortalecer o comércio exterior do Brasil como forma 
de impulsionar a economia brasileira como um todo. Durante o evento “Diálogos 
Estratégicos: a Abertura Econômica para o Desenvolvimento e o Bem-Estar”, os 
especialistas ressaltaram que, em um país mais integrado, há mais emprego, renda e 
crescimento econômico.
Em entrevista ao Planalto, o secretário-especial da Secretaria Especial de Assuntos 
Estratégicos (SAE), Hussein Kalout, aponta que a maior integração do Brasil com o 
mundo pode gerar aumento na produção nacional, o que, na prática, significa maior 
geração de empregos e renda da população.
“O objetivo desse evento não está restrito a um nicho específico dentro da plataforma 
macroeconômica brasileira, mas em como melhorar a renda média do cidadão brasileiro”, 
afirmou, após o evento. “Produtividade implica o quê? Mais emprego, que implica mais 
renda”, completou Hussein Kalout.
Opinião similar tem o secretário-executivo do Ministério da Indústria, Comércio 
Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge. Ele acredita que uma maior abertura comercial 
é o caminho para um desenvolvimento social e econômico mais sustentável no País.
“A experiência histórica mostra que não há desenvolvimento econômico e 
social sustentável sem abertura econômica”, afirmou o secretário, Ele acrescentou 
que o governo do Brasil vem trabalhando na conclusão de acordos comerciais 
com outros países.
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Unidade III
Por meio desse esforço, o prazo das exportações brasileiras foi reduzido em 40% e 
os acordos de facilitação de comércio com outras nações já somam 14, de acordo com 
o secretário do MDIC.
Neste ano, a balança comercial brasileira vem registrando recordes históricos. Até 
outubro, o saldo comercial – que é a diferença entre exportações e importações – está 
positivo em US$ 58,4 bilhões, superando em muito o recorde de US$ 47,7 bilhões feito 
em todo o ano de 2016.
Fonte: Brasil (2017).
Antes de realizar negócios com determinado país ou bloco econômico, é importante que a empresa 
verifique se existe algum tipo de barreira comercial. 
 Saiba mais
Para mais informações sobre barreiras comerciais, o governo brasileiro 
disponibiliza consulta no site:
<https://barreirascomerciais.dpr.gov.br/>.
Exemplo de aplicação
Faça uma consulta ao sistema indicado anteriormente e verifique se há barreiras comerciais para 
China, Estados Unidos da América, Argentina, Alemanha, Coreia do Sul, Japão, França, Itália, Índia e 
Rússia. Se houver, relacione os tipos de barreiras identificados.
 Saiba mais
Conheça o Sistema Eletrônico de Monitoramento de Barreiras 
às Exportações (SEM Barreiras) criado como canal de diálogo com o 
Governo Federal para tratar de medidas externas que dificultam o 
acesso das exportações brasileiras a mercados internacionais. O sistema 
permite acompanhar, de forma transparente, as ações adotadas pelo 
Governo para eliminação dessas medidas ou redução dos seus efeitos. 
Mais informações disponíveis em:
<http://www.investexportbrasil.gov.br/>. 
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NEGÓCIOS INTERNACIONAIS
Vamos abordar no próximo item os tratados e convenções celebrados entre as nações. 
6 TRATADOS E CONVENÇÕES
Segundo Ratti (2006), tratados comerciais são convenções celebradas entre nações, vigorando por 
certo período, com o objetivo de nortear as relações comerciais entre elas. 
Pode-se distinguir dois tipos de tratados comerciais:
Bilateral Multilateral
Figura 20
O tratado bilateral é aquele que abrange apenas duas nações, por exemplo, Brasil e outro país.
Já o tratado multilateral é quando as suas disposições se estendem a vários países, que o aprovam 
com a finalidade de harmonizar os seus interesses e intensificar as suas relações comerciais. De acordo 
com Ratti (2006), nesse caso, temos uma união comercial.
Para o autor, um tratado comercial contém uma série de cláusulas, abordando uma infinidade 
de aspectos, tais como: instalação de serviços consulares ou de representação comercial, direitos e 
obrigações de empresas estrangeiras, proteção de mercas e patentes, arbitramento de pendências, 
direitos e obrigações dos navios das nações contratantes, fretes, direitos aduaneiros e despesas correlatas, 
tributação interna sobre os produtos importados, entre outros. 
 As regras derivadas das convenções internacionais ou dos princípios internacionais geralmente são 
aceitas com relação à compra e venda internacional. 
Entre as várias cláusulas constantesde um tratado comercial, quatro merecem destaque, conforme 
descreve Ratti (2006), e são elas:
de paridade
de reciprocidade
de tratamento
de nação mais 
favorecida
de salvaguarda
Cláusulas
Figura 21
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Unidade III
A seguir, análise dessas cláusulas:
Quadro 19
Cláusula Conceito
De paridade
Estabelece que os produtos originários de uma parte contratante gozarão, no território 
de outra parte contratante, especialmente no que se refere a impostos, taxas e outros 
gravames internos (não considerados, portanto, os impostos de importação), de 
tratamento não menos favorável que o aplicado a produtos similares.
De reciprocidade de 
tratamento
Determina que novas vantagens ou redução nos direitos aduaneiros somente sejam 
concedidas aos signatários do tratado mediante compensação equivalente recebida. 
De salvaguarda
Prevê que os países signatários poderão aplicar restrições à importação dos produtos 
negociados sempre que possam causar prejuízos a determinado setor produtivo nacional. 
Tais restrições normalmente vigoram por um ano.
De nação mais 
favorecida
É a mais utilizada e a mais importante. Estabelece que cada um dos países signatários se 
compromete a estabelecer ao outro todo favor, privilégio ou baixa de direitos que cada 
um deles venha a conceder a um terceiro país. 
Adaptado de: Ratti (2006, p. 334).
Ratti (2006) destaca que, em relação à cláusula de nação mais favorecida, há duas modalidades 
distintas, sendo:
Incondicional
Condicional
Figura 22
Pela modalidade incondicional, o país recebe imediata e automaticamente toda e qualquer vantagem 
concedida pelo outro signatário a um terceiro país, sem que haja de sua parte obrigatoriedade alguma 
em oferecer concessão recíproca especial.
Por outro lado, na modalidade condicional, o país somente gozará das vantagens concedidas a 
terceiros se oferecer em troca uma concessão recíproca equivalente. 
Ratti (2006) destaca algumas distinções em relação a tratados comerciais e acordos comerciais. 
Vamos a elas. Os tratados, diz o autor, são amplos e complexos, abrangendo uma infinidade de 
aspectos. Já os acordos são mais simples, pois limitam-se de modo geral aos aspectos relacionados 
aos produtos a serem transacionados entre os países, quantidades e valores. Esses elementos constam 
especificamente de listas trocadas e aprovadas pelos representantes dos países signatários e ficam 
fazendo parte integrante do acordo comercial. A finalidade dessa troca de listas é regular. 
Por outro lado, Maia (2001) coloca que ambos, tratados e acordos, são acertos firmados entre nações 
em que se estabelecem objetivos e período de vigência. O objetivo poderia ser o aumento de comércio 
entre as partes, mediante reduções de tarifas alfandegárias.
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Maia (2001) também ratifica que o tratado, geralmente, é muito amplo, bastante complexo e com 
duração longa. Por outro lado, o acordo é mais simples e mais flexível. As partes estabelecem:
• os produtos beneficiados, mediante listas;
• as quantidades a serem negociadas;
• os valores globais do acordo e o prazo de duração.
Vejamos um exemplo. Vamos supor que o país A pactua com o país B o seguinte: durante cinco anos, 
B comprará trigo de A, e A comprará café de B. Esses produtos entrarão nos respectivos países isentos 
de taxas alfandegárias; cada parte comprará US$ 50.000,00 por ano. 
Maia (2001) destaca que os acordos ou tratados podem ser de natureza monetária ou comercial. De 
natureza monetária, temos como exemplo Bretton Woods, que estabeleceu uma série de medidas nesse 
campo, como a obrigatoriedade de paridades fixas. 
 Observação
Acordo de Bretton Woods ou Acordos de Bretton Woods é o nome que 
ficou conhecida uma série de disposições acertadas por cerca de 45 países 
aliados, em julho de 1944, na cidade norte-americana que deu nome ao 
acordo, no estado de New Hampshire, no hotel Mount Washington.
6.1 Tratado de Assunção
Podemos citar como exemplo também o Tratado de Assunção, conforme relato do MDIC:
A aprovação da TEC também incluiu alguns mecanismos de ajuste das 
tarifas nacionais, através de Listas de Exceções, com prazos definidos para 
convergência aos níveis da TEC. Como previsto no Tratado de Assunção, a 
partir de 01/01/95, os quatro estados-partes do Mercosul adotaram a Tarifa 
Externa Comum (TEC), com base na Nomenclatura Comum do Mercosul 
(NCM), com os direitos de importação incidentes sobre cada um desses itens.
Segundo as diretrizes estabelecidas, desde 1992, a TEC deve incentivar a 
competitividade dos estados-partes e seus níveis tarifários devem contribuir 
para evitar a formação de oligopólios ou de reservas de mercado. Também 
foi acordado que a TEC deveria atender aos seguintes critérios: a) ter 
pequeno número de alíquotas; b) baixa dispersão; c) maior homogeneidade 
possível das taxas de promoção efetiva (exportações) e de proteção efetiva 
(importação); d) que o nível de agregação para o qual seriam definidas as 
alíquotas era de seis dígitos (BRASIL, [s.d.]h).
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Unidade III
Conforme o site do MDIC, temos ainda o Acordo de Facilitação de Comércio (AFC), que é um acordo 
comercial multilateral vinculativo entre membros da OMC. O AFC foi concluído em dezembro de 2013 
e entrou oficialmente em vigor em fevereiro de 2017. Ao se inscrever, os países se comprometeram 
a combater os obstáculos ao comércio, que representam os exigentes requisitos de fronteira. Essas 
barreiras tornam mais difícil para empresas de todos os tamanhos a realização de trocas internacionais, 
mas prejudicam sobretudo as pequenas e médias empresas. O AFC é uma oportunidade única para o 
desenvolvimento de metas de desenvolvimento, como o crescimento sustentável, a redução da pobreza 
e a igualdade de gênero. Em conjunto, as reformas têm o potencial de reduzir os custos comerciais em 
14,3% em média e criar cerca de 20 milhões de empregos, principalmente em países em desenvolvimento.
 Saiba mais
Veja a notícia a seguir sobre o AFC no site do MDIC.
BRASIL. Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Novo 
projeto de facilitação de comércio com o Brasil. Brasília: MDIC, 2018d. 
Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/index.php/noticias/3139-novo-
projeto-de-facilitacao-de-comercio-com-o-brasil>. Acesso em: 25 jul. 2018. 
Para compreender melhor o que tratamos neste item, leia o artigo a seguir.
Blocos comerciais dominam exportação da América Latina
Mais de 60% das exportações dos países latino-americanos têm como destino nações 
com as quais há algum acordo de comércio. Em 1991, essa proporção era de apenas 6,1%, 
mostra estudo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Por um lado, o aumento é um indício de que acordos regionais e bilaterais realmente 
têm um impacto positivo no fluxo de comércio. Por outro, eles são um risco para o avanço 
das negociações multilaterais. No mínimo, a energia e o tempo gastos para negociar 
acordos bilaterais (entre dois países) ou regionais (entre um grupo de países) desviam os 
governos do objetivo principal: eliminar as barreiras ao comércio de forma generalizada.
Mais acordos
Segundo outro estudo, apresentado ontem pelas cinco comissões econômicas da 
ONU, até outubro do ano passado, haviam sido registrados 285 acordos de comércio na 
OMC. A previsão é de que até 2007 haja mais de 300 acordos do tipo.
Do total de acordos, 90% são bilaterais. A maioria – 70% – não formauma área de 
livre-comércio sem restrições. Na verdade, são acordos de preferências comerciais que, 
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na avaliação do secretário-geral da Unctad, Rubens Ricupero, “não merecem o nome de 
acordos de livre-comércio”.
Além de Ricupero, quatro dos cinco secretários-gerais das comissões econômicas da 
ONU mostraram preocupação em relação ao aumento do número de acordos regionais.
A exceção foi a secretária-geral da Comissão Econômica para a Europa (ECE), Brigita 
Schmögnerová. Ela argumenta que “quase todos os acordos (no âmbito da União Europeia) 
têm tido o efeito de criar comércio para os parceiros envolvidos”. A secretária-geral também 
argumentou que, na Europa, os acordos servem como meio de ajudar tecnicamente os 
países menos desenvolvidos da região.
Para o representante da Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico (Escap, 
na sigla em inglês), Kim Hak-Su, a proliferação de acordos regionais e bilaterais é uma 
resposta dos países às dificuldades para negociar um acordo multilateral no âmbito da 
OMC. Estratégia que pode ser acelerada, avalia Hak-Su, depois do fracasso da Conferência 
Ministerial de Cancún, em setembro do ano passado.
No caso brasileiro, apenas 13,6% das exportações têm como destino países com os quais 
há acordo comercial, mostrou o estudo da Comissão Econômica para a América Latina e o 
Caribe (Cepal). São, na verdade, as vendas externas brasileiras para os países do Mercosul.
“No caso do Mercosul, é mais difícil fechar um acordo bilateral com, por exemplo, os 
EUA. Principalmente porque os países do Mercosul têm vantagens competitivas na área 
agrícola”, diz José Luis Machinea, secretário-geral da Cepal. Ele lembra que é justamente 
no setor agrícola que se encontram as maiores resistências à abertura de mercado nos EUA.
Ruim para a região
Machinea avalia que, individualmente, os países podem obter vantagens e aumento do 
comércio quando negociam acordos bilaterais. “Mas, para a região latino-americana como 
um todo, essa não é uma boa alternativa”.
Ainda mais crítico aos acordos bilaterais, o embaixador Ricupero lembrou que eles ferem 
os dois primeiros artigos que foram base para a criação do sistema multilateral de comércio: 
o princípio de não discriminação e a cláusula de nação mais favorecida.
“Um acordo bilateral, na verdade, é um acordo que discrimina os demais membros do 
mercado mundial”, disse Ricupero.
A cláusula de nação mais favorecida estabelece que, quando um país concede benefícios 
a um parceiro comercial – como uma tarifa de importação menor – ele deve estender a 
medida a todos os demais países.
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Unidade III
Há, como em toda a regra, exceções. A cláusula não é válida, por exemplo, para o caso 
de países que queiram estabelecer uma área de livre-comércio, acabando com a maior parte 
das barreiras. O problema é que o conceito de livre-comércio é muito subjetivo, e os países 
acabam o usando como subterfúgio para conceder benefícios a parceiros comerciais. 
Fonte: Billi (2004).
Exemplo de aplicação
Com base no artigo anterior, faça uma pesquisa sobre os acordos firmados entre o Brasil e os parceiros 
do Mercosul. Para isso:
a) Identifique quais os objetivos desses acordos. 
b) Verifique o que mudou em relação ao artigo apresentado. 
 Resumo
Destacamos, nesta unidade, os aspectos relacionados à política externa 
brasileira no que tange a sua evolução.
No decorrer da década de 1990, em razão das variáveis internas e 
externas, o Brasil teve de rever a sua política externa, visando a uma nova 
inserção no sistema internacional, agora globalizado. 
A política externa brasileira, a partir de 1990, visava à inserção do Brasil 
no mercado internacional. Isso implicou uma mudança de perspectiva em 
relação à realidade existente entre mercado interno e externo, fazendo com 
que as empresas se preocupassem com o processo de internacionalização, 
tornando-as mais competitivas no cenário global. 
Vimos, ainda, sobre as barreiras existentes no comércio internacional, 
o que pode impactar nas relações comerciais, haja vista que as barreiras, 
muitas vezes, funcionam como uma forma de proteção ao mercado local, 
exigindo das empresas que pretendem atuar nesses mercados o atendimento 
às exigências dos países potenciais para negociação.
Falamos também sobre os tratados comerciais existentes dos quais 
o Brasil faz parte e sobre a evolução desses acordos no âmbito dos 
blocos econômicos. 
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 Exercícios
Questão 1. (Enade, Relações Internacionais, 2012) Historicamente, o processo de formulação 
e condução da política externa brasileira ficara altamente concentrado nas mãos do Ministério 
das Relações Exteriores (MRE). Nesse contexto de insulamento decisório, a influência de elites 
não governamentais sempre foi pequena. Entretanto, ao longo das negociações da área de 
Livre-Comércio das Américas (Alca), assistiu-se a ganhos em termos de canais institucionalizados 
de articulação entre o setor privado e o governo. A reversão desse quadro deveu-se, em grande 
medida, à atuação da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), cuja criação e manutenção contaram 
com papel assertivo e determinante da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Pela primeira 
vez, o empresariado nacional mobilizou-se em uma associação de cúpula em torno de uma 
negociação internacional. 
MANCUSO, W.; OLIVEIRA, A. Abertura econômica, empresariado e política: 
os planos domésticos e internacional. Lua Nova, São Paulo, n. 69, p. 147-172, 2006 (adaptada). 
A partir do trecho acima, avalie as afirmações a seguir.
I – A política externa é considerada insulada quando, em sua formulação, a participação de atores da 
sociedade civil é baixa ou inexistente.
II – Nas negociações internacionais, os setores econômicos competitivos tendem a pressionar 
o governo por mais protecionismo, ao passo que os setores menos competitivos demandam 
liberalização comercial.
III – No Brasil, além do Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria 
e Comércio atua nas áreas de comércio e integração regional.
IV – Nas negociações da Alca, o setor industrial brasileiro, representado pela CNI, procurou influenciar o 
governo brasileiro a aceitar a proposta final norte-americana, uma vez que avaliara positivamente 
os possíveis impactos econômicos advindos da conclusão do acordo.
É correto apenas o que se afirma em:
A) I.
B) II.
C) I e III.
D) II e IV.
E) III e IV.
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Unidade III
Resposta correta: alternativa C. 
Análise das afirmativas 
I – Afirmativa correta.
Justificativa: uma política externa será considerada insulada quando for desenvolvida especificamente 
pelo monopólio estatal.
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: a realidade concreta mostra o inverso do exposto pela afirmativa.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: os dois órgãos governamentais estão ligados ao comércio e à integração regional, no Brasil.
IV – Afirmativa incorreta.
Justificativa: o texto apresentado no enunciado sugere ter havido um debate entre setores 
privados e governo, mas não nos permite afirmar que a CNI avaliou positivamente os impactos 
econômicos da Alca.
Questão 2. (Sesau/RO, 2014) “Em 1944, delegados de 45 países não comunistas participaram deuma conferência em Bretton Woods, com o propósito de reformar o sistema monetário internacional. 
O conjunto de medidas acordadas naquela oportunidade passou a ser conhecido como Sistema de 
Bretton Woods e compreende tanto iniciativas para lidar com desequilíbrios externos dos diversos 
países participantes quanto a definição do aparato institucional para prover liquidez e financiar o 
desenvolvimento econômico.” 
BAUMANN, R. (Org.). Economia internacional: teoria e experiência brasileira. RJ: Campus, 2004. p. 371.
Considerando os organismos internacionais de Bretton Woods, indique a alternativa correta.
A) Os organismos, a exemplo do FMI e da OMC, surgiram como forma de pôr fim à Segunda 
Guerra Mundial.
B) Com a criação do Fundo Monetário Internacional e do Bird, criam-se as condições para tratar das 
questões relacionadas às finanças internacionais e à retomada do desenvolvimento.
C) À época de sua criação, o Banco Mundial foi concebido como um instrumento para ajudar na 
reconstrução das economias americanas afetadas pela guerra, e tal ajuda deu-se pelo Plano New Deal.
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NEGÓCIOS INTERNACIONAIS
D) A criação do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) constituiu um instrumento de regulação 
da política cambial para solucionar dificuldades de Balanço de Pagamentos dos países-membros.
E) A criação da OMC a partir de seu embrião, o GATT, configura o propósito de prover capital para 
investimentos que permitissem elevar a produtividade, bem como o padrão e qualidade de vida 
em países subdesenvolvidos.
Resolução desta questão na plataforma.

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