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FRONTISPÍCIO MANUAL DE INQUÉRITO POLICIAL MILITAR - ANOTADO Evandro dos Santos da Costa 2020 Evandro dos Santos da Costa - 2.o Sgt PM RG 63.353 email: esc63353@gmail.com Rio de Janeiro, RJ 21 de Junho de 2020. mailto:esc63353@gmail.com PÁGINA DE ROSTO TÍTULO I O INQUÉRITO POLICIAL MILITAR CAPÍTULO 1 DA POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR I – POLÍCIA: DEFINIÇÃO, CONCEITO E DIVISÃO 1) DEFINIÇÃO: POLÍCIA – é o órgão da administração pública responsável pela segurança da comunidade cujo objetivo é o desenvolvimento de ações que visem impedir a prática de atos que firam os dispostos legais. A mesma atividade numa sequência lógica tem por escopo reprimir tais atos quando emergem, apesar da vigência preventiva. 2) CONCEITO O termo Polícia vem do grego – polis, que significa o ordenamento jurídico do Estado e a arte de governar. Para os romanos, o termo política, tinha o sentido de ser o próprio órgão estatal incumbido de zelar sobre a segurança dos cidadãos. Modernamente, segundo JOSÉ CRETELLA JÚNIOR, polícia é “o conjunto de poderes coercitivos exercidos pelo Estado sobre atividades do cidadão mediante restrições legais impostos a essas atividades, quando abusivas, a fim de assegurar-se a ordem pública.”(Direito Administrativo da Ordem Pública, 1987, p. 165). Como se observa, o termo polícia está diretamente ligado à proteção do cidadão, seja preventivamente, evitando que o mesmo sofra ato que ponha em risco a perda de seus direitos e garantias, seja repressivamente, agindo de forma a identificar a autoria e posterior punição daquele que violou a lei. As Polícias Militares têm como principal missão o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública, conforme dispõe a Magna Carta de 1988, em seu artigo 144, parágrafo 5º, o que se depreende de estarem tais instruções voltadas à preservação de atos que possam pôr em risco as garantias e os direitos do cidadão. Porém, embora a Constituição não estabeleça explicitamente, as polícias militares exercerão a função repressiva, quando tiverem de apurar fato que configure crime militar, por este receber tratamento especial na legislação, que visa garantir a sustentação dos pilares básicos da Instituição Militar, que são a hierarquia e a disciplina. 3) DIVISÃO: Do exposto acima, extraímos a divisão clássica: - Polícia Preventiva ou Administrativa - Polícia Repressiva ou Judiciária Teoricamente, ocorrido o delito, deveria cessar a ação policial, pois a repressão compete à Justiça. Contudo, a organização judiciária não dispõe de instrumentos para desenvolver uma ação repressiva rápida. O interesse social impõe, pois, que, a partir da eclosão do delito, a polícia assuma uma postura de auxiliar da Justiça: - rastreando e descobrindo os crimes que não puderam ser evitados, colhendo e transmitindo indícios e provas e identificando autores e cúmplices. Temos então a chamada POLÍCIA JUDICIÁRIA que, no dizer de Amintas Vidal Gomes, “destina-se a investigar crimes que não puderam ser prevenidos, descobrir-lhes os autores e reunir provas ou indícios contra estes, no sentido de leva-los a juízo e, consequentemente, a julgamento; a prender em flagrante os infratores da lei penal; a executar os mandados de prisão expedidos por autoridades judiciais e a entender às requisições destas”. Conforme veremos a seguir, o termo polícia comporta uma série de divisões, consoante a visão de renomados autores. Segundo LEONARDO DA COSTA TOURINHO, a atividade de polícia pode se dar de diversos modos (terrestre, marítima ou aérea), distinguindo-se em polícia administrativa, judiciária e de segurança (Processo Penal, v. 1. 1993. p.174). JOSÉ AFONSO DA SILVA, ao tratar a respeito de polícia e segurança pública, distingue polícia administrativa e polícia de segurança, tendo a primeira “por objeto as limitações impostas a bens jurídicos individuais”. A polícia ostensiva que tem por objeto “as medidas preventivas que em sua prudência julga necessárias para evitar o dano ou o perigo às pessoas”, sendo de natureza preventiva. A polícia judiciária que “tem por objetivo precisamente aquelas atividades de investigação, de apuração das infrações penais e de indicação de sua autoria, a fim de fornecer os elementos necessários ao Ministério Público em sua função repressiva das condutas criminosas, por via de ação penal pública” (Curso de Direito Constitucional Positivo, 1993, p. 658). Na lição de ÁLVARO LAZZARINI, o termo polícia descortina-se em polícia administrativa (preventiva) e polícia judiciária (repressiva), acrescentando que “as Polícias Militares brasileiras têm plena formação para o regular exercício das atividades de polícia administrativa e de polícia judiciária”. Prossegue o autor: “a polícia administrativa é regida pelos princípios jurídicos do Direito Administrativo e incide sobre bens, direitos ou atividades, enquanto que a polícia judiciária é regida pelas normas de Direito Processual Penal e incide sobre as pessoas. A polícia administrativa é preventiva. A polícia judiciária é repressiva. A primeira desenvolve a sua atividade, procurando evitar a ocorrência do ilícito e daí ser denominada preventiva. A segunda é repressiva, porque atua após a eclosão do ilícito penal, funcionando como auxiliar do Poder Judiciário” (Direito Administrativo da Ordem Pública, 1987, p. 36) Outros renomados autores como DIOGO DE FIGUEIREDO MOREIRA NETO, JOSÉ CRETELLA JUNIOR e HELY LOPES MEIRELLES, classificam o termo polícia de modos diversos, sendo relevante ao nosso estudo, após a análise das diversas classificações do termo polícia, seja de segurança ou administrativa e polícia judiciária. Importará para o nosso estudo a polícia judiciária, pois a mesma a partir da eclosão dos fatos ilícitos aos quais a polícia preventiva (polícia de segurança, polícia ostensiva), não teve como evitar ou se quer imaginava poder acontecer. II – POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR 1) CONCEITO Como vimos anteriormente, a polícia judiciária das divisões da polícia e vem a ser aquela que age repressivamente, procurando auxiliar o Poder Judiciário no processo de provas e respectivos autores, fornecendo elementos para promoção da justiça. Na Polícia Militar, temos a ação repressora da polícia na apuração de fato que configure crime militar, apontando o seu autor, dando elementos para promoção de justiça. Como se observa a adição do adjetivo militar comporta a mesma definição de Polícia Judiciária, porém concernentes, tão somente, a crimes militares, estes compreendidos no Código Penal Militar (Decreto-Lei nº 1001, de 21 de outubro de 1969), sendo o exercício da Polícia Militar regulada pelo Código de Processo Penal Militar (Decreto Lei nº 1.002 de 21 de outubro de 1969). A organização militar, embora seja um seguimento da sociedade, vive, face às peculiaridades próprias da função “militar” e às características de estrutura onde configuram fortes matizes da hierarquia e disciplina, sob a égide de regras e normas particulares. Assim é que no âmbito estadual temos uma legislação penal militar que define os crimes de competência da Justiça Militar, cujo funcionamento se regula pela Organização Judiciária do Estado. Ao lado do Código Penal Militar, dispomos da Lei Penal Adjetiva – Código Penal Militar – que disciplina e regula o desenvolvimento da ação penal militar. E é no âmago desse diploma legal que vamos encontrar a definição e competência da “Polícia Judiciária Militar”. Em essência, o conceito de Polícia Judiciária, comum, se aplica à Polícia Judiciária Militar, só que, no caso desta última, a adjetivação “Militar” define precisamente o seu campo de função: é uma atividade de polícia repressiva, auxiliar da justiça castrense, que se desenvolve na jurisdição militar, buscando, principalmente, apurar as infrações penais militares. 2) COMPETÊNCIA O artigo 8º do Código de Processo Penal Militar define a competência da Polícia Judiciária Milita: a) apuraros crimes militares, bem como os que por lei especial, estão sujeitos à jurisdição militar e sua autoria; b) prestar aos órgãos e juízes da Justiça Militar e aos membros do Ministério Público as informações necessárias à instrução e julgamentos dos processos, bem como realizar as diligências que por eles forem requisitadas; c) cumprir os mandatos de prisão expedidos pela Justiça Militar; d) representar a autoridades judiciárias militares acerca da prisão preventiva e da insanidade mental do indiciado; e) cumprir as determinações da Justiça Militar relativas aos presos sob sua guarda e responsabilidade, bem como as demais prescrições deste Código, nesse sentido; f) solicitar das autoridades civis as informações e medidas que julgar úteis à elucidação das infrações penais, que esteja a seu cargo; g) requisitar da polícia civil e das repartições técnicas civis as pesquisas e exames necessários ao complemento e subsídio de Inquérito Policial Militar; h) atender, com observância dos regulamentos militares, a pedido de apresentação de militar ou funcionário de partição militar à autoridade civil competente, desde que legal e fundamentado o pedido.” Em nossa Corporação somente o Comandante Geral, os Comandantes de Batalhão, os Diretores e Chefes de órgãos, repartições, estabelecimentos e serviços, previstos na Lei de Organização Básica poderão instaurar IPM no âmbito de suas circunscrições. A Polícia Judiciária Militar (PJM) é o órgão ou autoridade militar incumbida, por lei, do dever de desenvolver toda a atividade necessária para o fornecimento ao Ministério Público, em funcionamento na Justiça Militar, dos elementos necessários ao conhecimento judicial do fato que em tese configure crime militar. 3) EXERCÍCIO DA POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR A competência definida pelo Art. 8º, do CPPM é exercida pelas autoridades das Forças Armadas, conforme as suas respectivas jurisdições, pelo que se depreende das alíneas “a” e “h” do Art. 7º do mencionado diploma legal. Não se fala em autoridades das Polícias-Militares. Ocorre, no entanto, que essas Corporações, instituições para a manutenção da ordem pública, possuem estrutura militar e dispõem também de Justiça Militar prevista na própria Constituição Federal. Outrossim, os Art. 19 e 20 do Dec-Lei nº 667 são bastante explícitos a respeito. Dentro desse aspecto e considerando a conjunção do dispositivo constitucional (Art. 144, §1º, alínea “d” da Constituição Federal, com os Art. 2º e 6º do CPPM, subentende-se, face à alínea “h” do Art. 7º do mesmo diploma, como força, a Organização Policial-Militar estadual). Assim, em vista do que preceitua o Art. 7º do CPPM, conclui-se que a Polícia Judiciária Militar, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, é exercida: a) pelo Secretário de Estado da Polícia Militar – em todo o território do Estado; b) pelo chefe do Estado-Maior – nas mesmas condições do Comandante-Geral, secundando-o; c) pelos Comandantes de CPA, Diretores e Ajudantes-Gerais, na esfera de suas atribuições, nos crimes militares cometidos por policiais- militares diretamente subordinados a essas autoridades; d) pelo Comandantes de OPM, nos limites de suas atribuições, nos crimes militares cometidos por policiais-militares subordinados. As autoridades acima nomeadas são as detentoras do “Poder de Polícia Judiciária Militar”, nas suas respectivas áreas de jurisdição. Todavia, o exercício desse poder poderá ser delegado, de acordo com o previsto no Art. 7º do CPPM. Exemplo: O Cmt de OPM, ao expedir portaria determinando instauração de IPM, delega as atribuições que lhe competem a um determinado oficial, que, por força de tal delegação, investe-se, no caso especifico, no poder de “Polícia Judiciária Militar”. Do mesmo modo, o Oficial-de-Dia está investido desse poder no caso de lavratura de “Auto de Prisão em Flagrante”, bem como os Oficiais em serviço, coordenadores de Policiamento e comandantes de Cias e Pelotões destacados. Investidos da autoridade decorrente da competência que lhe foi delegada, o Oficial Encarregado de IPM estará apto a executar todos os atos inerentes ao exercício da Polícia Judiciária Militar. O exercício da Polícia Judiciária Militar pode se dar em duas esferas: a Federal e a Estadual. No que concerne à Polícia Judiciária Militar Federal, a mesma está ligada aos crimes militares cometidos por membros das Forças Armadas ou contra estes, assim definidos nos artigos 9º e 10º do Código Penal Militar. Na esfera Estadual, o exercício da Polícia Judiciária Militar está ligado aos crimes militares praticados por integrantes das Polícias Militares e Bombeiros Militares dos Estados. Anteriormente a promulgação da Constituição Federal de 1998, discutia-se a respeito do caráter militar dos integrantes das Polícias Militares e Corpo de Bombeiros Militares, pois recebiam os mesmos, a denominação de Servidores Públicos Estaduais. Mesmo com tal discussão a respeito do caráter militar dos integrantes das forças auxiliares do Exército, o Código de Processo Penal Militar, desde 1969, prevê em seu artigo 6º a aplicação do mesmo aos processos da Justiça Militar Estadual, nos crimes previstos na Lei Penal Militar, o Decreto Lei nº 667 de 2 de julho de 1969 (reorganiza as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal), em seus artigos 19 e 20 e a Lei nº 443 (Dispõe sobre o estatuto dos Policiais Militares do Rio de Janeiro), de 10 de julho de 1981, em seu artigo 44, sendo mencionado, ainda, em seu parágrafo único a competência do Tribunal Estadual competente para julgar tais servidores. Atualmente tal discussão não existe, tendo em vista a Constituição Federal ter dirimido a controvérsia na dicção do seu artigo 42 ao definir os Servidores Federais e Servidores Militares dos Estados, in verbis: “São servidores Militares Federais os integrantes das Forças Armadas e Servidores Militares dos Estados, Territórios e Distrito Federal os integrantes de suas Polícias Militares e de seus Corpos de Bombeiros Militares.” Reforça ainda mais o exercício da Polícia Militar Estadual a competência da Justiça Militar Estadual de processar e julgar os policiais militares e bombeiros militares, como se observa na dicção do parágrafo 4º, artigo 125 da Constituição Federal, verbis: “omissis. §4º. Compete a justiça estadual processar e julgar os policiais militares e bombeiros militares nos crimes militares definidos lei, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação dos praças.” A Constituição do Estado do Rio de Janeiro, promulgada em 1989, ratifica a condição de militar aos integrantes das forças auxiliares (artigo 91), bem como estabelece a competência dos Conselhos de Justiça Militar (artigo 163), de forma que segue: “A os Conselhos de Justiça Militar, constituídos na forma da lei de Organização e Divisão Judiciária, compete, em primeiro grau, processar e julgar os integrantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, nos crimes assim definidos em lei. Parágrafo único – Como órgão de segundo grau, funcionará o Tribunal de Justiça, cabendo-lhe decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação dos praças.” Assim, o Inquérito Policial Militar, no âmbito das forças auxiliares, é a expressão do exercício da Polícia Judiciária Militar Estadual, na apuração dos fatos que configurem crime militar, dando elementos para promoção de justiça, na esfera militar no Estado e que será objeto de nosso estudo. O Código de Processo Penal Militar em seu artigo 7º elenca as autoridades que poderão exercer a Polícia Judiciária Militar. Tal enumeração diz respeito ao exercício da Polícia Militar em âmbito federal. No âmbito estadual, pela analogia, e usando por base o M-5 (Manual de Inquérito Policial Militar e Auto de Prisão em Flagrante Delito), em vigor na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, elencaremosas autoridades estaduais que poderão exercer a Polícia Judiciária Militar Estadual: a) Pelo Secretário de Segurança Pública do Estado, em todo o território do Estado; b) Pelo Comandante Geral, em todo território do Estado; c) Pelo Chefe do Estado Maior; d) Pelo Corregedor Geral da Polícia Militar em todo o território Estadual, em caso de envolvimento de policiais militares de OPM distintos e/ou inativos (Pelo M-5 tal atividade era exercida pelo Diretor Geral de Pessoal, porém, atualmente, temos a figura do Corregedor Geral de Polícia Militar, devido ao grande número de procedimentos administrativos na orla disciplinar na Corporação, retirando assim do Diretor Geral de Pessoal tal atribuição); e) Pelos Comandantes do CPC, CPI, Diretores e Ajudante Geral, na esfera de suas atribuições, nos crimes militares cometidos por policiais militares diretamente subordinados a essas autoridades; f) Pelos Comandantes de OPM, nos limites de suas atribuições, nos crimes militares cometidos por policiais militares subordinados. As atribuições acima poderão se delegadas, como no caso do Inquérito Policial Militar, em que a confecção do mesmo recairá em oficial, devendo este ser de posto superior ao do indiciado, conforme o parágrafo 2º do artigo 7º do CPPM. CAPÍTULO 2 DO CRIME MILITAR I - DEFINIÇÃO Atualmente, em face das leis militares em vigor, não há mais razão para que haja divergências na conceituação de delitos militares. Pelo Art. 9º do Decreto-Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969, são considerados crimes militares, em primeiro lugar, aqueles de que trata o Código Penal Militar, quando definidos de modo diverso na lei penal comum ou nela previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial; dentre os primeiros, podem ser citados os crimes contra a incolumidade pública e certos crimes contra a administração militar, como os de peculato e de falsidade; e, dentre os segundos, os de motim e revolta, insubordinação, violência contra superior ou inferior, deserção, e abandono de posto (critério ratione materiae). Em segundo lugar, cogitando-se os crimes previstos naquele Código, embora também o sejam, igual definição na lei penal comum (por exemplo: o homicídio, as lesões corporais, a calunia, a difamação, a injuria, constrangimento ilegal), quando praticados: 1) por militar, em situação de atividade ou assemelhado, contra militar ou assemelhado, na mesma situação (critério ratione personae); ou, em lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva ou reformado, assemelhado ou civil (critério ratione loci), ou em serviço, comissão de natureza militar ou em formatura (critério ratione numeris), ainda que fora de lugar sujeito à administração militar, contra qualquer das pessoas referidas, ou em período de manobras ou exercícios, contra qualquer destas pessoas; contra patrimônio sob administração militar ou contra a ordem da administração militar; ou que, embora não estando de serviço, use armamento de propriedade militar ou qualquer material bélico (sob guarda, fiscalização ou administração militar) para prática de ato ilegal (este último item é inovação do atual Código); 2) por militar da reserva ou reformado, ou por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais: a) contra o patrimônio sob administração militar ou contra a ordem administrativa militar; b) em lugar sujeito à administração militar, contra militar em serviço ou assemelhado contra funcionários de ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de função inerente ao cargo; c) contra militar em formatura ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício, agrupamento, acantonamento ou manobra; d) ainda que fora de lugar sujeito à administração militar, contra militar em função de natureza ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia ou preservação da ordem pública administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquele fim ou em obediência à determinação legal superior. Não obstante haver o artigo 9º do Código Penal Militar vigente acompanhado o critério que inspirou o Art. 6º do Decreto-Lei nº 6.227, de 24 de outubro de 1994, é aquele mais minucioso que este, assim na redação como nas hipóteses previstas, todas, porém, adstritas ao mandamento constitucional que estatui a competência do foro militar; para nele serem processados, sob determinadas condições, militares e civis, torna-se necessário ter em vista que é restrita a interpretação daquele artigo do Código em vigor, quer pelos seus próprios termos, quer pela preceituação constitucional de que deveria? Referindo-se a “militar” em situação de atividade, na reserva ou reformado, o legislador considera, como tal, o pertencente às Forças Armadas, isto é, a Marinha, ao Exército e a Aeronáutica, ou quem a qualquer dessas Forças for incorporado, por convocação ou mobilização. Pela mesma ordem de ideias, o foro especial, extensivo aos civis, de que trata o §1º do Art. 129 da Constituição (Emenda nº 01), é tão-somente, o que resulta da jurisdição dos órgãos da Justiça constituídos por juízes militares daquela Corte e magistrados e ela vinculados por lei. Não há outro “foro especial” para julgamento de civis, em face da Constituição, nem tampouco a lei ordinária pode cria-lo. Assemelhado, conforme o Art. 21 do Código, é o servidor, efetivo ou não, dos Ministérios da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica submetido a preceito de disciplina militar, em virtude de lei ou regulamento, no que não se enquadra o funcionário civil que presta serviço à PMERJ. A distribuição da matéria na parte especial do Código Penal Militar é diferente da adotada no Código Penal Comum. No Militar, compreende 8 títulos divididos em capítulos, e testes, algumas vezes, em seções na seguinte sequência. - dos Crimes contra a Segurança Externa do País; - dos Crimes contra a Autoridade ou Disciplina Militar; - dos Crimes contra o Serviço Militar e o Dever Militar; - dos Crimes contra a Pessoa; - dos Crimes contra o Patrimônio; - dos Crimes contra a Incolumidade Pública; - dos Crimes contra a Administração Militar; e, - dos Crimes contra a Administração da Justiça Militar. Dentre esses, há os que são propriamente militares, pela natureza, e os que são considerados militares, pela sua inclusão no Código Penal Militar. Todos, porém, atendem aos pressupostos conceitos do Art. 9º do Decreto nº 1.001, de 21 Out 69. A identificação do delito militar se materializa por uma tríplice operação, sendo importante responder a três indagações e, somente com resposta afirmativa a todas elas, teremos um crime militar nas mãos. Primeiramente, para que o fato seja crime militar é preciso que esteja tipificado na Parte Especial do Código Penal Castrense. Vencida essa pergunta, passa-se à análise da Parte Geral, verificando se o art. 9.º, por seus incisos, subsume o fato, o adjetivando como crime militar. Finalmente, busca-se verificar se o sujeito ativo pode cometer o delito militar na esfera em que se aplica o CPM, questão que excluirá o crime praticado por adolescente, malgrado a previsão do art. 50 e 51 do referido Codex, e, somente no âmbito estadual, o delito praticado por civis. II – O CARÁTER MILITAR DAS MILÍCIAS ESTADUAIS O Decreto-Lei nº 667, de 02 de Jul 69, com fulcro no Ato Institucional nº 5, assim dispõe: Art. 1º - As Polícias Militares consideradas Forças Auxiliares, reserva do Exército, serão organizadas na conformidade deste Decreto-Lei. Parágrafo único – O Ministério do Exército exerce o controle e a coordenação das Polícias Militares, sucessivamente através dos seguintes órgãos, conforme dispuser em regulamento: 1) Estado-Maior do Exército em todo o Território Nacional; 2) Exército e Comandos Militares de Área nas respectivas jurisdições; 3) Regiões Militares nos Territórios Regionais. Posteriormente, o Decreto 66.862, de 08 Jul 70, regulamentou o referido Decreto-Lei, definindoos Institutos afetos às Polícias, sob as luzes das novas funções a elas reservadas, de Forças Auxiliares, efetivas e centralizadas do Exército Nacional. Realmente, no Art. 3º do Dec-Lei 667, com a nova redação que lhe foi dada pelo Dec-Lei 1.072, de 20 Dez 69, ressalta patente a intenção do legislador de deslocar para as Polícias Militares, restruturadas, sob o Comando Central do Exército, a cruciante missão de substituir, na rua, as Forças Armadas, já aquarteladas. Estabelece o Art. 3º: “Instituidas para a manutenção da ordem pública e segurança interna nos Estados, nos Territórios e no Distrito Federal, compete às Polícias Militares, no âmbito de suas respectivas jurisdições: a) executar com exclusividade, ressalvadas as missões peculiares às Forças Armadas, o policiamento ostensivo fardado, planejado pela autoridade competente, a fim de assegurar o cumprimento da lei, a manutenção da ordem pública e o exercício dos poderes constituídos; b) atuar de maneira preventiva, como força de dissuasão em locais ou áreas especificas, onde se presume ser possível a perturbação da ordem; c) atuar de maneira repressiva, em caso de perturbação da ordem, precedendo o eventual emprego das Forças Armadas; d) atender inclusive mobilização à convocação do Governo Federal, em caso de guerra externa ou para prevenir ou reprimir grave perturbação da ordem ou ameaça de sua irrupção, subordinando-se à força terrestre para emprego em atribuições especificas de Polícia Militar e como participante da defesa territorial”. E, por seu turno, o R-200, aprovado pelo Dec. nº 66.862, de 08 Jul 70, como que a não deixar dúvida quanto à função especifica das Polícias Militares, Forças Auxiliares efetivas que realmente são do Exército, o qual substituem em caráter permanente, define e conceitua o que seja a “Perturbação da Ordem”, cuja repressão, em primeiro plano e em caráter preventivo, compete às Milícias Estaduais: Art. 2º item 14: Perturbação da Ordem – Abrange todos os tipos de ação, inclusive os decorrentes de calamidade pública que, por sua natureza, origem, amplitude e potencial possam vir a comprometer, na esfera estadual, o exercício dos poderes constituídos, o cumprimento das leis e a manutenção da Ordem Pública, ameaçando a população e propriedades públicas e privadas: a) entre tais ações, destacam-se atividade subversivas, agitações, tumultos, distúrbios de toda ordem, devastações, saques, assaltos, roubos, sequestros, incêndios, depredações, destruições, sabotagem, terrorismo e ações de bandos armados nas guerrilhas rurais e urbanas”. E diz mais, o referido R-200, em seu Art. 4º: “As Polícias Militares, para emprego em suas atribuições especificas ou como participantes da defesa interna ou da defesa territorial, ficarão diretamente subordinadas aos Comandantes de Exércitos ou Comandantes Militares de Aéreas, que poderão delegar essa competência aos Comandantes de Regiões Militares e outros Grandes Comandos com jurisdição nas áreas dos Estados, Territórios e Distrito Federal, nas seguintes hipóteses: 1) em caso de guerra externa, mediante ato de convocação total ou parcial da Corporação, baixado pelo Governo Federal; 2) para prevenir ou reprimir grave perturbação da ordem ou ameaça de sua irrupção, nos casos de calamidade pública declarada pelo Governo Federal e nos casos de emergência, de acordo com diretrizes especiais baixadas pelo Presidente da República.” III – O FORO MILITAR NA ESFERA ESTADUAL A fonte imediata do Direito no sistema jurídico vigente é a lei, que está acima de todas as injunções jurisprudenciais e doutrinárias. Com efeito, no Art. 6º do Dec-Lei 1.002, de 21 Out 69, atual Código de Processo Penal Militar, se acha estatuído o seguinte: “. . . obedecerão às normas processuais previstas neste Código, no que forem aplicáveis, salvo quanto à organização de Justiça, os recursos e à execução de sentença, os processos da Justiça Militar Estadual, nos crimes previstos na lei Penal Militar a que responderem os Oficias e Praças das Polícias e dos Corpos de Bombeiros, Militares”. Como se nota, independentemente de qualquer polemica quanto à sua efetiva condição de “Militar”, ou de “Militar no sentido legal”, os Oficiais e Praças das Polícias e Corpos de Bombeiros Militares tem direito (previsto na Lei), de serem processados e julgados no Foro Castrense, nos crimes previstos na Lei Penal Militar. O disposto legal acima transcrito é claríssimo e dispensa qualquer interpretação, ressalvando evidente, através dele, que os componentes das Polícias Militares estaduais gozam do privilégio do Foro Especial, devendo, por conseguinte, serem julgados perante a Justiça Militar Estadual nos crimes previstos na lei Penal Militar. E é bom lembrar que o Dec-Lei 1.002 foi calcado no Art. 3º do Ato Institucional n] 16, de 14 Out 69, Art. combinado com § 1º do Art. 2º do Ato Institucional nº 5, de 13 Dez 68. IV – A COMPETÊNCIA RATIONE LEGIS Deixando de lado as múltiplas conceituações doutrinárias e jurisprudenciais e atendo-nos com exclusividade à interpretação que decorrer naturalmente dos próprios textos de lei, podemos esquematizar o problema da competência da Justiça Militar estadual de maneira bem simples, através de dois agrupamentos: 1) crimes praticados por Oficiais e Praças das Polícias Militares e Corpo de Bombeiros Militares. No que se segue à classe de militares em situação de atividade, a competência do Foro Castrense se firma de modo absoluto, nas seguintes hipóteses: a) crime praticado por militar da ativa contra militar da ativa (critério ratione personal, conforme estabelece o Art. 9º, inciso II, alínea “a” do Código Penal Militar – Dec-Lei 1.001, de 21 Out 69); b) crime praticado por militar da ativa em lugar sujeito à Administração Militar (critério ratione loci, conforme Art. 9º, inciso II, alínea “b” do CPM); c) crime praticado por militar da ativa contra o patrimônio sob a Administração Militar (critério ratione materiale, conforme Art. 9º, inciso II, alínea “e” do CPM). Por outro lado, em três outras hipóteses, também, expressamente constantes do CPM, a competência da Justiça Castrense para processar e julgar militares em situação de atividade se mostra relativa; admitindo-se as controvérsias, que se irão amainando pouco a pouco, à proporção que o ardor do hermeneuta se arrefecer ante a singela clareza dos textos legais: a) crime praticado por militar da ativa em serviço, contra civil, fora do lugar sujeito à Administração Militar (Art. 9º, inciso II, alínea “c” do CPM); b) crime praticado por militar da ativa durante período de manobras ou exercício, contra civil (Art. 9º, inciso II, alínea “d” do CPM); c) crime praticado por militar da ativa, que, embora não estando em serviço, use armamento de propriedade militar (Art. 9º, inciso II, alínea “f” do CPM) – alínea “f” revogada. Lei 9.299, de 7.8.1996. Súmula n.º 47 do STJ – Compete à Justiça Militar processar e Julgar crime cometido por militar contra civil, com emprego de arma pertencente à corporação, mesmo não estando em serviço. 2) Crimes praticados por militar da reserva, reformado ou por civil. Aceita-se, como matéria mais ou menos pacifica, ressalvados alguns exageros, que o Foro castrense estadual se estende aos civis em duas únicas hipóteses: a) nos crimes praticados em lugar sujeito à Administração militar, contra militar da ativa ou funcionários da Justiça Militar (inciso III, alínea “b” do CPM); b) nos crimes contra o patrimônio sob a administração militar (inciso III, alínea “a” do CPM). Súmula n.º 53 do STJ – Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar civil acusado de prática de crime contra instituições militares estaduais. Examinadas em conjunto essas duas hipóteses, observa-se que se referem, ambas, a situações que atingem diretamente a Corporação Militar, seja porque o fato criminoso se desenvolve dentro da restrita área do Quartel, seja porqueo bem lesado é o patrimônio sob a administração militar. E não resta dúvida de que se acomodam ambas dentro do conceito genérico de – crime contra as instituições militares – referido no § 1º do Art. 129, da Constituição Federal, ficando assim plenamente respeitada a limitação do Foro Castrense, consignada no referido dispositivo: “Art. 129 - §1º: Esse foro especial estender-se-á aos civis, nos casos expressos em lei, para a repressão de crimes (contra a Segurança Nacional) ou instituições militares”. E o Código de Processo Penal Militar, em seu Art. 82, §1º, também se amolda ao modelo constitucional: “Art. 82, §1º: O Foro Militar se estenderá aos militares da reserva, aos reformados e aos civis no s crimes contra a Segurança Nacional ou as instituições militares, como tais definidos em Lei”. O Foro Militar estadual existente como imposição da Lei (Const. Federal, Art 192; Const. Est. RJ Art. 104) é competente para processar e julgar os Oficiais e Praças das Polícias e Corpos de Bombeiros Militares (Art. 6º do Código Proc. Penal Militar, Art. 72, Parágrafo único). Por outro lado, o Decreto-Lei nº 92, de 06 Mai 75 (Lei Básica da PMERJ), estabelece que: “Art. 44 – O pessoal Policial-Militar da PMERJ está sujeito ao Código Penal Militar, aplicando-se- lhe, na parte processual, no que couber, o Código de Processo Penal Militar. Parágrafo único – A Justiça estadual é constituída pelos Conselhos de Justiça previstos em legislação específica”. Há ainda que se considerar o entendimento dado pelo STF, depois da Emenda Constitucional nº 7/77, que alterou o Art. 144, §1º, alínea “d” da Constituição Federal. No s crimes militares praticados por policiais-militares dos Estados, ainda que no exercício de função policial civil, a competência para o processo é das Justiças Militares estaduais e o estabelecido pela Súmula 298. O legislador ordinário só pode sujeitar civis à Justiça Militar em tempo de PAZ, nos crimes contra a segurança externa do País ou contra as instituições militares. CAPÍTULO 3 DA LEGISLAÇÃO (CPPM – DECRETO-LEI N.º 1.002, DE 21 OUT 1969) DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL MILITAR E DA SUA APLICAÇÃO Finalidade do Inquérito Ao estudar a divisão de polícia, vimos que esta compreende a Polícia Administrativa (preventiva) e a Polícia Judiciária (repressiva). A atividade de Polícia Judiciária, segundo FREDERICO MARQUES, se dá em dois momentos distintos: “o da investigação e o da ação penal” (Fernando da Costa Tourinho Filho, V. 1. 1993. p.173) O Inquérito Policial Militar se situa neste primeiro momento na apuração e coleta de dados que servirão de base para a formação da opinio delict do membro do Ministério Público para a competente ação penal. Art. 9º - O inquérito policial-militar é a apuração sumária de fato, que, nos termos legais, configure crime militar, e de sua autoria. Tem o caráter de instrução provisória, cuja finalidade precípua é a de ministrar elementos necessários à propositura da ação penal. Parágrafo único – São, porém, efetivamente instrutórios da ação penal os exames, pericias e avaliações realizadas regularmente no curso do inquérito, por peritos idôneos e com obediência às formalidades previstas neste Código. Assim sendo, o Inquérito Policial Militar possui grande importância, constituído a base de toda uma estrutura destinada a promover a justiça. Da definição acima e da leitura dos artigos do título III do CPPM, que trata do inquérito policial militar, conclui-se que o mesmo tem natureza jurídica de procedimento administrativo, discricionário e sigiloso. Natureza jurídica a) Procedimento administrativo: porque é realizado pela polícia, no caso, Polícia Militar Estadual, órgão integrante do Poder Executivo, não se admitindo ingerência do Poder Judiciário, salvo no tocante da legalidade da prisão em flagrante; b) Procedimento discricionário: porque é presidido pela autoridade de polícia judiciária ou seu agente delegado que conduzirá sua atuação de forma discricionária, na tentativa de elucidar o fato criminoso e apontar a sua autoria, limitando-se, porém, na lei, pois, ultrapassando tal limite, o conduzirá ao abuso, o quem, além de inquinar o procedimento, Poderá também sofrer a autoridade ou o encarregado sanção administrativa e/ou penal; c) Procedimento inquisitivo: por a autoridade ou encarregado irá investigar, perquirir, indagar o indivíduo, as testemunhas, o ofendido, poderá proceder a reprodução simulada dos fatos (artigo 13, parágrafo único do CPPM), não vigorando o princípio do contraditório, sendo o indiciado o objeto da investigação e não sujeito de direitos. Não há que se confundir a inquisitoriedade do IPM com a classificação dos sistemas processuais, haja vista se tratar de fase pré-processual. Portanto, o caráter inquisitório que lhe é conferido se deve a alguns fatores tais como a ausência de contraditório, a discricionariedade da autoridade policial judiciária militar, a falta de acusação e de defesa e a imposição do sigilo quando necessário à elucidação dos fatos. Tourinho Filho leciona que vários fatores imprimem este caráter inquisitivo ao IPM. Basta apenas uma análise em alguns deles para que se conclua tratar-se de uma investigação inquisitiva por excelência: 1. O dever jurídico da autoridade policial em relação a sua instauração que, salvo algumas exceções, deve ser de ofício, independente de provocação; 2. A discricionariedade com que a autoridade policial dirige as investigações para a elucidação dos fatos, podendo ou não, de acordo com seu prudente arbítrio, deferir diligências requeridas pelo indiciado; 3. A não aplicação do contraditório; 4. A não intromissão de pessoas estranhas à investigação no decorrer das diligências. Todos estes fatores emprestam o caráter inquisitivo ao inquérito. Outro fator importante, e que corrobora para o seu caráter inquisitivo, é o disposto no CPPM, em seu art. 142, o qual prevê que não se poderá opor suspeição ao encarregado do inquérito. Isto se deve ao fato do IPM ser um procedimento investigatório e preliminar, onde não há nulidade, e eventuais suspeições do Encarregado serão consideradas meras irregularidades. Entretanto, segundo o entendimento de alguns autores, dentre os quais Assis, o encarregado deverá se declarar suspeito se houver motivos que o justifiquem, devendo fiel observância à ética e ao bom senso; d) Procedimento sigiloso: o artigo 16 do CPPM reza o seguinte: “o inquérito é sigiloso, mais seu encarregado pode permitir que dele tome conhecimento o advogado do indiciado.” A Lei n.º 13.245, de 12 Janeiro de 2016, alterou os incisos XIV, XXI e §§ 10, 11 e 12, do art. 7º da Lei no8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil) Diversamente do processo onde há o princípio da publicidade, o inquérito, por ser uma apuração sumária de um fato, onde visa buscar elementos para a propositura da ação, tem a natureza sigilosa (relativa), pois a divulgação de certas diligências, apreensões, exames, etc... podem influir na apuração e respectiva autoria do fato delituoso. Posteriormente, ao fazermos a análise do artigo 16 do CPPM, teceremos maiores comentários, à luz do Estatuto da OAB, Lei nº 8.906/94. Considerações acerca do inquérito policial militar O IPM serve de base para a formação da opinio delict representante do Ministério Público para propositura da ação penal. Ou seja, no que foi apurado, conclui-se que o fato estava revestido de indícios de cometimento de crime militar, praticado possivelmente por alguém. Porém, o juiz na instrução criminal renovará as provas a fim de decidir sobre o fato, dando ao acusado, a oportunidade de se defender, requerer diligências, alegar provas, etc. O juiz então apreciará o conjunto de provas colhidas em juízo e formará a sua convicção, conforme a regra do artigo 297 do CPPM. Porém, não serão renovados os exames, periciais e avaliações realizadas regularmente (pois se forirregular, dará azo à renovação em Juízo) no curso do inquérito, por peritos idôneos e com obediência às formalidades previstas no CPPM, conforme alude o parágrafo único do artigo 9º. Daí extrai-se um fato de grande importância na confecção do IPM, de lado prático, no que concerne à requisição de exames, laudos, boletins de atendimento médico, etc..., que falaremos quando comentarmos o artigo 13. Modo por que pode ser iniciado: Art. 10 – o inquérito é iniciado mediante Portaria: a) de ofício, pela autoridade militar em cujo âmbito de jurisdição ou Comando haja ocorrido a infração penal, atendida a hierarquia do infrator; b) por determinação ou delegação da autoridade militar superior que , em caso de urgência, poderá ser feita por via telegráfica ou radiotelefônica e confirmada, posteriormente, por ofício; c) em virtude de requisição do Ministério Público; d) por decisão do Superior Tribunal, nos termos do Art. 25; e) a requerimento da parte ofendida ou quem a represente, ou em virtude de representação devidamente autorizada de quem tenha conhecimento da infração penal, cuja repressão caiba à Justiça Militar; quando, de sindicância feita em âmbito de jurisdição militar, resulte indicio da existência de infração penal militar. INSTAURAÇÃO DO IPM Situações Não-Flagranciais de IPM (Portaria): I) Crimes de Ação Penal Militar Pública Incondicionada: Neste caso, o IPM poderá instaurar-se ex officio ou por Requisição do MPM. Como já dito anteriormente, não pode haver instauração de IPM por requisição judicial no direito militar. Crimes de Ação Penal Militar Pública Condicionada à Requisição do Governo Federal (Ministro da Justiça; Ministro da Defesa; Presidente da República – CPPM, art. 31; LOJMU, art. 95, § único): Para tanto, há a necessidade da prévia requisição e a comunicação do fato pelo PGJM ao PGR. No direito processual penal militar não há sequer, algum delito de ação penal militar pública condicionada à representação do ofendido. Portanto, aqui, só há ação penal militar pública incondicionada e a condicionada à requisição do governo federal. Todavia, nada impede que ocorra no âmbito do direito militar, a famosa ação penal privada supletiva (até porque é de preceito fundamental). 2) Situações Flagranciais (APF): Seja quem for o agente (militar ou civil), e seja qual for o delito (ressalvados deserção e insubmissão), se preso em flagrante pela prática de delito militar, não se instaura IPM, lavra-se o Auto de Prisão em Flagrante/APF (CPPM, art. 27, c/c Lei 9.099/95, art. 90-A). Não existe, portanto, o TCO. Ou seja, se o agente (militar ou civil) cometer um delito militar, com pena até 2 anos, lavra-se o APF. Superioridade ou igualdade de posto do infrator §1º - tendo o infrator posto superior ou igual ao do Comandante, diretor ou chefe de órgão ou serviço, em cujo âmbito de jurisdição militar haja ocorrido a infração penal, será feita a comunicação do fato à autoridade superior competente, para que esta torne efetiva a delegação, nos termos do §2º do Art. 7º. CÉLIO LOBÃO (Direito Processual Penal Militar, 2009, p. 56) ...sendo o indiciado coronel da ativa, mais antigo da corporação, a presidência do inquérito poderá ser exercida pelo próprio Comandante da Corporação. Outra solução é afastar o indiciado do cargo que exerce e o coronel mais moderno, chefe da repartição militar para a qual o autor do delito foi designado, presidirá o inquérito por delegação do Comandante, em razão da superioridade hierárquica decorrente da função. A solução encontra suporte no citado art. 24, do CPM: “O militar que, em virtude de função, exerce autoridade sobre outro de igual posto ou graduação, considera-se superior, para efeito da aplicação da lei penal militar”. Nesse sentido, a lição de Manzini: “Sotto la denominazione di superiore s`intende il militari dell`esercito o della marina piú elevato in grado, o quello che, independentemente dal grado, è investito del comando. Il requisiti di codesta nozione sono pertanto; qualità militare del superiore; superiorità in grado, o in comando” (Dirito penale militare, pág. 154). Além do mais, o coronel da ativa, mais moderno, ao receber a delegação do Comandante da Corporação para instaurar inquérito, encontra- se legitimado para presidir o IPM. É a orientação que se extrai da decisão da 4.ª Turma, do TRF1, que voltaremos a citar: “O delegado de polícia, ao presidir inquérito para apuração de ilícito penal, atua como órgão de polícia judiciária, estando, portanto, infenso às normas administrativas que regulam a disciplina e hierarquia da Polícia Federal” (PtRHC 16.164-2, julg. 12.11.1990. A Constituição na visão dos Tribunais, vol. 2., pág. 971). Providencias antes do inquérito §2º - o aguardamento da delegação não obsta que o Oficial responsável por comando, direção ou chefia, ou aquele que o substitua ou seja em dia, de serviço ou quarto, tome ou determine que sejam tomadas imediatamente as providencias cabíveis, previstas no Art. 12, uma vez que tenha conhecimento de infração penal que lhe incumba reprimir ou evitar. Infração de natureza não militar §3º - se a infração penal não for, evidentemente, de natureza militar, comunicará o fato à autoridade policial competente, a quem fará apresentar o infrator. Em se tratando de civil, menor de dezoito anos, a apresentação será feita ao Juiz de Menores. Oficial-General como infrator §4º - se o infrator for Oficial-General, será sempre comunicado o fato ao Ministro e ao Chefe de Estado-Maior competentes, obedecidos os tramites regulamentares. Coronel PM na inatividade. Antiguidade CÉLIO LOBÃO (Direito Processual Penal Militar, 2009, págs.58 e 59), no caso de crime militar cometido por coronel da reserva ou reformado, que era o mais antigo da corporação ao passar para a inatividade, causa perplexidade a dúvida que conduz à solução equivocada. A lei é meridianamente clara: “Se o indiciado é oficial da reserva ou reformado, não prevalece, para delegação, a antiguidade de posto” (art. 7º, §4º, do CPPM), delegação essa para instauração de IPM. Como afirmamos acima, a existência de que o encarregado do IPM preencha o requisito de maior antiguidade do que o indiciado, coronel da reserva ou reformado, resulta na impossibilidade de se proceder à investigação preparatória da ação penal. Com efeito, se todos os coronéis do serviço ativo são mais modernos do que o indiciado, inclusive o Comandante da Corporação, nenhum deles terá atribuição de polícia judiciária militar para apurar o fato delituoso praticado pelo coronel indiciado. Como consequência, não há quem delegue atribuição de polícia judiciária ao coronel da reserva que, por sua vez, não se encontra relacionado, no CPPM, como autoridade da polícia judiciária militar. Então, quem delegará, ao coronel da reserva, as atribuições de polícia judiciária para instauração de IPM? Como não se inclui dentre os militares investidos na função de polícia judiciária militar, sem delegação, o coronel na inatividade não poderá presidir IPM. O coronel em atividade, ao receber delegação do Comandante da Corporação, encontra-se legalmente investido na função de encarregado do inquérito, cujo indiciado é coronel da reserva, sem se cogitar de pretensa superioridade hierárquica decorrente da antiguidade do militar inativo, em relação ao coronel na atividade. Indícios contra Oficial de posto superior ou mais antigo no curso do inquérito §5º - se, no curso do inquérito, o seu encarregado verificar a existência de indícios contra oficial de posto superior ao seu, ou mais antigo, tomará as providencias necessárias para que as suas funções sejam delegadas a outro oficial, nos termos do § 2º do Art. 7º. Como vimos acima, ao analisarmos o artigo 10 do CPPM e seus parágrafos, o IPM é baseado na informatio delict ou informatio criminis que divide-se em notitia criminis que divide-se em notitia criminis e delictio criminis. A notitia criminis e a notícia de um fato que porsi só faz-se presumir a existência de um delito. Segundo FERNANDO DA COSTA TOURINO FILHO (Processo penal, v. 1, 1993. p.195), pode ser tal notícia de “cognição imediata”, de “cognição mediata” e “cognição coercitiva”. A primeira ocorre quando a autoridade toma conhecimento através de seus serviços rotineiros, por meio de órgãos de comunicação, por conhecimento adquirido através de seus agentes. A notitia criminis por cognição mediata se dá quando a autoridade tem conhecimento do fato através de determinação de autoridade superior, requisição do Ministério Público, por decisão do Tribunal Superior Militar, nos termos do artigo 25º do CPPM. A cognição coercitiva se dá quando, junto de notitia criminis é apresentado à autoridade o autor do fato, é o caso da prisão em flagrante e até de sindicância feita em âmbito de jurisdição militar, que evidência indícios de crimes e de sua autoria. A delatio criminis, outra espécie de informatio criminis, está ligada a denúncia, revelação da vítima ou seu representante legal (alínea “e” do artigo 10m do CPPM), onde são apontados ou revelados o crime s seu(s) autor(es). Há neste caso um autor, revelado pela vítima, o que difere na notitia criminis, que se limitará a comunicação do fato conhecido como crime. O Código Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969) prevê os crimes ligados a informatio criminis, onde estão previstas penas às pessoas que dão causa à instauração de IPM ou processo judicial militar, imputando crime contra alguém que sabe inocente, bem como pena a comunicação falsa de crime, provocando a ação da autoridade e a própria auto-acusação falsa de crime inexistente ou provocado por outrem. Um aspecto importante a ser analisado é o da denúncia anônima: se é causa de IPM ou não. FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO (Processo penal,v.1, 1993, p. 205), condena tal tipo de informatio delict tendo em vista a impossibilidade de imputar responsabilidade àquele que prefidiosamente acusa alguém de ser autor de um crime. Na prática, no exercício da função policial militar, inumeras vezes vimos prevalecer tal modalidade espúria de informatio delict, onde vários policiais militares foram privados de suas liberdades e até mesmo demitidos do Serviço Policial Militar. A Constituição Federal em seu artigo 5º, IV, prevê a manifestação do pensamento, vedando o anonimato. Assim, como o CPPM não prevê as verificações de procedência de informação (IVP), como no artigo 5º, parágrafo 3º do Código de Processo Penal, urge que a autoridade tenha o bom senso de apurar a veracidade dos fatos através de um procedimento apuratório (averiguação ou sindicância) a fim de dar subsídios para a instauração de um Inquérito Policial Militar Escrivão do inquérito Art. 11 – a designação de escrivão para o inquérito caberá ao respectivo encarregado, se não tiver sido feita pela autoridade que lhe deu delegação para aquele fim, recaindo em Segundo ou Primeiro-Tenente, se o indiciado for oficial, e em Sargento, Subtenente ou Suboficial, nos demais casos. Adentrando na seara do direito administrativo, veremos que a autoridade delegante ou o encarregado do IPM não pode nomear um oficial subalterno para o munus indiciado não for um oficial, pois agindo assim, estará atuando com excesso de poder, eivando de ilegalidade o ato administrativo da designação, e expondo-o à nulidade. Conforme ensina MEIRELLES, in verbis: O excesso de poder ocorre quando a autoridade, embora competente para o ato, vai além do permitido e exorbita no uso de suas faculdades administrativas. Excede, portanto, sua competência legal e, com isso, invalida o ato, porque ninguém pode agir em nome da Administração fora do que a lei permite. O excesso de poder torna o ato arbitrário, ilícito e nulo. E continua: Essa conduta abusiva, através do excesso de poder, tanto se caracteriza pelo descumprimento frontal da lei, quando a autoridade age claramente além de sua competência, como, também, quando ela contorna dissimuladamente as limitações da lei, para arrogar-se poderes que não lhe são atribuídos legalmente. Em qualquer dos casos há excesso de poder, exercido com culpa ou dolo, mas sempre com violação da regra de competência, o que é o bastante para invalidar o ato assim praticado. (MEIRELLES, 2001. p. 104) (Grifo nosso) O ato de nomeação de escrivão de IPM é vinculado, pois se condiciona ao fato apurado no inquérito; se envolver oficial, deve recair em segundo ou primeiro–tenente, e em sargento, subtenente ou suboficial, nos demais casos, conforme preceitua o art.11, caput, CPPM. Valendo ressaltar, mais uma vez, MEIRELLES, in verbis: Atos vinculados ou regrados são aqueles para os quais a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização. Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma legal para a validade da atividade administrativa. Desatendido qualquer requisito, compromete-se a eficácia do ato praticado, tornando-se passível de anulação pela própria Administração, ou pelo Judiciário, se assim requere o interessado. MEIRELLES (ob. cit. p. 158-159 )(Grifo nosso) Compromisso legal Parágrafo único – o escrivão prestará compromisso de manter sigilo do inquérito e de cumprir fielmente as determinações deste Código, no exercício da função. Violação de segredo profissional Art. 230. revelar, sem justa causa, segredo de que tem ciência, em razão de função ou profissão, exercida em local sob administração militar, desde que da revelação possa resultar dano a outrem. Proibição de depor Art. 355. São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho. Medidas preliminares ao inquérito Art. 12 – logo que tiver conhecimento da pratica de infração penal militar, verificável na ocasião, a autoridade a que se refere o §2º do Art. 10 deverá, se possível: a) dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o estado e a situação das coisas, enquanto necessário; b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com o fato; c) efetuar a prisão do infrator, observando o disposto no Art. 244; d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas circunstancias. Diferença entre Notícia- crime, Queixa-crime e Denúncia Quando um crime ocorre, é preciso que as autoridades competentes sejam notificadas para dar início à investigação contra seu autor ou autores. Para tanto, é preciso fazer a exposição do fato criminoso à polícia ou ao Ministério Público. A essa comunicação dá-se o nome de “notícia-crime”. A queixa-crime é a petição inicial para dar origem à ação penal privada, perante o juízo criminal, com o pedido de que o autor ou os autores do crime sejam processados e condenados. Pelo fato de o interesse ser privado, é necessário que o ofendido contrate um advogado ou procure a Defensoria Pública para que o procedimento seja iniciado. Já a denúncia é a petição inicial da ação penal pública. Por ser de interesse público, a denúncia é promovida necessariamente pelo Ministério Público, sem a necessidade de que o ofendido esteja acompanhado de advogado ou defensor público. Tanto na queixa-crime como na denúncia, é necessário que seja realizada a exposição do fato criminoso – quais foram suas circunstâncias, qual o tipo de crime e quais serão as provas, como, por exemplo, documentos e testemunhas (se houver). Estando presentes os requisitos, a denúncia ou a queixa-crime são recebidas. Do contrário, podem ser rejeitadas pelo juiz. Na maior parte das vezes, na esfera criminal, o interesse é público, como na investigação de crimes de homicídio, roubo e lesão corporal no âmbito de violência doméstica. No entanto, em alguns casos, o interesse é privado, a exemplo dos crimes de injúria, difamaçãoe calúnia. Quando o interesse for privado, o ofendido precisa ser rápido, pois terá até seis meses, a partir do dia em que o autor do crime foi identi"cado para apresentar a queixa-crime. Após tal período, o direito de oferecer a queixa- crime deixa de existir diante da decadência. O ofendido pode ainda perdoar o autor ou autores do crime. Trata-se da manifestação do ofendido de não prosseguir com a ação penal privada. O suposto autor ou autores do crime devem manifestar se aceitam o perdão. O perdão, no entanto, não é possível quando o interesse é público. Fonte: Agência CNJ de Notícias Notitia Criminis Nesse sentido aponta Renato Brasileiro de Lima: Notitia criminis é o conhecimento, espontâneo ou provocado, por parte da autoridade policial, acerca de um fato delituoso. Subdivide-se em: Espontânea: ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento do fato delituoso por meios de suas atividades rotineiras (...). Provocada: ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento da infração penal através de um expediente escrito (...). Coercitiva: ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento do fato delituoso através da apresentação do indivíduo preso em flagrante. DE LIMA, Renato Brasileiro. Manual de Processo Penal. Rio de Janeiro: Impetus, 2011, p. 143 e 144. Elementos de Informação e Prova Nesse sentido aponta Renato Brasileiro de Lima: (...) a palavra prova só pode ser usada para se referir aos elementos de convicção produzidos, em regra, no curso do processo judicial, e, por conseguinte, com a necessária participação dialética das partes, sob o manto do contraditório (ainda que diferido) e da ampla defesa. Por outro lado, elementos de informação são aqueles colhidos na fase investigatória, sem a necessária participação dialética das partes (...) DE LIMA, Renato Brasileiro. Manual de Processo Penal. Rio de Janeiro: Impetus, 2011, p. 116. Formação do inquérito Art. 13 – o encarregado do inquérito deverá, para a formação deste: a) tomar as medidas previstas no Art. 12, se ainda não o tiverem sido; b) ouvir o ofendido; c) ouvir o indiciado; d) ouvir testemunhas; e) proceder a reconhecimento de pessoas e coisas, acareações; f) determinar, se for o caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outros exames periciais; g) determinar a avaliação e identificação da coisa subtraída, desviada, destruída ou danificada, ou da qual houver indébita apropriação; h) proceder a buscas e apreensões, nos termos dos Art. 172 e 184 e 185 a 189; i) tomar as medidas necessárias destinadas à proteção das testemunhas, peritos ou do ofendido, quando coactos ou ameaçados de coação que lhes tolha a liberdade d depor, ou a independência para a realização de pericias ou exame. Do Indiciado no Inquérito Policial Militar O indiciado será, no Inquérito Policial Militar, o militar ou civil (em relação a este, somente na esfera dos crimes praticados em desfavor dos militares federais ou da Administração Militar das Forças Armadas) contra quem pesam elementos desfavoráveis quanto à prática de uma infração penal. Tais elementos serão representados pelas provas, ou seja, a materialidade do delito. O Dicionário do Aurélio Online assim define a figura do indiciado como sendo “aquele sobre o qual recaem indícios” O suspeito é aquele indivíduo a quem não se pode atribuir a prática do fato criminoso, diante da ausência ou fragilidade das provas em seu prejuízo. Para o suspeito existe uma possibilidade de se tornar indiciado, contudo somente após a demonstração da materialidade delitiva. Segundo o Dicionário Online de Português, investigado é “o indivíduo acerca do qual uma investigação está sendo feita”. Na verdade, é foco da investigação, maiormente no que se refere à autoria, seja ela material ou intelectual. Porém, não será necessariamente indiciado, já que tudo dependerá das provas produzidas contra o mesmo. Neste contexto, quando o militar ou civil for ouvido em IPM, no início das investigações, sendo frágeis os elementos que possam indicar a autoria e materialidade delitiva, o mais apropriado é que suas declarações sejam colhidas na qualidade de INVESTIGADO (ou SUSPEITO). Somente no decorrer da apuração, após a reunião de maiores dados que comprovem o envolvimento do indivíduo no delito apurado é que se deve reinquiri-lo, agora na qualidade de INDICIADO. Neste exato momento, estarão presentes as provas cabais de participação ou autoria delitivas. Citação. Intimação. Notificação Citação. Considerações gerais Citação é o ato judicial destinado ao chamamento do acusado, para que tome conhecimento de que, contra ele, foi proposta ação penal militar, e também, do conteúdo da acusação, bem como, do local, dia e hora de seu comparecimento ao Juízo. Com a citação do réu, completa-se a relação processual, enquanto a denúncia a precede e dela constitui pressuposto cronológico (Tornagli, A relação processual penal, 2.ª ed., p. 288). Notificação e intimação Ensina Pontes de Miranda que “a notificação é o meio judicial de se dar conhecimento a alguém de que, se não praticar, ou se praticar certo ato, ou certos atos, está sujeito à comunicação; intimação é a comunicação de ato praticado. (...) A intimação supõe que se haja praticado algum ato. Das oitivas Segundo o CPPM (art. 13), deve-se ouvir: 1º ofendido; 2º o indiciado; e 3º testemunhas. Do ofendido Na alínea b, do artigo 13, vem a oitiva do ofendido, que será, sempre que possível, qualificado e perguntado a respeito da infração, indagando-se quem seja ou pressuma ser o autor, indicando provas, reduzindo-se tudo a termo, consoante o art. 311. De muita importância para a investigação, tem a oitiva do ofendido, pois, ninguém melhor que o mesmo para narrar os fatos, dando, assim, elementos para seu esclarecimento. Há de ser levar em conta que o ofendido é parte da relação jurídico-material e não presta a compromisso de dizer a verdade, donde de um valor probatório relativo. A regra prevista no artigo 301 estabelece que no transcorrer do IPM serão observadas as mesmas regras que norteiam a instrução levada efeito pela autoridade judiciária, no que concerne às disposições referentes a testemunhas e quaisquer outras que tenham pertinência com a apuração do fato delituoso e sua autoria. Logo, a falta de comparecimento do ofendido que fica notificado, sem motivo justo, resultará na possibilidade da condução coercitiva do mesmo, sem ficar sujeito, entretanto, a qualquer sanção, assim prescreve o parágrafo único do artigo 311. Fica bem cristalina a idéia de que o ofendido não está sujeito a sanção alguma, logo, não responde por desobediência (artigo 301 do CPPM), porém se o ofendido for militar, a este poderá ser imputado o cometimento de crime de recusa de obediência(artigo 163 do CPPM). Para JOSÉ DA SILVA LOUREIRO NETO (Lições de processo penal militar, 1992,p. 33 e 34). “sendo oficial encarregado do inquérito integrante da Forças Armadas, ocorrendo a desobediência do ofendido civil, este poderá ser indiciado pelo crime de desobediência (artigo 301), pois a Justiça Militar Federal é competente para julgar civis nos crimes militares previstos em lei, como já estudado.” Contudo, tratando-se de oficial integrante das Policias Policias Militares, o mesmo não ocorre, em face do que dispõe o artigo 125, parágrafo 4º da Constituição Federal in verbis: “Compete à Justiça Militar Estadual processar e julgar os policiais militares e bombeiros militares definidos em lei, cabendo ao tribunal de compete decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação dos praças.” Diz ainda o autor: “no que se refere a condição coercitiva do ofendido, prevalecem as mesmas considerações Como a Justiça Militar Estadual não tem competência para processar civis, em face do preceito constitucional aludido, o oficial encarregado do inquérito, integrante da Polícia Militar, está impossibilitadode efetuar a sua condução coercitiva.” Em que pese a orientação do renomado autor, discordamos do mesmo no que tange a sujeição do ofendido ao cometimento de crime de desobediência, pela falta de comparecimento sem motivo justo, pois, como se observa da regra do parágrafo único do artigo 311, o ofendido está sujeito tão somente à condução coercitiva, sem ficar sujeito a qualquer sanção. Um outro aspecto de discordância é de que o civil, simplesmente pelo fato de não ser julgado pelas auditorias militares estaduais, não quer dizer que não comente crime contra o militar integrante de força auxiliar, nem contra juiz auditor da justiça militar. Não comete crime militar pelo fato da natureza do serviço policial militar não ser civil, ou no caso do juiz auditor de não ser militar (no disposto do artigo 9º), mas comete crime de competência da justiça comum, pois o dispositivo constitucional não quis dar “imunidade” aquele que age contrário à lei, mas sim estabelece a competência para apreciação de crimes praticados por policiais militares e bombeiros militares. Assim, aplicar-se-á Código Penal comum no que concerne aos atos contrários à lei praticados por civis contra os integrantes das forças auxiliares e o juiz auditor da justiça estadual. Um outro aspecto a ser considerado na oitiva do ofendido é que o mesmo não está obrigado a responder pergunta que possa incrimina-lo, ou seja, estranha ao processo (artigo 313) e se mentir, não estará sujeito a sanção alguma, visto que o ofendido não presta compromisso, conforme já mencionado supra. Da oitiva do indiciado A alínea “c” do artigo 13 prevê a oitiva do indiciado, sendo este o suspeito da prática do ato ilícito objeto da apuração. Como já foi visto ao comentarmos o artigo 9º, feita a denúncia, será renovada em juízo, a ouvida, em caráter provisório, do agora acusado, sendo instrutórios somente os exames, perícias e avaliações realizadas regularmente no curso do inquérito por peritos idôneos e com obediência às formalidades do CPPM (parágrafo único do artigo 9º). A inquirição (a termologia é “declarações” do ofendido, “depoimento” da testemunha, “inquirição” do indiciado (acusado)), exceto em caso de urgência inadiável, deve ser feita durante o dia, entre o período de sete às dezoito horas, sendo verificado pelo escrivão no termo de inquirição, a ora do início e término do mesmo (artigo 19). Na inquirição, será consignado o nome, a idade, filiação, estado civil, naturalidade, posto ou graduação (militar), função, a que OPM está servindo, profissão (civil) e residência. Em seguida, será lido o documento que deu origem ao procedimento apuratório (Portaria, parte, etc...), para logo após, o indiciado narrar os fatos, culminado com as perguntas feitas pelo encarregado (a respeito do tema há os Cadernos de Polícia de nº 3 e 4 editados pela PMERJ em 1994). Bol da PM nº. 138 – 26Ago2008 – pág. 33 INSTRUÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL MILITAR – TRANSCRIÇÃO DE OFÍCIO DA AJMERJ. ORIGEM: Ofício nº 032/2008/GAB - AJMERJ. Pelo presente, faço saber a Briosa Corporação, através do Ilustríssimo Corregedor, que esta AJMERJ, como casa de Justiça, visando atender melhor a necessidade dos valorosos Policiais Militares que se encontram, por algum motivo, respondendo a algum processo ou que tenham a necessidade de usar esta casa para obter algum benefício como, por exemplo, certidões ou, até mesmo, ser agraciado com benefícios que lhe são garantidos por lei, bem como, considerando o que preconceitua o Art. 9º, do CPPM, que diz, que o Inquérito Policial Militar é a apuração sumária do fato, que, nos termos legais, configure crime militar, e de sua autoria. Tem o caráter de instrução provisória, cuja finalidade precípua é a de ministrar elementos necessários à propositura da ação penal, é que DETERMINO que todos os Inquéritos Policiais Militares, a partir desta data, venham instruídos da Ficha Disciplinar do Militar investigado, bem como, que seja o referido investigado qualificado, constando em sua qualificação, o nome do Pai, nome da Mãe, Data de Nascimento, e o número do IFP do militar informações são imprescindíveis para a melhor instrução dos procedimentos nesta AJMERJ. DETERMINO, ainda, que os Autos de Prisões em Flagrantes, sejam também instruídos com as qualificações referidas acima, Nome do Pai, Nome da Mãe, Data de Nascimento e o número do IFP do militar preso. ANA PAULA MONTE FIGUEIREDO PENA BARROS Juíza Auditora Em consequência, este Comandante Geral determina aos Comandantes, Chefes e Diretores de OPM que procedam nos termos da presente promoção judicial, sob pena de ficar prejudicado a instrução do procedimento investigatório. (Nota nº 4337– 26/Ago/08 – CIntPM) Caso o indiciado seja menor de vinte e um anos, deverá ser nomeado um curador para assisti-lo durante a inquirição ou outros atos que tenha de participar. A lei não diz da necessidade de haver testemunhas para ato de inquirição, como o faz no Código de Processo Penal (artigo 6º, V), porém, a mesma não proíbe, sendo relevante a presença de testemunhas, a fim de ilidir possíveis especulações posteriores a respeito de coação ou violência durante o ato, devendo-se observar que as mesmas não podem ser de posto ou graduação inferior ao acusado, visto não coadunar tal situação com os princípios militares (hierarquia e disciplina). Da incomunicabilidade do indiciado “O encarregado do inquérito poderá manter incomunicável o indiciado, que estiver legalmente preso, por três dias no máximo.” Difere, pois, do Código de Processo Penal comum, onde a incomunicabilidade do indiciado deverá ser decretada por despacho fundamentado do juiz (artigo 21 do CPP). A incomunicabilidade não se estende ao advogado do indiciado, que por força da Lei 8.906, em seu artigo 7º, III, tem o direito de: “comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimento civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis.” Há na doutrina entendimento de que a incomunicabilidade do indiciado está revogada por força do artigo 136, parágrafo 3º, inciso IV, da Constituição Federal, que estabelece o seguinte: “Omissis, IV – É vedada a incomunicabilidade do preso.” Tal posição diz respeito ao capítulo destinado ao Estado de Defesa e Estado de Sítio, e por isso, ensina FERNANDO DA COSTA TOURINHO: “Ora se durante o estado de defesa, quando o governo deve tomar medidas enérgicas para preservar a ordem pública ou a paz social, ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidos por calamidades de grandes proporções na natureza, podendo determinar medidas coercitivas, destacando-se restrições aos direitos de reunião, ainda que exercida no seio das associações, o sigilo da correspondência e o sigilo de comunicação telegráfico e telefônico, havendo até prisão sem determinação judicial, tal como disciplinado no artigo 136 da CF, não se pode decretar a incomunicabilidade do preso (cf. CF, artigo 136, parágrafo 3º, IV),com muito mais razão não há que se falar em incomunicabilidade na fase do inquérito policial.” (Processo penal, v. I, 1993. p, 194) Entendemos que mesmo com o brilhante argumento do renomado jurista, a incomunicabilidade vigora, pois está na lei - CPPM – consubstanciado na Lei 8.906/94 – OAB -, que dispõe o direito do advogado se comunicar com o seu cliente, mesmo no período de incomunicabilidade. Da declaração do indiciado O artigo 18 regula tal ato, que tem a natureza de medida cautelar, dispondo o seguinte: “Independentemente de flagrante delito, o indiciado poderá ficar detido, durante as investigações policias, até trinta dias, comunicando-se a detenção à autoridade judiciária competente. Esse prazo poderá ser prorrogado, por mais vinte dias, pelo comandante da Região, Distrito Naval ou Zona Aérea, mediante solicitação fundamentada do encarregado do inquérito e por via hierárquica.” A ConstituiçãoFederal em seu inciso LXI, do artigo 5º, que JOSÉ AFONSO DA SILVA chama de garantia jurisdicional penal, mas precisamente, de garantia do juiz competente (Curso de direito constitucional positivo, 9ª ed., 1993, pp. 383 e 384), prevê o seguinte, in verbis: “Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar definidos em lei.” A lição que temos ao ler o artigo 18 do CPPM e o inciso LXI do artigo 5º da CF, e que a prisão cautelar precisa, para sua realização de que o indiciado tenha cometido crime propriamente militar e que o juiz competente seja comunicado de tal fato. A Constituição menciona em “crime propriamente militar”, mas sim, crimes militares, seja em tempo de paz (artigo 9º), e em tempo de guerra (artigo 10). Logo, a doutrina se encarrega de fazer a divisão de crime militar em crime propriamente militar e crime impropriamente militar, sendo o primeiro diretamente ligado aos crimes que ofendam a disciplina e o dever militar, tais como a insubordinação, o abandono de posto etc. (JOSÉ DA SILVA LOUREIRO NETO, Direito penal militar, 1992, p. 32) O parágrafo único prevê, ainda, a solicitação, pelo encarregado, à autoridade judiciária competente de prisão preventiva ou menagem, durante a prisão cautelar do indiciado. A prisão preventiva está regulada nos artigos 254 a 261 do CPPM e, ao ser requisitada, deve se valer dos seguintes elementos: prova do fato delituoso, criminal, periculosidade do indiciado; segurança da aplicação da lei penal militar e na exigência da manutenção das normas ou princípios de hierarquia e disciplina militares, quando ficarem ameaçados ou atingidos com a liberdade do indiciado (artigo 254 e 255 do CPPM). A mensagem, que está regulada nos artigos 263 a269 do CPPM consiste numa: “prisão fora do caráter, concedida a militares assemelhados ou civis sujeitos à justiça militar que se obrigam, sob palavra, a permanecer no lugar indicado pela autoridade competente que a concede, seja a própria habitação, ou uma vila, cidade, navio ou fortaleza, onde eles podem transitar livremente.” (Manual de inquérito policial militar e auto de prisão em flagrante delito, M-5, 1985, p.90). Condução coercitiva Quando à falta do indiciado para ser inquirido, segundo FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO, da margem à conduta coercitiva, dentro do princípio “inquisitio sine coercitione nula est...(Processo Penal, v 1, 1993, p. 222). Na verdade, não há na lei, regra que estabeleça tal sanção, visto ser o interrogatório “um ato bivalente, pois é ao mesmo tempo meio de prova e meio de defesa”, segundo JOSÉ DA SILVA LOUREIRO NETO (Lições de processo penal militar, 1992, p. 27), constituído, portanto, a falta do indiciado, elemento para a formação do convencimento do juiz, conforme a regra do artigo 308. No caso de ser o indiciado militar, não há de ser falar em falta, a não ser por motivo justo, pois estará infringido a regra do artigo 163, do CPPM, de recusa de obediência. Entretanto que não há base legal a condução coercitiva do indiciado, prevalecendo o inciso II do artigo 5º da Constituição Federal, de que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer nada, sendo senão em virtude de lei, observando, ainda que o acusado pode até recusar-se a comparecer à instrução criminal (artigo 411). STF-HC 107644 -Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI, ADPF 444, Relator: Min. GILMAR MENDES HABEAS CORPUS 107.644 SÃO PAULO RELATOR: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/20621660/habeas-corpus-hc-107644-sp-stf/inteiro-teor-110022542?ref=juris-tabs http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=444&processo=444 PACTE.(S):ALESSANDRO RODRIGUES IMPTE.(S):RENEÉ FERNANDO GONÇALVES MOITAS COATOR(A/S)(ES):SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EMENTA: HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. CONDUÇÃO DO INVESTIGADO À AUTORIDADE POLICIAL PARA ESCLARECIMENTOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 144, § 4o, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E DO ART. 6o DO CPP. DESNECESSIDADE DE MANDADO DE PRISÃO OU DE ESTADO DE FLAGRÂNCIA. DESNECESSIDADE DE INVOCAÇÃO DA TEORIA OU DOUTRINA DOS PODERES IMPLÍCITOS. PRISÃO CAUTELAR DECRETADA POR DECISÃO JUDICIAL, APÓS A CONFISSÃO INFORMAL E O INTERROGATÓRIO DO INDICIADO. LEGITIMIDADE. OBSERVÂNCIA DA CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DA RESERVA DE JURISDIÇÃO. USO DE ALGEMAS DEVIDAMENTE JUSTIFICADO. CONDENAÇÃO BASEADA EM PROVAS IDÔNEAS E SUFICIENTES. NULIDADE PROCESSUAIS NÃO VERIFICADAS. LEGITIMIDADE DOS FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. ORDEM DENEGADA. I – A própria Constituição Federal assegura, em seu art. 144, § 4o, às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. II – O art. 6o do Código de Processo Penal, por sua vez, estabelece as providências que devem ser tomadas pela autoridade policial quando tiver conhecimento da ocorrência de um delito, todas dispostas nos incisos II a VI. III – Legitimidade dos agentes policiais, sob o comando da autoridade policial competente (art. 4o do CPP), para tomar todas as providências necessárias à elucidação de um delito, incluindo- se aí a condução de pessoas para prestar esclarecimentos, resguardadas as garantias legais e constitucionais dos conduzidos. IV – Desnecessidade de invocação da chamada teoria ou doutrina dos poderes implícitos, construída pela Suprema Corte norte-americana e e incorporada ao nosso ordenamento jurídico, uma vez que há previsão expressa, na Constituição e no Código de Processo Penal, que dá poderes à polícia civil para investigar a prática de eventuais infrações penais, bem como para exercer as funções de polícia judiciária. V – A custódia do paciente ocorreu por decisão judicial fundamentada, depois de ele confessar o crime e de ser interrogado pela autoridade policial, não havendo, assim, qualquer ofensa à clausula constitucional da reserva de jurisdição que deve estar presente nas hipóteses dos incisos LXI e LXII do art. 5o da Constituição Federal. VI – O uso de algemas foi devidamente justificado pelas circunstâncias que envolveram o caso, diante da possibilidade de o paciente atentar contra a própria integridade física ou de terceiros. VII – Não restou constatada a confissão mediante tortura, nem a violação do art. 5o, LXII e LXIII, da Carta Magna, nem tampouco as formalidade previstas no art. 6o, V, do Código de Processo Penal. VIII – Inexistência de cerceamento de defesa decorrente do indeferimento da oitiva das testemunhas arroladas pelo paciente e do pedido de diligências, aliás requeridas a destempo, haja vista a inércia da defesa e a consequente preclusão dos pleitos. IX – A jurisprudência desta Corte, ademais, firmou-se no sentido de que não há falar em cerceamento ao direito de defesa quando o magistrado, de forma fundamentada, lastreado nos elementos de convicção existentes nos autos, indefere pedido de diligência probatória que repute impertinente, desnecessária ou protelatória, sendo certo que a defesa do paciente não se desincumbiu de indicar, oportunamente, quais os elementos de provas pretendia produzir para levar à absolvição do paciente. X – É desprovido de fundamento jurídico o argumento de que houve inversão na ordem de apresentação das alegação finais, haja vista que, diante da juntada de outros documentos pela defesa nas alegações, a magistrada processante determinou nova vista dos autos ao Ministério Público e ao assistente de acusação, não havendo, nesse ato, qualquer irregularidade processual. Pelo contrário, o que se deu na espécie foi a estrita observância aos princípios do devido processo legal e do contraditório. XI – A prisão cautelar se mostra suficientemente motivada para a garantia da instruçãocriminal e preservação da ordem pública, ante a periculosidade do paciente, verificada pela gravidade in concreto do crime, bem como pelo modus operandi mediante o qual foi praticado o delito. Ademais, o paciente evadiu-se do distrito da culpa após a condenação. XII – Ordem denegada. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sob a Presidência da Senhora Ministra Cármen Lúcia, na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, por maioria de votos, denegar a ordem de habeas corpus, nos termos do voto do Relator, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Brasília, 6 de setembro de 2011. RICARDO LEWANDOWSKI – RELATOR ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (Med. Liminar) - 444 Origem: DISTRITO FEDERAL Entrada no STF: 14/03/2017 Relator: MINISTRO GILMAR MENDES Distribuído: 14/03/2017 Partes: Requerente: CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - CFOAB (CF 103, VII) Requerido :PRESIDENTE DA REPÚBLICA Dispositivo Legal Questionado Art. 260 do Decreto-Lei n° 3689, de 03 de outubro de 1941, do Código do Processo Penal (CPP). Decreto-Lei n° 3689, de 03 de outubro de 1941 Código de Processo Penal. Art. 260 - Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzí-lo à sua presença. Parágrafo único - O mandado conterá, além da ordem de condução, os requisitos mencionados no art. 352, no que lhe for aplicável. Fundamentação Constitucional - Art. 005°, LXIII, LIV e 0LV, § 002° Resultado da Liminar Decisão Monocrática - Liminar Deferida Resultado Final Procedente Decisão Final Após o voto do Ministro Gilmar Mendes (Relator), não conhecendo do agravo interposto pela Procuradoria-Geral da República contra a liminar e julgando procedente a arguição de descumprimento para pronunciar a não recepção da expressão “para o interrogatório”, constante do art. 260 do Código de Processo Penal, e declarar a incompatibilidade com a Constituição Federal da condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório , sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de ilicitude das provas obtidas, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado, o julgamento foi suspenso. Falaram: pelo requerente, o Dr. Juliano José Breda; pela Procuradoria-Geral da República, o Dr. Luciano Mariz Maia, Vice Procurador-Geral da República; pelo amicus curiae Associação dos Advogados de São Paulo - AASP, o Dr. Leonardo Sica; e, pelo amicus curiae Instituto dos Advogados Brasileiros - IAB, o Dr. Técio Lins e Silva . Presidência da Ministra Cármen Lúcia. - Plenário, 7.6.2018. Após o voto do Ministro Alexandre de Moraes , que julgava parcialmente procedente o pedido, nos termos de seu voto, e os votos dos Ministros Edson Fachin, que julgava parcialmente procedente o pedido, nos termos de seu voto, no que foi acompanhado pelos Ministros Roberto Barroso e Luiz Fux , e o voto da Ministra Rosa Weber, que acompanhava o voto do Ministro Gilmar Mendes (Relator), o julgamento foi suspenso. Presidência da Ministra Cármen Lúcia. - Plenário, 13.6.2018. O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, não conheceu do agravo interposto pela Procuradoria - Geral da República contra a liminar concedida e julgou procedente a arquição de descumprimento de preceito fundamental , para pronunciar a não recepção da expressão “ para o interrogatório”, constante do art. 260 do CPP, e declarar a incompatibilidade com a Constituição Federal da condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de ilicitude das provas obtidas , sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. O Tribunal destacou, ainda, que esta decisão não desconstitui interrogatórios realizados até a data do presente julgamento, mesmo que os interrogados tenham sido coercitivamente conduzidos para tal ato. Vencidos, parcialmente, o Ministro Alexandre de Moraes, nos termos de seu voto, o Ministro Edson Fachin, nos termos de seu voto, no que foi acompanhado pelos Ministros Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia (Presidente). - Plenário, 14.6.2018. - Acórdão, DJ 22.05.2019. Da confissão do indiciado A confissão não é prova absoluta, uma vez que o juiz, para o seu livre convencimento, terá de confronta-la com as demais provas obtidas. Segundo DAMASIO E. DE JESUS (Código de processo penal anotado, comentado ao artigo 197). “a confissão policial por si só, nada significa. Se o juiz, na sentença, leva em conta a confissão extrajudicial porque 'corrobora por outras provas', cremos que está considerando ' as outras provas', pouco tendo em validade, senão nenhuma, a confissão policial. Esta, obtida sem o contraditório, acreditamos ser um nada em matéria probatória. Quando muito serve de elemento de convicção do acusado para o início da ação penal.” Assim, se durante o inquérito houver confissão do indiciado, o encarregado deverá, mesmo assim, procurar prova para ratificar ou não tal ato, prosseguindo o inquérito normalmente. Da oitiva de testemunhas Testemunha é a: “pessoa chamada a depor no inquérito, por ser conhecedora do fato de uma forma qualquer (Manual do Inquérito Policial Militar de Minas Gerais).” Logo, tanto pode ser a de visu – viu, quando às de audito, e aqueles que forem citadas pelo acusado, pelo ofendido ou pela parte, mesmo não vendo nem ouvindo sobre o fato. O encarregado do inquérito terá de observar o horário para o depoimento, que deverá ser no período compreendido entre às sete e dezoito horas, lavrando-se o termo o escrivão do horário de início e fim do ato, devendo ainda tal depoimento não ser por mais de quatro consecutivas, facultado o descanso de meia hora, se tiver de depor além daquele tempo. Poderá, ainda, prosseguir o depoimento, se o mesmo não for concluído às dezoito horas, no dia seguinte em horário determinado pelo encarregado, mesmo não sendo dia útil, em caso de urgência, ou no próximo dia útil (artigo 19 e 33). No depoimento o encarregado observará a regra contida no artigo 301 para a confecção do IPM, que é a aplicação no IPM dos dispositivos previstos no Título XV (Dos atos probatórios). Assim, o encarregado deverá intimar as testemunhas declarando o seu fim, designando a data e horário de comparecimento, sendo este obrigatório, salvo motivo de força maior devidamente justificado, caso contrário, a testemunha ficará sujeita à condução coercitiva e multa. Havendo recusa ou resistência da testemunha, poderá está ainda ser presa por período não superior a quinze dias, sem prejuízo do processo penal por crime de desobediência (artigo 347) (Entendemos que, no que tange ao civil, tais sanções serão aplicadas pelo juiz, visto que a Constituição, ao que concerne aos direitos e garantias fundamentais, aos direitos individuais, limitou tais garantias à lei e somente por determinação judicial tais garantias podem ser alteradas. Logo, o mandado de condução é a restrição do direito de ir e vir, insculpido na Constituição Federal, o que requer por parte do encarregado a solicitação ao judiciário da expedição de tal mandado). O artigo 301 do CPPM, que versa sobre a observância no inquérito da disposições das testemunhas que dizem respeito às testemunhas e sua acareação, ao reconhecimento de pessoas e coisas, aos atos periciais e a documentos previstos no Título (Dos probatórios), bem como qualquer outras que tenham pertinência com a apuração do fato delituoso e sua autoria,vem a dar respaldo para a condução coercitiva de testemunha no inquérito (artigo 347), bem como a sujeição da mesma à multa e prisão, no caso de resistência, bem como a responder criminalmente pelo crime de desobediência. Daí, valer no IPM, a intimação da testemunha que a mesma poderá sofrer sanções pelo não cumprimento da ordem ali expedidas. No inquérito policial comum, visto o Código de Processo Penal não conter tal dispositivo conferido somente a autoridade policial a observância no que diz respeito ao indiciado (artigo 6º, V), não se pode notificar visto não existir na lei obrigatoriedade da testemunha depor no inquérito policial, o que feriria o disposto no artigo 5º, inciso II da Constituição Federal onde: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” A requisição de militar ou funcionário público para depor far-se-á ao respectivo chefe encarregado, devendo o chefe, se o encarregado for inferior hierárquico, fazer a ressalva das penas do parágrafo 2º do artigo 347 (artigo 349). No termo de depoimento, a testemunha deverá declarar o nome, idade, naturalidade, filiação, estado civil, profissão (posto ou graduação, se militar), residência (onde serve, se militar), se é parente e em que grau do acusado e do ofendido (a expressão que versa sobre tal indagação é: “aos costumes nada disse 'ou' aos costumes disse que é primo do acusado”), declarando o que sabe a respeito do fato que originou a apuração, prestando o compromisso de dizer a verdade sobre o que lhe for perguntado (artigo 352), ressalvado os casos em que as testemunhas for doente, deficiente mental, aos menores de quatorze anos, o ascendente, o descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que divorciado, o irmão do iniciado, bem como pessoa que com ele tenha vínculo de colocação (parágrafo 2º do artigo 352). Quaisquer pessoas poderão ser testemunhas (artigo 351), e deverão ser inquiridas separadamente de modo que não possa ouvir o depoimento da outra (artigo 353). Não estão obrigadas a depor o ascendente, o descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que divorciado, o irmão do acusado, bem como pessoa que, com ele, tenha vínculo de adoção, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova ao fato e de suas circunstâncias (artigo 354). Pode a testemunha residir em local distante ou outro estado, cabendo ao encarregado expedir carta precatória que será dirigida à autoridade militar superior do local onde a testemunha sirva ou resida, designando a autoridade oficial para tomar tal depoimento. Na expedição de carta precatória, este deverá instrui-la com cópia da parte que deu origem a apuração do fato e os quesitos formulados a fim de serem respondidos pela testemunha, além de ouros dados que julgar necessários (artigo 361), levando-se em consideração os requisitos da precatória (artigo 283). Do reconhecimento de pessoas e coisas e acareações O encarregado do IPM, visando a apuração escorreita do fato e d sua autoria e tendo testemunhas oculares e ofendido que afirma reconhecer o autor do fato delituoso, poderá proceder ao reconhecimento de pessoas e coisa, conforme prevê o artigo 368, in verbis: “Quando houve necessidade de se fazer o reconhecimento de pessoa, proceder-se-á pela seguinte forma: a) a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento deverá convidada a descrever a pessoa que deva ser reconhecida; b) a pessoa cujo reconhecimento se pretender, será colocada, se possível, ao lado de outra que com ela tiverem qualquer semelhança, convidando-se a apontá-la quem houver de fazer o reconhecimento; c) se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por efeito de intimação ou outra influência, não diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida, a autoridade providenciará para que não seja vista por aquela. § 1º – o disposto na alínea e só terá aplicação no curso do inquérito. § 2º – do ato de reconhecimento lavrar-se- á termo pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.” O artigo seguinte (artigo 369) prescreve a aplicação das cautelas estabelecidas no artigo 368, no que diz respeito ao reconhecimento de coisa. Quando houver variedade de pessoas para efetuar reconhecimento de pessoas ou coisa, será feito individualmente, evitando-se o concurso entre as mesmas (artigo 370). Da acareação A acareação é o ato que visa esclarecer as divergências observadas nas declarações, depoimentos e inquirições. Segundo MAXIMILIANO CLAUDIO AMÉRICO FÜHRER (Resumo de processo penal, v. 6, 1995, p.36). “... ás vezes, uma acareação bem conduzida muda completamente o rumo do inquérito ou do processo,” ressaltando, ainda, que “A acareação deve ser feita de modo que os acareados expliquem, frente a frente, os pontos de divergência, devendo a autoridade consignar as palavras, bem como a autoridade de cada um.” A admissão da acareação é prevista no artigo 365, in verbis: “A acareação é admitida, assim na instauração criminal como no inquérito, sempre que houver divergência em declarações sobre fatos ou circunstâncias relevantes: a) entre relevantes; b) entre acusados; c) entre acusado e testemunhas; d) entre acusado ou testemunhas e a pessoa ofendida; e) entre as pessoas ofendidas.” Será explicado pelo encarregado os pontos de divergência, reinquirindo em seguida cada um por si e, em seguida, na presença do outro, sendo lavrado à termo (artigo 366). No caso de ausência de uma das testemunhas, que apresente divergência, prevalecerá os pontos da testemunha presente (artigo 367). Determinação de exames perícias Como já foi dito anteriormente, os exames perícias e avaliações realizados no curso do inquérito, são efetivamente, ou seja, não serão renovados em juízo. O Capítulo V, que compreende os artigos 314 a 346, trata do assunto, sendo necessário maiores comentários dado o caráter auto explicativo dos referidos artigos. A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro possui um núcleo de criminalística (NU/CCPMERJ), onde são realizados exames e perícias mais afetos aos crimes militares. A nota de instrução nº 011/93 da PMERJ, trata da solicitação de tais exames, trazendo, ainda, os modelos de solicitação de indicação de peritos e exames, e o termo de compromisso de perito, conforme transcrição do mesmo na parte da presente monografia (anexo). Na formulação de quesitos, o encarregado poderá solicitar aqueles que achar necessários, devendo ser específicos, simples e se sentido inequívoco, não podendo ser sugestivo, nem conter implícita a resposta (artigo 317). Formularemos alguns quesitos, conforme o tipo de delito, baseados no Decreto nº 5.141, de 25 de outubro de 1996 (do Estado de Minas Gerais), que aprova o formulário de quesitos para exames periciais, e no Manual de Inquérito Policia Militar da PMERJ (M-5). Sanidade mental 1º – O paciente submetido a exame era, ao tempo da ação ou omissão, por motivo de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, inteiramente incapaz de entender o caráter criminoso do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento? 2º – O paciente submetido a exame não possui, ao tempo da ação ou omissão, em virtude de perturbação da saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, a plena capacidade de entender o caráter criminoso do ato ou determinar-se de acordo com esse entendimento? 3º – Qual essa doença mental ou de que natureza era essa perturbação mental? 4º – Que grau de desenvolvimento mental apresenta o paciente submetido ao exame? Menores de dezoito anos 1º O paciente submetido a exame é menor ou maior de dezoito anos de idade? Embriaguez 1º - O paciente está embriagado pelo álcool ou por substância de efeitos análogos? 2º – essa embriaguez é completa ou incompleta? 3º – O paciente emvirtude da embriaguez, era ao tempo da ação ou omissão, inteiramente incapaz de atender o caráter criminoso do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento? 4º – O paciente, em virtude da embriaguez não possuía ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter criminoso do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento? Homicídio 1º - Houve a morte? 2º - Qual a causa da morte? 3º – Qual o instrumento ou meio que produziu a morte? 4º – A morte foi produzida com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum? Homicídio culposo 1º - Houve a morte? 2º - Qual a causa da morte? 3º – Qual o instrumento ou meio que produziu a morte? 4º – A morte foi inobservância de regra de profissão, arte ou oficio? Lesões corporais 1º – Houve ofensa a integridade corporal ou à saúde do paciente? 2º – qual instrumento ou meio que produziu a ofensa? 3º - A ofensa foi produzida com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum? 4º – Da ofensa resultou perigo de vida? 5º – Da ofensa resultou incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias? 6º - Da ofensa resultou debilidade permanente de membro, sentido ou função; incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade incurável; perda ou inutilização de membro, sentido ou função ou deformidade permanente? Constrangimento ilegal 1º – Há lesão corporal ou outro vestígio, indicando ter havido emprego de violência contra o paciente? 2º – Há vestígio indicando ter havido emprego de qualquer outro meio para realizar a capacidade de resistência do paciente? 3º – Qual o meio empregado? Sequestro ou cárcere privado 1º – O paciente apresenta sinal ou vestígios de grave sofrimento físico ou moral? 2º – Esse sofrimento resultou ou pode ter resultado de maus tratos em sequestro ou cárcere privado? 3º – Esse sofrimento resultou ou pode ter resultado de natureza de detenção em sequestro ou cárcere privado? Furto qualificado 1º – Houve destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa? 2º – Qual foi esse obstáculo? 3º – Houve escalada? 4º – Houve destreza? 5º – Qual o meio ou instrumento empregado? 6º – Houve emprego de chave falsa? 7º – E que época ocorreu o fato? 8º – Qual o valor do bem subtraído? Para exame do instrumento 1º – Qual o instrumento apresentado a exame? 2º – Esse instrumento é empregado usualmente para prática de furto? Roubo 1º – Há lesão corporal, ou outro vestígio, indicando ter havido emprego de violência contra o paciente? 2º – Há vestígios indicando ter havido emprego de qualquer outro meio para reduzir o paciente à impossibilidade de resistência? 3º – Qual o meio ou instrumento empregado? 4º – Da violência resultou morte? 5º – Da violência resultou morte? Extorsão 1º – Há lesão corporal ou outro vestígio, indicando ter havido emprego violência contra o paciente? 2º – Qual meio ou instrumento empregado? 3º – Da violência resultou lesão corporal de natureza grave? 4º – Da violência resultou morte? Dano 1º – Houve destruição, inutilização ou detonação da coisa submetida a exame? 2º – Qual o meio ou instrumento empregado? 3º – Houve emprego de substância inflamável ou explosiva? 4º – Qual o valor do dano causado? Conjunção carnal 1º – Houve conjunção carnal? 2º - houve ruptura do hímen? 2º – Qual a data provável dessa ruptura? 4º – Há lesão corporal, ou outro vestígio, indicando ter havido emprego de violência e, no caso afirmativo, qual o meio empregado? 5º – Da violência resultou lesão corporal de natureza grave? 6º – Da violência resultou a morte da paciente? 7º – A paciente é maior de quatorze anos; ou ainda é maior ou menor de dezoito anos? 8º – A paciente é alienada ou doente mental? 9º – Houve qualquer outra causa que tivesse impossibilitado a paciente oferecer resistência? Atentado ao pudor 1º – Houve a prática de ato libidinoso? 2º – Em que consistiu? 3º - Há lesão corporal ou outro vestígio, indicando ter havido emprego de violência e, no caso afirmativo, qual o meio empregado? 4º – Da violência resultou lesão corporal de natureza grave? 5º – Da violência resultou a morte do paciente? 6º – O paciente é maior ou menor de quatorze anos; ou é maior ou menor de dezoito anos? 7º – O paciente é alienado mental? 8º – Houve qualquer outra causa que impossibilitou o paciente de oferecer resistência? 9º – (Caso tenha sido contra mulher), se resultou aceleração de parto ou aborto? Incêndio 1º – Houve incêndio? 2º – Qual a natureza, finalidade e utilização da coisa incendiada? 3º – Onde se originou o incêndio? 4º – Qual a causa determinante? 5º – Foi acidental, proposital ou resultou de imprudência, negligência ou imperícia? 6º – O incêndio expôs a perigo a integridade física, a vida ou o patrimônio de outrem? 7º – Houve dano? 8º – Qual a sua extensão? 9º – Qual o seu valor? Envenenamento 1º – Houve propinação de veneno ou por outro modo foi aplicado? 2º – Qual a espécie do veneno? 3º – A qualidade o a quantidade empregada poderia causar a morte? 4º – Não podendo causar a morte, produziu ou poderia produzir alteração profunda da saúde, pondo em risco a vida da pessoa? 5º – Em que consiste essa alteração? Exame de armas (armas brancas) 1º - Qual a espécie submetida a exame? 2º – Quais suas características? 3º – No estado em que se apresentam, poderiam ter sido utilizadas eficazmente para a prática de crime? 4º – Apresenta alguma mancha? 5º – Qual a natureza da mancha? (armas de fogo) 1º – Qual a natureza da arma submetida a exame e suas características principais? 2º – A arma tem capacidade para produzir disparo? 3º – A arma submetida a exame está ou não carregada? 4º – Em caso afirmativo, qual a natureza da carga? 5º – Pelos elementos coligidos no exame, podem os Senhores Peritos concluir tenha a mesma produzido disparos recentes? 6º – Quais a natureza e características do projétil submetido a exame? 7º – O projétil em causa foi expedido pela arma ora examinado? 8º – Qual a natureza e características do estojo submetido a exame? 9º – Pelos elementos coligidos no exame, podem os Senhores Peritos afirmar ter sido o estojo em causa utilizado em disparo com a arma ora examinada? Objetos de arrombamento 1º – Qual a natureza do objeto apresentado a exame e sua característica? 2º – O objeto ora examinado é próprio para arrombamento ou pode ser utilizado com eficiência para tal fim? 3º – Queiram os Senhores Peritos fornecer outros elementos que julgarem necessários. Um exame importante que não foi completamente mencionado é o exame de confronto balístico que visa a identificar um projétil arrecadado, seja na coisa ou na pessoa, com a arma de fogo usada pelo indiciado. Às vezes, passa desapercebida tal arrecadação, visto constar no laudo cadavérico, que chegou já no final do IPM ou até mesmo não chegou até seu término. É de tal exame que irá se afirmar a autoria ou não do indiciado. No Estado do Rio de Janeiro há o Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, que realiza exames concernentes à pessoa – lesão corporal, estupro, homicídio, etc... - e o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, que realiza periciais sobre objetos – arma de fogo, arma branca, arrombamento, etc... Normalmente, o IPM é instaurado pela autoridade militar, tendo sido os fatos registrados em delegacia policial, onde a própria unidade de polícia judiciária fez requisições de exames e periciais aos órgãos acima mencionados. Neste caso, o encarregado do IPM, solicitara a cópia do Registro de Ocorrência (RO), ou a cópia do Auto de Prisão em Flagrante, onde de posse do número do memorando de requisição de exames e periciais feitas pela delegacia, mencionará em sua solicitação o referido número. Tal menção se dá devido ao controle de tais órgãos estarem ligados aos mesmos númerosdos memorandos. No caso de ter sido feito a perícia pelo Centro de Criminalística da Polícia Militar (CCrim/PMERJ) onde só são realizadas periciais em objetos, não faz necessidade de tal alusão. Da avaliação e identificação da coisa subtraída, desviada, destruída ou danificada ou da qual houve indébita apropriação (alínea g, artigo 13) É importante tal ato pelo encarregado tendo em vista que o objeto jurídico protegido pela norma é a propriedade, a posse e a detenção de um bem móvel, e a avaliação e identificação do bem dá a amplitude do mesmo e determina a sua existência, caracterizando-se assim uma perda patrimonial, uma lesão ao direito do ofendido. Tal avaliação é importante, também, para a dosagem da pena, onde, segundo a regra do parágrafo 1º do artigo 240 do CPPM, poderá ser a pena diminuída ou desclassificada, em virtude do pequeno valor do bem, sendo requisito, porém, que o réu seja primário, verbis: “omissis, parágrafo 1º: se o agente é primário e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão, pela detenção, diminui-la de um a dois terços, ou considerar a infração como disciplinar. Entende-se pequeno valor que não exceda a um décimo da quantia mensal do mais alto salário mínimo do pais.” O mesmo ocorre com o crime de dano, previsto no artigo 260 do com. Das buscas e apreensões A busca e apreensão de instrumentos e objetos do crime pode se dar no próprio locus delict, no domicílio ou na própria pessoa. No que tange a busca e apreensão no locus delict, não traz tal ato dificuldade para o encarregado. Quando a busca e apreensão no domicilio e na pessoa, discorreremos a seguir. Da busca domiciliar Pode haver, no transcorrer do inquérito, necessidade de ser realizar uma busca em determinado domicilio, que durante as investigações, tenha sido citado como o local que abriga criminosos ou objetos que tenham a ver com o delito apurado. Antes da Constituição de 1988, a autoridade policial podia realizar tais buscas sem mandado judicial. Atualmente, visto o artigo 5º, XI da Carta Magna, que traz o princípio da inviolabilidade do domicílio, somente se procede a busca domiciliar por determinação judicial. A respeito do assunto leciona JOÃO BOSCO R. MONTEIRO: “Durante muito tempo a sociedade brasileira sofreu as consequências danosas para sua segurança com a invasão de lares a pretexto de busca e apreensão, sem mandados ou expedidos pela autoridade policial. Às vezes disfarçado em média de mera política, outras vezes à procura de um criminoso o certo e que se invadia com frequência o lar das pessoas com o propósito de efetuar prisões. Era fácil imaginar a insegurança em que vivia o cidadão, sabedor que a qualquer hora, inclusive a noite, sua casa poderia ser invadida pelas autoridades. Sua pessoa e a de sua família não desfrutavam, portanto, de qualquer segurança. Essa arbitrariedade e autoritarismo marcaram profundamente a nossa sociedade, deixando um saldo negativo e, até mesmo, estarrecedor, com a morte e desaparecimento de milhares de pessoas inocentes.” e prossegue: “Todavia atualmente se a autoridade policial desejar empreender uma busca domiciliar, mesmo que pretenda fazê-lo pessoalmente, haverá indeclinável necessidade de ordem judicial. Se o juiz não autorizar, não será possível, e, se mesmo assim vier a acontecer, responderá a autoridade criminalmente, pois a entrada se deu sem formalidades legais.” (Da busca domiciliar, in Revista da Escola de Magistratura do Estado do Mato Grosso do Sul – ESMAGIS -nº 6, janeiro de 1994, pp. 11 e 12) A busca domiciliar está regulada no Capítulo 1, do Título XIII do CPPM, onde se verifica a necessidade das seguintes observações: a finalidade da busca (artigo 172), onde o juiz, após analisar as razões contidas na solicitação do encarregado, com a lei, expedirá o mandado, que será prender criminosos; apreender coisas obtidas por meios criminosos ou guardados ilicitamente, apreender instrumentos de falsificação ou contrafação; apreender armas ou instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso; descobrir objetos necessários a prova da infração ou à defesa do acusado; apreender correspondência destinada ao acusado ou em seu poder, quando haja fundada suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato; apreender pessoas vítimas de crime e colher elemento de convicção. O encarregado na solicitação ao juiz deverá também ter a noção do termo casa que, segundo o artigo 173 é qualquer compartimento habilitado, aposento ocupado de habitação coletiva e compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade. Não procede a solicitação ao juiz de mandado de busca pelo encarregado, no caso de hotel, hospedaria ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto abertos, salvo o aposento ocupado, taverna, boate, casa de jogo e outros do mesmo gênero e a habitação usada como local para a prática de infrações penais (artigo 174). Neste último caso, o encarregado deve ter certeza absoluta, sendo recomendável, mesmo assim, a solicitação de mandado para o juiz competente. A busca domiciliar só poderá ocorrer durante o dia. Não diz a lei o horário que compreende o termo dia, porém é feita analogia com o artigo 172 do CPC, que menciona o horário compreendido entre às seis e dezoito horas. 1) Procedimento No cumprimento do mandado de busca se levará em conta a presença do morador. Sendo este presente, o executor lerá o mandado, identificar-se-á, e dirá o que pretende, em seguida, convidará o morador a franquear a entrada, sob pena de a forçar se não for atendido, no interior da casa convidará o morador a apresentar a coisa ou pessoa procurada e, se não for atendido, ou se tratar a apresentar a coisa ou pessoa procurada e, se não for atendido, ou ser tratar de pessoa ou coisa incerta, procederá à busca; no caso de resistência do morador ou outra pessoa que tente prejudicar a busca, o executor poderá usar a força necessária para vencer tal resistência, podendo, ainda, arrombar móveis ou compartimentos que, presumidamente, possam abrigar objeto procurado (artigo 179). Estando o morador ausente ou a casa estiver desabitada, o executor tentará localizá-lo, a fim de dar ciência da diligência e, aguardará sua chegada, se ser imediata; não se encontrando o morador, o executor convidará a capaz, que deverá ser identificada para constar do respectivo auto, como testemunha da diligência, em seguida, o executor entrará na casa, arrombando-lhe, se necessário, efetuando a busca, rompendo, se preciso, todos os obstáculos ou compartimentos onde, presumidamente, possam estar as coisas ou pessoas procuradas, observando ainda, que tais rompimentos devem ser feitos com o menor dano possível (artigo 179, incisos I e II). Da busca pessoal Consiste a busca pessoal, na procura material, feita nas vestes, pastas, malas e outros objetos que se encontrem com a pessoa revistada e, quando necessário, no próprio corpo, conforme a dicção do artigo 180. Normalmente, devido a oportunidade e, levando-se em conta que a expedição de um mandado judicial acarretará num possível prejuízo à diligência, a revista é realizada independentemente de mandado, quando feita no ato da captura da pessoa que deve ser presa; quando determinada no curso de busca domiciliar; quando ocorrer fundada suspeita de que alguém oculte consigo instrumento ou produto do crime; quando houver fundada suspeita de que revistando traz consigo objeto ou papéis que constituam corpo de delito e, quando feita na presença de autoridade judiciária (artigo 182). A busca em mulher, a princípio, só pode ser realizada por outra mulher. Se importar em retardamento ou prejuízo da diligência, nada impede a dispensa da formalidade, sendo a revista efetuada por homem (artigo 183). Do auto de busca e apreensão O artigo 189 prescreve os requisitos do auto, que será lavrado quando finda a diligência, devendo ser o mesmoassinado por duas testemunhas, com declaração do lugar, dia e hora em que se realizou, com a citação das pessoas que a sofreram e das que nela tomaram parte ou as que tenham assistido, com as respectivas identidades, bem como, de todos os incidentes ocorridos durante sua execução. Constando do auto, ainda, ou fazendo parte em anexo devidamente rubricado pelo executor da diligência, a relação e a descrição das coisas apreendidas, com a especificação de marca, tipo, origem, se possível a data de fabricação de máquinas, veículos, instrumentos ou armas; título e o nome do autor no caso de livros e, a natureza, na hipótese de documentos (artigo 189). Da proteção de testemunhas e do ofendido Tal medida visa impedir que os depoimentos e declarações sejam eivados pela ameaça do indiciado ou de terceiro. Nos Batalhões de Polícia Militar, em sua maioria existem salas preparadas para o reconhecimento, são as chamadas “salas de manjamento”, em que a testemunha ou o ofendido não são vistos pelo indiciado, devido ao uso de um vidro espelhado que se permite a visão pela sala onde a testemunha ou o ofendido são instalados. O encarregado deve tomar certas medidas, a fim de evitar o possível constrangimento entre as pessoas envolvidas na apuração, não marcando para o mesmo dia as oitivas de ofendido e indiciado, ou da testemunha e indiciado. Há outras medidas que o encarregado, num caso mais extremo, poderá adotar, tais como a prisão cautelar do indiciado, com base no artigo 18 ou o requerimento, junto ao juiz auditor, da decretação da prisão preventiva, com base no artigo 255, b do CPPM. No Brasil, no que diz respeito ás testemunhas e ofendidos que colaborem na apuração de crimes, não há, salvo as medidas paliativas acima adotadas, uma política para sua proteção, tendo que mais tarde, por conta própria, a pessoa sair do local onde reside. No congresso Nacional, há um projeto de lei que trata do assunto, estabelecendo medidas a serem adotadas na proteção de pessoas expostas a grave perigo, devido a colaboração em inquérito policial ou em processo penal. Tais medidas podem abranger os familiares, incluindo segurança na moradia com controle das telecomunicações, escolta de segurança – quando se trata de pessoa presa – transferência para aqueles que estão em liberdade, modalidades especiais de prisão, troca de identificação civil e assistência econômica. A Itália e os Estados Unidos têm uma política de proteção àquelas que ajudam a justiça nas investigações, sendo que, atualmente, só na Itália há cerca de 1.412 pessoas protegidas, entre delatores, familiares e amigos. Nos Estados Unidos são cerca de 15.000 pessoas incluindo as famílias que recebem proteção estadual, sendo o custo de uma família de quatro pessoas de US$ 109.000 por ano, ao governo, sendo escolhido pelo programa, o lugar onde vão viver a testemunha e seus familiares, permitindo a troca de identidade (Folha de São Paulo, 14 de maio de 1995). Reconstituição dos fatos Parágrafo único – para verificar a possibilidade de haver sido a infração praticada de determinado modo, o Encarregado do Inquérito poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública, nem atente contra a hierarquia ou a disciplina militar. Assistência do procurador Art. 14 – em se tratando da apuração de fato de excepcional importância ou de difícil elucidação, o encarregado do inquérito poderá solicitar do Procurador-Geral indicação de Procurador que lhe dê assistência. Encarregado do Inquérito. Requisitos Art. 15 – Será encarregado, sempre que possível, Oficial de posto não inferior ao de Capitão; e, em se tratando de infração penal contra a segurança nacional, sê-lo-á, sempre que possível, Oficial Superior, atendida, em cada caso, e sua hierarquia, se Oficial o indiciado. Sigilo do Inquérito Art. 16 – O inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode permitir que dele tome conhecimento o advogado do indiciado. LEI Nº 13.245, DE 12 DE JANEIRO DE 2016. Altera o art. 7o da Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil). A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1o O art. 7o da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil), passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 7o ......................................................................... ............................................................................................. XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital; ............................................................................................. XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos; b) (VETADO). ............................................................................................ § 10. Nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV. § 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências. § 12. A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente.” (NR). Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 12 de janeiro de 2016; 195o da Independência e 128o da República. DILMA ROUSSEFF José Eduardo Cardozo Este texto não substitui o publicado no DOU de 13.1.2016 A Súmula Vinculante n. 14 do STF prevê que “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. A LEI 13.245/16 E SUAS REPERCUSSÕES JURÍDICAS E PRÁTICAS NAS INVESTIGAÇÕES (Jusbrasil) Da inobservância do direito de amplo acesso aos autos de investigação A Lei 13.245/16 incluiu o § 12 no art. 7º da Lei 8.906/94, prevendo que “A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente.” (destaquei) Da necessidade (ou não) de procuração para acessar os autos da investigação O § 10 do art. 7º da Lei 8.906/94 prevê que “Nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV.” (destaquei) Inicialmente, é importante especificar quando haverá sigilo nos procedimentos investigatórios. O sigilo subdivide-se em externo e interno. O sigilo externo é a regra do inquérito policial e consiste no sigilo que a autoridadepolicial deve manter da investigação em relação a terceiros, inclusive a imprensa. Referido sigilo externo decorre da necessidade de preservar a imagem do investigado[4] (art. 5, X, da CRFB/88) e da própria natureza da investigação, que muitas vezes tem seu sucesso condicionada à manutenção de seu sigilo, em razão do elemento “surpresa”. O sigilo interno refere-se aos que possuem interesse na investigação, sendo aplicável ao advogado e ao investigado. Nenhum dos dois sigilos são oponíveis à autoridade policial, ao juiz e ao promotor envolvidos no caso. Um exemplo de “sigilo interno” é a hipótese em que a autoridade policial esteja produzindo elementos probatórios para realizar pedido de busca e apreensão ou pedido de interceptação telefônica. Portanto, em se tratando de diligências que ainda não foram realizadas ou que estão em andamento, a defesa não possui direito ao acesso, sob pena da investigação restar infrutífera. Feito os apontamentos sobre o “sigilo”, é importante analisar quando é necessária a exigência de procuração. Não está claro se o § 10 do art. 7º da Lei 8.906/94 abrange os sigilos em razão da lei, decretados pela autoridade policial ou em razão de ordem judicial. O art. 16 do Código de Processo Penal Militar prevê que o inquérito é sigiloso. Art. 16. O inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode permitir que dele tome conhecimento o advogado do indiciado. (destaquei) Portanto, o sigilo nos inquéritos policiais militares decorre de lei, sendo que a autoridade policial militar, denominado Encarregado, deve assegurar o sigilo do IPM, facultando acesso ao advogado do investigado mediante procuração. Outro exemplo de sigilo que decorre de lei encontra previsão no art. 234-B do Código Penal. Art. 234-B. Os processos em que se apuram crimes definidos neste Título correrão em justiça. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) (destaquei) Portanto, nos crimes contra a dignidade sexual, por imposição legal, os autos deverão tramitar em segredo de justiça, sendo necessário advogado constituído para que tenha acesso aos autos. Em relação ao inquérito policial, o art. 20 do Código de Processo Penal determina que a autoridade policial assegure o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Pela redação do citado artigo é possível dizer que a autoridade policial possui certo grau de discricionariedade ao avaliar o caso concreto e impor o sigilo necessário para o bom êxito da investigação. Assim sendo, é possível afirmar que nos inquéritos policiais os advogados terão acesso aos autos sem necessidade de procuração, salvo se o Delegado houver decretado sigilo, ocasião em que será necessária a procuração. Nessa toada, Renato Brasileiro de Lima[5] ensina que “Se a autoridade policial verificar que a publicidade das investigações pode causar prejuízo à elucidação do fato delituoso, sigilo do inquérito policial com base no art. 20 doCPP, sigilo este que não atinge a autoridade judiciária e nem o Ministério Público”. (destaquei) No tocante ao sigilo decorrente de ordem judicial (segredo de justiça), entendemos que o acesso ao advogado com procuração, conforme o caso, deve ser concedido pelo juiz competente. A Lei 12.850/13, que trata da organização criminosa, assevera o seguinte: Art. 23. O sigilo da investigação poderá ser decretado pela autoridade judicial competente, para garantia da celeridade e da eficácia das diligências investigatórias, assegurando-se ao defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exercício do direito de defesa, devidamente precedido de autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento. Parágrafo único. Determinado o depoimento do investigado, seu defensor terá assegurada a prévia vista dos autos, ainda que classificados como sigilosos, no prazo mínimo de 3 (três) dias que antecedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério da autoridade responsável pela investigação. Respeitável doutrina e estudiosos do direito lecionam que o permissivo legal mencionado refere-se às investigações que envolvam organizações criminosas, o que é perfeitamente aceitável e parece ser o entendimento majoritário, mas não concordamos, pelas seguintes razões. A uma, o fato do dispositivo estar previsto na Lei de Organizações Criminosas não impede sua aplicação para casos semelhantes, mormente quando não houver previsão legal para outros casos, devendo ser feita uma interpretação sistemática, podendo o art. 23 da Lei 12.850/13 ser aplicado analogicamente. De mais a mais, a própria lei não limitou a aplicação do art. 23 da Lei12.850/13, exclusivamente, aos casos de organização criminosa. A duas, deve-se aplicar a máxima de que “onde houver a mesma razão, aplica-se o mesmo direito”. Na hipótese em que se tratar de investigação envolvendo organização criminosa, o próprio legislador, dada a gravidade presumível e necessidade de garantia da celeridade e eficácia das diligências investigatórias, impôs à investigação a necessidade de autorização judicial para que a defesa acesse os autos da investigação sob segredo de justiça, o que não impede a aplicação da mesma lógica para outros casos, igualmente, graves. Imagine a hipótese em que uma associação criminosa (e não organização criminosa)[6]cometa vários crimes graves, como uma séria de homicídios e tráfico de drogas, sendo fatos graves, cujo sigilo para a investigação torna-se imperioso para o sucesso dessa. Decretado o segredo de justiça, conforme o caso, somente com autorização judicial será possível que o advogado constituído tenha acesso aos autos, em relação aos atos de diligência já realizados, documentados e que não possam trazer prejuízo para futuras diligências. Caso não fosse necessária autorização judicial para que a defesa acesse os autos sob segredo de justiça, não haveria distinção entre o sigilo decretado pela autoridade policial e o segredo de justiça, quanto à fase investigatória, na medida em que o sigilo decretado pela autoridade policial, por si só, é suficiente para assegurar a vedação de acesso por terceiros e pela mídia. Os efeitos práticos em relação ao acesso aos autos seriam os mesmos. Observa-se ser possível que o juiz, ao decretar o segredo de justiça, autorize que a própria autoridade policial conceda ao advogado constituído, o acesso aos autos da investigação. Não se trata de cercear direito do defensor, mas sim de garantir o interesse público no êxito das investigações, sem, no entanto, afrontar direitos fundamentais, que serão assegurados pelo juiz competente. Por fim, é importante frisar que quando o art. 7o da Lei 8.906/94, que trata dos direitos do advogado quis se referir ao segredo de justiça, o fez expressamente, conforme disposto em § 1o, “1” que diz que o direito de acesso do advogado aos processos judiciais ou administrativos, bem como em relação à retirada dos autos de processos findos, mesmo sem procuração, não se aplicam aos processos sob regime de segredo de justiça. Portanto, o art.7o,§ 10da Lei8.906/94, ao mencionar a necessidade de procuração paraexaminar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, sob sigilo, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital, não se restringiu aos sigilos decorrentes de ordem judicial (segredo de justiça), mas sim aos sigilos decorrentes de lei, por imposição da autoridade policial ou mediante ordem judicial, uma vez que o próprio art. 7o, § 1o, “1”, quando quis se referir a segredo de justiça, o fez expressamente. Das diligências em andamento O art. 7o, § 11 do Estatuto da OAB dispõe que “a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimentoda eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências.” A Lei 12.527/11 - Lei Acesso à Informação - assegura o sigilo das informações que possam comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações (art. 23, VIII). Um fator essencial para o sucesso das investigações consiste no elemento “surpresa”. Isto é, muitas investigações obtém sucesso em razão de seu sigilo e desconhecimento por parte dos investigados. Portanto, as diligências em andamento, cujo conhecimento por parte do investigado ou do advogado, possam comprometer a eficácia das investigações estão sob o manto do sigilo interno, devendo ser de conhecimento exclusivamente das autoridades envolvidas (Juiz, Promotor, Delegado de Polícia ou Encarregado do IPM). Importante frisar que mesmo após a diligência estar concluída, caso dela possa derivar outras diligências, a autoridade policial possui respaldo para não juntar ao inquérito, sob pena de comprometer futuras diligências. Assim sendo, o acesso do advogado aos autos de investigação restringem-se às diligências findas e juntada aos autos, o que não obsta que o advogado acompanhe diligências em andamento, quando essas não puderem sofrer prejuízo, como na hipótese em que a autoridade policial notifique a defesa de ofício ou em razão de pedido do advogado, para apresentar quesitos a serem feitos ao perito que analisará o computador apreendido ou fará o exame de corpo de delito, p. Ex. Importante frisar que é direito do advogado requerer diligências à autoridade policial e a nova previsão de que o defensor possui direito de “apresentar razões e quesitos” (art. 7o, XXI, a da Lei 8.906/95) no curso da investigação pouco altera a realidade, na medida em que o art. 14 do CPP assegura ao advogado o direito de requerer "qualquer diligência", cuja realização será decidida pela autoridade policial, o que não impede que a defesa consiga a realização da diligência mediante ordem judicial ou requisição ministerial. Quando a lei se refere a apresentar “razões”, autoriza que o defensor apresente argumentos ou pedidos com o fulcro de convencer a autoridade policial acerca de alguma decisão já tomada ou a ser tomada, p. Ex., inclusive poderá apresentar uma espécie de “defesa” visando que a autoridade policial não indicie seu cliente. Em se tratando de apresentação de “quesitos”, o advogado poderá formular perguntas ao investigado, às testemunhas, aos peritos que elaborarão o laudo pericial, dentre outros. Frisamos ser possível, inclusive, que o advogado apresente quesitos à própria autoridade policial sobre determinados pontos da investigação. Do direito do advogado de acompanhar seu cliente durante o interrogatório ou depoimento no curso das investigações O art. 7o, XXI da Lei 13.245/16, com redação dada pela Lei 13.245/16, prevê que é direito do advogado “assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos”. Assim, é possível afirmar que o advogado possui direito de acompanhar seu cliente durante a audição em Auto de Prisão em Flagrante, Inquérito Policial Comum ou Militar, dentre outros procedimentos. Nota-se que a Lei referiu-se à possibilidade do advogado assistir seus clientes investigados no interrogatório (audição do investigado pela autoridade policial) ou depoimento (audição das testemunhas). Portanto, caso a defesa pleiteie à autoridade policial que seja notificada das audições a serem realizadas no bojo do inquérito policial, em regra, deverá o advogado ser notificado com antecedência para que possa acompanhar as audições, inclusive, podendo formular perguntas que poderão ser indeferidas pela autoridade policial, de forma fundamentada, além de constar no termo de audição. Observamos que a autoridade policial, mesmo diante do pedido do advogado para acompanhar as audições, poderá deixar de notificar o advogado, na hipótese em que determinado depoimento puder trazer informações relevantes que possam culminar em mandado de busca e apreensão, interceptação telefônica, dentre outros. A alteração na Lei cominou sanção de “nulidade absoluta”, caso haja descumprimento do direito do advogado de assistir seus clientes durante a apuração de infrações. Ocorre que a jurisprudência do STF é pacífica de que “a demonstração de prejuízo, a teor do art. 563 do CPP, é essencial à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta, eis que “o âmbito normativo do dogma fundamental da disciplina das nulidades pas de nullité sans grief compreende as nulidades absolutas.”[7] e ainda que “para o reconhecimento de eventual nulidade, ainda que absoluta, faz-se necessária a demonstração do prejuízo”[8]. Isto é, seja a nulidade absoluta ou relativa, deve haver prova de prejuízo para que seja reconhecida a nulidade, sob pena do legislador criar uma espécie de “nulidade legislativa”, nessas hipóteses, sendo que deve ser analisado caso a caso, de acordo com a realidade dos fatos e prejuízos efetivamente ocorridos. Na hipótese de descumprimento do direito do advogado de acompanhar seus clientes nas investigações, em se tratando de Auto de Prisão em Flagrante, esse poderá ser relaxado na Audiência de Custódia ou quando da análise do APF. Em se tratando de inquérito policial, esse não será nulo, mas a audição realizada e as provas produzidas em razão da audição poderão ser declaradas nulas, se houver prova de prejuízo. O inquérito continua sendo inquisitivo? Com a publicação da Lei 13.245/16, rapidamente, diversos artigos e comentários afirmaram que o inquérito deixou de ser inquisitivo, o que não prospera. O inquérito policial continua sendo de natureza inquisitiva. Isto é, não há contraditório, nem ampla defesa durante o inquérito. Aury Lopes[9], de forma didática, ao defender que o inquérito continua possuindo caráter inquisitório, escreveu que: E o inquérito? Como sói ocorrer na maior parte dos sistemas de investigação preliminar, continua sendo inquisitório, pois incumbe ao delegado (ou MP para os que assim pensam) presidir o procedimento, praticar atos de investigação e também decidir nos limites legais, respeitando a reserva de jurisdição. Sim, o delegado (ou o MP nos países que adotam esse modelo) toma diversas decisões ao longo da investigação e ele mesmo realiza os atos de investigação, acumulando papéis. Nada anormal nisso em se tratando de investigação preliminar. Portanto, o fato de ampliarmos a presença do advogado, fortalecendo a defesa e o contraditório (no seu primeiro momento segundo a concepção de Fazzalari, que é o da informação, esclareço antes de ser criticado) não retira o caráter inquisitório do inquérito! Como muito poderíamos falar em mitigação (mas não me parece plenamente correto), considerando que publicidade/segredo, defesa/ausência, contraditório ou não, são elementos satelitários que orbitam em torno do núcleo fundante (gestão/iniciativa da prova). Não são eles que fundam o sistema, pois são elementos secundários que - em tese - podem se unir a um núcleo ou a outro. (destaquei) ainda que classificados como sigilosos, no prazo mínimo de 3 (três) dias que antecedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério da autoridade responsável pela investigação. Respeitável doutrina e estudiosos do direito lecionam que o permissivo legal mencionado refere-se às investigações que envolvam organizações criminosas, o que é perfeitamente aceitável e parece ser o entendimento majoritário, mas não concordamos, pelas seguintes razões. A uma, o fato do dispositivo estar previsto na Lei de Organizações Criminosas não impede sua aplicação para casos semelhantes, mormente quando não houver previsão legal para outros casos, devendo ser feita uma interpretação sistemática, podendo o art. 23 da Lei 12.850/13ser aplicado analogicamente. De mais a mais, a própria lei não limitou a aplicação do art. 23 da Lei12.850/13, exclusivamente, aos casos de organização criminosa. A duas, deve-se aplicar a máxima de que “onde houver a mesma razão, aplica-se o mesmo direito”. Na hipótese em que se tratar de investigação envolvendo organização criminosa, o próprio legislador, dada a gravidade presumível e necessidade de garantia da celeridade e eficácia das diligências investigatórias, impôs à investigação a necessidade de autorização judicial para que a defesa acesse os autos da investigação sob segredo de justiça, o que não impede a aplicação da mesma lógica para outros casos, igualmente, graves. Imagine a hipótese em que uma associação criminosa (e não organização criminosa)[6]cometa vários crimes graves, como uma séria de homicídios e tráfico de drogas, sendo fatos graves, cujo sigilo para a investigação torna-se imperioso para o sucesso dessa. Decretado o segredo de justiça, conforme o caso, somente com autorização judicial será possível que o advogado constituído tenha acesso aos autos, em relação aos atos de diligência já realizados, documentados e que não possam trazer prejuízo para futuras diligências. Caso não fosse necessária autorização judicial para que a defesa acesse os autos sob segredo de justiça, não haveria distinção entre o sigilo decretado pela autoridade policial e o segredo de justiça, quanto à fase investigatória, na medida em que o sigilo decretado pela autoridade policial, por si só, é suficiente para assegurar a vedação de acesso por terceiros e pela mídia. Os efeitos práticos em relação ao acesso aos autos seriam os mesmos. Observa-se ser possível que o juiz, ao decretar o segredo de justiça, autorize que a própria autoridade policial conceda ao advogado constituído, o acesso aos autos da investigação. Não se trata de cercear direito do defensor, mas sim de garantir o interesse público no êxito das investigações, sem, no entanto, afrontar direitos fundamentais, que serão assegurados pelo juiz competente. Por fim, é importante frisar que quando o art. 7o da Lei 8.906/94, que trata dos direitos do advogado quis se referir ao segredo de justiça, o fez expressamente, conforme disposto em § 1o, “1” que diz que o direito de acesso do advogado aos processos judiciais ou administrativos, bem como em relação à retirada dos autos de processos findos, mesmo sem procuração, não se aplicam aos processos sob regime de segredo de justiça. Portanto, o art.7o,§ 10da Lei8.906/94, ao mencionar a necessidade de procuração paraexaminar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, sob sigilo, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital, não se restringiu aos sigilos decorrentes de ordem judicial (segredo de justiça), mas sim aos sigilos decorrentes de lei, por imposição da autoridade policial ou mediante ordem judicial, uma vez que o próprio art. 7o, § 1o, “1”, quando quis se referir a segredo de justiça, o fez expressamente. Das diligências em andamento O art. 7o, § 11 do Estatuto da OAB dispõe que “a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências.” A Lei 12.527/11 - Lei Acesso à Informação - assegura o sigilo das informações que possam comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações (art. 23, VIII). Um fator essencial para o sucesso das investigações consiste no elemento “surpresa”. Isto é, muitas investigações obtém sucesso em razão de seu sigilo e desconhecimento por parte dos investigados. Portanto, as diligências em andamento, cujo conhecimento por parte do investigado ou do advogado, possam comprometer a eficácia das investigações estão sob o manto do sigilo interno, devendo ser de conhecimento exclusivamente das autoridades envolvidas (Juiz, Promotor, Delegado de Polícia ou Encarregado do IPM). Importante frisar que mesmo após a diligência estar concluída, caso dela possa derivar outras diligências, a autoridade policial possui respaldo para não juntar ao inquérito, sob pena de comprometer futuras diligências. Assim sendo, o acesso do advogado aos autos de investigação restringem-se às diligências findas e juntada aos autos, o que não obsta que o advogado acompanhe diligências em andamento, quando essas não puderem sofrer prejuízo, como na hipótese em que a autoridade policial notifique a defesa de ofício ou em razão de pedido do advogado, para apresentar quesitos a serem feitos ao perito que analisará o computador apreendido ou fará o exame de corpo de delito, p. Ex. Importante frisar que é direito do advogado requerer diligências à autoridade policial e a nova previsão de que o defensor possui direito de “apresentar razões e quesitos” (art. 7o, XXI, a da Lei 8.906/95) no curso da investigação pouco altera a realidade, na medida em que o art. 14 do CPP assegura ao advogado o direito de requerer "qualquer diligência", cuja realização será decidida pela autoridade policial, o que não impede que a defesa consiga a realização da diligência mediante ordem judicial ou requisição ministerial. Quando a lei se refere a apresentar “razões”, autoriza que o defensor apresente argumentos ou pedidos com o fulcro de convencer a autoridade policial acerca de alguma decisão já tomada ou a ser tomada, p. Ex., inclusive poderá apresentar uma espécie de “defesa” visando que a autoridade policial não indicie seu cliente. Em se tratando de apresentação de “quesitos”, o advogado poderá formular perguntas ao investigado, às testemunhas, aos peritos que elaborarão o laudo pericial, dentre outros. Frisamos ser possível, inclusive, que o advogado apresente quesitos à própria autoridade policial sobre determinados pontos da investigação. Do direito do advogado de acompanhar seu cliente durante o interrogatório ou depoimento no curso das investigações O art. 7o, XXI da Lei 13.245/16, com redação dada pela Lei 13.245/16, prevê que é direito do advogado “assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos”. Assim, é possível afirmar que o advogado possui direito de acompanhar seu cliente durante a audição em Auto de Prisão em Flagrante, Inquérito Policial Comum ou Militar, dentre outros procedimentos. Nota-se que a Lei referiu-se à possibilidade do advogado assistir seus clientes investigados no interrogatório (audição do investigado pela autoridade policial) ou depoimento (audição das testemunhas). Portanto, caso a defesa pleiteie à autoridade policial que seja notificada das audições a serem realizadas no bojo do inquérito policial, em regra, deverá o advogado ser notificado com antecedência para que possa acompanhar as audições, inclusive, podendo formular perguntas que poderão ser indeferidas pela autoridade policial, de forma fundamentada, além de constar no termo de audição. Observamos que a autoridade policial, mesmo diante do pedido do advogado para acompanhar as audições, poderá deixar de notificar o advogado, na hipótese em que determinado depoimento puder trazer informações relevantes que possam culminar em mandado de busca e apreensão, interceptação telefônica, dentre outros. A alteração na Lei cominou sanção de “nulidade absoluta”, caso haja descumprimento do direito do advogado de assistir seus clientes durante a apuração de infrações. Ocorre que a jurisprudência do STF é pacífica de que “a demonstração de prejuízo, a teor do art. 563do CPP, é essencial à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta, eis que “o âmbito normativo do dogma fundamental da disciplina das nulidades pas de nullité sans grief compreende as nulidades absolutas.”[7] e ainda que “para o reconhecimento de eventual nulidade, ainda que absoluta, faz-se necessária a demonstração do prejuízo”[8]. Isto é, seja a nulidade absoluta ou relativa, deve haver prova de prejuízo para que seja reconhecida a nulidade, sob pena do legislador criar uma espécie de “nulidade legislativa”, nessas hipóteses, sendo que deve ser analisado caso a caso, de acordo com a realidade dos fatos e prejuízos efetivamente ocorridos. Na hipótese de descumprimento do direito do advogado de acompanhar seus clientes nas investigações, em se tratando de Auto de Prisão em Flagrante, esse poderá ser relaxado na Audiência de Custódia ou quando da análise do APF. Em se tratando de inquérito policial, esse não será nulo, mas a audição realizada e as provas produzidas em razão da audição poderão ser declaradas nulas, se houver prova de prejuízo. O inquérito continua sendo inquisitivo? Com a publicação da Lei 13.245/16, rapidamente, diversos artigos e comentários afirmaram que o inquérito deixou de ser inquisitivo, o que não prospera. O inquérito policial continua sendo de natureza inquisitiva. Isto é, não há contraditório, nem ampla defesa durante o inquérito. Aury Lopes[9], de forma didática, ao defender que o inquérito continua possuindo caráter inquisitório, escreveu que: E o inquérito? Como sói ocorrer na maior parte dos sistemas de investigação preliminar, continua sendo inquisitório, pois incumbe ao delegado (ou MP para os que assim pensam) presidir o procedimento, praticar atos de investigação e também decidir nos limites legais, respeitando a reserva de jurisdição. Sim, o delegado (ou o MP nos países que adotam esse modelo) toma diversas decisões ao longo da investigação e ele mesmo realiza os atos de investigação, acumulando papéis. Nada anormal nisso em se tratando de investigação preliminar. Portanto, o fato de ampliarmos a presença do advogado, fortalecendo a defesa e o contraditório (no seu primeiro momento segundo a concepção de Fazzalari, que é o da informação, esclareço antes de ser criticado) não retira o caráter inquisitório do inquérito! Como muito poderíamos falar em mitigação (mas não me parece plenamente correto), considerando que publicidade/segredo, defesa/ausência, contraditório ou não, são elementos satelitários que orbitam em torno do núcleo fundante (gestão/iniciativa da prova). Não são eles que fundam o sistema, pois são elementos secundários que - em tese - podem se unir a um núcleo ou a outro. (destaquei) ainda que classificados como sigilosos, no prazo mínimo de 3 (três) dias que antecedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério da autoridade responsável pela investigação. Respeitável doutrina e estudiosos do direito lecionam que o permissivo legal mencionado refere-se às investigações que envolvam organizações criminosas, o que é perfeitamente aceitável e parece ser o entendimento majoritário, mas não concordamos, pelas seguintes razões. A uma, o fato do dispositivo estar previsto na Lei de Organizações Criminosas não impede sua aplicação para casos semelhantes, mormente quando não houver previsão legal para outros casos, devendo ser feita uma interpretação sistemática, podendo o art. 23 da Lei 12.850/13 ser aplicado analogicamente. De mais a mais, a própria lei não limitou a aplicação do art. 23 da Lei 12.850/13, exclusivamente, aos casos de organização criminosa. A duas, deve-se aplicar a máxima de que “onde houver a mesma razão, aplica-se o mesmo direito”. Na hipótese em que se tratar de investigação envolvendo organização criminosa, o próprio legislador, dada a gravidade presumível e necessidade de garantia da celeridade e eficácia das diligências investigatórias, impôs à investigação a necessidade de autorização judicial para que a defesa acesse os autos da investigação sob segredo de justiça, o que não impede a aplicação da mesma lógica para outros casos, igualmente, graves. Imagine a hipótese em que uma associação criminosa (e não organização criminosa)[6]cometa vários crimes graves, como uma séria de homicídios e tráfico de drogas, sendo fatos graves, cujo sigilo para a investigação torna-se imperioso para o sucesso dessa. Decretado o segredo de justiça, conforme o caso, somente com autorização judicial será possível que o advogado constituído tenha acesso aos autos, em relação aos atos de diligência já realizados, documentados e que não possam trazer prejuízo para futuras diligências. Caso não fosse necessária autorização judicial para que a defesa acesse os autos sob segredo de justiça, não haveria distinção entre o sigilo decretado pela autoridade policial e o segredo de justiça, quanto à fase investigatória, na medida em que o sigilo decretado pela autoridade policial, por si só, é suficiente para assegurar a vedação de acesso por terceiros e pela mídia. Os efeitos práticos em relação ao acesso aos autos seriam os mesmos. Observa-se ser possível que o juiz, ao decretar o segredo de justiça, autorize que a própria autoridade policial conceda ao advogado constituído, o acesso aos autos da investigação. Não se trata de cercear direito do defensor, mas sim de garantir o interesse público no êxito das investigações, sem, no entanto, afrontar direitos fundamentais, que serão assegurados pelo juiz competente. Por fim, é importante frisar que quando o art. 7º da Lei 8.906/94, que trata dos direitos do advogado quis se referir ao segredo de justiça, o fez expressamente, conforme disposto em § 1º, “1” que diz que o direito de acesso do advogado aos processos judiciais ou administrativos, bem como em relação à retirada dos autos de processos findos, mesmo sem procuração, não se aplicam aos processos sob regime de segredo de justiça. Portanto, o art. 7º, § 10 da Lei 8.906/94, ao mencionar a necessidade de procuração paraexaminar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, sob sigilo, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital, não se restringiu aos sigilos decorrentes de ordem judicial (segredo de justiça), mas sim aos sigilos decorrentes de lei, por imposição da autoridade policial ou mediante ordem judicial, uma vez que o próprio art. 7º, § 1º, “1”, quando quis se referir a segredo de justiça, o fez expressamente. Das diligências em andamento O art. 7º, § 11 do Estatuto da OAB dispõe que “a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências.” A Lei 12.527/11 - Lei Acesso à Informação - assegura o sigilo das informações que possam comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações (art. 23, VIII). Um fator essencial para o sucesso das investigações consiste no elemento “surpresa”. Isto é, muitas investigações obtém sucesso em razão de seu sigilo e desconhecimento por parte dos investigados. Portanto, as diligências em andamento, cujo conhecimento por parte do investigado ou do advogado, possam comprometer a eficácia das investigações estão sob o manto do sigilo interno, devendo ser de conhecimento exclusivamente das autoridades envolvidas (Juiz, Promotor, Delegado de Polícia ou Encarregado do IPM). Importante frisar que mesmo após a diligência estar concluída, caso dela possa derivar outras diligências, a autoridade policial possui respaldo para não juntar ao inquérito, sob pena de comprometer futuras diligências. Assim sendo, o acesso do advogado aos autos de investigação restringem-se às diligências findas e juntada aos autos, o que não obsta que o advogado acompanhe diligênciasem andamento, quando essas não puderem sofrer prejuízo, como na hipótese em que a autoridade policial notifique a defesa de ofício ou em razão de pedido do advogado, para apresentar quesitos a serem feitos ao perito que analisará o computador apreendido ou fará o exame de corpo de delito, p. Ex. Importante frisar que é direito do advogado requerer diligências à autoridade policial e a nova previsão de que o defensor possui direito de “apresentar razões e quesitos” (art. 7º, XXI, a da Lei 8.906/95) no curso da investigação pouco altera a realidade, na medida em que o art. 14 do CPP assegura ao advogado o direito de requerer "qualquer diligência", cuja realização será decidida pela autoridade policial, o que não impede que a defesa consiga a realização da diligência mediante ordem judicial ou requisição ministerial. Quando a lei se refere a apresentar “razões”, autoriza que o defensor apresente argumentos ou pedidos com o fulcro de convencer a autoridade policial acerca de alguma decisão já tomada ou a ser tomada, p. Ex., inclusive poderá apresentar uma espécie de “defesa” visando que a autoridade policial não indicie seu cliente. Em se tratando de apresentação de “quesitos”, o advogado poderá formular perguntas ao investigado, às testemunhas, aos peritos que elaborarão o laudo pericial, dentre outros. Frisamos ser possível, inclusive, que o advogado apresente quesitos à própria autoridade policial sobre determinados pontos da investigação. Do direito do advogado de acompanhar seu cliente durante o interrogatório ou depoimento no curso das investigações O art. 7º, XXI da Lei 13.245/16, com redação dada pela Lei 13.245/16, prevê que é direito do advogado “assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos”. Assim, é possível afirmar que o advogado possui direito de acompanhar seu cliente durante a audição em Auto de Prisão em Flagrante, Inquérito Policial Comum ou Militar, dentre outros procedimentos. Nota-se que a Lei referiu-se à possibilidade do advogado assistir seus clientes investigados no interrogatório (audição do investigado pela autoridade policial) ou depoimento (audição das testemunhas). Portanto, caso a defesa pleiteie à autoridade policial que seja notificada das audições a serem realizadas no bojo do inquérito policial, em regra, deverá o advogado ser notificado com antecedência para que possa acompanhar as audições, inclusive, podendo formular perguntas que poderão ser indeferidas pela autoridade policial, de forma fundamentada, além de constar no termo de audição. Observamos que a autoridade policial, mesmo diante do pedido do advogado para acompanhar as audições, poderá deixar de notificar o advogado, na hipótese em que determinado depoimento puder trazer informações relevantes que possam culminar em mandado de busca e apreensão, interceptação telefônica, dentre outros. A alteração na Lei cominou sanção de “nulidade absoluta”, caso haja descumprimento do direito do advogado de assistir seus clientes durante a apuração de infrações. Ocorre que a jurisprudência do STF é pacífica de que “a demonstração de prejuízo, a teor do art. 563 do CPP, é essencial à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta, eis que “o âmbito normativo do dogma fundamental da disciplina das nulidades pas de nullité sans grief compreende as nulidades absolutas.”[7] e ainda que “para o reconhecimento de eventual nulidade, ainda que absoluta, faz-se necessária a demonstração do prejuízo”[8]. Isto é, seja a nulidade absoluta ou relativa, deve haver prova de prejuízo para que seja reconhecida a nulidade, sob pena do legislador criar uma espécie de “nulidade legislativa”, nessas hipóteses, sendo que deve ser analisado caso a caso, de acordo com a realidade dos fatos e prejuízos efetivamente ocorridos. Na hipótese de descumprimento do direito do advogado de acompanhar seus clientes nas investigações, em se tratando de Auto de Prisão em Flagrante, esse poderá ser relaxado na Audiência de Custódia ou quando da análise do APF. Em se tratando de inquérito policial, esse não será nulo, mas a audição realizada e as provas produzidas em razão da audição poderão ser declaradas nulas, se houver prova de prejuízo. O inquérito continua sendo inquisitivo? Com a publicação da Lei 13.245/16, rapidamente, diversos artigos e comentários afirmaram que o inquérito deixou de ser inquisitivo, o que não prospera. O inquérito policial continua sendo de natureza inquisitiva. Isto é, não há contraditório, nem ampla defesa durante o inquérito. Aury Lopes[9], de forma didática, ao defender que o inquérito continua possuindo caráter inquisitório, escreveu que: E o inquérito? Como sói ocorrer na maior parte dos sistemas de investigação preliminar, continua sendo inquisitório, pois incumbe ao delegado (ou MP para os que assim pensam) presidir o procedimento, praticar atos de investigação e também decidir nos limites legais, respeitando a reserva de jurisdição. Sim, o delegado (ou o MP nos países que adotam esse modelo) toma diversas decisões ao longo da investigação e ele mesmo realiza os atos de investigação, acumulando papéis. Nada anormal nisso em se tratando de investigação preliminar. Portanto, o fato de ampliarmos a presença do advogado, fortalecendo a defesa e o contraditório (no seu primeiro momento segundo a concepção de Fazzalari, que é o da informação, esclareço antes de ser criticado) não retira o caráter inquisitório do inquérito! Como muito poderíamos falar em mitigação (mas não me parece plenamente correto), considerando que publicidade/segredo, defesa/ausência, contraditório ou não, são elementos satelitários que orbitam em torno do núcleo fundante (gestão/iniciativa da prova). Não são eles que fundam o sistema, pois são elementos secundários que - em tese - podem se unir a um núcleo ou a outro. (destaquei) ainda que classificados como sigilosos, no prazo mínimo de 3 (três) dias que antecedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério da autoridade responsável pela investigação. Respeitável doutrina e estudiosos do direito lecionam que o permissivo legal mencionado refere-se às investigações que envolvam organizações criminosas, o que é perfeitamente aceitável e parece ser o entendimento majoritário, mas não concordamos, pelas seguintes razões. A uma, o fato do dispositivo estar previsto na Lei de Organizações Criminosas não impede sua aplicação para casos semelhantes, mormente quando não houver previsão legal para outros casos, devendo ser feita uma interpretação sistemática, podendo o art. 23 da Lei 12.850/13 ser aplicado analogicamente. De mais a mais, a própria lei não limitou a aplicação do art. 23 da Lei12.850/13, exclusivamente, aos casos de organização criminosa. A duas, deve-se aplicar a máxima de que “onde houver a mesma razão, aplica-se o mesmo direito”. Na hipótese em que se tratar de investigação envolvendo organização criminosa, o próprio legislador, dada a gravidade presumível e necessidade de garantia da celeridade e eficácia das diligências investigatórias, impôs à investigação a necessidade de autorização judicial para que a defesa acesse os autos da investigação sob segredo de justiça, o que não impede a aplicação da mesma lógica para outros casos, igualmente, graves. Imagine a hipótese em que uma associação criminosa (e não organização criminosa)[6]cometa vários crimes graves, como uma séria de homicídios e tráfico de drogas, sendo fatos graves, cujo sigilo para a investigação torna-se imperioso para o sucesso dessa. Decretado o segredo de justiça, conforme o caso, somente com autorização judicial será possível que o advogado constituído tenha acesso aos autos, em relação aos atos de diligência já realizados, documentados e que não possam trazer prejuízo para futuras diligências. Casonão fosse necessária autorização judicial para que a defesa acesse os autos sob segredo de justiça, não haveria distinção entre o sigilo decretado pela autoridade policial e o segredo de justiça, quanto à fase investigatória, na medida em que o sigilo decretado pela autoridade policial, por si só, é suficiente para assegurar a vedação de acesso por terceiros e pela mídia. Os efeitos práticos em relação ao acesso aos autos seriam os mesmos. Observa-se ser possível que o juiz, ao decretar o segredo de justiça, autorize que a própria autoridade policial conceda ao advogado constituído, o acesso aos autos da investigação. Não se trata de cercear direito do defensor, mas sim de garantir o interesse público no êxito das investigações, sem, no entanto, afrontar direitos fundamentais, que serão assegurados pelo juiz competente. Por fim, é importante frisar que quando o art. 7o da Lei 8.906/94, que trata dos direitos do advogado quis se referir ao segredo de justiça, o fez expressamente, conforme disposto em § 1o, “1” que diz que o direito de acesso do advogado aos processos judiciais ou administrativos, bem como em relação à retirada dos autos de processos findos, mesmo sem procuração, não se aplicam aos processos sob regime de segredo de justiça. Portanto, o art.7o,§ 10da Lei8.906/94, ao mencionar a necessidade de procuração paraexaminar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, sob sigilo, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital, não se restringiu aos sigilos decorrentes de ordem judicial (segredo de justiça), mas sim aos sigilos decorrentes de lei, por imposição da autoridade policial ou mediante ordem judicial, uma vez que o próprio art. 7o, § 1o, “1”, quando quis se referir a segredo de justiça, o fez expressamente. Das diligências em andamento O art. 7o, § 11 do Estatuto da OAB dispõe que “a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências.” A Lei 12.527/11 - Lei Acesso à Informação - assegura o sigilo das informações que possam comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações (art. 23, VIII). Um fator essencial para o sucesso das investigações consiste no elemento “surpresa”. Isto é, muitas investigações obtém sucesso em razão de seu sigilo e desconhecimento por parte dos investigados. Portanto, as diligências em andamento, cujo conhecimento por parte do investigado ou do advogado, possam comprometer a eficácia das investigações estão sob o manto do sigilo interno, devendo ser de conhecimento exclusivamente das autoridades envolvidas (Juiz, Promotor, Delegado de Polícia ou Encarregado do IPM). Importante frisar que mesmo após a diligência estar concluída, caso dela possa derivar outras diligências, a autoridade policial possui respaldo para não juntar ao inquérito, sob pena de comprometer futuras diligências. Assim sendo, o acesso do advogado aos autos de investigação restringem-se às diligências findas e juntada aos autos, o que não obsta que o advogado acompanhe diligências em andamento, quando essas não puderem sofrer prejuízo, como na hipótese em que a autoridade policial notifique a defesa de ofício ou em razão de pedido do advogado, para apresentar quesitos a serem feitos ao perito que analisará o computador apreendido ou fará o exame de corpo de delito, p. Ex. Importante frisar que é direito do advogado requerer diligências à autoridade policial e a nova previsão de que o defensor possui direito de “apresentar razões e quesitos” (art. 7o, XXI, a da Lei 8.906/95) no curso da investigação pouco altera a realidade, na medida em que o art. 14 do CPP assegura ao advogado o direito de requerer "qualquer diligência", cuja realização será decidida pela autoridade policial, o que não impede que a defesa consiga a realização da diligência mediante ordem judicial ou requisição ministerial. Quando a lei se refere a apresentar “razões”, autoriza que o defensor apresente argumentos ou pedidos com o fulcro de convencer a autoridade policial acerca de alguma decisão já tomada ou a ser tomada, p. Ex., inclusive poderá apresentar uma espécie de “defesa” visando que a autoridade policial não indicie seu cliente. Em se tratando de apresentação de “quesitos”, o advogado poderá formular perguntas ao investigado, às testemunhas, aos peritos que elaborarão o laudo pericial, dentre outros. Frisamos ser possível, inclusive, que o advogado apresente quesitos à própria autoridade policial sobre determinados pontos da investigação. Do direito do advogado de acompanhar seu cliente durante o interrogatório ou depoimento no curso das investigações O art. 7o, XXI da Lei 13.245/16, com redação dada pela Lei 13.245/16, prevê que é direito do advogado “assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos”. Assim, é possível afirmar que o advogado possui direito de acompanhar seu cliente durante a audição em Auto de Prisão em Flagrante, Inquérito Policial Comum ou Militar, dentre outros procedimentos. Nota-se que a Lei referiu-se à possibilidade do advogado assistir seus clientes investigados no interrogatório (audição do investigado pela autoridade policial) ou depoimento (audição das testemunhas). Portanto, caso a defesa pleiteie à autoridade policial que seja notificada das audições a serem realizadas no bojo do inquérito policial, em regra, deverá o advogado ser notificado com antecedência para que possa acompanhar as audições, inclusive, podendo formular perguntas que poderão ser indeferidas pela autoridade policial, de forma fundamentada, além de constar no termo de audição. Observamos que a autoridade policial, mesmo diante do pedido do advogado para acompanhar as audições, poderá deixar de notificar o advogado, na hipótese em que determinado depoimento puder trazer informações relevantes que possam culminar em mandado de busca e apreensão, interceptação telefônica, dentre outros. A alteração na Lei cominou sanção de “nulidade absoluta”, caso haja descumprimento do direito do advogado de assistir seus clientes durante a apuração de infrações. Ocorre que a jurisprudência do STF é pacífica de que “a demonstração de prejuízo, a teor do art. 563 do CPP, é essencial à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta, eis que “o âmbito normativo do dogma fundamental da disciplina das nulidades pas de nullité sans grief compreende as nulidades absolutas.”[7] e ainda que “para o reconhecimento de eventual nulidade, ainda que absoluta, faz-se necessária a demonstração do prejuízo”[8]. Isto é, seja a nulidade absoluta ou relativa, deve haver prova de prejuízo para que seja reconhecida a nulidade, sob pena do legislador criar uma espécie de “nulidade legislativa”, nessas hipóteses, sendo que deve ser analisado caso a caso, de acordo com a realidade dos fatos e prejuízos efetivamente ocorridos. Na hipótese de descumprimento do direito do advogado de acompanhar seus clientes nas investigações, em se tratando de Auto de Prisão em Flagrante, esse poderá ser relaxado na Audiência de Custódia ou quando da análise do APF. Em se tratando de inquérito policial, esse não será nulo, mas a audição realizada e as provas produzidas em razão da audição poderão ser declaradas nulas, se houver prova de prejuízo. O inquérito continua sendo inquisitivo? Com a publicação da Lei 13.245/16, rapidamente, diversos artigos e comentários afirmaram que o inquéritodeixou de ser inquisitivo, o que não prospera. O inquérito policial continua sendo de natureza inquisitiva. Isto é, não há contraditório, nem ampla defesa durante o inquérito. Aury Lopes[9], de forma didática, ao defender que o inquérito continua possuindo caráter inquisitório, escreveu que: E o inquérito? Como sói ocorrer na maior parte dos sistemas de investigação preliminar, continua sendo inquisitório, pois incumbe ao delegado (ou MP para os que assim pensam) presidir o procedimento, praticar atos de investigação e também decidir nos limites legais, respeitando a reserva de jurisdição. Sim, o delegado (ou o MP nos países que adotam esse modelo) toma diversas decisões ao longo da investigação e ele mesmo realiza os atos de investigação, acumulando papéis. Nada anormal nisso em se tratando de investigação preliminar. Portanto, o fato de ampliarmos a presença do advogado, fortalecendo a defesa e o contraditório (no seu primeiro momento segundo a concepção de Fazzalari, que é o da informação, esclareço antes de ser criticado) não retira o caráter inquisitório do inquérito! Como muito poderíamos falar em mitigação (mas não me parece plenamente correto), considerando que publicidade/segredo, defesa/ausência, contraditório ou não, são elementos satelitários que orbitam em torno do núcleo fundante (gestão/iniciativa da prova). Não são eles que fundam o sistema, pois são elementos secundários que - em tese - podem se unir a um núcleo ou a outro. (destaquei) exame de corpo de delito, p. Ex. Importante frisar que é direito do advogado requerer diligências à autoridade policial e a nova previsão de que o defensor possui direito de “apresentar razões e quesitos” (art. 7o, XXI, a da Lei 8.906/95) no curso da investigação pouco altera a realidade, na medida em que o art. 14 do CPP assegura ao advogado o direito de requerer "qualquer diligência", cuja realização será decidida pela autoridade policial, o que não impede que a defesa consiga a realização da diligência mediante ordem judicial ou requisição ministerial. Quando a lei se refere a apresentar “razões”, autoriza que o defensor apresente argumentos ou pedidos com o fulcro de convencer a autoridade policial acerca de alguma decisão já tomada ou a ser tomada, p. Ex., inclusive poderá apresentar uma espécie de “defesa” visando que a autoridade policial não indicie seu cliente. Em se tratando de apresentação de “quesitos”, o advogado poderá formular perguntas ao investigado, às testemunhas, aos peritos que elaborarão o laudo pericial, dentre outros. Frisamos ser possível, inclusive, que o advogado apresente quesitos à própria autoridade policial sobre determinados pontos da investigação. Do direito do advogado de acompanhar seu cliente durante o interrogatório ou depoimento no curso das investigações O art. 7o, XXI da Lei 13.245/16, com redação dada pela Lei 13.245/16, prevê que é direito do advogado “assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos”. Assim, é possível afirmar que o advogado possui direito de acompanhar seu cliente durante a audição em Auto de Prisão em Flagrante, Inquérito Policial Comum ou Militar, dentre outros procedimentos. Nota-se que a Lei referiu-se à possibilidade do advogado assistir seus clientes investigados no interrogatório (audição do investigado pela autoridade policial) ou depoimento (audição das testemunhas). Portanto, caso a defesa pleiteie à autoridade policial que seja notificada das audições a serem realizadas no bojo do inquérito policial, em regra, deverá o advogado ser notificado com antecedência para que possa acompanhar as audições, inclusive, podendo formular perguntas que poderão ser indeferidas pela autoridade policial, de forma fundamentada, além de constar no termo de audição. Observamos que a autoridade policial, mesmo diante do pedido do advogado para acompanhar as audições, poderá deixar de notificar o advogado, na hipótese em que determinado depoimento puder trazer informações relevantes que possam culminar em mandado de busca e apreensão, interceptação telefônica, dentre outros. A alteração na Lei cominou sanção de “nulidade absoluta”, caso haja descumprimento do direito do advogado de assistir seus clientes durante a apuração de infrações. Ocorre que a jurisprudência do STF é pacífica de que “a demonstração de prejuízo, a teor do art. 563 do CPP, é essencial à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta normativo do dogma fundamental da disciplina das nulidades pas de nullité sans grief compreende as nulidades absolutas.”[7] e ainda que “para o reconhecimento de eventual nulidade, absoluta, faz-se necessária a demonstração do prejuízo”[8]. Isto é, seja a nulidade absoluta ou relativa, deve haver prova de prejuízo para que seja reconhecida a nulidade, sob pena do legislador criar uma espécie de “nulidade legislativa”, nessas hipóteses, sendo que deve ser analisado caso a caso, de acordo com a realidade dos fatos e prejuízos efetivamente ocorridos. Na hipótese de descumprimento do direito do advogado de acompanhar seus clientes nas investigações, em se tratando de Auto de Prisão em Flagrante, esse poderá ser relaxado na Audiência de Custódia ou quando da análise do APF. Em se tratando de inquérito policial, esse não será nulo, mas a audição realizada e as provas produzidas em razão da audição poderão ser declaradas nulas, se houver prova de prejuízo. O inquérito continua sendo inquisitivo? Com a publicação da Lei 13.245/16, rapidamente, diversos artigos e comentários afirmaram que o inquérito deixou de ser inquisitivo, o que não prospera. O inquérito policial continua sendo de natureza inquisitiva. Isto é, não há contraditório, nem ampla defesa durante o inquérito. Aury Lopes[9], de forma didática, ao defender que o inquérito continua possuindo caráter inquisitório, escreveu que: E o inquérito? Como sói ocorrer na maior parte dos sistemas de investigação preliminar, continua sendo inquisitório, pois incumbe ao delegado (ou MP para os que assim pensam) presidir o procedimento, praticar atos de investigação e também decidir nos limites legais, respeitando a reserva de jurisdição. Sim, o delegado (ou o MP nos países que adotam esse modelo) toma diversas decisões ao longo da investigação e ele mesmo realiza os atos de investigação, acumulando papéis. Nada anormal nisso em se tratando de investigação preliminar. Portanto, o fato de ampliarmos a presença do advogado, fortalecendo a defesa e o contraditório (no seu primeiro momento segundo a concepção de Fazzalari, que é o da informação, esclareço antes de ser criticado) não retira o caráter inquisitório do inquérito! Como muito poderíamos falar em mitigação (mas não me parece plenamente correto), considerando que publicidade/segredo, defesa/ausência, contraditório ou não, são elementos satelitários que orbitam em torno do núcleo fundante (gestão/iniciativa da prova). Não são eles que fundam o sistema, pois são elementos secundários que - em tese - podem se unir a um núcleo ou a outro. (destaquei) Como muito poderíamos falar em mitigação (mas não me parece plenamente correto), considerando que publicidade/segredo, defesa/ausência, contraditório ou não, são elementos satelitários que orbitam em torno do núcleo fundante (gestão/iniciativa da prova). Não são eles que fundam o sistema, pois são elementos secundários que - em tese - podem se unir a um núcleo ou a outro. (destaquei) Incomunicabilidade do Indiciado. Prazo. Art. 17 – O encarregado do inquérito poderá manter incomunicável o indiciado, que tiver legalmente preso, por três dias no máximo. CÉLIO LOBÃO (Direito Processual Penal Militar, 2009, p. 63) a incomunicabilidade do indiciado preso, autorizada pelo srt. 17 do CPPM e prevista, igualmente, no art.21 do CPP, não foi recepcionada pela Constituição (conf. Despacho do Min. Nilson Naves, no RHC 11.124, ratificado pela 6.ª T. do STJ, acórdão de 19.06.2001), tanto mais que é assegurado o contato do preso com sua família e com o advogado, podendo a autoridade policial restringir ou vedar visitas de quem não é da família, no interesse da investigação. Oportuno lembrar que o Estatuto da Advocacia faz referencia a presos “considerados incomunicáveis” (art. 5.º, LXIII, da CF, e 7.º, III, da Lei 8.906/1994). Detenção de Indiciado Art. 18 – Independentemente de flagrante delito, o indiciado poderá ficar detido, durante as investigações policiais, até trinta dias, comunicando-se a detenção à autoridade judiciária competente. Esse prazo poderá ser prorrogado, por mais vinte dias pelo Comandante da Região, Distrito Naval ou Zona Aérea, mediante solicitação do encarregado do inquérito e por via hierárquica. A CF/88 condicionou a perda da liberdade a determinados pressupostos, revelando que as prisões seriam, a partir de então, verdadeira exceção. As denominadas prisões para averiguações tornaram- se insubsistentes e passaram a ser passíveis de responsabilização civil (indenização por danos morais), criminal (abuso de autoridade – Lei n. 4.898/65) e por ato de improbidade administrativa (Lei n. 8.429/92 – art. 11, caput e inciso II). No caso específico das transgressões militares ou crimes propriamente militares, definidos em lei, a Constituição Federal excetuou a necessidade de flagrante delito ou ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente para a ocorrência da prisão. O militar somente poderá ser detido na forma do artigo 18 do CPPM, nos crimes próprios, em atendimento ao art. 5º, inciso LXI, da Constituição Federal. Prisão preventiva e de menagem-Solicitação Parágrafo único. Se entender necessário, o encarregado do inquérito solicitará, dentro do mesmo prazo, ou sua prorrogação, justificando- a, a decretação da prisão preventiva ou de menagem do indiciado. “Menagem é instituo legal previsto no Código de Processo Penal Militar (CPPM) e de aplicação exclusiva à Justiça Castrense. Segundo o conceito dado pelo Dicionário Jurídico de Christovão Piragibe Tostes Malta e Humberto Magalhães é o benefício concedido a militares, assemelhados e civis sujeitos à jurisdição militar e ainda não condenados, os quais assumem o compromisso de permanecer no local indicado pela autoridade competente. É cumprida em uma cidade, quartel, ou mesmo na própria habitação, sem rigor carcerário. Dessa forma, a menagem pode ser considerada uma espécie de prisão provisória, pois o favorecido fica restrito a permanecer no local para o qual ela foi concedida. Ressalte-se que, não obstante o cerceamento da liberdade de locomoção e o fato do período de menagem não ser computado na pena (art. 268, CPPM), ela poderá ser considerada um benefício, pois não é cumprida sob os rigores de uma prisão. Para o preso ter direito a esse instituto deve preencher os seguintes requisitos: a) a pena privativa do crime de que é acusado não pode exceder a quatro anos; b) a natureza do crime não pode ter, por exemplo, requintes de crueldade, motivo torpe, traição; c) o acusado deve ter bons antecedentes; d) não pode ser reincidente. Vejamos os dispositivos do CPPM sobre o tema: Art. 263. A menagem poderá ser concedida pelo juiz, nos crimes cujo máximo da pena privativa da liberdade não exceda a quatro anos, tendo-se, porém, em atenção ànatureza do crime e os antecedentes do acusado (grifos nossos) Art. 269. Ao reincidente não se concederá menagem. (grifos nossos) Por fim, a menagem poderá ser cassada e cessada nos seguintes casos: Art. 265. Será cassada a menagem àquele que se retirar do lugar para o qual foi ela concedida, ou faltar, sem causa justificada, a qualquer ato judicial para que tenha sido intimado ou a que deva comparecer independentemente de intimação especial.(grifos nossos) Art. 267. A menagem cessa com a sentença condenatória, ainda que não tenha passado em julgado. Parágrafo único. Salvo o caso do artigo anterior, o juiz poderá ordenar a cessação da menagem, em qualquer tempo, com a liberação das obrigações dela decorrentes, desde que não a julgue mais necessária ao interêsse da Justiça.(grifos nossos)” Inquirição durante o dia Art. 19 – As testemunhas e o indiciado, exceto caso de urgência inadiável, que constará da respectiva assentada, devem ser ouvidos durante o dia, em período que mede das sete às dezoito horas. Inquirição assentada de início, interrupção e encerramento §1º - O escrivão lavrará assentada do dia e hora do início das instruções ou depoimentos; e, da mesma forma, do seu encerramento ou interrupções, no final daquele período. Inquirição. Limite do tempo §2º - A testemunha não será inquirida por mais de quatro horas consecutivas, sendo-lhe facultado o descanso de meia hora, sempre que tiver de prestar declarações além daquele tempo. O depoimento que não ficar concluído às dezoito horas será encerrado, para prosseguir no dia seguinte, em hora determinada pelo encarregado do inquérito. §3º - não sendo dia útil o dia seguinte, a inquirição poderá ser adiada para o primeiro dia que for salvo, caso de urgência. Prazos para terminação do inquérito Art. 20 – O inquérito deverá terminar dentro em vinte dias, se o indiciado estiver preso, contado esse prazo a partir do dia em que se executar a ordem de prisão; ou no prazo de quarenta dias, quando o indiciado estiver solto, contados da data em que se instaurar o inquérito. Prorrogação de Prazo §1º - Este último prazo poderá ser prorrogado por mais vinte dias pela autoridade militar superior, desde que não estejam concluídos exames ou pericias já iniciadas, ou haja necessidade de diligencias, indispensáveis à elucidação do fato. O pedido de prorrogação deve ser feito em tempo oportuno, de modo a ser atendido antes da terminação do prazo. Diligencias não concluídas até o inquérito §2º - Não haverá mais prorrogação, além da prevista no §1º, salvo dificuldade insuperável, a juízo do Ministro de Estado competente. Os laudos de pericias ou exames não concluídos nessa prorrogação, bem como os documentos colhidos depois dela, serão posteriormente remetidos ao juiz, para a juntada ao processo. Ainda, no seu relatório, poderá o encarregado do inquérito indicar, mencionando, se possível, o lugar onde se encontram as testemunhas que deixaram de ser ouvidas, por qualquer impedimento. Dedução em favor dos prazos §3º - São deduzidos dos prazos referidos neste artigo as interrupções motivadas no §5º do Art. 10. Reunião e Ordem das Peças do inquérito Art. 21 – Todas as peças do inquérito serão, por ordem cronológica, reunidas num só processo, e datilografadas, em espaço dois, com as folhas numeradas e rubricadas pelo escrivão. Ordem de Serviço n.º 002 das promotorias de justiça junto à AJMERJ – Art. 1.º - Está terminantemente vedada a tramitação, no âmbito das Promotorias de Justiça junto à Auditoria Militar do estado do Rio de Janeiro, de qualquer pedido, requerimentos ou representações não devidamente juntadas e autuadas aos autos de seus respectivos Inquéritos Policiais, bem como, quaisquer documentos não devidamente juntados aos autos ou afixados à capa ou contracapa destes. (BDR da PM n.º 129 – 21Jul14) Juntada de documentos Parágrafo único – De cada documento junto, a que precederá despacho do encarregado do inquérito, o escrivão lavrará o respectivo termo, mencionando a data. Relatório Art. 22 – O inquérito será encerrado com minucioso relatório, em que o seu encarregado mencionará as diligencias feitas, as pessoas ouvidas e os resultados obtidos, com indicação do dia, hora e lugar onde ocorreu o fato delituoso. Em conclusão, dirá se há infração disciplinar a punir ou indicio de crime, pronunciando-se, neste último caso, justificadamente, sobre a conveniência da prisão do indiciado, nos termos legais. Solução §1º - No caso de ter sido delegada atribuição para abertura do inquérito,o seu encarregado enviá-lo-á à autoridade de que recebeu a delegação, para que lhe homologue ou não a solução, aplique penalidade, no caso de ter sido apurada infração disciplinar, ou determine novas diligências, se as julgar necessárias. Avocação §2º - Discordando da solução dada ao inquérito, a autoridade que o delegou poderá avocá-lo e dar solução diferente. Remessa do inquérito à autoridade de circunscrição Art. 23 – Os Autos do inquérito serão remetidos ao Auditor da Circunscrição Judiciária onde ocorreu a infração penal, acompanhados dos instrumentos desta, bem como dos objetos que lhe interessem à sua prova. Remessa às auditorias especializadas §1º - Na circunscrição onde houver Auditorias Especializadas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, atender-se-á, para a remessa, à especialização de cada uma. Onde houver mais de uma na mesma sede, especializada ou não, a remessa será feita à Primeira Auditoria, para a respectiva distribuição. Os incidentes ocorridos no curso do inquérito serão resolvidos pelo juiz a que couber tomar conhecimento do inquérito, por distribuição. §2º - Os Autos de inquérito instaurado fora do território nacional são remetidos à 1ª Auditoria da Circunscrição com sede na Capital da União, atendida, contudo, à especialização referida no §1º. Arquivamento do Inquérito. Proibição Art. 24 – A autoridade militar não poderá mandar arquivar de inquérito, embora conclusivo da inexistência de crime ou de inimputabilidade do indiciado. Instauração de novo inquérito Art. 25 – O arquivamento de inquérito não obsta a instauração de outro, se novas provas aparecerem em relação ao fato, ao indiciado ou a terceira pessoa, ressalvados o caso julgado e os casos de extinção da punibilidade. §1º - Verificando-se a hipótese contida neste artigo, o juiz remeterá os autos ao Ministério Público, para os fins do disposto no Art. 10, letra “c”. §2º - O Ministério Público poderá requerer o arquivamento dos autos, se entender inadequada a instauração do inquérito. Devolução de autos de inquérito Art. 26 – Os autos de inquérito não poderão ser devolvidos à autoridade policial militar, a não ser: I – mediante requisição do Ministério Público, para diligencias por ele consideradas imprescindíveis ao oferecimento da denúncia; II – por determinação do juiz, antes da denúncia, para o preenchimento das formalidades previstas neste Código, ou para complemento de provas que julgar necessário. Parágrafo único – Em qualquer dos casos, o juiz marcará prazo, não excedente de vinte dias, para restituição dos autos. O artigo 26 do CPPM trata das execuções ao princípio de que o inquérito o mesmo não poderá ser devolvido à autoridade policial militar. Tais execuções, insculpidas nos incisos I e II do aludido artigo, possuem o mesmo teor dos artigos 13, 11 e 16 do Código de Processo Penal. Diante dos princípios previstos na Constituição Federal, artigo 129, I e VII, que são exercício privativo da ação penal, e o controle externo da atividade policial, funções institucionais do Ministério Público, suscita-se da revogação dos artigos 13 e 16 do CPP, e analogicamente, o artigo 26 do CPPM, fazendo-se necessário mais uma vez, recorrer a lição de MARCELLUS POLASTRI LIMA. “................................................................................................ Público detém o controle do inquérito policial podendo requisitar diligências e até mesmo formar seu próprio procedimento investigatório, o que conflita, em parte, com os artigos 13, II e 16 do CPP, a uma porque, detendo o Ministério Público a exclusividade da ação penal pública, não há que se falar em diligências requisitadas pelo juiz na fase investigatória, e a duas, porque as requisições de diligências estão asseguradas constitucionalmente, assim, caberá ao porque mais o exame de sua pertinência e imprescindibilidade”. (Livro de estudos jurídicos, v. 10, 1995, p. 184) Portanto, ninguém melhor que o Ministério Público para dizer da prescindibilidade ou não de diligências, visto ser o mesmo detentor da opinio delict e que fará a denúncia com base em tal opinião, ficando o juiz como o exame da denúncia, recebendo-a ou não, podendo ainda, neste último caso, remeter ao órgão do Ministério Público para preencher requisitos. Daí ficar bem cristalina que, antes da denúncia, que é consubstanciada, que na opinio delict, cabe ao Ministério Público a devolução do IPM à autoridade policial, visto ser, em essência, o inquérito, um instrumento que dá subsídios à denúncia e não aos atos judiciais, pois exceção feita aos exames, perícias e avaliações realizadas no curso do inquérito, que são efetivamente instrutórios da ação penal, o inquérito é simplesmente instrução provisória, sendo renovado os seus atos em juízo, bem como poderão ser realizados outros que não foram feitos durante o inquérito, sendo aí, o juiz o detentor de tal poder. Como não cabe ao encarregado o exame da imprescindibilidade ou não das requisições de diligências feitas pelo Ministério Público (artigo 26, I) ou do exame da determinação do juiz antes da denúncia, para o preenchimento de formalidades (artigo 26, II), resta cumprir o que prescreve o artigo 26 do CPPM. Suficiência do auto de flagrante delito Art. 27 – Se, por si só, for suficiente para a elucidação do fato e sua autoria, o auto de prisão em flagrante delito constituirá o inquérito, dispensando outras diligencias, salvo o exame de corpo de delito no crime que deixe vestígios, a identificação da coisa e a sua avaliação, quando o seu valor influir na aplicação da pena. A remessa dos Autos, com breve relatório da autoridade policial-militar, far-se-á sem demora ao Juiz competente, nos termos do Art. 20. Dispensa do inquérito Art. 28 – O inquérito poderá ser dispensado, sem prejuízo de diligencia requisitada pelo Ministério Público: a) quando o fato e sua autoria já estiverem esclarecidos por documentos ou outras provas materiais; b) nos crimes contra a honra, quando decorrerem de escrito ou publicação, cujo autor esteja identificado; c) nos crimes previstos nos artigos 341 e 349 do Código Penal Militar. Outros artigos do CPPM de interesse do encarregado do IPM: Art. 3.º - Suprimento dos casos omissos Art. 36 e 41 – Suspeição e Impedimentos Art. 48 – Preferencia de Peritos Art. 75 – Direitos do Advogado Art. 142 – Suspeição do encarregado do inquérito Art. 156 - Dúvida a respeito da imputabilidade Arts. 170 a 184 – Espécies de busca Arts. 185 a 189 – Apreensão de Pessoa e Coisa Art. 201 – Fases de determinação do sequestro Art. 215 – Bens Sujeitos a arresto Arts. 220 a 242 – Prisão Provisória Art. 254 – Prisão Preventiva Art. 272 – Medidas de segurança Arts. 294 a 300 – Das provas, consignação de perguntas e respostas Art. 301 – Observância do inquérito Arts. 314 a 346 – Dos exames e perícias Arts. 347 a 364 – Das testemunhas Art. 361 – Precatória a Autoridade Militar Arts. 371 a 381 – Dos documentos Arts. 382 a 383 – Dos indícios Art. 391 – Juntada de Fé-de-Ofício ou Antecedentes Da reunião e ordem das peças do IPM e das formalidades Na elaboração de um IPM deverão ser observadas certas formalidades, dentre as quais a de reunir as peças do IPM em sequência cronológica, devendo der as mesmas datilografadas em espaço dois, recebendo a numeração e a rubrica do escrivão (artigo 21). O IPM percorre a “trilha” que leva a descoberta do fato delituoso e sua autoria, através do impulso dado pelo encarregado, através dos despachos e pela execução cumprida pelo escrivão. Portanto, o IPM durante a sua confecção, apresenta as fases de direção e execução. Direção, quando os autos estão nas mãos do encarregado, que, examinado-os, dará a trajetória a ser seguida na apuração, exercendo, assim um trabalho intelectual. A fase se execução se dará quando os autos estiverem nas mãos do escrivão, para cumprir as determinações contidas no despacho do encarregado, exercendo, assim, um trabalho físico, braçal,podemos dizer. Não queremos aqui enaltecer a figura do encarregado e ridicularizar a figura do escrivão, pois a análise que fazemos é a do aspecto formal, pois a prática nos mostra que há uma integração entre a figura do encarregado e a do escrivão. Embora o artigo 21 reze a respeito da reunião de peças por ordem cronológica, tal reunião deverá ser interpretada após a formalidade de início do IPM, que são: a autuação, a portaria de instauração e ordens ao escrivão, a nomeação de escrivão, termo de compromisso do escrivão, e a Portaria de designação do encarregado. Como se vê, não são tais peças reunidas de ordem cronológica, visto ser o primeiro documento do IPM, a portaria de nomeação do encarregado, a Folha nº 5. Somente após ao primeiro despacho do encarregado, é que será obedecida a reunião por ordem cronológica. Em anexo ao presente trabalho, serão apresentadas as peças mais comumente usadas no inquérito policial militar. Ordem das peças Folha 01 – Capa com autuação; Folha 02 – Portaria do Encarregado. Quando um Oficial recebe um ofício ou portaria que lhe designou para, como encarregado, proceder à apuração do fato delituoso, deve, de imediato, baixar a Portaria instaurando o IPM. É o IPM instaurado pela Portaria do Encarregado e não pelo ofício ou portaria do Comandante, Chefe ou Diretor. Folha 03 – Designação do Escrivão. Folha 04 – Compromisso do Escrivão. (sigilo e fidelidade). Folha 05 – Portaria da autoridade delegante (Cmt, Ch ou Diretor) à autoridade delegada (encarregado) Portaria de nomeação do encarregado. Folha 06 – Documento (s) que deu (eram) origem ao IPM. A partir daqui a numeração das folhas passa a seguir a ordem de acordo com a quantidade de folhas de cada documento inserido. Folha? – Conclusão (Do Escrivão ao Encarregado do IPM) Toda vez que o Encarregado do IPM determinar uma providência, ordenará ao Escrivão que remeta os autos conclusões após cumprir o determinado. Folha? – Despacho. (Determinação do Encarregado ao Escrivão). Folhas? – Recebimento. (Toda vez que o Escrivão receber os autos do encarregado redigirá o termo recebimento). Folha? – Juntada (Art. 21 do CPPM – De cada documento recebido, após o despacho do Encarregado, o Escrivão providenciará a juntada. (termo) em que insere o dito nos autos do IPM. Folhas? – Documentos expedidos (cópias recebidas e inseridas e nos autos sem juntada e por ordem cronológica). A seguir as providências serão aquelas que o Encarregado determinar seguindo sempre a sequência: despacho: recebimento. Certidão; juntada se houver e conclusão. Folha? - ............ Folha? - ............ Folha? - ............ Folha? - ............ Folha? - ............ Folha? - ............ Folha? – Relatório. Folha? – Termo de remessa dos autos do IPM (Remessa do Encarregado à autoridade de PJM delegante). Ofício de remessa. Solução da APJM delegante. Auditor de Justiça Militar (ou Central de Denúncia no RJ). Prescrições diversas 1) Verificar se a Solução do Comando e a nomeação do Escrivão foram publicadas devidamente; 2) Verificar se todas as folhas foram rubricadas, na margem direita, pelo encarregado, bem como colocada sua chancela (rubrica grada em sinete para suprir assinatura). A rubrica a chancela do Encarregado, na margem direita das folhas do IPM, não são previstas no CPPM, entretanto devem ser usadas como mais um medida de segurança, quanto à autenticidade do documento e à possibilidade de troca ou subtração. O Escrivão, além de numerar e rubricar as folhas, deve, também, usar a chancela. 3) Verificar se as testemunhas e ofendido rubricaram os seus depoimentos em folhas soltas. 4) Verificar se os títulos dos termos de inquirição (para testemunha), de perguntas (para indiciado e ofendido) estão registrados na forma regulamentar. 5) Verificar, o encarregado, as datas de nomeação do escrivão (fls. 4), termo de compromisso (fls.3), Portaria do encarregado (fls.2) e Autuação (fls.1), observando as datas de uma. 6) Verificar a colocação das 5 (cinco) primeiras folhas. I – Capa II – Portaria do Encarregado III – Nomeação do Escrivão IV – Compromisso do Escrivão V – Portaria determinando a Instauração do IPM 7) Verificar a juntada dos documentos recebidos, obedecendo a data em que é fita a “Juntada”. 8) Verificar se houve acareação, existindo divergência nas declarações dos envolvidos. 9) Verificar se consta a relação de corretivos (praças) e/ ou nota de culpa (oficiais), sempre que figurarem como indiciados ou mesmo suspeito do envolvimento. 10) Verificar se o escrivão numerou e rubricou todas as folhas, uma por uma, a partir da Capa (Autuação, até a que contém o termo final da “Remessa”. 11) Verificar se concluiu pela inexistência de crime ou transgressão da disciplina militar, sem que para tal se justifique. 12) Verificar se deixou de fazer juntada aos autos de Laudo Pericial, Cadavérico e Exame de Corpo de Delito, desde que haja necessidade (acidente de Trânsito, morte e agressão). 13) Observar o espaço 2 (dois) nos depoimentos, bem como 5 cm à esquerda e dois cm à direita. 14) Utilizar a mesma máquina de escrever, durante a feitura de todo inquérito. 15) Verificar para não ultrapassar o prazo do encerramento do IPM, sem que, para tal, tenha solicitado prazo. 16) Verificar se deixou de datar o Relatório e a Solução do IPM. 17) Verificar se os despachos, “Julgo Procedente” e “Junte-se aos Autos”, foram postos devidamente nos documentos recebidos. 18) Verificar se os espaços em brancos foram inutilizados por linhas sinuosas. 19) Quando houver pedaços de papéis pequenos, devem ser presos (cola, grampos, etc.) em uma folha de papel que será anexada (e devidamente numerada) aos autos. 20) Verificar o encarregado do IPM se em seu “Relatório” fez constar o enquadramento do faltoso no RDPM, sempre que concluir pela existência de transgressão da disciplina militar. 21) Verificar se a autoridade instaurante, discordando do encarregado do IPM, imputar o cometimento de transgressão da disciplina militar, e ou fez o devido enquadramento do faltoso no RDPM. Verificar, em se tratando de “Acidente em Ato de Serviço ou não”, se foi feito o enquadramento conforme o Dec. 544, de 7 de janeiro de 1976. Recomendação – Correção – IPM Visando a disciplinar o modo de se conduzir os Encarregados do IPM na eventual feitura imperfeita do Processo, deverão ser observados os seguintes procedimentos quando de retorno do Inquérito ao encarregado para correção de falhas: 1) O Encarregado do Inquérito, de posse do IPM e do Ofício do Cmt. Geral ou Cmt. Da Uop, determinando correção de falhas, fará um “DESPACHO” para o Escrivão, no próprio corpo do IPM, logo após a remessa; 2) O Escrivão faz recebimento e, cumprida a exigência, certifica e em seguida faz a “JUNTADA” do Ofício ao Processo; 3) Depois de “JUNTADA”, a “CONCLUSÃO” ao Encarregado do IPM; 4) O Encarregado, por sua vez, redige o “Relatório-Aditamento”, mencionando se as exigências influíram ou não no Relatório de “folhas tal”; 5) Devolve, em seguida, ao Escrivão para anexação do “Relatório- Aditamento”, procedido do “Recebimento”; 6) Em seguida, o Escrivão fará nova “Remessa” à autoridade que determinou o IPM; 7) O Comandante da OPM, de posse novamente do IPM, dará nova “Solução”, se for o caso, ou fará menção de que as exigências em nada influíram na “Solução” de folhas tal. Observação: a) Os Cmt. Da Uop devem realizar um exame rigoroso no IPM, antes de sua remessa à AJMERJ. O encarregado do IPM deve efetuar um criterioso exame no inquérito, visando a evitar repetição de falhas (técnicas, ortográficas, incoerência de datas, etc.), já que provocam atrasos no julgamento dos processos, pelo retorno para correção, e revelam, sobretudo, ausência de zelo do encarregado do IPM. Aj G – Bol da PM n.º 080 - 05 JUN 2008 – PÁG 38 INQUÉRITO POLICIAL MILITAR – CONFECÇÃO – DETERMINAÇÃO AOS ENCARREGADOSConsiderando o excessivo número de formalidades e procedimentos não observados pelos encarregados de IPM; Considerando que as principais fontes legais para a confecção de um IPM são a CRF/88B, CPPM, COM e o M-5 (Manual de Inquérito Policial Militar e Auto de Prisão em Flagrante de Delito); Considerando que o Comandante Geral da PMERJ é a maior autoridade no exercício da competência originária dentre as autoridades de polícia judiciária militar, que delega aos encarregados de IPM a atribuição de polícia judiciária militar (CPPM, art. 7º); Considerando que os encarregados de IPM também podem ser responsabilizados administrativamente e/ou criminalmente por erros cometidos durante a apuração; Considerando que o IPM é procedimento administrativo inquisitorial, onde não incidem as garantias constitucionais da ampla defesa e contraditório, sendo ele um instrumento de suma importância para a Administração da justiça e para a Corporação; Face o exposto, o Comandante Geral, no uso de suas atribuições, elenca as falhas mais comuns na confecção de IPM, e determina aos encarregados que doravante não cometam tais erros durante a confecção do procedimento, sob o risco de serem penalizados administrativamente e/ou criminalmente. 1.Falta de autuação nas peças exordiais (“autue-se” com a respectiva data, rubrica e carimbo do encarregado) nos autos do IPM (CPPM, art. 21); 2.Termos - conclusão, recebimento, certidão e juntada, usados de forma incorreta; 3.Utilização indevida do Termo de Juntada para documentos expedidos pelo Encarregado de IPM, quando somente é utilizado o Termo em comento por ocasião de documentos recebidos, ou seja, os documentos que “vem de fora” (inclusive ofícios de apresentação de policiais militares), assim como do despacho de “julgo procedente junte-se aos autos”, no documento ou documentos a serem juntados, no qual deverá ser feito pelo encarregado do IPM; 4.Termo de inquirição superficial, deixando de aprofundar questões relevantes como, por exemplo, procedência de veículo, armamento, telefone celular, além da não utilização do termo de acareação por ocasião de depoimentos contraditórios; 5.Falta de auditoria via GPS, quando necessário; 6.Falta de ficha disciplinar do indiciados e ofícios de apresentação; 7.Utilização do termo ‘convite’ ao invés de ‘notificação’ (CPPM, art. 347); 8.Relatório bastante sucinto, não descrevendo de forma detalhada o que foi apurado, conforme prevê o M-5 (OBJETIVO DO IPM, DILIGÊNCIAS REALIZADAS e RESULTADOS OBTIDOS e CONCLUSÃO). Em síntese, cumprir rigorosamente o disposto no artigo 22, do CPPM, principalmente quanto a necessidade do Pedido de Prisão Preventiva – PP do indiciado; 9.Falta de comunicação à CIntPM quando concedida prorrogação de prazo pela promotoria em exercício junto à AJMERJ; 10. Quando da confecção do relatório não mencionar se houve transgressão da disciplina (e qual) por parte dos envolvidos no procedimento, além de infração penal militar; 11. Falta de perícia nos crimes que deixam vestígios, tais como: lesão corporal, homicídio etc (CPPM, art. 328); 12. Amarração incorreta e capa imprópria para os autos; 13. Não observância das medidas preliminares a serem adotadas (CPPM, art. 12); 14. Denominação incorreta das pessoas ouvidas no procedimento, tais como: declarante, envolvido, depoente. No IPM o sujeito é ouvido como INDICIADO, TESTEMUNHA ou OFENDIDO, dependendo de cada situação; 15. Termo de Encerramento de Volume (O termo de encerramento só se usa na fase judicial, por ordem da autoridade judiciária competente); e, 16. Atraso na remessa dos autos à CIntPM para posterior solução do Comandante Geral. Tal fato acarreta prejuízos tanto para a administração como para a justiça. (Nota nº 2315 – 05Jun08 – CIntPM/RUP) CAPÍTULO 4 DA JURISPRUDÊNCIA PECULATO CULPOSO – CONFRATERNIZAÇÃO APELAÇÃO N.º 1.209 – TJM – MG APELADO: 1.º Ten PM Albertino Pereira da Silva RELATOR: Juiz Cel PM Laurentino de Andrade Filocre RELATOR PARA O ACÓRDÃO: Juiz Fausto Nunes Vieira EMENTA: PECULATO CULPOSO – É o crime do agente que, por negligencia, concorre para que outrem subtraia dinheiro sob sua guarda e responsabilidade. TJM 01-09-1978 – N.º do acórdão 20 LEGÍTIMA DEFESA – O POLICIAL QUE REPELE COM MODERAÇÃO AGRESSÃO INJUSTA APELAÇÃO N.º 1.212 APELANTE: A Justiça Militar APELADO: Sd PM João Elias (2.º) RELATOR: Juiz Cel PM Laurentino de Andrade Filocre REVISOR: Juiz Cel PM Afonso Barsante dos Santos EMENTA: Age em legitima defesa própria e de terceiro o policial- militar que repele agressão injusta a atual contra pessoa, depois de procurar socorrer seu colega de serviço, baleado injustamente pelo atacante. TJM 11-08-1978 – N.º do acórdão 15ª HABEAS CORPUS – NULIDADE DO FLAGRANTE – LAVRATURA DO AUTO HABEAS CORPUS N.º 699 PACIENTE: Sd PM João Evangelista Borges Barbosa IMPETRANTE: Dr Paulo Carneiro AUTORIDADE DETENTORA: MM. Juiz Auditor da 2.ª Auditoria Judiciária Militar Estadual RELATOR: Juiz Cel PM Laurentino de Andrade Filocre EMENTA – Habeas corpus – Nulidade do Flagrante – Lavratura do Auto – A Lavratura do auto de prisão em flagrante, horas após o cometimento do crime, ainda que no dia posterior, não infringe a norma legal, máxime se não era possível fazê-lo antes. TJM 05-10-1978 – N.º do acórdão 27 HABEAS CORPUS N.º 55.962-0 – SÃO PAULO PACIENTES: Moacir dos Santos e Outro EMENTA: Policiais-Militares dos Estados – pelos crimes militares que praticarem no exercício de função policial civil, seus integrantes respondem, agora, perante as justiças militares estaduais, nos termos da nova redação dada ao Art. 144, §1º, letra “d”, da Constituição, pela Emenda Constitucional n.º 7, de 1997, que prejudicou, em parte o enunciado da Súmula 297 (RHC´s 56.059 e 56.068) A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, de conformidade com a ata de julgamento e notas taquigráficas de votos, negar a ordem. Antônio Neder – Presidente Xavier de Albuquerque – Presidente HEBEAS CORPUS N.º 55.962-0 – SÃO PAULO RELATOR: O Sr. Ministro Xavier de Albuquerque PACIENTES: Moacir dos Santos e Outro R E L A T Ó R I O O Sr. MINISTRO XAVIER DE ALBUQUERQUE: Acusados de peculato-furto que teriam Acusados de peculato-furto que teriam cometido em serviço na qualidade de soldados da Polícia Militar, os pacientes respondem a processo perante a Justiça Militar do Estado de São Paulo. A competência dessa justiça especial foi reconhecida, em grau de recurso, pelo Tribunal da Justiça Militar do Estado. E o presente habeas corpus, impetrado contra o acórdão que assim decidiu, visa ao deslocamento do feito à Justiça comum. Por se tratar de fato ocorrido a 19 Ago 76, anteriormente, portanto, à vigência da emenda Constitucional n.º 7/77, a Procuradoria-Geral da República opina pelo deferimento do pedido. É o relatório V O T O O SR. MINISTRO XAVIER DE ALBUQUERQUE (Relator): julgando na Sessão de ontem os RHC8s 56.049 e 56.068, de que foram relatores os eminentes Ministros Rodrigues Alkmim e Antônio Neder, o Plenário decidiu que em razão da nova redação dada ao Art. 144, §1.º, letra “D” da Constituição, pela Emenda n.º 7, de 1977, já não pode prevalecer relativamente aos crimes praticados por integrantes das Polícias Militares estaduais, o enunciado da Súmula 297. Por isso, foi recomendada a reformulação da dita Súmula, a ser proposta pela comissão competente. Esse entendimento alcança os feitos relativos a crimes praticados antes de entrar em vigor a referida Emenda n.º 7, pois a nova regra de competência nela estabelecida tem incidência imediata. Diversa poderia ser a conclusão se, instaurada a ação penal perante a Justiça comum, então competente, já houvesse sido definitivamente julgada em primeira instância. Isto posto, indefiro o pedido. EXTRATO DA ATA RHC 55.962.0 - SP – Rel.Min. Xavier de Albuquerque. Ptes: Moacir dos Santos e outro. Imptes.: Alice Soares Ferreira e outro. Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo. Decisão: Indeferido o pedido, à unanimidade de votos. – 1ª – T., 02-06-78. Presidência do Sr. Ministro Antônio Neder. Presentes à sessão os Srs. Ministros Xavier de Albuquerque e Soares Munõz. Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Rodrigues Alckmim e Cunha Peixoto. 4º Subprocurador-Geral da República, o Dr. Francisco de Assis Toledo. Antônio Carlos de Azevedo Braga, Secretário RECURSO DE HABEAS-CORPUS N. 54.550 – SP (Primeira Turma) Relator: O Sr. Ministro Eloy da Rocha Recorrentes: Alcides da Conceição e outro Recorrido: Tribunal de Justiça Militar do Estado EMENTA – Habeas corpus. Considera-se crime militar, nos termos do artigo 9.º, inciso II, letra “c”, do Código Penal Militar, crime de concussão, previsto no artigo 305 do mesmo Código, praticado contra civil, por militar em serviço, segundo o artigo 3.º, letra “a”, do Decreto-Lei n.º 667, de 2 de julho de 1969, com a redação do decreto-Lei n.º 1.072, de 30 de dezembro de 1969. Competência da Justiça Militar. Improcedência das alegações de nulidade da denúncia e de falta de justa causa para a ação penal. Recurso não provido. ACÓRDÃO Vistos, Acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Primeira Turma, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na conformidade das notas taquigráficas. Brasília, 1.º de Junho de 1976. ELOY DA ROCHA, Presidente e relator. RELATÓRIO O Sr. Ministro ELOY DA ROCHA: - O advogado Tertuliano Cerqueira Filho impetrou ao Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo habeas-corpus a favor de Jairo Bento da Silva e Alcides da Conceição. Os pacientes foram denunciados, perante a Primeira Auditoria da Justiça Militar do Estado como incursos, duas vezes, no artigo 305 do Código Penal Militar. A denúncia é do seguinte teor (fls. 12/13): “O promotor da Justiça Militar do Estado, que esta subscreve, no uso das suas atribuições funcionais, apresenta a Vossa Excelência denúncia contra o 2.º Sargento PM RE. 62.919-7 Alcides da Conceição e o SD PM RE 46.692-1 Jairo Bento da Silva, ambos pertencentes ao 22.º Batalhão da Polícia Militar do Estado, pelo fato delituoso seguinte: Consta do incluso IPM que, no dia 24 de abril de 1975, por volta das 21:00hs, os denunciados, quando de serviço no Patrulhamento Tático Móvel, compareceram a uma casa lotérica, sito à Av. Paula Ferreira, n.º 1.664, Vila Bonilha, nesta Capital, e, após constatarem que várias pessoas ali se encontravam jogando ilegalmente, informaram ao proprietário daquele estabelecimento (Sr. José Vieira da Silva) que todos seriam detidos e conduzidos ao Exército. O civil, compreendendo as insinuações dos policiais, entregou-lhes a importância de Cr$ 100,00 (cem cruzeiros), ocasião em que o primeiro denunciado alegou que tal importância era pouca, passando então a exigir mais Cr$ 100,00 (cem cruzeiros). O proprietário da lotérica, acedendo a tal exigência, entregou ao primeiro denunciado a referida importância, perfazendo total de Cr$ 200,00, sendo certo que p segundo denunciado a tudo presenciou. Consta ainda que, dois meses após, em horário não determinado, os denunciados novamente compareceram àquele recinto e exigiram, claramente, a importância de 150,00 (cento e cinquenta cruzeiros), ocasião em que o Sr. José entregou-lhes a citada importância. Com semelhante fato, incorrem os denunciados nas penalidades do artigo 305 (duas vezes) do Código Penal Militar, em razão do que contra eles se oferece a presente denúncia. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos autos, acordam os Ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, de conformidade com a ata de julgamento e notas taquigráficas, à unanimidade de votos, conceder a ordem, nos termos de voto do Ministro Relator. Brasília, 8 de abril de 1980. THOMPSON FLORES, Presidente. XAVIER DE ALBUQUERQUE, Relator. RELATÓRIO O Sr. Ministro Xavier de Albuquerque – O paciente foi denunciado, perante a Justiça comum, por homicídio que praticou com emprego de arma pertencente à Polícia Militar do Estado de São Paulo, da qual era integrante. O juiz declinou da competência e remeteu os autos a uma das Auditorias da Justiça Militar estadual, mas a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, provendo recurso do Ministério Público, reformou a decisão e mandou que prosseguisse a ação penal no Juízo de ordem. Daí o presente “habeas corpus”, fundado na incompetência da Justiça comum. A Procuradoria-Geral da República opina pelo deferimento da ordem e invoca precedente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, o RHC n.º 57.276, a cujo acórdão o eminente Ministro Decio Miranda apôs esta ementa fls. 43: “Penal Militar. Tentativa de homicídio praticada por militar da Polícia Militar Estadual, contra civil, em momento que não se achava a serviço, mas usando arma de propriedade da Corporação a ele confiada. É crime militar, de competência da Justiça Militar do Estado (Código Penal Militar, artigo 9.º, II, “f”)”. É o relatório. VOTO O Sr. Ministro Xavier do Albuquerque (Relator): - O paciente era, ao tempo do fato delituoso, policial-militar em situação de atividade –pois não havia passado à reserva nem sido reformado ou demitido – e não estava em serviço, mas se utilizou, como reconhecido pelo próprio acórdão impugnado, de arma pertencente à corporação que integrava. Praticou, portanto, crime militar, e não crime comum, pelo que não deve ser processado e julgado senão pela Justiça Militar estadual. No julgamento do RECr n.º 90.449, que aqui concluímos a 11 de março passado, votei neste mesmo sentido. E assim também decidiu a Segunda Turma do precedente lembrado pela Procuradoria Geral. Isto posto, concedo a ordem de “habeas-corpus” para, reconhecendo a incompetência da Justiça comum, restabelece a decisão do Dr. Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal de Santo André. EXTRATO DA ATA HC n.º 57.663 – Rel. Ministro Xavier de Albuquerque. Pacte. José Camilo de Oliveira. Impte. Carlos Garcia Requena. Coator: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Decisão: Concedida a ordem, nos termos do voto do Ministro Relator. Decisão unânime. 1.ª T., 8.4.1980. Presidência do Sr. Ministro Thompson Flores, presentes à sessão os Sr. Ministros Xavier de Albuquerque, Cunha Peixoto, Soares Munõz e Rafael Mayer. Subprocurador-Geral da República, o Dr. Francisco de Assis Toledo. Aberto Veronese Aguiar, Secretário. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Brasília, 11 de abril de 1978. DJACI FALCÃO, Presidente e Relator. RELATÓRIO O Sr. Ministro DJACI FALCÃO: - O acórdão objeto do presente recurso ordinário guarda o seguinte teor: “Vistos, relatados e discutidos estes autos de “Habeas-Corpus” n.º 730, em que é impetrante o Sr. Advogado Benedito Luiz Pimentel Grecco, sendo indiciado no processo o soldado PM Osni Rodrigues – RE n.º 49.670- 7: Acordam os Juízes do Tribunal de Justiça Militar do Estado, por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido por entender competente à Justiça Militar para julgar o crime praticado pelo Militar. Consoante consta da petição – fls. “Increpa-se ao paciente a pratica do delito capitulado no artigo 305 do Código Penal Militar, pois teria exigido de um civil, quando em serviço de policiamento rodoviário, determinada importância, a fim de não tomar providências cabíveis na espécie”. O Batalhão Rodoviário integra a Polícia Militar e, como função precípua, atribuise-lhe o policiamento fardado e ostensivo das rodovias estaduais, dirigidas suas operações por Comando Militar próprio, subordinadoao Comando Militar Geral. À Justiça Militar compete julgar os integrantes das Polícias Militares, consequentemente, contido nesse conceito se enquadra o paciente quando da pratica de ato lesivo referido. No tocante ao relaxamento da prisão do soldado Osni Rodrigues, também pleiteado, ainda não se esgotou o prazo do artigo 399 do Código de Processo Penal Militar, pois a denúncia é de 12.9.1977, e, quanto às alegações de flagrante preparado e atipicidade da denúncia, pelos elementos dos autos e aparência dos atos impugnados, como bem diz o parecer do Sr. Procurador, devem ser melhor apreciados nos autos da ação em andamento, como for direito. São Paulo, 27 de outubro de 1977. (Ass.) Juiz Cel PM MILTON MARQUES DE OLIVEIRA, Presidente. (Ass.) Juiz MOZART ANDREUCCI, Relator”. (fls. 38/39). RECURSO DE “HABEAS-CORPUS” N.º 56.049 – SP (Tribunal Pleno) Relator: O Sr. Ministro Rodrigues Alckmim Recorrente: Luiz José Altino e outro Impetrante: Claudio de Luna Recorrido: Tribunal de Justiça Militar de São Paulo EMENTA – “Habeas-corpus”. Competência. Polícia Militar do Estado. Nos termos do artigo 144, §1.º “d”, da Constituição, dada pela Emenda Constitucional n.º 7, de 13 de abril de 1977, a Justiça Militar estadual é competente para processar e julgar os integrantes das polícias militares, nos crimes militares definidos em lei. Crime cometido por policiais-militares no policiamento ostensivo do trânsito. Competência da Justiça Militar. Proposta de reformulação da Súmula n.º 297 acolhida. Recurso de “habea-corpus” não provido. ACÓRDÃO RELATÓRIO RECURSO DE “HABEAS-CORPUS” N.º 57.540 – RS (Segunda Turma) Relator: O Sr. Ministro Decio Miranda Recorrentes: Antônio de Pádua Lemos Riolfi e outro Advogado. Dilemando de Jesus dos Santos Motta Recorrido: Corte de Apelação da Justiça Militar do Estado do Rio Grande do Sul EMENTA – Competência. Justiça Militar. Civis que, em co- autoria com Oficial da Força Pública Militar estadual, cometem crime militar. Impossibilidade de cisão do fato. Continência que acarreta a fixação da competência da Justiça Militar, nos termos dos artigos 78, IV do Código de Processo Penal, e 9º “a” do Código Penal Militar. “HABEAS-CORPUS” N.º 55.903 – PR (Segunda Turma) Relator: Sr. Ministro Moreira Alves Paciente: Laercio Silva do Amaral Autoridade coatora: Auditoria de Polícia Militar do Paraná EMENTA – “Habeas-Corpus”. Competência. Crime previsto no Artigo 171 do Código Penal Militar. Se o crime de que é acusado o policial- militar é de natureza militar, é competente para processá-lo e julgá-lo a Justiça Militar do Estado a que pertence sua corporação, não obstante o delito tenha sido praticado no território de outro Estado. “Habeas-Corpus” indeferido. LEX – Jurisprudência do STF – N.º 4 – págs. 192/193 RECURSO DE “HABEAS-CORPUS” N.º 57.293 – PA Relator: O Sr. Ministro Moreira Alves Recorrente: Gonçalo Mateus de Oliveira Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Pará. EMENTA – “HABEAS-CORPUS” – É meio idôneo para determinar o trancamento de ação penal proposta perante a Justiça Penal Comum quando, pelo mesmo fato, capitulado como crime militar, está sendo processado o paciente pela Justiça estadual, ambos os Juízes de primeiro grau subordinados ao Tribunal de Justiça do Estado. Nos termos do artigo 144, §1.º, “d”, da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n.º 7, de 13 de abril de 1977, a Justiça Militar estadual é competente para processar e julgar os integrantes das Polícias Militares, quando no exercício da função de policiamento, nos crimes militares definidos em lei. Recurso ordinário a que se dá provimento. LEX – Jurisprudência do STF – N.º 14 – pag. 323. CAPÍTULO 5 DOS FORMULÁRIOS DO INQUÉRITO POLICIAL-MILTAR Capa do Inquérito Policial-Militar na PMERJ INQUÉRITO POLICIAL MILITAR Nº _________________ FATO: Art. 209 do CPM - Lesão Corporal INVESTIGADOS: Policiais Militares do XXº BPM OFENDIDO: Túlio Inocêncio Júnior ENCARREGADO: Posto, RG e nome ESCRIVÃO: Posto/graduação, RG e nome AUTUAÇÃO Aos ______ dias do mês de __________ do ano de ______________, nesta Cidade do Rio de Janeiro, no XXº Batalhão de Polícia Militar, autuo os documentos de folhas 02 a _____, que a este junto, após terem sido entregues pelo encarregado do presente Inquérito Policial Militar. Eu, (GRADUAÇÃO E NOME DO ESCRIVÃO), servindo de escrivão, escrevi e subscrevo. Nome completo - Grau hierárquico Escrivão Id. OBSERVAÇÃO: Os documentos foram editados de acordo com o manual de redação oficial do poder executivo do Estado do Rio de Janeiro, aprovado pelo Decreto n.o 44.970, de 25 Set 14 (Bol da PM n.o 178 – 26 Set 14). . a) As peças do inquérito serão, por ordem cronológica, reunidas num só processo e datilografadas, em espaços dois, com as folhas numeradas e rubricadas pelo escrivão (Art. 21 CPPM). . b) Apor, o encarregado do inquérito, bem como o escrivão, a chancela em todos os documentos rubricados. . c) A capa constituirá a capa número 1 (um) do processo. . d) O espaço em branco, o escrivão deverá inutilizá-lo por meio de linhas SINUOSAS VERTICAIS. . e) Devem se usar as duas faces do papel. Quando fizermos referência aos dois lados da mesma folha diremos, por exemplo: fls 5 e 5V (folhas n.o 5 e 5 verso). . f) Recomenda-se que, ao atingir o IPM 200 (duzentos) folhas, seja aberto outro volume, lavrando-se o competente termo. No IPM não há termo de encerramento. O termo de encerramento só se usa na fase judicial, por ordem da autoridade competente. Termo de Abertura do ............Volume TERMO DE ABERTURA DO ............VOLUME Aos .........dias do mês............do ano .........nesta cidade de (o) .................... Estado do ............., no .............(OPM ou Repartição competente) inicia às fls. ........... este ..............volume do inquérito policial- militar em que é (ou são) indiciado (s) ................ (e outros, se for o caso) ............., nos termos da Portaria n.o ......., de ....... de ...........de .............., do Sr. (autoridade delegante) ............, Juntando as peças que se seguem; do que, para constar, lavrei o presente termo. Eu .........(rubrica)........, nome, posto ou graduação, servindo de Escrivão que o escrevi e subscrevo. Nome completo - Grau hierárquico Escrivão Id. Portaria PORTARIA Tendo-me sido delegadas pelo Sr. ............(designa-se a autoridade nomeante) as atribuições que lhe competem, para apurar o fato (ou fato criminoso atribuído ao nome, posto ou o que for) a que se refere a portaria inclusa e mais papéis anexo (parte, queixa, requisição, documento ou o que for), determino que se proceda aos necessários exames e diligências para esclarecimento do mesmo fato. Determino ao Sr. Escrivão que autue a presente com os documentos inclusos (se houver), juntando, sucessivamente, as demais peças que forem acrescendo, e intime as pessoas que tiverem conhecimento do aludido fato a comparecer para prestarem declarações sobre o mesmo e suas circunstâncias, em dia e hora que forem designados. Local, ........... de ..........de 20.... Nome completo – posto Encarregado do IPM Id. (omisso na 2ª Edição) OBSERVAÇÕES: Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal militar, verificável na ocasião, a autoridade a que se refere o § 2o do Art. 10 do CPPM deverá, se possível: . a) dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o estado e a situação das coisas, enquanto necessário; . b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com o fato; . c) efetuar a prisão do infrator, observando o disposto no Art. 244; . d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; . e) a portaria do encarregado constituirá a folha de n.o 2 (dois). Designaçãode Escrivão (DESIGNAÇÃO DE ESCRIVÃO) (PELO ENCARREGADO DO IPM) CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (CMT da OPM). De: (Encarregado do IPM). Assunto: Designação de Escrivão do IPM. Usando da atribuição que me confere o Art. 11 do CPPM em vigor, nomeio o ...............(Posto ou graduação e nome)..............., para funcionar como Escrivão do Inquérito Policial-Militar do qual sou encarregado. Nome completo - Posto Encarregado do IPM Id. Bol da PM n.o 070 – 17 Abr 13 – p.22 Processos Administrativos Disciplinares – Orientações – determinações. (...) Os procedimentos Apuratórios não devem ser autuados no sistema de Processo Eletrônico Integrado (UPO), devendo as instruções dos mesmos seguirem as normas vigentes. (DESIGNAÇÃO DE ESCRIVÃO) (PELA AUTORIDADE INSTAURADORA) CI. PMERJ/OPM/ SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Encarregado do IPM). De: (CMT da OPM). Assunto: Portaria nomeando Escrivão de IPM. Usando da atribuição que me confere o Art. 11 do CPPM em vigor, nomeio o ...............(Posto ou graduação e nome)............... para funcionar como Escrivão do Inquérito Policial-Militar que mandei instaurar pela Portaria n.o ...... de .......... de ................. de 20.... . Nome completo - Posto Cargo Id. OBSERVAÇÕES: . a) O Encarregado designará um Subtenente ou Sargento para funcionar como escrivão do inquérito policial-militar, se o indiciado não for um Oficial, ou um Segundo-Tenente ou Primeiro- Tenente, se o indiciado for Oficial (Art. 11 do CPPM); . b) Em se tratando da apuração de fato delituoso de excepcional importância ou de difícil elucidação, o encarregado do inquérito poderá solicitar do Procurador Geral a indicação de procurador que lhe assistência (Art. Do CPPM); . c) A designação do escrivão constituirá a folha de número 04 (quatro) (Em ambos os casos de designação) Designação em substituição MODELO DE DESIGNAÇÃO, EM SUBSTITUIÇÃO (doença, falecimento, etc) CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (CMT da OPM). De: (Encarregado do IPM). Assunto: Portaria nomeando Escrivão de IPM - Substituição Designo o ...............(nome e posto, ou graduação)............... em substituição ao...............(nome e posto, ou graduação)............... por............... (declinar o motivo, se for possível)...............para servir de Escrivão do Inquérito Policial-Militar do qual sou Encarregado, lavrando-se o competente Termo de Compromisso. . Nome completo - Posto Encarregado do IPM Id. Termo de compromisso do Escrivão TERMO DE COMPROMISSO Aos ..........dias do mês de .........do ano de ....................... eu, ........... (posto ou graduação, RG, nome) ................., tendo sido designado escrivão de IPM, instaurado pela Portaria de n.o ............... de ............(data)................., do ..............(cargo da autoridade instaurante) ..................., presto o compromisso de manter sigilo do inquérito e de cumprir fielmente as determinações legais, de conformidade com o Art. 11, parágrafo do Código de Processo Penal Militar. Local, ............de ...............de 20..... Nome completo – Grau hierárquico Escrivão Id. (omisso na 2ª Edição) OBSERVAÇÃO: . a) O Termo de Compromisso constituirá a folha de n.o três (3); . b) O espaço pontilhado será preenchido sempre por extenso. Inquérito Instaurado “EX-OFFICIO”, Conforme o disposto no Art. 10 Alínea “a” do CPPM CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Cap PM....). De: (CMT da OPM). Assunto: Portaria determinando abertura de IPM. Tendo chegado ao meu conhecimento que no quartel (ou que for – onde for) o seguinte fato (narra-se resumidamente o fato), determino que seja, com a possível urgência, instaurado a respeito o devido Inquérito Policial-Militar, delegando-lhe, para esse fim, as atribuições policiais que me competem. Assinatura da autoridade instauradora Cmt. do.............................................. OBSERVAÇÃO: . a) Suspeição do encarregado do inquérito (Art. 142 do CPPM). Não se poderá opor suspeição ao encarregado do inquérito, mas deverá este declarar-se suspeito quando ocorrer motivo legal, que lhe seja aplicável. . b) Sempre que possível, deverá ser nomeado, para encarregado do IPM, Oficial de posto não inferior a Capitão; e, em se tratando de infração penal contra Segurança Nacional, sê-lo-a, sempre que possível, Oficial Superior, atendida, em cada caso, a sua hierarquia, se Oficial o indicado. (Art. 15 do CPPM). Inquérito Instaurado por Determinação ou delegação da Autoridade Superior, conforme o disposto no Art. 10 Alínea “b” do CPPM CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Cap PM....). De: (CMT da OPM). Assunto: Portaria determinando abertura de IPM. Tendo o Exmo. Sr. Secretário Extraordinário da Polícia Militar (ou a autoridade que for), determinado pelo ............ (Ofício, aviso ou que for) ............... junto, a instauração .................. do inquérito Policial-Militar sobre o fato de .................., determino, face ao que preceitua o Art. 10 alínea “b” do CPPM, ao ........(posto, RG, nome)................. a instauração do mesmo para, no prazo legal, apurar o referido fato, delegando-lhe, para isso, as atribuições policiais que me competem. Assinatura da autoridade instauradora Cmt. do.............................................. Inquérito Instaurado em virtude da Requisição do Ministério Público, conforme o disposto no Art. 10 Alínea “c” do CPPM CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Cap PM....). De: (CMT da OPM). Assunto: Portaria determinando abertura de IPM. Tendo em vista a requisição do Ministério Público Militar, nos termos da alínea C, do Art. 10 do Código de Processo Penal Militar, encaminhada pelo ofício n.o ........ do Dr. Juiz Auditor da AJMERJ, acompanhado das inclusas cópias, determino seja, com a possível urgência, instaurado a respeito o devido Inquérito Policial-Militar, delegando-lhe, para esse fim, as atribuições policiais que me competem. Assinatura da autoridade instauradora Cmt. do.............................................. Inquérito Instaurado por decisão do Superior Tribunal Militar, conforme o Disposto no Art. 10 Alínea “d” do CPPM CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Cap PM....). De: (CMT da OPM). Assunto: Portaria determinando abertura de IPM. Tendo em vista a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal Militar, nos termos da alínea d, do Art. 10 do Código de Processo Penal Militar, que através do ofício número ............(ou acórdão n.o ...............) ............ acompanhado dos documentos constantes do anexo, denúncia ................., determino seja, com a possível urgência, instaurado a respeito o devido Inquérito Policial-Militar, delegando-lhe, para esse fim, as atribuições policiais que me competem. Assinatura da autoridade instauradora Cmt. do.............................................. Inquérito Instaurado a Requerimento da Parte Ofendida ou de quem Legalmente a Representante CI. PMERJ/CPP/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Cap PM....). De: (CMT da OPM). Assunto: Portaria determinando abertura de IPM. Tendo o Sr. ..............(constar o nome do requerente ou seu representante)............, requerido pelo ..........(Ofício, requerimento, carta ou que for) ......., junto, a instauração do Inquérito Policial-Militar sobre o fato de ............(narrar resumidamente o fato) ............., de término, face ao que preceitua o Art. 10 alínea “e” do CPPM, ...........(POSTO, RG, nome) ......... a instauração do mesmopara, no prazo legal, apurar o referido fato, delegando- lhe, para isso, as atribuições policiais que me competem. Assinatura da autoridade instauradora Cmt. do.............................................. OBSERVAÇÃO: Indício é a circunstância ou fato conhecido, de que se induz a existência de outra circunstância ou fato, de que não se tem prova. Para que o indício constitua prova, é necessário: que a circunstância ou fato indicante tenha relação de causalidade, próxima ou remota, com a circunstância ou o fato indicado. que a circunstância ou fato coincida com a prova resultante de outro ou outros indícios, ou com as provas diretas colhidas no processo. A autoridade que instaurar o IPM, após solucioná-lo, fará sua remessa via autoridade que o determinou. d) Poderá a autoridade determinante discordar da solução da autoridade instaurante, atenuando-a, agravando-a ou determinando novas diligências. e) Em instancia última, a autoridade determinante poderá avocar a si o IPM. f) Inexistindo fortes indícios comprovando o fato relatado, o Comandante poderá determinar uma Sindicância que permitirá julgar se indispensável ou não a instauração de IPM. Inquérito Instaurado conforme o disposto no Art. 10 Alínea “f” do CPPM CI. PMERJ/CPP/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Cap PM....). De: (CMT da OPM). Assunto: Portaria determinando abertura de IPM. Usando da atribuição que me confere o Art. 10 alínea “f” do CPPM, determino ao ..............(posto, RG, nome) ..............., a instauração do devido Inquérito Policial-Militar para, no prazo legal, apurar o fato .........(narrar resumidamente o fato) ............, conforme solução da Sindicância instaurada pela Portaria n.o .......... de ........... de 20...., delegando-lhe, para isso, as atribuições policiais que me competem. Assinatura da autoridade instauradora Cmt. do..... OBSERVAÇÕES: a) No curso do IPM, o encarregado pode-se deparar com dois problemas: 1o) a existência de indícios contra oficial de posto superior ao seu, ou mais antigo; 2o) ficar doente, ser transferido para a reserva ou de local (com emergência), etc. b) Em ambos, compete-lhe oficiar à autoridade para que suas funções sejam atribuídas a outro oficial. c) Na primeira hipótese, prevista no Art. 10 & 5o, do CPPM, o prazo para a conclusão do inquérito é interrompido, voltando a fluir da designação do novo encarregado (Art. 20, & 3o, do CPPM); na Segunda, não se interrompe. d) Da mesma forma, quer no momento de designação, quer no curso do IPM, o encarregado pode-se considerar impedido ou suspeito. Modelo de substituição do encarregado (Art. 10, § 5o, do CPPM) CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Cap PM....). De: (CMT da OPM). Assunto: Designação para prosseguir nas investigações omo Encarregado do IPM. Anexo: Autos .................................................... Tendo tomado conhecimento do constante no ........(dizer do que se trata: se de ofício, apurado ou outro qualquer documento do IPM) ............. face aos termos do §5o, do Art. 10 combinado com o §2o, do Art. 7o, todos do CPPM, designo-vos para como Encarregado, prosseguir nas investigações e demais diligências que se fizeram necessárias á completa apuração dos fatos ...... (descrever os fatos que ensejaram instauração do IPM, referindo-se, se for o caso, ao documento) ............, delegando-lhe, para esse fim as atribuições policiais que me competem. Nome completo - Posto (autoridade delegante) CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (Cap PM....). De: (CMT da OPM). Assunto: Designação para prosseguir nas investigações como Encarregado do IPM. Anexo: Autos .................................................... Designo-vos, em substituição ao Sr. ...............(nome e posto do Oficial substituído) ........... por ..........(declinar, se for possível ou conveniente: doença, falecimento, transferência para reserva ou local) .............. para, como Encarregado, prosseguir nas investigações e demais diligências que se fizeram necessárias à completa apuração dos fatos ..............(descreve-los e, se for o caso, mencionar documento) .............., delegando-lhe, para esse fim as atribuições policiais que me competem. Nome completo - Posto (autoridade delegante) (*) Art. 36 a 41 do CPPM. Dando-se por impedido ou suspeito, o Encarregado oficiará à autoridade delegante, declinando os motivos, para designação de novo oficial para assumir suas funções no IPM. CONCLUSÃO OBSERVAÇÃO: a) Autuadas, postas em devida ordem as primeiras peças do Inquérito, numeradas corretamente e rubricadas as folhas a partir da capa ou Autuação, que levará o n.o 01, o Escrivão fará a respectiva CONCLUSÃO, conforme modelo acima, ao Encarregado do Inquérito. b) Essa CONCLUSÃO virá obrigatoriamente após toda a documentação que deu origem ao INQUÉRITO POLICIAL-MILITAR. c) Toda vez que os autos forem ao Encarregado do Inquérito, o Escrivão lavrará sua CONCLUSÃO na forma de carimbo no verso da última folha dos autos principais, juntando a ela seu carimbo e rubrica. d) Entre a CONCLUSÃO e o termo de DESPACHO do Encarregado do Inquérito, nada se escreverá. e) A conclusão, recebimento, certidão e juntada poderão ser feitas por meio de carimbo, se houver, exceto quanto aos DESPACHOS, dada a multiplicidade de providências e diligências necessárias à elucidação da infração penal. DESPACHO Sejam ouvidos o indiciado.................o ofendido ............. e as testemunhas............... no dia (ou dias)..............do mês em curso, às ...........horas. Providencie o Sr. Escrivão. Quartel à rua..............., em......de...............20..... Nome completo - Posto Encarregado do IPM Id. OBSERVAÇÃO: a) De posse dos autos com a Conclusão feita pelo Escrivão do Inquérito, o Oficial Encarregado dará um despacho determinando quais as diligências que devem ser procedidas, designando, para tanto, dia, hora e local. RECEBIMENTO Aos ..........dias do mês de .........do ano de .............(por extenso)....., nesta cidade do Rio de Janeiro (ou o local onde for) no quartel do.........(ou no local onde for)......, recebi os presentes autos ao Senhor....(posto, RG e nome)......, Encarregado do presente Inquérito Policial-Militar, do que, para constar, lavro este termo. Eu....(posto ou graduação, RG nome).....servindo de Escrivão, o subscrevi. Nome completo - Grau hierárquico Escrivão Id. (retirado na 2ª Edição) OBSERVAÇÃO: a) O Termo de Recebimento será toda vez lavrado pelo Escrivão, sempre que os autos retornarem as suas mãos. b) Nada se escreverá entre o Termo de Recebimento e o Despacho. CERTIDÃO OBSERVAÇÃO: Após cumprir o despacho do Encarregado do Inquérito, o Escrivão certificará sob forma de carimbo no verso da folha, juntando a ela seu carimbo e rubrica, como também todas as notificações dos Peritos, testemunhas e tudo que ocorrer no curso do Inquérito e se faça necessário ou conveniente ser anotado. JUNTADA Aos ..........dias do mês de .........do ano de .............(por extenso)....., nesta cidade do Rio de Janeiro (ou o local onde for) no quartel do.........(ou no local onde for)......, faço juntada a estes autos dos documentos que adiante se vêem de fls...... do que, para constar, lavro este termo. Eu....(posto ou graduação, RG nome).....servindo de Escrivão, o subscrevi. Nome completo - Grau hierárquico Escrivão Id. OBSERVAÇÃO: a) Todos os documentos, ofícios e demais papéis, que forem sendo recebidos, vão sendo juntados aos autos e onde o Encarregado colocará “junte-se aos autos”, data assinatura e chancela. b) Não se anexará à juntada, ofícios, documentos, etc... recebidos com data posterior a mesma. c) Nada se escreverá entre o termo de “JUNTADA” e os documentos juntados. O espaço em branco,se houver, deve-se inutilizar por meio de linhas sinuosas no sentido vertical. d) Toda vez que findarem as providências iniciais, provenientes do Despacho do encarregado do inquérito, após a juntada, será feita uma Conclusão pelo escrivão, onde se observará a ordem crescente de datas; feito novo Despacho pelo Encarregado do Inquérito, seguir-se-á sempre o procedimento anterior, ou seja: Despacho, Recebimento, Certidão, Juntada e, finalmente, Conclusão. NOTIFICAÇÃO (nome, posto e RG) ...................., Encarregado de um Inquérito Policial- Militar, NOTIFICA ao Sr. ..................., residente ...................., n.o .................., que compareça, sob as penas da Lei, no dia .................. às ........ horas, no quartel ..............(ou onde for), na rua ........., n.o ..........., a fim de prestar declarações sobre o fato que deu origem ao presente processo. A não apresentação da testemunha, sem motivo justo, incorrerá nas sanções do p.ú do art. 349 do CPPM c/c §2o do art.347 do CPPM. Local, .................... de ......................de 20.......... Nome completo - Posto Encarregado do IPM Id. CIENTE: _____________________________________ Of. PMERJ/OPM/SEI n.o 002/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Exmo. Sr. Procurador Geral de Justiça. Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Av. Mal. Câmara, 370, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Ref.: Registro de Ocorrência no 901-01043/2014. Senhor, Solicito a V. Exa providenciais no sentido de ser designado, nos termos do Art. 14 do Código de Processo Penal Militar, um Procurador para prestar assistência aos Autos do IPM do qual sou Encarregado, em virtude de se tratar de apuração de delituoso de excepcional importância (ou de difícil elucidação). Ao ensejo, apresento protestos de alta consideração e respeito. Nome completo - Posto Encarregado do IPM Id. OBSERVAÇÃO: a) A requisição de assistência de Procurador da Justiça Militar é uma faculdade do Encarregado do IPM (Art. 14 do CPPM) quando se tratar de fato delituoso de excepcional importância ou de difícil elucidação. No caso da PMERJ o ofício será endereçado à Procuradoria-Geral da Justiça. b) A assistência do Ministério Público Militar é sempre recomendável, se não necessário. c) Cabendo-lhe a titularidade da ação penal, estabelecerá, com o encarregado do IPM, as linhas mestras mais importantes da infração penal a ser apurada. OFÍCIO DE NOTIFICAÇÃO Of. PMERJ/OPM/SEI n.o 002/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Sr. Fulano de Tal. (endereço) Senhor, Levo ao vosso conhecimento que fostes designado para proceder a um Exame de Corpo de Delito (ou Perícia) na pessoa de .......(ou na quilo que for), juntamente com .......(posto, RG e nome de outro perito) ....... no dia .........às ..... horas, no .................(lugar onde for) ............ devendo prestar o compromisso e responder os quesitos que forem apresentados nos termos do Art. 13, alínea “f”, do CPPM. Nome completo - Posto Encarregado do IPM Id. OBSERVAÇÃO: a) Podem ser feitos ofícios idênticos, com as alterações relacionadas necessárias, para requisição das testemunhas, indiciados, ofendidos, etc. b) Os ofícios de requisição devem ser tirados em duas vias: a 1a para o requisitado apor o seu ciente e, com este, devolve-la ao escrivão para juntada aos Autos e, a 2a para facilitar a entrada do requisitado na OPM. c) Na confecção dos requisitos a serem respondidos pelos peritos, nas respostas a estes deverá ser observado o Capítulo V do Título XV do CPPM. d) As nomeações de peritos recairão, de preferência, em oficiais da ativa, atendida a especialidade, nos termos do Art. 48 do CPPM, observando-se a hierarquia (Art. 90 da Constituição Federal). e) Recomenda-se ao Encarregado do IPM o cuidado de consultar, antecipadamente, o Cmt. Da OPM onde servem os Oficiais sobre sua nomeação para peritos. f) Caso não haja óbice (quer pelo Comandante da OPM, quer pelos escolhidos) expedir-se-á ofício, com todos os dados necessários à elaboração da perícia. NOTIFICAÇÃO DE PERITOS AVALIADORES CERTIDÃO OBSERVAÇÃO: a) Após lançar o termo de recebimento, o escrivão certifica do ato sob a forma de carimbo no verso da folha, juntando a ela seu carimbo e rubrica.. b) Quando ocorrer nomeação de peritos pelo encarregado, observar o disposto nos Arts. 315 e 318 do CPPM. CERTIDÃO DE NOTIFICAÇÃO DE PERITOS Certifico que notifiquei por ofícios os peritos .................. e.................... para comparecerem a ................. no dia ........ do mês de ................ do ano .........(por extenso).................. às ........ horas, em ...............(designar o local) a fim de procederem a exame de Corpo de Delito na pessoa de ............... (ou naquilo que for), do que, para constar, lavrei a presente Certidão. Eu ............. (posto ou graduação, RG, e nome)............... servindo de Escrivão, o subscrevi. Local, ............de...............de 20....... Nome completo - Grau hierárquico Escrivão Id. OBSERVAÇÃO: a) Após lançar o termo de recebimento, o escrivão certificará da forma supracitada; b) Expedir, o escrivão, neste caso, ofício ao Diretor do HCPM/Rio (ou que for).notificando-o quanto à nomeação dos oficiais médicos, como peritos, os quais servem sob seu Comando. DAS PERÍCIAS E EXAMES Art. 314 – A perícia pode ter por objeto os vestígios materiais deixados pelo crime ou as pessoas e coisas que, por sua ligação com o crime, possam servi-lhe de prova. Art. 315 – A perícia pode ser determinada pela autoridade policial- militar ou pela judiciária, ou requerida por qualquer das partes. Parágrafo único – Salvo no caso de exame de corpo de delito, o juiz poderá negar a perícia, se a reputar desnecessária ao esclarecimento da verdade. Art. 316 – A autoridade que determinar a perícia formulará os quesitos que entender necessário. Poderão, igualmente, faze-lo: no inquérito, o indiciado; e, durante a instrução criminal, o Ministério Público e o acusado, em prazo que lhes for marcado para aquele fim, pelo auditor. Art. 317 – Os quesitos devem ser específicos, simples e de sentido inequívoco, não podendo ser sugestivos nem conter implícita a resposta. & 1o - O juiz, de ofício ou a pedido de qualquer dos peritos, poderá mandar que as partes especifiquem os quesitos genéricos, dividam os complexos os esclareçam os duvidosos, devendo indeferir os que não sejam pertinentes ao objeto da perícia, bem como os que sejam sugestivos ou contenham implícita a resposta. & 2o - Ainda que o quesito não permita resposta decisiva do perito, poderá ser formulado, desde que tenha por fim esclarecimento indispensável de ordem técnica, a respeito de fato que é objeto da perícia. Art. 318 – As perícias serão, sempre que possível, feitas por dois peritos, especializados no assunto ou com habilitação técnica, observado no disposto no Art. 48. Art. 319 – Os peritos descreverão, minuciosamente, o que examinarem e responderão com clareza e de modo positivo aos quesitos formulados, que serão transcritos no laudo. Parágrafo único – As respostas poderão ser fundamentadas em sequência a cada quesito. Art. 320 – Os peritos poderão solicitar da autoridade competente a apresentação de pessoas, instrumentos ou objetos, que tenham relação com o crime, assim como os esclarecimentos que se tornem necessários à orientação da perícia. Art. 321 – A autoridade policial-militar e a judiciária poderão requisitar dos institutos médico-legais, dos laboratórios oficiais e de quaisquer repartições técnicas, militares ou civis, as perícias e exames que se tornem necessários ao processo, bem como, para o mesmo fim, homologar os que neles tenha sido regularmente realizado. Art. 322 – Se houver divergência entre os peritos, serão consignados no auto de exames as declarações e respostas de um e de outro, ou cada um redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridadenomeará um terceiro. Se este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros peritos. Art. 323 – No caso de inobservância de formalidade ou no caso de omissão, obscuridade ou contradição, a autoridade policial-militar ou judiciária mandará suprir a formalidade, ou completar ou esclarecer o laudo. Poderá, igualmente, sempre que entender necessário, ouvir os peritos para qualquer esclarecimento. Parágrafo único – A autoridade poderá, também, ordenar que se proceda a novo exame, por outros peritos, se julgar conveniente. Art. 324 – Sempre que conveniente e possível, os laudos de perícias ou exames serão ilustrados com fotografias, microfotografias, desenho ou esquemas, devidamente rubricados. Art. 325 – A autoridade policial-militar ou a judiciária, tendo em atenção a natureza do exame, marcará prazo razoável, que poderá ser prorrogado, para apresentação dos laudos. Parágrafo único – Do laudo será dada vista às partes, pelo prazo de três dias, para requererem quaisquer esclarecimentos dos peritos ou apresentarem quesitos suplementares para esse fim, que o juiz poderá admitir, desde que pertinentes e não infrinjam o Art. 317 e seu & 1o. Art. 326 – O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte. Art. 327 – As perícias, exames ou outras diligências que, para fins probatórios, tenham que ser feitos em quartéis, navios, aeronaves, estabelecimentos ou repartições, militares ou civis, devem ser precedidos de comunicações aos respectivos comandantes, diretores ou chefes, pela autoridade competente. Art. 328 – Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. Parágrafo único – Não sendo possível o exame de corpo de delito direto, por haverem desaparecido os vestígios da infração, supri-lo-á a prova testemunhal. Art. 329 – O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora. Art. 330 – Os exames que tiverem por fim comprovar a existência de crime contra a pessoa abrangerão: . a) Exames de lesões corporais; . b) Exames de sanidade física; . c) Exames de sanidade mental; . d) Exames cadavéricos, procedidos ou não de exumação; . e) Exames de identidade de pessoas; . f) Exames de laboratório; . g) Exames de instrumentos que tenham servido à prática do crime. Art. 331 – Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto, proceder-se-á a exame complementar, por determinação da autoridade policial-militar ou judiciária, de ofício ou a requerimento do indiciado, do Ministério Público, do ofendido ou do acusado. & 1o - No exame complementar, os peritos terão presente o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a deficiência ou retificá-lo. & 2o - Se o exame complementar tiver por fim verificar a sanidade física do ofendido, para efeito de classificação do delito, deverá ser feito logo que decorra o prazo de trinta dias, contado da data do fato delituoso. & 3o - A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal. & 4o - O exame complementar pode ser feito pelos mesmos peritos que procederam ao de corpo de delito. Art. 332 – Os exames de sanidade mental obedecerão, em cada caso, no que for aplicável, às normas prescritas no Capítulo II, do Título XII. Art. 333 – Haverá autópsia: . a) Quando, por ocasião de ser feito o corpo de delito, os peritos a julgarem necessária; . b) Quando existirem fundados indícios de que a morte resultou, não da ofensa, mas de causas mórbidas anteriores ou posteriores à infração; . c) Nos casos de envenenamento. Art. 334 – A autópsia será feita pelo menos seis horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais da morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. Parágrafo único – A autópsia não poderá ser feita por médico que haja tratado o morto em sua última doença. Art. 335 – Nos casos de morte violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno, para a verificação de alguma circunstância relevante. Art. 336 – O s cadáveres serão, sempre que possível, fotografados na posição em que forem encontrados. Art. 337 – Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver, proceder-se-á ao reconhecimento pelo instituto de Identificação e Estatística ou repartição congênere, pela inquirição de testemunhas ou outro meio de direito, lavrando-se auto de reconhecimento e identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos os sinais e identificação. Parágrafo único – Em qualquer caso, serão arrecadados e autenticados todos os objetos que possam ser úteis para a identificação do cadáver. Art. 338 – Haverá exumação, sempre que esta for necessária ao esclarecimento do processo. & 1o - A autoridade providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realizem a diligência e o exame cadavérico, dos quais se lavrará auto circunstanciado. & 2o - O administrador do cemitério ou por ele responsável indicará o lugar de sepultura, sob pena de desobediência. & 3o - No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura, ou o lugar onde esteja o cadáver, a autoridade mandará proceder às pesquisas necessárias, o que tudo constará do auto. Art. 339 – Para o efeito de exame do local onde houver sido praticado o crime, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas, até a chegada dos peritos. Art. 340 – Nas perícias de laboratório, os peritos guardarão material suficiente para eventualidade de nova perícia. Art. 341 - Nos crimes que haja destruição ou violação da coisa, ou rompimento de obstáculo ou escalada para fim criminoso, os peritos, além de descrever os vestígios, indicarão com que instrumento, por que meios e em que época presumem ter sido o fato praticado. Art. 342 – Proceder-se-á à avaliação de coisas destruídas, deterioradas ou que constituam produto de crime. Parágrafo único – Se impossível a avaliação direta, os peritos procederão a avaliação por meio dos elementos existentes nos autos e dos que resultem de pesquisas ou diligências. Art. 343 – No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida e para o patrimônio alheio, e, especialmente, a extensão do dano e o seu valor, quando atingido o patrimônio sob administração militar, bem como quaisquer outras circunstâncias que interessem à elucidação do fato. Será recolhido no local o material que s peritos julgarem necessário para qualquer exame, por eles ou outros peritos especializados, que o juiz nomeará, se entender indispensáveis. Art. 344 – No exame para o reconhecimento de escritos, por comparação de letras, observar-se-á o seguinte: . a) a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir será intimada para o ato, se for encontrada; . b) Para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que ele reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida; . c) A autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os documentos que existirem em arquivos ou repartições públicas, ou neles realizará a diligência, se dali não puderem ser retirados; . d) Quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos, a autoridade mandará que a pessoa escreva o que lhe for ditado; . e) Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta última diligência poderá ser feita por precatória, em que se consignarão as palavras a que será intimada a responder. Art. 345 – São sujeitos a exame os instrumentos empregados para a pratica de crime, a fim de se lhes verificar a natureza e a eficiência e, sempre quepossível, a origem e propriedade. Art. 346 – Se a perícia ou exame tiver de ser feito em outra jurisdição, policial- militar ou judiciária, expedir-se-á precatória, que obedecerá, no que lhe for aplicável, às prescrições dos artigos 283, 359, 360 e 361. Parágrafo único - Os quesitos da autoridade deprecante e os das partes serão transcritos na precatória. OBSERVAÇÃO: A autópsia é indispensável em qualquer evento que resulte morte. Somente através dela definir-se-á a “causa-mortis”, cujo conhecimento é necessário para evitar-se o chamado crime impossível: matar quem já está morto. REGRAS PARA O CORPO DE DELITO O exame parcial, nos casos de lesão corporal, compreende o ferimento e o ofendido. Devem ser minuciosamente examinadas as lesões existentes, indicando o número, precisando a sede, referindo-se a determinadas regiões do corpo, descrevendo a forma, extensão e profundidade, quando possível. Deste exame, o perito concluirá a causa provável do traumatismo, apontando o instrumento causador, a direção em que atuou, as condições de violência e a intenção com que parece Ter sido praticado. Tais deduções não devem ser o resultado de uma afirmação desacompanhada, embora categórica, mas sucederá uma descrição minuciosa, em termo, para que possa ajuizar do seu acerto, diante de lesão observada. Quanto ao ferido, recolhidos todos os dados objetivos e subjetivos, deve indagar-se sua qualidade, laços naturais ou sociais; fazer a dedução possíveis das intenções do culpado (ferimentos involuntários, escusáveis, premeditados, perversos, cambiais); anamnese (data; da ferida), diagnóstico (classificação motivada – leves, graves ou mortais), prognóstico legal ( complicações, influência de tratamento, cural), influência modificadora dos ferimentos: - Estatuto das concausas penais, dano material para o serviço ativo, por 30 (trinta) dias ou mais, mutilação – deformidade, privação permanente de uso de um órgão ou membro, enfermidade incurável e que prive, pra sempre, o ofendido de poder exercer o seu trabalho, etc. No ajuizar e classificar o dano causado, os peritos devem valer-se da hipótese de que o ofendido se sujeita a um tratamento regular que auxilie ou promova a cura, justificando, sempre que for necessário. Sob pretexto algum, o procedimento pericial deve ser nocivo ao ofendido: - ficam impedidas práticas de semiótica, como sondagens ou manobras outras capazes de retardar a cura ou complicar a lesão. Conforme o fato delituoso e examinar, diversas são as regras que nortearão a perícia. Assim, em caso de roubo, é mister examinar o lugar em que foi cometido, para se verificar onde estavam as coisas subtraídas, o modo que foi realizado o crime, se houve arrombamento interno ou externo, perfuração de paredes, introdução na casa por conduto subterrâneo, por cima dos telhados, etc... . Em caso de incêndio há de indagar, primeiramente, da sua origem, se adveio de causas naturais ou da ação humana, e, neste caso, se culposa (negligência, imprudência, imperícia na arte ou profissão, inobservância de disposições regulamentares) ou se doloso, pesquisando o foco, as matérias empregadas, etc... OBSERVAÇÃO: A autoridade que proceder ao exame de corpo de delito, além de assinar o respectivo auto, rubricá-lo-á à margem e terá maior cautela nos quesitos que dirigir aos peritos, tomando em consideração não só as circunstâncias essências do fato, mas todas aquelas que o acompanham e possam influir na prova da existência e da natureza do crime, por mais fugitivas que elas pareçam ser. Se não houver prejuízo para a marcha do processo, o juiz poderá autorizar a entrega dos autos aos peritos, para lhes facilitar a tarefa. A mesma autorização poderá ser dada pelo encarregado do inquérito, no curso deste (& 2o, Art. 156 do CPPM). Além de outros quesitos que, pertinentes ao fato, lhes foram oferecidos, e dos esclarecimentos que julgarem necessários, os peritos deverão responder aos seguintes (Art. 159 do CPPM): . a) Se o indiciado, ou acusado, sofre de doença mental, de desenvolvimento mental incompleto ou retardado (alínea “a” do Art. 159 do CPPM); . b) Se, no momento da ação ou omissão, o indiciado ou acusado se achava em algum dos estados referidos na alínea anterior (alínea “b” do Art. 159 do CPPM); . c) Se, em virtude das circunstâncias referidas nas alíneas antecedentes, possuirá o indiciado, ou acusado, capacidade de atender o caráter ilícito do fato ou de se determinar de acordo com esse entendimento (alínea “c” do Art. 159 do CPPM); . d) Se a doença ou deficiência mental do indiciado, ou acusado, não lhe suprimindo, diminui-lhe, entretanto. Consideravelmente, a capacidade de entendimento de ilicitude do fato ou a de autodeterminação, quando praticou (alínea “d” do Art.159 do CPPM). QUESITOS PARA O CORPO DE DELITO HOMICÍDIO 1o ) Se houver a morte; 2o ) Qual a sua causa; 3o ) Qual o meio que a ocasionou; 4o ) Se foi ocasionada por veneno, fogo, explosivo, tortura, asfixia ou por meio insidioso ou cruel; 5o ) Se a lesão observada, por sua natureza e sede, foi causa eficiente da morte; 6o ) Se a constituição ou estado mórbido anterior do ofendido ocorreu para tornar a lesão irremediavelmente morte; 7o ) Se a morte resultou das condições personalíssimas do ofendido; 8o ) Se a morte sobreveio, não porque o golpe fosse mortal, e sim por ter o ofendido deixado de observar o regime médico e higiênico reclamado por seu estado; e 9o ) Se a morte foi ocasionada por imprudência, negligência ou imperícia na arte ou profissão do acusado. FERIMENTO OU OFENSA FÍSICA 1o ) Se houver lesão corporal; 2o ) Qual a espécie de instrumento ou meio que a ocasionou; 3o ) Se foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo, tortura ou por meio insidioso ou cruel; 4o ) Se é de natureza a lesão a produzir incômodo de saúde que impossibilite o paciente para o serviço ativo por mais de trinta dias, mas não para sempre; 5o ) Se resultou perigo de vida; 6o ) Se a lesão resultou ou pode resultar inutilização, deformidade ou privação de algum órgão ou membro que impossibilite para sempre o ofendido de exercer o seu trabalho; 7o ) Se a lesão resultou ou pode resultar enfermidade incurável que prive para sempre o ofendido de exercer o seu trabalho; 8o ) Se a lesão, por sua natureza ou sede, é causa eficiente da morte; e, 9o ) Se foi ocasionada por imprudência, negligência ou imperícia na arte ou profissão do acusado. CONJUÇÃO CARNAL 1o ) Se a paciente é virgem; 2o ) Se há vestígio de desvirginamento; 3o ) Se há outros vestígios de conjunção carnal recente; 4o ) Se há vestígio de violência e no caso afirmativo qual o meio empregado; 5o ) Se da violência resultou para a vítima incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias ou perigo de vida, ou debilidade permanente, ou perda ou inutilização de membro, sentido ou função ou incapacidade permanente para o trabalho ou enfermidade incurável ou deformidade permanente, ou aceleração de parto ou aborto (resposta especificada); 6o ) Se a vítima é alienada ou débil mental; e, 7o ) Se houve outra causa, diversa de idade não maior de quatorze anos, alienação, debilidade mental, que a impossibilitasse de oferecer resistência. ATENTADO AO PUDOR (contra homem) 1o ) Se há vestígio de ato libidinoso; 2o ) Se há vestígio de violência e, no caso afirmativo, qual o meio empregado; 3o ) Se da violência resultou para vítima incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias ou perigo de vida, ou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro, sentido ou função ou incapacidade permanente ou enfermidade permanente ( resposta especificada); 4o ) Se a vítima é alienada ou débil mental; e, 5o ) Se houve causa, diversa de idade não maior de quatorze anos, alienação ou debilidade mental, que a impossibilitasse de oferecer resistência. ATENTADO AO PUDOR (contra a mulher) 1o ) Se há vestígio de ato libidinoso; 2o ) Se há vestígiode violência e, no caso afirmativo, qual o meio empregado; 3o ) Se da violência resultou para vítima incapacidade para as ocupações habituais de trinta dias ou perigo de vida, ou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro, sentido ou função ou incapacidade permanente para o trabalho ou enfermidade incurável, ou deformidade permanente ( resposta especificada); 4o ) Se houve outra causa, adversa de idade, não maior de quatorze anos, alienação ou debilidade mental, que a impossibilitasse de oferecer resistência; 5o ) Se a vítima é alienada ou débil mental; e, 6o ) Se resultou aceleração de parto ou aborto. ENVENENAMENTO 1o ) Se houve propinação de veneno ou se por outro modo foi aplicado; 2o ) Qual a espécie do veneno; 3o ) Se era tal a sua qualidade ou quantidade empregada, que pudesse causar a morte; 4o Se, não podendo causar a morte, produziu ou podia produzir alteração profunda da saúde, pondo em risco a vida da pessoa; e, 5o Em que consiste esta alteração. DESTRUIÇÃO OU DANO 1o ) Se houve destruição, inutilização ou dano do livro de notas (registros, assentamentos, atas, termos, autos, atos, originais da autoridade pública, livro, papel, título, documento apresentado ou o que for) ou se houve demolição ou destruição no todo ou em parte, abatimento, inutilização ou danificação do edifício (ou o que for); 2o ) Em que consistiu essa destruição, inutilização, demolição, abatimento, mutilação ou danificação; 3o ) Com que meio se ocasionou; 4o ) Se houve incêndio ou arrombamento; e, 5o ) Qual o valor do dano causado. ROUBO E EXTORSÃO 1o ) Se há vestígio ou grave ameaça contra a pessoa; 2o ) Em que consistiu a violência ou grave ameaça; 3o ) Ficou a pessoa impossibilitada de resistir a violência ou ameaça empregada; 4o Se houve emprego de arma; 5o ) Se houve o concurso de duas ou mais pessoas; 6o ) Se da violência resultou lesão corporal de natureza grave ou morte; e, 7o ) Se pode avaliar o dano causado e, no caso afirmativo, em quanto o avaliam. INCÊNDIO 1o ) Se houve incêndio; 2o ) Se foi total ou parcial; 3o ) Se parcial, quais os pontos atingidos; 4o ) Onde teve começo; 5o ) Qual a matéria que produziu; 6o ) Se havia depósito ou derramada em algum lugar matéria explosiva ou inflamável; 7o ) Se houve explosão de gás; 8o ) Qual o modo por que foi ou parece ter sido produzido o incêndio; 9o ) Qual a natureza do edifício, construção, navio ou coisa incendiada; 10o ) Quais os efeitos ou resultados do incêndio; 11o ) Se resultou ele de negligência, imprudência, imperícia ou inobservância de disposições regulamentares; 12o ) Qual o valor do dano causado. EMBRIAGUEZ 1o ) Se o examinado está embriagado; 2o ) Qual a espécie de embriaguez; 3o ) No caso que se encontra pode pôr o mesmo em risco a segurança própria ou alheia; 4o ) O examinado embriaga-se habitualmente; e, 5o ) Em caso afirmativo, qual o prazo, aproximadamente, em que deva ficar internado para tratamento. TOXICOMANIA 1o ) Se o examinado apresenta sintomas de toxicomania; 2o ) Qual a substância de que faz uso; 3o ) Podem informar se o examinado fez uso recente de qualquer tóxico; 4o ) Qual o prazo necessário de internação, do examinado, para seu restabelecimento. Além desse quesitos, a autoridade poderá oferecer os que julgar convenientes ao maior esclarecimento de fato. AUTO DE CORPO DE DELITO Aos........dias do mês de ...........do ano de ..........às ..........horas, nessa cidade de ...............(ou onde for).......... no quartel do .........(local).............presente F ................ encarregado do inquérito, comigo F ........., servindo de escrivão, os peritos nomeados, F .............. e ................. F ............... (declara-se se são ou não profissionais, se militares ou civis) residente em ..........(local)............ e as testemunhas abaixo assinadas, prestado pelos peritos o compromisso de bem e fielmente desempenharem os deveres do seu cargo, declarando com verdade o que descobrissem e encontrassem, o que em sua consciência entendessem, aquela autoridade encarregou-os de proceder ao exame em ............(pessoa, cadáver, móveis ou imóveis ou que lhes for apresentado) e que respondessem aos quesitos seguintes: ...................(seguem-se os quesitos, conforme o caso). Em consequência, passaram os peritos a fazer os exames e investigações ordenadas e os que julgarem necessários, concluídos os quais, declaram o seguinte: ..(descrevem-se minuciosamente todas as investigações e exames a que houverem procedido e tudo o que encontraram e viram). (Em se tratando de ferimento, é conveniente declarar o número e as condições de feridas, bem como a sua localização, profundidade e extensão). E, portanto, respondem os peritos: Ao primeiro quesito, que .......... ao segundo quesito que .........(e assim por diante, até o último). E foram estas as declarações que, em sua consciência e debaixo do compromisso prestado, fizeram. E, por nada mais haver, deu-se por concluído o exame ordenado e de tudo se lavrou o presente auto, que vai assinado e rubricado pela autoridade encarregada do inquérito que presidiu a diligência, comigo escrivão, que o escrevi, e pelos peritos e testemunhas acima referidas. Eu, F ............... testemunhas acima referidas. Eu F ............., servindo de Escrivão, o subscrevi. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão). OBSERVAÇÃO: . a) Impedimento dos peritos (Art. 52, alíneas “a”, “b”, “c” e “d”). Suspeição de Peritos e Intérpretes (Art. 53 do CPPM). . b) São, porém, efetivamente instrutórios da ação penal da ação penal os exames periciais e avaliações realizados regularmente no curso do inquérito, por peritos idôneos e em obediência às formalidades previstas no CPPM. . c) A perícia poderá ser também ordenada na fase do inquérito policial-militar, por iniciativa do seu encarregado. . d) Art. 13 CPPM – O encarregado do inquérito deverá: - Determinar, se for o caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outros exames periciais; - Determinar a avaliação e identificação da coisa subtraída, desviada, destruída ou danificada ou da qual houve indébita apropriação; - Proceder a busca e apreensões, nos termos dos artigos 172 a 184 e 185 a 189; - Tomar as medidas necessárias à proteção de testemunhas, peritos ou ofendidos de coação que lhes tolha a liberdade de depor, ou a independência para a realização de perícias ou exames. Art. 321 – A autoridade policial militar e a judiciária poderão requisitar dos institutos médicos-legais, dos laboratórios oficiais e de quaisquer repartições técnicas, militares ou civis, as perícias e exames que se tornarem necessários aos processos, bem como, para o mesmo fim, homologar os que neles tenham sido regularmente realizados. Homologar-se-á da seguinte maneira; “Julgo procedente o presente auto de corpo de delito para que surta os efeitos legais”. Em, ....................../......./20......... _________________________ (Encarregado do Inquérito) AUTO DE CORPO DE DELITO INDIRETO Aos........dias do mês de ...........do ano de dois mil e ............, nessa cidade de ...............(ou onde for).......... no quartel do .........(local que for)............., onde se achava .......... (Posto, RG e nome) encarregado deste inquérito, comigo ................servindo de escrivão, compareceram ai .................(posto, RG, nome) e .............(local) viram a vítima..........., que apresentava .......... (descreve-se a lesão) produzida por .......(posto e nome) com ........... (descreve-se o objeto usado). E como nada mais disseram nem lhes foi perguntado, deu o encarregado do inquérito por findo o presente auto, que, lido e achado conforme, vaipor ele rubricado e assinado pelas testemunhas ..........., (a testemunha que não souber ou puder assinar, o escrivão certificará) e comigo .........,servindo de escrivão que o subscrevi. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão). ___________________________________ (Data e assinatura do Encarregado do IPM) OBSERVAÇÃO: . a) Nos crimes que deixam vestígios e estes já se apagaram, necessário se torna seja feito o Auto de Exame de Corpo de Delito Indireto que descreva, o mais minuciosamente possível, a lesão corporal havida. . b) Terminando o Auto de Exame de Corpo de Delito, o Encarregado do inquérito dará o seguinte despacho: “Julgo procedente o procedente Auto de Exame de Corpo de Delito para que surta os efeitos legais”.(Data e assinatura do Encarregado do IPM) No caso negativo, justificará, fundamentadamente, a improcedência. . c) Quando o Exame de Corpo de Delito for feito a requerimento da parte, o despacho acima poderá ser assim redigido: “Julgo procedente, para que se surta os efeitos legais (ou improcedente), o presente Auto de Exame de Corpo de Delito; entregue-se à parte que o requereu uma cópia autêntica do auto”. Divergência entre os peritos, ver Art. 322 do CPPM. No primeiro exame, os peritos podem concluir da necessidade de novo exame na vítima (complementar). O encarregado solicitá-lo-á de acordo com o Art. 331 do CPPM. Os artigos do CPPM, abaixo discriminados, merecem atenciosa leitura. Art. 301 – Observância no inquérito de disposições e atos realizados na fase judicial. Art. 321 – Requisição de perícia e exame e homologação dos regulamente realizados. Art. 324 – Ilustração dos laudos com fotogramas, microfotografias, desenhos, esquemas, devidamente rubricados. Art. 328 – A indispensibilidade do exame do corpo de delito. Art. 329 – O exame de corpo de delito realizar-se-á em qualquer dia e hora. REGRAS GERAIS DA EXUMAÇÃO Na hipótese de já ter sido enterrado o cadáver em que houve mister proceder-se à autópsia, será o mesmo exumado. Neste caso, devem ser observadas as seguintes regras: 1o - A autoridade, tanto quanto for possível, e se não houver prejuízo para a Justiça, fará a diligência pela manhã, e cercar-se-á não só de pessoal suficiente para as escavações, como de cautelas higiênicas que evitem as conseqüência as exalações e infecções. 2o - Se o cadáver estiver enterrado em cemitério público ou particular, o respectivo administrador ou proprietário, qualquer deles, será notificado por escrito, sob pena de desobediência, para indicar o lugar da sepultura. Se o cadáver estiver sepultado em lugar não destinado a enterramento, e se não houver pessoa que indique a sepultura ou se é esse o lugar, a autoridade, pelos indícios que tiver, procederá por si, declarando isso mesmo no auto. 3o - Se não puder efetuar a autópsia e em seguida à exumação, lavrar-se- á disto auto especial, no qual será declarada a razão de adiamento, o lugar em que ficou depositado o cadáver e as providências tomadas para a sua guarda. Neste caso, os peritos descreverão o exterior do cadáver declarando o aspecto e sinais característicos para a verificação da identidade. No dia seguinte, ou se possível for, no mesmo dia, se procederá à autópsia e exame de corpo de delito, segundo as regras estabelecidas, e se determinará se o cadáver é o próprio e idêntico ao que fora exumado. AUTO DE EXUMAÇÃO E NECRÓPSIA Aos .......dias do Mês de .......... nesta cidade de ............ (ou lugar onde for), às ....... horas no (cemitério ou lugar onde esteja o cadáver ou se presuma estar enterrado), presente .......... (autoridade que presidir a diligência) comigo escrivão ........... as testemunhas abaixo assinadas e os peritos nomeados e notificados ......... e ........... (nome por extenso e se são ou não profissionais, declarando-se, neste último caso, a razão por que foram nomeados), moradores, respectivamente, em ............ foi pela mesma autoridade ordenado a .......... (empregado, guarda, administrador, ou quem quer que tenha a seu cargo as sepulturas, se as houver; ou pessoa queixosa ou denunciante, ou qualquer outra que saiba) que lhe indicasse a sepultura de .......... (nome, posto ou graduação, etc.) enterrado há ....... (Indica-se o tempo) e que o cumprindo .............. (nome do empregado, administrador, guarda ou queixoso, etc.) indicou o lugar ..........(nomeia-se o lugar, ou a catacumba que for, com o respectivo número) e disse ser aí que sepultou (ou lhe consta haver sido enterrado) o indivíduo de que se trata e, dirigindo-se para o lugar indicado, aquela autoridade, com o escrivão, peritos, testemunhas e o referido empregado (guarda, etc. , ou pessoa que tiver indicado o lugar) declarou o mesmo ser exatamente este o local em que sabe ele (ou que lhe consta) haver sido enterrado .........; e, em consequência, ordenou aquela autoridade que se efetuasse a exumação do cadáver que se encontrasse, a fim de se procederem nele exames; o que com efeito se fez na presença daquela autoridade, de mim escrivão, que este escreve, peritos, testemunhas e mais pessoas que ali se achavam, entre as quais o empregado (administrador, guarda, etc., ou pessoa que indicou o lugar) do que dou fé; e foi exumado um cadáver em estado (perfeito ou não, ou de adiantada putrefação), o qual estava metido em um caixão (descreve-se a natureza do caixão, se o houver); exumado o cadáver, foi colocado em ............ (designa-se o lugar) e aí, pela autoridade mencionada, foi deferido aos peritos nomeados o compromisso legal de bem e fielmente desempenharem os deveres do seu cargo, declarando com verdade o que descobrirem e encontrarem, o que em suas consciência entenderem, e que respondessem aos seguintes quesitos ..........(seguem-se os quesitos). Em consequência, passaram os peritos a fazer os exames e investigações ordenadas e os que julgaram necessários, concluídos os quais, declararam o seguinte .......... (descrevem-se aqui, minuciosamente, todas as investigações, exames e diligências que houverem procedido e o que houverem encontrado e visto). E que, portanto, respondem ao 1o quesito, que ..........(segue-se a resposta); ao 2o quesito que .......... (segue-se a resposta, e assim por diante, até o último). E foram estas as declarações que em sua consciência e debaixo do compromisso prestado, fizeram. E por nada mais haver, deu-se por concluído às ......... horas o exame ordenado; e de tudo se lavrou o presente auto, que vai por mim escrito e rubricado por .......... (autoridade que presidiu ao exame) e assinado pelo mesmo, peritos, testemunhas ...........(a pessoa que houver designado a sepultura ou lugar donde se tenha desenterrado o cadáver) e por mim............. servindo de escrivão o subscrevi. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Pessoa que designou a sepultura) ______________________________ (Escrivão) OBSERVAÇÃO: O auto de exumação e Necropsia deverá ser julgado procedente para que surta os efeitos legais. QUESITOS PARA OS EXAMES DE SANIDADE Física: 1o - Se da lesão corporal sofrida pelo examinado resultou mutilação ou amputação, deformidade ou privação permanente do uso de algum órgão ou membro, ou qualquer enfermidade incurável e que o prive para sempre de poder exercer o seu trabalho; 2o - Se os ferimentos produziram no examinado incômodo de saúde que o inabilitasse para o serviço ativo por mais de trinta dias; 3o - Qual o estado atual de saúde do examinado; 4o - Qual o tempo necessário para o seu restabelecimento. Mental: 1o - Se o examinado sofre alteração mental; 2o - Se esta alienaçãoé contínua ou tem intervalos lúcidos; 3o - Se é geral ou parcial; 4o Qual a sua espécie ou gênero; 5o - Se pode precisar-se desde que tempo data ela; 6o - Se o fato (que é atribuído ao examinado) o examinado o cometeu, ou podia ter cometido, em estado de loucura, ou em lúcido intervalo. Imbecilidade: 1o - Se o examinado é imbecil; 2o - Se a imbecilidade é nativa ou não; 3o - Não sendo, desde que data: 4o - Se o fato (que é atribuído ao examinado) podia ter sido praticado nesse estado: 5o - Se o seu estado o torna absolutamente incapaz de imputação. Enfraquecimento senil. 1o - Se o examinado apresenta sinais de enfraquecimento senil; 2o - Quais sejam; 3o - Desde que tempo datam; 4o - Se o fato podia ter sido praticado nesse estado; 5o - Se o examinado é absolutamente incapaz de imputação. Em regra, os Exames de Sanidade são executados quando os autos já se encontram aforados, são feitos a requerimento das partes e determinados pelo auditor. Entretanto, aí estão os esclarecimentos necessários para o caso de uma demora no término do inquérito e da necessidade de ser executado o dito exame complementa. AUTO DE EXAME DE SANIDADE Aos....... dias do mês de ........ do ano de dois mil .......... às ...........horas, nesta cidade de ...........(ou onde for), no Hospital da Polícia Militar (ou local que for), presentes .......... encarregado do inquérito, comigo ..........., servindo de escrivão, os peritos nomeados ........ e ...........(declara-se se são ou não profissionais, se militares ou civis) residentes em .........(local onde moram ou servem), e as testemunhas abaixo assinadas, prestado pelos peritos o compromisso de bem e fielmente desempenharem os deveres do seu cargo e com verdade declararem e em sua consciência atenderem, encarregou-os aquela autoridade de proceder a exame de sanidade em, ..... (designa-se a pessoa, posto, se tiver, qualidade, etc.) e que respondessem aos seguintes quesitos: 1o - .........; 2o - ..........; 3o - ...........; seguem-se os quesitos sobre a causa da prolongação do mal se ele resulta da ofensa física ou de circunstâncias especiais extraordinárias; se o ofendido apresenta perigo de vida; e os mais quesitos que a autoridade julgar necessários ao exame). E passando os peritos a fazer os exames ordenados e investigações necessárias, declaram o seguinte......... (descreve-se, minuciosamente, o quew tiverem averiguado e feito; e, portanto, respondem: ao primeiro quesito, que ......; ao segundo, que...........; ao terceiro quesito, que.(assim por diante, até o último). E por nada mais terem visto e que declarar, deu aquela autoridade às ....... horas por findo este exame, de que lavrei o presente auto, que vai pela mesma autoridade rubricado e assinado, comigo escrivão ....... que o escrevi, os peritos referidos e as testemunhas que assistiram ao exame, do que de tudo dou fé. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão) QUESITOS PARA OS EXAMES PERICIAIS ARMAS DE FOGO: 1o ) Qual a natureza da arma submetida a exame e suas características principais; 2o ) Se a arma em causa tem capacidade para produzir disparo; 3o ) Se a arma submetida a exame está ou não carregada; 4o ) Em caso afirmativo, qual a natureza da carga; 5o ) Se pelos elementos coligidos no exame, podem os Srs. Peritos concluir tenha a mesma produzido disparo recente; 6o ) Quais a natureza e características do projétil submetido a exame; 7o ) Se o projétil em causa foi expedido pela arma ora examinada; 8o ) Qual a natureza e características do estojo submetido a exame; 9o ) Se, pelos elementos coligidos no exame, podem os Srs. Peritos afirmar ter sido o estojo em causa utilizado em disparo com a arma ora examinada. ARMAS BRANCAS: 1o ) Qual a natureza da arma apresentada a exame e suas características; 2o ) Se, no estado em que se acha, pode servir; 3o ) Se apresenta manchas de sangue; 4o ) Em caso positivo, se essas manchas são de sangue humano. OBJETOS DE ARROMBAMENTO: 1o ) Qual a natureza do objeto apresentado a exame e suas características; 2o ) Se o objeto ora examinado é próprio para arrombamento ou pode ser utilizado com eficiência para tal fim; 3o ) Queiram os Srs. Peritos fornecer outros elementos que julgarem necessários. AUTO DE EXAME PERICIAL Aos ....... dias do mês de ......... de 20......, nesta cidade de .........(ou lugar que for), no quartel do .........(lugar onde se proceder ao exame), presente F........., encarregado do inquérito, comigo F........ escrivão, os peritos nomeados F........... e F..........(nome por inteiro, qualificação se são ou não profissionais, declarando-se, neste último caso, a razão por que foi ou foram nomeados), prestado pelos aludidos peritos o compromisso legal de bem e fielmente desempenharem os deveres do seu cargo e declararem com verdade o que encontrarem e em sua consciência entenderem, encarregou-os aquela autoridade de proceder a exame em ........ (o instrumento que for, livro, escrita, documento, local de crime, vestígio, etc.) e que respondessem aos seguintes quesitos: 1o - ..........; 2o - ...........; 3o - ...........; (seguem-se os demais quesitos); e havendo os peritos procedido ao exame ordenado e às diligências que julgaram necessárias, declararam o seguinte: .......(refere- se, minuciosamente, tudo quanto houverem os peritos feito e averiguado). E portanto, respondem: ao 1o quesito, que ........(segue-se a resposta; e assim por diante, até o último quesito). E, por nada mais terem a examinar e a declarar, deu-se por findo o exame, de que lavrei o presente auto, que vai pela mesma autoridade rubricado e assinado, comigo F......, servindo de escrivão, que o escrevi, os peritos acima referidos e as testemunhas, do que dou fé. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão) TERMO DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA Aos ........ dias do mês de ....... do ano de .......... nesta cidade (ou lugar onde for), no Quartel do ......... (ou lugar onde for), onde se achava ......... (posto e nome) encarregado deste inquérito, comigo, ........., servindo de Escrivão, compareceram aí as testemunhas abaixo nomeadas, que foram inquiridas sobre a parte (queixa ou o que for) de folhas ....... a qual lhes foi lida a cada uma de per si, declarando o seguinte: PRIMEIRA TESTEMUNHA – nome (por extenso), idade, naturalidade, filiação, estado civil, profissão (posto ou graduação se militar), residência (onde serve se militar), às ....... horas, depois do compromisso de dizer a verdade, disse que....... (referir tudo quanto for perguntado e disser a testemunha sobre o crime e suas circunstâncias). E como nada mais disse nem lhe foi perguntado, deu o encarregado do Inquérito por findo o presente depoimento às ...... horas. SEGUNDA TESTEMUNHA – nome ....., idade......, naturalidade........, filiação..........., estado civil......., profissão......., residência......, às.....horas, depois do compromisso de dizer a verdade, disse que......(referir tudo quanto for perguntado e disser a testemunha sobre o crime e suas circunstâncias). E como nada mais disse nem lhe foi perguntado, deu o encarregado do Inquérito por findo o presente depoimento, às .......... horas. TERCEIRA TESTEMUNHA – nome, idade etc. ............, ás horas, depois do compromisso de dizer a verdade, disse que ........(proceda-se de igual forma como foi nos depoimentos anteriores). E como nada mais disse nem lhe foi perguntado, deu o encarregado do Inquérito por findo o depoimento às .......horas e como assim fizeram as testemunhas as referidas declarações, mandou ........(posto, RG e nome), encarregado deste Inquérito, lavrar o presente auto, que, lido e achado conforme, vai por ele rubricado e assinado pelas testemunhas A,B, com exceção da testemunha C, que certifico que (não sabe ler ou não pode escrever ou é analfabeto) e comigo ........ (posto, graduação, RG e nome), servindo de Escrivão que o escrevi. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Testemunha) - A ______________________________ (Testemunha) – B ______________________________ (Escrivão) OBSERVAÇÃO: . a) Qualquer pessoa poderá ser testemunha (Art. 351 do CPPM). . b) Serão as testemunhas inquiridas cada uma per si, de modo que uma não possa ouvir o depoimento da outra (Art. 353 do CPPM). . c) O comparecimento é obrigatório nos termos da notificação, não podendo dele eximir- se a testemunha, salvo motivo de força maior devidamente justificado (Art. 347, § 1o do CPPM). . d) A testemunha não será inquirida por tempo superior a quatro horas, mas em caso de necessidade ser-lhe-á dado um descanso de meia hora. . e) Observar o disposto nos Art. 30 § 3o e 301 do CPPM. . f) Se a testemunha, regularmente intimada, deixar de comparecer sem motivo justificado, expedir-se-á contra ela MANDADO DE CONDUÇÃO, que será executado por autoridade nomeada pelo Encarregado do IPM. . g) A prova testemunhal é a mais falha, mas de suma importância na apuração do fato delituoso. È a função de testemunha, em relação ao processo, que lhe dá denominação própria. Há testemunhas de acusação, arroladas pelo Ministério Público com a denúncia, que não excedem de seis (numerárias), podendo em caso de três réus, ou mais, ser acrescida de mais três (numerárias). Testemunhas de defesa são as arroladas pelo defensor do réu, não admitindo mais três para cada réu. Testemunhas informante e referida não são computadas nesse limite. Considera-se informante aquela pessoa que depõe, mas impedida de prestar compromisso; referida, a mencionada em algum depoimento. Competindo ao Juiz dirigir a ação penal, no intuito de esclarecimento da verdade, pode ouvir testemunhas novas, não referidas, Não referidas são testemunhas suplementares. Da mesma forma que não é computada a pessoa que, arrolada, nada sabe sobre o fato, permite-se a substituição, sem ultrapassar o limite legal. Havendo mais de três réus, o Promotor poderá arrolar mais três testemunhas. Informantes e referidas não poderão exceder de três. . a) – O encarregado do IPM deve fazer perguntas objetivos às testemunhas. Perguntas que interessem, efetivamente, na apuração do fato, evitando rodeios e divagações que não conduzem a nada. . b) O depoimento de cada testemunha será reduzido a termo e lido a mesma testemunha, que, no caso, não sabendo ler e escrever, o escrivão certificará este fato, não havendo mais necessidade, como se fazia na vigência do Código da Justiça Militar, de assinatura a rogo da testemunha. . c) Só poderão eximir-se de depor as testemunhas referidas no Art. 354, e estão proibidas de depor as do Art. 355, ambos do Código de Processo Penal Militar. . d) Se a testemunha estiver servindo ou residindo noutro local (ou jurisdição). Expedir-se-á precatória à autoridade militar superior do local, atendida, sempre, as normas de hierarquia. Com a precatória, seguirão os documentos mencionados no Art. 361 do CPM e os quesitos formulados. O falso testemunho está disciplinado no Art. 346 do Código Penal Militar. As requisições só devem ser feitas quando houver grande necessidade, ou quando surgir um novo fato, importante, capaz de influir na opinião final sobre o evento. MANDADO DE CONDUÇÃO O .......(nome, posto e RG)...................Encarregado do Inquérito Policial-Militar, instaurado por determinação do Sr. ..........(autoridade delegante).........., conforme Portaria no ..........de.............(data)............nos termos de legislação vigente. MANDA o ........(nome, posto e RG de quem vai cumprir o mandado)............. a quem este for apresentado, indo por mim assinado, que, em seu cumprimento, se dirija à rua ........ , no ...... (ou onde for), residência do Sr. ................... para que este, depois de lhe ser lido o presente mandado, o acompanhe até o quartel do ............, sito na rua ................ no ............(ou onde for) a fim de prestar esclarecimento como testemunha no IPM referido; e bem assim mando que se use dos meios permitidos em lei para a execução do presente mandado, inclusive prisão e condução à Delegacia correspondente, em caso de desobediência ou resistência a seu cumprimento. O que se cumpra na forma e sob as penas da lei. Local e data. Eu ........... (nome, posto e RG do escrivão).............. Assinatura. Servindo de Escrivão. Subscrevo. ____________________ Nome, posto e RG Encarregado do IPM OBSERVAÇÃO: TESTEMUNHA QUE DEIXA DE COMPARECER Se a testemunha, regularmente intimada, deixar de comparecer sem motivo justificado, o Encarregado deverá solicitar ao Juiz da AJMERJ a expedição de MANDADO DE CONDUÇÃO, que será executado por autoridade nomeada pelo Encarregado do IPM. Bol da PM n.o 029 – 17Ago 09, págs. 33 a 43. CARTA PRECATÓRIA CI. PMERJ/OPM/SEI/ n.o 001/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Para: (CMT da OPM). De: (Encarregado do IPM). Assunto: Deprecata. A fim de instruir o Inquérito Policial-Militar do qual sou encarregado, instaurado pela ........(autoridade que determinou a abertura do IPM) para apurar.......(resumir os fatos e de sua autoridade)........ solicito-vos (ou solicito a V. Exa.), após exarar o competente “cumpra-se”, designar um oficial com finalidade específica de inquirir ........(posto ou graduação, RG e nome, Unidade ou residência) que se encontra servindo no .........(unidade ou residindo nesta cidade à rua ........., no ......) que figura como testemunha (ou ofendido) no referido Inquérito sobre os fatos que deram a sua origem, formulando para tanto os quesitos que vão inclusos ao presente. Por outro lado, esclareço-vos (ou esclareço a V. Exa.) que o prazo para a conclusão do IPM termina no dia .......... ______________________ (Encarregado do IPM) TERMO DE PERGUNTAS AO INDICIADO Aos ...dias do mês de ......... do ano ..........., nesta cidade ....(ou lugar onde for), no Quartel do ..........(ou onde for), presente ......(posto, RG e nome), Encarregado deste Inquérito Policial-Militar, comigo .........., servindo de Escrivão, compareceu às .......horas....... (nome do indiciado, nome dos pais, CPF no, identidade IFP, posto ou graduação se tiver, função ou profissão), a fim de ser interrogado sobre os fatos constantes da parte (queixa ou que for, que deu origem ao Inquérito), que lhe foi lida. Em seguida, passou aquela autoridade a interrogá-lo da maneira seguinte: qual o seu nome ........ idade........filiação.....estado civil............naturalidade..........(ou nacionalidade, não sendo brasileiro), posto ou graduação......função.........a que OPM está servindo ou vinculado........se civil, profissão....e residência .........). Perguntado como se dera o fato narrado na parte (queixa ou que foi que deu origem ao Inquérito), de folhas ........., respondeu que........ Perguntado se tem fatos a alegar ou provas que justifiquem a sua inocência (documentos, objetos e etc., que queira entregar para fazer parte dos autos), respondeu que............. E como na da mais disse e nem lhe foi perguntado deu o Encarregado deste Inquérito por findo o presente interrogatório às ........horas, mandando lavrar o presente termo que, depois de lido e achado conforme, assina com o indiciado e as testemunhas .........e ............. que assistiram desde o início comigo .....(posto ou graduação, RG e nome), servindo de Escrivão que o subscrevi. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________(Indiciado) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão) OBSERVAÇÃO: . a) O Encarregado do IPM deverá fazer as perguntas que julgar convenientes à elucidação do fato, e logo após colocar as respostas. . b) Observar o constante no Art. 391 do CPPM. . c) As testemunhas e o indiciado, exceto caso de vigência inadiável, que constará da respectiva assentada, devem ser ouvidos durante o dia em período que medeia entre as sete e dezoito horas (Art. 19 do CPPM). . d) Estando o indiciado foragido ou na inexistência deste, o Encarregado do Inquérito fará constar, por escrito, essa circunstância justificativa da falta do interrogatório. . e) Observar o disposto nos Art. 300, § 3o e 301 do CPPM. Consignar as perguntas feitas e, imediatamente, as respostas dadas, com o máximo de exatidão aos termos. f) Nomeação de curador quando o indiciado for menor de 21 anos, apenas para assistir o indiciado durante o interrogatório e os atos em que tenha de participar. Dispensa compromisso formal e a escolha recairá sempre em oficial. É importante na fase do inquérito para maior tranqüilidade de prova colhida e satisfação do princípio constitucional de amplitude de defesa. g) Presença de testemunha para o fato que se realiza: interrogatório do indiciado. O posto ou graduação não pode ser inferior ao do militar acusado.Trata-se de testemunha do ato e não do fato. h) O processo inicia-se com o recebimento da denúncia, efetiva-se com a citação do acusado e extingui-se após a sentença irrecorrível, condenatória ou absolutória. Também é interessante esclarecer a distinção que existe entre indiciado e acusado. Acusado é aquele a quem é imputada a prática de um crime numa denúncia já recebida. Indiciado é aquele q quem se imputa, ainda na fase do inquérito, a prática de uma infração penal. Então verificamos que o indiciado passa a acusado com o oferecimento da denúncia já recebida pelo Auditor. TERMO DE PERGUNTAS AO OFENDIDO Aos ......... dias do mês de .....do ano de ........ nesta cidade .... (ou lugar que for), no quartel do ....... (ou lugar que for) presente ......... (posto, RG e nome), encarregado deste Inquérito Policial-Militar, comigo .....(posto, RG e nome), servindo de Escrivão, compareceu ás .. .......horas ........ (nome, por extenso, do ofendido)..... (posto ou graduação se tiver, função ou profissão), a fim de ser ouvido sobre o fato delituoso que deu origem ao presente Inquérito (ou fato constante de parte, queixa ou o que for), que lhe foi lida. Em seguida, passou aquela autoridade a interrogá- lo da maneira seguinte: qual o seu nome ..........., idade.........., filiação........, estado civil.............., (nacionalidade....... não sendo brasileiro), posto ou graduação....., função........., a que Uop está servindo ou vinculado......(se civil, profissão......e residência.........), perguntado como se dera o fato narrado na parte (queixa ou o que for que deu origem ao Inquérito) às fls ...... respondeu que............. Perguntado..........., respondeu que .......... (seguem-se as demais perguntas que o encarregado do Inquérito julgar conveniente à elucidação do fato e a seguir as respostas). E como nada mais disse nem lhe foi perguntado, deu o encarregado deste Inquérito por findo o presente termo às ...... horas, mandando lavrar este auto que, depois de lido e achado conforme, assina com o ofendido e as testemunhas....... que assistiram desde o início e comigo ....., servindo de Escrivão, que o subscrevi. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Ofendido) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão) OBSERVAÇÃO: a) Observar o disposto no Art. 300 §3o e Art. 301 do CPPM; b) Será de bom alvitre que o depoimento do indiciado e do ofendido seja assistido por duas testemunhas, isto a exclusivo juízo do Encarregado do IPM. TERMO DE RECONHECIMENTO Aos......... dias do mês de ..... do ano de ........... nesta cidade do ....... no quartel do............(ou onde for) presente ........Encarregado deste Inquérito, comigo .........., servindo de Escrivão, compareceu às .......horas (nome da testemunha), que já depôs neste Inquérito e sendo-lhe perguntado pelo encarregado do Inquérito se reconhecia na pessoa de ............ aí presente (ou de F.........F...............e F..........) aí aquele que .......(descrever em síntese os fatos) declarou que ........(descrever em que baseia o reconhecimento). E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu o encarregado do inquérito por findo o presente reconhecimento, ás ........... horas, mandando lavrar este auto que, depois de lido e achado conforme, assina com as testemunhas, o indiciado (ou indiciados), as testemunhas presenciais e comigo....... , servindo de Escrivão, que o subscrevi. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha Presencial) ______________________________ (Testemunha Presencial) ______________________________ (Indiciado) ______________________________ (Escrivão) TERMO DE ACAREAÇÃO Aos........... dias do mês de .......... do ano de .............., nesta cidade........... no Quartel do ...........(ou lugar que for), aí presentes as testemunhas ....... e ..........(ou o indiciado), já inquiridas neste sumário, comigo Escrivão, presente .......... Encarregado do Inquérito, por este foram, à vista das divergências (ou contradições) existentes nos seus depoimentos, nos pontos .....(tais e tais) e debaixo do compromisso prestado às ...... horas reperguntadas as mesmas testemunhas, uma em face da outra, para explicar ditas divergências (ou contradições). E, depois de lido perante elas os depoimentos referidos, nas partes contraditórias (ou divergentes), pela testemunha............. foi dito que ........... e pela testemunha ........ foi dito ......... e como nada mais declararam, às ....... horas lavrei o presente termo, que assinam, depois de lhes ser lido e achado conforme, com o Encarregado do Inquérito e comigo ........., servindo de Escrivão, que o escrevi e subscrevo. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão) OBSERVAÇÃO: . a) A acareação é admitida durante o IPM, quando houver divergência em declarações sobre os fatos ou circunstancias relevante, entre acusados e testemunhas, acusado e a pessoa ofendida ou entre as pessoas ofendidas (Art. 365 do CPPM); . b) Pontos de divergência (Art. 366 do CPPM); . c) Ausência de testemunha divergente (Art. 367 do CPPM); . d) Acareação é a ação de confrontar testemunhas, pondo uma em face da outra, explicando-lhes os pontos divergentes de suas declarações, pedido a confirmação ou retificação dos mesmos; . e) Antes de acareadas devem as testemunhas prestar novo compromisso de dizerem a verdade e não devem ser acareadas em turma e, sim, de duas em duas, descrevendo-se no termo o estado de ânimo que for notado pelo encarregado do Inquérito, segundo o modo por que se portarem ditas pessoas; . f) Quando a divergência é entre o indiciado e testemunhas ou entre dois ou mais indiciados, chama-se o ato mais propriamente de confrontação. AUTO DE INFORMAÇÃO PARA BUSCA, APREENSÃO E PRISÃO Aos ..... dias do mês ......... do ano de dois mil e ............ nesta cidade de ...... no Quartel .....(ou o que for), me foi mandado por ..........(nome e posto) encarregado do inquérito, que lavrasse o presente auto, dizendo que chegou ao seu conhecimento que em ......(designa-se o lugar) se achava oculto ......., indiciado no presente inquérito (ou que se achavam guardados os ocultos taise tais objetos ou coisas furtadas ou roubadas, ou arma ou instrumento com que foi cometido o crime), e porque, havendo recebido dita denúncia (ou participação), e procedendo às necessárias informações combinando-as com os documentos existentes em seu poder (se os tiver) e com o que disseram .......(pessoas da vizinhança, testemunhas, etc.) se confirmasse na suspeita de que era verdadeiro o fato ordenava que se expedisse o mandado de busca para prisão de ......... supramencionada (ou apreensão dos objetos furtados ou roubados, ou instrumentos do crime, conforme o caso); do que, para constar, lavrei o presente auto, que vai assinado e rubricado pela referida autoridade, comigo .........., servindo de escrivão, que o escrevi. ______________________________ (Encarregado do Inquérito) ______________________________ (Escrivão) OBSERVAÇÃO: A autoridade, além de assinar, rubricará a margem do auto. MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO (OU PRISÃO) Eu ............(nome e posto), encarregado do IPM para averiguação do fato criminoso a ........(nome, posto ou qualidade do indiciado, mando a .......... e ............ a quem este for apresentado, indo por mim assinado, que, em seu cumprimento, se dirijam à casa no sita à ....... nesta cidade de ..........(ou lugar onde for), onde reside ........., (ou de que é proprietário ........ e inquilino .........) para este, depois de lhe ser lido e mostrado o presente mandado, e feita, na forma da lei, a devida intimação, facilite a entrada na dita casa, a fim de que se possa proceder à busca e apreensão de ......(designa-se o que for: armas, instrumentos, artigos, gêneros, subtraídos à guarda e administração militares, etc.) que, segundo (ou segundo afirmam as testemunhas .......) aí se acha escondido (ou a fim de que se efetue a prisão de ..........(o indiciado) que segundo afirmam as testemunhas ..... e ........ aí se acha oculto) e, bem assim, mando que se procedam a todas as diligencias necessárias e se empreguem os meios indispensáveis, como sejam arrombamentos de portas e móveis, de modo a ser feita a apreensão do referido .....(refere-se aquilo que for) (ou tratando-se de prisão: “de modo de que se efetue a prisão de ..............”), usando de todos os meios permitidos em lei para execução do presente mandado, inclusive a prisão em flagrante de quem oferecer resistência ou quiser impedir o cumprimento do mesmo. De tudo será lavrado, por um dos encarregados da diligência, o competente auto, que será por mim, na forma da lei, autenticado, e assinado por duas testemunhas que tenham assistido á diligência desde o seu início. O que se cumpra. Dado e passado nesta cidade ......(lugar onde for) aos ......dias do mês de ........do ano de 20..... Eu, ................, servindo de escrivão, o subscrevi. ______________________________ (Encarregado do IPM) OBSERVAÇÃO: a) No desenvolvimento da apuração do ilícito penal militar, se necessário, proceder-se-á à busca domiciliar ou pessoal, efetivando-se de três modos: 1o ) O Encarregado fá-la-á pessoalmente, dispensando mandado (Art. 177 do CPPM); 2o ) Ordenará a realização, por mandado, designando dois militares (oficiais) para o cumprimento (Art. 184 do CPPM); 3o ) Requisitará de autoridade policial civil a realização de busca (§ único do Art. 184 do CPPM). A busca domiciliar ou pessoal é, muitas vezes, dispensável; outras, necessárias à apuração da materialidade do crime e da autoria. Do mandado deverá constar a providencia, sua finalidade, procedimento com revista pessoal, destruição de obstáculo, em mulher, etc., conforme regular os Art. 170 e 184 do CPPM. . b) Lavrar-se-á Auto circunstanciado da busca, seu resultado, assistido por duas testemunhas. . c) Recomenda-se a leitura, com atenção, dos Art. 170 e 184 do CPPM. AUTO DE BUSCA E APREENSÃO (OU PRISÃO) Aos ..... dias do mês de .... do ano de dois mil e ......... neste cidade de .....(ou lugar onde for), em cumprimento do mandado retro, nos dirigimos à casa no .......... sita à rua ......., onde mora F ................, segundo fomos informados, e aí, depois de lhe ter sido mostrado e lido o mesmo mandado, o intimamos para que, incontinenti, nos franqueasse a entrada da dita casa, a fim de procedermos a diligência ordenada e .......... o convidamos para assistir às diligências desde o seu início, bem como as testemunhas F................ e F...............(nomes por inteiro e postos ou qualidade), abaixo assinadas; e entrando na casa supra declarada procedemos a mais minuciosa busca, examinando todas as salas, quartos e lugares (descreve-se o exame feito), fazendo abrir as portas, gavetas, armários, etc., e aí em ...........(o lugar exato) encontramos os objetos (mencionam-se os objetos subtraídos, armas, ou instrumentos do crime) que apreendemos e ficam em juízo (ou, tratando-se de prisão; “encontramos F............. escondido, a quem procedemos e conduzimos à prisão “tal” onde ficou recolhido à disposição da Justiça), do que para constar, se lavrou o presente auto, o qual vai assinado por mim F......., que escrevi e por F............... também encarregado da diligência e pelas testemunhas já declaradas. ______________________________ (Encarregado da diligência) ______________________________ (Encarregado da diligência) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) OBSERVAÇÃO: . a) As duas peças, Auto de Informação e Mandado de Busca e Apreensão, serão anexadas aos autos pelo Escrivão, antes do Auto de Busca e Apreensão que for lavrado; . b) Ver Art. de 170 a 189 do CPPM. DA RESTRIÇÃO O Código de Processo Penal Militar, nos Art. 190 e seguintes, trata da restrição da coisa apreendida. O Encarregado pode restitui-la quando, indubitavelmente, a coisa não mais interessa ao Inquérito e à ação penal que possa ser instaurada e também se não houver dúvida quanto ao direito do requerente. Para efetivar a restituição, o Encarregado deverá proferir despacha nos autos, sendo a entrega realizada mediante recibo. O Escrivão certificará tudo e juntará o recibo ao IPM. DA COISA DETERIORÁVEL Tratando-se de coisa facilmente deteriorável, que não possa esperar a remessa do IPM a Juízo, o Art. 195 do CPPM estabelece que deverá ser avaliada e levada a leilão público, depositando-se o dinheiro apurado em estabelecimento oficial, caso não seja possível restituí-la, nos termos do Art. 191 do CPPM. O Encarregado do Inquérito nomeará dois avaliadores e um Oficial que será Encarregado do Leilão, publicando-se editais nos órgãos oficiais e particulares com data, hora do leilão e descrição dos bens leiloados. O leilão será realizado por leiloeiro oficial e presidido pelo Encarregado do Inquérito, que mandará o Escrivão lavrar um termo descrevendo minuciosamente tudo quanto se passou no leilão. Todos documentos relativos no leilão, desde a nomeação dos avaliadores, laudo de avaliação, nomeação de leiloeiro, termo e cópia do recibo entregue ao arrematante serão juntados aos autos, com a respectiva certidão de juntada. Modelos: TERMO DE RESTITUIÇÃO Aos ............dias do mês de .............. de 20..........., nesta cidade de ........... no Quartel do ................., presente .................(posto e nome)................., Encarregado do Inquérito, comigo...........(posto ou graduação e nome).............., Escrivão, compareceu...............(nome da pessoa que vai receber o bem com a qualificação, documento de identidade e endereço).............a quem foi deferido, nos autos, as entrega de ............... (dizer quais bens)........... que foram apreendidos, conforme auto de apreensão de fls............ por não interessarem ao presente inquérito e diante das provas que fiz juntar aos autos, por cópia que demonstram serem os bens de sua propriedade. Do que, para constar, lavrei o presente termo que vai assinado pelo Encarregado do IPM, por quem recebeu o bem, pelas testemunhasabaixo que tudo assistiram, e por mim, Escrivão. ______________________________ (Encarregado do IPM) (Nome - Posto) ______________________________ (Pessoa que recebeu o bem) (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão) (Nome – Posto ou Graduação) MODELO DE TERMO DE COMPROMISSO DE PERITO: TERMO DE COMPROMISSO DE PERITO Aos ............... dias do mês de .............. do ano de ........., nesta cidade de ............., Estado do ..................., no ..............(OPM ou Repartição competente) ...................., aí presente o Sr. ...................(nome e posto ..................., Encarregado do IPM, comigo .............(nome e posto)............... (ou graduação)................... , servindo de Escrivão compareceram ................ e .........................(nomes completos dos peritos nomeados).........................., nomeados peritos neste Inquérito, aos quais a autoridade deferiu o compromisso legal, que aceitaram, de bem e fielmente desempenharem a missão, declarando com verdade as respostas aos quesitos formulados e o que descobrissem e encontrassem e o que em suas consciências entendessem, além de manter o sigilo do Inquérito e de cumprir as determinações contidas no Código de Processo Penal Militar, durante o exercício da função. Para constar, mandou o Encarregado do IPM lavrar este termo que assina com os peritos e comigo escrivão, do que dou fé. Eu...........(nome completo)............... (posto ou graduação)............... servindo de Escrivão, o subscrevo. _____________________________________ (Nome e posto - Encarregado da diligência) ______________________________ (Nome completo - Perito) ______________________________ (Nome completo - Perito) ______________________________ (Nome, posto ou graduação - Escrivão) OBSERVAÇÃO: . a) O Auto da Avaliação dispensa o Termo de Compromisso de Perito e qualquer outro despacho, quando realizado em dia e hora previamente designados e na presença do Encarregado do IPM. Por ocasião da sua lavratura.Caso, no entanto, a perícia não se proceda na presença do Encarregado do IPM (autoridade nomeante), o auto, assinado pelos peritos e pelas testemunhas, remetido ao Encarregado, exige o compromisso. . b) O Auto ou Laudo deverá ser preciso, simples e objetivo, não comportando divagações, procurando os Peritos responder aos quesitos que lhes foram formulados e outros que entenderem de direito da maneira mais clara possível, evitando-se dupla interpretação ou ambiguidade de solução. AUTO DE AVALIAÇÃO Aos ................dias do mês de ............ do ano de dois mil e ................. nesta cidade de .................., no Quartel do ..................(ou lugar que for), onde se achava F...............(nome e posto), encarregado do presente inquérito, comigo F.................,servindo de escrivão, presente os peritos nomeados F.............. e F..................(nome, posto ou qualidades) e as testemunhas F............. e F..................(nomes, postos ou qualidades) residindo em .................(ou servido no...........) todos abaixo assinados, depois de prestado pelos referidos peritos o compromisso de bem e fielmente desempenharem os deveres do seu cargo, declarando com verdade o que encontrarem, e em sua consciência entenderem, aquela autoridade encarregou-se de proceder a avaliação dos seguintes objetos furtados (roubados, extraviados) por F........... e, na forma da lei, apreendidos, os quais lhe foram apresentados ( discrimina-se quais sejam). Em seguida, passando os peritos a dar cumprimento à diligência, depois dos exames necessários, declararam que os referidos objetos tinham, respectivamente, o valor parcial de ............., importando o valor total dos mesmos em ................ E foram esta as declarações que em sua consciência, debaixo do compromisso prestado, fizeram. E por nada mais haver, deu-se por finda a presente avaliação, lavrando-se este auto, que, depois de lido e achado conforme, vai assinado pelo encarregado do inquérito, peritos e testemunhas referidas, e por mim F.........., servindo de Escrivão, que o escrevi. ______________________________ (Encarregado do IPM) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Perito) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Escrivão) AUTO DE AVALIAÇÃO INDIRETA Aos .................dias do mês de ........................ de 20............, nesta cidade de ..............., no Quartel do .............., presentes ..........(nomes e postos).............. peritos nomeados pelo Sr. Encarregado do IPM, a fim de procedermos à avaliação indireta de ...............(dizer qual o bem)............ que segundo nos informaram............... (os peritos podem ouvir pessoas que conheceram o objeto, lançando o nome dessas pessoas no laudo e o que elas disseram) e depois de .................(examinar objetos idênticos e nas mesmas circunstâncias ou outra qualquer diligência, como a de saber o preço do mercado, enfim qual a diligência feita para justificar o valor da avaliação)............... avaliaram em ........(se for mais de um objeto, dizer o valor de cada um e a soma, por extenso e em algarismos) ............. Foram estas as declarações que, em sua consciência e debaixo do compromisso prestado, fizeram. E, por nada mais haver, deu-se por finda a presente avaliação, lavrando-se este laudo que vai por nós, peritos, assinado. ....................................................... Posto e nome do Perito ...................................................... Posto e nome do Perito LAUDO PERICIAL DE ACIDENTE DE TRAFEGO No .......... Aos ............. dias do mês de .............. do ano de ............ nesta cidade do .......... Estado do ................. no .........(dizer o local onde deverá ser realizada a perícia)........., foram designados peritos pelo Sr. ............ os Oficiais ............. e para procederem a exame pericial em local de acidente de tráfego. HISTÓRICO Às ........horas do dia ......... do mês de ............... do ano de .............. cumprindo determinação do Sr. .............. (autoridade que designou os peritos)............ , os Peritos credenciados abaixo firmados compareceram à ............(local de acidente) ............., a fim de realizarem os exames que adiante relatam e assinam. EXAMES a) DO LOCAL – O acidente ocorreu na .............., no cruzamento com a ............, sendo ambas as vias, no local considerado, não pavimentadas a asfalto, sendo que a ............... composta de mão dupla de direção no sentido de .............. e vice-versa, com refúgio ao .......... e a rua ..........., mão única no sentido de ............. a ............ . b) DOS VEÍCULOS – No local descrito acima, com sua frente orientada no sentido de .............., via-se a viatura ........(característica) ........ do .......... (OPM ou Repartição a que pertence) ......... e na rua ........ com sua frente orientada no sentido da ............ para ..............., via-se a viatura ........... (característica) ......... do .................(OPM ou Repartição a que pertence). c) DAS AVARIAS – A viatura ........... (característica)............. de ................(OPM ou Repartição a que pertence) . .......... sofreu avarias no seu setor dianteiro, e a viatura ......... (característica)........ do ........... (OPM ou Repartição a que pertence).............. no setor lateral direito. Para apurá-la em profundidade, os Peritos opinam por um Inquérito Técnico. . d) DOS MOTORISTAS – A viatura .............(característica)............ era conduzida pelo ........... e a viatura ............(característica)............ era conduzida pelo ......... e a viatura ...............(característica) ......... era conduzida pelo ..........., ambos habilitados com CarteiraNacional, Prontuários n.os........ e ........... respectivamente. . e) DOS ÓRGÃOS DE COMANDO – Os órgãos de comando da viatura...........(característica)......... encontravam-se articulados a atuantes, o que não pôde ser verificado na viatura ..........(característica)........., em face das avarias. . f) DE OUTROS ELEMENTOS – 1. Por ocasião dos exames, a pista encontrava-se seca; 2. Não havia, no trecho considerado, qualquer obstáculo fixo ou móvel que concorresse para o acidente; 3. Visibilidade boa; 4. Cruzamento controlado por sinal luminoso que se encontrava atuante. . g) DO EVENTO – Tendo em vista os exames realizados no local, estudo das avarias e posição de repouso dos veículos, tentam estes peritos reconstruir a dinâmica do evento da forma que se segue: nos momentos em que aconteceu o acidente, a viatura ..........(característica)............... deslocava- se pela .........., no sentido.......... com a finalidade de atingir a rua ............; a viatura ...........(característica)........ deslocava-se pela mesma artéria no sentido ........... Ao atingir o cruzamento, a viatura ........... (característica)................ ingressou na rua............, sendo atingida no seu setor lateral direito pela viatura ...........(característica)................ . . h) ANEXO – Os peritos fazem anexar, ao presente Laudo, 4 (quatro) fotografias, assim discriminadas: Fotografia 1 – demonstra a posição da viatura (característica), com sua frente no sentido......... . Fotografia 2 – demonstra a posição da viatura (característica), com sua frente orientada no sentido da .......... . Fotografia 3 – demonstra as avarias na viatura (característica). Fotografia 4 – demonstra as avarias na viatura (característica). CONCLUSÃO Em face do exposto, são os peritos acordes em opinar pela prova testemunhal, considerando-se que o local é controlado por sinal luminoso. E como nada mais havia a relatar nem a examinar, foi encerrado o presente Laudo que foi feito pelos peritos que o subscrevem. ______________________________ (Nome completo e posto) (1o Perito) ______________________________ (Nome completo e posto) (2o Perito) OBSERVAÇÃO: As perícias quando realizadas por militares só poderão ser feitas por oficiais (Art. 48 do CPPM). DA PRISÃO O CPPM estabelece três tipos de prisão: . a) Prisão Provisória; . b) Prisão Preventiva; e . c) Prisão em flagrante. Prisão Provisória: O disposto no Art. 18 do CPPM prevê o prazo que o Encarregado do Inquérito pode dispor, durante as investigações, para manter detido o indiciado; contudo, essa detenção não é obrigatória. Deverá o Encarregado do IPM determinar a prisão do indiciado, exigindo-o a disciplina militar, quando se tratar de indivíduo perigoso, sem Ter fixa sua residência, vadio que estiver pondo em dificuldades a apuração dos fatos ou coagindo testemunhas, com fundamento no Art. 220 do CPPM. Se for preciso a manutenção do indiciado preso, essa prisão poderá ser prorrogada por mais 20 (vinte) dias, pelas autoridades constantes no referido Art. 18 ou pelo Secretário de Estado da Polícia Militar. No caso de prorrogação, esta deverá ser solicitada pelo Encarregado do IPM, antes do término dos 30 (trinta) dias. Sendo ainda necessária a prisão por tempo superior a 50 (cinqüenta) dias, o Encarregado deverá representar ao Juiz-Auditor, antes do término desse período, para que se decrete a prisão preventiva. Prisão Preventiva: É decretada pelo Juiz-Auditor a requerimento do Ministério Público ou mediante representação do Encarregado do IPM. Os Art. 254 e 255 do CPPM contém os requisitos a serem atendidos para a decretação da Prisão Preventiva. 1. Prova de fato delituoso. 2. Indícios de autoria por parte daquele contra ao qual se requer a prisão preventiva. 3. Garantia da ordem pública em consequência da periculosidade do indiciado, e 4. Interesse da hierarquia e disciplina militar. Ausentes os dois primeiros quesitos acima, de forma alguma poderá ser decretada a Prisão Preventiva. Deverá, ainda, o Encarregado juntar à sua representação os documentos necessários que comprovem os quesitos 1 e 2. PRISÃO EM FLAGRANTE A matéria será cuidada na parte de Auto de Prisão em Flagrante do delito lavrado por Autoridade Policial-Militar. PRISÃO PROVISÓRIA DESPACHO Seja recolhido à prisão o indiciado ......... (nome) ......... (se a prisão for realizada fora do quartel: Designo o ..........(posto e nome)......... para executar a prisão). Expeça, o Sr. Escrivão, o respectivo mandado de prisão. Rio de Janeiro, ........de.....................de 20........... MANDADO DE PRISÃO (Durante as Investigações Policiais) .......(autoridade que for) manda, na forma da lei, seja preso e recolhido à prisão militar e com fundamento nos Art. 18 e 220 do CPPM, o ........(nome do indiciado, posto ou graduação se tiver), contra quem se estão procedendo as investigações policiais para apurar o fato..........(narra-se sucintamente o fato), cuja autoria lhe é atribuída. Designo executor da Prisão ........(nome, posto/graduação, RG). Local, data e assinatura da autoridade que determina a prisão. OBSERVAÇÕES a) O Encarregado do Inquérito poderá manter incomunicável o indiciado que estiver legalmente preso, por três dias no máximo (Art. 17 de CPPM); REVOGADO O STF editou a seguinte Súmula Vinculante sobre o assunto: SÚMULA VINCULANTE no 14 “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados91 em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. ” Desta forma, tem-se que o art. 16 em questão não foi totalmente recepcionado pela CF/88, não havendo que se falar em sigilo e discricionariedade do encarregado do IPM. ART. 17 DO CPPM: INCOMUNICABILIDADE DO PRESO Assim dispõe o art. 17 do CPPM: “Incomunicabilidade do indiciado. Prazo. Art. 17. O encarregado do inquérito poderá manter incomunicável o indiciado, que estiver legalmente preso, por três dias no máximo. ” Ocorre, entretanto, que tal incomunicabilidade é proibida ao Advogado do preso, nos termos do art. 7o da Lei no 8.906/94 (Estatuto da Advocacia): “Art. 7o São direitos do advogado: ... III - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis (grifo meu); ...” Vejamos a seguinte decisão do STJ sobre a restrição do Advogado em comunicar-se com seu cliente: “EMENTA: ADMINISTRATIVO - DIREITO DO PRESO - ENTREVISTA COM ADVOGADO - ESTATUTO DA OAB - LEI DE EXECUÇÕES PENAIS - RESTRIÇÃO DE DIREITOS POR ATO ADMINISTRATIVO - IMPOSSIBILIDADE. 1. É ilegal o teor do art. 5o da Portaria 15/2003/GAB/SEJUSP, do Estado de Mato Grosso, que estabelece que a entrevista entre o detento e o advogado deve ser feita com prévio agendamento, mediante requerimento fundamentado dirigido à direção do presídio, podendo ser atendido no prazo de até 10 (dez) dias, observando-se a 91. Ou seja, o Advogado somente terá acesso às investigações já documentadas nos autos do IPM. Contudo, tal prerrogativa não se estende aos atos que por sua própria natureza não dispensam a mitigação da publicidade, como por exemplos, futuras interceptações telefônicas, dados relativos a outros indiciados, investigações em andamento, etc. b) Independente do flagrante delito, o indiciado poderá ficar detido durante as investigações policiais, até 30 (trinta) dias, comunicando-se a detenção à autoridade judiciária competente (Art. 18 do CPPM) – prazo; CÉLIO LOBÃO (Direito Processual Penal Militar, 2009, p. 63) o encarregado do do inquérito poderá determinar a prisão provisória somente de militar, e nos crimes propriamente militares. A prisão é limitada a 30 dias, prorrogável por mais 20 dias pelo Comandante do DistritoNaval, da Região Militar ou Zona Aérea, conforme o caso. Segundo nosso entendimento, a própria autoridade autorizada pela Constituição para prender o militar, tem atribuição para prorrogar a medida coercitiva por ela decretada. A medida coercitiva será comunicada ao Juiz que, após ouvir o MP, relaxará a prisão se considerá-la ilegal. Havendo necessidade do recolhimento por mais tempo, além dos 50 dias, compete ao Juiz decretar a prisão preventiva, mediante representação do encarregado do inquérito ou a requerimento do MP, desde que atendidos os requisitos exigidos para a medida cautelar. Vedado ao encarregado do IPM, ou outra autoridade militar, determinar a prisão de civil, em qualquer hipótese, inclusive a do militar no crime impropriamente militar. Se o fizer, responderá por crime de abuso de autoridade (arts. 5.o, LXI, da CF, 18, 254 e 255 do CPPM). c) Recebendo o mandado, a autoridade competente publicará em Boletim tal medida, providenciando o Escrivão para juntar aos autos uma cópia autêntica do item do Boletim referente ao caso. d) O Encarregado do IPM encaminhará expediente (no caso, um ofício), acompanhado de três vias (o original e duas cópias) do mandado de prisão do indiciado. Das três vias, o original será devolvido, por ofício, ao Encarregado do IPM com o recibo datado e assinado pelo indiciado; uma via ficará em poder do indiciado e a outra, com a autoridade incumbida de manter o preso sob sua guarda. Recomenda-se a leitura dos seguintes artigos do CPPM: Parágrafo único do Art. 225 – Assinatura do mandado de prisão. Art. 237 - Entrega de preso. Formalidades e Recibo. Art. 238 - Transferência e recolhimento a prisão. Art. 239 - Separação de prisão. Art. 240 - Local de prisão. Art. 241 - Respeito à integridade e assistência do preso. Art. 242 - Prisão especial e prisão de praças. e) Para cumprimento do mandado de prisão, o encarregado do inquérito poderá emitir tantas vias quantas sejam necessárias, fazendo constar os seguintes requisitos: será lavrado pelo escrivão do inquérito – ou inclusive poderá haver um escrivão “ad hoc”, e assinado pelo encarregado. Designará, também, a pessoa à prisão com a respectiva identificação e moradia, se possível; mencionará o motivo da prisão e designará o executor da prisão. Assim acontecerá quando o encarregado do inquérito estiver em dúvida no que tange à localização da pessoa que ele pretende prender. Então, ele designará vários executores, a fim de ser procedida esta prisão, entregando a cada um dos executores uma das vias do mandado. f) Se capturado, por outro lado, estiver no estrangeiro – o que poderá acontecer, embora difícil – o encarregado do inquérito dirigir-se-á ao Ministro da Justiça, para que, através de via diplomática, sejam tomadas as providências cabíveis. g) O encarregado do inquérito não precisa de mandado de prisão nem do de busca e apreensão; e, inclusive, tem autoridade para proceder à prisão. Agora, se não for o próprio encarregado do inquérito, então o executor, para proceder à busca, se tiver fundadas razões para crer que o capturado se encontra homiziado na residência de alguém, terá inclusive que pedir ao encarregado do inquérito que expeça mandado de busca. Se, não obstante esse mandado, o dono da casa não quiser obedecer à ordem, o executor então convocará duas testemunhas e, sendo de dia, entrará à força na casa, arrombando-lhe a porta se necessário, e, sendo noite, fará guarda todas as saídas tornando a casa incomunicável, e, logo que amanhecer, arrombará a porta e efetuará a prisão. O morador que se recusar a entregar o capturando será levado à presença do encarregado para que contra ele se proceda, como de direito, se sua ação configurar infração penal. SEQUESTRO DOS BENS O Encarregado, no decorrer do inquérito, também poderá solicitar ao Auditor o sequestro dos bens adquiridos com os proventos do crime, desde que existam indícios veementes da proveniência ilícita dos bens e haja resultado, de qualquer modo, lesão a patrimônio sob a administração militar, mesmo que ditos bens já tenham sido transferidos a terceiros por qualquer forma de alienação, ou por abandono ou renúncia. SOLICITAÇÃO DE ARRESTO Poderá, ainda, solicitar ao Auditor o arresto, que é diferente do sequestro. O arresto se destina a reparação do dano causado pelo indiciado ao patrimônio sob administração militar, e poderá ser feito nos próprios bens do indiciado, pouco importante a origem dos mesmos, o que, como vemos, é diferente do sequestro. Neste, procura-se sequestrar as coisas adquiridas com os proventos do crime, e já no arresto, mesmo que a justo título o indiciado os tenha adquirido, desde que esses bens se façam necessários ara reparar o dano causado à administração militar, o encarregado do inquérito poderá solicitar o arresto, o que deverá ser feito, de preferência, em bens imóveis. Só mesmo se, face ao valor dos ditos bens, não corresponderem eles à estimativa dos danos causados ao patrimônio sob administração militar, poderá ser feito, também, o arresto de bens móveis, inclusive de saldos porventura existente em contas bancárias. Em qualquer hipótese – sequestro ou arresto – é necessário o pedido à autoridade judiciária competente, antes de concluído o IPM. Como exemplos de ato pratica do pelo indiciado, justificadores do sequestro de bens, entre outros, citamos os seguintes: Apropriação, pelo indiciado, de considerável quantia de uma OPM e a consequente compra, para si, ou terceiros, de imóvel, carro, etc. Os bens adquiridos resultaram do produto de infração penal, sujeitando-se ao sequestro. No arresto, os bens do indiciado (presumivelmente lícitos, legais) respondem pelo dano causado com a prática da infração penal ao patrimônio sob a administração militar. Ditas providências são ordenadas, sempre, pela autoridade judiciária competente e nunca pelo Encarregado do IPM, que as solicita, fornecendo os elementos necessários. O sequestro de bens do indiciado é solicitado pelo Encarregado à autoridade judiciária militar competente. O ofício é simples e explícito, instruído dos documentos e provas necessárias ao deferimento da medida. São autoridades judiciárias militares (Art. 2o Decreto-Lei n.o 1.003, de 21 de outubro de 1969 – Lei de Organização Judiciária Militar): a) o Superior Tribunal Militar; b) os Conselhos da Justiça Militar; c) os Auditores. MENAGEM Prisão, fora do cárcere, concedida a militares, assemelhados ou civis sujeitos à Justiça militar, que se obrigam, sob palavra, a permanecer no lugar indicado pela autoridade competente que a concede, seja a própria habitação, ou uma vila, cidade, navio ou fortaleza, onde eles podem transitar livremente. Of. PMERJ/OPM/SEI n.o 002/2015 Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2015. Exmo. Sr. Juiz-Auditor da ............ Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Av. Mal. Câmara, 370, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Ref.: Registro de Ocorrência no 901-01043/2014. Comunico a V. Exa. Que, com fundamento nos Art. 18 e 220 do CPPM, determinei a prisão provisória de ..............(nome) que figura como indiciado em IPM mandado instaurar pelo ..............(posto e função da autoridade). Outrossim, comunico que o referido indiciado já foi recolhido à prisão no dia ............... do corrente mês. Aproveito a oportunidade para apresentar a V. Exa. Protestos de estima e consideração. ______________________ Nome e Posto (Encarregado do IPM) OBSERVAÇÃO: O Ofício de verá ser enviado até 48 horas após a prisão. Se for determinada a prisão do indiciado por parte da autoridade instaurante do inquérito, far- se-á a alteração redacional no ofício de comunicação ao Auditor. Of. PMERJ/OPM/SEI n.o 003/2015 Rio de Janeiro, 06 de novembro de 2015. Para: Comandante da 2a UPP/16oBPM. De: Encarregado de IPM. Assunto: Prisão – COMUNICA Comunico a V. Sa. (ou V. Exa.) que determinei a prisão de ............(nome), quefigura como indiciado no IPM do qual sou Encarregado, sendo o mesmo recolhido à prisão no dia ............. do corrente. _________________________________ Nome e posto (Encarregado do IPM) PRORROGAÇÃO DESPACHO Seja oficiado ao Exmo. Sr. ...............(autoridade competente) solicitando prorrogação da prisão por mais 20 (vinte) dias, considerando a necessidade da manutenção do indiciado preso. Providencie o Sr. Escrivão. RJ, ....../........./20....... _________________________________ Nome e posto (Encarregado do IPM) CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 008/2015 Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2015. A sua Excelência o Senhor (autoridade competente) Av. Marechal Camara, 350, 10o andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Senhor (autoridade competente), Comunico a V. Exa. que.......(expor com detalhe o motivo de pedido de prorrogação) torna-se necessário seja mantido preso o indiciado.......(nome) que se encontra recolhido ao xadrez de .........desde........, de......., quando determinei sua prisão provisória. Solicito a V. Exa., com fundamento no Art. 18 do CPPM, seja prorrogado por 20 (vinte) dias de prisão do referido indiciado, a partir do dia ..... de ............de 20.....(dia seguinte ao que termina a prisão determinada pelo Encarregado do IPM). Respeitosamente, _________________________________ Nome e posto (Encarregado do IPM) OBSERVAÇÃO: A autoridade militar despachará no ofício: “Prorrogo a prisão por mais 20 (vinte) dias, a partir de ............ de ......... . Publique-se no Boletim e comunique-se ao. Encarregado do IPM”. CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 008/2015 Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2015. A sua Excelência o Senhor Dr. Juiz Auditor da AJMERJ. Av. Marechal Camara, 350, 10o andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Meritíssimo Sr. Juiz, Comunico a V. Exa. que o ......... (posto e função da autoridade) prorrogou por mais 20 (vinte) dias a prisão de .......(nome) que figura como indiciado em IPM do qual sou Encarregado. Aproveito a oportunidade para renovar a V. Exa. meus protestos de estima e consideração. Respeitosamente, ______________________ Nome e Posto (Encarregado do IPM) CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 008/2015 Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2015. A sua Excelência o Senhor Dr. Juiz Auditor da AJMERJ. Av. Marechal Camara, 350, 10o andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Meritíssimo Sr. Juiz, Comunico-vos que, nesta data, prorroguei a partir de ..........., (nome) que figura como indiciado no IPM do qual fostes Encarregado. Respeitosamente, _________________________________ Posto e nome da autoridade OBSERVAÇÃO Vide DA PRISÃO (PRORROGAÇÃO). DA LIBERDADE DO INDICIADO DESPACHO Considerando que não se faz mais necessária a prisão de .......(nome) determino seja posto em liberdade. Providencie o Sr. Escrivão as comunicações cabíveis. ______________________ Nome e Posto (Encarregado do IPM) Of. PMERJ/OPM/SEI n.o 003/2015 Rio de Janeiro, 06 de novembro de 2015. Para: (Posto e função). De: Encarregado de IPM. Assunto: Liberdade de indiciado Comunico-vos que, por despacho desta data, determinei fosse posto em liberdade ......(nome), que figura como indiciado em IPM do qual sou Encarregado. Solicito-vos providências no sentido de que seja posto em liberdade o referido indiciado que se encontra preso nessa Unidade à disposição deste Encarregado. _________________________________ Nome e posto (Encarregado do IPM) PMERJ/OPM/SEI n.o 008/2015 Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2015. A sua Excelência o Senhor Dr. Juiz Auditor da AJMERJ. Av. Marechal Camara, 350, 10o andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Meritíssimo Sr. Juiz, Comunico a V. Sa. (ou V. Exa.) que, nesta data, foi posto em liberdade .........(nome) que figura como indiciado em IPM do qual sou Encarregado. Aproveita a oportunidade para apresentar a V. Exa. meus protestos de estima e consideração. _________________________________ Nome e posto (Encarregado do IPM) CI.PMERJ/OPM/SEI n.o /2015. Rio de Janeiro, 26 de novembro de 2015. Para: (autoridade instaurante). De: Maj PM RG 63.361 Manuel Carlos PONTES de S. R. Filho - Enc. do IPM Assunto: Liberdade de indiciado Comunico a V. Sa. (ou V. Exa.) que foi posto em liberdade, nesta data, .........(nome) que figura como indiciado em IPM, do qual sou Encarregado, por não se fazer mais necessária sua prisão. Atenciosamente, _________________________________ Nome e posto (Encarregado do IPM) (PEDIDO DE PRISÃO PREVENTIVA) CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 008/2015 Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2015. A sua Excelência o Senhor (Aud. Ou Pres do Cons. Per. de Justiça). Av. Marechal Camara, 350, 10o andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Meritíssimo Sr. Juiz, Solicito que contra .........(nome, posto ou graduação e RG), indiciado em inquérito policial-militar, que mandei instaurar, como responsável por .......(descrever, resumidamente, os fatos), os quais são de natureza grave, se decreta a prisão preventiva, nos termos do art. 254 alínea “a” e “b” do CPPM, por ela ser de interesse da Justiça e necessária ao prosseguimento das diligências por prazo ao estabelecido no artigo ...... do mesmo Código. A medida ora solicitada tem como justificativa a periculosidade do indiciado, periculosidade que decorre das próprias circunstâncias em que foi perpetrado o crime ou a manutenção dos princípios hierárquicos, seriamente abalados pela conduta da indiciada, enfim, qualquer dos motivos enumerados no art. 255 dO CPPM. Apresento (reitero) a V. Exa. (ou V. Sa., conforme ao Auditor ou ao Presidente do Conselho) os meus protestos de estima e distinta consideração. (Seguem-se a assinatura e posto do Comandante, Diretor ou Chefe – ou o que for). OBSERVAÇÃO: Fora do flagrante delito, a prisão, antes da culpa formada, poderá ser ordenada em qualquer fase do processo, quando a ordem, a disciplina ou interesse da Justiça o exigir, ocorrendo em conjunto ou isoladamente as condições seguintes: . a) declaração de duas testemunhas, sob compromisso e de ciência própria, ou prova documental, de que resultem veementes indícios de culpabilidade; . b) confissões do crime. (PEDIDO DE PRISÃO PREVENTIVA) CI. PMERJ/OPM/SEI n.o 008/2015 Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2015. A sua Excelência o Senhor (Aud. Ou Pres do Cons. Per. de Justiça). Av. Marechal Camara, 350, 10o andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Meritíssimo Sr. Juiz, Solicito que contra .........(nome, posto ou graduação e RG), indiciado em inquérito policial-militar, que mandei instaurar, como responsável por .......(descrever, resumidamente, os fatos), os quais são de natureza grave, se decreta a prisão preventiva, nos termos do Art. 254 alínea “a” e “b” do CPPM, por ela ser de interesse da Justiça e necessária ao prosseguimento das diligências por prazo ao estabelecido no artigo ...... do mesmo Código. A medida ora solicitada tem como justificativa a periculosidade do indiciado, periculosidade que decorre das próprias circunstâncias em que foi perpetrado o crime ou a manutenção dos princípios hierárquicos, seriamente abalados pela conduta da indiciada, enfim, qualquer dos motivos enumerados no art. 255 dO CPPM. Apresento (reitero) a V. Exa. (ou V. Sa., conforme seja ao Auditor ou ao Presidente do Conselho) os meus protestos de estima e distinta consideração. (Segue-se a assinatura do Encarregado do Inquérito Policial-Militar). RESISTÊNCIA A PRISÃO EMPREGO DE FORÇA – AUTO DE RESISTÊNCIA Sendo comum a resistência à prisão, ocorrendo por vezes emprego de armas ou instrumentos perigosos por parte do infrator, disciplinou a legislação brasileira o necessário apoio legal à autoridade ou seu agente, ao encontrar resistência no momento da execução da medida prisional. Assim é que encontramos no Código de Processo Penal os seguintes preceitos:“Art. 284 – Não será permitido o emprego de força, salvo o indispensável no caso de resistência ou de tentativa de fuga do preso.” “Art. 292 – Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência, do que tudo se lavrará auto-subscrito também por duas testemunhas.” Também no Código de Processo Penal Militar encontramos amparo legal para a medida: “Art. 234 – O emprego de força só é permitido quando indispensável, no caso de desobediência, resistência ou tentativa de fuga. Se houver resistência da parte de terceiros, poderão ser usados os meios necessários para vence-la ou para defesa do executor e auxiliares seus, inclusive a prisão do ofensor. De tudo se lavrará auto subscrito pelo executor e por duas testemunhas.” Verificamos que é permitido o uso da força indispensável para defender- se ou vencer a resistência. Excesso arbitrário constitui a infração penal. OBSERVAÇÕES: a) O emprego de algemas deve ser evitado, desde que não haja perigo de fuga ou de agressão, por parte do preso, sendo que, de modo algum, será permitido nas pessoas referidas no art. 242 do Código Penal Militar o uso de algemas (Ministro de Estado, Presidente da República, Governadores, etc). b) O recurso da arma só se justifica quando absolutamente necessário para vencer a resistência ou proteger a incolumidade do executor da prisão ou da de auxiliar seu. c) Se o indiciado, sendo perseguido, passar a território de outra jurisdição, o executor deverá, conforme o caso, apresentar-se à respectiva autoridade civil ou militar perante a qual se identificará. A apresentação poderá ser feita após a diligência, se a urgência desta o exigir. Bol da PM no 027 – 12 Set 13 p. 30a33 Portaria conjunta Promotorias de Justiça AJMERJ e CInt/PMERJ n° 001/2013 Ementa: Normatiza a tramitação dos Inquéritos Policiais Militares concluídos e em andamento e determina a instauração de Inquérito Policia Militar para hipóteses de Auto de Resistência. (...) Art. 3o - A lavratura do Auto de Resistência junto a Polícia Civil ensejara a correspondente instauração do devido Inquérito Policial Militar, pelo órgão com atribuição, visando apurar a ocorrência, em tese, de crimes militares conexos ou não com o eventual crime doloso contra a vida. O AUTO DE RESISTÊNCIA deve ser lavrado pelo executor da prisão e assinado por duas testemunhas do fato. A seguir, deve ser apresentado à autoridade policial civil, caso não constitua crime militar. Sendo crime militar, deverá ser apresentado à autoridade militar competente. Em qualquer dos casos, pode também ser lavrado em presença de tais autoridades, nada impedindo que estas participem do AUTO. PRISÃO EM CUMPRIMENTO DE MANDADO AUTO DE RESISTÊNCIA Aos .......... dias do mês de ...... do ano de dois mil e .............., nesta cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro, na rua tal, número tanto (ou na rua tal, em frente ao número tanto; ou na rua X, da favela tal, próximo ao barraco tal), às ...........horas, em cumprimento ao mandado junto, expedido pelo Dr. Juiz de Direito da ........Vara Criminal (ou por quem for), intimei............., depois de me fazer bem conhecer e de lhe apresentar o mesmo mandado, a que se considerasse preso e me acompanhasse incontinenti. E porque não obedeceu, antes resistiu a prisão, havendo disparo sua arma de fogo contra mim e insistindo em continuar a faze-lo (relatar minuciosamente como se deu a resistência ativa), repeli, com o emprego dos meios necessários (dizer quais foram) esta resistência ativa, do que resultou a morte do criminoso (ou ferimento no criminoso). E para constar lavro o presente auto, que assino com as testemunhas da diligência .............. e ..........., residentes, respectivamente, na rua ........n.o ....... e na rua ...................no ........... ______________________________ (Executor) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) OBSERVAÇÃO: O policial deve ter presente que o local deve ser interditado e a arma do criminoso apreendida, com as devidas cautelas. Todas as medidas cabíveis devem ser tomadas imediatamente. Ver artigos 234 (CPPM) e 292 (CPP Comum). PRISÃO EM FLAGRANTE AUTO DE RESISTÊNCIA Aos .......... dias do mês de ......... do ano de dois mil e........, nesta cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro, na rua ...... n.o ....(ou na rua tal, em frente ao número tanto; ou na rua X, da favela tal, próximo ao barraco tal às .......horas, em serviço na área da ........... da Delegacia de Polícia (ou da Delegacia tal), encontrei.......... praticando a seguinte infração penal: ........(ou, em qualquer daquelas demais circunstâncias previstas no Art. 302, inciso II, III e IV Código Processo Penal, após cometer a seguinte infração penal .......). Identificando-me, dei-lhe vos de prisão e para que me acompanhasse incontinenti. E por que não me obedeceu, antes resistiu à prisão, havendo disparado sua arma de fogo contra mim, e insistindo em continuar a faze-lo (relatar minuciosamente como se deu a resistência ativa), repeli, com o emprego dos meios necessários (dizer quais foram), esta resistência ativa, do que resultou a morte do criminoso (ou ferimento no criminoso). E, para constar, lavro o presente auto, que assino com as testemunhas da diligência Fulano e Beltrano, residentes, respectivamente, na rua .................n.o ............. e na rua ................. no .............. ______________________________ (Executor) ______________________________ (Testemunha) ______________________________ (Testemunha) AUTO DE EXAME DE LOCAL DE CRIME Aos ........dias do mês de ........ de 20........, nesta cidade de ........ os infra- assinados ............ (posto e nome) peritos nomeados pelo ........(posto e nome), Encarregado do IPM, para proceder a exame no .........(lugar onde houver o crime) onde ocorreu...........(dizer o que: homicídio de, lesões corporais de ).........descrevendo, com verdade e com todas as circunstâncias, o que encontrarem, descobrirem e observarem. EXAME: a) DO LOCAL: (descrever com detalhes o local do crime, seja em quarto, rua ou campo aberto, os vestígios encontrados, projéteis, local onde a vítima foi atingida, onde caiu, onde foi encontrada, enfim, tudo que possa oferecer elementos para conhecimento da mecânica do crime, caso o cadáver tenha sido retirado pode ser feita a reconstituição); b) DO CADÁVER: (se ainda estiver no local, descrever minuciosamente a posição, inclusive dos membros, da cabeça, posição e orientação em relação a outros objetos, descrever o cadáver, vestes, idade aparente, as lesões apresentadas, inclusive orifícios nas vestes, etc., trajetória dos projéteis, se for o caso, etc.). DISCUSSÃO: (descrever como se teriam passado os fatos, tomando por base o acima descrito). CONCLUSÃO: (Nesta parte os peritos apresentam sua conclusão, isto é, se houve homicídio, suicídio, morte por fenômeno da natureza, etc). Nada mais havendo a declarar, foi lavrado o presente no qual são anexados ......... desenhos e ............. fotografias (ou só desenho ou só fotografia) que vão rubricados (as) por nós peritos. Do que, para constar, depois de lido e achado conforme, vai por nós, peritos, assinado. ______________________________ (Perito) ______________________________ (Perito) OBSERVAÇÃO: É conveniente a realização desse exame, instruído com fotografia ou gráficos, porque é de grande validade para a justiça e melhor esclarecimento do fato, devendo ser realizado na presença do indiciado e, se for o caso, da vítima. AUTO DE RECONSTITUIÇÃO Aos ........dias do mês de ............. do ano de 20........, no .......(local onde houve o crime), presente o .........(posto e nome), Encarregadodeste IPM, comigo ...........(posto ou graduação e nome), Escrivão, o indiciado............. (nome) e ...........(nome de outras pessoas que vão cooperar na reconstituição e o ofendido .........(nome) (caso esteja presente), procedeu à reconstituição dos fatos que estão sendo apurados neste IPM, segundo descrição do indiciado ....... e do ofendido ......... e (ou) as testemunhas ............ tudo de acordo com ....... fotografias e respectivas legendas, rubricadas pelo Sr. Encarregado, por mim Escrivão, pelo indiciado (se for o caso, pelo ofendido). Do que, para constar, lavrei o presente auto que vai assinado pelo Sr. Encarregado do IPM, pelo indiciado (e pelo ofendido ou testemunha) e por mim Escrivão, que o subscrevo. ______________________________ (Encarregado do IPM) (Nome e posto) ______________________________ (Indiciado) ______________________________ (Ofendido (se for o caso)) ______________________________ (Escrivão) (nome e posto ou graduação) OBSERVAÇÃO: Toda vez que, durante as investigações, pairar dúvidas quanto ao desenrolar dos acontecimentos, o Encarregado do IPM determinará (por despacho) que seja reconstituído o evento, em sua presença e do Escrivão, fotografando, para melhores resultados. LAUDO DO EXAME DE EMBRIAGUEZ Aos............dias do mês de ........... de 20.... nesta cidade de ............., no local de ............(ou outro local) os infra-assinados ...............(posto e nome) e ...............(posto e nome) peritos nomeados pelo ........(posto e nome), Encarregado do Inquérito, para proceder exame de embriaguez em ........ e responder aos quesitos seguintes: PRIMEIRO: O paciente apresentado a exame está embriagado? SEGUNDO: No caso afirmativo, que espécie de embriaguez? TERCEIRO: No estado em que se acha, pode pôr, o mesmo, em risco a segurança própria ou alheia? QUARTO: É possível determinar se o paciente se embriaga habitualmente? QUINTO: No caso afirmativo, qual o prazo, aproximadamente, em que de ficar internado para necessária desintoxicação? Em seguida, passaram a fazer os exames que julgaram necessários, concluído os quais declararam o seguinte: HISTÓRICO: Às.........horas foi encontrado em aparente estado de embriaguez, nas condições seguintes: ..........(dizer como foi encontrado). DESCRIÇÃO: marcha; equilíbrio estático; orientação; memória; pensamento; coordenação motora; pulso com b. p. m.; hálito etílico; conjuntiva; pupilar; estacional; elocução; mais o seguinte (expor o que couber). DISCUSSÃO: ..........(expor o que achar necessário). CONCLUSÃO: .....(o que concluíram). Em seguida, passaram a responder os quesitos: Quanto ao primeiro (resposta); quanto ao segundo (resposta); quanto ao terceiro (resposta); quanto ao quarto (resposta); quanto ao quinto (resposta); E foram estas as declarações que, em sua consciência e debaixo do compromisso prestado, fizeram, lavrando o presente, que vai assinado por nós .............. e ............... peritos. ______________________________ (Perito) ______________________________ (Perito) CONCLUSÃO Terminadas as diligências, o Escrivão fará uma “conclusão” conforme o modelo já descrito, ao Encarregado de Inquérito para que este faça o relatório. RECEBIMENTO Aos.......dias do mês de ............ de 20........ nesta cidade de ............, no Quartel de .........., recebo do Sr. Cap. ............(Encarrega do Inquérito) os pressentes autos e o Relatório que se segue; do que, para constar, lavrei este termo. Eu, ...........(nome, posto ou graduação e RG), servindo de Escrivão, o subscrevi. ______________________________ (Escrivão) (retirado na 2ª Edição) OBSERVÇÃO: Recebendo, novamente, os autos com o relatório, entregues pelo Encarregado do Inquérito, o Escrivão fará um termo de “Recebimento”. RELATÓRIO Examinando-se atentamente o presente Inquérito Policial-Militar, verifica-se que ..............(descrever detalhadamente as conclusões do Inquérito, considerando sempre a necessidade de constar o dia, hora, autor, o instrumento do crime, seu resultado, as testemunhas, os motivos; se possível, ainda esclarecer se tal motivo foi torpe, no cumprimento do dever legal, se em legítima defesa, se por relevante motivo de valor social e moral, se decorrente de anomalia mental, enfim o motivo do crime, o ofendido ............ (pessoa ou coisa) e as consequências. Do exposto conclui-se .....................(descreve-se, sucintamente, a conclusão a que se chega, os elementos em que se baseie para tal). E como o fato apurado neste Inquérito constitui (ou não constitui) crime da competência da Justiça Militar (ou comum) (e/ou transgressão da disciplina militar), sejam estes autos encaminhados ao Sr. .............(autoridade que determinou a abertura do IPM), a que incumbi solucioná-lo e remete-lo à autoridade judiciária competente, para os devidos fins, conforme preceitua o artigo 23 do CPPM. (Local e data) ........de .........de 20............ ______________________________ (Assinatura do Encarregado) RELATÓRIO (2ª Edição) DA ORIGEM O presente Inquérito Policial Militar foi instaurado pelo senhor coronel comandante do XXº BPM, com o escopo de apurar a possível ocorrência do Art. 209 do Código Penal Militar em consequência de disparo de arma de fogo, em tese, efetuado por policiais militares do XXº BPM no curso de operação policial militar realizada às ______ (hora do fato) do dia _______( data do fato), no ___________ (descrição do local), vindo a atingir a perna direita do nacional Túlio Inocêncio Júnior. DAS PROVIDÊNCIAS Documentos reunidos: ● Cópia da escala de serviço do dia ______ (fls. _____) ● Cópia da Ordem de Operações nº ________ (fls. _____) ● Cópia do LPD da RUMB _________ (fls. _____) ● Cópia do BAM _________ (fls. _____) ● (...) Depoimentos colhidos: ● Testemunha ________ (fls. ______) ● Testemunha ________ (fls. ______) ● (...) DA ANÁLISE Dos documentos Constatou-se que no dia dos fatos a guarnição composta pelos __________, cumpria a Ordem de Serviço nº ___________… Além disso…. Dos depoimentos Os depoimentos se apresentam convergentes no sentido de …. A versão de _____ foi confirmada por _______, embora ________. DA CONCLUSÃO 1. Há indícios de cometimento de crime de natureza militar, praticado pelo ________, uma vez que durante execução de seu serviço efetuou disparo de arma de fogo… 2. Há cometimento de transgressão disciplinar praticada por ________, pelo fato de ter… 3. Não há indícios de cometimento de crime de qualquer natureza ou transgressão disciplinar por parte de ___________ 4. Há a necessidade de investigação em procedimento apuratório distinto, uma vez que não guardam relação direta com os fatos citados na portaria de instauração deste IPM, a fim de se apurar os fatos narrados nas folhas ___________. 5. Sejam os presentes autos remetidos ao senhor coronel comandante do XXº BPM a quem cumpre solucionar. Rio de Janeiro, _________________________. Nome completo e posto Encarregado Id. REMESSA Aos .........dias do mês de .......... de 20........, nesta cidade de ..............., no Quartel do .............. faço remessa destes autos ao Sr. ...........(autoridade que determinou a abertura do inquérito); do que, para constar, lavrei o presente termo. Eu, ............(nome, posto ou graduação e RG), servindo de Escrivão, o subscrevi. ______________________________ (Nome, posto ou graduação e RG Serv. Escrivão) OBSERVAÇÃO: Anexado o Relatório aos autos, fará o Escrivão, logo após, este termo de “Remessa”. (CI DE REMESSA) CI.PMERJ/CPP/IPM n.o /2015. Rio de Janeiro, 26 de novembro de 2015. Para: Comandante do........ De: (Encarregado do IPM) Assunto: Remessa de Autos - FAZ Como o presente, remeto-vos, para os devidos fins, o inquérito Policial- Militar que procedi de acordo com a ordem .......(Ofício, Portaria ou o que for) constante da fls ........ dos referidos autos.._________________________________ (Cap. Encarregado do IPM) OBSERVAÇÃO: Ordem de Serviço n.o 002 das promotorias de justiça junto à AJMERJ – Art. 1.o - Está terminantemente vedada a tramitação, no âmbito das Promotorias de Justiça junto à Auditoria Militar do estado do Rio de Janeiro, de qualquer pedido, requerimentos ou representações não devidamente juntadas e autuadas aos autos de seus respectivos Inquéritos Policiais, bem como, quaisquer documentos não devidamente juntados aos autos ou afixados à capa ou contracapa destes. (BDR da PM n.o 129 – 21Jul14) Os autos serão remetidos juntamente com um ofício assinado pelo Encarregado do Inquérito à autoridade que o mandou proceder, nestes termos: (MODELO DE SOLUÇÃO DE IPM INSTAURADO PELO COMANDANTE-GERAL) POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RI DE JANEIRO DIRETORIA GERAL DE PESSOAL DPA – SJD Nota no ............, de ......./......../20..... IPM – Solução – Remessa Ref. Protocolo no .......... – SJD no ............ Encarregado: .........(posto, RG e nome) Em solução ao IPM supra, instaurado por determinação deste Comandante Geral, no qual figura (m) como indiciado (s) o (s), RG, posto ou graduação, ou nomes se for civil e ofendido (s)............... para apurar............ (resumir sucintamente o assunto em apuração, mencionando local, hora , dia, mês e ano) verifica-se que o fato apurado constitui ...........(Crime Comum ou Militar e transgressão da disciplina ou somente transgressão da disciplina ou Acusação Improcedente), razão por que resolvo: ....................; ....................; 3) Remeter os presentes autos de IPM ao MM Sr. Doutor Juiz Auditor de Justiça Militar deste Estado, de acordo com o Art. 23 do CPPM. Publique-se em Bol. da PM. Quartel-General, em...........de...........de 20......... _______________ (Cmt. Geral) (MODELO DE SOLUÇÃO DE IPM AVOCADO PELO CMT GERAL) POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RI DE JANEIRO DIRETORIA GERAL DE PESSOAL DPA – SJD Nota no ............, de ......./......../20..... IPM – Solução – Avocação – Remessa Ref. Protocolo no .......... – SJD no ............ Encarregado Pela conclusão de diligências policiais a que se procedeu, no qual figura (m) como indiciado (s) os .......(posto ou graduação, RG e nome (s) os ........ (posto, graduação, RG e nome) para apurar (narrar sucintamente o assunto em apuração, mencionando local, hora, dia, mês e ano), verifica-se que o fato apurado constitui ..........(crime Comum ou militar ou Acusação Improcedente ou somente transgressão da disciplina), razão por que este Comando Geral avoca a solução daquele Encarregado e resolve: 1)....................; 2)....................; 3)....................; 4) ...... Remeter os presentes autos de IPM ao MM Sr. Doutor Juiz Auditor da Justiça Militar deste Estado, de acordo com o Art. 23 do CPPM. Publique-se em Bol. da PM. Quartel-General, em...........de...........de 20......... _______________ (Cmt. Geral) OBSERVAÇÃO: “Discordando da solução dada ao inquérito, a autoridade que o delegou poderá avoca-lo e dar solução diferente”. Em qualquer circunstância, a autoridade militar não poderá arquivar os autos do IPM, embora conclusivos da inexistência de crime ou de infração disciplinar a punir, nos termos do Art. 24 do CPPM. Os autos do IPM, seja qual for a conclusão, mesmo de tratar-se de crime comum, devem ser remetidos à Autoridade da Justiça Militar correspondente, à qual caberá decidir qual das hipóteses se verificou, tipificando o crime ou julgando se incompetente com a remessa à autoridade judiciária competente. Convém salientar que os instrumentos do crime e os objetos que interessem a sua prova acompanham os autos do IPM, quando remetidos à Justiça Militar (Art. 23 do CPPM). Ressalvadas a coisa julgada e a extinta da punibilidade (Art. 25 do CPPM), o arquivamento do IPM não impede a instauração de outro inquérito se surgirem fatos novos. Recomenda-se a leitura dos Arts, 22 a 25 do CPPM. (MODELO DE SOLUÇÃO DE IPM DADA PELO CMT DA Uop) SOLUÇÃO Pela conclusão das diligências policiais a que procedeu, verifica-se que o (s) ................(fato apurado) constitui (em)..................(Crime Comum ou Militar, Transgressão da Disciplina Militar ou Acusação Improcedente), praticado (s) pelo (s) ...........(posto ou graduação, RG, nome (s) do (s) indiciado (s), contra ...........(narrar o fato em apuração sucintamente, indicando local, hora, dia, mês e ano), razão pela qual este Comando resolve: . 1) ....................; . 2) ....................; . 3) ....................; . 4) ....................; . 5) Remeter os presentes autos de IPM ao MM Sr. Doutor Juiz Auditor de Justiça Militar deste Estado, de acordo com o Art. 23 do CPPM. Publique-se em Boletim Interno. Quartel à rua................ (Cmt. da Unidade) LEITURA DE ARTIGOS DO CPPM RECOMENDADOS: - Providencias preliminares à instauração do IPM – Art. 12 do CPPM. Medidas processuais após à instauração do IPM – Art. 13 do CPPM. - Assistência do Procurador (Promotor de Justiça) – Art. 14 do CPPM. Observância de normas do processo judicial na apuração do fato delituoso. - Requisição de perícias e exames – Art. 321 do CPPM. - Suprimento de laudo – Art. 323 e parágrafo único do CPPM. - Infração que deixa vestígio – Art. 328 e parágrafo único do CPPM. Oportunidade do exame – Art. 329 do CPPM. Exame dos crimes contra a pessoa – Art. 330 do CPPM. - Exame dos instrumentos do crime – Art. 345 do CPPM. - Falta de comparecimento de testemunhas – Art. 347 e parágrafo 2o X Art. 301 do CPPM. - Requisição de militar ou de funcionário – Art. 349 do CPPM. - Dispensa de comparecimento de testemunhas – Art. 350 do CPPM. - Obrigação e recusa de depor – Art. 354 do CPPM. Proibição de depor – Art. 355 do CPPM. - Manifestação de opinião pessoal – Art. 357 do CPPM. - Precatória à autoridade militar – Art. 361 do CPPM. - Admissão da acareação – Art. 365 do CPPM. - Reconhecimento de pessoa e coisas – Art. 368 do CPPM. - Exame pericial de letra e de firma – Art. 377 do CPPM. - Relatório do IPM – Art. 22 do CPPM. - Prazos para o término do IPM – Art. 20 e parágrafo 1o do CPPM. - Início da contagem do prazo para a conclusão do IPM – A data da portaria de instauração do encarregado e não do ofício ou portaria da autoridade delegante. (Comentário n.o 2, fl. 3 do “Exemplo Prático de IPM; Min. Ex., Cmdo. Do Ex, Vol 2, Ed. 1976). RESUMO DO INQUÉRITO POLICIAL MILITAR Dispositivo legal: do art.9o ao 28 do CPPM. Quem pode proceder: Oficial da PM, de preferência CAP PM, podendo ser nomeado escrivão TEN PM ou SGT e SUBTEN PM. Prazo para sua confecção: 20 dias (réu preso); 40 dias (réu solto); cabendo neste último caso ser prorrogado por mais 20 dias, a critério da Autoridade de Polícia Judiciária Militar. Cabe ao Encarregado do IPM e à Autoridade delegante nomear o Escrivão do IPM (art.11 do CPPM). Tem início com a Portaria (art. 10 do CPPM). Se o infrator tem precedência hierárquica perante o Encarregado, julgar-se-á este incapaz, declinando sua competência para prosseguir nas investigações. Será feito um relatório à autoridade delegante informando tal situação. Providências relativas ao Encarregado (art. 13 do CPPM): 1. Ouvir o ofendido; 2. Ouvir o indiciado; 3. Ouvir testemunhas; 4. Proceder ao reconhecimento de pessoas, coisas e acareações; 5. Determinar perícias; 6. Proceder a buscas e apreensões; 7. Reconstituição dos fatos. O IPM é sigiloso, no entanto, o advogado das partes podem ter acesso aos autos, de acordo com a Súmula Vinculante no 14, do STF. O Encarregado do IPM, de ofício, poderá solicitar ao Juiz Auditor competente a prisão preventiva do indiciado, se houver reais indícios de que o mesmo cometeu o fato delituoso a ser apurado. A oitiva das partes envolvidas no IPM deverão ser ouvidas entre 07:00h e 18:00h, e não poderá ter duração superior a 04 (quatro) horas (art. 19 CPPM). Os autos do IPM, após a solução dada pelaAutoridade de Polícia Judiciária Militar, serão encaminhados ao Juiz Auditor competente (art. 23 CPPM). A APJM não poderá arquivar o IPM (art. 24 CPPM). No entanto, seu arquivamento não impede a instauração de outro. Se o fato apurado tiver sido devidamente instruído pelo Auto de Prisão em Flagrante, não há a obrigatoriedade de se instaurar IPM, bem como, em alguns casos, o IPM poderá ser dispensado, nos casos em que o fato tiver sido esclarecido por outro documento, nos crimes contra a honra e nos crimes previstos no art. 341 e 349 do CPM. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO IPM Forma por excelência. Sigiloso. Administrativo. Iniciado, não pode ser arquivado a não ser no Judiciário. Encarregado no mínimo Capitão* Prazo de 20 dias se o indiciado preso. Prazo de 40 dias se o indiciado solto. Dispensável se no APFD for suficiente para a elucidação do fato e sua autoria. REMESSA DE AUTOS AO MINISTÉRIO PÚBLICO/AJMERJ VIA CGIPM/SACPP DETERMINAÇÃO Bol da PM n.o 179 - 25 SET 2003 Este Corregedor determina aos Chefes da SsJD que a partir da presente data, ao providenciarem a remessa de autos ao Ministério Público via CGIPM/SACPP, obedeçam à seguinte normatização: 1 - Em conformidade com o art. 21 do CPPM, todas as peças do inquérito ou de outro procedimento apuratório serão, por ordem cronológica, reunidas num só processado e digitadas, em espaço dois, com as folhas numeradas e rubricadas pelo escrivão, exceto a capa com a autuação; 2 - A remessa de Inquérito Policial Militar, depois de solucionado, deverá ser realizada de acordo com as IRRGPGJ no 971, públicas em Bol PM no 083 de 07 de Maio de 2001, alteradas pelo constante no Bol PM no 154 de 16 de Agosto de 2001; 3 - No ato do envio, a SsJD deverá observar a correta amarração dos autos, a sua numeração, bem como se o verso de todas as folhas encontra-se inutilizado por um traço transversal; 4 - Todos os ofícios originais de remessa dos autos ou de promoção do Ministério Público deverão ser inseridos nos mesmos, observando-se o constante no art. 21 do CPPM; 5 - A SsJD deverá controlar os prazos quando houver requisição de diligências complementares pelo Ministério Público, informando a CGIPM/SACPP quando ocorrer prorrogação; 6 - No caso de movimentação do encarregado de procedimento instaurado pelo Cmt da OPM, a SsJD deverá providenciar a sua substituição de acordo com o previsto no art. 7o, letra h, § 1o do CPPM; 7 - Para o IPM que retornar ao encarregado por requisição do Ministério Público sem mencionar expressamente o lapso temporal em que devam ser realizadas as diligências, o prazo máximo para o cumprimento será de 40 dias, computados do recebimento dos autos, conforme ofício 136/MP/AJMERJ/2003; 8 - Em nenhuma hipótese serão remetidos autos sem a devida solução do procedimento, principalmente em caso de Inquérito Policial Militar; 9 - Na hipótese de não serem concluídas todas as diligências policiais no prazo máximo legal, o encarregado elaborará o relatório mencionando tudo que foi possível apurar até aquele momento, opinando pelo retorno dos autos para prosseguimento das investigações ou diligências ainda não realizada, o que não significa interrupção das providências faltantes, as quais deverão continuar até o retorno dos autos; 10 - Os termos de recebimento, certidão, conclusão e juntada, deverão ser lavrados na mesma face da folha sempre que houver espaço disponível; 11 - Sempre que o fato ilícito deixar vestígios deverá ser solicitado o exame pericial do local ou coisa arrecadada; e 12 - Nos casos de danificação, destruição, violação, rompimento de obstáculo, escalada ou subtração não se dispensará o exame pericial de avaliação direta ou indireta, respectivamente, conforme arts. 341, 342 e seu parágrafo único, do CPPM. (Nota no 3255 - 25 Set 03 - CGIPM) COLETÂNEA DE PUBLICAÇÕES REFERENTES À INQUÉRITO POLICIAL MILITAR Boletim Assunto Bol PM n.o 163 de 14Out1983 Modifica o Manual de Inquérito Policial Militar e Auto de Prisão em Flagrante – Determinação para sua impressão na PMERJ Bol PM n.o 246 de 28Dez1984 Procedimento em IPM, Sindicância e Averiguação – Determinação Bol PM n.o 233 de 11Dez1989 Indiciamento de civis em IPM instaurado na Corporação – Impossibilidade - Recomendação Bol PM n.o 113 de 22Jun1993 IPM, Sindicância, Averiguação, CD e CRD – Recomendações aos membros e encarregados – Consulta aos cadernos de polícia sobre investigação criminal e técnica de interrogatório Bol PM n.o 002 de 03Jan1997 Prorrogação de prazo – Itens a serem mencionados no ofício de solicitação ao Ministério Público – Determinação Bol PM n.o 062 de 14Set2000 Ofício da AJMERJ n.o 4647/2000 sobre troca de tiros e auto de resistência – Crimes dolosos contra a vida praticados contra civil – Instauração de Averiguação Bol PM n.o 047 de 12Mar2001 Ofício n.o 030/AJMERJ/2001 – Remessa de IPM, Averiguações, Sindicâncias e Autos de deserção (IPD) ao MP/AJMERJ Bol PM n.o 075 de 23Abr2001 Ofício do MP da AJMERJ n.o 44/2001 sobre troca de tiros e auto de resistência - Crimes dolosos contra a vida praticados contra civil – Instauração de Averiguação Bol PM n.o 083 de 07Mai2001 Instruções reguladoras relacionadas à Resolução n.o 971/2001 da PGJ e ofício n.o 030 da AJMERJ Bol PM n.o 154 de 16Ago2001 Instruções reguladoras relacionadas à Resolução n.o 971/2001 da PGJ e ofício n.o 030 da AJMERJ – alteração do artigo 4o Bol PM n.o 197 de 18Out2001 Crime militar – Instauração de IPM – Súmula n.o 06 do STJ derrubada pela 1a Turma do STF Bol PM n.o 138 de 30Jul2003 Provimento n.o 01/2003 da AJMERJ – Ações a serem adotadas pelos Encarregados de procedimentos investigatórios quando se depararem, no curso desses procedimentos, com indícios de crime militar Bol PM n.o 179 de 25Set2003 Remessa de autos ao Ministério Público/AJMERJ via CGIPM/SACPP – Determinação Bol PM n.o 051 de 19Mar2004 Ofício n.o 793/2004 da AJMERJ – Apontamentos sobre interceptação de comunicações telefônicas e dados Bol PM n.o 060 de 27Out2004 Instauração de IPM, Sindicância e Averiguação – casos de atribuição do Comandante Geral – republicação Bol PM n.o 076 de 23Nov2004 Envio de autos ao Ministério Público/AJMERJ via CIntPM/SACPP – determinação Bol PM n.o 015 de 25Jan2005 Ofício n.o 001/MP/AJMERJ/2005 – Pedido de prorrogação de prazo de IPM ao M.P. e pedido de medidas cautelares Bol PM n.o 067 de 14Abr2005 Decisão do STJ – sigilo do IPM – acesso pelo advogado Bol PM n.o 063 de 05Abr2006 Instauração de IPM, Sindicância e Averiguação – Casos de atribuição do Comandante Geral – Republicação Bol PM n.o 110 de 19Jun2006 Comparecimento de testemunhas para oitiva em inquérito policial militar (IPM) – Condução coercitiva – Procedimentos – Determinação Ref.: CIntPM no 10463/2006 Bol PM n.o 150 de 15Ago2006 Instauração de IPM – Atribuição de Comandantes, Chefes e Diretores de OPM – Orientação e determinação Bol PM n.o 059 de 29Mar2007 Instauração de IPM – Atribuição de Comandantes, Chefes e Diretores de OPM – Orientação e determinação – Republicação Bol PM n.o 177 de 24Set2007 Condução coercitiva de testemunha – Entendimento do MP/AJMERJ – ofício n.o 243/MP/AJMERJ/2007 BolPMn.o189– 10Out2007 Ofício n.o 244/AJMERJ/2007 – esclarecimento sobre a condução de indiciados, vítimas e testemunhas, civis ou militares, para prestarem depoimentos Bol PM n.o 053 de 18Abr2008 Ofício n.o 161/2008 da AJMERJ – Local de entrega dos pedidos de quebra de sigilo Bol PM n.o 054 de 24Abr2008 Ofício n.o 161/2008 com o Aviso n.o 234/2007 da AJMERJ sobre pedidos de quebra de sigilo – Republicação Bol PM n.o 080 de 05Jun2008 IPM – Confecção – Determinação aos Encarregados quanto aos erros mais comuns encontrados em IPM Bol PM n.o 138 de 26Ago2008 Acréscimo de informações pessoais em depoimentos em sede de IPM – ofício n.o 032/2008/GAB – AJMERJ Bol PM n.o 029 de 17Ago2009 MP/AJMERJ – Direito Constitucional- Condução coercitiva de testemunhas no IPM – monografia CAO 2008 BDR PM no 026 de 05Out2009 Padronização de procedimentos referentes a Deserção – ofício n.o 247/1aPJ/AJMERJ/2009 Bol PM n.o 179 de 24Set2012 Resolução GPGJ n.o 1.732, de 30 de março de 2012 – Criação da 3a Promotoria de Justiça junto à AJMERJ e Distribuição concorrente dos feitos Bol PM n.o 060 de 03Abr2013 Nota de Instrução n.o 003/2008 – Regula os procedimentos a serem adotadas na PMERJ quanto a solicitação de exames periciais de natureza castrense ao CCrim - Republicação BDR PM n.o IPM – APF – Atribuição dos Comandantes, Chefes e Diretores 023 de 06Set2013 de OPM – Orientação e Determinação Bol PM n.o 027 de 12Set13 Transcrição da Portaria conjunta Promotoria de Justiça AJMERJ e CInt/PMERJ n.o 001/2013 – Normatiza a tramitação dos IPM concluídos e em andamento e determina a instauração de IPM para as hipóteses de Auto de Resistência. BDR PM n.o 036 de 25Set13 Corregedoria Interna da Polícia Militar – Procedimentos para convocação de integrantes da Polícia Civil para oitivas - Determinação BDR PM n.o 057 de 24Out13 CIntPM – prazos solicitados e concedidos pelo MP/AJMERJ - esclarecimentos BDR PM n.o 129 de 21Jul14 Ordem de Serviço n.o 002 das Promotorias de Justiça junto à AJMERJ – Veda a tramitação de requerimentos avulsos e IPMs com folhas afixadas à capa e contracapa. Bol PM n.o 107 de 12Jun17 Procedimentos Administrativos a cargo dos Chefes da P/1 e funções similares - determinação - republicação BolPM n.o 161 de 29Ago17 Normatização de Tramitação de Procedimentos em sede das Promotorias de Justiça junto à Auditoria de Justiça Militar - Transcrição Bol Pm n.o 192 de 17Out17 Corregedoria - Centro de Criminalísta Cel PM LUIZ VALDEMAR XAVIER (CCRIM) - Orientações para Acionamento do CCRIM - Publicação Bol Pm n.o 192 de 17Out17 Corregedoria da Polícia Militar = Alteração no Código Penal Militar - Art. 9.o - Orientação - Publicação Bol PM n.o 196 de 23Out17 Corregedoria da Polícia Militar - Recomendação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro - Publicação Bol PM n.o 014 de 22Jan18 Corregedoria Interna - Recomendação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro - Publicação Bol PM n.o 173 de 03Dez18 Normas para solicitação de dados de usuários de redes sociais por encarregados de IPM - Publicação Bol PM n.o 190 de 28Dez18 Portaria PMERJ n.o 984 de 28Dez18 - Publicação (Manual de IPM e APFD TITULO II O AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO CAPÍTULO 6 DA PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO 1. Considerações iniciais Origem da palavra flagrante O termo flagrante provém do latim flagrare, que significa queimar, arder, que está Crepitando. É o crime que ainda queima, isto é, que está sendo cometido ou acabou de sê lo. Desta forma, em sentido figurado, o que está a queimar, crepitar, é o que está acontecendo no ato, no momento, evidente, notório, manifesto. Prisão em flagrante delito é, assim, a prisão daquele que é surpreendido no instante mesmo da consumação da infração penal. Fundamento De acordo com Alexandre Brandão Rodrigues (grifei), podemos evidenciar a existência de vários fundamentos para a prisão em flagrante delito, sendo que, os mais aceitos são: 1.2.1. Necessidade de satisfazer o anseio de justiça da opinião pública, diminuindo a comoção social, e, por conseguinte, mantendo a ordem social, fazendo com que a credibilidade do Estado, através de suas autoridades constituídas se mantenha. 1.2.2. Função acautelatória da prova, pois com a prisão em flagrante, faz prova da autoria e da materialidade do delito. A prisão em flagrante, como toda e qualquer prisão provisória, só se justifica se tiver um caráter cautelar; do contrário, haverá desrespeito à Constituição Federal. E essa cautelaridade existirá tão-somente nas hipóteses em que a prisão for necessária para preservar a instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal. Fora desses dois casos, a prisão implicaria verdadeira antecipação da pena, conflitando, assim, com o texto da Lei Maior, ao declarar no art. 5º, LVII, que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Fernando da Costa Tourinho Filho, Processo Penal, 2000, p. 427 Natureza Jurídica A prisão em flagrante é uma prisão provisória, que visa deter o sujeito que praticou um delito, para assegurar o caráter probatório do crime, bem como para manter a ordem social diante deste atentado. “A prisão em flagrante inclui-se entre as prisões cautelares de natureza processual. Para os que entendem que o processo cautelar é uma labiríntica transfusão civilística no campo processual penal, a prisão em flagrante e outras prisões provisórias não passam de simples coerção pessoal. Não passam de espécie de autodefesa do próprio ordenamento jurídico. A prisão em flagrante, além de ser, então, uma natural e necessária defesa da coletividade, ante a visível e palpável perturbação da ordem jurídica, é, ainda, uma demonstração da força que emana da soberania do Estado para assegurar o império da lei penal. ” Fernando da Costa Tourinho Filho, Processo Penal, 2000, p. 429 Sendo a Prisão em flagrante, uma prisão provisória, e uma medida cautelar, e, assim, como toda medida cautelar, sujeita-se aos dois pressupostos: fumus boni juris e periculum in mora, isto é, a aparência jurídica da possibilidade de êxito contra o indiciado, na ação a ser instaurada, e a necessidade. Estes pressupostos são efetivamente para a efetuação da prisão, pois uma vez efetivada, e não existindo perigo a ordem pública e nem para a instrução processual, não há motivos para a permanência da segregação, devendo o agente responder o processo em liberdade. 2. Espécies de Flagrante O art. 243 e 244 do CPPM, respectivamente, dispõem sobre quem poderá prender pessoa em estado de flagrância criminal e as modalidades de flagrante delito: Art. 243. Qualquer pessoa poderá (flagrante facultativo) e os militares deverão (flagrante obrigatório) prender quem for insubmisso ou desertor, ou seja encontrado em flagrante delito.” Art. 244. Considera-se em flagrante delito aquele que: a) está cometendo o crime (flagrante próprio ou perfeito); ocorre quando o agente está em pleno desenvolvimento dos atos executórios da infração penal. Nessa situação, normalmente havendo a intervenção de alguém, impedindo, pois, o prosseguimento da execução, pode redundar em tentativa. Mas, não é raro que, no caso de crime permanente, cuja consumação se prolonga no tempo, a efetivação da prisão ocorra para impedir, apenas, o prosseguimento do delito já consumado. b) acaba de cometê-lo (flagrante próprio ou perfeito); ocorre quando o agente terminou de concluir a prática da infração penal, em situação de ficar evidente a prática do crime e da autoria. Embora consumado o delito, não se desligou o agente da cena do crime, podendo, por isso, ser preso. A esta hipótese não se subsume o autor que consegue se afastar da vítima e do lugar do delito, sem que tenha sido detido. c) é perseguido logo após o fato delituoso em situação que faça acreditar se ele o seu autor (flagrante impróprio ou imperfeito); ocorre quando o agente conclui a infração penal – ou é interrompido pela chegada de terceiros – mas sem ser preso no local do delito, pois consegue fugir, fazendo com que haja perseguição por parte da polícia, da vítima ou de qualquer pessoa do povo. Note-se que a lei faz uso da expessão ”em situação que faça acreditar ser ele o seu autor”, demonstrando, com isso, a impropriedade do flagrante, já que não foi surpreendido em plena cena do crime. Mas, é razoável a autorização legal para a realização da prisão, pois a evidência da autoria e da materialidade se mantém, fazendo com que não se tenha dúvida a seu respeito. Exemplo disso é o do agente que, dando vários tiros na vítima, sai da casa desta com a arma na mão, sendo perseguido por vizinhos do ofendido.Não foi detido no exato instante em que terminou de dar os disparos, mas a situação é tão clara que autoriza a perseguição e prisão do autor. A hipótese é denominada pela doutrina de quase flagrante. d) é encontrado, logo depois, com instrumentos, objetos, material ou papéis que façam presumir a sua participação no fato delituoso. (flagrante presumido ou ficto); não deixa de ser igualmente impróprio ou imperfeito. Constitui-se na situação do agente que, logo depois da prática do crime, embora não tenha sido perseguido, é encontrado portando instrumentos, armas, objetos ou papéis que demonstrem, por presunção, ser ele o autor da infração penal. É o que comumente ocorre nos crimes patrimoniais, quando a vítima comunica a ocorrência de um roubo e a viatura sai pelas ruas do bairro à procura do carro subtraído, por exemplo. Visualiza o autor do crime algumas horas depois, em poder do veículo, dando-lhe voz de prisão. Análise da expressão ”logo após”: evitando-se conferir larga extensão à situação imprópria de flagrante, para que não se autorize a perseguição de pessoas simplesmente suspeitas, mas contra as quais não há certeza alguma da autoria, utilizou a lei a expressão logo após, querendo demonstrar que a perseguição deve iniciar-se em ato continuo à execução do delito, sem intervalos longos, demonstrativos da falta de pistas. Nas palavras de Roberto Delmanto Junior, ”a perseguição há que ser imediata e interrupta, não restando ao indigitado autor do delito qualquer momento de tranquilidade”(As modalidades de prisão provisória e seu prazo de declaração, p.101). Eis porque é ilegal a prisão de alguém que consegue ficar escondido, sem que sua identidade seja conhecida, por horas seguidas, até que a polícia, investigando, consegue chegar a ele. No mais, cabe ao bom senso de cada magistrado, ao tomar conhecimento da prisão em flagrante impróprio, no caso concreto, avaliar se, realmente, seguiu-se o contido na expressão ”logo após”. Guilherme de Souza Nucci. A Prisão em Flagrante - Bol da PM n.º 132 - 21 Jul 2004 A prisão em flagrante, uma espécie do gênero prisão provisória ou cautelar, é ato extremo através do qual o PODER DE POLÍCIA experimenta a sua maior conseqüência, dado que implica na privação da liberdade do indivíduo, estando a medida disciplinada nos seguintes diplomas legais: - Art. 5°, inciso LXI, CF; e, - Art. 301, obedecidas às condições estabelecidas no art. 302, incisos I e II (está cometendo e acaba de cometer → flagrante PRÓPRIO); inciso III (é perseguido logo após o fato delituoso em situação que faça acreditar ser ele o seu autor → flagrante IMPRÓPRIO ou QUASE-FLAGRANTE); e, finalmente, inciso IV (é encontrado, logo depois, com instrumentos, objetos, material ou papéis que façam presumir a sua participação no fato delituoso → flagrante FICTO ou PRESUMIDO), ambos do CPP e correspondentes no CPPM, arts. 243 e 244. O flagrante abarca, ainda, dois tipos: o FACULTATIVO e o COMPULSÓRIO. No primeiro, art. 301, 1a parte, CPP, qualquer do povo pode efetuar a prisão, o que está perfeitamente consonante com o art.144, caput, CF (Segurança Pública: dever do Estado, direito e RESPONSABILIDADE DE TODOS), ou seja, na prática é um poder de polícia que o Estado faculta ao cidadão. No segundo caso, art. 301, 2a parte, CPP, a prisão é um dever da autoridade policial, civil ou militar, e seus agentes, sob pena de responsabilidade criminal. Da análise dos dispositivos que regem a matéria, na sua interpretação puramente literal, deixa transparecer que a medida pode incidir contra qualquer pessoa e envolve todos os tipos de deli- to, quando na verdade isso não acontece, mesmo porque, a igualdade de todos perante a LEI (penal, processual, trânsito, etc.), da forma como mostra o art 5°, caput, CF, não é absoluta e, sim, relativa. Dessa interpretação, então, resulta que algumas categorias, seja pelo cargo, função, mandato ou representatividade que exercem perante o governo brasileiro, não podem ser apanhados pelos dispositivos retromencionados, cujo campo de ação das autoridades, estão demarcados por outros comandamentos legais. Com efeito, antes de se adotar qualquer atitude em relação a um ato de polícia que deva ser praticado, é de extrema importância que a autoridade ou agente policial, civil ou militar, primeira- mente identifique a pessoa contra quem vá agir e, a seguir, o tipo de delito cometido, vez que há que ser considerado neste contexto a existência das imunidades diplomáticas, parlamentares e as prerrogativas de funções, as quais passaremos a expor: 1 - AS IMUNIDADES DIPLOMÁTICAS consistem na liberdade que os representantes estrangeiros possuem no território nacional, calcada no respeito e na consideração deferida ao Estado alienígena, bem como, na necessidade de cercar tais autoridades de garantias, no perfeito desempenho de suas missões diplomáticas, extensíveis aos Chefes de Estados e comitivas, quando em visita oficial ao Brasil. Encontra amparo na Convenção de Viena sobre relações diplomáticas, de 18-04-61, aprovada pelo Decreto Legislativo n° 103, de l964, e ratificada em 23-02-65, e Convenção de Viena sobre relações consulares, de 24-04-63, aprovada pelo Decreto Legislativo n° 06, de l967, ratificada em 20- 04-67. Incidem, particularmente, sobre quaisquer tipos de delitos (penais e extrapenais, p. ex., in- frações de trânsito), bens pessoais e particulares, quando a serviço das embaixadas ou representações (veículos, imóveis, etc.) e se estendem a todos os agentes diplomáticos: embaixadores, secretários das embaixadas, pessoal técnico e administrativo das representações, bem como, aos respectivos membros de suas famílias e aos funcionários das organizações internacionais (ONU, OEA, etc.), estes, quando em serviço. Estão fora dessa relação, os empregados particulares dos agentes diplomáticos, ainda que da mesma nacionalidade, a não ser que o próprio Estado a reconheça (art. 37, § 4°, da Convenção de Viena sobre relações consulares). Em conseqüência, não podem ser presos e nem responder criminalmente por quaisquer crimes praticados no território brasileiro, em face da imunidade absoluta. Os CÔNSULES, que representam interesses privados ou comerciais de pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras, não gozam de ampla imunidade, salvo se houver tratado entre os países interessados. Assim, à luz da legislação brasileira, não respondem criminalmente pelos atos praticados no exercício da função (art. 41 a 43, Convenção de Viena sobre relações consulares) e, sim, perante as autoridades dos países que os nomearam. Quanto às sedes diplomáticas, embora não mais consideradas extensões do território alienígena, são invioláveis. Dessa forma, não estão sujeitas à busca, apreensão, requisição, embargo judicial ou qualquer outra medida determinada por autoridade brasileira, extensivo à residência oficial ou particular do protegido. Há que se atenuar apenas e por razões lógicas, os delitos praticados no interior das embaixadas ou qualquer outro local coberto pela imunidade, se o autor for pessoa co- mum, desde que respeitados os demais requisitos estabelecidos em lei, notadamente no que refere aos atos de investigação e do processo. À luz do direito objetivo brasileiro, as imunidades diplomáticas estão implicitamente consagradas no artigo 1°, inciso I, do CPP; art. 5°, do CP; art. 1o, § 1o e art. 4°, do CPPM; e art. 7o, do CPM. 2 - AS IMUNIDADES PARLAMENTARES consistem numa prerrogativa constitucional, asseguradas aos membros do Congresso Nacional (Deputados e Senadores), para que possam atuar com liberdade e independência no exercício do mandato, sendo, portanto, invioláveis por suas opiniões, palavras e votos, resultando, daí, a chamada imunidade material ou absoluta, cujo direito passa a existir após a diplomação, estendendo-se até o fim do mandato (art. 53, caput e §§, CF), não podendo, assim, serem responsabilizados civil e penalmente por qualquer ato.A imunidade absoluta incide, pois, sobre os chamados “delitos da palavra ou de opinião”, dentre os quais citamos a injúria, difamação, calúnia, desacato, incitação ao crime, apologia do crime ou fato criminoso e outros em que a expressão oral forma a conduta típica. Além de irrenunciáveis, não se estendem ao co-autor do delito considerado, salvo se coberto pela mesma ou outra imunidade. É importante salientar, ainda, que praticando crimes inafiançáveis ou afiançáveis, embora nos primeiros nunca sujeitos à prisão em flagrante, os parlamentares federais (deputados e senadores), com a quebra da imunidade para crimes comuns (PEC 610/98, aprovada em dezembro de 2001, que alterou o art. 53 e §§, CF), agora podem ser processados criminalmente, independente de autorização da casa legislativa aos quais pertencem, porém, as ações penais propostas perante o Supremo Tribunal Federal, podem ser sustadas no prazo de 45 dias, por maioria de votos, até a decisão final, se o colegiado parlamentar considerar que o processo foi motivado por perseguição política. Caso a sustação venha a ocorrer, o prazo prescricional do crime cometido fica suspenso, continuando a persecução penal após o encerramento do mandato do parlamentar, salvo se reeleito. Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades dos deputados Federais e Senadores, porém, restritas ao âmbito do território do mandato (art. 27, § 1°, CF). Quanto aos Vereadores, somente gozam do privilégio por suas opiniões, palavras e votos, mas restritas ao âmbito do Município (art. 29, VIII, CF). CRIMES INAFIANÇÁVEIS, para efeito da prisão em flagrante, são: - Todos aqueles definidos no CP e Leis especiais, aos quais são cominados, em abstrato, penas mínimas de reclusão superiores a 02 anos (roubo, extorsão, homicídio, extorsão mediante seqüestro, estupro, atentado violento ao pudor, lesão corporal seguida de morte, incêndio, explosão, latrocínio, dentre outros) ou mesmo aqueles punidos com reclusão, independente da pena, mas que provoquem clamor público e tenham sido cometidos com violência a pessoa ou grave ameaça (art. 323, incisos I e V, CPP); - Todos os previstos no CPM, independente da sanção cominada em abstrato; - Os definidos no art. 5°, CF, incisos XLII (racismo-raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional: Lei Federal 7.716/89 e suas alterações), XLIII (tortura: Lei Federal 9.455/98, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins: Lei 6.368/76, terrorismo e crimes hediondos: Lei 8.072/90) e XLIV (ação de grupos armados, civis e militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático: Lei Federal 9.034/95); contra o sistema financeiro (Lei Federal 7.492/86, art. 31); e contra a fauna (Lei Federal 5.197/67, art. 34). Sobre o art. 323, inciso V, 1a parte, CPP, assevera TOURINHO FILHO (1996, p. 508): Se alguém vilipendia cadáver, cortando-lhe algum membro, escarrando sobre ele ou, então, praticando atos de necrofilia (CP, art. 212), tais atos, se comocionarem a cidade, tornam-se inafiançáveis, malgrado a pena mínima não ultrapasse os dois anos. Será que a lei foi elaborada apenas para esse caso? É difícil encontrar-se outro... . Ainda em relação ao mesmo dispositivo, 2a parte, assevera também TOURINHO FILHO (1996, p. 507): Se o crime, apenado com reclusão, ainda que tenha o seu mínimo não superior a 2 anos, for praticado com violência ou grave ameaça, não comporta fiança. Assim, no crime de lesão corporal grave (art. 129, § 1o, CP), não obstante a pena mínima seja de um ano de reclusão, não se pode prestar fiança. 3 - AS PRERROGATIVAS DE FUNÇÕES consistem em privilégios que são assegura- dos a determinadas categorias profissionais, em razão do cargo que ocupam ou funções que exercem. Assim, o art. 1°, inciso II, do CPP, exclui da aplicação da Lei Processual Penal o Presidente da República, os Ministros de Estado nos crimes conexos com os do Presidente, bem como, os Ministros do STF nos crimes de responsabilidade, dentre outras autoridades que, também, desfrutam dos mesmos direitos, consagrados na nossa Lei Maior. Todavia, em razão de serem mais comuns os fatos envolvendo a POLÍCIA com membros do Poder Judiciário e do Ministério Público, estaduais ou federais, civis ou militares, bem como, da Defensoria Pública, federais ou estaduais e os Advogados em geral, centralizaremos o assunto nessas autoridades, cujas prerrogativas mais importantes para efeito da atividade policial militar, passamos a transcrever, nos forçando, inclusive, a fugir um pouco do tema principal, devido à importância para o nosso conhecimento. Na Lei Orgânica da Magistratura Nacional, Lei Complementar Federal no 35/79, artigo 33, que disciplina as prerrogativas dos Juízes Federais e Estaduais, dentre outras, destacamos as seguintes: a) Serem ouvidos como testemunha em dia, hora e local, previamente ajustados com a autoridade policial (inciso I); b) Não serem presos, senão por ordem escrita do tribunal competente, salvo nos casos de flagrante de crimes inafiançáveis, após o que serão apresentados ao Presidente do Tribunal responsável pelo julgamento do feito - TJ se estaduais e TRF se federais, etc. (inciso II), onde podemos no- tar na situação em destaque um caso de IMUNIDADE; c) Porte de arma (inciso V); etc. d) Quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou Órgão Especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação (parágrafo único). Deve ser considerado, ainda, que tais autoridades somente podem ser investigadas criminalmente, pelos seguintes órgãos: TRIBUNAL DE JUSTIÇA (se Juiz estadual); TRIBUNAL RE- GIONAL FEDERAL (se Juiz federal civil ou militar), e assim por diante. Na Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, Lei Complementar Federal no 8.625/93, que disciplina as prerrogativas dos membros dos Ministérios Públicos Federais e Estaduais, dentre outras, destacamos as seguintes: a) Serem ouvidos como testemunha em dia, hora e local, previamente ajustados com a autoridade policial (art. 40, inciso I); b) Não serem presos, senão por ordem escrita do tribunal competente, salvo nos casos de flagrante de crimes inafiançáveis, após o que deverão ser apresentados aos Procuradores Gerais competentes (art. 40, inciso III), destacando na expressão que grifamos um caso típico de IMUNIDADE; c) Não serem indiciados em inquérito policial, presidido por autoridades policiais civis ou militares, por atos praticados no exercício da função (art. 41, inciso II). Assim, quando no curso da investigação houver indício da prática de infração penal por parte de membro do MP, a autoridade policial civil ou militar, remeterá, imediatamente, sob pena de responsabilidade, os respectivos autos ao Procurador Geral competente, a quem competirá dar prosseguimento no feito (art. 41, inciso II c/c o seu parágrafo único); d) Examinar em qualquer repartição policial, estando no exercício da função, autos de flagrante ou de inquérito, findos ou em andamento (art. 41, inciso VIII); e) Estando no exercício da função, ter acesso a indiciado preso, a qualquer momento, mesmo incomunicável (art. 41, inciso XI); etc. Os membros da Defensoria Pública da União; do Distrito Federal e dos Territórios; dos Estados, consoante a Lei Complementar Federal no 80/94, respectivamente, artigos 44, 89 e 128, possuem, dentre outras, como principais prerrogativas: a) Não serem presos, senão por ordem judicial escrita, salvo em flagrante, caso em que a autoridade fará imediata comunicação ao Defensor Público-Geral competente (inciso II); b) Comunicar-se, pessoal e reservadamente, com seus assistidos, ainda quando estes se acharem presos ou detidos, mesmo incomunicáveis (inciso VII); c) Examinar em qualquer repartição policial, estando no exercício da função, autos de flagrante ou de inquérito, findos ou em andamento