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Doenças orificiais: 1- Doença hemorroidária: Os plexos venosos hemorroidários são estruturas anatômicas normais presentes no canal anal que o protegem no ato da evacuação. A doença hemorroidária representa uma dilatação das veias desses plexos. Classificação: Internas são localizadas acima da linha pectínea, recobertas por mucosa retal ou transicional. Drenagem venosa fica a cargo das veias hemorroidárias superiores e sistema porta; Externas são localizadas abaixo da linha pectínea, próximas do orifício anal, recobertas por epitélio escamoso. Drenagem venosa pela cava inferior. Além disso, existe a classificação em graus que é feita pela história clínica do paciente. - é a principal causa de hematoquesia - maioria das pessoas tem hemorroida -> quando apresenta alguma sintomatologia como prurido, hematoquesia, sangramento é chamado de doença hemorroidária - esses graus são dados pela história clínica e não pelo exame físico - quadro clinico: - hematoquesia - abaulamento anal por esforço - prurido anal (pode ter também) - não é comum apresentar dor (se apresentar dor geralmente é indicio de que há uma complicação do mamilo hemorroidário) - complicação mais comum é a trombose (coagulo intraluminal causa a dor) Quadro clínico: hematoquezia (principal queixa) + abaulamento anal à evacuação. Não é comum ter dor, quando tiver dor sugere complicação (trombose a mais comum). Pode-se ter também prurido. OBS: Hemorróida externa é geralmente assintomática. Diagnóstico: É clínico (exame físico + exame proctológico completo). - Inspeção → Estática e dinâmica - Toque retal - Anuscopia Tratamento: Varia de acordo com o grau do prolapso hemorroidário. 1. Clínico → Higiênico comportamental. Corrigir hábito intestinal, higiene anal com agua, controle da diarreia em pacientes com diarreia crônica. 1. Alternativos → Ligadura elástica é o padrão ouro (grau I, II e III) 1. Cirúrgico → Convencional aberto (MIlligan Morgan); Fechada (Fercuson); Semifechada (Obando na qual se faz ligaduras seriadas, lembrar da analogia da salsicha, depois fura e a hemorroida murcha). OBS: Doppler → THD PPH → pega a mucosa e grampeia. Dito hemorroidopecsia. Deixar longe da linha pectínea. Contraindicação absoluta é paciente praticante de sexo anal, imunossuprimidos e HIV. Trombose hemorroidária: Principal sintoma é dor. O tratamento, em geral, é conservador. - irrigação do anorreto: - 2 vasos lado direito - 1 vaso lado esquerdo - locais mais comuns de acometimento: - mamilo hemorroidário anterior do lado direito (o mais acometido) - póstero lateral direito - e lateral esquerdo - plexo hemorroidário -> fistula na comunicação arteriovenosa - sangue vivo (arterial) ou pinga no vaso -> descamação do vaso durante o ato evacuatório com ruptura de parede e sangra (normalmente autolimitado mas pode ocorrer para choque hemodinâmico) Classificação: - hemorroida externa: ingurgitação próximo da mucosa cutânea - hemorroida interna: acima da linha pectínea (prolapsa para baixo) Diangóstico: - iminentemente clinico (anamnese + exame físico) - exame físico -> exame proctológico completo - inspeção: estática e dinâmica (afastar e olhar e solicitar manobra de Valsalva) - toque retal (pouca informação -> porque o mamilo hemorroidário não é tão palpável e pode confundir com mucosa do reto) - anuscopia (exame de grande valia) Tratamento: - padrão ouro: ligadura elástica (pode usar para mamilos grau II e III [até I se for interno]) -> evidencia IA - grau IV não pode: não vai resolver com ligadura elástica Outros tipos de tratamento: - clinico (higiênico comportamental – grande valia): grande ingesta de fibras, água, exercício, perda de peso, higiene sem papel higiênico (descama) -> melhor a utilização da ducha higiênica; ideal é higienização no banho - ressecção cirúrgica (técnicas excisionais): as 2 primeiras são as que mais caem - convencional aberta (clássica: técnica que Millgan-Morgan -> resseca a hemorroida e faz uma ligadura do pedículo) - cirurgia fechada: técnica de Ferguson - técnica semi fechada: ligaduras elásticas seriadas e depois fura os mamilos hemorroidários -> técnica de Obando) -> cai muito nas provas de residências (Campinas) - Doppler guiado -> técnica de THD (Dearterialização Hemorroidária Transanal): entra com um prob para localizar o fluxo do mamilo hemorroidário -> faz uma sutura continua do pedículo (chuleio pegando parede e vaso até a raiz do pedículo); pode evoluir com muito tenesmo -> sensação constante de que está com ampola retal cheia pela ausência luz; muita dor no pós-operatório - PPH (não deixa de ser uma ressecção): hemorroidopexia (só pode pegar mucosa e no máximo a submucosa) - grau III e grau IV - muitas complicações - paciente que tem imunossupressão, HIV ou que tem relação via anal -> contraindicação absoluta do PPH - se for obstipado: faz muita força em cima do coxim ou pacientes que ficam sentado o dia inteiro (muitas pressão na região perineal) -> frequentemente faz complicação hemorroidária (trombose) - leito das raquetes (ponte cutâneo mucosa) tem que ser muito bem preservada para não evoluir com estenose anal (porque toda cicatrização retrair [fibrose] -> por isso essa cirurgia tem que ser feita pelo proctologista - lesão de musculo esfincteriano -> fica incontinente pelo resto da vida - coxim hemorroidário faz parte de uma parte nervosa local -> distingue o que é gases e o que é fezes (pós hemorroidectomia o paciente está tão inflamado -> elimina fezes pensando que era gases) - parto normal com cistocele -> também pode cursar com lesão desse coxim hemorroidário 2- Fissura anal: É uma ulcera longitudinal, radial, geralmente localizada na comissura posterior do canal anal. Isso se justifica porque a região posterior tem pior vascularização (↔ cicatrização ruim). A maioria é causada pelo trauma local no ato evacuatório. Uma vez que a fissura aparece, inicia-se um ciclo de lesões. Esfincter interno exposto abaixo da fissura entra em espasmo, juntamente com a dor provocada por ele, o espasmo puxa as bordas da dissura abrindo-a, dificultando a cicatrização - segunda mais comum - queixa principal é proctalgia (muita dor principalmente pós evacuatória ou durante evacuação) - local de piro vascularização anal é a linha posterior (que é a direção que a maioria das pessoas realiza a higiene – de frente para trás) - quando passa na linha posterior -> pode abrir aquela linha podendo expor a musculatura abaixo (muito dolorosa) -> pode persistir por mais de uma hora após o ato evacuatório - acontece principalmente em mulheres obstipadas, após atividades físicas que tenham contato com a agua ou suor (natação) ou outro tipo de trabalho que umidifique a região do anus; quando fica o dia todo na piscina ou na praia com o anus úmido -> maior fragilidade da pele -> maior chance de fissura posterior (mas pode ocorrer fissura anterior) - também pode ter hematoquesia - comum aparecer em pratica de atividade física na água ou suor -> área de umidade -> fragilidade - fissura posterior é a mais comum - se atípicas (fora da linha anterior, posterior ou lateral): pensar em TB, sífilis e doenças infecto parasitárias (mais rara) - posterior: péssima vascularização contribui para uma pior cicatrização (não chega sangue para cicatrizar) - poucas vezes pinga no vaso; geralmente sai no papel higiênico (laivos de sangue vivo do leito fissurário aberto) - isso tudo é fissura anal aguda -> muita dor Ciclo vicioso: - sabe que se evacuar vai doer -> segura -> maior absorção de agua do bolo fecal -> quando evacua fica pior ainda -> tem medo novamente -> bolo fecal cada vez maior e mais seco Quadro clínico: Dor anal as evacuações (pode persistir após o ato evacuatório), presença de hematoquezia (visto mais no papel). Tratamento: Evitar fezes endurecidas por meio de dieta com fibras e líquidos. Boa higiene e uso de pomadas com relaxante muscular para melhorar a cicatrização (Diltiazem – bloqueador de canal de cálcio; Isorzobida). Essas medicações devem ser usadas de 6 a 8 semana, 2a 3x dia. Se após esse período não houver resolução do caso teremos cronificação da fissura. Caso essas medidas não sejam suficientes pode ser utilizado injeção com toxina botulínica e esfincterotomia lateral (quando foi crônica). OBS: Tríade “clássica” → hipertonicidade, plicoma e úlcera Tratamento aguda: - eminentemente clínico: - dieta: rica em fibras, água, frutas - fibra verde escura (agrião, rúcula, espinafre) -> puxa água (se não ingerir água piora) - mais de 2 litros de água por dia - evitar alimentos condimentadas, pimenta, enlatados, corantes (irrita região anal) - medicamentoso: - pomadas manipuladas (diltiazen e dinidrato de isossorbida) manipulados juntos com xilocaína gel - diltiazen é um BCC -> relaxamento muscular - dinitrato como um nitrato também causa um relaxamento muscular - resolvem o problema de hipertonia (espasmo da musculatura anal) e ajuda vascularização para auxilio de cicatrização - 2 a 3x por dia por 6 a 8 semanas -> se não melhorou muda o tratamento -> se não melhorar muda a conduta; maioria das vezes cicatriza o leito posterior Exame físico: - não realizar toque retal e nem anuscopia na fissura anal aguda - exame estático e dinâmico geralmente é suficiente - EPA: exame proctológico sob analgesia (porque muitas vezes dói muito e o paciente não deixa nem examinar) -> seda para conseguir pelo menos afastar a nádega para visualizar Fissura anal crônica: - se passado esse período de 6 a 8 semanas e não melhorou -> essa fissura aguda cronificou - não está mais vermelha e com sangue como a aguda -> fica esverdeada (epitélio fibrinóide que nunca cicatriza) - tratamento tópico não resolve mais -> conduta cirúrgica - quando cronifica fica com uma tríade - hipertonicidade - fissura - plicoma - plicoma: pele que pode recobrir a fissura - constantemente hipertônica Terapia: - botóx (terapia botulínica) -> não melhor muito porque não pode tirar todo o tônus do esfíncter anal - esfincterotomia lateral cirúrgica -> a musculatura interna é a que está em espasmo (musculatura lisa) -> deixa a musculatura interna um pouco mais relaxado (por isso melhora o espasmo) -> possibilita a cicatrização (pequena raspagem do leito) - se cortar esfíncter externo perde a continência - secciona um pedaço da musculatura interna -> diminuindo o espasmo - geralmente feito do lado esquerdo -> porque a grande maioria das pessoas é destra -> joga para o lado direito as fezes (no canhoto faz a esfincterotomia lateral do lado direito) - key-roll: não é indicado; espaço fica ainda maior -> nunca cicatriza - espasmo da musculatura lisa interna e não a musculatura externa esquelética -> por isso a esfincterotomia lateral cirúrgica 3- Abcessos perianais: - terceira mais comum Complicações de um processo inflamatório que acomete as glândulas localizadas no canal anal. A maioria é de origem criptogênica (Criptas de Morgani). A glândula produz muco → obstrução → acúmulo de liquido → bactéria → abscesso. A minoria desses abscessos drena para a luz, a maioria procurará um local para “crescer”, evoluindo para contaminação de tecidos vizinhos. - etiologia na maioria das vezes é criptogênica - região logo acima da linha pectíneo -> produção de muco pelas glândulas anorretais -> obstrui uma glândula -> acumulo de muco -> tem nutrientes + bactérias das fezes -> infecta -> abcesso - pode drenar espontaneamente para dentro do reto (minoria) ou procura algum lugar para fistulizar (drenar cirurgicamente ou drena espontaneamente) -> entrar com antibioticoterapia (cefalosporina de primeira ou uma quinolona com metronidazol; geralmente cipro + metronidazol) - muitas vezes faz retenção urinaria por acometimento de região nervosa próxima da bexiga - assim que drenar melhora rapidamente (pode fazer retenção urinaria, não evacua) - conduta: drenagem cirúrgica + antibioticoterapia - 50% das vezes esse trajeto oblitera e 50% das vezes fica patente – com fistula (epiteliza fica próximo da mucosa do colón -> fica saindo muco e mantendo essa fistuleta); não necessariamente é pus; pode fechar e abrir novamente - quando menos musculo pegar -> menor chance de gerar uma incontinência anal Quadro clínico: Dor, febre e pode ter sinais inflamatórios. Classificação: Tratamento: Drenagem + antibiótico de grande espectro (ciprofloxacino + metronidazol). OBS: 50% dos casos há fechamento do caminho do abscesso e 50% não há o fechamento, levando à fístula perianal. 4- Fistulas perianais ou anorretais: É o trajeto formado entre o orifício interno que, geralmente, tem origem em uma cripta anal e um orifício externo na pele ou mucosa do canal anal ou reto. Se for anterior (sínfise púbica), a fístula tem trajeto retilíneo. Se for posterior (coluna), tem trajeto curvilíneo. Lei de Goodsall-Salmon: - tudo que vier da região anterior ao horizonte -> geralmente tem um trajeto retilíneo que passa pelo seio - se vem da linha posterior -> geralmente tem um orientação curvilínea para a cripta posterior (tem que raspar a mucosa para tratar) - aqui sim a palpação da região anal é importante -> consegue sentir o trajeto fibroso da fistula - também pode ser originaria de Doença de Crohn, tuberculose -> conduta totalmente diferente - Crohn: destruição do esfíncter anal pela doença que pode ser ainda mais acometida pelo tratamento Classificação de Parks - fala do trajeto criptogênico - abcesso interesfincteriano - abcesso supra esfincteriana - abcesso transesincteriano - cada uma tem um tratamento especifico -> maioria das vezes faz apenas uma fistulotomia - parto normal não assistido pode gerar muitas complicações A – Superficial B – Interesfincteriana C – Transesfincteriana D – Supraesfincteriana E – Extraesfincteriana Quadro clínico: Principal queixa é saída de secreção purulenta pelo ânus. Diagnóstico: RNM e ecoendoscopia se houver dúvida no diagnóstico clínico do trajeto da fístula. - OBS: Múltiplos orifícios chamam a tenção para doenças como a de Crohn. Tratamento: Cirúrgico. Fistulotomia (cuidado com as fístulas que atravessam grande porção do esfíncter pelo risco de incontinência). 5 – Doença pilonidal sacrococcígea: não é essencialmente da região orificial (é mais uma doença dermatológica Processo inflamatório que pode se apresentar como cisto ou abscesso contendo pelo. A etiologia mais aceita seria de origem congênita (embrionária). - não é um cisto; acomete a região pré-coccígea - teorias (doença do gipeiro – 2ª guerra mundial): a mais aceita é que o cabelo cai da parte posterior -> fica sentado por muito tempo -> pele absorve o pelo (doença do gipeiro); esse pelo não tem o folículo piloso - esse cabelo produz certa quantidade de muco -> muito comum em pacientes com monocelha - pode doer; pode infectar -> tem que drenar + antibiótico - paciente que soa muito na região anal + monocelha Conduta: - cirúrgica: técnicas de sutura -> trazer a linha de sutura sempre para fora (se for no meio vai abrir quando sentar); tem que deixar esse espaço aberto (cicatrização da pele de baixo para cima -> para impedir colabamento) Quadro clínico: Produção de muco, dor e tem risco de infectar. Tratamento: Cirúrgico. Abertura do local e cauterização.