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Apostila Gestão da Inovação

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O autor pontua ainda que a propriedade intelectual volta-se para o bem de caráter imaterial e baseia-se em um conjunto de princípios e regras de utilização. Outro formato de proteção, assegurado pelos princípios de propriedade intelectual, diz respeito à exploração e à proteção de bens intangíveis, garantidos pelos estados e territórios em que a propriedade intelectual opera com fins comerciais.  
  
A ideia de propriedade intelectual também se caracteriza pelos atributos de novidade, constituição original e distinção. Assim, por meio da noção de propriedade intelectual, concede-se ao titular do bem imaterial - seja ele autor, inventor ou detentor da patente - uma exclusividade momentânea de exploração da sua criação, com a intenção de se evitar a concorrência desleal e de incentivar o desenvolvimento mediado pela produção intelectual.  
  
Ademais, Oliveira (2009) divide a propriedade intelectual entre propriedade industrial e direito autoral. Em relação à propriedade industrial, o autor elenca gêneros e ramos de produção, bem como a espécie produzida. Para ele, esse tipo de direito é muito amplo, possui regras distintas e específicas, que variam conforme suas modalidades. Por isso, do conceito de propriedade industrial derivam as marcas e as patentes.  
  
No Brasil, a proteção intelectual é um direito que deve ser solicitado pelos autores, inventores e escritórios de inovação tecnológica que, normalmente, requisitam as patentes. Qualquer pessoa física ou jurídica, no exercício de uma atividade legalizada, pode solicitar a sua marca ou patente junto ao INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial.  
  
Quando falamos em propriedade intelectual, podemos nos referir ao conceito de patente ou de registros. Mas você sabe, caro(a), aluno(a), a diferença entre eles? As patentes podem ser de invenção ou de modelo de utilidade. Os registros, por sua vez, cobrem uma quantidade maior de modalidades. Nesse sentido, os registros podem referir-se a desenho industrial, marcas, indicações geográficas, cultivares, direitos autorais, software e topografia de circuitos integrados.  
  
Devido à relevância da propriedade intelectual, esses níveis, tanto de patentes quanto de registros, possuem leis de proteção voltadas para o objeto de inovação. Podemos relacionar a Lei n. 9.279/1996, de propriedade industrial, como protetora das patentes de invenção e modelo de utilidade, bem como dos registros de desenho industrial, marcas e indicações geográficas.  
  
Para os demais tipos de registros, por serem individualmente conceituados e amplamente desenvolvidos, foi necessário criar uma lei para cada tipo. Dessa forma, o registro de cultivares é assegurado pela Lei n. 9.456/1997; os direitos autorais são assegurados pela Lei n. 9.610/1998; o direito à propriedade intelectual, por meio do desenvolvimento de softwares, é garantido pela Lei n. 9.609/1998; a topografia de circuitos integrados é protegida pela Lei n. 11.484/2007.  
  
A propriedade intelectual é uma categoria cujo reconhecimento é trabalhoso. Por isso, sua proteção e o estabelecimento de uma remuneração, em conformidade com o mérito do autor, são fatores de difícil definição. Assim, a proteção ao direito intelectual, considerando seu estado de origem, nem sempre será suficiente para atender ao ensejo de segurança jurídica, necessária às obras intelectuais e às invenções.   
Nesse sentido, as questões legais referentes ao direito de propriedade intelectual devem considerar, em muitos casos, além do direito vigente no território de direito, os espaços internacionais de proteção. Como afirma Oliveira (2009),  
   
foram firmados tratados internacionais, a fim de uniformizar, integrar e coordenar as diversas legislações nacionais em vigor, através de um estudo de Direito comparado, utilizado em larga escala e que, posteriormente, foram atualizados pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual - OMPI e pelo Acordo dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio - ADPIC, mais conhecido como Acordo TRIPS11, que faz parte do Acordo Constitutivo da Organização Mundial do Comércio - OMC (OLIVEIRA, 2009, p. 10). 
   
Podemos afirmar, portanto, que a proteção aos direitos referentes à propriedade industrial ganhou maior reconhecimento internacional, pois se trata do campo no qual ele foi mais bem desenvolvido. O que ainda parece carecer de trabalho é o estabelecimento de reciprocidade entre as esferas do direito intelectual e a propriedade intelectual internacional.  
  
Na videoaula a seguir, mostraremos um caso de defesa da propriedade intelectual no mundo dos negócios.  
   
Videoaula: Defesa da propriedade intelectual no mundo dos negócios 
Hoje, no Brasil, a propriedade intelectual transformou-se em uma área importante, e seu conhecimento e atualização são essenciais, principalmente na esfera do direito, que é a área correlata às intervenções judiciais, necessárias quando há concorrência desleal e suas implicações.  
  
Em nosso país, a propriedade intelectual é o conjunto de normas legais e princípios jurídicos, os quais visam proteger o trabalho, no campo industrial, bem como seus resultados econômicos. A questão da propriedade intelectual abrange ainda a proteção a produtos intelectuais no campo industrial, além de toda e qualquer matéria que vise reprimir a concorrência desleal, incluindo nesse campo as marcas, os nomes comerciais, a indicação de origem dos produtos, dentre outros fatores.  
  
Ademais, há a noção de direito autoral, responsável pelo cuidado com criações de ordem artística, literária e científica, unindo essas ramificações à noção de propriedade industrial e seus cuidados, dando origem ao que chamamos de propriedade intelectual. Esse esquema pode ser mais bem visualizado na figura exposta a seguir.  
  
FIGURA 8 - Conceito de propriedade intelectual  
  
  
Fonte: Elaborada pela autora.   
   
Com base no modelo apresentado, podemos afirmar que todas as criações intelectuais humanas encontram-se protegidas sob o conceito de propriedade intelectual. Dessa maneira, elas beneficiam tanto seu criador quanto seu meio social de inserção. Por meio dessas criações, os avanços tecnológicos e as manifestações de desenvolvimento artístico, literário e científico são divulgados para a sociedade e atuam em prol do benefício mútuo.  
  
Como maneira de incentivar o desenvolvimento tecnológico e intelectual, a sociedade confere ao criador o privilégio exclusivo de explorar aquilo que desenvolveu dentro de um determinado período de tempo, considerando o interesse social e o desenvolvimento tecnológico de seu país de criação. Com base nessa afirmação, vemos que o direito à propriedade intelectual está, necessariamente, condicionado a sua função social, ou seja, ela depende da sua utilidade para o meio social.  
  
Contudo, na prática, as situações nem sempre ocorrem conforme o delineamento político estruturado e, assim, devemos considerar que, em todas as situações, existem abusos. No que tange à propriedade intelectual, existem situações praticadas por titulares de direitos de propriedade industrial no Brasil e fora dele também. Nesse sentido, o Estado deve se preocupar com os possíveis abusos ou exageros do poder econômico, sejam eles cometidos por um concorrente em relação a outro ou praticados por outras estruturas determinantes do mercado.  
  
A verdade é que existe hoje, no mundo acadêmico e judiciário, uma grande discussão acerca da propriedade intelectual, pois grandes disputas surgem a partir do momento em que se ampliou a necessidade de proteger as ideias e invenções. Nesse meio, existe um choque entre interesses divergentes, principalmente entre quem possui o registro ou a patente e aqueles que devem se colocar sob a proteção concedida por lei, expondo limites entre o direito de fazer e o direito de usar.  
  
Então, de que formas podemos perceber os abusos quanto à propriedade intelectual? Esse tipo de abuso pode ocorrer sob várias formas, pois depende do mercado econômico. Comumente, os abusos estão relacionados à

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