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Prévia do material em texto

PRESBITÉRIO SUDESTE DO ESPÍRITO SANTO 
 
 
 
 
 
 
 
RODRIGO LOPES OTACILIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BATISMO INFANTIL: 
Uma Abordagem Bíblico-Reformada Sobre as Razões de Batizarmos 
Crianças 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
2010 
 
 
 
 
RODRIGO LOPES OTACÍLIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BATISMO INFANTIL: 
Uma Abordagem Bíblico-Reformada Sobre as Razões de Batizarmos 
Crianças 
 
 
 
 
 
 
Monografia apresentada ao Presbitério Sudeste do 
Espírito Santo (PSES) como requisito parcial para 
obtenção da Licenciatura no Ministério Pastoral. 
Orientador: Prof.: Rev. Cássio Campos Neves 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
 
2010 
 
RODRIGO LOPES OTACÍLIO 
 
 
BATISMO INFANTIL: UMA ABORDAGEM BÍBLICO-REFORMADA 
SOBRE AS RAZÕES DE BATIZARMOS CRIANÇAS 
 
 
 
Monografia apresentada ao Presbitério Sudeste do 
Espírito Santo (PSES) como requisito parcial para 
obtenção da Licenciatura no Ministério Pastoral. 
Orientador: Prof.: Rev. Cássio Campos Neves 
 
 
 
 
 
 
Data (de aprovação): __ de ____ de 20__. 
Nota: ___________ ( ) aprovado ( ) reprovado 
 
 
 
 
 
 
COMISSÃO EXAMINADORA 
 
 
 
1. Rev. Cornélio de Jesus Moreira __________________ 
 assinatura 
2. Rev. Abdiel Bibiano Neves __________________ 
 assinatura 
3. Rev. Gilson Moreira __________________ 
 assinatura 
4. Pb. Renato Magno de Souza __________________ 
 assinatura 
5. Pb. Vinicius Rangel Gomes __________________ 
 assinatura 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
Ao Deus Supremo, meu 
Sustentador e Protetor, Louvado Seja. A 
minha amável e generosa esposa Delizete 
Ramalho Stofel Otacílio, grande amor, 
incentivadora e companheira. Aos meus 
filhos, João Lucas e José Pedro que me 
motivaram a continuar esta empreitada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS: 
 
 Sobretudo agradeço a Deus, aos auspícios paternais aspergidos em mim, quando por 
Sua graciosa providência fez tudo cooperar para o bem. A Ele seja a glória pelos séculos dos 
séculos, amém. 
 À minha amada esposa Delizete Ramalho Stofel Otacílio, e aos meus filhos João 
Lucas e José Pedro, meus maiores incentivadores e companheiros de vida. 
Aos meus queridos pais e avós que me deram a base cristã para viver. 
À minha Igreja que reconheceu meu chamado, apoiou e encaminhou ao Seminário por 
intermédio do Conselho local e Presbitério. 
 Ao Tutor Rev. Cornélio de Jesus Moreira pelo direcionamento e suporte nestes quatro 
anos. 
Aos professores deste Seminário, em especial ao professor Rev. Renê Alves Stofel, 
por acreditar no meu ministério e me apoiar em sua Igreja no bairro Nazaré-Belmonte, Belo 
Horizonte. 
 À todos os colegas desta turma de Teologia, irmãos de caminhada, dedicados a 
piedade e ensino cristão. 
Ao Rev. Gilberto Augusto Martins Queiroz, grande incentivador e parceiro de 
caminhada, suporte e ajudador. 
E a todos os parentes, amigos e aqueles que de uma forma ou de outra colaboraram 
para tornar minha aspiração em realidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“O pacto que o Senhor uma vez firmou com Abraão vigora não menos 
para os cristãos hoje do que outrora para o povo judeu; e, além disso, 
esta palavra visa não menos aos cristãos do que aos judeus visava 
outrora. Salvo se, talvez, julgarmos que Cristo, com sua vinda, tenha 
diminuído ou tenha truncado a graça do Pai, o que não está isento de 
execrável blasfêmia. Por isso, os filhos dos judeus, sendo também feitos 
herdeiros desse pacto, uma vez que se distinguiam dos filhos dos 
ímpios, eram chamados semente santa; pela mesma razão, ainda agora, 
os filhos dos cristãos são considerados santos”. João Calvino. 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
Este trabalho apresentará as razões pelas quais os protestantes reformados, sobretudo, 
calvinistas, batizam seus filhos. Mostrando que suas razões residem na visão de que assim 
como era a circuncisão no Antigo Testamento, como claramente se percebe pelo estudo das 
Escrituras, também é o batismo no Novo Testamento. O sacramento de iniciação e admissão 
ao meio do Povo de Deus, tanto na Antiga, quanto na Nova Dispensação é essencialmente o 
mesmo. 
Desta maneira, o batismo dos filhos de pais crentes simboliza a realidade de que eles 
têm sido separados para Deus. No batismo infantil, os pais realizam um pacto com Deus 
comprometendo-se a criar seus filhos mediante a instrução de seu Senhor. Tal batismo é um 
chamado às crianças confessarem a Cristo como o seu Salvador desde a sua tenra idade. Foi 
Deus quem iniciou, pôs termos e selou seu pacto com seu Povo. Graciosamente Ele se 
compromete a cumprir Sua Palavra. E ele chama a seus filhos e os filhos de seus filhos a 
manter seu pacto e a conhecer sua bênção de geração em geração. 
Assim, este trabalho mostrará se de fato a Aliança de Deus feita a Abraão e aos seus 
descendestes é a mesma para a Igreja Cristã, e se a circuncisão deu lugar ao batismo cristão. 
 Portanto, este trabalho pretende chegar à seguinte conclusão: se as crianças faziam 
parte da Aliança do Povo de Deus e recebiam as promessas de Abraão, também devem fazer 
parte legitimamente da Igreja de Cristo do Novo Testamento, bem como, no desenrolar da 
história da Igreja Cristã através dos séculos. 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS 
 
 
a.C. antes de Cristo 
Apud. Citação indireta 
ARA Almeida Revista e Atualizada 
ARC Almeida Revista e Corrigida 
AT ANTIGO TESTAMENTO 
BCW Breve Catecismo de Westminster 
BEG Bíblia de Estudo de Genebra (2ª edição) 
BENVI Bíblia de Estudo NVI 
BJ Bíblia de Jerusalém 
BV A Bíblia Viva 
c. cerca 
cap./caps. capítulo, capítulos 
cf. conforme 
CFW Confissão de Fé de Westminster 
CH Catecismo de Heildelberg 
CI Constituição da Igreja 
CMW Catecismo Maior de Westminster 
d.C. depois de Cristo 
Ed./ed. Editor/Editora/edição 
e.g. exemplo(s) geral(is) 
et al e outros 
gr. grego 
hb. hebraico 
Id. Mesmo autor 
Ibid. Mesma obra 
i.e. isto é 
IPB Igreja Presbiteriana do Brasil 
KJA King James Atualizada 
lit. literal, literalmente 
LXX Septuaginta 
NT NOVO TESTAMENTO 
NVI Nova Versão Internacional 
Op. Cit. Obra já Citada 
Org. Organizador/organização 
p. página/páginas 
PSES Presbitério Sudeste do Espírito Santo 
ref. referência 
Rev. Reverendo 
Revº. Revisor 
s. seguinte (versículo ou página) 
ss. seguintes (versículos ou páginas) 
v. versículo 
vol. volume 
v. tb. ver também 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO: ------------------------------------------------------------------------------ 12 
2. CAPÍTULO I – OS FUNDAMENTOS SOBRE O BATISMO INFANTIL:----- 15 
2.1. OS FUNDAMENTOS EXEGÉTICOS DO BATISMO INFANTIL:---------------- 15 
2.1.1 Análise das Principais Palavras Relacionadas: ----------------------------------------- 15 
2.1.1.1 Aliança:------------------------------------------------------------------------------------15 
2.1.1.2 Circuncisão:------------------------------------------------------------------------------- 16 
2.1.1.3 Batismo: ----------------------------------------------------------------------------------- 17 
2.1.1.4 Criança: ----------------------------------------------------------------------------------- 19 
2.2. OS FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO BATISMO INFANTIL:---------------- 21 
2.2.1 Introdução:----------------------------------------------------------------------------------- 21 
2.2.2 A História do Batismo Infantil no Antigo Testamento:------------------------------- 22 
2.2.3 A História do Batismo Infantil no Novo Testamento:--------------------------------- 24 
2.2.4 A História do Batismo Infantil nos Pais da Igreja:------------------------------------- 26 
2.2.5 A História do Batismo Infantil na Reforma Protestante:------------------------------ 29 
2.2.5.1 Martinho Lutero:------------------------------------------------------------------------- 29 
2.2.5.2 Ulrich Zwínglio:-------------------------------------------------------------------------- 30 
2.2.5.3 João Calvino:----------------------------------------------------------------------------- 31 
2.3. OS FUNDAMENTOS CONFESSIONAIS REFORMADOS:------------------------ 31 
3. CAPÍTULO II – A DOUTRINA DO BATISMO:-------------------------------------- 36 
3.1. INTRODUÇÃO: ----------------------------------------------------------------------------- 36 
3.2. OS SACRAMENTOS:---------------------------------------------------------------------- 36 
3.3. O SIGNIFICADO DO BATISMO:-------------------------------------------------------- 38 
3.3.1 A Origem do Batismo:--------------------------------------------------------------------- 41 
3.3.2 O Batismo de João Batista: --------------------------------------------------------------- 42 
3.3.3 O Batismo de Cristo: ---------------------------------------------------------------------- 44 
3.3.4 O Batismo e a União Mística:------------------------------------------------------------- 45 
3.3.5 O Espírito Santo e a Água do Batismo:-------------------------------------------------- 46 
3.3.6 O Batismo Cristão:------------------------------------------------------------------------- 48 
4. CAPÍTULO III – PRINCIPAIS OPOSIÇÕES AO BATISMO INFANTIL:---- 50 
4.1. UM BREVE HISTÓRICO SOBRE A REFORMA RADICAL:---------------------- 50 
4.2. AS PRINCIPAIS OBJEÇÕES E REFUTAÇÕES:-------------------------------------- 52 
4.2.1 Não Existe Mandamento no Novo Testamento Para Batizar Crianças:------------- 52 
4.2.2 As Crianças Não Possuem Condições Necessárias Para o Batismo:---------------- 52 
4.2.3 A Circuncisão Era Apenas Uma Ordenança Carnal e Típica:------------------------ 53 
4.2.4 Não Há Exemplo de Batismo de Crianças no Novo Testamento:-------------------- 54 
4.2.5 A Filiação Abraâmica é Destituída de Valor:------------------------------------------- 55 
5. CAPÍTULO IV – A ALIANÇA SOB DUAS DISPENSAÇÕES:-------------------- 56 
5.1. A CONTINUIDADE DA ALIANÇA:----------------------------------------------------- 56 
5.1.1 O Sinal da Aliança:------------------------------------------------------------------------- 59 
5.1.2 O Rito da Aliança:-------------------------------------------------------------------------- 60 
5.1.3 A Nação da Aliança:----------------------------------------------------------------------- 61 
5.1.4 O Sinal e a Realidade:---------------------------------------------------------------------- 63 
5.2. A CONTINUIDADE DO SINAL:--------------------------------------------------------- 66 
5.2.1 Diferença Sacramental – Antigo e Novo Testamento: -------------------------------- 69 
5.2.2 Semelhança Sacramental no Antigo e Novo Testamento:---------------------------- 70 
5.3. A CONTINUIDADE DA IGREJA:------------------------------------------------------- 71 
5.4. OS BENEFICIOS DO SACRAMENTO BATISMAL:--------------------------------- 75 
5.4.1 Introdução:----------------------------------------------------------------------------------- 75 
5.4.2 Para a Igreja:-------------------------------------------------------------------------------- 76 
5.4.3 Para os Pais:--------------------------------------------------------------------------------- 76 
5.4.4 Para os Filhos:------------------------------------------------------------------------------- 77 
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS:-------------------------------------------------------------- 78 
7. BIBLIOGRAFIA:----------------------------------------------------------------------------- 80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PREFÁCIO 
 
Esta pesquisa traz, de forma concisa e prática, resposta para uma inquietante questão 
no coração dos crentes reformados em nosso país: o batismo infantil é biblicamente relevante? 
Em muitos momentos o batismo infantil tem sido banalizado com uma prática sem 
discernimento. Os crentes não estão prontos para darem respostas quando são questionados 
sobre as razões de batizarem seus filhos. 
Ao apresentar sua resposta, esta obra coloca as crianças no seu devido lugar e 
demonstra como elas são parte ativa da igreja de Cristo. As crianças não são apenas o futuro 
da igreja, elas estão presentes no corpo de Cristo e devem ser preparadas para servirem ao 
mestre com amor e dedicação. Analisando as questões bíblicas e como os pais da igreja 
interpretavam a Palavra de Deus em seu tempo, o trabalho nos mostra que nossas crianças são 
parte legítima da igreja de Cristo. Elas estão inseridas na comunhão dos santos e com eles 
apresentam a adoração ao Deus de toda a glória. Elas têm o direito ao rito da iniciação na 
igreja de nosso Senhor como qualquer outro discípulo do mestre. 
Ao resgatar a verdadeira compreensão bíblico-reformada da doutrina do pedobatismo, 
esta obra ajudará a igreja a preencher uma lacuna em busca de “reafirmarmos a nossa fé e 
responsabilidade com a Palavra de Deus”. 
O trabalho foi muito bem feito e ajudará aos seus examinadores a estruturar um 
conceito bíblico-teológico desta tão importante doutrina da fé cristã. 
 
Rev. Cássio Campos Neves. 
 
 
12 
 
INTRODUÇÃO 
 
O assunto proposto neste trabalho é apresentar as razões de ministrar o sacramento do 
batismo às crianças, filhos de pais crentes; e tem como objetivo responder algumas questões 
práticas e importantes para a cristandade. Tendo em vista que nas diversas igrejas evangélicas, 
de uma forma ou de outra, os crentes já foram questionados ou tiveram dúvidas quanto à 
importância e significado do sacramento batismal. Desta sorte, não conseguem discernir o 
“porquê de batizar suas crianças”, ocasionando uma banalização do sacramento, reportando-o 
a um mero rito eclesiástico. A principal dúvida comum entre os evangélicos é se há algum 
sentido ou razão bíblica para tal sacramento, uma vez que crianças são incapazes de crerem e 
se decidirem pela fé evangélica em Cristo. A questão é: devem considerá-las como parte 
integrante do povo de Deus ou classificá-las como fora da comunhão dos santos, como 
entendem alguns, até que possa exercer fé pessoal no Salvador? Estará confirmado o direito 
que têm os pequeninos ao rito de iniciação na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo? 
Estas indagações residem no fato de que há certo desconhecimento por parte do povo 
evangélico em geral sobre a legitimidade bíblica da admissão das crianças na Igreja visível, 
gerando assim, grande oposição quanto à prática do pedobatismo. 
Portanto, nada mais urgente do que reafirmarmos a nossa fé e responsabilidade com a 
Palavra de Deus, apresentando as verdadeiras razões bíblicas da doutrina do pedobatismo. 
É importante ressaltar que este trabalho não pretende tratar a respeito do modo de 
batismo, re-batismo ou outras questões que não estejam diretamente ligadas às razões do 
batismo específico de crianças. Como foi exigido pelo PSES, o assunto consta na Confissão13 
 
de Fé de Westminster, Cap. XXVIII, Art. IV – Do Batismo. 1 Como afirma a Constituição da 
Igreja Presbiteriana do Brasil no Cap. 3, Art. 17, 2ª Seção da CI/IPB, alínea “a” com respeito 
ao batismo. 
Quanto ao método adotado para o presente trabalho, será desenvolvido sob a pesquisa 
bibliográfica, que se utilizará do conhecimento disponível a partir das teorias publicadas em 
livros, periódicos e obras semelhantes. Logo, este trabalho será delineado através de 
bibliografia específica, de acordo com a hermenêutica histórico-gramatical e a base 
confessional reformada. 
No capítulo I será objetivo deste trabalho, mostrar se havia de fato, a prática da 
admissão de crianças na Igreja do Antigo e Novo Testamento em seu contexto histórico e 
teológico. Bem como, coligar as razões essenciais prescritas na Palavra, a respeito da inclusão 
de crianças na Igreja Cristã. Ainda, identificar o seu testemunho histórico nos principais 
períodos da história do cristianismo. 
No capítulo II, por conseguinte, serão apresentadas as bases e a verdadeira natureza 
espiritual do pedobatismo. Sendo assim, serão abordadas as questões teológicas da doutrina 
do batismo numa visão bíblico-reformada, principalmente, a calvinista. 
No capítulo III, será apresentado um breve histórico sobre os opositores do 
pedobatismo, sobretudo, os anabatistas. Bem como, refutar biblicamente algumas de suas 
principais objeções. 
No capítulo IV tratar-se-á sobre a Aliança de Deus com seu povo. E o foco principal 
será a fundamentação das razões da admissão das crianças na Igreja do Senhor. 
 
1 Ver maiores detalhes – Cap. I – Fundamentos do Batismo Infantil - Fundamentos Confessionais Reformados. p. 
31. 
14 
 
Assim, este trabalho tem como objetivo comprovar que há razões de fato para crer que 
o batismo infantil é prescrito na Palavra de Deus. E o motivo disso, baseia-se no aspecto 
pactual do batismo, mostrando que Deus se relaciona com famílias, a sua igreja, através de 
um pacto perpétuo, tendo como símbolos a circuncisão no Antigo Testamento e batismo no 
Novo Testamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
CAPÍTULO I 
FUNDAMENTAÇÕES SOBRE O BATISMO INFANTIL 
 
2.1 OS FUNDAMENTOS EXEGÉTICOS DO BATISMO INFANTIL 
 
2.1.1 Análise Exegética das Principais Palavras 
 
 Para iniciar este trabalho, se faz pertinente que seja abordado algumas palavras chaves 
referentes à doutrina do batismo. Os oponentes ao pedobatismo afirmam que não há na Bíblia 
nenhuma ordem explícita para batizar crianças, e que também, não há nela nenhum exemplo 
claro de que alguma criança foi batizada. Entretanto, segundo Berkhof, “isto não torna 
necessariamente antibíblico o batismo” [infantil].2 Portanto, uma análise das palavras que se 
relacionam diretamente com a doutrina do pedobatismo3 buscará apresentar exegeticamente 
os firmes fundamentos para as motivações bíblicas, históricas e teológicas do pedobatismo. 
Por isso, doravante, será prestada a exegese de algumas palavras para servir de 
direcionamento na compreensão e fundamentação de termos e expressões correspondentes 
com a doutrina do batismo infantil. 
 
2.1.1.1 Aliança: 
 
 
2 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 584. 
3 Nota. “Pedobatismo”: Transliteração de Paíij (paidós), “criança”, e Baptismo,j (batismós) , “batismo”. 
Essa palavra enfoca a prática do batismo de crianças. 
16 
 
No Antigo Testamento duas palavras hebraicas poderão ser relacionadas ao termo 
Aliança.4 As palavras ytiÞyrIb. (berît) “aliança”; significando também, “tratado”, 
“pacto” ou “contrato”.5 É uma transação que unem duas partes. Esta aliança poderia ser 
realizada por meio de um ritual complexo ou apenas um sacrifício, banquete, juramento ou 
aperto de mão. O termo hebraico ‘berît’ é geralmente usado com o verbo tr;K' (kárat), 
“cortar fora”, fazendo alusão ao rito indicado em Jeremias 34:18s.6 Conforme diz Horton: “o 
verbo karat (‘cortar fora’) aparece, freqüentemente, antes do termo ‘berît’, (‘pacto’)”. 7 O 
derramamento de sangue era extremamente importante para as relações pactuais. Na 
Septuaginta se expressa por diaqh,kh diati,qemai (diathêke diatithemai), 
“estabelecer uma aliança” (cf. Septuaginta - LXX - Jr 38:31). A condição prévia da sua 
eficácia diante da lei é a morte do testador.8 
No Novo Testamento a palavra grega cognata do Antigo Testamento também é 
diaqh,kh (diathêke) “aliança, acordo ou testamento”; esta aliança não é um acordo entre 
partes com direitos iguais, portanto, diathêke deve ser distinguido de Sinqh,ke (synthêke), 
“contrato”, neste tipo de contrato, ambas as partes se dedicam ativamente e em comum, 
aceitam obrigações recíprocas. Já diathêke se refere a uma disposição legal e irrevogável 
partindo especialmente de Deus para redenção do homem (cf. Hb 10:16).9 
 
2.1.1.2 Circuncisão 
 
 
4 Nota. Para questões puramente didáticas, serão permutadas as expressões “aliança” e “pacto” uma pela outra no 
desenvolvimento deste trabalho. 
5 BEREZIN, Rifka. Dicionário Hebraico-Português. p. 60 
6 ALLMEN, J. J. Von. Vocabulário Bíblico. p. 22. 
7 HORTON, Michael. Um Caminho Melhor. p. 114. 
8 SEPTUAGINTA, Bíblia da. Livro de Jeremias. p. 722. 
9 COENEN, Lothar; BROWN,Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vol. I. p. 58-
61. 
17 
 
Outra palavra importante do hebraico bíblico é “circuncisão” hlWm (mûl), 
“circuncidar”, “deixar-se circuncidar”, “ser cortado fora”.10 O substantivo ( mûlá) hl\Wm 
é usado apenas uma vez no Antigo Testamento, em Exôdo 4:26, onde devido à circuncisão do 
filho, Zípora acusou Moisés de ser um esposo sanguinário. No grego a palavra usada é 
Perite,mnw (peritémnô), “circuncidar”, “cortar ao derredor”, “mutilar”. É usada pela 
Septuaginta para traduzir a palavra hebraica mûl de maneira ritual e literal (cf. Gn 34:22).11 
Semelhantemente é o caso do substantivo Peritomh, (peritomé) “circuncisão”, que 
possivelmente, é usado restritamente para “circuncisão” (cf. Gn 17:13; Cl 2:11). O adjetivo 
 (àperítmetos), “incircunciso”, “não mutilado” (cf. 1 Co 7:18), usualmente 
corresponde ao hebraico lr;[' (‘aral) “considerar incircunciso”, “ser como um 
incircunciso”, “exibir a incircuncisão” (cf. Hc 2:16). O adjetivo lre[' (‘arél) é usado 
conforme o ritual de Gn 17:14 para significar o não israelita, como por exemplo em 1 Samuel 
17:26 quando Davi chama Golias, o filisteu, de “esse incircunciso filisteu”.12 
 
2.1.1.3 Batismo 
 
 
A palavra batismo é expressa por variadas palavras no hebraico, e pertence ao grupo 
geral de práticas vinculadas a lavagem com água, dentre elas pode-se observar as seguintes: 
qr;z" (záraq) do hebraico “espalhar”, “aspergir”, “lançar”, “jogar”, “espalhar em 
abundância” (Ex 24:6-8). Este verbo aparece 35 vezes no Antigo Testamento e é usado em 
 
10 GLEASON L. Archer Jr.; BRUCE K. Waltke; LAIRD R. Horris. Dicionário Internacional de Teologia do 
Antigo Testamento. p. 816-817. 
11 COENEN, Lothar; BROWN,Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vol. I. p. 354-
357. 
12 GLEASON L. Archer Jr.; BRUCE K. Waltke; LAIRD R. Horris. Dicionário Internacional de Teologia do 
Antigo Testamento. p. 1170-1171. 
18 
 
cerimônias religiosas para dois propósitos: 1) solenizar uma união inviolável entre Deus e o 
homem (2 Rs 16:15); 2) e como rito de purificação para indicar santificação (Ex 29:20; Lv 
1:5). 13 Outra palavra hebraica para batismo é Hz\n; (názâ) “borrifar”, “aspergir” 
sangue, óleo ou água com os dedos ou com algum instrumento próprio (Lv 4:6; 14:51). A 
palavra nazâ se distingue da palavra záraq, por ser um aspergimento mais pesado feito com a 
mão toda (cf. Ex 9:8; 29:20-21; Lv 6:6; Nm 19:20-21), o verbo ocorre 24 vezes na Bíblia.14 
As palavras cognatasno grego são:  (Baptô), significa na maioria das vezes 
“mergulhar em”, de forma completa; usado no Novo Testamento em sentido literal (Lc 16:24; 
Jo 13:26), e em Apocalipse 19:13 para “tingir”; também no grego secular significa “tingir”, 
“tirar” (água). Esta palavra ocasionalmente traduz a palavra hebraica tabal na Septuaginta. Já 
o termo grego  (baptizô) “batizar”, “imergir”, “submergir”, “mergulhar”, é uma forma 
intensiva de baptô “mergulhar em” (o termo baptizô tem a idéia de fazer perecer, afogar ou 
afundar).15 
Segundo C. Hodge, as palavras citadas acima, de fato, nem sempre significam 
“mergulhar em”; geralmente se empregam com o sentido de “derramar sobre”, “lavar”, 
“limpar”, “tingir”, “manchar”, etc. Podem expressar imersão parcial, imersão total, absorção 
ou efusão.16 Alguns textos apontam para esta argumentação. Em 1 Coríntios 10:2, Paulo 
afirma que todo o povo foi batizado, “assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”. 
 
13 GLEASON L. Archer Jr.; BRUCE K. Waltke; LAIRD R. Horris. Dicionário Internacional de Teologia do 
Antigo Testamento. p. 412. 
14 GLEASON L. Archer Jr.; BRUCE K. Waltke; LAIRD R. Horris. Dicionário Internacional de Teologia do 
Antigo Testamento. p. 944. 
15 COENEN, Lothar; BROWN,Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vol. I. p. 180-
181. 
16 HODGE, Charles; O Batismo Cristão: Imersão ou Aspersão? p. 9. 
19 
 
Pode-se concluir claramente desta passagem que o termo baptizô não é só submergir. O texto 
de Marcos 7:4 e Lucas 11:38 também auxiliam esta argumentação.17 
Agora, a palavra grega Baptw é geralmente utilizada pela Septuaginta para traduzir a 
palavra lb;j' (tábal) “mergulhar”, “imergir”. O verbo tábal transmite a idéia de imergir 
um objeto em outro, como pão em vinagre (Rt 2:14), os pés na água (Js 3:15), uma túnica em 
sangue (Gn 37:31). Usava-se o “mergulhar” no ritual religioso de purificação em Israel num 
sentido literal como em 1 Sm 14:27; ou na oferta pelo pecado, mediante a qual se fazia 
expiação pela iniqüidade individual ou nacional, quando o sacerdote mergulhava o dedo no 
sangue do animal sacrificado e o borrifava perante o véu ou o colocava sobre os cantos do 
altar (cf. Lv 9:9).18 
 
2.1.1.4 Criança 
 
 
Este termo das Escrituras é também muito variado e se expressa nas seguintes 
palavras: {dl;y" (yálad) “dar a luz”, “gerar”, “produzir”, “procriar”, “estar em 
trabalho de parto”. Em seu sentido mais restrito, descreve o ato de uma mulher dar à luz uma 
criança (Ex 1:19; 1 Rs 3:17-18), porém, às vezes aponta-se o papel do pai em se tornar genitor 
(Gn 4:18; 10:8, 24, 26; 22:23, 25:3; 1 Cr 1:10-20, Pv 23:22). Podendo também, se referir à 
gestação da mulher (Gn 38:27-28) ou até mesmo indicar especificamente as dores do parto 
(cf. Gn 35:16; Mq 5:33).19 
 
17 Marcos 7:4 - “quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem (baptizô); e há muitas outras coisas que 
receberam para observar, como lavagem (baptismós) de copos, jarros e vasos de metal [e camas]”. Veja também 
Lucas 11:38: “o fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não se lavar (baptizô) primeiro, antes de comer”. 
Ver Id. Ibid, p. 12. 
18 GLEASON L. Archer Jr.; BRUCE K. Waltke; LAIRD R. Horris. Dicionário Internacional de Teologia do 
Antigo Testamento. p. 559. 
19 Id. Ibid. p. 618. 
20 
 
Também se encontra variantes da raiz dly (yld) nas seguintes palavras hebraicas: 
dl,y, (yeled), “criança”, “jovem adulto”, “filho”, “menino”, ‘fruto”. Também na 
palavra: hd|l.y; (yaldâ) “menina”, “donzela”, que em geral designam crianças bem 
novas, mas podem também se referir a adolescentes e às vezes, até mesmo a adultos jovens (1 
Rs 12:8-14; 2 Rs 2:24; 2 Cr 10:8-4). O substantivo dyliy| (yálîd) “nascido”, 
“crianças”, “filhos” só é encontrado no estado construto (nascidos de; crianças de; filhos de), 
na maioria dos casos é empregado para indicar as crianças filhas de escravos já possuídos por 
um israelita. 
O substantivo todo,l,wom (môledet) “parente”, “consangüíneo”, 
“nascimento”, “nascido”, “gerado”, “nativo”, deve ser basicamente interpretado como 
“parente” ou “parente consangüíneo” (ocasionalmente referindo-se a um indivíduo, mas em 
geral é usado como coletivo), sendo possível interpretar todas as suas ocorrências em função 
deste sentido. O derivado de yálad twodlewoT (tôlédôt) “gerações”, “nascimento” 
(que segundo a tradução clássica a expressão “gerações” não transmite o significado da 
palavra em conformidade com o significado do Antigo Testamento) faz referência àquilo que 
é produzido ou levado a existir por alguém ou àquilo que decorre de tal pessoa. Em nenhum 
caso em Gênesis a palavra inclui o nascimento do indivíduo cuja tôlédôt ele introduz (exceto 
Gn 25:19).20 
No grego há a palavra  (bréphos) que significa “feto”, “embrião” de animais, 
de homens, “bebê”, “pequena criança”, “infante” (cf. Lc 1:41; 9:47). Já a palavra grega 
 
20 GLEASON L. Archer Jr.; BRUCE K. Waltke; LAIRD R. Horris. Dicionário Internacional de Teologia do 
Antigo Testamento. p. 620-621. 
21 
 
i; (país) significa “tamanho pequeno”, “pequeno”, “pouco”, “menino”, “criança”, 
“rapaz”, “de muito pequena estatura”. (cf. Mt 17:18; Lc 2:43). O diminutivo de país é 
 (paidion), “criança muito jovem”, “infante”, “criancinha de até sete anos de idade”. 
Este termo sempre tem a idéia de alguém com pouca idade (cf. Gn 17:12; 21.8, Jo 16:21; Mt 
18:2), um “recém nascido” (cf. Gn 45:19; Mt 11:16), conforme Mc 5:39, 7:28, 30, 9:24 
“criança crescendo acima de sete anos de idade”, e também com referência aos descendentes 
(cf. Lc 11:7, Jo 4:49). Outro diminutivo é paidáriou “pequenino”, comum na Septuaginta para 
indicar “idade”, “pequeno rapaz” de uns sete anos de idade (cf. Gn 37:30).21 
A palavra grega  (téknon) “criança”, na Septuaginta corresponde 11 vezes a 
palavra hebraica !Be (ben) ”gerado” (cf. Gn 17:26). No Novo Testamento a palavra é 
usada ou em sentido geral ou em vários significados específicos: “criança” (Mt 7:11; Lc 
11:13); “filho” (Mt 21:28; Lc 12:48); e figuradamente (1 Ts 2:11; Fp 2:22); podendo também 
significar “descendência” (Mt 2:18; 27:25); descendentes físicos (At 2:39; Rm 9:8; Lc 16:25), 
e descendentes espirituais (Mt 3:9; Lc 3:8); mulheres cristãs como filhas de Sara (Rm 9:7). 
Pode ser também uma palavra intimamente dirigida para aqueles sem parentesco (Mc 2:5; Mt 
9:2) e paralelamente quando ela é usada para a relação dos filhos espirituais para com os 
mestres ou apóstolos. Os habitantes de Jerusalém são chamados seus tékna (Jl 2:23; Zc 9:13; 
Mt 23:37).22 
 As palavras analisadas nesta parte constituem os fundamentos para a finalidade 
almejada. Tem como intuito nortear este trabalho, buscando na medida do possível o máximo 
de compreensão e objetividade, dentro de um arcabouço exegético, sob uma interpretação 
bíblica, histórica, teológica e gramatical. 
 
21 COENEN, Lothar; BROWN,Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vol. I. p. 467-
469. 
22 COENEN, Lothar; BROWN,Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vol. I. p. 470. 
22 
 
 
2.2 OS FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO BATISMO INFANTIL 
 
 
Introdução 
 
 
A fundamentação histórica tem como objetivo possibilitar uma compreensão abrangente 
sobre a admissão de crianças na Igreja visível através da circuncisão (AT) ou batismo (NT) 
desde o Antigo Testamento até aos nossos dias. Os registros bíblicos e históricos permitem a 
igreja atual a um melhor entendimento quanto às relações com suas crianças através dos 
tempos. 
Salienta-se que esta fundamentação histórica terá uma maior relevância nos registros 
bíblicos sem nenhum descrédito quanto a testemunhos e documentos externos à Palavra. 
Dessestestemunhos, destacam-se os Pais da Igreja, tanto da Igreja Oriental quanto da 
Ocidental, dos primeiros séculos da era cristã. Destacam-se também as contribuições dos 
principais reformadores quanto ao assunto do pedobatismo. 
Portanto, este breve histórico da Igreja Cristã visa esclarecer se havia, ou não, a 
admissão sacramental de crianças como membros da Igreja visível no Antigo e Novo 
Testamento. Se a Igreja dos primeiros séculos deu continuidade a esta admissão ou não. Se os 
reformados tem ou não razões para batizarem suas crianças na igreja atual. 
 
2.2.2 A História do Batismo Infantil no Antigo Testamento 
 
 
 Adão, o primeiro homem, violou o pacto de obras que Deus tinha feito com ele, e 
todos os seus filhos foram penalizados conseqüentemente (Gn 9:8-17). Mas, de acordo com 
os registros bíblicos, Deus havia separado um povo para si (Gn 3:15), e não só o separou 
23 
 
como também fez uma aliança ytiøyrIB.-ta, “minha aliança”, com este 
(Gn 17:7). Deus entrou numa relação pactual com um povo a fim de salvá-lo.23 
O capítulo nove de Gênesis marca o aspecto dos descendentes por terem participação 
efetiva dentro do Pacto (Gn 9:1-17). Pode-se afirmar, então, que a família de Noé está 
incluída na sua totalidade nas bênçãos provenientes do Pacto. Observa-se a particularidade da 
graça de Deus manifestada sobre Noé e toda a sua família em Gênesis 6:8 quando diz: “Porém 
Noé achou graça diante de Deus”, e no versículo 18: “Contigo, porém, estabelecerei a ‘minha 
aliança’ ytiÞyrIB.-ta, entrarás na arca tu, e teus filhos, e a tua mulher, e as 
mulheres de teus filhos”. E este tratamento na aliança segue pelo Capítulo 7:1. Observem que 
a justiça de Deus sobre o chefe da família e a graça de Deus fazem com que todos os seus 
façam parte da Aliança e desfrutem de suas bênçãos.24 
A marca do chamado “pacto da promessa” ou “aliança da graça” está registrada em 
Gênesis 15, mostrando o estabelecimento na sua essência como um “pacto de sangue” (Gn 
15:9-10). A partir deste pacto o homem passa a ser parte mais ativa na aliança e tem então que 
responder com fé as promessas de Deus (Gn 15:6).25 
Em Abraão todos os seus descendentes foram incluídos no pacto, assim como em 
Cristo Jesus, todos os fiéis foram chamados para a redenção. É importante destacar que 
Abraão após o pacto recebeu um sinal como selo da aliança: a circuncisão, o derramamento 
de sangue com o esmagamento da carne do prepúcio marcaria um futuro, simbolizando com 
esta prática ritual, a todas as gerações vindouras, que a semente redentiva seria provida. 26 
 
23 ROBERTSON, O. Palmer. Cristo dos Pactos. p. 85. 
24 Id. Ibid. p. 99. 
25 GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação: O Reino, a Aliança e o Mediador. Vol. I. p. 247-248. 
26 ROBERTSON, O. Palmer. Op. Cit. p. 134-138. 
24 
 
A preservação e ampliação da aliança abraâmica veio após a externalização da vontade 
de Deus através da aliança mosaica, que passa então, a ser de caráter nacional. Agora, a vida 
civil de Israel estava intimamente ligada a esta aliança (Ex 20).27 
Nesta ampliação nacional, destaca-se a inclusão das crianças no estabelecimento do 
pacto mosaico, testificando novamente, que Deus fez um pacto com famílias e não 
simplesmente com indivíduos isolados (Ex 12:26; 20:5-6). 
Segundo Berkhof, "durante a antiga dispensação, as crianças eram consideradas parte 
integrante de Israel como o povo de Deus. Estavam presentes quando era renovada a aliança” 
(cf. Dt 29:10-13; Js 8:35; 2 Cr 20:13); as esposas e as crianças do sexo feminino recebiam a 
Aliança através dos chefes de suas famílias que eram seus representantes nesta relação pactual 
(cf. Dt 29:10-13;Hb 7:7-10). Os que não eram judeus, mas desejavam se juntar ao Povo de 
Deus, eram também unidos pela circuncisão por decisão da própria fé. E, por conseguinte, 
seus filhos, naturalmente eram admitidos, circuncidados por causa da fé professada por seus 
pais (Gn 17:13-14). 28 Portanto, a relação pactual entre Deus e seu Povo foi marcada pelo rito 
da circuncisão como sinal da admissão na igreja visível do Antigo Testamento. Este rito 
deveria ser administrado aos infantes em seu oitavo dia de nascido como sinal de que faziam 
parte da Aliança (cf. Gn 17:12; Lv 12:3).29 
 
2.2.3 A História do Batismo Infantil no Novo Testamento 
 
Segundo Sartelle, “todo o ensino do Novo Testamento tem sua origem no Antigo 
Testamento”.30 Entretanto, os exemplos de Deus abençoando as crianças devido à fé de seus 
 
27 Id. Ibid. p. 155. 
28 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 585. 
29 GRONINGEN, Gerard Van. Op. Cit. p. 251-253. 
30 SARTELLE, John. Et al. O Batismo Infantil: O Que os Pais Deveriam Saber Acerca Deste Sacramento. p. 9. 
25 
 
pais não estão limitados ao Antigo Testamento. O Novo Testamento também conta com 
muitos desses exemplos: em Mateus 9:18-19 e 23-26 descreve Jesus curando a filha de um 
chefe religioso; ainda em Mateus 17:14-18 narra o episódio da cura realizada por Jesus de um 
menino endemoninhado; também é registrado por Lucas que Jesus ressuscitou o filho de uma 
viúva (Lc 7:11-17); João registra Jesus curando um filho de um oficial do rei (Jo 4:46-54). 
 Diante destas passagens pode-se observar certa naturalidade em Jesus abençoar 
crianças. Quando Jesus ordenou aos seus discípulos para pregarem o evangelho 
primeiramente aos perdidos da casa de Israel, certamente, aqueles discípulos sabiam que 
quando um prosélito ingressava na igreja judaica, todos eram admitidos: homens, mulheres e 
crianças. Como afirmou Swift: “aqueles homens que estavam familiarizados com as crianças 
sendo batizadas [batismo de prosélitos, abluções, purificações – cf. Hb 9:10],31 certamente 
não entenderam que esta prática teria de cessar”.32 
Quanto à promessa da aliança na proclamação do evangelho no dia de Pentecostes em 
Jerusalém, Pedro afirmou que as bênçãos e as promessas divinas de salvação não eram apenas 
para os adultos, mas também para os seus “filhos” te,knoij (At 2:38-39). A promessa a 
que o apóstolo Pedro se refere certamente é a Aliança de Deus com seu Povo através de 
Abraão que foi expandida aos seus filhos (cf. Rm 4:11-13, 17), e que posteriormente esta 
Aliança seria estendida a todas as nações (cf. Ef 2:11-16). Observando a pregação de Pedro no 
Pentecostes, afirmando que as promessas eram também para seus descendentes, seria difícil 
crer que ele batizou crianças entre os três mil convertidos? Certamente que não, pois, os 
apóstolos não ignoravam os costumes de sua Igreja. 
 
31 Nota. O batismo de prosélitos já vinha sendo aplicado, mas somente aos gentios conversos e a seus filhos. 
Obviamente, os judeus de nascimento não eram batizados, nem seus filhos. Ver maiores detalhes em Swift, W.G. 
O Batismo Por Aspersão e Batismo de Crianças. p. 37. 
32 SWIFT, W. G. Batismo Por Aspersão e Batismo de Crianças. p. 37. 
26 
 
Deste modo, percebe-se que os apóstolos batizaram famílias inteiras. Paulo batizou 
Lídia e toda a sua casa “oi=koj” (At 16:15); o carcereiro e todos os de sua casa “oi,ki,a” 
(At 16:32-33); a casa “oi=kon” de Estêfania (1 Co 1:16). Ainda que nestes textos não 
houvesse referência às crianças, é apropriada a compreensão de que as expressões "casa" e 
"todos os de sua casa" aludissem à família dos que creram.33 Swift questionando sobre este 
assunto diz: “Quem pode crer que em tantas famílias não havia crianças? Ou os judeus que 
fazia tanto tempo estavam acostumados a circuncidar seus filhos não os consagrassem a Deus 
pelo Batismo?” 34 Acrescenta-se ainda, a palavra do apóstolo Paulo afirmando que os filhos 
de um ou ambos os pais crentes são “santos” (1 Co 7:14). 
 Portanto, diante destas provas bíblicas e históricas retiradas do Antigo e Novo 
Testamento só resta ratificar o que Evans afirmou a este respeito: 
 
 
A continuidade sacramental do Velho Testamentopara o Novo Testamento é tão forte 
que o não batizar as crianças seria uma rejeição explícita do princípio teológico do 
Velho Testamento de que as crianças estão incluídas no Pacto.35 
 
 
 
Neste momento, embora já se tenha demonstrado evidências bíblicas retiradas das 
próprias Escrituras Sagradas, ainda assim, é mister apresentar como se dava a inclusão das 
crianças na Igreja Cristã dos primeiros séculos. Como era vista a prática do pedobatismo aos 
que sucederam aos apóstolos. 
 
33 Id. Ibid. p. 40. 
34 Id. Ibid. p. 40. 
35 EVANS, John. Et al. O Batismo Infantil: O Que os Pais Deveriam Saber Acerca Deste Sacramento. p. 57. 
27 
 
2.2.4 A História do Batismo Infantil nos Pais da Igreja 
Evidentemente alguns nomes destes “Pais da Igreja” deverão ser considerados não por 
suas posições teológicas referentes a outros temas, mas sim, como evidências históricas de 
que a inclusão sacramental das crianças na Igreja Cristã era algo comum através da história. 
Conseguinte, durante o desenvolvimento do cristianismo surgiram vários escritos e um 
dos documentos mais antigos do cristianismo é seguramente o Didaquê, também conhecido 
como o “Ensino dos Apóstolos” ou o “Ensino do Senhor Através dos Apóstolos”, foi escrito 
aproximadamente entre o período de 110 a 130 d. C. Foi uma das primeiras obras produzidas 
após o Novo Testamento. Entretanto, não há relatos ou instruções sobre batismo infantil neste 
documento, isto porque, possivelmente, deve-se à prática comum da época. Portanto, não 
havia dúvidas ou controvérsias naquele tempo sobre este assunto.36 
Provavelmente, o batismo de crianças tomou forma ainda no primeiro século da era 
cristã (70 d. C.) com base na afirmação do bispo Policarpo de Esmirna (70-156 d. C.), o qual, 
diante das ameaças insistentes para que renegasse a Cristo, declarou: “Há 86 anos que o sirvo 
e nunca me fez mal algum. Como poderia eu blasfemar meu Rei e Salvador?” 37 É possível 
que Policarpo estivesse se referindo a sua admissão na Igreja a partir do batismo recebido na 
sua primeira infância. 
Swift comenta que um contemporâneo do apóstolo Paulo chamado Hermas (vd. Rm 
16:14) fala de crianças que receberam o selo do batismo, nas seguintes palavras: “ora, esse 
selo é a água do batismo”.38 E também que Clemente, a quem Paulo menciona em Filipenses 
 
36 TABRAJ, Salomón Barzola. Herdeiros do Pacto da Graça, Um Estudo Bíblico, Exegético e Histórico do 
Batismo de Crianças. p. 83-84. 
37 GONZÁLEZ, Justo L. A Era Dos Mártires, Uma História Ilustrada do Cristianismo. Vol. I. p. 71. 
38 SWIFT, W. G. Op. Cit. p. 41. 
28 
 
4:3, aconselhava os pais: “batizai os vossos filhos e criai-os na disciplina e correção do 
Senhor”. 39 
Outro grande teólogo foi Justino Mártir, nascido em Neápolis (Síria Palestina ou 
Samaria – 100-165 d. C.). Em seus escritos do ano de 138 d. C., faz referência aos “cristãos 
de ambos os sexos, alguns de sessenta, outros de setenta anos de idade, que haviam se tornado 
discípulos desde a infância”. 40 Possivelmente Justino fazia referência àqueles que foram 
batizados desde pequeninos e continuaram firmes na fé Cristã até então. 
 Quanto a Irineu, Bispo de Lion (Ásia Menor, Esmirna, 130 – Lion, 208 d.C.), tendo 
sido discípulo de Policarpo de Esmirna. Sobre ele, Ferguson citado por Elwell afirma que este 
grande líder e defensor da fé cristã disse o seguinte: 
 
 
 
A igreja aprendeu dos apóstolos a ministrar o batismo a crianças. Porque ele (Cristo) 
veio salvar a todos por ele mesmo – todos, quero dizer, os que são regenerados 
(batizados) para Deus; criancinhas e pequeninos, meninos e jovens e pessoas adultas.41 
 
Orígenes, nascido na Grécia (Alexandria, 185-254 d. C.,) cujo avô e bisavô eram 
cristãos nos tempos apostólicos disse: “conforme os usos da igreja, o batismo é ministrado até 
mesmo às crianças”.42 Ainda, quando comentava a Epístola aos Romanos afirmou: “que a 
Igreja tinha dos apóstolos a tradição (ou ordem) para administrar o batismo às criancinhas”.43 
Tertuliano, um dos principais estudiosos da doutrina dos sacramentos, nascido na 
África do Norte (Cartago, 155-220 d.C), grande apologista cristão do segundo século opôs-se 
ao batismo infantil na sua época, por pensar que o batismo purificava pecados até o dia do 
 
39 Id. Ibid. p. 41. 
40 TABRAJ, S. B. Op. Cit. p. 84. 
41 ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vol.. II. p. 346-347. 
42 SWIFT, W. G. Op. Cit. p. 40. 
43 TABRAJ, S. B. Op. Cit. p. 86. 
29 
 
batismo (ex opere operato).44 Devido ao sistema romanista no seu raciocínio aconselhava que 
se adiasse o batismo para mais tarde. Não por contrariedade, mas por prevenção. 45 Por isto, 
temendo que o pecado pudesse anular o efeito regenerador do batismo na vida do batizado, 
pensava então que a melhor época para o rito seria o fim da vida, como observou Berkhof: “O 
batismo de crianças já era corrente nos dias de Orígenes e Tertuliano, embora este último o 
desestimulasse, com base em questões de conveniência”.46 
Em 250 d. C., Cipriano, nascido na África do Norte (Cartago, 200-285 d. C.,), Bispo 
de Cartago, quando participava de um determinado concílio eclesiástico recebeu uma carta do 
Bispo Fido, um dos antigos pais, que lhe escreveu que os infantes não deveriam ser batizados 
antes dos oitos dias de nascido e que era necessário obedecer à lei da antiga circuncisão. 
Cipriano então o respondeu: 
Como a graça do batismo não deve ser apartada de ninguém e especialmente das 
crianças, a nossa decisão é que, não apenas podem ser batizadas antes dos oitos dias 
de idade, como também imediatamente após terem nascido.47 
 
João Crisóstomo, o “Boca de Ouro”, (Antioquia, 344-407 d. C.), patriarca de 
Constantinopla e também um dos quatro grandes Pais da Igreja Oriental disse que: 
 
Havia dificuldade e empecilho na prática da circuncisão judaica; mas nossa 
circuncisão, quero dizer, a graça do batismo, dá cura sem dificuldade, pois , é tanto 
para crianças quanto para adultos.48 
 
Agostinho de Hipona, nascido na África do Norte (Tagaste - Algéria, 354-430 d. C.), 
precisamente, foi um dos maiores teólogos da antiguidade. Referente ao pedobatismo, 
 
44 Nota. “Ex Opere Operato” – Segundo Kelly, “à chamada doutrina sacramental ex opere operato, isto é, que os 
sacramentos são sinais que, de forma concreta e automática, operam a graça que representam”. Ver KELLY, J. 
N. D. Doutrinas Centrais da Fé Cristã. p. 324. 
45 TABRAJ, S. B. Op. Cit. p. 85. 
46 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 578. 
47 TABRAJ, S. B. Op. Cit. p. 87. 
48 SWIFT, W. G. Op. Cit. p. 34. 
30 
 
Agostinho deixou o seu testemunho nas seguintes palavras: “desde a antiguidade, a igreja tem 
observado o batismo infantil”.49 
Os textos acima evocados deixam claro o alcance do batismo de crianças na Igreja dos 
primeiros séculos. Estes são alguns dos registros históricos que confirmam a prática do 
batismo infantil nos primeiros séculos da Igreja. Subsidiando também a ausência de qualquer 
documento que possa contrariar ou até mesmo proibir o sinal sacramental como iniciação ao 
Povo de Deus desde o Antigo Testamento. Conseguinte, serão mencionados os principais 
teólogos da Reforma Protestante que explicitamente confirmarão a prática do pedobatismo no 
desenvolvimento da história da igreja cristã. 
 
2.2.5 A História do Batismo Infantil na Reforma Protestante 
 
2.2.5.1 Martinho Lutero 
 
O reformador Martinho Lutero nasceu em Eisleben (Alemanha, 1483-1546 d. C.). 
Desenvolveu uma nova compreensão das Escrituras, da fé e da igreja.50 Lutero defende a sua 
doutrina sacramental em vários escritos, destacam-se a obra “Cativeiro Babilônico da Igreja” 
e os “Catecismos Maior e Menor”. Para ele, o batismo infantil testifica a salvação pela Graça. 
Lutero recomenda que,“aos símplices, deve-se ensinar que tanto a história quanto a 
experiência revelam que Deus aprova o batismo de crianças, já que o Espírito Divino não foi 
retido a muitos que receberam o sacramento na meninice.” 51 
 
 
49 TABRAJ, S. B. Op. Cit. p. 87. 
50 GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. p. 95. 
51 CONCÓRDIA, Livro de. As Confissões da Igreja Luterana. p. 482-483. 
31 
 
2.2.5.2 Ulrich Zwínglio 
 
Outro grande reformador, sem dúvida, foi Ulrich Zwínglio. Nasceu em Toggenburg-
Wildhaus no Alto dos Alpes, Suiça (1484-1531 d. C.). Fundador das Igrejas Reformadas da 
Suíça. Viveu uma intensa controvérsia sobre a questão do batismo infantil. Daí o surgimento 
dos “anabatistas” ou “rebatizadores”, em 1525 de uma desilusão de alguns de seus discípulos 
que estavam cansados da lentidão da reforma zwingliana em Zurique, Suiça. Os principais 
deles foram Conrad Grebel e Tomas Muntz. 52 
Em seus primeiros anos de reforma em Zurique, parece ter acreditado que somente os 
adultos poderiam receber conscientemente o batismo, assumindo um compromisso de fé e de 
que não havia evidências bíblicas sobre a prática do pedobatismo. Entretanto, ao final de 
1524, Zwínglio publicou alguns escritos desfazendo-se de antigas dúvidas sobre o batismo 
infantil, o qual, passou a defender com o seguinte argumento: “o vínculo da aliança entre o 
povo de Israel na antiga dispensação e a igreja visível na nova”. Quando defendia o batismo 
infantil sempre evocava o argumento da circuncisão, pois, Zwínglio não admitia que crianças 
pudessem exercer fé, porém, dava extremo valor à fé pessoal dos pais que ofereciam seus 
filhos ao batismo. Contudo, “a fé dos pais era secundária em relação à fé da igreja toda”.53 
 
2.2.5.3 João Calvino 
 
 O reformador João Calvino nasceu em Noyon (França Setentrional 1509-1564 d.C.). 
Mas foi em Genebra que emergiu como o reformador de uma nova teologia. Segundo George, 
 
52 GEORGE, Thimoty. Op. Cit. p. 137. 
53 GEORGE, Thimoty, Op. Cit. p. 143. 
32 
 
Calvino expôs conceitos clássicos da Reforma de forma “clara e sistemática, que nem Lutero 
e nem Zwínglio jamais fizeram”.54 
Calvino, em sua obra mais famosa, “As Institutas da Religião Cristã”, no volume IV, 
capítulo 16, ele resgata e aprofunda princípios bíblicos e históricos, refutando, uma a uma, as 
objeções contrárias ao batismo infantil.55 Diante de seus opositores Calvino responde com 
sábias palavras usando o testemunho de um episódio do próprio Senhor Jesus: 
 
E por isso o Senhor Jesus, no afã de dar um exemplo pelo qual o mundo entenda que 
ele veio mais para dilatar do que para limitar a misericórdia do Pai, ele abraça 
ternamente as criancinhas que lhe eram trazidas, repreendendo os discípulos que 
tentavam impedi-las de acesso, quando de si, por meio de quem unicamente se 
patenteia a entrada no céu, estariam afastando aquelas de quem seria o reino dos céus” 
[Mt 19.13-15; Mc 10.13-16; Lc 18.15-17].56 
 
2.3 OS FUNDAMENTOS CONFESSIONAIS REFORMADOS 
 
A Confissão de Fé de Westminster é a principal declaração doutrinária adotada 
oficialmente pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Ela é um dos documentos aprovados pela 
Assembléia de Westminster (1643-1649), convocada pelo Parlamento inglês para elaborar 
novos padrões doutrinários, litúrgicos e administrativos para a Igreja da Inglaterra.57 
Em seu Capítulo XVIII – Seção IV – se posiciona a respeito do pedobatismo com as 
seguintes declarações: “Não só aqueles que realmente professam a fé em Cristo e obediência a 
ele, mas também as crianças, filhas de um ou ambos os pais crentes, devem ser batizadas”.58 
 
54 Id. Ibid. p. 166. 
55 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XVI, Vol. IV. p. 304-308. 
56 Id. Ibid. Cap. XVI, Vol. 4. p. 316. 
57 MATOS, Alderi Souza de. Puritanos e Assembléia de Westminster: A História da Confissão de Fé de 
Westminster. Disponível em: http://www.mackenzie.br/7060.html. Acesso em: 17 de Ago. de 2010. 
58 HODGE, A. A. Confissão de Fé de Westminster: Comentada por. p. 464. 
http://www.mackenzie.br/7060.html
33 
 
O Catecismo Maior de Westminster, um documento de perguntas e respostas da 
Confissão de Fé de Westminster (mais exato e abrangente do que o Breve Catecismo e 
destinado aos ministros para o utilizarem nos púlpitos), em sua pergunta 166: “A quem se 
deve administrar o batismo?” Responde: 
 
O batismo não deve ser administrado a ninguém que esteja fora da igreja visível, 
enquanto não professar a fé em Cristo e a obediência a Ele; mas as crianças 
descendentes de pais, ou apenas um deles, que professam a fé em Cristo e obediência 
a Ele, então, quanto a isso, incluídas no pacto e devem ser batizadas (At 2:38; 8:36-
37).59 
 
 
 O Breve Catecismo de Westminster, uma síntese dos documentos maiores de 
Westminster destinado aos principiantes e crianças, em sua pergunta 95: “A quem deve ser 
ministrado o Batismo?” Responde ratificando seus documentos maiores: 
 
O Batismo não deve ser ministrado àqueles que estão fora da igreja visível, enquanto 
não professarem sua fé em Cristo e obediência a ele; mas os filhos daqueles que são 
membros da igreja visível devem ser batizados. (At 8:36; 2:38-39; 1 Co 7:14; Ef 
2:12).60 
 
 A Confissão de Fé de Augsburgo apresentada diante do Imperador Carlos V, em 25 de 
junho de 1530, pode ser considerada a “cédula de identidade” da igreja Luterana, 61 em seu 9º 
artigo afirma sobre o batismo infantil o seguinte: “Que também se devem batizar crianças, as 
quais, pelo batismo, são entregues a Deus e a ele se tornam agradáveis.” 62 
 A Segunda Confissão Helvética (1566), em seu Capítulo XX – Do Santo Batismo 
declara: “Condenamos os anabatistas, que negam que as criancinhas recém-nascidas dos fiéis 
devam ser batizadas”. 63 A Segunda Confissão Helvética mantém a mesma estrutura da 
 
59 VOS, Johannes Geerhardus. Catecismo Maior de Westminster Comentado. p. 536. 
60 HORN, Leonard T. Van. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. p. 173. 
61 AUGSBURGO, Confissão de Fé de: Edição Comemorativa 1530-2005. p.5. 
62 Id. Ibid. p.14. 
63 BEEKE, (Org.) Joel R.; FERGUSON, Sinclair B.; Harmonia das Confissões Reformadas. p. 214. 
34 
 
Primeira, mas foi inteiramente redigida pelo reformador suíço Johann Heinrich Bullinger 
(1504-1575).64 
 Os Cânones de Dort (Sínodo de Dort, Holanda, 1618-1619), um dos principais 
documentos doutrinários do reformados calvinistas, declaram no Capítulo I, Artigo 17: 
 
 
Os filhos dos crentes são santos, não por natureza, mas em virtude da aliança da graça, 
que os abrange juntamente com seus pais, os pais crentes não devem duvidar da 
eleição e salvação dos seus filhos.65 
 
 
A Confissão Belga, escrita pelo pastor reformado Guido de Brés (Países Baixos, 1522-
1567), em seu Artigo 34 – do Santo Batismo, declara: 
 
Nós cremos, porém, que eles devem ser batizados e, com o sinal da aliança, devem ser 
selados, assim como as crianças em Israel eram circuncidadas com base nas mesmas 
promessas que foram feitas a nossos filhos. Cristo, de fato, derramou seu sangue para 
lavar, igualmente, as crianças dos fiéis e os adultos.66 
 
A Confissão de Fé Escocesa (1560), escrita por uma comissão de seis membros, entre 
os quais estava o reformador João Knox (1505-1572),67 se harmoniza com as demais 
confissões quando declara em seu Capítulo XXIII, a respeito dos receptores do sacramento do 
batismo, afirmando o seguinte: 
 
Reconhecemos e sustentamos que o batismo se aplica tanto aos filhos dos fiéis como 
aos fiéis adultos, dotados de discernimento, e assim condenamos o erro dos 
Anabatistas, que negam o batismo às crianças até que elas tenham compreensão e fé.68 
 
64 MATOS, Alderi Souza de. As Confissões Reformadas: Segunda ConfissãoHelvética (1562). Disponível em: 
http://www.mackenzie.br/7056.html. Acesso em: 18 de Ago. de 2010. 
65 DORT, Canônes do Sínodo de. Disponível em: http://www.reformaerazao.com/2010/04/canones-do-sinodo-
de-dort-1619-texto.html. Acesso em: 20 de Set. de 2010. 
66 BEEKE, (Org.). Joel R.; FERGUSON, Op. Cit. p. 214. 
67 ESCOCESA DE 1560, Confissão de Fé. (Rev.º) FERREIRA, Franklin. Disponível em: 
http://www.luz.eti.br/do_confissaoescocesa1560.html. Acesso: 21 de Set. de 2010. 
68 CONFISSÕES, Livro das. Parte I; Indice Remissivo - 3.01-3.25. 
http://www.mackenzie.br/7056.html
http://www.reformaerazao.com/2010/04/canones-do-sinodo-de-dort-1619-texto.html
http://www.reformaerazao.com/2010/04/canones-do-sinodo-de-dort-1619-texto.html
http://www.luz.eti.br/do_confissaoescocesa1560.html
35 
 
 
 
O Catecismo de Heidelberg (1563), principal documento da Igreja Reformada Alemã, 
foi escrita por dois teólogos: Zacarias Ursinus e Gaspar Olevianus, este documento visa 
conciliar o calvinismo com o luteranismo moderado.69 Sobre o batismo, em sua pergunta 74 – 
“Também as crianças devem ser batizadas?” Responde o seguinte: 
 
 
Sim, porque elas, assim como seus pais, estão incluídas na aliança e pertencem ao 
povo de Deus. Desde que tanto a redenção do pecado pelo sangue de Cristo como o 
dom da fé pelo Espírito Santo são prometidos a estes filhos não menos que à seus pais, 
as crianças também são, pelo Batismo, como sinal da Aliança, incorporadas à Igreja 
cristã e distinguidos dos filhos dos incrédulos. Isto foi feito na Velha Aliança pela 
circuncisão, na Nova Aliança foi instituído o Batismo para tomar seu lugar.70 
 
 
 
 
 Berkhof explicando sobre estas declarações afirma que os padrões confessionais 
reformados estão em plena harmonia com a posição de Calvino.71 
Quanto à admissão sacramental de crianças na Igreja visível, depois de minuciosa 
investigação histórico-documental, já dá para perceber que esta doutrina não foi criada pela 
Igreja Romana, mas tal prática sempre existiu no Povo de Deus, a circuncisão no Antigo e o 
batismo no Novo Testamento. Desde o Antigo e Novo Testamento, dos Pais da Igreja e 
teólogos reformados protestantes e suas Confissões, percebe-se um desenvolvimento natural 
da prática inclusiva de crianças na Igreja de Deus. 
 
 
 
 
 
69 MATOS, Alderi Souza de. As Confissões Reformadas: Identidade Reformada e Confessionalidade. 
Disponível em: http://www.mackenzie.br/7042.html. Acesso em: 18 de Ago. de 2010. 
70 BEEKE, (Org.). Joel R.; FERGUSON, Sinclair B. Op. Cit. p. 216. 
71 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 589. 
http://www.mackenzie.br/7042.html
36 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO II 
A DOUTRINA DO BATISMO 
 
INTRODUÇÃO 
 
A fundamentação teológica do batismo infantil, sob uma perspectiva reformada, visa 
apresentar as reais motivações para esta prática sacramental, mas antes, neste momento se faz 
pertinente expor algumas considerações sobre sacramentos. 
 
37 
 
3.2 OS SACRAMENTOS 
 
O termo “sacramento” (lat. Sacramentum)72 não se encontra na Bíblia, a etimologia 
desta palavra é proveniente do termo latino sacro, sacrare, “tornar sagrado”, “dedicar aos 
deuses”, ou a “usos sagrados” com o qual a Vulgata Latina traduz o termo grego 
musterion (mysterion) “mistério”, sendo este usado no Novo Testamento para designar 
algo que não fora revelado no Velho Testamento.73 Em seu uso clássico apontava para aquilo 
pelo qual uma pessoa se obrigava a fazer alguma coisa por outra. Significava uma soma 
depositada em juízo como penhor, e que, no caso do não cumprimento das palavras estipulado 
no contrato, era dedicado a usos sagrados.74 Poderia designar também um juramento, 
especialmente o soldado, para dedicar-se fielmente ao serviço da pátria. Segundo Berkhof, 
“podia ser usado acerca de qualquer coisa que envolvesse a idéia de santidade”.75 Quanto aos 
elementos de um sacramento, existe um sinal externo sensível utilizado segundo a instituição 
de Cristo; e uma graça interior e espiritual por ele representada.76 
Quanto à eficácia dos sacramentos, Lutero, em sua opinião, afirma que o poder divino 
está inerente no sacramento como a Palavra visível e, como tal, é um meio de graça divina.77 
Entretanto, Calvino e Zwínglio compartilhavam da convicção de que os sacramentos são 
 
72 Nota. “Sacramentum” – Os Pais da igreja empregavam essa palavra num sentido convencional, como 
equivalente à palavra grega musterion, ou seja, alguma coisa desconhecida antes de ser revelada, e assim um 
símbolo, um rito, um tipo, tendo alguma significação espiritual oculta, só conhecida dos iniciados ou instruídos. 
Este termo mysterion era aplicado pelos pais da igreja às ordenanças cristãs do Batismo e da Ceia do Senhor, por 
terem esses ritos uma significação espiritual e serem assim, certa forma de revelação de verdades divinas. Ver 
HODGE, A. A. Esboços de Teologia. p. 822. 
73 BERKHOF, Louis. A História das Doutrinas Cristãs. p. 217. 
74 HODGE, C. Teologia Sistemática. p. 1381. 
75 Id. Ibid. p. 217. 
76 HODGE, A.A. Esboços de Teologia. p. 825. 
77 BERKHOF, Louis. História das Doutrinas Cristãs. p. 220. 
38 
 
sinais e selos atrelados à Palavra, que não comunicam nenhum tipo de graça que não seja 
comunicado pela Palavra, e que não têm valor à parte da Palavra.78 
Portanto, os sacramentos se destinam a significar, selar e conferir aos que estão dentro da 
aliança da graça os benefícios da redenção realizada por Cristo e assim sejam um dos 
principais meios de edificar a igreja.79 Como afirma a Confissão de Fé de Westminster: 
 
Os sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça, imediatamente instituídos 
por Deus para representar a Cristo e seus benefícios, e para confirmar nosso interesse 
Nele, bem como para fazer uma diferença visível entre os que pertencem à igreja e o 
restante do mundo, e solenemente comprometê-los no serviço de Deus em Cristo, de 
acordo com a Sua Palavra. 80 
 
 
Desta maneira, é explicitamente ensinado nos Símbolos da Igreja Reformada que os 
sacramentos são legítimos meios de graça, ou seja, meios designados e empregados por Cristo 
para comunicar os benefícios da redenção a seu povo. Não são meios exclusivos; porém são 
meios. Por isso, é condenável o pensamento sacramentalista81 que confere aos sacramentos 
um poder mágico. Poder este inerente ao próprio sacramento e que, no caso do batismo, 
poderia causar a regeneração e a redenção daquele que o recebe.82 
Contudo, sua eficácia não reside nos meios, isto é, na água empregada no batismo, 
nem no pão e vinho empregados na Ceia do Senhor. Eles não operam por si mesmo. Também 
não reside na pessoa, ofício, caráter ou intenção por quem são administrados, nem dela 
 
78 Id. Ibid. p. 218-219. 
79 HODGE, A. A. Op.Cit. p. 828. 
80 HODGE, A. A. Confissão de Fé de Westminster: Comentada por. São Paulo: Os Puritanos, 2008. p. 443. 
81 Nota. As Igrejas Reformadas “rejeitam a teoria católico-romana, segundo a qual a eficácia do sacramento é-lhe 
inerente fisicamente como sua propriedade intrínseca (ex opere operato), assim como o calor é inerente ao fogo”. 
A. A. Hodge, 903. 
82 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 579. 
39 
 
decorre. Como afirma C. Hodge: “O homem que administra os sacramentos não é um 
operador de milagres”.83 
Portanto, “a eficácia dos sacramentos se deve especial e unicamente à bênção de 
Cristo e à operação de Seu Espírito”.84 Assim, só é possível a realidade do sacramento através 
do Espírito Santo, isto é, o “agente pessoal que opera quando e como lhe apraz.” 85 
 
3.3 O SIGNIFICADO DO BATISMO 
 
Através do Antigo Testamento, Deus não apenas revelou o pacto da graça com 
palavras, mas, também, selou visualmente o pacto com rituais: a circuncisão e a Páscoa (Gn 
17:7, 10-11, 14).86Através do Novo Testamento, segundo Anglada,o batismo, assim como a circuncisão, é o rito ou forma externa determinada por Deus 
para simbolizar e selar a admissão de pessoas na igreja visível, como beneficiárias do 
pacto da graça e objeto do seu cuidado especial.87 
 
 Desta maneira, esses benefícios serão comunicados aos crentes no tempo oportuno, 
segundo a vontade de Deus.88 
O batismo, como sinal de introdução na igreja visível, é a manifestação pública de que 
os crentes estão unidos em Cristo, e “foram contados entre os filhos de Deus.” 89 Deste modo, 
 
83 HODGE, C. Teologia Sistemática. p. 1391. 
84 Id. Ibid. p. 1391. 
85 Id. Ibid. p. 1391. 
86 HORTON, Michael. Um Caminho Melhor. p. 111. 
87 ANGLADA, Paulo R. B. Et al. O Batismo Infantil: O Que os Pais Deveriam Saber Acerca Deste Sacramento. 
p. 42. 
88 HODGE, A. A. Esboços de Teologia. p. 877. 
89 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo, p. 293. 
40 
 
o Breve Catecismo afirma que o “batismo é um sacramento no qual o lavar com água em 
nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo”.90 
Quanto a isso, a maioria dos reformados calvinistas afirma a mesma coisa sobre o 
significado do batismo, partiam da pressuposição que o batismo foi instituído para os crentes, 
e não produz, mas fortalece a nova vida. Naturalmente eles se esbarraram com a questão 
como as crianças poderiam ser consideradas crentes e sobre como poderiam ser fortalecidas 
espiritualmente, visto não poderem desempenhar sua fé. Alguns reformados meramente 
afirmavam que as crianças nascidas de pais crentes são filhos da aliança e, como tais, 
herdeiros das promessas de Deus, incluindo-se também a promessa de regeneração; e que a 
eficácia espiritual do batismo não se limita à hora da sua ministração, mas continua durante a 
vida toda.91 
Outros reformados, porém, extrapolaram e afirmavam que os filhos da aliança devem 
ser considerados presumivelmente regenerados. Embora, não equivalha a dizer que todos eles 
são regenerados quando são batizados, mas que se presume que são regenerados, enquanto 
não se conclua das suas vidas o contrário. Havia ainda alguns que consideravam o batismo 
como mero sinal de uma aliança externa.92 
Quanto ao significado essencial do sinal externo do batismo, para os 
“antipedobatistas”, significa essencialmente a morte e sepultamento dos crentes juntamente 
com Cristo.93 Porém, os reformados calvinistas, vêem a idéia de purificação como a mais 
coerente com as Escrituras. Esta idéia de purificação era a coisa relacionada em todas as 
lavagens do Velho Testamento, e também no batismo de João Batista (cf. Sl 51; Ez 36:25; Jo 
 
90 HORN, Leonard T. Van. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. p. 171. 
91 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 579-580. 
92 Id. Ibid. p. 580. 
93 GRUDEN, Wayne. Teologia Sistemática. p. 817. 
41 
 
3:25, 26). Além do mais, é este exatamente o ponto no qual a Bíblia coloca toda a ênfase (cf. 
At 2:38; 22:16; Rm 6:4, 5; 1 Co 6:11; Tt 3:5; Hb 10:22; 1 Pe 3:21; Ap 1:5). 94 
Quanto ao significado essencial do sinal interno do batismo, em suma, representa a 
regeneração em união com Cristo. As crianças nascem no estado de filhos da ira, como os 
demais. Não podem ser salvas, pois, a não ser que nasçam de novo e tenham parte nos 
benefícios da morte de Cristo. Portanto, é certo, pela própria natureza do evento, que elas 
podem ser regeneradas no mesmo sentido que os adultos o podem (Mt 21:15-16).95 
Segundo afirma Berkhof, a opinião geral era que o batismo nunca deveria ser repetido, 
embora não houvesse unanimidade quanto à validade do batismo ministrado por hereges. 
Porém, no decorrer do tempo, “veio a ser um princípio estabelecido não rebatizar os que 
foram batizados em nome do Deus trino.” 96 
Sobre a necessidade do batismo, Anglada afirma que “o batismo é obrigatório, por 
obediência aos preceitos de Deus. E a nossa desobediência a este preceito, naturalmente 
resultará em empobrecimento espiritual”. Para os reformados, o batismo não é eficaz em si 
mesmo; ele não opera a nova vida; ele a pressupõe e a fortalece, mas não a opera nem a 
garante.97 O rito do batismo com água como essencial à salvação é oposto ao caráter espiritual 
do Evangelho, que não condiciona a salvação às formas externas (Jo 4:21-24).98 
Portanto, segundo Calvino, o batismo com água não é um meio de se alcançar o 
perdão dos pecados, regeneração e salvação, mas uma confirmação de fé, polarizada no senso 
da divina misericórdia e promessa atualizadas em Cristo (At 10.48).99 
 
94 BERKHOF, Louis. Op.Cit. p. 581. 
95 HODGE, A.A. Esboços de Teologia. p. 871. 
96 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 578. 
97 ANGLADA, Paulo R. B. Et al. O Batismo Infantil: O Que os Pais Deveriam Saber Acerca Deste Sacramento. 
p. 39. 
98 Id. Ibid. p. 40. 
99 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo. p. 303. 
42 
 
 
3.3.1 A Origem do Rito do Batismo 
 
Alguns dizem que o batismo foi introduzido por João Batista. Entretanto, segundo C. 
Hodge, “o batismo [lavagens, abluções, purificações], como prática, não foi uma novidade 
introduzida por Jesus, pelos apóstolos ou por João Batista, mas era uma cerimônia comum e 
já conhecida pelos judeus”.100 Apesar dos judeus conhecerem e praticarem purificações e 
abluções, estas não tinham caráter sacramental e, portanto, não eram sinais e selos da aliança. 
O chamado batismo dos prosélitos era o que tinha maior semelhança com o batismo cristão. 
Quando gentios eram enxertados em Israel, eles eram circuncidados e batizados.101 
O Novo Testamento aponta para esta familiaridade dos judeus com as abluções do 
Antigo Testamento. Por exemplo, no texto de Marcos 7:4, confirma o seguinte: 
 
 
Quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras coisas 
que receberam para observar, como lavagem [o batismo] de copos, jarros e vasos de 
metal [e camas]. 
 
Observa-se também Lucas 11:38: “o fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não 
se lavara [batizara] primeiro, antes de comer”. C. Hodge comentando estes textos conclui: 
“Quando o Senhor veio, encontrou o povo praticando esses diversos batismos [o das pessoas, 
copos, das camas, etc.] habitualmente. Esse critério se vê confirmado pela forma normal e 
familiar com a qual o Novo Testamento trata a matéria”.102 Em Hebreus, por exemplo, se 
verifica a familiaridade com batismos ainda no Antigo Testamento, quando diz que no 
“primeiro tabernáculo”, havia “manjares, e bebidas, e várias abluções”, ou seja, literalmente, 
vários batismos (Hb 9:8-10). No Evangelho de João, são retratados os líderes judaicos 
 
100 HODGE, Charles. O Batismo Cristão: Imersão ou Aspersão? p. 11. 
101 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 575. 
102 HODGE, Charles. O Batismo Cristão: Imersão ou Aspersão? p. 12. 
43 
 
indagando João Batista por que ele batizava se não era o Cristo, nem Elias, nem o profeta? 
Por esta declaração, esses líderes naturalmente indicam que o Antigo Testamento anunciou a 
vinda de alguém que batizaria e que esta atividade poderia ser uma de suas características 
distintivas (Jo 1:25). Desta maneira, nota-se João Batista pregando o batismo para o 
arrependimento de pecados (Lc 3:3), entretanto, já havia outros tipos de batismos, “o que era 
novo era a doutrina que pregava não a cerimônia que praticava”.103 
Portanto, apesar da relação histórica que possa ter havido entre o batismo de João 
Batista e as purificações, abluções ou batismo de prosélitos, é certo que o batismo de João 
estava repleto de significações novas e mais espirituais.104 
 
3.3.2 O Batismo de João Batista 
 
 
Diante disso, o batismo de João Batista nunca poderia ser considerado uma simples 
cerimônia; todo ele soava sempre de significação éticae espiritual. Uma purificação do 
coração, do pecado, era não somente sua condição introdutória, mas seu firme objetivo e 
propósito. 105 
Desta maneira, a maioria dos reformados identifica o batismo cristão com o batismo 
de João Batista, embora, alguns dêem atenção a algumas distinções. Quanto à similaridade do 
batismo de João com o batismo cristão, pode-se notar que ambos foram instituídos pelo 
próprio Deus (Mt 21:25; Jo 1:33); estavam relacionados a uma radical mudança de vida (Lc 
1:1-17; Jo 1:20-30); permaneciam numa relação sacramental com o perdão dos pecados, (Mt 
3:7, 8; Mc 1:4; Lc 3:3; At 2:28) e concentravam no mesmo elemento material, ou seja, a água. 
 
103 Id. Ibid. p. 13. 
104 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 575-576. 
105 Id. Ibid. p. 576. 
44 
 
Entretanto, concomitantemente, havia pontos distintos: o batismo de João ainda 
pertencia à Antiga Dispensação e, como tal, apontava para Cristo, no futuro; em concordância 
com a dispensação da lei como um todo, destacava a necessidade de arrependimento, ainda 
que sem excluir completamente a fé; foi planejado exclusivamente para os judeus e, portanto, 
representava mais o particularismo do Antigo Testamento que o universalismo do Novo; e 
tendo em vista que o Espírito Santo ainda não tinha sido derramado na plenitude do 
Pentecostes, o batismo de João ainda não era seguido por uma grande porção de dons 
espirituais como o batismo cristão.106 
Como assevera Calvino: “João e os apóstolos concordaram em uma só doutrina: 
ambos batizaram para o arrependimento; ambos batizaram para a remissão dos pecados; 
ambos batizaram em nome de Cristo”.107 
 
 
3.3.3 O Batismo de Cristo 
 
 
Deste modo, o batismo de Cristo, principalmente, evidenciou a indentificação entre o 
batismo e a Lei Mosaica. Entretanto, o batismo de Cristo não foi literalmente o batismo de 
João. Quanto a isso, evidencia-se pelo fato de que o batismo de João foi para arrependimento 
de pecados. Todavia, Cristo não foi um pecador (2 Co 5:21). Portanto, Cristo jamais poderia 
arrepender-se nem receber perdão de pecados.108 
Desta sorte, o batismo de João foi a preparação para o caminho do Senhor, preparando 
um povo para Ele (Jo 1:6-8 e 23). A própria reação de João comprova que ele considerou, em 
certo grau, imprópria a atitude de Jesus, certamente preocupava-se em identificá-lo como os 
 
106 Id. Ibid. p. 576. 
107 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo, p. 297. 
108 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 346. 
45 
 
outros que vieram para seu batismo. Entretanto, diante das próprias palavras de Jesus, 
afirmando que convinha que se cumprisse toda a justiça (Mt 3:15), imediatamente o batizou. 
Moisés expõe que a justiça envolve obediência à Lei (Dt 6:25). Em Galatas observa-se que 
Cristo foi “submisso à lei” (Gl 4:4). O que Paulo está dizendo, então, é que Cristo estava se 
submetendo ao batismo a fim de obedecer a lei de Moisés. Para isso, foi circuncidado (Lv 
12:3 e Lc 2:21); ele foi apresentado no templo (Lucas 2:22-23); ele foi à Páscoa (Ex 34:23 e 
Lc 2:42); ele observou as festas judaicas de acordo com a lei (Mc 14:12; Lc 22:3; Jo 17:10); 
sobretudo a lei que Jesus obedecia quando foi batizado está registrada em Números que diz: 
“Toma os levitas... e purifica-os. Assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles 
água...” (Nm 8:6-7). Os Levitas eram sacerdotes, Jesus Cristo foi, e continua sendo, sacerdote 
(Hb 3:1; 4:14; 5:1-5; 9:11); ele é eternamente o Sumo Sacerdote. O batismo de Cristo foi o 
ato cerimonial de Sua ordenação ao sacerdócio como o representante do povo diante do Pai.109 
 
 
3.3.4 O Batismo e a União Mística 
 
 
O resultado do batismo em Cristo é a expiação do pecado ou purificação do coração 
lavado pela operação do Espírito do Senhor ( 1 Co 12:13). Como diz Paulo: “Porque todos 
quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes” (Gl 3:27). Desta forma, o 
batismo em Cristo é um sinal de Deus que significa a limpeza interior e remissão de pecados 
(At 22:16; 1 Co 6:11; Ef 5:25-27). As abluções nos rituais do Antigo Testamento, foram 
principalmente, se não exclusivamente, referindo-se com este aspecto de purificação.110 
Entretanto, a idéia fundamental do batismo é que ele significa a união do crente com Cristo, 
em sua morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6:3-7;Cl 2:11-12), e nessa união estão 
 
109 ADAMS, Jay E. Meaning and Mode of Baptism. p. 16-18. 
110 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 580. 
46 
 
inseridos todos os elementos necessários para salvação, tais como: regeneração, conversão, 
justificação, adoção, santificação e perseverança dos santos (Rm 8:30; 1 Jo 5:11-12; Ef 1:5; 
2:1-9).111 Como diz Calvino: “pois somente em Cristo se acha tudo quanto de dons divinos se 
propõem no batismo”.112 
A união com Cristo por obra do Espírito Santo, e suas conseqüências espirituais, 
acham-se representadas nas Escrituras por muitas formas. Por exemplo, a substituição de um 
coração de pedra por um de carne (Ez 36:26); a edificação de uma casa (Ef 2:22); o enxerto 
do ramo na videira (Jo 15:5); o despir do velho homem e o vestir-se do novo homem (Ef 4:22-
24). Entretanto, o batismo representa todas estas formas, porque é o símbolo de purificação 
espiritual, da qual todas essas formas são figuras semelhantes.113 Segundo as palavras de 
Calvino, “fomos não só enxertados na morte e na vida de Cristo, mas ainda de tal modo 
unidos ao próprio Cristo, que somos participantes de todas as suas coisas boas [Mt 3:13; Mc 
1:9; Gl 3:26-27]”.114 Calvino, então conclui que: “Alcançamos, e como que discernimos 
distintamente, no Pai a causa; no Filho, a matéria; no Espírito, o efeito, tanto de nossa 
purificação quanto de nossa regeneração”.115 
 
3.3.5 O Espírito Santo e a Água do Batismo 
 
A lavagem com água representa a realidade da lavagem do Espírito Santo. E a 
lavagem do Espírito opera a união com Cristo; por fim, a união com Cristo envolve todas as 
 
111 Id. Ibid. p. 386. 
112 CALVINO, João. Op. Cit. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo, p. 297. 
113 HODGE, A. A. Esboços de Teologia. p. 851. 
114 CALVINO, João. Op. Cit. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo, 296. 
115 Id. Ibid. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo. p. 297. 
47 
 
bênçãos e conseqüências das riquezas de Cristo e seu evangelho.116 Sendo assim, como diz 
Calvino abordando a passagem de João 3:5: 
 
 
Deus nos regenera, isto é, “pela água e pelo Espírito”,117como se estivesse dizendo: 
pelo Espírito que, purgando e irrigando as almas fiéis, desempenha a função da água. 
Tomo, pois, água e Espírito simplesmente como Espírito que é água (Jo 3:5).118 
 
Quanto a isso, observa-se no Antigo Testamento, o profeta Ezequiel que diz: “Então, 
aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos 
os vossos ídolos vos purificarei” (Ez 36:25). O profeta Isaías também afirma: “Derramarei 
água sobre o sedento” [...], “Derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade” [...] (Is 44:3). 
Mateus, no Novo Testamento, registra as palavras de João Batista: “Eu vos batizo com água” 
[...], “Ele vos batizará com o Espírito Santo” [...] (Mt 3:11). João profetiza um evento futuro, 
apontando um tempo quando o Messias batizaria com o Espírito Santo. Ele contrasta seu 
próprio batismo de água com o batismo com o Espírito do Messias, sendo esse o grande 
cumprimento e realidade espiritual do sinal externo.119 
Em I João 5:8 lê-se: “Há três que dão testemunho na terra, o Espírito, a água e o 
sangue: e estes três concordam”. Concordam em ensinar a lição da purificação. A água é o 
símbolo e o Espírito e o sangue, a realidade espiritual. Como afirma Horton, nesse texto, há 
uma linguagem judicial. “O Espírito, a água e o sangue concordam [uma vez que o casolegal 
exigiria mais de uma testemunha] que não estamos mais sob julgamento, mas seguros em 
Cristo”.120 Horton acrescenta: “Precisamos de testemunhos – selos – para confirmar nossa 
 
116 HODGE, A. A. A Confissão de Fé de Westminster Comentada. p. 462. 
117 Segundo Calvino, nesta passagem Jesus não está se referindo ao sinal do batismo, mas aquilo que a água faz 
com o corpo, deixando-o limpo, também o Espírito Santo faz com o coração, tornando-o limpo. Ver Calvino, 
João. Op Cit. Cap. XVI, Vol. IV, do Batismo, p. 333. 
118 CALVINO, João. Op. Cit. Cap. XVI, Vol. IV, do Batismo, p. 333. 
119ADAMS, Jay E. Op. Cit. p. 23-26. 
120 HORTON, Michael. Um Caminho Melhor. p. 120. 
48 
 
salvação nos céus, e precisamos de testemunhos para confirmar nossa salvação aqui em baixo, 
na nossa experiência”.121 
O próprio Jesus confirma que “na verdade, João batizou com água, mas vós sereis 
batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias” (At 1:5). Ele batizaria os seus com o 
Espírito Santo, uma explícita menção ao evento do Pentecoste. Em Atos Pedro reporta à 
predição de Cristo quando diz: “Lembrei-me então da palavra do Senhor, como disse...” 
(compare At 11:16 com At 1:5). 
Na verdade, o Pentecoste é o cumprimento contínuo do ministério de Cristo que 
ascendeu em batizar seu povo com o Espírito Santo. Nota-se que o batismo com o Espírito é 
mais do que o ocorrido no Pentecoste, ele liga todo crente ao grande evento na história da 
redenção. A expressão “batizados com o Espírito Santo” está profundamente atrelada com o 
batismo com água. De fato, ela é quase sempre empregada no contexto de batismo com água. 
 
Portanto, deve-se concluir que o batismo com água é uma evidência do batismo com o 
Espírito. De forma explícita, o batismo com o Espírito é a realidade, a obra eficaz pela qual o 
Espírito Santo habita no crente. 122 Em 1 Coríntios 12:13 encontra-se o único verso do Novo 
Testamento que realmente ilustra este conceito: “Pois em um só Espírito fomos todos nós 
batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos que livres; e a todos nós 
foi dado beber de um só Espírito”. 
O apóstolo Paulo expõe nitidamente uma experiência universal e verdadeira de todos 
os crentes em Jesus: “fomos todos nós batizados em um só corpo [...], e a todos nós foi dado 
 
121 Id. Ibid. p. 120. 
122 STOUT, Stephen O. Um Cristão Precisa do Batismo do Espírito Santo Para Obter uma Vida Mais Cheia da 
Plenitude do Espírito Santo? Disponível em: 
http://www.monergismo.com/textos/pneumatologia/batismo_espirito_stout.htm. Acesso em: 14 de Set. de 2010. 
49 
 
beber de um só Espírito” (1 Co 12:13). Esta experiência, indubitavelmente, não divide 
cristãos entre aqueles que afirmam ter o batismo com o Espírito Santo e aqueles que não o 
têm; mas antes, esta experiência unifica o Corpo inteiro de Cristo num mesmo status 
espiritual como todos os crentes unidos em Cristo que compartilham do batismo com o 
Espírito Santo em comum.123 Diante destas evidências pode-se concluir que o sinal externo é 
a água derramada, e a realidade é o Espírito derramado por Cristo no coração do eleito de 
Deus. 
 
3.3.6 O Batismo Cristão 
 
 
Quanto ao batismo cristão, o essencial é que ele seja feito em nome do Deus trino, à 
luz do mandamento do próprio Cristo nas palavras da instituição (Mt 28:18-20). Ainda, soma-
se ao fato de que o batismo como um sinal da Aliança da graça, e como rito de introdução na 
Igreja Cristã, divinamente instituído, “introduz o batizando, mediante a profissão de sua fé, no 
pacto com o verdadeiro Deus, que outro é senão o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo”.124 Deste 
modo, o batismo cristão foi instituído por Cristo depois de ter consumado a obra de 
reconciliação, e depois de ter recebido a aprovação do Pai na ressurreição. Importa também 
ressaltar que Ele introduziu a grande comissão com as palavras: “Toda a autoridade me foi 
dada no céu e na terra” (Mt 28:18). Revestido da plenitude dessa autoridade mediadora, Ele 
estabeleceu o batismo cristão e, deste modo, tornou-o indispensável para todas as gerações 
seguintes.125 
Diante dessa instituição de Cristo, a missão dos discípulos era de ir por todo o mundo 
e pregar o Evangelho a todas as nações (Mt 28:19-20), a fim de levar as pessoas ao 
 
123 HULSE, Erroll. O Batismo do Espírito Santo. p. 21-22. 
124 HODGE, A. A. Confissão de Fé de Westminster Comentada. p. 464. 
125 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 577. 
50 
 
arrependimento e ao reconhecimento de Jesus como o Salvador prometido. Após aceitarem a 
Cristo pela fé, deveriam ser batizados em nome da Trindade santíssima, como sinal e selo do 
fato de que tinham entrado numa nova relação com Deus. E, portanto, estavam 
compromissados a viverem de acordo com as leis próprias do reino de Deus. Deste modo, o 
batismo os colocava sob o ministério da Palavra, não apenas como proclamadores das boas 
novas, mas como proclamadores dos mistérios, dos privilégios e deveres da nova 
dispensação.126 
Por fim, neste capítulo fez-se necessário uma abordagem geral sobre o batismo, em 
alguns de seus aspectos, para um mais amplo esclarecimento sobre o assunto, a fim de 
elucidar e sustentar ainda mais a proposta desta obra em seu intuito. 
 
 
 
CAPÍTULO III 
PRINCIPAIS OPOSIÇÕES AO BATISMO INFANTIL 
 
4.1 UM BREVE HISTÓRICO SOBRE A REFORMA RADICAL 
 
A chamada reforma radical, originada no berço da reforma zwíngliana e ensejada 
pelos “rebatizadores”, ou seja, pelos anabatistas, foi um movimento de renovação espiritual e 
eclesiástica que ficou na periferia das principais igrejas territoriais, a Católica e a Protestante, 
 
126 Id. Ibid. p.577. 
51 
 
durante o período de crise religiosa do século XVI.127 Foram os discípulos radicais de 
Zwínglio, Conrad Grebel e Felix Mantz, desiludidos com a demora na reforma da Igreja 
Zwíngliana, que fundaram esse movimento. Eles estavam convencidos de que o batismo que 
tinham recebido quando criança era inválido e buscavam restaurar o verdadeiro batismo 
cristão. 128 
No início, eles não estavam preocupados em condenar a doutrina do batismo infantil, 
pois esta era uma prática reconhecida universalmente. Mas havia outras motivações das quais 
a maior delas era separar-se totalmente da Igreja Romana, que havia se afastado do 
cristianismo primitivo, o qual os anabatistas radicais, provenientes de alguns ideais teológicos 
de Lutero e Zwínglio, queriam manter. Para eles, a igreja não deveria misturar-se com o 
restante da sociedade. Ainda que a igreja esteja inserida, sem escolha, numa sociedade, pelo 
fato de nascer nela, os crentes deveriam tomar uma decisão pessoal para pertencerem à Igreja 
de Cristo. Foi por isso, que os anabatistas combateram o batismo infantil. Gonzalez comenta o 
seguinte sobre o pensamento anabatista da época: 
A conseqüência imediata de tudo isto é que o batismo das crianças deve ser 
rechaçado. Esse batismo dá a entender que uma pessoa é cristã simplesmente por ter 
nascido em uma sociedade supostamente cristã. Porém, tal entendimento oculta a 
verdadeira natureza da fé cristã, que requer decisão própria.129 
 
Por causa de alguns excessos causados pelos anabatistas mais violentos, o movimento 
foi abolido pelo Estado, levando muitos a serem perseguidos e muitas vezes condenados a 
morrerem queimados vivos e por cruel ironia, afogados, uma vez que diziam que o batismo 
por imersão era o único e biblicamente válido. Após grandes perseguições, os anabatistas 
enfraqueceram-se, todavia, mais tarde, ressurgem com muita força. 
 
127 GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. p. 253-254. 
128 Id. Ibid. p. 254-255. 
129 GONZALEZ, Justo L. A Era dos Reformadores: Uma História Ilustrada do Cristianismo. Vol. VI. p.98. 
52 
 
Neste cenário surge, Menno Simons, certamente um dos grandes expoentes deste 
movimento religioso. Simons nasceu em Witmarsum (Holanda, 1496-1561 d. C.), era um 
padre católico holandês e se convertera ao anabatismo em 1536. 
Por causa dele, o grupo também ficou conhecido por Menonitas. Simons, mesmo 
diante de mais perseguições, conseguiu sobreviver a elas e passou o resto de sua vida 
difundindo suas doutrinas pela Holanda e ao norte da Alemanha.130 
Os anabatistas criam que a verdadeira igreja era uma associação dos regenerados e não 
uma igreja oficial de que participavam até não-salvos. Praticavam o batismo de crentes, de 
início por efusão ou aspersão e, depois, por imersão. Por sua oposição ao batismo infantil, 
tido como antibíblico, e por sua insistência no rebatismo receberam o nome de anabatistas. A 
maioria acentuava completa separação entre a Igreja e o Estado e não mantinham comunhão 
com as igrejas estatais.131 
Pode-se concluir que a busca pela separação da igreja do Estado foi que levou os 
anabatistas a condenarem a doutrina bíblica da Aliança como herética. Entretanto, os 
opositores do pedobatismo não têm argumentos bíblicos consistentes, nem muito menos 
históricos que confirmem a validade de suas teses de que, o batismo infantil, seja mesmo uma 
heresia. 
Portanto, algumas das oposições dos “antipedobatistas” requerem breve consideração, 
bem como, contestações bíblicas. 
 
4.2 AS PRINCIPAIS OBJEÇÕES E REFUTAÇÕES 
 
130 Id. Ibid. p. 106. 
131 GEORGE, Timothy. Op. Cit. p. 251-254. 
 
53 
 
 
4.2.1 Não Existe Mandamento no Novo Testamento Para Batizar Crianças 
 
Alguns dizem que não existe mandamento no Novo Testamento para batizar crianças. 
Deveras não existe nenhum mandamento, mas também não existe nenhuma proibição. E nem 
era necessário, pois as crianças que são filhos da aliança, sempre foram apontadas como 
membros da igreja visível do Antigo Testamento. Como diz Anglada, “seria de se esperar o 
contrário: um mandamento para não as incluir mais na Igreja do Novo Testamento”.132 
 
4.2.2 As Crianças Não Possuem Condições Necessárias Para o Batismo 
 
Uma das principais objeções é de que as crianças não preenchem as condições 
necessárias: arrependimento e fé. Entretanto, no Antigo Testamento as crianças também não 
poderiam se arrepender e ter fé nas promessas (condição para salvação dos adultos no Antigo 
Testamento), no entanto, eram circuncidadas, admitidas no Povo de Deus e recebiam as 
bênçãos da Aliança (cf. Gn 17:7-14). Diante desta objeção, se faz necessário analisar o texto 
de Marcos 16:16, o mais requisitado pelos opositores do pedobatismo que afirma o seguinte: 
“O que crê e for batizado será salvo; mas o que não crê será condenado”. Observando este 
texto conclui-se que alguém só pode ser batizado se exercer sua fé? 
Certamente que as palavras de Jesus tinham como alvo os adultos. Os discípulos deveriam 
pregar as nações, e obviamente iniciariam esta empreitada com os adultos. Sendo assim, esta 
exortação deverá ser aplicada a eles. Outro bom exemplo é a exortação de Paulo aos 
Tessalonicenses aconselhando que aqueles que não trabalhassem também não deviam comer. 
Esta admoestação, claramente foi endereçada aos adultos (cf. 2 Ts 3:10). Todavia se o texto 
 
132ANGLADA, Paulo R. B. Et al. O Batismo Infantil. p. 45. 
54 
 
de Mc 16:16 fosse aplicável indiscriminadamente a todos, sem distinção, um grande problema 
decorreria deste pensamento: não haveria esperança para os incapazes, ou aqueles que partem 
ainda na infância sem jamais terem condições de crerem. Por isto é de vital importância que 
os textos bíblicos sejam considerados de acordo com seus contextos e destinatários, a fim de 
melhor compreensão da passagem e aplicação de suas intenções. 133 
 
4.2.3 A Circuncisão Era Apenas Uma Ordenança Carnal e Típica 
 
 Os “antipedobatistas” afirmam que a circuncisão era meramente carnal e típica, tendo 
em vista que até os estrangeiros poderiam fazer parte deste rito.134 De fato, colocar o batismo 
no lugar da circuncisão é simplesmente dar continuidade à ordenança carnal. Realmente, as 
ordenanças carnais não têm lugar legítimo na Igreja no Novo Testamento. Porém, deve-se 
destacar que a admissão de estrangeiros (Gn 17:12; Ex 12:48) apontava para aquilo que era 
realidade maior e espiritual, ou seja, à manifestação da graça de Deus na admissão de todos os 
gentios na comunidade do pacto (At 13:48; 14:27; Rm 15:12). 
 Há ainda os que afirmam que o batismo instituído por Jesus está relacionado com o 
Reino, e que somente o batismo do Espírito tem um lugar próprio na igreja. Argumentam eles 
que o livro de Atos marca a passagem do batismo com água para o batismo com o Espírito. 
Facilmente este argumento confirmaria que todo batismo, o de adultos e o de crianças é 
ilegítimo. Esta argumentação posiciona a dispensação judaica e cristã como antagônicas, uma 
contra a outra. Isto é, carnal e espiritual, afirmando que a circuncisão é pertinente apenas à 
primeira delas. Entretanto, não há apoio para por a circuncisão inteiramente no nível das 
ordenanças carnais da lei mosaica. Como admitiu Berkhof: 
 
 
133 Id. Ibid. p. 46. 
134 GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. p. 823. 
55 
 
A circuncisão adquiriu certa significação típica no período mosaico, mas era 
primordialmente sinal e selo da aliança já feita com Abraão. Enquanto tipo, 
naturalmente cessou com o surgimento do antítipo, e mesmo como um selo da aliança, 
abriu alas para um sacramento incruento expressamente instituído por Cristo para a 
igreja e reconhecido como tal pelos apóstolos.135 
 
4.2.4 Não Há Exemplo de Batismo de Crianças no Novo Testamento 
 
 Há também os que dizem que não há exemplos explícitos de crianças sendo batizadas 
no Novo Testamento, e que os casos de batismo de famílias não são realmente decisivos.136 
Certamente que a Bíblia não registra explicitamente a prática do batismo infantil no Novo 
Testamento, embora, nos informe que famílias inteiras foram batizadas. A explicação sobre 
esta ausência de exemplos se dá pelo fato de que os registros históricos eram da obra 
missionária dos apóstolos, e não de uma obra empreendida por igrejas organizadas.137 
4.2.5 A Filiação Abraâmica é Destituída de Valor 
 
 Esta objeção é defendida usando a passagem de Romanos 9:7-8 que é 
equivocadamente interpretada pelos “antipedobatistas”. Neste texto Paulo ensina que os 
verdadeiros filhos de Abraão não são aqueles que procedem da carne, mas somente são 
contados na descendência aqueles que são filhos da promessa. De fato, o texto parece indicar 
que o parentesco carnal de Abraão é sem nenhum valor, ao qual se atribui certa relevância. 
 Mas a interpretação correta não é essa. O que Paulo queria tratar era que a graça divina 
não continuaria ligada exclusivamente à semente carnal de Abraão. Calvino, comentando esta 
passagem afirma o seguinte: “A salvação depende da misericórdia de Deus; que ele a estende 
 
135 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 587. 
136 GRUDEM, Wayne. Op. Cit. p. 824. 
137 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 588. 
 
56 
 
a quem bem lhe apraz; mas que não existe motivo para que os judeus se gloriem no nome do 
pacto, salvo se observarem a lei do pacto, isto é, se obedecerem à Palavra”.138 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO IV 
A ALIANÇA SOB DUAS DISPENSAÇÕES 
 
5.1 A CONTINUIDADE DA ALIANÇA 
 
As Escrituras falam do “Pacto da Redenção”; o plano ou propósito entre Deus, seu 
Filho e o Espírito Santo em relação à salvação dos homens. Este é o plano de Deus em relação 
a seu ato de reunir em um só corpo harmonioso todos os objetos da redenção, quer no céu, 
quer na terra, em Cristo (Ef 1:10). O plano da salvação se apresenta sob forma de um pacto,138 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XVI, Vol. IV, do Batismo, p. 322. 
 
57 
 
ou seja, um arranjo ou uma disposição em geral. 139 Este pacto se dá porque os primeiros pais, 
isto é, Adão e Eva, por terem sidos enganados pela serpente caíram do estado em que foram 
criados, quando pecaram contra Deus (Gn 3:1-7). 140 Eles então, perceberam que não tinham 
alcançado sucesso como deuses, mas como seres humanos que duvidaram e desobedeceram, 
perderam a dignidade e segurança do favor divino. E por causa deste pecado141 “a morte 
passou a todos os homens” (Rm 5:14).142 
Destarte, Adão foi o representante de todos os homens, mas falhou, e por isso, todos 
os homens nascem com a “marca” do fracasso. Depois do primeiro pecado143 de Adão, tudo 
mudou. Ele, agora, estava disposto a pecar. Devido a sua natureza decaída, reprovado por 
Deus e totalmente depravado,144 em sua própria essência; incapacitando-o totalmente a 
produzir pensamentos e obras espirituais (cf. Sl 51:5). 145 
Assim, a aliança ou pacto da graça é prontamente estabelecido em conjunção com o 
fracasso do homem sob a aliança da criação (Gn 2:9 e 16-17).146 Deus tinha se relacionado 
 
139 HODGE, Charles. Teologia Sistemática. p. 747. 
140 GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação: O Reino, a Aliança e o Mediador. Vol. I. p. 126. 
141 Nota. 1) O pecado é um mal especifico, diferindo de todas as outras formas de mal. 2) que o pecado se 
relaciona com a lei [...]. 3) que a lei com que o pecado se relaciona não é meramente a lei da razão, nem da 
consciência, nem da conveniência, mas da lei de Deus. 4) que o pecado consiste essencialmente na falta de 
conformidade por parte de uma criatura racional, à natureza ou lei de Deus. 5) que inclui culpa e contaminação 
moral. Ver C. Hodge. Teologia Sistemática. p. 618. 
142TENNEY, (Org.) Merrill C. Enciclopédia da Bíblia. Vol. IV. p. 844. 
143 Nota. O pecado original é um termo teológico cunhado por Agostinho de Hipona, e ele não se refere ao 
primeiro pecado de todos os pecados, nem ao primeiro pecado da história humana, mas ao primeiro pecado de 
Adão, apenas este, e não aos seus pecados subseqüentes. Ver. TENNEY, (Org.) Merrill C. Enciclopédia da 
Bíblia. 2008. Vol. IV. p. 844. 
144 Nota. Segundo Calvino, “esta depravação nunca cessa em nós; pelo contrário, gera continuamente novos 
frutos [...], a concupiscência nunca se finda e se extingue inteiramente nos homens, até que, pela morte liberados 
do corpo da morte, se despojem completamente de si mesmos. O batismo, na verdade, nos promete ter sido 
afogado nosso faraó [Ex 14:27, 28] e a mortificação de nosso pecado; entretanto, não a um tal grau que não mais 
exista, ou que não nos cause dificuldade, mas somente que não mais nos sobrepuje [..]. E até mesmo as crianças, 
também elas próprias, trazem consigo, desde o ventre da mãe, sua condenação, as quais, embora não hajam ainda 
manifestado os frutos de sua iniqüidade, contudo já trazem dentro de si encerrada sua semente”. Ver João 
Calvino. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo. p. 300. 
145 SARTELLE, John. Et al. O Batismo Infantil. p. 19. 
146 Nota. A Aliança da Criação - Deus fez do primeiro homem representante de toda a raça humana, da mesma 
forma que faria Jesus o representante de todos os seus eleitos (Rm 5:15-19 com 8:29-30; 9:22-26) [...]. Deus 
colocou o primeiro homem em um estado de bem-aventurança, prometendo dar continuidade a esse estado para 
ele e sua descendência, se ele mostrasse felicidade por meio de um comportamento de obediência positiva 
58 
 
com homem pelas ordenanças especiais da criação.147 “O homem rompeu esse relacionamento 
comendo do fruto proibido.” 148 Como afirma Evans: “o pacto amarra toda a Bíblia, [..]. Deus 
nos salvou porque ele fez um pacto, uma promessa de que nos salvaria”.149 
A aliança de Deus com Abraão surge a partir da necessidade de redenção do homem 
caído em pecado. Primariamente, era uma aliança espiritual, embora também tivesse um 
aspecto nacional.150 
No Novo Testamento Lucas registra as palavras do sacerdote Zacarias pai de João 
Batista, rogando a Deus para usar de misericórdia com os seus pais e lembrar-se da sua 
aliança e do juramento que fez a Abraão, o seu pai. Neste texto, é bem evidente que a 
doxologia da redenção feita por Zacarias está se reportando ao cumprimento do pacto feito a 
Abraão (Lc 1: 72-73). 
Desta forma, a promessa da aliança feita a Abraão é denominada por Paulo de “o 
evangelho” (Gl 3:8), e que também afirma que o batismo é a “circuncisão de Cristo” (Cl 
2:11). Segundo O. P. Robertson, “as alianças com Abraão, Moisés e Davi não se apresentam 
como entidades autocontidas. Ao contrário, cada aliança sucessiva edifica-se sobre prévio 
relacionamento, continuando a ênfase básica que foi estabelecida antes”.151 Portanto, Berkhof 
conclui dizendo que “esta aliança ainda está em vigência, e é essencialmente idêntica à ‘nova 
 
perfeita, e especificamente por não comer de uma árvore descrita com árvore do conhecimento do bem e do mal. 
Ver: PACKER, J. I. Teologia Concisa. p. 75-76. 
147 Nota. Mandatos Pactuais – 1) Mandato Cultural – neste o homem e a mulher deveriam exercitar suas 
prerrogativas reais de governo sobre o cosmos [...] 2) Mandato Social – Deus criou o homem e mulher, macho e 
fêmea, este mandato provê a base divinamente ordenada para o casamento, bem como, as comunidades em geral. 
[...] 3) Mandato Espiritual – este mandato envolve a expressão em forma de relacionamento de comunhão que 
Deus estabelecera entre si próprio e os portadores de sua imagem. Ver: GRONINGEN, G. V. Criação e 
Consumação. Vol. I. p. 90-91. 
148 ROBERTSON, O. Palmer. Cristo dos Pactos. p. 83. 
149 EVANS, John. Et al. O Batismo Infantil. p. 61. 
150 Nota. Esta natureza espiritual pode ser comprovada por vários textos do Novo Testamento (cf. Rm 4:16-18; 2 
Co 6:16-18; Gl 3:8, 9, 14-18; Hb 8:10; 11:9, 10, 13). 
 
151 ROBERTSON, O. Palmer. Cristo dos Pactos. p. 28. 
59 
 
aliança’ da presente dispensação”.152 É importante salientar que a Bíblia, embora se refira à 
aliança com Abraão diversas vezes, esta sempre está no singular. É a mesma aliança em toda 
a Bíblia (cf. Ex 2:24; Lv 26:42; 2 Rs 13:23; 1 Cr 16:16; Sl 105:9). No Novo Testamento, o 
apóstolo Paulo argumenta que a dádiva da lei não revogou a promessa, de maneira que ela 
ainda continua na nova dispensação (Rm 4:13-18; Gl 3:13-18). Esta aliança é a prática 
histórica de uma aliança eterna, e que nunca foi ab-rogada, pois era anterior a Moisés e, 
portanto, continua vigorando (Gl 3:17).153 
A razão desta unidade da aliança em ambas as dispensações segue-se do fato de que o 
Mediador é o mesmo (cf. At 4:12; 10:43; 15:10, 11; Gl 3:16; 1 Tm 2:5, 6; 1 Pe 1:9-12). A fé é 
a condição de ambas as dispensações (cf. Gn 15:6; Rm 4:3; Sl 32:10; Hb 2:4; At 10:43; Hb 
11); e as bênçãos são as mesmas, tais como: a justificação, (cf. Sl 32:1, 2, 5; Is 1:18; Rm 4:9; 
Gl 3:6), a regeneração (cf. Dt 30:6; Sl 51:10), dons espirituais (cf. Jl 2:28, 32; At 2:17-21; Is 
40:31), e a vida eterna (cf. Ex 3:6; Hb 4:9; 11:10).154 
Segundo o escritor aos Hebreus, a promessa feita a Abraão foi confirmada com 
juramento pelo próprio Deus que jurou por si mesmo, de modo que os crentes da nova 
dispensação podem receber consolo da sua imutabilidade (Hb 6:13-18).155 Pois, percebe-se 
através das Escrituras Deus aplicando sua graça e seu juízo sobre gerações. Portanto, os filhos 
são participantes de todas as bênçãos da aliança (cf. Gn 6:8; 17:7; Ex 2:24-25; 34:7; 1 Rs 
11:11-12; Sl 103:17).156 
 
5.1.1 O Sinal da Aliança 
 
 
152 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 585. 
153 ANGLADA, Paulo R. B. Et al. O Batismo Infantil. p. 43. 
154 BERKHOF, Louis.Op. Cit. p. 585. 
155 Id. Ibid. p. 585. 
156 SARTELLE, John Et al. O Batismo Infantil. p. 20. 
60 
 
Segundo a Lei de Deus, para inclusão do povo na aliança, o rito da circuncisão se dava 
ao oitavo dia de nascido. Este sinal visível indicava que o iniciado foi separado da carne para 
Deus. Passou da morte para a vida. As crianças eram separadas, santas a Deus (cf. Gn 7:11; 
Dt 30:6; Is 52:1). 
Desta maneira, Sartelle afirma que “Deus deu o mandato da circuncisão como símbolo 
da salvação”.157 Continua dizendo que “várias passagens no Antigo Testamento identificam 
de forma tão próxima este símbolo com o evento real, de tal modo que Deus mesmo usa a 
palavra ‘circuncisão’ em vez da palavra ‘salvação’ (cf. Is 52:1; Ez 44:9; 1 Sm 14:6)”.158 
Conforme Horton, “Deus sempre confirmou suas promessas verbais com meios 
visuais”.159 E “os sinais existem nesse limbo da sinédoque, entre símbolos e a realidade 
significada. Eles não são a realidade, mas também não estão divorciados dela – não são meros 
símbolos”.160 
 Diante disso, o significado teológico do sinal se apresenta nos seguintes termos: 1) ele 
simbolizava a admissão na comunidade da aliança instituída pela graça de Deus. Portanto, a 
pessoa era inserida num relacionamento com o Deus da aliança e com o povo da aliança. 2) 
Também significava a retirada do prepúcio como um ato higiênico de purificação física. Deste 
modo, a circuncisão representa a impureza do homem e sua necessidade de purificação, não 
somente o indivíduo, mas toda a raça humana. 3) Finalmente, a circuncisão ainda representa o 
processo real de purificação espiritual, pois, significa e sela a purificação necessária à 
comunhão da aliança (Dt 30:6).161 
 
 
157 Id. Ibid. p.10. 
158 Id. Ibid. p.11. 
159 HORTON, Michael. Um Caminho Melhor. p. 112. 
160 Id. Ibid. p. 113. 
161 ROBERTSON, O. Palmer. Cristo dos Pactos. p. 135-136. 
61 
 
5.1.2 O Rito da Aliança 
 
Logo, se concorda que a circuncisão seguramente era o elemento pelo qual alguém 
entrava na comunidade do Povo de Israel. Até mesmo crianças, estrangeiros ou prosélitos (Gn 
17:7-14). Certamente era o sinal da aliança (Gn 17:12,13; Ex 12:43-45,48; Lc 2:21; Lc 1:59; 
Fp 3:5). 
Quanto a aplicação do rito, somente os machos entre o povo eram circuncidados (Gn 
17:10), e sobre o primogênito estaria à proeminência. Isso devido ao fato de que o direito em 
administrar a herança estava sobre o filho mais velho (Gn 25:31, 33; 43:33; Dt 21:17; 1 Cr 
5:1). 
As mulheres e crianças do sexo feminino acompanhavam os pais, os irmãos e os 
maridos e eram por eles representados. É importante lembrar que tal prática apontava para 
uma realidade ainda superior. Assinalava para o Primogênito entre os eleitos, aquele a quem 
pertence à promessa. Em seguida, o unigênito de Deus, Jesus Cristo, seria o irmão mais velho, 
o primogênito entre os co-herdeiros (Rm 8:29; Cl 1:15, 18; Hb 12:23; Ap 1:5). 
 Por fim, deve-se ficar claro que o rito da circuncisão não foi estabelecido meramente 
por questões de higiene, mas com o propósito de apontar que o pecado era transmitido de 
Adão desde o momento da concepção, “e que ele deveria ser cortado do corpo para que a 
pessoa não tivesse cortada a própria vida” (Gn 17:14).162 
 
5.1.3 A Nação da Aliança 
 
 
 
162 HORTON, Michael. Op.Cit. p. 115. 
62 
 
Sendo assim, a nação era circuncisa, separada, existente sob a aliança. Caso uma 
criança não fosse trazida pelos pais para ser iniciada, esta não seria considerada separada para 
Deus, e santa. E por isto não faria parte da nação santa, sendo então, eliminada do meio do 
povo (Gn 17:14). A vontade de Deus desde a instituição da aliança é a de sempre considerar 
pais e filhos como integrantes do pacto estabelecido por iniciativa dele mesmo.163 E a unidade 
da nação de Israel se dava por meio do pacto (Ex 34:12). 
 Portanto, o sinal dessa aliança estaria em sua geração, nos herdeiros, nos filhos da 
promessa que fizera Deus com Abraão (Gn 17:12). O pacto era tão importante para a nação 
que até mesmo os estrangeiros e seus descendentes recebiam a condição de Povo de Deus, 
bem como, todos os privilégios e deveres de um cidadão após o sinal do pacto (Gn 17:27; Ex 
12:48; Nm 15:14). Todos que estavam admitidos no pacto deveriam obedecer às leis 
nacionais como prova de sua nacionalidade (Dt 5:14). E a circuncisão era a introdução à 
congregação de Israel (Gn 17:10). 
Desta maneira, nota-se que Deus busca a redenção da família como um todo. Entende-
se que esta salvação é de iniciativa exclusivamente divina. A ação de Deus com o 
estabelecimento da aliança, não é com pessoas isoladas, mas com todos os indivíduos da 
família (Ap 21:3).164 
Tendo em vista que a aliança segundo registros bíblicos é constituída de famílias e sua 
realização segue linhas orgânicas e históricas, pode-se concluir que o pacto ou aliança não se 
limita a Abraão apenas, mas estende-se a todos os seus descendentes (Gn 17:7-14). Assim, há 
um povo ou nação de Deus até a milésima geração (Ex 20:6). Naturalmente o conceito de 
nação é muito relevante em todas as Escrituras, mesmo depois da nação de Israel ter servido 
ao seu propósito, o povo de Deus é também chamado de nação no Novo Testamento, só que 
 
163 GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação. Vol. I. p. 257-259. 
164 Id. Ibid. Vol. I. p. 251. 
63 
 
de forma espiritualizada (Mt 21:43; Rm 9:25, 26 compare com Oséias 2:23). Deste modo, por 
determinação de Deus, as crianças também participavam dos benefícios da aliança, recebendo 
a circuncisão como sinal e selo. 
Portanto, tendo como base as ricas promessas do Antigo Testamento (Is 54:13; Jr 
31:34; Jl 2:28), dificilmente se deve esperar que os privilégios de tais crianças fossem 
reduzidos na Nova Dispensação. O próprio Jesus e os apóstolos não as excluíram (cf. Mt 
19:14; At 2:39; 1 Co 7:14). Como diz Anglada: “Na instituição da circuncisão as crianças 
foram explicitamente incluídas como beneficiárias do pacto da graça, como membros da 
igreja visível no Antigo Testamento”.165 Igualmente, uma possível exclusão certamente 
obrigaria alguma declaração direta neste sentido nos registros neotestamentários.166 
É significativo salientar que os filhos de Israel como descendentes dos patriarcas eram 
filhos da promessa, aqueles que nasciam debaixo do pacto eram herdeiros consangüíneos de 
Abraão. Porém, a nação de Israel não era uma comunidade meramente social ou política, mas 
também espiritual (Rm 4:9-18). 
 
5.1.4 O Sinal e a Realidade 
 
Portanto, deve ficar bem claro que a questão da admissão das crianças na aliança não é 
apenas uma relação legal ou nacional, com obrigações e privilégios externos, mas deve ser 
uma realidade em seus corações. Da mesma sorte, a circuncisão, como sinal e selo da aliança, 
também se evidencia como um rito de significação puramente espiritual no Antigo 
Testamento (cf. Dt 10:16; 30.6; Jr. 4:4; 9,25, 26; At 15:1; Rm 2:26-29; 4:11; Fp 3:2). Moisés 
pronuncia ser necessário que o coração do povo seja circuncidado, explicando assim qual é o 
 
165 ANGLADA, Paulo R.B. Et. tal. O Batismo Infantil. p. 42. 
166 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 585 
64 
 
verdadeiro sentido desta circuncisão carnal (Dt 30:6). Entretanto, não se deve atribuir nenhum 
poder inerente aos elementos do rito, mas ao poder do Espírito Santo inerente na Palavra. 
Como diz Calvino, comentando a carta de Paulo aos Romanos no capítulo 6: 
 
 
 
No batismo reconhecemos que fomos cobertos e protegidos pelo sangue de Cristo, 
para que sobre nós não paire a severidade de Deus, que na verdade é uma chama 
insuportável [...], mas os que são revestidos da justiça de Cristo, ao mesmo tempo são 
regenerados pelo Espírito, e que no batismo temos o penhor desta regeneração.167 
 
 
 
Quantoa isso, Sartelle comentando sobre o sinal da aliança acrescenta que “a 
circuncisão não era garantia de que Deus automaticamente salvaria seu filho [Isaque]. Era 
símbolo do pacto de que ele [Abraão] criaria seu filho no Senhor, e de que Deus o 
estimaria”.168 
Deste modo, é mister destacar a importância da distinção entre sinal e a realidade do 
sinal. Percebe-se que o uso da palavra batismo no Novo Testamento tem dois sentidos 
diferentes. A falha em distinguir isso comumente induz ao equívoco e erro. Primeiramente a 
utilização da palavra batismo no Novo Testamento pode estar se referindo ao sacramento ou 
ritual, ou seja, o batismo com água (Mt 3:7; 28:19; At 2:38, 41; 1 Co 10:2). O batismo com 
água na verdade não é batismo, literalmente falando, mas o sinal do batismo, apontando para 
uma realidade invisível e espiritual.169 
Em distinção do sinal, a realidade do batismo é a lavagem ou purificação dos pecados 
pelo sangue e Espírito de Jesus Cristo. Essa é a realidade da qual o batismo com água é 
 
167 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo, p. 301. 
168 SARTELLE, John. Et al. O Batismo Infantil. p. 26 
169 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 570. 
65 
 
somente uma figura. Falando de batismo nesse sentido espiritual, é completamente adequado 
dizer que o batismo salva (1 Pe. 3:21).170 
Desta maneira, o apóstolo Paulo expõe aos Romanos a respeito da união do crente 
com Cristo através do batismo, isto é, a realidade salvífica espiritual e não do sinal do batismo 
com água (Rm 6:3-6; Cl 2:12). Paulo explica que os crentes agora, são batizados em um só 
corpo [Cristo] por meio da operação do Espírito Santo (1 Co 12:13-14). Em Gálatas, para 
afirmar que todos os eleitos foram batizados em Cristo (Gl 3:27). O que se pode notar é que a 
realidade é apenas uma, outorgada por Cristo e operada pelo Espírito (Ef 4:5). Nenhuma 
dessas passagens fala de batismo com água. O apóstolo Pedro, após dizer que “o batismo nos 
salva”, em seguida adiciona que esse batismo ‘não é a remoção das impurezas da carne, mas a 
boa consciência diante de Deus’ procedente da fé (1 Pe 3:21).171 
Se não houver percepção quanto a isso, redundar-se-á em diversos tipos de erros, tais 
como acreditar que a simples aspersão de água pode salvar alguém (1 Pe 3:21), ou que a água 
traz a união e comunhão do crente com Cristo (1 Co 12:13). 
A diferença entre sinal e realidade é evidente pelo fato de que nem todos os que são 
batizados com água recebem a realidade do batismo. Pedro diz a Simão, o ex-mago, que ele 
ainda não tinha um coração renovado172 (At 8:13-24). Da mesma forma, nem todos os que 
permanecem sem serem batizados com água perdem por esta causa a realidade espiritual do 
batismo, pela qual é salvo; como exemplo, o clássico evento do ladrão e Jesus na cruz (Lc 
23:40-43). 
 
170 Id. Ibid. p. 580. 
171 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XV, Vol. IV, do Batismo, p. 293-294. 
172 PACKER, J. I. Teologia Concisa. p. 182. 
66 
 
Entretanto, os dois são inseparáveis. O primeiro é o sinal ou símbolo do outro. O sinal 
sempre deve apontar para a realidade, para ser válido para o crente. Da mesma forma, a 
realidade também deve estar em harmonia com o sinal.173 
Como diz Ronald Hanko, pastor da Igreja Protestante Reformada da Aliança em 
Wyckoff, Nova Jersey (EUA), 
 
de fato, Cristo nos deu o sinal para nos ajudar a entender e crer na realidade. Eu posso 
dizer: “Pode algo realmente lavar o meu pecado – remover todos eles? Isso é 
inacreditável! Meus pecados são grandes e muitos”. Então o sinal do batismo diz: 
“Tão verdadeiramente como a água remove a sujeira do corpo, assim o sangue de 
Cristo remove verdadeiramente o pecado”, e isso encoraja a minha fé em Cristo e no 
seu sacrifício.174 
 
 
 
 
 Quando os pais crentes apresentam seus filhos ao batismo, eles confessam que suas 
crianças são pecadoras inatas; confessam sua necessidade de regeneração e justificação, mas, 
reivindicam em interesse delas a graça regeneradora e justificadora de Deus. 
Desta forma, não significa que toda criança batizada será salva. Nem é a esperança ilusória da 
salvação de todos os seus filhos que faz com que os pais crentes os batizem. O fundamento 
para o batismo infantil é a “Promessa” de Deus, feita aos crentes, de que ele será o Deus deles 
e o Deus dos filhos deles (Gn 17:7; At 2:39). 
Portanto, a firme convicção de que os filhos estão inseridos na aliança deve basear-se 
tão somente nas promessas de Deus, que são fiéis e irrevogáveis.175 O próprio Deus é quem 
age nos corações dando-lhes nova vida através de sua graça salvadora.176 Se, todavia, alguns 
 
173 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 570-571. 
174 HANKO, Ronald. O Sinal e a Realidade do Batismo. Disponível em: 
http://www.monergismo.com/textos/batismo/sinal-realidade-batismo-dag_ronald-hanko.pdf. Acesso em: 18 de 
Set. de 2010. 
175 GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação. Vol. I. p. 253. 
176 HODGE, Charles. Teologia Sistemática. p. 1463. 
67 
 
deles optarem pela incredulidade, Paulo exorta em Romanos: “Nem todos os de Israel são de 
fato israelitas” (Rm 9:6-8). Assim, se faz necessário observar que mesmo sendo filhos da 
aliança, há também a necessidade de regeneração e conversão. 
 
5.2 A CONTINUIDADE DO SINAL 
 
 
Um dos argumentos para o batismo infantil é a relação entre circuncisão e batismo. 
Isso não é fácil de ver, visto que os sinais externos parecem ser inteiramente diferentes um do 
outro. De fato, até certo ponto, circuncisão e batismo são apenas os sinais; entretanto, a 
realidade da circuncisão é exatamente a mesma realidade do batismo. 
A questão da continuidade do sinal pode parecer contraditória, já que a circuncisão foi 
substituída pelo batismo. Contudo, a continuidade é real, porque ambos representam a mesma 
verdade e significam as mesmas bênçãos espirituais. 
Segundo Tabraj, quando se comparam estes dois sacramentos em ambas às 
dispensações do pacto, se verifica que, além do sinal exterior, se correspondem ponto por 
ponto. Somente difere na natureza do sinal exterior, depois de Jesus Cristo, um sacramento 
não podia ser mais um sacrifício cruento, isto é, com derramamento de sangue.177 
Assim como o sacramento cruento da Páscoa é substituído pelo sacramento incruento 
da Ceia do Senhor, também o sacramento cruento da circuncisão é substituído pelo 
sacramento incruento do batismo. 178 
Portanto, como afirma Berkhof, “na nova dispensação o batismo, pela autoridade 
divina, substitui a circuncisão como o sinal e selo iniciatório da aliança da graça. A Escritura 
 
177 TABRAJ, Salomón Barzola. Herdeiros do Pacto da Graça: Um Estudo Bíblico, Exegético e Histórico do 
Batismo de Crianças. p. 83-84. 
178 Id. Ibid. p. 83-84. 
68 
 
insiste vigorosamente em que a circuncisão não pode mais servir como tal” (cf. At 15:1, 2; 
21:21; Gl 2:3-5; 5:2-6; 6:12, 13, 15).179 O próprio Moisés já indicava um significado mais 
amplo e espiritual do que apenas carnal ou civil (Dt 30:6). E indiscutivelmente incluía 
também a aceitação da religião do povo de Deus. 
Por ser o governo teocrático, a nacionalidade estava inseparavelmente ligada à religião 
(Ex 34:7; Lv 26:41; Dt 10:16). Sendo assim, a circuncisão externa era um sinal e selo de uma 
circuncisão interna muito mais importante. O despojamento físico da carne significava o 
despojamento espiritual da carne do coração pecaminoso. Portanto, a circuncisão não é 
meramente um símbolo ou emblema nacional. Mas, como afirma C. Hodge: 
 
O povo de Deus no Antigo Testamento adquiriu organização com a família de Abraão, 
quatrocentos anos antes de Moisés. A lei cerimonial foi um apêndice acrescentado 
para reger o culto a Deus e para prenunciar o Redentor até a vinda de Cristo[...] a lei 
cerimonial do ritual mosaico, decretada num período posterior, não pôde causar efeito 
algum sobre o pacto original (Gl 3:17).180 
 
 
 
Outra questão a ressaltar está registrada na Lei de Moisés, o qual deixa claro que a 
circuncisão não era uma marca do judeu, pois, foi administrada aos estrangeiros de Israel e os 
seus filhos do sexo masculino que quisessem cultuar ao Deus de Israel (Ex 12:48). 
Já no Novo Testamento o Apóstolo Paulo afirma o significado espiritual da circuncisão 
quando diz que 
 
[...] não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na 
carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, 
no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus 
(Rm 2.28-29). 
 
 
 
179 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 585. 
180 HODGE, Charles. O Batismo Cristão: Imersão ou Aspersão? p. 44. 
69 
 
Ainda em Romanos, Paulo diz que a circuncisão não pode ser a base da justificação, 
porque Abraão foi justificado antes de ser circuncidado, e recebeu o sinal da circuncisão, o 
selo de justiça da fé que teve quando incircunciso (Rm 4:9-12).181 
Em Colossenses, o apóstolo faz uma ligação explícita entre circuncisão e batismo. 
Uma vez que na Antiga Aliança as crianças eram circuncidadas, na nova aliança elas também 
deveriam ser batizadas (Cl 2:11-12). Calvino comentando este texto afirma que Paulo “está 
insistindo por demonstrar que o batismo é para os cristãos aquilo que a circuncisão fora para 
os judeus”.182 
Deste modo, o batismo, assim como a circuncisão, é um sinal e selo do pacto. E para 
ser confirmado é indispensável autenticação do Espírito Santo de Deus. A questão do selo 
direciona a fé de Abraão para justiça de Cristo, o descendente prometido da mulher. Portanto, 
a circuncisão é o meio de confirmação e verificação desta justiça imputada desde já pela fé. 
183 Sobre isto Evans afirma que 
 
primeiro o crente adulto chamado Abraão recebeu o sinal da sua fé. Depois o sinal e 
selo foram administrados a toda a sua casa. O mesmo padrão é visto no livro de Atos. 
Primeiro, existem adultos crentes; eles recebem o sinal e selo da justificação pela fé, o 
batismo; então, este sinal e selo eram dados a todos da sua casa. 184 
 
 
 
Assim, Evans conclui que todo o Novo Testamento confirma que apenas pela fé tem-
se acesso à graça de Deus. “Esta era a única maneira do passado e continua a ser assim 
hoje”.185 
 
 
181 HODGE, Charles. Teologia Sistemática. p.1430. 
182 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XVI, Vol. IV, do Batismo, p. 319. 
183 MACKIM, Donald K. Grandes Temas da Tradição Reformada. p. 183. 
184 EVANS, John. Et al. O Batismo Infantil. p. 60. 
185 Id. Ibid. p. 63-64. 
70 
 
5.2.1 Diferença Sacramental – Antigo e Novo Testamento 
 
 
Entretanto, apesar da continuidade essencial do sinal nas duas dispensações, deve-se 
reconhecer que existe certa diferença entre a Antiga e a Nova Dispensação. Por exemplo, o 
código de leis cerimoniais e semelhantes, instituído durante a Antiga dispensação, foi 
revogado na Nova (Mc 7:19; Cl 2:14). Da mesma maneira, em Israel os sacramentos tinham 
um aspecto nacional em acréscimo à sua significação espiritual como sinais e selos da aliança. 
Havia também, outros ritos simbólicos agregados ao rito da circuncisão, ao passo que no 
Novo Testamento os sacramentos estão absolutamente sós. Os sacramentos do Antigo 
Testamento indicavam Cristo no futuro, e eram selos da graça que deveriam ser recebidos. 
Entretanto, no Novo Testamento indicam Cristo no passado e seu sacrifício de redenção já 
consumado. Ainda percebe-se claramente que a porção da graça divina que acompanha os 
sacramentos era bem menor no Antigo do que do Novo Testamento.186 
Além disso, a lei moral já não está escrita em tábuas de pedra, mas no coração 
(compare Jr 31:33 com At 16:14). Os sacramentos sangrentos foram substituídos pelos sem 
derramamento de sangue, Batismo e Ceia do Senhor. Contudo, simbolizam as mesmas 
bênçãos espirituais que eram simbolizadas pela circuncisão e pela Páscoa na Antiga 
dispensação.187 
A aliança de Deus já não diz respeito exclusivamente a Israel, mas aos “crentes e a sua 
descendência” sem levar em conta as origens étnicas deles. Estas mudanças foram tão grandes 
que às vezes a Escritura fala de “uma nova aliança”. Entretanto, estas mudanças se restringem 
aos sinais externos (Lc 22:20; Hb 8:8-13, compare Lv 26:12 e 2 Co 6:16-18). Diante destas 
evidências, Calvino afirma que “a diferença que resta consiste na cerimônia externa, que é 
 
186 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. p. 571-572. 
187 Id. Ibid. p. 572. 
71 
 
porção mínima, quando a parte mais importante depende da promessa e da coisa significada”. 
188 
 
5.2.2 Semelhança Sacramental – Antigo e Novo Testamento 
 
Desta maneira, pode-se afirmar que não existe semelhança entre os sacramentos do 
Antigo e os do Novo Testamento? Essa questão pode ser respondida com as seguintes 
considerações: Paulo atribui à igreja do Antigo Testamento aquilo que é essencial nos 
sacramentos do Novo Testamento (1 Co 10:1-4); em Romanos, ele fala da circuncisão de 
Abraão como selo da justiça da fé (Rm 4:11); e por representarem as mesmas realidades 
espirituais, os nomes dos sacramentos de ambas as dispensações são utilizados uns pelos 
outros: a Circuncisão e a Páscoa são atribuídas à Igreja do Novo Testamento (1 Co 5:7; Cl 
2:11), e o Batismo e a Ceia do Senhor à Igreja do Antigo Testamento (1 Co 10:1-4).189 Sobre 
este assunto, Calvino afirma que 
 
se o pacto permanece firme e fixo, aos filhos dos cristãos ele vale não menos hoje que 
sob o Antigo Testamento valia às crianças dos judeus. Com efeito, se são participantes 
da coisa significada, por que serão privados do sinal? Se tomam posse da verdade, por 
que serão alijados da representação?190 
 
 
 
 Diante desses fatos, se faz pertinente concluir que há uma continuidade do sinal em 
seu significado essencial, ou seja, a sua realidade representada pelo sinal externo. 
 
 
 
5.3 A CONTINUIDADE DA IGREJA 
 
 
188 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XVI, Vol. IV, do Batismo, p. 314. 
189 BERKHOF, Louis. Op. Cit. p. 571-572. 
190 CALVINO, João. Op. Cit. Cap. XVI, Vol. IV, do Batismo, p. 314. 
72 
 
 
Nas palavras de Anglada, “o erro básico daqueles que não batizam crianças e exigem a 
imersão consiste em perderem de vista a continuidade da revelação da obra da redenção”. 191 
Neste ponto é importante ressaltar que se a igreja for uma organização totalmente nova e 
independente da Antiga Dispensação, então como afirma C. Hodge: “Os argumentos expostos 
até aqui perdem todo o seu peso.192 
Entretanto, a continuidade da Igreja193 é declarada nas Escrituras. A palavra, 
Ekklhsia (ekklesía), “igreja”, segundo A. A. Hodge, “é empregada nas Escrituras no 
sentido geral de comunidade do povo de Deus, chamado para fora do mundo e ligado a Ele 
em relações pactuais”. 194 Segundo o propósito de Deus, a aliança feita com Abraão abrangia a 
Igreja visível de Cristo, e não somente sua posteridade natural em seu caráter de família ou 
nação. Esta igreja visível tem sido propagada e transmitida desde o princípio, de dois modos: 
os que nasceram estranhos ao pacto da promessa, ou “separados da comunidade de Israel”, 
eram introduzidos nessa relação somente pela profissão de sua fé e pela conformidade de sua 
vida (Ef 2:12). Sob a velha dispensação, eram chamados de prosélitos. Entretanto, aqueles 
nascidos dentro da aliança tinham parte em todos os benefícios próprios do fato de 
pertencerem por herança à Igreja visível. Portanto, é nesta Igreja que Jesus proveu meios 
ordinários para administração da Aliança: a Circuncisãoe a Páscoa no Antigo e o Batismo e a 
Ceia no Novo Testamento.195 
 
191 ANGLADA, Paulo R. B. Et. tal. O Batismo Infantil. p. 38. 
192 HODGE, Charles. O Batismo Cristão: Imersão ou Aspersão? p. 37. 
193 Nota. Igreja Visivel e Invisivel - A igreja invisivel ou espiritual, em distinção da igreja visível organizada na 
terra, consiste na comunidade inteira dos eleitos, incluídos na aliança eterna da graça feita entre o Pai e o 
segundo Adão – Cristo (Ef 5:27; Hb 12:23), entretanto, a igreja visível e universal consiste em todos aqueles que 
no mundo inteiro professam a religião verdadeira, juntamente com seus filhos, e é o reino do Senhor Jesus 
Cristo,a casa e família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação. Ver: HODGE, A. A. 
Esboços de Teologia. p 863. 
194 HODGE, A. A. Esboços de Teologia. p. 863. 
195 Id. Ibid. p. 65-866. 
73 
 
Deste modo, o apóstolo Paulo escrevendo aos Efésios, traz esta idéia de continuidade 
ou identidade quando diz que os crentes foram “edificados sobre o fundamento dos apóstolos 
e profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina” (Ef 2:20).196 Ainda acrescenta 
que os “gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa 
em Cristo Jesus por meio do evangelho” (Ef 3:6). Por fim, conclui que os gentios também são 
filhos de Abraão pela fé em Cristo Jesus (Gl 3:7, 29). 
Portanto, em ambas dispensações, encontra-se a mesma e total dependência do poder 
do Espírito Santo (comparem Zc 4:6 com Mc 13:11; At 1:7-8). O apóstolo Pedro pregando 
aos israelitas evoca as palavras de Moisés dizendo que seria levantado dentre o Povo de Deus, 
um profeta semelhante a ele e que todo povo deveria ouvi-lo (At 3:22). As declarações 
formais e argumentativas do Novo Testamento ensinam claramente a identidade da igreja em 
ambas dispensações. 
Desta maneira, percebe-se que Cristo é a glória, a beleza e fortaleza tanto da Antiga 
como da Nova Dispensação (1 Co 10:4). O amor a Deus e ao próximo, como síntese espiritual 
da Lei Mosaica é reafirmado no Novo (Lc 10:27). Tanto no Antigo quanto no Novo 
Testamento a expressão “igreja” contém o mesmo nome (compare Sl 22:22 com Hb 2:12). O 
povo de Israel é chamado de “igreja no deserto” por Estêvão (At 7:38), e recebiam as mesmas 
promessas do Novo Testamento (Gl 3:29). 
Como destaca C. Hodge: 
 
Os hebreus, dentre todas as nações da terra, foram chamados para ser o povo peculiar 
de Deus. Constituíam seu reino. Foram-lhes confiados os oráculos de Deus. Eram 
israelitas; a eles pertenciam a adoção, a glória, os concertos, a doação da lei, o serviço 
e as promessas.197 
 
 
 
196 SWIFT, W. G. Batismo Por Aspersão e Batismo de Crianças. p. 35. 
197 HODGE, Charles. Teologia Sistemática. p. 1426. 
74 
 
 
 
 Desta maneira, a igreja descrita no Novo Testamento é a “comunidade do pacto”, 
participante das mesmas bênçãos espirituais da Antiga Dispensação. Nos últimos dias todos 
os povos afluirão para a Casa do Senhor (Mq 4:1). Quanto a isso, o apóstolo Paulo afirma que 
os gentios foram enxertados; tornando-se os participantes da mesma raiz e da mesma “seiva 
da oliveira” (Rm 11:16-17).198 Desta forma, a igreja não deveria ser substituída, mas 
expandida e engrandecida, recebendo em seu bojo o mundo gentílico, fundamentando-se no 
mesmo pacto feito a Abraão (Gn 12, 15, 17). 199 
O apóstolo, ainda, escrevendo aos Gálatas afirma que o evangelho tem um significado 
definido nas Escrituras. Ou seja, o anúncio do plano da salvação através de Cristo e a oferta 
da Salvação a todo o que nele crê. Este evangelho, diz Paulo, foi pregado a Abraão (Gl 3:8). 
Também declara que a condição de todas as promessas abraâmicas era a fé (At 26:7, Rm 
4:19-20). Em sua carta aos Romanos deixa claro que o mesmo “evangelho que ele pregava já 
havia sido ensinado na lei e nos profetas” (Rm 3:21).200 Portanto, as promessas contidas tanto 
no Antigo quanto no Novo Testamento se harmonizam entre si. Quanto a isso nota-se em 
Gênesis 17:7 “a ti e à tua semente”, e Atos 2:39 “para vós e para vossos filhos”.201 
Sendo que a Igreja é a mesma e não existindo mandamento contrário, os membros 
também são os mesmos. Portanto, os crentes são agora filhos de Abraão, e o pacto e a 
promessa são para eles e seus descendentes tão legítimos como no princípio. Por mais que a 
lei de Moisés no que se refere a algumas de suas exigências (uso da lei civil e cerimonial) 
tenham sido revogadas, a obrigação de provar o contrário recai sobres os opositores do 
pedobatismo. 
 
198 ANGLADA, Paulo R. B. Et. tal. Op. Cit. p. 43. 
199 HODGE, Charles. O Batismo Cristão, Imersão ou Aspersão? p. 38. 
200 HODGE, Charles. Teologia Sistemática. p.1428. 
201 SWIFT, W. G. Batismo Por Aspersão e Batismo de Crianças. p. 35 
75 
 
A igreja é, tanto em sua origem como em seu fim, a igreja de Deus. Os homens não 
podem criar a igreja por seus próprios esforços, mas a recebem como presente de Deus. Ela é 
feita por ele e para ele. A membresia não é formada por escolha humana, mas pelo chamado 
divino. Ela é, portanto, essencialmente uma instituição divina, e por isso, eterna.202 
Desta forma, diante de todos os argumentos apresentados, pode-se concluir que a 
igreja é singular em toda a história do Povo de Deus. Comprova-se esta verdade evocando a 
imutabilidade da Aliança proferida nas Escrituras; observem o que diz o Salmo 105:8-10: 
 
Lembra-se perpetuamente do seu concerto, da palavra que mandou até milhares de 
gerações; do concerto que fez com Abraão e do seu juramento a Isaque; o qual ele 
confirmou a Jacó por estatuto, e a Israel por concerto eterno. 
 
À luz deste texto, tanto na primeira como na segunda Dispensação, uma família gentia 
ingressava na igreja judaica, a única igreja visível e a igreja que continha o pacto acima 
mencionado.203 
Em suma, se as crianças eram membros da igreja sob a Antiga Dispensação, então são 
membros da igreja agora, e têm o direito de receberem o sinal da aliança, a menos que se 
prove o contrário.204 Como diz C. Hodge: “Eles exigem de nós um ‘Assim diz o Senhor’ para 
admitir os filhos dos crentes na igreja. Nós, porém, exigimos um testemunho igualmente para 
excluí-los”.205 
 
5.4 OS BENEFÍCIOS DO SACRAMENTO BATISMAL 
 
 
Introdução 
 
 
202 TENNEY, (Org.) Merrill C. Enciclopédia da Bíblia. Vol. III. p. 181. 
203 SWIFT, W. G. Batismo Por Aspersão e Batismo de Crianças. p. 35. 
204 HODGE, Charles. Teologia Sistemática. p. 1431. 
205 HODGE, Charles. O Batismo Cristã: Imersão ou Aspersão? p. 42-45 
76 
 
 
 O Novo Testamento não exclui as crianças da condição de beneficiárias do pacto da 
graça. Em nenhum lugar do Novo os filhos dos que pertenciam à aliança foram excluídos. Ao 
contrário, diante de tudo o que foi abordado, o que há são afirmações explícitas de que 
continuam incluídos. Como afirma Calvino: 
 
se delas é o reino dos céus, por que lhes neguemos o sinal por meio do qual é como se 
lhes fosse aberto o acesso à Igreja, de sorte que, nela adotadas, sejam arroladas por 
herdeiras do reino celeste? (Lc 18:15-16)” 206 
 
As crianças foram trazidas a Cristo com a sua aprovação para serem abençoadas por 
ele. O simples ato dos pais que trouxeram as crianças até Jesus demonstra no mínimo certa 
naturalidade em que os pais entendiam que as promessas eram também para os seus filhos. 
Diante disso, se faz pertinente apontar alguns dos principais benefícios que Cristo através do 
rito batismal e seu significado espiritual podem acarretar na vida do seu povo. 
 
5.4.1 Para a Igreja 
 
Um dos principais benefícios que a igreja recebe do pacto é a edificação dos membros. 
O batismo une a criança com a igreja, admitindo o solene dever de velar por elas, procurando 
capacitá-las por todos os meios a serem úteis e dignasherdeiras do céu.207 A igreja tem 
responsabilidade na orientação e cuidado dos pais e dos filhos; bem como, comprometer-se 
em orar a Deus por eles, assegurando a esta graça, ajuda e cuidado. Segundo C. Hodge “o 
compromisso e a responsabilidade da igreja, pode-se dizer, são inferiores apenas aos dos pais 
[...], unirá sua fé e insistência à fé dos pais, para suplicar a promessa do pacto com Deus”. 208 
 
 
206 CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Cap. XVI, Vol. IV, do Batismo, p. 316. 
207 HODGE, Charles. O Batismo Cristão: Imersão ou Aspersão? p. 66. 
208 Id. Ibid. p. 59-60. 
77 
 
5.4.2 Para os Pais 
 
Conseqüentemente, o conforto é um dos benefícios que os pais recebem do pacto no 
sentido de que os filhos pertencem a este. A não ser que rejeitem quando adultos, essa é a 
condição deles. Cabe aos pais fazer com que os filhos conheçam a sua condição de 
pertencentes ao pacto, dando-lhes bom testemunho para serem fiéis, educando-os no temor do 
Senhor. Os pais crentes, estando profundamente convencidos da depravação da criança, 
prometerão guiar e vigiar seu descendente com muito mais zelo.209 
Desta sorte, o batismo insere os pais no pacto público com Deus, com sua igreja, 
obrigando-os, por meio dos mais sólidos estímulos imagináveis, a cuidar do crescimento dos 
filhos e a trabalhar em favor de sua salvação.210 
 
5.4.3 Para os Filhos 
 
Por fim, os filhos gozam de todos os privilégios da igreja visível: oração, conselhos, 
disciplina, ensino da Palavra, exemplo dos outros fiéis, e principalmente das promessas 
referentes ao pacto. Como diz Anglada: “Quando chegarem à idade da razão, saberão que 
pertencem à aliança e se perguntarão: o que isto significa? E serão tão beneficiados com o 
batismo quanto aqueles que são batizados quando adultos”. 211 Em suma, C. Hodge 
acrescenta: “O batismo relaciona a criança com a igreja visível, colocando-as sob o cuidado 
do povo de Deus e compelindo-as a andar segundo o teor de seus ensinos”.212 
 
 
 
209 Id. Ibid. p. 57. 
210 Id. Ibid. p. 66 
211 ANGLADA, Paulo R. B. Et. tal. O Batismo Infantil. p. 47. 
212 HODGE, Charles. Op. Cit. p. 66. 
78 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Considerando as evidências relatadas até o momento, discorridas nesta pesquisa, a 
fim de responder à pergunta: se há razões para se batizar crianças. Nota-se que estas razões se 
confirmam não só na doutrina bíblica da Aliança. Como também constitui historicamente a 
prática normativa da Igreja e não a exceção. 
Buscamos harmonizar as razões dos reformados em se batizar seus infantes: 1) Em 
razão da continuidade da aliança, 2) continuidade da igreja e 3) continuidade do sinal, nós 
reformados, acolhemos ao batismo todos os que pertencem à Aliança. Estes têm sido sempre 
os crentes professos e seus filhos menores. A comunidade da Aliança nunca excluiu as 
crianças. O batismo infantil é uma prática bíblica consistente. Os que se recusam batizar as 
crianças devem explicar por que estão adicionando condições à Aliança, as quais Deus nunca 
exigiu. Também, os que batizam tais crianças devem defender essa prática puramente na base 
da Aliança. Devem deixar de lado todas as invenções humanas; devem fazer distinção entre 
as formas interna e externa da Aliança, e devem repelir qualquer insinuação de que o batismo 
com água salva. 
79 
 
Todos os quatro capítulos abordados neste trabalho buscam uma correlação coerente, a 
fim de corroborar com o pedobatismo, e para este fim, ponderou-se a continuidade 
progressiva da revelação bíblica, bem como, a posição dos Pais da Igreja e os principais 
documentos produzidos pela Igreja no decorrer dos séculos. 
Percebemos que o batismo é o sinal da purificação. Também que a água é o sinal e o 
Espírito Santo a realidade. Sendo possível então que haja em alguns ritos o símbolo, sem que 
verdadeiramente haja a realidade. Por outro lado, é de extrema importância, que onde se faz 
presente a realidade do selo do Espírito Santo, também haja o sinal, que é o batismo cristão. 
Neste batismo, os pais realizam um pacto empenhando-se a criar seus filhos mediante 
a Palavra de Deus. 
Certamente, por tudo que se examinou, a forma normativa da Igreja na Nova 
Dispensação para admissão em seu rol é o batismo aplicado também às crianças, assim como 
era a circuncisão na Antiga. Portanto, os filhos de pais crentes estão ainda incluídos na 
Aliança e, naturalmente, ainda lhes pertence o rito de iniciação. 
E não se deverá adotar outra forma, ao passo que o sacramento do batismo para o 
crente em Jesus é a condição significativa e abençoadora, embora, não absolutamente 
necessária. 
Foi Deus quem iniciou e selou sua Aliança com seu Povo, e com graça, Ele se 
compromete a cumprir Sua Palavra. E ele chama a seus filhos e os filhos de seus filhos a 
manterem sua aliança e a conhecerem sua bênção até a milésima geração. 
Deste modo, a própria Escritura prescreve a ministração deste sacramento do batismo 
às crianças de pais crentes em plena comunhão com o Senhor e suas igrejas. 
 
80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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