Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Cirurgia Geral 2020.2 
Gisele e Natália TX 
DOENÇAS BENIGNAS DO MESENTÉRIO E OMENTO 
 
ANATOMIA E EMBRIOLOGIA 
Omento 
Omento ou epíplon corresponde a dobras peritoneais (o peritônio se dobra em cima dele 
mesmo) que passam através do estômago ao fígado, cólon transverso, baço, vias biliares, 
pâncreas e diafragma. Ele deriva do desenvolvimento embrionário dos mesentérios dorsal e 
ventral do intestino primitivo. Depois da formação do intestino primitivo, acontecem duas 
rotações: uma de 90º e outra de 180º, completando 270º e chega na posição anatômica. Ou 
seja, o ceco na fossa ilíaca direita, o ângulo hepático no hipocôndrio direito, o ângulo esplênico 
no hipocôndrio esquerdo, sigmóide e reto começando na fossa ilíaca esquerda e baixo ventre. 
 
Pequeno omento (omento menor) surge na pequena 
curvatura gástrica e sobre para se ligar ao fígado, une o estômago a 
uma tríade de estruturas (colédoco, v. porta e a. hepática) que 
seguem entre o duodeno e o fígado na margem livre do grande 
omento. 
Grande omento (omento maior) vai do 
estômago e da parte proximal do duodeno até 
os órgãos adjacentes na cavidade abdominal, 
pendurado na grande curvatura gástrica e se 
dobra sobre si mesmo, onde se liga ao cólon 
transverso. Ele forma um leque e, dependendo 
da própria gordura visceral, ele é mais ou menos 
volumoso. 
O mesentério é a parte que fica entre os intestinos delgado e grosso. É por ele que 
passa toda a vascularização e toda a inervação dos intestinos. É um órgão em forma de leque 
que dá suporte ao jejuno e ao íleo. 
Faz parte do peritônio sendo formado por tecido conjuntivo denso extraperitoneal, vasos 
sanguíneos, nervos e vasos e gânglios linfáticos. 
Na fase embrionária o peritônio é dividido em mesentério ventral e dorsal. Mesentério 
ventral é reabsorvido deixando apenas a parte caudal do intestino 
anterior, que origina o pequeno omento. 
Quando falamos de mesentério, falamos do intestino fino. 
Quando falamos de mesocólon, falamos do mesentério do 
intestino grosso, do cólon e reto. 
 
Mesentério​ ou meso (delgado) 
A. mesentérica superior (AMS) se ramifica em artérias 
jejunais (mais proximais) e ileais (mais distais), irrigando todo o 
intestino delgado (exceto a parte superior do duodeno), ceco, 
cólon ascendente e uma porção do colo transverso. A a. 
ileocecocólica irriga o ceco, apêndice e íleo terminal. A a. 
1 
Cirurgia Geral 2020.2 
Gisele e Natália TX 
cólica direita irriga o cólon ascendente e uma parte do transverso. AMI 
irriga uma parte do cólon transverso, a a. cólica esquerda irriga o cólon 
esquerdo, cólon descendente, as aa. sigmóideas e retais irrigam sigmóide 
e reto. A junção das cólicas direita e esquerda, irrigando o cólon 
transverso formam uma junção chamada de arcada de Drumond. Todas 
essas artérias ficam dentro do mesentério. 
A drenagem venosa, na v. mesentérica superior (VMS), 
acompanha a irrigação pela AMS. A VMS drena o delgado e cólon D e 
parte do transverso. A VMI e os seus ramos drenam parte do transverso, 
cólon E, sigmóide e reto. As vv mesentéricas inferior e superior se juntam 
em direção à porta. 
Também tem no mesentério vasos linfáticos, gânglios e 
inervações. Os gânglios acompanham a drenagem venosa e 
a irrigação arterial. São representados em azul da imagem ao 
lado, estão dispersos por todo o mesentério. 
 
FISIOLOGIA 
O mesentério e o omento são ricos em vasos linfáticos e sanguíneos. 
O omento tem concentração elevada de macrófagos que auxiliam na remoção de corpo 
estranho e bactérias. Com essa concentração elevada de macrófagos, ele faz aderência e 
bloqueia inflamações do peritônio. Por exemplo: apendicite complicada, diverticulite aguda, 
perfuração gástrica, perfuração intestinal. Os macrófagos ajudam o omento a grudar na área 
perfurada e fazer um bloqueio. Isso impede/dificulta/atrasa a instalação da peritonite difusa na 
cavidade. Restringe a peritonite ao local da lesão. 
 
DOENÇAS DO OMENTO 
Cisto de Omento 
São estruturas uni ou multinodulares com líquido seroso. Pode ser congênito ou 
adquirido, por obstrução de canais linfáticos. O cisto é forrado por endotélio linfático 
semelhantes aos linfangiomas. São mais comuns em crianças ou adultos jovens. 
Em geral são cistos pequenos, assintomáticos e descobertos acidentalmente em uma 
laparotomia ou laparoscopia. Eles podem ser removidos se descobertos em cirurgia ou 
deixados na cavidade. Raramente, os cistos podem ser grandes e evoluir com massa palpável, 
torção do omento, infecção ou ruptura. Para os cistos maiores, o US e a TC são exames de 
escolha para tentar fazer o diagnóstico, além da laparoscopia. Ressecção do omento ou de 
parte dele está indicada se o cisto for grande, em geral, via laparoscópica. É simples de fazer e 
resolve a doença. 
 
Torção e infarto de omento 
Torção aguda com obstrução do fluxo arterial e obstrução prolongada do retorno 
venoso, causando infarto e necrose. A dificuldade do retorno venoso forma uma estase, edema 
do omento, levando à necrose. Então, se fizer um diagnóstico rápido, podemos reduzir e 
2 
Cirurgia Geral 2020.2 
Gisele e Natália TX 
ressecar o omento. Se demorar a fazer o diagnóstico, encontramos um omento escurecido, 
que obrigatoriamente temos que ressecar. 
Em geral é primária, sem causa identificada ou é secundária, causada por hérnia, tumor 
ou aderências. É 2x mais comum em homens e entre 40 a 50 anos de idade. 
O quadro clínico, como todo evento em que falta circulação, cursa com dor abdominal 
aguda e intensa (é uma dor muito forte, “dor da isquemia”), em 80% no lado D, podendo 
associar a náuseas e vômitos pela intensidade da dor, em geral sem febre. Só tem febre se 
estiver infectado. Pode haver peritonite (infecção do omento necrótico torcido) e massa 
palpável. A dor é mais referida no lado direito, não há motivo aparente para isso, mas ele pode 
torcer em qualquer local. 
Diagnóstico diferencial: doenças inflamatórias que também causam dor na região e 
principalmente no lado direito. São: apendicite, colecistite e torção de ovário. Mas apendicite e 
colecistite dão febre e torção de ovário faz uma massa palpável mais rápida que a torção de 
omento. As dores de torção de ovário e omento são semelhantes. A dor da apendicite tem um 
início mais brando e vai progredindo com o tempo, colecistite idem. 
TC mostra massa omental com inflamação. 
Cirurgia com ressecção do omento torcido. 
 
Neoplasia de omento 
Neoplasias primárias são extremamente raras. É mais comum ser foco de metástase de 
tumor primário abdominal. Aparecem nódulos endurecidos no omento. Chamamos de “omental 
cake”, que seria um “bolo de omento” endurecido, rígido, tenso, que praticamente não se mexe. 
 
Enxertos e transposições de omento 
O omento pode ser usado como enxerto para cobrir feridas, para fazer transposição ou 
cobertura de alguma sutura. Era usado para cobrir ferimentos no tórax ou mediastino em que a 
pele não era suficiente. Ele é usado no lugar da pele para formar uma nova cicatrização e 
cobrir a pele no tórax. 
Pode ser usado também com objetivo de impedir o intestino delgado de penetrar na 
pelve após ressecção abdomino-perineal, prevenindo enterite actínica (pós radioterapia).Na 
ressecção abdomino-perineal os órgãos da pelve são retirados (ovário, útero, colo do útero, 
próstata) então usamos o omento para impedir que o delgado caia nessa região e sofra com 
radioterapia pós operatória. Há complicações de retite actínica nesses casos pós radioterapia, 
então evitamos que o delgado caia também. 
O omento também pode ser usado como enxerto tampão em perfurações gástricas e 
duodenais (Gaham). Faz a rafia da úlcera duodenal ou gástrica e puxa o omento, colocando 
por cima da sutura (rafia). Pode ser feito de forma aberta ou via laparoscópica. 
 
Cisto de mesentério 
Assim como o cisto de omento, é um cisto mesotelial, benigno e também ocorre por 
obstrução da drenagem linfática. Também são chamados de linfangiomas e é mais comum que 
os cistos de omento. 
Mais comum em crianças ou adultos em torno de 45 anos, 2x mais comum e mulheres. 
3 
Cirurgia Geral 2020.2 
Gisele e Natália TX 
Quadro clínico pode ser assintomático ou sintomático. Dependendo do tamanho ou se 
for infectado pode levar à dor abdominal, febre, vômitos e massa palpável. 
US ou TC: conseguimos ver o cisto a região dele, que geralmente está próximo a região 
mesentérica do colo ou do delgado. 
As opções de tratamento são enucleação (retirar o redor dele), 
drenagem interna (ou tentar derivá-lo para dentro do delgado) ou ressecção 
completa envolvendo intestino. A ressecções completas envolvendo o 
intestino são feitas quando o cisto ou linfangioma é tão extenso que não pode 
ser separado dessas estruturas (foto). Então tiramos uma parte do intestino 
junto, pois se ressecar e afetar a região dos vasos, não vai ter circulação 
sanguínea na região do delgado. 
 
Adenite ou linfadenite mesentérica 
É uma doença extremamente comum e é diagnóstico diferencial das apendicites em 
crianças. Cursa com dor abdominal forte em fossa ilíaca D por aumento 
de volume dos linfonodos mesentéricos na região do apêndice cecal. O 
apêndice está normal, mas está cheio de gânglios alí. Esses gânglios, da 
mesma forma que as ínguas que temos no pescoço, aumentam de 
tamanho e doem. 
Crianças e adultos jovens são os mais acometidos. Causas podem ser: infecções virais, 
bacterianas, parasitárias e fúngicas. Os mais comuns são infecções virais, especialmente em 
crianças. 
Clínica semelhante de apendicite aguda. US ou TC fazem o diagnóstico na maioria das 
vezes, conseguem ver o apêndice normal e os gânglios e então evitamos cirurgia. O 
diagnóstico pode ser também no intraoperatório por suposta apendicite aguda. 
Sintomáticos (analgésicos e antiinflamatórios) ou se em cirurgia, biópsia de linfonodo. 
Resultado vem como reação inflamatória inespecífica. 
 
Mesenterite esclerosante 
Doença inflamatória rara com fibrose esclerosante na região do meso. Evolui com 
necrose gordurosa, inflamação crônica e calcificações focais. 
2x mais em homens, por volta de 50 anos e descoberta é incidental. 
Vemos espessamento acentuado do mesentério com áreas irregulares de descoloração 
sugerindo necrose gordurosa. Pode ter múltiplos nódulos ou única massa emaranhada. Em 
geral acontece na raiz do mesentério e nos vasos mesentéricos, retraindo e encurtando o 
mesentério, podendo afetar a drenagem venosa e linfática. 
Assintomáticos ou dor abdominal com sintomas de obstrução intestinal, dependendo de 
quanto o meso retraiu e quanto dobrou a alça de intestino. 
A TC pode ajudar no diagnóstico e, como é uma 
doença inflamatória, o PCR está elevado. Imagens do 
meso espessado e retraído, com alguns nódulos de 
necrose gordurosa no interior. Biópsia é necessária. 
4 
Cirurgia Geral 2020.2 
Gisele e Natália TX 
Maioria tem cura espontânea, mas alguns precisam de corticoides, AINES ou 
imunossupressores. Cirurgia indicada nos casos de dúvida diagnóstica ou obstrução intestinal 
que não melhorou com o tratamento clínico. 
 
Hérnia interna congênita 
Hérnia é a passagem de uma estrutura por um orifício, seja ele congênito ou adquirido. 
Chamamos de hérnia interna quando tem defeitos no peritônio ou retroperitônio e as alças 
passam por esses orifícios e encarceram, formando hérnias com isquemia do delgado/cólon. 
Acontecem por fixação anormal retroperitonial do mesentério com má rotação intestinal. 
Podem ser mesocólicas ou paraduodenais. 
Podem acontecer nos forames internos largos: forame de Winslow e hérnia supravesical. 
Aberturas ou orifícios anormais no mesentério: hérnia mesentérica 
 
 
 
 
● Hérnia mesocólica ou paraduodenal 
O intestino delgado projeta-se por herniação atrás do mesocólon. O intestino não tem a 
rotação completa, deixa um espaço no mesocólon e o delgado entra por trás do mesocólon. 
Em 25% das vezes o delgado fica aprisionado atrás do mesentério do lado D do cólon. Em 
75% das vezes ocorrem à E, com delgado preso entre a VMI e a aderência do mesocólon 
descendente. 
Sintomas agudos ou crônicos de obstrução. RX simples ou trânsito intestinal nos ajudam 
a ver a posição do delgado, se ele está todo aglomerado do lado D ou E. 
Tratamento cirúrgico de ambas envolve a secção das membranas peritoneais e área do 
mesentério que encarceraram o delgado. Temos que abrir o saco de proteção e liberar o 
delgado, assim evitamos a isquemia. Cuidado com a vascularização do mesentério, que pode 
dificultar ou impedir a correção das hérnias. Se a vascularização estiver muito próxima e não 
conseguirmos separar, isso dificulta muito a liberação do delgado. 
 
● Hérnia mesentérica 
Acontece através de um orifício que não deveria existir no mesentério ou no mesocólon. 
Esse buraco congênito mais comum ocorre na junção íleo-cólica. Intestino projeta-se através 
de orifício anormal no mesentério ou mesocólon. 
Sintomas são obstrutivos, com ou sem necrose do segmento. 
Tratamento: liberação do segmento herniado e fechamento do defeito no mesentério 
para não voltar a acontecer a herniação. 
5 
Cirurgia Geral 2020.2 
Gisele e Natália TX 
 
Hérnia interna adquirida​ (mais comum) 
Falhas no mesentério após procedimentos cirúrgicos ou traumas. A situação mais 
comum é após cirurgia bariátrica, pois para fazer anastomose tem que abrir o meso e se não 
fechar adequadamente pode fazer hérnia do intestino. 
Sintomas obstrutivos, com ou sem necrose do segmento. 
Tratamento: liberação do segmento herniado e fechamento do defeito no mesentério. 
 
Tumor de mesentério 
Mais comum é metástase de adenocarcinoma. Tumor desmóide é raro, mas dentre os 
tumores primários, é o mais comum. Comum em pacientes com polipose adenomatóide 
familiar, que é uma doença congênita. 
6

Mais conteúdos dessa disciplina