Prévia do material em texto
Plantas flebotônicas Uma planta flebotômica é aquela que contém constituintes capazes de melhorar o tônus venoso por meio de diversos mecanismos. A Insuficiência Venosa Crônica (ICV) é uma doença progressiva, que costuma ser negligenciada em estágio inicial. Atualmente, estima-se que cerca de 80% da população mundial apresentem quadros leves dessa doença, que acomete mais mulheres do que homens. O uso de plantas flebotônicas para diminuir os sintomas, como edema, dor e sensação de pernas cansadas, bem como para prevenir a evolução do quadro já são consagrados na literatura científica. Aplicações terapêuticas das plantas flebotônicas As DVP contemplam aqueles “pequenos vasinhos” capilares de cor vermelha ou roxa que surgem na superfície da pele (telangectasias), as varizes (superficiais ou profundas), os quadros edematosos e vários outros sintomas. Aspectos fisiopatológicos gerais das DVP São classificadas de acordo com diversos critérios (sinais clínicos, etiologia, anatomia e fisiopatologia) e apresentam severidade variada (ausente, leve, moderada e severa, conforme o Venous Clinical Severity Score) (Diretrizes). O componente principal das DVP é a hipertensão venosa. Nos estágios iniciais, a hipertensão passa a comprometer o funcionamento das válvulas responsáveis por garantir que o sangue flua de modo unidirecional: das veias superficiais para as profundas, em direção ao coração e contra o gradiente de gravidade. Com isso, há refluxo sanguíneo e comprometimento da oxigenação do tecido local. nos estágios mais avançados da doença, o extravasamento de macromoléculas e hemácias para o interstício dérmico aumenta ainda mais os sintomas inflamatórios, levando à hiperpigmentação (normalmente na região dos tornozelos), dermatite eczematosa, celulite e, em última instância, úlceras venosas. Todas essas alterações fisiopatológicas levam aos sintomas típicos das DVP: dor, sensação de queimação, inchaço, câimbra, sensação de peso, latejamento e cansaço das pernas, fadiga e prurido. Compostos de interesse terapêutico em plantas flebotônicas O tratamento da insuficiência venosa crônica (IVC) é bastante diverso, contemplando o uso de meias de compressão, procedimentos cirúrgicos e medicamentos ação flebotônica direta (aumento do tônus venoso); aumento da resistência capilar (redução da permeabilidade capilar); aumento da drenagem linfática (reabsorção do transudato); ação anti-inflamatória. Entre os flavonoides mais usados no tratamento das DVP estão a diosmina e a hesperidina, disponíveis na forma de fração de flavonoides purificada micronizada (FFPM), contendo 90% de diosmina e 10% de outros flavonoides expressos em hesperidina. Outro flavonoide utilizado no tratamento da DVP é a rutina, flavonoide glicosídeo de ocorrência natural. Por meio da hidroxietilação da rutina, obtém- -se uma série de derivados flavonoides, como oxerutina e troxerutina, presentes em diversos medicamentos. Entre as saponinas, a escina, uma mistura de saponinas triterpênicas extraída da semente da castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum) vem sendo bastante usada para diminuir a permeabilidade vascular, melhorando a hemodinâmica e reduzindo o edema dos membros inferiores em pacientes com varizes. Também lhe são atribuídas ações vasoconstritoras e vasoprotetora, na medida que essa mistura de saponinas também inibe a atividade das enzimas elastase e hialuronidase, reduzindo a degradação de proteoglicanos. Por fim, trataremos da cumarina, uma alfa-benzopirona usada sozinha ou em associação com oxerutina e derivados. A cumarina induz a proteólise de proteínas de alto peso molecular presentes no linfedema, levando à geração de pequenos fragmentos proteicos que podem ser mais facilmente drenados pelo sistema linfático. Cumarinas são metabólitos secundários, benzopiranonas, que podem ser classificados em quatro subtipos, conforme sua estrutura química: cumarinas simples, furanocumarinas, piranocumarinas e cumarinas substituídas no anel lactona. Essa diferenciação é importante por que, geralmente, só as cumarinas com substituições na posição três ou quatro do anel apresentam atividade anticoagulante. A cumarina usada em medicamentos para tratar a IVC não tem ação anticoagulante significativa. Identificação e quantificação de compostos presentes em plantas flebotômicas A identificação e a quantificação dos compostos vegetais presentes nos medicamentos é uma etapa importante para garantir a qualidade desses produtos, que traz consigo vários desafios. As etapas iniciais dizem respeito à identificação da matéria-prima vegetal, utilizando-se parâmetros macroscópicos, microscópicos e o perfil cromatográfico, permitindo a identificação da espécie vegetal e a presença dos constituintes de interesse. Em um segundo momento, é necessário quantificar o(s) marcador(es), definidos da seguinte maneira pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº. 26, de 13 de maio de 2014 (BRASIL, 2014, documento on-line): […] componente ou classe de compostos químicos (ex: alcalóides, flavonóides, ácidos graxos etc.) presente na matéria-prima vegetal, idealmente o próprio princípio ativo, e preferencialmente que tenha correlação com o efeito terapêutico, que é utilizado como referência no controle de qualidade da matéria-prima vegetal e dos medicamentos. Entre os métodos mais utilizados para esse fim estão a espectrofotometria de absorção no ultravioleta (UV), a cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) e a cromatografia gasosa (CG)