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ATLS (ABCDE)

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líquido livre na cavidade. 
AUSCULTA: comparativa, bilateral, ascendente. Aqui, avalia-se dois parâmetros: o murmúrio vesicular e a ausculta 
cardíaca. Quanto ao MV, pode-se encontrar murmúrios normais, diminuídos ou ausentes; quanto às bulhas, podem 
estar normais ou hipofonéticas (importante fazer ausculta comparativa das bulhas com intervalos regulares pelo 
mesmo examinador). 
Situações torácicas graves que devem ser tratadas imediatamente: pneumotórax hipertensivo, tórax instável com 
contusão pulmonar, hemotórax maciço, pneumotórax aberto e tamponamento cardíaco. 
 
Toracocentese (descompressão de alívio): medida temporária, 2ºEI, linha hemiclavicular, abocath 14 com dedo de 
luva. A partir da 10ª edição, passa a ter caráter não obrigatório e no mesmo local da toracotomia. 
 
Toracotomia: medida definitiva, em 5ºEI, anterior à linha axilar média, dreno em selo d’água (dois dedos ou 0,5L). 
Tirar dreno quando para de borbulhar. 
 
*Pneumotórax aberto > 2/3 diâmetro da traqueia = curativo de 3 pontos (depois toracotomia); 
Ventilação mecânica com pressão positiva: empurra o ar para dentro dos pulmões. Cuidar para não gerar/agravar o 
pneumotórax. 
TRAUMA DE TÓRAX 
1. TORACOTOMIA IMEDIATA: 
Hemotórax maciço (drenagem imediata) > 1500 ml ou 200-300 ml/h nas primeiras 2-3 horas; 
Lesões penetrantes na parede torácica anterior com tamponamento cardíaco; 
Feridas na caixa torácica de grandes dimensões; 
Lesões de vasos nobres + instabilidade hemodinâmica; 
Lesões traqueobrônquicas extensas; 
Evidência de perfuração esofagiana. 
Fraturas do 1º ao 3º arcos costais, escápula ou clavícula indica trauma grave  suspeita de lesão de grandes vasos; 
Fratura de arcos costais inferiores  lesões esplênicas e hepáticas; 
Lesões por esmagamento podem comprimir a cava  edema e petéquias na parte superior do tronco. 
2. TÓRAX INSTÁVEL 
Analgesia (xilocaína 1ml/costela) - previne hipoxemia por dor ventilatório-dependente; 
 
5 Felipe Antônio Dal'Agnol 
Se ≥ a 40 irpm, hipoxemia, nível de consciência rebaixado, doença pulmonar crônica ou lesões abdominais 
concomitantes  intubação + prótese ventilatória – fraturas consolidam-se mais rápido. Ventilação com pressão 
positiva. 
Hipóxia = lesão pulmonar adjacente; respiração paradoxal; controlar cristaloides (soro). 
3. CONTUSÃO PULMONAR 
Raio X = consolidação pulmonar  pode-se tornar evidente somente após 24-48 horas; 
Se O2 < 90% ou PaO2 < ou = 65  ventilação mecânica com pressão positiva; 
Cautela na administração do volume; 
Pneumonia associada à ventilação mecânica = complicação mais frequente (óbito em idosos); 
Se piorar inesperadamente a saturação de O2, avaliar (DOPE): 
D eslocamento do tubo; 
O bstrução do tubo; 
P neumotórax; 
E quipamento (falhas). 
 
A causa mais comum de pneumotórax hipertensivo é a ventilação mecânica com pressão positiva em pacientes com 
lesões pulmonares assintomáticas; 
No tórax instável, a condição que mais frequentemente leva a vítima à insuficiência respiratória aguda é a contusão 
pulmonar (e não a resposta paradoxal); 
Hipertensão arterial sistólica só é identificada em perda de 30% da volemia = choque. 
4. HIPOVOLEMIA NA CRIANÇA 
Taquicardia, má perfusão da pele, desaparecimento dos pulsos periféricos, pele mosqueada, extremidades frias, 
diminuição dos níveis de consciência; 
Pressão sistólica normal = 70mmHg + 2x a idade; 
Reposição Volêmica: 
Ringer lactato; 
Avaliação da reposição volêmica: 
 Débito urinário; 
 Nível de consciência; 
 Perfusão periférica; 
Valores do lactato e déficit de bases. 
Em vítima de trauma fechado solicitar radiografia: 
a) Coluna cervical incidência lateral; 
b) Tórax em incidência anteroposterior; 
c) Pelve em incidência anteroposterior. 
 
6 Felipe Antônio Dal'Agnol 
A principal etiologia do choque no trauma é a perda hemorrágica e o abdome é a principal fonte. 
 
 
5. PNEUMOTÓRAX: 
 
Pequeno: 
 Menos de 1/3 do pulmão colabado = não drenar; 
 Para tirar o dreno em selo d’água = pulmão totalmente expandido e não borbulhando pelo frasco de 
drenagem por 24-72 horas; 
 Todo pneumotórax pequeno que vai se submeter ao transporte aéreo ou à ventilação mecânica deve ter 
seu tórax drenado em selo d’água. 
 
Hipertensivo: 
 Toracocentese; 
 Exame clínico, e não radiológico; 
 Dispneia importante acompanhada de diminuição da expansibilidade do hemitórax envolvido, associada a 
algum desses achados: desvio contralateral da traqueia, ausência ou diminuição do murmúrio vesicular no 
hemitórax acometido, turgência jugular, hipotensão ou enfisema subcutâneo. 
 
6. HEMOTÓRAX: 
A partir de 300mL na cavidade pleural em posição ortostática (radiografia frontal já revela); 
Maciço: 
 > 1500mL ou 1/3 da volemia na cavidade; 
 Choque, murmúrio vesicular ausente, macicez à percussão, jugulares podem estar colabadas pela 
hipovolemia; 
 Infusão de cristalóides e sangue compatível; 
 Toracotomia no 5º EI, linha hemiclavicular; 
 > ou = 1500mL ou de 200mL/h  toracotomia. 
Quilotórax: drenagem em selo d’água + nutrição proteica com TG de cadeia média + pleurodese 
(procedimento que adere uma pleura à outra); 
Ventrículo direito é mais suscetível à contusão miocárdica (CM); 
 CM: hemorragia subepicárdica, miocárdica e endocárdica; ruptura de fibras musculares, edema, necrose 
celular e migração leucocitária; 
 Miocárdio pode entrar em insuficiência ou arritmias; hipotensão + aumento da pressão venosa, alterações 
na motricidade miocárdica, alterações eletrocardiográficas; 
 Antiarrítmicos, infusão de volume, drogas inotrópicas (aumenta a contratibilidade cardíaca). 
Considerar auto-transfusão. 
 
7. TAMPONAMENTO CARDÍACO: 
Pericardiocentese; 
AESP; 
Posterior tratamento cirúrgico; 
Tríade de Beck: 
 Abafamento das bulhas; 
 Hipotensão arterial; 
 Hipertensão venosa  turgência jugular. 
Ringer lactato= cloreto de potássio, cloreto de 
sódio, cloreto de cálcio, lactato de sódio. 
 
7 Felipe Antônio Dal'Agnol 
 
8. TRAUMA AÓRTICO: 
Trauma por desaceleração + sinais radiológicos: mediastino alargado (> 8cm), perda do contorno aórtico, desvio do 
tubo orotraqueal e da traqueia para a direita, depressão do brônquio fonte esquerdo, desvio da sonda nasogástrica 
para a direita, derrame extrapleural apical, densidade retrocardíaca, fratura do 1º e 2º arcos costais, obliteração do 
espaço entre a artéria pulmonar e a aorta, elevação e desvio para a direita do brônquio principal direito. 
 Reparo cirúrgico, stends, anti-hipertensivos. 
C (CIRCULATION) 
PARAR O SANGRAMENTO E REPOR O PERDIDO! 
1. Obter dois acessos venosos periféricos, se for necessário fazer acesso em vaso central, solicitar radiografia; em 
crianças menores de 6 anos fazer acesso intraósseo (tibial): 
 Com cateteres (calibre mínimo 16G no adulto); 
 Preferencialmente na fossa cubital, safena magna, jugular externa, jugular interna, subclávia, femoral; 
 1º tirar amostra de sangue para prova cruzada, tipagem, fator Rh, exame toxicológico e ß-HCG; 
 2º infusão de ringer lactato aquecido a 39oC no micro-ondas em bolus pelo Abocath 14 (Técnica de 
Seldinger) (1-2L adultos, 200mL/Kg crianças) (315-320mL/mim) - 1 bolus é igual a dois litros; 
 Se o paciente continuar instável (hipotenso e taquicárdico) indica sangramento: transfusão 
sanguínea. 
 
 
 
2. Semiologia do abdome: 
INSPEÇÃO: hematomas, equimoses (FAST), escoriações, sangramentos, ferimentos, lacerações, orifícios de entrada e 
saída, tiro, facada, abaulamento, eviscerações, corpo estranho empalado, marca do cinto de segurança (abrasões, 
contusões). Examinar o retroperitônio se girar o paciente. Se houver facada: explorar para ver se passou a 
aponeurose. Se houver tiro: laparotomia. 
AUSCULTA: ruídos hidroaéreos normais (pouca probabilidade de lesão) ou diminuídos (podem ser sinal de 
hemorragia interna, líquido, conteúdo intestinal ou gástrico na cavidade peritoneal). 
PERCUSSÃO: macicez pode significar líquido livre; timpanismo