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ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 1
ANATOMIA DA CABEÇA
CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A CABEÇA
A cabeça é a parte superior do corpo que está fixada ao tronco pelo pescoço. É o centro de
controle e comunicação, é a “plataforma de carga” do corpo. Ela abriga o encéfalo, logo, é o local
de consciência. Contem receptores sensitivos especiais como olhos, orelhas, boca e nariz.
É formada pelo encéfalo e seus revestimentos protetores: orelhas e face. A face tem
aberturas e passagens, com glândulas lubrificantes e válvulas para fechar algumas delas.
CRÂNIO
O crânio é o esqueleto da cabeça, formando por uma série de ossos que dão origem as duas
partes: neurocrânio e viserocrânio.
NEUROCRÂNIO: é a caixa óssea do encéfalo e das meninges cranianas. Contém as partes
proximais dos nervos cranianos e a vasculatura do encéfalo.
Em adultos é formado por oito ossos: 4 ímpares {frontal, etmoide, esfenoide e occipital}
que estão centralizados na linha mediana, e 2 pares bilaterais {temporal e parietal}.
Tem um teto em forma de cúpula denominado calvária e um assolho que também é
conhecida como a base do crânio. Os ossos que formam a cálvaria são basicamente planos –
frontal, temporal e parietal – e formados por ossificação intramembranácea do mesênquima da
cabeça a partir da crista neural. Os ossos da base do crânio são basicamente irregulares e tem
grandes partes planas – esfenoide e temporal – formadas por ossificação endocondral da
cartilagem, condrocrânio, ou por mais de um tipo de ossificação.
O etmoide é um osso irregular que forma uma parte mediana e pequena do neurocrânio,
mas faz parte principalmente do viserocrânio.
Os ossos que formam o neurocrânio são curvos, com faces externas convexas e faces
internas fibrosas.
A maioria dos ossos da calvária é unida por suturas fibrosas entrelaçadas.
Na infância alguns ossos – esfenoide e occipital – são unidos por sincondroses. A medula
espinal mantém a continuidade com o encéfalo através do forame magno, que tem abertura na
base do crânio.
VISEROCRÂNIO: também chamado de esqueleto facial, compreende os ossos da face que
se desenvolvem principalmente no mesênquima dos arcos faríngeos embrionários. Forma a
parte anterior do crânio e consiste nos ossos que circundam a boca – maxila e mandíbula –
nariz/cavidade nasal e a maior parte das órbitas.
É formado por quinze ossos irregulares: 3 impares centralizados ou situados na linha
mediana {mandíbula, etmoide e vômer}, 6 pares bilaterais {maxilas, conchas nasais
inferiores, zigomáticos, palatinos, ossos nasais e lacrimais}
A maxila e a mandíbula abrigam os dentes. As maxilas representam a maior parte do
esqueleto facial superior, formando o esqueleto da arcada dentária superior, que está fixada
à base do crânio. A mandíbula forma o esqueleto da arcada dentária inferior, que é móvel
porque se articula com a base do crânio nas articulações temporomandibulares.
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Vários ossos do crânio como o frontal, temporal, esfenoide e etmoide, são ossos
pneumáticos, contendo espaços aéreos, provavelmente para reduzir seu peso. Com o tempo
o volume dos espaços aéreos aumenta.
VISTA FRONTAL DO CRÂNIO
Também pode ser chamada de vista facial ou anterior do crânio, é formada pelos ossos frontal e
zigomático, órbitas, região nasal, maxila e mandíbula.
O frontal, especificamente a sua escama, que é a parte plana, forma o esqueleto da fronte, se
articulando na porção inferior com osso nasal e zigomático. Em alguns adultos pode ser observado
uma sutura frontal – sutura metópica – persistente ou remanescente na linha mediana da glabela,
a área lisa situada entre os arcos superciliares. A sutura frontal divide os ossos frontais do crânio
fetal.
O násio faz a interseção dos ossos frontal e nasal. O osso frontal também se articula com o
lacrimal, etmoide e esfenoide. A aparte orbital forma o teto da órbita e uma porção do assoalho da
parte anterior da cavidade do crânio.
Em alguns crânios, a margem supraorbital do osso frontal, tem um forame ou incisura supraorbital
que dá passagem ao nervo e aos vasos supraorbitais. Acima da margem supraorbital há o arco
superciliar, que é uma crista que se estende lateralmente de cada lado da glabela.
Os zigomáticos, que formam as proeminências das bochechas, estão situados nas paredes
inferior e lateral das órbitas, apoiados sobre as maxilas. As margens anterolaterais, as paredes, o
assoalho e grande parte das margens infraorbitais das órbitas são formados por esses ossos
quadriláteros. Os zigomáticos articulam-se com o frontal, o esfenoide, o temporal e a maxila.
Inferiormente aos ossos nasais está a abertura piriforme, a abertura nasal anterior no crânio. Na
parede lateral de cada cavidade nasal há lâminas ósseas curvas que são chamadas de conchas
nasais.
As maxilas formam o esqueleto do arco dental superior, seus processos alveolares incluem as
cavidades dos dentes e constituem o osso que sustenta os dentes maxilares. As maxilas circundam
a maior parte da abertura piriforme e formam as margens infraorbitais medialmente. Elas têm uma
ampla conexão com os zigomáticos lateralmente e um forame infraorbital, inferior a cada órbita,
que dá passagem ao nervo e aos vasos infraorbitais.
A mandíbula é um osso em formato de U que tem um processo alveolar que sustenta os dentes
mandibulares. Consiste em uma parte horizontal, o corpo, e uma parte vertical, o ramo.
Inferiormente aos segundos dentes prémolares estão os forames mentuais para os nervos e vasos
mentuais. A protuberância mentual, que forma a proeminência do queixo, é uma elevação óssea
triangular situada em posição inferior à sínfise da mandíbula, a união óssea onde se fundem as
metades da mandíbula do lactente
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VISTA LATERAL DO CRÂNIO
A vista lateral é formada pelo neurocrânio e viserocrânio. Os principais constituintes do
neurocrânio são a fossa temporal, o poro acústico externo do meato acústico externo e o processo
mastoide do temporal. Os principais constituintes do viscerocrânio são a fossa infratemporal, o arco
zigomático e as faces laterais da maxila e mandíbula.
Os limites superior e posterior da fossa temporal são as linhas temporais superior e inferior; o
limite anterior é representado pelo frontal e pelo zigomático; e o limite inferior é o arco zigomático.
A margem superior desse arco corresponde ao limite inferior do hemisfério cerebral. O arco
zigomático é formado pela união do processo temporal do zigomático com o processo zigomático
do temporal
Na parte anterior da fossa temporal, 3 a 4 cm acima do ponto médio do arco zigomático,
há uma área clinicamente importante de junções ósseas: o ptério. Em geral, ele é indicado por
suturas que formam um H e unem o frontal, o parietal, o esfenoide (asa maior) e o temporal. Menos
comum é a articulação de frontal e temporal; às vezes há um ponto de encontro dos quatro ossos.
O poro acústico externo é a entrada do meato acústico externo, que leva à membrana timpânica
(tímpano). O processo mastoide do temporal situa-se posteroinferiormente ao poro acústico externo
do meato. Anteromedialmente ao processo mastoide há o processo estiloide do temporal, uma
projeção fina, pontiaguda, semelhante a uma agulha. A fossa infratemporal é um espaço irregular
situado inferior e profundamente ao arco zigomático e à mandíbula e posteriormente à maxila
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VISTA OCCIPITAL DO CRÂNIO
A vista occipital ou posteriordo crânio é formada pelo occipúcio, parte dos parietais e partes
mastoideas dos temporais.
A protuberância occipital externa é palpada com facilidade no plano mediano, mas, às vezes,
principalmente em mulheres é imperceptível. O ínio é definido pela extremidade da protuberância
externa. A crista occipital externa desce da protuberância em direção ao forame magno, a grande
abertura na parte basilar do occipital
A linha nucal superior, que forma o limite superior do pescoço, estende-se lateralmente a partir
de cada lado da protuberância; a linha nucal inferior é menos evidente. No centro do occipúcio, o
lambda indica a junção das suturas sagital e lambdóidea. Às vezes o lambda é palpado como uma
depressão. Pode haver um ou mais ossos suturais (ossos acessórios) no lambda ou perto do
processo mastoide.
VISTA SUPERIOR (VERTICAL) DO CRÂNIO
A vista superior (vertical) do crânio, em geral um pouco oval, alarga-se em sentido posterolateral
nas eminências parietais. Em algumas pessoas as eminências frontais também são visíveis,
conferindo à calvária uma aparência quase quadrada.
A sutura coronal separa o frontal e os parietais;
A sutura sagital separa os parietais;
A sutura lambdóidea separa os parietais e temporais do occipital;
O bregma é o ponto de referência formado pela interseção das suturas sagital e coronal;
O vértice é o ponto mais alto da calvária e está perto do ponto médio da sutura sagital;
O forame parietal é uma abertura pequena e inconstante localizada na região posterior do
parietal, perto da sutura sagital.
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Pode haver dois forames parietais. A maioria dos forames irregulares e muito variáveis
encontrados no neurocrânio consiste em forames emissários que dão passagem às veias
emissárias, responsáveis pela conexão entre as veias do couro cabeludo e os seios venosos da
dura-máter.
VISTA INFERIOR DA BASE DO CRÂNIO
A vista inferior da base do crânio é constituída pelo arco alveolar da maxila (a margem livre dos
processos alveolares que circundam e sustentam os dentes maxilares); pelos processos palatinos
das maxilas; e pelo palatino, esfenoide, vômer, temporal e occipital. A parte anterior do palato duro
(palato ósseo) é formada pelos processos palatinos da maxila e a parte posterior, pelas lâminas
horizontais dos palatinos.
A margem posterior livre do palato duro projeta-se posteriormente no plano mediano como a
espinha nasal posterior. Posteriormente aos dentes incisivos centrais está a fossa incisiva, uma
depressão na linha mediana do palato duro na qual se abrem os canais incisivos.
Os nervos nasopalatinos direito e esquerdo partem do nariz através de canais incisivos e forames
que podem ser bilaterais ou fundidos em uma única estrutura.
Na região posterolateral estão situados os forames palatinos maior e menor. Superiormente à
margem posterior do palato há duas grandes aberturas: os cóanos (aberturas nasais posteriores),
separados pelo vômer, um osso plano ímpar trapezoide que constitui uma grande parte do septo
nasal ósseo.
O esfenoide está localizado entre o frontal, o temporal e o occipital, ele é formado por um corpo
e três pares de processos: asas maiores, asas menores e processos pterigoides. As asas maiores
e menores se estendem lateralmente a partir das faces laterais do corpo do osso. As asas maiores
têm faces orbital, temporal e infratemporal observadas nas vistas facial, lateral e inferior do exterior
do crânio e as faces cerebrais são observadas nas vistas internas da base do crânio. Os processos
pterigoides, formados pelas lâminas lateral e medial, estendem-se em sentido inferior, de cada lado
do esfenoide, a partir da junção do corpo e das asas maiores.
O sulco para a parte cartilagínea da tuba auditiva situa-se medial à espinha do esfenoide, abaixo
da junção da asa maior do esfenoide com a parte petrosa do temporal. As depressões na parte
escamosa do temporal, denominadas fossas mandibulares, acomodam os côndilos mandibulares
quando a boca está fechada. A parte posterior da base do crânio é formada pelo occipital, que se
articula com o esfenoide anteriormente.
As quatro partes do occipital são dispostas ao redor do forame magno, o elemento mais visível
da base do crânio. As principais estruturas que atravessam esse grande forame são: a medula
espinal (onde se torna contínua com o bulbo do encéfalo); as meninges do encéfalo e da medula
espinal; as artérias vertebrais; as artérias espinais anteriores e posteriores; e a raiz espinal do nervo
acessório (NC XI). Nas partes laterais do occipital há duas grandes protuberâncias, os côndilos
occipitais, por intermédio dos quais o crânio articula-se com a coluna vertebral.
A grande abertura entre o occipital e a parte petrosa do temporal é o forame jugular, por onde
emergem do crânio a veia jugular interna (VJI) e vários nervos cranianos (NC IX ao NC XI). A
entrada da artéria carótida interna no canal carótico situa-se imediatamente anterior ao forame
jugular. Os processos mastoides são locais de fixação muscular. O forame estilomastóideo, que dá
passagem ao nervo facial (NC VII) e à artéria estilomastóidea, situa-se posteriormente à base do
processo estiloide.
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VISTA SUPERIOR DA BASE DO CRÂNIO
A face superior da base do crânio tem três grandes depressões situadas em diferentes níveis: as
fossas anterior, média e posterior do crânio, que formam o assoalho côncavo da cavidade do crânio.
A fossa anterior do crânio está situada no nível mais alto, e a fossa posterior está no nível mais
baixo.
FOSSA ANTERIOR
A parte inferior e anterior dos lobos frontais do encéfalo estão nessa fossa.
É a mais superficial das três fossas do crânio.
Essa fossa é formada pelo frontal anteriormente, o etmoide no meio, e o corpo e as asas menores
do esfenoide posteriormente. A parte maior da fossa é formada pelas partes orbitais do frontal, que
sustentam os lobos frontais do encéfalo e formam os tetos das órbitas. Essa superfície tem
impressões sinuosas (impressões encefálicas) dos giros (cristas) orbitais dos lobos frontais.
A crista frontal é uma extensão óssea mediana do frontal. Em sua base está o forame cego do
frontal, que dá passagem a vasos durante o desenvolvimento fetal, mas se torna insignificante
depois do nascimento. A crista etmoidal é uma crista óssea mediana e espessa, situada
posteriormente ao forame cego, que se projeta superiormente a partir do etmoide. De cada lado
dessa crista está a lâmina cribriforme do osso etmoide, semelhante a uma peneira. Seus muitos
forames pequenos dão passagem aos nervos olfatórios (NC I), que seguem das áreas olfatórias
das cavidades nasais até os bulbos olfatórios do encéfalo, situados sobre essa lâmina.
FOSSA MÉDIA
A fossa média do crânio, em forma de borboleta, tem uma parte central formada pela sela turca
no corpo do esfenoide e grandes partes laterais deprimidas de cada lado. A fossa média do crânio
situa-se posteroinferiormente à fossa anterior do crânio, separada dela pelas cristas esfenoidais
salientes lateralmente e o limbo esfenoidal no centro. As cristas esfenoidais são formadas
principalmente pelas margens posteriores salientes das asas menores dos esfenoides, que se
projetam sobre as partes laterais das fossas anteriormente. Os limites mediais das cristas
esfenoidais são os processos clinoides anteriores, duas projeções ósseas pontiagudas.
Uma crista com proeminência variável, o limbo esfenoidal, é o limite anterior do sulco pré-
quiasmático transversal, que se estende entre os canais ópticos direito e esquerdo. Os ossos que
formam as partes laterais da fossa são as asas maiores do esfenoide e as partes escamosasdos
temporais lateralmente, e as partes petrosas dos temporais posteriormente. As partes laterais da
fossa média do crânio sustentam os lobos temporais do encéfalo. O limite entre as fossas média e
posterior do crânio é a margem superior da parte petrosa do temporal lateralmente, e uma lâmina
plana de osso, o dorso da sela do esfenoide, medialmente
A sela turca é a formação óssea em formato de sela situada sobre a face superior do corpo do
esfenoide, que é circundada pelos processos clinoides anteriores e posteriores. Clinoide significa
“pé de cama”, e os quatro processos (dois anteriores e dois posteriores) circundam a fossa
hipofisial, o “leito” da hipófise, como os quatro pés de uma cama. A sela turca tem três partes:
1. O tubérculo da sela: uma elevação mediana, que varia de pequena a proeminente e forma
o limite posterior do sulco préquiasmático e o limite anterior da fossa hipofisial;
2. A fossa hipofisial: uma depressão mediana no corpo do esfenoide que acomoda a hipófise;
3. O dorso da sela: uma lâmina quadrada de osso que se projeta superiormente a partir do
corpo do esfenoide. Forma o limite posterior da sela turca, e seus ângulos superolaterais
proeminentes formam os processos clinoides posteriores.
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De cada lado do corpo do esfenoide, quatro forames, que formam uma meia-lua, perfuram as raízes
das faces cerebrais das asas maiores dos esfenoides.
Estruturas que atravessam os forames:
Fissura orbital superior: Situada entre as asas maior e menor, abre-se anteriormente para
o interior da órbita;
Forame redondo: Situado posteriormente à extremidade medial da fissura orbital superior,
segue um trajeto horizontal até uma abertura na face anterior da raiz da asa maior do
esfenoide para a fossa pterigopalatina, uma estrutura óssea entre o esfenoide, a maxila e
os palatinos;
Forame oval: Um grande forame posterolateral ao forame redondo; abre-se inferiormente
na fossa infratemporal;
Forame espinhoso: Situado posterolateralmente ao forame oval e se abre na fossa
infratemporal perto da espinha do esfenoide
O forame lacerado não faz parte da meia-lua de forames, ele se situa posterolateralmente à fossa
hipofisial e é um artefato de um crânio seco. Em vida, é fechado por uma lamina de cartilagem.
Apenas alguns ramos da artéria meníngea e pequenas veias atravessam verticalmente a
cartilagem. A artéria carótida interna e seus plexos simpático e venoso acompanhantes atravessam
a face superior da cartilagem e alguns nervos atravessam-na horizontalmente, seguindo até um
forame em seu limite inferior.
Na face anterossuperior da parte petrosa do temporal há um estreito sulco do nervo petroso maior,
que se estende em sentido posterior e lateral a partir do forame lacerado. Também há um pequeno
sulco do nervo petroso menor.
FOSSA POSTERIOR
A fossa posterior do crânio, a maior e mais profunda das três, aloja o cerebelo, a ponte e o bulbo.
É formada pelo occipital, mas dorso da sela do esfenoide que
A partir do dorso as sela há o clivo, que é uma inclinação acentuada no centro da parte anterior da
fossa que leva ao forame magno. Posteriormente a essa grande abertura, a fossa posterior do
crânio é parcialmente dividida pela crista occipital interna em grandes impressões côncavas
bilaterais, as fossas cerebelares. A crista occipital interna termina na protuberância occipital interna
formada em relação à confluência dos seios, uma fusão dos seios venosos durais.
Sulcos largos mostram o trajeto horizontal do seio transverso e do seio sigmóideo em formato de
S. Na base da crista petrosa do temporal está o forame jugular, que dá passagem a vários nervos
cranianos além do seio sigmóideo que sai do crânio como a veia jugular interna.
Anterossuperiormente ao forame jugular está o meato acústico interno para os nervos facial (NC
VII) e vestibulococlear (NC VIII) e a artéria do labirinto. O canal do nervo hipoglosso (NC XII) situa-
se superiormente à margem anterolateral do forame magno.
PAREDES DA CAVIDADE DO CRÂNIO:
A espessura das paredes da cavidade do crânio varia nas diferentes regiões. Em geral, são mais
finas nas mulheres, nas crianças e nos idosos. Os ossos tendem a ser mais finos em áreas bem
cobertas por músculos, como a parte escamosa do temporal. A maioria dos ossos da calvária é
formada por lâminas interna e externa de osso compacto, separadas por díploe. A díploe consiste
em osso esponjoso, que contém medula óssea vermelha durante a vida, e através dela passam
canais formados por veias diploicas. A díploe em uma calvária seca não é vermelha porque a
marca seu limite anterior central, e as partes petrosa e mastóidea dos temporais
formam as “paredes” anterolaterais
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proteína é removida durante o preparo do crânio. A lâmina interna do osso é mais fina do que a
externa, e algumas áreas têm apenas uma fina lâmina de osso compacto sem díploe.
Além de abrigar o encéfalo, os ossos do neurocrânio (e os processos que partem dele) são locais
de fixação proximal dos fortes músculos da mastigação que se fixam distalmente na mandíbula;
logo, grandes forças de tração atravessam a cavidade nasal e as órbitas, situadas entre eles.
Assim, partes espessas dos ossos cranianos formam pilares mais fortes ou reforços que conduzem
as forças, passando ao largo das órbitas e da cavidade nasal. Os principais são o reforço
frontonasal, que se estende da região dos dentes caninos entre as cavidades nasal e orbital até a
parte central do frontal, e o reforço arco zigomático – margem orbital lateral, que vai da região dos
molares até a parte lateral do frontal e o temporal. Do mesmo modo, reforços occipitais conduzem
as forças recebidas lateralmente ao forame magno provenientes da coluna vertebral.
REGIÕES DA CABEÇA:
A cabeça é dividida em regiões para permitir a comunicação exata acerca da localização das
estruturas, lesões ou afecções. Com exceção da região auricular, que compreende a orelha
externa, os nomes das regiões neurocranianas da cabeça correspondem aos ossos ou acidentes
ósseos subjacentes: regiões frontal, parietal, occipital, temporal e mastóidea. A parte
viscerocraniana inclui a região facial, que é dividida em cinco regiões bilaterais e três medianas
associadas aos elementos superficiais (regiões oral e da bochecha), passando por estruturas de
tecidos moles mais profundas (região parotideomassetérica), até as estruturas ósseas (regiões
orbital, infraorbital, nasal, zigomática e mentual)
FACE E COURO CABELUDO
FACE:
A face é a superfície anterior da cabeça, da fronte ao queixo e de uma orelha à outra. O formato
básico da face é determinado pelos ossos subjacentes. A face é importante na comunicação.
O tamanho relativamente grande dos corpos adiposos da bochecha em lactentes impede
seu colapso durante a sucção e produz a aparência bochechuda.
Os ossos da face crescem por mais tempo do que os da calvária. O crescimento do etmoide,
das cavidades orbitais e das partes superiores das cavidades nasais está quase completo
aos 7 anos de idade.
A expansão das órbitas e o crescimento do septo nasal deslocam as maxilas em sentido
inferoanterior.
O crescimento da face é considerável na infância, quando os seios paranasais se
desenvolvem e os dentes permanentes irrompem.
COURO CABELUDO:
O couro cabeludo é formado por pele (normalmente com pelos) e tecido subcutâneo, que cobrem
o neurocrânio desde as linhas nucais superiores no occipital até as margens supraorbitais do
frontal. Lateralmente, o couro cabeludo estende-se sobre a fáscia temporal até os arcos
zigomáticos. O couro cabeludo tem cinco camadas, sendo que as três primeiras são muito próximas
e se movem como uma só (p. ex., aoenrugar a fronte e movimentar o couro cabeludo). As cinco
camadas são:
1. Pele: fina, exceto na região occipital; contém muitas glândulas sudoríferas e sebáceas, além
de folículos pilosos. A irrigação arterial é abundante e há boa drenagem venosa e linfática;
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2. Tecido conectivo: forma a tela subcutânea espessa, densa e ricamente vascularizada, bem
suprida por nervos cutâneos;
3. Aponeurose (aponeurose epicrânica): a lâmina tendínea larga e forte que cobre a calvária
e é o local de fixação dos ventres musculares que convergem da fronte e do occipúcio (o
músculo occipitofrontal) e dos temporais de cada lado (os músculos temporoparietal e
auricular superior). Juntas, essas estruturas constituem o epicrânio musculoaponeurótico. O
ventre frontal do músculo occipitofrontal puxa o couro cabeludo anteriormente, enruga a
fronte e eleva os supercílios; o ventre occipital do músculo occipitofrontal puxa o couro
cabeludo posteriormente, alisando a pele da fronte. O músculo auricular superior (na
verdade, uma parte posterior especializada do músculo temporoparietal) eleva a orelha.
Todas as partes do epicrânio (músculo e aponeurose) são inervadas pelo nervo facial;
4. Tecido conectivo frouxo: uma camada esponjosa contendo espaços virtuais, que podem
ser distendidos por líquido em caso de lesão ou infecção. Essa camada permite o livre
movimento do couro cabeludo propriamente dito (as três primeiras camadas — pele, tecido
conectivo e aponeurose epicrânica) sobre a calvária
5. Pericrânio: uma camada densa de tecido conectivo que forma o periósteo externo do
neurocrânio. Está firmemente fixado, mas pode ser arrancado com facilidade do crânio de
pessoas vivas, exceto nos locais onde é contínuo com o tecido fibroso nas suturas do crânio
MÚSCULOS DA FACE E DO COURO CABELUDO
Os músculos da face (músculos da expressão facial) estão na tela subcutânea da parte anterior
e posterior do couro cabeludo, face e pescoço;
Todos os músculos da expressão facial desenvolvem-se a partir do mesoderma nos segundos
arcos faríngeos. Durante o desenvolvimento embrionário há formação de uma lâmina muscular
subcutânea que se estende sobre o pescoço e a face, levando consigo ramos do nervo do arco (o
nervo facial, NC VII) para suprir todos os músculos formados a partir do arco;
Músculos do Couro Cabeludo, da Fronte e dos Supercílios
M. OCCIPITOFRONTAL: é digástrico e plano, os ventres occipital e frontal têm a aponeurose
epicrânica, que é um tendão comum aos dois. A aponeurose é uma camada do couro cabeludo, a
contração independente do ventre occipital retrai o couro cabeludo e a contração do ventre frontal
o protrai. Agindo simultaneamente, o ventre occipital, com fixações ósseas, e o ventre frontal, que
não tem fixações ósseas, são sinérgicos; eles elevam os supercílios e produzem rugas transversais
na fronte.
Músculo
Origem
Inserção
Principal ação
Occipitofrontal
Ventre
frontal
Ventre
occipital
Aponeurose
epicrânica
Dois terços laterais
da linha nucal
superior
Pele e tela
subcutânea dos
supercílios e da
fronte
Aponeurose
epicrânica
Eleva os supercílios e
enruga a pele da fronte;
protrai o couro cabeludo
(indicando surpresa ou
curiosidade)
Retrai o couro cabeludo;
aumenta a eficácia do
ventre frontal
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Orbicular do
olho (esfíncter
orbital)
Margem orbital
medial; ligamento
palpebral medial;
lacrima
Pele ao redor da
margem da órbita;
lâminas tarsais
superior e inferior
Fecha as pálpebras: a
parte palpebral o faz com
suavidade; a parte orbital,
com firmeza (piscar)
Corrugador do
supercílio
Extremidade medial
do arco superciliar
Pele superior ao
meio da margem
supraorbital e arco
superciliar
Leva o supercílio medial e
inferiormente, criando
rugas verticais acima do
nariz (que exprimem
interesse ou preocupação)
Prócero mais
parte
transversa do
M. nasal
Fáscia aponeurótica
que cobre o osso
nasal e a cartilagem
nasal lateral
Pele da fronte
inferior, entre os
supercílios
Abaixa a extremidade
medial do supercílio;
enruga a pele sobre o
dorso do nariz (exprimindo
desdém ou aversão)
Parte da asa
do nariz mais
M. levantador
do lábio
superior e asa
do nariz
Processo frontal da
maxila (margem
inferomedial da
órbita)
Cartilagem alar
maior
Abaixa a asa lateralmente,
dilatando a abertura nasal
anterior (i. e., “alargando
as narinas”, como durante
a raiva ou o esforço)
Orbicular da
boca (esfíncter
oral)
Parte medial da
maxila e mandíbula;
face profunda da
pele perioral; ângulo
da boca (modíolo)
Túnica mucosa dos
lábios
O tônus fecha a rima da
boca; a contração fásica
comprime e protrai os
lábios (ao beijar) ou resiste
à distensão (ao soprar)
Levantador do
lábio superior
Margem infraorbital
(maxila)
Pele do lábio
superior
Parte dos Mm. dilatadores
da boca; retraem (elevam)
e/ou evertem o lábio
superior; aprofundam o
sulco nasolabial
(exprimindo tristeza)
Zigomático
menor
Face anterior,
zigomático
Pele do lábio
superior
Parte dos Mm. dilatadores
da boca; retraem (elevam)
e/ou evertem o lábio
superior; aprofundam o
sulco nasolabial
(exprimindo tristeza)
Bucinador
(músculo da
bochecha)
Mandíbula,
processos alveolares
da maxila e
mandíbula, rafe
pterigomandibular
Ângulo da boca
(modíolo); orbicular
da boca
Pressiona a bochecha
contra os dentes molares;
atua com a língua para
manter o alimento entre as
faces oclusais e fora do
vestíbulo da boca; resiste à
distensão (ao soprar)
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 11
Músculo da Boca, dos Lábios e das Bochechas
Vários músculos alteram o formato da boca e dos lábios durante a fala. O formato da boca e dos
lábios é controlado por um grupo tridimensional complexo de alças musculares, que incluem:
- Músculos elevadores, afastadores e eversores do lábio superior;
- Músculos depressores, afastadores e eversores do lábio inferior;
- Músculo orbicular da boca, o esfíncter ao redor da boca;
Zigomático
maior
Face lateral do
zigomático
Ângulo da boca
(modíolo)
Parte dos Mm. dilatadores
da boca; elevam a
comissura labial —
bilateralmente para sorrir
(felicidade);
unilateralmente para
zombar (desdém)
Levantador do
ângulo da
boca
Maxila infraorbital
(fossa canina)
Ângulo da boca
(modíolo)
Parte dos Mm. dilatadores
da boca; alarga a rima da
boca, como ao sorrir com
os dentes à mostra ou fazer
careta
Risório Fáscia parotídea e
pele da boca (muito
variável)
Ângulo da boca
(modíolo)
Parte dos Mm. dilatadores
da boca; abaixa a
comissura labial
bilateralmente para
exprimir reprovação
(tristeza)
Abaixador do
ângulo da
boca
Base anterolateral
da mandíbula
Ângulo da boca
(modíolo)
Parte dos Mm. dilatadores
da boca; abaixa a
comissura labial
bilateralmente para
exprimir reprovação
(tristeza)
Abaixador do
lábio inferior
Platisma e parte
anterolateral do
corpo da mandíbula
Pele do lábio inferior Parte dos Mm. dilatadores
da boca; retrai (abaixa)
e/ou everte o lábio inferior
(“fazer beicinho”, tristeza)
Mentual Corpo da mandíbula
(anterior às raízes
dos incisivos
inferiores)
Pele do queixo
(sulco mentolabial)
Eleva e protrai o lábio
inferior; eleva a pele do
queixo (exprimindo dúvida)
Platisma Tela subcutânea das
regiões
infraclavicular e
supraclavicular
Base da mandíbula;
pele da bochecha e
do lábio inferior;
ângulo da boca
(modíolo); orbicular
da bocaAbaixa a mandíbula (contra
resistência); tensiona a
pele da região inferior da
face e do pescoço
(exprimindo tensão e
estresse)
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 12
- Músculo bucinador, na bochecha.
O músculo orbicular da boca, o primeiro da série de esfíncteres associados ao sistema
digestório, circunda a boca nos lábios, controlando a entrada e a saída através da rima da boca, e
é importante durante a articulação (fala).
O músculo bucinador é retangular, plano e fino, e se fixa lateralmente aos processos alveolares
da maxila e mandíbula, em oposição aos dentes molares, e à rafe pterigomandibular, um
espessamento tendíneo da fáscia bucofaríngea que separa e dá origem ao músculo constritor
superior da faringe posteriormente. Ele ocupa um plano mais profundo e medial do que os outros
músculos da face, passa profundamente pela mandíbula e está mais próximo da túnica mucosa da
boca do que da pele da face.
Os músculos da expressão facial são esfíncteres e dilatadores superficiais dos orifícios da
cabeça. Os músculos faciais, supridos pelo nervo facial (NC VII), estão fixados à pele da face, a
qual movimentam, gerando as variadas expressões faciais.
Os músculos orbicular da boca (na face labial) e bucinador (na face bucal) atuam juntamente com
a língua (na face lingual) para manter o alimento entre as faces oclusais dos dentes durante a
mastigação e evitar o acúmulo de alimento no vestíbulo da boca.
Lateralmente aos ângulos da boca ou comissuras labiais (as junções dos lábios superiores e
inferiores), fibras de até nove músculos da face se entrelaçam ou se fundem em uma formação
muito variável e multiplanar denominada modíolo, que é a principal responsável pelas covinhas
O músculo platisma é uma lâmina larga e fina de músculo na tela subcutânea do pescoço. As
margens anteriores dos dois músculos cruzam-se sobre o queixo e se fundem aos músculos da
face. Agindo a partir de sua fixação superior, o músculo platisma tensiona a pele, produz sulcos
cutâneos verticais, conduz grande tensão e libera a pressão sobre as veias superficiais. Atuando a
partir de sua fixação inferior, o músculo platisma ajuda a abaixar a mandíbula e abaixa os ângulos
da boca.
Músculos da abertura da órbita
A função das pálpebras é proteger os bulbos do olho contra lesões e luz excessiva. As pálpebras
também distribuem as lágrimas e mantêm a córnea úmida.
O músculo orbicular do olho fecha as pálpebras e enruga a fronte verticalmente. Suas fibras
formam círculos concêntricos em torno da margem orbital e das pálpebras. A contração dessas
fibras estreita a rima das pálpebras e auxilia o fluxo de líquido lacrimal por meio do início da união
das pálpebras na parte lateral, fechando a rima das pálpebras na direção lateromedial.
O músculo orbicular do olho tem três partes:
1. Parte palpebral: originada no ligamento palpebral medial e localizada principalmente nas
pálpebras, as quais fecha suavemente (como ao piscar ou dormir) para evitar o
ressecamento da córnea
2. Parte profunda: passa posteriormente ao saco lacrimal e movimenta as pálpebras
medialmente, auxiliando a drenagem das lágrimas
3. Parte orbital: sobrejacente à margem orbital e fixada ao frontal e à maxila medialmente,
fecha as pálpebras com firmeza (como ao piscar com força ou semicerrar os olhos) para
proteger os bulbos dos olhos contra a luz e a poeira.
A contração das três partes do músculo orbicular do olho fecha os olhos com firmeza.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 13
Músculo do Nariz e das Orelhas
Os músculos do nariz sinalizam comportamentos respiratórios.
NERVOS DA FACE E DO COURO CABELUDO
O nervo trigêmeo (NC V) é o principal responsável pela inervação cutânea (sensitiva) da face e
da parte anterossuperior do couro cabeludo;
O nervo facial (NC VII) é o responsável pela inervação motora dos músculos faciais.
Nervos Cutâneos da Face e do Couro Cabeludo
- O nervo trigêmeo (NC V) tem origem na face lateral da ponte do mesencéfalo por meio de raízes
motora e sensitiva. Essas raízes são comparáveis às raízes motoras (anteriores) e sensitivas
(posteriores) dos nervos espinais. O trigêmeo é o nervo sensitivo da face e o nervo motor dos
músculos da mastigação e de vários pequenos músculos.
- Os prolongamentos s periféricos dos neurônios do gânglio trigeminal constituem as três divisões
do nervo:
1. NERVO OFTÁLMICO:
Este nervo é o menor das três divisões do trigêmeo. Tem origem do gânglio trigeminal como um
nervo completamente sensitivo e supre a área da proeminência frontonasal embrionária. Entra na
órbita pela fissura superior e trifurca-se em nervos frontal, nasociliar e lacrimal. Os ramos do nervo
oftálmico chegam a pele da face pela abertura da órbita, exceto o nervo nasal.
O nervo frontal é o maior ramo da trifurcação do oftálmico, segue ao longo do teto da órbita em
direção à abertura da órbita, bifurcando-se aproximadamente no meio do caminho para formar os
nervos cutâneos supraorbital e supratroclear, distribuídos para a fronte e o couro cabeludo
O nervo nasociliar é o ramo intermediário da trifurcação, envia ramos pra o bulbo do olho e se divide
na órbita em nervos etmoidal posterior, etmoidal anterior e infratroclear. Os nervos etmoidais
posterior e anterior deixam a órbita, e este último segue um trajeto tortuoso através das cavidades
do crânio e nasal. Seu ramo terminal, o nervo nasal externo, é um nervo cutâneo que supre a parte
externa do nariz. O nervo infratroclear é um ramo terminal do nervo nasociliar e seu principal ramo
cutâneo
O nervo lacrimal é o menor ramo da trifurcação é basicamente um ramo cutâneo, mas também tem
algumas fibras secretomotoras, enviadas através de um ramo comunicante, de um gânglio
associado ao nervo maxilar para inervação da glândula lacrimal.
2. NERVO MAXILAR
É a divisão intermediaria do nervo trigêmeo, também se origina como um nervo completamente
sensitivo. Segue anteriormente a partir do gânglio trigeminal e deixa o crânio através do forame
redondo na base da asa maior do esfenoide. O nervo maxilar entra na fossa pterigopalatina, onde
emite ramos para o gânglio pterigopalatino e continua anteriormente, entrando na órbita através da
fissura orbital inferior. Dá origem ao nervo zigomático e segue anteriormente até o sulco e o forame
infraorbitais como o nervo infraorbital. O nervo zigomático segue até a parede lateral da órbita
originando dois dos três ramos cutâneos do nervo maxilar, os nervos zigomaticotemporal e
zigomaticofacial. O zigomaticotemporal emite um ramo comunicante que leva fibras secretomotoras
para o nervo lacrimal. No trajeto até a face, o nervo infraorbital dá origem a ramos palatinos, ramos
para a túnica mucosa do seio maxilar e ramos para os dentes posteriores. Chega à pele da face
através do forame infraorbital na face infraorbital da maxila. Os três ramos cutâneos do nervo
maxilar suprem a área de pele derivada das proeminências maxilares embrionárias
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 14
3. NERVO MANDIBULAR
O nervo mandibular é a divisão maior e inferior do nervo trigêmeo. É formado pela união de fibras
sensitivas do gânglio sensitivo com a raiz motora do nervo trigêmeo no forame oval na asa maior
do esfenoide, através do qual o nervo mandibular emerge do crânio. Ele tem três ramos sensitivos
que suprem a área da pele derivada da proeminência mandibular embrionária. Também envia fibras
motoras para os músculos da mastigação. O nervo mandibular é a única divisão do nervo trigêmeo
que tem fibras motoras. Os principais ramos cutâneos dele são os nervos auriculotemporal, bucal
e mentual. No trajeto até a pele, o nervo auriculotemporalsegue profundamente à glândula
parótida, levando até ela fibras secretomotoras oriundas de um gânglio associado a essa divisão
do trigêmeo.
NERVO
ORIGEM
TRAJETO
DISTRIBUIÇÃO
Supraorbital
Maior ramo da
bifurcação do N.
frontal,
aproximadamente no
meio do teto da órbita
Continua anteriormente ao
longo do teto da órbita,
emergindo através da
incisura ou forame
supraorbital; ascende na
fronte, dividindo-se em
ramos
Túnica mucosa do
seio frontal; pele e
túnica conjuntiva
do meio da
pálpebra superior;
pele e pericrânio da
região anterolateral
da fronte e couro
cabeludo até o
vértice (linha
interauricular)
Supratroclear Menor ramo da
bifurcação do N.
frontal,
aproximadamente no
meio do teto da órbita
Continua em sentido
anteromedial ao longo do
teto da órbita, seguindo
lateralmente à tróclea e
ascendendo na fronte
Pele e túnica
conjuntiva da face
medial da pálpebra
superior; pele e
pericrânio da
região
anteromedial da
fronte
Lacrimal Menor ramo da
trifurcação do N.
oftálmico , proximal à
fissura orbital superior
Segue em sentido
superolateral através da
órbita, recebendo fibras
secretomotoras através de
um ramo comunicante do
nervo zigomaticotemporal
Glândula lacrimal
(fibras
secretomotoras);
pequena área de
pele e túnica
conjuntiva da parte
lateral da pálpebra
superior
Infratroclear Ramo terminal (com o
N. etmoidal anterior)
do N. nasocilia
Acompanha a parede
medial da órbita,
passando inferiormente à
tróclea
Pele lateral à raiz
do nariz; pele e
túnica conjuntiva
das pálpebras
adjacentes ao
canto medial, saco
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 15
lacrimal e
carúncula lacrimal
Nasal externo Ramo terminal do N.
etmoidal anterior
Emerge da cavidade nasal
passando entre o osso
nasal e a cartilagem nasal
lateral
Pele da asa do
nariz, vestíbulo e
dorso do nariz,
inclusive o ápice
Infraorbital Continuação do NC
V2 distal à sua
entrada na órbita
através da fissura
orbital inferior
Atravessa o sulco
infraorbital e o canal no
assoalho da órbita, dando
origem a ramos alveolares
superiores; depois emerge
através do forame
infraorbital, dividindo-se
imediatamente em ramos
palpebral inferior, nasais
interno e externo, e labial
superior
Túnica mucosa do
seio maxilar;
dentes prémolares,
caninos e incisivos
maxilares; pele e
túnica conjuntiva
da pálpebra
inferior; pele da
bochecha, região
lateral do nariz e
região
anteroinferior do
septo nasal; pele e
túnica mucosa oral
do lábio superior
Zigomaticofacial Ramo terminal menor
(com o N.
zigomaticotemporal)
do N. zigomático
Atravessa o canal
zigomaticofacial no
zigomático no ângulo
inferolateral da órbita
Pele na
proeminência da
bochecha
Zigomaticotemporal Ramo terminal maior
(com o N.
zigomaticofacial) do
N. zigomático
Envia o ramo comunicante
para o N. lacrimal na
órbita; depois segue até a
fossa temporal através do
canal zigomaticotemporal
no zigomático
Pele sem
pelos na parte
anterior da fossa
temporal
Auriculotemporal Na fossa
infratemporal através
de duas raízes do
tronco posterior do
NC V3 que circundam
a artéria meníngea
média
Segue em direção
posterior, profundamente
ao ramo da mandíbula e à
parte profunda superior da
glândula parótida,
emergindo posteriormente
à articulação
temporomandibular
Pele anterior à
orelha e dois terços
posteriores da
região temporal;
pele do trago e
hélice adjacente da
orelha; pele do teto
do meato acústico
externo; e pele da
membrana
timpânica superior
Bucal Na fossa
infratemporal como
ramo sensitivo do
tronco anterior do NC
V3
Passa entre duas partes
do M. pterigóideo lateral,
emergindo anteriormente
do revestimento do ramo
da mandíbula e M.
Pele e túnica
mucosa oral da
bochecha
(sobrejacente e
profundamente à
parte anterior do M.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 16
masseter, unindo-se aos
ramos bucais do N. facial
bucinador); gengiva
bucal adjacente ao
segundo e ao
terceiro molares
Mentual Ramo terminal do N.
alveolar inferior (NC
V3)
Emerge do canal
mandibular através do
forame mentual na face
anterolateral do corpo da
mandíbula
Pele do queixo e
pele; túnica
mucosa oral do
lábio inferior
Auricular magno Nn. espinais C2 e C3
através do plexo
cervical
Ascende verticalmente
através do músculo
esternocleidomastóideo,
posterior à veia jugular
externa
Pele sobre o
ângulo da
mandíbula e lobo
inferior da orelha;
bainha parotídea
Occipital menor Nn. espinais C2 e C3
através do plexo
cervical
Segue a margem posterior
do músculo
esternocleidomastóideo;
depois ascende
posteriormente à orelha
Couro cabeludo
posterior à orelha
Occipital maior Como ramo medial do
ramo posterior do N.
espinal C2
Emerge entre o áxis e o
M. oblíquo inferior da
cabeça; depois perfura o
M. trapézio
Couro cabeludo da
região occipital
Occipital terceiro Como ramo lateral do
ramo posterior do N.
espinal C3
Perfura o M. trapézio Couro cabeludo
das regiões
occipital inferior e
suboccipital
VASCULATURA SUPERFICIAL DA FACE E DO COURO CABELUDO
A face é ricamente suprida por artérias superficiais e veias externas, como comprovam o rubor e a
palidez. Os ramos terminais de artérias e veias anastomosam-se livremente, o que inclui
anastomoses através da linha mediana com seus pares contralaterais
Artérias Superficiais da Face e do Couro Cabeludo
A maioria das artérias superficiais da face é ramo ou derivada de ramos da artéria carótida externa.
As artérias seguem na segunda camada do couro cabeludo, a camada de tecido conectivo
subcutâneo entre a pele e a aponeurose epicrânica. As artérias anastomosam-se livremente com
artérias adjacentes e, através da linha média, com a artéria contralateral. As paredes arteriais estão
firmemente fixadas ao tecido conectivo denso no qual as artérias estão inseridas, o que limita sua
capacidade de contração quando seccionadas. Logo, as feridas do couro cabeludo estão
associadas a hemorragia abundante
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 17
ARTÉRIA
ORIGEM
TRAJETO
DISTRIBUIÇÃO
Facial
A. carótida
externa
Ascende
profundamente à
glândula
submandibular;
espirala-se ao redor da
margem inferior da
mandíbula e entra na
face
Músculos da
expressão facial e face
Labial inferior A. facial perto
do ângulo da
boca
Segue medialmente no
lábio inferior
Lábio inferior
Labial
superior
A. facial perto
do ângulo da
boca
Segue medialmente no
lábio superior
Lábio superior e asa
(lateral) e septo do
nariz
Nasal lateral A. facial quando
ascende ao
longo do nariz
Segue até a asa do
nariz
Pele na asa e dorso do
nariz
Angular Ramo terminal
da A. facial
Segue até o ângulo
medial do olho
Parte superior da
bochecha e pálpebra
inferior
Occipital A. carótida
externa
Segue medial ao ventre
posterior do M.
digástrico e processo
mastoide; acompanha o
N. occipital na região
occipital
Couro cabeludo do
dorso da cabeça, até o
vértice
Auricular
posterior
A. carótida
externa
Segue posteriormente,
profundamente à
glândula parótida, ao
longo do processo
estiloide, entre o
processo mastoide e a
orelha
Orelha e couro
cabeludo posterior à
orelha
Temporal
superficial
Ramo terminal
menor da A.
carótida externa
Ascende anteriormente
à orelha até a região
temporal e termina no
couro cabeludo
Músculos faciais e pele
das regiões frontal e
temporal
Facialtransversa
A. temporal
superficial na
glândula
parótida
Atravessa a face
superficialmente ao M.
masseter e
inferiormente ao arco
zigomático
Glândula parótida e
ducto parotídeo,
músculos e pele da
face
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 18
Mentual Ramo terminal
da A. alveolar
inferior
Emerge do forame
mentual e segue até o
queixo
Músculos faciais e pele
do queixo
Supraorbital Ramo terminal
da A. oftálmica
Segue superiormente a
partir do forame
supraorbital
Músculos e pele da
fronte e couro cabeludo
e túnica conjuntiva
superior
Supratroclear Ramo terminal
da A. oftálmica
Segue superiormente a
partir da incisura
supratroclear
Músculos e pele da
fronte e couro cabeludo
e túnica conjuntiva
superior
A irrigação arterial provém das artérias carótidas externas por intermédio das artérias occipital,
auricular posterior e temporal superficial e das artérias carótidas internas por intermédio das artérias
supratroclear e supraorbital. As artérias do couro cabeludo levam pouco sangue para o neurocrânio,
que é suprido basicamente pela artéria meníngea média.
Veias da Face e do Couro Cabeludo
VEIA ORIGEM TRAJETO TÉRMINO ÁREA
DRENADA
Supratroclear plexo venoso na
fronte e no
couro cabeludo,
se comunica
com o ramo
frontal da V.
temporal
superficial, a
veia
contralateral e
V. supraorbital
Desce perto da
linha mediana
da fronte até a
raiz do nariz,
onde se une à
V. supraorbita
V. angular na
raiz do nariz
Parte anterior
do couro
cabeludo e da
fronte
Supraorbital Começa na
fronte
anastomosando-
se com a
tributária frontal
da V. temporal
superficial
Segue
medialmente
superior à
órbita; une-se à
V.
supratroclear;
um ramo
atravessa a
incisura
supraorbital e
se une à V.
oftálmica
superior
V. angular na
raiz do nariz
Parte anterior
do couro
cabeludo e da
fronte
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 19
Angular Começa na raiz
do nariz pela
união das Vv.
supratroclear e
supraorbital
Desce
obliquamente
ao longo da raiz
e face lateral do
nariz até a
margem orbital
inferior
Torna-se a V.
facial na
margem inferior
da órbita
Parte anterior
do couro
cabeludo e
fronte;
pálpebras
superior e
inferior e
túnica
conjuntiva;
pode receber
a drenagem
do seio
cavernoso
Facial Continuação da
V. angular além
da margem
inferior da órbita
Desce ao longo
da margem
lateral do nariz,
recebendo as
Vv. nasal
externa e
palpebral
inferior; depois
segue
obliquamente
através da face
para cruzar a
margem inferior
da mandíbula;
recebe
comunicação
da V.
retromandibular
V. jugular
interna oposta
ou inferior ao
nível do hioide
Parte anterior
do couro
cabeludo e
fronte;
pálpebras;
parte externa
do nariz;
região
anterior da
bochecha;
lábios;
queixo; e
glândula
submandibula
Facial profunda Plexo venoso
pterigóideo
Segue
anteriormente
sobre a maxila,
superiormente
ao M.
bucinador e
profundamente
ao M.
masseter,
emergindo
medialmente à
margem
anterior do M.
masseter para
a face
Entra na face
posterior da V.
facia
Fossa
infratemporal
(a maioria
das áreas
supridas pela
A. maxilar)
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 20
Temporal
superficial
Começa a partir
do amplo plexo
venoso na
lateral do couro
cabeludo e ao
longo do arco
zigomático
As tributárias
frontal e
parietal se
unem
anteriormente à
orelha; cruza a
raiz temporal
do arco
zigomático
para sair da
região temporal
e entrar na
substância da
glândula
parótida
Une-se à veia
maxilar
posteriormente
ao colo da
mandíbula para
formar a V.
retromandibular
Região lateral
do couro
cabeludo;
face
superficial do
M. temporal;
e orelha
externa
Retromandibular Formada
anteriormente à
orelha pela
união das Vv.
temporal
superficial e
maxilar
Segue
posterior e
profundamente
ao ramo da
mandíbula
através da
substância da
glândula
parótida;
comunica-se
na extremidade
inferior com a
veia facial
Une-se à V.
auricular
posterior para
formar a V.
jugular externa
Glândula
parótida e M.
masseter
Drenagem Linfática da Face e do Couro Cabeludo
O couro cabeludo não tem linfonodos e, com exceção das regiões parotideomassetérica e da
bochecha, a face não tem linfonodos. A linfa do couro cabeludo, da face e do pescoço drena para
o anel superficial de linfonodos — submentual, submandibular, parotídeo, mastóideo e occipital —
localizado na junção da cabeça e pescoço. Os vasos linfáticos superficiais acompanham as veias,
e os linfáticos profundos acompanham as artérias. Todos os vasos linfáticos da cabeça e do
pescoço drenam direta ou indiretamente para os linfonodos cervicais profundos. A linfa desses
linfonodos profundos segue até o tronco linfático jugular, que se une ao ducto torácico no lado
esquerdo e à VJI ou veia braquiocefálica no lado direito
- A linfa da parte lateral da face e do couro cabeludo, inclusive das pálpebras, drena para os
linfonodos parotídeos superficiais;
- A linfa dos linfonodos parotídeos profundos drena para os linfonodos cervicais profundos
- A linfa proveniente do lábio superior e das partes laterais do lábio inferior drena para os linfonodos
submandibulares
- A linfa proveniente do queixo e da parte central do lábio inferior drena para os linfonodos
submentuais.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 21
MENINGES CRANIANAS
As meninges cranianas são membranas de revestimento do encéfalo imediatamente internas ao
crânio. Elas protegem o encéfalo, compõem a estrutura de sustentação das artérias, veias e seios
venosos e encerram uma cavidade preenchida por líquido, o espaço subaracnóideo, que é
fundamental para a função normal do encéfalo.
As meninges são formadas por três camadas de tecido conectivo membranáceo:
1) DURA-MÁTER: camada fibrosa externa espessa e resistente;
2) ARACNOIDE-MÁTER: camada fina intermediária;
3) PIA-MÁTER: delicada camada interna vascularizada
A aracnoide e pia-máter juntas formam a leptomeninge;
A aracnoide é separada da pia-máter pelo espaço subaracnóideo, que contém o liquido
cefalorraquidiano (LCS)
O LCS é produzido pelos plexos corióideos dos quatro ventrículos do encéfalo. Este liquido deixa
o sistema ventricular e entra no espaço subaracnóideo entre a aracnoide e a pia-máter, onde
protege e nutre o encéfalo.
DURA-MÁTER
É uma membrana bilaminar, densa e espessa, também conhecida como paquimeninge.
Está aderida à lâmina interna da calvária
Tem duas camadas: camada periosteal externa que é formada pelo periósteo que cobre a face
interna da calvária e a camada meníngea interna, que é uma membrana fibrosa forte e contínua no
forame magno com a parte espinal da dura-máter que reveste a medula espinal.
A camada periosteal externa adere a face interna do crânio, sua fixação é resistente ao longo
das linhas de sutura e na base do crânio. A camada periosteal externa é contínua nos forames
cranianos com o periósteo na face externa da calvária. Essa camada externa não é contínua com
a dura-máter da medula espinal, que tem apenas uma camada meníngea.
Exceto nos locais em que há seios durais e invaginações, a camada interna da meninge está
intimamente fundida à camada periosteal, sendo impossível a separação.
As camadas externa e interna fundidas da dura-máter sobre a calvária podem ser facilmente
arrancadas dos ossos do crânio.
Na base do crânio, as duas camadas da dura-máterestão firmemente fixadas e é difícil separá-
las dos ossos
Invaginações ou reflexões da dura-máter
As invaginações de dura-máter dividem a cavidade do crânio em compartimentos, formando
divisões parciais (septos durais) entre algumas partes do encéfalo e oferecendo suporte para outras
partes.
As invaginações da dura-máter são:
Foice do cérebro a maior invaginação da dura-máter, está situada na fissura longitudinal
do cérebro que separa os hemisférios cerebrais direito e esquerdo. A foice do cérebro está
fixada no plano mediano à face interna da calvária, a partir da crista frontal do frontal e crista
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 22
etmoidal do etmoide anteriormente até a protuberância occipital interna posteriormente.
Termina tornando-se contínua com o tentório do cerebelo.
Tentório do cerebelo a segunda maior invaginação da dura-máter, é um septo largo, em
formato de meia-lua, que separa os lobos occipitais dos hemisférios cerebrais do cerebelo.
O tentório do cerebelo fixa-se na parte rostral aos processos clinoides do esfenoide, na parte
rostrolateral à parte petrosa do temporal, e na parte posterolateral à face interna do occipital
e parte do parietal. A foice do cerebelo se fixa ao tentório do cerebelo e o mantém elevado.
O tentório do cerebelo divide a cavidade do crânio em compartimentos supratentorial e
infratentorial. O compartimento supratentorial é dividido em metades direita e esquerda pela
foice do cérebro. A margem anteromedial côncava do tentório do cerebelo é livre, produzindo
uma abertura denominada incisura do tentório através da qual o tronco encefálico
(mesencéfalo, ponte e bulbo) estende-se da fossa posterior até a fossa média do crânio
Foice do cerebelo é uma invaginação vertical da dura-máter situada inferiormente ao
tentório do cerebelo na parte posterior da fossa posterior do crânio. Está fixada à crista
occipital interna e separa parcialmente os hemisférios do cerebelo
Diafragma da sela a menor invaginação da dura-máter, é uma lâmina circular de dura,
que fica suspensa entre os processos clinoides, formando um teto parcial sobre a fossa
hipofisial no esfenoide. O diafragma da sela cobre a hipófise nessa fossa e tem uma abertura
para a passagem do infundíbulo e das veias hipofisiais.
Seios venosos da dura-máter
Os seios venosos da dura-máter são espaços revestidos por endotélio entre as lâminas periosteal
e meníngea da dura.
Formam-se nos locais onde os septos durais se fixam ao longo da margem livre da foice do
cérebro e em relação às formações do assoalho do crânio.
Grandes veias da superfície do encéfalo drenam para esses seios e a maior parte do sangue do
encéfalo drena finalmente através deles para as VJI.
O seio sagital superior situa-se na margem fixada convexa da foice do cérebro
Confluência dos seios = local de união dos seios sagital superior, reto, occipital e transverso.
O seio sagital superior recebe as veias cerebrais superiores e comunica-se de cada lado, através
de aberturas semelhantes a fendas, com as lacunas venosas laterais, expansões laterais do seio
sagital superior.
As granulações aracnóideas são prolongamentos em tufo da aracnoide-máter que se salientam
através da lâmina meníngea da dura-máter para os seios venosos durais, principalmente as
lacunas laterais, e afetam a transferência de LCS para o sistema venoso
Os corpos de Pacchioni são formados quando as granulações aracnoideas estão altas e pode
causar erosão do osso formando foveolas granulares na calvaria.
O seio sagital inferior é muito menor do que o seio sagital superior. Segue na margem livre
côncava inferior da foice do cérebro e termina no seio reto
O seio reto é formado pela união do seio sagital inferior com a veia cerebral magna. Segue em
sentido inferoposterior ao longo da linha de fixação da foice do cérebro até o tentório do cerebelo,
onde se une à confluência dos seios.
Os seios transversos seguem lateralmente a partir da confluência dos seios, formando um sulco
nos occipitais e nos ângulos posteroinferiores dos parietais. Os seios transversos seguem ao longo
das margens do tentório do cerebelo fixadas posterolateralmente e, depois, tornam-se os seios
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 23
sigmóideos à medida que se aproximam da face posterior das partes petrosas dos temporais. O
sangue recebido pela confluência dos seios é drenado pelos seios transversos, mas raramente de
forma igual. Em geral, o seio esquerdo é maior.
Os seios sigmóideos seguem trajetos em forma de S na fossa posterior do crânio, formando
sulcos profundos no temporal e no occipital. Cada seio sigmóideo segue anteriormente e depois
continua inferiormente como a VJI após atravessar o forame jugular
O seio occipital situa-se na margem fixada da foice do cerebelo e termina superiormente na
confluência dos seios. O seio occipital comunica-se inferiormente com o plexo venoso vertebral
interno
O seio cavernoso, um grande plexo venoso, está localizado de cada lado da sela turca, sobre a
face superior do corpo do esfenoide, que contém o seio esfenoidal. Os seios cavernosos drenam
em sentido posteroinferior através dos seios petrosos superior e inferior e veias emissárias para os
plexos basilar e pterigoideo. Em cada seio cavernoso estão a artéria carótida interna e o nervo
abducente.
Os seios petrosos superiores iniciam-se nas extremidades posteriores das veias que formam o
seio cavernoso e seguem até os seios transversos no local onde esses seios curvam-se
inferiormente para formar os seios sigmóideos. Cada seio petroso superior está situado na margem
anterolateral fixa do tentório do cerebelo, que se fixa à margem superior da parte petrosa do
temporal.
Os seios petrosos inferiores também começam na extremidade posterior do seio cavernoso
inferiormente. Cada seio petroso inferior segue em um sulco entre a parte petrosa do temporal e a
parte basilar do occipital . Os seios petrosos inferiores drenam o seio cavernoso diretamente para
a transição do seio sigmóideo para a VJI no forame jugular.
O plexo basilar une os seios petrosos inferiores e comunica-se inferiormente com o plexo venoso
vertebral interno.
As veias emissárias unem os seios venosos durais às veias fora do crânio. Embora não tenham
válvulas e o sangue possa fluir nas duas direções, o fluxo geralmente se faz na direção oposta ao
encéfalo. O tamanho e o número de veias emissárias variam; muitas veias pequenas não têm
nome. As crianças e alguns adultos têm uma veia emissária frontal. Atravessa o forame cego do
crânio, unindo o seio sagital superior às veias do seio frontal e cavidades nasais. Uma veia
emissária parietal, que pode ser bilateral, atravessa o forame parietal na calvária, unindo o seio
sagital superiormente às veias externas a ele, sobretudo aquelas no couro cabeludo. A veia
emissária mastóidea atravessa o forame mastóideo e une cada seio sigmóideo à veia occipital ou
auricular posterior. Também pode haver uma veia emissária condilar posterior, que atravessa o
canal condilar, unindo o seio sigmóideo ao plexo venoso suboccipital.
Vasculatura da dura-máter
As artérias da dura-máter fornecem mais sangue para a calvária do que para a dura-máter. O maior
desses vasos, a artéria meníngea média, é um ramo da artéria maxilar. Entra no assoalho da fossa
média do crânio através do forame espinhoso, segue lateralmente na fossa, e vira-se em sentido
superoanterior sobre a asa maior do esfenoide, onde se divide em ramos anterior e posterior. O
ramo frontal da artéria meníngea média segue superiormente até o ptério e depois se curva
posteriormente para ascender em direção ao vértice do crânio. O ramo parietal da artéria meníngea
média segue em sentido posterossuperiore ramifica-se (divide-se em ramos de distribuição) sobre
a face posterior do crânio. Pequenas áreas de dura-máter são supridas por outras artérias: ramos
meníngeos das artérias oftálmicas, ramos das artérias occipitais e pequenos ramos das artérias
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 24
vertebrais. As veias da dura-máter acompanham as artérias meníngeas, amiúde em pares. As veias
meníngeas médias acompanham a artéria meníngea média, deixam a cavidade do crânio através
do forame espinhoso ou forame oval e drenam para o plexo venoso pterigoideo.
Inervação da dura-máter
A dura-máter dos assoalhos das fossas anterior e média do crânio e do teto da fossa posterior
do crânio é inervada por ramos meníngeos que se originam direta ou indiretamente do nervo
trigêmeo.
A trifurcação do nervo trigêmeo contribui com ramos meníngeos.
Os ramos meníngeos anteriores dos nervos etmoidais e os ramos meníngeos dos nervos maxilar
e mandibular suprem a dura-máter da fossa anterior do crânio.
As fibras de dor são mais numerosas nos locais onde artérias e veias seguem na dura-máter. A
dor originada na dura-máter geralmente é referida, percebida como cefaleia originada nas regiões
cutânea ou mucosa supridas pelo nervo cervical ou pela divisão do nervo trigêmeo envolvido
ARACNOIDE E PIA-MÁTER
A aracnoide-máter craniana contém fibroblastos, fibras de colágeno e algumas fibras elásticas.
Embora fina, a espessura da aracnoide-máter é suficiente para que seja manipulada com pinça. A
aracnoide-máter avascular, embora esteja intimamente aplicada à lâmina meníngea da dura-máter,
não está fixada à dura-máter; é mantida contra a face interna da dura-máter pela pressão do LCS
no espaço subaracnóideo.
A pia-máter craniana é membrana ainda mais fina do que a aracnoide-máter; é muito
vascularizada por uma rede de finos vasos sanguíneos. É difícil ver a pia-máter, mas ela confere
uma aparência brilhante à superfície do encéfalo. A pia adere à superfície do encéfalo e segue
todos os seus contornos. Quando as artérias cerebrais penetram no córtex cerebral, a piamáter as
segue por uma curta distância, formando um revestimento pial e um espaço periarterial
ESPAÇOS MENÍNGEOS
Dos três “espaços” meníngeos comumente citados em relação às meninges cranianas, apenas um
existe como espaço na ausência de doença.
A interface dura-máter-crânio (“espaço” extradural ou epidural) não é um espaço natural entre o
crânio e a lâmina periosteal externa da dura-máter porque a dura está fixada aos ossos. Só se torna
um espaço extradural em caso de afecção — por exemplo, quando o sangue proveniente da ruptura
de vasos meníngeos afasta o periósteo do crânio. O espaço extradural cranial potencial ou
patológico não é contínuo com o espaço extradural espinal (um espaço natural ocupado por gordura
peridural e um plexo venoso), porque o primeiro situa-se externamente ao periósteo que reveste o
crânio, e o segundo situa-se internamente ao periósteo que reveste as vértebras separa as duas
camadas das leptomeninges, a aracnoide e a pia. A pressão no LCS mantém a aracnoide aposta
à camada meníngea de dura-máter, e na região do seio sagital superior e lacunas venosas
adjacentes as granulações aracnóideas projetam-se através da dura-máter para o seio venoso da
dura-máter cheio de sangue;
Do mesmo modo, a interface ou junção da dura-máter com a aracnoide-máter (“espaço subdural”)
não é um espaço natural entre a dura-máter e a aracnoide-máter. Um espaço pode surgir na
camada de células da margem dural em virtude de traumatismo, como um golpe forte na cabeça;
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 25
O espaço subaracnóideo, entre a aracnoide-máter e a pia-máter, é um espaço real que contém
LCS, células trabeculares, artérias e veias
ENCÉFALO
PARTES DO ENCÉFALO
O encéfalo é formado pelo telencéfalo (cérebro), cerebelo e tronco encefálico;
O telencéfalo ou cérebro inclui os hemisférios cerebrais e os núcleos da base. Os hemisférios
cerebrais, separados pela foice do cérebro na fissura longitudinal do cérebro, são as características
dominantes do encéfalo;
O sulco central separa os lobos frontais (anteriormente) dos lobos parietais (posteriormente). Em
vista lateral, esses lobos situam-se superiormente ao sulco lateral transverso e ao lobo temporal
inferior a ele;
Os lobos occipitais posicionados posteriormente são separados dos lobos parietal e temporal
pelo plano do sulco parietoccipital, visível na face medial do cérebro em uma hemissecção do
encéfalo;
O diencéfalo é formado pelo epitálamo, pelo tálamo e pelo hipotálamo e forma o núcleo central
do encéfalo;
O mesencéfalo, a parte anterior do tronco encefálico, situa-se na junção das fossas média e
posterior do crânio. Os NC III e IV estão associados ao mesencéfalo;
A ponte é a parte do tronco encefálico situada entre o mesencéfalo rostralmente e o bulbo
caudalmente; situa-se na parte anterior da fossa posterior do crânio. O NC V está associado à
ponte;
O bulbo (medula oblonga) é a subdivisão mais caudal do tronco encefálico, contínua com a
medula espinal; situa-se na fossa posterior do crânio. Os NC IX, X e XII estão associados ao bulbo,
ao passo que os NC VI–VIII estão associados à junção da ponte e do bulbo;
O cerebelo é a grande massa encefálica situada posteriormente à ponte e ao bulbo e
inferiormente à parte posterior do cérebro. Situa-se sob o tentório do cerebelo na fossa posterior
do crânio. Consiste em dois hemisférios laterais unidos por uma parte intermediária estreita, o
verme do cerebelo.
SISTEMA VENTRICULAR DO ENCÉFALO
O sistema ventricular do encéfalo consiste em dois ventrículos laterais e os terceiro e quarto
ventrículos medianos unidos pelo aqueduto do mesencéfalo; O LCS, secretado principalmente
pelos plexos corióideos dos ventrículos, preenche essas cavidades encefálicas e o espaço
subaracnóideo do encéfalo e da medula espinal
Ventrículos do encéfalo
Os ventrículos laterais, o primeiro e o segundo ventrículos, são as maiores cavidades do sistema
ventricular e ocupam grandes áreas dos hemisférios cerebrais. Cada ventrículo lateral abre-se,
através de um forame interventricular, para o terceiro ventrículo;
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 26
O terceiro ventrículo, uma cavidade em forma de fenda entre as metades direita e esquerda do
diencéfalo, é contínuo em sentido posteroinferior com o aqueduto do mesencéfalo, que une o
terceiro e o quarto ventrículos;
O quarto ventrículo, piramidal, na parte posterior da ponte e bulbo, estende-se em sentido
inferoposterior. Inferiormente, afila-se até formar um canal estreito que continua até a região
cervical da medula espinal como o canal central;
O LCS drena do quarto ventrículo para o espaço subaracnóideo através de uma abertura
mediana única e um par de aberturas laterais. Essas aberturas são os únicos meios pelos quais o
LCS entra no espaço subaracnóideo. Em caso de obstrução, o LCS se acumula e os ventrículos
se distendem, comprimindo os hemisférios cerebrais.
Cisternas Subaracnóideas
Em algumas áreas na base do encéfalo, a aracnoide e a pia estão bem separadas pelas cisternas
subaracnóideas que contêm LCS, e estruturas dos tecidos moles que “ancoram” o encéfalo, como
as trabéculas aracnóideas, a rede vascular e, em alguns casos, as raízes dos nervos cranianos.
As principais cisternas subaracnóideas intracranianas são:
Cisterna cerebelobulbar: a maior das cisternas subaracnóideas, localizada entre o cerebelo
e o bulbo; recebe LCS das aberturas do quarto ventrículo. É dividida em cisterna
cerebelobulbar posterior e cisterna cerebelobulbar lateral
Cisterna pontocerebelar: um amplo espaço ventralà ponte, contínuo inferiormente com o
espaço subaracnóideo espinal
Cisterna interpeduncular: localizada na fossa interpeduncular entre os pedúnculos cerebrais
do mesencéfalo
Cisterna quiasmática: inferior e anterior ao quiasma óptico, o ponto de cruzamento ou
decussação das fibras dos nervos ópticos
Cisterna colicular: localizada entre a parte posterior do corpo caloso e a face superior do
cerebelo; contém partes da veia cerebral magna
Cisterna circundante: localizada na face lateral do mesencéfalo e contínua posteriormente
com a cisterna colicular.
Secreção de liquido cerebroespinal
O líquido cerebrospinal (LCS) é secretado (400 a 500 m l/dia) principalmente por células epiteliais
coroidais (células ependimárias modificadas) dos plexos corióideos nos ventrículos laterais e no
terceiro e no quarto ventrículos. Os plexos corióideos consistem em franjas vasculares de pia-máter
(tela corióidea) cobertas por células epiteliais cúbicas. Invaginam-se para os tetos do terceiro e do
quatro ventrículos e nos assoalhos dos corpos e cornos inferiores dos ventrículos laterais.
Circulação de liquido cerebroespinal
O LCS deixa os ventrículos laterais através dos forames interventriculares e entra no terceiro
ventrículo. A partir daí, o LCS atravessa o aqueduto do mesencéfalo para o quarto ventrículo. Parte
do LCS deixa esse ventrículo através de suas aberturas mediana e lateral e entra no espaço
subaracnóideo, que é contínuo ao redor da medula espinal e na região posterossuperior sobre o
cerebelo. Entretanto, a maior parte do LCS flui para as cisternas interpeduncular e colicular. O LCS
das várias cisternas subaracnóideas flui superiormente pelos sulcos e fissuras nas faces medial e
superolateral dos hemisférios cerebrais. O LCS também penetra nas extensões do espaço
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 27
subaracnóideo ao redor dos nervos cranianos, sendo as mais importantes aquelas que circundam
os nervos ópticos.
Absorção de liquido cerebroespinal
Os principais locais de absorção de LCS para o sistema venoso são as granulações aracnóideas,
principalmente aquelas que se projetam para o seio sagital superior e suas lacunas laterais. O
espaço subaracnóideo contendo LCS estende-se para os centros das granulações aracnóideas. O
LCS entra no sistema venoso por duas vias:
1) a maior parte do LCS entra no sistema venoso por transporte através das células das
granulações aracnóideas para os seios venosos da dura-máter;
2) parte do LCS desloca-se entre as células que formam as granulações aracnóideas
Funções do liquido cerebroespinal
LCS protege o encéfalo, proporcionando um amortecimento contra golpes na cabeça;
O LCS no espaço subaracnóideo permite que o encéfalo flutue, o que impede que seu peso
comprima as raízes dos nervos cranianos e os vasos sanguíneos contra a face interna do crânio.
Como o encéfalo é um pouco mais pesado do que o LCS, os giros na face basal do encéfalo ficam
em contato com as fossas cranianas no assoalho da cavidade do crânio na posição ereta;
Na posição ortostática, o LCS está nas cisternas subaracnóideas e sulcos nas partes superior e
lateral do encéfalo; portanto, o LCS e a dura-máter normalmente separam a parte superior do
encéfalo da calvária;
IRRIGAÇÃO ARTERIAL DO ENCÉFALO
A vascularização encefálica provém das artérias carótida interna e vertebral, cujos ramos terminais
estão situados no espaço subaracnóideo. A drenagem venosa encefálica ocorre pelas veias
cerebrais e cerebelares que drenam para os seios venosos durais adjacentes;
Artérias carótidas internas
As artérias carótidas internas originam-se no pescoço a partir das artérias carótidas comuns;
Cada artéria carótida interna entra na cavidade do crânio através do canal carótico na parte
petrosa do temporal;
As artérias carótidas internas seguem anteriormente através dos seios cavernosos, com os
nervos abducentes e muito próximas dos nervos oculomotor e troclear, passando no sulco carótico
na lateral do corpo do esfenoide;
Os ramos terminais das artérias carótidas internas são as artérias cerebrais anterior e média;
Clinicamente, as artérias carótidas internas e seus ramos costumam ser chamados de circulação
anterior do encéfalo. As artérias cerebrais anteriores são unidas pela artéria comunicante anterior.
Perto de seu término, as artérias carótidas internas são unidas às artérias cerebrais posteriores
pelas artérias comunicantes posteriores, completando o círculo arterial do cérebro ao redor da fossa
interpeduncular, a depressão profunda na face inferior do mesencéfalo entre os pedúnculos
cerebrais
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 28
Artérias vertebrais
As artérias vertebrais originam-se na raiz do pescoço como os primeiros ramos da primeira parte
das artérias subclávias;
As duas artérias vertebrais geralmente têm tamanhos diferentes, sendo a esquerda maior do que
a direita;
As partes transversárias das artérias vertebrais ascendem através dos forames transversários
das seis primeiras vértebras cervicais
As partes atlânticas das artérias vertebrais (partes relacionadas com o atlas, vértebra C I)
perfuram a dura-máter e a aracnoide-máter e atravessam o forame magno;
As partes intracranianas das artérias vertebrais unem-se na margem caudal da ponte para formar
a artéria basilar;
A artéria basilar, ascende até o clivo, a face inclinada do dorso da sela até o forame magno,
através da cisterna pontocerebelar até a margem superior da ponte. Termina dividindo-se em duas
artérias cerebrais posteriores
Artérias Cerebrais
Além de enviar ramos para as partes mais profundas do encéfalo, os ramos corticais de cada artéria
cerebral irrigam uma superfície e um polo do cérebro
Os ramos corticais da:
Artéria cerebral anterior irrigam a maior parte das faces medial e superior do encéfalo e o
polo frontal
Artéria cerebral média irrigam a face lateral do encéfalo e o polo temporal
Artéria cerebral posterior irrigam a face inferior do encéfalo e o polo occipital
Círculo arterial do cérebro
O círculo arterial do cérebro (de Willis) é um arranjo quase pentagonal de vasos na face anterior do
encéfalo. É uma anastomose importante na base do encéfalo entre as quatro artérias (duas artérias
vertebrais e duas artérias carótidas internas) que irrigam o encéfalo
O círculo arterial é formado sequencialmente no sentido anteroposterior pela(s):
Artéria comunicante anterior
Artérias cerebrais anteriores
Artérias carótidas internas Artérias comunicantes posteriores
Artérias cerebrais posteriores.
DRENAGEM VENOSA DO ENCÉFALO
ARTÉRIA ORIGEM DISTRIBUIÇÃO
Carótida interna A. carótida comum na margem
superior da cartilagem tireóidea
Emite ramos para as paredes do
seio cavernoso, hipófise e gânglio
trigeminal; responsável pela
vascularização primária do encéfalo
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 29
Cerebral anterior A. carótida interna Hemisférios cerebrais, exceto para
os lobos occipitais
Comunicante
anterior
A. cerebral anterior Círculo arterial do cérebro (de
Willis)
Cerebral média Continuação da A. carótida
interna distal à artéria cerebral
anterior
Maior parte da face lateral dos
hemisférios cerebrais
Vertebral A. subclávia Meninges cranianas e cerebelo
Basilar Formada pela união de Aa.
vertebrais
Tronco encefálico, cerebelo e
cérebro
Cerebral
posterior
Ramo terminal da A. basilar Face inferior do hemisfério cerebral
e lobo occipital
Comunicante
posterior
A. cerebral posterior Trato óptico, pedúnculo cerebral,
cápsula interna e tálamo
REGIÕES PAROTIDEOMASSETÉRICA E TEMPORAL, FOSSA INFRATEMPORALE ARTICULAÇÃO
TEMPOROMANDIBULAR
REGIÃO PAROTIDEOMASSETÉRICA
A região parotideomassetérica é a parte posterolateral da região facial, cujos limites são:
Arco zigomático, superiormente
Orelha externa e margem anterior do músculo esternocleidomastóideo, posteriormente
Ramo da mandíbula, medialmente
Margem anterior do músculo masseter, anteriormente
Ângulo e margem inferior da mandíbula, inferiormente.
A região parotideomassetérica inclui a glândula parótida e seu ducto, o plexo intraparotídeo do nervo facial (NC VII),
a veia retromandibular, a artéria carótida externa e o músculo masseter.
GLÂNDULA PARÓTIDA
A glândula parótida é a maior de três pares de glândulas salivares.
Do ponto de vista funcional, parece lógico discutir as três glândulas simultaneamente em associação à anatomia da
boca. Entretanto, do ponto de vista anatômico, sobretudo nos cursos de dissecção, a glândula parótida geralmente é
examinada durante ou logo após a dissecção da face para expor o nervo facial.
Embora o plexo intraparotídeo do nervo facial (NC VII) esteja inserido na glândula parótida, os ramos que se estendem
dela para inervar os músculos da expressão facial são encontrados durante a dissecção da face e foram analisados e
ilustrados anteriormente. A dissecção da região parotideomassetérica deve ser concluída antes da dissecção da região
infratemporal e músculos da mastigação ou do trígono carótico do pescoço. A glândula submandibular é encontrada
principalmente durante a dissecção do trígono submandibular do pescoço, e as glândulas sublinguais ao dissecar o
assoalho da boca.
A glândula parótida é revestida por uma cápsula fascial resistente e inflexível, a fáscia (cápsula) parotídea, derivada da
lâmina superficial da fáscia cervical.
A glândula parótida tem formato irregular porque a área ocupada pela glândula, o leito parotídeo, situa-se
anteroinferiormente ao meato acústico externo, onde está inserida entre o ramo da mandíbula e o processo mastoide.
O tecido adiposo entre os lobos confere a flexibilidade que a glândula deve ter para permitir o movimento da
mandíbula.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 30
O ápice da glândula parótida situa-se posteriormente ao ângulo da mandíbula, e sua base relaciona-se com o arco
zigomático. A face lateral subcutânea da glândula parótida é quase plana.
O ducto parotídeo segue horizontalmente a partir da margem anterior da glândula. Na margem anterior do músculo
masseter, o ducto volta-se medialmente, perfura o músculo bucinador e entra na cavidade oral através de uma
pequena abertura em frente ao 2° dente molar maxilar.
Inseridos na substância da glândula parótida, da região superficial para a profunda, estão o plexo intraparotídeo do
nervo facial (NC VII) e seus ramos, a veia retromandibular e a artéria carótida externa. Na fáscia parotídea e na glândula
estão os linfonodos parotídeos.
RELAÇÕES DA GLÂNDULA PARÓTIDA
Uma fatia transversal do leito da glândula parótida mostra a relação entre a glândula e as estruturas adjacentes.
A glândula segue profundamente entre o ramo da mandíbula, ladeada pelos músculos da mastigação, anteriormente,
e o processo mastoide e o músculo esternocleidomastóideo, posteriormente.
As dimensões do leito parotídeo mudam com os movimentos da mandíbula.
A artéria carótida externa e o plexo periarterial, a veia retromandibular e o plexo parotídeo do nervo facial (NC VII)
estão inseridos na própria glândula.
O ducto parotídeo volta-se medialmente na margem anterior do músculo masseter e perfura o músculo bucinador.
INERVAÇÃO DA GLÂNDULA PARÓTIDA E ESTRUTURAS RELACIONADAS
Embora o plexo intraparotídeo do NC VII esteja inserido na glândula, ela não é inervada pelo NC VII.
O nervo auriculotemporal, um ramo do NC V3, está intimamente relacionado com a glândula parótida e segue
superiormente a ela com os vasos temporais superficiais.
O nervo auriculotemporal e o nervo auricular magno, um ramo do plexo cervical formado por fibras dos nervos
espinais C2 e C3, inervam a fáscia parotídea e a pele sobrejacente.
O componente parassimpático do nervo glossofaríngeo (NC IX) envia fibras secretoras pré-ganglionares para o gânglio
ótico. As fibras parassimpáticas pós-ganglionares são conduzidas do gânglio até a glândula pelo nervo
auriculotemporal. A estimulação das fibras parassimpáticas produz saliva fina e aquosa.
As fibras simpáticas são derivadas dos gânglios cervicais através do plexo nervoso carotídeo externo sobre a artéria
carótida externa. A atividade vasomotora dessas fibras reduz a secreção da glândula. Fibras nervosas sensitivas
seguem até a glândula através dos nervos auricular magno e auriculotemporal.
REGIÃO TEMPORAL
A região temporal da cabeça inclui a área lateral do couro cabeludo e os tecidos moles mais profundos sobre a fossa
temporal do crânio, superior ao arco zigomático.
A fossa temporal, ocupada principalmente pela porção superior do músculo temporal, é limitada:
Posterior e superiormente pelas linhas temporais
Anteriormente pelos frontal e zigomático
Lateralmente pelo arco zigomático
Inferiormente pela crista infratemporal
O assoalho da fossa temporal é formado por partes dos quatro ossos que formam o ptério: frontal, parietal, temporal
e asa maior do esfenoide.
O músculo temporal em forma de leque origina-se do assoalho ósseo e da fáscia temporal sobrejacente, que forma o
teto da fossa temporal.
Essa fáscia resistente cobre o músculo temporal, fixando-se superiormente à linha temporal superior.
Inferiormente, a fáscia divide-se em duas lâminas, que se fixam às faces lateral e medial do arco zigomático.
A fáscia temporal também se fixa ao arco zigomático superiormente.
Quando o forte músculo masseter, que está fixado à margem inferior do arco, se contrai e exerce uma forte tração
descendente sobre o arco zigomático, a fáscia temporal oferece resistência.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 31
O espaço da fossa temporal situa-se profundamente ao arco zigomático e é atravessado pelo músculo temporal e
pelos nervos e vasos temporais profundos. Através desse espaço, a fossa temporal comunica-se inferiormente com a
fossa infratemporal.
FOSSA INFRATEMPORAL
A fossa infratemporal é um espaço irregular, situado profunda e inferiormente ao arco zigomático, profundamente ao
ramo da mandíbula e posteriormente à maxila.
Comunica-se com a fossa temporal através do intervalo entre o arco zigomático e os ossos cranianos, profundamente
ao primeiro e superficialmente aos últimos.
A fossa infratemporal comunica-se com a fossa pterigopalatina através da fissura pterigomaxilar.
Os limites da fossa infratemporal são os seguintes:
Lateral: o ramo da mandíbula
Medial: a lâmina lateral do processo pterigoide
Anterior: a face posterior da maxila
Posterior: a lâmina timpânica e os processos mastoide e estiloide do temporal
Superior: a face inferior (infratemporal) da asa maior do esfenoide
Inferior: onde o músculo pterigóideo medial se fixa à mandíbula, perto de seu ângulo.
A fossa infratemporal contém:
Parte inferior do músculo temporal
Músculos pterigóideos lateral e medial
Artéria maxilar
Plexo venoso pterigóideo
Nervos mandibular, alveolar inferior, lingual, bucal e corda do tímpano
Gânglio ótico
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ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
As regiões parotideomassetérica e temporal e a fossa infratemporal incluem a articulação temporomandibular e os
músculos da mastigação que produzem seus movimentos.
A articulação temporomandibular (ATM) é sinovial do tipo gínglimo, que permite o deslizamento (translação)e um
pequeno grau de rotação (giro), além dos movimentos de flexão (elevação) e extensão (abaixamento) típicos das
articulações do tipo gínglimo.
As faces articulares ósseas participantes são a fossa mandibular e o tubérculo articular do temporal superiormente, e
a cabeça da mandíbula inferiormente.
A frouxa membrana fibrosa da cápsula articular se fixa às margens da cartilagem articular no temporal e ao redor do
colo da mandíbula.
As duas faces articulares ósseas são totalmente separadas por fibrocartilagem interposta, o disco articular da ATM,
fixado em sua periferia à face interna da cápsula fibrosa. Isso cria cavidades articulares, ou compartimentos, superior
e inferior separadas, revestidas por membranas sinoviais superior e inferior separadas.
Os movimentos deslizantes de protrusão e retrusão (translação) ocorrem entre o temporal e o disco articular (cavidade
superior); os movimentos de dobradiça de depressão e elevação e os movimentos de rotação ou giro ocorrem no
compartimento inferior.
Uma parte espessada da cápsula articular forma o ligamento lateral intrínseco da ATM, que reforça a articulação
lateralmente e, com o tubérculo pós-glenoidal, evita a luxação posterior da articulação.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 33
Dois ligamentos extrínsecos e o ligamento lateral unem a mandíbula ao crânio:
O ligamento estilomandibular que, na verdade, é um espessamento da cápsula fibrosa da glândula parótida,
segue do processo estiloide até o ângulo da mandíbula. Não contribui significativamente para a força da
articulação.
O ligamento esfenomandibular segue da espinha do esfenoide até a língula da mandíbula. É o principal
responsável pela sustentação passiva da mandíbula, embora o tônus dos músculos da mastigação geralmente
sustente o peso da mandíbula. Entretanto, os ligamentos esfenomandibulares atuam como uma “dobradiça
oscilante” para a mandíbula, servindo como fulcro e como ligamento controlador para os movimentos da
mandíbula nas ATM.
Quando a boca está fechada e em repouso, as cabeças da mandíbula são mantidas na posição retraída nas fossas
mandibulares, e o queixo é elevado pelo tônus dos músculos retratores e elevadores da mandíbula.
Ao dormir na posição de decúbito dorsal ou sentada (cabeça levantada), no início do estado de sono profundo a
contração tônica relaxa e a gravidade causa a depressão da mandíbula (a boca se abre).
Para permitir mais do que um pequeno grau de depressão da mandíbula — isto é, para abrir mais a boca além de
apenas separar os dentes superiores e inferiores — a cabeça da mandíbula e o disco articular devem movimentar-se
anteriormente sobre a face articular até que a cabeça da mandíbula esteja situada inferiormente ao tubérculo articular
(um movimento designado como “translação” pelos dentistas).
Quando isso ocorre sem depressão, há protrusão do queixo. Na maioria das vezes há depressão da mandíbula (a boca
é aberta), pois a cabeça da mandíbula e o disco articular deslizam em direção ao tubérculo articular, e a depressão
completa só é possível quando há protração completa das cabeças e dos discos. Se a protração da cabeça e do disco
for unilateral, a cabeça contralateral gira (em torno de um eixo) sobre a face inferior do disco articular na posição
retraída, permitindo movimentos simples de mastigação laterolateral ou movimento de rangido de pequena
amplitude. Durante a protrusão e a retração da mandíbula, a cabeça e o disco articular deslizam anterior e
posteriormente sobre a face articular do temporal, com os dois lados movendo-se juntos.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 34
MÚSCULOS DA MASTIGAÇÃO
Os movimentos da ATM são produzidos principalmente pelos músculos da mastigação.
Esses quatro músculos (temporal, masseter e pterigóideos medial e lateral) desenvolvem-se a partir do mesoderma
do primeiro arco faríngeo embrionário; consequentemente, são todos inervados pelo nervo daquele arco, o (raiz
motora do) nervo mandibular (NC V3).
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 35
Além dos movimentos relacionados, os estudos indicam que a cabeça superior do músculo pterigóideo lateral é
ativa durante o movimento de retração produzido pelas fibras posteriores do músculo temporal. É aplicada tração
ao disco articular, de modo que este não seja empurrado posteriormente à frente da mandíbula retraída.
Em geral a depressão da mandíbula é produzida pela gravidade.
Os músculos supra-hióideos e infra-hióideos estão localizados de cada lado do pescoço e são usados basicamente
para elevar e abaixar o hioide e a laringe, respectivamente — por exemplo, durante a deglutição.
Indiretamente, também podem ajudar a abaixar a mandíbula, em especial ao abrir a boca subitamente, contra
resistência ou quando invertidos (p. ex., de cabeça para baixo).
O músculo plastisma pode ser usado de modo semelhante.
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NEUROVASCULATURA DA FOSSA INFRATEMPORAL
ARTÉRIA MAXILAR
É o maior dos dois ramos terminais da artéria carótida externa.
Origina-se posteriormente ao colo da mandíbula e é dividida em três partes com base em sua relação com o músculo
pterigóideo lateral.
PLEXO VENOSO PTERIGÓIDEO
Está parcialmente localizado entre os músculos temporal e pterigóideo.
É o equivalente venoso da maior parte da artéria maxilar — isto é, a maioria das veias que acompanham os ramos da
artéria maxilar drena para esse plexo.
O plexo anastomosa-se anteriormente com a veia facial através da veia facial profunda e superiormente com o seio
cavernoso através das veias emissárias.
É difícil observar a natureza extensa e o volume do plexo venoso pterigóideo no cadáver, no qual geralmente não
contém sangue.
NERVO MANDIBULAR
Origina-se do gânglio trigeminal na fossa média do crânio.
Recebe imediatamente a raiz motora do nervo trigêmeo e desce através do forame oval até a fossa infratemporal
(Figura 7.75).
Os ramos do NC V3 são os nervos auriculotemporal, alveolar inferior, lingual e bucal.
Os ramos do NC V3 também suprem os quatro músculos de mastigação, mas não o músculo bucinador, que é suprido
pelo nervo facial.
NERVO AURICULOTEMPORAL
Circunda a artéria meníngea média e divide-se em muitos ramos, sendo que o maior deles segue posteriormente,
medial ao colo da mandíbula, e envia fibras sensitivas para a orelha e a região temporal.
O nervo auriculotemporal também envia fibras articulares (sensitivas) para a ATM.
Conduz fibras secretomotoras parassimpáticas pós-ganglionares do gânglio ótico para a glândula parótida.
NERVO ALVEOLAR INFERIOR
Entra no forame mandibular e atravessa o canal mandibular, formando o plexo dental inferior, que envia ramos para
todos os dentes mandibulares de seu lado.
Outro ramo do plexo, o nervo mentual, atravessa o forame mentual e supre a pele e a túnica mucosa do lábio inferior,
a pele do queixo e a gengiva vestibular dos dentes incisivos mandibulares.
NERVO LINGUAL
Situa-se anteriormente ao nervo alveolar inferior.
É sensitivo nos dois terços anteriores da língua, o assoalho da boca e a gengiva lingual.
Entra na boca entre o músculo pterigóideo medial e o ramo da mandíbula, e segue anteriormente sob o revestimento
da mucosa oral, logo inferior ao 3 o dente molar.
O nervo corda do tímpano, um ramo do NC VII que recebe fibras gustativas dos dois terços anteriores da língua, une-
se ao nervo lingual na fossa infratemporal.
O nervo corda do tímpano também conduz fibras secretomotoras para as glândulas salivares submandibulares e
sublinguais.
GÂNGLIO ÓTICO (parassimpático)
Estálocalizado na fossa infratemporal, logo abaixo do forame oval, medialmente ao NC V3 e posteriormente ao
músculo pterigóideo medial.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 37
As fibras parassimpáticas pré-ganglionares, derivadas principalmente do nervo glossofaríngeo, fazem sinapse no
gânglio ótico.
As fibras parassimpáticas pósganglionares, que são secretoras para a glândula parótida, seguem do gânglio ótico até
essa glândula através do nervo auriculotemporal.
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REGIÃO ORAL
A região oral compreende a cavidade oral, os dentes, a gengiva, a língua, o palato e a região das tonsilas palatinas.
A cavidade oral é o local onde o alimento é ingerido e preparado para digestão no estômago e no intestino delgado.
O alimento é mastigado pelos dentes, e a saliva proveniente das glândulas salivares facilita a formação de um bolo
alimentar macio. A deglutição é iniciada voluntariamente na cavidade oral. A fase voluntária do processo empurra o
bolo da cavidade oral para a faringe, a parte expandida do sistema digestório, onde ocorre a fase involuntária
(automática) da deglutição.
CAVIDADE ORAL
A cavidade oral (boca) tem duas partes: o vestíbulo da boca e a cavidade própria da boca. É na cavidade oral que se
sente o sabor dos alimentos e das bebidas e que o alimento é mastigado e manipulado pela língua.
O vestíbulo da boca é o espaço semelhante a uma fenda entre os dentes e a gengiva e os lábios e as bochechas. O
vestíbulo comunica-se com o exterior através da rima (abertura) da boca. O tamanho da rima é controlado pelos
músculos periorais, como o orbicular da boca (o esfíncter da rima da boca), o bucinador, o risório e os depressores e
elevadores dos lábios (dilatadores da rima).
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A cavidade própria da boca é o espaço entre as arcadas ou arcos dentais maxilar (superior) e mandibular (inferior)
(arcos alveolares maxilar e mandibular e os dentes que sustentam).
É limitada lateral e anteriormente pelos arcos dentais. O teto da cavidade oral é formado pelo palato. Posteriormente,
a cavidade oral comunica-se com a parte oral da faringe (orofaringe). Quando a boca está fechada e em repouso, a
cavidade oral é totalmente ocupada pela língua.
LÁBIOS, BOCHECHAS E GENGIVAS
LÁBIOS
Os lábios são pregas musculofibrosas móveis que circundam a boca, estendendo-se dos sulcos nasolabiais e narinas
lateral e superiormente até o sulco mentolabial inferiormente.
Eles contêm o músculo orbicular da boca e músculos, vasos e nervos dos lábios superior e inferior. Os lábios são
cobertos externamente por pele e internamente por túnica mucosa.
Atuam como as válvulas da rima da boca, contendo o esfíncter (músculo orbicular da boca) que controla a entrada e
a saída da boca e dos sistemas digestório superior e respiratório. Os lábios são usados para apreender o alimento,
sugar líquidos, manter o alimento fora do vestíbulo da boca, produzir a fala e osculação (beijo).
A zona de transição dos lábios (muitas vezes considerada como sendo o próprio lábio), que varia de marrom a
vermelha, continua até a cavidade oral, onde é contínua com a túnica mucosa da boca. Essa membrana cobre a parte
intraoral, vestibular dos lábios.
Os frênulos dos lábios são pregas de margem livre da túnica mucosa na linha mediana, que se estendem da gengiva
vestibular até a túnica mucosa dos lábios superior e inferior; o frênulo que se estende até o lábio superior é maior. Às
vezes há outro frênulo menor situado lateralmente nas regiões vestibulares pré-molares.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 40
IRRIGAÇÃO DO LÁBIO
As artérias labiais superior e inferior, ramos das artérias faciais, anastomosam-se entre si nos lábios para formar um
anel arterial. O pulso dessas artérias pode ser palpado segurando-se levemente o lábio superior ou inferior entre os
dois primeiros dedos. O lábio superior é irrigado por ramos labiais superiores das artérias facial e infraorbital. O lábio
inferior é vascularizado por ramos labiais inferiores das artérias facial e mentual.
O lábio superior é suprido pelos ramos labiais superiores dos nervos infraorbitais (do NC V2), e o lábio inferior é suprido
pelos ramos labiais inferiores dos nervos mentuais (do NC V3).
DRENAGEM LINFÁTICA DO LÁBIO
A linfa do lábio superior e das partes laterais do lábio inferior segue principalmente para os linfonodos
submandibulares, enquanto a linfa da parte medial do lábio inferior segue inicialmente para os linfonodos
submentuais.
BOCHECHAS
As bochechas têm estrutura quase igual à dos lábios, com os quais são contínuas. As bochechas são as paredes móveis
da cavidade oral. Anatomicamente, a face externa das bochechas constitui a região bucal, limitada anteriormente
pelas regiões oral e mentual (lábios e queixo), superiormente pela região zigomática, posteriormente pela região
parotideomassetérica e inferiormente pela margem inferior da mandíbula. A proeminência da bochecha ocorre na
junção das regiões zigomática e bucal. O zigomático subjacente à proeminência e o arco zigomático, que continua
posteriormente, são muitas vezes denominados “osso da bochecha”. Os leigos também consideram as regiões
zigomática e parotideomassetérica como parte da bochecha.
Os principais músculos das bochechas são os bucinadores. Várias pequenas glândulas bucais situam-se entre a túnica
mucosa e os músculos bucinadores. Superficialmente aos músculos bucinadores há coleções encapsuladas de gordura;
esses corpos adiposos da bochecha são proporcionalmente muito maiores em lactentes, provavelmente para reforçar
as bochechas e evitar seu colapso durante a sucção. As bochechas são supridas por ramos bucais da artéria maxilar e
inervadas por ramos bucais do nervo mandibular.
GENGIVA
As gengivas são formadas por tecido fibroso coberto por túnica mucosa.
A gengiva propriamente dita está firmemente presa aos processos alveolares da mandíbula e da maxila e aos colos
dos dentes. As gengivas propriamente ditas adjacentes à língua são as gengivas linguais superior e inferior, e as
gengivas adjacentes aos lábios e às bochechas são as gengivas labial ou bucal maxilar e mandibular, respectivamente.
A gengiva propriamente dita normal é rósea, pontilhada e queratinizada. A túnica mucosa alveolar é normalmente
vermelho-brilhante e não queratinizada.
Os nervos e vasos que suprem a gengiva, o osso alveolar subjacente e o periodonto (que circunda a raiz ou as raízes
de um dente, fixando-o no alvéolo dental) são apresentados na figura a seguir:
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DENTES
As principais funções dos dentes são:
Cortar, reduzir e misturar o alimento à saliva durante a mastigação
Ajudar sua própria sustentação nos alvéolos dentais, auxiliando o desenvolvimento e a proteção dos tecidos
que os sustentam
Participar da articulação (fala conectada distinta).
Os dentes estão inseridos nos alvéolos dentais, são usados na mastigação e ajudam a articulação. Um dente é
identificado e descrito como decíduo (primário) ou permanente (secundário), o tipo de dente e sua proximidade da
linha mediana ou da parte anterior da boca (p. ex., incisivos mediais e laterais; o 1 o molar é anterior ao 2°).
As crianças têm 20 dentes decíduos; os adultos normalmente têm 32 dentes permanentes. As idades habituais da
erupção desses dentes são apresentadas nos quadros a seguir.
Antes da erupção, os dentes em desenvolvimento situam-se nos arcos alveolares como brotos dentais.
ANATOMIA IIANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 42
Os tipos de dentes são identificados por suas características: incisivos, margens cortantes finas; caninos, cones
proeminentes únicos; pré-molares (bicúspides), duas cúspides; e molares, três ou mais cúspides.
A face vestibular (labial ou bucal) de cada dente apresenta-se voltada externamente, e a face lingual está voltada
internamente.
Segundo o uso na prática clínica (odontológica), a face medial de um dente está voltada em direção ao plano mediano
da parte facial do crânio. A face distal está voltada em direção oposta a esse plano; tanto a face mesial quanto a face
distal são superfícies de contato — isto é, superfícies que tocam dentes adjacentes. A superfície mastigatória é a face
oclusal.
PARTES E ESTRUTURAS DOS DENTES
Um dente tem coroa, colo e raiz.
A coroa projeta-se da gengiva.
O colo está situado entre a coroa e a raiz.
A raiz está fixada no alvéolo dental pelo periodonto; o número de raízes varia.
A maior parte do dente é formada por dentina, que é coberta por esmalte sobre a coroa e por cemento sobre a raiz.
A cavidade pulpar contém tecido conectivo, vasos sanguíneos e nervos. O canal da raiz (canal pulpar) dá passagem a
nervos e vasos que entram e saem da cavidade pulpar através do forame do ápice do dente.
Os alvéolos dentais estão nos processos alveolares da maxila e mandíbula; são os elementos ósseos que mais se
modificam durante a vida. Alvéolos adjacentes são separados por septos interalveolares; no alvéolo, as raízes dos
dentes com mais de uma raiz são separadas por septos inter-radiculares.
O osso do alvéolo tem um córtex fino separado dos córtices labial e lingual adjacentes por uma quantidade variável
de osso trabeculado. A parede labial do alvéolo é muito fina sobre os dentes incisivos; o inverso ocorre com os
molares, nos quais a parede lingual é mais fina. Assim, costuma-se fraturar a face labial para extrair os incisivos e a
face lingual, para extrair os molares.
As raízes dos dentes são unidas ao osso do alvéolo por uma suspensão maleável que forma um tipo especial de
articulação fibrosa denominada sindesmose dentoalveolar ou gonfose.
O periodonto (membrana periodontal) é formado por fibras colágenas que se estendem entre o cemento da raiz e o
periósteo do alvéolo. Contém abundantes terminações nervosas táteis, pressorreceptoras, capilares linfáticos e vasos
sanguíneos glomerulares que atuam como amortecimento hidráulico para controlar a pressão mastigatória axial. As
terminações nervosas pressorreceptoras percebem alterações da pressão como estímulos.
VASCULATURA DOS DENTES
As artérias alveolares superior e inferior, ramos da artéria maxilar, suprem os dentes maxilares e mandibulares,
respectivamente.
As veias alveolares com os mesmos nomes e distribuição acompanham as artérias.
Os vasos linfáticos dos dentes e gengivas seguem principalmente para os linfonodos submandibulares.
INERVAÇÃO DOS DENTES
Os nervos que suprem os dentes são ilustrados na imagem a seguir. Os ramos nomeados dos nervos alveolares
superior (NC V2 ) e inferior (NC V3 ) dão origem aos plexos dentais que suprem os dentes maxilares e mandibulares.
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PALATO
O palato forma o teto curvo da boca e o assoalho das cavidades nasais.
Separa a cavidade oral das cavidades nasais e da parte nasal da faringe, a parte da faringe superior ao palato mole.
A face superior (nasal) do palato é coberta por túnica mucosa respiratória, e a face inferior (oral) é coberta por túnica
mucosa oral, densamente povoada por glândulas.
O palato tem duas regiões: o palato duro, anterior, e o palato mole, posterior.
PALATO DURO
O palato duro tem formato de abóbada (côncavo); o espaço é ocupado principalmente pela língua quando está em
repouso. Os dois terços anteriores do palato têm um esqueleto ósseo formado pelos processos palatinos da maxila e
as lâminas horizontais dos palatinos.
A fossa incisiva é uma depressão na linha mediana do palato ósseo posterior aos dentes incisivos centrais, na qual se
abrem os canais incisivos. Os nervos nasopalatinos partem do nariz através de um número variável de canais e forames
incisivos que se abrem na fossa incisiva.
Medial ao 3° dente molar (dente serotino), o forame palatino maior perfura a margem lateral do palato ósseo. Os
vasos e o nervo palatinos maiores emergem desse forame e seguem anteriormente sobre o palato.
Os forames palatinos menores, situados posteriormente ao forame palatino maior, perfuram o processo piramidal do
palatino. Esses forames dão passagem aos nervos e vasos palatinos menores até o palato mole e estruturas adjacentes.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 44
PALATO MOLE
O palato mole é o terço posterior móvel do palato e fica suspenso na margem posterior do palato duro.
O palato mole não tem esqueleto ósseo; mas sua parte aponeurótica anterior é reforçada pela aponeurose palatina,
que se fixa à margem posterior do palato duro. A aponeurose tem a parte anterior espessa e a parte posterior fina, na
qual se funde a uma parte muscular posterior. Na parte posteroinferior o palato mole tem margem livre curva da qual
pende um processo cônico, a úvula.
Durante a deglutição, primeiro o palato mole é tensionado para permitir que a língua seja pressionada contra ele,
levando o bolo alimentar para a parte posterior da boca. Em seguida, o palato mole é elevado posterior e
superiormente contra a parede da faringe, impedindo, assim, a entrada de alimento na cavidade nasal.
Na parte lateral, o palato mole é contínuo com a parede da faringe e é unido à língua e à faringe pelos arcos
palatoglosso e palatofaríngeo, respectivamente. Há algumas papilas gustativas no epitélio que cobre a face oral do
palato mole, a parede posterior da parte oral da faringe e a epiglote.
As fauces são o espaço entre a cavidade e a faringe. O limite superior é o palato mole, o inferior é a língua e o limite
lateral são os pilares das fauces, os arcos palatoglosso e palatofaríngeo. O istmo das fauces é o espaço estreito e curto
que faz a conexão entre a cavidade própria da boca e a parte oral da faringe. O limite anterior do istmo são as pregas
palatoglossas e o limite posterior são as pregas palatofaríngeas.
As tonsilas palatinas, frequentemente denominadas “as tonsilas”, são massas de tecido linfoide, uma de cada lado da
parte oral da faringe. Cada tonsila está localizada em uma fossa (seio) tonsilar, limitada pelos arcos palatoglosso e
palatofaríngeo e pela língua.
ELEMENTOS SUPERFICIAIS DO PALATO
A túnica mucosa do palato duro está firmemente unida ao osso subjacente; logo, injeções submucosas nesse local são
extremamente dolorosas.
A gengiva lingual superior, a parte da gengiva que cobre a face lingual dos dentes e o processo alveolar, é contínua
com a túnica mucosa do palato; portanto, a injeção de um agente anestésico na gengiva de um dente anestesia a
túnica mucosa palatina adjacente.
Profundamente à túnica mucosa há glândulas palatinas secretoras de muco. Os óstios dos ductos dessas glândulas
conferem à túnica mucosa palatina uma aparência ondulada (em casca de laranja). Na linha mediana, posterior aos
dentes incisivos maxilares, está a papila incisiva. Essa elevação da túnica mucosa situa-se diretamente anterior à fossa
incisiva subjacente.
Irradiando-se lateralmente a partir da papila incisiva há várias pregas palatinas transversas paralelas.
Essas pregas ajudam na manipulação do alimento durante a mastigação. Seguindo posteriormente na linha mediana
do palato, a partir da papila incisiva, há uma crista esbranquiçada e estreita, a rafe do palato. Pode apresentar-se
como uma crista na parte anterior e um sulco na parte posterior.A rafe do palato indica o local de fusão dos processos palatinos embrionários (prateleiras palatinas). Você pode sentir
as pregas palatinas transversas e a rafe do palato com a língua.
MÚSCULOS DO PALATO MOLE
O palato mole pode ser elevado de modo a ficar em contato com a parede posterior da faringe. Isso fecha o istmo
faríngeo e exige que a pessoa respire pela boca.
O palato mole também pode ser levado para baixo de modo a ficar em contato com a parte posterior da língua. Isso
fecha o istmo das fauces, de modo que o ar expirado passa pelo nariz (mesmo quando a boca está aberta) e evita que
substâncias na cavidade oral entrem na faringe.
A tensão do palato mole se dá em nível intermediário, de maneira que a língua pode ser empurrada contra ele,
comprimindo o alimento mastigado e impulsionando-o para a faringe, de onde é deglutido.
Os cinco músculos do palato mole originam-se na base do crânio e descem até o palato.
Os músculos do palato mole são:
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A direção de tração do ventre do músculo tensor do véu palatino é modificada em aproximadamente 90° porque seu
tendão usa o hâmulo pterigóideo como uma polia ou tróclea, permitindo a tração horizontal da aponeurose.
VASCULATURA E INERVAÇÃO DO PALATO
O palato tem uma rica vascularização, sendo a principal responsável a artéria palatina maior, um ramo da artéria
palatina descendente, de cada lado. A artéria palatina maior atravessa o forame palatino maior e segue em sentido
anteromedial.
A artéria palatina menor, um ramo menor da artéria palatina descendente, entra no palato através do forame palatino
menor e se anastomosa com a artéria palatina ascendente, um ramo da artéria facial.
As veias do palato são tributárias do plexo venoso pterigóideo.
Os nervos sensitivos do palato são ramos do nervo maxilar (NC V2) originários do gânglio pterigopalatino.
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O nervo palatino maior supre a gengiva, a túnica mucosa e as glândulas da maior parte do palato duro. O nervo
nasopalatino supre a túnica mucosa da parte anterior do palato duro. Os nervos palatinos menores suprem o palato
mole. Os nervos palatinos acompanham as artérias através dos forames palatinos maior e menor, respectivamente.
Com exceção do músculo tensor do véu palatino suprido pelo NC V3 , todos os músculos do palato mole são supridos
através do plexo faríngeo de nervos.
LÍNGUA
A língua é um órgão muscular móvel recoberto por túnica mucosa que pode assumir vários formatos e posições.
Uma parte da língua está situada na cavidade oral e a outra na parte oral da faringe.
As principais funções da língua são articulação (formar palavras durante a fala) e compressão do alimento para a parte
oral da faringe como parte da deglutição. A língua também está associada à mastigação, ao paladar e à limpeza da
boca.
PARTES E FACES DA LÍNGUA
A língua é dividida em raiz, corpo e ápice:
A raiz da língua é a parte posterior fixa que se estende entre a mandíbula, o hioide e a face posterior, quase
vertical, da língua.
O corpo da língua corresponde aproximadamente aos dois terços anteriores, entre a raiz e o ápice.
O ápice (ponta) da língua é a extremidade anterior do corpo, que se apoia sobre os dentes incisivos.
O corpo e o ápice da língua são muito móveis.
A língua tem duas faces:
A face mais extensa, superior e posterior, é o dorso da língua.
A face inferior da língua geralmente descansa sobre o assoalho da boca.
A margem da língua que separa as duas faces está relacionada de cada lado com a gengiva lingual e os dentes laterais.
O dorso da língua é caracterizado por um sulco em forma de V, o sulco terminal da língua, cujo ângulo aponta
posteriormente para o forame cego. Essa pequena depressão, muitas vezes ausente, é o remanescente inativo da
parte proximal do ducto tireoglosso embrionário a partir do qual se desenvolveu a glândula tireoide.
O sulco terminal divide o dorso da língua transversalmente em uma parte pré-sulcal na cavidade própria da boca e
uma parte pós-sulcal na parte oral da faringe.
Um sulco mediano divide a parte anterior da língua em metades direita e esquerda.
A túnica mucosa da parte anterior do dorso da língua é relativamente fina e está bem fixada ao músculo subjacente.
Tem textura áspera por causa de numerosas pequenas papilas linguais:
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Papilas circunvaladas: grandes e com topo plano, situam-se diretamente anteriores ao sulco terminal e são
organizadas em uma fileira em formato de V. São circundadas por depressões circulares profundas, cujas
paredes estão repletas de calículos gustatórios. Os ductos das glândulas serosas da língua abrem-se nas
depressões
Papilas folhadas: pequenas pregas laterais da túnica mucosa lingual. São pouco desenvolvidas nos seres
humanos
Papilas filiformes: longas e numerosas, contêm terminações nervosas aferentes sensíveis ao toque. Essas
projeções cônicas e descamativas são rosa-acinzentadas e estão organizadas em fileiras com formato de V,
paralelas ao sulco terminal, exceto no ápice, onde tendem a se organizar transversalmente
Papilas fungiformes: pontos em formato de cogumelo, rosa ou vermelhos, dispersos entre as papilas
filiformes, porém mais numerosos no ápice e nas margens da língua.
As papilas circunvaladas, folhadas e a maioria das papilas fungiformes contêm receptores gustativos nos calículos
gustatórios.
A túnica mucosa da parte posterior da língua é espessa e livremente móvel. Não tem papilas linguais, mas os nódulos
linfoides subjacentes conferem a essa parte da língua uma aparência irregular, em pedra de calçamento. Os nódulos
linfoides são conhecidos coletivamente como tonsila lingual. A parte faríngea da língua constitui a parede anterior da
parte oral da faringe e só pode ser examinada com um espelho ou pressionando-se a língua para baixo com um
abaixador de língua.
A face inferior da língua é coberta por túnica mucosa fina e transparente. Essa superfície está unida ao assoalho da
boca por uma prega mediana denominada frênulo da língua. O frênulo permite o movimento livre da parte anterior
da língua. De cada lado do frênulo, há uma veia lingual profunda visível através da túnica mucosa fina. Há uma
carúncula (papila) sublingual de cada lado da base do frênulo da língua, que inclui o óstio do ducto submandibular da
glândula salivar submandibular.
MÚSCULOS DA LÍNGUA
A língua é, em essência, massa de músculos coberta principalmente por túnica mucosa.
Como na órbita, é tradicional apresentar descrições das ações dos músculos da língua que atribuem uma ação única a
um músculo específico ou que indicam que determinado movimento é consequência da ação de um único músculo.
Esse enfoque facilita o aprendizado, mas simplifica demais as ações da língua.
Os músculos da língua não atuam isoladamente e alguns músculos realizam várias ações.
Partes de um único músculo podem ter ações independentes e diferentes, até mesmo antagonistas.
Em geral, os músculos extrínsecos modificam a posição da língua e os músculos intrínsecos modificam seu formato.
Os quatro músculos intrínsecos e quatro músculos extrínsecos em cada metade da língua são separados por um septo
da língua fibroso mediano, que se funde posteriormente com a aponeurose lingual.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 48
Músculos extrínsecos da língua
Os músculos extrínsecos da língua (genioglosso, hioglosso, estiloglosso e palatoglosso) originam-se fora da
língua e se fixam a ela.
Eles movimentam principalmente a língua, mas também alteramseu formato.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 49
Músculos intrínsecos da língua
Os músculos longitudinais superior e inferior, transverso e vertical são limitados à língua.
Eles têm suas fixações completamente na língua e não estão fixados a osso.
Os músculos longitudinais superior e inferior atuam juntos para tornar a língua curta e grossa e para retrair a
língua protrusa.
Os músculos transverso e vertical atuam simultaneamente para tornar a língua longa e estreita, o que pode
empurrar a língua contra os dentes incisivos ou protrair a língua com a boca aberta (principalmente ao agir
com a parte posteroinferior do músculo genioglosso).
INERVAÇÃO DA LÍNGUA
Todos os músculos da língua, com exceção do palatoglosso, recebem inervação motora do NC XII, o nervo hipoglosso.
O músculo palatoglosso é um músculo palatino inervado pelo plexo faríngeo.
Para sensibilidade geral (tato e temperatura), a túnica mucosa dos dois terços anteriores da língua é suprida pelo
nervo lingual, um ramo do NC V3.
Para sensibilidade especial (paladar), essa parte da língua, com exceção das papilas circunvaladas, é suprida pelo
nervo corda do tímpano, um ramo do NC VII. O nervo corda do tímpano une-se ao nervo lingual na fossa infratemporal
e segue anteriormente em sua bainha. A mucosa do terço posterior da língua e as papilas circunvaladas são supridas
pelo ramo lingual do nervo glossofaríngeo (NC IX) para sensibilidade geral e especial.
Brotos do nervo laríngeo interno, um ramo do nervo vago (NC X), são responsáveis sobretudo pela sensibilidade geral,
mas também por parte da sensibilidade especial, de uma pequena área da língua imediatamente anterior à epiglote.
Esses nervos basicamente sensitivos também conduzem fibras secretomotoras parassimpáticas para as glândulas
serosas na língua.
Existem quatro sensações básicas de paladar: doce, salgado, ácido e amargo. O sabor doce é detectado no ápice; o
salgado, nas margens laterais; e os sabores ácido e amargo, na parte posterior da língua. Todos os outros “sabores”
descritos por gourmets são olfatórios (odor e aroma).
VASCULATURA DA LÍNGUA
As artérias da língua são derivadas da artéria lingual, que se origina da artéria carótida externa. Ao penetrar na língua,
a artéria lingual segue profundamente ao músculo hioglosso.
As artérias dorsais da língua vascularizam a raiz; as artérias profundas da língua vascularizam o corpo da língua.
As artérias profundas da língua comunicam-se entre si perto do ápice da língua. O septo da língua impede a
comunicação entre as artérias dorsais da língua.
As veias da língua são as veias dorsais da língua, que acompanham a artéria lingual; as veias profundas da língua, que
começam no ápice da língua, seguem em sentido posterior além do frênulo lingual para se unirem à veia sublingual.
Em pessoas idosas, as veias sublinguais costumam ser varicosas (dilatadas e tortuosas). Pode haver drenagem de parte
dessas veias, ou de todas elas, para a VJI, ou isso pode ser feito indiretamente, unindo-se primeiro para formar uma
veia lingual que acompanha a parte inicial da artéria lingual.
DRENAGEM LINFÁTICA DA LÍNGUA
A maior parte da drenagem linfática converge para a drenagem venosa e a acompanha; mas a linfa da extremidade da
língua, do frênulo e da parte central do lábio inferior segue um trajeto independente.
A linfa da língua segue quatro trajetos:
1. A linfa da raiz drena bilateralmente para os linfonodos cervicais profundos superiores
2. A linfa da parte medial do corpo drena bilateral e diretamente para os linfonodos cervicais profundos
inferiores
3. A linfa das partes laterais direita e esquerda do corpo drena para os linfonodos submandibulares ipsolaterais
4. O ápice e o frênulo drenam para os linfonodos submentuais, e a porção medial tem drenagem bilateral.
Toda a linfa da língua acaba drenando para os linfonodos cervicais profundos e chega, via troncos venosos jugulares,
ao sistema venoso nos ângulos venosos direito e esquerdo.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 50
GLÂNDULAS SALIVARES
As glândulas salivares são as parótidas, as submandibulares e as sublinguais. O líquido viscoso transparente, insípido
e inodoro — saliva — secretado por essas glândulas e pelas glândulas mucosas da cavidade oral:
Mantém a túnica mucosa da boca úmida
Lubrifica o alimento durante a mastigação
Inicia a digestão de amidos
Atua como “colutório” intrínseco
É importante na prevenção das cáries dentais e no paladar.
Além das glândulas salivares principais, há pequenas glândulas salivares acessórias dispersas no palato, nos lábios,
nas bochechas, nas tonsilas e na língua.
GLANDULAS PARÓTIDAS
As glândulas parótidas, as maiores dos três pares de glândulas salivares, estão em posição lateral e posterior aos
ramos da mandíbula e aos músculos masseteres, dentro de bainhas fibrosas inflexíveis.
Elas drenam anteriormente através de ductos únicos que entram no vestíbulo da boca diante dos segundos molares
maxilares.
GLÂNDULAS SUBMANDIBULARES
As glândulas submandibulares situam-se ao longo do corpo da mandíbula, parte superior e parte inferior à metade
posterior da mandíbula, e parte superficial e parte profunda ao músculo milo-hióideo.
O ducto submandibular, com cerca de 5 cm, origina-se da parte da glândula situada entre os músculos milo-hióideo
e hioglosso. Seguindo da região lateral para a região medial, o nervo lingual faz uma volta sob o ducto que segue
anteriormente, abrindo-se por meio de um a três óstios em uma pequena papila sublingual ao lado da base do
frênulo da língua.
Os óstios dos ductos submandibulares são visíveis, e pode-se ver o gotejamento da saliva (ou a pulverização
durante o bocejo).
A irrigação arterial das glândulas submandibulares provém das artérias submentuais.
As veias acompanham as artérias.
Os vasos linfáticos das glândulas terminam nos linfonodos cervicais profundos, sobretudo no linfonodo júguloomo-
hióideo.
As glândulas submandibulares são supridas por fibras secretomotoras parassimpáticas pré-ganglionares que são
conduzidas, pelo nervo corda do tímpano, do nervo facial para o nervo lingual, e fazem sinapse com neurónios pós-
ganglionares no gânglio submandibular. As últimas fibras acompanham artérias para chegar à glândula, juntamente
com fibras simpáticas pós-ganglionares vasoconstritoras do gânglio cervical superior.
GLÂNDULAS SUBLINGUAIS
As glândulas sublinguais são as menores e mais profundas glândulas salivares.
Cada glândula amendoada situa-se no assoalho da boca entre a mandíbula e o músculo genioglosso.
As glândulas de cada lado se unem para formar massa em formato de ferradura ao redor do centro de tecido
conectivo do frênulo da língua.
Muitos pequenos ductos sublinguais abrem-se no assoalho da boca ao longo das pregas sublinguais.
A irrigação arterial das glândulas sublinguais é feita pelas artérias sublinguais e submentuais, ramos das artérias
lingual e facial, respectivamente.
Os nervos das glândulas acompanham os nervos da glândula submandibular.
As fibras secretomotoras parassimpáticas pré-ganglionares são conduzidas pelos nervos facial, corda do tímpano e
lingual e fazem sinapse no gânglio submandibular.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 51
FOSSA PTERIGOPALATINA
A fossa pterigopalatina é um pequeno espaço piramidal inferior ao ápice da órbita e medial à fossa infratemporal.
Situa-se entre o processo pterigoide do esfenoide posteriormente e a face posterior arredondada da maxila
anteriormente. A frágil lâmina perpendicular do palatino forma sua parede medial. O teto incompleto da fossa
pterigopalatina é formadopela continuação medial da face infratemporal da asa maior do esfenoide. O assoalho da
fossa pterigopalatina é formado pelo processo piramidal do palatino.
A extremidade maior superior abre-se na parte anterossuperior para a fissura orbital inferior; sua extremidade
inferior estreita-se, continuando como os canais palatinos maior e menor.
A fossa pterigopalatina comunica-se através de muitas passagens, distribuindo e recebendo nervos e vasos que entram
e saem dos principais compartimentos do viscerocrânio.
O conteúdo da fossa pterigopalatina é:
Parte terminal (pterigopalatina ou terceira) da artéria maxilar, as partes iniciais de seus ramos e veias
acompanhantes (tributárias do plexo venoso pterigóideo)
Nervo maxilar (NC V2), ao qual está associado o gânglio pterigopalatino. Ramos originados do gânglio na fossa
são considerados ramos do nervo maxilar
Bainhas neurovasculares dos vasos e nervos e uma matriz adiposa ocupam todo o espaço remanescente.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 52
PARTE PTERIGOPALATINA DA ARTÉRIA MAXILAR
A artéria maxilar, um ramo terminal da artéria carótida externa, segue anteriormente através da fossa infratemporal,
como já foi descrito na anteriormente.
A parte pterigopalatina da artéria maxilar, sua terceira parte (a parte localizada anteriormente ao músculo
pterigóideo lateral), segue medialmente através da fissura pterigomaxilar e entra na fossa pterigopalatina.
A artéria situa-se anteriormente ao gânglio pterigopalatino e dá origem a ramos que acompanham todos os nervos
que entram e saem da fossa, compartilhando os mesmos nomes com muitos.
NERVO MAXILAR
O nervo maxilar segue em sentido anterior através do forame redondo, que entra na parede posterior da fossa.
Na fossa pterigopalatina, o nervo maxilar dá origem ao nervo zigomático, que se divide em nervos zigomaticofacial e
zigomaticotemporal.
Esses nervos emergem do zigomático através dos forames cranianos de mesmo nome e são responsáveis pela
sensibilidade geral na região lateral da bochecha e têmpora.
O nervo zigomaticotemporal também dá origem a um ramo comunicante, que conduz fibras secretomotoras
parassimpáticas pósganglionares até a glândula lacrimal através do nervo lacrimal, até aqui puramente sensitivo, que
é ramo do NC V1.
Enquanto está na fossa pterigopalatina, o nervo maxilar também dá origem aos dois ramos para o gânglio
pterigopalatino (raízes sensitivas do gânglio pterigopalatino) que suspendem o gânglio pterigopalatino
parassimpático na parte superior da fossa pterigopalatina.
Os nervos pterigopalatinos conduzem fibras sensitivas gerais do nervo maxilar, que atravessam o gânglio
pterigopalatino sem fazer sinapse e suprem o nariz, o palato e a faringe.
O nervo maxilar deixa a fossa pterigopalatina através da fissura orbital inferior, depois disso passa a ser conhecido
como nervo infraorbital.
As fibras parassimpáticas para o gânglio pterigopalatino provêm do nervo facial através de seu primeiro ramo, o
nervo petroso maior. Esse nervo une-se ao nervo petroso profundo enquanto atravessa o forame lacerado para formar
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 53
o nervo do canal pterigóideo, que segue anteriormente através desse canal até a fossa pterigopalatina. As fibras
parassimpáticas do nervo petroso maior fazem sinapse no gânglio pterigopalatino.
O nervo petroso profundo é um nervo simpático que se origina do plexo periarterial carótico interno quando a artéria
sai do canal carótico. Conduz fibras pós-ganglionares dos corpos das células nervosas no gânglio simpático cervical
superior até o gânglio pterigopalatino por meio da união do nervo do canal pterigóideo. As fibras não fazem sinapse
no gânglio, mas seguem diretamente através dele até os ramos (do NC V2) originados dele. As fibras simpáticas pós-
ganglionares seguem até as glândulas palatinas e as glândulas mucosas da cavidade nasal e parte superior da faringe.
NARIZ
O nariz é a parte do sistema respiratório situada acima do palato duro, contendo o órgão periférico do olfato.
Inclui a parte externa do nariz e a cavidade nasal, que é dividida em cavidades direita e esquerda pelo septo nasal.
As funções do nariz são olfato, respiração, filtração de poeira, umidificação do ar inspirado, além de recepção e
eliminação de secreções dos seios paranasais e ductos lacrimonasais.
PARTE EXTERNA DO NARIZ
A parte externa do nariz é a parte visível que se projeta da face; seu esqueleto é principalmente cartilagíneo.
O tamanho e o formato dos narizes variam muito, principalmente por causa das diferenças nessas cartilagens.
O dorso do nariz estende-se da raiz até o ápice (ponta) do nariz.
A face inferior do nariz é perfurada por duas aberturas piriformes (L. em forma de pera), as narinas (aberturas nasais
anteriores), que são limitadas lateralmente pelas asas do nariz.
A parte óssea superior do nariz, inclusive sua raiz, é coberta por pele fina.
A pele sobre a parte cartilagínea do nariz é coberta por pele mais espessa, que contém muitas glândulas sebáceas. A
pele estende-se até o vestíbulo do nariz, onde tem um número variável de pelos rígidos (vibrissas). Como geralmente
estão úmidos, esses pelos filtram partículas de poeira do ar que entra na cavidade nasal. A junção da pele e da túnica
mucosa está além da área que tem pelos.
ESQUELETO DO NARIZ
O esqueleto de sustentação do nariz é formado por osso e cartilagem hialina.
A parte óssea do nariz consiste em ossos nasais, processos frontais das maxilas, parte nasal do frontal e sua
espinha nasal, e partes ósseas do septo nasal.
A parte cartilagínea do nariz é formada por cinco cartilagens principais: duas cartilagens laterais, duas
cartilagens alares e uma cartilagem do septo. As cartilagens alares, em forma de U, são livres e móveis; dilatam
ou estreitam as narinas quando há contração dos músculos que atuam sobre o nariz.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 54
SEPTO NASAL
O septo nasal divide a câmara do nariz em duas cavidades nasais.
O septo tem uma parte óssea e uma parte cartilagínea móvel flexível.
Os principais componentes do septo nasal são a lâmina perpendicular do etmoide, o vômer e a cartilagem do septo.
A fina lâmina perpendicular do etmoide, que forma a parte superior do septo nasal, desce a partir da lâmina
cribriforme e continua superiormente a essa lâmina como a crista etmoidal.
O vômer, um osso fino e plano, forma a parte posteroinferior do septo nasal, com alguma contribuição das
cristas nasais da maxila e do palatino.
A cartilagem do septo tem uma articulação do tipo macho e fêmea com as margens do septo ósseo.
CAVIDADES NASAIS
O termo cavidade nasal refere-se a toda a cavidade ou à metade direita ou esquerda, dependendo do contexto.
A entrada da cavidade nasal é anterior, através das narinas. Abre-se posteriormente na parte nasal da faringe através
dos cóanos.
É revestida por túnica mucosa, com exceção do vestíbulo nasal, que é revestido por pele.
A túnica mucosa do nariz está firmemente unida ao periósteo e pericôndrio dos ossos e cartilagens que sustentam o
nariz. É contínua com o revestimento de todas as câmaras com as quais as cavidades nasais se comunicam: a parte
nasal da faringe na parte posterior, os seios paranasais nas partes superior e lateral, e o saco lacrimal e a túnica
conjuntiva na parte superior.
Os dois terços inferiores da túnica mucosa do nariz correspondem à área respiratória e o terço superior é a área
olfatória.
O ar que passa sobre a área respiratória é aquecido e umedecido antes de atravessar o restante das vias respiratórias
superiores até os pulmões. A área olfatória contém o órgão periférico doolfato; a aspiração leva ar até essa área.
LIMITES DAS CAVIDADES NASAIS
As cavidades nasais têm teto, assoalho e paredes medial e lateral.
TETO: é curvo e estreito, com exceção da extremidade posterior, onde o corpo do esfenoide, que é oco, forma o
teto. É dividido em três partes (frontonasal, etmoidal e esfenoidal), nomeadas de acordo com os ossos que formam
cada parte.
ASSOALHO: é mais largo do que o teto e é formado pelos processos palatinos da maxila e pelas lâminas horizontais
do palatino
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 55
PAREDE MEDIAL: é formada pelo septo nasal
PAREDES LATERAIS: são irregulares em razão de três lâminas ósseas, as conchas nasais, que se projetam
inferiormente, como persianas.
CARACTERÍSTICAS DAS CAVIDADES NASAIS
As conchas nasais (superior, média e inferior) curvam-se em sentido inferomedial, pendendo da parede lateral como
persianas ou cortinas curtas.
As conchas ou turbinados de muitos mamíferos (sobretudo de mamíferos corredores e daqueles que vivem em
ambientes hostis) são estruturas muito convolutas, semelhantes a rolos, que oferecem uma grande área de superfície
para troca de calor.
Tanto seres humanos com conchas nasais simples, semelhantes a lâminas, quanto animais com conchas complexas,
têm um recesso ou meato nasal (passagem na cavidade nasal) sob cada formação óssea.
Assim, a cavidade nasal é dividida em cinco passagens: um recesso esfenoetmoidal posterossuperior, três meatos
nasais laterais (superior, médio e inferior) e um meato nasal comum medial, no qual se abrem as quatro passagens
laterais.
A CONCHA NASAL INFERIOR é a mais longa e mais larga das conchas, sendo formada por um osso independente (de
mesmo nome, concha nasal inferior) coberto por uma túnica mucosa que contém grandes espaços vasculares que
aumentam e controlam o calibre da cavidade nasal.
As CONCHAS NASAIS MÉDIA E SUPERIOR são processos mediais do etmoide. A infecção ou irritação da túnica mucosa
pode ocasionar o rápido surgimento de edema, com obstrução de uma ou mais vias nasais daquele lado.
O recesso esfenoetmoidal, situado superoposteriormente à concha nasal superior, recebe a abertura do seio
esfenoidal, uma cavidade cheia de ar no corpo do esfenoide.
O MEATO NASAL SUPERIOR é uma passagem estreita entre as conchas nasais superior e média, no qual se abrem os
seios etmoidais posteriores por meio de um ou mais orifícios.
O MEATO NASAL MÉDIO é mais longo e mais profundo do que o superior. A parte anterossuperior dessa passagem
leva a uma abertura afunilada, o infundíbulo etmoidal, através do qual se comunica com o seio frontal.
A passagem que segue inferiormente de cada seio frontal até o infundíbulo é o ducto frontonasal.
O hiato semilunar é um sulco semicircular no qual se abre o seio frontal.
A bolha etmoidal, uma elevação arredondada superior ao hiato, é visível quando a concha média é removida. A bolha
é formada por células etmoidais médias que formam os seios etmoidais.
O MEATO NASAL INFERIOR é uma passagem horizontal situada em posição inferolateral à concha nasal inferior.
O ducto lacrimonasal, que drena lágrimas do saco lacrimal, abre-se na parte anterior desse meato.
O MEATO NASAL COMUM é a parte medial da cavidade nasal entre as conchas e o septo nasal, no qual se abrem os
recessos laterais e o meato.
VASCULATURA E INERVAÇÃO DO NARIZ
A irrigação arterial das paredes medial e lateral da cavidade nasal tem cinco procedências:
Artéria etmoidal anterior (da artéria oftálmica)
Artéria etmoidal posterior (da artéria oftálmica)
Artéria esfenopalatina (da artéria maxilar)
Artéria palatina maior (da artéria maxilar)
Ramo septal da artéria labial superior (da artéria facial).
As três primeiras artérias dividem-se em ramos lateral e medial (septal).
A artéria palatina maior chega ao septo via canal incisivo através da região anterior do palato duro.
A parte anterior do septo nasal é a sede de um plexo arterial anastomótico do qual participam todas as cinco artérias
que vascularizam o septo (área de Kiesselbach).
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 56
O nariz também recebe sangue da primeira e quinta artérias citadas anteriormente, além de ramos nasais da artéria
infraorbital e ramos nasais laterais da artéria facial.
Um rico plexo venoso submucoso situado profundamente à túnica mucosa do nariz proporciona drenagem venosa do
nariz por meio das veias esfenopalatina, facial e oftálmica.
O plexo venoso é uma parte importante do sistema termorregulador do corpo, trocando calor e aquecendo o ar antes
de entrar nos pulmões.
O sangue venoso do nariz drena principalmente para a veia facial através das veias angular e nasal lateral.
Entretanto, lembre-se de que ele está localizado no “triângulo perigoso” da face em razão das comunicações com o
seio cavernoso (venoso da dura-máter).
Em relação à inervação do nariz, a túnica mucosa do nariz pode ser dividida em partes posteroinferior e
anterossuperior por uma linha oblíqua que atravessa aproximadamente a espinha nasal anterior e o recesso
esfenoetmoidal.
A inervação da região posteroinferior da túnica mucosa do nariz é feita principalmente pelo nervo maxilar,
através do nervo nasopalatino para o septo nasal, e os ramos nasal lateral superior posterior e nasal lateral
inferior do nervo palatino maior até a parede lateral.
A inervação da porção anterossuperior provém do nervo oftálmico (NC V1) através dos nervos etmoidais
anterior e posterior, ramos do nervo nasociliar.
A maior parte do nariz (dorso e ápice) também é suprida pelo nervo oftálmico NC V1 (via nervo infratroclear
e ramo nasal externo do nervo etmoidal anterior)
Mas as asas são supridas pelos ramos nasais do nervo infraorbital (NC V2).
Os nervos olfatórios, associados ao olfato, originam-se de células no epitélio olfatório na parte superior das paredes
lateral e septal da cavidade nasal. Os processos centrais dessas células (que formam o nervo olfatório) atravessam a
lâmina cribriforme e terminam no bulbo olfatório, a expansão rostral do trato olfatório.
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SEIOS PARANASAIS
Os seios paranasais são extensões, cheias de ar, da parte respiratória da cavidade nasal para os seguintes ossos do
crânio: frontal, etmoide, esfenoide e maxila.
São nomeados de acordo com os ossos nos quais estão localizados.
Os seios continuam a invadir o osso adjacente, e extensões acentuadas são comuns nos crânios de idosos.
SEIOS FRONTAIS
Os seios frontais direito e esquerdo estão entre as lâminas externa e interna do frontal, posteriormente aos arcos
superciliares e à raiz do nariz.
Em geral, os seios frontais são detectáveis em crianças até os 7 anos.
Cada seio drena através de um ducto frontonasal para o infundíbulo etmoidal, que se abre no hiato semilunar do
meato nasal médio.
Os seios frontais são inervados por ramos dos nervos supraorbitais (NC V1).
Os seios frontais direito e esquerdo raramente têm tamanhos iguais e, em geral, o septo entre eles não está
totalmente situado no plano mediano.
Variam em tamanho de cerca de 5 mm a grandes espaços que se estendem lateralmente até as asas maiores do
esfenoide.
Muitas vezes um seio frontal tem duas partes: uma parte vertical na escama frontal e uma parte horizontal na parte
orbital do frontal. Uma ou ambas as partes podem ser grandes ou pequenas. Quando a parte supraorbital é grande,
o teto forma o assoalho da fossa anterior do crânio e o assoalho forma o teto da órbita.
CÉLULAS ETMOIDAIS
As células etmoidais são pequenas invaginaçõesda túnica mucosa dos meatos nasais médio e superior para o
etmoide entre a cavidade nasal e a órbita.
Em geral, as células etmoidais não são visíveis em radiografias simples antes de 2 anos de idade, mas são
reconhecíveis em imagens de TC.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 58
As células etmoidais anteriores drenam direta ou indiretamente para o meato nasal médio através do infundíbulo
etmoidal.
As células etmoidais médias abrem-se diretamente no meato médio e às vezes são denominadas “células
bolhosas” porque formam a bolha etmoidal, uma saliência na margem superior do hiato semilunar.
As células etmoidais posteriores abrem-se diretamente no meato superior. As células etmoidais são supridas pelos
ramos etmoidais anterior e posterior dos nervos nasociliares (NC V1).
SEIOS ESFENOIDAIS
Os seios esfenoidais estão localizados no corpo do esfenoide, mas podem estender-se até as asas deste osso.
São divididos de modo desigual e separados por um septo ósseo.
Em razão dessa substancial pneumatização (formação de células aéreas), o corpo do esfenoide é frágil.
Apenas lâminas finas de osso separam os seios de várias estruturas importantes: os nervos ópticos e o quiasma
óptico, a hipófise, as artérias carótidas internas e os seios cavernosos.
Os seios esfenoidais são derivados de uma célula etmoidal posterior que começa a invadir o esfenoide por volta
dos 2 anos de idade. Em algumas pessoas, algumas células etmoidais posteriores invadem o esfenoide, dando
origem a vários seios esfenoidais que se abrem separadamente no recesso esfenoetmoidal.
As artérias etmoidais posteriores e os nervos etmoidais posteriores que acompanham as artérias suprem os seios
esfenoidais.
SEIOS MAXILARES
Os seios maxilares são os maiores seios paranasais.
Ocupam os corpos das maxilas e se comunicam com o meato nasal médio.
O ápice do seio maxilar estende-se em direção ao zigomático e muitas vezes chega até ele
A base do seio maxilar forma a parte inferior da parede lateral da cavidade nasal
O teto do seio maxilar é formado pelo assoalho da órbita
O assoalho do seio maxilar é formado pela parte alveolar da maxila. Muitas vezes as raízes dos dentes
maxilares, sobretudo dos dois primeiros molares, produzem elevações cônicas no assoalho do seio.
Cada seio maxilar drena através de uma ou mais aberturas, o óstio maxilar, para o meato nasal médio da cavidade
nasal por meio do hiato semilunar.
A irrigação arterial do seio maxilar procede principalmente de ramos alveolares superiores da artéria maxilar;
entretanto, ramos das artérias palatinas descendente e maior irrigam o assoalho do seio.
A inervação do seio maxilar é feita pelos nervos alveolares superiores anterior, médio e posterior, que são ramos do
nervo maxilar.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 59
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 60
ANATOMIA DA CABEÇA – QUADROS AZUIS
CRÂNIO
TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO
O TCE é uma importante causa de morte e incapacidade. Suas complicações incluem hemorragia, infecção e lesão do
encéfalo (p. ex., concussão) e dos nervos cranianos. O comprometimento do nível de consciência é a manifestação
mais comum. É responsável por quase 10% das mortes nos Estados Unidos, e cerca de metade das mortes por
traumatismo acometem o encéfalo (Rowland, 2010). Os TCE são mais frequentes em jovens, entre 15 e 24 anos. As
causas de TCE variam, mas destacam-se os acidentes com automóveis e motocicletas.
CEFALEIA E DOR NA FACE
Poucas queixas são mais comuns do que a cefaleia e a dor na face. Embora geralmente sejam benignas e muitas vezes
estejam associadas a tensão, fadiga ou febre baixa, as cefaleias podem indicar um problema intracraniano grave, como
tumor encefálico, hemorragia subaracnóidea ou meningite. A neuralgia é caracterizada por dor intensa, pulsátil ou em
caráter de punhalada no trajeto de um nervo, provocada por lesão desmielinizante. É uma causa comum de dor facial.
Expressões como neuralgia facial descrevem sensações dolorosas difusas. A dor em locais específicos tem nomes como
dor de ouvido (otalgia) e dor de dente (odontalgia). O conhecimento da anatomia clínica da cabeça ajuda a
compreender as causas de cefaleia e dor facial
LESÃO DOS ARCOS SUPERCILIARES
Os arcos superciliares são cristas ósseas relativamente salientes; logo, um golpe neles (p. ex., durante uma luta de
boxe) pode romper a pele e causar sangramento. A contusão da pele ao redor da órbita causa acúmulo de líquido
tecidual e sangue no tecido conjuntivo adjacente, que se deposita na pálpebra superior e ao redor do olho
RUBOR MALAR
Antigamente, o zigomático era denominado osso malar; por conta disso, usa-se o termo clínico rubor malar. Esse
eritema cutâneo que recobre a proeminência zigomática (eminência malar) está associado à elevação da temperatura
que ocorre em algumas doenças, como a tuberculose e o lúpus eritematoso sistêmico (LES)
FRATURAS DA MAXILA E DOS OSSOS ASSOCIADOS
Fratura Le Fort I: uma grande variedade de fraturas horizontais
da maxila, que seguem superiormente ao processo alveolar
maxilar (i. e., às raízes dos dentes), cruza o septo nasal ósseo e
possivelmente as lâminas do processo pterigoide do esfenoide
Fratura Le Fort II: segue das partes posterolaterais dos seios
maxilares (cavidades nas maxilas) em sentido superomedial
através dos forames infraorbitais, lacrimais ou etmoides até a
ponte do nariz. Assim, toda a parte central da face, inclusive o
palato duro e os processos alveolares, é separada do restante
do crânio
Fratura Le Fort III: fratura horizontal que atravessa as fissuras
orbitais superiores, o etmoide e os ossos nasais, e segue em
direção lateral através das asas maiores do esfenoide e das
suturas frontozigomáticas. A fratura concomitante dos arcos
zigomáticos separa a maxila e os zigomáticos do restante do
crânio.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 61
FRATURAS DA MANDÍBULA
Em geral, a fratura da mandíbula é dupla, e frequentemente em lados opostos; assim, se for constatada uma fratura,
deve-se procurar outra. Por exemplo, muitas vezes um golpe forte na mandíbula causa a fratura do colo e do corpo
da mandíbula na região do dente canino oposto. As fraturas do processo coronoide da mandíbula são raras e, de modo
geral, únicas. As fraturas do colo da mandíbula costumam ser transversais e podem estar associadas à luxação da
articulação temporomandibular (ATM) ipsilateral. As fraturas do ângulo da mandíbula geralmente são oblíquas e
podem acometer a cavidade óssea ou o alvéolo do 3 o dente molar. As fraturas do corpo da mandíbula amiúde
atravessam o alvéolo de um dente canino.
REABSORÇÃO DE OSSO ALVEOLAR
A extração de dentes causa reabsorção de osso alveolar na região ou regiões afetadas. Após a perda completa ou
extração dos dentes maxilares, as cavidades do dente começam a ser preenchidas por osso e tem início a reabsorção
do processo alveolar. Do mesmo modo, a extração de dentes mandibulares causa reabsorção óssea. Aos poucos, o
forame mentual aproxima-se da margem superior do corpo da mandíbula. Em alguns casos, os forames mentuais
desaparecem, expondo os nervos mentuais à lesão. A pressão de uma prótese dentária (p. ex., uma dentadura apoiada
sobre um nervo mentual exposto) pode causar dor durante a alimentação. A perda de todos os dentes acarreta a
diminuição da dimensão vertical da face e prognatismo mandibular (sobreoclusão). Também surgem na pele da face
pregas profundas que seguem em sentido posterior a partir dos ângulos da boca
FRATURAS DACALVÁRIA
A convexidade da calvária distribui e, desse modo, geralmente minimiza os efeitos de um golpe sobre a cabeça.
Entretanto, golpes fortes em áreas finas da calvária tendem a produzir fraturas com afundamento, nas quais há
depressão de um fragmento ósseo que comprime e/ou lesa o encéfalo. As fraturas lineares da calvária, o tipo mais
frequente, geralmente ocorrem no ponto de impacto; mas muitas vezes as linhas de fratura se irradiam a partir dele
em duas direções ou mais. Nas fraturas cominutivas, o osso é partido em vários pedaços. Se a área da calvária for
espessa no local de impacto, o osso pode afundar sem fratura; entretanto, pode haver fratura a alguma distância do
local de traumatismo direto, onde a calvária é mais fina. Em uma fratura por contragolpe, a fratura não ocorre no
ponto de impacto, mas sim no lado oposto do crânio.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 62
FACE E COURO CABELUDO
LESÕES DO COURO CABELUDO
Como se originam nas laterais da cabeça, as artérias do couro cabeludo são bem protegidas por tecido conjuntivo
denso e se anastomosam livremente, um couro cabeludo parcialmente descolado pode ser reposicionado com chance
razoável de cicatrização desde que um dos vasos permaneça intacto. Durante uma craniotomia vinculada (remoção
cirúrgica de um segmento da calvária com um retalho de tecidos moles do couro cabeludo para expor a cavidade do
crânio), as incisões geralmente são convexas e voltadas para cima, e a artéria temporal superficial é incluída no retalho
de tecido. Muitas vezes o couro cabeludo propriamente dito, as três primeiras camadas, é considerado clinicamente
como uma única camada porque estas permanecem juntas quando se faz um retalho do couro cabeludo durante a
craniotomia e quando parte do couro cabeludo é arrancada (p. ex., em acidentes de trabalho). Os nervos e vasos do
couro cabeludo entram na parte inferior e ascendem através da segunda camada até a pele. Logo, retalhos de couro
cabeludo com pedículo cirúrgico são feitos de forma que permaneçam fixados inferiormente para preservar os nervos
e vasos, promovendo uma boa cicatrização. As artérias do couro cabeludo levam pouco sangue para a calvária, que é
irrigada basicamente pelas artérias meníngeas médias. Portanto, a perda do couro cabeludo não causa necrose dos
ossos da calvária.
FERIDAS DO COURO CABELUDO
A aponeurose epicrânica é clinicamente importante. Devido à resistência dessa aponeurose, feridas superficiais no
couro cabeludo não se abrem, e as margens da ferida são mantidas juntas. Além disso, não são necessárias suturas
profundas para feridas superficiais, porque a aponeurose epicrânica não permite grande afastamento da pele. As
feridas profundas do couro cabeludo abrem-se muito quando a aponeurose epicrânica é lacerada no plano coronal
por causa da tração dos ventres frontal e occipital do músculo occipitofrontal em direções opostas (anterior e
posteriormente)
INFECÇÕES DO COURO CABELUDO
A camada de tecido conjuntivo frouxo (quarta camada) é a área de perigo do couro cabeludo, porque há fácil
disseminação de pus ou sangue nela. A infecção nessa camada também pode passar para a cavidade do crânio através
de pequenas veias emissárias, que atravessam os forames parietais na calvária, e chegam a estruturas intracranianas
como as meninges. A infecção não passa para o pescoço, porque os ventres occipitais do músculo occipitofrontal
fixam-se ao occipital e às partes mastóideas dos temporais. Também não se dissemina lateralmente além dos arcos
zigomáticos, porque a aponeurose epicrânica é contínua com a fáscia temporal que se fixa a esses arcos. Uma infecção
ou líquido (p. ex., pus ou sangue) pode entrar nas pálpebras e na raiz do nariz porque o músculo occipitofrontal se
insere na pele e na tela subcutânea, e não se fixa ao osso. A pele da pálpebra é a mais fina do corpo e é delicada e
sensível. Em face da natureza frouxa da tela subcutânea nas pálpebras, até mesmo uma lesão relativamente pequena
ou inflamação pode resultar em acúmulo de líquido, que causa edema palpebral. Golpes na região periorbital
geralmente causam lesão dos tecidos moles porque os tecidos são esmagados contra a margem forte e relativamente
saliente. Assim, “olhos roxos” (equimose periorbital) podem ser causados por lesão do couro cabeludo e/ou fronte. A
equimose decorre do extravasamento de sangue para a tela subcutânea e para a pele das pálpebras e regiões
adjacentes.
CEFALEMATOMA
Às vezes, depois de um parto difícil, há sangramento entre o pericrânio (quinta camada do couro cabeludo; e a calvária
do bebê, geralmente sobre um parietal. O sangue fica aprisionado nessa área, causando um cefalematoma. Esse
distúrbio benigno costuma resultar de traumatismo no parto, que rompe várias e pequenas artérias periosteais que
nutrem os ossos da calvária
PARALISIA DOS MÚSCULOS FACIAIS
A lesão do nervo facial (NC VII) ou de seus ramos causa paralisia de alguns ou de todos os músculos faciais no lado
afetado (paralisia de Bell). Há flacidez da área afetada e distorção da expressão facial, que parece passiva ou triste. A
perda do tônus do músculo orbicular do olho causa eversão da pálpebra inferior (afastamento da superfície do bulbo
do olho). Assim, o líquido lacrimal não se espalha sobre a córnea, impedindo a lubrificação adequada, hidratação e
lavagem da superfície da córnea. Isso torna a córnea vulnerável à ulceração. A consequente cicatriz na córnea pode
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 63
comprometer a visão. Se a lesão causar enfraquecimento ou paralisia dos músculos bucinador e orbicular da boca,
haverá acúmulo de alimento no vestíbulo da boca durante a mastigação, em geral exigindo a remoção contínua com
um dedo. Quando os músculos esfíncteres ou dilatadores da boca são afetados, o deslocamento da boca (queda do
ângulo) é causado pela contração sem oposição de músculos faciais contralaterais e pela gravidade, resultando em
gotejamento de alimento e saliva pelo canto da boca. O enfraquecimento dos músculos labiais afeta a fala em virtude
de redução da capacidade de produzir sons labiais (B, M, ou P). As pessoas afetadas não conseguem assobiar nem
tocar um instrumento de sopro. Secam os olhos e a boca com frequência com um lenço para limpar o líquido (lágrimas
e saliva), que escorre da pálpebra e da boca; o líquido e o ato de secar constantemente podem resultar em irritação
cutânea localizada.
NEURALGIA DO TRIGÊMEO
A neuralgia do trigêmeo ou tic doulourex é um distúrbio sensitivo da raiz sensitiva do NC V, mais frequente em pessoas
de meia-idade e idosas. É caracterizada por crises súbitas de golpes excruciantes, semelhantes a faíscas. Um paroxismo
(dor súbita e aguda) pode durar 15 minutos ou mais. A dor pode ser tão intensa que a pessoa treme; daí o termo
comum tique (espasmo). Em alguns casos, a dor é tão intensa que ocorrem alterações psicológicas, causando
depressão e até mesmo tentativas de suicídio. O NC V2 é acometido com maior frequência, depois o NC V3 e, com
menor frequência, o NC V1 . Os paroxismos de dor súbita em caráter de punhalada costumam ser desencadeados ao
tocar a face, escovar os dentes, fazer a barba, beber ou mastigar. Muitas vezes a dor é iniciada tocando-se uma zona
de gatilho mais sensível, que frequentemente está localizada em torno da ponta do nariz ou na bochecha (Haines,
2006). Na neuralgia do trigêmeo há desmielinização de axônios na raiz sensitiva. Na maioria dos casos isso é causado
por pressão de uma pequena artéria aberrante (Kiernan, 2008). Amiúde, quando a artéria aberrante é afastada da raiz
sensitiva do nervo V, os sintomas desaparecem. Outros pesquisadores acreditam que o distúrbio seja causado por
uma doença que afeta os neurônios no gânglio trigeminal. A dor é aliviada com tratamentoclínico ou cirúrgico, ou
ambos. Quando há acometimento do NC V2 , foram feitas tentativas para bloquear o nervo infraorbital no forame
infraorbital com o uso de álcool. Em geral, esse tratamento causa alívio temporário da dor. O procedimento cirúrgico
mais simples é a avulsão ou secção dos ramos do nervo no forame infraorbital. Outros tratamentos empregaram
ablação seletiva por radio-frequência de partes do gânglio trigeminal por um eletrodo de agulha que atravessa a
bochecha e o forame oval. Em alguns casos, é necessário seccionar a raiz sensitiva para obter alívio da dor. Para evitar
a regeneração de fibras nervosas, a raiz sensitiva do nervo trigêmeo pode ser parcialmente seccionada entre o gânglio
e o tronco encefálico (rizotomia). Embora os axônios possam se regenerar, isso não ocorre no tronco encefálico. Os
cirurgiões tentam distinguir e seccionar apenas as fibras sensitivas para a divisão do NC V envolvido. O mesmo
resultado pode ser obtido por secção do trato espinal do NC V (tratotomia). Depois dessa cirurgia, há perda da
sensibilidade à dor, temperatura e tato simples (leve) na área de pele e mucosa suprida pelo componente afetado do
NC V. Essa perda de sensibilidade perturba o paciente, que não reconhece a presença de alimento no lábio e na
bochecha ou pode não senti-lo na boca no lado da secção do nervo, mas essas incapacidades geralmente são
preferíveis à dor excruciante.
HERPES-ZÓSTER DO GÂNGLIO TRIGEMINAL
A infecção pelo vírus herpes-zóster pode lesar os gânglios cranianos. O acometimento do gânglio trigeminal ocorre
em cerca de 20% dos casos (Bernardini, 2010). A infecção é caracterizada pela erupção de grupos de vesículas que
seguem o trajeto do nervo afetado (p. ex., herpes-zóster oftálmico). Qualquer divisão do NC V pode ser acometida,
mas a divisão oftálmica é afetada com maior frequência. Em geral há acometimento da córnea, o que frequentemente
resulta em ulceração corneana dolorosa e subsequente fibrose da córnea.
LESÕES DO NERVO FACIAL
A lesão dos ramos do nervo facial causa paralisia dos músculos faciais (paralisia de Bell), com ou sem perda do paladar
nos dois terços anteriores da língua ou alteração da secreção das glândulas lacrimais e salivares. As lesões perto da
origem do NC VII na ponte do encéfalo ou proximais à origem do nervo petroso maior (na região do gânglio geniculado)
resultam em perda das funções motora, gustatória e autônoma. As lesões distais ao gânglio geniculado, mas proximais
à origem do nervo corda do tímpano, produzem a mesma disfunção, exceto pelo fato de não haver comprometimento
da secreção lacrimal. As lesões perto do forame estilomastóideo causam apenas perda da função motora (isto é,
paralisia facial). A paralisia do nervo facial tem muitas causas. A causa atraumática mais comum é a inflamação do
nervo facial perto do forame estilomastóideo, não raro em virtude de uma infecção viral. Isso causa edema e
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 64
compressão do nervo no canal facial. A lesão do nervo facial pode ser ocasionada pela fratura do temporal; a paralisia
facial é evidente logo após a lesão. No caso de secção total do nervo, as chances de recuperação plena, ou mesmo
parcial, são remotas. De modo geral, há melhora do movimento muscular quando a lesão do nervo é causada por
traumatismo craniano contundente; mas a recuperação pode não ser completa (Rowland, 2010). A paralisia do nervo
facial pode ser idiopática (sem causa conhecida), mas não raro sucede a exposição ao frio, como ocorre ao andar de
carro ou dormir com a janela aberta. A paralisia facial pode ser uma complicação cirúrgica; logo, é imprescindível
identificar o nervo facial e seus ramos durante a cirurgia (p. ex., na parotidectomia, retirada de uma glândula parótida).
O nervo facial é mais evidente quando emerge do forame estilomastóideo; se necessário, pode ser usada estimulação
elétrica para confirmação. A paralisia do nervo facial também pode estar associada a manipulação dentária, vacinação,
gravidez, infecção por HIV, doença de Lyme (distúrbio inflamatório que causa cefaleia e rigidez de nuca) e infecções
da orelha média (otite média). Como os ramos do nervo facial são superficiais, estão sujeitos a lesão por instrumentos
perfurocontundentes e por projéteis de arma de fogo, cortes e tocotraumatismo
Uma lesão do ramo zigomático do NC VII causa paralisia, inclusive perda do tônus do músculo orbicular do
olho na pálpebra inferior
A paralisia do ramo bucal do NC VII causa paralisia do músculo bucinador e da porção superior dos músculos
orbicular da boca e do lábio superior
Pode haver paralisia do ramo marginal da mandíbula do NC VII quando é feita uma incisão ao longo da margem
inferior da mandíbula. A lesão desse ramo (p. ex., durante uma cirurgia da glândula submandibular) causa
paralisia da parte inferior dos músculos orbicular da boca e do lábio inferior
COMPRESSÃO DA ARTÉRIA FACIAL
A artéria facial pode ser ocluída por pressão contra a mandíbula no local de cruzamento. Em face das numerosas
anastomoses entre os ramos da artéria facial e outras artérias da face, a compressão da artéria facial de um lado não
interrompe todo o sangramento no caso de laceração da artéria facial ou de um de seus ramos. Nas lacerações do
lábio, deve-se aplicar pressão nos dois lados do corte para interromper o sangramento. Em geral, as feridas da face
sangram livremente e cicatrizam rápido.
LACERAÇÕES DO COURO CABELUDO
As lacerações do couro cabeludo são o tipo mais comum de traumatismo craniano que exige cuidados cirúrgicos. Essas
feridas sangram abundantemente porque as artérias que entram na periferia do couro cabeludo sangram pelas duas
extremidades em razão das anastomoses abundantes. As artérias não se retraem quando laceradas porque são
mantidas abertas pelo tecido conjuntivo denso presente na segunda camada do couro cabeludo. Espasmos do músculo
occipitofrontal podem aumentar o afastamento das margens das feridas no couro cabeludo. O sangramento das
lacerações do couro cabeludo pode ser fatal se não for controlado (p. ex., por suturas).
CARCINOMA ESPINOCELULAR DO LÁBIO
O carcinoma (câncer) espinocelular do lábio geralmente ocorre no lábio inferior. A exposição excessiva à luz solar
durante muitos anos é um fator comum nesses casos. A irritação crônica causada pelo hábito de fumar cachimbo
também contribui. As células cancerosas da parte central do lábio inferior, do assoalho da boca e do ápice da língua
disseminam-se para os linfonodos submentuais, enquanto as células cancerosas de partes laterais do lábio inferior
drenam para os linfonodos submandibulares.
CAVIDADE DO CRÂNIO E MENINGES
FRATURA DO PTÉRIO
A fratura do ptério pode ser fatal porque ele está sobre os ramos frontais dos vasos meníngeos médios, situados em
sulcos na face interna da parede lateral da calvária. O ptério está situado dois dedos acima do arco zigomático e um
polegar posterior ao processo frontal do zigomático. Um golpe forte na região lateral da cabeça pode causar fratura
dos ossos finos que formam o ptério, produzindo ruptura do ramo frontal da artéria ou veia meníngea média que cruza
o ptério. O hematoma resultante exerce pressão sobre o córtex cerebral subjacente. A hemorragia do vaso meníngeo
médio não tratada pode causar morte em algumas horas.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 65
TROMBOFLEBITE DA VEIA FACIAL
A veia facial faz conexões clinicamente importantes com o seio cavernoso através da veia oftálmica superior, e o plexo
venoso pterigóideo através das veias oftálmica inferior e facial profunda. Em razão dessas conexões, a infecção da face
pode propagar-se para o seio cavernoso e o plexo venoso pterigóideo. Em geral, o sangue do ângulo medial do olho,
nariz e lábios drena inferiormentepela veia facial, sobretudo quando a pessoa está em posição ortostática. Como a
veia facial não tem válvulas, o sangue pode atravessá-la na direção oposta. Consequentemente, o sangue venoso da
face pode entrar no seio cavernoso. Em indivíduos com tromboflebite da veia facial — inflamação da veia facial com
formação secundária de trombos —, fragmentos de um coágulo infectado podem estenderse para o sistema venoso
intracraniano e causar tromboflebite do seio cavernoso. A infecção das veias faciais que se disseminam para os seios
venosos da dura-máter pode ser provocada por lacerações do nariz ou pela expressão de pústulas (espinhas) na lateral
do nariz e no lábio superior. Consequentemente, a área triangular do lábio superior até a ponte do nariz é considerada
o triângulo perigoso da face
TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO NÃO PENETRANTE
Um golpe na cabeça pode descolar a camada periosteal da dura-máter da calvária sem fratura dos ossos do crânio. Na
base do crânio, as duas camadas da dura-máter estão firmemente fixadas e é difícil separá-las dos ossos. Assim, uma
fratura da base do crânio geralmente rompe a dura-máter e causa extravasamento de LCS. A parte mais interna da
dura-máter, a camada celular da margem dural, é formada por fibroblastos achatados que são separados por grandes
espaços extracelulares. Essa camada constitui um plano de fraqueza estrutural na junção da dura-máter com a
aracnoidemáter
HERNIAÇÃO TRANSTENTORIAL
A incisura do tentório é a abertura no tentório do cerebelo para o tronco encefálico e é pouco maior do que o
necessário para acomodar o mesencéfalo. Portanto, lesões expansivas, como tumores no compartimento
supratentorial, elevam a pressão intracraniana e podem provocar herniação de parte do lobo temporal do encéfalo
adjacente através da incisura do tentório. Durante a herniação transtentorial, o lobo temporal pode ser lacerado pelo
tentório do cerebelo, rijo, e o nervo oculomotor (NC III) pode sofrer distensão, compressão ou ambas. As lesões
oculomotoras podem causar paralisia dos músculos extrínsecos do bulbo do olho supridos pelo NC III.
ABAULAMENTO DO DIAFRAGMA DA SELA
Os tumores hipofisários podem estender-se superiormente através da abertura no diafragma da sela ou causar seu
abaulamento. Muitas vezes esses tumores expandem o diafragma da sela, o que provoca distúrbios da função
endócrina cedo ou tarde (i. e., antes ou depois do aumento do diafragma da sela). A extensão superior de um tumor
pode ocasionar sintomas visuais em razão da pressão sobre o quiasma óptico, o local de cruzamento das fibras
nervosas ópticas
OCLUSÃO DAS VEIAS CEREBRAIS E DOS SEIOS VENOSOS DA DURA-MÁTER
A oclusão das veias cerebrais e dos seios venosos da dura-máter pode ser causada por trombos, tromboflebite
(inflamação venosa) ou tumores (p. ex., meningiomas). Os seios venosos da dura-máter que sofrem trombose com
maior frequência são os seios transverso, cavernoso e sagital superior (Fishman, 2010b). As veias faciais fazem
conexões clinicamente importantes com o seio cavernoso através das veias oftálmicas superiores. A trombose do seio
cavernoso geralmente é causada por infecções na órbita, seios nasais e parte superior da face. Em pessoas com
tromboflebite da veia facial, fragmentos de um trombo infectado podem entrar no seio cavernoso, causando
tromboflebite do seio cavernoso. Em geral, a infecção inicial acomete apenas um seio, mas pode disseminar-se para o
lado oposto através dos seios intercavernosos. A tromboflebite do seio cavernoso pode afetar o nervo abducente
enquanto atravessa o seio e também pode afetar os nervos inseridos na parede lateral do seio. Muitas vezes a
trombose séptica do seio cavernoso resulta no desenvolvimento de meningite aguda.
METÁSTASE DE CÉLULAS TUMORAIS PARA OS SEIOS VENOSOS DA DURA-MÁTER
O plexo basilar e o seio occipital comunicam-se com os plexos venosos vertebrais internos através do forame magno.
Como esses canais venosos não têm válvulas, a compressão do tórax, abdome ou pelve, como ocorre ao tossir forte e
no esforço, pode forçar a passagem do sangue venoso dessas regiões para o sistema venoso vertebral interno, e dele
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 66
para os seios venosos da dura-máter. Logo, o pus presente nos abscessos e as células tumorais nessas regiões podem
disseminar-se para as vértebras e o encéfalo.
FRATURAS DA BASE DO CRÂNIO
As fraturas da base do crânio podem causar ruptura da artéria carótida interna, com consequente fístula arteriovenosa
no seio cavernoso. O sangue arterial flui para o seio cavernoso, aumentando-o e forçando o fluxo sanguíneo retrógrado
para suas tributárias venosas, principalmente as veias oftálmicas. Assim, há protrusão do bulbo do olho (exoftalmia)
e ingurgitamento da conjuntiva (quemose). O bulbo do olho protruso pulsa em sincronia com o pulso radial, um
fenômeno conhecido como exoftalmia pulsátil. Como NC III, NC IV, NC V1, NC V2 e NC VI situam-se dentro ou perto
da parede lateral do seio cavernoso, esses nervos também podem ser afetados quando há lesão do seio
LEPTOMENINGITE
A leptomeningite é uma inflamação das leptomeninges (aracnoide-máter e pia-máter) causada por microrganismos
patogênicos. A infecção e a inflamação geralmente são limitadas ao espaço subaracnóideo e à aracnoide-máter e
piamáter (Jubelt, 2005). As bactérias podem entrar no espaço subaracnóideo através do sangue (septicemia) ou se
disseminar a partir de uma infecção do coração, dos pulmões ou de outras vísceras. Os microrganismos também
podem entrar no espaço subaracnóideo a partir de uma fratura exposta do crânio ou de uma fratura dos seios
paranasais. A meningite purulenta aguda pode ser causada por praticamente qualquer bactéria patogênica (p. ex.,
meningite meningocócica)
TRAUMATISMOS CRANIANOS E HEMORRAGIA INTRACRANIANA
A hemorragia extradural (epidural) tem origem arterial. O sangue dos ramos rotos de uma artéria meníngea média
acumula-se entre a camada periosteal externa da dura-máter e a calvária. O sangue extravasado separa a dura-máter
do crânio. Em geral, isso se deve a um golpe forte na cabeça com formação de um hematoma extradural (epidural).
Tipicamente, há concussão (perda da consciência) breve, seguida por um intervalo de algumas horas de lucidez. Mais
tarde, há sonolência e coma. A compressão do encéfalo ocorre quando a massa de sangue aumenta, exigindo
evacuação do sangue e oclusão do(s) vaso(s) hemorrágico(s). Um hematoma da margem dural é comumente
denominado hematoma subdural; entretanto, esse nome é errado porque não há espaço natural na junção da dura-
máter com a aracnoide-máter. Os hematomas nessa junção geralmente são causados por sangue extravasado que
separa a lâmina de células da margem dural (Haines, 2006). O sangue não se acumula em um espaço preexistente,
mas cria um espaço na junção dura-máter com a aracnoide-máter (Haines, 2006). A hemorragia da margem dural
geralmente sucede um forte golpe na cabeça que balança o encéfalo dentro do crânio e causa lesão. O traumatismo
precipitante pode ser trivial ou esquecido. A hemorragia da margem dural tem origem geralmente venosa e costuma
resultar da ruptura de uma veia cerebral superior quando entra no seio sagital superior (Haines et al., 1993). A
hemorragia subaracnóidea é um extravasamento de sangue, geralmente arterial, para o espaço subaracnóideo. A
maioria das hemorragias subaracnóideas resulta da ruptura de um aneurisma sacular (dilatação saciforme da parede
de uma artéria), como um aneurisma da artéria carótida interna. Algumas hemorragias subaracnóideas estão
associadas a traumatismo craniano que causa fraturas do crânio e lacerações cerebrais. A hemorragia para o espaço
subaracnóideo resulta em irritação meníngea, cefaleia intensa, rigidez cervical e, muitas vezes, perda da consciência.
ANATOMIA IIANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 67
ENCÉFALO
LESÕES CEREBRAIS
Concussão cerebral é a perda da consciência súbita e de curta duração que ocorre logo depois de um traumatismo
craniano significativo. A perda da consciência pode durar alguns segundos, como ocorre na maioria dos nocautes em
uma luta de boxe. Em uma lesão mais grave, como em um acidente automobilístico, pode durar horas e até mesmo
dias. Quando a consciência é recuperada em 6 horas, o prognóstico a longo prazo é excelente (Rowland, 2010). Se o
coma durar mais de 6 horas, geralmente há lesão do tecido encefálico. Nos pugilistas profissionais é bem maior o risco
de encefalopatia traumática crônica, ou “demência pugilística”, uma lesão encefálica caracterizada por fraqueza nos
membros inferiores, marcha instável, lentidão dos movimentos musculares, tremores das mãos, hesitação da fala e
raciocínio lento. As lesões encefálicas resultam da aceleração e desaceleração da cabeça, que causam ruptura ou
distensão dos axônios (lesão axonal difusa). A súbita interrupção do movimento da cabeça provoca a colisão do
encéfalo com o crânio subitamente imóvel. Às vezes há concussão sem perda de consciência. Isso não significa que a
situação seja menos grave. Mais de 90% dos traumatismos cranianos são lesões encefálicas traumáticas leves. A
contusão cerebral resulta de traumatismo no qual a pia-máter é arrancada da superfície lesada do encéfalo e pode se
romper, permitindo a entrada de sangue no espaço subaracnóideo. A equimose é causada pelo impacto do encéfalo
ainda em movimento contra o crânio que para subitamente, ou pelo impacto do crânio, que se movimenta
abruptamente, contra o encéfalo ainda imóvel. A contusão cerebral pode ocasionar a perda prolongada da
consciência, mas se não houver lesão axonal difusa, edema encefálico ou hemorragia secundária, a recuperação da
contusão pode ser excelente (Rowland, 2010). As lacerações cerebrais estão frequentemente associadas a fraturas do
crânio com afundamento ou a feridas por projéteis de armas de fogo. Há ruptura dos vasos sanguíneos e hemorragia
no encéfalo e no espaço subaracnóideo, o que aumenta a pressão intracraniana e resulta em compressão cerebral. A
compressão cerebral pode ser causada por:
Coleções de sangue intracranianas
Obstrução da circulação ou absorção do LCS
Tumores ou abscessos intracranianos
Edema cerebral, ou seja, aumento do volume encefálico decorrente de aumento do conteúdo de água e sódio
(Fishman, 2010a)
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 68
PUNÇÃO DA CISTERNA
O LCS pode ser retirado da cisterna cerebelobulbar posterior, por meio de punção da cisterna, para fins diagnósticos
ou terapêuticos. A cisterna cerebelobulbar é o local de escolha em lactentes e crianças pequenas; a cisterna lombar é
mais usada em adultos. A agulha é introduzida com cuidado na cisterna através da membrana atlantoccipital posterior.
Também se pode penetrar no espaço subaracnóideo ou no sistema ventricular para medir ou monitorar a pressão do
LCS, injetar antibióticos ou administrar contraste para obtenção de imagens.
HIDROCEFALIA
A produção excessiva de LCS, a obstrução ao fluxo do LCS ou a interferência com a absorção de LCS têm como
consequência o excesso de líquido nos ventrículos cerebrais e aumento da cabeça, um distúrbio denominado
hidrocefalia obstrutiva. O excesso de LCS dilata os ventrículos, adelgaça o córtex cerebral e separa os ossos da calvária
em lactentes. Embora possa ocorrer em qualquer lugar, a obstrução geralmente se dá no aqueduto do mesencéfalo
ou em um forame interventricular. A estenose do aqueduto pode ser causada por um tumor adjacente no mesencéfalo
ou por resíduos celulares após hemorragia intraventricular ou infecções bacterianas e fúngicas do sistema nervoso
central (Corbett et al., 2006). A obstrução à circulação de LCS ocasiona dilatação dos ventrículos acima do ponto de
obstrução e compressão dos hemisférios cerebrais. O encéfalo é comprimido entre o líquido ventricular e os ossos da
calvária. Em lactentes, a pressão interna resulta em expansão do encéfalo e da calvária porque as suturas e os
fontículos ainda estão abertos. É possível produzir um sistema de drenagem artificial para contornar o bloqueio e
permitir a saída de LCS, assim reduzindo os danos encefálicos. Na hidrocefalia comunicante, não há comprometimento
do fluxo de LCS através dos ventrículos e para o espaço subaracnóideo; entretanto, há obstrução parcial ou completa
ao deslocamento de LCS desse espaço para o sistema venoso. O bloqueio pode ser causado pela ausência congênita
de granulações aracnóideas, ou pode haver obstrução das granulações por hemácias em virtude de hemorragia
subaracnóidea.
EXTRAVASAMENTO DE LÍQUIDO CEREBROSPINAL
As fraturas no assoalho da fossa média do crânio podem causar a saída de LCS pelo meato acústico externo (otorreia
liquórica) se houver laceração das meninges acima da orelha média e ruptura da membrana timpânica. As fraturas no
assoalho da fossa anterior do crânio podem acometer a lâmina cribriforme do etmoide, resultando em perda de LCS
através do nariz (rinorreia liquórica). O LCS pode ser distinguido do muco pela dosagem do nível de glicose; o nível de
glicose do LCS reflete o nível sanguíneo. A otorreia e a rinorreia liquóricas podem ser os sinais primários de uma fratura
da base do crânio e aumentam o risco de meningite porque poderia haver disseminação da infecção da orelha ou do
nariz para as meninges (Rowland, 2010)
ANASTOMOSES DAS ARTÉRIAS CEREBRAIS E EMBOLIA CEREBRAL
Os ramos das três artérias cerebrais anastomosam-se na superfície do encéfalo; entretanto, se uma artéria cerebral
for obstruída por embolia cerebral (p. ex., um coágulo sanguíneo), essas anastomoses microscópicas não conseguem
prover sangue suficiente para a área do córtex cerebral implicada. Consequentemente, há isquemia e infarto cerebrais
e surge uma área de necrose. Grandes êmbolos cerebrais que ocluem os principais vasos cerebrais podem causar
graves problemas neurológicos e morte
ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS
O acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico é a ocorrência súbita de déficits neurológicos focais que geralmente
estão relacionados à diminuição do fluxo sanguíneo cerebral. Um AVC isquêmico geralmente é causado por embolia
em uma artéria cerebral calibrosa. Os AVC são os distúrbios neurológicos mais comuns em adultos nos Estados Unidos
(Elkind, 2010); na maioria das vezes são incapacitantes, e não fatais. A principal característica de um AVC é o início
súbito de sintomas neurológicos. O círculo arterial do cérebro é um importante recurso para a circulação colateral no
caso de obstrução gradual de uma das principais artérias que formam o círculo. A oclusão súbita, mesmo que apenas
parcial, acarreta déficits neurológicos. Em pessoas idosas, muitas vezes as anastomoses do círculo arterial são
inadequadas quando há oclusão de uma grande artéria (p. ex., a artéria carótida interna), mesmo que a oclusão seja
gradual (quando há algum comprometimento funcional). Os AVC espontâneos, como trombose cerebral, hemorragia
cerebral, embolia cerebral e hemorragia subaracnóidea (Rowland, 2010), são os mais comuns. O AVC hemorrágico
sucede a ruptura de uma artéria ou de um aneurisma sacular, a dilatação saciforme de uma parte fraca da parede
arterial. O tipo mais comum de aneurisma sacular ocorre nos vasos do círculo arterial do cérebro ou próximo a ele e
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 69
nas artérias médias na base do encéfalo. Os aneurismas também ocorrem na bifurcação da artéria basilar em artérias
cerebrais posteriores.
INFARTO CEREBRAL
Uma placa aterosclerótica no ângulo de uma artéria (p. ex., na bifurcação de uma artéria carótida comum)resulta em
estreitamento progressivo (estenose) da artéria, o que causa déficits neurológicos cada vez mais intensos. Um êmbolo
separa-se da placa e é conduzido pelo sangue até se alojar em uma artéria, geralmente um ramo intracraniano
pequeno demais para permitir sua passagem. Isso geralmente resulta em infarto cortical agudo, a escassez súbita de
sangue arterial para o encéfalo (p. ex., dos lobos parietais esquerdos). A interrupção da vascularização por 30 segundos
altera o metabolismo encefálico da pessoa. Depois de 1 a 2 minutos, pode haver perda da função neural; depois de 5
minutos, a ausência de oxigênio (anoxia) pode acarretar infarto cerebral. A rápida restauração de oxigênio para a
vascularização pode reverter a lesão encefálica
ATAQUES ISQUÊMICOS TRANSITÓRIOS
Os ataques isquêmicos transitórios (AIT) são manifestações neurológicas causadas por isquemia. A maioria dos AIT
dura apenas alguns minutos, mas alguns persistem por até uma hora. Na estenose carotídea ou vertebrobasilar, o AIT
tende a durar mais e causa o fechamento distal dos vasos intracranianos. Os sinais e sintomas de AIT podem ser
ambíguos: marcha cambaleante, tonteira, sensação de desmaio, síncope e parestesias. As pessoas com AIT correm
maior risco de infarto do miocárdio e AVC isquêmico (Brust, 2010)
REGIÕES PAROTIDEOMASSETÉRICA E TEMPORAL, FOSSA INFRATEMPORAL
E ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
PAROTIDECTOMIA
Cerca de 80% dos tumores das glândulas salivares ocorrem nas glândulas parótidas. A maioria dos tumores das
glândulas parótidas é benigna, mas a maioria dos cânceres das glândulas salivares começa na glândula parótida. A
excisão cirúrgica da glândula parótida (parotidectomia) frequentemente é realizada como parte do tratamento. Como
o plexo intraparotídeo do NC VII está inserido na glândula parótida, o plexo e seus ramos correm risco durante a
cirurgia. Uma etapa importante na parotidectomia é a identificação, dissecção, isolamento e preservação do nervo
facial. Uma parte superficial da glândula (amiúde denominada erroneamente como “lobo”) é removida e depois o
plexo intraparotídeo, que ocupa um plano distinto na glândula, pode ser retraído para permitir a dissecção da parte
profunda da glândula. A glândula parótida contribui muito para o contorno posterolateral da face, sendo a extensão
de sua contribuição especialmente evidente após a remoção cirúrgica.
INFECÇÃO DA GLÂNDULA PARÓTIDA
A glândula parótida pode ser infectada por agentes infecciosos levados pela corrente sanguínea, como ocorre na
parotidite epidêmica (caxumba), uma doença viral aguda contagiosa. A infecção da glândula causa inflamação
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 70
(parotidite) e edema. Há dor intensa porque a fáscia parotídea limita o edema. Muitas vezes a dor é mais intensa
durante a mastigação, porque a glândula aumentada está situada ao redor da margem posterior do ramo da
mandíbula e é comprimida contra o processo mastoide do temporal quando a boca é aberta. O vírus da parotidite
epidêmica também pode causar inflamação do ducto parotídeo, provocando eritema da papila parotídea, a pequena
projeção na abertura do ducto para a parte superior do vestíbulo da boca. Como a dor causada na parotidite epidêmica
pode ser confundida com dor de dente, o eritema da papila frequentemente é um sinal precoce de que a doença
acomete a glândula parótida e não um dente.
A doença da glândula parótida frequentemente causa dor na orelha e no meato acústico externo, na região temporal
e na ATM porque o nervo auriculotemporal e os nervos auriculares magnos, dos quais a glândula parótida e a bainha
recebem fibras sensitivas, também enviam fibras sensitivas para a pele sobre a fossa temporal e a orelha.
ABSCESSO NA GLÂNDULA PARÓTIDA
A infecção bacteriana localizada na glândula parótida geralmente causa abscesso. A infecção poderia resultar de
péssima higiene dentária e se disseminar para a glândula pelos ductos parotídeos. Os médicos e dentistas precisam
determinar se um edema da bochecha é causado por infecção da glândula parótida ou por um abscesso dentário.
SIALOGRAFIA DO DUCTO PAROTÍDEO
Um líquido radiopaco pode ser injetado no sistema ductal da glândula parótida por intermédio de uma cânula inserida
através da abertura do ducto parotídeo na mucosa da bochecha. Essa técnica (sialografia) é seguida por radiografia da
glândula. As sialografias parotídeas mostram partes do sistema do ducto parotídeo que podem ser deslocadas ou
dilatadas por doença.
OBSTRUÇÃO DO DUCTO PAROTÍDEO
O ducto parotídeo pode ser obstruído por um depósito calcificado, denominado sialólito ou cálculo. A consequente
dor na parótida é agravada pela ingestão de alimento. A sucção de uma fatia de limão causa dor em face do acúmulo
de saliva na parte proximal do ducto obstruído.
GLÂNDULA PARÓTIDA ACESSÓRIA
Às vezes há uma glândula parótida acessória sobre o músculo masseter, entre o ducto parotídeo e o arco zigomático.
Vários ductos se abrem dessa glândula acessória para o ducto parotídeo.
BLOQUEIO DO NERVO MANDIBULAR
O bloqueio do nervo mandibular exige a injeção de um anestésico perto do nervo mandibular, no local de entrada na
fossa infratemporal. No acesso extraoral, a agulha atravessa a incisura mandibular do ramo da mandíbula até a fossa
infratemporal. A injeção geralmente anestesia os ramos auriculotemporal, alveolar inferior, lingual e bucal do NC V3.
Bloqueio do nervo alveolar inferior O bloqueio do nervo alveolar inferior anestesia o nervo alveolar inferior, um ramo
do NC V3. O anestésico é injetado ao redor do forame mandibular, a abertura para o canal mandibular na face medial
do ramo da mandíbula. Este canal dá passagem ao nervo, artéria e veia alveolares inferiores. Quando o bloqueio
nervoso é bemsucedido, todos os dentes mandibulares são anestesiados até o plano mediano. A pele e a mucosa do
lábio inferior, a mucosa alveolar labial e a gengiva e a pele do queixo também são anestesiadas porque são supridas
pelo nervo mentual, um ramo do nervo alveolar inferior. Esses são problemas possíveis associados ao bloqueio do
nervo alveolar inferior, como a injeção do anestésico na parótida ou no músculo pterigóideo medial. Isso compromete
a capacidade de abrir a boca (trismo pterigóideo).
LUXAÇÃO DA ATM
Às vezes, durante o bocejo ou ao dar uma grande mordida, a contração excessiva dos músculos pterigóideos laterais
causa a luxação anterior das cabeças da mandíbula (passam anteriormente aos tubérculos articulares). Nessa posição,
a mandíbula permanece bem aberta e a pessoa não consegue fechar a boca. Mais comumente, um golpe lateral no
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 71
queixo com a boca aberta causa luxação da ATM no lado
golpeado. A luxação da ATM também pode estar associada a
fraturas da mandíbula.
A luxação posterior é rara em face da resistência propiciada
pelo tubérculo pós-glenoidal e pelo forte ligamento lateral
intrínseco. Em geral, nas quedas ou em golpes diretos no
queixo, o colo da mandíbula sofre fratura antes que haja
luxação.
Devido à proximidade entre os nervos facial e
auriculotemporal e a ATM, é preciso ter cuidado durante
procedimentos cirúrgicos para preservar os ramos do nervo
facial sobre ela e os ramos articulares do nervo
auriculotemporal que entram na parte posterior da
articulação. A lesão dos ramos articulares do nervo
auriculotemporal que suprem a ATM, associada à luxação
traumática e ruptura da cápsula articular e do ligamento
lateral, causa frouxidão e instabilidade da ATM.
ARTRITE DA ATM
A ATM pode ser inflamada por artrite degenerativa, por exemplo. A disfunção da ATM pode resultar em problemas
estruturais como oclusão dentária e estalido (crepitação) articular. Acredita-se que o estalidoseja causado por
deslocamento anterior tardio do disco durante a depressão e a elevação da mandíbula.
REGIÃO ORAL
FENDA LABIAL
A fenda labial é uma anomalia congênita (geralmente do lábio superior) que ocorre em 1
a cada 1.000 nascimentos; 60 a 80% dos lactentes afetados são do sexo masculino.
As fendas variam de um pequeno entalhe na zona de transição do lábio e na margem
vermelha até uma incisura que atravessa o lábio e se estende até o nariz.
Em casos graves, a fenda estende-se mais profundamente e é contínua com uma fenda
no palato. A fenda labial pode ser uni ou bilateral.
CIANOSE LABIAL
Os lábios, como os dedos das mãos, têm um fluxo sanguíneo abundante e relativamente superficial. Por causa disso,
podem perder calor corporal de modo desproporcional quando expostos ao frio. Ambos têm anastomoses
arteriovenosas inervadas pelo sistema simpático, capazes de redirecionar uma parte considerável do sangue de volta
para o centro do corpo, reduzindo a perda de calor e, ao mesmo tempo, provocando a cianose dos lábios e dedos das
mãos. A cianose, coloração azul-escura ou arroxeada dos lábios e mucosas, resulta da oxigenação deficiente do sangue
capilar e é um sinal de muitas doenças. A coloração azulada comum dos lábios causada pela exposição ao frio não
indica doença; na verdade, resulta da diminuição do fluxo sanguíneo nos leitos capilares supridos pelas artérias labiais
superior e inferior e do aumento da extração de oxigênio. O aquecimento simples restaura a coloração normal dos
lábios.
HIPERTROFIA DO FRÊNULO LABIAL
A hipertrofia do frênulo do lábio superior em crianças pode ocasionar o surgimento de um espaço entre os dentes
incisivos centrais. A ressecção do frênulo e do tecido conjuntivo subjacente (frenulectomia) entre os incisivos permite
a aproximação dos dentes, o que pode exigir o uso de um aparelho ortodôntico. A hipertrofia do frênulo do lábio
inferior em adultos pode tracionar a gengiva labial e contribuir para a retração gengival, o que resulta em exposição
anormal das raízes dos dentes.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 72
GENGIVITE
A higiene oral imprópria leva ao surgimento de depósitos de alimentos e bactérias nas fendas dentais e gengivais, o
que pode causar inflamação das gengivas (gengivite). A consequência é edema e vermelhidão das gengivas. Se não for
tratada, a doença dissemina-se para outras estruturas de sustentação, inclusive o osso alveolar, causando periodontite
(inflamação e destruição do osso e do periodonto). Os abscessos dentoalveolares (acúmulos de pus resultantes da
morte de tecidos inflamados) podem drenar para a cavidade oral e os lábios.
CÁRIES DENTAIS, PULPITE E ABSCESSOS DENTAIS
Ácido e/ou enzimas produzidos por bactérias da boca podem
corroer os tecidos rígidos do dente. Isso causa a formação de cáries
dentais. Cáries dentais não tratadas acabam invadindo e
inflamando os tecidos na cavidade pulpar. A invasão da polpa por
uma cárie profunda causa infecção e irritação dos tecidos (pulpite).
Como a cavidade pulpar é um espaço rígido, o edema dos tecidos
causa dor intensa (dor de dente).
Se não houver tratamento, a pressão exercida pelo tecido
edemaciado pode causar a morte dos pequenos vasos no canal da
raiz, e o material infectado pode atravessar o canal e o forame do
ápice do dente, chegando aos tecidos periodontais. Há um
processo infeccioso que se dissemina através do canal da raiz para
o osso alveolar, produzindo um abscesso (doença periapical). Se
não for realizado tratamento, pode haver perda do dente com
permanência do abscesso. O tratamento consiste na remoção do tecido deteriorado e na restauração da anatomia do
dente com um material dentário protético (comumente chamado de “obturação”).
O pus do abscesso de um dente molar maxilar pode estender-se até a cavidade nasal ou o seio maxilar. As raízes dos
dentes molares maxilares têm relação íntima com o assoalho desse seio. Assim, a infecção da cavidade pulpar também
pode causar sinusite, ou a sinusite pode estimular nervos que entram nos dentes e simular uma dor de dente. As raízes
dos dentes mandibulares estão muito próximas do canal da mandíbula e o abscesso pode comprimir o nervo e causar
dor referida em dentes anteriores (percebida como oriunda desses dentes).
DENTES SUPRANUMERÁRIOS (HIPERDONTIA)
Os dentes supranumerários são dentes além do número normal. Podem ser únicos, múltiplos, uni ou bilaterais,
irrompidos ou não, e estar situados em um ou nos dois arcos alveolares maxilar e mandibular. Podem ocorrer tanto
na dentição decídua quanto na dentição permanente, porém são mais comuns nesta última. A presença de um só
dente supranumerário (acessório) costuma ser observada na parte anterior da maxila. O dente supranumerário mais
comum é o mesiodente, que é um dente malformado, semelhante a um pino, encontrado entre os dentes incisivos
centrais maxilares. O dente supranumerário é um dente que ultrapassa o número normal, mas tem tamanho, formato
ou posição semelhantes aos dos dentes normais. O dente acessório não se assemelha ao dente normal em formato
ou disposição.
O achado de vários dentes supranumerários é raro em indivíduos sem outras doenças ou síndromes associadas, como
fenda labial ou palatina, ou displasia (malformação) craniana. Os dentes supranumerários podem causar problemas
para a erupção e o alinhamento da dentição normal e, em geral, são extraídos cirurgicamente.
EXTRAÇÃO DE DENTES
Algumas vezes não é possível restaurar um dente em face de sua extrema destruição. A única opção é a extração. O
dente pode perder a vascularização em razão de traumatismo. O golpe no dente rompe os vasos sanguíneos que
entram e saem pelo forame do ápice. Nem sempre é possível salvar o dente. Os dentes supranumerários também são
extraídos.
O nervo lingual está muito próximo à face medial dos 3 os molares; portanto, deve-se ter cuidado para evitar a lesão
desse nervo durante a extração. A lesão desse nervo resulta em alteração da sensibilidade ipsilateral na língua.
É comum o achado de terceiro molar não irrompido. Esses dentes são os últimos a irromper, geralmente no fim da
adolescência ou pouco depois dos 20 anos. Muitas vezes não há espaço suficiente para a erupção desses molares, e
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 73
eles ficam alojados (impactados) sob ou contra os 2 os molares. Quando causam dor, os 3 os molares impactados
geralmente são removidos. Nesse procedimento, o dentista tem cuidado para não lesar os nervos alveolares.
IMPLANTES DENTAIS
Depois da extração de um dente ou da fratura de um dente no colo, pode-se
colocar uma coroa protética sobre um munhão (pino metálico) inserido em um
implante metálico cirúrgico no osso alveolar.
Antes do implante, pode ser necessário um procedimento para aumentar o osso
alveolar com osso da fíbula ou de cadáver.
Pode ser necessário um período de espera de alguns meses para permitir o
crescimento ósseo ao redor do implante antes de montar o munhão e a coroa.
BLOQUEIO DO NERVO NASOPALATINO
Os nervos nasopalatinos podem ser anestesiados por injeção de anestésico na fossa incisiva no palato duro. A agulha
é introduzida imediatamente posterior à papila incisiva. Ambos os nervos são anestesiados pela mesma injeção, onde
emergem através da fossa incisiva. Os tecidos afetados são a mucosa palatina, a gengiva lingual e o osso alveolar dos
seis dentes maxilares anteriores, além do palato duro.
BLOQUEIO DO NERVO PALATINO MAIOR
O nervo palatino maior pode ser anestesiado por injeção de anestésico no forame palatino maior. O nervo emerge
entre o 2° e 3° dentes molares. Esse bloqueio nervoso anestesia toda a mucosa palatina e a gengiva lingual posterior
aos dentes caninosmaxilares e ao osso subjacente do palato. Devem ser evitados os ramos das artérias palatinas
maiores. O anestésico deve ser injetado lentamente para evitar arrancar a túnica mucosa do palato duro.
FENDA PALATINA
A fenda palatina, com ou sem fenda labial, acomete cerca de 1 em cada
2.500 recém-nascidos e é mais comum no sexo feminino. A fenda pode
acometer apenas a úvula, conferindo-lhe uma aparência em rabo de
peixe, ou pode estender-se ao longo dos palatos mole e duro.
Em casos graves associados à fenda labial, a fenda palatina estende-se
através dos processos alveolares das maxilas e dos lábios nos dois lados.
A origem embriológica da fenda palatina é a ausência de encontro e
fusão das massas mesenquimais nos processos palatinos laterais entre
si, com o septo nasal e/ou com a margem posterior do processo palatino
mediano.
REFLEXO FARÍNGEO (DO VÔMITO)
É possível tocar a parte anterior da língua sem sentir desconforto; entretanto, ao tocar a parte posterior, o indivíduo
tem ânsia de vômito. O NC IX e o NC X são responsáveis pela contração muscular de cada lado da faringe. Os ramos
glossofaríngeos são o ramo aferente do reflexo do vômito.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 74
PARALISIA DO MÚSCULO GENIOGLOSSO
Na paralisia do músculo genioglosso, a língua tende a cair posteriormente, com obstrução da via respiratória e risco
de sufocação. Durante a anestesia geral há relaxamento total dos músculos genioglossos; portanto, a pessoa
anestesiada é intubada para evitar a queda da língua.
LESÃO DO NERVO HIPOGLOSSO
O traumatismo, como a fratura da mandíbula, pode lesar o nervo hipoglosso (NC XII), resultando em paralisia e, por
fim, atrofia unilateral da língua. A língua desvia-se para o lado paralisado durante a protrusão em razão da ação do
músculo genioglosso íntegro no outro lado.
ABSORÇÃO SUBLINGUAL DE FÁRMACOS
Para a rápida absorção de um fármaco como, por exemplo, o uso de nitroglicerina como vasodilatador na angina
pectoris, administra-se sob a língua o comprimido ou spray, que se dissolve e chega às veias profundas da língua em
menos de 1 minuto.
CARCINOMA DA LÍNGUA
O carcinoma da parte posterior da língua metastatiza para os linfonodos cervicais profundos superiores nos dois lados,
enquanto o tumor na parte anterior geralmente só metastatiza para os linfonodos cervicais profundos inferiores na
fase avançada da doença. Como esses linfonodos estão muito próximos da VJI, as metástases da língua podem ser
distribuídas para as regiões submentual e submandibular e ao longo da VJI no pescoço.
FRENECTOMIA
O frênulo lingual muito grande (“língua presa”) interfere com os movimentos da língua e pode afetar a fala. Em casos
incomuns, pode ser necessário realizar uma frenectomia (secção do frênulo) em lactentes para liberar a língua para
movimentos normais e fala.
EXCISÃO DE GLÂNDULA SUBMANDIBULAR E RETIRADA DE CÁLCULO
Não é rara a excisão de uma glândula submandibular por causa de um cálculo no seu ducto ou de um tumor na
glândula. A incisão cutânea é feita no mínimo 2,5 cm inferiormente ao ângulo da mandíbula para evitar lesão do ramo
marginal da mandíbula do nervo facial. Também é preciso ter cuidado para não lesar o nervo lingual durante a incisão
do ducto. O ducto submandibular segue diretamente sobre o nervo inferior até o colo do 3 o dente molar.
SIALOGRAFIA DOS DUCTOS SUBMANDIBULARES
As glândulas salivares submandibulares podem ser examinadas radiologicamente após a injeção de um meio de
contraste nos seus ductos.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 75
Esse tipo especial de radiografia (sialografia) mostra os ductos salivares e algumas unidades secretoras. Em razão do
pequeno tamanho dos ductos das glândulas sublinguais e de sua multiplicidade, geralmente não é possível injetar
meio de contraste nos ductos.
FOSSA PTERIGOPALATINA
ACESSO TRANSANTRAL À FOSSA PTERIGOPALATINA
O acesso cirúrgico à fossa pterigopalatina profunda é obtido através do seio maxilar. Após elevar o lábio superior,
atravessam-se a gengiva maxilar e a parede anterior do seio para entrar no seio. A parede posterior é, então,
retirada aos poucos, conforme a necessidade para abrir a parede anterior da fossa pterigopalatina. No caso de
epistaxe (sangramento nasal) crônica, a terceira parte da artéria maxilar pode ser ligada na fossa para controlar a
hemorragia.
NARIZ
FRATURAS DO NARIZ
Em face da proeminência do nariz, as fraturas dos ossos nasais são comuns em acidentes automobilísticos e esportes
de contato (exceto se forem usados protetores faciais). As fraturas geralmente resultam em deformação do nariz,
sobretudo quando decorrentes de força lateral, pelo cotovelo de uma pessoa, por exemplo; geralmente há epistaxe
(sangramento nasal). Nas fraturas graves, a ruptura dos ossos e cartilagens resulta em deslocamento do nariz. Quando
a lesão é causada por um golpe direto, também pode haver fratura da lâmina cribriforme do etmoide.
DESVIO DO SEPTO NASAL
É comum o desvio do septo nasal para um lado.
Pode ser consequência de tocotraumatismo, porém, na maioria das vezes, o desvio ocorre durante a adolescência e a
vida adulta por traumatismo (ex. durante uma luta de soco).
Às vezes o desvio é tão acentuado que o septo nasal toca a parede lateral da cavidade nasal e não raro causa obstrução
respiratória ou exacerba o ronco. O desvio pode ser corrigido cirurgicamente.
RINITE
Há edema e inflamação da mucosa nasal (rinite) durante infecções respiratórias altas graves e reações alérgicas (ex.
polinose ou alergia a pólens). O edema da mucosa é imediato em face de sua vascularização. As infecções das
cavidades nasais podem se disseminar para:
Fossa anterior do crânio através da lâmina cribriforme
Parte nasal da faringe e tecidos moles retrofaríngeos
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 76
Orelha média através da tuba auditiva, que une a cavidade timpânica à parte nasal da faringe
Seios paranasais
Aparelho lacrimal e conjuntiva.
EPISTAXE
A epistaxe é relativamente comum em razão da abundante vascularização da mucosa nasal. Na maioria dos casos, a
causa é o traumatismo e a hemorragia provém de uma área no terço anterior do nariz (área de Kiesselbach). A epistaxe
também está associada a infecções e hipertensão arterial. A perda de sangue pelo nariz decorre da ruptura de artérias.
A epistaxe leve também pode ser causada pela introdução de objetos no nariz, rompendo as veias no vestíbulo.
SINUSITE
Como os seios paranasais são contínuos com as cavidades nasais através de óstios que se abrem neles, a infecção pode
disseminar-se das cavidades nasais, causando inflamação e edema da mucosa dos seios paranasais (sinusite) e dor
local. Às vezes há inflamação de vários seios (pansinusite), e o edema da mucosa pode obstruir uma ou mais aberturas
dos seios para as cavidades nasais.
INFECÇÃO DAS CÉLULAS ETMOIDAIS
Em caso de obstrução à drenagem nasal, as infecções das células etmoidais podem se propagar através da frágil parede
medial da órbita. As infecções graves que têm essa origem podem causar cegueira, pois algumas células etmoidais
posteriores situam-se próximo do canal óptico, que dá passagem ao nervo óptico e à artéria oftálmica. A disseminação
de infecção dessas células também poderia afetar a bainha de dura-máter do nervo óptico, causando neurite óptica.
INFECÇÃO DOS SEIOS MAXILARES
Os seios maxilares são os mais frequentemente infectados, provavelmente porque seus óstios costumam ser
pequenos e estão situados em posição alta nas paredes superomediais. A congestão da mucosa doseio costuma causar
obstrução dos óstios maxilares. Em face da localização alta dos óstios, na posição de cabeça ereta a drenagem dos
seios só é possível quando eles estão cheios. Como os óstios dos seios direito e esquerdo situam-se nas regiões mediais
(estão voltados um para o outro), quando a pessoa está em decúbito lateral só há drenagem do seio superior (ex. o
seio direito na posição de decúbito lateral esquerdo). Um resfriado ou alergia de ambos os seios pode resultar em
noites rolando de um lado para outro na tentativa de drenar os seios maxilares. Um seio maxilar pode ser canulado e
drenado introduzindo-se uma cânula pelas narinas e através do óstio maxilar até o seio.
RELAÇÃO ENTRE OS DENTES E O SEIO MAXILAR
A proximidade entre os três dentes molares maxilares e o assoalho do seio maxilar pode causar graves problemas.
Durante a retirada de um dente molar, pode haver fratura de uma raiz do dente. Se não forem usados métodos
apropriados de retirada, um fragmento da raiz pode ser levado para cima e entrar no seio maxilar. Assim, pode ser
criada uma comunicação entre a cavidade oral e o seio maxilar e haver uma infecção. Como os nervos alveolares
superiores (ramos do nervo maxilar) suprem os dentes maxilares e a mucosa dos seios maxilares, a inflamação da
túnica mucosa do seio é frequentemente acompanhada por sensação de dor de dente (dentes molares).
TRANSILUMINAÇÃO DOS SEIOS
A transiluminação dos seios maxilares é realizada em uma sala escura. Um feixe de luz forte é concentrado na boca do
paciente sobre um lado do palato duro ou firmemente contra a bochecha. A luz atravessa o seio maxilar e apresenta-
se como uma luminescência fosca, em forma de meia-lua, inferior à órbita. Se um seio contiver excesso de líquido,
massa ou espessamento da mucosa, a luminescência diminui.
Os seios frontais também podem ser transiluminados dirigindo-se a luz em sentido superior sob a face medial do
supercílio, o que normalmente produz um brilho superior à órbita. Em face da grande variação no desenvolvimento
dos seios, o padrão e a extensão da iluminação do seio diferem de uma pessoa para outra.
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 77