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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
CURSO DE PEDAGOGIA
Necessidades Educativas Especiais
Loren Bárbara 
BETIM
2019/1
A construção da escola era antiga Escola Municipal Professor Dênio Moreira e hoje atende pela Escola Municipal Waldemar D’Luz Gonçalves foi denominada com esta nomenclatura em 1996 em homenagem ao primeiro morador do bairro, faz parte de uma rede municipal de ensino público e está situada no bairro Vila Cristina, em Betim, na Rua Passatempo n°886. Trata-se de uma escola de porte médio com funcionamento em dois turnos: manhã das 7h às 11h30min e à tarde das 13h às 17h30min, de segunda a sexta-feira durante todo o ano letivo, de fevereiro a dezembro, com recessos nos meses de julho e dezembro e férias no mês de janeiro. Os acessos de entrada e saída da escola são feitas por rampas, os espaços são amplos e claros, conforme as necessidades de locomoção de alunos com deficiência.
Na parte da manhã e a tarde conta com as turmas de 1° ao 9° ano, atendendo no momento aproximadamente 870 alunos. Entre os 870 alunos distribuídos em dois turnos, a escola possui 14 com deficiência que utilizam a Sala de Recursos Multifuncionais (SRM). 
A sala de recursos multifuncionais do Waldemar D’luz é um ambiente escolar onde ocorre o atendimento especializado para alunos com necessidades educacionais especiais, que busca o desenvolvimento de cada um a partir de novas práticas pedagógicas, com o objetivo de atender esses alunos para que acompanhem o currículo apresentado pela escola, e pela progressão na vida escolar.
 Conforme as adequações no processo de matrícula, o responsável pelo aluno com deficiência apresenta o laudo médico à direção da escola, através desse laudo a equipe pedagógica solicita um ofício administrativo para que o atendente pedagógico possa acompanhá-lo dentro da sala de aula. A partir do momento que tem o laudo da criança, sabendo que ela é especial e irá precisar de um atendimento especializado, a matrícula é encaminhada para a professora da SRM e ela inclui o aluno na lista de presença, contendo também com o Número de Identificação Única Social (NIS). Esses alunos frequentam a sala de aula de núcleo comum e no contra turno na SRM onde tem atendimento especializado duas vezes por semana, sendo uma hora de atendimento individual de acordo com a necessidade de cada criança, seguindo o planejamento elaborado pela professora da SRM de acordo com as especificidades de cada aluno. Se o aluno da SRM frequentar a classe comum em outra instituição de ensino, os responsáveis deverão apresentar o relatório da avaliação pedagógica e a declaração de matrícula deste.
Mas houve um caso na instituição, em que o pai de um aluno autista teve que ser o atendente pedagógico durante o seu processo escolar, pois não havia um profissional da área para acompanhá-lo. O diretor da instituição solicitou novamente um ofício para que um atendente pedagógico fosse encaminhado para escola em que pudesse acompanhar este aluno, mas o acompanhamento deste caso não foi solucionado. A escola deve se adaptar às necessidades dos alunos, cabendo prover e disponibilizar profissionais qualificados para o atendimento, sendo necessário para ultrapassar as barreiras que uma necessidade específica possa oferecer. Para o acolhimento destes alunos no ensino regular, é necessária a atenção especial para a adequação curricular às características dos mesmos, como forma de garantir não somente o acesso, mas a permanência, garantindo um ensino de qualidade, pelo processo efetivo de aprendizagem.
Nas Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica em seu artigo 2º, resolução CNE/CEB nº 2/2001, destaca-se a seguinte declaração: 
Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (BRASIL, 2001). 
A escola oferece recursos de acessibilidade dos mais variados, demonstra ser adaptável às diversas necessidades especiais que aparecem. A sala de recursos multifuncionais é, então, um espaço composta por materiais didáticos, pedagógicos, com equipamentos e profissionais aptos para o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais. O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é bem diversificado, são atendidos alunos do ensino fundamental anos iniciais e finais com deficiência física, visual, auditiva e intelectual. Também alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com altas habilidades, sendo então voltado como um instrumento para a inclusão destes alunos com deficiência no cotidiano escolar.
O serviço realizado neste espaço é de grande importância, sendo a professora do AEE que busca a reflexão escolar sobre ações e adaptações necessárias para que a atuação dos alunos com deficiência a ultrapasse o limite do ambiente escolar.
Dutra e Griboski (2006, p.19) salientam a importância desse atendimento:
A organização de salas de recursos multifuncionais se constitui como espaço de promoção da acessibilidade curricular aos alunos das classes comuns do ensino regular, onde se realizem atividades da parte diversificadas, como o uso e ensino de códigos, linguagens, tecnologias e outros complementares à escolarização, visando eliminar barreiras pedagógicas, físicas e de comunicação nas escolas. (DUTRA; GRIBOSKI, 2006, p.19). 
O apoio pedagógico personalizado é realizado pela professora da SRM, que em parceria com o professor do ensino regular irá acompanhar o aluno no sentido de desenvolver competências específicas para a progressão nas aprendizagens escolares. O trabalho desenvolvido na SRM tem importante contribuição para a inclusão dos alunos com deficiência, o trabalho da professora não é substitutivo e sim complementar ou suplementar ao trabalho realizado na sala de aula.
Para cada deficiência, são vários os recursos pedagógicos e materiais que fazem parte do espaço da sala de recursos no Waldemar D’luz. A professora utiliza com os alunos materiais didáticos (livros especiais, jogos táteis, em Libras e em Braille, com contraste visual, digitais, entre outros); engrossadores de lápis, fotos com a rotina do espaço escolar; Tecnologias de informação e de comunicação (TICS) como mouses e acionadores, teclados com colmeias, além dos recursos ópticos; pranchas de comunicação alternativa, plano inclinado, quadro magnético com letras imantadas, dados pedagógicos, entre outros. 
Nesse espaço a professora realiza atividades a partir de estratégias que se destinam a favor da construção do conhecimento do aluno com necessidades especiais e sua atuação no cotidiano escolar. A educadora elabora um planejamento pedagógico individual destinado ao aluno que será atendido, é construído com base nas necessidades especiais dos mesmos, tendo em vista a definição dos recursos necessários e as atividades a serem desenvolvidas, sendo flexível e sujeito a mudanças de forma atender as intervenções pedagógicas. Para o desenvolvimento das atividades adaptadas às características de cada aluno, cabe conhecer a deficiência apresentada por eles. Os materiais pedagógicos são adquiridos com recursos da escola ou confeccionados pela própria professora da SRM, obedecendo aos critérios de tamanho, espessura, peso, de acordo com a habilidade motora e sensorial do aluno. Dessa forma, a professora da SRM orienta e acompanha o professor da classe comum, sobre os recursos utilizados e os avanços no processo de desenvolvimento do educando.
Na deficiência visual, no caso dos alunos cegos ou com visão reduzida, destaca-se a oferta de materiais específicos e adaptados para o desenvolvimento e aprendizagem. A professora transcreve textos, trabalho de pesquisa para o Braille e para tinta, oferece as mais diversas texturas e materiais para o estímulo sensorial e desenvolvimento de habilidades táteis, soroban utilizado para representar números e cálculos matemáticos, dominó em Braille, caderno de pauta ampliada,lente de ampliação, complementa ainda, orientando o aluno para uso de recursos tecnológicos que contribuem para o processo de ensino aprendizagem.
Para a deficiência física, são utilizados recursos e equipamentos que favorecem a realização das atividades propostas na sala de recurso multifuncional, como as pranchas para escrita, tabuleiros de comunicação, lápis com engrossador, livros com marcadores (velcro), mesa com recorte, proporcionando acessibilidade às atividades curriculares.
Os alunos com paralisia cerebral e deficiência auditiva, a professora desenvolve diversas atividades e estratégias para tornar mais acessível o conhecimento pedagógico, utiliza recursos assistidos favorecendo o processo de ensino-aprendizagem como computador com o mouse-acionador auxiliando os alunos com dificuldades motoras a acessar softwares especiais, figuras geométricas emborrachadas, palitos para contagem, material dourado, entre outros.
Os alunos com Transtorno global do desenvolvimento (TGD), um dos recursos pedagógicos utilizados são os quadros com as rotinas da escola, recursos visuais para as tarefas, códigos como o escrito, o gráfico, o numérico e o pictórico, brinquedos e miniaturas para o desenvolvimento da linguagem, dominós das cores, em que facilita a nomeação das cores, a percepção visual e a correspondência um a um, jogos da memória, entre outros.
Para a deficiência intelectual, os alunos apresentam uma dificuldade em assimilar os conteúdos curriculares, necessitam de materiais adequados e um atendimento focado nas suas características intelectuais. Com isso, os recursos oferecidos como softwares para alfabetização, jogos de pareamento ou emparelhamento, lógico-matemáticos (classificação, ordenação, lógica, identificação de número e numeral, cores), reconhecimento de formas geométricas e atividade da vida cotidiana são uma das metodologias utilizadas pela profissional. 
Os alunos com deficiência auditiva possuem materiais pedagógicos em Libras, como alfabeto dactilológico, softwares, calendário ilustrado com sinais de Libras, placas sinalizadoras, entre outros.
A professora explica de forma detalhada todo o material utilizado em sala, para que o aluno tenha conhecimento do que está sendo apresentado, e de como está sendo desenvolvida a atividade, também, facilitando a locomoção do aluno, proporcionando maior grau de independência, através da melhor disposição possível do mobiliário.
É fundamental a adequação das práticas pedagógicas às diversidades dos alunos. A professora conta que os alunos com deficiência são capazes de construir seu próprio conhecimento na medida em que interagem com o mundo dos objetos. A atividade é realizada individualmente, com estímulos de seleção de objetos e brinquedos conforme sua funcionalidade.
As adaptações curriculares individuais visam promover o desenvolvimento integral dos estudantes, dando valor à autonomia, trabalhando para atingir a aprendizagem de maneira cooperativa. A profissional busca promover diferentes instâncias curriculares, para responder às necessidades de cada aluno, favorecendo as condições que lhe são necessárias para que efetive o máximo de aprendizagem. 
A avaliação é um instrumento fundamental que indica os caminhos a serem percorridos no processo de ensino do aluno. A docente organiza as adequações no processo de avaliação conforme o que os estudantes devem aprender, como e quando ele deve aprender, quais formas e objetivos de organização de ensino são mais eficazes para o processo de aprendizagem, como e quando avaliar, consiste na seleção de técnicas e instrumentos. Estes alunos não precisam responder as avaliações conforme elaborada pelo professor da classe comum para os demais alunos ditos normais. O acompanhamento deverá ser registrado semestralmente, contendo os avanços acadêmicos e situações que ocorreram nesse período. 
A deficiência de cada aluno está relacionada à sua forma única de ser, consequentemente também estará relacionada à sua forma individual de aprender e de relacionar com o mundo. A SRM oferece um espaço possibilitador da vivência das diversidades.
Referência Bibliográfica
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB 2/2001. Diário Oficial da União, Brasília, 14 de setembro de 2001. Seção 1E, p. 39-40.

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