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Livro Eletrônico
.. 03
Direito Internacional Público e Privado p/ Magistratura Federal 2019
(Curso Regular)
Equipe Ricardo e Nádia 01, Equipe Ricardo e Nádia 02, Ricardo Vale
Aprovação_Divisão/Passe_já_cursos 2019.
 
 
 
 
 
 
 
 1 
 
Sujeitos de Direito Internacional Público......................................................................... 3!
1. Personalidade Jurídica de Direito Internacional: .......................................................... 3!
2. Personalidade Internacional dos Estados x Personalidade Internacional das 
Organizações Internacionais: ........................................................................................ 10!
3. Estados Soberanos: .................................................................................................. 12!
3.1. Generalidades: ..................................................................................................................... 12!
3.2. Classificação dos Estados:..................................................................................................... 16!
3.3. Nascimento dos Estados: ...................................................................................................... 18!
3.4. O conceito de soberania de Huber na decisão arbitral no caso Holanda v. EUA de 1928. ...... 19!
3.5. Extinção e Sucessão de Estados: ........................................................................................... 22!
3.6. Direitos dos Estados: ............................................................................................................ 23!
3.7. Deveres dos Estados: ............................................................................................................ 25!
3.8. Reconhecimento de Estado X Reconhecimento de Governo: ................................................. 29!
3.9. Responsabilidade Internacional dos Estados: ........................................................................ 35!
3.10. Imunidade de Jurisdição Estatal .......................................................................................... 41!
3.11. Imunidades à Jurisdição Estatal .......................................................................................... 46!
4. A Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano:............................................................ 60!
5. Organizações não-governamentais (ONG’s): .............................................................. 61!
Lista de Questões ......................................................................................................... 63!
Gabarito ...................................................................................................................... 73!
 
 
Equipe Ricardo e Nádia 01, Equipe Ricardo e Nádia 02, Ricardo Vale
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Direito Internacional Público e Privado p/ Magistratura Federal 2019 (Curso Regular)
Aprovação_Divisão/Passe_já_cursos 2019.
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Aprovação_Divisão/Passe_já_cursos 2019.
 
 
 
 
 
 
 
 2 
 
Olá, amigos do Estratégia, tudo bem? 
É sempre um enorme prazer estar aqui com vocês, a fim de prosseguirmos em nosso curso focado 
para o concurso do Magistratura do Trabalho. 
Na aula de hoje, daremos início ao estudo dos Sujeitos de Direito Internacional Público, falando 
sobre o principal deles: o Estado. Trata-se de um assunto bastante cobrado em provas de DIP e, 
portanto, é bom que você esteja bem atento, ok? Também falaremos, genericamente, a respeito da 
personalidade internacional e, então, comentaremos acerca do papel do indivíduo no plano 
internacional. 
Abraços, 
Ricardo Vale 
“O segredo do sucesso é a constância no objetivo”. 
 
Equipe Ricardo e Nádia 01, Equipe Ricardo e Nádia 02, Ricardo Vale
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Direito Internacional Público e Privado p/ Magistratura Federal 2019 (Curso Regular)
Aprovação_Divisão/Passe_já_cursos 2019.
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SUJEITOS DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO 
 
1.!PERSONALIDADE JURÍDICA DE DIREITO INTERNACIONAL: 
Em 1648, foram celebrados os tratados de Westfália, que colocaram um fim à Guerra dos Trinta 
Anos (1618-1648) e consagraram a chamada Paz de Westfália, momento histórico muito importante 
para o direito internacional. A Paz de Westfália estabeleceu uma nova ordem para as relações 
internacionais, marcando o surgimento do Estado moderno como sujeito de direito internacional 
por excelência. Pela primeira vez, foi reconhecido que os Estados são dotados de igualdade 
absoluta no plano internacional, princípio basilar do direito das gentes1. 
Com o passar dos anos, as relações internacionais foram, todavia, ganhando contornos cada vez 
mais complexos. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve uma proliferação de 
organizações internacionais, que passaram a ter participação ativa no contexto internacional. Na 
atualidade, a complexidade é ainda maior e são vários os atores no plano internacional. 
É justamente essa ordem internacional complexa de que se ocupa o direito das gentes, cujo objetivo 
central é regular as relações internacionais a fim de permitir a convivência entre os membros da 
sociedade internacional. Mas quem seriam os membros da sociedade internacional? Afinal de 
contas, quais são os sujeitos de direito internacional público, isto é, os entes dotados de 
personalidade internacional? 
No plano do direito interno, podemos dizer que a personalidade é qualidade inerente à pessoa, seja 
ela física ou jurídica, o que lhe confere a capacidade para usufruir direitos e contrair obrigações. No 
plano do direito internacional, não há grandes diferenças. 
Segundo Francisco Rezek2, eminente jurista brasileiro, para que alguém seja qualificado como 
pessoa jurídica de direito internacional, é necessário que essa pessoa possa agir no plano 
internacional. Agir no plano internacional significa poder ser titular de direitos e deveres 
internacionais e possuir capacidade de defender seus direitos por meio de ações internacionais. 
Pessoas jurídicas de direito internacional, segundo essa visão, seriam os Estados Soberanos e as 
organizações internacionais em sentido estrito. 
Valério Mazzuoli, por sua vez, apresenta um conceito mais complexo de personalidade 
internacional. Segundo esse jurista, a qualificação jurídica de um ente como sujeito de direito 
 
1 “Direito das gentes” (jus gentium) é sinônimo de Direito Internacional Público 
2 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008 
Equipe Ricardo e Nádia 01, Equipe Ricardo e Nádia 02, Ricardo Vale
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Direito Internacional Público e Privado p/ Magistratura Federal 2019 (Curso Regular)
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internacional comporta uma conotação passiva e outra conotação ativa.3 Assim, seriam sujeitos de 
direito internacional os entes a quem tal Direito é destinado (conotação passiva) e que possuem 
capacidade de atuação no plano internacional (conotação ativa). Por essa corrente, além dos 
Estados soberanos e das organizações internacionais, também os indivíduos possuiriam 
personalidade jurídica de direito internacional. 
Como se pode perceber, a questão da personalidade internacional é objeto de grande controvérsia 
doutrinária, estando longe de um consenso. Todavia, a evolução e a crescente complexidade das 
relações internacionais têm ocasionado importante transformação na sociedade internacional. 
Hoje, a grande tendência é considerar que a sociedade internacional não é mais puramente 
interestatal, em razão da participação cada vez mais ativa de outros entes no plano internacional 
(ONGs, empresas transnacionais e indivíduos). 
Nesse sentido, a doutrina moderna considera sujeitos de direito internacional os Estados, as 
organizações internacionais e os indivíduos; as ONGs e as empresas transnacionais são apenas 
atores internacionais.Destaque-se que, apesar de não se reconhecer personalidade internacional 
às ONG’s, há uma importante exceção: o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (considerado 
sujeito de direito internacional público). 
A personalidade jurídica de direito internacional não é, dessa forma, algo imutável, mas um 
conceito que evolui com o decorrer do tempo. Há algumas décadas atrás, somente os Estados eram 
considerados sujeitos de direito internacional, ou seja, essa era uma qualidade exclusiva deles. Na 
atualidade, podemos afirmar com total segurança que esse quadro se modificou. Várias outras 
entidades, que não possuem base territorial e dimensão demográfica, possuem personalidade 
jurídica de direito internacional, já que estão habilitadas a usufruir de direitos e deveres 
internacionais e travam relação imediata e direta com as normas que lhes conferem tal prerrogativa. 
“Mas e aí Ricardo, qual das duas teorias é válida para concursos públicos?” 
Excelente pergunta! Com tanta controvérsia doutrinária, a nossa cabeça fica mesmo embaralhada! 
A tendência das bancas examinadoras é considerar que a personalidade internacional não se limita 
aos Estados e às organizações internacionais.4 
Portanto, leve para a prova o seguinte: 
 
 
3 MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público, 4ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 
2010 
4 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009 
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A personalidade jurídica de direito internacional alcança, além dos Estados e organizações 
internacionais, também os indivíduos. 
As organizações não-governamentais e as empresas transnacionais, embora tenham participação 
cada vez mais ativa no cenário internacional, são consideradas pela doutrina dominante apenas 
atores internacionais. 
Cabe destacar ainda que, apesar de não ser a doutrina dominante, Paulo Henrique Portela considera 
que as empresas transnacionais e as ONG’S também são sujeitos de direito internacional. 
Apesar desse entendimento, é certo que as empresas, as ONG’s e os indivíduos não possuem as 
mesmas prerrogativas no plano internacional. A capacidade de atuação desses sujeitos é limitada 
se comparada ao poder dos Estados e das organizações internacionais. Com efeito, o direito 
internacional reconhece capacidade para celebrar tratados aos Estados e organizações 
internacionais, mas não concede a mesma prerrogativa aos indivíduos, às empresas e às ONG’s. 
Em razão da limitação em sua atuação internacional, os indivíduos, as ONG’s e as empresas são 
chamados pela doutrina de sujeitos de direito internacional fragmentários5. Tais sujeitos têm 
acesso a alguns mecanismos de soluções de controvérsias internacionais e são destinatários de 
normas internacionais, que lhes conferem direitos e obrigações. Entretanto, eles não participam do 
processo de formação de normas jurídicas internacionais, isto é, não podem celebrar tratados. 
O reconhecimento da personalidade internacional dos indivíduos representa um grande avanço do 
direito internacional público, tendo sido alcançado em razão do desenvolvimento do Direito 
Internacional dos Direitos Humanos.6 Com efeito, os indivíduos podem figurar no plano passivo ou 
no plano ativo do direito internacional. 
No que diz respeito ao plano passivo, é possível, atualmente, que um indivíduo (pessoa natural) seja 
julgado e responsabilizado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em razão de haver cometido um 
crime de alta gravidade.7 A título de exemplo, o ex-ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, em razão 
das violações aos direitos humanos por ele perpetradas, deveria ter sido julgado pelo Tribunal Penal 
Internacional. 8 
 
5 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009 
6 MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público, 4ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 
2010. 
7 Segundo o Estatuto de Roma, que criou o TPI, a jurisdição dessa Corte internacional abrange os crimes de guerra, 
crimes contra a humanidade, genocídio, crime de agressão. 
8 Muammar Kadhafi foi morto em 20 de outubro de 2011. 
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 6 
 
Já no que diz respeito ao plano ativo, admite-se, em certos casos, que um indivíduo peticione 
perante Cortes internacionais. Um indivíduo ou um grupo de indivíduos pode, por exemplo, 
peticionar diretamente à Corte Europeia de Direitos Humanos. 
As empresas, por sua vez, também podem ter acesso a mecanismos de solução de controvérsias. O 
sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL, por exemplo, reconhece o direito de petição a 
particulares. 
Destacamos, todavia, que o acesso a mecanismos de solução de controvérsias pelos “sujeitos 
fragmentários” é limitado. Algumas Cortes Internacionais somente reconhecem capacidade 
postulatória aos Estados soberanos, como é o caso da Corte Internacional de Justiça (CIJ). 9 
Cabe destacar também que atuam na sociedade internacional as chamadas coletividades não-
estatais. São elas os beligerantes, os insurgentes e os movimentos de libertação nacional (nações 
em luta pela soberania). 10 
Os beligerantes são movimentos armados que instauram no interior de um Estado uma guerra civil 
com o objetivo de mudar o sistema político em vigor. Para que uma coletividade seja considerada 
beligerante, faz-se mister uma declaração pelos outros entes estatais, em conjunto ou 
separadamente. O reconhecimento da beligerância permite que essa coletividade adquira, dentre 
outros direitos, a capacidade para celebrar tratados. 
Os insurgentes, por sua vez, também são movimentos armados ocorridos no interior de um Estado 
com o objetivo de derrubar o sistema político vigente. Entretanto, a insurgência não assume 
proporções tão graves quanto a beligerância e não chega a ocorrer uma guerra civil. Também é 
necessário, para que uma coletividade seja considerada como insurgente, um ato declaratório de 
reconhecimento. A capacidade para celebrar tratados poderá ser conferida aos insurgentes, o que 
irá depender do ato de reconhecimento da insurgência. 
Por fim, os movimentos de libertação nacional são movimentos que, em razão de sua magnitude, 
passam a ser amplamente reconhecidos no cenário internacional. É o caso, por exemplo, da 
Autoridade Palestina, que tem celebrado inúmeros tratados com diferentes países. 
Pessoal, consideramos fundamental que você conheça todo esse debate doutrinário, já que, pela 
sua relevância, ele pode vir a ser cobrado em prova! Algumas possíveis assertivas seriam as 
seguintes: 
a)! “A doutrina vem reconhecendo a personalidade jurídica de direito internacional dos 
indivíduos.” Correto. 
 
9 Na aula sobre Organizações Internacionais, nós tratamos de forma mais detalhada sobre a Corte Internacional de 
Justiça (CIJ). 
10 Portela considera que as coletividades não-estatais são apenas atores internacionais. Já Mazzuoli reconhece a 
personalidade internacional dos beligerantes, insurgentes e movimentos de libertação nacional. 
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b)! “Segundo a doutrina tradicional,somente possuem personalidade jurídica de direito 
internacional os Estados, as organizações internacionais e a Santa Sé.” Correto. 
c)! “O tema da personalidade internacional é objeto de polêmica doutrinária, havendo 
correntes distintas sobre o assunto.” Correto 
d)! “Embora sejam considerados sujeitos de direito internacional, os indivíduos possuem 
atuação limitada no plano internacional”. Correto 
e)! “Os indivíduos e as empresas possuem acesso direto a alguns mecanismos de soluções de 
controvérsias”. Correto. 
 
1.! (Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados – 2014) 
Empresas multinacionais não dispõem de personalidade jurídica internacional, mesmo que elas 
sejam empresas públicas transnacionais contraentes de obrigações com Estados soberanos. 
Comentários 
As empresas multinacionais não possuem personalidade jurídica de direito internacional. 
Gabarito: certa 
2.! (Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados – 2014) 
Somente Estados soberanos, entes assemelhados e organizações não governamentais 
internacionais são sujeitos de direito internacional. 
Comentários 
O enunciado foi bastante restritivo, deixando de reconhecer a personalidade internacional às 
organizações internacionais e aos indivíduos. As ONG`s, por sua vez, são apenas atores 
internacionais. 
Gabarito: errada 
3.! (Instituto Rio Branco – 2011) 
Com características políticas e jurídicas de ONG e desprovido de atributos de personalidade 
jurídica internacional, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha é sujeito apenas aparente de 
direito internacional público. 
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Comentários 
A doutrina atribui personalidade internacional ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha, apesar de 
tratar-se de uma ONG. 
Gabarito: errada 
4.! (Instituto Rio Branco – 2011) 
As ONGs que obtiveram reconhecimento da opinião pública mundial após a Segunda Guerra 
Mundial adquiriram personalidade jurídica de direito internacional público. 
Comentários 
Segundo a doutrina dominante, as ONG’s são apenas atores internacionais, não possuindo 
personalidade jurídica de direito internacional. 
Gabarito: errada 
5.! (Instituto Rio Branco- 2010) 
O MERCOSUL é uma organização dotada de personalidade jurídica de direito internacional. 
Comentários 
O MERCOSUL é uma organização internacional e, portanto, possui personalidade jurídica de direito 
internacional público, a qual está expressamente prevista no Protocolo de Ouro Preto. 
Gabarito: certa 
6.! (Juiz Federal 1ª Região/2006) 
São sujeitos de direito internacional público, também chamados de pessoas jurídicas de direito 
internacional público, os Estados soberanos, a Santa Sé e as organizações internacionais. 
Comentários 
De fato, são sujeitos de DIP os Estados soberanos, a Santa Sé e as organizações internacionais. 
Gabarito: certa 
7.! (OAB 2006.2) 
A expressão “coletividades não estatais” abrange as mais diferentes pessoas internacionais, 
como os revoltosos em uma guerra interna. 
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Comentários 
A expressão “coletividades não-estatais” abrange os insurgentes, os beligerantes (revoltosos em 
guerra interna) e as nações em luta pela soberania. 
Gabarito: certa 
8.! (Consultor Legislativo/ Câmara dos Deputados- 2002) 
Tendo em vista as atividades que realizam, concernentes a ações de solidariedade 
internacional, as organizações não-governamentais (ONGs) passaram a ser admitidas como 
sujeitos do direito internacional público. 
Comentários 
A doutrina dominante considera que as organizações não-governamentais são apenas atores 
internacionais, não possuindo personalidade jurídica de direito internacional. 
Gabarito: errada 
9.! (Procurador BACEN-2001) 
Paul Reuter define tratado internacional como sendo “uma manifestação de vontades 
concordantes, atribuídas a dois ou mais sujeitos de direito internacional, e destinada a produzir 
efeitos jurídicos em conformidade com as normas de direito internacional”. Assinale a opção 
em que figurem, tão só, exemplos de sujeitos de direito internacional. 
a) Estados, Santa Sé ou Estado do Vaticano, organizações não-governamentais (ONGs) e 
indivíduos. 
b) Estados, organizações internacionais e empresas multinacionais. 
c) Estados, Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e Santa Sé ou Estado do Vaticano. 
d) Estados, Organização das Nações Unidas (ONU) e ONGs. 
e) Indivíduos, ONGs, organizações internacionais e Santa Sé ou Estado do Vaticano. 
Comentários 
Quando temos uma questão de marcar pela frente, fica fácil verificarmos qual o posicionamento da 
banca examinadora, não é mesmo? Nessa questão, a banca adotou o posicionamento tradicional. A 
resposta, portanto, é a letra C. São sujeitos de DIP os Estados, as organizações internacionais (dentre 
as quais o MERCOSUL) e a Santa Sé ou Estado do Vaticano. 
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Gabarito: letra C 
2.!PERSONALIDADE INTERNACIONAL DOS ESTADOS X PERSONALIDADE 
INTERNACIONAL DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS: 
Há uma notória diferença entre a personalidade jurídica de direito internacional do Estado e a 
personalidade jurídica de direito internacional das organizações internacionais. 
Segundo Rezek11, o Estado constitui uma realidade física, já que possui um espaço territorial onde 
convive uma comunidade de seres humanos. Ele é dotado de uma dimensão material e independe 
de qualquer documento para sua existência fática. Por isso, dizemos que sua personalidade jurídica 
é originária, pois precede mesmo a própria Constituição (documento). Até a Primeira Guerra 
Mundial, considerava-se que os Estados eram os únicos sujeitos de direito internacional. No entanto, 
o processo de evolução da sociedade internacional deu origem a um novo sujeito de direito 
internacional: as organizações internacionais. 
As organizações internacionais passaram a ser consideradas sujeitos de direito internacional em 
meados do século XX, mais precisamente em 1949. Nesse ano, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) 
emitiu um parecer consultivo quanto à possibilidade da ONU apresentar uma reclamação perante o 
governo responsável pelo assassinato do Conde Folke Bernadotte (representante da ONU no Oriente 
Médio). Entendeu a Corte Internacional de Justiça (CIJ) que a ONU possuía personalidade jurídica 
internacional e, portanto, teria legitimidade para reivindicar a reparação de danos. Por reconhecer 
a personalidade jurídica de direito internacional das organizações internacionais, esse Parecer 
Consultivo pode ser considerado um marco no âmbito do direito das gentes. 
As organizações internacionais possuem personalidade jurídica derivada, sendo apenas uma 
criação jurídica. Elas não são dotadas do elemento territorial, isto é carecem do elemento físico. Sua 
existência tem fundamento de validade no tratado constitutivo e, portanto, elas somente existem 
após a entrada em vigor deste. Dizemos que a personalidade das organizações internacionais é 
derivada porque estas não existiriam caso não houvesse vontade dos Estados em criá-las. Portela 
lembra que a soberania é atributo exclusivo dos Estados e que não é porque os entes estatais 
estabeleceram organizações internacionais que estas serão entidades dotadas de soberania. 12 
Tecidas estas considerações gerais, vejamos como esse assunto já foi cobrado em prova!11 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008 
12 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009. 
 
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10.!(Juiz Federal 1ª Região/2006) 
A personalidade jurídica do Estado, em direito das gentes, diz-se derivada, enquanto a das 
organizações internacionais, diz-se originária. 
Comentários 
A personalidade jurídica dos Estados é originária, enquanto a personalidade jurídica das 
organizações internacionais é derivada. 
Gabarito: errada 
11.!(Consultor Legislativo/ Câmara dos Deputados- 2002) 
A personalidade jurídica dos Estados é derivada, e a das organizações internacionais, originária. 
Comentários 
Exatamente igual à questão anterior. Veja como é recorrente esse enunciado. 
Gabarito: errada 
12.!(Instituto Rio Branco-2008) 
É considerado divisor de águas no direito internacional o parecer consultivo da Corte 
Internacional de Justiça no caso Reparação de danos a serviço das Nações Unidas acerca da 
morte de Folke de Bernadotte, mediador que, no exercício de suas funções, foi assassinado por 
extremistas israelenses em Jerusalém, em 1948. Essa consideração justifica-se porque o 
parecer: 
a) declarou a existência da Palestina como território israelense. 
b) homologou o pedido penal do Estado de Israel. 
c) reconheceu a personalidade jurídica das organizações internacionais. 
d) incorporou o princípio da legítima defesa internacional. 
e) consagrou o pacifismo e não violência como deveres jurídicos. 
Comentários 
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 12 
 
O Parecer Consultivo da CIJ acerca da morte de Folke de Bernadotte é um marco do direito 
internacional público porque reconheceu a qualidade de sujeito de DIP às organizações 
internacionais. (Letra C). 
Gabarito: letra C 
3.!ESTADOS SOBERANOS: 
3.1.!GENERALIDADES: 
O Estado é o sujeito de direito internacional por excelência, ou seja, é considerado o mais importante 
dentre os entes dotados de personalidade internacional. Dentre os sujeitos de DIP, o Estado é o 
único que possui plena capacidade jurídica no plano internacional. 
O Estado, conforme afirmamos anteriormente, possui personalidade jurídica originária de direito 
internacional público. Tal constatação deriva do entendimento de que a existência dos outros 
sujeitos de direito internacional encontra fundamento no Estado. As organizações internacionais, 
por exemplo, dependem de um tratado constitutivo celebrado por Estados para serem criadas. Os 
indivíduos, por sua vez, possuem um vínculo político-jurídico com um Estado conhecido como 
nacionalidade. 
Segundo a doutrina majoritária, os elementos constitutivos do Estado são o território, o povo e o 
governo soberano.13 Todavia, há autores que pregam a existência de um quarto elemento 
constitutivo: a finalidade. 14 Há ainda o conceito de Estado para a Convenção Interamericana sobre 
os Direitos e Deveres dos Estados15 (1933), que estabelece 4 (quatro) elementos constitutivos: 
população permanente, território determinado, governo e capacidade de entrar em relação com 
outros Estados. 
 
13.!(AGU-2007) 
O Estado do Rio Grande do Sul, almejando ser reconhecido internacionalmente como um 
Estado soberano, pleiteou uma cadeira na Organização das Nações Unidas (ONU), alegando 
 
13 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009 
14 MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público, 4ª ed. São Paulo: Editora Revista dos 
Tribunais, 2010. 
15 A Convenção Interamericana sobre os Direitos e Deveres dos Estados de 1933 é também conhecida por Convenção 
de Montevidéu. 
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que possui um território, uma população e um governo permanente. Nessa situação, os 
requisitos apresentados não são suficientes para que o Rio Grande do Sul seja aceito na 
Assembleia Geral da ONU. 
Comentários 
De fato, os requisitos apresentados não são suficientes, uma vez que o Rio Grande do Sul carece de 
soberania. Não basta que haja um governo permanente; ele precisa também ser soberano. 
Gabarito: certa 
3.1.1.!Território: 
O território é a dimensão física sobre a qual o Estado exerce sua jurisdição geral e exclusiva, ou seja, 
a dimensão material onde ele exerce seus poderes. Geral porque, no âmbito do seu território, o 
Estado exerce todas as competências de ordem legislativa, administrativa e jurisdicional. Exclusiva, 
porque tais competências são exercidas sem qualquer concorrência por parte de outro poder. A 
jurisdição do Estado sobre seu território não é, todavia, absoluta, uma vez que há pessoas e bens 
que não se submetem ao poder estatal, como, por exemplo, os diplomatas, as missões diplomáticas 
e organismos internacionais. 
Apesar de possuir jurisdição unicamente sobre seu território, há situações em que se verifica a 
atuação extraterritorial do Estado, como, por exemplo, quando julga seus nacionais por ato 
praticado no exterior ou quando exerce jurisdição sobre missões diplomáticas e consulares.16 Em 
doutrina, é comum considerar-se que as embaixadas (missões diplomáticas) e os navios e aeronaves 
de guerra são uma extensão do território estatal. Entretanto, a Corte Internacional de Justiça já se 
pronunciou em sentido contrário diante de um caso concreto. 
A determinação do território estatal é feita por demarcação ou delimitação. A delimitação 
(estabelecimento de limites) pode ser feita por meio de tratados ou costumes. A demarcação, por 
sua vez, é a implantação de marcos físicos sobre o território, como, por exemplo, o Muro de Berlim, 
que dividia Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental. Até os dias de hoje, as questões fronteiriças 
são objeto de conflitos internacionais, como os existentes entre Índia e Paquistão e Israel e Palestina. 
Historicamente, a definição de limites territoriais tem se guiado pelo princípio do “uti possidetis”, 
segundo o qual o domínio sobre um determinado território é daqueles que efetivamente o 
estiverem ocupando. Segundo Varella17, “a necessidade do domínio efetivo tornou-se um costume 
internacional amplamente aceito e é hoje considerado condição para o reconhecimento da 
incorporação do território ao domínio do Estado.”. A consolidação do princípio do “uti possidetis” 
 
16 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009 
17 VARELLA, Marcelo Dias. Direito Internacional Público, São Paulo: Saraiva, 2009 
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como regra consuetudinária de direito internacional público decorre de uma série de decisões da 
Corte Internacional de Justiça (CIJ) 
Vale destacar que não importa qual o tamanho do território do Estado. Todos os Estados, 
independentemente de sua base física, são tratados de maneira isonômica pelo direito 
internacional. Há Estados com grande base territorial(Rússia, Brasil e EUA) e Estados com território 
bem pequeno, como os chamados microestados (Mônaco, Andorra, San Marino). Apesar de 
possuírem tamanhos variados, todos são dotados de personalidade jurídica de direito internacional, 
prevalecendo o princípio da igualdade soberana entre eles. 
Em algumas situações, os Estados aceitam, de forma expressa ou tácita, restrições ao exercício da 
soberania em seu território. São as chamadas servidões, que poderão ser permissivas – permissão 
de utilização do território por outro Estado – ou restritivas – compromisso de não exercer a 
competência plena sobre seu território. 
Para exemplificar as servidões permissivas, também chamadas de positivas, citamos como exemplo 
um Estado X que autoriza a instalação de uma base militar do Estado Y em seu território. Nessa 
situação, percebe-se que o Estado Y exerce certo poder sobre uma parcela do território do Estado 
X. 
Já para ilustrar as servidões restritivas, também chamadas de negativas, citamos como exemplo se 
o Estado X declarar que não estabelecerá bases militares na fronteira com o Estado Y. Nessa 
situação, o Estado X deixa de exercer sua soberania em uma parcela de seu território. 
Segundo Accioly18, “as servidões extinguem-se por acordo entre os Estados interessados, pela fusão 
destes, pela renúncia expressa ou tácita do Estado ou dos Estados a que aproveitam ou por qualquer 
outro meio de resolução de tratados.” Exemplificando tais hipóteses: 
a)! O Estado X diz para o Estado Y: “Ô, meu amigo, eu tinha deixado você instalar uma base 
militar no meu território, mas agora não quero mais, ok?” (acordo) 
b)! O Estado X se une ao Estado Z para formar o Estado W. Nesse caso, o Estado W não é 
obrigado a permitir a instalação da base do Estado Y em seu território. (fusão) 
c)! O Estado Y diz para o Estado X: “Ô, meu amigo, eu tinha instalado uma base militar em 
seu território, mas agora não quero mais essa concessão e já estou retirando minhas 
tropas!” (renúncia) 
 
18 ACCIOLY, Hildebrando; SILVA, G.E do Nascimento & CASELLA, Paulo Borba. Manual de Direito Internacional Público, 
17ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2009 
 
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14.!(Juiz Federal 1ª Região/2006) 
O Estado exerce jurisdição sobre o seu território, muito embora sempre relativa, o que vale 
dizer que detém uma série de competências para atuar com autoridade. 
Comentários 
De fato, a jurisdição do Estado sobre seu território é relativa. No entanto, o motivo de considerar-se 
que a jurisdição do Estado é relativa não é o fato deste possuir competências para atuar com 
autoridade. A jurisdição estatal é relativa, mas em virtude de não alcançar algumas pessoas, bens e 
locais. 
Gabarito: errada 
15.!(OAB 2006.2) 
As servidões – que são restrições por meio das quais um Estado estrangeiro exerce uma 
competência no território de outro Estado ou um Estado se compromete em favor de outro a 
não exercer sua competência plena em seu território – têm base convencional e se extinguem 
com a sucessão de Estados. 
Comentários 
As servidões nem sempre têm base convencional, podendo ser aceitas por um Estado de forma 
tácita. 
Gabarito: errada 
3.1.2.!Povo: 
O povo é a dimensão pessoal do Estado, não se confundindo com a sua população. Enquanto esta é 
formada pelo conjunto de pessoas que vivem com ânimo definitivo no seu território, incluindo 
nacionais e estrangeiros, a dimensão pessoal do Estado (povo) compreende a comunidade nacional, 
ou seja, o conjunto de seus nacionais. Na dimensão pessoal do Estado estão incluídos, inclusive, os 
nacionais que tenham se estabelecido no exterior. 
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Segundo Rezek19, o Estado exerce inúmeras competências inerentes à sua jurisdição territorial sobre 
os estrangeiros residentes. Já em relação aos seus nacionais, o Estado exerce jurisdição pessoal, em 
virtude do vínculo jurídico-político que une o indivíduo ao Estado: a nacionalidade. 
3.1.3.!Governo soberano: 
O governo é a dimensão política do Estado e é quem exerce o poder soberano estatal. A Paz de 
Westfália (1648), conforme já afirmamos anteriormente, é considerada um importante marco do 
direito internacional. E o é justamente porque os tratados celebrados naquela ocasião 
reconheceram pela primeira vez o poder soberano dos Estados sobre seus territórios, excluindo 
qualquer ingerência externa. 
A soberania é, portanto, atributo essencial do Estado, garantindo que sua vontade não se subordine 
a qualquer outro poder nos planos interno e internacional. Com efeito, na ordem jurídica 
internacional não existe um poder superior ao dos Estados, o que torna a sociedade internacional 
descentralizada. Os Estados são independentes para definir sua política interna, bem como suas 
ações no plano internacional. 
A soberania guarda correlação direta com o princípio da igualdade entre os Estados, o qual está 
insculpido na Carta das Nações Unidas. Nas palavras de Portela20, o poder soberano representa uma 
“supremacia sobre pessoas, bens e relações jurídicas dentro de um determinado território”. 
Todavia, percebe-se, na atualidade, uma flexibilização do conceito de soberania. Não cabe mais falar 
em poder ilimitado do Estado, uma vez que a ordem jurídica interna e mesmo a ordem jurídica 
internacional impõem restrições à ação estatal. 
O direito internacional humanitário é, atualmente, um campo em que se pode perceber uma 
destacada interferência internacional nas questões internas. A título ilustrativo, destacamos a 
autorização do Conselho de Segurança da ONU para a intervenção armada na Líbia, em razão das 
violações aos direitos humanos cometidas pelo governo ditatorial daquele país. 
3.2.!CLASSIFICAÇÃO DOS ESTADOS: 
Podemos classificar os Estados em dois grupos no que se refere à sua estrutura: simples e compostos 
– sendo que estes últimos podem ser subdivididos em compostos por coordenação e compostos por 
subordinação. Vejamos o que significa cada um desses conceitos! 
Os Estados simples ou unitários são aqueles que possuem completa soberania no tocante às 
questões no plano internacional e, ao mesmo tempo, não apresentam divisões de autonomia no 
tocante às questões internas. Trata-se da forma mais comum de Estado, sendo o tipo existente na 
 
19 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008 
20 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009 
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maioria dos Estados latino-americanos. Exemplos de Estados simples são Uruguai, Chile, Peru, 
Portugal e França. 
Modernamente, nos Estados simples, embora não haja unidades políticas autônomas, é comum 
haver uma descentralização administrativa. Assim, as decisões políticas estão concentradas no 
poder central e a execução das políticas é delegada a unidades administrativas sem autonomia. 
Nesse caso, trata-se de um Estado simples descentralizado. Ressaltamos que, quando o poder 
central é exercido com exclusividade e abrange todas as funções de índole administrativa, tratar-se-
á de um Estado simples centralizado. 
Os Estados compostos, por sua vez, se dividemem Estados compostos por coordenação e Estados 
compostos por subordinação. Como ponto comum a esses dois modelos de Estado, destacamos que 
eles congregam dentro de si vários Estados independentes ou províncias autônomas, sob a égide de 
um mesmo governo soberano. 
Os Estados compostos por coordenação são formados ou por uma associação de Estados soberanos 
ou ainda por uma união de estados federados. Nos Estados compostos por coordenação, a 
soberania é exercida somente pelo órgão central, sendo que cada um dos Estados conserva a 
autonomia em suas questões internas. Um exemplo bem claro de Estado composto por coordenação 
é o próprio Brasil, que possui inúmeras unidades estatais (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro...) 
que possuem apenas autonomia na ordem interna, com a conservação do poder soberano nas mãos 
da União. Outro exemplo seria uma confederação de Estados, diferenciando-se do modelo 
federativo pelo fato de que nesta os Estados que a compõem não perdem sua individualidade no 
plano internacional, continuando plenamente detentores de sua soberania. 
A Comunidade Britânica de Nações, embora seja uma associação de Estados, não pode ser 
classificada como um Estado composto por coordenação. Em verdade, todos os Estados integrantes 
da Comunidade Britânica de Nações são plenamente soberanos e dotados de igualdade política no 
plano internacional. 
As unidades estatais autônomas em uma federação não possuem personalidade jurídica de direito 
internacional, já que não possuem soberania. Mesmo que o ordenamento jurídico interno de um 
país outorgue competência para essas unidades estatais agirem no plano internacional, elas não 
adquirem personalidade jurídica de direito internacional, pois esta é uma regra de direito interno e 
quem, em última análise, irá responder no plano internacional será o poder central (União Federal). 
No Brasil, compete à União manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações 
internacionais. Apesar disso, admite-se que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios realizem 
operações externas de natureza financeira como, por exemplo, a aquisição de empréstimos junto 
ao BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento). Entretanto, tais operações 
possuem natureza contratual (e não convencional) e são condicionadas à atuação da União, pois faz-
se necessário a participação do Brasil na entidade e, ainda, a conclusão de um acordo de garantia. A 
realização desse tipo de operação externa de natureza financeira está, ainda, sujeita à autorização 
do Senado Federal, conforme art. 52, inciso V, da CF/88. 
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Os Estados compostos por subordinação não mais existem hoje em dia. Trata-se dos Estados 
vassalos, protetorados e Estados clientes. Tais Estados não possuíam soberania plena, donde vem o 
uso da expressão “composto por subordinação”. Nesse tipo de Estado, existe de um lado um ente 
dotado de plena soberania e de outro uma coletividade que dele depende. 
No século XX, com vistas a regularizar a situação das colônias, a Liga das Nações e a ONU 
estabeleceram a administração destas sob a forma de mandato e de tutela, respectivamente. As 
colônias eram territórios que passaram então a estar submetidos à administração de uma 
determinada soberania. Certas potências receberam o encargo de administrar estes territórios, 
promovendo-lhes o desenvolvimento até o momento em que reunissem condições de acesso à 
independência plena. O objetivo era descolonizá-los, momento em que passariam a gozar de plena 
soberania e, portanto, iriam adquirir personalidade jurídica de direito internacional. 
Devido ao exíguo tamanho de seus territórios, alguns Estados são chamados de micro-Estados. 
Citamos Andorra (468 km2), Liechtenstein (160 km2), San Marino (61 km2), Nauru (21 km2) e Mônaco 
(2 km2). Segundo Rezek21, não se pode negar que estes Estados sejam soberanos, já que suas 
instituições políticas são estáveis e seus regimes corretamente estruturados. Entretanto, por serem 
tão pequenos, partes expressivas das competências desses micro-estados são confiadas a outro 
Estado, normalmente um Estado vizinho, como a França, no caso de Mônaco. 
3.3.!NASCIMENTO DOS ESTADOS: 
Segundo Accioly22, o problema da formação dos estados é igualmente do domínio da história, da 
política e da sociologia, como do direito internacional. Uma importante questão é, portanto, saber 
como surgem os Estados. 
O modo de formação mais simples de um Estado ocorre através do estabelecimento permanente de 
certa população num território determinado. Isso ocorreria quando um território está desocupado 
(res nullius) e uma população o ocupa. Ou ainda, quando um território foi abandonado por antigos 
habitantes (res derelicta) e é ocupado por uma população. Durante a Antiguidade e a Idade Média, 
a ocupação de territórios desabitados foi uma forma bastante comum de aparecimento de um novo 
ente estatal e de aquisição de território por Estado já existente. Como exemplo, citamos a aquisição 
de terras na América por Portugal e Espanha. Atualmente, como não mais existem territórios 
desabitados, essa forma de surgimento de Estado caiu em desuso. 
Outra possibilidade de surgimento de Estados, bastante comum no passado, era por meio da guerra 
de conquista. Todavia, a conquista de um território pelas armas não é mais considerada legítima 
 
21 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008 
22 ACCIOLY, Hildebrando; SILVA, G.E do Nascimento & CASELLA, Paulo Borba. Manual de Direito Internacional Público, 
17ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2009 
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perante o direito internacional. Assim, essa forma de surgimento de Estados também caiu em 
desuso. 
Historicamente, observa-se alguns fenômenos pontuais quanto à expansão de domínio territorial, 
o que já ocorreu por meio de cessão onerosa (EUA comprou o Alasca da Rússia) ou mesmo através 
de decisão de uma organização internacional (o Estado de Israel foi criado por decisão da ONU). 
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) já foi levada a se manifestar por diversas vezes no que diz 
respeito a limites territoriais. Em suas decisões, a CIJ tem reiteradamente reconhecido o princípio 
do “uti possidetis juris”. Conforme afirma Rezek23, a CIJ não atribui território, limitando-se a dizer, à 
luz do direito, a quem pertence determinada área. 
Atualmente, o que é mais comum é a formação de um Estado a partir de três situações diferentes: 
a)! Quando um Estado surge ao se separar de um outro Estado do qual fazia parte 
(emancipação). O Brasil, por exemplo, era colônia de Portugal, tendo separado sua 
população e território deste com a independência conquistada em 1822. Os Estados 
Unidos e os países latino-americanos também surgiram desta forma, na maioria das vezes 
após guerras de libertação. No início de 2011, um referendo ocorrido no Sudão 
determinou o surgimento de um novo Estado: o Sudão do Sul. 
b)! Quando um Estado é dissolvido totalmente. Como exemplo, citamos o Império Austro-
Húngaro, que após a Primeira Guerra Mundial foi dissolvido, dando origem à Áustria, 
Hungria e Tchecoslováquia. A dissolução da União Soviética também resultou na criação 
de vários Estados, tais como a Federação Russa, a Ucrânia, a Geórgia e a Bielo-Rússia. 
c)! Quando dois ou mais Estados se fundem para formar um novo (fusão). Esse modo de 
formação ocorre quando um estado-núcleo absorve outrasentidades, passando a formar 
um novo estado. Essa fusão poderá ocorrer pacificamente ou por meio de conquistas. Um 
exemplo seria a Itália, que surgiu da fusão de Modena, Parma, Toscana e Reino de Nápoles 
ao Reino da Sardenha e Piemonte. 
3.4.!O CONCEITO DE SOBERANIA DE HUBER NA DECISÃO ARBITRAL NO CASO HOLANDA V. EUA 
DE 1928. 
O Caso Ilha de Palmas envolveu EUA e Holanda em uma controvérsia que foi decidida em 1928, por 
arbitragem internacional. É um caso célebre no direito internacional, que envolveu uma disputa 
territorial sobre uma pequena ilha situada no Oceano Pacífico: a Ilha de Palmas (ou Miangas). 
 
23 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008. 
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Em 1526, em sua expansão marítima, a Espanha descobriu a Ilha de Palmas, adquirindo o seu 
domínio, por se tratar de res nullius (“terra de ninguém”). Após o descobrimento, todavia, a Espanha 
não exerceu efetivamente sua soberania sobre a Ilha de Palmas. 
A Holanda, por outro lado, por meio da Companhia das Índias Orientais celebrou acordos com os 
príncipes nativos em 1677, exercendo sem nenhuma oposição, sua soberania sobre a região. 
Em 1898, com o objetivo de colocar um fim à Guerra Hispano-Americana, foi celebrado o Tratado 
de Paris entre EUA e Espanha. Por meio desse tratado, a Espanha cedeu aos EUA vários territórios, 
inclusive a Ilha de Palmas. 
Surge, então, a questão central que deu origem à controvérsia: a Espanha teria direitos soberanos 
sobre a Ilha de Palmas e, portanto, poderia cedê-la aos EUA? 
Em 1925, EUA e Holanda celebraram um acordo por meio do qual decidiram que a questão seria 
submetida à Corte Permanente de Arbitragem. O que se buscava saber era se a Ilha de Palmas 
integrava o território dos EUA ou se estava sujeita à soberania holandesa. 
Os EUA alegavam que haviam recebido a Ilha de Palmas por meio de tratado firmado com o legítimo 
“descobridor” da ilha. Defendiam a tese de que a descoberta territorial garantia à Espanha a 
propriedade da ilha. Além disso, invocavam o princípio da contiguidade, argumentando que a Ilha 
de Palmas estaria mais próxima das Filipinas (cedida aos EUA pelo Tratados de Paris) do que da 
Holanda. 
A Holanda, por sua vez, argumentava que, ainda que se considerasse que a Ilha de Palmas teria sido 
descoberta pela Espanha, esta não havia exercido efetivamente sua soberania sobre aquele 
território. Ao contrário, a Holanda exercia a soberania sobre aquele território sem qualquer oposição 
há bastante tempo, pelo menos desde 1677. 
A decisão coube ao jurista Max Huber, árbitro responsável pelo caso. Segundo Max Huber, uma 
controvérsia a respeito da soberania em relação a determinado território deve ser resolvida 
examinando-se qual dos Estados litigantes possui um título aquisitivo mais forte. 
Na situação apresentada, Max Huber concluiu que: 
a)! O título aquisitivo oriundo do descobrimento é apenas um título incipiente, que precisa 
ser completado por uma ocupação efetiva e por um prazo razoável. 
b)! A ocupação territorial pacífica e sem oposição por um lapso temporal expressivo é título 
aquisitivo mais forte do que o descobrimento. 
c)! O título derivado da contiguidade não possui fundamento no Direito Internacional 
Público. 
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d)! À época em que a Espanha cedeu a Ilha de Palmas aos EUA, ela não detinha a soberania 
sobre aquele território. Logo, deve ser reconhecida a soberania holandesa sobre a ilha. 
 
16.!(MPF / Procurador da República – 2011) 
Na linha de raciocínio da decisão arbitral internacional no caso da Ilha de Palmas (Island of 
Palmas arbitration case, EEUU v. Países Baixos, 1928): 
a) a descoberta territorial é título aquisitivo mais forte do que ocupação pacifica e inconteste 
posterior; 
b) a descoberta territorial confere ao descobridor posse definitiva do território descoberto, por 
se tratar de res nullius e, assim, apropriável por quem o achar; 
c) a ocupação pacifica e inconteste por lapso de tempo expressivo é título de aquisição 
territorial mais forte do que a descoberta; 
d) a ocupação pacifica e inconteste por lapso de tempo expressivo é título de aquisição 
territorial que equivale ao da descoberta. 
Comentários 
Letra A: errada. A mera descoberta territorial não é suficiente para garantir a propriedade do 
território. Há necessidade de se exercer efetivamente a soberania sobre aquele território. 
Letra B: errada. O título derivado do descobrimento é apenas incipiente, necessitando ser 
completado por uma ocupação efetiva e por prazo razoável. 
Letra C: correta. Segundo a decisão de Max Huber, a ocupação pacifica e inconteste por lapso de 
tempo expressivo é título de aquisição territorial mais forte do que a descoberta. 
Letra D: errada. A ocupação territorial pacífica e inconteste é título aquisitivo mais forte que a 
descoberta. 
Gabarito: letra C 
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3.5.!EXTINÇÃO E SUCESSÃO DE ESTADOS: 
Segundo Valério Mazzuoli24, a extinção dos Estados pode ser total ou parcial. A extinção total seria 
aquela em que o Estado perde um de seus elementos constitutivos essenciais, o que coloca um fim 
em sua personalidade jurídica de direito internacional. A extinção parcial, por sua vez, ocorre 
quando o Estado perde parcela de sua soberania, tornando-se semi-soberano. Parte da doutrina 
entende, todavia, que não há que se falar em extinção parcial, mas tão somente em extinção total. 
As principais formas de extinção de um Estado são a anexação total ou parcial, a fusão e o 
desmembramento. Com o desaparecimento do ente estatal, surge a necessidade de definir o que 
ocorre em relação aos seus bens e obrigações, assim como no que diz respeito aos compromissos 
que tenha assumido internacionalmente. Trata-se do problema da sucessão de Estados, que é 
regulado por normas consuetudinárias e convencionais. 
A sucessão em matéria de tratados é regulada pela Convenção das Nações Unidas sobre a Sucessão 
de Estados em matéria de Tratados de 1978, que ainda não está em vigor para o Brasil. Essa 
convenção estabelece, como regra geral, que a sucessão é regulada pelo texto do próprio tratado, 
dependendo, ainda, da forma pela qual se extinguiu o Estado. 
Vejamos algumas situações hipotéticas: 
a)! O Estado X e o Estado Y se unem para formar o Estado Z (fusão de Estados). Nessa 
situação, o que ocorre com as obrigações assumidas pelos Estados X e pelo Estado Y 
(tratados bilaterais e multilaterais)? Salvo disposição contrária, todos os tratados 
multilaterais de que o Estado X e o Estado Y faziam parte passam a obrigar também o 
Estado Z. Já em relação aos tratados bilaterais, estes poderão continuar a existir, a 
depender do interesse dos outros Estados que deles eram partes contratantes. 
b)! O Estado X deixa de existir, dando origem aos Estados Y e Z (desintegração). Mais uma 
vez perguntamos: e agora, o que ocorrerá com as obrigações assumidas pelo Estado X? 
Nessa situação, os Estados sucessores Y e Z não serão obrigados a cumprir os tratados 
multilaterais de que X era parte. Todavia, existe a possibilidade de que eles se obriguem 
a eles por meio de adesão feita por “notificação de sucessão”. Em relaçãoaos tratados 
bilaterais, somente será possível a sucessão caso a outra parte se manifeste 
favoravelmente à intenção do sucessor. 
c)! O Estado X continua existindo, mas surge o Estado Y a partir do desmembramento de 
parte do território do Estado X (secessão). Nesse caso, o Estado Y não sucederá o Estado 
X nos tratados bilaterais, salvo se houver interesse das partes. Já nos tratados 
 
24 MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público, 4ª ed. São Paulo: Editora Revista dos 
Tribunais, 2010 
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multilaterais, a sucessão fica na dependência de aprovação de “notificação de sucessão” 
feita pelo Estado Y. 
 
17.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
O Estado J perdeu, por secessão, parte de seu território, surgindo um novo Estado, K. Nessa 
situação, o Estado K não sucede o Estado J nos acordos bilaterais firmados por este e deve 
enviar uma notificação de sucessão para aderir aos tratados coletivos, observados, neste 
último caso, os limites impostos para o ingresso de novos Estados-partes. 
Comentários 
Nesse caso, o Estado K não sucede o Estado J nos acordos bilaterais, a menos que haja interesse 
entre as partes. Já nos acordos multilaterais, o Estado K deverá emitir uma notificação de sucessão, 
a ser aprovada pelos demais contratantes. 
Gabarito: certa 
18.!(OAB 2006.2) 
No caso de sucessão de Estados, a convenção da ONU que trata da sucessão em matéria de 
tratados tem por princípio básico que os tratados são transmissíveis obrigatoriamente. 
Comentários 
A regra geral prevista na convenção da ONU que trata do assunto é que a sucessão é regulada pelo 
texto do próprio tratado. 
Gabarito: errada 
3.6.!DIREITOS DOS ESTADOS: 
Quando um Estado nasce e ingressa no plano internacional, ele passa a gozar dos direitos 
reconhecidos pelo direito internacional, bem como se obriga aos deveres por estes impostos. 
Segundo a moderna doutrina do direito internacional, em respeito ao princípio da isonomia, não há 
que se discutir a igualdade jurídica entre os Estados, de forma que os direitos de que podem gozar 
os Estados mais poderosos, também o poderão os mais fracos. Os principais direitos fundamentais 
são os enumerados a seguir: 
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 24 
 
a)! Direito à liberdade: O direito à liberdade confunde-se com o conceito de soberania, que 
hoje é entendida como uma noção relativa. Os Estados têm soberania em seus assuntos 
internos (soberania interna) e no plano internacional (soberania externa). Ser soberano 
no plano interno significa ter liberdade de organização política (escolha da melhor forma 
de governo), formular suas próprias leis, aplicar a justiça às pessoas e coisas que se 
encontram em seu território e ainda ter o domínio sobre este. Por sua vez, a soberania no 
plano internacional significa a capacidade que tem um Estado de celebrar acordos 
internacionais, de declarar guerra e paz e de estabelecer relações diplomáticas. 
O Estado possui, portanto, capacidade de autodeterminação, isto é, capacidade de definir seu 
próprio destino de maneira livre. Ele não reconhece nenhuma vontade acima de si próprio. 
Entretanto, não cabe mais afirmar que a soberania é absoluta, uma vez que a sociedade 
internacional é regida por normas jurídicas às quais o Estado deve se submeter. 
b)! Direito à igualdade: Todos os Estados são iguais perante o direito internacional, sendo 
isso declarado em diversas normas de direito positivo, como por exemplo a Carta da ONU, 
que estabelece em seu preâmbulo que a referida Organização “é baseada no princípio da 
igualdade soberana de todos os seus Membros”. As principais consequências da 
igualdade jurídica entre os Estados são: 
•! Todos os Estados terão direito de voto em questões decididas em âmbito internacional 
e cada voto terá o mesmo peso. Perceba-se que tal preceito não se aplica às decisões 
tomadas pelo Conselho de Segurança da ONU, órgão no qual os membros 
permanentes possuem poder de veto. 25 
•! Nenhum Estado pode reclamar jurisdição sobre outro, ou seja, existem certos assuntos 
que são da esfera de atuação exclusiva de um Estado, não tendo os outros qualquer 
ingerência sobre estes. 
c)! Direito ao respeito mútuo: O direito ao respeito mútuo consiste no direito de um Estado 
de ser tratado com consideração pelos demais Estados e de exigir que seus direitos sejam 
respeitados. Com base nesse princípio, um Estado não deve atentar contra a integridade 
territorial de outro, nem violar suas fronteiras. 
d)! Direito de defesa e conservação: Segundo Accioly, o direito de defesa e conservação 
abrange todos os atos necessários à defesa do estado contra os inimigos internos ou 
externos, tais como a adoção de leis penais, a organização de tribunais repressivos, a 
prática de medidas de ordem policial, a expulsão de estrangeiros nocivos à ordem ou à 
segurança públicas, a proibição da entrada de indesejáveis, a celebração de alianças 
defensivas e a organização da defesa nacional. 
 
25 Na aula sobre Organizações Internacionais, estudaremos mais detalhadamente sobre o Conselho de Segurança da 
ONU. 
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O direito à defesa e à conservação não é, no entanto, absoluto, mas limitado pelo direito à existência 
e à conservação dos outros Estados. O uso unilateral da força, mesmo em casos de legítima defesa, 
tem limites estritamente estipulados pelo direito internacional. Dessa forma, a legítima defesa 
somente existe em face de uma agressão injusta e atual contra a qual o emprego da violência é o 
único recurso possível. 
e)! Direito internacional do desenvolvimento: A igualdade jurídica entre os Estados 
contrastava, e muito, com a realidade do desenvolvimento desigual entre estes. 
Percebendo que a apregoada igualdade jurídica levava à criação de cada vez maior 
desigualdade econômica, o direito internacional passou a levar em consideração o direito 
do desenvolvimento. Isso representa uma tentativa de reduzir o desequilíbrio entre os 
países mais desenvolvidos e os países em desenvolvimento. 
É possível perceber na ordem jurídica internacional diversos dispositivos cujo objetivo é promover a 
inserção equitativa dos países em desenvolvimento na economia internacional. A título de exemplo, 
citamos os acordos internacionais firmados no âmbito da OMC, que preveem um tratamento 
especial e diferenciado a favor dos países em desenvolvimento. Citamos também a UNCTAD 
(Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), organização internacional 
criada para “olhar o lado” das economias menos favorecidas. 
f)! Direito de jurisdição: Todo Estado tem o direito de exercer sua jurisdição no seu território 
e sobre sua população. O Estado exerce no seu domínio territorial todas as competências 
de ordem legislativa, administrativa e jurisdicional (F. Rezek). Portanto, ele exerce a 
generalidade da jurisdição. 
3.7.!DEVERES DOS ESTADOS: 
A grande ênfase da doutrina é colocada nos direitos internacionais dos Estados, mas seria mais 
coerente com o fundamento do direito internacional se o foco fosse nos deveres. 
O dever fundamental dos Estados, em respeito à autodeterminação dos povos é o da não-
intervenção. Accioly26conceitua intervenção da seguinte forma: 
“Intervenção em direito internacional é a ingerência de um Estado nos negócios peculiares, internos 
ou externos, de outro Estado soberano com o fim de impor a este a sua vontade.” 
Podemos enumerar três características de uma intervenção: 
a)! Imposição da vontade exclusiva do Estado que a pratica 
 
26 ACCIOLY, Hildebrando; SILVA, G.E do Nascimento & CASELLA, Paulo Borba. Manual de Direito Internacional Público, 
17ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2009 
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b)! Existência de dois ou mais Estados soberanos 
c)! Ato abusivo, isto é, não baseado em compromisso internacional. 
Embora o dever por excelência dos Estados seja o de não-intervenção, ao longo do tempo, várias 
foram as intervenções ocorridas com a invocação de diferentes motivos, sejam eles humanitários, 
para proteção de nacionais ou como forma de sanção. 
Vejamos algumas formas de intervenção julgadas legítimas pelo direito internacional: 
a)! Intervenção em nome do direito de defesa e de conservação: Todo Estado tem o direito 
de adotar medidas visando à sua defesa e conservação. No entanto, essas medidas são 
limitadas pelo direito internacional e pela Carta da ONU, que regula os limites da legítima 
defesa. 
b)! Intervenção para a proteção dos direitos humanos: A Carta das Nações Unidas e a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, ao reconhecerem internacionalmente os 
direitos humanos, deram-lhes uma grande importância no plano internacional. Tal 
importância a que foram alçados, que aumenta gradativamente com o passar dos tempos, 
tem levado alguns governos a julgar que seu desconhecimento é motivo para uma 
intervenção. 
c)! Intervenção para a proteção de interesses de nacionais: A Convenção de Viena sobre 
Relações Diplomáticas de 1961 estabelece que todo Estado tem o direito de proteger os 
seus nacionais no exterior. A proteção desses nacionais no exterior deve ser realizada 
eminentemente por meio de missões diplomáticas. O que ocorre, no entanto, é que a 
proteção diplomática vem acompanhada muitas vezes de outros meios de pressão, tais 
como a adoção de restrições econômico-financeiras ou mesmo envio de tropas armadas. 
Ainda sobre a não-intervenção, é importante destacarmos a existência de duas doutrinas: 
a)! Doutrina Monroe: Em 1823, o Presidente dos Estados Unidos James Monroe enumerou 
uma série de princípios destinados a dirigir a política exterior do país, dentre os quais 
destacam-se: 
O continente americano não pode se sujeitar, no futuro, à ocupação por nenhuma potência 
europeia. 
É inadmissível a intervenção de potência europeia nas questões internas ou externas de qualquer 
país americano. 
Os Estados Unidos não intervirão nas questões pertinentes a qualquer país europeu. 
A Doutrina Monroe, como se vê, foi a criadora, entre os países da América Latina, da ideia do 
princípio da não-intervenção. Posteriormente, com o fortalecimento dos Estados Unidos, a doutrina 
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Monroe foi perdendo a razão de ser para este país e os Estados Unidos passaram a ter um novo 
ponto de vista sobre a questão da não-intervenção. Como forma de justificar a intervenção por ele 
realizada nos países da América Latina, apoiava-se na ideia de que tinham o direito de intervir nos 
países latino-americanos a fim de evitar que qualquer potência estrangeira o fizesse. 
b)! Doutrina Drago: A Venezuela teve seus portos bombardeados em 1902 por potências 
europeias com o objetivo de que este país pagasse as dívidas que havia contraído. Essa 
atitude causou profunda indignação nos países latino-americanos, o que motivou o 
Ministro das Relações Exteriores da Argentina a pronunciar-se, criando a ideia que passou 
a ser conhecida por Doutrina Drago. Segundo Drago, “a dívida pública não pode motivar 
a intervenção armada e, ainda menos, a ocupação material do solo das nações 
americanas por uma potência europeia.” 
Por fim, destacamos que dentre os princípios proclamados pela Carta das Nações Unidas encontra-
se o seguinte, relacionado com a não-intervenção: 
“Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força 
contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer estado ou outra ação 
incompatível com os propósitos das Nações Unidas.” 
Não se considera haver intervenção quando uma ação coletiva decorre de compromisso assumido 
formalmente em tratado multilateral, como por exemplo a Carta da UNU, que confere ao Conselho 
de Segurança poderes para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. 
 
3.7.1.!Intervenção – A decisão da Corte Internacional de Justiça no caso Nicarágua v. EUA 
de 1986. 
Em 1984, a Nicarágua acionou os EUA perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), alegando que 
este havia violado suas obrigações internacionais ao financiar diversas ações militares e 
paramilitares de grupos armados de oposição ao governo da Frente Sandinista de Libertação 
Nacional. A Nicarágua alegava que os EUA teriam, inclusive, apoiado a colocação de minas em portos 
nicaraguenses e o ataque contra portos e instalações petrolíferas. 
O caso ficou conhecido como “Atividades militares e paramilitares contra o Governo da Nicarágua” 
e enseja a discussão de diversos temas relativos ao Direito Internacional. 
A Nicarágua alegava que os EUA teriam violado o art. 2º, parágrafo 4º, da Carta da ONU, segundo 
o qual “todos os membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da 
força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou qualquer 
outra ação incompatível com os propósitos das Nações Unidas”. Além disso, teria havido violação 
ao costume internacional que proíbe o uso da força. A intervenção norte-americana em assuntos 
internos da Nicarágua também constituiria uma violação às disposições da Carta da OEA. 
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Em sua defesa, os EUA alegavam que a questão levantava pontos de natureza política, e não de 
natureza jurídica. Portanto, a controvérsia não deveria ser submetida à Corte Internacional de 
Justiça, mas sim aos órgãos políticos da ONU e da OEA. Além disso, os EUA argumentavam que a 
Nicarágua estaria concedendo apoio a grupos armados de países vizinhos (como El Salvador), bem 
como realizando incursões armadas contra outros Estados vizinhos (como Honduras e Costa Rica). 
Com base nisso, os EUA invocavam o exercício da legítima defesa coletiva (art. 51, da Carta da ONU). 
Antes de analisar a decisão da CIJ, vale a pena tecer alguns comentários acerca da jurisdição desse 
Tribunal. Conforme já sabemos, os Estados soberanos não são originalmente jurisdicionáveis 
perante nenhuma Corte internacional. Eles precisam, voluntariamente, decidir se submeter à 
jurisdição internacional. 
A jurisdição da CIJ também não é compulsória. No Estatuto da CIJ, há uma cláusula à qual podem 
aderir os Estados. Uma vez tendo aderido, irão se submeter à jurisdição daquele Tribunal, sendo 
possível que façam algumas reservas e especificações. 
Segundo Rezek, ao renovarem seu compromisso em 1984, os EUA fizeram uma curiosa ressalva a 
essa cláusula: a de que a aceitação da competência da CIJ não abarcaria conflitoscom países da 
América Central.27 No caso Nicarágua versus EUA, apesar da contestação do Estado reclamado, a CIJ 
afirmou sua competência. Insistindo na incompetência da CIJ, os EUA abandonaram o processo e se 
retiraram do caso em janeiro de 1985. 
A CIJ prosseguiu no exame da controvérsia, chegando às seguintes conclusões: 
a)! O apoio financeiro, logístico e militar dos EUA tinha o objetivo de derrubar o governo da 
Nicarágua, o que representava uma violação ao princípio da não-intervenção. 
b)! Os ataques contra portos e instalações petrolíferas e a colocação de minas em portos 
violaram a proibição do uso da força. Essas condutas representaram uma violação à 
soberania da Nicarágua. 
c)! Nenhum Estado vizinho à Nicarágua solicitou ajuda aos EUA, motivo pelo qual não se pode 
falar em exercício de legítima defesa coletiva. 
d)! A CIJ condenou os EUA a reparar os prejuízos causadas à Nicarágua. 
3.7.2.!Caso Lotus, decidido pelo Tribunal Permanente de Justiça Internacional em 1927. 
O Caso Lótus, julgado pela Corte Permanente de Justiça Internacional (CPJI) em 1927, foi a expressão 
máxima do positivismo no Direito Internacional. Em um breve resumo, o que aconteceu foi o 
seguinte. 
 
27 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 
361. 
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 29 
 
Embarcação francesa (S.S Lótus) colidiu com um barco turco (Bouz Kourt) em alto mar, o qual partiu-
se em dois. Os franceses se esforçaram para salvar os marinheiros turcos. Morreram 8 marinheiros 
turcos; 10 marinheiros foram salvos. A embarcação francesa (S.S Lótus) seguiu sua viagem até 
Constantinopla. O comandante francês foi preso pelas autoridades turcas. 
A França recorreu à CPJI, alegando que não haveria norma de direito internacional que permitisse 
que o comandante da embarcação francesa fosse julgado pelas autoridades turcas. O acidente, 
afinal, teria ocorrido em alto mar, fora da jurisdição da Turquia. 
A CPJI, ao examinar a controvérsia, concluiu que as restrições impostas à independência dos Estados 
não são presumidas. Em outras palavras, não se poderia presumir que a Turquia não poderia 
processar e julgar o francês pelo ilícito ocorrido em alto mar. Assim, a legislação turca (que 
autorizava esse julgamento) deveria ser obedecida, a não ser que houvesse norma expressa de 
direito internacional impedindo o julgamento. Segundo a CPJI, não se pode presumir que exista uma 
norma limitando a independência do Estado. 
No caso Lótus, ficou consignado que os Estados têm liberdade para estabelecer sua jurisdição penal 
sobre qualquer fato, mesmo que este ocorra no exterior. Em outras palavras, o exercício da 
jurisdição penal internacional pelos Estados é livre, mas tem natureza territorial. Não podem os 
Estados, dessa forma, exercer jurisdição sobre o território de outro Estado. 
 
19.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados-2002) 
A não ser em situações especiais, como o desrespeito às normas de comércio internacional, os 
Estados têm o dever de não intervir nos assuntos internos de outros Estados. 
Comentários 
Segundo a doutrina, o desrespeito às normas de comércio internacional não enseja intervenção. 
Gabarito: errada 
3.8.!RECONHECIMENTO DE ESTADO X RECONHECIMENTO DE GOVERNO: 
3.8.1.!Reconhecimento de Estado: 
Uma vez que tenham sido reunidos os elementos que constituem o Estado (território, população e 
governo soberano), o governo da nova entidade buscará o seu reconhecimento pela comunidade 
internacional. Tal reconhecimento nem sempre é algo simples e pode demorar anos e anos para ser 
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conquistado. Citamos o exemplo do Brasil, que teve sua independência proclamada em 1822, mas 
só obteve reconhecimento de Portugal em 1825. 
Segundo Mazzuoli28, o reconhecimento de um Estado é um direito que este possui e, ao mesmo 
tempo, um dever dos outros componentes da sociedade internacional. Nesse sentido, só caberia o 
não-reconhecimento quando um Estado tiver sido criado em desacordo com o direito internacional. 
Opondo-se a essa tese, Portela29 considera que o reconhecimento é ato discricionário do Estado. 
Essa última posição é a que consideramos mais segura para a prova, embora seja importante 
conhecer o debate doutrinário em torno dessas duas visões. 
“Mas Ricardo, o que significa reconhecer um Estado?” 
O reconhecimento significa a decisão do governo de um Estado já existente de aceitar outra entidade 
como equivalente a si próprio. É um ato jurídico unilateral, de natureza política, nem sempre 
explícito, por meio do qual um Estado demonstra que acredita estar presente em uma entidade a 
personalidade jurídica de direito internacional idêntica à que possui. O art. 14 da Carta da OEA 
referenda esse entendimento, dispondo que “O reconhecimento significa que o Estado que o 
outorga aceita a personalidade do novo Estado com todos os direitos e deveres que, para um e outro, 
determina o direito internacional.” 
Segundo a doutrina dominante, o ato de reconhecimento do Estado tem natureza meramente 
declaratória e não constitutiva. 
“E o que quer dizer essa natureza declaratória, Ricardo?” 
A natureza declaratória quer dizer, meus amigos, que o organismo que reúna todos os elementos 
constitutivos do Estado tem o direito de ser assim considerado e não deixa de possuir a qualidade 
de Estado pelo fato de assim não ser reconhecido. Ou seja, a existência do Estado precede o seu 
reconhecimento. Esse também é o entendimento do art.13 da Carta da OEA, que afirma que: “A 
existência política do Estado é independente do seu reconhecimento pelos outros Estados.” 
Apesar desse entendimento, existem autores, como Marcelo Dias Varella30, que afirmam que o 
reconhecimento do Estado tem natureza constitutiva. Segundo essa visão, o reconhecimento 
funcionaria como uma forma de controle dos Estados mais poderosos sobre o surgimento de outros 
entes estatais. 
O reconhecimento do Estado pode ocorrer de formas bem diversificadas, não havendo uma regra 
que determine como este deve ser feito. Assim, poderá haver o reconhecimento expresso ou o 
 
28 MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público, 4ª ed. São Paulo: Editora Revista dos 
Tribunais, 2010 
29 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009 
30 VARELLA, Marcelo Dias. Direito Internacional Público, São Paulo: Saraiva, 2009 
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reconhecimento tácito. Ou ainda, poderá haver o reconhecimento mútuo ou por meio de um 
tratado bilateral em que dois Estados pactuantes reconhecem a existência de um terceiro. 
O reconhecimento de um Estado pode ser coletivo ou individual. Será ele individual quando o ato 
de reconhecimento for emanado de um Estado isoladamente. Por sua vez, será coletivo quando o 
reconhecimento for concedido em um mesmo ato por dois ou mais Estados. 
O ato de reconhecimento de um Estado opera efeitos retroativos (ex tunc). Assim, ao reconhecer a 
existência de um Estado, o outro Estado reconhece como válidos todos os atos dele emanados desde 
o momento em que presentes todos os elementosconstitutivos próprios da entidade estatal. 
Outra característica do ato de reconhecimento de Estado é que ele possui natureza irrevogável. 
Assim, se um Estado X manifestou seu reconhecimento em relação a um Estado Y, não dá pra voltar 
atrás, ainda que tenha havido a ruptura das relações diplomáticas entre eles. 
“Tudo bem Ricardo, eu entendi até agora! Mas o que implica o reconhecimento do Estado?” 
Excelente pergunta! Se o Estado não obtém o reconhecimento pela sociedade internacional, sua 
participação na ordem jurídica global fica limitada. Com efeito, ele não poderá exercer algumas das 
prerrogativas tipicamente estatais, como celebrar tratados, manter relações diplomáticas e fazer 
parte de organizações internacionais. 
O reconhecimento implica que o Estado que o outorga aceita a personalidade do novo Estado com 
todos os direitos e deveres que, para um e outro, determina o direito internacional. O 
reconhecimento mútuo é condição sine qua non para a celebração de tratados bilaterais. Já no que 
diz respeito à celebração de tratados multilaterais, o fato de um Estado dele ser parte não implica 
no reconhecimento de todos os demais pactuantes. Vamos entender melhor isso com alguns 
exemplos! 
a)! Se o Estado X não tem o reconhecimento por parte do Estado Y, os dois não poderão 
celebrar tratados bilaterais entre si. Mas se o mesmo Estado X for reconhecido pelo Estado 
Z, com este já será possível a celebração de um tratado bilateral. 
b)! Se o Estado X não for reconhecido pelo Estado Y e pelo Estado Z, mas for reconhecido 
pelos Estados A e B, não há empecilho para que estes cinco Estados celebrem entre si um 
tratado multilateral. 
 
20.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados-2002) 
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A personalidade jurídica internacional de um Estado é constituída a partir do seu 
reconhecimento pelos demais Estados da sociedade internacional. 
Comentários 
A personalidade jurídica de direito internacional dos Estados independe de seu reconhecimento. 
Conforme já comentamos, o ato de reconhecimento de Estado tem natureza meramente 
declaratória. 
Gabarito: errada 
21.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
Um Estado tornou-se independente recentemente. Nessa situação, para que esse Estado seja 
digno de reconhecimento pelos demais Estados da sociedade internacional, é necessário que 
ele possua população, território, governo e soberania, além de ter seu pedido de 
reconhecimento aceito pelos demais Estados até cinco anos a contar da data de sua 
independência. 
Comentários 
É possível que um Estado seja reconhecido por alguns Estados e por outros não. Adicionalmente, a 
existência de um Estado prescinde de seu reconhecimento pela sociedade internacional. 
Gabarito: errada 
22.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
Em 1970, o Estado A tornou-se independente, recebendo, em 1972, o reconhecimento do 
Estado B. Em 1980, esses dois estados romperam relações diplomáticas por defenderem 
interesses comerciais divergentes. Nessa situação, o Estado B, segundo o direito internacional, 
pode revogar o reconhecimento anteriormente declarado. 
Comentários 
O ato de reconhecimento do Estado possui natureza irrevogável, motivo pelo qual a questão está 
errada. 
Gabarito: errada 
23.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
Um Estado é recém-independente. Nessa situação, dois outros Estados podem, segundo o 
direito internacional, celebrar um tratado internacional para exprimir o reconhecimento 
conjunto do Estado recém-independente. 
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Comentários 
O reconhecimento de Estado pode ser individual ou coletivo. Ele será coletivo quando, em um 
mesmo ato, dois ou mais Estados concederem seu reconhecimento. Uma das formas de externar o 
reconhecimento de Estado é por meio da celebração de tratado internacional. 
Gabarito: certa 
24.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
O Estado X, situado no continente americano, tornou-se independente em 2000. Em 2003 o 
Estado Y, também situado no continente americano, declarou o reconhecimento do Estado X. 
Nessa situação, somente a partir do referido reconhecimento os atos emanados pelo Estado X 
serão aceitos como válidos pelos tribunais do Estado Y. 
Comentários 
Os atos do Estado X serão reconhecidos como válidos desde o momento em que presentes no Estado 
X os elementos constitutivos de Estado, ou seja, desde 2000. Em outras palavras, o ato de 
reconhecimento de Estado opera efeitos retroativos, ou falando mais bonito, tem efeitos “ex tunc”. 
Gabarito: errada 
25.!(AGU/2002 - CESPE) 
“Quando soarem as doze badaladas da meia-noite do dia 19/05/2002, o mundo acolherá com 
satisfação o Timor Leste na família das nações. Será um momento histórico para o Timor Leste 
e para as Nações Unidas. Um povo orgulhoso e tenaz realizará o sonho comum a todos os povos 
de viver como homens e mulheres livres com um governo que eles mesmos escolheram.” – 
Kofi Annan, Secretário-Geral da ONU. 
A partir do texto acima, julgue os itens que se seguem: 
( ) Para satisfazer a condição de Estado, tal como prescreve o Direito Internacional Público, o 
Timor Leste deve possuir: território, população, governo, independência na condução das suas 
relações externas e reconhecimento dos demais atores que compõem a sociedade nacional. 
( ) Para o direito das gentes, o ingresso nas Nações Unidas é condição necessária para que um 
Estado possa ser considerado sujeito de Direito Internacional. 
( ) A população de um país é o conjunto de pessoas (nacionais e estrangeiras) fisicamente 
instaladas em seu território. 
( ) O governo timorense deve ser reconhecido pelos demais membros da comunidade 
internacional como condição necessária para o reconhecimento do novo Estado. 
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Comentários 
A primeira assertiva está errada, já que considerando as ideias de Rezek, para que exista um Estado, 
basta que exista um território, um povo e um governo soberano. Ademais, o reconhecimento do 
Estado é ato meramente declaratório e não constitutivo. A existência do Estado precede o seu 
reconhecimento pela comunidade internacional. 
A segunda assertiva está errada, já que não existe o requisito de ingresso nas Nações Unidas para 
que um Estado seja reconhecido como tal. Novamente: basta um território, um povo e um governo 
soberano. 
A terceira assertiva está certa. A população é formada pelos indivíduos que estão fisicamente 
instalados no território de um Estado. Esse conceito difere de povo, que se refere aos nacionais de 
um Estado, quer estes vivam no território nacional, quer vivam no exterior. 
A quarta assertiva foi considerada errada pela banca, mas acreditamos que ela está correta. Basta 
pensarmos que os elementos constitutivos do Estado são povo, território e governo. Se a 
comunidade internacional não reconhecer o governo timorense, automaticamente não estará 
reconhecendo o Timor Leste como Estado. 
Gabarito: FFVF 
3.8.2.!Reconhecimento de Governo: 
Enquanto o reconhecimento de Estado ocorre quando do nascimento deste, o reconhecimento de 
governo tem premissas diferentes. Em uma situação em que há necessidade de reconhecimento de 
governo, o Estado já existe e é reconhecido no plano internacional como dotado de personalidade 
jurídica de direito internacional. 
O que ocorre,no entanto, é uma ruptura da ordem política vigente e instauração de um novo 
modelo de poder, por meio de uma revolução ou de um golpe de Estado. A ruptura da ordem política 
é marcada, portanto, por um fato que é contrário às prescrições constitucionais vigentes no 
momento. Não há que se falar em reconhecimento de governo quando, por meio de eleições, um 
novo partido ascende ao controle político de um país. 
Em relação ao reconhecimento de governo, destacam-se duas teorias principais: a doutrina Tobar e 
a doutrina Estrada. 
A doutrina Tobar provém do pensamento do Ministro das Relações Exteriores da República do 
Equador Carlos Tobar, segundo o qual os governos deveriam se recusar a reconhecer um governo 
que surja de uma mudança abrupta na ordem política até que este possua legitimidade popular. 
O pensamento de Carlos Tobar fica bem expresso nas linhas seguintes: 
“O meio mais eficaz para acabar com essas mudanças violentas de governo, inspiradas pela 
ambição, que tantas vezes têm perturbado o progresso e o desenvolvimento das nações 
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latino-americanas e causado guerras civis sangrentas, seria a recusa, por parte dos demais 
governos, de reconhecer esses regimes acidentais, resultantes de revoluções, até que fique 
demonstrado que eles contam com a aprovação popular.” 
Já a doutrina Estrada provém do pensamento do Secretário de Estado das Relações Exteriores do 
México, Genaro Estrada, segundo o qual os países não devem se pronunciar no sentido de outorgar 
reconhecimento de governo. Segundo a Doutrina Estrada, essa é uma prática desonrosa, que fere a 
soberania das nações e não se deve qualificar em momento algum o direito que têm os países de 
aceitar, manter ou substituir seus governos ou autoridades. A base da Doutrina Estrada é a não-
intervenção, a qual não proíbe a ruptura de relações diplomáticas com o Estado em que um novo 
governo foi instaurado. O que não deve ser feito, segundo essa teoria, é a formulação e manifestação 
expressa de juízo de valor sobre o governo estrangeiro. 
Comparando as duas doutrinas, percebemos que pela doutrina Tobar o reconhecimento de governo 
é expresso, enquanto na doutrina Estrada, o reconhecimento é tácito, já que não há juízo de valor 
expresso sobre a qualidade ou a legitimidade dos novos detentores do poder, mas tão somente uma 
ruptura ou manutenção das relações diplomáticas, conforme for julgado conveniente. 
Atualmente, os países têm utilizado em muito maior proporção a doutrina Estrada, não emitindo 
pronunciamentos a respeito da legitimidade dos novos governos. Na prática, a doutrina Tobar sofreu 
grande desgaste e é cada vez menos utilizada. O que se verifica nos dias de hoje é a simples ruptura 
das relações diplomáticas – sem o pronunciamento formal recusando o reconhecimento - ou a 
preservação de tais relações, quando se entenda que isso seja mais conveniente. 
Segundo Portela31, o reconhecimento de governo é ato unilateral, discricionário, não-obrigatório, 
irrevogável e incondicionado. 
3.9.!RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESTADOS: 
A responsabilidade internacional dos Estados representa a obrigação de cumprir com as obrigações 
internacionalmente assumidas e, ainda, o dever de não causar dano. Em outras palavras, a prática 
de um ilícito internacional que cause dano a outro Estado enseja responsabilização internacional. 
Segundo Rezek32, a ideia de responsabilidade internacional está ligada ao fato de que o Estado 
responsável pela prática de um ato ilícito segundo o direito internacional deve ao Estado a que tal 
ato tenha causado dano uma reparação adequada. 
 
31 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009 
32 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008 
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Accioly33 enfatiza essa ideia ao afirmar que é incontestável a regra de que o estado é 
internacionalmente responsável por todo ato ou omissão que lhe seja imputável e do qual resulte a 
violação de uma norma jurídica internacional ou de suas obrigações internacionais. 
Existem três teorias que explicam a natureza jurídica da responsabilidade internacional: a teoria 
objetivista, a teoria subjetivista e a teoria mista. 
Segundo a teoria objetivista, um Estado que cometa uma violação de norma internacional, 
causando dano a outrem, será responsabilizado independentemente da apuração de dolo ou culpa. 
Em matéria ambiental, aplica-se essa teoria, surgindo a responsabilidade internacional a partir da 
existência de dano, independentemente de culpa do agente. 
Para ilustrar a corrente objetivista, citamos a "Convenção sobre Responsabilidade Internacional por 
Danos causados por Objetos Espaciais", que estabelece em seu art. 2º que "Um Estado lançador 
será o responsável absoluto pelo pagamento de indenizações por danos causados por seus objetos 
espaciais na superfície da Terra ou a aeronaves em voo." Nesse caso, consideramos que a 
responsabilidade do Estado é objetiva porque independe da culpa do agente, sendo o fato material 
do dano causado pelo objeto espacial elemento suficiente para ensejar reparação na forma de 
indenização. Também consideramos que, nesse caso, a responsabilidade é absoluta, já que 
independe da ilicitude do ato. 
A teoria subjetivista, por sua vez, prega que para que um Estado seja responsabilizado 
internacionalmente não basta a configuração do ilícito, fazendo-se necessária também a existência 
de dolo ou culpa. A jurisprudência internacional considera que à maioria dos casos se aplica a tese 
da responsabilidade subjetiva. 
Por fim, a teoria mista trata de forma diferente os atos omissivos e os comissivos. Os atos omissivos 
somente darão ensejo à responsabilização internacional quando forem acompanhados de culpa sob 
a forma de negligência. Já em relação aos atos comissivos, basta que haja uma relação entre a 
conduta e o dano efetivamente causado. 
Como regra geral, são três os elementos essenciais para a responsabilização internacional do Estado: 
o ato ilícito, a imputabilidade e o dano. 
O ato ilícito é uma ação ou omissão que viola as obrigações internacionais assumidas por um Estado, 
ou seja, que viola uma norma de direito internacional, seja ela uma regra costumeira, um tratado ou 
mesmo um princípio geral. 
A imputabilidade é a possibilidade de se atribuir a um Estado a ação ou omissão que tenha violado 
os compromissos por ele assumidos. O Estado pode ser responsabilizado internacionalmente em 
virtude de atos emanados por quaisquer dos seus três Poderes (Executivo, Legislativo ou Judiciário) 
 
33 ACCIOLY, Hildebrando; SILVA, G.E do Nascimento & CASELLA, Paulo Borba. Manual de Direito Internacional Público, 
17ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2009 
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e, ainda, em virtude de atos praticados por quaisquer de seus agentes (diplomatas e cônsules). Tais 
atos são atribuíveis diretamente ao Estado. 
Se, por exemplo, o Poder Judiciário tomar uma decisão que afaste a aplicação de um tratado que 
tenha sido ratificado pelo Brasil, há possibilidade de responsabilização internacional.Da mesma 
forma, caso seja aprovada uma lei pelo Congresso Nacional que afronte compromissos 
internacionais assumidos pelo Estado brasileiro, será possível a responsabilização internacional. 
Outro exemplo de hipótese que enseja responsabilidade internacional seria o de um diplomata que, 
servindo em Estado estrangeiro, tenha contraído empréstimo, mas não pagou a dívida. 
O conceito de dano é totalmente intuitivo, sendo este essencial à responsabilização internacional 
do Estado. A regra geral é que a responsabilidade internacional decorra de um ato ilícito. Um ilícito 
internacional ocorrerá quando houver o descumprimento de uma norma de direito internacional, 
seja ela um tratado, um costume ou mesmo um princípio geral. Como exceção, é possível, todavia, 
que a responsabilidade internacional resulte também de um ato lícito. 
“Tudo bem, Ricardo! Se o Estado comete um ato ilícito que causa dano a outro Estado ele deverá 
ser responsabilizado. Mas como isso ocorre?” 
Quando um Estado comete um ato ilícito que causa dano a outro, ele deverá promover a reparação 
devida, ou seja, deverá promover uma reparação compatível com o dano causado. Essa reparação 
não tem caráter punitivo, mas sim compensatório. 
Segundo Rezek, a forma da reparação há de corresponder à do dano. Assim, se o dano tiver sido 
moral, a reparação não deverá ser em dinheiro, mas sob outra forma, como desagravo público ou 
pedido de desculpas formal. Por outro lado, se o dano tiver sido econômico, haverá ensejo à 
reparação pecuniária (indenização). O simples reconhecimento do ilícito não é, assim, uma forma 
adequada para promover a compensação no direito internacional. 
A Corte Internacional de Justiça já estabeleceu, em alguns dos seus julgados, que uma das 
consequências jurídicas possíveis de um ilícito internacional são as garantias de não-repetição. Isso 
quer dizer, como o próprio nome já nos induz a pensar, que um Estado pode, como consequência 
de um ato ilícito que tenha cometido, garantir ao outro que não repetirá sua atitude. Em outras 
palavras, o Estado que comete um ilícito internacional pode dizer ao outro: “Olha só, pode ficar 
tranquilo que eu não vou fazer isso novamente!” Segundo Rezek34, as garantias de não-repetição 
são aplicáveis a casos particulares e excepcionais em que a simples cessação do ato ilícito ou a 
reparação não são suficientes para tutelar a obrigação internacional existente. 
No ano de 1996, a CDI (Comissão de Direito Internacional) da ONU aprovou o texto de um projeto 
de convenção internacional sobre responsabilidade internacional dos Estados e o encaminhou à 
Assembleia Geral para adoção. No entanto, até hoje esse projeto não se transformou em um tratado 
 
34 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008 
 
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internacional. Dessa forma, não há codificação da responsabilidade internacional dos Estados em 
decorrência de ato ilícito. 
Apesar disso, existem certas circunstâncias admitidas pela doutrina como excludentes de 
responsabilidade internacional do Estado. São elas: 
a)! Legítima defesa: consiste em uma medida de defesa manifestada na justa medida para 
repelir uma agressão injusta, seja ela atual ou iminente. A Carta da ONU regula os limites 
da legítima defesa. 
b)! Represálias: são atos ilícitos, mas que se justificam como a única defesa possível contra 
outro ato ilícito. As represálias somente se justificam face a um ato prévio que afronte os 
direitos de quem as emprega e se proporcionais à gravidade da infração. Como exemplo 
de represálias, podemos citar algumas medidas que foram tomadas contra a Coréia do 
Norte em decorrência do seu programa nuclear – considerado pelo Conselho de 
Segurança da ONU como um ato ilícito. O Japão, por exemplo, impôs represálias contra a 
Coréia do Norte, proibindo a importação de produtos norte-coreanos, assim como as 
exportações de muitos de seus produtos àquele país. 
c)! Retorsão: significa, de forma bem direta, “pagar na mesma moeda”. Se, por exemplo, um 
Estado aumenta exageradamente os impostos na importação, a retorsão implicaria que 
os outros Estados fizessem o mesmo em relação a ele. Veja que o ato que motiva a 
retorsão é um ato que é praticado dentro dos limites do direito. Já o ato que motiva a 
represália é um ato ilícito sob a ótica do direito internacional. 
d)! Prescrição Liberatória: consiste no silêncio do Estado ofendido por um longo tempo não 
especificado pelo Direito Internacional. Ex: A Argentina aplica restrições comerciais 
arbitrárias e injustificáveis contra o Brasil (o que poderia ser considerado um ilícito 
internacional). O Brasil nada faz, vai deixando o tempo passar sem se manifestar, nem liga 
para o caso... Depois de passado muito tempo (não há uma determinação objetiva do que 
seja muito tempo) sem que o Brasil faça alguma coisa, ocorre o que se chama prescrição 
liberatória, ou seja, é excluída a ilicitude do ato argentino. 
e)! Culpa do próprio Estado lesado: quando o próprio Estado lesado se comportou de tal 
forma que possa ter causado o dano ou ter contribuído para este. 
 
26.!(Consultor Legislativo / Senado Federal-2002) 
O Estado que praticar um ilícito a um membro de organização internacional deverá a esta uma 
reparação adequada. 
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Comentários 
A Corte Internacional de Justiça, em Parecer Consultivo referente à morte de Folke de Bernadotte, 
reconheceu a legitimidade da ONU para pleitear a reparação de danos diante do Estado de Israel. 
Folke de Bernadotte era representante da ONU no Oriente Médio e havia sido assassinado por 
extremistas israelenses. 
Gabarito: certa 
27.!(Consultor Legislativo / Senado Federal-2002) 
A noção de responsabilidade internacional dos Estados fundamenta-se no princípio segundo o 
qual os compromissos assumidos devem ser mantidos e o mal injustamente causado deve ser 
reparado. 
Comentários 
Os compromissos assumidos devem ser cumpridos em homenagem à regra “pacta sunt servanda”. 
Assim, haverá ensejo à responsabilização quando um Estado comete um ilícito internacional que 
causa dano a outrem. 
Gabarito: certa 
28.!(Consultor Legislativo / Senado Federal-2002) 
Em matéria de responsabilidade internacional, a regra é a da culpa objetiva. 
Comentários 
A regra geral, em matéria de responsabilidade internacional, é a da culpa subjetiva. 
Gabarito: errada 
29.!(Consultor Legislativo / Senado Federal-2002) 
Um sujeito de direito internacional vitimado por dano moral pode pleitear reparação. 
Comentários 
O dano moral também enseja reparação. 
Gabarito: certa 
30.!(Advocacia Geral da União – 2010-adaptada) 
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==12d86c==
 
 
 
 
 
 
 
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O Estado brasileiro pode ser responsabilizado internacionalmente, em tribunal internacional, 
em virtude do não pagamento de dívida contraída por um diplomata no Estado acreditado. 
Comentários 
Atos realizados por agentes estatais são diretamente atribuíveis ao próprio Estado. Nesse sentido, o 
não pagamento de dívida contraída por um diplomata pode ensejar responsabilização internacional. 
Gabarito: certa 
31.!(Analista de Comércio Exterior-2008) 
A Convenção das Nações Unidas sobre ResponsabilidadeInternacional dos Estados por Atos 
Ilícitos originou-se de um projeto de artigos elaborado pela Comissão de Direito Internacional 
da ONU. 
Comentários 
Ainda não há norma convencional sobre a responsabilidade internacional dos Estados. 
Gabarito: errada 
32.!(Procurador da Fazenda Nacional-2007) 
Uma decisão do Poder Judiciário brasileiro pode levar à responsabilidade internacional do 
Brasil, caso a decisão viole compromissos jurídico-internacionais assumidos pelo país. 
Comentários 
Os atos emanados por qualquer dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) são atribuíveis 
diretamente ao Estado brasileiro e, portanto, caso violem a ordem internacional, podem levar à 
responsabilização internacional do Brasil. 
Gabarito: certa 
33.!(Procurador da Fazenda Nacional-2007) 
Uma lei de um dos Estados da federação não pode dar ensejo à responsabilidade internacional 
do Brasil porque, no âmbito nacional, os compromissos são assumidos pela União Federal. 
Comentários 
Se uma lei de um Estado da federação for contrária a compromissos jurídicos assumidos 
internacionalmente, é possível a responsabilização internacional do Estado. 
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Gabarito: errada 
34.!(Procurador da Fazenda Nacional-2007) 
A responsabilidade internacional do Estado deve ter sempre por base uma ação. Uma omissão 
não pode dar ensejo à responsabilização do Estado no plano internacional. 
Comentários 
A responsabilidade internacional pode advir de uma ação ou de uma omissão. 
Gabarito: errada 
35.!(Procurador da Fazenda Nacional-2007) 
A responsabilidade internacional do Estado apenas existe se há a violação de um tratado 
internacional. O desrespeito a um costume internacional, por exemplo, não é suficiente para 
dar ensejo à responsabilidade do Estado. 
Comentários 
Um ilícito internacional ocorrerá quando houver o descumprimento de uma norma de direito 
internacional, seja ela um tratado, um costume ou mesmo um princípio geral. 
Gabarito: errada 
3.10.!IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO ESTATAL 
3.10.1.!Introdução 
Em Direito Internacional, jurisdição não se confunde com função jurisdicional. Jurisdição é um poder 
atribuído ao Estado, por meio do qual este manifesta sua soberania sobre pessoas, bens e situações. 
Segundo Malcolm Shaw, a jurisdição é uma característica essencial da soberania estatal, pois é um 
exercício de autoridade que pode criar, modificar ou extinguir relações e obrigações jurídicas, 
efetivando-se por meio da ação legislativa, executiva ou judicial.35 
O Estado exerce jurisdição geral e exclusiva sobre o seu território. Sua soberania se manifesta 
alcançando todas as pessoas e bens que nele se encontram, independentemente de nacionalidade 
ou de qualquer outra circunstância. Por vezes, a jurisdição estatal também irá alcançar pessoas e 
bens situados fora do seu território. É o que se denomina jurisdição extraterritorial. 
 
35 SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp.471. 
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Todavia, a jurisdição estatal não é absoluta. Há certas pessoas e entes que gozam de imunidade de 
jurisdição. 
 
3.10.2.!Imunidade de Jurisdição estatal 
No atual cenário internacional, marcado pela globalização, é comum que o Estado se relacione com 
pessoas físicas (nacionais ou estrangeiras), pessoas jurídicas (nacionais ou estrangeiras) ou, ainda, 
com outros Estados e organizações internacionais. Dessas relações, podem se originar conflitos, que 
demandam a ação do Poder Judiciário. 
Nesse contexto é que surge a problemática da “imunidade de jurisdição estatal”, que busca 
responder a seguinte pergunta: pode o Estado estrangeiro se submeter à jurisdição de outro Estado? 
O tema é amplamente discutido no âmbito do Direito Internacional. Como exemplo, em 2004, foi 
celebrada a Convenção das Nações Unidas sobre as Imunidades Jurisdicionais dos Estados e dos seus 
bens, a qual, todavia, ainda não está em vigor. Ao mesmo tempo, vários países adotam, em seus 
ordenamentos jurídicos internos, normas a respeito da matéria. 
No Brasil, a imunidade de jurisdição estatal não é objeto de normas positivas. Sua regulação coube 
à jurisprudência dos Tribunais, que reconhece tratar-se a imunidade de jurisdição de norma 
consuetudinária de Direito Internacional, amplamente aceita. 
A imunidade de jurisdição é um atributo dos Estados, segundo o qual eles não podem ser 
submetidos ao Poder Judiciário de um outro Estado estrangeiro. Há um tempo atrás, considerava-
se que a imunidade de jurisdição estatal era absoluta em razão da aplicação do conceito do “par in 
parem non habet judicium”, considerada regra costumeira de direito internacional. Essa expressão 
em latim significa que não há jurisdição entre os pares, isto é, um Estado não se submete à jurisdição 
de outro Estado. 
Todavia, o entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante flexibilizou a antes absoluta 
imunidade de jurisdição estatal. Assim, o entendimento que prevalece no atual contexto do direito 
internacional é o de que a imunidade de jurisdição somente abrange os atos de império, não 
alcançando os atos de gestão. A limitação da imunidade de jurisdição de Estado estrangeiro aos 
atos de império já é considerada por vários autores como uma norma consuetudinária de direito 
internacional. 
Nesse contexto, faz-se necessário diferenciar quando um Estado pratica um ato de império e um ato 
de gestão. Segundo Portela36, atos de império são aqueles que o Estado pratica no exercício de suas 
prerrogativas soberanas. Conforme já decidiu o STF, os atos bélicos praticados por Estado 
 
36 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009 
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estrangeiro durante período de guerra correspondem a atos de império e, portanto, não geram 
responsabilização.37 
Os atos de gestão, por sua vez, são aqueles exercidos pelo Estado em igualdade de condições com 
os particulares. Dentre os atos de gestão, podemos citar os que se referem a aluguel e compra de 
bens móveis e imóveis, contratação de prestadores de serviços e de empregados e, ainda, as causas 
relativas à responsabilidade civil. Assim, pode-se afirmar que não há imunidade de jurisdição nas 
causas relativas à responsabilidade civil, tendo em vista que estas têm natureza de atos de gestão. 
Quanto à imunidade de jurisdição de Estado estrangeiro, cabe destacar importante entendimento 
do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Corte Constitucional, não há que se falar em 
imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro diante de casos levados à Justiça do Trabalho. 
Imaginem só, amigos, o caso de um funcionário brasileiro de uma embaixada estrangeira aqui no 
Brasil. Se o Estado estrangeiro não fizer o pagamento de férias a esse funcionário, como ficará a 
situação? Ele terá que entrar contra o Estado estrangeiro perante a Justiça do Trabalho! Ih, mas o 
Estado estrangeiro goza de imunidade de jurisdição! Não, nos casos levados à Justiça do Trabalho, o 
STF decidiu que há uma exceção à imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro. 
Além das lides trabalhistas, entende a doutrina que os demaisatos de gestão – aquisição de bens 
móveis e imóveis, por exemplo – não são abrangidos pela imunidade de jurisdição estatal. Assim, 
nestes casos, o Estado estrangeiro estará sujeito à jurisdição brasileira. 
Mas será que há possibilidade de renúncia do Estado à imunidade de jurisdição? Sim, existe essa 
possibilidade! O Estado poderá renunciar à imunidade de jurisdição, submetendo-se ao Poder 
Judiciário estrangeiro. Destaque-se, todavia, que, se houver renúncia à imunidade no processo de 
conhecimento, isso não implica renúncia à imunidade no processo de execução, em relação ao qual 
se exigirá nova renúncia. 
 
3.10.3.!Imunidade de Execução 
É fundamental não confundirmos “imunidade de jurisdição” com “imunidade de execução”. 
Enquanto a imunidade de jurisdição impede que um Estado seja submetido ao Poder Judiciário de 
outro Estado, a imunidade de execução é atributo estatal que lhe garante a proteção dos seus bens 
no exterior. A imunidade de execução impede que os bens do Estado estrangeiro sejam executados, 
em virtude de serem invioláveis. 
Vamos supor que um funcionário de nacionalidade brasileira de uma repartição diplomática 
estrangeira no Brasil tenha ficado sem receber seus salários durante 5 (cinco) meses e decide acionar 
o Estado estrangeiro no Poder Judiciário local. Nesse caso, como se trata de uma causa de natureza 
 
37 ARE nº 953.656. Rel. Min. Luiz Fux. 30.08.2016. 
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trabalhista, não há imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro (entendimento já consolidado 
no STF). Logo, o Estado estrangeiro será julgado pelo Poder Judiciário brasileiro, especificamente 
pela Justiça do Trabalho. Imaginemos, ainda, que o Poder Judiciário reconheceu o direito do 
funcionário. Findo o processo de conhecimento, partimos, então, para o processo de execução. 
E agora? Como é que a fica a situação? 
Bem, o Estado estrangeiro se submeteu à jurisdição brasileira, tendo sido condenado. No entanto, 
todos os bens desse Estado estão gravados por cláusula de inviolabilidade. Nesse rumo, a 
jurisprudência do STF considera que a imunidade de execução do Estado estrangeiro é absoluta. 
O resultado disso é que, mesmo havendo uma decisão contrária a um Estado estrangeiro em uma 
lide trabalhista, esta poderá não ter efetividade, tendo em vista a impossibilidade de se fazer a 
cobrança judicial em processo executório. Apesar disso, pode ocorrer (como, de fato, já ocorreu na 
prática!) de o Estado estrangeiro, voluntariamente, pagar a dívida trabalhista em questão. 
Destaque-se, ainda, que, caso o Estado estrangeiro tenha renunciado à imunidade de jurisdição, 
isso não implica renúncia da sua imunidade de execução. Assim, se houve renúncia à imunidade no 
processo de conhecimento, será necessária nova renúncia no processo de execução, sem o que a 
sentença não será cumprida. 
 
 
36.!(Juiz Federal 1ª Região- 2009) 
Pedro, cidadão brasileiro, presta serviços como cozinheiro na embaixada do Estado X no Brasil. 
Após constatar que vários dos direitos trabalhistas previstos na Consolidação das Leis do 
Trabalho estavam sendo desrespeitados, Pedro decidiu ajuizar ação na justiça do trabalho 
brasileira. Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta. 
a) Deve ser seguido o procedimento descrito na Convenção das Nações Unidas sobre 
Imunidades de Jurisdição e Execução do Estado. 
b) Em matéria trabalhista, não há imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro no Brasil. 
c) A imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro é absoluta por força de uma norma jus 
cogens. 
d) A competência para conhecer da ação é da justiça federal. 
e) Em matéria trabalhista, não há imunidade de execução do Estado estrangeiro no Brasil. 
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Comentários 
Letra A: errada. Até já existem tratados internacionais sobre o tema imunidade de jurisdição. Em 
2005, foi adotado, no âmbito da ONU, o texto da “Convenção sobre Imunidades Jurisdicionais do 
Estado e de seus bens”. Entretanto, essa convenção ainda não está em vigor e as regras existentes 
sobre imunidade de jurisdição são de natureza costumeira. 
Letra B: certa. Segundo entendimento do STF, não há imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro 
no Brasil em matéria trabalhista. 
Letra C: errada. A imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro não é absoluta, abrangendo apenas 
os atos de império. 
Letra D: errada. A competência para conhecer da ação é da Justiça do Trabalho. 
Letra E: errada. A imunidade de execução do Estado estrangeiro no Brasil ainda é absoluta. A 
imunidade de jurisdição é que foi flexibilizada pela jurisprudência brasileira. O resultado disso é que, 
mesmo havendo uma decisão contrária a um Estado estrangeiro em uma lide trabalhista, esta terá 
pouca efetividade, tendo em vista a impossibilidade de se fazer a cobrança judicial em processo 
executório. 
Gabarito: letra B 
37.!(Juiz Federal – 5ª Região- 2005) 
O Estado estrangeiro está sujeito à jurisdição brasileira quando pratica ato jure gestiones, 
como, por exemplo, a aquisição de bens móveis e imóveis. 
Comentários 
A imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro está limitada aos atos de império. Logo, quando 
pratica atos de gestão, o Estado estrangeiro se submete à jurisdição brasileira. 
Gabarito: certa 
38.!(Juiz Federal – 5ª Região- 2005) 
Em causas relativas à responsabilidade civil, o Estado estrangeiro goza de imunidade de 
jurisdição, devendo a parte lesada discutir sua pretensão indenizatória perante os tribunais do 
país faltoso. 
Comentários 
Não há imunidade de jurisdição nas causas relativas à responsabilidade civil. 
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Gabarito: errada 
39.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
A regra que dispõe não haver jurisdição entre os pares (par in parem non habet judicium) não 
mais se aplica ao relacionamento entre Estados tendo em vista o princípio da jurisdição 
universal. 
Comentários 
Não existe um princípio de jurisdição universal, sendo que ainda se aplica a regra “par in parem non 
habet judicium”, particularmente no que diz respeito à imunidade de execução. A imunidade de 
jurisdição, por sua vez, abrange unicamente os atos de império, o que já é considerado regra de 
direito internacional consuetudinário por autores como Accioly. 
Gabarito: errada 
40.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
A renúncia à imunidade de jurisdição no tocante às ações cíveis ou administrativas implica 
renúncia à imunidade quanto às medidas de execução da sentença, para as quais nova renúncia 
é necessária. 
Comentários 
Se houver renúncia estatal à imunidade no processo de conhecimento, isso não implica renúncia no 
processo de execução. Logo, é necessária nova renúncia quanto à imunidade de execução. 
Gabarito: errada 
3.11.!IMUNIDADES À JURISDIÇÃO ESTATAL 
3.11.1.!Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 x Convenção de Viena 
sobre Relações Consulares de 1963: 
Os representantes de um Estado perante o outro gozam de certos privilégios e garantias, os quais 
estão previstos atualmente na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 e na 
Convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963. 
Em primeiro lugar, cabe-nos destacar a diferença entre o serviçodiplomático e o serviço consular. 
Qual a diferença entre um diplomata e um cônsul? Em rápidas palavras, podemos dizer que o 
diplomata é o representante do Estado em suas relações internacionais, enquanto o cônsul é o 
responsável por oferecer aos nacionais proteção e assistência no exterior – assuntos privados. 
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Assim, o diplomata representa o Estado de origem frente à soberania local, enquanto o cônsul 
representa o Estado de origem para o fim de cuidar, onde atue, de interesses privados. 
Para que possam exercer com tranquilidade suas funções no exterior, esses representantes do 
Estado possuem certos privilégios e garantias. Esses privilégios e garantias representam uma 
espécie de imunidade de jurisdição, ou seja, definem situações em que o Estado soberano não 
poderá submeter os representantes de outros Estados à sua jurisdição. 
Várias teorias existem sobre o fundamento e a natureza jurídica das imunidades diplomáticas e 
consulares. Afinal de contas, por que os diplomatas e cônsules possuem privilégios e garantias? Será 
que é somente para beneficiá-los? Seria uma espécie de prêmio? 
A resposta mais aceita atualmente é dada pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, 
que, encampa, em seu preâmbulo, a doutrina funcional estabelecendo que: 
“Reconhecendo que a finalidade de tais privilégios e imunidades não é beneficiar indivíduos, 
mas, sim, a de garantir o eficaz desempenho das funções das missões diplomáticas, em seu 
caráter de representantes dos Estados;” 
Segundo Mazzuoli, as imunidades diplomáticas e consulares são baseadas na ficção da 
extraterritorialidade. Se, por ficção, os agentes diplomáticos e consulares são considerados 
representantes do soberano que os envia, também por ficção devem ser considerados como 
estando fora do território em que atuam. 38 
A Convenção de Viena de 1961 (sobre relações diplomáticas) prevê privilégios e garantias bem mais 
extensos do que a Convenção de Viena de 1963. Para ilustrar isso, Rezek apresenta o seguinte 
raciocínio, que, por sua didática, transcrevemos a seguir: 
“É indiferente ao direito internacional o fato de que inúmeros países – entre os quais o Brasil – 
tenham unificado as duas carreiras, e que cada profissional da diplomacia, nesses países, 
transite constantemente entre funções consulares e funções diplomáticas. A exata função 
desempenhada em certo momento e em certo país estrangeiro é o que determina a pauta de 
privilégios. Assim, ao jovem diplomata brasileiro que atue como terceiro-secretário de nossa 
embaixada em Nairobi aplica-se a Convenção de 1961 – não a de 1963 -, e ele terá uma 
cobertura mais ampla que aquela de goza o cônsul geral do Brasil em Nova York, veterano 
titular de um dos postos mais disputados da carreira.” 39 
 
 
38 MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público, 4ª ed. São Paulo: Editora Revista dos 
Tribunais, 2010 
39 REZEK, Francisco. Direito Internacional Público: curso elementar, 11ª Ed, rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008. 
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3.11.2.!Privilégios diplomáticos: 
A Convenção de Viena de 1961 estabelece dois tipos de prerrogativas para o serviço diplomático: as 
aplicáveis à missão diplomática e as aplicáveis aos agentes diplomáticos. 
Os locais da missão diplomática são invioláveis (art.22), isto é, os agentes do Estado acreditado40 
não poderão neles penetrar sem o consentimento do Chefe da missão. Ademais, os locais da Missão, 
seu mobiliário e demais bens neles situados, assim como os meios de transporte da Missão, não 
poderão ser objeto de busca, requisição, embargo ou medida de execução. Também os arquivos, 
os documentos e a correspondência oficial da Missão são invioláveis. 
No que diz respeito aos tributos, o Estado acreditante e o Chefe da Missão estão isentos de todos 
os impostos e taxas incidentes sobre os locais da Missão. Além disso, os direitos e emolumentos 
que a Missão perceba em razão da prática de atos oficiais (como a concessão de vistos) estarão 
isentos de todos os impostos ou taxas. 
E os privilégios aplicáveis aos agentes diplomáticos? Quais são eles? 
Os agentes diplomáticos gozam de inviolabilidade pessoal e domiciliar, isto é, não podem ser objeto 
de qualquer forma de prisão ou detenção e, ainda, sua residência particular goza da mesma proteção 
que os locais da missão. Eles também não podem ser obrigados a prestar depoimento como 
testemunha. 
Os agentes diplomáticos gozam de ampla imunidade de jurisdição penal, sendo esta absoluta. Isso 
quer dizer que, em hipótese alguma, um diplomata que cometa um crime no Estado acreditado 
poderá ser preso, processado e julgado por esse Estado estrangeiro. Os agentes diplomáticos 
também possuem imunidade de jurisdição civil e administrativa, as quais, todavia, não são 
absolutas, tendo sido restringidas pelo art. 31 da Convenção de Viena: 
Artigo 31 
1. O agente diplomático gozará da imunidade de jurisdição penal do Estado acreditado. Gozará 
também da imunidade de jurisdição civil e administrativa, a não ser que se trate de: 
a) uma ação sobre imóvel privado situado no território do Estado acreditado, salvo se o agente 
diplomático o possuir por conta do Estado acreditante para os fins da missão; 
b) uma ação sucessória na qual o agente diplomático figure, a título privado e não em nome do 
Estado, como executor testamentário, administrador, herdeiro ou legatário; 
c) uma ação referente a qualquer profissão liberal ou atividade comercial exercida pelo agente 
diplomático no Estado acreditado fora de suas funções oficiais. 
 
40 Estado acreditado é aquele que recebe os agentes diplomáticos e consulares; Estado acreditante é aquele que envia 
os agentes diplomáticos e consulares. 
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Na hipótese da alínea “a”, o diplomata possui um imóvel privado no Estado acreditado e sobre ele 
é impetrada uma ação. Nesse caso, não haverá imunidade de jurisdição civil por parte do diplomata, 
a menos que ele o possua para os fins da missão. 
Na hipótese da alínea “b”, por sua vez, há uma ação sucessória sobre um imóvel na qual o diplomata 
figura a título estritamente privado. Como ele não está, nesse caso, desempenhando funções 
estatais, ele não terá a imunidade de jurisdição civil. 
Por fim, na hipótese da alínea “c”, o diplomata exerce uma profissão liberal ou atividade comercial 
no Estado acreditado que não tem qualquer relação com suas funções oficiais e há uma ação em 
que ele esteja envolvido. Nesse caso, por estar envolvido novamente a título privado, ele também 
não irá gozar de imunidade de jurisdição. Cabe registrar, quanto a esse ponto, que o agente 
diplomático não pode exercer no Estado acreditado nenhuma atividade profissional ou comercial 
em proveito próprio (art. 42). 
Os agentes diplomáticos também gozam de imunidade tributária, mas esta diz respeito unicamente 
aos tributos diretos, não se aplicando aos tributos indiretos. Não é porque o sujeito é diplomata que 
ele não vai precisar pagar o ICMS referente a uma televisão que ele adquirir, ok? Além disso, a 
entrada no Estado acreditado de objetos destinados ao uso oficial da Missão e de objetosdestinados ao uso pessoal do agente diplomático ou dos membros de sua família é livre de direitos 
aduaneiros e outras taxas (art.36). 
Todos os privilégios dos agentes diplomáticos em matéria civil, administrativa, penal e tributária 
estendem-se aos membros das respectivas famílias. Destaque-se que o conceito de família não foi 
definido pela Convenção de Viena de 1961. Assim, para fazer jus à extensão dos benefícios, esses 
indivíduos deverão ter seus nomes relacionados em uma “lista diplomática”. 
Os membros do quadro administrativo e técnico41 da Missão gozam de inviolabilidade pessoal e 
domiciliar, ampla imunidade de jurisdição penal, imunidade civil, administrativa e tributária. No 
entanto, a imunidade de jurisdição civil e administrativa dos membros do quadro administrativo e 
técnico da Missão se aplica exclusivamente aos atos praticados no exercício de suas funções. Tais 
privilégios são concedidos exclusivamente aos membros do quadro administrativo e técnico que não 
sejam nacionais do Estado acreditado nem nele tenham residência permanente. 42 
Os membros do pessoal de serviço da Missão diplomática, por sua vez, somente farão jus às 
imunidades (penal, civil, administrativa) em relação aos atos praticados no exercício de suas 
funções e desde que não sejam nacionais do Estado acreditado nem nele tenham residência 
permanente. 
 
41 Como exemplos de membros do quadro administrativo e técnico de uma missão diplomática podemos citar os 
Oficiais de Chancelaria e os Assistentes de Chancelaria. 
42 É comum que a Missão diplomática tenha como funcionários em seu quadro administrativo e técnico nacionais do 
Estado acreditado. Esses indivíduos não farão jus às imunidades previstas na Convenção de Viena de 1961. 
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É, meus amigos! Como vocês podem ver, esses representantes de um Estado perante o outro gozam 
de inúmeros privilégios. Mas será que só por isso eles podem ficar desrespeitando as leis do país 
onde tenham se estabelecido? 
É claro que não! A Convenção de Viena estabelece o primado do direito local, segundo o qual, 
embora imune ao processo, um diplomata deverá observar as leis do país em que se encontra. Não 
é porque um diplomata está imune ao processo civil ou penal que ele vai transgredir uma norma do 
país onde se encontra, ok? Essa é a interpretação que devemos fazer do art. 31, parágrafo 4º da 
Convenção de Viena de 1961, que estabelece que: “A imunidade de jurisdição de um agente 
diplomático no Estado acreditado não o isenta da jurisdição do Estado acreditante.” 
“Entendi, Ricardo! Agora me diga o seguinte: e se um diplomata americano representando seu país 
cometer um crime aqui no Brasil? Ele pode renunciar à sua imunidade? 
Excelente pergunta! Não, ele não pode! Somente o Estado acreditante pode renunciar à imunidade 
processual, nunca o próprio beneficiário da imunidade! E você sabe por quê? 
Porque o Estado acreditante quer, na verdade, manter a exclusividade em julgar aquele que “sujou” 
seu nome. Mas também seria difícil o diplomata renunciar à sua imunidade para deixar-se ir preso, 
não é mesmo? 
Embora não possa prender o diplomata estrangeiro (em razão da imunidade de jurisdição penal), o 
Estado acreditado possui outra forma de mostrar sua reprovação ao agente diplomático: por meio 
da declaração de persona non grata. 
O art. 9º da Convenção de Viena de 1961 estabelece que “o Estado acreditado poderá a qualquer 
momento, e sem ser obrigado a justificar a sua decisão, notificar ao Estado acreditante que o Chefe 
da Missão ou qualquer membro do pessoal diplomático da Missão é persona non grata ou que 
outro membro do pessoal da missão não é aceitável.”. Percebam, amigos, que a declaração de 
persona non grata independe de qualquer processo administrativo prévio, ou seja, independe da 
observância do devido processo legal. 
O Estado acreditado não é obrigado a aceitar os agentes diplomáticos enviados pelo Estado 
acreditante. Ao contrário, antes mesmo que esse agente diplomático adentre seu território, ele 
poderá ser declarado persona non grata. 
Há que se mencionar, ainda, que existe um processo próprio para a nomeação dos chefes das 
missões diplomáticas (os embaixadores). A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas prevê 
que o Estado acreditante deverá se certificar de que a pessoa que pretende nomear para chefe da 
missão diplomática perante o Estado acreditado obteve o “agrément”. O “agrément” é um ato 
unilateral por meio do qual o Estado acreditado, discricionariamente, indica que aceita a indicação 
de embaixador feita pelo Estado acreditante. 
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3.11.3.!Privilégios consulares: 
A Convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963 estabelece privilégios e imunidades 
bastante parecidos aos aplicáveis aos agentes diplomáticos. Entretanto, tais privilégios e imunidades 
são bem mais restritos. 
No que diz respeito à imunidade penal, os funcionários consulares não poderão ser detidos ou 
presos preventivamente, exceto em caso de crime grave e em decorrência de sentença de 
autoridade judiciária competente. 
Os funcionários consulares e empregados consulares também não podem ser presos em 
decorrência de sentença judiciária definitiva, salvo em razão de atos praticados fora do exercício 
de suas funções oficiais. Assim, podemos dizer que a imunidade penal dos funcionários consulares 
abrange apenas os atos praticados no exercício das funções consulares. Se um cônsul cometer um 
crime de homicídio, ele poderá ser preso; já se ele falsificar um passaporte (exercício de seu ofício), 
estará amparado pela imunidade. 
Segundo o art. 44, da Convenção de Viena de 1963, “os membros de uma repartição consular não 
serão obrigados a depor sobre fatos relacionados com o exercício de suas funções, nem a exibir 
correspondência e documentos oficiais que a elas se refiram”. 
Da mesma forma, a imunidade civil dos cônsules e funcionários consulares está limitada ao exercício 
de suas funções. No que diz respeito à imunidade tributária, ela é semelhante à que fazem jus os 
agentes diplomáticos, abrangendo apenas os tributos diretos. Os locais consulares são invioláveis 
na medida estrita de sua utilização funcional, e gozam de imunidade tributária. Os arquivos e 
documentos consulares, a exemplo dos diplomáticos, são invioláveis em qualquer circunstância e 
onde quer que se encontrem. 
É fundamental destacarmos que os privilégios consulares não são extensíveis a suas famílias. 
(IMPORTANTE!!!) Isso porque as imunidades outorgadas aos funcionários consulares pela 
Convenção de Viena de 1963 se limitam aos atos praticados no exercício de suas funções. 
 
3.11.4.!Caso Arrest Warrant (Congo x Bélgica, 2000) – Caso Yerodia 
Em abril de 2000, um juiz belga emitiu uma “ordem de prisão internacional” contra Abdoulaye 
Yerodia, então Ministro das Relações Exteriores do Congo. Yerodia era acusado de graves infrações 
às Convenções de Genebra de 1949 e, ainda, de crimes contra a humanidade, todos esses ilícitos 
penais puníveis na Bélgica. O juiz belga fundamentava seu ato no princípio da jurisdição universal, 
atribuindo-se o direito de punir Yerodia pelos crimes praticados. 
A República Democrática do Congo acionou a Bélgica perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ). 
Alegava que a Bélgica teria violado norma costumeira internacional segundo a qual certos 
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representantes dos Estados possuem imunidade penal e inviolabilidade pessoal, não podendo ser 
julgados pelo Poder Judiciário de outros Estados. 
No exame do caso, a CIJ concluiu que certos indivíduos (Chefes de Estado, Chefes de Governo, 
Ministros das Relações Exteriores e agentes diplomáticos) possuem imunidades que visam lhes 
assegurar a efetividade do exercício das funções. Desse modo, um Ministro das Relações Exteriores 
em exercício não estaria sujeito à outra jurisdição nacional além da sua própria. Segundo a CIJ, as 
imunidades desses agentes estatais garantem que eles não serão submetidos à jurisdição de outro 
Estado nem mesmo quando forem suspeitos de praticar crimes de guerra ou crimes contra a 
humanidade. 
A imunidade penal e inviolabilidade pessoal somente se mantêm enquanto o indivíduo estiver 
exercendo o cargo. Assim, o princípio da jurisdição universal se aplica diante de ex-presidentes e ex-
Ministros de Estado. Foi o que ocorreu com Augusto Pinochet, preso aos 82 anos em Londres por 
ordem de um juiz espanhol. Em julgamento realizado em 1998, acerca do Caso Pinochet, a Câmara 
dos Lordes decidiu que ex-Chefes de Estado gozam de imunidade relativa a atos de Estado, dentre 
os quais não se incluem, porém, os atos elencados como crimes pelo Direito Internacional. 
A imunidade de jurisdição penal dos Chefes de Estado, Chefes de Governo, Ministro das Relações 
Exteriores e agentes diplomáticos é absoluta. No entanto, essa imunidade não significa impunidade. 
Segundo apontou a CIJ, Yerodia poderia ser julgado em 4 (quatro) situações diferentes: 
a)! Julgamento pelo seu próprio país (Congo); 
b)! Julgamento por qualquer outro país, desde que mediante renúncia à imunidade de 
jurisdição pelo Congo; 
c)! Julgamento por qualquer país, após o abandono de sua função ou; 
d)! Julgamento perante o TPI, perante o qual não se aplica a imunidade de jurisdição. 
O julgamento do “Caso Yerodia” foi presidido pelo juiz Guillaume. Em sua opinião separada, 
Guillaume deixou claro que o direito internacional clássico não impede que um Estado exerça sua 
jurisdição sobre crimes cometidos no exterior. Entretanto, o exercício da jurisdição não é ilimitado. 
Para Guillaume, os Estados normalmente têm jurisdição sobre crimes cometidos no exterior se o 
infrator ou, pelo menos a vítima, tiver a nacionalidade daquele Estado ou se o crime ameaçar a sua 
segurança interna ou externa. Além disso, os Estados podem exercer a jurisdição em casos de 
pirataria ou em virtude de tratados internacionais, se o infrator estiver presente no seu território. 
Com base nesse entendimento, Guillaume entendeu que o juiz belga não poderia ter emitido ordem 
de prisão contra Yerodia.43 
 
43 Disponível em: http://www.icj-cij.org/files/case-related/121/13743.pdf 
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Também apreciou o caso o juiz brasileiro Francisco Rezek, segundo o qual o direito internacional 
não permite o exercício de jurisdição criminal por cortes domésticas na falta de um elemento de 
conexão com o Estado. Além disso, Rezek destacou que as Convenções de Genebra não possuem 
nenhum princípio de jurisdição universal. Conclui Rezek destacando que é importante que existam 
restrições no exercício de jurisdição criminal por cortes domésticas. Tais restrições devem ser 
compatíveis com a noção de uma sociedade internacional descentralizada.44 
 
41.!(MPF / Procurador da República – 2015) 
O diplomata, de acordo com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, pode 
renunciar a própria inviolabilidade, uma vez que se trata de direito personalíssimo outorgado 
pelo Direito Internacional. 
Comentários 
Somente o Estado acreditante é que poderá renunciar à imunidade do diplomata. Em outras 
palavras, o beneficiário da imunidade (o diplomata) não poderá renunciar à imunidade que possui. 
Gabarito: errada 
42.!(MPF / Procurador da República – 2015) 
Os cônsules não podem ser obrigados a depor sobre fatos relacionados com o exercício de suas 
funções, nem a exibir correspondência e documentos oficiais que a elas se refiram. 
Comentários 
É o que dispõe o art. 44, da Convenção de Viena de 1963. Os cônsules não serão obrigados a depor 
sobre fatos relacionados ao exercício de suas funções, nem a exibir correspondência e documentos 
oficiais que a elas se refiram. 
Gabarito: certa 
43.!(MPF / Procurador da República – 2011) 
Segundo a Corte Internacional de Justiça, (Caso Yerodia República Democrática do Congo V. 
Reino da Bélgica), a imunidade de Ministro de Estado das Relações Exteriores: 
 
44 Disponível em: http://www.icj-cij.org/files/case-related/121/13743.pdf 
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a) é relativa e só vale para viagens a serviço; 
b) é relativa e não prevalece para o crime de genocídio; 
c) é absoluta e se equipara à imunidade diplomática; 
d) é absoluta, mas não se equipara à imunidade diplomática. 
Comentários 
Segundo a CIJ, o Ministro das Relações Exteriores tem imunidade penal absoluta, equiparando-se à 
imunidade diplomática. Assim, ele não se submete à jurisdição criminal de Estado estrangeiro. O 
gabarito é a letra C. 
Gabarito: letra C 
44.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados – 2014) 
O reconhecimento da imunidade de jurisdição de agentes diplomáticos, existente desde os 
primórdios do direito internacional, embora seja norma costumeira, não consolidada em forma 
de tratado, apresenta elevado grau de adesão multilateral. 
Comentários 
A imunidade de jurisdição dos agentes diplomáticos é, de fato, reconhecida desde os primórdios do 
direito internacional. No entanto, trata-se de regra já positivada em tratado internacional: a 
Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961. 
Gabarito: errada 
45.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados – 2014) 
A residência particular do agente diplomático goza de inviolabilidade e proteção, assim como 
o local da missão diplomática, o que não ocorre com a pessoa do agente diplomático, que 
poderá sofrer detenção ou prisão por parte do Estado acreditado, em decorrência de violação 
às regras do direito penal desse mesmo Estado. 
Comentários 
O agente diplomático não poderá ser objeto de qualquer forma de prisão ou detenção. Sua 
residência particular goza da mesma proteção que os locais da missão diplomática. 
Gabarito: errada 
46.!(MPF / Procurador da República – 2011) 
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Os agentes consulares, no direito consular contemporâneo: 
a) gozam de imunidade plena, equiparável à dos diplomatas. 
b) gozam de imunidade quanto aos atos oficiais, dentro da jurisdição consular. 
c) têm que ser recrutados entre agentes da carreira diplomática. 
d) não gozam de imunidade pessoal, ainda que exerçam funções consulares em seção 
respectiva de missão diplomática. 
Comentários 
Letra A: errada. Não se pode dizer que os agentes consulares têm imunidade plena. A imunidade 
dos agentes consulares se limita aos atos praticados no exercício da função. 
Letra B: correta. De fato, a imunidade dosagentes consulares abrange os atos oficiais, dentro da 
jurisdição consular. 
Letra C: errada. Embora isso seja feito no Brasil, os agentes consulares não precisam, 
necessariamente, ser membros da carreira diplomática. 
Letra D: errada. Os agentes consulares gozam de imunidade pessoal, embora esta não seja tão 
ampla quanto a dos diplomatas. Os diplomatas não se submetem a qualquer forma de prisão ou 
detenção. Já os agentes consulares podem ser presos em determinadas situações. 
Gabarito: letra B 
47.!(Advocacia Geral da União-2010-adaptada) 
Em virtude do não pagamento de dívida contraída no Estado acreditado, o diplomata brasileiro 
pode ser declarado persona non grata pelo Estado estrangeiro, desde que seja previamente 
submetido ao devido processo legal. 
Comentários 
A declaração de que o diplomata é persona non grata independe de submissão ao devido processo 
legal. 
Gabarito: errada 
48.!(Juiz Federal – 5ª Região-2007) 
No âmbito de uma missão diplomática, apenas o chefe da missão goza de imunidade de 
jurisdição penal e civil. 
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Comentários 
Não é só o chefe da Missão (embaixador) quem possui imunidade de jurisdição penal e civil. Os 
agentes diplomáticos, o pessoal do quadro técnico e administrativo e os membros do pessoal de 
serviço possuem imunidade de jurisdição penal e civil. 
Gabarito: errada 
49.!(OAB-2007) 
Em determinado Estado, um agente diplomático estrangeiro envolveu-se em um acidente de 
trânsito, causando a morte de um pedestre. Nessa situação, diante do homicídio culposo: 
a) o Estado acreditado pode julgar o agente diplomático estrangeiro, por tratar-se de crime 
que não tem qualquer relação com a função diplomática. 
b) o Estado acreditado só pode julgar o agente diplomático se ele renunciar expressamente à 
imunidade de jurisdição. 
c) o agente diplomático somente poderá ser julgado no Estado acreditado se o Estado 
acreditante renunciar expressamente à imunidade de jurisdição. 
d) em nenhuma hipótese é possível o julgamento do agente diplomático, por ser irrenunciável 
a imunidade de jurisdição. 
Comentários 
Letra A: errada. O agente diplomático possui ampla imunidade de jurisdição penal, civil e 
administrativa. Portanto, ele não poderá ser julgado pelo Estado acreditado. 
Letra B: errada. O agente diplomático não pode renunciar à imunidade de jurisdição. 
Letra C: certa. O diplomata somente será julgado pelo Estado acreditado se o Estado acreditante 
renunciar à imunidade de jurisdição 
Letra D: errado. A imunidade de jurisdição é renunciável somente pelo Estado acreditante. 
Gabarito: letra C 
50.!(OAB-2006.2) 
Sobre imunidades e privilégios diplomáticos e consulares, assinale a alternativa CORRETA: 
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a) no âmbito da missão diplomática, os membros do quadro diplomático de carreira e os 
membros do quadro administrativo e técnico, que sejam oriundos do Estado acreditante, 
gozam de ampla imunidade de jurisdição penal; 
b) a imunidade, no âmbito da jurisdição civil, inclui a imunidade nos feitos sucessórios, mesmo 
que o agente diplomático esteja envolvido na questão a título estritamente privado; 
c) as imunidades processuais de que gozam os cônsules e funcionários consulares se estendem 
aos membros da sua família; 
d) no caso dos cônsules, a imunidade quanto à jurisdição penal alcança os crimes relacionados 
aos atos de ofício e os crimes comuns. 
Comentários 
Letra A: certa. Os membros do quadro diplomático de carreira e os membros do quadro 
administrativo e técnico, no âmbito de uma missão diplomática, gozam de ampla imunidade de 
jurisdição penal e civil 
Letra B: errada. Nesse caso, como o diplomata está envolvido na questão a título estritamente 
privado, ele não terá a imunidade de jurisdição civil. 
Letra C: errada. As imunidades dos cônsules e funcionários consulares, ao contrário das aplicáveis 
aos diplomatas, não são extensíveis aos familiares e dependentes. 
Letra D: errada. A imunidade dos cônsules alcança apenas os atos praticados no exercício de suas 
funções. 
Gabarito: letra A 
51.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
Os cônsules e os diplomatas gozam da mesma pauta de privilégios e imunidades. 
Comentários 
Os diplomatas possuem ampla imunidade de jurisdição penal e civil, enquanto a imunidade dos 
cônsules se limita ao exercício de suas funções. 
Gabarito: errada 
52.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
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A finalidade dos privilégios e imunidades diplomáticos, além de beneficiar indivíduos, é garantir 
o eficaz desempenho das funções das missões diplomáticas, em seu caráter de representantes 
dos Estados. 
Comentários 
A finalidade dos privilégios e imunidades diplomáticas não é, de forma alguma, beneficiar indivíduos. 
Gabarito: errada 
53.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
O agente diplomático goza, em regra, da imunidade de jurisdição civil, administrativa e penal 
do Estado acreditado. 
Comentários 
De fato, o diplomata possui imunidade de jurisdição administrativa, penal e civil do Estado 
acreditado. 
Gabarito: certa 
54.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados-2002) 
Somente os Estados acreditantes podem renunciar às imunidades de natureza penal e civil de 
que gozem os seus representantes diplomáticos. 
Comentários 
O Estado acreditante poderá renunciar à imunidade penal e civil de que gozem seus representantes 
diplomáticos junto ao Estado acreditado. 
Gabarito: certa 
55.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados-2002) 
Os Estados são representados junto a soberanias estrangeiras, para o trato de “assuntos de 
Estado”, pelos seus funcionários consulares. 
Comentários 
Quem representa o Estado frente a uma soberania estrangeira (assuntos de Estado) são os agentes 
diplomáticos. Os funcionários consulares são representantes do Estado acreditante para fins de 
tratar de assuntos privados. 
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Gabarito: errada 
56.!(Juiz Federal – 5ª Região-2000) 
Sobre a representação diplomática: 
I) As isenções tributárias e de serviço são reconhecidas apenas aos chefes de missão 
diplomática. 
II) A sede da missão diplomática goza de inviolabilidade. 
III) As imunidades diplomáticas têm por fundamento jurídico a doutrina funcional. 
IV) O país acreditante deverá aceitar todos os representantes diplomáticos indicados pelo 
Estado acreditado. 
V) Os agentes diplomáticos não gozam de imunidades de jurisdição penal, somente civil. 
Estão corretas somente as proposições: 
a)I e II 
b) I e V 
c) II e III 
d) III e IV 
e) IV e V 
Comentários 
A primeira assertiva está errada. Não são somente os chefes de missões diplomáticas que gozam de 
isenção tributária. 
A segunda assertiva está correta. Os locais das missões diplomáticas gozam de inviolabilidade. 
A terceira assertiva está correta. As imunidades diplomáticas têm como objetivo garantir o eficaz 
desempenho das funções da missão diplomática. Essa é a doutrina funcional. 
A quarta assertiva está errada por dois motivos.O primeiro é que a banca examinadora fez confusão 
entre Estado acreditante e Estado acreditado. Estado acreditante é o que envia os representantes 
diplomáticos. Estado acreditado é quem recebe esses diplomatas. O segundo é que o Estado 
acreditado não é obrigado a aceitar os representantes diplomáticos enviados pelo Estado 
acreditante. 
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A quinta assertiva está errada. Os agentes diplomáticos gozam de imunidade penal e civil no Estado 
acreditado. 
Gabarito: letra C 
4.!A SANTA SÉ E O ESTADO DA CIDADE DO VATICANO: 
Quando se fala em sujeitos de direito internacional público, há um caso bem particular que merece 
Comentários a Santa Sé e a Cidade do Vaticano, que são dois entes diversos, mas que possuem em 
comum a vinculação com a Igreja Católica. 
A Santa Sé representa a administração da Igreja, ou seja, o governo da Igreja. Sua porção territorial 
é a Cidade do Vaticano, que está "incrustada" em Roma. A Santa Sé não possui nacionais, já que 
aqueles que lá nascem são italianos. Os objetivos da Santa Sé não são os mesmos de um Estado 
soberano comum. Um Estado soberano comum busca o desenvolvimento econômico e o bem-estar 
da sua população. A Santa Sé, na condição de governo da Igreja, tem objetivos que se confundem 
com os próprios objetivos da Igreja Católica. 
Segundo Rezek, a Santa Sé constitui-se em um caso único de personalidade jurídica de direito 
internacional anômala, já que não possui nacionais – mas tão somente uma população - e os 
objetivos do seu governo não são os mesmos de um Estado soberano comum. Ressalte-se que o 
Tratado de Latrão (1929) reconheceu a personalidade internacional da Santa Sé, o que lhe garante 
o direito de convenção – celebração de tratados – e de legação – faculdade de enviar e receber 
agentes diplomáticos. 
O Tratado de Latrão, celebrado entre a Santa Sé e a Itália, criou o Estado da Cidade do Vaticano. 
Segundo Mazzuoli45, a soberania do Estado da Cidade do Vaticano é originária, mas sua 
representação e poder de governo estão submetidos à autoridade da Santa Sé. Com efeito, o 
Tratado de Latrão dispõe que o Estado da Cidade do Vaticano foi criado justamente para assegurar 
à Santa Sé uma condição de fato e de direito capaz de lhe garantir absoluta independência para a 
realização de sua missão espiritual no mundo. 
Segundo Portela46, o Vaticano é um ente estatal e, portanto, possui personalidade jurídica de 
direito internacional, possuindo capacidade internacional para celebrar tratados e participar de 
organismos internacionais. Todavia, o direito de legação (enviar e receber diplomatas) é exercido 
pela Santa Sé. 
 
45 MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público, 4ª ed. São Paulo: Editora Revista dos 
Tribunais, 2010. 
46 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Editora Juspodium, 2009. 
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57.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados- 2002) 
A Santa Sé é equiparada aos Estados soberanos, sendo, assim, sujeito do direito internacional 
público. 
Comentários 
A Santa Sé é considerada sujeito de direito internacional equiparada aos Estados soberanos, 
possuindo, todavia, personalidade jurídica de direito internacional anômala. 
Gabarito: certa 
5.!ORGANIZAÇÕES NÃO-GOVERNAMENTAIS (ONG’S): 
Na próxima aula falaremos sobre as organizações internacionais. Por agora, nosso objetivo é tratar 
tão somente das organizações não-governamentais (ONG’s) 
As organizações não-governamentais são entidades que, ao contrário das organizações 
internacionais, não são regidas pelo direito internacional, mas sim pelo direito interno de cada 
país. Logicamente, elas poderão ter abrangência e alcance internacionais, mas diferem das 
organizações internacionais quanto à sua composição e suas normas constitutivas. 
As ONG’s são associações sem fins lucrativos que atuam em diversas áreas, tais como preservação 
do meio ambiente, proteção dos direitos humanos, combate à fome e outras. O aprofundamento 
das relações internacionais decorrente da globalização trouxe à tona uma série de problemas que 
se constituem preocupação comum da sociedade internacional. As ONG’s surgem, nesse contexto, 
como entidades que promovem o debate sobre as mais importantes questões internacionais, 
contribuindo, assim, para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do arcabouço normativo do direito 
internacional. 
As organizações não-governamentais (ONG’s) não representam uma associação de Estados, mas 
sim, nas palavras de Accioly, “a expressão da sociedade civil internacional”. Elas representam uma 
mobilização da sociedade civil e se declaram com finalidades públicas e sem fins lucrativos, 
mobilizando a opinião pública e o apoio da população para atuar em áreas diversas. 
E agora vem uma pergunta complicada: teriam as ONG’s personalidade jurídica de direito 
internacional? 
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Não há consenso quanto a essa questão, mas a doutrina dominante considera que as ONG’s não 
possuem personalidade jurídica de direito internacional, sendo apenas atores internacionais. Sem 
embargo desse entendimento, a doutrina reconhece que a ONG conhecida como Comitê 
Internacional da Cruz Vermelha possui personalidade jurídica de direito internacional. 
Destacamos a visão de Accioly47, que considera, inclusive, que as ONG’s, enquanto expressão da 
sociedade civil, “preparam o caminho para a análise do ser humano como sujeito de direito 
internacional”. 
 
 
47 ACCIOLY, Hildebrando; SILVA, G.E do Nascimento & CASELLA, Paulo Borba. Manual de Direito Internacional Público, 
17ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2009 
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LISTA DE QUESTÕES 
1.! (Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados – 2014) 
Empresas multinacionais não dispõem de personalidade jurídica internacional, mesmo que elas 
sejam empresas públicas transnacionais contraentes de obrigações com Estados soberanos. 
2.! (Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados – 2014) 
Somente Estados soberanos, entes assemelhados e organizações não governamentais 
internacionais são sujeitos de direito internacional. 
3.! (Instituto Rio Branco – 2011) 
Com características políticas e jurídicas de ONG e desprovido de atributos de personalidade 
jurídica internacional, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha é sujeito apenas aparente de 
direito internacional público. 
4.! (Instituto Rio Branco – 2011) 
As ONGs que obtiveram reconhecimento da opinião pública mundial após a Segunda Guerra 
Mundial adquiriram personalidade jurídica de direito internacional público. 
5.! (Instituto Rio Branco- 2010) 
O MERCOSUL é uma organização dotada de personalidade jurídica de direito internacional. 
6.! (Juiz Federal 1ª Região/2006) 
São sujeitos de direito internacional público, também chamados de pessoas jurídicas de direito 
internacional público, os Estados soberanos, a Santa Sé e as organizações internacionais.7.! (OAB 2006.2) 
A expressão “coletividades não estatais” abrange as mais diferentes pessoas internacionais, 
como os revoltosos em uma guerra interna. 
8.! (Consultor Legislativo/ Câmara dos Deputados- 2002) 
Tendo em vista as atividades que realizam, concernentes a ações de solidariedade 
internacional, as organizações não-governamentais (ONGs) passaram a ser admitidas como 
sujeitos do direito internacional público. 
9.! (Procurador BACEN-2001) 
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Paul Reuter define tratado internacional como sendo “uma manifestação de vontades 
concordantes, atribuídas a dois ou mais sujeitos de direito internacional, e destinada a produzir 
efeitos jurídicos em conformidade com as normas de direito internacional”. Assinale a opção 
em que figurem, tão só, exemplos de sujeitos de direito internacional. 
a) Estados, Santa Sé ou Estado do Vaticano, organizações não-governamentais (ONGs) e 
indivíduos. 
b) Estados, organizações internacionais e empresas multinacionais. 
c) Estados, Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e Santa Sé ou Estado do Vaticano. 
d) Estados, Organização das Nações Unidas (ONU) e ONGs. 
e) Indivíduos, ONGs, organizações internacionais e Santa Sé ou Estado do Vaticano. 
10.!(Juiz Federal 1ª Região/2006) 
A personalidade jurídica do Estado, em direito das gentes, diz-se derivada, enquanto a das 
organizações internacionais, diz-se originária. 
11.!(Consultor Legislativo/ Câmara dos Deputados- 2002) 
A personalidade jurídica dos Estados é derivada, e a das organizações internacionais, originária. 
12.!(Instituto Rio Branco-2008) 
É considerado divisor de águas no direito internacional o parecer consultivo da Corte 
Internacional de Justiça no caso Reparação de danos a serviço das Nações Unidas acerca da 
morte de Folke de Bernadotte, mediador que, no exercício de suas funções, foi assassinado por 
extremistas israelenses em Jerusalém, em 1948. Essa consideração justifica-se porque o 
parecer: 
a) declarou a existência da Palestina como território israelense. 
b) homologou o pedido penal do Estado de Israel. 
c) reconheceu a personalidade jurídica das organizações internacionais. 
d) incorporou o princípio da legítima defesa internacional. 
e) consagrou o pacifismo e não violência como deveres jurídicos. 
13.!(AGU-2007) 
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O Estado do Rio Grande do Sul, almejando ser reconhecido internacionalmente como um 
Estado soberano, pleiteou uma cadeira na Organização das Nações Unidas (ONU), alegando 
que possui um território, uma população e um governo permanente. Nessa situação, os 
requisitos apresentados não são suficientes para que o Rio Grande do Sul seja aceito na 
Assembleia Geral da ONU. 
14.!(Juiz Federal 1ª Região/2006) 
O Estado exerce jurisdição sobre o seu território, muito embora sempre relativa, o que vale 
dizer que detém uma série de competências para atuar com autoridade. 
15.!(OAB 2006.2) 
As servidões – que são restrições por meio das quais um Estado estrangeiro exerce uma 
competência no território de outro Estado ou um Estado se compromete em favor de outro a 
não exercer sua competência plena em seu território – têm base convencional e se extinguem 
com a sucessão de Estados. 
16.!(MPF / Procurador da República – 2011) 
Na linha de raciocínio da decisão arbitral internacional no caso da Ilha de Palmas (Island of 
Palmas arbitration case, EEUU v. Países Baixos, 1928): 
a) a descoberta territorial é título aquisitivo mais forte do que ocupação pacifica e inconteste 
posterior; 
b) a descoberta territorial confere ao descobridor posse definitiva do território descoberto, por 
se tratar de res nullius e, assim, apropriável por quem o achar; 
c) a ocupação pacifica e inconteste por lapso de tempo expressivo é título de aquisição 
territorial mais forte do que a descoberta; 
d) a ocupação pacifica e inconteste por lapso de tempo expressivo é título de aquisição 
territorial que equivale ao da descoberta. 
17.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
O Estado J perdeu, por secessão, parte de seu território, surgindo um novo Estado, K. Nessa 
situação, o Estado K não sucede o Estado J nos acordos bilaterais firmados por este e deve 
enviar uma notificação de sucessão para aderir aos tratados coletivos, observados, neste 
último caso, os limites impostos para o ingresso de novos Estados-partes. 
18.!(OAB 2006.2) 
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No caso de sucessão de Estados, a convenção da ONU que trata da sucessão em matéria de 
tratados tem por princípio básico que os tratados são transmissíveis obrigatoriamente. 
19.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados-2002) 
A não ser em situações especiais, como o desrespeito às normas de comércio internacional, os 
Estados têm o dever de não intervir nos assuntos internos de outros Estados. 
20.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados-2002) 
A personalidade jurídica internacional de um Estado é constituída a partir do seu 
reconhecimento pelos demais Estados da sociedade internacional. 
21.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
Um Estado tornou-se independente recentemente. Nessa situação, para que esse Estado seja 
digno de reconhecimento pelos demais Estados da sociedade internacional, é necessário que 
ele possua população, território, governo e soberania, além de ter seu pedido de 
reconhecimento aceito pelos demais Estados até cinco anos a contar da data de sua 
independência. 
22.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
Em 1970, o Estado A tornou-se independente, recebendo, em 1972, o reconhecimento do 
Estado B. Em 1980, esses dois estados romperam relações diplomáticas por defenderem 
interesses comerciais divergentes. Nessa situação, o Estado B, segundo o direito internacional, 
pode revogar o reconhecimento anteriormente declarado. 
23.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
Um Estado é recém-independente. Nessa situação, dois outros Estados podem, segundo o 
direito internacional, celebrar um tratado internacional para exprimir o reconhecimento 
conjunto do Estado recém-independente. 
24.!(Juiz Federal- 5ª Região- 2006) 
O Estado X, situado no continente americano, tornou-se independente em 2000. Em 2003 o 
Estado Y, também situado no continente americano, declarou o reconhecimento do Estado X. 
Nessa situação, somente a partir do referido reconhecimento os atos emanados pelo Estado X 
serão aceitos como válidos pelos tribunais do Estado Y. 
25.!(AGU - 2002) 
“Quando soarem as doze badaladas da meia-noite do dia 19/05/2002, o mundo acolherá com 
satisfação o Timor Leste na família das nações. Será um momento histórico para o Timor Leste 
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e para as Nações Unidas. Um povo orgulhoso e tenaz realizará o sonho comum a todos os povos 
de viver como homens e mulheres livres com um governo que eles mesmos escolheram.” – 
Kofi Annan, Secretário-Geral da ONU. 
A partir do texto acima, julgue os itens que se seguem: 
( ) Para satisfazer a condição de Estado, tal como prescreve o Direito Internacional Público, o 
Timor Leste deve possuir: território, população,governo, independência na condução das suas 
relações externas e reconhecimento dos demais atores que compõem a sociedade nacional. 
( ) Para o direito das gentes, o ingresso nas Nações Unidas é condição necessária para que um 
Estado possa ser considerado sujeito de Direito Internacional. 
( ) A população de um país é o conjunto de pessoas (nacionais e estrangeiras) fisicamente 
instaladas em seu território. 
( ) O governo timorense deve ser reconhecido pelos demais membros da comunidade 
internacional como condição necessária para o reconhecimento do novo Estado. 
26.!(Consultor Legislativo / Senado Federal-2002) 
O Estado que praticar um ilícito a um membro de organização internacional deverá a esta uma 
reparação adequada. 
27.!(Consultor Legislativo / Senado Federal-2002) 
A noção de responsabilidade internacional dos Estados fundamenta-se no princípio segundo o 
qual os compromissos assumidos devem ser mantidos e o mal injustamente causado deve ser 
reparado. 
28.!(Consultor Legislativo / Senado Federal-2002) 
Em matéria de responsabilidade internacional, a regra é a da culpa objetiva. 
29.!(Consultor Legislativo / Senado Federal-2002) 
Um sujeito de direito internacional vitimado por dano moral pode pleitear reparação. 
30.!(Advocacia Geral da União – 2010-adaptada) 
O Estado brasileiro pode ser responsabilizado internacionalmente, em tribunal internacional, 
em virtude do não pagamento de dívida contraída por um diplomata no Estado acreditado. 
31.!(Analista de Comércio Exterior-2008) 
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A Convenção das Nações Unidas sobre Responsabilidade Internacional dos Estados por Atos 
Ilícitos originou-se de um projeto de artigos elaborado pela Comissão de Direito Internacional 
da ONU. 
32.!(Procurador da Fazenda Nacional-2007) 
Uma decisão do Poder Judiciário brasileiro pode levar à responsabilidade internacional do 
Brasil, caso a decisão viole compromissos jurídico-internacionais assumidos pelo país. 
33.!(Procurador da Fazenda Nacional-2007) 
Uma lei de um dos Estados da federação não pode dar ensejo à responsabilidade internacional 
do Brasil porque, no âmbito nacional, os compromissos são assumidos pela União Federal. 
34.!(Procurador da Fazenda Nacional-2007) 
A responsabilidade internacional do Estado deve ter sempre por base uma ação. Uma omissão 
não pode dar ensejo à responsabilização do Estado no plano internacional. 
35.!(Procurador da Fazenda Nacional-2007) 
A responsabilidade internacional do Estado apenas existe se há a violação de um tratado 
internacional. O desrespeito a um costume internacional, por exemplo, não é suficiente para 
dar ensejo à responsabilidade do Estado. 
36.!(Juiz Federal 1ª Região- 2009) 
Pedro, cidadão brasileiro, presta serviços como cozinheiro na embaixada do Estado X no Brasil. 
Após constatar que vários dos direitos trabalhistas previstos na Consolidação das Leis do 
Trabalho estavam sendo desrespeitados, Pedro decidiu ajuizar ação na justiça do trabalho 
brasileira. Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta. 
a) Deve ser seguido o procedimento descrito na Convenção das Nações Unidas sobre 
Imunidades de Jurisdição e Execução do Estado. 
b) Em matéria trabalhista, não há imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro no Brasil. 
c) A imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro é absoluta por força de uma norma jus 
cogens. 
d) A competência para conhecer da ação é da justiça federal. 
e) Em matéria trabalhista, não há imunidade de execução do Estado estrangeiro no Brasil. 
37.!(Juiz Federal – 5ª Região- 2005) 
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O Estado estrangeiro está sujeito à jurisdição brasileira quando pratica ato jure gestiones, 
como, por exemplo, a aquisição de bens móveis e imóveis. 
38.!(Juiz Federal – 5ª Região- 2005) 
Em causas relativas à responsabilidade civil, o Estado estrangeiro goza de imunidade de 
jurisdição, devendo a parte lesada discutir sua pretensão indenizatória perante os tribunais do 
país faltoso. 
39.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
A regra que dispõe não haver jurisdição entre os pares (par in parem non habet judicium) não 
mais se aplica ao relacionamento entre Estados tendo em vista o princípio da jurisdição 
universal. 
40.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
A renúncia à imunidade de jurisdição no tocante às ações cíveis ou administrativas implica 
renúncia à imunidade quanto às medidas de execução da sentença, para as quais nova renúncia 
é necessária. 
41.!(MPF / Procurador da República – 2015) 
O diplomata, de acordo com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, pode 
renunciar a própria inviolabilidade, uma vez que se trata de direito personalíssimo outorgado 
pelo Direito Internacional. 
42.!(MPF / Procurador da República – 2015) 
Os cônsules não podem ser obrigados a depor sobre fatos relacionados com o exercício de suas 
funções, nem a exibir correspondência e documentos oficiais que a elas se refiram. 
43.!(MPF / Procurador da República – 2011) 
Segundo a Corte Internacional de Justiça, (Caso Yerodia República Democrática do Congo V. 
Reino da Bélgica), a imunidade de Ministro de Estado das Relações Exteriores: 
a) é relativa e só vale para viagens a serviço; 
b) é relativa e não prevalece para o crime de genocídio; 
c) é absoluta e se equipara à imunidade diplomática; 
d) é absoluta, mas não se equipara à imunidade diplomática. 
44.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados – 2014) 
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O reconhecimento da imunidade de jurisdição de agentes diplomáticos, existente desde os 
primórdios do direito internacional, embora seja norma costumeira, não consolidada em forma 
de tratado, apresenta elevado grau de adesão multilateral. 
45.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados – 2014) 
A residência particular do agente diplomático goza de inviolabilidade e proteção, assim como 
o local da missão diplomática, o que não ocorre com a pessoa do agente diplomático, que 
poderá sofrer detenção ou prisão por parte do Estado acreditado, em decorrência de violação 
às regras do direito penal desse mesmo Estado. 
46.!(MPF / Procurador da República – 2011) 
Os agentes consulares, no direito consular contemporâneo: 
a) gozam de imunidade plena, equiparável à dos diplomatas. 
b) gozam de imunidade quanto aos atos oficiais, dentro da jurisdição consular. 
c) têm que ser recrutados entre agentes da carreira diplomática. 
d) não gozam de imunidade pessoal, ainda que exerçam funções consulares em seção 
respectiva de missão diplomática. 
47.!(Advocacia Geral da União-2010-adaptada) 
Em virtude do não pagamento de dívida contraída no Estado acreditado, o diplomata brasileiro 
pode ser declarado persona non grata pelo Estado estrangeiro, desde que seja previamente 
submetido ao devido processo legal. 
48.!(Juiz Federal – 5ª Região-2007) 
No âmbito de uma missão diplomática, apenas o chefe da missão goza de imunidade de 
jurisdição penal e civil. 
49.!(OAB-2007) 
Em determinado Estado, um agente diplomático estrangeiro envolveu-se em um acidente de 
trânsito, causando a morte de um pedestre. Nessa situação, diante do homicídio culposo: 
a) o Estado acreditado pode julgar o agente diplomático estrangeiro, por tratar-se de crime 
que não tem qualquerrelação com a função diplomática. 
b) o Estado acreditado só pode julgar o agente diplomático se ele renunciar expressamente à 
imunidade de jurisdição. 
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c) o agente diplomático somente poderá ser julgado no Estado acreditado se o Estado 
acreditante renunciar expressamente à imunidade de jurisdição. 
d) em nenhuma hipótese é possível o julgamento do agente diplomático, por ser irrenunciável 
a imunidade de jurisdição. 
50.!(OAB-2006.2) 
Sobre imunidades e privilégios diplomáticos e consulares, assinale a alternativa CORRETA: 
a) no âmbito da missão diplomática, os membros do quadro diplomático de carreira e os 
membros do quadro administrativo e técnico, que sejam oriundos do Estado acreditante, 
gozam de ampla imunidade de jurisdição penal; 
b) a imunidade, no âmbito da jurisdição civil, inclui a imunidade nos feitos sucessórios, mesmo 
que o agente diplomático esteja envolvido na questão a título estritamente privado; 
c) as imunidades processuais de que gozam os cônsules e funcionários consulares se estendem 
aos membros da sua família; 
d) no caso dos cônsules, a imunidade quanto à jurisdição penal alcança os crimes relacionados 
aos atos de ofício e os crimes comuns. 
51.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
Os cônsules e os diplomatas gozam da mesma pauta de privilégios e imunidades. 
52.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
A finalidade dos privilégios e imunidades diplomáticos, além de beneficiar indivíduos, é garantir 
o eficaz desempenho das funções das missões diplomáticas, em seu caráter de representantes 
dos Estados. 
53.!(Procurador da Fazenda Nacional – 2003) 
O agente diplomático goza, em regra, da imunidade de jurisdição civil, administrativa e penal 
do Estado acreditado. 
54.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados-2002) 
Somente os Estados acreditantes podem renunciar às imunidades de natureza penal e civil de 
que gozem os seus representantes diplomáticos. 
55.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados-2002) 
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Os Estados são representados junto a soberanias estrangeiras, para o trato de “assuntos de 
Estado”, pelos seus funcionários consulares. 
56.!(Juiz Federal – 5ª Região-2000) 
Sobre a representação diplomática: 
I) As isenções tributárias e de serviço são reconhecidas apenas aos chefes de missão 
diplomática. 
II) A sede da missão diplomática goza de inviolabilidade. 
III) As imunidades diplomáticas têm por fundamento jurídico a doutrina funcional. 
IV) O país acreditante deverá aceitar todos os representantes diplomáticos indicados pelo 
Estado acreditado. 
V) Os agentes diplomáticos não gozam de imunidades de jurisdição penal, somente civil. 
Estão corretas somente as proposições: 
a) I e II 
b) I e V 
c) II e III 
d) III e IV 
e) IV e V 
57.!(Consultor Legislativo / Câmara dos Deputados- 2002) 
A Santa Sé é equiparada aos Estados soberanos, sendo, assim, sujeito do direito internacional 
público. 
 
 
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GABARITO 
1.! CERTA 
2.! ERRADA 
3.! ERRADA 
4.! ERRADA 
5.! CERTA 
6.! CERTA 
7.! CERTA 
8.! ERRADA 
9.! Letra C 
10.!ERRADA 
11.!ERRADA 
12.!Letra C 
13.!CERTA 
14.!ERRADA 
15.!ERRADA 
16.!Letra C 
17.!CERTA 
18.!ERRADA 
19.!ERRADA 
20.!ERRADA 
21.!ERRADA 
22.!ERRADA 
23.!CERTA 
24.!ERRADA 
25.!FFVF 
26.!CERTA 
27.!CERTA 
28.!ERRADA 
29.!CERTA 
30.!CERTA 
31.!ERRADA 
32.!CERTA 
33.!ERRADA 
34.!ERRADA 
35.!ERRADA 
36.!Letra B 
37.!CERTA 
38.!ERRADA 
39.!ERRADA 
40.!ERRADA 
41.!ERRADA 
42.!CERTA 
43.!Letra C 
44.!ERRADA 
45.!ERRADA 
46.!Letra B 
47.!ERRADA 
48.!ERRADA 
49.!Letra C 
50.!Letra A 
51.!ERRADA 
52.!ERRADA 
53.!CERTA 
54.!CERTA 
55.!ERRADA 
56.!Letra C 
57.!CERTA 
 
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