Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
RESUMOS FITOQUÍMICA E FARMACOGNOSIA I 
 
Fármacos Vegetais 
▪ Fármacos Vegetais 
São essencialmente plantas inteiras, fragmentadas ou cortadas, partes de plantas, algas, 
fungos e líquenes, sem qualquer tratamento. Os fármacos vegetais são corretamente 
definidos pelo nome botânico científico de acordo com o sistema binominal (género, 
espécie, variedade e autor). 
Caso seja utilizado algum tratamento de descontaminação, é necessário demonstrar que 
os constituintes dos fármacos não foram afetados e que não persistem resíduos nocivos. 
A utilização de óxido de etileno na descontaminação dos fármacos vegetais é proibida. 
Os fármacos vegetais para tisanas têm uma definição própria e consistem exclusivamente 
num ou mais fármacos vegetais destinados a preparações aquosas para uso oral obtidos 
por decocção (ferver), infusão (água fervente) ou maceração (sem calor). A preparação 
é efetuada imediatamente antes do emprego. 
Notas: usa-se apenas a parte da planta específica onde há interesse terapêutico; se me 
pedirem a definição de Sene tenho de dizer a parte da planta e a espécie “folículos 
secos de Cássia senna L.”. 
 
▪ Obtenção de fármacos vegetais 
Antigamente usava-se o crescimento espontâneo, que era de fácil acesso e uso 
tradicional. Atualmente usa-se exclusivamente a cultura para os medicamentos, que pela 
FP apresenta maior rendimento. Permitem ainda: 
o Seleção de quimiótipos (plantas que expressam o mesmo fenótipo mas 
quimicamente são diferentes) – Fenótipo/Genótipo; 
o Uniformidade de constituintes – Natureza/teor; 
o Procura pelo mercado; 
o Redução do risco de troca de espécie; 
 
2 
 
o Redução da extinção de espécies; 
o Controlo de espécies sujeitas a regulamentação, porque é necessária a 
autorização do Infarmed; 
o Colheita mecanizada. 
Os primeiros dois pontos levam a um maior rendimento. Quando uma planta tem mais 
do que um quimiótipo é necessário ter em atenção os que interessam. Esta seleção reduz 
o risco de trocar as espécies. 
❖ Prós e Contras da cultura: 
 
 
 A Agência Europeia do Medicamento (EMA) tem guidelines específicas no que diz 
respeito à produção de matérias-primas para medicamentos à base de plantas. Nesse 
documento, estão descritas especificações regionais e nacionais sobre higiene no 
manuseamento e o material adequado, como deve ser utilizado e por quem; informações 
sobre género, espécie, quimiótipo da planta; indicações sobre manutenção e proteção 
das culturas e o impacto ambiental; inclui todas as informações sobre o cultivo, colheita, 
processamento e armazenamento de forma a garantir a máxima segurança. 
 
 
 
Prós Contras 
Custo mais reduzido que a síntese de 
compostos 
Situação sociopolítica pode levar ao 
abandono da plantação e ao foco da 
síntese, caso esta seja viável 
A descoberta de novas aplicações implica 
mais matéria prima e, portanto, é 
necessária uma produção que dê resposta 
Flutuações económicas (oferta/procura) 
Política económica (FAO, UNESCO…) Síntese de compostos com ação similar 
Investigação, leva à descoberta de novas 
moléculas 
Doenças e pragas, não há como controlar 
a perda de cultura 
 
3 
 
▪ Cultura 
Primeiramente, é necessário escolher o que se quer preparar e como: através de 
populações espontâneas ou modificação genética. As populações espontâneas induzem 
maior variabilidade genética. 
É necessário ter em conta fatores económicos e agronómicos (gerais e específicos). Antes 
da reprodução é necessário habituar a planta ao local onde será cultivada – 
domesticação. 
É necessário um controlo de infestantes, insetos, doenças e produtos radioativos. A 
cultura biológica utiliza uma adubação orgânica (não usa pesticidas nem herbicidas). Para 
garantir que não tem produtos tóxicos coloca-se em quarentena. 
Para a realização do Ensaio de qualidade, faz-se a pesquisa a Elementos estranhos. Os 
elementos estranhos são constituídos no todo ou em parte por: partes estranhas – 
qualquer elemento proveniente da planta mãe, mas que não seja constituinte do fármaco 
vegetal; e por matérias estranhas – qualquer elemento estranho à planta mãe, de origem 
vegetal ou mineral. 
Antes de se iniciar a propagação têm de se estudar os fatores edafoclimáticos: 
o Temperatura 
o Pluviosidade 
o Tempo de insolação 
o Altitude 
o Tipo de solo 
A propagação pode ser vegetativa ou por sementes: 
o A vegetativa é a mais usada, usam-se partes da planta (caules, raízes, etc.), é 
não sexuada, é igual à planta mãe, é mais rápida; 
o Por sementes existe maior variabilidade quantitativa, é mais lenta, há 
tratamento químico e físico das sementes (por arrefecimento, luz, redução da 
água, etc.) – dormência/latência, a distribuição nos solos não é uniforme – as 
sementes pequenas têm baixo poder germinativo e o tempo de germinação 
longo leva ao aparecimento de infestantes; 
 
4 
 
o Existe ainda a micropropagação, usada em plantas de propagação difícil, são 
plantadas partes da planta/tecido em viveiro (em meios apropriados e 
manuseamento específico) e depois é transportado; tem características da 
planta mãe. 
 
▪ Colheita 
 O material vegetal que se recolhe tem de ter interesse. Como a composição varia ao 
longo do ano é necessário escolher adequadamente a altura da recolha; 
A idade da planta afeta a composição (ex.: a dedaleira é colhida mais jovem, enquanto 
que o mentol é recolhido quando as plantas são mais velhas). 
Quanto ao controlo microbiológico, os medicamentos que necessitarem de água 
fervente podem ter uma contagem maior de microrganismos, porque a água quente vai 
inativá-los. 
 
▪ Secagem 
A eliminação da água leva à inibição de sistemas enzimáticos e, assim, ao impedimento 
do desenvolvimento de microrganismos. Consoante a parte da planta, a temperatura de 
secagem será diferente: 
o 20-40ºC para folhas e sumidades floridas; 
o 50-70ºC para cascas e raízes; 
A secagem diminui a teor de humidade a 5-10%. Estas temperaturas devem ser 
respeitadas, o uso de uma temperatura superior pode degradar o fármaco (Ex: a baunilha 
aquecida demasiado pode formar componentes nocivos à flora intestinal, através da 
oxidação.). 
Os métodos de secagem são variados: 
o Temperatura ambiente (ao ar livre e ao sol ou à sombra em local ventilado); 
o Calor artificial (estufas, armários de secagem ou túneis de ar quente); 
 
5 
 
o IV; 
o Estufa sob vazio (produtos muito sensíveis); 
o Liofilização; 
 
▪ Conservação 
A conservação depende de vários fatores: 
o Humidade: a água interfere com sistemas enzimáticos e fungos; 
o Tenuidade: compostos com tenuidade mais baixa (mais finos) são mais 
voláteis e sofrem mais oxidação; 
o Temperatura; 
o Luz: as clorofilas têm de ser guardadas longe da luz; 
o Recipiente: o vidro é o mais indicado. 
Para impedir a presença de aracnídeos e insetos deve-se ter o local bem ventilado, 
temperatura baixa e com p-diclorobenzeno. 
O prazo de validade depende dos constituintes, por exemplo: aromáticos – 1 ano; outros 
– 1 ano e meio a 3 anos. A determinação do prazo pode ser feita através de um controlo 
cromatográfico sobre o aumento dos constituintes. 
 
▪ Controlo da qualidade 
É necessária uma padronização para garantir que os fármacos vegetais têm o efeito 
adequado. É necessário: 
o A escolha da variedade química a usar (quimiótipos); 
o Manutenção de condições de cultura (solo, insolação, rega…); 
o Época de colheita determinada por ensaios químicos; 
o Secagem e armazenamento protocolados – definir quais as melhores 
condições. 
Ensaios da farmacopeia: 
 
6 
 
o Características organoléticas, por comparação com amostras autênticas; 
o Qualidade: 
▪ Elementos estranhos 
▪ Perda de peso por secagem 
▪ Água por arrastamento 
▪ Cinzas o Índice de amargor 
▪ Índice de intumescência (muita 
mucilagem); 
o Contaminações: metais pesados, resíduos de pesticidas, microbiológica;o Constituintes: Identificação e doseamento – perceber que constituintes 
têm, se têm o de interesse e em que concentração; 
o Botânica: macroscopia e microscopia. 
 
▪ Monografia farmacopeica do Sene, folha 
1. A definição é a primeira coisa e é muito importante porque a classificação em 
latim é igual em todo o mundo e porque indica o nome completo da espécie. 
Inclui também o teor e a parte da espécie. 
2. Características 
3. A identificação contém os ensaios necessários: o primeiro é sempre análise 
macroscópica; o segundo é análise microscópica (a preparação microscópica 
deve ter uma quantidade mínima de pó, a lamela em cima, começar com a 
objetiva de 10x, o reagente de Steinmetz cora diferentes estruturas de 
diferentes cores; pode ainda estar descrita cromatografia ou outras técnicas. 
4. Ensaios de qualidade 
5. Doseamento depende do tipo de composto, pode ser espetrofotométrico, 
HPLC, etc. 
6. Conservação 
 
▪ Utilização atual das plantas medicinais 
o In natura 
o Formas galénicas 
 
7 
 
o Obtenção de princípios ativos 
o Semissíntese de princípios ativos 
 
Cultura in vitro de tecidos vegetais 
Este tipo de cultura tem por base um método de produção de biomassa, no qual todas as condições 
físicas e químicas estão controladas. 
 
▪ Material vegetal 
Escolhe-se o material com teor mais elevado da substância. As taxas de sobrevivência e 
de crescimento dependem do estado fisiológico da planta original e da idade do órgão 
fonte. As plantas mais saudáveis, com partes mais jovens e menor grau de diferenciação 
têm maior garantia de uma cultura viável. 
É necessário desinfetar o material de partida da cultura, para isso: 
1. Passa-se uma solução aquosa de agente químico (EtOH 70%, NaCLO 2%, 
Ca(ClO)2 9-10%) e espera-se algum tempo; 
2. Lava-se repetidamente com água destilada e esteriliza-se até sair o agente 
químico. 
 
▪ Meio de cultura: 
Os meios de cultura podem ser líquidos ou semissólidos. Neste ultimo, a concentração 
do gelificante é muito importante para se obter a concentração necessária. 
o Plântulas são plantas bebés; 
o O shoot é a parte aérea; 
o Callus é tecido morto, células 
diferenciadas que se agregam; 
o Protoplastos são células vegetais sem 
parece celular. 
 
 
8 
 
Líquido Semissólido 
Indicado para células em suspensão e 
calos 
É necessário um agente gelificante 
(agar 0,8-1%, agarose, goma, alginato, 
pectina) 
A taxa de crescimento é maior, porque 
o tecido está em contacto com o meio 
em toda a sua superfície, havendo 
maior absorção de nutrientes 
Permite a recolha de explantes 
pequenos 
O inconveniente é o reduzido O2 
disponível, que leva a hipoxia e 
metabolitos tóxicos que podem 
diminuir a taxa de crescimento 
Já contacta com o ar então não precisa 
de oxigenação 
Para minimizar esse problema pode-se 
introduzir ar esterilizado através de 
rotação e agitação 
Tem maior estabilidade física, há 
formação de calos sem desagregação 
 
A sua esterilização pode ser por autoclavagem a 121ºC ou filtração por membranas de 
diâmetro 0,22µm. 
O pH do meio é muito importante, no início a tendência é diminuir um pouco, mas depois 
aumenta até se aproximar da neutralidade (5,5-5,8). 
Existem reguladores de crescimento responsáveis pelo alongamento e divisão celular. 
 
 
 
 
9 
 
As auxinas são mais responsáveis pelo alongamento e as citocinas pela divisão celular, 
têm uma ação combinada. Estes reguladores são hormonas vegetais naturais. 
Características particulares: as auxinas têm sempre um anel aromático (benzeno, 
nafteno, butienol…), têm sempre um grupo carboxílico e há uma semelhança na distância 
a que está o grupo carboxílico do anel aromático; as citocinas derivam da adenina e 
variam no substituinte grupo 6-Amino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
▪ Produção 
1. Escolha do explante (segmento, órgão, tecido); 
2. Esterilização; 
3. Inoculação (assepsia); 
4. Incubação/crescimento. 
É essencial uma temperatura 20-25ºC, a luz pode ser benéfica ou prejudicial, o pH afeta 
a absorção de nutrientes e precursores e a atividade das enzimas, a humidade deve estar 
a 70% e consoante a quantidade de O2 tem de se considerar o arejamento/agitação. 
Requer um investimento inicial muito grande, mão-de-obra especializada, equipamento 
e instalações adequadas. 
 
10 
 
▪ Manipulação 
É possível alterar a composição do meio para obter compostos de interesse; adicionar ou 
retirar fitorreguladores; adicionar precursores biossintéticos, que não são tóxicos nem 
suscetíveis a degradação enzimática. Permitem uma fácil penetração nas células. 
Eliciação é o ato de fazer sair e existem elicitors bióticos e abióticos. As fitoalexinas 
combatem a infeção por microrganismos patogénicos e componentes estruturais - 
elicitors bióticos. Também combatem o stress causado por elicitors abióticos como UV, 
temperatura, metais pesados e sais. 
Em engenharia metabólica há introdução de genes codificadores de novas enzimas de 
vias metabólicas (a planta não tinha uma dada via metabólica porque não tinha a enzima, 
passando a ter, passa a produzir novos compostos); não só pode haver introdução de 
genes, mas também sobreexpressão (ou seja, querem aumentar a expressão e 
produção); com a utilização de RNA antissense há bloqueio de vias metabólicas e só é 
produzido o desejado); pode também haver estimulação da atividade enzimática. 
 
▪ Casos de estudo 
FEL-DA-TERRA 
 
1. 3-OH-1,5,6-triMeO-xantona 
2. 1,3,5-triOH-2-MeO-xantona 
3. 1,5-diOH-3-MeO-xantona 
4. 1,6-diOH-3,5-diMeo-xantona 
5. 1-OH-3,5,6-triMeo-xantona 
 
11 
 
6. 1-OH-3,5,6-triMeo-xantona 
7. 1-OH-3,5,6,7,8-pentaMeo-xantona 
8. 1-OH-3,5,6,7-tetraMeo-xantona 
9. 1,8-diOH-3,5,6,7-tetraMeo-xantona 
 
HIPERICÃO-DO-GERÊS 
 
1. Ácido 3-O-cafeoilquínico 
2. Ácido 5-O-cafeoilquínico 
3. Quercetina 3-O-sulfato 
4. Quercetina 3-O-glucósido + quercetina 3-O-galactósido 
5. Quercetina 3-O-arabinósido 
6. Quercetina 3-O-ramnósido 
7. Quercetina 
8. Campferol 
 
Nota: O AgNO3 é um inibidor do etileno que é um fator de stress para as plantas, então 
pode ser usado como suplemento da cultura. No entanto, havendo menos stress há 
menos compostos fenólicos e sendo estes os principais constituintes da Brassica 
oleraceae var. costata, a utilização do AgNO3 nas suas culturas não traz benefícios. 
 
 
12 
 
Glúcidos 
São elementos estruturais (ex: celulose) do metabolismo primário (polissacarídeos), têm 
a função de reserva energética (amido), são constituintes de metabolitos e precursores. 
▪ Oses simples 
 
Mais comum é 5-6C. 
 
o Aldeídos ou cetonas polihidroxilados 
o Derivados de oxidação ou redução 
o Desoxiaçúcares 
o Oses aminadas 
 
▪ Ósidos (ligação osídica) 
A ligação osídica, também chamada de hemiacetálica é a ligação entre açúcares. Esta 
ligação pode formar: 
o Holósidos: oligossacáridos (2-10 moléculas), polissacáridos/glicanas (>10 
moléculas) 
o Heterósidos: ose ou oligósido + molécula não osídica (genina ou aglícona) - 
não é o açúcar que vai defini-lo. Podem ser: N-heterósidos, O-heterósidos, C-
heterósidos ou S-heterósidos. 
 
▪ Oses simples 
Podem ser classificadas quanto: 
o ao número de átomos de carbono: tetroses, pentoses, hexoses, etc; 
o à natureza do grupo carbonilo: aldoses (-ose), cetoses (-ulose); 
o numeração, carbono aldeídico, carbono cetónico; 
 
13 
 
▪ Projeção de Fisher 
 
 
▪ Epímeros 
Epímeros têm a mesma forma, mas diferente orientação. 
 
 
▪ Projeções de Haworth 
As projeções de Haworth são representações da forma fechada dos açúcares este fecho 
é devido ao carbono que tem o grupo carbonilo e de um hidroxilo. Ao fechar passa a ter 
mais um carbono quiral. Tudo o que estiver para a direta na forma aberta passa para 
baixo, e que estiver à esquerda passa para cima na forma fechada. 
Nos açúcares D, o carbono primário ficafora do círculo enquanto que, nos açúcares L, 
acontece o aposto e o carbono primário fica para dentro do círculo. 
Ex: a manose é o epímero 
em C2 da glucose; a 
galactose é o epímero 
em C4 da glucose; a 
frutose é a cetose 
correspondente à 
glucose e à manose 
 
14 
 
Se o hidroxilo que está ligado ao carbono anomérico, onde estava o grupo carbonilo, 
estiver para o mesmo lado que o carbono primário, estamos perante o anómero β. Se 
estiverem para o lado oposto, estamos perante o anómero α. A mutarrotação 
corresponde à transformação do anómero α em β e vice-versa. 
 
 
 
 
 
Nota: na numeração dos carbonos, deve atribuir-se o número mais baixo ao carbonilo. 
Quando a ponte é estabelecida entre o C1 e o C4 estamos na presença de uma forma 
furanósica (normalmente cetoses) e o átomo de oxigénio representa-se no topo; na 
forma piranósica (normalmente aldoses), a ponte estabelece-se entre o C1 e o C5 e o 
átomo de oxigénio representa-se no canto superior direito da molécula. 
 
 
 
 
 
 
▪ Poder redutor 
A capacidade de mutarrotação está relacionada com o poder redutor. Para que isto 
ocorra, para que a molécula possua poder redutor, é necessário que a molécula se abra 
e que regenere o aldeído ou a cetose, conforme o caso. Depois, há uma reação que 
envolve o licor de Fehling, que possui hidróxido cúprico. O que acontece é uma oxidação, 
onde a molécula de açúcar se transforma no ácido correspondente e há libertação de 
 
15 
 
óxido cuproso. Este último, por aquecimento, desidrata dando origem a óxido de cobre, 
que precipita e forma uma cor vermelho-tijolo. Para que isto possa acontecer, é 
necessário que o hidroxilo no carbono anomérico (C1 na aldose e C2 na cetose) esteja 
disponível. 
 
 
 
 
 
 
Os glúcidos estão muito envolvidos no Ciclo de Calvin: 
• O 3-Fosfoglicerato tem 6C e rapidamente se dissocia para dar origem a duas 
moléculas de gliceraldeído-3-fosfato; 
• O gliceraldeído 3-fosfato (G3P) é essencial na formação de açúcares e para a 
regeneração do CO2; 
• A ribulose bifosfato (RuBP) é o aceitador de CO2. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
Necessário reter deste esquema: o gliceraldeído 3-fosfato combina-se com outras 
moléculas e sofre isomerização. Depois da isomerização pode-se conjugar com outra 
molécula de gliceraldeído 3-fosfato ou com eritrose-4-fosfato (compostos que 
alimentam cada uma das vias), seguindo diferentes vias, apesar de que o que acontece 
nessas vias é muito semelhante. Em ambas as vias: primeiro há perda de um grupo 
fosfato e posterior transferência de uma unidade de 2-ceto para o gliceraldeído-3-
fosfato. Há possibilidade ainda da frutose-6-fosfato isomerizar e dar origem à glucose-6-
fosfato. 
O gliceraldeído-3-fosfato pode combinar-se com: 
• Sedo-heptulose-7-fosfato, produto da via b, e formar a eritrose-4-fosfato, que 
alimenta esta via (regenera o ciclo); 
• Frutose-6-fosfato, produto da via a, e formar ribose-5-fosfato, que regenera o 
aceitador de carbonos do ciclo. 
A xilulose-5-fosfato forma-se em qualquer um dos casos e irá conjugar-se com a ribose-
5-fosfato para formar a ribulose-1,5-difosfato, que é um aceitador de CO2 no ciclo de 
Calvin. 
 
Açúcares simples 
DESOXIAÇÚCARES 
São açúcares que perderam grupos OH por redução, normalmente no C2 ou C6 ou 
ambos, como é o caso da 2-D-desoxirribose, L-fucose, L-ramnose e D-digitoxose. Estes 
desoxiaçúcares estão presentes em gomas, heterósidos cardiotónicos e DNA. 
 
 
17 
 
ÁCIDOS URÓNICOS 
Resultam da oxidação de oses, através de desidrogenases, e em vez de termos CH2OH 
(C6 normal nas hexoses) passamos a ter um grupo carboxílico (COOH). Estão presentes 
em pectinas, mucilagens e gomas. 
Exemplo: sabendo a estrutura da glucose sabemos a da galactose (epímero em C4); 
sabendo a da galactose sabemos do ácido galacturónico. 
 
 
 
 
OSES AMINADAS (açúcares aminados) 
Um dos grupos hidroxilo é substituído por um grupo amina. Podem ser encontrados nos 
polissacáridos ou em glicoproteínas. 
 
 
 
 
POLIOIS 
Há uma redução do grupo carbonilo e, ao invés da molécula possuir o grupo carbonilo, 
possui apenas grupos hidroxilo. 
 
 
 
 
 
Glucosamina 
 
18 
 
▪ Utilização em farmácia das oses simples 
D-GLUCOSE 
É um açúcar que resulta da hidrólise enzimática do amido. A administração é parentérica 
e, consoante a concentração da solução administrada, esta é usada com diferentes 
finalidades. 
o Concentrações mais baixas (5-10%): prevenção da desidratação intra e 
extracelular; hidratação; profilaxia e tratamento de cetose (desnutrição); aporte 
calórico; veículo de aporte terapêutico (pré-, per-, pós-operatório). 
o Concentrações mais altas (15, 20, 30, 50%): nutrição parentérica e hipoglicemia. 
Nestes casos, as soluções são administradas lentamente e os doentes são 
monitorizados. 
D-FRUTOSE 
É um açúcar que é obtido pela hidrólise da insulina, ou a partir do açúcar invertido. É 
também utilizada na alimentação parentérica, em regimes diabéticos ou desportistas 
(devido à reabsorção intestinal lenta) e como edulcorante (poder bastante superior ao 
da sacarose). 
D-SORBITOL 
É um poliol, que geralmente é obtido por hidrogenação da glucose. Apresenta 
propriedades laxativas e atua como laxativo osmótico porque promove a retenção de 
água e de eletrólitos; o seu metabolismo dá origem a ácidos que estimulam o 
peristaltismo; apresentam ainda propriedades colecistocinéticas. Por estas razões, é 
usado em casos de obstipação e dispepsia. 
As soluções a 5, 10% têm a mesma utilização da glucose e pode ainda funcionar como 
edulcorante (E420) e em regime para diabéticos (frutose – glicogénio). Em termos de 
farmacotecnia, é usado como regulador da humidade (pós), no retardamento da 
cristalização dos açúcares e para garantir a textura de formas pastosas. O sorbitol 
apresenta uma fermentação muito lenta e, por essa razão, não varia muito o pH da 
cavidade bucal, logo é pouco cariogénico. Para além deste composto, são usados ésteres 
de sorbitano e derivados polioxentilénicos. 
 
19 
 
Está contraindicado em casos de colonopatia inflamatória, síndrome oclusivo e síndrome 
doloroso abdominal. 
 
 
 
 
 
XILITOL 
É também um poliol, que apresenta propriedades edulcorantes (E967) e é muito utilizado 
na preparação de xaropes. Ajuda a prevenir a cárie porque não é acidogénico e porque 
possui uma ação sobre uma bactéria Streptococcus que se encontra na saliva e placa 
dentária. 
Apresenta alguns problemas indicados associados à sua utilização excessiva, 
nomeadamente o aparecimento de flatulência e diarreia. 
 
 
 
 
D-MANITOL 
É também um poliol que apresenta propriedades diuréticas por via parentérica que 
praticamente não é metabolizado e é quase todo filtrado a nível glomerular. Em doses 
elevadas, podem levar ao aumento da excreção de eletrólitos. As soluções hipertónicas 
são sempre administradas por perfusão e são usadas em casos de oligoanúria, edema 
cerebral e hipertensão ocular. Possui ainda propriedades edulcorantes e laxativas quando 
administrado por via oral. 
MANÁ 
É uma planta que apresenta muito manitol na sua constituição. É utilizado o suco que 
escorre nas paredes quando se faz uma incisão no tronco, que apresenta 70% de manitol. 
 
20 
 
É usada em casos de obstipação, fissuras anais, hemorroidas e cirurgia retal/anal porque 
contribui para o amolecimento das fezes. Não causa náuseas nem cólicas e por isso pode 
ser usado em pediatria. 
D-GLUCOSAMINA 
É um açúcar aminado e é também designado por quitosamina. Aparece nos crustáceos 
(carapaças) e tem uma ação sobre as células formadoras de cartilagem e, por isso, é 
usada em casos de osteoartrose. 
É contraindicada para pessoas alérgicas a marisco. 
 
 
CICLITOIS 
São, de grosso modo, poli-hidroxicicloalcanos, ou seja, são estruturas cíclicas. O mais 
importante é o inositol, do qual existem vários isómeros,nomeadamente o myo-inositol. 
Interessam ainda as formas fosforiladas, particularmente o ácido fítico, que é a forma 
hexafosforilada do inositol. Este ácido é capaz de quelatar vários iões (Ca2+, Mg2+, etc), 
tem propriedades antioxidantes, baixando o colesterol. Faz ainda precipitar o cálcio a 
nível intestinal, impedindo a sua absorção, apresentando interesse em casos de 
hipercalciúria e litíase cálcica. 
 
 
 
 
Polimerização de glúcidos 
Para haver a ligação osídica/hemiacetálica é necessário que a molécula de açúcar seja 
ativada, geralmente na forma de uridina-difosfato (UDP). A ligação faz-se sempre à custa 
do hidroxilo hemiacetálico (no carbono anomérico). 
Ácido fítico 
 
21 
 
 
 
 
 
Este tipo de ligação é facilmente quebrada, podendo ser por hidrólise química (fácil) ou 
hidrólise enzimática (requer especificidade, por isso é que conseguimos digerir o amido, 
mas não a celulose). 
Podem se formar: 
• Oligossacáridos (homogéneos ou heterogéneos) – 2 a 10 oses 
• Polissacáridos (homogéneos ou heterogéneos) 
 
Oligossacáridos 
Os dissacáridos podem ser as unidades estruturais de polissacáridos: 
• A celobiose, que tem duas moléculas de glucose em ligação β(1-4), é a unidade 
estrutural da celulose (não temos enzimas capazes de quebrar esta ligação); 
 
 
 
• A maltose, que tem duas moléculas de glucose em ligação α(1-4), é a unidade 
estrutural do amido (temos enzimas capazes de quebrar esta ligação) 
 
 
 
Exemplos de outros dissacáridos: gentiobiose – 2 glucoses em ligação β(1-6) –, trealose 
– 2 glucoses em ligação α(1-1). Como este último tem os -OH envolvidos na ligação 
anomérica e não estão livres, não tem poder redutor. 
 
22 
 
 
 
 
 
SACAROSE - dissacárido 
É formada à custa de glucose e frutose. Pode também ser designada por α-D-
glucopiranosil-(1-2)-β-D-frutofuranósido e é um dissacárido sem poder redutor; extrai-se 
da Beterraba-açucareira (Beta vulgaris) ou da Cana-de-açúcar (Saccharum officinarum), 
por exemplo. Estas sofrem: prensagem, tratamento com Ca(OH)2 para tratar a acidez e 
precipitar as proteínas, concentração, descoloração e cristalização para obter a sacarose. 
Este açúcar faz o transporte e reserva temporária de energia e é usada como excipiente, 
em xaropes (maioritariamente), comprimidos, cápsulas, e é um edulcorante. 
Nota: O radical (último nome) é aquele que tem o OH anomérico livre e acaba em anose. 
No caso da sacarose, como nenhum está livre pode-se meter primeiro um ou outro e aí 
o último acaba em -ósido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
LACTOSE E LACTULOSE - dissacárido 
A maior diferença é que na molécula de lactose existe galactose ligada à molécula de 
glucose (1-4), enquanto que na molécula de lactulose existe lactose ligada a frutose (1-
 
23 
 
4). A lactose é usada como diluente e a lactulose é um laxante osmótico, estimula o 
peristaltismo intestinal, faz baixar o pH do intestino, diminuindo a absorção e 
aumentando a eliminação do amoníaco. Por estas razões, é usada em casos de 
obstipação e encefalopatia hepática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outros oligossacáridos importantes, mas com uma estrutura mais complexa, com maior 
número de açucares, têm sobretudo maior interesse taxonómico porque são reserva 
energética. Não possuem poder redutor porque não existe nenhum hidroxilo do carbono 
anomérico livre. 
 
CICLODEXTRINAS - oligossacáridos 
Resultam da degradação do amido por ação da enzima ciclodextrinaglicosiltransferase 
(CGT), produzida por Bacillus macerans ou Bacillus circulans, que consegue romper um 
segmento da hélice do amido e unir as duas porções terminais da partícula restante numa 
única molécula cíclica com 6, 7 ou 8 unidades de glucose, dando origem à ɑ, β e γ, 
respetivamente. 
O exterior da estrutura formada é mais hidrofílico (devido aos hidroxilos) e o interior mais 
hidrofóbico (corresponde às pontes éter e aos ciclos carbonato). As ciclodextrinas 
permitem encapsulamento molecular (não covalente), o aumento da estabilidade 
(térmica, química), a alteraração da solubilidade e dispersibilidade, o melhoramento da 
 
24 
 
biodisponibilidade, que se evite a interação entre moléculas e a degradação (gástrica, 
ocular) e permite ainda mascarar maus sabores e mais odores. 
São utilizadas para veicular princípios ativos, para veicular moléculas aromatizantes e na 
cromatografia. 
 
 
 
 
Exemplos: 
SUGAMADEX 
o Ciclodextrina com 8 unidades de glucose. É o resultado de uma modificação onde 
se adicionou uma cadeia lateral carregada negativamente e que é essencial para 
que haja uma reversão do bloqueio neuromuscular por complexação, provocado 
pelo rocurónio e vecurónio. Esta ação é importante porque permite aos pacientes 
acordar da anestesia. 
 
 
 
 
ACARBOSE 
o É um pseudo-oligossacárido, feito à custa de 2 moléculas de açúcar acarviosina 
(açúcar aminado) + maltose (hidroxicicloalcano). Resulta da ação da Actinoplanes 
sp. Possui inibidores competitivos da glucose, podendo ser utilizado no 
tratamento da diabetes Tipo II. 
o A acarbose ocupa os recetores e, ao ingerir oligossacáridos ou hidratos de 
carbono simples, estes não se conseguem ligar à α-glicosidase, não havendo 
 
25 
 
picos de insulina pós-prandiais porque a absorção dos monossacáridos é atrasada 
para um compartimento mais distante. 
 
 
 
 
 
 
Polissacáridos 
Os polissacáridos têm funções estruturais (dão rigidez à parede celular de plantas 
terrestres e dão flexibilidade às algas), de reserva de energia (amido), de proteção 
(hidrofilia) e defesa. 
Quanto à sua estrutura podem ser homogéneos ou heterogéneos, lineares ou 
ramificados e possuir sequências periódicas, interrompidas ou nem sequer possuir 
sequência. Geralmente, nas sequências periódicas, se as ligações forem β(1-4), a 
estrutura é em fita, se forem α(1-4) a estrutura é helicoidal e, se as ligações forem (1-6) 
estão associadas a flexibilidade. 
Estão associados ao processo de gelificação, tendo capacidade de formar umas redes 
macromoleculares, que são capazes de reter líquido no seu interior. Isto vai permitir a 
passagem de uma solução verdadeira para uma associação de cadeias e, quanto maiores 
as cadeias ou segmentos associados, maior a rigidez do gel que se forma. 
No caso de termos homopolímeros regulares, eles vão ter sempre zonas de junção muito 
extensas (precipitação). Os polímeros heterogéneos mas sem sequência regular 
aparecem, geralmente, dispersos no solvente e formam soluções viscosas. Os polímeros 
de sequência regular interrompida fazem junções pontuais, retendo agua no seu interior 
e dando origem a géis elásticos. 
 
 
26 
 
▪ Polissacáridos de bactérias e fungos 
DEXTRANOS 
São polissacarídeos de elevado peso molecular, que consistem em unidades de α-D-
glicose ligadas predominantemente por ligações glicosídicas 1-6. Podem ter ramificações 
de 1 ou 2 moléculas, normalmente por ligações 1-3 ou 1-2. 
Normalmente os dextranos surgem da sacarose, por quebra da ligação através da enzima 
dextrano-sucrase produzida pelas Lactobacillus ou Streptococcus. A produção dos 
dextranos passa então por: 1º meio rico em sacarose, 2º ação da enzima DS, 3º forma-se 
a glucana, 4º adiciona-se EtOH para a precipitação; por fim, dependendo do peso 
molecular que queremos podemos recorrer a hidrólise parcial - através de ácido (H2SO4), 
mutações ou dextranases fúngicas. 
Existem dextranos com diversos pesos moleculares, sendo o de 70 o mais utilizado. Este, 
em solução a 6%, é utilizado para choque hemorrágico, choque traumático, desidratação 
e queimaduras graves porque possui viscosidade e osmoralidade próximas da do plasma. 
Podem ocorrer reações de hipersensibilidade. 
Quanto ao dextrano 1, é usado para prevenir reações anafiláticas, bloquear reações 
antigénio-anticorpo, insuficiência lacrimal e como lubrificante em lentes de contacto 
(colírio). 
 
 
 
 
 
GOMA-XANTANA 
É umaglucana e uma goma aniónica (devido à conjugação quer com ácido pirúvico quer 
com o ácido glucurónico) que, apesar de ter “goma” no nome, não obedece às 
 
27 
 
caraterísticas das gomas. É um exsudado gumoso, produzido pela Xanthomonas 
campestris, que afeta a família Brassicaceae, à superfície das plantas. 
Quanto a nível estrutural, é um polímero de β-D-glucopiranose com ligações β(1-4), em 
que a cadeia principal possui uma ramificação, sempre em C3, que possui 3 compostos: 
2 moléculas de manose, uma que faz a ligação à cadeia principal e que está acetilada no 
C6, e outra que está conjugada com o ácido pirúvico, a formar um acetal entre os 
carbonos 4 e 6. 
Pode ser produzida num meio de cultura rico em amido ou melaço, hidrolisado de 
caseína, leveduras, soja e sais minerais, obtendo-se o polímero por ação da Xanthomonas 
campestris, sendo depois possível precipitar a goma por ação do isopropanol. 
Esta é utilizada como estabilizante de suspensões/emulsões, gelificante (indústria 
alimentar), edulcorante e para produção de saliva artificial. 
 
 
 
 
 
 
LENTINANO 
É um polímero de β-D-glucopiranose (glucana), onde a cadeia principal possui ligações 
β(1-3) e é ramificada sempre na posição C6. Possui uma estrutura particular uma vez que 
forma uma estrutura em tripla hélice, muito importante para a sua ação, e é produzido 
por Lentinus edodes (fungo). 
É utilizado como imunoestimulante (tratamento do cancro) porque promove a 
proliferação de linfócitos, a atividade de macrófagos e a produção de citoquinas e está 
provado que, quando é usado em associação com outros compostos anti-tumorais, os 
resultados são melhores. 
 
28 
 
Para além deste polissacárido, há outras espécies que também têm este tipo de 
compostos: o Schizophyllum commune, que produz o esquizofilano (também um 
polímero de glucose com ligações β1-3) e o Coriolus versicolor, que produz o krestin. Este 
é um proteoglucano, ou seja, é um polissacárido combinado com proteínas. 
 
 
 
 
 
▪ Polissacáridos de algas 
As algas têm um reduzido teor lipídico, 30-50% de polissacáridos não-digeríveis e são 
ricas em vitaminas e minerais, bem como em potássio e iodo. As algas, na sua 
generalidade, atuam da seguinte forma: conseguem reter água no seu interior, o que as 
faz inchar e tornam-se espessantes. Esta característica permite-lhes serem: espessantes, 
estabilizantes e gelificantes, usadas para espessar o conteúdo gástrico para impedir o 
refluxo e também para regimes de emagrecimento; usadas para espessar o conteúdo 
intestinal ao mesmo tempo que humedece o bolo fecal, estimulando o peristaltismo, logo 
é usado em casos de obstipação; usado como refirmante para produtos cosméticos. 
As algas podem ser: castanhas (Phaeophyceae), que produzem ácido algínico e fucanas, 
vermelhas (Rhodophyceae), que produzem galactanas sulfatadas e verdes 
(Chlorophyceae). 
 
ÁCIDO ALGÍNICO E ALGINATOS 
Algumas algas castanhas como é o caso da Laminaria, Macrocystis e Fucus produzem 
ácido algínico e alginatos (ver cartão). O ácido algínico é composto por dois ácidos 
urónicos, o ácido manurónico e o gulurónico, na forma de sais, que podem ter variadas 
sequências e a percentagem de um ácido ou de outro irá depender da espécie produtora, 
data de recolha e do estado de maturação da alga. Dependendo da concentração de 
 
29 
 
ácido gulurónico, desenvolve uma estrutura do tipo caixa de ovo, o que contribui para a 
formação e força do gel, permitindo complexar o cálcio no seu interior. O ácido 
gulurónico promove ainda a formação de pontes intramoleculares devido à retenção 
catiónica. Os catiões monovalentes e Mg2+ formam soluções coloidais e os catiões 
divalentes (Ca2+) formam essencialmente géis elásticos, não termorreversíveis. 
São usados como excipientes em formulações de libertação prolongada e 
gastrorresistentes e em leites protetores (dermocosmética). Como substância ativa, são 
usados em casos de patologia digestiva (refluxo gastroesofágico, esofagite, pirose), em 
compressas per- e pós-cirúrgicas e feridas crónicas e como hemostático, em úlceras 
hemorrágicas, odontologia e feridas. Podem ainda ser usados como aditivos alimentares. 
 
 
 
 
 
 
 
A obtenção do ácido algínico pode ser feita por: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
CARRAGENINAS 
São provenientes de algas vermelhas, nomeadamente de Chondrus crispus. Possuem 
uma galactana do tipo AB, em que é intercalada a β-galactose com a α-galactose (1-3 e 
1-4 intercaladas). A unidade A é sempre sulfatada em C4 ou em C2 (apenas 1 deles) e a 
unidade B é sulfatada em C6 e/ou C2 e é capaz de possuir éteres internos formados à 
custa dos hidroxilos dos carbonos 3 e 6. 
Para a obtenção de carrageninas, é necessária água quente alcalinizada, concentra-se o 
filtrado, e dá-se a precipitação com propanol. A baixas temperaturas, há uma maior 
agregação das duplas hélices. 
Podem ser utilizadas como excipiente (cremes, pastas, etc), na terapêutica em situações 
de obstipação (laxativo), úlcera gástrica, regimes de restrição, resfriados e na indústria 
alimentar como estabilizantes, gelificantes e inibidores da cristalização. 
 
 
 
 
 
 
AGAR-AGAR (gelose) 
Provém das algas vermelhas e é obtido por extração com água ligeiramente acidulada e 
quente, obtendo-se uma massa que se faz passar por um tamis. Após deixar arrefecer, é 
possível obter filamentos de gelose. As espécies envolvidas provêm da Gracilaria gracilis 
e da Gelidium amansii. 
A gelose é constituída por polímeros de galactose e apresenta uma mistura de 3 
polissacáridos. Um deles é a agarose, que é pouco sulfatada e que possui uma estrutura 
linear do tipo AB, em que na unidade A pode estar galactose, que pode ou não estar 
 
31 
 
metilada em C6 e a unidade B é uma anidrogalactose. Outro polissacárido é a piruvil-
agarose e, tal como aparecia na “goma” xantana, está combinada com ácido pirúvico para 
formar um acetal entre os carbonos 4 e 6. É também escassamente sulfatada. O último 
polissacárido é a agaropectina e é fortemente sulfatada e já não possui tantos éteres 
internos. A proporção dos 3 polissacáridos depende fundamentalmente da espécie 
produtora. 
 
O agar-agar possui um comportamento semelhante ao das carrageninas, uma vez que é 
solúvel em água quente e, ao baixar a temperatura, começa a formar-se um gel porque 
se começam a associar as cadeias em dupla-hélice. Esta gelose pode ser utilizada como 
pomada, creme, suspensão, emulsão, protetor gástrico, laxante mecânico, meio de 
cultura e espessante. 
 
FUCANAS 
Vêm das Laminariales e Fucales, que são algas castanhas. São polissacáridos sulfatados 
heterogéneos constituídos principalmente por L-fucose (1), mas também têm D-xilose 
(2), e ácido D-glucurónico (3). 
 
 
 
Podem dividir-se em vários tipos: 
o Fucoidanos: L-fucose sulfatada, unicamente com ligações 1-3 ou alternância 
entre 1-3 e 1-4 e com ramificações em C4; 
o Ascofilanas: Xilofucoglicuronanas (xilose + fucose + ácido urónico); 
 
32 
 
o Sargassanas: Glicuronofucoglucanas (ácido urónico + fucose + glucose); 
Há uma fucana com particular interesse, que é o fucoidano, que tem uma 
propriedade muito semelhante à da heparina: é anticoagulante porque é capaz de 
promover a agregação das plaquetas. Para além disso, apresenta propriedades 
anticancerígenas, antivíricas, antioxidantes e anti-inflamatórias. 
 
 
 
 
 
 
▪ Polissacáridos de plantas vasculares - homogéneos 
AMIDO 
O amido é um polissacárido homogéneo e o único que é digerível pelos humanos. É uma 
substância de reserva, faz parte de alguns grãos de cereais, sementes de leguminosas, 
bem como de órgãos subterrâneos (batata). A análise microscópica é essencial para 
distinguir a origem botânica do amido, e a preparação é feita com água para que não se 
percam as caraterísticas dos grãos de amido – necessário verificar o tamanho, a forma, 
em que posição estáo hilo (centro gerador do grão de amido), se tem estrias ou não. 
 
 
 
 
 
 
As regiões cristalinas correspondem às cadeias lineares, as regiões amorfas 
correspondem às ramificações. 
 
33 
 
 
É constituído unicamente por glucose, em que as moléculas de glucose podem estar 
unidas por ligações α(1-4) ou então α(1-4) e α(1-6), isto porque existem 2 polissacáridos: 
o Amilose, que é um polímero linear e tem como unidade fundamental a maltose, 
que são 2 moléculas de glucose unidas por ligações (α1-4). Está mais relacionada 
com a origem botânica do amido. 
o Amilopectina é ramificada em cacho. Possui ligações α(1-4) com ramificações α(1-
6)). É o constituinte maioritário do amido. 
 
O amido, à temperatura normal, é insolúvel e retém água no seu interior; Ao 
aumentarmos a temperatura, a 55-60ºC, há um inchamento irreversível e gelatinização; 
a 100ºC há solubilização total do amido; se houver diminuição da temperatura forma-se 
gel. 
A amilose, sendo α(1-4), adquire uma estrutura helicoidal que pode incorporar moléculas 
hidrófobas, como ácidos gordos, iodo, álcool e outros líquidos. 
Existem vários tipos de amido que são usados em farmácia, nomeadamente amido “tal e 
qual” e o amido modificado, sendo estas modificações feitas de várias formas: 
o Pode fazer-se variar a proporção entre a amilose e a amilopectina; 
o O amido pode sofrer tratamento físico, sendo pré-gelatinizados, extrudidos ou 
compactados; 
o O amido por ser tratado por reticulação a uma temperatura inferior à de 
gelatinização, o que faz com que se criem pontes intramoleculares; 
amilose 
amilopectina 
 
34 
 
o O amido pode ser modificado quimicamente à custa dos grupos hidroxilo das 
moléculas de glucose e estas modificações comportam oxidação, esterificações e 
eterificações; 
o Modificação por despolimerização controlada dos amidos, que pode ser feita em 
meio ácido, por ação de amílases e de amiloglucosidades; 
O amido é utilizado na preparação de comprimidos, quer como diluente, ligante ou 
desagregante e na obtenção de dextrinas, ciclodextrinas e poliois. 
 
CELULOSE 
A celulose é o polissacárido mais abundante na natureza e a sua unidade estrutural da 
celulose é a celobiose β(1-4), constituída por 2 moléculas de glucose através de ligações 
β(1-4) e, devido a esse tipo de ligação, não é digerível pelos humanos. 
Uma das moléculas de glucose sofre rotação de 180º sobre a outra, fazendo com que 
haja o estabelecimento de pontes de hidrogénio entre o OH em C3 de uma e o oxigénio 
do heterociclo da outra, o que dá mais estabilidade à molécula. A estabilidade deve-se 
também às pontes de hidrogénio estabelecidas com as cadeias paralelas. Esta estrutura 
associa-se em microfibrilas que constituem a parede celular. 
É usada como diluente, ligante ou desagregante, tal como o amido. 
O algodão corresponde aos pelos das sementes de Gossypium spp. e é constituído por 
94±5% de celulose. Dependendo do seu tratamento pode ser: 
• Algodão cardado: é penteado e fica sem impurezas sólidas (minerais, restos de 
fragmento de fruto); é utilizado em tubos de ensaio ou materiais de cultura; 
• Algodão hidrófilo: é desengordurado com solução alcalina, branqueado com 
soda, lavado com ácido para neutralizar a soda e depois água, seco e cardado; 
tem grande poder de absorção e proteção de tecidos. 
Para além do algodão, existem vários derivados da celulose, que incluem ésteres de 
celulose, éteres de celulose, possuindo diversas aplicações, nomeadamente em farmácia, 
como espessantes, lubrificantes, ligantes, comprimidos, cremes, loções, ou noutros tipos 
 
35 
 
de indústrias. Os ésteres possuem aplicação em membranas de diálise e em películas 
gastrointestinais. 
 
FIBRAS ALIMENTARES 
São resíduos vegetais resistentes à ação das enzimas do trato digestivo; são 
macromoléculas da parede celular e polissacáridos intracelulares. Desta forma, não são 
digeríveis e não são transformadas para serem absorvidas pelo organismo. Relativamente 
à sua hidrossolubilidade, podem ser classificadas em fibras solúveis ou fibras insolúveis. 
o Solúveis: hemiceluloses, pectinas, glicoproteínas, gomas, mucilagens e 
polissacáridos de algas; 
o Insolúveis: celulose, lenhina; 
Estas fibras vão dar origem a gases (CH4, H2, CO2) ou a ácidos gordos de cadeia curta 
(AGCC). Pela segunda via, incham a parede do intestino porque retêm água. Esta 
formação de ácidos gordos não só vai diminuir o pH do lúmen intestinal como também 
vai alterar o microbioma, ou seja, há um aumento do número de bactérias que contribui 
para o aumento do volume fecal e, portanto, a uma regulação do trânsito intestinal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As fibras solúveis têm um grande poder de adsorção e de ligação a determinadas 
moléculas, nomeadamente ácidos biliares, promovendo a sua eliminação nas fezes; de 
 
36 
 
lípidos, reduzindo a sua absorção e como consequência o nível de colesterol diminui; e 
de minerais, alterando o balanço mineral no organismo. Estão também associadas à 
formação de gel porque retêm água e isto leva à diminuição da velocidade de 
esvaziamento gástrico, tendo como consequências a sensação de saciedade e o 
retardamento da absorção de glucose. Da mesma maneira, isto leva a uma diminuição 
da absorção de nutrientes e a um aumento do tempo de trânsito do cólon. Ou seja, a 
função das fibras solúveis é regular o trânsito intestinal. 
Os efeitos biológicos das fibras alimentares são: regulação do trânsito intestinal (não em 
crianças), diminuição do colesterol, prevenção de doenças cardiovasculares, regimes de 
emagrecimento, regimes para diabéticos, associados a regimes hipocalóricos e 
prevenção do cólon-retal (?). 
 
FRUTANAS 
É um polímero de D-frutose que se liga a uma glucose terminal através de uma ligação 
β(2-1). Não possuem poder redutor porque não têm nenhum -OH anomérico livre (a 
frutose é uma cetose e a glucose está ligada pelo C1). Funcionam como substâncias de 
reserva. 
 
 
 
 
 
Exemplos: 
INULINA E OLIGOFRUTOSES 
o Presentes em órgãos subterrâneos, em espécies como: Chicória (Cichorium 
intybus) e dente-de-leão (Taraxacum officinale). 
o A inulina é uma fibra solúvel. Apesar de não ser digerida pelas enzimas intestinais, 
é um dos principais substratos da flora intestinal, sendo por isso considerada um 
 
37 
 
pré-biótico, tal como as oligofrutoses – não são absorvidos ao nível do íleo e não 
são degradadas pela α-glicosidase. São parcialmente degradadas no cólon, 
auxiliam na multiplicação de bifidobactéria, levam à fermentação e, assim, à 
formação de AGCC e gás. 
 
 
 
 
 
 
 
Nota: a inulinase faz a hidrólise enzimática e é capaz de quebrar a ligação entre duas 
moléculas de frutose. 
Estas frutanas possuem propriedades coleréticas (aumenta a secreção da bílis) e 
colagogas (estimula a secreção da bílis para o duodeno), promovem eliminação renal de 
água e tratam distúrbios digestivos. Por estes motivos, são usadas para a obtenção de 
frutose, para o estudo da função renal, porque não são metabolizados nem excretados 
ao nível tubular, e para substituição da sacarose. 
 
▪ Polissacáridos de plantas vasculares – heterogéneos 
 
 GOMAS 
As gomas são polissacáridos heterogéneos e ramificados com ácidos urónicos na sua 
constituição. Estas gomas não existem pré-formadas nas plantas, sendo produto de um 
traumatismo (incisão, picada de inseto, ataque bacteriano) na planta, que desencadeia 
uma alteração dos polissacáridos da parede ou no amido, formando-se um exsudado que, 
por secagem, endurece e forma a goma. 
 
38 
 
São insolúveis em solventes orgânicos (ao contrário das resinas) e em água formam 
soluções viscosas e géis, quando em concentrações elevadas, consoante o tipo de goma. 
Existem quatro grupos de gomas: 
o Grupo A: galactana com ramificações de L-arabinose e oligósido formados por 
outros açúcares, frequentemente associadas a proteínas– ex: goma arábica 
o Grupo B: possuem sempre ácido D-galacturónico (1-4) com interrupções de L-
ramnose, por vezes, e para além disso podem apresentar outras moléculas de 
outros açúcares. Algumas são semelhantes às pectinas com ácido galacturónico – 
ex: goma estercúlia 
o Grupo C: xilanas β(1-4), que correspondem a xilose com outras moléculas – L-
arabinose, L-galactose, ácido glucurónico; 
o Grupo D: ácido D-glucurónico e manose com ligações (1-4,1-2), onde o hidroxilo 
da manose está muitas vezes substituído de forma semelhante ao grupo A; 
Dentro da mesma espécie, o tipo de goma depende da origem geográfica e dos fatores 
ambientais. 
Exemplos: 
GOMA ESTERCÚLIA 
o Pertence ao género Sterculia spp. (Sterculia urens, Sterculia tomentosa) e é 
classificada dentro do grupo B. Apresenta-se como uma glicano-ramno-
galacturonana, com algumas unidades acetiladas (cerca de 8%), que confere um 
odor acético. Apresenta-se como uma massa irregular, translúcida, branco-
rosada a acastanhada. 
 
 
 
 
 
o Esta goma estercúlia sofre uma hidratação lenta, logo faz-se uma mistura prévia 
com álcool, de maneira a existir uma dispersão homogénea, cuja viscosidade vai 
 
39 
 
depender da granulometria. Se a concentração for baixa obtém-se uma pasta/gel 
e, ao aumentar a concentração, obtemos uma solução de grande adesividade. 
Esta goma é não fermentável, absorvida, degradada ou tóxica. 
o É usada em casos de obstipação e regimes de emagrecimento porque retêm água 
e em aparelhos de colostomia e próteses dentárias, devido à sua adesividade. 
 
GOMA ARÁBICA 
o Pertence ao género Acacia spp.( Acacia senegal, Acacia seyal), é incluída no grupo 
A e apresenta uma cadeia principal de β-D-galactose (1-3), que pode ser 
substituída por vários oligossacáridos, nomeadamente L-arabinose, L-ramnose e 
ácido galacturónico. 
o Como possuem ácido na sua constituição podem existir na forma de sal, sendo os 
de cálcio os mais abundantes. 
o Apresenta-se como uma massa esférica, friável, amarelada a âmbar e opaca, ou 
como fragmento irregular, transparente, inodoro e insípido. 
o A viscosidade destas soluções preparadas com goma arábica varia muito em 
relação ao pH, sendo a viscosidade máxima quando o pH está perto da 
neutralidade. Por outro lado, diminui com a temperatura e com a presença de 
eletrólitos. 
o Apresenta algumas incompatibilidades com a gelatina, sais de ferro e fenóis. 
o É usada como emoliente (garganta) e béquico (tosse – hidratante que protege o 
tecido inflamado), estabilizante e emulsionante e para o encapsulamento de 
aromas. 
 
GOMA ADRAGANTA 
o Pertence ao género Astragalus spp. (A.gummifer), e é uma mistura de dois 
polissacáridos: bassorina (ácido tragacântico) e a tragacantina. 
o A bassorina (60-70%) é uma glicanogalacturonana, ou seja, existe ácido 
galacturónico com outros açúcares, nomeadamente L-fucose, D-xilose. É a fração 
ácida que precipita com álcool e forma gel. 
 
40 
 
o A tragacantina (30-40%) é neutra e é uma arabinogalactana (1-6, 1-3), sendo 
solúvel em soluções hidroalcoólicas e, com a água, forma uma solução coloidal. 
o É usada em situações de obstipação, estabilizante (suspensões, emulsões) e como 
espessante (E413). 
 
 
 MUCILAGENS 
As mucilagens, ao contrário das gomas, existem já pré-formadas e estão acumuladas em 
formações histológicas especializadas das plantas, que retêm água e, por isso, previnem 
a desidratação das sementes, promovendo a germinação. 
MUCILAGENS NEUTRAS 
Existem as glucomananas – constituídas por glucose e manose, onde algumas podem 
estar acetiladas; as galactomananas – constituídas por galactose e manose (cadeia de 
manose e galactose ramificada em C6); e uma mistura, as galactoglucomananas, onde a 
galactose aparece no C6, numa ligação do tipo α. 
Ex: “Goma” de alfarroba, “Goma” de guar, Konjac 
 
 
Exemplos: 
“GOMA” DE ALFARROBA 
o Apesar de conter “goma” no nome, é uma mucilagem e não uma goma. Também 
conhecida como Ceratonia síliqua, é uma galactomanana e a relação entre o 
número de galactoses e de manoses é de 1 galactose para 4 moléculas de 
manose. 
 
41 
 
o É obtida do endosperma das sementes do fruto alfarrobeira e é usada no 
regurgitamento do lactente, na diarreia do lactente, em regimes de 
emagrecimento e em produtos lácteos (E410). 
 
 
 
 
 
GOMA DE GUAR 
o Pertence à espécie Cyamopsis tetragonolobus e é também uma galactomanana 
mas, neste caso, a razão entre o número de galactoses e de manoses é de 1 para 
2. É obtida do albúmen das sementes. 
o É formada por uma cadeia linear de D-manose com ligação β(1-4) e, 
alternativamente, com uniões α(1-6). 
o É utilizada para diminuir a hiperglicemia (não trata diabéticos, apenas ajuda) e 
insulinemia pós-prandial devido ao aumento da viscosidade, o que diminui o 
esvaziamento gástrico e retarda a absorção de açúcares, para diminuir a 
colesterolemia e LDL, para afeções gastrointestinais (Al, Mg), para prevenir o 
refluxo gastroesofágico e como espessante. 
o A ingestão inadequada de líquidos provoca obstrução esofágica e oclusão 
intestinal. 
 
 
 
 
KONJAC 
o Já não é uma galactomanana mas sim uma glucomanana que existe no tubérculo 
do Konjac (Amorphophallus Konjac). 
 
42 
 
o A cadeia principal é constituída por manose com ligação β(1-4) e a glucose liga-se 
à cadeia principal no C3. A razão entre a glucose e a manose é de 1 para 1,6. 
o Este é utilizado em regimes hipocalóricos, para diminuir a colesterolemia e LDL, 
em obstipação, como antiácido e espessante. 
 
 
 
 
 
MUCILAGENS ÁCIDAS 
São compostas essencialmente por ácidos urónicos. Normalmente, as que provêm das 
sementes (parte mais rica em mucilagens) têm propriedades laxantes porque aumentam 
o volume do bolo fecal e subsequentemente o peristaltismo intestinal, e as que provêm 
de outros órgãos, como das folhas, flores e raízes têm propriedades calmantes da tosse 
e expetorante. 
Exemplos: 
TÍLIA 
o A tília (Tilia cordata, Tilia platuphyllos), da qual é usada a inflorescência (parte da 
planta que contém as flores) é composta por 5 frações: D-galactose, L-arabinose, 
L-ramnose, ácidos urónicos. 
o É utilizada em crianças e adultos para problemas menores do sono, afeções 
dermatológicas, diaforético (ajuda a suar e eliminar toxinas) e afeções das vias 
respiratórias. 
ALTEIA e MALVA 
o A Alteia (Althaea officinalis) – folha e raiz – e a Malva (Malva sylvestris) – folha –, 
que são ramnogalacturona, apresentam ácidos urónicos e galactose, parecidas 
com as pectinas. 
o São anti-inflamatórios, emolientes e béquicos – usam-se em pastilhas. 
 
43 
 
o Usadas em situações de problemas digestivos, afeções dermatológicas, afeções 
da cavidade bucal e para o tratamento sintomático da tosse. 
ISPAGULA e PSÍLIO 
o Espécies do género Plantago (Ispagula – P.ovata; Psílio – P.afra, P.indica) que 
possuem funções diferentes porque também são usadas partes diferentes. 
o Ambas com arabinoxilanas e possuem ácido galacturónico, e distinguem-se pela 
presença de L-ramnose na Ispagula e de D-galactose no Psílio. 
o Forma de atuação: 
▪ Absorvem água – incham – aumentam a massa, a humidade e a acidez do bolo 
fecal a nível do cólon – laxante 
▪ Não despolimerizam no intestino delgado – têm uma degradação parcial no 
cólon – formam gases e AGCC – os ácidos inibem a síntese de colesterol – 
diminui a colesterolemia pós-prandial 
▪ Como aumentam a viscosidade, baixam a hiperglicemia pós-prandial 
▪ Sequestram os ácidos biliares – menos reabsorção lipídica intestinal e maior 
eliminação fecal – diminuição da colesterolemia. 
o Estão contraindicados em situações de estenose do esófago e oclusão intestinal. 
o Ainda dentro do Plantago, temos a P. major (tanchagem maior) e o P. lanceolata 
(tanchagem menor), o primeiro constituído por arabinoxillana e ácidos urónicos 
e a segunda por D-galactose, L-arabinose e ácidos urónicos. 
o As folhasdo Plantago não são usadas devido a propriedades laxativas, mas 
apresentam uma ação emoliente. Nestas mucilagens, encontram-se os iridoides, 
que lhes conferem propriedades anti-inflamatórias. 
o Por isto, são usadas em caso de afeções dermatológicas, irritação/desconforto 
ocular e afeções nas vias respiratórias e orofaringe. 
 LINHO 
o O linho (Linum usitatissimum) tem 2 frações: uma ácida (ácido galacturónico e L-
ramnose) e uma neutra (arabinoxilana ramificada, D-glucose, D-galactose). As 
sementes de linho têm uma ação laxante, emoliente e de proteção (inflamação). 
 
44 
 
Têm ainda um efeito estrogénico que se deve às enterolenhanas formados no 
cólon. 
 
o Está contraindicado em: afeção do esófago, oclusão intestinal, hemorragia, < 12 
anos, grávidas, aleitamento, cancro hormono-dependente. 
 
 SUBSTÂNCIAS PÉCTICAS 
São glicanogalacturonanas, ou seja, açúcar ligado a ácido galacturónico, sendo que esse 
açúcar pode ser D-galactose, L-arabinose ou L-ramnose. O açúcar presente depende 
muito da origem botânica da pectina e do estado de desenvolvimento da planta. 
Os ácidos urónicos podem aparecer metilados e, consoante o grau de metilação, existem 
os ácidos pécticos/ pectatos ( < 5), pectinas fracamente metiladas e pectinas altamente 
metiladas ( > 50). 
É possível quebrar a ligação entre os ácidos urónicos através da ação de pectinases. A 
ligação éster é quebrada por pectinesterase. 
 
 
 
o Homogalacturonanas: só com ácido α-D-
galacturónico que pode, por vezes, 
aparecer intercalado com ramnose. A O-
acetilação acontece em C2 ou C3 e pode 
haver unidades ácidas metiladas. 
 
 
45 
 
o Ramnogalacturonana I:há intercalação de uma ramnose com ácido galacturónico 
com ligações alternadas α(1-2) e α(1-4). O C1 do ácido liga-se ao C2 da ramnose 
e o C1 da ramnose liga-se ao C4 do ácido galacturónico. Possuem a 
particularidade de possuírem oligossacáridos ricos em arabinose e galactose que 
se inserem sempre no C4. 
 
 
 
 
o Ramnogalacturonana II: só ácido galacturónico na cadeia principal, que pode 
estar metilado ou acetilado, ou não. Pode ter substituições em C2 – 
oligossacáridos, ou em C3 – dissacáridos. 
 
 
 
 
 
Estão presentes nas frutas e são obtidas da seguinte forma: 
 
 
 
 
 
 
As pectinas diminuem a colesterolemia e a absorção de glucose, e aumentam a excreção 
de ácidos biliares, funcionam como espessante do conteúdo gástrico, na obstipação, no 
 
46 
 
regurgitamento do recém-nascido, como estabilizante e gelificante e afetam 
negativamente a biodisponibilidade das vitaminas. 
 
 açúcares 
 
Corpos Gordos 
Os corpos gordos são misturas homogéneas, compostos pouco voláteis, hidrofóbicos e 
solúveis em solventes orgânicos pouco polares. Possuem algumas caraterísticas como: 
untuosos ao tato; mancham o papel de nódoa gordurosa, translúcida e persistente; 
solúveis nas soluções aquosas alcalinas; densidade inferior a 1. São ésteres de ácidos 
gordos e de um álcool ou poliol. 
São produtos do metabolismo primário (são metabolitos essenciais à vida e são 
transversais a todos os organismos que os têm) e desempenham funções energéticas (a 
oxidação de AG pode originar energia), funções estruturais (fazem parte de lípidos mais 
complexos que constituem componentes celulares) e funções de sinalização (fazem a 
passagem de informação em várias vias intercelulares). 
 
▪ Classificação dos lípidos 
Lípidos simples (C, O, H): 
o Ácidos gordos 
o Acilgliceróis/glicéridos – ésteres de AG e do glicerol 
o Céridos – derivados da esterificação de álcoois alifáticos de média/elevada massa 
molecular, mono-hidroxilados, cadeia linear, saturada (constituintes das ceras) 
o Estéridos – derivados de esteróis 
 
47 
 
Lípidos complexos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Notas: os gangliosídeos apresentam carga negativa devido ao ácido siálico; os glicolípidos 
têm ligações heterosídicas porque têm lípidos e açúcares. 
Estado Físico: 
o Óleos – líquidos à temperatura ambiente, onde predominam acilgliceróis de 
ácidos insaturados – devido às alterações conformacionais das ligações duplas, o 
empacotamento é mais difícil; 
 
48 
 
o Gorduras – sólidas à temperatura ambiente onde predominam acilgliceróis de 
ácidos saturados – são lineares e por isso conseguem empacotar melhor; 
o Ceras – sólidas à temperatura ambiente, onde predominam céridos. 
Nomenclatura: 
 
o Na nomenclatura de ácidos gordos insaturados, a contagem de carbonos para 
concluir a posição da dupla começa no carboxilo; 
o A numeração dos ómegas ω é feita ao contrário: começa-se a contar no C oposto 
e diz-se ω3 se a primeira insaturação for no C3, ω6 se for no C6 ou ω9 se for no 
C9 (ácido linoleico é ω6, o ácido α-linolénico é ω3 e o ácido ϒ-linolénico é ω6) 
o Assim, se usarmos a nomenclatura ω3/ω6/ω9, apenas sabemos onde aparece a 
primeira insaturação, nem sabemos se há mais. 
 
▪ Biossíntese de ácidos gordos 
A biossíntese de ácidos gordos tem lugar no citosol e ocorre pela via acetato. O iniciador 
é a Acetil-S-CoA e o alongador é o Malonil-Co-A. Diz-se que é o alongador porque cada 
vez que se acrescenta e se completa um ciclo, aumenta-se o número de C em 2. Assim, 
os AG com C ímpar são raros, sendo os mais comuns ainda os 13, 15 e 17, mas requerem 
enzimas específicas. 
Os ciclos de elongação têm 4 passos (condensação, redução, desidratação e segunda 
redução) e a enzima envolvida é a Fatty acid synthase (FAS). Esta enzima está envolvida 
no desenvolvimento de tumores. A degradação dos AG segue exatamente os mesmos 
passos, mas ao contrário. 
Normalmente a biossíntese termina quando se atinge C14-C18. Há alguns maiores (C30), 
mas são necessárias outras enzimas. 
 
49 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
▪ Análise química de corpos gordos 
Índices físicos: PF, ponto de solidificação, densidade, índice de refração e poder rotatório. 
Índices químicos: 
• Indicadores de identidade (dão-nos informação sobre quais os compostos e a sua 
natureza química): índice de saponificação, de éster, de hidroxilo, de iodo. 
• Indicadores do estado de conservação: índice de ácido (hidrólise), índice de 
peróxido (oxidação). 
o Índice de saponificação: 
É o nº de mg de KOH necessários para neutralizar os ácidos livres e hidrolisar os ésteres 
presentes em 1g de corpo gordo. 
 
 
50 
 
Nota: Este índice apresenta a fórmula IS=(56,1n)/P para uma solução de HCl 1M. 
o Índice de éster: 
É o nº de mg de KOH necessários para saponificar (neste caso é o mesmo que hidrolisar) 
os ésteres presentes no corpo gordo. Como se pode ver pelas definições, este é a mesma 
coisa que o anterior tirando a parte dos ácidos, logo pode-se calcular indiretamente pela 
fórmula: IE=IS-IA, sendo o IA o índice de ácidos. 
 
 
 
o Índice de hidroxilo: 
É o nº de KOH equivalentes ao ácido acético que acetila os hidroxilos livres de 1g de 
amostra. 
 
 
Nesta reação temos representada uma molécula de hidroxilo livre a reagir com anidrido 
acético, sendo acetilada e formando um éster. 
A definição fala em ácido acético em vez de anidrido acético porque o primeiro é mais 
fácil de titular e, portanto, quantificar. O que fazemos é utilizar o anidrido acético para a 
acetilação (formação do éster) e depois quebra-se esta molécula em duas de ácido 
acético. 
Tendo o ácido acético já conseguimos facilmente titular com KOH, obtendo o valor que 
sobrou da reação. Sabendo a quantidade inicial de anidrido acético e sabendo a 
quantidade que sobrou, conseguimos saber a que reagiu com o hidroxilo livre. 
 
 
51 
 
o Índice de iodo: 
É o nº g de halogéneo, calculado em iodo, adicionada pelas insaturações de 100g de 
corpo gordo. 
Quando temos um corpo gordo com ligações duplas, este pode facilmente reagir com um 
halogéneo – assim, quanto maioro número de ligações duplas, mais halogéneos 
precisamos. 
 
 
Fica-se a saber a quantidade de I2, daí sabe-se o excesso de BrI e, sabendo o excesso e o 
que se colocou inicialmente, sabe-se o que reagiu. 
o Índice de ácido (hidrólise) 
É o nº de mg de KOH necessários para neutralizar os ácidos livres presentes em 1g de 
corpo gordo. Procede-se aos cálculos da mesma forma que no IS, mas a FP considera 
que, para este caso, a solução de HCl usada é 0,1M. 
 
 
 
 
 
1. Faz-se reagir o AG 
com BrI em excesso; 
2. O excesso de BrI que 
não reagiu, faz-se 
reagir com KI, 
formando KBr e I2; 
3. O I2 formado titula-se 
com tiossulfato de 
sódio (Na2S2O3) 
 
 
52 
 
o Índice de peróxido (oxidação) 
É o nº de miliequivalentes (meq) de oxigénio ativo correspondente à quantidade de 
peróxidos presentes em 1000g de corpo gordo. A peroxidação das gorduras dá origem 
ao chamado “ranço”. 
 
 
 
 
 
 
 
▪ Uso dos corpos gordos em farmácia 
Vegetal: 
o Azeite: antigamente era muito usado como veículo, é colagogo (excita a excreção 
biliar), emoliente 
o Óleo de amêndoas: usado para inflamações da pele, protetor solar, via 
parentérica 
o Óleo de rícino: purgativo, pomadas e cremes farmacêuticos e cosméticos 
o Cera de carnaúba: polimento de drageias 
o Óleo de jojoba: emoliente e protetor da pele 
Animal: 
o Lanolina: vem da lã das ovelhas, emoliente e emulsionante (fármacos hidrófilos) 
o Óleo de fígado de bacalhau: era muito usado para prevenir o raquitismo em 
crianças, baixa a colesterolemia 
o Espermacete: vem da cabeça do cachalote, mas agora já se faz sintético; aspeto 
branco, emoliente e protetor da pele. 
 
53 
 
 
▪ Técnicas de identificação 
o TLC (apenas permite separar classes) 
o GC-MS (sendo gasosa precisa de um passo antes de derivação – ácidos gordos, 
alguns esteróis)) 
o LC-MS (para lípidos mais complexos). 
 
COMPOSTOS FENÓLICOS 
Os compostos fenólicos têm todos pelo menos um anel aromático e, pelo menos, um 
hidroxilo ligado diretamente ao anel. NÃO têm azoto e a aromatização vem da via 
chiquimato e/ou acetato. São compostos do metabolismo secundário. O hidroxilo pode 
estar envolvido numa ligação éster, éter, ou heterosídica. 
 
Nota: O timol e o anetole NÃO são porque a aromatização resulta de uma desnaturação 
e não da via chiquimato e/ou acetato. 
 
 
 
▪ Rutura homolítica 
Os compostos fenólicos podem facilmente perder protões ou eletrões e dar origem ao 
radical fenoxilo. Este radical fenoxilo é muito reativo e, por isso, é estabilizado por 
ressonância, fazendo deslocar o eletrão desemparelhado, dando origem a outras 
espécies, sendo umas mais reativas que as outras. 
 
 
 
54 
 
Estes radicais depois podem fazer acoplamento oxidativo, e este pode ser intramolecular 
ou intermolecular. Se for intramolecular, há a formação de ciclos e, se for intermolecular, 
há formação de polímeros. 
 
 
 
 
▪ Oxidação do anel aromático 
A oxidação do anel aromático pode ser feita de duas formas: 
• Dioxigenase: clivagem do anel com introdução de dois oxigénios 
• Mono-oxigenase: introdução de OH 
 
 
 
 
 
▪ Identificação 
Existem alguns processos de identificação: a cor é um processo de identificação direto 
(ex. as antocianinas podem ser laranjas ou azuis); a exposição UV (direta ou após 
exposição a vapores de amoníaco); reações de cor onde se avalia a cor e a velocidade 
com que aparece ( ex: a reação com FeCl3, vanilina em meio ácido, 
fosfomolibdatofosfotungstao); cromatografia, principalmente a DAD, é o método mais 
usado – como têm anéis aromáticos e ligações conjugadas, absorvem no UV (as 
antocianinas nos 715nm). 
 
 
55 
 
Metabolitos sintetizados pela via acetato 
Na glicólise há formação de fosfoenolpiruvato e consequentemente ao piruvato, que 
pode seguir vários caminhos possíveis, o mais importante é o que dá origem à acetil-CoA. 
É a partir da acetil-CoA que se formam várias moléculas, através da via de síntese 
conhecida como via acetato. A síntese de poliacetatos por esta via dará origem aos 
compostos fenólicos. 
A molécula iniciadora é a Acetil-CoA e a molécula prolongadora o Malonil-CoA. Ao juntar 
uma molécula de malonil-CoA à acetil-CoA, há uma descarboxilação e, portanto, vai haver 
junção de unidades de 2C à acetil-CoA formando uma cadeia policetometilénica: resulta 
na formação de um β-policetoéster, em que os carbonos metilénicos se comportam 
como nucleófilos e os carbonilos como eletrófilos. O poliacetato que se forma é muito 
reativo e pode sofrer uma série de reações: condensação aldólica, havendo a formação 
de ácidos orselínicos; condensação de Claisen, que forma acilfluroglucinóis; condensação 
de Claisen e heterociclização, que origina pironas e isocumarinas. 
Os compostos que se formam por esta via apresentam oxigenações alternadas! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
 
QUINONAS 
 As quinonas são, por definição, dicetonas aromáticas, em sistema conjugado que pode 
ser policíclico ou não. 
A terceira molécula chama-se naftoquinona devido aos seus dois anéis (parecida com o 
nafteno); a quarta chama-se antraquinona por ter três (parecida com o antraceno); a 
última chama-se naftodiantrona porque tem 1 grupo de dois aromáticos e 2 grupos de 
três. 
 
 
 
 
 
 
▪ Biossíntese 
A via acetato/malonato é a mais comum para as 1.8-dihidroxiantraquinonas. 
1. Tem de haver a formação de um poliacetato – Acetil-CoA + Malonil-CoA 
2. Aldolização do poliacetato 
3. Ciclização 
4. Forma-se a antrona (chama-se assim porque lhe falta uma =O para ser quinona) 
5. Oxidação que origina a antraquinona 
 
 
 
 
 
 
57 
 
Temos também a via ácidos mevalónico e corísmico / via do succinil benzóico: 
1. Reação entre o ácido isocorísmico e o ácido cetoglutárico na presença de 
pirafosfato de tiamina; 
2. Forma-se DHNA (ácido 1,4-dihidroxi-2-naftóico) que é o precursor imediato das 
naftoquinonas. 
Nota: Também é possível que dê origem a uma antraquinona, mas não faz parte das 1,8-
hidroxiantraquinonas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Temos a via do ácido p-hidroxibenzoico, que dá origem a 1,4-naftoquinonas. 
▪ O ácido p-hidroxibenzoico sofre prenilação (adição de moléculas hidrófobas a 
uma proteína) pelo difosfato de geranilo. 
 
 
 
 
 
▪ Propriedades das Quinonas 
o São agentes de oxidação suaves; 
o Sofrem a adição de nucleófilos; 
 
58 
 
o São corantes (a Alizarina que é vermelha e é tirada da Rubia tinctorium); 
o Os compostos livres são mais solúveis em compostos orgânicos e os 
heterósidos em água ou em soluções hidroalcoólicas; 
o Na formação de heterósidos há sempre a perda de uma molécula de água. Se 
se formar com um açúcar, é sempre o C1 do açúcar que se liga à genina; 
o Podem-se caracterizar por TLC e depois revelação das placas com R. 
Borntrager ou por HPLC; 
o Doseamento por espetrofotometria e HPLC. 
o As naftoquinonas têm propriedades antimicrobianas e citotóxicas, mas ainda 
não são usadas na terapêutica. Os derivados de 1,8-di-hidroxiantracénicos 
têm ação laxativa e são usados em casos de obstipação. 
o O facto das quinonas sofrerem adição de nucleófilos está na base de 
fenómenos alérgicos que estão reportados para este tipo de compostos, mais 
propriamente para as benzoquinonas e naftoquinonas, que se comportam 
como haptenos e que se ligam a grupos amina e tiol, desencadeando 
dermatites de contacto. Isto acontece com várias espécies do género Primula, 
que são ricas em primina e que podem desencadear edema, eritema, 
erupções cutâneas, conjuntivite e reações nasais. 
 
 
 
 
▪ Naftoquinonas 
Exemplos: 
ORVALHINHA 
o A orvalhinha (Drosera rotundifólia, D. madagascariensis) é uma planta carnívora 
com uns pelos que segregam um líquido viscoso que aprisiona os insetos e liberta 
enzimas que os começam a digerir; usa-se a planta inteira. 
 
59 
 
o Tem várias naftoquinonas(1,4-naftoquinonas): plumbagina, 7-metiljuglona e 
droserone. É usada essencialmente para a tosse espasmódica e irritativa e para a 
asma, mas a plumbagina tem também ação antimicrobiana sobre gram+ 
(Staphylococcus e Streptococcus) e gram- (Salmonela). 
o Nota: Dá-nos o nome da naftoquinona e temos de desenhar (2-metil-5-hidroxil-
1,4naftoquinona). 
 
 
 
 
NOGUEIRA 
o Da nogueira (Juglans regia) só se usam as folhas e possui a juglona que tem ação 
antibacteriana e fungicida. 
o É usado em casos de insuficiência venosa, sintomatologia hemorroidária, 
descamação do couro cabeludo, afeções dermatológicas e afeções da cavidade 
bucal e/ou faringe. 
 
 
 
 
HENA 
o Da hena (Lawsonia inermis) só se usam as folhas e tem ação fungicida, mas 
também é usada na cosmética, porque se liga aos grupos tiol SH da queratina 
(tinta para o cabelo, champô), e é usada para as pinturas das mãos e pés nos 
países muçulmanos. 
o É também usada em doenças de pele como tenicida, como antidiarreico e 
abortivo. 
 
60 
 
 
 
 
 
PAU D’ARCO 
o O pau d’arco (Tabebuia avellanedeae) está presente nas madeiras exóticas e 
contém Lapacol que, por ciclização, forma a β-Lapacona que tem atividade 
antitumoral, mas como tinha muita toxicidade saiu do mercado. São usadas as 
cascas e inibe a transcriptase reversa topoisomerase I. 
 
 
 
 
▪ Antraquinonas 
São considerados heterósidos hidroxiantracénicos laxativos, dos quais as mais 
importantes são as 1,8-dihidroxiantraquinonas. 
É frequente serem agrupadas consoante o seu grau de oxidação: 
• Forma oxidada: antraquinona – 2 formas cetónicas 
• Forma reduzida: consoante o pH podem sofrer tautomerismo ceto-enólico e estar 
na forma de antrona (=O) ou antranol (-OH) 
 
 
 
 
 
61 
 
As antronas podem dimerizar durante a secagem por ação enzimática, dando origem a 
diantronas – a união é sempre feita pelo C10 de cada uma. 
 As antraquinonas agliconas têm sempre OH em 1 e 8, C3 é sempre carbonado e C6 pode 
não ter nada (só H) ou pode ter um hidroxilo ou um hidroxilo metilado. 
Antraquinonas: reína, aloé-emodina, crisofanol, emodina, fisciona. 
 
 
 
 
 
 
 
 
As diantronas agliconas resultam da dimerização das antronas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nota: se nos pedirem a aloé-emodina antrona, basta desenhar a aloé-emodina e eliminar 
o carbonilo de baixo, para que seja uma antrona. 
Estes compostos são biossintetizados pela via acetato/malonato. As antraquinonas e as 
antronas podem formar heterósidos com açúcares, sendo os mais comuns são a glucose, 
ramnose e, em alguns casos, a apiose. Nos O-heterósidos a ligação entre a genina e o 
açúcar é feita num átomo de oxigénio. Geralmente açúcares estão ligados nos C6 e C8 (a 
 
62 
 
glucose normalmente liga-se ao C8). Nos C-heterósidos, há ligação entre o OH redutor 
do açúcar e um hidrogénio da genina. Só é possível fazer C-heterósidos nas antronas no 
C10. 
Normalmente, na planta fresca há mais antronas e depois, com o calor, luz e ar há 
oxidação e transformação em antraquinona; se houver a ação de enzimas específicas há 
dimerização e formação de diantronas. 
Propriedades físico-químicas 
o Têm uma cor amarelada; as que são geninas (livres de açúcares) são solúveis em 
solventes orgânicos ou em solução aquosa de NaHCO3, se tiver um grupo COOH; 
os heterósidos são solúveis em H2O ou misturas hidroalcoólicas. 
o A hidrólise dos O-heterósidos é fácil e é feita por ação de ácido e calor; a 
hidrólise dos C-heterósidos é feita por ação de ácido+catalisador(FeCl3)+calor; a 
hidrólise das diantronas é feita em meio neutro com FeCl3+calor. 
Caracterização 
o É muito utilizada a reação de Borntraeger, feita em meio básico: 
▪ Ionização dos grupos fenólicos (ácidos fracos), o que leva a um aumento 
da densidade eletrónica livre que, por sua vez, provoca uma deslocação 
da cor no sentido de maiores λ (efeito batocrómico); 
▪ A reação pode ser feita com uma solução de acetato de magnésico porque 
a cor que se obtém é mais estável e intensa; 
▪ Nota: A cor vermelha só se atinge quando há 2 grupos cetónicos ( nunca 
é positiva para antronas, antranóis ou dímeros) e quando os OH dos C1 e 
8 estão livres. Por esta razão, há compostos que tem que ser sujeitos a um 
tratamento prévio. 
 
 
 
 
 
 
63 
 
▪ Na molécula 1: só há uma função cetónica, então tem que sofrer oxidação; o 
-O do C8 não está livre e, por isso, tem de ser quebrada uma ligação da mesma 
forma como vimos atrás para os O-heterósidos, através de ácido+calor. 
▪ Na molécula 2: tem de se quebrar o O-heterósido, através de ácido+calor 
como já se viu; quebrar o C-heterósido, isso faz-se com ácido+calor+FeCl3, 
este FeCl3 é agente catalisador e oxidante, logo dá a outra forma cetónica ao 
C10. 
▪ Na molécula 3: tem de se quebrar a ligação da diantrona, através de 
FeCl3+calor e ficamos logo com as duas moléculas na forma de antraquinona 
porque o FeCl3 é oxidante, depois temos de quebrar os O-heterósidos, como 
já sabemos, através de ácido+calor. 
Nota: Estes procedimentos fazem-se quando temos compostos isolados. Se a partir do 
extrato de uma planta fizermos o tratamento com o ácido+calor+FeCl3 e no final 
obtivermos um resultado positivo só conseguimos saber que essa planta tem compostos 
antracénicos, não conseguimos saber de que tipo são, pois nessas condições pode 
ocorrer hidrólise de O- e de C-heterósidos, quer de antraquinonas, quer de antronas; no 
caso destas últimas, além da hidrólise há oxidação, pois o FeCl3 é catalisador e oxidante. 
o Podemos também fazer a sua caracterização com a identificação por TLC, pois os 
diferentes compostos têm diferente polaridade. No UV dá para ver os heterósidos 
(forma conjugada) a 365nm. 
o Existem ainda outras reações: 
▪ Reação com p-nitrosodimetilanilina: utiliza-se só em antronas livres que 
adquirem uma coloração azul 
▪ Reação de Schouteten: fazendo reagir os C-heterósidos de antronas com 
Na2B4O7 (borato de sódio) o composto formado tem fluorescência verde 
Doseamento: 
1. Parte se da amostra em pó 
2. Faz-se a extração com água quente e álcool (metanol) 
3. Purifica-se com solvente orgânico: a fase orgânica sai com as formas livres e na fase 
aquosa ficam as formas combinadas 
 
64 
 
4. As formas combinadas são hidrolisadas com ácido clorídrico e oxidadas pelo FeCl3 , 
em refluxo 
5. Com este tratamento já vamos ter antraquinonas livres na nossa fase orgânica, que é 
seca 
6. Faz se a reação de Borntraeger com o Mg(OAc)2 ou KOH e o resíduo apresenta a 
coloração vermelha. Quanto mais intensa a coloração, maior a concentração – Lei de 
Lambert-Beer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Propriedades farmacológicas 
o São laxantes ou purgativos, dependendo da dose. 
o Os que têm uma relação estrutura-atividade mais interessantes são aqueles que 
têm o C10 ocupado: os O-heterósidos de antraquinonas e diantronas e os C-
glucósidos. 
 
 
 
As antronas e heterósidos de antronas são demasiado agressivos, então para serem 
utilizados têm de estar sujeitos a um armazenamento de 1 ano ou 1 ano e meio ou a 
 
65 
 
tratamento térmico, de forma a oxidarem e se transformarem em antraquinonas livres 
que são mais inativas. 
Metabolização: 
o Os compostos livres (geninas) são inativos, sendo absorvidas no intestino delgado 
e transportados até ao fígado, onde são conjugados com ácido glucurónico e 
eliminadas por via urinária. 
o As formas heterosídicas comportam-se como pró-fármacos; conseguem atingir o 
cólon e lá quebra-se a ligação ao açúcar através das β-glucosidases, que são 
enzimas da flora bacteriana; há também a sua redução e, assim, forma-se a 
antrona livre que desencadeará o efeito. 
o A antrona livre estimula o SNA atuando sobre a motilidade onde ocorre a 
estimulação do peristaltismo intestinal, o que faz diminuir a absorção de água 
liquefazendo-se as fezes (aceleração do trânsito). 
o A antrona livreestimula a secreção de eletrólitos e água, inibindo a bomba de 
sódio/potássio, o que leva a um aumento de água no cólon e ao efeito laxante. 
o O tempo de latência é entre 10 a 12 horas. 
Este tipo de compostos com fim laxante deve ser utilizado por um período máximo de 8-
10 dias. Podem causar desequilíbrio hidroeletrolítico, vómitos, náuseas, dores 
abdominais, colite reativa, diarreia, melanose, alteração da mucosa, potenciar o efeito 
dos cardiotónicos. 
Indicações: 
o Exames radiológicos e colonoscopias (limpar o cólon) 
o Intervenções cirúrgicas 
o Obstipação ocasional 
Contraindicações: 
o Crianças, grávidas, lactantes 
o Oclusão intestinal, doenças inflamatórias do intestino 
o Cardiotónicos, contracetivos orais 
 
 
66 
 
Exemplos: 
SENE 
o São usadas 2 espécies, a Cassia Senna (sene de Alexandria) e a Cassia Angustifolia 
(sene da Índia) e são usadas quer as folhas, quer os frutos. Possuem baixa 
quantidade ( < 0,1%) de antraquinonas livres e heterósidos de antraquinonas e 
antronas (+ agressivas → formas reduzidas). É armazenado antes do uso. 
o No sene encontram-se homodiantronas e heterodiantronas, sendo a senósido A 
o mais importante. Estes compostos surgem por secagem, pela ação de enzimas 
ou pela oxidação da reína antrona. 
o É usado como laxante. 
 
 
 
 
 
AMIEIRO NEGRO 
o São usadas as cascas de Rhamnus frangula e possui: 
▪ Antraquinonas livres numa percentagem muito baixa (<0,1%) – a 
emodina; 
▪ Muitos heterósidos de antronas – frangularósido A e B, 
glucofrangularósido A e B (formas reduzidas); 
▪ Heterósidos de antraquinonas obtidos por secagem: frangulina A e B e 
glucofrangulósido A e B (formas oxidadas). 
▪ Diantronas derivadas da emodina. 
o Deve ser submetido a secagem a 100ºC pelo menos durante 1h, ou envelhecido 
por um período não inferior a 1 ano, para que se produza a transformação das 
 
67 
 
formas reduzidas dos compostos antraquinónicos nas formas oxidadas, para a 
utilização terapêutica. 
o É usado como colagogo laxante. 
Nota: o “ar”de frangularósido indica que são heterósidos de antronas e não 
antraquinonas. 
Nota: frangulósido é a mesma coisa que frangulina, mas é diferente de frangularósido. 
Nota: Planta fresca → heterósidos de antronas 
 Planta seca → heterósidos de antraquinonas e diantronas 
o Neste tipo de compostos, os açúcares que se costumam ligar são a glucose, no 
C8, ramnose e apiose. Os “A” têm ramnose no O do C6 e os “B” têm apiose. 
 
 
 
 
 
CÁSCARA SAGRADA 
o São usadas as cascas da Rhamnus purshiana e possui: 
o Barbaloína (10-C-glucosil-aloé-emodina-antrona) – tem um açúcar, a 
glucose em C10. É um derivado da aloé-emodina. 
o Crisaloína (10-C-glucosil-crisofanol-antrona) – tem um açúcar, a glucose 
em C10. É um derivado do crisofanol. 
o Cascarósidos – têm 2 açúcares, a glucose no C8 e no C10. 
Nota: Tudo isto são antronas devido à falta do carbonilo no C10. 
o É usada como laxante. 
 
68 
 
 
 
 
 
 
 
 
ALOÉS: 
o Existe o aloés do cabo (Aloe ferox) e o aloés dos barbados (Aloe vera). 
o Possuem um suco de Aloés (quando se quebra a folha) e uma mucilagem que 
corresponde a células poliédricas da zona central, depois de retirada a parede 
celular. 
o O suco tem antraquinonas e barbaloínas A e B (comuns aos 2 aloés) o que lhe 
confere atividade para a obstipação. 
o A mucilagem possui propriedades hidratantes, cicatrizantes e são usadas em 
afeções dermatológicas. 
o Para distinguir os dois: 
o Aloés do cabo: tem aloinósidos A e B, isto é, no hidroxilo do C3 estará 
ligada uma ramnose e tem 5-hidroxi-aloína A, ou seja, um OH no C5; 
o Aloés dos barbados: tem 7-hidroxialoína A ou 7-hidroxialoína B e estas 
podem ter uma metilação no hidroxilo do C8. 
o Ser A ou B significa que a ligação à glucose é R (β) → A, ou é S (α) → B. 
 
 
 
 
 
 
69 
 
RUIBARBO 
o São usados os órgãos subterrâneos da Rheum palmatum ou R. officinale. Tem 
muitos compostos diferentes, para além dos antracénicos tem também polifenóis 
e taninos e, por isso, tem uma ação muito abrangente. Tem heterósidos de 
antraquinonas (emodina, fisciona, aloé-emodina e cisofanol), reinósidos A, B, C e 
D e senósidos A, B, C e D. 
o São usados para infeções da cavidade bocal. 
o O Ruibarbo pode ter efeito antidiarreico em dose baixa; em doses altas é laxativo. 
 
 
 
 
 
▪ Naftodiantronas: 
Exemplos: 
HIPERICÃO 
o É usada a parte cimeira (flores) do Hypericum perforatum que possui umas bolsas 
secretoras que contém hipericina, que dá um tom escuro. 
o Possui: 
o Naftodiantronas: a hipericina e a pseudo-hipericina bem como a proto-
hipericina e a proto-pseudo-hipericina, onde a única diferença é que não 
há formação do 2º anel do meio. 
o Flavonóides (não estão no hipericão-do-gerês). Ex: rutina 
 
70 
 
o Derivados do fluoroglucinol (oxigenação em carbonos alternados). Ex: 
Hiperforina e Ad-hiperforina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o As naftodiantronas são derivadas da emodina: 1º aparece a protohipericina, 
depois por ação da luz aparece a hipericina e a pseudohipericina vinda da 
protopseudohipericina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
71 
 
o A hipericina pode levar ao aumento de hiperiscismo (composto fototóxico) e por 
isso quem faz este tratamento deve proteger-se dos raios UV. Além disso, o 
tratamento deve durar no máximo 1 ou 2 semanas. 
o Tem ação antidepressiva (com exceção do hipericão-do-gerês que é usado como 
hepato-protetor). 
o Ação do Hipericão: 
o Aumenta os níveis de mediadores das fendas sinápticas e no cérebro; 
o Diminui a recaptação da 5-hidroxi-triptamina, da dopamina e da 
noradrenalina; 
o Diminui a ligação do ácido gama-aminobutírico aos recetores e, assim, 
suprime a depressão do SNC; 
o Aumenta os recetores da 5-hidroxi-triptamina no cérebro; 
o Inibe a monominoxida e a catecolmetil transferase, aumentando o nível 
de noradrenalina. 
o Devido à hipericina, é também anti-retrovírico, anti-bacteriano e 
cicatrizante. 
o O hipericão tem interações farmacocinéticas e darmacodinâmicas: 
Farmacocinéticas (afetam a concentração do composto no local em que irá atuar): 
▪ Podem interferir com a absorção, distribuição e metabolização do composto; 
▪ Pode haver interações com o Cit P450 ou glicoproteína-P: o Cit P450 é o 
principal sistema enzimático e é responsável pela metabolização de fármacos; 
se for ativado vai aumentar a velocidade de metabolização de fármacos, então 
a concentração desses compostos na corrente sanguínea vai diminuir, logo o 
composto não atinge o local de ação com a concentração desejada, não tendo 
tanto efeito; 
▪ Isto pode ser muito prejudicial para: imunossupressores, anticoagulantes, 
contracetivos orais, anti-retrovíricos, logo não devem administrados ao 
mesmo tempo que o hipericão porque este aumenta a velocidade de 
metabolização de compostos, diminuindo a sua concentração plasmática. 
 
 
72 
 
Farmacodinâmicas (resultam de uma interferência direta no local de ação): 
▪ Vai ter ação com outros antidepressores, pois como aumenta o número de 
mediadores das fendas sinápticas, em conjugação com antidepressores 
potencia a sua ação, podendo levar à sobrecarga de neurotransmissores, 
nomeadamente síndrome serotoninérgico, provocando hiperatividade 
autonómica (febre, diaforese, taquicardia), alterações neuromusculares 
(tremor, mioclonias, rigidez) e alterações do estado mental (agitação e 
desorientação). 
 
ORCINOIS 
 Exemplos: 
CÂNHAMO INDIANO 
▪ São usadas as folhas e as partes cimeiras da Cannabis sativa bem como a resina 
ou o óleo de haxixe; 
▪ O genótipo do cânhamo indiano faz com que haja uma variação muito grande do 
teor de compostos e é uma planta que possui alguma elasticidade e assim, foi 
abandonado da terapêutica porque apresentava uma atividade inconstante, eram 
necessários bastantes cuidados de conservação pois, caso contrário, levava a 
toxicidadee o estabelecimento de doses ótimas era complicado. Dependendo do teor 
dos compostos, há utilizações diferentes: cordas, fibras para tecidos super 
resistentes, etc. 
▪ Possuem os compostos: tetrahidrocanabinol, canabinol e canabidiol. 
 
 
 
 
▪ É usado como antiemético, antiglaucomatoso, antiasmático, anticonvulsivante, 
espasmolítico, analgésico e estimulante do apetite. 
 
73 
 
▪ A cannabis, junto com a cocaína e o ecstasy são as substâncias ilícitas 
preferencialmente consumidas. A potência do cannabis tem vindo a aumentar e é lida 
em % de THC (tetrahidrocanabinol), que é o canabinóide psicoativo. 
▪ Consoante os compostos, vão existir vários tipos de 
cânhamo. São orcinóis porque são moléculas com um anel 
benzénico com hidroxilação alternada e um substituinte 
carbonado. É uma espécie dióica (feminina e masculina) e 
a espécie feminina é mais rica em THC. 
▪ Cânhamo Indiano tipo “Resina” - rico em tetrahidrocanabinol (THC > 1%) 
➢ Folha de marijuana: 2-6% THC 
➢ Resina de haxixe: 5-20% THC 
➢ Óleo de cannabis: > 50% THC (mais potente) e obtém-se por extração 
com um solvente feito a partir do haxixe 
Nota: a percentagem de THC varia com o armazenamento, condições de 
cultivo, origem geográfica, etc. 
▪ Cânhamo Indiano tipo “Fibra”: THC < 0,1% e muito rico em canabidiol, usado 
para tecidos e cordas muito resistentes 
▪ Cânhamo Indiano tipo “Intermédio”: THC e CBD (canabidiol) em quantidades 
semelhantes, encontrado na Bacia do Mediterrâneo 
o Na planta fresca, o que está mais presente são as formas carboxiladas na posição 
2. Se no C2 do THC estiver COOH temos o THCA (ácido tetrahidrocannabinólico). 
O mesmo acontece com o CBD e CBC. É a partir destas formas (ácidos) que, por 
aquecimento, por manipulação, vão aparecendo outras formas descarboxiladas. 
 
1. Origem biossintética: 
São compostos da via acetato. Primeiramente, o Hexanoil-CoA conjuga-se com 3 
moléculas de Malonil-CoA dando origem ao ácido olivetólico, que já aí tem presente o 
grupo COOH que depois se observa nos ácidos da planta fresca. O ácido olivetólico (via 
acetato) conjuga-se com uma molécula de pirafosfato de geranilo (resulta da via 
desoxixilulosefosfato) dando origem ao ácido canabigerólico, que é o precursor dos 
 
74 
 
canabinóides. Há uma prenilação à custa do pirofosfato de geranilo, nomeadamente 2 
unidades prenilénicas. 
 
 
 
 
 
 
 
2. Efeitos 
a. Imediatos 
i. Físicos 
▪ Aumento da frequência cardíaca 
▪ Dilatação dos Brônquios 
▪ Fotofobia 
▪ Aumento da pressão arterial sistólica quando se está 
deitado e diminuição quando se está de pé 
▪ Tosse 
▪ Congestão dos vasos conjuntivais 
▪ Diminuição do lacrimejo 
ii. Psíquicos 
▪ Retardamento da velocidade de reação 
▪ Sonolência 
▪ Euforia e depressão 
▪ Instabilidade no andar 
▪ Fragmentação dos pensamentos 
▪ Alteração da memória imediata 
b. A longo prazo 
i. Físicos 
 
75 
 
▪ Bronquite e asma 
▪ Maior risco de cancro do pulmão 
▪ Diminuição da testosterona 
▪ Supressão da LH plasmática 
ii. Psíquicos 
▪ Síndrome amotivacional: apatia, deterioração de hábitos 
pessoais, isolamento 
▪ Potencial de dependência 
▪ Síndrome de abstinência leve 
 
3. Metabolização: 
A absorção do THC é bastante rápida, havendo um pico de concentração plasmático 
após 7min (tempo de semi-vida=2h). É metabolizado no fígado produzindo metabolitos 
como 11-hidroxi-∆9-THC e 8β-hidroxi∆9-THC. 
A eliminação é feita pela urina ou pelas fezes (usadas nas análises), podendo 
permanecer na urina por um período de 2 semanas a 3 semanas em consumidores 
ocasionais, sendo que em consumidores frequentes é normal que permaneça de 2 a 3 
meses. 
4. Ações: 
Os canabinóides despertaram grande interesse terapêutico porque os canabinóides 
não psico-trópicos têm vários efeitos. Os principais recetores, associados ao sistema 
límbico e comportamentos sociais, são o CB1 e o CB2. 
O cânhamo indiano tem muitas ações, tais como: antiemético (muito usada nos EUA, 
para prevenir vómitos em pacientes em quimioterapia ou estimulante de apetite em 
pessoas com anorexia), anti glaucomatoso, antiasmático, anticonvulsivante, 
espasmolítico, analgésico, etc. 
A quantidade distribuída de canabinoides na corrente sanguínea depende da 
administração (inalação, aerodigestão, etc.), do funcionamento pulmonar e da origem 
geográfica. 
 
76 
 
O controlo de qualidade da planta é necessário e é feito por cromatografia em 
camada fina – faz-se a determinação do teor de THC, que é o que interessa porque é o 
psicoativo – e faz-se a pesquisa de contaminantes (Aspergillus fungus, bactérias, metais 
como Al e Cd, organofosforados – inseticidas). 
Para quem utiliza como fim terapêutico, é necessária também uma monotorização 
dos utilizadores para evitar dependência e efeitos adversos. 
As indicações terapêuticas consideradas apropriadas para esta utilização em Portugal 
são: 
• Espasticidade em esclerose múltipla e lesões da espinal medula; 
• Náuseas e vómitos em quimioterapia, radioterapia e terapia combinada para HIV 
e hepatite C; 
• Estimulação do apetite em doentes oncológicos ou com HIV (em alguns países 
como é o caso dos EUA, também é usado em pessoas com anorexia); 
• Dor crónica associada a doentes oncológicos; 
• Síndrome de Gilles de la Tourette; 
• Epilepsia e outros transtornos da infância (síndrome de Dravet e LennoxGastraut); 
• Glaucoma resistente à terapêutica; 
 
FLOROGLUCINOIS 
Exemplos: 
LÚPULO 
o São usadas as inflorescências da Humulus lupulus e tem compostos como 
humulona e lupulona que são derivados do floroglucinol (prenilados). Estes 
derivados têm uma ação antibacteriana e 
antifúngica. 
 
 
77 
 
 
 
o A diferença entre o floroglucinol e o orcinol é que, em vez de uma cadeia 
carbonada, este tem um hidroxilo. A sua oxidação alternada demonstra que é 
produto da via acetato. 
o O lúpulo tem também o xanthohumol, que é uma xalcona, que é um produto de 
biossíntese mista, e é composta em parte pela via acetato (azul) e em parte pela 
via chiquimato (vermelho). 
1º: No intestino, o xanthohumol, facilmente fecha e é ciclizado dando origem à 
flavanona correspondente – isoxanthohumol. 
2º: No fígado, o isoxanthohumol é metabolizado e perde o metilo, formando a 8-
prenilnaringenina. 
Nota: Esta 8-prenilnaringenina é um agonista dos recetores de estradiol. 
 
 
 
 
 
 
 
 
o O lúpulo tem ação calmante e sedativa. 
 
 
78 
 
DERIVADOS DE ÁCIDOS ORSELÍNICOS 
 
 
 
Exemplo: 
ÁCIDO MICOFENÓLICO 
1. É proveniente de Penicillium spp. e é considerado uma micotoxina. É um derivado 
do ácido 5-metilorselínico. Há uma latconização, a adição de unidades 
isopentenílicas a partir do pirofosfato de farnesilo, para depois dar origem ao 
ácido micofenólico. 
2. Este ácido inibe a inosina monofosfato dihidrogenase (IMPD), que é importante 
para a síntese de purinas (guanosina); impedindo o crescimento de linfócitos B e 
T → imunossupressor. 
 
Metabolitos sintetizados pela via chiquimato 
A via chiquimato inicia-se com 2 compostos: a eritrose 4-fosfato (que vem do Ciclo de 
Calvin – 4C) e o PEP - Ácido Fosfoenolpirúvico (que vem da glicólise). Conjugam-se por 
aldolisação, dando origem a um composto com 7C, o DHAP que, sofrendo uma série de 
reações origina o ácido 3-desidrochiquímico. 
Este pode sofrer redução e originar o ácido chiquímico ou, por ação do ácido 3-
desidroquinico, originar diretamente o ácido gálhico. 
O ácido gálhico (ácido aromático) é um ácido benzoico aromático de estrutura C6-C1 (6 
do aromático e 1 do carboxilo) que, geralmente, surge por encurtamento de uma cadeia. 
Esta é a estrutura do ácido orselínico → acrescentar um ácido carboxílico a um 
orcinol. 
Podemos ter vários derivados deste ácido 
como 
, como representado na figura: 
 
 
79 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O ácido chiquímico tem uma estrutura muito especialdevido à sua 
estereoquímica, têm 2 hidroxilos para trás do plano e 1 para a frente. 
Características dos produtos da via chiquimato: oxigenação no local exatamente 
oposto à cadeia carbonada e outras oxigenações que vão aparecendo exatamente ao 
lado (ao contrário da via acetato que possui oxigenações alternadas). 
Depois de formado o ácido chiquímico, este voltará a conjugar-se com o PEP para 
formar ácido corísmico, que será uma fonte de outros compostos, ocupando assim uma 
posição chave nesta via biossintética. 
 
 
 
80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o O ácido corísmico pode então seguir várias vias: 
o Sofre desidratação perdendo o OH em C6 (em ambos os casos); 
o Pode sofrer aminação no C2 e depois através da ação de enzimas formar 
o ácido antranílico (C6-C1), que por sua vez forma o L-triptofano 
(aminoácido). A partir deste aminoácido depois podem surgir alcaloides; 
o Pode sofrer uma hidroxilação no C2 dando origem ao ácido isocorísmico. 
A partir deste, pode ser possível obter ácido salicílico e outros ácidos 
fenólicos. 
o Também pode sofrer uma transformação em ácido prefénico, onde a 
cadeia de carbonos passa a estar diretamente ligada ao anel aromático, 
passando a uma estrutura C6-C3, que posteriormente estará na origem 
dos aminoácidos aromáticos que estão por trás da via chiquimato. Há um 
rearranjo pericíclico e, se o hidroxilo se mantiver, forma-se a tirosina; caso 
contrário forma-se a fenilalanina. A fenilalanina depois poderá dar origem 
ao ácido cinâmico (C6-C3) por perda do NH3; a tirosina, pelo mesmo 
processo, dará origem ao ácido 4-cumárico (C6-C3). 
 
 
81 
 
Resumo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FENÓIS SIMPLES 
Ácidos benzoicos e derivados: são anéis aromáticos ligados a 1C ou 2C, normalmente 
obtidos por encurtamento de cadeias com 3C. 
Fenóis simples: apenas o aromático ligado a pelo menos um OH e sem cadeia carbonada. Obtêm-se 
por descarboxilação e redução de outros compostos. 
Fenóis simples e ácidos fenólicos (a saber): 
 
 
 
catecol floroglucinol ácido benzoico R=H – ácido gálhico 
R=CH3 – ácido 
siríngico 
 
 
82 
 
 
 
 
 
 
 
▪ Ácidos fenólicos 
o Forçosamente 1 hidroxilo fenólico e um carboxilo na molécula; 
o Existem de 2 tipos: tipo benzóico e tipo cinâmico: 
• Tipo benzóico (ex.: vanilina) (C6-C1): 
o Livres, que podem dar origem a aldeídos 
o Ésteres 
o Heterósidos 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Tipo cinâmico (C6-C3): 
o Livres 
o Ésteres de álcoois alifáticos (ex.: ácido dicafeoiltartárico) 
o Ésteres do ácido quínico – muito comum na Natureza (ex.: 
ácido clorogénico) 
o Ésteres ou éteres de açúcares 
R=H – ácido p-cumárico 
R=OH – ácido cafeico 
R=OCH3 – ácido ferúlico 
álcool sinapílico 
 
83 
 
o Ésteres de metabolitos secundários 
o Ésteres fenilpropanoicos de heterósidos (ex.: di ou triósido de 
dehidroxifeniletanol) 
 
Junção do ácido cafeico com o ácido quínico (ácido clorogénico) 
5-cafeoilquínico 
 
 
 Éster de álcool alifático 
 2 moléculas de ácido cafeico 
 
 
 
 
 
 Éster fenilpropanoico de heterósidos 
 
 
 
 
Nota: Para quebrar a ligação éster, geralmente recorre-se a uma hidrólise alcalina/saponificação à 
temperatura ambiente. Por outro lado, para quebrar a ligação éter usa-se uma hidrólise ácida e 
aquecimento. 
 
84 
 
ATENÇÃO: Não confundir o ácido chiquímico (1) com o ácido quínico (2). 
 
 
 
 
 
 
 (1) (2) 
 
1. Propriedades físico-químicas dos fenóis e ácidos fenólicos 
Estes compostos geralmente são solúveis em solventes orgânicos polares (metanol, 
acetona, acetato de etilo, em hidróxido de sódio (NaOH) e em hidrogenocarbonato de 
sódio (NaHCO3), porque como têm hidroxilos fenólicos que se comportam como ácidos 
fracos. 
Relativamente à estabilidade, são compostos que geralmente são facilmente 
oxidáveis (compostos fenólicos - bons antioxidantes) e que sofrem também isomerização 
por ação da luz – a ligação dupla do ácido cinâmico é trans e por ação da luz aparece o 
isómero cis; por ação da luz também podemos ter isómeros de posição, por exemplo: no 
ácido cloragénico em vez de ter a ligação no C5 ter no 3 ou 4. 
Geralmente para extrair estes compostos recorre-se a um álcool (metanol, etanol, 
misturas hidroalcoólicas) – ter atenção à concentração e temperatura. Ao usar soluções 
hidroalcoólicas, se for feita uma partição com solventes não miscíveis com polaridade 
crescente, consegue separar-se primeiro as formas livres, depois os ésteres e, por fim, os 
heterósidos. 
2. Extração em fase sólida (SPE) – compostos fenólicos: 
Para uma extração em coluna, temos de adaptar a coluna e as fases para os 
compostos que queremos extrair: 
 
85 
 
1. Preparar a solução extrativa (álcool/ mistura hidroalcoólica); 
2. Acidificação da solução extrativa: para garantir que os hidroxilos fenólicos não 
estão ionizados; 
3. Acondicionamento da coluna C18: esta é uma coluna de fase reversa, isto significa 
que a fase estacionária é apolar, assim tudo o que esteja ionizado não fica retido 
e sai no solvente; 
4. Aplicação da solução extrativa: os compostos fenólicos têm maior afinidade para 
a coluna e, portanto, vão ficar retidos no enchimento; 
5. Escolher o eluente – entre o enchimento da coluna e o eluente, o composto deve 
preferir o eluente; 
6. Eluição dos interferentes 
Para além de purificar e extrair, este processo também concentra a nossa solução de 
compostos fenólicos pois, tendo estes afinidade para o solvente, irão eluir rapidamente, 
logo precisam de pouco volume. 
3. Caracterização 
Pode ser feita por: 
o Cromatografia em camada fina: as placas podem ser revestidas por sílica ou 
celulose; o sistema eluente é ácido para garantir que está tudo NÃO ionizado; 
a revelação é feita com FeCl3 (compostos fenólicos quelatam os sais metálicos) 
vanilina clorídrica, difenilborato de aminoetanol, etc; 
o Cromatografia gasosa: como os compostos não são voláteis tem de haver 
derivatização primeiro; 
o HPLC: é a mais usada; é utilizada fase reversa em colunas C18; a fase móvel 
pode ser água e álcool e/ou acetonitrilo, e ácido para garantir que está tudo 
NÃO ionizado. Como são compostos aromáticos e os ácidos cinâmicos 
possuem a dupla ligação, os compostos vão absorver no UV. O HPLC pode ser 
acoplado a detetores: 
o UV-Vis; 
o IV; 
 
86 
 
o RMN; 
o Espetrometria de massa; 
o Díodos, que depois permite traçar o espetro IV de cada um dos 
compostos que é detetado. 
 Exemplos: 
UVA-URSINA 
o É retirada das folhas secas da Arctostaphylos uva-ursi, e contém Arbutina. A arbutina é um 
heterósido (marcador taxonómico da pêra) que, por hidrólise, forma uma hidroquinona, que 
rapidamente se oxida formando uma p-quinona. 
Nota: A hidroquinona tem efeito antibacteriano, mas para ter efeito tem de estar na 
forma livre. 
 
 
 
o Para além da arbutina, existe um derivado, designado metilarbutina. 
 
 
 
 
 
 
A hidroquinona a que a arbutina dá origem é usada em infeções urinárias, porquê? 
1. A Arbutina é metabolizada no fígado – quebra da ligação ao açúcar, forma a HQ; 
2. A HQ conjuga-se quer com ácido glucurónico quer com sulfato e é eliminada pela urina; 
3. Muito pouco passa para o sangue. No rim, é necessário que haja a quebra da ligação 
ao ácido glucurónico e ao sulfato, para que a HQ esteja livre, pois só assim consegue 
atuar. Este complexo é visto como um pró-fármaco. 
 
87 
 
4. Para isto acontecer, o pH da urina tem de ser > 8. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o Como atua nos rins, a hidroquinona favorece a eliminação renal e é adjuvante 
em problemas urinários benignos. É indicado para infeção das vias urinárias 
inferiores. 
o Por outro lado, a hidroquinona também tem a capacidade de impedir a síntese da melanina: 
inibe a tirosinase, não se forma a dopaquinona, que é o precursor da melanina.Por outro 
lado, tem uma ação citotóxica para com os melanócitos. Era usada em casos de 
hiperpigmentação e atualmente é mais usada em casos de melasma ou melanose pós-
inflamatória e química. 
o Para além desta ação despigmentante da hidroquinona, os extratos de uva-ursina têm a 
mesma utilização. 
o O mequinol também tem o mesmo efeito que a hidroquinona e a uva-ursina. 
 
 
 
 
88 
 
BAUNILHA 
o A Vanilina obtém-se por alterações no vanilósido e no vanilolósido das vagens da 
Vanilla planifólia. 
o A composição vai alterando consoante o amadurecimento da planta: 
o Vanilósido: é um aldeído ligado a um açúcar e está mais presente em 
plantas mais jovens; 
o Vanilolósido: é um álcool ligado a um açúcar e vai aparecendo mais à 
medida que a planta envelhece, por transformação do vanilósido. 
o Qualquer um destes compostos não tem cheiro porque tem um açúcar; são 
capazes de sofrer hidrólise e libertar-se o açúcar. No caso do vanilolósido pode ainda 
sofrer oxidação, obtendo-se a vanilina, que confere o cheiro caraterístico à baunilha. 
o Os frutos da Vanilina alteram a sua composição com o envelhecimento: não 
devem ser consumidos completamente maduros porque têm grandes quantidades 
de vanilolósido; são mergulhados em água quente para impedir as alterações. 
o A baunilha é usada como corretiro de cheiro e sabor e na indústra alimentar. 
o Atualmente, usa-se mais a vanilina sintética, que é produzida pela conjugação do 
guaiacol com o eugenol. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
89 
 
ÁCIDOS FENÓLICOS 
o Derivados do ácido cinâmico e benzóico: notar que as metilações 
aparecem depois das hidroxilações. 
o Para cada derivado do ácido cinâmico existe o respetivo ácido benzóico. A 
obtenção dos compostos da coluna do lado esquerdo implica mais 
algumas reações, nomeadamente para encurtar a cadeia de 3 carbonos. 
Portanto, estes são menos comuns na natureza do que os ácidos 
derivados do ácido cinâmico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o DERIVADOS DO ÁCIDO CAFEICO: 
Exemplos: 
ALCACHOFRA 
o São utilizadas as folhas da Cynara scolymus, que contém: cinarina (ácido 1,3-
dicafeoilquínico), ácido clorogénico (ácido 5-O-cafeoilquínico), 3-CQA, 4-CQA e 
 
90 
 
heterósidos de luteolina (é uma flavona – ver cartão). Para fins alimentares são 
usadas as flores. 
 
 
o Existem alguns problemas no processo extrativo: pode haver hidrólise (quebra da 
ligação ao ácido quínico) e transesterificações, onde os ácidos cafeicos voltam a 
esterificar o ácido quínico noutras posições. 
o Utilização: Problemas digestivos (dificuldade na digestão, flatulência). 
o É colerético, colagogo, diminui a colesterolemia porque atua a nível da biossíntese 
do colesterol), hepatoprotetor, favorece a eliminação renal e a função digestiva. 
o Não é recomendado em crianças, grávidas e lactantes. Pode levar à obstrução das 
vias biliares devido ao seu efeito colerético e colagogo. 
 
CARDO-DO-COALHO 
o São utilizadas as folhas de Cynara cardunculus, mas para a produção de queijo são 
usadas as flores. Tem na sua constituição vários compostos, podendo destacar: o 3-
CQA, 5-CQA, 1,5-CQA, heterósidos da luteolina (flavona) e da apigenina (flavona). 
o É também colerético, colagogo, hepatoprotetor e diurético. 
o O perfil fenólico das amostras de cardo-do-coalho varia com a época de colheita: 
no verão existe mais ácido 1,5-O-dicafeoilquínico, e na primavera/inverno há mais 
ácido 5-O-cafeoilquínico. 
 
 
 
 
 
91 
 
ALECRIM 
o São usadas as folhas e as flores (maioritariamente folhas) da Rosmarinus 
officinalis, que é composto por ácido rosmarínico (marcador taxonómico da 
família das Labiadas, onde está o alecrim), um derivado do ácido cafeico. 
o É também composto ácido 5-cafeoilquínico (junção do ácido cafeico com ácido 
coragénico). 
o Para além disso, existem terpenos do alecrim (também são responsáveis pela 
atividade do alecrim, mas NÃO vêm da via chiquimato) 
o É colerético e colagogo. É também hepatoprotetor, favorece a eliminação renal, 
favorece a função digestiva, é antissético e cicatrizante, anti-inflamatório e 
antioxidante. 
o É usado em casos de dispepsia e espasmos do trato gastrointestinal. 
o Não é recomendado quando há problemas hepáticos, porque pode obstruir as 
vias biliares. 
 
 
 
 
 
 
o O ácido rosmarínico é um éster do ácido cafeico com o ácido α-
hidroxidihidrocafeico. 
 
CHÁ-DE-JAVA 
o São utilizadas as folhas e extremidades dos ramos da Orthosiphon aristatus, que 
contém ácido rosmarínico, ácido dicafeioltartárico e ácido litospérmico (é uma 
neolenhana composto por ácido rosmarínico + β-hidroxidihidrocafeico ou então 
β-hidroxidihidrocafeico, ácido cafeico e α-hidroxidihidrocafeico) 
 
92 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o É usado como adjuvante em problemas do aparelho urinário e em regimes de 
emagrecimento. 
 
AGRIPALMA 
o São utilizadas as partes aéreas da Leonurus cardíaca, que contem ácido 
rosmarínico, ácido clorogénico (5-CQA) e verbascósido (ácido cafeico + 
heterósido constituído por ramnose + glucose + 3,4dihidroxifluiletanos) 
 
 
 
 
 
 
o Tem várias ações: antibacteriana, antioxidante, anti-inflamatória, analgésica, mas 
a mais relevante é a cardiovascular (diminui o ritmo cardíaco e aumenta o fluxo). 
 
 
Ácido dicafeoiltartárico 
 
93 
 
SALVA 
o São usadas as flores da Salvia officinalis e, nesta planta, o crescimento de ácido 
rosmarínico aumenta com o envelhecimento e, para além disso, os seus níveis são 
superiores em setembro, relativamente a abril. 
o Tal como no alecrim, pertence à família Labiadas, logo o ácido rosmarínico está 
presente e é um marcador taxonómico. 
o Para a obtenção de óleo essencial de salva, a colheita deverá ser feita entre maio 
e junho, mas se quisermos que tenha mais propriedades antioxidantes (devidas 
ao ácido rosmarínico), deve ser colhido em setembro. 
o É usada como antiespasmódico, antissético e adstringente. 
Nota: a quantidade de ácido rosmarínico é muito maior in vitro. 
 
AVELEIRA 
o São usadas as folhas de Corylus avellana, que têm ácido monocafeoiltartárico. A 
composição em compostos fenólicos depende da variedade de aveleira: ácido 3-
cafeoilquínico, ácido 5-cafeoilquínico e ácido cafeoiltartárico são os principais. 
o Existem vários ácidos derivados do cafeico, o ácido cafeoiltartárico, heterósidos 
de flavonóides, etc. 
o É usada no síndrome das pernas pesadas/cansadas. 
 
ALFAZEMA 
o Também pertence à família das Labiadas. São utilizadas as flores da Lavandula 
officinalis. 
o Usada para dispepsia (dificuldade na digestão), como sedativa, diurética e 
espasmolítica. 
 
 
94 
 
O ácido 2-glucosilcumárico por hidrólise ácida dá origem ao ácido 2-hidroxicinâmico 
(ácido octo-curâmico) e uma glucose. 
O ácido 4-metoxi-2-glucosilcumárico (ácido p-cumárico metoxilado) por hidrólise ácida 
origina um 2,4-dihidroxicinâmico e uma glucose. 
 
 
 
Estes produtos de hidrólise – ácido 2-hidroxicinâmico e ácido 2,4-di-hidroxicinâmico – ao 
ciclizarem formam a cumarina e a herniarina, respetivamente. 
 
 
 
 
 
 
 
o DERIVADOS DO ÁCIDO SALICÍLICO (derivado do ácido benzoico) 
 
 
 
 
 
 
 
Cumarina Herniarina 
Ácido Acetilsalicílico 
 
95 
 
o Uso interno: Geralmente são usados pelas propriedades antipiréticas, 
anti-inflamatórias e, em baixas concentrações, como antiagregantes 
plaquetários. 
o Uso externo: Analgésicos para a dor de cabeça, para dores articulares. 
 
Exemplos: 
RAINHA DO PRADO 
o Utilizam-se as sumidades floridas da Filipendula ulmária (= Spirea ulmária), de 
onde se extrai o ácido salicílico e esterifica-se o hidroxilo benzénico para 
originar ácido acetilsalicílico (este não existe na planta) → Aspirina. 
o Contém heterósidos, xiloglucósidos de salicilato de metilo e do aldeído 
salicílico que, por hidrodestilação, originam salicilato de metilo e o aldeído 
salicílico,respetivamente. 
o Existem também alguns derivados de flavonóides – o spireósido – que é um 
derivado glicosilado da quercetina/quercetol. 
o É utilizada para estados febris e gripais, como analgésico, anti-inflamatório, 
favorece a eliminação urinária e a função digestiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
96 
 
SALICILATO DE METILO 
o Por hidrodestilação das folhas de Gaultheria procumbens, obtém-se o óleo 
essencial de Wintergreen. 
 
 
 
 
o É usado como aromatizante alimentar, na cosmética e na higiene bucal, para 
além de analgésico, anti-inflamatório, antipirético, antissético, antiespasmódico 
e sedativo. 
 
SALGUEIRO 
o Utilizam-se as cascas de Salix purpúrea, S.daphnoides e S. fragilis, contendo 
salicortina. 
 
 
 
 
 
 
1. A salicortina sofre hidrólise a temperatura elevada durante o processamento da 
planta fresca, libertando-se o salicósido (heterósido do álcool salicílico). 
2. No intestino, este álcool sofre hidrólise (perde a glucose) e é oxidado, dando 
origem ao ácido salicílico, que é responsável pelo efeito do salgueiro. 
o O salgueiro é usado em estados febris e gripais, analgésico e anti-inflamatório. 
o O salgueiro está contraindicado para hipersensibilidade aos salicilatos, grávidas 
no 3º trimestre, asma ou úlcera gástrica. 
 
97 
 
CHOUPO 
o São usadas as gemas foliares da Populus nigra, que vai dar origem ao 
populósido. Este populósido é um heterósido, no qual há álcool salicílico, 
glucose e ácido benzoico e salicilpopulósido. Sendo assim, se o populósido 
sofrer hidrólise ácida forma álcool salicílico e um ácido benzóico esterificado 
com glucose; sofrendo hidrólise básica resulta o salicósido (1) e o ácido 
benzóico. 
 
 
 
 
o Para além do populósido, o choupo tem salicilpopulósido que é o populósido 
com mais uma molécula de ácido salicílico. Numa hidrólise alcalina, fica o 
ácido benzoico, o ácido salicílico e a salicina. Numa hidrólise ácida, fica o ácido 
benzoico esterificado com a glucose e um éster formado pelo ácido salicílico 
e pelo álcool salicílico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o É usado em estados febris e gripais, analgésico e anti-inflamatório. 
o Está contraindicado para hipersensibilidade aos salicilatos. 
 
(1) Glicose + álcool 
salicílico 
 
98 
 
CUMARINAS 
o Compostos fenólicos da via chiquimato do tipo C6-C3. As cumarinas resultam 
da ciclização do ácido cinâmico. Apresentam oxigenações seguidas e apostas à 
cadeia carbonada (posição 7). 
o Nota: A numeração começa-se sempre do oxigénio do heterociclo. 
 
 
 
 
Cumarina 
o Dependendo das substituições, obtemos cumarinas diferentes: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o A umbelliferona (ou 7-hidroxicumarina) é o precursor das cumarinas 6,7-diOH ou 
6,7,8-triOH. 
o Estas moléculas podem sofrer prenilação que vem da via desoxixilulose fosfato e 
estes grupos prenilo (unidades de 5C com ramificação no C3) podem ligar-se a grupos 
1 
2 
3 
4 
8 
7 
6 
5 
Umbelliferona 
Esculetina Escopoesculetina 
 
99 
 
OH ou diretamente ao núcleo da cumarina nos C6 e C8, geralmente da umbeliferona 
e da herniarina. Se a prenilação ocorrer no C6 origina cumarinas lineares, se ocorrer 
no C8 origina angulares. 
o As furano- e piranocumarinas implicam a prenilação e o pirofosfato de 
dimetilalilo. Parte-se de 7-hidroxicumarinas (umbeliferona) e se a prenilação for feita 
no C6, vamos ter furano e piranocumarinas lineares; se for feita no C8, vamos ter 
furano- e piranocumarinas angulares. 
o Para furano- e piranocumarinas lineares: 
1. Introdução do pirofosfato de dimetilalilo na posição C6; 
2. Ataque nucleofílico ao epóxido que se forma por oxidação da dupla 
ligação; 
3. Consoante o carbono ao qual é feito o ataque, há formação de outro anel. 
 
1. Biossíntese: 
a. Dois passos chave são a hidroxilação em C2 e uma isomerização da dupla 
ligação (trans → cis), dando origem a uma lactona, com perda de água, 
porque facilmente há formação de um éster, formado à custa do hidroxilo 
introduzido na molécula e da função ácida já presente na molécula. 
Nota: biossinteticamente este não é o processo normal. 
 
 
 
 
 
 
2. Propriedades físico-químicas: 
o Em termos de solubilidade, os compostos livres são solúveis em solventes 
orgânicos e os heterósidos são solúveis em água e misturas hidroalcoólicas. 
 
100 
 
o Para purificar estes compostos, pode jogar-se com a lactona: em meio 
alcalino, as cumarinas têm a sua lactona aberta, enquanto que em meio ácido 
se dá a sua lactonização. Pode recorrer-se à sublimação, mas é necessário ter 
cuidado porque pode levar a alterações no composto. Pode ser também feita 
por HPLC. 
o Para a sua análise, recorre-se ao espetro UV (dependendo dos substituintes e 
do pH do meio → espetros caraterísticos), CCF e HPLC. 
 Exemplos: 
CASTANHEIRO DA ÍNDIA 
o São utilizadas as cascas ou folhas da Aesculus hippocastanum, que possui 
cumarinas livres (esculetina) e na forma de heterósido (esculósido → 
esculetina + glucose). 
o Tem um efeito protetor vascular e venotónico. 
o Usado na sensação de pernas cansadas, edema, fragilidade capilar cutânea e 
crise hemorroidária. 
 
 
 
 
MELIOTO 
o São usadas as partes aéreas do Melilotus officinalis, que contém Melilotosido (2-
glicosil-cumárico). 
o O melilotosido pode sofrer hidrólise, perdendo a glucose, e rapidamente cicliza, 
dando origem à cumarina. 
o Se houver contaminação fúngica a cumarina origina o dicumarol (-ol significa 
que tem hidroxilos livres). 
o O dicumarol tem propriedades anticoagulantes (inibição da vitamina K → 
diminuição da síntese da protrombina e fatores de coagulação). Em condições 
esculósido esculetina 
 
101 
 
normais, o dicumarol não existiria na planta. Este dicumarol serviu de modelo 
para desenvolver anticoagulantes sintéticos: varfarina e acenocumarol. 
o O melioto é usado como anti-edematoso, aumentando o débito venoso e 
diminuindo a permeabilidade capilar e por isso é usado em situações de pernas 
cansadas, fragilidade capilar cutânea e crise hemorroidária. 
 
 
 
 
 
 
 
 
PILOSELA 
o Utiliza-se a Hieracium pilosella inteira, que contém umbeliferona. 
o A umbeliferona (aparece sobretudo na forma heterosídica) tem ação 
bacteriostática e, por isso, era usado na veterinária. 
o Na Europa, está aconselhada para problemas menores do aparelho urinário, 
mas também favorece a eliminação renal e adjuvante da função digestiva. 
 
ANGÉLICA 
o São usadas as raízes da Angelica archangelica que possuem cumarinas simples 
(ostol) e furanocumarina angular (angelicina). 
o Devido às furanocumarinas, principalmente as lineares, originam 
fotodermatites. Quando há contacto com fármacos com este tipo de 
compostos e exposição solar, há formação de dermatite aguda, que resulta no 
fenómeno de hiperpigmentação. 
o É usada para problemas digestivos e colites espasmódicas. 
 
102 
 
 
 
 
 
 
1. Furanocumarinas e fototoxicidade 
Quando se contacta com fármacos com este tipo de compostos (Furanocumarinas 
lineares) e depois se estiver exposto ao sol, há o desenvolvimento de uma dermatite 
aguda. Formam-se grandes bolhas que podem resultar no fenómeno da 
hiperpigmentação. 
Nota: a humidade favorece o fenómeno de fototoxicidade. 
As furanocumarinas causam este tipo de problemas porque atuam por ciclização com as 
bases pirimídicas de DNA (mais com a timina do que com a citosina). 
As espécies que mais causam fototoxicidade são: Figueira, Angélica, Aipo, Salsa, Arruda e 
Citrus spp (este último é muito usado em perfumes). 
Por exemplo, na figueira (Ficus carica), qualquer parte da planta apresenta 
furanocumarinas. 
2. Furanocumarinas lineares 
o Psoraleno 
o Bergapteno 
o Xantotoxina 
 
Vão ocorrer reações de ciclo-oxidação e as furanocumarinas vão ligar-se através C-3, C-4 
C-4’, C-5’ a bases pirimídicas de DNA (Timina e Citosina) – alterações de genoma. Algumas 
espéciesestão envolvidas em Dermatologia, Cosmética e Perfumaria no entanto, essas 
cumarinas tem que estar < 1 mg/kg. 
Nota: a figueira (ficus carica) possui furanocumarinas lineares. 
 
103 
 
3. Aplicação da furanocumarina 
Existe uma terapia, a chamada PUVA terapia, que consiste na administração oral de 
furanocumarinas seguida de exposição à luz UV, o que pode ser benéfico em casos de 
psoríase – a vermelhidão da psoríase deve-se à elevada proliferação de células à 
superfície e, consequente, resposta inflamatória → este tratamento remove o excesso 
dessas células (ação antiproliferativa da furanocumarina). Esta terapia pode também ser 
usada em casos de vitiligo (despigmentação): os compostos promovem a proliferação de 
melanócitos, a síntese de tirosinase, a formação e melanização de melanossomas e a 
transferência de melanossomas para queratinócitos. A furanocumarina mais usada 
nestes casos é a 8-metoxipsoraleno. 
Pode apresentar como riscos: fotossensibilização, cafeleias, vertigens, carcinoma 
espinocelular, melanoma. 
 
Lenhanas, neolenhanas e compostos aparentados 
Estes tipos de compostos resultam da união de unidades de C6-C3, com oxigenação 
oposta à cadeia carbonada, através da via chiquimato. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Neolenhanas 
2-4’ 
8-3’ 
8-1’ 
7-O-2’ 
8-O-4’ 
7-O-3’ 
3-3’ 
 
104 
 
Nas Lenhanas (núcleo fundamental = 18C) há sempre ligação entre os carbonos 8 de duas 
unidades C6-C3. No caso das neolenhanas há, no máximo, o envolvimento de um C8 (8-
3’, 8-1’, 3-3’, 8-O-4’). 
 Nota: atribui-se sempre o número mais baixo ao carbono envolvido na ligação. 
 
1. Biossíntese: 
a) Geralmente partem de um álcool fenilpropânico da via chiquimato, 
que sofre oxidação, forma-se um radical (que existe sobre várias 
formas isoméricas), que permite a existência de várias ligações, feitas 
por enzimas específicas, sendo o carbono ao qual elas se ligam 
específico também. 
b) A formação de várias lenhanas surge por acoplamento oxidativo 
depois de formado o radical correspondente. A partir de 2 moléculas 
de ácido coniferílico (pinheiros), há oxidação com perda de 1e-, a 
formação de um radical e o acoplamento oxidativo 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nota: 
▪ Os lenhóides são lenhanas híbridas que têm origem biossintética mista, não 
apresentando apenas via chiquimato. 
 
105 
 
▪ Os oligómeros (2) resultam da condensação de 3 ou 4 unidades fenilpropânicas 
C6-C3. Os estilbenos têm 2 anéis aromáticos ligados por uma ponte etano-eteno 
 
▪ As norlenhanas - núcleo fundamental com 7C - (1) resultam da condensação de 
C6-C3 e C6-C2 (17C envolvidos na formação da molécula) por ligações 7-8’,8-8’ 
ou 9-8’. 
 
 
 
 
▪ A lenhina é uma estrutura em rede feita por condensação de unidades 
fenilpropanóis, neste caso, álcool p-coumarílico, álcool coniferílico e álcool 
sinapílico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
106 
 
2. Propriedades biológicas 
• Inibição do PAF (processo de coagulação) 
• Inibição da desgranulação dos mastócitos (alergia e inflamação) 
• Inibição da produção de TNF-α (inflamação) 
• Inibição de COX-1, COX-2 e 5-LOX (ciclos de oxigenação – esta inibição diminui 
a inflamação) 
• Anti-HIV (inibição da DNA polimerase e da integrase, que intervêm na 
replicação) 
 
 
 
 
 
 
LENHINA 
o É um polímero grande e muito heterogéneo constituída por diferentes 
fenilpropanóides e, por isso, não é sempre igual. 
o Está associada à celulose para dar rigidez à parede celular das plantas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
107 
 
 ENTEROLENHANAS 
o Durante o processo digestivo, sofrem hidrólise com perda do açúcar e no cólon 
sofrem desmetilação. Aqui há formação de enterolenhanas: primeiro o 
enterodiol, que ao sofrer oxidação, dá origem à enterolactona (as enterolenhanas 
apenas se formam no cólon, não estão presentes na dieta). São capazes de regular 
os recetores de estrogénios porque têm o OH em β, tendo ação sobre a 
menopausa e diminuem a hipótese de cancro da mama, próstata e cólon. 
o O di-glucósido de secoisolariciresinol e o matairesinol são lenhanas glicosiladas 
que estão na dieta e que são degradadas. 
 
 
Exemplos: 
PODÓFILO 
o Utilizam-se as raízes de Podophyllum peltatum, de onde se extrai o podofilino sob 
a forma de resina (rica em podofilotoxina). Esta obtém-se através de uma 
extração com álcool 90º, que é depois concentrado através da junção de H2O 
ácida, havendo precipitação desse extrato de resina, sendo depois seca. O 
rendimento desta extração é 3-6%. 
o A resina apresenta podofilotoxina (lactona ligada em trans), peltatina α e β, 
desoxipodofilotoxina e picropodofilotoxina (lactona ligada em cis). 
o A podofilotoxina têm uma caraterística importante, nomeadamente a presença 
da lactona ligada em trans ao ciclo adjacente, o que aumenta a atividade. 
o Todos estes compostos são inibidores da formação do fuso acromático, 
impedindo a polimerização da tubulina, parando a mitose no início ma metáfase 
(anti-mitóticos). 
Di-glucósido de 
sécoisolaricirésinol 
 
108 
 
o Relativamente à relação estrutura-atividade, os mais ativos são os que possem a 
lactona ligada em trans relativamente ao carbono adjacente. Os que possuem a 
lactona em cis praticamente não têm atividade. Os compostos livres (geninas) têm 
mais atividade do que os heterósidos, mas também têm muitos mais efeitos 
secundários drásticos. 
o O podofilino (resina) tem propriedades laxativas e colagogas e durante algum 
tempo foi usado como tal mas, devido às propriedades anti-mitóticas deixou de 
ser usado. Atualmente, é usado para extrair a podofilotoxina (muita atividade) e 
para obter derivados da podofilotoxina. 
o Pode também haver extração da Sinopodophyllum hexandrum, porque apresenta 
maior quantidade de resina e esta é mais rica em podofilotoxina, apresentando 
um rendimento é superior (6-12%). 
o Antigamente era usado como laxativo e colagogo, mas agora utiliza-se em cravos 
por aplicação tópica, mas é preciso ter muito cuidado porque queima. 
Nota: os efeitos terapêuticos não advêm diretamente do podofilino, mas sim dos seus 
derivados. 
o A podofilotoxina (composto maioritário da resina) é uma molécula com muita 
toxicidade, quer por ingestão quer por contacto cutâneo. Causa problemas 
digestivos e, mais tarde, encefalopatias, neuropatia periférica e toxicidade 
hematológica. A utilização é muito restrita, só para condilomas externos 
(verrugas) em solução alcoólica 0,5% em frascos de reduzido volume e com rolha 
e segurança. Está contraindicado na gravidez, aleitamento e crianças. Mulheres 
em idade de procriar deverão tomar as devidas precauções anticoncecionais 
durante o tratamento. 
 
 
 
 
 
 
 
109 
 
o Os derivados da podofilotoxina – etopósido e tenipósido – são obtidos por semi-
síntese, através de glucosilação em C4 e desmetilação. A glucose tem os C4 e C6 
bloqueados por acetalização com um grupo etilideno (etopósido) ou tienilideno 
(tenipósido). 
o O etopósido dá origem ao fosfato de etopósido, um pró-fármaco (hidrossolúvel), 
que sofre hidrólise no organismo, perdendo o fosfato e libertanto o etopósido. 
Estes compostos, apesar de terem menos atividade que a podofilotoxina por 
serem heterósidos, têm também menos efeitos secundários. 
o Estes derivados inibem a topoisomerase II – inibem o fim da fase S/início da fase 
G2 da mitose, inibição da síntese de DNA. 
o Nota: o hidroxilo livre é fundamental para a atividade e a configuração β do 
hidroxilo no C4 também, bem como o heterósido. 
 
 
 
 
 
 
 
o Estes derivados são utilizados em quimioterapia (principalmente 
poliquimioterapia mas também monoquimioterapia) e apresentam menos 
secundários mas, ainda assim, são muitos. 
o O etopósido é utilizado para: cancro do testículo refratário, cancro das células 
pequenas do pulmão, cancro dos tecidos formadores do sangue da medula. 
Apresenta como efeitos secundários: mielossupressão, leucopenia,neutropenia, 
náuseas, vómitos, perda de apetite, dor abdominal, prisão de vente, alopécia, 
toxicidade hepática, fraqueza, sensação de desconforto e reações de 
hipersensibilidade. 
o O tenipósido é utilizado para: linfomas malignos, doença de Hodgkin, leucemia 
aguda linfoblástica de alto risco, tumores cerebrais malignos, carcinoma da 
bexiga, neuroblastoma e tumores sólidos infantis. Apresenta como efeitos 
 
110 
 
secundários: mielossupressão, leucopenia, trombocitopenia, diarreia, náuseas, 
vómitos, alopécia, hipotensão e reações de hipersensibilidade. 
 
ESQUISANDRA 
o São usados os frutos da Schizandra chinensis, que contêm esquisandrina, 
gomisina A e B, que promovem o bem estar (adaftogénicas). Possuem atividade 
anti-hepatotóxica, antioxidante, anticarcinogénica e estimula o SNC. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARDO-MARIANO 
o São usados os frutos da Silybum marianum, que têm silimarina. Silimarina é uma 
mistura de compostos: silibina (maioritário), silicristina e silidianina, que resultam 
da taxifolina com álcool coniferílico. 
o As flavolenhanas resultam de uma unidade C6-C3 (ex: álcool coniferílico) sobre 
um flavonóide – via mista acetato + chiquimato. 
 
111 
 
o O cardo mariano por ser usado como antídoto para intoxicações pelo cogumelo 
Amanita phalloides, porque a silimarina é capaz de se ligar aos mesmos recetores 
da toxina. 
o Tem uma ação anti-hepatotóxica, inibe a peroxidação lipídica, é anti-radicalar, 
inibe a proliferação de citoquinas pró-inflamatórias e estimula a RNA polimerase, 
regenerando o tecido hepático. Para além disso, é imunoestimulante (NF-γ e IL) e 
é capaz de inibir a proliferação de células tumorais bem como de fatores pro-
angiogénicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Derivados da extensão do fenilpropano 
A molécula iniciadora é o ácido p-cumárico é um derivado do ácido cinâmico, que é 
ativado na forma de p-cumaronil-CoA. Este pode seguir diferentes vias: 
o Se sofrer logo β-oxidação, perde 2C ficando uma unidade C6-C1 e, só depois, sofre 
alongamento a partir de 3 Malonil-CoA e ocorre ciclização – origina xantonas; 
o Se não sofrer oxidação (não perde 2C) e houver alongamento de 2 Malonil-CoA – 
origina stirilpironas 
o Se não sofrer oxidação (não perde 2C) e houver logo alongamento a partir de 3 
Malonil-CoA – origina flavonoides ou estilbenos, conforme a posição. 
 
112 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIARIL-HEPTANOIDES E ARILALCANONAS 
Exemplos: 
CURCUMA 
o A curcuma é retirada do rizoma da Curcuma longa que está cheia de curcumina, 
formada a partir do ácido ferúlico. 
Tautomerismo Ceto-Enólico 
 
113 
 
o Apresenta os compostos: curcumina, desmetoxicurcumina e 
bismetoxicurcumina. 
o Os curcuminoides (1,7-diaril-hepta-1,6-diene-3,5-dionas) apresentam 2 anéis 
benzénicos ligados através de uma cadeia de 7 carbonos. 
 
1. Biossíntese da curcumina 
 
 
 
 
 
 
a) O iniciador é o ácido ferúlico que é ativado na forma de feruluil-CoA; 
b) O malonil-CoA vai alongar a cadeia; 
c) Condensação com outra molécula de feruluil-Coa e descarboxilação. 
Nota: Zingiberaceae: família a que pertence a Curcuma e o Gengibre. 
o A curcumina tem várias atividades biológicas descritas (antibacteriana, 
antifúngica, antioxidante, anti-inflamatória – LOX, COX-2, citocinas –, 
anticarcinogénica e inibidora da formação da placa β- amiloide) mas apresenta 
biodisponibilidade reduzida porque, além de ser absorvida em baixa quantidade, 
é rapidamente metabolizada no fígado. Para contrariar este problema, a 
resolução consiste em incluir a curcumina em formas que aumentem a 
biodisponibilidade como lipossomas e nanopartículas. 
o Durante a metabolização da curcumina, há uma degradação do diaril-heptanoide 
com quebra da molécula e há conjugação com sulfato e ácido glucurónico. 
o A piperina (o alcaloide da pimenta) é capaz de impedir a metabolização, por 
impedimento da redução do grupo carbonilo e da conjugação com outras 
moléculas para a excreção. 
 
114 
 
o A curcuma pode ser usada pelas suas propriedades de colerético e colagogo, na 
estimulação do apetite e em dificuldade de digestão. Pelas propriedades 
coleréticas e colagogas, está contraindicada em situações de obstrução. É 
também usada como corante pela indústria farmacêutica. Está presente no caril, 
que é uma mistura de várias especiarias 
 
GENGIBRE 
o Retirada do rizoma da Zingiber officinalis. É uma aril-alcanona, ou seja, um anel 
benzénico com uma cadeia de carbonos mais ou menos extensa em que há a 
função cetona que pode estar na forma alcoólica. A cadeia lateral pode ter uma 
variação no número de carbonos: 7-10, 12, 14, 16C; 
o Os compostos gingeróis são os responsáveis pelo picante; 
o Apresenta os compostos: gingeriol, gingediol, shogaol e dingerdiona. 
 
 
 
 
 
 
 
 
o O gengibre facilita a digestão e é um antiemético porque atua sobre a motilidade 
gastrointestinal. Indicado para vómitos de viagem. Não é recomendado a crianças 
e lactantes e deve ser evitado por grávidas. 
 
 
 
115 
 
ESTILBENOS 
o Os estilbenoides são 2 anéis benzénicos ligados por uma ponte de 2 carbonos, 
que pode ser um etano ou um eteno. Podem estar na forma livre, heterosídica ou 
de oligómeros. Existem maioritariamente na forma trans. 
o Estão normalmente associados a uma situação de stress a que as plantas são 
sujeitas, portanto são produzidos como fitoalexinas (quando há uma lesão, 
infeção, UV). Têm também algumas propriedades ditas fitohormonais 
(reguladores do crescimento) e antimicrobianas. 
o Surgem a partir do ácido p-cumárico, que é ativado na forma de p-cumaroil-CoA, 
há conjugação com 3 moléculas de malonil-CoA, uma aldolisação, a molécula 
fecha e sai CO2, formando estilbenoides. 
 
 
 
o Podem-se associar em dímeros (4 anéis benzénicos), trímeros (6 anéis 
benzénicos) ou tetrâmeros (8 anéis benzénicos). Os dímeros podem ser do grupo 
A (heterósido oxigenado no meio) ou do grupo B (heterósido não oxigenado no 
meio), consoante haja anel furânico (tipo A) ou não. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
116 
 
Exemplos: 
RESVERATROL 
o O resveratrol advém das cascas da Vaccinum spp., é dos estilbenoides mais 
conhecidos e está associado ao “paradoxo francês” – observava-se que os 
franceses apesar da dieta rica em gorduras tinham “qualidade de vida” – 
verificaram que se devia ao vinho tinto que bebiam. O vinho é rico em resveratrol, 
que vem da via mista e está ligado à glucose. Está presente nas uvas/vinho e a sua 
quantidade depende da qualidade da uva, do seu cultivo, origem geográfica e 
infeção fúngica,: vinhos produzidos num clima mais frio e húmido têm mais 
resveratrol. 
o O resveratrol tem variadas propriedades biológicas: a nível da inflamação, a nível 
do cancro, a nível dos diabetes, da obesidade, do envelhecimento, torna as células 
cancerígenas mais sensíveis aos quimiotrápicos. No entanto, a sua 
biodisponibilidade é baixa porque sofre alta metabolização, sendo conjugado com 
ácido glucurónico e sulfatos e grande parte é eliminado. 
CROMBRESTATINA A4 
o Existe também outro estilbeno, a Combretastina A4, retirada da Combretum 
caffrum, que só é ativa em cis. É citotóxica porque inibe a polimerização da 
tubulina, parando a mitose e também tem uma ação antivascular ao nível das 
células tumorais, que provoca a apoptose das células endoteliais. A presença do 
grupo fosfato (ligado ao grupo -OH) aumenta a hidrosolubilidade, tornando-o um 
pró-fármaco. 
 
 
 
 
 
 
 
117 
 
XANTONAS 
o As xantonas, antes de sofrerem conjugação com o malonil-CoA, necessitam de 
sofrer uma β-oxidação, com encurtamento da cadeia (2C), havendo posterior 
ciclização da molécula. Apresenta um anel pirânico. 
o A oxigenação alternada no anel A (C1 e C3) – via acetato – e a oxigenação junta 
no anel B, mostram que é produto de uma via mista (acetato + chiquimato). 
Podem sofrer prenilaçõesPodem aparecer na formalivre ou O-heterósidos – ex.: 
Gentianaceae e Clusiaceae, que são marcadores taxonómicos. 
 
 
 
 
 
o Atuam como inibidoras da MAO (principalmente da MAO A), são estimulantes do 
SNC (moléculas substituídas em 1,3,5 e 8), antifúngicas, antibacterianas, 
inibidoras da agregação plaquetária e anti-inflamatórias. 
 
FEL DA TERRA 
o Provém das flores da Centaurium erythraes e é usada para controlo de qualidade 
pela quantidade de xantonas que possui, principalmente a 1,6-di-hidroxi-3,5-
dimetoxixantana. 
 
 
 
o As xantonas apresentam espetros UV muito específicos, com 2/3 máximos de 
absorção, muito importantes para a identificação da mesmas. 
 
 
118 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MANGOSTÃO 
o Advém do fruto da Garcinia mangostana e apresenta 2 xantonas: α-mangostina 
e ϒ-mangostina. São xantonas preniladas (8), metoxiladas e têm várias 
propriedades descritas: antioxidante, anticarcinogénica, anti-inflamatória e 
antimicrobiana. 
 
 
 
 
 
Flavonoides 
o Estão incluídos nos metabolitos secundários obtidos pela via chiquimato mas a 
verdade é que são compostos de biossíntese mista. Têm uma estrutura com 15 
átomos de carbono (2-fenilcromano). Atendendo à origem biossintética, o anel A 
é a via acetato, do anel B é da via chiquimato: substituições do anel A são em 5 
 
119 
 
ou 7 e as substituições do anel B são em 4 ou 3 e 4 ou 3, 4 e 5. Pode não existir 
anel C. 
 
 
 
 
o Podem possuir grupos -OH em 5 e 7 (oxigenações alternadas da via acetato) e em 
4’, ou em 3’,4’ ou em 3’,4’,5’, apresentando sempre a oxigenação no lado aposto 
à cadeia de 3C. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o A quercetina (mais abundante na natureza) é um flavonol com ações: anti-
inflamatório, anticarcinogénico, anti-viral, anti-histamínico e cardiovascular. 
 
120 
 
o Além dos flavonoides simples, existem os biflavonoides. São 2 moléculas de 
flavonoides que se unem e essa união geralmente envolve ou o C6 ou o C8 de um 
deles. Os principais compostos implicados são flavonas e flavanonas, geralmente 
com substituição em 5,7 e 4’e a ligação que se estabelece entre os dois 
flavonoides (monómeros) depende de onde seja feita: pode ser uma ligação C-C 
ou C-O-C. Existem as bis-flavona (maioritário), bis-flavanona, flavona-flavanona, 
flavanona-chalcona. 
o Podem também formar O-heterósidos (no C7 para flavonas e flavanonas e no C3 
para flavonois) ou C-heterósidos (C6 e C8). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nota: não confundir com taninos condensados! 
 
 
1. Propriedades físico-químicas 
a) Os flavonoides existem maioritariamente ligados a açúcares (hexoses, 
pentoses – arabinose), ou a ácidos urónicos. Para além disso, a 
molécula de açúcar pode sofrer acilação (é-lhe adicionado um ácido). 
Podemos ter O-heterósidos ou C-heterósidos. Não é comum existirem 
açúcares ligados no anel B. 
b) Geralmente os O-heterósidos aparecem nas flavonas e nas flavanonas 
e a ligação é feita ao C7; no caso de flavonóis, a ligação é feita no C3. 
No entanto, há compostos que têm ligação ao açúcar em mais do que 
1 posição (C3 e C7 ao mesmo tempo). 
 
121 
 
 
 
 
 
 
 
 
c) No caso dos C-heterósidos, a ligação ao açúcar é feita ou no C6 ou no 
C8, porque biossinteticamente é onde não há oxigenação. 
 
 
2. Biossíntese 
a) Resultantes da biossíntese mista (chiquimato + acetato): na parte da 
via chiquimato, há a presença do malonil-CoA com posterior perda de 
CO2 e ciclização. O primeiro composto que se forma é uma chalcona. 
A partir daqui, podem ser originadas as diferentes variedades de 
flavonoides. O anel A vem da via acetato e o anel B vem da via 
chiquimato. 
b) Posteriormente, existem variadas reações de hidroxilação, O-
metilação, O-acilação, glicosilação e prenilação mas apenas depois de 
se ter formado o núcleo fundamental flavonoide. 
Rutinósido 
 
122 
 
c) Os flavan-3-ois têm, ao contrário dos outros, têm reações de redução 
para eliminar o grupo carbonilo para originar compostos sem dupla 
ligação e sem grupo carbonilo. 
 
3. Propriedades Físico-Químicas 
a) São solúveis em solventes orgânicos e, na forma heterosídica, podem 
ou não ser solúveis em água ou álcool mas, basta terem um grupo 
fenólico livre que facilmente se dissolvem em solução de hidróxidos 
alcalinos. 
b) São relativamente instáveis e é necessário ter cuidado com o seu 
manuseamento devido à luz e à temperatura. 
 
4. Extração 
a) A extração é feita com metanol, etanol ou misturas hidroalcoólicas 
(gama larga de compostos, quer livres quer glicosilados) por extração 
líquido-líquido, por extração em fase sólida ou fazendo variar a 
polaridade dos solventes. Em termos de identificação, pode ser 
necessário recorrer a uma hidrólise química ou enzimática para nos 
ajudar. 
b) A separação e purificação pode ser por CCF, CC, seja fase reversa, a 
alta pressão ou a pressão normal. 
 
5. Caraterização 
a) Pode ser direta, mas são poucos os compostos que têm cor (algumas 
chalconas e auronas). 
b) Por UV, após exposição a amoníaco ou pulverização com cloreto de 
alumínio (porque flavonoides são capazes de quelatar iões metálicos). 
c) A solução 1% de difenilborato de 2-aminoetanol (MeOH) é usada para 
revelar placas de CCF e tem a vantagem de corar os compostos 
nomeadamente ácidos fenólicos (azuis) e flavonoides (amarelos) de 
maneira diferente, com a particularidade de os derivados da 
quercetina já corarem de amarelo mais carregado, quase laranja. 
 
123 
 
Assim, quando se faz a revelação já se pode ter uma noção da classe 
de compostos a que pertence. 
d) As reações de identificação que são feitas são: cianidina, oxalobórica, 
que se devem ao núcleo fundamental, sais metálicos e hidróxidos 
alcalinos, que se devem aos -OH fenólicos. 
e) Cianidina: formação de hidrogénio à custa de magnésio metálico e do 
ácido clorídrico, sendo que o hidrogénio vai reduzir os compostos a 
compostos antociânicos – compostos carregados positivamente e 
muito conjugados. 
 
f) Oxalobórica: forma-se um derivado do ácido borínico que tem 
fluorescência amarela-esverdeada, vista na luz UV. 
 
 
 
 
 
 
 
 
g) Sais metálicos: os iões metálicos complexam hidroxilos fenólicos a 
formar grupos catecol ou que estejam perto de um grupo carbonilo. 
Estes complexos normalmente possuem uma cor escura. 
 
 
124 
 
 
 
 
 
 
 
 
h) Hidróxidos alcalinos: os hidroxilos fenólicos comportam-se como 
ácidos fracos e, na presença de uma base forte, temos uma reação 
ácido-base com ionização dos hidroxilos e a formação do respetivo 
fenato, por aumento da conjugação eletrónica, um desvio 
batocrómico e o desenvolvimento de um amarelo mais intenso. 
 
 
i) O método de eleição para a caraterização é a cromatografia líquida de 
alta pressão, que pode ser de fase reversa e que pode estar ligada a 
vários tipos de detetores (mais vantajosos: díodos e massa) e, se 
possível os 2 ao mesmo tempo. Os detetores de díodos permitem 
verificar qual o espetro UV de cada composto. E, cada classe de 
compostos, tem um espetro UV mais ou menos típico, essencial para 
a identificação. Normalmente, quanto mais conjugada for a molécula, 
esta absorve em maiores comprimentos de onda. Quando maior for o 
número de cromóforos na molécula, também esta absorve a maiores 
comprimentos de onda. O espetro UV dos flavonoides, com exceção 
 
125 
 
das flavanonas e isoflavonas, geralmente têm 2 máximos de absorção. 
A comprimento de onda mais alto, é a banda 1 e a comprimento de 
onda mais baixo é a banda 2. Os compostos mais corados são as 
antocianidina pois apresentam maior conjugação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. Doseamento 
a) São compostos com anéis aromáticos e são conjugados, absorvendo 
no UV, logo podia ser feito um doseamento espetrofotométrico mas, 
o ideal é fazer um doseamento por HPLC. 
 
o Durante muito tempo pensou-se que os flavonoideseram os responsáveis pelas 
cores amarelas das plantas. De qualquer forma, como absorvem a nível do UV, 
têm um papel muito importante na copigmentação. A quercetina cora de amarelo 
e as antocianinas coram de azul. As hortências estão relacionadas com a presença 
de antocianinas, existem em várias cores, e estas variam de acordo com o pH. 
 
126 
 
Estas antocianinas são importantes para a polinização e as plantas também as 
produzem como mecanismos de defesa, devido à radiação UV (absorvem UV por 
serem sistemas conjugados), à capacidade antimicrobiana e à capacidade de 
proteger as plantas contra insetos e animais herbívoros. 
o Para humanos, em termos de propriedades biológicas, são muitas as que estão 
descritas: inibição de enzimas (hialuronidase, histidina descarboxilase, elastase, 
COMT, LOX e COX), atividade antioxidante, anti-inflamatória, antialérgica, 
antibacteriana, antiespasmódica, hipocolesterolemiante e hepatoproteção. 
o Para efeitos terapêuticos, a única propriedade que é aproveitada é a que atua nos 
vasos sanguíneos. São compostos venoativos que aumentam a resistência e 
diminuem a permeabilidade dos capilares e das veias, que resulta da ação 
antioxidante dos flavonoides, da sua estimulação da prolina hidroxilase 
(importante para estabilização do colagénio), da inibição da histidina 
descarboxilase (impede a formação de histamina que está ligada à vasodilatação), 
da inibição da COMT (maior número de catecolaminas, maior resistência vascular) 
e da inibição da hialuronidase (mantém-se a integridade do tecido conjuntivo). 
o Por estas razões, os flavonoides são usados em casos de insuficiência capilar e 
venosa, insuficiência venolinfática (sensação pernas cansadas), crise 
hemorroidária, fragilidade capilar cutânea e metrorragias (hemorragias uterinas 
ligeiras) e são usados quer compostos puros, quer extratos de plantas ricas nestes 
compostos. 
 
7. Principais flavonoides comercializados 
a) Citroflavonoides (provenientes do género Citrus spp.) 
a. Heterósidos de flavanonas (hisperidina – Cyclo 3) 
 
b. Heterósidos de flavonas (diosmina – daflon) 
 
127 
 
 
 
 
 
b) Rutósido ( = rutina = 3-O-rutinosilquercetina) 
a. Consiste numa quercetina ligada a um dissacárido (rutinose) 
formado por glucose e ramnose. Nota: a ligação à genina do 
açúcar é sempre feita pelo C1. 
 
 
 
 
 
 
b. Apesar de ter muitos hidroxilos e açúcares, não tem grande 
hidrossolubilidade, portanto a indústria tem tentado algumas 
modificações originando as hidroxietilrutinas, que são mais 
hidrossolúveis e que estão já comercializados. (troxerrutina – 
rimanal) 
 
 
 
 
 
c. São usados em situações de insuficiência venolinfática, crise 
hemorroidária e fragilidade capilar. 
 
 
 
128 
 
Exemplos: 
GINKGO – flavonoides 
o Advém das folhas do Ginkgo biloba e apresenta flavonoides, que incluem vários 
derivados da quercetina e do campferol (muito parecido com a quercetina mas 
não apresenta o hidroxilo em 3’) e biflavonas (C3’ – C8’’) e os terpenos, 
conhecidos por gincólidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
o Em termos de ação farmacológica, consegue inibir o PAF (fator ativação das 
plaquetas) e isto está relacionado com os terpenos e não propriamente com os 
flavonoides. A sua atividade antirradicalar e a inibição da COX e da LOX é que já 
estão relacionadas com os flavonoides (antioxidantes). 
o É usado em casos de insuficiência cerebral porque melhora o declínio cognitivo 
associado à idade e à qualidade de vida em caso de demência ligeira. 
o Especialidades farmacêuticas: Abolite forte; Biloban; Gincoben. 
 
PASSIFLORA – flavonoides 
o Advém da flor da Passiflora incarnata, que possui uma grande quantidade de 
flavonas. Tem uma ação sedativa e antiespasmódica por interferência com o 
GABA-A. 
 
129 
 
 
 
 
 
o Muitas vezes é falsificada com as espécies P.edulis e P.coerulea. A Passiflora edulis 
(maracujá) apresenta vários derivados de flavonas, C-heterósidos, moléculas que 
são simultaneamente O- e C-heterósidos, O-heterósidos e têm uma 
particularidade que é terem heterósidos com desoxi-açúcares (menos comuns). 
Todos estes compostos são derivados da luteolina e da apigenina. 
 
 
 
 
 
 
LIMONETE – flavonoides 
o Advém das folhas da Lippia citriodora e apresenta um cheiro a limão devido à 
presença do aldeído. É muito usado como antipasmódico, estomáquico, sedativo 
e aromatizante. 
 
 
 
o Foi feita uma cromatografia de fase reversa e obteve-se um cromatograma onde 
o menor tempo de retenção estava associado a compostos mais polares e o maior 
tempo de retenção a compostos menos polares. O composto com tempo de 
retenção mais baixo foi o verbascósido, um derivado do ácido cafeico. 
 
130 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o Ao fazer-se um extrato de éter, muito menos polar, faz-se o controlo de qualidade 
de várias amostras colhidas ao longo do ano, até ao final do período vegetativo 
da planta, com várias amostras sempre no mesmo local. Em termos de perfil, 
pudemos verificar que o perfil qualitativo não variava muito (hispidulina e 
jaceosidina maioritários e nepetina minoritário) mas depois, haviam outros 
fatores que condicionavam a quantidade total de compostos fenólicos, tais como 
exposição solar (plantas mais expostas ao sol tinham maior quantidade de 
compostos), as práticas de cultivo (plantas cultivadas regularmente tinham maior 
quantidade de compostos) e o acesso à água (produziam mais compostos). 
 
 
o Os compostos fenólicos são normalmente produzidos como resposta, para 
proteção da planta, a vários fatores abióticos: a luz, o stress mecânico e o stress 
hídrico. 
 
131 
 
HIPERICÃO-DO-GERÊS – flavonoides 
o Advém das folhas do Hypericum androsaemum e é sobretudo usado como 
colagogo, hepatoprotetor e diurético. 
o O perfil químico das 2 espécies, hipericão e hipericão-do-gerês é semelhante, no 
entanto, no caso do hipericão-do-gerês, este não tem rutina nem hipericina. 
 
 
 
 
 
 
 
o Esta espécie tem vários quimiótipos descritos. Verificou-se que no cromatograma 
registado a 280nm aparecia, no final do cromatograma, os compostos derivados 
do floroglucinol, que não foram possíveis de identificar, mas que eram muito 
menos polares que os flavonoides e ácidos fenólicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o Foi feita a quantificação de todos os compostos em várias amostras e a 
quantificação dos compostos fenólicos (ácidos fenólicos e flavonoides). Foi 
rutina 
 
132 
 
possível agrupar as amostras em 4 perfis distintos e tudo apontou para a 
existência de quimiótipos intraespecíficos dentro da espécie. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o Foi feita exatamente a mesma coisa para os derivados do floroglucinol e as 
amostras eram agrupadas exatamente da mesma maneira, ou seja, veio 
comprovar que esta espécie está sujeita à existência de quimiótipos 
intraespecíficos. 
PATA-DE-VACA – flavonoides 
o Advém das folhas da Bauhinia forficata. 
o Pensava-se que a campferitrina (heterósido), um derivado do campferol, era um 
marcador taxonómico desta espécie. O que se fez foi analisar amostras desta 
espécie, quer de origem conhecida quer disponíveis no mercado. Das 4 amostras 
analisadas, apenas 1 possuía campferitrina. Foi possível demonstrar que a 
campferitrina não podia ser usada porque não está presente em todos os 
exemplares desta espécie. 
 
133 
 
 
 
 
 
 
CAMOMILA-ROMANA – flavonoides 
o Advém do óleo essencial da Chomaemelum nobile e apresenta heterósidos da 
apigenina e da luteolina. 
o Apresenta atividade anti-inflamatória e antiespasmódica mas não estão 
completamente elucidados os mediadores com que ela interfere, estando apenas 
confirmada a COX-2. 
o Existem 2 tipos de utilização: a mais comum é a via oral, através do chá para 
facilitar a digestão e o uso tópico serve para calmante, antipruriginoso, analgésico 
e para higiene bucal.CHÁ – flavonoides 
o A espécie do chá é a Camellia sinensis, são usadas as folhas e é usado como 
antioxidante. A fermentação consiste apenas na oxidação da planta. Assim, os 
compostos deixam de poder atuar como antioxidantes. 
o O chá verde é um antioxidante muito melhor que o chá preto porque os 
compostos não estão oxidados. 
 
134 
 
o Quanto maior o grau de oxidação, maior o teor de compostos onde há o 
acoplamento oxidativo dos compostos para formar as teaflavinas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
135 
 
ROOIBOS – flavonoides 
o Pode ser verde ou vermelho, sendo que o primeiro não é sujeito a fermentação e 
o vermelho sofre fermentação. Têm vários compostos que são C-heterósidos, di-
hidrochalconas e flavonas. 
 
 
 
 
 
 
 
o Este rooibos não possui cafeína e o teor de taninos é muito inferior ao do chá 
normal, o que o torna mais agradável. O facto de não ter cafeína faz com que seja 
preferível relativamente ao chá normal. 
o Apresenta propriedades antioxidantes (inferiores à do chá verde), que diminuem 
com a fermentação e antimutagénicas. 
o A infusão é usada para problemas de sono e digestão e, por via externa (ação 
tópica), é usado para tratar eritema, eczema e alergia cutânea. 
 
SOJA – isoflavonas 
o Usadas as sementes da Glycine max e nestas sementes encontram-se várias 
isoflavonas (anel B ligado ao C3). Estes compostos têm a particularidade de serem 
moduladores seletivos dos recetores de estrogénio. 
 
 
 
 
 
136 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o É usada para melhorar a sintomatologia da menopausa, retardar osteoporose 
pós-menopausa, no cancro da mama e do endométrio (não consensual) e 
aquando de fatores de risco cardiovascular. 
 
Antocianinas 
É uma classe de flavonoides e são considerados corantes naturais. A sua diversidade 
estrutural tem a ver com o que é o núcleo central, que nas antocianinas se traduz, a pH 
acídico, no catião flavílio. Nesta estrutura há a particularidade do anel A ter pelo menos 
2 grupos hidroxilos (ou de base hidroxilo), o anel C ter 1 grupo hidroxilo e o anel B ter, 
pelo menos, 1 grupo hidroxilo em posição para. 
 
 
 
A diversidade do catião flavílio está relacionada com os grupos ligados no anel B às 
restantes posições que não o C4. É particularmente importante o C3’ e C5’ e, menos 
comum, mas também possível, os grupos ligados ao anel A. 
antocianina 
catião flavílio 
 
137 
 
Isto significa que, se no anel B existir apenas 1 grupo hidroxilo, a subclasse é designada 
por pelargonidinas. Se existirem 2 grupos hidroxilos no anel B, é a subclasse das 
cianidinas. Se um dos grupos hidroxilo (2) do anel B estiver metilado, a subclasse é 
peonidinas. Se existirem 3 grupos hidroxilos no anel B, a subclasse é chamada desfinidina. 
Se um dos hidroxilos (3) estiver metilado, a subclasse designa-se petunidinas. Se dois dos 
hidroxilos (3) estiverem metilados, a subclasse é designada por malvidinas. 
 
 
Do ponto de vista biológico para a planta, são importantes para a capacidade de 
reprodução das plantas: acumulam-se particularmente nas flores, folhas e frutos. Têm a 
capacidade de proteger as células das plantas. Participam nos mecanismos de defesa 
contra bactérias e vírus que infetam as plantas. 
A pH ácida, a estrutura geral mantém-se na forma de catião flavílio e isto é uma distinção 
em relação às outras classes de flavonoides. 
Um outro aspeto de biodiversidade está relacionado com os açúcares que estão ligados 
ao núcleo central ou catião flavílio e há uma grande possibilidade de açúcares que se 
podem ligar. São normalmente monossacáridos ou dissacáridos e cada núcleo central 
pode ter 1, 2 ou mais glicósidos ligados. Os mais comuns são arabonise, galactose e 
glucose. As posições mais comuns e mais fáceis são a posição C3 (anel C) e a posição 5 
(anel A). 
O que predomina a nível das plantas são as antocianinas, apresentando uma grande 
densidade de grupos hidroxilos, o que lhes confere solubilidade em água. Todavia, todos 
estes compostos são solúveis em soluções capazes de promover pontes de hidrogénio 
(metanol, etanol, etc). 
 
138 
 
 
1. Reatividade Química e Cor 
De um modo geral, a pH < 3, o que predomina é o catião flavílio (normalmente vermelho) 
e, quando em água, pode sofrer reações ácido base, com formação de H3O+ (cedência 
de protão à água), ficando na forma de base quinoidal (normalmente azul). Esta base 
pode funcionar como indicador ácido-base sendo que o seu Ka é extremamente baixo. 
 
 
 
 
Todavia, em água, estas moléculas podem também sofrer reações de hidratação. O 
ataque tem a ver com o oxigénio que dá forma catiónica à estrutura, puxando muitos 
eletrões. Ou seja, os carbonos de volta do oxigénio são suscetíveis de sofrerem ataque 
pelo oxigénio da agua. Como consequência origina-se um hemiacetal liberta-se 1 protão. 
O hemiacetal sofre tautomerismo (abertura do anel) dando origem às chalconas 
(normalmente transparentes ou levemente amarelas). Estas chalconas estão em 
 
139 
 
equilíbrio de isomerismo cis-trans. A baixa estabilidade das antocianinas resulta do facto 
da ocorrência do equilíbrio resultante da reação de hidratação. As chalconas, com 
aumento da temperatura, sofre degradação térmica irreversível. 
 
 
 
 
 
 
 
Nas plantas, a cor não está associada a variações de pH mas sim ao facto de as 
antocianinas formarem complexos envolvendo várias moléculas, nomeadamente catiões 
metálicos (Mg2+, Fe3+) e outros polifenóis – copigmentação. 
Para a pelargonidina, o pKa é à volta de 4, o que quer dizer que, a ph = 5 já ocorreria a 
reação ácido-base que, para estabelecerem o equilíbrio, são muito rápidas e os tempos 
das cinéticas são atribuídos nos microssegundos. Em contrapartida, este equilíbrio em 
água nunca é totalmente estável porque apenas o catião flavílio pode sofrer reações de 
hidratação, formando hemiacetais. O equilíbrio entre o hemiacetal e o tautomerismo já 
é mais rápido, ocorre nos milissegundos e o isomerismo cis-trans demora horas. Isto 
significa que, para preservarmos as antocianinas, é necessário ter pH acídicos para que 
predomine o catião flavílio. 
 
 
 
 
 
 
 
140 
 
 
Simulação da variação da cor em função do pH para 
uma malvidina, considerando a copigmentação. 
 
Em relação à reatividade, no catião flavílio, há alguns pontos do núcleo que se tornam 
extremamente reativos. O C2, onde também ocorre a reação de hidratação e o C4 têm 
défice de eletrões (eletrofílicos), pelo que podem sofrer ataques de agentes nucleofílicos 
(elevada densidade de eletrões). Por outro lado, no grupo hidroxilo no anel A no C5, o 
oxigénio tem uma grande densidade eletrónica, pelo que funciona como agente 
nucleofílico. Por esse motivo, é um local que é facilmente glicosilado. No hemiacetal, o 
C6 e C8 do anel A concentram uma grande densidade eletrónica, pelo que funcionam 
como locais nucleofílicos, podendo atacar agentes eletrofílicos. 
 
 
 
 
 
 
Por exemplo, o catião flavílio pode reagir facilmente com o hidrogenossulfito que é 
utilizado na preservação dos alimentos. O hidrogenossulfito vai atacar o C4 do anel C e 
vai “roubar” a cor às antocianinas. No entanto, esta reação é reversível e se diminuirmos 
 
141 
 
a pressão de dióxido de enxofre ou pusermos ao ar, o processo é revertido e as 
antocianinas recuperam a sua cor. 
Todavia, este mesmo ataque em C4 pode ocorrer por vários outros agentes nucleofílicos, 
sendo relevantes os produtos da degradação de outros flavonoides, e ocorre por ação de 
bactérias e, no caso particular dos derivados dos ácidos hidroxicinâmicos, são 
extremamente comuns e a sua reatividade com C4 seguida de um processo de auto-
oxidação e ciclização dá origem às piranoantocianinas que exibem cores carateristicas e 
estas moléculas já são resistentes aos ataques em C4, dando origem a corantes mais 
estáveis.2. Reações de oxidação-redução 
A nível dos tecidos, o processo de oxidação que é mais preponderante é aquele catalisado 
por enzimas, nomeadamente pelas polifenoloxidases. São oxidorredutases que têm 
cobre no centro ativo e utilizam o oxigénio molecular para promover a hidroxilação de 
monofenóis para o-difenóis e depois a desidrogenação para formar o-quinonas. Estas 
quinonas são também reativas e podem levar à formação de melaninas. Portanto, a 
danificação dos tecidos vegetais faz com que as polifenoloxidases entrem em contacto 
 
142 
 
com as antocianinas (vacúolos) levando à descoloração e formação de pigmentos 
escuros. 
As polifenoloxidases não só atuam nos tecidos vegetais mas também nas nossas células 
e têm a responsabilidade do processo de oxidação das catecolaminas (ou do grupo 
catecol). Todavia, nas plantas, o processo não ocorre porque as enzimas estão em 
compartimentos (citosol e/ou cloroplastos) enquanto que as antocianinas estão 
guardadas num outro compartimento (vacúolo), o que faz com que a enzima não 
encontre o seu substrato e a cor das antocianinas é preservada. Quando o tecido da 
planta é danificado, as enzimas entram em contacto com as antocianinas e acabam por 
promover a oxidação e levam à deterioração dos tecidos, num processo irreversível. 
Do ponto de vista químico, os processos de oxidação-redução estão na base daquilo que 
são as propriedades antioxidantes das antocianinas. O catião flavílio está 
maioritariamente na forma reduzida, predominam os grupos fenóis e o processo de 
oxidação transforma-o em quinonas. 
 
Do ponto de vista dos processos de reatividade que promovem a degradação das 
estruturas, estes são processos de oxidação, que são acelerados pelo aumento da 
temperatura, pela presença de oxigénio, peroxido de hidrogénio e/ou metais divalentes 
(Fe, Cu) promotores de radicais hidroxilo. Tudo isto leva à quebra das moléculas a um 
nível do C1 e C2 (rutura do anel) – mais comuns –, a um nível do C2 e C3 ou C3 e C4. 
 
143 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Efeitos na Saúde 
Vários dados epidemiológicos mostram que dietas ricas em antocianinas, e nos 
flavonoides em geral, promovem um envelhecimento saudável e longevidade funcional, 
porque reduzem o risco de doenças crónicas (como cardiovasculares) e doenças ligadas 
ao síndrome metabólico, incluindo diabetes e patologias associadas bem como de 
doenças neurodegenerativas. 
Os estudos com células e animais mostram que as antocianinas: 
o Modulam várias vias de sinalização intracelular; 
o Preservam, em condições de stress oxidativo, o ambiente redutor das células, 
evitando a oxidação das biomoléculas e a morte prematura das células; 
o Modulam a resposta inflamatória; 
o Melhoram o metabolismo bioenergético de lípidos; 
o Reduzem a sensibilidade a alérgenos. 
Existem no mercado várias formulações de nutracêuticos baseadas em antocianinas. No 
entanto, existem poucas formulações baseadas em antocianinas com aprovação para fins 
terapêuticos (maioritariamente extratos – mirtilo e uva – melhorar a circulação). 
Porque é que há dificuldade em existirem formulações baseadas em antocianinas com 
aprovação para fins terapêuticos? Do ponto de vista genérico, a indústria farmacêutica 
pensa que numa molécula, um alvo (para atuar num dado órgão, tecido, célula) 
 
144 
 
bioquímico, sendo as proteínas os alvos mais importantes (proteínas de membrana) 
possuem um mecanismo de ação para 2/3 dos fármacos. Também as enzimas solúveis 
podem ser alvos e, mais recentemente, começaram a surgir alvos genéticos. Depois disto, 
a indústria desenha formulações, pensa numa via de administração, faz estudos de 
farmacodinâmica, farmacocinética e averigua perfil toxicológico de segurança. 
Apesar da grande quantidade de informação disponível de vários alvos biológicos 
importantes, a industria farmacêutica não estará muito interessada nessas moléculas 
(antocianinas e outros flavonoides em geral) mas poderá estar interessada em moléculas 
derivadas porque aí seria fácil salvaguardar o processo e consequentemente garantir o 
retorno do investimento que é muito grande. 
4. Investigação em curso 
Tem como objetivo usar as antocianinas para formulações e alvejar processos 
neurodegenerativos. Neste processo, há como principal alvo a mitocôndria e existem 
vários dados que apontam que, tanto na doença de Alzheimer como na de Parkinson, a 
disfunção mitocondrial ocorre essencialmente a nível da cadeia respiratória, com uma 
deficiência de atividade do complexo I. 
Para isto, foi proposto que a cadeia patológica começa com alterações bioquímicas que 
provocam alterações no perfil lipídico das membranas, inflamação crónica e stress 
oxidativo, que se expandem posteriormente por alterações fisiopatológicas, traduzindo 
os marcadores típicos da doença, como acumulação de proteínas malformadas (proteína 
β-amiloide – fora da célula – e proteína tau – dentro da célula – no caso do alzheimer e 
proteína sinucleína no caso do Parkinson – corpos de Lewy). Tudo isto leva também à 
perda de atividade sináptica e consequentemente à morte dos neurónios. Estas 
alterações fisiopatológicas estão correlacionadas com o que são os marcadores clínicos 
visíveis: perda de memoria, de coordenação motora, desorientação no espaço/tempo, 
deterioração das capacidades cognitivas e morte. 
Neste sentido, foram propostas as etapas sucessivas para desenvolver a estratégia: 
i. Caraterização química da matriz natural (baga de sabugueiro) e identificação dos 
compostos bioativos com potencial terapêutico: o objetivo é identificar os 
 
145 
 
compostos presentes no extrato de baga de sabugueiro e caraterizar as suas 
propriedades do ponto de vista ótico e físico-químico. 
a. Extração com 100g de baga/250 ml de solução aquosa ácido cítrico 10mM 
por maceração – excluir as sementes sem as partir 
b. Centrifugação/Liofilização (extrato total) – cor indicativa do catião flavílio 
c. Purificação em coluna 
d. Extrato enriquecido em antocianinas 
e. Análise por cromatograma que mostra 3 picos, com espetro de absorção 
a 525nm, o que indica que as espécies são coloridas à vista desarmada e 
apresentam a cor vermelha (absorvem verde). O pico 2 é uma mistura de 
cianidina-3,5-O-di-glucósido e de cianidina-3-O-sambubiósido-5-O-
glucósido. O pico 3 corresponde a cianidina-3-O-sumbubiósido e o pico 4 
a cianidina-3-O-glucósido.O 1º pico que apenas tem absorvência no UV 
(280nm) indica que é um ácido fenólico. O 5º pico obtido na zona do UV 
próximo foi identificado como sendo a quercetina-3-O-glucósido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ii. Identificação dos mecanismos moleculares de ação e verificar os seus benefícios 
para a saúde, bem como desenhar formulações: esta etapa utiliza estudos in vitro 
com enzimas, células ou sub-frações celulares e pretendem-se determinar doses 
seguras para ensaios com animais. 
 
146 
 
a. Demonstrar que o extrato rico em antocianinas tem capacidade de 
suprimir radicais livres: radical DPPH, óxido nítrico e superóxido. 
 
 
 
b. Estudo por voltametria cíclica o comportamento do extrato e 
demonstração que o extrato tem reversibilidade de oxidação, envolvendo 
apenas um eletrão. 
 
 
 
c. Marcação de membranas mitocondriais com uma sonda que fica junto à 
parte polar da membrana, na interface água na zona hidrofóbica das 
cadeias hidrocarbonadas dos lípidos (sonda 2-AS) e outra sonda 
posicionada no centro da cadeia respiratória, na zona mais hidrofóbica 
(sonda 16-AP). O que foi demonstrado é que, para ambas as sondas, um 
aumento da concentração de extrato reduz a fluorescência sem alterar as 
caraterísticas espectrais. Percebeu-se que as antocianinas têm a 
capacidade de atravessar as membranas por difusão passiva. 
d. Consequentemente, foi estudado o impacto das antocianinas no processo 
de respiração. A cadeira respiratória é composta pelo complexo I que 
transfere os seus eletrõespara uma ubiquinona (proteína móvel) que leva 
os eletrões para o complexo III, que transfere os seus eletrões para o 
complexo IV (através de proteína interna), onde ocorre a redução do 
oxigénio a água. Este gradiente eletroquímico de eletrões cria um 
potencial positivo fora e negativo dentro que é utilizado pela enzima FOF1 
ATP-sintetase para sintetizar ATP. 
e. A rotenona é um inibidor do complexo I que induz neurodegeneração do 
tipo Parkinson. As antocianinas são capazes de superar a disfunção do 
 
147 
 
complexo mitocondrial promovida pela rotenona, funcionando como 
transportadores membranares de eletrões. 
f. Utilização de células em cultura do tipo neuronal, diferenciando-as com 
um fenótipo típico dos neurónios dopaminérgicos e verificação do efeito 
do extrato da baga enriquecido em antocianinas. A rotenona, ao inibir a 
capacidade respiratória, promove um aumento das espécies reativas de 
oxigénio e, com isso, do stress oxidativo. A pré-incubação das células com 
as antocianinas reduzem de um modo significativo a produção de espécies 
reativas de oxigénio, trazendo quase para os níveis normais. São ainda 
capazes de proteger os neurónios da toxicidade promovida pela rotenona, 
aumentando a razão molar glutationa reduzida/glutationa oxidada. 
Adicionalmente, melhoram a atividade/expressão de enzimas 
antioxidantes e a atividade dos complexos mitocondriais. 
 
iii. Avaliar a eficácia das formulações: aqui divide-se a farmacodinâmica e a 
farmacocinética – na farmacocinética estuda-se a biodisponibilidade dos 
fármacos e a sua taxa de desaparecimento quer no sangue quer nos tecidos alvo 
e a farmacodinâmica tem a ver com a sua capacidade terapêutica nos alvos e 
carateriza-se o perfil toxicológico da formulação ou dos compostos para 
obtermos um perfil de segurança. Para além da questão da farmacodinâmica e 
farmacocinética, estes estudos são também utilizados para encontrar marcadores 
de diagnóstico e de prognóstico. 
 
iv. Validação do potencial terapêutico: estudos clínicos com humanos que envolve 
já as indústrias farmacêuticas e tem como objetivo encontrar formulações 
seguras para a prática clínica e recomendações dietéticas. 
 
Como conclusão, percebeu-se que a mitocôndria é alvo de ação das antocianinas da Baga 
de Sabugueiro. Estas funcionam como transportadores de eletrões, oxidam o NADH e 
entregam os eletrões ao complexo III. Portanto, têm potencial para ultrapassar a 
disfunção mitocondrial associada a deficiências ao nível do complexo I, as quais estão 
 
148 
 
relacionada com as doenças de Parkinson e Alzheimer, reduzindo em simultâneo a 
produção de ROS. Nas células saudáveis melhoram a atividade dos complexos 
mitocondriais e das enzimas antioxidantes, pelo que conferem neuroprotecção. 
 
Taninos 
Tanagem: capacidade que os taninos têm de transformar a pele fresca em material 
resistente (couro) à água, calor, abrasão. 
Os taninos são moléculas que têm capacidade de se combinar com macromoléculas 
devido ao seu peso molecular e à custa disso conseguem precipitar, celulose, pectinas e 
proteínas e são responsáveis pela sensação que temos quando comemos frutos verdes 
(bananas, dióspiros) – adstringência. Isto acontece porque os taninos precipitam 
proteínas, nomeadamente proteínas ricas em prolina e flexíveis, que estão na saliva. Isto 
resulta de interações hidrofóbicas, ligações de hidrogénio (feitas entre os grupos 
hidroxilo e grupos amina das proteínas) no caso da fruta verde. No caso da transformação 
em couro, esta pede por ligações mais estáveis, existindo ainda ligações covalentes, que 
requerem uma oxidação prévia da molécula dos taninos, havendo um acoplamento 
oxidativo para transformar a pele em couro. 
É importante o peso molecular para que os taninos consigam colocar-se no meio das 
proteínas das cadeias. Se for um tanino demasiado grande não consegue, se for um 
tanino demasiado pequeno não consegue estabelecer ligações em numero suficiente 
para formar algo estável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
149 
 
A definição de taninos é a seguinte: compostos fenólicos hidrossolúveis, de massa 
molecular compreendida entre 500 e 3000, que apresentam, juntamente com as reações 
clássicas dos fenóis, a propriedade de precipitar alcaloides, gelatina e outras proteínas. 
Podem ser divididos em taninos hidrolisáveis e taninos condensados (polímeros de 
flavanóis) que podem tomar o nome de proantocianidinas. Os taninos hidrolisáveis têm 
de ter sempre o açúcar (glucose) e depois pode ter ácido hexa-hidroxidifénico e 
dificilmente tem ácido gálhico, que aparece após a hidrólise. 
 
 
 
 
 
 
 
1. Biossíntese dos taninos hidrolisáveis 
Os taninos hidrolisáveis geralmente são ésteres da glucose, com ácido gálhico ou 
ácido hexa-hidroxidifénico. 
O ácido gálhico é feito à custa de glucose que tem de ser ativada com ligação à 
uridina difosfato e depois forma-se o primeiro éster que ainda não é um tanino 
porque não apresenta peso molecular suficiente, apesar de ser um heterósido. 
Vai havendo junção das moléculas de ácido gálhico e o pentagalhoilglucose é um 
dos taninos mais comuns que existe porque a via biossintética assim o determina. 
Pode haver acoplamento oxidativo entre moléculas de ácido gálhico, podendo 
surgir os taninos elágicos, que são assim chamados porque ao quebrar as ligações 
éster, é libertado o ácido hexa-hidroxidifénico e a ligação entre os C2 de cada 
molécula é capaz de rodar, havendo uma lactonização interna, formando o ácido 
elágico. 
 
150 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Taninos Condensados 
São polímeros de flavan-3-ois. O seu C4 é extremamente reativo, podendo sofrer 
uma hidroxilação e depois vai sofrer uma redução para formar o carbocatião. É 
este carbono que está envolvido na ligação entre as diferentes unidades 
(monómeros). Por isso é que os taninos condensados têm sempre uma ligação do 
tipo 4-8 entre as diversas unidades ou 4-6 (menos comum). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
151 
 
Nota: não confundir taninos condensados com diflavonas! O que temos nos 
taninos condensados não são nem flavonas nem flavonois, temos flavan-3-ois. 
Não há função carbonilo nem dupla ligação, apenas -OH em C3. 
Dentro dos taninos condensados, ainda os podemos agrupar em tipo A ou tipo B, 
consoante as ligações que existem entre os diferentes monómeros. No tipo B há 
ligação 4-8 e só existe essa ligação, havendo apenas a possibilidade de ligação 4-
6 como alternativa, mas no total existe apenas 1 ligação. No tipo A, para além da 
ligação 4-8 ou 4-6, há uma segunda ligação entre os carbonos 2-O-7. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Propriedades físico-químicas 
o Estes compostos são solúveis em agua, no entanto não é uma solubilidade 
infinita, diminuindo a solubilidade à medida que aumenta o grau da 
polimerização. Também são solúveis em álcool e acetona. 
o São capazes de reagir com o FeCl3, dando positivo para a reação, uma vez que 
possuem hidroxilos fenólicos. Precipitam metais pesados e a gelatina de 
soluções aquosas. 
o Relativamente ao seu comportamento em meio ácido, a quente, este difere 
entre os taninos condensados e hidrolisáveis. No caso dos taninos 
hidrolisáveis eles quebram e libertam o açúcar e ácido gálhico e/ou ácido 
hexa-hidroxidifénico. Aquando da libertação de hexa-hidroxidifénico 
rapidamente há conversão para ácido elágico, havendo lactonização. Nos 
 
152 
 
taninos condensados, a molécula que vai fazendo a extensão do polímero, ao 
quebrar a ligação, vai dar origem a um carbocatião que, em contacto com o 
oxigénio, vai libertar antocianidinas. 
o Relativamente à extração destes compostos, os tecidos frescos ou 
conservados por congelação ou liofilização geralmente têm maior rendimento 
porque nos que são secos há ligações irreversíveis a proteínas e outros 
polímeros, sendo mais difícil extraí-los. 
o A extração pode ser feita com água e/ou acetona; a acetona pode sereliminada por destilação; desengorduramento e eliminação de pigmentos 
mais lipófilos agitando com diclorometano; extração com acetato de etilo 
(menos denso). 
 
 
 
 
 
 
 
o Para obtenção de moléculas puras, os métodos que se usam são semelhantes 
aos usados para outras circunstâncias: cromatografia de exclusão em gel ou 
cromatografia de fase reversa, onde os extratos podem ser água + álcool ou 
água + álcool + acetona. 
 
 
 
 
 
 
 
 
153 
 
4. Reações de Identificação 
 
 
 
 
 
5. Doseamento 
o A FP tem um método descrito para fazer a quantificação destes compostos. 
Prepara-se um extrato aquoso que é dividido em 2 alíquotas. Uma das 
alíquotas é posta a reagir com carbonato de sódio (base), o que ioniza os 
taninos (ácidos fracos) e os iões fenatos que se formam reagem com o ácido 
fosfomolibdicotúngstico, havendo uma reação de oxidação-redação, onde os 
taninos são oxidados, dando origem aos compostos de cor azul, que são 
determinados a 760nm – quantificação de compostos fenólicos totais. A 
segunda alíquota sofre um processo semelhante, apenas atravessa um passo 
prévio de adição de pele em pó (adição de proteínas), o que faz com que haja 
precipitação dos taninos. Faz-se uma filtração, e obtemos em solução tudo o 
que não era tanino, que ficou no filtro. Trata-se esta solução da mesma forma 
que a alíquota 1, com determinação da absorvência a 760nm – determinação 
de todos os compostos fenólicos, exceto taninos. Por diferença, é possível 
determinar o teor de taninos (A1-A2) 
 
 
 
 Hidrolisáveis Condensados 
Aquecimento com ácidos 
minerais 
Glúcidos e ácido gálhico 
e/ou elágico 
Antocianidinas e flobafenos 
Solução acética de acetato 
de chumbo 
Originam precipitados Não originam precipitados 
Solução de sais férricos 
Produtos corados de azul 
escuro 
Produtos corados de verde 
Aquecimento com formol-
clorídrico 
Não originam precipitados Originam precipitados 
Água de bromo Não originam precipitados Originam precipitados 
Degradação térmica ou 
fusão alcalina 
Originam pirogalhol 
Originam pirocatecol e 
ácido protocatéquico 
 
154 
 
6. Propriedades Biológicas 
o Estão maioritariamente relacionados com o facto de conseguirem complexar 
macromoléculas. 
o Ligam-se a proteínas, a enzimas digestivas, que afetam muito a 
biodisponibilidade (saliva, etc) e a proteínas fúngicas e víricas, que apresenta 
algum interesse. 
o Como têm ação adstringente, são usados por via externa (regeneração de 
tecidos) como vasoconstritores dos pequenos vasos superficiais e 
impermeabilizam as camadas mais externas da pele e mucosas, evitando as 
perdas de fluidos e agressões externas. Por via interna, são usados como 
antidiarreicos (capazes de imobilizar a parede intestinal) e antisséticos 
(diarreias infeciosas e dermatites). 
o A sua ação microbiana assenta na capacidade que têm de modificar o 
metabolismo (precipitação de proteínas interfere com membrana celular), são 
capazes de inibir enzimas e/ou complexar substratos necessários à 
sobrevivência do agente microbiano e também complexar iões que são 
cofatores enzimáticos. 
o Apresentam também ação antioxidante pelo sequestro de radicais, 
impedimento da peroxidação lipídica, inibição da LOX. 
o Inibem algumas enzimas, nomeadamente a LOX, ECA, hialuronidase, 
glucosiltransferases de microrganismos (cariogénese), HDC e elastase. 
o Apresentam ainda outras propriedades descritas: estimulação da resposta 
imunitária, inibição da replicação de vírus, ação inotropa positiva (contração 
do miocárdio), dilatação coronária, aumenta a resistência, diminui a 
permeabilidade capilar e aumenta o tónus venoso. 
Exemplos: 
CARVALHO 
o São usadas as galhas ou as cascas do Quercus spp. e possui os 2 tipos de taninos. 
o As galhas são utilizadas em queimaduras, dermatites e como hemostático e a 
casca é usada em situações de diarreia (adstringente), inflamação da mucosa 
bucal e inflamação cutânea associada a hemorroidas. 
 
155 
 
HAMAMÉLIA 
o São usadas as folhas da Hamamelis virginiana e possui os 2 tipos de taninos. 
o Tem propriedades adstringentes, anti-inflamatórias e hemostáticas, sendo usada 
em situações de insuficiência venosa, sintomatologia hemorroidária, afeções 
dermatológicas e irritação ocular. 
 
 
 
 
 
 
RATÂNIA DO PERÚ 
o Apresenta taninos condensados nas raízes e é muito usada por ser venotrópica. 
o É usada na fragilidade capilar cutânea, insuficiência venosa, sintomatologia 
hemorroidária e na higiene bucal por apresentar propriedades adstringentes, 
antidiarreicas e cicatrizantes. 
 
SALGUEIRINHA 
o Usadas as sumidades floridas, que possuem taninos hidrolisáveis. 
o É usada em casos de insuficiência venosa, crise hemorroidária, diarreia e afeções 
da cavidade bucal e/ou faringe. 
 
 
 
 
 
 
 
156 
 
PIRLITEIRO 
o Usadas as folhas e as bagas da Crataegus spp. e possuem taninos condensados, 
mais ou menos polimerizados. 
o Usado em casos de insuficiência cardíaca (aumenta a contratilidade e o débito 
cardíaco), arritmias, hipotensão e estados neurotónicos.

Mais conteúdos dessa disciplina