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35 4.5 Estruturas estaticamente indeterminadas Nos exemplos anteriores, as forças que atuavam nas barras da estrutura podiam ser calculadas pelas equações da Estática. Tais estruturas são denominadas estaticamente determinadas. Há casos, porém, em que as equações de equilíbrio fornecidas pela Estática não são suficientes para a determinação de todas as ações e reações de uma estrutura. Para essas estruturas, denominadas, estruturas estaticamente indeterminadas, as forças e a reações só poderão ser calculadas se as deformações forem levadas em conta. Um exemplo simples de estrutura estaticamente indeterminada é ilustrado na Figura 4.4. Ra A A Ra (c) A B Rb B C P (a) (b) B L b a C P Figura 4.4 Barra estaticamente indeterminada A barra está carregada por uma força P no ponto C e as extremidades AB da barra estão presas em suportes rígidos. As reações Ra e Rb aparecem nas extremidades da barra, porém suas intensidades não podem ser calculadas apenas pelas equações da Estática. A única equação fornecida pelo equilíbrio estático é PRR ba =+ (9) a qual contém ambas as reações desconhecidas (2 incógnitas), sendo, portanto, insuficiente para seu cálculo com uma única equação. Há necessidade, portanto, de uma segunda equação, que considere as deformações da barra. Para a consideração da deformação na barra, deve-se analisar o efeito de cada força sobre a barra se uma de suas extremidades estivesse livre. Considere-se, então, o efeito da carga P deslocando o ponto A, na estrutura livre, ilustrado na Figura 4.4b. O deslocamento (para baixo) do ponto A, devido ao encurtamento do trecho CD, submetido à carga P, é dado por: EA Pb P =δ Matemática - Série Concursos Públicos Curso Prático & Objetivo 36 Em seguida, analisa-se o efeito da reação Ra deslocando do ponto A, ilustrado na Figura 4.4c. Note-se que se está analisando o efeito da reação Ra com a extremidade A da barra livre. O deslocamento (para cima) é dado por: EA LRa R =δ Ora, como a extremidade A da barra é fixa, o deslocamento final (δ), neste ponto, resultante da ação simultânea das forças P e Ra, é nulo. Logo, 0=− PR δδ → RP δδ = , ou seja, EA LR EA Pb a= . Logo, L PbRa = . Substituindo o Ra na equação (9), tem-se: PRL Pa b =+ L PaPRb −= L PbPLRb − = L bLPRb )( −= L PaRb = Exemplos 1. Uma barra constituída de dois trechos é rigidamente presa nas extremidades. Determinar as reações R1 e R2 quando se aplica uma força P. Dados: E=21.000 kN/cm2; AAB=5cm2; ABC=7,5cm2; P= 60 kN Solução Equação de equilíbrio PRR =+ 21 (1) Equação de compatibilidade das deformações: BCAB δδ = (2) Nota: As cargas P/2 provocarão um alongamento no trecho AB, e um encurtamento no trecho BC, de valores exatamente iguais. lembrando que EA PL =δ , tem-se 5,7 5,1 5 2 21 × × = × × E R E R 21 2,04,0 RR = 4,0 2,0 2 1 RR = 21 5,0 RR = substituindo em (1) 6021 =+ RR → 605,0 22 =+ RR → 605,1 2 =R → 402 =R kN mas, 60401 =+R logo 201 =R kN. 2 cm 1,5 cm P/2P/2 A B C R2 R1 Matemática - Série Concursos Públicos Curso Prático & Objetivo 37 2. É dado um cilindro de aço de 5cm de diâmetro no interior de um tudo de cobre de 8cm de diâmetro externo, com dimensões indicadas na Figura. Aplicando-se uma força de P=400 kN, qual a parcela de carga no cilindro de aço e qual a parcela de carga no cilindro de cobre? Dados: Eaço=21.000 kN/cm2; Ecobre=12.000 kN/cm2 63,19 4 52 =×= πaçoA cm 2 açototalcobrecobre AAA −= , 63,30 4 5 4 8 22 =×−×= ππcobreA cm 2 400=+ açocobre PP kN (1) 25,0+= cobreaço δδ (2) lembrando que EA PL =δ , tem-se 25,0 63,30000.12 300 63,19000.21 25,300 + × × = × × cobreaço PP 25,0000817,0000728,0 += cobreaço PP 30 0 cm 5 cm 8 cm cilindro de cobre P=400 kN cilindro de aço 0, 25 c m posição final placa rígida 000728,0 25,0000817,0 += cobreaço PP substituindo em (1), tem-se, 400 000728,0 25,0000817,0 = + + cobrecobre PP kN 400 000728,0 25,0 000728,0 000817,0 =++ cobrecobre PP kN 4004066,3431223,1 =++ cobrecobre PP 66,26=cobreP kN substituindo em (1), tem-se: 34,37366,26400 =−=açoP kN Exercícios 1. Em uma máquina usa-se uma barra prismática de 10m de comprimento, comprimida por uma força de 500 kN. Sabendo-se que a tensão não deve exceder a 140 kN/cm2 e o encurtamento não deve exceder a 3mm, pede-se determinar o diâmetro da barra. E=21.000 kN/cm2. Resposta: φ=10cm 2. Uma barra prismática está submetida à tração axial. A área da seção transversal é 2cm2 e o seu comprimento é 5m. Sabendo-se que a barra sofre o alongamento δ=0,714285cm quando é submetida à força de tração 60kN, pede-se determinar o módulo de elasticidade do material. Resposta: E=21.000 kN/cm2. 3. Uma barra cilíndrica de 38mm de diâmetro e 20cm de comprimento sofre a ação de uma força de compressão de 200kN. Sabendo-se que o módulo de elasticidade da barra é E=9.000 kN/cm2 e o coeficiente de Poisson, υ=0,3, determinar o aumento de diâmetro da barra. Resposta: δt=0,00223cm. Matemática - Série Concursos Públicos Curso Prático & Objetivo 38 4. A barra rígida AB é articulada em A, suspensa em B por um fio e apóia-se em C em um suporte de ferro. São dados: comprimento do fio: 1,7m; área da seção transversal do fio: 5cm2; módulo de elasticidade do fio E=21.000 kN/cm2; comprimento do suporte: 2m; área do suporte: 15cm2; módulo de elasticidade do suporte E=10.000 kN/cm2. Determinar as forças no fio, no suporte e na articulação. Respostas: Força no fio: 50kN Força no suporte: 25kN Força na articulação: 25kN B 1. 70 m 2. 0 m 2.0 m1.0 m2.0 m P=100 kN CA B Pf PCPA A C P=100 kN 4.6 Tensões iniciais e Tensões Térmicas Quando uma estrutura é estaticamente determinada, a variação uniforme da temperatura em todo seu comprimento não acarreta nenhuma tensão, pois a estrutura é capaz de se expandir ou se contrair livremente. Por outro lado, a variação de temperatura em estruturas fixas, estaticamente indeterminadas, produz tensões em seus elementos, denominadas tensões térmicas. Esta conclusão pode ser observada pela comparação entre uma barra livre em uma das extremidades, com outra barra engastada nas duas extremidades, como mostrado na Figura 4.5. R (c) R ∆ B A (a) R B L A (b) B T A ∆T Figura 4.5. Barra fixa nas extremidades, submetida a aumento de temperatura Na barra da Figura 4.5b, a variação uniforme de temperatura sobre toda a barra causará o alongamento: Matemática - Série Concursos Públicos Curso Prático & Objetivo 39 TL∆= αδ (10) onde: α = coeficiente de dilatação térmica L = comprimento ∆T = variação de temperatura (ºC) Como este alongamento pode ocorrer livremente, não surgirá nenhuma tensão na barra. Na Tabela 4.2 estão indicados coeficientes de dilatação térmica de alguns materiais. Tabela 4.2 Valores Típicos do coeficiente de dilatação térmica Material Coeficiente de dilatação térmica α (10-6 ºC-1) Aço 11,7 Alumínio 21,4 a 23,9 Magnésio 26,1 Cobre 16,7 Concreto 7,2 a 12,6 No caso de barras estaticamente indeterminadas, como a que aparece na Figura 4.5, quando há aumento de temperatura, a barra não pode alongar-se, surgindo, como conseqüência, uma força de compressão que pode ser calculada pelo método descrito no item precedente. Para a barra engastada da Figura 4.5a, vê-se que, se a extremidade A for liberada, seu deslocamento para cima, devido ao acréscimo de temperatura, será o mesmo deslocamento para baixo, decorrente da ação da força R, ou seja, RL/EA. Igualando esses dois deslocamentos vêm: TEAR ∆= α (11) Depois de se obter R, pode-se calcular a tensão e a deformação específica da barra pelas expressões: TE A R ∆== ασ e T E ∆== ασε Deste exemplo, conclui-se que a variação de temperatura produz tensões em sistemas estaticamente indeterminados, ainda que não se tenhaa ação de forças externas. Exemplo Uma barra prismática, rigidamente presa nas extremidades é submetida a um aumento de temperatura de 20ºC, ao mesmo tempo em que recebe uma carga P=30 kN. Determinar as reações de apoio. Dados: A= 1,5 cm2; E=20.000 kN/cm2; α=11,7×10-6 ºC-1; ∆T= +20ºC Solução: a) determinação das reações R´A e R´B, devido ao aumento de temperatura TEAR ∆= α BA C P=30 kN 250 cm100 cm Matemática - Série Concursos Públicos Curso Prático & Objetivo 40 BA R'A =7,02 R'B =7,02 kN 02,720107,115,1000.20 6 =××××= −R kN → BA RRR ′=′= b) ao se aplicar a carga P= 30 kN no ponto C, o trecho AC sofrerá um alongamento exatamente igual ao encurtamento no trecho CB, portanto, BCAC δδ = . Assim, EA R EA R BA 250100 ×′′=× ′′ → BA RR ′′=′′ 5,2 fazendo o equilíbrio de forças, tem-se: PRR AB =′′+′′ mas BA RR ′′=′′ 5,2 , logo, 305,2 =′′+′′ BB RR → 305,3 =′′BR 57,8=′′BR kN →Portanto, 43,21=′′AR kN R''B =8,57 kNR''B =21,43 A P=30 kN B Como se trata de uma estrutura trabalhando no regime elástico, vale a superposição de efeitos, ou seja, os efeitos da temperatura na barra e da carga P: AAA RRR ′′+′−= 41,1443,2102,7 =+−=AR kN BBB RRR ′′+′= 59,1557,802,7 =+=BR kN Exercício 1. A um tubo de aço se aplica uma carga axial de 200 kN por meio de uma placa rígida. A área da seção transversal do cilindro de aço é 20cm2. Determinar o acréscimo de temperatura ∆T para o qual a carga externa seja equilibrada pelos esforços que aparecem nos cilindros de aço e cobre. Dados: Eaço=21.000 kN/cm2; αaço=11,7×10-6 ºC-1 Resposta: ∆T = 40,7ºC. 50 cm tubo de aço P=200 kN Matemática - Série Concursos Públicos Curso Prático & Objetivo