Logo Passei Direto
Buscar

SERVICO SOCIAL E TERCEIRO SETOR

Material didático de graduação EaD sobre Serviço Social e Terceiro Setor. Inclui ficha bibliográfica e apresentação institucional da UniCesumar, objetivos pedagógicos, orientações ao estudante e informações sobre o Ambiente Virtual (Studeo), visando desenvolvimento de competências.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

SERVIÇO SOCIAL E 
TERCEIRO SETOR
Professora Esp. Daniela Sikosrski
Professora Esp. Silviane Del Conte Curi
GRADUAÇÃO
Unicesumar
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a 
Distância; SIKOSRSKI, Daniela; CURI, Silviane Del Conte. 
Serviço Social e Terceiro Setor. Daniela Sikosrski; Silviane Del 
Conte Curi. 
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2018. 
192 p.
“Graduação - EaD”.
1. Serviço Social. 2. Terceiro Setor . 3. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-0081-8 CDD - 22 ed. 658.048
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário 
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por:
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor Executivo de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva
Pró-Reitor de EAD
Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria de Design Educacional
Débora Leite
Diretoria de Pós-graduação e Graduação
Kátia Coelho
Diretoria de Permanência 
Leonardo Spaine
Direção de Operações
Chrystiano Minco�
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida 
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Head de Produção de Conteúdos
Celso Luiz Braga de Souza Filho
Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais
Daniel Fuverki Hey
Supervisão do Núcleo de Produção 
de Materiais
Nádila Toledo
Supervisão Operacional de Ensino
Luiz Arthur Sanglard
Coordenador de Conteúdo
Maria Cristina Araújo de Brito Cunha
Designer Educacional
Lilian Vespa
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
Editoração
Robson Yuiti Saito
Qualidade Textual
Priscila Sousa
Ilustração
Marta Kakitani
Marcelo Goto
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não so-
mente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in-
tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos 
em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e 
espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos 
de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 
100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: 
nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, 
Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos 
EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e 
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros 
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por 
ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma 
instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos 
consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos 
educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educa-
dores soluções inteligentes para as necessidades 
de todos. Para continuar relevante, a instituição 
de educação precisa ter pelo menos três virtudes: 
inovação, coragem e compromisso com a quali-
dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de 
Engenharia, metodologias ativas, as quais visam 
reunir o melhor do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns 
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe 
de professores e tutores que se encontra disponível para 
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de 
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
CU
RR
ÍC
U
LO
Professora Esp. Daniela Sikorski
Especialista em Políticas Sociais e Gestão de Serviços Sociais. Bacharel em 
Serviço Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (2001). Docente 
do Curso de Serviço Social e Supervisora Acadêmica do Centro de Ensino 
Superior de Maringá, autora de livros e materiais pedagógicos para o 
Curso de Serviço Social. Gestora de Pessoas e Relacionamento no Hospital 
Gastroclínica de Londrina. Experiência na área de Serviço Social Educacional, 
Serviço Social Organizacional, Terceiro Setor, Responsabilidade Social, Gestão 
de Voluntariado, Qualidade e Acreditação Hospitalar.
Link: <http://lattes.cnpq.br/7555727127923107>.
Professora Esp. Silviane Del Conte Curi
Especialista em Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal (2009). 
Agente Inovativa Brasil 2015/2017. Graduada em Serviço Social pelo Centro 
Universitário de Maringá (2007). Membro da Association of Fundraising 
Professionals (AFP), inscrita no Portal da Inovação do Governo Federal do 
Brasil, cadastrada na Associação Brasileira dos Captadores de Recursos 
(ABCR). Mentora nos programas: Inovativa Brasil, Founder Institute e Aliança 
Empreendedora. Docente nos cursos de Serviço Social e Gestão do Terceiro 
Setor na Unicesumar-PR. Atua na assessoria e consultoria em Projetos de 
Inovação e Impacto Social, na Inpar Soluções Empresariais, Humanas e Sociais 
Ltda, credenciada para Trabalho técnico social pela Caixa Econômica Federal. 
Tem experiência nas áreas de mentoria a projetos e startups com foco em 
demandas sociais, relacionamento, inovação e projetos de impacto social 
nas áreas de educação, saúde, assistência, esporte e lazer e em Processos de 
Gestão Jurídica e Contábil do Terceiro Setor.
Link: <http://lattes.cnpq.br/1840748555642852>.
SEJA BEM-VINDO(A)!
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) a mais uma etapa da sua formação professional. 
Esta é mais uma conquista e você é merecedor(a). Parabéns! Onde quer que você esteja, 
conte conosco para mais este estudo. É um prazer estarmos contigo neste processo de 
construção do conhecimento e com certeza teremos muito a aprender e a compartilhar!
O estudo sobre o Terceiro Setor é muito relevante na formação professional. Por isso, va-
mos conhecer e nos aprofundar neste tema, buscando sempre a qualidade profissional, 
se capacitando para o trabalho interdisciplinar, uma vez que a atuação no Terceiro Setor 
não é exclusividade do Serviço Social.
As reflexões e os estudos sobre o Terceiro Setor que realizaremos nos trarão informações 
atualizadas, proporcionando compreensão sobre as diversas possibilidades de atuação na 
área, uma vez que percebemos as contradições e desigualdades sociais de nossa socie-
dade, contrapondo-se a um cenário socioeconômico globalizado, de mudanças e desen-volvimento científico e tecnológico acelerado. Você já parou para pensar em tais contra-
dições? Como pode o ser humano ser capaz de grandes criações e ao mesmo tempo não 
dar conta de sanar tamanhas desigualdades? É neste contexto que o Terceiro Setor atua.
Para entendermos o Terceiro Setor, você precisa ter claro sua dimensão, seus componen-
tes, compreender o contexto em que está inserido global e localmente, investigar suas 
raízes e suas mudanças ao longo dos anos. É imprescindível adotarmos uma postura 
madura e aberta para que não nos enganemos imaginando que o Terceiro Setor é a úni-
ca solução dos problemas sociais, tomando para a si a responsabilidade que é do Estado 
no que diz respeito ao papel de formulador e executor das políticas sociais. Porém, não 
podemos negar a sua relevância nas tratativas em busca do enfrentamento das diversas 
manifestações da questão social de nosso país.
Sendo assim, o objetivo deste estudo é esclarecer a respeito do papel das organizações 
do terceiro setor em nossa sociedade, bem como dos profissionais que contribuem para 
sua execução.
Na Unidade I – “O Terceiro Setor” –, buscaremos conhecer as características e os concei-
tos que permeiam o terceiro setor, descrevendo o seu contexto sócio-histórico e cultural 
no mundo e no Brasil, bem como conhecer a respeito da organização sociojurídica dos 
setores que compõem a ordem sócio-política. 
Na Unidade II – “Estado, Sociedade e os papéis representados no Terceiro Setor” –, ire-
mos conhecer a respeito do papel do Estado e como ele se configura junto ao Terceiro 
Setor, o processo de Reforma do Aparelho do Estado brasileiro até a composição legal 
das organizações da sociedade civil, compreendendo o significado de sociedade civil e 
o contexto da cidadania em que o cidadão se orienta. Estudaremos sobre a contextuali-
zação das origens legais do Terceiro setor no Brasil, com base na Reforma Administrativa 
do Estado.
APRESENTAÇÃO
SERVIÇO SOCIAL E TERCEIRO SETOR
Na Unidade III – “Organizações do Terceiro Setor” –, vamos dedicar o nosso estu-
do para compreender como o Terceiro Setor foi se configurando juridicamente no 
Brasil, as qualificações e titulações vigentes atualmente. Veremos sobre as pessoas 
jurídicas consideradas sem fins lucrativos e quais destas são consideradas como Ter-
ceiro setor. 
Na Unidade IV – “Administração e Planejamento no Terceiro Setor” –, será apresenta-
do brevemente os elementos da administração e a sua aplicabilidade junto às orga-
nizações do Terceiro Setor, os novos desafios enfrentados pelo setor, bem como as 
oportunidades que existem na gestão capacitada e profissionalizada. Nesta unida-
de, também estudaremos sobre os documentos que são necessários à estruturação 
inicial da organização.
Na Unidade V – “O Serviço Social e o Terceiro Setor” –, você poderá conhecer um 
pouco mais sobre as atribuições e responsabilidades do profissional de serviço so-
cial junto às organizações do Terceiro Setor, bem como nas equipes interdisciplina-
res de trabalho. Analisaremos a importância do planejamento estratégico na prática 
profissional sobre as competências e habilidades que são exigidas aos profissionais 
do Terceiro Setor ou aos que pretendem ingressar nele.
Conto com você nesta etapa, sucesso! Bons estudos! 
Um grande abraço!
Professoras Daniela Sikorski e Silviane Del Conte Curi.
APRESENTAÇÃO
SUMÁRIO
09
UNIDADE I
O TERCEIRO SETOR
15 Introdução
16 Características e Conceitos do Terceiro Setor no Mundo 
24 Fundamentação Histórica e Social do Terceiro Setor no Brasil 
32 Formas Organizativas da Ordem Sociopolítica 
38 Considerações Finais 
45 Referências 
47 Gabarito 
UNIDADE II
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO 
SETOR
51 Introdução
52 Estado e Sociedade Civil 
55 O Cidadão, a Cidadania e a Sociedade Civil 
60 Reforma do Estado e o “Terceiro Setor” no Brasil 
72 Considerações Finais 
79 Referências 
81 Gabarito 
SUMÁRIO
10
UNIDADE III
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
85 Introdução
86 As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor 
103 Bases Legais do Terceiro Setor 
109 Organizações do Terceiro Setor, as Titulações e as Qualificações 
113 Considerações Finais 
120 Referências 
124 Gabarito 
UNIDADE IV
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
127 Introdução
128 Checklist Básico do Terceiro Setor 
133 Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios 
151 Gestão para o Terceiro Setor: Oportunidades 
155 Considerações Finais 
163 Referências 
164 Gabarito 
SUMÁRIO
11
UNIDADE V
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
167 Introdução
168 Contribuições e Atribuições Profissionais do/da Assistente Social no Terceiro 
Setor
173 Equipes de Trabalho no Terceiro Setor: Multidisciplinares e Interdisciplinares 
177 Competências e Habilidades Necessárias ao Profissional do Terceiro Setor 
182 Considerações Finais 
190 Referências 
191 Gabarito 
192 Conclusão 
U
N
ID
A
D
E I
Professora Esp. Daniela Sikorski
Professora Esp. Silviane Del Conte Curi
O TERCEIRO SETOR
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conhecer as características, os conceitos e as definições sobre o 
Terceiro Setor.
 ■ Descrever o contexto sócio-histórico e cultural do Terceiro Setor.
 ■ Compreender a organização do primeiro, segundo e Terceiro Setor.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Características e conceitos do Terceiro Setor no mundo
 ■ Fundamentação histórica e social do termo “Terceiro Setor” no Brasil
 ■ Formas organizativas da ordem sócio-política
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), bem-vindo(a) à Unidade I do livro “Serviço social e Terceiro 
Setor”!
Iniciaremos nosso estudo conhecendo um pouco a respeito de quais caracte-
rísticas o Terceiro Setor apresenta em alguns países e no Brasil, pois para olharmos 
para o tempo presente e compreendê-lo, precisamos observar os caminhos que 
percorreu até chegar onde está e ser como é hoje. Para isso, vamos observar os 
processos históricos e sociais que contribuíram para a formação jurídica das 
organizações que compõem o Terceiro Setor na atualidade. Sabemos que este 
espaço tem acolhido cada vez mais áreas profissionais e tem sido campo fértil 
para a construção das políticas públicas junto ao Estado.
Ao longo do trajeto, caro(a) acadêmico(a), você perceberá que existe uma 
grande diversidade de explicações e entendimentos a respeito dos conceitos sobre 
o Terceiro Setor, mas com as análises apresentadas irá conseguir diferenciá-lo do 
Primeiro e do Segundo setor, consolidando seu conhecimento para um mundo 
vasto de possibilidades de intervenção profissional.
Neste material, teremos a discussão pautada em diversos autores, para que 
você tenha condições de exercitar a sua capacidade de reflexão e aprofunde seu 
conhecimento sobre conceitos e definições do termo Terceiro Setor e a origem 
das organizações sem fins lucrativos, através dos tempos. Porém, não teremos 
condições e nem a pretensão de esgotar o tema, ainda há muito que se aprender a 
respeito, bem como as definições legais que permeiam as associações e fundações.
Nem sempre elas receberam o nome de organização sem fins lucrativos ou 
do Terceiro Setor, mas percorrendo a história percebemos sua existência desde 
muito tempo, nos formatos que eram possíveis em cada período, até os dias atu-
ais, no Brasil.
Venha conosco, explore este mundo de conhecimentos que está a sua espera! 
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
15
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E16
CARACTERÍSTICAS E CONCEITOS DO TERCEIRO 
SETOR NO MUNDO
Olá, aluno(a), seja bem-vindo(a)! Vamos iniciar nossa aproximação com o 
Terceiro Setor observando os conceitos atribuídos a ele e as características que 
assume pelo mundo afora e no Brasil. É preciso que nossa compreensão alcanceas configurações e os avanços do Terceiro Setor com base nas realidades histó-
ricas e culturais de cada território. 
Falando do Terceiro Setor, será comum entre as definições, os conceitos e 
o histórico das organizações, percebermos que muitas estavam (e muitas ainda 
estão) relacionadas às atividades caritativas, filantrópicas, voluntárias ou ao asso-
ciativismo comunitário. Embora seus objetivos tenham como foco as causas, as 
demandas dos indivíduos ou dos grupos de indivíduos, cada uma pode assu-
mir características distintas ou um conjunto de características que as diferencia. 
Neste sentido, é importante ressaltar que:
[…] a lógica mobilizadora e participativa que move o Terceiro Setor 
está presidida pela lei do amor que, considerado em sua dimensão es-
trutural, busca o cumprimento da lei desde a perspectiva do impulso 
moral que a assiste. O drama da solidariedade é o mesmo drama que 
acontece para cada ser humano; tem que sujar as mãos, como indicara 
Sartre, há de modelar-se em fórmulas políticas e econômicas alternati-
vas e viáveis (GONZALO, 1997, p.111).
Independente da posição geográfica das organizações que compõem o Terceiro 
Setor no mundo, elas têm por princípio realizar ações que agregam valor e efeti-
vidade ao contexto social, tais atividades são desenvolvidas em diversos setores e 
segmentos, como: saúde, educação, comunicação, segurança pública, defesa de direi-
tos, fortalecimento do grupo institucional, assistência social, arte, cultura, esporte 
e lazer, cultura, meio ambiente, respeito à diversidade, entre tantas outras áreas.
As instituições do Terceiro Setor vêm para fazer aquilo que o Estado 
Características E Conceitos Do Terceiro Setor No Mundo
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
17
não consegue fazer, seja por sua própria omissão, seja por sua incapaci-
dade de atingir a todos. O Estado como tal é insubstituível e necessário. 
Cabe a todos então partir para a realização daquilo que ele não con-
segue fazer e cobrar uma ação que pode fazer. Diante destas institui-
ções, o Estado deve então garantir os direitos essenciais e universais das 
pessoas e também regular as relações entre as instituições e o próprio 
Estado (MEISTER, 2003, p.23).
Ao analisarmos os processos históricos, perceberemos que a criação das orga-
nizações desta natureza assumem características específicas e de acordo com a 
realidade social, política e cultural de cada país/continente; são os reflexos da for-
mação e constituição política e social, da realidade e das particularidades locais. 
Não podemos afirmar que exista uma regra que determine todas, não há homo-
geneidade nas características, nos formatos e nos conceitos, uma vez que estão 
ligadas às dinâmicas de cada sociedade em cada tempo, às demandas e às neces-
sidades de cada comunidade ou território em dado momento. 
[...] o crescimento do Terceiro Setor decorre de várias pressões, deman-
das e necessidades advindas das pessoas, como cidadãos, das institui-
ções e até dos próprios governos (SALAMON, 1998, p.5).
Com base nestas diferenças, “essa pluralidade não pode ser negligenciada, pois 
constitui uma das importantes particularidades desse fenômeno social nascente 
e indica sua enorme riqueza e complexidade.” (ANDION, 1998, p.14).
Contudo, para que possamos compreender o Terceiro Setor é necessário 
nos apropriarmos dos conceitos e das origens que permeiam suas definições, 
para termos condições de atuar com segurança nos diversos campos profissio-
nais que o setor pode abarcar. 
No caso dos profissionais do serviço social, até bem pouco tempo, havia 
uma visão que os afastava das organizações do Terceiro Setor, mas com a inser-
ção da possibilidade de contribuição do setor no campo da construção e gestão 
das políticas públicas dos diversos setores, a aproximação profissional foi essen-
cial para ambos, profissionais e o próprio setor. 
Cada vez mais o Terceiro Setor vem se configurando como um grande 
empregador de distintas profissões, com base nas causas em que atue, tais como 
o serviço social, a psicologia, a sociologia, a medicina veterinária, a engenharia 
ambiental, o direito, a administração, entre tantas outras. Porém, esta relação 
dos profissionais e as causas, discutiremos em outro momento.
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E18
Caro(a) aluno(a), há diversas maneiras de conceituar o Terceiro Setor, sendo 
assim, o quadro a seguir nos mostra a visão de alguns autores a respeito do que 
é o Terceiro Setor. 
Quadro 1 - Definições do Terceiro Setor
Maria Lúcia Pra-
tes Rodrigues 
(1998 p.31)
[...] por Terceiro Setor entenda-se [...] a sociedade civil que se organiza 
e busca soluções próprias para suas necessidades e problemas, fora da 
lógica do Estado e do mercado.
Rubem César 
Fernandes
 (1997 p.27)
[...] o Terceiro Setor é composto de organizações sem fins lucrativos, 
criadas e mantidas pela ênfase na participação voluntária, no âmbito 
não governamental, dando continuidade a práticas tradicionais de 
caridade, da filantropia e do mecenato e expandindo o seu sentido 
para outros domínios, graças, sobretudo, à incorporação do conceito 
de cidadania e de suas múltiplas manifestações na sociedade civil.
Fernando G. 
Tenório
(2001 p. 07)
Essas organizações não fazem parte do Estado, nem a ele estão 
vinculadas, mas se revestem de caráter público na medida em que 
se dedicam a causas e problemas sociais e em que, apesar de serem 
sociedades civis privadas, não têm como objetivo o lucro e, sim, o 
atendimento das necessidades da sociedade.
Lester Salamon
(1998, p.5, grifo 
nosso)
É uma imponente rede de organizações privadas autônomas, não 
voltadas à distribuição de lucros para acionistas e diretores, atenden-
do propósitos públicos, embora localizada à margem do aparelho 
formal do Estado... O crescimento do Terceiro Setor decorre de várias 
pressões, demandas e necessidades advindas das pessoas, como 
cidadãos, das instituições e até dos próprios governos. Ele reflete um 
conjunto nítido de mudanças sociais tecnológicas, aliado à contínua 
crise de confiança na capacidade do Estado.
Simone de 
Castro Tavares 
Coelho
(2000, p. 40- 58-
60- 69)
O Terceiro Setor pode ser definido como aquele em que as atividades 
não seriam nem coercitivas nem voltadas ao lucro. Suas atividades 
visam ao atendimento de necessidade coletivas, e muitas vezes, públi-
cas. Genericamente, a literatura agrupa nessas denominações todas as 
organizações privadas, sem fins lucrativos, e que visam à produção de 
um bem coletivo. [...] Portanto, essa característica [de prestação de ser-
viço público] deve vir sempre casada com outras duas: serem privadas, 
o que difere das instituições governamentais; e sem fins lucrativos, o 
que as diferencia das empresas inseridas no mercado.
Gustavo Henri-
que Justino de 
Oliveira (2005, 
p.86)
O Terceiro Setor pode ser concebido como o conjunto de atividades 
voluntárias, desenvolvidas por organizações privadas não governa-
mentais e sem ânimo de lucro (associações ou fundações), realizadas 
em prol da sociedade, independentemente dos demais setores (Esta-
do e mercado), embora com eles possa firmar parcerias e deles possa 
receber investimentos (públicos e privados).
Fonte: a autora. 
Características E Conceitos Do Terceiro Setor No Mundo
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
19
Segundo Salamon o Terceiro Setor pode existir a partir de três vertentes distin-
tas, a seguir:
Terceiro Setor como ideia: conceito que engloba os valores sociais, 
como o altruísmo, a iniciativa e o livre arbítrio, levando os indivíduos 
a agirem de forma a melhorarem suas vidas e a dos outros por meio da 
solidariedade.
Terceiro Setor como realidade: Um dilema: A diversidade do setor é tãoassombrosa, que nos induz a passar por alto as consideráveis similitudes 
que também existem nele. As pessoas ocupadas com o desenvolvimento 
não querem ser confundidas com as que se devotam à mera assistên-
cia. Associações civis que lutam por direitos humanos não se identificam 
com entidades religiosas ou corporações profissionais. Carecendo de um 
conceito unificador, o todo vem a parecer menor que as partes consti-
tuintes. Pouco organizado e capacitado enquanto capital humano.
Terceiro Setor como ideologia: o Terceiro Setor, como mitologia e ide-
ologia, substitui facilmente o Terceiro Setor como ‘realidade’ ou ‘ideia’ na 
mente de muitas pessoas. Convém mencionar aqui, quatro desses mitos: 
mito da insignificância ou incompetência, a noção de que as organizações 
do Terceiro Setor, na melhor das hipóteses, dispõe de bisonhas operações 
amadorísticas com um pouco de estofo para um impacto sustentado sobre 
os problemas cruciais que suas sociedades enfrentam; e, na pior, agitadores 
irresponsáveis interessados em apresentar exigências absurdas a fim de so-
lapar a autoridade governamental legítima; o mito do voluntarismo, a no-
ção de que as organizações sem fins lucrativos devem apoiar-se unicamente 
na ação voluntária não remunerada e a caridade privada, pois essas formas 
de ação seriam mais puras e mais eficientes para a solução dos problemas 
sociais do que a participação do Estado; o mito da virtude pura, a noção de 
que as organizações voluntárias são por natureza instrumentos com pro-
pósitos essencialmente públicos, responsáveis pelas camadas necessitadas 
e obedientes a normas democráticas; o mito da imaculada conceição, a no-
ção de que a filantropia e o voluntariado constituem fenômenos novos em 
quase todo mundo e de que a construção de um setor social podem, em 
consequência, ocorrer em solo virgem e copiar livremente modelos de fora 
(SALAMON apud VILLAS BÔAS NETO, 2003, p.46-47).
Para que tenhamos condições de analisar os diferentes posicionamentos teóricos, 
existem algumas discussões sobre outras bases autorais, iniciando por Anheir 
(apud Fernandes, 2002), que defende que a caracterização de uma organização 
como sendo do Terceiro Setor precisa apresentar entre suas características algu-
mas especificidades, sendo:
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E20
Figura 1 - Características do Terceiro Setor.
Fonte: a autora adaptado de Fernandes (2002).
Em alguns casos, contraponto, noutros, afirmação e em outros como comple-
mento, Aragão (2009) emite a sua opinião a respeito das características que 
definem uma organização ser do Terceiro Setor, definindo que:
organização: precisa ter um certo grau de institucionalização e sistema-
tização documental, tais como: estatuto, endereço, sede, ter diretoria 
legalmente constituída, regimento, registros diversos.
privada: estar fora do aparelho do Estado enquanto instituição; pode 
firmar convênios ou parcerias com o poder público; deve ter condições 
de manter sua autonomia financeira e administrativa.
não distribuir lucros: não retornar nenhum ganho a seus associados; 
toda a receita recebida em doações, parcerias ou prestação de serviços 
deve ser aplicada na própria instituição e no atendimento de seus obje-
tivos institucionais.
autogovernada: ser apta a controlar suas atividades por meio de gestão 
própria.
trabalho voluntário: deve envolver algum tipo de participação volun-
tária em suas ações.
Caro(a) aluno(a), podemos constatar que existem pontos em comum com a 
discussão anterior, sobre o que caracteriza uma organização do Terceiro Setor, 
alterando a forma de apresentação do conceito do autor, mas para que a com-
paração seja mais rica, seguem mais algumas características distribuindo-as da 
seguinte maneira:
estruturadas: possuem certo nível de formalização de regras e proce-
dimentos, ou algum grau de organização permanente. São portanto, 
Prestar atendimento a uma 
diversidade e variedade de 
questões que afetam a 
sociedade (assistência social, 
saúde, meio ambiente, 
cultura, educação, lazer 
esporte etc). 
Manter um signi�cativo 
envolvimento do voluntariado, 
mesmo que seja somente a 
diretoria.
Ser Instituição de caráter 
privado mas desenvolvendo 
um trabalho de interesse 
público; separada 
institucionalmente do Estado 
podendo manter parceria 
com este, mas não depender 
exclusivamente dele.
Apresentar um mínimo de 
organização, de 
institucionalizacão, com 
registro em cartório, Cadastro 
Nacional de Pessoa Jurídica 
(CNPJ), endereço e sede 
própria.
Não ter �ns econômicos, de 
acordo com o código civil, 
não sendo distribuidora de 
lucros entre os seus diretores. 
Atender a pessoas que estão 
excluídas do processo 
produtivo, fora do mercado 
de trabalho, em situacão de 
vulnerabilidades social. 
Características E Conceitos Do Terceiro Setor No Mundo
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
21
excluídas as organizações sociais que não apresentem uma estrutura 
interna formal.
privadas: essas organizações não tem nenhuma relação institucional 
com governos, embora possam dele receber recursos.
não distribuidoras de lucros: nenhum lucro gerado pode ser distribu-
ído entre seus proprietários ou dirigentes. Portanto, o que distingue 
essas organizações não é fato de não possuírem fins lucrativos, e sim, o 
destino que é dado a estes, quando existem. Eles devem ser dirigidos à 
realização da missão da instituição.
autônomas: possuem os meios para controlar sua própria gestão, não 
sendo controladas por entidades externas.
voluntárias: envolvem um grau significativo de participação voluntária 
(trabalho não remunerado). A participação de voluntários pode variar 
entre organizações e de acordo com a natureza da atividade por ela 
desenvolvida.
Existem situações que, mesmo em meio a tantas semelhanças, as ideias, as vezes, 
entram em conflito e nos confundem. É a diversidade de conceitos e configurações 
que dificultam a caracterização deste setor, uma vez que a origem e motivação 
de cada uma das diferentes instituições são, muitas vezes, incompatíveis na sua 
vertente ideológica. 
A exemplo desta incompatibilidade, podemos citar aquelas instituições que 
nascem e desenvolvem seu trabalho pautadas puramente no altruísmo e na bene-
volência, que tem suas atividades avaliadas por aquelas que visam à conquista e 
manutenção dos direitos humanos como um reforço da dependência e do con-
trole do indivíduo e das massas populacionais. Tais avaliações não anulam a 
relevância do trabalho desenvolvido por cada uma, pois em muitos casos é pre-
ciso do paliativo imediato a um determinado problema ou demanda, para que 
Exercite sua capacidade de reflexão e síntese, e tente escrever com suas pró-
prias palavras a definição para as organizações que fazem parte do Terceiro 
Setor, com as composições que vimos até aqui.
Fonte: a autora.
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E22
se atinja um resultado a longo prazo, que realmente seja promotor de mudanças 
significativas na vida do indivíduo, do meio e/ou do contexto onde está inserido.
As organizações que atuam no campo social têm assumido ao mes-
mo tempo funções econômicas (pois geram emprego), políticas (pois 
constituem espaço de exercício de cidadania) e sociais (pois permitem 
que as pessoas atuem visando transformar a realidade em que vivem). 
(ANDION, 1998, p.8)
Para atender tais demandas, podemos afirmar que a sociedade se mobiliza e se 
organiza em instituições para atender aos interesses públicos, em áreas e seg-
mentos distintos, sem a participação direta do Estado, por este motivo são 
conhecidas como organizações não governamentais.
Para falarmos sobre a parte histórica, social e cultural que tanto colaborou, 
iniciaremos nossa observação das característicase dos formatos das organizações 
do Terceiro Setor nos Estados Unidos e, em seguida, na Europa, para poder-
mos compreender como elas se consolidaram no Brasil. Vamos à nossa jornada!
ESTADOS UNIDOS
Nos Estados Unidos, de acordo com Fernandes (2002), o termo Terceiro Setor faz 
parte do vocabulário sociológico corrente. No idioma native, tem sua tradução 
em “Third Sector” e identifica as organizações sem fins lucrativos e as organiza-
ções de caráter voluntário. Existem ainda outras terminologias que eram usadas 
para designar as organizações que compunham o Terceiro Setor, como podemos 
confirmar em Villas Boas Neto (2003):
non profit organizations: (organizações não governamentais), que di-
zem respeito àquelas instituições cujo lucro/benefícios financeiros não 
podem ser repassados ou distribuídos aos seus associados e/ou direto-
res. A expressão Organização Não Governamental (ONG) proveniente 
da Europa continental, teve sua origem pelas Nações Unidas. Contudo, 
na América Latina o que se difundiu foi a terminologia Organização da 
Sociedade Civil e Terceiro Setor.
charites: (significa caridade), termo inglês utilizado e nos remete a um 
conceito de conotação religiosa.
filantropia: termo mais moderno com a mesma conotação do termo 
“sem fins lucrativos”. (NETO, 2003)
Características E Conceitos Do Terceiro Setor No Mundo
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
23
As organizações nascem com os mesmos objetivos e tendo clara sua distinção 
entre as ações estatais. Elas refletem a busca da sociedade civil organizada no 
atendimento do bem comum, das causas coletivas. Embora atualmente tais con-
ceitos caracterizam grande parte das instituições e organizações do Terceiro Setor, 
estão direcionadas para mudanças, que veremos mais adiante.
O Terceiro Setor acaba assumindo características de complemento ao papel 
do Estado, gerando distanciamento de sua conotação política e do caráter reivin-
dicatório, como é visto em outros países. Aqui, o Estado atua como um suporte, 
regulador e financeiro para um parcela significativa das organizações no país.
EUROPA
Na Europa, as organizações não governamentais nascem com a forte motiva-
ção de ajudar no desenvolvimento de países menos desenvolvidos. Este apoio se 
efetiva através de parcerias das organizações européias com os países, através de 
suas organizações não governamentais, impulsionando a criação de outras inú-
meras organizações no Brasil e no mundo. 
Essas organizações atuam em setores diversos tais como – saúde, edu-
cação, transporte, lazer, desenvolvimento urbano, proteção do meio 
ambiente, serviços domésticos, alimentação etc. – tendo como objetivo 
principal a promoção social. Em termos gerais, elas assumem diversas 
nomenclaturas e formas jurídicas. Na França, predomina a forma asso-
ciativa; em Quebec, as organizações comunitárias; na Itália, as coopera-
tivas; na América Latina e no Brasil, as organizações não governamen-
tais populares (ANDION, 1998, p.14, grifo da autora).
As organizações se formam a partir da união de pessoas que se associam em 
prol de uma causa comum àquele grupo. Na Europa, o movimento associativo é 
identificado por duas tradições: a tradição romana, que se concretizou a partir 
do surgimento das confrarias religiosas, dos partidos políticos e das corpora-
ções da Idade Média; a tradição germânica está bastante atrelada às guildas que 
tinham funções políticas, econômicas e sociais, e tinham características de pro-
teção mútua, ética comercial e direitos do comércio. 
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E24
FUNDAMENTAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL DO 
TERCEIRO SETOR NO BRASIL
No Brasil, as organizações do Terceiro Setor nasceram pautadas em um movi-
mento reivindicatório e politizado, visando a garantia de direitos, e não na 
filantropia, como nos Estados Unidos. Mas cabe esclarecer que a filantropia 
existiu e existe no Brasil, porém não foi o fator fundante do setor no nosso país.
De acordo com Villas Boas Neto (2003), o Terceiro Setor no Brasil se cons-
trói como um conjunto organizacionalmente diferenciado no bojo do processo 
de democratização, sendo em sua maioria remanescentes dos movimentos sociais 
que atuaram na resistência aos governos totalitários e das entidades que substi-
tuíram ou complementaram o papel do Estado, no esforço de estabelecer algum 
grau de equidade social.
Em nosso país, o Terceiro Setor começou a ser utilizado para as entidades 
que realizavam os trabalhos que até aquele momento estavam atreladas à Igreja. 
Contudo, diante do fato de que as atividades da igreja trabalhavam mais com ati-
vidades vinculadas à caridade em escolas, hospitais, asilos, creches e orfanatos, 
não atendendo a todas as demandas da sociedade que se estendiam para outros 
setores, como habitação, defesa e garantia de direitos. As instituições iniciam 
suas ações a partir destas últimas demandas e operam no sentido de construir 
uma sociedade mais justa.
De acordo com Salamon (2005), esse tipo de atividade [voluntária] estava 
presente na China na Antiguidade e foi fortalecida e institucionalizada sob 
o Budismo desde o século VII. No Japão, a atividade filantrópica remonta ao 
período Budista e a primeira fundação japonesa moderna, a Sociedade da 
Gratidão que foi estabelecida em 1829, cerca de um século antes da primei-
ra fundação norte-americana.
Fonte: adaptado de Salamon (2005, p.10).
Fundamentação Histórica e Social do Terceiro Setor no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
25
Caro(a) aluno(a), para que possamos entender melhor o presente, vamos fazer 
um pequeno passeio pelo passado. Visitaremos fases e alguns períodos históricos 
pelos quais o Brasil atravessou, para que tenhamos condições de compreender a 
atuação do Terceiro Setor nos dias de hoje. 
Neste quadro-resumo do Conselho Regional de Administração, vemos a 
identificação do principal ator social atuando junto às demandas da população 
e distinguimos quais eram os paradigmas de cada período.
Quadro 2 - Histórico da atuação social
PERÍODO ATOR SOCIAL PARADIGMA
Séc. XIX
Estado Oligárquico
Igreja Caridade Cristã
Séc. XX – 1930
Estado Populista
Igreja e Estado Caridade Estatal
Séc. XX – 1964
Estado autoritário
Estado e Sociedade Controle Estatal
Séc. XX – 1988
Estado Democrático
Sociedade e Estado Cidadania
Fonte: Conselho Regional de Administração (2011, on-line). 
Porém, caro(a) aluno(a), para cada período citado anteriormente, temos uma 
configuração, e, para conhecermos melhor, as estudaremos agora.
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E26
ESTADO OLIGÁRQUICO E A REPÚBLICA VELHA
O Estado Oligárquico inicia no ano de 1889 e segue até 1930. Nesta época, os 
problemas sociais que atingiam a população não eram atendidos. Aqueles que 
fossem pobres não possuíam direitos efetivos e dependiam de forma contundente 
da caridade alheia, inclusive da Igreja Católica que se institui enquanto mono-
pólio, já que, muitas vezes, havia a indiferença e ausência por parte do Estado. 
E as instituições que foram criadas tinham a finalidade de atender aos menos 
favorecidos, aqueles que não tinham condições básicas de sobrevivência e tra-
balho, hoje, vulneráveis socioeconomicamente. 
Conforme adentramos no contexto histórico, percebemos a existência de 
ações da sociedade civil organizada, mesmo antes da Proclamação da República 
(15/11/1889), e o trabalho era realizado por instituições vinculadas à Igreja, 
como caridade e benesse. 
Essas intervenções cristãs eram financiadas pelos setores oligárquicos e a 
Igreja assume, quase que complementamente, a função de “ajuda aos necessitados”, 
período em que iniciam as primeiras ações de saúde,que culminam na constru-
ção das Santas Casas de Misericórdia. A primeira Santa Casa de Misericórdia foi 
construída na Vila de Santos, em 1943.
Com a chegada da industrialização no Brasil, as primeiras discussões sobre 
os direitos sociais começam a surgir, e como afirma Meister (2003, p.28) “apa-
rece a própria pobreza como uma realidade produzida e mantida socialmente”.
O fim do Estado Oligárquico foi marcado por fatores históricos e sociais, tais 
como: a própria crise da Oligarquia, a ascensão dos movimentos sociais urba-
nos em busca de direitos e, em 1917, a greve geral da indústria e a fundação do 
Partido Comunista.
No final da década de 1920, esses movimentos urbanos ganham impulso 
e poder, compondo-se como um novo agente político e ganhando visibilidade 
neste novo cenário da história que se desenhava. A chegada dos imigrantes, na 
década de 1930, contribuiu imensamente para que estes movimentos ganhas-
sem corpo, uma vez que eles vinham da Europa com sua formação política clara 
e passaram a também reivindicar por direitos. 
Fundamentação Histórica e Social do Terceiro Setor no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
27
ESTADO POPULISTA E A REPÚBLICA NOVA
Período que vai do ano de 1946 a 1964, sob a liderança de Getúlio Vargas, conhe-
cido como “pai dos pobres”, se caracterizou como um Estado Corporativo, 
populista, autoritário e nacionalista. 
O Estado assume uma política clientelista, pautada na caridade. “O Estado 
busca então uma estratégia de atrelar às iniciativas autônomas e emergentes da 
sociedade civil, tornando-as aparelhos paraestatais a serviço do fortalecimento 
do seu próprio poder” (VILLAS BOAS NETO, 2003, p.34).
Foi criado o sistema de ensino público, a carteira de trabalho, o sufrágio uni-
versal, na assistência aos pobres, a Legião Brasileira de Assistência (LBA), e no 
atendimento a economia e capacitação de mão de obra, os serviços do Sistema S: 
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI (1942), Serviço Nacional 
de Aprendizagem Comercial – SENAC.
O fim deste período é marcado pela própria crise do Estado Corporativista, que 
esbarrou na associação dos setores industriais ao capital externo e o fortaleci-
mento dos sindicatos que cobravam pelas reformas prometidas pelo governo, 
esgotando o sistema.
A Igreja mantém sua importância no campo da assistência aos pobres, 
complementada agora pela presença do Estado. Apesar destes avanços, na 
prática, os pobres ainda não se constituem como sujeitos deste direito. O 
clientelismo permanece como política oficial. A caridade dos cristãos para 
com seus fiéis é em parte substituída pela “caridade” do Estado e pela soli-
dariedade administrativa. Os pobres continuam sendo objeto de bondade 
de algum senhor.
Fonte: Villas Boas Neto (2003, p.34).
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E28
ESTADO AUTORITÁRIO E A REPÚBLICA MILITAR 
Período compreendido entre 1964 a 1985, foi marcado pelo rompimento do 
Estado com a sociedade. O Estado passa a assumir as políticas sociais como único 
executor, tornando ilegal e clandestina qualquer tipo de organização da socie-
dade. Estava neste patamar qualquer atitude ou pensamento que ele [o Estado] 
não pudesse controlar e exercer seu poder autoritário, fazendo da participação 
cívica da sociedade, algo nulo.
Como nos demais setores do governo, o regime militar adota, na área 
social, uma postura controladora criando grandes estruturas hierarqui-
zadas e centralizadas com vistas a reduzir drasticamente a pobreza e as 
diferenças regionais: INPS; BNH; COBAL; CEME; MOBRAL; etc. Tais 
políticas compensatórias distributivas e de integração nacional mobili-
zaram pesados recursos públicos (VILLAS BOAS NETO, 2003, p. 35).
A repressão do movimento sindical, iniciado no período anterior, faz surgir uma 
ampla gama de outros movimentos sociais autônomos, que assumem caráter 
libertador, revolucionário e politizador com o apoio e aval da Igreja. Com isto 
posto, a partir do final da década de 1960, 
[...] tem início um trabalho que se gesta dentro das igrejas o qual toma 
vulto, com o volver dos anos, passando, mais tarde, a denominar-se ins-
tituições do Terceiro Setor, isto é, organizações sociais sem fins lucrati-
vos, ONGs (organizações não governamentais), fundações, institutos, 
etc. elas realizam tarefas que a Igreja e o Estado não conseguem mais 
atender devido às grandes demandas sociais (MEISTER, 2003, p.28).
A Igreja nesta época, ainda independente, não mantinha nenhum tipo de relação ou 
qualquer diálogo com o Estado, e auxiliou na reorganização da sociedade civil com a 
consolidação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e a Teologia da Libertação. 
É à Igreja Católica, contudo, mais particularmente à Teologia da Liber-
tação, que devemos o ímpeto maior do movimento (de emancipação 
do indivíduo). O fechamento do Estado pelo exército deixou também 
a Igreja Católica fora dos círculos mais íntimos do poder. Nesta época, 
o Vaticano convoca os católicos a buscarem, positivamente, uma sin-
tonia com os sinais dos tempos. Em resposta ao Concílio Vaticano II, 
os bispos, latino-americanos reuniram-se em Medelin, Colômbia, em 
1968,e proclamaram a doutrina de que a boa nova do evangelho impli-
cava uma ‘opção preferencial pelos pobres’. Assim nasceu o movimento 
inspirado na Teologia da Libertação, apostando no valor a um tempo 
sagrado e profético das Comunidades Eclesiais de Base (FERNANDES, 
Fundamentação Histórica e Social do Terceiro Setor no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
29
apud VILLAS BOAS NETO, 2003, p. 36).
A sociedade passou a se mobilizar de forma invisível, no contexto das comu-
nidades, onde estavam os círculos bíblicos, os grupos de jovens, cursos de 
alfabetização, grupos de reflexão, associações populares de produção e autoa-
juda, os clubes de mães, espaços onde a formação de líderes acabava acontecendo. 
Essa mobilização social se pautava na reivindicação por soluções à falta de água, 
energia elétrica, saneamento básico, habitação, trânsito, preços praticados, polui-
ção, entre tantas outras necessidades abandonadas e tão conhecidas nossas até 
os dias atuais. E que para Fernandes (2002, p. 20): 
Sua emergência é de tal relevância que se pode falar de uma “virtual 
revolução” a implicar mudanças no modo de agir e pensar. As relações 
entre o Estado e mercado, que tem dominado a cena pública, hão de 
ser transformadas pela presença desta terceira figura – as associações 
voluntárias. Não se pode dizer, é claro, que a atividade dos cidadãos 
ou que a vida associativa sejam invenções destes dias. Ao contrário, há 
quem prefira denominá-las “o primeiro setor” justamente para enfati-
zar sua antecedência lógica e histórica. A novidade estaria nos núme-
ros, em expansão geométrica, e nos padrões de relacionamento.
Neste pano de fundo emergem as primeiras organizações não governamen-
tais, de caráter público. Caráter público porque visavam o bem da população e 
tinham o objetivo de lutar pela democracia, por direitos e qualidade de vida. As 
relações sociais e interpessoais se fortalecem pautadas no sentimento de ajuda, 
colaboração mútua e solidariedade. Estas organizações:
[…] passam a unir-se a organizações internacionais e instituições que 
de certo modo possam fornecer subsídio e auxílio na organização das 
instituições no Brasil. O auxílio de organizações internacionais exige 
que se estabeleça uma instituição dotada de personalidade jurídica 
(MEISTER, 2003, p.29).
Com o afastamento do Estado da solução dos problemas sociais, há o fortaleci-
mento e a criação das organizações que passaram a prestar serviços para atender 
tais demandas. Com isto, o Estado afasta-se da obrigatoriedade de investir na 
área, se eximindode custear tais ações, o que intensifica ainda mais o surgimento 
e desenvolvimento das organizações de interesse público de caráter privado no 
Brasil, e o controle do Estado perde força, instaurando as bases para a Nova 
República. Em 15 de janeiro de 1985 foi eleito o novo presidente do país, encer-
rando o regime autoritário instaurado.
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E30
ESTADO DEMOCRÁTICO E A NOVA REPÚBLICA
Iniciada no ano de 1985, a Nova República traduz parte do sentimento de liber-
dade da nação. O Estado e a sociedade pretendiam redimensionar seu papel nas 
políticas sociais. Com o fim do regime militar, os movimentos sociais organiza-
dos ainda imbuídos na luta e garantia de direitos acabam por propiciar discussões 
para assegurar a liberdade por meio de uma nova Constituição. A consolida-
ção da democracia se concretiza em 1988, com a promulgação da Constituição 
Federal, que procura em seus artigos ampliar os espaços e meios de participa-
ção popular e das organizações não governamentais, na sociedade e no poder 
público, inaugura-se o Estado Democrático.
Trata-se de uma tentativa de fazer o movimento inverso da nossa tra-
dição histórica: o de construir o Estado a partir da sociedade e sob 
o controle dela. Podemos reconhecer os indicadores deste movimento 
nas Leis como o: Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica 
de Assistência Social, na disseminação dos Conselhos para definir as 
diretrizes públicas, no próprio processo de fortalecimento dos municí-
pios (VILLAS BOAS NETO, 2003, p.39).
Nesse processo, os movimentos sociais agora intervindo como organizações sem 
fins lucrativos, já com conhecimento acumulado a respeito do atendimento de 
determinadas demandas da população e da sociedade, tendo o Estado reconhe-
cido tais iniciativas e compreendendo o papel de interlocutoras e parceiras na 
execução das políticas públicas, propõe sua efetivação na função de tal papel, em 
1995 com a Reforma Administrativa do Estado brasileiro, emergem estes novos 
atores na execução das políticas sociais.
O Estado busca redefinir seu papel como fornecedor, e não necessaria-
mente como executor das políticas sociais. Busca-se, com isso, dimi-
nuir o seu tamanho, ampliar e fortalecer as organizações civis. É neste 
ambiente que devem ser compreendidas as Leis que instituíram mais 
tarde as Organizações Sociais (OS) e as Organizações da Sociedade Ci-
vil de Interesse Público (OSCIPs) e o Programa Comunidade Solidária 
(TERRA, apud VILLAS BOAS NETO, 2003, p.39).
O Terceiro Setor, começa a ganhar corpo e reconhecimento, e passa a se carac-
terizar por estar 
Fundamentação Histórica e Social do Terceiro Setor no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
31
[...] composto de organizações sem fins lucrativos, criadas e mantidas 
pela ênfase na participação voluntária, num âmbito não governamen-
tal, dando continuidade às práticas tradicionais da caridade, da filan-
tropia e de mecenato e expandindo o seu sentido para outros domí-
nios, graças sobretudo, à incorporação do conceito de cidadania e de 
suas múltiplas manifestações na sociedade civil. (FERNANDES, apud 
VILLAS BOAS NETO, 2003, p. 46)
Neste período, as características assumidas pelo Terceiro Setor refletiam suas 
origens de mobilização e solidariedade, que passaram a assumir atividades e 
funções que, até então, podiam ser desenvolvidas apenas pelo Estado. A conso-
lidação do Terceiro Setor:
[...] reflete, de certa forma, o amadurecimento da sociedade que busca 
consolidar sua sustentabilidade com base numa relação de parceria com 
demais setores sem, contudo, gerar uma relação de dependência a um de-
les. Desloca-se, portanto, na tutela do Estado ou da hegemonia religiosa 
para tornar um conjunto de organizações autônomas profissionalizadas 
e não governamentais. (TERRA, apud VILLAS BOAS NETO, 2003, p.46)
Maturidade traduzida na liberdade, na autonomia e na habilidade dos cidadãos de se 
articular respondendo às demandas sem estar sujeito unicamente ao poder público, 
mas podendo desenvolver ações em parceria com ele e com o segundo setor, para 
minimizar as demandas. O que segundo Fernandes (apud VILLAS BOAS NETO, 
2003, p.38), “descobriu-se assim que as atividades de interesse público podem ser exer-
cidas fora do governo e em medidas que ultrapassam as expectativas de uma vida”.
Caro(a) aluno(a), em resumo até aqui, definir o Terceiro Setor é algo bas-
tante complexo, pois ele assumiu características e nomes diferenciados a cada 
época e lugar, mas podemos dizer que são:
 ■ organizações que nasceram pautadas no atendimento de uma causa que 
fosse comum a um grupo de pessoas ou de organizações;
 ■ não possuem finalidades lucrativas, mas podem utilizar o excedente econô-
mico somente na realização ou manutenção de sua atividade-fim (objetivo);
 ■ muitas têm a participação massiva de voluntários.
Existem ainda algumas características que precisamos conhecer para agregar a 
estes conhecimento. Por hora, vamos a parte da formação jurídica para situar 
onde o Terceiro Setor está inserido.
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E32
FORMAS ORGANIZATIVAS 
DA ORDEM SOCIOPOLÍTICA 
Caro(a) acadêmico(a), conversamos bastante sobre o Terceiro Setor, mas ainda 
não esclarecemos o motivo pelo qual este segmento da economia é chamado 
por este nome. Já faz uma ideia da razão para o nome? Vamos, então, aos fatos!
Para situarmos o Terceiro Setor no contexto econômico, precisamos delinear a 
estrutura jurídica que pauta a formação de sociedades e associações no nosso país. 
Para isso, trataremos um pouco a respeito das regras do Código Civil Brasileiro 
(2002). O Código Civil é o conjunto de normas, que orientadas pela Constituição 
Federal, determina os direitos e deveres das pessoas físicas e jurídicas, no que se 
refere aos bens e às relações estabelecidas entre eles. Ele traz clara a definição de 
sociedades, como sendo grupos sociais que se criam uma personalidade jurídica 
com a intenção de concretizar finalidades (lícitas e sociais) e se estruturam a par-
tir de seus objetivos. Por este motivo é importante que as organizações saibam o 
motivo para o qual nasceram.
As organizações e/ou instituições, como conhecemos no nosso cotidiano, 
são representações sociais de coletivos, que Maranhão & Macieira (2010, p. 1-2) 
definem como: 
[...] quaisquer grupos socialmente constituídos e organizados, tais 
como fábrica, loja, escola, governo (federal, estadual, distrital ou muni-
cipal), hospital, família, indivíduo, supermercado, creche, clube, escola 
de samba, instituição de caridade, etc…, com uma finalidade comum.
Ou seja, qualquer grupo de pessoas ou mesmo de organizações, que se aliem 
buscando atingir um objetivo que lhes seja comum, para estes autores, é denomi-
nado de organização ou instituição devido à representação coletiva do objetivo, 
dos compromissos assumidos entre si:
Formas Organizativasda Ordem Sociopolítica 
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
33
[...] num sentido mais geral, as organizações são constituídas de indi-
víduos, que formam os grupos, que formam as empresas, que formam 
uma nação, cujo conjunto juridicamente organizado forma um estado 
ou país. Diz-se que um estado ou país, com relação ao ponto de vista 
social, pode formar uma ou mais nações, cada qual por sua vez, ao 
longo do tempo forma um determinado “tecido social” que tem carac-
terísticas comportamentais próprias, cujo aspecto é conhecido como 
cultura (MARANHÃO & MACIEIRA, 2010, p. 1-2).
São estes coletivos e o seu movimento que organizam e reorganizam a socie-
dade através dos tempos, alterando costumes e determinando os rumos do 
desenvolvimentosocial, econômico e financeiro de uma época. Estas alianças 
estabelecidas, visando objetivos e finalidades comuns, também delineiam as suas 
estruturas jurídicas. Para constituir-se enquanto pessoa jurídica é necessário o 
registro formal, e todas as organizações se estruturam a partir de um cadastro, 
o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). Esse cadastro delimita o âmbito 
de atuação daquela organização. A pessoa jurídica pode ser de Direito Público 
ou de Direito Privado.
É sobre estas pessoas jurídicas de direito público e de direito privado que 
conversaremos. As de direito público, são o que conhecemos por Primeiro Setor. 
Nas pessoas jurídicas de direito privado, encontramos o Segundo e o Terceiro 
Setor, conforme estudaremos seguir.
CONHECENDO O PRIMEIRO SETOR
Chamamos as pessoas jurídicas de direito público de administração pública e 
órgãos públicos, e podemos dizer que são todas as organizações que compõem 
as esferas de governo. De acordo com o Código Civil, elas se dividem em direito 
público interno e direito público externo. A definição do Código Civil no art. 44 
afirma que são “pessoas jurídicas de direito público interno: a União; os Estados, 
o Distrito Federal e os territórios; os municípios; as autarquias, inclusive as asso-
ciações públicas; as demais entidades de caráter público criadas por lei”. 
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E34
As instituições que compõem o direito público interno são o que conhecemos por 
Primeiro Setor, são as organizações governamentais, aquelas que foram criadas 
para desenvolver, regulamentar e fiscalizar tarefas sociais com o direcionamento 
do governo da esfera a qual estiver vinculada.
A administração pública pode ainda se dividir em direta e indireta. A admi-
nistração pública direta é composta pela Presidência da República, seus órgãos 
de consulta (Conselho da Defesa Nacional e Conselho da República), seus 
órgãos de assessoramento imediato (Conselho de Governo, Alto Comando das 
Forças Armadas e Consultoria Geral) e os órgãos de assistência direta e ime-
diata (Secretarias setoriais), bem como os Ministérios setoriais (BRASIL, 1990). 
Em cada um destes órgãos existem muitos outros componentes, como: conse-
lhos, departamentos, secretarias, institutos, comissões, coordenadorias e centros. 
Já a administração pública indireta é composta por órgãos que desempe-
nham de forma descentralizada as funções de Estado nas esferas de governo. São 
criados por lei, tem personalidade jurídica própria (registro no CNPJ e outras 
formalidades) e tem uma finalidade específica, nascem com um objetivo fixo. 
Exemplos de autarquias no nível federal temos o Banco do Brasil, o Conselho 
de Desenvolvimento Científico (CNPq), universidades federais e o Instituto 
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Ainda podemos citar as 
fundações públicas e as agências executivas e reguladoras. O Primeiro Setor está 
composto pelos órgãos da administração pública. 
As pessoas jurídicas de direito público externo são os Estados estrangeiros 
e as pessoas regidas pelo direito internacional público. Para Jean Touscoz, o 
Direito Internacional “é o conjunto de regras e de instituições jurídicas que 
regem a sociedade internacional e que visam estabelecer a paz e a justi-
ça e a promover o desenvolvimento”. São, portanto, os acordos, tratados e 
convenções que garantem as regras de convivência entre países, estados e 
pessoas de nações distintas.
Fonte: Albuquerque (2000). 
Formas Organizativasda Ordem Sociopolítica 
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
35
CONHECENDO O SEGUNDO SETOR
Caro(a) aluno(a), a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado inicia 
com a inscrição no respectivo registro civil da pessoa jurídica (cartório), muito 
similar quando nasce uma criança e precisamos registrar a existência legal no 
cartório de registro civil de pessoas físicas. Porém, a personalidade jurídica, para 
ser registrada, deve conter em um documento formal (contrato social ou esta-
tuto), os objetivos para os quais foi criada e os limites de sua atuação naquele 
tema. Esse documento é a prova inicial de seu “nascimento” e das suas inten-
ções lícitas e sociais do grupo que a criou.
Naquele instante, no lugar da pessoa particular de cada contratante, 
este ato de associação produz um corpo moral e coletivo, composto 
de tantos membros como a assembleia de votantes, o qual recebe neste 
mesmo ato sua unidade, seu eu comum, sua vida e sua vontade. Esta 
pessoa pública que se forma assim pela união de todas as outras rece-
beu antes o nome de cidade e agora recebe o nome de república ou de 
corpo político, chamado por seus membros Estado, quando é passivo: 
soberano, quando é ativo, poder, comparando-o com seus semelhantes 
(ROUSSEAU, 1960, p. 25-26).
A diferença entre as pessoas jurídicas de direito público para as pessoas de direito 
privado, é que para as últimas, o interesse é isolado do dos outros, não é um inte-
resse comum e coletivo, mas privado. 
Para o Código Civil (2002, art.44), as pessoas jurídicas de direito privado são: 
“as associações; as sociedades; as fundações; as organizações religiosas; os parti-
dos políticos; as empresas individuais de responsabilidade limitada”, ou seja, são 
de direito privado todas as formas associativas que não forem de direito público. 
Isso às vezes confunde um pouco, pois esse é o chamado Segundo Setor. E percebe-
mos que nesse bojo estão todo o tipo de organizações, com ou sem fins lucrativos. 
O que as diferencia está no art. 53 do Código Civil (2002), que define as cons-
tituição das associações: “pela união de pessoas que se organizem para fins não 
econômicos”; e das fundações, no art. 62, que além de não ter finalidades lucra-
tivas, o seu instituidor/fundador deve fazer por meio de uma escritura pública 
ou procuração “uma dotação de bens livres, especificando o fim a que se des-
tina”, e esta finalidade não poderá ser alterada nunca.
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E36
Já as sociedades com seu formato pautado nas finalidades, podem ser civis, 
conjugais, empresariais, cooperativas, religiosas, pias, morais, comerciais, mer-
cantis, científicas ou literárias, e devem ser padronizadas de acordo com as regras 
específicas às suas finalidades originárias. O fato de termos no rol das “socie-
dades” algumas organizações que não detém finalidade lucrativa, promove um 
certo conflito de informações.
De acordo com a ordem sociopolítica, até bem pouco tempo, haviam dois seto-
res – o primeiro (público) e o segundo (privado) –, e no segundo setor estão todas 
as instituições, independente de terem ou não finalidades lucrativas e/ou de seus 
objetivos. As instituições sem fins lucrativos, de acordo com o Código Civil, são pes-
soas jurídicas de direito privado, bem como as que possuem finalidades lucrativas.
Então, resumindo, as organizações sem fins lucrativos e as empresas de caráter 
lucrativo são ambas oriundas do Segundo Setor. No entanto, para que houvesse 
uma distinção no que se refere às suas causas e à sua forma organizativa, por 
desenvolverem no âmbito privado, atividades que seriam de interesse público, 
passaram a ser conhecidas como Terceiro Setor, conforme veremos a seguir.
CONHECENDO O TERCEIRO SETOR
Conforme estudamos até aqui, as organizações que se enquadram no Terceiro Setor, 
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, são as associações, funda-
ções, institutos e as organizações religiosas. No entanto, precisamos deixar claro, que 
existem outras formas associativas que compõem as organizações sem fins lucra-
tivos. E, historicamente, as organizações sem fins lucrativos receberam por muito 
tempo, como já vimos, o nome de organizações não governamentais, as ONGs.
Quala diferença entre as pessoas jurídicas de direito privado? Todas distri-
buem lucros?
Fonte: A autora.
Formas Organizativasda Ordem Sociopolítica 
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
37
Para Paes (2009), o Terceiro Setor nasce do dualismo entre Estado, socie-
dade e mercado (este último, como iniciativa particular), a :
[...] ideia é que nele se situem organizações privadas com adjetivos po-
líticos, ocupando pelo menos em tese uma posição intermediária que 
lhes permita prestar serviços de interesse social sem as limitações do 
Estado, nem sempre evitáveis, e as ambições do Mercado, muitas vezes 
inaceitáveis (PAES, 2009, p. 3).
São instituições que prestam serviços de interesse social, mas sem as ambições 
mercadológicas e lucrativas, e sem os limites burocráticos e legais do Estado. Ou 
seja, o Terceiro Setor está situado no Código Civil como organização privada 
se diferenciando do Estado legalmente, e tem na sua estrutura o fato de não ter 
fins lucrativos, se distanciando dos interesses diretos do mercado, “[...] trata-se 
de um setor intermediário entre o Estado e o mercado, entre o setor público e o 
privado, que compartilha de alguns traços de cada um deles” (MOREIRA, 1997, 
p.33). Sobre a organização da sociedade em setores, Costa (2003) pontua que:
[...] o ponto de vista de que a sociedade pode ser organizada a partir de 
três setores está se consolidando. Mais do que simplesmente a adoção 
de um novo conceito, isso denota uma nova mentalidade, apoiada no 
reconhecimento da importância das iniciativas que surgem espontane-
amente no seio da sociedade civil e de que o “modelo dualista” não é 
suficiente para oferecer respostas plenas aos dilemas sociais da atuali-
dade. (SILVA, 2001, p. 20)
O Estado não dando conta e o mercado não tendo interesse em atender à tota-
lidade das demandas sociais abrem espaço para que as organizações sem fins 
lucrativos, de forma articulada com os dois setores, se organizem e atuem na 
solução das necessidades.
A sociedade se caracteriza cada vez mais pela existência de fenômenos 
associativos que são alheios à lógica do mercado e à lógica do Estado, 
porque caem fora da esfera mercantil e da esfera política, na medida em 
que não se regem nem pelo benefício nem pela autoridade. Esse con-
junto de iniciativas constitui essa realidade que nem é administrada, 
nem é mercantil. Se no setor estatal domina a coesão e no econômico 
o lucro, no ‘Terceiro Setor’ domina o ‘voluntarismo’. (MEISTER apud 
WUTHNOW, 2003, p. 21-22)
Os movimentos associativos que agregavam as pessoas e possuíam como obje-
tivo o bem comum da sociedade – ou de uma parcela dela – não atuam sob o 
lógica lucrativa do mercado, ou a rigidez do Estado, mas em conjunto com ambos 
O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E38
recebendo recursos financeiros e trabalho voluntário. Deste modo, concluímos que 
o Terceiro Setor é formado por instituições (associações ou fundações privadas) 
não governamentais que expressam a vontade da sociedade civil organizada em 
solucionar os problemas sociais e conta com a participação de voluntários para 
promover atendimentos de interesse público em diferentes áreas e segmentos. 
Embora os três setores pareçam estar separados, eles atuam de forma com-
plementar, totalmente interligados e interdependentes. Eles compõem a realidade 
dialética em constante processo, em transformações gradativas.
Caro(a) aluno(a), neste estudo identificamos cada um dos três setores, com 
suas tarefas e compromissos “com e na” sociedade. Iremos prosseguir com nossa 
jornada pelo conhecimento a partir daqui, olhando com mais atenção para o 
Terceiro Setor e as regras que o delimitam, e como ele se fortaleceu enquanto 
instituição de atendimento de demandas sociais. Parabéns, concluímos a pri-
meira etapa de nossa travessia, nos vemos adiante, bons estudos!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), encerramos aqui a primeira fase do nosso trabalho de conhecer 
as origens do Terceiro Setor no mundo. Mesmo que o termo ainda não estivesse 
claro, as ações ao longo do tempo sempre foram a de minimizar as mazelas sociais, 
embora atualmente tenhamos organizações em defesa de direitos ambientais. 
Contudo, nos períodos que tivemos a oportunidade de observar, as finalidades 
estavam pautadas em alguma ação de cunho social.
Conhecemos algumas das características e definições do Terceiro Setor, mas 
para isto fizemos uma breve visita ao Primeiro e Segundo Setores, para compre-
ender o posicionamento de cada um deles na sociedade e o papel desempenhado 
por cada um. Os diversos autores que nos fizeram companhia contribuíram para 
enriquecer nosso conhecimento ao longo do trajeto, cada um com suas defi-
nições, mas nos dando subsídios para compreender que trata-se de um setor 
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
39
ligado principalmente à sociedade, às pessoas e ao voluntariado, que participa 
das atividades de responsabilidade do Estado, executando-as, mas não o exime 
de suas responsabilidades.
Os paralelos efetuados com os períodos históricos do nosso país nos servi-
ram para que pudéssemos perceber o quanto o contexto de cada época define a 
postura do Estado e da sociedade naquele tempo. Nos aproximamos dos con-
ceitos que permeiam as organizações de caráter social no mundo e no Brasil, e 
percebemos o percurso desde a caridade, a benesse, a política populista, até che-
gar na luta e efetivação de direitos civis e sociais no Brasil. Ao longo do tempo 
houve transformações e muitas ainda estão acontecendo.
Conversamos sobre a organização sociopolítica, com base no Código Civil 
Brasileiro (2002), que dá nome ao setor e à sua formação jurídica, as pessoas 
jurídicas de direito público e de direito privado, este último, onde se situam as 
organizações que compõem o chamado Terceiro Setor. 
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, adquirimos bastante conhecimento, mas 
aprofundaremos ainda mais ao longo de nosso livro. Ainda há muito que acres-
centar, sem que o assunto se esgote. 
40 
1. A respeito do Terceiro Setor, ainda não temos conceitos pré-definidos, mas 
uma discussão sobre sua composição e formas de atuação. Em nosso estudo 
conhecemos algumas definições utilizadas para o setor, entre o final da década 
de 1990 e o início dos anos 2000. Estas definições afirmam que:
I. O Terceiro Setor é composto de organizações sem fins lucrativos, criadas 
pelo Estado.
II. Entende-se por Terceiro Setor, a sociedade civil que organizada, busca solu-
ções próprias para suas necessidades e seus problemas
III. Entende-se por Terceiro Setor a sociedade civil organizada que atua fora da 
lógica do Estado e do mercado.
IV. Trata-se de uma imponente rede de organizações de caráter privado e autô-
nomo, que não visam à distribuição de lucro.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
2. Sobre o Terceiro Setor, embora não haja ainda um conceito único e formal a 
respeito, existem características que de certo modo definem sua organização. 
Assim, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F) nas características do Terceiro Setor:
( ) Poder firmar convênios ou parcerias com o poder público, apesar de 
manter sua autonomia financeira e administrativa.
( ) Se organizam a partir da participação direta do Estado .
( ) São de caráter privado, sem fins lucrativos.
Assinale a alternativa correta:
a) V; V; F.
b) F; F; V.
c) V; F; V.
d) F; F; F.
e) V; V; V.
41 
3. O Brasil atravessou por períodos históricos que nos fornecem subsídios para 
uma análise social da postura da sociedade frente às demandas sociaisem 
cada época. Assinale a alternativa CORRETA a respeito da relação do Es-
tado no atendimento a tais demandas durante o século XX e respectivos 
paradigmas.
a) No Estado Populista, as demandas sociais eram atendidas pela caridade cristã.
b) No Estado Oligárquico, as demandas sociais eram atendidas pela caridade 
estatal.
c) No Estado Autoritário, as demandas sociais eram atendidas com base na ca-
ridade estatal.
d) No Estado democrático, o atendimento de demandas sociais se dá por meio 
do exercício da cidadania.
e) No Estado da República Velha, as demandas não eram atendidas nem pelo 
estado nem pela igreja.
4. Um grupo de pessoas se alia visando objetivos comuns. Tais objetivos definem 
sua estrutura jurídica, se terão fins lucrativos, ou se serão sem fins lucrativos. 
Porém, para que se organize formalmente precisa realizar seu cadastro de pes-
soas jurídica. Com base no enunciado, a pessoa jurídica se divide em:
a) De direito público ou direito privado.
b) Associação ou uma fundação.
c) Organização ou uma empresa.
d) De direito público interno e externo.
e) De direito privado com fins lucrativos.
5. O segundo setor faz parte da composição sociopolítica das organizações jurí-
dicas, que possui em sua estrutura informal, o Primeiro, o Segundo e o Terceiro 
Setor. A respeito do Segundo Setor, qual documento assegura a prova de 
que a organização tanto com fins lucrativos quanto sem fins lucrativos co-
meçou a existir?
a) Estatuto e/ou CNPJ.
b) Contrato social e/ou estatuto.
c) O código civil brasileiro.
d) O registro no conselho.
e) A registro municipal.
42 
Quando o Estado fracassa
Por que ocorreu agora esse florescimento de atividade no Terceiro Setor? Quatro cri-
ses e duas mudanças revolucionárias convergiram, tanto para limitar o poder do Estado 
quanto para abrir o caminho para esse aumento na ação voluntária organizada.
O primeiro desses impulsos é a percebida crise do moderno welfare state. Ao longo da 
última década, o sistema de proteção governamental aos idosos e aos economicamente 
desafortunados, que se havia moldado nos anos 50 no Ocidente desenvolvido, deixa de 
funcionar. [...] Mais do que simplesmente proteger os cidadãos dos riscos, o welfare state 
estava, na opinião de vários políticos e analistas, reprimindo a iniciativa, absolvendo as 
pessoas da responsabilidade individual e estimulando a dependência da população em 
relação ao Estado.
Acompanhando a crise do welfare state está a crise de desenvolvimento. Os choques 
do petróleo dos anos 70 e a recessão do início da década de 80 mudaram, radicalmente, 
as perspectivas para os países em desenvolvimento. Na África sub-Saara, na Ásia Oci-
dental e em partes da América Latina, rendas médias per capita começaram a cair. [...] 
Apesar do progresso em alguns lugares [...], os problemas de desenvolvimento torna-
ram-se tão dramáticos que uma em cada cinco pessoas no mundo vive em condições 
de pobreza absoluta.
[...] Uma crise ambiental global também estimulou muitas iniciativas privadas, preo-
cupadas com as consequências da pobreza contínua e crescente dos países em desen-
volvimento, levando-os a destruir o meio ambiente e os recursos naturais para resolver 
a sobrevivência imediata. [...] Em algumas áreas, como na Europa Central e na Europa 
Oriental, chuva ácida e poluição do ar e da água ameaçavam suprimentos alimentares, 
reduzindo significativamente a expectativa de vida.
À medida que esses e outros aspectos da crise ambiental se fizeram aparentes, cidadãos 
tornaram-se crescentemente frustrados com o governo e ávidos por organizar suas pró-
prias iniciativas. 
Finalmente uma quarta crise – a do socialismo – também contribuiu para o crescimento 
do Terceiro Setor. Embora a promessa do socialismo estivesse sob suspeita há muito tem-
po, a substituição do crescimento econômico retardatário por recessão na década de 70 
ajudou a destruir a legitimidade de que o sistema comunista ainda detinha. Esse fracasso 
conduziu à busca de novas formas de satisfazer necessidades sociais e econômicas, o que 
estimulou a criação de empreendimentos cooperativos orientados para o mercado e de 
um conjunto de organizações não governamentais que oferecem serviços e veículos para 
a expressão individual, desvinculados de um Estado crescentemente desacreditado.
43 
Além dessas quatro crises, dois movimentos de mudanças estruturais também expli-
cam o recente crescimento das organizações do Terceiro Setor. O primeiro é a dramática 
revolução nas comunicações ocorrida durante os anos 70 e 80. A invenção e ampla 
disseminação de computador, cabo de fibra óptica, fax, televisores e satélites abriram, 
mesmo às regiões mais remotas do mundo, as conexões de comunicação necessárias 
à organização de massa e à ação coordenada. Além disso, esse desenvolvimento foi 
acompanhado por significativo incremento das taxas de alfabetização e educação. 
No mundo em desenvolvimento, as taxas de alfabetização de adultos, aumentaram de 
43% para 60%, entre 1960 a 1985; considerando-se apenas a população masculina, o 
crescimento foi de 71%.
A expansão combinada de alfabetização e comunicação tornou mais fácil às pessoas 
organizarem-se e mobilizarem-se. Comunicações entre capitais e regiões remotas, que 
antes levavam dias, agora levam apenas alguns minutos. Regimes autoritários, que con-
trolavam suas redes de comunicação com sucesso, tornaram-se incapazes de impedir o 
fluxo de informação por meio de antenas parabólicas e fax. Militantes isolados podem 
mais facilmente fortalecer sua convicção, trocar experiências e manter conexões com 
colegas simpatizantes em seus próprios países e no exterior.
O último fator crítico para o crescimento do Terceiro Setor foi o crescimento econômico 
considerável ocorrido durante os anos de 60 e início da década de 70, além da conse-
quente mudança social acionada por ele. Durante esse período, a economia mundial 
cresceu à taxa de 5% a ano, com todas as regiões compartilhando essa expansão. De 
fato, a taxa de crescimento da Europa Oriental, da União Soviética e dos países em de-
senvolvimento superou aquelas das economias industriais de mercado. Esse crescimen-
to não somente permitiu a melhoria material e engendrou várias novas expectativas po-
pulares, mas também ajudou a criar, na América Latina, na Ásia e na África, considerável 
classe média urbana cuja liderança foi essencial para a emergência de organizações 
privadas sem fins lucrativos. Portanto, se a crise econômica, em última instância, levou 
a classe média à ação, o crescimento econômico prévio criou a classe média que se or-
ganizaria para reagir.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Terceiro Setor: História e Gestão de Organizações
Antonio Carlos Carneiro de Albuquerque
Editora: Summus Editorial
Sinopse: A obra faz uma análise histórica e conceitual do Terceiro Setor no 
Brasil e na América Latina, explicitando conceitos importantes para quem 
quer conhecer mais profundamente o tema: a história dos movimentos 
sociais e das ONGs; os desa� os enfrentados por essas instituições; as 
pesquisas mais recentes na área; o planejamento, a gestão de recursos 
humanos e o marketing social; os aspectos legais e tributários e a captação 
de recursos, entre outros. 
O artigo “Terceiro Setor brasileiro: em busca de um quadro de referência” de Carlos 
Eduardo Guerra Silva (2010) faz uma discussão muito interessante para compararmos 
os pontos de vista a respeito do tema. Aproveite!
Web: <http://www.anpad.org.br/admin/pdf/apb468.pdf>
REFERÊNCIAS
45
ALBUQUERQUE, C. D. Curso de Direito Internacional Público. 12. ed. rev. e ampl. 
São Paulo: Renovar, 2000.
ANDION, Carolina. Gestão em organizações da economia solidária: contornos de 
uma problemática. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, n. 32. p.7-
25. jan./fev. 1998. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/
article/viewFile/7680/6246>. Acesso em: 16 out. 2017. 
ARAGÃO, P. S. Gestão da política municipal de assistência social em Londrina 
(2001 a 2007): avançose desafios na interface com as organizações do Terceiro 
Setor. 2009. 205 f. Dissertação de Mestrado – Programa de Pós Graduação de Mes-
trado em Políticas Sociais, Departamento de Serviço Social, Universidade Estadual 
de Londrina, Londrina, 2009.
BRASIL. Decreto nº 99.224, de 10 de maio de 1990. Dispõe sobre a reorganização 
e o funcionamento dos órgãos da Presidência da República e dos Ministérios, 
e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto/D99244.htm>. Acesso em: 16 out. 2016. 
BRASIL. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 1 
ago. 2017 
CRA – SP. Conselho Regional de Administração. publicado em 2011. Disponível em: 
<www.crasp.gov.br>. Acesso em: 8 set. 2017.
COELHO, Simone de Castro Tavares. Terceiro Setor: um estudo comparado entre 
Brasil e Estados Unidos. São Paulo: SENAC, 2000.
COSTA, S. F. O espaço contemporâneo de fortalecimento das organizações da so-
ciedade civil, sem fins lucrativos: o Terceiro Setor em evidência. In: O desafio da 
construção de uma gestão atualizada e contextualizada na educação infantil: 
um estudo junto às creches e pré-escolas não governamentais que atuam na esfera 
da assistência social, no município de Londrina – PR. 2003: 233 p. Tese (Doutorado 
em Educação) – Universidade de São Paulo – USP, 2003.
FERNANDES, Rubem César. Privado, porém público: O Terceiro Setor na América 
Latina. 3. ed. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2002.
FERNANDES, Rubem Cesar. O que é o Terceiro Setor?. In: IOSCHPE, Evelyn Berg (org.). 
3º Setor: desenvolvimento social sustentado. São Paulo/Rio de Janeiro: Gife/Paz e 
Terra, 1997. 
GONZALO, L. A. A. Reinventar a solidariedade. Voluntariado e educação. Madrid: 
PPC, 1997.
MARANHÃO, M.; MACIEIRA, M. E. B. O processo nosso de cada dia: modelagem 
dos processos de trabalho. 2. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2010. 
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS
MEISTER, José A. Fracalossi. Voluntariado: uma ação com sentido. Porto Alegre: 
EDIPUCRS, 2003.
MOREIRA, Vital. Auto-regulação profissional e administração pública. Coimbra: 
Almedina, 1997. 
VILLAS BÔAS NETO, A.V.B.; STEFANI, M.; PEZZI, S. Gestão de Marketing para orga-
nizações do Terceiro Setor. Londrina: Midiograf, 2003.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Estado contratual, direito ao desenvolvi-
mento e parceira público-privada. São Paulo: RT, 2005.
PAES, J. E. S. Sociedade Civil, Estado e o Terceiro Setor: Ordem sociopolítica e 
campos de atuação. Revista de Direito Internacional Econômico e Tributário, Bra-
sília, v. 4, n. 2, p. 1-29, jul./dez, 2009. Disponível em: <https://portalrevistas.ucb.br/
index.php/RDIET/article/view/4509>. Acesso em: 1 ago. 2017.
RODRIGUES, Maria Lúcia Prates. Demandas Sociais versus crise de Financiamento: o 
papel do Terceiro Setor no Brasil. Revista de Administração Pública. Rio de Janei-
ro: Fundação Getúlio Vargas. N. 32 (5) set/out. – 1998.
ROUSSEAU, J. J. O Contrato Social: princípios de direito político. 6. ed. Trad. Anto-
nio de P Machado. São Paulo: Edições e Publicações Brasil Editora S.A., 1960.
SALAMON, Lester. A emergência do Terceiro Setor: Uma revolução associativa glo-
bal. RA - Revista de Administração - USP. São Paulo, v.33, n.1, p.5-11, jan/mar. 1998.
SALAMON, L. Estratégias para o fortalecimento do Terceiro Setor. In: IOSCHPE, E. B. 
3º setor: Desenvolvimento social sustentado. Senac Editora, 2001 – série ponto fu-
turo. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2005.
SILVA, A. L. P. Governança Institucional: Um estudo do papel e da operação dos 
conselhos das organizações da sociedade civil no contexto brasileiro. São Paulo: 
USP, 2001. Dissertação (mestrado) – Departamento de Administração da Faculda-
de de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, São 
Paulo, 2001. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/
tde-23102001-165344/pt-br.php>. Acesso em: 16 out. 2017. 
TENÓRIO, Fernando G. (Org.). Gestão de ONGs, principais funções gerenciais. 
5.ed. São Paulo: FGV, 2001.
REFERÊNCIAS WEB
1 Conselho Regional de Administração. Disponível em: <http://crasp.gov.br/wp/
wp-content/uploads/28_04_2011_Terceiro_setor_desafios_e_oportunidades.
pdf>. Acesso em: 15 jan. 2018.
GABARITO
47
GABARITO
1. D
2. C
3. D
4. A
5. B
U
N
ID
A
D
E II
Professora Esp. Daniela Sikorski 
Professora Esp. Silviane Del Conte Curi
ESTADO, SOCIEDADE E OS 
PAPÉIS REPRESENTADOS 
NO TERCEIRO SETOR
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Compreender o significado de sociedade civil no contexto do Estado.
 ■ Analisar o papel do cidadão, o contexto da cidadania e da sociedade 
civil.
 ■ Contextualizar as origens do Terceiro Setor no Brasil.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Estado e Sociedade Civil
 ■ O cidadão, a cidadania e a sociedade civil 
 ■ Reforma do Estado e o ‘Terceiro Setor’ no Brasil
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
51
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), neste estudo, vamos observar as mudanças que ocorrem no 
Brasil no que tange à relação entre o público e o privado, considerando o sistema 
capitalista no qual vivemos. Também vamos observar a redefinição do papel do 
Estado e a sua relevância enquanto controlador social neste contexto.
Esta relação entre o público e o privado não nasceu pronta, bem como não 
é estanque, passou por períodos de crise e precisou ser reformada ou reformu-
lada. Foi neste cenário histórico de mudanças que ela foi se redefinindo.
Em muitos momentos desta unidade, você pode se lembrar das suas aulas 
de história, o que será muito bom e significativo. Fique à vontade para buscar 
outras fontes de pesquisa e estudo, aproveite e não se limite ao conteúdo deste 
material carinhosamente organizado para contribuir para a sua formação pro-
fissional. Ao nos reportarmos à história, sobretudo à brasileira, você irá atribuir 
novos significados ao que aprendeu na época de escola ou, até mesmo, viven-
ciou. Poderá analisar sob uma ótica profissional, os acontecimentos do nosso 
país e como, hoje, eles contribuem para que você seja um profissional informado 
e devidamente dotado de conhecimento que lhe permitirá ser capaz de realizar 
a leitura do contexto onde está inserido.
Vamos nos aprofundar no entendimento acerca dos conceitos de sociedade 
civil, o cidadão que compõe esta sociedade e a cidadania, seu exercício maior, bem 
como das terminologias de sociedade civil que fazem parte do cotidiano profissio-
nal, basta olhar as amplas discussões e manifestações constantes em nosso país.
A partir de tantas mudanças, quando ocorre a redefinição do papel do Estado, 
com suas críticas e avanços, surgem as organizações sociais e as organizações 
da sociedade civil (sem fins lucrativos hoje, ou naquele momento, conhecidas 
como beneficentes). 
Caro(a) aluno(a), conto com você, seu empenho e dedicação para juntos 
ampliarmos nossos conhecimentos. Bons estudos!
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E52
ESTADO E SOCIEDADE CIVIL
Olá, caro(a) aluno(a)! Daremos prosseguimento aos nossos estudos sobre os con-
ceitos que permeiam o Terceiro Setor em diversos segmentos e áreas. Para isso, 
traremos para o foco de nossas reflexões o Estado e sua relação com a sociedade 
civil, bem como as transformações havidas para que houvesse espaço no con-
texto para as organizações da sociedade civil se consolidarem.
Considerando a configuração da política na atualidade, conceituar sociedade 
civil, traz consigo uma contraposição ao Estado. De acordo com Dias (2005 apud 
BOBBIO, MATTEUCCI PASQUINO, 2003), entende-se por sociedade civil a 
esfera das relações entre indivíduos, grupos e classes sociais que se desenvolvem à 
margem dasrelações de poder, que caracterizam as instituições estatais. A socie-
dade civil diz respeito aos espaços onde as pessoas, individual ou organizadamente 
[...] tomam suas decisões de maneira autônoma, livre e voluntária, 
atendendo aos seus próprios critérios, valores, cultura e interesses, à 
margem dos limites e das prioridades do Estado. A diferença está em 
que os homens na sociedade política (Estado) estabelecem relações 
baseadas no exercício coercitivo de poder, as contradições se resolvem 
com decretos ou leis que as pessoas são obrigadas a seguir por meio 
da coerção pública. Na sociedade civil, as contradições tendem a se 
resolver com o uso de mecanismos, como a persuasão e a pressão; as 
relações não são baseadas na coerção, mas tendem à hegemonia e ao 
consenso. (DIAS, 2005, p.123)
Caro(a) aluno(a), creio que você conseguirá visu-
alizar nossa explanação no seu cotidiano, se 
buscarmos fatos e relatos vivenciados em 
nossa sociedade e, assim, conseguiremos 
perceber esta clara contraposição.
Sintetizando, sociedade civil:
[...] é onde ocorrem os problemas 
econômicos, ideológicos, sociais 
e religiosos que o Estado tem a seu 
cargo resolver, intervindo como mediador ou 
eliminando-os. É na sociedade civil que as forças 
sociais se organizam, se associam e se mobilizam. 
(DIAS, 2005, p.123)
Estado e Sociedade Civil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
53
 É na sociedade onde tudo acontece, as forças se atritam, se repulsam, se retraem, 
se aliam. É neste espaço onde se estabelecem as relações comerciais, sociais, 
familiares, estatais e políticas. Embora o todo faça parte das relações, algumas 
organizações jurídicas representam uma face da sociedade, a sociedade civil que 
estando juridicamente organizada, passa a receber nomenclatura - conforme vere-
mos no quadro a seguir -, outras organizações representam as relações entre os 
entes federados. Quem pertence à sociedade civil e a sociedade política? Quais 
são os atores que compõem a sociedade civil e a sociedade política? Com base 
na discussão de Dias (2005), fizemos um quadro para que você, caro(a) aluno(a), 
visualize em tópicos os componentes de uma e de outra.
Quadro 1 - Sociedade civil e sociedade política
ORGANIZAÇÕES QUE COMPÕEM A 
SOCIEDADE CIVIL 
ORGANIZAÇÕES QUE COMPÕEM A 
SOCIEDADE POLÍTICA - ESTADO
Conselhos de Classe (OAB, COREN, 
CFESS, CRP, entre outras);
ABI (Associação Brasileira de Imprensa);
Sociedade de Amigos de Bairro (SAB);
Organizações Religiosas;
Instituições Econômicas (empresas, 
bancos etc.);
Movimentos Sociais;
Sindicatos;
Agremiações Estudantis;
Organizações sem fins lucrativos.
Poder Legislativo (Câmaras Municipais, 
Prefeituras, Assembléias Legislativas);
Partidos Políticos;
Exército;
Marinha;
Aeronáutica;
Polícia Militar;
Polícia Civil;
Autarquias (municipal, estadual, fede-
ral);
Empresas Públicas de economia mista.
Fonte: adaptado de Dias (2005 , p.123).
É válido citar que alguns autores classificam os partidos políticos na categoria 
sociedade políticas, pois exercem:
[...] uma função explícita de articular demandas da sociedade civil. 
Nesse sentido, sua atuação tem por objetivo canalizar as reivindicações 
ao Estado por meio dos seus representantes, que estão no Congres-
so, nas Câmaras de Vereadores ou nas Assembleias Estaduais. (DIAS, 
2005, p.123)
Sobre o entendimento do que é e o que significa sociedade civil neste contexto 
capitalista, temos ainda a contribuição de Ellen Wood: 
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E54
Sociedade Civil constitui não somente uma relação inteiramente nova 
entre o ‘público’ e o ‘privado’, mas um reino privado inteiramente novo 
[...]. Ela gera uma nova divisão do trabalho entre a esfera pública do 
estado e a esfera privada da propriedade capitalista e do imperativo de 
mercado, em que a apropriação, exploração e dominação se desligam 
da autoridade pública e da responsabilidade social – enquanto esses 
novos poderes privados dependem da sustentação do Estado por meio 
de um poder de imposição mais concentrado do que qualquer outro 
que tenha existido anteriormente.
A sociedade civil deu à propriedade privada e a seus donos do poder de 
comando sobre as pessoas e sua vida diária, um poder reforçado pelo 
Estado, mas isento de responsabilidade, que teria feito a inveja de mui-
tos Estados tirânicos do passado (WOOD, 2003, p. 217-218).
A autora ainda destaca a sua visão crítica acerca da sociedade civil: 
A separação entre Estado e sociedade civil no Ocidente certamente ge-
rou as novas formas de liberdade e igualdade, mas também criou novos 
modos de dominação e coerção. Uma das maneiras de se caracterizar 
a especificidade da ‘sociedade civil’ como uma forma social particu-
lar única no mundo moderno – as condições históricas particulares 
que tornaram possível a distinção moderna entre estado e sociedade 
civil - é dizer que ela constitui uma nova forma de poder social, em 
que muitas formas coercitivas que pertenceram antes ao estado foram 
deslocadas para a esfera ‘privada’, a propriedade privada, a exploração 
de classe e os imperativos do mercado. Em certo sentido, trata-se da 
privatização do poder público que criou o mundo historicamente novo 
da ‘sociedade civil’. (WOOD, 2003, p. 217)
Em muitos dos conceitos do Terceiro Setor aparece a palavra sociedade civil. 
Logo, é importante que saibamos o que ela significa, para que fique claro ao ana-
lisarmos tais definições. Para fins dessa exposição, vamos considerar “sociedade 
civil” aquela compreendida fora do aparato estatal, embora mantenha relação 
indissociável com o Estado à medida que o institui, o legitima e o mantém.
Coutinho (2003, p. 129) conclui que a Sociedade Civil amplia o conceito do 
que venha ser o Estado, e 
[...] é formada precisamente pelo conjunto das organizações respon-
sáveis pela elaboração e/ou difusão das ideologias, compreendendo o 
sistema escolar, as igrejas, os partidos políticos, os sindicatos, as orga-
nizações profissionais, a organização material da cultura (...) etc.
Sendo assim, é possível afirmar que o Terceiro Setor está situado junto à Sociedade 
Civil e pertence a esta sociedade. Sob tal funcionalidade, no entanto, a concepção 
O Cidadão, a Cidadania e a Sociedade Civil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
55
de Sociedade Civil é maior do que o lócus do Terceiro Setor, compreendendo 
outros aspectos e organismos que não encontram amparo dentro de suas defi-
nições. A Sociedade Civil é, então, o terreno fértil dentro da superestrutura 
chamada Estado, da qual se distingue pela sua base material e formas de atuação. 
O CIDADÃO, A CIDADANIA E A SOCIEDADE CIVIL
Caro(a) aluno(a), a proposta deste tópico é observarmos os papéis representados 
na sociedade, reconhecendo o cidadão, o contexto de exercício da sua cidada-
nia e situar estes conceitos no contexto da sociedade civil que já estudamos. 
Não pretendemos esgotar o tema neste estudo, mas provocar a reflexão sobre 
os papéis que cada ator representa na sociedade, em cada etapa de sua vida ou 
mesmo do seu dia.
Dando continuidade ao que estudamos sobre a sociedade civil, e agregando 
o que consta no site da União Europeia a respeito da relação da sociedade civil 
e as pessoas que nelas habitam, veremos que:
A sociedade civil designa todas as formas de ação social levadas a cabo 
por indivíduos ou grupos que não emanam do Estado nem são por ele 
determinadas. Uma sociedade civil organizada é uma estrutura organi-
zativa cujos membros servem o interesse geral através de um processo 
democrático, atuando como intermediários entre os poderes públicos e 
os cidadãos (EUR-Lex, 2017, on-line)1.
A sociedade civil nesta afirmação se refere àspessoas que estão compondo as 
estruturas sociais, e quando falamos de sociedade civil organizada estamos tra-
tando da forma como as pessoas se organizam em agrupamentos, por afinidades, 
necessidades, interesses comuns ou outros motivos. Como já estudamos, estes 
agrupamentos de pessoas, dá voz a sociedade de forma estruturada e organizada. 
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E56
A cidadania está prevista como fundamento constitucional no art. 1º, todos os direi-
tos sociais e individuais por ela assegurados estão previstos na Constituição Federal 
do Brasil de 1988, que em seu preâmbulo nos remete a refletir, ao afirmar que:
[…] nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia 
Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destina-
do a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, 
a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça 
como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem 
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem 
interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, pro-
mulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da Repú-
blica Federativa do Brasil (CF, 1988, on-line)2.
Este Estado democrático foi instituído justamente para assegurar “o exercício dos 
direitos sociais e individuais”, isso é cidadania exercida pelo cidadão que com-
põem a nação de norte a sul do país. Esta determinação constitucional deu aos 
brasileiros o título de cidadãos, cidadãos de direitos. E será sobre o exercício da 
cidadania, pelo cidadão em busca por seus direitos (às vezes em busca da justiça, 
da igualdade, de uma sociedade comprometida e engajada) que estudaremos com 
mais afinco. Pois, afinal, se é na sociedade em que as relações acontecem, se são 
os cidadãos que as promovem e se eles se aliam, é nela que buscaremos respostas.
Nesse sentido, frisamos que a questão da cidadania nos remete ao conceito 
de sociedade civil, pois civil implica que a sociedade é formada de cidadãos a 
quem são atribuídos direitos e deveres. Falamos dos direitos civis, direitos polí-
ticos e direitos sociais.
Este rol de direitos adquiridos listados anteriormente são apresentados a 
partir dos estudos de T.H. Marshall, que procurou estabelecer a extensão da 
cidadania “que o cidadão possui quanto à efetivação de cada direito no seu coti-
diano” (DIAS, 2005, p. 124) e se reflete na tabela a seguir:
O Cidadão, a Cidadania e a Sociedade Civil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
57
Quadro 2 - Direitos e definições 
DIREITOS A QUE SE REFERE 
Direitos 
Civis
Este elemento é composto dos direitos necessários à liberdade indi-
vidual, como liberdade de ir e vir, liberdade de imprensa, de pensa-
mento e religiosa, o direito à propriedade, o de estabelecer contratos 
e o direito à justiça. As instituições mais intimamente ligadas aos 
direitos civis são os Tribunais de Justiça.
 Direitos 
Políticos
Este elemento diz respeito à participação no exercício do poder – o 
direito de votar e de ser votado. São instituições correspondentes 
aos direitos políticos o Parlamento e as instituições de governo.
 Direitos 
Sociais
O elemento social da cidadania se refere a tudo o que vai desde um 
mínimo de bem-estar econômico e segurança até o direito de levar 
a vida de acordo com os padrões que prevalecem na sociedade. As 
instituições mais ligadas a este elemento social são o sistema educa-
cional e os serviços sociais.
Fonte: adaptado de Dias (2005, p.124).
No Brasil foi a partir da Constituição de 1988 que obtivemos a ampliação dos 
direitos sociais. Na atualidade, a título de exemplo, estamos discutindo noções de 
direito ambiental, aquele que se refere ao ambiente ecologicamente equilibrado. 
Mas é importante ressaltar que:
[...] essa inserção legal de novos direitos, não assegura que os cidadãos 
desses países gozem esses direitos. Na prática, a cidadania implica só 
na luta para a conquista desses direitos, mas também luta permanente 
para o gozo desses direitos. Poderíamos falar em cidadania ativa, com-
preendendo os cidadãos que têm consciência da existência dos direitos 
e que exigem exercitá-los em sua plenitude (DIAS, 2005, p.124).
Caro(a) acadêmico(a), ao ver a citação anterior, você pode estar se perguntando: 
como é possível a conquista e a garantia dos direitos sociais? Como eles se efeti-
vam? Sobre este assunto sugerimos a leitura e análise do exposto a seguir:
Na prática, a conquista e a garantia dos direitos da cidadania implicam 
a existência de uma sociedade integralmente democrática, que pos-
sibilite a ação de seus cidadãos em permanente atuação perante o 
Estado, o qual deve assegurar os direitos fundamentais do cidadão. Só 
desse modo pode se efetivar os direitos da cidadania: ao se garantir um 
fluxo permanente de novas exigências que a sociedade coloca diante do 
poder público, e este, por meio da lei, a incorporação de novos direitos 
e, por meio da execução de seus serviços, o efetivo exercício do direito 
assegurado legalmente (DIAS, 2005, p.125, grifo nosso).
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E58
Dias nos coloca que na prática, a cada direito essencial alcançado, novos direitos 
serão assegurados legalmente, em um fluxo progressivo de conquistas e o surgi-
mento de novas demandas e novos direitos. Levando em conta que tais direitos 
são destinados aos cidadãos, agora precisamos esclarecer em nosso estudo, a 
qual concepção de cidadania estamos nos referindo, uma vez que anteriormente, 
muito antes no tempo, 
A palavra ‘cidadania’ originalmente definia a condição daqueles que 
viviam nas cidades europeias até o início dos tempos modernos; e limi-
tavam-se às cidades ou aos burgos o reconhecimento de direitos civis e 
a sua consagração em documentos escritos (constituições), pois era aí 
que se encontravam as forças sociais mais diretamente interessadas na 
individualização e na codificação uniforme desses direitos: a burguesia 
e a economia capitalista (DIAS, 2005, p.123). 
Mas em um período mais próximo de nossa realidade este entendimento teve 
alterações significativas, como podemos perceber em Dias (2005):
No sentido mais moderno ‘cidadania’ se refere à condição de um indi-
víduo como membro de um Estado e portador de direitos e obrigações. 
Em decorrência, ‘cidadão’ é a condição de um homem livre, portador 
de direitos e obrigações, assegurados em lei (DIAS, 2005, p. 124).
Para finalizarmos, segue uma síntese acerca da evolução da sociedade civil:
• Religiosas / confessionais / assistenciaisSécs. XIX - XX
• Sindicalismo / partidarismo / corporativismo50’s - 60’s
• ONGs internacionais / movimentos populares70’s
• Atuação em redes / associações80’s
• Redemocratização / iniciativa privada / 3º setor90’s
Figura 1 - Sociedade Civil e Cidadania.
Fonte: CRA-SP Conselho Regional de Administração (2011, on-line)3.
O Cidadão, a Cidadania e a Sociedade Civil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
59
Essa síntese coloca-nos frente a frente com o processo de construção dos direitos 
do cidadão, que vem sendo extraído das primeiras ações de caridade e assisten-
cialistas, passando pela união de pessoas até consolidar-se em direito social real, 
constitucional.
Já no que se refere a relação deste assistencialismo/caridade que citamos até 
culminar na cidadania/direitos, lhes apresentamos a síntese no quadro a seguir 
para que você compreenda e analise como as ações se concretizam e concei-
tuam a cada período. 
Quadro 3 - O assistencialismo e a cidadania
CARIDADE PRIVADARESPONSABILIDADE PÚBLICA
Voluntário Obrigatório
Bem-estar, donativos, caridade Cidadania / Direitos: Exigibilidade
Prover bem-estar Fortalecer, “empoderar”
Crianças ajudadas Crianças estimuladas a ajudar
Voltado para os sintomas Voltado para as causas
Objetivos parciais Objetivos plenos
Projetos Específicos Abordagem Holística
Hierarquização Indivisibilidade, interdependência
Necessidades variam Direitos são universais
Curto prazo Também, médio e longo prazos
Responsáveis difusos Obrigações legais e morais
Fonte: CRA-SP - Conselho Regional de Administração de São Paulo (2011, on-line)4.
Observando estas situações, o contexto da cidadania e o movimento crescente 
pela garantia do acesso aos direitos assegurados, não movimenta somente a socie-
dade civil, no sentido de ampliá-los, mas também movimenta o Estado. Esse é 
composto pelos cidadãos – fazem parte efetiva desta sociedade civil –, e que 
agora se reorganizando, passa a tomar decisões com o objetivo de obter resulta-
dos efetivos para o atendimento da população. 
Como você exercita sua cidadania? Conhece além dos seus direitos, tam-
bém os deveres de cidadão que lhe são imputados? O que tem feito pelo 
coletivo? Pratica o controle social?
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E60
REFORMA DO ESTADO E O “TERCEIRO SETOR” NO 
BRASIL
Colocando como ponto inicial de nossa análise as múltiplas contradições intrínsecas 
da crise capitalista, nos deparamos com uma outra crise em nosso Estado, a estru-
tural. Uma estrutura que necessitou de avaliações e reformas para fazer frente às 
demandas impostas pela sociedade. E, para que possamos compreender o Terceiro 
Setor, tal qual ele é atualmente, precisaremos olhar para o passado e para a sua 
relação no contexto histórico político brasileiro. Conhecer o percurso da história 
política de uma nação, suas estruturas e a forma como se consolidou e organi-
zou através dos tempos é essencial para que compreender como chegou até aqui. 
O Terceiro Setor como está desenhado atualmente, é fruto das constantes trans-
formações da sociedade e do Estado, a expressão que o denomina vem de um 
passado bem recente. Embora as atividades desenvolvidas e as instituições que 
as desenvolvem não sejam recentes. As características que pautam a motivação 
do ser humano para organizar-se coletivamente em auxílio a outros, são as mes-
mas que movem as organizações do Terceiro Setor, por motivos como este, às 
vezes se confunde a data de criação do termo com a criação das instituições. O 
ser humano é um ser social e a sua organização coletiva é histórica.
Para alcançarmos a compreensão do termo Terceiro Setor em nossa reali-
dade, iremos adentrar primeiro no estudo das configurações e transformações 
pelas quais o Estado passou, e que basearam a consolidação do mesmo.
A título de comparação da constituição e organização do Estado, iremos 
utilizar a narrativa de Alexis de Tocqueville, que afirma que no séc. XIX, a cons-
tituição do Estado norte-americano aconteceu depois que a sociedade já estava 
Reforma do Estado e o “Terceiro Setor” no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
61
organizada. Organização que ocorreu a partir da mobilização social e estrutu-
rando o território norte americano em 13 colônias, somente após a consolidação 
e independência destas colônias se constituiu o Estado. Enquanto que no Brasil, 
a colonização trouxe os costumes e métodos prontos, ocorre primeiro a criação 
do Estado para depois organizar a sociedade. São fatores que interferem em larga 
escala na forma diferenciada como a sociedade se mobiliza, organiza e como a 
nação se consolidou e estruturou no Brasil.
Com a estrutura estatal pronta a partir do idealizado e a sociedade se organi-
zando a partir das demandas, muitas transformações foram necessárias para adequar 
as estruturas às necessidades. Necessidades que culminaram em crises. Nas déca-
das de 1980 e 1990 a crise vivenciada pelo país foi atribuída pelo governo brasileiro 
ao Estado - à sua estrutura organizacional - e não no capital como havia menções. 
Com base nestas justificativas, o discurso apontava que não seria preciso reduzir 
o Estado, mas produzir uma reforma, que se confirma em Pereira (1996, p. 16-17):
A causa da crise foi o excessivo e distorcido crescimento do Estado de-
senvolvimentista no terceiro mundo, do Estado comunista no segundo 
mundo e do Welfare State no primeiro mundo. As potencialidades do 
mercado na alocação de recursos, na coordenação da economia, ti-
nham sido erroneamente subavaliadas. O Estado tinha se tornado mui-
to grande, aparentemente muito forte, mas de fato muito fraco, inefi-
ciente e impotente, dominado pela indisciplina fiscal, vítima de grupos 
especiais de interesse, engajados em práticas privatizadoras do Estado, 
ou seja, no rentseekeing.
Com base nestas afirmações, propõe como uma alternativa um Projeto de Reforma 
do Estado que foi apresentado pelo Ministério da Administração e Reforma do 
Estado, e como justificativa:
[...] devia ser entendida dentro do contexto da redefinição do papel 
do Estado, que deixa de ser o responsável direto pelo desenvolvimento 
econômico e social pela via da produção de bens e serviços, para for-
talecer-se na função de promotor e regulador desse desenvolvimento 
(MARE, 1995, p. 2).
Essa proposta de Reforma do Estado no Brasil teve seu início no ano de 1987 e 
tomou corpo na década de 1990, com a liberalização comercial, a privatização, 
medidas de ajuste fiscal e a reestruturação de empresas. Historicamente, a crise 
econômica que assombrava o país neste período se estruturava sobre altos índices 
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E62
inflacionários e dificultava uma análise adequada das reformas que estavam em 
vigor até o ano de 1994, quando foi implementado o Plano Real.
Para o governo, a Reforma do Estado foi resultado do esgotamento do regime 
militar na década de 1980 e da busca dos movimentos sociais pela democracia. 
O Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado Brasileiro, em manutenção 
à proposta liberal de Fernando Collor de Melo (denominada de neolibera-
lismo) iniciada na década de 1990, foi aprovado no primeiro mandato do então 
Presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), no mês de novembro de 1995. 
As proposições do Plano Diretor de Reforma do Estado foram elaboradas pelo 
Ministério da Administração e da Reforma do Estado (MARE) e aprovado em 
setembro de 1995 na Câmara da Reforma do Estado. Na apresentação do docu-
mento, FHC reitera os argumentos de que a crise brasileira da última década foi 
uma crise do Estado, que se desviou de suas funções básicas, do que decorre a 
deterioração dos serviços públicos, mais o agravamento da crise fiscal e da infla-
ção. Trata-se, para ele, de fortalecer a ação reguladora do Estado numa economia 
de mercado, especialmente os serviços básicos e de cunho social.
Caro(a) aluno(a), a esta altura de nossos estudos você deve estar se pergun-
tando, o que a Reforma de Estado tem a ver com o Terceiro Setor, não é? Pois 
então, muito! Naquele contexto da sociedade capitalista, a Reforma do Estado 
busca se consolidar como elemento de reorganização do padrão das relações 
do Estado, com a sociedade e o mercado, uma vez que a Reforma trazia clara:
[...] uma nova composição das forças sociais, a concretização de um 
movimento conservador que buscou suprimir os avanços construídos, 
a partir do modelo do Estado de Bem Estar Social (COSTA, 2000, p. 49)
Esta nova composição das forças sociais faz emergir novos atores que iniciam 
sua atuação logo após a intervenção e estímulo financeiro concedido pelo Banco 
Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Taisintervenções resultaram 
em estratégias de fortalecimento do mercado, com base na argumentação de que
Reformar o Estado significa transferir para o setor privado as ativida-
des que podem ser controladas pelo mercado. Daí, a generalização dos 
processos de privatização de empresas estatais. Neste plano, entretanto, 
salientaremos um outro processo tão importante quanto, e que entre-
tanto não está claro: a descentralização para o setor público não estatal 
da execução de serviços de educação, saúde, cultura e pesquisa cientí-
fica. Chamaremos esse processo de publicização (MARE, 1995, p.18) .
Reforma do Estado e o “Terceiro Setor” no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
63
O Governo FHC se alinhando ao mercado e ao modelo liberal, assume que a 
crise era de excesso de Estado, já havia obrigações demais. Afirmando, ainda, que 
era resultado da crise fiscal, da exaustão do modelo de substituição das impor-
tações e pelo excesso de centralidade administrativa. 
A proposta da Reforma foi então considerada pelo governo de FHC, a con-
dição primária para que o país ingressasse na globalização, na modernidade. 
“A Reforma do Estado passou a ser instrumento indispensável, para consoli-
dar a estabilização e assegurar o crescimento sustentado da economia (MARE, 
1995, p. 9). Foi a justificativa para que pudesse promover alterações intensas no 
modelo de gestão do Estado.
Para Costa (2000, p. 190), a “[...] proposta de reforma do aparelho do Estado, 
o alvo sem dúvida é o funcionalismo público e a meta, sem ingenuidade, é flexi-
bilizar as normas do mercado e da previdência social, inclusive do setor privado”. 
A Reforma alterou, inclusive, a forma de contratação dos funcionários que fos-
sem prestar serviços aos entes públicos, sob a justificativa de que iria melhorar 
a qualidade dos serviços prestados, uma vez que os candidatos passariam por 
avaliação, para cada função.
A proposta de Reforma fazia parte de um conjunto articulado de medidas 
vinculadas à “nova ordem mundial”, que propunham transformações intensas nas 
relações internacionais, mas para tal, os países deveriam se reestruturar administra-
tiva, legal e economicamente. Algumas destas mudanças necessárias e exigidas, eram 
a liberalização da economia, o controle dos gastos públicos e a abertura de mercado.
A Reforma que foi discutida pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 
nº 173/95, tinha como objetivo aprimorar as disposições constitucionais no que 
dizia respeito à administração e gestão pública, e visava ampliar os níveis de racio-
nalidade, qualidade e eficiência da máquina estatal, pretendendo torná-la mais 
acessível, ágil e eficaz para o atendimento das necessidades da sociedade e na 
consolidação dos direitos inscritos na recém promulgada Constituição Federal 
de 1988. Costa (2000, p. 62) nos traz um trecho da justificativa de FHC sobre a 
necessidade da reforma do aparelho administrativo do Estado:
[…] o que penso é que se deixar o mercado solto, pobre país. Não é que 
ele não vá crescer, mas crescerá com exclusão. Se ao contrário, deixar-
mos o Estado, tal como ele se apresenta, sem as reformas, pobre país 
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E64
também. Porque esse Estado não vai responder, nem na área econômi-
ca, nem na área social, de maneira adequada.
Todas as argumentações circularam nas bases do desenvolvimento econômico e 
social do país, na sua modernização, globalização e na transformação da admi-
nistração pública em gerencial, e não mais burocrática. 
A emenda à Constituição que resultou na Reforma, teve seu envio para a 
aprovação do Congresso Nacional no mês de agosto de 1995. O Plano Diretor 
da Reforma reestruturou o aparelho Estatal a partir de sua divisão em quatro 
grupos assim definidos:
a. Núcleo Estratégico: centro no qual se definem as leis, políticas e procedi-
mentos, incluindo a estrutura organizacional do Estado nos três poderes 
(Executivo, Legislativo e Judiciário);
b. Atividades exclusivas: são aquelas que envolvem a execução do poder 
estatal, garantindo diretamente o cumprimento da lei e das políticas, tais 
como as polícias, as forças armadas, os órgãos de fiscalização e regula-
mentação e os serviços sociais de distribuição de recursos (SUS, INSS);
c. Serviços não exclusivos: aqueles que envolvem o uso do poder esta-
tal, podendo ser oferecidos tanto pelo setor privado, quanto pelo poder 
público não-estatal, dentre os quais se incluem serviços de saúde, educa-
ção, pesquisa científica, cultura, etc.;
d. Produção de bens para o mercado: representada pelas empresas estatais.
A esses setores correspondem formas de propriedade: estatal para os dois primei-
ros (a, b); pública para o terceiro (c); (d) a propriedade estatal não é desejável, 
mas deve existir regulamentações e fiscalizações rígidas, por exemplo compa-
nhias e energia elétrica, gás e água potável. 
Sobre a forma de administração: no núcleo estratégico propõe-se um mix 
entre a administração burocrática e a gerencial; nos demais, a administração é 
a gerencial. Neste nosso estudo, nosso foco estará pautado especificamente no 
“item c – serviços não exclusivos”, que estão ligados ao Terceiro Setor.
De forma genérica, podemos dizer que o Terceiro Setor adquiriu seu 
grande impulso quando o Estado de bem-estar social (que presumia 
poder resolver os problemas sociais da população) e a democracia 
liberal não atingiram os objetivos que se propunha. Situação que se 
expande, quando a globalização, possibilitada pelo grande avanço tec-
nológico, também deixa a desejar nas melhorias sociais para todos ou 
Reforma do Estado e o “Terceiro Setor” no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
65
para grande maioria, pois concentrou ainda mais a renda na mão de 
poucos. Surge uma nova estrutura social nas relações de trabalho que 
se estruturou ao longo dos séculos (MEISTER, 2003, p. 27)
Nesse contexto, acabou por serem consideradas como parte integrante dos servi-
ços não exclusivos, as políticas sociais, propriedade pública não estatal ou privada.
O papel do Estado para com as políticas sociais é alterado, pois com este diagnós-
tico duas são as prescrições: racionalizar recursos e esvaziar o poder das instituições, 
já que instituições democráticas são permeáveis às pressões e demandas da popu-
lação, além de serem consideradas como improdutivas, pela lógica de mercado. 
Assim, a responsabilidade pela execução das políticas sociais deve ser repassada 
para a sociedade: para os neoliberais através da privatização (mercado), e para a 
Terceira Via pelo público não-estatal (sem fins lucrativos) (PERONI, 2006, p. 14).
Nesse período, o Ministério da Administração e Reforma do Estado aponta 
a privatização das empresas públicas ou, então, que estas assumissem o caráter 
de organizações sociais, comandadas não mais pelo Estado. Este passaria a ser 
parceiro dessas empresas e receberia fundos públicos para a sua operacionaliza-
ção. Pereira (1999), argumenta que esta transferência só traria benefícios, pois 
as organizações sociais atenderiam muito melhor aos direitos sociais por serem 
mais competitivas, eficientes e flexíveis.
Caro(a) aluno(a), você sabe quem é Bresser Pereira? Luiz Carlos Bresser Perei-
ra é professor emérito da Fundação Getúlio Vargas onde ensina economia, 
teoria política e teoria social. É presidente do Centro de Economia Política 
e editor da Revista de Economia Política desde 1981. Escreve uma coluna 
quinzenal da Folha de S. Paulo. Em 2010, recebeu o título de Doutor Honoris 
Causa pela Universidade de Buenos Aires. Foi Ministro da Fazenda, da Ad-
ministração Federal e Reforma do Estado, e da Ciência e Tecnologia. Saiba 
mais da biografiacompleta de Bresser acesse: <http://www.bresserpereira.
org.br/view.asp?cod=940>. 
Fonte: a autora.
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E66
Com base nas justificativas para a Reforma proposta, o Estado brasileiro é caracte-
rizado como rígido, lento, ineficiente e sem memória administrativa. A “Reforma” 
passaria por transferir para o setor privado atividades que podem ser controladas 
pelo mercado, a exemplo das empresas estatais. Outra forma é a descentraliza-
ção para o “setor público não estatal”, de serviços que não envolvem o exercício 
do poder de Estado, mas devem, para os autores, ser subsidiados por ele, como: 
educação, saúde, cultura e pesquisa científica.
Trata-se da produção de serviços competitivos ou não exclusivos do Estado, 
estabelecendo-se parcerias com a sociedade para o financiamento e controle 
social dessa execução. O Estado reduz a prestação direta de serviços mantendo-
-se como regulador e provedor. Reforça-se a governança por meio da transição 
de um tipo rígido e ineficiente de administração pública para a administração 
gerencial, flexível e eficiente.
Esse conjunto, caracterizado pela união de cidadãos que se constituem 
em entidades de direito privado, é representado pela Sociedade Civil 
que atua na esfera pública não estatal, organizada com o objetivo de 
conquistar soluções próprias para atender suas necessidades e seus 
problemas, fora da lógica do Estado e do Mercado. Os recursos, qua-
se sempre tem origem em doações e patrocínios de particulares, e em 
auxílios, subvenções e transferências voluntárias por parte do poder 
público, além de atividades industriais, comerciais e de serviços que 
possam vir a executar (Nossa causa, 2013, on-line)5.
De acordo com o Plano Diretor da Reforma, as estratégias de Reforma do Estado 
no Brasil eram:
• Transformação de uma organização de direito privado, pública, não 
estatal.
• Consiste na transferência para o setor público não estatal dos serviços 
sociais e cientí�cos que o Estado presta.
• Processo de transferência para o setor privado dos serviços auxialiares e 
de apoio.
Privatização
Publicização
Tercerização
Figura 2 - ESTRATÉGIAS DE REFORMA DO ESTADO - 1995
Fonte: adaptado de Pereira (1997, p. 7-8).
De acordo com Silva (2004, p. 142), o que podia perceber-se nas relações entre 
o Estado, o mercado e a sociedade civil, era
Reforma do Estado e o “Terceiro Setor” no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
67
um hibridismo nas relações entre público e privado ou, em termos mais 
precisos, entre o estatal e o privado de interesse público. No caso das OS 
[organizações sociais], o instrumento firmado é o contrato de gestão, 
pelo qual o poder público repassa para a iniciativa privada determina-
dos recursos, configurando um parcial processo de privatização. Ainda 
que de forma híbrida, combinando o estatal e o privado na prestação 
de serviços de interesse público. No terceiro setor, o instrumento é o 
termo de parceria, que corresponde, com as mudanças adiante tratadas, 
aos convênios há muito tempo firmados entre órgãos do poder público 
e organizações privadas, laicas ou confessionais, na prestação de ser-
viços, como os do âmbito de assistência social. No caso das organiza-
ções filantrópicas, há o certificado de entidade filantrópica, emitido pelo 
Conselho Nacional de Assistência Social.
Nesse período, com base na Reforma, ocorreu uma conversão de instituições públi-
cas, em organizações sociais para garantir a flexibilização defendida pela proposta.
Nesse processo de intensas transformações e alterações de papéis e representa-
ções, fica evidente que:
[…] quanto às organizações sociais, conforme previsto no projeto de 
reforma do Estado, instituições públicas podem se converter em or-
ganizações sociais, passando a atuar como organizações privadas, sem 
fins lucrativos. Uma parte dos recursos é proveniente do orçamento, 
outra parte pode ser captada no mercado com venda de serviços. As-
sim, no âmbito da saúde, um OS [organização social] pode vender ser-
viços ao SUS [Sistema único de Saúde], aos Planos de Saúde e a pacien-
tes particulares. (SILVA, 2004, p. 142)
Queremos aqui registrar que o Certificado ali mencionado já não existe 
mais, foi extinto (Lei nº 9.732 de 11 de dezembro de 1998, revogada), e a 
certificação de Organização Social – OS (Lei nº 9.637/1998), foi implementa-
da a nível federal, mas nem todos os Estados e municípios efetuaram uma 
regulamentação local para tal certificação, existem poucas OS no Brasil. Mui-
tos fazem uso da Titulação de Utilidade Pública ou do Título de Interesse 
Público, ou mesmo a Certificação Beneficente de Assistência Social – CEBAS. 
A nomenclatura e qualificação é válida, pois a legislação federal de OS ainda 
está vigente, apesar das nomenclaturas e definições da Lei 13.019/2014, são 
organizações que possuem distinções nas formas de contratualização com 
os entes públicos. Pesquise mais a respeito!
Fonte: a autora.
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E68
Nesse contexto, a partir da Reforma do Estado, no ano de 1995, ocorre um forta-
lecimento das instituições sem fins lucrativos (hoje Terceiro Setor), que já vinham 
desenvolvendo atividades de apoio e atendimento às demandas da sociedade e 
do Estado há muitos anos. Naquele momento, as organizações sociais, qualifi-
cadas posteriormente pela Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998: 
[...] constituem estratégia de privatização, pelo repasse de recursos pú-
blicos a instituições privadas, pela possibilidade de contratação de ser-
vidores sem concurso público e pela desobrigação de cumprimento da 
Lei de Licitações, aplicável aos órgãos públicos. (SILVA, 2004, p.143)
Foi nesse mecanismo de privatização e flexibilização de alguns serviços (os não 
exclusivos) do Estado, que as organizações sem fins lucrativos se aproximam 
ainda mais do aparelho do Estado. Uma vez que suas características de atuação 
eram bem parecidas com as organizações sociais, o que até hoje gera conflito de 
conceitos entre organizações sem fins lucrativos (pela Lei nº 13.019/2014, agora 
OSC) e organizações sociais. 
Afinal, o que são as organizações sociais? São entidades públicas não estatais, 
ou seja, atuam fora do aparelho do governo, possuem personalidade jurídica de 
direito privado e sem fins lucrativos. São destinadas a absorver mediante qualifica-
ção alguns serviços não exclusivos do governo (serviços prestados simultaneamente 
pelo público, por organizações públicas não estatais e entidades privadas), volta-
dos especificamente a atividades de cunho social – que envolvem direitos humanos 
fundamentais. São entes de cooperação com a administração pública que estabe-
lecem parcerias para a implementação das políticas estabelecidas pelo governo.
As organizações sociais possuem como finalidade essencial obter maior qua-
lidade na prestação de serviços não exclusivos do poder público, por meio da 
otimização dos recursos, enfatizando os seus resultados e a satisfação do cida-
dão-cliente mediante maior controle social.
De fato, o que podemos constatar é que o controle social vem à tona, impri-
mindo, assim, as mais diversas formas de organização da sociedade.
Não há estágio democrático, mas há processo democrático pelo qual a 
vontade de maioria ou a vontade geral vai assegurando o controle sobre 
os interesses da administração pública. (...) qualquer conceito de de-
mocracia, e há vários deles, importa em grau crescente de coletivização 
das decisões (VIEIRA, 1992, p. 12).
Reforma do Estado e o “Terceiro Setor” no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 de 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
69
As organizações sociais - OS, são dirigidas por uma diretoria, e têm como delibera-
ção superior um conselho de administração compostos por representantes do poder 
público e de entidades representativas da sociedade civil, por pessoas de reconhe-
cida capacidade profissional na área e por outros membros indicados pelo conselho. 
Essa composição determina o controle social, ou seja, a participação da comunidade 
na gestão de um organismo público responsável pela prestação de serviços sociais.
Devido a sua finalidade não lucrativa, as organizações sociais têm obrigato-
riedade de investimento de seus excedentes financeiros no desenvolvimento de 
suas atividades. Integram a administração pública, mas apresentam mais agili-
dade de ação, por não se sujeitarem ao corpo de normas públicas, uma vez que 
são privadas.
As organizações sociais atuam em diferentes áreas: social, cultural, espor-
tiva ambiental, educacional, saúde, desenvolvimento tecnológico e científico, etc.
O governo tende a reduzir o seu papel enquanto executor ou prestador direto 
das atividades não exclusivas e a assumir o papel de regulador, provedor e pro-
motor. Como promotor desses serviços, o governo continua a subsidiá-los (por 
meio da cessão de recursos, instalações e equipamentos), passando a controlar 
os resultados e não mais o processo.
As áreas em que as organizações sociais atuam continuam sob o controle 
estratégico do poder público e não envolvem o poder de Estado. O atendimento 
em unidades e postos de saúde, o atendimento em centros municipais de edu-
cação infantil, a fiscalização e a cobrança de tributos municipais, a regulação da 
ação pública e o ensino básico ministrado nas escolas municipais não são obje-
tos de transferência para as organizações sociais.
As entidades não nascem organizações sociais. Elas são qualificadas como 
tal pelo município após o cumprimento de requisitos fixados em lei. Dentre os 
quais constam: finalidade não lucrativa, reversão do seu patrimônio ao patri-
mônio do município ou outra organização social que atue no caso de extinção 
ou desqualificação, previsão da participação do Conselho da Administração de 
membros do poder público e da comunidade de notória capacidade profissio-
nal, obrigatoriedade de publicação de seus relatórios financeiros e de execução 
do Contrato de Gestão e, ainda, ter recebido parecer favorável à sua qualifica-
ção do titular órgão público correspondente a seu objeto social.
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E70
O mecanismo de controle das organizações sociais é o contrato de gestão, 
instrumento efetivo do controle de resultados das ações das organizações sociais. 
Dele constam: programa de trabalho, objetivos e metas a serem alcançados e 
prazos de execução, critérios de avaliação de desempenho, com indicadores de 
qualidade e produtividade, efetiva fiscalização dos resultados pelo poder público 
e compromisso do poder público no provimento dos recursos, instalações e equi-
pamentos necessários à execução de seus serviços.
Da mesma forma que uma organização é qualificada, também pode ser des-
qualificada, isto ocorre quando há o descumprimento de dispositivos estabelecidos 
no Contrato de Gestão, o poder público cancela a habilitação da entidade como 
organização social. Será assim precedida de processo administrativo, devendo 
seus dirigentes responder individual ou solidariamente pelos danos e prejuízos 
decorrentes da sua ação ou omissão.
Finalizando essa apresentação, pode-se dizer que as organizações sociais 
são entes de cooperação com o setor público e estabelecem parcerias para a rea-
lização de determinadas atividades de interesse coletivo, visando a obtenção de 
melhores resultados.
As organizações sociais não são uma forma de privatização, uma vez que o 
Estado não transfere domínio das suas atividades. Toda privatização pressupõe 
lucro. Nesse sentido, as organizações sociais se contrapõem a essa ideia, visto terem 
fins não lucrativos, objetivos claramente fundamentados em interesse coletivo e 
social, e sua qualificação é reversível a qualquer momento. Daquele período havia 
duas qualificações que ainda se encontram vigentes atualmente, as Organizações 
Sociais (OS) que acabamos de conhecer e as Organizações da Sociedade Civil 
de Interesse Público (OSCIP). Recentemente foi promulgada e entrou em vigor 
uma nova nomenclatura, para um outro rol de entidades sem fins lucrativos, a 
Organização da Sociedade Civil (OSC), segue um breve resumo das três legislações:
Reforma do Estado e o “Terceiro Setor” no Brasil
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
71
Quadro 3 - Resumo das leis de qualificação das organizações sem fins lucrativos
ORGANIZAÇÕES 
SOCIAIS - OS
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE 
CIVIL - OSC
ORGANIZAÇÕES DA 
SOCIEDADE CIVIL DE 
INTERESSE PÚBLICO - 
OSCIP
Lei nº 9.637 de 
15/05/1998
Lei nº 13.019 de 31/07/2014 Lei nº 9.790 de 23/03/1999
Pessoa Jurídica Privada 
sem fins lucrativos
Pessoa jurídica sem fins lucrativos
Pessoa Jurídica Privada 
sem fins lucrativos
• Ensino
• Pesquisa científica
• Desenvolvimento Tec-
nológico
• Proteção e preservação 
do meio ambiente
• Cultura
• Saúde
* Projetos de interesse público e 
cunho social
* programas e ações de combate a 
pobreza e de geração de trabalho e 
renda
* ações voltadas para fomento, 
educação e capacitação de trabalha-
dores rurais
* construção de valores de cidadania
* promoção do desenvolvimento 
local, regional, nacional [...]
* direito à informação, controle e 
transparência
* diversidade cultural
* direitos humanos
* patrimônio cultural brasileiro
* meio ambiente
* direitos dos povos indígenas e 
comunidades tradicionais
• Assistência social
• Cultura
• Educação gratuita
• Saúde gratuita
• Segurança alimentar
• Meio ambiente
• Desenvolvimento sus-
tentável
• Voluntariado
• Combate à pobreza
• Novos modelos de pro-
dução, comércio, emprego 
e crédito.
• Promoção de direitos 
humanos, democracia e 
outros valores universais.
• Estudos e pesquisa
• Tecnologias alternativas
Contrato de gestão
• Ênfase no atendimento 
ao cidadão-cliente
• Ênfase nos resultados 
qualitativos e quantitati-
vos nos prazos pactuados
• Controle social das ações
Termo de Fomento - proposto 
pela organizações da sociedade 
civil ( parcerias entre administração 
pública e OSC, envolvendo recursos 
financeiros)
Termo de Colaboração - propos-
to pela administração pública 
(parcerias entre administração 
pública e OSC, envolvendo recursos 
financeiros)
Acordo de Cooperação -(parcerias en-
tre administração pública e OSC, NÃO 
envolvendo recursos financeiros.
Termo de Parceria
• Legalidade
• Impessoalidade
• Moralidade
• Publicidade
• Economicidade
• Eficiência
Fonte: elaborado pelas autoras a partir das legislações citadas.
ESTADO, SOCIEDADE E OS PAPÉIS REPRESENTADOS NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIU N I D A D E72
São modelos de contratualizações aplicados às organizações sem fins lucrativos 
que pretendem executar algum tipo de parceria com órgãos da administração 
pública em qualquer das esferas de governo. Todos os três formatos de associa-
ção, OS, OSC, e OSCIP, podem realizar parcerias com o poder público, porém 
as regras são diferentes para cada uma delas.
Por exemplo, a qualificação de OS é concedida pelo poder público municipal, 
com base em previsão legal municipal, apesar de ser pautado em uma Lei nacio-
nal, mas é uma qualificação pouco conhecida embora seja uma nomenclatura 
muito utilizada. Já no caso das OSCIP’s trata-se de uma titulação e o estatuto da 
organização tem suas cláusulas já orientadas pela legislação específica. 
E no caso das OSCs é apenas uma nomenclatura definidaem lei, que carac-
teriza as organizações sem fins lucrativos que podem estabelecer parcerias com 
o poder público. Neste caso, existem cláusulas estatutárias que são exigidas, mas 
não há necessidade de identificar no estatuto a nomenclatura OSC. 
São pequenos detalhes que as diferenciam e é importante que tenhamos 
consciência destas diferenças, para reconhecê-las quando estivermos em contato 
com cada uma delas, seja em uma visita, em um trabalho voluntário ou mesmo 
oferecendo nossos préstimos profissionais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), se observarmos o processo histórico em nosso país, fica claro 
que a participação da sociedade não foi efetiva para a sua consolidação, assim 
como a nossa experiência democrática é ainda bem recente. 
Com o Plano de Reforma do Estado, várias leituras foram realizadas: uns 
dizendo que esta é uma estratégia para a minimização do Estado, pois ele se reti-
rava transferindo para a sociedade civil organizada as suas responsabilidades na 
resolução dos problemas sociais, outros entendem a possibilidade de comple-
mentaridade nas tentativas de sanar os problemas sociais.
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
73
O Terceiro Setor, enquanto organização jurídica, emerge da sociedade para 
atendimento das suas próprias demandas, por este motivo, nasce lotado de rele-
vância social, agindo no espaço entre Estado e Mercado, surge como um espaço 
privilegiado de participação e a nova possibilidade de exercitar novas estratégias 
de ação na sociedade, uma nova forma de fazer e existir, rompendo a dicotomia 
público X privado, onde cada um atua somente na esfera que lhe diz respeito.
Vimos ainda que o caminho percorrido pelo Estado e a sua configuração é 
fruto da necessidade de organização da sociedade, contudo não é capaz de man-
tê-la sozinho. Toda mudança em sua configuração gera questionamentos, críticas 
e resistências, comum em se tratando do Estado, que também é operacionalizado 
por pessoas. O surgimento do Terceiro Setor vai se configurando gradativamente 
e só mais tarde consolida-se como um setor forte e contributivo socialmente.
Parabéns! Conseguimos concluir nosso estudo aqui, porém, você precisa ter 
em mente que as unidades não são elaboradas de forma isoladas, dessa maneira, 
você deve concluir as demais unidades articuladamente, o conhecimento de 
uma unidade contribui para o entendimento da próxima, contamos com você.
Bons estudos!
74 
1. Se estrutura a partir das relações estabelecidas entre os indivíduos e os grupos 
e diz respeito aos espaços onde as pessoas, de forma organizada, tomam suas 
decisões. Se desenvolvem à margem das relações de poder que caracterizam 
as instituições estatais. Estamos nos referindo:
a) Ao Terceiro Setor.
b) Ao Estado. 
c) Às Classes sociais. 
d) À Administração pública.
e) À Sociedade civil.
2. A sociedade civil e o Terceiro Setor, possuem estreita relação, uma vez que a 
sociedade civil amplia o conceito de Estado, quando se organiza em conjunto 
visando a elaboração e difusão de ideologias e políticas públicas. Pautando-se 
nessa relação, é correto afirmar que:
a) A sociedade civil não contempla o Terceiro Setor como parte dela.
b) Está situada dentro do aparato estatal, por manter relação indissociável com 
ele.
c) Trata-se de um espaço fértil, dentro da própria estrutura do Estado, mas se 
distingue dele, por sua base e maneira de atuação. 
d) Não tem a atribuição de articular demandas. 
e) Canaliza as reivindicações do Estado, destinadas à população.
3. O Estado democrático foi instituído para garantir os direitos individuais e so-
ciais, tendo se consolidado e se fortalecido a partir da promulgação da Cons-
tituição Federal de 1988. A CF/88 atribuiu além dos deveres, os direitos aos 
cidadãos. Com base em nossos estudos, os direitos assegurados foram
I. Direitos sociais
II. Direitos políticos
III. Direitos civis
IV. Direitos públicos
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
75 
d) Apenas I, II e III estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
4. A inserção legal de novos direitos não assegura que os cidadãos gozem efe-
tivamente destes direitos, na verdade, a cidadania ativa implica na luta para 
a conquista do gozo desses direitos. Nesse sentido, a respeito da cidadania, 
assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):
( ) A garantia dos direitos da cidadania implica na existência de uma socie-
dade integralmente democrática.
( ) A cidadania possibilita a ação dos cidadãos em permanente atuação pe-
rante o Estado.
( ) A efetivação dos direitos da cidadania se dá também por meio da execu-
ção dos serviços do poder público.
A alternativa correta é:
a) V; V; F. 
b) F; F; V.
c) V; F; V.
d) F; F; F.
e) V; V; V.
5. A crise vivenciada pelo Brasil entre os anos 1980 e 1990 teve grande repercus-
são nas decisões e rumos que o Estado escolheu para superá-la. A respeito do 
contexto desta crise que culminou na Reforma Administrativa do Aparelho do 
Estado, é correto afirmar que:
I. A causa da crise foi atribuída ao excessivo e distorcido crescimento de um 
Estado grande e ineficiente.
II. Era preciso reduzir o Estado, mas não seria necessária uma reforma.
III. A crise foi atribuída, pelo governo, à estrutura organizacional do Estado.
IV. O governo atribuiu a crise à estrutura do sistema capitalista.
A alternativa correta é:
a) Apenas I e III estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas I, II e III estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
76 
A Reforma administrativa do Estado no Brasil
Em 1995, teve início no Brasil a Reforma da Gestão Pública ou reforma gerencial do Esta-
do com a publicação, nesse ano, do Plano Diretor da Reforma do Estado e o envio para 
o Congresso Nacional da emenda da administração pública que se transformaria, em 
1998, na Emenda 19. Nos primeiros quatro anos do governo Fernando Henrique, en-
quanto Luiz Carlos Bresser Pereira foi o ministro, a reforma foi executada ao nível federal, 
no MARE – Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado. Com a extinção do 
MARE, por sugestão do próprio ministro no final desse período, a gestão passou para o 
Ministério do Planejamento e Gestão, ao mesmo tempo em que os estados e municípios 
passavam também a fazer suas próprias reformas.
O Brasil, ao iniciar em 1995 sua reforma da gestão pública, foi o primeiro país em desen-
volvimento que tomou essa iniciativa, menos de dez anos depois que Inglaterra, Austrá-
lia e Nova Zelândia iniciaram suas reformas. Desde então, a Reforma da Gestão Pública 
de 1995 vem avançando no país, principalmente ao nível dos estados e municípios. A 
reforma da gestão pública é historicamente a segunda reforma administrativa relevante 
do Estado moderno, mais cedo ou mais tarde ela ocorrerá em todos os países. E, uma vez 
iniciada, não há alternativa senão prosseguir.
O objetivo da Reforma da Gestão Pública de 1995 é contribuir para a formação no Brasil 
de um aparelho de Estado forte e eficiente. Ela compreende três dimensões: a) uma 
dimensão institucional-legal, voltada à descentralização da estrutura organizacional do 
aparelho do Estado por meio da criação de novos formatos organizacionais, como as 
agências executivas, regulatórias, e as organizações sociais; b) uma dimensão gestão, 
definida pela maior autonomia e a introdução de três novas formas de responsabiliza-
ção dos gestores – a administração por resultados, a competição administrada por exce-
lência, e o controle social – em substituição parcial dos regulamentos rígidos, da super-
visão e da auditoria, que caracterizam a administração burocrática; e, c) uma dimensão 
cultural, de mudança de mentalidade, visando passar da desconfiança generalizada que 
caracteriza a administração burocrática para uma confiançamaior, ainda que limitada, 
própria da administração gerencial.
Um dos princípios fundamentais da Reforma de 1995 é o de que o Estado, embora con-
servando e ampliando sua ação na área social, só deve executar diretamente as tarefas 
que são exclusivas de Estado, que envolvem o emprego do poder de Estado, ou que 
apliquem os recursos do Estado. Entre as tarefas exclusivas de Estado devem-se distin-
guir as tarefas centralizadas de formulação e controle das políticas públicas e da lei, a 
serem executadas por secretarias ou departamentos do Estado, das tarefas de execução, 
que devem ser descentralizadas para agências executivas e agências reguladoras autô-
nomas. Todos os demais serviços que a sociedade decide prover com os recursos dos 
impostos não devem ser realizados no âmbito da organização do Estado, por servidores 
públicos, mas devem ser contratados com terceiros. Os serviços sociais e científicos, para 
os quais os respectivos mercados são particularmente imperfeitos, já que neles impera a 
assimetria de informações, devem ser contratados com organizações públicas não esta-
77 
tais de serviço, as ‘organizações sociais’, enquanto que os demais podem ser contratados 
com empresas privadas. As três formas gerenciais de controle – controle social, contro-
le de resultados e competição administrada – devem ser aplicadas tanto às agências, 
quanto às organizações sociais.
A Reforma da Gestão Pública de 1995-98 não subestimou os elementos patrimonialis-
tas e clientelistas ainda EXISTENTES em um Estado como o brasileiro, mas, ao invés de 
continuar se preocupando exclusivamente com eles, como fazia a reforma burocrática 
desde que foi iniciada nos anos 1930, avançou na direção de uma administração mais 
autônoma e mais responsabilizada perante a sociedade. Seu pressuposto é de que a 
melhor forma de lutar contra o clientelismo e outras formas de captura do Estado é dar 
um passo adiante e tornar o Estado mais eficiente e mais moderno.
Embora enfrentando paralisações previsíveis, a Reforma da Gestão Pública de 1995 está 
sendo bem-sucedida em tornar gerencial o Estado brasileiro. Sua implementação deve-
rá durar muitos anos como nos outros países duraram as reformas burocráticas.
Fonte: Bresser-Pereira (on-line)6. 
MATERIAL COMPLEMENTAR
Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial
Luís Carlos Bresser-Pereira e Peter Spink 
Editora: Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Sinopse: Reunindo uma série de trabalhos sobre o problema da reconstrução 
do Estado e da reforma de seu serviço civil, os autores deste livro mostram 
a necessidade de se aprofundar um agir consciente e e� caz na área pública. 
Eles partem de uma hipótese básica: con� gura-se um marco teórico e uma 
nova prática para a administração pública – a abordagem “gerencial”, que 
substitui a perspectiva “burocrática” anterior.
Escritores da Liberdade (2007)
Sinopse: Uma jovem e idealista professora chega a uma escola de um 
bairro pobre, que está corrompida pela agressividade e violência. Os 
alunos se mostram rebeldes e sem vontade de aprender, e há entre 
eles uma constante tensão racial. Assim, para fazer com que os alunos 
aprendam e também falem mais de suas complicadas vidas, a professora 
Gruwell (Hilary Swank) lança mão de métodos diferentes de ensino. Aos 
poucos, os alunos vão retomando a confi ança em si mesmos, aceitando 
mais o conhecimento e reconhecendo valores como a tolerância e o 
respeito ao próximo.
REFERÊNCIAS
79
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 
16 out. 2017. 
BRASIL. Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998. Dispõe sobre a qualificação de entida-
des como organizações sociais, a criação do Programa Nacional de Publicização, a 
extinção dos órgãos e entidades que menciona e a absorção de suas atividades por 
organizações sociais, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planal-
to.gov.br/ccivil_03/leis/L9637.htm>. Acesso em: 16 out. 2017. 
BRASIL. Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999. Dispõe sobre a qualificação de pesso-
as jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade 
Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras pro-
vidências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9790.htm>. 
Acesso em: 16. out. 2017. 
BRASIL. Lei nº 13.019, de 31 de julho de 2014. Estabelece o regime jurídico das parce-
rias entre a administração pública e as organizações da sociedade civil, em regime de 
mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco, 
mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em pla-
nos de trabalho inseridos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em 
acordos de cooperação; define diretrizes para a política de fomento, de colaboração e 
de cooperação com organizações da sociedade civil; e altera as Leis nos 8.429, de 2 de 
junho de 1992, e 9.790, de 23 de março de 1999. Disponível em: <http://www.planal-
to.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13019.htm>. Acesso em: 16. out. 2017. 
BRASIL. Ministério da Administração e Reforma do Aparelho do Estado - MARE. Pla-
no Diretor da Reforma do Estado, 1995. Disponível em: <http://www.biblioteca.
presidencia.gov.br/publicacoes-oficiais/catalogo/fhc/plano-diretor-da-reforma-do-
-aparelho-do-estado-1995.pdf>. Acesso em: 16 out. 2017.
BRASIL. Projeto de Emenda Constitucional (PEC) nº 173/95. Disponível em: 
<http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposi-
cao=169506>.Acesso em: 16 out. 2017.
BRESSER-PEREIRA. A reforma administrativa do Estado no Brasil. Disponível em: 
<http://www.bresserpereira.org.br/rgp.asp>. Acesso em: 16 out. 2017.
COSTA, Lúcia Cortes da. O governo FHC e a reforma do estado brasileiro. Pesqui-
sa e Debate, São Paulo, v. 11, n.1, p. 49-79, 2000.
COUTINHO, Carlos Nelson. GRAMSCI: um estudo sobre o seu pensamento. Rio de 
Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CRA-SP. Terceiro Setor: desafios e oportunidades. Disponível em: <http://crasp.gov.
br/wp/wp-content/uploads/28_04_2011_Terceiro_setor_desafios_e_oportunida-
des.pdf>. Acesso em: 16 out. 2017.
DIAS, Reinaldo. Introdução à Sociologia. São Paulo: Pearson Prentine Hall, 2005.
EUR-LEX. UNIÃO EUROPEIA - UE. Disponível em: <http://eur-lex.europa.eu/summary/
glossary/civil_society_organisation.html?locale=pt>. Acesso em: 16 out. 2017.
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS
MEISTER, José A. Fracalossi. Voluntariado: uma ação com sentido. Porto Alegre: 
EDIPUCRS, 2003.
Nossa Causa. Os setores no Brasil: por que a “denominação” Terceiro Setor. Dispo-
nivel em: <http://nossacausa.com/os-setores-no-brasil-por-que-a-denominacao-
-terceiro-setor/>. Acesso em: 16 out. 2017.
PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Crise Econômica e reforma do Estado no Brasil. São 
Paulo: Editora 34, 1996.
PEREIRA, Luiz Carlos Bresser.; SPINK, Peter (org). Reforma do Estado e Administra-
ção pública gerencial. 3. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1999.
PERONI, Vera. Mudanças na configuração do Estado e sua influência na política edu-
cacional. In PERONI, V. M. V.; et al (org). Dilemas da educação brasileira em tempos 
de globalização neoliberal: entre o público e o privado. Porto Alegre: Editora da 
UFRGS, 2006.
SILVA, Ademir Alves da. A gestão da seguridade social brasileira: entre a política 
pública e o mercado. São Paulo: Cortez, 2004.
VIEIRA, Evaldo. O Estado e a sociedade civil perante o ECA e a LOAS. In: VIZENTINI, 
Paulo. Serviço: a grande crise. Petrópolis: Vozes, 1992.
WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra o capitalismo: a renovação do materia-
lismo histórico. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003.
REFERÊNCIAS WEB
1 EUR-LEX. Disponível em: <http://eurlex.europa.eu/summary/glossary/civil_socie-
ty_organisation.html?locale=pt>. Acesso em: 20 jan. 2018.
2 BRASIL. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/cons-
tituicao.htm>. Acesso em: 20 jan. 2018.3 CRA-SP. Disponível em: <http://crasp.gov.br/wp/wp-content/uplo-
ads/28_04_2011_Terceiro_setor_desafios_e_oportunidades.pdf>. Acesso em: 20 
jan. 2018.
4 CRA-SP. Disponível em: <http://crasp.gov.br/wp/wp-content/uplo-
ads/28_04_2011_Terceiro_setor_desafios_e_oportunidades.pdf>. Acesso em: 20 
jan. 2018.
5 NOSSA CAUSA. Disponível em: <http://nossacausa.com/os-setores-no-brasil-por-
-que-a-denominacao-terceiro-setor/>. Acesso em: 20 jan. 2018.
6 BRESSER-PEREIRA. Disponível em: <http://www.bresserpereira.org.br/rgp.asp>. 
Acesso em: 20 jan. 2018.
GABARITO
81
1. E.
2. C. 
3. D. 
4. E. 
5. A.
GABARITO
U
N
ID
A
D
E III
Professora Esp. Daniela Sikorski
Professora Esp. Silviane Del Conte Curi
ORGANIZAÇÕES DO 
TERCEIRO SETOR
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conhecer os formatos jurídicos das entidades do Terceiro Setor.
 ■ Discutir sobre as leis e normas do Terceiro Setor.
 ■ Conhecer como aplicar os conceitos do Terceiro Setor e as titulações 
e qualificações concedidas às entidades.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ As pessoas jurídicas e as entidades do Terceiro Setor
 ■ Bases legais do Terceiro Setor
 ■ Organizações do Terceiro Setor, as titulações e as qualificações
INTRODUÇÃO
Olá, aluno(a)! Daremos início a mais uma etapa de nossos estudos. Nesta aula, 
vamos nos aproximar das formações jurídicas que estão contempladas como 
Terceiro Setor, veremos a respeito das outras organizações privadas para ter condi-
ções de diferenciá-las, mas nosso foco será sempre o que permeia o Terceiro Setor.
Ao longo dos tempos, esse setor tem sido o agente que contribui para a pro-
posição de ações e intervenções nas demandas da sociedade em diferentes áreas. 
Suas bases originárias se organizam a partir do Código Civil, que define as pes-
soas jurídicas de direito de privado e que estudaremos detalhadamente.
Essas pessoas jurídicas de direito privado são as mesmas que vimos na outra 
aula e estavam inicialmente denominadas como Segundo Setor. Agora vamos sepa-
rá-las em nossa observação. Veremos sobre as associações, as fundações e quais 
documentos são necessários para dar início à sua existência formal. Trazemos, 
inclusive, alguns exemplos de Fundações Privadas para que conheça os objeti-
vos e algumas informações básicas. 
Você sabia que existem diferentes tipos de associações? Existem também 
muitos nomes que designam uma organização do Terceiro Setor e se trata ape-
nas de uma terminologia de uso comum, que vem sendo usada há muito tempo 
e nem percebemos as diferenças, senão as estudarmos profundamente. Estamos 
nos referindo aos institutos, ongs, instituições, organizações, entre outros.
Também trouxemos um bocado sobre as leis que pautam a atuação das organi-
zações do Terceiro Setor, desde a sua garantia como direito na Constituição Federal 
de 1988 até os princípios e as diretrizes do Marco Regulatório do Terceiro Setor. 
Caro(a) aluno(a), assim como existem termos que são de uso comum, temos 
outros que definem um benefício, uma característica de formalização, uma titu-
lação ou uma qualificação, e eles vêm ligados a normas e leis. Finalizaremos 
nossos estudos com eles, estamos falando de Organização da Sociedade Civil 
de Interesse Público, Organização Social, CEBAS e Organização da Sociedade 
Civil. Bons estudos!
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
85
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E86
AS PESSOAS JURÍDICAS E AS ENTIDADES DO 
TERCEIRO SETOR
Caro(a) aluno(a), já tivemos a oportunidade de conhecer sobre as característi-
cas que envolvem o Terceiro Setor ao redor do mundo e no Brasil. Estudamos 
acerca dos papéis do Estado e da sociedade neste novo setor e de como ele 
ganhou corpo aqui no nosso país a partir da Reforma Administrativa do Estado, 
em 1995. Conhecemos um pouco a respeito de como assumiu a nomenclatura 
de “Terceiro Setor”, quando na verdade ele faz parte do Segundo Setor, embora 
preste serviços do/para o Primeiro Setor.
Agora, para nos aproximarmos das suas origens formais, vamos olhar para 
as formações jurídicas e identificar quais delas fazem parte deste setor. Mas, para 
isso, vamos nos situar na história. Como já estudamos, a gestão das políticas 
sociais envolve vários atores e, como vimos anteriormente, não é exclusividade 
de apenas um setor. Funções, ações e iniciativas são compartilhadas entre os 
diferentes setores e com a Reforma Administrativa do Estado e o processo de 
descentralização iniciado ali, a responsabilidade pela execução das políticas dei-
xou de ser exclusividade da União. O que se confirma em Junqueira (1996, p.25):
As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
87
[…] a descentralização surge com uma alternativa de mudança, como 
um instrumento para racionalizar e dar eficácia ao aparato estatal das 
políticas sociais. Apesar de constituir, independente da posição, uma 
das estratégias importantes para a reestruturação do Estado, o conceito 
varia conforme a concepção do seu papel e do entendimento que se 
tenha da natureza da crise a ser enfrentada. 
Deste modo, o Terceiro Setor pode ser entendido como uma das representações 
formais do processo de descentralização, pois por meio das parcerias firmadas con-
tratualmente passa a contar com a participação de diversos atores sociais. O Terceiro 
Setor se disponibiliza por meio de suas propostas e ideologias, como um agente 
propositivo de ações que visem soluções para os mais diversos problemas sociais e/
ou ambientais, e isto varia de acordo com a realidade local, regional e/ou nacional.
Para compreendermos melhor sobre como este setor se estrutura, vamos nos 
aproximar das definições jurídicas do Direito Civil, que envolvem as associações sem 
fins lucrativos que, aparentemente, compõem o chamado “Terceiro Setor”. Caro(a) 
acadêmico(a), falaremos um pouco sobre o conteúdo do Código Civil de 2002.
Contudo, antes, vamos analisar o que dizem Maranhão & Macieira (2010, p. 1-2) 
sobre as formações sociais 
[...] quaisquer grupos socialmente constituídos e organizados, tais 
como fábrica, loja, escola, governo (federal, estadual ou municipal), 
hospital, família, indivíduo, supermercado, creche, clube, escola de 
samba, instituição de caridade, etc…, com uma finalidade comum.
O Código Civil Brasileiro é o conjunto de normas que, com base na Consti-
tuição Federal, determina os direitos e deveres das pessoas físicas e jurídi-
cas, relativos aos bens e às suas relações no âmbito privado. Ele apresenta 
a definição de sociedades como sendo grupos sociais que se personificam 
com a intenção de concretizar finalidades lícitas e sociais, que se estruturam 
com base nos seus objetivos.
Fonte: a autora.
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E88
Ou seja, para Maranhão e Macieira (2010), as organizações são qualquer 
agrupamento de pessoas que estejam alinhados por um mesmo objetivo ou fina-
lidade. Vemos que todos os grupos unidos são organizações, mas se elas não se 
formalizarem juridicamente, serão informais. Partindo desta base, afinal, quais 
são as organizações formais? 
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito pri-
vado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, prece-
dida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Execu-
tivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato 
constitutivo (BRASIL/CCB, 2002, on-line)1.
São todos os agrupamentos de pessoas, com uma finalidade comum entre si, que 
se constituíram em um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ou seja,[...] num sentido mais geral, as organizações são constituídas de indi-
víduos, que formam os grupos, que formam as empresas, que formam 
uma nação, cujo conjunto juridicamente organizado forma um estado 
ou país. Diz-se que um estado ou país, com relação ao ponto de vista 
social, pode formar uma ou mais nações, cada qual por sua vez, ao 
longo do tempo forma um determinado “tecido social” que tem carac-
terísticas comportamentais próprias, cujo aspecto é conhecido como 
cultura (MARANHÃO; MACIEIRA, 2010, p. 1-2). 
Elas formam este “tecido social” que os autores indicam. Inclusive, com o tempo 
podem mudar comportamentos, cultura e até auxiliar na construção de políti-
cas públicas. Para o Código Civil Brasileiro (CCB/2002), “as pessoas jurídicas 
são de direito público, interno ou externo, e de direito privado” (BRASIL, 2002, 
on-line)2. Como já estudamos, as de direito público são todos os entes que com-
põem a administração pública, direta ou indireta. Já as de direito privado são todas 
as outras que não são de direito público. Por esse motivo, listaremos as nomen-
claturas do CCB para as de direito privado e, em seguida, vamos direcionar o 
nosso estudo para aquelas que não possuem como finalidade essencial o lucro. 
No art. 44 do CCB/2002, 
São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações;
II- as sociedades;
III - as fundações;
IV - as organizações religiosas;
As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
89
V - os partidos politicos;
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada (BRASIL, 
2002, on-line)3.
Caro(a) aluno(a), você deve estar se perguntando, se todas estas pessoas jurí-
dicas estão em um mesmo conceito, o que as diferencia? Vamos, então, aos 
esclarecimentos! 
Por não ser o foco do nosso estudo, vamos identificar de forma bem sucinta 
a definição de sociedade, segundo o CCB/2002. De acordo com o art. 981, “cele-
bram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, 
com bens ou serviços, para o exercício da atividade econômica e a partilha, entre 
si, dos resultados” (BRASIL/CCB, 2002, on-line). Ou seja, a finalidade existencial 
da sociedade é a obtenção de lucro através de atividade econômica e a divisão 
do excedente econômico entre seus sócios. 
Já a definição de empresa individual de responsabilidade limitada está no 
art. 980-A do CCB/2002, em que será formada por uma única pessoa e fará uso 
da expressão EIRELI, ao final. Ambas definições visam desenvolver atividade 
econômica com a finalidade de distribuir o excedente financeiro ao(s) sócio(s). 
Estes dois termos não se aplicam ao Terceiro Setor, ok? 
Agora, nos resta olhar para associações, fundações, organizações religiosas e 
partidos políticos. Com relação aos partidos políticos, sua regulamentação não 
está no CCB, mas na Lei 9.096/1995, em seu art. 1º define que eles tem a finalidade 
de “assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema 
representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na Constituição 
Federal” (BRASIL, 1995, on-line)5. Já no § 6o do art. 44, define que “No exer-
cício financeiro em que a fundação ou instituto de pesquisa não despender a 
totalidade dos recursos que lhe forem assinalados, a eventual sobra poderá ser 
revertida para outras atividades partidárias” (BRASIL, 1995, on-line)6, ou seja, os 
recursos excedentes deverão ser aplicados somente nas finalidades partidárias. 
Quanto às organizações religiosas, o CCB/2002 as incluiu entre as pessoas 
jurídicas de direito privado. Elas são caracterizadas por serem sem fins econô-
micos e com finalidades confessionais, religiosas e por terem a obrigatoriedade 
de aplicar os excedentes financeiros (conhecidos como lucro) na sua finalidade, 
sem distribuição entre a irmandade (associados). 
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E90
Caro(a) aluno(a), você consegue perceber por que muitas vezes as pessoas 
confundem a composição do Terceiro Setor? Tem muita pessoa jurídica, que não 
tem finalidade de lucro, e isso acaba por causar muita confusão quando estu-
damos o assunto.
Atualmente as definições sobre a composição do Terceiro Setor se apoiam entre 
as Associações e as Fundações. Sobre as associações, o art.53 do CCB/2002 
define que: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que se orga-
nizam para fins não econômicos” (BRASIL/CCB, 2002, on-line)7. Lembrando 
que a Constituição Federal (1988) em seu art. 5º, inciso XVII, prevê e assegura 
o direito à livre associação para fins lícitos. 
Já acerca das fundações, o art. 62 do CCB/2002 determina que “Para criar 
uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dota-
ção especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, 
se quiser, a maneira de administrá-la” (BRASIL, 2002, on-line)8 e traz em seus 
incisos as finalidades específicas para as quais uma fundação pode ser criada. 
Para Araújo e Carrenho (2009):
As fundações privadas são entidades de direito privado com fim altruísti-
co, dotadas de personalidade jurídica. Elas são administradas segundo as 
determinações de seus fundamentos e criadas por vontade de um insti-
tuidor, que pode ser pessoa física ou jurídica capaz de designar um patri-
mônio no ato da sua constituição. (ARAÚJO; CARRENHO, 2009, p. 3).
As empresas fornecem bens ou serviços. O governo controla. A tarefa de uma 
empresa termina quando cliente compra o produto, paga por ele e fica sa-
tisfeito. O governo cumpre sua função quando suas políticas são eficazes. A 
instituição sem fins lucrativos não fornece bens ou serviços, nem controla. Seu 
produto não é um par de sapatos, nem um regulamento eficaz. Seu produ-
to é um ser humano mudado. As instituições sem fins lucrativos são agentes 
de mudanças humanas. Seu produto é um paciente curado, uma criança que 
aprende, um jovem que se transforma em um adulto com respeito próprio, 
isto é, toda uma vida transformada.
Fonte: Drucker (1994, p. XIV).
As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
91
Em muitos casos, as fundações nascem vinculadas às empresas porque seu 
instituidor atrela os recursos para a manutenção das ações, aos recursos (de toda 
espécie) disponíveis na empresa, garantindo, assim, sua existência por muito 
mais tempo, até que se consolide em ações. 
Caro(a) acadêmico(a), trouxemos as bases iniciais para que você tivesse con-
dição de compreender as diferenças entre as pessoas jurídicas de direito privado. 
Agora, vamos adentrar um pouco mais nos temas que envolvem as associações e 
as fundações.
Associações
Como já vimos, as associações são formadas por grupos de pessoas com um obje-
tivo/missão em comum, sem fins econômicos. O fato de uma associação não ter 
em sua finalidade principal a lucratividade, não quer dizer que ela não possa rea-
lizar atividades econômicas para a manutenção de suas atividades. Ela precisa 
realizar atividades econômicas justamente para garantir a manutenção da orga-
nização, ampliação do atendimento, garantindo, assim, a aplicação de todos os 
seus recursos na consecução dos seus objetivos estatutários. 
Sendo assim, entendemos que associação é toda união de pessoas, criada 
com um fim determinado, seja de ordem beneficente, literária, científica, artís-
tica, recreativa, desportiva ou política, desde que sua finalidade principal não seja 
lucrativa. Sua finalidade pode ser altruística – como uma associação beneficente 
que atende a uma comunidade sem restrições – ou não altruística – no sentido 
de que se restringe a um grupo seleto e homogêneo de associados. 
Como se constitui uma associação? Ela ocorrepor meio do registro de seu 
Estatuto Social, que é composto por cláusulas e prevê os deveres e os direitos da 
associação e seus associados, devendo ser registrado em um Cartório de Registro 
Civil de Pessoas Jurídicas. Assumindo a forma de personalidade jurídica. Conforme 
previsto no Código Civil (2002), em seu art. 53, o estatuto deverá, obrigatoria-
mente, conter:
I – a denominação, os fins e a sede da associação;
II – os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E92
III – os direitos e deveres dos associados;
IV – as fontes de recursos para sua manutenção;
V – o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos 
e administrativos;
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos delibera-
tivos;
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a 
dissolução.
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas 
contas (BRASIL/CCB, 2002, on-line)9.
Também deve ser registrada a Ata de Constituição, em um Cartório de Registro 
Civil de Pessoas Jurídicas. Somente após o registro é que a associação passa a 
adquirir a plena capacidade e direito, ou seja, passa a ter personalidade jurídica. 
É somente a partir disso que ela estará apta a realizar qualquer ação. Para sua 
plena formalização, a Associação necessita ainda de outros registros, a saber: 
 ■ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), funciona como um “CPF” 
da pessoa jurídica;
 ■ Cadastro Municipal, Cadastro Estadual e Cadastro Federal, esses cadastros 
vinculados a algumas legislações específicas, possibilitam à associação a 
solicitação de benefícios e também a isenção de algumas taxas e impostos.
Para nos certificarmos de que o conceito de associações está bem claro, vamos 
trazer algumas definições bem pontuais: 
[…] é a congregação de certo número de pessoas que expõe em comum 
conhecimentos e serviços voltados a um mesmo ideal e movidos por 
um mesmo objetivo, seja associação econômica ou não, com capital ou 
sem, mas sem jamais com intuito lucrativo [...]. Sua finalidade pode ser 
altruísta – como uma associação beneficente que atende a uma comu-
nidade sem restrições qualificadas – ou egoística, que se restringe a um 
grupo seleto homogêneo de associados. [...] conceitualmente, a asso-
ciação é uma pessoa jurídica de direito privado voltado à realização de 
atividades culturais sociais, religiosas e recreativas, além de outras cuja 
existência ocorre com a inscrição de seu estatuto no registro competen-
te, desde que tenha objetivo lícito e esteja regularmente organizada [...]. 
(VILLAS BOAS NETO apud CAMARGO, 2003, p. 50).
As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
93
Muitas associações têm como núcleo central o indivíduo, seja nas suas ações, 
no seu trabalho, nas suas finalidades, ou mesmo como recurso de manutenção 
e sobrevivência. No site eletrônico do SEBRAE, existe uma lista com alguns dos 
tipos mais comuns de associações, exemplificados a seguir: 
Associação filantrópica: reúne voluntários que prestam assistência so-
cial a crianças, idosos, pessoas carentes. Seu caráter é basicamente o da 
assistência social.
Associação de pais e mestres: representa a organização da comunida-
de escolar para obter melhores condições de ensino e de integração da 
escola com a comunidade.
Associação em defesa da vida: normalmente é organizada para defen-
der pessoas em condições marginais na sociedade ou que não estão em 
condições de superar as próprias limitações.
Associação de consumidores: organização voltada para o fortalecimen-
to dos consumidores frente aos comerciantes, à indústria e ao governo.
Associação de classe: representa os interesses de determinada classe 
profissional e/ou empresarial.
Associação de produtores: incluem produtores, pequenos proprietá-
rios rurais e artesãos que se organizam para realizar atividades produ-
tivas e ou defesa de interesses comuns e representação política.
Associações culturais, desportivas e sociais: organizadas por pessoas 
ligadas ao meio artístico, têm objetivos educacionais e de promoção 
de temas relacionados às artes e a questões polêmicas da sociedade. 
Fazem parte desse grupo ainda os clubes esportivos e sociais (SEBRAE, 
on-line)10.
Aqui, nosso estudo se volta às associações sem fins lucrativos que atendem deman-
das sociais, culturais, ambientais, educacionais, de saúde, de assessoramento e 
de defesa e garantia de direitos. Atualmente, são estas que compõe o chamado 
“Terceiro Setor”. Uma vez que recentemente a Lei nº 13.019/2014, definiu a com-
posição das organizações da sociedade civil, instituindo uma nova sigla, a OSC, 
para designar organizações que podem estabelecer parcerias (com destinação de 
recursos financeiros ou sem eles) com órgãos do poder público e as conceituou. 
Caro(a) aluno(a), vamos agora conhecer um pouco a respeito das Fundações, 
para saber qual a diferença entre as associações e as fundações.
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E94
Fundações
Como se constitui uma Fundação? Como já vimos, o Código Civil, no art. 62, 
determina que deve haver uma dotação especial de bens livres, deixando claro 
a finalidade daquela organização e somente poderá ser constituída para fins de:
[…] assistência social; cultura, defesa e conservação do patrimônio his-
tórico e artístico; educação; saúde; segurança alimentar e nutricional; 
defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do 
desenvolvimento sustentável; pesquisa científica, desenvolvimento de 
tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produ-
ção e divulgação de informações e conhecimento técnicos e científicos; 
promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos huma-
nos; e atividades religiosas (BRASIL, 2002, on-line)11.
Como pudemos constatar com o Código Civil, faz-se necessário que seja reali-
zada uma declaração, explicitando claramente que o fundador possui o desejo 
de constituir tal fundação, bem como especificar os bens que serão destinados 
a ela para formação do seu patrimônio. Como vimos na Lei, a declaração pode 
vir na forma de testamento. Ainda com base no CCB/2002,
Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela 
destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incor-
porados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante 
(BRASIL, 2002, on-line)12.
E ainda, que se:
Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o ins-
tituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, 
sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome 
dela, por mandado judicial (BRASIL, 2002, on-line)13.
De acordo com o art. 65, o Estatuto da Fundação tem um prazo para ser ela-
borado e é definido por seu fundador, em testamento ou entre vivos, caso este 
prazo não seja atendido, caberá ao Ministério Público esta tarefa (BRASIL, 2002). 
As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
95
Assim como as associações, as fundações também devem possuir Estatuto que 
a regulamente e devem ser construídos de acordo com as regras legais. Quem 
autoriza o registro da fundação é o Ministério Público, somente após a auto-
rização é que escritura definitiva deve ser lavrada em Tabelião de Notas e, em 
seguida, deve ser registrada no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 
Quando a fundação é constituída a partir de testamento, a avaliação e autoriza-
ção do Ministério Público é dispensada. 
Logo, as fundações sãoformadas pela constituição de um patrimônio de per-
sonalidade jurídica e devem ter como núcleo central o patrimônio, que deve estar 
voltado para uma finalidade social. Elas podem ser formadas por pessoas, por 
empresas, ou até mesmo pelo poder público. Quando as fundações são consti-
tuídas pelo poder público, são denominadas fundações públicas (não será foco 
do nosso estudo neste momento, mas nada impede que você pesquise sobre o 
assunto, que tal?).
As Fundações não têm tempo pré-determinado para encerrarem suas ati-
vidades, pois estão sujeitas ao controle e à avaliação permanente do Ministério 
Público. Assim como as associações, as fundações também devem possuir:
 ■ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), funciona como um “CPF” 
da pessoa jurídica;
 ■ Cadastro Municipal, Cadastro Estadual, Cadastro Federal e outros que se 
fizerem necessários, de acordo com a área específica de atuação.
O CCB/2002 define que associações e fundações também possuem um 
“nome empresarial”. O que você compreende por nome empresarial? Leia o 
art.1155, do CCB, e descubra mais sobre o assunto.
Fonte: Código Civil Brasileiro (2002).
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E96
E, em geral, as fundações são administradas por:
1. Conselho Curador: decide em linhas gerais quanto à forma de atuação 
da fundação;
2. Conselho Administrativo ou Diretoria: é o órgão executor;
3. Conselho Fiscal: realiza o acompanhamento das contas da fundação.
Para que você consiga compreender melhor, seguem alguns exemplos de Fundação 
Privada e suas finalidades:
 ■ Fundação Bradesco: 
Desde 1956, a Fundação Bradesco oferece educação gratuita e de qua-
lidade a milhares de jovens em todos os estados do Brasil. Sua mis-
são é promover a inclusão social por meio da educação e atuar como 
multiplicadora das melhores práticas pedagógico-educacionais junto 
à população menos favorecida (FUNDAÇÃO BRADESCO, on-line)14.
 ■ Fundação das Nações Unidas: criada por Ted Turner, e possui como obje-
tivo apoiar e divulgar os trabalhos realizados pela ONU. 
A Fundação das Nações Unidas liga o trabalho da ONU com outras 
pessoas ao redor do mundo, mobilizando a energia e os conhecimen-
tos das organizações empresariais e não governamentais para ajudar 
as questões das Nações Unidas, incluindo mudanças climáticas, saúde 
global, paz e segurança, capacitação das mulheres, erradicação da po-
breza, energia acesso e relações EUA-ONU. A Fundação das Nações 
Unidas tem a honra de trabalhar com você e as Nações Unidas para 
promover um mundo mais pacífico, próspero e justo (UNITED NA-
TIONS FOUNDATION, 2017, on-line)15.
 ■ Fundação Telefônica Vivo: Foi fundada em 1999, apoia projetos na área 
da proteção dos direitos da criança e do adolescente em todo o Brasil. 
Tem feito uso da tecnologia, do conhecimento, da educação e da inovação 
para buscar respostas aos desafios sociais, trabalhando a favor da cultura 
digital, visando a promoção do desenvolvimento social (FUNDAÇÃO 
TELEFÔNICA VIVO, 2017, on-line)16. 
 ■ Fundação Itaú Social: fundada em 2000, mas com projetos sendo desen-
volvidos desde 1993, 
a Fundação Itaú Social desenvolve, implementa e compartilha tec-
nologias sociais para contribuir com a melhoria da educação pública 
As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
97
brasileira. Sua forma de atuação está fundamentada na realização de 
programas próprios, na oferta de fomento a iniciativas realizadas por 
outras organizações do Terceiro Setor (organizações da sociedade civil, 
coletivos e outros institutos e fundações empresariais) e no desenvolvi-
mento de pesquisas sobre práticas educacionais e políticas públicas em 
vigor (ITAÚ SOCIAL, 2017, on-line)17. 
 ■ Fundação Lemann: o empresário Jorge Paulo Lemann a fundou em 2002 
e a define como uma organização familiar sem fins lucrativos, com a fina-
lidade de desenvolver e apoiar projetos inovadores em educação, além de 
realizar pesquisas para embase de políticas públicas e para o aprimora-
mento de lideranças (FUNDAÇÃO LEMANN, 2017, on-line)18.
Caro(a) aluno(a), vimos a definição de fundação pelo Código Civil Brasileiro e 
os exemplos dela. Agora, temos alguns conceitos a compartilhar com você para 
consolidar seu conhecimento a respeito das fundações. Segundo Szazi (apud 
Villas Boas Neto, 2003, p. 51), fundação “É um patrimônio destinado a ser-
vir, sem intuito de lucro, a uma causa de interesse público ou por indivíduos ou 
empresas, quando assumem natureza de direito privado”. Ou que:
[…] fundações são entidades sem fins lucrativos que adotam uma pos-
tura mais austera, em se tratando de legislação. Pertencem a uma cate-
goria com fundamentos jurídicos, de direito privado, cuja composição 
interna resulta da destinação, por pessoas físicas ou jurídicas, de um 
patrimônio vinculado a um fim específico. (OLIVEIRA, 2005, p. 50)
Para facilitar o estudo e contribuir com a sua memorização, elaboramos um qua-
dro com as diferenças entre associações e fundações. Embora sejam bem parecidas 
nas suas finalidades, têm alguns pontos essenciais que as separa.
Quadro 1 - Principais diferenças entre Fundação e Associação.
PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE FUNDAÇÃO 
E ASSOCIAÇÃO
Fundação Associação
Caracteriza-se pela organização de um patrimô-
nio (conjunto de bens), destinado a um objetivo 
determinado
Caracteriza-se pela união de pessoas, que 
se organizam para um fim determinado.
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E98
Na constituição da Fundação, o patrimônio é 
uma exigência.
Não exige patrimônio.
Na sua criação deve indicar a sua finalidade, 
que deve ser permanente, seguindo o que foi 
determinado pelo seu fundador.
Na sua criação deve indicar a sua finali-
dade, podendo ser alterada pelos seus 
associados.
Suas atividades são acompanhadas acentua-
damente pelo Ministério Público, tendo a fun-
dação a obrigação de anualmente apresentar 
relatórios contábeis e operacionais.
Suas atividades podem ser acompanha-
das de forma geral e bastante fluída pelo 
Ministério Público.
Fonte: adaptado do Manual do Terceiro Setor.
Termos Informais utilizados e seus significados
Estas são algumas terminologias utilizadas quando se fala em organizações sem 
fins lucrativos ou em Terceiro Setor. Para que tenha condições de conhecer as 
diferenças ou semelhanças, trouxemos a discussão para o nosso estudo.
Organização não governamental (ONG) 
É constituída pelo agrupamento de pessoas e se estrutura sob a forma de insti-
tuição da sociedade civil, também sem fins lucrativos. Traz como seus objetivos 
mais comuns a luta pelas causas coletivas ou então o seu apoio. Surge geralmente 
de forma espontânea, sua constituição formal é menos burocratizada que as já 
citadas anteriormente. 
Se estiver trabalhando na gestão de uma fundação, conheça todos os do-
cumentos de constituição e finalidades dela, pois segundo o art. 50, do 
CCB/2002:
Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de fi-
nalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da 
parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que 
os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos 
aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica
Fonte: Código Civil Brasileiro (2002, on-line)19.
As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
99
Colabora para a construção da cidadania, pois possui como marca forte a 
ação de fiscalização da sociedade civil sobre a sociedade política, bem como no 
gerenciamento de assuntospúblicos.
Devido a maior flexibilidade, deve-se ter muito cuidado para que as ONGs 
não venham se tornar um espaço de corrupção, por meio do desvio de verbas 
públicas ou até mesmo na sua utilização incorreta, desviando da sua finalidade.
A expressão ONG foi criada pela Organização das Nações Unidas 
(ONU) na década de 1940, para designar entidades não oficiais que 
recebam ajuda financeira para executar projetos de interesse de grupos 
e comunidades. Hoje ela diz respeito a coisas tão diferentes quanto à 
Associação Internacional de Uniões de Consumidores, à Anistia Inter-
nacional ou aos Amigos da Terra, uma das maiores organizações ecoló-
gicas do mundo, com filiais em 47 países (DIAS, 2005, p.125).
No Brasil, o termo ONG ganhou representatividade nas décadas de 1970 e 1980 
junto a organizações populares que tinham por objetivo a promoção da cidada-
nia, defesa dos direitos pela democracia e por uma política social que desse conta 
das reais necessidades da população. Atualmente, algumas pessoas acreditam 
que tenha sido abolida a sigla (o símbolo), mas ainda vem sendo utilizada por 
instituições que atuam sem executar algum tipo de parceria com órgãos públi-
cos ou de economia mista. 
Algumas pessoas atrelam o conceito de ONG aos movimentos sociais, 
devido a sua origem e finalidades, mas para que você possa visualizar melhor as 
diferenças ou semelhanças, observe o quadro a seguir: 
Quadro 2 - Principais diferenças entre ONG e movimentos 
PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE ONG E 
MOVIMENTOS
ONG Movimentos
São institucionalizadas Não são institucionalizados
Podem ser sistemas de relações internas 
informais pouco burocratizadas, mas 
precisam ser, no mínimo, eficientes.
Os movimentos não, eles têm fluxo e 
refluxos, não são exatamente estruturas 
funcionais. São aglomerados polivalentes, 
multiformes, descontínuos, pouco aden-
sados, não necessitam compromisso com 
eficácia operacional, a não ser algum tipo de 
resultado para suas bases.
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E100
Elas têm de se preocupar com a pereni-
dade para sobreviver, e ter um cotidiano 
contínuo. Seus orçamentos ocupam maior 
parte do tempo dos dirigentes.
Os movimentos não, eles não têm de fazer 
balancetes, prestar contas ou pagar funcio-
nários.
A lógica que preside as ONGs tem de se 
basear na ação racional.
Os movimentos são um misto não racio-
nal/racional e até de irracional em certos 
momentos.
Fonte: Gohn (2000, p. 49).
Finalizando este tema, trouxemos algumas definições sobre o conceito não for-
mal, que muitas vezes se vê representado no Terceiro Setor. 
As características das ONGs, resumem-se com nitidez na ideia do ‘pri-
vado com funções públicas’. São instituições propriamente privadas, 
mas sem fins lucrativos. Lucros eventuais devem ser reinvestidos nas 
atividades fins, não cabendo a sua distribuição, enquanto tais, entre os 
membros da organização. Para que este princípio seja resguardado, os 
responsáveis legais de uma ONG (seus diretores) não podem receber 
remuneração através de salários. O capital acumulado por uma ONG 
não pode converter no patrimônio dos seus executivos. Não há herdei-
ros neste caso. Quando o criador ou criadores de uma ONG desapare-
ce, seus bens devem ser transferidos para outra organização do mesmo 
gênero. (FERNANDES apud VILLAS BOAS NETO, 2003, p.50)
Após estudar todos esses conceitos, caberá a você, caro(a) aluno(a), avaliar e pes-
quisar quais conceitos se aplicam melhor. Você irá perceber que alguns deles são 
opostos ou mesmo complementares entre si, mas estão aqui para que você possa 
exercitar sua capacidade de reflexão e análise crítica. Segue:
As ONGs, não existem como personalidade jurídica, legalmente são 
registradas como sociedades civis sem fins lucrativos (associações) ou 
como fundações, são reconhecidos juridicamente no Código Civil Bra-
sileiro (Lei n.3.107, de 01-01-1916) como pessoas jurídicas de direito 
privado. (TENÓRIO, 2003, p. 50)
 Ou mesmo, a afirmação de que
[...] simbolizam o espaço de participação da sociedade civil organizada. 
Em geral atuam na defesa e luta por causas sociais. Exercem um papel 
de destaque na pressão política, estatal e empresarial, usufruindo pres-
tígio perante a opinião pública e assumindo uma posição de referência 
junto à sociedade. (OLIVEIRA, 2005, p.50)
As Pessoas Jurídicas e as Entidades do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
101
Nós fornecemos conceitos, bases teóricas e legais para o termo. Avalie se com-
pete o uso deste ou de outro termo, na descrição da organização em que você 
se insere. Vejamos, agora, sobre um outro conceito e nomenclatura bastante 
utilizado, inclusive como nome formal (razão social) de muitas empresas e orga-
nizações sem fins lucrativos.
Institutos
Pode ser atribuída esta nomenclatura à organizações públicas ou privadas. No 
que diz respeito às organizações da administração pública, é um termo que tem 
sido utilizado para pesquisa científica em diversas áreas, tanto no setor público, 
como no privado, e se completa em Cazumbá: 
[…] na definição da razão social dessa nova entidade (nome institucio-
nal), pode ser inserida a palavra Instituto, que é bastante utilizada pelas 
organizações do Terceiro Setor. No entanto, nada impede que empresas 
privadas, ou mesmo entidades públicas (principalmente as fundações 
públicas e autarquias), também a utilizem, a exemplo do IBGE – Insti-
tuto Brasileiro de Geografia e Estatística, e o IBAMA – Instituto Brasi-
leiro do Meio Ambiente. Desse modo, apesar de usualmente aplicado 
no Terceiro Setor, o termo Instituto não é específico ou exclusivo deste 
grupo (CAZUMBÁ, 2016, on-line)20.
Ao pensarmos no termo “instituto”, podemos verificar que ele: 
[…] não corresponde a uma espécie de pessoa jurídica, podendo ser 
utilizado por uma entidade governamental ou privada, lucrativa ou 
não lucrativa, constituída sob a forma de fundação ou de associação. 
Usualmente, vemos o termo ‘instituto’ associado a entidades dedicadas 
à educação e pesquisa ou à produção científica (SZAZI apud VILLAS 
BOAS NETO, 2003, p. 51).
Considerando a citação do autor anterior, podemos compreender que instituto 
é a denominação dada a determinadas entidades em que tanto uma organização 
pública e uma associação quanto uma fundação ou sociedade podem receber a 
denominação de instituto. Porém, o termo instituto tem sido aplicado com fre-
quência para identificação de algumas sociedades sem fins lucrativos. O que 
em síntese significa que instituto é o termo que pode ser atribuído a quase toda 
organização sem fins lucrativos, pois não existe registro atualmente de uma regra 
formal para seu uso. Assim como não há uma definição que seja pautada em lei.
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E102
São definições que estão pautadas nas origens do termo, ainda na Reforma 
do Estado. Reiterando, Oliveira (2005) afirma que os institutos: 
[...] são uma categoria atribuída a entidades de diversas áreas, como 
literária, científica, beneficente, entre outras. Dessa forma, implica na 
significação do regime particular imposto à entidade, em virtude das 
regras em que foi formatada, podendo constituir uma instituição de 
qualquer um dos setores da sociedade (OLIVEIRA, 2005, p. 50).
Além do uso do termo “instituto”, algumas pessoas chamam de organizações, 
por serem organizadas como as empresas; de entidades, por serem entes priva-
dos; e, ainda, por instituições, conforme veremos a seguir.
Instituições
Instituição pode ser pública ou privada e não corresponde a uma pessoa jurí-
dica. A palavra Instituição vem do latim institutione, que está ligada à ideia de 
sistema, de algo instituído e estabelecido. Ela está ligada também à ordem de uti-
lidadepública. Como podemos citar: “A equipe de atletas realizou uma visita em 
uma instituição educativa”, ou “A gerência organizou uma campanha do agasa-
lho para uma instituição de caridade social”.
De acordo com alguns autores e com o Manual do Terceiro Setor, a palavra 
instituição não se trata de uma pessoa jurídica, contudo está associada e pode 
ser utilizada dependendo do contexto, como um sinônimo para organização, 
entidade e/ou fundação.
A palavra instituição pode ser usada como sinônimo de fundação, 
organização ou entidade, dependendo do contexto. Em alguns casos, 
falar de ‘instituição educativa’ é o mesmo que ‘instituto educativo’ ou 
‘estabelecimento escolar’.
A instituição, no entanto, não é necessariamente um lugar físico. As 
normas de conduta, os preceitos e os costumes que regem uma socie-
dade também são consideradas instituições. Neste sentido, instituições 
(no plural) são, para além de uma estrutura de ordem social que rege 
o funcionamento de uma sociedade, leis fundamentais por que se rege 
um país. Fazer uma reverência em forma de saudação ou fazer o sinal 
da cruz ao entrar numa igreja são instituições sociais.
Bases Legais do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
103
As instituições políticas, por fim, fazem referência às organizações fun-
damentais de um Estado ou de uma nação. Estas instituições são os 
órgãos do poder soberano no território em questão (CONCEITO DE, 
2013, on-line)21.
Os termos que estudamos neste tópico, dizem respeito às denominações infor-
mais, que são utilizadas como caracterizadoras do Terceiro Setor. Porém, diante 
de tantas informações, estamos certas de que você já tem condições de diferen-
ciá-las das nomenclaturas formais que já estudamos, não é verdade?
BASES LEGAIS DO TERCEIRO SETOR
Caro(a) aluno(a), vamos conversar um pouco sobre alguns preceitos legais que 
garantem a atuação das organizações do Terceiro Setor, iniciando nosso estudo 
com nossos olhos voltados para a Constituição Federal de 1988.
Da Constituição Federal de 1988 ao Marco Regulatório do Terceiro Setor
Com base nos direitos assegurados 
pela Constituição Federal, muitas 
associações sem fins lucrativos, que 
tem a finalidade de reduzir as desi-
gualdades, proteger o ser humano, o 
meio ambiente e tudo que o cerca, 
tem nos seus fundamentos e objeti-
vos essenciais contidos nos artigos 2º 
e 3º da Carta Magna. 
Neste artigos são asseguradas a 
cidadania e a dignidade da pessoa 
humana (entre outros), visando à 
construção de uma sociedade livre, 
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E104
justa e solidária, a erradicação da pobreza e da marginalização bem como a 
redução das desigualdades sociais e regionais, promovendo o bem de todos sem 
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou outras formas de discriminação.
Considerando esta base constitucional, percebemos que muitas organizações 
que atualmente compõem o Terceiro Setor nasceram para garantir a efetividade 
destes direitos, outras induziram tais direitos à Constituição, por meio dos movi-
mentos sociais do final da década de 1970 à década de 1980. Emergiram a partir 
de tudo o que estudamos até aqui, sobre as motivações que levam os indivíduos 
a se agruparem para a busca de soluções sociais.
O art. 5º da CF/88 traz algumas definições sobre a criação e a extinção de 
associações, o que garante também a sua constituição, formalização e existên-
cia jurídica e formal, 
[...] XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a 
de caráter paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas 
independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em 
seu funcionamento; 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou 
ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no pri-
meiro caso, o trânsito em julgado; 
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer 
associado; 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, 
têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudi-
cialmente [...] (BRASIL, CF, 1988, on-line)22.
A CF/88 trata de outras formas de associação, mas vamos nos deter ao nosso 
tema e discutir os artigos que nos remetem às ações que são desenvolvidas por 
organizações do chamado Terceiro Setor e organizações sem fins lucrativos de 
outras naturezas. 
Quando se trata de possibilidade de atuação destas organizações na luta pela 
efetivação e garantia de direitos, a CF/88 tem no art. 6ª todo seu aparato de obje-
tivos e finalidades que são defendidos nas ações, nos projetos e nas atividades, 
são os direitos sociais: “a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, 
o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade 
e à infância, a assistência aos desamparados” (BRASIL, 1988, on-line). Destes 
Bases Legais do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
105
direitos são poucos que não são bandeiras institucionais de organizações sem 
fins lucrativos. Ainda podemos incluir a cultura, o esporte, o meio ambiente e 
alguns direitos de parcelas específicas da população (idosos, crianças e adoles-
centes, mulheres vítimas de violência, entre outros).
O art. 199 define que “A assistência à saúde é livre à iniciativa privada”, e no 
§ 1º determina sobre a possibilidade de repasses, determinando que: 
[…] as instituições privadas poderão participar de forma complemen-
tar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante con-
trato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades 
filantrópicas e as sem fins lucrativos (BRASIL, 1988, on-line)24.
O art. 203, da CF/88, determina que “a assistência social será prestada a quem 
dela necessitar, independente de contribuição à seguridade social [...]” e no art. 
204, que, 
[…] as ações governamentais na área da assistência social serão rea-
lizadas com recursos do orçamento da seguridade social previstos no 
art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes 
diretrizes: 
I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e 
as normas gerais à esfera federal, e a coordenação e a execução dos 
respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a en-
tidades beneficentes e de assistência social
II - participação da população, por meio de organizações representa-
tivas, na formulação das políticas públicas e no controle das ações em 
todos os níveis (BRASIL, 1988, on-line, grifo nosso)25.
Já no que se refere à possibilidade de inserção de organizações sem fins lucrativos 
na execução dos recursos públicos, já podemos encontrar no art. 61, vinculado 
ao art. 213, que definem:
Art. 61. As entidades educacionais a que se refere o art. 213, bem como 
as fundações de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada 
por lei, que preencham os requisitos dos incisos I e II do referido artigo 
e que, nos últimos três anos, tenham recebido recursos públicos, pode-
rão continuar a recebê-los, salvo disposição legal em contrário.
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, po-
dendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópi-
cas, definidas em lei, que:
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E106
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes fi-
nanceiros em educação;
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comu-
nitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de 
encerramento de suas atividades.
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderãoser destinados a bolsas 
de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os 
que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de 
vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do 
educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamen-
te na expansão de sua rede na localidade.
§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento 
à inovação realizadas por universidades e/ou por instituições de edu-
cação profissional e tecnológica poderão receber apoio financeiro do 
Poder Público (BRASIL, 1988, on-line)26.
Entretanto, para que as organizações façam jus a tais recursos, existe uma série 
de regras e normas que precisam ser cumpridas. Por exemplo, para a isenção 
da contribuição previdenciária, a nossa conhecida “cota patronal”, as organiza-
ções sem fins lucrativos precisam cumprir uma série de requisitos e entregar 
documentação ao respectivo Ministério concedente da certificação, a CEBAS – 
a estudaremos um pouco mais a frente. 
Mas, em síntese, após a entrega da documentação solicitada, cabe a cada 
Ministério avaliar e conceder/ou não às organizações a sua certificação; cabendo 
ao Ministério da Educação avaliar e conceder às organizações da área educacio-
nal; ao Ministério da Saúde, certificá-las quando for o caso; e ao Ministério do 
Desenvolvimento Social e Agrário, a certificação das organizações da área da 
assistência social, conforme a legislação vigente.
Além da CF/88, algumas legislações e normas norteiam atualmente o setor, 
como, por exemplo, a política pública que trata da assistência social, a organi-
zação se dá a partir da Lei nº 8.742/1993, a Lei Orgânica da Assistência Social 
(LOAS), que traz em seu art. 1º, que sendo ela um direito do cidadão, deve prover 
através de “um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade” 
os meios “para garantir o atendimento das necessidades básicas”, reiterando os 
objetivos preconizados na CF/88. Constituição Federal que em seu art. 3º carac-
teriza as entidades e organizações de assistência social como, “aquelas sem fins 
Bases Legais do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
107
lucrativos que, isolada ou cumulativamente, prestam atendimento e assessora-
mento aos beneficiários abrangidos por esta Lei, bem como as que atuam na 
garantia e defesa de direitos” (BRASIL, 1993, on-line)27. E, que tem na Política 
Nacional de Assistência Social (PNAS) as diretrizes para a efetivação dos direi-
tos, estes são consolidados na disponibilização dos serviços através da rede do 
Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Serviços estes que tem sua orienta-
ção de composição e estrutura pautada na Norma Operacional Básica do Sistema 
Único de Assistência Social (NOB/SUAS/2012). Os serviços prestados no âmbito 
do SUAS são delimitados pela Resolução do Conselho Nacional de Assistência 
Social (CNAS) de nº 109/2011.
Na área da cultura, que também há organizações sem fins lucrativos visando 
o fortalecimento e divulgação da cultura nacional, foi promulgada, em 2001, a 
MP nº 2228-1, de 6 setembro que no seu art. 2º, inciso I, definiu os princípios 
gerais da Política Nacional do Cinema, como “promoção da cultura nacional e 
da língua portuguesa mediante o estímulo ao desenvolvimento da indústria cine-
matográfica e audiovisual nacional” (BRASIL, 2001, on-line)28. 
No ano de 2006, a Lei nº 11.438, de 20 de dezembro, dispôs sobre os incen-
tivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo, concedendo 
deduções à pessoa física e jurídica sobre o valor devido do imposto de renda, o 
que contribuiu para a ampliação das atividades desportivas tradicionais e para-
olímpicas em todo o país, assegurando melhoria da qualidade de vida e de saúde 
das pessoas. Pois trata em seu art. 2º que: 
[…] os projetos desportivos e paradesportivos, cujo favor serão capta-
dos e direcionados os recursos oriundos dos incentivos previstos nesta 
Lei, atenderão a pelo menos uma das seguintes manifestações, nos ter-
mos e condições definidas em regulamento:
I - desporto educacional;
II - desporto de participação;
III - desporto de rendimento.
§ 1o Poderão receber os recursos oriundos dos incentivos previstos nes-
ta Lei os projetos desportivos destinados a promover a inclusão social 
por meio do esporte, preferencialmente em comunidades de vulnera-
bilidade social (BRASIL, 2006, on-line)29.
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E108
Já em 2009, a Lei nº 12.101 dispos sobre a certificação de entidades de assistên-
cia social, inserindo neste rol a saúde, a educação e a assistência social, desde 
que atendendo aos parâmetros legais. A Lei nº 12.213/2010, visando assegurar 
a Política Nacional do Idoso e a execução das ações de proteção ao idoso, insti-
tui o Fundo Nacional do Idoso.
Para a proteção às pessoas acometidas pelo câncer, a Lei nº 12.715/2012 
instituiu o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica. Esta mesma lei 
criou o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoas com defi-
ciência entre outras disposições.
Na última década foram instituídos muitos mecanismos de proteção a segmen-
tos desprotegidos da sociedade, estes instrumentos se consolidaram em Políticas 
Públicas Setoriais, com posteriores regulamentações e normatizações a cada área. 
Não caberia aqui todas as normativas que podem fazer parte das ações do chamado 
Terceiro Setor, mas vamos finalizar esta discussão, falando sobre a Lei nº 13.019, 
do ano de 2014, que estabeleceu o regime jurídico para todo de tipo de parcerias 
entre as Organizações da Sociedade Civil (OSC) e os órgãos públicos. 
Essa lei também é conhecida como o Marco Regulatório do Terceiro Setor 
(MROSC), e definiu que para as organizações sem fins lucrativos que queiram 
fazer algum tipo de parceria (envolvendo ou não recursos) com o governo (em 
qualquer das suas três esferas) devem seguir seus parâmetros. Antes que ela 
entrasse em vigor, recebeu alterações pela Lei nº 13.204/2015, entrando em vigor 
para as OSC, em 2016, e para os municípios, em 1º de janeiro de 2017. Ela foi 
regulamentada pelo Decreto nº 8.726/2016. E se aplica a maior parte das orga-
nizações sem fins lucrativos. 
Caro(a) aluno(a), sobre as legislações é bom ficar sempre de olho, pois elas 
se atualizam rapidamente e precisamos acompanhar todas as alterações. Iremos 
agora direcionar nossos estudos para o complemento das legislações que estu-
damos e vamos conhecer as siglas e os nomes utilizados atualmente no Terceiro 
Setor. Já vimos sobre os nomes informais, agora iremos aos formais. 
Organizações do Terceiro Setor, as Titulações e as Qualificações
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
109
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR, AS 
TITULAÇÕES E AS QUALIFICAÇÕES
Já conhecemos muitos termos informais e já vimos alguns formais que estão 
caracterizando o Terceiro Setor atualmente. Nesse momento, vamos estudar a 
respeito de alguns em específico por estarem atrelados a normas, titulações ou 
qualificações. 
ORGANIZAÇÃO SOCIAL (OS)
É um termo que parece bem simples e sem uma característica formal, mas se 
engana quem imagina que é só um nome comum. Azevedo confirma que:
[…] a locução organização social, a nosso ver, é muito genérica, pois 
ambas as palavras têm um significado muito abrangente. De qualquer 
forma, foi a denominação que o legislador resolveu outorgar àquelas 
entidades, em substituição ao desmoralizado título de utilidade pública, 
concedido a entidades assistenciais que de beneficentes só tinham o 
rótulo, por servirem a interesses particulares. Conforme expôs o Pro-
fessor Paulo Modesto (então Assessor Especial do Ministério de Admi-
nistração e Reforma do Estado),no XII Congresso de Direito Admi-
nistrativo, em agosto de 1998, na impossibilidade política de revogar a 
Lei n. 91, de 1935, que regulava a aprovação do benefício “de utilidade 
pública”, o Governo resolveu aprovar outra lei, criando a nova qualifi-
cação (AZEVEDO, on-line)30.
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E110
Organização Social é um título, uma titulação concedida pelo Poder Executivo 
à pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas finalidades des-
tinem suas atividades para a pesquisa científica, o ensino, o desenvolvimento 
tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, com 
base na Lei Federal nº 9.637, datada de 18 de maio de 1998 e segundo Azevedo,
A organização social é uma qualificação, um título, que a Administração 
outorga a uma entidade privada, sem fins lucrativos, para que ela possa 
receber determinados benefícios do Poder Público (dotações orçamen-
tárias, isenções fiscais etc.), para a realização de seus fins, que devem ser 
necessariamente de interesse da comunidade. (AZEVEDO, on-line)31.
Trata-se de uma Lei Federal, mas não é de abrangência nacional, pois depen-
dendo da regulamentação municipal (com base nas peculiaridades das demandas 
a que cada município esteja sujeito). Grande parte dos municípios não efetuou 
tal regulamentação, gerando um número insignificante de Organizações Sociais 
qualificadas atualmente no país todo, menos de 10 no total. E nós, muitas vezes, 
utilizando o termo para as organizações, imaginando que cabia a todas!
ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO 
(OSCIP)
É uma titulação concedida com base na Lei 9.790 de 23 de março de 1999, regu-
lamentada pelo Decreto nº 3.100 de 30 de junho de 1999, que dispõe sobre a 
qualificação de pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos. As OSCIP 
podem relacionar-se com o Estado por meio de parceria e:
[…] este título tem como objetivo principal diferenciar aquelas insti-
tuições privadas de interesse público. São organizações que realizam 
assistência social, atividades culturais, defesa e conservação do patri-
mônio histórico e artístico, educação e saúde gratuita, preservação e 
conservação do meio ambiente e promoção do voluntário dentre ou-
tras (BNDES apud VILLAS BOAS NETO, 2003, p.51).
As OSCIP tiveram grande repercussão bem como adesão no Brasil, sendo muito 
comum encontrarmos profissionais de diversas áreas atuando neste segmento, 
muitos inclusive prestando consultoria e assessoria na sua constituição inicial.
Organizações do Terceiro Setor, as Titulações e as Qualificações
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
111
Elas possuem já nas suas cláusulas estatutárias a identificação de sua opção 
como OSCIP, e possuem regras contratuais e de parcerias diferenciadas para as 
relações com órgãos da administração pública. Essas regras por algum tempo 
favoreceram a adesão de novas associações a este formato jurídico, uma vez que 
o tempo para obter o direito à estabelecer tais parcerias era bem menor do que 
para aquela que obtinham o recém extinto título de utilidade pública federal, que 
era de três anos de atividade e existência jurídica e provas contábeis.
ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL (OSC)
O termo Organização da Sociedade Civil foi recentemente designado para definir 
as associações que pretendam manter algum tipo de parceria com a administra-
ção pública e que ainda não estejam qualificadas nos termos que estudamos há 
pouco. Com base no art. 2º da Lei 13.019/2014, considera-se como Organização 
da Sociedade Civil:
a) entidade privada sem fins lucrativos que não distribua entre os seus 
sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados, doadores ou 
terceiros eventuais resultados, sobras, excedentes operacionais, brutos 
ou líquidos, dividendos, isenções de qualquer natureza, participações 
ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas 
atividades, e que os aplique integralmente na consecução do respectivo 
objeto social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo 
patrimonial ou fundo de reserva; 
b) as sociedades cooperativas previstas na Lei no 9.867, de 10 de no-
vembro de 1999; as integradas por pessoas em situação de risco ou vul-
nerabilidade pessoal ou social; as alcançadas por programas e ações de 
combate à pobreza e de geração de trabalho e renda; as voltadas para 
fomento, educação e capacitação de trabalhadores rurais ou capacita-
ção de agentes de assistência técnica e extensão rural; e as capacitadas 
para execução de atividades ou de projetos de interesse público e de 
cunho social. 
c) as organizações religiosas que se dediquem a atividades ou a proje-
tos de interesse público e de cunho social distintas das destinadas a fins 
exclusivamente religiosos (BRASIL, 2014, on-line)32.
ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E112
Neste parâmetro da lei, em síntese, somente as entidades privadas sem fins lucra-
tivos, que não distribuam qualquer tipo de resultado financeiro; as cooperativas 
sociais, que preveem a geração de trabalho e renda a pessoas em situação de 
vulnerabilidade social; e as organizações religiosas, que além da religiosidade, 
desenvolvam atividades, projetos ou programas de cunho social ou de interesse 
público (o interesse do órgão público). Não são todas organizações religiosas, 
nem todas as associações privadas sem fins lucrativos e nem todas as coope-
rativas. Vale estudar a legislação e verificar os critérios para cada uma destas 
organizações que podem ser contempladas por esta lei. Viu só como mesmo os 
termos sendo tão parecidos, não devemos utilizar sem saber a que se referem? 
Para finalizar nosso estudo, vamos comentar sobre a existência de mais uma 
última certificação, a Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social 
(CEBAS), que tem suas diretrizes determinadas pela Lei 12.101/2009, para as 
áreas de saúde, educação e assistência social, que define no art. 1º, que:
[…] a certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção 
de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas 
de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades benefi-
centes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas 
de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei 
(BRASIL, 2009, on-line)33.
Para que possam começar a pensar em solicitar a certificação, precisam saber 
que deverão atender ao princípio da universalidade do atendimento, o que lhes 
proíbe atender somente aos associados ou à categoria profissional (art. 2º). A lei 
utiliza em alguns momentos o termo entidade, em outra instituição, mas para 
cada área de concessão da certificação, existem regras específicas para a compro-
vação da gratuidade, tipo de oferta de serviços, regras e documentações. 
Caro(a) aluno(a), nesta aula conhecemos muito a respeito de como são for-
madas juridicamente as entidades do chamado Terceiro Setor, conhecemos as 
leis mais comuns que embasam as ações e algumas qualificações e titulações que 
são concedidas às organizações, o que as vezes lhe fornece também um iden-
tificação, com uma denominação ou sigla. Viu só, como tem muita coisa para 
aprender sobre o Terceiro Setor?
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
113
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluindo esta nossa jornada, gostaríamos de dizer o quanto foi importante ter 
sua companhia durante este processo de conhecer mais a respeito do Terceiro 
Setor, palco de tantas possibilidades de atuação profissional, para diversas áreas 
do conhecimento.Esperamos que o conteúdo tenha lhe instigado a continuar a pesquisa a res-
peito das legislações específicas do setor em que pretende atuar, ou já está atuando. 
Desejamos que o material tenha esclarecido a respeito de como as organizações 
se formalizam juridicamente, de como estes aspectos interferem diretamente no 
modo como elas vão iniciar ou manter sua existência, e que quando definimos 
no registro de um estatuto qual a constituição de uma organização, isto definirá 
inclusive os meios que ela terá para obter recursos.
Foram abordagens básicas, que não esgotaram os temas, mas que te direcio-
narão para um conhecimento mais apurado na área ou política pública que lhe 
for interessante atuar no futuro, após a conclusão do curso.
Vimos sobre associações e fundações, são organizações privadas sem fins 
lucrativos, mas que partidos políticos também são, e que todos aplicam os recur-
sos excedentes na sua atividade-fim, mas que existem leis que os diferenciam, não 
colocando partidos políticos, entre as organizações do Terceiro Setor. Já imagi-
nou como seria, se estes também fizessem parte do Terceiro Setor? 
As organizações da sociedade civil, entidades do Terceiro Setor, com sua 
intervenção e mobilização constante, constroem o tecido social, determinando 
gradualmente os rumos de toda uma cultura, de uma política pública e social, e 
até mesmo de uma nação. Estar no Terceiro Setor, neste espaço onde as relações 
acontecem de forma integrada, com o objetivo de construir um mundo melhor, é 
de tamanha responsabilidade, tanta que nem temos como mensurar em palavras. 
Mas deixamos o questionamento: Você está preparado(a) para mudar o 
mundo e ser responsável por esta mudança, seja ela boa ou má? É deste mundo 
que começa a fazer a parte, com o conhecimento que está agregando!
114 
1. A Reforma Administrativa do Aparelho do Estado em 1995 promoveu a 
alteração de funções, ações e iniciativas que passaram a ser compartilha-
das, pois o processo de descentralização iniciado ali:
a) Surgiu como alternativa de manutenção da ordem, racionalizando os recur-
sos do Estado.
b) Visava à reestruturação do Estado, com base na desresponsabilização civil 
do Estado.
c) Fez com que a responsabilidade pela execução das políticas públicas dei-
xasse de ser exclusividade da União.
d) Promoveu a efetivação da cidadania, pois a população passou a exercer o 
seu direito político de voto. 
e) Usou de regras de flexibilização de mercado e isenção do Estado na elabo-
ração das políticas sociais.
2. O Direito Civil estabelece as definições jurídicas para associações que compoem 
o chamado Terceiro Setor, que se estruturam juridicamente a partir do seu regis-
tro como pessoa jurídica. As pessoas jurídicas de direito privado são, EXCETO:
a) As sociedades e as organizações religiosas.
b) As associações e as fundações. 
c) Os partidos políticos. 
d) As empresas individuais de responsabilidade limitada. 
e) As sociedades de economia mista e a administração pública
3. Para o Código Civil Brasileiro de 2002 existe, no segundo setor, a distinção, com 
fins lucrativos e sem fins lucrativos. E, sabemos que o Terceiro Setor é composto 
por entidades sem fins lucrativos. Para o CCB/2002, são sem fins lucrativos:
a) Apenas as associações, as fundações, as organizações religiosas e os parti-
dos políticos. 
b) Apenas as associações, as fundações e as sociedades. 
c) Apenas as fundações e as organizações religiosas. 
d) Apenas a administração pública, e as entidades do Terceiro Setor.
e) Apenas as sociedades de economia mista e as fundações.
115 
4. A associação é formada por um grupo de pessoas que possuem um objetivo 
em comum, de caráter beneficente, literário, científico, educacional, social etc, 
e são sem finalidades lucrativas. Esta questão da associação não ter fins lucra-
tivos significa que:
I. Ela não poderá realizar atividades econômicas de qualquer natureza.
II. Sua finalidade principal não é a lucratividade, mas ela pode realizar ativida-
des geradoras de lucratividade.
III. Ela não poderá distribuir a lucratividade entre os associados.
IV. Os excedentes financeiros deverão ser aplicados totalmente na consecução 
das finalidades estatutárias.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
5. Muitas associações tem como finalidade de atendimento as demandas do ser 
humano, o indivíduo como seu foco central na proposição de ações e o esta-
belecimento de suas finalidades existenciais. São alguns tipos mais comuns de 
associação.
Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):
( ) Associação filantrópica.
( ) Associação de pais e mestres.
( ) Associação de consumidores.
Assinale a alternativa correta:
a) V; V; F.
b) F; F; V.
c) V; F; V.
d) F; F; F.
e) V; V; V.
116 
A arte de associar-se
O Terceiro Setor claramente chegou como um ator principal no cenário mundial, mas 
ainda está para marcar sua presença na consciência pública, no círculo de políticas, na 
mídia e nas pesquisas acadêmicas. Para que as emergentes organizações do Terceiro Se-
tor sejam levadas a sério pelos outros, elas devem primeiro levar-se a sério. As organiza-
ções não governamentais devem dar maior atenção às trocas que existem entre volun-
tarismo e profissionalismo, entre a informalidade que confere a essas organizações seu 
caráter especial e a institucionalização necessária para transformar sucessos isolados 
em avaliações permanentes. Avaliações do desempenho de organizações não governa-
mentais em países em desenvolvimento, por exemplo, normalmente reconhecem o mé-
rito dessas organizações para alcançar comunidades distantes, promover a participação, 
inovar e operar a baixo custo; culpam-nas, porém, por sua replicabilidade limitada, falta 
de capacidade técnica e isolamento de considerações políticas mais amplas.
Gestores de organizações de Terceiro Setor terão de dar mais atenção ao treinamento e 
à assistência técnica, e aqueles que contribuem com essas organizações terão de ir além 
da filantropia apenas para sentir-se bem consigo mesmo (feel-goodphilanthropy) e do 
financiamento de projetos de curto prazo, para o suporte institucional de longo prazo. O 
Terceiro Setor claramente atingiu maturidade no cenário global, mas agora deve encon-
trar formas de fortalecer sua capacidade institucional e contribuir mais significativamen-
te para a solução de problemas maiores – sem perder sua base popular e capacidade 
de mudança. Finalmente, talvez o mais decisivo fator determinante para o crescimento 
do Terceiro Setor será o relacionamento que essas organizações desenvolverão com o 
governo. A tarefa para organizações do Terceiro Setor é encontrar um modus vivendi 
com o governo que propicie suficientes suportes legal e financeiro, preservando grau 
significativo de independência e autonomia.
“Entre as leis que governam sociedades humanas”, escreveu Alexis de Tocqueville há 
150 anos, “há uma que parece mais precisa e clara que todas as demais. Se os homens 
permanecerão ou tornar-se-ão civilizados, a arte de associar-se deve crescer e desenvol-
ver-se na mesma medida em que a igualdade de condições é aumentada”. Um século e 
meio depois, verdadeira revolução associativa parece estar em curso em nível global. O 
resultante aumento de interesse em organizações sem fins lucrativos abriu os portões 
para vastos reservatórios de talento e energia humanos, ao mesmo tempo em que criou 
perigos de impasse e disputa. E, para manter abertos esses portões, um primeiro passo 
essencial, é a melhor compreensão do processo dramático que está em curso e do que 
ele representa, sob a forma de novos e imensos desafios.
Fonte: Salamon (1998, p.6-7).
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil
Laís de F. Lopes; Bianca dos Santos; Iara R. Xavier (orgs). 
Editora: Secretaria da Presidência da Republica
Sinopse:Constrói a agenda do Marco Regulatório das Organizações da 
Sociedade Civil e o aprofundamento da democracia brasileira. A construção 
e a implementação da agenda do Marco Regulatório das Organizações da 
Sociedade Civil simbolizam a importância da sociedade organizada para a 
criação e o desenvolvimento de novas tecnologias sociais e para a formulação 
e execução das políticas públicas. O que pretendemos com esse trabalho 
é fortalecer e fomentar as iniciativas de solidariedade do povo brasileiro, 
construindo um novo patamar de cidadania no país.
Apresentação: Caro(a) aluno(a), para saber como se organiza uma OSCIP, acesse a Lei 9.790, de 23 
de março de 1999. 
Web: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9790.htm>.
REFERÊNCIAS
ARAUJO, Osmar; CARRENHO, Ana Carolina Barros Pinheiro. Diferenças entre asso-
ciação e fundação. IDIS, Instituto para o Desenvolvimentos do Investimento Social. 
2009, Disponível em: <http://idis.org.br/wp-content/uploads/2014/05/Fundaco-
es_e_associacoes_diferencas1.pdf>. Acesso em: 16 out. 2017.
AZEVEDO, Eurico de Andrade. Organizações Sociais. Disponível em: <http://www.pge.
sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista5/5rev6.htm>. Acesso em: 16 out. 2017.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 
16 out. 2017. 
BRASIL. Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995. Dispõe sobre partidos políticos, 
regulamenta os arts. 17 e 14, § 3º, inciso V, da Constituição Federal. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9096.htm>. Acesso em: 16 out. 2017. 
BRASIL. Lei nº 13.019, de 31 de julho de 2014. Estabelece o regime jurídico das parce-
rias entre a administração pública e as organizações da sociedade civil, em regime de 
mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco, 
mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em pla-
nos de trabalho inseridos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em 
acordos de cooperação; define diretrizes para a política de fomento, de colaboração e 
de cooperação com organizações da sociedade civil; e altera as Leis nos 8.429, de 2 de 
junho de 1992, e 9.790, de 23 de março de 1999. Disponível em: <http://www.planal-
to.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13019.htm>. Acesso em: 16 out. 2017. 
BRASIL. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 1 ago. 2017. 
BRASIL. Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização da 
Assistência Social e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/L8742.htm>. Acesso em: 16 out. 2017.
BRASIL. Medida Provisória nº 2228-1, de 6 de setembro de 2001. Estabelece prin-
cípios gerais da Política Nacional do Cinema, cria o Conselho Superior do Cinema 
e a Agência Nacional do Cinema - ANCINE, institui o Programa de Apoio ao Desen-
volvimento do Cinema Nacional - PRODECINE, autoriza a criação de Fundos de Fi-
nanciamento da Indústria Cinematográfica Nacional - FUNCINES, altera a legislação 
sobre a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacio-
nal e dá outras providências. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
mpv/2228-1.htm>. Acesso em: 16 out. 2017. 
BRASIL. Lei nº 11.438, de 20 de dezembro de 2006. Dispõe sobre incentivos e be-
nefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo e dá outras providências. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/
l11438.htm>. Acesso em: 16 out. 2017.
BRASIL. Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. Dispõe sobre a certificação das 
REFERÊNCIAS
119
entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção 
de contribuições para a seguridade social; altera a Lei no 8.742, de 7 de dezembro 
de 1993; revoga dispositivos das Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 
26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio 
de 2003, e da Medida Provisória no 2.187-13, de 24 de agosto de 2001; e dá ou-
tras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2009/lei/l12101.htm>. Acesso em: 16 out. 2017.
BRASIL. Lei nº 12.213, de 20 de janeiro de 2010. Institui o Fundo Nacional do Idoso 
e autoriza deduzir do imposto de renda devido pelas pessoas físicas e jurídicas as 
doações efetuadas aos Fundos Municipais, Estaduais e Nacional do Idoso; e altera a 
Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12213.htm>. Acesso em: 16 out. 2017.
BRASIL. Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012. Altera a alíquota das contribui-
ções previdenciárias sobre a folha de salários devidas pelas empresas que especi-
fica; institui o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da 
Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Regime Especial de Tributação do Pro-
grama Nacional de Banda Larga para Implantação de Redes de Telecomunicações, 
o Regime Especial de Incentivo a Computadores para Uso Educacional, o Programa 
Nacional de Apoio à Atenção Oncológica e o Programa Nacional de Apoio à Atenção 
da Saúde da Pessoa com Deficiência; restabelece o Programa Um Computador por 
Aluno; altera o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de 
Semicondutores, instituído pela Lei no 11.484, de 31 de maio de 2007; altera as Leis 
nos 9.250, de 26 de dezembro de 1995, 11.033, de 21 de dezembro de 2004, 9.430, 
de 27 de dezembro de 1996, 10.865, de 30 de abril de 2004, 11.774, de 17 de setem-
bro de 2008, 12.546, de 14 de dezembro de 2011, 11.484, de 31 de maio de 2007, 
10.637, de 30 de dezembro de 2002, 11.196, de 21 de novembro de 2005, 10.406, de 
10 de janeiro de 2002, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, 12.431, de 24 de junho 
de 2011, 12.414, de 9 de junho de 2011, 8.666, de 21 de junho de 1993, 10.925, de 
23 de julho de 2004, os Decretos-Leis nos 1.455, de 7 de abril de 1976, 1.593, de 21 
de dezembro de 1977, e a Medida Provisória no 2.199-14, de 24 de agosto de 2001; 
e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2011-2014/2012/lei/l12715.htm>. Acesso em: 16 out. 2017.
BRASIL. Lei nº 13.204, de 14 de dezembro de 2015. Altera a Lei no 13.019, de 31 de 
julho de 2014, “que estabelece o regime jurídico das parcerias voluntárias, envolven-
do ou não transferências de recursos financeiros, entre a administração pública e as 
organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecu-
ção de finalidades de interesse público; define diretrizes para a política de fomento 
e de colaboração com organizações da sociedade civil; institui o termo de colabora-
ção e o termo de fomento; e altera as Leis nos 8.429, de 2 de junho de 1992, e 9.790, 
de 23 de março de 1999”; altera as Leis nos 8.429, de 2 de junho de 1992, 9.790, de 
23 de março de 1999, 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 9.532, de 10 de dezembro 
de 1997, 12.101, de 27 de novembro de 2009, e 8.666, de 21 de junho de 1993; e 
revoga a Lei no 91, de 28 de agosto de 1935. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13204.htm>. Acesso em: 16 out. 2017.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Decreto nº 8726, de 27 de abril de 2016. Regulamenta a Lei nº 13.019, de 
31 de julho de 2014, para dispor sobre regras e procedimentos do regime jurídico 
das parcerias celebradas entre a administração pública federal e as organizações 
da sociedade civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2016/decreto/D8726.htm>. Acesso em: 16 out. 2017. 
BRASIL. Lei Federal nº. 9.637 de 15 de maio de 1998. Dispõe sobre a qualificação de 
entidades como organizações sociais, a criação do Programa Nacional de Publiciza-
ção, a extinção dos órgãos e entidades que menciona e a absorção de suas ativida-
des por organizaçõessociais, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9637.htm>. Acesso em: 16 out. 2017.
BRASIL. Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999. Dispõe sobre a qualificação de pessoas 
jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade 
Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras pro-
vidências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9790.htm>. 
Acesso em: 6 out. 2017.
BRASIL. Decreto nº 3100, de 30 de junho de 1999. Regulamenta a Lei no 9.790, de 
23 de março de 1999, que dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito 
privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Públi-
co, institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras providências. Disponivel em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3100.htm>. Acesso em: 16 out. 2017. 
CAZUMBÁ, Nailton. Denominações do Terceiro Setor. Disponível em: <http://
www.ongs.xyz/blog/2016/05/26/denominacoes-do-terceiro-setor>. Acesso em: 16 
out. 2017.
Conceito. de. Disponível em: <https://conceito.de/instituicao>. Acesso em: 16 out. 
2017. 
DIAS, Reinaldo. Introdução à Sociologia. São Paulo: Pearson Prentine Hall, 2005.
Fundação Bradesco. Disponivel em: <https://www.bradescopoderpublico.com.
br/html/poder_publico/pj/sobre/atuacao-responsavel.shtm>. Acesso em: 16 out. 
2017.
Fundação Itaú Social. Disponivel em: <https://itausocial.org.br/pt-br/quem-so-
mos>. Acesso em: 16 out. 2017. 
Fundação Lemann. Disponivel em: <http://www.fundacaolemann.org.br/quem-
-somos/>. Acesso em: 16 out. 2017.
Fundação das Nações Unidas. Disponível em: <http://www.unfoundation.org/
who-we-are/>. Acesso em: 16 out. 2017.
Fundação Telefônica Vivo. Disponivel em: <http://fundacaotelefonica.org.br/a-
-fundacao/sobre-o-grupo-telefonica/>. Acesso em: 16 out. 2017.
GOHN, Maria da Glória. Os sem terra, ONGs e cidadania: a sociedade civil brasileira 
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS
121
na era da globalização. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2000
JUNQUEIRA, Luciano A. Prates. Mudança uma causa compartilhada: do ERSA ao 
SUS, Tese de Doutorado, São Paulo: Faculdade de Saúde Pública, 1996.
MARANHÃO, M.; MACIEIRA, M. E. B. O processo nosso de cada dia: modelagem 
dos processos de trabalho. 2. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2010.
OLIVEIRA, Gustavo Henrique Justino de. Estado contratual, direito ao desenvolvi-
mento e parceira público-privada. São Paulo: RT, 2005.
SALAMON, Lester. A emergência do Terceiro Setor - Uma revolução associativa glo-
bal. RA - Revista de Administração - USP. São Paulo, v.33, n.1, p.5-11, jan/mar. 1998.
SEBRAE. Conheça os tipos de associações existentes no Brasil. Disponível em: 
<https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/conheca-os-tipos-de-
-associacoes-existentes-no-brasil,1dee438af1c92410VgnVCM100000b272010aR-
CRD>. Acesso em: 16 out. 2017.
TENÓRIO, Fernando G. (Org.). Gestão de ONGs, principais funções gerenciais. 
5.ed. São Paulo: FGV, 2001.
VILLAS BÔAS NETO, Antonio. STEFANI, Monalisa. PEZZI Junior, Sady. Gestão de 
Marketing para organizações do Terceiro Setor. Londrina: Midiograf, 2003.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
2 BRASIL. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
3 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
4 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
5 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9096.htm>. 
Acesso em: 18 jan. 2018.
6 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9096.htm >. 
Acesso em: 18 jan. 2018.
7 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
REFERÊNCIAS
8 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
9 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
10 BRASIL. Disponível em: < https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/
conheca-os-tipos-de-associacoes-existentes-no-brasil,1dee438af1c92410VgnVCM-
100000b272010aRCRD >. Acesso em: 18 jan. 2018. 
11 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
12 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
13 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
14 FUNDAÇÃO BRADESCO. Disponível em: < https://www.bradescopoderpublico.
com.br/html/poder_publico/pj/sobre/atuacao-responsavel.shtm >. Acesso em: 18 
jan. 2018.
15 UNITED NATIONS FOUNDATION. Disponível em: < http://www.unfoundation.org/
who-we-are/>. Acesso em: 18 jan. 2018.
16 FUNDAÇÃO TELEFÔNICA VIVO. Disponível em: < http://fundacaotelefonica.org.
br/a-fundacao/sobre-o-grupo-telefonica/>. Acesso em: 18 jan. 2018.
17 FUNDAÇÃO ITAÚ SOCIAL. Disponível em: < https://itausocial.org.br/pt-br/quem-
-somos >. Acesso em: 18 jan. 2018.
18 FUNDAÇÃO LEMMAN. Disponível em: < http://www.fundacaolemann.org.br/
quem-somos/>. Acesso em: 18 jan. 2018.
19 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.
htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
20 ONGS. Disponível em: <http://www.ongs.xyz/blog/2016/05/26/denominacoes-
-do-terceiro-setor/>. Acesso em: 18 jan. 2018.
21 CONCEITO. Disponível em: <https://conceito.de/instituicao>. Acesso em: 18 jan. 
2018.
22 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
23 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
24 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
REFERÊNCIAS
123
25 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
26 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
27 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8742compi-
lado.htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
28 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/2228-1.htm 
>. Acesso em: 18 jan. 2018.
29 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11438.htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
30 AZEVEDO. Disponível em: < http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistas-
pge/revista5/5rev6.htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
31 AZEVEDO. Disponível em: < http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistas-
pge/revista5/5rev6.htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
32 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2014/lei/l13019.htm >. Acesso em: 18 jan. 2018.
33 BRASIL. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2009/lei/l12101.htm>. Acesso em: 18 jan. 2018.
GABARITOGABARITO
1. C.
2. E.
3. A.
4. D.
5. E.
U
N
ID
A
D
E IV
Professora Esp. Daniela Sikorski
Professora Esp. Silviane Del Conte Curi
ADMINISTRAÇÃO E 
PLANEJAMENTO NO 
TERCEIRO SETOR
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Relacionar os documentos necessários às organizações do Terceiro 
Setor para sua formalização inicial. 
 ■ Refletir sobre os desafios de aplicação da gestão tradicional no 
Terceiro Setor.
 ■ Conhecer possibilidades e oportunidades da gestão tradicional no 
Terceiro Setor.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Checklist básico do Terceiro Setor
 ■ Gestão para o Terceiro Setor: desafios
 ■ Gestão para o Terceiro Setor: oportunidades
Introdução
Re
pr
od
ução
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
127
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) a mais uma unidade do nosso livro! Vamos 
agora para a nossa quarta etapa de estudo sobre o Terceiro Setor. Você perce-
beu que iniciamos falando do contexto mais global e estamos delimitando cada 
vez mais as nossas discussões? Isso é extremamente importante para que você 
compreenda todos os fatores que envolvem a formação profissional e que o 
entendimento sobre algum assunto deve ser feito, primeiramente, na sua tota-
lidade, para, então, compreender o contexto no qual ele está inserido para que, 
em seguida, possa ser compreendido na sua especificidade.
Nesta unidade, daremos atenção para alguns elementos atuais da admi-
nistração, embora não o apresentemos de forma aprofundada, mas o trazemos 
neste momento por ser relevante para o entendimento e a melhoria do Terceiro 
Setor, bem como para compreender o papel de todas as profissões ao se depara-
rem com os desafios e interfaces neste setor.
Conheceremos um pouco a respeito dos documentos básicos para formar 
uma organização sem fins lucrativos e sobre algumas cláusulas que são exigi-
das para constarem no estatuto da entidade. Estes documentos nos remetem à 
necessidade de registros, de controle, de planejamento e de avaliação das ações 
propostas e executadas. Para isso, trouxemos uma discussão sobre os desafios 
e as oportunidades com que nos deparamos no Terceiro Setor, com base nos 
modelos de gestão tradicionais.
Modelos de gestão que para serem adaptados ao Terceiro Setor irão depender 
da capacidade, da habilidade, da técnica, da profissionalização e do engajamento 
de todos os envolvidos. Focar em profissionais habilitados, contratar, reter e 
desenvolver pessoas é, hoje, um assunto amplamente discutido, não somente nas 
empresas privadas, mas também em organizações do Terceiro Setor.
Vamos aos estudos!
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E128
CHECKLIST BÁSICO DO TERCEIRO SETOR
Estudamos sobre as características do Terceiro Setor, as formas como ele se organiza 
juridicamente e sobre algumas de suas nomenclaturas, qualificações e titulações. 
Agora, para organizarmos um pouco nossa mente sobre o Terceiro Setor, trouxe-
mos para nosso foco de estudo a lista de documentos que são úteis às organizações 
sem fins lucrativos. Já comentamos acerca de alguns deles, outros ainda não.
Para se formalizar juridicamente uma organização sem fins lucrativos – 
uma associação – é necessário que haja um número mínimo de pessoas para 
a composição de diretoria e conselhos. Estamos nos referindo àquelas pessoas 
com objetivos e finalidades comuns entre si, que se aliam para solucionar algum 
problema, lembra-se? Pois então! No caso de uma fundação, é um pouco mais 
complicado devido às obrigatoriedades de passar pela avaliação e autorização 
do Ministério Público. Porém, no que diz respeito às associações sem fins lucra-
tivos, é necessário que haja pelo menos o número de pessoas para se associar e 
formar a diretoria. Relembrando:
A associação é uma modalidade de agrupamento dotado de perso-
nalidade jurídica, sendo pessoa jurídica de direito privado voltada à 
realização de finalidades culturais, sociais, pias, religiosas, recreativas 
etc., cuja existência legal surge com a inscrição do estatuto, em forma 
pública ou particular, no registro competente. [...] A associação com 
finalidade econômica não lucrativa, poderá requerer em certas hipóte-
ses, para a obtenção de sua personalidade jurídica, um ato de concessão 
estatal. Dever-se-ão registrar o estatuto e a autorização governamental 
para que a associação seja um pessoas jurídica. (PAES, 2001, p. 38-39)
A associação é, então, o agrupamento de pessoas, para fins não 
econômicos, com finalidades lícitas, personificação jurídica, 
registrada em cartório, e que, em alguns casos específicos, neces-
sita de autorização da administração pública para se constituir. 
A composição da diretoria de uma associação e 
todas as atribuições de cada um de seus membros 
é dada por seu estatuto, mas a princípio e de 
forma resumida, ela deve ter no mínimo: 
Presidente (para responder juridicamente e 
Checklist Básico do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
129
representar os interesses da organização); Vice-presidente (para substituir o pre-
sidente em caso de falta ou vacância do cargo); 1º Tesoureiro(a) (para, segundo o 
estatuto, gerir os recursos junto com o presidente); 2º Tesoureiro(a) (para substituir 
o primeiro tesoureiro em caso de necessidade); 1º Secretário(a); 2º Secretário(a); 
e um Conselho Fiscal. A associação, por contar com seu órgão máximo de deli-
beração definido em lei, a Assembleia, deve ter além da diretoria, os associados, 
para que haja a realização das assembleias e as respectivas deliberações.
No estado do Paraná e em alguns outros estados, o Código Nacional da 
Corregedoria Geral da Justiça (Código de Normas da Corregedoria) definem 
que quanto ao mandato, não poderá ser vitalício,
Quando da apresentação do ato constitutivo de pessoa jurídica de fins não 
econômicos, deverão ser juntadas a ata de fundação e a de eleição e posse da 
primeira diretoria, essa devidamente qualificada e com mandato fixado, não se 
permitindo mandato ou cargo vitalício. (CN, art. 414, 2013)
Já a respeito do estatuto, é importante anteciparmos alguns pontos, uma vez 
que ele consiste em um conjunto de cláusulas contratuais que direcionam todos 
os passos da entidade. Ele vincula em regras e comandos, os fundadores a associa-
dos recentes, uma vez que tudo já está pré-determinado, no documento quando 
do ingresso dos novos associados, que deverão submeter-se a ele. Para a elabo-
ração de um estatuto, é de extrema relevância considerar as exigências legais que 
listamos, mas também é imprescindível que as finalidades sejam formalizadas exata-
mente com base naquilo que se pretende e se consegue realmente executar. É muito 
comum encontrarmos em alguns estatutos, finalidades que não condizem com o 
objetivo principal da associação, ou até mesmo entre elas, listas enormes de ativi-
dades que são facilmente confundidas com finalidades. Cabe um parêntese aqui 
para indicar a necessidade de uma análise conceitual de finalidades, fins a que se 
destina, e os meios (atividades) que a associação irá utilizar para alcançar tais fins.
Segundo o Código Civil Brasileiro (CCB), de 2002, o estatuto das associa-
ções deverá conter:
I- a denominação, os fins e a sede da associação;
II- os requisitos para admissão, demissão e exclusão dos associados;
III- os direitos e deveres dos associados;
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E130
IV- as fontes de recursos para sua manutenção;
V- o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberati-
vos;
VI- as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a 
dissolução;
VII- a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas 
contas. (CCB, 2002, art. 54)
Essas são as exigências básicas dadas especificamente pelo CCB/2002, entretanto, 
no próprio CCB, os artigos de 44 a 61 regulamentam as entidades e determinam 
assuntos que devem necessariamente constar no estatuto (que lhes apresenta-
remos resumidamente no quadro a seguir), além do fato de que existem outras 
leis que determinam a existência de mais algumas outras cláusulas nos estatutos. 
Para registro do estatuto, o cartório do registro de pessoas jurídicas soli-
cita a Ata de Assembleia Geral que deliberou e aprovou o novo estatuto social, e 
nela deve constar e comprovar convocação e quorum, e a lista de presença com 
a assinaturade todos deve ser anexada à solicitação também.
Para que uma organização sem fins lucrativos deixe de ser um projeto e ganhe 
corpo jurídico, ela precisa dos documentos citados, atender às legislações específi-
cas da área em que pretende atuar e é muito importante que tenha sua gestão bem 
organizada e documentada. A sistematização dos processos e das técnicas de ges-
tão da organização lhe garantirão sustentabilidade existencial. Por esse motivo, é 
de extrema relevância que, além das cláusulas e dos itens obrigatórios, a entidade 
estabeleça seus processos em Manuais de Conduta, Regimento Interno, Manual 
de Normas e Procedimentos, entre outros que possam padronizar as ações e tare-
fas independente de haver mudanças na gestão ou no quadro funcional.
Esquematizamos um resumo sobre informações importantes que devem 
constar em um estatuto, conforme as exigências do CCB/2002 e as explicitamos. 
Quadro 1 - Estatutos de Associações sem fins lucrativos e as exigências do Código Civil Brasileiro do ano 
de 2002
Item exigido no 
CCB/2002
Detalhamento da exigência
Denominação social Qual o nome da associação.
Sede
Qual o endereço completo da sua associação (inclusi-
ve com CEP).
Checklist Básico do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
131
Foro Em que comarca fica o foro da associação?
Prazo de duração
O prazo geralmente é indeterminado, mas existem as-
sociações que são criadas para causas pontuais, estas 
poderão determinar de prazo de duração.
Natureza jurídica Indicar, expressamente, que se trata de uma associa-ção civil de direito privado
Data da fundação Indicar a data de fundação (da assembleia de funda-ção). 
Sem fins econômicos Indicar, expressamente, que a natureza/finalidade essencial da associação é NÃO ter fins lucrativos
Objetivo Social
Indicar no objetivo social as finalidades para a qual a 
associação foi criada. 
Algumas entidades, aprimorando sua gestão, aqui, já 
tem indicado inclusive a missão, a visão e os valores 
da associação.
Patrimônio
Indicar como ESTÁ constituído o patrimônio (no caso 
das fundações); e como SERÁ constituído o patrimô-
nio (no caso das associações).
Fontes de recursos para 
sua manutenção
Indicar de onde virão os recursos para manter as finali-
dades e alcançar os objetivos.
Administração
Indicar como está estruturada a organização. Quais 
são os órgãos deliberativos e os executivos? Como 
eles estão formados, como deliberam e decidem (nor-
malmente a deliberação e decisão cabem à Assem-
bleia Geral e Diretoria).
Competência privativa 
da Assembleia Geral
Indicar as competências que são exclusivas da Assem-
bleia Geral, e não esquecer de que, destituir adminis-
tradores e alterar o estatuto é competência privativa 
da Assembleia Geral e precisa constar de forma clara 
no Estatuto
Aprovação de contas Como se dará a prestação e aprovação de contas.
Direito a ⅕ dos asso-
ciados à promover a 
Assembleia Geral
Deve haver previsão no estatuto de que ⅕ dos asso-
ciados podem convocar e realizar a assembleia geral.
Representação Indicar quem representa a entidade, judicial e extraju-dicialmente, ativa e passivamente.
Mandato
Quantos anos dura o mandato dos órgãos eletivos 
(diretoria e conselhos). Não esquecendo que o CCB 
determina.
Responsabilidade Sub-
sidiária
Os associados respondem pelas obrigações assumidas 
pela entidade?
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E132
Alteração do estatuto
Indicar como é feita a alteração do estatuto, em que 
tipo de assembleia (geral ou extraordinária), forma de 
convocação, quorum de deliberação (1ª ou 2ª chama-
da), quorum de aprovação.
Condições da extinção
Indicar como é decidida a extinção/dissolução da en-
tidade, em que tipo de assembleia (geral ou extraordi-
nária), forma de convocação, quorum de deliberação 
(1ª ou 2ª chamada), quorum de aprovação.
Destinação do Patrimô-
nio
Em caso de extinção/dissolução da entidade, qual o 
destino do patrimônio líquido? A quem cabe a deci-
são de destinação?
Associados Indicar a forma de admissão e demissão, ambas solici-tadas pelo associado; e indicar as formas de exclusão.
Direito de recurso no 
caso de exclusão
Prever no estatuto que o associado só será excluído 
por justa causa, após procedimento que garanta 
ampla defesa.
Direitos e deveres dos 
associados
Indicar todos os direitos e deveres dos associados.
Fonte: CCB/2002.
Lembre-se de que a Lei nº 13.019/2014 (Marco regulatório do Terceiro Setor- 
trata das OSCs), a Lei nº 9.637/1998 (trata das OS), a Lei nº 9.790/1999 (trata das 
OSCIPs), a Lei nº 12.101/2009 (trata da certificação das entidades beneficentes de 
assistência social) e algumas normativas específicas vinculadas à políticas seto-
riais também determinam regras sobre cláusulas estatutárias, atividades, inclusive 
que o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE), constante no Cadastro 
Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), estejam em consonância com a finalidade 
estatutária e a aplicação de recursos constantes nas demonstrações patrimo-
niais e aplicação de recursos das peças contábeis da organização. Também não 
se esqueça de manter registrado, em documento próprio e individual, o termo 
de voluntariado de cada envolvido com a organização, com base na legislação.
As leis citadas direcionam para as atividades de assistência social, educação 
e saúde, mas as organizações do Terceiro Setor não se limitam a estes segmen-
tos e políticas setoriais. Todas as outras precisam também de verificação, pois 
tem em suas Políticas Nacionais respectivas o direcionamento da ação da orga-
nização, seja da cultura, do esporte, do lazer, do meio ambiente ou mesmo de 
defesa e garantia de algum direito.
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
133
Todos estes documentos nos remetem à reflexão de que há necessidade de pro-
fissionais para execução das atividades junto ao público atendido da organização, 
mas é preciso garantir à organização uma gestão extremamente organizada e sis-
tematizada, com profissionais aptos a administrarem os processos e produzirem os 
documentos exigidos para que a organização possa até mesmo iniciar ou continuar 
o seu funcionamento/atendimento. Porém, não se esqueça das documentações de 
funcionamento, tais como: alvará, inscrição municipal e estadual, as autorizações 
dos bombeiros e da vigilância sanitária (para os casos que forem solicitados), além 
dos registros nos respectivos conselhos gestores das políticas públicas que estive-
rem vinculadas às ações e finalidades estatutárias da organização.
Caro(a) aluno(a), vamos conhecer um pouco a respeito dos processos que 
podem sistematizar a gestão da organização, bem como os desafios que trazem 
para o setor.
GESTÃO PARA O TERCEIRO SETOR: DESAFIOS
Pronto(a) para mais uma dose de conhecimento? Vamos parar um pouco e refle-
tir sobre o cenário a nossa volta, sobre o mercado de trabalho e as configurações 
dos campos de trabalho que hoje são exigidos de um profissional em qualquer 
setor que pretenda progredir.
Muitos profissionais de áreas distintas, por suas competências técnicas especí-
ficas relacionadas à execução de projetos, tem assumido postos de gerência e 
coordenação em organizações sem fins lucrativos. Hoje, muitos empregadores 
buscam no profissional competências além daquelas da sua formação especí-
fica, procuram alguém que seja capaz de pensar estrategicamente, lidar com 
processo, metas e resultados. Isso também se aplica às organizações do Terceiro 
Setor, deixando claro que é um setor que abandona o amadorismo e está a cada 
dia se profissionalizando. A profissionalização do setor se torna essencial para 
sua sustentabilidade.
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTONO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E134
Esse momento é importante para que você traga à sua memória recente esta vivência 
(da participação ou não junto a organizações de Terceiro Setor). Pois, a partir disto, 
você terá condição de realizar algumas análises, você terá base para comparar-se e 
desenvolver-se. Contudo, se você nunca teve contato com nenhuma organização ou 
não conhece, ainda assim terá a oportunidade de ampliar seus conhecimentos, ok?
Na certa, se você observar ao seu redor, perceberá que, atualmente, existe 
um número muito maior de organizações sem fins lucrativos do que há cerca 
de dez anos. Para a sociedade, isso é excelente, significa a potencialização do:
[...] processo de universalização dos direitos e deveres e participação 
cidadã, pode-se observar, em contrapartida, que a grande maioria des-
tas organizações não está preparada para atender tantas expectativas 
que recaem sobre elas. (VILLAS BOAS NETO, 2003, p.56)
Essas expectativas sugeridas por Villas Boas Neto 
(2003) estão traduzidas nas exigências de novas pos-
turas administrativas e gerenciais no setor, que vão ou 
não produzir os resultados esperados pela sociedade.
Com essa nova exigência, própria da evolução e 
do amadurecimento da sociedade, em que novas prá-
ticas gerenciais e posturas são muito valorizadas, é 
preciso ter ciência de que as exigências também abran-
gem as organizações do Terceiro Setor. Percebe-se 
que muitas delas ainda não se deram conta disto, 
pois historicamente não acompanharam as mudan-
ças em suas administrações. Muitas mantiveram-se 
por muito tempo no amadorismo e na boa vontade 
dos voluntários. 
Agora que já tem ideia de como está caracterizado o Terceiro Setor, lhe per-
guntamos: quantas organizações do Terceiro Setor existem em sua cidade? 
Você conhece alguma delas? Já participou de alguma?
Fonte: as autoras.
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
135
Considerando que organização é um sistema complexo, pois é composto por 
partes que possuem capacidades e só se efetivam se estiverem no todo, e não de 
forma isolada. Estruturar estas capacidades para alcançar os resultados e obje-
tivos da entidade é fundamental, se dá a partir da gestão, no esforço coletivo, 
coordenado, organizado e direcionado, transformando em ações os esforços rea-
lizados em todas a áreas envolvidas.
Para as instituições que até então tinham como prioridade única e exclusiva-
mente de resolver um determinado problema de uma realidade, não preocupava 
o planejamento estratégico e os fundamentos de gestão etc. Agora, elas terão que 
se dedicar intensivamente para que passe a atender esta nova exigência do mer-
cado, a sistematização e o planejamento, sabendo que isso contribuirá muito 
para a sobrevivência da instituição.
Já é sabido que as organizações do Terceiro Setor possuem em seu cerne um 
forte desejo de mudar o mundo, o que acaba por imprimir um foco muito maior 
na sua atividade-fim, do que no ato de administrar.
Na década de 1990,
[...] o papel das ONGs tornou-se mais claro perante a sociedade e fez-se 
necessário um estabelecimento muito mais transparente de diálogo e 
parceria com o Estado e o Mercado, as organizações de uma maneira 
geral se encontram frente a grandes desafios e dificuldades na execução 
das tarefas administrativas exigidas. Isto faz com que seja necessária 
uma discussão mais aprofundada sobre a sua gestão. (VILLAS BOAS 
NETO, 2003, p.57)
É preciso ter claro que a discussão de gestão no Terceiro Setor é considerada 
nova, precisando ainda ser mais sistematizada. Hoje, percebe-se que existem pou-
cos estudos voltados para as organizações que atuam no campo social e destes 
muitos utilizam-se dos mesmos princípios/instrumentos aplicados às empresas, 
públicas e privadas (ANDION, 1998). 
As organizações do Terceiro Setor são dotadas de particularidades que são 
intrínsecas à gestão. Um dos estudos realizados acerca da administração do 
Terceiro Setor foi realizado por Carolina Andion, em 1998. O estudo fez parte 
da sua dissertação de Mestrado, sob o título “La gestiondesorganisations de l’éco-
nomiesolidaire: deuxétudes de cas à Montreal”. 
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E136
Nesse material, Andion identificou quatro dimensões interdependentes da 
gestão no Terceiro Setor e sobre cada uma das dimensões a autora fala:
[…] o social refere-se à interação entre as pessoas dentro da comunica-
ção; a econômica: trata das formas de gestão de recursos financeiros e 
não financeiros utilizados na organização; a ecológica considera as re-
lações da organização com o meio ambiente externo, numa perspectiva 
de complementaridade entre noções de autonomia e de dependência e 
a organizacional e técnica abordam os aspectos referentes ao funcio-
namento interno das organizações e seus impactos sobre indivíduos 
(ANDION, 1998, p.58, grifo nosso).
Dos estudos e das pesquisas realizadas por Villas Boas Neto (2003) e Andion 
(1998), elencamos sete pontos que vão contribuir para seu estudo acerca das par-
ticularidades da gestão social ou como alguns chamam, gestão do Terceiro Setor.
1. Orientação por valores: as pessoas se comprometem e se envolvem 
quando acreditam nos valores das organizações, os ideais devem ser par-
tilhados e vivenciados diariamente. A falta de clareza dos valores, ideias 
e comunicação são apenas alguns dos fatores que geram desmotivação.
2. Manutenção e a Legitimidade do Projeto Social: ter o foco bem definido, 
assim como seus objetivos e atores. “O projeto social é a missão da orga-
nização traduzida de maneira planejada em estratégias e ações que vão 
legitimar o propósito de sua existência.” (VILLAS BOAS NETO, 2003, p.58).
3. Interface com o Estado e as empresas: interação permanente com governo 
e mercado. Ao mesmo tempo em que as organizações possuem autono-
mia para o desempenho de suas atividades, existe também um elo de 
dependência com as duas esferas citadas acima.
4. Negociação de várias lógicas: diz respeito à capacidade de desenvol-
ver alternativas que facilitem fechar acordos satisfatórios entre as partes, 
mantendo o equilíbrio, administrando possíveis conflitos de forma efi-
caz. Mediar interesses – necessidades. Nas organizações “[...] trabalha-se 
com diversos públicos (beneficiários diretos e indiretos; funcionários; 
voluntários; doadores; empresas financiadoras; comunidade; governo e 
imprensa)” (VILLAS BOAS NETO, 2003, p.59).
5. Hibridação dos recursos: quando os recursos são provenientes de fon-
tes variadas, tais como: 
[...] comercialização de bens, e de serviço, promoções de eventos, te-
lemarketing, etc. realizadas pelas próprias organizações; de alianças e 
parcerias com empresas; do financiamento do Estado e de outras ins-
tituições (fundações nacionais ou internacionais e agências interna-
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
137
cionais); da doação de indivíduos (solidariedade e do voluntariado), 
dentre outros. (VILLAS BOAS NETO, 2003, p.59)
6. Trabalho Voluntário: o voluntário ainda é essencial para a organização, 
pois eles estão presentes na história do Terceiro Setor (a própria diretoria 
é voluntária), pois é necessário ter um olhar estratégico para a pessoa do 
voluntário, para que este entenda o sentido do seu trabalho e se perceba 
deveras envolvido com o planejamento da instituição.
7. Profissionalização: desconstruir a ideia de que o Terceiro Setor é formado 
somente por trabalho voluntário. Embora haja uma grande dificuldade 
de contratar mão de obra especializada, sobretudo, no que se diz respeito 
aprocessos de gestão neste setor.
É interessante frisar que os elementos elencados acima, com as suas devidas con-
siderações, estão ligados especificamente à gestão de organizações do Terceiro 
Setor, o que o difere da administração clássica.
A gestão do Terceiro Setor, apesar de utilizar instrumentos gerenciais tra-
dicionais, o faz através de adaptações que se observam no cotidiano admi-
nistrativo dos grupos e que começam a ser tratados em cursos e materiais 
de gestão específicos para a área. (VILAS BOAS NETO, 2003, p.60)
Sendo assim, é importante entender que o estudo e a apropriação dos conheci-
mentos da gestão e da administração nos permitem, enquanto profissionais, lidar 
com situações em que se exigem análises de causa/efeito com assuntos relaciona-
dos à problemática do trabalhador, bem como os fenômenos sociais correlatos, 
sob um novo prisma.
No que diz respeito aos profissionais das áreas de ciências sociais aplicadas e 
ciências humanas, a aproximação destes com os processos de gestão no Terceiro 
Setor, permite ao profissional:
 ■ contribuir para a humanização das condições de trabalho;
 ■ proporcionar condições e/ou colaborar para a maximização do grau de 
satisfação de todos os envolvidos no processo, sejam eles usuários ou pro-
motores das ações prestadas pela organização (aqui no caso do Terceiro 
Setor);
 ■ intervir com maior propriedade, segurança nos fenômenos sociais decor-
rentes das relações humanas e sociais.
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E138
E neste mundo da administração, com constantes transformações nas relações, o 
maior desafio para um gestor ou para o grupo gestor, ainda é, “esperar o inespe-
rado”. O Brasil vivencia uma crise histórica das suas representações sociais, na qual 
a vantagem competitiva está com quem se coloca estrategicamente à frente dos 
demais. Os modelos de gestão, utilizados na administração de grandes empresas, 
também conhecidos por grandes associações e fundações, são desafios ímpares 
para as organizações sem fins lucrativos que ainda não se deram conta da impor-
tância de reorganizar sua gestão. Conheceremos de forma superficial um pouco 
sobre a gestão.
GESTÃO ESTRATÉGICA
Quando falamos em gestão estratégica, falamos em planejamento, e quando 
aplicamos o termo às organizações do Terceiro Setor, até pouco tempo, para algu-
mas organizações soava-lhes muito estranho e para outras até resistência, mas a 
discussão da participação e do controle popular no planejamento das políticas 
públicas tem trazido o tema para mais perto das organizações. Embora os for-
matos de contratualização com órgãos públicos já vinham cobrando planos de 
trabalho das organizações que pretendessem executar qualquer tipo de convê-
nio ou parceria com a administração pública há um bom tempo. Planejamento 
não é um conceito novo no setor, apenas pouco praticado.
O planejamento permite que a organização desenvolva suas atividades com 
maior solidez, segurança e organização.
O planejamento é uma forma de pensar o futuro para atuar sobre a re-
alidade, ou seja, um processo de reflexão que precede e preside a ação e 
obriga a instituição a assumir uma atitude pró-ativa, sem improvisações. 
O planejamento permite que se escolham dentre diferentes alternativas, 
aquela que oferece as melhores chances de sucesso, levando-se em consi-
deração a receita, a equipe, o tempo, e a estrutura. Ao planejarmos: pen-
samos antes, durante e depois. Hoje porém, não basta apenas planejar, 
deve-se pensar estrategicamente. (VILLAS BOAS NETO, 2003, p.101)
Para isso, cada profissional deve ter claro ao assumir uma função/tarefa todas as 
implicações decorrentes deste compromisso assumido, e perguntar-se:
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
139
 ■ Quem quero atender? Quem é o foco da minha responsabilidade?
 ■ O que devo “entregar” ao meu usuário? 
 ■ Qual é o valor agregado do meu trabalho (faço por fazer ou faço por enten-
der a relevância do meu trabalho e os benefícios que ele traz?)? 
 ■ Como tornar a minha prática interessante para mim e para o outro?
 ■ Como imprimir simplicidade e facilidade de acesso e realização?
Deve compreender em sua prática os conceitos hoje aplicados sobre eficácia e efi-
ciência. No entanto, não se esqueça de que a efetividade da ação que propomos 
é essencial, pois vai garantir a continuidade dos efeitos produzidos pela ação e 
depende do conjunto dos objetivos que pretendemos atingir no planejamento 
e que efetivamente foram alcançados, com eficiência e eficácia. Observe o qua-
dro a seguir para compreender como medir o desempenho das ações, com base 
na eficiência e eficácia:
Quadro 2 - Gestão de ONGs - principais funções gerenciais.
Desempenho Avaliação
Eficaz e eficiente Os objetivos propostos foram atingidos com a menor utilização dos recursos disponíveis.
Eficaz, mas ineficiente Os objetivos foram alcançados, mas com maior consu-mo de recursos do que previsto.
Eficiente mas ineficaz Os recursos foram utilizados conforme o estabelecido, porém os objetivos previstos não foram alcançados.
Ineficaz e ineficiente Os objetivos não foram alcançados e o consumo de recursos ultrapassou o previsto.
Fonte: adaptado de Tenório (2005).
Não basta apenas planejar, tem-se que planejar estrategicamente. Para tanto, 
vamos aos conceitos do que quer dizer estratégia:
[…] a palavra estratégia significa, literalmente, “a arte do general”, deri-
vando-se da palavra grega strategos, que significa estritamente, general. 
Estratégia, na Grécia Antiga, significava aquilo que o general fez... Antes 
de Napoleão, estratégia significava a arte e a ciência de conduzir forças 
militares para derrotar o inimigo ou abrandar os resultados da derrota. 
Na época de Napoleão, a palavra estratégia estendeu-se aos movimentos 
políticos e econômicos visando a melhores mudanças para a vitória mili-
tary. (STEINER apud OLIVEIRA, 2009, p.237)
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E140
Estratégia diz respeito ao conjunto de ações que definem o posicionamento da 
empresa no mercado e na sociedade – o norte/rumo que a empresa/organiza-
ção seguirá – permitindo-lhe manter o foco e a segurança, com ferramentas 
capazes de congregar diversas áreas organicamente. A estratégia implica em ali-
nhamento, ou seja, todos os profissionais devem saber para onde a organização 
pretende ir e o que deseja alcançar, a quem beneficiar, garantindo aplicação cor-
reta dos recursos e a satisfação daqueles que serão beneficiados a partir daquilo 
que esta se propõe entregar.
Isso quer dizer que o profissional deve estar atento aos pequenos detalhes. 
Bom, vimos os conceitos separadamente, o que acha de juntarmos os dois e 
entender o que é um planejamento estratégico?
O planejamento Estratégico vai um pouco além de planejar, pois inclui a utilização de 
estratégias para a sua ação, ou seja, a capacidade de posicionar-se corretamente 
frente às situações do ambiente, tanto interno, quanto externo da organização (NETO, 
2003, p.1010).
O planejamento Estratégico é o processo interno de re�exão e coordenação 
sistemática de recursos humanos, �nanceiros, materiais e tecnológicos que tem 
como objetivo ajudar a organização a gerar melhores resultados para si e, em 
consequência, para a sociedade à qual se destina (Meneghetti, 2001).
É um modelo de decisão, uni�cado e integrador que delimita os domínios de atuação da 
Instituição. Determina e revela o propósito organizacional em termos de Valores, Missão, 
Objetivos, Estratégias, Metas e Ações, com foco em Priorizar a Alocação de Recursos.
Descreve as condições internas de resposta ao ambiente externo e a forma de modi�cá-las, com 
vistas ao fortalecimentoda Instituição;
Engaja todos os níveis da Instituição para a consecução dos �ns maiores.
Figura 1 - Conceituando planejamento estratégico.
F onte: As autoras.
Considerando a leitura de vários autores, a administração estratégica tem como 
principais características: 
 ■ é um modelo que orienta e preside as principais decisões de uma 
organização;
 ■ é um meio de estabelecer o propósito da organização em termos de mis-
são, objetivos, programas de ação e prioridades de alocação de recursos;
 ■ é instrumento para definição de domínios de atuação da organização;
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
141
 ■ é uma resposta para otimizar oportunidades forças: minimizar e elimi-
nar ameaças e fraquezas, com a finalidade de alcançar um desempenho 
competitivo;
 ■ é um critério para diferenciar as tarefas gerenciais dos vários níveis hie-
rárquicos da organização.
GESTÃO DE PROCESSOS
 O que quer dizer processos quando se fala de organização? O processo pode ser 
compreendido como o conjunto de atividades que tem por objetivo levar a um 
resultado esperado. Os processos transitam pelas diversas áreas da organização, 
até que se atinja o resultado esperado, que é definido pela equipe ou pela socie-
dade. Para isso, é preciso que as interfaces “conversem entre si”, pois cada área 
deve estar alinhada com o processo macro da organização.
 Você consegue entender o que é processo? Imagine o processo como um 
conjunto de atividades, um fluxograma, uma passagem de bastão (que são as inter-
faces do processo), ou seja, onde cada uma das partes precisam acreditar e confiar 
no trabalho da outra parte, para que a excelência da ação aconteça sem inter-
corrências. Quando há falhas, é preciso identificá-las para efetuar as correções.
Neste setor, é muito comum ouvir que é preciso encontrar as causas dos 
problemas com os quais temos contato, as demandas que chegam até nós. 
Isto é importante para que não sejamos apenas imediatistas, como já falamos 
anteriormente.
Olhar somente as consequências e atuar somente sobre elas pode até resol-
ver um problema naquele momento, mas com certeza ele voltará a acontecer em 
outra ocasião. Essa reflexão também se aplica quando falamos em gestão. Quando 
se atua somente nas consequências, aumenta-se o custo do trabalho, aumenta-se 
o tempo dedicado na imediaticidade. Quando se fala em processo, designa-se 
aquilo que precisa ser feito dentro da necessidade de tempo.
Uma das dificuldades em encontrar as causas dos problemas pode ser a falta 
de visão sistêmica e cobranças locais, focadas somente num determinado contexto.
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E142
GESTÃO DE PESSOAS
Toda organização é formada por pessoas, são responsáveis pelo sucesso do traba-
lho ofertado, por meio do seu desempenho. Cada integrante deve ser observado 
com atenção, bem como liderado e desenvolvido com competência. Grande 
dificuldade notada junto às organizações do Terceiro Setor é a de buscar uma 
estrutura profissional, com pessoas devidamente habilitadas, alcançando, assim, 
os objetivos determinados.
Para isso, é necessário a participação de todos e, mais que isso, as pessoas 
precisam ter claro quais os objetivos, o que a organização espera delas, as estra-
tégias, metas e, por fim, compartilhar dos resultados obtidos.
Uma das grandes forças de uma organização sem fins lucrativos é que 
as pessoas não trabalhem nela para viver, mas por uma causa (nem 
todas, mas muitas). Isto também cria uma tremenda responsabilidade 
para a instituição: a de manter a chama viva e não permitir que o traba-
lho se transforme em apenas um ‘emprego’. (DRUCKER, 2006, p.120).
Muitas organizações do Terceiro Setor já se deram conta dessa necessidade e já 
é possível perceber cases de sucesso, no que tange à gestão participativa. Outras 
ainda não perceberam, e um dos pontos identificados é justamente a falta de 
clareza dos papéis e das funções a serem desempe-
nhados por seus colaboradores.
A partir da tomada de consciência acerca 
da necessidade de profissionalizar o 
Terceiro Setor, muitas propos-
tas e leituras foram realizadas, 
cada autor apresentando do seu 
jeito a melhor saída para uma nova 
configuração do setor, mais fortale-
cido administrativamente, mais eficaz 
e focado em resultados. Dentre todos, 
alguns desafios na estruturação do 
processo de gestão de pessoas foram 
identificados:
Captação de
Recursos Humanos
Recompensas
(mateirais e não
materiais)
Desenvolvimento
dos Recursos
Humanos
Sucessão Remuneração
Figura 2 - Exemplo de Processo de Gestão de Pessoas 
Fonte: As autoras.
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
143
A discussão acerca de gestão de pessoas perpassa os colaboradores, visto 
que ela também diz respeito à gestão de voluntários (item que veremos mais a 
frente), para que o voluntariado na organização prospere, é necessário que ele 
antes de desempenhar suas atividades esteja bem orientado e integrado na equipe 
efetiva, sabendo a quem responder e a quem recorrer em casos de dúvidas. O 
voluntário não deve ser como mais um e ficar solto para agir como bem quiser.
Gerenciar “gente” envolve administrar pessoal e profissionalmente, para 
tal, é preciso entender as pessoas, entender como cada pessoa da sua equipe 
funciona. O sucesso com as pessoas auxilia no alcance das metas, para tanto é 
necessário ser justo, um dos grandes fatores que contribuem com a motivação 
das pessoas e que gera confiança. Outra questão relevante é que o líder conse-
gue sucesso pelo exemplo.
Gestão de pessoas: uma abordagem sobre as origens do volun-
tariado e sua relação com o Terceiro Setor
Caro(a) aluno(a), vamos conhecer um pouco sobre o voluntariado para termos 
condições de compreender e aplicar processos de gestão de pessoas com maior 
assertividade.
O voluntariado surge a partir do momento em que o ser humano toma consci-
ência de si, enquanto ser dotado de razão e sentimento, sendo capaz de perceber o 
que lhe faz bem ou não, aquilo que lhe cabe como certo ou errado, o que é justo ou 
Na atuação junto ao Terceiro Setor, temos várias funções que podem ser de-
sempenhadas na administração da organização, espaço para diferentes pro-
fissionais, com formações específicas além das que citamos aqui. Pesquise 
para saber como funciona e as atividades de cada área, tais como: Captador 
de Recursos; Gestor de Projetos Sociais; Gestor de redes; Facilitador de 
Processos; Avaliador de Projetos Sociais; e Gestor de Voluntariado.
Fonte: As autoras.
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E144
injusto. O homem como ser pertencente a uma sociedade, deve se perceber enquanto 
construtor, protagonista e ator desta sociedade. O homem que cria é também aquele 
que pode lutar pela desconstrução dos “desajustes sociais”, um poder que é ativo e 
vivo, construídos pelo tempo, possível somente quando há autoconsciente.
A autoconsciência (consciência de si), bem como a consciência dos outros, 
embora permita a sensação e a experiência de liberdade, ainda sim faz que o 
ser humano seja influenciado pela sociedade e pelo meio onde vive, ao mesmo 
tempo em que influencia é influenciado por ele, formando-se assim o ser social.
Um segmento influenciador, sobretudo das ações voluntárias na história da 
humanidade, foi a religião. Ao observarmos a história, veremos que as religiões 
na sua totalidade difundem o amor ao próximo, o bem, a caridade, a compai-
xão, e isso é propagado como virtude. Em muitas delas, com uma das maneiras 
de salvar a própria alma, sendo assim umaatitude individual.
 Quando se falava em salvação, existiu e existe presente na sociedade a concep-
ção de “castigo” divino, ou seja, aquele que não pratica o bem estaria “condenado” 
no dia do seu “juízo final” (pós-morte), seria severamente castigado pelo “Deus 
punidor”. Era a moral e a ética religiosa, definindo a ordem e os ‘bons costumes’.
O avanço científico, tecnológico, literário, entre outros não trouxeram no 
mesmo compasso a prática dos valores humanitários, o bem comum, a recipro-
cidade. Os valores econômicos acabaram por sobressair aos valores humanos, 
fruto do individualismo capitalista.
Em muitos países, podemos observar que a insistência acerca da preocupação 
com o próximo, o desenvolvimento comum e igual se fazia presente, como podemos 
observar na Alemanha do século XIX, onde algumas forças voluntárias atuavam.
Permanecendo ainda na Alemanha, no início do século XX, temos regis-
trado o trabalho voluntário organizado, sobretudo na área social, trazendo a 
noção do “re-construir profissionalmente o social”. Porém, essa ideia ocasionou 
na época um tipo de marginalização dos voluntários da época. Nesse período, o 
trabalho era uma das características das donas de casa que estavam dispostas a 
se dedicar aos mais necessitados por um motivo caritativo e de benesse, concei-
tuado pela época como um trabalho desenvolvido e entendido como uma tipo 
de atividade feito por leigos.
Já nos meados de 1980, ainda na Alemanha, uma nova concepção de voluntariado 
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
145
começa a emergir, sendo encarado timidamente de outra forma, e visava atender 
às demandas amplas. O voluntariado na Alemanha estruturou-se nas bases da 
liberdade e dignidade, e visam o apoio a pessoas com necessidades especiais, com 
limitações físicas, ou mentais, ou a pessoas idosas (FREUNDE-WALDORF, online). 
Encarado dessa forma, novas exigências também começam a despontar. 
Pede-se, agora, um trabalho voluntário mais qualificado, com respostas mais 
eficientes, têm-se uma ideia de que seria substituir os funcionários por voluntá-
rios, pois estes não teriam custos.
As diferenças sociais se agravam e se acentuam, emergindo assim no século 
XX os mais diversos problemas sociais, intensificando o voluntariado feminino, 
com fortes raízes morais, religiosos, com o objetivo de educação dos pobres, bem 
como os órfãos e as viúvas de guerra. Tornou-se uma prática obrigatória entre 
as damas daquela sociedade. O voluntariado acaba se tornando uma máscara 
para as práticas masculinas praticadas nos campos de guerra.
No contexto mundial, a Europa foi um dos locais de maior destaque quanto 
ao trabalho voluntário no mundo. Dentre eles, cita-se o trabalho realizado pelo 
corpo de bombeiros de Portugal, onde há mais 610 anos conta com trabalhos 
de voluntários, sempre a postos a contribuir com a sociedade.
Nos Estados Unidos, em meados de 1919, houve um movimento diferente 
quando se trata de voluntariado, considerando a forma como seus territórios 
foram ocupados, os princípios religiosos vigentes naquele momento no país, onde 
se pregava que “nada caía do céu” e que o progresso e o avanço não aconteceria 
se não houvesse um esforço conjunto, coletivo, entediam que o desenvolvi-
mento só aconteceria a partir de uma organização social e não da generosidade 
ou benesse de alguém. Em 1933, aos poucos foi sendo implantado o “bureau de 
voluntários” em várias cidades dos Estados Unidos, o objetivo era o de indicar 
mais voluntários para as organizações sociais.
Retomando a história, consta que ao final da II Guerra Mundial houve um 
grande aumento das atividades voluntárias (organizadas ou não). Isso ocorreu 
por conta dos imensos problemas, sobretudo de ordem social, provenientes da 
Guerra. Com isso, a sociedade civil vem à tona e se faz presente.
Em 1981, a Comunidade Europeia promulgou o estatuto da “volonteurope”, 
com o objetivo de estimular a colaboração de ações não remuneradas. Ao longo 
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E146
do tempo foi se fixando a postura comum que se tem do trabalho voluntário por 
parte das instituições. Destacou-se a importância do fenômeno do voluntariado 
nas sociedades europeias por sua contribuição na execução de sociedades mais 
justas e equilibradas. Ressaltando que sua expansão não deve permitir que os 
poderes públicos relaxassem a necessária satisfação de carências em determina-
dos coletivos sociais. Frisando, ainda, que precisam ser atendidos desde a esfera 
pública, estabelecendo uma adequada regulamentação da realização de serviços 
voluntários, evitando que se converta em um substituto do trabalho remunerado 
(AMO apud MEISTER, 2003, p. 107). 
No ano de 1985 foi aprovada a resolução do voluntariado, do Conselho de 
ministros da Europa e, em 17 de dezembro, em uma Assembleia Geral da ONU, 
é reconhecido que o voluntariado contribui para a melhoria da qualidade de 
vida. Nesse mesmo dia, a ONU criou o Dia Internacional do Voluntariado (5 
de dezembro), data em que se divulgam em diversos países as ações voluntárias, 
a fim de sensibilizar outras pessoas para essa dimensão da vida. Também tem 
como objetivo levar as pessoas a refletirem sobre a cidadania e a cultura da soli-
dariedade como valores indispensáveis para a melhoria de vida em nosso planeta.
No Brasil, assim como em outros países, houve uma forte influência da religião 
no desenvolvimento do voluntariado. Como vimos anteriormente, até meados de 
1930, o trabalho social quase que exclusivamente era realizado por quem? Pelas 
entidades de caridade e beneficência, todas ligadas às igrejas. Contudo, com o 
crescimento das cidades, a industrialização e a migração acentuaram os proble-
mas sociais do país. Essa realidade gritante desperta para a reivindicação pelos 
direitos humanos e sociais. 
Porém, quando buscamos os registros acerca das ações de voluntariado 
no Brasil, percebemos que há uma fragilidade em seus registros. Isso de deve à 
cultura da caridade e benevolência, uma vez que as atividades voluntárias, em 
alguns momentos, se configurava como uma atividade paralela, não sendo regis-
trada como forma de memória e história. A prática do voluntariado se dava no 
contexto imediatista, em que a intenção do agir bastava e se encerrava ali, sem 
muitos planejamentos.
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
147
É fato que o voluntariado e o Terceiro Setor não vão dar conta de todas as maze-
las da sociedade, nem podemos crer que todo ser humano possui uma intenção 
totalmente boa, a generalização neste quesito não existe, pois de acordo com 
Demo (2002, p.24), “a solidariedade é tanto possível quanto difícil. Faz parte de 
nossa estrutura evolucionária e histórica, mas não aparece como hipótese pri-
meira, porque o autointeresse egoísta é ponto de partida e de chegada.” 
Voluntário é aquele que age em benefício do bem comum, a busca pela promo-
ção do ser humano integrante de uma sociedade, logo, não existe o voluntariado 
em causa própria. O voluntariado passou por transformações, como pudemos 
ver anteriormente, visto que hoje ele possui um outro formato e, a partir da rea-
valiação de seus paradigmas, podemos notar que está muito mais consolidado e 
seguro das suas ações, imprimindo grandes avanços no apoio ao enfrentamento 
da questão social e na profissionalização do setor.
No entanto, é preciso esclarecer que embora contribua em muito para o 
Terceiro Setor, voluntariado não é uma profissão, não se caracteriza como um 
agir profissional e não gera vínculo empregatício! Embora, muitas vezes, um 
voluntário possa doar o seu fazer profissional. Já é possívelperceber que mui-
tas ações voluntárias têm sido desenvolvidas de maneira a contribuir, inclusive, 
com o planejamento estratégico da organização (quando esta o possui), dimi-
nuindo gradativamente o número de voluntários que realizam suas atividades 
de maneira individual e sem planejamento.
O voluntariado assume o seu papel ativo na participação da sociedade civil devi-
damente organizado e estruturado, sem perder de vista seus valores éticos e morais. 
O grupo do Corpo de Bombeiros de Joinville – Santa Catarina é constituído 
por 400 pessoas, sendo 100 contratados e 300 voluntários em regime de 
revezamento 24 horas. Contando com a brigada contra incêndio, o número 
cresce para 1200 pessoas. Os bombeiros recebem treinamento de duas ho-
ras semanais. Participam dos treinamentos dos bombeiros mirins, que não 
são utilizados nas emergências. A função é treinar futuros bombeiros. 
Fonte: Meister (2003, p.116).
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E148
Para aqueles que se dispõem a realizar um trabalho voluntário, frisamos que o 
trabalho embora seja voluntário e não implique em remuneração, não deve ser desen-
volvido de qualquer forma, mas com muita responsabilidade e comprometimento.
Quanto mais organizado o trabalho voluntário, mais é possível alcançar 
resultados positivos e o impacto na complexidade das relações humanas e mais 
claramente percebido e mensurado. Para isso, ele precisa garantir a continuidade 
de suas ações, cumprir as metas daquilo que se comprometeu quando buscou a 
organização, que conta com ele para concluir.
O trabalho voluntário pode envolver profissionais de diversas áreas, de habi-
lidades e competências distintas. E, se executado de forma responsável, contribui 
e muito com a organização.
GESTÃO DE MARKETING
Caro(a) aluno(a), o que vem à sua cabeça quando ouve a palavra marketing? O 
que ela representa em sua mente? Como você a definiria? A maioria das pessoas 
associa o marketing à propaganda, à relação de compra e venda e ao mercanti-
lismo. Esta associação tem seu fundo teórico e histórico, uma vez que, o
[...] marketing é o processo pelo qual indivíduos ou grupos obtêm o 
que precisam e desejam através de troca de produtos e valores. (...) Ati-
vidades como desenvolvimento de produtos, pesquisa, comunicação, 
distribuição, preços e serviços são as atividades centrais do marketing. 
(KOTLER et al., 2012, p.4)
Se o marketing trabalha com produtos e valores, e com a distribuição e comu-
nicação destes itens às pessoas, visando condições lucrativas e adequadas de 
negociação, fica então a dúvida: como associar marketing ao Terceiro Setor? 
Onde se aproximam as ações de marketing e da iniciativa social? Para entender 
essas questões e, em seguida, dar seguimento ao nosso estudo, leia com atenção 
o breve histórico desta relação: 
[…] a associação entre marketing e o aspecto social começou a apare-
cer no início da década de 70, quando Philip Kotler e Gerald Zaltman 
estudavam aplicações do marketing que contribuíssem para a buscar o 
encaminhamento de soluções para diversas questões sociais. Assim, em 
1971 publicaram no Journal of Marketing um artigo intitulado Social 
Gestão Para o Terceiro Setor: Desafios
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
149
Marketing: ‘Approach to Planned Social Chance’, no qual conceituam 
marketing social como sendo: ‘o projeto, a implementação e o controle 
de programas que procuram aumentar a aceitação de uma ideia, causa 
ou prática social entre um grupo-alvo. Utiliza conceitos de segmen-
tação de mercado, de pesquisa de consumidores, de configuração de 
ideias, de comunicação, de facilitação de incentivos e a teoria da troca, 
a fim de maximizar a reação do grupo-alvo. (KOTLER; ZALTMAN 
apud VILLAS BOAS NETO, 2003, p. 62)
 A partir de então, os conceitos de marketing social começam a se estruturar 
chegando ao conceito que vemos hoje.
Os meios massivos de comunicação de ampla cobertura (rádio, televi-
são, e propaganda escrita) propostos por Manoff foram adaptados para 
o desenvolvimento de campanhas com temas sociais, que resultaram 
em uma importante contribuição para o aumento da consciência dos 
indivíduos sobre problemas de saúde, associados a certos comporta-
mentos e a mudanças de hábitos. (VILLAS BOAS NETO, 2003, p.63).
Para complementar nossos estudos, veremos alguns conceitos de marketing 
social, com base nos autores e estudiosos da área:
Quadro 3 - Conceitos do marketing social 
Philip Kotler 
et al. (2012)
Estratégia de mudança do comportamento. Ele combina os melhores 
elementos das abordagens tradicionais da mudança social num esquema 
integrado de planejamento e ação e aproveita os avanços na tecnologia 
das comunicações e na capacidade de marketing.
Atucha 
(1995)
Ferramenta democrática e eficiente que aplica os princípios e instrumen-
tos do marketing de modo a criar e outorgar um valor à proposta social. O 
marketing social redescobre o consumidor por meio do diálogo interativo, o 
que gera condição para que se construa o processo de reflexão, participação 
e mudança social. Os resultados são mensuráveis pelos seus efeitos e avalia-
dos pela sua efetividade.
Schiavo 
e Fontes 
(1997)
Marketing Social é a estratégia do processo de mudança social a partir da 
adoção de nossos comportamentos, atitudes e práticas, no âmbito individu-
al e coletivo, orientadas por princípios éticos, fundamentados nos direitos 
humanos e na equidade social. O termo é empregado para descrever o uso 
sistemático dos princípios e métodos do marketing orientados para promo-
ver a aceitação de uma causa ou ideia, que levem um ou mais segmentos 
populacionais identificados como público-alvo a mudanças comportamen-
tais quanto à forma de sentir, perceber, pensar e agir sobre uma determina-
da questão, adotando respeito a novos conceitos e atitudes.
Araujo 
(2001)
Marketing Social é encarado como estratégia de mudanças comportamen-
tais e atitudinais podendo ser utilizado em qualquer tipo de organização, 
seja pública ou privada, lucrativa ou não, desde que tenha uma meta final 
de produção de transformação e impactos sociais.
Fonte: As autoras.
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E150
Um ponto relevante, caro(a) aluno(a), e que você deve sempre estar atento(a), é que 
não podemos nos equivocar quanto à real essência do marketing social, que está 
ligada a mudanças de comportamento, na busca pela adoção de uma atitude social-
mente responsável. Ele pretende provocar uma mudança real de comportamento 
humano, com vistas à responsabilidade social do indivíduo isolado e no coletivo 
das organizações. Lembra-se daquele cidadão responsável que estudamos antes? 
A ele que o marketing social ou, agora, marketing sustentável tem se reportado.
Seguem algumas definições e atitudes que podem fazer com que você, possí-
vel gestor de uma organização do Terceiro Setor, não se confunda no momento 
de traçar as estratégias de marketing junto à equipe. Uma vez que existem dife-
renças entre o marketing direcionado às causas sociais e o marketing que mantém 
alguma relação com uma causa:
Quadro 4 - A relação do marketing com as causas
Marketing 
para causas 
sociais
Estratégia de posicionamento que associa 
uma empresa/marca a uma causa social 
visando agregar valor à marca e estimular 
vendas. Pode ser desenvolvido por meio 
de uma aliança estratégica entre uma 
empresa e uma organização voluntária ou 
beneficente, comprometida com a área 
de interesse social ou diretamente em 
benefício da causa em si.
A empresa desenvolve um 
projeto na área social sem se 
associar a nenhuma institui-
ção ligada à causa. Pressupõe 
que a empresa adote uma 
causa e, por consequência, 
contribua socialmente.
Marketingrelacionado 
a uma causa
Baseia-se na premissa de que os consu-
midores comprarão produtos ou servi-
ços que oferecem algum tipo de bônus 
emocional na forma de uma contribuição 
para uma organização filantrópica (VILLAS 
BOAS NETO apud Correa, 2003, p. 69).
Nesse ponto, o marketing 
está associado à compra 
e não necessariamente à 
adoção de uma atitude mais 
responsável socialmente 
pelo consumidor. Exemplo: 
MC Dia Feliz.
Fonte: Adaptado de Villas Boas Neto (2003).
O que visa o marketing sustentável para as organizações do Terceiro Setor? Além 
da transformação social, uma mudança comportamental, mas sem abrir mão 
do lucro que é imprescindível para que as organizações possam se manter sus-
tentáveis. Para isso, deve-se descobrir novas oportunidades, desenvolver planos 
para realizá-las e, então, obter lucro com elas para que possam garantir a exis-
tência das organizações do Terceiro Setor.
Gestão para o Terceiro Setor: Oportunidades
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
151
Quadro 5 - Desafios para a Gestão das Organizações do Terceiro Setor
Desafio Descrição
Transparência
A responsabilidade e a transparência na aplicação dos recursos e 
na prestação de contas para com aqueles que direcionam recursos 
para a instituição.
Sustentabilidade
Profissionalismo na captação e aplicação dos recursos – materiais 
e imateriais – de maneira suficiente e continuada, e utilizá-los com 
competência, de maneira a preservar a organização, bem como 
atingir seus objetivos institucionais.
Racionalidade 
na aplicação dos 
Recursos
Uso eficiente dos recursos e avaliação adequada do que deve ser 
priorizado, em função dos recursos disponíveis, das necessidades 
do público e das alternativas existentes.
Ênfase no trabalho 
em rede
Trabalho intersetorial, na articulação de redes, fóruns, associações, 
federações e grupos de trabalho, de forma real ou virtual, permitin-
do articulação e troca de informações, bem como a complementa-
ridade dos serviços oferecidos aos usuários.
Fonte: Adaptado de Falconer (1999).
Caro(a) aluno(a), o que vimos até aqui sobre os instrumentos de gestão nos 
remete a desafios de toda natureza para as organizações e para os profissio-
nais que as compõem. Dessa forma, denotando a urgente profissionalização do 
Terceiro Setor, para garantir a sustentabilidade de suas ações e assegurar sua 
continuidade. São criadas com o intuito de melhorar o mundo a sua volta, mas 
para isso necessitam de ferramentas que as mantenham ativas. Por esse motivo, 
além dos desafios, cada processo de gestão traz uma gama de oportunidades. A 
seguir, vamos discutir um pouco sobre algumas delas.
GESTÃO PARA O TERCEIRO SETOR: 
OPORTUNIDADES
Estudamos um pouco sobre os desafios encontrados na gestão por processos e 
possíveis modelos para as organizações sem fins lucrativos. Aqui, daremos ênfase 
a algumas oportunidades que podem ser geradas a partir destes processos. Nem 
só de desafios se faz uma gestão, por isso, vamos às oportunidades!
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E152
Como vimos, a gestão estratégica é o conjunto 
de proposições, cenários, objetivos, metas e 
planos, que são capazes de impulsionar a orga-
nização para o cumprimento de sua missão. 
Ela se pauta principalmente na gestão opera-
cional, aquela que organiza todo o conjunto 
de ações de planejamento, operacionalização 
e acompanhamento ajustando indicadores de 
desempenho, para que garantam os resultados 
operacionais da organização (MARANHÃO; 
MACIEIRA, 2010, p. 52).
A gestão estratégica alinha as pessoas envolvidas à compreensão da fina-
lidade existencial da organização. A partir do momento que a mensagem de 
missão, visão, valores e objetivos institucionais é assimilada pelos colaboradores, 
doadores, investidores, voluntários, atendidos, profissionais, entre tantos outros 
envolvidos, na linha direta e indireta de envolvimento (todos os stakeholders), 
as possibilidades são infinitas. Desta forma, todos têm condições de contribuir 
com os meios que possuem, para a consecução dos objetivos e finalidades da 
organização, até mesmo contribuem na consolidação da marca da organização, 
algo que podemos chamar de marca social.
Recentemente, cerca de cinco anos atrás, deu-se início a um movimento de 
construção da identidade financeira para organizações voltadas à causas re-
lacionadas às demandas humanas, animais e ambientais. Esse movimento, 
no Brasil, ganhou o nome de Força Tarefa de Finanças Sociais e tem dire-
cionado algumas ações tantos comerciais quanto sociais, para um mercado 
justo e sustentável. Vale uma pesquisa mais apurada sobre esta possibilida-
de, para que o Terceiro Setor se adeque e se prepare para fazer parte dos 
resultados deste movimento. Pesquise mais a respeito!
Fonte: Adaptado de Instituto de Cidadania Empresarial – ICE.
Gestão para o Terceiro Setor: Oportunidades
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
153
Lhe apresentamos um resumo básico sobre as ações que estão intrínsecas 
à gestão estratégica e que podem dar melhor aporte à construção dos indica-
dores de desempenho. Esse resumo define os passos a serem seguidos, que são: 
alinhar, engajar, implementar, avaliar e validar (rever o planejamento). O ali-
nhamento diz respeito ao fato de comunicar às pessoas da organização de forma 
mais clara possível as estratégias, os objetivos, os planos e os processos, bem 
como as responsabilidades de cada um, para que haja o engajamento, desenvol-
vendo nas pessoas a percepção de que participam da organização, que fazem 
parte efetiva dela. Uma vez engajados, a possibilidade de otimizar o talento das 
pessoas (profissionais, voluntários, equipe, colaboradores etc.) é muito grande, 
potencializando as estratégias executadas em cada processo interno e externo, a 
implementação acontece de forma natural. Para se certificar do alcance e impacto 
obtido, é necessário medir e avaliar o que se pretendia, com que o que foi alcan-
çado, e a partir destes resultados e indicadores, confirmar a eficácia da gestão e 
efetuar correções, se necessário (MARANHÃO; MACIEIRA, 2010). 
É preciso ter a gestão estratégica implementada para assegurar o levantamento 
de dados e a correta construção de indicadores de desempenho, mas não podemos 
deixar de dizer que “indicadores são dados individuais ou combinados coletados 
sobre os resultados de processos de trabalho” (MARANHÃO; MACIEIRA, 2010, 
p.139). É com base nos indicadores que poderemos tomar decisões sobre os proces-
sos, por isso é interessante controlar os processos, documentá-los e registrá-los, pois
[…] Não se gerencia o que não se mede,
não se mede o que não se define, 
não se defende o que não se entende,
não há sucesso no que não se gerencia.”
William Edwards Deming (MARANHÃO; MACIEIRA, 2010, p. 140).
Garantir os registros, a avaliação, a mensuração e frisar os indicadores garan-
tem o sucesso de uma organização (com ou sem fins lucrativos). Esta é a grande 
oportunidade que temos em nossas mãos, trazer para o Terceiro Setor, enquanto 
ainda está em processo de construção, técnicas e ferramentas que podem auxili-
á-lo na concretização de suas finalidades de maneira equilibrada e sustentável. O 
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E154
uso das ferramentas de marketing favorecem a promoção da marca, não somente 
de empresas, mas também das organizações sem fins lucrativos, estas que conhe-
cemos como organizações do Terceiro Setor.
O marketing social defende que em alguns casos, a sustentabilidade “diz 
respeito ao equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, os interesses empre-
sariais e as necessidadessociais e ecológicas” (ZENONE; DIAS, 2015, p.17) e, 
com isso, “a sociedade como um todo se beneficia, não necessariamente com o 
valor mercadológico, mas principalmente com o valor social associado a cada 
ação voltada para a construção de uma sociedade sustentável” (ZENONE; DIAS, 
2015, p.10), saindo da passividade para a ação.
Trazendo à tona novas discussões e possibilidades, que se estruturam a partir 
da aliança do Estado com o mercado e das novas formas de entrega de serviços e 
produtos para atender demandas sociais, as ações podem ser potencializadas pelo 
uso de redes sociais (virtuais e pessoais), ampliando não somente a conscientiza-
ção, como também o alcance da divulgação de uma marca, da transparência, da 
legitimidade e das finalidades existenciais de uma organização do Terceiro Setor.
FOCO NA INOVAÇÃO
Inovar é alterar o processo produtivo! Inovar é recombinar rotinas, a forma como 
eu, como profissional, faço as coisas! Inovar é fazer diferente aquilo que eu faço 
sempre, sem deixar de lado, os valores, os princípios e a ética!
O uso da marca de uma organização do Terceiro Setor pode imprimir sua 
presença online, fazendo uso de redes e mídias sociais, de maneira bem elabo-
rada, planejada e articulada garantindo acesso a recursos de toda natureza. Os 
recursos que podemos acessar por meio do uso adequado das redes sociais não 
se limitam a financeiros. Porém, existe toda uma gama de possibilidades que 
encontramos nos meios tecnológicos. 
As organizações se fortalecem nas mídias sociais, construindo uma imagem 
e garantindo a presença online de forma constante. Há quem utilize o facebook 
como ferramenta de engajamento e mobilização, por ser uma plataforma promotora 
de comunicação e exposição em rede, de maneira rápida, uma verdadeira vitrine.
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
155
Já parou para imaginar em utilizar as mídias sociais para impulsionar sua orga-
nização, a captação de recursos e até mesmo o engajamento de recursos à causa? 
Algumas organizações fazem uso de campanhas de crowdfunding não somente 
para a captação de recursos financeiros, mas para gerar simpatia da população e 
visibilidade à causa e à organização. Estas campanhas são efetuadas em plataformas 
específicas, algumas são separadas por área de atuação, por tipo de organização, 
ou mesmo por tipo de projeto, existem plataformas para quase todas as “cau-
sas”, sociais ou pessoais. O fato é que como dizia o velho ditado popular: “quem 
não é visto, não é lembrado” e as organizações precisam colocar suas causas na 
vitrine, na prateleira, no palco, nos holofotes!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desta unidade, pudemos perceber quanto é importante a capacita-
ção de todos os profissionais envolvidos na gestão das organizações do Terceiro 
Setor. Deixando bem clara a necessidade de que o Terceiro Setor deve abando-
nar o amadorismo e cada vez mais se profissionalizar, visando a sua estruturação 
e atualização que devem ser permanentes. Tornando-se cada vez mais transpa-
rente, participativo e contributivo socialmente.
O marketing foi um dos focos do nosso estudo. Observamos como ele pode 
ser uma estratégia eficaz na promoção das causas e na mobilização das pessoas 
em benefício de projetos transformadores da sociedade. 
Alguns elementos da administração foram apresentados de forma rápida e 
sucinta. Trouxemos informações e conhecimentos sobre a área e de como a ges-
tão estratégica é essencial para o sucesso organizacional. Vimos sobre os desafios 
que são impostos à gestão de uma organização do Terceiro Setor, principalmente 
na adaptação da instituição no que se refere aos processos que podem ser imple-
mentados nestes espaços. E de como é desafiador para trazer pessoas para dentro 
da organização, compreendendo a sua finalidade existencial.
ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO NO TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E156
As inovações que podem ser aplicadas à gestão, inclusive do Terceiro Setor, 
têm alterado os rumos das novas organizações, que assumem características 
estruturais mais delineadas e organizadas em seus processos, assegurando-lhes 
pela profissionalização operacional, o sucesso nas ações e propostas.
Você está vendo e verá muito mais as riquezas que a profissionalização do 
setor pode oferecer e, ao final do curso, você terá condições de avaliar o que 
mais te encantou e encantará. Descobrirá em que área irá buscar especializar-se. 
Independente da área, todas exigirão de você muita dedicação, pois acreditamos 
que todo profissional deve ser o melhor naquilo que se propõe a fazer e são cam-
pos de trabalho nas mais diferentes áreas. Seja bem-vindo(a)!
157 
1. Como vimos em nossos estudos, a associação é o agrupamento de pessoas 
para fins não econômicos, com finalidades lícitas, e com personificação jurídi-
ca. A composição mínima de uma diretoria de associação é:
I. Presidente e vice presidente.
II. Primeiro e segundo tesoureiro; e conselho fiscal.
III. Primeiro e segundo secretário. 
IV. Conselho de administração.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas. 
b) Apenas I, II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
2. Ele estabelece em regras e respectivos comandos tantos os fundadores quan-
tos os novos associados, definindo direitos e deveres, e forma de organização. 
Estamos nos referindo:
a) Ao contrato social.
b) À ata de constituição.
c) Ao estatuto. 
d) Às parcerias estatais. 
e) Ao registro civil.
3. Um projeto social assume a forma de organização sem fins lucrativos quando 
se formaliza juridicamente, quando organiza seus documentos e passa a aten-
der às legislações específicas de sua área de atuação. Além da documentação 
de formalização, é importante que a associação:
I. Promova a sistematização de seus processos e técnicas de gestão.
II. Discrimine seus processos em manuais de conduta e de normas.
III. Estabeleça os limites em seu regimento interno e manual de procedimen-
tos, padronizando as ações.
IV. Somente manter a sua documentação de constituição em dia é suficiente.
158 
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I II e III estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
4. Os estatutos das associações sem fins lucrativos precisam ter claros alguns 
itens importantes, que são definidos em lei. São exigidos para registro do esta-
tuto de uma associação sem fins lucrativos, entre outros:
Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):
( ) O prazo de duração da associação.
( ) A data da assembleia de fundação.
( ) A origem das doações.
Assinale a alternativa correta:
a) V; V; F.
b) F; F; V.
c) V; F; V.
d) F; F; F.
e) V; V; V.
5. Estudamos que por muito tempo as organizações do Terceiro Setor se 
pautaram no amadorismo e na boa vontade de seus voluntários e, para 
obterem sucesso na realização de seus objetivos, elas precisam:
a) Manter sua prioridade única e exclusiva na solução de um problema social.
b) Realizar planejamento somente para recursos públicos, por exigência legal.
c) Manter seu foco de trabalho somente no desejo de mudar o mundo, na sua 
atividade-fim, e não no ato de administrar.
d) Estruturar as capacidades em um esforço coletivo, coordenado e sistemati-
zado, indo além da atividade-fim, à sua manutenção financeira.
e) Abrir mão do planejamento e sistematização, pois encarece sua administra-
ção.
159 
Para Ampliar seus conhecimentos acerca da nossa discussão até aqui, proponho a você 
a leitura deste texto, interessante e muito contributivo! Boa Leitura! 
GESTÃO SOCIAL: a mudança organizacional necessária
Todas as organizações, sejam elas com ou sem fins lucrativos, necessitamgerir sua es-
trutura de forma a alcançar os objetivos a que se propõem. Apesar de os propósitos de 
ambas se distinguirem – têm missões e objetivos totalmente diferentes –, desenvolvem 
produtos ou serviços a partir do trabalho de pessoas e da utilização de recursos.
Nesse sentido, convivem com situações semelhantes e enfrentam desafios também seme-
lhantes. Ambas se defrontam com um mundo em constante processo de mudanças, cada 
vez mais rápidas, envolvendo uma diversidade e uma complexidade cada vez maiores.
As empresas privadas têm enfrentado essas mudanças empregando sistemas de gestão 
cada vez mais flexíveis, ágeis e capazes de se adaptarem às novas situações. Têm conse-
guido não apenas enfrentá-las, como também criar novas demandas e tecnologias que, 
por sua vez, aceleram ainda mais esse processo.
A administração pública e as organizações da sociedade civil que atuam no campo so-
cial não poderiam escapar dessa realidade. O agravamento das questões sociais impõe 
a necessidade de responderem à sociedade de forma imediata, muitas vezes necessitan-
do mesmo adaptar-se às novas circunstâncias.
E a sociedade tem exigido cada vez mais participação nas definições de prioridades e 
transparência na gestão dos recursos públicos, principalmente daqueles utilizados em 
programas e projetos sociais.
Para enfrentar o enorme desafio de suplantar e inverter sua atuação descontínua e re-
ativa nesse campo, buscando tornar-se mais ativa e ágil, a administração pública vem 
adotando alguns instrumentos de gestão com maior capacidade de monitoramento 
dos programas prioritários do governo e investindo na formação de quadros profissio-
nais com perfis mais modernos e sensíveis às necessidades da sociedade, medidas essas 
ainda extremamente tímidas diante de nossa realidade social.
As organizações da sociedade civil, por sua vez, têm convivido com as exigências de 
agências e órgãos financiadores, que vêm dando crescente importância à forma como 
os recursos concedidos para o desenvolvimento dos projetos é gerida, ou seja, à capa-
cidade gerencial e administrativa da instituição em demonstrar clara e eficientemente a 
utilização desses recursos.
Uma boa justificativa e uma clara definição de objetivos e resultados pretendidos – com 
claros indicadores qualitativos e quantitativos – são elementos fundamentais de um 
projeto. Da mesma forma, é de grande importância uma correta e transparente presta-
ção de contas. No entanto, outros requisitos são necessários e igualmente importantes.
160 
Isso tem levado as organizações a procurar rever, quando necessário, sua forma de fun-
cionamento, reestruturando-se ou modernizando-se administrativamente. Além do 
mais, tornou-se fundamental investir na capacitação de seu pessoal, para que seu de-
sempenho permita responder a essas exigências.
Cabe a elas, portanto, o desafio de ir além de boas intenções e boas propostas, qualida-
des que caracterizam a maioria delas. É preciso que suas ações sejam desenvolvidas de 
forma eficiente, eficaz, ágil, participativa e transparente, superando a informalidade e 
buscando a concretização de objetivos comuns, com resultados capazes de interferir na 
realidade, transformando-a.
Fonte: Ávila (2001, p.103-104).
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Apresentação: A Força Tarefa de Finanças Sociais pretende atrair investidores, 
empreendedores, governos e parceiros para realizar negócios rentáveis, que resolvam 
problemas sociais ou ambientais, saiba mais no link.
Web: http://forcatarefafi nancassociais.org.br/creca-da-forca-tarefa-brasileira-de-
fi nancas-sociais/>.
Fundações, Associações e Entidades de Interesse Social.
José Eduardo Sabo Paes 
Editora: Forense
Sinopse: Em sintonia com a atualidade brasileira em face do Código Civil 
e do novo Código de Processo Civil, a obra esclarece questões de regime 
tributário – imunidades e isenções –, questões orçamentárias, de incentivos 
à captação de recursos, transferência de recursos públicos, da concessão do 
certi� cado de Entidade Bene� cente de Assistência Social e da quali� cação 
de OSCIP e reconhecimento como OS e OSC. Examina, ainda, a origem, 
os tipos, a organização e a atuação � nalística, contábil e trabalhista dessas 
entidades, em especial das fundações, bem como explica a atuação do 
Ministério Público em seu velamento, acompanhamento e � scalização. 
A Corrente do Bem (2000)
Sinopse: Kevin Spacey vive Eugene Simonet, um professor de Estudos 
Sociais que desafi a seus alunos a criarem algo que possa mudar o 
mundo. Um de seus alunos, Trevor McKinney (Haley Joel Osment), aceita 
o desafi o e cria um novo jogo – “Pay it forward” –, em que a cada favor 
que recebe você retribui a três outras pessoas. A ideia é surpreendente 
e acaba ajudando o próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do 
passado e também a mãe de Trevor, Arlene (Helen Hunt), a encontrar 
um novo sentido em sua vida.
Comentários: Vimos ao longo do nosso estudo que o Terceiro Setor 
é o setor fundamentalmente humano e que o voluntariado implica 
numa ação que advém de uma necessidade que nasce de dentro para 
fora. Independente das críticas, devemos, enquanto seres humanos, 
imprimir um sentido para nossas vidas e investir na construção da 
justiça, da inclusão e do bem, independente de estar ligado a uma 
organização ou não.
REFERÊNCIAS
ANDION, Carolina. Gestão em organizações da economia solidária: contornos de 
uma problemática. Revista de Administração Pública : Rio de Janeiro, n. 32 :7-25. 
jan./fev. 1998. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/ar-
ticle/viewFile/7680/6246>. Acesso em: 17 out. 2017. 
ARAUJO, E. T. Parcerias entre governo e Terceiro Setor: discurso, práticas e desa-
fios. Artigo para a disciplina políticas sociais e novos modelos de gestão pública. 
Curso de Especialização em estratégias de comunicação, mobilização e marketing 
social, UnB/UNICEF/John Snowdo Brasil, Brasília, 2001.
ATUCHA, L. M. A. e CALDERÓN LORA, S. Marketing Social: Aproximaciones Teóricas 
Desde la Práctica. La Paz, SEAMOS, 1995 (mimeo), pp. 26-27.
ÁVILA, Célia M. de (coord). Gestão de Projetos sociais. 3.ed. rev. São Paulo: Capaci-
tação Solidária, 2001.
BRASIL. Decreto nº 8726, de 27 de abril de 2016. Regulamenta a Lei nº 13.019, de 
31 de julho de 2014, para dispor sobre regras e procedimentos do regime jurídico 
das parcerias celebradas entre a administração pública federal e as organizações 
da sociedade civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2016/decreto/D8726.htm>. Acesso em: 17 out. 2017.
BRASIL. Lei Federal nº. 9.637, de 15 de maio de 1998. Dispõe sobre a qualificação 
de entidades como organizações sociais, a criação do Programa Nacional de Publi-
cização, a extinção dos órgãos e entidades que menciona e a absorção de suas ati-
vidades por organizações sociais, e dá outras providências. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9637.htm>. Acesso em: 20 jan. 2018.
BRASIL. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 1 
ago. 2017.
BRASIL. Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. Dispõe sobre a certificação das 
entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção 
de contribuições para a seguridade social; altera a Lei no 8.742, de 7 de dezembro 
de 1993; revoga dispositivos das Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 
26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio 
de 2003, e da Medida Provisória no 2.187-13, de 24 de agosto de 2001; e dá ou-
tras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2009/lei/l12101.htm>. Acesso em: 17 out. 2017.
BRASIL. Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999. Dispõe sobre a qualificação de pesso-
as jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade 
Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria,e dá outras pro-
vidências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9790.htm>. 
Acesso em: 17 out. 2017. 
DEMO, P. Introdução à Sociologia: Complexidade, interdisciplinaridade e desigual-
dade social. São Paulo: Atlas, 2002.
REFERÊNCIAS
163
DRUCKER, P, F. Introdução à administração. São Paulo: Thomas Learning, 2006.
______. Administração de organizações sem fins lucrativos: princípios e práticas. 
São Paulo: Pioneira, 1994.
FALCONER, Andrés Pablo. A promessa do Terceiro Setor: um estudo sobre a cons-
trução do papel das organizações sem fins lucrativos e do seu campo de gestão. 
Dissertação (Mestrado em Administração) – Programa de Pós-Graduação da Facul-
dade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, 
São Paulo: 1999.
FREUNDE-WALDORF. Disponível em: <https://www.freunde-waldorf.de/freiwilli-
gendienste/servico-voluntario-na-alemanha-incoming/>. Acesso em: 23 out. 2017.
KOTLER, Philip; HESSEKIEL, David; LEE, Nancy: tradução SERRA, Afonso Celso da 
Cunha. Boas ações: uma nova abordagem empresarial: como integrar o marketing 
a ações sustentáveis que geram dividendos sociais e retorno financeiro sustentável. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
MARANHÃO, M.; MACIEIRA, M. E. B. O processo nosso de cada dia: modelagem dos 
processos de trabalho. 2. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2010.
MEISTER, José A. Fracalossi. Voluntariado: uma ação com sentido. Porto Alegre: 
EDIPUCRS, 2003.
OLIVEIRA, Djalma P. Rebouças. Estratégia Empresarial e Vantagem Competitiva: 
Como Estabelecer, Implantar e Avaliar. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
PAES, José Eduardo Sabo. Fundações e Entidades de Interesse Social: aspectos 
jurídicos, administrativos, contábeis e tributários. 3. ed. rev., atual. e ampl. Brasília: 
Brasília Jurídica, 2001.
PARANÁ. Código Nacional da Corregedoria Geral da Justiça. 2013. Disponível 
em: <https://www.tjpr.jus.br/documents/11900/499063/C%C3%93DIGO+DE+-
NORMAS+DA+CORREGEDORIA+EXTRAJUDICIAL+-+14-10-14.pdf/e4bad890-cfad-
-4748-a5a9-11e14edc913f>. Acesso em: 18 out. 2017.
SCHIAVO, M. R. e FONTES, M. B. Conceito e Evolução do Marketing Social. Rio de 
Janeiro, II Curso de Capacitação em Marketing Social, 1997.
TENÓRIO, Fernando G. (Org.). Gestão de ONGs, principais funções gerenciais. 5.ed. 
São Paulo: FGV, 2005.
VILLAS BÔAS NETO, Antonio. STEFANI, Monalisa. PEZZI Junior, Sady. Gestão de 
Marketing para organizações do Terceiro Setor. Londrina: Midiograf, 2003.
ZENONE, Luiz Claudio; DIAS, Reinaldo. Marketing sustentável: valor social, econô-
mico e mercadológico. São Paulo: Atlas, 2015.
REFERÊNCIAS
GABARITO
1. B. 
2. C. 
3. A. 
4. A. 
5. D.
GABARITOGABARITO
U
N
ID
A
D
E V
Professora Esp. Daniela Sikorski 
Professora Esp. Silviane Del Conte Curi
O SERVIÇO SOCIAL E O 
TERCEIRO SETOR
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Compreender as atribuições dos profissionais de serviço social, bem 
como as possibilidades de contribuição para o Terceiro Setor.
 ■ Observar o papel dos profissionais no Terceiro Setor e indicar formas 
utilizadas para o trabalho em equipe.
 ■ Analisar sobre as competências e habilidades que são necessárias à 
atuação profissional no Terceiro Setor.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Contribuições e atribuições profissionais do/da assistente social no 
Terceiro Setor
 ■ Equipes de trabalho no Terceiro Setor: multidisciplinares e 
interdisciplinares
 ■ Competências e habilidades necessárias ao profissional do Terceiro 
Setor
INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo(a) em nossa última unidade de estudo! Porém, lembramos que 
o conhecimento não se encerra aqui. Você pode e deve buscar outras fontes de 
estudo. Não se acomode, invista em você e em sua futura profissão. É impos-
sível apresentar aqui todos os elementos que compõem o Terceiro Setor, assim 
como todo conteúdo que diz respeito à atuação profissional nas organizações 
do Terceiro Setor. 
Nesta unidade, preparamos uma breve explanação sobre como o profissio-
nal de serviço social pode contribuir no Terceiro Setor, mas sem adentrarmos 
condições específicas da profissão, pois nossa disciplina diz respeito à atuação no 
Terceiro Setor. Você verá a história completa da profissão em outra oportunidade.
Veremos algumas atribuições dos profissionais junto às organizações do 
Terceiro Setor, que variam de acordo com a realidade de cada campo profissio-
nal, com base no planejamento de cada organização e também do perfil de cada 
um. Não existe um jeito único de fazer, porém fique atento a todas as Leis, as 
Normativas, os Parâmetros e os Códigos que regem e norteiam as profissões e 
os campos de atuação das organizações.
Estamos no processo de formação profissional e, em nossa vida acadêmica, 
revemos conceitos em que nos pautamos e os substituímos por aqueles de caráter 
científico e acadêmico, estudando a história e transformando nossas convicções 
acerca da sociedade, do mundo no qual estamos inseridos. Conceitos que tínha-
mos antes, se alteram, dando lugar a outros já reelaborados, saindo do senso 
comum, formando o senso crítico tão importante para a profissionalização.
Ainda se faz relevante frisar que a mente deve estar aberta a novos conheci-
mentos, pois a medida que exercitamos nossa mente alargamos nossa capacidade 
de contribuir para a construção da história: pessoal e profissional. Estude com 
carinho e dedicação esta unidade, traremos mais elementos sobre a profissiona-
lização, seus desafios e sua relevância para a sociedade.
Introdução
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
167
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E168
CONTRIBUIÇÕES E ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS 
DO/DA ASSISTENTE SOCIAL NO TERCEIRO SETOR
Caro(a) aluno(a), a partir do que pudemos aprender até aqui, vimos o Terceiro 
Setor como um campo de trabalho para muitas profissões, entre elas, o Serviço 
Social. Trata-se de uma área que emprega uma gama infinita de profissionais de 
segmentos distintos. Os profissionais que atuam no Terceiro Setor devem possuir 
conhecimentos e requisitos que lhes possibilitarão o desempenho adequado na ges-
tão da instituição, imprimindo o profissionalismo que o setor exige na atualidade. 
Consideram-se as ferramentas e os instrumentos necessários para o reor-
denamento administrativo das instituições, na busca pela gestão com qualidade 
(estudado na unidade anterior), atentos às particularidades e especificidades de 
cada área profissional de atuação no Terceiro Setor. Aqui, conversaremos um 
pouco sobre o profissional de Serviço Social, o assistente social e a possibilida-
des de contribuição no Terceiro Setor.
O Serviço Social é uma profissão que, assim como Terceiro Setor, nasceu dese-
nhado pela benesse e pela filantropia, se delineou no palco das contradições do 
capital e do trabalho, se mobilizando a partir da defesa destes trabalhadores e sua 
intervenção está pautada nas relações sociais de produção e reprodução da vida 
social. Visa essencialmente garantir os direitos sociais e humanos, por meio da ges-
tão e implementação das políticas sociais, assim como o Terceiro Setor. Trata-se 
de um profissão que: 
Contribuições e Atribuições Profissionais do/da Assistente Social no Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
169
[...] sempre passou por transformações movidas por fatores conjun-
turais: pelo movimento da História, impulsionada pela luta entre as 
classes que resultava em transformações na profissão de ordem técni-
ca-operativa, teórico-metodológica e político-idealizadora. O Movi-
mento de Reconceituação, que se inicia na segunda metade dos anos de 
1960 e ganha força na passagem das décadas 1970 para 1980, é um mar-
co das transformações vivenciadaspela profissão, cenário em que os 
assistentes sociais buscam romper com um modelo de prática conser-
vadora, optando por uma autonomia no seu fazer profissional; autono-
mia que lhes deu a maturidade de se posicionar enquanto profissão que 
luta pelos direitos da classe trabalhadora. A direção que resulta nesse 
enfrentamento é a chamada ‘intenção de ruptura’. (SILVA, 2008, p.83)
A profissão passou por inúmeras transformações e reformulações, somente assim 
que foi possível crescer e amadurecer, clareando seus ideais, objetivos e posicio-
namento perante à divisão sociotécnica do trabalho. Tais mudanças a moldaram 
e remodelaram, mas sua capacidade propositiva e interventiva a cada dia mais 
vem sendo aguçada. Para Silva (2008), o Serviço Social é uma profissão extre-
mamente importante e:
[…] necessária por atuar na sobrevivência social e material dos tra-
balhadores, intervindo na vida dos sujeitos; tem-se uma objetividade 
social, que nem sempre é material, mas que tem resultados concretos 
na vida social. É importante que os profissionais criem uma autocons-
ciência de seu trabalho, já que seu produto reforça a hegemonia ou cria 
uma contra-hegemonia do capital (SILVA, 2008, p.89).
É importante ressaltar que, atualmente, o assistente social tem se preparado, 
tanto quanto outras profissões, para assumir cada vez mais cargos estratégicos 
nas organizações. Podendo contribuir para que se desconstrua a imagem de que 
o assistente social é somente um profissional operacional, o assistente social é 
sim um “estrategista social”. Porém, para que se mantenha como tal, é neces-
sário que esteja em constante atualização, efetue muitos estudos e tenha uma 
postura profissional.
Caro(a) aluno(a), toda profissão possui uma lei que a normatiza, a regula-
menta e a orienta, fornecendo subsídios necessários que permitem ao profissional 
que atue em conformidade e segurança com aquilo que lhe é específico. Com 
o Serviço Social não é diferente. Logo, em se tratando de Terceiro Setor (foco 
deste estudo), elencamos algumas atribuições específicas do Assistente Social 
mais ligadas ao Terceiro Setor. 
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E170
Porém, fique atento(a), pois as demais contribuições e legislações jamais 
devem ser desconsideradas, pois precisam ser entendidas em sua totalidade e ana-
lisadas pelo profissional em seu nicho de atuação. Na regulamentação mais recente, 
nos referimos à Lei nº. 8.662, de 7 de junho de 1993 (Lei de Regulamentação da 
Profissão de Assistente Social), que define as atribuições, na qual algumas se apli-
cam e se adaptam à gestão de uma parcela das organizações do Terceiro Setor e 
até mesmo nos outros dois setores, tais como:
 ■ Implantar, no âmbito institucional, a Política de Assistência Social, con-
forme as diretrizes da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS - Lei nº 
8.742/93) e Sistema Único da Assistência Social (SUAS), de acordo com 
a área e o segmento atendido pela instituição;
 ■ Subsidiar e auxiliar a administração da instituição na elaboração, execu-
ção e avaliação do Plano Gestor Institucional, tendo como referência o 
processo do planejamento estratégico para organizações do Terceiro Setor;
 ■ Desenvolver pesquisas junto aos usuários da instituição, definindo o per-
fil social desta população, obtendo dados para a implantação de projetos 
sociais, interdisciplinares;
 ■ Identificar, continuamente, necessidades individuais e coletivas, apre-
sentadas pelos segmentos que integram a instituição, na perspectiva do 
atendimento social e da garantia de seus direitos, implantando e admi-
nistrando benefícios sociais;
 ■ Intensificar a relação instituição/família, objetivando uma ação integrada 
de parceria na busca de soluções dos problemas que se apresentarem;
 ■ Participar, coordenar e assessorar estudos e discussões de casos com a 
equipe técnica, relacionados à política de atendimento institucional e nos 
assuntos concernentes à política de Assistência Social. 
São tarefas e atribuições que podem ser desenvolvidas pelo profissional, respei-
tando aquelas atividades que são privativas. Na sua atuação junto ao Terceiro 
Setor, o profissional deve primar e ter como objetivo a qualidade social, atuar na 
busca contínua pela garantia dos direitos do cidadão e da inclusão social. Para 
alcançar os objetivos citados, é preciso se munir de conhecimento e ferramentas 
que contribuam significativamente para a intervenção adequada, como vimos 
nas unidades anteriores.
Contribuições e Atribuições Profissionais do/da Assistente Social no Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
171
Considerando as atribuições profissionais do Assistente Social, percebe-se que a 
cada dia novos espaços profissionais surgem, demandando o trabalho junto à gestão 
de programas sociais, exigindo o desenvolvimento de habilidades e competências 
relacionadas ao planejamento – formulação e avaliação das políticas sociais, que 
podem também ser ocupados por assistentes sociais, como podemos ver a seguir.
Sendo assim, há uma grande tendência de crescimento das funções só-
cio institucionais do serviço social para o plano da gerência de progra-
mas sociais, o que requer do profissional o domínio de conhecimentos 
e saberes, tais como de: legislações sociais correntes, numa atualização 
permanente; análises das relações de poder e da conjuntura; pesquisa, 
diagnóstico social e de indicadores sociais, com o devido tratamento 
técnico dos dados e das informações obtidas, no sentido de estabelecer 
as demandas e definir as prioridades de ação; leitura dos orçamentos 
públicos e domínio de captação de recursos; domínio dos processos de 
planejamento e a competência no gerenciamento e avaliação de progra-
mas e projetos sociais (ALENCAR, on-line).
Não pretendemos esgotar a discussão específica sobre a profissão ou sobre o campo 
profissional do Serviço Social, apenas pontuar que é uma das profissões que atua 
de forma interventiva na execução das ações, que pode contribuir efetivamente 
na construção do planejamento, nas equipes multidisciplinares e interdiscipli-
nares, além da elaboração das estratégias organizacionais devido à capacidade 
de análise conjuntural, intrínseca à formação professional, atuando na adminis-
tração pública, em organizações privadas ou no Terceiro Setor.
Um ponto interessante que o profissional deve ficar atento e analisar é: tem 
conseguido planejar e executar estratégias? Se não, por que não consegue exe-
cutar as estratégias definidas? Muitas vezes o profissional está muito focado no 
operacional, dedicando todo o seu tempo na execução e pouco para o planeja-
mento. Precisa estar alinhado às estratégias e ao planejamento ampliando em 
muito as chances de sucesso do profissional e, por consequência, contribuindo 
para o sucesso da equipe e da organização como um todo.
 Sempre é válido dizer que o assistente social (como os demais profissionais 
da equipe de trabalho) precisa ser e estar preparado para a realização das tare-
fas propostas. Toda área profissional, não somente o serviço social, precisa sair 
do seu universo restrito de conhecimento e ampliar os seus horizontes, dando 
às profissões o caráter estratégico que realmente podem ter.
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E172
 Dicas para o assistente social (por sinal também se aplica a outras áreas) que 
atue ou quer atuar como gestor de uma organização do Terceiro Setor:
 ■ ser capaz de mobilizar as lideranças;
 ■ ser capaz de mobilizar patrocinadores para os projetos e ações da 
organização;
 ■ converter a estratégia em um processo contínuo, um hábito;
 ■ alinhar as finalidades da organização para que todos os envolvidos a 
conheçam, transformando-a em tarefa de todos;■ estruturar e alterar as estratégias constantemente para o crescimento da 
organização.
Infelizmente, algumas vezes até discutiu-se se o Assistente Social (ou outros profis-
sionais da área de saúde ou das ciências humanas e sociais) estaria apto a assumir 
responsabilidades gerenciais, pautando-se no fato de que dentro da própria aca-
demia o foco de estudo não era a administração. Nota-se, ainda, que algumas 
faculdades não trazem com a devida importância tais conhecimentos. Porém, o 
profissional deve habituar-se a ter uma rotina na qual possa planejar, executar e 
avaliar o seu desempenho e ações (eis o grande desafio). Para que isso aconteça, 
deve-se ter em mente que é necessário disciplina constante e comunicação clara.
O projeto profissional do Assistente Social precisa, necessariamente, transcender 
os discursos ideológicos de transformação social e empenhar-se em exercer uma 
prática realista que esteja inserida no contexto atual que oportunize às pessoas a 
vivência de experiências concretas de participação na gestão do seu cotidiano. A 
Caro(a) aluno(a), a profissão dotada de tanta capacidade interventiva, muitas 
vezes não sistematiza as informações para consolidação do conhecimento 
que produz em sua intervenção. A pesquisa científica e a construção de arti-
gos contribuíram muito e o serviço social, bem como outras profissões, devem 
fazer a gestão do seu conhecimento. Procure saber mais sobre este processo.
Fonte: a autora.
Equipes de Trabalho no Terceiro Setor: Multidisciplinares e Interdisciplinares
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
173
análise da relação entre o planejamento estratégico e o serviço social se dará por 
intermédio de poder e participação. O conhecimento evidencia-se a partir da 
sua capacidade interventiva e crítica, como uma categoria que muito pode con-
tribuir para o planejamento estratégico e a mobilização da participação cidadã.
EQUIPES DE TRABALHO NO TERCEIRO SETOR: 
MULTIDISCIPLINARES E INTERDISCIPLINARES
O Terceiro Setor tem a capacidade de absorver profissionais de todos as áreas 
e segmentos. Aqui, vamos conversar um pouco sobre como ele tem se estrutu-
rado com suas equipes de profissionais. 
Já vimos sobre como o Terceiro Setor surgiu e como está organizado atu-
almente. Também estudamos acerca dos documentos que são necessários para 
que uma organização exista formalmente, de forma correta e como se faz a ges-
tão. Agora, precisamos dizer o quanto é importante que cada um destes papéis 
seja executado por um profissional apto e qualificado, para que as finalidades 
organizacionais não se percam em burocracias.
Em todos os setores, é notória a busca por profissionais qualificados, pois 
não é fator determinante somente para buscar uma colocação no mercado de 
trabalho, mas para a organização que os contrata, uma vez que o sucesso da 
contratante depende das habilidades e capacidades do contratado. No Primeiro 
Setor, a seleção dos profissionais acontece por concurso público, que determina 
o mínimo que o candidato deva conhecer para poder estar na equipe.
No Segundo Setor, o processo seletivo tem ganhado forma e corpo de maneira 
diferenciada, pois não somente a formação profissional tem sido considerada na 
avaliação, mas outros fatores têm sido levados em conta. As organizações (com 
ou sem fins lucrativos) procuram profissionais que acreditem na missão organi-
zacional e que possuam capacidade de trabalhar em equipe de forma proativa. 
Independente do setor em que os profissionais estejam inseridos, Primeiro, 
Segundo, ou Terceiro, a todos profissionais são requeridas algumas habilida-
des. No Primeiro e Terceiro Setor, muitas vezes, se concentram em estar aptos a:
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E174
 ■ saber analisar as relações sociais, políticas e econômicas;
 ■ fazer análise de conjuntura, identificar situações-problema;
 ■ saber comunicar e comunicar-se;
 ■ elaborar projetos;
 ■ ser resiliente, proativo e criativo;
 ■ realizar estudos sociais, levantamentos, pesquisas;
 ■ organizar documentação, emitir relatórios, criar protocolos que viabili-
zem a rotina de atendimento;
 ■ realizar entrevistas para compor estudos de perfis socioeconômicos;
 ■ realizar o controle e monitoramento de convênios, contratos e parcerias 
de natureza pública e privada;
 ■ ter condições para prestar orientações, individuais e coletivas;
 ■ ter capacidade de síntese e escrita de forma clara e objetiva;
 ■ realizar trabalho com grupos de acordo com a realidade institucional;
 ■ propor a realização de atividades de integração e socialização.
A habilidade de desempenhar tais tarefas, de forma profissionalizada e especiali-
zada, não diz respeito a uma ou a outra profissão em específico, mas a todas que, 
de alguma forma, possam se adaptar às demandas do Terceiro Setor e melhorar 
suas condições de atendimento e posicionamento. O fato das atividades estarem 
listadas não significa por regra que todo profissional deva ter todas estas habilida-
des, mas que pode optar por aquelas a que tem afinidade e se especializar nelas.
É imprescindível ao profissional que se disponibiliza a trabalhar no/para o 
Terceiro Setor, que além de ter tais habilidades, considere algumas característi-
cas pessoais, sendo:
 ■ leve em conta a afinidade com a causa que a organização defenda, opte 
por uma carreira/função/profissão que lhe mobilize;
 ■ busque, antes de se aliar como voluntário ou profissional, conhecer os valo-
res da organização, quais os moldes de trabalho que ela utiliza para obter 
os resultados. Verifique se são compatíveis com seus valores e princípios;
 ■ tenha consciência de que neste setor, muitas vezes, não encontrará condi-
ções de trabalho e recursos, como em uma organização com fins lucrativos, 
por isso, seja capaz de se adaptar às condições existentes, até que, quem 
Equipes de Trabalho no Terceiro Setor: Multidisciplinares e Interdisciplinares
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
175
sabe, você mesmo(a) possa indicar meios para melhorar tais condições;
 ■ como dissemos anteriormente, além de se adaptar, você precisará adaptar 
conceitos, ferramentas e instrumentos de organizações com fins lucrati-
vos, fazendo uso da criatividade na sua atuação profissional, para que a 
organização atinja o sucesso na utilização dos recursos financeiros e téc-
nicos, na obtenção das finalidades institucionais;
 ■ saber que a atuação professional, principalmente neste setor, precisa ser 
relacional, atuar em equipe, de forma interdisciplinar, uma vez que são 
muitas profissões distintas, envolvidas visando uma mesma finalidade. 
O networking interno e externo é fundamental para o sucesso das pro-
postas da organização;
 ■ organizar-se, estruturar-se e sistematizar-se é fundamental! Independente da 
sua área de atuação profissional, busque conhecer sobre sistematização de 
processos de trabalho, para auxiliar a instituição na sua profissionalização, 
por meio da organização das suas ações, propostas, resultados e indicadores.
São ações que cabem a todas as possíveis e inimagináveis profissões que atuam no 
Terceiro Setor. Não podemos definir quais profissões podem atuar no Terceiro Setor, 
uma vez que de acordo com a finalidade da instituição, o conjunto de profissionais 
necessários ao atendimento dos objetivos e das legislações específicas (relativas ao 
objetivo institucional) pode ser diferente. Por exemplo, uma organização sem fins 
lucrativos de proteção aos animais não pode funcionar de forma ampla, efetiva e efi-
caz, sem que tenha na sua composição um médico veterinário, ou em alguns casos, 
o biológo. Porém, um profissional de serviço ou da psicologia aqui, nesse exemplo, 
teria mais trabalho para adaptarsuas funcionalidades profissionais. 
A princípio, quando tratamos de Terceiro Setor, por ser um espaço de inter-
venção e mobilização popular, logo nos vem à mente profissionais das áreas de 
atendimento direto, tais como a psicologia, serviço social, fisioterapia, medicina, 
odontologia, enfermagem, psiquiatria, pedagogia, entre outras. No entanto, a 
estrutura da organização necessita de um time completo, para que cada um tenha 
condições de executar a sua especialização e contribuir para que as outras áreas 
compreendam-na, assim como compreendê-las. Essa interação é essencial para o 
sucesso da aplicação dos instrumentos e ferramentas de gestão que já discutimos. 
Para a gestão de uma organização sem fins lucrativos, o profissional que pode 
ser da área da administração, da contabilidade, de processos gerenciais, da comuni-
cação, do marketing, do direito, ou mesmo das áreas já citadas anteriormente, pois 
precisa ter conhecimento de todas as legislações que norteiam e orientam a prática 
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E176
das atividades-fins da associação/fundação. Porém, não esqueça de que para fun-
cionar cada um precisa ter clara a sua função na equipe, por isso construa manuais 
de conduta, normas de procedimentos-padrão, direcionando a organização para 
que mesmo na ausência deste ou daquele profissional, a rotina não seja alterada.
Não temos condições de listar aqui todas as possibilidades de inserção de 
áreas profissionais, pois as possibilidades são inúmeras, basta ao profissional ter 
interesse pelo setor e adaptar seus conhecimentos específicos, à especificidade 
das normas do segmento onde pretende atuar. Ou de compartilhar seus conhe-
cimentos (no que a ética profissional permitir) na discussão de casos específicos, 
para melhoria dos resultados da organização.
As organizações do Terceiro Setor precisam profissionalizar-se para conseguir 
se manter e existir. Quanto mais uma organização cria mecanismos de profissiona-
lização e assegura o engajamento de toda sua equipe, até mesmo do público externo 
à organização (fornecedores, doadores, atendidos, parceiros etc), mais próxima de 
seus objetivos institucionais ela vai estar. Podem ser compostas por equipes inter-
disciplinares, ou multidisciplinares, mas é muito importante que o alinhamento 
da missão organizacional seja sólido, em qualquer das modalidades escolhidas 
para a estruturação das equipes profissionais. Cada tipo de serviço, ou organiza-
ção, possui características próprias, que delineiam sua formalização profissional.
Avalie dentre o processo de trabalho da instituição, qual modelo seria mais 
proveitoso para atender à missão organizacional e coloque em prática! (Re)
Estruture a organização, visando sempre, atender aos objetivos para a qual ela 
foi criada e levando em conta a legislação pertinente àquela política pública. 
Tratando a respeito de interdisciplinaridade, consegue imaginar o profissio-
nal de tecnologia da informação, no Terceiro Setor? 
Fonte: a autora.
Competências e Habilidades Necessárias ao Profissional do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
177
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NECESSÁRIAS AO 
PROFISSIONAL DO TERCEIRO SETOR
Tudo o que acabamos de conhecer sobre as equipes multidisciplinares e interdisciplina-
res pode ser trazido como complemento a este estudo, pois aqui teremos a continuidade 
dos assuntos já estudados. Em algum momento, tudo converge para os resultados alme-
jados pelas organizações onde estamos inseridos (ou pretendemos estar).
Considerando o mercado atual de extrema competitividade, temos o com-
promisso de garantir que você, caro(a) aluno(a), obtenha as orientações para se 
destacar como profissional, independente da área ou do setor em que irá atuar. 
Aqui, trataremos acerca do Terceiro Setor, foco de nosso conhecimento, mas as 
competências e habilidades se aplicam a organizações de toda natureza. O tra-
balho em equipe, que destacamos anteriormente, se aplica em todos os setores, 
pois as relações estabelecidas no âmbito do trabalho e a sintonia destas assegu-
ram o destino/future de uma organização.
Segundo Goleman (2011), as emoções ocupam papel essencial nas relações 
de toda natureza. No ambiente profissional, se bem trabalhadas, podem poten-
cializar as capacidades e habilidades de uma pessoa; elas que guiam o ser humano 
no seu instinto por sobrevivência: 
[…] mas, embora nossas emoções tenham sido sábios guias no longo 
percurso evolucionário, as novas realidades com que a civilização tem se 
defrontado surgiram com uma rapidez impossível de ser acompanhada 
pela lenta marcha da evolução. Na verdade, as primeiras leis e proclama-
ções sobre ética – Código de Hamurabi, os Dez mandamentos dos He-
breus, os Éditos do Imperador Ashoka – podem ser interpretadas como 
tentativas de conter, subjugar e domesticar as emoções. Como Freud ob-
servou em O Mal-estar da Civilização, o aparelho social tem tentado im-
por normas para conter o excesso emocional que emerge, como ondas, 
de dentro de cada um de nós. (GOLEMAN, 2011, p. 33) 
Como percebem, é preciso que as emoções estejam em equilíbrio, nem exagera-
das para o bem, nem para o mal. “As emoções, portanto, são importantes para 
a racionalidade” (GOLEMAN, 2011, p. 59).
O profissional deve ter foco na entrega das suas tarefas, contudo não como um 
“bombeiro”, característica daquele que apenas apaga incêndios, ou seja, lida ape-
nas com aquelas tarefas emergenciais, os problemas que surgem inesperadamente 
(estes devem ser resolvidos, sim!). Contudo, é preciso haver profissionalização 
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E178
em todas as categorias de trabalho do Terceiro Setor.
As atividades desenvolvidas pelo Terceiro Setor são as mais variadas possí-
veis, em muito contribuem para o desenvolvimento e melhoria social, com ações 
voltadas para: assistência social, educação, saúde, esportes, lazer, comunicação, 
meio ambiente, artes, cultura, ciência e tecnologia, segurança pública, geração 
de emprego e renda, entre outras.
Posto isso, Costa (2003, p.1) apresenta os principais requisitos para os pro-
fissionais que se vinculam ao Terceiro Setor, que são:
1. Ter um conhecimento básico sobre o que é o Terceiro Setor e as 
instituições que o compõem, bem como, mais especificamente, sobre a 
instituição onde irá desenvolver a sua ação: histórico, objetivos, missão, 
recursos, proposta de trabalho, dificuldades, possibilidades, limites, 
público-alvo [...].
2. Ter a visão da totalidade institucional, conhecendo o ambiente in-
terno e externo da organização e, principalmente, o papel que pretende 
cumprir naquele determinado momento histórico e pelo qual deseja 
ser reconhecida!
3. Conhecer a legislação atual que fundamenta a política de atuação 
junto ao segmento atendido pela instituição. Isso significa buscar nas 
leis pertinentes à ação institucional respaldo legal para um trabalho 
voltado para a garantia dos direitos da população atendida. E basica-
mente, a Constituição Federal de 1988; a Lei Orgânica da Assistência 
Social (LOAS), o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, a Lei 
Orgânica da Saúde, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
– LDB etc., são exemplos do aparato legal que podem contribuir para 
garantir à ação do técnico, do Serviço Social ou de outras áreas, uma 
ação mais contextualizada, interdisciplinar e abrangente;
4. Ter a concepção clara de que população atendida pela instituição 
é constituída por sujeitos de direitos e não meros objetos da ação pro-
fissional;
5. Saber atuar em equipe, pois essa participação pressupõe o trabalho 
conjunto de pessoas que discutem e analisam situações e fatos concer-
nentes ao âmbito de atuação, tomandodecisões de encaminhamento e 
executando-as. Traz a ideia do trabalho coletivo, cujos membros parti-
lham de uma visão claramente definida sobre os objetivos a serem alcan-
çados, tendo em vista a totalidade institucional e a ação interdisciplinar;
6. Produzir respostas profissionais concretas e práticas para a proble-
mática trabalhada pela instituição, a partir de uma postura reflexiva, 
crítica e construtiva. Exercer a práxis profissional com compromisso 
e responsabilidade, primando pela capacidade de denunciar situações 
que necessitam ser superadas, mas também anunciando as formas de 
fazê-lo (grifo nosso).
Competências e Habilidades Necessárias ao Profissional do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
179
A qualidade do planejamento estratégico confeccionado em uma organização 
do Terceiro Setor é ser um instrumento que pode ser escolhido com o objetivo 
de racionalizar e dar direção à necessidade de redefinições futuras de uma orga-
nização, setor ou atividade. Trata-se do instrumental de extrema relevância e 
deve ser de conhecimento e domínio de todos os profissionais da organização.
O planejamento estratégico pode imprimir dinamicidade, organicidade e con-
cretude à intervenção profissional; seu valor e significado estão dados pela medida 
com que as pessoas são envolvidas na ação, participantes da realidade à ser mudada 
(é uma metodologia de ação). Significa, fundamentalmente, o contrário de impro-
visação e, enquanto método relaciona-se com o caminho a ser seguido, devendo 
estar a serviço da ação. Além disso, elas se interpenetram, considerando ser funda-
mental a posição ocupada pelas pessoas nos processos de mudança ou manutenção 
de determinadas situações. Como seres humanos, as pessoas devem ser valoriza-
das, garantindo-se a participação nos processos decisórios, em diferentes níveis.
O planejamento pode ser utilizado em diferentes níveis de intervenção – do 
macro ao micro – gerando distintos níveis de mudança também. Por um lado, temos 
aquelas que redefinem as grandes linhas, diretrizes, a razão de existir de determi-
nada sociedade, organização, grupo ou setor, as quais são, acima de tudo, políticas e 
estratégias. Por outro, as mudanças introduzidas no cotidiano, nas ações concretas, 
nas necessidades e nos problemas imediatos, caracterizando o nível operacional.
Sendo o planejamento um processo de racionalidade, ele é um processo inte-
ligente, por meio do qual exercemos uma ação sobre determinada situação para 
a construção de outra nova, acoplando em si as dimensões técnica e política.
Um dos problemas que se verifica é a falta de cuidado, dificuldade ou interesse 
de que as pessoas envolvidas estejam comprometidas no planejamento, correndo-se 
o risco de tornar-se um fim em si mesmo, uma técnica de melhorar as ações, des-
vinculando do compromisso com o crescimento das pessoas (o planejamento como 
instrumento é apenas um meio, uma ferramenta, utilizada com o objetivo de ante-
cipar melhores resultados, obter soluções alternativas, reduzir riscos e incertezas).
O planejamento é um instrumento de administração, com enfoque sistê-
mico, que se constitui em ferramenta gerencial indispensável para impor uma 
racionalidade central às decisões, estimular a convergência de esforços e foca-
lizar a atenção dos decisores nos fatores-chaves para o sucesso da organização.
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E180
Existe uma tendência de pensarmos o planejamento estratégico como instru-
mento de uma administração estratégica que se relaciona com a forma de se conduzir 
o processo, desde o posicionamento, passando pelas respostas e mantendo-se na gestão 
sistemática. Segundo os diversos autores estudados, a ação estratégica tem a preocu-
pação de capacitar a organização para a mudança de atitude das pessoas de decisão.
A implementação do plano, que é a formalização escrita, um mero document 
do que se quer, é consequência de uma administração estratégica realizada por 
profissionais competentes, com o comprometimento e envolvimento daqueles que 
participam da vida organizacional. O plano é, portanto, um corte do processo, 
um referencial, uma condição necessária; ele não garante a mudança porque ela 
ocorre pela vontade política individual e coletiva das pessoas.
Baptista (1995) caracteriza o instrumental do planejamento estratégico como 
uma nova forma de pensar e um novo padrão de racionalidade que vai determinar 
uma nova forma de agir. Aponta que suas principais mudanças se dão com referência:
a) à abrangência (mudanças na totalidade do processo social);
b) à relação com os sujeitos (população como ator central);
c) à inovação (caráter criador) e à valorização da descentralização, da des-
burocratização e da horizontalização das decisões, reduzindo ao mínimo 
as funções de controle.
Fritsch (1996) passa a examinar a partir das categorias de participação e poder, 
a metodologia em questão. A participação, segundo ela, se manifesta de maneira 
mais visível e objetiva que o poder. Contudo, a participação somente se concretiza 
e se consolida por intermédio do poder. O exercício do poder é uma expressão 
essencial, profunda e subjetiva do movimento participativo.
Neste aspecto, a participação provoca um efeito irreversível nas pessoas que 
a vivenciam e, consequentemente, nos processos de mudança em geral. Torna-se 
o elemento pedagógico fundamental que garante a possibilidade de articulação 
entre o instrumento planejamento estratégico e a consecução do projeto polí-
tico profissional de cada profissão envolvida.
Para que o profissional consiga entender a organização onde atua, precisa 
primeiramente entender seus processos. Como as coisas acontecem, porque acon-
tecem, de que forma acontecem e qual a finalidade de cada ação. Para Druker, 
Competências e Habilidades Necessárias ao Profissional do Terceiro Setor
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
181
[…] as empresas fornecem bens ou serviços. O governo controla. A 
tarefa de uma empresa termina quando o cliente compra o produto, 
paga por ele e fica satisfeito. O governo cumpre sua função quando suas 
políticas são eficazes. A instituição sem fins lucrativos não fornece bens 
ou serviços, nem controla. Seu produto não é um par de sapatos, nem 
um regulamento eficaz. Seu produto é um ser humano mudado. As 
instituições sem fins lucrativos são agentes de mudança humana. Seu 
produto é um paciente curado, uma criança que aprende, um jovem 
que se transforma em um adulto com respeito próprio, isto é, é toda 
uma vida transformada. (DRUCKER, 1997, p.XIV)
Neste sentido, a comunicação deve ser feita de forma clara, objetiva e transpa-
rente. Para isto, a organização precisa ter em sua equipe alguém da comunicação, 
do marketing ou do jornalismo, para levar as informações da melhor maneira 
possível, aos investidores, aos doadores, aos patrocinadores, aos associados, aos 
voluntários, aos parceiros e à sociedade como um todo.
Afinal, o que é marketing? Apesar de acreditar que definições nunca 
são suficientemente amplas e, na maior parte das vezes, engessam a 
discussão, vejamos a definição usada por Philip Kotler (existem muitas 
outras): marketing é um processo social pelo qual pessoas e grupos de 
pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação, 
oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros. 
(MANZIONE, 2006, p. 25)
Assim, convergimos em um ponto de extremo desafio, sobretudo aos profissio-
nais ligados à área de humanas e sociais: rotinizar as suas ações, de forma que 
consiga compreender os processos de trabalho pelo qual é responsável.
A gerência de uma companhia tem muitos papéis importantes. Ela 
estabelece objetivos e desenvolveplanos, políticas, procedimentos, 
estratégias e táticas. Organiza e coordena, dirige e controla, motiva e 
comunica. Planejar é apenas um de seus papéis, mas é um papel im-
portante: o plano corporativo ou empresarial movimento o negócio. 
(MANZIONE, 2006, p.79-80)
Aplicando este conceito de forma adaptada às organizações do Terceiro Setor, 
percebemos que esta responsabilidade não se limita à questão organizacional. 
Contudo, muitas vezes, interfere diretamente na vida das pessoas que estão atre-
ladas às organizações sem fins lucrativos, seja no atendimento direto, indireto 
ou beneficiadas pelo meio ambiente.
O SERVIÇO SOCIAL E O TERCEIRO SETOR
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E182
Os estudos que realizamos nesta aula, não contemplam todas as possibilida-
des de ação profissional. Apenas te direcionam, te instigam para que mergulhe 
neste vasto mundo das organizações sem fins lucrativos que compõem o Terceiro 
Setor e que estão à espera de profissionais engajados com sua causa e com seus 
objetivos, auxiliando-as profissionalmente na sua manutenção existencial e 
ampliação de seus serviços. 
Cabe a você, caro(a) aluno(a), agora descobrir qual sua afinidade profissio-
nal e investir em conhecimentos específicos, para estar apto(a) a atender tantas 
demandas profissionais que o setor possui.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), chegamos ao final da Unidade V. Com ela foi possível vislum-
brar o papel do profissional de Serviço Social junto às organizações do Terceiro 
Setor, um profissional que na sua origem se assemelha às origens do Terceiro 
Setor pelos ideais da caridade, do assistencialismo e da ajuda ao próximo.
Sendo assim, é importante que você perceba que os profissionais precisam 
estar capacitados para apresentar propostas, sempre alinhadas ao contexto no 
qual estiverem inseridos, na análise da realidade, olhando sempre o micro e o 
macro, ou seja, olhando para a realidade local e global.
Os profissionais que atuam no Terceiro Setor, sobretudo aqueles do Serviço 
Social, são desafiados constantemente a romper com os paradigmas, assumindo 
cotidianamente a figura profissional, daquele que em atendimento à população 
facilita o acesso a direitos, promovendo a emancipação do sujeito.
Ao exercer a função de coordenador, gestor, comunicador, deve preocupar-se 
em distribuir funções entre os diferentes agentes, repassando responsabilidades, 
que devem ser assumidas para que se alcancem os objetivos fixados.
Considerações Finais
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
183
Aos profissionais do Terceiro Setor é solicitado que tenha capacidades e 
habilidades, que sejam informado, atualizado, comunicativo, ético, compe-
tente, confiante, determinado, qualificado, crítico etc. Nossa responsabilidade, 
juntamente com a equipe, é zelar pela construção de um profissional crítico, 
equilibrado, cuidadoso, propositivo e criativo. Para isso, não medimos esforços 
e contamos com você utilizando estes novos conhecimentos no exercício desta 
nova profissão.
Esta unidade, sobretudo, reforçou a necessidade de termos uma mente aberta 
ao novo. Rompendo paradigmas e ressaltando o real valor da profissionaliza-
ção do Terceiro Setor. Que todas as profissões que lhe circundam estejam aptas 
a contribuírem com a emancipação do setor. Contamos com você!
184 
1. Assim como o Terceiro Setor, o serviço social nasceu pautado na benesse e na 
filantropia. Existem normas e leis que orientam a ação profissional, mas no 
que se refere à regulamentação profissional, é correto afirmar que:
a) O Código que regulamenta a profissão é o SUAS.
b) A Lei nº 8.662/93, que regulamenta a profissão. 
c) A Lei nº 8.742/93, que regulamenta a profissão. 
d) A regulamentação do serviço social é dada pela Constituição Federal. 
e) Nenhuma das alternativas está correta.
2. Estudamos sobre a atuação profissional no Terceiro Setor e percebemos que 
são muitas profissões que podem estar à frente das organizações, seja na ges-
tão, no planejamento, ou mesmo na execução das ações propostas. Para os 
profissionais que estejam vinculados, ou pretendam estar, à gestão de uma 
organização do Terceiro Setor, é necessário:
I. Ter capacidade de promover discussões interdisciplinares, relativas à políti-
ca pública, atrelada ao atendimento institucional.
II. Estruturar as estratégias e converte-las em processos contínuos.
III. Ter capacidade de mobilização de lideranças e patrocinadores.
IV. Assegurar o poder impositivo e vertical.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I, II e III estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas. 
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
3. Todos os setores da economia buscam ter em suas equipes de trabalho profis-
sionais empenhados, aptos e capacitados, garantindo assim as possibilidades 
de sucesso da organização. A respeito do processo de escolha dos profissio-
nais, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):
( ) As organizações buscam profissionais engajados com a missão organi-
zacional.
( ) A capacidade de atuar em equipe é necessária, mas não essencial.
( ) Os profissionais, devem saber fazer análise do contexto das relações po-
líticas, sociais e econômicas.
185 
Assinale a alternativa correta:
a) V; V; F.
b) F; F; V.
c) V; F; V.
d) F; F; F.
e) V; V; V.
4. Existem habilidades que são requeridas a quase todos os profissionais, quando 
passam por um processo de seleção, uma vez que tais características podem 
contribuir para que a organização atinja suas metas e seus objetivos. 
I. Saber elaborar projetos é desejável muito mais do que saber comunicar.
II. Ter capacidade de análise de dados para a realização de estudos, levanta-
mentos e pesquisas.
III. Ter capacidade de síntese e comunicação.
IV. Ser criativo e proativo, independente de seus valores pessoais.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I, II e III estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.,
5. Entre as competências e habilidades necessárias ao profissional do Terceiro 
Setor, algumas que refletem diretamente no sucesso do trabalho em equipe 
se aplicam a qualquer dos setores que estudamos. Mas, uma delas ocupa um 
espaço bem peculiar e relevante nas relações, pois possibilita a potencialização 
das capacidades e habilidades de uma pessoa, se forem trabalhadas pelo pro-
fissional. Estamos nos referindo:
a) À profissionalização do setor.
b) À entrega de tarefas e ao cumprimento de prazos.
c) A novas realidades.
d) Às emoções. 
e) Ao desenvolvimento educacional.
186 
No final desta unidade, você verá a indicação de um filme chamado “Quanto vale ou é 
por Quilo?”, do diretor Sérgio Bianchi. Sugiro que você o assista, pois trará elementos 
que contribuirão para o seu entendimento sobre algumas ‘nuvens’ que pairam/paira-
vam sobre o Terceiro Setor. 
Por sua definição clássica, o Terceiro Setor é composto por organizações que nascem 
para preencher as lacunas do Estado em promover o bem-estar público. São diferentes 
das organizações do 1º setor (governo), que usam dos recursos públicos para o interesse 
público (nem sempre né?); ou das organizações do 2º Setor, que usam dos recursos pri-
vados para o interesse privado. Elas usam dos recursos privados (doações de indivíduos 
ou organizações) para o bem público, e por isso merecem uma classificação única. No 
entanto, é necessário refletir se é somente por boa vontade que essas organizações e 
seus indivíduos empreendem esforços pela sociedade. 
O filme “Quanto vale ou é por quilo?” deu uma grande contribuição na medida em que 
provocou discussões sobre as relações que estavam sendo mantidas no Terceiro Setor. 
O filme levanta reflexões sobre o real interesse e comprometimentode alguns tipos de 
financiadores de projetos sociais, sobre a capacidade das organizações de empreender 
e ainda sobre a real motivação dos indivíduos que fazem parte das organizações.
Houve um tempo em que as organizações sem fins lucrativos no Brasil viveram uma 
época de abundância. Durante a década de noventa, o conceito era relativamente novo 
e os indivíduos investiam muitos recursos para projetos sociais no Brasil. Isso levou ao 
aparecimento de organizações e projetos fantasmas, o que, inevitavelmente, resultou 
em escândalos e numa crise de confiança no 3º Setor. O fato levou a um reposiciona-
mento dos investidores internacionais, que passaram a ver o Brasil não mais como um 
país pobre, mas desigual, e determinaram outras regras de financiamento.
Esses acontecimentos levaram a uma competição e a uma crise sem precedentes no Ter-
ceiro Setor brasileiro. As organizações foram obrigadas a fazer downsizing ou a encerrar 
suas atividades. As remanescentes foram obrigadas a obter receitas por meio da venda 
de produtos ou serviços para o mercado interno. Além disso, foi necessário profissiona-
lizar-se: hoje em dia, até o líder comunitário é obrigado a fazer um curso de gestão de 
organizações sociais se ele pretende obter algum apoio, e as universidades oferecem 
desde cursos de curta duração, especialização, à pós-doutorados na área. A competição 
levou à eficiência, como não poderia deixar de ser. Mas quanto à motivação das pessoas 
e dos indivíduos, é realmente por boa vontade?
Se observarmos que o Terceiro Setor movimenta bilhões de reais por ano e que é um dos 
maiores empregadores do Brasil, vemos que há mais do que boa vontade em jogo. Além 
disso, as empresas que desejam investir em projetos sociais e optam pelo sistema de 
arrecadação por lucro líquido têm o direito de descontar até 2% do que devem à receita, 
e ainda lucram em termos de aumento de vendas e ganho de imagem. Sendo assim, a 
decisão de patrocinar projetos sociais pode ser mais estratégica do que emocional.
187 
No entanto, vemos aqueles indivíduos que trabalham para o Terceiro Setor e são real-
mente comprometidos com a causa que defendem. Eles são obrigados a salvar um leão 
por dia – sim, porque quem trabalha numa organização social não mata leões, e sim os 
salva – e, muitas vezes, abrem mão de carreiras mais bem pagas pela satisfação de servir 
à sociedade. São voluntários todos os dias, mesmo recebendo salários. Além disso, não 
nos esqueçamos que por trás das organizações doadoras existem pessoas, e que elas to-
mam decisões estratégicas, mas também têm um sincero desejo de ajudar a sociedade. 
Isso porque, não importa quanto dinheiro se ganhe, o caminho para a autorrealização é 
por meio do serviço ao próximo.
Sendo assim, na minha opinião, o Terceiro Setor é sim por boa vontade, embora que 
também seja por quilo.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Manual de Procedimentos para o Terceiro Setor: Aspectos de gestão 
e de contabilidade para entidades de interesse social
Alvaro Pereira Andrade, et al. José Antonio de França J. (coord)
Editora: CFC: FBC: Pro� s
Sinopse: Com a � nalidade de responder à aspiração da sociedade por maior 
transparência em todos os níveis e setores e, em especial, visando contribuir para 
as prestações de contas das entidades do Terceiro Setor, o Conselho Federal de 
Contabilidade instituiu um Grupo de Estudo para analisar as normas contábeis 
aplicáveis às Entidades de Interesse Social. O resultado do exaustivo trabalho realizado 
pelos dedicados membros do Grupo está neste manual, que abrange o âmbito das 
associações, das fundações e das organizações religiosas.
Quanto vale ou é por quilo? (2005)
Sinopse: Adaptação livre do diretor Sérgio Bianchi para o conto “Pai contra Mãe”, 
de Machado de Assis, “Quanto Vale ou É Por Quilo?” desenha um painel de duas 
épocas aparentemente distintas, mas, no fundo, semelhantes na manutenção de 
uma perversa dinâmica socioeconômica, embalada pela corrupção impune, pela 
violência e pelas enormes diferenças sociais. No século XVIII, época da escravidão 
explícita, os capitães do mato caçavam negros para vendê-los aos senhores de 
terra com um único objetivo: o lucro. Nos dias atuais, o chamado Terceiro Setor 
explora a miséria, preenchendo a ausência do Estado em atividades assistenciais, 
que também são fontes de muito lucro. Com humor afi nado e um elenco poucas 
vezes reunido pelo cinema nacional, o fi lme mostra que o tempo passa e nada 
muda. O Brasil é um país em permanente crise de valores.
Comentário: O fi lme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a 
atual exploração da miséria pelo mal uso do marketing social, que forma uma 
solidariedade de fachada. O fi lme critica as conhecidas ONGs do período (hoje 
com outra sigla, mas as mesmas organizações sem fi ns lucrativos) e suas captações 
de recursos junto ao governo e empresas privadas. A crítica foi construída a partir 
do escândalo daquela década, a “CPI das ONGs”.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Apresentação: O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação no Terceiro Setor 
podem ser uma oportunidade de melhoria no setor. Profissionais das áreas de sistemas 
de informação, engenharia de produção e outras são muito bem-vindos!
Web: <https://periodicos.utfpr.edu.br/rts/article/download/2602/1699>.
Apresentação: Para fazermos os devidos alinhamentos sobre planejamento, propomos 
um estudo a partir do artigo “Formulação, administração e execução de políticas 
públicas”, escrito por Joaquina Barata Teixeira e publicado pelo CRESS-RN. 
Web: <http://cressrn.org.br/files/arquivos/5x595ziU0wuEf5yA63Zw.pdf>. 
REFERÊNCIAS
ALENCAR. Mônica Maria Torres de. O trabalho do assistente social nas organiza-
ções privadas não lucrativas. Artigo. CRESS/RN Disponível em: <http://www.cres-
srn.org.br/files/arquivos/4UkPUxY8i39jY49rWvNM.pdf>. Acesso em: 17 out. 2017.
ARAUJO, D. Quanto vale ou é por quilo? Imagens-máscara dos excluídos, da era 
braçal à digital. Disponível em: <www.contracampo.uff.br/index.php/revista/arti-
cle/download/451/285>. Acesso em: 17 out. 2017.
BAPTISTA, Myrian Veras. O Planejamento Estratégico na Prática Profissional Cotidia-
na. In: Serviço Social e Sociedade, n. 47. São Paulo: Cortez, 1995.
BRASIL. Lei nº. 8.662, de 07 de junho de 1993. Dispõe sobre a profissão de assis-
tente social e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/L8662.htm>. Acesso em: 17 out. 2017. 
COSTA, Selma Frossard. Gestão de pessoas no Terceiro Setor. In: Revista Integração 
(eletrônica), CETS/FGVSP, novembro de 2003.
DRUCKER, Peter F. Administração de organizações sem fins lucrativos: Princípios 
e práticas. 5 ed. São Paulo : Pioneira, 1997.
FRITSCH, Rosangela. Planejamento estratégico: Instrumental para a intervenção 
do Serviço Social. Ver. Serv. Social & Sociedade, nº 52. São Paulo, 1996.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: A teoria revolucionária que redefine o 
que é ser inteligente. Tradução Marcos Santana. [recurso eletrônico] Rio de Janeiro: 
Objetiva, 2011.
MANZIONE, Sydney. Marketing para o Terceiro Setor: Guia prático para implanta-
ção de marketing em organizações filantrópicas. Novatec Editora. 2006
SILVA, Lídia Lopes. O trabalho do assistente social no “Terceiro Setor”: a supera-
ção das dificuldades e a construção de caminhos. 183p. Dissertação de Mestrado, 
PUC-SP, 2008.
REFERÊNCIAS WEB
1 Araujo. Disponível em: < www.contracampo.uff.br/index.php/revista/article/
download/451/285>. Acesso em: 18 jan. 2018.
REFERÊNCIAS
GABARITO
191
1. B. 
2. A.
3. C.
4. B.
5. D.
GABARITO
CONCLUSÃO
Caro(a) amigo(a), ao final deste livro, percebemos que ampliamos nosso conheci-
mento e nos certificamos de que estamos no caminho certo. Sendo assim, vamos 
relembrar um pouco do que vimos ao longo deste estudo?
Na Unidade I, estudamos os conceitos e as definições do que vem a ser Terceiro 
Setor, sobre suas características, sua configuração histórica no Brasil e no mundo. 
Conhecemos um pouco a respeito dasformas organizativas da ordem sociopolítica, 
o Primeiro, o Segundo e o Terceiro Setor.
Já na Unidade II, vimos o papel do Estado, sua relação com o Terceiro Setor e sobre a 
Reforma do Aparelho do Estado brasileiro até a composição legal das organizações 
sociais. Vimos os conceitos de sociedade civil e cidadania. Tivemos a oportunidade de 
conhecer a respeito das origens legais do que conhecemos hoje, por Terceiro Setor.
Partindo para Unidade III, compreendemos os formatos jurídicos que compõem as 
entidades do chamado “terceiro setor”, as legislações e as normas que o orientam.
A Unidade IV, abordamos os elementos da administração e a sua aplicação junto 
às organizações do Terceiro Setor, a necessidade da profissionalização diante das 
exigências documentais e operacionais. 
Na Unidade V, tratamos sobre o papel do profissional de Serviço Social e sua atua-
ção no espaço interdisciplinar do Terceiro Setor. Conhecemos sobre as habilidades 
e competências que o profissional precisa desenvolver para se inserir no Terceiro 
Setor, independente de sua área de atuação. 
A você, que concluiu esta leitura, mais uma vez, parabéns! Porém, tenha certeza de 
que ela não se encerrou, afinal, com tantas transformações constantes não é pos-
sível ficar parado e desatualizado. Especialize-se! O profissional que transcende as 
paredes da universidade e dá vida aos livros, amplia o seu diferencial.
Até uma próxima oportunidade, grande abraço e sucesso sempre!
Abraços
Professora Esp. Daniela Sikorski e Esp. Silviane Del Conte Curi
CONCLUSÃO

Mais conteúdos dessa disciplina