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DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
1 
15 – DIREITO DE VIZINHANÇA 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 A razão de sua existência: o homem é um ser social e para evitar conflitos entre os componentes da 
sociedade são necessárias regras. No caso de vizinhos, as regras são imprescindíveis. O DV tem por 
objetivo estabelecer regras para boa convivência de propriedade com propriedade, próxima ou vizinha 
e, também, para dissipar eventuais conflitos dentro desse limite. São regras, portanto, na maioria das 
vezes, de caráter público, portanto, de aplicação inafastável, embora dentro do direito privado. O DV 
é, além de um direito, um dever. São regras que disciplinam direitos e deveres que caminham juntos, 
tanto para um quanto para o outro titular do direito, ou seja, para o possuidor e para o proprietário. O 
DV É UMA OBRIGAÇAO PROPETR REM. 
 
1.2 Obrigações propter rem: obrigação que deriva da coisa. Uma obrigação que alguém tem (possuidor-
proprietário) tão somente por ser titular de direito sobre a coisa. Ela se transmite de pessoa a pessoa 
quando houver a transferência da titularidade. São obrigações ambulatórias. 
 
1.3 Regras de proibição e de tolerância: há regras que noticiam uma abstenção ao titular, no sentido de 
ele não poder praticar certas condutas, assim como encontro regras de abstenção no sentido de tolerar 
certas atividades de seu vizinho (não posso ouvir música muito alta. Tenho de tolerar em minha 
propriedade a presença do vizinho para verificar um vazamento que esteja prejudicando a propriedade 
dele). A tolerância tem de estar relacionada a algo normal 
 
2. USO ANORMAL DA PROPRIEDADE 
 
2.1 As interferências prejudiciais e os bens protegidos: 
 
Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as 
interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela 
utilização de propriedade vizinha. 
Parágrafo único. Proíbem-se as interferências considerando-se a natureza da utilização, a 
localização do prédio, atendidas as normas que distribuem as edificações em zonas, e os limites 
ordinários de tolerância dos moradores da vizinhança. 
 
- Segurança: a utilização anormal da posse ou propriedade ligada à segurança é aquela que diz 
respeito tanto à integridade pessoal do vizinho ou à segurança da própria propriedade ou, ainda, dos 
dois (ex: realização de obras sem acompanhamento de um profissional competente). 
 
- Sossego: ocorre quando o vizinho estabelece uma atividade, contínua ou não, que acaba tirando a 
paz de espírito de seu vizinho, levando-se em consideração as condições locais. Ex: uso de som 
excessivo. No que diz respeito ao barulho, há uma dúvida frequente: o barulho pode ser feito até às 
22h? Não! A perturbação pode se dar em qualquer horário. 
 
- Saúde: quando a conduta ultrapassar limites de segurança ou sucesso a tal ponto que projeta no 
proprietário vizinho uma modificação em seu sistema de saúde (físico ou mental). Ex: vizinho que 
mantém animais confinados sem fazer a devida higiene. 
 
- Ilegais e lesivas: são comportamentos que afrontam diretamente dispositivo legal, regras de DV e 
que, portanto, se apresentam como atos ilícitos. Ex: derrubar o muro do vizinho. Lesiva: violações 
lesivas são aquelas que decorrem de comportamentos que, embora lícitos, acabam causando 
infortúnio ao seu vizinho, quer pela maneira de execução, quer por excesso em seu exercício. Ex: 
Fábrica que solta fumaça, fuligem (possui autorização para isso). A fumaça está causando danos ao 
vizinho. Embora lícito, é lesivo. OBS: o ato lícito pode se transformar em ilícito quando ultrapassa 
as finalidades econômicas e sociais. 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
2 
2.2 Quem pode reclamar e em qual situação: o possuidor quanto o proprietário podem reclamar por 
violação das regas de DV. A legitimação é de ambos. É preciso verificar a situação objetiva em que 
se encontra: o local é residencial, empresarial? Eu já estava lá quando o ato começou a lesar? Se você 
se muda a um lugar com estabelecimentos comerciais ao lado (bar, igreja, empresa etc), não adianta 
entrar com ação, pois o ato lesivo já era praticado. Reclama-se por meio de ações possessórias ou 
interdito possessórios. 
 
2.3 As Ponderações do juízo na solução desses conflitos: o juiz ao receber o pedido que diz respeito 
ao DV, deve adotar posturas de medidas necessárias (quantum necessário), deve ponderar no caso 
concreto aquilo que é o bastante para colocar fim à violação e ao conflito da vizinha. Precisa verificar 
se o reclamado a ele é aceitável ou não. Se verificar o caso concreto, pode entender que há necessidade 
de redução ou minimização, que podem ser o bastante para colocar fim ao problema, como a aplicação 
de filtros, chaminés, levantamento de paredes, estabelecimento de horários de funcionamento, em vez 
de decidir por aplicar medidas extremas. 
 
2.4 As Medidas Judiciais cabíveis: 
 
Ação Cominatória: ação pela qual alguém requer ao poder judiciário a cessação ou pelo menos a 
minimização da violação do direito de propriedade ou posse sob pena de multa diária/multa 
cominatória. Essa multa é fixada ou não pelo juiz no valor estipulado pelo juiz, você pode até sugerir, 
mas quem decide é o juiz. 
Ação Demolitória: pedido demolitório. Autor/titular do direito violado espera do juiz um provimento 
que determine a demolição de um prédio construído de forma irregular ou que esteja em mau estado 
de conservação. É possível que o autor peça uma garantia pelo perigo já produzido, chama-se caução 
de dano infecto. Há dois fundamentos desta ação: 
1- ruína 
2- violação das normas/posturas de construção (em geral municipais) 
Ação Indenizatória (responsabilidade objetiva e solidariedade): ou pedido é aquela pelo qual o 
titular do direito de vizinhança violado requer ao juiz o recebimento de uma indenização, ou seja, um 
reparo de um dano provocado por violação das regras de direito de vizinhança. Por tanto em geral 
quando se fala em indenização o dano já foi provocado. A responsabilidade do autor do dano é 
objetiva (só é possível se for prevista, pelo legislador ou pelas partes fazem a presunção ou por 
jurisprudência), não precisa provar a culpa; também é solidaria (também decorre de previsão) 
 
2.5 Garantias exigidas dos autorizados a entrarem em propriedade alheia para obras: em regra não 
se pode violar propriedade alheia, mas há exceções no direito de vizinhança, onde alguém tem o 
direito de entrar em propriedade alheia para fins de construção, reconstrução ou reparos, exemplo, 
vizinho entra na casa de outro vizinho para fazer um reparo no esgoto. A pessoa poderá entrar se não 
houver outra forma de sanar a necessidade. Ocorre de forma temporária e excepcional. Quem entra 
tem obrigação de indenizar, será responsável por eventuais danos causados, o proprietário pode até 
pedir uma caução (garantia), se ver que a entrada dele pode causar prejuízos, mas deve demonstrar o 
perigo. Quem entra deve prestar a garantia antes de entrar, o legislador não diz qual garantia, por isso 
o devedor escolhe, garantias reais (bens) e fidejussórias (pessoa). 
 
3. DAS ÁRVORES LIMITROFES 
 
3.1 Presunção de condomínio sobre a árvore limítrofe; o corte, a legitimidade e os frutos caídos: 
existe uma presunção relativa (cabe prova ao contrário) de que o dono do principal é o dono do 
acessório, sendo assim se a árvore estiver em um terreno, o proprietário do terreno é dono da arvore 
e de seus frutos. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
3 
No entanto, se arvore estiver na linha divisória entre duas ou mais propriedades existe a regra de 
presunção de condomínio, resulta que ambos os proprietários sejam donos da árvore, coproprietários, 
ou seja, condômino. 
Se a arvore está em um terreno, mas seus ramos passam para o terreno vizinho, há duas regras: 1 o 
proprietário vizinho (oposto) tem direito de cortar os ramos da arvore que ultrapassam a linha 
divisória, não pode danificar a arvorese não deve indenizar (se houver dolo); 2 o vizinho pode ficar 
com os frutos que são caídos naturalmente dessa arvore (exceção da regra que o acessório segue o 
principal), não pode o vizinho provocar que o fruto caia, nesse caso não é dele, é uma inflação 
civil/penal, quem tem legitimidade para apanhar os frutos é o proprietário. 
Se o fruto cair em um bem público (rua/calçada) os frutos continuam sendo do proprietário do 
terreno/arvore. 
 
4. DA PASSAGEM FORÇADA 
 
4.1 Significado: utilizada quando o proprietário/possuidor se ver na necessidade de adentrar na 
propriedade alheia afim de acessar a via pública, nascente ou porto. Dentro do direito de vizinhança. 
Restrição que se coloca na propriedade alheia de uso mas que não implica em perca de propriedade, 
é uma restrição. Nesse caso se não houver acordo o pedido deverá ser feito em juízo mas aqui também 
embora haja direito do proprietário/possuidor, remanesce sua responsabilidade em indenizar o 
vizinho na proporção da perda ou desvalorização do imóvel. Valor de imóvel, condições, extensão da 
passagem forçada. 
 
4.2 A indenização pela passagem, os critérios do juízo e o encravamento que justifica a passagem: 
A indenização pela passagem, os critérios do juízo e o encravamento (dois imóveis, o primeiro 
serviente = que deve ceder a passagem ao vizinho o quanto necessário, o segundo encravado = que 
se vê na necessidade de passar pelo outro imóvel p/ ganhar o acesso necessário, ilhado) que justifica 
a passagem: 
Passagem forçada e servidão são duas espécies diferentes. 
- Critérios: o juiz deve verificar neste caso se não existe outra maneira de acesso, do qual reclama o 
prédio encravado. É preciso demonstrar necessidade assim como é preciso demonstrar que não há 
outra solução para se chegar ao local indicado. Maneira de trazer menos ônus possível. Só justifica 
passagem forçada se não houver outra maneira! 
 
4.3 A titularidade do pedido e a extinção da passagem forçada: quem pode pedir? Titular do direito 
real pleno ou limitado, o proprietário ou possuidor. Arrendatário/locatário: tem a titularidade, então 
pode. 
 
5. DA PASSAGEM DE CABOS E TUBULAÇÕES 
Também diz respeito a vizinhança. Passar cabos e tubulações p/ fios p/ que possa alcançar outra 
localização. Titular terá direito de passar esses cabos/tubulações que em geral se dá de forma 
subterrânea. Ligados a serviços públicos que são executados também em geral por concessionários e 
permissionários de serviços públicos. Portanto, atendimento coletivo. Utiliza-se regras de direito 
privado do código civil e também regras de direito público. 
 
5.1 Hipótese e pressuposto autorizatório: 
 
5.2 Garantias: Se verificar que o serviço realizado pode trazer perigo, nesse caso, serviços que tendem 
a impedir esse perigo, esses sim, são suportados. Pode pedir a transferência desse cabos e tubulações 
se ele demonstrar a possibilidade que isso aconteça e a necessidade. 
 
6. DAS ÁGUAS 
 
6.1 Previsão e Divisão: águas artificiais, naturais, manipulação dessas águas. Código Civil ou Código 
de Águas (decreto), posturas municipais (regras de cada região). 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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6.2 Recebimento de águas que correm naturalmente dos prédios superiores: devem ser recebidas 
pelo inferior, este prédio inferior não pode realizar obras de contenção que tragam prejuízos ao prédio 
superior. O prédio superior ele não pode revisar obras que tendem a aumentar esta suportabilidade do 
prédio inferior. 
6.3 Servidão de águas nascentes ou pluviais: chamadas “águas supérfluas” que advém de nascentes, 
ou aquelas que decorrem da chuva 
6.4 Poluição das águas que correm para o imóvel inferior: o prédio superior não pode tomar medidas, 
seja por construção, plantação, “acessões artificiais” que venham a poluir a água que corre para o 
prédio vizinho ou para a própria natureza. Se poluir a água, dupla violação, violando regra de direito 
de vizinhança e poluindo a água. Ficando sujeito a cessar a atividade e recompor/restaurar os prejuízos 
causados. De forma objetiva além de ficar sujeito não só a ações civis mas também ações 
administrativas e eventualmente penais. 
6.5 Direito de represamento: o proprietário pode se quiser represar águas advindas da natureza afim de 
utilizar no seu dia a dia, nas atividades. Pode fazer uma represa, tanques. Desde que atendidas 
autorizações e cuidados legais (regras administrativas estaduais/municipais). 
6.6 Servidão de Aqueduto: canais, tubulações, etc, que se prestam a transferir, transportar a água de um 
lugar para o outro, passagem forçada de aqueduto. Neste caso se o titular do direito verifica que a 
necessidade de fazer tubulações para transferir a água de um lugar pro outro, tem todo direito de 
passar pela propriedade vizinhança pela perda. Esse direito persiste enquanto persistir a necessidade, 
não houve perda. Nada impede que o titular vizinho que vai se submeter ao aqueduto, exija que o 
aqueduto se dê de forma subterrânea, ex: quando passar por pátios, jardins, plantação. Pode fazer 
cercados, colocar proteções, desde que não interrompa a fruição da água. 
 
7. DOS LIMITES ENTRE PRÉDIOS E DO DIREITO DE TAPAGEM 
Em regra os prédios vizinhos devem guardar a linha divisória, fazer com que o exercício do dto de 
posse/propriedade possa ser exercido de forma pacífica. Para isso o legislador usa de algumas 
expressões a serem observadas pelos imóveis vizinhos. ‘valar” fazer valas, depressões no solo, que 
haja acrescentamento de material quer não haja. “tapar” cobrir. “tapume” todo e qualquer material 
utilizado para fazer divisões, são cercas, arame farpado. 
 
7.1 A regra, o objetivo e as expressões legais: 
7.2 Presunção de condomínio e de divisão de despesas de colocação ou remoção de divisórias: em 
regra, que os tapumes pertencem aos proprietários ambos os vizinhos, pois ambos contribuíram para 
a formação dos tapumes, mas é uma presunção relativa do legislador. Devem ser feitas de comum 
acordo, remoção ou colocação. 
7.3 Ações Judiciais cabíveis: as ações podem ser demarcatórias, condenatória/declaratória. 
 
8. DO DIREITO DE CONSTRUIR 
 
8.1 O uso da propriedade e as exceções: em geral a propriedade se diz plena, mas se usa a expressão 
plena quando quer se referir a direito real sob coisa própria. Exceções do uso pleno da propriedade 
são: o direito do vizinho e normas administrativas – dentro destas se encontram as limitações. 
8.2 Limitações de ordem pública e de ordem privada: as de ordem pública são aquelas onde é possível 
verificar que o legislador teve uma preocupação com interesses coletivos, sociais, ou seja, são 
algumas preocupações que aquele que quer construir deve ter, não em função de seu vizinho, mas em 
função da sociedade, por tanto, são normas de preceitos públicos, direito público, cuja característica 
em geral é a imperatividade, inafastabilidade, por exemplo, quando o estado se preocupa em delimitar 
áreas para construção de grandes impressas como parque industrial. Atingem todos de maneira global. 
Limitações de ordem privada, são as que embora postas pelo legislador é possível se verificar que o 
objetivo é traçar normas, regras para mantença da pacificação entre proprietários próximos, exemplo, 
proibição de mandar águas para o térreo vizinho, janelas indiscretas, permissão de entrada 
excepcional em prédio vizinho e etc. Essas normas carregam tanto preceitos de ordem pública quanto 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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privada, pois tais normas admitem em certos casos a disponibilidade de seus titulares (a primeira não 
aceita de forma nenhuma), por vezes não obrigatórias, ou que apresentam flexibilidade diante da 
vontade das partes. 
As ascensões podem ser naturais (sem comportamento do homem) ou artificiais (construção ou 
plantação). 
 
Águas: no que diz respeito as águas no exercício do direito de construir, o proprietário não pode 
levar/despejar água no terreno vizinho (através de calhas, telhados e etc). Caso o vizinho desrespeitea regra, aquele que sofreu pode notifica-lo e pedir embargos de obra nova. Também não se pode 
poluir a agua do vizinho quando for construir – pode gerar embargos de obra nova (ação pela qual 
objetiva impedir um dano a sociedade por uma construção artificial). 
 
Janelas, eirado, terraço ou varanda: no que diz respeito a janela (artificio de entrada de ar e luz na 
construção), há uma regra que não se pode abrir janelas a menos de 1,5 m (prédios urbanos) e 3 metros 
(prédios rurais), da linha divisória do vizinho, a preocupação do legislador foi de estabelecer uma 
forma de não violação da privacidade do vizinho 
 
Paredes Divisórias: 
Obras que prejudicam a água ou a segurança do prédio vizinho: 
Entrada no prédio vizinho e eventual indenização: hipóteses quem que pode entrar no prédio 
vizinho. 1º hipótese: para construção, reconstrução, reparos de sua propriedade ai pode entrar no 
vizinho. Exemplo: paredes de infiltração. Desde que não haja outro tipo de acesso/solução. E então o 
seu vizinho é obrigado a tolerar entrada para esses fins. Ele faz jus a uma indenização desde que haja 
prejuízo a ele, caso contrário não. Pode também exigir uma caução, se tiver comprovado que a obra 
que você quer fazer, reparo, traz perigo para a propriedade dele. Tem que alegar e demonstrar. 
 
16 – CODOMÍNIO GERAL 
 
1. INTRODUÇÃO 
1.1 Noção: quando se fala em propriedade em geral, se leva em consideração que algo pertence 
exclusivamente a uma pessoa, entretanto, é possível que em algumas situações determinado bem 
pertença a várias pessoas (duas ou mais) quando isso ocorrer é possível se afirmar que essas pessoas 
em termos de propriedade estão em condomínio. Condomínio, por tanto, é sinônimo de 
copropriedade. Condomínio nada mais é que aquela situação jurídica a qual é possível se identificar 
duas ou mais pessoas como sendo titulares de domínio sob determinado bem, exemplo, A e B são 
donos do terreno X ou um cavalo. O condomínio pode se estabelecer tanto sob bens moveis quanto 
imóveis. Fração ideal nada mais é do que a identificação de uma porção de parte de algo que pertence 
a um dos coproprietários, que embora não seja identificada no momento, o será identificado 
posteriormente, em eventual divisão. Fração material nada mais é que uma porção que representa a 
parte da propriedade de um dos coproprietários, essa é identificada. Comunhão é uma expressão 
utilizada quando for possível identificar duas ou mais pessoas exercendo sob uma coisa/bem um 
determinado direito real sob coisa alheia, exemplo, uso, usufruto, habitação. Quando agrega domínio 
(direito real pleno), a comunhão se transforma em condomínio. 
 
1.2 Espécies: tem duas espécies, o chamado condomínio geral (comum) que é o que estamos tratando 
e edilício que é o edifício feito sobre um determinado imóvel. O que nos interessa é o condomínio 
geral. 
 
1.2.1 Quanto à Origem: 
 
- Convencional / Eventual / Legal: convencional – toda vez que ele resultar de um acordo de 
vontades, significa dizer, as pessoas criam uma copropriedade, adquirem um bem pra se manterem 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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em copropriedade, ou seja, condomínio, exemplo: A, B e C decidem comprar uma chácara juntos ou 
um boi produtos, ou seja, pode ser bem moveis ou imóveis. Eventual – também nasce da vontade 
humana, mas a princípio unilateral, é aquele que decorre de uma disposição por ato inter vivos ou 
causa mortis, exemplo: A faz doação de um cavalo/terreno para B e C, estabeleceu ai um condomínio, 
de início unilateral que é o caso da doação, sendo assim, é eventual, só posteriormente eles aceitam 
ou não a doação. Legal – Copropriedade que já vem defina pelo legislador, que leva em consideração 
questões de interesse coletivo, além do interesse particular, disposições de ordem pública, exemplo: 
muro divisório, herança (herdeiros são condôminos durante a tramitação do inventario, instituição 
herança é bem imóvel) 
 
1.2.2 Quanto à Forma: 
 
- Pro diviso / Pro indiviso / Transitório / Permanente: pro diviso – é aquele onde é possível se 
determinar e identificar as frações que pertencem a cada um dos coproprietários. Pro indiviso – é 
aquele onde não se é possível identificar as frações que correspondem a cada um dos titulares, 
significa dizer, todos eles são proprietários sob um todo e de forma abstrata, cada um deles possui 
frações ideia sob o mesmo bem. Transitório – é aquele feito para durar por um tempo 
determinado/determinável, a posse da propriedade em algum momento vai acabar. Permanente – sua 
característica é a durabilidade, exemplo: os muros divisórios, mesmo se mudando os muros 
continuam dividindo o bem. 
 
1.2.3 Quanto ao Objeto: 
 
- Universal / Singular: universal – quando se projetar sob o bem como um todo, por tanto, de forma 
ilíquida. Singular – quando se estabelecer sob bens específicos 
 
2. DIREITO DOS CONDÔMINOS 
 
2.1 De uso da Coisa: usar é um dos efeitos da propriedade, pois sabe que o proprietário sabe usar, 
gozar e dispor da coisa e reaver das mãos de quem quer que esteja irregularmente sob a posse dela. 
Esse direito de uso é invalidado entre os coproprietários, eles podem até definir uma divisão de fato 
do uso do bem (pro diviso), mas não obstante disso, o fato é que se deve lembrar que o uso do 
proprietário deve ser exercido dentro das limitações da copropriedade, ou seja, tem direito de usar 
desde que o exercício do uso não venha a ofender, dificultar, obstar, o uso do meu coproprietário. Em 
geral, nesse caso de uso, leva-se em consideração a proporção das frações e se foi instituído ou não 
uma divisão. Qualquer um dos condôminos pode defender o seu uso, inclusive, defender o uso da 
coisa por inteiro. 
 
2.2 De Reivindicar a Coisa: o condômino tem os mesmos direitos se fosse dono sozinho, dentre eles, 
reivindicar a coisa que esteja sob a posse injusta de outrem em qualquer lugar. Não se ad mite 
reivindicar contra seu coproprietário, não se admite reivindicar direito de mesmo valor, embora não 
possa reivindicar dele, nada impede que se utilize das ações possessórias, ou auto tutela. 
 
2.3 De Defender sua Posse: o condômino/coproprietário pode defender sozinho, ou junto com os 
demais a posse – pode defender sua parte/fração ou o todo. 
 
2.4 Direito de alhear ou gravar sua parte indivisa: alhear é sinônimo de alienar que decorre do 
direito de dispor da própria coisa, o condômino pode alienar/locar sua cota/fração, mas no caso de 
condomínio geral é preciso observar o direito de preferência dos demais condôminos, se não os 
demais podem invalidar a alienação feita. Gravar significa impor um ônus real sob determinado bem, 
não pode gravar sem autorização dos demais (bem indiviso – aquele que não pode ser partido divido 
sem prejudicar o bem). 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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3. DEVERES DO CONDÔMINO 
 
3.1 Dever de concorrer com as despesas: se o condomínio é um copropriedade e se houver despesas 
relacionadas ao bem sob qual recai a copropriedade é evidente que tais despesas sejam dividias entre 
os condôminos, os coproprietários, despesas de qualquer natureza, exemplo: IPTU, IPVA, multas e 
etc. É possível administração do bem seja deferida a um ou alguns, ou terceiros, e não os condôminos. 
É possível que um dos condôminos pratique atos de defesa, de administração, e se ele pagar, cobrir a 
parte, poderá cobrar (regressa) dos demais. 
 
4. ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO 
 
4.1 Como se dá: pode ser deferida a um ou a uns, a terceira pessoa, que não os condôminos. 
Ninguém é obrigado a permanecer em condomínio o resto da vida. Como se desfaz um condomínio? 
Através da divisão. 
 
5. EXTINÇÃO DO CONDOMÍNIO 
 
5.1 Noção: o condomínio é sinônimo de copropriedade, ninguém é obrigado a permanecer em 
condomínio. O condomínio se desfaz através da divisão da coisa, do vínculo, divisão fática e jurídica. 
 
- Extinção da coisa Divisível: 
a) Amigável: será quando as partes acordarem sob o fim da copropriedade, será um negóciojurídico 
bilateral. É necessário que as partes sejam capazes. 
b) Judicial: ocorre na ausência de acordo sob a extinção do condomínio, o interessado (s) deveram 
propor ação especifica, chamada ação de divisão, nesse caso se for proposta a ação de divisão todos 
os coproprietários serão citados. Será feita uma perícia sob a divisão e valores da cota, valores das 
frações reais, a decisão tem efeito declaratório. 
 
- Extinção da Coisa Indivisível: exemplo quando a copropriedade for sob um animal. Nestes casos 
possa haver acordo entre as partes par compor a cota do outro, mas caso não haja concordância o 
interessado pode entrar com ação de divisão, haverá a perícia que leva em conta o valor das frações. 
 
17 – CODOMÍNIO EDILÍCIO 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Compreensão e Natureza: 
1.2 Uma explicação necessária: 
 
- Gleba: é uma porção de solo devidamente identificado, seja urbano, rural, a identificação é feita 
por número (geral) ou letra. O conceito de gleba é concedido a partir do conceito de lote, o que não é 
o lote é uma gleba. 
- Parcelamento: uma atividade estatal que providencia a marcação ou demarcação, divisões, 
metragens, modificações no solo visando a sua futura edificação. É uma atividade estatal que 
possibilita a abertura de vias públicas de acesso público para posteriores edificações de interesse 
público ou privado. Dentro do parcelamento, por tanto, é possível encontrar duas espécies, o 
loteamento e desmembramento. Dentro do loteamento o que caracteriza ele como espécie é a 
possibilidade de acesso público, vias públicas, abertura de vias e logradouros públicos e o que 
caracteriza o desmembramento é justamente a possibilidade de dividir ou subdividir o que já foi 
loteado, é o que alguns chamam de desdobro de lote. 
 
- Condomínio de Lotes: um local identificado onde é possível se verificar unidades autônomas, por 
tano, com exclusividade da propriedade e as chamadas áreas comuns, onde se estabelece a 
copropriedade. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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- Condomínio Edilício (Casas e Apartamentos): pode ser identificado a partir do momento em que 
se realiza ou concretiza alguma edificação sob o solo já loteado, por tanto, estaremos diante de um 
condomínio edilício tanto em caso de construções de casas térreas comuns, casas assobradadas ou no 
caso de apartamentos. Neste sentido é que se fala em condomínio horizontal e vertical, não há nesse 
aspecto uma convergência de conceitos. Alguns utilizam condomínio horizontal para se referir a 
prédios enquanto alguns entendem ao contrário, que casa é condomínio vertical. 
 
- Loteamento de acesso controlado (Loteamento Fechado): pode ser criado a partir de uma 
autorização do estado (prefeitura) naqueles casos em que houve uma associação de moradores que se 
dispuseram a cuidar, gerenciar, uma certa localidade tendo já providenciado o fechamento ou não (o 
certo é esperar a autorização). Não é um condomínio edilício por que ele não nasceu edilício houve 
autorização de fechamento posterior seguindo alguns requisitos, tem acesso a registro público apenas 
como loteamento, enquanto um condomínio edilício tem a previsão de um sindico e de taxas 
condominiais obrigatórias aos condôminos, no loteamento de acesso controlado não há sindico mas 
uma associação de morados, e que também há contribuição dos moradores, mas que não obriga se 
não houver utilização do serviço, conforme já entendeu o poder judiciário. Neste loteamento existe a 
reversão que é o fato de que os associados ficam responsáveis não só pelo controle de acesso mas 
também pela manutenção de todos os locais de área em comum. Acesso controlado significa dizer 
que o acesso de pessoas estranhas não é proibido, mas sim apenas controlado 
 
1.3 Legislação: condomínio edilício 
 
- CC: traz várias regras sobre condomínio edilício, notadamente sobre a figura do sindico, das 
assembleias gerais, extraordinárias, das contribuições condominiais, da utilização da área comum, 
dos limites da utilização das unidades autônomas e etc. 
 
- Lei 4.864/65: lei de incorporação mobiliaria (foi alterada em 1965) também trata de condomínio 
edilício, mas praticamente tudo que ela tratava foi transferida para o CC, mas ela continua em vigor 
por vários motivos, em especial é que se no CC não regularizar algo, a lei regulariza, se completam. 
Trouxe algumas alterações importantes: 1 fez referência a casas comuns e assobradadas; 2 relações 
decorrentes de condomínio edilício são propter rem, isso por que há referência de que o adquirente 
do bem em condomínio edilício responde por suas obrigações em especial pecuniárias, embora tenha 
direito de regresso contra o alienante 
 
2. INSTITUIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO CONDOMÍNIO 
 
2.1 Atos de Instituição: são atos jurídicos que criam, que dão existência a figura do condomínio 
edilício, esses atos que criam, dão existência podem ser inter vivos ou causa mortis, unilaterais ou 
bilaterais. Pode ter três formas de instituição definidas: 
 
- Instituição por destinação do proprietário: ocorre quando alguém dono de um bem sozinha ou 
junto com outros coproprietários dá destinação a esse bem de condomínio edilício, por tanto, em regra 
só é possível se falar dessa situação onde a propriedade se projeta sob determinada gleba, por que é 
neste momento que este proprietário visualiza a possibilidade de que no futuro as edificações que 
serão ali feitas se desenvolvam em forma de condomínio. 
- Instituição por incorporação: se dá nos casos de incorporação imobiliária, que é uma atividade 
lucrativa onde em geral empresários vendem futuros lotes construídos ou a serem construídos, por 
tanto, com o recebimento desses valores antes da atividade propriamente dita de forma é o 
recebimento destes valores que propicia ao incorporador realizar todas as atividades para construir o 
condomínio edilício, uma atividade mercantil. 
- Instituição por testamento: ocorre quando alguém munido da mesma vontade de criar condomínio 
edilício o faz mediante disposição de ultima vontade (testamento), exemplo: A proprietário de uma 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
9 
bem faz testamento deixando um imóvel a ser edificado para que mantenha a característica de 
condomínio edilício para as pessoas de B, C e D. 
 
2.3 Ato de Constituição: um ato jurídico de regulamentação geral desta copropriedade edilícia, a lei 
de incorporação faz referência tanto da convenção quanto ao seu eventual regulamento. 
- Convenção: é um documento escrito que tem como objetivo regular direitos e obrigações daquelas 
pessoas que estão ligadas ao condomínio edilício, afeta tantos consumidores como coproprietários, 
devem submeter a convenção, é um documento escrito e registrado em cartório que acompanha a 
instituição em momento posterior, por tanto, nesse sentido, regula por exemplo, atividade do sindico, 
a realização de assembleias, o modo e local de realização, o acesso as unidades autônomas, o fundo 
de reservas, sob pagamento da taxa condominial, pagamento em face de atraso de taxa condominial. 
Essa convenção pode vir acompanhada de um regulamento ou não. 
- Regulamento: é um complemento a convenção que diz respeito a regras que não foram bem 
descritas na convenção que precisam ser complementadas ou melhor aclaradas, em geral as regras do 
regulamento, dizem respeito ao uso do dia a dia do condomínio, disposições mais simples, exemplo: 
horários de forma e uso da piscina, brinquedoteca e etc. por tanto, ela não pode contrariar a 
convenção, apenas suplementar ou complementar, assim como a convenção não pode contrariar o CC 
e a lei especial. 
 
3. ESTRUTURA INTERNA DO CONDOMINIO 
 
3.1 Unidade autônoma: uma parcela de propriedade identificada dentro de um condomínio edilício 
através de um número ou uma letra, em geral por número. Essa unidade autônoma carrega consigo 
uma fração ideal da área comum, mas justamente por ser identificada em especial por suas 
confrontações é que é chamada de fração material.Essa unidade autônoma carrega consigo uma 
fração ideal das áreas comuns mas justamente por ser identificada em especial por suas confrontações 
laterais é chamada de Fração Material. Não reclama uma porção/metragem mínima, se não aquela 
reclamada pelo próprio legislador. Mínimo 105m sendo 5m de frente pelo menos. 
Pertence a um determinado proprietário, é possível que uma unidade autônoma tenha mais de um 
proprietário, neste caso teremos uma copropriedade com base no condomínio geral, ocorrendo dentro 
de um sistema de condomínio edilício. 
O que for de tributo fracionada a ela recai sob ela e não sob o condomínio, a dívida de IPTU diz 
respeito a ela não tem nada com o condomínio, mas execuções gerais de debito contra o condomínio 
ela pode sofrer essa execução, as unidades autônomas podem ser penhoradas por conta dessa dívida 
do condomínio. 
As unidades autônomas podem ter frações iguais ou diferentes, as unidades por vezes possuem 
frações diferentes, tanto que sofrem cobranças diferentes (algumas pagam mais cara o condomínio). 
 
3.2 Áreas comum: são áreas de com propriedade destacadas das unidades autônomas mas que fazem 
parte do glomerado chamado condomínio edilício, a lei chega a exemplificar, corredores, rol de 
entrada, piscina, telhado, rua. São de uso geral dos condôminos e a característica marcante dela é que 
é uma área inalienável e indissolúvel, pois a unidade autônoma é alienável – pode alienar livremente 
a unidade autônoma, e quando isso ocorre carrega a fração não palpável da área comum, pois 
acessório segue o principal. A garagem na conformidade da constituição do condomínio e da 
convenção são alienáveis junto com a unidade autônoma, porém há uma exceção, se o titular da 
unidade quiser local a garagem ele pode, não obstante isso ele tem que dar direito de preferência aos 
demais condôminos. Ela integra a unidade autônoma. 
 
4. DIREITOS E DEVERES DOS CONDOMÍNOS 
 
4.1 Deveres: 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
10 
- Contribuir para as despesas (comuns, compromissário, juros e multa, bonificações): o 
condômino tem a obrigação de contribuir para as despesas necessárias de conservação e manutenção 
da área comum, exemplo, concerto da piscina, poda do jardim ou árvores, pintura internas, 
emplacamento e isso tudo é feito com base na taxa condominial. A taxa condominial é um exemplo 
de obrigação própria da coisa, então é dever do possuidor ou proprietário da coisa, significa que essas 
despesas podem afetar tanto o proprietário, como comodatário e etc. 
O compromissário (titular do compromisso de compra e venda) se obriga pelas despesas comuns 
(como a taxa condominial) a partir do momento em que se emite a posse, toma posse juridicamente 
falando (posse não se confundi com o contato físico). 
Juros e multas: caso não pagar pode ficar sujeito a juros de 1% ao mês e multa por atraso de 2% ao 
mês, os tribunais decidiram que a convenção de condomínio pode majorar os valores em 
especialmente a multa, mas geralmente segue esses valores. Antes do código civil de 2002 os 
porcentuais chegavam a 20% de multa. 
Bonificação: desconto dado ao condômino que pague até determinado dia, algo bem comum. 
 
- Não realizar obras que comprometam a segurança da edificação: quando fala-se em obras pode 
ser obras na unidade autônima ou área comum: nas autônomas embora o proprietário tenha 
possibilidade de usar, gozar e despor da coisa ele pode fazer obras na propriedade mas não pode 
realizar obras que venham a comprometer a segurança de um todo, fica mais evidente em 
condomínios de prédio, restrição ao pleno direito de propriedade que acontecem nos condomínio 
edilícios; na área comum o condomínio pode fazer obras, mas depende, se for obras volutuárias é 
necessário voto de 2/3 dos condôminos em assembleia, se for obras uteis (ex. construção de lixeira) 
a obra pode ocorrer com a concordância da maioria absoluta da assembleia geral, agora se for obra 
necessárias elas podem ser feitas pelo sindico em primeiro lugar ou qualquer um dos condôminos na 
falta dos síndicos, sem a necessária previa autorização da assembleias (vazamento, queda de parece), 
leva o assunto a assembleia em ocasião posterior. 
 
- Não alterar a forma e a cor da fachada e partes externas: um dos deveres do condômino 
(proprietário ou qualquer pessoa que tenha posse) é de não fazer alterações em sua unidade autônoma 
tanto interna como externamente, mas as restrições de alterações internas diz respeito ao perigo da 
estrutura do todo (condomínio de prédio) fora isso a modificação interna é livre do proprietário (não 
do locador), mas externamente falando não se pode alterar a fachada do imóvel em função do disposto 
na convenção do condomínio, inclua a isso a cor da unidade, tanto para prédios como para casas 
térreas e assobradadas tem condomínios que na convenção tem uma cor estabelecida. A preocupação 
é a estética e arquitetônica do condomínio. Fachada é aquilo que está descrito na convenção do 
condomínio, pode ser só a parede da frente ou também as laterais e etc. a convenção pode regularizar 
até mesmo o local onde se pode colocar o ar condicionado para que não fique visual. Alteração de 
fachada em geral é relacionada a janelas, vidros e vitrais, de fato não pode haver alteração, mas tem 
se entendido nos tribunais que se deve aceitar certas alterações quando por exemplo, aqueles itens 
substituídos não forem mais encontrados nos mercados por serem velhos, obsoletos. Já há julgados 
que fiz que o fechamento por vidro não estaria vetado por essa convenção de fachada, por ser 
transparente 
 
- Dar às unidades a mesma destinação do prédio e não a utilizar nocivamente (Animais, 
comportamento antissocial e multa): possuidor tem todo direito de usar e usufruir da propriedade, 
mas desde que mantenha a natureza, mesma destinação daquele prédio, se tem unidade residencial 
não pode montar uma empresa, guardar produtos, medicamentos com destinação comercial (não pode 
dar destinação diversa do comercio da convenção, caso já seja um comercio). 
No que diz respeito a animais a princípio é necessário se verificar o que diz a convenção se não houver 
nada na convenção então a posse de propriedade de animais é livre, respeitando as regras externas. 
Agora se por acaso houver previsão na convenção, precisa verificar se é uma convenção genérica 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
11 
“proibido ter animais” acaba se tornando algo não escrito. Se a previsão for especifica “proibido ter 
pitbull” – se não houver demonstração que no caso concreto não há prejuízo ao condomínio o 
proprietário poderá ter o pitbull pois deve ter demonstração que de fato o animal não serve para 
convívio com os condôminos. Não pode esquecer de verificar a legislação externa. 
Comportamento antissocial: deve ter um comportamento compatível com a convivência social do 
condomínio, um exemplo de comportamento antissocial do condômino é estar sendo bêbedo na área 
social da piscina, ande de roupa de banho pelo condomínio e etc. 
A providencia tomadas contra o condômino que não segue a convenção é a multa que leva em 
consideração o valor da taxa condominial, fica entre cinco a dez vezes a taxa condominial. Quem 
aplica é o sindico, se não houver previsão específica sobre isso a legislação fala que a assembleia é 
que irá determinar. Sempre leva em consideração o princípio do devido processo legal, a 
proporcionalidade, razoabilidade, contraditório e ampla defesa (espécies do devido processo legal). 
 
4.2 Direitos: 
 
- Usar, fruir e livremente dispor das suas unidades: o condômino pode usar, fruir e dispor da coisa 
como quiser, decorre do direito de propriedade. Mas no condomínio o meu uso deve ser compatível 
com os demais, ou seja, não se pode com o meu uso prejudicar os dos demais – não pode cercar a 
área da piscina para uso familiar próprio. Pode alienar/dispor da unidade autônoma em regra sem 
autorização dos demais condôminos, exceto pelos abrigos de carro, garagem,nesse caso deve dar 
preferência aos demais condôminos 
 
- Usar das partes comuns, conforme a sua destinação, em compatibilidade com os demais: pode 
utilizar mas deve seguir as normas da convenção, horários e etc. É conforme a compatibilidade da 
convenção 
 
- Participar e votar nas assembleias, estando quite: o condômino pode votar diretamente, pode se 
fazer representar por procuração, mas se estiver inadimplente não pode votar, participar das 
assembleias. Se o voto de um inadimplente decidir alguma coisa, essa assembleia perde a validade. 
 
5. DA ADMINISTRAÇAO DO CONDOMINIO EM EDIFICAÇÕES 
 
5.1 A figura do Sindico: a representação do condomínio em regra é feita pelo sindico, em geral pois, 
há uma copropriedade, não se é possível proibidor o proprietário de defender sua propriedade, nada 
impede que um dos condôminos defensa não só sua posse, propriedade mas sim o conjunto todo, o 
condomínio em geral em caso de omissão do sindico ou em casos urgentes – o fato deverá ser levado 
a assembleia geral oportunamente. O sindico faz a representação geral, ou seja, judicial e extra 
judicial, passiva e ativa, ele que propõe a ação em nome do condomínio e ele que é citado em come 
do condomínio. O sindico é eleito em assembleia para um mandado de dois anos podendo ser 
reconduzido. Este sindico tem algumas atribuições descritas na lei, algumas ele pode tomar sozinho 
e outras ele deve se submeter previamente a assembleia geral, exemplo, o sindico tem a obrigação de 
convocar a assembleia geral ordinária uma vez do ano afim de prestar contas, orçamento, fazer eleição 
de sindico, sub síndico e além disso também tem que anualmente prestar contas da sua atuação aos 
condôminos. Os condôminos podem a qualquer momento solicitar a prestação de contas a qual é 
obrigado a apresentar, caso não preste pode entrar com ação judicial de prestação de constas. Ele deve 
administrar e zelar pela área comum do condomínio. A figura do sindico pode recair tanto a pessoal 
natural como pessoa jurídica, tanto sob condômino como por pessoa externa ao condomínio, chamado 
sindico profissional. Não se deve confundir com a figura da administradora do condomínio que possui 
função administrativa e é contratada por força de votação da assembleia, faz emissão de boletos, 
comunicações aos condôminos, sempre prestando contas tanto ao sindico como aos condôminos 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
12 
quando solicitarem. Podem se fundir a figura de sindico e administrador? – sim, a empresa pode 
fornecer uma pessoa com a duas funções, não é comum. 
 
Função, Mandato, Natureza, Competência: 
 
Destituição e Motivos: falta de prestação de contas, por má administração e etc. se o motivo for não 
prestação de contas, não haverá dificuldade de comprovar o ato faltosa (não prestou), seja a conta 
anual ou a solicitada pelos condomínios. Os outros motivos são mais vagos é necessário que tenha 
cuidado nas assembleias para que constate de fato essa má administração, é necessário garantir o 
contraditório e ampla defesa do sujeito. 
 
5.2 O Conselho Consultivo: órgão interno do condomínio formado por três membros condôminos e 
que de igual forma são apontados por eleição realização em assembleia, para mandado de dois anos. 
É um órgão de fiscalização, consulta e de pareceres quando solicitados, conhecido como conselho 
fiscal. Em geral na pratica ele funciona em situações onde a apreciação de contas, orçamentos e etc. 
Pode funcionar tanto contra o sindico como a seu valor, em especial quando é órgão de parecer 
convocado pelo próprio sindico 
 
5.3 A Assembleia Geral Ordinária: conhecida como AGO é aquela reunião dos condôminos que 
deve ocorrer anualmente e também para instituição do condomínio, é nesta AGO que ocorre a 
prestações de contas, a votação sobre a concordância dessa prestação a eventual alteração de taxa 
condominial. Ela é convocada pelo sindico ou pelo menos ¼ dos condôminos. 
 
5.4 As Assembleias Gerais Extraordinárias: conhecida como AGE, podem ser convocadas pelo 
sindico ou condôminos que se realizam mensalmente, para sua realização é necessário fórum de 
convocação e votação. As decisões dessa AGE serão tomadas da seguinte forma: em primeira 
convocação 2/3 dos condôminos e em segunda convocação maioria absoluta. A lei pedi que haja uma 
decisão na assembleia da maioria absoluta dos itens que foram pautados na reunião anterior 
 
6. DA EXTINÇÃO DO CONDOMINIO EDILÍCIO 
 
6.1 Hipóteses (Destruição/Ruina): em regra o condomínio edilício não pode ser extinto, ou seja, a 
área comum não pode ser alienada e não pode ser dissolvida pelos condôminos mesmo com 
autorização judicial, tem a característica da perpetuidade. Porem pode ser que se depare com a 
extinção do condomínio que ocorre nos casos de destruição (fogo, enchente) e ruina 
(desmoronamento) – o que importa é nos dois casos é saber se foi total ou parcial. Se foi total e tiver 
algum aproveitamento econômico disso é necessário distribuir esse aproveitamento econômico, o que 
sobrou vende, e distribui aos condôminos levando em consideração suas frações. Se for parcial pode 
optar pela reconstrução do condomínio, todos os condôminos contribuem para reconstruir o 
condomínio, caso um condômino não se interesse, pode ficar livre disso passando sua unidade ao 
condomínio. Se houver desapropriação do condomínio ai é interesse público sobre o particular, ai 
desfaz o condomínio – o estado irá pagar e será distribuído entre os condôminos de acordo com suas 
frações (fração ideal de acordo com a área comum e fração da unidade particular). 
 
18- CONDOMINIO EM MULTIPROPRIEDADE 
(Lei nº 13.777/2018) 
 
1. COMPREENSÃO: multipropriedade é derivado de condomínio edilício. Ela já existia em nosso 
meio numa questão pratica, mas a partir de 2018 faz parte do sistema jurídico, no âmbito cível. Ela é 
conhecida a muito tempo em outros países, principalmente Europa como time share. Nesses países 
se discute se a multipropriedade é direito pessoal ou real, mas no Brasil essa multipropriedade é 
considerada como direito real sob bem imóvel. Por tanto, a partir disso pode dizer que a 
multipropriedade é uma espécie, modalidade, de copropriedade que se estabelece sob um bem imóvel 
mas que se caracteriza pelo uso e gozo de uma fração de tempo sobre este imóvel. A legislação 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
13 
aplicável no caso da multipropriedade no nosso meio o código civil e supletivamente as disposições 
do condomínio edilício, além disso aplica-se também o código de defesa do consumidor naqueles 
casos onde a multipropriedade também comportar regime hoteleiro. 
 
1.1 Compreensão e Legislação – O CC e o CDC: 
 
Art. 1.358-C. Multipropriedade é o regime de condomínio em que cada um dos proprietários de um 
mesmo imóvel é titular de uma fração de tempo, à qual corresponde a faculdade de uso e gozo, 
com exclusividade, da totalidade do imóvel, a ser exercida pelos proprietários de forma alternada. 
 
1.2 Indivisibilidade / Regime Misto: a multipropriedade se apresenta com as mesmas características 
do condomínio edilício, ou seja, ela é perpetua e indivisível só que com algo a mais, a sua mantença 
mesmo naqueles casos onde todas as frações de tempo forem adquiridas por um único 
multiproprietário, o que não acontece no edilício. Além disso também pode ter o regime misto na 
multipropriedade, pois ela pode ser um regime de copropriedade na modalidade de multipropriedade 
simples, mas também pode ser um regime onde se agrega multipropriedade e condomínio edilício, e 
além disso pode ser um regime em que se agregue uma rede hoteleira com o objetivo de se receber 
recursos em benefício da multipropriedade. Exemplo: propriedade de prédios em locais de lazer 
(praia, campo). No condomínio edilício há copropriedade (vários proprietários sob o mesmo bem) 
mas cada um com sua cota/parte; aqui está se tratando da copropriedade sobre o aproveitamento 
econômico de cada fração do imóvel, então pode-se dizer quea multipropriedade é o aproveitamento 
econômico sobre a fração do uso de determinado imóvel. 
 
1.3 Modos de fixação da fração de uso: 
 
- Mínimo: é aquele estabelecido por 7 dias. No regime de multipropriedade se optar por regime 
mínimo significa dizer que terá pelo menos 7 dias de uso e gozo econômico sobre aquele determinado 
imóvel. 
- Fixo: acontece quando essa fração de uso for identificada em uma determinada época do ano, 
exemplo, todo o mês de julho o sujeito possui uma fração de uso. 
- Flutuante: se opera naqueles casos onde esse período mínimo será identificado de forma objetiva 
e igualitária entre os multiproprietários, exemplo, sorteio em assembleia para o próximo ano. 
- Misto: congrega tanto a parte fixa como a flutuante, de acordo com a convenção do condomínio de 
multipropriedade 
 
1.4 Modos de Instituição: precisa de um instrumento de instituição. É preciso levar a registro esse 
instrumento de instituição 
 
- Inter Vivos: através de contrato ou escritura pública 
- Causa Morts: através de testamento – é preciso que se conste no testamento a identificação das 
frações e o tempo mínimo de cada fração. Além disso, deve levar em consideração que essa 
multipropriedade só será criada após a morte do testador. 
 
1.5 Conteúdo da Convenção: instrumento de regularização da multipropriedade. Precisa ter de 
forma clara todos os direitos e deveres dos multiproprietários em relação as despesas de instalação da 
multipropriedade, bem assim, despesas de manutenção (despesas de concerto, imobiliárias). 
Evidentemente essas disposições atingem tanto o multiproprietário como também eventuais 
locatários, comodatários e etc. neste caso esses deveres em especial no que diz respeito a despesas e 
taxas condominiais devem levar em fração as respectivas frações de uso 
 
Art. 1.358-G. Além das cláusulas que os multiproprietários decidirem estipular, a convenção de 
condomínio em multipropriedade determinará: 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
14 
I - os poderes e deveres dos multiproprietários, especialmente em matéria de instalações, 
equipamentos e mobiliário do imóvel, de manutenção ordinária e extraordinária, de conservação 
e limpeza e de pagamento da contribuição condominial; 
 
II - o número máximo de pessoas que podem ocupar simultaneamente o imóvel no período 
correspondente a cada fração de tempo; - significa dizer que a convenção pode trazer regras sobre 
a forma de utilização da fração de tempo, exemplo, estabelecer que as frações serão utilizadas por no 
máximo de 6 pessoas. A convenção pode excepcionalmente limitar o direito de propriedade, é uma 
previsão legal. 
 
III - as regras de acesso do administrador condominial ao imóvel para cumprimento do dever de 
manutenção, conservação e limpeza; - não possui um sindico, mas sim um administrador, que tem 
como função, dentre outras, zelar pela conservação e mantença da multipropriedade. Essa regra se 
assemelha aquela regra do condomínio edilício onde o vizinho tem o direito de entrar no imóvel do 
outro para fazer reparos necessários. Em geral reserva-se duas semanas para cada unidade para fins 
de manutenção. 
 
IV - a criação de fundo de reserva para reposição e manutenção dos equipamentos, instalações e 
mobiliário; - há uma previsão expressa de criação de fundo de reserva e que por tanto deverá 
obrigatoriamente estar contida na convenção. Fundo de reserva é um patrimônio que vai sendo 
montado para utilização em prol da multipropriedade para os diversos casos de despesas decorrentes 
da multipropriedade, exemplo, pagamento de empregados, ação trabalhistas, concerto do prédio, 
construção de uma nova distribuição de agua e etc. O fundo de reserva se dá com porcentagem da 
taxa condominial, paga-se junto com a taxa condominial. Leva em conta a fração que possui, se tem 
mais fração paga mais. 
 
V - o regime aplicável em caso de perda ou destruição parcial ou total do imóvel, inclusive para 
efeitos de participação no risco ou no valor do seguro, da indenização ou da parte restante; - 
significa dizer que a convenção deve trazer regras quanto a eventual perda (total – perecimento ou 
parcial – deterioração) do bem (imóvel). Dos efeitos da perda sobre os multiproprietários e o valor 
do seguro. 
 
VI - as multas aplicáveis ao multiproprietário nas hipóteses de descumprimento de deveres. – a 
convenção deve trazer uma regra própria de aplicação de eventuais multas para multiproprietários 
que violarem e forma ampla seus deveres, que por sua vez, estarão descritos na convenção. Aqui 
precisa ser claro a possibilidade de multa e quem aplica é o administrador. Existe a previsão de multa 
simples para o caso de violão comum e multa progressiva no caso de reincidência de violação 
chegando ao ponto de aplicar multe de impedimento do uso da fração no caso de inadimplência. Pode 
restringir sua fração e locar para usar o dinheiro para pagar a multa. 
 
1.6 A administração (Atos e Competência): na multipropriedade a administração é feita por uma 
pessoa jurídica contratada por tempo determinado de acordo com as instruções da convenção. Essa 
pessoa jurídica em regra é especializada em prestação de serviço em multipropriedade. Ela faz as 
vezes do sindico do condomínio edilício. Essa administradora tem competência cuidar da conservação 
do prédio onde se instala a multipropriedade, exemplo, ela faz o pagamento dos tributos, faz o reparo 
no prédio, faz a administração das frações pro uso dos multiproprietários, promove os avisos gerais 
e etc. Nesse caso a administradora tem o poder de mudar o regimento interno no que diz respeito à 
disposição do uso da multipropriedade 
 
1.7 Direitos do Multiproprietário: 
- Usar, ceder ou alienar: o multiproprietário tem direito de gozar e usar a coisa (imóvel) de acordo 
com a sua fração de uso, ele pode usar sua determinada fração (ex. 7 dias que é o mínimo), assim 
como pode ceder onerosa ou gratuitamente (pode dar em comodato, em locação) a fração de uso do 
imóvel, desde que o exercício desse direito seja compatível com o mesmo exercício dos demais 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
15 
multiproprietários, a demais ele pode até alienar essa fração, vender, onerar, colocar ônus real, 
segundo a lei. A alienação é feita independentemente da autorização dos demais e do direito de 
preferência dos demais, não obstante isso, é necessário que o alienante que é o multiproprietário, 
comunique o administrador, pois leva em consideração a segurança e a regularidade do uso da 
multipropriedade. Essa comunicação não é elemento do negócio jurídico, de forma que se não houver 
a comunicação não vai interferir em nada na alienação, mas toda via, se o multiproprietário não fizer 
a comunicação ficará obrigado a indenizar eventuais prejuízos pela falta de comunicação. 
- Votar em Assembléia Geral: tem duas assembleias gerais, a do condomínio edilício e de 
multiproprietários, é possível que se fundem em determinado momento, mas há situações distintas, 
mas o multiproprietários tem o mesmo direito, votar em assembleia de condomínio e de 
multiproprietários, desde que esteja quites com a taxa condominial. 
 
1.8 Obrigações do Multiproprietário: 
 
- Pagar a contribuição condominial e responder por danos: tem que pagar a taxa condominial do 
condomínio edilício e da multipropriedade, mas evidentemente, precisa fazer dois calculas dessa 
cobrança de taxa de despesa, o cálculo de taxa condominial e taxa de manutenção da 
multipropriedade, pois sabemos que nos dois casos tem frações identificadas. No condomínio edilício 
tem fração material (aquela relacionada a unidade autônoma) e ideal (relacionada a área comum). 
- Comunicar avarias e não alterar a multipropriedade: pode ser despesa de avaria natural ou ato 
praticado de alguém. Se o ato for de avaria do multiproprietário ao imobiliário (móvel) da 
multipropriedade é ele que responde/indeniza a multipropriedade. O multiproprietário tem a 
obrigação de comunicareventuais avarias que chegaram a seu conhecimento, tanto aquelas que ele 
provocou, quanto s que foi pratica por outra pessoa, ou fato fortuito ou força maior. Está previsto na 
legislação e estará previsto na convenção, mas mesmo se não houve na convenção. E além de 
comunicar tem a obrigação de não alterar a propriedade, incide sobre o aspecto físico e o imobiliário, 
pois tem fração de tempo, não fração física. 
 
- Manter a conservação e limpeza e usar conforme sua natureza: usuário da fração tem a obrigação 
de fazer esse uso, mas de forma a manter a regularidade e limpeza do local e manter a natureza da 
multipropriedade conforme a convenção (se for a pretexto de lazer, deve ser lazer). 
Sanções: se violar um dessas obrigações gera sanções – aplicação de multa da conformidade da 
convenção, mas aqui há uma pequena diferença, multa também tem no condomínio edilício, aqui tem 
um plus – a multa pode ser normal/ordinário ou escalonaria pode subir na medida de reincidência do 
multiproprietário, pode chegar até a situação que o não pagamento da multa faça com que o 
administrador fique com o período/fração do uso do condômino naquele ano. O administrador pode 
locar a fração para pagar a multa que o multiproprietário não pagou (isso não ocorre no edilício). 
 
1.9 Transferência da fração e responsabilidade solidária entre adquirente e alienante quanto a 
obrigações: é possível que o multiproprietário faça a alienação de sua fração, por tanto, a título 
gratuito ou oneroso. Nesse caso normalmente, se o adquirente percebe que está comprando a fração 
que há debito anteriores ele deve e entrar em regresso contra o alienante (agir de regresso). Quem tem 
a obrigação de imediato é o adquirente. Mas na multipropriedade há previsão que o adquirente deve 
pedir uma declaração de inexistência de debito, não é obrigação, é um ônus, pois se ele não pedir ele 
responde solidariamente (estranho, pois na multipropriedade só pode alienar se estiver quite com as 
obrigações, então pra ele estar alienando ele está em regra quite). 
 
19 – PROPRIEDADE RESOLÚVEL (período quarentena) 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Conceito e Natureza Jurídica: com o passar do tempo o legislador tentou encontrar meios de 
garantia de pagamento de dívida, dentro desta evolução, surgiu, a chamado propriedade resolúvel. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
16 
Como visto nos outros pontos, a característica da propriedade é a perpetuidade o que é próprio do 
direito real; é dizer, obtida, torna-se continua até a extinção da personalidade do seu titular, embora 
haja exceções legais ou convencionais. (Desapropriação, Alienação) 
Mas poderá se resolver, em casos legais e convencionais. 
Nesses casos, no próprio título de transferência já consta tal característica especial, de forma que se 
diz que a propriedade é resolúvel. 
Trata-se de uma limitação à propriedade. (Ad Tempus). Ex: pacto de retrovenda. 
 
Conceito: assim propriedade resolúvel é aquela que poderá se desfazer ao advento de um termo ou 
condição (legal ou convencional) regressando a seu antigo titular. 
Sua natureza jurídica é controversa. 
CC/2002: trata como uma modalidade do domínio. (Seguindo Orlando Gomes) 
Por isso foi inserida no título sobre propriedade. (Capítulo VIII) 
 
 
1.2 Causas de Resolução da Propriedade: 
 
- 1º Caso: 
 
Art. 1.359. Resolvida a propriedade pelo implemento da condição ou pelo advento do termo, 
entendem-se também resolvidos os direitos reais concedidos na sua pendência, e o proprietário, em 
cujo favor se opera a resolução, pode reivindicar a coisa do poder de quem a possua ou detenha. 
 
Noção/Efeitos: é possível que alguém adquira uma propriedade, mas constando do título aquisitivo 
uma possibilidade de perda pela sua extinção. 
Operada tal ocorrência, a expectativa de perpetuidade se frustra. 
Isso acontecerá se constar do título aquisitivo uma condição (Resolutiva) ou um termo que determine 
tal efeito. 
Ocorrendo um ou outro a propriedade se resolve. 
O proprietário retorna como se nunca tivesse saído de seu poder. 
Opera-se, neste caso, efeitos ex tunc, de forma que, eventuais vínculos reais constituídos nessa 
pendencia também se extinguirão. (Ex: garantias reais) 
É como se nunca tivesse ocorrido a mudança de propriedade. 
Mas quanto as prestações executadas nas obrigações continuadas ou periódicas, opera-se, tão 
somente, efeitos somente ex nunc, embora haja efeito de extinção da propriedade, sob pena de 
desestabilização social e ferimento à boa-fé. 
Ex: pagamento de alugueis. 
 
Exemplos: 
 
- Pacto de retrovenda: o adquirente sabe que a propriedade poderá retornar ao alienante no caso do 
exercício da cláusula de retrato no prazo máximo permitido pelo legislador. 
 
- Exercício do direito de preferência: - Do Condômino na alienação de bem indivisível que poderá 
resolver a venda e haver para sí a propriedade do estranho no prazo de seis meses. 
(Conforme já visto, refere-se ao condomínio geral e não ao edilício ou a MP) 
- Do Locatário na conformidade e nas condições da Lei de Locação. 
 
- Fideicomisso: instituto de direito sucessório pelo qual o testador deixa herança a alguém 
(Fiduciário) para que, após sua morte ou depois de certo tempo transmita a outra pessoa 
(Fideicomissário) de forma que a propriedade do primeiro se resolve em favor do segundo, portanto, 
sem passar a seus herdeiros, o que não ocorreria sem o instituto já que prevaleceria a perpetuidade. 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
17 
- Alienação Fiduciária em garantia: é uma forma ou espécie de manifestação da propriedade 
fiduciária na qual alguém (Fiduciário) adquire a propriedade que poderá ser resolvida caso não haja 
o pagamento na conformidade do título de sua constituição dando causa a sua extinção. 
São exemplos. 
Além destes podem ser citados outros. 
- Venda com reserva de domínio: nas mesmas condições da alienação fiduciária, mas utilizada por 
comerciantes para bens como eletrodomésticos. 
- Doação com cláusula de reversão: onde o doador determina que o bem doado volte ao seu 
patrimônio no caso de pré-morte do donatário. 
Isso acontece quando o doador não deseja ver o seu patrimônio nas mãos dos herdeiros do donatário 
enquanto estiver com vida. 
 
 
- 2º Caso: 
 
Art. 1.360. Se a propriedade se resolver por outra causa superveniente, o possuidor, que a tiver 
adquirido por título anterior à sua resolução, será considerado proprietário perfeito, restando à 
pessoa, em cujo benefício houve a resolução, ação contra aquele cuja propriedade se resolveu para 
haver a própria coisa ou o seu valor. 
 
Noção: nesse caso, trata-se de causa superveniente que não poderia ser prevista pelo adquirente, de 
forma que não poderá ele ser prejudicado. 
Ex: “A” doa um imóvel para “B” que, ato continuo aliena para “C”. 
Ainda que “A” resolva revogar a doação que fez para “B” por ingratidão ocorrida depois de tal fato, 
“C” será considerado proprietário perfeito pois, embora se permita a revogação da doação nesses 
casos, não se pode prejudicar direitos adquiridos por terceiros que, no caso, é a pessoa de “C”. (Efeito 
Ex Tunc) 
O adquirente “C” não poderia prever tal acontecimento. 
Então resta ao doador cobrar de “B” o valor do bem doado. 
 
 
 
Assim, em resumo, duas são espécies de propriedade resolúvel: 
 
- Por advento de termo ou condição; 
- Por surgimento de causa superveniente. 
 
➔ Dispositivos relacionados com a matéria. 
 
Art. 27 Lei de Locação. No caso de venda, promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de 
direitos ou dação em pagamento, o locatário tem preferência para adquirir o imóvel locado, em 
igualdade de condições com terceiros, devendo o locador dar-lhe conhecimento do negócio mediante 
notificação judicial, extrajudicial ou outro meio de ciência inequívoca. 
Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se 
opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização,salvo 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
18 
disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com 
a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. 
Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, se outro 
consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, 
depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, se o requerer no prazo de cento e 
oitenta dias, sob pena de decadência. 
Art. 505. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de 
decadência de três anos, restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, 
inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a 
realização de benfeitorias necessárias. 
Art. 547. O doador pode estipular que os bens doados voltem ao seu patrimônio, se sobreviver ao 
donatário. Parágrafo único. Não prevalece cláusula de reversão em favor de terceiro. 
Art. 555. A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, ou por inexecução do encargo. 
Art. 556. Não se pode renunciar antecipadamente o direito de revogar a liberalidade por ingratidão 
do donatário. 
Art. 563. A revogação por ingratidão não prejudica os direitos adquiridos por terceiros, nem obriga 
o donatário a restituir os frutos percebidos antes da citação válida; mas sujeita-o a pagar os 
posteriores, e, quando não possa restituir em espécie as coisas doadas, a indenizá-la pelo meio termo 
do seu valor. 
Art. 564. Não se revogam por ingratidão: 
I - as doações puramente remuneratórias; 
II - as oneradas com encargo já cumprido; 
III - as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural; 
IV - as feitas para determinado casamento. 
 
 
20 – PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Art. 1.361. Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o 
devedor, com escopo de garantia, transfere ao credor. 
 
Art. 1.368-A do CC. As demais espécies de propriedade fiduciária ou de titularidade fiduciária 
submetem-se à disciplina específica das respectivas leis especiais, somente se aplicando as 
disposições deste Código naquilo que não for incompatível com a legislação especial. 
 
Código Civil - Lei 4.728/65 - Decreto-Lei 911/69 - Lei 9.514/97 
 
1.1 Histórico e legislação: ao longo do desenvolvimento histórico e da necessidade do mercado, 
foram sendo previstas e revistas formas de garantias de pagamento ao credor, tais como o penhor, a 
hipoteca a anticrese e a reserva de domínio. (Garantia para comerciantes no caso de bens móveis duráveis) 
 
Neste sentido, surge a Propriedade Fiduciária, a fim de atender, em especial, as atividades do 
mercado financeiro. 
Como espécie dela surge a Alienação Fiduciária em Garantia, com a chamada Lei de Mercado de 
Capitais. (Lei 4.728/65 - art.66), que posteriormente foi modificada por Decreto. (Decreto-Lei 
911/69 – art. 66) 
Posteriormente o CC/2002 fez a previsão da disciplina geral do assunto sob o título “Propriedade 
Fiduciária” nos artigos 1.361 a 1.368. 1 
Permanece o D.L.911/69 apenas quanto ao aspecto processual. 
 
1 O capítulo sobre alienação fiduciária em garantia está riscado na lei. A última alteração é de 2004. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
19 
Conceito: a alienação fiduciária é negócio jurídico pelo qual o devedor entrega o domínio resolúvel 
de um bem ao credor apenas para garantir o pagamento que fará oportunamente. 
(O CC é mais novo, por isso está projetado acima - com ele vigem as leis especiais) 
 
1.2 Funcionamento e Partes: funciona assim. Alguém, pretendendo adquirir um bem, mas sem 
recursos necessários, realiza um empréstimo onde o próprio bem é dado em garantia de pagamento. 
Este bem permanece no domínio do credor (Como proprietário pro tempore) mas na posse direta 
do devedor até o cumprimento total da obrigação, oportunidade em que se opera uma inversão nos 
polos, operando-se o constituto possessório à fim de se evitar tradições inúteis. (O que muda é a 
qualidade da posse) 
Consolida-se sua propriedade e resolve-se a relação contratual. Por isso apresenta-se na modalidade 
de condição resolutiva. Trata-se, apenas, de uma das formas de propriedade resolúvel. 
Ex: “A” transfere seu veículo a instituição financeira JB. 
(Adquire o veículo após o pagamento indicado no título) 
É possível até mesmo sobre bem que já está no patrimônio do devedor. 2 
 
Daí as partes: 
 
Fiduciário: credor dono pro tempore por garantia. (Em geral Financeira) 
Fiduciante: o devedor que se obriga a pagar para adquirir o bem. 
 
1.3 Objeto: depende do interesse das partes e da legislação aplicada. 
 
Código Civil: fala em bem móvel e infungível. Ex: uma máquina; um veículo. 
 
A infungibilidade vem definida pelo próprio CC, mas aqui está no sentido de que o objeto dado em 
garantia é aquele que deverá ser entregue. 
O CC fala que com a constituição da propriedade fiduciária, ocorrerá o desdobramento da posse, de 
forma que o devedor se transformará em possuidor direto da coisa, além de responder por ela na 
qualidade de depositário. 
 
Lei 4.728/65 – Lei de Mercado de Capitais: trata de coisa: 
- Móvel; 
- Garantia de créditos Fiscais e Previdenciários; 
- Fungível; 
- Cessão fiduciária de Direitos sobre Coisas Móveis; 
- Títulos de Crédito; 
Essa enumeração veio com a modificação do Decreto-Lei. (Art. 66 da lei) 
Esta lei traz previsão expressa no sentido de que o devedor não poderá dispor da coisa ficando sujeito 
as penas no artigo 171 do CP. (Art. 66-B § 2º, Lei 4728/65) 
Também fala em se aplicar as disposições do penhor, hipoteca e anticrese ao bem, mas não o do 
depósito necessário. 
 
Lei 9.514/97: dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de 
coisa imóvel e dá outras providências. 
Em qualquer caso, trata-se de um direito real de garantia. 
Mas aqui o objeto é um bem imóvel e a disciplina é também especifica. 
Na verdade, esta lei traz um elenco de operações de financiamento imobiliário, como hipoteca, 
cessão fiduciária de direitos, caução de direitos creditórios, etc.; entre eles, a alienação fiduciária de 
imóvel. (Art. 17 da lei) 
É dizer, por esta lei, o imóvel poderá ser oferecido como objeto de garantia de pagamento na 
modalidade fiduciária. 
O legislador chega a conceitua-la: (Art. 12 da lei) 
 
2 Súmula 28/STJ - O contrato de alienação fiduciária em garantia pode ter por objeto bem que já integrava o patrimônio do devedor. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
20 
 
“É o negócio jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a 
transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel.” 
 
Reforça que tal instituto não é exclusividade de entidades de operação de SFI, podendo ser feita tanto 
por pessoa física quanto jurídica, embora isto não se veja na prática, e que poderá recair sobre a 
propriedade plena ou outro bem ou direito que enumera como o direito de uso especial para fins de 
moradia e o direito real de uso desde que suscetível de alienação. 
Assim, equipara certas situações ao tratamento dado aos imóveis. 
 
→ Diferentemente do disposto na Lei 4.728/65 acima, já se entendeu que é possível a disposição 
concomitante de nova garantia sobre o mesmo imóvel que incidirá somente sobre a propriedade 
superveniente do fiduciante quando do implemento da condição da primeira garantia, qual seja, o 
pagamento, embora produza efeitos desde a data do seu registro. (Ou seja, ex tunc. - Enunciado 
505, V Jornada) 
 
 
2. MODO DE CONSTITUIÇÃO DA ALIENAÇÃO FIDUCIARIA 
 
2.1 Forma, Formalidade e Efeito do desdobramento da posse: a alienação fiduciária é negócio 
jurídico formal pois deve ser feita por escrito. 
Pode ser feita tanto por instrumento público como particular. 
O legislador aponta os elementos mínimos que devem contero instrumento. (Total da dívida, prazo, 
pagamentos, taxa de juros, descrição da coisa) 
Mas além da forma há um formalismo: o registro que deve ser feito: 
- No CRTD se o bem for móvel; 
- No órgão de trânsito se o bem for veículo; 
- No CRI se o bem for imóvel. 
 
Mas não obstante a exigência do registro, o STJ já decidiu que sua falta afetará a eficácia contra 
terceiro de boa-fé; mas vale entre as partes. 
É dizer, não é requisito de validade, mas de eficácia erga omnes. 3 
Após o registro dá-se a constituição da propriedade fiduciária. 
É nesse momento que se dá o desdobramento da posse. 
A informação deverá aparecer na Certidão de Matricula do Imóvel assim como no Certificado do 
Veículo. 
 
3. DIREITOS E DEVERES 
 
3.1 Fiduciante: (Devedor) 
 
Direitos: 
 
Exercer a posse direta / Adquirir a propriedade futura: em função do desdobramento da posse 
operada, tem o direito de não ser molestado nem mesmo pelo fiduciário, podendo utilizar-se dos 
interditos possessórios. 
Ao final, com o pagamento integral da dívida, tem o direito de adquirir a propriedade com unificação 
da posse pelo constituto possessório e consequentemente registrar a quitação junto ao cartório o que 
se denomina de arquivamento da transferência da propriedade. 
É direito real que pode ser cedido ou transferido aos sucessores. 
O mesmo direito terá aquele que pagar e se sub-rogar. 
 
 
3 SÚMULA 92 - A TERCEIRO DE BOA-FE NÃO E OPONIVEL A ALIENAÇÃO FIDUCIARIA NÃO ANOTADA 
NO CERTIFICADO DE REGISTRO DO VEICULO AUTOMOTOR. Vide também REsp: 686.932. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
21 
Purgar a mora: a ação própria a ser utilizada pelo credor fiduciário é a ação de busca e apreensão 
para reaver a coisa onde estiver. 
Mas neste caso (assim como na Locação), a lei assegura a possibilidade de o devedor fiduciante 
purgar a mora, restituindo a normalidade contratual. 
A mora poderá ser purgada no prazo da liminar. (05 dias, art. 3º, § 2º, Decreto) 
 
 
Receber eventual saldo pela venda do bem: caso o bem seja vendido pelo credor fiduciário para 
satisfação de seu crédito e, caso haja saldo por ultrapassar o valor da dívida, terá ele o direito de 
receber a diferença; do contrário, o credor experimentaria enriquecimento sem causa. 
 
Obrigações: 
 
Diligenciar pela Mantença e Emprego próprio do Bem: deve manter o bem na constância do 
contrato suportando eventuais despesas do uso. Ao mesmo tempo, deverá empregá-lo para o fim 
destinado segundo sua natureza para que possa ser entregue, se for o caso. 
Ex: veiculo empregado para puxar cana quando seria para locação. 
 
Responder pelo remanescente da dívida em caso de insuficiência do valor apurado: significa 
dizer que, se caso vendido o bem não bastar para o pagamento da dívida + consectários (despesas de 
cobrança, juros, honorários) a obrigação se perdurará pelo remanescente. 
 
Não dispor do bem alienado / Entregá-lo ao Fiduciário: não poderá dispor do bem sobre o qual 
recai a garantia pois não é seu. 
Não entregando o bem, será considerado depositário infiel sofrendo os efeitos da mora. (Juros, 
correção, honorários advocatícios e perda da coisa mesmo sem culpa) 
Mas nada impede que ceda seu direito eventual de aquisição do bem levando a registro, o que não 
depende de autorização do credor pois só terá eficácia se houver a consolidação da propriedade. 
 
3.2 Fiduciário: 
 
Direitos: 
 
Vender o bem em caso de inadimplência: para que possa retirar desta venda o valor do seu credito 
+ os acréscimos legais e contratuais entregando eventual saldo ao devedor. 
Se o saldo não bastar, tendo o direito de acioná-lo pelo que falta à base do contrato estabelecido, 
aplicando-se, neste caso, as disposições relativas aos direitos reais de garantia no que for compatível. 
 
Utilizar de ação de busca e apreensão / Pacto Comissório: 
Ação: o credor fiduciário poderá se utilizar somente da ação própria para reaver o bem de sua 
propriedade, neste caso, e que poderá ser convertida em ação de depósito, na medida em que o 
legislador fez a previsão do remédio jurídico para tal fato. 
Pacto Comissório: é a cláusula que permite que o bem para pagamento da dívida pelo 
inadimplemento contratual, fique com o credor. 
O CC proibiu esta pratica, devendo ser considerada nula. 
Ocorrendo inadimplência, resta ao credor promover as medidas judiciais já mencionadas para a venda 
do bem e retirada da parte consistente no credito e eventuais acréscimos. 
Mas a nulidade não alcança o restante do contrato. 
 
Obrigações: 
 
Respeitar a posse direta do devedor fiduciante: deve se abster de molestar a posse direta do 
devedor Fiduciante pelo desdobramento da posse ocorrido, assim como acontece em outros contratos. 
(Ex: locação, comodato) 
Inobservada tal obrigação o fiduciário poderá sofrer interdito e, dependendo a previsão contratual, 
suportar sua resolução. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
22 
 
Responder pelo pagamento dos tributos a partir da data da imissão na posse: deverá assumir a 
responsabilidade dos tributos no caso de reaver o bem a partir da imissão na posse em razão da 
consolidação da propriedade plena ou por outra forma de transferência de propriedade, tais como 
adjudicação ou dação em pagamento. 
Antes disso é o devedor quem responde pelos encargos pela só posse do bem, em função da natureza 
da obrigação. 
 
4. PROCEDIMENTO NO CASO DE INADIMPLEMENTO 
 
4.1 O que deve fazer o credor: se houver mora, pode o credor: 
- Considerar vencidas todas as obrigações contratuais e; 
- Ajuizar a busca e apreensão; 
Nesse caso, a mora se caracterizada pelo não pagamento no vencimento, mas acrescida de Protesto 
do Título ou por Carta Registrada expedida pelo Cartório de Títulos e Documentos. (Art. 2, § 2º do 
Decreto-Lei n. 911/69) 
É ela imprescindível para a utilização da busca e apreensão. 4 
 
4.2 O que acontece após o ajuizamento da ação: deferida a liminar, 5 dias depois ocorre a 
consolidação da propriedade do credor. 
Se o bem for móvel, as repartições competentes deverão expedir novo certificado de registro de 
propriedade ao credor ou a outro por ele indicado. 
Mas dentro desse prazo o devedor ainda pode purgar. 
Além disso, poderá apresentar resposta à ação no prazo de 15 dias. 
 (O valor é o da inicial - Art. 3º, § 1º e 4º do Decreto-Lei n. 911/69) 
 
Da sentença caberá apelação que terá efeito: 
- Devolutivo em caso de procedência; (Pode ocorrer a venda) 
- Devolutivo e Suspensivo no caso de improcedência. 
 
Se a sentença for de improcedência o juiz condenará o credor fiduciário a pagar uma multa ao devedor 
fiduciante de 50% do valor financiado, atualizado, caso o bem já tenha sido alienado. 
Tal multa não exclui a responsabilidade do credor fiduciário por perdas e danos. (Art. 3, § 5º e 7º do 
Decreto-Lei n. 911/69) 
A venda pode ser judicial ou extrajudicial. 
Se o bem não for encontrado o credor poderá requerer a conversão da ação em ação executiva nos 
mesmos autos, nesse caso serão penhorados, a critério do autor da ação, bens do devedor quantos 
bastem para assegurar a execução. (Art. 4, Decreto-Lei n. 911/69) 
 
Prisão: não se admite mais prisão por dívida. 
Falência do devedor: 
 
- Se o devedor já estiver em falência, poderá o credor fiduciário postular a restituição do bem 
diretamente no juízo falimentar não ficando sujeito à habilitação. (Lei 11.101/05, art. 49, § 3º e art. 
85) 
- Se o devedor ainda não estiver em falência quando da efetivação a medida, o processo de busca 
seguirá normalmente, mas de qualquer forma o administrador representará o falido, posteriormente. 
 
➔ Dispositivos relacionados com a matéria. 
 
CAPÍTULO IX 
Da Propriedade Fiduciária 
 
4 Súmula 72 do STJ: A comprovação da mora é imprescindível à busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
23 
Art. 1.361. Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor, 
com escopo de garantia, transfere ao credor.§ 1 o Constitui-se a propriedade fiduciária com o registro do contrato, celebrado por instrumento 
público ou particular, que lhe serve de título, no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do 
devedor, ou, em se tratando de veículos, na repartição competente para o licenciamento, fazendo-se 
a anotação no certificado de registro. 
§ 2 o Com a constituição da propriedade fiduciária, dá-se o desdobramento da posse, tornando-se o 
devedor possuidor direto da coisa. 
§ 3 o A propriedade superveniente, adquirida pelo devedor, torna eficaz, desde o arquivamento, a 
transferência da propriedade fiduciária. 
Art. 1.362. O contrato, que serve de título à propriedade fiduciária, conterá: 
I - o total da dívida, ou sua estimativa; 
II - o prazo, ou a época do pagamento; 
III - a taxa de juros, se houver; 
IV - a descrição da coisa objeto da transferência, com os elementos indispensáveis à sua identificação. 
Art. 1.363. Antes de vencida a dívida, o devedor, a suas expensas e risco, pode usar a coisa segundo 
sua destinação, sendo obrigado, como depositário: 
I - a empregar na guarda da coisa a diligência exigida por sua natureza; 
II - a entregá-la ao credor, se a dívida não for paga no vencimento. 
Art. 1.364. Vencida a dívida, e não paga, fica o credor obrigado a vender, judicial ou 
extrajudicialmente, a coisa a terceiros, a aplicar o preço no pagamento de seu crédito e das despesas 
de cobrança, e a entregar o saldo, se houver, ao devedor. 
Art. 1.365. É nula a cláusula que autoriza o proprietário fiduciário a ficar com a coisa alienada em 
garantia, se a dívida não for paga no vencimento. 
Parágrafo único. O devedor pode, com a anuência do credor, dar seu direito eventual à coisa em 
pagamento da dívida, após o vencimento desta. 
Art. 1.366. Quando, vendida a coisa, o produto não bastar para o pagamento da dívida e das despesas 
de cobrança, continuará o devedor obrigado pelo restante. 
Art. 1.367. A propriedade fiduciária em garantia de bens móveis ou imóveis sujeita-se às disposições 
do Capítulo I do Título X do Livro III da Parte Especial deste Código e, no que for específico, à 
legislação especial pertinente, não se equiparando, para quaisquer efeitos, à propriedade plena de que 
trata o art. 1.231. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 
Art. 1.368. O terceiro, interessado ou não, que pagar a dívida, se sub-rogará de pleno direito no 
crédito e na propriedade fiduciária. 
Art. 1.368-A. As demais espécies de propriedade fiduciária ou de titularidade fiduciária submetem-
se à disciplina específica das respectivas leis especiais, somente se aplicando as disposições deste 
Código naquilo que não for incompatível com a legislação especial. (Incluído pela Lei nº 10.931/04) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art102
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.931.htm#art58
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
24 
Art. 1.368-B. A alienação fiduciária em garantia de bem móvel ou imóvel confere direito real de 
aquisição ao fiduciante, seu cessionário ou sucessor. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) 
Parágrafo único. O credor fiduciário que se tornar proprietário pleno do bem, por efeito de realização 
da garantia, mediante consolidação da propriedade, adjudicação, dação ou outra forma pela qual lhe 
tenha sido transmitida a propriedade plena, passa a responder pelo pagamento dos tributos sobre a 
propriedade e a posse, taxas, despesas condominiais e quaisquer outros encargos, tributários ou não, 
incidentes sobre o bem objeto da garantia, a partir da data em que vier a ser imitido na posse direta 
do bem. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) 
 
DECRETO-LEI Nº 911, DE 1º DE OUTUBRO DE 1969. 
Vide texto compilado 
Altera a redação do art. 66, da Lei nº 4.728, de 14 
de julho de 1965, estabelece normas de processo 
sôbre alienação fiduciária e dá outras 
providências. 
 OS MINISTROS DA MARINHA DE GUERRA, DO EXÉRCITO E DA AERONÁUTICA 
MILITAR, usando das atribuições que lhes confere o artigo 1º do Ato Institucional nº 12, de 31 de 
agôsto de 1969, combinado com o § 1º do art. 2º do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 68 
DECRETAM: 
Art. 1º O artigo 66, da Lei nº 4.728, de 14 de julho de 1965, passa a ter a seguinte redação: 
 (Vide Lei nº 10.931, de 2004) 
"Art. 66. A alienação fiduciária em garantia transfere ao credor o domínio resolúvel e a posse 
indireta da coisa móvel alienada, independentemente da tradição efetiva do bem, tornando-se o 
alienante ou devedor em possuidor direto e depositário com todas as responsabilidades e encargos 
que lhe incumbem de acordo com a lei civil e penal. 
§ 1º A alienação fiduciária somente se prova por escrito e seu instrumento, público ou particular, 
qualquer que seja o seu valor, será obrigatoriamente arquivado, por cópia ou microfilme, no Registro 
de Títulos e Documentos do domicílio do credor, sob pena de não valer contra terceiros, e conterá, 
além de outros dados, os seguintes: 
a) o total da divida ou sua estimativa; 
b) o local e a data do pagamento; 
c) a taxa de juros, os comissões cuja cobrança fôr permitida e, eventualmente, a cláusula penal e a 
estipulação de correção monetária, com indicação dos índices aplicáveis; 
d) a descrição do bem objeto da alienação fiduciária e os elementos indispensáveis à sua identificação. 
§ 2º Se, na data do instrumento de alienação fiduciária, o devedor ainda não fôr proprietário da coisa 
objeto do contrato, o domínio fiduciário desta se transferirá ao credor no momento da aquisição da 
propriedade pelo devedor, independentemente de qualquer formalidade posterior. 
§ 3º Se a coisa alienada em garantia não se identifica por números, marcas e sinais indicados no 
instrumento de alienação fiduciária, cabe ao proprietário fiduciário o ônus da prova, contra terceiros, 
da identidade dos bens do seu domínio que se encontram em poder do devedor. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art102
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art102
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20911-1969?OpenDocument
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0911Compilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4728.htm#art66.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.931.htm#art67
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
25 
§ 4º No caso de inadimplemento da obrigação garantida, o proprietário fiduciário pode vender a coisa 
a terceiros e aplicar preço da venda no pagamento do seu crédito e das despesas decorrentes da 
cobrança, entregando ao devedor o saldo porventura apurado, se houver. 
§ 5º Se o preço da venda da coisa não bastar para pagar o crédito do proprietário fiduciário e despesas, 
na forma do parágrafo anterior, o devedor continuará pessoalmente obrigado a pagar o saldo devedor 
apurado. 
§ 6º É nula a cláusula que autoriza o proprietário fiduciário a ficar com a coisa alienada em garantia, 
se a dívida não fôr paga no seu vencimento. 
§ 7º Aplica-se à alienação fiduciária em garantia o disposto nos artigos 758, 762, 763 e 802 do 
Código Civil, no que couber. 
§ 8º O devedor que alienar, ou der em garantia a terceiros, coisa que já alienara fiduciàriamente em 
garantia, ficará sujeito à pena prevista no art. 171, § 2º, inciso I, do Código Penal. 
§ 9º Não se aplica à alienação fiduciária o disposto no artigo 1279 do Código Civil. 
§ 10. A alienação fiduciária em garantia do veículo automotor, deverá, para fins probatórios, constar 
do certificado de Registro, a que se refere o artigo 52 do Código Nacional de Trânsito." 
Art. 2o No caso de inadimplemento ou mora nas obrigações contratuais garantidas mediante 
alienação fiduciária, o proprietário fiduciário ou credor poderá vender a coisa a terceiros, 
independentemente de leilão, hasta pública, avaliação prévia ou qualquer outra medida judicial ou 
extrajudicial, salvo disposiçãoexpressa em contrário prevista no contrato, devendo aplicar o preço da 
venda no pagamento de seu crédito e das despesas decorrentes e entregar ao devedor o saldo apurado, 
se houver, com a devida prestação de contas. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 
§ 1º O crédito a que se refere o presente artigo abrange o principal, juros e comissões, além das taxas, 
cláusula penal e correção monetária, quando expressamente convencionados pelas partes. 
§ 2o A mora decorrerá do simples vencimento do prazo para pagamento e poderá ser comprovada por 
carta registrada com aviso de recebimento, não se exigindo que a assinatura constante do referido 
aviso seja a do próprio destinatário. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 
§ 3º A mora e o inadimplemento de obrigações contratuais garantidas por alienação fiduciária, ou a 
ocorrência legal ou convencional de algum dos casos de antecipação de vencimento da dívida 
facultarão ao credor considerar, de pleno direito, vencidas tôdas as obrigações contratuais, 
independentemente de aviso ou notificação judicial ou extrajudicial. 
§ 4o Os procedimentos previstos no caput e no seu § 2o aplicam-se às operações de arrendamento 
mercantil previstas na forma da Lei no 6.099, de 12 de setembro de 1974. 
Art. 3o O proprietário fiduciário ou credor poderá, desde que comprovada a mora, na forma 
estabelecida pelo § 2o do art. 2o, ou o inadimplemento, requerer contra o devedor ou terceiro a busca 
e apreensão do bem alienado fiduciariamente, a qual será concedida liminarmente, podendo ser 
apreciada em plantão judiciário. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 
§ 1o Cinco dias após executada a liminar mencionada no caput, consolidar-se-ão a propriedade e a 
posse plena e exclusiva do bem no patrimônio do credor fiduciário, cabendo às repartições 
competentes, quando for o caso, expedir novo certificado de registro de propriedade em nome do 
credor, ou de terceiro por ele indicado, livre do ônus da propriedade fiduciária. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
26 
§ 2o No prazo do § 1o, o devedor fiduciante poderá pagar a integralidade da dívida pendente, segundo 
os valores apresentados pelo credor fiduciário na inicial, hipótese na qual o bem lhe será restituído 
livre do ônus. (Redação dada pela Lei 10.931, de 2004) 
§ 3o O devedor fiduciante apresentará resposta no prazo de quinze dias da execução da liminar. 
§ 4o A resposta poderá ser apresentada ainda que o devedor tenha se utilizado da faculdade do § 2o, 
caso entenda ter havido pagamento a maior e desejar restituição. 
§ 5o Da sentença cabe apelação apenas no efeito devolutivo. 
§ 6o Na sentença que decretar a improcedência da ação de busca e apreensão, o juiz condenará o 
credor fiduciário ao pagamento de multa, em favor do devedor fiduciante, equivalente a cinqüenta 
por cento do valor originalmente financiado, devidamente atualizado, caso o bem já tenha sido 
alienado. (Redação dada pela Lei 10.931, de 2004) 
§ 7o A multa mencionada no § 6o não exclui a responsabilidade do credor fiduciário por perdas e 
danos. 
§ 8o A busca e apreensão prevista no presente artigo constitui processo autônomo e independente de 
qualquer procedimento posterior. (Incluído pela Lei 10.931, de 2004) 
§ 9o Ao decretar a busca e apreensão de veículo, o juiz, caso tenha acesso à base de dados do Registro 
Nacional de Veículos Automotores - RENAVAM, inserirá diretamente a restrição judicial na base de 
dados do Renavam, bem como retirará tal restrição após a apreensão. 
§ 10. Caso o juiz não tenha acesso à base de dados prevista no § 9o, deverá oficiar ao departamento 
de trânsito competente para que: (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) 
I - registre o gravame referente à decretação da busca e apreensão do veículo; e 
II - retire o gravame após a apreensão do veículo. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) 
§ 11. O juiz também determinará a inserção do mandado a que se refere o § 9o em banco próprio de 
mandados. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) 
§ 12. A parte interessada poderá requerer diretamente ao juízo da comarca onde foi localizado o 
veículo com vistas à sua apreensão, sempre que o bem estiver em comarca distinta daquela da 
tramitação da ação, bastando que em tal requerimento conste a cópia da petição inicial da ação e, 
quando for o caso, a cópia do despacho que concedeu a busca e apreensão do veículo. 
§ 13. A apreensão do veículo será imediatamente comunicada ao juízo, que intimará a instituição 
financeira para retirar o veículo do local depositado no prazo máximo de 48 (quarenta e oito) horas. 
§ 14. O devedor, por ocasião do cumprimento do mandado de busca e apreensão, deverá entregar o 
bem e seus respectivos documentos. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) 
§ 15. As disposições deste artigo aplicam-se no caso de reintegração de posse de veículos referente 
às operações de arrendamento mercantil previstas na Lei no 6.099, de 12 de setembro de 1974. 
Art. 4o Se o bem alienado fiduciariamente não for encontrado ou não se achar na posse do devedor, 
fica facultado ao credor requerer, nos mesmos autos, a conversão do pedido de busca e apreensão em 
ação executiva, na forma prevista no Capítulo II do Livro II da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 
- Código de Processo Civil. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.931.htm#art56
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.931.htm#art56
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.931.htm#art56
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
27 
Art. 5o Se o credor preferir recorrer à ação executiva, direta ou a convertida na forma do art. 4o, ou, 
se for o caso ao executivo fiscal, serão penhorados, a critério do autor da ação, bens do devedor 
quantos bastem para assegurar a execução. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 
Parágrafo único. Não se aplica à alienação fiduciária o disposto nos incisos VI e VIII do Art. 649 do 
Código de Processo Civil. (Redação dada pela Lei nº 6.071, de 1974) 
Art. 6º O avalista, fiador ou terceiro interessado que pagar a dívida do alienante ou devedor, se sub-
rogará, de pleno direito no crédito e na garantia constituída pela alienação fiduciária. 
Art. 6o-A. O pedido de recuperação judicial ou extrajudicial pelo devedor nos termos da Lei no 
11.101, de 9 de fevereiro de 2005, não impede a distribuição e a busca e apreensão do bem. 
Art. 7º Na falência do devedor alienante, fica assegurado ao credor ou proprietário fiduciário o direito 
de pedir, na forma prevista na lei, a restituição do bem alienado fiduciàriamente. 
Parágrafo único. Efetivada a restituição o proprietário fiduciário agirá na forma prevista neste 
Decreto-lei. 
Art. 7o-A. Não será aceito bloqueio judicial de bens constituídos por alienação fiduciária nos termos 
deste Decreto-Lei, sendo que, qualquer discussão sobre concursos de preferências deverá ser 
resolvida pelo valor da venda do bem, nos termos do art. 2o. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) 
Art. 8º O Conselho Nacional de Trânsito, no prazo máximo de 60 dias, a contar da vigência do 
presente Decreto lei, expedirá normas regulamentares relativas à alienação fiduciária de veículos 
automotores. 
Art. 8o-A. O procedimento judicial disposto neste Decreto-Lei aplica-se exclusivamente às hipótesesda Seção XIV da Lei no 4.728, de 14 de julho de 1965, ou quando o ônus da propriedade fiduciária 
tiver sido constituído para fins de garantia de débito fiscal ou previdenciário. (Incluído pela Lei 
10.931, de 2004) 
Art. 9º O presente Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, aplicando-se desde logo, 
aos processos em curso, revogadas as disposições em contrário. 
 Brasília, 1 de outubro de 1969; 148º Independência e 81º da República. 
 
LEI Nº 4.728, DE 14 DE JULHO DE 1965 
Texto compilado 
Mensagem de veto 
(Vide Decreto-lei nº 1.980, de 1982) 
(Vide Decreto-lei nº 1.986, de 1982) 
(Vide Decreto-lei nº 1.401, de 1975) 
Disciplina o mercado de capitais e estabelece 
medidas para o seu desenvolvimento. 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono 
a seguinte Lei: 
SEÇÃO I 
Atribuições dos órgãos administrativos 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1937-1946/Del1608.htm#art649
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1937-1946/Del1608.htm#art649
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1937-1946/Del1608.htm#art649
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6071.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art101
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4728.htm#secaoiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.931.htm#art8a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.931.htm#art8a
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%204.728-1965?OpenDocument
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4728compilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/MSG/VepL4728-65.pdf
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1986.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1401.htm#art1
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
28 
Art. 1° Os mercados financeiro e de capitais serão disciplinados pelo Conselho Monetário Nacional 
e fiscalizados pelo Banco Central da República do Brasil. 
Art. 2º O Conselho Monetário Nacional e o Banco Central exercerão as suas atribuições legais 
relativas aos mercados financeiro e de capitais com a finalidade de: 
Art. 3º Compete ao Banco Central: 
 
SEÇÃO II 
Sistema de distribuição no mercado de capitais 
Art. 5º O sistema de distribuição de títulos ou valôres mobiliários no mercado de capitais será 
constituído: 
SEÇÃO III 
Acesso aos mercados financeiro e de capitais 
Art. 16. As emissões de títulos ou valôres mobiliários sòmente poderão ser feitas nos mercados 
financeiro e de capitais através do sistema de distribuição previsto no art. 5°. 
SEÇÃO IV 
Acesso de emprêsas de capital estrangeiro ao sistema financeiro nacional 
Art. 22. Em períodos de desequilíbrio do balanço de pagamentos, reconhecidos pelo Conselho 
Monetário Nacional, o Banco Central, ao adotar medidas de contenção do crédito, poderá limitar o 
recurso ao sistema financeiro do País, no caso das emprêsas que tenham acesso ao mercado financeiro 
internacional. 
SEÇÃO V 
Obrigações com cláusula de correção monetária 
Art. 26. As sociedades por ações poderão emitir debêntures, ou obrigações ao portador ou 
nominativas endossáveis, com cláusula de correção monetária, desde que observadas as seguintes 
condições: 
SEÇÃO VI 
Ações e obrigações endossáveis 
Art. 32. As ações de sociedades anônimas, além das formas nominativas e ao portador, poderão ser 
endossáveis. 
SEÇÃO VII 
Debêntures conversíveis em ações 
Art. 44. As sociedades anônimas poderão emitir debêntures ou obrigações, assegurando aos 
respectivos titulares o direito de convertê-las em ações do capital da sociedade emissora. 
SEÇÃO VIII 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
29 
Sociedades anônimas de capital autorizado 
Art. 45. As sociedades anônimas cujas ações sejam nominativas, ou endossáveis, poderão ser 
constituídas com capital subscrito inferior ao autorizado pelo estatuto social. 
SEÇÃO IX 
Sociedades e fundos de investimento 
Art. 49. Depende de prévia autorização do Banco Central o funcionamento das sociedades de 
investimento que tenham por objeto: (Vide Decreto-lei nº 1.338, de 1974) (Vide 
Decreto-lei nº 2.469, de 1988) 
 
SEÇÃO X 
Contas Correntes Bancárias 
Art. 51. Os bancos e casas bancárias que devolvem aos seus depositantes os cheques por êstes 
sacados, depois de liquidados, poderão fazer prova da movimentação das respectivas contas de 
depósito mediante cópia fotográfica ou microfotográfica dos cheques devolvidos, desde que 
mantenham êsse serviço de acôrdo com as normas de segurança aprovadas pelo Banco Central. 
 
SEÇÃO XI 
Tributação de rendimentos de títulos de crédito e ações 
SEÇÃO XII 
Da alienação de ações das sociedades de economia mista 
Art. 60. O Poder Executivo poderá promover a alienação de ações de propriedade da União 
representativas do capital social de sociedades anônimas de economia mistas, mantendo-se 51% 
(cinqüenta e um por cento) no mínimo, das ações com direito a voto, das emprêsas nas quais deva 
assegurar o contrôle estatal. (Redação dada pela Lei nº 5.710, de 07.10.1971) 
SEÇÃO XIII 
Das Sociedades Imobiliárias 
Art. 62. As sociedades que tenham por objeto a compra e venda de imóveis construídos ou em 
construção, a construção e venda de unidades habitacionais, a incorporação de edificações ou 
conjunto de edificações em condomínio e a venda de terrenos loteados e construídos ou com a 
construção contratada, quando revestirem a forma anônima, poderão ter o seu capital dividido em 
ações nominativas ou nominativas endossáveis. (Vide Lei 6.404, de 1976) 
 
Seção XIV 
Alienação Fiduciária em Garantia no 
Âmbito do Mercado Financeiro e de Capitais 
(Incluído pela Lei 10.931, de 2004) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1338-74.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del2469.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del2469.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5710.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm#art292
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.931.htm#art55
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
30 
Art. 66-B. O contrato de alienação fiduciária celebrado no âmbito do mercado financeiro e de 
capitais, bem como em garantia de créditos fiscais e previdenciários, deverá conter, além dos 
requisitos definidos na Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, a taxa de juros, a 
cláusula penal, o índice de atualização monetária, se houver, e as demais comissões e 
encargos. 
Brasília, 14 de julho de 1965; 144º da Independência e 77º da República. 
H. CASTELLO BRANCO 
Presidente da República 
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 16.7.65 e retificado em 16.8.1965. 
 
21 – SUPERFÍCIE 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Art. 1.369. O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu 
terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório 
de Registro de Imóveis. 
Parágrafo único. O direito de superfície não autoriza obra no subsolo, salvo se for inerente ao 
objeto da concessão. 
 
1.1 Compreensão / Histórico / Vantagem: trata-se de uma concessão dada a alguém pelo titular de 
um terreno para que este usufrua do bem através de construção ou plantação e para que retire um 
benefício patrimonial com restituição oportuna do terreno. 
Tem origem Romana (o Estado permitia a exploração de suas terras por pagamento) 
No Brasil, havia a enfiteuse utilizada com identifico propósito. 
O Estatuto da Terra fazia a previsão do instituto. 
O CC/2002 disciplinou inteiramente a matéria. 
Derrogou o Estatuto e aboliu a chamada Enfiteuse. 
Vantagem: permitiu uma melhor e mais amplautilização da coisa. 
Se o proprietário não quiser ou não puder explorá-la poderá permitir que outrem o faça sem perder 
sua propriedade, cumprindo-se a função social. 
Ex: “A” cede seu terreno para “B” para que construa pousada ou plante. 
 
2. A SUPERFÍCIE 
 
2.1 Natureza / Objeto: trata-se de um direito real de gozo ou fruição sobre coisa alheia, previsto 
expressamente pelo CC. 
Aproxima-se de outros institutos (locação, usufruto, arrendamento, parceria, etc.), mas com eles 
não se confunde. 
- A superfície é direito real; os outros obrigacionais. 
- A superfície se dá sobre terrenos exclusivamente; os demais não. 
Poderá ser gratuita ou onerosa. 
(Se onerosa o pagamento será periódico ou de uma só vez, conforme o pactuado) 
Tal pagamento recebe o nome de solidaruim ou cânon superficiário. 
Objeto: recai somente sobre terreno não edificado ou construído, salvo se for estipulada a demolição 
ou erradicação da plantação de forma prévia. 
 
3. ESTRUTURA 
 
3.1 Partes / Sobrelevação: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/Ret/RetL4728-65.pdf
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
31 
 
Concedente: o proprietário que cede o terreno, temporariamente. 
Concessionário: aquele que recebe o direito real de exploração. É o titular do direito de superfície. 
Por isso é chamado de superficiário. (Pode ser um ou mais titulares) 
O que não se permite é a Sobrelevação. A Sobrelevação é a transferência da titularidade para terceiro. 
 (Superfície em segundo grau – Equivalente à sublocação: permitida pelo locador) 
Somente o superficiário é que pode retirar proveito da coisa. 
(Pode construir, plantar, alugar, vender, hipotecar para obter recursos, etc.) 
 
4. ABRANGÊNCIA 
 
4.1 Tempo / Extensão do solo: o CC só admite a superfície por tempo determinado, embora o prazo 
possa ser fixado livremente pelas partes. 
Não se autoriza a exploração do subsolo, salvo se inerente ao objeto. 
Ex: construção de prédio com fundação profunda ou estacionamento. 
Não se trata de uma transmissão definitiva. (Do contrário seria compra e venda) 
Por ela surge uma propriedade resolúvel. (Pôr termo ou condição) 
Ex: sucessão causa morts. 
Quanto ao espaço aéreo, o dispositivo nada fala. 
Entende-se que se admite, já que faz parte do solo 
 
5. MODO DE CONSTITUIÇÃO E DE SUA TRANSFERÊNCIA 
 
5.1 Forma e Solenidade: se dá através de escritura pública. 
Lavra-se no CRTD e registra-se no CRI; daí a solenidade. 
Pode resultar de Carta de Sentença extraída de acordo homologado, assim como pode resultar de 
Testamento. 
Mas de qualquer forma deverá haver a escritura registrada. 
Então extrai-se o formal de partilha ou a Carta e se leva a registro. 
 
5.2 Usucapião: controvertida e de difícil possibilidade. 
Embora se sustente ser difícil a ideia de se aceitar uma posse circunscrita à construção ou à plantação 
(sem considera-la abrangente do solo), é certo que alguém possa, sabedora da existência da 
superfície sem posse atual, tornar-se possuidor do direito de superfície, sem que tenha animus domini 
em relação ao solo propriamente dito. 
 
5.3 Modos de transferência: são dois: 
 
Inter vivos: terceiro. (Cessão de Direitos) 
Causa Morts: herdeiros. (Sucessão) 
 
Mas fica vedado estipular qualquer pagamento pela transmissão da superfície por expressa disposição 
legal. (Eventual cláusula será nula) 
Diferente do que acontece com a enfiteuse já instituída. 
O proprietário ou senhorio recebe laudêmio toda vez que se transfere, a título oneroso, o domínio 
útil da coisa. (Em porcentagem na Enfiteuse) 
 
6. DIREITO DE PREFERÊNCIA 
 
Art. 1.373. Em caso de alienação do imóvel ou do direito de superfície, o superficiário ou o 
proprietário tem direito de preferência, em igualdade de condições. 
 
6.1 Hipótese: estabelece o artigo o direito de preferência em igualdade de condições em caso de 
alienação pelo proprietário ou pelo superficiário. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
32 
É o chamado direito de preferência recíproco. 
Se o proprietário alienar o imóvel, o superficiário terá preferência. 
Se o superficiário alienar o direito real, o proprietário terá preferência. 
Mas nada impede que possa haver transação ou renúncia desta. 
Trata-se de direito patrimonial disponível. 
 
7. EXTINÇÃO DO DIREITO DE SUPERFÍCIE 
 
7.1 Pelo advento do Termo: no Brasil, só é possível se estabelecer a superfície por tempo 
determinado, embora firmado exclusivamente pelas partes. 
Então, vencido o termo, extingue-se automaticamente a superfície. 
 
7.2 Por Desvio de Finalidade: isso acontece se o superficiário der ao terreno destinação diversa 
daquela descrita na Escritura. 
Ex: o direito é para construir, mas o titular aluga para estacionamento. 
Ex: o direito é para plantar, mas o titular utiliza para depósito de materiais. 
 
7.3 Pela Desapropriação: a desapropriação é a retirada involuntária do domínio do bem imóvel que 
ocorre pela administração pública. 
Se atinge o proprietário, logicamente atinge o superficiário. 
O interesse público se sobrepõe aos interesses particulares. 
A quem cabe a indenização? 
A ambos: ao proprietário pelo valor do terreno e ao outro pelo valor da construção ou plantação; é 
dizer, do valor do direito real. 
 
7.4 Extinção e o valor empregado na superfície: a superfície implica em investimento pelo 
superficiário que resulta em acréscimo no bem imóvel. 
Esse, em regra, fica com o proprietário. (Incorpora no imóvel) 
Mas se houver estipulação em contrário, deverá haver indenizar. 
Assim, o proprietário tem a expectativa de receber a coisa melhor. 
Mas tal expectativa se afasta se houver ajuste em contrário. 
Encargos ou Tributos: se na vigência da superfície são de responsabilidade do superficiário. (Nada 
obsta renúncia ou transação – Direitos disponíveis) 
 
➔ Dispositivos relacionados com a matéria 
 
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. 
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, 
determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei. 
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios 
jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre 
imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. 
Art. 1.225. São direitos reais: II - a superfície; 
Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se 
adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), 
salvo os casos expressos neste Código. 
Art. 1.370. A concessão da superfície será gratuita ou onerosa; se onerosa, estipularão as partes se o 
pagamento será feito de uma só vez, ou parceladamente. 
Art. 1.371. O superficiário responderá pelos encargos e tributos que incidirem sobre o imóvel. 
Art. 1.372. O direito de superfície pode transferir-se a terceiros e, por morte do superficiário, aos 
seus herdeiros. Parágrafo único. Não poderá ser estipulado pelo concedente, a nenhum título, qualquer 
pagamento pela transferência. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
33 
Art. 1.374. Antes do termo final, resolver-se-á a concessão se o superficiário der ao terreno destinação 
diversa daquela para que foi concedida. 
Art. 1.375. Extinta a concessão, o proprietário passará a ter a propriedade plena sobre o terreno, 
construção ou plantação, independentemente de indenização, se as partes não houverem estipulado o 
contrário. 
Art. 1.376. No caso de extinção do direito de superfície em consequência de desapropriação, a 
indenização cabe ao proprietário e ao superficiário, no valor correspondente ao direito real de cada 
um. 
Art. 1.377. O direito de superfície, constituído por pessoa jurídica de direito público interno, rege-se 
por este Código, no que não for diversamentedisciplinado em lei especial. 
 
 
22 – SERVIDÕES 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Quando se fala em Servidão / Conceito: nós tratamos anteriormente da passagem forçada no 
ponto de direito de vizinhança – em certa situação pessoas que são proprietários ou possuidores tem 
necessidade de passar pelo prédio do outro vizinho próximo, tem o direito de fazer isso de forma 
voluntaria ou através de ação. Fala-se em servidão toda vez que for possível verificar que um prédio 
seria melhor utilizado se observado as vantagens oferecidas do outro prédio, embora este outro prédio 
faça sofrer certa restrição na medida que divide essas vantagens. Exemplo: A percebe que teria maior 
facilidade de transito se passasse pelo prédio. Se estabelece sobre prédio, não pessoa. Por que 
servidão? Pois é uma relação jurídica de sujeição sob prédios, é conhecida como: predial pois ocorre 
entre prédios em sentido de utilização de prédios; e real por que essa servidão faz surgir uma situação 
jurídica entre a coisa e a pessoa titular da coisa, que nada mais é um direito real, a servidão é um 
direito real (situação jurídica estabelecida entre uma pessoa e uma coisa). 
Servidão é um Ônus real imposto ao um prédio (serviente) em função de outro prédio (dominante) de 
forma consensual de maneira em que o primeiro aceita perder ou ceder parte de suas facilidades em 
favor do segundo tornando o mais útil e agradável. 
 
1.2 Distinção entre Passagem Forçada e Servidão de Passagem: 
1 - passagem forçada é um direito real baseado na necessidade, exemplo a necessidade de transito, só 
consegue chegar a propriedade se passar pela do vizinho; agora servidão também é direito real, mas 
baseado na comodidade, até tem outra possibilidade chegar aonde quero, mas é mais cômodo esse 
caminho. 
2 - passagem forçada decorre da vontade/imposição da lei, prevista no código civil como direito, é 
uma norma coativa, geral, que beneficia aquele que encontra em estado de necessidade; servidão 
decorre a partir de um contrato ou testamento, é voluntaria, é um acordo entre partes ou disposição 
unilateral. 
3 - passagem forçada dispensa registro público, se efetiva de qualquer forma, pode registrar mais não 
necessita; a servidão exige registro, só se efetiva com registro, ela reclama registro, não há servidão 
sem registro 
4 – em ambas pode haver necessidade de ação por conta de descumprimento, a ação proposta na 
passagem forçada é a ação judicial de passagem forçada, enquanto que na servidão utiliza a ação 
confessória. 
5 – na passagem forçada há o prédio serviente e prédio encravado e na servidão há prédio serviente e 
o prédio dominante. Serviente é aquele que vai servir a necessidade/comodidade do outro. Encravada 
na passagem forçada é aquele que necessita passar pelo outro e dominante na servidão é aquele que 
domina a situação tem a comodidade de passar e utilizar a propriedade alheia. 
6 – passagem forçada é chamada de servidão ilegal e servidão de servidão predial. Não é correto 
colocar servidão de passagem pois isso é uma modalidade. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
34 
 
1.3 Formas de exercício da servidão: 
 
Servidão de Trânsito: mais conhecida e utilizada. Também conhecida como servidão de passagem, 
é uma servidão que permite ao titular de um prédio/imóvel adentre o prédio alheio, não é para ficar 
lá, simplesmente passar pelo prédio alheio, me servir da possibilidade transito, exemplo: A 
convenciona com B que poderá passar com seus veículos na sua propriedade (nesse exemplo é uma 
convenção por comodidade, mas se fosse o único jeito seria passagem forçada diante de uma 
necessidade). 
 
Servidão de Aqueduto: reflete a necessidade da passagem de agua de um prédio para outro, existe 
a necessidade que alguém que tenha prédio passa uma tubulação de agua em prédio para chegar a 
determinado local, exemplo: A convenciona com B que deixe passar uma tubulação de agua pela 
propriedade deste para que o gado utilize dela. 
 
Servidão de Iluminação: serve para ventilação também. É a servidão pela qual se impede que o 
prédio servente faça edificações de maneira a obstruir a luz ou ar de outro prédio que se chama 
dominante. Partes acordam que o prédio seja construído sem obstruir a luz/ventilação. Cria uma 
obrigação negativa, de não fazer. 
 
Servidão de Pastagem: permite que os animais do prédio dominante entrem no prédio alheio 
serviente e além disso possam pastar. 
 
Servidão de não construir a certa altura: ela se caracteriza pelo fato de que há um acordo entre as 
partes - prédio serviente e dominante, no sentido que um não pode construir em certa altura para não 
prejudicar a vista, paisagem do outro prédio. 
 
2. CARACTERÍSTICAS 
 
2.1 Obrigação de não fazer / adere ao imóvel: significa dizer que uma vez estabelecida a servidão 
ela carrega uma obrigação ao proprietário/titular do prédio serviente a uma obrigação de abstenção, 
de não fazer, o titular do prédio serviente de agora a diante terá que suportar o exercício da servidão 
sob seu bem, não perde o domínio, há uma obrigação pessoal e um direito real juntos. Obrigação 
mista “propter rem” própria da coisa, essa obrigação adere ao prédio, se transmite no caso de 
alienação, caminha com a coisa, ambulatória. 
2.2 Duração indefinida: em regra quando as partes firmam uma servidão ela vai durar enquanto ela 
não for extinta por uma causa legal, ainda que for alienada, em regra é perpetua. É possível fazer por 
prazo determinado, termo certo, só que nesse caso temos um direito pessoal e não um direito real 
propriamente dito, um mero contrato, em caso de desavença será resolvido entre as partes, será uma 
mera relação pessoal. 
2.3 Indivisibilidade: que uma vez estabelecida a servidão ela é uma, não se adquire e nem se perde 
por partes. Ela grava o bem em sua totalidade assim permanece ainda que o prédio seja dividido, 
exemplo: hipoteca, grava o bem por inteiro. Se a servidão é posta sob um prédio ela é colocada sob o 
todo mesmo que seja desmembrado, ela pode ser reclamada por um todo. Está estabelecida sob o 
prédio e não sob pessoas. 
2.4 Inalienabilidade: se funda na comodidade de um prédio sobre outro, não se pode aceitar a 
transferência para outra pessoa que não seja a mesma que institui a servidão. Não se pode transferir 
a servidão estabelecida, não pode se estender, criar outra servidão. Embora se transmita ela não é 
alienável. De uma servidão não sai outra. 
2.5 Utilidade ao prédio dominante: servidão deve trazer uma vantagem ao prédio dominante em 
função do prédio serviente. 
3. CLASSIFICAÇÃO DAS SERVIDÕES 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
35 
 
3.1 Continuas e Descontinuas / Positivas e Negativas: continuas são assim chamadas quando são 
exercidas de forma ininterruptas, não para uma vez estabelecida (ex. aquedutos de agua); descontinua 
é quando o exercício desse direito real se dá com uma atuação eventual do ser humano, embora tenha 
direito contínuo, essa servidão se apresenta com exercício descontínuo (ex. servidão de transito); 
positiva quando confere ao prédio dominante poder de pratica de um ato do prédio serviente (ex. 
atuação de passagem), negativa dever de abstenção do prédio serviente (ex. não obstruir o ar/luz) 
3.2 Aparente e não Aparente: aparentes levando em consideração a visibilidade, são aquelas que se 
manifestam por obras exteriores; as não parentes são aquelas que embora existam não aparecem aos 
olhos do observador (não construir a determinado altura, não esta vendo, pois não construiu, existe 
mais não é aparente) 
3.3 Urbanas e Rústicas: leva em consideração a localização dos prédios aonde se da a servidão. 
Urbanas são aquelas que recaem sobre prédios urbanos, ou seja, prédios localizados na zona urbana, 
exemplo, escoar a água, luz, janela, não abrir janela a certa altura. E rústica são aquelas que recaem 
sobre prédios rústicos, que se localizam na zona rural. Em termos de servidão não muda, mas 
legislação sim, se rústico usa estatutoda terra de urbano lei da locação. 
 
4. MODOS DE CONSTITUIÇÃO 
 
Art. 1.378. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante, e grava o prédio serviente, 
que pertence a diverso dono, e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários, ou por 
testamento, e subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
 
Art. 1.379. O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente, por dez anos, nos termos 
do art. 1.242, autoriza o interessado a registrá-la em seu nome no Registro de Imóveis, valendo-
lhe como título a sentença que julgar consumado a usucapião. 
Parágrafo único. Se o possuidor não tiver título, o prazo da usucapião será de vinte anos. 
 
4.1. Hipóteses: o instituto da servidão se opera de materializa através dos meios indicados pelo 
legislados/jurisprudências. Se dá tanto por atos/negócios jurídicos inter vivos como causa mortes – 
nos ambos casos/modos de criação de servidão seguem aqueles títulos como pressupostos da 
aquisição desse direito real que se chama servidão, ou seja, são mecanismos pelos quais é possível se 
criar uma servidão, não fizeram nascer, mas são instrumentos. A servidão opera por um desses 
caminhos, mas só vai nascer a partir do momento do registro. Antes se tem um mero direito pessoal, 
a partir do momento que se leva esse direito pessoal a registro surge a servidão, consequência disso 
é que ela deve ser provada por quem alega tê-la, na dúvida se não provar entende-se por sua não 
existência. 
Testamento: instituto de elemento sucessório, disposição de última vontade, em geral sob seu 
patrimônio para que tenha efeito após sua morte. Alcança outros institutos como reconhecimento de 
um filho. Neste caso o legislador faz referência de testamento para gerar servidão, o testamento aqui 
feito é feito para tratar de servidão. Não pode fazer servidão por codicilo, legislador se refere apenas 
testamento. O terceiro só faz uso da servidão após a morte 
Contrato: “declaração expressa das partes” contrato é o primeiro modo, o mais simples e comum de 
fazer uma servidão, no contrato se faz a convergência do contrato das partes no sentido da servidão, 
se chama contrato de servidão. Estamos diante de um caso de contrato inominado e atípico, sem 
regras especificas denominadas pelo legislador, usa-se as regaras de teoria geral dos contratos, só 
nasce com o registro. Esse contrato pode ser feito de forma gratuita (tanto instrumento público como 
privado) ou onerosa (segue as regras do art. 108 CC – alienação genérica de bem imóvel, precisa 
leva-lo a registro para constituis a servidão). Em caso de contrato deve se levar em consideração a 
capacidade genérica e específica das partes. 
Usucapião: o CC fez a previsão da possibilidade de se adquirir servidão através de usucapião, 
usucapião é uma forma de adquirir qualquer outro direito real (limitados), não apenas o direito real 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
36 
pleno (propriedade). “Servidões aparentes e contínuas”, a princípio quando legislador trata da 
possibilidade de servidão por usucapião ele diz das aparentes e continuas, pressupõe que existe a 
visibilidade e publicidade. A aquisição será ordinária quando houver justo título, posse continua por 
período de 10 anos; extraordinária é sem justo titulo posse continua num período de 20 anos – nesses 
dois casos a sentença que declara que o sujeito adquiriu a usucapião seguindo todos os requisitos ele 
demonstrou ao juiz que tem direito a servidão, ele deve levar a sentença a registro no CRI para criar 
a servidão. A princípio as servidões não aparentes ou não contínuas não levavam a servidão por 
usucapião, mas a passar do tempo a jurisprudência foi afirmando que mesmo não sendo essas, como 
exemplo servidão de transito que usa de vez em quando, pode gerar usucapião, desde que seja provado 
o uso dessa atividade por todos os meios de prova - súmula 415 STF, possibilita o reconhecimento 
de usucapião mesmo que não se apresente de forma aparente e continua. 
Por sentença proferida em ação de divisão: ação de divisão é quando há muitos coproprietários sob 
determinado bem, essa copropriedade pode incidir sob o bem de forma indivisa ou divisa. Ação de 
divisão é a ação judicial pela qual o condômino de coisa indivisa pretende a divisão dessa coisa de 
forma forçada em razão da resistência dos outros proprietários. Há outra ação chamada de demarcação 
dentro do direito de vizinhança é aquela pela qual os vizinhos pretendem fixar limites da sua 
propriedade fazer surgir as divisões apagadas – essas ações podem ser cumuladas primeiro a 
demarcação e depois divisão. É possível que dentro dessas ações o juiz verifica no caso concreto, 
devidamente postulado pelo autor, que ao fazer a demarcação/divisão do bem visualize a hipótese 
que aquele que ficou com determinada porção tenha dificuldade de acesso a algum local da sua 
propriedade, ele visualiza uma melhor maneira de adequação a esse acesso, ele declara na sentença 
que o sujeito tem direito de passagem na propriedade do outro, direito de servidão imposto por 
sentença. Precisa analisar se o juiz verificou necessidade – passagem forçada; ou comodidade – 
servidão. Se for passagem forçada não precisa de registro, se tratar de uma servidão precisa de 
registro. 
Por destinação do proprietário: ocorre quando atos praticados por ele acaba criando uma servidão 
que não se encaixa nem no testamento nem no contrato, acontece quando o proprietário a principio 
estabelece a serventia, nada mais e que uma facilidade que o proprietário estabelece dentro do seu 
próprio prédio/imóvel ou de um prédio ao outro desde que ambos sejam de sua propriedade. Quando 
se tem um só proprietário não se pode falar de servidão para ele mesmo, nesse caso se fala de 
serventia. Com muda de serventia para servidão? quando se faz uma alteração nessas duas formas de 
serventia - mesmo prédio, se houver desmembramento, por exemplo, para vender, e justamente a 
parte vendida é aquela que havia facilidade para o outro prédio, aquilo que era uma mera serventia, 
servia para a mim, sem relevância jurídica, se tornou uma servidão, não houve contrato, testamento, 
só alienou parte do imóvel, a parte que tem a servidão que servia a mim, serve a outra pessoa. O 
proprietário pode entrar com ação que volte a servidão para ele, pois ele havia uma serventia que se 
tornou servidão. 
 
5. REGRAS SOBRE O EXERCÍCIO DAS SERVIDOES 
 
5.1 Obras necessárias a conservação e uso: a quem cabe essas obras de conservação para que a 
servidão continue? Em regra, cabe ao titular do prédio dominante, pois é quem está utilizando dessa 
facilidade, exemplo: cuidar de eventuais erosões em caso de servidão de passagem, pastagem e etc. 
Caso tenha algum empecilho, tanto do prédio serviente como de terceira pessoa, a ação que pode o 
titular do prédio dominando usar é a ação possessória, pois tem posse legitima por conta da servidão. 
5.2 Obrigação de incomodar o mínimo possível: prédio dominante é quem tem direito real de gozar 
e usufruir da servidão, diz respeito ao objeto de servidão, deve se analisar bem a espécie de servidão 
que se trata. O fato de poder usufruir não significa dizer que pode fazer mal-uso dessa servidão, pode 
sofrer uma ação possessória do titular do prédio serviente e até ter que indeniza-lo se causar prejuízo. 
5.3 Abandono do prédio em favor do prédio dominante: o caso em que o custeio dessas obras de 
conservação ficar por conta do dono do prédio serviente e ele não quiser fazer esse custeio, o código 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
37 
fala que ele pode abandonar a servidão em favor do prédio dominante, nesse caso o dono do prédio 
dominante terá que custear sozinho e receber em troca a faixa onde esta descrito a servidão. Não 
significa dizer que ele está abandonando a propriedade, está abandonando tão somente a utilidade 
daquela faixa onde está instituída a servidão, perde somente ela – não ficou bem esclarecido, vários 
entendimentosArt. 1.382. Quando a obrigação incumbir ao dono do prédio serviente, este poderá exonerar-se, 
abandonando, total ou parcialmente, a propriedade ao dono do dominante. 
Parágrafo único. Se o proprietário do prédio dominante se recusar a receber a propriedade do 
serviente, ou parte dela, caber-lhe-á custear as obras. 
 
5.4 Respeito ao livre exercício: o prédio serviente, se já permitiu a servidão, não pode praticar atos 
contrários ao exercício dessa servidão. Exemplo: permitir servidão sobre aquedutos, mas restringir 
posteriormente horários para utilizar. Vale pros dois, quem utiliza a servidão também não pode 
praticar atos que venham a estender essa servidão, exemplo: permissão de passagem, permite que a 
pessoa passe por uma faixa, mas posteriormente a pessoa começa a passar com caminhão, está 
exorbitando o direito de servidão. Quem pode mais, pode menos, se foi convencionado mais não pode 
restringir fazer menos. 
5.5 Remoção: eventual da servidão, é possível que o local da servidão seja mudado em princípio, 
tanto pelo prédio serviente quanto pelo dominante. O dono do serviente pode mudar o local da 
servidão desde que seja das suas custas e não implique na perca da vantagem obtida pelo prédio 
dominante, se não está violando a servidão e o dono do dominando poderá usar ações contra o 
serviente. O dono do dominante pode alterar o local servidão desde que seja da suas custas e desde 
que isso não venha a prejudicar o prédio serviente no caso de aumento de utilidade, não pode com 
essa mudança aumentar o que é imposto ao prédio serviente, se não mudar nada, significa que pode 
fazer – objetivo do legislador é evitar que haja perca do objeto da servidão, sem mudar a estrutura da 
servidão. 
 
6. AÇÕES QUE PROTEGEM AS SERVIDÕES 
 
Usucapião: é cabível nos casos de servidão, pois sabemos que a servidão também pode ser adquirida 
por ação de usucapião, e em geral está baseada no exercício incontestado e contínuo de uma servidão 
aparente, pelo prazo mínimo de 10 anos. Não obstante quando se fala de usucapião para obter servidão 
a jurisprudência tem admitindo caso de servidão não aparentes e descontinuas, desde comprovo esse 
uso. Essa ação de usucapião pode ser proposta quando esse exercício incontestado se dá em um 
período mínimo de 10 anos chamado usucapião ordinário de aquisição de servidão (com justo título); 
ou 20 anos chamado usucapião extraordinária (nenhum documento que comprove essa servidão). Em 
qualquer caso tem que levar a sentença a registro para nascer a servidão. Pode ser que tenha algum 
contrato inicial onde se descreve a possibilidade de servidão, mas que não se levou a registro, é um 
justo título, mas que não tem o efeito ainda. 
Nunciação: ela não se prende a servidão. Ação de nunciação de obra nova pode ser proposta por 
possuídos e proprietários, é a ação que pode ser proposta na proteção da posse ou propriedade toda 
vez que obra de prédio vizinho vier a prejudicar a propriedade, para obstar essa obra e incluísse até 
fazer que haja demolição. Na servidão – pode o dono do prédio dominando utilizar essa ação toda 
vez que eventual obra realizada prédio vizinho vier a prejudicar exercício do direito de servidão, 
exemplo: servidão de passagem, o vizinho acaba fazendo obras ali e nessas circunstâncias acaba 
prejudicando minha passagem, pode defender a servidão com a ação de anunciação de obra nova, o 
proprietário serviente também pode fazer uso da ação. 
Confessória: ação confessória é aquela ação em que o autor visa o reconhecimento da existência de 
uma servidão que lhe foi negada pelo titular do prédio serviente, a servidão que embora concedida e 
aprovada pelo prédio serviente, não foi levada a registro, em determinado momento essa servidão é 
negada – nesse caso o judiciário reconhece a servidão que não foi levada a registro. Essa ação tem 
natureza declaratória na medida que objetiva reconhecer a servidão e ao mesmo tempo tem natureza 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
38 
condenatória pois espera que o judiciário além de declarar condene o réu prédio serviente a cessar 
demais lesões e indenizar demais prejuízos causados por essa recusa devida – quem tem legitimidade 
ativa é o dono do prédio dominante e a passiva é o dono do prédio serviente. 
Negatória: titular do prédio serviente busca o poder judiciário para declarar que não há servidão 
nenhuma. Ação negatória busca declaração do poder judiciário de inexistência de uma servidão que 
está sendo buscava/pedida, inverte a situação – legitimidade ativa o dono do prédio serviente, e 
passiva dono do dominante. 
Possessória: protege posse legitima, servidão é um direito real do qual se extrai posse legítima, pode 
ser que essa posse seja perturbada, ameaçada, cabe então ação possessória no exercício da servidão. 
A legitimidade ativa são de ambos (dono do prédio dominante e serviente), e a passiva pode ser os 
dois também e contra terceiro. Exemplo: prédio dominando ultrapassa área que não está encantada 
pela servidão – pode reclamar através de ação possessória. Cabe contra terceiros também. 
 
7. EXTINÇÃO DAS SERVIDÕES 
 
7.1 Pelo Cancelamento do Registro: as servidões nascem a partir do registro dessa servidão, a partir 
do consenso – contrato. Esse mesmo consenso pode levar ao cancelamento dessa servidão, para isso 
além do consenso deve haver o registro desse consenso, averbação do consenso, para ter efeito não 
só entre as partes, mas também o efeito da dissolução da servidão à terceiros. Se o prédio dominante 
(que tem a facilidade) estiver hipotecado e tiver registro da servidão no título hipotecário, é necessário 
não só o consenso, mas também o consentimento do credor hipotecário. 
7.2 Pela renúncia: ocorre quando o titular do prédio dominante abdicar do direito da servidão 
instituída a seu serviço, mas pra isso ele precisa ser capaz, renúncia expressa da servidão. É admitido 
renuncia tácita para efeito da extinção da servidão, essa renúncia se caracteriza quando o dono do 
prédio dominante adota uma postura de permissibilidade em relação aos atos praticados pelo dono do 
prédio serviente, incompatível com o exercício da servidão – comportamento que demonstrar não ter 
mais interesse no exercício da servidão. 
7.3 Pela Perda da utilidade ou comodidade ou pelo Resgate: perda da utilidade ou comodidade - 
servidão é baseada na comodidade que pode ser cedido pelo titular do prédio dominante (base da 
servidão – nascimento e mantença) sendo assim, se não deslumbro mais a facilidade que serviu de 
base para servidão, o desaparecimento dessa serviço implicam na cessação da servidão. Resgate – é 
a retomada da facilidade concedida por parte do prédio dominante, retomada da comodidade por 
previsão expressa da servidão, deve ser combinado previamente entre as partes essa possibilidade de 
resgate das facilidades – isso acarreta a extinção. 
7.4 Pela Fusão do domínio / Supressão de obras / Não uso por dez anos: fusão do domínio – 
acontece quando o domínio se concentra na mesma pessoa, se fundi em uma única pessoa a qualidade 
de domínio, perdi a razão da servidão. Supressão de obras – se a servidão (executa obras para que 
haja o exercício da servidão, como a servidão de passagem de águas, de passagem), e as obras que 
estavam sendo executadas (as quais permitem a servidão) não só são suprimidas, mas também são 
retiradas, assim, há a extinção da servidão. Por não uso dez anos contínuos – com o passar do tempo 
pode implicar a perda da servidão (prescrição), prescrição aquisitiva (adquirindo direito) e extintiva 
(extinguindo direito); o legislador diz que nesse caso pode ocorrer a extinção extintiva, já que não 
exerce a servidão, não cumpre a função social, no prazo de 10 anos. Ele quer proteger a função social 
da relação social – contrato de servidão. Esse não uso indica desinteresse e não necessidade dessa 
servidão. 
 
23 – USUFRUTO 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Compreensão e Partes: direito real sobre coisa alheia onde seu titular tenhaprerrogativa de usar 
e de colher os frutos desses bem até a restituição oportuna dessa bem, nesse caso o usufrutuário tem 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
39 
prerrogativa de usar e de fruir, ou seja, gozar do bem, além disso estalado o usufruto terá a direito a 
adm. do bem sob qual recai o usufruto, pelo desdobramento da posse. Identificação de duas partes no 
usufruto o nu proprietário e usufrutuário. O nu proprietário é o dono da coisa que resolve praticar 
uma liberalidade, resolve dar a coisa em usufruto, ceder determinado bem de que é proprietário para 
outra pessoa em forma de usufruto, ele mantem a disposição e reinvindicação da coisa, ele é chamado 
assim por que fica despido de alguns elementos da propriedade como usar e gozar. A outra parte é o 
usufrutuário, é aquele que aceita receber temporariamente o uso e gozo de determinado bem alheio. 
 
1.2 Características: 
- Direito Real / Transitoriedade: direito real sobre coisa alheia de gozo ou fruição, por isso pode-se 
afirmar que ele é oponível erga omnes, ou seja, pode proteger esse usufruto contra qualquer pessoa 
até mesmo o nu proprietário, tem efeito erga omnes. Se torna um direito real após seu registro, só 
assim terá um usufruto com efeito erga omnes. Transitório pois se extingue nas hipóteses previstas 
em lei, não é uma transferência de propriedade, é uma transferência de algumas facilidades da 
propriedade. Em regra, direito reais são perpétuos, mas ocorre que certos tipos de direitos reais podem 
ser transitórios como o usufruto – depende a forma como o direito real é estabelecido. 
- Inalienabilidade: significa que uma vez criado o usufruto ele não se transfere por expressa proibição 
legal, o usufruto não pode ser transferido, mas o exercício do usufruto pode ser objeto de cessão, tanto 
a título gratuito quanto oneroso. Não pode mudar a destinação econômica da coisa sem a autorização 
do nu proprietário, exemplo, se lá tinha plantação de milho não pode plantar sem autorização soja. 
- Impenhorabilidade: o bem não pode ser penhorado em caso de dívida do usufrutuário, pode ser que 
ele sofra penhora no exercício do usufruto, assim como ele pode alienar o exercício. Se ocorrer o juiz 
vai nomear um adm. para que os frutos colhidos sejam de pagamento até o fim da dívida. Terá efeito 
contra terceiros se levado a registro. 
 
2. MODOS DE CONSTITUIÇÃO 
 
2.1 Por determinação legal: é aquele usufruto que já foi determinado por lei, o legislador faz 
previsão de usufruto quando leva em consideração interesses maiores e indisponíveis, nesse caso nem 
precisa de registro pois decorre da lei. O objeto do legislador é reservar certos direitos de pessoas – 
exemplo, usufruto dos pais sob os bens do filhos incapazes, cessada a incapacidade cessa o usufruto, 
bens imóveis de incapazes não pode ser alienáveis sem autorização judicial (preservar o direito do 
incapaz); outro exemplo, usufruto que tenha brasileira casada com estrangeiro por morte deste em 
regime que não seja em comunhão universal de bens; outro exemplo, índios segundo a lei tem 
usufruto sobre as riquezas do solo, rio e lago ondem eles ocupam/habitam. 
2.2 Ato de Vontade: é aquele que resulta tanto de contrato como de testamento, nesse contrato pode 
ser tanto a título oneroso quanto gratuito. O contrato pode ser por alienação ou retenção ou de ducto. 
O usufruto voluntário se diz por alienação quando seu titular conserva a propriedade, mas concede o 
usufruto, alienando a fruição da coisa; já o usufruto por retenção ou de ducto o titular t ransfere a 
propriedade, mas ele reserva para si o usufruto, ou seja, uso e fruição da coisa (ex. os pais em vida 
faz doação aos filhos de uma propriedade, mas se mantem como qualidade de usufrutuário). Tem que 
verificar se esse usufruto recai sob bens moveis basta tradição ou se recai sob bem imóvel precisa 
levar a registro. 
Frutos desse usufruto: o usufrutuário tem direito aos frutos assim que começa a exercer o usufruto, 
mesmo se os investimentos daquele fruto tenham sido feitos pelo nu proprietário e o mesmo ocorre 
com o nu proprietário, se o usufruto dura por 5 anos, quando acabar os frutos são do nu proprietário. 
2.3 Por Usucapião: ocorre pelo transcurso do tempo necessário em favor de quem utiliza, goza de 
forma que afeta o proprietário como se fosse estabelecido. O prazo para aquisição de usufruto não 
faz referência ao prazo, mas faz referência de que essa usucapião pode ser ordinária ou extraordinária. 
Usucapião se presta a princípio a aquisição da propriedade o de qualquer outro direito real menor 
como o usufruto. Basta que cumpra os requisitos do usucapião para adquirir o usufruto por usucapião 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
40 
– exemplo A concede a B o usufruto vitalício sobre um bem imóvel, mas sem escritura/ sem levar a 
registro, passados 20, A aliena essa bem imóvel a C, C exige a retirada de B, nesse caso B entra com 
ação de usucapião a fim de adquirir o usufruto vitalício e não a propriedade em si (mas ele pode entrar 
com a ação para adquirir a propriedade desde, cumpra todos os requisitos e tenha prova). 
 
3. ESPÉCIES DE USUFRUTO 
 
3.1 Quanto à origem: 
- Legal ou Convencional: usufruto é legal quando é instituído por vontade do legislador, 
evidentemente previamente instituído, legislador levou em consideração os interesses e cuidados que 
certas pessoas necessitam como o usufruto dos pais sobre os bens do filho, da viúva do estrangeiro 
tem sob os bens e usufruto dos índios sobre os bens onde vivem. Convencional aquele instituído por 
ato voluntario, unilateral ou bilateral, pois vimos que pode ser constituído através de contrato ou 
testamento, leva-se em consideração o interesse. 
- Temporário ou Vitalício: temporário quando é instituído o usufruto a prazo/termo certo, se estingue 
automaticamente. Vitalício quando ele durar a vida inteira do usufrutuário, ou pelo menos depender 
de um termo certo 
 
3.2 Quanto ao objeto: 
- Próprio ou Impróprio: próprio quando recai sob bens inconsumíveis e infungíveis, ou seja, as 
substâncias são conservadas e restituídas ao nu proprietário (ex. usufruto de uma fazenda por 5 anos). 
Impróprio quando está ligado a acessórios consumíveis do bem dado em usufruto (bem principal), 
ocorre quando o usufruto de estende aos acessórios da coisa, 
 
3.3 Quanto a extensão: 
- Universal, Particular, Pleno e Restrito: universal quando recai sob a universalidade de bens ou 
pelo menos parte ilíquidas desses bens, exemplo, quando se institui usufruto sobre uma herança ou 
metade de vários bens imóveis. Particular incide sob determinado objeto específico, só sob um carro, 
um imóvel (se o imóvel estiver dentro de uma fazendo o usufruto se institui só sob o imóvel dentro 
da fazenda). Pleno quando engloba tudo o que a coisa produz (ex. usufruto em uma fazenda engloba 
as frutas, leite e etc.). Restrito quando se restringe sob alguma utilidade da coisa (ex. usufruto sob a 
plantação de laranja da fazenda, não sob a fazenda em si). 
 
3.4 Quanto aos limites: 
- Simultâneo ou Sucessivo: simultâneo quando verifico que o usufruto se dá de forma simultânea, a 
favor de duas ou mais pessoas, exercício simultâneo de usufruto de um bem, exercem ao mesmo 
tempo o direito de usufruto sob o mesmo bem , vai se extinguir gradativamente em relação a cada um 
dos beneficiários que vier a falecer, mas pode ser que na morte de um os demais entrem no exercício 
da parte daquele que morreu desde que seja estabelecido o direito de acrescer, o sobrevivente passa a 
desfrutar com exclusividade a coisa toda. Se for no caso de pais de doação de reserva de domínio 
estipularem usufruto sucessivo – a jurisprudência diz não poder pois viola o direito de herança. 
Sucessivo (não se admite no nosso ordenamento jurídico pois a morte extingue o usufruto) aquele 
constituído ao favor de mais de uma pessoa, mas depois de sua morte 
 
4. MODALIDADES ESPECIAIS DE USUFRUTO 
 
4.1 Usufruto de Títulos de Crédito: o usufrutuáriotem direito de perceber os frutos (juros) e cobrar 
despesas e dívidas (o crédito contido naquele título), a quantia de crédito é passada ao titular ou 
aplica-se em outros títulos da mesma natureza (art. 1395 CC) 
4.2 Usufruto de Rebanho: se houver bens consumíveis no acessório desse usufruto, o usufrutuário 
tem dever de restituir o próprio acessório ou o equivalente (ex. A usufrutuário recebe a fazenda com 
3 vacas, destas 3 vacas nascem 2 bezerros, o usufruto é temporário de 5 anos, nesse período uma das 
vacas morre, recebeu com 3 vacas então deve devolver com 3 vacas, devolve as 2 vacas e um bezerro 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
41 
– o mesmo numero de cabeça que encontrou no inicio do usufruto tem que devolver ao final, se não 
for possível entrega o valor desse bem). 
4.3 Usufruto de Florestas e Minas: o legislador diz que a propriedade do solo não abrange recursos 
naturais, minas e etc, portanto, o proprietário não é dono dessas riquezas pois pertencem a união, mas 
não obstante isso, é possível que o proprietário do solo venha a explorar esses recursos minerais de 
emprego imediato na construção civil (ex. areia, pedra, cascalho, minas de agua), o que ele não pode 
explorar é os recursos profundos. O Usufruto de floresta e minas é onde seja possível explorar tais 
recursos imediatos da construção civil o usufrutuário tem direito de explorar, é preciso estabelecer os 
limites desse usufruto entre nu proprietário e usufrutuário sobre a exploração desses bens. 
4.4 Direito à meação do Tesouro ou Tapume: tesouro é um encontro de determinado bem de valor 
em um imóvel no qual não se tenha notícia do seu proprietário, quem encontra esse tesouro é chamado 
de descobridor. Quando é achado casualmente em prédio alheio é dividido entre descobridor e dono 
da propriedade – no usufruto quando o tesouro é encontrado pelo usufrutuário ele não precisa dividir 
com ninguém pois o tesouro não se encaixa ao acessório da propriedade, agora se o tesouro for achado 
por outra pessoa o tesouro é dividido entre o descobridor e o usufrutuário. Tapume é linha divisória 
que se faz para dividir prédios vizinhos (muros, valas, cercas) nesses casos os meeiros devem dividir 
o que foi gasto para fazer o tapume, nesse caso o vizinho também tem direito de receber a metade 
 
5. EXTINÇÃO DO USUFRUTO 
 
Hipóteses: 
 
5.1 Pela renúncia ou morte do usufrutuário: 
5.2 Pelo termo de sua Duração: 
5.3 Pela extinção da pessoa jurídica, em favor de quem o usufruto foi constituído, ou, se ela 
perdurar, pelo decurso de trinta anos da data em que se começou a exercer: 
5.4 Pela cessação do motivo de que se origina: 
5.5 pela destruição da coisa: 
5.6 Pela Consolidação: 
5.7 Pelo não uso, ou não fruição, da coisa em que o usufruto recai: 
 
24 – USO 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Noção: 
1.2 Proximidade com o usufruto: 
1.3 Características (indivisibilidade e inacessibilidade): 
1.4 Objeto do Uso: 
1.5 Forma do Uso: 
1.6 Extinção: 
- Renúncia: 
- Destruição da coisa: 
- Consolidação: 
- Morte: 
 
25 – HABITAÇÃO 
 
1. INTRODUÇÃO 
1.1 Noção, incidência, constituição: É um instituto do direito real (é oponível erga omnes) pelo qual 
alguém concede a outrem a possibilidade de habitar gratuitamente um determinado bem. Na verdade, 
está habitação nada mais é do que uma forma de concessão de uso, mas uma concessão de uso para 
fim específico de habitar, é por isso que são aplicáveis à habitação as mesmas leis do usufruto, 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
42 
evidentemente naquilo que lhe for compatível. Ex.: A permite que B habite em sua chácara (se fosse 
oneroso, seria contrato de locação, mas, por ser gratuito, é habitação). Este direito de habitação incide 
especificamente sobre bem imóvel (inclui seus acessórios e pertences como, por exemplo, os móveis). 
A habitação pode resultar da lei ou da vontade humana. No primeiro caso, ela ocorre quando o 
legislador reserva a alguém este direito quando ela se encontra em determinada situação (artigo 1.831 
do Código Civil – cônjuge sobrevivente) – neste cenário não há necessidade de registro. Este direito 
diz respeito a vontade humana quando se constitui a partir do registro desse ato no Cartório de 
Registro de Imóveis. 
1.2 Características: 
- Temporariedade e Gratuidade: Assim como acontece no uso ou no usufruto, a habitação é um 
instituto de direito real temporário, pois se funda na necessidade de moradia (não há transferência de 
domínio ou propriedade), o objetivo é apenas possibilitar a moradia, então não é um direito perpétuo 
como é a propriedade. Então, o direito real da habitação deve ser feito tanto a termo certo quanto a 
termo incerto. O que se impõe é que este direito seja feito de forma gratuita, visto que, se fosse 
oneroso, seria uma locação (direito pessoal). 
- Direito Personalíssimo e Inalienável: Este direito é personalíssimo pois deve ser exercitado pelo 
seu titular ou pela sua família diante da necessidade particular, é justamente por ser personalíssimo 
que ele não se transmite aos seus herdeiros (diferentemente da lei de locação), embora nada obsta que 
a habitação possa ser feita em benefício de mais de uma pessoa. Este direito é inalienável, uma vez 
que ele decorre dessa condição de ser personalíssimo, e, portanto, não pode ser alienado a outrem 
(não pode ser alugado, emprestado), não pode ser objeto de qualquer tipo de negócio nem de forma 
gratuita nem onerosa. Neste direito, não se fala em direito de acrescer (diferentemente do usufruto). 
- Obrigações do Usufrutuário: 
Conservar o prédio habitado: O beneficiário do direito de habitação tem o dever de zelar pelas 
benfeitorias necessárias, isso não compreende a deterioração natural do uso da habitação (não é 
necessário que a habitação seja devolvida nas exatas condições nas quais encontrava-se quando se 
deu início ao direito de habitação, mas o usuário precisa dar ciência ao dono e tomar as devidas 
providências em prol da devida preservação da propriedade). 
Recolher os impostos sobre ele: Cabe ao beneficiário da habitação fazer os pagamentos dos tributos. 
A falta destes pagamentos não afeta o direito real de habitação, quando muito o titular do domínio 
pode ingressar com ação judicial para cobrar esses tributos do usuário. 
 
1.3 Extinção da Habitação: A renúncia é uma forma de extinção da habitação, é o ato pelo qual o 
titular da habitação renuncia ao seu direito real de habitar o bem imóvel e, então, deve fazer a 
restituição do bem sob pena de sofrer ação de interdito possessório e indenização. A renuncia precisa 
ser registrada em cartório. 
A segunda hipótese de extinção é a destruição da coisa, total ou parcial. A destruição parcial pode 
implicar na perda do direito desde que torne a coisa imprópria para o fim que foi destinado (não é 
mais possível habitar o imóvel). Quando perece o bem, perece juntamente o direito que recaía sobre 
ele. Nestes casos, não há culpa. Se houver culpa do titular da habitação, o efeito será o mesmo com a 
extinção do direto, mas haverá a obrigação de indenizar o dano causado. 
Se por acaso o titular da habitação vir a se tornar dono, consolida-se os direitos em um só local. 
Assim, se ele é proprietário, o direito de habitação é extinto (deve haver o registro da titularidade de 
domínio e da extinção do instituto da habitação). 
Por fim, a morte do titular do direito também determina a sua extinção, uma vez que é um direito real 
personalíssimo. 
 
26 – DIREITO DO PROMITENTE COMPRADOR 
 
1. BREVE EXPLICAÇÃO – CONTRATO PRELIMINAR 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
43 
1.1 O Contrato Preliminar: de maneira geral, as vezes as partes que querem realizar um negócio 
jurídico resolvem por liberalidade realizarem um acordo prévio, antes daquele contrato que de fato 
querem estabelecer, o contrato preliminar antecede definitivo. Não é uma obrigatoriedade que seja 
assim, é uma liberalidade. é o ajusto pelo qual algumas pessoas pactuam as bases deum negócio 
jurídico futuro a ser detalhado no contrato definitivo. Criar um vínculo prévio que induz a um negócio 
jurídico futuro, trata da essência do negócio e não seus detalhes, pois os detalhes serão estabelecidos 
no contrato futuro, chamado definitivo. Pode ocorrer sobre qualquer tipo de contrato, mas no meio 
jurídico ocorre na compra e venda. 
1.2 Os requisitos: subjetivos – capacidade das partes, se não forem capazes se houve suplementação 
dessa capacidade e mais do que isso, se deve verificar se há necessidade de legitimação, ou seja, 
capacidade especial (se tratando de compra e venda), isso acontece quando o alienante é casado em 
regime que não seja de separação total. Embora o contrato principal seja de compra e venda, o 
preliminar não precisa observar a forma, então não há necessidade que seja feito sob escritura pública. 
1.3 A Irretratabilidade / o Registro: a regra do contrato preliminar de compra e venda é a 
irretroatividade, as partes não podem desistir do contrato, não podem voltar atrás, mas há exceção, se 
houver cláusula de retratação, que permite que as partes voltem atrás do negócio. Sobre o registro do 
contrato preliminar de compra e venda, o artigo diz que ele tem efeitos jurídicos para as partes ainda 
que não tenha sido levado ao registro, pois é direito pessoal entre as partes, mas para ter direito 
jurídicos contra terceiros e ganhe eficácia de direito real é necessário que haja registro público. Sendo 
assim, o caráter real do compromisso de compra e venda decorre da sua irretratabilidade (se não 
houver cláusula de retratação) e seu registro, a obrigação é gerada com esse registro. 
 
2. DIREITO DO PROMITENTE COMPRADOR DE IMÓVEIS 
 
2.1 A Nomenclatura, a Forma e os Efeitos: nomenclatura – antes havia distinção entre as expressões 
compromisso e promessa de compra e venda, no código anterior era usado para descrever os contratos 
que aceitam ou não arrependimento, mas o novo código não seguiu essa nomenclatura, o 
arrependimento agora depende da cláusula no contrato – a parte geral do código usa a expressão 
contrato preliminar (qualquer contrato), mas quando diz respeito a contrato de compra e venda 
começa a usar a expressão promessa e promitente. Promessa de compra e venda é o contrato pelo 
qual as partes promitentes se obrigam a uma compra e venda de um determinado imóvel no futuro, 
nas condições que serão estabelecidas evidentemente no contrato futuro onde vai ocorrer a 
transferência do domínio (tanto instrumento público como particular levando em conta os parâmetros 
do art. 108 do CC) a partir do registro se tem o efeito erga omnes. 
2.2 As regras sobre arrependimento, a natureza e a inadimplência: neste caso de compromisso 
de compra e venda de bens imóveis, também se aplica a regra da irretratabilidade, salvo disposição 
em contrário onde as partes colocam a cláusula de assim fazer, desistir, mas como a regra é a 
irretratabilidade, é possível que as partes exigem o comprimento forçado, mas nesse caso pode haver 
a maneira de forçar judicialmente alguém a cumprir a compra e venda (adjudicação compulsória). É 
o efeito da irretratabilidade de se transferir o domínio de uma coisa de um titular para o outro de uma 
forma forçada, quando não houver motivo para que não ocorra. No caso de moro o desfazimento do 
negócio deve ser feito a restituição dos valores pagos, qualquer clausula que retenha esse direito deve 
ser considerada abusiva. 
 
27 – REGRA GERAL DOS DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
(Do Penhor, da Hipoteca e da Anticrese). 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 As dívidas e as espécies de garantias (acessórias): existe no direito civil um princípio básico, 
norma geral, no qual o patrimônio do devedor responde por suas dívidas, chamado garantia geral dos 
credores. Significa que se o devedor não pagar quem paga é o patrimônio dele. Essa garantia se 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
44 
concretiza quando o credor busca no patrimônio do devedor bens livres que possam ser vendidos, e 
após a venda desse bem o valor sirva para satisfação do seu crédito, ou seja, exceção judicial do bem. 
Guarnecer o credor dessa garantia muitas vezes se torna ineficaz, por motivos como, o devedor não 
possuir patrimônio. O legislador, além de fazer essa garantia mínima ao credor, abriu a possibilidade 
das partes estabelecerem se quiserem, outras garantias se assim entenderem, se encontra essa 
possibilidade nas garantias pessoais (fidejussórias) e reais. As garantias pessoas está ligada a pessoas, 
terceiro, como aval ou fiança, se o devedor não pagar quem paga é o devedor ou avalista, quem pagará 
é outra pessoa, que garante o pagamento da dívida, são os chamados garantidores. As garantias reais 
são aquelas que se baseiam em um vínculo de uma pessoa com uma determinada coisa, diferente do 
pessoal, o vincula se estabelece com uma coisa. Há uma divisão nos direitos reais, o de gozo são 
direitos autônomos ao passo que os direitos reais de garantia são acessórios, significa dizer que em 
regra, seguem o principal. 
1.2 O que este Direito Real de Garantia confere? Confere ao credor a possibilidade de recebimento 
do seu crédito através da vinculação de um determinado bem à dívida, por um ato voluntario do 
devedor, e que rende atributos da sequela (possibilidade do titular do direito real de perseguir o bem 
onde ele estiver) e da preferencia (privilegio que o credor tem de receber antes de eventuais credores). 
Isso será garantido através do processo específico onde será arrematado o bem, e o valor dessa venda 
se destina preferencialmente ao pagamento da dívida para satisfazer o crédito. 
1.3 Características e Distinções: 
- Quanto ao objeto (Móvel, imóvel, fora do Comércio e fração em condomínio): em regra o 
penhor recai sob bens móveis e a hipoteca recai sob bens imóveis. O que não pode é que ofereça 
como garantia aquilo que não é disponível 
- Quanto à Posse e forma de Exercício: no penhor e anticrese a posse é do credor e na hipoteca não, 
o bem não precisa ser entrega ao credor, essa é a regra. Mas há exceções como o penhor rural, 
industrial e mercantil, dentro do rural há o agrícola e pecuário, nesses casos continua com a posse 
direta o proprietário. Na anticrese o credor retém a coisa e vai fluindo até o tempo determinado para 
constituir o pagamento ou restituição do seu crédito, diferente das demais que ocorre a venda do bem 
para pagamento da dívida. 
 
2. REQUISITOS DOS DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
 
2.1 Capacidades geral e especial: esses direitos reais surgem de negócios jurídicos, sendo assim não 
se pode deixar de falar de capacidade. Para constituir negócios jurídicos é necessário que a pessoa 
seja capaz (capacidade geral), ou seja, aquela pessoa que está em pleno uso e gozo dos seus direitos 
civis e pode estabelecer negócios jurídicos sozinho. Capacidade especial é a legitimação, ampliação 
da capacidade, um plus em relação a capacidade, em certos negócios jurídicos além de ser capaz é 
preciso que tenha outra autorização, não basta ser capaz, 
2.2 Os impedimentos: 
a) Os Incapazes (Absolutos e Relativos): considera-se incapaz de forma absoluta o menor de 16 
anos, mas esse impedimento cessa desde que haja suplemento dessa capacidade, com uma autorização 
judicial, caso não observe essa regra esse negócio jurídico será considerado nulo 
b) As pessoas casadas: no caso de bens imóveis o legislador reclama manifestação dos cônjuges, 
deve verificar o regime de casamento, se for separação total de bens não há problema, mas nos outros 
regimes como comunhão parcial ou universal, o legislador reclama a autorização conjugal para que a 
garantia seja válida e eficaz. Neste caso se não houver a observância dessa regra ocorre a anulação 
do ato de garantia até dois anos após o fim da sociedade conjugal. 
c) O Inventariante e o Mandatário: o inventariante não pode usar como garantia qualquer bem, se 
o juiz entender ele não entrega. O mandatário que um dos contratantes do contrato de mandato, recebeos poderes para pratica de atos do mandante, mandatário não se envolve ele representa, quem envolve 
é o mandante, sendo assim, só pode dispor bem por garantia com autorização do mandante, a partir 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
45 
da procuração (instrumento do contrato de mandato), então o mandatário só poderá firmar negócios 
jurídico entregando bem para garantia se tiver poderes especiais na procuração. 
d) O Falido: se trata de uma restrição legal temporária que é a falência, o falido não pode dar em 
garantia um bem que esteja dentro do seu patrimônio pelo fato de que aquele bem não lhe pertence 
mais enquanto durar a falência. A lei 1100/2005 traz essa vedação, mas também traz exceção, que 
deverá ser analisado pelo juiz responsável pela falência. 
2.3 Requisitos formais: 
- Especialização: nada mais é do que a necessidade de descrição por menorizada no contrato do bem 
dado em garantia, como taxa de juros, prazo de pagamento (termo inicial e final), dentre outros. O 
objetivo do legislador é tornar clara a situação do devedor e terceiros que eventualmente contratarem 
- Publicidade: ocorre a partir do registro desse título constituído da garantia, o órgão registrador 
depende se for bem móveis cartório de registo de títulos e documento, agora se imóveis o título é 
registrado no CRI. Se não registrar não possuirá características próprias de um direito real, será um 
direito pessoal apenas. 
 
3. EFEITOS DOS DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
 
3.1 Direito de Preferência: é uma condição especial dada para um determinado credor para que ele 
possa receber antes de eventuais credores. Preferência é um termo amplo, que se encontra nas 
disposições do legislador, a preferência pode advir tanto da lei como da vontade das partes, nesse 
sentido o CC traça regras sobre preferência de maneira genérica. 
Quando se fala em preferência pode se usar a seguinte expressão – títulos legais de preferência - pois 
decorrem da lei, que subdivide em: 
 
1 privilégios – dentro desses há 
 
a) privilégio especial (art. 964 e seguintes), algumas das situações são: 
I credor de custas e despesas judiciais com arrecadação e liquidação - liquidar e arrecadar ocorre ao 
final de um processo de obrigação forçada, este credor que pagou essas despesas especiais tem um 
privilégio especial, vai receber na frente de outros credores, caso haja. 
II credor de benfeitorias – o possuidor de boa-fé tem direito a restituição de benfeitorias úteis e 
necessários, se ele adiantou, além dele ser um credor, esse crédito é especial, tem um privilégio, 
receberá na frente de outros credores, caso haja. 
III credor por despesas de salvamento – usa essa expressão salvamento quando se fala de contrato de 
seguro, todas as despesas feitas por salvamento são feitas pelo segurador, ele tem crédito, direito de 
receber da seguradora, ele é um credor com crédito especial, se estiver concorrendo com outros 
credores ele receberá primeiro 
 
b) privilégio geral - (art. 965 e seguintes), algumas situações são: 
I o credor por despesas do funeral segundo as condições estabelecidas pelo morto – aquela pessoa 
que por acaso, quer por relação contratual ou não, tem despesas do funeral de alguma pessoa, seguiu 
as suas orientações, tem direito de receber de volta, é um credor com crédito especial, terá preferência 
sobre demais credores. 
II credor de custas judiciais e despesas com arrecadação e liquidação da massa (acervo de direitos e 
obrigações) – casos como administrador de massa de processo de falência, ou inventário, sujeito esta 
nomeada a adm. uma massa, de forma que se ele fez o adiantamento dessas despesas ele não é só um 
credor, mais ainda, um credor com privilégio legal, deve receber na frente de demais credores. 
III crédito por impostos devidos à fazenda pública – espécie de recolhimento de emposto devido a 
fazenda pública, o sujeito fez adiantamento ele é um credor, além disso, um credor especial , 
independente do montante, o que importa é o conteúdo. 
 
O crédito real prefere (prevalece) ao crédito pessoal 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
46 
O crédito pessoal privilegiado prefere ao crédito especial simples 
O privilégio especial prefere o privilégio geral 
 
3.2 Direito de Sequela: prerrogativa de seguir o bem a onde é que ele esteja. 
 
3.3 Direito de Excussão: é o direito que tem o credor hipotecário ou penhor de promover a venda do 
bem em hasta pública (leilão público) através de um processo de execução judicial próprio, desde 
que, a dívida esteja vencida e não paga (art. 784 do CPC). Se houver mais de uma hipoteca deve dar 
preferência a ordem de registro. 
 
3.4 Indivisibilidade / os Coerdeiros Devedores: em regra adota-se o principio chamado de 
indivisibilidade do direito real de garantia, ou seja, esse direito não pode ser divido em razão de 
pagamento parcial, ele é uno, o que libera é o pagamento integral, se houver pagamento parcial a 
dívida continua, e se a divida continua o direito real continua o mesmo, mesmo que o pagamento seja 
fracionado. Exemplo: devedor oferece duas casas em garantia de hipoteca (credor pode colocar isso 
em leilão publico e satisfazer seu crédito com a venda) mas se o devedor conseguir pagar metade 
dessa dívida, ainda será as duas casas em hipoteca, não será uma só, pois é indivisível, essa garantia 
só some quando houver pagamento integral, salvo prescrição contrária prevista no contrato. Mesmo 
se não houver cláusula contraria no contrato ou escritura pública é livre as partes de modificar o 
contrato neste sentido, mas é importante averbar essa modificação, onde o credor aceitou ficar apenas 
com um bem da hipoteca em contraposição ao principio da indivisibilidade (regra) que pode ser 
afastada por expressa vontade das partes. 
 
Art. 1.421. O pagamento de uma ou mais prestações da dívida não importa exoneração 
correspondente da garantia, ainda que esta compreenda vários bens, salvo disposição expressa no 
título ou na quitação. 
 
4. VENCIMENTO ANTECIPADO DA DÍVIDA 
 
4.1 Hipóteses Legais: em que a dívida vence antes do tempo ajustado entre as partes 
 
Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo estipulado no 
contrato ou marcado neste Código: 
II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor; - 
ou seja, garantir bem em garantia para mais de uma pessoa, significa dizer que o segundo credor, da 
hipoteca ou penhor, fique sem opção de fazer a execução, sendo assim o legislador previu que nesse 
caso o credor pode antecipar a execução. 
 
Art. 1.425. A dívida considera-se vencida: 
I - se, deteriorando-se, ou depreciando-se o bem dado em segurança, desfalcar a garantia, e o 
devedor, intimado, não a reforçar ou substituir; - deterioração é a perda da qualidade do bem dado 
em garantia pelo penhor ou hipoteca, se houver perda parcial o valor desse bem não é mais o mesmo 
e a garantia se corrompe, nesse caso o credor pode notificar o devedor para reforçar a garantia ou 
substituir o bem deteriorado, se o devedor for intimado e não reformar e nem substituir o legislador 
prevê que se houver essa recusa a dívida se considera vencida ainda que não esteja. 
 
II - se o devedor cair em insolvência ou falir; - o devedor que cair em solvência ou falência toda vez 
que seu passivo supera seu ativo, se considera o vencimento antecipado, se observa se há preferência 
de credores. 
 
III - se as prestações não forem pontualmente pagas, toda vez que deste modo se achar estipulado 
o pagamento. Neste caso, o recebimento posterior da prestação atrasada importa renúncia do 
credor ao seu direito de execução imediata; - se estiver descrito na obrigação do contrato que o não 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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pagamento de uma importa o vencimento das demais da frente se pode cobrar todas as parcelas por 
inteiro. 
 
IV - se perecer o bem dado em garantia, e não for substituído; - se houver a perda total dobem dado 
em garantia e o devedor intimado não oferecer outro bem, neste caso o que resta é fazer com que essa 
dívida mesmo não vencida, possa ser cobrada antes do vencimento. 
 
V - se se desapropriar o bem dado em garantia, hipótese na qual se depositará a parte do preço que 
for necessária para o pagamento integral do credor. – o estado não tem nada haver com o bem em 
garantia, então pode ocorrer desapropriação desse bem, caso haja essa desapropriação irá gerar uma 
indenização, será depositado ao credor da garantia real desapropriado, ele fica sub-rogado ao valor 
pago pela desapropriação, até o montante que diz respeito ao seu crédito. 
 
5. GARANTIA REAL OUTORGADA POR TERCEIRO 
 
Art. 1.427. Salvo cláusula expressa, o terceiro que presta garantia real por dívida alheia não fica 
obrigado a substituí-la, ou reforçá-la, quando, sem culpa sua, se perca, deteriore ou desvalorize. 
 
Situação que envolve eventual perda ou deterioração da coisa e dentro desta deterioração a questão 
da desvalorização de objeto dado em garantia por terceira pessoa (nos casos anteriores era o próprio 
devedor). Em regra quem presta a garantia é o próprio devedor, mas nada impedi que essa garantia 
seja prestada por terceiro, por exemplo, pai, amigos, neste caso o terceiro não se transforma em 
devedor ou garantidor por oferecer esse bem, ele apenas disponibiliza por ato voluntário determinado 
bem para garantia de pagamento de outra pessoa, por isso não fica obrigado a substituição e ao reforço 
em regra, mas há exceção (conforme artigo acima), salvo cláusula expressa neste sentido (contrato 
ou escritura pública) e quando for sua culpa, nesses casos ele deve repor sob pena de responsabilidade. 
O que se perde é a garantia, não a obrigação principal, ou seja, se houver perda ou perecimento, se 
torna uma garantia geral, não específica 
 
 
6. CLÁUSULA COMISSÓRIA 
 
6.1 Conceito e Vedação: a estipulação que autoriza o credor a ficar com a coisa dada em garantia 
caso a dívida não seja paga. O CC proibi esse tipo de cláusula, em razão do pano de fundo moral, ou 
seja, proteção do fraco contra o forte, isso poderia viciar a relação do contrato. Sendo assim, ela não 
pode ser estipulada nem no começo (contrato) nem depois em documento a parte, e se por acaso essa 
estipulação for feita ela será considerada nula. Afeta no que diz respeito a garantia e não a relação 
obrigatória principal, a garantia é um acessório, a negócio principal não segue o acessório, então isso 
não atinge o negócio jurídico principal, afeta apenas a cláusula. 
 
7. RESPONSABILIDADE DO DEVEDOR PELO REMANESCENTE DA DÍVIDA 
 
Art. 1.430. Quando, excutido o penhor, ou executada a hipoteca, o produto não bastar para 
pagamento da dívida e despesas judiciais, continuará o devedor obrigado pessoalmente pelo 
restante. 
 
A garantia real não exclui a garantia pessoal, cláusula geral, ela é uma forma de reforçar o pagamento 
da dívida, tanto que se ela não existir o direito pessoal ainda continua, neste sentido esgotada a 
garantia real mas não a dívida, continua a obrigação de pagamento (garantia pessoal). Se na hasta 
pública (leilão) o bem for arrematado por terceiro, mas este valor apurado não for o bastante para 
saldar a dívida então o credor continua sendo credor pelo remanescente. Poderá buscar esse valor 
como credor comum, não possui mais garantia real, mas ele tem preferência. 
 
28 – PENHOR 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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1. NOÇÃO GERAL 
 
Art. 1.431. Constitui-se o penhor pela transferência efetiva da posse que, em garantia do débito ao 
credor ou a quem o represente, faz o devedor, ou alguém por ele, de uma coisa móvel, suscetível 
de alienação. 
Parágrafo único. No penhor rural, industrial, mercantil e de veículos, as coisas empenhadas 
continuam em poder do devedor, que as deve guardar e conservar. 
 
1.1 Conceito e Objeto: é a convenção pela qual um devedor ou seu representante disponibiliza um 
determinado bem seu para servir de garantia de uma dívida, caso o pagamento não ocorra. O penhor 
é um direito real criado a partir de um acordo, que dá ao credor uma preferência ao recebimento do 
seu crédito em detrimento de outros credores, exemplo: A da sua motocicleta em garantia de 
pagamento da dívida que tem com B. 
O objeto sob qual recai o penhor é bem móvel ou suscetível de mobilização, e pouco importa se esse 
bem móvel é singular, coletivo ou corpóreo ou incorpóreo. Nada obsta que recai sob mais de um bem, 
caso incida sobre vários bens singulares, para garantir o mesmo crédito ele recebe o nome de penhor 
solidário – garantia feita por vários bens singulares. Tem que ser um bem próprio, deve pertencer ao 
devedor, ainda que não seja dele no momento não se torna ineficaz se houver aquisição do domínio 
– princípio do aproveitamento dos atos e negócios jurídicos. Em todo caso o bem oferecido, que 
também pode ser oferecido por terceiro, tem necessidade que seja especificado (principio da 
especificação). 
 
2. FORMA E NATUREZA 
 
2.1 Forma / Conteúdo / Solenidade: penhor comum levado a registro no cartório de registro de 
títulos e documentos (CRTD). Forma – este penhor ode se constituir através de instrumento público 
ou privado (escritura pública ou contrato) em ambos deve haver a qualificação completa das partes, 
ou seja, todas as especificações do negócio jurídico chamado penhor. Para transformar esse acordo 
firmado em um direito real de garantia precisa levar o documento a registro, caso não leve será apenas 
um direito pessoal. O registro desse título deve ser feito no CRTD e para o penhor rural ou especial 
no CRI (cartório de registro de imóveis). 
 
Art. 1.432. O instrumento do penhor deverá ser levado a registro, por qualquer dos contratantes; 
o do penhor comum será registrado no Cartório de Títulos e Documentos. 
 
2.2 Natureza: Direito Real e Acessório /Tradição: natureza – direito real, pois recai diretamente 
sobre a coisa dada em garantia de pagamento, afeta esta mesma coisa onde quer que ela esteja, desde 
que efetivado o registro (princípio da aderência). O penhor estabelece um vínculo entre o credor e a 
coisa, dai porque ele tem natureza de direito real, e esse vínculo dá direito de incutir essa coisa com 
requintes de preferência sobre qualquer outro credor. Esse penhor segue e existe me função do 
negócio jurídico principal, ou seja, a dívida, por essa razão é acessório, paga a dívida, extingue-se o 
penhor. Tradição - o penhor opera-se em regra pela tradição pois incide sobre bens móveis, por isso 
diz que o penhor é um contrato real, pois não basta consenso é necessária a tradição. o penhor comum 
vai se efetivar quando houver a tradição do bem 
 
3. DIREITOS DO CREDOR PIGNORATÍCIO 
 
Art. 1.433. O credor pignoratício tem direito: cada direito corresponde a uma obrigação da parte 
contrária (assim de observa os direitos e obrigações do devedor, já que o legislador não especificou) 
 
I – à posse da Coisa Empenhada: legislador esta se referindo ao penhor comum, tradicional, pois 
nos casos de penhor especial a possa continua com o devedor. 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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II – à retenção dela, até que o indenizem das despesas devidamente justificadas, que tiver feito, 
não sendo ocasionadas por culpa sua: regra excepcional do chamado direito de retenção sobre as 
despesas justificadas, não significa que ele pode usar (salvo disposição contrária) tem direito da posse 
direta até que seja indenizado. Se ele não for pago pelo devedor terá direito de retenção, ou seja, ainda 
que tenha sido paga a dívida, mas não seja paga as despesas poderá reter até que seja paga as despesas. 
A partir do momento que tudo estiver pago é obrigação entregar o bem. 
 
III – ao ressarcimento do prejuízo que houver sofrido por vício da coisa empenhada: 
eventualmente se tiver sofrido de algum prejuízo patrimonial que decorre da possa da coisa 
penhorada, tem direito a indenização desse prejuízo. Credor tem direito de ser ressarcidode eventual 
prejuízo causado pela coisa penhora. 
 
IV – a promover a execução judicial, ou a venda amigável, se lhe permitir expressamente o 
contrato, ou lhe autorizar o devedor mediante procuração: primeira hipótese o credor pode 
executar o penhor, ou seja, promover a execução da hasta pública para venda e com o valor ressarcir 
seu credito. A segunda hipótese é a venda extrajudicial ou não judicial (amigável), pode ocorrer desde 
que obtenha procuração, uma vez efetivada a venda deve apurar apenas seu crédito e prestar contas. 
 
V – apropriar-se dos frutos da coisa empenhada que se encontra em seu poder: se eventualmente 
a coisa que se encontra em seu poder produza frutos, tais frutos pode ser apropriados a posse do credor 
 
VI – a promover a venda antecipada, mediante prévia autorização judicial, sempre que haja 
receio fundado de que a coisa empenhada se perca ou deteriore, devendo o preço ser depositado. 
O dono da coisa empenhada pode impedir a venda antecipada, substituindo-a, ou oferecendo 
outra garantia real idônea: esta avaliação é feita pelo juiz e não pelo credor, exemplo: bem 
alimentício. Se houver inercia do dono da coisa, o juiz autoriza. O preço do bem deve ser depositado, 
pois caso posteriormente não haja o pagamento da dívida o valor esta depositado, se pago é dado ao 
dono. 
 
4. OBRIGAÇÕES DO CREDOR PIGNORATÍCIO 
 
Art. 1.435. O credor pignoratício é obrigado: 
 
I - à custódia da coisa, como depositário, e a ressarcir ao dono a perda ou deterioração de que 
for culpado, podendo ser compensada na dívida, até a concorrente quantia, a importância da 
responsabilidade; em alguns casos o credor fica com a posse do bem, embora tenha esse direito 
também tem a obrigação de conservação dessa posse, como acontece no contrato de depósito (por 
isso usa como analogia), por isso deve ressarcir o devedor se eventualmente falhar nessa conservação 
por sua culpa, ou compensar (compensação legal). 
 
II - à defesa da posse da coisa empenhada e a dar ciência, ao dono dela, das circunstâncias que 
tornarem necessário o exercício de ação possessória: além de conservar o credor deve defender a 
integridade da coisa (judicial e extrajudicial), como desforço imediato, interdito possessório, legitima 
defesa. Deve dar ciência ao devedor sobre os riscos para que ele também possa defender (entrar com 
ação por exemplo, pode até entrar juntos). 
 
III - a imputar o valor dos frutos, de que se apropriar (art. 1.433, inciso V) nas despesas de 
guarda e conservação, nos juros e no capital da obrigação garantida, sucessivamente: se o credor 
se beneficiar de frutos e eventualmente houver crédito de despesas poderá computar. 
 
IV - a restituí-la, com os respectivos frutos e acessões, uma vez paga a dívida: o credor só tem a 
posse direta do bem, paga a dívida ocorre a extinção da obrigação, não se justifica mais a sua posse 
direta, então se não devolver a posse, se torna uma posse injusta, isso propicia ao proprietário ação 
reivindicatória, mais mora (reintegração de posse). 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
50 
V - a entregar o que sobeje do preço, quando a dívida for paga, no caso do inciso IV do art. 
1.433: sobejar (exceder) esse artigo diz respeito a venda do bem, o credor precisa devolver o 
excedente em caso de venda, se não devolver o devedor (dono) tem direito a ação de dar na 
modalidade entregar no que diz respeito ao valor além de eventuais perdas e danos (comprovados). 
 
5. ESPÉCIES 
 
5.1 Penhor Rural – gênero (Agrícola e Pecuário – espécies): 
 
Art. 1.438. Constitui-se o penhor rural mediante instrumento público ou particular, registrado no 
Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição em que estiverem situadas as coisas empenhadas. 
Parágrafo único. Prometendo pagar em dinheiro a dívida, que garante com penhor rural, o 
devedor poderá emitir, em favor do credor, cédula rural pignoratícia, na forma determinada em lei 
especial. 
Constituição / Objeto / Direito de Inspeção: se constitui através de dois instrumentos de 
constituição: contrato ou escritura pública, desde que haja especificação da coisa dada em garantia 
(princípio da especificação se aplica tanto ao penhor quanto a hipoteca). Nesse momento é apenas 
um direito pessoal, só passa a ser direito real no momento em que leva ao registro no CRI da 
circunscrição das coisas empenhadas, confere publicidade (dar ao conhecimento de todas as pessoas) 
e efeito contra terceiros (efeito erga omnes). Por isso o penhor não se da com a tradição do bem, 
embora possa ser um contrato real, não se constitui com a tradição, se dá com o registro deste título. 
Então em geral ao credor é deferida a possa indireta da coisa e o devedor a possa direta, justamente 
por isso, é que o credor tem a possibilidade de inspecionar a coisa, o devedor embora dono tem a 
obrigação de conservação o bem, como se fosse depositário, daí por que tem que conservar e tomar 
medidas necessárias para conservação, enquanto esse bem for dado como garantia. Neste caso quando 
se oferece a garantia se tem a obrigação principal, no penhor rural essa obrigação principal deve ter 
relação com atividade rural. Se não for atividade rural o penhor se torna nulo. 
Cédula Real Pignoratícia: Se o devedor prometer pagar a dívida dada em garantia em dinheiro ele 
poderá emitir em favor do devedor um documento chamado cédula rural pignoratícia, permitindo a 
circulação do crédito garantido 
 
5.1.1 Penhor Agrícola: recai sobre culturas (plantações) e bens a eles destinados, o objetivo é facilitar 
o crédito e consequentemente o desenvolvimento da agricultura. Mais especificamente pode recair 
sobre máquinas ou instrumentos utilizados na agricultura, árvores, plantações (safra), colheitas 
pendentes (atuais ou futuros), lenha, carvão, animais desde que utilizados nesta atividade agrícola, ou 
seja, bens móveis ou imóveis, por isso a necessidade do registro no CRI. Essa garantia pode se 
frustrar, se tronar insuficiente quando incidir sobre safra, nesse caso o legislador diz que se a safra se 
tornar insubsistente pode recair sobre a safra seguinte. 
 
5.1.2 Penhor Pecuário: aquele que recai sobre animais que integram ou se criem para a atividade 
pecuária, por exemplo: vaca, cabra, bode, dentre outros. No título desse penhor deve constar todas as 
características do débito e também dos animas (taxa de juros, raça do animal, nome, cor) – princípio 
da especificação. E se por acaso os animais dados em penhor venham a morrer, os animais são 
substituídos por outros, tomam o lugar dos animais mortos, é necessário fazer a retificação/averbação 
para ter a devida especificação dos animais. O que não pode aqui é o devedor alienar, vender esses 
animais que já estão dados em garantia, salvo com autorização do credor. Caso o credor fique sabendo 
da intenção do devedor de alienar sem seu consentimento, o credor pode pedir que os bens sejam 
conservados por outra pessoa ou que o pagamento seja feito imediatamente. Esse contrato pode ser 
prorrogado, mas deve ocorrer a averbação. 
 
5.2 Penhor Industrial e Mercantil: 
 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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Art. 1.447. Podem ser objeto de penhor máquinas, aparelhos, materiais, instrumentos, instalados 
e em funcionamento, com os acessórios ou sem eles; animais, utilizados na indústria; sal e bens 
destinados à exploração das salinas; produtos de suinocultura, animais destinados à 
industrialização de carnes e derivados; matérias-primas e produtos industrializados. 
Parágrafo único. Regula-se pelas disposições relativas aos armazéns gerais o penhor das 
mercadorias neles depositadas. 
 
Objeto / Atos Empresariais / Constituição: o legislador tratou os dois como se fossem o mesmo 
instituto, esses bem permanecem na posse direta do devedor, mas ele não pode alienar ou alterar os 
bens sem consentimento do credor. O credor tem direito de inspecionar a coisa para verificar seu 
estado, o devedor tem obrigação de guarda e conservação. Sea natureza do negócio jurídico dado em 
garantia for empresarial, industrial se caracteriza penhor industrial e mercantil. Se constitui com 
instrumento público ou privado (contrato) que deve ser levado a registro no CRI da circunscrição 
onde estiver as coisas empenhadas. título industrial ou mercantil a depender da natureza do negócio, 
é emitido quando for pago em dinheiro, a característica é que é transferido por endosso, ou seja, pode 
circular no mercado por endosso. Dois são os títulos emitidos por armazéns gerais: conhecimento de 
deposito warrant, o conhecimento de deposito incorpora o direito de propriedade sobre a mercadoria, 
quanto warrant refere-se a crédito e valores dessas mercadorias 
 
5.3 Penhor de Direitos e de Títulos de Crédito: quando se fala em direito se fala de bem incorpóreo 
suscetível de circulação através de sucessão, por ser disponível e ter valor econômico pode ser objeto 
de penhor. Neste caso é considera pela lei como bem móvel para os efeitos legais (art. 83 CC), ou 
seja, se alguém detém determinado direito e esse direito é traduzível em dinheiro ele pode utilizar 
esse direito como penhor me garantia, exemplo: ações em bolsa, em sociedade anomia, direitos 
autorais, patentes, dentre outros. O detentor deverá entregar nesse caso os documentos que 
comprovam tal direito, salvo se precisar manter consigo por algum motivo, mas em regra é entregue. 
Mas só isso não basta, é necessário que se registre o instrumento público ou privado junto ao órgão 
de registro para que nasça o direito real de garantia sobre coisa alheia (o registro não é feito no CRI 
como os penhores anteriores, mas sim no cartório de registro de títulos e documentos), precisa levar 
a registro sobre pena de não ter direito a essa garantia. 
Não confundir com cessão de crédito, pois o que está sendo transmitido é o próprio crédito, no penhor 
o crédito serve apenas como garantia, não se transfere o crédito, pode ou não se transferir futuramente. 
O credor nesse caso age como depositário, tem que praticar atos de conservação e defesa sobre o bem 
empenhado. Não paga a dívida pode o credor cobrar o crédito, assim que se tornar exigível, então a 
coisa fica com o credor. Esse direito pode servir como garantia de mais de uma dívida, mas deve se 
verificar a questão da preferência. 
O penhor sobre títulos de crédito recai sobre o próprio instrumento, sobre coisa corpórea, por isso 
que neste caso se dá com a tradição desse título, exemplo: nota promissória, cheque, letra de câmbio. 
Não está de transferindo e sim entregando o título. Precisa também registrar o documento público ou 
particular, não basta a tradição. Compete ao credor a guarda e conservação desse título. 
5.4 Penhor de Veículos: garantia dada com a disponibilização de um veículo utilizado em qualquer 
espécie de transporte, locomoção, exemplo: carro, ônibus, trator, barco (navios e aeronaves são 
imobilizados), se refere aos veículos suscetíveis de identificação de registro particular. Neste caso se 
dá por escritura pública ou particular (contrato), para transformar esse direito pessoal em direito real 
de garantia é necessário levar a registro no CRTD (cartório de registro de títulos e documento) no 
domicílio do devedor. O devedor fica responsável sobre a guarda, conservação e manutenção como 
depositário, não pode alienar sem prévio consentimento. Se o devedor vende o bem sem autorização 
do credor haverá antecipação do crédito pignoratício, por isso o credor tem direito de inspeção do 
bem. Só pode fazer penhor de veículo se anteriormente fizer seguro do veículo, o prazo máximo desse 
penhor é de dois anos, mas pode prorrogar por até dois anos, se prorrogar o prazo é necessário averbar. 
Sinistro é a ocorrência de evento futuro e incerto que faz com que perca o bem, o credor se sub-roga 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
52 
na indenização da seguradora no valor da garantia. Se o devedor pagar em dinheiro a dívida o credor 
pode gerar uma cédula de crédito que possa ser transferida, circular no comercio. 
5.5 Penhor Legal: é aquele que decorre da vontade do legislador, da lei, as demais espécies de penhor 
nascem da vontade das partes através de instrumento público ou particular que leva a registro para ter 
efeito a terceiros, aqui não, o legislador é quem estabelece, descreve essas situações. São chamados 
de credores legais os previstos no art. 1467 do CC, o penhor recai sobre bagagem, joias, imóveis, 
podem reter esses bens e vende-los para satisfazer crédito, desde que esses preços estejam 
previamente descritos no estabelecimento. Não pode vender diretamente, deve pedir ao juiz 
homologação, só vende se houver mora do devedor, o prazo para requerer homologação é de um ano, 
se o credor não requerer a homologação neste prazo perde a garantia, não o crédito. A homologação 
é feita com a apresentação da conta, dai o juiz vai verificar e notificar o devedor para que pague em 
24h ou que ofereça a defesa, se negado o pedido o bem é restituído, cabendo recurso, mas o crédito 
continua. Pode ocorrer também de forma extrajudicial. Se fizer o pagamento é liberado o bem que 
está em penhor legal. Os artistas e auxiliares cênicos tem penhor legal sobre material teatral utilizado 
nas apresentações sobre seus salários e despesas de transporte. 
 
6. EXTINÇAO DO PENHOR 
 
Art. 1.436. Extingue-se o penhor: 
 
I - extinguindo-se a obrigação: regra básica, penhor é acessório pois garante o bem principal que é 
a obrigação, a regra o acessório segue o principal, sendo assim, extinguindo a obrigação se extingue 
o penhor. Salvo disposição contrária. Neste caso para que haja a extinção do penhor a extinção da 
obrigação principal deve ser integral, se for parcial a garantia (penhor) permanece sobre o 
remanescente, dada a sua característica de individualidade. 
 
II - perecendo a coisa: significa dizer que a coisa não existe mais, perecimento é uma espécie de 
perda total da coisa, então como o penhor é sobre a coisa, quando ela desaparece a garantia também 
desaparece. Não quer dizer que a obrigação principal acaba, sim o penhor, pois caso não haja outra 
disposição, o devedor continua sendo devedor, mas se torna uma dívida simples, o credor passa a ser 
simples, sem garantia. Em caso de culpa há presença de responsabilidade da indenização, sem culpa 
não há. Se o valor do perecimento for pago pelo seguro, sub-roga-se ao penhor. 
 
III - renunciando o credor: nada obsta que a pessoa faça renuncia de um direito seu, mas o legislador 
aqui faz menção a renuncia do penhor renunciando o credor, não é renuncia sobre o crédito, se o 
credor fizer uma renúncia sobre sua garantia, ele permanece na qualidade de credor, ele só renuncia 
a qualidade de credor pignoratício e se torna credor simples. Pode se dar por ato inter vivos ou causas 
mortis. 
 
IV - confundindo-se na mesma pessoa as qualidades de credor e de dono da coisa: chamada 
confusão do direito obrigacional, pode ocorrer por fato jurídico qualquer. Por exemplo a coisa 
empenhada passa a pertencer ao credor, como ele pode ser credor dele mesmo, isso pode ocorrer por 
ato inter vivos ou causa mortis. Se as qualidades jurídicas da pessoa se misturarem, acaba se diluindo 
a qualidade do penhor, então se mantém uma só, ocorrendo a extinção do penhor. O penhor pode 
retornar caso a causa de extinção desapareça. 
 
V - dando-se a adjudicação judicial, a remissão ou a venda da coisa empenhada, feita pelo 
credor ou por ele autorizada: adjudicação – se após a avaliação não houver lançador/arrematante o 
credor pignoratício pode requerer a adjudicação, ou seja, incorporação daquele bem ao seu patrimônio 
(não pode fazer diretamente) desde o preço não inferior ao valor do credito ou descrito no edital, deve 
devolver valor excedente. Remissão – liberação da coisa gravada em penhor mediante pagamento, é 
a possibilidade do devedor de excluir o seu bem da penhora oferecendo a quantia do débito, mais 
juros, multas, dentre outros, antes da arrematação.Venda da coisa empenhada – a venda amigável, 
permitida expressamente no contrato. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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Art. 1.437. Produz efeitos a extinção do penhor depois de averbado o cancelamento do registro, à 
vista da respectiva prova.: extinto o penhor o credor tem que restituir o bem, mas essa extinção só 
vai ter validade depois de levado a conhecimento no cartório, ou seja, averbar o cancelamento, a vista 
da prova oficial do registro. 
 
29 – HIPOTECA 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Significado / Natureza Civil: direito real de crédito que tem como finalidade assegurar o 
recebimento desse crédito com a vinculação de determinado bem para o caso de a dívida não se paga 
pelo seu devedor. O bem pode pertencer ao devedor, mas nada impede que pertença a terceiros. Essa 
hipoteca tem natureza civil, ainda que a dívida tenha natureza comercial. 
2.1 Posse / Indivisibilidade: posse – neste caso da hipoteca o devedor não perde a posse direta do 
bem, continua colhendo os frutos do bem, pois não houve alteração pratica e jurídica sobre a colheita 
desses frutos, não perde a disponibilidade desse bem, o fato de ter dado esse bem em hipoteca a 
disponibilidade continua sendo plena, na medida que esse ônus segue esse bem aonde quer que ele 
for. É nula qualquer clausula que proíba o credor de alienar o bem penhorado (essa clausula 
contaminada a hipoteca e não a obrigação total). Também pode fazer o oferecimento desse bem em 
segunda hipoteca (segundo credor deve estar ciente da primeira hipoteca). Indivisibilidade - a 
hipoteca grava o bem na totalidade do bem, não se exonera com eventual pagamento parcial, salvo 
disposição contraria. 
 
2. ESPÉCIES DE HIPOTECA 
 
2.1 Convencional: se dá por acordo entre as partes, concretizado através de escritura pública ou 
particular, neste caso haverá dois polos, duas partes interessadas nesta hipoteca convencional – credor 
hipotecário é aquele que aceita um determinado bem de outra pessoa para garantir seu crédito no caso 
de não pagamento voluntario; e devedor hipotecante é quem oferece voluntariamente um bem de sua 
propriedade para servir a execução forçada caso ele não venha a pagar sua divida (pode incidir sobre 
qualquer modalidade de obrigação – na obrigação de dar essa hipoteca assegura a entrega, e a de fazer 
e não fazer assegura o pagamento relacionado ao valor da obrigação). É possível que se convencione 
mais de uma hipoteca sobre o mesmo bem, exceto quando o título anterior fizer entendimento disso 
expressamente. 
Se o valor do bem hipotecado exceder o valor da obrigação principal, a sobra desse valor pode servir 
para segurar/garantir outra obrigação, deve haver referência da existência de uma garantia anterior, 
sob pena de crime de estelionato – chama-se subpoteca ou segunda hipoteca, esse segundo credor 
hipotecário ou subpotecário é um quirografário em relação ao primeiro hipotecário, mas especial ao 
demais credores. O segundo hipotecário pode se tornar o primeiro hipotecário caso pague a obrigação 
do devedor ao primeiro hipotecário, se torna preferencial a eventuais credores. 
2.2 Legal: é aquela hipoteca que leva em consideração a proteção ao credor dado pelo próprio 
legislador, naqueles casos em que ele específica (abaixo) 
 
- Pessoas de direito público interno: tem hipoteca legal sore os bens imóveis pertencentes aos 
encarregados, servidores públicos que cuidam da arrecadação, cobrança, e da adm. dos fundos 
pertencentes ao estado. O objetivo do legislador com essa previsão é proteger o Estado contra 
eventuais prejuízos da má administração feita pelos seus servidores, isso se dá com a posse do 
servidor 
- Filhos, sobre os imóveis dos pais por novas núpcias antes de fazer o inventário: o objetivo do 
legislador é impedir confusão patrimonial e proteger a legitima dos herdeiros necessários, além do 
uso da família. Antes do sujeito casar de novo deve se fazer o inventario garantindo a herança aos 
herdeiros necessários. 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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- Ofendido ou seus herdeiros sobre os imóveis do delinquente: o ofendido (aquele que foi vitimado) 
ou se morreu, seus herdeiros, caso devam ser ressarcidos o legislador atendendo a natureza da 
indenização fez a revisão que eventual imóvel que esse autor do crime tenha seja hipotecado, caso 
não faça pagamento da indenização. Pode requerer isso em qualquer fase do processo, desde que haja 
certeza da infração e indícios suficientes da autoria – se no final o sujeito for absorvido ou for extinta 
a punibilidade a hipoteca é cancelada. 
 
2.3 Judicial: a sentença de condenação do réu em uma condenação/obrigação pecuniária vale como 
título constitutivo de hipoteca judicial, bastante que pegue essa sentença e leva-a a registro no CRI e 
que se faça comunicação disso ao juízo competente para que intime a parte contrária. 
 
3. REQUISITO SUBJETIVO / DISPONIBILIDADE 
 
3.1 Capacidade e Legitimidade: todo acordo/convenção é um contrato e deve se observar a 
capacidade, existe a capacidade geral e específica/especial. A capacidade geral quer dizer a 
capacidade civil (18 anos ou suplemento com representação/assistência); e a capacidade especial é a 
legitimação, uma espécie de capacidade especial pois é um plus em relação a capacidade geral, ou 
seja, em certos casos não basta ser capaz é preciso ter autorização de alguém. Só se pode dar em 
hipoteca aquilo que é suscetível a alienação 
3.2 Execução da dívida hipotecaria: se dá sobre a forma de execução, então moroso devedor o 
oficial de justiça vai penhorar preferencialmente sobre imóvel de hipoteca. O credor hipotecário tem 
preferencial sobre os demais credores. 
3.3 Cédula hipotecária: as partes resolvem emitir um título que representa a hipoteca, nos casos em 
que a lei admite, para facilitação da circulação, é uma hipoteca com título. Ela constitui um título de 
crédito que representa o respectivo crédito hipotecário – ainda não há regulamentação. 
 
4. REQUISITO OBJETIVO – capacidade/legitimação 
 
Art. 1.473. Podem ser objeto de hipoteca: objeto sob qual recai esse consenso entra as partes, 
chamado de hipoteca convencional. 
 
I - os imóveis e os acessórios dos imóveis conjuntamente com eles; hipoteca tem caráter acessório, 
porque ela pressupõe uma dívida (desaparecendo a dívida desparece a hipoteca), então os frutos e 
benfeitorias estão incorporadoras nesse imóvel, e como a hipoteca recai sobre o todo, abrange tanto 
as acessões como os melhoramentos. O bem dado em hipoteca não pode ser um bem futuro, em razão 
do princípio da especialização, a coisa dada em hipoteca deve ser identificada, especificada. O bem 
dado em hipoteca pode ser pertencente a mais de uma pessoa, como copropriedade, condomínio 
edilício. 
II - o domínio direto; legislador está se referindo a enfiteuse (II e III), o domínio direto é do senhorio 
III - o domínio útil; enfiteuse 
IV - as estradas de ferro: previsão que sob estradas de ferro pode recair hipoteca, deve haver registro 
feito no CRI onde começa a linha férreo, os credores não podem embaraçar a exploração desta estrada 
de ferro, a continuidade dos serviços. Se houver execução nesse caso, precisa intimar o representante 
da união ou dos estados para intervir nessa execução no prazo de 20 dias. Essas estradas são 
consideradas unidades econômicas como um complexo, considera-se como todo o material (trilho, 
solo, estações, terrenos marginais, oficinas, edifício) 
V - os recursos naturais a que se refere o art. 1.230, independentemente do solo onde se acham; 
trata-se das jazidas e demais recursos naturais previstos no 1.230 – se converter o direito de 
exploração em concessão do governo, proprietário se torna concessionário, esse direito de exploração 
pode ser dado em garantia, hipoteca-se as instalações físicas. Registro feito no livro de registro de 
convenção de lavra. 
VI - os navios: admite essa hipoteca, mas não a regula no código. Esses bens, navios e aeronaves, 
são suscetíveis de identificação,sendo assim, de registro peculiar, o que permiti a especialização e 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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publicidade (regra geral dos direitos reais de garantia). O registro dos navios é feito no tribunal 
marítimo para valer sobre terceiros. Para efeitos jurídicos são bens moveis, mas quando se oferece 
como garantia de dívida o legislador não o chama de penhor e sim hipoteca, se tornam imobilizados 
– mesmo eles sendo bens móveis. 
VII - as aeronaves: registra-se no registro aeronáutico brasileiro, certificado de matrícula da 
aeronave. 
VIII - o direito de uso especial para fins de moradia: em resumo aquela pessoa que ate dia 
22/12/2016 possuiu como seu por 5 anos ininterruptamente e sem oposição área de ate 250 metros 
quadrados de modo público da união situado em área com características urbanas, e que utilizou para 
sua moradia ou sua família tem direito para concessão (não aquisição) de uso especial para fins de 
moradia, desde que não seja proprietário, concessionário de outro imóvel – pode se hipotecar tal 
direito, não é o bem que está sendo hipotecado e sim o direito (a hipoteca pode recair além de bens 
moveis também direito relacionado a bens móveis previstos em lei) 
IX - o direito real de uso; instituído pela mesma Lei nº 11.481 de 2007, que institui o direito de cima. 
Constitui na permissão para que interessado possa usar imóvel de propriedade da união atendidos 
alguns requisitos – se dá através de ato administrativo. Também é levado a registro, mas segue a 
legislação especial. Pode hipotecar tal direito. 
X - a propriedade superficiária. – superfície é a possibilidade de se permitir a construção/plantação 
sobre determinado terreno, permitindo a exploração desse bem por determinado tempo. 
 
4. REQUISITO FORMAL 
 
4.1 Título Constitutivo / Registro: – na hipoteca convencional o acordo de vontades deve estar 
inserido em um documento, formal. Em escritura particular ou pública a depender do valor (até 30 
salários-mínimos). Só se transforma em direito real de garantia quando houver o registro da 
convenção/hipoteca (antes disso é um direito pessoal), terá efeito erga omnes (contra terceiros) – 
surge a preferência e a sequela. O registro é feito no CRI do local do imóvel (exceto algumas exceções 
acima). Aquele que primeiro registrou a hipoteca é o primeiro credor hipotecário, o registro conta a 
partir da prenotação, período em que o cartório faz a verificação de regularidade dos documentos. 
Art. 1485 – o prazo máximo da hipoteca constituída é de trinta anos. 
 
6. EXTINÇÃO DA HIPOTECA 
 
Art. 1.499. A hipoteca extingue-se: não é exaustivo, e sim exemplificativa – não são todas. Pois 
também pode ocorrer com o cancelamento do registro artigo 1500, e além dessas há outras 
mencionadas, como a consolidação da propriedade – quando na mesma pessoa se concentra a 
condição de devedor e credor. Se a hipoteca se estender por mais de 30 anos, também ocorre a 
extinção (precisa fazer nova hipoteca sobre o mesmo bem para evitar a extinção) 
 
I - pela extinção da obrigação principal: ora, desaparecendo a dívida, a obrigação principal, 
evidentemente desaparece a hipoteca, tendo em vista que esse ônus, hipoteca, é um direito acessório, 
não tem autonomia, segue o principal. Legislador se refere a extinção total, se for parcial mantém o 
direito com ônus hipoteca, pois tem a característica da indivisibilidade. 
II - pelo perecimento da coisa: perecimento é uma espécie de perda do bem ou da obrigação principal, 
se houve perecimento total da coisa extingue-se parcial permanece sobre o remanescente. Se havia 
seguro deve haver a sub-rogação da importância paga pelo seguro, mas evidentemente ao valor 
correspondente ao cumprimento da dívida. Se houver a desapropriação o credor sub-roga sobre o 
valor, no caso de indenização se sub-roga sobre valores pagos a terceiros. 
III - pela resolução da propriedade: se admite que seja dado em hipoteca um imóvel cuja propriedade 
desse imóvel seja resolúvel, o risco é assumido pelo credor. Propriedade resolúvel é aquela que pode 
se resolver com o percurso do tempo em razão de termo ou condição, se isso acontecer extingue-se a 
hipoteca, não a dívida. 
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IV - pela renúncia do credor: renúncia se refere – credor pode se renunciar tanto ao crédito quando 
ao objeto, o legislador aqui faz referência ao objeto, ônus, e não a garantia. Essa renúncia deve ser 
expressa, caso ocorra a renúncia o credor continua sendo credor, mas simples, não hipotecário, ou 
seja, um credor sem uma condição especial – tratando da hipoteca condicional, já que a hipoteca legal 
é irrenunciável pois se assenta em interesse público (exceto hipoteca sobre imóveis do delinquente). 
Admite-se que haja renúncia tácita, o próprio legislador da uma indicação do que seria essa tácita, o 
credor que é intimado, mas não compareça a praça/leilão público para exercer seu direito de 
preferência ele está renunciando a hipoteca convencional (não o crédito). 
V - pela remição: é um resgate pelo pagamento, quem pode fazer o pagamento antes da adjudicação 
é o próprio devedor, cônjuge, descendente. Além destes, o segundo credor da hipoteca também pode 
pagar, e vai se sub-rogar sobre os direitos do primeiro hipotecário. O adquirente do imóvel hipotecário 
(já que pode se alienar o imóvel) também tem direito de pagar. 
VI - pela arrematação ou adjudicação: o credor hipotecário tem direito de remir o imóvel 
hipotecário. O arrematante pode receber o bem líquido, se dará para quem fazer o maior lance, e caso 
não haja arrematante pode ocorrer a adjudicação – a possibilidade de ficar com o imóvel. Se o juiz 
expedir a carta de ambas ocorre a extinção da hipoteca. 
 
30 – ANTICRESE 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Noção e Objeto: anticrese é a terceira espécie de direito real sobre coisa alheia, onde o credor 
recebe a posse direta de determinado bem, coisa fungível e fica autorizado a administrar e perceber 
os frutos desse bem, e imputá-los no pagamento desta dívida. Por exemplo, A deve 10000 a B, mas 
não tem dinheiro para pagar, então ele oferece sua fazenda, e a dívida vai sendo paga com os frutos 
dessa fazenda. A ideia do legislador é fazer com que o credor possa explorar o seu crédito pelas 
próprias mãos, especialmente nos casos onde o devedor não dispõe de outro recurso para fazer o 
pagamento – é pouco utilizado, mas é possível. O objeto dessa anticrese é o bem imóvel, 
 
2. REQUISITOS 
 
2.1 Forma e Requisitos (Objetivo e Subjetivo): tem que se dar por escrito (assim como na hipoteca), 
seu instrumento de constituição tem que ser escrito, pode ser particular ou público - formal. É uma 
convenção de vontades, por isso deve analisar a capacidade geral e especial (ex. não pode um cônjuge 
estabelecer anticrese sem consentimento do outro – exceto regime de separação total de bens). 
 
3. CARACTERISTICAS 
 
3.1 Administração, fruição e Retenção pelo Credor: o credor anticrético pode quando estabelecido 
a anticrese, administrar o bem e fluir, utilizar-se de seus frutos, e também pode arrendar o bem para 
terceira pessoa. Embora possa fazer isso, ele deve apresentar um balanço anual ao devedor para que 
possa impugnar e caso haja impugnação o devedor vai poder requerer ao juiz que está relação 
anticrética seja transformada em arrendamento que também poderá estabelecer seu valor (isso ocorre 
quando há desavença sobre o pagamento – balanço atual). 
 
3.2 Deterioração do bem por culpa do Credor: o credor anticrético deve guarda a coisa como se 
fosse sua, caso não faça isso, seja negligente ele responderá sobre prejuízos causados, ele deve 
indenizar, pois ele deve zelar pela ciosa como se fosse sua e retirar proveito até o valor do seu crédito. 
 
4. EXTINÇÃO 
 
4.1 Pela extinção da obrigação principal: anticrese é uma forma de garantia acessória como o 
penhor e hipoteca, sendo assim, se extinguida a relação principal se extingue a acessória. Mas se o 
DIREITO CIVIL IV (REAISII) 
 
 
 
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objeto da anticrese estiver segurado o credor não terá direito sobre a indenização do seguro, e no caso 
de desapropriação o credor também as mesmas condições geradas na hipoteca art. 1519, parágrafo 
segundo (diferença para hipoteca). 
4.2 Pela Caducidade / Pagamento antecipado por eventual Adquirente: caducidade se transcorrer 
15 anos da sua constituição art. 1.423 se extingue, o legislador entende que se não conseguir pagar 
em 15 anos significa que esses frutos são insuficientes. 
 
31 – ENFITEUSE – não é mais realizada 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Art. 2.038. Fica proibida a constituição de enfiteuses e subenfiteuses, subordinando-se as 
existentes, até sua extinção, às disposições do Código Civil anterior, Lei no 3.071, de 1o de janeiro 
de 1916, e leis posteriores. 
 
1.1 Uma noção necessária / Partes: é o instituo pelo qual o proprietário de bem imóvel atribui a 
outra pessoa o domínio útil enquanto este que adquiriu o domínio útil passa a pagar um valor anual 
ao proprietário, certo e invariável, chamado pensão. Senhorio direto é o proletário do bem imóvel que 
dispõe desse bem em enfiteuse, e o enfiteuta é aquele que adquire o direito real dobre imóvel alheio. 
1.2 Proximidade com o Usufruto / Objeto: proximidade na medida que o legislador manda aplicar 
as mesmas condições do usufruto na enfiteuse. O enfiteuta pode alienar, gravar, dar em hipoteca, 
servidão, usufruto. O proprietário da enfiteuse conserva apenas o nome de dono com os direitos entre 
eles o direito de preferência, se por acas o enfiteuta pretenda conferir a outra pessoa esse domínio 
útil. Por tanto é objeto dessa enfiteuta as terras particulares e não exploradas terrenos destinados a 
edificação, em casos descritos em decretos também podia recais sobre terras da marinha 
1.3 Perpetuidade e Indivisibilidade: ela é perpetua, na medida que é regida por tempo ilimitado, em 
forma que se transmite tanto por causa intervivos ou causas mortis. 
 
2. EXTINÇÃO 
 
2.1 Pela deterioração natural do prédio aforado: deterioração, perda do bem aforado em enfiteuse 
gera sua extinção. 
2.2 Falta de pagamento por 3 anos: se a pessoa que possui a posse direta não pagar por 3 anos se 
extingue por sentença a enfiteuse. 
2.3 Por falecimento do enfiteuta sem herdeiros: enfiteuta é que possui a possa direta do bem, se 
houver falecimento dele (salvo direito dos credores) e não tiver herdeiro (se houver passa) extingue-
se a enfiteuse. 
2.4 Perecimento / Desapropriação / Usucapião: perecendo ou destruindo prece também o direito, 
desapropriação é a retira forçada do estado, se houver acaba-se a enfiteuse já que o interesse publico 
é maior. Na usucapião, tanto o proprietário ou titular da posse “dorme no ponto” e terceiro utiliza a 
propriedade e conquista-la por usucapião. 
2.5 Renúncia / Consolidação / Confusão / Resgate: renúncia deve ser expressa – abdicação de 
direito do titular da enfiteuse, não se fala mais em enfiteuse. Consolidação ocorre quando o enfiteuta 
exerce seu direito de preferência da venda da propriedade e passa a ter como sua, passa a ser 
proprietário. Se houve confusão quando na mesma pessoa se reúne as qualidades se enfiteuta e 
senhorio, ocorre a extinção. Por fim o resgate ocorre quando o domínio pleno passa para a mão da 
enfiteuse, desde que passados 10 anos da sua constituição e mediante pagamento 2,5% do valor da 
propriedade e pago mais 10 parcelas. 
 
 
PROPRIEDADE INTELECTUAL – DIREITOS AUTORAIS 
 
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1 PROPRIEDADE INTELECTUAL – Divisão 
 
1.1 Noção Geral: a propriedade intelectual nada mais é do que um ramo do direito que regula as 
relações jurídicas advindas da criação do intelecto, ou seja, aspecto material e moral. Baseado nos 
tratados internacionais em que os países se comprometeram e criarão regras sobre o assunto, por isso 
são tão parecidos. 
Gênero é a propriedade intelectual e essa propriedade comporta desdobramentos: propriedade 
industrial (cuida das criações do intelecto ligada a atividade industrial) e direito autoral (se subdivide 
em - direitos do autor e direitos conexos). 
 
2 PROPRIEDADE INDUSTRIAL – Lei 9.279/96 
 
2.1 Significado: propriedade industrial é um ramo da propriedade intelectual que cuida das relações 
jurídicas ligadas a criação do intelecto com objetivos essencialmente pragmáticos. Visa estabelecer 
produções prática no dia a dia das pessoas. E essa propriedade é subdividida: 
Invenção: pode ser considerado todas as criações de intelecto que são pautadas a resolver um 
problema prático da sociedade, exemplo, remédio, fórmulas químicas, aparelhos eletrodomésticos 
etc. 
Modelos de utilidade: é a mesma coisa que invenção, o que muda é o grau de originalidade que é 
menor nesse modelo do que na invenção, na verdade o modelo é uma complementação da invenção, 
consistiu uma melhoria pratica na invenção já existente. 
Marcas: são sinais distintivos de produtos ou serviço, figuras, palavras, expressões que o empresário 
utiliza para diferenciar os produtos e serviços de outros tantos empresários e fornecedores de serviço. 
Geralmente associa marca com patente, mas são coisas diferentes, as marcas é um a criação intelectual 
que o empresário usa para diferenciar esse produto e a patente não é uma criação, mas o nome que se 
dá a uma proteção jurídica dessa proteção. O estado reconhece certos tipos de criação e dá uma 
proteção jurídica a ela, patente é uma proteção estatal para tais criações. Ambas merecem proteção 
do estão a partir de um determinado momento, o registro, feito em órgão público, no INPI, ambos são 
regulados pela mesma lei, mas as regras são diferentes – a proteção da marca é 10 anos e da patente 
20 anos. 
Desenho industrial: é um conjunto de linhas ou um conjunto de cores que são colocadas em um 
determinado objeto e dão a ele m aspecto original, distintivo dos demais produtos, exemplo, uma 
embalagem nova de um produto que já existe. 
 
 
3 DIREITO AUTORAL – Lei 9.610/96 (L.D.A) 
 
3.1 Significado, natureza e divisão: Significa - é aquele direito voltado a regular relações jurídicas 
originais da criação do intelecto, mas desta feita, relacionadas a atividades artísticas, cientificas e 
culturais. Tem foco em interesse de caráter subjetivos, exemplo, músicas, poemas, livros, peças, 
monografias, teses, artigos científicos, desenhos, pinturas, esculturas, filmes, fotografia etc. Natureza 
– o legislador considera o direito autoral como bens móveis e a interpretação de seus negócios 
relacionados devem ter interpretação restritiva. Divisão – direitos autorias se subdivide: direitos do 
autor - prerrogativas asseguradas pelo legislador as pessoas identificadas como criadores de obra 
intelectual, pouco importa se pessoa física ou jurídica, essa proteção é para que possam prover de 
proveito econômico diante da eventual exploração dessas criações, essas prerrogativas são de duas 
ordens os direitos patrimoniais e o chamado direito moral. Direito patrimonial é o proveito pecuniário 
obtido da utilização dessa obra, entre esses proveitos o direito de exclusividade (proíbe que outras 
pessoas utilizem dessa obra sem autorização). Enquanto direito moral é aquele ligado a personalidade 
do autor, a ligação subjetiva que o autor tem com a sua criação, e neste caso de direito do autor esse 
direito moral são tratados de forma taxativa na lei de direito autoral e direitos conexos 
DIREITO CIVIL IV (REAIS II) 
 
 
 
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3.2 Quem é autor/ Registro: autor - pessoa física criador de uma obra literária, artística ou cientifica, 
para se identificar como autor/criador da obra pode usar do seu nome civil, pseudônimo, considera-
se autor aquele que estiver indicado esta qualidade na sua utilização, neste caso de direito autoral não 
se considera coautor aquela pessoa que simplesmente ajudou o autor da obra, embora tenha direitos 
segurados (direitos conexos). A pessoa jurídica a autoria será dada de forma restritiva, em casos 
especificados em lei– editor e produtos. Compete ao editor direito exclusivo de reprodução da obra 
e o dever de divulgá-la, no limite previsto no contrato de edição; e o produtor cabe a responsabilidade 
econômica da primeira fixação do cronograma ou da obra áudio visual. Dois são os sistemas de 
proteção do direito do autor – direito do autor e copyright. A qualidade de autor independe de qualquer 
capacidade especifica, o autor pode ser representado, a titularidade do direito que pode mudar – 
originária se dá quando o titular do direito for o próprio criador; e a derivada quando não for o próprio 
autor (contratos de exceção ou edição de sucessão de morte do autor. Registro - a obra intelectual não 
precisa ser registrada para ter os direitos de autor protegido, mas esse registro é o meio mais eficaz 
da prova da autoria, sem essa prova não tem a proteção dos direitos. O uso sem autorização dessa 
obra é chamado de violação de direitos autorais, exemplo, o plágio 
 
3.3 Direitos conexos: direitos assegurados a certas pessoas que contribuirão para concretização e 
divulgação de obras alheias. A intenção do legislador é reconhecer o interesse de pessoas que 
contribuirão que a obra fosse concluída. 
 
3.4 Algumas expressões: criação: criar é fazer fluir algo que não existe de forma intelectual; 
publicação: oferecimento da obra ao público, evidentemente com o consentimento e concordância do 
autor para que tenha proveito econômico; transmissão: é a difusão do som ou da imagem por qualquer 
meio de divulgação; retransmissão: é a emissão simultânea da transmissão de uma para outra 
empresa; comunicação ao público: o ato de colocação da obra ao público, mas que não consiste na 
distribuição de exemplares; reprodução: copia de uma obra com autorização do autor, 
armazenamento por meio eletrônico; e contrafação: é a reprodução não autorizada de uma obra 
(crime de violação de direitos autoral). 
 
3.5 Domínio Público: é a situação pela qual a obra intelectual protegida passa a poder ser explorada 
economicamente por qualquer pessoa sem a necessidade de autorização do autor, e sem que isso 
consista em violação de direito autoral. Em regra geral, por transcurso de tempo - se te proteção da 
criação durante toda a vida do autor e após a morte por mais 70 anos, exemplo de uso por transcurso 
de tempo – as obras de Machado de Assis, as editoras podem explorar essa obra como quiser, sem 
que cause violação de direito autoral ou tenha que pagar algo. Esse domínio público recai sobre os 
direitos patrimoniais (proveito econômico), direitos morais ele não recai (como autoria), ninguém 
pode se passar como autor das obras de Machado de Assis, por exemplo. 
 
4 DIREITO DE ARENA – art. 42 da Lei 9.615/95 
 
4.1 Significado: é o direito que tem as entidades de prática esportivas de negociar, autorizar, ou 
proibir a fixação, transmissão ou retransmissão de imagem de um espetáculo desportivo. A lei regula 
que 5% que essas entidades auferirem devem ser transferidos aos atletas por meio de seus sindicatos 
profissionais. O que é repasso a eles é parte do proveito econômico dessa reprodução.

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