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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA 
DE 
TRONCO COMUM 
 
1º Ano 
 
Disciplina/Módulo: TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
Código: ISCED11-LIECFC002 
Total Horas/1o Semestre: 100 
Créditos (CFG): 4 
Número de Temas: 24 
 
 
 
 
 
 
 
 INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (ISCED) 
 
 
 
Direitos de autor (copyright) 
 
Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação à Distância (ISCED) e 
contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação e/ou reprodução deste manual, 
no seu todo ou em partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, 
mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa da entidade editora 
(Instituto Superior de Ciências e Educação à Distância). O não cumprimento desta 
advertência é passível a processos judiciais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instituto Superior de Ciências e Educação à Distância (ISCED) 
 
Rua Dr. Almeida Lacerda nº 211 – Ponta-Gêa 
Beira – Sofala 
 
Telefone / Fax: 23323501 
Moçambique 
 
Fax: 23 32 64 06 
E-mail: info@isced.ac.mz 
Website: www.isced.ac.mz 
 
 
 
Agradecimentos 
 
O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente manual 
agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste 
manual: 
 
Pela coordenação 
 
Direcção Acadêmica do ISCED 
 
Pelo design Direcção de Qualidade e Avaliação do ISCED 
Financiamento e logística 
 
Instituto Africano de Promoção da Educação 
à Distância (IAPED) 
 
Pela revisão final Dr. Marcelino Cumbane 
 
Elaborado por: 
Dr. Fernando Manuel Samuel Safo Chicumule - Mestrando em Línguas, Literaturas e 
Culturas e Especializado em Língua Portuguesa e Literaturas de Expressão Portuguesa e 
Licenciado em Língua e Cultura Portuguesa 
 
 
 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Índice 
Visão geral 1 
Bem vindo ao Módulo de Técnica de Expressão .............................................................. 1 
Objectivos do Módulo....................................................................................................... 1 
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 2 
Como está estruturado este módulo ................................................................................ 2 
Ícones de actividade ......................................................................................................... 3 
Acerca dos ícones ........................................................................................... 3 
Habilidades de estudo ...................................................................................................... 3 
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 4 
Tarefas(avaliação e auto-avaliação) ................................................................................. 4 
Avaliação ........................................................................................................................... 4 
Unidade 1. O processo de comunicação 5 
Introdução ............................................................................................................... 5 
Sumário ........................................................................................................................... 10 
Exercícios ........................................................................................................................ 11 
Unidade 2. As Técnicas e os Métodos de Estudo 13 
Introdução ............................................................................................................. 13 
Sumário ........................................................................................................................... 16 
Exercícios ........................................................................................................................ 17 
Unidade 3. A Leitura 17 
Introdução ............................................................................................................. 17 
Sumário ........................................................................................................................... 20 
Exercícios ........................................................................................................................ 20 
Unidade 4. A Tomada de Notas 21 
Introdução ............................................................................................................. 21 
Sumário ........................................................................................................................... 24 
Exercícios ........................................................................................................................ 24 
Unidade 5. O Resumo 25 
Introdução ............................................................................................................. 25 
Sumário ........................................................................................................................... 27 
Exercícios ........................................................................................................................ 27 
Unidade 6. A Síntese 30 
Introdução ............................................................................................................. 30 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Sumário ........................................................................................................................... 32 
Exercícios ........................................................................................................................ 32 
Unidade 7. A Ortografia 33 
Introdução ............................................................................................................. 33 
Sumário ........................................................................................................................... 38 
Exercícios ........................................................................................................................ 39 
Unidade 8. A Pontuação 40 
Introdução ............................................................................................................. 40 
Sumário ........................................................................................................................... 47 
Exercícios ........................................................................................................................ 48 
Unidade 9. A análise de um texto escrito 48 
Introdução ............................................................................................................. 48 
Sumário ........................................................................................................................... 51 
Exercícios ........................................................................................................................ 51 
Unidade 10. A Frase 51 
Introdução ............................................................................................................. 51 
Sumário ........................................................................................................................... 54 
Exercícios ........................................................................................................................ 54 
Unidade 11. A Frase Simples e Complexas 55 
Introdução ............................................................................................................. 55 
Sumário ........................................................................................................................... 58 
Exercícios ........................................................................................................................58 
Unidade 12. Estudo do Verbo 59 
Introdução ............................................................................................................. 59 
Sumário ........................................................................................................................... 62 
Exercícios ........................................................................................................................ 62 
Unidade 13. Conjugação Pronominal 63 
Introdução ............................................................................................................. 63 
Sumário ........................................................................................................................... 65 
Exercícios ........................................................................................................................ 65 
Unidade 14. O Discurso directo e Indirecto 65 
Introdução ............................................................................................................. 65 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Sumário ........................................................................................................................... 67 
Exercícios ........................................................................................................................ 68 
Unidade 15. A Ficha Bibliográfica 68 
Introdução ............................................................................................................. 68 
Sumário ........................................................................................................................... 70 
Exercícios ........................................................................................................................ 70 
Unidade 16. A Ficha de Leitura 70 
Introdução ............................................................................................................. 70 
Sumário ........................................................................................................................... 73 
Exercícios ........................................................................................................................ 74 
Unidade 17. O Sumário 74 
Introdução ............................................................................................................. 74 
Sumário ........................................................................................................................... 78 
Exercícios ........................................................................................................................ 78 
Unidade 18. Textos Administrativos 79 
Introdução ............................................................................................................. 79 
Sumário ........................................................................................................................... 80 
Exercícios ........................................................................................................................ 80 
Unidade 19. Formas de Tratamento 81 
Introdução ............................................................................................................. 81 
Sumário ........................................................................................................................... 83 
Exercícios ........................................................................................................................ 83 
Unidade 20. A Carta 84 
Introdução ............................................................................................................. 84 
Sumário ........................................................................................................................... 87 
Exercícios ........................................................................................................................ 87 
Unidade 21. A convocatória 88 
Introdução ............................................................................................................. 88 
Sumário ........................................................................................................................... 90 
Exercícios ........................................................................................................................ 90 
Unidade 22. A Acta 91 
Introdução ............................................................................................................. 91 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Sumário ........................................................................................................................... 94 
Exercícios ........................................................................................................................ 94 
Unidade 23. Texto Expositivo-Explicativo 95 
Introdução ............................................................................................................. 95 
Sumário ........................................................................................................................... 98 
Exercícios ........................................................................................................................ 99 
Unidade 24. Texto Expositivo-Argumentativo 99 
Introdução ............................................................................................................. 99 
Estrutura do Texto Argumentativo 105 
Sumário ......................................................................................................................... 107 
Exercícios ...................................................................................................................... 108 
Unidade 25. O Relatório 108 
Introdução ........................................................................................................... 108 
Sumário ......................................................................................................................... 110 
Exercícios ...................................................................................................................... 111 
 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
VISÃO GERAL 
Bem-vindo ao Módulo de Técnicas de Expressão Oral 
e Escrita em Língua Portuguesa 
A Competência na comunicação e expressão em língua 
portuguesa é uma das habilidades indispensáveis, quer na 
comunidade em geral, quer em todos os processos de gestão do 
capital humano, nas organizações. Assim, por meio deste manual 
pretendemos que o futuro técnico ou gestor de recursos humanos 
seja capaz de se exprimir correctamente e de produzir 
documentos de carácter administrativo com uma boa 
expressividade e correcção linguísticas. 
 
Objectivos do Módulo 
Ao terminar o estudo do módulo de Técnica de Expressão Oral e 
Escrita em Língua Portuguesa, o formando será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 Adquirir e aperfeiçoar as técnicas de expressão consideradas 
como fundamentais para a prossecução dos estudos superiores 
e para futura vida profissional. 
 Conjugar destrezas e conhecimentos linguísticos com literacia e 
competências comunicativas. 
 Analisar aspectos gramaticais e funcionais da língua portuguesa 
 Reflectir sobre a estética e a cultura da linguagem. 
 Produzir correctamente textos de carácter administrativo; 
 Aplicar eficazmente as diferentes formas de tomada de nota ou 
de estudo. 
 Reconhecer as estratégias discursivas que norteiam a produção 
e organização de textos. 
 Usar correctamente as regras de pesquisa e elaboração de 
trabalhos científicos. 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
 
 
Quem deveria estudar este módulo 
Este Módulo foi concebido para todos os estudantes dos Cursos de 
Licenciatura no Instituto Superior de Ciências e Educação à 
Distância (ISCED), que têm, no seu plano curricular, a disciplina de 
Técnicasde Expressão Oral e Escrita. O módulo reserva-se ainda 
para todo o Público que o considere interessante. 
Como está estruturado este módulo 
Todos os módulos dos cursos produzidos pelo Instituto Superior 
de Ciências e Educação à Distância (ISCED) encontram-se 
estruturados da seguinte maneira: 
Páginas introdutórias 
 Um índice completo. 
 Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os 
aspectos-chave necessários para completar o estudo. 
Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção 
antes de começar o seu estudo. 
Conteúdo do curso / módulo 
O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma 
introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade 
incluindo um sumário da unidade e uma ou mais actividades para 
auto-avaliação. 
Outros recursos 
Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos 
uma lista de recursos adicionais para você explorar. Estes recursos 
podem incluir livros, artigos ou sites na internet. 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação 
Tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de 
cada unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais 
para desenvolver as tarefas, assim como instruções para as 
completar. Estes elementos encontram-se no final do módulo. 
Comentários e sugestões 
Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer 
comentários sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os 
seus comentários serão úteis para nos ajudar a [re] avaliar e 
melhorar este curso / módulo. 
Ícones de actividade 
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas 
margens das folhas. Estes ícones servem para identificar 
diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar 
uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, 
uma mudança de actividade, etc. 
Acerca dos ícones 
Pode ver o conjunto completo de ícones deste manual já a seguir, 
cada um com uma descrição do seu significado e da forma como 
nós interpretámos esse significado para representar as várias 
actividades ao longo deste curso / módulo. 
Ao longo do módulo encontrarás uma série de imagens que 
sintetizam as teorias apresentadas. Estes ícones foram retirados 
de obras consultadas ou então criadas para facilitar o processo de 
compreensão dos conteúdos patentes no módulo. 
Habilidades de estudo 
Caro formando, o ensino à distância requer de si um grande 
interesse pelo estudo, porque é um “Auto didacta”. Neste sentido, 
terá de criar um horário de estudo que lhe dará a possibilidade de 
estudar o módulo pelo menos quatro horas por semana. 
No fim de cada unidade, será necessário que se elabore uma 
síntese das teorias lidas para a compreensão dos conteúdos. 
 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
 
Precisa de apoio? 
 A base do estudo é este módulo, mas pode completar as suas 
investigações na biblioteca do Instituto Superior de Ciências e 
Educação à Distância (ISCED) ou até com os materiais que poderá 
encontrar noutras bibliotecas. 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) 
As Tarefas de exercícios estão em função dos objectivos, fichas 
informativas, recursos existentes e de todo um leque de condições 
concretas. Os trabalhos serão entregues obedecendo aos critérios 
estabelecidos pelo ISCED. 
 
Avaliação 
A avaliação da cadeira será controlada da seguinte maneira: 
 Três (3) Trabalhos realizados pelos estudantes, sendo 
divididos em três sessões presenciais de acordo com a 
programação do ISCED. 
 Dois (2) Testes escritos em presença e um Exame no fim do 
semestre. 
 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
UNIDADE 1 
 O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO 
Introdução 
Nesta primeira unidade, abordamos o processo de comunicação 
porque constitui a base da nossa comunicação no quotidiano. 
Neste processo, são estudados os elementos que garantem uma 
comunicação perfeita. 
Focalizamos também as funções de comunicação que se 
relacionam intrinsecamente com os factores da comunicação para 
o processo comunicacional. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Conhecer os elementos de comunicação; 
 Relacionar os factores da comunicação com as funções de 
linguagem; 
 Comunicar, de forma desbloqueada, sem ruído. 
 
O Processo de comunicação 
No processo de comunicação, o emissor (ou codificador) emite 
uma mensagem (ou sinal) ao receptor (ou descodificador), através 
de uma chamada, por exemplo um telefonema. O receptor 
interpretará a mensagem que pode ter chegado até ele com 
algum tipo de barreira (ruído) e, a partir daí, dará o feedback ou 
resposta, completando o processo de comunicação. 
Ciclo comunicacional: 
- Codificar: transformar, num código conhecido, a intenção da 
comunicação ou elaborar um sistema de signo ou um significado 
que aparenta objectivos comuns; 
- Descodificar: decifrar a mensagem, operação que depende do 
repertório (conjunto estruturado de informação) de cada pessoa; 
- Feedback: corresponde à informação que o emissor consegue 
obter e pela qual sabe se a sua mensagem foi captada pelo 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Emissor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mensagem
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sinal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Receptor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ru%C3%ADdo
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema
http://pt.wikipedia.org/wiki/Signo
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
receptor. 
Tipos de Linguagem 
-Linguagem verbal: as dificuldades de comunicação ocorrem 
quando as palavras têm graus distintos de abstracção e variedade 
de sentido. O significado das palavras está nas pessoas (no 
repertório de cada um e que lhe permite decifrar e interpretar as 
palavras); 
-Linguagem não-verbal: as pessoas não se comunicam apenas por 
palavras. Os movimentos faciais e corporais, os gestos, os olhares, 
as entoações são também importantes: são os elementos não 
verbais da comunicação. 
Os significados de determinados gestos e comportamentos variam 
muito de uma cultura para outra e de época para época. 
A comunicação verbal é plenamente voluntária; o comportamento 
não-verbal pode ser uma reacção involuntária ou um acto 
comunicativo propositado. 
Alguns psicólogos (e.g. Armindo Freitas-Magalhães, 2007) afirmam 
que os sinais não-verbais têm as funções específicas de regular e 
encadear as interacções sociais e de expressar emoções e atitudes 
interpessoais: 
a) Expressão facial: não é fácil avaliar as emoções de alguém 
apenas a partir da sua expressão fisionómica. Por vezes os rostos 
transmitem espontaneamente os sentimentos, mas muitas 
pessoas tentam inibir a expressão emocional. 
b) Movimento dos olhos: desempenha um papel muito 
importante na comunicação. Um olhar fixo pode ser entendido 
como prova de interesse, mas noutro contexto pode significar 
ameaça, provocação. Desviar os olhos quando o emissor fala é 
uma atitude que tanto pode transmitir a ideia de submissão como 
a de desinteresse. 
c) Movimentos da cabeça: tendem a reforçar e sincronizar a 
emissão de mensagens. 
d) Postura e movimentos do corpo: os movimentos corporais 
podem fornecer pistas mais seguras do que a expressão facial para 
se detectar determinados estados emocionais. Por ex.: inferiores 
hierárquicos adoptam posturas atenciosas e mais rígidas do que os 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Linguagem_verbal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89poca
http://pt.wikipedia.org/wiki/Psic%C3%B3logo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Armindo_Freitas-Magalh%C3%A3es
http://pt.wikipedia.org/wiki/2007
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Sociais&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Olho
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabe%C3%A7a
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
seus superiores, que tendem a mostrar-se descontraídos. 
e) Comportamentosnão-verbais da voz: a entoação (qualidade, 
velocidade e ritmo da voz) revela-se importante no processo de 
comunicação. Uma voz calma geralmente transmite mensagens 
mais claras do que uma voz agitada. 
f) Aparência: a aparência de uma pessoa reflecte normalmente o 
tipo de imagem que ela gostaria de passar. Através da 
indumentária, arrumo, maquilhagem, apetrechos pessoais, 
postura, gestos, modo de falar, etc, as pessoas criam uma 
projecção de como são e de como gostariam de ser tratadas. As 
relações interpessoais serão menos tensas se a pessoa fornecer 
aos outros a sua projecção particular e se os outros respeitarem 
essa projecção. 
Relação Interpessoal - construção da identidade (ERIKSON, 1872): 
- implica definir quem a pessoa é, quais sãos seus valores e qual 
direcção deseja seguir pela vida. 
Elementos da comunicação 
A comunicação acompanha o ser humano desde seu nascimento, 
sendo processada em todo tempo, independentemente da forma 
ou da localização. O sucesso de toda a actividade profissional é 
uma comunicação eficaz. 
 
Comunicar significa transmitir e receber mensagens e pode ser 
realizada por meio de: 
-Linguagem falada ou escrita, 
-Linguagem de sinais, 
-Ideias, 
-Comportamentos e atitudes. 
 
No entanto, a comunicação jamais poderá ser compreendida 
como um fenómeno isolado, pois ela somente será efectiva, se 
outros elementos estiverem presentes nessa dinâmica. 
 
Os elementos da comunicação são: 
 
1- Emissor (locutor) = É aquele que dá início ao processo 
comunicativo, pois transmite a mensagem. 
 
2- Receptor (alocutário) = É o alvo do emissor, sendo quem 
recebe a mensagem. 
 
3- Mensagem = Pode ser um facto, ideias ou até mesmo, 
emoções, ou seja, é o conteúdo contido na comunicação. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Voz
http://pt.wikipedia.org/wiki/Postura
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
 
4- Canal = É o meio pelo qual a mensagem é enviada do emissor 
para o receptor. 
 
5- Referente ou Contexto: É o objecto ou a situação a que a 
mensagem se refere. 
 
6- Código: É o conjunto de regras de combinação de signos 
utilizado para elaborar uma mensagem: o emissor codifica aquilo 
que o receptor irá descodificar. 
 
Entende-se que a organização deve estar atenta ao que vai além 
das palavras no processo de comunicação. É preciso focalizar 
também os gestos, as expressões e atitudes. Ao mesmo tempo, 
ressalta-se que o mais importante é ter capacidade de uma escuta 
atenta ao que diz o cliente, pois ele repassará para a empresa o 
feedback de todo o investimento realizado na sua direcção. 
 
O maior cuidado deve estar em não produzir “ruídos” ao realizar a 
comunicação. Isso quer dizer ter certeza de que a mensagem 
emitida foi correctamente recebida e interpretada pelo público-
alvo. 
 
É preciso ter o conhecimento das técnicas e dos conceitos para 
colocar as palavras certas em função da comunicação certa. 
 
Funções da linguagem 
 
1. Função Emotiva ou Expressiva 
Esta função ocorre quando se destaca o emissor. A mensagem 
centra-se nas opiniões, sentimentos e emoções do emissor, sendo 
um texto completamente subjectivo e pessoal. A ideia de 
destaque do locutor dá-se pelo emprego da 1ª pessoa do singular, 
tanto das formas verbais, quanto dos pronomes. A presença de 
interjeições, pontuação com reticências e pontos de exclamação 
também evidenciam a função emotiva ou expressiva da 
linguagem. Os textos que expressam o estado de alma do locutor, 
ou seja, que exemplificam melhor essa função, são os textos 
líricos, as autobiografias, as memórias, a poesia lírica e as cartas 
de amor. 
Exemplo: 
Pelo amor de Deus, preciso encontrar algo, nem que sejam cinco 
meticais! 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
2. Função Informativa ou Referencial ou Denotativa 
Referente é o objecto ou situação de que a mensagem trata. A 
função referencial privilegia justamente o referente da mensagem, 
procurando transmitir informações objectivas sobre ele. Centra-se 
no contexto da mensagem. 
Exemplo: 
"Nos vertebrados, esta resposta inclui uma série de alterações 
bioquímicas, fisiológicas e imunológicas colectivamente 
denominadas inflamação." (Descrição da inflamação num artigo 
científico). 
3. Função Apelativa ou Conativa ou Injuntiva 
É voltada para o leitor, tom imperativo, e muito encontrada em 
propagandas. A mensagem é centrada no receptor e organiza-se 
de forma a influenciá-lo, ou chamar sua atenção, o contexto torna-
se a parte mais importante da mensagem. Geralmente, usa-se a 2ª 
pessoa do discurso (tu/você; vós/vocês), vocativos e formas 
verbais ou expressões no imperativo. Como essa função é a mais 
persuasiva de todas, aparece comummente nos textos 
publicitários, nos discursos políticos, horóscopos e textos de auto-
ajuda. Como a mensagem centra-se no outro, ou seja, no 
interlocutor, há um uso explícito de argumentos que fazem parte 
de seu universo. 
Exemplo: 
"Beba Coca-Cola" / "Venha à caixa Senhor, venha!" 
4. Função Fáctica 
O canal é posto em destaque, ou seja, o canal que dá suporte à 
mensagem. Ocorre quando o emissor tem a intenção de testar o 
canal. A Função Fáctica seria basicamente o diálogo. 
Exemplo: 
"Alô ?!", "Entenderam?", “Quem fala...?” 
5. Função Poética 
É aquela que se centra sobre a própria mensagem. Tudo o que, 
numa mensagem, suplementa o sentimento da mensagem através 
do jogo de sua estrutura, de sua tonalidade, de seu ritmo, de sua 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
sonoridade. Essa função é capaz de despertar no leitor o prazer 
estético e surpresa. É explorado na poesia e em textos 
publicitários. 
Exemplo: 
“Aquela cativa que me tem cativo” (Camões) 
6. Função Metalinguística 
Caracterizada pela preocupação com o código. Pode ser definida 
como a linguagem que fala da própria linguagem, ou seja, 
descreve o acto de falar ou escrever. Programas de TV que 
abordam sobre a própria TV ou programas de TV que abordam 
sobre os media. Peças de teatro que tratam sobre o teatro. 
Exemplos: 
A linguagem (o código) torna-se objecto de análise do próprio 
texto. Os dicionários e as gramáticas são repositórios de 
metalinguagem. 
“Lutar com palavras é a luta mais vã. Entretanto lutamos mal 
rompe a manhã. São muitas, eu pouco. Algumas, tão fortes como 
o javali. Não me julgo louco. Se o fosse, teria poder de encantá-las. 
Mas lúcido e frio, apareço e tento apanhar algumas para meu 
sustento num dia de vida. Deixam-se enlaçar, tontas à carícia e 
súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia que as traga de 
novo ao centro da praça.” Carlos Drummond de Andrade 
Nesse poema, Drummond escreve um poema sobre como 
escrever poemas... Ou seja, a criação literária fala sobre si mesma. 
Um outro exemplo é quando um cartunista descreve o modo 
como ele faz seus desenhos num próprio cartoon; ele demonstra o 
acto de fazer cartoons e como são feitos. 
nções da 
Sumário 
Em síntese: 
O processo da comunicação mobiliza todos os factores da 
comunicação, partindo do emissor que codifica uma mensagem 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
que aborda um assunto do mesmo contexto, por meio de um 
canal que respeita um determinado código, para um receptor 
capaz de descodificar a informação veiculada da mensagem. 
Todos os elementos comunicacionais referidos centram-se, 
respectivamente, nas funções expressiva, poética, referencial, 
fáctica, metalinguística e apelativa. 
Exercícios 
Leia atentamente os textos e responda às questões levantadas em 
torno deles. 
TEXTO -1 
Lição sobre a água 
Como substância, a água é incolor, insípida e inodora. 
Desempenha, portanto, um papel invulgar em todos os campos de 
actividade do mundo. Quimicamente, nada se lhe compara. Trata-
se de um composto de grande estabilidade, notável solvente e 
poderosa fonte de energia química. 
Quando congelada, portanto na forma sólida, a água se expande 
ao invés de retrair, conforme acontece com a maioria das demais 
substâncias,e o sólido mais leve flutua sobre o líquido mais 
pesado, com consequências surpreendentes. Ela é capaz de 
absorver e liberar mais calor que todas as demais substâncias 
comuns. No que diz respeito a uma série de propriedades físicas e 
químicas, tais como seu ponto de congelamento e ebulição, a água 
é singular, verdadeira excepção à regra. E quase todas as 
propriedades participam dos mecanismos da vida humana, quer 
naturalmente, como no processo digestivo, ou artificialmente, 
como uma máquina a vapor. 
Todas essas peculiaridades da água podem ser explicadas à luz da 
sua estrutura molecular. A combinação de dois átomos de 
hidrogénio com um de oxigénio formando a água (H2O) resulta 
numa molécula espantosamente resistente, sendo necessária uma 
energia extraordinária para cindi-la. De facto, até há uns 180 anos 
passados acreditava-se que a água fosse um elemento indivisível, 
e não um composto químico. 
MATTOS e MEGALE: 13:1990 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Texto 2 
 
1. Identifique os elementos da comunicação presentes nos 
dois textos por meio de um quadro comparativo. 
2. Encontre funções da linguagem nos dois textos e 
exemplifique com passagens textuais. 
3. Descreve situações de ruído de comunicação em todos 
factores de comunicação 
4. Elabore um texto onde ocorram todas as funções da 
linguagem. 
 
 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
 
UNIDADE 2 
 AS TÉCNICAS E OS MÉTODOS DE ESTUDO 
Introdução 
A unidade aborda essencialmente as técnicas de estudo para os 
estudantes do ensino superior e, no geral, para os estudantes de 
qualquer nível que queiram ver o seu trabalho repleto de 
sucessos. 
O ISCED usa o método PBL, que centraliza o processo de ensino e 
aprendizagem no aluno e a aplicação do estudante nos estudos 
constitui a base. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Diferenciar os métodos de estudo no ensino superior dos 
métodos de estudo no ensino secundário; 
 Organizar, planificar e implementar as tarefas, ou seja, as 
actividades de estudo; 
O método de estudo 
Ao ingressarmos numa instituição temos de prestar atenção a 
algumas mudanças relacionadas aos métodos de estudo. Aqui e 
em particular neste ISCED usa-se o método PBL que centraliza o 
processo de ensino e aprendizagem no aluno. Neste método, o 
aluno é o centro da aprendizagem e todas as atenções estão 
viradas para o seu desenvolvimento, com tendência à resolução 
de problemas específicos da vida quotidiana. Como veremos nos 
tópicos que se seguem nesta unidade não pretendemos ilustrar a 
aplicabilidade do método, mas sim o uso de determinadas técnicas 
que contribuirão para o maior rendimento do estudante no 
método. 
A Aprendizagem no ISCED 
Como já dissemos acima, os métodos de aprendizagem no ISCED 
são diferentes dos usados no ensino secundário geral, pois, para 
além do nível de abordagem dos conteúdos que é mais profundo, 
os estudantes devem possuir a seguinte postura (+) 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
pesquisadores, (–) dependentes do Docente e de maior autonomia 
na aprendizagem. 
A título de exemplo de algumas diferenças dos estudantes das 
duas escolas temos, de acordo com Ruiz, (1991:19)1 
“ no curso médio, o estudante leva para casa as tarefas 
diárias; não acontece o mesmo na faculdade. No curso 
médio, os alunos andam uniformizados, não podem fumar 
no recinto escolar e as classes são bastante homogéneas; 
no curso superior nada disso acontece”. 
Como se pode notar, a caracterização do ambiente de estudo no 
ensino universitário é diferente do ensino secundário. Assim, o 
estudante do ensino universitário deve ser pontual, responsável e 
assíduo às aulas. A responsabilidade referida parte da 
programação das actividades diárias. 
O plano de actividades 
No quotidiano, notamos constantemente que todo o homem 
planifica, pois, a planificação é guia das suas actividades. Com base 
nela, os homens praticam e controlam o cumprimento dos 
objectivos previamente estabelecidos. Assim, tendo o estudante 
um conjunto de actividades a efectuar, é pertinente que essas 
sejam devidamente planificadas para que o objectivo de 
assimilação dos conteúdos seja consumado. 
Segundo Estanqueiro (2002: 13)2 
“Se compararmos o rendimento de duas pessoas com 
capacidades intelectuais semelhantes, veremos que vai 
mais longe aquele que dedica mais horas ao estudo. 
Acontece até que muitos estudantes de ritmo lento (tipo 
tartaruga) chegam a superar colegas rápidos (tipo lebre), 
só porque começam mais cedo e são mais regulares.” 
Da citação, pode compreender-se até que ponto vai a 
responsabilidade do estudante na universidade, pois, antes de 
tudo, o estudante deve ser capaz de dispor de tempo para estudar 
ou mesmo para frequentar todas as aulas do curso. Assim, torna-
se indispensável que o estudante descubra o tempo para o 
desenvolvimento desta e das outras actividades. 
 
1
 RUIZ, J. Álvaro, Metodologia Científica: Guia para eficiência nos estudos, 
São Paulo: ATLAS 1991 
2
 ESTANQUEIRO, A. G. Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
 
De acordo com Ruiz, (1991: 22)3 
“ A maneira mais prática de descobrir ou fazer aparecer o 
tempo consiste em tomar uma folha de papel, anotar os 
diversos dias da semana em linha horizontal e os diversos 
afazeres em linha vertical; registar depois, na coluna de 
cada dia da semana, as horas plenas e os diversos espaços” 
 
É evidente que nem sempre acordaremos a hora indicada no 
nosso horário mas o grande esforço do estudante deve cingir-se 
no cumprimento do horário estabelecido. Neste horário devem 
constar todas as actividades inclusive as actividades de estudo 
individual: preparação para a aula, revisão de aula, revisões gerais 
para as provas e exames e até os tempos de lazer. 
Não importa se o tempo de estudo de cada cadeira ou disciplina é 
pouco ou não, porque se usarmos correctamente as técnicas de 
leitura, revisão, fichamento teremos um bom aproveitamento. 
Nisto, é necessário desenvolver técnicas para tornar qualquer 
tempo produtivo. 
Do ponto de vista de Ruiz, (1991: 22)4 
“A perseverança no cumprimento do programa é o maior 
problema; geralmente, o nosso tempo é pequeno, mas o 
pior é que o pequeno espaço de tempo se converte em 
nada pela falta de perseverança.” 
 O autor acima referido apela-nos para maior perseverança nas 
actividades programadas no horário individual mas, para além da 
 
3
 RUIZ, J. Álvaro, Metodologia Científica: Guia para eficiência nos estudos, 
São Paulo: ATLAS 1991 
4
 RUIZ, J. Álvaro, Metodologia Científica: Guia para eficiência nos estudos, 
São Paulo: ATLAS 1991 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
perseverança, Estanqueiro cita também a necessidade de ocupar 
as melhores horas do dia para o estudo individual. 
Segundo Estanqueiro (2002:14)5 
“ o estudo é uma actividade ciumenta que exige as melhores 
horas do dia. Quais são? Várias experiências provam que o 
rendimento intelectual da manhã é superior ao da tarde e ao 
da noite. Ao princípio da tarde, ocorre sempre uma quebra de 
vivacidade mental, fruto de uma certa sonolência que ataca a 
gente e não apenas os que fizeram um grande almoço. Quanto 
à noite, é natural que o cansaço acumulado de um dia 
prejudique o rendimento, apesar de haver pessoas que se dão 
bem a estudar na calma da noite.” 
 
Pode-se depreender da citação que, cada estudante tem um 
determinado tempo que lhe é rentável nas suas actividades, pois, 
enquanto uns obtém uma boa atenção mental na assimilação dos 
conteúdos nas manhãs; outros, obtém o mesmo estado nas tardes 
ou à meia-noite. Por isso, convém deixarmos bem claro nesta 
unidade quecada estudante deve ser capaz de descobrir o seu 
tempo mais rentável. Além do tempo, as condições do ambiente 
de estudo “calmo, barulhento, no quarto, na praia”, estado 
emocional do estudante entre outros, constituem os principais 
factores a ter em conta na planificação do tempo de estudo. 
 
Sumário 
Em síntese: 
A adopção de um ou do outro método de estudo nos 
estabelecimentos educacionais tem como objecto alcançar os 
objectivos preconizados nos programas. Assim, com a adopção do 
método PBL esperamos que o processo seja eficaz e que o aluno 
sinta que tem todas as ferramentas necessárias para o seu 
progresso. 
A programação, a perseverança e a responsabilidade nas 
actividades será como sempre a base do êxito educacional do 
estudante. 
 
5
 ESTANQUEIRO, A. G. Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Exercícios 
1. Elabore um horário das suas actividades tendo em 
conta as cadeiras que tem e as exigências do curso. 
2. Indique duas vantagens da programação das 
actividades. 
3. Por que razão Ruiz afirma que “A perseverança no 
cumprimento do programa é o maior problema…” 
 
UNIDADE 3 - A LEITURA 
Introdução 
No processo de ensino e aprendizagem é preciso compreender 
que o êxito nos estudos provém da adopção de técnicas de estudo 
e de leitura. Fazer uma boa leitura significa criar condições para 
que a leitura termine na compreensão dos conteúdos. Assim, 
nesta unidade, pretendemos apresentar algumas técnicas que lhe 
poderão ajudar nos seus estudos. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Indicar o propósito da leitura; 
 Praticar a leitura de acordo com as etapas; 
 Verificar a compressão dos conteúdos. 
Para se alcançar o pleno êxito na sua carreira estudantil, não basta 
apenas o facto de participar às aulas e receber as orientações com 
relação aos objectivos da aprendizagem, mas é também 
necessário que se façam leituras. 
De acordo com Gomes (2002:57)6, o acto de ler consiste em 
“decifrar símbolos de linguagem escrita para lhes conferir a 
correspondência com os sons que representam”. 
Do conceito de leitura acima apresentado, é possível notar que 
toda actividade da aprendizagem terá o seu fulcro na leitura 
porque com base nela o estudante será capaz de assimilar 
conteúdos a partir da atitude de clarificar os conteúdos 
 
6
 Gomes A. Didáctica de Ensino da Língua Portuguesa, Vol. II, 2002 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
subjectivos. 
Segundo Potts (1989:56)7 
“No sentido genérico, a qualidade de uma leitura é a soma 
de todos os elementos que estão presentes numa peça 
impressa, que influencia o êxito que um grupo de leitores 
consegue com ela. O êxito é medido pela extensão em que 
o texto é compreendido, a velocidade óptima é tida como 
interessante.” 
Como se afirma na citação, o êxito da leitura é avaliado 
pelo grau da compreensão do texto no processo de ensino e 
aprendizagem. Se os estudantes não forem capazes de transmitir 
o conteúdo patente no texto, ou seja, de mostrar que 
conhecimentos adquiriram ou, ainda, de usar os conhecimentos 
para responder a determinadas necessidades, então, eles não 
entenderam o texto. Porém, a leitura é antecedida por uma 
selecção de obras que normalmente nos é apresentada pelo 
docente mas se assim não suceder siga as instruções que se 
seguem. 
 
Como seleccionar o que ler 
É evidente que ao nos dirigirmos à biblioteca já teremos em mão 
um tema relacionado com uma determinada área da 
aprendizagem. No entanto, será fundamental que conheçamos a 
organização dos livros de estudo na biblioteca e depois que 
conheçamos a organização dos próprios livros em si. Assim, é 
interessante trazermos a teoria de Estanqueiro (2001:69)8 que se 
refere que há três técnicas entre outras possíveis de ajudar a 
conhecer um livro, a descobrir o seu interesse e a tornar mais 
rentável a sua utilização. 
As técnicas destacadas pelo autor são: Percorrer o Índice, ler a 
Introdução e folhear as páginas. Para o autor “pelo índice é 
possível ver o essencial da matéria tratada. (...) Na Introdução, o 
autor explica as intenções do livro, (...) Folheando o livro pode 
observar-se a forma como é apresentada a matéria.”9 
 
7
 In Didáctica de ensino da língua portuguesa. 
8
 ESTANQUEIRO, A. Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
9
 ESTANQUEIRO, A, Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Na mesma perspectiva de abordagem, Ruiz (1991: 35)10, para além 
dos elementos citados, acrescenta que “devemos ver o nome do 
autor, o seu Curriculum, a orelha do livro, a documentação ou as 
citações ao pé das páginas, a bibliografia, assim como verificar a 
editora, a data, a edição e ler rapidamente o prefácio” 
No processo de desenvolvimento da leitura é preciso ter em conta 
dois passos que são considerados fundamentais para que se 
efectue uma leitura efectivamente produtiva. Na primeira leitura, 
procura-se ter um conhecimento global do texto e, na segunda, 
faz-se uma leitura mais aprofundada procurando compreender e 
assimilar o essencial. 
A primeira etapa da leitura, de acordo com Estanqueiro, pode ser 
designada Ler “por Alto” e a segunda Ler “em Profundidade”. A 
primeira consiste em dar uma passagem de olhos pelo seu 
conteúdo, procurando ter uma visão panorâmica do terreno a 
explorar ou seja uma visão geral do assunto “a Ideia Principal”. 
Nesta primeira leitura, pode-se fazer a leitura de alguns parágrafos 
(os iniciais e os do meio e o último parágrafo). 
As questões tais como: 
“O Que diz o texto? Que pretende transmitir o 
autor? 
Que explicações são fundamentadas? Os factos e os 
argumentos são esclarecidos? 
Concordo com a opinião do autor? 
Que novidades surgem no texto? 
Encontro informações úteis? Posso aplicá-las na 
prática? 
Que ligações tem o assunto com aquilo que já sei?” 
É bom notar que um bom leitor não regista passivamente tudo 
aquilo o que lê nos livros, mesmo se os autores lhe merecem toda 
a confiança. O bom leitor tem de manifestar o seu espírito crítico 
perante todo o conteúdo que lê, ele analisa, compreende, 
interpreta, compara e avalia. Esta prática torna-se eficaz a partir 
do momento em que sabemos sublinhar o essencial do texto. 
O acto de sublinhar as ideias-chave do texto desperta a atenção, 
ajuda a captação e facilita as revisões. Assim para sublinhar e fazer 
 
10
 RUIZ, J. Álvaro, Metodologia Científica: Guia para eficiência nos estudos, 
São Paulo: ATLAS 1991 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
anotações na margem do texto, o metodólogo Estanqueiro diz que 
é necessário: 
 “Dar prioridade as definições, fórmulas, esquemas, termos 
técnicos, e outras palavras ou expressões que sejam a 
chave da ideia principal. 
Destacar uma ou duas frases por parágrafo. 
Sublinhar apenas os livros pessoais” 
Por sua vez, Ruiz reforça que temos de seleccionar apenas as 
ideias principais e os detalhes importantes; não devemos 
sublinhar por ocasião da primeira linha, reconstruir o parágrafo a 
partir das palavras sublinhadas, ler o parágrafo sublinhado com a 
continuidade e plenitude de sentido de um telegrama; sublinhar 
com dois traços as palavras-chave da ideia principal, e com um 
único traço os pormenores importantes; assinalar com linha 
vertical, as margens mais significativas e finalmente assinalar com 
um ponto de interrogação as margens dos pontos a discordar. 
Sumário 
Em síntese: 
A qualidade de uma leitura é a soma de todos os 
elementos que estão presentes nele, que influenciam no 
êxito que um grupo de leitoresconsegue com ela. O 
resultado da leitura é medido pela extensão em que o 
texto é compreendido, a velocidade óptima é tida como 
interessante.” 
Exercícios 
“No processo de desenvolvimento da leitura é preciso ter em conta 
dois passos fundamentais para que se efectue uma leitura 
efectivamente produtiva.” 
1. Quais são as etapas a seguir no acto da leitura? 
2. Que questões podem ser colocadas depois de ter feito uma 
leitura? 
 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
UNIDADE 4 
A TOMADA DE NOTAS 
Introdução 
A tomada de notas constitui uma síntese dos conteúdos lidos e 
todo o estudante deverá conhecer e usar correctamente estas 
regras. Assim, nesta unidade apresentamos as diferentes formas 
de tirar apontamentos e as orientações recomendadas para cada 
método. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Conhecer as regras de tomada de notas; 
 Tomar notas. 
 
A Tomada de Notas 
Um bom leitor, para além de sublinhar, também faz anotações 
quer no papel quer no próprio texto de apoio. Estas anotações, 
principalmente, as feitas no texto são a prova do seu espírito 
crítico. Enfim, as anotações são reacções ou comentários pessoais 
e podem expressar-se através de formas diversificadas: 
 Ponto de interrogação (?) como sinal de dúvida; 
 Ponto de exclamação (!) como sinal de surpresa ou 
entusiasmo; 
 Letras diversas para fazer uma observação simples como 
por ex: B - bom, I - importante ou interessante, N – não, R- 
rever e outras; 
 Palavras que resumam o núcleo central de um parágrafo; 
 Uma nota de referência sobre os assuntos defendidos pelo 
mesmo autor ou por autores diferentes (ESTANQUEIRO, 
2001). 
 
Nota: 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Fazer anotações é enriquecer o livro e elas (as anotações) devem 
ser claras e breves. 
A actividade de tirar apontamento é complexa e constitui um dos 
processos fundamentais para a captação e retenção da matéria, 
pois, por meio dos apontamentos aprendemos melhor e as nossas 
informações ficam guardadas para sempre. 
 
De acordo com Estanqueiro, os apontamentos podem ser de três 
tipos: Transcrição, esquemas e resumos. 
 
O primeiro tipo de apontamento “A Transcrição” consiste em 
transcrever e copiar uma informação de forma totalmente igual ao 
texto original. Porém, é importante referir que esse não é o 
processo mais eficaz para estudar um assunto, embora seja útil, 
pois enquanto se escreve pensa-se sobre aquilo que se lê. Mais 
eficaz será fazer esquemas e resumos. 
Regras: 
De acordo com o mesmo autor11 as regras a serem seguidas 
nos apontamentos de transcrição são: 
 Não copiar longos textos, integralmente. Basta seleccionar 
as partes mais significativas. 
 Pôr entre aspas os textos copiados; 
 Indicar com precisão a fonte, ou seja, registar o nome do 
autor, o título do livro ou da revista; o número da edição, o 
local da edição, o editor, a data e a página. 
Se assim estiverem organizados, os apontamentos poderão servir 
em qualquer momento. 
Esquema 
Uma técnica importante é passar a esquema todas as informações 
tidas como ideias-chave, durante a leitura. Pois eles (os esquemas) 
são simples enunciados das palavras-chave, em torno dos quais é 
possível arrumar grandes quantidades de conhecimentos. De 
acordo com Estanqueiro “eles também representam uma enorme 
economia de palavras e oferecem a vantagem de destacar e 
visualizar o essencial do assunto em análise, podendo ainda ser 
 
11
 Estanqueiro, A, Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
facilmente reformulados.” 
Tipos de esquemas: 
Ainda na mesma abordagem, refere-se que existem os seguintes 
tipos de esquema: Índices, quadros, gráficos, desenhos ou mapas 
e todos estes tipos de esquema podem ser encontrados nos 
manuais. 
De acordo com Ruiz, as regras do resumo são: 
 Ser fiel ao texto; 
 Apanhar o tema do autor; 
 Ser simples, claro e destacar os títulos e subtítulos; 
 Subordinar as ideias aos factos; 
 Manter um sistema uniforme de observação. 
Nota: Os esquemas não são aconselháveis pela insuficiência de 
informações. 
 
O resumo 
Segundo Estanqueiro (2001: 52, 53), 
Resumir é abreviar, tornar mais curto um texto. Isto exige 
capacidade para seleccionar e reformular as ideias essenciais, 
usando frases bem articuladas. 
Às pessoas pouco treinadas na técnica do resumo, propomos a 
seguinte metodologia: 
 1.º Compreender o texto, na sua globalidade; 
 2.º Descobrir a ideia-chave ou tópico de cada parágrafo; 
 3.º Registar numa folha de rascunho o conjunto dos vários 
tópicos, recolhidos parágrafo a parágrafo; 
 4.º Reconstruir o texto, de um modo pessoal, respeitando 
sempre o plano e o pensamento do autor. 
Um bom resumo, tal como um bom esquema, tem quatro 
características fundamentais: 
 Brevidade - os pontos principais da matéria são registados 
de forma abreviada. Um bom resumo não ultrapassa um 
quarto do texto inicial. 
 Clareza - os factos ou as ideias são apresentados sem 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
qualquer tipo de confusão ou ambiguidade. 
 Rigor - o essencial do assunto é reproduzido fielmente, 
sem erros nem deformações. 
 Originalidade - a matéria é traduzida numa linguagem 
original, própria de cada leitor, embora transmita apenas o 
ponto de vista do autor. Resumir não é comentar! 
 Fazer resumos é um processo eficaz para compreender e assimilar 
a matéria. É também um treino fundamental para a transmissão 
das nossas ideias, de forma breve, clara, rigorosa e original. 
Nas provas de avaliação, escritas ou orais, e pela vida fora, exige-
se capacidade para comunicar, com rapidez e eficiência, o 
essencial das coisas que sabemos. Aprender a resumir é aumentar 
as hipóteses de sucesso: 
 
Nota: quando for convidado a fazer um resumo, não hesite em 
perguntar qual a extensão desejada, para não haver defeito nem 
excesso. 
 
Sumário 
Em síntese: 
A actividade de tirar apontamento constitui um dos 
processos fundamentais para a captação e retenção da 
matéria, pois, por meio dos apontamentos aprendemos 
melhor e as nossas informações ficam guardadas para 
sempre. Os apontamentos podem ser de três tipos: 
Transcrição, esquemas e resumos 
Exercícios 
1. Indique as diferentes formas de tirar apontamentos. 
2. Diferencie-as. 
3. Faça a tomada de notas do Texto 1, da Unidade 1. 
 
 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
 
UNIDADE 5 
O RESUMO 
Introdução 
Qualquer estudante do ensino superior deve ser capaz de resumir 
textos de carácter científico ou didáctico, pois, por meio dos 
resumos, os resultados adquiridos nos estudos são mais eficazes e 
mais amplos. 
Nesta unidade, veremos as estratégias usadas para a redução de 
um texto – a técnica de resumo - especificamente o método 
RASERO.
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Ao completar esta unidade /lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Detectar o essencial num texto para resumi-lo; 
 Discernir sobre o que é indispensável, o principal, o 
importante, o secundário, o acessório e o inútil; 
 Resumir um texto de qualquer natureza (científico / 
literário); 
A actividade de resumir um texto destaca-se pelo facto de tornar o 
texto mais curto, contraído, condensado ou de abreviá-lo. Porém, 
não se deve confundir um plano com um resumo, pois, este é 
correctamente redigido, claro e construído. Deve pôr em realce o 
essencial, sem ser nem uma análise nem um comentário. 
De acordo com Lemitre (1986: 158), o resumo dá uma visão de 
conjunto do conteúdo e acentua a progressão dos pontos 
principais. Ele respeita a linearidade do discurso inicial. Não pode 
retomar todas as ideias expostas,mas não deverá tão-pouco 
limitar-se a um sobrevoo abstracto não conservando senão os 
conceitos sem explicações. 
Em suma, resumir é apresentar, de forma contraída, reduzida ou 
abreviada, as ideias principais de um texto. E para chegarmos a 
ele, há que fazer uma operação mental insubstituível: dispensar o 
que não é significativo. Ao dispensar o que é secundário, 
valorizará só o que é fundamental. Por isso, um resumo bem feito 
é económico em palavras e rico em significado. 
São alguns dos exemplos de resumo: as manchetes, os títulos, as 
legendas. Assim, dar títulos, fazer manchetes ou construir 
legendas é uma actividade que muitas vezes nos ajuda no domínio 
do significativo de um texto. 
Para detectar, referenciar, descobrir, apreender e apontar as 
ideias de fundo, directrizes, mestras, essenciais ou centrais é 
necessário seguir o método RASERO. 
 Rapidez da leitura do texto; 
 Atenção da leitura do texto; 
 Sublinhado das ideias-chave; 
 Esquema do essencial; 
 Resumo das unidades de significação; 
 Operatividade. 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
Nestas actividades, a grande dificuldade é de identificar qual é o 
conteúdo mais importante, mas é preciso ter em atenção que as 
ideias principais encontram-se em constelações de ideias. Ver em 
Ruiz p. 38-39 como se pode notar a partir do Plano (esquema) 
traçado se o leitor é capaz de produzir o resumo considerando os 
seguintes aspectos: 
 Eliminar as repetições, as interjeições; 
 Suprimir pormenores, exemplos isolados, citações, mas 
sem cair na generalização esquemática; 
 Manter os valores mais significativos em abordagens que 
apresentam números; 
 Distinguir as ideias principais das secundárias; 
 Respeitar a ordem, a estrutura e a proporção do texto, 
bem como as articulações lógicas. 
Defeitos a evitar: 
 A utilização de frases ou expressões inteiras do texto que 
se quer resumir; 
 Acrescentamento de comentários pessoais; 
 A ausência de elos de ligação entre as frases e os 
parágrafos. 
 
Sumário 
Em síntese: 
Resumir é apresentar de forma contraída, reduzida ou abreviada, 
as ideias principais de um texto. E para chegarmos a ele, há que 
fazer uma operação mental insubstituível: dispensar o que não é 
significativo. Ao dispensar o que é secundário, valorizará só o que 
é fundamental. Por isso, um resumo bem feito é económico em 
palavras e rico em significado. 
 
Exercícios 
1. “O resumo dá uma visão de conjunto do conteúdo e 
acentua a progressão dos pontos principais. Ele respeita a 
linearidade do discurso inicial.” 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
1. Clarifique a ideia expressa na afirmação. 
2. Explicite detalhadamente o método RASERO, resumindo o 
texto que se segue: 
A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR NO TRABALHO COM O 
TEXTO LITERÁRIO 
 
O trabalho com a literatura infantil e juvenil no contexto 
escolar e a formação do hábito/necessidade de leitura tem 
motivado várias discussões e busca constante de inovações 
por parte dos profissionais da educação. Porém, na prática, 
percebe-se que as aulas de Língua Portuguesa não têm dado 
conta de abarcar toda essa carga de responsabilidades, 
principalmente no que se refere à formação do hábito de 
leitura de textos literários. Como em qualquer outro conteúdo, 
o ensino da leitura na escola necessita de metodologia. 
Segundo Ezequiel Theodoro da Silva e Regina Zilberman 
(2005, p.115), uma pedagogia da leitura que objectiva a 
transformação do leitor e, através deste, da sociedade, 
dificilmente se funda na descrição da estrutura do(s) texto(s). 
Mais do que isso, uma pedagogia da leitura de cunho 
transformador propõe, ensina e encaminha a descoberta da 
função exercida pelo(s) texto(s) num sistema comunicacional, 
social e político. 
A história mostra que a criança só passou a ser vista como 
criança a partir do final do século XVII. Por isso, até então não 
se escrevia especificamente para elas, porque não existia o 
conceito de “infância” como um período particular na vida do 
ser humano. Foram as modificações acontecidas no início da 
Idade Moderna e solidificadas no século XVIII que propiciaram 
a ascensão de modalidades culturais como a escola com sua 
organização actual e o género literário dirigido ao jovem. A 
valorização da infância (enquanto faixa etária distinta do 
adulto) é o que chama a atenção nesse novo modelo, no qual a 
criança merece uma consideração especial e é-lhe dado o 
direito de tornar-se num adulto saudável, providenciando-lhe 
uma formação intelectual. (ZILBERMAN, 2005) 
A escola tem, nesse processo, uma actuação fundamental. 
Ela deve propiciar um encontro adequado entre criança e livro. 
O convívio com o texto alarga horizontes; não se trata, 
portanto, de oferecer ao leitor-jovem obras que justifiquem 
sua condição de marginalidade ou inferioridade social, mas 
sim, de dar-lhe a oportunidade de intercâmbio com o texto, 
vivenciando particularmente o mundo criado pelo imaginário. 
Dessa forma, a leitura adquire um carácter formativo, o que 
difere de uma função estritamente didáctica, propiciando 
elementos para a emancipação pessoal, fazendo com que o 
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leitor tenha um maior conhecimento do mundo e do seu 
próprio ser através da fantasia criada pelo escritor. 
Nessa interacção entre o texto e o leitor, é fundamental o 
papel do professor, pois ele é o principal responsável pelo 
ensino da leitura na escola. 
Para tanto, precisa estar fundamentado em teorias que o 
ajudem a pensar práticas pedagógicas para o ensino da 
literatura na escola. E o primeiro passo para que isso ocorra é 
a conscientização, tanto por parte do aluno quanto do 
professor – principalmente deste – de que a leitura, neste caso 
particularmente a leitura de textos literários, é uma das 
formas de aquisição de conhecimento e gostar de ler é um 
processo: não se nasce gostando e pode-se aprender. 
Por isso, tal processo requer procedimentos didáctico-
pedagógicos que levem o leitor a perceber que há um percurso 
até chegar ao objectivo, e que o prazer de ler é construído na 
medida em que ele vai superando as dificuldades, avançando e 
constituindo-se como sujeito, criando novas relações entre 
situações reais e situações de pensamento. 
Os alunos precisam ter contacto com textos literários em 
sala de aula, mas isso não pode ser feito de forma aleatória e 
desvinculada de um objectivo. É necessário planificar as aulas 
e usar estratégias que sirvam para despertar o interesse de 
crianças e adolescentes, permitindo-lhes superar as limitações 
e avançar, constantemente, no processo de amadurecimento 
como leitores e como pessoas. A esse respeito, Magnani 
afirma que: 
 se o gosto se aprende, pode ser ensinado. A 
aprendizagem comporta uma face não espontânea e 
pressupõe intervenção intencional e construtiva. 
Assim, o professor tem um importante papel a 
desempenhar no desenvolvimento de seus 
alunos/leitores. (MAGNANI, 1991, p.104) 
 Se o gosto se forma na aprendizagem escolar, o 
professor tem papel imprescindível neste processo. É 
necessário, além da planificação, uma intimidade com 
as obras literárias, adquiridas a partir do gosto de ler, 
primeiramente do professor, que será o principal 
mediador entre leitor e obra. 
Esta intimidade fará com que o professor tenha prazer em 
ler para seus alunos, comentar sobre as obras que está a ler e 
apresentar a eles tudo que a literatura é capaz de nos 
proporcionar. A partir daí os alunos naturalmente terão 
curiosidade em buscar sozinhos tudo aquilo que lhe é 
proporcionado quando o professor lê para eles. 
Ao fazer com que a obra literária chegue até ao aluno e ao 
planificar estratégias para este trabalho, o professor contribui 
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para que os conteúdos básicos de leitura, escrita, oralidade e 
análise linguística estejam interligados e não isolados. Além de 
facilitaraos alunos o acesso a diversos géneros textuais. 
Dessa forma, serão capazes de perceber o percurso que há 
até se chegar ao objectivo, e que o prazer de ler está na 
superação, na responsabilidade e na consciência de que leitura 
demanda esforço. 
Entendida desta forma a leitura da obra literária, propõe-
se que se pense no ensino de literatura a partir dos 
pressupostos teóricos da Estética da Recepção (JAUSS, 1971) 
que tem como fundamento central a ideia de que nenhuma 
obra está incólume às determinações históricas, às condições 
de recepção a que é exposta no passar do tempo. 
In: SANTOS NUNES, Isabel Cordeiro dos (2008). O texto literário no 
ensino fundamental. Porto Alegre 
(www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br) 
 
 
UNIDADE 6 
A SÍNTESE 
Introdução 
Para a elaboração de qualquer texto, seja de que natureza 
for, é necessário seguir um determinado percurso de forma a 
atingir uma hiperestrutura textual coerente e coeso. 
Portanto, nesta unidade apresentamos o percurso 
metodológico que deve ser seguido na produção ou elaboração de 
uma síntese. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 Elaborar uma síntese de texto de qualquer natureza 
(científico / literário); 
 
 
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Segundo Esteves (2002:82)12, a síntese é “um género de texto 
elaborado, de dimensão reduzida, mas redigida de forma simples, 
clara e consistente”. A elaboração de uma síntese implica um bom 
domínio das técnicas de leitura e de escrita. Deste modo, é 
possível trabalhar-se vários tipos de texto em simultâneo. 
O apelo à escrita sintética do mundo actual é devido a dois 
aspectos. Por um lado, aos vários suportes de informação 
existentes e, por outro, às exigências do próprio leitor que se 
interessa por escritos recheados de “paginação, cor, abundância 
de títulos, subtítulos e cabeçalhos, quadros, gráficos, resumos e 
sínteses, estrutura e plano em destaque, frases curtas (20 a 30), 
estilo concreto e vivo, próximo da oralidade, usando a forma 
activa e o infinitivo.”13 
 Percurso de elaboração 
Os passos a seguir para a elaboração de uma síntese assentam na 
compreensão do texto, na elaboração de um plano ou no 
reagrupamento das ideias e na redacção. 
I. Compreensão do texto 
Deve-se fazer uma leitura activa, tal como no resumo mas em 
menor profundidade. Implica destacar as palavras-chave, ideias-
chave e fazer anotações numa folha, usando frases soltas. 
II. Plano ou reagrupamento de Ideias 
Engloba os seguintes pontos: 
1. Apresentação – “Identifica o texto, o tema 
tratado, o nome do autor e eventualmente a 
tese”; 
2. Ilustração – “expõe os factos respeitantes ao 
tema; noutros casos, historia o problema”; 
3. Causas – “diagnostica o estado da questão, indo 
até às suas origens”; 
4. Efeitos – “reúne as consequências”; 
5. Remédios – “indica as soluções apresentadas 
pelos autores para alterar os efeitos ou resolver 
os problemas”; 
6. Conclusão – “apresenta as considerações finais 
dos textos.” 
 
12
 Esteves Rei, Curso de Redacção II, Porto: Porto Editora, p.82 
13
 idem 
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Plano ou Reagrupamento das Ideias 
1. Apresentar no estilo indirecto as posições de 
cada autor; 
2. Respeitar o pensamento de cada autor; 
3. Ser conciso, claro e preciso; 
4. Ter atenção à construção frásica. 
 
Aspectos a evitar 
1. Não se deve utilizar frases e expressões inteiras 
do texto; 
2. Não se deve fazer comentários ao texto. 
 
Sumário 
Em síntese: 
 
A elaboração de uma síntese implica um bom domínio das 
técnicas de leitura e de escrita. Na produção, há que evitar os 
seguintes aspectos: utilizar frases e expressões inteiras do texto; 
fazer comentários ao texto. 
 
Exercícios 
1. Releia atentamente o texto da unidade anterior e faça a sua 
síntese. 
 
 
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UNIDADE 7 
A ORTOGRAFIA 
Introdução 
A Língua Portuguesa constitui, para além de elemento de 
Unidade Nacional em Moçambique, um meio de comunicação. 
Assim, ao futuro técnico/gestor, que usará esta língua como 
instrumento de comunicação, torna-lhe imperativo dominá-la. 
Portanto, é importante que se esteja atento à correcção linguística 
dos enunciados que ouvimos ou que lemos no dia-a-dia. 
 O Desenvolvimento da capacidade de expressão escrita só 
será possível com a escrita constante. Escrever bem implica 
também dominar as regras, quer de ortografia quer da pontuação, 
por isso na unidade seguinte trataremos da Pontuação. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Aprofundar conhecimentos sobre o sistema verbal escrito 
da língua portuguesa; 
 Escrever correctamente um enunciado sem cometer erros 
ortográficos; 
 
Conceito da ortografia 
A Ortografia é a parte da Gramática que ensina a maneira correcta 
de escrever as palavras. (Pinto; Lopes; Neves: 2001: 4) 
A habilidade de escrever é uma arma eficaz de sucesso, tanto na 
escola como na profissão. 
Na escola, a escrita é uma das formas de expressão mais 
valorizada na avaliação dos estudantes, em quase todas as 
disciplinas. 
Pela vida fora, as pessoas, mesmo seguindo profissões técnicas, 
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têm de escrever cartas, relatórios, actas, exposições, 
comunicados, projectos, etc. A escrita é um instrumento 
fundamental para informar, demonstrar, persuadir ou 
simplesmente para interessar os outros pelas nossas ideias. 
É possível ter sucesso sem saber escrever correctamente. Mas 
aqueles que sabem escrever estão sempre em vantagem. 
Na expressão escrita o mais importante é fazer-se entender, mas 
isto não significa que se deve desprezar a ortografia. As palavras 
têm de ser escritas com correcção. 
Os erros ortográficos podem ter como causas a deficiente 
aprendizagem no ensino básico, a falta de tempo e de motivação 
para a leitura ou ainda a desvalorização da escrita em relação a 
outras formas de expressão. A maioria dos erros é um reflexo da 
oralidade. Espontaneamente, as pessoas escrevem as palavras 
como as pronunciam na linguagem oral. Falando mal, pioram na 
escrita. 
Observemos exemplos dos erros mais frequentes, encontrados 
nos trabalhos dos estudantes. 
Eliminação ou troca de letras 
Devido às confusões provocadas pela oralidade, acontece, por 
vezes, ao nível da grafia, a eliminação ou troca de algumas letras. 
É vulgar: 
 
__ A eliminação do e ou do i: 
adquado (errado) __adequado 
advinhar (errado ) __ adivinhar 
establecer ( errrado) __ estabelecer 
intlectual ( errado) __ intelectual 
 
__ A troca de e por i ou i por e: 
defenição (errado) __ definição 
destinção (errado) __ distinção 
indespensável (errado) __ indispensável 
ivitar ( errado ) __ evitar 
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menistro (errado) __ ministro 
previlégio (errado) __ privilégio 
 
__ A troca de o por u ou u por o: 
agrícula (errado ) __ agrícola 
mágua (errado) __ mágoa 
opurtuno (errado) __ oportuno 
suburdinado (errado) __ subordinado 
__A confusão entre os prefixos es e ex: 
esperiência (errado) __ experiência 
espectativa (errado) __ expectativa 
expectáculo (errado) __ espectáculo 
 
__ A confusão entre os prefixos per e pre: 
perconceito (errado) __ preconceito 
pregunta (errado) __ pergunta 
prefeição (errado) __ perfeição 
premissão (errado) __ permissão 
 
Troca de palavras homófonas 
Alguns erros provêm da troca de palavras homófonas, isto é, 
palavras que se pronunciam do mesmo modo. 
Diferentes na escrita e no significado, merecem distinção claras 
seguintes palavras: 
acento (modo de pronúncia) assento (lugar ) 
apreçar (avaliar) apressar (aceleraro passo) 
cem (numeral) sem ( preposição) 
concelho (município) conselho(opinião, parecer) 
concerto (sessão musical) conserto (reparação) 
consolar ( aliviar o sofrimento) consular (relativo ao cônsul) 
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coser ( costurar ) cozer ( cozinhar) 
estofar ( cobrir de estofo) estufar ( meter na estufa) 
espiar ( espreitar) expiar ( sofrer um castigo) 
morar ( residir) murar ( pôr muro) 
paço (palácio) passo ( modo de andar) 
peão ( pessoa que anda a pé) pião (brinquedo) 
roído (mordido) ruído ( som) 
ruço ( pardacento) russo ( da Rússia) 
soar ( produzir som) suar (transpirar) 
tacha (prego) taxa (imposto) 
 
Outras palavras são igualmente difíceis de distinguir ao nível da 
oralidade, mas têm grafia e significados diferentes. Exemplos: 
descrição ( narração) discrição (prudência) 
despensa ( compartimento) dispensa (desobrigação) 
 
Confusões nos verbos 
Para o escritor Mark Twain, a culpa principal dos erros 
ortográficos deve ser atribuída aos verbos: «o verbo não tem 
estabilidade nem dignidade nem opinião duradoira». Apesar do 
tom humorístico da frase, é um facto que o verbo tem pessoas, 
tempo, modo e vozes. Torna-se muito complexo conjugar tudo 
isso com a devida correcção. 
Por culpa dos verbos ou da ignorância de quem os usa, existem 
vários tipos de confusões: 
__ Confusão entre formas verbais e outras palavras: 
há ( verbo haver) e à (preposição) 
traz (verbo haver) e trás (preposição) 
asso (verbo assar) e aço (metal) 
vazo (verbo vazar) e vaso (recipiente) 
cede ( verbo ceder) e sede (lugar) 
 
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__ Confusão entre verbos diferentes 
vêm (verbo ir) e vêem(verbo ver). 
 
__ Confusão entre tempos diferentes do mesmo verbo: 
andaram ( pretérito) e andarão (futuro) 
 
__ Confusão entre conjugações diferentes do mesmo verbo: 
mudasse ( conjugação simples) e muda-se(conjugação 
pronominal) 
 
N.B.: Ler bons autores (em livros e revistas), de forma cuidadosa e 
com um dicionário sempre à mão, permite enriquecer o 
vocabulário essencial para a escrita (cerca de 2.200 palavras em 
Português, segundo os especialista). 
(...) A leitura activa e interessada permite ainda observar como os 
outros comunicam. Escritores e bons jornalistas podem ser para o 
estudante escolas vivas, exemplos a seguir, modelos a imitar. (...) 
(...) Conhecer as regras básicas da gramática é um meio para falar 
e escrever com correcção. 
Na arte da escrita ninguém nasce perfeito. Aprende-se a escrever, 
escrevendo. O segredo fundamental para aprender a escrever é 
praticar a escrita, com exercícios constantes. A qualidade só se 
consegue depois de muita quantidade, feita com intenção de 
melhorar. Entre várias formas de treinar, sugerimos: 
 tirar apontamentos nas aulas; 
 copiar textos interessantes (pensamentos, poemas...); 
 resumir leituras de livros, revistas e jornais; 
 fazer trabalhos escritos, por iniciativa própria; 
 elaborar «escritos pessoais» ( por exemplo escrever um 
diário onde se registem ideias, experiências e sentimentos) 
Praticando a escrita, com treinos sistemáticos (recorrendo a 
dicionários e prontuários sempre que houver dúvidas), é possível 
escrever sem medo. Mais do que isso, é possível escrever com 
gosto. 
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Sumário 
Em síntese: 
A correcção na escrita é indispensável porque para se fazer 
entender é necessário que a linguagem usada e a ortografia das 
palavras sejam claras e correctas. 
Contudo, saber escrever é ter a ferramenta necessária para 
o sucesso no contacto em toda sociedade. 
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Exercícios 
Depois destes parcos subsídios sobre a ortografia, e com de outras 
bibliografias responda as questões que lhe são levantadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 8 
A PONTUAÇÃO 
Introdução 
Pontuar uma frase escrita corresponde ao estabelecimento 
das pausas na comunicação oral e é apresentar a ideia que se 
pretende transmitir com exactidão e precisão. 
A má utilização dos sinais de pontuação pode resultar na 
completa ambiguidade comunicativa. Assim, nesta unidade 
apresentamos os diferentes sinais de pontuação e as regras 
usadas para a sua aplicação ou utilização. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Aplicar correctamente os diferentes sinais de pontuação; 
 Identificar erros de pontuação em textos produzidos. 
 Enunciar as regras para a utilização de sinais de pontuação. 
 
 
Definição 
Designa-se por pontuação ao sistema de utilização de certos sinais 
gráficos convencionais (NOGUEIRA, 1989:67). Entretanto, 
FERREIRA e FIGUEREDO acrescentam que: “ a pontuação não é só 
importante para exprimirmos com clareza o que pretendemos 
dizer. É-o também para uma boa e expressiva leitura dos textos”. 
Os sinais de pontuação contribuem para nos dar a entoação de 
vida à leitura e fazer as pausas necessárias. 
 Tipos de pontuação 
Os sinais de pontuação são: ponto final (.), ponto e vírgula (;), 
vírgula (,), ponto de interrogação (?), ponto de exclamação (!) as 
reticências (…), as aspas (« »), vírgulas altas (“ ”) o parêntese ( ), e 
o travessão (-). Dentre vários sinais de pontuação existentes 
podem ser agrupados em sinais que marcam a pausa e os que 
marcam a melodia (cf. FERREIRA, FIGUEREDO e CUNHA e CINTRA). 
 
 Sinais que marcam a pausa 
No entender de CUNHA e CINTRA, os sinais de pontuação que 
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marcam a pausa são os que a seguir mencionamos. 
 
Vírgula (,) 
A vírgula, que marca uma pausa de pequena duração. Emprega-se 
não só para separar elementos de uma oração, mas também em 
orações de um só período. Quando a vírgula se encontra no 
interior da oração serve para: 
a) Separar elementos que exercem a mesma função sintáctica 
(sujeito composto, complementos, adjuntos), quando não vêm 
unidos pelas condições e, ou e nem. 
Ex: A sua frota, a sua boca, o seu sorriso, as suas lágrimas, 
enchem-lhe a voz de formas e de cores… 
 
b) Separar elementos que exercem funções sintácticas 
diversas, geralmente com a finalidade de realçá-los. Em particular, 
a vírgula é usada: 
i) Para isolar o aposto, ou qualquer elemento de valor 
meramente explicativo: 
Ex: Alice, a menina, estava feliz. 
ii) para isolar vocativo: 
Ex: Dona Glória, a senhora persiste na ideia de manter o nosso 
Bentinho no seminário? 
iii) para isolar os elementos repetidos: 
Ex: Só minha, minha, minha, eu quero! 
iii) para isolar o adjunto adverbial antecipados: 
Ex: Lá fora, a chuvada despenhou-se por fim. 
 
c) Emprega-se ainda vírgula no interior da oração: 
i) Para separar, datação de um escrito, o nome do lugar: 
Ex: Beira, 22 de Setembro de 1983. 
ii) para indicar a supressão de uma palavra (geralmente o 
verbo) ou de um grupo de palavra: 
Ex: No céu azul, dos fiapos de nuvens. 
 
Observação: 
Quando os adjuntos adverbiais são de pequeno corpo (um 
advérbio, por exemplo), costuma-se dispensar a vírgula. A vírgula 
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é, porém, de regra quando se pretende realçá-los. Compara-se 
estes passos: 
Depois levaram o Ricardo para casa da mãe Avelina. 
Depois, o engraçado são as passagens de nível, os aparelhos de 
sinalização, os vagões – cisternas. 
Depois, tudo caiu em silêncio. 
• Entre orações, emprega-se a vírgula: 
i) Para separar as orações coordenada assindéticas 
Ex: Subiram ao sótão, desceram a cave, espreitaram no poço. 
ii) para separar as orações coordenadas sindéticas, salvo as 
introduzidas pela conjunção e: 
Ex: Ou elas tocavam, ou jogavamos três, ou então lia-se 
alguma coisa. 
iii) para isolar as orações intercaladas: 
Ex: «Lá vem ele com as raízes», resmungou o Paulino, baixando 
a cabeça. 
iv) para isolar as orações subordinadas adjectivas explicativas: 
Ex: Loa, que tinha relações sobrenaturais, diagnosticara um 
espírito. 
v) para separar as orações subordinadas adverbiais, 
principalmente quando antepostas a principal: 
Ex: Se eu o tivesse amado, talvez o odiasse agora. 
vi) para separar as orações reduzidas de infinitivo, de gerúndio 
e de particípio, quando equivalentes a orações adverbiais: 
Ex: A não ser isto, é uma paz regalada. 
 
Ponto (.) 
O ponto assinala a pausa máxima da voz depois de um grande 
fónico da final descendente. 
Emprega-se, pois, fundamentalmente, para indicar o término 
de uma oração declarativa, seja ela absoluta, seja a derradeira de 
um período composto: 
Ex: Entardecer no Anjico. Estou parada, sozinha, na frente da 
casa de Estancia olhando para o poente. O Sol parece uma grande 
laranja temporã, cujo sumo escorre pelas faces da tarde. O ar 
cheira a guaço queimado. Um silêncio de paina crepuscular 
envolve todas as coisas. A terra parece anestesiada, raras estrelas 
começam a apontar no firmamento, mais adivinhadas do que 
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propriamente visíveis. Sinto um langor de corpo e espírito. De 
certo é a tardinha que me contagia com sua doce febre. 
i) Quando o período é simples ou composto se encadeiam pelos 
pensamentos que expressam, sucedem-se um aos outros na 
mesma linha. 
Diz-se, neste caso, que estão separados por um ponto simples. 
ii) quando se passa de um grupo a outro grupo de ideias, 
costuma-se marcar a transposição com o maior repouso da voz, o 
que, na escrita, se representa pelo ponto parágrafo. Deixa-se, 
então, um branco o resto da linha em que termina um dado grupo 
ideológico, e inicia-se o seguinte na linha abaixo com o recuo de 
algumas letras. 
Assim: 
O Búzio não possuía nada, como uma árvore não possui nada. 
Vivia com a terra toda que era ele próprio. 
A terra era sua mãe e sua mulher, sua casa e sua companhia, 
sua cama, seu alimento, seu destino e sua vida. 
Ao ponto que encerra um enunciado escrito dá-se o nome de 
ponto final. 
 
Observação 
Além de servir para marcar uma pausa longa, o ponto tem 
outra utilidade. É o sinal que se emprega depois de qualquer 
palavra escrita abreviadamente. 
Assim: V. S.ª (vossa senhoria), Dr. (Doutor). 
Nota-se que, se a palavra assim reduzida estiver no fim do 
período, este encerra-se com o ponto abreviativo, pois não se 
coloca outro ponto depois dele. 
 
Ponto e vírgula (;) 
Como nome indica, este sinal serve de intermediário entre o 
ponto e a vírgula, podendo aproximar-se ora mais daquele, ora 
mais desta, segundo os valores pausais e melódicos que 
representam no texto. No primeiro caso é que vale a uma espécie 
do ponto reduzido; no segundo, assemelha-se a uma vírgula 
alongada. 
Esta imprecisão do ponto e vírgula faz que o seu emprego 
dependa substancialmente do contexto. Entretanto, podemos 
estabelecer que em primeiro ele é usado: 
i) Para separar num período das orações da mesma natureza 
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que tenham uma certa extensão: 
ex: numa tarde de Outono murmuraste; toda a mágoa de 
Outono que ele me trouxe… 
ii) para separar os diversos itens de um enunciado 
enumerativos em leis, decretos, portarias, regulamentos etc. Sirva 
de exemplo os títulos: 
— Respeito a dignidade e as liberdades fundamentais do 
homem; 
— O fortalecimento da unidade nacional é a solidariedade 
internacional; 
 
 Sinais que marcam a melodia 
Para além dos sinais que marcam a pausa, existem outros que 
marcam a melodia nomeadamente: dois pontos, ponto de 
interrogação, ponto de exclamação, reticência, aspas e parentes. 
 
Os dois pontos 
Os dois pontos servem para marcar, na escrita, uma sensível 
suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída. 
Emprega-se, pois para enunciar: 
i) Uma citação. 
Ex: Armando voltou para dizer: 
— Não enganei ninguém, camarada. Era bicho. 
ii) uma enumeração explicativa: 
Ex: Não foi ele, outros seriam: pajens, gente de guerra, vadios 
de estalagens, andenjos das estradas. 
iii) um esclarecimento, uma síntese ou uma consequência do 
que foi enunciado: 
Ex: e a facilidade traduz-se por isto: criarem-se hábitos. 
Não era desgosto: era cansaço e vergonha. 
 
Observação 
Depois do vocativo que encabeça cartas, requerimentos, ofícios, 
etc. Costuma-se colocar dois pontos, vírgula ou ponto, havendo 
escritores, que nestes casos, dispensam qualquer pontuação. 
Assim: 
Prezado senhor: prezado senhor. 
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Prezado senhor, prezado senhor 
Sendo o vocativo inicial emitido com entoação suspensiva, deve 
ser acompanhado, preferencialmente, de dois pontos ou de 
vírgula, sinais denotadores daquele tipo de inflexão. 
 
Ponto de interrogação (?) 
O ponto de interrogação é sinal que se usa no fim de qualquer 
interrogação directa, ainda que a pergunta não exija resposta: 
Ex: estará surdo? Estará a tentar irritar-me? 
Nos casos em que a pergunta envolve dúvida, costuma-se fazer 
seguir de reticências o ponto de interrogação. 
— então?... Que foi isto?... A comadre? 
Nas perguntas que denotam surpresa, ou aquelas que não têm 
endereço nem resposta, emprega-se por vezes combinado o 
ponto de interrogação e ponto de exclamação: 
Ex: Ah, é a senhora?! Pois entre, a casa é sua… 
 
Observação 
O ponto de interrogação nunca se usa no fim de uma indirecta. 
Termina com uma entoação descendente, exigindo, por isso, um 
ponto. 
Exemplo: 
— Quem chegou? [= interrogação directa] 
— Diga-me que chegou [= interrogação indirecta] 
 
Ponto de exclamação (!) 
O ponto de exclamação é o sinal que se supõe a qualquer 
enunciado de entoação exclamativa. Emprega-se, pois, 
normalmente: 
a) Depois de interjeições ou do termo equivalentes como os 
vocativos intensivos, as apóstrofes: 
Ex: - credo em Deus! Gemeu Raimundo assombrando. 
b) Depois de um imperativo: 
- Agarrem! 
- Gentes, agarrem! Agarrem! Agarrem! 
 
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 Outros sinais de pontuação 
Para além dos sinais de pontuação anteriormente 
mencionados, existem outros que servem de auxiliares aos mais 
importantes sinais nomeadamente: 
a) As reticências (...): são sinais que marcam uma interrupção 
da frase e, consequentemente, a suspensão da sua melodia. 
Normalmente, empregam-se em casos variados: 
- para indicar que o narrador ou a personagem interrompem 
uma ideia que começou a exprimir, e passa a considerações 
assessoriais. 
- para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, 
dúvida ou timidez, ou para assinalar certas inflexões de natureza 
emocional de quem se fala. 
- para indicar que a ideia que se pretende exprimir não se 
completa com o término gramatical da frase, e que deve ser 
suprida com a imaginação do leitor: 
Não se deve confundir as reticências que têm valor estilístico 
apreciável, com os três pontos que se empregam, como simples 
sinais tipográficos, para indicar que foram suprimidas palavras no 
início, no meio, ou no fim de uma citação. 
 
b) As aspas (“”): empregam-se principalmente: 
- no início e no fim de uma citação para distingui-la do resto do 
contexto: 
Ex: Definiu César toda a figura da ambição quando disse 
aquelas palavras: 
“antes o primeiro na aldeia do que o segundo em Roma”. 
- para fazer sobressair termos ou expressões, geralmente não 
peculiares a linguagem normal de quem escreve . 
ex: era melhor que fosse “Luís” 
- para acentuar o valor significativo de uma palavra ou 
expressão: 
ex: a palavra “nordeste” é hoje uma palavra desfigurada pela 
expressão “ obra de nordeste” que quer dizer: “obras contra as 
secas”. E quase não sugere se não as secas. 
- para realçar ironicamente umapalavra ou uma expressão: 
Ex: Está o mundo perdido, até a Judite já tem “Arranjinhos”. 
- para indicar o título de uma obra: 
ex: Belinha acaba de ler “ Elzira, a morta virgem” 
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c) Os parênteses: empregam-se os parênteses para intercalar 
num texto quaisquer indicações assessoriais: 
- uma explicação dada ou uma circunstância mencionada 
incidentalmente: 
Ex: Ela (no café) que se encontra as estalajadeiras. 
- Uma reflexão, um comentário a margem do que se afirma. 
Ex: A míngua guerra, como a dos que tinham perdido (se é que 
tinha), começava agora. 
- Uma nota emocional expressa geralmente em forma 
exclamativa ou interrogativa: 
Ex: A escola, que era azul e tinha um mestre mau, de 
assustador pigarro… (meu Deus! Que é isto? Que emoção a 
minha quando estas coisas tão singelas narrou?) 
 - Usam-se também os parênteses para isolar orações 
intercaladas com verbos declarativos: 
d) O travessão (-): emprega-se principalmente em dois casos: 
i) Para indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutores. 
 Ex: - Quem é o seu amigo, José? 
 - O Nunes, da rua do ouro… por quê? 
ii) para isolar, num contexto, palavras ou frases. Neste caso 
em que desempenha função analógica à dos parênteses, usa-se 
geralmente o travessão duplo: 
Ex: - A igreja – atalhou o bispo – não pode desinteressar-se do 
problema social. 
Não é raro o emprego de um só travessão para destacar, 
enfaticamente, a parte final de enunciado. 
Ex: um povo é mais elevado quando mais se interessa pelas 
coisas inúteis – a filosofia é a arte. 
 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
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Pontuar uma frase escrita corresponde ao estabelecimento 
das pausas na comunicação oral e é apresentar a ideia que se 
pretende transmitir com exactidão e precisão. 
A má utilização dos sinais de pontuação pode resultar na 
completa ambiguidade comunicativa. 
Exercícios 
1. Justifica a pontuação utilizada no Texto 1 da 
Unidade 1. 
 
 
UNIDADE 9 
A ANÁLISE DE UM TEXTO ESCRITO 
Introdução 
Saber interpretar textos com precisão é uma tarefa que 
requer muito treino, mas há várias outras formas de se 
incrementar esta habilidade. Nesta Unidade 9, vamos conhecer 
alguns passos importantes para analisar um texto escrito. 
 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Analisar, com correcção, um texto escrito. 
 
 
 
Como Analisar Correctamente um Texto 
1. Compreensão. A compreensão de texto consiste em 
analisar o que realmente está escrito, ou seja, colectar 
dados do texto: 
 As considerações do autor se voltam para... 
http://pt.wikihow.com/Analisar-Corretamente-um-Texto
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
 Segundo o texto, está correcta... 
 De acordo com o texto, está incorrecta... 
 Tendo em vista o texto, é incorrecto... 
 O autor sugere ainda... 
 De acordo com o texto, é certo... 
 Após a leitura, é possível concluir que... 
 O autor afirma que... 
2. Interpretação. Interpretação de texto consiste em saber o 
que se infere (conclui) do que está escrito: 
 O texto possibilita o entendimento de que... 
 Com apoio no texto, infere-se que... 
 O texto encaminha o leitor para... 
 Pretende o texto mostrar que o leitor... 
 O texto possibilita deduzir-se que... 
3. Duas leituras do texto no mínimo. A primeira para tomar 
contacto com o assunto; a segunda para compreender as 
ideias principais, as secundárias e os argumentos 
apresentados. 
4. Lógica e estruturação do texto. Observa-se que um 
parágrafo em relação ao outro pode indicar uma continuação 
ou uma conclusão - ou, ainda, uma falsa oposição. 
5. Uso da gramática. Sublinha-se, em cada frase, as palavras 
por pesquisar no dicionário para a correcta compreensão. 
6. Leitura profunda. Leitura atenta para encontrar, em cada 
parágrafo, a ideia mais importante (tópico da frase) 
7. Análise de prova. Se for uma prova contendo teste ou 
perguntas, vale a pena saber o que será solicitado. Assim, lê-
se com muito cuidado os enunciados das questões para 
entender direito a intenção do que foi pedido. 
8. Identificação de unidades de significação: Sublinham-se as 
palavras como erro, incorrecto, correcto, etc. Isso ajuda a não 
se confundir no momento de responder a questão. 
9. Identificação do essencial: Escreve-se, ao lado de cada 
parágrafo ou de cada estrofe, a ideia mais importante contida 
neles. 
10. Interpretação textual. Não se pode levar em consideração 
o que o autor quis dizer, mas sim o que ele efectivamente 
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disse - ou seja, o que ele escreveu. Aqui, estaremos a separar 
as inferências das deduções e interpretações. 
11. Exame da introdução e da conclusão. Se o enunciado 
mencionar tema ou ideia principal, examine com atenção a 
introdução e/ou a conclusão. Nesse caso, a imagem que se 
tem ao ler o texto por inteiro será importante. 
12. Texto argumentativo. Se o enunciado mencionar 
argumentação, preocupa-se com o desenvolvimento dos 
argumentos. 
13. Vocábulos remissivos. Deve tomar-se cuidado com os 
vocábulos relatores (os que remetem a outros vocábulos do 
texto). Pronomes relativos, pronomes pessoais, pronomes 
demonstrativos, etc. Questões com esses detalhes testam a 
paciência e a persistência dos leitores. 
 
 Principais Erros na Análise Textual 
 Cinco erros principais na análise de textos: 
o Extrapolação. É o facto de se fugir do texto. Ocorre 
quando se interpreta o que não está escrito. Muitas 
vezes são factos reais, mas que não estão expressos 
no texto. Deve-se ater somente ao que está 
relatado. 
o Redução. É o facto de se valorizar uma parte do 
contexto, deixando de lado a sua totalidade. Deixa-
se de considerar o texto como um todo para se ater 
apenas a parte dele. 
o Contradição. É o facto de se entender justamente o 
contrário do que está escrito. É bom que se tome 
cuidado com algumas palavras, como: “pode”, 
“deve”, “não”, verbo “ser”, etc. 
o Preguiça. Por conta do estresse de uma prova, 
concurso ou exame, muitos candidatos perdem a 
paciência para fazer as duas mínimas leituras 
necessárias para a correcta compreensão e 
entendimento do texto. 
o Superestimar. Há sempre algumas palavras cujo 
significado real precisa ser decifrado com o uso do 
dicionário. A crença de que o contexto é um auxiliar 
faz com que alguns candidatos suponham 
compreensão do sentido, mas, na verdade, é uma 
suposição falsa. 
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Sumário 
Em síntese: 
Em qualquer língua, torna-se muito importante saber interpretar 
textos com precisão embora seja uma tarefa que requer muito 
treino; porém, há várias formas de se incrementar esta habilidade. 
Exercícios 
1. Quais são os passos possíveis a seguir para analisar um texto 
escrito? 
2. Aborde os cinco erros principais na análise de textos. 
 
 
 
UNIDADE 10 
A FRASE 
Introdução 
Muitos alunos, estudantes universitários e até académicos 
têm demonstrado imensas dificuldades na compreensão da 
estrutura frásica. É importante fixar o seguinte: a estrutura básica 
do Português é SVO, significando: Sujeito, Verbo e Objecto. 
A ideia de estrutura frásica é fundamental, visto ser o 
elemento estruturante da ideia a ser veiculada. Esta frase com 
sentido ou predicação será comandada pelo verbo, que constitui o 
núcleo da frase. 
 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
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Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Distinguir frase da oração; 
 Apresentar as diferenças entre período e parágrafo. 
 
A Frase 
De acordo com Celso Cunha, a frase é “um enunciado de sentido 
completo, a unidade mínima de comunicação.” 14 
A Frase e Oração 
A frase pode conter uma ou várias orações. A frase contém mais 
do que uma oração quandotem mais do que um verbo conjugado. 
Por exemplo: 
“Durante a noite, houve uma grande tempestade.” 
“Durante a noite, houve uma grande tempestade que 
provocou muitos estragos.” 
 
No primeiro caso, estamos perante uma frase constituída por uma 
oração, e no segundo caso, por duas orações. Quando a frase é 
constituída por várias orações e cada uma está organizada à volta 
de um verbo, trata-se de uma frase complexa. 
Exemplo de uma frase simples: 
 “A educação constitui um factor de desenvolvimento.” 
Exemplo de uma frase complexa: 
 “A educação que é ministrada nas nossas escolas é um 
factor de desenvolvimento e tem como componente fundamental 
a competência comunicativa.” 
 
A Estrutura da Frase 
A oração e os seus elementos 
Os elementos fundamentais de uma oração são: o sujeito (simples 
ou composto, subentendido, indeterminado ou inexistente) e o 
predicado (verbal; nominal). 
O sujeito “é aquilo de que se fala ou sobre que se faz uma 
afirmação”. O predicado “é tudo o que se diz do sujeito”.15 
Os outros elementos são: o complemento directo, o complemento 
 
14
 Celso Cunha, Nova Gramática do Português Contemporâneo, p. 119 
15
 J.Esteves Rei, Curso de Redacção I, Porto, Porto Editora, p.14 
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indirecto, o predicativo do sujeito, o predicativo do complemento 
directo, o agente da passiva, o atributo, o aposto, o vocativo, o 
complemento determinativo e o complemento circunstancial (de 
lugar, tempo, causa, modo, fim, meio, companhia, dúvida e de 
instrumento). Para facilitar a compreensão sobre esta questão, 
Esteves Rei usa o termo “modificador” para os elementos adjuntos 
do nome. 
ORAÇÃO = sujeito + predicado 
 (nome + mod) (verbo + complementos) 
Por exemplo: “Meu irmão / está muito doente.” 
 “ A Citroen, uma marca francesa / tem uma boa imagem 
comercial.” 
“O cão perdigueiro come carne.” 
Núcleo do suj. Modificador Núcleo do verbo 
complemento directo. 
 
 
A Construção nominal ou elipse 
Elipse – é “uma figura de sintaxe, consistindo na supressão 
de palavras que facilmente se subentendem”. 
Ex.: “Que bela paisagem!” por “Esta paisagem é bela.” 
A construção nominal verifica-se quando “um elemento 
verbal é suprimido a favor do elemento nominal (nome, adjectivos 
e determinantes: artigos, demonstrativos e possessivos) ”: 
Ex.: “O seu, a seu dono!” 
 “Um por todos e todos por um.” 
 A construção nominal, apesar de ser uma característica da 
língua falada, também é utilizada em textos literários para 
“produzir um efeito de movimento e acção ou de autênticas 
pinceladas na descrição dos elementos de um quadro, paisagem 
ou visão”. 
A construção nominal é uma construção moderna, utilizada 
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na linguagem jornalística, técnica e científica, sobretudo nos 
títulos, nas legendas e sumários, pois permite uma maior 
objectividade, brevidade e concisão das estruturas nominais. 
 Quando uma frase aparece construída sem verbos, cabe ao 
leitor “conceber e sentir o escrito”, ou seja, cabe ao leitor dar um 
sentido “à alma da frase.”16 
 
A Qualidade da Frase 
 
Unidade - subordinação das ideias secundárias às 
principais; são defeitos contra a unidade a 
multiplicidade de sujeitos. 
 
Clareza - ideias apresentadas de forma “transparente”; é 
de evitar a desordem e a “obscuridade” das ideias. 
 
Concisão – significa o “emprego de palavras em número 
necessário e suficiente.” Deve-se evitar a repetição de 
palavras e de ideias. 
Sumário 
Em síntese: 
Os elementos fundamentais de uma oração são: o sujeito (simples 
ou composto, subentendido, indeterminado ou inexistente) e o 
predicado (verbal; nominal). 
Ex. Franze (Suj) é o meu professor (Pred.) 
 
Exercícios 
1. Elabore três frases tendo em conta a qualidade da 
frase. 
2. Divida as frases em constituintes sintácticos. 
3. Especifique a utilização da construção nominal ou 
elipse. 
4. Construa frases de acordo com as indicações 
seguintes. 
 Sujeito+modificador + verbo + 
complemento circunstancial. 
 
16
 idem, p.21 
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 Verbo + complemento directo + 
complemento indirecto + complemento 
circunstancial. 
 Sujeito + modificador + verbo + 
complemento directo + complemento 
indirecto. 
 Verbo + complemento circunstancial. 
 
 
 
UNIDADE 11 
A FRASE SIMPLES E COMPLEXA 
Introdução 
As frases podem ser simples ou complexas de acordo com 
a expressividade do autor. Assim, torna-se indispensável conhecer 
os conectores frásicos e a sua devida utilização nas frases. 
Nesta unidade, apresentamos as conjunções e locuções 
usadas em frases complexas, partindo de uma construção simples. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Identificar na frase complexa orações coordenadas e subordinadas 
 Distinguir período e parágrafo 
 
 
 
 
As Frases Simples e complexas 
De acordo com o conceito de frase anteriormente apresentado, a frase é 
“um enunciado de sentido completo, a unidade mínima de comunicação. 
 Neste sentido, a Frase simples é aquela que possui um e único 
verbo. 
A frase complexa “é aquela que contém dois ou mais verbos 
conjugados e, por consequência, duas ou mais orações.” 17 
 
17
 José Pinto e Maria do Céu Lopes, Gramática do Português Moderno, Lisboa, 
Plátano ed., 2002, p.193 
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 A ligação da frase complexa é feita pelos processos de 
coordenação e subordinação. 
 Coordenação 
Os campos cobriram-se de flores e as árvores encheram-se de folhas. 
Oração coordenada Oração coordenada 
 
 Subordinação 
 
Os campos cobriram-se de flores quando a Primavera chegou. 
Oração principal ou subordinante Oração subordinada 
 
A Coordenação 
As orações “da mesma natureza” podem ser coordenadas entre si através 
de conjunções e locuções coordenativas” 
 
 
 
Classificação das orações coordenadas 
1. Orações coordenadas copulativas (implica uma ideia de adição) 
 
Ex.: “O João entrou na livraria e comprou vários livros.” 
 
2. Orações coordenadas adversativas: mas, porém, contudo, no entanto 
(orações ligadas por uma ideia de oposição) 
 
Ex.: “Gosto de cinema, mas prefiro o teatro.” 
 
3. Orações coordenadas disjuntivas (transmitem uma ideia de 
alternativa) 
 
Ex.: “O avião atrasou ou não chegou a partir.” 
 
4. Orações coordenadas conclusivas: portanto, logo, por consequência 
(em que a segunda oração é uma conclusão da primeira) 
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Ex.: “O autocarro teve uma avaria, portanto atrasou.” 
 
5. Orações coordenadas explicativas: pois, porquanto (justifica uma ideia 
apresentada anteriormente) 
 
Ex.: “O barco atrasou, pois estava nevoeiro.” 
 
A Subordinação 
Segundo Esteves Rei, a subordinação é “ uma relação entre duas 
orações que permite a inserção de uma na outra e estabelece uma 
hierarquia sintáctica entre elas: uma depende da outra, determinando ou 
complementando o sentido.”18 
Exemplos: 19Aquela senhora gritou quando foi assaltada. 
 Oração subordinante Oração subordinada adverbial temporal 
 Aquela senhora gritou porque foi assaltada. 
 Oração subordinante Oração subordinada adverbial causal 
As orações subordinadas dependem das orações subordinantes e 
esta dependência pode ser feita através de: 
 Conjunções ou locuções subordinativas: “Ela gritou 
para que a socorressem.” * 
 Pronomes ou advérbios relativos: “O rapaz que caiu 
magoou-se.” 
 Pronomes ou advérbios interrogativos:“Ele disse quem 
chega hoje? 
 Formas verbais não finitas (infinitivo, gerúndio e 
particípio): “Pensávamos ter concluído o trabalho. (= 
Pensávamos que o trabalho estava concluído.” 
 
18
 J.Esteves Rei, Curso de Redacção I, Porto, Porto Editora, p.30 
19
 José Pinto e Maria do Céu Lopes, Gramática do Português Moderno, Lisboa, 
Plátano ed., 2002, p.196 
 
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Sumário 
Em síntese: 
A Frase simples é aquela que possui um e único verbo enquanto, 
as frases complexas são aquelas que são compostas por mais de 
um verbo. Estas podem ser unidas por conjunções ou locuções 
coordenativas ou subordinativas, conforme a relação de 
coordenação ou subordinação, respectivamente. 
Exercícios 
A. Complete as frases seguintes com a locução adequada: já 
que, logo que, mais...do que, mesmo que, no caso de, para 
que. 
- ...vais ao supermercado Shoprite, traz-me pão. 
- Os pequenos...estorvam...ajudam. 
- ...chover, não podemos ir ao cinema. 
- O Director aumentou-lhe o salário...ele não se 
despedisse. 
- ...o sol desaparece, as crianças vêm para casa. 
- Nunca iria à lua...me oferecesse a viagem. 
 
B. Preencha os espaços em branco com a locução apropriada. 
Pois que, por isso mesmo (é) que, posto que, primeiro que, 
salvo se, se bem que. 
- a praia ficou deserta...as férias acabaram. 
- ...o seu grande interesse seja o dinheiro, os 
imigrantes não se privam de nada no seu dia-a-dia. 
- ...compres o carro, deves tirar a carta de condução. 
- Nunca deixe andar os filhos ao sol...de manhã e à 
noite, ele seja fraco. 
- O professor de português nunca falta...estiver 
doente. 
- O Nuno quer ir estudar para os Estados 
Unidos...estuda entusiasticamente Inglês. 
 
C. Complete as seguintes frases com locuções mais 
adequadas: sempre que, tal que, tão que, tanto...que todas 
as vezes que, visto que, tanta...que 
- O Miguel...vai à cidade, perde-se nos bazares 
- A girafa é...alta...observa tudo o que se passa no 
jardim zoológico. 
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- O João cumprimenta o mestre...se cruza com ele na 
rua 
- O ruído era...ninguém ouvia nada. 
- A responsabilidade dos pais é...por vezes não 
dorme. 
- Ontem havia...vento...duas árvores caíram no 
jardim. 
 
D. Sublinhe nas orações seguintes as conjunções ou locuções 
conjuncionais que indicam a relação temporal. No final, 
empregue cada uma delas numa frase da sua autoria. 
- Quando chegaste, era meio dia. 
- Enquanto as crianças brincam, eu vou ao talho. 
- Apenas soube a triste nova, entrou em pânico. 
- As esperanças são cada vez menores à medida que 
o tempo passa. 
- Logo que viu o pai, desapareceu da sala. 
 
UNIDADE 12 
ESTUDO DO VERBO 
Introdução 
O verbo é um elemento fulcral da frase e sem ele não há 
frase. Ele designa a acção desenvolvida pelo sujeito. Assim, nesta 
unidade, apresentamos a classificação dos verbos quanto à 
semântica, quanto à conjugação e quanto à Morfologia. 
 Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 Indicar as diferentes formas de classificação dos verbos. 
 Distinguir dos transitivos dos intransitivos; 
 
 
 
Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma 
ocorrência ou situação. É uma das duas classes gramaticais 
nucleares do idioma, sendo a outra o substantivo. É o verbo que 
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determina o tipo do predicado, que pode ser predicado verbal, 
nominal ou verbo-nominal. O verbo pode designar acção, estado 
ou fenómeno da natureza. 
Classificação dos Verbos 
Os verbos admitem vários tipos de classificação, que englobam 
aspectos tanto semânticos quanto morfológicos. Podem ser 
divididos da seguinte forma: 
Quanto à Semântica 
 Verbos transitivos: Designam acções voluntárias, 
causadas por um ou mais indivíduos, e que afectam 
outro (s) indivíduo (s) ou alguma coisa, exigindo um 
ou mais objectos na acção. Podem ser transitivos 
directos que não possuem sentido completo, logo 
ele necessita de um complemento, sendo este 
complemento chamado de objecto directo. E verbo 
transitivo indirecto - que também não possui 
sentido completo e necessita de um objecto 
indirecto, que necessariamente exigem uma 
preposição antes do objecto. 
Exemplos: dar, comer, fazer, vender, escrever, amar etc. : 
- A Judite come fruta. 
 Verbos intransitivos: Designam acções que não 
afectam outros indivíduos. 
Exemplos: andar, existir, nadar, voar etc.: 
- O bebé gatinha. 
 Verbos impessoais: São verbos que designam 
acções involuntárias. Geralmente (mas nem 
sempre) designam fenómenos da natureza e, 
portanto, não têm sujeito nem objecto na oração. 
Exemplos: chover, anoitecer, nevar, haver (no sentido de 
existência) etc. Todo verbo impessoal é também intransitivo. : 
- Ontem, choveu muito. 
 Verbos de ligação: São os verbos que não designam 
acções; apenas servem para ligar o sujeito ao 
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predicativo. 
Exemplos: ser, estar, parecer, permanecer, continuar, andar, 
tornar-se, ficar, viver, virar etc.: 
- O professor está doente. 
Quanto à Conjugação 
 Verbos da primeira conjugação: São os verbos 
terminados em ar: molhar, cortar, relatar, etc. 
 Verbos da segunda conjugação: são os verbos 
terminados em er: receber, conter, poder etc. O 
verbo anómalo pôr (único com o tema em o), com 
seus compostos, também é considerado da 
segunda conjugação devido à sua conjugação já 
antes realizada (Ex: fizeste, puseste), decorrente de 
sua antiga forma latina poer. No exemplo "or", a 
maioria dos verbos vêem da palavra "Pôr", compor, 
depor, supor, transpor, antepor, etc. 
 Verbos da terceira conjugação: são os verbos 
terminados em "ir" : sorrir, fugir, iludir, cair, colorir, 
etc; 
Quanto à Morfologia 
 Verbos regulares: Flexionam sempre de acordo 
com os paradigmas da conjugação a que 
pertencem. 
Exemplos: amar, vender, partir, etc. 
 Verbos irregulares: Sofrem algumas modificações 
em relação aos paradigmas da conjugação a que 
pertencem. 
Exemplos: caber, medir ("eu caibo", "eu meço", e não "eu cabo", 
"eu medo"). 
 Verbos anómalos: Verbos que não seguem os 
paradigmas da conjugação a que pertence, sendo 
que muitas vezes o radical é diferente em cada 
conjugação. 
Exemplos: ir, ser, ter ("eu vou", "ele foi"; "eu sou", "tu és", "ele 
tinha", "eu tivesse", e não "eu io", "ele iu", "eu sejo", "tu sês", "ele 
tia", "eu tesse"). O verbo "pôr" pertence à segunda conjugação e é 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Latim
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anómalo a começar do próprio infinitivo. 
 Verbos defectivos: Verbos que não têm uma ou 
mais formas conjugadas. 
Exemplo: precaver - não existe a forma "precavenha". 
 Verbos abundantes: Verbos que apresentam mais 
de uma forma de conjugação. Exemplos: encher - 
enchido, cheio; fixar - fixado, fixo. 
 
Sumário 
Em síntese: 
A Classe dos Verbos é a classe mais variável que designa uma 
ocorrência ou situação. É uma das duas classes gramaticais 
nucleares do idioma, sendo a outra o substantivo. É o verbo que 
determina o tipo do predicado, que pode ser predicado verbal, 
nominal ou verbo-nominal 
Exercícios 
Complete os espaços em branco com as formas verbais 
apropriadas. 
1. Presente do indicativo: 
Quando os alunos____________(estar) atentos nas aulas, os 
resultados deles__________(ser ) bons. ______(ser) sempre 
assim. 
Quando há festas nas escolas, os alunos_______(ir) com os pais a 
essas festas. Hoje há uma e toda a gente_________(ir). 
2. Pretérito perfeito: 
Ontem nós _________(ir) fazer uma marcha de verão através dos 
campos. Tu _______(ser) o último a chegar porque te atrasaste. 
Na semana passada tu___________(estar) a estudar os verbos 
comigo. Agora já sabemos tudo! 
Mas eles não _____________(estar) a trabalhar e agora não 
sabem.Nessa semana, eles __________(ser) os piores da turma. 
3. Futuro: 
Amanhã nós _________(ir) todos dar um passeio muito bonito. 
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Quando eu estiver de férias, ________(ir) até à praia com os meus 
pais e os meus amigos. Nessa altura, __________(ser) a pessoa 
mais contente do mundo! 
No Verão, nós ____________(estar) de férias em Portugal. E eles, 
___________(estar) 
 
 
UNIDADE 13 
CONJUGAÇÃO PRONOMINAL 
Introdução 
A conjugação pronominal é aquela em que o verbo aparece 
conjugado com os pronomes. Ela pode ser reflexa ou recíproca de 
acordo com a acção do verbo. 
Nesta unidade para além das regras também 
apresentamos alguns verbos conjugados na forma pronominal. 
 
 Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Aplicar correctamente os verbos na forma pronominal 
 Identificar os momentos em que temos de usar a forma 
pronominal. 
 
Repara nas expressões: “Levei-o *…+.”; “ *…+ os amigos levaram-no 
*…+.” 
Em ambas, a forma verbal (levei, levaram) aparece acompanhada 
do pronome pessoal o, que lhe serve de complemento, 
constituindo com ela um todo. 
Chama-se conjugação pronominal aquela em que o verbo aparece 
conjugado com os pronomes o, a, os, as. 
Nota: Quando estudámos os pronomes pessoais aprendemos que 
o, a, os, as, tomam as formas lo, la, los, las, depois de r, s, ou z e 
as formas no, na, nos, nas, depois de ditongo ou vogal nasal (-m, -
ão) 
 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
 1. Conjugação pronominal reflexa 
A conjugação pronominal reflexa indica que a acção do sujeito 
recai sobre ele próprio. (Ex: Eu penteio-me todas as manhãs.) 
 Utiliza para tal os pronomes pessoais me, te, se, nos, vos, 
se. (Ex.: Verbo “sentar-se” no Presente do Indicativo - Eu 
sento-me; Tu sentas-te; Ele/ela senta-se; Nós sentamo-
nos; Vós sentais-vos; Eles/elas sentam-se) 
 
2. Conjugação pronominal recíproca 
A conjugação pronominal recíproca exprime a reciprocidade na 
acção praticada. (Ex.: Eles abraçaram-se [um ao outro] 
calorosamente.) 
 Utiliza para tal os pronomes pessoais do plural: nos, vos, 
se. (Ex.: verbo “abraçar-se” no Presente do Indicativo - Nós 
abraçamo-nos; Vós abraçais-vos; Eles/elas abraçam-se.) 
Ex. Os namorados beijavam-se prolongadamente 
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Sumário 
Em síntese 
Como Já vimos, a conjugação pronominal é aquela em que o verbo 
aparece conjugado com os pronomes o, a, os, as que tomam as 
formas lo, la, los, las, depois de r, s, ou z e as formas no, na, nos, 
nas, depois de ditongo ou vogal nasal (-m, -ão) distinguindo-se da 
recíproca a conjugação pronominal reflexa utiliza para tal os 
pronomes pessoais me, te, se, nos, vos, se. 
Exercícios 
1. Complete as frases com os verbos na forma 
pronominal. 
b) Os alunos pegam nos cadernos e ________(dar) ao 
professor. 
c) Elas têm bicicletas e ____________(levar) para a 
escola. 
d) Como não podiam entrar no cinema com os cães, 
________(confirmar) ao porteiro. 
e) Já li o livro. Posso _____________(emprestar) ( te 
o ) 
f) Tirei os lápis ao João e ___________(esconder). 
(lhe os) 
 
 
UNIDADE 14 
O DISCURSO DIRECTO E INDIRECTO 
Introdução 
Para expressarmos as nossas ideias aos outros, podemos 
fazê-lo fielmente através da fala tal igual como a personagem as 
proferiu/profere e, ainda, podemos informar o leitor acerca do 
que uma personagem disse/diz ou pensou pensa, sem reproduzir 
exactamente as suas palavras. 
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Nesta unidade, vamos apresentar as formalidades do uso 
do discurso directo ou indirecto, as regras de transformação, bem 
alguns exemplos ilustrativos a cada caso. 
 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
- Explicar as regras envolvidas no uso dos discursos directo e 
indirecto; 
- Apresentar as principais diferenças entre o discurso directo e 
indirecto; 
- Aplicar as regras de transposição de um discurso para o outro. 
 
O Discurso Directo 
O Discurso Directo é um meio de expressão pelo qual se 
reproduzem as palavras de uma personagem tal como elas as teria 
proferido. 
Este tipo de discurso permite um contacto mais estreito entre a 
situação criada e o receptor (leitor/ouvinte); actualiza e torna mais 
viva a narrativa, mais espontânea, como no teatro. 
No Discurso Directo as falas das personagens ganham em 
naturalidade, não raras vezes tocadas pela emoção, que o 
emprego de exclamações, interjeições, reticências, interrogações, 
vocativos e imperativo reforça. 
É de salientar que o Discurso Directo pode aparecer sob a forma 
de monólogo interior. 
 
O Discurso Indirecto 
O Discurso Indirecto é o processo pelo qual o narrador informa o 
leitor acerca do que uma personagem teria dito ou pensado, sem 
reproduzir exactamente as suas palavras. 
Na transposição do Discurso Directo para o Indirecto, notam-se 
alterações nas categorias verbais (modo, tempo, pessoa), nos 
pronomes, nos determinantes e nos advérbios. 
 
Veja alguns exemplos de passagem do discurso directo para 
indirecto: 
 Nada te acontecerá. / Ele disse que nada lhe 
aconteceria. 
 Paga-me esta conta, como é teu dever. / Ela 
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ordenou que ela lhe pagasse aquela conta, como 
era seu dever. 
 Conta-me tudo – pediu ele – aqui mesmo e agora.../ 
Ele pediu que ela lhe contasse tudo, ali mesmo e 
naquele momento. 
 Queres vir comigo Pedro? / Ela perguntou ao Pedro 
se ele queria ir com ela. 
 Eu dou-te o dinheiro. / Ele disse que lhe dava o 
dinheiro 
 Quadro resumo das regras básicas 
 
Sumário 
Em síntese: 
Enquanto o Discurso Directo é um meio de expressão pelo 
qual se reproduzem as palavras de uma personagem tal 
como elas as teria proferido, o Discurso Indirecto é o 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
processo pelo qual o narrador informa o leitor acerca do 
que uma personagem teria dito ou pensado, sem 
reproduzir exactamente as suas palavras. 
Exercícios 
A- Passe para o discurso contrário as seguintes frases: 
1. O Jornalista afirmou que tinha sido bem acolhido, 
2. Decidiram que no dia seguinte iriam à praia, 
3. Durante o reinado de Ngungunhane, as etnias 
minoritárias pensavam que nunca mais teriam expressão. 
4. No tribunal, o réu confessou que a culpa era dele. 
5. No meio da viagem, reconheceram que se tinham 
enganado. 
B- Reescreva as frases seguintes, utilizando o discurso indirecto 
como no exemplo: 
 a. O revisor disse ao irmão: - Os vossos bilhetes são para 
amanhã. 
 R: O revisor disse ao irmão que os bilhetes deles eram para 
o dia seguinte. 
 
 1. Rosa Maria disse ao irmão: - Vem a casa depressa. 
 2. O professor ordenou aos alunos: - Estejam calados! 
 3. Marta respondeu à amiga: - Fico muito satisfeita com o 
teu convite e no próximo domingo aí estarei. 
 4. O meu irmão pediu-me: - Traz-me um caderno quando 
fores à papelaria. 
 
 
UNIDADE 15 
A FICHA BIBLIOGRÁFICA 
Introdução 
Nesta secção, pretendemos dar algumas directrizes da 
organização de uma referência bibliográfica. Como sabemos, em 
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qualquer trabalho científico assim como fichas de leitura teremos 
de usar ou referenciar os autores das obras consultadas, para 
distanciarmo-nos do plágio académico. 
A apresentação da ficha bibliográfica não é uniforme, 
podendo diferir de escola para escola, mas aqui pretendemos 
apresentar um modelo que se pode usar. 
 Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 Elaborar uma ficha bibliográfica. 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
1. A Ficha Bibliográfica 
 
A informação colectada nos livros, assim como noutras fontes 
de conhecimento, normalmente deve ser devidamente 
catalogada, ou seja, a sua proveniência não deve constituir 
segredo. Tratando-se de documentos que veiculamideias de 
outros sujeitos pensantes, estas ideias são propriedade e/ou 
pertenças desses mesmos sujeitos. Isto significa dizer que, ao 
se fazer uso dessa mesma informação, dever-se-á referir a 
fonte que a produziu – o seu autor, sob pena de se considerar 
plágio (roubo de propriedade intelectual), da ideia de outrem. 
Esta omissão é considerada crime, dando direito a um 
processo criminal que pode ter consequências imprevisíveis 
nos termos da lei dos direitos autorais. 
 Com efeito, é dever de quem pesquisa referir os livros que 
lhe serviram de suporte e/ou fonte de inspiração para a 
produção das suas próprias ideias, colocando todos os dados 
que possam facilitar a localização da obra referida para efeitos 
de confrontação posterior. Estas informações são organizadas 
segundo modelos universalmente convencionados, a que se dá 
o nome de ficha bibliográfica. 
 A construção da ficha bibliográfica obedece a regras fixas 
de representação, segundo o exemplo que a seguir é 
apresentado (entretanto, mais detalhes sobre este assunto 
poderás colher na disciplina de Metodologia de Investigação 
Científica MIC): 
1. A disposição das informações segue uma ordem: 
- Apelido em maiúsculas; 
- Nome do autor; 
- Título da obra (sublinhado ou em itálico ou a 
negrito ou em maiúsculas); 
- Subtítulo da obra antecedido de dois pontos 
(sublinhado ou em itálico ou a negrito ou em 
maiúsculas); (se tiver) 
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- Número da edição; 
- Local (nome da cidade) em que a obra foi editada; 
- Nome da editora responsável pela edição do livro; 
- Indicação do ano e da(s) página(s). 
 NB. Outras informações podem ser adicionadas, tais como, 
colecção, número do volume, etc. 
EX: RUIZ, J. Álvaro, Metodologia Científica: Guia para eficiência 
nos estudos, s.e., São Paulo: ATLAS, 1991, p-19 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
As fichas são um instrumento de trabalho indispensável, 
permitindo: identificar as obras, conhecer o seu conteúdo, fazer 
citações, conservar críticas, nossas ou de outrem, analisar o 
material a utilizar num trabalho. 
Exercícios 
1. A partir dos seus manuais ou outras obras, elabore três 
fichas bibliográficas. 
 
 
 
 
 
UNIDADE 16 
A FICHA DE LEITURA 
Introdução 
Na nossa vida de estudantes, temos, vezes sem conta, 
deparado com situações em que empreendemos leituras de livros 
e/ou outros materiais de consulta diversos, onde a memorização 
constitui o elemento chave no processo de busca, sistematização e 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
armazenamento das informações. Ora, é difícil, senão mesmo 
impossível, memorizar tudo o que se lê ou se consulta. 
Vamos tratar, nesta unidade, sobre a mais recomendável técnica, 
que quando estruturada de maneira específica e em formato 
próprio, dá-se-lhe o nome de ficha de Leitura. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 Conhecer os diferentes tipos de fichas de leitura. 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
A Ficha de Leitura ou de Conteúdo 
Tipos de fichas 
Ficha analítica – contém uma análise sumária da obra ou do 
artigo, podendo referir, entre outros, os seguintes elementos: 
- campo ou o saber abordado; 
- problemas tratados; 
- conclusões alcançadas 
- contribuições especiais para o tema 
- métodos utilizados: indutivo, dedutivo, dialéctico, 
histórico, comparativo; 
- recursos empregados: tabelas, quadros, gráficos, 
mapas. 
Entre as suas qualidades, destacam-se as seguintes: 
- brevidade; 
- uso de verbos activos; 
- ausência de repetições. 
 
Ficha de citação – reproduz frases consideradas relevantes num 
trabalho: 
- coloca-se entre aspas; 
- contém a página; 
- transcreve textualmente (incluindo erros, que 
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devem ser seguidos pelo termo sic colocado entre 
parênteses rectos [sic]); 
- indica supressão de palavras, recorrendo também a 
parênteses rectos [...]; 
- completa a frase com elementos indispensáveis à 
sua compreensão, se for necessário (colocando o 
acrescento entre parênteses). 
Ficha de resumo ou síntese – apresenta um resumo ou síntese das 
principais ideias ou dos aspectos essenciais. Tendo em conta a 
natureza destes exercícios (ver noutro local), lembraremos que 
esta ficha: 
- não é um sumário ou índice; 
- não é uma transcrição de frases; 
- não é longa; 
- não precisa, no caso da síntese, de obedecer à 
estrutura da obra. 
Ficha de comentário – é uma interpretação crítica das ideias do 
autor: 
- sobre a forma; 
- sobre o conteúdo; 
- sobre a clareza ou a obscuridade do texto; 
- sobre a sua comparação com outros textos 
- sobre a importância da obra. 
 
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As partes componentes desta ficha 
Legenda: 
a) referência bibliográfica do livro/revista ou 
texto; 
b) tema abordado; 
c) página do livro em que se encontra a 
informação/texto; 
d) clasificação da obra(conto, romance, ensaio 
etc.) 
e) conteúdo: síntese do conteúdo do texto 
consultado, podendo ser apresentado sob 
forma de esquema (notas) ou sob forma de 
um resumo – seguindo as regras de 
redacção deste tipo de texto 
f) observações do autor da ficha sobre alguns 
aspectos pertinentes relacionados com o 
assunto do texto ou livro, ou qualquer outra 
informação particular encontrada em e), i.é. 
na síntese. 
Sumário 
Em síntese: 
Na nossa vida de estudantes, temos, vezes sem conta, deparado 
com situações em que empreendemos leituras de livros e/ou 
 ISCED – MANUAL DE TÉCNICAS DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA 
 
outros materiais de consulta diversos, onde a memorização 
constitui o elemento chave no processo de busca, sistematização e 
armazenamento das informações e dos conteúdos pesquisados. 
Ora, é difícil, senão mesmo impossível, memorizar tudo o que se lê 
ou se consulta. Por este facto, como auxiliares de memória, várias 
técnicas e estratégias têm sido comummente usadas pelos 
pesquisadores. Uns preferem recorrer à técnica de tomada de 
notas; outros há que, preferem fazer pequenos resumos ou 
sínteses da informação colectada. A esta última técnica, por sinal, 
mais recomendável, quando estruturada de maneira específica e 
em formato próprio, conforme o exemplo que vamos apresentar 
neste módulo, ao documento final resultante dá-se-lhe o nome de 
Ficha de Leitura, visto comportar as linhas de leitura então 
efectuadas. 
 
Exercícios 
1. Elabore uma ficha de leitura de resumo sobre a unidade 
Acentuação de qualquer obra que contenha essa matéria. 
 
UNIDADE 17 
O SUMÁRIO 
Introdução 
O sumário é um texto curto, por definição, e tem por objectivo 
relatar as actividades de uma aula (estamos a tratar do sumário da 
aula). Este texto relata fiel e fidedignamente as várias etapas que 
compõem uma aula. É, com efeito, um texto objectivante 
(objectivante na medida em que não é possível ser-se 
completamente objectivo, daí que não nos autorizamos a usar o 
termo objectivo). No sumário são também usadas expressões 
nominalizadas (nominalizações, evitando-se assim a utilização de 
verbos conjugados. Sendo o relato de actividades de uma aula 
passada/ efectivada, ele deverá ser redigido no fim da aula (não 
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no princípio desta, como muitos dos professores erradamente o 
fazem. Afinal, tema (tópico) da aula é diferente do sumário) 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Explicar detalhadamente as principais diferenças 
existentes entre o sumário e outros textos que com 
ele se confundem; 
 Aplicar as regras envolvidas na elaboração ou 
produção do sumário. 
Sumário 
Definição geral: 
É uma enumeração das divisões principais e dos artigos contidos 
numa publicação periódica, num livro, num relatório ou 
documento análogo, seguindo a ordem do texto. Apresenta o 
conteúdo sob forma de plano: deve manifestarnão apenas as 
etapas de estudo, mas também o sentido, manifestando a sua 
coerência desde o título até à conclusão. 
Um livro deve incluir os seguintes elementos: plano, 
desenvolvimento, principais divisões e sua paginação. 
Numa revista reportam-se a: título, nome do autor (se forem dois, 
devem ambos ser mencionados e, se mais de dois, mencionados 
apenas o primeiro, seguido da expressão “et alii” ou “at al”). 
O sumário tem uma dupla função 
Permite ao leitor orientar-se na leitura do texto ou ler apenas a 
parte que lhe interessa – trata-se de um ponto de vista prático. 
Permite, ainda, apreender a globalidade do tema ou as propostas 
avançadas e o modo adoptado para a sua apresentação – é o 
plano que se encontra aqui em questão. 
Qualidade essencial dum sumário 
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É importante que um sumário veicule uma problemática, mostre 
as questões e esboce as respostas, quer dizer, que nas entrelinhas 
contenha um raciocínio original. 
 
O sumário duma aula 
O sumário é um texto curto, por definição, e tem por objectivo 
relatar as actividades de uma aula (estamos a tratar do sumário da 
aula). Este tipo de texto deve relatar fiel e fidedignamente as 
várias etapas que compõem uma aula. É, com efeito, um texto 
objectivante. (objectivante na medida em que não é possível ser-
se completamente objectivo, sendo por este motivo, que não nos 
autorizamos a usar o termo objectivo). 
Ora, Justamente porque se pretende objectivo, diga-se, 
objectivante, ele apresenta marcas da 3ª pessoa gramatical. Nele, 
são também usadas expressões nominalizadas, evitando-se assim 
a utilização de verbos conjugados. 
Sendo o relato de actividades de uma aula passada/ efectivada, 
ele deverá ser redigido no fim desta (e não no princípio da aula, 
como muitos dos professores erradamente o fazem, confundindo, 
tema (tópico) da aula com o sumário) 
 Técnicas de elaboração 
O sumário da aula é um texto de construção colectiva. Todos os 
participantes/intervenientes da aula devem participar da sua 
elaboração. Devemos abandonar a prática de aulas centralizadas 
no professor. O aluno deve participar activamente em todas as 
etapas da aula, ou seja, na sua construção. O aluno pode, e muito 
bem, saber dizer o que foi tratado numa aula em que dela fez 
parte. É errado julgar que ele é um objecto que se limita a ouvir, 
copiar e escrever o que o professor dita. Como isso dizer-se: o 
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aluno não é uma tábua rasa, ou um simples receptáculo passivo 
dos conteúdos da aprendizagem. 
 
 Análise icónica 
Trata-se de um nível de leitura que é feita tendo em conta o 
aspecto formal (do ponto de vista da mancha gráfica). Esta leitura 
permite identificar o texto, antes da sua leitura conteudística. 
Nela, presta-se especial atenção aos aspectos mais destacados a 
partir de elementos de realce, tais como a escrita a negrito (em 
bold), em itálico e/ou sublinhado, as imagens (figuras ou icons – 
texto imagético). Muitas vezes, o leitor não precisa de ler o texto 
para se aperceber com que tipo de texto está a lidar. Os 
elementos iconográficos são dispostos de tal ordem que o texto se 
identifica por si, captando a atenção do público leitor. É que para 
o leitor ver se o texto é curto ou longo, não precisa de uma lupa, 
nem de ler o texto em toda a sua extensão. Mas, será após a 
leitura do conteúdo do texto que algumas dúvidas serão 
dissipadas, nomeadamente no que diz respeito ao público visado, 
informações ligadas ao assunto, data, hora e local. 
Análise linguística 
Além dos aspectos ligados à forma, identificáveis a partir de um 
olhar (vista geral da mancha gráfica, isto é, daquela parte 
impressa, há a leitura do que está impresso do ponto de vista de 
fundo, de conteúdo. Presta-se especial atenção à linguagem 
usada, às marcas de pessoa gramatical, à conjugação dos verbos, 
enfim, aos elementos discursivos. 
 
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Sumário 
Em síntese: 
Considera-se, no geral, sumário uma enumeração das divisões 
principais e dos artigos contidos numa publicação periódica, num 
livro, num relatório ou documento análogo, seguindo a ordem do 
texto. Mas o sumário da aula é um texto de construção colectiva. 
Exercícios 
1. “Aquilo que não foi possível tratar na aula, ainda que 
tenha sido planificado, não deve constar do sumário da 
aula.” 
a) Explicite melhor a afirmação. 
2. Elabore o sumário do seu trabalho de investigação.
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UNIDADE 18 
TEXTOS ADMINISTRATIVOS 
Introdução 
O processo de redacção e compreensão de texto é tão complexo 
que exige, até, o conhecimento da tipologia a que o texto por 
produzir ou por ler pertence. 
Porém, nesta unidade vamos apresentar e tratar especificamente 
de textos de carácter administrativo, ou seja, textos funcionais. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Caracterizar os textos administrativos; 
 Indicar os tipos de textos administrativos 
 
A Escrita administrativa 
A escrita administrativa, também chamada funcional e 
institucional, vem-se afirmando, entre nós, desde os anos 60, com 
o desenvolvimento do sector dos serviços. A mudança de tipo de 
comunicação dentro da empresa é um outro factor a explicar esse 
crescimento: a uma comunicação interpessoal, individualizada e 
subjectiva substituiu-se uma comunicação formal, tipológica e 
objectiva, numa palavra impessoal. 
Uma tipologia de textos surge, assim, no horizonte das instituições 
e organizações, remetendo-se a sua aprendizagem para uma 
prática tão aprofundada e variada quando as necessidades o 
exigem. Este facto explica a diversidade de modelos para o mesmo 
texto, em diferentes instituições, a existência de uma teorização 
incipiente para alguns deles e a relutância de muitos funcionários 
em aceitarem escrever alguns desses textos, por não terem 
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modelos ou padrões de referência. Exemplo disto é a dificuldade 
em encontrar alguém que em determinadas situações aceite, de 
bom grado, elaborar uma acta, um curriculum vitae, uma 
reclamação, um relatório ou até um simples memorando. 
Os textos administrativos começam agora a figurar entre os textos 
trabalhados pela escola. 
É bom que assim seja: os alunos adquirem mais confiança no 
domínio das diferentes manifestações da Iíngua escrita e as 
empresas recebê-los-ão com mais agrado, por apresentarem uma 
preparação linguística mais variada. 
 
Sumário 
Em síntese: 
Os textos administrativos são uma tipologia textual que começa 
agora a figurar entre os textos trabalhados pela escola. A mudança 
de tipo de comunicação dentro da empresa é um outro factor a 
explicar esse crescimento: a uma comunicação interpessoal, 
individualizada e subjectiva substituiu uma comunicação formal, 
tipológica e objectiva, numa palavra impessoal. 
Exercícios 
1. Mencione o conjunto de textos de natureza administrativa 
ou funcional. Apresente as principais diferenças. 
2. Depois de responder à pergunta anterior, apresente 
graficamente exemplo de um dos textos que mencionou. 
 
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UNIDADE 19 
FORMAS DE TRATAMENTO 
Introdução 
Na produção de documentos ou de textos administrativos como: 
um convite, enviar uma carta, um requerimento, um anúncio, uma 
acta, uma petição, um cumprimento, e uma conversação num 
evento social onde encontra autoridades, é comum a pessoa 
perguntar-se qual o pronome de tratamento que deve empregar, 
em meio às dezenas de expressões que se convencionou 
considerar as mais respeitosas. Definidos no âmbito das Boas-
maneiras, os pronomes de tratamento são palavras que exprimem 
o distanciamento e a subordinação em que uma pessoa 
voluntariamente sepõe em relação a outra, a fim de agradá-la e 
desejar um bom relacionamento. Porém, seu emprego abusivo 
poderá afectar negativamente a dignidade da pessoa que os 
emprega. 
 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Conceitualizar as formas de tratamento; 
 Utilizar correctamente as formas de tratamento; 
 Identificar as entidades a partir das formas de tratamento. 
 
Conceito 
Segundo Cunha e Cintra (2002:292)20, denominam-se pronomes de 
tratamento certas palavras e locuções que valem por verdadeiros 
pronomes pessoais como: você, o senhor, Vossa Excelência. 
 
20
 Ibdem 
http://www.cobra.pages.nom.br/bmp-conversacao.html
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Embora designem a pessoa a quem se fala, isto é, a segunda 
pessoa, esses pronomes levam o verbo na terceira pessoa. 
 Ex: Onde é que vocês estão? 
 Vossa Excelência Senhor Comendador terá de perdoar. 
No processo de produção de documentos institucionais ou então de 
textos administrativos, somos obrigados a usar formas de tratamento 
específicas referentes às entidades a que nos dirigimos. 
Assim, convém conhecermos as seguintes formas de tratamento 
referentes e as abreviaturas com que são indicadas na escrita. 
Estas formas aplicam-se à 2ª pessoa, àquela com quem falamos; para a 
3ª pessoa aquela de quem falamos, usam-se as formas Sua Alteza, Sua 
Eminência, etc. Mas as últimas podem empregar-se com valor das 
primeiras, como expressão de máxima cerimónia, mormente quando 
seguidas de aposto que contenha um título determinado por artigo. 
Assim, em lugar de: 
 Vossa Excelência Senhor Ministro aprova a medida? 
 É lícito dizer-se 
 Sua Excelência, o Senhor Ministro, aprova a medida? 
Em princípio, os pronomes de tratamento da 2ª pessoa devem 
acompanhar o verbo para evitar confusão com o sujeito da terceira. 
 Seu irmão cantava, e você o acompanhava. 
 Vossa Reverência já leu este livro? 
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Sumário 
Em síntese: 
Pronomes de tratamento são palavras ou expressões que usamos 
para nos referir às pessoas, em consideração ao cargo que 
exercem, posição social, ou ainda, para indicar formalidade e 
respeito. 
Os pronomes de tratamento correspondem a pronomes pessoais 
e o verbo correspondente é conjugado na 3ª pessoa. 
Exercícios 
1. Indique as formas de tratamento para as seguintes entidades: 
 Presidente da República 
 Vice-Presidente da República 
 Ministros do Governo 
 Funcionários graduados 
 Organizações comerciais e industriais 
 Arcebispos e Bispos 
 Papa 
2. Utilize correctamente Vossa ou Sua, conforme a pessoa do 
discurso: 
i. …………………. Excelência estava bem-humorado. 
ii. …………………. Excelência pretende viajar para a Europa? 
 
http://www.alunosonline.com.br/portugues/pronome-de-tratamento/
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UNIDADE 20 
A CARTA 
Introdução 
Na unidade 18, abordamos acerca de textos administrativos, num 
cômputo geral. Agora, vamos tratar essencialmente da carta, um 
dos tipos de texto que pertence à tipologia textual em causa. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Conceber a carta do ponto de vista do conceito tradicional, 
por um lado, e moderno, por outro; 
 Explicar as diferenças básicas encontradas entre a carta e 
os restantes textos administrativos; 
 Justificar a estrutura fulcral de apresentação gráfica da 
carta. 
 
A Carta 
É uma conversa por escrito, dirigida a uma pessoa ausente - 
assim se define tradicionalmente a carta. A simplicidade da 
definição não corresponde, porém, à dificuldade em escrever 
cartas. Trata-se de um meio de comunicação muito antigo que 
tem visto o seu espaço ser conquistado, no mundo moderno, 
por meios mais rápidos como o telefone, a rádio, o fax e, em 
muitas das suas velhas funções, pelo próprio jornal. Contudo, a 
sua actualidade mantém-se tal como as suas características: 
economia, personalização, substituto do diálogo. 
 
Como é uma conversa, o estilo da carta deve ser coloquial, isto 
é, manifestar a maneira de ser de quem a escreve e de quem a 
Iê. Este cuidado em ser natural e adaptar-se ao receptor é uma 
das exigências da carta, juntamente com a clareza, a 
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expressividade e a síntese. 
 
As cartas dividem-se em privadas e comerciais, subdividindo-
se cada um dos grupos numa série de outros tipos conforme as 
situações e a natureza da comunicação. 
 
As primeiras destinam-se a familiares e amigos e têm como 
qualidades principais: a correcção gramatical e a delicadeza, 
que a familiaridade e a intimidade não dispensam, a ordem e a 
boa apresentação, isto é, sem rasuras nem emendas, em papel 
normalizado, sendo de preferência manuscritas. A frase deve 
ser simples, eliminando as dificuldades de construção e indo 
por partes, ao fazer corresponder a uma frase poucas ideias. 
 
As segundas são frequentes no mundo dos negócios, onde 
constituem o documento escrito mais importante, e dizem 
respeito à compra e venda de alguma coisa. São caracterizadas 
pelo sentimento útil e, como o comércio e o seu estilo, não só 
devem permitir uma comunicação eficaz como deixar uma 
impressão favorável na pessoa que as recebe. O seu objectivo 
principal é obter uma reacção positiva. Para isso, contribuem 
qualidades como: 
- a Clareza - procurada através de frases curtas, da ordem 
directa das palavras na frase, de um vocabulário cuidado, e, 
ainda, através da eliminação dos gerúndios, das palavras 
rebuscadas, dos circunlóquios e das expressões gastas: 
 
- A Concisão - obtida através da revisão do escrito, da 
eliminação de expressões inúteis, ideias repetidas e 
pormenores sem interesse, indo directamente ao assunto, mas 
evitando a escrita telegráfica e a frase vaga; 
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- A Precisão - conseguida pelo uso do termo próprio para cada 
coisa, tendo o dicionário sempre ao lado, pelo abandono das 
orações subordinadas e pela apresentação de explicações; 
 
 Estrutura: 
1. Cabeçalho (nas comerciais) - contém o nome da empresa, o 
endereço, o número de telefone, o de telefax e o de 
contribuinte. 
 
2. Data - coloca-se ao alto, à direita ou à esquerda nas cartas 
comerciais e à esquerda nas familiares. Nestas, pode aparecer 
também no fim, à esquerda da assinatura, como forma de 
respeito e consideração. 
 
3. Endereço ou direcção - aparece, em geral, no envelope ou 
sobrescrito ou, nas comerciais, na folha da carta quando se 
usa um envelope com janela. Neste último caso, a sua 
colocação varia: lngleses e Americanos escrevem-na à 
esquerda, os Franceses, à direita. Entre nós, adoptam-se as 
duas posições. É importante que estejam presentes todos 
os elementos necessários para a identificação do 
destinatário e da sua residência. 
4. Saudação ou fórmula de tratamento - escreve-se à 
esquerda, alinhada com a primeira palavra da carta. A sua 
escolha deve ser criteriosa não só porque há normas 
rigorosas, particularmente nas cartas comerciais, como 
porque o nosso interlocutor pode não se rever na forma de 
tratamento por nós usada, o que o leva a olhar-nos de 
lado. Apresentamos algumas. 
 
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Exemplo: 
 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
A carta é, assim, definida tradicionalmente como uma 
conversa por escrito, dirigida a uma pessoa ausente. Ela 
classifica-se em privada e comercial, que, por sua vez, 
conforme as situações e natureza da comunicação, subdivide-
se cada um dos grupos numa série de outros tipos. 
Contribuem como qualidades tais como: a Clareza, a Precisão,a Concisão, entre outras. 
Exercícios 
1. Distinga a carta privada da comercial. 
2. Redija uma carta comercial, solicitando um estágio durante 
um semestre. 
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3. Indique, na carta que produziu, as partes que a compõem. 
 
 
UNIDADE 21. A CONVOCATÓRIA 
 
Introdução 
Sempre que pretendemos reunir com um público determinado, 
seja escolar, comunitário e outro, há sempre uma prévia 
necessidade de informar todos os participantes previstos para 
fazer parte dessa reunião. Porém, para o efeito, é lhes formulado 
um documento numa data que antecede o encontro denominado 
Convocatória, o texto de que falaremos nesta unidade. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
- Conceitualizar o termo convocatória; 
- Explicar detalhadamente as técnicas a ter em conta na 
elaboração/produção da convocatória; 
- Aplicar os elementos que compõem a convocatória no acto da 
produção da mesma. 
 
Convocatória 
É um documento que chama sócios para reunir, elaborado por 
quem tem poderes institucionais para o fazer. Normalmente, é 
dada a conhecer por aviso postal para cada participante, com 
antecedência considerada necessária – nas associações é de oito 
dias. 
Trata-se de um texto de utilidade pública, feito no contexto da 
realização de uma reunião. Estruturalmente comporta três partes 
essenciais, sendo: 
- O cabeçalho (onde se encontra identificada o tipo 
de documento, a instituição e a entidade emissora 
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da convocatória); 
- O corpo (onde se encontra inserido o texto 
principal. Neste, é devidamente indicado o local, a 
data, a hora da reunião, a respectiva ordem de 
trabalhos; o assunto ou os assuntos a serem 
tratados na reunião; o tipo de sessão ou reunião – 
ordinária ou extraordinária; e 
- O fecho (a data em que ela é feita, a entidade 
responsável pela emissão da convocatória e 
finalmente a assinatura desta mesma pessoa). 
Técnicas de elaboração 
Em princípio, não há uma técnica propriamente dita, mas há, 
obviamente, elementos a ter em conta antes da sua elaboração, 
nomeadamente: 
a. deve conter uma agenda (pontos a discutir na 
reunião prevista.) 
b. a convocatória é endereçada a um público alvo bem 
definido, podendo ser: a comunidade escolar (pais 
e encarregados de educação, alunos em geral, 
professores da escola, funcionários etc.) 
c. deve haver a indicação do local e da data 
 
Análise icónica 
A leitura icónica é feita inconscientemente, numa primeira fase, 
visto ser baseada nos elementos que se nos apresentam diante de 
nossos olhos. O olhar é dirigido, mas ver é um acto involuntário. 
Ao observarmos o material impresso, notamos os elementos mais 
salientes, destacáveis. Apercebemo-nos da extensão do texto. Ora 
todas estas ilações são tiradas involuntariamente. Trata-se de 
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operações que acontecem a nível do nosso cérebro, mas que não 
dependem dum esforço físico ou psíquico empreendido por nós. 
Esta leitura permite identificar o texto, antes da sua leitura 
conteudística. Nela, presta-se especial atenção aos aspectos mais 
destacados a partir de elementos de realce, tais como a escrita a 
negrito (em bold), em itálico e/ou sublinhado. Muitas vezes, o 
leitor não precisa de ler o texto para se aperceber com que tipo de 
texto está a lidar. Os elementos iconográficos são dispostos de tal 
ordem que o texto se identifique por si, captando a atenção do 
público leitor. Ora, será após a leitura conteudística do texto que 
algumas dúvidas serão dissipadas, nomeadamente no que diz 
respeito ao público visado, assunto, data, hora e local. 
Análise linguística 
Trata-se da análise de conteúdo, da linguagem usada na redacção 
desta tipologia de textos; as marcas de pessoa gramatical, as 
formas de tratamento, de persuasão, entre outros. 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
Convocatória é um documento que chama sócios, com 
antecedência necessária, para reunir, elaborado por quem tem 
poderes institucionais para o fazer. Todavia, não há uma técnica 
propriamente dita, mas há elementos a ter em conta antes da sua 
elaboração: uma agenda, um público-alvo bem definido, a 
indicação do local e da data da realização da reunião. 
Exercícios 
1. Em poucas palavras, diferencie a convocatória do convite. 
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2. Elabore uma convocatória, chamando os membros da 
assembleia geral para uma reunião ordinária de balanço 
trimestral das actividades desenvolvidas na sua instituição. 
 
UNIDADE 22 
A ACTA 
Introdução 
Os textos administrativos ou funcionais são textos que se usam 
dentro das mesmas instituições ou entre instituições diferentes, 
daí a designação de textos institucionais. 
Porém, nesta unidade fazemos abordagem da acta, sobretudo a 
sua função institucional e técnicas envolvidas na sua elaboração. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
- Distinguir a acta dos outros textos de índole administrativa; 
- Fundamentar os elementos que compõem a acta e a respectiva 
sequenciação; 
- Elaborar uma acta baseada em factos acontecidos e discutidos 
numa reunião. 
 
Definição 
Acta é a reprodução de factos, decisões e opiniões reportados a 
assembleias, reuniões ou conselhos...é o relato oficial de tudo o 
que se passou durante a reunião de uma instituição, 
departamento, secção, conselho ou grupo de trabalho. Costuma 
fazer-se a distinção entre projecto de acta e a acta propriamente 
dita, coincidindo a passagem do primeiro à segunda com o 
momento da sua aprovação. 
Este documento é elaborado pelo secretário da reunião que tem a 
ingrata, difícil e a penosa tarefa de, ao longo dela, recolher os 
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apontamentos indispensáveis à sua elaboração posterior do 
projecto de acta. Mais tarde, com a ajuda do presidente, em caso 
de necessidade, ordená-los-á e redigirá uma primeira versão. O 
projecto de acta é escrito no livro de actas, cujas folhas devem 
estar rubricadas e numeradas – as folhas, não as páginas, pois 
cada folha tem duas páginas – pelo presidente da Mesa da 
Assembleia Geral, o mesmo acontecendo com os termos de 
abertura e de encerramento. 
A redacção deve ser simples, concisa e clara; não deve haver 
abreviaturas e os números tal como as datas escrevem-se por 
extenso; intervalos em branco, interlinhas e rasuras são 
eliminados. Enquanto o projecto de acta, ou minuta, não for 
aprovado em Assembleia Geral, é pertença de quem o elaborou, 
que pode fazer as alterações que achar para a sua compreensão e 
fidelidade. 
Nela são relatadas todas as intervenções dos participantes da 
reunião. A sua redacção obedece a uma fórmula fixa de 
introdução e fecho, começando-se do seguinte modo: (aos nove 
dias, do mês de Junho de dois mil e sete, nas instalações da 
Faculdade de Educação e Comunicação, realizou-se uma reunião, 
que obedeceu à seguinte ordem de trabalhos/ ou cuja agenda 
encontra-se em anexo… 
Estruturalmente, a acta pode ser dividida em três partes 
fundamentais, nomeadamente: 
 O cabeçalho, contendo a identificação do documento e o 
respectivo número de ordem 
 O corpo, comportando os relatos das várias etapas e 
intervenções dos participantes 
 O Fecho, contendo a fórmula fixa do fecho e as assinaturas do 
presidente e do secretário da reunião. 
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Técnicas de elaboração 
Ao longo da elaboração da acta, há formas próprias de introdução 
das intervenções/falas dos participantes da reunião, como os 
actos de fala que a seguir alistamos: 
- referindo-se à questão do…ele teria dito que… 
- usando da palavra, o Sr, Mahulana, afirmou 
que…disse que…realçou o facto de que… 
- apelou aos presentes para que…- questionou o facto de… 
- perguntou, 
- disse ter ficado impressionado, chateado, 
escandalizado com o facto de… 
- João Wanicela disse não concordar com a posição 
do seu colega… 
- Benilde, chefe da turma, interveio para aclarar 
algumas questões que constituíam embaraço… 
A acta obedece a uma fórmula fixa do fecho, que é: (não havendo 
mais a tratar, a reunião foi encerrada (dada por terminada), da 
qual foi lavrada/ (se lavrou) a presente acta, que, depois de lida, 
será assinada pelo Presidente (ou…) e por mim que secretariei a 
reunião. 
NB: 
 Os espaços em branco, na acta, devem ser trancados de 
forma a evitarem-se acréscimos posteriores. 
 Em caso de falha ao longo da redacção da acta, esta não 
deve ser rasurada nem borrada, devendo-se, nestes casos, 
acrescentar-se a palavra digo, logo depois da falha e 
colocando a palavra correcta pretendida. 
 
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Elementos Discursivos 
Uso da voz passiva e das formas do particípio passado 
(relativamente ao ponto número três, foi dito que…ficou acordado 
que…decidiu-se que as reuniões serão feitas…), 
Uso do discurso indirecto (ele disse que…) 
Uso do Pretérito perfeito, mas também das formas do 
imperfeito… (ele teria dito que…), coube a vez a Fernando 
Sumabane que interveio para questionar sobre se não haveria 
espaço para mais um ponto na agenda. 
Sumário 
Em síntese: 
 A acta é um meio de informação da “vontade colectiva”; o 
elemento de prova e de interpretação dessa vontade; o registo da 
vida das instituições; depois de aprovada, é imutável e só a 
Assembleia pode permitir que ela seja objecto de avaliação 
posterior. 
 
Exercícios 
 
 
1. Da convocatória que elaborou na unidade anterior, elabore 
a respectiva acta que é fruto da reunião realizada. 
2. Divida a acta que produziu em partes correspondentes à 
estrutura do texto. 
 
 
 
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UNIDADE 23 
TEXTO EXPOSITIVO-EXPLICATIVO 
Introdução 
O texto expositivo-explicativo dá a conhecer e/ou esclarece 
determinadas situações ou factos. É um tipo de texto cujo 
objectivo se prende essencialmente com o conhecimento da 
realidade, a respeito da qual oferece um saber. 
Nesta unidade apresentamos detalhadamente o texto expositivo-
explicativo, no concernente à conceitualização; característcas 
estruturais e discursivas; bem como aos princípios que regulam a 
construção do referido texto. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Definir o conceito e os objectivos do texto expositivo – 
explicativo; 
 Analisar o material icónico dos textos expositivos-
explicativos. 
 
Definição 
O texto expositivo/explicativo é um tipo de texto cuja intenção de 
comunicação se prende essencialmente com conhecimento da 
realidade, a respeito da qual oferece um saber. 
A finalidade de acção da linguagem a atingir é a de informar, isto 
é, de transmitir conhecimentos ao destinatário relativo a um 
referente preciso. Por isso, o texto expositivo/explicativo é um 
texto conceptual, visa instruir o estado cognitivo do destinatário. 
Características 
Quanto à organização textual 
 A análise de qualquer texto requer o conhecimento das regras do 
seu funcionamento, da sua estruturação, isto é, da sua gramática. 
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Da mesma forma que o campo da linguística desenvolve estudos 
visando a consciencialização dos elementos da frase, torna-se 
imperioso o estudo dos elementos caracterizadores de cada tipo 
de texto. 
Collier (1986:8) apud Adam resume as fases de construção 
do texto expositivo/explicativo em três momentos: 
1) A fase de questionar 
2) A fase de resolução 
3) A fase de conclusão 
Estes três momentos (introdução, desenvolvimento e conclusão) 
podem ou não aparecer explícito na superfície do texto. Todavia, a 
fase de questionar não contém necessariamente uma 
interrogativa directa ou indirecta; poderá, por exemplo, ser 
constituída apenas pela explicitação do tema / assunto da 
exposição, às vezes, aparece no título do texto. 
A ordem de ocorrência destas fases, regra geral, obedece ao 
seguinte encadeamento: de questão poder-se-á ir à resolução, ou 
optar-se pela antecipação da parte conclusiva. 
Exemplo 1: 
 Introdução – uma reflexão sobre influência da droga no 
rendimento escolar da camada juvenil. 
Implicitamente temos uma questão: 
A droga influencia? Porquê? Como? 
Desenvolvimento – Expor-se-ão as principais ideias sobre a 
influência da droga no rendimento escolar. 
Conclusão – Apresentar-se-ão as principais conclusões 
sobre o objecto problematizado. 
Exemplo 2: 
“A droga provoca um fraco rendimento escolar na camada 
juvenil, o que origina o abandono dos estudos”. 
Desenvolvimentos – Apresentam-se enunciados que fazem 
compreender a observância do baixo rendimento nos 
consumidores de estupefacientes. 
Quanto ao tipo de enunciados 
O texto expositivo/explicativo tem uma própria textura que 
o distingue das outras formas de discurso. 
Assim, este género textual é composto por três tipos de 
enunciados: 
1. enunciados de exposição, contendo uma sucessão de 
informações que visam fazer saber. 
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2. enunciados de explicação que tem como finalidade 
fazer compreender o saber transmitido. 
3. enunciados que marcam as articulações do discurso: 
anunciar o que vai ser dito; resumir o que se disse; 
antecipar o que vai ser dito, através de títulos, 
subtítulos, numerações, etc., focalizar o que é dito 
através de sublinhados e de mudanças tipográficas. 
Os discursos de manuais (usados nas escolas) têm a ver com 
saberes científicos de base de uma disciplina, escritos por autores 
que não são, grosso modo, pesquisadores; jogam, sim, um papel 
de intermediários, Beacco, 1990. Este facto leva o autor da 
compilação a usar estratégias que ajudarão o estudante a 
compreender o texto. 
Características Linguísticas 
O texto expositvo/explicativo é um discurso de verdade, a sua 
objectividade manifesta-se através de formas linguísticas próprias. 
Ele é emitido por um locutor ao qual não são contestados nem o 
poder nem o saber. Quando se põe em causa esta autoridade, 
entra-se no domínio da polémica, perdendo, assim o estatuto de 
texto de explicação. É objectivo e isento de ataques. 
A análise deste tipo de discurso mostra a existência de uma 
diversidade de modos de comunicação: 
 emprego da passiva; 
 nominalizações; 
 apagamento do sujeito falante; 
 emprego de um presente com valor genérico; 
 uso de expressões que explicam os conteúdos 
veiculados; 
 articuladores. 
Uma das características do texto expositivo/explicativo consiste na 
abstracção do sujeito entanto que membro duma sociedade 
determinada; deve neutralizar tudo o que se possa resultar de 
uma apreciação pessoal, subjectiva. O discurso expositivo deverá, 
por isso, fazer desaparecer do enunciado toda a referência a um 
caso particular, a um momento determinado e situar-se no 
universal. A forma passiva é um mecanismo para tornar impessoal 
o discurso científico; ela é usada como uma estratégia de 
objectividade, de afastamento do sujeito enunciador do seu 
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discurso. 
Em suma, usam-se procedimentos de invisibilidade, mesmo que 
em alguns textos apareça um nós, eu, estarão desprovidos do 
valor individualizante. Por se tratar de um discurso monológico, 
observa-se a ausência de tu. 
As nominalizações, processo que consiste na transformação de 
um sintagma verbal, ou adjectival num nome, permite, em certos 
casos, condensar o que foi dito, assegurar uma determinada 
orientação da reflexão. 
Exemplo: 
“Quando os animais e as plantas morrem, os corpos 
apodrecem (SV) e acabam por desaparecer na terra. O 
apodrecimento (N) é provocado por organismos (...) ”. 
Quanto aos tempos verbais, a formaessencial é o presente 
com valor genérico ou estativo que enuncia as propriedades. 
Exemplo: 
 “O gato é um animal vertebrado”. 
A informação contida nesta frase constitui uma verdade 
que perdura, independentemente da sua enunciação. 
O presente genérico não pode ser oposto a um passado ou 
um futuro, trata-se de uma forma temporal “zero”, Mainguenean 
(1991:65). 
Um presente com valor deíctico (actual) reenvia ao 
momento de exposição. 
As expressões explicativas têm um papel importante nos 
textos expositivos/explicativos, permitindo ao emissor tornar mais 
clara a sua comunicação e orientar a compreensão do receptor. 
Definidos como elementos que asseguram as relações 
entre as diversas partes do texto, quer a nível intrafrásico, 
interfrásico, quer entre parágrafos, no texto 
expositivo/explicativo, estes elementos com frequência são de 
natureza lógica. 
Estes conectores podem marcar laços de adição (também, 
igualmente) oposições (mas, ao contrário) laços de consecução ou 
de causalidade (porque, visto que, dado que) 
 
Sumário 
Em síntese: 
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O objectivo do texto expositivo/explicativo é o de comunicar de 
forma clara e pormenorizada, a um leitor determinado, que se 
supõe detentor de um saber insatisfatório, o que deve saber de 
um facto, assunto ou de um problema. 
A definição deste tipo de texto apresenta-se polémica, pois há 
estudiosos que usam variada terminologia, fundamentando as 
suas posições. Assim, é frequente encontrar em alguns livros 
teóricos termos como: texto explicativo, texto expositivo, texto 
argumentativo, etc. 
 
 
Exercícios 
1. Qual é o objectivo essencial do texto expositivo-explicativo? 
2. Leia atentamente um texto expositivo – explicativo à sua 
escolha e responda às questões a seguir indicadas. 
a) Indique os principais aspectos que o 
caracterizam como um texto expositivo-
explicativo. 
b) Identifique o objectivo deste texto 
explicativo 
c) Destaque as três fases distintas de 
construção do texto expositivo/explicativo, 
segundo Collier (1986) 
 
UNIDADE 24 
TEXTO EXPOSITIVO-ARGUMENTATIVO 
Introdução 
O texto argumentativo é um dos textos pertencentes à tipologia 
de textos expositivos, no qual o autor apresenta as suas ideias ou 
opiniões acerca do que vê, pensa ou sente, ao contrário do que 
acontece com o explicativo – texto que apresenta factos sobre 
uma realidade. 
Nesta unidade pretendemos apresentar a definição do texto 
argumentativo; estrutura e vias de argumentação e de explicação, 
no quadro do texto expositivo-argumentativo. 
 
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Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Caracterizar o texto Expositivo-Argumentativo 
 Identificar as estratégias argumentativas 
 Redigir textos expositivos-Argumentativos. 
 
Conceito da Argumentação 
A argumentação visa persuadir o leitor acerca de uma posição. 
Quanto mais polémico for o assunto em questão, mais dará 
margem à abordagem argumentativa. Pode ocorrer desde o início 
quando se defende uma tese ou também apresentar os aspectos 
favoráveis e desfavoráveis posicionando-se apenas na conclusão. 
Argumentar é um processo que apresenta dois aspectos: o 
primeiro ligado à razão, supõe ordenar ideias, justificá-las e 
relacioná-las; o segundo, referente à paixão, busca capturar o 
ouvinte, seduzi-lo e persuadi-lo. 
Os argumentos devem promover credibilidade. Com a busca de 
argumentos por autoridade e provas concretas, o texto começa a 
caminhar para uma direcção coerente, precisa e persuasiva. 
Somente o facto pode fortalecer o texto argumentativo. Não 
podemos confundir facto e opinião. O facto é único e a opinião é 
variável. Por isso, quando ocorre generalização dizemos que 
houve um “erro de percurso”. 
Segundo Rei (1990:88) “Um argumento é um raciocínio destinado 
a provar ou refutar uma afirmação destinada a fazer admitir 
outra.” 
Ainda de acordo com o mesmo autor, a teoria da argumentação 
estuda as técnicas discursivas que permitem provocar ou 
aumentar a adesão dos espíritos às teses que apresentamos ao 
seu consentimento. Sem se afastar da dialéctica, da lógica e da 
retórica. A argumentação investiu no campo da psicologia, da 
sociologia e da teoria geral da informação, indo nestes campos 
procurar alguma luz sobre como reage o homem, quando exposto 
às mensagens persuasivas, como altera as suas convicções e o seu 
comportamento. 
Argumentos e Provas 
Já definimos o argumento como um raciocínio destinado a provar 
ou refutar uma afirmação ou, ainda, uma afirmação destinada a 
fazer admitir outra. Os argumentos são, portanto, elementos 
abstractos, cuja disposição no discurso dependerá da sua força 
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argumentativa, aparecendo, assim, no texto, numa disposição 
crescente, decrescente ou dispersa. 
 
 
Ordens das Provas 
As provas têm a função de sustentar os argumentos e são de três 
ordens (Jules Verest, 1939: 468-471): 
Naturais - incluem os textos das leis, o testemunho das 
autoridades, as afirmações das testemunhas e os documentos de 
qualquer espécie; 
Verdades e princípios universais - são reconhecidos, deste modo, 
por todos e apresentados sob a forma de raciocínio reduzido. 
O Exemplo – é um caso particular, real ou fictício, que tem uma 
analogia verdadeira com o caso que nos ocupa. A intenção é, a 
partir dele, inculcar uma verdade geral da qual deduzimos uma 
proposição que queremos estabelecer. 
Percurso da Argumentação 
Segundo Rei (1990:90), são caminhos do pensamento para 
"justificar uma opinião, desenvolver um ponto de vista, reflectir 
para chegar a uma decisão". Bellenger (1988: 16) define que “são 
processos de organização das ideias, segundo a natureza dos laços 
que unem os elementos ou as etapas do edifício persuasivo: onde 
operam os argumentos, escolhidos e dispostos, tendo em vista 
uma argumentação concreta”. 
No processo de argumentação, usam-se com frequência os 
seguintes termos, de acordo com o contexto, como a seguir se 
apresentam: 
 Adversidade: (oposição, contraste): mas, porém, todavia, 
contudo, entretanto, senão, que. 
 Alternância: ou; e as locuções ou... ou, ora...ora, já...já, 
quer...quer... 
 Conclusão: logo, portanto, pois. 
 Explicação: que, porque, porquanto... 
 Causa: que, como, pois, porque, porquanto; e as locuções: 
por isso que, pois que, já que, visto que... 
 Comparação: que, do que (depois de mais, maior, melhor 
ou menos,menor, pior), como; e as locuções: tão... como, 
tanto... como,mais...do que, menos...do que, assim como, 
bem como, que nem... 
 Concessão: que, embora, conquanto. Também as locuções: 
ainda que,mesmo que, bem que, se bem que, nem que, 
apesar de que, por maisque, por menos que... 
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 Condição: se, caso. Também as locuções: contanto que, 
desde que,dado que, a menos que, a não ser que, exceto 
se... 
 Finalidade: As locuções para que, a fim de que, por que... 
 Conseqüência: que (precedido de tão, tanto, tal) e também 
as locuções:de modo que, de forma que, de sorte que, de 
maneira que... 
 
Para Dr. Francisco Fernando Lopes (www.esffl.pt), na 
argumentação é necessário ter-se sempre em atenção os 
seguintes aspectos: 
 a correcta estruturação e ordenação das frases 
 o uso correcto dos conectores de discurso. 
 o respeito pelas regras da concordância 
 o uso adequado dos pronomes, que evitam as repetições 
do nome. 
 a utilização de um vocabulário variado, com recurso a 
sinónimos, antónimos, hiperónimos e hipónimos. 
A progressão e a articulação do texto é conseguida sobretudo 
através do uso dos conectores ou articuladores do discurso, que 
vão fazendo progredir o texto de uma forma permanente e 
articulada. O quadro que se segue mostra alguns exemplos de 
aplicação: 
 
Quadro – Conectores de discurso 
parareiterar, reafirmar retomando a questão, penso que, a 
meu ver, creio que, estou certo, em 
http://www.esffl.pt/
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nosso entender 
para concordar, provar, 
exprimir certeza 
efectivamente, com efeito 
para refutar, manifestar 
oposição, restringir ideias 
no entanto, mas, todavia, contudo, 
porém, apesar de, em sentido 
contrário, refutando, pelo contrário, ao 
contrário, por outro lado, com a 
ressalva de 
para exemplificar por exemplo, como se pode ver, assim, 
tome-se como exemplo, é o caso de, é 
o que acontece com 
para explicitar significa isto que, explicitando melhor, 
não se pretende com isto, quer isto 
dizer, a saber, isto é, por outras 
palavras 
para concluir finalmente, enfim, em conclusão, 
concluindo, para terminar, em suma, 
por conseguinte, por consequência 
para estabelecer 
conexões de tempo 
então, após, depois, antes, 
anteriormente, em seguida, 
seguidamente, quando, até que, a 
princípio, por fim 
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para referenciar espaço aqui, ali, lá, acolá, além, naquele lugar, 
o lugar onde, ao lado de, à esquerda, à 
direita, ao centro, no meio, mais 
adiante 
para indicar ordem em primeiro lugar, primeiramente, em 
segundo lugar, seguidamente, em 
seguida, começando por, antes de 
mais, por último, por fim 
para estabelecer 
conexões de causa 
porque, visto que, dado que, uma vez 
que 
para estabelecer 
conexões de 
consequência 
de tal modo que, de forma que, tanto 
que, e por isso 
para expressar condição, 
hipótese 
se, a menos que, a não ser que, desde 
que, supondo que, se por hipótese, 
admitindo que, excepto se, se por 
acaso 
para estabelecer 
conexões de fim 
para que, para, com o fim de, a fim de 
que, com o intuito de 
para estabelecer relações 
aditivas 
e, ora, e também, e ainda 
para estabelecer relações ou, ou então, seja...seja, quer...quer 
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disjuntivas 
para expressar 
semelhança, comparação 
do mesmo modo, tal como, pelo 
mesmo motivo, pela mesma razão, 
igualmente, assim como 
 
Estrutura do Texto Argumentativo 
O texto argumentativo, oral ou escrito, estrutura-se basicamente 
num plano tripartido: 
1. Exórdio – é a primeira parte de um discurso, preâmbulo, a 
introdução do discurso que consiste em: 
a) Exposição do tema; 
b) Exposição das ideias defendidas (pode recorrer-se à 
explicitação de determinados termos, à apresentação de 
esquemas da exposição, à referência de outras opiniões, etc. 
2. Narração /confirmação – é a parte do discurso em que o 
orador desenvolve as provas, consiste na utilização de 
argumentos (citação de factos, de dados estatísticos, de outros 
exemplos, de narração de acontecimentos, etc.). 
3. Peroração/epílogo – é a parte final de um discurso, a sua 
conclusão, o remate, síntese, recapitulação. 
Vias de Argumentação 
1. Via Lógica 
Trata-se, neste primeiro percurso, de modelos de raciocínios 
herdados das disciplinas ligadas ao pensamento: a indução, a 
dedução, o raciocínio causal. 
I. A Indução – é a forma habitual de pensar do 
singular ao plural, do particular ao geral. Pode 
tomar duas formas: totalizante, quando se 
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estabelece a partir do recenseamento de um 
todo, adquirindo o estatuto de prova - como 
quando, depois da chamada, afirmamos "os 
alunos estão todos"; generalizante, quando o 
recenseamento completo não é possível e o 
raciocínio indutivo nos leva de uma parte ao 
todo, por generalização - por exemplo quando 
se afirma: "Os portugueses são hospitaleiros". 
Este é o procedimento mais usual, mas o menos 
rigoroso, pois a generalização implica 
simplificação, e com ele vem o engano, o 
idealismo e a teorização. 
II. A Dedução - dois princípios estão na sua base: o 
da não contradição - quando duas afirmações se 
contradizem uma delas é falsa - e o da 
progressão do geral para a particular - através 
de articulação lógica expressa por "assim", 
"portanto" ou "logo". 
Por exemplo, o silogismo - constituído por três 
proposições ou afirmações - chamadas premissas as 
duas primeiras (apelidada uma de "major" e outra de 
"menor", confome o termo que contém, e conclusão, a 
terceira - deve possuir três termos e combiná-Ios dois a 
dois. Veja: 
Os Homens são mortais 
Sócrates é um homem 
Sócrates é mortal. 
III. O raciocínio causal - "Asseguremo-nos bem do facto, 
antes de nos inquietarmos com a causa" aconselhava 
Fontenelle (L. Bellenger, 1988: 27), o papel 
preponderante do raciocínio causal, na argumentação, 
assenta em duas transposiões constantes: da causa 
para o efeito e do efeito para a causa, conduzindo ao 
pressuposto de que "o conhecimento das causas 
permitirá remediar o facto constatado" (ibid. 27), quer 
dizer, suprimamos as causas e o problema estará 
resolvido, o que leva as pessoas a preocuparem-se mais 
com as razões do presente do que com o modo de 
melhorar o futuro. 
Via Explicativa 
A Via Explicativa à semelhança da anterior procura fazer 
compreender e tornar inteligível a informação da argumentação. 
Para Bellenger (ibid.: 36-45), via explicativa usa as definições, as 
comparações, a analogia, a descrição e a narração. O explicar 
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pretende convencer com o máximo de objectividade. 
I. A definição - definir é dizer a verdade e responde à 
necessidade de compreender. A necessidade de definir 
aumenta a credibilidade de quem quer convencer. 
II. A comparação - usa-se a comparação para provar a 
utilidade, a bondade, o valor de uma coisa, um 
resultado, uma opinião. A técnica comparativa é 
simples, fácil de compreender, inscrita nos nossos 
hábitos, levando-nos a usá-la, activa e passivamente, 
de forma natural e sem disso nos darmos conta. A 
comparação procura fazer passar identidades entre 
factos, pessoas ou opiniões diferentes e transpor 
valores de sistemas independentes e autónomos: estas 
passagens e transposições são manipuladoras e 
pretendem chocar, colocar problemas de consciência, 
questionar os modelos culturais e as normas vigentes. 
III. A analogia – “é a imaginação em auxílio da vontade 
de se explicar e de convencer.” (L. Belllenger, 1988: 
41). Trata-se de uma semelhança estabelecida pela 
imaginação entre pensamentos, factos, pessoas. 
Simboliza a vontade de bem se exprimir e bem se fazer 
entender. Simplifica a caricatura, prestando-se, assim, 
a uma fácil fixação e a uma compreensão imediata, daí 
o seu uso frequente na publicidade. Os antigos 
olhavam-na com alguma reserva, aconselhando, por 
isso, a introduzi-la com expressões como: de certo 
modo, quase como, uma espécie de… 
IV. Descrição e narração - para convencer alguém, 
podemos descrever ou narrar uma situação ou um 
acontecimento. São o ponto de partida da indução 
socrática: narra uma história, uma experiência, uma 
anedota, desencadeia um processo de inferência que a 
partir de um facto nos conduz ao princípio ou à regra. É 
o peso do concreto, do vivido e do testemunho que 
passa através delas. Ambos os processos criam a 
ausência, a falta de um complemento, de um remate, 
de um "E depois?" - ouvido sempre que alguém, ao 
narrar algo, aparenta parar ou desviar-se do enredo. 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
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Argumentar é um processo que apresenta dois aspectos: o 
primeiro ligado à razão, supõe ordenar ideias, justificá-las e 
relacioná-las; o segundo, referente à paixão, busca capturar o 
ouvinte, seduzi-lo e persuadi-lo. 
Exercícios 
1. Qual é o objectivo essencial do texto expositivo-
argumentativo? 
2. Procure um tópico que apoquenta a sua comunidade e 
produza um texto expositivo-argumentativo, em que 
apresenta argumentos a favor e contra a(s) tese(s) que 
apresentas. 
 
 
 
UNIDADE 2 
O RELATÓRIO 
Introdução 
Na sua formação académica,a produção dos relatórios constitui 
uma fase importantíssima, pois por meio dela o estudante (aluno) 
será capaz de apresentar os dados de uma pesquisa. 
Este trabalho permitirá que mais tarde, como profissional, possa 
ter adquirido e desenvolvido a prática e o raciocínio crítico 
necessários à elaboração de um artigo científico. 
Ao completar esta unidade / lição, será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 Conceitualizar o termo relatório; 
 Distinguir relatório com outros textos administrativos ou 
funcionais; 
 Reconhecer a estrutura básica do relatório; 
 Produzir um relatório, com base nas regras fundamentais, 
coeso e coerente discursivamente. 
Conceito 
Um relatório de uma actividade prática é uma exposição escrita de 
um determinado trabalho ou experiência laboratorial. Não é 
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apenas uma descrição do modo de proceder (técnicas, reagentes, 
material, etc.), 
Segundo Rei (1990: 183) 
O relatório trata-se de uma declaração formal dos resultados de 
uma investigação feita por alguém, que em relação a ela recebeu 
instruções de um outro, sob forma de pedido ou ordem. Exige 
estudo prévio, e aprofundado, elevado grau de elaboração, e 
matéria para apreciação e decisões posteriores. 
Características do relatório 
O Relatório apresenta como características: 
 Uma linguagem simples, clara, objectiva e precisa; 
 A clareza do raciocínio; 
 Um relatório deverá ser conciso e coerente, incluindo a 
informação indispensável à compreensão do trabalho; 
 Todas as afirmações devem ser baseadas em provas 
factuais e não em opiniões não fundamentadas 
 Deve evitar o excesso de conclusões, sendo estas precisas 
e sintéticas. As conclusões devem, igualmente, ser 
coerentes com a discussão dos resultados. 
Estrutura de um relatório 
A apresentação de um relatório em várias secções ajuda à sua 
organização e escrita por parte dos autores e, de igual modo, 
permite ao leitor encontrar mais facilmente a informação que 
procura. 
 Título, autor (es) e data (capa) 
Identificação do trabalho (título), Identificação dos autores, Data 
em que o relatório foi realizado. 
 Índice: 
 Introdução 
Nesta parte do relatório deve ser introduzido o trabalho a 
realizar, bem como as noções teóricas que servem de base ao 
mesmo. A introdução deve conter a informação essencial à 
compreensão do trabalho. 
O Projecto do Estudo 
Em primeiro lugar, trará ao aluno de executar um dos projectos 
de pesquisa apresentando os conhecimentos necessários para a 
compreensão dos fenómenos que serão estudados. 
Material e Métodos (Revisão teórica) 
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A revisão bibliográfica é, sem dúvida, um dos pontos vitais de 
um trabalho científico, deve trazer informações que possam ser 
acessadas pelos leitores, através da citação, das referências 
bibliográficas. 
 
Discussão dos Resultados 
Interpretação dos resultados. A discussão deve comparar os 
resultados obtidos face ao objectivo pretendido. Não se deve tirar 
hipóteses especulativas que não possam ser fundamentadas nos 
resultados obtidos. A discussão constitui uma das partes mais 
importantes do relatório, uma vez que é nela (e não na 
introdução) que os autores evidenciam todos os conhecimentos 
adquiridos, através da profundidade com que discutem os 
resultados obtidos. 
Conclusões 
Esta parte do relatório deve sumarizar as principais conclusões 
obtidas no decurso do trabalho realizado. 
Referências bibliográficas 
A bibliografia deve figurar no fim do relatório. Nela devem ser 
apresentadas todas as referências mencionadas no texto, que 
podem ser livros, artigos científicos, CD-ROMs e websites 
consultados. 
Sumário 
Em síntese: 
O relatório é uma declaração formal dos resultados de uma 
investigação feita por alguém, que em relação a ela recebeu 
instruções de um outro, sob forma de pedido ou ordem. 
Apresenta como características: 
 Uma linguagem simples, clara, objectiva e precisa; 
 A clareza do raciocínio, 
 Ser conciso e coerente; 
 As afirmações devem ser factuais e não opiniões sem 
fundamentos; 
 Evitar o excesso de conclusões. 
 
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Exercícios 
 
1. Aborde sobre os diferentes tipos de relatórios e apresente 
detalhes de distinção. 
2. Elabore o relatório final do decurso do estudo deste 
módulo / disciplina.

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