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Resumo da Materia 81
Consideracoes Fina is 80
Da Prova (arts. 212 a 232) 68
> A Forma •.•...•••••.••..•.••••.••.•.•.•.••.••••...•.•.••••......•...••••••••.•..•....•...•.•..••......•...•......................•........... 70
)> Conflssao •••••••••....•......•••••..•••••.....•.•••••••••.•.....••••.••.•••••.....•..•.....••••••••....••.•................................. 71
> Documentos .•••••.••....•••.•••.••.•••.•.........•••••••..•....••••••.•.••••.•••..•....••..••.•.•.•.•••.••...••.••....................... 72
> Testemunhas ....•.••••••••.•••.••••.••••••••••••.........•••.••.•...............•..........•......•.•.••••.••.•.••..•.............•...... 76
)> Presuncao ••..••.•...•.••••••••••.•.•.••••..••••••••...•.•..•••••••..........•.....•...•.•....•..•......••••.•••.............•.............. 79
> Pericia .••.•••.••••••••••••••..•....••••••••..•..•.••.••••.•••••••••••.••.•••••...•.•.•....•.•.....•.......•..........•.••...•................ 79
Prescrlcao e Decadencia 51
)> Prescricao ••..•••...............•......•.•...........................................................................................•...... 52
> Decadencla (arts. 207 a 211) 61
lnvalidade (arts. 166 a 184) 27
> lnexlstencla dos Neg6cios Juridicos .. 28
> Nulidade dos Neg6cios Juridicos - nulidade absoluta (art. 166} 28
)> Slmulacao: ••.............................................................................................................................. 32
> Anulabilidade dos Neg6cios Juridicos (nulidade relativa) 35
)> Conflrmacao .. 36
Defeitos dos neg6cios juridicos 39
> Erro· 39
> Dolo· 44
)> Coa~ao: .. 46
> Estado de perigo: .. 48
)> Lesao· 49
> Fraude contra credores ...................••....••..•••.............................................................................. 50
Neg6cio Juridico 7
[disposicoes gerais - CC arts. 104 a 114) .. 7
> Classlflcacao dos neg6cios juridicos. .. 9
> Elementos do Neg6cio Juridico 12
> Elementos acidentais dos neg6cios juridicos 18
Apresentacao da Aula 04 2
Cronograma das Aulas 3
Fatos e Atos Juridicos 3
SU MARIO
AULA 04
Dos Fatos luridicos.
DIREITO CIVIL - TRF 1a REGIAO (AJAJ E OJAF)
Teoria e Questoes
Aula 04 - ProP Aline Baptista Santiago
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Comecemos os trabalhos por hora !
A aula de hoje talvez possa ser um pouco cansativa, principalmente pela
quantidade de conceitos que abordaremos. Va com calma, leia atentamente cada
paraqrafo, buscando realmente entender o que estamos escrevendo. De bastante
atencao aos chamados defeitos dos neg6cios juridicos, a validade e
invalidade, bem como a prescrlcao e a decadencla, julgamos que sera
certa a presenc;a de algum dos assuntos desta aula em sua prova.
Procuramos ser bem praticos na elaboracao da aula de hoje, de forma que
voce possa ver os assuntos objetivamente, sem muitas divaqacoes conceituais.
Lembre-se que estamos aqui para ajuda-lo (a), utilize o forum de duvidas se nao
entender algo. Seu questionamento pode ser bastante simples, nao se preocupe,
procuraremos esclarece-lo da melhor forma possfvel.
Apresentacao da Aula 04
AULA04
Dos f ATOS lURIDICOS:
Do NEGOCIO lURIDICO, Dos ATOS lURIDICOS LICITOS,
DA PROVA. DA PRESCRic;Ao E DA DECADENCIA.
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Ouestoes do CESPE 95
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Esta confuse ainda? Varnes fazer o seguinte entao,
primeiramente detalharemos o 1fato jurfdico e
posteriormente falaremos do 2ato jurfdico.
~ FIOUE
V)ATENTO!
Caro aluno, os conceitos do que e fato e do que e ato, muitas vezes, nos
livros de direito, acabam por mais confundir do que ajudar. Comecemos, entao,
pelo basico, qual seria a principal diferenca entre um 1fato e um 2ato?
O fato e um acontecimento, seja ele 1natural ou 2humano. Ja a ideia de
ato devera estar ligada a uma a~ao ("o ato de agir"), por isto o ato sera
humano ja o acontecimento (o fato) pode decorrer tarnbern de algo natural (e
nao humane).
Um fato (acontecimento) pode, no entanto, ser decorrente de um ato, este
e o caso, por exemplo, dos atos juridicos que, na sua execucao, refletlrao
tambem em um fato juridico.
Fatos e Atos luridicos.
AULA04
Dos FATOS lURIDICOS:
Do NEGOCIO lURIDICO, Dos ATOS lURIDICOS LICITOS,
DA PROVA. DA PRESCRic;Ao EDA DECADENCIA.
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OI:
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Art 104 - 188
Art. 189 - 232
Aula 04 Neg6cio jurfdico. Prescricao e decadencia. Da Prova.
Artigos da Lei Topicos abordados no edital Aul as
20/09/2017
Ato jurfdico. Fato e ato jurfdico. Neg6cio jurfdico.
Disposic;6es gerais. Classificacao, interpretacao.
Elementos. Representacao, condicao. Termo. Encargo.
Defeitos do neg6cio jurfdico. Validade, invalidade e
nulidade do neg6cio jurfdico. Sirnulacao, Atos jurfdicos
licitos. Prescricao e decadencia. Prova.
Aula 04
Data Topicos abordados no edital Aul as
Cronograma das Aulas
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1 Tanto o nascimento quanto a morte sao acontecimentos naturais. E sao fatos juridicos que serao
inscritos no registro publico.
2 Segundo Orlando Gomes, Introducao ao Direito Civil: "ceso fortuito, ou tores maior, e todo fato
necesserio, a cujos efeitos nao e possfvel resistir". Como requisitos necessarios temos: a
inevitabilidade (requisito objetivo); ea ausencia de culpa (requisito subjetivo).
O ato, como ja falamos, e a ac;ao humana e podera ser: o 1ato juridico
em sentido amplo (ou ato licito} - dito de efeito voluntario e o 2ato ilicito -
dito de efeito involuntario.
Acontecimento Humano - Ato jurfdico
(Ato Humano)
- -~ l.ernbre-se que ambos precisam ter efeitos juridicos, ou seja, repercussao no direito, para serem fato juridico.
Acontecimento Natural
(fato juridico em stricto sensu)
Fato Juridico
O fato juridico ( em sentido amp lo} divide se em:
~ Fato Juridico Natural ( ou em sentido estrito}, que e aquele que
independe da vontade humana. Os Fatos naturais se subdividem em oriqlnarlos
(exemplos: o nascimento, a morte 1, a maioridade, o decurso do tempo, a
frutificacao das plantas) ou extraordinaries (a exemplo do caso fortuito, ou
force maior2, das tempestades e dos terremotos que ocasionem danos as
pessoas).
~ Fato luridico Humana, que sera decorrencia de um Ato humano.
(Exemplos: reconhecimento da paternidade, um contrato, uma doacao).
.?' A primeira analise que voce precisa fazer ea seguinte:
O acontecimento, seja ele 1natural ou 2humano, para revestir-se da
figura do fato jurfdico, precisa obrigatoriamente ter repercussao no mundo
juridico, senao sera simples fato sem importancia para o direito.
Este efeito, decorrente do fato, podera ser: a aquisicao; a conservacao: a
transferencia; a rnodificacao; ea extincao de direitos .
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Voce compreendeu o que e um fato? Pois bem, o Fato Juridico e aquele
acontecimento, para o qual uma norma jurfdica, atribui um efeito juridico. Ou
seja, temos repercussao no mundo juridico, existe conexao entre o fato
ocorrido e a lei.
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3 Caio Mario da Silva Pereira, Instituicoes de direito civil, volume I, 25 ed. pag. 397.
0Neg6cio juridico. Como veremos a seguir, este e o ato que tern comoconsequencia efeitos jurfdicos desejados pelas partes. E ato negocial. Estara
presente a autonomia privada. 0 contrato e o principal exemplo de um neg6cio
jurfdico.
Art. 185. Aos atos jurfdicos lfcitos, que nao sejam negocios juridicos, aplicam-se, no
que couber, as disposicoes do Tftulo anterior.
0 Ato juridico em sentido estrito {meramente licito }. E ato nao
negocial. Seus efeitos estao previstos em lei, nao importando a vontade das
partes, nao ha a chamada autonomia privada. Disto conclufmos que ha uma
rnanifestacao de vontade, mas os efeitos sao gerados independentemente de
serem perseguidos diretamente pelo agente3. Exemplo classico, que inclusive ja
foi abordado em prova de concurso, e o do pai, quando reconhece a paternidade
do filho havido fora do casamento. Neste exemplo a vontade e irrelevante, os
efeitos do ato estao previstos em lei. Segundo o c6digo civil aplicam-se aos atos
jurfdicos meramente fcitos, no que couber, as disposicoes relativas aos neg6cios
jurfdicos.
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/DPE-SE/Defensor Publico. Os neg6cios jurfdicos podem ser
praticados pelo titular do direito negociado ou por seu representante; assim,
qualquer manifestacao de vontade do representante produz efeitos em relacao
ao representado.
comentartoi
Tenha atencao ao ler as questoesl Isto e fundamental nas provas do CESPE.
Qualquer rnanifestacao de vontade do representante produz efeitos em relacao
ao representado?
Art. 116. A manifesta<;ao de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes,
produz efeitos em rela<;ao ao representado.
Gabarito errado.
Sao duas as especies de ato juridico licito: o 1Ato jurfdico em sentido
estrito ( ou meramente lfcito) e o 2Neg6cio jurfdico. Partimos da premissa que o
ponto comum entre estas duas especies e que ambas decorrem de uma
manifestacao de vontade, mas os seus efeitos sao diferentes.
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4 Institulcoes de direito civil, volume I, 25 ed. paq, 399.
Fato juridico lato sensu
I
I I
Fato jurfdico stricto Fato jurfdico Humano sensu
(fato naturais) (ato humano)
I
I I
Ato juridico licito Ato ilfcito
(ou ato jurfdico em sentido amplo) (art. 186)
I I
Ato jurfdico em sentido Neg6cio juridico estrito - meramente lfcito
(art. 185) (arts. 104 a 184)
I
Revendo a estrutura apresentada ate agora, temos o seguinte:
O neg6cio juridico e fato humano, voluntario, que tende a provocar efeitos
jurfdicos por meio de determinado ato. Os efeitos sao desejados pelas partes.
Como falamos, e ato negocial.
Segundo Caio Mario da Silva Pereira4: "todo ato juridico se origina de uma
manifestacao de vontade, mas nem toda dedereceo de vontade constitui um
neg6cio juridico," Isto ocorre porque, por vezes, a declaracao de vontade nao
tera como objetivo realizar uma finalidade jurfdica.
II. Neg6cio Juridico
I. Ato Juridico em sentido estrito -
meramente licito
(ato nao negocial)
,- Ato juridico em sentido Amplo (Ato Ucito) compreende:
Entao:
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5 Direito Civil I, Parte Geral, 11 ed. pag. 333.
6 Quando ha ponto de acordo entre as vontades, da-se o nome de consentimento ou miituo
consenso. Este consenso implica, portanto, em duas declaracoes de vontade que se encontram.
Uma vez certa a vontade, pressuposto do neqocro jur1dico, e
fundamental que ela se exteriorize, pois enquanto nao externada nao ha de se
falar em neg6cio jurfdico, a vontade obrigatoriamente precisa ser
manifestada. Esta exteriorizecao pode se dar de forma expressa, quando
assume a forma escrita ou a falada; ou de forma tacita quando a declaracao de
vontade resultar apenas do comportamento do aqente.
o Neg6cio Jurfdico
O instrumento, por meio do
qual este poder se manifesta e
se concretiza, sera: -~-
As pessoas detern autonomia privada (possibilidade de constituir, modificar ou
extinguir uma relacao juridica).
O neg6cio jur1dico e uma da especie do Ato jur1dico Hcito. Nao existe
uma definicao para o que seja o neg6cio jurfdico no C6digo Civil. 0 C6digo de
2002, assim como ode 1916, nao definiu, nao normatizou um conceito sobre o
que seria o neg6cio jurfdico.
Maso conceito que mais comumente se encontra na doutrina e o seguinte:
neg6cio jurfdico e uma declaracao privada de vontade que visa a produzir
determinado efeito jur1dico, relativo a direitos e obriqacoes.
Assim, o neg6cio jurfdico apresenta-se como uma norma concreta
estabelecida pelas partes. Sua caracterfstica primordial e ser o neg6cio jurfdico
um ato de vontade que atua no sentido de obtencao de um fim pretendido.
Segundo Silvio Salvo Venosa5, "e por meio do neg6cio juridico que se da vide as
relafoes juridicas tuteladas pelo direito ".
A declaracao de vontade6 e elemento essencial do neg6cio jurfdico, e seu
pressuposto. A declaracao de vontade, elem de condlcao de validade,
constitui elemento do pr6prio conceito e, portanto, da pr6pria existencia do
neg6cio jurfdico.
Neg6cio Juridico
(disposicoes gerais - CC arts. 104 a 114)
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~ Nas declaracoes de vontade distinguem-se dais elementos principais:
1. declaracao propriamente dita (ou elemento externo) 3> e o
comportamento que explicamos mais acima, e o ato de declarar a vontade;
2. vontade ( ou elemento interno) 3> e o impulse da vontade, que
se subdivide em: vontade da a~ao, e a desejada, voluntaria; vontade da
dec/ara~ao; e vontade negocial, onde o declarante deve ter a vontade de
manifesta-le com o objetivo de praticar determinado neg6cio e nao outro.
rat Para uma melhor compreensiio dos elementos da declaracao de
vontade, vamos a um exemplo: suponha que Joao foi a um leilao, temos ei a
vontade da ac;ao. Ocorre que, neste mesmo leilao, Joao acena com a cabeca para
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2007 /MPU/ Analista. Salvo se a lei dispuser em contrario, a
escritura publica e essencial a validade do neg6cio jurfdico que vise a constituicao,
transferencia, rnodificacao ou renuncia de direitos reais sobre im6vel de valor
superior a trinta vezes o salario mfnimo vigente.
comentartoi
Art. 108. Nao dispondo a lei em contra io, a escritura publice e essencial a validade dos
neg6cios Jurfdicos que visem a constituiciio, trensterencie, moditiceceo ou remincie de
direitos reais sobre im6veis de valor superior a trinta vezes o maior selerio mlnimo
vigente no Pais.
Gabarito correto.
Art. 1. 806. A remincie da herence deve constar expressamente de instrumento publico
ou termo judicial.
:'Q''-: , " Ha casos em que sere necessaria a forma expressa e, alern disso, no
modo escrito. 0 testamento e um exemplo disto, veja mais alguns exemplos
encontrados no CC:
Art. 108. Nao dispondo a lei em contrerio, a escritura publics e essencial a validade dos
negocios juridicos que visem a constituiceo, trensterencie, moditiceciio ou renuncie
de direitos reais sob re im6veis de valor superior a trinta vezes o maior salario mi nimo
viqente no Pais.
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Ambas as formas (expressa e tacita) sao reconhecidas pelo ordenamento
jurfdico como validas.
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~Bilaterais. As declaracoes das partes dirigem-se em sentido contrario, mas
sao coincidentes no objeto, ha sempre a manifestacao de duas vontades.
Exemplos classicos de neg6cio jurfdico bilateral sao os contratos. Os atos
bilaterais se subdividem ainda em: 1simples e 2sinalagmaticos.
~
J.MfOfJ,\Nff I
---o importante e que voce entenda que no negocio juridico unilateral o
aperfeic;oamento do ato se dacom uma (mica manifestacao de vontade.
.L. Quanta ao nurnero de partes e processos de forrnacao:
~Unilaterais. Muito cuidado! A noc;ao de partes nem sempre coincide com
a de pessoas. Aqui o que se analisa e o objetivo. 0 ato em si pode provir de um
ou mais sujeitos, mas o fim deve ser unico o ato dirige-se no mesmo sentido,
ha apenas uma declaracao de vontade. (Por exemplo: duas pessoas podem
juntas instituir uma fundacac, o ato sera conjunto, no entanto unilateral,
porque havera apenas uma rnanifestacao de vontade).
Havers aqueles atos que o conhecimento da outra pessoa (a quern e
dirigido) sere necessario, mesmo que ela nao manifeste sua vontade. Este e o
chamado neg6cio recepticio. Como exemplo temos a revoqacao de um mandato,
em que o mandatario (quern recebe o mandato para agir em nome do mandante)
deve estar ciente da revoqacao.
Havera, tarnbern, aqueles atos que o conhecimento da outra parte sera
irrelevante, e o chamado neg6cio nao recepticio. Como exemplos, temos o
testamento, a confissao, a renuncia de heranca.
~ classlflcacao dos neg6cios juridicos.
Para a classificacao dos neg6cios jurfdicos sao observados varios criterios e
nao ha uniformidade na doutrina, por isso acreditamos ser diffcil, embora nao
impossfvel, a cobranca em prova que exija do candidato conhecimento preciso
da classificacao quanta a este ou aquele criteria. 0 importante e que voce saiba
o conceito de cada um dos termos que serao apresentados logo abaixo e
em quais sltuacoes eles se encaixarao. Procuramos colocar as classificacoes
mais comuns. Vamos a elas!
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um amigo e este aceno e interpretado como sendo uma oferta ou lance pelo
objeto que esta sendo leiloado. Temos uma vontade de a<;ao, mas nao temos
vontade de declaracao, pois o gesto de Joao foi interpretado de forma erronea.
Entretanto, se este aceno de cabeca realmente tivesse sido um lance ou oferta,
neste caso, terfamos as duas vontades, a de declaracso e, tarnbern, a vontade
negocial.
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7 Carlos Roberto Gonc;alves, Direito Civil Esquematizado, Saraiva, 2a ed., pag. 269.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
f~] CESPE/TJDFT / Analista Judiciario, Considere que Claudio tenha vendido
seu vefculo, por R$ 35.000,00, a sua irrnf Matilde. Nessa situacao hipotetica, o
neg6cio jurfdico e classificado como equisicao por ato inter vivos, derivada,
bilateral, a tftulo oneroso e consensual.
comentarlo:
Esta e uma 6tima oportunidade para treinar a classificacao dos neg6cios jurfdicos.
A unica classificaceo que pode causar uma certa estranheza e a derivada que
2. Quanta as partes e ao tempo em que produzem efeitos:
~ Inter vivas. As consequencias jurfdicas ocorrem durante a vida dos
interessados (ex.: doecao ( estipulada em vida), troca, mandato, compra e vend a,
locacao).
~Mortis causa. Regulam relacoes ap6s a morte do sujeito, do declarante (ex.:
testamento, legado). Segundo Carlos Roberto Gonc;alves7 estes neg6cios sao
sempre nominados ou tfpicos ou seja, estao definidos em lei, nao podendo as
partes, valendo-se de sua autonomia privada, criarem novas modalidades de
neg6cios dessa natureza.
Se o nurnero de partes envolvidas for superior a duas, o neg6cio sere
plurilateral.
, E atencaol
A doa~ao, embora possa num primeiro momenta parecer negocro jurfdico
unilateral, e bilateral (e um tipo de contrato), porque se aperfeic;oa com a
aceltacao da outra parte. Ha, portanto, manifestacao de duas vontades. E um
neg6cio bilateral simples, pois uma parte aufere vantagem e a outra area com o
onus.
No sina/agmatico havera onus e vantagens redprocos. Como exemplos,
temos o aluguel e a compra e venda.
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No simples ha vantagens para uma das partes e onus para a outra. Como
exemplos, temos o comodato e a doacao.
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8 Silvio de Salvo Venosa, Direito Civil I, Parte Geral, 11 ed. Atlas.
4. Pela causa da atribuicao patrimonial, quanta a seu objetivo (quanto as
vantagens que produzem):
~A tltulo gratuito (benefices). Nao ha contraprestacao, s6 uma das partes
obtern beneficios. Uma parte aumenta seu patrlmonio em decorrencia da
diminui~ao do patrlmonio da outra (ex.: doacoes, comodato).
~ A tltulo oneroso. Implica rnutua transmissao. Os sujeitos visam,
reciprocamente, a obter vantagens para si ou para outrem ( ex. compra e
venda, contratos em geral). Segundo Venosa8, os neg6cios jurldicos onerosos
podem ser ainda: comutativos, quando tern prestacoes equivalentes, certas e
determinadas; e aleat6rios, quando a prestacao de uma das partes depende de
acontecimentos incertos e inesperados.
~ Neutros. Sao aqueles em que nao ha uma atribuicao patrimonial
determinada, nao podendo ser enquadrados como gratuitos ou onerosos.
Caracterizam-se pela destlnacao dos hens para uma certa finalidade, sem
prestacao de qualquer das partes em beneficio da outra. Como por exemplo a
instituicao de bem de famflia e clausula de incomunicabilidade de bens de um
conjuqe para o outro.
~Bifrontes. Sao os neg6cios juridicos que podem ser onerosos ou gratuitos a
criteria das partes, como o rnutuo, o mandato e o dep6sito (que sao especies de
contratos previstos no C6digo Civil). 56 existe se o contrato esta previsto na lei
como gratuito, de ccntrario a conversao nao e possfvel, pelo fato de subverter a
sua causa negocial. No entanto, nem todos os contratos gratuitos poderao ser
convertidos. A dcacao e o comodato ainda que gratuitos na sua essencia nao
podem ser transformados em contratos onerosos, pois ficariam desfigurados,
transformando-se em venda e locacao.
3. Quanta ao seu conteudo:
~ Patrimoniais. Originam direitos e obriqacoes de conteudo econornico,
suscetfveis de afericao econornica.
~ Extrapatrimoniais ou pessoais. Sao aqueles relacionados aos direitos
personalfssimos e ao direito da famflia. Apresentam conteudo nao econornico.
Gabarito correto.
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transferencia de propriedade de uma pessoa para quer dizer que houve uma
outra.
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9 Nao ha uma unanimidade entre os doutrinadores quanto a denominacao que se deve dar aos
caracteres estruturais do instituto. Deste modo, podem ser encontradas expressoes como:
elementos, pressupostos, requisitos. Alguns autores ate tentam fazer uma dlferenciacao.
Entretanto ja foram cobrados em prova, por exemplo, "os requisitos", sendo que a pr6pria
questao tratou-os como "elementos".
~ Elementos do Negocio Juridico2
Para que o neg6cio jurfdico exista, ja vimos que e necessaria a declaracao
de vontade (pressuposto fundamental), agora vamos estudar os outros
elementos essenciais do neg6cio jurfdico e que foram elencados do C6digo Civil
de 2002 como requisitos (condicoes necessarias) de validade. O artigo 104 do
CC diz:
Ad so/emnitatem = formalidade exigida por lei para a validade do ato.
Art. 107. A validade da declereceo de vontade nao dependera de forma especial,
senao quando a lei expressamente a exigir.
2.:, Qua nto a form a:
~ Formais (solenes). Exigem forma especial, prescrita em lei (ex.:
testamento; neg6cios jurfdicos que visem a constituicao, transferencia,
rnodificacao ou renuncia de direitos reais sobre im6veis de valor superior a trinta
vezes o maior salario mfnimo vigente no Pafs).
Art. 108. Nao dispondo a lei em contrerio, a escritura pubtic« e essencial a validade
dos neg6cios Jurfdicos que visem a constituiciio, trensterencie, moditiceciio ou reruincie
de direitos reais sobre im6veis de valor superior a trinta vezes o maior salario
minima vigente no Pais.
~Nao formais (nao solenes). Nao exigem solenidades ou forma especial (a
forma e livre). Podem, por exemplo, ser efetivados de formaverbal.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
f~] CESPE 2013/TJDFT /Tecnico Judlclarlo. Neg6cio jurfdico bifronte e o que
tanto pode ser gratuito quanta oneroso, cabendo as partes contratantes
convencionarem como ele ira ocorrer.
comentarto:
O neg6cio jurfdico bifronte e o que podera ser gratuito ou oneroso dependendo
da vontade das partes.
Gabarito correto.
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Analisando os tres incises do art. 104, temos o seguinte:
~ Inciso I. Quante a capacidade do agente: em nossas aulas passadas,
estudamos tanto a capacidade das pessoas naturais como a capacidade das
pessoas jurfdicas. Para a validade do ato, o C6digo Civil exige agente capaz.
Tai capacidade deve ser aferida no momenta do ato. Isto quer dizer, conforme
ja estudado, que a pessoa no memento do ato deve ser dotada de consciencia e
vontade, alern e claro de ser reconhecida por lei como apta a exercer por si
mesma os atos da vida civil.
As pessoas absolutamente incapazes serao representadas pelos seus
representantes legais e as relativamente incapazes serao assistidas.
Os elementos serao essenciais se forem indispensaveis a validade e por
consequencia a existencia do neg6cio jurfdico. Sao gerais aqueles que precisam
estar presentes em todos os neg6cios juridicos ( como a declaracao de
vontade; o agente capaz; o objeto lfcito, possfvel, determinado ou determinavel)
e sao os particulares aqueles que estao relacionados a forma adotada,
lembrado que esta deve ser aquela prevista ou, entao, nao proibida em lei.
relacionados a forma, que podera ser diferente para
cada ato desde que nao contrarie o art. 104, Ill.
Objeto lfcito, possfvel, determinado ou determinavel
Agente capaz
Particulares
(de cada neg6cio
jurfdico)
Oeclaracao de vontade
Gerais (comuns a
todos os neg6cios
juridicos)
relacionados a:
Elementos
essencias,
requisitos de
validade e por
consequencia de
existencia
Alern da declaracao de vontade, sao tres, entao, OS fatores a serem
analisados, quais sejam: o 1agente (as pessoas envolvidas), o 2objeto (aquilo
que esta em questao) ea 3forma (que conste da lei ou, entao, nela nao esteja
proibida).
Art. 104. A validade do neg6cio juridico requer:
I - agente capaz;
II - objeto licito, passive/, determinado au determlnevet;
III - forma prescrita 9J!. nao defesa em lei.
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1° CC Art. 258. "A obriga<;ao e indivisfvel quando a presta<;ao tem por objeto uma coisa ou um
fato nao suscetf veis de divisiio, por sua natureza, por motivo de ordem economics, ou dad a a
razao determinante do neg6cio jurldico."
Alern do que foi dito acima, em certos atos a lei nao se contenta com a
simples capacidade civil, exigindo, ainda, o requisito da /egitima~ao. Aqui, ja
nao se discutem as qualidades intrfnsecas da pessoa, sua capacidade, que a
As pessoas relativamente incapazes sao assistidas nos neg6cios jurfdicos
pelas pessoas indicadas em lei. A incapacidade e excecao pessoal, so pode ser
formulada pelo pr6prio incapaz ou pelo seu representante legal. Essa
defesa nao pode ser nvocada em proveito pr6prio pelo interessado capaz, nem
aproveita aos cointeressados capazes, a menos que ocorra a ressalva legal, isto
e, se for indivisivel1° o objeto do direito ou da obriqacao comum.
No que diz respeito a capacidade das pessoas jurfdicas, estas intervirao por
interrnedio de quern as represente, ativa e passivamente, judicial e
extrajudicialmente.
Nulo sere o ato praticado diretamente por pessoa absolutamente incapaz
e apenas anulavel o realizado por pessoa relativamente incapaz. Ainda sobre
este assunto temos o artigo 105 do CC:
Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes nao pode ser invocada pela
outra em beneficio proprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se,
neste caso, for indivisfvel o objeto do direito ou da obriga<;ao comum.
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/MP-PI/ Analista. Sabendo-se que a representacao nasce da
lei ou do neg6cio jurfdico, e correto afirmar que, na representacao legal, o
representante exerce uma atividade obrigat6ria e personalfssima.
comentarlor
Havfamos destacado esta afirrnacao durante a parte te6rica da aula, "na
represeniecso legal, o representante exerce uma atividade obrigat6ria e
personalfssima".
Gabarito correto.
Isso ja foi questao de prova: Sabendo-se que a representeciio
nasce da lei ou do neg6cio jurfdico, e correto afirmar que, na
representecso legal, o representante exerce uma atividade
obrigat6ria e personalfssima.
~ FIOUE
V)ATENTOI
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~Inciso III. Por ultimo, temos a forma (elemento essencial particular),
que ao lado da capacidade, legitimidade, objeto e naturalmente da vontade,
constitui, tarnbern, elemento integrante do neg6cio jurfdico.
Art. 166. E nulo o neg6cio jurfdico quando:
II - for ilfcito, impossfvel ou indeterminevel o seu objeto;
O objeto tarnbern deve ser 2determinado, ou ao menos determinavel,
no memento de sua concretizacao.
Para que seja idoneo o objeto nao basta ser possfvel, determinado ou
deterrninevel, exige-se, igualmente que seja 3licito (nao e permitido, por
exemplo, a exploracao da prostituicao). A licitude do objeto e regulada pela forma
negativa, ou seja, chegamos a cornpreensao do objeto lfcito pelo conceito que
temos de ilicitude. Disto podemos concluir que: 0 ato ilicito embora seja um
fato juridico, com repercussao no direito, nao e ato juridico, muito menos,
um neg6cio juridico, porque este ( o neg6cio jurfdico) precisa ser lfcito.
A lei irnpfie lirnitacoes ao objeto do neg6cio, que nao qozara de protecao
legal quando for contrario as leis de ordem publica, ou aos bons costumes. A
sancao quanto ao objeto lniddneo, conforme art. 166, inciso II, ea nulidade
do ato:
A impossibilidade, a que se refere o legislador, pode ser absoluta, comum
a todas as pessoas, e pode ser relativa, alcanc;ando apenas o agente.
Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto nao invalida o neg6cio jurfdico se for relativa,
ou se cessar antes de realizada a condidio a que ele estiver subordinado.
~Inciso II. Em segundo lugar temos o objeto, que nada mais e do que as
vantagens que serao auferidas pelas partes, podendo nesse sentido estar, por
exemplo, relacionado a um service ou, entao, a um bem. Exige a lei que o objeto
seja 1possivel, afastando, deste modo, os neg6cios que tiverem prestacoes
tanto fisicamente quanto juridicamente impossfveis. Conforme o artigo 106 do
CC:
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habilita para os atos da vida negocial. 0 que se discute e a posicao de
determinadas pessoas em face de determinadas situacoes criadas por fora de sua
capacidade, que agora nao esta em discussao. Portanto, a leqitirnacao ou
legitimidade depende da particular relacao do sujeito com o objeto do
neg6cio. Assim, o conceito de leqitimacao e ode que as partes, em determinado
neg6cio juridico, devem ter cornpetencia especifica para praticar o ato.
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A rnanifestacao de vontade, como vimos, e elemento essencial do neg6cio
jurfdico e subsiste (rnantern-se) mesmo que a pessoa que a manifestou tenha
feito reserva mental.
? !fr "Voces podem explicar o que e reserva mental?"
Art. 110. A manifesta~ao de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a
reserva mental de nao querer o que manifestou, salvo se de/a o destinatario tinha
conhecimento.
Citamos agora os demais artigos, arts. 110 a 114, ainda no
campo das disposic;oes gerais do negocio juridico, muitasvezes objetos de questoes literais.
~TOMENOTAI
O C6digo nao se referiu a causa, ou ao fim visado pelo agente. Mas a causa
e parte integrante do ato de vontade. E o motivo com relevancia jurfdica. Numa
compra e venda, por exemplo, o comprador pode ter os mais variados motives
para realizar o neg6cio, todos estes motives, porern, nao tern relevancia jurfdica.
A relevancia jurfdica estara em receber a coisa, mediante o pagamento. Para o
vendedor, por outro lado, o motivo juridicamente relevante e receber o prec;o.
Sem maiores aprofundamentos, o que voces devem entender, e que causa e o
motivo juridicamente relevante. Os motives podem ser muitos, mas a causa deve
ser entendida como aquele motivo gerador de consequencias jurfdicas.
Os neg6cios jurfdicos que dependem de forma determinada para terem
validade ja foram citados anteriormente, sao os atos formais ou solenes -
serao nao solenes ou nao formais quando sua forma for livre. A forma especial
tanto pode ser imposta pela lei como pela pr6pria parte, que contrata com a
clausula de que o acordo nao tera validade senao sob determinada forma, e o
que esta no artigo 109 do CC:
Art. 109. No neg6cio jurfdico celebrado com a cleusuie de nao valer sem instrumento
publico, este e da substencie do ato.
Art. 107. A validade da declerecso de vontade nao dependere de forma especial, senao
quando a lei expressamente a exiqir.
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E requisite de validade dos neg6cios jurfdicos obedecerem a forma prescrita
ou, entao, nao adotarem a forma proibida pela lei. A regra e que a forma seja
livre, como dispoe o artigo 107 do CC:
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Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/DPE-SE/Defensor Publico. Na analise de um neg6cio
jurfdico bilateral, deve-se, em atendimento ao prindpio da autonomia da
vontade, aplicar o sentido literal da linguagem consubstanciado no neg6cio, e
nao, o da intencao dos contratantes.
comentario:
Art. 112. Nas declaracoes de vontade se atendera mais a lntencae nelas
consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.
Art. 112. Nas declerecoes de vontade se atendera mais a intenciio nelas
consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.
O silencio importa anuencia (concordancia), mas sao duas as
condi~oes necessarias: 1as circunstancias ou os usos assim devem autorizar;
,g_ 2a declaracao de vontade na forma expressa nao pode ser necessaria.
Do que foi dito podemos deduzir que aquele famoso ditado popular "quern
cala consente" nao e de todo correto, uma vez que e necessario que as condicoes
acima expostas estejam presentes para que o silencio importe anuencia.
Art. 111. O silencio importa anuencia, quando as circunstsncies ou os usos o
autorizarem, e nao for necesserie a declaraqao de vontade expressa.
Continuando com a analise dos artigos:
@ Importante: A reserva mental nao se equipara a slmulacao, que sera
explicada ainda nesta aula. A sirnulacao pressupoe o consenso, o acordo, sendo
isto irrelevante para caracterizacao da reserva mental. Por sinal, voltando ao
exemplo acima, se Pedro (destinatario) tivesse conhecimento da reserva mental
a doutrina tern o entendimento que ocorre inexistencia do neg6cio jurfdico, por
ausencia de vontade (falsa vontade). 0 desconhecimento da outra parte e
relevante ( e necessario) para que o neg6cio subsista
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Reserva mental e uma declaracao nao querida em seu conteudo,
tendo por objetivo enganar o destinatarlo, sendo que a vontade declarada
nao coincide com a vontade real do declarante. 0 declarante oculta a sua
verdadeira intencao. Digamos, por exemplo, que Jose, por brincadeira, estipulou
determinado valor para um contrato com Pedro (declaratario), se Pedro nao tinha
conhecimento da brincadeira, Jose (declarante) nao podera mvocar a reserva
mental para anular neg6cio jurfdico que realizou.
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Vimos que os neg6cios jurfdicos apresentam elementos essenciais, que sao
obrigat6rios para sua validade e constituiceo, sac determinados pela lei. Porern,
outros elementos podem ser acrescentados pela vontade do agente ou das
partes e irao modificar os neg6cios jurfdicos. Sao clausulas acess6rias e devem
ser precisas e determinadas. Estes elementos facultativos, uma vez colocados no
neg6cio. passam a integra-lo, tornando-se, de certa forma, essenciais. Sao
chamados de facultativos (acidentais, acess6rios), porque tecnicamente o
neg6cio pode sobreviver sem eles.
Em nosso CC temos tres modalidades de elementos acidentais: -condlcao,
2termo e 3encargo (modo).
~ Elementos acidentais dos neg6cios juridicos
Este e outro assunto que nao esta escrito de forma direta no edital, mas como
temos a expressao "atos jurfdicos" existe a possibilidade de cobranca
(acreditamos, e claro, que voce deve dedicar uma atencao maier aos assuntos
validade e defeitos dos neg6cios jurfdicos).
Neg6cios jurfdicos beneficos (ou gratuitos}, conforme ja falamos, sao
aqueles nos quais uma das partes obtern beneffcios sem qualquer
contraprestacao, apenas uma das partes aufere beneffcio enquanto a outra parte
assume a obriqacao (como, exemplo, temos a doacao pura). Este tipo de neg6cio
jurfdico, assim como a renuncia, deve ser interpretado estritamente, ou seja, no
memento da lnterpretacao o magistrado deve restringir-se ao alcance da lei,
portanto, sem arnplia-la. Dando um exemplo ja cobrado em uma prova (mas do
CESPE), imagine que duas pessoas acordaram uma doacao. Se surgir duvidas
quanta a interpretacao de algum item acordado o juiz devera em sua analise
interpreta-lo estritamente.
Art. 114. Os negocios juridicos beneficos e a renuncia interpretam-se
estritamente.
Art. 113. Os neg6cios jurfdicos devem ser interpretados conforme a boe-Ie e os usos
do lugar de sua cetebrecso.
A Intencao dos contratantes prevalece sobre o sentido literal do texto.
Exemplificando; seem um contrato de locacao consta clausula informando que a
destinacao do im6vel e comercial, mas a lntencao das partes sempre foi dar
destinacao residencial ao im6vel e isto foi o que de fato aconteceu, a existencia
da clausula passa a ser irrelevante.
Gabarito errado.
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A condicao deve referir-se a fato futuro. Fato passado ou presente nao
pode constituir-se em condicao. Tarnbern deve relacionar-se a fato incerto
( como veremos adiante, a mo rte, por ser fato certo, nao pode ser uma condicao,
sere termo). A condicao e elemento da vontade e somente opera porque os
interessados no neg6cio jurfdico assim desejaram, deste modo, no neg6cio
jurfdico nao ha condic;ao derivada de lei. Enquanto a condlcao nao se realizar,
os efeitos do ato nao podem ser ainda exigidos. A eficacia do neg6cio
jurfdico dependera da condicao.
Porern, ha certos atos que nao admitem condicao (sao denominados
atos puros), como, por exemplo, no caso dos direitos de familia e direitos
personallssimos. Assim, o casamento, o reconhecimento de filho, a adocao,
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/ ANAC/Tecnico Administrativo. A clausula que, derivando
exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do neg6cio jurfdico a
evento future e incerto e considerada condicao.
comentarlo:
Art. 121. Considera-se condicao a clausula que, derivando exclusivamente da vontade
das partes, subordina o efeito do neg6cio jurfdico a evento future e incerto.
Gabarito correto.
Do conceito apresentado no artigo 121, extrafmos os elementos essenciais
do institute, qua is sejam: a 1vontade das partes, a 2futuridade g_ a 3incerteza
do evento.
evento incerto
incerteza
evento future
futuridade A ccndicao possui como elementos:a vontade das
artes
Art. 121 Considera-se condidio a cleusule que, derivando exclusivamente da vontade
das partes, subordina o efeito do negocio juridico a evento futuro e incerto.
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)) Condicao: temos um conceito no art. 121 do CC:
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Art. 125. Subordinando-se a eficacia do neg6cio jurfdico a condidio suspensiva,
enquanto esta se nao verificar, nao se tere adquirido o direito, a que ele visa.
Art. 126. Se a/guem dispuser de uma coisa sob condicso suspensiva, e, pendente esta,
fizer quanto equele novas dtsposicoes, estas nao terao valor, realizada a condidio, se
com eta forem incompatfveis.
1Condicao suspensiva e quando as partes protelam a eficacla do
neg6cio juridico. Este so tera sua eficacia ap6s o implemento de uma condicao,
um acontecimento futuro e incerto (ex: um pai estabelece uma condicao ao filho,
"eu te darei meu carro quando passares no vestibular"). Nao se adquire o
direito enquanto nos se verificar a condicao (art. 125). Embora nao se
adquira o direito, a pessoa que estabeleceu a condicao nao pode mais dispor
livremente do objeto, realizando operacoes incompatfveis com a condicao
estabelecida - art. 126 (trata-se de uma lirnitecao ao direito do titular que queira
alienar o objeto do contrato com condicao suspensiva). A condicao suspensiva
devera atender ao art. 123, inciso I, ou seja, ela nao pode ser fisicamente ou
juridicamente impossfvel, porque se o for o neg6cio sere nulo.
® Ha determinadas condicOes gue invalidam os negOcios juridicos, isto
esta disposto no art. 123 do CC:
Art. 123. Invalidam os neg6cios jurfdicos que /hes sao subordinados:
I - as condicbes ffsica ou juridicamente impossfveis, quando suspensivas:
II - as condidies ilfcitas, ou de fazer coisa ilfcita;
III - as condicoes incompreensfveis ou contradit6rias.
A condicao e classificada quanta a varies criterios, mas, para fins de
concurso, o criteria mais cobrado e quanto ao modo de atuacao, neste ela sera
classificada em: =condlcac suspensiva e 2condic;ao resolutiva:
A condicao precisa ser exequfvel e o ato deve desencadear efeitos. Alern
disso, nao pode a condicao ser subordinada ao puro arbftrio de uma parte (a
expressao "puro arbftrio" remete a chamada condicao potestativa pura, sendo
esta condicao vedada no nosso ordenamento jurfdico). A condicao tarnbern nao
pode ser contraria a lei, a ordem publica ou aos bons costumes.
Art. 122. Sao lfcitas, em geral, todas as condicoes nao contreries a lei, a ordem ptiblice
ou aos bons costumes; entre as condi~oes defesas se incluem as que iprivarem de
todo efeito o neq6cio ;urfdico, ou o 2sujeitarem ao puro arbftrio de uma das partes.
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dentre outros, nao admitem condicao. No art. 122 do CC temos duas condicoes
proibidas ( defesas):
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11 Costa Machado, C6digo Civil Interpretado, Manole, sa ed., pag. 151.
Aspectos gerais das condlcoes:
A condlcao pode estar 1pendente, quando ainda nao se verificou o
evento futuro; pode estar 2implementada, quando se verifica a condicao: mas
tarnbern pode ser 3frustrada, quando nao se realiza.
Com relacao ao artigo 124, entenda que nao e o neg6cio que e tido por
inexistente, mas sim a condicao apresentada Como na condicao resolutiva o
neg6cio ja ocorreu o que fica comprometido pela condicao resolutiva impossfvel
e apenas a cessacao da eficacia, Com relac;ao a sequnda parte deste mesmo
artiqo, sao inexistentes as condicoes (sejam suspensivas ou resolutivas) de nao
fazer coisa impossfvel.
Com relacao ao artigo 128, temos que com o implemento da condicao
resolutiva extingue-se o direito No que diz respeito ao neg6cio de execucao
continuada, exemplificamos com a citacao de Costa Machado e outros-": "Em
caso de contrato /ocatfcio, que e de execuciio continuada por serem os
pagamentos das contreprestecbes (eluqueis e demais encargos) peri6dicos, a
superventencie de condiciio reso/utiva do neg6cio nao /eva a inva/idade dos
pagamentos ja efetuados, que constituem atos perfeitos e acabados, compatfveis
com a natureza da condicso, que viseve a extinguir somente o contrato principal".
Art. 127. Se for resolutiva a condiceo, enquanto esta se nao realizar, vigorara o
negocio juridico, podendo exercer-se desde a conciuseo deste o direito por ele
estabelecido.
Art. 128. Sobrevindo a condi~ao resolutiva, extinque-se, para todos os efeitos, o
direito a que ela se opbe; mas, se aposta a um neg6cio de execuceo continuada ou
peri6dica, a sua reelizecso, salvo disposiceo em contrerio, nao tem eticeci« quanta aos
atos ja praticados, desde que compatfveis com a natureza da condiciio pendente e
conforme aos ditames de boe-te.
Art. 124. Tem-se por inexistentes as condi~oes impossiveis, quando resolutivas, e
as de nao fazer coisa impossf vel.
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2Condicao resolutiva e quando se subordina a ineficacia do neg6cio
jurfdico a um evento futuro e incerto. Enquanto este evento nao ocorrer,
vigorara o neg6cio juridico. Uma vez verificada a condicao, se extingue o
direito que a ela se opoe. (Exemplo: "enquanto voce estudar eu pagarei suas
despesas", uma vez que pare de estudar o neg6cio nao sere mais eficaz).
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12 Nelson Nery Junior, C6digo Civil Comentado, Revista dos Tribunais, 8 ed., pag. 606.
~ Termo judicial, quando decorrer de decisao judicial.
~ Termo de direito, quando decorrer de dtsposicao legal, decorre da lei;
~Propriamente dito (ou termo convencional), quando derivar da vontade das
partes. E colocado, por exemplo, em um contrato por vontade das partes;
O termo pode ser:
)) Termo: O memento de infcio ou do fim da eficacia do neg6cio e que sera
determinada pelas partes ou fixada pelo agente.
Chama-se de termo inicial (ou suspensivo) aquele dia a partir do qual se
pode exercer o direito e charna-se termo final ( ou extintivo) aquele no qua I se
encerra a producao de efeitos dos neg6cios jurfdicos. Assim, o termo inicial
suspende a eficacia de um neg6cio ate a sua ocorrencia, enquanto o termo final
resolve seus efeitos.
Citando Nelson Nery Junior12: "A entrega da coisa e feita ao comprador
para que ele experimente a coisa comprada e, agradando-se dela, torne-se
definitiva a venda que se deu sob condicao suspensiva (art. 125)".
Outro crlterlo de classlflcacao da condicao e quanto a partlclpacao
da vontade dos sujeitos, neste ela sere classificada em: -condiceo casual ( ou
causal) e 2condi<;ao potestativa.
Exemplo classico da condicao casual e o seguinte: "te dou R$ 30,00 se
chover arnanha", ela depende de fato alheio a vontade das partes.
Quante a condicao potestativa, estas decorreram da vontade das
partes, sendo certo que nao e admitida em sua forma pura, puramente
potestativa, que e aquela que depende do livre arbftrio de uma das partes. Sera
permitida se for a chamada condicao simplesmente ou meramente
potestativa, que nada mais e do que aquela que nao depende exclusivamente
do arbftrio de uma das partes, esta sujeita, tambern, a outras circunstancias.
Exemplo de condicao meramente potestativa encontrada no c6digo ea seguinte:
Art. 509. A venda feita a contento do comprador entende-se realizada sob condicso
suspensiva, ainda que a coisa /he tenha sido entregue; e nao se reoutere perfeita,
enquanto o adquirente nao manifestar seu agrado.
Com o implemento da condicao suspensiva, iniciam os efeitos do neg6cio; com o
implemento da condicao resolutiva, terminam os efeitos.
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O que o legislador quis dizer neste artigo e que a existencia do termo
inicialsuspende o exerdcio, ou seja, o exerdcio ficara suspense ate a ocorrencia
do termo (ele ainda nae ocorreu). Lembrando que a aquisicao (parte final do
artigo) e imediata. O direito que se adquire a termo surge no momenta do
neg6cio juridico, pois nae ha uma pendencia ( e diferente de condicao ), aqui O
evento e futuro e certo.
Va mos lhe dar um exemplo: assinamos um contrato onde compramos o
seu im6vel no dia 25 de maio pr6ximo. Existe um termo para possamos gozar
do exerdcio do direito de usar o im6vel no futuro (atualmente quern dispoe
deste gozo e voce), no entanto aqulslcao deste direito ja esta estabelecida,
A diferenc;a entre os dois institutes, e que o termo e modalidade do neg6cio
juridico que tern por escopo suspender a execucao ou o efeito de uma obriqacao,
ate um memento determinado, ou o advento de um evento futuro e certo. Ja a
condlcao se refere a evento futuro e incerto, desde modo, o implemento da
condicao pode vir a falhar e o direito nunca vir a se consumar.
No termo, o direito e futuro, mas diferido, na medida em que nao impede
sua aquisicao, que ire acontecer, ela esta apenas suspensa. Apesar de o termo
ser sempre certo, o momenta de sua ocorrencia pode ser indeterminado
(incerto). Sera certo quando se referir a uma data je determinada, porque ela
pode tardar, mas um dia cheqara. Sera indeterminado, por exemplo, se for
relacionado a morte de uma pessoa, o memento aqui e indeterminado (nao
sabemos exatamente quando), porern e certo, pois todo mundo um dia rnorrera.
Diante da exemplificacao acima surqira tarnbern a denorninacao de 1termo
certo (determinado) e 2termo incerto (indeterminado). Esta diferenciacao e de
suma irnportancia, uma vez que a obriqacao a termo certo constitui o devedor
em mora, enquanto que a de termo incerto necessita de interpelacao do devedor.
"Trocando em rniudos pra voce": quando a obriqacao de pagar, por
exemplo, for a termo certo, chegada essa data, ou o termo, se o devedor nao
cumprir com sua obriqacao, automaticamente sere constituido em mora, ou seja,
a partir daguela data sera considerado como devedor inadimplente. Mas, por
outro lado, se a obrigac;ao e de termo incerto, nao se sabe ao certo quando e a
data final para o pagamento, neste caso, o credor tera gue interpelar o devedor,
tera que cobrar o devedor.
No termo inicial, nao se impede a aquislcao de seu direito, apenas
se retarda seu exerdcio, e o que diz o art. 131:
Art. 131 O termo inicial suspende o exercicio, mas nao a aquisi~ao do direito.
O termo se aproxima muito das condicoes suspensivas e resolutivas, tanto
que assim dispoe o art. 135:
Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposicoes relativas
a condicao suspensiva e resolutiva.
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13 Carlos Roberto Goncalves. Direito civil I Esquematizado. 2a ed.
Nos testamentos, o herdeiro tern a contagem de prazo a seu favor,
preferindo ao leqatario. E a preferencia do prazo em favor do devedor e que, no
silencio do contrato e na duvida, este deve ser beneficiado, em detrimento do
credor, pois o primeiro deve cumprir a obriqacao e esta geralmente em situacao
de inferioridade.
O art. 133 prescreve a presuncao do termo em favor do herdeiro no caso
de testamentos e em proveito do devedor:
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos,
em proveito do devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das
circunstiincies, resu/tar que se estabeleceu a beneficio do credor, ou de ambos
os contratantes.
Nao ha gue se confundir termo com prazo. Termo e o limite inicial ou
final. Prazo, por sua vez, e o lapso de tempo decorrido entre a decleracao de
vontade e a superveniencia do termo. 0 art. 132 define disposicoes sobre a
contagem dos prazos:
Art. 132. Salvo disposicso legal ou convencional em contrerio, computam-se os prazos,
exclufdo o dia do comeco, e inclufdo o do vencimento.
§ 1 o, Se o dia do vencimento cair em feriado, considerer-se-e prorrogado o prazo ate o
seguinte dia utit.
§ 20. Meado considera-se, em qualquer mes, o seu decimo quinto dia.
§ Jo. Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual numero do de infcio, ou no
imediato, se fa/tar exata correspondencie.
§ 40. Os prazos fixados por hora conter-se-tio de minuto a minuto.
Mas veja que, no exemplo acima, nos ja podemos exercer sobre o bem os
atos conservat6rios ( que assegurem o nosso exercicio futuro) como o
registro do titulo, podendo inclusive exigir de voce (que este no gozo atual do
direito) caucao. No exemplo dado o termo e inicial ou suspensive, pois no
memento da ocorrencia do termo e que poderemos exercer o direito.
O termo, quando colocado no neg6cio juridico, portanto, indica o memento
a partir do qual seu exercfcio inicia-se ou extingue-se.
Existem atos que nao admitem a colocacao de termo, como nos casos
de direitos de personalidade, nas relacoes de famflia e nos direitos que, por sua
pr6pria natureza, requerem execucao imediata. Nao se admite termo: a
ernancipacao, o casamento, a adocao, o reconhecimento de filho, a aceitacao ou
a renuncia.P
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existe apenas a suspencao da sua eficacia (na letra da lei denominada exercfcio
do direito).
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14 Direito Civil I, 11 ed. pag. 493.
)) O encargo ou modo: E uma restricao a certa liberalidade que foi
concedida. Por exemplo, quando um pai de um dinheiro de presente a um filho,
mas diz que ele precisa usar parte deste dinheiro para comprar livros. Geralmente
o encargo e colocado em doacoes mas nada impede que se refira a qualquer ato
de fndole gratuita (liberalidades). Exemplo: "doa-se determinado terreno ao
Esta do ten do como obriqacao deste a construcao de um hospital ( o
encargo)".
Assim, o encargo apresenta-se como clausula acess6ria as liberalidades,
quer estabelecendo uma finalidade ao objeto do neg6cio, quer impondo
uma obrlqacao ao favorecido, em beneffcio do instituidor, ou de terceiro, ou
mesmo da coletividade (como no exemplo acima).
Nao deve, porern, o encargo se configurar em contraprestacao, nao pode
ser visto como contrapartida ao beneffcio concedido. Se o encargo nao for
cumprido a liberalidade podera ser revogada. Segundo Venosa14: "O fato e que
ninquem e obrigado a aceitar liberalidade. Seo faz, sabendo ser gravada com
encargo, fica suieito ao seu cumprimento ".
O encargo, assim como ocorre na condicao, deve estar em obriqacao lfcita
e possfvel. De acordo com o art.137, a ilicitude ou impossibilidade do en cargo
torna-o nae escrito, exceto se for determinante da liberalidade e, neste caso,
Como regra geral, as partes fixam um prazo dentro do qual deve ser
cumprida a obriqacao, e assim, o credor nao pode exigir seu cumprimento antes
do termo. Ainda que nao haja esta fixacao de termo, existem obriqacoes, que por
sua natureza, so podem ser cumpridas dentro de certo lapso de tempo, como,
por exemplo, um ernprestirno. Porern, quando a obriqacao permite e os
contraentes nao fixaram prazo, a obriqacao e exequfvel desde logo (tern
vencimento imediato), salvo em duas possibilidades: sea execucao 1tiver de
ser feita em lugar diverse ou 2depender de tempo.
Esta excecao e no caso de o neg6cio ter sido feito em um local com a
sua execucao em outro (seria impossfvel estar nos dois lugares ao mesmo
tempo, por isto, neste caso e necessario um lapso temporal). Com relacao ao
tempo (segunda possibilidade), voce deve entender que, por exemplo, nao e
possfvel a entrega imediata de uma safra se nao for o memento para a colheita.
O art. 134 dispoe sobre o regramento para aqueles neg6cios para os
qua is nao se estabeleceu prazo ( e o principio do vencimento imediato):
Art. 134. Os neg6cios jurfdicos entre vivos, sem prazo, sao exequiveis desdelogo,
salvo sea execuciio tiver de ser feita em 1lugar diverso ou 2depender de tempo.
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15 Costa Machado, C6digo Civil Interpretado, Manole, sa ed., paq, 159.
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/ ANAC/Tecnico Administrativo. O encargo nao suspende a
aqulslcao e o exercfcio do direito, salvo quando expressamente impasto no
neg6cio jurfdico, pelo disponente, como condicao suspensiva.
comentarlo:
Muita atencao! O CESPE tarnbern cobra a literalidade do c6digo.
Deste modo, feita a doacao com o encargo, a liberalidade nao se suspende
por seu nao cumprimento (tanto a sua aquisicao quanta o seu exercfcio ), salvo
na hip6tese de suspensao ora enfocada (quando expressamente imposto no
neg6cio jurfdico, pe/o disponente, como condiceo suspensiva).
Quanta a aqulslcao e ao exerdcio do direito, assim fala o art. 136:
Art. 136. O encargo nao suspende a aquisi<;ao !1§.!Jl o exercfcio do direito, salvo quando
expressamente imposto no neg6cio Jurfdico, pelo disponente, como condiciio suspensiva.
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2013/TJDFT /Tecnico Judiclarlo. Sera considerada nao escrita,
invalidando o neg6cio jurfdico como um todo, clausula de neg6cio jurfdico que
estabeleca um encargo ilfcito ou impossfvel, se esse nao for o motivo
determinante do ato.
comentartoi
Art. 137. Considera-se nao escrito o encargo ilfcito ou impossfvel, salvo se constituir
o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o neg6cio jurfdico.
Gabarito errado.
Citando novamente de Costa Machado e outros15 temos o seguinte exemplo de
encargo ilfcito: "Se 'A' doe para 'B' seus bens, exigindo que construa uma banca
de jogo de bicho em sua mem6ria, sem que seja este o motivo determinante,
esse encargo e desconsiderado, recebendo o beneticierio a doecso sem nenhuma
obrigaqao".
Art. 137. Considera-se nao escrito o encargo ilicito ou impossfvel, salvo se constituir
o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o neg6cio jurfdico.
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sere invalido o neg6cio jurfdico. Tarnbern se o ato e fisicamente irrealizevel, tem-
se por nao escrito.
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Quando o neg6cio jurfdico se apresenta de forma irregular, defeituosa, tal
irregularidade ou defeito pode ser mais ou menos grave, e o ordenamento
jurfdico pode atribuir reprimenda maior ou menor. Neste nosso estudo vamos ver
tres categorias de ineficacia dos neg6cios jurfdicos: neg6cios jurfdicos
1inexistentes, 2nulos (nulidade absoluta) e 3anulaveis (nulidade
relativa).
Ineficacia, em sentido geral, trata-se da declaracao legal de que os
neg6cios jurfdicos nao se amoldam aos efeitos que ordinariamente produziriam.
Invalidade (arts. 166 a 184)
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/MP-PI/ Analista. Por serem convencionados pelas partes, os
elementos acidentais - introduzidos facultativamente no neg6cio jurfdico - nao
possuem o mesmo valor que os elementos estruturais - determinados pela lei.
comentartoi
Os elementos acidentais sao facultativos, ou seja, as partes podem optar por
acrescenta-los ao neg6cio, entretanto uma vez que decidam acrescenta-los ao
neg6cio eles se tornam essenciais". Deste modo, quando um neg6cio jurfdico
contiver qualquer dos elementos acidentais eles serao considerados elementos
estruturais.
Gabarito errado.
:'Q''-: , "
Lembre-se que a condicao ora suspende a aqursrcao do direito, ora o
extingue, ja o encargo nao suspende tal aquisicao, que se torna perfeita e
acabada desde logo, salvo a excecao do art. 136.
O nao cumprimento do encargo podera resolver a liberalidade, mas a
posteriori. 0 encargo obriga, mas nao suspende, o exercfcio do direito. Como
falamos, o encargo embora seja semelhante a condicao com esta nao se
confunde, porque nele ha de certa forma coercibilidade o que nao ocorre no que
diz respeito a condicao.
Ap6s examinarmos os elementos gerais, comuns a todos os atos jurfdicos,
e, tarnbern, os elementos acidentais (facultativos), passaremos agora ao estudo
mais detalhado da invalidade dos neg6cios jurfdicos e a nulidade absoluta e
relativa.
Art. 136. 0 encargo nao suspende a equisiceo nem o exercfcio do direito, salvo quando
expressamente imposto no neg6cio Jurfdico, pelo disponente, como condiciio suspensiva.
Gabarito correto.
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A ocorrencia de qualquer dessas hip6teses e reputada pela lei como de seria
ofensa, provocando sua nulidade. Nulidade esta que pode atingir todo o ato,
como regra, ou apenas parte dele se assim o ordenamento ea pr6pria natureza
do neg6cio permitir. Ja mostramos nesta aula alguns motivos que levam a
nulidade (art. 166, I, II e IV), quais sejam:
I. por incapacidade absoluta do agente;
II. por seu objeto ser ilfcito, impossfvel ou indeterrninavel
Art. 166. E nulo o neg6cio jurfdico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilicito, impassive/ 9.!:!. indeterminevel seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilicito;
IV - nao revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua
validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a pretice, sem cominar san~ao.
~ Nulidade dos Neg6cios luridicos - nulidade absoluta (art.
166)
Esta e a chamada nulidade absoluta, trata-se de vfcio que impede o ato deter
existencia legal e produzir efeito, em razjio de nao ter obedecido qualquer
requisito essencial. 0 assunto esta disposto dos arts. 166 a 170.
~ Inexistencia dos Neg6cios luridicos
No ato ou neg6cio inexistente, pode haver uma aparencia de ato ou neg6cio
jurfdico. Quando falamos em aparencia queremos dizer que, embora possua
aparencia material, o ato ou neg6cio jurfdico nao possui conteudo juridico. Na
verdade o ato nao se formou para o direito.
Embora se diga que o ato ou neg6cio inexistente prescinda de declaracao
judicial, a aparencia do ato pode ser tao verdadeira, que uma analise do juiz se
mostre necessaria. 0 ato inexistente deve ser visto como simples fato sem
existencia legal.
Contudo nao daremos maior relevancia aos atos inexistentes, pois, na
maioria das vezes em provas voce estara diante de nulidade e anulabilidade.
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O vocabulo ineficacia e usado para todos os casos em que o neg6cio jurfdico se
torna passfvel de nao produzir os efeitos regulares.
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16 Serao pedidas duas testemunhas para os testamentos publicos e cerrado e pelo menos tres
para o testamento particular.
Em regra, prova-se o ato nulo de forma objetiva, pelo pr6prio instrumento
utilizado para o ato ou por prova literal. Porern existem casos em que a nulidade
devera ser provada por outros meios, quando for contestada ou posta em duvida.
Assim, a nulidade e penalidade que faz com que qualquer efeito do ato,
desde o momento da sua formac;ao deixe de existir. A sentence que decretar a
nulidade vai retroagir (tern efeito ex tune) ate a data de nascimento do ato
viciado. Desde este momento desaparecem os efeitos do ato, ficando como se o
mesmo nunca tivesse ocorrido. Porern, muitas vezes, embora o ato seja tido
Art. 762. Nulo sera o contrato para garantia de risco proveniente de ato doloso do
segurado, do beneticierio, ou de representante de um ou de outro.
~ Observe: A nulidade repousa sempre em causas de ordem pUblica,
enquanto a anulabilidade, como veremos mais adiante, tern em vista,mais
acentuadamente, o interesse privado.
Mas ha outros motivos, tarnbem elencados no art. 166, respectivamente nos
incisos III, V, VI e VII:
~ Tarnbern havera nulidade quando o motivo determinante, comum a
ambas as partes, for ilicito. Assim, se ambas as partes se orquestrarem,
agirem em conluio, sob aparente legalidade, para obter fim ilfcito, havera
nulidade absoluta.
~ 0 ato ou neg6cio juridico tarnbern sere nulo quando qualquer so/enidade
considerada essencial pela lei para sua validade for esquecida ou nao
cumprida. E o caso, por exemplo, do testamento, que pede um determinado
nurnero de testemunhas16 para sua validade.
~ Nao pode o ato ter como objetivo a fraude de norma imperativa, de ordem
publica.
~ Por fim, ainda no art. 166, temos como caso de nulidade quando
taxativamente o ordenamento o disser Dos casos encontrados no C6digo,
em carater exemplificativo, citamos os arts. 489 e 762 abaixo:
Art. 489. Nulo e o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbftrio exclusivo de
uma das partes a fixa~ao do preco.
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IV. por nao se revestir da forma prescrita em lei.
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Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/TC-DF/ Auditor de Controle Externo. Quando o vfcio atinge
neg6cio jurfdico de carater unitario, celebrado porque as partes acreditavam nao
ser possfvel o seu fracionamento ou divisao, a invalidade e total.
comentarlo:
A nulidade parcial (nulidade de apenas parte do neg6cio, subsistindo a parte
valida) e possfvel na hip6tese da primeira parte do art. 184:
Da leitura deste artigo apreendemos que a nulidade pode ser total ou parcial
(ambas sao nulidades, nao confundir o conceito de nulidade parcial com o
conceito de nulidade relativa, que ea chamada anulabilidade). Total quando afeta
todo o neg6cio, e parcial quando se limita a algumas de suas clausulas. A nulidade
parcial somente sera possfvel se o neg6cio for separavel, divisfvel.
Desta forma, tarnbern ao juiz e determinado que decrete a nulidade de offcio,
se dela tomar conhecimento, sem necessidade de qualquer provocacao, no
entanto nao pode supri-la mesmo que as partes assim tenham solicitado. A
nulidade e insuprfvel pelo juiz. Ou seja, ato ou neg6cio juridico nulo nao pode
ser Confirmado (ratificado). As partes so consequirao obter os efeitos jurfdicos
derivados do ato ou neg6cio jurfdico se executarem (firmarem) o ato todo
novamente e, desta vez, de acordo com a lei. Ainda sobre este assunto temos o
artigo 184 do CC:
Art. 184. Respeitada a intem;ao das partes, a invalidade parcial de um neg6cio jurldico
nao o prejudicara na parte valida, se esta for separavel; a invalidade da obriqeceo
principal implica a das obriqecoes acess6rias, mas a destas nao induz a da obriga<;ao
principal.
Temos tarnbern o artigo 168 do CC:
Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer
interessado, ou pelo Ministerio Publico, quando /he couber intervir.
Pereqreto iinico: As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer
do neg6cio Jurfdico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, nao /he sendo
permitido supri-las ainda que a requerimento das partes.
Art. 182. Anulado o negocio juridico, restituir-se-eo as partes ao estado, em que
antes dele se achavam, e nao sendo passive/ restitui-las, serao indenizadas com
o equivalente.
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como nulo (ou, entao, como veremos adiante anulavel), dele decorre efeitos de
ordem material. As partes contratantes devem ser reconduzidas ao estado
anterior. Nern sempre, fisicamente, isto sere possfvel. Oaf a razao do artigo 182
do CC:
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'Q~ w r w
~ , Observacao: a conversao nao e modalidade de corng1r ou sanar
irregularidades. Quando se corrige um neg6cio, na realidade pratica-se outro para
No instituto da conversao se converte um neg6cio jurfdico nulo em outro
valido. Trata-se da hip6tese em que o neg6cio jurfdico nulo nao pode prevalecer
na forma pretendida pelas partes, mas seus elementos sao suficientes para
caracterizar outro neg6cio. Para a conversao, e necessaria a reuniao no
neg6cio nulo de todos os elementos para um neg6cio de natureza diversa e que
esse neg6cio possa ser entendido como contido na vontade das partes.
Essa conversao s6 e possfvel quando nao proibida taxativamente ou entao
pela natureza da norma, como ocorre nos casos de testamento, cujas
formalidades para cada modalidade sao absolutamente estritas.
nulo e
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/ ANAC/Tecnico Administrativo. O neg6cio jurfdico
suscetfvel de confirrnacao pelas partes, salvo direito de terceiro.
comentartoi
Art. 169. O neg6cio Jurfdico nulo nao e suscetfvel de contirmecso, nem convalesce pelo
decurso do tempo.
Gabarito errado.
O artigo 169, que a seguir transcrevemos, diz que o neg6cio jurfdico nulo
nao pode ser confirmado, entretanto atente para o artigo 170 do CC que fala
do instituto da conversao dos neqocios ;uridicos:
Art. 169. O neg6cio Jurfdico nulo niio e suscetivel de contirmeceo, nem convalesce
pelo decurso do tempo.
Art. 170. Se, porem, o neg6cio jurfdico nulo contiver os requisitos de outro,
subsistire este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam
querido, se houvessem previsto a nulidade.
Art. 184. Respeitada a inten,ao das partes, a invalidade parcial de um neg6cio juridico
nao o prejudicersi na parte valida, se esta for separavel; a invalidade da obriga,ao
principal implica a das obriqeciies acess6rias, mas a destas nao induz a da obriga,ao
principal.
Nesta questao, temos que a intencao das partes foi celebrar um neg6cio jurfdico
simples (unitario) e assim o fizeram, mesmo que tenha sido por
desconhecimento. Sendo o neg6cio jurfdico unitario (e que nao pode ser
separavel), o vfcio que atingir a este neg6cio jurfdico o atinqira em sua totalidade
e, da mesma forma, a invalidade sere total.
Gabarito correto.
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17 Washington de Barros Monteiro, Direito Civil l, Parte geral, 43 ed., paq, 272.
)- Simulac;ao:
A sirnulacao e vicio social. Assim chamada porque tutela a confianc;a nas
declaracoes de vontade, tutela interesses sociais, inclusive publicos, E vicio mais
grave que os defeitos que serao vistas mais a seguir, por isso mesmo a sirnulacao
provoca a nulidade (absoluta) do ato.
Simular e fingir, mascarar, esconder a realidade. Juridicamente, e a pratica
de ato ou neg6cio que esconde a real intencao. Segundo Barros Monteiro17: "E o
intencional desacordo entre a vontade interna e a dec/arada no sentido de criar
aparentemente um negocio juridico que, de fato, nao existe, ou entao
ocu/ta, sob determinada eperencie, o neg6cio rea/mente querido".
~ A ocorrencia de qualquer dessas hip6teses e reputada pela lei como sena
ofensa, provocando sua nulidade. Nulidade esta que, como regra, podera atingir
todo o ato ou, entao, apenas parte dele, se assim o ordenamento e a pr6pria
natureza do neg6cio permitir. Vamos explicar entao uma das causas de nulidade
mais cobradas em prova, qual seja, a sirnulacao.
8 SIMULAc;Ao c
I
. a e1 axa ivarnen e o ec arar nu o, ou pro: rr- ea pra ica, sem
6 f d I . . t. c
5 motivo comum a ambas as partes for flicito c
4 nao observar solenidade considerada por lei essencial c
3 nao se revestir da forma prescrita em lei c
2 objeto ilicito impossivel ou indeterminavel c
1 celebrado por Pessoa Absolutamente lncapaz c
Quando o neg6cio juridico sera nulo:
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sanar o primeiro, enquanto na conversao aproveitam-se os elementos do
pr6prio neg6cio errado. Quando sepratica um neg6cio de saneamento, o que
era invalido torna-se algo novo, valido, enquanto na conversao e o pr6prio
neg6cio que se converte em outro valido.
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18 Silvio de Salvo Venosa, Direito Civil I, Parte Geral, 11 ed. paq, 526.
A sirnulacao pode ser absoluta - quando a declaracao enganosa da vontade
exprime um neg6cio jurfdico bilateral ou unilateral, nao havendo a intencao de
realizar neg6cio algum. Ou seja, o neg6cio e inteiramente simulado, quando as
partes, na verdade, nao desejam praticar nenhum ato. Nao existe neg6cio
encoberto porque realmente nada existe18.
Ou pode ser relativa - onde as partes, ao contrario da sirnulacao absoluta,
pretendem realizar um neg6cio, mas de forma diferente daquela que se
apresenta. Ha intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, da-
Importante: nao e necessario causar prejurzo para
caracterizar a sirnulacao, o que caracteriza a simulacao e a
vontade de enganar, o conluio das partes.
~ FIOUE
V}ATENTOI
A simulacao provoca falsa crenc;a num estado nao real, a intencao e
enganar sobre a existencia de uma situacao nao verdadeira (se aparentou fazer
um neg6cio). A dissimulacao oculta de outrem uma situacao existente ( o
neg6cio na realidade foi feito, mas tenta-se encobrir tal ato ).
Veja que, conforme o art. 167, o neg6cio simulado sempre sere nulo, no
entanto, o neg6cio dissimulado sere mantido se for valido na substancia e na
forma.
Art. 167. E nulo o negocio juridico simulado, mas subsistira o que se dissimulou,
~ velido for na substencie e na forma.
§ 1Q Havers simula~ao nos negocios juridicos quando:
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas as quais
realmente se conferem, ou transmitem;
II - contiverem declereciio, contissiio, condiciio ou cleusute nao verdadeira;
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou p6s-datados.
§ 20. Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fe em face dos contraentes do
neg6cio Jurfdico simulado.
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Seus requisitos sao: em regra, fa Isa declaracao bilateral de vontade, ha
o conluio entre os contratantes (podera excepcionalmente ser unilateral);
vontade exteriorizada diverge da interna; ilude terceiros.
O art. 167 do CC apresenta duas sltuacoes, qua is sejam: a -slmulecao e
a 2dissimulac;ao.
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&(i)
VA seguir apontamos a relacao entre alguns institutos que podem gerar
duvidas ou enganos:
A simulacao engana terceiro, ha o conluio entre as partes; a reserva
mental o agente declara coisa diferente, ocultando a sua verdadeira intencao,
existe apenas uma declaracao em desacordo com a vontade.
A simulacao e o intencional desacordo entre a vontade real e a
declarada, para enganar terceiro; a fraude a lei caracteriza-se por uma violacao
indireta da lei, para atingir um resultado proibido.
A simulacao e contrato fingido, havendo desavenca entre a vontade interna
e a declarada para enganar terceiro, sendo, portanto, ato nulo; o neg6cio
fiduciario e ato existente, embora os contratantes dele se sirvam para finalidade
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2013/TJDFT /Tecnico Judlciario, Configura sirnulacao relativa o
fato de as partes contratantes p6s-datarem um documento, objetivando situar
cronologicamente a realizacao do neg6cio em periodo de tempo nao verossfmil.
comentartoi
A sirnulacao pode ser absoluta - quando a declaracao enganosa da vontade
exprime um neg6cio juridico bilateral ou unilateral, nao havendo a intencao de
realizar neg6cio algum. Ou seja, o neg6cio e inteiramente simulado, quando as
partes, na verdade, nao desejam praticar nenhum ato. Nao existe neg6cio
encoberto porque realmente nada existe .
Ou pode ser relativa - onde as partes, ao contrario da simulacao absoluta,
pretendem realizar um neg6cio mas de forma diferente daquela que se
apresenta. Ha intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, da-
se quando uma pessoa sob a aparencia de um ato pretende praticar ato
diverso. E como exemplo podemos usar a afirrnacao acima.
Gabarito correto.
~ A simulacao relativa pode ser ainda: subjetiva - se a pa rte contratante nao
for o indivfduo que tirar proveito do neg6cio (e o exemplo dado acima); ou
objetiva - se concernente a natureza do neg6cio pretendido, ao objeto ou a um
dos elementos contratuais.
a "C".
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se quando uma pessoa sob a aparencia de um ato pretende praticar ato
diverso. Como exemplo, podemos dar o do Pai, "A", que vende sua casa a
determinada pessoa "B" para que esta a transmita a "C" ( descendente do
alienante), sendo que desde o inicio a lntencao era a transmissao do im6vel
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O ato OU neg6cio anulavel e imperfeito, mas seu vicio nao e tao grave para
que haja interesse publico em sua declaracao. Desse modo, a lei oferece
alternativa ao interessado, que pode conformar-se com o ato, tal como foi
praticado, sendo certo que sob essa situacao o ato tera vida plena.
O neg6cio juridico produz efeitos ate ser anulado. Os efeitos da anulacao
passam a correr a partir do decreto anulat6rio, nao retroage (tern efeitos ex
nunc). A anulacao dependera sempre de sentence e nao podera ser
pronunciada de oficio, neste sentido dispoe o artigo 177 do CC:
Art. 177. A anulabilidade nao tem efeito antes de julgada por sentence, nem se pronuncia
de offcio; s6 os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a
alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.
Quanta ao agente relativamente capaz, como ja estudado em aulas
anteriores, sua participacao no neg6cio juridico s6 sere perfeitamente idonea
quando agir devidamente autorizado pelo respectivo assistente ou com a
intervencao de curador. Em outra situacao, o ato podera ser revisto se o menor
nao agiu com malfcia, de acordo com o artigo 180 do CC:
Art. 180. O menor, entre dezesseis e dezoito anos, nao pode, para eximir-se de uma
obriga~ao, invocar a sua idade, se dolosamente a ocultou, quando inquirido pela outra
parte, ou se, no ato de se obrigar, declarou-se maior.
Art. 181. Ninguem pode reclamar o que, por uma obriga~ao anulada, pagou a um
incapaz, se nao provar que reverteu em proveito dele a importencie paga.
A anulabilidade tern em vista a pratica do neg6cio ou do ato em desrespeito
as normas que protegem certas pessoas. Na verdade, o neg6cio jurfdico realiza-
se com todos os elementos necesserios a sua validade mas as condicoes em que
foi realizado justificam a anulacao, quer por incapacidade relativa do agente, quer
pela existencia dos chamados vicios. A anulacao e concedida a pedido do
interessado.
),,, Anulabilidade dos Neg6cios Juridicos {nulidade relativa)
A anulabilidade (nulidade relativa) e sancao mais branda ao neg6cio
jurfdico. 0 atual c6digo assim dispoe em seu artigo 171:
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e anulavel o negocio
juridico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vfcio resultante de erro, dolo, coedio, estado de perigo, lesao ou fraude contra
credo res.
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econornice diversa, nao ha diverqencia entre a vontade real e a declarada, ha
uma transrnissao valida de um direito real ou de credito.
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19 Os institutos da Prescricao e da Decadencia serao abordados ainda nesta aula.
20 Ato inquinado e ato corrompido.
O inicio de cumprimento da obriqacao proveniente de ato anulavel induz
sua ratificacao. E quando se tratar de ratificacao expressa, sere necessario que
obedec;a a mesma forma do ato inquinado?", se este for realizado porescritura
publica, que era essencial a validade do ato, a ratificacao deve obedecer a essa
forma.
A ratificacao pode ocorrer de forma unilateral, e nao necessita, em regra,
da presence do outro contraente, isto e, daquele que e o responsavel pelo vicio.
A ratificaceo ou confirrnacao, na verdade, nao representa novo contrato, mas
A confirrnacao tacita e permitida quando o neg6cio ja foi cumprido em
parte e o devedor estava ciente do vlcio, isto conforme art.174 do CC:
Art. 174. E escusada a contirmeciio expressa, quando o neg6cio ja foi cumprido em parte
pelo devedor, ciente do vfcio que o inquinava.
Art. 173. O ato de contirmeceo deve conter a substsncie do neg6cio celebrado e a
vontade expressa de mente-Io.
Ratificar ou confirmar e dar validade a ato ou neqocio que poderia ser
desfeito por decisao judicial. Por meio da ratificacao, ha renuncia a faculdade de
anulacao. A confirrnacao podera ser expressa ou tacita. Sera expressa quando
houver declaraceo do interessado que estampe a substancia do ato, com intencao
manifesta de torna-lo isento de causa de anulacao. Isso segundo o artigo 173 do
CC:
Art. 172. O negocio enutevet pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de
terceiro.
~ conflrrnacao
Ao contrario do que ocorre com o neg6cio nulo, o neg6cio anulavel
pode ser ratificado, confirmado (palavra adotada pelo c6digo de 2002).
Os neg6cios jurfdicos anulaveis podem convalescer (ser sanados) por duas
razoes, tornando-se assim eficazes. Primeiramente, pelo decurso do tempo, pois
os atos anulaveis tern prazo de prescricao ou decadencia 19 mais ou menos
longos; decorrido o lapso prescricional ou decadencial, o ato ou neg6cio torna-se
perfeitamente velido. Ha ratificacao presumida do ato, o interessado que podia
irnpuqna-lo nao o faz. A segunda possibilidade de convalescimento do neg6cio
anulavel ea ratifica~ao (ou confirma~ao).
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e "sancao'' mais intensa.
Efeitos ex tune (vai retroagir)
e "sancao" mais branda
Efeitos ex nunc (nao retroage)
funda-se no interesse privado
pode ocorrer CONVERSAO
Alern de nao permitir
conflrmacao, nao pode a nulidade
ser suprida pelo juiz
DEVEM ser pronunciadas pelo
Juiz
8vamos a uma breve diferencia,;iio dos neqocios nulos e neg6cios
anulaveis: os neg6cios anulaveis tern prazo decadencial, enquanto que os
neg6cios nulos sao imprescritfveis, ou seja, nunca podem ser validados pelo
decurso de tempo; a anulabilidade se funda no interesse privado do prejudicado
ou no interesse de determinadas pessoas, enquanto a nulidade e de ordem
publica, decretada no interesse da coletividade. Os neg6cios anulaveis permitem
a ratificacao, o que nao ocorre com os neg6cios nulos, que nao s6 nao permitem,
como tarnbern nao podem ter a nulidade suprida pelo juiz. A nulidade e sanceo
mais intensa, porque visa punir transgressores de preceitos de ordem publica ou
Tern prazo decadencial
Neg6cio Anulavel
(nulidade relativa)
argufda por qualquer interessado,
OU pelo Ministerio Publico,
quando lhe couber intervir
Permite CONFIRMA~Ao, SALVO
DIREITO DE TERCEi RO
funda-se em prindpios de ordem
pub Ii ca
Neg6cio Nulo
(nulidade absoluta)
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apenas a velidacso do neg6cio passado. Nada impede que os dois contratantes
participem do ato. Por fim, qualquer que seja a modalidade de ratificacao, havera
a extincao de todas as acoes ou excecoes que contra ele pudesse opor o
interessado.
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7 fraude contra credores r
6 lesao r
5 estado de perigo c
4 ccacao c
3 dolo r
2 erro r
1 incapacidade relativa
Ou, nos seguintes casos:
Nos casos expressamente declarados em lei; >>
>>
O ato podera entao ser anulado (nulidade relativa):
Se a incapacidade for absoluta o ato sera NULO.
Se a incapacidade for relativa, o ato sere apenas ANULAVEL. >>
>>
lembre-se!
Quante ao art.171, inciso I, ja fomos bastante repetitivos, mas
Voltando especificamente ao assunto anulabilidade, vimos entao que e
sancao mais branda ao neg6cio jurfdico e que, elem disso, seus efeitos sao ex
nunc. Mas voltando ao art. 171, que elenca os cases de anulabilidade (nulidade
relativa), temos:
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e anulavel o neg6cio
jurfdico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vicio resultante de erro, do/o, coacao, estado de periqo, lesao ou fraude
contra credores.
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de interesse geral. A anulabilidade e mais branda, porque versa sobre interesses
privados.
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Nao, nem todo neqocio que apresenta erro sere anulado. Para que seja
caracterizado erro e para que, assim, possa se anular o neg6cio, este erro deve
ser 1escusave/, que poderia ser percebido por pessoa de diliqencia normal, no
entanto trata-se de um erro difkil ( ele pode ser percebido, mas a sua percepcao
nao e simples) para uma pessoa com uma inteligencia normal perceber (por isso
escusavel - perdoavel). O que isso quer dizer? Por exemplo, citamos um
erro inescusavel (injustificavel) referente a rnateria tecnica e profissional ( erro
do cotidiano de uma pessoa). Esta pessoa nao pode alegar erro, em beneffcio
W Importante: para se caracterizar o erro nao pode haver o dolo
(defeito que sere visto a seguir), ou seja, nao pode haver, da outra parte ou
terceiro, a intencao de provocar o erro da parte.
? rfr "Todo neg6cio que apresente erro sera anulado?"
Neste vfcio a pessoa tern uma nocao inexata sobre alguma coisa, objeto
ou pessoa, que vai influenciar a formacao de sua vontade (a pessoa acha que
sabe, mas na realidade tern uma nocao falsa sobre algo). 0 erro se aproxima
muito da iqnorancia, mas com esta nao se confunde (na ignorancia a
caracterfstica e o desconhecimento - a pessoa nao sabe).
Perque falamos em erro e tarnbern em iqncrancia? Simples. Erro e
iqnorancia, como explicamos, apresentam conceitos distintos, no entanto, em
ambos os casos os efeitos sao os mesmos e temos a possibilidade de
anulacao,
~ Erro:
Defeitos dos neg6cios juridicos
Varnes ver detalhadamente os defeitos apresentados no c6digo civil, art.
171, inciso II. Cada um deles tern palavras ou expressoes que sao
importantfssimas para sua caracterizacao. A identificacao de cada um dos
defeitos e muito importante para fins de prova em concursos, por isso preste
bastante atencao aos termos por n6s grifados.
?
IMP~Alffi:I
<Trnportante! Nulidade Absoluta X Nulidade Relativa.
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21 Sflvio de Salvo Venosa, Direito Civil I, Parte Geral, 11 ed. pag. 394.
22 Nelson Nery Junior, C6digo Civil Comentado, Revista dos Tribunais, sa ed., paq, 357.
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE/ ANAC/Tecnico Administrativo. Caso as declaracfies de vontade
emanem de erro substancial que poderia ter sido percebido por pessoa de
diliqencia normal, em face das circunstancias do neg6cio, o neg6cio jurfdico e
considerado anulavel.
comentarlo:
Art. 138. Sao enuleveis os neg6cios jurfdicos, quando as declerecoes de vontade
emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligencia
normal, em face das circunstsncies do neg6cio.
Gabarito correto.
Sob re este assunto Nelson Nery Junior22 apresenta a seguinte casufstica:
"Ato jurfdico. Aditamento a contrato. Erro. A declereceo da invalidade de ato
jurfdico e medida de cereter excepcional e s6 autorizada por inequfvoca eusencie
de seus elementos essenciais ou da existencie de vfcio de consentimento, como
erro substancia/ e escusevel. Nesse aspecto, sea circunstenciealegada como
justificativa do erro ja era conhecida e evetievet de forma a proporcionar ao
representante legal da sociedade, pessoa afeita a essa especie de atividade,
a perfeita forma<;ao da sua vontade e o entendimento dos efeitos da sua
declerecso, afasta-se a inequfvoca existencie do vfcio de consentimento erro
escusavel - e deseutorize-se a invalidade do ato (TJRJ, sa Cam. Civ., AC
2004.001.17122, rel. Des. Milton Fernandes de Souza, j. 24.8.2004)."
Pessoa afeita a atividade e aquela pessoa que esta acostumada a atividade.
Exige a lei, para anular o ato, que o erro seja, ternbern, 2substancia/ ou
essencia/. Encontramos isto no art. 138 do CC:
Art. 138. Sao enuleveis os neg6cios jurfdicos, quando as decterecoes de vontade
emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligencia
normal, em face das circunstencies do neg6cio.
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pr6prio, visando a anulabilidade do neg6cio juridico, porque nesta situacao nao
ha duvidas de que o erro precisaria ser escusavel (o que nao e). Deste modo, o
neg6cio em questao nao e passfvel de anulacao. Segundo Silvio de Salvo Venosa:
H ••• ha que se ver a posicso de um tecnico especializado e de um leigo no neg6cio
que se trata. '121 Em rnateria tecnice e profissional, se a pessoa toma a devida
cautela, nao pode alegar erro para anular o neg6cio jurfdico. Nao pode a pessoa
invocar erro, simplesmente para se beneficiar de tal situacao, se este erro podia
ser por ela perceptfvel.
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O artigo 139 nos fala quando o erro sera considerado substancial (ap6s
a transcricao de cada um dos seus tres incises, faremos alguns cornentarios):
E importante destacarmos que ha posicionamentos
informando que o erro nao precisa mais ser eseusevel,
exigindo-se apenas a cognoscibilidade. Isto e baseado no
chamado prindpio da confianc;a, veja o que diz a lornada I
STJ 12: "Na sistemetice do cc 138/ e irrelevante ser ou nao
escusevel o erro, porque o dispositivo adota o princfpio da
contierice". Tenha muito cuidado ao analisar uma guestao gue
trate do assunto. Lembre-se daquela velha hist6ria de marcar
a alternativa "mais correta".
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2012/ ANAC/Tecnico Administrativo. As condicoes para um erro
ser considerado substancial incluem o erro ser o unico e principal motive do
neg6cio jurfdico, sendo o erro de direito e nao implicando recusa a aplicacao da
lei.
comentartoi
Conforme vimos em aula o erro substancial e o que tern um papel decisive na
deterrninacao da vontade da pessoa, de modo que se conhecesse o verdadeiro
estado das coisas nao teria desejado concluir o neg6cio (sea situacao fosse
perceptfvel nao realizarfamos o ato ).
Gabarito correto.
O erro, para propiciar a anulacao do neg6cio, elem de ser escusavel, deve
ser substancial e real, isto e, verdadeiro, tangfvel, palpavel, causando
verdadeiro prejufzo a pessoa.
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O erro substancial e o que tern um papel decisive na deterrninacao da
vontade da pessoa, de modo que se conhecesse o verdadeiro estado das
coisas nao teria desejado concluir o neg6cio (sea situacao fosse perceptfvel
nao realizarfamos o ato). 0 Erro substancial ou essencial e o que de causa ao
neg6cio. A principal caracterfstica do erro substancial e a seguinte "eu queria
praticar um ato, no entanto, equivocadamente, realize outro". Vamos dar um
exemplo: eu lhe entrego meu carro por ernprestirno e voce recebe a titulo de
doacao. Observe que nao existe aqui um acordo de vontades (a natureza
dos neg6cios, qualidade essencial, e distinta) e, pelo erro ser substancial, voce
deve concordar conosco que o neg6cio e ineficaz. Como dissemos a natureza do
neg6cio foi comprometida e sendo voce pessoa de diliqencia normal, numa
situacao como esta, pode perceber que as circunstancias do neg6cio nao estao
corretas.
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III - sendo de direito e nao implicando recusa a aplicacao da lei, for o motivo unico 211.
principal do neg6cio juridico.
Nos dois exemplos acima ha caracterfsticas marcantes, quais sejam, a
escolha destas pessoas foi feita levando em consideracao alguma de suas
qualidades essenciais ou tendo em vista a sua pr6pria identidade, sendo que isto
era razeo determinante para o neg6cio.
Art. 1.903. O erro na designacao da pessoa do herdeiro, do legatario, ou da coisa legada
anula a otsposlcao, salvo se, pelo contexto do testamento, por outros documentos, ou por
fatos inequfvocos, se puder identificar a pessoa ou coisa a que o testador queria referir-se.
(IDENTIDADE DA PESSOA)
~ Conforme final do inciso veja que a influ€ncia precisa ser determinante
(relevante) para ser causa de anulabilidade. Veja exemplos encontrado no CC:
Art. 1.556. 0 casamento pode ser anulado por vlcio da vontade, se houve por parte de um
dos nubentes, ao consentir, erro essencial guanto a pessoa do outro. (QUALIDADE DA
PESSOA)
II - concerne a identidade ou a qua/idade essencial da pessoa a quern se refira a
dectereceo de vontade, desde que tenha influfdo nesta de modo relevante
As primeiras inforrnacoes que temos quanto ao erro substancial e que ele
podera interessar: a 1natureza do neg6cio (exemplo dado acima, no qual n6s
fazfamos um ernprestirno que era recebido por doacao, acreditevarnos estar
praticando um ato, mas estavamos praticando outro); ao 2objeto (compro
pregos como se fossem parafusos); a 3qualidade essencial do objeto (compro
couro achando ser de crocodile quando na realidade se trata de couro sintetico).
Quante a qualidade essencial do objeto cabe fazermos uma observacao:
Nao devemos confundir a qualidade essencial do objeto, conforme exposto no
exemplo acima, com vfcios ocultos do objeto (vicio redibit6rio, aquele "defeito"
que nao e aparente). No caso de vfcio redibit6rio o produto e correto, no entanto
apresenta algum defeito que nao e percebido num primeiro memento.
Art. 139. 0 erro e substancia/ quando:
I - interessa a 1natureza do neaocio, ao 2obieto principal da declereciio, ou a alguma
das 3gualidades a ele essenciais;
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Passe mos agora ao estudo do chamado erro acidental:
O erro acidental, ao contrario do erro substancial, nao e suficiente para
anular o neg6cio, pois, diferentemente do erro substancial, este e de menor
importancia, recaindo sobre motives ou qualidades secundarias, acess6rias, do
objeto ou da pessoa, nao alterando a validade do neg6cio. Nao ha prejufzo. Esta
regulado pelo artigo 142 do CC:
Art. 142. O erro de indica~ao da pessoa ou da coisa, a que se referir a declara~ao
de vontade, nao viciara o neaocio auando, por seu contexto e pelas circunstencies,
se puder identificar a coisa ou a pessoa cogitada.
O false motive e quando se pratica determinado neqocio baseado em um
motive que na realidade revela-se false. Exemplo, "eu faco doacao a determinada
pessoa pensando que esta salvou a minha vida (motive), quando na realidade
esta pessoa nae o fez" Mas, conforme art. 140, a manifestacao nao pode ter sido
tacita, para se anular o ato e precise que a razao determinante - motive - esteja
expresso. Neste exemplo, no instrumento da doacao.
No art. 140 temos o erro quanta ao fim colimado, que seria um falso
motivo, nao vicia o neg6cio juridico a nao ser guando nele figurar
expressamente, integrando-o como sua razjio essencial ou determinante, caso
em que o torna anulavel. Assim esta no artigo 140 do CC:
Art. 140. O fa/so motivo s6 vicia a decla a~ao de vontade quando expresso como razao
determinante.
No caso do incise II o erro nao pode recair sobre norma cogente, nao pode
implicar recusa a aplicacao da lei. Somente podera versar sobre normasdispositivas, que sao aquelas sujeitas ao livre alvedrio ( = livre arbftrio) das
partes.
Exemplo: celebracso de um contrato de aluguel baseado em norma jurfdica
ja revogada, julgando que esta ainda esta em vigor.
"Mas coma fica neste caso o art. 3 da LINDB que diz que
ninguem pode afirmar desconhecimento da lei?"
O erro de direito para anular o neg6cio precisa ter sido o unico ou principal
motive ao determinar a vontade.
?
rfT
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Ate o incise II estavarnos falando do erro que recafa sobre circunstancias de
fato (erro de fato), agora, no art. III chegamos a figura do erro de direito -
error juris - que se trata de iqnorancia ou false conhecimento de norma
juridica ou de suas consequenclas,
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23 Washington de Barros Monteiro, Direito Civil 1, Parte geral, 43 ed., paq, 252.
O artigo acima especifica o requisite de que o dolo deve ser a causa da
realizacao do neg6cio jurfdico. E o dolo principal (do/us causam dans), dolo de
base da vontade ou essencial. 0 dolo neste caso e a (mica rezao do neg6cio
jurfdico, se ele nao existisse o ato nao teria acontecido. A ac;ao dolosa
(maliciosa) foi a razeo de convencimento do autor perante a outra parte para que
o neg6cio se concretizasse).
Art. 145. Sao os neg6cios jurfdicos enulevei« por dolo, quando este for sua causa.
Enquanto no erro tfnhamos puramente o equfvoco da pessoa (e na iqnorancia
o desconhecimento), o dolo caracteriza-se pelo emprego de um artificio ou
expediente astucioso, usado para induzir alquern a pratica de um ato
erroneo que o prejudica ~ aproveita ao autor do dolo ou a terceiro.
Nosso CC nao define dolo, mas, segundo Barros Monteiro23: "dolo e erro
intencionalmente provocado na vitima pelo autor do dolo, ou por terceiro".
No dolo ha a presenca do erro, mas este e provocado pela outra parte, existe
malfcia alheia, a pessoa nao se enqana sozinha. Cabe, tarnbern, nao
confundirmos os conceitos de dolo para o direito civil e para o direito penal.
Sinteticamente podemos dizer que o dolo criminal (penal) esta relacionado a
pratica de ato contrario a lei, ja o dolo civil refere-se ao conceito visto acima.
Para o direito civil o estudo do dolo deve estar voltado prioritariamente a
duas especies, quais sejam: o 1dolo principal ou essencial (art. 145) e o 2dolo
acidental (art. 146).
~ Dolo:
conflrrnacao so e possfvel nos neg6cios 2nulaveis
nao e permitida a confirrnacao nos neg6cios nulos
\ I
'~ - Lembre-se que a
(nulidade relativa),
(nulidade absoluta).
A possibilidade de conflrrnacao do neg6cio jurfdico anulavel por erro esta
no art. 144. (Convalescimento do erro):
Art. 144. O erro niio prejudica a validade do negocio juridico quando a pessoa, a
quern a menitesteceo de vontade se dirige, se oferecer para execute-le na conformidade
da vontade real do manifestante.
Art. 143. O erro de celculo apenas autoriza a retificac;ao da dectereciio de vontade.
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No art. 143 temos uma situacao especial, e o chamado erro de calculo,
neste erro nao se cogita a anulacao do neg6cio, existe a possibilidade apenas da
retificacao da manifestacao de vontade:
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24 Costa Machado, C6digo Civil Interpretado, 5 ed., pag. 163.
A seguir vamos ver as excecoes a regra de ser o dolo emanado do outro
contratante, ou seja, veremos os casos elencados no CC, em que o dolo advem
de terceiras pessoas (pessoas que nao sac, por exemplo, nem o contratante
nem o contratado).
~O primeiro caso esta no artigo 148:
Art. 148. Pode tembern ser anulado o neg6cio jurfdico por dolo de terceiro, sea parte a
quern aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrerio, ainda que
O dolo positivo ou comissivo revela-se atraves de expedientes
enganat6rios, verbais ou de outra natureza que podem importar em serie de atos
e perfazer uma conduta.
O dolo negativo ou omissivo consiste na reticencia maliciosa, na ausencia
de ac;ao para plantar falsa ideia a pessoa. Este ultimo tipo de dolo deve ser
cabalmente provado, e sao seus requisites: intencao de levar o outro contratante
a se desviar de sua real vontade, de induzi-lo a erro; silencio sobre circunstancia
desconhecida pela outra parte; relacao de essencialidade entre a omissao dolosa
intencional e a declaracao de vontade; ser a ornissao do pr6prio contraente e nao
de terceiro.
No artigo 147 do CC a figura do do/o positivo (comissivo) e do do/o
negativo (omissivo, omiesiio do/osa, reticencie}:
Art. 147. Nos neg6cios jurldicos bilaterais, o silencio intencional de uma das partes a
respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissso dolosa,
provando-se que sem ela o neg6cio nao se teria celebrado.
... 'Q'', - - , ...
Tanto no dolo essencial como no dolo acidental ha o prop6sito de enganar.
Mas no dolo acidental (do/us incidens), o dolo nao e a razao principal para a
realizacao do neg6cio, o neg6cio apenas surge ou e conclufdo de forma mais
onerosa para a vitima, no entanto, o ato seria praticado independentemente
do empreqo de artiffcio astucioso. "Tai moda/idade de do/o autoriza o
prejudicado tao somente a deduzir em juizo sua pretensso de satisfa<;ao de
perdas e denoe'?",
Art. 146. O dolo acidental so obriga a satisfa~ao das perdas e danos, e e acidental
quando, a seu despeito, o neg6cio seria realizado, embora por outro modo .
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>- coacao:
E a pressao fisica ( coacao absoluta) QY. moral ( coacao relativa) exercida
sobre a pessoa, os bens e a honra de um contraente para obriqa-lo ou induzi-lo
a efetivar um neg6cio juridico. Somente a coacao moral e, na verdade, vfcio
de consentimento. A coacao incide sobre a liberdade da pessoa (liberdade do
coacto - como e chamado o que sofre a pressao), por isso, e considerado entre
os vicios encontrados o mais grave e profundo.
O dolo de ambas as partes acarreta neutralizacao do defeito porque ha
cornpensacao entre os dois ilfcitos (do/us inter utramque partem compensatur).
Como a parte "A" agiu tarnbern com dolo, esta nao pode alegar o dolo da parte
"B".
Temos ainda uma situacao bastante particular, apresentada pelo art. 150,
que diz respeito aos casos em que ambas as partes agem com dolo:
Art. 150. Se ambas as partes agirem com dolo, nenhuma podera alega-lo para anular
o neg6cio, !l1:!. reclamar indenizeceo.
O Dolo do representante: se for do 1representante legal (imposto por lei)
de uma das partes o sujeita a responsabilidade civil ate a irnportancia do proveito
que este tirou do neg6cio, ha ac;ao regressiva contra o representante pela quantia
que se tiver desembolsado, para ressarcir o dano causado; se o dolo for de
2representante convencional, o representado (mandante) responders
solidariamente com o representante (rnandatario) por perdas e danos.
~O segundo caso esta no artigo 149. Neste caso, embora seja um terceiro que
pratica a ac;ao, este a pratica como se fosse a pr6pria pessoa, uma vez que e o
representante:
Art. 149. 0 1dolo do representante legal de uma das partes s6 obriga o representado
a responder civilmente ate a importencie do proveito que teve; se, porem, o 2dolo for
do representante convencional, o representado responders solidariamente com ele
por perdas e danos.
O Dolo de terceiro para acarretar a nulidade do neqocro requer o
conhecimento QY. o dever de conhecer de uma das partes (aquela que se
beneficia). Se nao for conhecido pelo beneficiado, dare lugar a indenizacao, que
podera ser demandada por parte da vftima contra o terceiro, que praticou o dolo,
que provocou o engano intencional.
subsista o neg6cio Jurfdico, o terceiro responders por todas as perdas e danos daparte
a quern /udibriou.
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25 RT 235/247 em Nelson Nery Junior, C6digo Civil Comentado, 8 ed., pag. 363.
Temos nos artigos 154 e 155 o proveito de terceiros na coas;ao:
No primeiro caso (art. 154 ), existe o vicio do neg6cio quando ha o
conhecimento do terceiro beneficiado, ou entao, elementos que indiquem que
este deveria saber da coacao. Nesta situacao o beneficiado respondera
solidariamente com o autor da coacac por perdas e danos.
O artigo traz duas situacoes nae consideradas coacao:
Por arneaca do 1exercicio normal de um direito, ou seja, fazer uso das
prerrogativas conferidas por lei. Podemos citar como exemplo, a arneaca de
protestar titulo em caso de nao pagamento; a arneaca de desapropriacao-", a
cobranca judicial de divide e a restricao ao credito.
Por 2temor reverencial entende-se, por exemplo, o receio de desgostar ao
pai, a mae ou a outras pessoas, a quern se deve obediencia e respeito. A ideia
principal e o desejo de nao desagradar, de nao prejudicar a efeicao e o
respeito. Reverenc al e o temor de ocasionar desprazer a pessoas ligadas por
vfnculo afetivo, ou por relacao de hierarquia. E claro que nestes casos podera ser
configurada a coacao se houver arneaca ou violencia irresistfvel.
Art. 153. Nao se considera coacao a emeece do 1exercicio normal de um diceito.
nem o 2simples temor reverencial.
@ ... Importante: No artigo 153 temos os casos excludentes da coacao:
Entao, para caracterizar a coacao esta deve ser a causa determinante do
neg6cio; deve incutir a vftima um temor justificado; o temor deve dizer respeito
a um dano atual ou [minente: o dano deve ser consideravel {grave).
O C6digo Civil nos arts. 151 e 152 expoe o assunto da seguinte forma:
Art. 151. A coa~ao, para viciar a declara~ao da vontade, ha de ser ta/ que incuta ao
paciente fundado temor de dano iminente e considerevet a sua pessoa, a sua
famflia, ou aos seus bens.
Pereqreto tinico: Se disser respeito a pessoa nao pertencente a familia do paciente,
o Juiz, com base nas circunstsncies, decidire se houve coecso.
Art. 152. No apreciar a coeceo, ter-se-iio em conta o sexo, a idade, a condiciio, a setide,
o temperamento do paciente e todas as demais circunstencies que possam influir na
gravidade de/a.
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Deste dispositivo conclui-se que o estado de perigo possui os seguintes
reguisitos: uma situacao de necessidade; a irninencia de dano atual e grave (a
pessoa esta em perigo); nexo de causalidade entre a rnanifestacao e o perigo de
grave dano; ameac;a de dano a pessoa do pr6prio declarante ou de sua famflia;
conhecimento do perigo pela outra parte; a assuncao de obriqacao
excessivamente onerosa (a obrigac;ao onerosa pode ser, por exemplo, a alienacao
de bens a preco inferior ao de mercado, tendo em vista o estado de necessidade,
o estado de perigo ).
~ Estado de perigo:
E quando alquern agindo por necessidade para evitar grave dano assume
obriqacao excessivamente onerosa. A pessoa age para salvar-se ou para
salvar alquem de sua famflia, em outra circunstancia nao celebraria tal
neg6cio. Alern disso, a situacao e de conhecimento da outra parte. Esta
explicacao quanta ao estado de perigo e do art. 156:
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando elquem, premido da necessidade
de salvar-se, ou a pessoa de sua famflia, de grave dano conhecido pela outra parte,
assume obriga~iio excessivamente onerosa. Paragrafo unico: Tratando-se de
pessoa nao pertencente a famflia do declarante, o juiz decidire segundo as
circunstsncies.
Resumindo coacao: A coacao deve ser causa determinante do ato; deve
ser baseada em fundado temor e este deve ser grave (nao pode ser simples
temor reverencial); o dano deve ser iminente, atual e inevitavel (se o dano for
evitavel nao se caracteriza a coacao). As palavras que devem ser lembradas para
a coaceo sao: ameaca, temor (consideravel), dano iminente e consideravel.
Art. 155. Subsistira o negocio juridico, sea coac;ao decorrer de terceiro, sem que !!.
parte a que aproveite de/a tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da
coac;ao respondere por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto.
Ja no segundo caso (art. 155) temos a figura do beneficiado inocente,
que e aquele que nao tinha o conhecimento do ato e tambem nao dispunha de
nenhum elemento que pudesse leva-lo a percepcao de tal ato. Neste caso o
neg6cio juridico e mantido e somente o autor da coacao respondera por perdas
e danos em relacao ao coacto (que e aquele que sofre a coacao).
Art. 154. Vicia o negocio juridico a coeceo exercida por terceiro, se de/a tivesse ou
devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e este responders
solidariamente com aquele por perdas e danos.
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O reguisito objetivo configura-se pelo lucro exagerado, pela
desproporcao das prestacoes que fornece um dos contratantes.
O requisito subjetivo, caracteriza-se pela inexperiencia ou estado de
premente necessidade. Tais situacoes psico16gicas sao medidas no momenta do
contrato. Nao ha necessidade de o agente induzir a vftima a pratica do ato, nem
e necessaria a intencao de prejudicar. Bastando que o agente se aproveite
desta situacao de inferioridade em que e colocada a vftima, auferindo assim,
lucro desproporcional e anormal.
Verificando-se esses dois pressupostos ( objetivo e subjetivo ), o neg6cio e
anulavel.
i:f:r Tenha o cuidado de diferenciar estado de perigo e lesao, no primeiro o
risco e pessoal (situacao de perigo), ja na lesao o risco e patrimonial (necessidade
econornica).
, Atens,ao: de acordo com o CC/2002 para que ocorra a lesao existe a
necessidade de obtencao de vantagem exagerada ou desproporcional, sem a
indagac;ao da rne-fe ou ilicitude do comportamento da parte beneficiada, que e
chamada de dolo de aproveitamento. Apesar de haver diverqencia doutrinaria a
este respeito, seguimos o entendimento do Enunciado 150 da Ill Jornada de
Direito Civil: "A lesiio de que trata o art. 157 do C6digo Civil nao exige dolo de
aproveitamento".
Desta forma, para que a lesao se configure sere indiferente o conhecimento
do estado da vftima pelo autor da lesao.
~ t.esao:
E o neg6cio defeituoso em que uma das partes, abusando da
-Inexperlencla ou da 2premente necessidade da outra, obtern vantagem
manifestadamente desproporcional ao proveito resultante da prestacao, ou
exageradamente exorbitante dentro da normalidade. A necessidade na lesao
diferentemente do que ocorre no estado de perigo e economica, e financeira.
Vejamos como tal situacao esta no c6digo civil:
Art. 157. Ocorre a lesao quando uma pessoa, sob premente necessidade, 9.!!. por
inexperiencia, se obriga a presteciio manifestadamente desproporcional ao valor da
presteceo oposta.
§10. Aprecia-se a desproporceo das prestecbes segundo os valores vigentes ao tempo
em que foi celebrado o neg6cio Jurfdico.
§20. Nao se decretere a enuleceo do neg6cio, se for oferecido suplemento suficiente, ou
se a parte favorecida concordar com a reduciio do proveito.
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Ac;ao pauliana (tarnbem denominada revocat6ria) e uma ac;ao que tern por
finalidade tornar ineficaz o ato ou neg6cio viciado por fraude contra credores,
anula-se o neg6cio, proporcionando que o bem negociado retorne a massa
patrimonial do devedor, beneficiando em sintese, todos os credores.
Pressupostos da a~ao pauliana: ser o credito do autor anterior ao ato
fraudulento; que o ato que se pretende revogar tenha causado prejuizo;que
haja a lntencao de fraudar, presumida pela consciencia do estado de
insolvencia; pode ser intentada contra o devedor insolvente, contra a pessoa que
com ele celebrou a estipulacao fraudulenta, ou terceiros adquirentes que estejam
de rna-fe: a prova da insolvencia do devedor. Perdem os credores a leqitirnaceo
ativa para move-la se acorrer a hip6tese do artigo 160 do CC:
Sao requisitos da fraude contra credores:
Subjetivos - a rna-fe tarnbern do adquirente, trata-se do conluio
fraudulento. Deve haver intencao de prejudicar para ilidir os efeitos da
cobranca. 0 consilium fraudis (elemento sub;etivoJ. elemento subjetivo
dispensa a intencao predpua de prejudicar, bastando, para a existencia da
fraude, o conhecimento da insolvencia pelo outro contratante (este age de ma
fe). De certa forma tarnbern se protege o adquirente que agiu de boa-fe, que nao
tinha conhecimento da insolvencia ou de sua possibilidade.
Objetivos - e ato prejudicial ao credor, por tornar o devedor insolvente ou
por ter sido realizado em insolvencia. E a pr6pria insolvencla. 0 eventus
damni (elemento ob;etivo), prejuizo decorrente de insolvencie, existe sempre
que o ato for a causa do dano, tendo determinado a insolvencia. Necessita estar
presente para ocorrer a fraude tratada, sem o prejulzo nao existe legftimo
interesse para a propositura da ac;ao pauliana.
Alern dos elementos vistas acima e necessaria a anterioridade do credito,
o que esta expressamente previsto no artigo 158, §20: "56 os credores que ja o
eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anula<;ao de/es".
? !fr "O que ea a9iio pauliana, citada acima?"
~ Fraude contra credores
E a pratica maliciosa, por parte do devedor, de atos que desfalcam o seu
patrimonio, com o escopo de coloca-lo a salvo de uma execucao por
dividas em detrimento dos direitos credit6rios alheios (justamente por isto e
vicio social, nao pode ser visto como vicio de consentimento porque a
manifestacao de vontade coincide com o intirno querer). Isto e consequencia do
entendimento de que o patrimonio do devedor e visto como garantia para os
credores. Devemos destacar que a fraude contra credores e especie, trata-se de
uma das situacoes relacionadas a fraude em geral (genera).
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26 Maria Helena Diniz, Curso de Direito Civil 1, 28 ed., pag. 534.
Comecemos nosso estudo pela prescricao (arts 189 a 206).
Antes de comec;armos a falar sobre o assunto, permita-nos fazer uma
pergunta a voce: Sera que o exercfcio de um direito pode ficar pendente
indefinidamente no tempo? Obviamente que nao. Isto nao pode acontecer. 0
direito deve ser exercido dentro de um determinado prazo. Caso isto nao ocorra,
pode o titular deste direito perde-Io, ou seja, pode o titular perder a prerrogativa
de fazer valer seu direito. 0 tempo exerce influencia abrangente no direito, em
todos os campos, no direito publico e no direito privado.
O direito, por exemplo, exige que o devedor cumpra sua obriqacao e,
tarnbern, permite ao credor va er-se dos meios necessaries para receber seu
credito. Se o credor, porern, rnentern-se inerte por determinado tempo, deixando
estabelecer situacao jurfdica contraria a seu direito, este sere extinto.
Num primeiro momento, pode parecer injusto que uma pessoa perca seu
direito pelo decorrer do tempo, mas se nao fosse o tempo determinado para o
exercrcro dos direitos, toda pessoa teria que, por exemplo, guardar
indefinidamente todos os documentos relativos a neg6cios realizados e ate
mesmo os documentos relativos as qeracoes passadas. Existe, pois, interesse de
ordem publica na extincao dos direitos o que justifica os institutos da prescricao
e da decadencia. Deste modo em uma analise mais detalhada a prescricao e a
decadencia se mostram indispensaveis a estabilidade e a consolidacao de todos
direitos.
Prescricao e Decadencia
Segundo Maria Helena Diniz26:" 0 principal efeito da a~ao pauliana e
revogar o ato lesivo aos interesses dos credores, repondo o bem no petrimbnio
do devedor, cancelando a garantia real concedida em proveito do acervo sobre
o que se tenha de efetuar o concurso de credores, possibilitando a etetiveceo do
rateio, aproveitando a todos os credores e nao apenas ao que intentou".
Para encerrar o assunto dos defeitos dos neg6cios jurfdicos lembre que os
vfcios de consentimento prejudicam a exteriorizacao do neg6cio jurfdico, atuando
sobre o consentimento; ja os vfcios sociais se mostram quando ha uma
diverqencia entre a vontade exteriorizada e a ordem legal
Pereqreto unico: Se inferior, o adquirente, para conservar os bens, podere depositar o
preco que /hes corresponda ao valor real.
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Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda nao tiver pago o preco
e este for, aproximadamente, o corrente, desobrigar-se-a depositando-o em juizo,
com a cita~ao de todos os interessados.
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Como requisitos da prescrifao ou seus elementos integrantes, temos:
Portanto a prescricao e a perda da ac;ao atribufda a um direito e, tarnbern.
de toda a sua capacidade defensiva, em consequencia do nao uso, decorrido
determinado perfodo de tempo. Os elementos comuns a prescricao extintiva e
aquisitiva sao 10 tempo e 2a inercia do titular.
A prescricao extintiva - esta sere o foco principal do nosso estudo -
conduz a perda do direito de pretensao a ac;ao por seu titular negligente, ao
fim de certo lapso de tempo.
A prescricao aguisitiva (usucapiao) - consiste na aquisicao do direito real
pelo decurso de tempo, um modo de se adquirir a propriedade pela posse
prolongada. Tai direito e conferido em favor daquele que possuir, com animo de
dono, o exerdcio de fato das faculdades inerentes ao domfnio ou a outro direito
real, no tocante a coisas m6veis e im6veis, pelo perfodo de tempo que e fixado
pelo legislador.
Os casos de prescricao estao taxativamente elencados nos arts. 205 e 206
(veremos eles logo a frente), mas primeiramente vamos falar um pouco sobre
este instituto. A prescricao pode ser extintiva ou aquisitiva:
Sob re o assunto prescricao:
Jornada I STJ 14: "1. 0 inicio do prazo prescricional ocorre com o
surqimento da pretensao, que decorre da exigibi/idade do direito subjetivo; 2.
O art. 189 diz respeito a casos em que a pretensiio nasce imediatamente ap6s a
viola<;ao do direito absoluto ou nas obriqecoes de nao fazer".
STF 150: "Prescreve a execucso no mesmo prazo de prescricso da a<;ao".
A partir do momenta que um direito e violado, o titular deste direito pode
agir juridicamente para garanti-lo, isto e o que chamamos pretensao (a
pretensao a ac;ao). E da leitura do art. 189 se desprende que a prescric;ao e
justamente o que extingue esta pretensao, e o decurso do tempo habil, que
dispunha a pessoa, para utilizar-se da pretensao a ac;ao. Prescricao e instituto de
ordem publics.
~ Prescric;ao
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensiio, a qua/ se extingue, pela
prescridio, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.
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27 Washington de Barros Monteiro, Direito Civil 1, Parte geral, 43 ed., paq, 363. Maria Helena
Diniz, Curso de Direito Civil 1, 28 ed., pag. 447.
28 Direitos potestativos sao aqueles para os quais nao se contrapce um dever de quern quer que
seja, sao direitos sem pretensao, porque nao podem ser violados, trata-se apenas de uma
sujeicao de alquern. Como exemplo, temos o direito do condornino de exigir a divisao da coisa
com um.
29 Por exemplo, o testamento feito por menor, com idade inferior a 16 anos e nulo, nao
importando o tempo decorrido entre a realizacao do ato e sua apresentacao em juizo.Continuando no assunto prescricao, vejamos os artigos 190 a 196, muitas
vezes objeto de questoes literais:
A regra de toda pretensao sofrer prescricao, entretanto, nao e absoluta, uma
vez que existem direitos que por sua natureza, sao incompatfveis com o institute
da prescricao. Desse modo, nao se acham sujeitos a limites de tempo e nao se
extinguem pela prescri!;aO, podemos citar os seguintes 27: os direitos de
personalidade; o estado da pessoa; as acces referentes ao estado de famflia; os
bens publicos (CC art 102); os direitos facultativos ou potestativos28; a excecao
de nulidade29.
A regra geral e de que toda pretensao e prescritivel, sendo a
imprescritibilidade a excecao. Esta ea ideia contida no artigo 205 do CC:
Art. 205. A prescriciio ocorre em dez anos quando a lei nao /he haja fixado prazo menor.
~ A inercia do titular da acao pelo seu nao exercicio, ou seja, o titular do
direito nada faz para proteger seu direito. A inercia e, pois, o nao exercfcio da
ac;ao, logo ap6s a violacao do direito. E esta cessa com a propositura da ac;ao, ou
com qualquer ato que e lei admita e que demostre que a pessoa ira defender
direito seu.
~ A continuidade dessa lnercia durante certo lapso de tempo e o fator
principal da prescricao. A inercia exigida para configurar a prescricao e aquela
continuada, nao a rnornentanea.
~ A ausencia de fato ou ato impeditivo, suspensivo ou interruptivo do
curso da prescricao. Existem casos que impedem, suspendem ou interrompem
a prescriceo, os quais, veremos ainda nesta aula.
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~ A existencla de acao exercltavel e o objeto da prescricao. Tendo em vista
a violacao de um direito, a ac;ao tern por fim eliminar os efeitos dessa violacao.
A ac;ao prescrevera se o interessado nao prornove-la. Logo que surge o direito de
ac;ao, ja corneca a correr o prazo da prescricao.
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O artigo 196 cuida da sucessao do prazo prescricional. O herdeiro do
falecido dispora apenas do prazo faltante para exercer a ac;ao, quando este prazo
se iniciou com o autor da heranca:
Art. 196. A prescridio iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu
sucessor.
Art. 195. Os relativamente incapazes e as pessoas jurfdicas tem a9ao contra os seus
assistentes ou representantes legais, que derem causa a prescricso, ou nao a alegarem
oportunamente.
Art. 192. Os prazos de prescricso nao podem ser a/terados por acordo das partes.
Art. 193. A prescricso pode ser a/egada em qualquer grau de jurisdi9ao, pe/a parte a
quern aproveita.
Renuncia a prescncao e, entao, a desistencia, por parte do titular, de
invoca-la. Nao pode ser antecipada, ou seja, nao se pode renuncia-Ia antes
de consumada. E ato pessoal do agente, afeta a pen as o renunciante ou seus
herdeiros. Nao pode haver, tarnbern, prejufzo a terceiro.
Gabarito errado.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
f~] CESPE 2014/TCE-PB/Procurador. A renuncia da prescricao, por
configurar modo unilateral de despojamento de direitos somente pode ocorrer
de form a expressa.
comentartoi
Art. 191. A renuncia da prescri~ao pode ser expressa ou tacita, e s6 velere, sendo
feita, sem prejufzo de terceiro, depois que a prescriceo se consumar; tecite e a reruincie
quando se presume de fatos do interessado, incompatfveis com a prescricso.
Art. 191. A renuncia da prescricao pode ser expressa ou tacita, e s6 velers, sendo
feita, sem prejufzo de terceiro, depois que a prescriciio se consumar; tectte e a
renuncie quando se presume de fatos do interessado, incompatf veis com a prescricso.
Os prazos aplicados as pretensoes sao os mesmos aplicados as defesas e
excecoes correspondentes.
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Art. 190. A exceciio prescreve no mesmo prazo em que a pretensiio.
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mais
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2013/TJDFT /Tecnico Judlciario, Ainda que um filho nao
esteja sob o petrio poder de seu pai, nao corre prescricao entre ambos.
comentarlo:
Art. 197. Nao corre a prescriciio:
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar;
Gabarito errado.
III - entre tutelados ou curate/ados e seus tutores ou curadores, durante a tutela
ou curate/a.
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar;
I - entre os conjuges, na constencie da sociedade conjugal;
Art. 197. Nao corre a prescri~ao:
2~. Se ja iniciado o prazo prescricional
sera caso de SUSPENSAO
l~. Seo prazo nao se iniciou teremos
o IMPEDIMENTO [l
Observe que o c6digo nao diferenciou as causas de impedimento das de
suspensao. Isto nao foi feito por um simples motivo, as causas serao as mesmas.
O que diterenciara o impedimento e a suspensao sera o fato deter ou nao
iniciado o prazo prescricional. Caso este nao tenha iniciado teremos o
impedimento (nao deixa o prazo iniciar), se ja estiver correndo teremos a
suspensao.
)) Das causas que impedem ou suspendem a prescricao
~
Como dica de rnernorizeceo recomendamos que voce faca um caminho
irnaqinario, visualize primeiramente o impedimento, depois a suspensao e por
ultimo a interrupcao.
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Veremos a seguir o 1impedimento, a 2suspensao e a 3interrupcao da
prescricao. Normalmente as questoes relacionadas a estes assuntos sao muito
pr6ximas ao texto da lei, tenha apenas o cuidado para nao confundir uma
situacao com a outra.
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II - nao estando vencido o prazo;
I - pendendo condicso suspensiva;
Art. 199. Nao corre igualmente a prescri~ao:
Quante aos incises II e III, voce deve ter atencao aos termos que grifamos.
nao corre a prescricao contra os menores. Isto @se afirmassernos que
estaria correto?
Nao. Isto estaria errado, porque o incise I faz referenda somente aqueles
que forem absolutamente incapazes (lembre-se deles).
Veja como esse ass unto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2013/TJDFT / Analista Judiciarto - Oficial de Justic;a Avaliador.
Nao correra prescricao contra os que estiverem a service das Forces Armadas,
mesmo em tempo de paz.
comentartoi
Art. 198. Tembem nao corre a prescricso:
I - contra os incapazes de que trata o art 3o;
II - contra os ausentes do Pafs em service publico da Uniiio, dos Estados ou dos
Municfpios;
III - contra os que se acharem servindo nas Forces Armadas, em tempo de guerra.
Gabarito errado.
III - contra os que se acharem servindo nas Porce« Armadas, em tempo de
querra.
II - contra os ausentes do Pais em seryico p,jblico da Uniiio, dos Estados ou dos
Municfpios;
I - contra os incapazes de que trata o art. 3Q; (absolutamente incapazes}
Art. 198. Tembem nao corre a prescri~ao:
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A seguinte afirmativa ja foi feita em provas "As causas impeditivas da
prescridio sao as circunstencies que impedem que seu curso inicie, por
estarem fundadas no status da pessoa individual ou familiar, atendendo
rezbes de contience, parentesco, amizade e motivos de ordem moral".
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30 Eviccao e a perda da coisa (propriedade, posse ou uso) em decorrencia de decisao judicial ou
administrativa, que a atribui a terceiro.
31 CC Art. 258. "A obriga<;ao e indivisfvel quando a presta<;ao tem por objeto uma coisa ou um
fato nao suscetf veis de divisiio, por sua natureza, por motivo de ordem economics, ou dad a a
razao determinante do neg6cio juridico". Ou seja, obrigacao indivisivel e aguela gue nao
pode ser fracionada.
e a suspensao da prescricao fazem cessar,
curso. Uma vez superada a causa de suspensao, a
curso normal, computando o tempo anteriormente
O impedimento
temporariamente, seu
prescricaoretoma seu
decorrido.
O art. 201 ja foi objeto de cobranca em prova, se estivermos diante de uma
obriqacao com mais de um credor e este forem solidarios, quando houver
suspensao da prescricao contra um dos credores, somente havera a
suspensao tarnbern para os credores solldarios se a obrigacao for
indivisivel31. 0 macete para voce nao esquecer este artigo esta no fato que se
a obrigac;ao puder ser fracionada, nao ha motivos para a prescricao atingir todas
as partes da obriqacao, os efeitos da prescricao nao atingem o que pode ser
destacado.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
f~] CESPE 2014/TCE-PB/Procurador. Segundo dispoe o atual C6digo Civil,
caso a ac;ao, na esfera dvel, tenha origem em fato que demande epuracao no
jufzo criminal, nao correra a prescricao antes da respectiva sentenc;a definitiva.
comentartoi
Art. 200. Quando a aqao se originar de fato que deva ser apurado no Jufzo criminal, nao
correre a prescri~ao antes da respectiva sentence definitiva.
Gabarito correto.
Art. 200. Quando a aqao se originar de fato que deva ser apurado no Jufzo criminal, nao
correre a prescricso antes da respectiva sentence definitiva.
Art. 201. Suspensa a prescriceo em favor de um dos credores soliderios, so aproveitam
os outros se a obriga~ao for indivisivel.
Os dois primeiros incisos tratam de causas de impedimenta, pois enquanto
nao ha o direito nao ha de se falar em prescricao. Je o inciso III e causa de
suspensao.
III - pendendo aqao de evtccso":
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Nos casos de impedimenta, rnantern-se o prazo prescricional fntegro, pelo
tempo de duracao do impedimenta, para que seu curso somente tenha inicio com
o terrnino da causa impeditiva. Nos casos de suspensao, nos quais a causa e
superveniente, uma vez desaparecida esta, o prazo prescricional retoma seu
curso normal, computando-se o tempo verificado antes da suspensao.
Na lnterrupcao da prescricao (que veremos a seguir) a situacao e
diversa, verificada alguma das causas interruptivas, perde-se por completo o
tempo decorrido. O lapso prescricional iniciar-se-a novamente (passa a
contar o prazo desde o infcio, recorneca). 0 tempo precedente decorrido fica
totalmente inutilizado. Verificamos, portanto, a interrupcao da prescricao quando
ocorre fato habil para destruir o efeito do tempo ja transcorrido, anulando-se,
assim, a prescricao ja iniciada. Os casos de interrupciio estao no artigo 202 do
CC:
f~] CESPE 2013/TJDFT / Analista Judlclarlo - Oficial de Justic;a Avaliador.
Interrompe-se a prescricao por despacho do juiz que, mesmo incompetente,
ordenar a citacao, caso o interessado a promova no prazo e na forma da lei
processual.
comentartoi
Art. 202. A interrupciio da prescriciio, que somente podere ocorrer uma vez, der-se-e:
I- por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a cita<;ao, se o interessado
a promover no prazo e na forma da lei processual;
Gabarito correto.
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2013/TJDFT / Analista Judlclarlo - Oficial de Justic;a Avaliador.
Considere que Carlos e Rubens sejam credores solidarios de uma obriqacao
indivisfvel e que, por ordem judicial, tenha sido suspensa a prescricao em favor
de Carlos. Nessa situacao, Rubens tarnbern aproveita a suspensao.
comentarto:
O impedimenta e a suspensao da prescricao fazem cessar, temporariamente,
seu curso. No entanto quando houver suspensao da prescricao contra um dos
credores solidarios, somente havera a suspensao ternbern para os demais
credores se a obriqacao for indivisivel.
Art. 201. Suspensa a prescriceo em favor de um dos credores sotiderios, s6 aproveitam
os outros se a obriga<;ao for indivisfvel.
Gabarito correto.
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Art. 202. A interrupciio da prescriciio, que somente podere ocorrer uma vez, der-se-
a:
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a cita<;ao, se o interessado
a promover no prazo e na forma da lei processual;
A cita<;ao e ato processual (estudado na meterie de Direito Processual Civil) que "avisa"
a outra parte que tem um processo contra ele. Assim, o despacho do Juiz que ordenar
a cita<;ao interrompere a prescriceo sempre que a a<;ao tenha sido proposta dentro do
prazo estipulado e de acordo com a forma da lei processual.
II - por protesto, nas condicoes do inciso antecedente;
O protesto judicial ocorre quando uma pessoa pretende dar publicidade a uma situa<;ao
tetice ou jurfdica, ou seja, quando uma pessoa quer que toda a sociedade saiba de
alguma situa<;ao. E um procedimento cautelar especffico, previsto no NCPC, no artigo
726 destinado a prevenir responsabilidades, prover a conservecso e ressalva de
direitos. O juiz nao julga nem homologa o protesto judicial. A fun<;ao judicante esgota-
se com a ordem de intima<;ao do requerido. Como, por exemplo, um credor, etreves
do protesto judicial, avisa a toda a sociedade que determinada pessoa e sua devedora
e que em eventual negocia<;ao com ela correre riscos.
III - por protesto cambial;
Ja o protesto cambial e aquele que e feito no cart6rio extrajudicial de protestos e
tftulos - ou seja, e procedimento extrajudicial. A princf pio, somente era epllcevel a
tftulos de credito. Esta regulado pela Lei n. 9.492/9, que acabou por emptier sua
abrangencia para outros documentos de divide.
IV - pela epresenteciio do tftulo de credito em jufzo de inventerio ou em concurso de
credo res;
VI- por qua/quer ato inequivoco, ainda que extra;udicial. que importe
reconhecimento do direito pelo devedor.
V- por qualquer ato ;udicial que constitua em mora o devedor;
IV- pela apresenta~ao do titulo de credito em jufzo de inventerio ou em concurso
de credores;
III- por protesto cambial;
II- por protesto, nas condicoes do inciso antecedente;
I- por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a cita<;ao, se o
interessado a promover no prazo e na forma da lei processual;
Art. 202. A interrup~ao da prescricso, que somente podera ocorrer uma vez. der-
se-a:
)) Das Causas que Interrompem a Prescricao
Observe que a interrupcao da prescricao sempre sere provocada:
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O titular do direito e o maior interessado em interromper a prescncao,
geralmente e ele quern a promove. 0 representante legal tarnbern pode promover
a interrupcao, assim como o assistente dos menores relativamente capazes
( contra os absolutamente incapazes nao corre a prescricao ).
Geralmente, os efeitos da prescricao sao pessoais, de maneira que a
Interrupcao da prescrlcao feita por um credor nao aproveita aos outros,
assim como aquela promovida contra um devedor nao prejudica aos demais. lsto
esta no artigo 204 de CC:
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2013/TJDFT / Analista Judiciario - Oficial de lustic;a Avaliador.
Em regra, o ato judicial que constitua em mora o devedor interrompe a
prescricao.
comentartor
Art. 202. A interrupciio da prescriciio, que somente podere ocorrer uma vez, der-se-e:
V- por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
Gabarito correto.
Art. 203. A prescriceo pode ser interrompida por qua/quer interessado.
*Estes incisos envolvem muitos conhecimentos de Direito Processual Civil, por isso
fica ainda mais confuso.
O tftulo de credito e um documento que atesta uma dfvida do devedor para com o
credor, assim, quando um credor apresenta um tftulo de credito em um processo de
inventerio ou nos autos de uma telencie (quando se tratar de pessoa jurfdica), ou de
insolvencie civil ( quando se tratar de pessoa natural), esta demonstrando um
comportamento ativo com a intenc;ao de interrompera prescricso que corre contra
ele.
V por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
Neste inciso inclui-se toda a menitestedio ativa do credor (pessoa que cobra a divide),
como notiticecoes, interpelecoes, que sao medidas processuais.
VI - por qualquer ato inequfvoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento
do direito pelo devedor.
Este e o unico caso que nao teremos uma menitestedio do credor, mas sim do
devedor, quando este fizer qualquer ato que demonstre o reconhecimento de sua
dfvida, como o pagamento de juros, pedido de parcelamento, pagamento parcial,
pedido de prorrogac;ao de prazos.
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32 Solidariedade passiva e a dos devedores, aqueles que devem pagar alguma coisa. Credores
sao os que estao cobrando a dfvida de alquern, os que querem receber determinada coisa ou
valor.
33 Maria Helena Diniz, Curso de Direito Civil 1, 28 ed., pag. 450.
>- Decadencia (arts. 207 a 211)
A decadencia ea extincao do direito, tendo em vista a inercia do seu titular.
Veja que o objeto da decadencia e o pr6prio direito. Enquanto a prescricao atinge
diretamente a ac;ao e por via oblique faz desaparecer o direito por ela tutelado,
a decadencia, ao contrario, atinge diretamente o direito material e por via
oblfqua acaba por atingir a ac;ao. Segundo Maria Helena Diniz33: "A decedencie
Observe que os tres paraqrafos apresentam situacoes especrars,
diferentes da apresentada no caput, mas estao relacionadas a solidariedade.
Se a prescricao for interrompida em favor de um dos credores solidarios a
todos aproveita. 0 mesmo ocorre na solidariedade passiva32. (art. 204, §1).
Ainda, de acordo com o artigo 204, §20, se um dos herdeiros do devedor
solidario sofre a interrupcao, os outros herdeiros, ou devedores, nao sao
prejudicados; o prazo para estes ultirnos, continuara a correr, a nao ser que se
trate de obrigac;oes e direitos indivisiveis. Neste ultimo caso, todos os
herdeiros, ou devedores solidarios sofrem os efeitos da interrupcao da prescricao,
passando a correr contra eles o novo prazo prescricional.
Por fim, no caso do paraqrafo 30, em se tratando de fianc;a, que e obriqacao
acess6ria, se a interrupcao for promovida apenas contra o afianc;ado, que e o
devedor principal, o prazo, no entanto, restabelece-se tarnbern contra o fiador,
conforme o prindpio de que o acess6rio segue sempre o destino do principal.
Entretanto, a interrupcao operada contra o fiador nao prejudica o devedor
principal, ja que a redproca nao e verdadeira, isto e, 0 principal nao e afetado
pelo destino do acess6rio.
§ JQ. A interrupciio produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.
§ 2fl. A interrupceo operada contra um dos herdeiros do devedor soliderio nao
preiudica os outros herdeiros ou devedores, senao quando se trate de obriqeciies e
direitos indivisfveis.
§ 1a A interrupcso por um dos credores solidarios aproveita aos outros; assim como a
interrupciio efetuada contra o devedor solidario envolve os demais e seus herdeiros.
Art. 204. A inierrupciio da prescri~ao por um credor nao aproveita aos outros;
semelhantemente, a interrupcso operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, nao
prejudica aos demais coobrigados.
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34 Direitos potestativos sao aqueles para os quais nao se contrapoe um dever de quern quer que
seja, sao direitos sem pretensao, porque nao podem ser violados, trata-se apenas de uma
sujeicao de alquern.
Art. 211. Se a decedencie for convencional, a parte a quern aproveita pode alega-la
em qualquer grau de jurisdif;ao, mas o juiz nao pode suprir a alegaf;ao.
Art. 210. Deve o juiz, de offcio, conhecer da decadencia, quando estabelecida por
lei.
Conforme art. 208 aplica-se tarnbern a decadencia o que se aplicava a
prescricao (art. 195 e 198, I), trata-se da primeira excecao legal ao art. 207.
Art. 195. Os relativamente incapazes e as pessoas Jurfdicas tem a~ao contra os seus
assistentes ou representantes legais, que derem causa a prescriciio, ou nao a
alegarem oportunamente
Art. 198. Tembem nao corre a prescriciio:
I - contra os incapazes de que trata o art. Ja.; (absolutamente incapazes)
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2013/TJDFT /Tecnico Judlclarlo. As mesmas causas que
impedem, suspendem ou interrompem a decadencia aplicarn-se a prescricao.
comentartoi
Art. 207. Salvo disposi~ao legal em contrerio, nao se aplicam a decedencie as
normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescricso.
l.ernbre-se das diferencas entre estes dois institutos que vimos em aula, e se as
causas que interrompem, suspendem e impedem a prescricao nao se aplicam a
decadencia, a recfproca tarnbern sere verdadeira. Salvo disposicao legal em
contrario como no caso dos artigos 195 e 198, I.
Tenha atencao com estas afirrnacoes gerais.
Gabarito errado.
Art. 208. Aplica sea decedencie o disposto nos arts. 195 e 198, inciso I.
Art. 209. E nu/a a retuincie a decedencie fixada em lei.
Art. 207. Salvo disposicso legal em contrerio, nao se aplicam a decedencie as normas
que impedem, suspendem ou interrompem a prescridio.
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de-se quando um direito potestativo34 nao e exercido extrajudicia/mente ou
judicialmente dentro do prazo"
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A seguir, vamos fazer uma pequena distincao entre os institutes da
prescricao e da decadencia para melhor cornpreensao do tema.
A decadencia extingue diretamente o direito, e com ele a ac;;ao que o
protege, enquanto que a prescrlcac atinge a pretensao a ac;ao e com isso
atinge o direito que ela protege.
A decadencla corneca a correr, como prazo extintivo, desde que o direito
nasce, enquanto que a prescrlcao nao tern seu infcio com o nascimento do
direito, mas a partir de sua vlolacao, porque e neste memento que nasce o
direito a ac;;ao contra a qual se volta a prescricao.
Ambos os institutes sao prazos extintivos. A diferenc;;a e o memento em que
corneca a correr este p azo. 0 prazo decadencial comecara a ser contado a
partir do momento de nascimento do direito, tendo em vista que a decadencia
acarreta a perda de um direito subjetivo. Ja o prazo prescricional cornecara a
correr a partir do momento em que ocorrer a vlolacao deste direito
subjetivo, que estava sendo plenamente exercido. Com esta violacao, nasce o
direito de pretensao a ac;;ao para sua defesa.
Outra diferenc;;a reside na natureza de cada institute, pois a decadencia
supoe um direito que embora nascido, nao se tornou efetivo pela falta de
exercicio; enquanto a prescrlcao supoe um direito nascido e efetivo, mas que
pereceu pela falta de protecao por meio da ac;;ao, contra a violacao sofrida.
~ Podemos, ainda, diferenciar prescricao e decadE!ncia da seguinte
forma:
Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2014/TCE-PB/Procurador. A decadencia, legal ou convencional,
deve ser conhecida, de offcio, pelo juiz.
comentarto:
Art. 210. Deve o juiz, de oficio, conhecer da decadencia, auando estabelecida
por lei.
Art. 211. Se a decedencie for convencional, a parte a quern aproveita pode alega-/a em
qualquer grau de jurisdidio, MAS o juiz NAO pode suprir a alegac;ao.
Gabarito errado.
Os art. 210 e 211 trazem as duas figuras da decadencia, qua is sejam: a
1estabelecida por lei e a 2convencional (oriunda, por exemplo, de um neg6cio
jurfdico).
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35 Mudan~a dada pela lei no 11.280, de 16 de fevereiro de 2006, que revogou o artigo 194 do CC,
em busca de maior celeridade processual. Assim,o Juiz pronunciara de oficio, tarnbern, a
prescrlcao.
&(®)
V Ouanto aos prazos:
Art. 198. Tembem nao corre a prescriciio:
I - contra os incapazes de que trata o art. Jo;
II - contra os ausentes do Pafs em servi<;o publico da Uniao, dos Estados ou dos
Municfpios;
III - contra os que se acharem servindo nas Forces Armadas, em tempo de guerra.
IV- A decadencia pressupoe a<;ao cuja origem e identica a do direito, sendo, por
este motive, sirnultaneo o nascimento de ambos. A prescricao pressupoe a<;ao
cuja origem e distinta da do direito, tendo nascimento posterior ao direito,
quando da sua violacao.
V- tanto a decadencia (se estabelecida por lei} quanto a prescrlcao->
serao reconhecidas de oficio pelo juiz, independente da argui<;ao do
interessado.
VI- a decadencie, quando legal, nao admite renuncia. A prescrlcao admite
renuncia por parte dos interessados, depois de consumada.
VII- a decadencia, a excecao dos absolutamente incapazes (CC art. 208},
opera contra todos (nao ha impedimentos}, ja a prescrlcao, conforme visto
anteriormente, nao opera para determinadas pessoas elencadas pela lei. De
acordo com o artigo 197 e 198:
Art. 197. Nao corre a prescricso:
I - entre os conjuqes, na constsncie da sociedade conjugal;
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar;
III - entre tutelados ou curate/ados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou
curate/a.
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I- A decadencia tern por efeito extinguir o direito, enquanto a prescricao extingue
a pretensao a a<;ao.
II- Salvo disposicao legal em contrario, nao se aplicam a decadencia as normas
que impedem, suspendem ou interrompem a prescricao. A prescricao pode ser
impedida, suspensa ou interrompida conforme expresso no c6digo civil.
III- 0 prazo de decadencia pode ser estabelecido pela lei ou pela vontade
unilateral ou bilateral (convencional). 0 prazo da prescricao e fixado por lei para
o exerdcio da a<;ao que o protege.
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III - a pretensiio para haver juros, dividendos ou quaisquer prestecoes acess6rias,
pagaveis, em perfodos nao maiores de um ano, com capitaliza~ao ou sem eta;
II - a pretensiio para receber prestedies vencidas de rendas temporeries ou vitalfcias;
I - a pretensiio relativa a alugueis de predios urbanos ou nisticos;
§ Jo. Em tres anos:
§ 20. Em dois anos, a pretensiio para haver prestecoes alimentares, a partir da data
em que se vencerem.
V - a pretensiio dos credores nao pagos contra os s6cios ou acionistas e os liquidantes,
contado o prazo da publiceciio da ata de encerramento da tiquideciio da sociedade.
IV - a pretensiio contra os peritos, pela avalia~ao dos bens que entraram para a
forma~ao do capital de sociedade enonime, contado da publiceciio da ata da
assembleia que aprovar o laudo;
III - a pretensiio dos tebetiiies, auxiliares da justice, serventuerios judiciais, erbttros e
peritos, pela percepciio de emolumentos, custas e honorerios;
b) quanto aos demais seguros, da ciencie do fato gerador da oretensiio;
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que e
citado para responder a a~ao de indeniza~ao proposta pelo terceiro prejudicado, ou da
data que a este indeniza, com a enuencie do segurador;
II - a pretensiio do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o
prazo:
I - a pretensiio dos hospedeiros ou fornecedores de vfveres destinados a consumo no
pr6prio estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos;
§ 10. Em um ano:
Art. 206. Prescreve:
A regra geral sera o prazo de 10 anos, mas ha prazos especiais que
vao de um ano a cinco a nos e isto esta estabelecido do § 1 o ao § 50, do art. 206:
Art. 205. A prescriciio ocorre em dez anos, quando a lei nao the haia fixado prazo
menor.
CC, vamos a eles:
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Os prazos da prescricao sao os discriminados nos artigos 205 e 206 do
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Como dica, para a hora da prova, temos a seguinte situacao: se
estivermos diante de algum desses cases elencados nos arts. 205 e 206 teremos
prazo prescricional, case contrario sere case de decadencia, A decadencia pode
ocorrer em perfodos diferentes que o de ano, pode correr, por exemplo, em dias
ou meses.
III - a pretensiio do vencedor para haver do vencido o que despendeu em Jufzo.
II - a pretensiio dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores
e professores pelos seus bonorerios, contado o prazo da conclusiio dos services, da
cesseciio dos respectivos contratos ou mandato;
I - a pretensiio de cobrence de dfvidas !fquidas constantes de instrumento pubiico ou
particular;
§ so. Em cinco anos:
§ 40. Em quatro anos. a pretensiio relativa a tutela, a contar da data da eprovedio
das contas.
IX - a pretensiio do beneticierio contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no
caso de seguro de responsabilidade civil obrigat6rio.
VIII - a pretensiio para haver o pagamento de tftulo de credito, a contar do
vencimento, ressalvadas as disposicoes de lei especial;
c) para os liquidantes, da primeira assembleia semestral pos erior a violeciio;
b) para os administradores, ou fiscais, da epresenteceo, aos s6cios, do belenco
referente ao exercfcio em que a violecso tenha sido praticada, ou da reuniiio ou
assembleia geral que de/a deva tomar conhecimento;
a) para os fundadores, da pub/icaqao dos atos constitutivos da sociedade enonime;
VII - a pretensiio contra as pessoas em seguida indicadas por vio!aqao da lei ou do
estatuto, contado o prazo:
VI - a pretensiio de restituidio dos /ucros ou dividendos recebidos de me-ie, correndo
o prazo da data em que foi deliberada a distribuiceo;
V - a pretensiio de repereciio civil;
IV - a pretensiio de ressarcimento de enriquecimento sem causa;
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Veja como esse assunto foi cobrado em prov a:
f~] CESPE 2013/TJDFT / Analista Judiciario, Considere que Roberto, com o
objetivo de fraudar seus credores, tenha alienado seus bens a Flavia. Nessa
situaceo, o prazo decadencial para que esse neg6cio seja anulado sera contado
do dia em que os credores tiverem ciencia da alienacao dos bens.
comentarlo:
Art. 178. E de quatro anos o prazo de decedencie para pleitear-se a anula<;ao do neg6cio
juridico, contado:
Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato e enulevel, sem estabelecer prazo
para pleitear-se a anula<;ao, sere este de dais anos, a contar da data da concluseo do
ato
Art. 178. Ede quatro anos o prazo de decedencie para pleitear-se a anula<;ao do neg6cio
jurfdico, contado:
I - no caso de coeceo, do dia em que ela cessar;
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou tesso, do dia em que
se realizou o neg6cio Jurfdico;
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.
Art. 68. Quando a elteredio nao houver sido aprovada por voteciio unsnime, os
administradores da funda<;ao, ao submeterem o estatuto ao 6rgao do Ministerio Publico,
reauereriio que se de ciencie a minoria vencida para impuqne-te, se quiser, em dez dias.
Art. 119. E enulevel o neg6cio conclufdo pelo representante em conflito de interesses
com o representado, se ta/ fato era ou devia ser do conhecimento de quern com aquele
tratou. Pereqreto unico. Ede cento e oitenta dias, a contar da conciusiio do neg6cio
ou da cessecso da incapacidade, o prazo de decedencie para pleitear-se a anula<;ao
prevista neste artigo.
Art. 45. Comece a existencie legal das pessoas jurfdicas de direito privado com a
inscriciio do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necesserio, de
eutorizecso ou aprova<;ao do Poder Executivo, averbando-seno registro todas as
etterecoes por que passar o ato constitutivo. Paragrafo unico. Decai em tres anos o
direito de anular a constituiciio das pessoas jurfdicas de direito privado, por defeito do
ato respectivo, contado o prazo da publica<;ao de sua inscriciio no registro.
Art. 26. Decorrido um ano da errecedeceo dos bens do ausente, ou, se ele deixou
representante ou procurador, em se passando tres anos, poderiio os interessados
requerer que se declare a eusencie e se abra provisoriamente a sucessiio.
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Sao inumeros os prazos decadencies presentes no c6digo civil, citamos
abaixo alguns exemplos de prazos decadenciais mais cobrados em provas:
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efjj? Se cair alga deste assunta em "sua prove" @, devera ser alga literal
do c6digo civil.
Cabera o direito civil regular os meios de prova, dar o seu valor jurfdico e
as situacoes em que serao aceitas. Ao direito processual civil cabera indicar a
A teoria geral da prova e rnateria que cabe ao direito processual civil,
entretanto o c6digo civil no Livro - Dos Fates Jurfdicos, dedicou um capftulo ao
assunto intitulado Da prova (arts. 207 a 211), versando sobre a prova de fatos,
atos e neg6cios jurfdicos.
Da Prova (arts. 212 a 232)
Sa VO d spos sao ei:a em contrar o, nao se ap cam
a decadenc a as normas que impedem, suspendem
ou interrompem a prescricso,
abrange direitos patrimoniais e nao patrimoniais.
e lrrenunciavel, quando f xada em e .
E nula a rernincia a decadenc a fixada em lei.)
tern origem n lei (LEGAL) ou no negocio uridico
(CONVENCIONAL)
perde-se o propr o DIREITO m te a , o chamado
d re to po estat vo
Decadencla
e passive! de impedimenta suspe sao e interrup~ao.
abrange, via de regra, direitos patrimoniais;
e renunc ave espressa ou tacitamente, MAS so
valera, sendo feita, sempre uizo a terceiro, depo s
que a prescr ~3o se consumar
tern origem na LEI
perde-se a PRETENSAO a asao, por via reflexa nao se
consegue exercer o direito material
Prescricao
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesiio, do dia em
que se realizou o neg6cio Jurfdico;
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.
Gabarito errado.
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I - no caso de coeciio, do dia em que ela cessar;
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Alern das regras gerais, temos tarnbern, certos princfpios basicos, como:
~ 0 onus de provar recai sobre quern alega o fato, ou seja, quern alega a
existencia de um fato deve prova-lo - ei incumbit probatio qui dicit non qui negat
(a prova incumbe a quern afirma e nao a quern nega).
,
IMfOi.TAJITI'
- Importante: Sao inadmissfveis no processo as provas obtidas por
meios ilfcitos.
~ Sera concludente aquela que so tiver legitimidade para provar os fatos que
estao em questao. e a prova que esclarece os fatos.
~ Sera pertinente aquela prova que esta relacionada com a situacao em
questao, aquela que pode ser aplicada por sere adequada aos fatos.
~ Sera admissivel aquela prova que nao for proibida em lei, ou seja, que
estiver de acordo com todo o ordenamento jurfdico e que for aplicavel ao caso
que se quer provar.
Assim, a prova ea maneira utilizada para se comprovar a existencia de um
ato ou neg6cio jurfdico. Pois de nada adiantaria ter um direito se nao
consegufssemos prove-Io. 0 que na realidade se busca comprovar com a prova e
o fato que gerou o direito e nao a existencia do direito em si
Para tanto e necessario que se obedec;a a certas regras de cunho geral,
deste modo, a prova deve ser: admissfvel, pertinente e concludente.
Segundo Silvio de Salvo Venosa: "Prove e o meio de que o interessado se
vale para demostrar /egalmente a existencia de um negocio juridico".
Ainda sobre este assunto nos ensina Caio Mario da Silva Pereira: "Um
direito e util na medida em que se possa fazer a prova da sua existencie, e,
na impossibilidade desta, e como se nao existisse".
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para a producao da prova, e tambern para sua apresentacao em melhor tecnica:
juizo.
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36 NCPC = Novo C6digo de Processo Civil
O art. 212 do CC ao listar os meios de prova o faz de maneira
exemplificativa:
Art. 212. Salvo o neaocio a aue se impoe forma especial, o fato Jurfdico pode ser
provado mediante:
I - contissiio:
II - documento;
III - testemunha;
IV - presuncso;
Este e o conteudo do art. 369 do NCPC36:
Art. 369. As partes tern o direito de empregar todos os meios legais, bem como os
moralmente legftimos, ainda que nao especificados neste C6digo, para provar a
verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na
convtcciio do juiz.
Deste modo, podemos concluir que uma vez exigida forma especial para
a validade de um neg6cio jurfdico, nenhuma outra modalidade de prova sera
admitida.
Contudo, nao havendo exlqencia quanto a forma do ato, ou seja, sendo
ato que pode ser feito de maneira liv e, qualquer meio de prova podera ser
utilizado, e claro, desde que obedeca as regras e aos principios gerais das
provas.
~ A Forma
Quante a forma da prova temos o art. 107:
Art. 107. A validade da declara~ao de vontade nao dependera de forma especial,
senao quando a lei expressamente a exigir.
~ Como dito acima, o que se busca provar e o acontecimento ou a existencia
de um fato, pois o direito nao precisa ser provado para sua aplicacao, uma vez
que e atribuicao do juiz conhecer a direito que sere aplicado a cada fato provado.
~ E nao basta alegar a existencia de determinados fatos, e precise prova-los.
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~ Os fatos not6rios e incontroversos nao necessitam ser provados, uma
vez aqueles sao do conhecimento de todas as pessoas comuns, e sobre estes nao
restam duvidas,
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37 Washington de Barros Monteiro, Direito Civil l, Parte geral, 43 ed., p. 323.
2. Presumida ( = ficta ou tacita) - nos casos de revelia, quando a pessoa nao
aparece aos atos processuais mesmo tendo sido citada, e por deducao de um
fato.
~Conforme a sua forma, a confissao pode ser:
1. Expressa - e a pessoa mesmo quern faz a declaracao, intencionalmente, por
escrito ou em palavras.
2. extrajudicial - quando feita fora do processo, fora do jufzo.
Conforme o lugar, a confissao pode ser:
1. judicial - quando feita perante uma autoridade em jufzo, podendo ser
espontanea (feita por depoimento) - quando a pr6pria pessoa faz por sua
vontade e consciencia, ou provocada (feita mediante peticao);
O conceito jurfdico de confissao esta no art. 389 do NCPC:
Art. 389. Ha confissao, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de
fato contrerio ao seu interesse e tevorevel ao do edverserio.
~ conflssao,
Confissao e quando a parte reconhece o fato, como diz Barros Monteiro37,
"nunca a certeza e tao grande como quando pode o juiz proc/amar: temos um
reu que confessa."
A partir deste memento vamos estudar cada um dos meios de prova
elencados no c6digo civil, com os quais pode se analisar a existencia, a validade
e a eficacia dos fatos juridicos.
~ l.ernbre-se que alguns atos exigem forma especial, coma par exemplo:
a alienaceo de bens que pertencem a menores sob tutela; o testamento; o
casamento.
V - perfcia.
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~
~Deste modo os documentos podem ser publicos ou privados.
>- Documentos.
Segundo Caio Mario da Silva Pereira: "A mets nobre das provas e a
documental. Por via do escrito perpetuam-se o ato, enunciendo-sea dedereceo
de vontade de modo a nao depender sua reconstttuiceo da fa/ibilidade de fatores
pre ca rios ".
Assim, temos expressamente neste artigo dois casos em que uma confissao
pode ser anulada, qua is sejam: quando decorreu de um dos vicios, erro de fato
ou coacao. Embora nae mencionado no artigo ha entendimentos que a anulacao
da confissao e Valida tarnbern quando existe: lesao OU estado de perigo.
Por ultimo, o art. 214 diz que:
Art. 214. A contissiio e irrevoqevel, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato
21:l. de coa~ao.
Conforme paraqrafo unico do art. 213, observe que a confissao ate pode
ser feita por representante, mas somente sere valida se este representante for
voluntario g que lhe tenha sido atribuido este poder (poderes especiais e
expressos), ou seja, o mandante (representado) precisa ter atribuido tal poder
expressamente para o rnandatario (representante).
O representante legal de incapaz esta proibido, em regra, de confessar,
tendo em vista que nao pode fazer neg6cio em conflito de interesses com seu
representado.
Art. 213 Nao tem eticecie a contissiio se provem de quern nao e capaz de dispor do
direito a que se referem os fatos confessados.
Pereqreto unico. Se feita a contissso por um representante, somente e eficaz nos limites
em que este pode vincular o representado.
Para que se configure uma confissao e necessarlo que se tenha agente
capaz, com plena titularidade sobre os direitos controvertidos, este e o teor do
art. 213:
A confissao nao permite arrependimento, e ato irrevoqavel e irretretavel.
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Dando continuidade a analise dos artigos chegamos ao art. 215, que
primeiramente nos falara da escritura publica, depois inforrnara os requisites que
uma escritura publics deve conter:
Art. 215. A escritura publica, lavrada em notas de tebeliiio, e documento dotado de fe
publics, fazendo prova plena.
§ 1 o, Salvo quando exigidos par lei outros requisitos, a escritura publica deve
canter:
I - data e local de sua realiza<;ao;
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam
comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas;
III - nome, nacionalidade, estado civil, protissiio, domicflio e residencie das partes e
demais comparecentes, com a indicedio, quando necesserio, do regime de bens do
casamento, nome do outro conjuge e filia<;ao;
IV - menitesteciio clara da vontade das partes e dos intervenientes;
V - referencia ao cumprimento das exigencias legais e fiscais inerentes a legitimidade do
ato;
VI - declara<;ao de ter sido Iida na presence das partes e demais comparecentes, ou de
que todos a leram;
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tebettso ou seu
substituto legal, encerrando o ato.
§ 20. Se a/gum comparecente nao puder ou nao souber escrever, outra pessoa
capaz essinere por ele, a seu rogo.
Pegue como exemplo uma carta, ela e um documento, nao tern como
objetivo (finalidade) criar neg6cio jurfdico ou prova, embora em determinadas
situacoes ate possa vir a constituir um elemento de prova.
:o· : .,, ' Cuidado! Existe uma peguena diferenca entre documentos e
instrumentos. Os instrumentos sao feitos com a finalidade especial de
promoverem a existencia do neg6cio jurfdico ou lhes serem provas, ja os
documentos nao possuem esta finalidade espedfica.
? rtr "O que isto quer dizer?"
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Sao documentos publlcos os que foram fabricados por autoridades
publicas, no exerdcio de suas funcoes,
Sao documentos privados aqueles que foram elaborados por pessoas
interessadas. Por particulares.
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38 Certidao e uma reproducao do que se encontra transcrito em determinado livro ou documento.
39 Translado e uma c6pia do que se encontra lanc;ado em um livro ou em autos.
Continuando com os artigos, temos agora o art. 220:
Mesmo que neste documento particular nao conste testemunhas, ele sera
valido entre as partes por forc;a do art. 219:
Art. 219. As declerecoes constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras
em rela<;ao aos slqneterios.
Quanto ao instrumento particular temos o art. 221:
Art. 221. 0 instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quern
esteja na livre disposidio e edministreciio de seus bens, prova as obriaecoes
convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessiio, nao se
operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro publico.
Art. 216. Farao a mesma prova que os originais as certidbes'" textuais de qualquer
pece judicial, do protocolo das eudiencies, ou de outro qualquer livro a cargo do escriviio,
sendo extrafdas por ele, ou sob a sua vigilancia, e por ele subscritas, assim como os
traslados de autos, quando por outro escriviio consertados.
Art. 217. Terao a mesma for~a probante os traslados39 e as certidiies, extrafdos por
tebetiso ou oficial de registro, de instrumentos ou documentos lencedos em suas notas.
Art. 218. Os traslados e as certidbes considerar-se-ao instrumentos publicos, se os
originais se houverem produzido em jufzo como prova de a/gum ato.
Em principio, um instrumento deve ser sempre exibido em sua forma
original. Porern, o art. 216 nos traz os instrumentos que farao a mesma prova
que os originais.
A inobservancia de qualquer um destes requisitos resultara na nulidade
da escritura publics.
§ 40. Se qua/quer dos comparecentes nao souber a lingua nacional e o tabeliao
niio entender o idioma em que se expressa, devere comparecer tradutor publico para
servir de interprete, ou, nao o havendo na localidade, outra pessoa capaz que, a juizo
do tebeliiio, tenha idoneidade e conhecimento bastantes.
§ so. Se a/gum dos comparecentes nao for conhecido do tebeliiio, nem puder identificar-
se por documento, deveriio participar do ato pelo menos duas testemunhas que o
conhecem e atestem sua identidade.
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§ 30. A escritura sere redigida na If ngua nacional.
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Em determinados casos, para que se exerca um direito, e exigido por lei,
que se apresente o documento original ou o tftulo de credito (exemplos: uma
duplicada, um cheque). Nestes casos, qualquer prova que seja produzida nao
sere suficiente, se nao for apresentado o documento correspondente. Esta
exiqencia de certo modo visa a seguranc;a jurfdica da relacao.
Assim, mesmo que o tabeliao tenha conferido a autenticidade de
determinado documento, se este for posto em duvida, deve-se trazer ao processo
o documento original.
Art. 223. Pereqreto unico. A prova nao supre a ausencia do titulo de credito, ou do
original, nos casos em que a lei ou as circunstsncies condicionarem o exercfcio do
direito a sua exibicso.
Art. 223. A copia fotografica de documento, conferida por tebeliiio de notas, veiere
como prova de declereciio da vontade, mas, impugnada sua autenticidade, devere ser
exibido o original.
Atencao: mesmo nao constando no artigo 222, entende-se
que se incluem neste dispositivo e tarnbern tern forc;a
probante no campo juddico o fax e mensagens enviadas
atraves de correio eletronico (e-mail).
~ FIOUE \iJ} ATENTO!
O telegrama, assim como as cartas, bilhetes memorandos, livros e
folhetos, artigos de jornais, e etc., tarnbern podem ser oferecidos como provas
documentais particulares, nas acoes privadas. Servem para revelar opinioes e
pontos de vista particulares.
Art. 222. 0 telegrama, quando /he for contestada a autenticidade, faz prova mediante
conferencia com o original assinado.
A validade de determinados atos e condicionada, necessariamente, a
anuencia ou autorizacao de outrem.Sem esta anuencia ou autorizecao, o ato que
se deseja praticar nao podera ser validamente realizado. Como exemplo temos a
chamada outorga conjugal (ux6ria ou marital) - que e a autorizacao de ambos
os conjuqes para a realizecao de determinados neg6cios jurfdicos.
Art. 220. A anuencia ou a autoriza~ao de outrem, necesserie a validade de um ato,
provar-se-a do mesmo modo que este, e constere, sempre que se possa, do pr6prio
instrumento.
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>- Testemunhas.
A prova testemunhal, segundo Silvio de Salvo Venosa, "e a que resu/ta do
depoimento oral de pessoas que viram, ouviram ou souberam dos fatos
re/acionados com a causa ".
Os livros e as fichas dos empresanos provam contra as pessoas a eles
relacionadas. Se nao houver vfcio, a interpretacao podera ser favoravel a s6cios,
ernpresarios e administradores.
A force probante de livros e fichas empresariais nao e absoluta, uma vez
que caira frente aos casos nos quais a lei exige escritura publics ou documento
particular para aprova de fato, ato ou neg6cio juridico.
Art. 226. Os livros e fichas dos ernpressrios e sociedades provam contra as pessoas a
que pertencem, e, em seu favor, quando escriturados sem vfcio extrf nseco ou intrf nseco,
forem confirmados por outros subsfdios
Pereqreto unico. A prova resultante dos livros e fichas nao e bastante nos casos em que
a lei exige escritura publics, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e
pode ser ilidida pela comproveceo da falsidade ou inexatidao dos lencementos.
Sobre este artigo temos a resolucao n° 298 da IV lornada do STJ:
"Os arquivos eletronicos incluem-se no conceito de reproducoes eleironices
de fatos ou de coisas, do CC 225, aos quais deve ser ap/icado o regime jurfdico
da prova documental".
Portanto quaisquer meios eletronicos serao tratados como provas
documentais, nao se exigindo que sejam autenticados.
Art. 225. As reproducoes totoaretices, cinemetoqretices, os registros tonoqreticos e, em
geral, quaisquer outras reproducoes mecsnices ou eletronices de fatos ou de coisas
fazem prova plena destes, se a parte, contra quern forem exibidos, nao /hes impugnar a
exetidiio.
A lfngua portuguesa e o idioma oficial da Republics Federativa do Brasil. A
lfngua nacional e expressao da soberania do Estado e aspecto da nacionalidade
do cidadao. As pecas processuais devem ser redigidas em portuques e seu
conteudo deve ser acessfvel a todos. Por este motivo a traducao sere feita por
tradutor juramentado, que, portanto, tern fe publics.
Art. 224. Os documentos redigidos em lingua estrangeira sereo traduzidos para o
portuques para ter efeitos legais no Pais.
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4° Costa Machado, C6digo Civil Interpretado, Manole, ga ed., pag. 253.
Ill BS CC§BS C Sl:l,WS, Efl:/8R8B a cfeRcfa eJe fate Efl:/C SC Efl:/CFfJ.""B't'aF 8ef3CRt:fa BBS SCRtieJes
fft:Je .'hes faitaffl; (REVOGADOS pela Lein. 13.146/15)
II afft:Je!es fft:Je, 13er eRfeFFFlidade e1:1 retardaffleRte ffleRta.', Rae tivereffl discerRiffleRte
13at'a a 13ratie-a des ates da 'tl'ida cft1;'.';
Art. 228. Niio podem ser admitidos como testemunhas:
I - os menores de dezesseis anos;
Pereqreto iinico. Qualquer que seja o valor do neg6cio jurfdico, a prova testemunhal e
admissfvel como subsidierie ou complementar da prova por escrito.
Por depender de pessoas e de seus sentidos, a prova testemunhal, carrega
uma carga grande de subjetividade, motivo pelo qual e condicionada a certas
restricoes, Alern disso, temos casos de pessoas que nao podem ser admitidas
como testemunhas - art. 228.
AFt. 227. Sa.'t,•e es eases e*f3Fesses, a 13r=ew~ C*e.'1:1si'ti'aFF1eRte testefflt:JRRa.' se se adfftite
Res r=,cgBcies jt:Jrldlces ct:Jje b'aler r=,§e 1;1/tFa13assc e e6c1:1"13/e eJe fflaier sa!Brie fflfRfme
·,1i§eRte Re Pafs ae teFF113e effl Efl:le fsr=affl ce!eer=aees.
Ainda com relacao a testemunha, e art. 227 Ele CC, que trazia restricoes
quanto a sua adrnissao, foi revogado pela t.el n> 13.105/2015.
Tai dispositivo cuidava, especificadamente, da testemunha instrurnentaria.
"O novo CPC revoga expressamente este art. 227, caput, do CC, conforme
consta do seu art. 1.072. Alern disso, nao reproduziu o que estava no art. 401 do
CPC anterior. Em tom ampliado, o art. 442 do CPC/2015 determina que a prova
testemunhal e sempre admissfvel, nao dispondo a lei de modo diverse"."?
Para o autor Costa Machado a revoqacao do caput do art. 227 do
CC/2002 veio em boa hora, na linha de reducao de burocracia e da verdade
real. Ademais, faz desaparecer uma expressao de prova tarifada, pela exiqencia
de requisitos para a prova testemunhal. Todavia, pode surgir polernica se uma
lei processual tern o condao de revogar norma material. Possivelmente, esse
debate existira nos pr6ximos anos, entre civilistas e processualistas.
~ Judiciaries: pessoas naturais, que dao seu depoimento em jufzo.
~ Instrurnentarias: sao aquelas que se manifestam sobre o conteudo do
documento que assinam - sao duas testemunhas para as escrituras publicas
e cinco para o testamento ordinario.
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Portanto, a testemunha, e uma pessoa que e "estranha" ao processo, mas
que tern conhecimento sobre algum fato do processo. Assim, as testemunhas
podem ser:
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§ 20. Sao impedidos:
I - o c&njuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral,
ate o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir
o interesse publico ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, nao se puder obter
de outro modo a prova que o juiz repute necessaria ao julgamento do rnerito:
II - o que e parte na causa;
III - o que intervern em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa
juridica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes.
Novo CPC Art. 447. Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes,
impedidas ou suspeitas.
§ 10. Sao incapazes:
I - o interdito por enfermidade ou deficiencia mental;
II - o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram
os fatos, nao podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, nao esta habilitado a
transmitir as percepcoes:
III - o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos;
IV - o cego e o surdo, quando a ciencia do fato depender dos sentidos que lhes faltam.
§ 30. Sao suspeitos:
I - o inimigo da parte ou o seu amigo intimo;
II - o que tiver interesse no litigio.
§ 40. Sendo necessario, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas
ou suspeitas.
§ so. Os depoimentos referidos no§ 40 serao prestados independentemente de compromisso,
e o juiz lhes atribuira o valor que possam merecer.
Ainda temos no CPC, em seu art. 447, os incapazes, impedidos e os
suspeitos para testemunhar. E importante que voces leiam apenas para ter uma
ideia do assunto.
V - os conjuqes, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, ate o terceiro grau de
alguma das partes, por consanguinidade, ou afinidade.
§ 1 o Para a prov a de fatos que s6 etas conhecem, pode o juiz admitir o depoimento das
pessoas a que se refere este artigo. (Reda<;ao dada pela Lei no 13.146, de 2015)
§ 20. A pessoa com deticiencis podere testemunhar em igualdade de condidies com as
demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva.
(Inclufdo pela Lei no 13.146, de 2015)
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IV - o interessado no litfgio, o amigo fntimo ou o inimigo capital das partes;
79 de 127 www.estrategiaconcursos.com.br41 Exame e a analise de alguma coisa ao fato, feita por pessoas especializadas, para auxiliar na
forrnacao da opiniao do magistrado.
42 Vistoria e tambern uma analise, porern visual sobre determinada coisa.
43 Avalia<;ao visa dar ao bem seu valor de mercado.
~ Pericia.
Segundo art. 464 do NCPC, temos como provas periciais o exame a vistoria
e a avaliacao.
Art. 420. A prova pericial consiste em exame41, vistoria42 ou avalia<;ao43•
§ 1o O juiz indeterire a perfcia quando:
I - a prova do fato nao depender de conhecimento especial de tecnico;
II - for desnecesserie em vista de outras provas produzidas;
III - a veriticeceo for impreticevel.
§ 2o De oticio ou a requerimento das partes, o juiz podere, em substituidio a perfcia,
determinar a produciio de prova tecnice simplificada, quando o ponto controvertido for
de menor complexidade.
~ A presuncao comum, pelo contrario, nao e prova legal, mas sim real e
indireta. Fundam-se naquilo que ordinariamente acontece e se irnpfie pela
16gica. Por exemplo, presume - se que os pais amem seus filhos, e que nada
farfio que os prejudique, mas esta conclusao nao e absoluta.
~ Presuncoes legais relativas (furi« tantum} - sao as que admitem prova ao
contrario. Como exemplo temos a presuncao de que, em uma famflia o marido
seja o pai dos filhos, mas esta presuncao pode ser contestada atraves de uma
ac;ao chamada de negat6ria de paternidade - art. 1.601 CC.
~ Presuncoes legais absolutas (juris et de jure} - sao as que nao aceitam
prova em contrario. Pois a lei estipula que sao verdadeiros, tornando-os, assim,
insusceptfveis de serem contestados. Como exemplo, temos a presuncao de que
a venda feita por ascendente a descendente seja fraudulenta.
As presuncoes dividem-se em legais Uuris} g comuns (hominis}.
As presuncoes legais sao aquelas que advern de lei, e, por sua vez, dividem-
se em:
~ Presunc;ao
Segundo Carlos Roberto Gonc;alves, "Presuncao e a ilac;ao que se extrai de um
fato conhecido para se chegar a um desconhecido".
Ainda, segundo Silvio de Salvo Venosa, "Presuncao e a conclusao que se
extrai de fato conhecido para provar-se a existencia de outro desconhecido".
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Bons estudos!
De uma atencao especial ao quadro sobre a prescricao e decadencla
e, como falamos de costume, nao hesite em nos contatar em caso de duvidas.
Consideracoes Finais
Este artigo trata da hip6tese em que aquele que deve submeter-se a perfcia
rnedica por ordem judicial se recusa a faze-lo. A solucao dada pelo legislador para
esta hip6tese e a de considerar sanada a prova que se pretendia conseguir com
o exame, em prejufzo de quern se recusou a submeter-se ao crivo do perito
medico. Isso significa que o legislador procurou preservar a intangibilidade do
corpo humane e a intimidade pessoal do sujeito de direito, ao nao permitir que a
pessoa seja conduzida a force para fazer o exame. Exemplo classico e o caso de
investiqacao de paternidade.
Art. 232. A recusa a perfcia medics ordenada pelo juiz podere suprir a prova que se pretendia
obter com o exame.
Se a pencia rnedica depender necessariamente de exame para cuja
realizacao e imprescindfvel o assentimento de quern va a ele submeter-se,
eventual recusa manifestada pelo examinado, a totalidade, ou a parte do exame,
nao pode ser invocada em seu favor.
Art. 231. Aque/e que se nega a submeter-se a exame medico necesssri nao podere aproveitar-
se de sua recusa.
'9 No CC temos dois artigos sobre perfcia.
§ 3o A prova tecnice simplificada consistire apenas na inquiridio de especialista, pelo
juiz, sobre ponto controvertido da causa que demande especial conhecimento cientffico
OU tecnico.
§ 4o Durante a arguic;ao, o especialista, que devere ter tormecso ecedemice especffica
na area objeto de seu depoimento, podere valer-se de qualquer recurso tecnol6gico de
trensmissiio de sons e imagens com o fim de esclarecer os pontos controvertidos da
causa.
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44 Tanto o nascimento quanto a morte sao acontecimentos naturais. Fatos juridicos que serao inscritos no
registro publlco,
45 Segundo Orlando Gomes, Introduceo ao Direito Civil: "caso fortuito, ou torce maior, e todo fato necesssrio,
a cujos efeitos nao e possfve/ resistir". Como requisites necessaries, temos: a inevitabilidade (requisite
objetivo) ea ausencla de culpa (requisite subjetivo).
~(®)
V Importante: Nulidade Absoluta X Nulidade Relativa:
A validade do neg6cio juridico requer forma prescrita ou nao defesa em lei (em regra,
a forma e livre).
A validade da declaracao de vontade nao dependera de forma especial, senao quando
a lei expressamente a exigir.
Informa~oes Importantes:
~ Fato Juridico Natural ( ou em sentido estrito), que e aquele que
independe da vontade humana. Os Fatos naturais se subdividem em oriqlnarlos
(exemplos: o nascimento. a morte44. a maioridade. o decurso do tempo. a
frutificacao das plantas) ou extraordlnarlos (a exemplo do caso fortuito, ou
force maior45, das tempestades e dos terremotos que ocasionem danos as
pessoas).
~ Fato Juridico Humano, que sere decorrencia de um Ato humano.
(exemplos: reconhecimento da paternidade, um contrato, uma doacao)
Silencio de uma das partes - entende-se que ocorreu anuencia, quando as
circunstancias ou os usos o autorizarem, e nao for necessaria declaracao
expressa de vontade (manifestacao tacita da vontade, silencio como
rnanifestacao de vontade).
<:::}Na interpretacao dos neg6cios juridicos, importa mais a lntencao das
partes do que o sentido literal da linguagem, porern, quando os neqocros
juridicos forem beneficos ou consistirem em renuncia, deverao ser
interpretados restritivamente.
Os neg6cios juridicos sinalagmaticos sao aqueles em que ha reciprocidade
de direitos e obriqacoes.
Resumo da Materia
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Situa<;ao especial - "A nulidade parcial de um ato negocial nao o etiriqire na
parte velide, se esta puder subsistir autonomamente, devido ao princfpio utile
per inutile nom vitietur". O util nao vicia pelo inutil, ou seja, os vfcios de uma
e "san~ao" mais intensa.
Efeitos ex tune (vai retroogir)
I
pode ocorrer conversao
Confirma~ao: aplica-se a neg6cios juridicos anulaveis. Retroage a data do neg6cio,
tornando-o valido desde a sua forma~ao.
cenversae: aplica-se a neg6cio juridico nulo que contiver os requisites de outro.
e "sancao" mais branda
Efeitos ex nunc (nao retroage)
J
Alem de nao permitir confirma~ao, nao
pode a nulidade ser suprida pelo juiz
funda-se no interesse privado
devem ser pronunciadas pelo Juiz l
argufda por qualquer interessado, ou pelo
Ministerio Publico, quando lhe couber
intervir
l
»t-,
~ E nulo o neg6cio jurfdico quando for ilfcito, impossfvel ou indeterrninavel
o seu objeto.
Tern prazo decadencial [
Neg6cio Anulavel
(nulidade relativa)
funda se em principios de ordem publica
l E IMPRESCRITIVEL
Neg6cio Nulo
(nulidade absoluta)
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1. Erro:
Erro de direito. Exemplo: "A" adquire de "B" o lote "X" do Recanto Azul,
ignorando que lei municipal proibia loteamento naquela localidade.
Erro sobre o objeto principal da declaracao. Exemplo: Se um contratante
supoe estar adquirindo um lote de terreno de excelente localizecao, quando, na
verdade, esta comprando um situado em pessirno local.
Erro substancial sobre a gualidade essencial do objeto. Exemplo: "A"
pensa adquirir uma joia de prata, que, na verdade, e de acc.
Falso motivo - so vicia quando expresso como razaodeterminante.
-.Defeitos dos neg6cios juridicos:
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e f!nulavel o neg6cio
jurfdico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - par vicio resultante de erro, dolo, coeciio, estado de perigo, lesao ou fraude contra
credo res.
Art. 167. E nulo o neg6cio jurfdico simulado, mas subsistira o que se dissimulou, ~ vettdo
for na substancia e na forma.
Reserva mental caracteriza-se pela nao coincldencla entre a vontade real e
a declarada, bem como pelo prop6sito de enganar o declaretario, sendo correto
afirmar que a manifestacao de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito
a reserva mental de nao querer o que manifestou, salvo se dela o destinatario
tinha conhecimento.
~Coma invalidacao do ato negocial ter-se-a, se for possivel, a restituicao
das partes ao status quo ante.
-.Da simulacao: E causa de Nulidade {absoluta}.
Simulac;ao - associada ao conluio. Declaracao que provoca falsa crenc;a num
estado nao real.
Disstmulacao - oculta ao conhecimento de outrem uma situacao existente,
pretendendo incutir no espirito de alquern a inexistencia de uma situacao real.
Subsistira o que se dissimulou, se valido for na substancia e na forma.
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parte da coisa poderao nao atingir as outras partes se estas forem validas e o
neg6cio for separavel ( divisfvel).
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4. Estado de perigo - estado de necessidade - risco pessoal ("perigo a
vida"). Exemplo: "A", tendo seu filho "B" sido sequestrado, paga vultosa
soma de resgate. Para tanto "A" teve de vender obras de arte a preco inferior ao
3. coacac: E a pressao fisica ( coacao absoluta) ou moral ( coacao relativa)
exercida sobre a pessoa, os bens e a honra de um contraente para obriqa-lo ou
induzi-lo a efetivar um neg6cio juridico.
@ ...
"Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma de/as o pode alegar
para reclamar indentzeceo".
O dolo positivo ou comissivo reve/a-se etreves de expedientes
enganat6rios verbais ou de outra natureza que podem importar
em serie de atos e perfazer uma conduta.
O dolo negativo ou omissivo consiste na reticencie maliciosa,
na eusencie de a<;ao para plantar falsa ideia a pessoa.
~
t,TOME NOTAI
Art. 146. O dolo acidental so obriga a satisfa~ao das perdas e danos, e e acidental
quando, a seu despeito, o negocio seria realizado, embora por outro modo.
2. Dolo:
Dolo. Exemplo: Se alquern fizer seguro de vida, omitindo rnolestia grave, e vier
a falecer poucos meses depois, havendo prova da intencao de prejudicar a
seguradora e beneficiar seus sucessores (Provoca. de maneira intencional. Q
erro de outra pessoa).
Dolo de terceiro: Se A (comprador) adquire por influencla de C (aqui esta o
terceiro), que o convence de algo, sem que B (vendedor), ouvindo tal disparate,
alerte A. neg6cio e suscetfvel de anulacao.
Dolo acidental. Exemplo: leva a vftima a realizar o ato negocial, porern, nao
afetando sua declaracao de vontade, nem influindo diretamente na reelizacao
daquele ato, que seria praticado independentemente do emprego de
artificio astucioso.
possibilidade de retificacao trata-se (!) Se houver a inforrnacao quanta a
de Erro de calculo,
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Prescrlcao - Regra de prazo.
Art. 205. A prescriceo ocorre em dez anos, quando a lei nao /he haja fixado prazo
menor.
f Prescricao e decadencia:
Art. 158. Os neg6cios de trensmissiio gratuita de bens ou remissiio de dfvida, se os
praticar o devedor ja insolvente ou por eles reduzido a insolvencie, ainda quando o
ignore, poderiio ser anulados pelos credores quiroqreterios, como lesivos dos seus
direitos.
6. Fraude contra credores: Dois elementos cornpoe a fraude contra credores
um e o objetivo, o eventus dammi, caracterizado pela insolvencia, o outro e o
subjetivo, o consilium fraudis, caracterizado pela consciencia de prejudicar
terceiro, ou seja, a rna-fe do devedor.
Ac;ao pauliana (tarnbern denominada revocat6ria) e uma ac;ao que tern por
finalidade tornar ineficaz o ato ou neg6cio viciado por fraude contra credores,
anula-se o neg6cio, proporcionando que o bem negociado retorne a massa
patrimonial do devedor, beneficiando em sfntese, todos os credores.
5. t.esao - estado de necessidade - risco patrimonial - ou lnexperiencla.
Art. 157. Ocorre a lesao quando uma pessoa, sob 1premente necessidade, 2!J. 2por
inexperiencia, se obriga a prestac;ao manifestamente desproporcional ao valor da
prestedio oposta.
§ 1!1. Aprecia-se a desproporcso das prestecoes segundo os valores vigentes ao tempo
em que foi celebrado o neg6cio jurfdico.
§ 2o Nao se decretara a anula~ao do negocio, ~ for oferecido suplemento suficiente,
ou se a parte favorecida concordar com a redudio do proveito.
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do mercado a "C". Essa venda pod era ser anulada desde que "C", aproveitando-
se da situacao, ten ha conhecimento da grave circunstancia em que "B", filho de
"A". Outro exemplo: Alquern que vier a vender um im6vel fora do valor
mercado16gico, para poder pagar uma cirurgia urgente.
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Interrupcao da prescricao:
Procuramos sempre orientar aos alunos para que procurem memorizar as
causas que interrompem a prescricao. Como em prova normalmente e
necessario saber se estamos diante de uma causa de interrupcao .Q.Y. se estamos
diante de uma causa de impedimento ou suspensao, fica mais facil de garantir
um acerto.
Das Causas que Interrompem a Prescricao
Art. 196. A prescriciio iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu
sucessor.
As causas impeditivas da prescricao sao as circunstancias que impedem que seu
curse inicie, por estarem fundadas no status da pessoa individual ou familiar,
atendendo razces de confianc;a, parentesco, amizade e motives de ordem moral.
A suspensao da prescricao em favor de um dos credores solidarios estende-se
aos demais credores, se a obriqacao for tarnbern indivisfvel.
Salvo dlspcslcao legal em contrario, nao se
aplicam a decadencia as normas que impedem,
suspendem ou interrompem a prescricao.
abrange direitos patrimoniais e nao
patrimoniais.
e irrenunciavel, quando fixada em lei.
(E nula a renuncia a decadencia fixada em lei.)
tern origem na lei ou no neg6cio jurfdico
perde-se o proprio direito material, por nao se
ter utilizado tempestivamente da via judicial
adequada para pleitea-lo
Decadencla
e passive! de impedimento, suspensao e
interrupcso.
abrange, via de regra, direitos patrimoniais;
e renunclavel espressa ou tacitamente, e s6
valera, sendo feita, sem prejufzo de terceiro,
depois que a prescrlcao se consumar
tern origem na lei
perde-se o direito a a~ao para pleitea-lo e,
portanto, nao se consegue exercer o direito
material
Prescricao
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Vfcio redibit6rio - bem m6vel, trinta dias I bem im6vel, um ano.
Contado da entrega efetiva; se ja estava na posse, o prazo conta-se da allenacao,
reduzido a metade.
Alguns prazos decadenciais:
FCC 2012/MP-PE/ Analista: "A empresa X comprou um liquidificador na
empresa Y para uso de seus funcionarios no refeit6rio. Quando o empregado
Felipe ligou o liquidificador, o botao que liga e desliga o aparelho soltou-se
impossibilitando o seu uso. Neste caso, o direito da empresa X em obter a
redibicao, segundo o C6digo Civil brasileiro, contados da entrega efetiva do
liquidificador decaira no prazo de trinta dias".
Art. 204. A interrupciio da prescnceo por um credor nao aproveita aos outros;
semelhantemente, a interrupcso operada contra o codevedor, ou seuherdeiro, nao prejudice
aos demais coobrigados.
§ 1o A interrupceo por um dos credo es solidarios aproveita aos outros; assim como a
interrupcso efetuada contra o devedor sol derio envolve os demais e seus herdeiros.
§ 2o A intertupcso operada contra um dos herdeiros do devedor soliderio nao prejudica os
outros herdeiros ou devedores senao quando se trate de obrigaqoes e direitos indivisfveis.
§ 3o A interrupceo produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.
Art. 203. A prescridio pode ser interrompida por qualquer interessado.
IV- pela epresenteciio do tltulo de credito em jufzo de inventerio ou em concurso de
credores;
II- por protesto, nas condicoes do inciso antecedente;
III- por protesto cambial;
Art. 202. A interrupceo da prescricso, que somente podera ocorrer uma vez, der-se-e:
I- por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a cita<;ao, se o interessado a
promover no prazo e na forma da lei processual;
V- por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor
VI- por qualquer ato inequivoco, ainda que extraiudicial, aue importe reconhecimento do
direito pelo devedor.
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Observe que a interrupcao da prescricao sempre sere provocada e somente
podera ocorrer uma vez:
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:'Q· ,~
, ' Importante!
+ A renuncia da prescricao pode ser expressa ou tacita:
+os prazos de prescricao nao podem ser alterados por acordo das partes;
+A prescricao pode ser alegada em qualquer grau de jurisdicao:
+ 0 juiz pode alegar de offcio a prescricao se favorecer o absolutamente incapaz;
• A prescricao iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu
sucessor;
+Ha casos de impedimentos, suspensao e interrupcao da prescricao:
+o prazo geral de prescricao, aplicavel quando nao houver prazo especial, e de
10 anos;
+A prescricao atinge direitos dotados de pretensao, enquanto que a decadencia
atinge direitos potestativos;
~Prescric;ao: A partir do memento que um direito e violado, o titular deste
direito pode agir juridicamente para garanti-lo, isto e o que chamamos
pretensao ( a pretensao a ac;ao).
....... ' / -- ..... --
Art. 178. E de auatro anos o prazo de decadencia para pleitear-se a i1J1Ula~ao do
neg6cio jurfdico, contado:
I - no caso de coeciio, do dia em que ela cessar;
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesiio, do dia em que
se realizou o neg6cio jurfdico;
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.
Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato e iJ.nulavel, sem estabelecer
prazo para pleiteer-se a enuieceo, sere este de dois anos, a contar da data da
conclusao do ato .
Art. 48. Se a pessoa Jurfdica tiver edministrecso coletiva, as decisbes se tomeriio pela
maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso.
Pereqreto unico. Decai em tres anos o direito de anular as decisoes a que se refere este
artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simula<;ao ou
fraude.
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Decai em tres anos o direito de anular a constituiceo das pessoas jurfdicas de
direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicecso de
sua tnscridio no registro.
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CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo - Procuradoria.
Foi considerado INCORRETO o seguinte enunciado: Por ser rnateria de ordem
publica, a renuncia a decadencia fixada em lei e anulavel,
comentarlo:
Art. 209. E nu/a a renuncte a decedencie fixada em lei.
CESPE 2016/TCE-PA/ Auxiliar Tecnico de Controle Externo - Area
Administrativa.
Foi considerado INCORRETO o seguinte enunciado: Os prazos de prescricao
podem ser alterados por acordo entre as partes.
comentarior
Art. 192. Os prazos de prescriciio nao pod em ser alterados por acordo das partes. ~
:'Q''-:
, '
Importante!
•salvo disposicao legal em contrario, nao se aplicam a decadencia as normas
que impedem, suspendem ou interrompem a prescricao.
•E nula a renuncia a decadencia fixada em lei.
•oeve o juiz, de offcio, conhecer da decadencia, quando estabelecida por lei.
•se a decadencia for convencional, a parte a quern aproveita pode aleqa-Ia em
qualquer grau de jurisdicao, mas o juiz nao pode suprir a alegac;ao.
~Decadencia: E a extincao do direito, tendo em vista a inercia do seu titular.
Veja que o objeto da decadencia e o pr6prio direito. Enquanto a prescricao atinge
diretamente a ac;ao e por via oblfqua faz desaparecer o direito por ela tutelado,
a decadencia. ao contrario, atinge diretamente o direito material e por via
oblfqua acaba por atingir a ac;ao.
•Nao se aplicam a decadencia as normas que interrompem a prescricao, salvo
disposicao legal em contrario;
... Nao tera direito a repeticao do indebito o devedor que saldar dfvida prescrita;
•A prescricao nao corre na pendencia de condicao suspensiva;
•conforme a jurisprudencia do STJ, em se tratando de ac;ao de indenizacao, o
infcio da fluencia do prazo prescricional ocorre com o conhecimento da violacao
ou da lesao ao direito da vftima.
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~-t!.1. Confissao.
Art. 389 CPC. Ha contisseo, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato
contrerio ao seu interesse e tevoreve! ao do edverssrio.
Lembre-se que alguns atos exigem forma especial, como por exemplo: a alienacao
de bens que pertencem a menores sob tutela; o testamento; o casamento.
Deste modo, podemos concluir que uma vez exigida forma especial para
a validade de um neg6cio jurfdico, nenhuma outra modalidade de prova sera
admitida.
O art. 212 do CC ao listar os meios de prova o faz de maneira exemplificativa:
Art. 212. Salvo o neaocio a que se impoe forma especial, o fato jurfdico pode ser
provado mediante:
I - contissiio:
II - documento;
III - testemunha;
IV - presunceo;
V - perfcia.
Art. 107. A validade da declara~iio de vontade niio dependera de forma especial,
seniio quando a lei expressamente a exigir.
- A Forma.
Importante: Sao inadmissfveis no processo as provas obtidas por meios ilfcitos.
f Prova.
A prova e a maneira utilizada para se comprovar a existencia de um ato ou
neg6cio jurfdico. Pois de nada adiantaria ter um direito se nao consegufssemos
prova-lo. 0 que na realidade se busca comprovar com a prova e o fato que gerou
o direito e nao a existencia do direito em si.
Para tanto e necessario que se obedeca a certas regras de cunho geral, deste
modo, a prova deve ser: admissfvel, pertinente e concludente.
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Art. 215. A escritura publica, lavrada em notas de tebeliiio, e documento dotado de fe
publics, fazendo prova plena.
Uma carta, e um documento, nao tern como objetivo (finalidade) criar neg6cio jurfdico
ou prova, embora em determinadas situac;6es ate possa vir a constituir um elemento
de prova.
,
t.utl11. Documentos.
Deste modo os documentos podem ser publicos ou privados.
+Sao documentos publlcos os que foram fabricados por autoridades publicas,
no exercfcio de suas funcoes.
+ Sao documentos privados aqueles que foram elaborados por pessoas
interessadas. Por particulares.
\ I
'() ..
~ Cuidado! Existe uma peguena diferenca entre documentos e
instrumentos. Os instrumentos sao feitos com a finalidade especial de
promoverem a existencia do neg6cio jurfdico ou lhes serem provas, ja os
documentos nao possuem esta finalidade especffica.
Assim, temos expressamente neste artigo dois casos em que uma confissao
pode ser anulada, qua is sejam: quando decorreu deum dos vfcios, erro de fato
ou coacao. Embora nao mencionado no artigo ha entendimentos que a anulacao
da confissao e Valida tarnbern quando existe: lesao OU estado de perigo.
Art. 213. Nao tem eticecie a contissiio se provem de quem nao e capaz de dispor do
direito a que se referem os fatos confessados.
Pereqreto unico. Se feita a contissiio por um representante, somente e eficaz nos limites
em que este pode vincular o representado.
Art. 214. A contissiio e irrevoqevel, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato
2iL de coa~ao.
Para que se configure uma confissao e necessario que se tenha agente
capaz, com plena titularidade sobre os direitos controvertidos, este e o teor do
art. 213:
A confissao nao permite arrependimento, e ato irrevooavel e irretratavel.
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A lfngua portuguesa e o idioma oficial da Republica Federativa do Brasil. A
lfngua nacional e expressao da soberania do Estado e aspecto da nacionalidade
do cidadao. As pecas processuais devem ser redigidas em portuques e seu
Art. 224. Os documentos redigidos em lingua estrangeira seriio traduzidos para o
portuques para ter efeitos legais no Paf s.
Art. 221. 0 instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quern
esteja na livre disposi<;ao e edministredio de seus bens, prova as obriqedies
convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessiio, nao se
operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro publico.
A inobservancia de qualquer um destes requisitos resultara na nulidade da
escritura publica.
§ 20. Se a/gum comparecente niio puder au nao souber escrever, outra pessoa
capaz essinere por ele, a seu rogo.
§ Jo. A escritura sere redigida na If ngua nacional.
§ 40_ Se qualquer dos comparecentes nao souber a lingua nacional e o tabeliao
nao entender o idioma em que se expressa devere comparecer tradutor pub/ico para
servir de interprete, ou, nao o havendo na localidade, outra pessoa capaz que, a jufzo
do tebeliiio, tenha idoneidade e conhecimento bastantes.
§ so. Se a/gum dos comparecentes nao for conhecido do tebeliiio, nem puder identificar-
se por documento, deveriio participar do ato pelo menos duas testemunhas que o
conhecem e atestem sua identidade.
I - data e local de sua reelizeciio;
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam
comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas;
III - nome, nacionalidade, estado civil, protissso, domicflio e residencie das partes e
demais comparecentes, com a indiceciio, quando necesserio, do regime de bens do
casamento, nome do outro conjuge e filia<;ao;
IV - menitesteceo clara da vontade das partes e dos intervenientes;
V - reterencie ao cumprimento das exigencias legais e fiscais inerentes a legitimidade do
ato;
VI - declara<;ao de ter sido Iida na presence das partes e demais comparecentes, ou de
que todos a leram;
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tebetiso ou seu
substituto legal, encerrando o ato.
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§ 1 o, Salvo quando exigidos par lei outros requisitos, a escritura publica deve
canter:
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Ill es CCfjeS C St:Jt=dos, f:/1:/aRee a deRda do fate f:/1:/C SC f:/l:ICF{:J,"'e't'at=9Cf:JCR6a ees SCRtfees
fftJe /.hes faitaffl; (REVOGADOS pela Lein. 13.146/15)
II afft1e!es fftJe, 13er eRfeFfflieiaeie et1 retareiaffleRte ffleRta.', Rae tiverem eiiseerRimeRte
13ara a 13ratiea dos ates ea v-ieia dv-H;
Art. 228. Nao podem ser admitidos como testemunhas:
I - os menores de dezesseis anos;
Por depender de pessoas e de seus sentidos, a prova testemunhal, carrega uma
carga grande de subjetividade, motivo pelo qual e condicionada a certas
restricces. Alern disso, temos casos de pessoas que nao podem ser admitidas
como testemunhas - art. 228.
Restric;oes quanta a sua adrnissao:
Art. 227. Paragrafo unico Qualquer que seja o valor do neg6cio jurfdico, a prova
testemunhal e admissf vet como subsidisrie ou complementar da prov a por escrito.
;'
t.at!.111. Testemunhas.
Testemunha e pessoa "estranha" ao processo, mas que tern conhecimento
sobre algum fato do processo. Assim, as testemunhas podem ser:
•Judiciarias: pessoas naturais, que dao seu depoimento em jufzo.
• Instrurnentarias: sao aquelas que se manifestam sobre o conteudo do
documento que assinam - sao duas testemunhas para as escrituras publicas
e cinco para o testamento ordlnarlo.
Quaisquer meios eletronicos serao tratados como provas documentais, nao se
exigindo que sejam autenticados.
Sobre este artigo temos a resolucao n° 298 da IV Jornada do STJ:
"Os arquivos eletronicos incluem-se no conceito de reproducoes eleironices
de fatos ou de coisas, do CC 225, aos quais deve ser ap/icado o regime jurfdico
da prova documental".
Art. 225. As reproducbes totoqretices, cinemetoqretices, os registros tonoqreticos e, em
geral, quaisquer outras reproducoes mecsnices ou eletronices de fatos ou de coisas
fazem prova plena destes, se a parte, contra quern forem exibidos, nao /hes impugnar a
exetidso.
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conteudo deve ser acessfvel a todos. Por este motivo a traducao sere feita por
tradutor juramentado, que, portanto, tern fe publics.
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t.wt!. V. Pericia.
Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou eveliecso,
§ 1 o O juiz indeterire a perfcia quando:
I - a prova do fato nao depender de conhecimento especial de tecnico;
II - for desnecesserie em vista de outras provas produzidas;
III - a veriticeceo for impreticevel.
§ 20. De offcio ou a requerimento das partes, o juiz podere, em substituicso a perfcia,
determinar a produdio de prova tecnice simplificada, quando o ponto controvertido for
de menor complexidade.
§ Jo. A prova tecnice simplificada consistire apenas na inquiriceo de especialista, pelo
juiz, sobre ponto controvertido da causa que demande especial conhecimento cientffico
OU tecnico.
A presuncao comum, pelo contrario, nao e prova legal, mas sim real e
indireta. Fundam-se naquilo que ordinariamente acontece e se irnpfie pela
16gica. Por exemplo, presume - se que os pais amem seus filhos, e que nada
farao que os prejudique, mas esta conclusao nao e absoluta.
•Presunc;oes legais relativas Uuris tantum) - sac as que admitem prova ao
contrario. Como exemplo temos a presuncao de que, em uma famflia o marido
seja o pai dos filhos, mas esta presuncao pode ser contestada atraves de uma
ac;ao chamada de negat6ria de paternidade - art. 1.601 CC.
t.+-1v. Presuncao
As presuncoes dividem-se em legais Uuris) g comuns (hominis).
As presuncoes legais sao aquelas que advern de lei, e, por sua vez, dividem-
se em:
•Presunc;oes legais absolutas (juris et de jure) - sao as que nao aceitam
prova em contrario. Pois a lei estipula que sao verdadeiros, tornando-os, assim,
insusceptfveis de serem contestados. Como exemplo, temos a presuncao de que
a venda feita por ascendente a descendente seja fraudulenta.
IV - o interessado no litfgio, o amigo fntimo ou o inimigo capital das partes;
V - os conjuqes, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, ate o terceiro grau de
alguma das partes, por consanguinidade, ou afinidade.
§ 1 o Para a prov a de fatos que s6 etas conhecem, pode o juiz admitir o depoimento das
pessoas a que se refere este artigo. (Reda<;ao dada pela Lei no 13.146, de 2015)
§ 20. A pessoa com deticiencie podere testemunhar em igualdade de condicbes com as
demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva.
(Inclufdo pela Lei no 13.146, de 2015)
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IOlADE
PRATI CAR!
Como solicitado nos curses anteriores que ministramos, apresentaremos
uma lista de questoes com gabarito e ao final colocaremos as questoes com
alguns cornentarios, desta forma facilitamos para aqueles que estudam
diretamente pelo computador, mas tarnbern ajudamos quern ira estudar pelas
aulas impressas.
Questoes do CESPE
>Exame: e a analise de alguma coisa ao fato, feita por pessoas especializadas,
para auxiliar na forrnacao da opiniao do magistrado.
:>Vistoria: tarnbern uma analise, porern visual sobre determinada coisa.
>Avaliacao: visa dar ao bem seu valor de mercado.
§ 40, Durante a arguic;ao, o especialista, que devere ter tormeceo ecedemice especifica
na area objeto de seu depoimento, podere veter-se de qua/quer recurso tecno/6gico de
trensmissiio de sons e imagens com o fim de esclarecer os pontos controvertidos da
causa.
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4. 2016 CESPE/TCE-PR/ Analista de Controle - Juridica. O menor, ao
completar dezesseis anos de idade, adquire capacidade de direito, ainda que nao
tenha sido emancipado.
3. 2016 CESPE/TCE-PR/ Analista de Controle - Juridica. A respeito da
disciplina do neg6cio jurfdico no C6digo Civil, assinale a opcao correta.
a) Em ac;ao que vise a discussao de clausulas contratuais, o juiz devera, de
offcio, declarar a nulidade do neg6cio caso verifique que o devedor foi
coagido a contratar.
b) Um contrato de compra e venda de im6vel que for realizado sem escritura
publics podera ser convertido em promessa de compra e venda.
c) Caso o juiz decrete a nulidade de obrigac;ao que uma pessoa pagou a um
incapaz, ficara afastada a possibilidade de o devedor reclamar o que pagou
ao credor incapaz, independentemente de este ter ou nao se beneficiado
do neg6cio.
d) Se um dos declarantes ocultar sua verdadeira intencao quanto aos efeitos
jurfdicos do neg6cio, este sere inexistente por ausencia de rnanifestacao
qualificada.
e) 0 silencio de uma das partes quanto ao neg6cio jurfdico proposto nao tern
o condao de criar vfnculo, sendo necessaria declaracao de vontade
expressa.
2. CESPE 2017 /SEDF/ Analista de Gestao Educacional - Direito e
Legislac;ao.
No que se refere a invalidacao do neg6cio jurfdico e a prescricao proveniente de
ato ilfcito, julgue o item seguinte.
Se uma pessoa relativamente incapaz celebrar um neg6cio jurfdico com uma
pessoa jurfdica, tal neg6cio firmado nao sere nulo de pleno direito, mas podera
ser anulado.
1. CESPE 2017 /SEDF/ Analista de Gestao Educacional - Direito e
t.eqlslacao. No que se refere a invalidacao do neg6cio jurfdico e a prescricao
proveniente de ato ilfcito, julgue o item seguinte.
Caso uma pessoa com sessenta e cinco anos de idade seja vftima de um acidente
de vefculo que lhe cause dano material, o prazo prescricional para que haja a
reparacao civil sere de tres anos a partir da data do fato.
LISTA OE
QUESTOES
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12. CESPE 2016/PC-PE/Delegado de Policia. A respeito dos elementos
acidentais do neg6cio jurfdico, assinale a opcao correta.
a) Situecao hipotetica: Maria celebrou contrato de doacao de bem im6vel a
Joao. Na neqociacao, ficou estipulado que a transferencia do bem somente
se aperfeicoare quando da morte da doadora. Assertiva: Nessa situacao, o
evento morte funciona como condicao.
b) 0 encargo e elemento acidental caracterfstico dos neg6cios jurfdicos que
envolvam liberalidade. Em caso de inexecucao do encargo pelo beneficiado,
11. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. Nao tera direito a
repeticao do indebito o devedor que saldar dfvida prescrita.
10. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. Em observancia ao
princfpio da conservacao contratual, caso ocorra o vfcio do consentimento
denominado lesao, a parte lesionada pode optar pela revisao judicial do neg6cio
jurfdico, ao inves de pleitear sua anulacao.
9. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. As partes
contratantes podem, de comum acordo, alterar os prazos prescricionais
referentes a pretensoes de direitos disponfveis e, nessa hip6tese, a prescricao
tera natureza convencional.
8. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. A respeito da
prescricao e da decadencia, julgue o item que se segue.
Corre normalmente a prescricao contra os ausentes do pafs a service publico dos
municfpios.
7. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. A respeito da
prescricao e da decadencia, julgue o item que se segue.
Por ser rnateria de ordem publica, a renuncia a decadencia fixada em lei e
anulavel.
6. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. A respeito da
prescricao e da decadencia, julgue os itens que se seguem.
Nao se aplicam a decadencia as normas que interrompem a prescricao, salvo
disposicao legal em contrario.
5. CESPE 2016/TCE-PA/ Auxiliar Tecnlco de Controle Externo. Os prazos
de prescricao podem ser alterados por acordo entre as partes.
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16. 2016/CESPE/ TRE-PI / Analista Judiciario - Judiciarla, A rernissao de
dfvida que leve o devedor a insolvencia configura
a) abuso de direito.
14. 2016/CESPE/PC-PE/Delegado de Policia. Acerca de prescricao e
decadencia no direito civil, assinale a opcao correta.
a) A prescricao nao pode ser arguida em grau recursal.
b) Desde que haja consenso entre os envolvidos, e possfvel a renuncia previa
da decadencia determinada por lei.
c) A prescricao nao corre na pendencia de condicao suspensiva.
d) Ao celebrarem neg6cio jurfdico, as partes, em livre manifestacao de
vontade, pod em alterar a prescricao prevista em lei.
e) E valida a renuncia da prescricao, desde que determinada expressamente
antes da sua consurnacao.
15. 2016/CESPE/ TCE-SC / Auditor Fiscal de Controle Externo - Direito.
A respeito do neg6cio jurfdico, da prescricao e das obriqacoes, julgue o item que
se segue.
Conforme a jurisprudencia do STJ, em se tratando de ac;ao de indenizacao, o
infcio da fluencia do prazo prescricional ocorre com o conhecimento da violacao
ou da lesao ao direito da vftima.
13. 2016/CESPE/PC-PE/Delegado de Policia. Assinale a opcao correta a
respeito dos defeitos dos neg6cios jurfdicos.
a) Na lesao, os valores vigentes no memento da celebracao do neg6cio jurfdico
deverao servir como parametro para se aferir a proporcionalidade das
prestacoes.
b) Os neg6cios jurfdicos eivados pelo dolo sao nulos
c) A ccacao exercida por terceiro estranho ao neg6cio jurfdico torna-o nulo.
d) Age em estado de perigo o indivfduo que toma parte de um neg6cio jurfdico
sob premente necessidade ou por inexperiencia, assumindo obriqacao
manifestamente desproporcional ao valor da prestaceo oposta ferindo o
carater sinalaqrnatico do contrato.
e) Se em um neg6cio jurfdico, ambas as partes agem com dolo, ainda assim
podem invocar o dolo da outra parte para pleitear a anulacao da avenc;a.
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nao ha previsao de mecanismos de coercao direta ou indireta por parte do
disponente.
c) 0 termo nao essencial e aquele que nao admite o cumprimento do objeto
do neg6cio juridico ap6s o seu vencimento.
d) Denomina-se condicao a clausula acess6ria pela qual as partes subordinam
a eficacia do neg6cio a acontecimento futuro e incerto.
e) Em caso de nulidade do neg6cio jurfdico, a condicao voluntariamente
declarada pelas partes nao sere alcanc;ada, permanecendo valida.
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19. CESPE 2016/TRE-PI/ Analista Judlclarlo-judlclarla,O recebimento de
denuncia por magistrado absolutamente incompetente nao interrompe a
prescricao penal.
18. 2016/CESPE/ TCE-PR / Auditor. No que diz respeito aos neg6cios
juridicos e suas invalidades, ass nale a opcao correta.
a) A reserva mental de nao querer o que manifestou torna anulavel o neg6cio
juridico firmado, ainda que seja de conhecimento do destinatario.
b) Tratando-se de neg6cio jurfdico anulavel, dispensa-se a confirrnacao
expressa das partes se o devedor tiver cumprido parte de sua obriqacao
ciente do vfcio
c) Ainda que estabelecida a denominada clausula de nao valer sem
instrumento publico, se o bem for m6vel, a transferencia podera ser
realizada por cessao de direitos particular.
d) 0 motivo ilfcito de uma das partes torna o neg6cio jurfdico nulo se for
determinante para sua realizeceo.
e) Sendo o objeto do direito indivisfvel, a incapacidade relativa de uma das
partes nae aproveita aos cointeressados capazes.
17. 2016/CESPE/ TJ-DFT I Juiz. Suponha que, entabulado contrato
facultativo de seguro de vida e acidentes pessoais, em decorrencia do sinistro, o
segurado pleiteou da seguradora o respective pagamento. Assinale a opcao
correta no que se refere a prescricao.
a) 0 prazo prescricional anual e interrompido com o pedido administrative do
pagamento, bem como com o pagamento parcial, diante da nova pretensao
de complementacao.
b) 0 prazo prescricional anual e interrompido com o pedido administrative do
pagamento, voltando a correr por inteiro a partir de eventual negativa da
seguradora.
c) 0 prazo prescricional trienal e suspense com o pedido administrative de
pagamento, voltando a correr a partir de eventual negativa da seguradora.
d) 0 prazo prescricional anual e suspense com o pedido administrative do
pagamento, voltando a correr pelo tempo restante a partir da eventual
negativa da seguradora, mas se ha pagamento parcial o prazo e
interrompido voltando a correr por inteiro.
e) Na hip6tese de resseguro, o prazo prescricional e diverse do previsto para
a ac;ao do segurado contra o segurador.
b) rna-fe.
c) fraude contra credores.
d) dolo.
e) lesao.
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28. CESPE 2015/TRE-GO/ Analista Judiciarlo. Carla, com vinte e um anos de
idade, sofreu lesoes ffsicas em decorrencia de acidente provocado por condutor
de vefculo oficial. Nessa situaceo, o prazo prescricional a ser observado por Carla
27. CESPE 2015/TRF 1a Regiao/Juiz Federal Substituto. Maria, rnedica
cardiologista, que namora Paulo, mas com ele nao rnantern uniao estavel, ajuizou
ac;ao anulat6ria de neg6cio jurfdico de compra e venda contra a empresa
Biotecnologia Ltda. Para tanto, sustentou que adquiriu da re um aparelho do tipo
marca-passo, que foi implantado em seu namorado Paulo, em carater de
urqencia, mediante a ernissao de um cheque no valor de R$ 10.000,00. 0
aparelho em questao e comumente vendido no mercado por R$ 4.000,00. Nessa
situacao hipotetica, para que o pedido seja julgado procedente, deve ficar
demonstrado por Maria o dolo de aproveitamento da fornecedora do material, ou
seja, a vilania do outro contratante.
26. CESPE 2016/FUNPRESP-EXE/Especialista-area juridica. Ainda que o
neg6cio jurfdico consista em evento future dotado de certeza, o seu termo inicial
suspende a aquisicao do direito.
25. CESPE 2016/FUNPRESP-EXE/Especialista-area juridica. O prazo
prescricional iniciado contra uma pessoa continuara a correr contra o seu
sucessor.
24. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. Sendo o objeto do direito indivisfvel, a
incapacidade relativa de uma das partes nao aproveita aos cointeressados
capazes.
23. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. 0 motive ilfcito de uma das partes torna o
neg6cio jurfdico nulo se for determinante para sua realizacao.
22. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. Ainda que estabelecida a denominada
clausula de nao valer sem instrumento publico, se o bem for m6vel, a
transferencia podera ser realizada por cessao de direitos particular.
21. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. Tratando-se de neg6cio jurfdico anulavel,
dispensa-se a confirrnacao expressa das partes se o devedor tiver cumprido pa rte
de sua obriqacao ciente do vfcio.
20. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. A reserva mental de nao querer o que
manifestou torna anulavel o neg6cio juridico firmado, ainda que seja de
conhecimento do destinatario.
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36. CESPE 2015/TJ-PB/Juiz Substituto. De acordo com o C6digo Civil de
2002, nao e permitido que o silencio de um dos participantes seja interpretado
como caracterizador de concordancia com o neg6cio.
35. CESPE 2015/TJ-PB/Juiz Substituto. Os neg6cios jurfdicos que
estabelec;am beneffcio devem ter interpretacao ampla.
33. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. A prescncao podera ser
alegada por conjuqe, ascendente ou descendente, da parte que aproveite, caso
seja demonstrado beneffcio juridico que os afete direta ou indiretamente.
34. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. De acordo com o STJ, o termo
inicial do prazo prescricional das acoes indenizat6rias, em observancia ao
prindpio da actio nata, ea data em que a lesao e os seus efeitos sao constatados.
32. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. Por ser medida que vai ao
encontro do interesse publico, a reducao dos prazos prescricionais e permitida
pelo C6digo Civil.
31. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. Diferentemente do que ocorre
com a renuncia expressa, o C6digo Civil estabelece que a renuncia tacita a
prescricao somente podera ocorrer ap6s a consurnacao do prazo.
30. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. Entre os conjuqes, na
constancia da sociedade conjugal, o prazo prescricional podera ser interrompido,
mas nao suspenso, ja que vai de encontro a ordem publics o alongamento
indefinido do prazo.
29. CESPE 2015/TRE-GO/ Analista Judlclarlo Considere a seguinte situacao
hi potetica,
Ricardo e Andrea adquiriram im6vel residencial de uma construtora que prometeu
a entrega do bem em janeiro de 2013. Entretanto, o im6vel foi entregue somente
em fevereiro de 2014, o que obrigou o casal a residir na casa de parentes por um
ano.
Nessa situacao, os adquirentes fazem jus a indenizacao por danos morais em
razeo do atraso na entrega do im6vel.
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para o ajuizamento de eventual ac;ao de indenizacao por danos materiais
cornecou a correr a partir da data do acidente.
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48. CESPE 2014/PGE - BA/Procurador. Ocorre a lesao quando uma pessoa,
em premente necessidade ou por inexperiencia, se obriga a prestacao
47. CESPE 2014/TCE - PB/Procurador. 0 erro referente ao motive do neg6cio
nao o vicia, exceto se o falso motive for expresso como razao determinante.
46. CESPE 2014/TCE - PB/Procurador. A escritura publics e formalidade
essencial a validade de neg6cio jurfdico que objetive a transferencia de direitos
reais sobre im6veis, independentemente de seu valor.
44. CESPE 2014/TCE - PB/Procurador. A confirrnacao pelas partes do
neg6cio jurfdico anulavel deve ser expressa, ainda que parte do avenc;ado ja
tenha sido cumprida pelo devedor, ciente do vfcio que o inquinava.
45. CESPE 2014/TCE - PB/Procurador. E nulo o neg6cio jurfdico celebrado
por pessoa relativamente incapaz.
43. CESPE 2014/PGE - BA/Procurador. O silencio de uma das partes pode,
excepcionalmente, representar anuencia, se as circunstancias ou os usos o
autorizarem e nao for necessaria a declaracao expressa de vontade.
42. CESPE 2014/PGE - BA/Procurador. No neg6cio jurfdico unilateral, esta
presente apenas uma declaracao de vontade, sendo desnecessaria a aceitacso
de outrem para que produza efeitos.
41. CESPE 2014/PGE - BA/Procurador. E anulavelo neg6cio jurfdico sea lei
proibir a sua pratica, sem cominar sancao.
40. CESPE 2014/TJ - CE/ Analista Judlclarlo. Todas as pessoas naturais, por
possufrem capacidade de direito, podem praticar, por si pr6prias, a generalidade
dos atos da vida civil.
39. CESPE 2014/TJ - CE/ Analista Judlclario. Na concretizacao do neg6cio
jurfdico, o silencio nao tern consequencia concreta a favor das partes.
38. CESPE 2014/TJ - CE/ Analista Judlclarlo, Se, da declaracao de vontade,
for detectado o falso motive, o neg6cio jurfdico sera sempre anulado.
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37. CESPE 2014/TJ - CE/ Analista Judlclario. Os neg6cios jurfdicos devem
ser interpretados conforme a boa- fe e os usos do lugar de sua celebracao.
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l.C 2.C 3.B 4.E 5.E 6C 7.E 8.E 9.E 10.C
11.C 12.D 13.A 14.C 15.C 16.C 17.D 18.B 19.C 20.E
21C 22.E 23.E 24.E 25 C 26.E 27.C 28.C 29.E 30.E
31.E 32.E 33.E 34.C 35.E 36.E 37.C 38.E 39.E 40.E
41.E 42.C 43.C 44 E 45.E 46.E 47.C 48.E 49.C 50.C
GABARITO
SO. CESPE 2014/TC-DF / Auditor de Controle Externo. A lei civil permite que
as partes contratantes estipulem prazos decadenciais, todavia, nao pode o juiz
reconhece-los de offcio, isto e, sem a provocacao dos interessados.
49. CESPE 2014/TC-DF / Auditor de Controle Externo. Embora a renuncia da
prescricao seja admitida pelo C6digo Civil brasileiro, esse ato abdicativo somente
podera operar ap6s a consumacao da prescricao e desde que nao acarrete
prejuizo para terceiros.
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manifestamente desproporcional ao valor da prestacao oposta, exigindo-se, para
a sua confiquracao, ainda, o dolo de aproveitamento, conforme a doutrina
rnajoritaria.
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cornentartoi
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 166. E nulo o neg6cio jurfdico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e enuieve! o neg6cio Jurfdico:
I - por incapacidade relativa do agente;
Gabarito correto.
2. CESPE 2017 /SEDF/ Analista de Gestao Educacional - Direito e
Legisla~ao.
No que se refere a invalidacao do neg6cio jurfdico e a prescricao proveniente de
ato ilfcito, julgue o item seguinte.
Se uma pessoa relativamente incapaz celebrar um neg6cio jurfdico com uma
pessoa jurfdica, tal neg6cio firmado nao sere nulo de pleno direito, mas podera
ser anulado.
Gabarito correto.
§ 30. Em tres anos:
V - a pretensiio de repereciio civil;
cornentartoi
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 206. Prescreve:
1. CESPE 2017 /SEDF / Analista de Gestao Educacional - Direito e
Legisla~ao. No que se refere a invalidacao do neg6cio jurfdico e a prescricao
proveniente de ato ilfcito, julgue o item seguinte.
Caso uma pessoa com sessenta e cinco anos de idade seja vftima de um acidente
de vefculo que lhe cause dano material, o prazo prescricional para que haja a
reparacao civil sera de tres anos a partir da data do fato.
• & COMENTADAS
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A Alternativa "d" esta errada
A Alternativa "c" esta errada
Conforme o art. 181 do CC:
Art. 181. Ninquem pode reclamar o que, por uma obriga!;ao anulada, pagou a um
incapaz, se nao provar que reverteu em proveito dele a importsncie paga.
A Alternativa "b" esta correta
Conforme o art. 170 do CC:
Art. 170. Se, porem, o neg6cio Jurfdico nulo contiver os requisitos de outro, subsistire
este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se
houvessem previsto a nulidade.
comentartoi
A Alternativa "a" esta errada
Conforme os art. 171, incise II e 177 do CC:
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e anulavel o negocio
juridico:
II - por vlcio resultante de erro, dolo, coa~ao, estado de perigo, lesao ou fraude contra
credo res.
Art. 177. A anulabilidade nao tem efeito antes de julgada por sentence, nem se
pronuncia de oficio; s6 os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos
que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.
3. 2016 CESPE/TCE-PR/ Analista de Controle - Juridica. A respeito da
disciplina do neg6cio jurfdico no C6digo Civil, assinale a opcao correta.
a) Em ac;ao que vise a discussao de clausulas contratuais, o juiz devera, de
offcio, declarar a nulidade do neg6cio caso verifique que o devedor foi
coagido a contratar.
b) Um contrato de compra e venda de im6vel que for realizado sem escritura
publics podera ser convertido em promessa de compra e venda.
c) Caso o juiz decrete a nulidade de obriqacao que uma pessoa pagou a um
incapaz, ficara afastada a possibilidade de o devedor reclamar o que pagou
ao credor incapaz, independentemente de este ter ou nao se beneficiado
do neg6cio.
d) Se um dos declarantes ocultar sua verdadeira intencao quanto aos efeitos
juridicos do neg6cio, este sere inexistente por ausencia de manifestacao
qualificada.
e) 0 silencio de uma das partes quanto ao neg6cio ju fdico proposto nao tern
o condao de criar vfnculo, sendo necessaria decleracao de vontade
expressa.
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comentarlor
De acordo com o CC:
O menor, ao completar dezesseis anos de idade e considerado relativamente
incapaz.
Art. 40. Sao incapazes, relativamente a certos atos ou a maneira de os exercer: I
- os maiores de dezesseis e menore de dezoito anos;
Devendo ser representado judicial e extrajudicialmente ate os 16 {dezesseis)
anos, nos atos da vida civil.
Art. 1. 634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situa<;ao conjugal, o
pleno exercfcio do poder fam liar que consiste em, quanto aos fi/hos:
VII - representa-los Jud cial e extrajudicialmente ate os 1.6 (dezesseis) anos, nos
atos da vida civil, e assisti-los, ap6s essa idade, nos atos em que forem partes,
suprindo-lhes o consentimento;
Sob pena do Neg6cio Juridico ser anulavel.
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e anulavel o negocio
juridico:
I - par incapacidade relativa do agente;
Ainda, a capacidade de direito e obtida com o nascimento com vida conforme o
art. 1 ° do CC:
Art. 1 o, Toda pessoa e capaz de direitos e deveres na ordem civil.
Gabarito errado
4. 2016 CESPE/TCE-PR/ Analista de Controle - Juridica. 0 menor, ao
completar dezesseis anos de idade, adquire capacidade de direito, ainda que nao
tenha sido emancipado.
A Alternativa "e" esta errada
Conforme o art. 111 do CC:
Art. 111. O sitenc!o importa enuencie, quando as circunstencies ou os usos o
autorizarem, e nao for necesserie a decteredio de vontade expressa.
Gabarito letra B
Art. 110. A manifesta~ao de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a
reserva mental de nao querer o que manifestou, salvo se de/a o destineterio tinha
conhecimento.
Conforme o art. 110 do CC:
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comentario:
8. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. A respeito da
prescricao e da decadencia, julgue o item que se segue.
Corre normalmente a prescricao contra os ausentes do pafs a service publico dos
municfpios.
comentarlo:
Questao literal do art. 209 do CC/2002:
Art. 209. E nu/a a renuncie a decedericie fixada em lei.
Gabarito errado.
7. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. A respeito da
prescricao e da decadencia, julgue o item que se segue.
Por ser rnateria de ordem publica, a renuncia a decadencia fixada em lei e
anulavel.
comentarlor
Salvo disposicao legal em contrario, nao se aplicam a decadencia as normas que
impedem,suspendem ou interrompem a prescricao.
Art. 207. Salvo disposi~ao legal em contrerio, nio se aplicam a decadencia as
normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescriciio.
Gaba rito co rreta.
6. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. A respeito da
prescricao e da decadencia, julgue os itens que se seguem.
Nao se aplicam a decadencia as normas que interrompem a prescricao, salvo
disposicao legal em contrario.
Art. 192. Os prazos de prescriceo nao podem ser alterados por acordo das partes.
Gabarito errado.
comentarto:
O prazo de prescricao nao pode ser alterado pelas partes. Esta expresso no art.
192 do CC:
5. CESPE 2016/TCE-PA/ Auxiliar Tecnlco de Controle Externo. Os prazos
de prescricao podem ser alterados por acordo entre as partes.
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comentartoi
O enunciado n°149 do Conselho da Justice Federal, se manifestou sobre o
Princfpio da conservacao dos Neg6cios Jurfdicos de seguinte forma:
Art. 157. Em aten<;ao ao principio da conserveceo dos contratos, a veriticeciio da
lesao devere conduzir, sempre que possf vel, a revisiio Judicial do neg6cio Jurfdico e nao
a sua eriuleciio, sendo dever do magistrado incitar os contratantes a seguir as regras do
art. 157, § 20, do C6digo Civil de 2002.
§ 2°. Nao se decretara a anula~ao do negocio, se for oferecido suplemento
suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redu<;ao do proveito.
Gabarito correto.
10. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. Em observancia ao
princfpio da conservacao contratual, caso ocorra o vfcio do consentimento
denominado lesao, a parte lesionada pode optar pela revisao judicial do neg6cio
jurfdico, ao inves de pleitear sua anulacao.
comentartoi
Os prazos prescricionais sao fixados por lei para o exercrcro da pretensao,
fazendo-a valer em jufzo, assim sendo nao podera ser alterado por acordo
das partes. Portanto, nao tern natureza convencional e nao podem ser alterados,
nem reduzidos, nem aumentados pelos particulares por simples acordo volitivo.
Vale lembrar que a natureza convencional diz respeito a decadencia e nao a
prescricao.
Art. 192. Os prazos de prescridio nao podem ser alterados por acordo das partes.
Gabarito errado.
9. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. As partes
contratantes podem, de comum acordo, alterar os prazos prescncronars
referentes a pretensoes de direitos disponfveis e, nessa hip6tese, a prescricao
tera natureza convencional.
Gabarito errado.
III - contra os que se acharem servindo nas For~as Armadas, em tempo de
auerra.
II - contra os ausentes do Pais em servico publico da Uniiio, dos Estados ou dos
Municfpios;
I - contra os incapazes de que trata o art. 32; (absolutamente incapazes}
Art. 198. Tambem nao corre a prescri~ao:
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A Alternativa "b" esta errada
O C6digo Civil preve mecanismos de coercao. Por exemplo:
Art. 555. A doa~ao pode ser revogada por ingratidao do aonetetio, ou por inexecuciio
do encargo.
comentario.
A Alternativa "a" esta errada
Na situacao narrada, o evento morte funciona como termo e nao como condicao.
Art. 121. Considera-se condidio a cleusuie que, derivando exclusivamente da vontade
das partes, subordina o efeito do neg6cio jurfdico a evento futuro e incerto.
12. CESPE 2016/PC-PE/Delegado de Policia. A respeito dos elementos
acidentais do neg6cio jurfdico, assinale a opcao correta.
a) Situacao hipotetica: Maria celebrou contrato de doacao de bem im6vel a
Joao. Na neqociacao, ficou estipulado que a transferencia do bem somente
se aperfeicoara quando da mo rte da doadora. Assertiva: Nessa situacao, o
evento morte funciona como condicao.
b) 0 encargo e elemento acidental caracte fstico dos neg6cios jurfdicos que
envolvam liberalidade. Em caso de inexecucao do encargo pelo beneficiado,
nao ha previsao de mecanismos de coercao direta ou indireta por parte do
disponente.
c) 0 termo nao essencial e aquele que nao admite o cumprimento do objeto
do neg6cio jurfdico ap6s o seu vencimento.
d) Denomina-se condicao a clausula acess6ria pela qual as partes subordinam
a eficacia do neg6cio a acontecimento futuro e incerto.
e) Em caso de nulidade do neg6cio jurfdico, a condicao voluntariamente
declarada pelas partes nao sere alcancada, permanecendo valida.
comentarto:
O devedor que pagar dfvida prescrita nao pode reaver o valor pago, pois segundo
se depreende da redacao do artigo 882 do CC, nao se pode pedir a repeticao do
pagamento de dfvidas prescritas.
Art. 882. Nao se pode repetir o que se pagou para solver dfvida prescrita, ou cumprir
obriga<;ao judicialmente inexigf vel.
Gabarito correto.
11. CESPE 2016/TCE-PA/ Auditor de Controle Externo. Nao tera direito a
repeticao do indebito o devedor que saldar dfvida prescrita.
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46 Carlos Roberto Gonc;alves. Direito Civil Brasileiro. Vol.1. 4a ed. 2017
13. 2016/CESPE/PC-PE/Delegado de Policia. Assinale a opcao correta a
respeito dos defeitos dos neg6cios jurfdicos.
a) Na lesao, os valores vigentes no memento da celebracao do neg6cio jurfdico
deverao servir como perarnetro para se aferir a proporcionalidade das
prestacoes,
b) Os neg6cios jurfdicos eivados pelo dolo sao nulos.
c) A coacao exercida por terceiro estranho ao neg6cio jurfdico torna-o nulo.
d) Age em estado de perigo o indivfduo que toma parte de um neg6cio jurfdico
sob premente necessidade ou por inexperiencia, assumindo obriqacao
manifestamente desproporcional ao valor da prestacao oposta ferindo o
carater sinalaqrnatico do contrato.
A Alternativa "e" esta errada
Se o neg6cio juridico for considerado nulo, a nulidade tarnbern atinqire a
condicao. Pois, a condicao e um elemento acidental do neg6cio jurfdico. - I 1Mf(b,..efa.,
c__ O acess6rio segue o principal!!
Gabarito letra D
A Alternativa "d" esta correta
Denomina-se condicao a clausula acessona pela qual as partes subordinam a
eficacia do neg6cio a acontecimento futuro e incerto.
Art. 121. Considera-se condi<;ao a cleusuie que, derivando exclusivamente da vontade
das partes, subordina o efeito do neg6cio jurfdico a evento futuro e incerto.
A Alternativa "c" esta errada
Trata-se de termo essencial.
O termo essencial e aquele que nao admite o cumprimento do objeto do neg6cio
jurfdico ap6s o seu vencimento.
O termo pode ser essencial e nao-essencial. Diz-se que e essencial quando o
efeito pretendido deva ocorrer em memento bem precise, sob pena de, verificado
depois, nao ter mais valor. Exemplo: em um contrato que determine a entrega
de um vestido para uma cerirnonia, se o vestido for entregue depois, nao tern
mais a utilidade visada pelo credor46.
Je o termo nao essencial e aquele cujo efeito pretendido nao precisa ocorrer em
memento precise, pois continuara tendo valor se verificado depois.
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A Alternativa "d" esta errada
Trata-se da lesao e nao do estado de perigo!
Na lesao, o indivfduo que toma parte de um neqocio jurfdico sob premente
necessidade ou por inexperiencia, assumindo obriqacao manifestamente
A Alternativa "c" esta errada
A coaceo exercida por terceiro estranho ao neg6cio jurfdico torna-o nulo.
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 154. Vicia o neg6cio Jurfdico a coa~ao exercida por terceiro, se de/a tivesse ou
devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responders solidariamente
com aquele por perdas e danos.
Art. 155. Subsistire o neg6cio Jurfdico, sea coac;ao decorrer de terceiro, sem que a parte
a que aproveitede/a tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coecso
responders por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto.
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e anulavel o negocio
juridico:
II - por vlcio resultante de erro, dolo, coeciio, estado de perigo, lesao ou fraude contra
credo res.
A Alternativa "b" esta errada
Os neg6cios jurfdicos eivados pelo dolo sao anuliiveis
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 145. Sao os neg6cios Jurfdicos anulaveis por dolo, quando este for a sua causa.
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e anulavel o negocio
juridico:
II - por vfcio resultante de erro, dolo, coeciio, estado de perigo, lesao ou fraude contra
credo res.
comentarto:
A Alternativa "a" esta correta
Na lesao, os valores vigentes no memento da celebracao do neg6cio jurfdico
deverao servir como para metro para se aferir a proporcionalidade das prestacoes.
De acordo com o §1 °, do art. 157 do CC:
§ 1 o, Aprecia-se a desproporcso das prestecoes segundo os valores vigentes ao tempo
em que foi celebrado o neg6cio jurfdico.
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e) Se em um neg6cio jurfdico, ambas as partes agem com dolo, ainda assim
podem invocar o dolo da outra parte para pleitear a anulacao da avenca.
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A Alternativa "b" esta errada
De acordo com o art. 209 do CC:
Art. 209. E nu/a a renuncie a decsdencie fixada em lei.
comentarlo:
A alternativa "a" esta errada
De acordo com o art. 193 do CC:
Art. 193. A prescri~iio pode ser alegada em qualquer grau de jurisdi~iio, pela
parte a quern aproveita.
14. 2016/CESPE/PC-PE/Delegado de Policia. Acerca de prescricao e
decadencia no direito civil, assinale a opc;ao correta.
a) A prescricao nao pode ser arguida em grau recursal.
b) Desde que haja consenso entre os envolvidos, e possfvel a renuncia previa
da decadencia determinada por lei.
c) A prescricao nao corre na pendencia de condicao suspensiva.
d) Ao celebrarem neg6cio jurfdico, as partes, em livre rnanifestacao de
vontade, pod em alterar a prescricao prevista em lei.
e) E valida a renuncia da prescricao, desde que determinada expressamente
antes da sua consurnacao.
A Alternativa "e" esta errada
De acordo com o art. 150 do CC:
Art. 150. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alega-lo para
anular o neg6cio, ou reclamar indeniza~iio.
Gabarito letra A
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando elquem, premido da necessidade de
salvar-se, ou a pessoa de sua famflia, de grave dano conhecido pela outra parte, assume
obriga~iio excessivamente onerosa.
Pereqreto iinico. Tratando-se de pessoa nao pertencente a famflia do declarante, o juiz
decidire segundo as circunstencies.
Art. 157. Ocorre a lesao quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por
tnexperiencie, se obriga a prestac;ao manifestamente desproporcional ao valor da
presteciio oposta.
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desproporcional ao valor da prestacao oposta ferindo o carater sinalaqrnatico do
contrato.
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comentario:
16. 2016/CESPE/ TRE-PI / Analista Judiciario - Judiciarla, A rernissao de
dfvida que leve o devedor a insolvencia configura
a) abuso de direito.
b) rna-fe.
c) fraude contra credores.
d) dolo.
e) lesao.
comentartor
Conforme a jurisprudencia do STJ:
Sumui« n° 278 do STJ: O termo inicial do prazo prescricional, na a<;ao de indenizecso, e
a data em que o segurado teve ciencia inequivoca da incapacidade laboral.
Gabarito correto
15. 2016/CESPE/ TCE-SC / Auditor Fiscal de Controle Externo - Direito.
A respeito do neg6cio jurfdico, da prescricao e das obriqacoes, julgue o item que
se segue.
Conforme a jurisprudencia do STJ, em se tratando de ac;ao de indenizacao, o
inicio da fluencia do prazo prescricional ocorre com o conhecimento da violacao
ou da lesao ao direito da vftima
A alternativa "e" esta errada
De acordo com o art. 191 do CC:
Art. 191. A reruincie da prescricso pode ser expressa ou tecite, e s6 velere, sendo feita,
sem prejufzo de terceiro, depois que a prescridio se consumar; tecite e a renuncie
quando se presume de fatos do interessado, incompatfveis com a prescricso.
Gabarito letra C
A alternativa "d" esta errada
De acordo com o art. 192 do CC:
Art. 192. Os prazos de prescriceo nao pod em ser alterados por acordo das partes.
A alternativa "c" esta correta
De acordo com o art. 199, inciso I do CC:
Art. 199. Nao corre igualmente a prescricso:
I - pendendo condi~ao suspensiva.
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A alternativa "a" esta errada
O prazo prescricional anual e suspenso com o pedido administrative do
pagamento, enquanto que o pagamento parcial interrompe a prescricao por
qualquer ato inequfvoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito
pelo devedor.
Surnula 229 do STJ:
O pedido do pagamento de indeniza~ao a seguradora suspende o prazo de prescricso
ate que o segurado tenha ciencie da aecisiio.
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 206. Prescreve:
§10. Em um ano:
II - a pretensiio do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o
prazo:
Gabarito:
17. 2016/CESPE/ TJ-DFT / Juiz. Suponha que, entabulado contrato
facultativo de seguro de vida e acidentes pessoais, em decorrencia do sinistro, o
segurado pleiteou da seguradora o respective pagamento. Assinale a opcso
correta no que se refere a prescricao.
a) 0 prazo prescricional anual e interrompido com o pedido administrative do
pagamento, bem como com o pagamento parcial diante da nova pretensao
de cornplernentacao.
b) 0 prazo prescricional anual e interrompido com o pedido administrative do
pagamento, voltando a correr por inteiro a partir de eventual negativa da
seguradora.
c) 0 prazo prescricional trienal e suspense com o pedido administrative de
pagamento, voltando a correr a partir de eventual negativa da seguradora.
d) 0 prazo prescricional anual e suspense com o pedido administrative do
pagamento, voltando a correr pelo tempo restante a partir da eventual
negativa da seguradora, mas se ha pagamento parcial o prazo e
interrompido voltando a co rer por inteiro.
e) Na hip6tese de resseguro, o prazo prescricional e diverso do previsto para
a a~ao do segurado contra o segurador.
• t nos remete a palavra MISSA = PERDAO.
~
leAf<brl!/tl!/
ReMISSAo
Gabarito letra C
Art. 158. Os neg6cios de trensmissiio gratuita de bens ou remissiio de divida, se os
praticar o devedor ja insolvente, ou por eles reduzido a insolvencie, ainda quando o
ignore, poderiio ser anulados pelos credores auiroqreterios, como lesivos dos seus
direitos.
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A alternativa "c" esta errada
O prazo prescricional anual e suspense com o pedido administrative do
pagamento, voltando a correr de onde parou, a partir da eventual negativa da
seguradora.
Surnula 229 do STJ:
O pedido do pagamento de indeniza<;ao a seguradora suspende o prazo de prescriciio
ate que o segurado tenha ciencie da decisiio.
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 206. Prescreve:
§10. Em um ano:
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 206. Prescreve:
§10. Em um ano:
II - a pretensiio do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o
prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que e citado
para responder a a<;ao de tndenizeciio proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que
a este indeniza, com a enuencie do segurador.
SUSPENSAO
0----
B Volta a contar de
R onde parou. ContaQ o prazo que sobrou.
u
INTERRUPc;Ao *
N
T O prazo volta a
E contar por inteiro,
I ou seja, do zero.
R
0
Surnula 229 do STJ:
O pedido do pagamento de indenizecso a seguradora suspende o prazo de prescricso
ate que o segurado tenha ciencie da decisiio.
A alternativa "b" esta errada
O prazo prescricional anual e suspenso com o pedido administrative do
pagamento, voltando a correr de onde parou a partir da eventual negativa da
seguradora.
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que e citado
para responder a a<;ao de indenizeciio proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que
a este indeniza, com a enuencle do segurador.
Art. 202. A interrupf;ao da prescriciio, que somente podere ocorrer uma vez, der-se-e:
VI - por qualquer ato inequfvoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento
do direito pelo devedor.
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A alternativa "e" esta errada
O prazo prescricional para a pretensao de resseguro e o mesmo previsto para a
ac;ao do segurado contra o segurador.
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 206. Prescreve:
§10. Em um ano:
II - a pretensiio do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o
prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que e citado
para responder a aqao de indenizaqao proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que
a este indeniza, com a enuencie do segurador.
VI - por qualquer ato inequfvoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento
do direito pelo devedor.
A alternativa "d" esta correta
O prazo prescricional anual e suspense com o pedido administrative do
pagamento, voltando a correr pelo tempo restante a partir da eventual negativa
da seguradora, mas se ha pagamento parcial o prazo e interrompido voltando a
correr por inteiro.
No pagamento parcial a lnterrupcao da prescrlcao dar-se-a por ato ato
inequfvoco que importe reconhecimento do direito pelo devedor.
Surnula 229 do STJ:
O pedido do pagamento de indenizaqao a seguradora suspende o prazo de prescridio
ate que o segurado tenha ciencis da decisiio.
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 206. Prescreve:
§10. Em um ano:
II - a pretensiio do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o
prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que e citado
para responder a aqao de indenizaqao proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que
a este indeniza, com a enuencie do segurador.
Art. 202. A interrupciio da prescri~ao, que somente podere ocorrer uma vez, der-se-
a:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que e citado
para responder a aqao de indenizedio proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que
a este indeniza, com a enuencie do segurador.
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II - a pretensiio do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o
prazo:
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A alternativa "c" esta errada
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 109. No neg6cio jurfdico celebrado com a cieusule de nao valer sem instrumento
publico, este e da substancia do ato.
A alternativa "b" esta correta
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 174. E escusada a contirmeceo expressa, quando o neg6cio ja foi cumprido em
parte pelo devedor, ciente do vfcio que o inquinava.
Art. 175. A contirmeciio expressa, ou a execuciio volunterie de neg6cio enulevel, nos
termos dos arts. 172 a 174, importa a extinqao de todas as aqoes, ou excecoes, de que
contra ele dispusesse o devedor.
comentartoi
A alternativa "a" esta errada
De acordo com o art. 110 do CC:
Art. 110. A menitestecso de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva
mental de nao querer o que manifestou, salvo se de/a o destinatario tinha
conhecimento.
18. 2016/CESPE/ TCE-PR I Auditor. No que diz respeito aos neqocios
juridicos e 5Ua5 invalidades, assinale a opcao correta.
a) A reserve mental de nao querer o que manifestou torna anulavel o neg6cio
juridico firmado, ainda que seja de conhecimento do destinatario.
b) Tratando-se de neg6cio jurfdico anulavel, dispensa-se a confirrnacao
expressa das partes se o devedor tiver cumprido parte de sua obriqacao
ciente do vicio.
c) Ainda que estabelecida a denominada clausu a de nao valer 5em
instrurnento publico, 5e o bem for m6vel, a transferencia podera 5er
realizada por ce55§0 de direitos particular.
d) 0 motivo ilicito de uma das partes torna o neg6cio juridico nulo 5e for
determinante para sua reelizacao.
e) Sendo o objeto do direito indivisivel, a incapacidade relativa de uma das
partes nao aproveita aos cointeressados capazes.
especificarnente de DPVAT, por 1550 o prazo @ A questao nao trata
prescricional e de 1 (um) ano.
Gabarito letra D
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comentarlo:
Reserva mental e uma declaracao nao querida em seu conteudo, tendo por
objetivo enganar o destinatarlo, sendo que a vontade declarada nao
coincide com a vontade real do declarante. 0 declarante oculta a sua
verdadeira intencao. Digamos, por exemplo, que Jose, por brincadeira, estipulou
determinado valor para um contrato com Pedro (declaratario), se Pedro nao tinha
conhecimento da brincadeira, Jose ( declarante) nao podera invocar a reserva
mental para anular neg6cio jurfdico que realizou.
20. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. A reserva mental de nao querer o que
manifestou torna anulavel o neg6cio juridico firmado, ainda que seja de
conhecimento do destinatario.
comentarlor
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECEBIMENTO DE DENUNCIA POR AUTORIDADE
INCOMPETENTE E PRESCRI<;AO. Quando a autoridade que receber a denuncia for
incompetente em razao de prerrogativa de foro do reu, o recebimento da pe~a
ecusetori« sera ato absolutamente nulo e, portanto, nao interrompere a
prescri~ao. Precedente citado do STJ: REsp 819.168 - PE, Quinta Turma, DJ 5/2/2007.
Precedente citado do STF: HC 63.556 - RS, Segunda Turma, DJ 9/5/1986.
APn 295 - RR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/12/2014, DJe 12/2/2015
(Informativo 555).
Gabarito correto.
19. CESPE 2016/TRE-PI/ Analista Judiclarlo-judiclaria, O recebimento de
denuncia por magistrado absolutamente incompetente nao interrompe a
prescricao penal.
A alternativa "e" esta errada
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes nao pode ser invocada pela outra
em beneffcio pr6prio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso,
for indivisfvel o objeto do direito ou da obrigaqao comum.
Gaba rito letra B
A alternativa "d" esta errada
De acordo com o C6digo Civil:
Art. 166. E nulo o neg6cio jurfdico quando:
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilfcito;
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24. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. Sendo o objeto do direito indivisfvel, a
incapacidade relativa de uma das partes nao aproveita aos cointeressados
capazes.
comentarlo:
Art. 166. E nulo o neg6cio Jurfdico quando:
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilfcito;
Gabarito errado.
23. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. 0 motivo ilfcito de uma das partes torna o
neg6cio jurfdico nulo se for determinante para sua realizaceo.
comentartoi
Art. 109. No neg6cio Jurfdico celebrado com a cleusul« de nao valer sem instrumento
publico, este e da substsncie do ato.
Gabarito errado.
22. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. Ainda que estabelecida a denominada
clausula de nao valer sem instrumento publico, se o bem for m6vel, a
transferenciapodera ser realizada por cessao de direitos particular.
comentarto:
A confirrnacao tacita e permitida quando o neg6cio je foi cumprido em parte e o
devedor estava ciente do vfcio, isto conforme art.174 do CC:
Art. 174. E escusada a contirmedio expressa, quando o neg6cio ja foi cumprido em parte
pelo devedor, ciente do vicio que o inquinava.
Gabarito correto
21. CESPE 2016/TCE-PR/ Auditor. Tratando-se de neg6cio jurfdico anulavel,
dispensa-se a confirrnacao expressa das partes se o devedor tiver cumprido pa rte
de sua obriqacao ciente do vfcio.
Gabarito errado
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Art. 110. A manifesta~ao de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a
reserva mental de niio querer o que manifestou, salvo se de/a o destinatario tinha
conhecimento.
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comentarlo:
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando etauem, premido da necessidade de
salvar-se, ou a pessoa de sua famflia, de grave dano conhecido pela outra parte, assume
obrigaqao excessivamente onerosa.
27. CESPE 2015/TRF 1a Regiao/Juiz Federal Substituto. Maria, rnedica
cardiologista, que namora Paulo, mas com ele nao rnantern uniao estavel, ajuizou
ac;ao anulat6ria de neg6cio juridico de compra e venda contra a empresa
Biotecnologia Ltda. Para tanto, sustentou que adquiriu dare um aparelho do tipo
marca-passo, que foi implantado em seu namorado Paulo, em carater de
urqencia, mediante a ernissao de um cheque no valor de R$ 10.000,00. 0
aparelho em questao e comumente vendido no mercado por R$ 4.000,00. Nessa
situacao hipotetica, para que o pedido seja julgado procedente, deve ficar
demonstrado por Maria o dolo de aproveitamento da fornecedora do material, ou
seja, a vilania do outro contratante.
comentartoi
Art. 131. O termo inicial suspende o exercfcio, mas nao a aquisiqao do direito.
Gabarito errado.
26. CESPE 2016/FUNPRESP-EXE/Especialista-area juridica. Ainda que o
neg6cio juridico consista em evento future dotado de certeza, o seu termo inicial
suspende a aquisicao do direito.
Gabarito correto.
Art. 196. A prescricso iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu
sucessor.
comentarto:
25. CESPE 2016/FUNPRESP-EXE/Especialista-area juridica. O prazo
prescricional iniciado contra uma pessoa continuara a correr contra o seu
sucessor.
comentarto:
Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes nao pode ser invocada pela
outra em beneficio proprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se,
neste caso, for indivisfvel o objeto do direito ou da obrigaqao comum.
Gabarito errado.
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comentarlo:
GRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESCISAO DE COMPROMISSODE
COMPRA E VENDA DE IMOVEL. IMPONTUALIDADE. DANO MORAL.INEXISTENCIA. 1. O
mero inadimplemento contratual nao enseja, par si so, indeniza~ao par dano
moral. "Salvo circunstancia excepcional que coloque o contratante em situa~ao
de extraordinaria angustia ou humilha~ao, nao ha dano moral. Isso porque, o
dissabor inerente a expectativa frustrada decorrente de inadimplemento contratual se
insere no cotidiano das reiecoes comerciais e nao implica lesao a honra ou violeceo da
dignidade humana" (REsp n. 1.129.881/RJ,relator Ministro MASSAMI UYEDA, 3a Turma,
unsnime, DJe 19.12.2011). 2. Agravo regimental a que se nega provimento.
(STJ, Relator: Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Data de Julgamento: 03/05/2012, T4
- QUARTA TURMA)
Gabarito errado.
29. CESPE 2015/TRE-GO/ Analista Judlclarlo Considere a seguinte situacao
hipotetica.
Ricardo e Andrea adquiriram im6vel residencial de uma construtora que prometeu
a entrega do bem em janeiro de 2013. Entretanto, o im6vel foi entregue somente
em fevereiro de 2014, o que obrigou o casal a residir na casa de parentes por um
ano.
Nessa situacao, os adquirentes fazem jus a indenizacao por danos morais em
razeo do atraso na entrega do im6vel.
comentartoi
Sumula 54 do STJ: "Os juros morat6rios fluem a partir do evento danoso, em
caso de responsabilidade extracontratual".
O caso da afirmativa, acidente provocado por condutor de vefculo, e de
responsabilidade extracontratual.
Gabarito correto.
28. CESPE 2015/TRE-GO/ Analista Judlclarlo, Carla, com vinte e um a nos de
idade, sofreu lesces ffsicas em decorrencia de acidente provocado por condutor
de veiculo oficial. Nessa situacao, o prazo prescricional a ser observado por Carla
para o ajuizamento de eventual ac;ao de indenizacao por danos materiais
cornecou a correr a partir da data do acidente.
Pereqreto unico. Tratando-se de pessoa nao pertencente a familia do declarante,
o juiz decidira segundo as circunstiincies.
Ou seja, no caso da afirmativa o juiz decidira segundo as circunstancias, no caso
de acordo com o dolo de aproveitamento.
Gabarito correto.
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comentarlo:
Art. 193. A prescriciio pode ser alegada em qualquer grau de jurisdi~ao, pela parte a
quern aproveita.
Pode ser alegada, a prescricao, pelo devedor, que e a parte a quern aproveita.
Gabarito errado.
33. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. A prescncao podera ser
alegada por conjuqe, ascendente ou descendente, da parte que aproveite, caso
seja demonstrado beneficio jurfdico que os afete direta ou indiretamente.
32. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. Por ser medida que vai ao
encontro do interesse publico, a reducao dos prazos prescricionais e permitida
pelo C6digo Civil.
comentartor
Art. 192. Os prazos de prescridio nao pod em ser alterados por acordo das partes.
Gabarito errado.
comentarlor
Art. 191. A rerusncie da prescricso pode ser expressa ou tecite, e s6 velere, sendo feita,
sem prejufzo de terceiro, depois que a presc i<;ao se consumar; tecite e a reruincie
quando se presume de fatos do interessado, incompatfveis com a prescricso.
Gabarito errado.
31. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. Diferentemente do que ocorre
com a renuncia expressa, o C6digo Civil estabelece que a renuncia tacita a
prescricao somente podera ocorrer ap6s a consurnacao do prazo.
comentarto:
Entre marido e mulher nao correra a prescricao ainda nao iniciada; e, se iniciada,
ela sere suspensa, de acordo com o art. 197, I do CC.
Gabarito errado
30. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. Entre os conjuqes, na
constancia da sociedade conjugal, o prazo prescricional podera ser interrompido,
mas nao suspense, ja que vai de encontro a ordem publica o alongamento
indefinido do prazo.
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cornentarior
Art. 113. Os neg6cios jurfdicos devem ser interpretados conforme a boe-te e os usos
do lugar de sua celebredio.
37. CESPE 2014/TJ - CE/ Analista Judlciario, Os neg6cios jurfdicos devem
ser interpretados conforme a boa- fe e os uses do lugar de sua celebracao.
comentario:
Art. 111. o silencio importa enuencie, quando as circunstencies ou os usos o
autorizarem, e nao for necesserie a decteredio de vontade expressa.
Gabarito errado.
36. CESPE 2015/TJ-PB/Juiz Substituto. De acordo com o C6digo Civil de
2002, nao e permitido que o silencio de um dos participantes seja interpretado
come caracterizador de concordancia com o neg6cio.
comentartoi
Art. 114. Os neg6cios jurfdicos beneticos e a reruincie interpretam-se estritamente.
Gabarito errado.
35. CESPE 2015/TJ-PB/Juiz Substituto. Os neg6cios jurfdicos que
estabelec;am beneffcio devem ter interpretacao ampla.
comentarto:
Esta afirmativa esta correta, de acordo com o informative 470 do STJ.
RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MEDICO. CONHECIMENTODALESAO POSTERIORMENTE AO FATO LESIVO. PRESCRI<;AO. TERMO A QUO.DATA DA
CIENCIA. 1. Ignorando a parte que em seu corpo foram deixados instrumentos utilizados
em procedimento cirurqico, a lesiio ao direito subjetivo e desconhecida e nao ha como a
pretensiio ser demandada em jufzo. 2. O termo a quo do prazo prescricional e a data em
que o Jesado tomou conhecimento da existencie do corpo estranho deixado no seu
abdome. 3. Recurso especial conhecido em parte e provido.
(STJ, Relator: Ministro JOAO OTAVIO DE NORONHA, Data de Julgamento: 26/04/2011,
T4 - QUARTA TURMA)
Gabarito correto.
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34. CESPE 2015/TRF sa Regiao/Juiz Federal. De acordo com o STJ, o termo
inicial do prazo prescricional das acoes indenizat6rias, em observancia ao
prindpio da actio nata, ea data em que a lesao e os seus efeitos sao constatados.
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comentarlo:
Art. 166. E nulo o negocio juridico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilicito, impossfvel ou indeterminevet o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilfcito;
IV - nao revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida a/guma so/enidade que a lei considere essencial para a sua validade;
41. CESPE 2014/PGE - BA/Procurador. E anulavel o neg6cio jurfdico sea lei
proibir a sua pratica, sem cominar sancao.
comentartoi
Somente as pessoas que possuem a capacidade de fato ou de exerdcio e que
podem praticar todos os atos da vida civil por si pr6prias.
Gabarito errado.
40. CESPE 2014/TJ - CE/ Analista Judlclarlo, Todas as pessoas naturais, por
possufrem capacidade de direito, podem praticar, por si pr6prias, a generalidade
dos atos da vida civil.
comentartoi
Art. 111. O si!encio importa enuencie, quando as circunstsncies ou os usos o
autorizarem, e nao for necesserie a dectereciio de vontade expressa.
Gabarito errado.
39. CESPE 2014/TJ - CE/ Analista Judlclario. Na concretizacao do neg6cio
jurfdico, o silencio nao tern consequencia concreta a favor das partes.
comentarto:
Art. 140. O fa/so motivo s6 vicia a dectereciio de vontade quando expresso como razao
determinante.
Gabarito errado.
38. CESPE 2014/TJ - CE/ Analista Judlclarlo, Se, da declaracso de vontade,
for detectado o false motive, o neg6cio jurfdico sere sempre anulado.
Gabarito correto.
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45. CESPE 2014/TCE - PB/Procurador. E nulo o neg6cio jurfdico celebrado
por pessoa relativamente incapaz.
comentarlo:
Art. 172. O negocio anulavel pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de
terceiro.
Art. 174. E escusada a contirmedio expressa, quando o neg6cio ja foi cumprido em parte
pelo devedor, ciente do vfcio que o inquinava.
Gabarito errado.
44. CESPE 2014/TCE PB/Procurador. A confirrnacao pelas partes do
neg6cio jurfdico anulavel deve ser expressa, ainda que parte do avencado ja
tenha sido cumprida pelo devedor, ciente do vfcio que o inquinava.
comentartoi
Art. 111. o silencio importa anuencia, quando as circunstsnctes ou os usos o
autorizarem, e nao for necesserie a dectereciio de vontade expressa.
Gabarito correto.
43. CESPE 2014/PGE - BA/Procurador. 0 silencio de uma das partes pode,
excepcionalmente, representar anuencia, se as circunstancias ou os usos o
autorizarem e nao for necessaria a declaracao expressa de vontade.
comentarto:
Lembre-se do que estudamos em aula:
No neg6cio jurfdico unilateral, esta presente apenas uma declaracao de vontade,
sendo desnecessaria a aceitacao de outrem para que produza efeitos.
Gabarito correto.
42. CESPE 2014/PGE - BA/Procurador. No neg6cio jurfdico unilateral, esta
presente apenas uma declaracao de vontade, sendo desnecessaria a aceitacao
de outrem para que produza efeitos.
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a pratica, sem cominar
san~ao.
Gabarito errado.
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VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
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comentarlo:
Esta questao e muito importante para que saibamos o posicionamento da banca
quanto ao dolo de aproveitamento. Vimos em aula que:
Atens;ao: de acordo com o CC/2002 para que ocorra a lesao existe a
necessidade de obtencao de vantagem exagerada ou desproporcional, sem a
indagac;ao da rne-fe ou ilicitude do comportamento da parte beneficiada, que e
chamada de dolo de aproveitamento. Apesar de haver diverqencia doutrinaria a
este respeito, seguimos o entendimento do Enunciado 150 da Ill Jornada de
48. CESPE 2014/PGE - BA/Procurador. Ocorre a lesao quando uma pessoa,
em premente necessidade ou por inexperiencie, se obriga a prestacao
manifestamente desproporcional ao valor da prestacao oposta, exigindo-se, para
a sua confiquracao, ainda, o dolo de aproveitamento, conforme a doutrina
rnajoritaria.
comentartoi
Art. 140. O fa/so motivo s6 vicia a dectereciio de vontade quando expresso como razao
determinante.
Gabarito correto.
47. CESPE 2014/TCE - PB/Procurador. 0 erro referente ao motivo do neg6cio
nao o vicia, exceto se o falso motivo for expresso como razao determinante.
comentarlor
Art. 108. Nao dispondo a lei em contrerlo, a escritura pubtice e essencial a validade dos
neg6cios Jurfdicos que visem a constituiciio, trensterencie, moditiceciio ou reruincie de
direitos reais sobre im6veis de valor superior a trinta vezes o maior selerio mfnimo
vigente no Pais.
Gabarito errado.
46. CESPE 2014/TCE - PB/Procurador. A escritura publics e formalidade
essencial a validade de neg6cio jurfdico que objetive a transferencie de direitos
reais sobre im6veis, independentemente de seu valor.
comentarto:
Art. 171. A/em dos casos expressamente declarados na lei, e anulavel o neg6cio
Jurfdico:
I - por incapacidade relativa do agente;
Gabarito errado.
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~INTERVALO
comentartoi
Art. 210. Deve o juiz, de oficio, conhecer da decadencia, quando estabelecida
por lei.
Art. 211. Se a decedencie for convencional, a parte a quem aproveita pode alega-la em
qualquer grau de jurisdidio, MAS o juiz NAO pode suprir a alega<;ao.
Gabarito correto.
SO. CESPE 2014/TC-DF / Auditor de Controle Externo. A lei civil permite que
as partes contratantes estipulem prazos decadenciais, todavia, nao pode o juiz
reconhece-los de oficio, isto e, sem a provocacao dos interessados.
cornentartoi
Art. 191. A reruincie da prescri~ao pode ser expressa ou tacita, e s6 velere, sendo
feita, sem prejuizo de terceiro, depois que a prescriciio se consumar; tectte e a reruincie
quando se presume de fatos do interessado, incompatfveis com a prescriciio.
Gabarito correto.
49. CESPE 2014/TC-DF / Auditor de Controle Externo. Embora a renuncia da
prescricao seja admitida pelo C6digo Civil brasileiro, esse ato abdicativo somente
podera operar ap6s a consumacao da prescricao e desde que nao acarrete
prejufzo para terceiros.
Gabarito errado.
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Direito Civil: "A lesso de que trata o art. 157 do C6digo Civil nao exige dolo de
eproveitemento".
Desta forma, para que a lesao se configure sera indiferente o conhecimento do
estado da vftima pelo autor da lesao.