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IBET - Módulo II - Seminário VII - ICMS Mercadoria

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Módulo Incidência e Crédito Tributário
Seminário VII
ICMS – MERCADORIAS
ALUNA: AYLA LOBO
Questões
1. Construir a(s) regra(s)-matriz(es) do ICMS – Mercadorias e do ICMS – Importação.
• ICMS – Mercadorias: 
 (i) critério material, que será a transferência onerosa de mercadorias com a mudança de titularidade do bem, ou seja, o efetivo ato de mercancia, não a mera saída física do estabelecimento (ii) critério espacial, pode ser considerada em âmbito nacional, com a competência para recolhimento dos Estados; (iii) critério temporal, que será o momento da saída da mercadoria do estabelecimento, não sendo suficiente a mera saída física, mas a concretização do fato jurídico. 
Já no consequente, podemos observar os seguintes critérios: (i) critério pessoal, sujeito ativo (Estado) e sujeito passivo (responsável pela venda da mercadoria); (ii) critério quantitativo, que será a base de cálculo e a alíquota, respectivamente, o valor das mercadorias e a alíquota da respectiva legislação do Estado competente para a cobrança.
• ICMS – Importação: 
 (i) critério material, que será a importação de bens ou mercadorias do exterior, desde que efetivada a transferência de sua titularidade ao adquirente (ii) critério espacial, pode ser considerada em âmbito nacional, com a competência para recolhimento dos Estados; (iii) critério temporal, momento da entrada jurídica das mercadorias ou bens no estabelecimento do importador. 
Já no consequente, podemos observar os seguintes critérios: (i) critério pessoal, sujeito ativo (Estado) e sujeito passivo (responsável pela venda da mercadoria); (ii) critério quantitativo, que será a base de cálculo e a alíquota, respectivamente, o valor dos produtos importados e a alíquota da respectiva legislação do Estado competente para a cobrança.
2.	Qual a base de cálculo do ICMS incidente sobre a operação de circulação de mercadorias? Dentre as rubricas adiante enumeradas, quais devem compor a base de cálculo do ICMS: (i) descontos incondicionais, (ii) bonificações (iii) frete, (iv) seguro, (v) acréscimo correspondente ao financiamento realizado pelo alienante nas vendas a prazo, e (vi) o valor de mão obra cobrado a título de montagem quando a operação implicar em venda e instalação de máquinas e aparelhos?
A base de cálculo do ICMS sobre a operação de mercadorias é o valor das operações. Conforme descrevem os autores Peres e Mariano[footnoteRef:1] “é a expressão econômica do fato gerador sobre a qual se aplica um percentual (alíquota) cujo resultado é o tributo devido.” [1: PERES, Adriana Manni e MARIANO, Paulo Antônio. ICMS e IPI: Teoria e prática. 4 ed. São Paulo: IOB, 2009.] 
Ainda, como diz Roque Carrazza[footnoteRef:2], a base de cálculo do ICMS “deve necessariamente ser uma medida da operação mercantil realizada”. Até porque, se assim não for, poderá ferir ao princípio da capacidade contributiva. [2: CARRAZZA, Roque Antonio. ICMS. 12ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 77.] 
Com relação ao item (i), destaca-se a regra que prescreve a integração do desconto concedido sob condição à base de cálculo do ICMS (LC 87/96): 
“Art. 13. A base de cálculo do imposto é: (...)
§ 1º Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (...)
II - o valor correspondente a:
a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição;”
Sendo assim, os (i) descontos incondicionais, por exclusão da expressa previsão legal, não compõe a base de cálculo do tributo. 
Quanto às (ii) bonificações, importa ressaltar que a base de cálculo do ICMS é o valor da operação, afastando desta forma a tributação sobre a operação de bonificação, visto não possuem valor mercantil, pois é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda, conforme entendimento firmado pelo STJ no julgamento do REsp 1.111.156/SP.
Já o seguro, o (iii) frete, o (iv) seguro, o (v) acréscimo correspondente ao financiamento realizado pelo alienante nas vendas a prazo, e o (vi) o valor de mão obra cobrado a título de montagem quando a operação implicar em venda e instalação de máquinas e aparelhos, compõe a base de cálculo do ICMS. 
3.	O Estado de Tocantins, sem amparo em convênio do CONFAZ concede regime especial (mediante lei) a determinadas empresas, outorgando créditos de 2% toda vez que houver operações interestaduais relativas à circulação de determinadas espécies de mercadorias. O destaque na nota fiscal correspondente à remessa de mercadoria de Tocantins para São Paulo é de 12%, no entanto, o estado de São Paulo aceita somente 10% (12% - 2%) e lavra auto de infração sobre os 2% remanescentes. Pergunta-se: 
	a) pode o Estado de São Paulo vedar aos contribuintes, destinatários de mercadorias provenientes de Tocantins, o aproveitamento integral do ICMS destacado na nota fiscal por ser o remetente beneficiário de incentivo fiscal sem amparo em convênio do CONFAZ, mesmo sem a respectiva declaração de inconstitucionalidade do benefício?
Sim, o Estado de São Paulo pode vedar aos contribuintes o aproveitamento integral do ICMS destacado na nota fiscal por ser remetente beneficiário de incentivo fiscal sem amparo em convênio SEFAZ. 
Inicialmente, o texto constitucional, em seu art. 151, proíbe a instituição de tributo que não seja uniforme em todo país, com ressalvar na concessão para fins de equilíbrio social. Além disso, o art. 155, alínea “g”, estabelece que cabe à lei complementar “regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados”. 
Neste sentido, foi editada a LC nº 24/75, que dispõe sobre os convênios para a concessão de isenções do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias, e dá outras providências.
Ou seja, para evitar as chamadas “guerras fiscais” entre os estados e evitar que os incentivos concedidos fora dos convênios não prejudiquem os demais, o Estado de São Paulo pode exercer a prerrogativa de negar o aproveitamento do ICMS. 
Contudo, pensando também no contribuinte, essa negativa deve ser acompanhada do ajuizamento de uma ação direta de inconstitucionalidade, para que a lei não produza mais efeitos práticos. 
	b) a edição da Lei Complementar nº 160/2017 e o Convênio ICMS nº190/2017 alteram o cenário acima no que se refere à concessão/validação do benefício fiscal e consequentemente o direito ao crédito pelo adquirente da mercadoria? (anexo I, II e III)
Sim, alteram o cenário anterior, porque, a partir da entrada em vigor das referidas legislações, há expressa previsão legal, pelas vias corretas (lei complementar e convênio), da autorização de aproveitamento dos benefícios fiscais instituídos por lei da unidade federada de origem da mercadoria, do bem ou do serviço, não acarretarão (i) a nulidade do ato e a ineficácia do crédito fiscal atribuído ao estabelecimento recebedor da mercadoria; e (ii) a exigibilidade do imposto não pago ou devolvido, bem como a ineficácia da lei ou ato que conceda a remissão do débito correspondente.
Em que pese a medida possa parecer benéfica aos contribuintes, parece fomentar a guerra fiscal entre os Estados. 
4.	Quais foram as principais modificações trazidas pela Emenda Constitucional n. 87/15? Há alguma inconstitucionalidade nas aludidas alterações? A Emenda Constitucional nº 87/2015 respeita os limites de competência dos entes federativos na definição do critério espacial do ICMS no que tange às operações presenciais? Será devido o diferencial de alíquotas quando a operação ocorrer presencialmente? Pode a legislação infraconstitucional determinar a utilização de base de cálculo única, formada com a carga tributária do Estado de destino mediante a técnica do chamado cálculo “por dentro” para determinar o valor do diferencial de alíquotas?
Antes da Emenda Constitucional, nos termos do Art. 155, §2º, VII, b, da CF, quando o destinatário fosse Consumidor final, o
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