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o princípio e a discussão da prática de garantia da 
inclusão das crianças com necessidades educacionais especiais nestas iniciativas 
e a tomada de seus lugares de direito numa sociedade de aprendizagem.
No que diz respeito ao conceito de necessidades educacionais especiais, a Declaração assegura 
que:
...durante os últimos 15 ou 20 anos, tem se tornado claro que o conceito de 
necessidades educacionais especiais teve que ser ampliado para incluir todas 
as crianças que não estejam conseguindo se beneficiar com a escola, seja por 
que motivo que for. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no 9.394, publicada em 1996, ajusta-se à legislação 
federal e aponta que a educação dos alunos com necessidades educacionais especiais, deve se 
dar preferencialmente na rede regular de ensino.
Seguindo diretrizes da Educação Inclusiva, o Brasil, em agosto de 2009, sancionou a Convenção 
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006). Essa Convenção 
foi acolhida por nosso ordenamento jurídico, pelo Decreto no 6.949, de 25 de agosto de 2009. 
Estabelece a convenção a plena e efetiva participação e inclusão na sociedade; igualdade de 
oportunidades. Destacando no Artigo 24, 
Da Educação – a garantia de sistema educacional inclusivo em todos os níveis, 
bem como o aprendizado ao longo de toda a vida, com vistas à garantia de 
matrícula, permanência, participação, com pertencimento, ou seja, visando ao 
pleno desenvolvimento, garantindo, se necessário, adaptações curriculares, e 
que medidas de apoio individualizadas e efetivas sejam adotadas em ambientes 
que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta 
de inclusão plena.
Recentemente, o País aprovou a lei mais importante para a pessoa com deficiência, a Lei Brasileira 
de Inclusão (LBI) no 13.146/2015, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência. Tal lei é 
destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das 
liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.
Em relação à educação, em seu art. 27, a LBI diz que a educação constitui direito da pessoa com 
deficiência, assegurado sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao 
longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos 
e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e 
necessidades de aprendizagem.
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MARCOS POLÍTICOS, SOCIAIS E LEgAIS DA EDUCAçãO ESPECIAL SOB A ÓTICA DA EDUCAçãO InCLUSIvA • CAPÍTULO 1
Cabem às escolas públicas e privadas as seguintes medidas para promover a Educação Inclusiva 
da pessoa com deficiência, em todos os níveis e modalidades ao longo de toda a vida da pessoa:
 » garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem;
 » implementar projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional 
especializado;
 » garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade;
 » permitir a participação dos estudantes com deficiência e de suas famílias nas diversas 
instâncias de atuação da comunidade escolar;
 » garantir o pleno acesso do aluno com deficiência ao currículo em condições de igualdade; 
 » implementar programas de formação inicial e continuada de professores;
 » assegurar o acesso à educação profissional e tecnológica em igualdade de oportunidades 
e condições com as demais pessoas.
Cabe ressaltar que a lei também diz que é vedada a cobrança de valores adicionais de qualquer 
natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas, inclusive no fornecimento de atendimento 
educacional especializado e profissionais de apoio. 
A legislação tem avançado, prevendo normas para a adaptação dos prédios públicos e condições 
de acesso aos serviços públicos, de modo a ofertar-lhes ensino de qualidade e em conformidade 
com as necessidades de cada um. 
Entretanto, infelizmente, ainda estamos longe de cumprir a LBI, levando à judicialização do 
tema. Assim, para garantir o direito da pessoa com deficiência é preciso implementar políticas 
públicas que confiram efetividade à inclusão com qualidade e, enquanto tal não ocorrer, caberá ao 
cidadão que estiver com direito ameaçado ou violado ingressar com ação judicial para compelir 
o Poder Executivo a disponibilizar o atendimento a que ele tem direito.
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Introdução
Analisaremos, neste segundo capítulo, a relação entre Educação Regular e Educação Especial. Em 
seguida, analisaremos as concepções atuais sobre a educação e suas implicações na sociedade. 
Discutiremos as dimensões da integração após a Declaração de Salamanca. Debateremos a 
inclusão no âmbito da prática do professor e da gestão escolar. 
Objetivos 
 » Diferenciar uma escola que integra alunos com deficiência e a escola que inclui todos 
os seus alunos.
 » Refletir sobre prós e contras das Escolas Especiais.
 » Estudar as concepções atuais sobre a educação, a inclusão escolar e suas possibilidades 
educativas.
2CAPÍTULOA ESCOLA InCLUSIvA
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A ESCOLA InCLUSIvA • CAPÍTULO 2
Políticas públicas e educação especial
A diferença entre a Educação Especial e a educação “regular” não se encontra nos aspectos 
filosóficos, mas, sim, nas estratégias de ação que lhe são próprias e múltiplas, porque numerosa 
e variada é a sua clientela.
O discurso acerca da inclusão de pessoas com deficiência na escola, no trabalho e nos espaços 
sociais, em geral, tem-se propagado rapidamente entre educadores, familiares, líderes e dirigentes 
políticos, nas entidades, nos meios de comunicação etc. Isso não quer dizer que a inserção de 
todos nos diversos setores da sociedade seja prática corrente ou uma realidade já oferecida.
As políticas públicas de atenção a esse segmento, geralmente, estão circunscritas ao tripé educação, 
saúde e assistência social, costumando os demais aspectos ser negligenciados. 
A educação dessas pessoas tem sido objeto de inquietações. Muito se discute sobre o que, 
de fato, é incluir um aluno com deficiência. Ainda encontramos debates sobre se a melhor 
alternativa é ter espaços de “Educação Especial”, ou seja, um sistema paralelo de instituições e 
serviços especializados e funcionando só para os deficientes ou se tais alunos se beneficiarão 
de frequentarem a escola “regular”. 
A crise que vivemos em todo o âmbito da saúde, com falta de profissionais, materiais, remédios, 
filas de espera enormes, dentre outros, dificulta ainda mais o acesso do deficiente a toda sua rede. 
O que observamos, atualmente é que na saúde perpetua-se a atitude social de reabilitação. Ou 
seja, ela se limita a medicar e diagnosticar a pessoa com deficiência. A reabilitação compreendida 
basicamente como concessão de órteses e próteses, distante da ótica do movimento de inclusão. 
Já na assistência social, a atitude social preponderante é do assistencialismo paternal, em que o 
sujeito é considerado incapaz e, por isso, sua ação traduz-se na distribuição de benefícios e de 
escassos recursos, em um contexto de adversidade e de carência.
Em cada um desses setores, o foco do atendimento privilegia certa dimensão do sujeito. Raramente 
ele é visto como uma pessoa biopsicossocial. Seu contexto familiar, comunitário e social é levado 
em consideração separadamente, dependendo do serviço que se está buscando. 
O que se observa, nesses setores, são ações isoladas e simbólicas ao lado de um conjunto de leis, 
projetos e iniciativas insipientes e desarticuladas entre as diversas instâncias do Poder Público. 
Em todos os casos, percebemos uma concepção de um sujeito fragmentado, incompleto sem a 
necessária incorporação das múltiplas dimensões da vida humana. 
A despeito de figurar na política educacional brasileira desde o final da década de 1950 até os dias 
atuais, a Educação Especial tem sido, com grande frequência, interpretada como um apêndice 
indesejável da política de educação. O sentido a ela atribuído é, ainda hoje, muitas vezes, o de 
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CAPÍTULO 2 • A

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