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1 2 SUMÁRIO 1 ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR (ATM) .......................................................................... 4 1.1 Sistema mastigatório ............................................................................................................................. 4 1.2 Funções principais do aparelho mastigatório ..................................................................................... 4 1.3 Anatomia ................................................................................................................................................ 4 1.4 Dentes ..................................................................................................................................................... 6 1.5 Ligamento temporomandibular ........................................................................................................... 7 1.6 Ligamentos acessórios ........................................................................................................................... 8 1.7 Cápsula ................................................................................................................................................... 8 1.8 Disco articular........................................................................................................................................ 9 1.9 Músculos do complexo cérvico-crânio-mandibular: ........................................................................ 10 1.9.1 Temporal ......................................................................................................................................... 11 1.9.2 Masseter .......................................................................................................................................... 11 1.9.3 Pterigóideo Medial .......................................................................................................................... 11 1.9.4 Pterigóideo Lateral .......................................................................................................................... 11 1.9.5 Músculos supra-hióideos e infra-hióideos ...................................................................................... 12 1.9.6 Músculos faciais ............................................................................................................................. 12 1.9.7 Músculos cervicais .......................................................................................................................... 13 1.10 Origem e inserção musculares ....................................................................................................... 13 1.11 Vascularização ................................................................................................................................... 15 1.12 Inervação ......................................................................................................................................... 16 1.13 Movimento mandibular de Abertura .............................................................................................. 17 1.14 Movimento mandibular de Laterotrusão ........................................................................................ 18 1.15 Movimento mandibular de Retrusão ............................................................................................... 18 1.16 Movimento mandibular de Fechamento ......................................................................................... 18 1.17 Postura ................................................................................................................................................ 19 3 DISFUNÇÃO TÊMPORO-MANDIBULAR - DTM .............................................................................. 21 3.1 Terminologia ........................................................................................................................................ 21 3.2 Definição de DTM ............................................................................................................................... 22 3.3 Etiologia ................................................................................................................................................ 22 3.4 Sinais e Sintomas ................................................................................................................................. 23 3.5 Evolução patológica ............................................................................................................................. 24 3.6 Classificação das DTM ........................................................................................................................ 25 3.7 Classificação diagnóstica ............................................................................................................... 28 3.7.1 Disfunções articulares ..................................................................................................................... 29 3 3.7.2 Disfunções musculares ................................................................................................................... 34 3.7.3 Disfunções neurovasculares ............................................................................................................ 35 3.8 Inter-relação postura/ATM ................................................................................................................ 38 3.9 Respirador bucal ................................................................................................................................. 39 4 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA .................................................................................................... 41 4.1 Anamnese ............................................................................................................................................. 41 4.2 Exames complementares: ................................................................................................................... 44 4.2.1 Radiografia ..................................................................................................................................... 44 4.2.2 Panorâmica ..................................................................................................................................... 45 4.2.3 Tomografia ..................................................................................................................................... 45 4.2.4 Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ........................................................................................ 46 5 EXAME FÍSICO ........................................................................................................................................ 48 5.1 Inspeção ................................................................................................................................................ 48 5.2 Língua ................................................................................................................................................... 48 5.3 Posições mandibulares básicas ........................................................................................................... 49 5.4 Classificação de Angle ......................................................................................................................... 50 5.5 Palpação óssea ...................................................................................................................................... 51 5.6 Palpação muscular ............................................................................................................................... 51 5.7 Amplitude de movimento passivo ...................................................................................................... 53 5.8 Teste articular...................................................................................................................................... 53 5.9 Teste muscular ..................................................................................................................................... 55 6 TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO ............................................................................................... 57 6.1 Objetivos fisioterapêuticos gerais para DTM: .................................................................................. 57 6.2 Recursos físicos .................................................................................................................................... 57 6.3 Ultra-som .............................................................................................................................................. 57 6.4 Laser ..................................................................................................................................................... 58 6.5 TENS..................................................................................................................................................... 60 6.6 Crioterapia ........................................................................................................................................... 61 6.7 Cinesioterapia ...................................................................................................................................... 62 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................................ 64 4 1 ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR (ATM) 1.1 Sistema mastigatório O sistema mastigatório é a unidade funcional do corpo primordialmente responsável pela mastigação, fala e deglutição. Os seus componentes também atuam no paladar e na respiração. O sistema é composto por ossos, articulações, ligamentos, dentes e músculos. Além disso, há um intrincado sistema de controle neurológico que regula e coordena todas essas estruturas e componentes. A neuroanatomia e a fisiologia produzem um mecanismo através do qual, importantes movimentos funcionais da mandíbula podem ser executados. Todos os movimentos funcionais são atos altamente coordenados pelo complexo neuromuscular. Estímulos sensoriais das estruturas do sistema mastigatório (p.ex., dentes, ligamentos periodontais, lábios, língua, maxilares, palato) são recebidos e integrados como atos reflexos existentes e atividade muscular adquirida para desempenhar a atividade funcional desejada. 1.2 Funções principais do aparelho mastigatório Existem três funções principais do sistema mastigatório: (1) mastigação (2) deglutição (3) fala. Existem também funções secundárias, que auxiliam na respiração e na expressão das emoções. 1.3 Anatomia A articulação têmporo-mandibular, considerada a articulação mais complexa do corpo humano, é composta principalmente pelo côndilo mandibular, parte móvel que se desloca, e pelo osso 5 temporal, parte fixa. 6 Separando completamente estes dois ossos para que não se articulem diretamente existe um tecido fibrocartiloginoso, resistente, denominado disco articular que, desta forma, divide o espaço virtual entre o côndilo e osso temporal em inferior e superior. Envolvendo completamente os componentes desta articulação existe uma cápsula, ou ligamento capsular, que tem a função de manter a união entre os ossos temporal e mandibular e resistir movimentos que tendem a deslocar os componentes intracapsulares fora de seus limites funcionais. Assim, por convenção, as ocorrências dentro desses limites podem ser chamadas como intracapsulares ou intra-articulares. A articulação têmporo-mandibular possui uma característica ímpar, é o único sistema articular com um ponto terminal “rígido“ de fechamento, que são os dentes. Deste modo, uma interdependência de formação estrutural e estabilidade funcional são estabelecidas entre a dentição e as articulações. Devido a esta integração, alterações como perdas dentárias, restaurações incorretas, traumas, doenças articulares etc., sempre provocam necessidade de uma modificação adaptativa em todo o conjunto. Outro aspecto pertinente à articulação têmporo-mandibular é que ambos os côndilos fazem parte de um mesmo osso, assim, qualquer alteração mecânica e/ou funcional de um pode afetar o outro. O termo articulação craniomandibular, às vezes, é usado para demonstrar essa bilateralidade. Tem-se admitido que a mandíbula trabalha tal qual uma alavanca de terceiro gênero (interpotente, como uma pinça por exemplo). O fulcro é a própria ATM, que juntamente com os dentes recebe uma carga de força durante a mastigação. A força desenvolvida pode ser mais ou menos absorvida pelo fulcro de acordo não apenas com a quantidade gerada, mas também com o tamanho da distância entre a resistência (dentes) e o fulcro (ATM). Neste caso, a mastigação com os incisivos faz aumentar o braço de resistência e a carga no fulcro é aumentada. 1.4 Dentes Existem quatro incisivos maxilares (superiores) e quatro incisivos mandibulares (inferiores). A função dos incisivos é cortar o alimento durante a mastigação. Existem dois caninos maxilares e dois caninos mandibulares. Na dentição humana os caninos geralmente agem como incisivos e ocasionalmente são usados para rasgar e cortar. 7 Existem quatro pré-molares maxilares e quatro mandibulares. Os pré-molares também são chamados bicúspides porque eles geralmente têm duas cúspides. Os pré-molares maxilares e mandibulares ocluem de forma tal a permitir que a comida seja colocada e amassada entre eles. A principal função dos pré-molares é iniciar a quebra das substâncias do alimento em pedaços menores. Existem seis molares maxilares e seis mandibulares. A coroa de cada molar tem quatro ou cinco cúspides. Isto proporciona uma ampla superfície sobre a qual a trituração da comida ocorrerá. Os molares atuam primariamente nos estágios finais da mastigação, quando o alimento é transformado em pequenas partículas fáceis de engolir. A tolerância estrutural é o ponto no qual o colapso se inicia. O fator fundamental na harmonia do aparelho mastigatório é uma boa oclusão. Quando ela é estabelecida por uma dentição saudável bem alinhada, as estruturas deste aparelho podem tolerar mais facilmente as pesadas cargas geradas pelo sistema muscular. Se, no entanto, o alinhamento dos dentes é ruim ou os arcos dentários estão mutilados, ou restaurações inadequadas, as pesadas forças são mais prováveis de serem transferidas às estruturas que não são capazes de tolerá-las. Por exemplo, quando há perda unilateral dos dentes posteriores a força da atividade biomecânica da articulação sobre o lado sem suporte é muito maior que do lado oposto; isto aumenta a chance de tolerância estrutural da articulação sobrecarregada ser excedida e ocorrer colapso. À medida que o fator da oclusão inadequada tornou-se maior, o efeito dele, juntamente com o estresse do indivíduo, excede sua tolerância fisiológica. A hiperatividade muscular é então aumentada, excedendo a tolerância estrutural e causando o colapso do tecido. Quando existe má oclusão, a mandíbula ainda assim estará com um contato total, geralmente criando um desequilíbrio muscular e um déficit na posição condilar, que é uma causa comum de desarranjo discal. 1.5 Ligamento temporomandibular É o único verdadeiro ligamento da ATM. Cobre quase toda a superfície lateral da cápsula articular e é contínuo a ela. Acima ele se insere numa longa linha no processo zigomático do temporal, além da eminência articular até as imediações do processo retroarticular. As fibras convergem direção inferior para se inserirem no colo da mandíbula em uma pequena área logo abaixo da inserção do disco articular. Esta convergênciadas fibras dá ao ligamento um aspecto 8 triangular e deixa descoberta uma pequena porção posterior da cápsula. No todo, ele age como ligamento suspensório da mandíbula, mas como suas fibras profundas são muito inclinadas, quase horizontais servem também para limitar movimentos retrusivos da mandíbula e assim evitar a compressão das estruturas situadas atrás da cabeça da mandíbula. 1.6 Ligamentos acessórios Os textos de anatomia referem-se a duas formações anatômicas que dariam um suporte ligamentoso adicional à ATM, apesar de estarem distantes dela e não terem influência sobre os seus movimentos. São eles o ligamento esfenomandibular, que vai da espinha do esfenóide à língula da mandíbula, e o ligamento estilomandibular, que vai do processo estilóide ao ângulo da mandíbula. 1.7 Cápsula A cápsula ou ligamento articular é uma membrana que liga ou prende o côndilo mandibular ao osso temporal, envolvendo-os completamente. É constituída de tecido conjuntivo, cujas fibras ricas em colágeno não se estiram. Apresenta-se em duas camadas: uma membrana fibrosa, relativamente frouxa e bem resistente, que é externa; e a membrana sinovial, que constitui a camada interna da cápsula. A cápsula atua para resistir a qualquer força mediana, lateral ou inferior que tende a separar ou deslocar as superfícies articulares e, deste modo, define os limites anatômicos e funcionais da ATM entre a fossa mandibular, eminência articular e nos pólos medial e lateral do côndilo, abaixo da inserção dos ligamentos colaterais. Os proprioceptores situados nas cápsulas, disco e ligamentos têm uma função especializada e servem como monitores dos movimentos e posições dos componentes de qualquer articulação. A cápsula articular parece possuir maior variação de movimento e adaptabilidade quando comparada com os ligamentos. 9 1.8 Disco articular Tal como acontece em outras articulações sinoviais, encontramos na articulação têmporo- mandibular uma placa de tecido conjuntivo fibroso, a qual divide a articulação em duas partes: os compartimentos disco-mandibular e disco-temporal. Trata-se de uma placa de forma côncava (exceção feita da sua face dorso-cranial), formada por densa rede de fibras colágenas. Estas fibras se entrelaçam, constituindo uma rede tridimensional, a qual é responsável pelas propriedades biomecânicas do tecido do disco. Do ponto de vista funcional, a morfologia do disco é importante para: Correção do espaço articular, compensando as incongruências das superfícies articulares, de modo a melhorar a estabilidade da articulação; Distribuição da pressão, visando aumentar a superfície efetiva, com conseqüências favoráveis quanto à solicitação da cartilagem articular e à lubrificação da articulação; Mobilidade, devido à subdivisão do espaço intra-articular em dois compartimentos: o superior e o inferior. Na articulação superior ocorre um movimento de deslizamento entre a superfície da face articular e o disco, enquanto no compartimento inferior observa-se um movimento combinado: rotação e deslizamento. O disco articular está formado por feixes densos de fibras colágenas que, na área central, são mais finos e mais grossos na região posterior e anterior. A região central do disco é avascular e carece de inervação. O disco apresenta duas inserções posteriores no côndilo e osso temporal e uma inserção anterior no músculo pterigóideo lateral. As regiões posteriores e anteriores são ricas em terminações nervosas, especialmente proprioceptores. As características do disco podem ser resumidas da seguinte forma: a) Apresenta pouca espessura; b) O disco é fibroelástico; c) O disco apresenta proprioceptores; d) O disco apresenta pouca capacidade regenerativa; e) As alterações no disco são de caráter degenerativo; f) O disco apresenta 3 zonas topográficas com funções diferentes. 10 As funções do disco são: a) Estabilizar o côndilo; b) Acompanhar os movimentos condilares; c) Proteger as superfícies articulares do contato ósseo direto durante os movimentos mandibulares; d) Amortecer as pressões; e) Regular os movimentos mandibulares. (As porções anterior e posterior do disco são ricas em proprioceptores, especialmente corpúsculos de Ruffini). 1.9 Músculos do complexo cérvico-crânio-mandibular: 1. Músculos mastigatórios Figura 1. Músculos mastigatórios principais. 1 4 2 3 Legenda: 1. Músculo Temporal 2. Músculo Masseter 3. Músculo Pterigóideo Medial 4. Músculo Pterigóideo Lateral 11 1.9.1 Temporal O temporal é um músculo grande, em forma aparente de leque. As fibras dos músculos temporais ao se contraírem elevam a mandíbula. Quando somente uma parte se contrai, a mandíbula se move de acordo com a direção das fibras que estão ativadas. As fibras anteriores participam da fase de fechamento do ciclo mastigatório e estão inativas na fase de abertura. Este grupo de fibras é ativo também durante a deglutição e na posição postural. As fibras posteriores funcionam primariamente como retratoras ou estabilizadoras mandibulares e são inativas durante a depressão e protrusão da mandíbula. Devido à variação na angulação de suas fibras musculares, o temporal é capaz de coordenar os movimentos de fechamento, desta forma, possui um papel relevante como posicionador da mandíbula. 1.9.2 Masseter O masseter é um músculo forte, formado por um feixe ou porção superficial e outro feixe profundo. Sua principal função é o fechamento ou elevação da mandíbula nas posições cêntricas. Parece designado, assim, para esmagar e moer os alimentos próximo à posição da máxima intercuspidação. 1.9.3 Pterigóideo Medial Quanto à direção de suas fibras, o pterigóideo medial e o masseter superficial funcionam sinergicamente para formar um suspensório muscular que sustenta a mandíbula na altura do seu ângulo. Quando suas fibras se contraem, a mandíbula é elevada e os dentes entram em contato. Atua ainda na protrusão e no movimento lateral da mandíbula. 1.9.4 Pterigóideo Lateral Este músculo foi, durante muito tempo, considerado como possuindo 2 feixes ou porções, uma 12 superior e outra inferior. Entretanto, recentemente, pesquisadores provaram que estes feixes apresentavam funções diferentes. Assim, os pterigóideos laterais, superior e inferior podem ser considerados como músculos independentes. Pterigóideo Lateral Inferior: Quando os pterigóideos laterais inferiores direito e esquerdo se contraem simultaneamente, os côndilos são movimentados pela inclinação da parede posterior da eminência articular, sendo esta função primordial, ou seja, a protrusão. Quando o músculo pterigóideo lateral inferior, juntamente com os músculos depressores, atua, ocorre o abaixamento da mandíbula. Pterigóideo Lateral Superior: O pterigóideo lateral superior atua em conjunção com os músculos elevadores. 1.9.5 Músculos supra-hióideos e infra-hióideos O grupo muscular supra-hióideo compreende os músculos digástrico, milo-hióideo, genio- hióideo e estilo-hióideo. Funcionam para elevar o osso hióideo superior e posteriormente, como ocorre durante a deglutição, e para abaixar a mandíbula quando o osso hióideo está fixo. O grupo dos músculos infra-hióideos inclui o esterno-hióideo, o esternotireóideo e o omo- hióideo. Estão localizados abaixo do osso hióideo e sua função consiste em abaixar este osso e a laringe, como também estabilizá-lo permitindo que os supra- hióideos baixem a mandíbula. 1.9.6 Músculos faciais Os músculos deste grupo são mais de vinte, e dentre eles, dois devem ser considerados: o orbicular dos lábios e o bucinador. A ação do obicular dos lábios é pressioná-los contra os dentes anteriores e ainda protruí-los. Enquanto a principal função do músculo bucinador é tensionar a bochecha direcionando, desta forma, os alimentos para os dentes a partirdo aspecto lateral e impedindo que a bochecha se “dobre” e seja mordida durante o fechamento dos maxilares. 13 1.9.7 Músculos cervicais Também importantes para o sistema embora não participem diretamente da função mastigatória. São eles: esternocleidomastóideo, músculos posteriores do pescoço e o trapézio. Estes músculos têm sua origem na base do crânio e são necessários para estabilizá-lo e permitir os movimentos controlados da mandíbula. O platisma, músculo cutâneo do pescoço, também deve ser considerado. 1.10 Origem e inserção musculares MASSETER o: porção superficial 2/3 do bordo inferior do arco zigomático porção profunda – superfície medial do arco zigomático i: superfície lateral do processo coronóide e ângulo da mandíbula f: elevação mandibular; mastigação PTERIGÓIDEO MEDIAL o: superfície medial do pterigóideo lateral; processo piramidal do osso palatino; tuberosidade maxilar i: partes posterior e inferior da superfície medial do ângulo da mandíbula f: protrusão e elevação da mandíbula; auxilia movimentos rotacionais (lateral) da mandíbula PTERIGÓIDEO LATERAL o: ventre superior - superfície infratemporal da asa maior do esfenóide ventre inferior – superfície lateral do pterigóide lateral i: porção anterior do colo do côndilo e cápsula articular 14 f: protrusão mandibular, empurrando o disco anteriormente; auxilia movimentos rotacionais da mandíbula. TEMPORAL o: fossa temporal fáscia temporal i: processo coronóide bordo anterior do ramo f: elevação da mandíbula; retrusão e posições da mandíbula ao mastigar Supra-hióideos: milo-hióideo, genio-hióideo, estilo-hióideo, digástrico (feixes anterior e posterior) MILO-HIÓIDEO o: linha partindo da última raiz molar para sínfise mandibular i: linha medial do queixo ao osso hióide f: elevação do osso hióide e da base da língua; depressão mandibular quando o osso hióide está fixo GÊNIO-HIÓIDEO o: tubérculo genial inferior internamente à superfície da sínfise mandibular i: superfície anterior do corpo do osso hióide f: elevação do osso hióide e da língua ESTILO-HIÓIDEO o: bordo posterior do processo estilóide i: corpo do osso hióide na junção com o corno maior f: elevação do osso hióide e base da língua DIGÁSTRICO o: ventre posterior – processo mastóideo do osso temporal ventre anterior – fossa digástrica da mandíbula i: fixação do osso hióide e base da língua 15 Infra-hióideos: esterno-hióideo, omo-hióideo, esternotireóideo e tíreo-hióideo ESTERNO-HIÓIDEO o: manúbrio e extremidade medial da clavícula i: corpo do osso hióide OMO-HIÓIDEO o: ângulo superior da escápula i: corpo inferior do osso hióide ESTERNOTIREÓIDEO o: superfície posterior do manúbrio i: cartilagem tireóidea TÍREO-HIÓIDEO o: cartilagem tireóidea i: corpo inferior e corno maior do osso hióide LIGAMENTO ESFENOMANDIBULAR o: espinha angular do osso esfenóide i: língula mandibular LIGAMENTO ESTILOMANDIBULAR o: processo estilóide i: ângulo da mandíbula 1.11 Vascularização Sugere-se que em inúmeros tipos de dores e disfunções craniofaciais possa haver relações entre contrações isométricas mantidas (parafunção) e vasoconstrição. Torna-se, desta forma, importante o conhecimento da vascularização deste sistema e uma análise destas possíveis 16 relações. A vascularização deste sistema ocorre por meio das artérias carótida externa, maxilar e facial e seus ramos. 1.12 Inervação Inervação Área inervada 1) Ramos do nervo masseterino 2) Ramos do nervo auriculotemporal 3)Ramos do nervo maxilar interno Região anterior da ATM Região posterior da ATM Ramos articulares anteriores e posteriores Proprioceptores Proprioceptores da ATM Função principal 1.Terminações de Ruffini 2.Corpúsculos de Vater-Paccini 3.Órgãos tendinosos de Golgi 4.Terminações nervosas livres Postura. Aceleram os movimentos da mandíbula. Ajudam a proteger os ligamentos articulares. Receptores da dor, função protetora. Biomecânica Em uma posição postural, sem interferência da condição oclusal, o côndilo é estabilizado por uma contração moderada de alguns músculos, o que caracteriza a tonicidade normal do 17 sistema. Os principais músculos envolvidos nesta condição são os temporais, que posicionam os côndilos superiormente na fossa, os masseteres e os pterigóideos mediais, ântero- superiormente, e os pterigóideos laterais inferiores, que posicionam os côndilos horizontalmente na parede posterior da eminência articular. A relação postural ideal é completada com os discos articulares corretamente interpostos entre os côndilos e a fossa articular. A contração moderada e integrada desses músculos proporciona a posição de melhor estabilidade para os componentes intra-articulares, a partir da qual se iniciam os movimentos mandibulares. Figura 2. Biomecânica da ATM. 1.13 Movimento mandibular de Abertura Durante o trecho inicial de movimento de abertura ocorre apenas um movimento de rotação da mandíbula em torno de um eixo fixo, chamado eixo de dobradiça. Trata-se de uma distância de 20 a 25 mm. Sob a influência das estruturas articulares, a abertura da boca, além dessa 18 distância é acompanhada de movimento simultâneo de rotação e deslizamento da mandíbula: ambos os côndilos deslizam para baixo e para frente. Na primeira fase de abertura ocorre um pequeno movimento do côndilo, que ao girar em torno de seu próprio eixo, determina a chamada “rotação”. Este movimento, limitado pelos ligamentos colaterais, caracteriza a articulação “infra-discal”. Na seqüência de abertura, o conjunto côndilo- disco desliza pela parede posterior da eminência articular, determinando o movimento de “deslizamento”. Este movimento, também limitado pelos ligamentos capsulares, caracteriza a articulação “supradiscal”. Para que ocorra a abertura, os músculos pterigóideos laterais inferiores se contraem tracionando o conjunto côndilo-disco anteriormente, enquanto, simultaneamente, os músculos elevadores antagonistas (temporais, masseteres, pterigóideos mediais e laterais superiores) permanecem inativos possibilitando a normalidade do movimento. Ao mesmo tempo os tecidos retrodiscais, por meio de suas fibras de estrutura elástica, se estiram proporcionando tensão posterior no disco articular. Os digástricos anteriores completam a abertura. 1.14 Movimento mandibular de Laterotrusão Ambos os côndilos executam padrões motores diferentes. Exemplo, o movimento da mandíbula para o lado direito: o processo condilar direito descreve um pequeno movimento para fora (movimento de Bennett), o qual é acompanhado de discreto deslocamento para trás e para cima. Durante estes movimentos, o processo condilar da articulação esquerda desliza para frente e para baixo, ao longo da face posterior inclinada do tubérculo articular, ao mesmo tempo em que se desloca em direção à linha mediana. 1.15 Movimento mandibular de Retrusão Em posição sentada ereta, a intercuspidação máxima permite um movimento de retrusão de aproximadamente 0,6 mm. As restrições a este movimento não são devidas às estruturas ósseas da articulação, mas sim às formadas por tecido conjuntivo fibroso, à musculatura (em especial, ao músculo pterigóideo lateral) e ao sistema neuromuscular. 1.16 Movimento mandibular de Fechamento Nesse movimento os músculos elevadores são ativados e, enquanto os pterigóideos laterais 19 inferiores se tornam inativos, os pterigóideos laterais superiores desempenham relevante função coordenadora. A função básica da contração dos músculos pterigóideos laterais superiores parece ser a de coordenar o retorno do disco articular de forma suave à sua posição, posto que, ligado na sua parte posterior às fibras elásticas da zona bilaminar, poderia sertracionado abruptamente e posicionado antes do côndilo, estabelecendo prováveis alterações funcionais. Desta forma, estabelece-se uma complexa e integrada ação entre os componentes musculares e as fibras elásticas. 1.17 Postura O sistema neuromuscular não atua apenas para movimentar as estruturas passivas, mas também para mantê-las através do equilíbrio e postura estática. Assim, para a cabeça ser mantida na posição ereta, os músculos que ligam a parte posterior do crânio à coluna cervical e à região dos ombros devem se contrair. Alguns dos músculos que têm essa função são o trapézio e o esternocleideomastóideo. Para contrabalancear esta ação existe um grupo de músculos antagonistas na região anterior da cabeça que fornece o equilíbrio adequado: o masseter, ligando a mandíbula ao crânio; os supra-hióideos, ligando a mandíbula ao osso hióideo e os infra-hióideos, ligando o osso hióideo ao esterno e à clavícula . Estes músculos, além de outros, mantêm o correto posicionamento postural do complexo craniofacial, sob um refinado controle do sistema nervoso central. Esta ação fisiológica é determinada por contração moderada de algumas fibras dos músculos isolada com conseqüente normalidade de tônus e estabilidade da postura. No sentido vertical é executada principalmente pelas fibras anteriores e médias dos temporais e a porção profunda dos masseteres (elevadores); para contrabalancear, os digástricos e os supra- hióideos (depressores) são também levemente contraídos. Deste equilíbrio resulta a dimensão vertical postural com um adequado espaço livre funcional. No sentido sagital o equilíbrio é resultado da contração das fibras posteriores dos temporais em antagonismo à contração dos pterigóideos laterais, superior e inferior, embora estes tenham suas ações principais antagônicas. Funcionalmente, a coluna cervical, a ATM e as articulações entre os dentes estão intimamente relacionadas. A anormalidade funcional ou má posição de uma delas podem afetar a função ou posição das outras. Por exemplo, a alteração na posição da cabeça modifica a posição 20 mandibular, acometendo assim a oclusão. O equilíbrio entre os flexores e extensores da cabeça e pescoço é afetado pelos músculos da mastigação e o músculo supra e infra hióideos. A disfunção tanto nos músculos da mastigação quanto nos músculos cervicais pode facilmente alterar este equilíbrio. 21 3 DISFUNÇÃO TÊMPORO-MANDIBULAR - DTM “Devemos saber que quanto mais complexo um sistema tanto maior será a probabilidade de haver um problema. O sistema mastigatório é extremamente complexo. É impressionante pensarmos que na maioria das vezes ele funciona sem maiores complicações durante toda a vida do indivíduo. Quando ocorre um problema, no entanto, poderá haver uma situação tão complicada quanto o sistema.” (Okeson) 3.1 Terminologia Através dos tempos, os distúrbios funcionais do sistema mastigatório têm sido designados por uma variedade de termos. Em 1934 Costen descreveu um grupo de sintomas que se localizavam ao redor da orelha e da articulação têmporo-mandibular. Ele foi o primeiro a associar a dor de ouvido com distúrbios funcionais do sistema mastigatório e dessa forma o nome “Síndrome de Costen” se desenvolveu. Ele também acreditou que a perda dos dentes posteriores causava um aumento de pressão no ouvido e isto levava aos sintomas. Sua teoria tem se mostrado inexata e, com as novas teorias, apareceram novos termos. Desde então distúrbios da articulação têmporo- mandibular tornou-se popular até que em 1959 Shore introduziu o termo síndrome da articulação têmporo-mandibular. Mais tarde apareceu o termo distúrbios funcionais da articulação têmporo-mandibular dado por Ramfjord e Ash. Alguns termos descreviam os fatores etiológicos prováveis, como distúrbio ocluso- mandibular e mioartropatia da articulação têmporo-mandibular. Outras dores também foram descritas: síndrome da disfunção com dor, síndrome da dor-disfunção miofacial e síndrome da dor-disfunção têmporo-mandibular. Como os sintomas nem sempre estão isolados à ATM, alguns autores afirmam que estes termos são muito limitados e que um termo mais amplo e coletivo deveria ser usado tal como desordens crânio- mandibulares. Bell sugeriu o termo desordens têmporo-mandibulares, que ganhou popularidade. Ele não engloba somente problemas isolados das articulações, mas inclui 22 todos os distúrbios associados com a função do sistema mastigatório. A grande variedade dos termos usados contribui para a grande confusão que existe neste já complicado campo de estudo. Falta de comunicação e coordenação dos esforços para pesquisa geralmente levam a diferenças na terminologia. Vale ressaltar que, numa visão holística do paciente, devemos associar a desordem na ATM aos demais fatores biomecânicos deste grande complexo, que inclui coluna cervical e cintura escapular, além das estruturas que compõem o sistema estomatogmático. 3.2 Definição de DTM Disfunções têmporo-mandibulares (DTM) são os distúrbios funcionais do aparelho mastigatório no sentido mais amplo da palavra, levando em consideração as inter-relações artrogênicas e miogênicas, assim como a influência do sistema nervoso, dos órgãos internos e do psiquismo. Ao procurar estabelecer o diagnóstico, o examinador se vê obrigado a levar em consideração numerosos fatores etiológicos, tendo em vista a natureza multifatorial da síndrome em apreço. 3.3 Etiologia Sabemos há vários anos que não existe um fator etiológico único que possa ser responsabilizado pela DTM. A sintomatologia clínica dá a nítida sensação de que a etiologia desta doença abrange importantes elementos funcionais, anatômicos e psicossociais. Cada estrutura do sistema mastigatório pode tolerar somente certa quantia de aumento de forças gerada pela hiperatividade muscular. Quando as forças aplicadas às estruturas são aumentadas além desse nível crítico, o colapso dos tecidos se inicia. Este nível é conhecido como tolerância estrutural. Há uma tolerância estrutural específica para cada componente do sistema mastigatório. Se a quantia de força criada pela hiperatividade muscular excede a tolerância estrutural de qualquer componente, o colapso vai ocorrer. O início do colapso é visto na estrutura como o mais baixo nível de tolerância. Dessa forma o local do colapso varia de paciente para paciente. A tolerância estrutural é influenciada por fatores como forma anatômica, trauma prévio e condições locais do tecido. Do mesmo ponto de vista etiológico, Steenks classifica os fatores responsáveis em três grandes 23 grupos, só ocorrendo disfunção quando esses fatores se combinam. O tamanho dos três círculos etiológicos varia de um paciente para outro. Figura 3. Representação esquemática dos fatores relacionados à etiologia da DTM. O fisioterapeuta deve fazer parte da equipe terapêutica e levar em consideração os círculos etiológicos que acabamos de enumerar. É evidente que o seu papel ganha maior destaque nos casos em que predominam os fatores de natureza neuromuscular. 3.4 Sinais e Sintomas A DTM afeta geralmente várias estruturas de tecidos, ocasionando uma série de sintomas. Raramente o distúrbio de apenas uma estrutura de tecido é capaz de explicar todos os sintomas. São manifestações concomitantes possíveis: sensação de rigidez e/ou de fadiga nos músculos mastigatórios (bochechas ou têmporas), zumbidos ou vertigens. Os sinais e sintomas de DTM são muito facilmente encontrados. Os estudos epidemiológicos sugerem que 50% a 60% da população têm algum distúrbio mastigatório. Alguns desses sinais 24 surgem como sintomas significativos que levam o paciente a buscar tratamento. No entanto, muitos outros sintomas são sutis e não estão nem mesmo no nível de conscientização clínicado paciente. Os sintomas dos quais o paciente não está consciente são chamados de subclínicos. Alguns sintomas subclínicos podem, com o tempo, tornam-se aparentes e representam distúrbios funcionais significativos se não forem tratados. É importante dessa forma identificar todo e qualquer sinal e sintoma de distúrbio funcional no pacientes. Isto não implica que todos os sinais indiquem uma necessidade de tratamento. A importância e a etiologia do sinal como também o prognóstico da desordem são fatores que determinam a necessidade de tratamento. Os pacientes são bastante conscientes de seus sintomas, ainda que eles não possam estar conscientes dos sinais clínicos presentes. Para que os sinais subclínicos não passem despercebidos, o examinador deve estar bastante consciente dos sinais e sintomas comuns. As seguintes manifestações são consideradas sintomas clássicos da DTM: - ruídos articulares; - limitação dos movimentos e/ou desvios dos movimentos da mandíbula; - dor ao nível da articulação têmporo-mandibular e/ou músculos mastigatórios; - cefaléia; - vertigem; - otalgia; - dor facial. 3.5 Evolução patológica Recordando: Um sinal é um achado clínico objetivo revelado durante o exame. Um sintoma é uma descrição ou queixa feita pelo paciente. 25 As disfunções cérvico-crânio-mandibulares freqüentemente seguem uma trajetória de eventos progressivos, um desenrolar contínuo, desde os sinais de uma disfunção até chegar a uma doença articular degenerativa. São eles: 1. Articulação normal saudável 2. Condições que permitem um desvio do disco no côndilo 3. Hiperatividade muscular ocasionando uma tração ântero-medial do disco 4. Afinamento da borda posterior do disco 5. Alongamento crescente dos ligamentos retrodiscais inferiores e dos discos 6. Deslocamento funcional do disco i. estalido único ii. estalido recíproco 7. Desalojamento funcional do disco i. deslocamento com redução ii. deslocamento sem redução (travamento) 8. Retrodiscite 9. Doença articular degenerativa Alguns pacientes irão apresentar os sintomas de um estágio, mas não necessariamente progredirão para o próximo estágio. Num dado estágio de um desarranjo interno, o paciente pode alcançar um nível de tolerância e não haverá um progresso da desordem. 3.6 Classificação das DTM Entendemos por DISFUNÇÃO MIOGÊNICA do aparelho mastigatório os sintomas devidos à função não fisiológica da musculatura da região. O simples fato de a hiperatividade muscular ser aumentada não significa necessariamente que o colapso das estruturas vá ocorrer. Se o aumento ficar abaixo da tolerância estrutural de cada 26 componente do sistema, o colapso não ocorre. No entanto, tão logo a força seja maior do que a tolerância estrutural de um componente, aquele componente vai sofrer um colapso. A estrutura com o menor nível de tolerância representa o elo mais fraco da corrente. Uma equação pode ser usada para demonstrar a etiologia e efeito da hiperatividade muscular: Maloclusão Tolerância Fisiológica Aumento na hiperatividade muscular Tolerância Estrutural Colapso. 1. Maloclusão: O termo oclusão refere-se ao relacionamento de contato dos dentes durante não só o fechamento como também nos movimentos excêntricos. Maloclusão refere-se ao grau no qual a oclusão varia a partir daquela que é ideal. 2. Estresse emocional: O termo estresse emocional refere-se ao grau de estresse psicológico que o paciente está experimentando. O grau de estresse depende da quantia e intensidade de fatores estressantes sobre o paciente. 3. Tolerância fisiológica: O termo tolerância fisiológica refere-se ao nível máximo de uma atividade ou condição existente que uma pessoa pode experimentar sem sofrer qualquer mudança no processo fisiológico normal e usual. O nível de tolerância pode ser bem diferente de paciente para paciente. A tolerância fisiológica de uma pessoa não permanece constante durante toda a vida. Ela pode ser influenciada pela dieta, saúde geral do corpo, fadiga, idade, hora do dia, etc. 4. Tolerância Estrutural: Como já foi dito, cada estrutura do sistema mastigatório é capaz de suportar certa quantia de aumento de força sem mostrar sinais de colapso. A tolerância estrutural determina o ponto no qual o colapso se inicia. Vários fatores podem afetar o nível de tolerância estrutural. A saúde geral dos tecidos que compõe a estrutura é extremamente importante. Um fator que pode influenciar a tolerância estrutural é a condição oclusal. Quando ela é estabelecida por uma dentição saudável, estável e bem alinhada, as estruturas do sistema mastigatório podem tolerar mais facilmente a pesada carga gerada pela hiperatividade muscular. Se, no entanto, o alinhamento dos dentes é ruim ou os arcos dentais estão mutilados, as pesadas forças são mais prováveis de serem transferidas às estruturas que não são capazes de tolerá-las. Resumindo, uma condição oclusal boa e saudável é primordial para a função muscular normal 27 durante a mastigação, deglutição, fala e postura mandibular. Distúrbios na condição oclusal podem levar a um aumento de tônus muscular (hiperatividade ) e sintomas. A DISFUNÇÃO ARTROGÊNICA é um distúrbio funcional do sistema articular (artron) como unidade biomecânica e neurorreflexa. Questão de grande importância para o diagnóstico e tratamento da disfunção artrogênica é o conhecimento das causas responsáveis pelos sintomas que o paciente refere. Mencionaremos entre os fatores que podem dar origem à disfunção articular: 1. Modificações da solicitação mecânica local, tais como traumatismos, alterações rápidas ou bruscas da motricidade, assim como a sobrecarga mecânica local; 2. Diminuição da tolerância local às solicitações mecânicas em virtude de um distúrbio segmentar ou localizado nas cadeias biomecânicas; 3. Diminuição geral da tolerância diante das solicitações (estresse, doenças sistêmicas, processos infecciosos). São muitas as doenças que podem levar ao distúrbio funcional da unidade articular. Seguiremos em nossa descrição a classificação de Carlsson: 1. Disfunção mandibular / alterações neuromusculares 2. Osteoartrose /alterações degenerativas da articulação têmporo-mandibular: - Artrose deformante; - Artrite traumática; - Artrite devida à imobilização; - Processos infecciosos; - Artrite reumática; - Infecção de etiologia desconhecida. 3. Lesões internas ( internal derangement ) da ATM: - Deslocamento do disco articular; - Deformidade do disco - Perfuração do disco. 28 3.7 Classificação diagnóstica Para poder interpretar todos os resultados do seu exame, é preciso que o examinador disponha de conhecimentos suficientes sobre a patologia e a fisiopatologia, além do conhecimento dos diversos sintomas que fazem parte do quadro de DTM e de outros quadros nosológicos capazes de se manifestarem por sintomas semelhantes. A articulação têmporo-mandibular é uma articulação sinovial do tipo dobradiça. Por esse motivo e pelo seu grau de complexidade cinético, está susceptível a traumas e demais patologias também presentes em outras articulações sinoviais do corpo humano. 1. Disfunções ósseas do crânio e da mandíbula Os ossos do complexo crânio-facial, como a maxila, mandíbula, ossos da base do crânio (esfenóides, palatino, occipital, etc.), abóbada cranial crescem todos em diferentes proporções e direções, porém são capazes de conservar uma direção e posição relativa entre eles. De todos os conceitos de crescimento e desenvolvimento ósseos, talvez o mais importante de todos seja aquele de “mudança de área ou de posição”, que também tem sido chamado de recolocação, ou relocação. A reação harmoniosa da cabeça articular da mandíbula é a condição mais importante durante a fase de crescimento rápido do terço médio da face. O crescimentoda cabeça articular da mandíbula é regulado tanto por fatores intrínsecos, isto é, geneticamente determinados, como por fatores epigenéticos; estes últimos são em geral de natureza biomecânica, dependendo conseqüentemente da função. O crescimento se atrasa e diminui sempre que ocorrer distúrbio da proliferação do tecido cartilaginoso da cabeça da mandíbula. Este fato se reflete na adaptação do crânio como um todo. As conseqüências da disfunção crânio-mandibular devem se manifestar durante o crescimento, se esta disfunção representar de fato uma alteração que mantém relação com a cabeça articular do osso mandibular. Neste caso, a hipótese será a seguinte: a disfunção crânio-mandibular é responsável pelo desenvolvimento anormal do esqueleto facial. Hipoplasia Crescimento ou desenvolvimento incompletos dos ossos do crânio ou da mandíbula, comumente, decorrente de trauma, infecção ou irradiação durante o período pós-natal do 29 crescimento. É caracterizada pela diminuição do corpo mandibular e desvio do queixo para o lado afetado. A hipoplasia condilar pode ser secundária a traumas. Hiperplasia Hiperdesenvolvimento dos ossos do crânio ou da mandíbula, podendo ser congênito ou adquirido. O tamanho excessivo da mandíbula á denominado prognatismo mandibular, resultando em protrusão e anormalidades quanto a tamanho, forma ou função mandibulares. Fraturas Caracterizam-se por uma força extrínseca causando trauma em componentes ósseos do sistema mastigatório (temporal, maxilar, zigomático, esfenóide e mandíbula). Podem ocorrer, segundo McNeill, luxação, contusão e/ou laceração das superfícies articulares, ligamentos e disco, com ou sem hemartrose intra-articular. As seqüências deste tipo de trauma podem incluir aderências, anquilose ou degeneração articular. 3.7.1 Disfunções articulares Desarranjo ou incoordenação do complexo côndilo-disco As desordens de interferência no disco são caracterizadas por sintomas intra-capsulares que resultam de uma disfunção do complexo côndilo-disco contra a fossa mandibular. Muitas se apresentam crônicas e assintomáticas. Alguns pacientes se tornam conscientes delas apenas quando o dentista os alerta. As características clínicas comuns vão de ruídos articulares e aderências, ou até um travamento da articulação. A dor pode ou não acompanhar a desordem. Quando a dor está presente, deve ser completamente avaliada uma vez que pode se originar primariamente de estruturas intra-capsulares ou ser secundária, associada a desordens musculares. As desordens de interferência no disco geralmente se encaixam em uma das 4 categorias: desarranjo do complexo côndilo-disco, incompatibilidade estrutural, subluxação e deslocamento espontâneo. Os desarranjos no complexo côndilo-disco ocorrem porque os ligamentos que suportam o complexo são alongados e o disco se torna mais fino. Os ligamentos tipicamente afetados são o ligamento colateral lateral e a lâmina retrodiscal inferior. A área do disco mais comumente 30 estreitada é o bordo posterior. Estas mudanças estruturais permitem que o disco seja deslocado de seu relacionamento normal do côndilo. O disco irá assumir a posição ditada pelas estruturas que o tracionam (a lâmina retrodiscal superior e o músculo pterigóideo lateral superior). Uma vez que na posição de fechamento articular a lâmina retrodiscal superior está relativamente passiva, o músculo pterigóideo lateral superior determina a posição do disco. O disco usualmente permanece na posição mais anterior permitida pelo espaço discal. Se houver suficiente afinamento do disco com alongamento dos ligamentos, o disco pode ser puxado através do espaço discal e então é dito que está deslocado. A causa mais comum do desarranjo côndilo-disco é o trauma, tanto macrotrauma (“pancada” na face) como microtrauma (o efeito implacável da hiperatividade muscular crônica). A condição oclusal que usualmente causa microtrauma é a Angle - classe II - mordida profunda anterior. Existem 2 tipos de desarranjo do complexo côndilo-disco: deslocamento do disco com redução e deslocamento do disco sem redução. O desenvolvimento de sofisticadas técnicas de artrografia esclareceu os mecanismos que levam à debilitação da função côndilo-disco e ao desarranjo interno da ATM. Este último inclui situações de deslocamento do disco, que tanto são reversíveis como irreversíveis e situações de deslocamento e remodelação condilar. Vários autores já observaram o deslocamento anterior do disco, que é causado por um enfraquecimento dessa inserção posterior, com seu afrouxamento ou laceração. Isto pode ser um resultado de trauma direto ou microtrauma de longo prazo, devido a alterações oclusais e consequente deslocamento posterior do côndilo. A parte posterior mais espessa do disco é então deslocada na frente do côndilo, uma vez que as fibras elásticas do ligamento posterior não podem mantê-la na posição correta; tal deslocamento é favorecido pelo tônus do músculo pterigóideo lateral (feixe superior) que se liga ao disco. A cabeça do côndilo fica em contato direto com ligamento posterior altamente vascularizado. Durante os movimentos da abertura, a cabeça do côndilo se move para frente, passando a porção posterior do disco e, se o deslocamento for reversível, o côndilo salta à frente do disco, com um estalido típico; desse momento em diante, até que a abertura máxima seja atingida, a relação côndilo-disco permanece normal. Esta situação é descrita como incoordenação côndilo-disco. Pode ser “inicial”, em casos menos adiantados, quando o enfraquecimento do ligamento posterior do disco é limitado e o estalido ocorre logo ao início do movimento de abertura; ou pode ser “tardia”, quando a lesão está mais adiantada e o estalido ocorre no final do movimento da abertura. Durante o movimento de 31 fechamento, o disco não é puxado para trás pelas fibras elásticas do ligamento posterior enfraquecido e assim, quando o côndilo se translada para trás, vai novamente para trás do disco. Isto pode produzir o segundo ruído (estalido recíproco). A incoordenação côndilo-disco é, portanto, uma das mais freqüentes causas de ruído articular. Figura 4. Representação esquemática do comportamento discal durante abertura da boca. Hipermobilidade articular Nesta condição, a cápsula da ATM está anormalmente estirada. A abertura ativa da mandíbula do paciente é maior do que o normal. Os desvios de abertura podem ser inconsistentes se os músculos da mastigação não puderem manusear eficientemente esta excessiva amplitude de movimento. A luxação da mandíbula é mais provável de ocorrer na vigência desta condição. Os hábitos para funcionais que contribuem para a hipermobilidade da ATM incluem a alimentação prolongada com mamadeira, o hábito de chupar o polegar e o uso de chupetas por crianças. 32 Considerado com sendo o distúrbio mecânico mais comum da ATM caracteriza-se pela translação anterior precoce ou excessiva da mandíbula. Nos casos de hipermobilidade, a translação ocorre nos primeiros 11mm de abertura, em vez de faze-lo nos últimos 15 a 25 mm. A translação anterior excessiva resulta em frouxidão da cápsula e dos ligamentos circundantes. O colapso destas estruturas torna possível o desarranjo discal em uma ou ambas as ATM. Finalmente, poderão ocorrer deficiências, como perda funcional e alterações artríticas. Hipomobilidade articular A abertura ativa da mandíbula do paciente é menor do que a normal. Quando existe restrição de apenas uma articulação, será observado um desvio em direção àquele lado. A hipomobilidade da ATM pode resultar de uma restrição da cápsula articular, que é causada pela imobilização, inflamação localizada, trauma, ou doença sistêmica. O disco luxado também irá causar hipomobilidade da ATM. A hipomobilidade poseresultar em fibrose capsular (como resultado das aderências cruzadas intermoleculares das fibras colágenas). Esta condição pode ou não ser dolorosa. Se for dolorosa, a dor é percebida no lado do acometimento, com possível irradiação para as áreas inervadas pelo V nervo craniano. A dor aumente durante os movimentos funcionais e para funcionais da mandíbula. Se existe encurtamento capsular completo, a abertura mandibular será menor que a funcional, e o paciente apresenta-se com um padrão capsular de restrição. Os movimentos laterais da mandíbula para o lado oposto são reduzidos. Com uma restrição bilateral, os movimentos laterais serão ainda mais restritos; a abertura da boca e a protrusão são limitadas, porém o fechamento é livre. Luxação Descrita como condição em que o côndilo mandibular está posicionado anteriormente à eminência articular e é incapaz de retornar à posição de origem. Trismo Em indivíduos com disfunção aguda da ATM, qualquer processo inflamatório nos tecidos articulares pode induzir a trismo articular devido ao espasmo prolongado dos músculos temporal, masseter e pterigóideo lateral, que não relaxam e não permitem a abertura bucal. Tem sido atribuído a um posicionamento condilar anterior que induz à trauma sobre as terminações nervosas do masseter e no nervo temporal profundo posterior que inerva a porção 33 anterior do ligamento capsular. Tem sido também observado em pacientes adultos do sexo feminino quando a tensão emocional prolongada está presente. O trismo pode ser provocado por: a) Inflamação dos tecidos intra-articulares; b) Posição condilar anterior; c) Pressão e irritação nas terminações nervosas capsulares; d) Hiperatividade dos músculos masseter e temporal; e) Tensão emocional prolongada. Capsulites e sinovites traumáticas O mais significante achado na capsulite traumática é a história do macrotrauma. O que é mais comumente reportado é uma pancada no queixo proveniente de um acidente ou uma queda. Até uma batida numa parede ou uma cotovelada acidental no queixo pode levar a uma capsulite traumática. O trauma é mais provável de causar injúria na articulação quando os dentes estão separados. Quando capsulite ou sinovite estão presentes, qualquer movimento que tende a alongar o ligamento capsular irá acentuar a dor. Capsulites e sinovites devido à inflamação secundária Capsulites e sinovites podem resultar de uma condição inflamatória secundária proveniente de estruturas adjacentes, também podem ser secundárias a outra condição artrítica ou uma desordem de interferência no disco. É importante que o exame diagnóstico seja completo e preciso, de forma que a etiologia da condição inflamatória seja apropriadamente identificada e tratada. A sobrecarga da articulação por bruxismo, mastigação excessivamente vigorosa, traumatismo, esforço ou infecção pode causar uma resposta inflamatória na cápsula fibrosa, na membrana sinovial e nos tecidos retrodiscais. Alterações sutis e persistentes na cinemática articular podem causar desequilíbrio muscular entre os levantadores e depressores e produzir estresses anormais suficientes a ponto de resultar em aplicação inadequada das cargas na cartilagem articular. Este padrão pode acarretar uma possível falha por fadiga e alterações artríticas na cartilagem articular. As sobrecargas repetidas induzem a microtraumas e uma reação inflamatória na cápsula, nas 34 partes periféricas do disco e na inserção do pterigóideo lateral. A capacidade do pterigóideo lateral excessivamente fatigado em movimentar o disco de forma harmoniosa durante os movimentos da maxila pode ser prejudicada, resultando em deslocamento e dano do disco. Os sinais e sintomas de capsulite incluem dor em repouso (intensificada durante a intercuspidação máxima funcional) e com os movimentos parafuncionais da mandíbula. A dor ocorre no lado do acometimento em áreas inervadas pelo V nervo craniano. A deficiência devida à capsulite varia de pequena restrição articular a imobilização total. Osteoartrose Degeneração, não inflamatória, caracterizada por mudanças na estrutura das superfícies articulares, secundariamente à tensão excessiva no mecanismo de remodelação. Ocorrem deterioração e abrasão da cartilagem articular e remodelação do osso subcondral. O mais comum dos fatores etiológicos que causam ou contribuem para a doença articular degenerativa é a sobrecarga nas estruturas articulares. Esta sobrecarga é associada com problemas nas estruturas articulares (por exemplo, deslocamento de disco ou aumento de hiperatividade muscular ou ambos). Tipicamente, as mudanças radiográficas na morfologia do osso subarticular podem ser vistas, embora possa levar até mais de 6 meses de sintomas antes que haja desmineralização óssea que possa ser vista radiograficamente. 3.7.2 Disfunções musculares Disfunção oclusomuscular Ocorre quando a má oclusão provoca uma posição mandibular incorreta, causando disfunção dos músculos mastigatórios em pacientes já susceptíveis. Entendemos por oclusão todo e qualquer contato estático entre um ou vários dentes superiores e inferiores. Para avaliar a oclusão, partimos freqüentemente da “posição de repouso”. A posição de repouso é definida como a distância constante e inconsciente entre os maxilares, estando corpo e cabeça em posição ereta. A mudança de posição da mandíbula resultante afeta diretamente ambas as articulações têmporo- mandibulares, assim como os músculos mastigatórios,eventualmente provocando dor e aumento de pressão. Os distúrbios oclusais podem também contribuir para a disfunção da articulação pelos mecanismos neuromusculares. Esta mudança de posição da mandíbula é 35 capaz de desencadear aumento da tensão e dor nos músculos do aparelho mastigatório, podendo também provocar o deslocamento do disco articular. Miosite A Miosite é uma inflamação do tecido muscular, embora não muito comum, pode ser devida a uma infecção generalizada em tecidos vizinhos. Mais comumente, a miosite resulta de mioespasmo prolongado, desta forma, qualquer fator etiológico de mioespasmo pode também contribuir para a miosite. De fato, a miosite pode ser encarada como um estágio avançado do mioespasmo. Clinicamente pode ser difícil diferenciar ambos. Uma outra consideração é que se o tratamento para o mioespasmo não eliminar os sintomas em 10 ou 14 dias, então a miosite provavelmente vai aparecer. Como com os mioespasmos, o fator etiológico mais comum nas miosites é a hiperatividade muscular prolongada. Mioespasmo Desordem aguda e involuntária, com súbita contração tônica muscular. O espasmo é uma contração muscular contínua (fasciculação) e pode ser diferenciado do espasmo protetor através da eletroneuromiografia. Espasmo protetor Definido por McNeill como restrição ou resguardo do movimento mandibular causado pela co- contração dos músculos a fim de evitar a dor causada pela movimentação. Este reflexo também pode ocorrer em fase aguda de alguma desordem psicológica. Contratura muscular Resistência crônica dos músculos ao estiramento passivo como resultado de aderências em tendões, ligamentos ou fibras musculares. Geralmente causada por trauma ou qualquer outra desordem que traga a hipomobilidade como conseqüência. 3.7.3 Disfunções neurovasculares Neuralgia do trigêmio Envolve áreas maxilar e/ou mandibular inervadas pelo V par craniano. O paciente refere algia 36 intensa e contínua com quadro de parestesia no local afetado. É de difícil resposta a tratamentos e prognóstico desfavorável. A dor trigemial é intensa, paroxística, descrita às vezes como uma sensação semelhante a um choque ou também como uma ferroada muito intensa e de curta duração. A dor vem em forma de um “choque” com intervalos de completa calma, dando a sensação de que o problema desapareceu. Os ataques são irregulares,às vezes, provocando vários episódios de curta duração caracterizando o que se chama estado de mal trigemial. Um aspecto marcante da dor trigemial é a sua localização quase sempre correspondendo a uma das divisões do trigêmio. O paciente localiza perfeitamente a região da face acometida. A dor trigemial pode ser desencadeada por um gatilho (trigger point). Este gatilho de dor pode ser localizado tanto na superfície cutânea como na cavidade oral, geralmente na gengiva, e o tocar da língua em certo ponto da gengiva pode provocar dor, de maneira que o paciente às vezes fica impedido de falar ou de alimentar-se em função das dores intensas. Quando o ponto gatilho está na superfície cutânea, o paciente não consegue sequer realizar a higiene da face. Bruxismo O bruxismo caracteriza um dos comportamentos parafuncionais mais problemáticos que acometem o indivíduo. Deriva da palavra grega Bruchein, que significa apertamento, fricção ou atrito dos dentes entre si, sem finalidades funcionais. As contrações musculares nos bruxistas podem desenvolver forças pesadíssimas (de 150 a 340 Kg de carga puntiforme durante períodos ativos) e causar diversos níveis de alterações em dentes, periodonto, músculos e ATMs. Inúmeras teorias sobre a origem do bruxismo já foram propostas. Entre elas encontram-se as discrepâncias oclusais e o estresse emocional. É importante salientar que nem todos os indivíduos com distúrbios emocionais são portadores de bruxismo, de distúrbios musculares e/ou articulares. Muitas vezes, pequenas alterações emocionais podem estimular os rangimentos dos dentes em alguns indivíduos. Estes apresentam alto grau de percepção do hábito e tem-se afirmado que estes casos são mais fáceis de tratar. Dependendo do alimento mastigado, da dieta e dos hábitos mastigatórios, os indivíduos podem aplicar forças de 7, 14, 15 e 25 Kg durante os contatos dentais. Pacientes com bruxismo podem aplicar forças de até 150 Kg durante os períodos de bruxismo. 37 Classificação do bruxismo Pela relação maxilo-mandibular e dental, o bruxismo pode ser classificado como bruxismo cêntrico e excêntrico. Nos indivíduos com bruxismo cêntrico podemos observar que: a) O paciente aperta os dentes em OC ou RC ou entre ambas; b) Não se observa deslizamento, apenas apertamento dental; c) Os indivíduos apresentam contração muscular isométrica; d) Os tecidos musculares dos indivíduos com bruxismo cêntrico apresenta muita dificuldade para eliminar os resíduos metabólicos que se originam na contração muscular prolongada e sustentada e no metabolismo energético; e) Os indivíduos podem apresentar contatos prematuros cêntricos com etiologia ou então tensão emocional exacerbada. Os indivíduos com estes tipos de bruxismo não apresentam facetas de deslizamento e a contração muscular isométrica permite maior acúmulo de irritantes locais, principalmente ácido acético e ácido lático. 38 No caso de bruxismo excêntrico, observa-se que: a) Os indivíduos apertam e deslizam os dentes nas posições protrusivas e laterais-protrusivas; b) Os movimentos mandibulares são bordejantes; c) Os indivíduos podem apresentar contatos prematuros cêntrico ou excêntrico; d) A contração muscular é isotônica; e) Os indivíduos apresentam facetas de desgastes excêntricas tanto nos dentes anteriores como posteriores. O mais freqüente é uma combinação de facetas na face vestibular incisal de incisivos e caninos inferiores e na face lingual de incisivos e caninos superiores; f) A musculatura apresenta maior facilidade na eliminação de resíduos energéticos, ácidos e irritantes. Contudo, isto não significa que dor, disfunção, hipertonismo muscular e sensibilidade à palpação estejam ausentes. Devemos também salientar que o tipo de bruxismo que ocorre durante o dia tem sido chamado de bruxomania, enquanto que aquele que ocorre à noite é conhecido como bruxismo propriamente dito. A contração mantida dos músculos pode induzir à vasocontricção do plexo pterigóideo e, assim, aumentar a pressão intra-craniana, provocando dores de cabeça. Tem sido relatado freqüentemente que o aperto dental crônico provoca fadiga muscular, espasmo e dor. A dor muscular estimula a tensão que pode induzir dor e apertamento dental; estabelece-se assim um ciclo vicioso de retroalimentação: Dor / Tensão / Apertamento / Espasmo / Dor 3.8 Inter-relação postura/ATM A função do conjunto de estruturas que compõem o sistema estomatognático é dependente não só das estruturas tipograficamente envolvidas, mas mantém relações estreitas com a respiração e o posicionamento da cabeça. Atualmente, entende-se que alterações localizadas nos segmentos corpóreos implicam alterações em cascata da postura e, conseqüentemente, das funções motoras dependentes da mesma. Desvios posturais tais como pronação de um pé, diferença no comprimento de membros 39 inferiores ou escoliose causam assimetria nos ombros e inclinação da cabeça com forças craniovertebrais alteradas. No plano sagital, a postura anteriorizada da cabeça produz importantes alterações nas relações craniovertebrais. Usualmente a posição da cabeça à frente mostra uma coluna cervical retificada à radiografia, com perda da lordose normal. Os músculos longo da cabeça e do pescoço estão encurtados e muitas vezes em contração. Para ver qualquer coisa que não o chão, a cabeça é hiperestendida sobre o pescoço. Esta posição, então, faz os músculos extensores suboccipitais e supra- hióideos encurtarem-se e os infra-hióideos alongarem-se, com o reposicionamento mandibular e hiperatividade dos músculos da mastigação. Compressão pode ocorrer posteriormente na região de C1 a C2 com dor crânio-facial. Estas complexidades ilustram que a ATM não pode ser considerada isoladamente e que, em muitos casos, uma abordagem multidisciplinar pode ser eficaz para restaurar a função. 3.9 Respirador bucal A respiração habitual pela boca com reflexos no aparelho mastigatório é, em geral, devido a uma área obstruída no nariz ou na faringe. Para obter uma via aérea livre através da boca , a pessoa tem que estender a cabeça e abaixar a mandíbula e a posição da língua. Isso altera o equilíbrio normal dos músculos que circundam o sistema dental resultando, em muitos casos, em mordida cruzada dos dentes posteriores e em menor inclinação labial dos incisivos. Essas alterações são adaptativas, mas podem se tornar patológicas. Na opinião de Backlund, o hábito da respiração bucal parece estar relacionado com uma posição lingual baixa e protrusiva, ausência de contato entre a língua e o palato e posição separada dos lábios. O indivíduo portador de respiração bucal permanece quase sempre com a boca aberta e mostra uma altura facial aumentada (aumento no terço facial interior). De modo geral, um padrão de respiração bucal pode ser provocado por: a) Vias nasofaríngeas estreitas; b) Vias nasofaríngeas estreitas quando combinadas com membrana nasal cronicamente inflamada; c) Presença de tecido adenóide cronicamente hipertrófico, o que é um achado bastante 40 freqüente nas populações examinadas; d) Cornetes inflamados; e) Rinite crônica; f) Desvios de septo nasal. 41 4 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA A ATM é um anel da cadeia de articulações sinoviais conectando o corpo humano, ela se interrelaciona anatômica e cinesiologicamente com as articulações adjacentes nesta cadeia e na coluna cervical. Por causa desta relação, uma maior compreensão da ATM irá auxiliar os fisioterapeutas no tratamento da coluna cervical. 4.1 Anamnese A avaliação fisioterapêutica inicia-se com uma anamnese minuciosa cujo objetivo é colher o máximo de informações e dados clínicos relacionados ao distúrbio apresentado. Isso pode serfeito através de um questionário.QP: queixas que levaram o paciente ao dentista e/ou ao fisioterapeuta; refere-se ao problema real trazido pelo paciente. HDA: colhe-se a história de como, quando e em que regiões iniciaram-se os problemas na ATM. É aconselhável que se mantenha uma ordem cronológica dos acontecimentos. HP: referem-se a dificuldades na função mastigatória e às queixas, presentes ou passadas, que possam complicar o quadro: infecções do ouvido, distúrbios do equilíbrio, doença reumática, outras doenças musculares ou articulares e distúrbios circulatórios. HDentária: problemas dentais do paciente executados no passado como extrações dentais As informações que o fisioterapeuta obtém inicialmente são: Queixa principal (QP) História da doença atual (HDA) História patológica (HP) História dentária História familial (HFAL) História social (HS) História psicológica (HPSic) Hábitos parafuncionais Avaliação da dor 42 simples ou complicadas, prótese, tratamento ortodôntico ou outro. Coleta-se ainda informações sobre qualquer tratamento vigente que o paciente esteja recebendo, que possa influenciar de alguma forma os dados clínicos. HFal: questiona-se sobre algum fator hereditário possível que possa predispor disfunção. HSocial: questionamentos sobre tabagismo, sedentarismo, etilismo, etc. HPsic: questões tratam de colapso nervoso no presente ou no passado, excitabilidade fácil, distúrbios no sono, ingestão de tranqüilizantes e soporíferos. Questiona-se se o início dos sintomas coincidiram com o período de estresse ou se a sintomatologia piora durante estes períodos de maior estresse emocional. Normalmente, uma vez que o estímulo é removido, os sintomas desaparecem em poucos dias. Hábitos parafuncionais: hábitos podem influenciar a disfunção: ler apoiando a têmpora em uma das mãos, roer unhas, movimento labial, etc. Às vezes, o paciente pode não estar totalmente consciente deles e, portanto, algumas questões são úteis quando se suspeita de bruxismo ou apertamento. A fadiga dos músculos mastigatórios depois que a pessoa acorda é, por exemplo, uma conseqüência típica de bruxismo noturno. As necessidades funcionais do aparelho mastigatório compreendem basicamente a mastigação, a deglutição e a fonética, enquanto as atividades parafuncionais são as contrações musculares prolongadas. Citamos como exemplos hábitos como morder lábio ou objetos, chupar dedo, roer unhas, postura anormal craniocervicofacial, mascar objetos como haste de óculos, cachimbo; atividades assim denominadas por não terem propósitos funcionais. Segundo estudos recentes, sinais ou sintomas relacionados com as atividades parafuncionais são observados em 80 a 90% da população. Na maioria das pessoas estes comportamentos não provocam alterações clinicamente importantes, no entanto, entre 10 e 15% destes indivíduos resultam em graves problemas clínicos e necessitam atendimento específico. As conseqüências destes comportamentos podem incluir: desgaste dental excessivo, dores musculares craniofaciais, maloclusão severa, alterações articulares degenerativas, desarranjo do disco articular, hipertrofia muscular, alterações auditivas, agravamento de lesões periodontais e destruição de trabalhos restauradores. Uma combinação de fatores predisponentes com níveis acentuados de parafunção pode provocar: a. Problemas auditivos 43 b. Dor articular - estalido c. Doença articular degenerativa d. Dor de cabeça por contração muscular e. Dor miofacial f. Hipertrofia muscular g. Hipotonia muscular h. Maloclusão i. Erosão cervical j. Dentes quebrados k. Abrasão dental l. Perda óssea alveolar m. Desgaste dental n. Destruição de trabalhos odontológicos Avaliação da dor: questões sobre intensidade, duração, localização e tipo da dor. Refere-se a dores diretamente relacionadas à DTM e às cefaléias, freqüentemente presentes nestes casos. Faz-se o registro do lado primário da dor e das zonas de irradiação, de sua freqüência, intensidade e períodos de acometimento. Uma escala facilmente aplicada e útil para o dia-a-dia é a Face Pain Scale, mas também é possível a Escala Analógica Visual ou o Inventário McGill de dor, instrumentos bastante utilizados em pesquisas. Figura 5. Face Pain Scale (0 – ausência de dor a 5 – dor violenta) A dor de origem articular pode ser localizada pelo paciente como interna, na área pré-auricular; 44 em geral é contínua ou obtusa, podendo exacerbar-se com o movimento e função mandibular. A dor muscular tem lados característicos de irradiar, dependendo dos músculos envolvidos: 1. O músculo masseter se irradia nas regiões auricular e articular e na porção interior da bochecha; 2. A dor dos músculos temporais envolve a porção superior da bochecha, a têmpora e a órbita; 3. A dor do músculo pterigóideo medial dissemina-se para as áreas retromandibular e intra- auricular; 4. A dor do músculo pterigóideo lateral irradia-se para a região articular. Em indivíduos com disfunção, a dor de cabeça é causada principalmente pela hiperatividade muscular; pode ser de origem muscular e vascular. Foi demonstrado que os músculos mastigatórios normalmente alternam períodos de isquemia (durante a contração) e períodos de fluxo abundante de sangue (durante o relaxamento entre dois atos mastigatórios). Em indivíduos com disfunções, as contrações musculares reflexas alteram esse mecanismo, levando à isquemia muscular e conseqüente dor cefálica. 4.2 Exames complementares: 4.2.1 Radiografia Há uma tendência de, ao se examinar uma radiografia, considerar basicamente as estruturas do ponto se vista anatômico. Esta descrição, observada na maioria dos laudos radiográficos, embora correta, demonstra as limitações das imagens na identificação dos problemas funcionais e/ou biomecânicos das articulações têmporo-mandibulares. Variações anatômicas de paciente para paciente, diferentes níveis de adaptação estrutural e funcional dos tecidos, angulações das tomadas, posição da cabeça, etc, são fatores que dificultam uma definição diagnóstica. Desta forma, as imagens isoladas não definem diagnósticos biomecânicos e funcionais; são apenas auxiliares e apenas terão importância combinadas com um rigoroso exame clínico, bem como do histórico do paciente. Entretanto, quando existem indícios de alterações têmporo-mandibulares significativas 45 baseadas na queixa de dor, na história, no exame clínico, eventualmente do diagnóstico diferencial, a imagem reveste-se de relevante importância diagnóstica, pois uma queixa de dor tanto pode ser um problema biomecânico funcional comum, como pode ser um problema grave como por exemplo, um tumor. Pode-se concluir assim que, no diagnóstico de problemas têmporo-mandibulares, o protocolo radiográfico é importante para: registro (documento do ponto de vista legal); para exclusão de fatores não relacionados (fraturas, tumores, objetos etc.); no auxílio diagnóstico e para avaliar o correto espaço dos côndilos e os tecidos articulares na fossa mandibular. Um grande avanço foi a introdução da ressonância magnética que permitiu o estudo, a interpretação e a avaliação dos tecidos moles têmporo-mandibulares. Entretanto, é consenso geral que a imagem radiográfica com qualquer técnica, ainda que fundamental no diagnóstico têmporo- mandibular, é apenas um recurso auxiliar e que um diagnóstico correto e preciso envolve um conhecimento profundo dos aspectos anatômicos, funcionais, histológicos, interpretação adequada dos níveis de adaptação e emprego de critérios diagnósticos diferenciais. 4.2.2 Panorâmica A radiografia panorâmica, embora amplamente usada nos consultórios odontológicos no que se refere aos contornos ósseos e às estruturas dentais (como posição, forma, alterações etc.), apresentam informações pouco significativas com relação a aspectos funcionaistêmporo- mandibulares. Entretanto, a partir de uma pequena variação de posição pode fornecer uma imagem sem a superposição das estruturas da fossa articular sobre o côndilo. Para esta avaliação solicita-se ao paciente para que abra bem a boca para uma tomada radiográfica. Uma vantagem que pode ser considerada é que é uma radiografia de menor custo e pode, de fato, ser útil para a exclusão de fatores estruturais que possam estar presente no conjunto mandíbula- maxila. 4.2.3 Tomografia A tomografia é a melhor e mais precisa visualização da ATM. Esta técnica permite radiografar 46 uma estrutura óssea sem superpor outras estruturas que estão à frente ou atrás. Este aspecto é obtido por um movimento do tubo de raios X, que deixará uma imagem das outras estruturas. Apesar de proporcionar imagens precisas, apenas os aspectos clínicos funcionais e disfuncionais podem definir um diagnóstico. Isto significa que não basta dispor da imagem, mas é necessário o conhecimento básico da filosofia da articulação têmporo-mandibular e a correta interpretação das influências biomecânicas das posições e movimentos condilares. As tomografias permitem também o controle imediato, periódico e posterior aos tratamentos de reposicionamento da posição condilar correta. É importante mencionar que o que define o resultado provável de um tratamento não é a imagem, mas o relato do paciente da resolução positiva. O resultado clínico é soberano. Entretanto, a imagem adiciona significativa casuística de uma metodologia de trabalho, bem como possibilita o controle periódico dos casos tratados. 4.2.4 Ressonância Magnética Nuclear (RMN) É o mais recente e promissor recurso auxiliar de diagnóstico para uso em medicina. Em odontologia, seu uso no exame das alterações têmporo-mandibulares resulta em grande benéfico de informação diagnóstica, pois diferentemente das imagens convencionais, o que aparece em destaque são os tecidos moles. Com esta vantagem, as alterações discais, como os deslocamentos, podem de forma precisa e clara serem visualizadas e estudadas. O método é contra-indicado para pacientes portadores de marca-passo cardíaco; não apresenta, no entanto, restrição com relação à idade. Sua desvantagem básica é seu alto custo, o que a indica apenas eventualmente, quando outros recursos mais viáveis não deram resultado. O que devemos buscar nos exames radiológicos? Veremos no quadro abaixo. 47 ESTRUTURAS ANORMALIDADES PRESENTES 1. Cabeça da mandíbula A) Erosões B) Osteófitos C) Aplainamento D) Hipertrofia-hiperplasia E) Cisto subcondral 2. Eminência articular A) Aplainamento B) Erosão 3. Disco A) Deslocamento B) Perfuração 4. Cápsula articular A) Fragmentos e irregularidades 48 5 EXAME FÍSICO 5.1 Inspeção Durante a inspeção observe a movimentação da mandíbula; note que ela possui duas articulações, uma em cada extremidade. Assim como o membro inferior, a articulação têmporo-mandibular possui duas fases: uma fase de oscilação, quando a articulação está em movimento; e uma fase de acomodação de posição, quando a articulação não é utilizada, o que ocorre estando a boca fechada. Durante a fase de oscilação, observe o ritmo de abertura e fechamento da mandíbula. A mandíbula deve abrir e fechar em linha reta, os dentes devem se ajustar e se afastar com facilidade. Em circunstâncias anormais a boca se abrirá e fechará desalinhadamente, quebrando a continuidade do arco de movimentação ou com evidentes movimentos de lateralidade. Esta anormalidade pode decorrer de patologias em uma ou ambas articulações, ou desarranjo da dentição. Na fase de acomodação, a mandíbula se acha normalmente centrada e os dentes se coaptam simetricamente na linha média. Simetria – Com o paciente posicionado à frente do profissional, examina-se sua simetria. Desvios laterais mandibulares normalmente levam à assimetria esquelética quando observados no plano frontal. Os lábios também podem caracterizar o desvio, em geral, o inferior é deslocado em relação ao superior para o lado do desvio. Estas assimetrias por vezes são significativas e fáceis de serem observadas mas, na sua maioria, são sutis e exigem observação mais meticulosa para serem detectadas. As assimetrias na face são acompanhadas por deslocamento da linha mediana mandibular para o lado do desvio. 5.2 Língua Examinar a língua para verificar posição em repouso, movimentos, comprimento do frênulo e tamanho. Uma língua volumosa exerce pressão excessiva contra os dentes e pode interferir na oclusão dental. Uma língua pequena exerce pouquíssima pressão sobre os dentes. Um frênulo curto pode interferir com a função da língua. 49 5.3 Posições mandibulares básicas A posição básica da mandíbula pode ser definida como posição assumida freqüentemente durante a função. As posições básicas mandibulares mais importantes são a intercúspica (oclusão central) e a posição postural (repouso). Posição postural ou de repouso: para considerar a primeira posição postural neste estudo, imagina-se uma pessoa em pé ou sentada olhando para frente e para longe, com os lábios em leve contato e a mandíbula relaxada, sem tensão. É esta a posição de repouso da mandíbula, na qual os músculos mandibulares estão em contração mínima, contraídos apenas o suficiente para manter a postura. Os dentes superiores não estão em contato e o espaço entre eles é chamado espaço livre ou interoclusal. Esta posição se altera com as diferentes posições do corpo e cabeça e é influenciada pela oclusão, bem como pelas condições fisiológicas e patológicas. Os músculos mastigatórios ficam relaxados na posição postural. O espaço entre a superfície de oclusão opostas que acontece na posição postural é denominado distância interoclusal ou espaço livre. Normalmente varia entre 2 e 4 mm. A posição de repouso é importante para o descanso muscular e alívio das estruturas de suporte dental. Oclusão central (OC) ou posição intercúspica: a partir da posição de repouso, a mandíbula pode ser elevada até o contato máximo dos dentes inferiores com os superiores. Ela fica assim na chamada posição de oclusão central, que é a posição de maior número de contatos entre os dentes. A pessoa despende esforço para manter seus maxilares fechados nesta posição por algum tempo, pois os músculos elevadores da mandíbula devem permanecer contraídos. Acontece quando as cúpides e fossas dos dentes maxilares e mandibulares ficam tensas (contato total entre dentes opostos) com a mandíbula em sua posição mais cranial. Relação central (RC): a partir da oclusão central os dentes podem ser mantidos apenas em ligeiro contato e então a mandíbula pode ser movida para trás, num movimento de retrusão da ordem de 1 a 2 milímetros (1,25 em média). Mas há um ponto além do qual a mandíbula não pode ir. Neste ponto ela alcança sua posição mais retrusiva, que é a posição de relação central na dimensão vertical de oclusão. Apesar de a mandíbula estar na posição mais posterior ou retrusiva que ela possa adotar, há 50 um espaço entre o côndilo e o processo retro-articular. Obviamente, então, o movimento posterior não é limitado pelo contato direto de superfícies ósseas, mas por músculos e ligamentos. O mesmo acontece nas limitações dos movimentos de abertura, protrusão e lateralidade. Deve-se lembrar que o coxim retrodiscal é ricamente inervado, o que produz estímulos sensitivos gerais e proprioceptivos, impedindo de maneira normal a sua compressão. Esta ocorre somente quando existe desvio nesta engrenagem, levando a mandíbula (e o côndilo) a se deslocar para um dos lados. A protrusão simétrica da mandíbula é efetivada pelos músculos pterigóideos laterais. Há participação dos músculos elevadores, principalmente o temporal, ambos retrusores da mandíbula. É claro que gênio-hióideo e milo-hióideo podem participar destemovimento com menor força. Considerações importantes: Movimento de Bennett: durante as lateralizações mandibulares, há um deslocamento lateral de toda mandíbula enquanto se realiza o processo de rotação e translação. Portanto, o côndilo do lado do movimento (côndilo direito para o movimento lateral direito) não permanece sem deslocamento, mas desloca-se cerca de 1,5 milímetros para o lado do movimento (direito, no caso). Esta mudança de posição da mandíbula para lateral é chamada movimento de Bennett. O grau de movimento de Bennett varia de pessoa a pessoa e os articuladores podem ser ajustados para possibilitar isto. E importante este ajustamento porque os caminhos através dos quais as cúspides opostas superiores e inferiores deslizam em movimentos laterais são afetados pela presença ou ausência de movimento de Bennett. 5.4 Classificação de Angle Classe I: Relação normal mesiodistal do primeiro molar, dentes irregulares em algum lugar. Classe II - Divisão 1: Primeiro posterior ao primeiro molar superior, retrusão mandibular geralmente refletida com o paciente em perfil, dentes superiores anteriores inclinados. Classe II - Divisão 2: Primeiro molar inferior posterior ao primeiro molar superior, superposição vertical (overbite) profunda, quando refletida no paciente e perfil. Classe III: Primeiro molar inferior anterior ao primeiro molar superior, prognatismo mandibular geralmente refletido com o paciente em perfil (ou seja, queixo 51 proeminente). 5.5 Palpação óssea Localizada imediatamente anterior ao conduto auditivo externo, a ATM não esboça qualquer contorno por ser recoberta por músculos. Para palpá-la, coloque o dedo indicador no interior do conduto auditivo externo do paciente e pressione anteriormente. Peça-lhe para abrir e fechar a boca lentamente. Enquanto ele faz esta movimentação, o côndilo mandibular será palpado pela ponta de seu dedo. Ambos os lados devem ser palpados simultaneamente. O movimento deve ser percebido como uniforme e bilateralmente simétrico; qualquer desvio do padrão normal de movimentação deve ser observado. Nesta etapa da avaliação também palpamos a ATM a fim de perceber se há ruído articular, como crepitação, clicking ou estalido. Um estudo de adultos jovens constatou que os estalidos eram uma condição reversível que poderia ser tratada adequadamente com exercícios isométricos não-invasivos (abertura mandibular como um movimento de dobradiça e desvios laterais), o que sugere que existe uma causa neuromuscular para muitos problemas de estalidos da ATM. 5.6 Palpação muscular A palpação dos músculos mastigatórios requer uma certa experiência: de fato, ela não deve ser muito delicada, nem muito forte. Para evitar o falso diagnóstico, deve-se ter em mente que a palpação dos músculos, principalmente dos intra-orais, sempre traz certo desconforto para o paciente. - Palpação do músculo temporal Por via extra-oral, o músculo temporal é palpado no local de reunião dos três feixes de fibras (anteriores, médias e posteriores) na fossa temporal, em uma região lateral e superior à crista supra- orbitária, ou lateral ao osso frontal. O dedo indicador ou médio é colocado nesta depressão. Os dedos são deslizados de forma bilateral e simultânea aplicando leve pressão em vários pontos (palpação puntiforme). Comparamos a sensibilidade de um lado em relação ao outro para verificarmos qual o lado mais afetado. Na presença de problemas oclusais, é freqüente que os dois músculos estejam 52 sensíveis à palpação. Freqüentemente um músculo está mais sensível que o outro. Este músculo constitui uma área desencadeante responsável pela famosa dor de cabeça de origem oclusal. - Palpação do músculo masseter Solicitamos ao paciente que feche a boca em OC e aperte os dentes o que ajudará a evidenciar este músculo. O músculo é palpado sobre o rebordo superior no arco zigomático, e inferiormente, no ângulo externo mandibular. Na região superior, o músculo é palpado desde o processo zigomático até as proximidades da região anterior da ATM. Pode ser palpado extra ou intra-oralmente. - Palpação do músculo pterigóideo lateral O dedo polegar é colocado na região distal ao terceiro ou segundo molar superior, intra- oralmente. O dedo indicador é deslocado posteriormente à tuberosidade até atingir a superfície lateral da apófise pterigódea, extra-oralmente. Em casos de DTM, com freqüência este músculo se apresenta tenso e sensível à palpação, mesmo com pressão leve. Por razões anatômicas somente o feixe inferior pode ser palpado. - Palpação do músculo esternocleidomastóideo (ECOM) Este músculo participa nos movimentos excêntricos mandibulares (lateralidade, protrusão e bruxismo excêntrico) e na manutenção da posição postural da cabeça. O músculo resulta também afetado em casos de desequilíbrio oclusal quando os contatos prematuros induzem ao movimento mandibular anterior, ou lateral e anterior. Apesar de o ECOM não atuar diretamente no movimento da mandíbula, ele é especificamente mencionado para se tornar sintomático com as desordens da ATM, além de ser facilmente palpável. A palpação é feita dos dois lados, próxima à inserção na superfície externa da fossa mastóide, atrás da orelha. A extensão toda do músculo é palpada até sua origem perto da clavícula. O paciente deve dizer se há dor durante o exame. Também qualquer ponto álgico encontrado neste músculo é anotado devido a eles serem a razão da dor reflexa no temporal e na área articular. - Palpação do músculo trapézio 53 O músculo trapézio tem três pontos de inserção: estes pontos se localizam logo abaixo na protuberância occipital externa, nas proximidades da clavícula e na coluna vertebral ao nível de T12. Palpamos este músculo logo abaixo da protuberância occipital externa e acompanhamos o músculo à medida que se abre em forma de L em direção à clavícula. O exame é complementado com dados clínicos como dor tipo queimação, cansaço e fadiga-desconforto na região, que podem indicar estiramento e supercontração do músculo. - Palpação dos músculos cervicais posteriores Os músculos cervicais posteriores não afetam diretamente o movimento mandibular, no entanto, eles se tornam sintomáticos durante certas desordens da ATM e dessa forma devem ser palpados de rotina. Eles se originam na área occipital posterior e se estendem para baixo ao longo da região cérvico- espinhal. Como eles são sobrepostos em camadas, eles são difíceis de identificar individualmente. Na palpação destes músculos, os dedos do examinador escorregam atrás da cabeça do paciente. Os da mão direita palpam a área occipital direita e os da mão esquerda a área esquerda, na origem dos músculos. O paciente deve acusar qualquer desconforto. Os dedos movem-se na extensão dos músculos do pescoço através da área cervical e qualquer desconforto é anotado. É importante estar atento aos pontos álgicos nestes músculos porque eles são comumente responsáveis pela dor de cabeça frontal. 5.7 Amplitude de movimento passivo A amplitude de movimento passivo pode ser usada na ATM para avaliar a lesão ligamentar em casos traumáticos. A alteração é determinada pela presença de dor ou movimentação excessiva anterior em direção ao movimento, quando a mandíbula é estendida passiva e lateralmente tanto quanto possível. A amplitude de movimento passivo também pode ser usada para verificar a situação dos músculos de abertura. 5.8 Teste articular Este exame precisa verificar mais do que a simples amplitude dos movimentos. O padrão motor também é importante, isto é, a forma como o paciente executa o movimento, assim 54 como a seqüência motora, a disposição do paciente para executar o movimento, o aparecimento de sinais (dores, ruídos) e de outras manifestações subjetivas. Os movimentos ativos devem ser examinadoscomo parte da avaliação da região da ATM, que incluem: 1. Abertura e fechamento da boca 2. Excursão lateral da mandíbula 3. Protrusão da mandíbula Abertura e fechamento da boca: Normalmente, quando alguém abre e fecha a boca, o movimento da mandíbula é contínuo e uniforme, pois ambas as ATMs funcionam simetricamente. A mandíbula normal abre e fecha de maneira linear na linha média. A capacidade de abrir e fechar a boca deve ser avaliada. A abertura mandibular é medida em milímetros como a distância entre os incisivos da maxila e da mandíbula. A amplitude normal de abertura é de aproximadamente 35 a 45 mm. Uma maneira rápida de determinar a abertura mandibular normal consiste em solicitar ao paciente que coloque duas ou três articulações interfalangianas proximais fletidas dentro da boca aberta. Excursão lateral da mandíbula: Pede-se ao paciente que movimente a mandíbula ao máximo para um dos lados e, a seguir, para o outro. A mensuração da excursão lateral baseia-se na distância de um ponto na linha média (posição zero) localizado entre os incisivos maxilares até o ponto mandibular mais desviado entre os incisivos mandibulares. Se a excursão lateral da mandíbula for observada quando a boca do indivíduo está aberta, a quantidade de excursão deve ser medida. As estruturas contra-laterais que são implicadas como causa de desvio lateral incluem o disco, os músculos masseter, temporal e pterigóideo lateral e o ligamento temporomandibular. Protrusão da mandíbula: Pede-se ao paciente que coloque a mandíbula em protrusão, movimento este que deve ser realizado pronta e facilmente. A protrusão normal, de 5 mm, é determinada medindo-se a 55 distância dos incisivos maxilares aos incisivos mandibulares, na posição de protrusão. A protrusão anormal para um dos lados pode indicar também o acometimento das estruturas associadas com a excursão lateral. A retrusão, que é a posição travada da ATM, mede normalmente de 3 a 4 mm. Esta não integra a avaliação de rotina pela dificuldade de mensuração. 5.9 Teste muscular Para testar os principais músculos de abertura da mandíbula (porção inferior do pterigóideo lateral), o paciente abre sua mandíbula lentamente e resiste à força de fechamento do terapeuta aplicada ao nível do queixo. Para testar músculos de fechamento, utiliza-se o inverso deste teste. O paciente abre a boca lentamente. O terapeuta aplica uma forte força inferior, sobre os bordos dos dentes incisivos inferiores do paciente e tenta abrir a boca contra resistência. Nestes testes o paciente não tenta abrir ou fechar a mandíbula, mas, ao contrário, resiste à tentativa do terapeuta. Se estes testes forem realizados de modo inverso (o paciente tentando mover a mandíbula contra a resistência do terapeuta), o terapeuta não será capaz de julgar ou controlar a quantidade de força aplicada. As excursões resistidas laterais testam os músculos pterigóideo medial e lateral simultaneamente. Um fraco músculo pterigóideo lateral pode não ser tão evidente nos testes de abertura resistida, mas pode ser evidente pela comparação com o lado oposto. Por causa da direção medial dos músculos pterigóideos mediais eles também são estirados durante estes testes. O teste de protrusão resistida é útil para testar todos os quatro músculos pterigóideos simultaneamente. O paciente abre a boca e faz uma leve protrusão. O terapeuta apóia o occipito do paciente e tenta forçar a mandíbula posteriormente, até quanto o paciente resistir. A retrusão resistida pode ser usada para testar as fibras posteriores do músculo temporal e o músculo digástrico. O terapeuta coloca os dedos sobre a superfície lingual dos dentes ântero-inferiores do paciente e tenta avançar a mandíbula, enquanto o paciente realiza o movimento. Testes contráteis A sobrecarga pode ser conseguida pedindo-se ao paciente que morda com força um 56 objeto macio, como calço molar feito com gaze colocado entre os dentes posteriores de um dos lados. Esse movimento acarreta a compressão do côndilo sobre a eminência articular no lado oposto e uma separação dessas estruturas no mesmo lado. As queixas de aumento da dor no lado da mordida forçada indicam forças de tensão agindo sobre a cápsula e o ligamento. Testes específicos Reflexo mandibular O reflexo mandibular envolve os músculos masseter e temporal. Se o reflexo estiver abolido ou diminuído, deverá haver alguma patologia ao longo do V par craniano. A exacerbação do reflexo pode traduzir lesão do neurônio motor superior. Teste para a inter-relação postura – ATM Paciente em ortostatismo, marcar o bordo superior e inferior da escápula. Solicitar que, com os pés unidos, realize a flexão anterior do tronco, medindo a distância dedo-chão. Repetir a medida com calço molar do lado em que a escápula se encontra mais elevada. Se a distância diminuir, significa que a disfunção da ATM está influenciando na postura. 57 6 TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO Após analisado o grau de funcionalidade da articulação, o fisioterapeuta elaborará e executará um plano de tratamento direcionado às alterações físicos-funcionais do sistema neuromuscular deste paciente. 6.1 Objetivos fisioterapêuticos gerais para DTM: Abolir sinais flogísticos Restringir um maior desgaste de estruturas ósseas Restabelecer qualidades físico-funcionais dos grupos musculares envolvidos no complexo cérvico- crânio-mandibular bem como o equilíbrio de forças Proporcionar independência funcional e/ou de vida diária 6.2 Recursos físicos Para alcançar tais objetivos o fisioterapeuta pode dispor de alguns recursos físicos como ultra- som, laserterapia, eletroterapia e termoterapia. 6.3 Ultra-som O tratamento com o ultra-som induz mudanças fisiológicas como no reparo de tecidos lesados e também pode reduzir a dor, desde que seja aplicado de maneira apropriada. Um tratamento impróprio pode não apenas ser ineficaz, mas também prejudicial, colocando o paciente em risco. O estímulo ultra-sônico é mais eficiente quando utilizado durante os quinze primeiros dias após o trauma, isto é, durante a fase inflamatória e o começo da fase proliferativa da cicatrização. Há um consenso no sentido de que o ultra-som pode acelerar a resposta inflamatória, promovendo a liberação de histamina, macrófagos e monócitos, além de incrementar a síntese de fibroblastos e colágeno. 58 Entretanto este recurso deve ser utilizado com muitacautela devido à proximidade de obturações, aparelhos ortodônticos e íntima relação com a mambrana timpânica. 6.4 Laser LASER é a abreviação da expressão inglesa “Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation”, que significa amplificação de luz por emissão estimulada da radiação. Os efeitos não-térmicos produzidos pela radiação de baixa potência são amplamente discutidos pois, de certo modo, não são conhecidos todos os mecanismos nem todos os elementos que participam da conversão de energia luminosa em energia bioquímica, capaz de gerar processos tão distintos como o analgésico ou o bioestimulante. Os equipamentos mais utilizados na prática fisioterapêutica são o de Hélio-Neônio (He-Ne) e o de Arseneto de Gálio (As-Ga), os quais possuem características específicas. Para que a irradiação laser produza algum efeito sobre o corpo humano é necessário que ela seja absorvida pelo mesmo, ou seja, é necessário que ocorra uma interação dessa radiação com as estruturas moleculares e celulares do organismo. A energia depositada nos tecidos transforma-se imediatamente em outro tipo de energia ou efeito biológico. As modificações ou efeitos que surgem na própria partícula absorvente e na região circundante são denominados efeitos primários. Os efeitos primários da radiação laser de baixa potência estão subdivididos em efeitos:bioquímico, bioelétrico e bioenergético. Os efeitos primários, provocados diretamente pela absorção da radiação laser, provocam dois grandes efeitos indiretos. Estes, por sua vez, dão origem a outros efeitos fisiológicos com uma profundidade e extensão maiores, que podem ser qualificados como locais, regionais ou gerais. A radiação laser de baixa potência proporciona os seguintes efeitos terapêuticos: • Efeitos analgésicos Explica-se o efeito analgésico proporcionado pelo laser de baixa potência por vários fatores: a) Nível local, reduzindo a inflamação, provocando a reabsorção de exsudatos e favorecendo a eliminação de substâncias alógenas. O caráter antiinflamatório por si só já 59 proporciona a redução da dor. A eliminação, por exemplo, de substâncias ácidas ou outras conseqüentes de fagocitose, que sensibilizam os receptores dolorosos, também favorecem a analgesia. Devido ao estímulo à microcirculação, a radiação laser de baixa potência contribui para a eliminação dessas substâncias. b) Interferindo na mensagem elétrica durante a transmissão do estímulo da dor, mantendo o gradiente iônico, ou seja, mantendo o potencial de membrana e evitando que a mesma se despolarize. Esta ação, como conseqüência, proporcionará uma menor sensação dolorosa. c) Estimulando, direta ou indiretamente, a liberação de -endorfinas. d) Evitando a redução do limiar de excitabilidade dos receptores dolorosos. • Efeito antiinflamatório Aparentemente, o efeito antiinflamatório da radiação laser de baixa potência justifica-se a partir dos seguintes pontos: - Interferência na síntese de prostaglandinas. Como elas desempenham um importante papel em toda instalação do processo inflamatório, a sua inibição determina uma sensível redução nas alterações proporcionadas pela inflamação. - Estimulação da microcirculação, garantindo um eficiente aporte de elementos nutricionais e defensivos para a região lesada, favorecendo a sua resolução. • Efeito Antiedematoso Um dos resultados da instalação do processo inflamatório é o surgimento do edema, conseqüente do aumento da permeabilidade venular e do inevitável extravasamento do plasma, o que desencadeia uma série de fenômenos proporcionando congestão que, a grosso modo, dificulta a resolução do processo inflamatório. A ação antiedematosa do laser pode ser justificada a partir dos seguintes fatos: - Estímulo à microcirculação: proporciona melhores condições para a resolução da congestão causada pelo extravasamento de plasma que forma o edema. - Ação fibrinolítica: proporciona resolução efetiva do isolamento causado pela coagulação do plasma, que determina o edema duro. 60 • Efeito Cicatrizante Dos efeitos terapêuticos que se destacam no uso do laser, o estímulo à cicatrização mostra- se eficiente. Explica-se tal poder terapêutico por: - Incremento à produção de ATP, o que proporciona um aumento da velocidade mitótica das células. - Estímulo à microcirculação, o que aumenta o aporte de elementos nutricionais associado ao aumento da velocidade mitótica, facilitando a multiplicação das células. - Formação de novos vasos a partir dos já existentes, o que com o laser se torna acelerado, gerando melhores condições para uma cicatrização rápida e esteticamente superior. Para evitar a somação de estímulos e a redução de efetividade, deve-se intercalar as aplicações de laser em pelo menos 24 horas. É de se esperar que até a quinta ou sexta aplicação os resultados sejam percebidos. Caso isto não ocorra, é indicada a substituição deste recurso fisioterapêutico. Ressaltamos ainda ainda atenção quanto às contra-indicações e precauções para utilização da laserterapia. 6.5 TENS Diversas teorias e mecanismos são propostos para explicar os efeitos da eletroestimulação transcutânea. A explicação neurofisiológica mais provável que acontece na eletroestimulação levando à analgesia é através da ativação do “portão espinhal da dor”, proposta por Melzack e Wall. A TENS é um método alternativo, não invasivo, não tóxico, em que o paciente pode confiar plenamente em seu resultado. Uma de suas principais vantagens é que a TENS não apresenta efeitos colaterais, perigo ao paciente, como irritações cutâneas locais secundárias à estimulação muito prolongada e intensa ou realizada com eletrodos impróprios. De um modo geral, a TENS possui inúmeras indicações, podendo ser aplicada em qualquer síndrome dolorosa aguda ou crônica de causa diagnosticada, inclusive no pós-operatório imediato e na estimulação muscular. As áreas cardíacas e carotídeas devem ser evitadas, pois a estimulação elétrica produziria arritmias ou até mesmo parada cardíaca, sendo por isso totalmente contra-indicada em 61 pacientes portadores de marcapasso cardíaco ou qualquer implante eletrônico, devido ao risco de interferências graves. Os pacientes cardíacos precisam de um cuidado redobrado, pois eles podem apresentar reações adversas. Quando os eletrodos são colocados ao redor do pescoço, dos olhos ou da boca, a intensidade deve ser obrigatoriamente reduzida para que não haja produção de espasmo dos músculos laríngeos, os quais podem levar inclusive a um “fechamento” das vias aéreas. 6.6 Crioterapia Não restam dúvidas de que a resposta fisiológica inicial ao frio, na circulação, é a vasoconstrição. Lewis observou que imediatamente após a imersão dos dedos em água gelada existia uma nítida diminuição da temperatura; no entanto, entre o oitavo e o décimo minutos após a imersão, a temperatura começava a aumentar e seguiam-se períodos de diminuição e de elevação da mesma. O autor atribuiu essa oscilação de temperatura à vasodilatação induzida pelo frio e foi denominada de reação de “Hunting”. Posteriormente Nelms & Sope em 1962, explicam o aumento do fluxo sangüíneo como o esforço do organismo para manter a temperatura adequadamente estável, com o objetivo de prevenir possíveis lesões teciduais. Segundo os autores, esta dilatação dos vasos sanguíneos, apesar do frio, ocorre intermitentemente na medida do necessário para manter um nível mínimo de temperatura segura. Os autores concluíram que a dilatação dos vasos é mediada pelos nervos somáticos e possivelmente através de um reflexo axonal. Fibras adrenérgicas com receptores beta e fibras colinérgicas, também estão disponíveis para produzir tal vasodilatação. Olson e Stravino revelam que o resfriamento causa vasoconstricção, diminui o metabolismo tecidual e bloqueia a liberação da histamina. Knight relatou que a hipotermia reduz o metabolismo e o consumo de oxigênio nos tecidos, permitindo ao tecido sobreviver por longos períodos de isquemia durante circulação diminuída ou interrompida. A permeabilidade vascular para as macromoléculas é grandemente reduzida com a aplicação do frio, agindo como um antagonista da histamina, o que poderia explicar os efeitos benéficos do gelo no tratamento de processos inflamatórios. Estes autores defendem que a aplicação do gelo sobre o edema diminui o fluxo sanguíneo local, no entanto, salientam que um efeito importante do resfriamento é a redução da ação da histamina e outros mediadores químicos da inflamação nas fendas venulares, fato que reduzirá a perda de fluidos e proteínas. 62 Deve-se lembrar que a tolerância do paciente ao frio é primordial à sua aplicação, porém, em se tratando de face, a sensibilidade tende a ser maior. 6.7 Cinesioterapia O fisioterapeuta, em sua conduta, deve analisar o paciente de forma holística e, com isso, obter uma conduta de visão global abrangendo os desequilíbrios mioarticulares das ATMs, coluna cervical, cintura escapular e, principalmente, correlacioná-los para alcançar o sucesso do tratamento. A atuação fisioterapêutica é constituída basicamente por técnicas de: isometria / isotonia alongamento FNP decoaptação articular k/propriocepção1. Isometria / isotonia 1.1. Isometria dos elevadores 1.2. Isotonia Ativo-livre 1.3. Isotonia Resistido manualmente (para ganho de força e amplitude de movimento) 2. Alongamento 2.1. Alongamento passivo - Masseter - Pterigóideo lateral - Temporal - Esternocleidomastóideo (ECOM) 63 - Trapézio 3. FNP (contrair-relaxar) 4. Decoaptação articular 4.1. Decoaptação proprioceptiva 5. Feedback visual 5.1. Exercício língua no palato 5.2. Exercício canino-canino 64 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA, V.C.C; BARBOSA, F.S. Fisioterapia nas disfunções temporomandibulares. São Paulo: Phorte, 2009. BIASOTTO-GONZALEZ, Daniela Aparecida et al. Correlação entre disfunção temporomandibular, postura e qualidade de vida. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum., São Paulo , v. 18, n. 1, p. 79-86, abr. 2008. CATAO, Maria Helena Chaves de Vasconcelos et al . Avaliação da eficácia do laser de baixa intensidade no tratamento das disfunções têmporo-mandibular: estudo clínico randomizado. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 15, n. 6, Dec. 2013. FIORELLI, Alexandre et al . 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