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Profa. Esp. Paula Regina Dias de Oliveira LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Professora Especialista Paula Regina Dias de Oliveira • Especialista em Docência no Ensino Superior (Unicesumar) • Especialista em EAD e as Novas Tecnologias Educacionais (UniCesumar). • Licenciatura em Pedagogia (FAPI – Faculdades de Pinhais). • Tutora Educacional - Modalidade Presencial em disciplinas Híbridas (UNIFCV). • Professora orientadora de trabalho de conclusão de curso da pós- graduação (UNIFCV). • Professora mediadora na área da Educação (UNIFCV). Ampla experiência como tutora educacional e como professora mediadora em disciplinas do curso de Pedagogia na modalidade EAD. Experiência como facilitadora em cursos de formação profissional. Experiência em docência na educação infantil. Acesse meu currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/2006860851344290 AUTORA APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Olá, prezado(a) acadêmico(a)! É com muita alegria que apresentamos a você o livro que fará parte da disciplina de Linguagens Infantis e Conceitos Matemáticos. Esse material foi preparado com o intuito de levá-lo (a) a compreender a importância da matemática enquanto uma linguagem própria, que foi construída ao longo da história, utilizada pelo homem para expressar quantidades, fazer contagem e solucionar problemas da própria sociedade. Nossa intenção é, ainda, construir junto a você uma trajetória de conhecimentos e reflexões no que se refere ao processo de construção do ensino-aprendizagem dos conceitos matemáticos. Tais reflexões são necessárias no que diz respeito ao desenvolvimento do trabalho docente realizado em sala de aula, além de serem relevantes e pertinentes para o ensino da Matemática. Este livro está organizado em quatro unidades, cada unidade é composta por tópicos que darão sustentação as discussões e reflexões a cerca de cada assunto abordado no decorrer do livro. As unidades estão intituladas da seguinte maneira: A primeira unidade é intitulada como “A matemática como conhecimento, linguagem e comunicação”, nela abordaremos a ligação existente entre a linguagem e a comunicação e sua importância para o ensino da matemática; a fim de que você compreenda qual a contribuição de cada uma delas na construção dos conceitos matemáticos. Na segunda unidade discutiremos sobre os “Conceitos de número nas significações aritméticas e geométricas”. Relembraremos os conceitos de números e suas significações, bem como compreenderemos os conceitos que envolvem as quatro operações aritméticas e as significações geométricas, além da aplicabilidade na resolução de cálculos aritméticos nos anos iniciais do ensino fundamental. Na terceira unidade estudaremos sobre o “Conceito de número na significação algébrica”. Nosso intuito aqui é apresentar de forma sintetizada como se deu o desenvolvimento histórico da álgebra, entender a diferença entre álgebra e pensamento algébrico, e levá-lo a compreender como se dá o desenvolvimento algébrico pela criança, pensamento esse que envolve as generalizações que são formadas pela criança a partir das experiências que ela tem com os números e operações. A unidade quatro, intitulada como “Atividade pedagógica”, como o próprio título já diz, faremos uma reflexão sobre a constituição do sujeito, o papel da linguagem e da palavra no processo da formação de conceitos tomando por base os pressupostos da perspectiva histórico-cultural, com o intuito de compreendermos como a criança se apropria da linguagem e da fala e a sua relevância para a apropriação dos conceitos matemáticos. Ainda nesta unidade, trazemos um tópico com exemplos de atividades que podem ser trabalhadas em sala de aula, a fim de levar o aluno a desenvolver determinadas habilidades específicas no que se refere ao conhecimento matemático. Os conteúdos apresentados neste livro são resultados obtios do esforço em oferecer um material, simples, claro e que contribua para a sua formação, uma vez que infelizmente, a matemática ainda é vista por muitos como uma disciplina difícil de ensinar e aprender. O que não representa de fato, o seu verdadeiro sentido, que é o de ser uma disciplina que possui suas próprias características e possuidora de uma linguagem própria, assim como qualquer outra disciplina. Pensamos em um livro que possa contribuir com sua formação acadêmica, porém, ele não dispensa a pesquisa e a busca por novos conhecimentos. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. Muito obrigado e bom estudo! UNIDADE l 06 | A MATEMÁTICA COMO CONHECIMENTO, LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO UNIDADE ll 30 | CONCEITOS DE NÚMERO NAS SIGNIFICAÇÕES ARITMÉTICAS E GEOMÉTRICAS UNIDADE lll 59 | CONCEITO DE NÚMERO NA SIGNIFICAÇÃO ALGÉBRICA UNIDADE lV 90 | ATIVIDADES PEDAGÓGICAS SUMÁRIO 6LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS UNIDADE l A MATEMÁTICA COMO CONHECIMENTO, LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO Professora Esp. Paula Regina Dias de Oliveira 6 Plano de Estudo: • A matemática, a linguagem e a comunicação e sua relação • A linguagem matemática • A linguagem utilizada nos enunciados de questões e de problemas • A comunicação na aula de Matemática 7LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Objetivos de Aprendizagem: • Compreender a ligação existente entre a comunicação e a linguagem per- mitindo a comunicação entre os iniciados e a sua importância para o ensino da matemática; • Compreender a comunicação como sendo o ponto de partida e de chegada da linguagem matemática que vai além do desenvolvimento do aluno, mas com um instrumento para a sua formação cultural; • Estabelecer a importância da a linguagem matemática como um meio de comunicação que possui uma linguagem que necessita da linguagem ma- terna para estabelecer uma relação de oralidade e escrita. 8LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS INTRODUÇÃO Sabemos que a comunicação e a linguagem são imprescindíveis na vida hu- mana, é por meio delas que expressamos sentimentos, comunicamos ideias e transmitimos informações. Mas e na matemática? Você já parou para pensar que para aprendermos matemática também é preci- so que haja comunicação. Por isso a matemática também é considerada uma linguagem, ela é utilizada pelo homem para expressar quantidades, fazer con- tagem e solucionar problemas. E é esse o nosso objetivo. Trazer para você caro aluno, um pouco de conhecimento sobre a matemática como conhecimen- to, linguagem e comunicação. Para isso no tópico I dessa unidade abordaremos de forma breve a ligação a comunicação e a linguagem, uma vez que a comunicação é o principal trabalho da linguagem. Em seguida no tópico II, abordaremos a linguagem matemática em sala de aula e suas principais características. Além disso, apresentaremos alguns recursos didáticos que podem servir como aliados do professor no processo de ensino. No tópico III, discutiremos sobre a linguagem utilizada nos enunciados de ques- tões e de problemas. As dificuldades encontradas pelos alunos na leitura e in- terpretação de enunciados são uma grande preocupação para os professores e motivo de reprova e rejeição da disciplina por muitos alunos. Diante deste contexto, abordaremos alguns elementos que devem ser conside- rados na elaboração de enunciados e questões a fim de refletir sobre o uso dos gêneros textuais em sala de aula, a escolha dos procedimentos que serão mais adequados à resolução dos problemas propostos. Para complementar nossos estudos, no tópico IV trataremos da importância da comunicação em sala de aula, como forma de se criar um vínculo entre os conhecimentos informais e intuitivos do aluno e, entre a linguagem abstrata e a linguagem simbólica da matemática que precisam da comunicação para se consolidarem. Então, vamos começar! 9LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1. A MATEMÁTICA, A LINGUAGEM E A COMUNICAÇÃO E SUA RELAÇÃO Uma das características em todas as tarefas humanas e em especial nas aulas é o uso da linguagem e da comunicação.Sendo que a ligação entre as duas é evidente, uma vez que a comunicação é o principal trabalho da linguagem. A maioria das pessoas pensam a matemática com o significado de comunica- ção e linguagem e, corroborando com essa ideia Vergani (1993, p. 82), diz que se aceitarmos que o conceito universal e objetivo de linguagem é um sistema de comunicação constituído por signos, social e historicamente determinados, fica claro que a Matemática é uma linguagem que possui uma escrita simbólica específica. A matemática tem um papel fundamental no desenvolvimento científico en- quanto ciência à medida que se que sobressai sobre muitas outras ciências e por esse motivo tem sido apelidada por diversos autores, como sendo a lingua- gem universal da ciência que possui linguagem própria permitindo a comunica- ção entre os iniciados. (MENEZES, 2000). Desde a década de 80, as reformas curriculares para a educação em Matemá- tica têm sido marcadas por um ensino que busca destacar os conhecimentos do aluno priorizando a aquisição e a comunicação da linguagem matemática, oportunizando a ele desenvolver de maneira própria os procedimentos mate- máticos, seu raciocínio e criatividade. Entre as preocupações metodológicas da Proposta Curricular de Matemática da Secretaria de Estado da Educação do Estado do Paraná, é a relação de interdependência entre os conteúdos estruturantes e os conteúdos específicos a fim de enriquecer o processo pedagógico, abandonando as abordagens frag- mentadas, como se os conteúdos existissem e patamares distintos, sem víncu- los uns com os outros. (PARANÁ, 2008). 10LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Outra preocupação das Diretrizes é que os conteúdos sejam abordados por meio das tendências metodológicas da Educação Matemática que são respon- sáveis por fundamentar as práticas docentes dessa área da educação, o qual citaremos a seguir: • resolução de problemas; • modelagem matemática; • mídias tecnológicas; • etnomatemática; • história da Matemática; • investigações matemáticas. Tais tendências são de extrema importância para o ensino da Matemática e complementam-se umas às outras. (PARANÁ, 2008). Utilizaremos como exemplo a resolução de problemas, que segundo Dante (2006), é uma metodologia que proporciona ao estudante aplicar os conheci- mentos matemáticos já adquiridos e novas situações, de forma que a questão proposta seja resolvida. O professor deve incluir em suas práticas metodológicas, entre as estratégias para a resolução de problemas, o uso da verbalização, onde o aluno poderá expor suas observações, hipóteses e criar suas próprias estratégias para en- contrar a solução para o problema. Para isso o professor pode iniciar com ex- posição de uma situação-problema, a partir do qual se iniciará a discussão das ideias centrais do tema em questão. O problema, por sua vez, deve ser uma situação que desafie o aluno a refletir, a levantar hipóteses, a procurar soluções e a discuti-las. Neste sentido, a compreensão da linguagem utilizada no pro- blema em questão se dá por meio da discussão que é gerada sobre o porquê, desta ou daquela possibilidade ou não de soluções. Dessa forma, o aluno pode ampliar seus fazeres e saberes que ocorrem por meio da junção de novos sa- beres com experiências vividas anteriormente, se adaptando as novas circuns- tâncias. Graças a um elaborado sistema de comunicação, as maneiras e mo- dos de lidar com situações vão sendo compartilhadas, transmitidas e difundidas (DAMBROSIO, 2001, p. 32). De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, a comunicação tem grande importância e deve ser estimulada, levando o aluno a falar e a es- crever sobre Matemática. (BRASIL, 1997). Neste sentido, cabe então pergun- tarmos qual é a relação que se estabelece entre a matemática e a língua ma- terna? 11LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Nos últimos tempos, os mais diversos pesquisadores têm dedicado seu tem- po para discutirem e estudarem sobre o ensino e as relações que se estabe- lece entre a matemática e a língua materna. Autores como Machado e Lerma (1990, apud SMOLE, 2000), indicam que de acordo com a ótica curricular, a matemática e a língua são dois sistemas básicos de representação que tem como função desempenhar metas e funções que são paralelas e se comple- mentam. Essa relação de complementaridade deve se dar por meio de uma parceria, de sobreposição das metas e questões fundamentais que estão relacionadas ao ensino e estão sob a responsabilidade da escola. (MACHADO 1990, apud SMOLE, 2000). Também devemos levar em consideração o paralelo que se estabelece entre as funções da matemática e a língua materna enquanto componentes do currí- culo, bem como a relevância da possibilidade de se tomar emprestado à língua materna a oralidade, que por sua vez serviria como um apoio para dar signi- ficado à aprendizagem da escrita matemática, o que tornaria possível atribuir segundo Smole (2000), dois papéis em relação à Matemática: O primeiro é a língua materna, o qual são lidos os enunciados; fazer comentários e interpretar o que se lê de forma aproximada, explícita ou vaga, ou a língua materna aplica- da ao trabalho matemático de forma parcial, uma vez que, os elos do raciocínio matemático se apoiam na língua, bem como na sua organização sintática e no poder dedutivo que essa possui. O ensino Matemática em sala de aula já tem se utilizado de processos que en- volvem a comunicação de ideias, práticas discursivas, argumentações e intera- ções, além disso, outros estudos no que se refere a matemática e a língua ma- terna tem permitido levar em consideração a aprendizagem matemática como aquisição e domínio de uma nova linguagem. SAIBA MAIS Caso tenha interesse em se aprofundar nos estudos sobre as tendências para o ensino da matemática citadas no início deste tópico, recomendamos a leitu- ra do livro Modelagem Matemática para a educação básica dos autores Ro- dolfo Eduardo Vertuan, Lourdes Werle De Almeida, Karina Pessoa Da Silva. Esta obra, como descreve a sinopse surge como um importante instrumento de apoio àqueles que buscam levar a realidade para as salas de aula como um elemento motivador de aprendizagem. 12LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2. A LINGUAGEM MATEMÁTICA Como já mencionado no tópico anterior a matemática tem sido apelidada por muitos pesquisadores como linguagem universal da ciência, sendo considerada uma área rica em saber capaz de criar seus próprios símbolos e signos, que por meio de uma gramática que administra a sequência aceitável dentro de um sistema coerente o qual conhecimento e linguagem possuem o mesmo preceito na representação. Menezes (1999) considera a matemática como possuidora de inúmeras face- tas, dentre elas, ter uma linguagem própria. Apesar de autores como Machado (1990, apud Smole, 2000) afirmar que a Matemática não possui linguagem oral própria e está totalmente voltada para a escrita, outros autores como a pró- pria Smole (2000), bem como Usiskin (1996, apud Menezes, 1999), defendem a que a linguagem matemática possuem componentes da linguagem escrita, oral e também pictória, onde de acordo com esses autores, pessoas possuido- ras da capacidade de comunicar a linguagem matemática oralmente dispõe de registro oral, ou seja, pode-se falar de uma linguagem matemática oral. A linguagem escrita possui caráter mais universal do que a linguagem oral, no entanto corrobora Usiskin (1996, apud MENEZES, 1999) que ambas precisam de uma linguagem natural. Esses autores ainda afirmam que o uso de gráficos, diagramas ou desenhos formam a expressão pictória da linguagem matemáti- ca. Ao falarmos em linguagem escrita da matemática, o primeiro pensamento nos remete ao uso de livros didáticos, textos tradicionais, que são colocados como forma de comunicação da linguagem matemática universal de forma sistêmica e formal, muito conhecida pelos professores dessa área. Porém, na sociedade a linguagem matemática se apresentapor meio de outros meios de comunica- ção que vão além dos textos didáticos. Corroborando com esse pensamento Vergani (1993), vê a comunicação como sendo o ponto de partida e de chegada da linguagem matemática, a autora ain- da afirma que a linguagem possui raiz social e comunicativa e que dá a mate- mática a capacidade de traduzir o raciocínio, realizar os trabalhos em grupo, conhecer e intervir em situações socioculturalmente abertas, onde ela não é só mais um fator para o desenvolvimento do aluno, mais sim um instrumento para a sua formação cultural. Falaremos mais sobre o uso da comunicação na aula de matemática no tópico IV. Comumente, por vezes o ensino da matemática tem se baseado na concep- ção de que a criança só aprende quando exercita determinada tarefa e quando escuta as explicações feitas pelo professor na sala de aula. Também é comum professores que se preocupam apenas em transmitir os princípios básicos das 13LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS noções de números, algarismos, bem como algumas figuras geométricas e se esquecem que nessa fase as crianças ainda não possuem concentração sufi- ciente para compreender o que está sendo explicado pelo professor, mesmo que este esteja fazendo sua explicação da forma mais clara e precisa. Na educação infantil as crianças precisam vivenciar situações que estimulem e favoreçam a aprendizagem. Elas precisam brincar, experimentar, argumentar e contra argumentar o que está experimentando e o que está sentindo. Muitas vezes uma explicação pode ser clara e evidente para quem a construiu, mais não para quem está acompanhando o raciocínio alheio. Para que uma expli- cação fique clara para a criança é preciso que haja o exercício do pensamento que se dá de forma sistematizada. Vale ressaltar que as crianças já entram na escola com algum tipo de conhe- cimento ou experiência que são vivenciadas por meio de situações cotidianas que as colocam em contato direto com a linguagem matemática, mas que in- felizmente nem sempre são aproveitadas em sala de aula como forma de con- tribuir para o processo de ensino- aprendizagem da matemática na educação infantil ou anos iniciais do ensino fundamental. Smole (2002) sugere que o tra- balho com a matemática, [...] deve encorajar a exploração de uma grande variedade de ideias matemáticas relativas a números, medidas, geometria e noções rudimentares de estatística, de forma que as crianças desenvolvam e conservem um prazer e uma curiosidade acer- ca da Matemática (p. 62). A criança em seu processo diário de desenvolvimento cria diversas relações entre os objetos e as situações que vivencia, e, a partir daí, estabelece rela- ções mais complexas que são oriundas da necessidade que ela sente de solu- cionar problemas. Tais necessidades permitirão a criança desenvolver noções matemáticas cada vez mais complexas. Ler, escrever, falar e ouvir sobre a Matemática, são maneiras de proporcionar a aprendizagem matemática. Entretanto são aspectos que demandam grandes esforços por parte do professor que conduz o ensino da matemática em sala de aula. (SMOLE, 2002). A matemática enquanto ciência, possui uma linguagem que necessita da lin- guagem materna para estabelecer uma relação de oralidade e escrita. Até os seis anos a relação que a criança estabelece com a linguagem escrita ainda é muito recente e devido a isso a ela pode vir a apresentar algumas dificuldades na aquisição da linguagem matemática. Diante disso surge a necessidade de se trabalhar em sala de aula de maneira clara para que a criança seja capaz de compreender a aprender. 14LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS A seguir elencaremos alguns recursos didáticos que poderão servir como alia- dos do professor na linguagem matemática. 2.1 O uso da Literatura Infantil enquanto recurso para a linguagem mate- mática O uso de recursos que favoreçam a compreensão dessa linguagem é funda- mental para o trabalho do professor. O uso da literatura infantil em sala de aula, por exemplo, pode ser um grande aliado do professor, uma vez que, segundo Smole (2002) permite a criança conviver com uma relação não passiva da lin- guagem escrita e falada (p. 67). Esse recurso possibilita a compreensão do conteúdo por meio de elementos que envolvem a realidade do pensamento da criança que servirá como um au- xílio nesse processo, conforme afirma Smole (2002), a criança a percebe como sendo [...] um jogo, uma fantasia muito próxima ao real, uma manifestação do sentir e do saber, o que permite a ela inventar, renovar e discordar” (p. 67-68). Além disso, a ludicidade que existe por trás da literatura infantil é algo desafia- dor para o pensar matemático na criança, pois oferece a ela a oportunidade de formular e solucionar problemas de maneira divertida e criativa. Neste modelo de atividade as crianças vão aprender a matemática e a história ao mesmo tempo, permitindo que elas explorem os lugares, as suas caracterís- ticas, discutam, leiam e escrevam sobre as ideias matemáticas que surgem no decorrer da história, proporcionando às crianças desenvolverem junto a lingua- gem e a matemática. Tal modelo permite ainda a criança condições de aprendi- zagem que favorecem a fala e a escrita do vocabulário matemático. 2.2 O jornal como recurso didático para a linguagem matemática Atualmente, as mídias escritas têm sido muito utilizadas como recursos didáti- cos pedagógicos nas mais diversas áreas do conhecimento. Comumente, pro- fessores da área da Matemática utilizam matérias de jornais em suas aulas, além disso, é possível encontrar em livros didáticos recortes de matérias que envolvem conteúdos matemáticos. O uso dessas “novas” tecnologias nos leva a refletir sobre o uso desses no- vos elementos, as ideias que circundam esse tipo de trabalho, pois assim como qualquer outro recurso didático ele deve contribuir para a aprendizagem da criança. A didática que é utilizada pelos jornais para comunicar sua linguagem, da qual a linguagem matemática faz parte, pode orientar aos professores em muitas de suas necessidades, quando estes buscam formas alternativas para 15LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS promover a aprendizagem. (SANCHES, 1999). 2.3 A linguagem corporal, o movimento, os jogos e brincadeiras como re- cursos para a linguagem matemática Na fase em que as crianças se encontram na educação infantil, há um grande desenvolvimento físico-motor que possibilitam uma mudança nas relações que a criança estabelece com o mundo. A partir das vivências mediadas por outros sujeitos da sua cultura que a criança constrói e se apropria de noções espaciais e de tempo que são fundamentais para as futuras aquisições de conceitos matemáticos, inclusive os que envol- vem a linguagem oral e escrita da matemática. Então, a importância de traba- lhar a corporeidade na educação infantil. A brincadeira e os jogos enquanto recursos lúdicos são grandes aliados do pro- fessor no que tange a linguagem corporal na área da matemática. Por meio de- les a criança pode construir noções de espaço, forma, tempo, alto/baixo, den- tro/fora, entre tantos outros conceitos. Entretanto ao trabalhar com esses re- cursos o professor precisa entender a importância da intencionalidade por trás deles levando em consideração uma concepção clara e consistente do brincar. A importância da conexão que existe entre a linguagem matemática com outras linguagens fica evidente, quando pensamos nelas como uma leitura do mundo, em que a compreensão, a interpretação, a reflexão, a comunicação e a ação são parte dessas linguagens. No que se refere a linguagem materna, ou linguagem natural, ela possui fatores em comum com a linguagem matemática como o conhecimento social e fami- liar que a criança possui, como a interação/ação e a reflexão sobre determina- do objeto de conhecimento permitem a criança construir seus conhecimentos, bem como as linguagens, que embora sejam diferentes, possuem a mesma fi- nalidade que é permitir a comunicação entreos indivíduos, e, tão importante quanto as demais está a aquisição da escrita, da leitura e dos conceitos numé- ricos, porém esses não podem contrapor os processos que envolvem a formu- lação de hipóteses e do diálogo entre professores, entre o aluno e o objeto de conhecimento, do envolvimento do aluno no processo de tentar agir, errar, pen- sar, repensar e refazer. Dessa forma as diversas direções podem se unir de tal maneira que o ensino da matemática possa refletir o que a criança realmente precisa aprender. Neste sentido, o uso de alguns recursos pedagógicos pode servir como facilitadores da aprendizagem matemática aproximando a linguagem materna ou natural da linguagem matemática. 16LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 3. A LINGUAGEM UTILIZADA NOS ENUNCIADOS DE QUESTÕES E DE PROBLEMAS Provavelmente você já deve ter ouvido algum professor citando as seguintes frases: Falta atenção aos alunos que não leem o enunciado do exercício direi- to, ou até mesmo Os alunos não têm capacidade de interpretação por déficit no aprendizado da Língua Portuguesa, porém existem outros pontos que de- vem ser levados em conta quando o assunto é interpretação dos enunciados de uma questão ou problema. A leitura dos enunciados de questões e de problemas é uma das grandes preo- cupações dos professores da área da matemática, pois normalmente o fracas- so na resolução de problemas matemáticos são atribuídas as dificuldades dos alunos em relação a leitura desses textos. Ao afirmarmos que o aluno é quem não sabe interpretar um problema, automa- ticamente já pensamos na opção de solicitar ao professor de português ajuda na solução desta dificuldade do aluno, realizando com ele exercícios de inter- pretação de textos. No entanto essa estratégia, de acordo com Fonseca e Car- doso (2005) não ataca a questão fundamental da dificuldade específica com os problemas e com outros textos matemáticos (p. 64). Para as autoras, as dificul- dades de leitura de textos matemáticos geralmente não estão atrelados somen- te a interpretação do enunciado dos problemas matemáticos mais sim a outros fatores como a ausência de um trabalho específico realizado com o texto do problema, o estilo o qual são escritos os problemas de matemática, os termos utilizados na matemática e que não são comuns ao dia a dia do aluno, além de palavras que possuem duplo significado total, diferença, ímpar, média. Isso tudo pode servir como obstáculos para a compreensão do enunciado. (FONSE- CA & CARDOSO, 2005) O uso de um vocabulário exótico, ambiguidade de significados, desconheci- mento do conteúdo matemático, são fatores que dificultam a interpretação do enunciado pelo aluno. Desta forma, pode-se perceber que é indispensável que professores enquanto pesquisadores, voltem suas atenções para a sensível ta- refa de criar estratégias de leitura que promovam o acesso a gêneros textuais próprios da atividade matemática em sala de aula. O processo de desenvolvimento da leitura e a formulação de enunciados de problemas para exercícios, explicação de processos, sentenças matemáticas, diagramas, etc., necessitam e pleiteiam a busca de estratégias pedagógicas que atendam o desenvolvimento de enunciados que facilitem a leitura e a inter- pretação por parte do aluno, trabalho esse que é de responsabilidade do pro- fessor, daí a importância deste assumir e reconhecer essa tarefa como sendo de sua responsabilidade. A realização da leitura, assim como em qualquer ou- 17LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS tra área do conhecimento é uma exigência da matemática conforme afirmam Fonseca e Cardoso (2005). As autoras ainda consideram as atividades de tex- tos e o uso de textos que demandam conhecimentos matemáticos como recur- sos para o desenvolvimento da leitura nas aulas de matemática. Para elas, é necessário conhecer as diferentes formas em que o conteúdo do texto pode ser escrito. Essas diferentes formas também constituem especifi- cidades dos gêneros textuais próprios da matemática, cujo reconhecimento é fundamental para a atividade de leitura (FONSECA e CARDOSO, 2005, p.65). Desta forma pode-se identificar a existência de gêneros textuais particulares da matemática. Os textos dos enunciados de problemas matemáticos, não envolve somente a linguagem textual, nos enunciados são utilizados também os elementos e con- ceitos matemáticos, e a compreensão destes elementos que na maioria das vezes levam a não compreensão do texto do problema matemático. O que se deve levar em conta na elaboração dos enunciados é que, conceitos que são evidentes para o professor, pode não ser evidentes para o aluno. Como exposto anteriormente, um dos obstáculos que podem surgir na intera- ção dos alunos com os textos dos enunciados dos problemas matemáticos, se devem ao vocábulo exótico, à ambiguidade de significados. Autores como Bakhtin (1992), em seus estudos sobre os enunciados, nos afir- ma que os enunciados são gerados de acordo com o tema, à composição e es- tilo, isso ocorre em cada esfera da atividade humana e da comunicação global. A esse tipo de enunciado o autor deu o nome de gêneros de discurso. Sendo assim, são constituídos gêneros de discurso todos aqueles enunciados orais ou escritos cujo objetivo é a comunicação. Diante desse contexto podemos pressupor que o maior grau de dificuldade en- contrado pelo aluno na compreensão de um enunciado está relacionado a falta de domínio de um determinado gênero de discurso, o que pode ocorrer pelo fato de o aluno não ter tido muito contato com esse tipo de gênero ou até mes- mo por desconhecê-lo. No ensino da matemática, o uso do texto envolve a relação entre as palavras e os símbolos matemáticos e para que o trabalho do professor ocorra de maneira satisfatória e os objetivos propostos sejam alcançados é preciso que este tenha o domínio da área da matemática, uma vez que essas combinações entre as duas linguagens apresentam determinadas especificidades que exigem do pro- fessor a leitura específica sobre o assunto. Neste sentido, fica evidente ao professor e a escola a reflexão sobre o uso dos gêneros textuais em sala de aula, a fim de que os alunos aprendam as carac- terísticas dos gêneros mais complexos, que não são aprendidos espontanea- 18LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS mente nas situações do dia a dia, bem como a importância dos conhecimentos prévios dos alunos, tanto no que se refere aos conhecimentos da linguagem, quanto os matemáticos, que devem ser aproveitados em sala de aula com o intuito de permitir ao aluno a interpretação dos enunciados e a escolha dos pro- cedimentos que serão mais adequados à resolução dos problemas propostos. 4. A COMUNICAÇÃO NA AULA DE MATEMÁTICA 4.1 A comunicação como um contexto para a aula de matemática Pesquisas recentes afirmam que, os alunos precisam aprender a se comuni- car matematicamente em todos os níveis de ensino, e que é responsabilidade dos professores estimular o interesse em questionar a fim de levar os alunos a pensarem e comunicarem suas ideias, com intuito de desenvolver novas com- petências que, no caso da Matemática, se aliam a outras competências como a resolução de problemas ou o raciocínio. Contudo, a palavra comunicação este- ve durante muito tempo relacionada a áreas curriculares que não envolviam a matemática. Hoje, porém, a comunicação vem sendo destaque por sua importância como elemento chave na aprendizagem matemática. Os currículos matemáticos que foram elaborados praticados ao longo dos últimos tempos mostram de manei- ra latente ou evidente, expectativas relativas a linguagem e comunicação no processo de ensino-aprendizagem na área de matemática. As orientações que antes eram pautadas na figura do professor como o detentor do conhecimento e dos discursos foram sendo abandonadas, dando lugar a novas perspectivas que tratam a questão como processo de construção de significados na aprendi- zagem matemática (LOPES; NACARATO, 2009). A partir da década de 1980, o ensinoda matemática passou a considerar o desenvolvimento de capacidades como se comunicar, justificar, conjecturar, ar- gumentar e negociar suas ideias com os outros como sendo pontos relevantes para o ensino desta disciplina. Apesar dessas consideráveis mudanças, nos dias atuais é possível verificar- mos que a falta de comunicação ainda existe em sala de aula. O predomínio de cálculos mecanizados com ênfase em procedimentos e linguagem mecânica no ensino da matemática ainda são fatores que fazem com que a comunicação se torne pouco frequente, ou nem existam. Porém, na matemática, para que os alunos consigam criar um vínculo entre seus conhecimentos informais e intui- tivos e, entre a linguagem abstrata e a linguagem simbólica da matemática é preciso que haja comunicação. 19LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Do ponto de vista do professor, enquanto sujeito regulador e ativo do processo de aprendizagem, a comunicação mediada por formas de linguagem diferentes é o elemento chave, conforme reconhecido pelas Normas Profissionais para o Ensino da Matemática - NCTM (1994). Este mesmo documento diz que o in- teresse do professor pelo estudo das práticas discursivas está pautado nesta justificativa: “[...] o discurso na aula de Matemática reflete o que significa saber Matemática, o que torna algo verdadeiro ou razoável e o que implica fazer Matemática; é portanto de importância central quer a respeito do que os alunos aprendem acerca de Mate- mática, quer a respeito de como aprendem” (NCTM, 1994, p. 57) De acordo com essas normas, compete ao professor iniciar e dirigir o discurso desenvolvido em sala de aula com o objetivo de promover a aprendizagem do aluno. Tal perspectiva se coloca no sentido oposto daquela prática em que o professor diminui o papel do aluno quando coloca no centro atividade didática, conceitos, linguagem e procedimentos matemáticos em que o início do discur- so parte do conhecimento do professor. (LOPES; NACARATO, 2009). Comungando do pensamento de Lopes e Nacarato (2009), está Smole e Diniz (2001) que afirmam ainda que, [...]incorporam-se os contextos do cotidiano, as experiências e a linguagem natural da criança no desenvolvimento das no- ções matemáticas, sem, no entanto, esquecer que a escola pode possibilitar que o aluno vá além do que parece saber, tentando entender como ele pensa, que conhecimentos traz de sua experiência de mundo, e fazer as interferências neces- sárias para levar cada aluno a ampliar progressivamente suas noções matemáticas (p.16) Assim sendo, fica claro a necessidade de promover atividades que favoreçam a comunicação oral e escrita, que estimulem o aluno a expor o seu raciocínio, refiná-los quando preciso, levantar hipóteses, explicar, discutir, argumentar, confrontar processos e resultados, fazendo com que se aproprie não só dos conhecimentos específicos como também de habilidades que serão essenciais para aprender qualquer conteúdo em qualquer tempo. (SMOLE E DINIZ, 2001). O principal responsável pela organização do discurso em sala de aula é o pro- fessor, cujo papel fundamental é apresentar questões e propor situações que favoreçam estabelecer uma relação da matemática com a realidade do cotidia- no, além de estimular a discussão e o compartilhamento de ideias entre os alu- nos. Ao partilhar das suas ideias, experiências e dúvidas com outros alunos, bem como ao ouvir, ler e analisar as ideias alheias, o aluno está internalizando 20LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS os conceitos e significados que estão envolvidos, o que torna natural o proces- so de desenvolvimento da linguagem matemática. Dessa forma fica claro que a comunicação eficaz de um determinado conceito está intrinsecamente ligada ao nível de compreensão desse mesmo conceito pelo aluno. Isto posto, quanto mais reflexão sobre determinado conceito hou- ver, maior será a possibilidade de compreensão. Ademais, a comunicação pode ser tornar mais intensa e elaborada a proporção que o aluno passa a compre- ender melhor o que está sendo comunicado. 4.2 A oralidade matemática Como mencionado no tópico II, a linguagem escrita possui caráter mais univer- sal do que a linguagem oral, porém na escola, a linguagem oral, enquanto um recurso simples, é uma grande aliada do professor, uma vez que todos, alunos e professores tem acesso a ela. Este recurso deve estar presente naqueles momentos onde ainda não há o do- mínio da escrita e da linguagem pictória. Por sua agilidade é possível ser revi- sado de forma instantânea, podendo ser reformulado sempre que houver falhas ou inadequações, além de ser um recurso que pode ser utilizado em todas as séries independente da idade em que os alunos se encontram. Quando há comunicação entre os alunos da sala e, destes com o conteúdo ex- posto, fica mais fácil para eles estabelecerem uma conexão entre suas experi- ências, as experiências da sala e os conteúdos ensinados. Em sua essência, como já mencionado no tópico II, a comunicação em sala de aula capacita os alunos a comunicação de forma significativa, permitindo ainda que eles tenham acesso a experiências diferentes das suas, além de experen- ciarem novas ideias e conhecer de fato o que precisam aprender. Para finalizarmos nossa abordagem sobre a comunicação oral comungamos com ideia de Smole e Diniz (2001, p. 17) que, [...] a comunicação oral favorece a percepção das diferenças, a convivência dos alunos entre si e o exercício de escutar um ao outro em uma aprendizagem significativa, possibilitando às crianças terem mais confiança em si mesmas, sentirem-se mais acolhidas e sem medo de se expor publicamente. 21LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFLITA Comunicar-se em sala de aula em mais fácil do se pensa! Nas aulas de matemática é comum o professor pedir a uma criança ou a um grupo para relatarem o que fizeram e por que o fizeram, ou ainda verbalizarem os procedimentos que adotaram, justificando-os, ou comentando o que escre- veram, de que forma representaram ou esquematizaram, descrevendo as eta- pas de sua pesquisa, ao fazer esses questionamentos o professor está permi- tindo as crianças ou alunos que modifiquem conhecimentos prévios e constru- am novos significados para as ideias matemáticas. Bem como, concomitante, os alunos fazem reflexões acerca dos conceitos e procedimentos envolvidos na atividade proposta pelo professor, se apropriam deles, revisam aquilo que não conseguiram entender, ampliam sua compreensão e, ainda, deixam claros as suas dúvidas e dificuldades. (SMOLE e DINIZ, 2001). 4.3 A linguagem pictória em matemática A representação da linguagem pictória no ensino da matemática se refere ao uso de esquemas que vão facilitar ao aluno a compreensão de determinados conceitos e operações. Esse recurso pode ser relacionado ao ensino da mate- mática por meio de desenhos que poderão servir como forma de comunicação, como nos exemplos abaixo: Figura 01: Na figura 01 utilizamos a forma geométrica do círculo como apoio para a com- preensão do significado das frações. 22LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Figura 02: Já na figura 02, utilizamos a forma geométrica do retângulo como apoio para a compreensão do significado de multiplicação. Por ser um recurso visual, o desenho pode se adaptar a qualquer área do co- nhecimento, como por exemplo, na disciplina de artes. Além disso, é um recuso que atraí facilmente a atenção da criança, uma vez que, desde pequena ela comunica suas expressões, por meio deles. Para a criança o desenho consti- tui em algo prazeroso e divertido e em determinados momentos servem como recursos para comunicar seus desejos, sentimentos e ideias. O desenho é a primeira escrita da criança e manifesta-se para ela como linguagem da mes- ma forma que o gesto ou até mesmo a fala. Em sala de aula, o desenho pode servir como uma alternativa para que a criança comunique o seu pensamento enquanto ainda não tem o domínio da escrita e da oralidade. Nas atividadesonde a criança ou um grupo registram por meio do desenho o que aprenderam, o professor está oportunizando a reflexão sobre a atividade realizada (SMOLE e DINIZ, 2001). Neste sentido, o desenho emerge como um recurso para o início da construção de novos significados, ideias e conceitos que a criança irá ter contato no decor- rer da escolaridade. 23LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Nos exemplos a seguir podemos verificar que mesmo sem dominar as técnicas de divisão, algumas crianças já conseguem elaborar esquemas que resolvam a operação proposta na atividade de resolução de problema, descobrindo dessa forma um dos significados da divisão. Leandro distribuiu 4 lápis em 3 estojos. Quantos lápis ficarão em cada estojo? O desenho também pode servir como forma de registro concreto, após os alu- nos realizarem determinada atividade. Assim, poderão refletir a respeito das suas ações, mostrando para o professor se conseguiram observar, aprender e internalizar os aspectos mais importantes da tarefa proposta. O registro pode ser feito após a realização de atividades que envolvam a linguagem corporal, espaço e forma, jogos e brincadeiras, onde a criança pode desenhar o espaço onde ocorreu a brincadeira, os objetos que foram utilizados no jogo ou brinca- deira, ou até mesmo os participantes. Contribuindo com a nossa abordagem Smole e Diniz (2001), declaram que, Nas aulas de matemática, a representação pictórica pode apa- recer de diversas formas, como desenho para resolver um pro- blema, representar uma atividade feita ou ilustrar um texto. À medida que se desenvolve o trabalho com matemática, o re- pertório de recursos pictóricos do aluno pode ser ampliado, professor tenha o hábito de incluir em suas aulas outros tipos de representação, como gráficos, tabelas, esquemas e figuras geométricas (p.21). Os registros são importantes para o professor, pois servirão como parâmetro para o desenvolvimento do aluno, por meio dele o professor pode detectar se o aluno foi capaz de perceber o que fez e se conseguiu expressar suas próprias reflexões e, a partir daí, determinar quais serão as inferências que poderá re- alizar em outras situações a fim de aumentar o conhecimento matemático em uma determinada atividade. Contudo, como em outras linguagens, quanto mais estímulos houver e quanto mais oportunidades o aluno tiver de fazer suas representações pictórias, maior 24LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS será a chance dele se aperfeiçoar nesse tipo de representação, mas para que isso de fato aconteça o desenho precisa ser aceito como um meio natural de comunicação em sala de aula e entre o aluno e o professor, e também um am- biente matematizador que proporcione esse tipo de estímulo. 25LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade foi possível compreender a matemática com significado de co- municação e linguagem que possui uma escrita simbólica específica e que so- bressai sobre muitas outras ciências e por esse motivo tem sido apelidada por diversos autores, como sendo a linguagem universal da ciência. Para auxiliar na compreensão dos conceitos abordados, entre as tendências pedagógicas para o ensino da matemática utilizamos como exemplo a resolu- ção de problemas, uma vez que o mesmo proporciona ao estudante aplicar os conhecimentos matemáticos já adquiridos e novas situações e consiga resolvê- -los. Também verificamos que a matemática enquanto ciência, possui uma lingua- gem que necessita da linguagem materna para estabelecer uma relação de oralidade e escrita. Diante disso surge a necessidade de se trabalhar em sala de aula de maneira clara para que a criança seja capaz de compreender a aprender. No decorrer dos nossos estudos, podemos compreender que o uso de recursos que favoreçam a compreensão da linguagem é fundamental para o trabalho do professor e pode servir como facilitadores da aprendizagem aproximando a lin- guagem materna ou natural da linguagem matemática. Outro ponto importante estudado em nosso livro tratou do processo de desen- volvimento da leitura e a formulação de enunciados de problemas para exercí- cios, que necessitam e pleiteiam a busca de estratégias pedagógicas que faci- litem a leitura e a interpretação por parte do aluno, daí a importância de o pro- fessor assumir e reconhecer essa tarefa como sendo de sua responsabilidade. E para finalizarmos nossos estudos sobre a linguagem e comunicação, vimos que o principal responsável pela organização do discurso em sala de aula é o professor, cujo papel fundamental é apresentar questões e propor situações que favoreçam estabelecer uma relação da matemática com a realidade do co- tidiano, além de estimular a discussão e o compartilhamento de ideias entre os alunos. 26LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS LEITURA COMPLEMENTAR IMPORTÂNCIA DA ESCRITA NAS AULAS DE MATEMÁTICA O uso da escrita nas aulas de Matemática para verificar a aprendizagem, estimular o raciocínio matemático e despertar a visão crítica em relação aos conteúdos abordados. É comum ouvir alunos de todas as idades dizerem que não estudam matemá- tica, afinal, eles vão ficar lendo números? Poucos são os casos em que iden- tificamos alunos que possuem o hábito de refazer exercícios ou mesmo de ler a explicação que consta no livro didático. Por não terem esse costume, a lei- tura torna-se enfadonha e desestimulante, o que acaba resultando em alunos que não conseguem pensar além dos números, tornando-se pequenas calcu- ladoras. Eles chegam a aprender a tabuada e a fazer impressionantes cálculos mentais, mas não conseguem interpretar um enunciado. Após uma leitura rápi- da de um problema, questionam ao professor: É de mais ou de menos? Esses são alunos que não pensam a matemática, não a questionam e mal a compre- endem. Durante uma aula de Matemática, é difícil para o professor ter a convicção de que seu aluno aprendeu. Até mesmo porque o próprio aluno não tem a certeza de que aprendeu. Muitas vezes, acontece de uma ou mais pessoas na turma acreditarem que compreenderam o conteúdo explanado, enquanto, na verda- de, absorveram ideias equivocadas. Por acreditar ter entendido, não manifes- tam dúvidas. Infelizmente, o professor demora a identificar a dificuldade desses alunos. Uma alternativa para auxiliar a aprendizagem em classe é a produção escrita. Comumente, os alunos, principalmente os adolescentes, têm vergonha de expor suas dúvidas em meio aos colegas, mas, ao escrever, eles permitem que o professor tenha a real noção de seu entendimento. Para o professor, a estratégia pode funcionar como uma sondagem ou um diagnóstico de sua turma. Por exemplo, a fim de verificar determinado conheci- mento prévio sobre frações, o professor pode pedir aos alunos que escrevam o que sabem a respeito desse assunto e daí verificar a bagagem que esse aluno já possui e aqueles pontos em que o um trabalho mais enfático será necessá- rio. Outra opção é fechar o conteúdo com uma produção em que o aluno deva explicar o que aprendeu. Por exemplo, o professor pode propor que os alunos expliquem o que entenderam sobre equações, como resolvê-las, opinar sobre a parte da matéria que merece mais dedicação por ser mais difícil, que parte é mais interessante, explicar alguns exemplos, enfim. A partir desse trabalho, o professor poderá dizer que entregará esse texto para os alunos do ano seguin- te para que eles possam aprender com o conhecimento dos colegas. A partir do momento em que o aluno escreve, ele começa a desmistificar a ma- temática. Nesse momento, ele é levado a ir além dos cálculos, a pensar o as- sunto em questão. Isso o auxilia também na interpretação, prática tão escassa nas aulas de matemática. 27LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS E que tal montar uma apostila de matemática apenas com produções dos alu- nos? O professor pode propor que os melhores textos irão compor uma apos- tila e estabelecer votações entre os alunos para selecionarquais as melhores produções. O professor faz uma sondagem e seleciona os textos com as me- lhores explicações e repassa-os à classe. Dessa maneira, os alunos teriam a necessidade de ler as produções dos colegas e, de forma imperceptível, absor- veriam novas ideias, adquiririam novas interpretações, sem deixar de estudar. Pode-se ainda estabelecer um sistema de rodízio, em que os próprios alunos desenvolveriam seus textos em sala de aula, podendo apresentá-los aos cole- gas da forma que achar mais interessante, através da música, da interpretação, com o auxílio de recursos tecnológicos, entre outros. Essa experiência é muito rica tanto para os alunos quanto para o professor, pois os alunos conseguem compreender melhor a dificuldade de seu colega, e o professor passa a ver de outra maneira a forma com que seu aluno compreende aquilo que lhe é ensina- do. Há dificuldade e resistência dos alunos a essa nova prática, mas cabe ao professor incentivar os alunos para que possa colher frutos desse trabalho. Por Amanda Gonçalves Graduada em Matemática Fonte: Brasil Escola. Disponível em: https://educador.brasilescola.uol.com.br/ estrategias-ensino/importancia-escrita-nas-aulas-matematica.htm 28LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS MATERIAL COMPLEMENTAR • Introdução à Gramática da Linguagem Matemática • Sueli Ferreira da Cunha, Jaime Velasco Câmara da Silva • Editora Ciência Moderna Muito mente deve-se traduzi-la da linguagem natural para a linguagem ma- temática, a fim de encontrar uma solução através de conceitos, operações e propriedades matemáticas; em seguida, deve-se traduzir esta solução para a linguagem natural. E, para bem se ler, escrever e compreender a Linguagem Matemática é também importante conhecer sua gramática. FILME/VÍDEO • Matemática em toda parte TV Escola • 2015 Este vídeo apresenta uma reportagem sobre uma abordagem matemática como linguagem, a fim de comunicar ideias e informações e como tal cumprir uma função comunicativa. • https://www.youtube.com/watch?v=RCXlgcYZDeo 29LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares na- cionais: matemática. Brasília: MEC/ SEF, 1997, 142 p. DAMBRÓSIO, U., BARROS, J. P. D. Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis; CARDOSO, Cleusa de Abreu. Educação Matemática e letramento: textos para ensinar Matemática, Matemá- tica para ler o texto. In: NACARATO, Adair Mendes; LOPES, Celi Espasandin (Orgs.). Escritas e Leituras na Educação Matemática. Belo Horizonte: Autên- tica Editora, 2005. p. 63-76.http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/ File/diretrizes/dce_mat.pdf. Acesso em: 12 jul. 2019. LOPES, Celi Espasandin; NACARATO, Adair Mendes (Org). Escritas e leitu- ras na educação matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. MENEZES, L. Matemática, linguagem e comunicação. Conferência proferi- da no ProfMat. 1999. Portmão Portugal. Disponível em: http://www.ipv.pt/mille- nium/20_ect3.htm. Acesso em: 15 jul.2019. MENEZES, Luis. Matemática, linguagem e comunicação. Revista Milennium, Instituto Politécnico de Viseu, n. 20, outubro de 2000. Disponível em: http:// www.ipv.pt/ millenium/20_ect3.htm. Acesso em: 12 jul. 2019. NCTM. Normas profissionais para o ensino da matemática. Lisboa. Asso- ciação de Professores de Matemática, 1994. PARANÁ. Diretrizes Curriculares da Educação Básica Matemática. SEED/ DEB: Curitiba, 2008. SANCHÉS, F.M. Os meios de comunicação e a sociedade.In: Mediatamente! Televisão, cultura e educação/ Secretaria da Educação a DistÂncia. Brasília, MEC, SEED, 1999. SMOLE, Kátia Stocco. A Matemática na Educação Infantil: Inteligências Múl- tiplas na Prática Escolar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. SMOLE, Kátia, C. S. ; DINIZ, Maria Ignez. Ler, escrever e resolver proble- mas: Habilidades básicas para aprender matemática. Porto Alegre: Artmed, 2001. VERGANI, T. Um horizonte de possíveis sobre uma educação de matemá- tica viva e globalizante. Lisboa: Universidade Aberta, 1993 UNIDADE ll CONCEITOS DE NÚMERO NAS SIGNIFICAÇÕES ARITMÉTICAS E GEOMÉTRICAS Professora Esp. Paula Regina Dias de Oliveira 30 Plano de Estudo: • Sistema de Numeração Decimal: correspondência um a um; agrupamento; ordenação; inclusão hierárquica; valor posicional; operações aritméticas • Geometria: formas e dimensões geométricas e medidas. Objetivos de Aprendizagem: • Relembrar os conceitos de números e suas significações, bem como com- preender a sua aplicabilidade na resolução de cálculos aritméticos. • Permitir ao aluno desenvolver sua percepção, sua linguagem e raciocínio de forma a construir conceitos geométricos. 31LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS INTRODUÇÃO Sabemos que a contagem é algo inerente na vida do ser humano desde os primórdios da humanidade, constituindo assim um dos principais fundamentos da matemática. A contagem de objetos levou as sociedades primitivas a desen- volverem alguma forma de linguagem utilizando símbolos para determinar uma quantidade, e a princípio não existia a concepção de número. Com o passar dos tempos o ser humano passou a ter a necessidade de reali- zar contagens mais extensas, sintetizando a forma de contagem, fazendo com que cada civilização desenvolvesse seu sistema de numeração próprio que no decorrer do processo histórico foram evoluindo até chegar ao que chamamos hoje de sistema numérico hindu-arábico. No tópico I desta unidade relembraremos os conceitos de números e suas sig- nificações, bem como a sua aplicabilidade na resolução de cálculos aritméticos, além de compreender os conceitos que envolvem as quatro operações funda- mentais. Este tópico foi dividido em subtópicos, que abordarão desde as carac- terísticas dos números decimais até a resolução de cálculos envolvendo adi- ção, subtração, multiplicação e divisão. Em seguida, no tópico II, estudaremos sobre geometria: formas e dimensões geométricas e medidas, os fundamentos e os conceitos que envolvem a geo- metria e suas subáreas com uma breve abordagem sobre as características de cada uma delas de forma a desenvolver sua percepção, sua linguagem e racio- cínio de forma a construir conceitos geométricos. Agora que já sabemos um pouco do que nos espera, te convido a iniciarmos nossos estudos. 32LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS CONCEITOS DE NÚMERO NAS SIGNIFICAÇÕES ARITMÉTICAS E GEOMÉ- TRICAS 1. SISTEMA DE NUMERAÇÃO DECIMAL 1.1 Origem da contagem Um dos principais fundamentos da matemática são os números que foram construídos no decorrer da história da humanidade, vestígios arqueológicos mostram que o ser humano desde os primórdios já era capaz de contar. O nascimento dos números e da matemática aconteceram ao mesmo tempo, e as atividades práticas do ser humano e das sociedades foram essenciais para o desenvolvimento destes conceitos. Essa necessidade de contagem de objetos levaram as sociedades primitivas a desenvolverem alguma forma de linguagem utilizando símbolos para determi- nar uma quantidade, e a princípio não existia a concepção de número. A imagem abaixo mostra uma das evidências arqueológicas que comprova que desde os primórdios o ser humano já era capaz de contar. Encontrado por Karl Absolom, em Vestonice, na Tcheco-Eslováquia em 1937, o osso possui uma datação que aponta para aproximadamente 30000 a.C. 33LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Figura 1 – Osso de lobo pré-histórico Fonte: Almeida (2009) O osso continha 57 marcas profundas, onde duas destas marcas eram mais longas e separava um grupo de 25 de um grupo de 30 marcas, estas marcas foram atribuídas supostamente ao número de animais mortos por um caçador. 1.2 Os sistemas Numéricos Com o passar dos tempos o ser humano passou a ter a necessidade de rea- lizar contagens mais extensas, desta forma a metodologia de contagem teve que ser sintetizada. Foi criado então por cada civilizaçãoo seu próprio sistema de numeração ou sistema numérico, que é o nome dado a um conjunto de re- gras e símbolos utilizados para representar os números, a seguir temos alguns exemplos de sistemas numéricos que vai contribuir para uma melhor compre- ensão de sua definição. Figura 2 - Sistema Numérico Egípcio Símbolo Egípcio Descrição do Símbolo O número na nossa notação Bastão 1 Calcanhar 10 Rolo de corda 100 Flor de lótus 1000 Dedo a apontar 10000 Peixe 100000 Homem 1000000 Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm99/icm36/numeracao_egipcia.htm 34LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS O sistema de numeração egípcio foi criado há aproximadamente, 5 mil anos a.C., ele também é conhecido como hieróglifos. Esse sistema é decimal de base 10, não posicional e estava baseado na ideia dos agrupamentos. Os sím- bolos eram representados por imagens que tinham formas de bastão, pergami- nho, ferradura, flor de lótus entre outros. Figura 3 - Sistema Numérico Grego Fonte: http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=985&sid=9 Assim como outros povos, os gregos utilizavam um sistema de numeração de base 10, e posicional, onde a posição dos símbolos representava a unidade, a dezena, a centena e o milhar. Veja a segui a representação do número 146 no sistema numérico grego: 1 4 6 SAIBA MAIS Para aprofundar seu conhecimento sobre os sistemas de numeração, sugeri- mos a leitura do capítulo 1 do livro da autora Maria José Aragão. História da Matemática - Rio de Janeiro: Interciência. 35LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1.3 O Sistema Numérico Decimal O sistema de numeração decimal foi criado pelos hindus, e os árabes aperfei- çoaram com a ajuda da imprensa e levaram para a Europa, onde foi chamado de sistema de numeração indo-arábico. Da mesma forma que nos outros sis- temas numéricos, cada número do sistema decimal recebe um símbolo mate- mático pra representá-lo, a estes símbolos se dá o nome de algarismos. Veja a seguir quais são os símbolos do sistema de numeração decimal. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1.3.0.1 Valor Posicional do Sistema de Numeração Decimal Este sistema é um sistema de numeração de posicional que utiliza a base 10. Cada um dos algarismos indo-arábicos são utilizados para contar unidades, de- zenas, centenas milhar e milhões, a leitura é feita da direita para a esquerda respeitando sua hierarquia. Cada um dos algarismos pode receber valores dife- rentes de acordo sua posição no número. Veja a seguir um exemplo: Figura 4 – Exemplo de Leitura do Sistema Decimal Fonte: Autora • O primeiro algarismo significa 100 (centena), • O segundo algarismo significa 10 (dezena), • O terceiro algarismo significa 1 (unidade). Outro ponto importante no sistema decimal é a posição do 0 (zero), quando ele é posicionado à esquerda do número escrito, ele não modifica em nada o valor representado por a que número, exemplo: • 1, 01, 001 ou 0001 - Representam a mesma grandeza, que nesse caso é a unidade. Quando o algarismo 0 (zero) é posicionado a direita de um número, ele exerce a multiplicação da grandeza pela base 10 (dez), exemplo: 36LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS • Quando o 0 (zero) é posicionado a direita do número 10, ele pas- sa a representar a grandeza da dezena, nesse caso 100 (10 x 10). 1.3.1 Correspondência um a um e Agrupamento 1.3.1.1 Correspondência uma a um A partir do momento em que os seres humanos deixaram de desenvolver as atividades de sobrevivência relacionadas a caça e a coleta de alimentos, e passaram a criar animais e plantar seus alimentos, surgiu a necessidade de se controlar as quantidades dos animais criados e dos alimentos colhidos nas plantações, bem como a quantidade de utensílios. Foi então que surgiu a ne- cessidade de buscar uma forma de conhecer quantidades e poder controla-las. Ou seja, quando o homem iniciou a produção de alimentos para o seu susten- to, ele descobriu a quantidade, o que levou à contagem. Surgem então os pro- blemas como os da estorinha abaixo. O Pastor e as Ovelhas Um pastor de ovelhas tenha a necessidade de controlar seu rebanho, ele precisava saber se não faltava nenhuma ovelha no final do dia ao retornar ao aprisco. Para fazer esse controle o pastor utilizava pedras, ao soltar as ovelhas o pastor separava uma pedra para cada animal que passava pela porteira, e guardava estas pedras. Quando os animais voltavam no final do dia, o pastor retirava do monte uma pedra para cada animal e passava novamente pela porteira. Se sobrassem pedras, ele ficaria sabendo que havia perdido ovelhas, se faltassem pedras, saberia que o rebanho havia aumentado e desta forma mantinha tudo sobre controle. Fonte: Elaborada pela autora, 2019. Desta forma para solucionar esse problema de controle, a primeira forma en- contrada pelo ser humano para contar estava relacionada ao que chamamos hoje de correspondência um a um. A Correspondência um a um é a relação que se estabelece na comparação unidade a unidade entre os elementos de dois grupos. 37LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Figura 5 - Exemplo de Correspondência uma a um Fonte: Autora 1.1.1.1 Agrupamento As necessidades do ser humano em contar grandes quantidades o levaram a ultrapassar a correspondência um a um e começar a organizar montesou gru- pos de quantidades, iniciando assim a contagem por agrupamento. A contagem por agrupamento foi o princípio que deu origem aos mais diversos sistemas de numéricos. Esse tipo de contagem foi um grande avanço, pois proporcionou ao ser huma- no realizar contagens de grandes quantidades com mais rapidez e eficiência. Deixando assim de controlar um grupo com várias unidades, para controlar muitos grupos com poucas unidades. Assim sendo, podemos verificar que agrupamento é a contagem feita organi- zando as unidades em grupos, ajudando assim a não esquecer de contar ne- nhum objeto e evitando que um mesmo objeto seja contado mais de uma vez. Observe a figura abaixo e a seguir analise: em qual dos dois formatos você acha que é mais fácil contar o total de palitos? 38LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Figura 6 – Exemplo de Agrupamento Fonte: Autora 1.3 Operações Aritméticas Derivada da palavra arithmos do grego, aritmética tem o significado número. Como parte da matemática a aritmética estuda as características dos números e as operações que podem-se realizar sobre esses números. O que são as operações Aritméticas? A operações aritméticas são as operações matemáticas que podemos realizar com os números do sistema numérico decimal, e as operações aritméticas fun- damentais são: Operador Aritmético + - x ÷ Operações Aritméticas Adição Subtração Multiplicação Divisão Cada uma das operações tem um operador aritmético, que são os símbolos uti- lizados para identificar cada uma das operações, exemplo: quando queremos identificar uma operação como soma utilizamos o operador mais (+), 3 + 5. Em um sentido mais abrangente, operação aritmética é o conjunto de meios que se combinam para obter um resultado matemático (FERREIRA, 2010). Quando o médico realiza um procedimento cirúrgico, ou seja, uma operação em um paciente, para isso ele realiza algumas ações como cortar, suturar com a intensão de transformar a pessoa doente em uma pessoa sadia. 39LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1.4.1 Adição e Subtração “Na escola, na rua, etc., encontramos situações em que temos de reunir ou se- parar coleções de objetos e, em seguida, verificar a quantidade de objetos que resultou. Nesses casos, utilizamos a adição e a subtração” (COOL, 2002, p. 33). 1.4.1.1 Adição Uma das operações fundamentais da aritmética é a adição, ela é a operação mais natural na vida da criança, pois desde muito cedo ela já se faz presente nas vivências infantis. Essa operação envolve um tipo de situação, a de juntar, que de certo ponto de vista é prazerosa para a criança. Por ser uma das ope- rações mais fáceis, ela pode ser realizada por crianças com faixa etáriaentre 5 e 6 anos. Isso acontece devido a criança viver naturalmente com a ideia de egoísmo, segundo Rappaport (1981) essa fase do desenvolvimento da criança, caracteriza-se pela visão do real que tem por preferência o seu próprio eu, por isso a facilidade em aprender a adição, pois justifica o prazer de juntar. Essa operação aritmética no Brasil é usualmente chamada de soma, o ato de adicionar ou somar as coisas faz parte do nosso dia a dia, como por exemplo, a criança quando soma seus brinquedos, seus alimentos, seus lápis, e até mes- mo na vida dos adultos, quando realiza a soma do troco que recebe após uma compra. Como foi visto anteriormente, quando queremos identificar uma adição, utiliza- mos o operador mais (+), além deste operador, além dele também é utilizado o sinal de igual. Os números que são colocados antes do sinal de igualdade (=) são chamados de parcelas, e o número que é colocado após o sinal de igual- dade (=) é chamado de total da adição ou soma. Quando a operação de adição é realizada manualmente, devemos armar a conta colocando unidade (U) embaixo de unidade, dezena (D) embaixo de de- zena, centena (C) embaixo de centena, etc. Vejamos a seguir um exemplo de como armar a conta manualmente, exemplo: 184 + 236=. 1º Passo: Armar a conta 40LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2º Passo: realizar a soma das unidades, das dezenas, das centenas, etc. 1.4.1.2 Subtração A subtração serve para retirar quantidades, diminuir, tirar. Sempre que subtra- ímos, retiramos algo, ficamos com menos. É como quando temos uma pacote de balas, a cada uma que comemos, subtraímos ela do pacote, ficando cada vez com menos balas no pacote, ou seja, é o inverso da adição. Identificamos que a conta é uma subtração quando vem acompanhada do sinal operador de menos (-). Os números antes do sinal de igual recebem o nome de minuendo e subtraendo, e o número após o sinal de igual recebe o nome de diferença ou resto. A montagem manual da conta de subtração é similar à da adição, o que muda é a forma de resolver. Devemos armar a conta colocando unidade (U) embaixo de unidade, dezena (D) embaixo de dezena, centena (C) embaixo de centena, etc. Vejamos a seguir um exemplo de como armar a conta manualmente, exemplo: 287 - 145=. 1º Passo: Armar a conta 41LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2º Passo: realizar a subtração das unidades, das dezenas, das centenas, etc. 1° 2° 3° Como não dá para tirar 8 de 4 unidades, foi necessário emprestar 1 da dezena ficando com 14. Como foi emprestado uma dezena para a unidade, ficou com resto 0, foi necessário emprestar 1 da centena, ficando com 10. Como foi emprestado uma centena para a dezena, ficou com resto 1. 1.4.2 Multiplicação e Divisão 1.4.2.1 Multiplicação O sentido de crescer, expandir, multiplicar. Quando multiplicamos um número pelo outro, estamos aumentando seu tamanho, ou seja, a quantidade que ele representa. Identificamos que a conta é uma multiplicação quando vem acom- panhada do sinal operador de (x) xis, (*) asterisco ou (.) ponto. Os números antes do sinal de igual recebem o nome de fatores, e o número após o sinal de igual recebe o nome de produto. A operação aritmética de multiplicação é o mesmo que somarmos várias vezes um determinado fator, e quantas vezes teremos que somar vai depender do ou- tro fator, ou seja: y * q = q + q + … + q, x vezes. Exemplo: 3 x 5= 5 + 5 + 5 No exemplo acima poderíamos escrever: 3 + 3 = 6 ou 2 + 2 + 2 = 6 42LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Na figura ao lado podemos ver este exemplo representado pelos cubos azuis. Uma alternativa poderia ser somarmos cada um dos cubos, porém como já aprendemos a multiplicar, podemos multiplicar a quantidade de linhas pela quantidade de colunas. Na montagem manual da conta de multiplicação não é necessário colocarmos unidade (U) embaixo de unidade, dezena (D) embaixo de dezena, centena (C) embaixo de centena, porém por uma questão de padronização existe um con- senso em se fazer a montagem desta forma. Vejamos a seguir um exemplo de como armar a conta manualmente, exemplo: 125 x 3=. 1º Passo: Armar a conta 2º Passo: realizar a multiplicação. 1° 2° 3° Primeiro multiplicando 3 vezes o 5, o produto dessa multiplicação é 15, colocamos o 5 no resultado e subimos o 1 para casa da dezena. Multiplicamos 3 vezes 2, o produto é 6, soma-se ao 1 que subiu, colocamos o resultado 7 no produto. Multiplicando 3 vezes o 1 o resultado é 3, colocamos esse resultado no produto. A tabuada é uma forma de facilitar a memorização dos resultados das multipli- cações de unidades. O fato de sabê-la de cor facilita na hora de resolver uma conta de multiplicar e em diversas situações do cotidiano. 43LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1.4.2.2 Divisão A operação de divisão é o contrário da multiplicação, ou seja, tem o sentido de dividir, repartir ou distribuir. Quando dividimos um número pelo outro, estamos diminuindo seu tamanho, distribuindo-o em partes iguais à quantidade que ele representa. Na divisão o número que está sendo dividido é chamado de dividendo, o nú- mero que indica quantas vezes será dividido é chamado de divisor, o resultado da operação é chamado de quociente e a sobra desta operação é chamado de resto. Identificamos uma divisão pelos operadores aritméticos (÷), ( : ) ou ( / ). A di- visão é um dos problemas para a maioria dos alunos, mas basta conhecer al- gumas regrinhas básicas e descobrir a sua própria maneira de chegar ao re- sultado final. Uma coisa é certa: é preciso conhecer muito bem a operação de multiplicação para efetuar a divisão. Divisão por um número com um algarismo Para fazer contas de dividir, você precisa saber a tabuada de multiplicação. Veja a seguir por que isso é preciso. Na conta 8 ÷ 4, queremos saber quantas vezes o 4 cabe no 8, para isso precisamos encontrar um número que multiplicado por 4 dá 8. Então, se sabemos que 4 x 2 = 8, sabemos também que 8 ÷ 4 = 2. Agora veja como armamos a conta de dividir. 1º Passo: Armar a conta 44LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2º Passo: realizar a divisão 1° 2° Qual número multiplicado por 3 dá 7? Nesse caso o mais próximo é 2, colocou-se então o 2 no quociente. O resultado da multiplicação de 3 x 2, foi colocado abaixo do dividendo 7, e feito a subtração dos valores onde o resultado da sobra foi 1. O resultado da operação é: 7 / 3 = 2 com resto 1. 1.4.3 Propriedade das Operações Aritméticas ADIÇÃO DIVISÃO Comutatividade Provavelmente você já deve ter ouvido falar a seguinte frase “a ordem dos fatores não altera o produto”, e isso é verdade, veja a seguir. Não se aplica. A ordem dos fatores não altera o produto. Realizar a divisão de 2 / 1 = 2, é diferente de realizar a divisão de 1 / 2 = 0,5, desta forma a comutatividade não se aplica a divisão. Associatividade Essa propriedade da operação de adição, diz que não importa a maneira com que as parcelas são somadas o resultado será sempre o mesmo. Não se aplica. Quando três fatores são multiplicados não importa se estes fatores estão agrupados ou não o resultado será sempre o mesmo. Não se aplica da divisão. 45LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Elemento Neutro Em uma operação de adição, o zero será sempre considerado neutro, ele não proporciona nenhum impacto no resultado da operação, ou seja, qualquer número somado a zero será sempre ele mesmo. Na subtração não existe elemento neutro. Na operação de multiplicação o número 1 (um) é o elemento neutro, pois se multiplicarmos qualquer valor por ele, o resultado do produto será ele mesmo. Na divisão o número 1 (um) é neutro, pois dividir um número por um, o resultado será sempre ele mesmo. Fechamento A propriedade fechamento diz que, quando um número natural é somado com outro número natural o resultado será sempre um número natural, não podendoo resultado ser um número não- natural. A propriedade fechamento diz que, quando um número natural é subtraído de outro número natural o resto ou diferença será sempre um número natural, não podendo o resultado ser um número não-natural. O produto da multiplicação de dois ou mais fatores de números reais, será sempre um número real. O quociente da divisão de dois números reais, pode ser um outro número real como também pode ser um número não real. Anulação Não se aplica. Toda vez que o minuendo tiver o mesmo valor que o subtraendo o resto ou diferença sempre será 0 (zero). Não se aplica. Na divisão o número 0 (zero) anula o resultado quando dividido por qualquer número real. Fonte: Teberosky (2002). 46LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFLITA A matemática é uma linguagem numérica que foi criada para nos auxiliar em questões que envolvem aspectos quantitativos. Achar soluções numérica para questões é algo que não precisa ser visto ou sentido como um problema, tam- pouco ser chamado assim, Veja o exemplo a seguir: Uma pessoa tem uma certa quantidade de dinheiro, vai à padaria comprar pães, paga a quantia referente a quantidade de pães que comprou e vê quanto dinheiro ficou depois de pagar. Isso não é um problema. É apenas uma situação que envolve uma certa quan- tidade de dinheiro. Se essa pessoa não tivesse dinheiro para comprar os pães ou outro tipo de alimento, isso seria um problema, mas não um problema mate- mático. (RAMOS 2009, p. 63) 2. GEOMETRIA: FORMAS E DIMENSÕES GEOMÉTRICAS E MEDIDAS 2.1 Conceito de Geometria Foi atribuída aos egípcios e aos caldeus, pelos historiadores, a criação da ge- ometria. A palavra geometria é derivada do grego, com base nos termos geo (terra) e Métron (medir). A geometria, é uma das áreas da matemática que es- tuda as formas, tamanhos e posição de uma figura, segundo Ferreira (1999), geometria é a ciência que investiga as formas e as dimensões dos seres matemáticos ou ainda um ramo da matemática que estuda as formas, plana e espacial, com as suas propriedades, ou ainda, ramo da matemática que estuda a extensão e as pro- priedades das figuras (geometria Plana) e dos sólidos (geome- tria no espaço.) (p.983). Existem diversas subáreas dentro do estudo da geometria, a seguir é a presen- tado um breve resumo de cada uma destas áreas: • Geometria Analítica Esta área da geometria se especializou em realizar estudos relacionados a ál- gebra e a análise matemática utilizando a geometria. • Geometria Plana Esta área da geometria se especializou em desenvolver estudos voltados aos comportamentos de estruturas no plano, estudando os conceitos e construção 47LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS das figuras planas como os círculos, triângulos, etc., bem como suas formas, tamanhos, perímetro e área. • Geometria Espacial Está área de geometria se especializou em estudar figuras tridimensionais, por exemplo é através dos estudos geometria espacial que conseguimos hoje cal- cular o volume sólido de geométrico. 2.2 Fundamentos da Geometria Toda a geometria, se desenvolveu baseada em três elementos: o ponto, a reta e o plano. Curiosamente esses elementos não possuem definições, e as no- ções que deles se adquirem decorrem da observação dos corpos existentes. Por isso o ponto, a reta e o plano são conceitos primitivos e serão aceitos sem definição. 2.2.1 Linha Vamos partir de uma definição bem simples: linha é uma infinidade de pontos. Por exemplo, um fio de tecido sobre uma mesa, ou um risco sobre um papel são exemplos reais de linhas. As linhas podem ser retas, curas ou retas e cur- vas, veja na tabela a seguir: Linhas Reta Curva Quebrada 48LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Mista (Reta e Curva) Fonte: O Autor 2.2.2 Ponto É um pequeno sinal feito com a ponta do lápis, do giz ou da caneta em uma su- perfície. A notação do ponto é feita por meio de letras maiúsculas: P, Q e R, por exemplo. 2.2.3 Reta, Semirreta e Segmento 2.2.3.1 Reta Um fio bem esticado ou um traço feito a partir de uma régua dão a ideia aproxi- mada de uma reta. Pode-se definir a reta também como o menor caminho entre dois pontos, sendo que por dois pontos passa uma única reta, porém ela não tem começo nem fim, ela é infinita, a representação é feita por uma letra minús- cula. 49LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2.2.3.2 Semirreta A semirreta tem o mesmo princípio da reta, porém ela tem começo e não tem fim, o começo de uma semirreta é sempre indicado por um ponto, no exemplo a seguir a semirreta tem início no ponto A, passa pelo ponto B e não para, ou seja, é infinita. VOCÊ SABIA? Com o novo o novo acordo ortográfico de 2008, o termo semirreta passou a ser escrito em uma só palavra, antes no novo acordo ortográfico, o termo era se- parado por hífen: semi-reta. Acesse o link http://abre.ai/novo_acordo_ortogra- fico_brasileiro e baixe o manual de bolso do novo acordo ortográfico brasileiro. 2.2.3.3 Segmento de uma reta O segmento de uma reta tem início e fim, ele é a parte de uma reta que com- preende entre dois pontos. O seguimento de uma reta pode ser Colinear, Pa- ralelos, Adjacente ou Congruente, no exemplo a seguir temos um seguimento congruente AB. SAIBA MAIS Acesse o link https://www.youtube.com/watch?v=YOIdvbHEZ9w e saiba mais sobre os tipos de seguimentos de uma reta. 50LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2.2.4 Plano Pode-se ter a noção de plano observando o tampo de uma mesa, a parede do quarto ou o piso assoalho. 2.2.5 Ângulo Ângulo é a associação de duas retas orientadas com base em um ponto em co- mum. O encontro destas duas retas é denominado vértice e os dois segmentos do ângulo são denominados lados, veja na imagem a seguir: A vértice e os lados de um ângulo pode ser representado por letras maiúsculas, como por exemplo, B para a vértice e A e B para os lados. Ao escrever o ân- gulo a letra que representa a vértice deve ficar entre as letras dos lados, desta forma o exemplo de ângulo a seguir leremos como um ângulo ABC. 2.3 Formas Geométricas No nosso dia a dia não percebemos, mas tudo a nossa volta está ligado a geo- metria, tudo ao nosso redor posse formas geométricas, o celular, a televisão a pizza etc., ou seja, é o formato dos elementos que estão a nossa volta. Veja a seguir as principais formas geométricas da Geometria Plana. 2.3.1 Formas Geométricas Planas As formas geométricas planas são as formas que não possuem volume (Estu- dado pela Geometria Espacial), nestas formas são analisadas as dimensões de largura e o cumprimento. As formas geométricas planas básicas são O Círculo, O Quadrado, O Retângulo e O Triângulo. 51LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS • Círculo A forma geométrica Círculo é uma figura construída por uma superfície plana onde seu limite uma circunferência, (“linha curva”). • Quadrado O Quadrado é uma forma geométrica plana constituída por quatro lados de ta- manhos iguais, veja na figura ao lado um exemplo de quadrado. • Retângulo A forma geométrica retângulo é constituída por quatro lados, dois destes lados são maiores e dois são menores, veja na figura ao lado um exemplo de retân- gulo. • Triângulo O triângulo é uma forma geométrica constituída por três lados e três ângulos, que juntos somam 180°, veja na figura ao lado um exemplo de retângulo. 2.4 Medidas Geométricas 2.4.1 Medidas de um Ângulo Medir um ângulo é compara-lo com outro ângulo escolhido com a unidade. O número que indica quantas vezes essa unidade está contida no ângulo é a me- dida deste ângulo. A unidade usual para medir um ângulo é o grau, que é de- finido a partir de um ângulo reto, que é um dos quatro ângulos formados por duas retas perpendiculares, veja na imagem a seguir: 52LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2.4.1.1 Leitura do ângulo A leitura da medida de um ângulo é feita com o auxílio de um transferidor, que é um instrumento de medida que consta de um semicírculodividido em 180 partes iguais, onde cada uma destas partes representa 1° (um grau). Veja a seguir um exemplo de como realizar a leitura de um ângulo com o auxílio de um transferido. Ângulo a ser medido: Para medir o ângulo ABC, deve se dispor o transferidor de modo que: a) O centro do transferidor coincida com o vértice do ângulo. b) A indicação de 0° do transferidor coincida com um dos lados do ângulo. Nesse exemplo o ângulo ABC tem medida equivalente a 60°, veja na imagem a seguir: Fonte: a autora 53LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2.4.2 Medidas de Formas Geométricas Planas 2.4.2.1 Área A área é a medida da parte interna de uma superfície plana de uma figura ge- ométrica medindo duas de suas dimensões. Você já deve ter se deparado com as seguintes perguntas: Qual o tamanho desta sala? Quantos metros de azule- jo são necessários para revestir o piso deste quarto? É realizando esse cálculo que chegamos à resposta destes questionamentos. É comum utilizar fórmulas contendo letras e símbolos previamente definidos para calcularmos a área de uma figura. A seguir é apresentado a fórmula para se calcular a área de uma forma geométrica. A= b x h Onde: A - Significa Área b – Significa Base h – Significa Altura Assim a figura ao lado seria calculada: A= b x h A= 6 cm x 6 cm A= 36 cm Exemplo de cálculo da área com dimensões diferentes: Onde: A - Significa Área B – Significa Base Maior b – Significa Base Menor h – Significa Altura Assim a figura ao lado seria calculada: 54LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2.4.2.2 Perímetro O contorno de uma forma geométrica plana pode ser medido, e a essa medi- da se dá o nome de perímetro. Perímetro é a soma das medidas dos lados de uma forma geométrica. Imagine uma situação em que temos que medir uma forma geométrica feita de arame: Para medir o perímetro dessa figura, podemos ir abrindo o arame até ele ficar uma linha reta: Depois de abrir, você pode utilizar uma régua para medir o contorno em linha reta: Porém, nem sempre é possível abrir a figura, então a solução é efetuar a soma dos lados da figura. Vamos usar a figura a seguir para realizarmos um exemplo do cálculo do perímetro de uma forma geométrica plana, o perímetro é repre- sentado pela letra P: P= AB + BC + DA P= 3 cm + 6 cm + 3 cm + 6cm P= 18 cm 55LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS SAIBA MAIS No Capítulo 3 - Por que se ensina Geometria, do livro Ensino da Geometria na Escola Fundamental,(Autêntica Editora) das autoras Maria da Conceição Fonseca, entre outros, traz uma reflexão sobre as dificuldades encontradas na abordagem da geometria em sala de aula, a fim de resgatar o ensino desta como uma das áreas fundamentais da Matemática. 56LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Cálculo em Quadrinhos • Marcelo Alves • Editora Blucher • O mestre dos quadrinhos Larry Gonick, um matemático formado em Harvard, apresenta um curso ilustrado abrangente e atualizado de Cálculo básico que desmistifica o mundo das funções, limites, derivadas e integrais. Usando gráfi- cos claros e úteis - e humor delicioso para tornar mais leve um assunto que é normalmente difícil -, ele ensina todo o básico, com inúmeros exemplos e con- juntos de problemas. Tanto para os curiosos quanto para os confusos, o Cál- culo em Quadrinhos é uma combinação perfeita de diversão e educação - um auxílio de valor para qualquer estudante, professor, pai ou profissional. FILME/VÍDEO • A História da Matemática: O Início - Contando a História da Matemática • 2017 Este vídeo conta de forma simples a História da matemática através da conver- sa entre Lucas, um aluno que não gosta muito de matemática e seu professor, que de maneira criativa tenta explicar como a matemática contribuiu historica- mente para a evolução da sociedade. Para isso eles embarcam em uma via- gem pelo tempo que trará muitos conhecimentos. https://www.youtube.com/watch?v=xxM_acVc5-0 57LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS CONSIDERAÇÕES FINAIS Em nossos estudos sobre os conceitos de número nas significações aritmética, pretendeu-se proporcionar a você acadêmico, relembrar os conceitos de nú- mero, a necessidade de contagem que levaram as sociedades primitivas a de- senvolverem a linguagem utilizando símbolos, até chegarem ao nosso sistema numérico atual, bem como promover um novo olhar sobre a sua aplicabilidade nos cálculos aritméticos. No tópico II, abordamos no primeiro momento a definição da geometria en- quanto ciência, na sequência abordamos de forma breve a extensão e as pro- priedades das figuras, bem como as subáreas dentro do estudo da geometria, por meio de um breve resumo de cada uma destas áreas, com o intuito de se descobrir as facetas da matemática, por meio do entendimento, de forma sim- plificada, bem como compreender que mesmo que nem sempre sejam perce- bidos, os aspectos matemáticos estão fortemente presentes em nosso dia a dia. 58LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFERÊNCIAS ALMEIDA, Manoel de Campos. Origens da matemática: a pré-história da ma- temática. Curitiba: Progressiva, 2009. COLL, César, TEBEROSKY, Ana. Aprendendo Matemática: Conteúdos essen- ciais para o Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série, 2002. FARAGO, Jorge Luiz; LAPA, Cintia Cristina Bagatin. Mundo da matemática: 5ª série, 6ª série e 7ª série. Curitiba: Ed Positivo, 2009. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010. RAMOS, Luzia Faraco. Conversas sobre números, ações e operações: uma proposta criativa para o ensino da matemática nos primeiros anos. São Paulo: Ática, 2009. RAPPAPORT, R. C. Psicologia do Desenvolvimento. Vol. 1 São Paulo: E.P.U., 1981. SENAI � Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Matemática Básica. Curitiba: SENAI/PR, 2006. UNIDADE lll CONCEITO DE NÚMERO NA SIGNIFICAÇÃO ALGÉBRICA Professora Esp. Paula Regina Dias de Oliveira 59 Plano de Estudo: • História da Álgebra • Conceitos Básicos da Álgebra: Regularidade, Relações de Igualdade e De- sigualdade, Relações de Equivalência, Levantamento de hipóteses; Elabo- ração de afirmações e justificativas; Variáveis e Constantes; Pensamento em Totalidades. 60LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Objetivos de Aprendizagem: • Compreender a álgebra como sendo um tipo de linguagem particular da ati- vidade matemática; • Compreender a diferença entre álgebra e pensamento algébrico a fim de formalizar essas ideias com o uso de um sistema de símbolos significativos e explorar seus conceitos; • Promover a aquisição do conhecimento algébrico relacionado a ideias e conceitos que envolvem a álgebra em suas mais diversas vertentes. 61LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO A álgebra é conhecida como um dos pilares da matemática. Ela envolve pes- quisas que estão relacionadas ao ensino e aprendizagem e também aos con- teúdos da matemática e sua importância pode ser avaliada mediante a sua abrangência no que se refere as pesquisas desenvolvidas sobre álgebra, aos conteúdos expostos em livros, artigos, textos, também por sua complexidade e pelas dificuldades apresentadas em seu processo de ensino e aprendizagem. Com base nos pressupostos acima, trazemos nessa unidade algumas consi- derações sobre a álgebra com o intuito de permitir a você caro aluno conhecer alguns conceitos relacionados a esse campo em algumas de suas vertentes e de que forma eles podem contribuir para a prática pedagógica do professor em sala de aula. No tópico I faremos uma viagem ao passado, onde lhe será apresentada de forma breve a História da Álgebra, as civilizações que difundiram o estudo so- bre esse campo da matemática e que facilitaram uma leitura abastada no apri- moramento e desenvolvimento da álgebra. No tópico II, apresentaremos alguns conceitos relacionados ao ensino da ál- gebra e que envolvem o desenvolvimentodo pensamento algébrico na criança com base na perspectiva histórico-cultural. Esse tópico está dividido em subtó- picos onde serão apresentadas as características de alguns dos campos rela- cionados a álgebra com exemplos que poderão facilitar o entendimento desses conceitos e suas aplicações nas aulas de matemática. Dessa forma, esperamos com essa unidade contribuir para novos conhecimen- tos acerca da álgebra, rompendo assim com paradigmas sobre a mesma e po- dendo ressignificar a prática pedagógica em sala de aula. 62LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1. HISTÓRIA DA ÁLGEBRA Uma das ciências que mais chama a atenção da humanidade no decorrer de o processo histórico sem dúvida nenhuma é a matemática. Os seus estudos iniciaram como entre os babilônicos aproximadamente por volta de 2000 a.C. Naquela época deu-se início ao estudo da álgebra que é um dos pilares do co- nhecimento da matemática. O período em que se deu o início dos estudos sobre álgebra foi carregado dos conceitos aritméticos, que é um dos responsáveis por fundamentar todo o ensi- no da matemática. Várias culturas e civilizações foram invadidas pela álgebra, dentre estas culturas podemos citar a cultura Grega, Egípcia, A Chinesa, A Hin- du, A Arábica e as da Europa. Tais sociedades no ápice do seu desenvolvimen- to facilitaram uma leitura abastada no aprimoramento e desenvolvimento da ál- gebra. Além disso, algumas e civilizações contribuíram significativamente para o desenvolvimento da álgebra, dentre elas as principais são o Egito, a Grécia e algumas civilizações europeias. 1.1 A Álgebra no Egito No Egito a álgebra surge na mesma época que na Babilônia, porém a álgebra dos Babilônicos era mais sofisticada que a álgebra dos Egípcios, e também nas variações das equações algébricas resolvidas, o que foi observado por historia- dores no Papiro Moscou e no Papiro Rihnd. Estes papiros são documentos do Egito antigo que mostram os métodos matemáticos daquele período. 63LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Figura 2 – Papiro Mocou Fonte: http://www.matematica.br/historia/pmoscou.html Papiro Moscou Considerado como o segundo papiro mais importante da época, Golenshchev como também é conhecido o Papiro de Moscou recebeu este nome para home- nagear o homem que adquiriu ele em 1893, o Papiro Moscou hoje se encontra em um museu de Moscou na Alemanha. Ele está escrito em uma linguagem egípcia que é uma escrita desconhecida desde 1850 a.C, nele está contido 25 problemas, porém muito destes problemas não puderam ser interpretados, de- vido ao estado de degradação, o papiro tem dimensões de 5 metros de compri- mento e 8 centímetros de largura. Dos vinte e cinco problemas encontrados no Papiro Moscou, existem dois que se destacam, o primeiro está relacionado ao cálculo do volume de uma pirâmide, conforme a Figura 1, e o outro está rela- cionado a área de uma superfície semelhante a de uma cesta. 64LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Papiro Rhind Figura 2 – Papiro Rhind Fonte: https://www.grupoescolar.com/a/b/AC868.jpg Comprado no ano de 1858 pelo egiptólogo escocês A. Henry Rhind em Luxor o papiro que agora é conhecido como Rhind ou Ahmes Papiro, foi encontra- do nas ruínas de um antigo prédio de Tebas, após a morte de Rhind o papi- ro foi para o Museu Britânico. Infelizmente, naquela época, muito do papiro foi perdido, embora 50 anos depois muitos fragmentos tenham sido encontrados nos armazéns da Sociedade Histórica de Nova York. Atualmente está no British Museum, em Londres. Ele começa com a frase “cálculo exato para conhecer todas as coisas existentes e todos os segredos e mistérios obscuros”. Ele tem dimensões aproximadas de 6 metros de comprimento e 33 centímetros de lar- gura, ele contem 87 problemas e é a melhor fonte de informação sobre a mate- mática egípcia que conhecemos. Nele pode ser encontradas informações sobre questões aritméticas básicas, frações, cálculo de áreas, volumes, progressões, distribuições proporcionais, regras de três, equações lineares e trigonometria básica. O Papiro foi escrito por Ahmes um escriba egípcio e foi datado por estu- diosos de 1650 a.C. SAIBA MAIS Acesse o link: <https://www.dm.ufscar.br/profs/sampaio/tccs/TCC_Tuanny_Bar- bosa-02-07-13.pdf> e saiba mais sobre a aritmética e as frações no Egito anti- go. E no link: <https://www.youtube.com/watch?v=D6CqOPjEAaM> e veja a re- solução de dois problemas encontrados nos Papiros Moscou e Rhind. 65LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1.2 A Álgebra na Grécia Em geral, a ciência como conhecemos hoje, tem sua origem na Grécia e mui- to dos seus legados tiveram impactos profundos nas civilizações ocidentais. Como foi visto anteriormente, a álgebra teve seus primeiros avanços nas ci- vilizações do Egito e da Babilônia entre o terceiro e o quarto milênio a.C, e a álgebra continuou seus progressos na Grécia antiga. Os gregos usaram a ál- gebra para expressar equações e teoremas, um bom exemplo é o Teorema de Pitágoras. Figura 3 – Manuscrito Teorema de Pitágoras Fonte: http://www.epsilones.com/material/0-bestiario/pitagoras-teorema.gif Os matemáticos da Grécia antiga foram responsáveis por uma transformação importante, criando a álgebra geométrica, onde termos eram representados pe- los lados de objetos geométricos, geralmente linhas ás quais se associavam le- tras. Os matemáticos que mais se destacaram nessa época foram Arquimedes, Heron e Diofante. SAIBA MAIS Acesse o link: <https://www.youtube.com/watch?v=_Ff_si_E6Aw> e saiba mais sobre Pitágoras e o desenvolvimento de seu teorema. 66LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1.3 A Álgebra na Europa No século XVI, os matemáticos italianos Scipione del Ferro e Gerolamo Car- dano, resolveram a equação cúbica geral nas constantes que apareceram na equação. O estudante Ludovico Ferrari, logo encontrou a solução para a equa- ção do quarto grau, e como consequência, matemáticos dos séculos posterio- res tentaram encontrar a fórmula para raízes das equações do quinto grau e superiores, porém no início do século XIX, o matemático norueguês Abel Niels e o Francês Évaristo Galios demonstraram a inexistência dessa fórmula. Um avanço muito importante na álgebra na Europa foi a introdução de símbo- los para incógnitas e para as operações algébricas e devido a esse avanço em 1637 o matemático e filosofo René Descartes escreveu o livro III de Geometria, esse seu livro era a frente de sua época, tanto que os textos parecem textos de álgebra moderna. Durante o século XVII a evolução da álgebra na Europa continuou, entrando no seu estágio moderno, o foco foi deslocado das equações polinomiais para o estudo das estruturas de sistemas matemáticos abstratos, o qual teve suas ideias iniciais baseadas no comportamento dos objetos matemáticos, tais como números complexos que foram encontrados nos estudos das equações polino- miais. Desde então, a álgebra moderna também é chamada de álgebra abstra- ta, e continuou a evoluir, e resultados importantes foram obtidos e aplicações encontradas em todos os ramos matemáticos e em muitas outras ciências. “Não existe métodos fáceis para problemas difíceis” (Descartes, 2001) Alguns fatores também propiciaram o fortalecimento da álgebra na Europa, dentre eles pode-se citados a facilidade da manipulação de trabalhos numéri- cos com a utilização da numeração indo-arábico, a invenção da impressa que alavancou a padronização dos símbolos que melhorou significativamente a co- municação e retomada da economia patrocinando as atividades intelectuais bem como o comércio e as viagens que felicitavam a troca de ideias e informa- ções. 67LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2. CONCEITOS BÁSICOS DA ÁLGEBRA 2.1 A criança e as noções de Regularidade na perspectiva Histórico-cultu- ral Neste subtópico partiremos do pressuposto que a criança pode desenvolver o pensamento algébrico desde o início da escolarização, na educação infantil. Autores como Squalli afirmam que para desenvolvero pensamento algébrico é necessário um longo período. Para ele, a álgebra pode ser pensada como um tipo de linguagem particular da atividade matemática. Já o pensamento algébri- co é um conjunto de habilidades intelectuais necessárias à álgebra, ou seja, o ato de pensar analiticamente, generalizar e abstrair, etc. (SQUALLI, 2000). No entanto, o pensamento algébrico pode ser desenvolvido antes do pensamen- to aritmético ou junto com ele. Por vezes, pensamos que estamos ensinando a criança sobre aritmética quando na verdade estamos desenvolvendo nela o pensamento algébrico. Dessa forma, verificamos que um não é condição para que o outro aconteça. Corroborando com nossos estudos sobre o pensamento algébrico o autor Walle (2009) afirma que, tal pensamento “envolve formar generalizações a partir de experiências com números e operações, formalizar essas ideias com o uso de um sistema de símbolos significativos e explorar os conceitos de padrão e de função” (p.287). Para o autor, a matemática está presente em nosso cotidiano por meio do pensamento algébrico, nas relações que envolvem a capacidade de prestarmos a atenção, observarmos as regularidades que existem em nosso dia a dia, a fim de as generalizarmos e a aplicarmos em outras situações. SAIBA MAIS A generalização em matemática tem como característica o aspecto semiótico e fenomenológico que são dois aspectos que estão inter-relacionados. Para sa- ber mais sobre essas características recomendamos a leitura do livro En torno a tres problemas de la generalización. In: RICO, L. et al. (Ed.). Investigación en Didáctica de la Matemática: homenaje a Encarnación Castro da Editora Coma- res, 2013 produzido na Espanha com organização de Luis Radford. 68LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS De acordo com a perspectiva histórico-cultural o pensamento e a linguagem são processos intrínsecos que devem caminhar juntos. Neste sentido fica evi- dente que a comunicação em sala de aula, por meio da instrução do profes- sor é fator preponderante para o desenvolvimento do pensamento algébrico na criança. O professor enquanto mediador, deve contribuir para que o aluno seja capaz de expressar por meio de gestos o que percebe na exploração de ob- jetos, para que ele desenvolva capacidades como observar, perceber as dife- renças e semelhanças que existem, além de perceber os detalhes que estes possuem. SAIBA MAIS Para se aprofundar mais nos conhecimentos sobre o pensamento e linguagem, indicamos a leitura do capítulo 07-Pensamento e Palavra, p. 103 a 132, que se encontra no livro Pensamento e linguagem do autor Lev Semenovitch Vygotsky, Editora, Martins Fontes, São Paulo. Os gestos, ritmos, a imaginação são aspectos que estão relacionados ao pen- samento e a fala exterior e interior. Tais aspectos fazem parte do processo de elaboração conceitual, que são compostos por ferramentas culturais mediadas por signos linguísticos e que foram historicamente produzidas ao longo dos tempos. (RADFORD, 2013). É nessa fase que a criança por meio das múltiplas linguagens inicia o processo de construção do pensamento algébrico, além de fixar determinadas particulari- dades existentes em um objeto em função de outro, num movimento de focar e desfocar, tais competências que são advindas do processo de análise e abstra- ção. (MASON, 2007). Desde pequena a criança já é capaz de perceber detalhes no que enxergam ou escutam e é essa capacidade que possibilita a criança à aquisição própria da linguagem. Daí a importância de o professor estar atento, ouvir o que a criança tem a dizer, pois muitas vezes, o que o que um grupo de alunos identifica e ge- neraliza em uma determinada atividade pode não ser o mesmo que outros gru- pos identificam e generalizam. O professor precisa perceber se num determina- do contexto, a criança está, por exemplo, tentando construir uma sequência de repetição com materiais concretos, o que faz com ela sequencie os objetos em determinada ordem e/ ou não se prenda àquilo que foi proposto pela professora na realização da atividade. 69LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Assim sendo, pressupomos a importância de se trabalhar de forma lúdica, utili- zando para isso a imaginação e o corpo como forma de expressão e do desen- volvimento do pensamento algébrico na criança, que por sua vez possui como uma das suas características na infância, o brincar. Para a criança o brincar vai além do distrair-se, passar o tempo, é por meio do brincar que a criança sistematiza saberes diferenciados que são experimen- tados na relação que ele tem com os adultos e com seus pares no dia a dia. Quando brinca, ela constrói conceitos, aprende a respeitar a sociedade em que está inserida e constrói relações familiares. Na educação infantil a criança é puro movimento, é por meio deles que ela cria, recria, constrói relações, pensa e repensa os acontecimentos, desenvolve práticas que envolvem respeito, éti- ca, habilidades motoras e cognitivas, conhece e estabelece seus próprios limi- tes. Assim, fica explícito no que se refere a aquisição dos conhecimentos e da cul- tura pela criança, a importância do lúdico enquanto estratégia de ensino capaz de tornar as experiências vivenciadas pela criança no decorrer das atividades mais significativas. 2.1.2 As noções de Regularidade nos anos iniciais do Ensino Fundamen- tal A internalização das práticas culturais se torna construções individuais por meio da inserção do sujeito no contexto social. E esse processo acontece a partir da zona de desenvolvimento proximal compreendido nas esferas do desenvolvi- mento potencial e real. O desenvolvimento real se refere aquilo que a criança já sabe fazer ou conhece sem que haja mediação de outro. Diferente do de- senvolvimento real, o desenvolvimento proximal se caracteriza por aquilo que a criança consegue realizar com a ajuda/mediação de outra pessoa que possua maior experiência do que ela. A criança aprende por meio do desenvolvimento potencial. Neste sentido, é papel do professor proporcionar ao aluno condições neces- sárias que favoreçam a apropriação do conhecimento científico que acontece- rá na realização de atividades que atuem na zona de desenvolvimento proxi- mal, que partam do conhecimento real tendo como objetivo o desenvolvimen- to potencial. Todavia, para que esse conhecimento de fato se efetive devemos ressaltar a importância de criar uma cultura de sala de aula que permita esse desenvolvimento. Elaborar tarefas que são desafiadoras e que potencializam o conceito a ser desenvolvido pelos alunos, deve partir da postura intencional e problematizadora que o professor tem ao escolher os conteúdos e tarefas. (HIEBERT, et al. 1997), ou seja, é a intencionalidade proposta no planejamen- to que irá promover o sucesso ou não da aprendizagem, por isso o professor 70LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS deve sempre refletir qual a intenção do planejamento. É preciso pensar na escolha correta e apropriada do material a ser utilizado na aula de matemática, uma vez que esse deve ser significativo para a construção do conceito pelo aluno, não podendo dessa forma lançar mão de qualquer ma- terial. Nos anos iniciais do ensino fundamental o trabalho com o pensamento algébri- co na construção de conceitos deve promover formas particulares de pensa- mento. (MESTRE, 2014). Para isso, deve-se considerar promover um trabalho centrado nas propriedades numéricas e nas operações, relações de igualda- des, percepções de regularidades, utilizando para isso uma linguagem algébri- ca natural e simples que possam facilitar a compreensão das ideias algébricas. Ao colocar o aluno em contato com regularidades, mesmo que ainda não se tenha a perspectiva de que haja pensamento algébrico se torna viável estabe- lecer relações com os padrões de regularidades, principalmente quando o am- biente favorece esse tipo de relação com as generalizações matemáticas, in- vestindo nas mais diversas formas de representações simbólicas.Sobre os padrões de regularidades corroborando com nossos estudos a Base Nacional Curricular Comum - BNCC (2017) nos afirma que, Nessa perspectiva, é imprescindível que algumas dimensões do trabalho com a álgebra estejam presentes nos processos de ensino e aprendizagem desde o Ensino Fundamental-Anos Iniciais, como as ideias de regularidade, generalização de pa- drões e propriedades da igualdade. No entanto, nessa fase, não se propõe o uso de letras para expressar regularidades, por mais simples que sejam. A relação dessa unidade temática com a de Números é bastante evidente no trabalho com se- quências (recursivas e repetitivas), seja na ação de completar uma sequência com elementos ausentes, seja na construção de sequências segundo uma determinada regra de formação. (p.272). Conforme explicita a BNCC, fica evidente o trabalho com atividades que en- volvam sequências (recursivas e repetitivas) a fim de promover a aquisição do conhecimento algébrico relacionado a ideia e conceitos de regularidade. Esse conhecimento é fundamental para o desenvolvimento do pensamento algébrico que de acordo com a BNCC (2017), “é essencial para utilizar modelos mate- máticos na compreensão, representação e análise de relações quantitativas de grandezas e, também, de situações e estruturas matemáticas, fazendo uso de letras e outros símbolos” (p.272). 71LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Na tabela abaixo, algumas habilidades que deverão ser desenvolvidas pelos alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental sobre o pensamento algébrico que envolve as ideias de regularidade. Tabela 01: Ano Habilidade 1º ano • Descrever, após o reconhecimento e a explicitação de um padrão (ou regularidade), os elementos ausentes em sequências recursi- vas de números naturais, objetos ou figuras. 2º ano • Construir sequências de números naturais em ordem crescente ou decrescente a partir de um número qualquer, utilizando uma regu- laridade estabelecida. 3º ano • Identificar regularidades em sequências ordenadas de números naturais, resultantes da realização de adições ou subtrações su- cessivas, por um mesmo número, descrever uma regra de forma- ção da sequência e determinar elementos faltantes ou seguintes 4º ano • Identificar regularidades em sequências numéricas compostas por múltiplos de um número natural. Sequência numérica recursiva for- mada por números que deixam o mesmo resto ao ser divididos por um mesmo número natural diferente de zero. • Reconhecer, por meio de investigações, que há grupos de núme- ros naturais para os quais as divisões por um determinado número resultam em restos iguais, identificando regularidades. 5º ano • Concluir, por meio de investigações, que a relação de igualdade existente entre dois membros permanece ao adicionar, subtrair, multiplicar ou dividir cada um desses membros por um mesmo nú- mero, para construir a noção de equivalência. • Resolver e elaborar problemas cuja conversão em sentença ma- temática seja uma igualdade com uma operação em que um dos termos é desconhecido. Fonte: Base Nacional Curricular Comum - BNCC - 2017. Disponível em: http://base- nacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf.Acesso em: 05 ago. 2019. 2.2 Relações de Igualdade Igualdade refere-se à ausência de diferença, a igualdade existe a partir do mo- mento quem que as partes estão no mesmo estado, tem o mesmo valor e são analisadas tendo o mesmo ponto de vista, seja na comparação de pessoas, coisa, valores etc. O termo igualdade é utilizado para identificar ausência de desigualdade. Qualidade daquilo que é igual, ou seja, não apresenta diferenças entre si. É a conformidade de uma coisa com outra em natureza, forma, propor- ção, valor quantidade ou qualidade. Expressão da relação entre duas quantida- des iguais, equação. (FERREIRA, 2010). 72LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Na matemática, a expressão igualdade é a firmação que dois objetos matemá- ticos tem o mesmo valor, por exemplo, “a soma de quatro e quatro” e a mes- ma coisa que “oito”, refere-se a um mesmo objeto matemático. Na matemáti- ca para a representação de igualdade é utilizado símbolo de igual (=). Veja o exemplo a seguir: 4 + 4 = 8 Desta forma, a igualdade matemática é formada por dois membros, o membro à esquerda antes do sinal de igual e o membro a direita após o sinal de igual. Na igualdade de duas expressões matemáticas, temos dois membros o mem- bro que está à esquerda antes do sinal de igual chamado de primeiro membro e o membro que está à direita após o sinal de igual chamado de segundo mem- bro. Veja a seguir o mesmo exemplo acima mostrado utilizando as Barras de Cuise- naire: Figura 4 – Igualdade coma Barra de Cuisenaire Fonte: Elaborado pela autora, 2019. SAIBA MAIS Origem do sinal de igual (=): O sinal de igual foi introduzido na língua matemá- tica pelo matemático inglês Robert Recorde, o matemático escolheu este nome por considerar que as duas retas paralelas representaria muito bem a ideia de igualdade, ele também foi responsável por inserir o sinal de mais ( + ) e o de menos ( - ) para indicação de adição e subtração. 73LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS • Propriedades da Igualdade Ao adicionarmos ou subtrairmos um mesmo número nos dois membros de uma equação, a igualdade não se altera. Esse é o princípio aditivo da igualdade. De maneira semelhante, ao multiplicarmos ou dividirmos os dois membros de uma equação por um mesmo número diferente de zero, a igualdade também não se altera. Esse é o princípio multiplicativo da igualdade. (SOUZA e PARATO, 2012) Com foi visto relação de igualdade é usada para estabelecer que duas variá- veis matemáticas representam o mesmo objeto. Existem casos em que é des- necessário usar a igualdade (=) como por exemplo, para dizer que 2 = 2, porém quando se está falando de variáveis essa expressão se faz necessário e tem um uso específico. Um exemplo é quando queremos dize que y = x, e por outro lado x = 8, pode-se concluir y = 8 da mesma forma. Desta forma as proprieda- des são primordiais para resolvermos as equações, veja a seguir as proprieda- des da igualdade. • Propriedade Reflexiva: Está propriedade afirma que cada número é igual a si mesmo, a propriedade reflexiva e expressa como c = c. • Propriedade Simétrica: Está propriedade afirma que se a = b, então b = a. Não importando em qual ordem as variáveis são utilizadas. • Propriedade Transitiva: Está propriedade afirma que se x = y e y = c, des- ta forma x = c, por exemplo: 5 + 4 = 9 e 9 = 7 + 2, sendo assim, de acordo com essa propriedade temos 5 + 4 = 7 + 2. 1.3 Relações de Desigualdade Atributo de pessoas ou coisas distintas; dessemelhanças, diferenças. Falta de equilíbrio, disparidade, distância. Sem regularidade, desnivelamento. Ausência de continuidade. Comparação de duas quantidades desiguais, um uma expres- são matemática através de sinais. (FERREIRA, 2010). Na matemática desigualdade é uma relação que existe entre duas grandezas ou expressões, e que indica que elas têm valores diferentes, ou seja, o posto do que acontece em uma igualdade. Na desigualdade podem ser representa- dos pelos símbolos que são apresentados na tabela a seguir. 74LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Tabela 1 - Símbolos de Desigualdade SÍMBOLO SIGNIFICADO > Maior que < Menor que ≥ ou >= Maior ou igual a ≤ ou <= Menor ou igual a ≠ ou <> Diferente de Fonte: A autora Exemplo de uma desigualdade: 2x + 7 < 20 O exemplo acima se lê “2x mais 7 é menor que 19” Veja a seguir o mesmo exemplo acima mostrado utilizando o Material Dourado: Figura 5 – Desigualdade com o Material Dourado Fonte: Elaborado pela autora, 2019. • Propriedades da Desigualdade Da mesma forma que a igualdade, a desigualdade apresenta algumas proprie- dades que devem ser observadas, a seguir são apresentadas estas proprieda- des. • Propriedade 1 Se somarmos ou subtraímos o mesmo número dos dois membros de uma de- sigualdade, não se altera osentido da desigualdade. Observe o exemplo a se- guir, onde será somado 4 e subtraído 5 na notação 7 > 6: 75LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS • Propriedade 2 Se multiplicarmos ou dividirmos os dois membros de uma desigualdade, pelo mesmo número positivo, não se altera o sentido da desigualdade. Observe o exemplo a seguir, onde será multiplicado por 2 e dividido por 3 a notação 6 < 9: • Propriedade 3 Se multiplicarmos ou dividirmos os dois membros de uma igualdade, pelo mes- mo número negativo, o sentido da desigualdade será modificado. Observe o exemplo a seguir, onde será multiplicado por -2 a notação 5 > 3, e dividido por -3 a notação 6 < 9: SAIBA MAIS Acesse o link https://phet.colorado.edu/pt_BR/simulation/equality-explorer e co- nheça a ferramenta - Phet Interactive Simulations”. Com essa ferramenta on-li- ne pode-se trabalhar os conceitos de Desigualdade e Igualdade nos anos ini- ciais. 76LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFLITA Curiosidade! Copie no caderno a tabela a seguir, e observando as propriedades da desigual- dade, aplique nos dois membros da notação da coluna 1 o que se pede na co- luna 2, e anote na coluna 3 o resultado. COLUNA 1 COLUNA 2 COLUNA 3 3 < 5 Adicione 3 8 > 7 Subtrair 7 4 < 12 Dividir por 4 2 < 8 Dividir por (-2) -9 > -2 Multiplicar por 2 -3 < 9 Multiplicar por -3 1.4 Relações de Equivalência A relação de equivalência é um conceito intuitivo o qual podemos ver em vários exemplos do nosso dia a dia. Em uma farmácia, podemos classificar como equivalentes, os remédios que têm o mesmo princípio ativo, em uma biblioteca podemos classificar como equivalentes os livros que tratam do mesmo tema, etc. Assim sendo, damos o nome de relação de equivalência uma relação binária que ocorre entre dois elementos de um determinado conjunto. Ela pode ser re- flexiva, simétrica e transitiva, quando num conjunto X essa relação acontecer de forma mais específica. Na matemática, torna-se fundamental e imprescindível descobrir as relações de equivalência, uma vez que, por meio delas os matemáticos podem entender determinadas classes de objetos. A exemplo disso, para entendermos alguns teoremas na Teoria dos números, utilizamos a congruência dos inteiros. Além disso, ela permite dividir determinado conjunto em classes de equivalência, o que é de fato muito importante, pois a partir dessa divisão podemos gerar di- versos conjuntos quocientes, onde temos como ponto de partida um conjunto X mais complicado e tentamos criar um outro conjunto mais simples Y, que en- xerga os elementos distintos de X como sendo iguais. Dessa forma, ao estu- darmos o conjunto de Y que é mais simples, podemos tirar conclusões sobre o conjunto de X. 77LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Vejamos o exemplo abaixo: Nesse exemplo o produto cartesiano de um conjunto A com ele mesmo, forma uma relação de equivalência. Podemos ver as relações de equivalência, como sendo extensões do conceito de igualdade. Neste sentido, sempre que tivermos certeza quanto a relação de equivalência em determinado conjunto representaremos a equivalência da se- guinte forma: x ≡ y para dizermos que x equivale a y. As equivalências ainda podem ser divididas por classes, conforme veremos no exemplo a seguir: Seja A uma caixa de frutas diversificadas e, em seguida pegaremos sacolas e separaremos as frutas nas sacolas de acordo com a relação de equivalência: duas ou mais frutas são equivalentes quando são da mesma espécie. Neste caso, cada sacola irá guardar apenas frutas de uma mesma espécie, ou seja, cada sacola representa uma classe de equivalência. Podemos de forma breve e simplificada concluir que as relações de equivalência são muito comuns e que na prática podemos defini-las como igualdade de objetos. 2.5 Levantamento de hipóteses nos anos iniciais do ensino fundamental e suas variáveis, com elaboração de justificativas e pensamento em totali- dades. Chamamos de hipótese um conjunto estruturado de argumentos e explicações, ou seja, é uma afirmativa que possivelmente justifica dados e informações que ainda não foram confirmadas, que serão colocadas à prova, podendo ou não ser rejeitada. A hipótese está ligada a estatística e parte da identificação de um determinado problema, e a partir dele, levantamos questões que serão respondidas para a solução deste. Neste sentido, quando testamos as hipóteses levantadas para a resolução de um problema, podemos transformá-la nas conclusões da pesqui- sa, no entanto quando uma hipótese não pode ser testada, ela é considerada apenas como uma especulação. Dessa forma fica evidente a importância de gerarmos hipóteses com os alunos em sala de aula no processo de ensino e aprendizagem da matemática, uma vez que essa é uma etapa fundamental para a educação em estatística des- de os anos iniciais do ensino fundamental. Corroborando com nossos estudos, Cazorla, (et al., 2017) deixa claro que, 78LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Outra questão para a qual devemos chamar a atenção é que a Estatística é a ciência do significado e uso dos dados. Sua grande missão é a compreensão dos fenômenos a partir da análise dos dados, desvendando os padrões subjacentes aos mesmos. Portanto, precisa-se de uma quantidade de dados que possam representar o comportamento do fenômeno em estudo. (p. 28-29) Podemos levantar hipóteses quando criamos situações-problemas que po- dem ser investigados e resolvidos em sala de aula mesmo, utilizando para isso questões como, por exemplo: Todas as sementes de flores germinam quando são plantadas? Os homens são sempre mais altos do que as mulheres? Nesse tipo de situação problema é comum que a criança já tenha uma respos- ta. Tais respostas podem ser aproveitadas em sala de aula para estimular a exposição de suas afirmações, que quando são acompanhadas de uma expli- cação são chamadas de hipóteses, a criança afirma e justifica a sua afirmação. No entanto, a hipótese levantada pela criança pode ser falsa, é por isso que existe a pesquisa. • Estágios de uma pesquisa A pesquisa para ser completa deve seguir alguns estágios como veremos a se- guir. 1. Reduzir determinado problema a uma hipótese testável associando a uma metodologia, de maneira que esse problema possa ser testado. 2. Elaboração de instrumentos que possibilitem a pesquisa como por exemplo um questionário ou uma entrevista e que são denominadas de variáveis. 3. Fonte de dados: Ela é composta pelos sujeitos da pesquisa ou elementos da população que fornecem as informações/dados, e pode ser tanto uma pessoa, como no caso do problema que envolve a pesquisa sobre a altura; ou no caso da semente como no problema sobre a germinação. 4. Coleta dos dados: consiste na fase operacional e no registro dos dados cole- tados e deve ter um objetivo determinado. 5. Apuração e apresentação dos dados: é a contagem e agrupamento dos da- dos por meio de uma sumarização, ou seja, um resumo que podem ser apre- sentados por meio da apresentação tabular, que se trata da apresentação nu- mérica dos dados, ou por meio da apresentação gráfica, que se trata da repre- sentação geométrica dos dados numéricos obtidos. 6. Análise e interpretação dos dados: se refere a aplicação dos testes, conside- rando a hipótese inicial. 79LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Para finalizar, apresenta-se a comunicação dos resultados que é a apresenta- ção dos resultados obtidos na pesquisa. Ele pode acontecer em sala de aula entre as crianças, no pátio para os demais colegas de escola ou em formato de registro para apresentação aos pais, além da elaboração do relatório. REFLITA Assim como nos cálculos algébricos, a estatística também trabalha com variá- veis. Nesse caso a variável é uma característica populacional podendo assumir diferentes categorias ou valores. Além disso, ela pode ser classificada como qualitativas e quantitativas. Conforme explicitado abaixo. Uma variável qualitativa é aquela cujos resultados seenquadram em catego- rias. Se as categorias assumem algum tipo de ordenação, elas são denomina- das de ordinais, por exemplo, gosto pela Matemática (pouco, regular e muito). Caso contrário, são denominadas de nominais, como, por exemplo, gênero, ti- pos de medo, entre outros. Uma variável quantitativa (também denominada de numérica) é aquela cujos resultados assumem valores numéricos. Se essa for passível de contagem é chamada de discreta, como número de irmãos ou nú- mero de sementes que germinam. Se a variável é resultante de mensuração, tomando qualquer valor, então são chamadas de contínuas, como peso (kg), al- tura dos alunos (cm), renda familiar (R$), entre outras. Assim, podemos classifi- car as variáveis de diferentes formas, como apresentado no esquema a seguir. Classificação das variáveis estatísticas de acordo com sua natureza. Fonte: Cazorla, (et al., 2017, p.38) 80LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2.6 Variáveis e Constantes nas dimensões algébricas Há aproximadamente 1500 anos atrás as pessoas quando iam realizar cálcu- los, utilizavam o termo “coisa” para chamar uma determinada quantidade de coisas ou para se referir as incógnitas de uma operação. Eles utilizavam frases como: • some doze a “coisa”, dobre o resultado e subtraia-o de dez vezes a “coi- sa”. Hoje damos ao termo “coisa” o nome de Variáveis. As variáveis em matemática são de grande importância, uma vez que ajudam a escrever afirmações mate- máticas expressivas, além disso, as variáveis podem ser letras que compõem uma expressão ou uma equação por exemplo. Veja o exemplo abaixo: Hoje escrevemos uma letra (x por exemplo), no lugar de “coisa” 10x – 2(x+12) Na matemática, a função do x é representar um número - qualquer número. É considerado uma variável qualquer letra que utilizemos para representar um número, ou seja, que pode variar, que possui valor incerto. Diferente do número utilizado na álgebra que tem o nome de constante, uma vez que geralmente possuem valor fixo. Em alguns momentos temos a nossa disposição em determinado cálculo algé- brico uma quantidade suficiente de informações que facilitem a descoberta da “identidade” do x, conforme exemplo abaixo: 3+3= x Nesta equação fica evidente que o x representa o número 6. Entretanto nem sempre é tão simples assim, as vezes o x fica envolvido em uma incógnita, como por exemplo: X > 4 No exemplo de desigualdade apresentado acima, x representa algum número maior que o 4 talvez seja 5, ou 8 ½, ou até 234,004. • Apresentando as Expressões e Equações. Você pode estar se perguntando nesse momento, mais o que é uma expressão e uma equação e o que elas têm a ver com as variáveis? 81LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Tais palavras são muito comuns e usadas a muito tempo. Usamos as expres- sões e formamos equações todas as vezes que somamos os valores de vários itens que compramos em uma determinada loja, quando calculamos o saldo do nosso cartão de crédito, ou mesmo quando calculamos a área de um cômodo da nossa casa. A equação é uma expressão matemática que possui um sinal de igualdade =, como exemplo de 2 + 2 = 4, ou 2 . 6 = 12. A equação nos informa que duas coisas possuem o mesmo valor, ou seja, é uma expressão com sinal de igual- dade. Existem diversos tipos de equações matemáticas, as equações aritméti- cas, algébricas, diferenciais entre tantas outras. Já a expressão é qualquer série de símbolos matemáticos que pode ser colo- cada em um lado de uma equação. 4 + 4 por exemplo, ou 15 + 5. Bem como as equações, existem diversos tipos de expressões matemáticas como as expres- sões aritméticas por exemplo. Ainda temos a avaliação, que é o cálculo do va- lor de uma determinada expressão como um número, conforme exemplo abai- xo: Calcular, por exemplo que 2 + 2 é igual a 4. Avaliação, significa dar valor, ou seja, ao avaliarmos algo, achamos seu valor. Ao avaliar, por exemplo, uma expressão aritmética, estamos a simplificando para um único valor numérico, em outras palavras, achamos o número o qual ela é igual. Veja o exemplo de uma expressão aritmética abaixo: 6 . 5 Agora, simplificaremos para um único número: 30 Após simplificarmos, poderemos fazer uma equação utilizando o sinal de igual- dade conectando assim a expressão e o número, conforme exemplo: 1 + 2 + 3 + 4 Ao avaliar a expressão acima a reduzimos ao número: 10. Feito isso, podemos agora realizar uma equação utilizando o sinal de igualdade para conectar a expressão ao número: 1 + 2 + 3 + 4 = 10 Dessa forma fica evidente que a equação é um dos conceitos mais importantes da matemática, uma vez que ela permite simplificar grande quantidade de infor- mações em apenas um único número. 82LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFLITA Você sabia que as operações devem seguir uma ordem na realização das qua- tro grandes expressões aritméticas? Pois é, essa ordem se trata de um conjunto de regras que garantirá que você siga a ordem correta na avaliação de uma expressão. São elas: 1. Parênteses, 2. Expoentes, 3. Multiplicação e divisão, 4. Adição e subtração. (ZEGARELLI, 2009). Fonte: Zegarelli, Mark. Matemática básica e pré- álgebra para leigos. Rio de Ja- neiro: Alta Books, 2009. • O uso das Variáveis em Expressões e Equações Algébricas. A expressão algébrica é qualquer série de símbolos matemáticos que pode ser colocada em um lado de uma equação e que inclui pelo menos uma variável, como consta no exemplo abaixo: 3x -3x + 2 O que diferencia uma expressão aritmética de uma algébrica é que na expres- são algébrica há sempre a inclusão de pelo menos uma variável. Todas as ve- zes que formos avaliar uma expressão algébrica, precisamos primeiro conhe- cer o valor numérico de todas as variáveis existentes nela. Para isso é preciso que cada variável seja substituída pelo número que representa, isto posto, é só avaliar a expressão. Saber avaliar expressões aritméticas é de grande valia na hora de realizarmos avaliações de expressões algébricas. Por exemplo, na seguinte avaliação: 8x 6. Perceba que nessa expressão a variável x é desconhecida, dessa forma, o valor todo da expressão é desconhecido, ou seja, para acharmos o valor da ex- pressão, primeiro precisamos descobrir o valor de x. Imaginamos então que nessa expressão x = 2. Nesse caso para avaliarmos a expressão devemos substituir o x por 2 em todos os lugares onde ele aparece. 8(2) – 6 83LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Após realizarmos a substituição, o que nos resta é uma expressão aritmética. Dessa forma para finalizarmos os cálculos e avaliarmos a expressão basta: = 16 – 6 = 10 Assim sendo: x = 2, a expressão algébrica 8x - 6 = 10. Outro exemplo de avaliação de expressão mais complexa onde o x = 4 4x² - 10x - 30 Primeiro devemos substituir o x por 4 em todos os lugares em que esta variável aparece na expressão. 4(4²) - 10(4) - 30 Nessa expressão devemos utilizara regra citada logo acima no reflita. Primeiro avalia as potências, ou seja, o expoente 4² que é igual a 4 . 4: = 4(16) – 10(4) – 30 Em seguida avaliamos a multiplicação, movendo da esquerda para a direita: = 64 – 10(4) – 30 = 64 – 40 – 30 Agora avaliaremos a subtração também da esquerda para a direita: = 24 – 30 = - 6 Assim sendo, com x = 4, a expressão algébrica 4x² - 10x - 30 = - 6 Uma expressão algébrica pode conter qualquer número de variáveis, entretanto é muito comum utilizarmos até 3 variáveis que podem ser compostas por letras diferentes, como x, y, z, que são as mais utilizadas. Quanto mais complexa for uma expressão algébrica, mais termos ela utilizará. Expressões Número de Termos Termos 7x um 7x 7x + 3 dois 7x e 3 x²y + z – xyz + 6 4 quatro x²y, + z, - xyz e 6 4 84LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Todas as vezes que o termo tiver uma variável ele levará o nome de termo al- gébrico, quando não tiver uma variável levará o nome de constante. x²y + z - xyz + 6 4 No exemplo acima, os três primeiros termospossuem variáveis, sendo então chamados de termos algébricos, enquanto que o último termo deve ser chama- do de constante, pois contém apenas número. Ao falamos em álgebra, resolver equações é o principal conceito dessa área do ensino da matemática. A equação algébrica inclui no mínimo uma variável, como o x por exemplo, que tem como função representar um número desco- nhecido. Resolver uma equação é descobrir esse número. Podemos dizer que uma variável (assim como o x por exemplo) se trata de um marcador para mostrar a posição de um número, que comumente vem depois do sinal de igualdade. Essas posições podem marcadas por um traço, ou até mesmo um ponto de interrogação, ou por um espaço em branco mesmo. 9 + 6 = 7 – 4 = ___ 13 – 7 = ? Nos problemas algébricos esses marcadores são substituídos pelas variáveis. 5 - 1= x 16 + 6 = x X - 14 = 7 Existem quatro maneiras de resolver as equações algébricas conforme Zega- relli (2009), são elas: “Examinando-as, chamando também de inspeção ou ape- nas observando o problema para obter a resposta. Rearrumando-as, usando as operações inversas se necessário. Adivinhando e verificando, ou aplicando a álgebra.” (p.317). É possível resolver problemas fáceis só examinando: 6 + x = 15 Nesse problema é fácil perceber que x = 9. Nesse caso só de examinar o pro- blema, a resposta já fica evidente e não é preciso de praticamente nenhum es- forço para conseguir resolvê-lo. 85LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Nesse outro exemplo, a resposta já não fica evidente como no exemplo ante- rior. 8x = 72 Nesse caso, para resolvermos esse problema, podemos utilizar as quatro gran- des operações: 8 . x = 72 Ainda podemos rearrumá-lo, utilizando para isso, operações inversas: 72 divido por 8 = x Assim sendo: x = 9 Também podemos resolver um problema tentando adivinhar ou verificar sua resposta. 4x + 8 = 20 Começaremos adivinhando que x = 2. 4(2) + 8 = 20 8 +8 = 16 < 20 Errado Dessa vez, tentaremos adivinhando que x = 3. 4(3) + 8 = 20 12 + 8 =20 Correto Ou seja, com apenas duas adivinhações conseguimos descobrir que o valor de x = 3. No caso de u problema mais complexo conforme o exemplo abaixo, utiliza-se a álgebra para resolvê-lo, uma vez que não basta não basta apenas examinar ou reorganizar os termos. 11x – 3 = 9x + 3 Por se tratar de uma equação complexa o uso de método confiável é funda- mental para obter a resposta correta. O método da balança, onde o equilíbrio é o centro da álgebra é muito utilizado para encontrar o valor de x nas equações, outros métodos como o de rearranjar a equação, isolando o x, o método de re- arranjar os termos de um lado da equação são comuns na resolução de equa- ções algébricas. SAIBA MAIS Para se aprofundar nos estudos sobre a aplicação da álgebra nas equações complexas, orientamos a leitura do livro Matemática básica e pré- álgebra para leigos - editora Alta Books do autor Mark Zegarelli. 86LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS CONSIDERAÇÕES FINAIS No que se refere aos conceitos de número na significação algébrica, a unidade III nos permitiu compreender um pouco da história da álgebra, a transformação que a mesma causou em algumas civilizações e como estas difundiram o estu- do sobre esse campo da matemática e que facilitaram uma leitura abastada no aprimoramento e desenvolvimento da álgebra. No tópico I, verificamos que a álgebra surgiu na Babilônia e Egito basicamente na mesma época e que os Papiros, documentos do Egito antigo que mostram os métodos matemáticos daquele período, revelaram que a álgebra babilônica era mais sofisticada que a egípcia. Também foi possível verificar que existem diversos papiros que foram escritos por diferentes civilizações e que revelam o quanto a álgebra contribuiu para o processo histórico da humanidade. Já no tópico II, foram apresentados alguns conceitos importantes para o de- senvolvimento do pensamento algébrico, e que esse pensamento envolve as generalizações que são formadas pela criança a partir das experiências que ela tem com os números e operações. Nossos estudos nos mostraram que o pen- samento e a linguagem são processos intrínsecos, em que a comunicação em sala de aula, por meio da instrução do professor é fator preponderante para o desenvolvimento do pensamento algébrico na criança. E para finalizarmos nossos estudos sobre os conceitos de número na signifi- cação algébrica, foram criados subtópicos que dividem o tópico II, onde foram apresentadas as noções e as características que envolvem o campo algébrico, com exemplos que poderão contribuir para a aplicação da álgebra em sala de aula. 87LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título. • Mark Zegarelli • Editora Alta Books • Pegue o jeito da matemática e pré-álgebra trabalhando com problemas re- ais. A matemática pode ser assustadora para qualquer um. Este livro de exercícios fornece as ferramentas que você precisa para compreender o bá- sico da matemática e pré-álgebra na prática! Da matemática básica como adicionar, subtrair, multiplicar e dividir os tópicos mais complexos como equações algébricas, números primos e números negativos, este livro mos- trará os prós e os contras da matemática para lhe deixar afiado em álgebra rapidinho! FILME • Matemática do Amor. • 2010. • Mona Gray vive no pequeno mundo de si mesma, salva e sozinha. Seu úni- co conforto está nos números. Mona não consegue parar de fazer contas: ela bate na madeira, soma seus passos e multiplica pessoas no parque. Quando começa a ensinar matemática para o segundo ano, sua vida come- ça a mudar e ela se depara com um novo mundo assustador e maravilhoso. https://www.youtube.com/watch?v=eWHUW0BtpNE 88LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFERÊNCIAS ARAGÃO, Maria José. História da Matemática. Rio de Janeiro: Interciência, 2009. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Educa- ção é a base. Brasília, DF: 2017. CAZORLA, Irene; et al. Estatística para os Anos Iniciais do Ensino Funda- mental. Brasília : Sociedade Brasileira de Educação Matemática - SBEM, 2017. DESCARTES, R. Discurso do método. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. EVES Howard. Introdução à história da matemática. Campinas, Editora Uni- camp, 2004. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010. HIEBERT, James et al. Making sense: Teaching and learning mathematics. Heinemann: Portsmouth, 1997. MASON, John. Making use of children’ powers to produce algebraic thinking. In KAPUT, J. J.; CARRAHER, D. W.; BLANTON, M. L. (Ed.). Algebra in the early grades. New York: Lawrence Erlbaum Associates; NCTM, 2007. p. 57-94. MESTRE, Célia Maria Martins Vitorino. O desenvolvimento do pensamento algébrico de alunos do 4.º ano de escolaridade: uma experiência de ensino. 2014. 379 p. Tese (Doutorado em Educação Didática da Matemática) - Instituto de Educação, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal. RADFORD, Luis. En torno a tres problemas de la generalización. In: RICO, L. et al. (Ed.). Investigación en Didáctica de la Matemática: homenaje a Encar- nación Castro. Granada, Espanha: Comares, 2013. p. 3-12. SCRIBE, Borja C. Papiro de Ahmes o Rhind, Museo Británico. 2015. Dispo- nível em: http://cienciamisterioymas.com/papiro-de-ahmes-o-rhind-museo-brita- nico/ SOUZA, J. D.; PARATO, P. Vontade de saber Matemática. 2. ed. São Paulo: FTD, 2012. 89LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS SQUALLI, Hassani. Une reconceptualisation du curriculum d’algèbre dans l’éducaction de base. Québec: Faculté des Sciences de l’Éduction. Université Laval, 2000. VAN DE WALLE, John. Matemática no ensino fundamental: formação de pro- fessores e aplicação em sala de aula. 6ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. Zegarelli, Mark. Matemática básica e pré- álgebra para leigos. Rio de Janei- ro: Alta Books, 2009. UNIDADE lV ATIVIDADES PEDAGÓGICAS Professora Esp. Paula Regina Dias de Oliveira 90 Plano de Estudo:• Princípios teórico-metodológico da atividade pedagógica no processo de apropriação de conceitos matemáticos • Características da atividade da criança. 91LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Objetivos de Aprendizagem: • Refletir sobre a constituição do sujeito, o papel da linguagem e da palavra no processo da formação de conceitos tomando por base os pressupostos da perspectiva histórico-cultural. • Refletir sobre processo de ensino e os princípios teórico-metodológicos da atividade pedagógica tendo como base a atividade de ensino (AOE). • Conhecer alguns exemplos de atividades aplicadas a matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, bem como as habilidades que podem ser desenvolvidas no aluno por meio delas. 92LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS INTRODUÇÃO Caro aluno, nesta unidade você fará o estudo de um assunto que, em nosso entendimento é fundamental para a compreensão do processo de aquisição dos conceitos matemáticos, a atividade pedagógica. Sabemos que a atividade pedagógica, influencia diretamente na aprendizagem do aluno. Diante disso, faremos uma breve reflexão sobre esse assunto com o intuito de estabelecer uma relação entre a elaboração da atividade pedagógica e as ações de ensino e aprendizagem, porém sem deixar de lado a atuação do professor no que se refere a teoria e a prática do ensino que deve ser fun- damentada com foco na humanização, em que os conhecimentos obtidos no contexto escolar são considerados no processo de ensino, os meios de atua- ção são organizados de maneira objetiva de acordo com a finalidade proposta, e que é consciente, atuando de maneira em que se vivencie de forma prática a construção do objeto da atividade de ensino. Primeiramente abordaremos no tópico I, a maneira como se dá a constituição do sujeito, o papel da linguagem e da palavra no processo da formação de conceitos, numa perspectiva histórico-cultural, refletiremos ainda sobre como a criança forma o seu vocabulário, e quais são os processos que envolvem essa fase do desenvolvimento, bem como a importância educação consciente por parte da escola. Em seguida faremos uma síntese sobre o uso da ativida- de orientadora de ensino como princípio teórico-metodológico no processo de apropriação dos conceitos e nas ações de ensino que envolvem esse proces- so, como um modelo particular de prática pedagógica que tem como objetivo promover a transformação do sujeito, sejam eles singulares ou grupos sociais. No tópico II, trataremos das características da atividade da criança e apresen- taremos exemplos de atividades de ensino que podem ser desenvolvidas em sala de aula nos anos iniciais do ensino fundamental e que podem auxiliar o professor no que se refere as habilidades que precisam ser desenvolvidas pe- los alunos mediante a apropriação dos conceitos matemáticos, pois sabemos da importância dessas habilidades no desenvolvimento não só de conceitos matemáticos, mais também na formação social e cultural da criança. 93LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1. PRINCÍPIOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA ATIVIDADE PEDAGÓ- GICA NO PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DE CONCEITOS MATEMÁTICOS 1.1Como é concebida a constituição do sujeito, o papel da linguagem e da palavra no processo da formação de conceitos, numa perspectiva históri- co-cultural Na perspectiva histórico-cultural, o indivíduo é concebido em meio a aspectos históricos e sociais, onde suas raízes são marcadas pela sociedade em que está inserido, o qual seus hábitos, a cultura, os valores e as visões que se cria e se possui de mundo se dão por meio das relações que este estabelece com seus pares e com os outros. A estes comportamentos, Lúria (1979) dá o nome de atividade consciente, uma vez são eles que diferenciam os homens e os animais. Para o autor essas diferenças podem ser sintetizadas em três formas diferentes, a essas formas o autor denomina traços. No primeiro traço o autor declara que a atividade consciente do homem está ligada tanto aos motivos biológicos, quanto as relações histórico-culturais, que são as responsáveis por incentivar a aquisição de novos conhecimentos, por meio das necessidades superiores ou intelectuais. O segundo traço envolve um conhecimento mais aprofundado, conforme o exemplo citado por Lúria (1979), “[...] o homem, sabendo que a água de um poço está envenenada, ele nunca irá bebê-la mesmo estando com muita sede. (p. 72)”. Ou seja, nesse traço a atividade consciente do homem não permite que muitas vezes ele tome uma decisão, ou tenha uma orientação imediata a uma determinada situação exterior, mas que tenha a possibilidade de refletir antes de tomar uma decisão ou agir sobre uma situação. Já o terceiro traço está relacionado as habilidades e conhecimentos que o ho- mem constrói por meio das experiências vividas, historicamente constituídas pela humanidade, e que são passadas por meio da aprendizagem de geração em geração sendo então responsáveis pela mudança estrutural do comporta- mento humano. Segundo Lúria (1979), “junto com os motivos biológicos do comportamento, surgem os motivos superiores (“intelectuais”) e necessidades, concomitantes com o comportamento que depende da percepção imediata do meio”. (p. 75). Isto posto, a perspectiva histórico-cultural deixa evidente que a gênese do com- portamento do homem está relacionada ao uso de instrumentos que o auxiliem na realização do seu trabalho e no surgimento da linguagem, que se dão não somente pelos aspectos biológicos mais que abrangem também algumas ativi- dades conscientes do homem. 94LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS A formação da atividade consciente de estrutura complexa do homem se dá por meio do surgimento da linguagem, sendo essa a segunda condição para esse processo. (LÚRIA 1979). É pela linguagem que o homem comunica suas vivências, bem como assimila experiências acumuladas pelas gerações anteriores, que para se comunicar no trabalho conjunto, tiveram que se desenvolver. 1.1.1 Compreendendo a linguagem A linguagem, de acordo com a perspectiva histórico-cultural tem como função formar e reorganizar a atividade consciente do homem, possibilitando a ele a discriminação e a conservação de objetos em sua memória, além promover a capacidade de abstração de um objeto e sua relação com determinadas ca- tegorias, ou seja, a linguagem se torna o veículo de pensamento mais impor- tante, por assegurar a transição do sensorial ao racional na representação de mundo, deixando de ser algo baseado no senso comum e passando a ser um conhecimento sistematizado, científico. Destacando que a foi a transmissão das informações formadas historicamente que possibilitaram ao homem a apro- priação de objetivos humanos construídos no decorrer da história social da hu- manidade. (LÚRIA, 1979). Para o autor, a linguagem compreende todos os campos da atividade cons- ciente do homem, ela permite rememorar fatos que já ocorreram, torna mais profunda a percepção humana, principalmente por possibilitar a classificação de objetos de acordo com categorias ou grupos em graus de abstração que são progressivos. Ela ainda permite que o homem relembre fatos anteriormen- te acontecidos e acrescente novas informações a ele por meio das alterações sofridas nos processos de atenção e memória do homem. A linguagem se torna uma atividade mnemônica consciente, onde o homem tem por finalidade lem- brar, quando está apoiada nos processos de discurso. Ela também pode permi- tir o desenvolvimento da imaginação. (LÚRIA, 1979). Corroborando com nossos estudos, sobre o uso da linguagem, Lúria (1967) nos diz que, “o pensamento verbal ou lógico verbal [...] serve de base à assi- milação e ao emprego dos conhecimentos e se constitui no meio fundamental da complexa atividade cognitiva do homem” (p. 17). O pensamento verbal faz com que o homem saia da percepção sensorial e passe para as formas de pen- samento mais complexas. 95LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 1.1.2 Compreendendoo uso da palavra Nesse processo, onde a humanidade passa por constante transformação, o uso da palavra é imprescindível pois, “[...] permite ao homem evocar arbitraria- mente as imagens dos objetos correspondentes, operar com objetos inclusive quando estes estão ausentes” (LÚRIA, 1967, p. 18), além de ser a unidade fun- damental da língua que é definida como representação material e significado, o que, de acordo com o autor, permite que o homem imagine os objetos, sem mesmo vê-los, dentro da função representativa da palavra. Primeiro, porque ela é “a unidade fundamental da língua” e possui uma estrutura complexa definida pelos termos “representação material e significado” (LÚRIA, 1967, p. 18). O termo representação material, ou função representativa da palavra, segundo o autor mencionado acima, permite ao ser humano imaginar os objetos mesmo estando ausentes, fora do seu campo de visão. Já o termo significado, permite ao homem fazer a análise dos objetos e em seguida os relacionar com uma de- terminada categoria. Esse é um processo que envolve abstração e generaliza- ção, que são as ligações e relações encobertas pelo mundo exterior, por exem- plo, quando provamos uma sopa de feijão, ou um café e seu sabor nos traz a memória a nossa infância no sítio, ou na casa dos nossos avós. Neste sentido, “cada palavra, inclusive a concreta, não representa sempre um objeto único, mas toda uma categoria de objetos e, nas pessoas que a usam, pode suscitar quaisquer imagens individuais, mas apenas imagens pertencen- tes a essa categoria” (LÚRIA, 1967, p. 21). Uma mesma palavra pode ter diversos significados, em um determinado con- texto ela adquire um significado específico, isso vai depender da forma com que ela foi empregada, da sua entonação e da tarefa concreta atribuída a ela. (LÚRIA, 1967). A medida que a criança vai se desenvolvendo, ela vai evoluindo na palavra, a assimilação acontece de maneira progressiva por meio das palavras que ela ouve no seu cotidiano em diversas situações e relações sociais. A criança começa a ter domínio do vocabulário no final do primeiro ano de vida. Inicialmente ela tenta reproduzir pedaços de palavras faladas pelos adultos que estão a sua volta. Todavia, mesmo tentando reproduzir tais palavras e se co- municar por meio delas o significado da palavra para a criança não é o mesmo que para o adulto, para a criança, nas primeiras etapas, a palavra engloba uma situação que envolve diversas influências extra discurso. (LÚRIA, 1967). Aos dois anos de idade a criança começa a identificar traços do objeto, mas sem uma referência clara do mesmo, ela começa a dar significado aos traços, porém não ao objeto em si, por exemplo, quando vê um cachorro, ela aponta 96LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS e fala au-au pelo fato de reconhecer traços do seu latido. A referência material nítida é um produto do desenvolvimento da criança e não se manifesta nas eta- pas mais tenras. Somente ao final dos dois anos é que o vocabulário da criança começa aos poucos a aumentar devido a necessidade que ela tem de dar significado aos objetos e ações. É entre os três a quatro anos que ela começa a construir ou- tras palavras, respeitando seus traços. Nessa fase ela já se interessa em criar palavras próprias, mas sem perder o significado concreto da mesma e tendo ní- tida a referência material, por exemplo, “echiverante” ao invés de “refrigerante”. Entre os quatro e cinco anos a criança já precisa ter a referência material da palavra e o seu significado concreto, uma vez que essa habilidade é fundamen- tal no processo de assimilação nessa faixa etária. Conforme Lúria, (1967), ao perguntar a uma criança: “Esta aqui é uma menina, e você quem é? A criança responde eu sou Marina” (p.34). Ao responder, ‘eu sou Marina”, fica claro que ela ainda não incluiu o nome “Marina” a categoria de “meninas”, essa é uma característica das crianças entre cinco e seis anos, o qual elas ainda se fixam no significado concreto das palavras. Após esse período a criança dá início a um processo mais complexo do desen- volvimento intelectual e da estrutura semântica da palavra, superando dessa forma a assimilação da referência material que mais se aproxima da palavra. (LÚRIA, 1967). 1.1.3 A assimilação das palavras na formação de conceitos matemáticos A criança ao assimilar o significado generalizado de uma palavra e conseguir perceber suas categorias, está formando um conceito. Esse primeiro momento onde o conceito ainda acontece de forma genérica, pode parecer fraco, porém quando a criança começa a estabelecer relações, esse conceito passa a ser tão importante quanto a representação do objeto em si (LÚRIA, 1967). É, então, a partir daí que, [...] ao mencionar determinada palavra, o homem não apenas reproduz certo conceito direto, mas suscita praticamente todo um sistema de ligações que vão muito além dos limites de uma situação imediata- mente perceptível e têm caráter de matriz complexa de significados, situados num sistema lógico (LÚRIA, 1967, p. 36). Vygotsky (1989), define um conceito como sendo “[...] um ato real e complexo de pensamento que não pode ser ensinado por meio de treinamento” (p. 31). Para o autor, em qualquer idade ao aprender uma nova palavra que expres- se um conceito, a criança primeiramente fará a generalização da mesma, de maneira primitiva ainda, e a medida que for desenvolvendo o seu intelecto, es- sas generalizações serão substituídas por outras mais complexas e elevadas 97LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS até conseguir formar os conceitos corretos. São processos que não são com- preendidos logo de início, mas que demandam o desenvolvimento de diversas funções do intelecto. Neste sentido, “a palavra que forma o conceito pode ser considerada, com todo fundamento, o mais importante mecanismo que serve de base ao movimento do pensamento” (LÚRIA, 1967, p. 36). Os conceitos, podem ser classificados em espontâneos e não espontâneos, sendo os conceitos não espontâneos conhecidos como científicos e sistemati- zados. (VYGOTSKY, 1989) Os conceitos assimilados pela criança na escola permitem que ela aprenda por meio de situações problemas pelo qual muitas vezes nunca experimentou, como por exemplo, estudar sobre as cheias do pantanal, sem nunca sequer ter estado lá. Diante disso, é importante que haja uma educação consciente por parte da es- cola, uma vez que os conceitos espontâneos da criança, que ela já traz consigo desde os seu nascimento até a fase escolar se transformam em conceitos cien- tíficos ou sistematizados a partir da atividade pedagógica de ensino e da práti- ca pedagógica do professor em sala de aula. Toda situação de aprendizagem vivenciada pela criança na escola, tem por traz dela uma experiência prévia, em que seu aprendizado espontâneo, fora da escola é nitidamente diferente da aprendizagem escolar, que está voltada para a assimilação e apropriação de fundamentos que são as bases do conhecimento científico. (VYGOTSKY, 2007). Assim sendo, o conhecimento sistematizado, deve acrescentar novos conheci- mentos conceituais a criança, bem como contribuir para o seu desenvolvimen- to, isso se dá pela relação social entre o professor e a criança, numa relação de ensino, onde fica claro para o adulto, enquanto professor que vai mediar a sistematização do conhecimento pela criança, possibilitar e facilitar a ela o acesso a tais conceitos, instigando nela diferentes formas de raciocínio e cons- trução de significados. Da mesma forma, a criança em seu papel de aluno, dentro dessa relação ca- berá diante da mediação do professor, assimilar tais conceitos e realizar as ati- vidades propostas a partir das orientações do professor, ou seja, esse é um processo de construção coletiva de interações verbais entre aluno e professor, em uma atividade humana consciente, onde as ações estão cheio de sentido. Isto posto, vemos que para que a criança aprenda a matemática, ela precisa ter um motivoque deverá ser produzido pelo professor, uma vez que não é somente ensinar um conteúdo, mas também uma forma de aprender que en- volve uma metodologia que é peculiar ao saber pedagógico, em que o objeto de conhecimento que será ensinado deve ser visto de maneira que englobe 98LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS toda uma dimensão histórica, desde os instrumentos que serão utilizados para a solução dos problemas expostos, até os significados que serão produzidos. Para isso o professor deverá proporcionar a criança vivenciar situações proble- mas que permitirão ir do conceito espontâneo para o conceito sistematizado ou científico. Dessa forma, fica evidente que o conhecimento é produzido por meio de apren- dizagens sistemáticas, e metodologias adequadas, mas que dependem das competências adquiridas pelo indivíduo em seu processo de aprendizagem es- pontâneo, ou seja, é como ter um carro e saber qual a sua utilidade, mas não saber dirigir. Essa forma de aprendizagem quando aplicada ao ensino de um conceito matemática, como já mencionado anteriormente produzirá significados que quando assimilados gradualmente pela criança e permitirão que ela se de- senvolva enquanto indivíduo tendo formado não só os conceitos matemáticos, mas também terá se desenvolvido social e culturalmente. 1.2 A atividade orientadora de ensino como princípio teórico-metodológi- co no processo de apropriação dos conceitos e nas ações de ensino que envolvem esse processo. Em termos pedagógicos, a Atividade Orientadora de Ensino (AOE) constitui um tipo particular de atividade de ensino e na organização do mesmo, em que o conhecimento teórico é o seu principal conteúdo e a transformação do indiví- duo no movimento de apropriação desses conhecimentos é o seu objetivo. Por isso, todas as vezes que pensarmos sobre a atividade de ensino, precisamos nos dirigir a um sistema de atividade, uma vez que uma está relacionada a ou- tra. A AOE é uma unidade de formação tanto do professor quanto do estudante, uma vez que, quando o professor organiza um processo de ensino, ele está se qualificando. (MOURA, 2001). A atividade orientadora de ensino tem uma necessidade: ensi- nar; tem ações: define o modo ou procedimentos de como co- locar os conhecimentos em jogo no espaço educativo; e elege instrumentos auxiliares de ensino: os recursos metodológicos adequados a cada objetivo e ação (livro, giz, computador, ába- co, etc.). E, por fim, os processos de análise e síntese, ao lon- go da atividade, são momentos de avaliação permanente para quem ensina e aprende. (MOURA, 2001, p. 155) As atividades de ensino quando são orientadas pelos princípios da AOE, se caracterizam por serem intencionais, o que exige grande responsabilidade por parte dos seus organizadores, tendo em vista que enquanto base teórico-meto- dológica para a organização do ensino se constitui pala atividade que o profes- 99LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS sor elabora e a atividade de aprendizagem que o aluno realiza. Ainda de acordo com os princípios que norteiam a AOE, quando há uma co- municação entre professor e aluno e entre alunos e alunos, e por meio dessa comunicação se estabelece a relação ensino e aprendizagem, em que é consi- derada a cultura social, os alunos conseguem interiorizar essa cultura. Tal pro- cesso acontece, porque há uma transformação da atividade coletiva, da expe- riência social de cada envolvido, em uma atividade individual de cada aluno e que é possível por da comunicação em sala de aula. Diante disso, é preciso que os professores fiquem atentos quanto a elaboração e, principalmente quanto ao desenvolvimento das atividades que serão propos- tas em sala de aula, pois é claro que existe diferença entre uma atividade ge- nérica e uma atividade intencional, com um objetivo. A atividade intencional tem um foco, um objetivo, que é a mudança que ela produzirá no aluno, ou seja, produzir novos conhecimentos, não só sistematizados, mas também sociais e culturais, a fim de tornar o aluno alguém motivado a aprender. De acordo com a perspectiva histórico-cultural, é preciso que o professor tenha plena consciência do seu papel na hora de organizar o ensino, possibilitando por meio deste ao aluno desenvolver seu pensamento teórico. Além disso, o professor deve refletir quanto a sua responsabilidade frente a sala, em relação a sua prática pedagógica, as atividades propostas, a forma com que são apre- sentadas, pois muitas vezes tanto o professor quanto o aluno não compreen- dem que os conceitos matemáticos são produzidos mediante a atividade hu- mana em movimento. Vygotsky (1989) nos esclarece que “a internalização de formas culturais de comportamento envolve a reconstrução da atividade psico- lógica, tendo como base as operações com signos” (p. 65). Em uma aprendizagem significativa, a atividade de ensino proposta deve incitar a aprendizagem, que se dá por meio dos objetivos da atividade de ensino e da situação que provocou a aprendizagem. Esses objetivos precisam contemplar a solução para a situação, bem como a gênese do conceito. Para que isso de fato aconteça, é preciso que a situação envolva um problema de aprendiza- gem, em que o aluno vai se apropriar de uma ação que se tornará como base para orientá-lo nas ações e situações ao seu redor, e não um problema prático, que busca um fim em si mesmo. Como exemplo, apresentamos uma situação de aprendizagem em que a ques- tão a ser resolvida é envolve a ação de juntar: Pedimos que um grupo de crianças separe 7 lápis vermelhos e outro grupo que separe 5 lápis verdes e que em seguida coloquem todos os lápis dentro de uma mesma caixa. Após, fizemos a seguinte pergunta, quantos lápis têm ao todo? 100LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS As crianças menores, os quais ainda não foram apresentados o conceito de adição, certamente, farão a contagem da quantidade total de lápis, enquanto que os maiores que já foram trabalhados os conceitos de adição, poderão fazer o calculo mentalmente e apresentar a quantidade de lápis sem que tenham que fazer a contagem da quantidade total de lápis. Corroborando com nossos estudos, Moretti; Souza (2015), dizem que a ação de acrescentar envolve apenas um conjunto em que se inseriu mais elementos. Estas ações acontecem, principalmente, em situações que envolvem jogos, quando, por exemplo, a criança já possui uma quantidade determinada de pon- tos em uma rodada e, na próxima rodada, ganha mais pontos. No ensino de Matemática, também deve-se considerar atividades que promo- vam o processo de produção de determinado conceito, conforme declara Mo- retti (2007), Em particular para o ensino de Matemática, é fundamental que a história do conceito permeie a organização das ações do pro- fessor de modo que esse possa propor aos seus estudantes problemas desencadeadores que embutam em si a essência do conceito. Isso implica que a história da Matemática que en- volve o problema desencadeador não é a história factual, mas sim aquela que está impregnada no conceito ao se considerar que esse conceito objetiva uma necessidade humana colocada historicamente. (p. 98) A ideia da autora deixa claro que nessa perspectiva, o professor e o aluno po- derão compreender a matemática como uma produção humana e não somente cálculos. As situações desencadeadoras de aprendizagem devem ser questionadas e discutidas de forma coletiva, com o objetivo de transformar as necessidades individuais em coletivas. Esse processo ocorre quando o professor permite aos alunos vivenciar situações que vão exigir que as ações sejam compartilhadas para a resolução de uma situação-problema que surge em certo contexto. Nes- te contexto as ações compartilhadas passam a coordenar as ações individuais na situação-problema, em que identifica as características do objeto a fim de transforma-lo e criar resultados comuns a todos. Partindo desse pressuposto, verifica-se que as atividades de ensino se tor- nam em produção de conhecimento,em que as situações desencadeadoras de aprendizagem podem ser manifestadas por meio de recursos metodológicos di- versos. 101LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Autores como Moura (1996), têm nos jogos um importante aliado do professor no processo de ensino, pois o mesmo preserva o caráter do problema, e a pos- sibilidade que ele oferece de colocar a criança diante de uma situação-proble- ma o qual irá lidar com conceitos matemáticos, e que são semelhantes as suas vivências. Para esses autores as situações que emergem do cotidiano dão a criança a oportunidade de vivenciar a solução de problemas que sejam signifi- cativos para ela. Outro aliado do professor no processo de ensino da matemáti- ca se refere a história virtual do conceito, esta coloca a criança de frente a uma situação-problema em que a criança terá que controlar quantidades discretas e contínuas, em que as situações-problemas são semelhantes a vivenciada pelo homem. Sendo assim, fica claro que a situação desencadeadora da aprendizagem tem como objetivo provocar no aluno a apropriação de determinado conceito, des- sa forma o professor deve ter em mente que o problema apresentado a crian- ça deve proporcionar o envolvimento dela no processo de busca e solução do mesmo de modo que suas ações sejam movidas de forma intencional, ou seja com foco na apropriação de conhecimentos para que o aluno vivencie a ativida- de de aprendizagem. (MOURA, 1996) Outro fator importante no processo de apropriação dos conhecimentos se re- fere a mediação pedagógica do professor, que deve ser um ato consciente e intencional, com o objetivo de promover o conhecimento por meio da interação, em que ações sejam compartilhadas na elaboração dos conceitos. Entretanto, para que haja essa mediação e que ela ocorra de maneira satisfa- tória, o professor deve colocar em prática a sua experiência, os recursos e ma- teriais disponíveis, tendo como apoio e referência o conteúdo a ser ensinado, bem como atividades escolhidas deverão visar o ensino do conteúdo específi- co e que permitam que o aluno se aproprie do conhecimento sistematizado. Lembrando que os enunciados das atividades propostas pelo professor devem ser claros, objetivos, permitindo a compreensão por parte do aluno. Compre- ender um enunciado, significa, orientar-se por meio dele, encontrando seu lu- gar ideal no contexto, e para que isso ocorra, as concepções formadas pelo aluno precisam estar inter-relacionadas a essas compreensões. O sentido e o significado estão ligados comunicação verbal, que é a responsável por fazer a ligação entre uma enunciação e outra, conforme estudamos na unidade I desse livro. Para concluirmos nossos estudos sobre os princípios teórico-metodológicos da atividade pedagógica no processo de apropriação dos conceitos matemáticos, devemos relembrar que as atividades que desafiam a criança que lhe propor- cionam um sentido e significado, bem como a apropriação dos conhecimentos por meio da mediação pedagógica em que há o compartilhamento das ações 102LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS são fundamentais para o desenvolvimento da criança no que se refere a aten- ção, realização das atividades, além do seu desenvolvimento social e cultural. SAIBA MAIS Para se aprofundar nos conhecimentos sobre AOE, indicamos a leitura da obra de Manoel Oriosvaldo de Moura, A atividade de ensino como unidade forma- dora, da editora Bolema, bem como o capítulo 3: A atividade de ensino como ação formadora que se encontra na obra Ensinar a ensinar: didática para a es- cola, das autoras Amélia Domingues de Castro e Anna Maria Pessoa de Car- valho da editora Pioneira. 2. CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE DA CRIANÇA Nas unidades dois e três deste livro aprendemos alguns conceitos aritméticos, algébricos e estatísticos que são importantes para a futura prática docente. Neste tópico apresentaremos algumas características das atividades matemáti- cas que podem ser trabalhadas em aula nos dois ciclos que compõem o ensino da matemática no ensino fundamental, e que podem avaliar as habilidades que a criança pode desenvolver por meio delas. Tais exemplos tiveram como base a Provinha Brasil, bem como o Caderno de atividades matemáticas do SEED-Pr, e Nova Escola - Planos de aula para ma- temática, e, poderão contribuir para as ações que serão desenvolvidas em sala de aula, no que se refere ao entendimento de como os conteúdos são apresen- tados nas questões aplicadas. Os exemplos de atividades abaixo têm como objetivo: • Fazer com que a criança reconheça as características do nosso sistema numérico, no que diz respeito aos agrupamentos e valor posicio- nal. • Calcular o resultado de números naturais, por meio das quatro grandes operações (adição, subtração, multiplicação e divisão). • Resolver o problema com números naturais, envolvendo diferen- tes significados das quatro operações. • Desenvolva habilidades como agrupamentos de 10 em 10 (unida- des, dezenas, centenas), além de realizar cálculos com números natu- rais que envolvam as quatro operações. • Se aproprie de conceitos de regularidade. 103LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Um grande aliado do professor no desenvolvimento desses conceitos e habili- dades é incluir em seu plano de aula conteúdos que envolvam a história da ma- temática, bem como se deu a criação do nosso sistema numérico, a fim de for- mar não só o conceito aritmético, mais refletir sobre a necessidade do homem no decorrer do seu processo histórico de efetuar cálculos mais complexos, até chegar ao sistema numérico atual. Incentivar os alunos na exposição de estra- tégias, levantamento de hipóteses, lançar desafios que levem o aluno a apre- sentar os resultados obtidos em atividades que envolvam situações-problemas, bem como o uso de atividades lúdicas poderão contribuir de forma significativa para apropriação de tais conceitos por parte do aluno. Atividades de decomposição: 1. Em uma concessionária que vende carros novos e seminovos, o número de carros é formado por três milhares, mais quatro centenas, mais oito dezenas e mais 1 unidade que são iguais a: a) 3481 b) 3841. c) 3148. d) 1834. 2. Observe o numeral 321289, sua decomposição é: a) 321+289 unidades b) 30 000+21 000+200+80+9 c) 3000+210+80+9 d) 300 000+20 000+1 000+200+80+9 Situações - problemas 1. Gael e seu amigo Leandro fazem coleção de bolinhas de gude. Gael possui 24 bolinhas e Leandro possui o triplo dessa quantia. Quantas bolinhas de gude possui na coleção de Leandro? a) 29 bolinhas de gude. b) 45 bolinhas de gude. c) 64 bolinhas de gude. d) 72 bolinhas de gude. 104LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS 2. Andressa guardou 99 Cd’s em uma estante, distribuídos igualmente em 3 prateleiras. Quantos Cd’s Andressa colocou em cada prateleira? A) 37 B) 33 C) 30 D) 25 3. Em um determinado dia, a caminho da escola, Rafael comprou um estojo de lápis que custou 9 reais e um saquinho de pipoca no valor de 3 reais. Qual foi a quantia total que Rafael gastou nesse dia a caminho da escola? A) 6 reais. B) 9 reais. C) 12 reais. D) 27 reais. O exemplo acima avalia a habilidade de os estudantes resolverem problemas do cotidiano envolvendo adição de pequenas quantias em dinheiro. (Fonte: Caderno de Atividades - Matemática - SEED - PR p. 37) REFLITA A modelagem matemática na resolução de situações problemas. Você sabia que a modelagem matemática procura estimular um determinado modelo de conceito que gere uma rede de construção mental? A modelagem matemática é um ambiente de aprendizagem que convida o alu- no a investigar, levantar hipóteses sobre situações-problemas do dia a dia por meio da matemática. Esse não é um conceito novo, mais antes utilizados pelos educadores como metodologias aplicadas a diversas áreas do conhecimento. E hoje, com a quebra de paradigmas e o surgimento de novas tendências pe- dagógicas, o professor ao construir os conceitos de modelagem matemática, permitirá aoaluno desenvolver habilidades de análise, formulação de hipóte- ses, validação e organização lógica para a dedução de conceitos, resolução de problemas, interação com os colegas de sala e com a realidade. Tais estímulos criativos que podem ser gerados a partir de uma aplicação bem-feita da mode- lagem matemática. (MUNHOZ 2013, p 182-184) 105LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Números decimais 1. Na reta numérica abaixo, o ponto identificado pela seta representa qual nú- mero decimal? a) 0,4 b) 0,45 c) 4,5 d) 5,5 (Fonte: Caderno de Atividades - Matemática - SEED - Pr p. 37) Noções de Regularidade. As noções de regularidades podem ser trabalhadas em sala de aula em forma de sequências repetitivas, com o objetivo de identificar elementos ausentes. No exemplo de atividade abaixo, o aluno deve identificar o cachorro que está invertido verticalmente, pois o padrão pode ser guiado pelos elementos 1 e 2 se repetindo, destacando que o cachorro está em desacordo com a sequência da figura. 1- Observe a sequência e descubra qual elemento está em desacordo com o padrão: Para estimular ao aluno, o professor pode fazer algumas intervenções, relem- brar com eles os termos matemáticos mais utilizados na explanação dos exer- cícios, como: padrão, sequência e regularidade, levando o aluno a responder as perguntas feitas na intervenção. Essa atividade pode ser trabalhada no 1º e 2º ano do ensino fundamental e o tradicional papel pode ser substituído por jogos pedagógicos de sequência lógica. (Fonte: Associação Nova Escola, 2017) 106LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Tabela numérica Objetivos - Identificar números até 100. - Ler, escrever e comparar números em diferentes contextos de uso. Conteúdos - Ordem de grandeza e regularidade do sistema de numeração. - Leitura e escrita numérica. Indicação: 1º e 2º ano Tempo estimado: Em todos os bimestres/trimestres do ano. Material necessário - Um cartaz como o modelo abaixo, que vá até 100, deve ser afixado para servir de “dicionário” e ser consultado. - Faça algarismos simples, sem desenhos e bem separados. - Providencie uma cópia menor para cada aluno e objetos com sequência numérica (fita métrica, calendário ou vo- lantes da Mega Sena). - As primeiras tabelas devem começar com 1 e não com 0, pois muitos alunos se apoiam na contagem para encontrar as escritas que não conhecem. - Organize a série de 10 em 10 para a identificação das regularidades. Desenvolvimento: 1ª etapa: Proponha ao longo do ano atividades envolvendo ordenação de nú- meros escritos de diferentes grandezas. Peça, por exemplo, que os pequenos pesquisem em casa a idade de seus familiares e depois, em sala de aula, or- denem os números coletados na família para determinar quem tem o pai mais velho e o mais novo. Aos alunos que ainda fazem a escrita invertida, mostre a sequência na parede ou na fita métrica, no calendário etc. Apenas corrigir ou fazê-los copiar várias vezes não resolve o problema. 2ª etapa: Organize uma série de fotos de uma mesma região, mas de diferen- tes épocas, e anote no verso a data em que foram tiradas. A turma terá de des- cobrir qual é a mais antiga e a mais recente. 3ª etapa: Outras atividades de or- denação podem ser elencadas. Leve os alunos para dar uma volta e peça que anotem a numeração dos prédios de um trecho da rua. Na classe, proponha que comparem os números, verificando o que muda de um para o outro e se há regularidade. Avaliação Promova variadas situações em que os pequenos terão que ler, comparar e registrar números. (Fonte: Pedagogia ao pé da letra. Disponível em: pedagogiaaopedaletra.com/ jogos-matematicos-bingo-das-operacoes-a-partir-de-materiais-recicaveis). 107LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Atividades Lúdicas Bingo das operações Objetivo: Esta atividade permite aos alunos trabalharem diretamente com as quatro ope- rações matemáticas, além de despertar o interesse dos educandos por meio de jogos matemáticos construídos a partir de materiais recicláveis. Para isso juntamente com o professor, os alunos irão confeccionar o próprio Bin- go a partir de recicláveis que podem ser trazidos de cada pelos alunos. Materiais para a confecção do bingo: Caixas de cereais ou papelão para confecção das cartelas; 60 Tampas de garra- fas PET (média), 02 garrafas PET, 01 caixa de sapato, Jornal, régua, canetinhas, fita adesiva, grão para a marcação das cartelas. Número de participantes: acima de 2 jogadores. Faixa etária: A partir de 7 anos Confecção do bingo: 1. Cortar retângulos com as caixas de papelão (16 x 14 cm) e depois dividir cada cartela em 9 quadros para em seguida ser colocada em cada quadro uma ope- ração matemática 2. Para fazer o sorteio deve ser colocado no verso de cada tampinha de garrafa PET um número que corresponda a um resultado das operações matemáticas presentes na cartela. 3. Os resultados ficarão dentro de um recipiente feito de garrafa PET para o sor- teio. Para confecção desse recipiente deve-se cortar as garrafas PET e uni-las pelo gargalo e em uma delas produzir uma alavanca de jornal e fita adesiva para misturar as tampas. O suporte que ficará a roda do bingo será feito de caixa de sapato. Como jogar: As cartelas serão distribuídas aos jogadores e será dado um tempo de cinco minutos para a resolução das operações presentes nela. Para dar início à partida, todos os participantes devem estar atentos aos números cantados e aos resultados de suas cartelas. Vencedor: Vencerá o jogador que completar a sua cartela primeiro. 108LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS (Fonte: Pedagogia ao pé da letra. Disponível em: pedagogiaaopedaletra.com/jogos- -matematicos-bingo-das-operacoes-a-partir-de-materiais-recicaveis) SAIBA MAIS Para conhecer mais atividades lúdicas para a educação matemática, indicamos a leitura da obra da autora Elizabeth Nascimento Silva, Recreação com jogos da matemática, da editora Sprint. Esse livro apresenta diversos jogos e brincadei- ras dando uma característica transversal à educação, relacionando o aprendi- zado da matemática com o das valências psicomotoras. O jogo é grande aliado e facilitador da aprendizagem e na resolução de proble- mas desta forma os objetivos propostos pelo professor precisam ser claros, ou seja, que haja uma intenção e não um fim em si mesmo para que a aprendiza- gem seja realmente significativa para o aluno. No 1º ano do ensino fundamental, os alunos já se apropriaram de alguns con- ceitos que envolvem relações de ordem numérica. Por isso é interessante co- meçar as atividades utilizando os números que estão presentes no dia a dia da criança como por exemplo, número da casa, os números da fita métrica. Neste sentido, propor atividades, jogos e brincadeiras que envolvam agrupa- mentos, quantidades, estabeleçam noções de regularidade são fundamentais nessa etapa da aprendizagem. Nesta fase as crianças se utilizam de estraté- gias diversificadas para ajudar na resolução de problemas, daí cabe ao profes- sor oportunizar discussões em que eles possam expor suas vivências, hipóte- ses e confrontá-las com os colegas de sala. O uso da linguagem oral e escrita também são importantes nessa fase para que as crianças consigam cada vez produzir numerais maiores e interpreta-los, ou seja, quanto maior o número de algarismos, maior será o valor numérico. Para finalizarmos nossos estudos sobre as características da atividade da criança é importante ressaltarmos que as sugestões de atividades aqui propos- tas podem ser aplicadas ao primeiro e segundo ciclos do ensino fundamental. Entretanto, o professor deverá aumentar o nível de complexidade das ativida- des de acordo com o desenvolvimento e apropriação dos conceitos pelos alu- nos. As noções de ordem, comparação, escrita e interpretação de números são habilidades em que sua complexibilidade são desenvolvidas pelos alunos no decorrer do ensino fundamental e, portanto, devem ser trabalhadas desdeos anos iniciais. 109LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFLITA “Para que haja uma boa utilização dos encaminhamentos metodológicos na re- alização de jogos e brincadeiras, algumas recomendações são indicadas para que eles sejam utilizados de forma harmoniosa e pedagógica na disciplina de matemática. São elas: Estimular o aprendizado da matemática, aumentando as suas habilidades e significados; aprimorar o processo de análise; construir o saber, aliado a princí- pios da matemática; levar os educandos a buscarem novos caminhos durante as estratégias de jogo, adquirindo novas descobertas; pensar (o educador) em organizar atividades envolvendo jogos e analisar o tempo para tais dinâmicas; viabilizar um período para discussão com os alunos sobre a importância das atividades desenvolvidas que possam em outros momentos ampliar conceitos e definir novas estratégias, com o objetivo de garantir um melhor estímulo para o aprendizado”. (MUNHOZ 2013, p. 174-175). 110LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS CONSIDERAÇÕES FINAIS O tópico I desta unidade nos permitiu verificar por meio da perspectiva históri- co-cultural que a relação que se estabelece entre a linguagem e a palavra são fundamentais para o processo de formação de conceitos matemáticos na crian- ça. A linguagem tem como função formar e reorganizar a atividade consciente do homem e assegurar a transição do sensorial ao racional na representação de mundo enquanto que a o uso da palavra permite ao homem evocar arbitra- riamente as imagens dos objetos correspondentes, além de ser a unidade fun- damental da língua. Por meio das reflexões aqui apresentadas foi possível compreender que a criança começa a ter domínio do vocabulário no final do primeiro ano de vida, e que entre os quatro e cinco anos ela já precisa ter a referência material da pa- lavra e o seu significado concreto e após esse período a criança dá início a um processo mais complexo do desenvolvimento intelectual e da estrutura semân- tica da palavra. Também aprendemos que a criança ao assimilar o significado generalizado de uma palavra e conseguir perceber suas categorias, está formando um conceito e a escola tem como papel promover situações que favoreçam essa constru- ção, isso se dá por meio de aprendizagens sistemáticas, e metodologias ade- quadas, mas que dependem das competências adquiridas pelo indivíduo em seu processo de aprendizagem espontâneo. No que se refere a Atividade Orientadora de Ensino (AOE), como uma meto- dologia de ensino, no decorrer da leitura do nosso material, foi possível enten- der que ela constitui um tipo particular de atividade de ensino, cujo objetivo é a transformação do indivíduo no movimento de apropriação dos conhecimentos que se dão por meio da teoria. No entanto, para que uma aprendizagem seja significativa, a atividade de ensino proposta deve incitar a aprendizagem, que se dá por meio dos objetivos da atividade de ensino e da situação que provo- cou a aprendizagem. Foi possível compreender que a situação desencadeadora da aprendizagem tem como objetivo provocar no aluno a apropriação de determinado conceito, por meio de situações- problemas que vão proporcionar o envolvimento dela no processo de busca e solução do mesmo de forma intencional com foco na apropriação de conhecimentos para que o aluno vivencie a atividade de apren- dizagem. 111LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS Para concluir nossos estudos, no tópico II abordamos de forma breve algumas das características da atividade da criança nos anos iniciais do ensino funda- mental, com exemplos de atividades, bem como sua aplicação em sala de aula e algumas habilidades que a criança deverá desenvolver por meio delas na aquisição dos conceitos matemáticos. 112LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Educação matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental (Cole- ção Biblioteca Básica de Alfabetização e Letramento) • Vanessa Dias Moretti, Neusa Maria Marques de Souza • Editora Cortez. • O ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental con- siste em um frequente desafio para professores, do mesmo modo que o en- sino da língua materna. Com base nessa realidade, as autoras elaboram a presente obra, cujo objetivo principal é oferecer a professores e educadores dos três primeiros anos do Ensino Fundamental respaldo teórico e meto- dológico para um ensino da Matemática que seja incentivador de aprendi- zagem e possibilite às crianças o desenvolvimento do pensamento teórico sobre os conceitos e as noções referentes a essa disciplina. LIVRO • O Genial Mundo da Matemática • Thomas Flintham • Produzido por: Publifolhinha • Para aproximar as crianças do incrível universo da matemática, esse vo- lume aborda a disciplina de maneira criativa e apresenta surpresas e curio- sidades sobre o assunto. Elas vão descobrir por que é tão raro encontrar um trevo de quatro folhas, qual o tamanho do infinito, como surgiu o núme- ro zero e para quê, afinal, serve a matemática. Em linguagem acessível, a obra traz ilustrações tridimensionais e abas desdobráveis que instigam os pequenos a explorar cada canto das páginas em uma divertida brincadeira. Explica os principais conceitos, como números, geometria, medidas e pro- babilidade, com exemplos práticos e sugestões de atividades e jogos. Elas vão perceber como a matemática é fascinante e está mais presente no dia a dia do que poderiam imaginar. 113LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS FILME/VÍDEO • O PREÇO DO DESAFIO. Título original: Stand and Deliver • 1988. • A trajetória de um professor boliviano, Jaime Escalante, contratado para dar aulas de matemática em um colégio americano de periferia. Mas, ao estilo de ‘’Ao Mestre Com Carinho’’, descobre que os alunos são dos mais problemáticos, pouco preparados e completamente arredios. No entanto o professor insiste e consegue, com suas técnicas e muito amor, conquistar a todos. 114LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS REFERÊNCIAS BRASIL. Guia de aplicação: Provinha Brasil. Matemática. Teste 2, 2014c. Dis- ponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_basica/provinha_brasil/ kit/2014/provinha_brasil_2-2014_guia_aplicacao_matematica.pdf >. Acesso em: 20AGO 2019. LURIA, Alexander Romanovich. A atividade consciente do homem e suas raí- zes histórico-sociais. In:______. Curso de psicologia geral - Introdução evolu- cionista à psicologia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. V. I. p. 71-84. LURIA. A palavra e o conceito. In:______. Curso de psicologia geral: Lingua- gem e pensamento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967. V.4. p. 17-51. MORETTI, V. D. Professores de Matemática em atividade de ensino: uma perspectiva histórico-cultural para a formação docente. 2007. 161 f. Tese (Dou- torado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. MORETTI, Vanessa Dias; SOUZA, Neusa Maria Marques de. Educação mate- mática nos anos iniciais do ensino fundamental: Princípios e práticas peda- gógicas. São Paulo: Cortez, 2015. MOURA, M. O. de. A atividade de ensino como ação formadora. In: CASTRO, A; CARVALHO, A (orgs). Ensinar a ensinar: didática para a escola. São Paulo: Pioneira, 2001. MOURA, M. O. de. A atividade de ensino como unidade formadora. Bolema, Rio Claro, n. 12, 1996. p. 29-43. MUNHOZ, Maurício de Oliveira. Propostas metodológicas para o ensino da ma- temática. Curitiba: Intersaberes, 2013. PARANÁ. Caderno de Atividades MATEMÁTICA Anos Iniciais do Ensino Fundamental. SEED -DE/PR, 2009. Disponível em: <http://www.educadores. diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/cadernos_pedagogicos/ativ_mat1.pdf>. Acesso em: 20 ago.2019. VIGOTSKI, Lev Semenovich. Interação entre aprendizado e desenvolvimento. In:______. A formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 87-105. VYGOTSKI, Lev Semenovitch. O desenvolvimento de conceitos científicos na infância. In:______.Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 103-147. 115LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS CONCLUSÃO Chegamos ao final de mais uma etapa de estudos, em que, por meio de dis- cussões e reflexões construímos várias pontes que levam a uma aprendizagem construtiva de linguagens e conceitos que são fundamentais para o desenvolvi- mento do raciocínio matemático da criança. Nossos estudos nos proporcionaram compreender que nos últimos ano o en- sino da matemática busca destacar os conhecimentos do aluno priorizando a aquisição e a comunicação da linguagem matemática, oportunizando a ele de- senvolver de maneira própria os procedimentos matemáticos, seu raciocínio e criatividade. Também destaca a importância da relação de interdependência entre os conteúdos estruturantes e os conteúdos específicos a fim de enrique- cer o processo pedagógico, abandonando as abordagens fragmentadas, como se os conteúdos existissem e patamares distintos, sem vínculos uns com os outros. A matemática enquanto ciência, possui uma linguagem que necessita da lin- guagem materna para estabelecer uma relação de oralidade e escrita, assim como a comunicação é essencial nas aulas de matemática. Saber falar, escre- ver e desenhar sobre um conteúdo, serve de base para o professor avaliar o que as crianças compreenderam de um determinado conceito. Diante disto, aprendemos que as propostas de atividades matemáticas devem proporcionar um trabalho diversificado, considerando a ludicidade como forma de desenvolver os conceitos matemáticos. Além disso aliar outras áreas do co- nhecimento, como a arte e literatura podem tornar o processo mais dinâmico, atrativo e significativo em que a aprendizagem se torna parte integrante e o professor deixa de ser a figura central do conhecimento. Iniciar os conteúdos fundamentados na história da matemática que relatam sobre o surgimento dos números e da álgebra também são importantes para que a criança compreenda o processo histórico dos números e sua evolução e como determinados matemáticos influenciaram a vida da humanidade e os avanços que seus estudos proporcionaram para a nossa sociedade atual. Refletimos sobre o papel do professor, que é proporcionar ao aluno condições necessárias que favoreçam a apropriação do conhecimento científico tendo como objetivo o desenvolvimento potencial, utilizando para isso tarefas que são desafiadoras e que potencializam o conceito a ser desenvolvido pelos alunos, 116LINGUAGENS INFANTIS E CONCEITOS MATEMÁTICOS desenvolvendo as habilidades que são necessárias a faixa etária em que o alu- no se encontra. Dando continuidade aos nossos estudos, verificamos que as situações-pro- blemas, que trabalhadas nas aulas de matemática podem ser desenvolvidas a partir de atividades do cotidiano das crianças, podem facilitar o trabalho com as noções aritméticas e algébricas. Mas que para isso aconteça a criança, como vimos na unidade IV precisa estar desenvolvendo adequadamente os conceitos de linguagem e palavra que são fundamentais para a apropriação dos concei- tos matemáticos. Para concluirmos nossos estudos, vimos que para que a criança aprenda a ma- temática, ela precisa ser motivada pelo professor, pois o conhecimento é pro- duzido por meio de aprendizagens sistemáticas, e metodologias adequadas, mas que dependem das competências adquiridas pelo indivíduo em seu pro- cesso de aprendizagem. Essa forma de aprendizagem produzirá significados que quando assimilados gradualmente pela criança permitirão que ela se de- senvolva enquanto indivíduo tendo formado não só os conceitos matemáticos, mas também terá se desenvolvido social e culturalmente. A consolidação do aprendizado requer muito estudo, aprofundamento e esforço reflexivo. Por isso, não pare por aqui, busque novos conhecimentos, por meio de pesquisas e reflexões acerca dos conteúdos que foram abordados nes- te material. Espero que nossos estudos tenham proporcionado momentos de aprendizagem, reflexão e, principalmente, contribuído com sua formação como acadêmico e pedagogo. Desejo a você sucesso em sua jornada acadêmica e profissional. Até breve!