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Psicologia- Emoções

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Os oponentes a esta abordagem consideram-na demasiado exigente a nível computacional para fornecer explicações úteis sobre emoções. Adicionalmente, muitos veem-na como uma explicação imprópria para as emoções porque eles entendem a forte dependência nos autorrelatos como um indicador de que esta abordagem conceptualiza as apreciações como cognições conscientes. No entanto, nem todos os modelos de apreciação são tão computacionalmente exigentes e muitos reconhecem a existência de apreciações automáticas e potencialmente inconscientes.
Uma segunda limitação para esta abordagem é de que as apreciações podem não ser suficientes para sentir uma emoção ou mudar o estado emocional de um indivíduo. Todos nós provavelmente nos podemos lembrar de eventos que avaliamos de forma similar a eventos que tipicamente nos fariam sentir zangados/com raiva. No entanto nós falhamos a experienciar essa emoção simplesmente porque estamos a sentirmo-nos bem no momento. Por outro lado, provavelmente lembramo-nos se sentirmos raiva em momentos despropositados e ainda assim foi difícil de o inibir ou controlar.
Para tentar contornar esta limitação, teóricos referem-se a padrões de apreciação e a diferenças entre apreciações iniciais e retrospetivas. Especificamente, eles argumentam que, apesar das avaliações de dois eventos poderem diferir com respeito a uma apreciação específica (ex. relevância), o padrão de apreciação geral que cruza as diferentes dimensões de apreciação pode ser similar e, assim, elicitar uma emoção similar. Para além disso, apreciações iniciais nas diferentes dimensões de apreciação podem ser diferentes de apreciações retrospetivas que utilizamos quando nos lembramos de um evento emocional.
Outro problema desta abordagem está relacionada com a viabilidade evolucionária. Tal como nas abordagens categórica e dimensional, também assume que as emoções foram adaptativas durante a evolução. No entanto, como as diferentes apreciações teriam evoluído não é intuitivo.
Por fim, a última limitação prende-se com o facto de não existir consenso entre investigadores. Diferentes investigadores propuseram diferentes modelos de apreciação que variam no que toca ai número e à natureza das dimensões de apreciação.
Processos cerebrais como bases para as emoções:
Teoria das emoções de Cannon:
No início do século XX, os psicólogos começaram a argumentar contra os métodos utilizados por William James e Wundt. Os psicólogos achavam estes métodos demasiado subjetivos e não científicos. Para além disso, também criticaram a confiança colocada nas evidências fenomenológicas e na introspeção, por isso começaram a colocar mais ênfase no estudo do comportamento observável e quantificável. Neste sentido, deu-se o desenvolvimento do behaviorismo como a nova abordagem psicológica, focando-se nos padrões de estímulo-resposta e banindo os tópicos relacionados com a mente.
Em outros campos, como na fisiologia ou na neurologia, começou-se a prestar mais atenção à mente e continuaram, assim, a seguir a investigação sobre as emoções. Um dos indivíduos que se destacou neste aspeto foi Walter Cannon. O seu interesse principal era o estudo do sistema nervoso simpático e as mudanças corporais devido à ativação simpática questionando, assim, a teoria de James-Lange.
Especificamente, Cannon viu uma série de problemas com o facto de se assumir que o feedback corporal produzia sentimentos emocionais. Tal como também achava que a ênfase dada às vísceras no feedback não era justificável. 
Cannon investigou os efeitos da remoção dos aspetos simpáticos do sistema nervoso autónomo em gatos e descobriu que estes ainda se “iriçavam” e mostravam os seus dentes quando eram confrontados por um cão. Assim, ele argumentou, que as emoções ainda estavam presentes apesar de o sistema simpático já não estar a causar nenhum efeito nas vísceras. No entanto, Cannon manteve a ideia de que as mudanças viscerais poderiam estar ligadas a diferentes emoções, tal como a estados não emocionais. 
A ativação simpática está associada com uma descarga de adrenalina conhecida por acelerar os batimentos cardíacos, a constrição dos vasos sanguíneos, o aumento do tamanho das pupilas, entre outros.
Tudo isto levou Cannon a refutar a teoria de James-Lange e a oferecer uma alternativa baseada no cérebro para explicar as emoções. Esta teoria é construída pela observação de certas expressões emocionais que são observadas em animais com ablação (remoção) do córtex. Com estimulação insignificante (ex. segurar) estes animais tinham acessos de raiva, chamados de sham-rage (comportamentos violentos), sugerindo que, no cérebro, se encontrava o coentro para a expressão emocional, no tálamo.
Para além disso, ele especulou que a informação sensorial processada ao nível do tálamo, ou os sinais corticais projetados no tálamo, engatilham respostas corporais. Cannon conceptualizou estas respostas como meras expressões emocionais e distinguiu-as de sentimentos emocionais ou de consciência emocional, que ele acreditava que dependessem do córtex cerebral.
O circuito de Papez:
A teoria de Cannon atraiu muita atenção e inspirou futuras pesquisas com base no cérebro para as emoções. Uma dessas novas pesquisas veio de James Papez. Ele incorporou as suas ideias, com as ideias de James Bard e de Cannon. Assim, nesta nova teoria das emoções de Papez, o tálamo e o hipotálamo tornaram-se estruturas chave.
Ele incluiu mais duas estruturas baseadas nas suas conexões neuroanatómicas com o diencéfalo, tal como a evidência de pacientes com danos nessas estruturas. Essas estruturas compreendiam o giro cingulado e o hipocampo. Papez imaginava que a informação fluía entre estas estruturas.
De acordo com Bard e Cannon, ele assumiu que a maior parte da informação sensorial passava primeiro pelos recetores sensoriais e depois para o tálamo. A partir daí, poderia tomar uma das três vias especializadas de processamento:
· Via do pensamento: projeções para o córtex lateral;
· Via do movimento: projeções para os gânglios basais;
· Via do sentimento: projeções para o hipotálamo.
Tal como Bard e Cannon, Papez acreditava na ativação do hipotálamo como sendo crítico para as respostas corporais que acompanham as emoções, e as projeções do hipotálamo para o córtex como críticas para a sensação consciente de uma emoção.
 Para justificar o facto de que as emoções podem emergir de preceitos básicos (ex. barulhos altos) disponíveis ao nível do tálamo, tal como em forma de pensamentos ou de memórias, Papez visionou dos modos de ativação hipotalâmica. O primeiro, seria através da via do sentimento, e o segundo seria através das projeções da via cortical para o hipocampo, que poderia depois entrar na via de sentimento. Estes dois modos, juntos, formam o circuito de Papez.
Com a ajuda posterior de Cannon, Papez finalmente chegara a um conjunto de estruturas cerebrais que ostensivamente contribuíram para os aspetos sensitivos e comportamentais das emoções. Para além disso, eles apontaram um mecanismo pelo qual as experiências emocionais poderiam afetar o corpo e vice-versa.
Eles agora entendiam que a ativação crónica do sistema nervoso simpático prejudicava os processos “sustentadores da vida” e que isto poderia levar a dano orgânico. Adicionalmente, o circuito de Papez permitiu com que clínicos entendessem que certas condições neurológicas provocavam certos sintomas emocionais. Era agora aparente que, coisas como tumores ou dano em certas áreas do cérebro poderiam mudar o humor do indivíduo ou deixá-lo sem emoções aparentes.
A teoria do sistema límbico:
Ao procurar uma ligação entre as auras emocionais dos pacientes e o foco epilético no hipocampo, Maclean deparou-se com o circuito de Papez. Como a implicação do hipocampo nas emoções parecia promissora, MacLean procurou ter uma discussão direta com Papez. Após isso, MacLean escreveu um paper a explicar em como o circuito de Papez teve significado tanto para os seus pacientes epiléticos, quanto para os pacientes com queixas psicossomáticas.
O paper de MacLean teve uma série de contribuições