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UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU – UNIDADE MOOCA BRUNA BARBOSA MARTIMIANO RA: 817126047 JULIA CRISTINA EUGENIO DE PAULA RA: 81726992 GUILHERME LEOCADIO CARMELO RA: 818234697 TURMA: DIR4BN-MCC ATIVIDADE AVALIATIVA A1 DISCIPLINA: DIREITO PENAL – 8º SEMESTRE PROFESSOR: PABLO MOITINHO SÃO PAULO 2020 1- SINALDO TE PROCUROU PARA SABER OS RISCOS CRIMINAIS DECORRENTES DE SUA CONDUTA. RESPONDA SE É POSSÍVEL HAVER SUA RESPONSABILIZAÇÃO CRIMINAL E POR QUAL(IS) CRIMES. Para entendermos onde se enquadra Sinaldo, precisamos entender o fato concreto, e para isso o entendimento do renomado Doutrinador Édis Milaré (2014, p. 493), assim define a: “Fauna é o conjunto de animais próprios de um país ou região. O termo está intimamente ligado ao conceito de habitat, que é o local onde vive o animal. A fauna pode ser domesticada ou silvestre”. Segundo os Art. 38 ao 53 da Lei nº 9.605/98, um dos mais extensos artigos dessa Lei: Destruir, cortar, dificultar, causar danos diretos ou indiretos, maltratar, mesmo que ainda estejam em formação ou regeneração, as florestas de preservação permanente, florestas nativas ou plantadas, vegetação fixadora de duna, protetora de mangues, plantas de ornamentação de logradores públicos ou privados, vegetação primária ou secundária e unidades de conservação. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e outras vegetações, em áreas urbanas ou outro tipo qualquer de assentamento humano. Extrair, cortar, vender, adquirir, para fins comerciais ou industriais, lenha, madeira, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem exibição de licenciamento de licença do vendedor outorgada pela autoridade competente. Contudo, Sinaldo poderia responder por crime de incêndio, mesmo se não afetasse terceiros, conforme descriminado no artigo 250 do código penal. Art. 250 - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. Aumento de pena § 1º - As penas aumentam-se de um terço: I - se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio; II - se o incêndio é: a) em casa habitada ou destinada a habitação; b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura; c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo; d) em estação ferroviária ou aeródromo; e) em estaleiro, fábrica ou oficina; f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável; g) em poço petrolífico ou galeria de mineração; h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta. Incêndio culposo § 2º - Se culposo o incêndio, é pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. Nota-se que no caso em concreto temos a agravante do parágrafo 1º, inciso II, alínea h, quando o incêndio é em lavoura, pastagem, mata ou floresta. Na lei dos crimes ambientais temos tipificação especifica de penalidade no seu artigo 41, vejamos: Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta: Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa. Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa. Sinaldo, pode ser enquadrado também no artigo 54, da Lei de Crimes Ambientais, pois causou danos a saúde de pessoas por conta da fumaça, bem como destruição de boa parte da flora e talvez até da faúna. Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º Se o crime é culposo: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. § 2º Se o crime: I - tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana; II - causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população; III - causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade; IV - dificultar ou impedir o uso público das praias; V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos: Pena - reclusão, de um a cinco anos. § 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível. Por mais que Sinaldo não possuísse intenção de gerar tais transtornos (atitude culposa), conforme o artigo 255, §3º da Constituição Federal dispõe: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. O artigo 18 do Código Penal, em seu parágrafo único, prevê que o agente somente pode ser responsabilizado criminalmente quando cometer um delito na modalidade dolosa, ou seja, quando o agente tiver a intenção de produzir o resultado. Este mesmo parágrafo traz a possibilidade de responsabilização do agente na modalidade culposa apenas para os casos expressos em lei. Em se tratando de causar incêndio, a lei permite a responsabilização do agente nas duas modalidades, dolosa ou culposa. Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Crime doloso (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Crime culposo (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Também as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto na lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Corroborando com todo o exposto acima temos o caso: RECURSO ESPECIAL. PENAL. CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO AMBIENTAL.ART. 68 DA LEI N.º 9.605/98. CRIME COMUM QUE PODE SER PRATICADO PORQUALQUER PESSOA INCUMBIDA DO DEVER LEGAL OU CONTRATUAL DE CUMPRIROBRIGAÇÃO DE RELEVANTE INTERESSE AMBIENTAL. DENÚNCIA QUE DESCREVE, SATISFATORIAMENTE, AS CONDUTAS, EM TESE, DELITUOSAS. RECURSOPROVIDO. 1. O delito previsto no art. 68 da Lei dos Crimes Ambientais, isto é, "[d]eixar, aquele que tiver o dever legal ou contratual de fazê-lo, de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental", está inserido no rol dos crimes contra a administração pública ambiental, classificando-se como crime omissivo impróprio em que o agente deixa de praticar o ato, contrariando o dever de fazê-lo para evitar o resultado lesivo ao meio ambiente. 2. Com relação ao sujeito ativo, verifica-se que a melhor exegese conduz no sentido de que o crime pode ser praticado por qualquer pessoa incumbida desse dever legal ou contratual, não sendo exigido, como fizeram as instâncias ordinárias, tratar-se de funcionário público. 3. Recurso especial provido para determinar o recebimento da exordialacusatória, nos termos do verbete sumular n.º 709 do Supremo Tribunal Federal. (STJ - REsp: https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10637924/artigo-18-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40 https://jus.com.br/tudo/recurso-especial https://jus.com.br/tudo/crimes-ambientais 1032651 SC 2008/0036818-5, Relator: Ministra LAURITA VAZ, Data de Julgamento: 28/02/2012, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 06/03/2012). Em suma entendo que independe o fato do agente ter tido ou não intenção de causar o dano, como também independe se o fogo foi causado em sua propriedade ou nas demais, ele responderá de ambas as formas, pois alguns argumentam que a simples produção de fumaça, oriunda da queima de objetos (em níveis consideráveis), já configura o crime ambiental o que irá de fato importar é como o julgador irá interpretar as ações para fins de enquadramento, vale constar também que para o âmbito penal temos que considerar a penalidade menos gravosa ao réu, bem como as normas especiais sobressaírem as comuns. Conforme consta, os denunciados P. C. S. e A. X. S. Atearam fogo em uma “caixa de marimbondos” que se alastrou para a Fazenda Malícia, queimando 88:00:00 hectares de pastagens, além de 271 estacas de cerca, danificando aproximadamente 406,5 cm de cerca da Fazenda. Conforme relatado, foram os réus absolvidos da prática do crime previsto no art. 41, da Lei 9.605/98 [...] em que peso os acusados de terem afirmado, em juízo, que atearam fogo numa caixa de marimbondo que se encontrava na linha férrea, julho que a autoria do delito não restou devidamente comprovada. Apelação criminal n° 1.0051.07.02644- 8/001 Portanto, defendo a tese que Sinaldo se responderá visto que o fogo se alastrou atingindo patrimônio alheio, sendo crime de incêndio na forma culposa, por imprudência, além da fumaça oriunda da queima ter causado danos à saúde de alguém (o acidente de carro), podendo até mesmo responder por lesão corporal conforme o artigo 129 do Código penal. Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. 2- CONSIDERE QUE SINALDO FOI INTIMADO A PRESTAR ESCLARECIMENTOS PERANTE A AUTORIDADE POLICIAL, COMO ELE DEVERIA RELATAR OS FATOS PARA QUE NÃO SE CONFIGURE RESPONSABILIZAÇÃO CRIMINAL? Nesse caso Sinaldo deve relatar os fatos deixando claro a sua intenção de apenas colocar fogo em seu terreno, sem ter noção dos acontecimentos, onde ele não tinha a menor intenção de causar riscos á saúde humana, ou provocar a mortandade de animais ou destruição significativa da flora. Pois legalmente falando o fogo no seu próprio quintal não causando nenhum desses fatos acima não tem problema algum e não se enquadra criminalmente em nenhum artigo, porém, ao alastrar para outros locais sim, portanto, Sinaldo deve apelar para negligencia e imprudência dos seus atos, alegando achar que seus atos seriam inofensivos e que caso tivesse noção da proporção que a coisa estava tomando tomaria as providências necessárias para evitar maiores danos, com embasamento no princípio da responsabilidade penal subjetiva, culpabilidade. “A colocação em estado de inconsciência decorrente de caso fortuito ou força maior resulta na atipicidade dos resultados lesivos produzidos pelo agente em tal condição, não havendo que se falar em responsabilização criminal, sob violação ao princípio da culpabilidade”. (STJ, agInt. No HC 350.918/SC, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, 6ªT., DJe 03/05/2016). Conforme Nucci relata, “é o comportamento voluntario desatencioso, voltado a um determinado objetivo, licito ou ilícito, embora produza resultado ilícito, não desejado[...]” devera assumir que de fato ateou fogo em dejetos em seu quintal, porem ressaltando que foi negligente por ter se descuidado e não estar atento ao fogo, mas que ainda sim, não tinha qualquer intenção de provoca-lo, segundo o mesmo doutrinador, “negligencia é a forma passiva de culpa, ou seja, assumir uma atitude passiva [...] por descuido ou desatenção”. Inicialmente no art. 29 fez o legislador referência à “espécimes”, assim sendo, este deu sentido de que o tipo penal só se verificará com a ação em face de vários exemplares da fauna, ou seja, que o dano aplicado em relação a tão somente um exemplar não configuraria crime. Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida: Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa. Vale ressaltar também que não se tem provas de que o acidente que ocorreu foi de fato causado pela queima dos objetos no quintal de Sinaldo, portanto, para tal afirmação precisaria ser feita perícia que diria com mais precisão o que de fato ocorreu para resultar no acidente. Conforme visto por Miguel Reale devemos antes de aplicar a norma verificar com detalhes o caso concreto, para assim julgar. Fato, valor e norma estão sempre presentes e correlacionados em qualquer expressão da vida jurídica, seja ela estudada pelo filósofo ou sociólogo do Direito, ou pelo jurista como tal, ao passo que, na tridimensionalidade genérica ou abstrata, caberia ao filósofo apenas o estudo do valor, ao sociólogo o do fato e ao jurista o da norma. (REALE, 2011, p. 70) Embasamento na jurisprudência, réu absolvido por insuficiência probatória: APELAÇÃO. CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE. LEI Nº 9.605/98. ART. 38-A. DESTRUIR OU DANIFICAR VEGETAÇÃO NATIVA, EM ESTÁGIO AVANÇADO OU MÉDIO DE REGENERAÇÃO, DO BIOMA MATA ATLÂNTICA. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA QUANTO À ELEMENTAR DO TIPO ?BIOMA MATA ATLÂNTICA?. ABSOLVIÇÃO. ART. 41. PROVOCAR INCÊNDIO EM MATA OU FLORESTA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. ABSOLVIÇÃO. I ? Com relação ao delito do art. 38-A, da Lei nº 9.605/98, as provas coligidas aos autos não esclarecem se a área atingida pela ação do acusado se tratava de vegetação em estágio médio e avançado de regeneração, do Bioma Mata Atlântida. As normas complementares (Lei nº 11.428/06 e Decreto nº 6.660/08) estabelecem que os territórios integrantes do Bioma Mata Atlântica estão delimitados em mapa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? IBGE. Entretanto, no caso em apreço, o auto de constatação é superficial e não esclarece de que modo os policiais militares ambientais chegaram à conclusão de que as árvores destruídas constituíam o Bioma Mata Atlântica, uma vez que a imagem juntada à fl. 18 foi extraída do programa ?GOOGLE EARTH?. Necessário destacar que no Direito Penal, diferentemente de outros ramos, não se admitem estimativas ou projeções, mas sim a certeza da ocorrência do fato e sua autoria, o que inexiste na hipótese particular, razão pela qual se impõe a absolvição, com base no art. 386, inciso VII, do CPP. II ? Em relação ao delito do art. 41, da Lei nº 9.605/98, a própria denúncia menciona que a área atingida pelo fogo se tratava de vegetação secundária. Dessa forma, considerando que o tipo penal em comento exige que o fogo atinja mata ou floresta, o fato imputado é atípico.APELO DEFENSIVO PROVIDO.(Apelação Crime, Nº 70081715435, Quarta Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Rogerio Gesta Leal, Julgado em: 18-07-2019) (TJ-RS - ACR: 70081715435 RS, Relator: Rogerio Gesta Leal, Data de Julgamento: 18/07/2019, Quarta Câmara Criminal, Data de Publicação: 24/07/2019). Por amor ao debate, caso o julgador não entenda desta forma podemos apelar para uma pena convertida em prestação de serviços ao meio ambiente, como plantação de novas árvores, regenerando a fauna e a flora destruída neste ato. Pois para a substituição temos que ter os requisitos de tratar-se de crime culposoou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a 4 anos, a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e circunstancias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando: I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.