Prévia do material em texto
Dimensionamento Profa. Micherllaynne Alves Dimensionar • É a etapa inicial do provimento de pessoal, que tem por finalidade a previsão da quantidade de funcionários por categoria, requerida para suprir as necessidades de assistência de enfermagem, direta ou indiretamente prestada à clientela. (Kurcgant, 1991) *Dimensionamento: Estimativa; Dotação de pessoal, Cálculo de pessoal • Compete ao Enfermeiro estabelecer o quadro quantiqualitativo de profissionais necessário para a prestação da Assistência de Enfermagem (COREN, 2010) LEGISLAÇÃO RESOLUÇÃO COFEN 293/ 2004 • O Dimensionamento de Pessoal estabelece parâmetros para dimensionar o quantitativo mínimo dos diferentes níveis de formação dos profissionais de enfermagem 1º • Planejamento e programação das ações de saúde 2º • Priorização das ações a serem desenvolvidas RESOLUÇÃO COFEN 0543/2017 • Conceitos e metodologia de cálculo de pessoal de enfermagem Serviço de Enfermagem • Fundamentação legal do exercício profissional (LEI nº 7498/86 e Decreto nº 94.406/87) • Código de Ética dos profissionais de Enfermagem, Resoluções COFEN e Decisões COREN´s Para estabelecer o dimensionamento do quadro de profissionais de enfermagem o Enfermeiro deve basear-se nas seguintes características : • I – Ao serviço de saúde: missão, visão, porte, política de pessoal, recursos materiais e financeiros; estrutura organizacional e física; tipos de serviços e/ou programas; tecnologia e complexidade dos serviços e/ou programas; atribuições e competências, específicas e colaborativas, dos integrantes dos diferentes serviços e programas e requisitos mínimos estabelecidos pelo Ministério da Saúde; • II – Ao serviço de enfermagem: aspectos técnico - científicos e administrativos: dinâmica de funcionamento das unidades nos diferentes turnos; modelo gerencial; modelo assistencial (Processo de Enfermagem - SAE); métodos de trabalho; jornada de trabalho; carga horária semanal; padrões de desempenho dos profissionais; índice de segurança técnica (IST); proporção de profissionais de enfermagem de nível superior e de nível médio e indicadores de qualidade gerencial e assistencial; • III – Ao paciente: grau de dependência em relação a equipe de enfermagem (sistema de classificação de pacientes - SCP) e realidade sociocultural. Sistema de classificação de pacientes Escolher uma escala de referência para aplicar Sistema de Classificação de Pacientes (SCP) Método para determinar, validar e monitorar o cuidado individualizado do paciente Alcançar padrões de qualidade assistencial Forma de determinar o grau de dependência de um paciente em relação à equipe de enfermagem, classificando em grupos de cuidado Possibilita a adequação do trabalho requerido com o pessoal de enfermagem disponível Tipos de escalas • FUGULIN et al (1994/2005) – 9 indicadores críticos: estado mental; oxigenação; sinais vitais; motilidade; deambulação; alimentação; cuidado corporal; eliminação; terapêutica • PERROCA (2000)- 13 indicadores críticos: estado mental e nível de consciência; oxigenação; sinais vitais; nutrição e hidratação; motilidade; locomoção; cuidado corporal; eliminações; terapêutica; educação à saúde; comportamento; comunicação; integridade cutâneo-mucosa. • BOCHEMBUZIO (2005) - Instrumento para classificação de recém-nascidos • DINI (2011) - Sistema de Classificação de Pacientes Pediátricos • MARTINS (2001) – 11 indicadores específicos para pacientes psiquiátricos: aparência e higiene; expressão e pensamento; humor; atividades; interação social; alimentação/hidratação; sono; medicação; eliminações; sinais vitais e outros controles; queixas e problemas somáticos. • Unidades de Terapia Intensiva – Índices de gravidade e de morbidade – APACHE ( Acute Physiology and Chronic Health Evaluation); SAPS ( Simplified Acute Physiology Score) • Mensuração da carga de trabalho de enfermagem – TISS( Therapeutic Intervention Scoring System) ; NAS ( Nursing Activities Score) • Classificar os pacientes da Unidade de Internação por um período mínimo de 30 dias, 1vez/dia. Recomenda-se que se utilize um “mês típico” (unidade não esteja exposta a qualquer tipo de ocorrência que possa influenciar a quantidade de pacientes assistidos). (Fugulin, Gadzinski, 2011) • Elaborar relatório diário (mapa) com o número de pacientes classificados em cada categoria de assistência Características dos pacientes Cuidados mínimos Intermediários Semi-intensivos Intensivos Paciente estável sob o ponto de vista clínico e de enfermagem e autossuficiente quanto ao atendimento das necessidades humanas básicas Paciente estável sob o ponto de vista clínico e de enfermagem, com parcial dependência dos profissionais de enfermagem para o atendimento das necessidades humanas básicas Paciente passível de instabilidade das funções vitais, recuperável, sem risco iminente de morte, requerendo assistência de enfermagem e médica permanente e especializada Paciente grave e recuperável, com risco iminente de morte, sujeito à instabilidade das funções vitais, requerendo assistência de enfermagem e médica permanente e especializada Alta dependência Paciente crônico, incluindo o de cuidado paliativo, estável sob o ponto de vista clinico, porém com total dependência das ações de enfermagem para o atendimento das necessidades humanas básicas • Todas as Unidades de Internação deverão adotar um SCP para identificar as categorias do cuidado • O dimensionamento de Recursos Humanos não termina com o cálculo do pessoal . A avaliação é permanente, pois o processo é dinâmico, complexo e sofre interferência de vários fatores, por exemplo, a rotatividade elevada. • A qualidade do cuidado de enfermagem depende diretamente da previsão adequada de pessoal de enfermagem em quantidade e qualidade. • O referencial mínimo para o quadro de profissionais de enfermagem, para as 24 horas de cada unidade de internação (UI), considera o SCP, as horas de assistência de enfermagem, a distribuição percentual do total de profissionais de enfermagem e a proporção profissional/paciente. THE – TEMPO DE HORAS DE ENFERMAGEM Corresponde ao número de horas de enfermagem por leito, segundo a categoria de assistência de enfermagem, nas 24 horas Resolução Cofen nº 543/2017 Cuidados mínimos Intermediários Alta dependência Semi-intensivos Intensivos 4 horas de enfermagem por paciente, na assistência mínima ou autocuidado 6 horas de enfermagem por paciente, na assistência intermediária 10 horas de enfermagem por paciente, na assistência de Alta dependência 10 horas de enfermagem por paciente, na assistência semi-intensiva 18 horas de enfermagem por paciente, na assistência intensiva Distribuição do percentual de profissionais Cuidados mínimos Intermediários Alta dependência Semi-intensivos Intensivos 33 % enfermeiros 67 % técnicos 33 % enfermeiros 67 % técnicos 36 % enfermeiros 64% técnicos 42% enfermeiros 58% técnicos 52 % enfermeiros 48% técnicos A distribuição de profissionais por categoria deverá seguir o grupo de maior prevalência Para efeito de cálculo devem ser consideradas além do SCP a proporção profissional/paciente nos diferentes turnos de trabalho Cuidados mínimos Intermediários Alta dependência Semi-intensivos Intensivos 1 profissional de enfermagem para 6 pacientes 1 profissional de enfermagem para 4 pacientes 1 profissional de enfermagem para 2,4 1 profissional de enfermagem para 2,4 1 profissional de enfermagem para 1,33 RESUMO CÁLCULO DE PESSOAL DE ENFERMAGEM PARA UNIDADES DE INTERNAÇÃO • Unidade de Internação (UI): local com infraestrutura adequada para a permanência do paciente em um leito hospitalar por 24 horas ou mais. • Total de horas de enfermagem (THE): somatório das cargas médias diárias de trabalho necessárias para assistir os pacientes com demanda de cuidados mínimos,intermediários, alta dependência, semi-intensivos e intensivos. • Carga horária semanal (CHS): assume os valores de 20h.; 24h.; 30h.; 36h.; 40h. ou 44h. nas unidades assistenciais. Constante de Marinho (KM): coeficiente deduzido em função do tempo disponível do trabalhador e cobertura das ausências. Constante de Marinho para Unidade de Assistência Ininterrupta (KMUAI): funcionamento 24 horas. Índice de Segurança Técnica (IST) • É o valor percentual que se destina a cobertura: • das taxas de absenteísmo (ausências não programadas ao trabalho – faltas, licenças saúde, acidente de trabalho, INSS, suspensões, vagas por demissão etc.); • das ausências de benefícios (ausências programadas ao trabalho – férias, feriados, folgas, licença prêmio); • não inferior a 15% do total de profissionais • Quantitativo de pessoal (QP): número de profissionais de enfermagem necessário na UI, com base nas horas de assistência, segundo o SCP. Casos especiais • Poderá ser aumentado quando: • quadro de profissionais de enfermagem composto por 60% ou mais pessoas com idade superior a 50 (cinquenta) anos : acrescer 10% de IST. • cobertura de rotatividade pessoal e participação nos programas de educação continuada : acrescer 3 a 5% do quadro geral de enfermagem Referências • Resolução COFEN nº 293/2004. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/wp- content/uploads/2012/03/RESOLUCAO2932004.PDF • Resolução COFEN nº 0543/2017. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/wp- content/uploads/2017/05/Resolu%C3%A7%C3%A3o-543-2017-ANEXO-I.pdf • Fugulin, FMT. et al. Implantação do sistema de classificação de pacientes na unidade de clínica médica do hospital universitário da USP. Rev. Med. HU-USP, v.4; n.1/2, p.63-8, jan/dez, 1994. • Fugulin, FMT. Dimensionamento de pessoal de enfermagem: avaliação do quadro de pessoal de enfermagem das unidades de internação de um hospital de ensino. 2002. Tese de Doutorado. EEUSP. São Paulo • Fugulin, FMT.; Gaidzinski, R.R.; Kurkgant, P. Sistema de classificação de pacientes: identificação do perfil assistencial dos pacientes das unidades de internação do HU-USP. Rev Latino-am Enfermagem 2005 janeiro-fevereiro; 13(1):72-8.