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Capítulo 4: O Psicodrama 
 
A Prática da Psicologia de Grupos e das Oficinas 
Prof. Carlos Denis de Campo Pereira - CRP/MG 7226 
 Ciclo CEAP – Centro de Estudos Avançados de Psicologia 
Capítulo 4 - O Psicodrama 
 
 
 
Você está iniciando o Capítulo 4 do nosso curso. Neste capítulo, estudaremos os princípios 
teóricos e técnicos do Psicodrama. Plantado e cultivado nas praças públicas de Viena, foi nos 
Estados Unidos que o Psicodrama desenvolveu-se e foi aplicado com grande inserção social. 
De acordo com Didier Anzieu (1981, p. 29): “Três temas emergem da história do Psicodrama 
científico nos Estados Unidos: o Psicodrama como terapia, o Psicodrama como método de 
formação, o Psicodrama como investigação psicológica. Vamos abordar, em nosso curso, 
uma introdução ao Psicodrama de uma forma generalista e verificar as suas contribuições 
para o trabalho social na atualidade. Vamos em frente! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Índice 
 
1. O Psicodrama 
2. Texto complementar: Interfaces entre psicologia social comunitária e Psicodrama 
(em anexo) 
3. Filmes, fotografias, vídeos e literatura 
4. Referências 
5. Estudo de Caso 
Capítulo 4: O Psicodrama 
 
A Prática da Psicologia de Grupos e das Oficinas 
Prof. Carlos Denis de Campo Pereira - CRP/MG 7226 
 Ciclo CEAP – Centro de Estudos Avançados de Psicologia 
Capítulo 4: O Psicodrama 
 
 
 
1 - Introdução 
O Psicodrama é uma ciência psicológica criada e desenvolvida por Jacob Levy Moreno (1889 
-1974). O Psicodrama foi desenvolvido ao longo de mais vinte anos de estudos e se afirmou 
como uma ciência nos Estados Unidos na década de 1930. Podemos dizer que sua pesquisa 
começou em 1908, com os jogos psicodramáticos com crianças em Viena. Em 1936, em 
Beacon, no Estado de Nova Iorque (EUA), Moreno construiu seu “teatro terapêutico”: 
O palco é formado por três círculos concêntricos com diâmetros variando de 3,60 m a 4,8 m, 
cada um deles mais alto do que o outro, correspondendo aos níveis de ESPONTANEIDADE. 
Algumas cadeiras e uma mesa formam o único cenário existente. Um quarto degrau, próprio 
aos estados da alma dos heróis e dos profetas, é constituído por um balcão que domina todo o 
palco, que tem 3 m. O auditório tem 15 m de comprimento por 7,5 m de largura e 12 m de 
altura. Comporta 70 lugares sentados. Um projetor permite tirar os efeitos de luz e cores. 
Todas as semanas há uma sessão psicodramática pública e cobrada. Sessões fechadas são 
feitas na programação de consultas e na clínica psiquiátrica, anexa ao teatro. (ANZIEU, 1985, 
p. 28). 
 
O Psicodrama se expandiu para além da clínica médica e alcançou as escolas, as empresas, o 
exército e instituições fechadas para crianças e adolescentes. 
A partir de 1940, as publicações sobre o Psicodrama se multiplicam indefinidamente. Esse 
efeito permanece e o cenário do Psicodrama na atualidade é bastante diversificado. 
Vejamos o leque de aplicações do Psicodrama (GONÇALVES; WOLFF; ALMEIDA, 1988, p. 7 -
8): 
 psicoterapias processuais e sistematizadas, individual ou grupal; 
 psicoterapias breves; 
 vivências e workshop de sensibilização da técnica psicodramática; 
 estudos diagnósticos e terapêuticos dos diversos grupos sociais; 
 processo pedagógico e metodologia de ensino; 
 dinâmicas de aperfeiçoamento das relações humanas dos diversos grupos sociais; 
 treinamentos específico de pessoal e lideranças; 
 pesquisas no campo da assistência e do trabalho social. 
Capítulo 4: O Psicodrama 
 
A Prática da Psicologia de Grupos e das Oficinas 
Prof. Carlos Denis de Campo Pereira - CRP/MG 7226 
 Ciclo CEAP – Centro de Estudos Avançados de Psicologia 
 
2 - A Definição Original do Psicodrama 
Podemos definir o Psicodrama como sendo, ao mesmo tempo, uma teoria e uma técnica 
psicoterápica. Tem como característica básica fazer com que os pacientes dramatizem seus 
conflitos. Geralmente, utilizado em grupo, o Psicodrama pode ser aplicado individualmente. 
Na Socionomia de Moreno, o Psicodrama se encontra na Sociatria, que tem como princípio a 
transformação da realidade social. 
SOCIATRIA (do grego iatreia = terapêutica): é a ciência do tratamento dos sistemas sociais. 
Os métodos utilizados são, principalmente, a Psicoterapia de Grupo, o Psicodrama, o 
Sociodrama e o Axiodrama. (MORENO, 1974, p. 39). 
Veja as definições que Moreno estabeleceu para as diversas intervenções na Sociatria: 
 PSICOTERAPIA DE GRUPO 
Método que trata, conscientemente, as relações interpessoais e os problemas psíquicos de 
vários indivíduos de um grupo dentro de um quadro científico empírico. O princípio do 
“encontro” está na base de todas as formas de Psicoterapia de Grupo. 
 PSICODRAMA 
"O Psicodrama é terapia profunda de grupo. Começa onde cessa a psicoterapia de grupo e a 
amplia para fazê-la mais eficaz" (MORENO, 1974, p. 118 - 124). 
Apresenta as seguintes formas de utilização: 
a) Psicodrama terapêutico: original. 
Capítulo 4: O Psicodrama 
 
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b) Psicodrama existencial: que trabalha com grupos in situ, como por exemplo, uma família. 
 
c) Psicodrama analítico: uma interface entre o Psicodrama e psicanálise. 
 
d) Hipnodrama: uma interface entre a hipnose e o Psicodrama. 
 
e) Etnodrama: uma interface do Psicodrama com as pesquisas de problemas étnicos, de 
conflitos de grupos étnicos (pretos e brancos, árabes e judeus, hindus e maometanos). 
 
f) Psicodrama diagnóstico: existem duas formas principais. Na primeira forma, pesquisa-se as 
síndromes de grupo, que atinge o grupo como um todo. Na segunda forma, pesquisa-se a 
situação diagnóstica de um só indivíduo, isolado ou em grupo. 
 
g) Psicodrama didático ou pedagógico: desenvolvido com estudantes; 
 
h) Psicodança: é uma ampliação do Psicodrama através da dança; 
 
i) Piscomúsica: é uma ampliação do Psicodrama através da música. Utiliza-se o corpo como a 
única fonte da música (cantos, exclamações, mímicas e movimentos) ou utiliza-se 
instrumentos musicais de percussão primitivos (gongos, tambores, matracas, reco-reco etc.; 
 SOCIODRAMA 
O sujeito do Sociodrama é o grupo e não cada um dos indivíduos. O Sociodrama trata as 
relações entre grupos e ideologias coletivas (imagem ideal e coletiva), como por exemplo, os 
conflitos entre os povos ou entre os grupos políticos; o meio ambiente; a comunidade; o 
viver em comunidade etc. 
 AXIODRAMA 
É uma interface entre o Psicodrama e da axiologia ou ciência dos valores. A axiologia é o 
estudo ou teoria de alguma espécie de valor, particularmente dos valores morais. Com este 
método é possível dramatizar as aspirações morais do psiquismo individual e coletivo 
(justiça, ética, soberania, autonomia, cidadania, verdade, beleza, complexos, perfeição, 
eternidade, paz, sexualidade, prazer etc). 
2.1 - A Estrutura do Psicodrama 
De acordo com Ronaldo Yudi Yozo (1996, p. 21 - 23), consideram-se três contextos, cinco 
instrumentos e três etapas para a operacionalização de uma sessão psicodramática: 
 Contexto: é o encadeamento de vivências privadas e coletivas, de atores-sujeitos que 
se inter-relacionam numa contingência espaço-temporal. Os contextos do 
Psicodrama são os seguintes: 
1. Contexto social: abrange as leis, normas e condutas pessoais. 
2. Contexto grupal: constituído pelo próprio grupo; cada grupo cria o seu próprio 
contexto grupal (Diretor, Egos e participantes). 
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3. Contexto dramático: realidade dramática; o “como se”, a separação da realidade e 
da fantasia, do indivíduo com o papel, e configura a distinção entre o contexto grupal 
e dramático. 
 Instrumentos: são os recursos utilizados para executar o método psicodramático e 
suas técnicas. Os instrumentos são os seguintes:1º) Diretor: possui três funções específicas: 
1. Produtor: seleciona a cena. Deve ter os objetivos bem estabelecidos, ou seja, o que 
se pretende obter com determinado cena psicodramática. Favorece os insights do(s) 
Protagonista(s); 
2. Diretor: dá início ao jogo dramático. Estabelece as regras, verificando que estas 
sejam compreendidas e aceitas. Dirige o Ego-Auxiliar. Fornece as “senhas”. Encerra o 
jogo; 
3. Analista Social: analisa os dados levantados pelo Ego-Auxiliar e expressa as suas 
opiniões para todos: Protagonista, Ego-Auxiliar e Auditório; 
 
2º) Ego-Auxiliar: a sua presença nem sempre é necessária ou possível, podendo centralizar-
se no Diretor o desdobramento deste papel. O Ego-Auxiliar entra em contato direto com o 
Protagonista, atuando como intermediário entre este e o Diretor. Também apresenta 3 
funções: 
 Ator: representa papéis determinados pelo Diretor ou Protagonista e se limita a eles; 
 Guia: mantém o Protagonista no contexto dramático e age como facilitador de 
insights; 
 Investigador Social: observa os dados no contexto grupal e dramático, relatando-os 
ao Diretor. 
3º) Protagonista: é quem centraliza o jogo dramático. Constrói o contexto dramático, 
desenvolve o tema, desempenha papéis, expõe os sentimentos e expressa conflitos. Pode 
ser uma ou mais pessoas, ou, até mesmo, o grupo todo. 
4º) Cenário: onde se constrói o contexto dramático. É o campo de trabalho do Diretor. 
5º) Auditório: são os participantes que ficam no contexto grupal durante o jogo. Colaboram 
nos comentários, de forma objetiva e subjetiva, podendo identificar-se ou compartilhar seus 
sentimentos com o grupo. 
 Etapas: são as três fases de desenvolvimento, na utilização de um Psicodrama. 
Vamos incluir mais duas etapas: processamento e processamento teórico. Seriam, 
então, cinco etapas: 
1ª) Aquecimentos: 
 Aquecimento inespecífico: inicia-se com o primeiro contato do Diretor com o grupo 
até a escolha da cena dramática e a apresentação de suas regras; 
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 Aquecimento específico: ocorre dentro do contexto dramático, onde os participantes 
são preparados para a construção dos papéis; 
2ª) Dramatização: é o desenvolvimento da cena dramática propriamente dita. É nesta etapa 
que o Diretor pode identificar o conflito; 
3ª) Comentários: são comentários feitos pelos participantes, após a cena. O conflito pode 
ser expresso nesta etapa; 
4ª) Processamento: é a releitura da dramatização e dos comentários, processada pelo Ego 
Auxiliar e Diretor, direcionando-os aos seus objetivos; 
5ª) Processamento teórico: geralmente utilizado em empresas e escolas, para introdução de 
conceitos ou objetivos propostos. 
 
A Teoria de Papéis de Moreno ressalta que um desenvolvimento de um papel 
psicodramático apresenta três fases distintas (Ibid., p. 27): 
 
1. ROLE-TAKING: a adoção do papel; tempo de olhar; 
 
2. ROLE-PLAYING: representação do papel; a fase mais demorada; tempo de compreensão; 
 
3. ROLE-CREATING: criação sobre o papel; momento de conclusão. 
Na Teoria de Papéis de Moreno, destacam-se três fases a partir de uma Matriz de Identidade 
(Ibid., p. 25 - 31): 
A) IDENTIDADE DO EU: é a Fase do Duplo ou o momento de indiferenciação entre o bebê e a 
mãe. A mãe atua como Ego-Auxiliar da criança, agindo como se fosse o seu duplo, uma vez 
que não há distinção entre o Eu e o Tu; 
B) RECONHECIMENTO DO EU: é a Fase do Espelho ou o momento em que a criança começa 
a se perceber como indivíduo, separado dos outros (EU — TU); 
C) RECONHECIMENTO DO TU: é a Fase Da Inversão de Papéis ou o momento em que a 
criança tem a capacidade de se colocar no papel de sua mãe, já que garante o 
reconhecimento de si mesma e do outro. 
 
 
A 
1ª fase: IDENTIDADE DO 
EU 
 
EU — EU 
 
(DUPLO) 
 
B 
2ª fase: 
RECONHECIMENTO DO 
EU 
 
EU — TU 
 
(ESPELHO) 
 
C 
1ª fase: 
RECONHECIMENTO DO 
TU 
 
EU — ELE 
(INVERSÃO DE PAPÉIS) 
 
Vejamos agora, os quatro momentos básicos de cada indivíduo: 
1. EU — COMIGO: Quem sou eu? Como eu estou? Como eu me sinto? 
2. EU E O OUTRO: Quem é o outro? Como eu me aproximo dele? Como me sinto? 
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3. EU COM O OUTRO: Como ele é? Como ele se sente? Como ele pensa? Como ele 
percebe em relação a mim e vice-versa? 
4. EU COM TODOS: o indivíduo, ao longo de seu desenvolvimento, amplia esta 
percepção para o grupo, estabelecendo relação com todos, em busca de identidade e 
coesão grupal. 
Compete ao Diretor verificar em que fase o indivíduo se encontra. 
Por exemplo, na APLICAÇÃO do Psicodrama através dos “Jogos Psicodramáticos” na 
atualidade, que são jogos que utilizamos nos trabalhos com grupos em diversas áreas, 
devemos observar as fases da Matriz de Identidade com a classificação dos jogos em dois 
aspectos: vertical (IDENTIDADE INDIVIDUAL) e horizontal (IDENTIDADE GRUPAL). 
Na tabela a seguir (Figura 1), podemos avaliar o indivíduo e qual a possibilidade de inter-
relação com o grupo, de acordo com a fase da Matriz de Identidade em que se encontra. 
Podemos, também, avaliar o grupo como um todo, demarcando as características e tipos de 
jogos que podem ser aplicados, compatíveis com a Matriz de Identidade Grupal. 
FIGURA 1 – TABELA GERAL DE CLASSIFICAÇÃO DE JOGOS DRAMÁTICOS 
 
MATRIZ CLASSIFICAÇÃO FASES DO 
PAPEL 
CARACTERÍSTICAS INTER-
RELAÇÃO 
JOGOS 
 
1ª fase: 
EU — EU 
IDENTIDADE DO EU 
(EU COMIGO) 
Role-taking 
(adotar) 
Sensação 
 
Princípio de 
percepção e de 
integração 
Individual AQUECIMENTO 
APRESENTAÇÃO 
RELAXAMENTO 
INTERIORIZAÇÃO 
SENSIBILIZAÇÃO 
 
2ª fase: 
EU — TU 
RECONHECIMENTO 
DO EU 
(EU E O OUTRO) 
Role-playing 
(jogar) 
Sensopercepção 
 
Comunicação 
Individual 
Dupla 
PERCEPÇÃO DE 
SI MESMO E DO 
OUTRO – PRÉ 
INVERSÃO 
 
3ª fase: 
EU — ELE 
EU — NÓS 
RECONHECIMENTO 
DO TU 
(EU COM OS 
OUTROS) 
(EU COM TODOS) 
Role-creating 
(criar) 
Comunicação 
 
Integração 
Individual 
Dupla 
Trios 
Quartetos 
Grupos 
JOGOS DE 
PERSONAGENS 
INVERSÃO DE 
PAPÉIS E 
IDENTIDADE 
GRUPAL 
Fonte: Yozo, 1996, p. 31 
 
Assim, temos os seguintes jogos para cada fase da Matriz de Identidade: 
 
A) JOGOS PARA A PRIMEIRA FASE: IDENTIDADE DO EU = desenvolvimento da sensação e 
princípio da percepção — momento da descoberta de si mesmo: 
 JOGOS DE APRESENTAÇÃO; 
 JOGOS DE AQUECIMENTO; 
 JOGOS DE RELAXAMENTO; 
 JOGOS DE INTERIORIZAÇÃO; 
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 JOGOS DE SENSIBILIZAÇÃO; 
 JOGOS DE INTERAÇÃO COM O MEIO: pesquisa de espaço, ambiente, aguçando suas 
percepções tátil, auditiva, visual, olfativa e gustativa. 
B) JOGOS PARA A SEGUNDA FASE: RECONHECIMENTO DO EU = descoberta do outro, 
envolvendo a sensopercepção e a comunicação: 
 JOGOS DE PERCEPÇÃO DE SI MESMO; 
 JOGOS DE PERCEPÇÃO DO OUTRO; 
 JOGOS DO ESPELHO; 
 JOGOS DE PRÉ-INVERSÃO. 
C) JOGOS PARA A TERCEIRA FASE: RECONHECIMENTO DO TU = abertura do indivíduo para 
os outros, envolvendo a comunicação e integração: 
 JOGOS GRUPAIS; 
 PROTAGONISTA É O GRUPO; 
 JOGOS COM PERSONAGENS OU PAPÉIS; 
 JOGOS DE INVERSÕES DE PAPÉIS; 
 JOGOS DE IDENTIDADE GRUPAL; 
 JOGOS DE ENCONTRO. 
Vejamos três exemplos de jogos psicodramáticos relativos a cada fase da Matriz de 
Identidade. 
 Objeto especial (Fase 1): Pede-se aos membros do grupo que coloquem, cada um, a 
sua frente, um objeto pessoal, que considerem muito especial, que esteja com eles 
no local. Em seguida, cada um fala do objeto escolhido e sobre o seu valor. Depois,solicita-se que cada membro ‘empreste’ a sua voz ao objeto e fale na primeira pessoa 
sobre o que sente, pensa e percebe dele (sujeito). Uma vez terminado a fala de cada 
um abre-se a discussão sobre o jogo para todo o grupo. (Ibid., p. 56). 
 Percepção de si e do outro (Fase 2): Dividi-se o grupo em duplas, sendo que cada 
membro da dupla fique frente a frente com o outro. Cada um vai perceber o outro da 
forma que quiser, mas sem verbalização. Após um determinado tempo, pede-se que 
fiquem de costas (um para o outro) e cada um vai descrever o que percebeu do 
outro. Em seguida, pede-se que cada um descreva a roupa e acessórios do outro. Ao 
término, viram-se de frente e verificam o que acertaram e o que não acertaram. 
Depois todos conversam sobre o jogo. (Ibid., p. 110). 
 Engrenagem (Fase 3): o Coordenador do Grupo dá a seguinte consigna ao grupo: 
“Todos farão parte de uma engrenagem. Este espaço (contexto dramático) será o 
espaço desta engrenagem. Cada um vai ocupá-lo da forma que achar melhor e sem 
verbalização”. Solicita-se, também, ao grupo outras características durante o jogo, 
como por exemplo, sons, músicas, movimentos etc. Comentários. (Ibid., p. 151). 
Ronaldo Yudi K. Yozo (1996) reuniu 100 jogos em seu livro “100 jogos para grupos: uma 
abordagem psicodramática para empresas, escola e clínicas”. Muito bacana este livro. 
Capítulo 4: O Psicodrama 
 
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 Ciclo CEAP – Centro de Estudos Avançados de Psicologia 
 
Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=yHK4SRDYgBIC&printsec=frontcover&dq=100+Jogos+para+Grupos&hl=pt-
br&ei=j3n1TMn3GIG78gbs1IXrBQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CC0Q6AEwAA#v=onepage&q&f=false 
2.2 - A Dinâmica do Psicodrama 
De acordo com Moreno, historicamente, o Psicodrama se origina dos princípios do “jogo”: 
A brincadeira sempre existiu, é mais velha que a humanidade, acompanhou a vida do 
organismo vivo como uma manifestação de exuberância, nível precursor de seu crescimento e 
desenvolvimento. Em nossa cultura foram principalmente ROUSSEAU, PESTALOZZI, FRÖBEL 
que chamaram nossa atenção para o valor educacional da brincadeira. Mas, uma nova visão 
do jogo surgiu, quando começamos a brincar com as crianças nas ruas e jardins de Viena, nos 
anos que precederam a explosão da Primeira Guerra Mundial: o brinquedo como princípio de 
auto tratamento e a terapia de grupo como forma de vivência original. (MORENO, 1974, p. 
110). 
A dinâmica do Psicodrama depende exclusivamente de um espaço psíquico dramático, ou 
seja, de um “drama”, palavra de origem grega que significa “ação” (ou algo que acontece). 
De acordo com Moreno (Ibid., p. 106): “O Psicodrama pode ser definido como o método que 
penetra a verdade da alma através da ação. A catarse que ele provoca é por isso uma 
catarse da ação”. 
Vamos demarcar o conceito de “catarse” para Moreno. Inicialmente, vejamos o significado 
no Dicionário Aurélio Eletrônico: 
Catarse: [Do grego kátharsis]. Sinônimo feminino. 1. Purgação, purificação, limpeza. 2. 
Medicina: Evacuação, natural ou provocada, por qualquer via. 3. Psicologia: Efeito salutar 
provocado pela conscientização de uma lembrança fortemente emocional e/ou 
traumatizante, até então reprimida (Ab-reação). 4. Teatro: O efeito moral e purificador da 
tragédia clássica, conceituado por Aristóteles (v. aristotelismo), cujas situações dramáticas, de 
extrema intensidade e violência, trazem à tona os sentimentos de terror e piedade dos 
espectadores, proporcionando-lhes o alívio, ou purgação, desses sentimentos. 
Para Moreno, o significado de catarse é o seguinte: 
Como em cada ação humana há, em certa medida, uma catarse, é necessário definir em que 
consiste ela, em que se distingue, por exemplo, do bem-estar, satisfação, ab-reação et.; se 
uma fonte de catarse é superior a outras e se realmente em todas as formas de catarse há um 
elemento comum. Por isso, foi minha intenção definir a catarse de tal forma que uma 
influência qualquer, exercendo visivelmente um efeito purificador, pudesse ser vista como um 
elemento de um princípio único. Descobri como sendo esse princípio comum que provoca a 
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catarse a ESPONTANEIDADE CRIADORA; em função de sua universalidade e de sua natureza 
original, ela engloba todas as outras formas de expressão (psíquica, somática, inconsciente, 
consciente etc.). Nessa corrente geral de atuação se incluem todas as formas elementares e 
particulares de catarse. (Ibid., p. 109). 
De acordo com Anzieu (1981, p. 43): “Três conceitos e três influências podem resumir a obra 
teórica de Moreno: Bergson e a hipótese da espontaneidade; Freud e a noção de catarse; 
G.H. Mead e a teoria do papel”. 
Do filósofo francês, Henri Bergson (1859 – 1941), Moreno trabalhou três idéias (Ibid.): 
1. [...] existem atos que de nenhum antecedente procedem, porque jorram imprevisíveis; 
2. esses atos livres exprimem a personalidade total daquele que os realiza; 
3. são eles que mantêm abertos o mundo natural, a sociedade e nós próprios. 
 
Quando Moreno define o conceito de “impulso vital” como base do Psicodrama, isto que 
dizer ESPONTANEIDADE. E ser espontâneo é dar “prova de realidade” (Ibid.). 
 
O ato espontâneo apresenta as seguintes características (Ibid., p. 43 – 44): 
1. só pode ser descrito a partir dele mesmo; 
2. é um ato gratuito, com função criadora; 
3. segue a lei do ‘tudo ou nada’, ou seja, ou se é espontâneo ou não, em um dado 
momento; 
4. a fonte da espontaneidade é a própria espontaneidade; 
5. não existe meio de armazenamento da espontaneidade; 
6. o ato espontâneo está ligado ao momento; 
7. a espontaneidade não temporiza; 
8. é no ‘aqui e agora’ que ela surge; 
9. ela tem uma ‘função plástica’, ou seja, capacidade de adaptação ao mundo; 
10. ela tem uma função dramática, de expressão e de unificação do Ego, ao mesmo 
tempo; “que nada somos, antes de nos havermos manifestado” (Ibid., p. 44). 
Assim, o Psicodrama é uma “catarse de integração onde o sujeito toma posse de papéis 
jamais imaginados que viviam nele em estado potencial” (Ibid., p. 50). 
 
De acordo com Moreno (1974, p. 130), “o número de métodos psicodramáticos é muito 
grande: um de meus colaboradores enumerou 351 (nota minha: este livro é datado de 
1959). 
 
Seguem alguns métodos (Ibid., p. 130 – 134): 
 Método da autoapresentação: o protagonista revive alguma situação que faz, fez ou 
poderia fazer parte de sua vida; representa alguém de suas relações que teve alguma 
coisa a ver com os seus conflitos atuais. 
 Método da auto-realização: o protagonista representa sua própria vida com ajuda de 
auxiliares terapêuticos. 
 Método do solilóquio: é o monólogo do protagonista, é o falar consigo mesmo. 
 O solilóquio terapêutico: é a reprodução de pensamentos e sentimentos escondidos 
através de diálogos ou atuações paralelas às cenas e idéias da ação principal. 
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 Método do duplo: utilizado para se penetrar, com auxílio de um Ego-Auxiliar, nos 
problemas íntimos do protagonista. O Ego-Auxiliar dá ao protagonista como que um 
segundo “EU”: atua como se fosse a mesma pessoa e imita cada gesto e cada 
movimento do protagonista. O Ego-Auxiliar “DUPLICA” o protagonista e com isso o 
ajuda a sentir-se a si mesmo, a ver e auxiliar com os próprios problemas. 
 Psicodrama e alucinações: o protagonista encarna concretamente suas alucinações, 
ou elas são corporificadas por um Ego-Auxiliar. 
 Método de duplos múltiplos: o protagonista está em cena com diversos Egos-
Auxiliares fazendo seus duplos. Cada um encarna uma parte de sua pessoa. Método do espelho: esse método é utilizado quando o paciente é incapaz de se 
apresentar em palavras e atos. Um Ego-Auxiliar coloca-se na parte da sala reservada 
para a ação (no palco), enquanto o paciente permanece junto ao grupo. O Ego-
Auxiliar inicia a representação do paciente. Para além do duplo, que imita o 
protagonista, o Ego-Auxiliar mostra-lhe como os outros o veem. 
 Método de inversão de papéis: Neste método o protagonista toma o papel de 
oponente. Deformações do psiquismo do outro são assim trazidas à luz e podem, 
durante a atuação, ser pesquisadas e melhoradas. Na inversão de papéis entre duas 
pessoas, A e B, é importante o processo dinâmico. 
 Método da projeção no futuro: Neste método o protagonista atua como imagina o 
seu futuro. Representação psicodramática do futuro. 
 Método da representação do sonho: Em vez de relatar o sonho, o protagonista o 
representa. 
 Método da realização simbólica: Neste método o protagonista transforma sucessos 
simbólicos em atuação. 
 Método do mundo auxiliar: Neste método os Egos-Auxiliares devem construir in situ 
o mundo do protagonista em torno dele. Para esse método não se presta bem um 
espaço fechado. Ele pertence à realidade total. (Indagação atual: o acompanhamento 
terapêutico feito nos CAPS seria uma aposta nessa direção?) 
 Terapia a distancia: O paciente é tratado durante a sua ausência, normalmente sem 
saber disso. É substituído por um Ego-Auxiliar que esteja em contato diário com ele e 
que é mediador entre o verdadeiro paciente e o diretor terapêutico. O Ego-Auxiliar 
apresenta no palco todos os acontecimentos importantes vividos pelo paciente. 
Outros membros do círculo de relações do paciente participam do tratamento: por 
exemplo, seus pais. Um exemplo: uma menina de 13 anos, que sofria de crises de 
ódio, desenvolveu um profundo ódio contra médicos e psiquiatras. Uma enfermeira, 
treinada em Psicodrama, foi contratada pelos pais e acompanhava a filha em sua 
casa. Três vezes por semana, na Clínica de Moreno, a enfermeira representava as 
situações críticas em que a paciente tinha crises de ódio. A enfermeira representava 
também seu próprio papel em relação à protagonista e recebia orientações de 
acompanhamento. 
 Métodos de ‘aquecimento’ (warmig up): são utilizados para estimular o corpo para 
atitudes e atuações espontâneas. Cabe ao Diretor dar partida à sessão, aquecer os 
sujeitos até o ponto em que os atos e palavras jorrem inteiramente espontâneos. 
 Método de improvisação espontânea: o protagonista desempenha papéis com os 
quais não se identifica, como, por exemplo, um padre, um motorista, e procura 
reprimir suas características pessoais e deixá-las tão distantes, quanto possível, do 
papel a ser desempenhado. 
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 Método da comunidade terapêutica: Nesta comunidade as diferenças entre 
indivíduos e grupos são definidas pelas leis da terapia e não por um tribunal. 
Quando, por exemplo, um membro de um grupo terapêutico rouba dinheiro de outro 
membro, não é levado diante de um juiz, mas diante do próprio grupo, onde o ato 
ilegal é representado e resolvido com o auxílio de outros membros do grupo. 
Para finalizar, precisamos explicar o lugar da PALAVRA, num conjunto mais vasto, o da 
AÇÃO. Vejamos o comentário de Anzieu nesse sentido: 
Uma grande parte do psiquismo não pode ser veiculada através da linguagem. Sabe-se que o 
acesso à linguagem tem como condição preliminar o estabelecimento de comunicações pré-
verbais, mímicas, posturais e fonemáticas do bebê com o seu ambiente e em primeiro lugar 
dele com sua mãe. O corpo é, e permanece, o primeiro veículo das significações. Diferente das 
psicoterapias apenas verbais, o Psicodrama integra, à palavra, as formas e os níveis de 
comunicação pré-verbais e infralinguísticos. Se relacionássemos Moreno a Piaget, seria 
possível dizer que o Psicodrama permite refazer e reviver a experiência de aquisição do 
simulacro e do acesso ao símbolo. (ANZIEU, 1981, p. 32). 
 
Muita coisa pode ser dita sobre o Psicodrama. Nosso objetivo, no contexto geral do nosso 
curso, é fazer uma introdução ao Psicodrama e verificar suas contribuições para o 
desenvolvimento das metodologias interativas no trabalho psicossocial. Assim, podemos 
verificar a riqueza de contribuições que o Psicodrama nos trouxe. Ao buscarmos um diálogo 
epistemológico na Psicologia Social sobre as suas contribuições para o desenvolvimento de 
metodologias interativas, já verificamos que o cenário é rico e complexo. Moreno, por sua 
vez, contribuiu com as escolas psicanalíticas, desenvolveu as bases epistemológicas da 
Psicoterapia de Grupo e criou o Psicodrama, alicerçado em uma base teórica e técnica. 
 
3- Conclusão 
 
Pela sua diversidade de técnicas, pela natureza dos mecanismos psíquicos postos em jogos, 
o Psicodrama ultrapassou os limites da psicoterapia. Jacob Levy Moreno foi um médico, e a 
sua invenção, um “método de tratamento”. Na medida em que houve uma migração de 
técnicas e conceitos para as outras áreas, o Psicodrama foi sendo desenvolvido de uma 
forma bastante diversificada. Hoje em dia, não há dúvidas sobre a sua contribuição para o 
desenvolvimento de metodologias interativas e tecnologias sociais. O Psicodrama 
transformou-se num método educativo, de mediação de conflitos, de desenvolvimento de 
equipes etc. Denunciou-se, com razão, no Sociodrama, a visão ingênua que desconhece o 
peso da POLÍTICA, da ECONOMIA e do PODER, na inércia das pessoas e dos coletivos em 
transformarem as suas vidas. Crítica válida! Temos que levar em consideração. Assim, no 
nosso trabalho de “intervenção psicossocial”, não pretendemos fazer nenhuma revolução 
social. Temos que ser mais realista no desenvolvimento do nosso trabalho profissional. 
Nesse sentido, o Psicodrama nos ajuda muito. Assim, nós podemos e devemos utilizá-lo. 
Vamos em frente! 
 
2. Texto Complementar: Interfaces entre 
psicologia social comunitária e psicodrama 
(em anexo) 
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3. Filmes, fotografias, vídeos e literatura 
1- Sugestão de Filme: Don Juan DeMarco 
 
 
 
Titulo original: (Don Juan DeMarco) 
Lançamento: 1995 (EUA) 
Direção: Jeremy Leven 
Atores: Marlon Brando , Faye Dunaway , Johnny Depp , Géraldine Pailhas , Bob Dishy 
 
Clipe do Filme: http://www.youtube.com/watch?v=6QIB0d0FDks#t=85 
 
2- Fotos do Psicodrama na Atualidade 
 
Veja algumas fotos do Psicodrama na atualidade: http://www.abps.com.br/ 
 
3- Vídeos: 
 
- O que é Psicodrama? 
http://www.youtube.com/watch?v=cHr9edtXeR8#t=132 
Fonte: Federação Brasileira de Psicodrama (FEBRAP) 
 
- Sociodrama: Uma Tecnologia Social 
http://www.youtube.com/watch?v=1h9LCcz1f7E#t=149 
4 - Livros 
Veja alguns livros sobre Psicodrama: https://www.google.com.br/search?num=100&hl=pt-
BR&tbo=p&rlz=1T4SNYO_pt-
BRBR299BR329&tbs=bks%3A1&q=psicodrama&btnG=Pesquisar&meta=&aq=f&aqi=g10&aql
=&oq=&gs_rfai= 
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5 - Livro de Jacob Levy Moreno 
Aprofundamento dos conceitos estudados: leia o livro de Jacob Levy Moreno com 
visualização PARCIAL (80%) no Google Livros: 
 
 
PSICODRAMA 
Jacob Levy Moreno - 1975 - 496 páginas 
 
books.google.com.br 
 
Visão geral do livro : http://books.google.com.br/books?id=bQXbreJWhPMC&hl=pt-
BR&ei=6onxS4j2NoKClAfNqfUL&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0
CCoQ6AEwAA 
 
Visualização: 
http://books.google.com.br/books?id=bQXbreJWhPMC&printsec=frontcover&dq=m
oreno&hl=pt-BR&ei=6onxS4j2NoKClAfNqfUL&sa=X&oi=book_result&ct=book-
preview-link&resnum=1&ved=0CCsQuwUwAA#v=onepage&q=moreno&f=false4. Referências 
 
ANZIEU, Didier Psicodrama analítico. Rio de Janeiro: Campus, 1981. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICODRAMA E SOCIODRAMA. Disponível em: 
<http://www.abps.com.br>. Acesso em: 06 mai. 2010. 
 
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE PSICODRAMA. Disponível em: 
<http://www.febrap.org.br>. Acesso em 05 mai. 2010. 
 
GONÇALVES, Camila Salles; WOLFF, José Roberto; ALMEIDA, Wilson Castello de. Lições de 
Psicodrama: introdução ao pensamento de J. L. Moreno. São Paulo: Ágora, 1988. 
 
MORENO, Jocob Lévy. Psicoterapia de grupo e Psicodrama. São Paulo: Mestre Jou, 1974. 
 
PEREIRA, Eleonora; DIOGO, Nara Maria Forte. Interfaces entre psicologia social comunitária 
e Psicodrama. Revista Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo, vol. 11, n. 2, p. 145 – 160, 
2009. 
 
YOZO, Ronaldo Yudi. 100 jogos para grupos: uma abordagem psicodramática para 
empresas, escolas e clínicas. São Paulo: Agora, 1996. 
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5. Estudo de Caso 
 
 
 
 
 
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