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MODELOS PEDAGÓGICOS E EPISTEMOLÓGICOS EM EDUCAÇÃO ( ) PÁGINAS 11 ATÉ 19 O que é epistemologia? Em seu sentido geral, epistemologia é a parte da Filosofia que estuda o conhecimento: o conhecimento lógico, organizado, racional ou seja, o conhecimento científico. Os epistemólogos, desde a Grécia Antiga até os tempos atuais, buscaram responder à seguinte questão: “como o homem chega ao conhecimento?“ Modelos epistemológicos Há três diferentes maneiras de respondermos à pergunta sobre a origem do conhecimento, cada corrente epistemológica apresentará sua perspectiva: inatismo, empirismo e interacionismo. Visão inatista do conhecimento Essa perspectiva é qualificada como inatista, porque tem como princípio a ideia de que o homem nasce com o conhecimento predeterminado em sua herança genética. Há, portanto, uma crença em um determinismo biológico que define a priori a capacidade intelectual do individuo, ficando o contexto sociocultural refém desses conteúdos inatos. Na filosofia, Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.) e Platão (427 a.C. - 347 a.C.) são representantes desse modo de pensar. Eles acreditavam que a razão era imanente (isto é, inerente, intrínseca) e constitutiva do espírito humano, defendendo, portanto, a introspecção como método privilegiado de conhecimento. O conhecimento, assim, ocorreria por um questionamento pessoal e sistemático do sujeito sobre as coisas e as ideias sobre elas, e, mesmo podendo ser estimulado pelas perguntas de um mestre, a reflexão subjetiva constituía-se como a principal fonte de conhecimento. Nessa concepção, portanto, o conhecimento se dá por uma iluminação ou revelação de algo que já estava presente no sujeito, mesmo que ele não tivesse consciência disso. Platão afirma que o saber intelectual transcende o saber sensível e que os conceitos existem em uma condição a priori no espírito humano, sendo revividos por meio de sensações, ou seja, as sementes do conhecimento existiriam previamente na mente humana amadurecendo ao longo do desenvolvimento. Observação.... No dicionário, encontramos a seguinte definição de inatismo: “doutrina que admite a existência de ideias ou princípios independentes da experiência” (FERREIRA, 1986, p. 929). Você já havia se questionado a respeito dos princípios que fundamentam os testes de inteligência? Você já se submeteu a algum deles? De acordo com Becker (2001) o modelo epistemológico inatista sobre o conhecimento pode ser assim representado: S → O. Vamos compreender melhor esses símbolos: • “S” significa sujeito do conhecimento (ou sujeito epistêmico), ou seja, é um conceito teórico que representa um sujeito universal – qualquer sujeito, qualquer um de nós –, e não um indivíduo específico em particular; • “O” significa objeto do conhecimento, podendo ser do mundo físico ou social, ou seja, aquilo que é conhecido pelo sujeito do conhecimento; • a seta “→” representa o sentido do conhecimento. E por que ela se dirige do Sujeito (S) para o Objeto (O)? Porque, como vimos até aqui, a ideia central é que o conhecimento existiria internamente no sujeito, manifestando-se, revelando-se, no contato com os objetos, de dentro para fora. Lembrete!!!! Representação do conhecimento e da inteligência no modelo epistemológico inatista: S → O. Visão empirista do conhecimento O principal filósofo que representa o pensamento dessa corrente epistemológica é Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.). Para ele, o conhecimento provém da dedução baseada na experiência sensível e, por isso, é considerado o criador da lógica. Ou seja, ele buscava uma explicação racional sobre as os fenômenos, o que impulsionou o desenvolvimento da ciência e da metodologia científica como a fonte correta e confiável para a obtenção do conhecimento. Ele condenava toda forma de inatismo, defendendo que mesmo os conceitos e os juízos são retirados da experiência, da representação sensível, sendo que, para esse filósofo, os sentidos por si só nunca nos enganam. Essa corrente também é conhecida como positivismo lógico (FERREIRA, 1986) Se, no inatismo, a inteligência do sujeito ficava determinada pelo seu potencial genético, aqui, ela é determinada pelas condições do meio externo em que o sujeito está inserido. Ou seja, em última instância, o sujeito dependerá de outras pessoas que fornecerão os elementos que ele deverá aprender e conhecer e que estimularão a sua capacidade intelectual em uma dada direção. Uma expressão bastante utilizada para descrever essa situação é referir-se ao sujeito como uma tabula rasa: que nasceria como uma folha de papel em branco, a qual, a partir das experiências vividas, seria preenchida com os conteúdos do conhecimento. O conhecimento depende da descoberta feita pelo sujeito diante daquilo que já existe no mundo, que já é, já está dado, estabelecido. Lembrete!!! Representação do conhecimento e da inteligência no modelo epistemológico empirista: S ← O. Pensando nas situações de aprendizagem, nessa perspectiva valorizam-se as instruções e os programas (já predeterminados) que irão levar o sujeito ao desenvolvimento da inteligência, tendo como base a criação de hábitos, rotinas e procedimentos favoráveis à aprendizagem. A psicologia, aqui, vai contribuir com metodologias de ensino e de transmissão de conhecimento. O sujeito (ou aluno) seria o resultado do que fosse programado e coordenado pelos agentes externos (como especialistas e professores, por exemplo). A avaliação não se baseia em um teste, mas ela tem como foco verificar a soma de aprendizagens acumulativas proporcionadas pela experiência e quanto maior a soma, maior é considerada a inteligência do sujeito. Ela pode ser feita em duas etapas: uma antes e outra após a instrução realizada, para certificar qual o conhecimento adquirido pelo sujeito. Observação..... Vejamos uma definição para empirismo: “doutrina ou atitude que admite, quanto à origem do conhecimento, que este provenha unicamente da experiência” (FERREIRA, 1986, p. 637). Visão interacionista do conhecimento Tanto Macedo (2002) como Becker (2001) apontam o epistemólogo Jean Piaget (1896-1980) como o principal representante da visão interacionista do conhecimento, cujas ideias foram inspiradas, em grande parte, nas ideias do filósofo Immanuel Kant (1724-1804). Em um de seus principais livros, Crítica da razão pura (1781), Kant afirma que a razão, sem apoio na experiência sensível, perderia o sentido, tornando-se vazia, da mesma forma que as intuições ou os elementos obtidos por meio da experiência sensível, sem a razão, seriam cegas e sem rumo. Ele vai desenvolver seu pensamento buscando articular a existência de juízos ou categorias prévias no sujeito, mas que necessitariam da experiência para ganhar sentido, uma vez que os fenômenos (o mundo real) existem para além das ideias do sujeito. Ou seja, se é a experiência, por um lado, que fornece a matéria-prima, a base para o conhecimento, é o espírito humano que organiza em um sistema espaço-temporal esse conhecimento, dotando-lhe de sentido em nossas vidas. Lembrete!!!!! Interacionismo: o conhecimento não é o reflexo do objeto exterior. É o próprio sujeito que constrói (com os dados do conhecimento sensível) o objeto do seu saber. Ser inteligente, em uma perspectiva construtivista, é saber coordenar ações (físicas, motoras, afetivas, cognitivas) em direção à resolução de um problema ou situação. Sendo assim, a inteligência expressa como o sujeito pode compreender e realizar tarefas segundo os diferentes estágios do desenvolvimento. Construtivismo significa que a inteligência não está pronta ou acabada, que o conhecimento não é dado como algo terminado. Nessa perspectiva, oconhecimento não depende unicamente das relações sociais ou da bagagem genética hereditária. O conhecimento é resultado da interação do sujeito com o objeto (meio físico, social, com os símbolos, signos pertencentes ao contexto socio-histórico em que está inserido o sujeito) que possibilitará a construção do conhecimento e desenvolvimento das estruturas de inteligência. Portanto, o conhecimento é resultado da dialética da interação sujeito-objeto. De acordo com Becker (2001), epistemologicamente, essa relação pode ser assim representada: S ↔ O. Ou seja, nesse modelo epistemológico, a seta entre o sujeito e o objeto do conhecimento possui dupla direção indicando que ambos se constituem, se determinam mutuamente: à medida que conhece o objeto, o sujeito conhece a si mesmo; à medida que, ao conhecer o objeto, ele o transforma, atribuindo significados a ele, ele próprio, sujeito, sofre modificações, transforma-se, constrói novas estruturas mentais. Lembrete!!!!! Representação do conhecimento e da inteligência no modelo epistemológico interacionista: S ↔ O. LER AS PÁGINAS 20 ATÉ 28