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O DESENVOLVIMENTO INFANTIL 
 
 segundo Jean Piaget 
ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
0-2 ANOS
 
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
Características gerais
inteligência prática (vem antes da linguagem)
contato com o meio é direto e imediato (sem representação)
inteligência trabalha por meio de percepções (sensórial) e ações (motoras)
criança busca adquirir controle motor e aprender sobre os objetos 
conduta social: o mundo é ele (egocentrismo primitivo)
indiferenciação interno e externo (indissociação primitiva)
linguagem: ecolalia ou lalalismo (repetição de sons como exercício) e
 palavras-chave (indicam ação e não representam mentalmente um objeto)
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
Principais aquisições até final 
Conquista, através da percepção e ação, do universo prático que o rodeia
Coordenação meios e fins 
Diferenciação física e dissociação interno e externo (eu-mundo)
Construção da noção de eu e de um mundo objetivo
Caminho do desenvolvimento da consciência
indissociação primitiva → diferenciação eu – mundo
Por meio da construção simultânea da realidade interna e da realidade externa
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
1º - Exercício dos reflexos inatos (0-1 mês) 
Repetição dos esquemas motores inatos
Coordenações sensoriais e motoras de fundo instintivo (sucção, preensão, etc)
Assimilação: repetição de esquemas rudimentares permite adaptação as novas condições de estímulos
Generalização da atividade : extende estes esquemas a novos objetos
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
2º - Organização das percepções e hábitos e Primeiras adaptações adquiridas
 (1 a 4 meses) 
Formação dos primeiros esquemas e estruturas mentais do bebê
Conjuntos motores + conjuntos perceptivos = esquemas sensórios-motores
São construídos por meio das 
REAÇÕES CIRCULARES 
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
REAÇÕES CIRCULARES 
Ação não intencional que traz resultado interessante ou prazeroso que leva a repetição da ação
Reação Circular PRIMÁRIA
Esquemas simples descobertos ao acaso e restritos ao próprio corpo 
Formam hábitos (busca do mesmo resultado)
Repetição da ação e incorporação de novos elementos por diferenciações progressivas (acomodação)
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
3º - Inteligência sesório-motora (4 a 18 meses)
4-8 meses 
Reação Circular SECUNDÁRIA (coordenação de esquemas ao acaso mas relacionados ao ambientes físico e social) 
8-12 meses
Aparece a intencionalidade
Bebê utiliza os esquemas , coordenando meios e fins (instrumento e objetivo)
Começa a existir ANTECIPAÇÃO → ATO DE INTELIGÊNCIA 
Mas esquemas ainda são rígidos (assimilação continua forçada)
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
12 - 18 meses
Surge a Reação Circular TERCIÁRIA 
Além de reproduzir esquemas/ações, faz variações para testar resultados destas
“criança age como cientista”
Diferencia conduta para registrar diferentes resultados da experiência
Busca ativa de novas relações meios e fins
Descoberta de novos instrumentos / meios
Assimilação é recíproca e generalizada (incorpora objeto a diferentes esquemas)
Coordenação mais flexível de diferentes esquemas 
Realiza atos de inteligência para solucionar problemas
	
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
Final – 12-18 meses
Começa a aparecer a representação, o pensamento e a linguagem 
Há criação de novas combinações de esquemas a partir de representações
Bebê sai do egocentrismo inconsciente e do bloco indiferenciado eu-mundo e constrói um mundo exterior objetivo e a noção de eu (mundo interno inicia) 
indissociação primitiva → diferenciação eu – mundo
“Do caos ao cosmos” (Yve de La Taille)
Quando inicia a linguagem e representação entra no novo período.
	1 – ESTÁDIO SENSÓRIO MOTOR
4 processos / categorias fundamentais de pensamento: 
	OBJETO		ESPAÇO	 TEMPO	 CAUSALIDADE
	Início: objetos evanescentes
Com 1 ano de vida: 
noção de objeto permanente 
ou 
conservação de objeto	Tantos espaços quantos domínios sensoriais
Espaço não integrado
(no fim do 2º ano de vida noção será construída)	Não há passado nem futuro
Só presente
(noção será construída no decorrer do 2º ano de vida)	Mágico – fenomenista
(somente no decorrer do 2º ano de vida as relações de causalidade serão reconhecidas)
ESTÁDIO PRÉ-OPERATÓRIO
(SIMBÓLICO)
2 a 7 anos
 
	2 – ESTÁDIO PRÉ OPERATÓRIO
Com a separação interno-externo no fim do sensório motor aparecem:
Função semiótica (ou simbólica) = representação, imagem mental
Linguagem (código compartilhado com todos)
Surgem, portanto, dois novos mundos: social ↔ interno
	Função Semiótica possibilita	Linguagem possibilita
	interiorização da ação e da palavra
aparição do pensamento
	início da interação social pela comunicação 
socialização da ação/pensamento
atribuição de significado às coisas
	2 – ESTÁDIO PRÉ OPERATÓRIO
Linguagem: usada para intercomunicação e coação dos adultos (ordens, avisos)
Evolução: palavras-frase → duas palavras → frase real
Fenômeno típico: fala egocêntrica (sua função é auxiliar a ação)
Este fenômeno revela o “egocentrismo intelectual” 
(não separação interno-externo mas agora em relação ao pensamento)
	SOLILÓQUIO	MONÓLOGO COLETIVO
	Monólogo para auxiliar a ação individual (não tem função de comunicar nada)
Acompanha e descreve a ação	Em grupo, crianças falam de suas próprias ações
Não é uma verdadeira conversa
Primazia do ponto de vista próprio
	2 – ESTÁDIO PRÉ OPERATÓRIO
Aparecimento do pensamento
Com a linguagem e a socialização a inteligência é totalmente transformada e a criança torna-se capaz de 
Reconstruir ações passadas e evocar objetos ausentes (narrativas)
Antecipar ações futuras 
Esse é o ponto de partida do pensamento / raciocínio.
Há 3 formas características que observamos o pensamento nessa fase:
Jogo simbólico (“faz de conta”)
Pensamento intuitivo
Pensamento verbal
	2 – ESTÁDIO PRÉ OPERATÓRIO
JOGO SIMBÓLICO = “faz de conta”
 
Função: 
satisfazer os próprio desejos e adaptar o mundo ao eu (assimilar o real ao eu)
Assimilação é egocêntrica = há uma assimilação “deformada” da realidade, pois sujeito completa a realidade com a ficção (imaginação/fantasia)
É utilizado na tentativa de compreender o mundo
Exemplos:
Brincar de casinha, escolinha, super herói... (a criança se transforma no personagem)
Brincar de boneca, carrinho, fazendinha, utilizar um toco que vira avião na imaginação... (o objeto é investido de imaginário)
16
	2 – ESTÁDIO PRÉ OPERATÓRIO
PENSAMENTO VERBAL
Fase dos “por quês”
Criança procura entender a razão dos fenômenos e o significado das coisas
Quer entender causa e finalidade e confunde as duas
Não entende o acaso (tudo tem uma explicação)
Tipos característicos de explicação das crianças
	ANIMISMO	FINALISMO	ARTIFICIALISMO
	Tendência de conceber as coisas como vivas ou com intenção
“A nuvem anda porque quer esconder o sol”
“A bola desce a rampa porque quer chegar lá embaixo”	Tudo tem uma finalidade determinada, é “feito para...”
“O vento sopra para refrescar as pessoas”
[o que é uma bola?] “A bola é para jogar ”	Tudo foi “construído” (à maneira dos homens) , nada é natural
“Colocaram uma pedra e depois outra... Até formar a montanha”
“O lago? Cavaram um buraco, colocaram a manhgueira e encheram de água!”
	2 – ESTÁDIO PRÉ OPERATÓRIO
PENSAMENTO INTUITIVO
é mais adaptado ao real
criança afirma ou explica algo mas não prova logicamente
não consegue definir conceitos que usa
está mais adiantada nas ações que na palavra
existe uma inteligência prática (que vem do S-M) mas não há operação racional lógica: é intuitiva (pré-operatória)
prevalece a percepção (criança suplementa a lógica com a intuição)
Não há reversibilidade das operações
MAS → criança começa a antecipar consequências e reconstruir estados anteriores
	2 – ESTÁDIO PRÉ OPERATÓRIO
PENSAMENTO INTUITIVO 
Exemplos: 
Operação da conservação de quantidade de massa ou matéria: 
não faz a conservação, confunde forma e quantidade. 
Depois da transformação... Pesquisador pergunta:
Tem a mesma quantidadede massa? O que vc acha?
1
2
3
 
	Resposta (no pré operatório):
1- Acho que a salsicha tem mais, porque é maior. 
	2- As bolinhas tem mais, porque são várias bolinhas e aí tem mais, né? A bolona é uma só.
2- Acho que a bolona tem mais , porque é mais “gorda”. 
	3- Ah! A fileira agora tem mais bolinhas com certeza. Porque ficou mais comprida! Olha!
ESTÁDIO 
OPERATÓRIO CONCRETO
7 a 11 anos
 
	3 – ESTÁDIO OPERATÓRIO CONCRETO
A criança sai do egocentrismo intelectual e social anterior e torna-se capaz de:
estabelecer relações, coordenar e dissociar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e de integrá-los de modo lógico e coerente – descentração do pensamento.
Discussão externa ↔ reflexão interna (deliberação nos dois planos)
maior concentração individual, quando sujeito trabalha sozinho (diminuição ou fim da fala egocêntrica)
Colaboração/cooperação efetiva, quando está em grupo
	3 – ESTÁDIO OPERATÓRIO CONCRETO
Tem início a lógica operatória (ou as operações racionais)
Lógica → sistema de relações objetivas que permite a coordenação de diferentes pontos de vista (do mesmo indivíduo ou de indivíduos diferentes)
Operações → principal característica: REVERSIBILIDADE
As operações nunca são isoladas, mas coordenadas entre si em sistemas de conjuntos, passíveis de composição, revisão ou inversão.
As operações consistem em reunir informações, colocá-las em correspondência, introduzir reciprocidade. 
Ex.: conservação, classificação, seriação, adição, multiplicação, conceito de número...
As ações físicas começam a ser internalizadas em OPERAÇÕES por meio de transformações reversíveis
	3 – ESTÁDIO OPERATÓRIO CONCRETO
Operações Concretas
Baseiam-se diretamente nos objetos concretos e situações reais (e não em hipóteses enunciadas verbalmente)
Faz operações somente em relação a objetos ou situações passíveis de serem manipulados ou imaginados de forma concreta.
Conquistas e características:
Noções fundamentais do pensamento são construídas logicamente (tempo, espaço, causalidade)
A assimilação é racional
Criança busca explicação lógica /racional para tudo!!!
ESTÁDIO 
OPERATÓRIO FORMAL
11 a 15 anos (início) + ...
 
	4 – ESTÁDIO OPERATÓRIO FORMAL
Tem início o PESAMENTO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO
Operações lógicas começam a ser transportadas do plano da manipulação concreta para o plano das ideias
O sujeito consegue libertar-se do concreto e situar o real num conjunto de transformações possíveis. 
É possível raciocinar por hipóteses na medida em que consegue formar esquemas conceituais abstratos e por meio deles executar operações mentais dentro da lógica formal. 
Sujeito torna-se capaz de raciocinar por ideias gerais e constuções abstratas
Capaz de deduzir as conclusões de puras hipóteses (sem apoio no concreto/ real) 
É a lógica das proposições (que envolvem necessariamente implicações)
	4 – ESTÁDIO OPERATÓRIO FORMAL
É a idade dos grandes ideais e início da capacidade de formular teorias. 
Adquire capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute os valores morais de seus pais e constrói os seus próprios, construindo, portanto, sua autonomia.
Grande poder do pensamento
(que 1º perturbam a afetividade e o pensamento mas depois os fortalecerão)
O indivíduo, nesta fase, adquire o padrão intelectual que persistirá pela vida adulta, seu desenvolvimento posterior consistirá numa ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade, mas não pela aquisição de novos modos de funcionamento mental.
	4 – ESTÁDIO OPERATÓRIO FORMAL
É possível agora realizar as operações de:
Combinatória 
Probabilidade (pensar o acaso de forma racional)
Indução, dedução de leis, etc.
Egocentrismo metafísico
Submete realidade ao pensamento
Passagem para fase adulta
Reconciliação do pensamento formal com a realidade (sujeito entente que o pensamento está a serviço da realidade e sua transformação)
fim