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Provavelmente, você já deve ter escutado que é preciso cortar 
os custos para continuar operando. Mas será que essa linha de 
raciocínio, tão comum no mercado, é a abordagem correta? 
Este livro tenta responder a essa questão, apresentando uma 
reflexão sobre aspectos teóricos e práticos da gestão de custos, 
esmiuçando a essência do que vem a ser esse processo.
Você vai entender a importância da contabilidade para 
a gestão de custos e a necessidade de compreender as 
terminologias que identificam os gastos de uma empresa, além 
de conhecer os métodos de apropriação dos custos e a lógica 
contábil utilizada para o acúmulo dos gastos operacionais. 
Desse modo, você será capaz de compreender dois momentos 
distintos no processo de gestão de custos: a percepção contábil 
financeira e a percepção contábil gerencial e, assim, ter um 
olhar mais sistêmico sobre o processo de gestão de custos.
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Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6576-9
9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 7 6 9
Código Logístico
59145
Gestão e 
controle de custos 
Ernani João Silva 
Guilherme Teodoro Garbrecht
IESDE BRASIL
2020
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
S579g
Silva, Ernani João
Gestão e controle de custos / Ernani João Silva, Guilherme Teodoro 
Garbrecht. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020.
150 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-6576-9
1. Contabilidade de custo. 2. Contabilidade gerencial. I. Garbrecht, 
Guilherme Teodoro. II. Título.
20-62467 CDD: 657.42
CDU: 657.4
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
© 2020 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Sergey Nivens/Khongtham/Shutterstock
Mestre em Contabilidade Gerencial e Finanças, 
especialista em Auditoria Integral e bacharel em Ciências 
Econômicas pela Universidade Federal do Paraná 
(UFPR). Técnico em Processamento de Dados pela 
Organização Paranaense de Ensino Técnico (Opet) e 
técnico em Química pelo Instituto Politécnico Estadual 
do Paraná (IPE-PR). Atua no mercado como consultor 
empresarial sobre gestão econômica e financeira, como 
professor de graduação e pós-graduação em cursos 
presenciais e a distância e, também, como professor 
de cursos para concursos públicos. Dentre outras 
cadeiras acadêmicas ministradas no ensino superior, 
destacam--se: Matemática, Estatística, Modelagem e 
Análise de Dados, Administração, Custos, Economia, 
Controladoria e Auditoria Interna. Como autor, tem dois 
livros publicados: Custos empresariais: uma visão sistêmica 
do processo de gestão em uma empresa e Uma reflexão 
introdutória sobre o Brasil e sua formação econômica.
Mestre pelo programa de Contabilidade Gerencial e 
Finanças da Universidade Federal do Paraná (UFPR), 
especialista em Controladoria pela Universidade Federal do 
Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em Ciências Contábeis 
pela Fundação Educacional Machado de Assis. Atua como 
professor de graduação nas modalidades presencial e a 
distância nos cursos de Administração, Ciências Contábeis, 
Comércio Exterior e Economia. Como professor de 
ensino superior, ministrou as disciplinas de: Contabilidade 
Financeira e Societária, Contabilidade Internacional, Técnicas 
Avançadas de Custos, Gestão Financeira e Controladoria, 
Análise de Demonstrações Contábeis, dentre outras. 
Coautor do livro Custos empresariais: uma visão sistêmica 
do processo de gestão em uma empresa. É autor, também, 
de artigos científicos publicados em congressos e revistas 
científicas na área de contabilidade financeira e gerencial. 
Há mais de 20 anos atua em empresas nas áreas de 
contabilidade e controladoria.
Ernani João Silva
Guilherme Teodoro 
Garbrecht
SUMÁRIO
1 A contabilidade e o processo de gestão de custos 9
1.1 Importância da contabilidade 9
1.2 Informação contábil no processo de gestão 12
1.3 Terminologias aplicadas nos custos 15
1.4 Uma visão sistêmica da gestão e do controle dos custos 19
2 Introdução aos sistemas de apropriação de custos 24
2.1 Custeio por absorção 24
2.2 Custeio baseado em atividades 30
2.3 Custeio variável 37
2.4 Sistemas de acumulação de custos 41
3 Custeio por absorção 47
3.1 Materiais diretos e mão de obra direta 47
3.2 Custos indiretos 53
3.3 Rateio: centro de custo 58
3.4 Aplicação: análise e formação de preço de venda 63
4 Sistemas de controle de estoque 73
4.1 Controle de estoque 73
4.2 Custo médio ponderado móvel 77
4.3 Custo médio ponderado fixo e PEPS 84
4.4 Preço específico e UEPS 91
5 Análise de custo para tomada de decisão 98
5.1 Gastos fixos 99
5.2 Gastos variáveis 101
5.3 Margem de contribuição 107
5.4 Ponto de equilíbrio: quantidade e preço de venda 112
6 Custos para planejamento e controle 122
6.1 Grau de comprometimento da receita 122
6.2 Margem de segurança 129
6.3 Alavancagem operacional 134
6.4 Custo meta, custo padrão e custo real 141
“Precisamos cortar os custos para continuarmos operando!” 
Provavelmente, você já deve ter escutado essa afirmação; se ainda não ouviu, 
acredite, você vai escutar... Muito! Mas será que essa linha de raciocínio, tão 
comum no mercado, é a abordagem correta? Este livro tenta responder a 
essa questão. Em seis capítulos, é apresentada uma reflexão sobre aspectos 
teóricos e práticos da gestão de custos, esmiuçando a essência do que vem a 
ser esse processo.
No primeiro capítulo, apresenta-se a importância da contabilidade para 
a gestão de custos e a necessidade de compreender as terminologias que 
identificam os gastos de uma empresa. O segundo capítulo traz uma visão 
geral das três formas de custeio (isto é, dos métodos de apropriação dos 
custos) e da lógica contábil utilizada para o acúmulo dos gastos operacionais. 
Assim, com esses dois capítulos de base, tem-se, na sequência, a divisão 
do livro em dois momentos distintos no processo de gestão de custos: a 
percepção contábil financeira e a percepção contábil gerencial. 
A percepção contábil financeira é abordada no terceiro e no quarto capítulos. 
Nesse momento, ocorre, respectivamente, a análise dos gastos segundo a 
ótica do custeio por absorção e o impacto desse procedimento analítico no 
sistema de estoques da empresa. Já a percepção contábil gerencial, no quinto 
capítulo, ocupa-se em apresentar as consequências analíticas básicas do custeio 
gerencial. Posteriormente, no sexto capítulo, são expostas as suas ramificações 
matemáticas e econômicas por um olhar mais sistêmico sobre o processo de 
gestão dos custos.
Sem querer adiantar nada (mas já antecipando), ao terminar o estudo 
deste livro e refletir um pouco, você encontrará a resposta da pergunta 
feita inicialmente nesta apresentação: uma empresa precisa ter custos para 
operar, o que ela não pode ter são desperdícios. Sendo assim, para continuar 
operando, uma empresa não deve ter como foco o corte de gastos no 
processo de gestão de custos, mas sim a eliminação das ineficiências.
Boa leitura e muito sucesso!
APRESENTAÇÃO
A contabilidade e o processo de gestão de custos 9
Não é possível falar em gestão de custos sem falar em contabi-
lidade de custo. Na verdade, é possível dizer que a contabilidade é 
o alicerce que sustenta a gestão de custos. O objetivo deste capí-
tulo é explicar o motivo dessa conexão entre essas duas áreas do 
conhecimento humano, apresentar algumas expressões contábeis 
que são essências para o entendimento da gestão dos custos e, 
por fim, ilustrar como os artefatos contábeis interagem entre si e 
geram informação qualificada para o processo decisório e para a 
análise dos custos de uma empresa.
A contabilidadee o processo 
de gestão de custos
1
1.1 Importância da contabilidade 
Vídeo De acordo com Hendriksen e Van Breda (2010, p. 39), apesar de a 
história primitiva da contabilidade se confundir com a própria história da 
humanidade, em seu conceito moderno, “a contabilidade é um produto 
do renascimento italiano”. Inicialmente, seu objetivo era fornecer infor-
mações para o proprietário de um empreendimento – o termo proprie-
tário no singular está correto, pois, no fim do século XV, um investimento 
comercial normalmente tinha apenas um dono, que também respondia 
como administrador. Assim, a contabilidade não era algo tão comple-
xo até esse momento. O usuário dos números contábeis (o dono/ges-
tor) detinha profundo conhecimento sobre cada operação registrada. O 
lucro era reconhecido contabilmente apenas ao término de cada ciclo 
operacional (compra, pagamento, venda e recebimento). Além disso, os 
ciclos operacionais eram apenas de curto prazo.
Com a Era dos Descobrimentos – entre fim do século XV e o início 
do século XVII –, ocorre o deslocamento do centro comercial da Itália 
para as duas grandes nações exploradoras da época: Espanha e Portu-
10 Gestão e controle de custos
gal. Foi nesse momento que surgiram os investimentos de longo prazo 
de capital conjunto. Uma viagem marítima à Índia, à África ou ao Novo 
mundo (Américas), como ressaltam Hendriksen e Van Breda (2010), 
exigia um volume expressivo de capital, o qual era obtido somente 
por meio de inúmeros investidores – por isso o termo capital conjunto. 
Cada investidor tinha como direito uma participação sobre o resultado 
final dessa aventura comercial marítima, proporcional ao capital que 
investiu para a realização da viagem. Apesar de certo aumento na com-
plexidade do registro dos eventos, a contabilidade ainda era simples 
no que dizia respeito à apuração do resultado final, pois seu cálculo 
apenas ocorria ao término de toda a operação, com base, portanto, no 
confronto entre custos já incorridos e receitas já obtidas. E assim se 
manteve até o século XIX.
Entre 1494 e 1800, a contabilidade precisava se preocupar em pres-
tar informações a diferentes usuários, que, ao contrário do que ocorria 
com os investidores italianos, não estavam cientes de todos os eventos 
citados nos registros contábeis. Esses novos usuários precisavam to-
mar decisões sobre seus investimentos pensando em cenários de lon-
go prazo – precisavam considerar o tempo para preparar a viagem, ir a 
terras distantes, adquirir ativos, voltar ao Velho Mundo e vender esses 
ativos, por exemplo. Além disso, precisavam levar em consideração o 
alto risco envolvido nessa operação, como o risco de naufrágios por 
mau tempo ou por ataques de piratas. Segundo Hendriksen e Van Bre-
da (2010), apesar desse cenário de vários usuários, altos riscos e maior 
tempo nos investimentos, a contabilidade, para alguns estudiosos, não 
teve um desenvolvimento substancial nesse período, o que levou essa 
fase a ser conhecida como a época da estagnação. É importante ressal-
tar, no entanto, que isso não é consenso na academia.
Com a Revolução Industrial inglesa – entre o final do século XVIII 
e meados do século XIX – e a expansão da industrialização nos EUA – 
entre o século XIX e início do século XX –, tem-se o fim do período da 
estagnação contábil, dadas as novas necessidades informacionais dos 
usuários contábeis. Hendriksen e Van Breda (2010, p. 47, grifos nossos) 
explicam que, dentre outros itens,
o advento do sistema fabril e da produção em massa resultou na 
transformação de ativos fixos em custo significativo do processo 
de produção e distribuição, tornando o conceito de depreciação 
mais importante. À medida que aumentava a necessidade de 
A contabilidade e o processo de gestão de custos 11
informação gerencial sobre os custos de produção e os custos 
a serem atribuídos à avaliação de estoques, o mesmo acontecia 
com a necessidade de sistemas de contabilidade de custos. [...] a 
separação entre investidor e administrador significou que um 
dos principais objetivos da contabilidade passou a ser a elabora-
ção de relatórios a proprietários ausentes.
Conforme mencionam os autores, a partir do século XIX, a contabili-
dade reconheceu a existência dos grupos distintos de usuários: o inter-
no (os administradores de uma empresa) e o externo (os investidores/
capitalistas ausentes). O primeiro grupo demandava da contabilidade 
informações úteis – principalmente sobre custos de estoque e de pro-
dução – para qualificar decisões que tomariam sobre a continuidade da 
empresa. Já o segundo visava obter, nos relatórios contábeis, informa-
ções sobre o retorno dos investimentos já feitos na empresa, de modo 
a decidir se manteriam e/ou iniciariam investimentos com a entidade 
contabilizada. Dado esse fato, como aponta Padoveze (2009), a contabi-
lidade, para atender adequadamente a tais demandas informacionais, 
precisou se dividir em duas linhas distintas: contabilidade financeira 
(destinada aos usuários externos) e contabilidade gerencial (desti-
nada aos usuários internos). A contabilidade gerencial representaria a 
essência da escola contábil italiana (focada na necessidade adminis-
trativa), e a contabilidade financeira, a da escola americana (focada na 
necessidade dos capitalistas/investidores).
Atualmente, as informações contábeis gerencial e financeira, segun-
do Atkinson et al. (2019), são facilmente diferenciadas entre si, consi-
derando os atributos que precisam possuir para atingir seus objetivos 
como provedoras de informações qualificadas à sua audiência. Nesse 
sentido, a contabilidade financeira tem as seguintes características:
1. É retrospectiva ao relatar e resumir em termos financeiros os 
resultados de decisões e transações anteriores.
2. É principalmente orientada aos stakeholders externos, como 
investidores, financiadores, reguladores e autoridades de 
impostos.
3. Deve ser consistente com as normas formuladas por emisso-
res de padrões, como o Financial Accounting Standards Board 
(FASB) nos Estados Unidos e o International Accounting Stan-
dards Board (IASB). (ATKINSON et al., 2019, p. 3, grifos nossos)
Por outro lado, a informação contábil gerencial tem os seguintes 
atributos:
stakeholders: partes/pessoas 
interessadas.
Glossário
12 Gestão e controle de custos
1. É retrospectiva ao fornecer feedback sobre operações anterio-
res e também prospectiva, ao incorporar previsões e estimati-
vas sobre eventos futuros. [...] utiliza medidas financeiras e não 
financeiras.
2. Está orientada para atender às necessidades de tomada de deci-
são de funcionários e gerentes das organizações.
3. Nenhum órgão de padronização ou regulador influencia es-
pecificamente o projeto da informação contábil gerencial e dos 
sistemas. (ATKINSON et al., 2019, p. 3, grifos nossos)
A contabilidade financeira é mais rígida em suas normas de lança-
mentos e tem uma função mais histórico-informativa; já a contabilidade 
gerencial é mais flexível e tem uma função mais prospectiva, podendo, 
aliás, ser customizada de acordo com as necessidades dos usuários in-
ternos. Embora a informação contábil seja fruto do rigor dos atributos 
financeiros ou da customização gerencial, o que realmente importa é 
que ela provém de uma ciência que se destaca no mundo dos negó-
cios por ser, segundo Marion (2018, p. 4), “o instrumento que fornece 
o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e 
fora da empresa”. Desse modo, a contabilidade se apresenta por ter 
sido forjada e testada desde os primórdios da história comercial da 
humanidade no que diz respeito às tarefas que envolvem identificar 
eventos relevantes às necessidades dos usuários; coletar, mensurar e 
padronizar adequadamente os dados impactantes desses eventos; e, 
por fim, processar e sumarizar esses dados gerando informações úteis 
às partes interessadas.
1.2 Informação contábil no processo de gestão 
Vídeo Sinteticamente, um processo de gestão de uma empresa é consti-
tuído por três eventos,conforme podemos observar na Figura 1.
Figura 1
Ciclo sintético de um processo 
de gestão
Execução e 
controle
Planejamento 
estratégico
Planejamento 
operacional Fonte: Elaborada pelos autores com base em Crepaldi e Crepaldi, 2017, e 
Nascimento e Reginato, 2013.
Tendo como base o caráter 
amplo e sistêmico da gestão 
de custos de uma empresa, 
é possível considerar sua 
existência sem a presença da 
contabilidade?
Atividade 1
A contabilidade e o processo de gestão de custos 13
Na fase de planejamento, existem as etapas das decisões estratégicas 
e operacionais. O planejamento estratégico consiste em decisões que 
são tomadas pela alta administração de modo a garantir a continuidade 
da empresa no longo prazo. Envolve, dentre outras questões, lançamen-
tos de novos produtos, abertura de filiais, expansão ou redução de uni-
dades produtivas etc., tudo alicerçado nos valores, na missão e na visão 
da empresa. Já o planejamento operacional é a fase na qual a equipe 
gerencial estabelece os elementos concretos que irão balizar a execução 
do planejamento estratégico. Nesse momento, tem-se, resumidamente, 
as seguintes etapas: (i) avaliações econômico-financeiras das propostas 
que atendem às diretrizes estratégicas; (ii) elaboração da estrutura orça-
mentária da proposta aprovada como viável; e (iii) estabelecimento do 
cronograma de execução proposta aprovado e orçado.
A segunda fase desse ciclo, a qual se inicia com o processo de execu-
ção, consiste em colocar em prática as ações definidas no planejamen-
to operacional segundo as diretrizes presentes no plano orçamentário 
e no cronograma aprovado. Já o processo de controle, efetivado pela 
controladoria e testado pela auditoria interna, deve apurar se o que foi 
estabelecido nas etapas de planejamento está sendo cumprido e acom-
panhado adequadamente – quantidades, datas, valores, resultados etc. 
Quando o controle constata que a execução está ocorrendo se-
gundo as diretrizes do planejamento estratégico e operacional, diz-se 
que a execução está em conformidade. Do contrário, a execução é 
identificada como em não conformidade e se faz necessário realizar 
tanto medidas corretivas (destinadas a realinhar a execução ao plane-
jamento) como preventivas (destinadas a evitar novas ocorrências de 
não conformidade de mesma natureza). Em virtude de sua expressi-
va relevância para o sucesso de uma empresa, o processo de controle 
continuamente emite feedbacks das atividades em execução (simboliza-
dos pelas setas tracejadas da Figura 1) para todas as áreas envolvidas, 
sejam elas das fases do planejamento ou da execução, o que, por sua 
vez, permite a qualificação de novos planejamentos, reiniciando, assim, 
o ciclo empresarial da gestão.
A importância da informação contábil nesse cenário é inquestioná-
vel. Na fase do planejamento estratégico, o foco é o futuro da empresa; 
para defini-lo, a alta administração precisa de informações de dife-
rentes naturezas – como as econômico-financeiras. Definir objetivos a 
serem alcançados no futuro impõe a necessidade de saber, antes de 
14 Gestão e controle de custos
tudo, a situação atual da entidade – patrimônio, rentabilidade, lucra-
tividade etc. – e entender como as decisões do passado conduziram a 
empresa até aquele momento. A contabilidade financeira é a guardiã 
desses dados por meio de seus relatórios contábeis – Balanço Patrimo-
nial (BP), Demonstração do Resultado (DR), Demonstrativo de Fluxo de 
Caixa (DFC), Demonstrativo de Valor Agregado (DVA) etc.
Na fase do planejamento operacional, a vertente gerencial da con-
tabilidade se destaca no processo de constituição do plano orçamentá-
rio, no qual se tem a geração das informações contábeis prospectivas, 
que, segundo Nascimento e Reginato (2013), seriam, para uma fábrica, 
por exemplo:
Orçamento de vendas
Orçamento de produção
Orçamento dos custos de produção
Orçamento de estoque de produtos acabados
Orçamento dos custos dos produtos vendidos
Orçamento das despesas operacionais
Orçamento da demonstração de resultado
Orçamento das demonstrações contábeis consolidadas
Na fase da execução, a contabilidade é a área responsável por men-
surar as atividades e a produção da entidade, expressão do fruto de 
suas coletas em termos monetários. Desse modo, tornando possível a 
comparação entre o plano orçado e o que efetivamente foi executado, 
possibilita-se o controle dos gastos de uma entidade.
Portanto, de maneira bem sintética, é possível concluir que as 
decisões gerenciais tomadas em uma empresa buscam garantir a 
continuidade da entidade, tanto no curto quanto no longo prazo. 
Com esse foco, os gestores almejam tomar decisões que tornem 
A contabilidade e o processo de gestão de custos 15
seus produtos mais competitivos (investimentos em pesquisas e de-
senvolvimento – P&D), que ampliem a participação da empresa no 
mercado (investimentos em divulgação e distribuição), que maximi-
ze os ganhos dos donos (investimentos em programas para redução 
de desperdícios) etc.
As decisões pensadas em uma empresa necessitam de informações 
qualificadas tanto na fase ex-ante (antes de a decisão ser tomada) quan-
to na fase ex-post (após a decisão ser tomada) e, nesse sentido, a fonte 
mais confiável de informações é a contabilidade. Dentre as inúmeras 
informações disponibilizadas por ela, aquelas que tratam dos gastos da 
empresa certamente se destacam no processo de gestão.
1.3 Terminologias aplicadas nos custos 
Vídeo A contabilidade, na condição de linguagem dos negócios, impõe aos 
seus usuários a necessidade de um conhecimento mínimo sobre sua 
escrita. E a área de custo, considerada uma extensão da contabilidade, 
igualmente exige que certas terminologias sejam conhecidas. Assim, 
usaremos Martins (2010) para definir os seguintes termos: gasto, paga-
mento, investimento, custo, despesa e perda.
1.3.1 Gasto
Para a contabilidade, gasto é um sacrifício financeiro em que se in-
corre para a aquisição de bem ou serviço mediante a efetiva entrega 
(ou promessa de entrega) de um ativo, isto é, de um bem ou direito. 
Desse modo, quando alguém compra um televisor, seja na condição à 
vista ou a prazo, isso constitui um gasto; da mesma forma, quando al-
guém vai ao salão de beleza para ter o cabelo cortado, seja na condição 
à vista ou a prazo, isso também representa um gasto.
Na contabilidade, reconhecer que um gasto ocorreu em uma em-
presa requer provas documentais. Esses documentos precisam indicar 
que aconteceu a transferência da propriedade do bem e/ou serviço 
para a empresa mediante ou pelo reconhecimento de que há uma dí-
vida a ser paga (promessa de pagamento) ou pelo efetivo pagamento 
16 Gestão e controle de custos
dessa mediante a baixa do ativo (pagamento efetuado). Logicamente, 
a baixa mais comum do ativo no reconhecimento de um gasto ocorre 
na conta do ativo disponível, a qual envolve caixa e equivalente a caixa. 
É valido ressaltar, porém, que essa não é a única forma, pois outras 
contas do ativo podem ser usadas com sacrifício.
Por fim, resta dizer que investimentos, custos e despesas, por serem 
sacrifícios voluntários para aquisição de algo, também são gastos, toda-
via não são perdas, mas isso ficará mais claro nas próximas subseções.
1.3.2 Pagamento
Desembolso ou pagamento nada mais é do que a efetivação do 
sacrifício financeiro assumido na realização do gasto. Ele pode ocor-
rer em três momentos distintos em relação à entrega do bem ou 
serviço: antes, durante e depois. Por exemplo, quando alguém com-
pra um bem pela internet à vista (livro, roupa etc.), a entrega do 
produto pode levar alguns dias (ou mesmo semanas) para ocorrer, 
e isso é um caso de desembolso realizado antes. Quando o paga-
mento ocorre no ato do recebimento do bem ou serviço, trata-se de 
um caso de desembolso realizado durante. Um bom exemplo desse 
tipo de desembolso é a compra de um sanduíche em um fast food 
realizada com dinheiro em espécie (notas e/ou moedas) ou por meio 
do cartão de débito 1 . Por fim, compras aprazo são, logicamente, ca-
sos de desembolso realizado depois. Podemos citar, por exemplo, a 
compra de um televisor dividida em dez vezes com primeira parcela 
para daqui um mês.
Talvez o mais importante aqui seja entender que, mesmo que algo 
ainda não tenha sido pago, o simples fato de ter sido assumido o com-
promisso de pagamento já caracteriza a operação como gasto. Assim, 
não tem sentido lógico frases como “não gastei nada, porque parcelei 
no cartão de crédito”.
1.3.3 Investimento
Para a contabilidade, investimento é o gasto que foi reconhecido 
na conta do Ativo no Balanço Patrimonial. Por isso, investimento é 
reconhecido como um gasto ativado. A conta do Ativo representa, 
Algumas vezes, alunos 
argumentam que esse tipo de 
compra é antes, pois primeiro 
se realiza o pagamento para 
depois se obter o pedido. 
Nesse caso, devemos usar o 
bom senso, pois, segundo essa 
linha de raciocínio, qualquer 
diferença entre o desembolso 
e o recebimento do produto, 
por menor que seja (segundos, 
milésimos de segundos etc.), 
será um caso de antes ou 
depois. Portanto, conforme a 
escala temporal utilizada, nunca 
existirá caso de desembolso 
durante. Assim, para fins 
práticos, fica acordado que casos 
de diferença de poucos minutos 
ainda valem como desembolso 
realizado durante o recebimento 
do produto ou serviço.
1
A contabilidade e o processo de gestão de custos 17
em unidade monetária, todos os bens e direitos que uma empresa 
detém, como estoques, máquinas, prédios, direito de uso de marcas 
etc. Desse modo, o ativo de uma empresa representa o capital que 
ela investiu para poder operar. O capital ali reconhecido foi obtido 
mediante compromissos assumidos com terceiros (fornecedores, 
bancos etc.) e com os donos da empresa (segundo a percepção de 
distinção das entidades 2 ). Portanto, segundo a teoria aqui apresen-
tada, é um gasto.
Os investimentos de uma empresa, estando todos reconhecidos no 
ativo, somente são reduzidos quando são baixados (vendidos, consu-
midos etc.) ou amortizados (depreciação de uma máquina, desvaloriza-
ção de uma marca etc.).
1.3.4 Custo
O gasto que ocorre na produção de um produto (bem e/ou serviço) 
é denominado custo. Portanto, custo trata-se de um sacrifício financei-
ro no qual a empresa precisa incorrer para produzir um produto, o 
que implica falar em consumo/utilização de bens e/ou serviços para 
obtenção de outros bens e/ou serviços. Por exemplo, consumir tecido 
(bem) e utilizar o conhecimento de um alfaiate (serviço) para produzir 
um terno (bem).
Os custos podem ser classificados de diferentes maneiras, depen-
dendo do tipo de análise que se pretende realizar: fixos, semifixos, 
semivariáveis, variáveis, diretos, indiretos etc. A forma de classificar e 
analisar o custo gera informações distintas sobre o valor do estoque 
e, por isso, sobre o resultado de uma operação. Assim, a classifica-
ção dos gastos de produção está condicionada ao tipo de contabili-
dade utilizada: gerencial (usuários internos) ou financeira (usuários 
externos).
1.3.5 Despesa
O objetivo de uma empresa é obter lucro, e o conceito matemático 
de lucro é o resultado econômico positivo obtido pela diferença entre 
receita e despesa. Desse modo:
Segundo os princípios 
contábeis, a entidade empresa 
não deve se confundir com a 
entidade dono. Nesse sentido, 
sem maiores aprofundamentos 
teóricos, o lucro obtido pela 
empresa é o valor cobrado pelo 
dono por ele ter fornecido seu 
capital para a empresa realizar 
seus investimentos. Se não fosse 
assim, a empresa precisaria ter 
realizado mais compras a prazo 
com os fornecedores e obtido 
mais empréstimos com bancos.
2
18 Gestão e controle de custos
Se: RE = R – D
E: RE > 0 significa L
Então: L = R – D, desde que R > D
Em que: RE : resultado econômico
 R : receita
 D : despesa
 L : lucro
Esse desenvolvimento matemático permite concluir que, sendo a 
receita um benefício para a empresa e a despesa um sacrifício, desse 
modo, a despesa, na definição contábil, é o gasto no qual se incorre 
para a obtenção de receita.
Dado o desenvolvimento apresentado, Martins (2010) explica que 
o relatório contábil DR, por ser um confronto entre receita e despesas, 
não deveria, pelo menos no rigor da teoria, apresentar uma conta de 
Custo do Produto Vendido (CPV), no caso de uma indústria, ou de Custo 
da Mercadoria Vendida (CMV), no caso de um comércio. O mais corre-
to no DR seria identificar essas duas contas como despesas, principal-
mente no caso do CMV.
No DR de um comércio, por exemplo, o CMV implica na mensuração 
de produtos que foram comprados para revenda (gasto), que foram 
estocados até serem vendidos (investimento) e que, posteriormente, 
quando vendidos, foram baixados do estoque como despesa. Em ou-
tras palavras, não existe a fase de custo em um comércio, uma vez que 
o ativo adquirido para venda sequer passa perto de algo próximo de 
uma linha de produção nesse tipo de empresa.
1.3.6 Perda
Tem-se, aqui, um caso de sacrifício financeiro não intencional, pois 
trata-se de uma ocorrência que não foi realizada objetivando a aqui-
sição de um produto ou de uma receita. Não é um caso de custo e 
tampouco de despesa e, apesar de não ser uma despesa, ainda assim a 
perda é um valor que também é reconhecido no DR, visto que reduz o 
resultado econômico da empresa, sendo exemplos desses casos incên-
dios, furtos, erros, greves etc.
Tendo como base os preceitos 
classificatórios estudados 
na contabilidade de custo, 
apresente a sequência normal 
seguida pelo valor de um tecido 
comprado para confecção de 
camisetas.
Atividade 2
A contabilidade e o processo de gestão de custos 19
Apesar da clara definição sobre o que é uma perda para a contabi-
lidade, é necessário ter cuidado quanto ao uso dessa palavra em uma 
empresa, pois a diversidade de profissões pode resultar em conversas 
com sentidos ímpares. Por exemplo, é comum que a equipe técnica 
– engenheiros, químicos etc. – falem em “perdas” normais no uso de 
embalagens ou de produtos em um dia de trabalho. Para eles, perda 
normal é tudo aquilo que não virou produto final para venda porque foi 
descartado durante o ajuste do equipamento ou foi usado como amos-
tra para testar a qualidade do que estava sendo produzido, dentre ou-
tros motivos. O fato é que isso não representa perda para o registro da 
contabilidade, pois se essas ocorrências são algo que acontecem nor-
malmente na produção, então elas devem ser classificadas, mensura-
das e analisadas como um custo, pelo menos segundo a teoria contábil.
Por fim, como explica Martins (2010), quando a soma das perdas é 
um valor muito pequeno – isto é, sem materialidade –, então, por uma 
questão prática, esse valor irrisório pode ser considerado no cálculo 
do custo do produto ou no registro das despesas, dada sua irrelevân-
cia no resultado final.
O livro Contabilidade de 
Custos, do Prof. Dr. Eliseu 
Martins, é uma obra pio-
neira e ampla no estudo 
do custo. Sua primeira 
edição foi em 1978, e a 
décima, em 2010. Ainda 
é uma obra atual e de 
leitura obrigatória para 
todo aquele que deseja 
se aprofundar na conta-
bilidade e no processo 
de gestão de custos, seja 
para fins acadêmicos ou 
de mercado.
MARTINS, E. 10. ed. São Paulo: 
Atlas, 2010.
Livro
1.4 Uma visão sistêmica da gestão 
e do controle dos custos
Vídeo Quando alguém inicia sua jornada no mundo da gestão e do contro-
le dos custos, é normal que surja certa dificuldade para entender como 
todos aqueles conhecimentos estão relacionados sistemicamente en-
tre si. Assim sendo, esta seção busca apresentar resumidamente como 
esses artefatos contábeis se conectam gerando informações qualifica-
das sobre os gastos de uma entidade. Para tanto, será utilizado o dia-
grama presente na Figura 2.
1 2 1
2 3 2
4
Despesa Custo Investimento
Receita Gasto Perda
1 2
34
Fonte: Elaborada pelos autores com base em Martins, 2010.
Figura 2
Diagrama do fluxo 
de receita, gastos 
e perda
20 Gestão e controle de custos
A Figura 2 apresentaas três operações que impactam na geração do 
resultado de uma empresa: receita, gasto e perda. As operações para 
obtenção de receita são aquelas que envolvem a venda dos bens e/ou 
serviços. A receita de uma empresa é obtida mediante o produto da 
multiplicação entre o preço médio de venda e a quantidade total vendi-
da em certo período: Receita = quantidade × preço de venda. Segundo 
a teoria econômica, o preço de venda é o valor que o mercado acei-
ta pagar para adquirir certa quantidade de produto por acreditar que 
esse valor pago é justo, considerado a utilidade que apresenta aquela 
quantidade de produto comprada.
O retângulo das operações com gastos é subdividido em três pos-
sibilidades: operações que geram despesas (sacrifícios para obtenção 
de receita); operações que geram custos (sacrifícios para produzir bens 
e/ou serviços) e operações que geram investimentos (gastos que preci-
sam ser ativados para manter a empresa em operação, como é o caso 
de estoques e máquinas). Por fim, o retângulo denominado perda não 
envolve operações específicas, pois trata-se de sacrifícios incorridos de 
maneira involuntária. Portanto, como já foi estudado, não é custo, des-
pesa e tampouco investimento.
Além dos retângulos já citados, a Figura 2 também apresenta cír-
culos com numeração de 1 a 4, que são conectores lógicos do fluxo. 
Iniciando com o retângulo das operações que devem gerar despesas, 
tem-se que dele saem duas flechas, uma para o conector 1 e outra para 
o conector 2. Se tudo der certo, as operações realizadas irão se conec-
tar com o retângulo das receitas mediante o conector 1, o que significa 
que não importa se a venda será ou não concretizada, o importante é 
que foi reconhecido o esforço executado para a obtenção da receita, 
segundo as diretrizes da empresa (isto é, não ocorreu nenhuma ano-
malia nas operações). Quanto à eficácia dessas operações, isso será de-
terminado na apuração do resultado econômico no DR, consideradas 
efetivas se gerarem lucro ou se não gerarem prejuízo.
A segunda possibilidade é que algo anormal ocorra nessas opera-
ções e o sacrífico que está sendo efetuado para gerar receita, por um 
capricho do destino, também acabe por gerar uma perda. Isso significa 
que as operações estão sujeitas aos impactos de anomalias, ou, se pre-
ferir, de imprevistos indesejados. Imagine o seguinte caso: um vende-
dor completa o tanque de combustível do carro novo que a empresa 
No filme Moneyball: o ho-
mem que mudou o jogo, 
Brad Pitt interpreta Billy 
Beane, o gerente geral 
de um time de futebol 
americano – um time que 
tem um orçamento muito 
restrito em comparação 
ao dos times do campeo-
nato que disputa e, por 
isso, não consegue con-
tratar grande jogadores 
e ser competitivo. Para 
contornar essa situação, 
o gerente busca novas 
estratégias para reduzir 
desperdícios e melhorar 
a eficiência do time. Um 
ótimo filme para entender 
a importância da gestão 
de custos de maneira sis-
têmica e multidisciplinar.
Direção: Bennett Miller. Produção: 
Michael De Luca Productions; Scott 
Rudin Productions. EUA: Columbia 
Pictures, 2011. 
Filme
A contabilidade e o processo de gestão de custos 21
acabou de comprar. Ele sai para visitar os clientes, e o combustível no 
tanque, à medida que o carro se locomove, vai se tornando uma despe-
sa – isso se nada anormal ocorrer. Agora, se uma pedra furar o tanque 
de combustível durante essa viagem e o vendedor não perceber isso, o 
vazamento definirá que a operação sendo realizada está gerando duas 
consequências. Uma parte do sacrifício está realmente gerando des-
pesa e se conectando ao retângulo das receitas (conector 1), e a outra 
parte do sacrifício – em razão do vazamento – está deixando de ser 
despesa e está se conectando com ao retângulo da perda (conector 2).
O segundo retângulo dos gastos é o das operações que devem ge-
rar custos, pois objetivam gerar produtos para venda. Nele, observa-se 
um conector chegando do retângulo do investimento, o conector 4. 
Nessa etapa, ocorre que a linha de produção de uma empresa precisa 
receber insumos que estavam estocados para poder produzir o pro-
duto que será vendido (por exemplo, matéria-prima, embalagens etc.). 
Todos esses itens são investimentos (gastos ativados) requisitados pela 
fábrica (operações que geram custos), e é por isso que há um conec-
tor estabelecendo uma ligação saindo dos investimentos e chegando 
aos custos (conector 4). E, novamente, há dois conectores saindo: um 
conector para a perda (conector 2) e outro para o investimento (conec-
tor 3). O conector 2, como mencionamos, significa que algo que deu 
errado, uma anomalia, e, por isso, parte do sacrifício ou todo ele está 
sendo conduzido para perda. O conector 3, por sua vez, mostra que o 
produto produzido pelas operações de custo da empresa vai para o 
estoque, portanto será ativado e estará disponibilizado lá no retângulo 
do investimento para ser vendido.
O último retângulo, o dos investimentos, já foi, em grande parte, 
explicado nas linhas precedentes. Quando uma venda ocorre, tem-se 
o uso do conector de saída 1 que estabelece a conexão entre o inves-
timento (saída) e as receitas (entrada). Finalmente, o conector 2 é a 
saída para perda em caso de anormalidades, e o conector de saída 
4 é a saída de insumos para linhas de produção, que, como foi visto 
anteriormente, geram custos e representa o produto final que está 
disponível para venda.
A leitura final que se pode extrair de todo esse contexto é que um 
processo de gestão de custos é algo extenso e sistêmico. É necessário 
considerar, no mínimo, se as operações que estão sendo realizadas:
Considere o seguinte cenário: 
uma empresa compra 1.000 
sacas de 50 kg de açúcar cristal 
com 98% de pureza. Desse 
total, a empresa revende a 
metade para uma fábrica de 
bolachas e refina o restante, 
obtendo açúcar refinado amorfo 
com aproximadamente 100% 
de pureza. Sabendo que essa 
empresa é muito eficiente, de 
modo que a única diferença 
que existe entre a entrada do 
açúcar cristal e a saída do açúcar 
refinado é a impureza, responda 
às questões tendo como base 
os preceitos classificatórios 
estudados na contabilidade 
de custo.
a) Como devemos classificar o 
açúcar cristal?
b) Como devemos classificar o 
açúcar refinado e as impurezas 
eliminadas?
Atividade 3
22 Gestão e controle de custos
 • são realmente necessárias para agregar valor ao produto;
 • estão sendo eficazes e eficientes segundo as diretrizes da 
empresa;
 • estão sendo executadas de modo a mitigar as possibilidades de 
ocorrência de anomalias (acidentes e erros, dentre outros itens).
Existem, logicamente, outras considerações que precisam ser feitas 
e muitos outros itens que precisam ser dominados – como custeios, ra-
teios, precificações de estoques etc. –, mas, para esse primeiro contato, 
esses aspectos já são o bastante.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, foi estudada a relevância da contabilidade para a ges-
tão dos custos de uma empresa. Inicialmente, foi trabalhada a compreen-
são de que a própria contabilidade surgiu para gerar informações que 
possibilitassem ao gestor entender o passado e a condição presente de 
uma empresa. Posteriormente, estudamos a evolução da contabilidade 
para atender às demandas informacionais preditivas dos gestores, quan-
do a Revolução Industrial trouxe a necessidade da elaboração de planos 
estratégicos e operacionais para garantir a continuidade das entidades 
geridas. Foi assim que surgiu a contabilidade de custo, como uma respos-
ta para a fome de informação dos gestores. Hoje, ela é a base que alicerça 
o processo de gestão de custos de uma empresa por identificar, coletar, 
processar e apresentar todos os sacrifícios financeiros, com materialidade 
contábil, que aconteceram durante a realização de cada etapa das opera-
ções da entidade.
REFERÊNCIAS
ATKINSON, A. A. et al. Contabilidade gerencial: informação para tomada de decisão e 
execução da estratégia. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
CREPALDI, S. A.; CREPALDI,G. S. Contabilidade Gerencial: teoria e prática. 8. ed. São Paulo: 
Atlas, 2017.
HENDRIKSEN, E. S.; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MARION, J. C. Contabilidade empresarial: instrumentos de análise, gerência e decisão. 18. 
ed. São Paulo: Atlas, 2018.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
NASCIMENTO, A. M.; REGINATO, L. Controladoria: um enfoque na eficácia organizacional. 
3. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
PADOVEZE, C. L. Controladoria básica. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
A contabilidade e o processo de gestão de custos 23
GABARITO
1. Não. A própria gestão de custo surgiu em virtude do próprio processo evolutivo da 
contabilidade. Sem a base teórica das escolas contábeis italiana e americana, não teria 
surgido a contabilidade de custo – em sua vertente financeira e gerencial – e sem essa 
não existiria, consequentemente, a gestão de custos como é estudada e aplicada na 
gestão contemporânea.
2. 
• Adquirido, é apenas um gasto.
• Estocado na empresa, é um investimento.
• Utilizado na produção, é custo.
• Transformado em uma camiseta e estocado, é novamente investimento.
• Vendido, sua baixa no estoque é despesa.
3. 
a. Como devemos classificar o açúcar cristal?
• Quando foram adquiridas as 1.000 sacas, elas eram apenas gasto.
• Quando foram estocadas, se converteram em investimento.
• Quando metade (500 sacas) foram revendidas, essas se tornaram despesa.
• A outra metade (500 sacas), direcionadas para o refino, se tornaram custo.
b. Como devemos classificar o açúcar refinado e as impurezas eliminadas?
• As 500 sacas de açúcar cristal direcionadas para o refino, se tornaram custo.
• As 500 sacas de açúcar cristal tinham 98% de pureza, portanto, apenas 490 
sacas de açúcar refinado foram produzidas: 500 × 98% = 490.
• As 490 sacas de açúcar refinado são produto final da empresa e, por isso, são 
enviadas para o estoque, se tonando investimento até serem vendidas.
• As 10 sacas de impureza, por serem uma operação normal, são classificadas 
como custo.
24 Gestão e controle de custos
O custo se refere ao gasto que acontece no momento da pro-
dução de bens ou prestação de serviços. Para a correta alocação 
dos custos, são utilizados métodos de custeio, que se referem às 
formas de apropriação desses custos aos produtos produzidos ou 
serviços prestados. Nesse sentido, o objetivo do custeio é a deter-
minação do custo unitário desse produto e/ou serviço. Os méto-
dos de custeio mais utilizados são: custeio por absorção, custeio 
ABC (Activity Based Costing) e custeio variável. Uma vez definido o 
método de custeio que será utilizado, torna-se possível definir a 
estrutura informacional que permitirá que os custos sejam acumu-
lados e apropriados aos produtos, de modo a atender às necessi-
dades dos tomadores de decisão da empresa. Dada a importância 
desses elementos, são tópicos de estudo neste capítulo: custeio 
por absorção, custeio ABC, custeio variável e sistema de acumula-
ção de custos.
Introdução aos sistemas 
de apropriação de custos
2
2.1 Custeio por absorção 
Vídeo O custeio por absorção é o método que aloca todos os custos uti-
lizados durante a produção aos produtos gerados. Como a nomen-
clatura sugere, os produtos absorvem todos os custos realizados em 
determinado período. Esse custeio é o método aceito pelos preceitos 
contábeis e fiscais brasileiros. A Lei n. 6.404, conhecida como Lei das 
Sociedades Anônimas (BRASIL, 1976), relaciona que as matérias-pri-
mas, os produtos em fabricação e os bens do almoxarifado são re-
gistrados pelo custo de aquisição ou produção. A mesma legislação 
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 25
especifica que as despesas são registradas na Demonstração do Re-
sultado (DR) do Exercício, no período em que ocorreram. Desse modo, 
tem-se a divisão entre custos e despesas, relacionando aos produtos 
todos os custos necessários para a sua produção.
Na mesma linha, a Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 
R2 (BRASIL, 2017) – indica que os custos de transformação de esto-
ques incluem os custos diretamente relacionados com as unidades 
produzidas e os custos indiretos de produção, utilizados para a trans-
formação de matéria-prima e materiais em produtos prontos. A le-
gislação fiscal brasileira, representada pelo Decreto n. 9.580 (BRASIL, 
2018) – que regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e 
a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer 
Natureza –, no artigo 302, disciplina que o custo de produção de bens 
e serviços compreende o custo de aquisição de matérias-primas e ou-
tros bens ou serviços, o custo de mão de obra e os demais custos que, 
mesmo de maneira indireta, são aplicados na produção de bens e 
prestação de serviços. Dessa forma, o custeio por absorção, por aten-
der tanto aos preceitos contábeis quanto fiscais, é o mais utilizado 
para determinação do custo unitário dos produtos fabricados e dos 
serviços prestados.
No custeio por absorção, de acordo com Perez Junior, Oliveira e 
Costa (2012), todos os custos são alocados aos produtos fabricados, 
tanto os diretos quanto os indiretos. Os custos diretos são aqueles 
que podem ser alocados objetivamente aos produtos produzidos, 
pois o consumo de cada item pode ser mensurado de maneira con-
fiável. Os custos indiretos não podem ser apropriados de maneira 
objetiva; são consumidos de modo indireto no processo produtivo e, 
para sua alocação aos produtos, é necessário o uso de critérios de 
rateio. Como exemplo de critérios de rateios, podem-se citar a quan-
tidade produzida, a quantidade de matéria-prima utilizada, a metra-
gem utilizada para a produção de cada produto, dentre outras formas 
que se mostrem condizentes com a natureza do dispêndio.
A Figura 1 retrata a apropriação dos custos no método de custeio 
por absorção.
26 Gestão e controle de custos
Figura 1
Custeio por absorção
Produto 1
Produto 2
Critério de 
rateio
Exemplos: salários de 
supervisores, aluguel da 
fábrica, depreciação do 
prédio etc. 
Exemplos: matéria-prima, 
salários de funcionários da 
linha de produção, embalagens 
consumidas no processo 
produtivo etc. 
Custos indiretosCustos diretos
Fonte: Elaborada pelos autores.
A Figura 1 demonstra que os produtos recebem os custos diretos, 
que efetivamente foram consumidos no processo produtivo, e os cus-
tos indiretos, por meio de rateios, formando o custo unitário e total 
dos produtos fabricados no período. Dado esse fato, o custeio por ab-
sorção é também denominado de custeio integral, uma vez que, como 
reforça Crepaldi e Crepaldi (2018, p. 116), “todos os gastos relativos 
ao esforço de produção são distribuídos para todos os produtos ou 
serviços feitos”.
Martins (2010) explica que o custeio por absorção utiliza três passos 
para a determinação do custo. São eles:
 • 1º passo: separação dos custos e das despesas.
 • 2º passo: apropriação dos custos diretos.
 • 3º passo: apropriação dos custos indiretos.
Para exemplificar esse processo, será utilizado o exemplo da em-
presa fictícia denominada de Indústria Exemplar, que fabrica dois tipos 
de velas: a menor de 10 centímetros e a maior de 20 centímetros. A 
Tabela 1 demonstra os gastos da empresa no mês de janeiro de um 
determinado ano e, na sequência, tem-se o custeio por absorção sendo 
aplicado segundo seus três passos para a determinação do custo total 
e unitário desses dois produtos.
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 27
Tabela 1
Descrição dos gastos do mês de janeiro
Gastos da Indústria Exemplar Unidade Janeiro
Salários administrativos R$ 8.000,00
Salários de supervisores de produção R$ 6.000,00
Salários dos funcionários da fábrica R$ 40.000,00
Matéria-prima utilizada R$ 100.000,00
Aluguel da fábrica R$ 6.000,00
Aluguel do escritório administrativo R$ 2.000,00
Embalagens do processo produtivo R$ 20.000,00
Manutenção das máquinas R$ 12.000,00
Despesas de vendas R$ 6.000,00
Total dos gastos R$ 200.000,00Fonte: Elaborada pelos autores.
O primeiro passo é a separação dos custos e despesas, conforme a 
natureza do gasto (Tabela 2).
Tabela 2
Separação dos custos e despesas
Separação dos gastos Unidade Janeiro
1. Custos diretos
Salários dos funcionários da fábrica R$ 40.000,00
Matéria-prima utilizada R$ 100.000,00
Embalagens do processo produtivo R$ 20.000,00
Total dos custos diretos R$ 160.000,00
2. Custos indiretos
Salários de supervisores de produção R$ 6.000,00
Aluguel da fábrica R$ 6.000,00
Manutenção das máquinas R$ 12.000,00
Total dos custos indiretos R$ 24.000,00
3. Despesas
Salários administrativos R$ 8.000,00
Aluguel do escritório administrativo R$ 2.000,00
Despesas de vendas R$ 6.000,00
Total das despesas R$ 16.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
28 Gestão e controle de custos
Como demonstra a Tabela 2, para o cálculo dos custos dos pro-
dutos pelo método do custeio por absorção, são utilizados os custos 
diretos e indiretos. Nesse exemplo, o montante de R$ 160.000,00 é 
o valor que pode ser facilmente desmembrado em custo das velas 
de 10 cm e de 20 cm (segundo passo). Já o valor de R$ 24.000,00 é o 
montante que exige o critério de rateio para poder ser dividido entre 
os produtos fabricados (terceiro passo). Por fim, convém lembrar que 
as despesas (R$ 16.000,00), pela ótica da contabilidade financeira, não 
participam do processo do custeio por absorção, ou seja, não serão 
alocadas aos produtos.
O segundo passo é a apropriação dos custos diretos para cada um 
dos produtos fabricados no período analisado. A matéria-prima, a mão 
de obra e as embalagens são apropriadas aos produtos de acordo com 
o consumo efetivo deles no processo produtivo, portanto, de maneira 
direta. A Tabela 3 apresenta os valores segregados para os dois produ-
tos: vela de 10 cm e vela de 20 cm.
Tabela 3
Separação dos custos diretos
Custos diretos Unidade 10 cm 20 cm Total
Salários dos funcionários da fábrica R$ 12.000,00 28.000,00 40.000,00
Matéria-prima utilizada R$ 20.000,00 80.000,00 100.000,00
Embalagens do processo produtivo R$ 8.000,00 12.000,00 20.000,00
Total dos gastos R$ 40.000,00 120.000,00 160.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
A Tabela 3 informa que, dos R$ 160.000,00 incorridos como custo 
direto de produção, R$ 40.000,00 foram para a produção da vela de 10 
cm e R$ 120.000,00 para a produção da vela de 20 cm. Se essas velas 
não fossem produzidas, a empresa não teria incorrido com esse sacrifí-
cio financeiro, pois não teria consumido esses recursos produtivos, por 
exemplo, matéria-prima e embalagens. Da mesma forma, quanto mais 
velas produzir, mais consumo terá com esses itens diretos e, logica-
mente, maior custo total terá que gerenciar em suas operações.
O terceiro passo é a apropriação dos custos indiretos para os pro-
dutos, mas para que essa separação possa ser realizada, antes de tudo, 
faz-se necessário estabelecer critérios que definam a proporção que 
cada produto receberá desse sacrifício financeiro. Esses critérios de 
apropriação são denominados de rateios. Martins (2010) explica que 
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 29
todos os custos indiretos de fabricação (CIF), para serem apropriados 
aos produtos, necessitam dos critérios de rateio; o problema é que 
essa distribuição sempre terá certo nível de subjetivismo, em menor 
ou maior grau. Essa arbitrariedade presente na distribuição dos custos 
indiretos impõe a necessidade de a empresa empreender um conside-
rável esforço para definir critérios claros e condizentes com o compor-
tamento dos custos, de maneira a minimizar o efeito da subjetividade.
No presente exemplo, será utilizado o comportamento do consumo 
de matéria-prima para a distribuição dos custos indiretos, ou seja, a 
mesma proporção de matéria-prima para cada produto será utilizada 
para a alocação dos custos indiretos.
Tabela 4
Rateio dos custos indiretos de fabricação
Custos indiretos Unidade 10 cm 20 cm Total
1. Alocação para os produtos
Salários de supervisores de produção R$ 1.200,00 4.800,00 6.000,00
Aluguel da fábrica R$ 1.200,00 4.800,00 6.000,00
Manutenção das máquinas R$ 2.400,00 9.600,00 12.000,00
Total do custo indireto R$ 4.800,00 19.200,00 24.000,00
Obs.: Critério de rateio R$ %
Matéria-prima utilizada vela 10cm 20.000,00 20,00%
Matéria-prima utilizada vela 20cm 80.000,00 80,00%
Matéria-prima utilizada total 100.000,00 100,00%
Fonte: Elaborada pelos autores.
Como demonstra a Tabela 4, os R$ 24.000,00 de custos indiretos 
foram rateados entre as velas de 10 cm e 20 cm, segundo a proporção 
percentual que elas apresentaram no custo variável da matéria-prima. 
Por exemplo, o aluguel da fábrica de R$ 6.000,00 foi dividido em 20% 
para a vela de 10 cm (R$ 6.000,00 × 20% = R$ 1.200,00) e 80% para a vela 
de 20 cm (R$ 6.000,00 × 80% = R$ 4.800,00) 1 .
Com base na distribuição dos custos indiretos, pode-se calcular o 
custo total e unitário utilizando a quantidade produzida no período. 
Nesse exemplo, será considerado que a empresa Exemplar produziu 
10.000 unidades da vela de 10 cm e 17.400 unidades da vela de 20 cm 
(Tabela 5).
Os valores em reais (R$) do 
custo de matéria-prima foram 
obtidos na Tabela 2.
1
30 Gestão e controle de custos
Tabela 5
Custo total e custo unitário
Custos totais e quantidade Unidade 10 cm 20 cm Total
Custo direto R$ 40.000,00 120.000,00 160.000,00
Custo indireto R$ 4.800,00 19.200,00 24.000,00
Custo total R$ 44.800,00 139.200,00 184.000,00
Quantidade produzida peças 10.000 17.400 27.400
Custo unitário R$ 4,48 8,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
A Tabela 5 apresenta o custo total da empresa (R$ 184.000,00), o 
custo total da vela de 10 cm (R$ 44.800,00), o custo da vela de 20 cm 
(R$ 139.200,00) e, também, dado o conhecimento das quantidades pro-
duzidas, os custos unitários desses dois produtos. Analisando o custo 
unitário do exemplo apresentado, as velas de 10 cm e 20 cm apresen-
taram custos unitários de R$ 4,48 e R$ 8,00, respectivamente. Todavia, 
convém lembrar que esses valores unitários poderiam ser diferentes, 
conforme o critério de rateio que fosse usado, uma vez que isso pode-
ria alterar a distribuição do custo indireto total entre os dois produtos. 
Portanto, o conhecimento do critério de rateio é um item muito impor-
tante para uma gestão de custo eficiente.
2.2 Custeio baseado em atividades 
Vídeo O aumento dos custos indiretos no processo produtivo e a subje-
tividade da alocação desses custos, com a utilização de critérios de 
rateios, trouxe o surgimento do custeio baseado em atividades, tradu-
zido do inglês Activity Based Costing (ABC). Sobre o primeiro motivo do 
surgimento do ABC, Viceconti e Neves (2013) explicam que a atividade 
industrial, com o passar do tempo, foi ficando cada mais complexa, 
com maior grau de mecanização e automação de processos produ-
tivos. Isso levou a um aumento considerável dos custos indiretos no 
processo de fabricação, exigindo, portanto, formas de apropriação 
cada vez mais eficientes.
Sobre o segundo motivo do surgimento do ABC, Perez Junior, Olivei-
ra e Costa (2012, p. 242) explicam que os métodos convencionais têm 
critérios aleatórios para rateio de custos indiretos, sendo critérios ine-
xatos e resultando em “significativas distorções na apuração dos efe-
tivos custos dos produtos”. Portanto, conforme o caso, segundo essa 
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 31
lógica, os critérios tradicionais de rateios podem comprometer a quali-
dade informacional dos relatórios contábeis para o processo decisório.
O custeio ABC tem como característica principal a determinação de atividades e di-
recionadores de custos para alocação dos custos indiretos aos produtos produzidos 
no período. O artigo Proposta de um modelo para a seleção de direcionadores de custos 
na implantação do ABC, de Gasparetto e Bornia, apresenta uma proposta de critérios 
para a seleção de direcionadores, um dos elementos mais importantes na implanta-
ção do custeio baseado em atividades.
Acesso em: 5 mar.2020.
http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1999_A0202.PDF
Artigo
Nesse contexto, surgiu o custeio ABC, que, segundo Dubois, Kulpa 
e Souza (2009, p. 158), “é um método de custeio que possibilita ava-
liar com acurácia as atividades desenvolvidas em uma empresa (tanto 
industrial, quanto de serviços), utilizando direcionadores para atribuir 
os gastos indiretos”. O custeio ABC efetua uma análise de processos, 
demonstrando a relação que existe entre os recursos que são consu-
midos, as atividades executadas e os objetos de custos, que correspon-
dem aos produtos ou serviços, como detalha a Figura 2.
Figura 2
Procedimentos do custeio ABC
Produtos
Produtos
Rateio
Direcionadores 
de atividades
Direcionadores 
de recursos
Atividades
Custos diretos Custos indiretos
Produtos
Al
oc
aç
ão
 d
ire
ta
Rastreamento
Fonte: Elaborada pelos autores.
32 Gestão e controle de custos
Conforme a Figura 2, os custos diretos são alocados aos produtos 
de acordo com o consumo efetivo deles no processo produtivo. Quan-
do os custos podem ser claramente identificados com as atividades, 
por exemplo, a mão de obra de funcionários que realizem uma só ati-
vidade, a alocação será de maneira direta (alocação direta). Os custos 
indiretos, também denominados recursos, são os gastos incorridos de 
forma indireta na fabricação dos produtos, podendo ser recursos hu-
manos, serviços, materiais etc. A apropriação dos custos indiretos pode 
ser por rastreamento ou por rateio.
O rastreamento utiliza critérios que identificam como as atividades 
consomem os recursos e como os produtos consomem as atividades. 
O tempo de mão de obra utilizado na atividade, por exemplo, é uma 
forma de rastreamento comum no ABC. Por fim, o rateio é utilizado 
apenas nos casos de não ser possível a alocação direta ou por direcio-
nadores, ou seja, somente deve ser usado em último caso, pois utiliza 
critérios que, por vezes, podem ser subjetivos e arbitrários, não repre-
sentando necessariamente a realidade dos dispêndios produtivos.
Em síntese, para o seu funcionamento, o custeio ABC exige a defi-
nição das principais atividades dos departamentos da empresa, men-
surando, dessa forma, os gastos com elas para sua posterior alocação 
aos produtos finais. Em outras palavras, no custeio ABC, é necessário 
identificar as principais atividades dentro dos setores da empresa, 
aquelas que sejam relevantes para os processos da organização. Para 
a apropriação dos recursos aos setores, às atividades e aos produ-
tos, são utilizados métodos de alocação direta, rastreamento e ra-
teio. E como os métodos alocação direta e rateio são, basicamente, 
conceitos estudados no custeio por absorção, será detalhado apenas 
a apropriação por rastreamento, pois esse é o elemento nuclear do 
custeio ABC.
Os direcionadores de recursos são descritos por Bruni e Famá 
(2012, p. 125) como “fatores que determinam a ocorrência de uma ati-
vidade”. Eles apropriam os recursos, que podem ser tangíveis e intan-
gíveis, às atividades desenvolvidas nos setores ou departamentos da 
empresa. A elaboração de direcionadores não é uma tarefa simples, 
como reforçam Silva e Garbrecht (2016), pois é necessário tanto o de-
talhamento causal da atividade quanto o envolvimento de uma equipe 
multidisciplinar para a criação dos direcionadores, chamados de pri-
meiro estágio.
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 33
As atividades representam as tarefas que devem ser realizadas e 
que contribuem para que um produto possa ser fabricado ou um ser-
viço possa ser prestado. São exemplos de atividades supervisionar a 
produção, realizar cotações de preços, receber e conferir materiais etc. 
Após o custeamento das atividades, por meio dos direcionadores de 
recursos, é necessário a definição de direcionadores de atividades, 
que irão mensurar o custo de cada atividade que foi aplicada para cada 
produto. Dubois, Kulpa e Souza (2009, p. 161) explicam que os direcio-
nadores de atividades servem “para mediar a quantidade de uma ativi-
dade que é utilizada por um objeto de custo, isto é, qual a quantidade 
de uma atividade é necessária para gerar um produto ou serviço”. Por 
fim, os produtos, denominados objetos de custos, recebem os custos 
indiretos de acordo com a utilização das atividades e, somados aos cus-
tos diretos, determinam o custo total da produção de um período.
Para uma melhor compreensão sobre o uso do custeio ABC, será 
desenvolvido um exemplo de sua aplicação na apuração do custo in-
direto da empresa fictícia Camisaria Modelo Ltda., uma fabricante de 
dois modelos de camisas: manga longa e manga curta. A Tabela 6 evi-
dencia as informações dos custos indiretos para o mês de janeiro.
Tabela 6
Custos indiretos do mês de janeiro
Custos indiretos Unidade Janeiro
Mão de obra indireta R$ 12.000,00
Manutenção das máquinas R$ 5.000,00
Depreciação dos ativos imobilizados R$ 2.000,00
Aluguel R$ 3.000,00
Total dos custos indiretos R$ 22.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
Já o Quadro 1 evidencia os respectivos direcionadores de custos.
Quadro 1
Direcionadores de custos
Custos indiretos Direcionadores
Mão de obra indireta
Alocação direta pela folha, de acordo com os funcionários 
alocados em cada atividade
Manutenção das máquinas Gastos com as máquinas usadas nas atividades
Depreciação dos ativos imobilizados Depreciação das máquinas usadas nas atividades
Aluguel Área ocupada pelos setores e atividades
Fonte: Elaborado pelos autores.
O custeio ABC é uma forma 
de apropriação dos custos 
que tenta reduzir o uso de 
rateio para a apropriação dos 
custos indiretos aos produtos 
produzidos, utilizando para isso 
direcionadores de atividades. 
Explique o que são os direciona-
dores de atividades.
Atividade 1
34 Gestão e controle de custos
Após a definição dos direcionadores, como demonstrado no Qua-
dro 1, o custeio ABC exige o comprometimento de todos os funcioná-
rios no desenvolvimento de controles que permitam determinar os 
gastos para cada uma das atividades. Essa metodologia funcionará se 
os custos forem mensurados com acurácia e forem representativos 
dos consumos realizados no período. O Quadro 2 descreve os setores 
e atividades que receberão os custos por meio dos direcionadores.
Quadro 2
Setores e atividades principais
Setores Atividades
Compras Comprar materiais
Estoques
Receber produtos
Entregar materiais
Produção
Cortar tecido
Costurar camisas
Fonte: Elaborado pelos autores.
As principais atividades devem ser mapeadas e deve-se identificar 
se são realmente necessárias; caso não sejam, devem ser eliminadas, 
evitando atividades que não agregam valor. A Tabela 7 apresenta a dis-
tribuição dos recursos para as atividades.
Tabela 7
Alocação dos recursos às 
atividades
Setores e 
atividades Unidade
Setor de 
compras
Setor de
estoques
Setor de
produção
Total
Comprar 
materiais
Receber 
produtos
Entregar 
materiais
Cortar 
tecido
Costurar 
camisas
Mão de obra 
indireta
R$ 2.000,00 2.000,00 2.500,00 2.500,00 3.000,00 12.000,00
Manutenção 
das máquinas
R$ - - - 2.000,00 3.000,00 5.000,00
Depreciação 
dos ativos 
imobilizados
R$ 300,00 200,00 300,00 500,00 700,00 2.000,00
Aluguel R$ 300,00 300,00 900,00 750,00 750,00 3.000,00
Total dos 
recursos
R$ 2.600,00 2.500,00 3.700,00 5.750,00 7.450,00 22.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
Os valores referentes à mão de obra indireta foram alocados de 
acordo com o salário dos funcionários direcionados em cada atividade; 
a manutenção foi distribuída de acordo com as máquinas que efetiva-
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 35
mente necessitaram de consertos, no caso do exemplo, as máquinas 
das atividades de cortar tecido e costurar camisas, não tendo manuten-
ção nas demais atividades; a depreciação foi alocada de acordo com as 
máquinas utilizadas nas atividades; e o aluguel foi distribuído de acor-
do com a área ocupada por cada atividade.
O próximo passo no custeio ABC é a definição de direcionadores de 
atividades, que evidenciamcomo os produtos consomem as atividades, 
possibilitando, dessa forma, alocar os valores aos produtos fabricados 
pela empresa. A Tabela 8 demonstra exemplos de direcionadores e os 
respectivos consumos de cada atividade pelos dois produtos fabrica-
dos pela empresa.
Tabela 8
Direcionadores de atividades
Atividades Direcionadores Manga longa
Manga 
curta Total
Comprar materiais Número de ordens de compra para cada produto 20 12 32
Receber produtos Número de pedidos recebidos para cada produto 12 8 20
Entregar materiais Número de requisições 60 20 80
Cortar tecido Metros cortados para cada camisa 9.800 7.700 17.500
Costurar camisas Tempo de costura 600 400 1.000
Fonte: Elaborada pelos autores.
Com base nas quantidades das atividades utilizadas para cada pro-
duto, calcula-se, inicialmente, o custo unitário para cada uma das ativi-
dades. A seguir, temos um exemplo da atividade “comprar materiais”:
Custo unitário do direcionador
Valor total da atividade
Quantidade total do direcionador
Custo unitário do direcionador
R$ 2.600,00
32
= R$ 81,25.
Valor alocado para o produto camisa manga longa
R$ 81,25 · 20 ordens de compra = R$ 1.625,00
Valor alocado para o produto camisa manga curta
R$ 81,25 · 12 ordens de compra = R$ 975,00
36 Gestão e controle de custos
O mesmo procedimento é realizado para as demais atividades e de-
monstrado na Tabela 9.
Tabela 9
Alocação dos recursos aos produtos
Atividades Unidade Manga longa Manga curta Total
Comprar materiais R$ 1.625,00 975,00 2.600,00
Recebimento 
de produtos
R$ 1.500,00 1.000,00 2.500,00
Entregar materiais R$ 2.775,00 925,00 3.700,00
Cortar tecido R$ 3.220,00 2.530,00 5.750,00
Costurar camisas R$ 4.470,00 2.980,00 7.450,00
Total R$ 13.590,00 8.410,00 22.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
Por fim, antes de esse tópico ser encerrado, convém res-
saltar as vantagens e desvantagens do custeio ABC, segundo 
Crepaldi e Crepaldi (2018).
O estudo Métodos de cus-
teio e seus propósitos de 
uso: análise por meio de es-
tudo de casos múltiplos, de 
Anderson Ferreira Pizan, 
verifica quais são os pro-
pósitos que o grupo de 
empresas objeto da pes-
quisa apresentam para o 
uso dos métodos de cus-
teio por absorção, custeio 
ABC e custeio variável. É 
uma leitura interessante 
para verificar como os mé-
todos de custeio são utili-
zados nas organizações.
Dissertação (Mestrado em Controla-
doria e Contabilidade) – Faculdade 
de Economia, Administração e 
Contabilidade, Universidade de São 
Paulo, São Paulo, 2013. Disponível 
em: https://www.teses.usp.br/
teses/disponiveis/12/12136/tde-
25072013-145836/publico/An-
dersonFerreiraPinzanVC.pdf. Acesso 
em: 5 mar. 2020.
Leitura
Quadro 3
Vantagens e desvantagens 
do custeio ABC
Vantagens Desvantagens
Informações gerenciais relativamente mais fidedignas por 
meio de redução do rateio.
Gastos elevados para implantação.
Proporcionar melhor visualização dos fluxos dos processos.
Alto nível de controles internos a serem implantados 
e avaliados.
Eliminar/reduzir atividades que não agregam ao produto 
um valor percebido pelo cliente.
Levar em consideração muitos dados com informações 
de difícil extração.
Identificar os produtos e clientes mais lucrativos.
Dificuldade de envolvimento e comprometimento dos 
empregados.
Melhorar significativamente sua base de informações para 
tomadas de decisões.
Não é aceita pelo fisco, levando à necessidade de ter 
dois sistemas de custeio.
Fonte: Crepaldi e Crepaldi, 2019, p. 217-218.
Segundo o Quadro 3, a principal vantagem do custeio ABC é o ma-
peamento dos processos da empresa. Assim, estabelece-se as prin-
cipais atividades, o que força a empresa a repensar suas operações, 
surgindo, então, oportunidades de melhorias nos processos. A partir 
destes, elimina-se os critérios de rateio considerados arbitrários e que 
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 37
podem distorcer as informações de custos dos produtos. Já com rela-
ção à desvantagem do custeio ABC, pode-se afirmar que trata-se de 
um processo que exige muito empenho por parte da empresa e dos 
colaboradores, para além do estabelecimento das atividades e da rea-
lização dos controles, das anotações, dos acompanhamento dos pro-
cessos. Isso pode encarecer o controle dos custos e não ser vantajoso 
quando analisado o custo versus benefício da sua implementação.
2.3 Custeio variável
Vídeo Anteriormente, vimos que, no custeio por absorção, os custos 
podem ser classificados em relação aos produtos fabricados, sendo 
custos diretos ou indiretos. Todavia, os custos também podem ser 
classificados quanto ao volume de produção e, nesse caso, são de-
nominados custos variáveis e fixos. Os custos variáveis mudam con-
forme o volume de produção de determinado período, tendo uma 
relação direta com a quantidade produzida. São exemplos de custos 
variáveis: matérias-primas, mão de obra direta e embalagens utiliza-
das no processo produtivo. Eles aumentam na mesma proporção que 
a produção da empresa. Os custos fixos não se relacionam com o 
volume de produção, não aumentando quando a produção aumenta. 
São custos relacionados à capacidade de produção e independentes 
da quantidade produzida. Os custos fixos aumentarão se a empresa 
aumentar sua capacidade produtiva, caso contrário, permanecerão 
os mesmos. São exemplos os gastos com salários de supervisores da 
produção, aluguel, seguros etc.
A classificação em custos variáveis e fixos é utili-
zada no custeio variável, que pode ser definido como 
o método de custeio que considera como custo de 
produção somente os gastos variáveis, não incor-
porando os gastos fixos na determinação do custo. 
O custeio variável, também denominado de custeio 
direto, surge para fornecer informações gerenciais 
para a análise de custos da empresa, ou seja, surge 
como uma resposta às limitações do custeio por ab-
sorção para fins gerenciais.
O custeio por absorção atende aos preceitos contábeis e fiscais para 
o estabelecimento do custo da produção, do custo para avaliação de 
O custeio variável utiliza o 
conceito de custos variáveis 
e custos fixos no cálculo do 
custo da produção do período. 
Explique a diferença dos custos 
variáveis e dos custos fixos e dê 
três exemplos de cada um.
Atividade 2
38 Gestão e controle de custos
estoques e do custo dos produtos vendidos. Entretanto, ao considerar 
como custo do produto todos os custos envolvidos no processo pro-
dutivo, sejam eles diretos/variáveis ou indiretos/fixos, gerencialmente, 
não é o mais apropriado como fonte de informações para a gestão da 
empresa. Martins (2010) relaciona três grandes problemas ao custeio 
por absorção:
 • O fato de os custos fixos existirem independentemente da pro-
dução, sendo muito mais necessários para que a indústria possa 
operar, ter instalada sua capacidade de produção, e serem muito 
menos ligados à produção de uma unidade a mais de determina-
do produto.
 • Para sua distribuição, são utilizados critérios de rateio com maior 
ou menor grau de arbitrariedade, pois não são custos relaciona-
dos com a produção de um ou de outro produto específico, mas 
necessários para que a indústria possa operar. Se for alterado 
o critério de rateio, o custo de produção será alterado para os 
produtos, provocando alterações na análise e interpretação da 
rentabilidade dos produtos.
 • O custo fixo por unidade é alterado pelo volume de produção; 
quanto mais volume de produção, menor o custo fixo. Caso a 
quantidade produzida for alterada, por exemplo, com a diminui-
ção da produção de um determinado produto, isso afetará o cus-
to dos demais produtos, elevando-os.
O custeio variável é utilizado para evitar distorções com a apro-
priação dos custos fixos, uma vez que não os emprega na composi-
ção dos custos dos produtos. Como explicam Dubois, Kulpa e Souza 
(2009), o método do custeio variável utiliza os gastos variáveis para a 
determinação do custo do produto, que consistem nos custos variáveis 
e nas despesas variáveis, pois são os elementos responsáveisdiretos 
pela produção e venda dos bens e serviços. Esses itens só existem em 
função da fabricação e da comercialização dos produtos. Os autores 
acrescentam que “como os custos fixos ocorrem de qualquer maneira, 
mesmo que não haja qualquer quantidade produzida no período de 
tempo em análise, eles são considerados como se fossem despesas” 
(DUBOIS; KULPA; SOUZA, 2009, p. 136).
O custeio variável tem como vantagens a eliminação de processos 
arbitrários ou subjetivos de distribuição dos custos. Além disso, ele ofe-
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 39
rece a possibilidade de análise do custo, do volume e do lucro, que 
fornece ferramentas gerenciais para a tomada de decisão dos admi-
nistradores, como a margem de contribuição por tipo de produto. Esta 
indica o produto com maior contribuição para cobrir os custos fixos.
Na sequência, será apresentado um exemplo de cálculo do cus-
teio variável. Para tanto, serão utilizadas informações de produção, 
custos, despesas e receitas da empresa Confecções Masculinas 
Ltda. Esta confecciona um modelo de calça e um modelo de bermu-
da, calculando os gastos variáveis e elaborando a DR do período, 
que será modificada para evidenciar a margem de contribuição dos 
dois produtos.
Tabela 10
Gastos e produção do mês de janeiro
Gastos/produção/preço de venda Unidade Calça Bermuda Total
1. Custos variáveis
Materiais diretos aplicados na produção R$ 56.000,00 80.000,00 136.000,00
Mão de obra direta aplicada na produção R$ 43.000,00 67.000,00 110.000,00
Total R$ 99.000,00 147.000,00 246.000,00
2. Produção
Quantidade produzida no mês peças 2.000 5.000 7.000
3. Preço de venda
Preço de venda à vista R$ 120,00 80,00
4. Despesas variáveis
Comissões sobre vendas % 5,00 5,00 5,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
A Tabela 10 apresenta as informações dos gastos variáveis de pro-
dução para a quantidade de 2.000 unidades de calça e 5.000 unidades 
de bermuda. Para fins de exemplo, não havia estoque inicial e todos os 
itens produzidos são vendidos no mesmo mês. As despesas variáveis 
se referem às comissões sobre as vendas, calculadas sobre o montante 
das vendas da empresa no período. Os custos fixos e as despesas fixas 
são apresentados na sequência.
40 Gestão e controle de custos
Tabela 11
Custos e despesas fixos do mês de janeiro
Custos e despesas fixos Unidade Janeiro
Mão de obra indireta R$ 18.000,00
Seguros da fábrica R$ 10.000,00
Aluguel do escritório R$ 5.000,00
Mão de obra administrativa R$ 25.000,00
Total R$ 58.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
Com base nas informações disponibilizadas nas Tabelas 10 e 11, po-
de-se montar o custo variável dos dois produtos.
Tabela 12
Total do custo pelo método do custeio variável do mês de janeiro
Custo variável Unidade Calça Bermuda Total
Materiais diretos R$ 56.000,00 80.000,00 136.000,00
Mão de obra direta R$ 43.000,00 67.000,00 110.000,00
Comissões sobre vendas R$ 12.000,00 20.000,00 32.000,00
Total R$ 111.000,00 167.000,00 278.000,00
Quantidade produzida no período unid. 2.000,00 5.000,00 7.000,00
Custo unitário R$ 55,50 33,40 39,71
As comissões sobre vendas são calculadas sobre o total da receita do período: (Quantidade de vendas × Preço de venda) × 
Percentual de comissão.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Com base nessas informações, elabora-se a DR do período, eviden-
ciando a margem de contribuição e o resultado operacional do período.
Tabela 13
Demonstração de Resultado do mês de janeiro
Demonstração do Resultado Unidade Calça Bermuda Total
Receita com vendas de produtos R$ 240.000,00 400.000,00 640.000,00
(–) Custo variável R$ –99.000,00 –147.000,00 –246.000,00
(=) Margem de contribuição bruta R$ 141.000,00 253.000,00 394.000,00
(–) Despesa variável R$ –12.000,00 –20.000,00 –32.000,00
(=) Margem de contribuição líquida R$ 129.000,00 233.000,00 362.000,00
(–) Custo fixo R$ –28.000,00
(–) Despesas fixas R$ –30.000,00
(=) Resultado operacional R$ 304.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 41
Os custos e as despesas variáveis são alocados aos produtos fabri-
cados e vendidos no período; já os custos e despesas fixos não são 
objeto de rateio e apropriação aos produtos, sendo demonstrados em 
seus totais, reduzindo o resultado operacional do período. Com base no 
cálculo da margem de contribuição, é possível analisar qual é o produto 
com maior contribuição para pagar os gastos fixos. Esse método tem 
maior facilidade no entendimento por parte de gestores, possibilitando 
a correta avaliação de desempenho, oferecendo condições para geren-
tes avaliarem seu desempenho, pois é calculado com base nos custos 
de sua responsabilidade e não por custos contratados pela alta dire-
ção, como os fixos, conforme explicam Dubois, Kulpa e Souza (2009).
Como desvantagem no uso do método variável, cita-se o fato de 
que a empresa precisará custear seus produtos também por outro 
método, que atenda à legislação contábil e fiscal, pois o objetivo do 
custeio variável é a análise gerencial dos custos dos produtos ou pres-
tação de serviços. Também pode ser citada como desvantagem a difi-
culdade de segregação de custos fixos e variáveis, pois alguns custos 
têm uma parcela fixa e outra variável, como a energia elétrica, que 
possui um valor de taxa mínima e outro relacionado ao efetivo consu-
mo (BRUNI; FAMÁ, 2012).
2.4 Sistemas de acumulação de custos 
Vídeo O objetivo da contabilidade de custos é a apuração dos custos dos 
produtos vendidos ou serviços prestados e a geração de informações 
que auxiliem a empresa em suas decisões. Contudo, para que as in-
formações possam ser geradas, Padoveze e Takakura Junior (2013, p. 
46) explicam que “todo o processo de custeamento necessita de uma 
arquitetura informacional que absorva todas as necessidades de infor-
mações de forma estruturada”. Com a estruturação do sistema de in-
formações, é possível a análise e a tomada de decisões.
Nesse contexto, são desenvolvidos sistemas de acumulações de 
custos, de acordo com o produto produzido pela empresa ou o ser-
viço prestado. Segundo Crepaldi e Crepaldi (2018, p. 121), o “sistema 
de acumulação de custos é a forma como os custos são acumulados 
e apropriados aos produtos”. Esse sistema tem por objetivo a identifi-
cação, a coleta, o processamento, o armazenamento e a produção das 
Os métodos de custeio são 
formas de apropriação dos 
custos nos produtos ou 
serviços, podendo ser por 
meio do custeio por absorção, 
custeio ABC e custeio variável. 
Explique a diferença entre os 
três métodos citados.
Atividade 3
42 Gestão e controle de custos
informações para a gestão de custos. Os sistemas de acumulação de 
custos podem ser de produção por ordem ou por processo, que serão 
conceituados a seguir.
2.4.1 Produção por ordem
A produção por ordem é utilizada quando o processo produtivo da 
empresa abrange diferentes tipos de produtos ou serviços e, de acordo 
com Bruni e Famá (2012), a melhor forma de gerir a produção é com 
o acompanhamento individual dos pedidos processados e vendidos. 
Como não há homogeneidade na produção, os pedidos tendem a ser 
bem diferentes e necessitam de acompanhamento individual. Perez 
Junior, Oliveira e Costa (2012) indicam que esse sistema de acumula-
ção é denominado também de produção por encomenda, em que cada 
componente do custo é acumulado em ordem de produção específica 
que irá acompanhar o produto do estágio inicial até o momento da 
conclusão. São exemplos de itens que têm a acumulação de custos por 
ordem ou encomenda:
fabricação de 
aeronaves
móveis 
planejados
construção naval
prestação de serviços 
em oficinas
máquinas 
pesadas
construção civil
A ordem de produção ou a ordem de serviço deverá receber todos 
os materiais diretos consumidos no processo produtivo ou prestação 
de serviço e, para isso, deve ser controlada com base em pedidos e 
requisições internas. Como são produtos com especificações distintas 
dos demais produzidos pela empresa, necessitam de acompanhamen-to individualizado. Também devem receber a parcela da mão de obra 
direta aplicada à sua fabricação ou prestação de serviço, alocado com 
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 43
base nas horas utilizadas e seu respectivo custo. Para a apropriação 
dos custos indiretos de fabricação, existe a necessidade do uso de ra-
teio, como foi visto anteriormente, com base em um critério que seja 
representativo do consumo desses itens no processo produtivo. Quan-
do ocorrer o encerramento da produção ou prestação de serviços, o 
montante registrado na ordem corresponderá ao custo.
2.4.2 Produção por processo
É denominada também de produção contínua, que se caracteriza 
pela produção rotineira de produtos similares, com demanda constan-
te e previsível. Na fabricação desse tipo de item, como explica Perez 
Junior, Oliveira e Costa (2012), os fatores de produção não se alteram 
facilmente a curto e médio prazo, pois existe um fluxo ininterrupto na 
produção dos bens. São exemplos de itens que têm sua acumulação de 
custos por processo ou produção contínua:
produção de 
veículos
roupas
alimentos remédios
eletrodomésticos
O foco da contabilidade de custos, nesse processo, é apurar o custo 
dos departamentos, dos setores e dos processos e, também, alocá-los à 
produção do período. Crepaldi e Crepaldi (2018) afirmam que, no siste-
ma de produção por processo, os custos são inicialmente classificados 
por natureza contábil (tipo de gasto) e compilados por processos especí-
ficos, não se preocupando em registrar os custos de itens individuais ou 
grupo de itens, mas sim acumular por fase do processo e alocá-los aos 
produtos, dividindo o total do custo pela quantidade de produtos fabri-
cados em determinado período. A produção é voltada, inicialmente, ao 
estoque, e não à encomenda específica de um cliente.
44 Gestão e controle de custos
2.4.3 Comparação entre os sistemas de acumulação
Como visto nos itens anteriores, a escolha do tipo de sistema de 
acumulação dependerá de como a empresa trabalha, do seu tipo de 
produto produzido e dos sistemas de controle da empresa. O Quadro 4 
resume as principais características entre os dois métodos.
Quadro 4
Características da produção por ordem e por processo
Característica analisada Produção por ordem Produção por processo
Desenvolvimento do produto Especificação do cliente Especificação do fabricante
Contratação do fornecimento Seleção subjetiva (concorrência) Seleção objetiva (amostra)
Produção Limitada pelo cliente Planejada pelo fabricante
Dimensão da produção Número de peças contratadas Número de peças do período
Mercado Poucos compradores Muitos compradores
Vendas Procura do cliente Procura do cliente ou oferta do fabricante
Produto Sob medida Seriado
Necessidade do produto Específica do cliente Global do mercado
Local de produção Na fábrica ou no campo Na fábrica
Estoque de matéria-prima Temporário e específico Permanente, geral para vários produtos
Estoque de produtos Indesejável Necessário
Prazos de produção Geralmente, médios ou longos Geralmente, curtos
Fonte: Adaptado de Fonseca, Ravena e Galloro, 1992, p. 21 apud Bruni e Famá, 2012, p. 92.
A produção por ordem tem suas especificações determinadas pelo 
cliente em relação às características do produto, ao número de itens 
a serem produzidos, aos prazos de fabricação e ao local de produção, 
que pode, inclusive, ser fora da empresa, quando a especificidade do 
produto ou serviço assim o exigir. Com relação à produção por pro-
cesso, esta é em série e planejada pelo fabricante, direcionada inicial-
mente para o estoque da empresa; é necessário esforço de venda da 
empresa para a colocação do produto no mercado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente capítulo apresentou métodos de custeio para a alocação 
dos custos aos produtos produzidos, especificamente, o custeio por ab-
sorção, o custeio ABC e o custeio variável. 
O custeio por absorção é o mais utilizado, pois atende aos preceitos 
contábeis e fiscais brasileiros, utilizando tanto custos diretos quanto indire-
Introdução aos sistemas de apropriação de custos 45
tos na determinação do custo da produção do período. Como o custeio por 
absorção utiliza critérios de rateio para apropriar os custos indiretos, e por 
vezes os métodos de rateio têm distintos graus de subjetividade, foi criado 
o custeio ABC. Este tenta reduzir a subjetividade mapeando os processos e 
determinando as principais atividades que recebem os custos e, posterior-
mente, aloca-os aos produtos, de acordo com direcionadores de atividades. 
Gerencialmente, o custeio variável é mais utilizado; essa modalidade não 
atende à legislação fiscal, mas fornece importantes ferramentas que contri-
buem para a tomada de decisão, como a margem de contribuição.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l6404consol.htm. Acesso em: 5 mar. 2020.
BRASIL. Entidades de Fiscalização do Exercício das Profissões Liberais. Conselho Federal 
de Contabilidade. Norma Brasileira de Contabilidade, TG 16 (R2), de 24 de novembro de 
2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 dez. 2017. Disponível em: http://www2.cfc.
org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2).
doc. Acesso em: 14 fev. 2020.
BRASIL. Decreto n. 9.580, de 22 de novembro de 2018. Diário Oficial da União, Poder 
Executivo, Brasília, DF, 23 nov. 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2015-2018/2018/decreto/D9580.htm. Acesso em: 5 mar. 2020.
BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
DUBOIS, A.; KULPA, L.; SOUZA, L. E. Gestão de custos e formação de preços. 3. ed. São Paulo: 
Atlas, 2009.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2010.
PADOVEZE, C. L.; TAKAKURA JUNIOR, F. K. Custos e preços de serviços. São Paulo: Atlas, 2013.
PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L. M.; COSTA, R. G. Gestão estratégica de custos. 8. ed. São 
Paulo: Atlas, 2012.
SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. Custos empresariais. Curitiba: InterSaberes, 2016.
VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
GABARITO
1. Direcionadores de atividades são métricas utilizadas para determinar a quantidade 
de uma atividade que é utilizada por um objeto de custo. Esses direcionadores de-
terminam a quantidade de uma atividade que é necessária para a fabricação de um 
produto ou a prestação de um serviço.
2. Custos variáveis são os custos que têm uma relação direta com a produção do perío-
do, aumentando quando ocorre o aumento de produção e diminuindo quando dimi-
nui a produção. Já os custos fixos não estão relacionados com a produção, existindo 
mesmo que não ocorra produção no período. Eles estão relacionados à capacidade e 
não ao volume de produção do período.
46 Gestão e controle de custos
3. O custeio por absorção aloca os custos diretos e indiretos à determinação do custo de 
determinado período. Os custos diretos são apropriados de acordo com o consumo 
real na produção, e os custos indiretos se utilizam de critérios de rateio.
O custeio ABC utiliza o custo direto e o indireto para a determinação do custo da 
produção, porém, divide as operações da empresa em atividades e, por meio de di-
recionadores de atividades, aloca os custos indiretos aos produtos que consumiram 
as atividades.
O custeio variável utiliza os gastos variáveis para a composição do custo da produção 
do período, composto de custos e despesas variáveis. Os custos fixos e as despesas 
fixas são considerados despesas do período.
Custeio por absorção 47
Custeio por absorção
3
Neste capítulo, são abordados os principais conceitos relacio-
nados ao custeio por absorção, que é o método de apropriação 
de custos que atende aos princípios contábeis e à legislação fiscalbrasileira, por incorporar ao custo da produção todos os gastos 
envolvidos no processo de fabricação ou na prestação de serviço.
Na ótica do custeio por absorção, os custos são divididos em 
custos diretos, compostos por materiais diretos e mão de obra 
direta, que são identificáveis aos produtos, e custos indiretos, 
os quais, apesar de não serem de fácil vinculação aos produtos 
produzidos, representam custos que devem ser incorporados 
ao custo de produção do período. Para que os custos indiretos 
sejam atribuídos aos custos dos produtos, são utilizados crité-
rios de rateio, que representam bases de apropriação dos custos 
e, por vezes, são considerados arbitrários e não representati-
vos da realidade do consumo dos custos aos produtos. Esses 
aspectos são abordados neste capítulo por meio de exemplos 
que permitem o entendimento dos elementos que compõem o 
custeio por absorção.
3.1 Materiais diretos e mão de obra direta
Vídeo Os custos diretos são aqueles facilmente identificáveis na produção 
de um bem ou na prestação de um serviço. Padoveze e Takakura Junior 
(2013, p. 28) explicam que eles “podem ser claramente visualizados, 
identificados, quantificados e mensurados monetariamente em rela-
ção a uma unidade de produto ou serviço”. Os gastos que apresentam 
essas características são os materiais diretos, utilizados no processo 
produtivo, e a mão de obra direta aplicada na fabricação ou na presta-
ção de serviços. Nesta seção, esses conceitos serão melhor abordados. 
48 Gestão e controle de custos
3.1.1 Materiais diretos
Representam os custos com materiais que se tornam parte inte-
grante dos produtos e podem ser identificados fisicamente e mone-
tariamente em cada unidade produzida. Dubois, Kulpa e Souza (2009) 
afirmam que os materiais diretos têm como características a utilização 
no produto, a identificação direta do material utilizado no produto e a 
mensuração objetiva. Os materiais diretos são adquiridos e registrados 
no estoque (matéria-prima), sendo posteriormente transferidos como 
custos para o processo de fabricação dos produtos (produtos em ela-
boração), podendo ser um elemento que é transformado ou somente 
incorporado na produção do bem (produto acabado). Como exemplo 
de material direto, pode-se citar madeira, parafusos e cola, utilizados 
na fabricação de móveis, em que é possível identificar a quantidade e o 
valor necessário para produzir uma unidade.
Os materiais podem ser classificados de acordo com o seu uso na 
produção em material primário (ou matéria-prima), material secundá-
rio e embalagem, os quais descrevemos a seguir:
 • Matéria-prima: É o material em estado bruto, utilizado para 
obtenção de outro bem. É o principal componente utilizado no 
processo de fabricação, podendo ser um produto originado da 
natureza, não trabalhado, em seu estado natural ou já semima-
nufaturado, que passou em uma etapa anterior por um processo 
de transformação. Como exemplo de um produto de origem na-
tural, pode-se citar o algodão, que, após processo de beneficia-
mento, é transformado em fio, que é utilizado na confecção de 
roupas. Para a indústria que produz o fio, o algodão em estado 
bruto é a matéria-prima e o fio é o produto final. Por sua vez, para 
a indústria que produz tecidos, o fio é a matéria-prima e o tecido 
é o produto final.
 • Material secundário: É o material que, apesar de ser facilmente 
identificável na produção, não representa o elemento principal, 
sendo um elemento secundário ao processo produtivo. Como 
exemplo, na confecção de roupas, pode-se citar como materiais 
secundários botões, zíperes e fios para costura.
 • Embalagem: É o material utilizado para o acondicionamento do 
produto durante o procedimento de fabricação. Como exemplo, 
tem-se embalagens para acondicionar leite, arroz e feijão, que 
Custeio por absorção 49
são custos do processo produtivo. Existem embalagens utiliza-
das após a produção, para estocar e transportar os produtos. Por 
exemplo, caixas de papelão ou embalagens plásticas, que, nesse 
caso, são despesas e não custos com materiais diretos, conforme 
explica Martins (2010) 1 .
O custo dos materiais diretos adquiridos compreende não só o va-
lor pago pelo material, mas também valores necessários para que o 
produto fique à disposição da empresa. A Norma Brasileira de Contabi-
lidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 2017) esclarece que o custo de aquisição 
dos estoques compreende:
 • o preço de compra;
 • os impostos de importação e outros tributos não recuperáveis;
 • os custos de transporte, seguro e manuseio;
 • outros custos diretamente atribuíveis à aquisição dos materiais.
É o custeio por absorção o único método aceito pela contabilidade? Muitos 
dizem que sim, considerando a legislação brasileira. Tendo como base essa 
questão (inclusive, título do artigo), Charles Schultz, Marcia da Silva e Altair 
Borgert fizeram um estudo exploratório sobre o conteúdo bibliográfico que 
trata da legislação tributária, bem como buscaram esclarecimentos com 
profissionais dessa área, dentre outros, da Receita Federal. É uma leitura 
cativante para todos aqueles que desejam se aprofundar sobre a essência 
do uso dos custeios. Fica a dica!
Acesso em: 5 mar. 2020.
https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/1370/1370
Artigo
Devem ser deduzidos do valor do custo de aquisição os descontos 
comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes. É o mesmo tra-
tamento dado aos impostos e contribuições sociais recuperáveis, que, 
como explicam Viceconti e Neves (2013, p. 50), “é recuperável quando 
a sua incidência for não cumulativa, isto é, quando o valor pago de tri-
butos ou contribuições na aquisição pode ser abatido do valor devido 
quando da posterior venda da mercadoria ou do produto acabado”.
Os impostos incidentes em uma primeira etapa são compensados 
com o montante que o contribuinte tiver que pagar na etapa posterior, 
quando ocorrer a saída da mercadoria ou produto. São exemplos de 
impostos e contribuições sociais recuperáveis o imposto sobre pro-
dutos industrializados (IPI), imposto sobre circulação de mercadorias 
Para a contabilidade, custo é o 
gasto que ocorre para a produ-
ção de um bem, e despesa é o 
gasto que se tem para vendê-lo. 
Por exemplo, a caixinha que 
acondiciona 1 litro de leite é 
custo; e a caixa utilizada para 
transportar 12 caixinhas de leite 
para o mercado é uma despesa.
1
Os materiais diretos são elementos 
identificados de maneira objetiva 
no custo do produto, sendo pos-
sível a mensuração em termos de 
quantidades e valores. Eles podem 
ser classificados de três formas, 
dependendo do tipo e do uso na 
produção. Relacione os três tipos de 
materiais diretos estudados neste 
capítulo e os explique.
Atividade 1
50 Gestão e controle de custos
e serviços (ICMS), programa de integração social (PIS) e contribuição 
social para o financiamento da seguridade social (Cofins).
A seguir, tem-se um exemplo hipotético do custo de aquisição de 
material direto, considerando a aquisição de 100 m³ (metros cúbicos) 
de madeira, matéria-prima utilizada na produção de móveis. O valor 
da matéria-prima é de R$ 2.000,00 o metro cúbico, tendo ainda gastos 
com frete no valor de R$ 20.000,00, seguro no montante de R$ 2.000,00 
e ICMS recuperável incidente na operação de 18%. A Tabela 1 demons-
tra o cálculo do custo da matéria-prima adquirida.
Tabela 1
Custo da madeira
Custo total e unitário de aquisição Unidade Valores
Valor de aquisição R$ 200.000,00
(–) ICMS recuperável = 18% R$ –36.000,00
(+) Frete R$ 20.000,00
(+) Seguro R$ 2.000,00
(=) Custo total de aquisição R$ 186.000,00
(/) Total de m³ adquiridos m³ 100
(=) Custo unitário por m³ R$ 1.860,00
Valor de aquisição: 100 m³ x R$ 2.000,00 por m³.
Custo unitário: custo total de aquisição ÷ total de m³ adquiridos.
Fonte: Elaborada pelos autores.
O custo de aquisição da madeira e demais gastos necessários à 
aquisição do produto são registrados no estoque de matéria-prima. 
Quando ela for utilizada na fabricação dos móveis,o custo considerado 
será de R$ 1.860,00 por metro cúbico ou fração menor, de acordo com 
o uso da madeira na produção, e transferida para produtos em proces-
samento ou elaboração.
3.1.2. Mão de obra direta
Representa os custos com os funcionários relacionados diretamen-
te ao setor de produção ou à prestação de serviço da empresa. Martins 
(2010, p. 11) explica que “a mão de obra direta é aquela relativa ao pes-
soal que trabalha diretamente sobre o produto em elaboração, desde 
que seja possível a mensuração do tempo despendido e a identificação 
de quem executou o trabalho”. Como exemplo, cita-se os funcionários 
que trabalham na fabricação de peças automotivas – os gastos envol-
vidos com esse pessoal compõem o custo das peças produzidas. Caso 
Custeio por absorção 51
não seja possível a mensuração de modo direto, pela impossibilidade 
de controle ou mesmo pelo excessivo custo desse controle, a mão de 
obra será considerada indireta e apropriada aos produtos por meio de 
critérios indiretos ou rateios.
Os custos referentes à mão de obra direta extrapolam os valores 
nominais dos salários de funcionários, abrangendo também valores 
relativos aos encargos sociais incidentes sobre a folha de pagamento e 
benefícios concedidos.
Para demonstrar o cálculo dos valores referentes à mão de obra di-
reta, será utilizado como base o exemplo constante em Martins (2010). 
Como premissas do exemplo, será calculado o custo anual de um fun-
cionário da produção que possui o salário de R$ 15,00 por hora, com 
jornada de 44 horas semanais e semana com seis dias de trabalho. O 
cálculo será feito com base na remuneração anual e, posteriormente, 
transformado em remuneração por hora.
Inicia-se com o cálculo das horas diárias trabalhadas:
 44 horas semanais 
6 dias
 = 7,3333 horas por dia
 ou
220 horas semanais
30 dias
 = 7,3333 horas por dia
O segundo item a ser calculado é o número de horas que o funcio-
nário pode trabalhar para a empresa, considerando como base um ano.
Tabela 2
Número de horas que o funcionário pode trabalhar
Máximo de horas à disposição da empresa Unidade Ano
(+) Número total de dias por ano dias 365
(–) Repousos semanais remunerados dias –48
(–) Férias dias –30
(–) Feriados nacionais dias –12
(=) Número máximo de dias à disposição dias 275
(×) Jornada máxima diária horas 7,3333
(=) Número máximo de horas à disposição horas 2.016,66
Repousos semanais: 52 dias menos 4 dias incluídos nas férias 2 .
Número máximo de horas: número máximo de dias x jornada diária em horas 
(considerando horas com quatro casas decimais).
Fonte: Elaborada pelos autores.
Um ano com 365 dias, ao 
ser dividido por 7 (números 
de dias de uma semana), 
apresenta 52 domingos. Como 
férias de 30 dias têm cerca de 4 
domingos (30 / 7 =~ 4), então: 
52 – 4 = 48 repousos semanais 
remunerados.
2
52 Gestão e controle de custos
Um funcionário estará disponível para as atividades do setor de pro-
dução o máximo de 2.016,66 horas em um ano, sendo esse o tempo 
que deve ser considerado no planejamento da produção, especifica-
mente em relação à necessidade da mão de obra direta. Na Tabela 3, a 
seguir, calcula-se o montante total anual da remuneração do funcioná-
rio, considerando salários e encargos.
Tabela 3
Remuneração anual do funcionário
Remuneração anual Unidade Ano
Salários: 2.016,66h · R$ 15,00 R$ 30.249,86
Repousos semanais: 48 d · 7,3333 h · R$ 15,00 R$ 5.279,98
Férias: 30 d · 7,3333 h · R$ 15,00 R$ 3.299,99
Adicional de férias: (30 d · 1/3) · 7,3333h · R$ 15,00 R$ 1.100,00
13º salário: 30 d · 7,3333 h · R$ 15,00 R$ 3.299,99
Total da remuneração R$ 43.229,80
Encargos sociais: INSS* 27,8% · 43.229,80 R$ 12.017,89
Encargos sociais: FGTS 8% · 43.229,80 R$ 3.458,38
Total da remuneração e encargos sociais R$ 58.706,07
*O INSS é composto pela contribuição para a previdência, seguro acidente de tra-
balho, salário educação e demais contribuições para entidades de classe (Sesi, Sesc, 
Senai, Senac, Incra e Sebrae).
Fonte: Elaborada pelos autores.
O custo da mão de obra, como já dito, vai além dos gastos com a 
remuneração, sendo necessário calcular o repouso semanal, férias, 1/3 
constitucional sobre as férias, 13º salário e encargos trabalhistas. Caso 
existam outros valores, como horas extras, remuneração variável pela 
produção, equipamentos de proteção, alimentação, transporte, assis-
tência médica etc., será necessário incluir no cálculo. Obtendo a remu-
neração anual, podemos calcular o custo por hora trabalhada:
Custo-hora: remuneração total anual
horas disponíveis anuais
Custo-hora: 58.706,07
2.016,66
= R$ 29,11
Pode-se perceber que o custo por hora (R$ 29,11) é muito supe-
rior ao custo da remuneração-base do funcionário (R$ 15,00). Caso a 
empresa tenha variações, em termos de remuneração e utilização das 
horas, é necessário elaborar o cálculo com base nessas especificações 
Custeio por absorção 53
para não haver distorções que possam prejudicar a apuração do custo 
do produto. Para a alocação dos custos com a mão de obra direta à 
produção do período, é necessária a implantação de procedimentos de 
controle, como registro de início e término de atividades, controle de 
ponto, ordens de produção etc., de maneira que consiga determinar 
com precisão o tempo dedicado do funcionário à respectiva atividade. 
Com base nesses apontamentos das horas trabalhadas, o custo-hora 
do funcionário deverá ser alocado ao custo da produção.
Martins (2010) afirma que pode haver tempo de ociosidade com 
base em paradas técnicas de preparação de máquinas, trocas de tur-
nos, manutenção de equipamentos, que sejam consideradas normais e 
necessárias ao processo de produção. Sendo assim, essas horas devem 
ser consideradas como mão de obra direta, mesmo que o funcionário 
não esteja efetivamente trabalhando na produção. Caso ele seja deslo-
cado para outras atividades – ainda que dentro da produção da organi-
zação –, ou, por exemplo, houver paradas em períodos específicos do 
ano, deverá ser considerado como mão de obra indireta e ser alocado 
à produção com base em rateios.
3.2 Custos indiretos
Vídeo Os custos indiretos são também denominados de custos indiretos de 
fabricação (CIF) ou custos indiretos de produção (CIP). Representam os 
gastos relacionados à produção de bens ou prestação de serviços, mas, 
como a nomenclatura expressa, são aplicados de maneira indireta aos 
bens ou serviços. Crepaldi e Crepaldi (2018, p. 61) explicam que “é todo 
custo que não está vinculado diretamente a cada unidade de produto, 
mas ao processo de fabricação”. São custos necessários ao processo 
de produção, mas que não são identificados diretamente, pois sua atri-
buição aos produtos pode ser de difícil mensuração ou ainda pode não 
ser economicamente viável a sua identificação, tornando o custo para 
obtenção da informação superior ao seu benefício. Fazem parte dos 
custos indiretos de fabricação os materiais indiretos, a mão de obra 
indireta e outros custos indiretos.
Os materiais indiretos compreendem gastos com materiais que 
são empregados em atividades consideradas auxiliares na produção ou 
cuja vinculação com o produto é irrelevante (PEREZ JUNIOR; OLIVEIRA; 
COSTA, 2012). Um exemplo de materiais são os lubrificantes para má-
54 Gestão e controle de custos
quinas que são utilizados para toda a produção de um período e não 
especificamente para a produção de uma determinada unidade do 
produto. Os materiais indiretos diferenciam-se dos diretos, pois estes 
últimos se caracterizam pela possibilidade de determinar o quanto de 
material foi aplicado na produção de uma unidade, o que não é possí-
vel nos itens indiretos.
A mão de obra indireta consiste em gastos com funcionários que, 
embora trabalhem em setores de produção ou auxiliares à produção, 
não realizam atividades diretamente vinculadas à fabricação dos produ-
tos ou prestação de serviços. Como os materiais indiretos, não é possí-
vel vincular as atividades realizadas à produção de unidades específicas, 
pois são trabalhosrealizados para toda a produção. Como exemplo, po-
de-se citar os supervisores de produção, que têm a responsabilidade de 
coordenar e supervisionar as atividades desempenhadas objetivando a 
melhoria na qualidade, desempenho e custo no processo produtivo da 
organização. Os mesmos conceitos apresentados na mão de obra direta 
– relacionados com o custo da mão de obra que abrange o salário, 13º 
salário, férias, encargos sociais e benefícios – são aplicados nos cálculos 
da mão de obra indireta, devendo ser considerados na determinação do 
montante a ser apropriado aos produtos.
Em relação aos outros custos indiretos, pode-se apontar os gas-
tos relacionados com a fábrica; por exemplo, seguro do prédio e má-
quinas. São custos decorrentes da estrutura de produção da empresa, 
não sendo diretamente atribuíveis aos produtos, pois contribuem para 
o processo como um todo. Além dos gastos já citados, são também 
exemplos de custos indiretos:
 • aluguel da fábrica;
 • energia elétrica do prédio;
 • depreciação das máquinas, equipamentos e parte predial;
 • graxas, serras, lixas, combustíveis, materiais de limpeza;
 • supervisores, controle de qualidade, chefes de setores.
Os custos indiretos de produção necessitam de critérios de rateio 
para serem apropriados aos produtos. Um critério de rateio representa 
a base com a qual se efetuará a alocação dos custos aos produtos pro-
duzidos em determinado período. Caso a empresa produza somente 
um produto, o montante total dos CIFs será somado aos custos diretos 
e irão compor o custo total da produção do período. Mas, caso a em-
Custeio por absorção 55
presa fabrique mais produtos, será necessário estabelecer um critério 
de rateio para realizar a apropriação, como a quantidade produzida. 
De acordo com o critério da quantidade produzida, o produto que tiver 
maior produção receberá proporcionalmente o maior valor de CIFs.
Com base nas linhas precedentes, tem-se que um dos pontos prin-
cipais do custeio por absorção é que os custos indiretos de fabricação 
necessitam de um critério de rateio para serem alocados aos produtos, 
por não serem facilmente identificáveis neles. Crepaldi e Crepaldi (2018) 
explicam que o rateio é um artifício empregado para a distribuição dos 
custos, compondo-se de um fator pelo qual é dividido os CIF, represen-
tando a alocação dos custos aos objetos de custeio, com base em um 
critério predefinido. Os custos indiretos são então apropriados aos pro-
dutos proporcionalmente, de acordo com o critério selecionado.
Dubois, Kulpa e Souza (2009) indicam que quanto maior for a parce-
la de custo que possa ser identificada aos produtos, mais preciso será 
o custo obtido. Os autores acrescentam que a determinação de uma 
base de rateio é uma questão de julgamento e busca-se eleger a me-
lhor base de rateio, que seja condizente ao consumo do custo indireto 
aos produtos, que tenha uma relação de causa e efeito.
Martins (2010) entende que todas as formas de rateio contêm certo 
subjetivismo e arbitrariedade, às vezes existindo em níveis aceitáveis e 
outras pela falta de alternativas melhores. Os critérios a serem adotados 
demandarão análise por parte das empresas, tendo em vista que uma 
mesma base de apropriação pode não ser a ideal para todas as empre-
sas, pois dependerá do tipo de organização, dos produtos produzidos, dos 
custos indiretos envolvidos, do nível de controle exigido pela gestão etc. 
Após a definição do critério de rateio que será utilizado pela orga-
nização, que pode ser um único para todos os custos indiretos, ou um 
específico para cada tipo de custo indireto, é realizado o cálculo e a 
apropriação de uma parcela desses custos aos produtos, que podem 
ser realizados calculando por regra de três, como demonstrado no 
exemplo a seguir, sobre a Indústria Exemplar S.A.
A Indústria Exemplar fabrica dois produtos: Delta e Gama, com pro-
cesso produtivo muito similar, tendo produzido em determinado mês 
800 peças do produto Delta e 1.200 peças do produto Gama. Para fo-
car no cálculo e apropriação dos custos indiretos com o uso de rateio, 
serão apresentados somente os custos indiretos do período, que são:
56 Gestão e controle de custos
 • Aluguel do barracão da fábrica: R$ 8.000,00.
 • Salário do supervisor de produção: R$ 5.000,00.
 • Manutenção das máquinas e prédio: R$ 7.000,00.
Como critério de rateio, para fins de exemplo, será utilizada a 
quantidade produzida no mês, calculando o percentual de cada um 
dos custos em relação ao total.
Tabela 4
Produção no período
Produção Unidade Quantidade %*
Delta peças 800 40,00
Gama peças 1.200 60,00
Total peças 2.000 100,00
* O percentual é calculado utilizando regra de três:
Delta = (
800
2000
) · 100
Gama = (
1200
2000
) · 100
Fonte: Elaborada pelos autores.
Em relação à produção total, os produtos Delta e Gama correspon-
dem a 40% e 60%, respectivamente. Com base nesses percentuais, os 
custos indiretos serão apropriados aos produtos.
Tabela 5
Rateio dos custos indiretos
Custos Indiretos Unidade Delta – 40% Gama – 60% Total
Aluguel do barracão R$ 3.200,00 4.800,00 8.000,00
Salário do supervisor R$ 2.000,00 3.000,00 5.000,00
Manutenção máquinas e prédios R$ 2.800,00 4.200,00 7.000,00
Total R$ 8.000,00 12.000,00 20.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
O produto Delta receberá R$ 8.000,00 e o produto Gama receberá 
R$ 12.000,00 de custos indiretos, que, somados aos custos diretos, irão 
compor o custo total e, dividindo pela quantidade produzida de cada 
produto, será obtido o custo unitário de produção. O mesmo cálculo 
pode ser realizado calculando um coeficiente de rateio e, posterior-
mente, multiplicando pela quantidade produzida, da seguinte forma:
Custeio por absorção 57
Coeficiente de rateio:
custo indireto total
total da produção
= 
R$ 20.000,00
2.000
= R$ 10,00
O coeficiente de rateio indica que cada unidade produzida receberá 
R$ 10,00 do montante do custo indireto. Para saber o montante total 
de custos indiretos para cada produto, é necessário multiplicar pela 
quantidade produzida:
Delta = R$ 10,00 · 800 unidades = R$ 8.000,00
Gama = R$ 10,00 · 1.200 unidades = R$ 12.000,00
O valor distribuído para os produtos é o mesmo nas duas metodo-
logias de rateio, podendo, se acontecer, ter diferenças de centavos, ne-
cessitando, nesse caso, de ajustes. O Quadro 1 apresenta sugestões de 
critérios de rateio, mas ressalta-se que é necessário estudo para deter-
minar como esses custos relacionam-se aos produtos produzidos, de 
modo que, embora subjetivo, o critério seja o que proporciona melhor 
apropriação desses custos.
Quadro 1
Sugestões de critérios de rateio
Tipo de custo indireto Critério(s) de rateio
Aluguel Área ocupada
Depreciação
Área ocupada; horas máquina; quantidade 
produzida
Energia (iluminação) Área ocupada
Manutenção máquinas Horas trabalhadas; quantidade produzida
Energia (máquinas)
Quantidade produzida; horas máquina; 
quilowatt-hora consumido em cada 
máquina
Mão de obra indireta
Tempo da mão de obra direta; número de 
pessoas; salários da mão de obra direta
Outros gastos (combustível, graxa, lim-
peza, seguro, material de consumo etc.)
Área ocupada; horas trabalhadas; material 
direto consumido
Fonte: Elaborado pelos autores.
O Quadro 1 apresenta algumas sugestões de critérios, mas outros 
podem servir de base para a apropriação dos custos indiretos, inclusive 
critérios que levem em consideração como a empresa está estrutura-
da, por exemplo, em departamentos ou centros de custos, objeto de 
estudo da seção seguinte.
Os custos indiretos não estão 
vinculados diretamente ao pro-
duto, mas são gastos necessários 
ao processo de produção, poden-
do ser materiais indiretos, mão 
de obra indireta ou outros custos 
indiretos. Para a alocação dos 
custos indiretos aos produtos, é 
necessário o uso de critérios para 
sua apropriação. Explique o que 
são os critérios de rateio e cite 
três exemplos.
Atividade 2
58 Gestão e controle de custos
3.3 Rateio: centro de custo
Vídeo Bruni e Famá(2012) apontam que, para facilitar o controle dos 
custos incorridos, muitas organizações optam por alocá-los, em um 
primeiro momento, aos centros de custos ou aos departamentos da 
entidade, atribuindo responsabilidade pelos custos incorridos e melho-
rando o processo de apropriação dos gastos. Perez Junior, Oliveira e 
Costa (2012, p. 39) assim definem departamento: “uma unidade ope-
racional representada por um conjunto de homens e/ou máquinas de 
características semelhantes, desenvolvendo atividades homogêneas 
dentro de uma mesma área”. O departamento representa uma divisão 
da empresa, porém, a nomenclatura pode variar entre empresas, sen-
do denominada também de setor, unidade, centro de custo, centro de 
despesas etc.
É a estruturação da empresa em divisões que tem responsáveis e 
necessidades de controles, entre os quais destacam-se os controles 
dos custos, que contribuem com a geração de informações para a 
tomada de decisão da empresa. Um departamento representa um 
ou mais centros de custos, que é definido como a menor estrutura 
acumuladora de custos para posterior apropriação aos produtos fa-
bricados ou serviços (PEREZ JUNIOR; OLIVEIRA; COSTA, 2012). Neste 
capítulo, ao invés de usar a nomenclatura departamento para indicar 
as divisões que uma empresa pode apresentar, será utilizada a de-
nominação centro de custo, segmentada em centro de custo de pro-
dução (ou produtivos) e centro de custo de serviços (ou auxiliares), 
os quais definimos a seguir.
 • Centro de custo de produção: É o centro de custo onde ocorre 
a transformação da matéria-prima em produtos acabados nas 
indústrias ou a prestação de serviço nas empresas de serviços. 
Como exemplo, pode-se citar centro de custo de montagem, pin-
tura, corte, acabamento, prensagem etc.
 • Centro de custo de serviços: É o centro de custo onde ocorre a 
execução de serviços auxiliares ao processo de produção. Esses 
serviços não participam da fabricação dos produtos, mas con-
tribuem como suporte ao centro de custo de produção. Como 
exemplo, pode-se citar centro de custo de manutenção, adminis-
tração da produção, limpeza, estoque, qualidade etc.
Custeio por absorção 59
Com a utilização de centros de custos, os custos indiretos passam 
por três etapas até comporem o custo dos produtos, conforme descrito 
na Figura 1.
Figura 1
Rateio dos custos indiretos
Produto A Produto B
Centro de custo de 
serviços
Centro de custo de 
produção
Custos Indiretos de Fabricação (CIF)
1 1
2
3
Fonte: Elaborada pelos autores.
Os CIFs são inicialmente alocados aos centros de custos de serviços 
e de produção, de acordo com o consumo realizado. Posteriormente, 
os centros de custos de serviços são rateados para os centros de cus-
tos de produção, que apropriarão os custos indiretos (os próprios e 
os recebidos de serviços) aos produtos. Acompanhe um exemplo que 
demonstra esse processo.
Considere uma indústria que fabrica dois produtos: estante e rack. 
A indústria possui dois centros de custos de serviços (Estoque e Ma-
nutenção), e dois centros de custos de produção (Corte e montagem 
e Acabamento). Os setores de produção são responsáveis pelo corte 
da madeira, montagem dos móveis, pintura e acabamento final, e os 
setores de serviço servem de apoio à produção, fornecendo os mate-
riais para a fabricação dos móveis e a manutenção das máquinas do 
processo produtivo. Em determinado período, a empresa apresentou 
os seguintes custos indiretos:
60 Gestão e controle de custos
Tabela 6
Custos indiretos
Descrição Unidade Valores
Manutenção R$ 10.000,00
Mão de obra indireta R$ 30.000,00
Depreciação do prédio R$ 12.000,00
Total R$ 52.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
O primeiro passo deve ser a distribuição dos custos indiretos 
para os centros de custos de serviços e de produção com base em 
critérios de rateio. A Tabela 7a apresenta, em sua primeira parte, os 
critérios de rateio estipulados para cada tipo de custo indireto. Já a 
Tabela 7b apresenta os respectivos valores já rateados com base 
nos critérios estipulados.
Tabela 7a
Rateio dos custos indiretos
Descrição 
dos custos
Critério de 
Rateio Unidade Estoque Manutenção
Corte e 
montagem Acabamento Total
Manutenção
Horas 
trabalhadas
h 200 200 1.200 400 2.000
Mão de obra 
indireta
Folha de 
pagamento
R$ 12.000,00 10.000,00 4.000,00 4.000,00 30.000,00
Depreciação 
prédio
Área 
ocupada
m² 50 100 500 350 1.000
Fonte: Elaborada pelos autores.
Distribuição 
dos custos
Critério 
de Rateio Unidades Estoque Manutenção
Corte e 
montagem Acabamento Total
Manutenção
Horas 
trabalhadas
R$ 1.000,00 1.000,00 6.000,00 2.000,00 10.000,00
Mão de obra 
indireta
Folha de 
pagamento
R$ 12.000,00 10.000,00 4.000,00 4.000,00 30.000,00
Depreciação 
prédio
Área 
ocupada
R$ 600,00 1.200,00 6.000,00 4.200,00 12.000,00 
Total R$ 13.600,00 12.200,00 16.000,00 10.200,00 52.000,00
Tabela 7b
Valores rateados
Fonte: Elaborada pelos autores.
Custeio por absorção 61
Analisamos, a seguir, cada custo indireto:
 • Manutenção: Foi estipulado o critério de rateio das horas tra-
balhadas, isto é, as horas dispendidas pelo centro de custo de 
serviços para os demais centros de custos. Para que um critério 
seja estabelecido, é preciso que haja controles que forneçam as 
informações detalhadamente. Um determinado centro de custo 
pode, inclusive, trabalhar para ele mesmo, se tiver que realizar 
manutenção de equipamentos em seu próprio setor. Com base 
nas horas medidas no período, o rateio do total de R$ 10.000,00 
pode ser realizado, tomando como exemplo o centro de custo 
Estoque, da seguinte forma:
Percentual de horas trabalhadas em relação ao total:
200 h
2.000 h
= 0,1 · 100 = 10%
Valor rateado para o Estoque:
R$ 10.000,00 · 10% = 1.000,00
Do total de horas trabalhadas pela manutenção, 10% foram apli-
cadas no Estoque, devendo ser apropriado esse percentual para 
determinar o valor do custo indireto de manutenção. A mesma 
metodologia é aplicada aos demais centros de custo.
 • Mão de obra indireta: Para a divisão dos custos aos centros de 
custo, foram utilizados os valores constantes na folha de paga-
mento da empresa. Caso existam funcionários considerados mão 
de obra indireta nos centros de custo, por exemplo, um supervi-
sor de produção em cada setor produtivo, o valor da remunera-
ção e encargos deve ser atribuído ao setor. Não há necessidade 
de realização de cálculo ou estabelecimento de critério, pois o 
efetivo valor dos gastos setoriais pode ser apurado.
 • Depreciação do prédio: Foi utilizado como critério de rateio o 
total de metros quadrados utilizado por cada setor dentro da fá-
brica. Dessa forma, os setores que utilizam espaçamento maior 
receberão maiores custos de depreciação.
62 Gestão e controle de custos
O passo seguinte é a distribuição dos custos apurados nos cen-
tros de custo de serviços para os produtivos. Os seguintes critérios 
foram estipulados:
O Estoque será o primeiro que distribuirá seus custos indiretos para 
os demais centros de custo, com base nas requisições solicitadas no 
período. As requisições referem-se aos pedidos de matéria-prima e ou-
tros materiais pelos centros de custo, servindo de base de alocação. A 
Manutenção, por sua vez, utilizará como critério de distribuição de seus 
custos – custos próprios e custos recebidos do setor de estoque – as 
horas trabalhadas pelos setores, representando que aqueles que mais 
demandaram serviços de manutenção receberão maiores valores de 
custos, de acordo com a proporção de seu consumo. A Tabela 9 apre-
senta os custos indiretos transferidos.
Para o centro de custo do Estoque, foram alocados R$ 13.600,00 de 
custos indiretos, que foram na sequência distribuídos para os centros 
de custo da Manutenção, Corte e montagem e Acabamento, com base 
nas requisições recebidas. Por sua vez, o centro de custo de Manu-
tenção efetuou a distribuição dos seus custos para os demais setores, 
com base nas horas trabalhadas. Os custos indiretos totais foram de 
R$ 32.970,00 e R$ 19.030,00para Corte e montagem e Acabamento, 
respectivamente, que serão posteriormente rateados para os produtos 
produzidos pela empresa, utilizando novamente critérios de rateio.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Centro de custo 
de serviços Critério de rateio Unidade Manutenção
Corte e 
montagem Acabamento Total
Estoque Requisições n. 9 45 36 90
Manutenção Horas trabalhadas h - 120 40 160
Tabela 8
Critérios de rateio dos cen-
tros de custo de serviços
Tabela 9
Rateio dos custos indiretos 
para os centros de custo de 
produção
Descrição dos 
custos Unidade Estoque Manutenção
Corte e 
montagem Acabamento Total
Manutenção R$ 1.000,00 1.000,00 6.000,00 2.000,00 10.000,00
Mão de obra indireta R$ 12.000,00 10.000,00 4.000,00 4.000,00 30.000,00
Depreciação prédio R$ 600,00 1.200,00 6.000,00 4.200,00 12.000,00
Subtotal R$ 13.600,00 12.200,00 16.000,00 10.200,00 52.000,00
Rateio do estoque R$ - 13.600,00 1.360,00 6.800,00 5.440,00 0,00
Subtotal R$ - 13.560,00 22.800,00 15.640,00 52.000,00
Rateio da manutenção R$  - - 13.560,00 10.170,00 3.390,00 0,00
Total R$ - - 32.970,00 19.030,00 52.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
Custeio por absorção 63
3.4 Aplicação: análise e formação 
de preço de vendaVídeo
Após o estudo dos elementos que compõem o custeio por absor-
ção, vamos analisar as formas de apuração e controle dos estoques 
para determinação do custo do produto vendido de um período. Além 
disso, vamos verificar a aplicação do custo de produção obtido pelo 
custeio por absorção para estabelecer o preço de venda dos produtos.
No artigo Desmistificando as limitações do uso do custeio por absorção, publi-
cado no periódico Contabilidade vista & revista, Cosmo Severiano Filho e 
Janaina de Melo analisam se são sólidas as alegações de estudiosos sobre as 
limitações do uso do custeio por absorção no processo gerencial. Para tanto, 
apresentam rapidamente a origem dessa forma de custeio, como tam-
bém sua aderência às normas da legislação brasileira, dentre outros itens 
igualmente interessantes sobre a relevância do custeio por absorção. É uma 
leitura interessante sobre o tema, vale apena conferir.
Acesso em: 5 mar. 2020.
https://revistas.face.ufmg.br/index.php/contabilidadevistaerevista/article/view/303
Artigo
A contabilidade de custos tem como um dos seus objetivos o aten-
dimento aos preceitos contábeis e às exigências demandadas pelos 
órgãos fiscais brasileiros na identificação dos custos de produção e do 
custo dos produtos vendidos. Contudo, sua utilidade tem que abranger 
também os aspectos de controle dos gastos e geração de informações 
que tenham utilidade à administração da empresa nas suas decisões. A 
formação do preço de venda sob a ótica dos custos é uma dessas infor-
mações que contribuem para que a empresa estabeleça um preço de 
venda que possibilite ganhos em participação no mercado e o retorno 
pretendido pelos sócios e acionistas.
3.4.1 Controle do estoque e apuração do CPV
No custeio por absorção, os produtos fabricados recebem os custos 
diretos e a alocação dos custos indiretos, compondo dessa maneira o 
custo total da produção, que é registrado no estoque da empresa para 
posteriormente ser determinado o custo do produto vendido (CPV) do 
período. Em empresas comerciais, a apuração é denominada de custo 
da mercadoria vendida (CMV) e, em empresas prestadoras de serviços, 
de custo do serviço prestado (CSP).
64 Gestão e controle de custos
Para a avaliação e controle do estoque, são utilizados dois métodos: o 
inventário permanente (contínuo) e o inventário periódico. A adoção de 
uma ou de outra forma de controle de estoque, de acordo com Iudícibus 
e Marion (2016, p. 112), “deve levar em conta a profundidade e a periodici-
dade de informações desejadas do sistema contábil da empresa, a quan-
tidade de itens negociados, o volume de negociações, a intensidade das 
operações, o comportamento do preço de aquisição (custo) dos itens etc.”.
No inventário permanente, a empresa tem o controle contínuo 
dos estoques por meio de controle via fichas ou sistemas informatiza-
dos. A cada venda efetuada, a empresa controla os itens do estoque, 
permitindo conhecer o estoque remanescente e o custo do produto 
vendido. Esse método será explicado posteriormente. Neste momento, 
vamos estudar o inventário periódico, que é utilizado quando a em-
presa não mantém controle permanente de seus estoques com o uso 
de fichas ou sistemas informatizados.
Iudícibus e Marion (2016) explicam que é indispensável a realização 
de um inventário físico de produtos existentes, no final do período, para 
identificação do estoque final da empresa. Com base no saldo inicial, 
no custo do produto produzido no período e com o levantamento físico 
do estoque final, o custo dos produtos vendidos pode ser apurado.
Para a apuração do CPV, são necessárias as etapas descritas nas 
fórmulas a seguir, adaptadas de Silva e Garbrecht (2016).
Primeira etapa: custo do material direto
MD = EI + compras – EF
Em que:
• MD: material direto (matéria-prima, embalagens e outros 
materiais diretos)
• EI: estoque inicial
• EF: estoque final
Para a apuração do custo do material, é necessário o controle do 
material direto que existe no estoque no início do período, bem como 
os materiais que permanecem no estoque no final do período. Como 
Custeio por absorção 65
visto na seção anterior, o valor das compras refere-se ao valor de aqui-
sição, custos adicionais para o produto ficar à disposição da empresa, 
diminuído de impostos recuperáveis.
Segunda etapa: custo de produção
CP = MD + MOD + CIF
Em que:
• CP: custo de produção
• MD: material direto
• MOD: mão de obra direta
• CIF: custos indiretos de fabricação
Os custos indiretos abrangem materiais indiretos, mão de obra in-
direta e outros materiais indiretos, apropriados ao custo de produção 
com base em rateios. O somatório dos três itens representa os valores 
gastos em determinado período para a produção.
Terceira etapa: custo da produção acabada
CPA = EIPP + CP – EFPP
Em que:
• CPA: custo da produção acabada
• EIPP: estoque inicial da produção em processamento (ou 
elaboração)
• CP: custo de produção
• EFPP: estoque final da produção em processamento (ou 
elaboração)
Os valores referentes ao estoque inicial e final da produção em pro-
cessamento são relativos aos produtos que, no início e final de cada 
período, permanecem na linha de produção, ou seja, não estão 100% 
concluídos. O custo da produção acabado representa o valor total que 
66 Gestão e controle de custos
foi concluído, saindo da linha de produção e ficando à disposição da 
empresa em estoque de produtos acabados para serem vendidos.
Quarta etapa: custo do produto vendido
CPV = EIPA + CPA – EFPA
Em que:
• CPV: custo do produto vendido
• EIPA: estoque inicial de produtos acabados
• CPA: custo da produção acabada
• EFPA: estoque final de produtos acabados
Na última etapa, é apurado o valor dos custos dos produtos ven-
didos no período, considerando os produtos remanescentes do mês 
anterior e os produzidos no período. Os produtos acabados não ven-
didos no período são mantidos em estoque para comercialização nos 
próximos meses. Para exemplificar as fórmulas e os respectivos cálcu-
los, vamos considerar as informações disponibilizadas na Tabela 10, re-
ferente à produção de um único produto, e calcular o custo do produto 
vendido no período.
Tabela 10
Informações para apuração do custo do produto vendido
Gastos e saldos Unidade Janeiro
Matéria-prima adquirida no período R$ 100.000,00
Mão de obra direta R$ 40.000,00
Materiais indiretos R$ 10.000,00
Mão de obra indireta R$ 10.000,00
Estoque inicial de material direto R$ 10.000,00
Estoque final de material direto R$ 20.000,00
Estoque inicial de produto em processamento R$ 20.000,00
Estoque final de produto em processamento R$ 10.000,00
Estoque inicial de produto acabado R$ 40.000,00
Estoque final de produto acabado R$ 30.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
Custeio por absorção 67
Combase nas informações disponibilizadas, inicia-se com o cálculo 
da matéria-prima utilizada no período.
MD = EI + compras – EF
MD = 10.000,00 + 100.000,00 – 20.000,00 = 90.000,00
Na sequência, calcula-se o custo da produção do período:
CP = MD + MOD + CIF
CP = 90.000,00 + 40.000,00 + 10.000,00 + 10.000,00 = 150.000,00
O custo de produção corresponde a todos os gastos consumidos no 
período. A etapa seguinte indicará o total do custo dos produtos acaba-
dos produzidos no período.
CPA = EIPP + CP – EFPP
CPA = 20.00,00 + 150.000,00 – 10.000,00 = 160.000,00
A etapa final corresponde ao cálculo do produto vendido no perío-
do analisado, considerando os valores que constavam no estoque e o 
estoque final.
CPV = EIPA + CPA – EFPA
CPV = 40.000,00 + 160.000,00 – 30.000,00 = 170.000,00
O custo do produto vendido, que é registrado na Demonstração do 
Resultado (DR) do período, é de R$ 170.000,00, confrontando com a 
respectiva receita obtida com a venda dos produtos.
3.4.2 Formação do preço de venda
Estabelecer o preço de venda dos produtos ou serviços é uma tare-
fa complexa, pois envolve tanto elementos internos quanto elementos 
externos à organização. Crepaldi e Crepaldi (2018) explicam que o as-
pecto interno se refere aos objetivos financeiros da empresa, como a 
necessidade de cobrir os custos e despesas, a obtenção de retorno so-
bre o investimento, a maximização do lucro, a necessidade de entrada 
de recursos para o caixa, a conquista de mercado, entre outros. 
Com relação ao aspecto externo, tem-se os objetivos mercadoló-
gicos, que envolvem o aumento na participação de mercado, o cresci-
mento rápido das vendas, a criação do interesse pelo produto, de uma 
68 Gestão e controle de custos
identificação e uma marca, entre outros. A política de formação do pre-
ço de venda deve levar em conta esses objetivos e a necessidade de 
otimizar os resultados da empresa.
Para formar o preço de venda, pode-se utilizar três métodos distin-
tos, baseados na teoria econômica, na concorrência ou nos custos. Pela 
ótica da teoria econômica, o mercado é o determinante do preço de 
venda dos produtos, com base na lei da oferta e da procura. Os ofer-
tantes e os demandantes dos produtos irão interagir para determinar 
um preço que seja satisfatório para ambas as posições, considerando 
um mercado livre de situações como monopólios, oligopólios etc.
Pela ótica da formação de preços com base na concorrência, a 
empresa analisa os preços praticados no mercado pelos concorrentes 
com produtos iguais ou similares. O posicionamento da empresa dian-
te do mercado e seus concorrentes determinará se os preços a serem 
praticados serão iguais ou menores que a concorrência ou se, por ter 
um produto diferenciado, poderá estabelecer preços superiores aos 
demais participantes do mercado.
A formação do preço de venda pela ótica do custo o utiliza como 
base para determinação do preço de venda do produto. Parte-se da 
apuração do custo do produto e acrescenta-se uma margem que 
cubra os custos, despesas e impostos e gere o lucro desejado. Pado-
veze (2010, p. 426) explica que o “pressuposto básico para tal técnica 
é que o mercado está disposto a absorver os preços de venda deter-
minados pela empresa, que, por sua vez, são calculados em cima de 
seus custos reais ou orçados”. Ao formar o preço baseando-se nos 
custos, como destacado pelo autor, deixa-se de observar elemen-
tos relacionados ao mercado, como a demanda pelos produtos da 
empresa, os preços praticados pelos concorrentes, os produtos con-
correntes disponíveis ou possíveis substitutos. A não observância 
desses fatores não invalida o uso do custo como fonte para a deter-
minação do preço, pois pode servir de parâmetro para determinar 
qual é o preço mínimo que deve ser praticado para cobrir todos os 
gastos envolvidos no processo de produção e obter a lucratividade 
desejada.
Para fixar o preço de venda com base nos custos, calcula-se o 
mark-up (MK), que significa “marcação acima”, representando o cál-
culo de um índice que é aplicado sobre os gastos do produto ou ser-
A formação do preço de 
venda é um elemento-chave nas 
atividades da empresa, pois o 
estabelecimento de preços muito 
elevados pode provocar redução 
nas vendas e preços muito bai-
xos podem aumentar as vendas, 
mas reduzir a lucratividade da 
empresa. Para formar o preço 
de venda, vimos que podem ser 
utilizados três métodos. Cite-os 
e explique cada um. 
Atividade 3
Custeio por absorção 69
viço, e determinando qual deve ser o preço de venda que deverá ser 
praticado, cobrindo esses gastos. O mark-up pode ser calculado por 
meio de duas fórmulas:
Mark-up multiplicador = 
1
1 – (I + D + L)
ou
Mark-up divisor = 1 – (I + D + L)
Em que:
• 1: preço de venda
• I: impostos incidentes nas operações da empresa, em % 
sobre as vendas
• D: despesas em % sobre as vendas
• L: margem de Lucro 3 desejada pela empresa, expressa em 
% sobre as vendas
É importante ressaltar a dife-
rença entre lucro e margem de 
lucro. O lucro é o valor monetário 
obtido em uma operação; por 
exemplo, lucro de R$10,00. Já a 
margem de lucro é a expressão 
percentual do lucro em relação 
ao valor da venda ou do custo; 
por exemplo, R$10,00 de lucro 
em uma venda de R$200,00 
representa uma margem de 
lucro de 5% sobre a venda.
3
Para o cálculo do mark-up, são utilizados os valores de impostos, 
despesas e a margem de lucro desejada, transformados em percen-
tuais das vendas. O cálculo pode ser dividido em dois estágios:
 • Mark-up 1: índice que considera somente as despesas, como 
administrativas, comerciais, marketing, o custo financeiro, os im-
postos sobre o lucro e a margem de lucro.
 • Mark-up 2: índice que considera somente os impostos incidentes 
sobre as vendas, como ICMS, PIS, Cofins e ISS.
A divisão em dois cálculos permite conhecer o preço sem os impos-
tos sobre vendas e os preços com a inclusão deles. Caso a empresa 
venda seus produtos ou serviços para estados ou municípios com alí-
quotas de impostos diferentes, poderá determinar com o mark-up 1 o 
preço base a ser praticado e, posteriormente, de acordo com a carga 
tributária específica para aquele estado ou município, incluir os impos-
tos com o mark-up 2.
Na sequência, analisamos o exemplo do cálculo, determinando o 
mark-up geral pelos métodos multiplicador e divisor.
70 Gestão e controle de custos
Descrição Unidade Alíquotas
Impostos sobre vendas % 27,50
Despesas administrativas % 5,00
Despesas comerciais % 8,00
Custo financeiro % 2,00
Margem de lucro % 20,00
Total % 62,50
Fonte: Elaborada pelos autores.
Os percentuais dos gastos podem ser obtidos com base nas infor-
mações de períodos anteriores ou com base em orçamentos realizados 
pela empresa. O percentual de lucro deve ser determinado de acordo 
com o retorno pretendido por sócios e acionistas, considerando fatores 
como o custo de oportunidade e o risco envolvido nas operações da 
empresa. Para a aplicação dos percentuais na fórmula, é necessário a 
sua transformação em números decimais, com a divisão por 100.
Mark-up multiplicador = 
1
1 – (0,275 + 0,05 + 0,08 + 0,02 + 0,2)
 = 
1
1 – (0,625)
 = 
1
0,375
 = 2,6667
ou
Mark-up divisor = 1– (0,275 + 0,05 + 0,08 + 0,02 + 0,2) = 0,3750
Como a própria nomenclatura sugere, o mark-up multiplicador será 
utilizado para multiplicar o custo do produto, e o mark-up divisor, para 
dividir o custo do produto. O preço de venda obtido é o mesmo por am-
bos os métodos, podendo apresentar pequenas diferenças em função 
da quantidade de casas após a vírgula usada no cálculo. No exemplo, os 
índices foram apresentados com quatro casas após a vírgula. O passo se-
guinte é o cálculo do preço de venda e, para isso, vamos considerar que 
o custo unitário de produção de um determinado produto é de R$ 30,00.
Preço de venda = Custo · MK multiplicador = R$ 30,00 · 2,6667 = R$ 80,00
Preço de venda = 
Custos
MK divisor
= 
R$ 30,00
0,3750
 = R$ 80,00
O produto deverá ser vendido pelo preço de R$ 80,00 para que 
cubra oscustos, despesas, impostos e o lucro definido na fórmula. Para 
se certificar de que o preço estipulado está correto, pode-se simular 
uma DR, considerando que foram vendidas 12.500 unidades do produ-
to no período.
Tabela 11
Impostos, despesas e lucro
Custeio por absorção 71
Tabela 12
Demonstração do Resultado
Demonstração do Resultado (em R$) Cálculos Valores
Receita bruta 12.500 · R$ 80,00 1.000.000,00
(–) Impostos sobre vendas Receita bruta · 27,5% –275.000,00
(=) Receita líquida 725.000,00
(–) Custo produto vendido 12.500 · R$ 30,00 –375.000,00
(=) Lucro bruto 350.000,00
(–) Despesas administrativas Receita bruta · 5% –50.000,00
(–) Despesas comerciais Receita bruta · 8% –80.000,00
(–) Despesas financeiras Receita bruta · 2% –20.000,00
(=) Lucro líquido = 20% da receita bruta 200.000,00
Fonte: Elaborada pelos autores.
A DR está apresentada de maneira resumida, considerando a venda 
de 12.500 unidades ao preço unitário de R$ 80,00. O valor do custo 
corresponde ao custo calculado pela empresa por meio do método de 
absorção, considerando custos diretos e indiretos. Os impostos e des-
pesas foram calculados com base nos percentuais de vendas determi-
nados pela organização, e o lucro líquido de R$ 200.000,00 corresponde 
a 20% de retorno sobre a receita bruta, ou seja, representa a margem 
de lucro determinada pela empresa e incluída na fórmula do mark-up.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, estudamos os principais elementos do custeio por ab-
sorção, que é o método mais utilizado pelas empresas por atender pre-
ceitos contábeis e fiscais. 
A determinação dos custos diretos, mesmo que mais facilmente iden-
tificáveis no processo produtivo, demanda a utilização de controles pelas 
empresas para determinar a quantidade de matéria-prima e outros mate-
riais aplicados na produção, bem como a quantidade de horas trabalha-
das na fabricação dos produtos. A esses custos são agregados os custos 
indiretos necessários ao processo de produção. 
Embora normalmente sejam custos com valores menores que os di-
retos, precisam ser incluídos no custo sob pena de não se apurar o custo 
de maneira correta e interferir em análises que se baseiam em informa-
ções geradas pela contabilidade de custos, como a definição do preço 
que deve ser praticado pela empresa para cobrir os custos, despesas, 
impostos e o retorno exigido por sócios e acionistas.
72 Gestão e controle de custos
REFERÊNCIAS
BRASIL. Entidades de Fiscalização do Exercício das Profissões Liberais. Conselho Federal de 
Contabilidade. Norma Brasileira de Contabilidade, TG 16 (R2), de 24 de novembro de 2017. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 dez. 2017. Disponível em: http://www2.cfc.org.br/sisweb/
sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2).doc. Acesso em: 
14 fev. 2020.
BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
CREPALDI, S. A; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
DUBOIS, A.; KULPA, L.; SOUZA, L. E. Gestão de custos e formação de preços. 3. ed. São Paulo: 
Atlas, 2009.
IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Contabilidade comercial. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2010.
PADOVEZE, C. L. Contabilidade gerencial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
PADOVEZE, C. L.; TAKAKURA JUNIOR, F. K. Custos e preços de serviços. São Paulo: Atlas, 2013.
PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L. M.; COSTA, R. G. Gestão estratégica de custos. 8. ed. São 
Paulo: Atlas, 2012.
SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. Custos empresariais. Curitiba: InterSaberes, 2016.
VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
GABARITO
1. Os materiais diretos podem ser classificados em matéria-prima, material secundário e 
embalagem. A matéria-prima é o principal componente utilizado na produção, sendo 
o material em estado bruto utilizado em seu estado natural ou que tenha passado por 
um processo anterior de industrialização. O material secundário é aquele identificado 
de maneira direta na produção, mas não é o elemento principal, isto é, a principal ma-
téria-prima utilizada. Usado como complemento na produção, a embalagem corres-
ponde ao material de acondicionamento do produto. A embalagem é, ainda, utilizada 
no processo de produção dos produtos.
2. Os critérios de rateio são utilizados para apropriar os custos indiretos aos produtos 
produzidos. Um critério de rateio estipula percentualmente quanto do custo indireto 
será alocado para cada produto. Como exemplos de critérios, tem-se: quantidade pro-
duzida, valor do material direto e horas trabalhadas.
3. Os três métodos destacados no capítulo são: teoria econômica, concorrência e custo. 
A teoria econômica indica que o mercado determinará o preço de venda com base na 
interação entre os ofertantes e os demandantes. O preço de venda será estipulado de 
modo a atender aos interesses dos dois grupos. Na formação de preço com base na 
concorrência, o preço é estipulado analisando os concorrentes do mercado que ven-
dem os mesmos produtos, similares ou substitutos. O posicionamento da empresa em 
termos de preço analisará os preços praticados pelos concorrentes. Na formação de 
preço com base nos custos, analisam-se os custos, impostos e despesas para determi-
nar um preço de venda que cubra esses itens mais a margem de lucro desejada pela 
empresa. Por fim, sobre o custo, é aplicado um índice que englobe todas esses itens e 
indique o preço que a empresa deverá vender seus produtos ou prestar seus serviços.
Sistemas de controle de estoque 73
4
Sistemas de controle 
de estoque
Os estoques podem ser controlados e avaliados de diferentes 
formas. A seleção de um ou de outro método será influenciada por 
fatores como porte da empresa, necessidade informacional da ges-
tão, sistemas de controles, tipo de material armazenado, somente 
para citar alguns. O controle dos estoques pode ser periódico ou 
permanente e, nesse último caso, existe uma necessidade maior 
de que todas as operações sejam registradas no momento em que 
ocorrem e que a valoração dos estoques esteja sempre atualizada.
Neste capítulo, são apresentados os métodos de controle e 
avaliação de estoques pelo sistema permanente, ou inventário per-
manente, que são: custo médio ponderado; primeiro que entra, 
primeiro que sai (PEPS); preço específico; e último que entra, pri-
meiro que sai (UEPS). Um dos objetivos da contabilidade de custos 
é o controle do estoque para apuração do custo das mercadorias 
ou dos produtos vendidos pela empresa. O inventário permanente 
permite a valoração dos estoques e a baixa do custo das vendas 
que, registrado na Demonstração do Resultado (DR), evidencia o 
lucro ou prejuízo da empresa em determinado período.
4.1 Controle de estoque 
Vídeo Estoque representa, como conceituam Stickney e Weil (2001, p. 338), 
“qualquer ativo que a empresa possua e mantenha, com o objetivo de 
vender ou transformar em outros ativos, como parte de suas operações 
normais”. São recursos econômicos controlados pela entidade e possuem 
potencial para produzir benefícios econômicos, representando uma par-
cela importante do Ativo Circulante na maioria das empresas. Segundo a 
74 Gestão e controle de custos
Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 2017, p. 1), esto-
ques são Ativos “(a) mantidos para a venda no curso normal dos negócios; 
(b) em processo de elaboração para venda; ou (c) na forma de materiais 
ou suprimentos”.
Os itens (b) e (c) da norma referem-se a matérias-primas e materiais 
de consumo adquiridos para serem utilizados no processo de produ-
ção ou na prestação de serviços, materiais que já foram requisitados in-
ternamente e estão no processo de transformação e os produtos finais 
e mercadorias disponíveis para a venda.
Os custos relacionados aos estoques envolvem valores de aquisição 
e demais gastos necessários para sua compra, bem como custos de 
transformação, como demonstrado a seguir.
Custos deaquisição
Custos de transformação
Na compra de mercadorias e matérias-primas, tem-se como 
gastos, inicialmente, os valores destacados na nota fiscal, 
mas outros gastos podem ser necessários para que o produ-
to fique disponível na empresa, como frete, seguro, inspeção, 
manuseio, impostos não recuperáveis, impostos de impor-
tação e gastos aduaneiros. Esses são exemplos de gastos 
incorporados ao custo de aquisição da mercadoria ou maté-
ria-prima quando forem por conta da empresa compradora. 
É importante ressaltar que descontos comerciais, abatimen-
tos sobre compras e impostos recuperáveis são deduzidos 
para determinação dos custos que compõem a aquisição.
Representam os custos incorporados ao processo de pro-
dução para transformar a matéria-prima em produtos aca-
bados. São exemplos de custos aplicados no processo de 
produção a mão de obra direta de funcionários da linha pro-
dutiva, embalagens utilizadas durante a produção, mão de 
obra indireta de supervisores e controle de qualidade, bem 
como outros custos indiretos necessários à fabricação de 
produtos ou à prestação de serviços, como depreciação, alu-
guel, manutenção, seguros, entre outros.
A Norma Brasileira de 
Contabilidade – TG n. 16 
R2 é utilizada como fonte 
para a elaboração deste 
capítulo. Entretanto, a lei-
tura detalhada da norma 
completa é de suma im-
portância para o desen-
volvimento dos conheci-
mentos do profissional 
contábil e dos usuários 
da contabilidade, pois o 
documento orienta sobre 
a determinação do valor 
de custo dos estoques e 
sobre o seu subsequente 
reconhecimento como 
despesa em resultado.
Disponível em: http://www2.cfc.
org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.
aspx?Codigo=2017/NBCTG 
16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2).
doc. Acesso em: 5 mar. 2020.
Leitura
Sistemas de controle de estoque 75
Os estoques de matérias-primas, de produtos em elaboração e de 
produtos acabados precisam ser controlados e, para tanto, faz-se uso 
de sistemas de controle, ou sistemas de inventário, como também 
são denominados. Ribeiro (2014) explica que o inventário de merca-
dorias e produtos consiste na contagem física dos itens existentes no 
estoque no final do exercício social, visando ao conhecimento da quan-
tidade e do valor do estoque final, assim como do custo dos produtos 
e mercadorias vendidos no período. Pode-se fazer uso de dois tipos de 
sistema de controle: o inventário periódico e o inventário permanente.
No inventário periódico, a contagem física é realizada ao final do 
período, que pode ser mensal, trimestral ou anual, de acordo com os 
controles mantidos pela organização. Nesse método, não são mantidas 
fichas de controles de estoques, sejam manuais ou por meio de sistemas 
informatizados de controle da movimentação do estoque. A outra meto-
dologia, o inventário permanente, conforme descrito por Viceconti e 
Neves (2018), caracteriza-se pelo controle permanente de estoques por 
parte da pessoa jurídica, com o controle sendo realizado a cada opera-
ção de compra ou venda. Com relação à seleção do método, Iudícibus e 
Marion (2016, p. 112) indicam que:
a adoção de uma ou de outra forma de controle de estoques 
deve levar em conta a profundidade e a periodicidade de infor-
mações desejadas do sistema contábil da empresa, o porte da 
empresa, a quantidade de itens negociados, o volume de ne-
gociações, a intensidade das operações, o comportamento do 
preço de aquisição (custo) dos itens etc.
Neste capítulo, o foco está no inventário permanente e seus con-
ceitos e métodos de avaliação dos estoques. Nesse inventário, faz-se o 
uso de uma Ficha de Controle de Estoque, que consiste em uma ficha 
atribuída a cada tipo de produto ou material – como descrevem Iudíci-
bus et al. (2010) –, atualmente controlada de maneira eletrônica, facili-
tando o controle, a conferência e a contabilização dos fatos envolvidos 
na apuração dos custos dos produtos produzidos e vendidos.
Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2002) destacam que a empresa 
deve estabelecer procedimentos formais de movimentação dos es-
toques, realizando contagens frequentes e avaliando a eficácia dos 
procedimentos de movimentações dos estoques para diminuir a 
possibilidade de perdas associadas aos estoques. Por meio do inven-
tário permanente, em cada movimentação de entrada ou saída, as 
76 Gestão e controle de custos
 respectivas entradas e baixas são realizadas de modo contínuo, pos-
sibilitando tanto o conhecimento do saldo atualizado quanto do custo 
do produto vendido. O Quadro 1 apresenta um modelo de Ficha de 
Controle de Estoque.
Quadro 1
Modelo de Ficha de Controle de Estoque
Ficha de Controle de Estoque
Produto/material/mercadoria:
Data Documento
Entradas Saídas Saldo
Qtde.
Unit.
R$
Total 
R$
Qtde.
Unit.
R$
Total 
R$
Qtde.
Unit.
R$
Total 
R$
Fonte: Elaborado pelos autores.
A Ficha de Controle de Estoque apresenta três divisões, destacando 
principalmente as entradas, as saídas e o respectivo saldo do estoque. 
Cada movimentação corresponde a uma linha, mantendo, dessa for-
ma, o estoque atualizado em relação ao seu saldo final. Contudo, o 
mesmo tipo de item do estoque pode ser adquirido em datas distintas, 
em diferentes quantidades e por diferentes custos unitários, como cita 
Ribeiro (2017). Nesse caso, para determinar qual é o custo do produto 
ou da mercadoria que está sendo consumida no processo de produ-
ção, ou em relação ao produto acabado sendo vendido, é necessária a 
utilização de métodos de avaliação que atribuam valor aos estoques. 
Os métodos mais utilizados de valoração do estoque são:
• Média ponderada móvel (MPM)
• Média ponderada fixa (MPF)
• Primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS)
• Último que entra, primeiro que sai (UEPS)
• Preço específico
Sistemas de controle de estoque 77
4.2 Custo médio ponderado móvel 
Vídeo Como destacado, na saída de itens do estoque, é necessária a de-
terminação do custo unitário que irá compor o custo dos produtos 
produzidos, ou, no caso de um item que será diretamente vendido, 
determinar o custo do produto ou mercadoria vendida. Para mate-
riais intercambiáveis, ou seja, materiais que podem ser utilizados com 
o mesmo propósito sem alterar o resultado, o método do custo médio 
(ou preço médio) é o mais utilizado pelas empresas brasileiras.
Como exemplo de um item intercambiável, pode-se citar o tecido 
utilizado na confecção de roupas, que, sendo do mesmo tipo de mate-
rial e da mesma cor, independentemente de haver no estoque tecidos 
adquirido em datas, quantidades ou custos diferentes, é utilizado do 
mesmo modo no processo de produção e com o mesmo resultado. Se 
na produção for consumido um item adquirido mais recentemente ou 
mais antigo, isso não alterará a produção. Nesse caso, o custo médio 
ponderado das diferentes aquisições é utilizado para determinar o cus-
to unitário que sairá do estoque.
Neste ponto, é importante ressaltar que, embora existam vários mé-
todos de avaliação de estoques, nem todos são aceitos pela legislação 
contábil para a apuração do custo dos produtos ou das mercadorias 
vendidas e, consequentemente, para a elaboração das demonstrações 
contábeis. A Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 
2017) indica como critérios de valoração do estoque: preço específico 1 , 
PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai) e custo médio ponderado 
móvel (MPM). O método do último que entra, primeiro que sai (UEPS), 
apesar de não listado como aplicável pelos preceitos contábeis, pode 
ser utilizado gerencialmente como forma de valoração, sendo necessá-
rio, nesse caso, o uso de outro método para a elaboração das informa-
ções listadas nas demonstrações contábeis. Crepaldi e Crepaldi (2018, 
p. 54) explicam que “a utilização de forma conjunta constitui não só um 
avanço nos estudos da área de custos, mas também uma necessidade 
das empresas, já que elas possuem diferentes estratégias para aborda-
gem e resolução de problemas”.
O termo preço específico é uma 
expressão usualmente utilizada 
pelo mercado. Já a Norma Brasi-leira de Contabilidade trata essa 
especificidade de valorização 
do estoque pela alcunha de 
identificação específica.
1
78 Gestão e controle de custos
Ribeiro (2014) explica que os materiais estocados são sempre ava-
liados pela média dos custos de aquisição e, toda vez que ocorrer com-
pra por custo unitário diferente dos que constarem no estoque, o custo 
médio será atualizado. Pode ser utilizado o custo médio ponderado 
móvel, que consiste em recalcular o custo unitário após cada nova 
compra com preço diferente, ou o custo médio ponderado fixo, que 
admite que o custo médio seja calculado com base em todas as com-
pras efetuadas no mês e as saídas sejam registradas unicamente ao 
fim de cada mês.
É apresentado, a seguir, um exemplo do registro do estoque pelo 
custo médio ponderado móvel, considerando mercadoria adquirida 
para revenda.
Operações realizadas pela empresa 
durante o mês de janeiro 2
01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercado-
ria Ômega – 30 unidades que totalizam 
R$ 318,00.
10/01/20x1: Aquisição de 50 unidades conforme a nota fis-
cal (NF) n. 200 do fornecedor EG Ltda., no valor 
total de R$ 500,00. ICMS recuperável incidente 
sobre a compra de 18%.
10/01/20x1: Frete das 50 unidades no valor de R$ 100,00.
15/01/20x1: Venda de 40 unidades conforme nota fiscal 
de venda n. 001.
21/01/20x1: Aquisição de 20 unidades conforme a nota 
fiscal n. 280 do fornecedor SG Ltda., no valor 
total de R$ 240,00. ICMS recuperável incidente 
sobre a compra de 18%.
25/01/20x1: Venda de 20 unidades conforme nota fiscal 
de venda n. 002.
A expressão 20x1 é uma notação 
didática para ano. Ela é utilizada 
para tornar um exemplo contábil 
atemporal, o valor x pode ser 
qualquer valor de dezena entre 0 
e 9. Sendo assim, 20x1 pode ser 
2001, 2011, 2021 etc.
2
Antes de as operações serem lançadas na ficha do estoque, o custo 
unitário das operações de entrada será calculado:
Saldo anterior unitário = 
R$ 318,00
30 unidades
= R$ 10,60
No inventário permanente, 
o estoque é controlado 
tendo todas suas entradas e 
saídas registradas em fichas de 
controle. Dentre seus métodos, 
o mais utilizado pelas empresas 
é o custo médio ponderado, que 
pode ser móvel ou fixo. Explique 
a diferença entre esses dois 
métodos.
Atividade 1
Sistemas de controle de estoque 79
Compra dia 10/01
(+) Valor da NF = R$ 500,00
(–) ICMS recuperável R$ 500,00 · 18% R$ 90,00
(+) Frete das mercadorias = R$ 100,00
Total da aquisição = R$ 510,00
Custo unitário = R$ 510,00
50 unidades
 = R$ 10,20
Compra dia 21/01
(+) Valor da NF = R$ 240,00
(–) ICMS recuperável R$ 240,00 · 18% R$ 43,20
Total da aquisição = R$ 196,80
Custo unitário = R$ 196,80
20 unidades
= R$ 9,84
A Tabela 1 apresenta a Ficha de Controle de Estoque preenchida 
pelo critério de avaliação da MPM.
Tabela 1
Média ponderada móvel (MPM)
Data Documento
Entradas Saídas Saldo
Qtde.
Unit.
R$
Total R$ Qtde.
Unit.
R$
Total R$ Qtde.
Unit.
R$
Total R$
01/01 Saldo 30 10,60 318,00 (1)
10/01 NF 200 50 10,20 510,00 80 10,35 828,00 (2)
15/01 NF 001 40 10,35 414,00 40 10,35 414,00 (3)
21/01 NF 280 20 9,84 196,80 60 10,18 610,80 (4)
25/01 NF 002 20 10,18 203,60 40 10,18 407,20 (5)
Fonte: Elaborada pelos autores.
Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera-
ção destacada no lado direito da Tabela 1:
 • Em (1), o saldo corresponde às quantidades e valores que consta-
vam no estoque no final do período anterior.
 • Em (2), no dia 10/01, a empresa adquiriu 50 novas unidades, com 
custo unitário diferente do custo que constava no saldo anterior, 
sendo necessário o cálculo do custo unitário médio, consideran-
do o saldo anterior e a compra realizada nessa data. Para a rea-
lização do cálculo do custo médio, soma-se o valor total do saldo 
anterior e o valor total da nova compra; soma-se a quantidade do 
80 Gestão e controle de custos
saldo anterior e a quantidade da nova compra; e divide-se o total 
obtido em reais pelo total obtido em quantidades.
Custo unitário médio ponderado = 
R$ 318,00 + R$ 510,00
30 + 50
 = 
R$ 828,00
80
 = R$ 10,35
 • No dia 15/01 (3), ocorreram vendas de 40 unidades, que são bai-
xadas do estoque pelo custo unitário médio de R$ 10,35. O total 
de R$ 414,00 corresponde ao custo das mercadorias vendidas 
nessa data. Permaneceram no estoque 40 unidades com custo 
unitário médio de R$ 10,35.
 • Em (4), dia 21/01, a empresa adquiriu 50 novas unidades, com 
custo unitário diferente do custo que constava no saldo anterior, 
sendo necessário o cálculo do custo unitário médio, consideran-
do o saldo anterior e a nova compra.
Custo unitário médio ponderado = 
R$ 414,00 + R$ 196,80
40 + 20
 = 
R$ 610,80
60
 = R$10,18
 • No dia 25/01 (5), ocorreram vendas de 20 unidades, que são 
baixadas do estoque pelo custo unitário médio de R$ 10,18. 
O total de R$ 203,60 corresponde ao custo das mercadorias 
vendidas nessa data. Permaneceram no estoque 40 unidades 
com custo unitário médio de R$ 10,18, que será o saldo inicial 
do próximo período.
Nas operações realizadas pelas empresas, é muito comum ocorre-
rem devoluções de compras e/ou devoluções de vendas, que também 
são registradas na ficha de controle de estoque. Tem-se, a seguir, um 
exemplo para demonstrar a forma de preenchimento do controle utili-
zando as seguintes operações:
Sistemas de controle de estoque 81
Operações realizadas pela empresa 
durante o mês de janeiro
01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercado-
ria Ômega – 30 unidades que totalizam 
R$ 605,40.
10/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme a nota 
fiscal n. 250 do fornecedor EG Ltda., no valor 
total de R$ 380,00. ICMS recuperável inciden-
te sobre a compra de 18%.
12/01/20x1: Devolução de 10 unidades adquiridas no 
dia 10/01 do fornecedor EG Ltda., conforme 
nota fiscal de devolução n. 010.
15/01/20x1: Venda de 15 unidades, conforme nota fiscal 
de venda n. 011.
16/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme nota 
fiscal n. 300 do fornecedor SG Ltda., no valor 
total de R$ 440,00. ICMS recuperável inciden-
te sobre a compra de 18%.
18/01/20x1: Devolução de 10 unidades referentes à ven-
da no dia 15/01, conforme nota fiscal n. 012
Inicialmente, calcula-se o custo unitário que será utilizado na Ficha 
de Controle de Estoque nas operações de entrada:
Saldo anterior unitário = 
R$ 605,40
30 unidades
= R$ 20,18 
Compra dia 10/01
(+) Valor da NF = R$ 380,00
(–) ICMS recuperável R$ 380,00 · 18% R$ 68,40
Total da aquisição = R$ 311,60
Custo unitário = R$ 311,60
20 unidades
= R$ 15,58
82 Gestão e controle de custos
Compra dia 16/01
(+) Valor da NF = R$ 440,00
(–) ICMS recuperável R$ 440,00 · 18% R$ 79,20
Total da aquisição = R$ 360,80
Custo unitário = R$ 360,80
20 unidades
= R$ 18,04
A Tabela 2 apresenta as movimentações no estoque de acordo com 
o critério de avaliação da MPM.
Tabela 2
Média ponderada móvel (MPM): devoluções
Data Documento
Entradas Saídas Saldo
Qtde.
Unit.
R$
Total R$ Qtde.
Unit.
R$
Total R$ Qtde.
Unit.
R$
Total R$
01/01 Saldo 30 20,18 605,40 (1)
10/01 NF 250 20 15,58 311,60 50 18,34 917,00 (2)
12/01 NF 010 –10 15,58 –155,80 40 19,03 761,20 (3)
15/01 NF 011 15 19,03 285,45 25 19,03 475,75 (4)
16/01 NF 300 20 18,04 360,80 45 18,59 836,55 (5)
18/01 NF 012 –10 19,03 –190,30 55 18,67 1.026,85 (6)
Fonte: Elaborada pelos autores.
Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera-
ção destacada ao lado direito da Tabela 2:
 • Em (1), o saldo corresponde às quantidades e valores que consta-
vam no estoque no final do período anterior.
 • No dia 10/01 (2), a empresa adquiriu 20 novas unidades, com 
custo unitário diferente do custo que constava no saldo anterior, 
sendo necessário o cálculo do custo unitário médio.
Custo unitário médio ponderado = 
R$ 605,40 + R$ 311,60
30 + 20
 = 
R$ 917,00
50
 = R$18,34
 • Em (3), no dia 12/01, a empresa devolve 10 unidades, emitindo para 
isso a sua nota fiscal n. 010, que acompanha a mercadoria. Apesar 
de o custo médio imediatamenteanterior ser de R$ 18,34 (final do 
dia 10/01), a mercadoria é devolvida com o custo original da aquisi-
Sistemas de controle de estoque 83
ção, que foi de R$ 15,58. Os impostos recuperáveis são devolvidos 
para o fornecedor. Caso tenham ocorrido outras despesas para que 
o estoque ficasse à disposição da empresa, como fretes ou segu-
ros, elas são baixadas do estoque, mas registradas contabilmente 
como despesas do período, pois os serviços (fretes, por exemplo) 
foram efetivamente utilizados. A devolução é registrada na Ficha 
de Controle do Estoque nas colunas correspondentes às entradas, 
mas negativas, indicando que se referem a entradas devolvidas. 
Ribeiro (2017, p. 245) explica que, registrando com valores negati-
vos, “a soma algébrica da coluna das entradas refletirá o total das 
compras”. Como ocorreram devoluções, o custo unitário médio ne-
cessita ser recalculado, pois a saída de itens do estoque interfere no 
custo ponderado dos itens que permaneceram. O novo custo unitá-
rio médio é de R$ 19,03, que corresponde à divisão do total em es-
toque de R$ 761,20 pela quantidade remanescente de 40 unidades.
 • No dia 15/01 (4), ocorreram vendas de 15 unidades, que serão 
baixadas do estoque pelo custo unitário médio de R$ 19,03.
 • Em (5), no dia 16/01, a empresa adquiriu 20 novas unidades, com 
custo unitário diferente do custo que constava no saldo anterior, 
sendo necessário o cálculo do custo unitário médio, consideran-
do o saldo anterior e a nova compra:
Custo unitário médio ponderado = 
R$ 475,75 + R$ 360,80
25 + 20
 = 
R$ 836,55
45
 = R$ 18,59
 • Por fim, no dia 18/01 (6), ocorreram devoluções das vendas reali-
zadas no dia 15/01 de 10 unidades. Embora o custo unitário médio 
do dia 16/01 indique R$ 18,59 por unidade, a devolução é reali-
zada pelos mesmos valores das respectivas saídas, de R$ 19,03 
por unidade. A devolução de uma venda representa uma entrada 
dos materiais no estoque, pois o cliente efetivamente devolve os 
produtos para a empresa, mas é registrada na coluna de saídas, 
com valores negativos, permitindo o acompanhamento do total 
das saídas efetivas do período.
Como demonstra o exemplo, quando ocorreram devoluções, foi ne-
cessário recalcular o custo unitário médio, e o novo valor mensurado 
com o procedimento foi de R$ 18,67, que corresponde à divisão do total 
em estoque de R$ 1.026,85 pela quantidade em estoque de 55 unidades.
84 Gestão e controle de custos
4.3 Custo médio ponderado fixo e PEPS 
Vídeo São apresentados, nesta seção, dois critérios de avaliação de esto-
que: o custo médio ponderado fixo e o primeiro que entra, primeiro 
que sai, conhecido como PEPS. Os dois métodos são aceitos pelos pre-
ceitos contábeis e pela legislação fiscal e podem ser adotados pelas 
empresas para controle de seus estoques e apuração do custo do pro-
duto ou da mercadoria vendida.
4.3.1 Custo médio ponderado fixo
O custo médio ponderado pode ser calculado a cada operação de 
entrada ou saída que altere o custo unitário, ou, como indica o Parecer 
Normativo CST n. 6 (BRASIL, 1979), as saídas podem ser “registradas 
unicamente no fim de cada mês, desde que avaliadas ao preço médio 
que, sem considerar o lançamento de baixa, se verificar naquele mês”. 
Dubois, Kulpa e Souza (2009) explicam que o método considera que o 
estoque inicial e as entradas do período são tratados como se fossem 
uma única aquisição. Todas as saídas são realizadas ao final do perío-
do, como se fossem uma única operação, com base no custo médio das 
entradas do período.
Para fins de exemplo, o custo médio ponderado fixo será demons-
trado considerando a mercadoria Ômega, adquirida para revenda.
Operações realizadas pela empresa 
durante o mês de janeiro
01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercadoria – 30 
unidades que totalizam R$ 420,00.
10/01/20x1: Aquisição de 30 unidades, conforme a nota 
fiscal n. 350 do fornecedor EG Ltda., no valor 
total de R$ 420,00. ICMS recuperável incidente 
sobre a compra de 18%.
12/01/20x1: Aquisição de 20 unidades conforme a nota 
fiscal n. 400 do fornecedor SG Ltda., no valor 
total de R$ 260,00. ICMS recuperável incidente 
sobre a compra de 18%.
15/01/20x1: Venda de 5 unidades, conforme nota fiscal de 
venda n. 020.
(Continua)
Sistemas de controle de estoque 85
20/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme a nota 
fiscal n. 450 do fornecedor EG Ltda., no valor 
total de R$ 320,00. ICMS recuperável incidente 
sobre a compra de 18%.
25/01/20x1: Venda de 25 unidades, conforme nota fiscal de 
venda n. 021.
Primeiramente, serão feitos os cálculos dos custos unitários das 
aquisições para serem lançadas na Ficha do Estoque.
Saldo anterior unitário = 
R$ 420,00
30 unidades
= R$ 14,00 
Compra dia 10/01
(+) Valor da NF = R$ 420,00
(–) ICMS recuperável R$ 420,00 · 18% R$ 75,60
Total da aquisição = R$ 344,40
Custo unitário = R$ 344,40
30 unidades
 = R$11,48
Compra dia 12/01
(+) Valor da NF = R$ 260,00
(–) ICMS recuperável R$ 260,00 · 18% R$ 46,80
Total da aquisição = R$ 213,20
Custo unitário = R$ 213,20
20 unidades
= R$ 10,66
Compra dia 20/01
(+) Valor da NF = R$ 320,00
(–) ICMS recuperável R$ 320,00 · 18% R$ 57,60
Total da aquisição = R$ 262,40
Custo unitário = R$ 262,40
20 unidades
 = R$13,12
A Tabela 3 apresenta a ficha de controle de estoque preenchida pelo 
critério de avaliação da MPF.
86 Gestão e controle de custos
Tabela 3
Média ponderada fixa (MPF)
Ficha de Controle de Estoque – Média Ponderada Fixa
Produto/Material/Mercadoria: Ômega
Data Documento Entradas Saídas Saldo
(dd/mm) (Registro) Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$
Total 
R$ Qtde. Unit. R$ Total R$
31/12 Saldo final 30 14,00 420,00
01/01 Saldo inicial 30 - - (1)
10/01 NF 350 30 11,48 344,40 60 - - (2)
12/01 NF 400 20 10,66 213,20 80 - - (3)
15/01 NF 380 5 - - 75 - - (4)
20/01 NF 450 20 13,12 262,40 95 - - (5)
22/01 NF 390 25 - - 70 - - (6)
31/01 Saldo final 70 12,40 868,00 (7)
Precificação dos valores de saída
15/01 NF 380 5 12,40 62,00 - - - (7)
22/01 NF 390 25 12,40 310,00 - - - (7)
Fonte: Elaborada pelos autores.
Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera-
ção destacada no lado direito da Tabela 3:
 • Em (1), o saldo inicial corresponde às quantidades que cons-
tavam no estoque ao final do mês anterior (nesse caso, 31 de 
dezembro do ano anterior). Os valores em reais (R$) não são 
considerados no dia 01/01, pois a tabela atende ao critério da 
média ponderada fixa mensal, ou seja, o valor médio fixo de 
cada unidade movimentada durante o mês será conhecido so-
mente ao término do último dia útil.
 • No dia 10/01 (2), a empresa adquiriu 30 novas unidades, com cus-
to unitário diferente do custo que constava no saldo anterior. O 
valor monetário dessa aquisição será utilizado apenas no último 
dia útil do mês.
Sistemas de controle de estoque 87
 • Em (3), no dia 12/01, a empresa adquiriu 20 novas unidades, com 
custo unitário diferente do custo que constava nos lançamentos 
anteriores. Esse valor monetário também será utilizado apenas 
no último dia útil do mês.
 • No dia 15/01 (4), a empresa vendeu 5 unidades, e o valor mo-
netário por unidade vendida para a baixa do estoque ainda 
não é conhecido, pois o critério da média ponderada fixa im-
põe que dentro do mês as entradas futuras impactam em saí-
das pretéritas.
 • Em (5), no dia 20/01, a empresa adquiriu 20 novas unidades, aqui-
sição cujo valor monetário será utilizado apenas no último dia útil 
do mês.
 • No dia 22/01 (6), a empresa vendeu 25 unidades. O valor mone-
tário por unidade vendida para a baixa do estoque, como ocorreu 
no dia 15/01, ainda não é conhecido
 • Por fim, em (7), ao término do dia 31/01 (último dia útil do mês), 
o valor médio do estoque, segundo critério ponderado fixo, é cal-
culado considerando o saldo final do mês anterior e as entradas 
ocorridas no mês corrente:
31/12 Saldo final 30 qtdes R$ 420,00 (valor total)
10/01 NF 350 30 qtdes R$ 344,40 (valor total)
12/01 NF 400 20 qtdes R$ 213,20(valor total)
20/01 NF 450 20 qtdes R$ 262,40 (valor total)
Total 4 lançamentos 100 qtdes R$ 1.240,00 (valor total)
Custo unitário médio ponderado = 
R$ 1.240,00
100
 = R$ 12,40
Os valores de custo das vendas realizadas nos dias 15/01 e 20/01 
são registradas no dia 31/01. O total de quantidades vendidas no perío-
do foi de 30 unidades (5 + 25), que são baixadas do estoque pelo custo 
unitário médio de R$ 12,40. O total de R$ 372,00 (R$ 62,00 + R$ 310,00) 
corresponde ao custo das mercadorias vendidas nessa data. Permane-
ceram no estoque 70 unidades com custo unitário médio de R$ 12,40, 
totalizando R$ 868,00.
88 Gestão e controle de custos
4.3.2 Primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS)
O método PEPS, também conhecido como First in, first out ou FIFO, 
necessita do controle de todas as entradas separadamente, pois a saí-
da da mercadoria ou do material baseia-se na ordem de entrada. O 
critério PEPS presume que os itens de estoque comprados ou produ-
zidos primeiro sejam vendidos em primeiro lugar, logo os itens que 
permanecerem em estoque no fim do período serão os comprados ou 
produzidos mais recentemente, conforme descreve a Norma Brasileira 
de Contabilidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 2017). Padoveze (2018) explica 
que as mercadorias e os materiais adquiridos em primeiro lugar devem 
sair primeiro, ficando sempre as mercadorias das compras posteriores 
no estoque, até se esgotarem as quantidades da primeira compra, e 
assim sucessivamente.
O método PEPS, em uma economia de preços crescentes, registra 
o custo dos produtos ou mercadorias vendidos por custos mais anti-
gos e que, provavelmente, foram adquiridos com preços menores se 
comparados com as compras mais recentes. Nessa metodologia, como 
explica Martins (2010, p. 120), “há uma tendência de o produto ficar 
avaliado por custo menor do que quando do custo médio, tendo-se em 
vista a situação normal de preços crescentes”. Nessa situação, o resul-
tado contábil apresenta-se maior, pois o custo da mercadoria vendida 
(CMV) ou custo do produto vendido (CPV) apropriados referentes aos 
produtos vendidos no período estão subavaliados se comparados com 
os preços mais recentes, pois, como citado, provavelmente foram ad-
quiridos com preços mais elevados. Se houver uma situação de preços 
estáveis, haverá pouca ou nenhuma variação de lucro se comparados 
os métodos do custo médio e PEPS.
Pelo PEPS, os materiais precisam de controles que identifiquem as 
compras realizadas em períodos e custos unitários diferentes, para que 
a saída observe a ordem das entradas. Em produtos que sejam perecí-
veis e tenham validade relativamente curta, a utilização do PEPS permi-
te o controle por lote de entrada e a saída dos itens que estejam mais 
próximos de sua validade, evitando, dessa forma, que seja necessária 
sua baixa, ocasionando a redução do lucro da empresa devido à perda. 
Para demonstrar os procedimentos de controle, será desenvolvido um 
exemplo considerando a mercadoria Ômega, adquirida para revenda.
Sistemas de controle de estoque 89
Operações realizadas pela empresa 
durante o mês de janeiro
01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercado-
ria Ômega – 20 unidades que totalizam 
R$ 185,00.
10/01/20x1: Aquisição de 50 unidades, conforme a nota 
fiscal n. 500 do fornecedor EG Ltda., no valor 
total de R$ 500,00. ICMS recuperável inciden-
te sobre a compra de 18%.
15/01/20x1: Venda de 60 unidades, conforme nota fiscal 
de venda n. 030.
20/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme a nota 
fiscal n. 550 do fornecedor SG Ltda., no valor 
total de R$ 180,00. ICMS recuperável inciden-
te sobre a compra de 18%.
25/01/20x1: Venda de 20 unidades, conforme nota fiscal 
de venda n. 031.
Para facilitar o registro na ficha de controle do estoque, calcula-se o 
custo unitário das operações de entrada:
Saldo anterior unitário = 
R$ 185,00
20 unidades
= R$ 9,25
Compra dia 10/01
(+) Valor da NF = R$ 500,00
(–) ICMS recuperável R$ 500,00 · 18% R$ 90,00
Total da aquisição = R$ 410,00
Custo unitário = R$ 410,00
50 unidades
= R$ 8,20
Compra dia 20/01
(+) Valor da NF = R$ 180,00
(–) ICMS recuperável R$ 180,00 · 18% R$ 32,40
Total da aquisição = R$ 147,60
Custo unitário = R$ 147,60
20 unidades
= R$ 7,38
90 Gestão e controle de custos
A Tabela 4 apresenta as movimentações no estoque de acordo com 
o critério de avaliação do PEPS.
Tabela 4
Método PEPS
Data Documento
Entradas Saídas Saldo
Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total
01/01 Saldo 20 9,25 185,00 (1)
10/01 NF 500 50 8,20 410,00
20
50
70
9,25
8,20
185,00
410,00
595,00
(2)
15/01 NF 30
20
40
60
9,25
8,20
185,00
328,00
513,00
-
10
10
 -
8,20
-
82,00
82,00
(3)
20/01 NF 550 20 7,38 147,60
10
20
30
8,20
7,38
82,00
147,60
229,60
(4)
25/01 NF 31
10
10
20
8,20
7,38
82,00
 73,80
155,80
0
10
10
 -
7,38
-
73,80
73,80
(5)
Fonte: Elaborada pelos autores.
Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera-
ção destacada no lado direito da Tabela 4:
 • Em (1), o saldo corresponde às quantidades e aos valores que 
constavam no estoque ao final do período anterior.
 • No dia 10/01 (2), a empresa adquiriu 50 novas unidades. Nas co-
lunas do saldo, as quantidades e os valores das duas compras 
são evidenciadas separadamente, pois as saídas irão obedecer à 
ordem de entrada.
 • Em (3), no dia 15/01, ocorreram vendas de 60 unidades, sendo 
baixadas as 20 unidades que constavam no saldo do início do 
período e 40 unidades da entrada realizada no dia 10/01. O custo 
das mercadorias vendidas será o somatório das duas baixas, no 
valor de R$ 513,00. Nas colunas do saldo, permanecem as unida-
des remanescentes da entrada do dia 10/01.
 • No dia 20/01 (4), a empresa adquiriu 20 novas unidades. Nas 
colunas do saldo, são evidenciadas separadamente as unidades 
remanescentes da entrada do dia 10/01 e as novas unidades ad-
quiridas, totalizando 30 unidades.
Sistemas de controle de estoque 91
 • Por fim, no dia 25/01 (5), ocorreram vendas de 20 unidades, sen-
do baixadas as 10 unidades mais antigas do estoque, zerando 
seu saldo, e 10 unidades da compra efetuada no dia 20/01. No 
saldo, permanecem ainda 10 unidades da entrada do dia 20/01, 
no valor total de R$ 73,80.
4.4 Preço específico e UEPS 
Vídeo Mais dois métodos podem ser utilizados para controle e avaliação 
dos estoques: o preço específico e o último que entra, primeiro que 
sai (UEPS). O que vai determinar o tipo de controle utilizado, em mui-
tos casos, é o tipo de material ou mercadoria que precisa permanecer 
no estoque, como produtos perecíveis, em grandes quantidades, com 
especificidades únicas, com número de série, chassi, dentre outros as-
pectos. Os métodos de preço específico e UEPS são apresentados com 
seus conceitos e aplicação de exemplos a seguir.
4.4.1 Preço específico
Compreende o método que baixa do estoque efetivamente o custo 
de aquisição do bem. Marion (2015, p. 317) explica que é o “processo de 
custo usado para mercadoria (geralmente de elevado valor unitário), 
que possa controlá-la por unidade vendida e unidade comprada”. Com 
o controle individual, é possível determinar o custo específico de cada 
unidade estocada e, no momento da saída (por consumo ou venda), dar 
baixa pelo valor específico. Iudícibus e Marion (2016, p. 123) afirmam 
que o custo de um item vendido é exatamente o custo de adquiri-lo, 
existindo, portanto, “uma relação íntima e indissociável entre as uni-
dades físicas e seus custos de aquisição, enquanto estiverem no Ativo, 
tanto para fins de balanço como para fins de determinação do CMV”.
A Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 ( BRASIL, 2017) reco-
menda que o custo dos estoques de itens que não são normalmente inter-
cambiáveis e de bens ou serviços produzidos e segregados para projetos 
específicos seja atribuído pelo uso da identificação específica dos seus 
custos individuais. Porém, para tanto, o método necessita do controle indi-
vidualizado dos itens do estoque paraidentificar os custos de aquisição e, 
posteriormente, o custo baixado. Percebe-se, nesse caso, que não é pos-
sível aplicá-lo a todos os itens de estoque e que o custo de manutenção 
desses controles pode ultrapassar os benefícios produzidos.
92 Gestão e controle de custos
Esse método é aplicado a itens que possuam características como 
fácil identificação, com poucos itens em estoque, itens heterogêneos, 
que possuam alto valor agregado etc. São exemplos a venda de veícu-
los novos e usados, imóveis para revenda, máquinas de grande porte, 
aparelhos de precisão, joias de alto valor, itens vendidos em galerias de 
arte, produtos por encomendas etc.
Supõe-se, no exemplo a seguir, que uma empresa de revenda tenha 
adquirido para seu estoque os seguintes caminhões:
10/01/20x1: Aquisição de 01 caminhão MB mod. 1010, 
ano 2010, pelo valor de R$ 160.000,00, com 
gastos para deixar o caminhão disponível 
para revenda no valor de R$ 10.000,00.
15/01/20x1: Aquisição de 01 caminhão VW mod. 8585, 
ano 2012, pelo valor de R$ 140.000,00, sem 
outros gastos.
20/01/20x1: Aquisição de 01 caminhão VV mod. GH12, 
ano 2014, pelo valor de R$ 200.000,00, sem 
outros gastos.
Supondo que a empresa venda o caminhão MB mod. 1010 pelo va-
lor de R$ 250.000,00, o item terá que ser baixado do seu estoque e 
o custo do veículo vendido que será registrado na Demonstração do 
Resultado, em contrapartida ao valor da receita obtida, será o valor de 
R$ 170.000,00. O estoque final é o somatório dos valores específicos 
dos itens remanescentes.
4.4.2 Último que entra, primeiro que sai (UEPS)
O critério de valoração dos estoques UEPS é também conhecido 
como Last in, first out ou pela sigla LIFO. Nessa metodologia de ava-
liação, as últimas compras efetuadas são as primeiras a serem baixa-
das do estoque, em virtude de seu consumo ou de sua venda. Martins 
(2010) explica que, com o uso do UEPS, há tendência de se atribuir cus-
tos mais recentes ao custo das mercadorias ou dos produtos vendidos, 
e o estoque final é avaliado a custos mais antigos, representados pelas 
compras mais antigas.
Sistemas de controle de estoque 93
O artigo Método UEPS: qual a vantagem para sua empresa?, de Fábio Hoinaski, 
publicado no Blog iBid, em 2017, apresenta características, vantagens e 
desvantagens do método último que entra, primeiro que sai. Apesar de 
não ser aceito pela legislação fiscal, é um método que pode ser aplicado de 
modo gerencial para o controle de alguns tipos de estoque, como os esto-
ques empilhados, em que não é viável a remoção de todos os itens, sendo 
baixados primeiramente os estoques que estão na parte superior da pilha, 
normalmente os últimos que foram adquiridos.
Acesso em: 5 mar. 2020.
https://ibid.com.br/blog/metodo-ueps-qual-vantagem-para-sua-empresa/
Artigo
O UEPS não é aceito pela legislação contábil e fiscal brasileira, pois 
parte-se do pressuposto de que as últimas entradas no estoque são 
realizadas por valores maiores que as primeiras, e, sendo as baixas 
realizadas pelas últimas compras, o custo da mercadoria ou do produ-
to baixado seria maior, reduzindo assim o lucro e, consequentemen-
te, os valores dos impostos a serem pagos ao governo – motivo pelo 
qual a legislação fiscal não aprovou a adoção desse critério, para que 
não ocorresse a postergação dos impostos pagos pelas empresas. Em 
economias de inflação baixa, o método UEPS apresentaria custos dos 
produtos vendidos muito próximos aos critérios da média ponderada 
ou PEPS, pois as diferentes compras não apresentariam distorções tão 
elevadas em seus valores.
Novamente, para fins de exemplo, será analisado o registro na Ficha 
de Controle de Estoque e o custo das mercadorias vendidas da merca-
doria Ômega. A seguir, são destacadas as operações realizadas durante 
o mês de janeiro, que são as mesmas já vistas no método PEPS.
Operações realizadas pela empresa 
durante o mês de janeiro
01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercadoria Ôme-
ga – 20 unidades que totalizam R$ 185,00.
10/01/20x1: Aquisição de 50 unidades, conforme a nota 
fiscal n. 500 do fornecedor EG Ltda., no valor 
total de R$ 500,00. ICMS recuperável incidente 
sobre a compra de 18%.
15/01/20x1: Venda de 60 unidades, conforme nota fiscal de 
venda n. 030.
(Continua)
O método do UEPS (último que 
entra, primeiro que sai) não é 
aceito pelos preceitos contábeis 
e pela legislação fiscal brasi-
leira, sendo utilizado somente 
gerencialmente para controle e 
atribuição de valor do estoque. 
Explique por que o UEPS não é 
aceito pela legislação brasileira.
Atividade 2
94 Gestão e controle de custos
20/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme a nota 
fiscal n. 550 do fornecedor SG Ltda., no valor 
total de R$ 180,00. ICMS recuperável incidente 
sobre a compra de 18%.
25/01/20x1: Venda de 20 unidades, conforme nota fiscal de 
venda n. 031.
A Tabela 3 apresenta a Ficha de Controle de Estoque preenchida 
pelo critério de avaliação do UEPS.
Tabela 5
Método UEPS
Data Documento
Entradas Saídas Saldo
Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total
01/01 Saldo 20 9,25 185,00 (1)
10/01 NF 500 50 8,20 410,00
20
50
70
9,25 
8,20 
185,00 
410,00 
595,00 
(2)
15/01 NF 30
50
10
60
8,20 
9,25 
410,00 
92,50 
502,50
10
-
10
9,25 
-
92,50 
-
92,50 
(3)
20/01 NF 550 20 7,38 147,60
10
20
30
9,25 
7,38 
92,50 
147,60 
240,10
(4)
25/01 NF 31
20 7,38 147,60 10
-
10
9,25
-
92,50
-
92,50
(5)
Fonte: Elaborada pelos autores.
Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera-
ção destacada ao lado direito da tabela:
 • Em (1), o saldo corresponde às quantidades e valores que consta-
vam no estoque ao final do período anterior.
 • No dia 10/01 (2), a empresa adquiriu 50 novas unidades, demons-
tradas separadamente nas colunas do saldo, para que seja possí-
vel a visualização da ordem das entradas.
 • Em (3), no dia 15/01, ocorreram vendas de 60 unidades e suas 
baixas demonstradas nas colunas de saídas. Primeiro, são baixa-
Sistemas de controle de estoque 95
das as últimas compras, correspondendo a 50 unidades. Como 
só havia 50 unidades da última compra, ainda é necessário bai-
xar 10 unidades mais antigas referentes ao saldo anterior. Esta 
é a metodologia do UEPS: baixar as últimas compras e, caso não 
tenha quantidade suficiente, baixar as entradas imediatamente 
anteriores. O custo das mercadorias vendidas será o somatório 
das duas baixas, na coluna de saídas, no valor de R$ 502,50. Nas 
colunas do saldo, permanecem as unidades remanescentes do 
saldo inicial do período.
 • No dia 20/01 (4), a empresa adquiriu 20 novas unidades. Nas 
colunas do saldo, são evidenciadas separadamente as unida-
des remanescentes e as novas unidades adquiridas, totalizan-
do 30 unidades.
 • Por fim, em (5), no dia 25/01, ocorreram vendas de 20 unidades, 
sendo baixadas as 20 unidades mais recentes do estoque (as úl-
timas que entraram), zerando a quantidade dessa aquisição. No 
saldo, permanecem ainda 10 unidades no valor total de R$ 92,50.
Os dois métodos apresentados nesta seção podem ser utilizados; 
contudo, eles contam com características específicas que fazem com 
que seu uso seja menos difundido. O preço específico é utilizado para 
itens com quantidades limitadas e características distintas entre si. O 
UEPS, por sua vez, deve ser utilizado em conjunto com outra metodo-
logia, uma vez que não é aceito pela legislação contábil e fiscal para 
determinação do custo dos produtos vendidos. Desse modo, seu uso é 
mais restrito e oneroso às organizações.
Diversos fatores influenciam 
as organizações na seleção de 
um critério de avaliação de 
estoques, como o seu porte e 
a necessidade de controle de 
seus respectivos estoques. Como 
critério de avaliação de estoques, 
tem-se média ponderada, PEPS, 
UEPS e preço específico. Explique 
como é a metodologia de 
atribuição do custo unitário aos 
produtos vendidos dos métodos 
PEPS e UEPS.
Atividade 3
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, foram elencados os principaismétodos de avaliação do 
estoque, que permitem o controle e a valoração das mercadorias e pro-
dutos estocados. O inventário permanente é aquele que controla todas 
as entradas e saídas do estoque, possibilitando, assim, o conhecimento 
tanto do saldo em estoque quanto do custo dos itens baixados como ven-
das, que, registrado na Demonstração do Resultado, fornece o custo das 
mercadorias ou produtos vendidos.
Dentre os métodos apresentados, o custo médio é o mais utilizado, 
refletindo sempre a média ponderada das diversas entradas por preços 
diferentes no período. As saídas são valoradas pela média dos custos de 
entrada, que pode ser a média móvel ou fixa. O que diferencia a varia-
96 Gestão e controle de custos
ção no método do custo médio é o registro das saídas, feitas operação 
a operação – no caso da média móvel – ou somente ao final do período 
– no método do custo médio ponderado fixo. Além dos métodos citados, 
o controle pode ser realizado por PEPS ou UEPS. Os dois controlam se-
paradamente as entradas por custos diferentes, e o valor atribuído para 
as saídas do estoque depende da ordem de entrada. No PEPS, as baixas 
são valoradas pelo custo das primeiras compras, ficando em estoque os 
custos mais recentes. No UEPS, as baixas são valoradas pelo custo das 
aquisições mais recentes, ficando em estoque os custos das aquisições 
mais antigas. Apesar de o UEPS não ser aceito pela legislação contábil e 
fiscal, pode ser usado de modo gerencial.
Por fim, tem-se o preço ou custo específico, que apresenta como valor 
de saída exatamente o custo de aquisição ou produção do item. Como 
necessita de controles individualizados por item, é utilizado em produtos 
de fácil identificação e que tenham normalmente uma quantidade redu-
zida de estoque.
REFERÊNCIAS
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Oficial da União, Brasília, DF, 2 fev. 1979. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.
gov.br/sijut2consulta/link.action? Visão=anotado&idAto=87004. Acesso em 5 mar. 2020.
BRASIL. Entidades de Fiscalização do Exercício das Profissões Liberais. Conselho Federal 
de Contabilidade. Norma Brasileira de Contabilidade, TG 16 (R2), de 24 de novembro de 
2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 dez. 2017. Disponível em: http://www2.cfc.
org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2).
doc. Acesso em: 5 mar. 2020.
CREPALDI, S. A; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
DUBOIS, A.; KULPA, L.; SOUZA, L. E. Gestão de custos e formação de preços. 3. ed. São Paulo: 
Atlas, 2009.
IUDÍCIBUS, S. et al. Contabilidade introdutória. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Contabilidade comercial. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
LEMES JUNIOR, A. B.; RIGO, C. M.; CHEROBIM, A. P. Administração financeira: princípios, 
fundamentos e práticas brasileiras. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
MARION, J. C. Contabilidade Empresarial. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2010.
PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e intermediária. 
10. ed., 2. reimpr. São Paulo: Atlas, 2018.
RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.
RIBEIRO, O. M. Contabilidade básica. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.
STICKNEY, C. P.; WEIL, R. L. Contabilidade financeira: uma introdução aos conceitos, 
métodos e uso. Trad. de José Evaristo dos Santos. São Paulo: Atlas, 2001.
VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade básica. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
Sistemas de controle de estoque 97
GABARITO
1. A diferença entre o custo médio ponderado móvel e o custo médio ponderado fixo é 
a atribuição do custo unitário ao produto estocado. Na média móvel, o custo unitário 
do produto estocado é valorado a cada nova entrada com custo diferente, e as saídas 
são registradas pelo custo unitário até aquela data. No custo médio ponderado fixo, 
o custo unitário das operações de saída é obtido considerando todas as operações 
de entradas realizadas durante o período. As saídas são valoradas pelo custo médio 
ponderado de todas as entradas do mês, independentemente da data de saída.
2. No método UEPS, as saídas são precificadas com base nas últimas aquisições realiza-
das e, nesse caso, a tendência é que as últimas compras sejam efetuadas por valores 
maiores que os das anteriores, considerando que pode haver um processo inflacioná-
rio. Nesse caso, ao baixar as últimas compras, o CPV ou CMV seriam maiores, diminui-
riam o lucro e, consequentemente, seriam pagos menos impostos.
3. O PEPS atribui ao custo dos produtos vendidos o custo unitário das aquisições mais 
antigas (as primeiras que entraram no estoque). Dessa forma, o CPV é composto pelos 
custos unitário mais antigos, e os produtos permanecem no estoque pelos custos uni-
tários mais recentes. Pelo método UEPS, são baixados do estoque as aquisições mais 
recentes (últimas que entraram) para determinar o CPV contabilizado na Demonstra-
ção do Resultado.
98 Gestão e controle de custos
5
Análise de custo para 
tomada de decisão
De modo bastante sintético, pode-se dizer que uma empre-
sa é constituída para gerar lucro, isto é, deve apresentar resul-
tado positivo no confronte entre benefícios e sacrifícios. Para 
tanto, ela precisa realizar atividades que produzam serviços ou 
bens que tenham utilidade para o mercado, pois somente assim 
seus clientes terão interesse em consumir esses produtos. Por 
sua vez, essas atividades empresariais, para serem executadas, 
precisam de recursos, como espaço físico, matéria-prima, mão 
de obra, entre outros, os quais, para serem obtidos, exigem o 
sacrifício financeiro da empresa, ou seja, que ela tenha gastos 
com investimentos, custos e despesas.
Nesse contexto, tem-se que a busca para maximizar o lu-
cro de uma empresa exige que análises sistêmicas sejam feitas, 
para que decisões sejam tomadas sobre como gerenciar ade-
quadamente os gastos da entidade. Existem diversas maneiras 
para realizar uma análise gerencial de gastos. Entre as distintas 
formas de análise que são possíveis, o presente capítulo apre-
senta a análise dos dispêndios fixos e variáveis, segundo as prá-
ticas do mercado, para questões gerenciais preditivas.
Análise de custo para tomada de decisão 99
5.1 Gastos fixos
Vídeo De acordo com Martins (2003), a contabilidade 
permite, além da classificação dos custos em dire-
tos e indiretos 1 , a separação dos custos em fixos e 
variáveis. Ainda segundo o autor, diferente do que 
ocorre com a classificação em diretos e indiretos – 
que somente se aplica ao gasto de produção (cus-
to) –, a distinção dos dispêndios em variáveis e fixos 
também é válida para os gastos destinados a gerar 
receita, isto é, para as despesas.
Dado esse fato, não é raro encontrar, na práti-
ca de mercado, relatórios gerenciais utilizando, de 
modo leigo, a expressão análise de custo em proce-
dimentos que abordam o método fixo e variáveis 
em gastos incorridos que são não somente de pro-
dução. O problema nesse caso não está na análise 
em si, mas na terminologia, uma vez que, para ficar 
mais bem alinhado com a teoria contábil, esses rela-
tórios deveriam ser identificados como análise do gasto. Dado esses 
ruídos semânticos, este capítulo, apesar de seu título, é válido tanto 
para os gastos na forma de custo quanto, também, para os classifica-
dos como despesas.
Segundo o dicionário Michaelis (TREVISAN, 2015), o verbete fixo 
pode significar, entre outras possibilidades, “definido precisamente 
com antecedência [...]. Que é constante”. Considerando o uso comum 
da palavra, é possível deduzir que esse vocábulo pode ser utilizado para 
comunicar que uma ação tem um resultado já conhecido antes mesmo 
de ele ocorrer, uma vez que este não se altera em determinado even-
to que é observado. Na contabilidade, o gasto fixo tem, basicamente, 
o mesmo significado, uma vez que é utilizado para indicar quecertas 
atividades (ações) apresentam um valor total de sacrifícios financeiros 
que não sofre influência em relação à quantidade de bens ou serviços 
que é produzida em certo intervalo de tempo. Um exemplo de gasto 
com aluguel é um ótimo meio para ilustrar esse conceito.
Suponha que uma confecção, para utilizar certo espaço físico para 
fabricar suas roupas, precise assinar um contrato de aluguel com um 
Custos diretos são gastos 
de produção facilmente 
identificados com o produto 
elaborado; por exemplo, o gasto 
com tecido branco na confecção 
de camisas sociais brancas, gasto 
de tecido preto na confecção 
de calças sociais pretas. Já os 
custos indiretos são aqueles 
que exigem algum critério de 
rateio para serem apropriados 
ao bem ou serviço produzido; 
por exemplo, a mão de obra do 
gerente de produção, que cuida 
das produções tanto de camisas 
quanto de calças. Somente o 
rateio pode determinar o custo 
desse profissional em cada um 
desses dois produtos.
1
100 Gestão e controle de custos
período de 12 meses. De acordo com o documento, o valor mensal 
de R$ 5.000,00 deve ser pago ao término de cada mês. Isso é um cus-
to fixo? Sim, pois se trata de um gasto para fins produtivos (custo), 
compromisso com o qual, no início de cada mês, durante a vigência 
do contrato, a empresa já sabe que terá que honrar (conhecimento 
antecipado), produza ela mil ou nenhuma peça de roupa no período 
(valor constante em relação à produção). Um aluguel com essas carac-
terísticas é um gasto produtivo que não tem vínculo com a quantidade 
produzida, portanto é um gasto fixo por natureza durante o período de 
vigência do contrato.
Tanto a economia (PINDYCK; RUBINFELF, 2013) quanto a contabi-
lidade (MARTINS, 2003) apresentam o gasto fixo como um valor total, 
que não se altera com a variação da produção em um determinado 
tempo de análise. Contudo, existe uma diferença: a economia classifica 
o tempo de uma análise em curto ou longo prazo, conforme a presença 
de gastos fixos; já a contabilidade estabelece o gasto fixo considerando 
o tempo da análise.
Para a economia, o tempo de curto prazo ocorre quando existe, na 
análise, pelo menos um recurso que é fixo (que não pode ser alterado) 
na atividade produtiva; já o longo prazo ocorre quando todos os recur-
sos são variáveis, isto é, podem ser alterados, modificando, se necessá-
rio, a capacidade produtiva. Por exemplo, uma empresa que tenha, nos 
próximos dois anos, o aluguel mensal da fábrica como sendo o único 
compromisso que não pode ser alterado, tem como horizonte de curto 
prazo esse período contratual. O longo prazo econômico, nesse exem-
plo, para efeito decisório, tem como foco períodos superiores aos dois 
anos, pois é quando todos os gastos da empresa se tornarão variáveis, 
permitindo, assim, que novos artefatos econômicos possam ser aplica-
dos em análises mais densas.
De modo geral, pode-se dizer que a contabilidade considera o curto 
prazo como sendo o tempo compreendido em até 12 meses. Já o longo 
prazo consiste no período que excede esse limite de tempo. Com rela-
ção ao gasto fixo, considera-se o dispêndio que, dentro de certo período 
temporal (dia, mês, ano etc.), não sofre influência em relação à quanti-
dade produzida. Por exemplo, o aluguel mensal firmado por dois anos 
é um custo fixo nesse período, pois não sofre qualquer influência com a 
variação da quantidade produzida tanto no curto prazo (nos próximos 
12 meses) quanto no longo prazo (após 12 meses até o vencimento do 
Na obra Custos empresa-
riais: uma visão sistêmica 
do processo de gestão 
em uma empresa, nos 
capítulos 1 (seção 1.2.) e 
5 (seção 5.1.), os autores 
trabalham, de maneira 
prática e ao mesmo 
tempo sintética, o uso 
dos conceitos econômi-
cos do custeio variável 
– segundo a percepção 
do paradigma econômico 
neoclássico. Nesse senti-
do, os autores explicam, 
mediante análises gráfi-
cas, como o uso da teoria 
da firma (produção, custo 
e receita) pode ampliar 
a eficiência das decisões 
estratégicas sobre a pau-
ta da gestão de custos.
SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. 
Curitiba: InterSaberes, 2016.
Livro
Um exemplo de artefato econô-
mico de longo prazo, a título de 
curiosidade, é a análise gráfica 
que estabelece a tangência das 
curvas isoquanta (pontos de 
igual quantidade) e isocusto 
(pontos de igual custo), na qual 
é possível identificar a estrutura 
produtiva com menor custo de 
produção para certa quantidade 
de produto no longo prazo. 
Essa é uma pauta comumente 
trabalhada em livros de 
microeconomia.
Curiosidade
Análise de custo para tomada de decisão 101
contrato). No entanto, se a empresa for analisar essa atividade produ-
tiva para um período maior que dois anos, o gasto com aluguel poderá 
ser considerado como fixo ou variável, tudo depende se a empresa pre-
tende manter, aumentar ou reduzir sua capacidade produtiva.
Segundo Martins (2003), a contabilidade de custo subclassifica os 
gastos fixos em repetitivos e não repetitivos. Os gastos fixos repetiti-
vos são sacrifícios financeiros classificados como fixos e que, dentro do 
período de análise, não se alteram, isto é, são constantes em valores 
nominais. Por exemplo, um aluguel que somente é reajustado anual-
mente pela inflação acumulada no período será classificado como um 
gasto fixo repetitivo mensal, pois, entre as datas dos reajustes, seu va-
lor será constante em todos os meses. Os gastos fixos não repetiti-
vos, por sua vez, são dispêndios classificados como fixos, mas que não 
são constantes no período de análise. Por exemplo, um aluguel que 
é reajustado mensalmente pela inflação será classificado como gasto 
fixo não repetitivo mensal, pois o seu valor, devido à correção mone-
tária, não se repete todos os meses, ou seja, o valor mensal varia todo 
mês dadas as cláusulas contratuais que não apresentam vínculo causal 
com a produção mensal.
Por fim, encerrando esta seção, convém destacar que, segundo Mar-
tins e Rocha (2015, p. 42), a essência contábil define que “todos os custos 
indiretos são fixos” e que todos os custos diretos são variáveis. Todavia, os 
mesmos autores esclarecem que, às vezes, por questões pragmáticas, ge-
ralmente por “inviabilidade econômica”, custos diretos podem acabar sen-
do tratados como se fossem gastos indiretos, portanto, fixos. Nesse 
sentido, Martins (2003, p. 251) apresenta o caso da mão de obra direta 
(MOD), a qual, apesar de ser em essência um custo variável – por ser um 
custo direto –, pode, conforme o caso, ser tratada em uma empresa como 
um custo fixo, uma vez que sua contabilização correta poderia impor “a 
necessidade de apontamentos extremamente caros, o que poderia ser 
incompatível com o grau de utilidade da informação obtida”.
Explique a diferença entre gastos 
fixos repetitivos e não repetitivos.
Atividade 1
Apesar de não ser raro encontrar 
a MOD sendo classificada como 
custo fixo em decisões preditivas 
mensais em análises gerenciais, 
é necessário que fique claro que, 
para a contabilidade de custo, 
ela é um custo variável, salvo 
em casos, como já dito, muito 
específicos. Portanto, em concur-
sos públicos ou em exames de 
conselhos profissionais, verifique 
com atenção a bibliografia que 
está sendo indicada e, também, 
como os enunciados das 
questões cobradas abordam os 
problemas com MOD.
Atenção
A expressão montante é 
utilizada na área financeira para 
expressar o valor total do capital 
(dinheiro).
2
5.2 Gastos variáveis
Vídeo De acordo com Martins (2003), os gastos variá-
veis são aqueles em que o montante 2 do sacrifício 
financeiro sofre a influência da atividade da empre-
sa dentro de um determinado período temporal em 
102 Gestão e controle de custos
relação à quantidade produzida e/ou vendida. Os custos variáveis (ou 
diretos) são aqueles em que o volume da produção impacta o valor to-
tal do gasto mensurado, por exemplo, matéria-prima, embalagens etc. 
Já as despesas variáveis são aquelas em que a quantidade vendida ou 
o volume de receita 3 impacta o valor total do gastocontabilizado, por 
exemplo, comissão de venda, tributos sobre venda etc.
Apesar de parecer fácil, realizar a classificação dos gastos em fixo 
e variável é uma tarefa que exige muito conhecimento técnico. Sobre 
isso, Martins e Rocha (2015, p. 25) ressaltam que às vezes sequer “é 
possível mencionar, com certeza absoluta, exemplos definitivos e indis-
cutíveis de custos variáveis, pois cada caso deve ser analisado à luz das 
específicas circunstâncias”. Porém, existem situações nas quais certos 
tipos de gastos são mais fáceis de serem classificados. Em geral, o gas-
to com matéria-prima é um desses casos. A matéria-prima é um gasto 
que, na maioria das vezes, pouco pode se discutir sobre sua classifica-
ção como um custo variável, dada a forte relação causal que apresenta 
com o bem ou serviço produzido.
Considere, a seguir, o Ativo tecido em uma confecção:
• Quando uma confecção compra um tecido para fazer uma camisa, ela realiza um 
gasto. Ou seja, para a aquisição do Ativo tangível tecido, ela faz um sacrífico financei-
ro, reduz de imediato o capital que já tem em caixa (pagamento à vista) ou assume 
um compromisso que irá reduzi-lo no futuro (pagamento a prazo). 
• O tecido comprado, quando chega na empresa, é contabilizado como estoque; ele 
se torna um investimento; portanto, um patrimônio dessa entidade jurídica. Um in-
vestimento nada mais é do que um gasto reconhecido no Ativo, portanto, um gasto 
ativado. Sendo assim, até esse momento, o valor do tecido não deve ser interpre-
tado como um custo, porque ele pode ter, conforme as circunstâncias, um destino 
diferente do que o da produção. Ele pode, por exemplo, ser revendido para outras 
confecções (despesa de venda), ser jogado fora por deixar de ter valor de mercado 
em virtude de algum dano que sofreu na estocagem (perda), entre outros.
• Quando o camiseiro requisita o tecido para transformá-lo em uma camisa, esse Ati-
vo deixa ser um investimento (um gasto ativado) e torna-se, a partir desse momen-
to, uma matéria-prima, um gasto de produção. E, por ser um gasto que permite 
a identificação clara sobre qual é o volume de matéria-prima (tecido), é utilizado 
para a elaboração do produto final (camisa). Esse gasto é classificado, sem grandes 
dúvidas, como sendo um custo variável (ou direto).
Receita, em estudos financeiros, 
é o valor monetário, isto é, o 
produto da multiplicação da 
quantidade vendida e o preço 
de venda.
3
Lembre-se: o conceito contábil 
direto e indireto somente é apli-
cável para os gastos produtivos. 
Portanto, para a contabilidade, 
não existe despesa direta e 
indireta, apenas despesa fixa e 
variável.
Atenção
Análise de custo para tomada de decisão 103
Desse exemplo, é possível extrair, sem entrar muito em aspectos 
teóricos, que se essa confecção, em dado período tempo, não produziu 
sequer uma camisa, o tecido que está no estoque lá ficará, ou seja, não 
poderá ser classificado como um gasto na produção. Contudo, se a em-
presa, nesse hiato temporal, produzir camisas, quanto mais peças forem 
fabricadas dentro do período analisado, mais tecidos serão consumidos 
na produção e, portanto, maior será o montante do custo variável. 
Normalmente, os livros-textos que abordam a pauta custo variável 
(CV) apresentam o CV unitário (o valor do custo de uma unidade produ-
zida) como um valor constante, independentemente do tempo analisado 
ou do volume produzido. Eles partem da premissa de que o CV montan-
te (o valor total do custo em dado período) é linearmente proporcional 
ao volume produzido pela empresa. E, dado esse fato, geralmente, os 
exemplos que apresentam são mais ou menos do seguinte modo:
Uma confecção produz 200 camisas por mês (volume de produção) e, para pro-
duzir uma camisa, precisa de 1,5 m de tecido, cujo preço do tecido é de R$ 10,00 por 
metro (valor de reposição ou contabilizado no estoque). Com base nesses dados, in-
forme os valores do custo variável tecido por camisa produzida e por mês.
Solução
CV unitário = 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00/camisa 4
CV montante = 200 camisas/mês · R$15,00/camisa = R$ 3.000,00/mês
Resposta
Custo variável tecido/unidade de camisa = R$ 15,00
Custo variável tecido/mês para a produção de 200 camisas = R$ 3.000,00
Para compreender a lógica do uso das expressões com barra, considere a situação a seguir: 
1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00/camisa
Se: 1,5 m por 1 camisa = 1,5 m por camisa = 1,5 m/camisa = 1,5 m
camisa
E: R$ 10,00 por 1 metro = R$ 10,00 por m = R$ 10,00/m = R$ 10,00
m
Então: 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = 1,5 m
camisa
 · R$ 10,00
m
 = 1,5 m
m
 · R$10,00
camisa
 
Portanto: 
1,5
1 · 
R$10,00
camisa
 = 1,5 . R$10,001 camisa = 
R$15,00
camisa
 = R$15,00/camisa
Essa mesma lógica está presente nos demais cálculos que contêm o uso de barras (/) deste capítulo. 
Importante: Frações de mesma unidade, ao serem resolvidas, perdem as unidades e tornam-se números puros. Veja os exemplos a seguir:
1,5 m
1 m
=
1,5
1 ou 1,5; 
20 litros
40 litros = 
20
40 = 
0,5
 1 ou 0,5; 
R$ 30,00
R$ 50,00 = 
30
50
 = 0,6
1
 ou 0,6
4
104 Gestão e controle de custos
Nesse exemplo, caso a confecção não produza nenhuma ca-
misa, seu custo variável mensal (CV montante) será zero, pois: 
CV = R$ 15,00 × zero quantidade. À medida que a empresa vai pro-
duzindo, o CV montante também vai crescendo proporcionalmente 
de modo linear, isto é, aumentando em R$ 15,00 a cada nova unidade 
produzida: CV montante = CV unitário × quantidade produzida. Sendo 
válida essa lógica, tem-se que a representação do custo variável linear-
mente proporcional é uma função de 1º grau: f (x) = y = αx. A variável 
independente x é a quantidade produzida, a variável dependente y é o 
CV montante e o coeficiente angular α é o CV unitário. O coeficiente an-
gular da função é o valor de inclinação de reta; portanto quanto maior 
for o valor do CV unitário, maior é o impacto do volume de produção no 
CV montante e vice-versa, como pode-se observar na Figura 1.
Figura 1
 Custo variável linearmente proporcional
 f (Quant. produzida) = CVmontanteR$
Zero Quant. 
produzida
Custo 
variável
CVunitário
Fonte: Elaborada pelos autores.
Essa forma de abordagem de linearidade proporcional está errada? 
Pelo contrário; construções didáticas desse tipo estão extremamente 
corretas. Em verdade, quem for prestar alguma prova sobre esse tema, 
provavelmente, irá se deparar com uma situação muito parecida. Tal-
vez seja necessário fazer alguns cálculos a mais para encontrar o valor 
da metragem de tecido por camisa e/ou a quantidade de camisas pro-
duzida por mês. Conforme o grau de dificuldade da prova, é necessá-
rio considerar, também, alguns outros insumos variáveis (linha, botões 
etc.). Na essência, a lógica será a mesma; o problema de ficar somente 
nela é o fato de o mundo real ser um pouco mais complexo do que isso.
Apesar de muitas empresas realmente apresentarem o comporta-
mento linear, pelo menos durante determinados períodos, é importante 
Análise de custo para tomada de decisão 105
ressaltar que existem fatores, tanto econômicos quanto operacionais, 
que podem impactar essa análise. Uma empresa é um sistema aberto 
e complexo, ou seja, constantemente recebe influências do meio em 
que está inserida, sendo impactada de diferente formas e intensidade. 
Esse fato pode converter o confortável cálculo demonstrado anterior-
mente em um cenário em que, apesar de ainda ser proporcional, não 
se apresenta mais como linear ao volume de atividades da empresa, 
seja no aspecto da quantidade utilizada do recurso variável, seja na 
mensuração desse em unidades monetárias.
Segundo Martins e Rocha (2015, p. 26), para a contabilidade, pela 
ótica da quantidade utilizada de recurso (peças, metros, quilos, horas 
etc.), os custos variáveis não linearmente proporcionais são aqueles 
que resultam de “situações em que determinado material é utilizado 
em proporção maior ou menor em relação ao volume de produção”, 
entre outros motivos, segundo esses mesmos autores,“por variações 
na composição dos materiais, por oscilações do nível de eficiência na 
sua utilização, pela qualidade da manutenção dos equipamentos etc.”.
A economia também considera a natureza de não linearidade do 
gasto variável. Pindyck e Rubinfelf (2013) afirmam que, para a ciência 
econômica, segundo o paradigma da escola neoclássica, a curva do CV 
montante, no período do curto prazo, não apresenta um único valor de 
CV unitário. Em outras palavras, o valor do CV montante cresce a cada 
nova unidade produzida, mas a força dessa influência é variável. De 
modo resumido, pode-se dizer que, basicamente, são três áreas princi-
pais de influências, cada qual contendo infinitos coeficientes de inclina-
ção, os quais podemos observar na Figura 2 5 .
Figura 2
Custo variável não linearmente proporcional
 f (Quant. produzida) = CVmontanteR$
Zero Quant. produzida
Área 
I
Área 
II
Área 
III
Custo 
variável
Fonte: Elaborada pelos autores.
A ciência econômica é 
subdividida em escolas de 
pensamentos (ou paradigmas), 
sendo a escola neoclássica uma 
dessas corretes. Seu surgimento 
se deu na segunda metade do 
século XIX, trazendo, dentre 
outras contribuições, o debate da 
utilidade marginalista, isto é, a 
análise do valor incremental.
Saiba mais
A divisão feita aqui em três 
áreas de análise é apenas uma 
ilustração didática. O conceito 
econômico da curva do custo 
variável é muito mais abrangen-
te. Para seu real entendimento, 
se faz necessário o estudo da 
teoria da firma, segundo o 
paradigma neoclássico, a qual 
é constituída por três outras 
teorias: da produção, do custo 
e da renda. Essas três teorias, 
por sua vez, consideram o 
comportamento dos recursos 
produtivos segundo a análise 
dos valores médios e marginais, 
para assim estabelecer os pontos 
de maior eficiência no uso dos 
recursos, valor do menor custo 
por unidade produzida, valor de 
maior lucro etc. Caso haja inte-
resse no aprofundamento desse 
conteúdo, sugerimos a leitura de 
livros-textos de microeconomia 
ou, pelo menos, de introdução à 
economia.
5
106 Gestão e controle de custos
A curva do CV montante, na economia chamada apenas de custo 
variável, começa na área I, exatamente no ponto zero do plano carte-
siano. Na área I, o CV unitário apresenta valores altos, mas em contí-
nua queda à medida que a produção aumenta. Isso ocorre devido ao 
processo adaptativo da produção no uso do insumo variável, gerando 
rendimentos cada vez melhores à proporção que aumenta a quanti-
dade produzida.
Já na área II, o CV unitário apresenta valores cada vez menores, até 
alcançar o seu valor mínimo. O valor mínimo do CV unitário é o ponto 
em que se tem o menor valor do custo variável por unidade produzida, 
dado o fato de a produção ter alcançado a máxima eficiência no uso do 
fator variável. Após alcançar o ponto de menor custo médio variável, o 
CV unitário volta a subir gradativamente até iniciar a área III. Por fim, 
na área III, devido às limitações dos recursos fixos para atender à quan-
tidade produzida (por exemplo, tecnologia e/ou equipamentos), o CV 
unitário cresce com muito mais força, alavancando expressivamente o 
valor do CV montante a cada nova unidade produzida, ou seja, aumen-
tando consideravelmente a inclinação da curva do custo variável.
Além disso tudo que foi explicado sobre a questão operacional, 
ainda há, no mundo real, o problema das oscilações do preço de 
compra dos gastos variáveis. Isso implica dizer que, mesmo que a 
quantidade do insumo variável utilizada seja sempre a mesma para 
produzir uma unidade de produto final, isto é, linear no aspecto físico, 
a simples variação do preço desse insumo já pode alterar o valor do 
CV unitário dentro do período de análise. Entre outros fatores que 
podem alterar o valor do CV, segundo esse contexto, tem-se a insta-
bilidade econômica do país (inflação, câmbio etc.), mudança de forne-
cedor (diferenças de frete, tributos etc.), tamanho do lote comprado 
pela empresa, entre outros. Considerando esse fato, a análise do CV 
sempre deve evidenciar se as alterações ocorrem em virtude de as-
pectos operacionais ou monetários.
Tudo o que foi dito aqui sobre o gasto variável, utilizando a matéria-
-prima como exemplo, é válido para todos os demais recursos variáveis, 
como embalagens e mão de obra direta (MOD). Todavia, como foi expli-
cado no início desta seção, alguns casos podem ser bem mais comple-
Analise os gastos que seguem 
classificando-os em fixo (F) e 
variáveis (V).
( ) Matéria-prima utilizada na 
produção.
( ) Aluguel do barracão 
utilizado pela fábrica.
( ) Embalagem primária 
utilizada na produção.
( ) Comissão paga aos 
vendedores conforme o volume 
de venda.
Atividade 2
 menor valor do CV unitário 
não implica menor valor do CV 
montante. Afinal, o menor valor 
do CV montante sempre será 
zero, pois se nada for produzido, 
nada será gasto. A partir do 
ponto zero, cada nova unidade 
produzida irá aumentar o CV 
montante dentro do período 
analisado.
Atenção
Análise de custo para tomada de decisão 107
xos, conforme o cenário de análise. Nesse sentido, a MOD, geralmente, 
é o pior desses casos, uma vez que, conforme o modo como é feita a 
análise do gasto, ela pode ser classificada como um custo variável (for-
ma mais coerente aos princípios contábil), misto (parte variável e parte 
fixo) ou, ainda, fixo (forma comum em relatórios gerenciais para ques-
tões preditivas de curto prazo). Esse leque de possibilidades impacta 
diretamente a análise da margem de contribuição, sendo, por isso, um 
elemento que exige muita atenção e embasamento técnico.
5.3 Margem de contribuição
Vídeo Na contabilidade, a classificação dos gastos em fixos e variáveis se 
dá mediante a aplicação do método contábil denominado custeio variá-
vel (ou direto). De acordo com Souza e Clemente (2011), sua origem se 
deu no início da década de 1930 nos EUA, como uma 
alternativa ao uso do custeio por absorção. O cus-
teio variável foi uma resposta às críticas levantadas 
sobre a subjetividade presente nos rateios de custos 
indiretos que, na opinião de certos grupos, dificulta-
va as análises dos resultados econômicos, isto é, o 
confronte entre os custos incorridos com as vendas 
realizadas. Com base no novo método, segundo os 
autores, emergiram aspectos conceituais importan-
tes para as decisões gerenciais: “conceitos de mar-
gem de contribuição; análise custo-volume-lucro; 
gestão de custos fixos e, principalmente, o desloca-
mento do foco da produção para as vendas” (SOUZA; 
CLEMENTE, 2011, p. 64).
O método do custeio variável apresenta o conceito de que somen-
te os custos variáveis, portanto diretos, é que devem ser apropriados 
aos Ativos produzidos (bens/serviços), já os custos indiretos devem ser 
tratados como sendo gastos incorridos no período, evitando assim a 
necessidade do uso de rateios. Com relação às despesas, essas tam-
bém são subdivididas em fixas e variáveis, porém, diferentes do custo, 
ambas são reconhecidas como encargos dentro do próprio período da 
análise, uma vez que as despesas variáveis não são – dado sua nature-
za causal – estocadas, como nota-se na Figura 3.
Nos Capítulos 10 e 11 da 
obra Gestão de custos, Cle-
mente e Souza demons-
tram – com admirável 
nível de detalhamento no 
uso do Microsoft Excel 
– as possibilidades do 
uso da regressão linear 
para o estudo do custeio 
variável e, também, a pos-
sibilidade da obtenção da 
receita de equilíbrio para 
um cenário analítico com 
múltiplos produtos. Vale 
a pena conferir.
SOUZA, A.; CLEMENTE, A. 2. ed. São 
Paulo: Atlas, 2011.
Livro
108 Gestão e controle de custos
Figura 3
Diagrama de custeio variável
Custos Despesa
Produção
Custo fixo (CF)
Despesa fixa 
(DF)
Custo variável
(CV)
Estoque de 
produto pronto
(Investimento)
Custo variável do 
produto vendido 
(CVPV)
Gasto fixo no período: CF + DF = CDF
Despesa variável 
(DV)
Venda
Gasto variável do produto vendido no período = CVPV + DV
Fonte: Adaptadade Martins e Rocha, 2015, p. 65.
Conforme demonstra a Figura 3, nem todo custo variável (CV) é, neces-
sariamente, reconhecido de imediato como um gasto variável de venda no 
período analisado. Em virtude de o CV ser um gasto que é absorvido pelos 
bens e serviços produzidos, quando parte dessa produção não é vendida 
– conforme foi explicado na seção anterior –, a parcela do gasto produtivo 
que se faz presente nela vai para o estoque, junto com o produto, ou seja, 
torna-se um investimento, uma parte do patrimônio da empresa. Assim, 
quando uma análise é feita sobre os gastos que uma empresa teve em 
Análise de custo para tomada de decisão 109
comparação com as vendas realizadas, apenas o CV incorporado naquela 
parcela vendida é reconhecido no período apurado. Esse gasto é chama-
do, dado esse fato, de custo variável do produto vendido (CVPV).
Já quanto aos demais dispêndios presentes no diagrama, esses são 
totalmente reconhecidos no próprio período em que ocorrem, pois 
ou são gastos desvinculados com as vendas (gastos fixos: custos e/ou 
despesas) ou são gastos variáveis em relação às vendas (despesas va-
riáveis). Convém ressaltar que, diferente do custo variável, a despesa 
variável não tem a expressão produto vendido, pois, se não houver o 
fato gerador – isto é, a venda –, também não haverá uma despesa variá-
vel a ser reconhecida. Ou seja, usar a expressão produto vendido para a 
despesa variável seria redundante.
Uma vez classificados todos os gastos em fixos e variáveis, e tendo 
sido apurado os valores obtidos com as vendas, torna-se possível le-
vantar o valor da margem de contribuição. A margem de contribuição 
é o valor monetário que informa qual é a contribuição da venda realiza-
da para o pagamento dos gastos fixos e, obviamente, para a geração do 
lucro. Sua forma matemática é expressa mediante uma simples conta 
de subtração. A margem de contribuição (MC) do período é o resultado 
da diferença entre o valor da receita (R) e o valor do gasto variável do 
produto vendido (GVPV):
MCperíodo = R – GVPV
Todavia, apesar de aparentemente simples, essa fórmula permite 
extrair muitas surpresas. O valor de R, no período analisado, é o produ-
to entre preço de venda de uma unidade (P) e a quantidade total ven-
dida (Q). Já o GVPV é o resultado da soma do custo variável do produto 
vendido (CVPV) com as despesas variáveis (DV). Quando esses concei-
tos são aplicados na fórmula original, tem-se:
 MCperíodo = [P · Q] – [CVPV + DV]
 MCperíodo = P · Q – CVPV – DV
110 Gestão e controle de custos
E dado o fato de serem CVPV e DV resultados obtidos pela multi-
plicação dos respectivos gastos variáveis unitários pela quantidade 
vendida, a expressão da MC do período pode ser reescrita mediante o 
seguinte procedimento:
Sendo:
 DV = DVunitária · Q
 CVPV = CVPVunitário · Q
Simplificando 6 :
 CVPV = CVunitário · Q
Então:
 MCperíodo = P · Q – CVPV – DV
 MCperíodo = P · Q – CVunitário · Q – DVunitária · Q
 MCperíodo = Q · [P – CVunitário – DVunitária]
 MCperíodo = Q · [P – (CVunitário + DVunitária)]
 MCperíodo = Q · [P – GVunitário]
 MCperíodo = Q · MCunitária
A MC do período pode ser calculada pela multiplicação da MC uni-
tária pela quantidade total vendida no período (Q). A MC unitária re-
presenta o valor de contribuição que uma unidade vendida gera para 
o pagamento dos gastos fixos e para composição dos lucros dentro do 
período de análise:
 MCunitária = P – GVunitário
 MCunitária = P – (CVunitário + DVunitária)
O exemplo que segue ilustra os conceitos aqui apresentados para 
um caso com cenário linearmente uniforme para o gasto variável:
Dada a solidificação do conceito 
contábil da margem de contri-
buição, tanto no meio acadêmico 
quanto nas práticas de mercado, 
quando são realizados cálculos 
de MC, o custo variável do 
produto vendido é tratado, por 
simplificação, apenas por custo 
variável (CV) unitário. Isso ocorre 
uma vez que a simples menção 
do MC já indica que o CV unitá-
rio é o custo de produto vendido; 
o que leva, por sua vez, ao uso 
de GV em vez de GVPV, seja na 
análise para certo período, seja 
para uma unidade.
6
Análise de custo para tomada de decisão 111
Uma confecção produz 200 camisas por mês (volume de produção) e, para 
produzir uma camisa, precisa de 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido 
R$ 10,00 por metro (valor de reposição ou contabilizado no estoque). O aluguel 
do imóvel usado pela confecção é de R$ 2.100,00 por mês e a comissão paga 
aos vendedores é de 10% sobre o valor de venda da camisa. Considerando ape-
nas esses dados e um preço de venda de R$ 50,00, informe a margem de con-
tribuição das camisas para uma unidade de camisa e para o período mensal.
Solução
CVunitário = 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00 por camisa
DVunitária = P · comissão = R$ 50,00 · 10% = R$ 5,00 por camisa
MCunitária = P – GVunitário
MCunitária = R$ 50,00 – (R$ 15,00 + R$ 5,00)
MCunitária = R$ 50,00 – R$ 20,00 = R$ 30,00/camisa
MCperíodo = Q · MCunitária
MCperíodo = 200 camisas/mês · R$ 30,00/camisa = R$ 6.000,00/mês
Resposta
MCunitária = R$ 30,00 por camisa produzida e vendida
MCperíodo = R$ 6.000,00 por mês, considerando 200 camisas produzidas e vendidas
Nesse exemplo, tem-se que cada camisa produzida e vendida con-
tribui com R$ 30,00 para os gastos fixos (custos e/ou despesas) e, quita-
dos estes, para a formação do lucro. Como a empresa comercializa 200 
camisas por mês, tem-se que R$ 6.000,00 são gerados de contribuição. 
Sendo o aluguel o único gasto fixo dessa empresa, os R$ 6.000,00 de 
contribuição ficam distribuídos da seguinte forma: R$ 2.100,00 para o 
pagamento do aluguel e R$ 3.900,00 como lucro gerado.
Tendo como base o exemplo apresentado, fica evidente que não 
faz sentido algum falar em valor de lucro se a MC unitária for zero ou 
negativa. Se for zero, o preço de venda somente é suficiente para arcar 
112 Gestão e controle de custos
como o gasto variável e, se for negativa, sequer se presta para isso. 
Na verdade, quando a MC unitária é negativa, quanto mais a empresa 
vende, mais ela fica endividada, pois amplia sua dívida com GV sem ter 
uma contrapartida adequada de receita. E, por isso, surge a importân-
cia de que sejam identificados corretamente quais são os gastos fixos e 
variáveis de uma empresa.
Quando um gasto fixo é considerado erroneamente como variável, 
isso inflaciona o valor do GV unitário, o que impede, por exemplo, que, 
caso necessário, o preço de venda seja reduzido para aumentar o volu-
me de venda, pois as simulações gerenciais, nesse cenário, acusariam 
que a MC seria um valor unitário muito pequeno ou mesmo negativo. 
Porém, se o inverso ocorresse – o gasto variável ser erroneamente clas-
sificado como fixo –, a empresa teria como resultado um valor de GV 
unitário subestimado. Sendo assim, se ela tentasse aumentar a MC do 
período com o aumento no volume de venda, por meio de um descon-
to no preço do produto, as simulações gerencias não acusariam a real 
perda de dinheiro da decisão tomada, seja pela redução do lucro, seja 
pela geração de prejuízo.
Na língua inglesa, o ponto de equi-
líbrio é denominado break-even 
point e, em nosso vernáculo, 
também é conhecido “como ponto 
de nivelamento, ponto neutro, 
ponto de ruptura etc.” (MARION; 
RIBEIRO, 2011, p. 130). 
7
5.4 Ponto de equilíbrio: quantidade 
e preço de vendaVídeo
Segundo Marion e Ribeiro (2011), o ponto de equilíbrio (PE) 7 repre-
senta o volume de venda no qual uma empresa obtém, como resultado 
econômico (RE), o valor nulo, ou seja, nem lucro, nem prejuízo. Nesse 
volume negociado, o valor dos custos e das despesas totais (CDT) se 
iguala ao valor da receita (R), como demonstra o Quadro 1.
Quadro 1
Resultado econômico
R < CDT R = CDT R > CDT
RE = R – CDT
RE < 0
RE = Prejuízo
RE = R – CDT
RE = 0
RE = PE
RE = R – CDT
RE > 0
RE = Lucro
Fonte: Elaborado pelos autores.
Análise de custo para tomada de decisão 113
O PE, como já mencionado, representa a quantidade de venda que 
iguala os valores da Re dos CDT. Sendo assim, utilizando o conheci-
mento obtido na seção anterior, torna-se possível extrair sua expres-
são matemática mediante a seguinte lógica:
Sendo:
R = P · Q
CDT = custo total + despesa total; isto é, CDT = (CV + CF) + 
(DV + DF)
CV = custo variável, CF= custo fixo,
DV = despesa variável, DF = despesa fixa
Então:
R = CDT
P · Q = (CVperíodo + CF) + (DVperíodo + DF)
P · Q = (CVunitário · Q + CF) + (DVunitária · Q + DF)
P · Q = CVunitário · Q + DVunitária · Q + DF + CF
P · Q – CVunitário · Q – DVunitária · Q = DF + CF
Q · (P – CVunitário – DVunitária) = DF + CF
Q · MCunitária = DF + CF
Q · MCunitária = GF
Q = 
GF
MCunitária
Como a quantidade (Q) é o volume de venda que iguala R 
e CDT, então Q = PE:
PE = 
GF
MCunitária
 ou PE = 
GF
P – GVunitário
 ou 8 PE = 
CF +DF
P – (CVu + DVu)
Para facilitar o uso das fórmulas, 
a partir de agora será utilizado 
apenas a vogal u para expressar 
a palavra unitário ou unitária.
8
Para ilustrar a aplicação da fórmula do PE, convém retornar ao 
exemplo iniciado na seção anterior.
114 Gestão e controle de custos
Uma confecção produz 200 camisas por mês (volume de produção) e, para 
produzir uma camisa, precisa de 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido 
R$ 10,00 por metro (valor de reposição ou contabilizado no estoque). O alu-
guel do imóvel usado pela confecção, mais a depreciação das máquinas, é de 
R$ 2.100,00 por mês e a comissão paga aos vendedores é de 10% sobre o valor 
de venda da camisa. Considerando esses dados, informe o ponto de equilíbrio 
se o preço de venda por camisa for R$ 50,00.
Solução
P = R$ 50,00 por camisa
CVunitário = 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00/camisa
DVunitária = P · comissão = R$ 50,00 · 10% = R$ 5,00/camisa
CF + DF = R$ 2.100,00/mês
PE = CF + DF
P – (CVu+ DVu)
 = 
R$ 2.100,00/mês
R$ 50,00 – (R$ 15,00 + R$ 5,00)]
PE = 
R$ 2.100,00/mês
R$ 50,00 – R$ 20,00
 = 
R$ 2.100,00/mês
 30,00 
 = 70 camisas por mês
Resposta: O ponto de equilíbrio dessa confecção é de 70 camisas por mês.
Segundo a resolução apresentada, se a confecção vender 70 camisas, não 
terá lucro nem prejuízo. Para confirmar essa afirmativa, basta realizar a conta:
• R70 camisas = 70 camisas · R$ 50,00/camisa = R$ 3.500,00
• CV70 camisas = 70 camisas · R$ 15,00/camisa = R$ 1.050,00
• DV70 camisas = 70 camisas · R$ 5,00/camisa = R$ 350,00
• CF + DF = R$ 2.100,00/mês
• R – (CV + DV + CF + DF) = R$ 3.500,00 – (R$ 1.050,00 + R$ 350,00 + R$ 2.100,00)
• R – (CV + DV + CF + DF) = R$ 3.500,00 – R$ 3.500,00 = R$ 0,00 (PE)
Como a empresa vende 200 camisas por mês, então, 130 camisas vendidas 
excedem o valor do PE (200 camisas subtraído o PE). Sendo assim, em cada uma 
dessas 130 camisas, a MC unitária de R$ 30,00 é uma contribuição para a forma-
ção do valor do lucro total da empresa, como demonstram os cálculos a seguir:
(Continua)
Análise de custo para tomada de decisão 115
Opção de cálculo 1
• L = MCperíodo = Q descontado PE · MC unitária
• L = MCperíodo = 130 camisas · R$ 30,00 = R$ 3.900,00/mês (Lucro)
Opção de cálculo 2
• R200 camisas = 200 camisas · R$ 50,00/camisa = R$ 10.000,00
• CV200 camisas = 200 camisas · R$ 15,00/camisa = R$ 3.000,00
• DV200 camisas = 200 camisas · R$ 5,00/camisa = R$ 1.000,00
• CF + DF = R$ 2.100,00/mês
• R – (CV + DV + CF + DF) = R$ 10.000,00 – (R$ 3.000,00 + R$ 1.000,00 + 
R$ 2.100,00)
• R – (CV + DV + CF + DF) = R$ 10.000,00 – R$ 6.100,00 = R$ 3.900,00 (Lucro)
Conforme demonstrado, a força informativa do PE é considerável 
para decisões gerenciais. A forma que foi observada aqui é conheci-
da como PE contábil ou PEC. Ela é chamada desse modo por utilizar 
os valores monetários condizentes aos princípios e normas técnicas 
contábeis, por exemplo, regime de competência, integridade, registro 
pelo valor original etc. Segundo essas normas contábeis, entre outros 
itens, tem-se que o reconhecimento de um gasto e/ou de uma receita 
deve ser feito conforme a constatação do maior esforço realizado (por 
exemplo, transferência de propriedade), ou seja, o registro deve ser 
feito mesmo que ainda não tenha gerado movimento de caixa (entrada 
ou saída).
Ainda convém ressaltar que somente as operações realizadas e de-
vidamente documentadas devem ser reconhecidas, logicamente, se-
gundo o seu valor original de negociação – sem espaço, portanto, para 
estimativas de possíveis valores para reposição. Todavia, muitas vezes, 
uma decisão gerencial exige uma maior flexibilidade e, dado esse fato, 
novas formas de ponto de equilíbrio surgiram, entre elas: o PE econô-
mico (PEE) e o PE financeiro (PEF).
116 Gestão e controle de custos
Segundo Cherobim, Lemes Jr. e Rigo (2010), os recursos que estão 
à disposição de uma empresa para que ela realize suas operações são 
denominados de capital. O capital de uma empresa pode ser obtido de 
duas formas: com terceiros (fornecedores, bancos etc.) e com donos 
dessa entidade (acionistas ou cotistas). Essas duas fontes de recursos 
cobram um preço pelo serviço prestado (isto é, pelo empréstimo forne-
cido) 9 e esse valor é denominado de custo do capital. O preço cobrado 
pelo capital considera dois fatores econômicos: o custo de oportunida-
de e o risco envolvido no empréstimo (prêmio de risco).
O custo de oportunidade (CO) representa o valor que a fonte do 
capital perdeu (ou “deixou” de ganhar) por ter emprestado o dinhei-
ro para a empresa. Por exemplo, se alguém tem a opção de aplicar 
R$ 100.000,00 na poupança com uma taxa de juros de 10% ao ano, 
então ela tem a possibilidade de alcançar R$ 110.000,00 de saldo ao 
término desse período. Entretanto, se essa pessoa, em vez de aplicar 
seu dinheiro na poupança, emprestar para alguém, por igual período 
de tempo, sem cobrar juro algum, então na devolução do emprésti-
mo terá apenas R$ 100.000,00. Em outras palavras, nesse empréstimo, 
aquele que forneceu o dinheiro terá tido um custo de oportunidade de 
R$ 10.000,00. Para que isso não ocorra, as fontes do capital tendem a 
cobrar o valor do custo de oportunidade no empréstimo que fornecem.
O prêmio de risco (PR), por sua vez, é uma cobrança feita no 
empréstimo fornecido, de modo a compensar um risco adicio-
nal, considerando o valor do risco da oportunidade perdida. Se for 
relativizado/padronizado que a oportunidade perdida tem um valor de 
risco igual a zero, então tem-se, segundo Damodaran (2005, p. 86), que 
o prêmio de risco “mensura o ‘retorno extra’ que seria exigido por in-
vestidores para transferir seus recursos de um investimento sem risco” 
para outro com risco. Por exemplo, quando um empréstimo de baixo 
risco é feito para um banco sólido (uma aplicação financeira de renda 
fixa), a possibilidade de ele não devolver o capital investido é bem me-
nor do que fornecer um empréstimo para uma empresa de pequeno 
porte que acabou de ser constituída 10 . Por esse risco adicional envolvi-
do, o dono do capital exige da pequena empresa que lhe dê um retorno 
maior pelo empréstimo fornecido. Sendo assim, tem-se:
Custo do capital = CO + PR
Por esse motivo, o valor de em-
préstimo também é chamado de 
serviço de dívida na linguagem 
financeira.
9
Segundo Peret (2019), dados do 
IBGE acusam que seis de cada 
dez empresas fecham em até 
cinco anos de operação.
10
Análise de custo para tomada de decisão 117
O custo do capital cobrado pelos terceiros já está incluso nos valo-
res contábeis, pois está embutido nos valores cobrados pelos emprés-
timos regidos por contratos (bancos, agências de fomento etc.) e pelas 
compras a prazo (fornecedores). Todavia, o custo do capital dos donos 
não pode ser lançado, pois o valor que lhes cabe é o lucro da empresa. 
Acontece que o dono não deseja qualquer valor de lucro, ele deseja 
receber, pelo menos, o custo de oportunidade do investimento que 
realizou, para, assim, manter a empresa funcionando. Caso contrário, 
lhe será mais interessante fechar a empresa e manter seu capital na 
instituição com menor risco.
A propósito, em uma empresa, a fonte capital próprio(dono) é que 
corre o maior risco, pois se a empresa “quebrar”, o dono será o último 
a receber, isso se não tiver que arcar com dividas adicionais. Sendo as-
sim, segundo Marion e Ribeiro (2011), a fórmula do PEE é a expressão 
matemática de PEC acrescido de margem de lucro desejada (ML), que 
pode ser tanto custo de oportunidade do capitalista quanto, também, 
seu valor de custo de capital (CO + PR):
PEE =
GF + ML
MCunitária 
Para ilustrar a importância dessa fórmula, convém utilizar o exem-
plo feito com PEC. Naquela atividade, foi calculado que a confecção te-
ria que vender 70 camisas para alcançar o PEC. Agora, será considerado 
que os donos dessa confecção aplicaram R$ 390.000,00 para montar a 
empresa e que, para tanto, tiveram que retirar esse volume de capital 
de uma aplicação financeira segura, que pagava uma taxa de juro de 1% 
ao mês. Sendo assim, tem-se que esses capitalistas, para manterem a 
empresa funcionando, precisam receber um valor de lucro mensal que 
seja no mínimo igual a R$ 3.900,00 (R$ 390.000,00 × 1%). O PEE permite 
calcular a quantidade mínima de venda que atenda a esse objetivo:
 PEE = 
GF + ML
MCunitária 
 = 
(R$ 2.100,00 + R$3.900,00)/mês
R$ 30,00 
∴
 PEE =
R$ 6.000,00/mês
R$ 30,00 
 = 200 camisas/mês
118 Gestão e controle de custos
Com o PEE, evidenciou-se que a empresa precisa vender 200 camisas 
por mês para zerar suas obrigações fixas com terceiros e com os donos. O 
PEE ainda mantém a definição de que é a quantidade que não tem lucro, 
nem prejuízo, pois o valor da ML é chamado de valor econômico zero (ou 
lucro normal de mercado). Dito de outra forma, a empresa gerar um lucro 
de R$ 3.900,00 não é nada de demais, ela apenas cumpriu sua obrigação 
em comparação ao que o mercado oferece. Sendo assim, se ela produzir e 
vender valores entre 70 e 199 camisetas, ela gerará lucro, porém, um lucro 
menor que o mercado oferece e, por isso, poderá ser considerada como 
um investimento desinteressante aos olhos dos donos.
Por fim, resta apresentar o PEF. Nesse tipo de análise, o objetivo é 
calcular a quantidade mínima de venda que permite honrar os com-
promissos financeiros de uma empresa, isto é, aqueles que impactam 
diretamente o caixa da entidade. Sua lógica é mais ou menos a seguin-
te: os gastos contábeis reconhecidos em uma empresa são de duas 
naturezas, em relação ao fluxo de caixa: os que impactam de imedia-
to o caixa e os que não impactam. Os que não impactam são aqueles 
que, apesar de serem custos e/ou despesas, não apresentam uma data 
claramente definida para que haja um desembolso. Esse seria o caso, 
por exemplo, segundo Marion e Ribeiro (2011, p. 141), de “depreciação, 
amortização, exaustão, provisão para créditos de liquidação duvidosa, 
provisões para ajuste de valor de mercado etc.”.
Os gastos que apresentam essas características são denominados 
de custos e despesas não financeiras (CDNF) e impactam o valor do PEC, 
gerando o PEF. A fórmula do PEF seria a razão entre 
o valor do GF (líquido do CDNF) pela MC unitária:
PEF =
GF – CDNF
MCunitária 
A relevância desse conteúdo pode ser sentida me-
diante um desenvolvimento bastante simples. Por 
exemplo, anteriormente foi notado que certa con-
fecção tinha um PEC de 70 camisas por mês, porque, 
entre outros motivos, seu GF era de R$ 2.100,00. Con-
tudo, se for considerado que o valor de depreciação 
das máquinas dessa empresa é de R$ 600,00/mês, 
logo tem-se que o GF da empresa, sem esse valor de 
Considerando um cenário com os dados a seguir, apresente os 
valores do ponto de equilíbrio contábil, financeiro e econômico.
Preço de venda................. : R$ 30,00 (unidade)
Custo variável................... : R$ 10,00 (unidade)
Custo fixo.......................... : R$ 5.000,00 (mês)
Despesas variáveis........... : R$ 12,00 (unidade)
Despesas fixas.................. : R$ 7.000,00 (mês)
Depreciação...................... : R$ 2.000,00 (mês)
Taxa Selic*........................ : 2% (mês sobre o valor do capital 
investido)
Patrimônio líquido (PL)... : R$ 100.000,00
*Taxa Selic é a taxa de remuneração dos títulos do governo, os 
quais são considerados, pelo mercado, como investimentos de 
baixo risco.
Atividade 3
Análise de custo para tomada de decisão 119
CDNF, é de apenas R$ 1.500,00/mês. Esse fato evidencia que o PEF da 
empresa é de apenas 50 camisas mensais, como demonstram os cálcu-
los que seguem:
 PEF = 
GF – CDNF
MCunitária 
 = 
(R$ 2.100,00 – R$ 600,00)/mês
R$ 30,00 
∴
 PEF =
R$ 1.500/mês
R$ 30,00 
 = 50 camisas/mês
Antes de encerrar esta seção, resta apresentar que uma gestão real-
mente eficiente precisa ter ciência sobre a condição de seus produtos 
frente a esses três valores de PE: financeiro, contábil e econômico. So-
mente assim ela poderá controlar adequadamente o volume de venda, 
de modo a garantir que a empresa seja uma entidade sólida, tanto para 
honrar seus compromissos de caixa quanto, obviamente, para atender 
adequadamente às expectativas do mercado e dos donos sobre a sua 
capacidade para gerar riqueza.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, foram estudados os elementos básicos do custeio va-
riável, segundo a percepção gerencial. Nesse sentido, o foco foi a divisão 
dos gastos (custos e despesas) em elementos variáveis e fixos, segundo a 
percepção contábil. Essa forma de apuração dos dispêndios não é proibi-
da no Brasil, mas não é aceita para fins fiscais. Dado esse fato, as empre-
sas costumam operar, simultaneamente, com duas formas: o custeio por 
absorção (para fins fiscais) e o custo variável (para fins gerenciais).
Apesar de o uso de dois sistemas encarecer o controle da empresa, 
os benefícios desse procedimento mais do que justificam essa decisão. 
O custeio por absorção exige um rigoroso protocolo de eventos contá-
beis para ser aceito pelas instituições brasileiras, o que lhe confere ex-
pressiva credibilidade informacional sobre o cenário para uma análise 
ex post facto 11 . Já o custeio variável permite uma visão mais flexível para 
análise de caráter mais preditivo, uma vez que fornece um poderoso arse-
nal informacional, destacando-se, entre outros: a margem de contribuição 
e o ponto de equilíbrio (contábil, financeiro e econômico).
Ex post facto é uma expressão utilizada para apresentar uma análise de causa e efeito, considerando eventos que 
já ocorreram, isto é, a partir de fatos já passados.
11
120 Gestão e controle de custos
REFERÊNCIAS
CHEROBIM, A. P. S.; LEMES JR., A. B.; RIGO, C. M. Administração financeira: princípios, 
fundamentos e práticas brasileiras – aplicações e casos nacionais. 3. ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2010.
DAMODARAN, A. Finanças corporativas aplicadas: manual do usuário. Porto Alegre: 
Bookman, 2002 – Reimpressão, 2005.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
MARTINS, E.; ROCHA, W. Métodos de custeios comparados. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
MARION, J. C.; RIBEIRO, O. M. Introdução à contabilidade gerencial. São Paulo: Saraiva, 2011.
PERET , E. Seis em cada dez empresas abertas em 2012 encerraram atividades em cinco 
anos. Estatísticas Econômicas (IBGE), 17 out. 2019. Disponível em: https://agenciadenoticias.
ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25739-seis-em-cada-dez-
empresas-abertas-em-2012-encerraram-atividades-em-cinco-anos. Acesso em: 5 mar. 
2020.
PINDYCK, R.; RUBINFELF, D. L. Microeconomia. 8. ed. São Paulo: Pearson Education do 
Brasil, 2013.
SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Gestão de custos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
TREVISAN, R. (coord.). Michaelis. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: 
Melhoramentos, 2015. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/
busca/portugues-brasileiro/planejamento. Acesso em: 5 mar. 2020.
GABARITO
1. Gasto fixos (GF) são valores de dispêndios que não sofrem a influência da variação 
da quantidade produzida ou vendida pela empresa em um dado período estabele-
cido – desde que respeitada a capacidade produtiva da empresa. Sendo assim, o GF 
repetitivoe o não repetitivo são iguais. A diferença está no fato de que, no GF repe-
titivo, o valor monetário que o representa em dado período analisado não se altera 
(por exemplo, o aluguel pago mensalmente, com ajuste apenas anualmente). Já no GF 
não repetitivo, o valor monetário que o representa em dado período analisado sofre 
alteração (por exemplo, o aluguel pago mensalmente, com ajuste mensal conforme a 
inflação e/ou dólar).
2. 
( V ) Matéria-prima............................ : quanto mais produto, maior gasto.
( F ) Aluguel da fábrica.................... : o valor não muda com a quantidade produzida.
( V ) Embalagem primária............... : quanto mais produto, maior gasto.
( V ) Comissão................................... : quanto mais venda, maior gasto.
3. Calculando o PEC:
Sendo: PE = PEC
Logo:
PEC = 
 GF 
 MCu 
 = 
 CF + DF 
P – GVu 
 =
CF + DF
P – (CVu + DVu)
 ∴
Análise de custo para tomada de decisão 121
PEC = 
R$ 5.000/mês + R$ 7.000,00/mês 
R$ 30,00/un. – (R$ 10,00/un. + R$ 12,00/un.)
 =
R$12.000,00/mês 
R$ 30,00/un. – R$ 22,00/un.
 = 
R$12.000,00/mês 
R$ 8,00/un.
 ∴
PEC = 1.500 unidades
Calculando o PEF:
PEF =
 GF – CDNF 
 MCu
 =
R$ 12.000/mês – R$ 2.000,00/mês 
R$ 8,00/un.
 =
R$ 10.000/mês 
R$ 8,00/un. 
∴
PEF = 1.250 unidades
Calculando o PEE:
Sendo: PL · taxa Selic = Custo de oportunidade = ML
Logo: ML = R$ 100.000,00 · 2%/mês = R$ 2.000,00/mês
Portanto:
PEE =
 GF + ML 
 MCu
= 
R$ 12.000/mês + R$ 2.000,00/mês 
R$ 8,00/un.
 =
R$ 14.000/mês 
R$ 8,00/un. 
∴
PEE = 1.750 unidades
122 Gestão e controle de custos
6
Custos para planejamento 
e controle
Este capítulo tem como objetivo apresentar artefatos mais 
avançados a respeito do cenário da gestão de custos. Em essência, 
são indicadores que consideram, geralmente em caráter prediti-
vo, a influência dos gastos (custos e/ou despesas) nas atividades 
operacionais de uma empresa. Entre tantos artefatos possíveis, 
quatro foram escolhidos por serem, segundo a experiência dos 
autores, elementos recorrentes em reuniões gerenciais: grau de 
comprometimento da receita, margem de segurança, alavancagem 
operacional e, por fim, custos referenciais (padrão e meta).
6.1 Grau de comprometimento da receita
Vídeo O entendimento claro de um gestor sobre os dispêndios de uma 
empresa é um dos elementos cruciais para o sucesso. Uma empresa, 
de acordo com Marion e Ribeiro (2011) e Cherobim, Lemes Jr. e Rigo 
(2010), precisa ser gerida de modo a ter um volume de receita que seja 
no mínimo suficiente para honrar seus compromissos com terceiros 
(como pagar fornecedores) e, logicamente, com os donos (dividendos 
compatíveis com as taxas de mercado, por exemplo). Em outras pa-
lavras, uma empresa precisa, no mínimo, alcançar o ponto de equilí-
brio econômico (PE) para poder continuar operando 1 . Desse contexto, 
emerge a lógica presente no Gráfico 1.
O ponto de equilíbrio (PE) pode ser contábil (PEC), econômico (PEE) e financeiro (PEF). Neste capítulo, será tratada 
a lógica do PEE, porém, como essa lógica é basicamente a mesma para os três tipos citados, agora, o PEE será 
tratado apenas de PE, como ocorre nos manuais de economia.
1
Custos para planejamento e controle 123
Gráfico 1
Visão lógica do ponto de equilíbrio (PE)
Q1
(Ponto de 
equilíbrio: PE)
Q2
(Efetiva)
Q3
(Máxima)
PE: R = C
Prejuízo: R < C Lucro: R > C
R0 ; Q0 → 0
R$
Quantidade (Q)
Curva da receita (R)
Curva do custo (C)
R3 (Máxima)
R2 (Efetiva)
R1 (Equilibrio)
ÁREA 
1
ÁREA 
2
Fonte: Elaborado pelos autores.
Como demonstra o Gráfico 1, as operações de uma empresa, con-
siderando as de determinando período, podem ser sintetizadas em 
apenas dois eixos: um para os valores monetários e outro para as quan-
tidades movimentadas. No eixo das ordenadas, tem-se, geralmente, os 
valores monetários (R$) totais de receitas e de custos: y = R$. Já no eixo 
das abscissas, estão os volumes movimentados, ou seja, as quantida-
des (Q) produzidas e vendidas de bens e/ou serviços: x = Q. Desse cená-
rio, emerge todo um contexto de análise para a busca da compreensão 
do comportamento das curvas de receita e de custo. Convém destacar 
que ambas as curvas, apesar de terem naturezas distintas, costumam 
ser expressas como retas, isto é, funções de 1º grau, seja para atender 
fins didáticos no processo de aprendizagem, seja para suprir necessi-
dades pragmáticas de mercado.
No Gráfico 1, a curva de custo (C) 2 tem seu início na intersecção da 
quantidade de venda zero (Q = 0) com um valor monetário diferente 
de zero (R$ ≠ 0). Isso ocorre porque as empresas têm gastos fixos nas 
operações que realizam, compromissos que existem mesmo que não 
haja vendas no período, como aluguel e folha de pagamento. Portanto, 
esse gasto fixo é o valor do coeficiente linear da função de custo, ou 
seja, indica, dentro do conceito algébrico, o ponto em que a reta corta 
o eixo das ordenadas.
Já o coeficiente angular da função de custo, isto é, a inclinação da 
curva, é estabelecido pelo gasto variável unitário, por exemplo, custo da 
Aqui, o termo custo é empregado 
do mesmo modo que ocorre 
em reuniões gerenciais com 
profissionais de competências 
multidisciplinares. Portanto, consi-
dera-se, além dos custos fixos (CF) 
e variáveis dos produtos vendidos 
(CPV), também os valores de 
despesas variáveis e fixas.
2
124 Gestão e controle de custos
matéria-prima, despesa com comissão de venda etc. O coeficiente angu-
lar indica qual é o nível de impacto das quantidades vendidas nos gastos 
totais da empresa e, como a curva de custo é tratada no segmento ana-
lisado como uma reta, tem-se que seu valor é um número constante. As-
sim, o comportamento do custo de uma empresa pode ser representado 
como uma função expressa na fórmula a seguir:
C = f(Q) = CF + CVu · Q
Em que:
• C: custo total, ou apenas custo
• f(Q): está em função de Q
• Q: quantidade vendida
• CF: custo Fixo
• CVu: custo variável unitário
Com relação à curva da receita (R), essa tem seu início no ponto zero 
do gráfico (x = R$ = 0; y = Q = 0). Desse modo, o coeficiente linear da fun-
ção receita é um valor nulo e, assim, tem-se que, se não há quantidade 
de venda, não há receita a ser considerada. Já o coeficiente angular é 
preço de venda (P) de cada unidade de produto (bem ou serviço). Tra-
ta-se de um número constante, uma vez que, no segmento analisado, 
a receita é tratada como uma reta. O coeficiente angular estabelece o 
nível de sensibilidade da receita para com a quantidade vendida. Dado 
esse contexto, torna-se possível extrair a seguinte expressão matemá-
tica para a função da receita:
R = f(Q) = P · Q
Em que:
• R: receita total, ou apenas receita
• f(Q): está em função de Q
• Q: quantidade vendida
• P: preço de venda (unitário)
O posicionamento sistêmico dessas duas curvas (receita e custo) 
estabelece, no plano cartesiano, duas áreas financeiras separadas por 
Obviamente, dentro dos limites 
da função, quanto maior o valor 
do preço, maior a velocidade 
de resposta da receita. Todavia, 
convém destacar que o cenário 
não é assim tão simples. O 
mercado altera a sua intenção de 
compra – isto é, a quantidade 
que deseja consumir – conforme 
o preço de venda do produto. 
Dado esse fato, o valor do preço 
de venda precisa ser analisado 
em conjunto com o comporta-
mento da curva de demanda do 
produto. Esse assunto não será 
abordado neste capítulo, pois 
necessita de uma fundamenta-
ção teórica densa sobre questões 
econômicas que consideram 
a relação da utilidade de um 
produto e sua representação 
monetária. Caso haja o interesse 
no aprofundamento dessa pauta, 
considere a leitura de manuais 
de introdução à economia e de 
micro e macroeconomia.
Atenção
Custos para planejamento e controle 125
um limite denominado ponto de equilíbrio (PE). O ponto de equilíbrio é, 
portanto, o ponto cartesiano que indica a intersecção entre a curva de 
receita e o custo. Nessa localização, determinada quantidade de venda 
gera um mesmo valor monetário paraa receita e para o custo: R = C. 
Como o resultado econômico (REc) é a diferença entre receita e custo, 
há nesse ponto um equilíbrio monetário entre o valor da receita e do 
custo que anula o valor do REc, o que não gera lucro ou prejuízo.
Ponto de equilíbrio
 Sendo: REc = R – C
 Em que: R = C
 Logo, REc = 0 (nulo)
Ao lado esquerdo do PE (área 1 do gráfico), tem-se o cenário de pre-
juízo, pois os valores de receita são menores em comparação com os de 
custo, o que gera um desequilíbrio negativo no resultado econômico.
Ponto de desequilíbrio negativo
 Sendo: REc = R – C
 Em que: R < C
 Logo, REc < 0 (prejuízo)
Já ao lado direito do PE (área 2 do gráfico), encontra-se o desequi-
líbrio monetário positivo do REc, uma vez que, para as quantidades 
movimentadas, os valores das receitas superam os valores dos custos.
Ponto de desequilíbrio positivo
 Sendo: REc = R – C
 Em que: R > C
 Logo, REc > 0 (lucro)
Todavia, como explicam Pindyck e Rubinfeld (2013) e Goldratt e Cox 
(1997), o crescimento do lucro é limitado em um dado período, seja 
pela participação das vendas da empresa no mercado (concorrência, 
situação econômica do país, posicionamento estratégico da empresa 
etc.), seja por restrições operacionais produtivas, comerciais, entre 
outras. Essas limitações definem o valor das vendas efetivas de uma 
empresa no período analisado – no gráfico, esse ponto é representado 
pelo par ordenado (Q2, R2). Assim, para que uma empresa possa alcan-
126 Gestão e controle de custos
çar seus valores máximos – isto é, o ponto do par ordenado (Q3, R3) –, 
ela precisa estabelecer um plano de ação para que possa vencer essas 
limitações, se assim desejar.
Nas análises que seguem, nesta e nas próximas seções, será utilizado 
o termo planejada para substituir os pontos identificados como venda efe-
tiva ou máxima, uma vez que a lógica analítica é a mesma 3 . Desse modo, 
para as análises, são considerados valores acima do ponto de equilíbrio, 
identificados como RP (receita planejada) e QP (quantidade planejada). Dito 
isso, torna-se possível a explicação do significado do grau de comprometi-
mento da receita (GCR), a qual encontramos no Gráfico 2.
Gráfico 2
Visão lógica do grau de comprometimento da receita (GCR)
R0 ; Q0 → 0
R$
Quantidade (Q)
Curva da receita (R)
Curva do custo (C)RP (Planejada)
GCRp = RE ÷ RP
QE
(Ponto de equilíbrio: PE)
Qp
(Planejada)
RE (Equilíbrio)
PE: R = C
Prejuízo: R < C Lucro: R > C
Fonte: Elaborado pelos autores.
Como demonstra o Gráfico 2, o GCR é um indicador obtido pela razão 
entre a receita de equilíbrio (RE) e a receita planejada pela empresa. O GCR 
informa qual é a participação da RE na RP (SOUZA; CLEMENTE, 2008):
GCR = 
R�
R�
E
P
 ou GCR = 
R�
R�
E
P
 · 100 ← forma percentual (%)
O valor do GCR é um número possível em uma escala que vai de 0 a 
1 ou, na forma percentual, de 0% a 100%. O valor extremo 0 representa 
um caso hipotético, por exemplo, um cenário operacional com gasto fixo 
nulo (ou próximo de nulo) ou margem de contribuição unitária infinita (ou 
muito elevada). Portanto, existe como elemento de referência, objetivan-
do informar a condição de menor risco que uma empresa pode ter.
Convém ressaltar que, na literatura, 
existem muitas formas que são 
usadas para estudar a receita 
que excede o ponto de equilíbrio 
– algumas obras, por exemplo, 
optam pela receita máxima ou 
projetada, já outras usam a receita 
atual ou efetiva –, todavia a lógica 
sempre é a mesma. Porém, não 
se esqueça: no caso de provas 
e concurso público, é de suma 
importância estudar a bibliografia 
indicada na ementa do curso ou no 
edital do concurso para, assim, usar 
a terminologia ali apresentada, 
pois ela é soberana no processo 
de correção e, logicamente, para 
possíveis pedidos de revisão de 
notas ou recursos.
3
O Capítulo 7 da obra 
Decisões financeiras e 
análises de investimentos: 
fundamentos, técnicas e 
decisões apresenta uma 
metodologia que permite 
uma análise multi-índice, 
entre os quais, está o 
GCR. Trata-se de uma 
leitura agradável, com 
muitos exemplos. Vale a 
pena conferir.
SOUZA, A.; CLEMENTE, A. 6. ed. São 
Paulo: Atlas, 2008. 
Livro
Custos para planejamento e controle 127
Já o valor extremo 1 (ou 100%) representa uma situação em que os 
valores RE e RP são iguais. Com isso, a receita planejada pela empresa 
apenas consegue atender à condição de equilíbrio. Esse é o cenário 
de maior risco, visto que qualquer queda no valor da receita planeja-
da implica operar abaixo do equilíbrio (prejuízo) 4 . Dado esse contex-
to, tem-se que cenários analíticos com valores mais próximos de 0 são 
condições de menor risco; da mesma forma, os valores mais próximos 
de 1 são os de maior risco. Para melhor entendimento, acompanhe o 
exemplo a seguir.
Uma confecção produz 200 camisas por mês. Para produzir uma camisa, 
precisa de 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido R$ 10,00 por metro. O 
aluguel do imóvel usado pela confecção, mais a depreciação das máquinas, é 
de R$ 2.100,00 por mês. A comissão paga aos vendedores é de 10% sobre o 
valor de venda da camisa. Considerando esses dados e o preço de venda por 
camisa de R$ 50,00, informe o GCR.
Solução
1º passo: Encontrar o valor da receita de equilíbrio.
Sendo: DVunitária = P · comissão = R$ 50,00 · 10% = R$ 5,00/camisa
CVunitário = 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00/camisa
Então: PE = 
GF
P� �GVu−
 = 
R$� 00/mês
R$� � R$ � � �R$ �
2 100
50 00 15 00 5 00
. ,
, , ,� �� � = 70 camisas/mês
Portanto: RE = P · Q = R$ 50,00/camisa · 70 camisas/mês = R$ 3.500,00/mês
2º passo: Encontrar o valor da receita planejada.
RP = P . Q = R$ 50,00/camisa · 200 camisas/mês = R$ 10.000,00 mês
3º passo: Encontrar o valor do GCR.
GCR = 
R�
R�
E
P
 = 
R$� 
R$� 
3 500 00
10 000 00
. ,
. , = 
0 35
1
,
 = 0,35 ou 
0 35
1
,
 · 100 = 35%
Resposta: o GCR é 0,35 por unidade de RP, ou seja, 35% do valor dessa recei-
ta. Desse modo, 35% do valor da venda é utilizado unicamente para alcançar 
o valor de equilíbrio, portanto o risco é baixo para esse cenário analisado, 
uma vez que há um expressivo valor da receita planejada que está acima do 
ponto de equilíbrio.
No caso GCR, valores acima de 
100% não são projetos de alto 
risco, eles são projetos inviáveis.
4
128 Gestão e controle de custos
Obviamente, para o caso de apenas um produto, cujo preço de venda 
(P) seja constante para quaisquer quantidades de venda, é possível 
simplificar toda essa operação, conforme demostra-se a seguir.
 GCR = 
R
R
E
P
�
�
 = 
P�.� �
P�.� �
Q
Q
E
P
 ∴ GCR = 
� �
� �
Q
Q
E
P
 Sendo: QE = PE = 
CF� �DF
P� � CV � �DVu u
�
� �� � = 
GF
P� �GVu−
 = 
GF
MC�u
 Então: GCR = 
�Q�
�Q�
�E
P
 = 
GF
MC�
�Q�
u
P
 Portanto: GCR = 
GF
�Q� ��MC�P u·
Ao refazer o exemplo da confecção com essa nova fórmula, tem-se:
Sendo:
MCu = P – (CVu + DVu) = R$ 50,00 – (R$ 15,00 + R$ 5,00) = 
R$ 50,00 – R$ 20,00 = R$ 30,00
Então:
GCR = 
GF
�Q� � �MC�P u⋅
 = 
R$� 0/mês
�camisas/mês� �R$� 0/camisa
2 100 0
200 30 0
. ,
,⋅ 
∴ 
GCR = 
R$ � 0/mês
R$ � 0/mês
2 100 0
6 000 0
. ,
. ,
 = 
0 35
1
, �= 35%
Observa-se, ao interpretar esses dados, que a venda planejada de 
200 camisas gera uma receita que resultará no valor de R$ 6.000,00 
por mês como margem de contribuição (MC). Desse valor, a quantia 
de R$ 2.100,00 será destinada a pagar o gasto fixo. Assim, 35% es-
tão comprometidos para atingir a condição de equilíbrio. Mas lem-
bre-se: essa forma simplificada somente é válida – como demonstra 
a dedução da fórmula original – para análises com apenas um pro-
duto e com preço de venda constante para quaisquer quantidades 
movimentadas.
Ao considerar o movimento 
mensal, uma empresa apurou 
que seu ponto de equilíbrio 
ocorre com 15.200 unidades de 
produtos vendidos. Todavia, ela 
planeja vender 42.222 unidades 
nesse mesmo intervalo de 
tempo. Sabendo que o preço de 
venda de R$ 12,50 por unidade 
de produto é um valor constante, 
responda: qual é o valor do grau 
de comprometimento dareceita?
Atividade 1
Custos para planejamento e controle 129
6.2 Margem de segurança
A margem de segurança (MS), conforme Martins (2003), é um indi-
cador complementar ao conceito do GCR. Enquanto o GCR apresenta 
quanto da receita planejada (RP) está comprometido com o PE, o valor 
da MS, por sua vez, expressa qual é a distância que separa a RP do PE, 
como demonstra o Gráfico 3.
Gráfico 3
Visão lógica da margem de segurança (MS)
R0 ; Q0 → 0
R$
Quantidade (Q)
Curva da receita (R)
Curva do custo (C)RP (Planejada)
MS 
=
δR ÷ RP
QE
(Ponto de equilíbrio: PE)
QP
(Planejada)
RE (Equilibrio)
PE: R = C
Prejuízo: R < C Lucro: R > C
Fonte: Elaborado pelos autores.
A MS é uma razão obtida entre a diferença das 
receitas analisadas (δR )
 em relação ao valor da RP. 
O valor de δR é a diferença entre a RP e a RE, ou seja, 
δR = RP − RE. Dito isso, a forma de cálculo da MS é:
MS = 
� �
R�
R
P
δ
 = 
R� � �R�
R�
P E
P
−
 ou 
MS = 
R� � �R�
R�
P E
P
−
 · 100 ← forma percentual (%)
Segundo a fórmula apresentada, a MS nada mais é do que um indica-
dor que informa qual é o valor relativo do valor da δR tendo como valor 
da RP. Nesse sentido, o valor da MS é um número possível em uma escala 
que inicia em 0 e que tem como limite superior o valor 1 (ou 100%). O valor 
extremo inferior 0 representa uma situação em que o RE e RP são iguais. 
δ é a letra minúscula delta do 
alfabeto grego. Ela é utilizada 
para simbolizar uma diferença; 
por exemplo, se a diferença 
etária entre duas pessoas for de 
15 anos (40 – 25), então 
δ média = 15 anos.
Curiosidade
Vídeo
130 Gestão e controle de custos
Nesse caso, a receita planejada pela empresa apenas atende à condição 
de equilíbrio, ou seja, não existe um valor de segurança. Esse cenário é o 
de maior risco, pois qualquer queda na quantidade implica operar abaixo 
do valor do equilíbrio econômico (prejuízo) 5 .
Uma margem de segurança com valor igual a 1 (ou 100%) é o ce-
nário mais seguro, o qual pode ser interpretado de duas maneiras. A 
primeira, como um caso hipotético, no qual o valor de RE é nulo (ou 
praticamente nulo) – como explicado no GCR – e, portanto, existe para 
servir como elemento referencial, indicando a condição mais segura 
possível. Já a segunda forma, a mais prática, é aquela na qual o MS é 1 
por representar um cenário onde o valor de RP é tão alto que, pratica-
mente, torna insignificante o valor da RE, como demostra o cálculo do 
limite para RP tendendo ao infinito:
MS = lim �
� �
�R P
P E
P
R� R�
R���
�
 = 1 = 100%
Dado esse contexto, tem-se que cenários analíticos com valores mais 
próximos de 0 são condições de maior risco. Os valores de menor risco, 
portanto, são aqueles que apresentam maior distância do PE, no qual o 
limite relativo dessa diferença é igual a 100% do valor do RP. Para melhor 
compreensão, convém retornar ao problema da confecção.
Uma confecção produz 200 camisas por mês. Para produzir uma camisa, pre-
cisa de 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido R$ 10,00 por metro. O aluguel 
do imóvel usado pela confecção, mais a depreciação das máquinas, é de 
R$ 2.100,00 por mês. A comissão paga aos vendedores 10% sobre o valor de 
venda da camisa. Considerando esses dados e o preço de venda por camisa de 
R$ 50,00, informe a MS.
Solução
1º passo: Encontrar o valor da receita de equilíbrio.*
2º passo: Encontrar o valor da receita planejada.*
* Ver valores e cálculos presentes no primeiro exemplo (seção 6.1 – Grau de 
comprometimento da receita).
3º passo: Encontrar o valor da MS.
MS = 
R� R�
R�
P E
P
−
 = 
R$ � � �R$ �
R$ �
10 000 00 3 500 00
10 000 00
. , . ,
. ,
−
 = 0 65
1
, ou 
0 65
1
,
 · 100 = 65%
Como ocorre com o GCR, nos 
casos de R
P
 menor que o PE, um 
projeto deve ser considerado 
inviável e, desse modo, não 
tem sentido falar em análise de 
risco MS de valores negativos.
5
(Continua)
Custos para planejamento e controle 131
Resposta: a MS é de 0,65, ou seja, 65% do valor da receita planejada. Por-
tanto, a empresa é capaz de suportar uma queda de receita de até 65% sem 
incorrer um uma situação de desequilíbrio negativo (prejuízo). Tendo em 
vista esse fato, a operação planejada é de baixo risco.
Obviamente, para o caso de apenas um produto, cujo preço de ven-
da (P) seja constante para quaisquer quantidades de venda, torna-se 
possível simplificar toda essa operação, conforme demostra a exempli-
ficação a seguir.
 MS = R� R�
R�
P E
P
− = 
P� �Q� � �P�� Q�
P�� �Q�
P E
P
� � �
�
 = 
P�� Q� � �Q� �
P� Q�
�P E
P
� �� �
�
∴
 MS = 
Q� � Q�
Q�
P E
P
−
 Sendo: QE = PE = 
CF� �DF
P� � CV � �DVu u
�
� �� � = 
GF
P� �GVu−
 = 
GF
MC�u
 Logo: MS = 
Q� � �Q�
�Q�
�P E
P
−
= 
Q� � � GF
MC�
�Q�
P
u
P
−
 = 
MC� � Q�
MC�
� � GF
MC�
�Q�
u P
u u
P
�
�
 MS = 
MC� � �Q� � �GF
MC�
�
�Q�
u P
u
P
� �
 = 
MC� � Q� � �GF�
MC� � �Q� �
u P
u P
� �
�
 Portanto: MS = 
Q� � �Q�
�Q�
P E
P
−
 = 
MC� � Q� � �GF�
MC� � �Q� �
u P
u P
� �
�
Exemplo da confecção refeito com essa nova fórmula:
Opção 1: Conhecendo o valor do QE
MS = 
Q� � �Q�
�Q�
� � � �P E
P
�
�
�
� �� � � �200 70
200
130
200 0,65 = 65%
Opção 2: Desconhecendo o valor do QE
MS = 
MC� � �Q� � �GF�
MC� � �Q� �
�u P
u P
� �
�
�
(Continua)
132 Gestão e controle de custos
MS = �
R$ � 00/camisa � � �camisas/mês� �R$� 0/mês
R$�
30 200 2 100 0, . ,� �
 0/camisa � �camisas/mês30 0 200,
�
�
�
MS = �
R$� 0/mês� �R$ � 00/mês
R$� 00/mês
6 000 0 2 100
6 000
. , . ,
. ,
−
 = �
. ,
. ,
�R$ � 00/mês
R$ � 00/mês
�3 900
6 000
= 0,65 = 65%
Ao interpretar esses dados, tem-se que:
 • Na opção 1, a quantidade planejada de 200 camisas gera uma 
receita que resultará em um valor que ultrapassa o PE de 70 
camisas em 130 unidades dentro do mês analisado. Desse 
modo, o excedente de 130 camisas ocasiona uma segurança 
operacional (lucro mensal) que equivale a 65% do valor total 
da quantidade vendida.
 • Na opção 2, a venda planejada de 200 camisas gera uma recei-
ta que resultará no valor de R$ 6.000,00 por mês como margem 
de contribuição (MC). Desse valor, a quantia de R$ 2.100,00 será 
destinada a pagar o gasto fixo. Dessa maneira, o valor excedente 
da contribuição gerada é de R$ 3.900,00 (lucro mensal), um valor 
de segurança operacional que equivale a 65% do valor total da 
margem de contribuição.
Contudo, é importante se lembrar de que essas duas formas simpli-
ficadas para a MS somente são válidas – como demonstram as dedu-
ções feitas por meio da fórmula original – para análises com apenas um 
produto que apresenta um valor de preço constante para quaisquer 
quantidades de venda.
Antes de encerrar esta seção, cabe explicar o motivo de, muitas 
vezes, as empresas estabelecerem um valor máximo de receita ou de 
quantidade para suas operações, isto é, um limite para seu crescimen-
to. As análises de MC, PE, GCR e MS precisam considerar um valor li-
mite, pois as curvas de receita e de custo que são utilizadas nesses 
indicadores, na verdade, são apenas uma parte de um cenário bem 
mais complexo, como demonstra o Gráfico 4.
Uma distribuidora de vinhos 
apurou que sua margem de 
contribuição por garrafa vendida 
é de R$ 50,00. Sabendo que o 
custo fixo dessa empresa é de 
R$ 125.000,00 por mês, 
responda: qual é a margem de 
segurança dessa empresa se ela 
vender 8.000 garrafas por mês?
Atividade 2
Custos para planejamento e controle 133
Gráfico 4
Visão lógica geral do custo-volume-lucro
Quantidade (Q)
Ponto de 
equilíbrio
(C = R)
R$
Custo = f(Q) = CF + CVu · Q
Receita = f(Q) = P · Q
Lucro Máximo (RMg = CMg)
Lucro = R – C ∴
Lucro = f(Q) = MCu · Q – CF
Fonte: Elaborado pelos autores com base em Silva e Garbrecht, 2016, p. 123.
A área pontilhada, identificada com a expressão ponto de equilí-
brio, é o recorte feito para as análises citadas nesta seção, bem como 
para as demais seções que compõem o capítulo. As curvas de receita 
e de custo extraídas dessa área, para poderem ser usadas como retas 
perfeitas (Gráficos 1, 2 e 3),precisam antes sofrer um procedimento 
de alisamento 6 . Enquanto forem respeitados esses limites estabe-
lecidos para o procedimento de alisamento, os indicadores citados 
podem ser considerados como modelos que representam, dentro do 
possível, a realidade da empresa para as necessidades do processo 
decisório preditivo.
Todavia, fora dessa área, o comportamento das vendas e dos custos 
impedem a manutenção da premissa de que o preço de venda e do 
gasto variável unitário são números constantes para qualquer valor de 
venda. Assim, após os limites da área do PE, dado o comportamento 
distinto das curvas da receita e do custo, se a empresa continuar au-
mentando suas vendas na crença de que aumentará infinitamente o 
seu lucro (o famoso “vou ganhar na quantidade”), corre-se o risco de 
uma queda gradativa de lucro, o que pode até implicar prejuízo.
De maneira sintética, alisamento 
de uma curva é o procedimento 
realizado para suavizar as oscila-
ções em um intervalo analisado. 
Trata-se de um recurso recorren-
te, por exemplo, em estudos de 
séries temporais.
6
134 Gestão e controle de custos
A receita e o custo são curvas independentes entre si, cujo confron-
to de seus valores resulta no que é chamado de lucro. O maior lucro de 
uma empresa, tendo em vista esse contexto, não ocorre necessaria-
mente no maior valor da receita, tampouco na quantidade que repre-
senta o menor custo por unidade. O lucro máximo ocorre no ponto em 
que há a maior distância entre essas duas curvas, estando a curva da 
receita em um nível superior ao da curva do custo. Esse ponto em que 
ocorre o lucro máximo é definido pela análise marginalista – isto é, por 
meio do uso de derivadas – como o ponto no qual o valor da receita 
marginal (RMg) se iguala ao valor do custo marginal (CMg). Consequen-
temente, ao lado esquerdo desse ponto de lucro máximo, cada nova 
unidade vendida acarreta benefícios à empresa, reduz sua dívida até 
zerá-la e, depois disso, gera lucros cada vez maiores até que seu valor 
máximo seja alcançado. Essa é a área na qual se realiza as análises de 
ponto de equilíbrio, margem de segurança, grau de comprometimento 
da receita e grau de alavancagem operacional.
O lado direito, por sua vez, é uma área de problema. Após o ponto 
de lucro máximo, cada unidade vendida acarreta malefício à empresa, 
uma vez que provoca redução da distância entre as curvas de custo 
e receita. Primeiramente, com redução do valor do lucro da empre-
sa e, na sequência, caso continue a expansão das vendas, a geração 
de prejuízo. Contudo, apesar de sua expressiva relevância, como de-
monstram as linhas precedentes, o detalhamento dos mecanismos 
que resultam nesse cenário excede a pauta deste capítulo. Sua menção 
ocorreu unicamente para apresentar um dos motivos, entre tantos ou-
tros, que impedem as empresas de ampliarem seu valor da margem de 
segurança de maneira indeterminada, por meio do simples aumento 
do volume de venda.
6.3 Alavancagem operacional
Vídeo De acordo com Martins (2003), o indicador do grau de alavancagem 
operacional (GAO) informa qual é o impacto que uma unidade de ven-
da tem no valor do lucro de uma empresa. Esse indicador apresenta 
como o incremento da quantidade vendida impulsiona (alavanca) o lu-
cro. Para tanto, considera a razão entre as variações percentuais do 
acréscimo do lucro (L) e da venda (V). Sua expressão matemática é:
Custos para planejamento e controle 135
GAO = 
∆
∆
�%�L
�%�V
Em que:
∆�%�V = 
V V
V
� �
�
� � �
�
2 1
1
−
 · 100 ou 
V
V
�
�
�
�
2
1
1�
�
�
��
�
�
�� · 100
∆�%�L = 
� � � �
�
�� �
�
L L
L
2 1
1
−
· 100 ou 
� �
�
�-1�
�
L
L
2
1
�
�
��
�
�
�� · 100
As vendas e os lucros identificados com o número 1 (V1, L1) são da-
dos iniciais do cálculo das variações percentuais (∆%); já os identifica-
dos com o número 2 (V2, L2) são os dados finais. Por exemplo, se o lucro 
é de R$ 10,00 e passa a ser de R$ 30,00, o valor de L1 é 10 e o valor de L2 
é 30. Desse modo, as ∆% são as diferenças relativas dos dados analisa-
dos em relação aos seus respectivos valores iniciais – como demonstra 
o cálculo que segue –, ou seja, o valor do lucro inicial em comparação 
ao valor do lucro final:
∆%L = �
��R$� R$� 
R$� 
30 00 10 00
10 00
, ,
, 
= =�R$� 
R$� 
20 00
10 00
,
, 2 = 200%
Como feito nas seções anteriores, para o caso de apenas um pro-
duto, cujo preço de venda (P) seja constante para quaisquer quan-
tidades de venda, torna-se possível simplificar toda essa operação, 
conforme demostra o exemplo a seguir, que considera a venda como 
o valor da receita R.
1º passo:
Sendo:
L = R – C ou L = MC · Q, com MC constante para quaisquer 
valores de Q
R = P · Q, com P constante para quaisquer valores de Q
Então:
GAO = 
��
L
�L�
� � ���
R�
�R�
� � �
�
�
�
2
1
2
1
1
1
−
−
 = 
�
MC�� �Q � �PE�
MC�� �Q � �PE�
� � �
P�� �Q
�P � �Q �
�
� �
� �
�
�
�
�
�( )
�( )
�
2
1
2
1
1
��
�
1
= 
�
Q � �PE
�Q � �PE
� � �
Q
�Q
� �
2
1
2
1
1
1
−
−
−
−
 ∴
(Continua)
136 Gestão e controle de custos
GAO = 
�
Q PE� Q �PE
�Q �PE
�
Q �Q
�Q
�
2 1
1
2 1
1
� � �� �
�
� = 
�
Q PE� �Q � �PE
�Q �PE
�
Q �Q
�Q
�
2 1
1
2 1
1
� � �
�
� 
∴
GAO = 
�
Q � �Q
�Q �PE
�
Q �Q
�Q
�
2 1
1
2 1
1
−
−
− 
∴
GAO = 
Q � �Q
�Q �PE
2 1
1
−
−
 · 
�Q
�Q �Q
1
2 1−
 ∴
GAO = 
Q
�Q �PE
1
1−
Como o L1 e o L2 apresentam o mesmo valor de MC e de PE 
e os valores de R1 e R2 apresentam o mesmo valor de P, o GAO 
é alterado apenas pela variação da Q1, Q2 e PE:
GAO = 
��
L
�L�
� � � � ��
R�
�R�
� � � � �
�
�
�
�
2
1
2
1
1 100
1 100
�
�
�
��
�
�
�� �
�
�
�
��
�
�
�� �
= 
�
Q � �Q
�Q �PE
�
Q �Q
�Q
�
2 1
1
2 1
1
−
−
−
No entanto, como a diferença da Q2 em relação ao valor 
da Q1 ocorre tanto na razão da percentagem de acréscimo 
do lucro quanto na de acréscimo da venda, tem-se que, ape-
sar da variação do valor Q2 alterar os valores dessas percen-
tagens, ele mantém sempre o valor de GAO. Como demonstra 
a simplificação feita, o que altera o valor do GAO entre duas 
vendas é o valor da venda inicial (Q1). Assim, uma vez definido 
o valor de Q1, o valor de GAO é constante, independentemente 
do valor que assuma Q2 (negativo, zero, igual ao PE etc.):
GAO = 
��
L
�L�
� � � � ��
R�
�R�
� � � �
�
�
�
2
1
2
1
1 100
1 100
�
�
�
��
�
�
�� �
�
�
�
��
�
�
�� �
 = 
Q
�Q �PE
1
1−
(Continua)
Custos para planejamento e controle 137
Dado esse fato, tem-se que, assumindo que o valor Q1 é o 
valor QP (quantidade planejada), então o GAO nada mais é que 
o valor inverso do MS:
Sendo: Q1 = QP; MS = 
Q� � �PE
�Q�
P
P
−
Então: MS–1 = 
Q
�Q �PE
P
P −
Portanto: GAO = MS−1
Com isso, tem-se que a relação entre GAO e MS é inver-
samente proporcional, isto é, quando a MS sobe, o GAO cai e 
vice-versa.
2º passo:
Sendo: PE = 
GF
MC
Qp ≠ PE
Então: GAO = 
Q
�Q � �GF
MC
�
P
P −
 = �Q
�
Q MC� �GF
MC
�
 
P
P � �
GAO = 
�Q
� �
P
1
. 
MC
Q � MC� �GFP � �
�∴
GAO = 
Q � MC
Q � MC� �GF
P
P
�
� �
Caso o QP seja igual ao do PE, o produto entre QP e MC será 
igual ao do GF. Assim, o denominador do GAO será zero, invia-
bilizando o cálculo, uma vez que um número real não pode ser 
dividido por zero.
3º passo:
Sendo: MC = P – GVu
Por fim, obtém-se a fórmula usualmente utilizada para o 
cálculo do GAO:
GAO = 
Q � P� �GV
Q � P� �GV � �GF
P
P
u
u
� �� �
� �� � �
�
�
Um número inverso significa 
a inversão de uma razão. Por 
exemplo, o valor inverso da 
razão 2/3 é 3/2. Quanto à 
representação da razão inversa 
utilizando “-1”, considere o 
seguinte exemplo: se a variável 
α é igual a 2/3, logo, a razão in-
versa de α é igual α –1, portanto, 
α –1 = 3/2.
Saiba mais
138 Gestão e controle de custos
Tendo como base o desenvolvimento aqui realizado, o GAO é um valor 
que pode ser obtido por meio de quatro formas diferentes de cálculos:
GAO = 
��
L
�L�
� � � � ��
R�
�R�
� � � �
�
P�
P�
2
2
1 100
1 100
�
�
�
��
�
�
�� �
�
�
�
��
��
�� �
 = 
Q
�Q �PE
P
P −
 = MS − 1 = 
Q � � P� �GV
Q � � P� �GV � �GF
P
P
u
u
� �� �
� �� � �
É importante relembrar que essas formas simplificadas para GAO 
somente são válidas para análises com apenas um produto que apre-
sente valores de P e GVu constante (ou seja, MCu constante) para quais-
quer quantidades de venda. Dito isso, convém retornar ao exercício da 
confecção para demonstração da eficácia dessas fórmulas.
Uma confecção com margem de segurança de 65%* produz 200 camisas por 
mês. Para produzir uma camisa é necessário 1,5 m de tecido, sendo o preço do 
tecido de R$ 10,00 por metro. O aluguel do imóvel usado pela confecção, mais 
a depreciação das máquinas, é de R$ 2.100,00 por mês, e a comissão paga aos 
vendedores é de 10% sobre o valor de venda da camisa. Considerando esses 
dados, informe o GAO se o preço de venda por camisa for de R$ 50,00, tendo 
em vista uma alteração de 200 camisas para 250.
* Ver o exemplo da margem da segurança (MS) presente na seção 6.2 – Mar-
gem de segurança.
Solução:
Sendo:
Q1 = QP = 200 camisas
Q2 = 250 camisas
Gasto fixo do período: R$ 2.100,00/mês
Gasto variável unitário: R$ 20,00/camisa (ver exemplo GCR da seção 6.1 – 
Grau de comprometimento da receita).
QE = PE = 70 camisas (ver exemplo GCR da seção 6.1 – Grau de comprometi-
mento da receita).
(Continua)
Custos para planejamento e controle 139
RP= P · QP = R$ 50,00/camisa · 200 camisas/mês = R$ 10.000,00/mês
R2 = P · Q2 = R$ 50,00/camisa · 250 camisas/mês = R$ 12.500,00/mês
CP = GF + GVu · QP= R$ 2.100,00/mês + R$ 20,00/camisa · 200 camisas/mês ∴ 
CP = R$ 6.100,00/mês
C2 = GF + GVu . Q2 = R$ 2.100,00/mês + R$ 20,00/camisa · 250 camisas/mês ∴ 
C2 = R$ 7.100,00/mês
LP = RP – CP = R$ 10.000,00 – R$ 6.100,00 = R$ 3.900,00
L2 = R2 – C2 = R$ 12.500,00 – R$ 7.100,00 = R$ 5.400,00
1ª opção de cálculo:
GAO = 
�
� �
� � � �
�
� �
� � � ��
�
�
�
L
L
R
R
P
P
2
2
1 100
1 100
�
�
�
��
�
�
���
�
�
�
��
�
�
���
 = 
R$
R$
R$
R$
5 400 00
3 900 00
1 100
12 500 00
10 000
. ,
� . , �
� � ��
. ,
. ,
�
�
�
�
�
�
� �
000
1 100� � � � ��
�
�
�
�
�
� �
 =
38 4615
25 0000
, %
, %
 ≅ 1,53846
2ª opção de cálculo:
GAO = 
Q
�Q �PE
P
P −
 = 
200
200 70� �−
 = 
200
130�
 ≅ 1,53846
3ª opção de cálculo:
GAO = MS − 1 = 
1
1�MS
�
� = 
1
65� %
�= 
1
0 65� , ≅ 1,53846
4ª opção de cálculo:
GAO = 
Q � P� �GV
Q � P� �GV � �GF�
P
P
u
u
� �� �
� �� � � �
= 
200 50 00 20 00
200 50 00 20 00 2 1
� � R$ � �R$
� � R$ � �R$ � �R$
� �� �
� �� � �
, ,
, , . 000 00,
�
�
=
R$
�R$
6 000 00
3 900 00
. ,
. , 
∴ GAO ≅ 1,53846
Resposta: o GAO é de aproximadamente 1,53846, ou seja, o incremento de 1% 
no valor da venda impacta em um crescimento no valor total do lucro na ordem 
de 1,53846%.
140 Gestão e controle de custos
O valor do GAO (1,53846) provém do fato de que sua fórmula é uma 
razão entre o incremento percentual do lucro e o incremento percen-
tual da venda.
GAO = 1,53846 = 
1 53846
1
, �
 = 
%�de�acréscimo�do�lucro�
%�de�acréscimo�da�venda
 = 
1 53846
1
, �%�
%
Portanto, se o valor da % de acréscimo da venda aumentar para 
25% (isto é, se ele for multiplicado por 25), para manter a proporciona-
lidade com o denominador, o valor % de acréscimo do lucro também 
precisa ser multiplicado por 25:
GAO = 
1 53846 25
1 25
, �� �
��
⋅
⋅
 = 
38 4615
25
, �
= 
%�de�acréscimo�do�lucro�
%�de�acréscimo�da�venda
 = 38 4615
25
, �%�
%
Sendo exatamente esses os valores observados na opção 1, ou 
seja, nessa faixa avaliada, um incremento de 25% na venda resulta em 
38,4615% de incremento no lucro.
Antes de encerrar esta seção, cabe ressaltar que, dada a natureza 
informacional do GAO, esse indicador também pode ser analisado me-
diante o uso de derivadas, conforme a demonstração que segue a título 
de curiosidade:
GAO = �
%
%
L � �L�
L�
R� � �R�
R�
��
� �
�
�
2 1
1
2 1
1
100
100
�
�
�
�
∴ GAO = 
∆
∆
�%�L
�%�R
Sendo preço (P) um valor constante no cálculo da receita (R), então:
GAO�
L � �L�
L�
P Q� � �P� Q�
P� Q�
�
L � �L�
L�
� �
�
�
� �
��
�
� � �
�
�
�
� �
2 1
1
2 1
1
2 1
1
PP �Q� � �Q�
P� Q�
�
�
� �
�
( )2 1
1
= 
L � �L�
L�
Q� � ��Q�
�Q�
� �
�
�
�
2 1
1
2 1
1
−
−
 ∴ GAO = 
∆
∆
�%�L
�%�Q
Ao reestruturar essa relação, tem-se:
GAO = 
L � �L�
L�
�� �
�
2 1
1
−
 · 
Q�
Q� � �Q�
�1
2 1−
 = 
L � �L�
Q� � ��Q�
� �
�
2 1
2 1
−
−
 · 
Q�
L�
�
�
1
1
 ∴ GAO = 
∆
∆
L
Q
 · 
Q�
L�
�
�
1
1
Derivando a razão ∆L/∆Q e considerando Q1 = QP, obtém-se:
Uma refinaria de açúcar 
constatou que sua margem de 
segurança é de 42%. Com base 
nesse dado, informe o valor do 
grau de alavancagem operacio-
nal e explique seu significado.
Atividade 3
(Continua)
Custos para planejamento e controle 141
GAO = lim�q�� �� 0 · 
∆
∆
L
q
 · 
Q�
L�
P�
P�
 = 
dL
dq
 · 
Q�
L�
P�
P�
 ∴GAO = f ’ (Q) 
Q
L
P
P
�
�
�
f ’ (Q) é a derivada primeira da função lucro (∴ lucro marginal → LMg), uma 
vez que é estudo do comportamento do lucro em relação à quantidade.
Desse modo, o exemplo da confecção pode ser resolvido por meio 
do seguinte procedimento:
L = R – C ∴
L = P · Q – (GF + GVu · Q) = P · Q – GF – GVu · Q ∴
L = P · Q – GVu · Q – GF = (P – GVu) · Q – CF ∴
L = f(Q) = MCu · Q – CF ∴
L’ = f(Q) = 1 · MCu · Q
1 -1 – 0 = 1 · MCu · Q
0 → 1 · MCu · 1 ∴
L’ = f(Q) = MCu
Sendo: GAO = � � �f Q · Q�
L�
P�
P
 ; LP = MC� �Q� CF u P� �
Então: GAO = 30,00 · 
200
30 00 200 2 100 00R � � R$ , $ . ,� �
 = 
R
R
$ . ,
$ . ,
6 000 00
3 900 00 
∴
 GAO = R$ 1,53846
Para quem ainda não teve a oportunidade de estudar derivadas, 
esse procedimento talvez pareça um pouco estranho, apesar de sua re-
solução ter sido feita no passo a passo. Por isso, lembre-se de que essa 
demonstração é apenas uma curiosidade. O conteúdo que antecede 
esse procedimento por derivada mais do que atende às necessidades 
da gestão de custos abordadas neste capítulo.
6.4 Custo meta, custo padrão e custo real
Vídeo Os indicadores gerenciais que foram citados neste capítulo – MC, PE, 
GCR, MS e GAO –, entre outras finalidades, também são instrumentos 
fortemente utilizados para elaboração de planejamentos estratégicos. 
Eles servem para verificar a possibilidade da manutenção de estrutu-
ras já consolidadas ou, ainda, são utilizados para testar a possibilidade 
de novos empreendimentos (produtos e/ou mercados). Esses artefatos 
permitem que simulações sejam feitas sobre as consequências das dis-
142 Gestão e controle de custos
tintas flutuações que o mercado pode impor à empresa ao longo de um 
período. Para tanto, necessitam de dados confiáveis sobre receitas e 
gastos (fixos e variáveis) para a realização de seus cálculos. Com relação 
ao comportamento da receita, as empresas normalmente recorrem aos 
fundamentos presentes na ciência econômica e na estatística inferen-
cial. Quanto à questão dos gastos, a contabilidade é, indiscutivelmente, 
a fonte mais qualificada.
Segundo Marion (2018) e Padoveze (2009), a contabilidade é a lin-
guagem dos negócios; foi edificada ao longo da história de acordo com 
as demandas da humanidade por informações úteis para o controle 
do patrimônio. Cada técnica utilizada pela contabilidade para coleta 
de dados, processamento e divulgação de informações foi lapidado 
segundo as necessidades decisórias que proviam com o amadureci-
mento da sociedade. Assim, os artefatos contábeis apresentam uma 
sólida justificativa em ser como são, como partidas dobradas, regime 
de competência, custeios etc. Eles permitem que a informação contábil 
seja qualificada como fidedigna, íntegra e completa às necessidades 
decisórias de seus usuários. Portanto, sem a presença dos confiáveis 
dados contábeis, nenhuma ferramenta ou analista pode ser eficaz no 
processo da gestão dos custos. 
Há muitos elementos contábeis que são igualmente importantes. 
Contudo, devido à forte aderência que apresentam com os indicadores 
citados anteriormente, nesta seção, o foco é a relação presenteentre 
custo meta, custo padrão (corrente e ideal) e custo real.
A fim de compreender melhor esses custos, convém continuar com 
o cenário do planejamento estratégico e acrescentar a ele o aspecto da 
classificação dos mercados, segundo a microeconomia. Para a econo-
mia, o mercado de atuação de uma empresa pode ser definido entre 
duas possibilidades: mercado competitivo e não competitivo. Segundo 
Mankiw (2013, p. 64), um mercado competitivo é aquele que “há tantos 
compradores e vendedores que cada um deles tem impacto insignifi-
cante sobre o preço de mercado”. Já os mercados não competitivos, 
conforme Pindyck e Rubinfeld (2013), seriam aqueles que têm um de-
sequilíbrio significante entre compradores e vendedores, de modo que 
uma das partes detém um nível maior de poder para influenciar, consi-
deravelmente, o preço dos produtos que são transacionados.
Custos para planejamento e controle 143
O caso extremo do mercado competitivo seria a concorrência per-
feita; já o extremo do mercado não competitivo, o monopólio (apenas 
um vendedor para muitos compradores) ou o monopsônio (apenas um 
comprador para muitos vendedores). Obviamente, o mundo dos negó-
cios não é regido pelos casos extremos, assim, o mercado de atuação 
de uma empresa normalmente é uma possibilidade entre a condição de 
concorrência perfeita e o monopólio (ou monopsônio). Desse modo, há 
casos em que as empresas têm maior poder de mercado e, por isso, uti-
lizam ferramentas que definem qual preço irão praticar – por exemplo, 
mark-up 7 . Contudo, há casos de empresas com menor poder, as quais 
precisam identificar qual preço o mercado definiu como adequado aos 
produtos que lhe são ofertados. Esse último é um cenário útil para ilus-
trar as distinções entre custo meta, padrão e real.
Como visto nos mercados competitivos, as empresas não definem 
o preço de seus produtos; elas capturam, por meio de pesquisas de 
campo, o valor que seu público está disposto a pagar. Com base nesse 
dado, o planejamento estratégico da organização define o valor do lu-
cro que considera adequado para remunerar os custos de oportunida-
des e riscos que são pertinentes ao projeto analisado, seja para atender 
questões de rentabilidade, seja para atingir os objetivos de expansão 
de mercado. Tendo como base esses dados, a empresa define o valor 
máximo de custo que um produto pode ter para que ele possa ser lan-
çado ou para que seja mantido ativo no catálogo de venda. Segundo 
Martins (2003), esse custo limite é conhecido como custo meta, custo 
alvo ou target costing. O custo meta representa uma linha demarcatória 
na qual os gastos da empresa não podem ultrapassar sem comprome-
ter a viabilidade comercial do produto ou, conforme o caso, a própria 
continuidade da entidade.
Uma vez estabelecido o valor do custo meta, há a necessidade da 
apuração sobre qual é o valor de custo que a empresa tem como pa-
drão em suas operações. Se for acima do custo meta, o projeto é inviá-
vel; se for abaixo, ele é viável. Quanto mais baixo esse custo, dado o 
fato de o preço ser constante na análise, mais eficaz é a empresa como 
lócus da geração de riqueza. Com esse cenário, uma empresa busca 
constantemente métodos que lhe possibilite utilizar seus recursos da 
maneira mais eficiente possível, de modo a alcançar, segundo sua rea-
lidade operacional, o menor gasto possível. Isto é, um padrão ótimo 
Artefato contábil que, ao partir 
dos gastos operacionais e da 
margem de lucro desejada, 
estabelece, por meio do custeio 
por absorção, um fator de 
multiplicação que define o 
valor do preço de venda que 
uma empresa deve praticar 
(MARTINS, 2003).
7
Para uma empresa continuar 
operando, é necessário 
apresentar um valor mínimo de 
lucro que, ao menos, se equipare 
às taxas normalmente pagas por 
outros investimentos de igual 
risco. Caso contrário, os donos 
serão tentados a interromper 
as operações da entidade para 
reinvestir esse capital em em-
preendimentos mais rentáveis.
Saiba mais
lócus: lugar.
Glossário
144 Gestão e controle de custos
para medir sua eficiência na gestão dos gastos, portanto, um valor que 
seja o custo padrão de suas atividades.
O custo padrão (ou standard  costing), muitas vezes, é confundido 
com o custo meta, um erro no mínimo grosseiro, considerando suas 
distintas finalidades. Conforme Martins (2003), o custo padrão é um 
procedimento qualificado que informa o menor gasto que é possível de 
ser alcançado por uma empresa, no curto e no longo prazo. Em outras 
palavras, ele permite a avaliação da eficiência de uma empresa ao esta-
belecer um valor para o controle dos gastos incorridos. É o resultado de 
um estudo minucioso que considera tanto elementos teóricos quanto 
questões pragmáticas da realidade da empresa. Na verdade, o custo 
padrão, quando corretamente implementado em sua forma e extensão, 
não apresenta apenas um valor de referência para os dispêndios, mas 
dois grupos de valores: custo padrão corrente e custo padrão ideal.
O custo padrão corrente representa a realidade de uma empresa 
no momento atual (corrente) de suas atividades. Trata-se do estudo so-
bre a eficiência da entidade na gestão dos custos, considerando tanto 
aspectos do potencial teórico no uso dos recursos quanto as limita-
ções contemporâneas da empresa nesse uso. Nesse sentido, Martins 
(2003, p. 315) define esse custo como o
valor que a empresa fixa como meta para o próximo período 
para um determinado produto ou serviço, mas com a diferen-
ça de levar em conta as deficiências sabidamente existentes em 
termos de qualidade de materiais, mão de obra, equipamentos, 
fornecimento de energia etc. É um valor que a empresa conside-
ra difícil de ser alcançado, mas não impossível.
Já o custo padrão ideal é um valor que, apesar de ainda ser prag-
mático, é altamente teórico, um cenário de eficiência máxima na gestão 
do custo. Trata-se de um valor que deve ser considerado como uma 
meta de longo prazo, uma condição utópica que condiciona a empre-
sa a buscar continuamente o aperfeiçoamento. Martins (2003, p. 315) 
define o custo padrão ideal como “o valor conseguido com o uso dos 
melhores materiais possíveis, com a mais eficiente mão de obra viável, 
a 100% da capacidade da empresa, sem nenhuma parada por qualquer 
motivo, a não ser as já programadas em função de uma perfeita manu-
tenção preventiva etc.”.
Para elucidar esses conceitos, acompanhe o exemplo a seguir, o qual 
foi simplificado para atender de maneira didática à pauta estudada.
Não se deve confundir o conceito 
de custo estimado com o de 
custo padrão. O custo estimado 
é, como diz o próprio nome, uma 
estimativa realizada sobre os dis-
pêndios de uma empresa. Desse 
modo, trata-se de uma análise 
realizada por meio de artefatos 
estatísticos, que considera, 
portanto, valores médios dos 
gastos passados para estabelecer 
o custo que é provável para o 
período corrente.
Atenção
Custos para planejamento e controle 145
Uma empresa está avaliando se deve vender em uma região que há demanda de 
2.000 unidades de produtos por mês a um preço de R$ 50,00 por unidade. A empresa 
analisa esse cenário e considera que o lucro mínimo aceitável para essa operação é de 
R$ 10,00 por produto, independentemente da quantidade de venda. 
O único gasto dessa empresa é o valor mensal de R$ 10.000,00, que representa o 
custo com a folha de pagamento da equipe de produção, na qual todos os membros 
são mão de obra direta.
A equipe de produção é esforçada, porém, sem experiência e, além disso, seus 
membros apenas concluíram o ensino fundamental. Dado esse fato, a equipe consegue 
produzir por mês, com esforço, apenas 320 unidades de produto.
Agora, se a equipe receber um treinamento de 20 horas (que só poderá ser ministrado 
daqui a seis meses), ela será capaz de produzir, em condições normais de trabalho, 500 
unidades por mês. Se eles frequentarem um curso técnico de quatro anos, a capacida-
de produtiva passa a ser de 800 unidades/mês.
Com base nessas informações, indique os valores docusto meta e do custo padrão 
dessa empresa.
Solução:
Custo meta = Preço de venda – Lucro desejado
Custo meta = R$ 50,00 – R$ 10,00
Custo meta = R$ 40,00/unidade
Custo padrão (CP) = 
Custo�de�produção� folha /mês�
Produção/mês
� �
CPHoje = 
R$� 00/mês�
�unidades/mês
10 000
320
. ,
 = R$ 31,25/unidade
CPTreinamento = 
R$� ,00/mês�
�unidades/mês
10 000
500
.
 = R$ 20,00/unidade
CPTécnico = 
R$� 00/mês�
�unidades/mês
10 000
1 000
. ,
.
 = R$ 10,00/unidade
Resposta:
O custo meta é de R$ 40,00 por unidade.
O custo padrão corrente é de R$ 31,25 por unidade.
O custo padrão ideal daqui a seis meses com treinamento é de R$ 20,00 por unidade.
O custo padrão ideal daqui a quatro anos com curso técnico é de R$ 10,00 por unidade.
146 Gestão e controle de custos
Ao analisar a resposta obtida no exemplo, se o valor do custo pa-
drão fosse maior do que R$ 40,00 por unidade (valor do custo meta), o 
projeto teria sido classificado como inviável. Mas, como o valor padrão 
corrente foi de R$ 31,25, além de ser viável, o projeto ainda apresentou 
um lucro extra de R$ 8,75 por unidade. Agora, ser forem consideradas 
as possibilidades de melhorias, no médio prazo, o custo padrão corren-
te pode ser alterado para R$ 20,00 por unidade (custo ideal para daqui 
a seis meses) e, no longo prazo, para R$ 10,00 por unidade (custo ideal 
para daqui a quatro anos) 8 . Portanto, o custo meta é o custo máximo 
a que uma empresa pode chegar para continuar no mercado, já o cus-
to padrão é o custo mínimo a que uma empresa pode chegar se for 
eficiente na gestão de seus gastos.
Uma vez estabelecido o valor do custo padrão, aprovado o projeto e 
iniciada a fase de produção, tem-se a necessidade da contabilização do 
custo real. O custo real de um produto basicamente implica duas fa-
ses. Primeiramente, há a mensuração de todos os gastos incorridos no 
período da análise e, na sequência, há a apropriação desses dispêndios 
aos produtos movimentados. Para tanto, a contabilidade dispõe de mé-
todos de custeio para cumprir essa tarefa, os quais, segundo Martins 
e Rocha (2015), são: custeio por absorção (parcial, parcial modificado, 
pleno), custeio com base em atividades e custeio variável.
Uma empresa pode se valer de um ou mais critérios de custeio, tudo 
depende de suas necessidades informacionais. E, encerrando a linha 
lógica, cujo elemento de base é o planejamento estratégico, tem-se que 
o custo padrão precisa ser confrontado com o valor obtido no custo 
real – em verdade, esse é o objetivo essencial do custo padrão. Caso o 
valor do custo real supere o valor do custo padrão, medidas corretivas 
precisam ser aplicadas para que o custo real retorne ao valor estabele-
cido como adequado. Caso contrário, todo o cenário estabelecido nas 
análises de viabilidade elaboradas pelos gestores estará comprometi-
do e a própria continuidade da empresa estará em risco.
O custo real é o valor que informa a realidade dos dispêndios de uma 
empresa dentro do período de análise. Ele permite comparar se a gestão 
de custos da entidade está operando abaixo do valor máximo permitido 
(respeitando o limite do custo meta), se está sendo eficiente (operando 
dentro do custo padrão corrente) e, obviamente, se está buscando apri-
moramento contínuo (se aproximando do custo padrão ideal).
Obviamente, esse exemplo 
tem vários problemas se for 
comparado com o mundo real. 
Entre outros, ele não considera 
gasto algum além da folha de 
pagamento, o volume de venda 
não interfere na determinação 
do lucro desejado por unidade 
e a folha não sofre alterações 
com a qualificação da equipe. 
Todavia, isso não compromete 
seu objetivo, que é apresentar a 
lógica dos conceitos estudados. 
Desse modo, se todos os pro-
blemas citados fossem sanados, 
a única coisa que mudaria é 
que a complexidade gerada 
com elementos que não são 
objeto do estudo dificultaria o 
entendimento do que realmente 
importa, isto é, o entendimento 
do que significa custo meta e 
padrão (corrente e ideal).
8
Os Capítulos 3, 4 e 6 da 
obra Métodos de custeios 
comparados: custos e 
margens analisados sob 
diferentes perspectivas 
apresentam de maneira 
clara, respectivamente, 
os conceitos sobre custos 
fixos e variáveis, custos 
diretos e indiretos e, por 
fim, o custeio variável. 
Uma leitura obrigatória 
para quem deseja aplicar 
com segurança as análise 
do custo-volume-lucro.
MARTINS, E.; ROCHA. W. 2 ed. São 
Paulo: Atlas, 2015.
Livro
Custos para planejamento e controle 147
Antes de encerrar, deixando agora de lado o cenário do planeja-
mento estratégico, convém expor o alerta de Martins (2003, p. 316-317) 
de que um dos maiores erros que uma pessoa pode cometer ao discur-
sar sobre custo padrão é defender que esse substitui a necessidade da 
contabilização do custo real. Nesse sentido, o autor destaca:
Custo-padrão não é uma outra forma, método ou critério de con-
tabilização de custos (como Absorção e Variável), mas sim uma 
técnica auxiliar. Não é uma alternativa, mas sim um coadjuvante. 
A instalação do Custo-padrão não significa a eliminação de Cus-
tos a Valores Reais Incorridos (Custo Real); pelo contrário, só se 
torna eficaz na medida em que exista um Custo Real, para se 
extrair, da comparação de ambos, as divergências existentes.
Por fim, cabe ressaltar que sem o custo padrão corrente, os indica-
dores gerenciais que foram citados neste capítulo – MC, PE, GCR, MS e 
GAO – não seriam possíveis de serem elaborados com um nível míni-
mo de segurança. Sem esse artefato contábil, faltariam dados sólidos 
quanto aos valores de gastos fixos e variáveis que deveriam ser consi-
derados como adequados nos inúmeros cálculos feitos nesses indica-
dores, uma dúvida que estaria presente tanto nas análises correntes 
(as de curto prazo) quanto nas simulações de médio e longo prazo. Algo 
impensável para a rotina de uma empresa em mundo cada vez mais 
globalizado e competitivo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, foram abordados os indicadores analíticos que emer-
gem do critério contábil conhecido como custeio variável ou direto. O custeio 
variável é um procedimento destinado à separação dos gastos em elemen-
tos fixos e variáveis, com a apropriação desses últimos aos produtos comer-
cializados pela empresa. No desenvolvimento da pauta, foi utilizada uma 
percepção mais flexível do método, isto é, uma percepção mais próxima 
da corrente gerencial. As análises feitas ocorreram em função do cenário 
conhecido como custo-volume-lucro, no qual tem-se o estudo sobre como o 
volume das vendas pode impactar o resultado dos custos e, consequente-
mente, o valor do lucro do período analisado.
Nesse sentido, foram abordadas e explicadas as condições de equilíbrio 
(ponto de equilíbrio) e desequilíbrio (lucro e prejuízo). Tendo em vista esse 
ponto, foram estudados indicadores de margem de segurança, grau de com-
prometimento da receita e grau de alavancagem operacional. No desenvol-
vimento de cada um desses indicadores, suas respectivas fórmulas foram 
148 Gestão e controle de custos
desmembradas segundo suas essências e reestruturadas nas diferentes for-
mas que costumam ser abordadas. Esse procedimento buscou desmistificar 
a visão equivocada que infelizmente muitos alunos têm de que um mesmo 
indicador pode ser calculado por diferentes fórmulas e, desse modo, para um 
mesmo cenário, gerar diferentes valores conforme a fórmula usada. Por fim, 
na última seção, buscou-se uma reflexão sobre a importância da contabilida-
de no processo de geração desses indicadores, considerando a relevância da 
presença dos custos meta, padrão (corrente e ideal) e real.
REFERÊNCIAS
CHEROBIM, A. P. M. S. LEMES JR., A. B.; RIGO, C. M. Administração financeira: princípios, 
fundamentos e práticas brasileiras – aplicações e casos nacionais. 3. ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2010.
GOLDRATT, E. M.; COX, J. A meta: um processo de aprimoramento contínuo. 39. ed. São 
Paulo: Educator, 1997.
MANKIW, N. G. Princípios de microeconomia. São Paulo: Cengage Learning, 2013.MARION, J.C.; RIBEIRO, O. M. Introdução à contabilidade gerencial. São Paulo: Saraiva, 2011.
MARION, J. C. Contabilidade empresarial: instrumentos de análise, gerência e decisão. 
18. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
MARTINS, E.; ROCHA, W. Métodos de custeios comparados. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
PADOVEZE, C. L. Controladoria básica. 2 ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
PINDYCK, R.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 8 ed. São Paulo: Pearson Education do 
Brasil, 2013.
SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. Custos empresariais. Curitiba: InterSaberes, 2016.
SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Decisões financeira e análises de investimentos. 6. ed. São Paulo: 
Atlas, 2008.
GABARITO
1. 1º passo: Aplicar a fórmula do GCR.
GCR = 
Receita��
Receita�
Equilíbrio
Planejada
�= 
R�
R�
E
P
2º passo: Encontrar o valor das receitas (R = preço × quantidade).
GCR = 
R�
R�
E
P
�= 
P� �Q�
P �Q�
E
P
⋅
⋅
 = R$�12,50� �15.200
R$�12,50� �42.222
⋅
⋅
3º passo: Obter o valor do GCR.
GCR = R
R
$� . ,
$ � . ,
190 000 00
527 772 00
 = 0,36 = 36%
O grau de comprometimento da receita é de 36%.
Custos para planejamento e controle 149
2. Existem três possibilidades de cálculo para a margem de segurança (MS):
a. MS = 
R� R�
R�
P E
P
−
b. MS = Q� �Q�
�Q�
P E
P
�−
c. MS = 
MC� �� ��Q� GF
MC� ��Q�
u P
u P
�� � � �
���� �
� �
�
Contudo, a que atende melhor ao enunciado é a alternativa c. Desse modo:
MS = MC� � Q� GF
MC� �Q�
R$� � � Ru P
u P
� �
�
�
� � �� � � �
�� �
� �
, � $� .50 00 8 000 125 0000 00
50 00 8 000
, �
, �R$� � �
 ∴
MS = R$ � � R
R$ �
400 000 00 125 000 00
400 000 00
. , � $� . , �
. ,
−
 = R
R$ �
$� . , �
. ,
275 000 00
400 000 00
 = 0,675 = 67,75%
3. Considerando que existem três possibilidades de cálculo para o GAO:
a. GAO = 
�����
L
��L�
��� �� ������
R�
��R�
��� �� ��
�
��
��
2
1
2
1
1
1
−
−
b. GAO = 
Q
�Q �PE
1
1−
 , ou seja, GAO = MS −1
c. GAO = 
Q � �MC
Q �� �MC� ��GF
P
P
�.�
.� −
A que atende melhor ao enunciado é a alternativa b. Desse modo:
GAO = MS − 1 = 
1
1�MS �
�= 
1
42� %
�= 
1
0 42� , 
≅ 2,38 ∴
Nesse cenário de MS, o GAO é de 2,38. Isso implica que, a cada variação de 1% no valor 
de venda, a variação no valor do lucro será de 2,38%.
Provavelmente, você já deve ter escutado que é preciso cortar 
os custos para continuar operando. Mas será que essa linha de 
raciocínio, tão comum no mercado, é a abordagem correta? 
Este livro tenta responder a essa questão, apresentando uma 
reflexão sobre aspectos teóricos e práticos da gestão de custos, 
esmiuçando a essência do que vem a ser esse processo.
Você vai entender a importância da contabilidade para 
a gestão de custos e a necessidade de compreender as 
terminologias que identificam os gastos de uma empresa, além 
de conhecer os métodos de apropriação dos custos e a lógica 
contábil utilizada para o acúmulo dos gastos operacionais. 
Desse modo, você será capaz de compreender dois momentos 
distintos no processo de gestão de custos: a percepção contábil 
financeira e a percepção contábil gerencial e, assim, ter um 
olhar mais sistêmico sobre o processo de gestão de custos.
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Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6576-9
9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 7 6 9
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