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Provavelmente, você já deve ter escutado que é preciso cortar os custos para continuar operando. Mas será que essa linha de raciocínio, tão comum no mercado, é a abordagem correta? Este livro tenta responder a essa questão, apresentando uma reflexão sobre aspectos teóricos e práticos da gestão de custos, esmiuçando a essência do que vem a ser esse processo. Você vai entender a importância da contabilidade para a gestão de custos e a necessidade de compreender as terminologias que identificam os gastos de uma empresa, além de conhecer os métodos de apropriação dos custos e a lógica contábil utilizada para o acúmulo dos gastos operacionais. Desse modo, você será capaz de compreender dois momentos distintos no processo de gestão de custos: a percepção contábil financeira e a percepção contábil gerencial e, assim, ter um olhar mais sistêmico sobre o processo de gestão de custos. G ESTà O E C O N TRO LE D E C USTO S ERN A N I JO à O SILVA | G UILH ERM E TEO D O RO G A RBREC H T Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6576-9 9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 7 6 9 Código Logístico 59145 Gestão e controle de custos Ernani João Silva Guilherme Teodoro Garbrecht IESDE BRASIL 2020 CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ S579g Silva, Ernani João Gestão e controle de custos / Ernani João Silva, Guilherme Teodoro Garbrecht. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 150 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6576-9 1. Contabilidade de custo. 2. Contabilidade gerencial. I. Garbrecht, Guilherme Teodoro. II. Título. 20-62467 CDD: 657.42 CDU: 657.4 Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Sergey Nivens/Khongtham/Shutterstock Mestre em Contabilidade Gerencial e Finanças, especialista em Auditoria Integral e bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Técnico em Processamento de Dados pela Organização Paranaense de Ensino Técnico (Opet) e técnico em Química pelo Instituto Politécnico Estadual do Paraná (IPE-PR). Atua no mercado como consultor empresarial sobre gestão econômica e financeira, como professor de graduação e pós-graduação em cursos presenciais e a distância e, também, como professor de cursos para concursos públicos. Dentre outras cadeiras acadêmicas ministradas no ensino superior, destacam--se: Matemática, Estatística, Modelagem e Análise de Dados, Administração, Custos, Economia, Controladoria e Auditoria Interna. Como autor, tem dois livros publicados: Custos empresariais: uma visão sistêmica do processo de gestão em uma empresa e Uma reflexão introdutória sobre o Brasil e sua formação econômica. Mestre pelo programa de Contabilidade Gerencial e Finanças da Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Controladoria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em Ciências Contábeis pela Fundação Educacional Machado de Assis. Atua como professor de graduação nas modalidades presencial e a distância nos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Comércio Exterior e Economia. Como professor de ensino superior, ministrou as disciplinas de: Contabilidade Financeira e Societária, Contabilidade Internacional, Técnicas Avançadas de Custos, Gestão Financeira e Controladoria, Análise de Demonstrações Contábeis, dentre outras. Coautor do livro Custos empresariais: uma visão sistêmica do processo de gestão em uma empresa. É autor, também, de artigos científicos publicados em congressos e revistas científicas na área de contabilidade financeira e gerencial. Há mais de 20 anos atua em empresas nas áreas de contabilidade e controladoria. Ernani João Silva Guilherme Teodoro Garbrecht SUMÁRIO 1 A contabilidade e o processo de gestão de custos 9 1.1 Importância da contabilidade 9 1.2 Informação contábil no processo de gestão 12 1.3 Terminologias aplicadas nos custos 15 1.4 Uma visão sistêmica da gestão e do controle dos custos 19 2 Introdução aos sistemas de apropriação de custos 24 2.1 Custeio por absorção 24 2.2 Custeio baseado em atividades 30 2.3 Custeio variável 37 2.4 Sistemas de acumulação de custos 41 3 Custeio por absorção 47 3.1 Materiais diretos e mão de obra direta 47 3.2 Custos indiretos 53 3.3 Rateio: centro de custo 58 3.4 Aplicação: análise e formação de preço de venda 63 4 Sistemas de controle de estoque 73 4.1 Controle de estoque 73 4.2 Custo médio ponderado móvel 77 4.3 Custo médio ponderado fixo e PEPS 84 4.4 Preço específico e UEPS 91 5 Análise de custo para tomada de decisão 98 5.1 Gastos fixos 99 5.2 Gastos variáveis 101 5.3 Margem de contribuição 107 5.4 Ponto de equilíbrio: quantidade e preço de venda 112 6 Custos para planejamento e controle 122 6.1 Grau de comprometimento da receita 122 6.2 Margem de segurança 129 6.3 Alavancagem operacional 134 6.4 Custo meta, custo padrão e custo real 141 “Precisamos cortar os custos para continuarmos operando!” Provavelmente, você já deve ter escutado essa afirmação; se ainda não ouviu, acredite, você vai escutar... Muito! Mas será que essa linha de raciocínio, tão comum no mercado, é a abordagem correta? Este livro tenta responder a essa questão. Em seis capítulos, é apresentada uma reflexão sobre aspectos teóricos e práticos da gestão de custos, esmiuçando a essência do que vem a ser esse processo. No primeiro capítulo, apresenta-se a importância da contabilidade para a gestão de custos e a necessidade de compreender as terminologias que identificam os gastos de uma empresa. O segundo capítulo traz uma visão geral das três formas de custeio (isto é, dos métodos de apropriação dos custos) e da lógica contábil utilizada para o acúmulo dos gastos operacionais. Assim, com esses dois capítulos de base, tem-se, na sequência, a divisão do livro em dois momentos distintos no processo de gestão de custos: a percepção contábil financeira e a percepção contábil gerencial. A percepção contábil financeira é abordada no terceiro e no quarto capítulos. Nesse momento, ocorre, respectivamente, a análise dos gastos segundo a ótica do custeio por absorção e o impacto desse procedimento analítico no sistema de estoques da empresa. Já a percepção contábil gerencial, no quinto capítulo, ocupa-se em apresentar as consequências analíticas básicas do custeio gerencial. Posteriormente, no sexto capítulo, são expostas as suas ramificações matemáticas e econômicas por um olhar mais sistêmico sobre o processo de gestão dos custos. Sem querer adiantar nada (mas já antecipando), ao terminar o estudo deste livro e refletir um pouco, você encontrará a resposta da pergunta feita inicialmente nesta apresentação: uma empresa precisa ter custos para operar, o que ela não pode ter são desperdícios. Sendo assim, para continuar operando, uma empresa não deve ter como foco o corte de gastos no processo de gestão de custos, mas sim a eliminação das ineficiências. Boa leitura e muito sucesso! APRESENTAÇÃO A contabilidade e o processo de gestão de custos 9 Não é possível falar em gestão de custos sem falar em contabi- lidade de custo. Na verdade, é possível dizer que a contabilidade é o alicerce que sustenta a gestão de custos. O objetivo deste capí- tulo é explicar o motivo dessa conexão entre essas duas áreas do conhecimento humano, apresentar algumas expressões contábeis que são essências para o entendimento da gestão dos custos e, por fim, ilustrar como os artefatos contábeis interagem entre si e geram informação qualificada para o processo decisório e para a análise dos custos de uma empresa. A contabilidadee o processo de gestão de custos 1 1.1 Importância da contabilidade Vídeo De acordo com Hendriksen e Van Breda (2010, p. 39), apesar de a história primitiva da contabilidade se confundir com a própria história da humanidade, em seu conceito moderno, “a contabilidade é um produto do renascimento italiano”. Inicialmente, seu objetivo era fornecer infor- mações para o proprietário de um empreendimento – o termo proprie- tário no singular está correto, pois, no fim do século XV, um investimento comercial normalmente tinha apenas um dono, que também respondia como administrador. Assim, a contabilidade não era algo tão comple- xo até esse momento. O usuário dos números contábeis (o dono/ges- tor) detinha profundo conhecimento sobre cada operação registrada. O lucro era reconhecido contabilmente apenas ao término de cada ciclo operacional (compra, pagamento, venda e recebimento). Além disso, os ciclos operacionais eram apenas de curto prazo. Com a Era dos Descobrimentos – entre fim do século XV e o início do século XVII –, ocorre o deslocamento do centro comercial da Itália para as duas grandes nações exploradoras da época: Espanha e Portu- 10 Gestão e controle de custos gal. Foi nesse momento que surgiram os investimentos de longo prazo de capital conjunto. Uma viagem marítima à Índia, à África ou ao Novo mundo (Américas), como ressaltam Hendriksen e Van Breda (2010), exigia um volume expressivo de capital, o qual era obtido somente por meio de inúmeros investidores – por isso o termo capital conjunto. Cada investidor tinha como direito uma participação sobre o resultado final dessa aventura comercial marítima, proporcional ao capital que investiu para a realização da viagem. Apesar de certo aumento na com- plexidade do registro dos eventos, a contabilidade ainda era simples no que dizia respeito à apuração do resultado final, pois seu cálculo apenas ocorria ao término de toda a operação, com base, portanto, no confronto entre custos já incorridos e receitas já obtidas. E assim se manteve até o século XIX. Entre 1494 e 1800, a contabilidade precisava se preocupar em pres- tar informações a diferentes usuários, que, ao contrário do que ocorria com os investidores italianos, não estavam cientes de todos os eventos citados nos registros contábeis. Esses novos usuários precisavam to- mar decisões sobre seus investimentos pensando em cenários de lon- go prazo – precisavam considerar o tempo para preparar a viagem, ir a terras distantes, adquirir ativos, voltar ao Velho Mundo e vender esses ativos, por exemplo. Além disso, precisavam levar em consideração o alto risco envolvido nessa operação, como o risco de naufrágios por mau tempo ou por ataques de piratas. Segundo Hendriksen e Van Bre- da (2010), apesar desse cenário de vários usuários, altos riscos e maior tempo nos investimentos, a contabilidade, para alguns estudiosos, não teve um desenvolvimento substancial nesse período, o que levou essa fase a ser conhecida como a época da estagnação. É importante ressal- tar, no entanto, que isso não é consenso na academia. Com a Revolução Industrial inglesa – entre o final do século XVIII e meados do século XIX – e a expansão da industrialização nos EUA – entre o século XIX e início do século XX –, tem-se o fim do período da estagnação contábil, dadas as novas necessidades informacionais dos usuários contábeis. Hendriksen e Van Breda (2010, p. 47, grifos nossos) explicam que, dentre outros itens, o advento do sistema fabril e da produção em massa resultou na transformação de ativos fixos em custo significativo do processo de produção e distribuição, tornando o conceito de depreciação mais importante. À medida que aumentava a necessidade de A contabilidade e o processo de gestão de custos 11 informação gerencial sobre os custos de produção e os custos a serem atribuídos à avaliação de estoques, o mesmo acontecia com a necessidade de sistemas de contabilidade de custos. [...] a separação entre investidor e administrador significou que um dos principais objetivos da contabilidade passou a ser a elabora- ção de relatórios a proprietários ausentes. Conforme mencionam os autores, a partir do século XIX, a contabili- dade reconheceu a existência dos grupos distintos de usuários: o inter- no (os administradores de uma empresa) e o externo (os investidores/ capitalistas ausentes). O primeiro grupo demandava da contabilidade informações úteis – principalmente sobre custos de estoque e de pro- dução – para qualificar decisões que tomariam sobre a continuidade da empresa. Já o segundo visava obter, nos relatórios contábeis, informa- ções sobre o retorno dos investimentos já feitos na empresa, de modo a decidir se manteriam e/ou iniciariam investimentos com a entidade contabilizada. Dado esse fato, como aponta Padoveze (2009), a contabi- lidade, para atender adequadamente a tais demandas informacionais, precisou se dividir em duas linhas distintas: contabilidade financeira (destinada aos usuários externos) e contabilidade gerencial (desti- nada aos usuários internos). A contabilidade gerencial representaria a essência da escola contábil italiana (focada na necessidade adminis- trativa), e a contabilidade financeira, a da escola americana (focada na necessidade dos capitalistas/investidores). Atualmente, as informações contábeis gerencial e financeira, segun- do Atkinson et al. (2019), são facilmente diferenciadas entre si, consi- derando os atributos que precisam possuir para atingir seus objetivos como provedoras de informações qualificadas à sua audiência. Nesse sentido, a contabilidade financeira tem as seguintes características: 1. É retrospectiva ao relatar e resumir em termos financeiros os resultados de decisões e transações anteriores. 2. É principalmente orientada aos stakeholders externos, como investidores, financiadores, reguladores e autoridades de impostos. 3. Deve ser consistente com as normas formuladas por emisso- res de padrões, como o Financial Accounting Standards Board (FASB) nos Estados Unidos e o International Accounting Stan- dards Board (IASB). (ATKINSON et al., 2019, p. 3, grifos nossos) Por outro lado, a informação contábil gerencial tem os seguintes atributos: stakeholders: partes/pessoas interessadas. Glossário 12 Gestão e controle de custos 1. É retrospectiva ao fornecer feedback sobre operações anterio- res e também prospectiva, ao incorporar previsões e estimati- vas sobre eventos futuros. [...] utiliza medidas financeiras e não financeiras. 2. Está orientada para atender às necessidades de tomada de deci- são de funcionários e gerentes das organizações. 3. Nenhum órgão de padronização ou regulador influencia es- pecificamente o projeto da informação contábil gerencial e dos sistemas. (ATKINSON et al., 2019, p. 3, grifos nossos) A contabilidade financeira é mais rígida em suas normas de lança- mentos e tem uma função mais histórico-informativa; já a contabilidade gerencial é mais flexível e tem uma função mais prospectiva, podendo, aliás, ser customizada de acordo com as necessidades dos usuários in- ternos. Embora a informação contábil seja fruto do rigor dos atributos financeiros ou da customização gerencial, o que realmente importa é que ela provém de uma ciência que se destaca no mundo dos negó- cios por ser, segundo Marion (2018, p. 4), “o instrumento que fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa”. Desse modo, a contabilidade se apresenta por ter sido forjada e testada desde os primórdios da história comercial da humanidade no que diz respeito às tarefas que envolvem identificar eventos relevantes às necessidades dos usuários; coletar, mensurar e padronizar adequadamente os dados impactantes desses eventos; e, por fim, processar e sumarizar esses dados gerando informações úteis às partes interessadas. 1.2 Informação contábil no processo de gestão Vídeo Sinteticamente, um processo de gestão de uma empresa é consti- tuído por três eventos,conforme podemos observar na Figura 1. Figura 1 Ciclo sintético de um processo de gestão Execução e controle Planejamento estratégico Planejamento operacional Fonte: Elaborada pelos autores com base em Crepaldi e Crepaldi, 2017, e Nascimento e Reginato, 2013. Tendo como base o caráter amplo e sistêmico da gestão de custos de uma empresa, é possível considerar sua existência sem a presença da contabilidade? Atividade 1 A contabilidade e o processo de gestão de custos 13 Na fase de planejamento, existem as etapas das decisões estratégicas e operacionais. O planejamento estratégico consiste em decisões que são tomadas pela alta administração de modo a garantir a continuidade da empresa no longo prazo. Envolve, dentre outras questões, lançamen- tos de novos produtos, abertura de filiais, expansão ou redução de uni- dades produtivas etc., tudo alicerçado nos valores, na missão e na visão da empresa. Já o planejamento operacional é a fase na qual a equipe gerencial estabelece os elementos concretos que irão balizar a execução do planejamento estratégico. Nesse momento, tem-se, resumidamente, as seguintes etapas: (i) avaliações econômico-financeiras das propostas que atendem às diretrizes estratégicas; (ii) elaboração da estrutura orça- mentária da proposta aprovada como viável; e (iii) estabelecimento do cronograma de execução proposta aprovado e orçado. A segunda fase desse ciclo, a qual se inicia com o processo de execu- ção, consiste em colocar em prática as ações definidas no planejamen- to operacional segundo as diretrizes presentes no plano orçamentário e no cronograma aprovado. Já o processo de controle, efetivado pela controladoria e testado pela auditoria interna, deve apurar se o que foi estabelecido nas etapas de planejamento está sendo cumprido e acom- panhado adequadamente – quantidades, datas, valores, resultados etc. Quando o controle constata que a execução está ocorrendo se- gundo as diretrizes do planejamento estratégico e operacional, diz-se que a execução está em conformidade. Do contrário, a execução é identificada como em não conformidade e se faz necessário realizar tanto medidas corretivas (destinadas a realinhar a execução ao plane- jamento) como preventivas (destinadas a evitar novas ocorrências de não conformidade de mesma natureza). Em virtude de sua expressi- va relevância para o sucesso de uma empresa, o processo de controle continuamente emite feedbacks das atividades em execução (simboliza- dos pelas setas tracejadas da Figura 1) para todas as áreas envolvidas, sejam elas das fases do planejamento ou da execução, o que, por sua vez, permite a qualificação de novos planejamentos, reiniciando, assim, o ciclo empresarial da gestão. A importância da informação contábil nesse cenário é inquestioná- vel. Na fase do planejamento estratégico, o foco é o futuro da empresa; para defini-lo, a alta administração precisa de informações de dife- rentes naturezas – como as econômico-financeiras. Definir objetivos a serem alcançados no futuro impõe a necessidade de saber, antes de 14 Gestão e controle de custos tudo, a situação atual da entidade – patrimônio, rentabilidade, lucra- tividade etc. – e entender como as decisões do passado conduziram a empresa até aquele momento. A contabilidade financeira é a guardiã desses dados por meio de seus relatórios contábeis – Balanço Patrimo- nial (BP), Demonstração do Resultado (DR), Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC), Demonstrativo de Valor Agregado (DVA) etc. Na fase do planejamento operacional, a vertente gerencial da con- tabilidade se destaca no processo de constituição do plano orçamentá- rio, no qual se tem a geração das informações contábeis prospectivas, que, segundo Nascimento e Reginato (2013), seriam, para uma fábrica, por exemplo: Orçamento de vendas Orçamento de produção Orçamento dos custos de produção Orçamento de estoque de produtos acabados Orçamento dos custos dos produtos vendidos Orçamento das despesas operacionais Orçamento da demonstração de resultado Orçamento das demonstrações contábeis consolidadas Na fase da execução, a contabilidade é a área responsável por men- surar as atividades e a produção da entidade, expressão do fruto de suas coletas em termos monetários. Desse modo, tornando possível a comparação entre o plano orçado e o que efetivamente foi executado, possibilita-se o controle dos gastos de uma entidade. Portanto, de maneira bem sintética, é possível concluir que as decisões gerenciais tomadas em uma empresa buscam garantir a continuidade da entidade, tanto no curto quanto no longo prazo. Com esse foco, os gestores almejam tomar decisões que tornem A contabilidade e o processo de gestão de custos 15 seus produtos mais competitivos (investimentos em pesquisas e de- senvolvimento – P&D), que ampliem a participação da empresa no mercado (investimentos em divulgação e distribuição), que maximi- ze os ganhos dos donos (investimentos em programas para redução de desperdícios) etc. As decisões pensadas em uma empresa necessitam de informações qualificadas tanto na fase ex-ante (antes de a decisão ser tomada) quan- to na fase ex-post (após a decisão ser tomada) e, nesse sentido, a fonte mais confiável de informações é a contabilidade. Dentre as inúmeras informações disponibilizadas por ela, aquelas que tratam dos gastos da empresa certamente se destacam no processo de gestão. 1.3 Terminologias aplicadas nos custos Vídeo A contabilidade, na condição de linguagem dos negócios, impõe aos seus usuários a necessidade de um conhecimento mínimo sobre sua escrita. E a área de custo, considerada uma extensão da contabilidade, igualmente exige que certas terminologias sejam conhecidas. Assim, usaremos Martins (2010) para definir os seguintes termos: gasto, paga- mento, investimento, custo, despesa e perda. 1.3.1 Gasto Para a contabilidade, gasto é um sacrifício financeiro em que se in- corre para a aquisição de bem ou serviço mediante a efetiva entrega (ou promessa de entrega) de um ativo, isto é, de um bem ou direito. Desse modo, quando alguém compra um televisor, seja na condição à vista ou a prazo, isso constitui um gasto; da mesma forma, quando al- guém vai ao salão de beleza para ter o cabelo cortado, seja na condição à vista ou a prazo, isso também representa um gasto. Na contabilidade, reconhecer que um gasto ocorreu em uma em- presa requer provas documentais. Esses documentos precisam indicar que aconteceu a transferência da propriedade do bem e/ou serviço para a empresa mediante ou pelo reconhecimento de que há uma dí- vida a ser paga (promessa de pagamento) ou pelo efetivo pagamento 16 Gestão e controle de custos dessa mediante a baixa do ativo (pagamento efetuado). Logicamente, a baixa mais comum do ativo no reconhecimento de um gasto ocorre na conta do ativo disponível, a qual envolve caixa e equivalente a caixa. É valido ressaltar, porém, que essa não é a única forma, pois outras contas do ativo podem ser usadas com sacrifício. Por fim, resta dizer que investimentos, custos e despesas, por serem sacrifícios voluntários para aquisição de algo, também são gastos, toda- via não são perdas, mas isso ficará mais claro nas próximas subseções. 1.3.2 Pagamento Desembolso ou pagamento nada mais é do que a efetivação do sacrifício financeiro assumido na realização do gasto. Ele pode ocor- rer em três momentos distintos em relação à entrega do bem ou serviço: antes, durante e depois. Por exemplo, quando alguém com- pra um bem pela internet à vista (livro, roupa etc.), a entrega do produto pode levar alguns dias (ou mesmo semanas) para ocorrer, e isso é um caso de desembolso realizado antes. Quando o paga- mento ocorre no ato do recebimento do bem ou serviço, trata-se de um caso de desembolso realizado durante. Um bom exemplo desse tipo de desembolso é a compra de um sanduíche em um fast food realizada com dinheiro em espécie (notas e/ou moedas) ou por meio do cartão de débito 1 . Por fim, compras aprazo são, logicamente, ca- sos de desembolso realizado depois. Podemos citar, por exemplo, a compra de um televisor dividida em dez vezes com primeira parcela para daqui um mês. Talvez o mais importante aqui seja entender que, mesmo que algo ainda não tenha sido pago, o simples fato de ter sido assumido o com- promisso de pagamento já caracteriza a operação como gasto. Assim, não tem sentido lógico frases como “não gastei nada, porque parcelei no cartão de crédito”. 1.3.3 Investimento Para a contabilidade, investimento é o gasto que foi reconhecido na conta do Ativo no Balanço Patrimonial. Por isso, investimento é reconhecido como um gasto ativado. A conta do Ativo representa, Algumas vezes, alunos argumentam que esse tipo de compra é antes, pois primeiro se realiza o pagamento para depois se obter o pedido. Nesse caso, devemos usar o bom senso, pois, segundo essa linha de raciocínio, qualquer diferença entre o desembolso e o recebimento do produto, por menor que seja (segundos, milésimos de segundos etc.), será um caso de antes ou depois. Portanto, conforme a escala temporal utilizada, nunca existirá caso de desembolso durante. Assim, para fins práticos, fica acordado que casos de diferença de poucos minutos ainda valem como desembolso realizado durante o recebimento do produto ou serviço. 1 A contabilidade e o processo de gestão de custos 17 em unidade monetária, todos os bens e direitos que uma empresa detém, como estoques, máquinas, prédios, direito de uso de marcas etc. Desse modo, o ativo de uma empresa representa o capital que ela investiu para poder operar. O capital ali reconhecido foi obtido mediante compromissos assumidos com terceiros (fornecedores, bancos etc.) e com os donos da empresa (segundo a percepção de distinção das entidades 2 ). Portanto, segundo a teoria aqui apresen- tada, é um gasto. Os investimentos de uma empresa, estando todos reconhecidos no ativo, somente são reduzidos quando são baixados (vendidos, consu- midos etc.) ou amortizados (depreciação de uma máquina, desvaloriza- ção de uma marca etc.). 1.3.4 Custo O gasto que ocorre na produção de um produto (bem e/ou serviço) é denominado custo. Portanto, custo trata-se de um sacrifício financei- ro no qual a empresa precisa incorrer para produzir um produto, o que implica falar em consumo/utilização de bens e/ou serviços para obtenção de outros bens e/ou serviços. Por exemplo, consumir tecido (bem) e utilizar o conhecimento de um alfaiate (serviço) para produzir um terno (bem). Os custos podem ser classificados de diferentes maneiras, depen- dendo do tipo de análise que se pretende realizar: fixos, semifixos, semivariáveis, variáveis, diretos, indiretos etc. A forma de classificar e analisar o custo gera informações distintas sobre o valor do estoque e, por isso, sobre o resultado de uma operação. Assim, a classifica- ção dos gastos de produção está condicionada ao tipo de contabili- dade utilizada: gerencial (usuários internos) ou financeira (usuários externos). 1.3.5 Despesa O objetivo de uma empresa é obter lucro, e o conceito matemático de lucro é o resultado econômico positivo obtido pela diferença entre receita e despesa. Desse modo: Segundo os princípios contábeis, a entidade empresa não deve se confundir com a entidade dono. Nesse sentido, sem maiores aprofundamentos teóricos, o lucro obtido pela empresa é o valor cobrado pelo dono por ele ter fornecido seu capital para a empresa realizar seus investimentos. Se não fosse assim, a empresa precisaria ter realizado mais compras a prazo com os fornecedores e obtido mais empréstimos com bancos. 2 18 Gestão e controle de custos Se: RE = R – D E: RE > 0 significa L Então: L = R – D, desde que R > D Em que: RE : resultado econômico R : receita D : despesa L : lucro Esse desenvolvimento matemático permite concluir que, sendo a receita um benefício para a empresa e a despesa um sacrifício, desse modo, a despesa, na definição contábil, é o gasto no qual se incorre para a obtenção de receita. Dado o desenvolvimento apresentado, Martins (2010) explica que o relatório contábil DR, por ser um confronto entre receita e despesas, não deveria, pelo menos no rigor da teoria, apresentar uma conta de Custo do Produto Vendido (CPV), no caso de uma indústria, ou de Custo da Mercadoria Vendida (CMV), no caso de um comércio. O mais corre- to no DR seria identificar essas duas contas como despesas, principal- mente no caso do CMV. No DR de um comércio, por exemplo, o CMV implica na mensuração de produtos que foram comprados para revenda (gasto), que foram estocados até serem vendidos (investimento) e que, posteriormente, quando vendidos, foram baixados do estoque como despesa. Em ou- tras palavras, não existe a fase de custo em um comércio, uma vez que o ativo adquirido para venda sequer passa perto de algo próximo de uma linha de produção nesse tipo de empresa. 1.3.6 Perda Tem-se, aqui, um caso de sacrifício financeiro não intencional, pois trata-se de uma ocorrência que não foi realizada objetivando a aqui- sição de um produto ou de uma receita. Não é um caso de custo e tampouco de despesa e, apesar de não ser uma despesa, ainda assim a perda é um valor que também é reconhecido no DR, visto que reduz o resultado econômico da empresa, sendo exemplos desses casos incên- dios, furtos, erros, greves etc. Tendo como base os preceitos classificatórios estudados na contabilidade de custo, apresente a sequência normal seguida pelo valor de um tecido comprado para confecção de camisetas. Atividade 2 A contabilidade e o processo de gestão de custos 19 Apesar da clara definição sobre o que é uma perda para a contabi- lidade, é necessário ter cuidado quanto ao uso dessa palavra em uma empresa, pois a diversidade de profissões pode resultar em conversas com sentidos ímpares. Por exemplo, é comum que a equipe técnica – engenheiros, químicos etc. – falem em “perdas” normais no uso de embalagens ou de produtos em um dia de trabalho. Para eles, perda normal é tudo aquilo que não virou produto final para venda porque foi descartado durante o ajuste do equipamento ou foi usado como amos- tra para testar a qualidade do que estava sendo produzido, dentre ou- tros motivos. O fato é que isso não representa perda para o registro da contabilidade, pois se essas ocorrências são algo que acontecem nor- malmente na produção, então elas devem ser classificadas, mensura- das e analisadas como um custo, pelo menos segundo a teoria contábil. Por fim, como explica Martins (2010), quando a soma das perdas é um valor muito pequeno – isto é, sem materialidade –, então, por uma questão prática, esse valor irrisório pode ser considerado no cálculo do custo do produto ou no registro das despesas, dada sua irrelevân- cia no resultado final. O livro Contabilidade de Custos, do Prof. Dr. Eliseu Martins, é uma obra pio- neira e ampla no estudo do custo. Sua primeira edição foi em 1978, e a décima, em 2010. Ainda é uma obra atual e de leitura obrigatória para todo aquele que deseja se aprofundar na conta- bilidade e no processo de gestão de custos, seja para fins acadêmicos ou de mercado. MARTINS, E. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Livro 1.4 Uma visão sistêmica da gestão e do controle dos custos Vídeo Quando alguém inicia sua jornada no mundo da gestão e do contro- le dos custos, é normal que surja certa dificuldade para entender como todos aqueles conhecimentos estão relacionados sistemicamente en- tre si. Assim sendo, esta seção busca apresentar resumidamente como esses artefatos contábeis se conectam gerando informações qualifica- das sobre os gastos de uma entidade. Para tanto, será utilizado o dia- grama presente na Figura 2. 1 2 1 2 3 2 4 Despesa Custo Investimento Receita Gasto Perda 1 2 34 Fonte: Elaborada pelos autores com base em Martins, 2010. Figura 2 Diagrama do fluxo de receita, gastos e perda 20 Gestão e controle de custos A Figura 2 apresentaas três operações que impactam na geração do resultado de uma empresa: receita, gasto e perda. As operações para obtenção de receita são aquelas que envolvem a venda dos bens e/ou serviços. A receita de uma empresa é obtida mediante o produto da multiplicação entre o preço médio de venda e a quantidade total vendi- da em certo período: Receita = quantidade × preço de venda. Segundo a teoria econômica, o preço de venda é o valor que o mercado acei- ta pagar para adquirir certa quantidade de produto por acreditar que esse valor pago é justo, considerado a utilidade que apresenta aquela quantidade de produto comprada. O retângulo das operações com gastos é subdividido em três pos- sibilidades: operações que geram despesas (sacrifícios para obtenção de receita); operações que geram custos (sacrifícios para produzir bens e/ou serviços) e operações que geram investimentos (gastos que preci- sam ser ativados para manter a empresa em operação, como é o caso de estoques e máquinas). Por fim, o retângulo denominado perda não envolve operações específicas, pois trata-se de sacrifícios incorridos de maneira involuntária. Portanto, como já foi estudado, não é custo, des- pesa e tampouco investimento. Além dos retângulos já citados, a Figura 2 também apresenta cír- culos com numeração de 1 a 4, que são conectores lógicos do fluxo. Iniciando com o retângulo das operações que devem gerar despesas, tem-se que dele saem duas flechas, uma para o conector 1 e outra para o conector 2. Se tudo der certo, as operações realizadas irão se conec- tar com o retângulo das receitas mediante o conector 1, o que significa que não importa se a venda será ou não concretizada, o importante é que foi reconhecido o esforço executado para a obtenção da receita, segundo as diretrizes da empresa (isto é, não ocorreu nenhuma ano- malia nas operações). Quanto à eficácia dessas operações, isso será de- terminado na apuração do resultado econômico no DR, consideradas efetivas se gerarem lucro ou se não gerarem prejuízo. A segunda possibilidade é que algo anormal ocorra nessas opera- ções e o sacrífico que está sendo efetuado para gerar receita, por um capricho do destino, também acabe por gerar uma perda. Isso significa que as operações estão sujeitas aos impactos de anomalias, ou, se pre- ferir, de imprevistos indesejados. Imagine o seguinte caso: um vende- dor completa o tanque de combustível do carro novo que a empresa No filme Moneyball: o ho- mem que mudou o jogo, Brad Pitt interpreta Billy Beane, o gerente geral de um time de futebol americano – um time que tem um orçamento muito restrito em comparação ao dos times do campeo- nato que disputa e, por isso, não consegue con- tratar grande jogadores e ser competitivo. Para contornar essa situação, o gerente busca novas estratégias para reduzir desperdícios e melhorar a eficiência do time. Um ótimo filme para entender a importância da gestão de custos de maneira sis- têmica e multidisciplinar. Direção: Bennett Miller. Produção: Michael De Luca Productions; Scott Rudin Productions. EUA: Columbia Pictures, 2011. Filme A contabilidade e o processo de gestão de custos 21 acabou de comprar. Ele sai para visitar os clientes, e o combustível no tanque, à medida que o carro se locomove, vai se tornando uma despe- sa – isso se nada anormal ocorrer. Agora, se uma pedra furar o tanque de combustível durante essa viagem e o vendedor não perceber isso, o vazamento definirá que a operação sendo realizada está gerando duas consequências. Uma parte do sacrifício está realmente gerando des- pesa e se conectando ao retângulo das receitas (conector 1), e a outra parte do sacrifício – em razão do vazamento – está deixando de ser despesa e está se conectando com ao retângulo da perda (conector 2). O segundo retângulo dos gastos é o das operações que devem ge- rar custos, pois objetivam gerar produtos para venda. Nele, observa-se um conector chegando do retângulo do investimento, o conector 4. Nessa etapa, ocorre que a linha de produção de uma empresa precisa receber insumos que estavam estocados para poder produzir o pro- duto que será vendido (por exemplo, matéria-prima, embalagens etc.). Todos esses itens são investimentos (gastos ativados) requisitados pela fábrica (operações que geram custos), e é por isso que há um conec- tor estabelecendo uma ligação saindo dos investimentos e chegando aos custos (conector 4). E, novamente, há dois conectores saindo: um conector para a perda (conector 2) e outro para o investimento (conec- tor 3). O conector 2, como mencionamos, significa que algo que deu errado, uma anomalia, e, por isso, parte do sacrifício ou todo ele está sendo conduzido para perda. O conector 3, por sua vez, mostra que o produto produzido pelas operações de custo da empresa vai para o estoque, portanto será ativado e estará disponibilizado lá no retângulo do investimento para ser vendido. O último retângulo, o dos investimentos, já foi, em grande parte, explicado nas linhas precedentes. Quando uma venda ocorre, tem-se o uso do conector de saída 1 que estabelece a conexão entre o inves- timento (saída) e as receitas (entrada). Finalmente, o conector 2 é a saída para perda em caso de anormalidades, e o conector de saída 4 é a saída de insumos para linhas de produção, que, como foi visto anteriormente, geram custos e representa o produto final que está disponível para venda. A leitura final que se pode extrair de todo esse contexto é que um processo de gestão de custos é algo extenso e sistêmico. É necessário considerar, no mínimo, se as operações que estão sendo realizadas: Considere o seguinte cenário: uma empresa compra 1.000 sacas de 50 kg de açúcar cristal com 98% de pureza. Desse total, a empresa revende a metade para uma fábrica de bolachas e refina o restante, obtendo açúcar refinado amorfo com aproximadamente 100% de pureza. Sabendo que essa empresa é muito eficiente, de modo que a única diferença que existe entre a entrada do açúcar cristal e a saída do açúcar refinado é a impureza, responda às questões tendo como base os preceitos classificatórios estudados na contabilidade de custo. a) Como devemos classificar o açúcar cristal? b) Como devemos classificar o açúcar refinado e as impurezas eliminadas? Atividade 3 22 Gestão e controle de custos • são realmente necessárias para agregar valor ao produto; • estão sendo eficazes e eficientes segundo as diretrizes da empresa; • estão sendo executadas de modo a mitigar as possibilidades de ocorrência de anomalias (acidentes e erros, dentre outros itens). Existem, logicamente, outras considerações que precisam ser feitas e muitos outros itens que precisam ser dominados – como custeios, ra- teios, precificações de estoques etc. –, mas, para esse primeiro contato, esses aspectos já são o bastante. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, foi estudada a relevância da contabilidade para a ges- tão dos custos de uma empresa. Inicialmente, foi trabalhada a compreen- são de que a própria contabilidade surgiu para gerar informações que possibilitassem ao gestor entender o passado e a condição presente de uma empresa. Posteriormente, estudamos a evolução da contabilidade para atender às demandas informacionais preditivas dos gestores, quan- do a Revolução Industrial trouxe a necessidade da elaboração de planos estratégicos e operacionais para garantir a continuidade das entidades geridas. Foi assim que surgiu a contabilidade de custo, como uma respos- ta para a fome de informação dos gestores. Hoje, ela é a base que alicerça o processo de gestão de custos de uma empresa por identificar, coletar, processar e apresentar todos os sacrifícios financeiros, com materialidade contábil, que aconteceram durante a realização de cada etapa das opera- ções da entidade. REFERÊNCIAS ATKINSON, A. A. et al. Contabilidade gerencial: informação para tomada de decisão e execução da estratégia. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2019. CREPALDI, S. A.; CREPALDI,G. S. Contabilidade Gerencial: teoria e prática. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017. HENDRIKSEN, E. S.; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. MARION, J. C. Contabilidade empresarial: instrumentos de análise, gerência e decisão. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2018. MARTINS, E. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010. NASCIMENTO, A. M.; REGINATO, L. Controladoria: um enfoque na eficácia organizacional. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2013. PADOVEZE, C. L. Controladoria básica. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009. A contabilidade e o processo de gestão de custos 23 GABARITO 1. Não. A própria gestão de custo surgiu em virtude do próprio processo evolutivo da contabilidade. Sem a base teórica das escolas contábeis italiana e americana, não teria surgido a contabilidade de custo – em sua vertente financeira e gerencial – e sem essa não existiria, consequentemente, a gestão de custos como é estudada e aplicada na gestão contemporânea. 2. • Adquirido, é apenas um gasto. • Estocado na empresa, é um investimento. • Utilizado na produção, é custo. • Transformado em uma camiseta e estocado, é novamente investimento. • Vendido, sua baixa no estoque é despesa. 3. a. Como devemos classificar o açúcar cristal? • Quando foram adquiridas as 1.000 sacas, elas eram apenas gasto. • Quando foram estocadas, se converteram em investimento. • Quando metade (500 sacas) foram revendidas, essas se tornaram despesa. • A outra metade (500 sacas), direcionadas para o refino, se tornaram custo. b. Como devemos classificar o açúcar refinado e as impurezas eliminadas? • As 500 sacas de açúcar cristal direcionadas para o refino, se tornaram custo. • As 500 sacas de açúcar cristal tinham 98% de pureza, portanto, apenas 490 sacas de açúcar refinado foram produzidas: 500 × 98% = 490. • As 490 sacas de açúcar refinado são produto final da empresa e, por isso, são enviadas para o estoque, se tonando investimento até serem vendidas. • As 10 sacas de impureza, por serem uma operação normal, são classificadas como custo. 24 Gestão e controle de custos O custo se refere ao gasto que acontece no momento da pro- dução de bens ou prestação de serviços. Para a correta alocação dos custos, são utilizados métodos de custeio, que se referem às formas de apropriação desses custos aos produtos produzidos ou serviços prestados. Nesse sentido, o objetivo do custeio é a deter- minação do custo unitário desse produto e/ou serviço. Os méto- dos de custeio mais utilizados são: custeio por absorção, custeio ABC (Activity Based Costing) e custeio variável. Uma vez definido o método de custeio que será utilizado, torna-se possível definir a estrutura informacional que permitirá que os custos sejam acumu- lados e apropriados aos produtos, de modo a atender às necessi- dades dos tomadores de decisão da empresa. Dada a importância desses elementos, são tópicos de estudo neste capítulo: custeio por absorção, custeio ABC, custeio variável e sistema de acumula- ção de custos. Introdução aos sistemas de apropriação de custos 2 2.1 Custeio por absorção Vídeo O custeio por absorção é o método que aloca todos os custos uti- lizados durante a produção aos produtos gerados. Como a nomen- clatura sugere, os produtos absorvem todos os custos realizados em determinado período. Esse custeio é o método aceito pelos preceitos contábeis e fiscais brasileiros. A Lei n. 6.404, conhecida como Lei das Sociedades Anônimas (BRASIL, 1976), relaciona que as matérias-pri- mas, os produtos em fabricação e os bens do almoxarifado são re- gistrados pelo custo de aquisição ou produção. A mesma legislação Introdução aos sistemas de apropriação de custos 25 especifica que as despesas são registradas na Demonstração do Re- sultado (DR) do Exercício, no período em que ocorreram. Desse modo, tem-se a divisão entre custos e despesas, relacionando aos produtos todos os custos necessários para a sua produção. Na mesma linha, a Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 2017) – indica que os custos de transformação de esto- ques incluem os custos diretamente relacionados com as unidades produzidas e os custos indiretos de produção, utilizados para a trans- formação de matéria-prima e materiais em produtos prontos. A le- gislação fiscal brasileira, representada pelo Decreto n. 9.580 (BRASIL, 2018) – que regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza –, no artigo 302, disciplina que o custo de produção de bens e serviços compreende o custo de aquisição de matérias-primas e ou- tros bens ou serviços, o custo de mão de obra e os demais custos que, mesmo de maneira indireta, são aplicados na produção de bens e prestação de serviços. Dessa forma, o custeio por absorção, por aten- der tanto aos preceitos contábeis quanto fiscais, é o mais utilizado para determinação do custo unitário dos produtos fabricados e dos serviços prestados. No custeio por absorção, de acordo com Perez Junior, Oliveira e Costa (2012), todos os custos são alocados aos produtos fabricados, tanto os diretos quanto os indiretos. Os custos diretos são aqueles que podem ser alocados objetivamente aos produtos produzidos, pois o consumo de cada item pode ser mensurado de maneira con- fiável. Os custos indiretos não podem ser apropriados de maneira objetiva; são consumidos de modo indireto no processo produtivo e, para sua alocação aos produtos, é necessário o uso de critérios de rateio. Como exemplo de critérios de rateios, podem-se citar a quan- tidade produzida, a quantidade de matéria-prima utilizada, a metra- gem utilizada para a produção de cada produto, dentre outras formas que se mostrem condizentes com a natureza do dispêndio. A Figura 1 retrata a apropriação dos custos no método de custeio por absorção. 26 Gestão e controle de custos Figura 1 Custeio por absorção Produto 1 Produto 2 Critério de rateio Exemplos: salários de supervisores, aluguel da fábrica, depreciação do prédio etc. Exemplos: matéria-prima, salários de funcionários da linha de produção, embalagens consumidas no processo produtivo etc. Custos indiretosCustos diretos Fonte: Elaborada pelos autores. A Figura 1 demonstra que os produtos recebem os custos diretos, que efetivamente foram consumidos no processo produtivo, e os cus- tos indiretos, por meio de rateios, formando o custo unitário e total dos produtos fabricados no período. Dado esse fato, o custeio por ab- sorção é também denominado de custeio integral, uma vez que, como reforça Crepaldi e Crepaldi (2018, p. 116), “todos os gastos relativos ao esforço de produção são distribuídos para todos os produtos ou serviços feitos”. Martins (2010) explica que o custeio por absorção utiliza três passos para a determinação do custo. São eles: • 1º passo: separação dos custos e das despesas. • 2º passo: apropriação dos custos diretos. • 3º passo: apropriação dos custos indiretos. Para exemplificar esse processo, será utilizado o exemplo da em- presa fictícia denominada de Indústria Exemplar, que fabrica dois tipos de velas: a menor de 10 centímetros e a maior de 20 centímetros. A Tabela 1 demonstra os gastos da empresa no mês de janeiro de um determinado ano e, na sequência, tem-se o custeio por absorção sendo aplicado segundo seus três passos para a determinação do custo total e unitário desses dois produtos. Introdução aos sistemas de apropriação de custos 27 Tabela 1 Descrição dos gastos do mês de janeiro Gastos da Indústria Exemplar Unidade Janeiro Salários administrativos R$ 8.000,00 Salários de supervisores de produção R$ 6.000,00 Salários dos funcionários da fábrica R$ 40.000,00 Matéria-prima utilizada R$ 100.000,00 Aluguel da fábrica R$ 6.000,00 Aluguel do escritório administrativo R$ 2.000,00 Embalagens do processo produtivo R$ 20.000,00 Manutenção das máquinas R$ 12.000,00 Despesas de vendas R$ 6.000,00 Total dos gastos R$ 200.000,00Fonte: Elaborada pelos autores. O primeiro passo é a separação dos custos e despesas, conforme a natureza do gasto (Tabela 2). Tabela 2 Separação dos custos e despesas Separação dos gastos Unidade Janeiro 1. Custos diretos Salários dos funcionários da fábrica R$ 40.000,00 Matéria-prima utilizada R$ 100.000,00 Embalagens do processo produtivo R$ 20.000,00 Total dos custos diretos R$ 160.000,00 2. Custos indiretos Salários de supervisores de produção R$ 6.000,00 Aluguel da fábrica R$ 6.000,00 Manutenção das máquinas R$ 12.000,00 Total dos custos indiretos R$ 24.000,00 3. Despesas Salários administrativos R$ 8.000,00 Aluguel do escritório administrativo R$ 2.000,00 Despesas de vendas R$ 6.000,00 Total das despesas R$ 16.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. 28 Gestão e controle de custos Como demonstra a Tabela 2, para o cálculo dos custos dos pro- dutos pelo método do custeio por absorção, são utilizados os custos diretos e indiretos. Nesse exemplo, o montante de R$ 160.000,00 é o valor que pode ser facilmente desmembrado em custo das velas de 10 cm e de 20 cm (segundo passo). Já o valor de R$ 24.000,00 é o montante que exige o critério de rateio para poder ser dividido entre os produtos fabricados (terceiro passo). Por fim, convém lembrar que as despesas (R$ 16.000,00), pela ótica da contabilidade financeira, não participam do processo do custeio por absorção, ou seja, não serão alocadas aos produtos. O segundo passo é a apropriação dos custos diretos para cada um dos produtos fabricados no período analisado. A matéria-prima, a mão de obra e as embalagens são apropriadas aos produtos de acordo com o consumo efetivo deles no processo produtivo, portanto, de maneira direta. A Tabela 3 apresenta os valores segregados para os dois produ- tos: vela de 10 cm e vela de 20 cm. Tabela 3 Separação dos custos diretos Custos diretos Unidade 10 cm 20 cm Total Salários dos funcionários da fábrica R$ 12.000,00 28.000,00 40.000,00 Matéria-prima utilizada R$ 20.000,00 80.000,00 100.000,00 Embalagens do processo produtivo R$ 8.000,00 12.000,00 20.000,00 Total dos gastos R$ 40.000,00 120.000,00 160.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. A Tabela 3 informa que, dos R$ 160.000,00 incorridos como custo direto de produção, R$ 40.000,00 foram para a produção da vela de 10 cm e R$ 120.000,00 para a produção da vela de 20 cm. Se essas velas não fossem produzidas, a empresa não teria incorrido com esse sacrifí- cio financeiro, pois não teria consumido esses recursos produtivos, por exemplo, matéria-prima e embalagens. Da mesma forma, quanto mais velas produzir, mais consumo terá com esses itens diretos e, logica- mente, maior custo total terá que gerenciar em suas operações. O terceiro passo é a apropriação dos custos indiretos para os pro- dutos, mas para que essa separação possa ser realizada, antes de tudo, faz-se necessário estabelecer critérios que definam a proporção que cada produto receberá desse sacrifício financeiro. Esses critérios de apropriação são denominados de rateios. Martins (2010) explica que Introdução aos sistemas de apropriação de custos 29 todos os custos indiretos de fabricação (CIF), para serem apropriados aos produtos, necessitam dos critérios de rateio; o problema é que essa distribuição sempre terá certo nível de subjetivismo, em menor ou maior grau. Essa arbitrariedade presente na distribuição dos custos indiretos impõe a necessidade de a empresa empreender um conside- rável esforço para definir critérios claros e condizentes com o compor- tamento dos custos, de maneira a minimizar o efeito da subjetividade. No presente exemplo, será utilizado o comportamento do consumo de matéria-prima para a distribuição dos custos indiretos, ou seja, a mesma proporção de matéria-prima para cada produto será utilizada para a alocação dos custos indiretos. Tabela 4 Rateio dos custos indiretos de fabricação Custos indiretos Unidade 10 cm 20 cm Total 1. Alocação para os produtos Salários de supervisores de produção R$ 1.200,00 4.800,00 6.000,00 Aluguel da fábrica R$ 1.200,00 4.800,00 6.000,00 Manutenção das máquinas R$ 2.400,00 9.600,00 12.000,00 Total do custo indireto R$ 4.800,00 19.200,00 24.000,00 Obs.: Critério de rateio R$ % Matéria-prima utilizada vela 10cm 20.000,00 20,00% Matéria-prima utilizada vela 20cm 80.000,00 80,00% Matéria-prima utilizada total 100.000,00 100,00% Fonte: Elaborada pelos autores. Como demonstra a Tabela 4, os R$ 24.000,00 de custos indiretos foram rateados entre as velas de 10 cm e 20 cm, segundo a proporção percentual que elas apresentaram no custo variável da matéria-prima. Por exemplo, o aluguel da fábrica de R$ 6.000,00 foi dividido em 20% para a vela de 10 cm (R$ 6.000,00 × 20% = R$ 1.200,00) e 80% para a vela de 20 cm (R$ 6.000,00 × 80% = R$ 4.800,00) 1 . Com base na distribuição dos custos indiretos, pode-se calcular o custo total e unitário utilizando a quantidade produzida no período. Nesse exemplo, será considerado que a empresa Exemplar produziu 10.000 unidades da vela de 10 cm e 17.400 unidades da vela de 20 cm (Tabela 5). Os valores em reais (R$) do custo de matéria-prima foram obtidos na Tabela 2. 1 30 Gestão e controle de custos Tabela 5 Custo total e custo unitário Custos totais e quantidade Unidade 10 cm 20 cm Total Custo direto R$ 40.000,00 120.000,00 160.000,00 Custo indireto R$ 4.800,00 19.200,00 24.000,00 Custo total R$ 44.800,00 139.200,00 184.000,00 Quantidade produzida peças 10.000 17.400 27.400 Custo unitário R$ 4,48 8,00 Fonte: Elaborada pelos autores. A Tabela 5 apresenta o custo total da empresa (R$ 184.000,00), o custo total da vela de 10 cm (R$ 44.800,00), o custo da vela de 20 cm (R$ 139.200,00) e, também, dado o conhecimento das quantidades pro- duzidas, os custos unitários desses dois produtos. Analisando o custo unitário do exemplo apresentado, as velas de 10 cm e 20 cm apresen- taram custos unitários de R$ 4,48 e R$ 8,00, respectivamente. Todavia, convém lembrar que esses valores unitários poderiam ser diferentes, conforme o critério de rateio que fosse usado, uma vez que isso pode- ria alterar a distribuição do custo indireto total entre os dois produtos. Portanto, o conhecimento do critério de rateio é um item muito impor- tante para uma gestão de custo eficiente. 2.2 Custeio baseado em atividades Vídeo O aumento dos custos indiretos no processo produtivo e a subje- tividade da alocação desses custos, com a utilização de critérios de rateios, trouxe o surgimento do custeio baseado em atividades, tradu- zido do inglês Activity Based Costing (ABC). Sobre o primeiro motivo do surgimento do ABC, Viceconti e Neves (2013) explicam que a atividade industrial, com o passar do tempo, foi ficando cada mais complexa, com maior grau de mecanização e automação de processos produ- tivos. Isso levou a um aumento considerável dos custos indiretos no processo de fabricação, exigindo, portanto, formas de apropriação cada vez mais eficientes. Sobre o segundo motivo do surgimento do ABC, Perez Junior, Olivei- ra e Costa (2012, p. 242) explicam que os métodos convencionais têm critérios aleatórios para rateio de custos indiretos, sendo critérios ine- xatos e resultando em “significativas distorções na apuração dos efe- tivos custos dos produtos”. Portanto, conforme o caso, segundo essa Introdução aos sistemas de apropriação de custos 31 lógica, os critérios tradicionais de rateios podem comprometer a quali- dade informacional dos relatórios contábeis para o processo decisório. O custeio ABC tem como característica principal a determinação de atividades e di- recionadores de custos para alocação dos custos indiretos aos produtos produzidos no período. O artigo Proposta de um modelo para a seleção de direcionadores de custos na implantação do ABC, de Gasparetto e Bornia, apresenta uma proposta de critérios para a seleção de direcionadores, um dos elementos mais importantes na implanta- ção do custeio baseado em atividades. Acesso em: 5 mar.2020. http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1999_A0202.PDF Artigo Nesse contexto, surgiu o custeio ABC, que, segundo Dubois, Kulpa e Souza (2009, p. 158), “é um método de custeio que possibilita ava- liar com acurácia as atividades desenvolvidas em uma empresa (tanto industrial, quanto de serviços), utilizando direcionadores para atribuir os gastos indiretos”. O custeio ABC efetua uma análise de processos, demonstrando a relação que existe entre os recursos que são consu- midos, as atividades executadas e os objetos de custos, que correspon- dem aos produtos ou serviços, como detalha a Figura 2. Figura 2 Procedimentos do custeio ABC Produtos Produtos Rateio Direcionadores de atividades Direcionadores de recursos Atividades Custos diretos Custos indiretos Produtos Al oc aç ão d ire ta Rastreamento Fonte: Elaborada pelos autores. 32 Gestão e controle de custos Conforme a Figura 2, os custos diretos são alocados aos produtos de acordo com o consumo efetivo deles no processo produtivo. Quan- do os custos podem ser claramente identificados com as atividades, por exemplo, a mão de obra de funcionários que realizem uma só ati- vidade, a alocação será de maneira direta (alocação direta). Os custos indiretos, também denominados recursos, são os gastos incorridos de forma indireta na fabricação dos produtos, podendo ser recursos hu- manos, serviços, materiais etc. A apropriação dos custos indiretos pode ser por rastreamento ou por rateio. O rastreamento utiliza critérios que identificam como as atividades consomem os recursos e como os produtos consomem as atividades. O tempo de mão de obra utilizado na atividade, por exemplo, é uma forma de rastreamento comum no ABC. Por fim, o rateio é utilizado apenas nos casos de não ser possível a alocação direta ou por direcio- nadores, ou seja, somente deve ser usado em último caso, pois utiliza critérios que, por vezes, podem ser subjetivos e arbitrários, não repre- sentando necessariamente a realidade dos dispêndios produtivos. Em síntese, para o seu funcionamento, o custeio ABC exige a defi- nição das principais atividades dos departamentos da empresa, men- surando, dessa forma, os gastos com elas para sua posterior alocação aos produtos finais. Em outras palavras, no custeio ABC, é necessário identificar as principais atividades dentro dos setores da empresa, aquelas que sejam relevantes para os processos da organização. Para a apropriação dos recursos aos setores, às atividades e aos produ- tos, são utilizados métodos de alocação direta, rastreamento e ra- teio. E como os métodos alocação direta e rateio são, basicamente, conceitos estudados no custeio por absorção, será detalhado apenas a apropriação por rastreamento, pois esse é o elemento nuclear do custeio ABC. Os direcionadores de recursos são descritos por Bruni e Famá (2012, p. 125) como “fatores que determinam a ocorrência de uma ati- vidade”. Eles apropriam os recursos, que podem ser tangíveis e intan- gíveis, às atividades desenvolvidas nos setores ou departamentos da empresa. A elaboração de direcionadores não é uma tarefa simples, como reforçam Silva e Garbrecht (2016), pois é necessário tanto o de- talhamento causal da atividade quanto o envolvimento de uma equipe multidisciplinar para a criação dos direcionadores, chamados de pri- meiro estágio. Introdução aos sistemas de apropriação de custos 33 As atividades representam as tarefas que devem ser realizadas e que contribuem para que um produto possa ser fabricado ou um ser- viço possa ser prestado. São exemplos de atividades supervisionar a produção, realizar cotações de preços, receber e conferir materiais etc. Após o custeamento das atividades, por meio dos direcionadores de recursos, é necessário a definição de direcionadores de atividades, que irão mensurar o custo de cada atividade que foi aplicada para cada produto. Dubois, Kulpa e Souza (2009, p. 161) explicam que os direcio- nadores de atividades servem “para mediar a quantidade de uma ativi- dade que é utilizada por um objeto de custo, isto é, qual a quantidade de uma atividade é necessária para gerar um produto ou serviço”. Por fim, os produtos, denominados objetos de custos, recebem os custos indiretos de acordo com a utilização das atividades e, somados aos cus- tos diretos, determinam o custo total da produção de um período. Para uma melhor compreensão sobre o uso do custeio ABC, será desenvolvido um exemplo de sua aplicação na apuração do custo in- direto da empresa fictícia Camisaria Modelo Ltda., uma fabricante de dois modelos de camisas: manga longa e manga curta. A Tabela 6 evi- dencia as informações dos custos indiretos para o mês de janeiro. Tabela 6 Custos indiretos do mês de janeiro Custos indiretos Unidade Janeiro Mão de obra indireta R$ 12.000,00 Manutenção das máquinas R$ 5.000,00 Depreciação dos ativos imobilizados R$ 2.000,00 Aluguel R$ 3.000,00 Total dos custos indiretos R$ 22.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. Já o Quadro 1 evidencia os respectivos direcionadores de custos. Quadro 1 Direcionadores de custos Custos indiretos Direcionadores Mão de obra indireta Alocação direta pela folha, de acordo com os funcionários alocados em cada atividade Manutenção das máquinas Gastos com as máquinas usadas nas atividades Depreciação dos ativos imobilizados Depreciação das máquinas usadas nas atividades Aluguel Área ocupada pelos setores e atividades Fonte: Elaborado pelos autores. O custeio ABC é uma forma de apropriação dos custos que tenta reduzir o uso de rateio para a apropriação dos custos indiretos aos produtos produzidos, utilizando para isso direcionadores de atividades. Explique o que são os direciona- dores de atividades. Atividade 1 34 Gestão e controle de custos Após a definição dos direcionadores, como demonstrado no Qua- dro 1, o custeio ABC exige o comprometimento de todos os funcioná- rios no desenvolvimento de controles que permitam determinar os gastos para cada uma das atividades. Essa metodologia funcionará se os custos forem mensurados com acurácia e forem representativos dos consumos realizados no período. O Quadro 2 descreve os setores e atividades que receberão os custos por meio dos direcionadores. Quadro 2 Setores e atividades principais Setores Atividades Compras Comprar materiais Estoques Receber produtos Entregar materiais Produção Cortar tecido Costurar camisas Fonte: Elaborado pelos autores. As principais atividades devem ser mapeadas e deve-se identificar se são realmente necessárias; caso não sejam, devem ser eliminadas, evitando atividades que não agregam valor. A Tabela 7 apresenta a dis- tribuição dos recursos para as atividades. Tabela 7 Alocação dos recursos às atividades Setores e atividades Unidade Setor de compras Setor de estoques Setor de produção Total Comprar materiais Receber produtos Entregar materiais Cortar tecido Costurar camisas Mão de obra indireta R$ 2.000,00 2.000,00 2.500,00 2.500,00 3.000,00 12.000,00 Manutenção das máquinas R$ - - - 2.000,00 3.000,00 5.000,00 Depreciação dos ativos imobilizados R$ 300,00 200,00 300,00 500,00 700,00 2.000,00 Aluguel R$ 300,00 300,00 900,00 750,00 750,00 3.000,00 Total dos recursos R$ 2.600,00 2.500,00 3.700,00 5.750,00 7.450,00 22.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. Os valores referentes à mão de obra indireta foram alocados de acordo com o salário dos funcionários direcionados em cada atividade; a manutenção foi distribuída de acordo com as máquinas que efetiva- Introdução aos sistemas de apropriação de custos 35 mente necessitaram de consertos, no caso do exemplo, as máquinas das atividades de cortar tecido e costurar camisas, não tendo manuten- ção nas demais atividades; a depreciação foi alocada de acordo com as máquinas utilizadas nas atividades; e o aluguel foi distribuído de acor- do com a área ocupada por cada atividade. O próximo passo no custeio ABC é a definição de direcionadores de atividades, que evidenciamcomo os produtos consomem as atividades, possibilitando, dessa forma, alocar os valores aos produtos fabricados pela empresa. A Tabela 8 demonstra exemplos de direcionadores e os respectivos consumos de cada atividade pelos dois produtos fabrica- dos pela empresa. Tabela 8 Direcionadores de atividades Atividades Direcionadores Manga longa Manga curta Total Comprar materiais Número de ordens de compra para cada produto 20 12 32 Receber produtos Número de pedidos recebidos para cada produto 12 8 20 Entregar materiais Número de requisições 60 20 80 Cortar tecido Metros cortados para cada camisa 9.800 7.700 17.500 Costurar camisas Tempo de costura 600 400 1.000 Fonte: Elaborada pelos autores. Com base nas quantidades das atividades utilizadas para cada pro- duto, calcula-se, inicialmente, o custo unitário para cada uma das ativi- dades. A seguir, temos um exemplo da atividade “comprar materiais”: Custo unitário do direcionador Valor total da atividade Quantidade total do direcionador Custo unitário do direcionador R$ 2.600,00 32 = R$ 81,25. Valor alocado para o produto camisa manga longa R$ 81,25 · 20 ordens de compra = R$ 1.625,00 Valor alocado para o produto camisa manga curta R$ 81,25 · 12 ordens de compra = R$ 975,00 36 Gestão e controle de custos O mesmo procedimento é realizado para as demais atividades e de- monstrado na Tabela 9. Tabela 9 Alocação dos recursos aos produtos Atividades Unidade Manga longa Manga curta Total Comprar materiais R$ 1.625,00 975,00 2.600,00 Recebimento de produtos R$ 1.500,00 1.000,00 2.500,00 Entregar materiais R$ 2.775,00 925,00 3.700,00 Cortar tecido R$ 3.220,00 2.530,00 5.750,00 Costurar camisas R$ 4.470,00 2.980,00 7.450,00 Total R$ 13.590,00 8.410,00 22.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. Por fim, antes de esse tópico ser encerrado, convém res- saltar as vantagens e desvantagens do custeio ABC, segundo Crepaldi e Crepaldi (2018). O estudo Métodos de cus- teio e seus propósitos de uso: análise por meio de es- tudo de casos múltiplos, de Anderson Ferreira Pizan, verifica quais são os pro- pósitos que o grupo de empresas objeto da pes- quisa apresentam para o uso dos métodos de cus- teio por absorção, custeio ABC e custeio variável. É uma leitura interessante para verificar como os mé- todos de custeio são utili- zados nas organizações. Dissertação (Mestrado em Controla- doria e Contabilidade) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. Disponível em: https://www.teses.usp.br/ teses/disponiveis/12/12136/tde- 25072013-145836/publico/An- dersonFerreiraPinzanVC.pdf. Acesso em: 5 mar. 2020. Leitura Quadro 3 Vantagens e desvantagens do custeio ABC Vantagens Desvantagens Informações gerenciais relativamente mais fidedignas por meio de redução do rateio. Gastos elevados para implantação. Proporcionar melhor visualização dos fluxos dos processos. Alto nível de controles internos a serem implantados e avaliados. Eliminar/reduzir atividades que não agregam ao produto um valor percebido pelo cliente. Levar em consideração muitos dados com informações de difícil extração. Identificar os produtos e clientes mais lucrativos. Dificuldade de envolvimento e comprometimento dos empregados. Melhorar significativamente sua base de informações para tomadas de decisões. Não é aceita pelo fisco, levando à necessidade de ter dois sistemas de custeio. Fonte: Crepaldi e Crepaldi, 2019, p. 217-218. Segundo o Quadro 3, a principal vantagem do custeio ABC é o ma- peamento dos processos da empresa. Assim, estabelece-se as prin- cipais atividades, o que força a empresa a repensar suas operações, surgindo, então, oportunidades de melhorias nos processos. A partir destes, elimina-se os critérios de rateio considerados arbitrários e que Introdução aos sistemas de apropriação de custos 37 podem distorcer as informações de custos dos produtos. Já com rela- ção à desvantagem do custeio ABC, pode-se afirmar que trata-se de um processo que exige muito empenho por parte da empresa e dos colaboradores, para além do estabelecimento das atividades e da rea- lização dos controles, das anotações, dos acompanhamento dos pro- cessos. Isso pode encarecer o controle dos custos e não ser vantajoso quando analisado o custo versus benefício da sua implementação. 2.3 Custeio variável Vídeo Anteriormente, vimos que, no custeio por absorção, os custos podem ser classificados em relação aos produtos fabricados, sendo custos diretos ou indiretos. Todavia, os custos também podem ser classificados quanto ao volume de produção e, nesse caso, são de- nominados custos variáveis e fixos. Os custos variáveis mudam con- forme o volume de produção de determinado período, tendo uma relação direta com a quantidade produzida. São exemplos de custos variáveis: matérias-primas, mão de obra direta e embalagens utiliza- das no processo produtivo. Eles aumentam na mesma proporção que a produção da empresa. Os custos fixos não se relacionam com o volume de produção, não aumentando quando a produção aumenta. São custos relacionados à capacidade de produção e independentes da quantidade produzida. Os custos fixos aumentarão se a empresa aumentar sua capacidade produtiva, caso contrário, permanecerão os mesmos. São exemplos os gastos com salários de supervisores da produção, aluguel, seguros etc. A classificação em custos variáveis e fixos é utili- zada no custeio variável, que pode ser definido como o método de custeio que considera como custo de produção somente os gastos variáveis, não incor- porando os gastos fixos na determinação do custo. O custeio variável, também denominado de custeio direto, surge para fornecer informações gerenciais para a análise de custos da empresa, ou seja, surge como uma resposta às limitações do custeio por ab- sorção para fins gerenciais. O custeio por absorção atende aos preceitos contábeis e fiscais para o estabelecimento do custo da produção, do custo para avaliação de O custeio variável utiliza o conceito de custos variáveis e custos fixos no cálculo do custo da produção do período. Explique a diferença dos custos variáveis e dos custos fixos e dê três exemplos de cada um. Atividade 2 38 Gestão e controle de custos estoques e do custo dos produtos vendidos. Entretanto, ao considerar como custo do produto todos os custos envolvidos no processo pro- dutivo, sejam eles diretos/variáveis ou indiretos/fixos, gerencialmente, não é o mais apropriado como fonte de informações para a gestão da empresa. Martins (2010) relaciona três grandes problemas ao custeio por absorção: • O fato de os custos fixos existirem independentemente da pro- dução, sendo muito mais necessários para que a indústria possa operar, ter instalada sua capacidade de produção, e serem muito menos ligados à produção de uma unidade a mais de determina- do produto. • Para sua distribuição, são utilizados critérios de rateio com maior ou menor grau de arbitrariedade, pois não são custos relaciona- dos com a produção de um ou de outro produto específico, mas necessários para que a indústria possa operar. Se for alterado o critério de rateio, o custo de produção será alterado para os produtos, provocando alterações na análise e interpretação da rentabilidade dos produtos. • O custo fixo por unidade é alterado pelo volume de produção; quanto mais volume de produção, menor o custo fixo. Caso a quantidade produzida for alterada, por exemplo, com a diminui- ção da produção de um determinado produto, isso afetará o cus- to dos demais produtos, elevando-os. O custeio variável é utilizado para evitar distorções com a apro- priação dos custos fixos, uma vez que não os emprega na composi- ção dos custos dos produtos. Como explicam Dubois, Kulpa e Souza (2009), o método do custeio variável utiliza os gastos variáveis para a determinação do custo do produto, que consistem nos custos variáveis e nas despesas variáveis, pois são os elementos responsáveisdiretos pela produção e venda dos bens e serviços. Esses itens só existem em função da fabricação e da comercialização dos produtos. Os autores acrescentam que “como os custos fixos ocorrem de qualquer maneira, mesmo que não haja qualquer quantidade produzida no período de tempo em análise, eles são considerados como se fossem despesas” (DUBOIS; KULPA; SOUZA, 2009, p. 136). O custeio variável tem como vantagens a eliminação de processos arbitrários ou subjetivos de distribuição dos custos. Além disso, ele ofe- Introdução aos sistemas de apropriação de custos 39 rece a possibilidade de análise do custo, do volume e do lucro, que fornece ferramentas gerenciais para a tomada de decisão dos admi- nistradores, como a margem de contribuição por tipo de produto. Esta indica o produto com maior contribuição para cobrir os custos fixos. Na sequência, será apresentado um exemplo de cálculo do cus- teio variável. Para tanto, serão utilizadas informações de produção, custos, despesas e receitas da empresa Confecções Masculinas Ltda. Esta confecciona um modelo de calça e um modelo de bermu- da, calculando os gastos variáveis e elaborando a DR do período, que será modificada para evidenciar a margem de contribuição dos dois produtos. Tabela 10 Gastos e produção do mês de janeiro Gastos/produção/preço de venda Unidade Calça Bermuda Total 1. Custos variáveis Materiais diretos aplicados na produção R$ 56.000,00 80.000,00 136.000,00 Mão de obra direta aplicada na produção R$ 43.000,00 67.000,00 110.000,00 Total R$ 99.000,00 147.000,00 246.000,00 2. Produção Quantidade produzida no mês peças 2.000 5.000 7.000 3. Preço de venda Preço de venda à vista R$ 120,00 80,00 4. Despesas variáveis Comissões sobre vendas % 5,00 5,00 5,00 Fonte: Elaborada pelos autores. A Tabela 10 apresenta as informações dos gastos variáveis de pro- dução para a quantidade de 2.000 unidades de calça e 5.000 unidades de bermuda. Para fins de exemplo, não havia estoque inicial e todos os itens produzidos são vendidos no mesmo mês. As despesas variáveis se referem às comissões sobre as vendas, calculadas sobre o montante das vendas da empresa no período. Os custos fixos e as despesas fixas são apresentados na sequência. 40 Gestão e controle de custos Tabela 11 Custos e despesas fixos do mês de janeiro Custos e despesas fixos Unidade Janeiro Mão de obra indireta R$ 18.000,00 Seguros da fábrica R$ 10.000,00 Aluguel do escritório R$ 5.000,00 Mão de obra administrativa R$ 25.000,00 Total R$ 58.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. Com base nas informações disponibilizadas nas Tabelas 10 e 11, po- de-se montar o custo variável dos dois produtos. Tabela 12 Total do custo pelo método do custeio variável do mês de janeiro Custo variável Unidade Calça Bermuda Total Materiais diretos R$ 56.000,00 80.000,00 136.000,00 Mão de obra direta R$ 43.000,00 67.000,00 110.000,00 Comissões sobre vendas R$ 12.000,00 20.000,00 32.000,00 Total R$ 111.000,00 167.000,00 278.000,00 Quantidade produzida no período unid. 2.000,00 5.000,00 7.000,00 Custo unitário R$ 55,50 33,40 39,71 As comissões sobre vendas são calculadas sobre o total da receita do período: (Quantidade de vendas × Preço de venda) × Percentual de comissão. Fonte: Elaborada pelos autores. Com base nessas informações, elabora-se a DR do período, eviden- ciando a margem de contribuição e o resultado operacional do período. Tabela 13 Demonstração de Resultado do mês de janeiro Demonstração do Resultado Unidade Calça Bermuda Total Receita com vendas de produtos R$ 240.000,00 400.000,00 640.000,00 (–) Custo variável R$ –99.000,00 –147.000,00 –246.000,00 (=) Margem de contribuição bruta R$ 141.000,00 253.000,00 394.000,00 (–) Despesa variável R$ –12.000,00 –20.000,00 –32.000,00 (=) Margem de contribuição líquida R$ 129.000,00 233.000,00 362.000,00 (–) Custo fixo R$ –28.000,00 (–) Despesas fixas R$ –30.000,00 (=) Resultado operacional R$ 304.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. Introdução aos sistemas de apropriação de custos 41 Os custos e as despesas variáveis são alocados aos produtos fabri- cados e vendidos no período; já os custos e despesas fixos não são objeto de rateio e apropriação aos produtos, sendo demonstrados em seus totais, reduzindo o resultado operacional do período. Com base no cálculo da margem de contribuição, é possível analisar qual é o produto com maior contribuição para pagar os gastos fixos. Esse método tem maior facilidade no entendimento por parte de gestores, possibilitando a correta avaliação de desempenho, oferecendo condições para geren- tes avaliarem seu desempenho, pois é calculado com base nos custos de sua responsabilidade e não por custos contratados pela alta dire- ção, como os fixos, conforme explicam Dubois, Kulpa e Souza (2009). Como desvantagem no uso do método variável, cita-se o fato de que a empresa precisará custear seus produtos também por outro método, que atenda à legislação contábil e fiscal, pois o objetivo do custeio variável é a análise gerencial dos custos dos produtos ou pres- tação de serviços. Também pode ser citada como desvantagem a difi- culdade de segregação de custos fixos e variáveis, pois alguns custos têm uma parcela fixa e outra variável, como a energia elétrica, que possui um valor de taxa mínima e outro relacionado ao efetivo consu- mo (BRUNI; FAMÁ, 2012). 2.4 Sistemas de acumulação de custos Vídeo O objetivo da contabilidade de custos é a apuração dos custos dos produtos vendidos ou serviços prestados e a geração de informações que auxiliem a empresa em suas decisões. Contudo, para que as in- formações possam ser geradas, Padoveze e Takakura Junior (2013, p. 46) explicam que “todo o processo de custeamento necessita de uma arquitetura informacional que absorva todas as necessidades de infor- mações de forma estruturada”. Com a estruturação do sistema de in- formações, é possível a análise e a tomada de decisões. Nesse contexto, são desenvolvidos sistemas de acumulações de custos, de acordo com o produto produzido pela empresa ou o ser- viço prestado. Segundo Crepaldi e Crepaldi (2018, p. 121), o “sistema de acumulação de custos é a forma como os custos são acumulados e apropriados aos produtos”. Esse sistema tem por objetivo a identifi- cação, a coleta, o processamento, o armazenamento e a produção das Os métodos de custeio são formas de apropriação dos custos nos produtos ou serviços, podendo ser por meio do custeio por absorção, custeio ABC e custeio variável. Explique a diferença entre os três métodos citados. Atividade 3 42 Gestão e controle de custos informações para a gestão de custos. Os sistemas de acumulação de custos podem ser de produção por ordem ou por processo, que serão conceituados a seguir. 2.4.1 Produção por ordem A produção por ordem é utilizada quando o processo produtivo da empresa abrange diferentes tipos de produtos ou serviços e, de acordo com Bruni e Famá (2012), a melhor forma de gerir a produção é com o acompanhamento individual dos pedidos processados e vendidos. Como não há homogeneidade na produção, os pedidos tendem a ser bem diferentes e necessitam de acompanhamento individual. Perez Junior, Oliveira e Costa (2012) indicam que esse sistema de acumula- ção é denominado também de produção por encomenda, em que cada componente do custo é acumulado em ordem de produção específica que irá acompanhar o produto do estágio inicial até o momento da conclusão. São exemplos de itens que têm a acumulação de custos por ordem ou encomenda: fabricação de aeronaves móveis planejados construção naval prestação de serviços em oficinas máquinas pesadas construção civil A ordem de produção ou a ordem de serviço deverá receber todos os materiais diretos consumidos no processo produtivo ou prestação de serviço e, para isso, deve ser controlada com base em pedidos e requisições internas. Como são produtos com especificações distintas dos demais produzidos pela empresa, necessitam de acompanhamen-to individualizado. Também devem receber a parcela da mão de obra direta aplicada à sua fabricação ou prestação de serviço, alocado com Introdução aos sistemas de apropriação de custos 43 base nas horas utilizadas e seu respectivo custo. Para a apropriação dos custos indiretos de fabricação, existe a necessidade do uso de ra- teio, como foi visto anteriormente, com base em um critério que seja representativo do consumo desses itens no processo produtivo. Quan- do ocorrer o encerramento da produção ou prestação de serviços, o montante registrado na ordem corresponderá ao custo. 2.4.2 Produção por processo É denominada também de produção contínua, que se caracteriza pela produção rotineira de produtos similares, com demanda constan- te e previsível. Na fabricação desse tipo de item, como explica Perez Junior, Oliveira e Costa (2012), os fatores de produção não se alteram facilmente a curto e médio prazo, pois existe um fluxo ininterrupto na produção dos bens. São exemplos de itens que têm sua acumulação de custos por processo ou produção contínua: produção de veículos roupas alimentos remédios eletrodomésticos O foco da contabilidade de custos, nesse processo, é apurar o custo dos departamentos, dos setores e dos processos e, também, alocá-los à produção do período. Crepaldi e Crepaldi (2018) afirmam que, no siste- ma de produção por processo, os custos são inicialmente classificados por natureza contábil (tipo de gasto) e compilados por processos especí- ficos, não se preocupando em registrar os custos de itens individuais ou grupo de itens, mas sim acumular por fase do processo e alocá-los aos produtos, dividindo o total do custo pela quantidade de produtos fabri- cados em determinado período. A produção é voltada, inicialmente, ao estoque, e não à encomenda específica de um cliente. 44 Gestão e controle de custos 2.4.3 Comparação entre os sistemas de acumulação Como visto nos itens anteriores, a escolha do tipo de sistema de acumulação dependerá de como a empresa trabalha, do seu tipo de produto produzido e dos sistemas de controle da empresa. O Quadro 4 resume as principais características entre os dois métodos. Quadro 4 Características da produção por ordem e por processo Característica analisada Produção por ordem Produção por processo Desenvolvimento do produto Especificação do cliente Especificação do fabricante Contratação do fornecimento Seleção subjetiva (concorrência) Seleção objetiva (amostra) Produção Limitada pelo cliente Planejada pelo fabricante Dimensão da produção Número de peças contratadas Número de peças do período Mercado Poucos compradores Muitos compradores Vendas Procura do cliente Procura do cliente ou oferta do fabricante Produto Sob medida Seriado Necessidade do produto Específica do cliente Global do mercado Local de produção Na fábrica ou no campo Na fábrica Estoque de matéria-prima Temporário e específico Permanente, geral para vários produtos Estoque de produtos Indesejável Necessário Prazos de produção Geralmente, médios ou longos Geralmente, curtos Fonte: Adaptado de Fonseca, Ravena e Galloro, 1992, p. 21 apud Bruni e Famá, 2012, p. 92. A produção por ordem tem suas especificações determinadas pelo cliente em relação às características do produto, ao número de itens a serem produzidos, aos prazos de fabricação e ao local de produção, que pode, inclusive, ser fora da empresa, quando a especificidade do produto ou serviço assim o exigir. Com relação à produção por pro- cesso, esta é em série e planejada pelo fabricante, direcionada inicial- mente para o estoque da empresa; é necessário esforço de venda da empresa para a colocação do produto no mercado. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente capítulo apresentou métodos de custeio para a alocação dos custos aos produtos produzidos, especificamente, o custeio por ab- sorção, o custeio ABC e o custeio variável. O custeio por absorção é o mais utilizado, pois atende aos preceitos contábeis e fiscais brasileiros, utilizando tanto custos diretos quanto indire- Introdução aos sistemas de apropriação de custos 45 tos na determinação do custo da produção do período. Como o custeio por absorção utiliza critérios de rateio para apropriar os custos indiretos, e por vezes os métodos de rateio têm distintos graus de subjetividade, foi criado o custeio ABC. Este tenta reduzir a subjetividade mapeando os processos e determinando as principais atividades que recebem os custos e, posterior- mente, aloca-os aos produtos, de acordo com direcionadores de atividades. Gerencialmente, o custeio variável é mais utilizado; essa modalidade não atende à legislação fiscal, mas fornece importantes ferramentas que contri- buem para a tomada de decisão, como a margem de contribuição. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l6404consol.htm. Acesso em: 5 mar. 2020. BRASIL. Entidades de Fiscalização do Exercício das Profissões Liberais. Conselho Federal de Contabilidade. Norma Brasileira de Contabilidade, TG 16 (R2), de 24 de novembro de 2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 dez. 2017. Disponível em: http://www2.cfc. org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2). doc. Acesso em: 14 fev. 2020. BRASIL. Decreto n. 9.580, de 22 de novembro de 2018. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 nov. 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2015-2018/2018/decreto/D9580.htm. Acesso em: 5 mar. 2020. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012. CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018. DUBOIS, A.; KULPA, L.; SOUZA, L. E. Gestão de custos e formação de preços. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2010. PADOVEZE, C. L.; TAKAKURA JUNIOR, F. K. Custos e preços de serviços. São Paulo: Atlas, 2013. PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L. M.; COSTA, R. G. Gestão estratégica de custos. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2012. SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. Custos empresariais. Curitiba: InterSaberes, 2016. VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. GABARITO 1. Direcionadores de atividades são métricas utilizadas para determinar a quantidade de uma atividade que é utilizada por um objeto de custo. Esses direcionadores de- terminam a quantidade de uma atividade que é necessária para a fabricação de um produto ou a prestação de um serviço. 2. Custos variáveis são os custos que têm uma relação direta com a produção do perío- do, aumentando quando ocorre o aumento de produção e diminuindo quando dimi- nui a produção. Já os custos fixos não estão relacionados com a produção, existindo mesmo que não ocorra produção no período. Eles estão relacionados à capacidade e não ao volume de produção do período. 46 Gestão e controle de custos 3. O custeio por absorção aloca os custos diretos e indiretos à determinação do custo de determinado período. Os custos diretos são apropriados de acordo com o consumo real na produção, e os custos indiretos se utilizam de critérios de rateio. O custeio ABC utiliza o custo direto e o indireto para a determinação do custo da produção, porém, divide as operações da empresa em atividades e, por meio de di- recionadores de atividades, aloca os custos indiretos aos produtos que consumiram as atividades. O custeio variável utiliza os gastos variáveis para a composição do custo da produção do período, composto de custos e despesas variáveis. Os custos fixos e as despesas fixas são considerados despesas do período. Custeio por absorção 47 Custeio por absorção 3 Neste capítulo, são abordados os principais conceitos relacio- nados ao custeio por absorção, que é o método de apropriação de custos que atende aos princípios contábeis e à legislação fiscalbrasileira, por incorporar ao custo da produção todos os gastos envolvidos no processo de fabricação ou na prestação de serviço. Na ótica do custeio por absorção, os custos são divididos em custos diretos, compostos por materiais diretos e mão de obra direta, que são identificáveis aos produtos, e custos indiretos, os quais, apesar de não serem de fácil vinculação aos produtos produzidos, representam custos que devem ser incorporados ao custo de produção do período. Para que os custos indiretos sejam atribuídos aos custos dos produtos, são utilizados crité- rios de rateio, que representam bases de apropriação dos custos e, por vezes, são considerados arbitrários e não representati- vos da realidade do consumo dos custos aos produtos. Esses aspectos são abordados neste capítulo por meio de exemplos que permitem o entendimento dos elementos que compõem o custeio por absorção. 3.1 Materiais diretos e mão de obra direta Vídeo Os custos diretos são aqueles facilmente identificáveis na produção de um bem ou na prestação de um serviço. Padoveze e Takakura Junior (2013, p. 28) explicam que eles “podem ser claramente visualizados, identificados, quantificados e mensurados monetariamente em rela- ção a uma unidade de produto ou serviço”. Os gastos que apresentam essas características são os materiais diretos, utilizados no processo produtivo, e a mão de obra direta aplicada na fabricação ou na presta- ção de serviços. Nesta seção, esses conceitos serão melhor abordados. 48 Gestão e controle de custos 3.1.1 Materiais diretos Representam os custos com materiais que se tornam parte inte- grante dos produtos e podem ser identificados fisicamente e mone- tariamente em cada unidade produzida. Dubois, Kulpa e Souza (2009) afirmam que os materiais diretos têm como características a utilização no produto, a identificação direta do material utilizado no produto e a mensuração objetiva. Os materiais diretos são adquiridos e registrados no estoque (matéria-prima), sendo posteriormente transferidos como custos para o processo de fabricação dos produtos (produtos em ela- boração), podendo ser um elemento que é transformado ou somente incorporado na produção do bem (produto acabado). Como exemplo de material direto, pode-se citar madeira, parafusos e cola, utilizados na fabricação de móveis, em que é possível identificar a quantidade e o valor necessário para produzir uma unidade. Os materiais podem ser classificados de acordo com o seu uso na produção em material primário (ou matéria-prima), material secundá- rio e embalagem, os quais descrevemos a seguir: • Matéria-prima: É o material em estado bruto, utilizado para obtenção de outro bem. É o principal componente utilizado no processo de fabricação, podendo ser um produto originado da natureza, não trabalhado, em seu estado natural ou já semima- nufaturado, que passou em uma etapa anterior por um processo de transformação. Como exemplo de um produto de origem na- tural, pode-se citar o algodão, que, após processo de beneficia- mento, é transformado em fio, que é utilizado na confecção de roupas. Para a indústria que produz o fio, o algodão em estado bruto é a matéria-prima e o fio é o produto final. Por sua vez, para a indústria que produz tecidos, o fio é a matéria-prima e o tecido é o produto final. • Material secundário: É o material que, apesar de ser facilmente identificável na produção, não representa o elemento principal, sendo um elemento secundário ao processo produtivo. Como exemplo, na confecção de roupas, pode-se citar como materiais secundários botões, zíperes e fios para costura. • Embalagem: É o material utilizado para o acondicionamento do produto durante o procedimento de fabricação. Como exemplo, tem-se embalagens para acondicionar leite, arroz e feijão, que Custeio por absorção 49 são custos do processo produtivo. Existem embalagens utiliza- das após a produção, para estocar e transportar os produtos. Por exemplo, caixas de papelão ou embalagens plásticas, que, nesse caso, são despesas e não custos com materiais diretos, conforme explica Martins (2010) 1 . O custo dos materiais diretos adquiridos compreende não só o va- lor pago pelo material, mas também valores necessários para que o produto fique à disposição da empresa. A Norma Brasileira de Contabi- lidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 2017) esclarece que o custo de aquisição dos estoques compreende: • o preço de compra; • os impostos de importação e outros tributos não recuperáveis; • os custos de transporte, seguro e manuseio; • outros custos diretamente atribuíveis à aquisição dos materiais. É o custeio por absorção o único método aceito pela contabilidade? Muitos dizem que sim, considerando a legislação brasileira. Tendo como base essa questão (inclusive, título do artigo), Charles Schultz, Marcia da Silva e Altair Borgert fizeram um estudo exploratório sobre o conteúdo bibliográfico que trata da legislação tributária, bem como buscaram esclarecimentos com profissionais dessa área, dentre outros, da Receita Federal. É uma leitura cativante para todos aqueles que desejam se aprofundar sobre a essência do uso dos custeios. Fica a dica! Acesso em: 5 mar. 2020. https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/1370/1370 Artigo Devem ser deduzidos do valor do custo de aquisição os descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes. É o mesmo tra- tamento dado aos impostos e contribuições sociais recuperáveis, que, como explicam Viceconti e Neves (2013, p. 50), “é recuperável quando a sua incidência for não cumulativa, isto é, quando o valor pago de tri- butos ou contribuições na aquisição pode ser abatido do valor devido quando da posterior venda da mercadoria ou do produto acabado”. Os impostos incidentes em uma primeira etapa são compensados com o montante que o contribuinte tiver que pagar na etapa posterior, quando ocorrer a saída da mercadoria ou produto. São exemplos de impostos e contribuições sociais recuperáveis o imposto sobre pro- dutos industrializados (IPI), imposto sobre circulação de mercadorias Para a contabilidade, custo é o gasto que ocorre para a produ- ção de um bem, e despesa é o gasto que se tem para vendê-lo. Por exemplo, a caixinha que acondiciona 1 litro de leite é custo; e a caixa utilizada para transportar 12 caixinhas de leite para o mercado é uma despesa. 1 Os materiais diretos são elementos identificados de maneira objetiva no custo do produto, sendo pos- sível a mensuração em termos de quantidades e valores. Eles podem ser classificados de três formas, dependendo do tipo e do uso na produção. Relacione os três tipos de materiais diretos estudados neste capítulo e os explique. Atividade 1 50 Gestão e controle de custos e serviços (ICMS), programa de integração social (PIS) e contribuição social para o financiamento da seguridade social (Cofins). A seguir, tem-se um exemplo hipotético do custo de aquisição de material direto, considerando a aquisição de 100 m³ (metros cúbicos) de madeira, matéria-prima utilizada na produção de móveis. O valor da matéria-prima é de R$ 2.000,00 o metro cúbico, tendo ainda gastos com frete no valor de R$ 20.000,00, seguro no montante de R$ 2.000,00 e ICMS recuperável incidente na operação de 18%. A Tabela 1 demons- tra o cálculo do custo da matéria-prima adquirida. Tabela 1 Custo da madeira Custo total e unitário de aquisição Unidade Valores Valor de aquisição R$ 200.000,00 (–) ICMS recuperável = 18% R$ –36.000,00 (+) Frete R$ 20.000,00 (+) Seguro R$ 2.000,00 (=) Custo total de aquisição R$ 186.000,00 (/) Total de m³ adquiridos m³ 100 (=) Custo unitário por m³ R$ 1.860,00 Valor de aquisição: 100 m³ x R$ 2.000,00 por m³. Custo unitário: custo total de aquisição ÷ total de m³ adquiridos. Fonte: Elaborada pelos autores. O custo de aquisição da madeira e demais gastos necessários à aquisição do produto são registrados no estoque de matéria-prima. Quando ela for utilizada na fabricação dos móveis,o custo considerado será de R$ 1.860,00 por metro cúbico ou fração menor, de acordo com o uso da madeira na produção, e transferida para produtos em proces- samento ou elaboração. 3.1.2. Mão de obra direta Representa os custos com os funcionários relacionados diretamen- te ao setor de produção ou à prestação de serviço da empresa. Martins (2010, p. 11) explica que “a mão de obra direta é aquela relativa ao pes- soal que trabalha diretamente sobre o produto em elaboração, desde que seja possível a mensuração do tempo despendido e a identificação de quem executou o trabalho”. Como exemplo, cita-se os funcionários que trabalham na fabricação de peças automotivas – os gastos envol- vidos com esse pessoal compõem o custo das peças produzidas. Caso Custeio por absorção 51 não seja possível a mensuração de modo direto, pela impossibilidade de controle ou mesmo pelo excessivo custo desse controle, a mão de obra será considerada indireta e apropriada aos produtos por meio de critérios indiretos ou rateios. Os custos referentes à mão de obra direta extrapolam os valores nominais dos salários de funcionários, abrangendo também valores relativos aos encargos sociais incidentes sobre a folha de pagamento e benefícios concedidos. Para demonstrar o cálculo dos valores referentes à mão de obra di- reta, será utilizado como base o exemplo constante em Martins (2010). Como premissas do exemplo, será calculado o custo anual de um fun- cionário da produção que possui o salário de R$ 15,00 por hora, com jornada de 44 horas semanais e semana com seis dias de trabalho. O cálculo será feito com base na remuneração anual e, posteriormente, transformado em remuneração por hora. Inicia-se com o cálculo das horas diárias trabalhadas: 44 horas semanais 6 dias = 7,3333 horas por dia ou 220 horas semanais 30 dias = 7,3333 horas por dia O segundo item a ser calculado é o número de horas que o funcio- nário pode trabalhar para a empresa, considerando como base um ano. Tabela 2 Número de horas que o funcionário pode trabalhar Máximo de horas à disposição da empresa Unidade Ano (+) Número total de dias por ano dias 365 (–) Repousos semanais remunerados dias –48 (–) Férias dias –30 (–) Feriados nacionais dias –12 (=) Número máximo de dias à disposição dias 275 (×) Jornada máxima diária horas 7,3333 (=) Número máximo de horas à disposição horas 2.016,66 Repousos semanais: 52 dias menos 4 dias incluídos nas férias 2 . Número máximo de horas: número máximo de dias x jornada diária em horas (considerando horas com quatro casas decimais). Fonte: Elaborada pelos autores. Um ano com 365 dias, ao ser dividido por 7 (números de dias de uma semana), apresenta 52 domingos. Como férias de 30 dias têm cerca de 4 domingos (30 / 7 =~ 4), então: 52 – 4 = 48 repousos semanais remunerados. 2 52 Gestão e controle de custos Um funcionário estará disponível para as atividades do setor de pro- dução o máximo de 2.016,66 horas em um ano, sendo esse o tempo que deve ser considerado no planejamento da produção, especifica- mente em relação à necessidade da mão de obra direta. Na Tabela 3, a seguir, calcula-se o montante total anual da remuneração do funcioná- rio, considerando salários e encargos. Tabela 3 Remuneração anual do funcionário Remuneração anual Unidade Ano Salários: 2.016,66h · R$ 15,00 R$ 30.249,86 Repousos semanais: 48 d · 7,3333 h · R$ 15,00 R$ 5.279,98 Férias: 30 d · 7,3333 h · R$ 15,00 R$ 3.299,99 Adicional de férias: (30 d · 1/3) · 7,3333h · R$ 15,00 R$ 1.100,00 13º salário: 30 d · 7,3333 h · R$ 15,00 R$ 3.299,99 Total da remuneração R$ 43.229,80 Encargos sociais: INSS* 27,8% · 43.229,80 R$ 12.017,89 Encargos sociais: FGTS 8% · 43.229,80 R$ 3.458,38 Total da remuneração e encargos sociais R$ 58.706,07 *O INSS é composto pela contribuição para a previdência, seguro acidente de tra- balho, salário educação e demais contribuições para entidades de classe (Sesi, Sesc, Senai, Senac, Incra e Sebrae). Fonte: Elaborada pelos autores. O custo da mão de obra, como já dito, vai além dos gastos com a remuneração, sendo necessário calcular o repouso semanal, férias, 1/3 constitucional sobre as férias, 13º salário e encargos trabalhistas. Caso existam outros valores, como horas extras, remuneração variável pela produção, equipamentos de proteção, alimentação, transporte, assis- tência médica etc., será necessário incluir no cálculo. Obtendo a remu- neração anual, podemos calcular o custo por hora trabalhada: Custo-hora: remuneração total anual horas disponíveis anuais Custo-hora: 58.706,07 2.016,66 = R$ 29,11 Pode-se perceber que o custo por hora (R$ 29,11) é muito supe- rior ao custo da remuneração-base do funcionário (R$ 15,00). Caso a empresa tenha variações, em termos de remuneração e utilização das horas, é necessário elaborar o cálculo com base nessas especificações Custeio por absorção 53 para não haver distorções que possam prejudicar a apuração do custo do produto. Para a alocação dos custos com a mão de obra direta à produção do período, é necessária a implantação de procedimentos de controle, como registro de início e término de atividades, controle de ponto, ordens de produção etc., de maneira que consiga determinar com precisão o tempo dedicado do funcionário à respectiva atividade. Com base nesses apontamentos das horas trabalhadas, o custo-hora do funcionário deverá ser alocado ao custo da produção. Martins (2010) afirma que pode haver tempo de ociosidade com base em paradas técnicas de preparação de máquinas, trocas de tur- nos, manutenção de equipamentos, que sejam consideradas normais e necessárias ao processo de produção. Sendo assim, essas horas devem ser consideradas como mão de obra direta, mesmo que o funcionário não esteja efetivamente trabalhando na produção. Caso ele seja deslo- cado para outras atividades – ainda que dentro da produção da organi- zação –, ou, por exemplo, houver paradas em períodos específicos do ano, deverá ser considerado como mão de obra indireta e ser alocado à produção com base em rateios. 3.2 Custos indiretos Vídeo Os custos indiretos são também denominados de custos indiretos de fabricação (CIF) ou custos indiretos de produção (CIP). Representam os gastos relacionados à produção de bens ou prestação de serviços, mas, como a nomenclatura expressa, são aplicados de maneira indireta aos bens ou serviços. Crepaldi e Crepaldi (2018, p. 61) explicam que “é todo custo que não está vinculado diretamente a cada unidade de produto, mas ao processo de fabricação”. São custos necessários ao processo de produção, mas que não são identificados diretamente, pois sua atri- buição aos produtos pode ser de difícil mensuração ou ainda pode não ser economicamente viável a sua identificação, tornando o custo para obtenção da informação superior ao seu benefício. Fazem parte dos custos indiretos de fabricação os materiais indiretos, a mão de obra indireta e outros custos indiretos. Os materiais indiretos compreendem gastos com materiais que são empregados em atividades consideradas auxiliares na produção ou cuja vinculação com o produto é irrelevante (PEREZ JUNIOR; OLIVEIRA; COSTA, 2012). Um exemplo de materiais são os lubrificantes para má- 54 Gestão e controle de custos quinas que são utilizados para toda a produção de um período e não especificamente para a produção de uma determinada unidade do produto. Os materiais indiretos diferenciam-se dos diretos, pois estes últimos se caracterizam pela possibilidade de determinar o quanto de material foi aplicado na produção de uma unidade, o que não é possí- vel nos itens indiretos. A mão de obra indireta consiste em gastos com funcionários que, embora trabalhem em setores de produção ou auxiliares à produção, não realizam atividades diretamente vinculadas à fabricação dos produ- tos ou prestação de serviços. Como os materiais indiretos, não é possí- vel vincular as atividades realizadas à produção de unidades específicas, pois são trabalhosrealizados para toda a produção. Como exemplo, po- de-se citar os supervisores de produção, que têm a responsabilidade de coordenar e supervisionar as atividades desempenhadas objetivando a melhoria na qualidade, desempenho e custo no processo produtivo da organização. Os mesmos conceitos apresentados na mão de obra direta – relacionados com o custo da mão de obra que abrange o salário, 13º salário, férias, encargos sociais e benefícios – são aplicados nos cálculos da mão de obra indireta, devendo ser considerados na determinação do montante a ser apropriado aos produtos. Em relação aos outros custos indiretos, pode-se apontar os gas- tos relacionados com a fábrica; por exemplo, seguro do prédio e má- quinas. São custos decorrentes da estrutura de produção da empresa, não sendo diretamente atribuíveis aos produtos, pois contribuem para o processo como um todo. Além dos gastos já citados, são também exemplos de custos indiretos: • aluguel da fábrica; • energia elétrica do prédio; • depreciação das máquinas, equipamentos e parte predial; • graxas, serras, lixas, combustíveis, materiais de limpeza; • supervisores, controle de qualidade, chefes de setores. Os custos indiretos de produção necessitam de critérios de rateio para serem apropriados aos produtos. Um critério de rateio representa a base com a qual se efetuará a alocação dos custos aos produtos pro- duzidos em determinado período. Caso a empresa produza somente um produto, o montante total dos CIFs será somado aos custos diretos e irão compor o custo total da produção do período. Mas, caso a em- Custeio por absorção 55 presa fabrique mais produtos, será necessário estabelecer um critério de rateio para realizar a apropriação, como a quantidade produzida. De acordo com o critério da quantidade produzida, o produto que tiver maior produção receberá proporcionalmente o maior valor de CIFs. Com base nas linhas precedentes, tem-se que um dos pontos prin- cipais do custeio por absorção é que os custos indiretos de fabricação necessitam de um critério de rateio para serem alocados aos produtos, por não serem facilmente identificáveis neles. Crepaldi e Crepaldi (2018) explicam que o rateio é um artifício empregado para a distribuição dos custos, compondo-se de um fator pelo qual é dividido os CIF, represen- tando a alocação dos custos aos objetos de custeio, com base em um critério predefinido. Os custos indiretos são então apropriados aos pro- dutos proporcionalmente, de acordo com o critério selecionado. Dubois, Kulpa e Souza (2009) indicam que quanto maior for a parce- la de custo que possa ser identificada aos produtos, mais preciso será o custo obtido. Os autores acrescentam que a determinação de uma base de rateio é uma questão de julgamento e busca-se eleger a me- lhor base de rateio, que seja condizente ao consumo do custo indireto aos produtos, que tenha uma relação de causa e efeito. Martins (2010) entende que todas as formas de rateio contêm certo subjetivismo e arbitrariedade, às vezes existindo em níveis aceitáveis e outras pela falta de alternativas melhores. Os critérios a serem adotados demandarão análise por parte das empresas, tendo em vista que uma mesma base de apropriação pode não ser a ideal para todas as empre- sas, pois dependerá do tipo de organização, dos produtos produzidos, dos custos indiretos envolvidos, do nível de controle exigido pela gestão etc. Após a definição do critério de rateio que será utilizado pela orga- nização, que pode ser um único para todos os custos indiretos, ou um específico para cada tipo de custo indireto, é realizado o cálculo e a apropriação de uma parcela desses custos aos produtos, que podem ser realizados calculando por regra de três, como demonstrado no exemplo a seguir, sobre a Indústria Exemplar S.A. A Indústria Exemplar fabrica dois produtos: Delta e Gama, com pro- cesso produtivo muito similar, tendo produzido em determinado mês 800 peças do produto Delta e 1.200 peças do produto Gama. Para fo- car no cálculo e apropriação dos custos indiretos com o uso de rateio, serão apresentados somente os custos indiretos do período, que são: 56 Gestão e controle de custos • Aluguel do barracão da fábrica: R$ 8.000,00. • Salário do supervisor de produção: R$ 5.000,00. • Manutenção das máquinas e prédio: R$ 7.000,00. Como critério de rateio, para fins de exemplo, será utilizada a quantidade produzida no mês, calculando o percentual de cada um dos custos em relação ao total. Tabela 4 Produção no período Produção Unidade Quantidade %* Delta peças 800 40,00 Gama peças 1.200 60,00 Total peças 2.000 100,00 * O percentual é calculado utilizando regra de três: Delta = ( 800 2000 ) · 100 Gama = ( 1200 2000 ) · 100 Fonte: Elaborada pelos autores. Em relação à produção total, os produtos Delta e Gama correspon- dem a 40% e 60%, respectivamente. Com base nesses percentuais, os custos indiretos serão apropriados aos produtos. Tabela 5 Rateio dos custos indiretos Custos Indiretos Unidade Delta – 40% Gama – 60% Total Aluguel do barracão R$ 3.200,00 4.800,00 8.000,00 Salário do supervisor R$ 2.000,00 3.000,00 5.000,00 Manutenção máquinas e prédios R$ 2.800,00 4.200,00 7.000,00 Total R$ 8.000,00 12.000,00 20.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. O produto Delta receberá R$ 8.000,00 e o produto Gama receberá R$ 12.000,00 de custos indiretos, que, somados aos custos diretos, irão compor o custo total e, dividindo pela quantidade produzida de cada produto, será obtido o custo unitário de produção. O mesmo cálculo pode ser realizado calculando um coeficiente de rateio e, posterior- mente, multiplicando pela quantidade produzida, da seguinte forma: Custeio por absorção 57 Coeficiente de rateio: custo indireto total total da produção = R$ 20.000,00 2.000 = R$ 10,00 O coeficiente de rateio indica que cada unidade produzida receberá R$ 10,00 do montante do custo indireto. Para saber o montante total de custos indiretos para cada produto, é necessário multiplicar pela quantidade produzida: Delta = R$ 10,00 · 800 unidades = R$ 8.000,00 Gama = R$ 10,00 · 1.200 unidades = R$ 12.000,00 O valor distribuído para os produtos é o mesmo nas duas metodo- logias de rateio, podendo, se acontecer, ter diferenças de centavos, ne- cessitando, nesse caso, de ajustes. O Quadro 1 apresenta sugestões de critérios de rateio, mas ressalta-se que é necessário estudo para deter- minar como esses custos relacionam-se aos produtos produzidos, de modo que, embora subjetivo, o critério seja o que proporciona melhor apropriação desses custos. Quadro 1 Sugestões de critérios de rateio Tipo de custo indireto Critério(s) de rateio Aluguel Área ocupada Depreciação Área ocupada; horas máquina; quantidade produzida Energia (iluminação) Área ocupada Manutenção máquinas Horas trabalhadas; quantidade produzida Energia (máquinas) Quantidade produzida; horas máquina; quilowatt-hora consumido em cada máquina Mão de obra indireta Tempo da mão de obra direta; número de pessoas; salários da mão de obra direta Outros gastos (combustível, graxa, lim- peza, seguro, material de consumo etc.) Área ocupada; horas trabalhadas; material direto consumido Fonte: Elaborado pelos autores. O Quadro 1 apresenta algumas sugestões de critérios, mas outros podem servir de base para a apropriação dos custos indiretos, inclusive critérios que levem em consideração como a empresa está estrutura- da, por exemplo, em departamentos ou centros de custos, objeto de estudo da seção seguinte. Os custos indiretos não estão vinculados diretamente ao pro- duto, mas são gastos necessários ao processo de produção, poden- do ser materiais indiretos, mão de obra indireta ou outros custos indiretos. Para a alocação dos custos indiretos aos produtos, é necessário o uso de critérios para sua apropriação. Explique o que são os critérios de rateio e cite três exemplos. Atividade 2 58 Gestão e controle de custos 3.3 Rateio: centro de custo Vídeo Bruni e Famá(2012) apontam que, para facilitar o controle dos custos incorridos, muitas organizações optam por alocá-los, em um primeiro momento, aos centros de custos ou aos departamentos da entidade, atribuindo responsabilidade pelos custos incorridos e melho- rando o processo de apropriação dos gastos. Perez Junior, Oliveira e Costa (2012, p. 39) assim definem departamento: “uma unidade ope- racional representada por um conjunto de homens e/ou máquinas de características semelhantes, desenvolvendo atividades homogêneas dentro de uma mesma área”. O departamento representa uma divisão da empresa, porém, a nomenclatura pode variar entre empresas, sen- do denominada também de setor, unidade, centro de custo, centro de despesas etc. É a estruturação da empresa em divisões que tem responsáveis e necessidades de controles, entre os quais destacam-se os controles dos custos, que contribuem com a geração de informações para a tomada de decisão da empresa. Um departamento representa um ou mais centros de custos, que é definido como a menor estrutura acumuladora de custos para posterior apropriação aos produtos fa- bricados ou serviços (PEREZ JUNIOR; OLIVEIRA; COSTA, 2012). Neste capítulo, ao invés de usar a nomenclatura departamento para indicar as divisões que uma empresa pode apresentar, será utilizada a de- nominação centro de custo, segmentada em centro de custo de pro- dução (ou produtivos) e centro de custo de serviços (ou auxiliares), os quais definimos a seguir. • Centro de custo de produção: É o centro de custo onde ocorre a transformação da matéria-prima em produtos acabados nas indústrias ou a prestação de serviço nas empresas de serviços. Como exemplo, pode-se citar centro de custo de montagem, pin- tura, corte, acabamento, prensagem etc. • Centro de custo de serviços: É o centro de custo onde ocorre a execução de serviços auxiliares ao processo de produção. Esses serviços não participam da fabricação dos produtos, mas con- tribuem como suporte ao centro de custo de produção. Como exemplo, pode-se citar centro de custo de manutenção, adminis- tração da produção, limpeza, estoque, qualidade etc. Custeio por absorção 59 Com a utilização de centros de custos, os custos indiretos passam por três etapas até comporem o custo dos produtos, conforme descrito na Figura 1. Figura 1 Rateio dos custos indiretos Produto A Produto B Centro de custo de serviços Centro de custo de produção Custos Indiretos de Fabricação (CIF) 1 1 2 3 Fonte: Elaborada pelos autores. Os CIFs são inicialmente alocados aos centros de custos de serviços e de produção, de acordo com o consumo realizado. Posteriormente, os centros de custos de serviços são rateados para os centros de cus- tos de produção, que apropriarão os custos indiretos (os próprios e os recebidos de serviços) aos produtos. Acompanhe um exemplo que demonstra esse processo. Considere uma indústria que fabrica dois produtos: estante e rack. A indústria possui dois centros de custos de serviços (Estoque e Ma- nutenção), e dois centros de custos de produção (Corte e montagem e Acabamento). Os setores de produção são responsáveis pelo corte da madeira, montagem dos móveis, pintura e acabamento final, e os setores de serviço servem de apoio à produção, fornecendo os mate- riais para a fabricação dos móveis e a manutenção das máquinas do processo produtivo. Em determinado período, a empresa apresentou os seguintes custos indiretos: 60 Gestão e controle de custos Tabela 6 Custos indiretos Descrição Unidade Valores Manutenção R$ 10.000,00 Mão de obra indireta R$ 30.000,00 Depreciação do prédio R$ 12.000,00 Total R$ 52.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. O primeiro passo deve ser a distribuição dos custos indiretos para os centros de custos de serviços e de produção com base em critérios de rateio. A Tabela 7a apresenta, em sua primeira parte, os critérios de rateio estipulados para cada tipo de custo indireto. Já a Tabela 7b apresenta os respectivos valores já rateados com base nos critérios estipulados. Tabela 7a Rateio dos custos indiretos Descrição dos custos Critério de Rateio Unidade Estoque Manutenção Corte e montagem Acabamento Total Manutenção Horas trabalhadas h 200 200 1.200 400 2.000 Mão de obra indireta Folha de pagamento R$ 12.000,00 10.000,00 4.000,00 4.000,00 30.000,00 Depreciação prédio Área ocupada m² 50 100 500 350 1.000 Fonte: Elaborada pelos autores. Distribuição dos custos Critério de Rateio Unidades Estoque Manutenção Corte e montagem Acabamento Total Manutenção Horas trabalhadas R$ 1.000,00 1.000,00 6.000,00 2.000,00 10.000,00 Mão de obra indireta Folha de pagamento R$ 12.000,00 10.000,00 4.000,00 4.000,00 30.000,00 Depreciação prédio Área ocupada R$ 600,00 1.200,00 6.000,00 4.200,00 12.000,00 Total R$ 13.600,00 12.200,00 16.000,00 10.200,00 52.000,00 Tabela 7b Valores rateados Fonte: Elaborada pelos autores. Custeio por absorção 61 Analisamos, a seguir, cada custo indireto: • Manutenção: Foi estipulado o critério de rateio das horas tra- balhadas, isto é, as horas dispendidas pelo centro de custo de serviços para os demais centros de custos. Para que um critério seja estabelecido, é preciso que haja controles que forneçam as informações detalhadamente. Um determinado centro de custo pode, inclusive, trabalhar para ele mesmo, se tiver que realizar manutenção de equipamentos em seu próprio setor. Com base nas horas medidas no período, o rateio do total de R$ 10.000,00 pode ser realizado, tomando como exemplo o centro de custo Estoque, da seguinte forma: Percentual de horas trabalhadas em relação ao total: 200 h 2.000 h = 0,1 · 100 = 10% Valor rateado para o Estoque: R$ 10.000,00 · 10% = 1.000,00 Do total de horas trabalhadas pela manutenção, 10% foram apli- cadas no Estoque, devendo ser apropriado esse percentual para determinar o valor do custo indireto de manutenção. A mesma metodologia é aplicada aos demais centros de custo. • Mão de obra indireta: Para a divisão dos custos aos centros de custo, foram utilizados os valores constantes na folha de paga- mento da empresa. Caso existam funcionários considerados mão de obra indireta nos centros de custo, por exemplo, um supervi- sor de produção em cada setor produtivo, o valor da remunera- ção e encargos deve ser atribuído ao setor. Não há necessidade de realização de cálculo ou estabelecimento de critério, pois o efetivo valor dos gastos setoriais pode ser apurado. • Depreciação do prédio: Foi utilizado como critério de rateio o total de metros quadrados utilizado por cada setor dentro da fá- brica. Dessa forma, os setores que utilizam espaçamento maior receberão maiores custos de depreciação. 62 Gestão e controle de custos O passo seguinte é a distribuição dos custos apurados nos cen- tros de custo de serviços para os produtivos. Os seguintes critérios foram estipulados: O Estoque será o primeiro que distribuirá seus custos indiretos para os demais centros de custo, com base nas requisições solicitadas no período. As requisições referem-se aos pedidos de matéria-prima e ou- tros materiais pelos centros de custo, servindo de base de alocação. A Manutenção, por sua vez, utilizará como critério de distribuição de seus custos – custos próprios e custos recebidos do setor de estoque – as horas trabalhadas pelos setores, representando que aqueles que mais demandaram serviços de manutenção receberão maiores valores de custos, de acordo com a proporção de seu consumo. A Tabela 9 apre- senta os custos indiretos transferidos. Para o centro de custo do Estoque, foram alocados R$ 13.600,00 de custos indiretos, que foram na sequência distribuídos para os centros de custo da Manutenção, Corte e montagem e Acabamento, com base nas requisições recebidas. Por sua vez, o centro de custo de Manu- tenção efetuou a distribuição dos seus custos para os demais setores, com base nas horas trabalhadas. Os custos indiretos totais foram de R$ 32.970,00 e R$ 19.030,00para Corte e montagem e Acabamento, respectivamente, que serão posteriormente rateados para os produtos produzidos pela empresa, utilizando novamente critérios de rateio. Fonte: Elaborada pelos autores. Centro de custo de serviços Critério de rateio Unidade Manutenção Corte e montagem Acabamento Total Estoque Requisições n. 9 45 36 90 Manutenção Horas trabalhadas h - 120 40 160 Tabela 8 Critérios de rateio dos cen- tros de custo de serviços Tabela 9 Rateio dos custos indiretos para os centros de custo de produção Descrição dos custos Unidade Estoque Manutenção Corte e montagem Acabamento Total Manutenção R$ 1.000,00 1.000,00 6.000,00 2.000,00 10.000,00 Mão de obra indireta R$ 12.000,00 10.000,00 4.000,00 4.000,00 30.000,00 Depreciação prédio R$ 600,00 1.200,00 6.000,00 4.200,00 12.000,00 Subtotal R$ 13.600,00 12.200,00 16.000,00 10.200,00 52.000,00 Rateio do estoque R$ - 13.600,00 1.360,00 6.800,00 5.440,00 0,00 Subtotal R$ - 13.560,00 22.800,00 15.640,00 52.000,00 Rateio da manutenção R$ - - 13.560,00 10.170,00 3.390,00 0,00 Total R$ - - 32.970,00 19.030,00 52.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. Custeio por absorção 63 3.4 Aplicação: análise e formação de preço de vendaVídeo Após o estudo dos elementos que compõem o custeio por absor- ção, vamos analisar as formas de apuração e controle dos estoques para determinação do custo do produto vendido de um período. Além disso, vamos verificar a aplicação do custo de produção obtido pelo custeio por absorção para estabelecer o preço de venda dos produtos. No artigo Desmistificando as limitações do uso do custeio por absorção, publi- cado no periódico Contabilidade vista & revista, Cosmo Severiano Filho e Janaina de Melo analisam se são sólidas as alegações de estudiosos sobre as limitações do uso do custeio por absorção no processo gerencial. Para tanto, apresentam rapidamente a origem dessa forma de custeio, como tam- bém sua aderência às normas da legislação brasileira, dentre outros itens igualmente interessantes sobre a relevância do custeio por absorção. É uma leitura interessante sobre o tema, vale apena conferir. Acesso em: 5 mar. 2020. https://revistas.face.ufmg.br/index.php/contabilidadevistaerevista/article/view/303 Artigo A contabilidade de custos tem como um dos seus objetivos o aten- dimento aos preceitos contábeis e às exigências demandadas pelos órgãos fiscais brasileiros na identificação dos custos de produção e do custo dos produtos vendidos. Contudo, sua utilidade tem que abranger também os aspectos de controle dos gastos e geração de informações que tenham utilidade à administração da empresa nas suas decisões. A formação do preço de venda sob a ótica dos custos é uma dessas infor- mações que contribuem para que a empresa estabeleça um preço de venda que possibilite ganhos em participação no mercado e o retorno pretendido pelos sócios e acionistas. 3.4.1 Controle do estoque e apuração do CPV No custeio por absorção, os produtos fabricados recebem os custos diretos e a alocação dos custos indiretos, compondo dessa maneira o custo total da produção, que é registrado no estoque da empresa para posteriormente ser determinado o custo do produto vendido (CPV) do período. Em empresas comerciais, a apuração é denominada de custo da mercadoria vendida (CMV) e, em empresas prestadoras de serviços, de custo do serviço prestado (CSP). 64 Gestão e controle de custos Para a avaliação e controle do estoque, são utilizados dois métodos: o inventário permanente (contínuo) e o inventário periódico. A adoção de uma ou de outra forma de controle de estoque, de acordo com Iudícibus e Marion (2016, p. 112), “deve levar em conta a profundidade e a periodici- dade de informações desejadas do sistema contábil da empresa, a quan- tidade de itens negociados, o volume de negociações, a intensidade das operações, o comportamento do preço de aquisição (custo) dos itens etc.”. No inventário permanente, a empresa tem o controle contínuo dos estoques por meio de controle via fichas ou sistemas informatiza- dos. A cada venda efetuada, a empresa controla os itens do estoque, permitindo conhecer o estoque remanescente e o custo do produto vendido. Esse método será explicado posteriormente. Neste momento, vamos estudar o inventário periódico, que é utilizado quando a em- presa não mantém controle permanente de seus estoques com o uso de fichas ou sistemas informatizados. Iudícibus e Marion (2016) explicam que é indispensável a realização de um inventário físico de produtos existentes, no final do período, para identificação do estoque final da empresa. Com base no saldo inicial, no custo do produto produzido no período e com o levantamento físico do estoque final, o custo dos produtos vendidos pode ser apurado. Para a apuração do CPV, são necessárias as etapas descritas nas fórmulas a seguir, adaptadas de Silva e Garbrecht (2016). Primeira etapa: custo do material direto MD = EI + compras – EF Em que: • MD: material direto (matéria-prima, embalagens e outros materiais diretos) • EI: estoque inicial • EF: estoque final Para a apuração do custo do material, é necessário o controle do material direto que existe no estoque no início do período, bem como os materiais que permanecem no estoque no final do período. Como Custeio por absorção 65 visto na seção anterior, o valor das compras refere-se ao valor de aqui- sição, custos adicionais para o produto ficar à disposição da empresa, diminuído de impostos recuperáveis. Segunda etapa: custo de produção CP = MD + MOD + CIF Em que: • CP: custo de produção • MD: material direto • MOD: mão de obra direta • CIF: custos indiretos de fabricação Os custos indiretos abrangem materiais indiretos, mão de obra in- direta e outros materiais indiretos, apropriados ao custo de produção com base em rateios. O somatório dos três itens representa os valores gastos em determinado período para a produção. Terceira etapa: custo da produção acabada CPA = EIPP + CP – EFPP Em que: • CPA: custo da produção acabada • EIPP: estoque inicial da produção em processamento (ou elaboração) • CP: custo de produção • EFPP: estoque final da produção em processamento (ou elaboração) Os valores referentes ao estoque inicial e final da produção em pro- cessamento são relativos aos produtos que, no início e final de cada período, permanecem na linha de produção, ou seja, não estão 100% concluídos. O custo da produção acabado representa o valor total que 66 Gestão e controle de custos foi concluído, saindo da linha de produção e ficando à disposição da empresa em estoque de produtos acabados para serem vendidos. Quarta etapa: custo do produto vendido CPV = EIPA + CPA – EFPA Em que: • CPV: custo do produto vendido • EIPA: estoque inicial de produtos acabados • CPA: custo da produção acabada • EFPA: estoque final de produtos acabados Na última etapa, é apurado o valor dos custos dos produtos ven- didos no período, considerando os produtos remanescentes do mês anterior e os produzidos no período. Os produtos acabados não ven- didos no período são mantidos em estoque para comercialização nos próximos meses. Para exemplificar as fórmulas e os respectivos cálcu- los, vamos considerar as informações disponibilizadas na Tabela 10, re- ferente à produção de um único produto, e calcular o custo do produto vendido no período. Tabela 10 Informações para apuração do custo do produto vendido Gastos e saldos Unidade Janeiro Matéria-prima adquirida no período R$ 100.000,00 Mão de obra direta R$ 40.000,00 Materiais indiretos R$ 10.000,00 Mão de obra indireta R$ 10.000,00 Estoque inicial de material direto R$ 10.000,00 Estoque final de material direto R$ 20.000,00 Estoque inicial de produto em processamento R$ 20.000,00 Estoque final de produto em processamento R$ 10.000,00 Estoque inicial de produto acabado R$ 40.000,00 Estoque final de produto acabado R$ 30.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. Custeio por absorção 67 Combase nas informações disponibilizadas, inicia-se com o cálculo da matéria-prima utilizada no período. MD = EI + compras – EF MD = 10.000,00 + 100.000,00 – 20.000,00 = 90.000,00 Na sequência, calcula-se o custo da produção do período: CP = MD + MOD + CIF CP = 90.000,00 + 40.000,00 + 10.000,00 + 10.000,00 = 150.000,00 O custo de produção corresponde a todos os gastos consumidos no período. A etapa seguinte indicará o total do custo dos produtos acaba- dos produzidos no período. CPA = EIPP + CP – EFPP CPA = 20.00,00 + 150.000,00 – 10.000,00 = 160.000,00 A etapa final corresponde ao cálculo do produto vendido no perío- do analisado, considerando os valores que constavam no estoque e o estoque final. CPV = EIPA + CPA – EFPA CPV = 40.000,00 + 160.000,00 – 30.000,00 = 170.000,00 O custo do produto vendido, que é registrado na Demonstração do Resultado (DR) do período, é de R$ 170.000,00, confrontando com a respectiva receita obtida com a venda dos produtos. 3.4.2 Formação do preço de venda Estabelecer o preço de venda dos produtos ou serviços é uma tare- fa complexa, pois envolve tanto elementos internos quanto elementos externos à organização. Crepaldi e Crepaldi (2018) explicam que o as- pecto interno se refere aos objetivos financeiros da empresa, como a necessidade de cobrir os custos e despesas, a obtenção de retorno so- bre o investimento, a maximização do lucro, a necessidade de entrada de recursos para o caixa, a conquista de mercado, entre outros. Com relação ao aspecto externo, tem-se os objetivos mercadoló- gicos, que envolvem o aumento na participação de mercado, o cresci- mento rápido das vendas, a criação do interesse pelo produto, de uma 68 Gestão e controle de custos identificação e uma marca, entre outros. A política de formação do pre- ço de venda deve levar em conta esses objetivos e a necessidade de otimizar os resultados da empresa. Para formar o preço de venda, pode-se utilizar três métodos distin- tos, baseados na teoria econômica, na concorrência ou nos custos. Pela ótica da teoria econômica, o mercado é o determinante do preço de venda dos produtos, com base na lei da oferta e da procura. Os ofer- tantes e os demandantes dos produtos irão interagir para determinar um preço que seja satisfatório para ambas as posições, considerando um mercado livre de situações como monopólios, oligopólios etc. Pela ótica da formação de preços com base na concorrência, a empresa analisa os preços praticados no mercado pelos concorrentes com produtos iguais ou similares. O posicionamento da empresa dian- te do mercado e seus concorrentes determinará se os preços a serem praticados serão iguais ou menores que a concorrência ou se, por ter um produto diferenciado, poderá estabelecer preços superiores aos demais participantes do mercado. A formação do preço de venda pela ótica do custo o utiliza como base para determinação do preço de venda do produto. Parte-se da apuração do custo do produto e acrescenta-se uma margem que cubra os custos, despesas e impostos e gere o lucro desejado. Pado- veze (2010, p. 426) explica que o “pressuposto básico para tal técnica é que o mercado está disposto a absorver os preços de venda deter- minados pela empresa, que, por sua vez, são calculados em cima de seus custos reais ou orçados”. Ao formar o preço baseando-se nos custos, como destacado pelo autor, deixa-se de observar elemen- tos relacionados ao mercado, como a demanda pelos produtos da empresa, os preços praticados pelos concorrentes, os produtos con- correntes disponíveis ou possíveis substitutos. A não observância desses fatores não invalida o uso do custo como fonte para a deter- minação do preço, pois pode servir de parâmetro para determinar qual é o preço mínimo que deve ser praticado para cobrir todos os gastos envolvidos no processo de produção e obter a lucratividade desejada. Para fixar o preço de venda com base nos custos, calcula-se o mark-up (MK), que significa “marcação acima”, representando o cál- culo de um índice que é aplicado sobre os gastos do produto ou ser- A formação do preço de venda é um elemento-chave nas atividades da empresa, pois o estabelecimento de preços muito elevados pode provocar redução nas vendas e preços muito bai- xos podem aumentar as vendas, mas reduzir a lucratividade da empresa. Para formar o preço de venda, vimos que podem ser utilizados três métodos. Cite-os e explique cada um. Atividade 3 Custeio por absorção 69 viço, e determinando qual deve ser o preço de venda que deverá ser praticado, cobrindo esses gastos. O mark-up pode ser calculado por meio de duas fórmulas: Mark-up multiplicador = 1 1 – (I + D + L) ou Mark-up divisor = 1 – (I + D + L) Em que: • 1: preço de venda • I: impostos incidentes nas operações da empresa, em % sobre as vendas • D: despesas em % sobre as vendas • L: margem de Lucro 3 desejada pela empresa, expressa em % sobre as vendas É importante ressaltar a dife- rença entre lucro e margem de lucro. O lucro é o valor monetário obtido em uma operação; por exemplo, lucro de R$10,00. Já a margem de lucro é a expressão percentual do lucro em relação ao valor da venda ou do custo; por exemplo, R$10,00 de lucro em uma venda de R$200,00 representa uma margem de lucro de 5% sobre a venda. 3 Para o cálculo do mark-up, são utilizados os valores de impostos, despesas e a margem de lucro desejada, transformados em percen- tuais das vendas. O cálculo pode ser dividido em dois estágios: • Mark-up 1: índice que considera somente as despesas, como administrativas, comerciais, marketing, o custo financeiro, os im- postos sobre o lucro e a margem de lucro. • Mark-up 2: índice que considera somente os impostos incidentes sobre as vendas, como ICMS, PIS, Cofins e ISS. A divisão em dois cálculos permite conhecer o preço sem os impos- tos sobre vendas e os preços com a inclusão deles. Caso a empresa venda seus produtos ou serviços para estados ou municípios com alí- quotas de impostos diferentes, poderá determinar com o mark-up 1 o preço base a ser praticado e, posteriormente, de acordo com a carga tributária específica para aquele estado ou município, incluir os impos- tos com o mark-up 2. Na sequência, analisamos o exemplo do cálculo, determinando o mark-up geral pelos métodos multiplicador e divisor. 70 Gestão e controle de custos Descrição Unidade Alíquotas Impostos sobre vendas % 27,50 Despesas administrativas % 5,00 Despesas comerciais % 8,00 Custo financeiro % 2,00 Margem de lucro % 20,00 Total % 62,50 Fonte: Elaborada pelos autores. Os percentuais dos gastos podem ser obtidos com base nas infor- mações de períodos anteriores ou com base em orçamentos realizados pela empresa. O percentual de lucro deve ser determinado de acordo com o retorno pretendido por sócios e acionistas, considerando fatores como o custo de oportunidade e o risco envolvido nas operações da empresa. Para a aplicação dos percentuais na fórmula, é necessário a sua transformação em números decimais, com a divisão por 100. Mark-up multiplicador = 1 1 – (0,275 + 0,05 + 0,08 + 0,02 + 0,2) = 1 1 – (0,625) = 1 0,375 = 2,6667 ou Mark-up divisor = 1– (0,275 + 0,05 + 0,08 + 0,02 + 0,2) = 0,3750 Como a própria nomenclatura sugere, o mark-up multiplicador será utilizado para multiplicar o custo do produto, e o mark-up divisor, para dividir o custo do produto. O preço de venda obtido é o mesmo por am- bos os métodos, podendo apresentar pequenas diferenças em função da quantidade de casas após a vírgula usada no cálculo. No exemplo, os índices foram apresentados com quatro casas após a vírgula. O passo se- guinte é o cálculo do preço de venda e, para isso, vamos considerar que o custo unitário de produção de um determinado produto é de R$ 30,00. Preço de venda = Custo · MK multiplicador = R$ 30,00 · 2,6667 = R$ 80,00 Preço de venda = Custos MK divisor = R$ 30,00 0,3750 = R$ 80,00 O produto deverá ser vendido pelo preço de R$ 80,00 para que cubra oscustos, despesas, impostos e o lucro definido na fórmula. Para se certificar de que o preço estipulado está correto, pode-se simular uma DR, considerando que foram vendidas 12.500 unidades do produ- to no período. Tabela 11 Impostos, despesas e lucro Custeio por absorção 71 Tabela 12 Demonstração do Resultado Demonstração do Resultado (em R$) Cálculos Valores Receita bruta 12.500 · R$ 80,00 1.000.000,00 (–) Impostos sobre vendas Receita bruta · 27,5% –275.000,00 (=) Receita líquida 725.000,00 (–) Custo produto vendido 12.500 · R$ 30,00 –375.000,00 (=) Lucro bruto 350.000,00 (–) Despesas administrativas Receita bruta · 5% –50.000,00 (–) Despesas comerciais Receita bruta · 8% –80.000,00 (–) Despesas financeiras Receita bruta · 2% –20.000,00 (=) Lucro líquido = 20% da receita bruta 200.000,00 Fonte: Elaborada pelos autores. A DR está apresentada de maneira resumida, considerando a venda de 12.500 unidades ao preço unitário de R$ 80,00. O valor do custo corresponde ao custo calculado pela empresa por meio do método de absorção, considerando custos diretos e indiretos. Os impostos e des- pesas foram calculados com base nos percentuais de vendas determi- nados pela organização, e o lucro líquido de R$ 200.000,00 corresponde a 20% de retorno sobre a receita bruta, ou seja, representa a margem de lucro determinada pela empresa e incluída na fórmula do mark-up. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, estudamos os principais elementos do custeio por ab- sorção, que é o método mais utilizado pelas empresas por atender pre- ceitos contábeis e fiscais. A determinação dos custos diretos, mesmo que mais facilmente iden- tificáveis no processo produtivo, demanda a utilização de controles pelas empresas para determinar a quantidade de matéria-prima e outros mate- riais aplicados na produção, bem como a quantidade de horas trabalha- das na fabricação dos produtos. A esses custos são agregados os custos indiretos necessários ao processo de produção. Embora normalmente sejam custos com valores menores que os di- retos, precisam ser incluídos no custo sob pena de não se apurar o custo de maneira correta e interferir em análises que se baseiam em informa- ções geradas pela contabilidade de custos, como a definição do preço que deve ser praticado pela empresa para cobrir os custos, despesas, impostos e o retorno exigido por sócios e acionistas. 72 Gestão e controle de custos REFERÊNCIAS BRASIL. Entidades de Fiscalização do Exercício das Profissões Liberais. Conselho Federal de Contabilidade. Norma Brasileira de Contabilidade, TG 16 (R2), de 24 de novembro de 2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 dez. 2017. Disponível em: http://www2.cfc.org.br/sisweb/ sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2).doc. Acesso em: 14 fev. 2020. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012. CREPALDI, S. A; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018. DUBOIS, A.; KULPA, L.; SOUZA, L. E. Gestão de custos e formação de preços. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Contabilidade comercial. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016. MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2010. PADOVEZE, C. L. Contabilidade gerencial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. PADOVEZE, C. L.; TAKAKURA JUNIOR, F. K. Custos e preços de serviços. São Paulo: Atlas, 2013. PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L. M.; COSTA, R. G. Gestão estratégica de custos. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2012. SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. Custos empresariais. Curitiba: InterSaberes, 2016. VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. GABARITO 1. Os materiais diretos podem ser classificados em matéria-prima, material secundário e embalagem. A matéria-prima é o principal componente utilizado na produção, sendo o material em estado bruto utilizado em seu estado natural ou que tenha passado por um processo anterior de industrialização. O material secundário é aquele identificado de maneira direta na produção, mas não é o elemento principal, isto é, a principal ma- téria-prima utilizada. Usado como complemento na produção, a embalagem corres- ponde ao material de acondicionamento do produto. A embalagem é, ainda, utilizada no processo de produção dos produtos. 2. Os critérios de rateio são utilizados para apropriar os custos indiretos aos produtos produzidos. Um critério de rateio estipula percentualmente quanto do custo indireto será alocado para cada produto. Como exemplos de critérios, tem-se: quantidade pro- duzida, valor do material direto e horas trabalhadas. 3. Os três métodos destacados no capítulo são: teoria econômica, concorrência e custo. A teoria econômica indica que o mercado determinará o preço de venda com base na interação entre os ofertantes e os demandantes. O preço de venda será estipulado de modo a atender aos interesses dos dois grupos. Na formação de preço com base na concorrência, o preço é estipulado analisando os concorrentes do mercado que ven- dem os mesmos produtos, similares ou substitutos. O posicionamento da empresa em termos de preço analisará os preços praticados pelos concorrentes. Na formação de preço com base nos custos, analisam-se os custos, impostos e despesas para determi- nar um preço de venda que cubra esses itens mais a margem de lucro desejada pela empresa. Por fim, sobre o custo, é aplicado um índice que englobe todas esses itens e indique o preço que a empresa deverá vender seus produtos ou prestar seus serviços. Sistemas de controle de estoque 73 4 Sistemas de controle de estoque Os estoques podem ser controlados e avaliados de diferentes formas. A seleção de um ou de outro método será influenciada por fatores como porte da empresa, necessidade informacional da ges- tão, sistemas de controles, tipo de material armazenado, somente para citar alguns. O controle dos estoques pode ser periódico ou permanente e, nesse último caso, existe uma necessidade maior de que todas as operações sejam registradas no momento em que ocorrem e que a valoração dos estoques esteja sempre atualizada. Neste capítulo, são apresentados os métodos de controle e avaliação de estoques pelo sistema permanente, ou inventário per- manente, que são: custo médio ponderado; primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS); preço específico; e último que entra, pri- meiro que sai (UEPS). Um dos objetivos da contabilidade de custos é o controle do estoque para apuração do custo das mercadorias ou dos produtos vendidos pela empresa. O inventário permanente permite a valoração dos estoques e a baixa do custo das vendas que, registrado na Demonstração do Resultado (DR), evidencia o lucro ou prejuízo da empresa em determinado período. 4.1 Controle de estoque Vídeo Estoque representa, como conceituam Stickney e Weil (2001, p. 338), “qualquer ativo que a empresa possua e mantenha, com o objetivo de vender ou transformar em outros ativos, como parte de suas operações normais”. São recursos econômicos controlados pela entidade e possuem potencial para produzir benefícios econômicos, representando uma par- cela importante do Ativo Circulante na maioria das empresas. Segundo a 74 Gestão e controle de custos Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 2017, p. 1), esto- ques são Ativos “(a) mantidos para a venda no curso normal dos negócios; (b) em processo de elaboração para venda; ou (c) na forma de materiais ou suprimentos”. Os itens (b) e (c) da norma referem-se a matérias-primas e materiais de consumo adquiridos para serem utilizados no processo de produ- ção ou na prestação de serviços, materiais que já foram requisitados in- ternamente e estão no processo de transformação e os produtos finais e mercadorias disponíveis para a venda. Os custos relacionados aos estoques envolvem valores de aquisição e demais gastos necessários para sua compra, bem como custos de transformação, como demonstrado a seguir. Custos deaquisição Custos de transformação Na compra de mercadorias e matérias-primas, tem-se como gastos, inicialmente, os valores destacados na nota fiscal, mas outros gastos podem ser necessários para que o produ- to fique disponível na empresa, como frete, seguro, inspeção, manuseio, impostos não recuperáveis, impostos de impor- tação e gastos aduaneiros. Esses são exemplos de gastos incorporados ao custo de aquisição da mercadoria ou maté- ria-prima quando forem por conta da empresa compradora. É importante ressaltar que descontos comerciais, abatimen- tos sobre compras e impostos recuperáveis são deduzidos para determinação dos custos que compõem a aquisição. Representam os custos incorporados ao processo de pro- dução para transformar a matéria-prima em produtos aca- bados. São exemplos de custos aplicados no processo de produção a mão de obra direta de funcionários da linha pro- dutiva, embalagens utilizadas durante a produção, mão de obra indireta de supervisores e controle de qualidade, bem como outros custos indiretos necessários à fabricação de produtos ou à prestação de serviços, como depreciação, alu- guel, manutenção, seguros, entre outros. A Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 é utilizada como fonte para a elaboração deste capítulo. Entretanto, a lei- tura detalhada da norma completa é de suma im- portância para o desen- volvimento dos conheci- mentos do profissional contábil e dos usuários da contabilidade, pois o documento orienta sobre a determinação do valor de custo dos estoques e sobre o seu subsequente reconhecimento como despesa em resultado. Disponível em: http://www2.cfc. org.br/sisweb/sre/detalhes_sre. aspx?Codigo=2017/NBCTG 16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2). doc. Acesso em: 5 mar. 2020. Leitura Sistemas de controle de estoque 75 Os estoques de matérias-primas, de produtos em elaboração e de produtos acabados precisam ser controlados e, para tanto, faz-se uso de sistemas de controle, ou sistemas de inventário, como também são denominados. Ribeiro (2014) explica que o inventário de merca- dorias e produtos consiste na contagem física dos itens existentes no estoque no final do exercício social, visando ao conhecimento da quan- tidade e do valor do estoque final, assim como do custo dos produtos e mercadorias vendidos no período. Pode-se fazer uso de dois tipos de sistema de controle: o inventário periódico e o inventário permanente. No inventário periódico, a contagem física é realizada ao final do período, que pode ser mensal, trimestral ou anual, de acordo com os controles mantidos pela organização. Nesse método, não são mantidas fichas de controles de estoques, sejam manuais ou por meio de sistemas informatizados de controle da movimentação do estoque. A outra meto- dologia, o inventário permanente, conforme descrito por Viceconti e Neves (2018), caracteriza-se pelo controle permanente de estoques por parte da pessoa jurídica, com o controle sendo realizado a cada opera- ção de compra ou venda. Com relação à seleção do método, Iudícibus e Marion (2016, p. 112) indicam que: a adoção de uma ou de outra forma de controle de estoques deve levar em conta a profundidade e a periodicidade de infor- mações desejadas do sistema contábil da empresa, o porte da empresa, a quantidade de itens negociados, o volume de ne- gociações, a intensidade das operações, o comportamento do preço de aquisição (custo) dos itens etc. Neste capítulo, o foco está no inventário permanente e seus con- ceitos e métodos de avaliação dos estoques. Nesse inventário, faz-se o uso de uma Ficha de Controle de Estoque, que consiste em uma ficha atribuída a cada tipo de produto ou material – como descrevem Iudíci- bus et al. (2010) –, atualmente controlada de maneira eletrônica, facili- tando o controle, a conferência e a contabilização dos fatos envolvidos na apuração dos custos dos produtos produzidos e vendidos. Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2002) destacam que a empresa deve estabelecer procedimentos formais de movimentação dos es- toques, realizando contagens frequentes e avaliando a eficácia dos procedimentos de movimentações dos estoques para diminuir a possibilidade de perdas associadas aos estoques. Por meio do inven- tário permanente, em cada movimentação de entrada ou saída, as 76 Gestão e controle de custos respectivas entradas e baixas são realizadas de modo contínuo, pos- sibilitando tanto o conhecimento do saldo atualizado quanto do custo do produto vendido. O Quadro 1 apresenta um modelo de Ficha de Controle de Estoque. Quadro 1 Modelo de Ficha de Controle de Estoque Ficha de Controle de Estoque Produto/material/mercadoria: Data Documento Entradas Saídas Saldo Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$ Total R$ Fonte: Elaborado pelos autores. A Ficha de Controle de Estoque apresenta três divisões, destacando principalmente as entradas, as saídas e o respectivo saldo do estoque. Cada movimentação corresponde a uma linha, mantendo, dessa for- ma, o estoque atualizado em relação ao seu saldo final. Contudo, o mesmo tipo de item do estoque pode ser adquirido em datas distintas, em diferentes quantidades e por diferentes custos unitários, como cita Ribeiro (2017). Nesse caso, para determinar qual é o custo do produto ou da mercadoria que está sendo consumida no processo de produ- ção, ou em relação ao produto acabado sendo vendido, é necessária a utilização de métodos de avaliação que atribuam valor aos estoques. Os métodos mais utilizados de valoração do estoque são: • Média ponderada móvel (MPM) • Média ponderada fixa (MPF) • Primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS) • Último que entra, primeiro que sai (UEPS) • Preço específico Sistemas de controle de estoque 77 4.2 Custo médio ponderado móvel Vídeo Como destacado, na saída de itens do estoque, é necessária a de- terminação do custo unitário que irá compor o custo dos produtos produzidos, ou, no caso de um item que será diretamente vendido, determinar o custo do produto ou mercadoria vendida. Para mate- riais intercambiáveis, ou seja, materiais que podem ser utilizados com o mesmo propósito sem alterar o resultado, o método do custo médio (ou preço médio) é o mais utilizado pelas empresas brasileiras. Como exemplo de um item intercambiável, pode-se citar o tecido utilizado na confecção de roupas, que, sendo do mesmo tipo de mate- rial e da mesma cor, independentemente de haver no estoque tecidos adquirido em datas, quantidades ou custos diferentes, é utilizado do mesmo modo no processo de produção e com o mesmo resultado. Se na produção for consumido um item adquirido mais recentemente ou mais antigo, isso não alterará a produção. Nesse caso, o custo médio ponderado das diferentes aquisições é utilizado para determinar o cus- to unitário que sairá do estoque. Neste ponto, é importante ressaltar que, embora existam vários mé- todos de avaliação de estoques, nem todos são aceitos pela legislação contábil para a apuração do custo dos produtos ou das mercadorias vendidas e, consequentemente, para a elaboração das demonstrações contábeis. A Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 2017) indica como critérios de valoração do estoque: preço específico 1 , PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai) e custo médio ponderado móvel (MPM). O método do último que entra, primeiro que sai (UEPS), apesar de não listado como aplicável pelos preceitos contábeis, pode ser utilizado gerencialmente como forma de valoração, sendo necessá- rio, nesse caso, o uso de outro método para a elaboração das informa- ções listadas nas demonstrações contábeis. Crepaldi e Crepaldi (2018, p. 54) explicam que “a utilização de forma conjunta constitui não só um avanço nos estudos da área de custos, mas também uma necessidade das empresas, já que elas possuem diferentes estratégias para aborda- gem e resolução de problemas”. O termo preço específico é uma expressão usualmente utilizada pelo mercado. Já a Norma Brasi-leira de Contabilidade trata essa especificidade de valorização do estoque pela alcunha de identificação específica. 1 78 Gestão e controle de custos Ribeiro (2014) explica que os materiais estocados são sempre ava- liados pela média dos custos de aquisição e, toda vez que ocorrer com- pra por custo unitário diferente dos que constarem no estoque, o custo médio será atualizado. Pode ser utilizado o custo médio ponderado móvel, que consiste em recalcular o custo unitário após cada nova compra com preço diferente, ou o custo médio ponderado fixo, que admite que o custo médio seja calculado com base em todas as com- pras efetuadas no mês e as saídas sejam registradas unicamente ao fim de cada mês. É apresentado, a seguir, um exemplo do registro do estoque pelo custo médio ponderado móvel, considerando mercadoria adquirida para revenda. Operações realizadas pela empresa durante o mês de janeiro 2 01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercado- ria Ômega – 30 unidades que totalizam R$ 318,00. 10/01/20x1: Aquisição de 50 unidades conforme a nota fis- cal (NF) n. 200 do fornecedor EG Ltda., no valor total de R$ 500,00. ICMS recuperável incidente sobre a compra de 18%. 10/01/20x1: Frete das 50 unidades no valor de R$ 100,00. 15/01/20x1: Venda de 40 unidades conforme nota fiscal de venda n. 001. 21/01/20x1: Aquisição de 20 unidades conforme a nota fiscal n. 280 do fornecedor SG Ltda., no valor total de R$ 240,00. ICMS recuperável incidente sobre a compra de 18%. 25/01/20x1: Venda de 20 unidades conforme nota fiscal de venda n. 002. A expressão 20x1 é uma notação didática para ano. Ela é utilizada para tornar um exemplo contábil atemporal, o valor x pode ser qualquer valor de dezena entre 0 e 9. Sendo assim, 20x1 pode ser 2001, 2011, 2021 etc. 2 Antes de as operações serem lançadas na ficha do estoque, o custo unitário das operações de entrada será calculado: Saldo anterior unitário = R$ 318,00 30 unidades = R$ 10,60 No inventário permanente, o estoque é controlado tendo todas suas entradas e saídas registradas em fichas de controle. Dentre seus métodos, o mais utilizado pelas empresas é o custo médio ponderado, que pode ser móvel ou fixo. Explique a diferença entre esses dois métodos. Atividade 1 Sistemas de controle de estoque 79 Compra dia 10/01 (+) Valor da NF = R$ 500,00 (–) ICMS recuperável R$ 500,00 · 18% R$ 90,00 (+) Frete das mercadorias = R$ 100,00 Total da aquisição = R$ 510,00 Custo unitário = R$ 510,00 50 unidades = R$ 10,20 Compra dia 21/01 (+) Valor da NF = R$ 240,00 (–) ICMS recuperável R$ 240,00 · 18% R$ 43,20 Total da aquisição = R$ 196,80 Custo unitário = R$ 196,80 20 unidades = R$ 9,84 A Tabela 1 apresenta a Ficha de Controle de Estoque preenchida pelo critério de avaliação da MPM. Tabela 1 Média ponderada móvel (MPM) Data Documento Entradas Saídas Saldo Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$ Total R$ 01/01 Saldo 30 10,60 318,00 (1) 10/01 NF 200 50 10,20 510,00 80 10,35 828,00 (2) 15/01 NF 001 40 10,35 414,00 40 10,35 414,00 (3) 21/01 NF 280 20 9,84 196,80 60 10,18 610,80 (4) 25/01 NF 002 20 10,18 203,60 40 10,18 407,20 (5) Fonte: Elaborada pelos autores. Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera- ção destacada no lado direito da Tabela 1: • Em (1), o saldo corresponde às quantidades e valores que consta- vam no estoque no final do período anterior. • Em (2), no dia 10/01, a empresa adquiriu 50 novas unidades, com custo unitário diferente do custo que constava no saldo anterior, sendo necessário o cálculo do custo unitário médio, consideran- do o saldo anterior e a compra realizada nessa data. Para a rea- lização do cálculo do custo médio, soma-se o valor total do saldo anterior e o valor total da nova compra; soma-se a quantidade do 80 Gestão e controle de custos saldo anterior e a quantidade da nova compra; e divide-se o total obtido em reais pelo total obtido em quantidades. Custo unitário médio ponderado = R$ 318,00 + R$ 510,00 30 + 50 = R$ 828,00 80 = R$ 10,35 • No dia 15/01 (3), ocorreram vendas de 40 unidades, que são bai- xadas do estoque pelo custo unitário médio de R$ 10,35. O total de R$ 414,00 corresponde ao custo das mercadorias vendidas nessa data. Permaneceram no estoque 40 unidades com custo unitário médio de R$ 10,35. • Em (4), dia 21/01, a empresa adquiriu 50 novas unidades, com custo unitário diferente do custo que constava no saldo anterior, sendo necessário o cálculo do custo unitário médio, consideran- do o saldo anterior e a nova compra. Custo unitário médio ponderado = R$ 414,00 + R$ 196,80 40 + 20 = R$ 610,80 60 = R$10,18 • No dia 25/01 (5), ocorreram vendas de 20 unidades, que são baixadas do estoque pelo custo unitário médio de R$ 10,18. O total de R$ 203,60 corresponde ao custo das mercadorias vendidas nessa data. Permaneceram no estoque 40 unidades com custo unitário médio de R$ 10,18, que será o saldo inicial do próximo período. Nas operações realizadas pelas empresas, é muito comum ocorre- rem devoluções de compras e/ou devoluções de vendas, que também são registradas na ficha de controle de estoque. Tem-se, a seguir, um exemplo para demonstrar a forma de preenchimento do controle utili- zando as seguintes operações: Sistemas de controle de estoque 81 Operações realizadas pela empresa durante o mês de janeiro 01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercado- ria Ômega – 30 unidades que totalizam R$ 605,40. 10/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme a nota fiscal n. 250 do fornecedor EG Ltda., no valor total de R$ 380,00. ICMS recuperável inciden- te sobre a compra de 18%. 12/01/20x1: Devolução de 10 unidades adquiridas no dia 10/01 do fornecedor EG Ltda., conforme nota fiscal de devolução n. 010. 15/01/20x1: Venda de 15 unidades, conforme nota fiscal de venda n. 011. 16/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme nota fiscal n. 300 do fornecedor SG Ltda., no valor total de R$ 440,00. ICMS recuperável inciden- te sobre a compra de 18%. 18/01/20x1: Devolução de 10 unidades referentes à ven- da no dia 15/01, conforme nota fiscal n. 012 Inicialmente, calcula-se o custo unitário que será utilizado na Ficha de Controle de Estoque nas operações de entrada: Saldo anterior unitário = R$ 605,40 30 unidades = R$ 20,18 Compra dia 10/01 (+) Valor da NF = R$ 380,00 (–) ICMS recuperável R$ 380,00 · 18% R$ 68,40 Total da aquisição = R$ 311,60 Custo unitário = R$ 311,60 20 unidades = R$ 15,58 82 Gestão e controle de custos Compra dia 16/01 (+) Valor da NF = R$ 440,00 (–) ICMS recuperável R$ 440,00 · 18% R$ 79,20 Total da aquisição = R$ 360,80 Custo unitário = R$ 360,80 20 unidades = R$ 18,04 A Tabela 2 apresenta as movimentações no estoque de acordo com o critério de avaliação da MPM. Tabela 2 Média ponderada móvel (MPM): devoluções Data Documento Entradas Saídas Saldo Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$ Total R$ 01/01 Saldo 30 20,18 605,40 (1) 10/01 NF 250 20 15,58 311,60 50 18,34 917,00 (2) 12/01 NF 010 –10 15,58 –155,80 40 19,03 761,20 (3) 15/01 NF 011 15 19,03 285,45 25 19,03 475,75 (4) 16/01 NF 300 20 18,04 360,80 45 18,59 836,55 (5) 18/01 NF 012 –10 19,03 –190,30 55 18,67 1.026,85 (6) Fonte: Elaborada pelos autores. Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera- ção destacada ao lado direito da Tabela 2: • Em (1), o saldo corresponde às quantidades e valores que consta- vam no estoque no final do período anterior. • No dia 10/01 (2), a empresa adquiriu 20 novas unidades, com custo unitário diferente do custo que constava no saldo anterior, sendo necessário o cálculo do custo unitário médio. Custo unitário médio ponderado = R$ 605,40 + R$ 311,60 30 + 20 = R$ 917,00 50 = R$18,34 • Em (3), no dia 12/01, a empresa devolve 10 unidades, emitindo para isso a sua nota fiscal n. 010, que acompanha a mercadoria. Apesar de o custo médio imediatamenteanterior ser de R$ 18,34 (final do dia 10/01), a mercadoria é devolvida com o custo original da aquisi- Sistemas de controle de estoque 83 ção, que foi de R$ 15,58. Os impostos recuperáveis são devolvidos para o fornecedor. Caso tenham ocorrido outras despesas para que o estoque ficasse à disposição da empresa, como fretes ou segu- ros, elas são baixadas do estoque, mas registradas contabilmente como despesas do período, pois os serviços (fretes, por exemplo) foram efetivamente utilizados. A devolução é registrada na Ficha de Controle do Estoque nas colunas correspondentes às entradas, mas negativas, indicando que se referem a entradas devolvidas. Ribeiro (2017, p. 245) explica que, registrando com valores negati- vos, “a soma algébrica da coluna das entradas refletirá o total das compras”. Como ocorreram devoluções, o custo unitário médio ne- cessita ser recalculado, pois a saída de itens do estoque interfere no custo ponderado dos itens que permaneceram. O novo custo unitá- rio médio é de R$ 19,03, que corresponde à divisão do total em es- toque de R$ 761,20 pela quantidade remanescente de 40 unidades. • No dia 15/01 (4), ocorreram vendas de 15 unidades, que serão baixadas do estoque pelo custo unitário médio de R$ 19,03. • Em (5), no dia 16/01, a empresa adquiriu 20 novas unidades, com custo unitário diferente do custo que constava no saldo anterior, sendo necessário o cálculo do custo unitário médio, consideran- do o saldo anterior e a nova compra: Custo unitário médio ponderado = R$ 475,75 + R$ 360,80 25 + 20 = R$ 836,55 45 = R$ 18,59 • Por fim, no dia 18/01 (6), ocorreram devoluções das vendas reali- zadas no dia 15/01 de 10 unidades. Embora o custo unitário médio do dia 16/01 indique R$ 18,59 por unidade, a devolução é reali- zada pelos mesmos valores das respectivas saídas, de R$ 19,03 por unidade. A devolução de uma venda representa uma entrada dos materiais no estoque, pois o cliente efetivamente devolve os produtos para a empresa, mas é registrada na coluna de saídas, com valores negativos, permitindo o acompanhamento do total das saídas efetivas do período. Como demonstra o exemplo, quando ocorreram devoluções, foi ne- cessário recalcular o custo unitário médio, e o novo valor mensurado com o procedimento foi de R$ 18,67, que corresponde à divisão do total em estoque de R$ 1.026,85 pela quantidade em estoque de 55 unidades. 84 Gestão e controle de custos 4.3 Custo médio ponderado fixo e PEPS Vídeo São apresentados, nesta seção, dois critérios de avaliação de esto- que: o custo médio ponderado fixo e o primeiro que entra, primeiro que sai, conhecido como PEPS. Os dois métodos são aceitos pelos pre- ceitos contábeis e pela legislação fiscal e podem ser adotados pelas empresas para controle de seus estoques e apuração do custo do pro- duto ou da mercadoria vendida. 4.3.1 Custo médio ponderado fixo O custo médio ponderado pode ser calculado a cada operação de entrada ou saída que altere o custo unitário, ou, como indica o Parecer Normativo CST n. 6 (BRASIL, 1979), as saídas podem ser “registradas unicamente no fim de cada mês, desde que avaliadas ao preço médio que, sem considerar o lançamento de baixa, se verificar naquele mês”. Dubois, Kulpa e Souza (2009) explicam que o método considera que o estoque inicial e as entradas do período são tratados como se fossem uma única aquisição. Todas as saídas são realizadas ao final do perío- do, como se fossem uma única operação, com base no custo médio das entradas do período. Para fins de exemplo, o custo médio ponderado fixo será demons- trado considerando a mercadoria Ômega, adquirida para revenda. Operações realizadas pela empresa durante o mês de janeiro 01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercadoria – 30 unidades que totalizam R$ 420,00. 10/01/20x1: Aquisição de 30 unidades, conforme a nota fiscal n. 350 do fornecedor EG Ltda., no valor total de R$ 420,00. ICMS recuperável incidente sobre a compra de 18%. 12/01/20x1: Aquisição de 20 unidades conforme a nota fiscal n. 400 do fornecedor SG Ltda., no valor total de R$ 260,00. ICMS recuperável incidente sobre a compra de 18%. 15/01/20x1: Venda de 5 unidades, conforme nota fiscal de venda n. 020. (Continua) Sistemas de controle de estoque 85 20/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme a nota fiscal n. 450 do fornecedor EG Ltda., no valor total de R$ 320,00. ICMS recuperável incidente sobre a compra de 18%. 25/01/20x1: Venda de 25 unidades, conforme nota fiscal de venda n. 021. Primeiramente, serão feitos os cálculos dos custos unitários das aquisições para serem lançadas na Ficha do Estoque. Saldo anterior unitário = R$ 420,00 30 unidades = R$ 14,00 Compra dia 10/01 (+) Valor da NF = R$ 420,00 (–) ICMS recuperável R$ 420,00 · 18% R$ 75,60 Total da aquisição = R$ 344,40 Custo unitário = R$ 344,40 30 unidades = R$11,48 Compra dia 12/01 (+) Valor da NF = R$ 260,00 (–) ICMS recuperável R$ 260,00 · 18% R$ 46,80 Total da aquisição = R$ 213,20 Custo unitário = R$ 213,20 20 unidades = R$ 10,66 Compra dia 20/01 (+) Valor da NF = R$ 320,00 (–) ICMS recuperável R$ 320,00 · 18% R$ 57,60 Total da aquisição = R$ 262,40 Custo unitário = R$ 262,40 20 unidades = R$13,12 A Tabela 3 apresenta a ficha de controle de estoque preenchida pelo critério de avaliação da MPF. 86 Gestão e controle de custos Tabela 3 Média ponderada fixa (MPF) Ficha de Controle de Estoque – Média Ponderada Fixa Produto/Material/Mercadoria: Ômega Data Documento Entradas Saídas Saldo (dd/mm) (Registro) Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$ Total R$ Qtde. Unit. R$ Total R$ 31/12 Saldo final 30 14,00 420,00 01/01 Saldo inicial 30 - - (1) 10/01 NF 350 30 11,48 344,40 60 - - (2) 12/01 NF 400 20 10,66 213,20 80 - - (3) 15/01 NF 380 5 - - 75 - - (4) 20/01 NF 450 20 13,12 262,40 95 - - (5) 22/01 NF 390 25 - - 70 - - (6) 31/01 Saldo final 70 12,40 868,00 (7) Precificação dos valores de saída 15/01 NF 380 5 12,40 62,00 - - - (7) 22/01 NF 390 25 12,40 310,00 - - - (7) Fonte: Elaborada pelos autores. Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera- ção destacada no lado direito da Tabela 3: • Em (1), o saldo inicial corresponde às quantidades que cons- tavam no estoque ao final do mês anterior (nesse caso, 31 de dezembro do ano anterior). Os valores em reais (R$) não são considerados no dia 01/01, pois a tabela atende ao critério da média ponderada fixa mensal, ou seja, o valor médio fixo de cada unidade movimentada durante o mês será conhecido so- mente ao término do último dia útil. • No dia 10/01 (2), a empresa adquiriu 30 novas unidades, com cus- to unitário diferente do custo que constava no saldo anterior. O valor monetário dessa aquisição será utilizado apenas no último dia útil do mês. Sistemas de controle de estoque 87 • Em (3), no dia 12/01, a empresa adquiriu 20 novas unidades, com custo unitário diferente do custo que constava nos lançamentos anteriores. Esse valor monetário também será utilizado apenas no último dia útil do mês. • No dia 15/01 (4), a empresa vendeu 5 unidades, e o valor mo- netário por unidade vendida para a baixa do estoque ainda não é conhecido, pois o critério da média ponderada fixa im- põe que dentro do mês as entradas futuras impactam em saí- das pretéritas. • Em (5), no dia 20/01, a empresa adquiriu 20 novas unidades, aqui- sição cujo valor monetário será utilizado apenas no último dia útil do mês. • No dia 22/01 (6), a empresa vendeu 25 unidades. O valor mone- tário por unidade vendida para a baixa do estoque, como ocorreu no dia 15/01, ainda não é conhecido • Por fim, em (7), ao término do dia 31/01 (último dia útil do mês), o valor médio do estoque, segundo critério ponderado fixo, é cal- culado considerando o saldo final do mês anterior e as entradas ocorridas no mês corrente: 31/12 Saldo final 30 qtdes R$ 420,00 (valor total) 10/01 NF 350 30 qtdes R$ 344,40 (valor total) 12/01 NF 400 20 qtdes R$ 213,20(valor total) 20/01 NF 450 20 qtdes R$ 262,40 (valor total) Total 4 lançamentos 100 qtdes R$ 1.240,00 (valor total) Custo unitário médio ponderado = R$ 1.240,00 100 = R$ 12,40 Os valores de custo das vendas realizadas nos dias 15/01 e 20/01 são registradas no dia 31/01. O total de quantidades vendidas no perío- do foi de 30 unidades (5 + 25), que são baixadas do estoque pelo custo unitário médio de R$ 12,40. O total de R$ 372,00 (R$ 62,00 + R$ 310,00) corresponde ao custo das mercadorias vendidas nessa data. Permane- ceram no estoque 70 unidades com custo unitário médio de R$ 12,40, totalizando R$ 868,00. 88 Gestão e controle de custos 4.3.2 Primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS) O método PEPS, também conhecido como First in, first out ou FIFO, necessita do controle de todas as entradas separadamente, pois a saí- da da mercadoria ou do material baseia-se na ordem de entrada. O critério PEPS presume que os itens de estoque comprados ou produ- zidos primeiro sejam vendidos em primeiro lugar, logo os itens que permanecerem em estoque no fim do período serão os comprados ou produzidos mais recentemente, conforme descreve a Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 (BRASIL, 2017). Padoveze (2018) explica que as mercadorias e os materiais adquiridos em primeiro lugar devem sair primeiro, ficando sempre as mercadorias das compras posteriores no estoque, até se esgotarem as quantidades da primeira compra, e assim sucessivamente. O método PEPS, em uma economia de preços crescentes, registra o custo dos produtos ou mercadorias vendidos por custos mais anti- gos e que, provavelmente, foram adquiridos com preços menores se comparados com as compras mais recentes. Nessa metodologia, como explica Martins (2010, p. 120), “há uma tendência de o produto ficar avaliado por custo menor do que quando do custo médio, tendo-se em vista a situação normal de preços crescentes”. Nessa situação, o resul- tado contábil apresenta-se maior, pois o custo da mercadoria vendida (CMV) ou custo do produto vendido (CPV) apropriados referentes aos produtos vendidos no período estão subavaliados se comparados com os preços mais recentes, pois, como citado, provavelmente foram ad- quiridos com preços mais elevados. Se houver uma situação de preços estáveis, haverá pouca ou nenhuma variação de lucro se comparados os métodos do custo médio e PEPS. Pelo PEPS, os materiais precisam de controles que identifiquem as compras realizadas em períodos e custos unitários diferentes, para que a saída observe a ordem das entradas. Em produtos que sejam perecí- veis e tenham validade relativamente curta, a utilização do PEPS permi- te o controle por lote de entrada e a saída dos itens que estejam mais próximos de sua validade, evitando, dessa forma, que seja necessária sua baixa, ocasionando a redução do lucro da empresa devido à perda. Para demonstrar os procedimentos de controle, será desenvolvido um exemplo considerando a mercadoria Ômega, adquirida para revenda. Sistemas de controle de estoque 89 Operações realizadas pela empresa durante o mês de janeiro 01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercado- ria Ômega – 20 unidades que totalizam R$ 185,00. 10/01/20x1: Aquisição de 50 unidades, conforme a nota fiscal n. 500 do fornecedor EG Ltda., no valor total de R$ 500,00. ICMS recuperável inciden- te sobre a compra de 18%. 15/01/20x1: Venda de 60 unidades, conforme nota fiscal de venda n. 030. 20/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme a nota fiscal n. 550 do fornecedor SG Ltda., no valor total de R$ 180,00. ICMS recuperável inciden- te sobre a compra de 18%. 25/01/20x1: Venda de 20 unidades, conforme nota fiscal de venda n. 031. Para facilitar o registro na ficha de controle do estoque, calcula-se o custo unitário das operações de entrada: Saldo anterior unitário = R$ 185,00 20 unidades = R$ 9,25 Compra dia 10/01 (+) Valor da NF = R$ 500,00 (–) ICMS recuperável R$ 500,00 · 18% R$ 90,00 Total da aquisição = R$ 410,00 Custo unitário = R$ 410,00 50 unidades = R$ 8,20 Compra dia 20/01 (+) Valor da NF = R$ 180,00 (–) ICMS recuperável R$ 180,00 · 18% R$ 32,40 Total da aquisição = R$ 147,60 Custo unitário = R$ 147,60 20 unidades = R$ 7,38 90 Gestão e controle de custos A Tabela 4 apresenta as movimentações no estoque de acordo com o critério de avaliação do PEPS. Tabela 4 Método PEPS Data Documento Entradas Saídas Saldo Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total 01/01 Saldo 20 9,25 185,00 (1) 10/01 NF 500 50 8,20 410,00 20 50 70 9,25 8,20 185,00 410,00 595,00 (2) 15/01 NF 30 20 40 60 9,25 8,20 185,00 328,00 513,00 - 10 10 - 8,20 - 82,00 82,00 (3) 20/01 NF 550 20 7,38 147,60 10 20 30 8,20 7,38 82,00 147,60 229,60 (4) 25/01 NF 31 10 10 20 8,20 7,38 82,00 73,80 155,80 0 10 10 - 7,38 - 73,80 73,80 (5) Fonte: Elaborada pelos autores. Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera- ção destacada no lado direito da Tabela 4: • Em (1), o saldo corresponde às quantidades e aos valores que constavam no estoque ao final do período anterior. • No dia 10/01 (2), a empresa adquiriu 50 novas unidades. Nas co- lunas do saldo, as quantidades e os valores das duas compras são evidenciadas separadamente, pois as saídas irão obedecer à ordem de entrada. • Em (3), no dia 15/01, ocorreram vendas de 60 unidades, sendo baixadas as 20 unidades que constavam no saldo do início do período e 40 unidades da entrada realizada no dia 10/01. O custo das mercadorias vendidas será o somatório das duas baixas, no valor de R$ 513,00. Nas colunas do saldo, permanecem as unida- des remanescentes da entrada do dia 10/01. • No dia 20/01 (4), a empresa adquiriu 20 novas unidades. Nas colunas do saldo, são evidenciadas separadamente as unidades remanescentes da entrada do dia 10/01 e as novas unidades ad- quiridas, totalizando 30 unidades. Sistemas de controle de estoque 91 • Por fim, no dia 25/01 (5), ocorreram vendas de 20 unidades, sen- do baixadas as 10 unidades mais antigas do estoque, zerando seu saldo, e 10 unidades da compra efetuada no dia 20/01. No saldo, permanecem ainda 10 unidades da entrada do dia 20/01, no valor total de R$ 73,80. 4.4 Preço específico e UEPS Vídeo Mais dois métodos podem ser utilizados para controle e avaliação dos estoques: o preço específico e o último que entra, primeiro que sai (UEPS). O que vai determinar o tipo de controle utilizado, em mui- tos casos, é o tipo de material ou mercadoria que precisa permanecer no estoque, como produtos perecíveis, em grandes quantidades, com especificidades únicas, com número de série, chassi, dentre outros as- pectos. Os métodos de preço específico e UEPS são apresentados com seus conceitos e aplicação de exemplos a seguir. 4.4.1 Preço específico Compreende o método que baixa do estoque efetivamente o custo de aquisição do bem. Marion (2015, p. 317) explica que é o “processo de custo usado para mercadoria (geralmente de elevado valor unitário), que possa controlá-la por unidade vendida e unidade comprada”. Com o controle individual, é possível determinar o custo específico de cada unidade estocada e, no momento da saída (por consumo ou venda), dar baixa pelo valor específico. Iudícibus e Marion (2016, p. 123) afirmam que o custo de um item vendido é exatamente o custo de adquiri-lo, existindo, portanto, “uma relação íntima e indissociável entre as uni- dades físicas e seus custos de aquisição, enquanto estiverem no Ativo, tanto para fins de balanço como para fins de determinação do CMV”. A Norma Brasileira de Contabilidade – TG n. 16 R2 ( BRASIL, 2017) reco- menda que o custo dos estoques de itens que não são normalmente inter- cambiáveis e de bens ou serviços produzidos e segregados para projetos específicos seja atribuído pelo uso da identificação específica dos seus custos individuais. Porém, para tanto, o método necessita do controle indi- vidualizado dos itens do estoque paraidentificar os custos de aquisição e, posteriormente, o custo baixado. Percebe-se, nesse caso, que não é pos- sível aplicá-lo a todos os itens de estoque e que o custo de manutenção desses controles pode ultrapassar os benefícios produzidos. 92 Gestão e controle de custos Esse método é aplicado a itens que possuam características como fácil identificação, com poucos itens em estoque, itens heterogêneos, que possuam alto valor agregado etc. São exemplos a venda de veícu- los novos e usados, imóveis para revenda, máquinas de grande porte, aparelhos de precisão, joias de alto valor, itens vendidos em galerias de arte, produtos por encomendas etc. Supõe-se, no exemplo a seguir, que uma empresa de revenda tenha adquirido para seu estoque os seguintes caminhões: 10/01/20x1: Aquisição de 01 caminhão MB mod. 1010, ano 2010, pelo valor de R$ 160.000,00, com gastos para deixar o caminhão disponível para revenda no valor de R$ 10.000,00. 15/01/20x1: Aquisição de 01 caminhão VW mod. 8585, ano 2012, pelo valor de R$ 140.000,00, sem outros gastos. 20/01/20x1: Aquisição de 01 caminhão VV mod. GH12, ano 2014, pelo valor de R$ 200.000,00, sem outros gastos. Supondo que a empresa venda o caminhão MB mod. 1010 pelo va- lor de R$ 250.000,00, o item terá que ser baixado do seu estoque e o custo do veículo vendido que será registrado na Demonstração do Resultado, em contrapartida ao valor da receita obtida, será o valor de R$ 170.000,00. O estoque final é o somatório dos valores específicos dos itens remanescentes. 4.4.2 Último que entra, primeiro que sai (UEPS) O critério de valoração dos estoques UEPS é também conhecido como Last in, first out ou pela sigla LIFO. Nessa metodologia de ava- liação, as últimas compras efetuadas são as primeiras a serem baixa- das do estoque, em virtude de seu consumo ou de sua venda. Martins (2010) explica que, com o uso do UEPS, há tendência de se atribuir cus- tos mais recentes ao custo das mercadorias ou dos produtos vendidos, e o estoque final é avaliado a custos mais antigos, representados pelas compras mais antigas. Sistemas de controle de estoque 93 O artigo Método UEPS: qual a vantagem para sua empresa?, de Fábio Hoinaski, publicado no Blog iBid, em 2017, apresenta características, vantagens e desvantagens do método último que entra, primeiro que sai. Apesar de não ser aceito pela legislação fiscal, é um método que pode ser aplicado de modo gerencial para o controle de alguns tipos de estoque, como os esto- ques empilhados, em que não é viável a remoção de todos os itens, sendo baixados primeiramente os estoques que estão na parte superior da pilha, normalmente os últimos que foram adquiridos. Acesso em: 5 mar. 2020. https://ibid.com.br/blog/metodo-ueps-qual-vantagem-para-sua-empresa/ Artigo O UEPS não é aceito pela legislação contábil e fiscal brasileira, pois parte-se do pressuposto de que as últimas entradas no estoque são realizadas por valores maiores que as primeiras, e, sendo as baixas realizadas pelas últimas compras, o custo da mercadoria ou do produ- to baixado seria maior, reduzindo assim o lucro e, consequentemen- te, os valores dos impostos a serem pagos ao governo – motivo pelo qual a legislação fiscal não aprovou a adoção desse critério, para que não ocorresse a postergação dos impostos pagos pelas empresas. Em economias de inflação baixa, o método UEPS apresentaria custos dos produtos vendidos muito próximos aos critérios da média ponderada ou PEPS, pois as diferentes compras não apresentariam distorções tão elevadas em seus valores. Novamente, para fins de exemplo, será analisado o registro na Ficha de Controle de Estoque e o custo das mercadorias vendidas da merca- doria Ômega. A seguir, são destacadas as operações realizadas durante o mês de janeiro, que são as mesmas já vistas no método PEPS. Operações realizadas pela empresa durante o mês de janeiro 01/01/20x1: Saldo inicial em estoques da mercadoria Ôme- ga – 20 unidades que totalizam R$ 185,00. 10/01/20x1: Aquisição de 50 unidades, conforme a nota fiscal n. 500 do fornecedor EG Ltda., no valor total de R$ 500,00. ICMS recuperável incidente sobre a compra de 18%. 15/01/20x1: Venda de 60 unidades, conforme nota fiscal de venda n. 030. (Continua) O método do UEPS (último que entra, primeiro que sai) não é aceito pelos preceitos contábeis e pela legislação fiscal brasi- leira, sendo utilizado somente gerencialmente para controle e atribuição de valor do estoque. Explique por que o UEPS não é aceito pela legislação brasileira. Atividade 2 94 Gestão e controle de custos 20/01/20x1: Aquisição de 20 unidades, conforme a nota fiscal n. 550 do fornecedor SG Ltda., no valor total de R$ 180,00. ICMS recuperável incidente sobre a compra de 18%. 25/01/20x1: Venda de 20 unidades, conforme nota fiscal de venda n. 031. A Tabela 3 apresenta a Ficha de Controle de Estoque preenchida pelo critério de avaliação do UEPS. Tabela 5 Método UEPS Data Documento Entradas Saídas Saldo Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total 01/01 Saldo 20 9,25 185,00 (1) 10/01 NF 500 50 8,20 410,00 20 50 70 9,25 8,20 185,00 410,00 595,00 (2) 15/01 NF 30 50 10 60 8,20 9,25 410,00 92,50 502,50 10 - 10 9,25 - 92,50 - 92,50 (3) 20/01 NF 550 20 7,38 147,60 10 20 30 9,25 7,38 92,50 147,60 240,10 (4) 25/01 NF 31 20 7,38 147,60 10 - 10 9,25 - 92,50 - 92,50 (5) Fonte: Elaborada pelos autores. Na sequência, os cálculos são explicados de acordo com a numera- ção destacada ao lado direito da tabela: • Em (1), o saldo corresponde às quantidades e valores que consta- vam no estoque ao final do período anterior. • No dia 10/01 (2), a empresa adquiriu 50 novas unidades, demons- tradas separadamente nas colunas do saldo, para que seja possí- vel a visualização da ordem das entradas. • Em (3), no dia 15/01, ocorreram vendas de 60 unidades e suas baixas demonstradas nas colunas de saídas. Primeiro, são baixa- Sistemas de controle de estoque 95 das as últimas compras, correspondendo a 50 unidades. Como só havia 50 unidades da última compra, ainda é necessário bai- xar 10 unidades mais antigas referentes ao saldo anterior. Esta é a metodologia do UEPS: baixar as últimas compras e, caso não tenha quantidade suficiente, baixar as entradas imediatamente anteriores. O custo das mercadorias vendidas será o somatório das duas baixas, na coluna de saídas, no valor de R$ 502,50. Nas colunas do saldo, permanecem as unidades remanescentes do saldo inicial do período. • No dia 20/01 (4), a empresa adquiriu 20 novas unidades. Nas colunas do saldo, são evidenciadas separadamente as unida- des remanescentes e as novas unidades adquiridas, totalizan- do 30 unidades. • Por fim, em (5), no dia 25/01, ocorreram vendas de 20 unidades, sendo baixadas as 20 unidades mais recentes do estoque (as úl- timas que entraram), zerando a quantidade dessa aquisição. No saldo, permanecem ainda 10 unidades no valor total de R$ 92,50. Os dois métodos apresentados nesta seção podem ser utilizados; contudo, eles contam com características específicas que fazem com que seu uso seja menos difundido. O preço específico é utilizado para itens com quantidades limitadas e características distintas entre si. O UEPS, por sua vez, deve ser utilizado em conjunto com outra metodo- logia, uma vez que não é aceito pela legislação contábil e fiscal para determinação do custo dos produtos vendidos. Desse modo, seu uso é mais restrito e oneroso às organizações. Diversos fatores influenciam as organizações na seleção de um critério de avaliação de estoques, como o seu porte e a necessidade de controle de seus respectivos estoques. Como critério de avaliação de estoques, tem-se média ponderada, PEPS, UEPS e preço específico. Explique como é a metodologia de atribuição do custo unitário aos produtos vendidos dos métodos PEPS e UEPS. Atividade 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, foram elencados os principaismétodos de avaliação do estoque, que permitem o controle e a valoração das mercadorias e pro- dutos estocados. O inventário permanente é aquele que controla todas as entradas e saídas do estoque, possibilitando, assim, o conhecimento tanto do saldo em estoque quanto do custo dos itens baixados como ven- das, que, registrado na Demonstração do Resultado, fornece o custo das mercadorias ou produtos vendidos. Dentre os métodos apresentados, o custo médio é o mais utilizado, refletindo sempre a média ponderada das diversas entradas por preços diferentes no período. As saídas são valoradas pela média dos custos de entrada, que pode ser a média móvel ou fixa. O que diferencia a varia- 96 Gestão e controle de custos ção no método do custo médio é o registro das saídas, feitas operação a operação – no caso da média móvel – ou somente ao final do período – no método do custo médio ponderado fixo. Além dos métodos citados, o controle pode ser realizado por PEPS ou UEPS. Os dois controlam se- paradamente as entradas por custos diferentes, e o valor atribuído para as saídas do estoque depende da ordem de entrada. No PEPS, as baixas são valoradas pelo custo das primeiras compras, ficando em estoque os custos mais recentes. No UEPS, as baixas são valoradas pelo custo das aquisições mais recentes, ficando em estoque os custos das aquisições mais antigas. Apesar de o UEPS não ser aceito pela legislação contábil e fiscal, pode ser usado de modo gerencial. Por fim, tem-se o preço ou custo específico, que apresenta como valor de saída exatamente o custo de aquisição ou produção do item. Como necessita de controles individualizados por item, é utilizado em produtos de fácil identificação e que tenham normalmente uma quantidade redu- zida de estoque. REFERÊNCIAS BRASIL. Receita Federal. Parecer Normativo CST n. 6, de 26 de janeiro de 1979. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2 fev. 1979. Disponível em: http://normas.receita.fazenda. gov.br/sijut2consulta/link.action? Visão=anotado&idAto=87004. Acesso em 5 mar. 2020. BRASIL. Entidades de Fiscalização do Exercício das Profissões Liberais. Conselho Federal de Contabilidade. Norma Brasileira de Contabilidade, TG 16 (R2), de 24 de novembro de 2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 dez. 2017. Disponível em: http://www2.cfc. org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2). doc. Acesso em: 5 mar. 2020. CREPALDI, S. A; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018. DUBOIS, A.; KULPA, L.; SOUZA, L. E. Gestão de custos e formação de preços. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. IUDÍCIBUS, S. et al. Contabilidade introdutória. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Contabilidade comercial. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2016. LEMES JUNIOR, A. B.; RIGO, C. M.; CHEROBIM, A. P. Administração financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras. Rio de Janeiro: Campus, 2002. MARION, J. C. Contabilidade Empresarial. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2015. MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2010. PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e intermediária. 10. ed., 2. reimpr. São Paulo: Atlas, 2018. RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. RIBEIRO, O. M. Contabilidade básica. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. STICKNEY, C. P.; WEIL, R. L. Contabilidade financeira: uma introdução aos conceitos, métodos e uso. Trad. de José Evaristo dos Santos. São Paulo: Atlas, 2001. VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade básica. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. Sistemas de controle de estoque 97 GABARITO 1. A diferença entre o custo médio ponderado móvel e o custo médio ponderado fixo é a atribuição do custo unitário ao produto estocado. Na média móvel, o custo unitário do produto estocado é valorado a cada nova entrada com custo diferente, e as saídas são registradas pelo custo unitário até aquela data. No custo médio ponderado fixo, o custo unitário das operações de saída é obtido considerando todas as operações de entradas realizadas durante o período. As saídas são valoradas pelo custo médio ponderado de todas as entradas do mês, independentemente da data de saída. 2. No método UEPS, as saídas são precificadas com base nas últimas aquisições realiza- das e, nesse caso, a tendência é que as últimas compras sejam efetuadas por valores maiores que os das anteriores, considerando que pode haver um processo inflacioná- rio. Nesse caso, ao baixar as últimas compras, o CPV ou CMV seriam maiores, diminui- riam o lucro e, consequentemente, seriam pagos menos impostos. 3. O PEPS atribui ao custo dos produtos vendidos o custo unitário das aquisições mais antigas (as primeiras que entraram no estoque). Dessa forma, o CPV é composto pelos custos unitário mais antigos, e os produtos permanecem no estoque pelos custos uni- tários mais recentes. Pelo método UEPS, são baixados do estoque as aquisições mais recentes (últimas que entraram) para determinar o CPV contabilizado na Demonstra- ção do Resultado. 98 Gestão e controle de custos 5 Análise de custo para tomada de decisão De modo bastante sintético, pode-se dizer que uma empre- sa é constituída para gerar lucro, isto é, deve apresentar resul- tado positivo no confronte entre benefícios e sacrifícios. Para tanto, ela precisa realizar atividades que produzam serviços ou bens que tenham utilidade para o mercado, pois somente assim seus clientes terão interesse em consumir esses produtos. Por sua vez, essas atividades empresariais, para serem executadas, precisam de recursos, como espaço físico, matéria-prima, mão de obra, entre outros, os quais, para serem obtidos, exigem o sacrifício financeiro da empresa, ou seja, que ela tenha gastos com investimentos, custos e despesas. Nesse contexto, tem-se que a busca para maximizar o lu- cro de uma empresa exige que análises sistêmicas sejam feitas, para que decisões sejam tomadas sobre como gerenciar ade- quadamente os gastos da entidade. Existem diversas maneiras para realizar uma análise gerencial de gastos. Entre as distintas formas de análise que são possíveis, o presente capítulo apre- senta a análise dos dispêndios fixos e variáveis, segundo as prá- ticas do mercado, para questões gerenciais preditivas. Análise de custo para tomada de decisão 99 5.1 Gastos fixos Vídeo De acordo com Martins (2003), a contabilidade permite, além da classificação dos custos em dire- tos e indiretos 1 , a separação dos custos em fixos e variáveis. Ainda segundo o autor, diferente do que ocorre com a classificação em diretos e indiretos – que somente se aplica ao gasto de produção (cus- to) –, a distinção dos dispêndios em variáveis e fixos também é válida para os gastos destinados a gerar receita, isto é, para as despesas. Dado esse fato, não é raro encontrar, na práti- ca de mercado, relatórios gerenciais utilizando, de modo leigo, a expressão análise de custo em proce- dimentos que abordam o método fixo e variáveis em gastos incorridos que são não somente de pro- dução. O problema nesse caso não está na análise em si, mas na terminologia, uma vez que, para ficar mais bem alinhado com a teoria contábil, esses rela- tórios deveriam ser identificados como análise do gasto. Dado esses ruídos semânticos, este capítulo, apesar de seu título, é válido tanto para os gastos na forma de custo quanto, também, para os classifica- dos como despesas. Segundo o dicionário Michaelis (TREVISAN, 2015), o verbete fixo pode significar, entre outras possibilidades, “definido precisamente com antecedência [...]. Que é constante”. Considerando o uso comum da palavra, é possível deduzir que esse vocábulo pode ser utilizado para comunicar que uma ação tem um resultado já conhecido antes mesmo de ele ocorrer, uma vez que este não se altera em determinado even- to que é observado. Na contabilidade, o gasto fixo tem, basicamente, o mesmo significado, uma vez que é utilizado para indicar quecertas atividades (ações) apresentam um valor total de sacrifícios financeiros que não sofre influência em relação à quantidade de bens ou serviços que é produzida em certo intervalo de tempo. Um exemplo de gasto com aluguel é um ótimo meio para ilustrar esse conceito. Suponha que uma confecção, para utilizar certo espaço físico para fabricar suas roupas, precise assinar um contrato de aluguel com um Custos diretos são gastos de produção facilmente identificados com o produto elaborado; por exemplo, o gasto com tecido branco na confecção de camisas sociais brancas, gasto de tecido preto na confecção de calças sociais pretas. Já os custos indiretos são aqueles que exigem algum critério de rateio para serem apropriados ao bem ou serviço produzido; por exemplo, a mão de obra do gerente de produção, que cuida das produções tanto de camisas quanto de calças. Somente o rateio pode determinar o custo desse profissional em cada um desses dois produtos. 1 100 Gestão e controle de custos período de 12 meses. De acordo com o documento, o valor mensal de R$ 5.000,00 deve ser pago ao término de cada mês. Isso é um cus- to fixo? Sim, pois se trata de um gasto para fins produtivos (custo), compromisso com o qual, no início de cada mês, durante a vigência do contrato, a empresa já sabe que terá que honrar (conhecimento antecipado), produza ela mil ou nenhuma peça de roupa no período (valor constante em relação à produção). Um aluguel com essas carac- terísticas é um gasto produtivo que não tem vínculo com a quantidade produzida, portanto é um gasto fixo por natureza durante o período de vigência do contrato. Tanto a economia (PINDYCK; RUBINFELF, 2013) quanto a contabi- lidade (MARTINS, 2003) apresentam o gasto fixo como um valor total, que não se altera com a variação da produção em um determinado tempo de análise. Contudo, existe uma diferença: a economia classifica o tempo de uma análise em curto ou longo prazo, conforme a presença de gastos fixos; já a contabilidade estabelece o gasto fixo considerando o tempo da análise. Para a economia, o tempo de curto prazo ocorre quando existe, na análise, pelo menos um recurso que é fixo (que não pode ser alterado) na atividade produtiva; já o longo prazo ocorre quando todos os recur- sos são variáveis, isto é, podem ser alterados, modificando, se necessá- rio, a capacidade produtiva. Por exemplo, uma empresa que tenha, nos próximos dois anos, o aluguel mensal da fábrica como sendo o único compromisso que não pode ser alterado, tem como horizonte de curto prazo esse período contratual. O longo prazo econômico, nesse exem- plo, para efeito decisório, tem como foco períodos superiores aos dois anos, pois é quando todos os gastos da empresa se tornarão variáveis, permitindo, assim, que novos artefatos econômicos possam ser aplica- dos em análises mais densas. De modo geral, pode-se dizer que a contabilidade considera o curto prazo como sendo o tempo compreendido em até 12 meses. Já o longo prazo consiste no período que excede esse limite de tempo. Com rela- ção ao gasto fixo, considera-se o dispêndio que, dentro de certo período temporal (dia, mês, ano etc.), não sofre influência em relação à quanti- dade produzida. Por exemplo, o aluguel mensal firmado por dois anos é um custo fixo nesse período, pois não sofre qualquer influência com a variação da quantidade produzida tanto no curto prazo (nos próximos 12 meses) quanto no longo prazo (após 12 meses até o vencimento do Na obra Custos empresa- riais: uma visão sistêmica do processo de gestão em uma empresa, nos capítulos 1 (seção 1.2.) e 5 (seção 5.1.), os autores trabalham, de maneira prática e ao mesmo tempo sintética, o uso dos conceitos econômi- cos do custeio variável – segundo a percepção do paradigma econômico neoclássico. Nesse senti- do, os autores explicam, mediante análises gráfi- cas, como o uso da teoria da firma (produção, custo e receita) pode ampliar a eficiência das decisões estratégicas sobre a pau- ta da gestão de custos. SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. Curitiba: InterSaberes, 2016. Livro Um exemplo de artefato econô- mico de longo prazo, a título de curiosidade, é a análise gráfica que estabelece a tangência das curvas isoquanta (pontos de igual quantidade) e isocusto (pontos de igual custo), na qual é possível identificar a estrutura produtiva com menor custo de produção para certa quantidade de produto no longo prazo. Essa é uma pauta comumente trabalhada em livros de microeconomia. Curiosidade Análise de custo para tomada de decisão 101 contrato). No entanto, se a empresa for analisar essa atividade produ- tiva para um período maior que dois anos, o gasto com aluguel poderá ser considerado como fixo ou variável, tudo depende se a empresa pre- tende manter, aumentar ou reduzir sua capacidade produtiva. Segundo Martins (2003), a contabilidade de custo subclassifica os gastos fixos em repetitivos e não repetitivos. Os gastos fixos repetiti- vos são sacrifícios financeiros classificados como fixos e que, dentro do período de análise, não se alteram, isto é, são constantes em valores nominais. Por exemplo, um aluguel que somente é reajustado anual- mente pela inflação acumulada no período será classificado como um gasto fixo repetitivo mensal, pois, entre as datas dos reajustes, seu va- lor será constante em todos os meses. Os gastos fixos não repetiti- vos, por sua vez, são dispêndios classificados como fixos, mas que não são constantes no período de análise. Por exemplo, um aluguel que é reajustado mensalmente pela inflação será classificado como gasto fixo não repetitivo mensal, pois o seu valor, devido à correção mone- tária, não se repete todos os meses, ou seja, o valor mensal varia todo mês dadas as cláusulas contratuais que não apresentam vínculo causal com a produção mensal. Por fim, encerrando esta seção, convém destacar que, segundo Mar- tins e Rocha (2015, p. 42), a essência contábil define que “todos os custos indiretos são fixos” e que todos os custos diretos são variáveis. Todavia, os mesmos autores esclarecem que, às vezes, por questões pragmáticas, ge- ralmente por “inviabilidade econômica”, custos diretos podem acabar sen- do tratados como se fossem gastos indiretos, portanto, fixos. Nesse sentido, Martins (2003, p. 251) apresenta o caso da mão de obra direta (MOD), a qual, apesar de ser em essência um custo variável – por ser um custo direto –, pode, conforme o caso, ser tratada em uma empresa como um custo fixo, uma vez que sua contabilização correta poderia impor “a necessidade de apontamentos extremamente caros, o que poderia ser incompatível com o grau de utilidade da informação obtida”. Explique a diferença entre gastos fixos repetitivos e não repetitivos. Atividade 1 Apesar de não ser raro encontrar a MOD sendo classificada como custo fixo em decisões preditivas mensais em análises gerenciais, é necessário que fique claro que, para a contabilidade de custo, ela é um custo variável, salvo em casos, como já dito, muito específicos. Portanto, em concur- sos públicos ou em exames de conselhos profissionais, verifique com atenção a bibliografia que está sendo indicada e, também, como os enunciados das questões cobradas abordam os problemas com MOD. Atenção A expressão montante é utilizada na área financeira para expressar o valor total do capital (dinheiro). 2 5.2 Gastos variáveis Vídeo De acordo com Martins (2003), os gastos variá- veis são aqueles em que o montante 2 do sacrifício financeiro sofre a influência da atividade da empre- sa dentro de um determinado período temporal em 102 Gestão e controle de custos relação à quantidade produzida e/ou vendida. Os custos variáveis (ou diretos) são aqueles em que o volume da produção impacta o valor to- tal do gasto mensurado, por exemplo, matéria-prima, embalagens etc. Já as despesas variáveis são aquelas em que a quantidade vendida ou o volume de receita 3 impacta o valor total do gastocontabilizado, por exemplo, comissão de venda, tributos sobre venda etc. Apesar de parecer fácil, realizar a classificação dos gastos em fixo e variável é uma tarefa que exige muito conhecimento técnico. Sobre isso, Martins e Rocha (2015, p. 25) ressaltam que às vezes sequer “é possível mencionar, com certeza absoluta, exemplos definitivos e indis- cutíveis de custos variáveis, pois cada caso deve ser analisado à luz das específicas circunstâncias”. Porém, existem situações nas quais certos tipos de gastos são mais fáceis de serem classificados. Em geral, o gas- to com matéria-prima é um desses casos. A matéria-prima é um gasto que, na maioria das vezes, pouco pode se discutir sobre sua classifica- ção como um custo variável, dada a forte relação causal que apresenta com o bem ou serviço produzido. Considere, a seguir, o Ativo tecido em uma confecção: • Quando uma confecção compra um tecido para fazer uma camisa, ela realiza um gasto. Ou seja, para a aquisição do Ativo tangível tecido, ela faz um sacrífico financei- ro, reduz de imediato o capital que já tem em caixa (pagamento à vista) ou assume um compromisso que irá reduzi-lo no futuro (pagamento a prazo). • O tecido comprado, quando chega na empresa, é contabilizado como estoque; ele se torna um investimento; portanto, um patrimônio dessa entidade jurídica. Um in- vestimento nada mais é do que um gasto reconhecido no Ativo, portanto, um gasto ativado. Sendo assim, até esse momento, o valor do tecido não deve ser interpre- tado como um custo, porque ele pode ter, conforme as circunstâncias, um destino diferente do que o da produção. Ele pode, por exemplo, ser revendido para outras confecções (despesa de venda), ser jogado fora por deixar de ter valor de mercado em virtude de algum dano que sofreu na estocagem (perda), entre outros. • Quando o camiseiro requisita o tecido para transformá-lo em uma camisa, esse Ati- vo deixa ser um investimento (um gasto ativado) e torna-se, a partir desse momen- to, uma matéria-prima, um gasto de produção. E, por ser um gasto que permite a identificação clara sobre qual é o volume de matéria-prima (tecido), é utilizado para a elaboração do produto final (camisa). Esse gasto é classificado, sem grandes dúvidas, como sendo um custo variável (ou direto). Receita, em estudos financeiros, é o valor monetário, isto é, o produto da multiplicação da quantidade vendida e o preço de venda. 3 Lembre-se: o conceito contábil direto e indireto somente é apli- cável para os gastos produtivos. Portanto, para a contabilidade, não existe despesa direta e indireta, apenas despesa fixa e variável. Atenção Análise de custo para tomada de decisão 103 Desse exemplo, é possível extrair, sem entrar muito em aspectos teóricos, que se essa confecção, em dado período tempo, não produziu sequer uma camisa, o tecido que está no estoque lá ficará, ou seja, não poderá ser classificado como um gasto na produção. Contudo, se a em- presa, nesse hiato temporal, produzir camisas, quanto mais peças forem fabricadas dentro do período analisado, mais tecidos serão consumidos na produção e, portanto, maior será o montante do custo variável. Normalmente, os livros-textos que abordam a pauta custo variável (CV) apresentam o CV unitário (o valor do custo de uma unidade produ- zida) como um valor constante, independentemente do tempo analisado ou do volume produzido. Eles partem da premissa de que o CV montan- te (o valor total do custo em dado período) é linearmente proporcional ao volume produzido pela empresa. E, dado esse fato, geralmente, os exemplos que apresentam são mais ou menos do seguinte modo: Uma confecção produz 200 camisas por mês (volume de produção) e, para pro- duzir uma camisa, precisa de 1,5 m de tecido, cujo preço do tecido é de R$ 10,00 por metro (valor de reposição ou contabilizado no estoque). Com base nesses dados, in- forme os valores do custo variável tecido por camisa produzida e por mês. Solução CV unitário = 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00/camisa 4 CV montante = 200 camisas/mês · R$15,00/camisa = R$ 3.000,00/mês Resposta Custo variável tecido/unidade de camisa = R$ 15,00 Custo variável tecido/mês para a produção de 200 camisas = R$ 3.000,00 Para compreender a lógica do uso das expressões com barra, considere a situação a seguir: 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00/camisa Se: 1,5 m por 1 camisa = 1,5 m por camisa = 1,5 m/camisa = 1,5 m camisa E: R$ 10,00 por 1 metro = R$ 10,00 por m = R$ 10,00/m = R$ 10,00 m Então: 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = 1,5 m camisa · R$ 10,00 m = 1,5 m m · R$10,00 camisa Portanto: 1,5 1 · R$10,00 camisa = 1,5 . R$10,001 camisa = R$15,00 camisa = R$15,00/camisa Essa mesma lógica está presente nos demais cálculos que contêm o uso de barras (/) deste capítulo. Importante: Frações de mesma unidade, ao serem resolvidas, perdem as unidades e tornam-se números puros. Veja os exemplos a seguir: 1,5 m 1 m = 1,5 1 ou 1,5; 20 litros 40 litros = 20 40 = 0,5 1 ou 0,5; R$ 30,00 R$ 50,00 = 30 50 = 0,6 1 ou 0,6 4 104 Gestão e controle de custos Nesse exemplo, caso a confecção não produza nenhuma ca- misa, seu custo variável mensal (CV montante) será zero, pois: CV = R$ 15,00 × zero quantidade. À medida que a empresa vai pro- duzindo, o CV montante também vai crescendo proporcionalmente de modo linear, isto é, aumentando em R$ 15,00 a cada nova unidade produzida: CV montante = CV unitário × quantidade produzida. Sendo válida essa lógica, tem-se que a representação do custo variável linear- mente proporcional é uma função de 1º grau: f (x) = y = αx. A variável independente x é a quantidade produzida, a variável dependente y é o CV montante e o coeficiente angular α é o CV unitário. O coeficiente an- gular da função é o valor de inclinação de reta; portanto quanto maior for o valor do CV unitário, maior é o impacto do volume de produção no CV montante e vice-versa, como pode-se observar na Figura 1. Figura 1 Custo variável linearmente proporcional f (Quant. produzida) = CVmontanteR$ Zero Quant. produzida Custo variável CVunitário Fonte: Elaborada pelos autores. Essa forma de abordagem de linearidade proporcional está errada? Pelo contrário; construções didáticas desse tipo estão extremamente corretas. Em verdade, quem for prestar alguma prova sobre esse tema, provavelmente, irá se deparar com uma situação muito parecida. Tal- vez seja necessário fazer alguns cálculos a mais para encontrar o valor da metragem de tecido por camisa e/ou a quantidade de camisas pro- duzida por mês. Conforme o grau de dificuldade da prova, é necessá- rio considerar, também, alguns outros insumos variáveis (linha, botões etc.). Na essência, a lógica será a mesma; o problema de ficar somente nela é o fato de o mundo real ser um pouco mais complexo do que isso. Apesar de muitas empresas realmente apresentarem o comporta- mento linear, pelo menos durante determinados períodos, é importante Análise de custo para tomada de decisão 105 ressaltar que existem fatores, tanto econômicos quanto operacionais, que podem impactar essa análise. Uma empresa é um sistema aberto e complexo, ou seja, constantemente recebe influências do meio em que está inserida, sendo impactada de diferente formas e intensidade. Esse fato pode converter o confortável cálculo demonstrado anterior- mente em um cenário em que, apesar de ainda ser proporcional, não se apresenta mais como linear ao volume de atividades da empresa, seja no aspecto da quantidade utilizada do recurso variável, seja na mensuração desse em unidades monetárias. Segundo Martins e Rocha (2015, p. 26), para a contabilidade, pela ótica da quantidade utilizada de recurso (peças, metros, quilos, horas etc.), os custos variáveis não linearmente proporcionais são aqueles que resultam de “situações em que determinado material é utilizado em proporção maior ou menor em relação ao volume de produção”, entre outros motivos, segundo esses mesmos autores,“por variações na composição dos materiais, por oscilações do nível de eficiência na sua utilização, pela qualidade da manutenção dos equipamentos etc.”. A economia também considera a natureza de não linearidade do gasto variável. Pindyck e Rubinfelf (2013) afirmam que, para a ciência econômica, segundo o paradigma da escola neoclássica, a curva do CV montante, no período do curto prazo, não apresenta um único valor de CV unitário. Em outras palavras, o valor do CV montante cresce a cada nova unidade produzida, mas a força dessa influência é variável. De modo resumido, pode-se dizer que, basicamente, são três áreas princi- pais de influências, cada qual contendo infinitos coeficientes de inclina- ção, os quais podemos observar na Figura 2 5 . Figura 2 Custo variável não linearmente proporcional f (Quant. produzida) = CVmontanteR$ Zero Quant. produzida Área I Área II Área III Custo variável Fonte: Elaborada pelos autores. A ciência econômica é subdividida em escolas de pensamentos (ou paradigmas), sendo a escola neoclássica uma dessas corretes. Seu surgimento se deu na segunda metade do século XIX, trazendo, dentre outras contribuições, o debate da utilidade marginalista, isto é, a análise do valor incremental. Saiba mais A divisão feita aqui em três áreas de análise é apenas uma ilustração didática. O conceito econômico da curva do custo variável é muito mais abrangen- te. Para seu real entendimento, se faz necessário o estudo da teoria da firma, segundo o paradigma neoclássico, a qual é constituída por três outras teorias: da produção, do custo e da renda. Essas três teorias, por sua vez, consideram o comportamento dos recursos produtivos segundo a análise dos valores médios e marginais, para assim estabelecer os pontos de maior eficiência no uso dos recursos, valor do menor custo por unidade produzida, valor de maior lucro etc. Caso haja inte- resse no aprofundamento desse conteúdo, sugerimos a leitura de livros-textos de microeconomia ou, pelo menos, de introdução à economia. 5 106 Gestão e controle de custos A curva do CV montante, na economia chamada apenas de custo variável, começa na área I, exatamente no ponto zero do plano carte- siano. Na área I, o CV unitário apresenta valores altos, mas em contí- nua queda à medida que a produção aumenta. Isso ocorre devido ao processo adaptativo da produção no uso do insumo variável, gerando rendimentos cada vez melhores à proporção que aumenta a quanti- dade produzida. Já na área II, o CV unitário apresenta valores cada vez menores, até alcançar o seu valor mínimo. O valor mínimo do CV unitário é o ponto em que se tem o menor valor do custo variável por unidade produzida, dado o fato de a produção ter alcançado a máxima eficiência no uso do fator variável. Após alcançar o ponto de menor custo médio variável, o CV unitário volta a subir gradativamente até iniciar a área III. Por fim, na área III, devido às limitações dos recursos fixos para atender à quan- tidade produzida (por exemplo, tecnologia e/ou equipamentos), o CV unitário cresce com muito mais força, alavancando expressivamente o valor do CV montante a cada nova unidade produzida, ou seja, aumen- tando consideravelmente a inclinação da curva do custo variável. Além disso tudo que foi explicado sobre a questão operacional, ainda há, no mundo real, o problema das oscilações do preço de compra dos gastos variáveis. Isso implica dizer que, mesmo que a quantidade do insumo variável utilizada seja sempre a mesma para produzir uma unidade de produto final, isto é, linear no aspecto físico, a simples variação do preço desse insumo já pode alterar o valor do CV unitário dentro do período de análise. Entre outros fatores que podem alterar o valor do CV, segundo esse contexto, tem-se a insta- bilidade econômica do país (inflação, câmbio etc.), mudança de forne- cedor (diferenças de frete, tributos etc.), tamanho do lote comprado pela empresa, entre outros. Considerando esse fato, a análise do CV sempre deve evidenciar se as alterações ocorrem em virtude de as- pectos operacionais ou monetários. Tudo o que foi dito aqui sobre o gasto variável, utilizando a matéria- -prima como exemplo, é válido para todos os demais recursos variáveis, como embalagens e mão de obra direta (MOD). Todavia, como foi expli- cado no início desta seção, alguns casos podem ser bem mais comple- Analise os gastos que seguem classificando-os em fixo (F) e variáveis (V). ( ) Matéria-prima utilizada na produção. ( ) Aluguel do barracão utilizado pela fábrica. ( ) Embalagem primária utilizada na produção. ( ) Comissão paga aos vendedores conforme o volume de venda. Atividade 2 menor valor do CV unitário não implica menor valor do CV montante. Afinal, o menor valor do CV montante sempre será zero, pois se nada for produzido, nada será gasto. A partir do ponto zero, cada nova unidade produzida irá aumentar o CV montante dentro do período analisado. Atenção Análise de custo para tomada de decisão 107 xos, conforme o cenário de análise. Nesse sentido, a MOD, geralmente, é o pior desses casos, uma vez que, conforme o modo como é feita a análise do gasto, ela pode ser classificada como um custo variável (for- ma mais coerente aos princípios contábil), misto (parte variável e parte fixo) ou, ainda, fixo (forma comum em relatórios gerenciais para ques- tões preditivas de curto prazo). Esse leque de possibilidades impacta diretamente a análise da margem de contribuição, sendo, por isso, um elemento que exige muita atenção e embasamento técnico. 5.3 Margem de contribuição Vídeo Na contabilidade, a classificação dos gastos em fixos e variáveis se dá mediante a aplicação do método contábil denominado custeio variá- vel (ou direto). De acordo com Souza e Clemente (2011), sua origem se deu no início da década de 1930 nos EUA, como uma alternativa ao uso do custeio por absorção. O cus- teio variável foi uma resposta às críticas levantadas sobre a subjetividade presente nos rateios de custos indiretos que, na opinião de certos grupos, dificulta- va as análises dos resultados econômicos, isto é, o confronte entre os custos incorridos com as vendas realizadas. Com base no novo método, segundo os autores, emergiram aspectos conceituais importan- tes para as decisões gerenciais: “conceitos de mar- gem de contribuição; análise custo-volume-lucro; gestão de custos fixos e, principalmente, o desloca- mento do foco da produção para as vendas” (SOUZA; CLEMENTE, 2011, p. 64). O método do custeio variável apresenta o conceito de que somen- te os custos variáveis, portanto diretos, é que devem ser apropriados aos Ativos produzidos (bens/serviços), já os custos indiretos devem ser tratados como sendo gastos incorridos no período, evitando assim a necessidade do uso de rateios. Com relação às despesas, essas tam- bém são subdivididas em fixas e variáveis, porém, diferentes do custo, ambas são reconhecidas como encargos dentro do próprio período da análise, uma vez que as despesas variáveis não são – dado sua nature- za causal – estocadas, como nota-se na Figura 3. Nos Capítulos 10 e 11 da obra Gestão de custos, Cle- mente e Souza demons- tram – com admirável nível de detalhamento no uso do Microsoft Excel – as possibilidades do uso da regressão linear para o estudo do custeio variável e, também, a pos- sibilidade da obtenção da receita de equilíbrio para um cenário analítico com múltiplos produtos. Vale a pena conferir. SOUZA, A.; CLEMENTE, A. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011. Livro 108 Gestão e controle de custos Figura 3 Diagrama de custeio variável Custos Despesa Produção Custo fixo (CF) Despesa fixa (DF) Custo variável (CV) Estoque de produto pronto (Investimento) Custo variável do produto vendido (CVPV) Gasto fixo no período: CF + DF = CDF Despesa variável (DV) Venda Gasto variável do produto vendido no período = CVPV + DV Fonte: Adaptadade Martins e Rocha, 2015, p. 65. Conforme demonstra a Figura 3, nem todo custo variável (CV) é, neces- sariamente, reconhecido de imediato como um gasto variável de venda no período analisado. Em virtude de o CV ser um gasto que é absorvido pelos bens e serviços produzidos, quando parte dessa produção não é vendida – conforme foi explicado na seção anterior –, a parcela do gasto produtivo que se faz presente nela vai para o estoque, junto com o produto, ou seja, torna-se um investimento, uma parte do patrimônio da empresa. Assim, quando uma análise é feita sobre os gastos que uma empresa teve em Análise de custo para tomada de decisão 109 comparação com as vendas realizadas, apenas o CV incorporado naquela parcela vendida é reconhecido no período apurado. Esse gasto é chama- do, dado esse fato, de custo variável do produto vendido (CVPV). Já quanto aos demais dispêndios presentes no diagrama, esses são totalmente reconhecidos no próprio período em que ocorrem, pois ou são gastos desvinculados com as vendas (gastos fixos: custos e/ou despesas) ou são gastos variáveis em relação às vendas (despesas va- riáveis). Convém ressaltar que, diferente do custo variável, a despesa variável não tem a expressão produto vendido, pois, se não houver o fato gerador – isto é, a venda –, também não haverá uma despesa variá- vel a ser reconhecida. Ou seja, usar a expressão produto vendido para a despesa variável seria redundante. Uma vez classificados todos os gastos em fixos e variáveis, e tendo sido apurado os valores obtidos com as vendas, torna-se possível le- vantar o valor da margem de contribuição. A margem de contribuição é o valor monetário que informa qual é a contribuição da venda realiza- da para o pagamento dos gastos fixos e, obviamente, para a geração do lucro. Sua forma matemática é expressa mediante uma simples conta de subtração. A margem de contribuição (MC) do período é o resultado da diferença entre o valor da receita (R) e o valor do gasto variável do produto vendido (GVPV): MCperíodo = R – GVPV Todavia, apesar de aparentemente simples, essa fórmula permite extrair muitas surpresas. O valor de R, no período analisado, é o produ- to entre preço de venda de uma unidade (P) e a quantidade total ven- dida (Q). Já o GVPV é o resultado da soma do custo variável do produto vendido (CVPV) com as despesas variáveis (DV). Quando esses concei- tos são aplicados na fórmula original, tem-se: MCperíodo = [P · Q] – [CVPV + DV] MCperíodo = P · Q – CVPV – DV 110 Gestão e controle de custos E dado o fato de serem CVPV e DV resultados obtidos pela multi- plicação dos respectivos gastos variáveis unitários pela quantidade vendida, a expressão da MC do período pode ser reescrita mediante o seguinte procedimento: Sendo: DV = DVunitária · Q CVPV = CVPVunitário · Q Simplificando 6 : CVPV = CVunitário · Q Então: MCperíodo = P · Q – CVPV – DV MCperíodo = P · Q – CVunitário · Q – DVunitária · Q MCperíodo = Q · [P – CVunitário – DVunitária] MCperíodo = Q · [P – (CVunitário + DVunitária)] MCperíodo = Q · [P – GVunitário] MCperíodo = Q · MCunitária A MC do período pode ser calculada pela multiplicação da MC uni- tária pela quantidade total vendida no período (Q). A MC unitária re- presenta o valor de contribuição que uma unidade vendida gera para o pagamento dos gastos fixos e para composição dos lucros dentro do período de análise: MCunitária = P – GVunitário MCunitária = P – (CVunitário + DVunitária) O exemplo que segue ilustra os conceitos aqui apresentados para um caso com cenário linearmente uniforme para o gasto variável: Dada a solidificação do conceito contábil da margem de contri- buição, tanto no meio acadêmico quanto nas práticas de mercado, quando são realizados cálculos de MC, o custo variável do produto vendido é tratado, por simplificação, apenas por custo variável (CV) unitário. Isso ocorre uma vez que a simples menção do MC já indica que o CV unitá- rio é o custo de produto vendido; o que leva, por sua vez, ao uso de GV em vez de GVPV, seja na análise para certo período, seja para uma unidade. 6 Análise de custo para tomada de decisão 111 Uma confecção produz 200 camisas por mês (volume de produção) e, para produzir uma camisa, precisa de 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido R$ 10,00 por metro (valor de reposição ou contabilizado no estoque). O aluguel do imóvel usado pela confecção é de R$ 2.100,00 por mês e a comissão paga aos vendedores é de 10% sobre o valor de venda da camisa. Considerando ape- nas esses dados e um preço de venda de R$ 50,00, informe a margem de con- tribuição das camisas para uma unidade de camisa e para o período mensal. Solução CVunitário = 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00 por camisa DVunitária = P · comissão = R$ 50,00 · 10% = R$ 5,00 por camisa MCunitária = P – GVunitário MCunitária = R$ 50,00 – (R$ 15,00 + R$ 5,00) MCunitária = R$ 50,00 – R$ 20,00 = R$ 30,00/camisa MCperíodo = Q · MCunitária MCperíodo = 200 camisas/mês · R$ 30,00/camisa = R$ 6.000,00/mês Resposta MCunitária = R$ 30,00 por camisa produzida e vendida MCperíodo = R$ 6.000,00 por mês, considerando 200 camisas produzidas e vendidas Nesse exemplo, tem-se que cada camisa produzida e vendida con- tribui com R$ 30,00 para os gastos fixos (custos e/ou despesas) e, quita- dos estes, para a formação do lucro. Como a empresa comercializa 200 camisas por mês, tem-se que R$ 6.000,00 são gerados de contribuição. Sendo o aluguel o único gasto fixo dessa empresa, os R$ 6.000,00 de contribuição ficam distribuídos da seguinte forma: R$ 2.100,00 para o pagamento do aluguel e R$ 3.900,00 como lucro gerado. Tendo como base o exemplo apresentado, fica evidente que não faz sentido algum falar em valor de lucro se a MC unitária for zero ou negativa. Se for zero, o preço de venda somente é suficiente para arcar 112 Gestão e controle de custos como o gasto variável e, se for negativa, sequer se presta para isso. Na verdade, quando a MC unitária é negativa, quanto mais a empresa vende, mais ela fica endividada, pois amplia sua dívida com GV sem ter uma contrapartida adequada de receita. E, por isso, surge a importân- cia de que sejam identificados corretamente quais são os gastos fixos e variáveis de uma empresa. Quando um gasto fixo é considerado erroneamente como variável, isso inflaciona o valor do GV unitário, o que impede, por exemplo, que, caso necessário, o preço de venda seja reduzido para aumentar o volu- me de venda, pois as simulações gerenciais, nesse cenário, acusariam que a MC seria um valor unitário muito pequeno ou mesmo negativo. Porém, se o inverso ocorresse – o gasto variável ser erroneamente clas- sificado como fixo –, a empresa teria como resultado um valor de GV unitário subestimado. Sendo assim, se ela tentasse aumentar a MC do período com o aumento no volume de venda, por meio de um descon- to no preço do produto, as simulações gerencias não acusariam a real perda de dinheiro da decisão tomada, seja pela redução do lucro, seja pela geração de prejuízo. Na língua inglesa, o ponto de equi- líbrio é denominado break-even point e, em nosso vernáculo, também é conhecido “como ponto de nivelamento, ponto neutro, ponto de ruptura etc.” (MARION; RIBEIRO, 2011, p. 130). 7 5.4 Ponto de equilíbrio: quantidade e preço de vendaVídeo Segundo Marion e Ribeiro (2011), o ponto de equilíbrio (PE) 7 repre- senta o volume de venda no qual uma empresa obtém, como resultado econômico (RE), o valor nulo, ou seja, nem lucro, nem prejuízo. Nesse volume negociado, o valor dos custos e das despesas totais (CDT) se iguala ao valor da receita (R), como demonstra o Quadro 1. Quadro 1 Resultado econômico R < CDT R = CDT R > CDT RE = R – CDT RE < 0 RE = Prejuízo RE = R – CDT RE = 0 RE = PE RE = R – CDT RE > 0 RE = Lucro Fonte: Elaborado pelos autores. Análise de custo para tomada de decisão 113 O PE, como já mencionado, representa a quantidade de venda que iguala os valores da Re dos CDT. Sendo assim, utilizando o conheci- mento obtido na seção anterior, torna-se possível extrair sua expres- são matemática mediante a seguinte lógica: Sendo: R = P · Q CDT = custo total + despesa total; isto é, CDT = (CV + CF) + (DV + DF) CV = custo variável, CF= custo fixo, DV = despesa variável, DF = despesa fixa Então: R = CDT P · Q = (CVperíodo + CF) + (DVperíodo + DF) P · Q = (CVunitário · Q + CF) + (DVunitária · Q + DF) P · Q = CVunitário · Q + DVunitária · Q + DF + CF P · Q – CVunitário · Q – DVunitária · Q = DF + CF Q · (P – CVunitário – DVunitária) = DF + CF Q · MCunitária = DF + CF Q · MCunitária = GF Q = GF MCunitária Como a quantidade (Q) é o volume de venda que iguala R e CDT, então Q = PE: PE = GF MCunitária ou PE = GF P – GVunitário ou 8 PE = CF +DF P – (CVu + DVu) Para facilitar o uso das fórmulas, a partir de agora será utilizado apenas a vogal u para expressar a palavra unitário ou unitária. 8 Para ilustrar a aplicação da fórmula do PE, convém retornar ao exemplo iniciado na seção anterior. 114 Gestão e controle de custos Uma confecção produz 200 camisas por mês (volume de produção) e, para produzir uma camisa, precisa de 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido R$ 10,00 por metro (valor de reposição ou contabilizado no estoque). O alu- guel do imóvel usado pela confecção, mais a depreciação das máquinas, é de R$ 2.100,00 por mês e a comissão paga aos vendedores é de 10% sobre o valor de venda da camisa. Considerando esses dados, informe o ponto de equilíbrio se o preço de venda por camisa for R$ 50,00. Solução P = R$ 50,00 por camisa CVunitário = 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00/camisa DVunitária = P · comissão = R$ 50,00 · 10% = R$ 5,00/camisa CF + DF = R$ 2.100,00/mês PE = CF + DF P – (CVu+ DVu) = R$ 2.100,00/mês R$ 50,00 – (R$ 15,00 + R$ 5,00)] PE = R$ 2.100,00/mês R$ 50,00 – R$ 20,00 = R$ 2.100,00/mês 30,00 = 70 camisas por mês Resposta: O ponto de equilíbrio dessa confecção é de 70 camisas por mês. Segundo a resolução apresentada, se a confecção vender 70 camisas, não terá lucro nem prejuízo. Para confirmar essa afirmativa, basta realizar a conta: • R70 camisas = 70 camisas · R$ 50,00/camisa = R$ 3.500,00 • CV70 camisas = 70 camisas · R$ 15,00/camisa = R$ 1.050,00 • DV70 camisas = 70 camisas · R$ 5,00/camisa = R$ 350,00 • CF + DF = R$ 2.100,00/mês • R – (CV + DV + CF + DF) = R$ 3.500,00 – (R$ 1.050,00 + R$ 350,00 + R$ 2.100,00) • R – (CV + DV + CF + DF) = R$ 3.500,00 – R$ 3.500,00 = R$ 0,00 (PE) Como a empresa vende 200 camisas por mês, então, 130 camisas vendidas excedem o valor do PE (200 camisas subtraído o PE). Sendo assim, em cada uma dessas 130 camisas, a MC unitária de R$ 30,00 é uma contribuição para a forma- ção do valor do lucro total da empresa, como demonstram os cálculos a seguir: (Continua) Análise de custo para tomada de decisão 115 Opção de cálculo 1 • L = MCperíodo = Q descontado PE · MC unitária • L = MCperíodo = 130 camisas · R$ 30,00 = R$ 3.900,00/mês (Lucro) Opção de cálculo 2 • R200 camisas = 200 camisas · R$ 50,00/camisa = R$ 10.000,00 • CV200 camisas = 200 camisas · R$ 15,00/camisa = R$ 3.000,00 • DV200 camisas = 200 camisas · R$ 5,00/camisa = R$ 1.000,00 • CF + DF = R$ 2.100,00/mês • R – (CV + DV + CF + DF) = R$ 10.000,00 – (R$ 3.000,00 + R$ 1.000,00 + R$ 2.100,00) • R – (CV + DV + CF + DF) = R$ 10.000,00 – R$ 6.100,00 = R$ 3.900,00 (Lucro) Conforme demonstrado, a força informativa do PE é considerável para decisões gerenciais. A forma que foi observada aqui é conheci- da como PE contábil ou PEC. Ela é chamada desse modo por utilizar os valores monetários condizentes aos princípios e normas técnicas contábeis, por exemplo, regime de competência, integridade, registro pelo valor original etc. Segundo essas normas contábeis, entre outros itens, tem-se que o reconhecimento de um gasto e/ou de uma receita deve ser feito conforme a constatação do maior esforço realizado (por exemplo, transferência de propriedade), ou seja, o registro deve ser feito mesmo que ainda não tenha gerado movimento de caixa (entrada ou saída). Ainda convém ressaltar que somente as operações realizadas e de- vidamente documentadas devem ser reconhecidas, logicamente, se- gundo o seu valor original de negociação – sem espaço, portanto, para estimativas de possíveis valores para reposição. Todavia, muitas vezes, uma decisão gerencial exige uma maior flexibilidade e, dado esse fato, novas formas de ponto de equilíbrio surgiram, entre elas: o PE econô- mico (PEE) e o PE financeiro (PEF). 116 Gestão e controle de custos Segundo Cherobim, Lemes Jr. e Rigo (2010), os recursos que estão à disposição de uma empresa para que ela realize suas operações são denominados de capital. O capital de uma empresa pode ser obtido de duas formas: com terceiros (fornecedores, bancos etc.) e com donos dessa entidade (acionistas ou cotistas). Essas duas fontes de recursos cobram um preço pelo serviço prestado (isto é, pelo empréstimo forne- cido) 9 e esse valor é denominado de custo do capital. O preço cobrado pelo capital considera dois fatores econômicos: o custo de oportunida- de e o risco envolvido no empréstimo (prêmio de risco). O custo de oportunidade (CO) representa o valor que a fonte do capital perdeu (ou “deixou” de ganhar) por ter emprestado o dinhei- ro para a empresa. Por exemplo, se alguém tem a opção de aplicar R$ 100.000,00 na poupança com uma taxa de juros de 10% ao ano, então ela tem a possibilidade de alcançar R$ 110.000,00 de saldo ao término desse período. Entretanto, se essa pessoa, em vez de aplicar seu dinheiro na poupança, emprestar para alguém, por igual período de tempo, sem cobrar juro algum, então na devolução do emprésti- mo terá apenas R$ 100.000,00. Em outras palavras, nesse empréstimo, aquele que forneceu o dinheiro terá tido um custo de oportunidade de R$ 10.000,00. Para que isso não ocorra, as fontes do capital tendem a cobrar o valor do custo de oportunidade no empréstimo que fornecem. O prêmio de risco (PR), por sua vez, é uma cobrança feita no empréstimo fornecido, de modo a compensar um risco adicio- nal, considerando o valor do risco da oportunidade perdida. Se for relativizado/padronizado que a oportunidade perdida tem um valor de risco igual a zero, então tem-se, segundo Damodaran (2005, p. 86), que o prêmio de risco “mensura o ‘retorno extra’ que seria exigido por in- vestidores para transferir seus recursos de um investimento sem risco” para outro com risco. Por exemplo, quando um empréstimo de baixo risco é feito para um banco sólido (uma aplicação financeira de renda fixa), a possibilidade de ele não devolver o capital investido é bem me- nor do que fornecer um empréstimo para uma empresa de pequeno porte que acabou de ser constituída 10 . Por esse risco adicional envolvi- do, o dono do capital exige da pequena empresa que lhe dê um retorno maior pelo empréstimo fornecido. Sendo assim, tem-se: Custo do capital = CO + PR Por esse motivo, o valor de em- préstimo também é chamado de serviço de dívida na linguagem financeira. 9 Segundo Peret (2019), dados do IBGE acusam que seis de cada dez empresas fecham em até cinco anos de operação. 10 Análise de custo para tomada de decisão 117 O custo do capital cobrado pelos terceiros já está incluso nos valo- res contábeis, pois está embutido nos valores cobrados pelos emprés- timos regidos por contratos (bancos, agências de fomento etc.) e pelas compras a prazo (fornecedores). Todavia, o custo do capital dos donos não pode ser lançado, pois o valor que lhes cabe é o lucro da empresa. Acontece que o dono não deseja qualquer valor de lucro, ele deseja receber, pelo menos, o custo de oportunidade do investimento que realizou, para, assim, manter a empresa funcionando. Caso contrário, lhe será mais interessante fechar a empresa e manter seu capital na instituição com menor risco. A propósito, em uma empresa, a fonte capital próprio(dono) é que corre o maior risco, pois se a empresa “quebrar”, o dono será o último a receber, isso se não tiver que arcar com dividas adicionais. Sendo as- sim, segundo Marion e Ribeiro (2011), a fórmula do PEE é a expressão matemática de PEC acrescido de margem de lucro desejada (ML), que pode ser tanto custo de oportunidade do capitalista quanto, também, seu valor de custo de capital (CO + PR): PEE = GF + ML MCunitária Para ilustrar a importância dessa fórmula, convém utilizar o exem- plo feito com PEC. Naquela atividade, foi calculado que a confecção te- ria que vender 70 camisas para alcançar o PEC. Agora, será considerado que os donos dessa confecção aplicaram R$ 390.000,00 para montar a empresa e que, para tanto, tiveram que retirar esse volume de capital de uma aplicação financeira segura, que pagava uma taxa de juro de 1% ao mês. Sendo assim, tem-se que esses capitalistas, para manterem a empresa funcionando, precisam receber um valor de lucro mensal que seja no mínimo igual a R$ 3.900,00 (R$ 390.000,00 × 1%). O PEE permite calcular a quantidade mínima de venda que atenda a esse objetivo: PEE = GF + ML MCunitária = (R$ 2.100,00 + R$3.900,00)/mês R$ 30,00 ∴ PEE = R$ 6.000,00/mês R$ 30,00 = 200 camisas/mês 118 Gestão e controle de custos Com o PEE, evidenciou-se que a empresa precisa vender 200 camisas por mês para zerar suas obrigações fixas com terceiros e com os donos. O PEE ainda mantém a definição de que é a quantidade que não tem lucro, nem prejuízo, pois o valor da ML é chamado de valor econômico zero (ou lucro normal de mercado). Dito de outra forma, a empresa gerar um lucro de R$ 3.900,00 não é nada de demais, ela apenas cumpriu sua obrigação em comparação ao que o mercado oferece. Sendo assim, se ela produzir e vender valores entre 70 e 199 camisetas, ela gerará lucro, porém, um lucro menor que o mercado oferece e, por isso, poderá ser considerada como um investimento desinteressante aos olhos dos donos. Por fim, resta apresentar o PEF. Nesse tipo de análise, o objetivo é calcular a quantidade mínima de venda que permite honrar os com- promissos financeiros de uma empresa, isto é, aqueles que impactam diretamente o caixa da entidade. Sua lógica é mais ou menos a seguin- te: os gastos contábeis reconhecidos em uma empresa são de duas naturezas, em relação ao fluxo de caixa: os que impactam de imedia- to o caixa e os que não impactam. Os que não impactam são aqueles que, apesar de serem custos e/ou despesas, não apresentam uma data claramente definida para que haja um desembolso. Esse seria o caso, por exemplo, segundo Marion e Ribeiro (2011, p. 141), de “depreciação, amortização, exaustão, provisão para créditos de liquidação duvidosa, provisões para ajuste de valor de mercado etc.”. Os gastos que apresentam essas características são denominados de custos e despesas não financeiras (CDNF) e impactam o valor do PEC, gerando o PEF. A fórmula do PEF seria a razão entre o valor do GF (líquido do CDNF) pela MC unitária: PEF = GF – CDNF MCunitária A relevância desse conteúdo pode ser sentida me- diante um desenvolvimento bastante simples. Por exemplo, anteriormente foi notado que certa con- fecção tinha um PEC de 70 camisas por mês, porque, entre outros motivos, seu GF era de R$ 2.100,00. Con- tudo, se for considerado que o valor de depreciação das máquinas dessa empresa é de R$ 600,00/mês, logo tem-se que o GF da empresa, sem esse valor de Considerando um cenário com os dados a seguir, apresente os valores do ponto de equilíbrio contábil, financeiro e econômico. Preço de venda................. : R$ 30,00 (unidade) Custo variável................... : R$ 10,00 (unidade) Custo fixo.......................... : R$ 5.000,00 (mês) Despesas variáveis........... : R$ 12,00 (unidade) Despesas fixas.................. : R$ 7.000,00 (mês) Depreciação...................... : R$ 2.000,00 (mês) Taxa Selic*........................ : 2% (mês sobre o valor do capital investido) Patrimônio líquido (PL)... : R$ 100.000,00 *Taxa Selic é a taxa de remuneração dos títulos do governo, os quais são considerados, pelo mercado, como investimentos de baixo risco. Atividade 3 Análise de custo para tomada de decisão 119 CDNF, é de apenas R$ 1.500,00/mês. Esse fato evidencia que o PEF da empresa é de apenas 50 camisas mensais, como demonstram os cálcu- los que seguem: PEF = GF – CDNF MCunitária = (R$ 2.100,00 – R$ 600,00)/mês R$ 30,00 ∴ PEF = R$ 1.500/mês R$ 30,00 = 50 camisas/mês Antes de encerrar esta seção, resta apresentar que uma gestão real- mente eficiente precisa ter ciência sobre a condição de seus produtos frente a esses três valores de PE: financeiro, contábil e econômico. So- mente assim ela poderá controlar adequadamente o volume de venda, de modo a garantir que a empresa seja uma entidade sólida, tanto para honrar seus compromissos de caixa quanto, obviamente, para atender adequadamente às expectativas do mercado e dos donos sobre a sua capacidade para gerar riqueza. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, foram estudados os elementos básicos do custeio va- riável, segundo a percepção gerencial. Nesse sentido, o foco foi a divisão dos gastos (custos e despesas) em elementos variáveis e fixos, segundo a percepção contábil. Essa forma de apuração dos dispêndios não é proibi- da no Brasil, mas não é aceita para fins fiscais. Dado esse fato, as empre- sas costumam operar, simultaneamente, com duas formas: o custeio por absorção (para fins fiscais) e o custo variável (para fins gerenciais). Apesar de o uso de dois sistemas encarecer o controle da empresa, os benefícios desse procedimento mais do que justificam essa decisão. O custeio por absorção exige um rigoroso protocolo de eventos contá- beis para ser aceito pelas instituições brasileiras, o que lhe confere ex- pressiva credibilidade informacional sobre o cenário para uma análise ex post facto 11 . Já o custeio variável permite uma visão mais flexível para análise de caráter mais preditivo, uma vez que fornece um poderoso arse- nal informacional, destacando-se, entre outros: a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio (contábil, financeiro e econômico). Ex post facto é uma expressão utilizada para apresentar uma análise de causa e efeito, considerando eventos que já ocorreram, isto é, a partir de fatos já passados. 11 120 Gestão e controle de custos REFERÊNCIAS CHEROBIM, A. P. S.; LEMES JR., A. B.; RIGO, C. M. Administração financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras – aplicações e casos nacionais. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. DAMODARAN, A. Finanças corporativas aplicadas: manual do usuário. Porto Alegre: Bookman, 2002 – Reimpressão, 2005. MARTINS, E. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MARTINS, E.; ROCHA, W. Métodos de custeios comparados. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015. MARION, J. C.; RIBEIRO, O. M. Introdução à contabilidade gerencial. São Paulo: Saraiva, 2011. PERET , E. Seis em cada dez empresas abertas em 2012 encerraram atividades em cinco anos. Estatísticas Econômicas (IBGE), 17 out. 2019. Disponível em: https://agenciadenoticias. ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25739-seis-em-cada-dez- empresas-abertas-em-2012-encerraram-atividades-em-cinco-anos. Acesso em: 5 mar. 2020. PINDYCK, R.; RUBINFELF, D. L. Microeconomia. 8. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Gestão de custos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011. TREVISAN, R. (coord.). Michaelis. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2015. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/ busca/portugues-brasileiro/planejamento. Acesso em: 5 mar. 2020. GABARITO 1. Gasto fixos (GF) são valores de dispêndios que não sofrem a influência da variação da quantidade produzida ou vendida pela empresa em um dado período estabele- cido – desde que respeitada a capacidade produtiva da empresa. Sendo assim, o GF repetitivoe o não repetitivo são iguais. A diferença está no fato de que, no GF repe- titivo, o valor monetário que o representa em dado período analisado não se altera (por exemplo, o aluguel pago mensalmente, com ajuste apenas anualmente). Já no GF não repetitivo, o valor monetário que o representa em dado período analisado sofre alteração (por exemplo, o aluguel pago mensalmente, com ajuste mensal conforme a inflação e/ou dólar). 2. ( V ) Matéria-prima............................ : quanto mais produto, maior gasto. ( F ) Aluguel da fábrica.................... : o valor não muda com a quantidade produzida. ( V ) Embalagem primária............... : quanto mais produto, maior gasto. ( V ) Comissão................................... : quanto mais venda, maior gasto. 3. Calculando o PEC: Sendo: PE = PEC Logo: PEC = GF MCu = CF + DF P – GVu = CF + DF P – (CVu + DVu) ∴ Análise de custo para tomada de decisão 121 PEC = R$ 5.000/mês + R$ 7.000,00/mês R$ 30,00/un. – (R$ 10,00/un. + R$ 12,00/un.) = R$12.000,00/mês R$ 30,00/un. – R$ 22,00/un. = R$12.000,00/mês R$ 8,00/un. ∴ PEC = 1.500 unidades Calculando o PEF: PEF = GF – CDNF MCu = R$ 12.000/mês – R$ 2.000,00/mês R$ 8,00/un. = R$ 10.000/mês R$ 8,00/un. ∴ PEF = 1.250 unidades Calculando o PEE: Sendo: PL · taxa Selic = Custo de oportunidade = ML Logo: ML = R$ 100.000,00 · 2%/mês = R$ 2.000,00/mês Portanto: PEE = GF + ML MCu = R$ 12.000/mês + R$ 2.000,00/mês R$ 8,00/un. = R$ 14.000/mês R$ 8,00/un. ∴ PEE = 1.750 unidades 122 Gestão e controle de custos 6 Custos para planejamento e controle Este capítulo tem como objetivo apresentar artefatos mais avançados a respeito do cenário da gestão de custos. Em essência, são indicadores que consideram, geralmente em caráter prediti- vo, a influência dos gastos (custos e/ou despesas) nas atividades operacionais de uma empresa. Entre tantos artefatos possíveis, quatro foram escolhidos por serem, segundo a experiência dos autores, elementos recorrentes em reuniões gerenciais: grau de comprometimento da receita, margem de segurança, alavancagem operacional e, por fim, custos referenciais (padrão e meta). 6.1 Grau de comprometimento da receita Vídeo O entendimento claro de um gestor sobre os dispêndios de uma empresa é um dos elementos cruciais para o sucesso. Uma empresa, de acordo com Marion e Ribeiro (2011) e Cherobim, Lemes Jr. e Rigo (2010), precisa ser gerida de modo a ter um volume de receita que seja no mínimo suficiente para honrar seus compromissos com terceiros (como pagar fornecedores) e, logicamente, com os donos (dividendos compatíveis com as taxas de mercado, por exemplo). Em outras pa- lavras, uma empresa precisa, no mínimo, alcançar o ponto de equilí- brio econômico (PE) para poder continuar operando 1 . Desse contexto, emerge a lógica presente no Gráfico 1. O ponto de equilíbrio (PE) pode ser contábil (PEC), econômico (PEE) e financeiro (PEF). Neste capítulo, será tratada a lógica do PEE, porém, como essa lógica é basicamente a mesma para os três tipos citados, agora, o PEE será tratado apenas de PE, como ocorre nos manuais de economia. 1 Custos para planejamento e controle 123 Gráfico 1 Visão lógica do ponto de equilíbrio (PE) Q1 (Ponto de equilíbrio: PE) Q2 (Efetiva) Q3 (Máxima) PE: R = C Prejuízo: R < C Lucro: R > C R0 ; Q0 → 0 R$ Quantidade (Q) Curva da receita (R) Curva do custo (C) R3 (Máxima) R2 (Efetiva) R1 (Equilibrio) ÁREA 1 ÁREA 2 Fonte: Elaborado pelos autores. Como demonstra o Gráfico 1, as operações de uma empresa, con- siderando as de determinando período, podem ser sintetizadas em apenas dois eixos: um para os valores monetários e outro para as quan- tidades movimentadas. No eixo das ordenadas, tem-se, geralmente, os valores monetários (R$) totais de receitas e de custos: y = R$. Já no eixo das abscissas, estão os volumes movimentados, ou seja, as quantida- des (Q) produzidas e vendidas de bens e/ou serviços: x = Q. Desse cená- rio, emerge todo um contexto de análise para a busca da compreensão do comportamento das curvas de receita e de custo. Convém destacar que ambas as curvas, apesar de terem naturezas distintas, costumam ser expressas como retas, isto é, funções de 1º grau, seja para atender fins didáticos no processo de aprendizagem, seja para suprir necessi- dades pragmáticas de mercado. No Gráfico 1, a curva de custo (C) 2 tem seu início na intersecção da quantidade de venda zero (Q = 0) com um valor monetário diferente de zero (R$ ≠ 0). Isso ocorre porque as empresas têm gastos fixos nas operações que realizam, compromissos que existem mesmo que não haja vendas no período, como aluguel e folha de pagamento. Portanto, esse gasto fixo é o valor do coeficiente linear da função de custo, ou seja, indica, dentro do conceito algébrico, o ponto em que a reta corta o eixo das ordenadas. Já o coeficiente angular da função de custo, isto é, a inclinação da curva, é estabelecido pelo gasto variável unitário, por exemplo, custo da Aqui, o termo custo é empregado do mesmo modo que ocorre em reuniões gerenciais com profissionais de competências multidisciplinares. Portanto, consi- dera-se, além dos custos fixos (CF) e variáveis dos produtos vendidos (CPV), também os valores de despesas variáveis e fixas. 2 124 Gestão e controle de custos matéria-prima, despesa com comissão de venda etc. O coeficiente angu- lar indica qual é o nível de impacto das quantidades vendidas nos gastos totais da empresa e, como a curva de custo é tratada no segmento ana- lisado como uma reta, tem-se que seu valor é um número constante. As- sim, o comportamento do custo de uma empresa pode ser representado como uma função expressa na fórmula a seguir: C = f(Q) = CF + CVu · Q Em que: • C: custo total, ou apenas custo • f(Q): está em função de Q • Q: quantidade vendida • CF: custo Fixo • CVu: custo variável unitário Com relação à curva da receita (R), essa tem seu início no ponto zero do gráfico (x = R$ = 0; y = Q = 0). Desse modo, o coeficiente linear da fun- ção receita é um valor nulo e, assim, tem-se que, se não há quantidade de venda, não há receita a ser considerada. Já o coeficiente angular é preço de venda (P) de cada unidade de produto (bem ou serviço). Tra- ta-se de um número constante, uma vez que, no segmento analisado, a receita é tratada como uma reta. O coeficiente angular estabelece o nível de sensibilidade da receita para com a quantidade vendida. Dado esse contexto, torna-se possível extrair a seguinte expressão matemá- tica para a função da receita: R = f(Q) = P · Q Em que: • R: receita total, ou apenas receita • f(Q): está em função de Q • Q: quantidade vendida • P: preço de venda (unitário) O posicionamento sistêmico dessas duas curvas (receita e custo) estabelece, no plano cartesiano, duas áreas financeiras separadas por Obviamente, dentro dos limites da função, quanto maior o valor do preço, maior a velocidade de resposta da receita. Todavia, convém destacar que o cenário não é assim tão simples. O mercado altera a sua intenção de compra – isto é, a quantidade que deseja consumir – conforme o preço de venda do produto. Dado esse fato, o valor do preço de venda precisa ser analisado em conjunto com o comporta- mento da curva de demanda do produto. Esse assunto não será abordado neste capítulo, pois necessita de uma fundamenta- ção teórica densa sobre questões econômicas que consideram a relação da utilidade de um produto e sua representação monetária. Caso haja o interesse no aprofundamento dessa pauta, considere a leitura de manuais de introdução à economia e de micro e macroeconomia. Atenção Custos para planejamento e controle 125 um limite denominado ponto de equilíbrio (PE). O ponto de equilíbrio é, portanto, o ponto cartesiano que indica a intersecção entre a curva de receita e o custo. Nessa localização, determinada quantidade de venda gera um mesmo valor monetário paraa receita e para o custo: R = C. Como o resultado econômico (REc) é a diferença entre receita e custo, há nesse ponto um equilíbrio monetário entre o valor da receita e do custo que anula o valor do REc, o que não gera lucro ou prejuízo. Ponto de equilíbrio Sendo: REc = R – C Em que: R = C Logo, REc = 0 (nulo) Ao lado esquerdo do PE (área 1 do gráfico), tem-se o cenário de pre- juízo, pois os valores de receita são menores em comparação com os de custo, o que gera um desequilíbrio negativo no resultado econômico. Ponto de desequilíbrio negativo Sendo: REc = R – C Em que: R < C Logo, REc < 0 (prejuízo) Já ao lado direito do PE (área 2 do gráfico), encontra-se o desequi- líbrio monetário positivo do REc, uma vez que, para as quantidades movimentadas, os valores das receitas superam os valores dos custos. Ponto de desequilíbrio positivo Sendo: REc = R – C Em que: R > C Logo, REc > 0 (lucro) Todavia, como explicam Pindyck e Rubinfeld (2013) e Goldratt e Cox (1997), o crescimento do lucro é limitado em um dado período, seja pela participação das vendas da empresa no mercado (concorrência, situação econômica do país, posicionamento estratégico da empresa etc.), seja por restrições operacionais produtivas, comerciais, entre outras. Essas limitações definem o valor das vendas efetivas de uma empresa no período analisado – no gráfico, esse ponto é representado pelo par ordenado (Q2, R2). Assim, para que uma empresa possa alcan- 126 Gestão e controle de custos çar seus valores máximos – isto é, o ponto do par ordenado (Q3, R3) –, ela precisa estabelecer um plano de ação para que possa vencer essas limitações, se assim desejar. Nas análises que seguem, nesta e nas próximas seções, será utilizado o termo planejada para substituir os pontos identificados como venda efe- tiva ou máxima, uma vez que a lógica analítica é a mesma 3 . Desse modo, para as análises, são considerados valores acima do ponto de equilíbrio, identificados como RP (receita planejada) e QP (quantidade planejada). Dito isso, torna-se possível a explicação do significado do grau de comprometi- mento da receita (GCR), a qual encontramos no Gráfico 2. Gráfico 2 Visão lógica do grau de comprometimento da receita (GCR) R0 ; Q0 → 0 R$ Quantidade (Q) Curva da receita (R) Curva do custo (C)RP (Planejada) GCRp = RE ÷ RP QE (Ponto de equilíbrio: PE) Qp (Planejada) RE (Equilíbrio) PE: R = C Prejuízo: R < C Lucro: R > C Fonte: Elaborado pelos autores. Como demonstra o Gráfico 2, o GCR é um indicador obtido pela razão entre a receita de equilíbrio (RE) e a receita planejada pela empresa. O GCR informa qual é a participação da RE na RP (SOUZA; CLEMENTE, 2008): GCR = R� R� E P ou GCR = R� R� E P · 100 ← forma percentual (%) O valor do GCR é um número possível em uma escala que vai de 0 a 1 ou, na forma percentual, de 0% a 100%. O valor extremo 0 representa um caso hipotético, por exemplo, um cenário operacional com gasto fixo nulo (ou próximo de nulo) ou margem de contribuição unitária infinita (ou muito elevada). Portanto, existe como elemento de referência, objetivan- do informar a condição de menor risco que uma empresa pode ter. Convém ressaltar que, na literatura, existem muitas formas que são usadas para estudar a receita que excede o ponto de equilíbrio – algumas obras, por exemplo, optam pela receita máxima ou projetada, já outras usam a receita atual ou efetiva –, todavia a lógica sempre é a mesma. Porém, não se esqueça: no caso de provas e concurso público, é de suma importância estudar a bibliografia indicada na ementa do curso ou no edital do concurso para, assim, usar a terminologia ali apresentada, pois ela é soberana no processo de correção e, logicamente, para possíveis pedidos de revisão de notas ou recursos. 3 O Capítulo 7 da obra Decisões financeiras e análises de investimentos: fundamentos, técnicas e decisões apresenta uma metodologia que permite uma análise multi-índice, entre os quais, está o GCR. Trata-se de uma leitura agradável, com muitos exemplos. Vale a pena conferir. SOUZA, A.; CLEMENTE, A. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. Livro Custos para planejamento e controle 127 Já o valor extremo 1 (ou 100%) representa uma situação em que os valores RE e RP são iguais. Com isso, a receita planejada pela empresa apenas consegue atender à condição de equilíbrio. Esse é o cenário de maior risco, visto que qualquer queda no valor da receita planeja- da implica operar abaixo do equilíbrio (prejuízo) 4 . Dado esse contex- to, tem-se que cenários analíticos com valores mais próximos de 0 são condições de menor risco; da mesma forma, os valores mais próximos de 1 são os de maior risco. Para melhor entendimento, acompanhe o exemplo a seguir. Uma confecção produz 200 camisas por mês. Para produzir uma camisa, precisa de 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido R$ 10,00 por metro. O aluguel do imóvel usado pela confecção, mais a depreciação das máquinas, é de R$ 2.100,00 por mês. A comissão paga aos vendedores é de 10% sobre o valor de venda da camisa. Considerando esses dados e o preço de venda por camisa de R$ 50,00, informe o GCR. Solução 1º passo: Encontrar o valor da receita de equilíbrio. Sendo: DVunitária = P · comissão = R$ 50,00 · 10% = R$ 5,00/camisa CVunitário = 1,5 m/camisa · R$ 10,00/m = R$ 15,00/camisa Então: PE = GF P� �GVu− = R$� 00/mês R$� � R$ � � �R$ � 2 100 50 00 15 00 5 00 . , , , ,� �� � = 70 camisas/mês Portanto: RE = P · Q = R$ 50,00/camisa · 70 camisas/mês = R$ 3.500,00/mês 2º passo: Encontrar o valor da receita planejada. RP = P . Q = R$ 50,00/camisa · 200 camisas/mês = R$ 10.000,00 mês 3º passo: Encontrar o valor do GCR. GCR = R� R� E P = R$� R$� 3 500 00 10 000 00 . , . , = 0 35 1 , = 0,35 ou 0 35 1 , · 100 = 35% Resposta: o GCR é 0,35 por unidade de RP, ou seja, 35% do valor dessa recei- ta. Desse modo, 35% do valor da venda é utilizado unicamente para alcançar o valor de equilíbrio, portanto o risco é baixo para esse cenário analisado, uma vez que há um expressivo valor da receita planejada que está acima do ponto de equilíbrio. No caso GCR, valores acima de 100% não são projetos de alto risco, eles são projetos inviáveis. 4 128 Gestão e controle de custos Obviamente, para o caso de apenas um produto, cujo preço de venda (P) seja constante para quaisquer quantidades de venda, é possível simplificar toda essa operação, conforme demostra-se a seguir. GCR = R R E P � � = P�.� � P�.� � Q Q E P ∴ GCR = � � � � Q Q E P Sendo: QE = PE = CF� �DF P� � CV � �DVu u � � �� � = GF P� �GVu− = GF MC�u Então: GCR = �Q� �Q� �E P = GF MC� �Q� u P Portanto: GCR = GF �Q� ��MC�P u· Ao refazer o exemplo da confecção com essa nova fórmula, tem-se: Sendo: MCu = P – (CVu + DVu) = R$ 50,00 – (R$ 15,00 + R$ 5,00) = R$ 50,00 – R$ 20,00 = R$ 30,00 Então: GCR = GF �Q� � �MC�P u⋅ = R$� 0/mês �camisas/mês� �R$� 0/camisa 2 100 0 200 30 0 . , ,⋅ ∴ GCR = R$ � 0/mês R$ � 0/mês 2 100 0 6 000 0 . , . , = 0 35 1 , �= 35% Observa-se, ao interpretar esses dados, que a venda planejada de 200 camisas gera uma receita que resultará no valor de R$ 6.000,00 por mês como margem de contribuição (MC). Desse valor, a quantia de R$ 2.100,00 será destinada a pagar o gasto fixo. Assim, 35% es- tão comprometidos para atingir a condição de equilíbrio. Mas lem- bre-se: essa forma simplificada somente é válida – como demonstra a dedução da fórmula original – para análises com apenas um pro- duto e com preço de venda constante para quaisquer quantidades movimentadas. Ao considerar o movimento mensal, uma empresa apurou que seu ponto de equilíbrio ocorre com 15.200 unidades de produtos vendidos. Todavia, ela planeja vender 42.222 unidades nesse mesmo intervalo de tempo. Sabendo que o preço de venda de R$ 12,50 por unidade de produto é um valor constante, responda: qual é o valor do grau de comprometimento dareceita? Atividade 1 Custos para planejamento e controle 129 6.2 Margem de segurança A margem de segurança (MS), conforme Martins (2003), é um indi- cador complementar ao conceito do GCR. Enquanto o GCR apresenta quanto da receita planejada (RP) está comprometido com o PE, o valor da MS, por sua vez, expressa qual é a distância que separa a RP do PE, como demonstra o Gráfico 3. Gráfico 3 Visão lógica da margem de segurança (MS) R0 ; Q0 → 0 R$ Quantidade (Q) Curva da receita (R) Curva do custo (C)RP (Planejada) MS = δR ÷ RP QE (Ponto de equilíbrio: PE) QP (Planejada) RE (Equilibrio) PE: R = C Prejuízo: R < C Lucro: R > C Fonte: Elaborado pelos autores. A MS é uma razão obtida entre a diferença das receitas analisadas (δR ) em relação ao valor da RP. O valor de δR é a diferença entre a RP e a RE, ou seja, δR = RP − RE. Dito isso, a forma de cálculo da MS é: MS = � � R� R P δ = R� � �R� R� P E P − ou MS = R� � �R� R� P E P − · 100 ← forma percentual (%) Segundo a fórmula apresentada, a MS nada mais é do que um indica- dor que informa qual é o valor relativo do valor da δR tendo como valor da RP. Nesse sentido, o valor da MS é um número possível em uma escala que inicia em 0 e que tem como limite superior o valor 1 (ou 100%). O valor extremo inferior 0 representa uma situação em que o RE e RP são iguais. δ é a letra minúscula delta do alfabeto grego. Ela é utilizada para simbolizar uma diferença; por exemplo, se a diferença etária entre duas pessoas for de 15 anos (40 – 25), então δ média = 15 anos. Curiosidade Vídeo 130 Gestão e controle de custos Nesse caso, a receita planejada pela empresa apenas atende à condição de equilíbrio, ou seja, não existe um valor de segurança. Esse cenário é o de maior risco, pois qualquer queda na quantidade implica operar abaixo do valor do equilíbrio econômico (prejuízo) 5 . Uma margem de segurança com valor igual a 1 (ou 100%) é o ce- nário mais seguro, o qual pode ser interpretado de duas maneiras. A primeira, como um caso hipotético, no qual o valor de RE é nulo (ou praticamente nulo) – como explicado no GCR – e, portanto, existe para servir como elemento referencial, indicando a condição mais segura possível. Já a segunda forma, a mais prática, é aquela na qual o MS é 1 por representar um cenário onde o valor de RP é tão alto que, pratica- mente, torna insignificante o valor da RE, como demostra o cálculo do limite para RP tendendo ao infinito: MS = lim � � � �R P P E P R� R� R��� � = 1 = 100% Dado esse contexto, tem-se que cenários analíticos com valores mais próximos de 0 são condições de maior risco. Os valores de menor risco, portanto, são aqueles que apresentam maior distância do PE, no qual o limite relativo dessa diferença é igual a 100% do valor do RP. Para melhor compreensão, convém retornar ao problema da confecção. Uma confecção produz 200 camisas por mês. Para produzir uma camisa, pre- cisa de 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido R$ 10,00 por metro. O aluguel do imóvel usado pela confecção, mais a depreciação das máquinas, é de R$ 2.100,00 por mês. A comissão paga aos vendedores 10% sobre o valor de venda da camisa. Considerando esses dados e o preço de venda por camisa de R$ 50,00, informe a MS. Solução 1º passo: Encontrar o valor da receita de equilíbrio.* 2º passo: Encontrar o valor da receita planejada.* * Ver valores e cálculos presentes no primeiro exemplo (seção 6.1 – Grau de comprometimento da receita). 3º passo: Encontrar o valor da MS. MS = R� R� R� P E P − = R$ � � �R$ � R$ � 10 000 00 3 500 00 10 000 00 . , . , . , − = 0 65 1 , ou 0 65 1 , · 100 = 65% Como ocorre com o GCR, nos casos de R P menor que o PE, um projeto deve ser considerado inviável e, desse modo, não tem sentido falar em análise de risco MS de valores negativos. 5 (Continua) Custos para planejamento e controle 131 Resposta: a MS é de 0,65, ou seja, 65% do valor da receita planejada. Por- tanto, a empresa é capaz de suportar uma queda de receita de até 65% sem incorrer um uma situação de desequilíbrio negativo (prejuízo). Tendo em vista esse fato, a operação planejada é de baixo risco. Obviamente, para o caso de apenas um produto, cujo preço de ven- da (P) seja constante para quaisquer quantidades de venda, torna-se possível simplificar toda essa operação, conforme demostra a exempli- ficação a seguir. MS = R� R� R� P E P − = P� �Q� � �P�� Q� P�� �Q� P E P � � � � = P�� Q� � �Q� � P� Q� �P E P � �� � � ∴ MS = Q� � Q� Q� P E P − Sendo: QE = PE = CF� �DF P� � CV � �DVu u � � �� � = GF P� �GVu− = GF MC�u Logo: MS = Q� � �Q� �Q� �P E P − = Q� � � GF MC� �Q� P u P − = MC� � Q� MC� � � GF MC� �Q� u P u u P � � MS = MC� � �Q� � �GF MC� � �Q� u P u P � � = MC� � Q� � �GF� MC� � �Q� � u P u P � � � Portanto: MS = Q� � �Q� �Q� P E P − = MC� � Q� � �GF� MC� � �Q� � u P u P � � � Exemplo da confecção refeito com essa nova fórmula: Opção 1: Conhecendo o valor do QE MS = Q� � �Q� �Q� � � � �P E P � � � � �� � � �200 70 200 130 200 0,65 = 65% Opção 2: Desconhecendo o valor do QE MS = MC� � �Q� � �GF� MC� � �Q� � �u P u P � � � � (Continua) 132 Gestão e controle de custos MS = � R$ � 00/camisa � � �camisas/mês� �R$� 0/mês R$� 30 200 2 100 0, . ,� � 0/camisa � �camisas/mês30 0 200, � � � MS = � R$� 0/mês� �R$ � 00/mês R$� 00/mês 6 000 0 2 100 6 000 . , . , . , − = � . , . , �R$ � 00/mês R$ � 00/mês �3 900 6 000 = 0,65 = 65% Ao interpretar esses dados, tem-se que: • Na opção 1, a quantidade planejada de 200 camisas gera uma receita que resultará em um valor que ultrapassa o PE de 70 camisas em 130 unidades dentro do mês analisado. Desse modo, o excedente de 130 camisas ocasiona uma segurança operacional (lucro mensal) que equivale a 65% do valor total da quantidade vendida. • Na opção 2, a venda planejada de 200 camisas gera uma recei- ta que resultará no valor de R$ 6.000,00 por mês como margem de contribuição (MC). Desse valor, a quantia de R$ 2.100,00 será destinada a pagar o gasto fixo. Dessa maneira, o valor excedente da contribuição gerada é de R$ 3.900,00 (lucro mensal), um valor de segurança operacional que equivale a 65% do valor total da margem de contribuição. Contudo, é importante se lembrar de que essas duas formas simpli- ficadas para a MS somente são válidas – como demonstram as dedu- ções feitas por meio da fórmula original – para análises com apenas um produto que apresenta um valor de preço constante para quaisquer quantidades de venda. Antes de encerrar esta seção, cabe explicar o motivo de, muitas vezes, as empresas estabelecerem um valor máximo de receita ou de quantidade para suas operações, isto é, um limite para seu crescimen- to. As análises de MC, PE, GCR e MS precisam considerar um valor li- mite, pois as curvas de receita e de custo que são utilizadas nesses indicadores, na verdade, são apenas uma parte de um cenário bem mais complexo, como demonstra o Gráfico 4. Uma distribuidora de vinhos apurou que sua margem de contribuição por garrafa vendida é de R$ 50,00. Sabendo que o custo fixo dessa empresa é de R$ 125.000,00 por mês, responda: qual é a margem de segurança dessa empresa se ela vender 8.000 garrafas por mês? Atividade 2 Custos para planejamento e controle 133 Gráfico 4 Visão lógica geral do custo-volume-lucro Quantidade (Q) Ponto de equilíbrio (C = R) R$ Custo = f(Q) = CF + CVu · Q Receita = f(Q) = P · Q Lucro Máximo (RMg = CMg) Lucro = R – C ∴ Lucro = f(Q) = MCu · Q – CF Fonte: Elaborado pelos autores com base em Silva e Garbrecht, 2016, p. 123. A área pontilhada, identificada com a expressão ponto de equilí- brio, é o recorte feito para as análises citadas nesta seção, bem como para as demais seções que compõem o capítulo. As curvas de receita e de custo extraídas dessa área, para poderem ser usadas como retas perfeitas (Gráficos 1, 2 e 3),precisam antes sofrer um procedimento de alisamento 6 . Enquanto forem respeitados esses limites estabe- lecidos para o procedimento de alisamento, os indicadores citados podem ser considerados como modelos que representam, dentro do possível, a realidade da empresa para as necessidades do processo decisório preditivo. Todavia, fora dessa área, o comportamento das vendas e dos custos impedem a manutenção da premissa de que o preço de venda e do gasto variável unitário são números constantes para qualquer valor de venda. Assim, após os limites da área do PE, dado o comportamento distinto das curvas da receita e do custo, se a empresa continuar au- mentando suas vendas na crença de que aumentará infinitamente o seu lucro (o famoso “vou ganhar na quantidade”), corre-se o risco de uma queda gradativa de lucro, o que pode até implicar prejuízo. De maneira sintética, alisamento de uma curva é o procedimento realizado para suavizar as oscila- ções em um intervalo analisado. Trata-se de um recurso recorren- te, por exemplo, em estudos de séries temporais. 6 134 Gestão e controle de custos A receita e o custo são curvas independentes entre si, cujo confron- to de seus valores resulta no que é chamado de lucro. O maior lucro de uma empresa, tendo em vista esse contexto, não ocorre necessaria- mente no maior valor da receita, tampouco na quantidade que repre- senta o menor custo por unidade. O lucro máximo ocorre no ponto em que há a maior distância entre essas duas curvas, estando a curva da receita em um nível superior ao da curva do custo. Esse ponto em que ocorre o lucro máximo é definido pela análise marginalista – isto é, por meio do uso de derivadas – como o ponto no qual o valor da receita marginal (RMg) se iguala ao valor do custo marginal (CMg). Consequen- temente, ao lado esquerdo desse ponto de lucro máximo, cada nova unidade vendida acarreta benefícios à empresa, reduz sua dívida até zerá-la e, depois disso, gera lucros cada vez maiores até que seu valor máximo seja alcançado. Essa é a área na qual se realiza as análises de ponto de equilíbrio, margem de segurança, grau de comprometimento da receita e grau de alavancagem operacional. O lado direito, por sua vez, é uma área de problema. Após o ponto de lucro máximo, cada unidade vendida acarreta malefício à empresa, uma vez que provoca redução da distância entre as curvas de custo e receita. Primeiramente, com redução do valor do lucro da empre- sa e, na sequência, caso continue a expansão das vendas, a geração de prejuízo. Contudo, apesar de sua expressiva relevância, como de- monstram as linhas precedentes, o detalhamento dos mecanismos que resultam nesse cenário excede a pauta deste capítulo. Sua menção ocorreu unicamente para apresentar um dos motivos, entre tantos ou- tros, que impedem as empresas de ampliarem seu valor da margem de segurança de maneira indeterminada, por meio do simples aumento do volume de venda. 6.3 Alavancagem operacional Vídeo De acordo com Martins (2003), o indicador do grau de alavancagem operacional (GAO) informa qual é o impacto que uma unidade de ven- da tem no valor do lucro de uma empresa. Esse indicador apresenta como o incremento da quantidade vendida impulsiona (alavanca) o lu- cro. Para tanto, considera a razão entre as variações percentuais do acréscimo do lucro (L) e da venda (V). Sua expressão matemática é: Custos para planejamento e controle 135 GAO = ∆ ∆ �%�L �%�V Em que: ∆�%�V = V V V � � � � � � � 2 1 1 − · 100 ou V V � � � � 2 1 1� � � �� � � �� · 100 ∆�%�L = � � � � � �� � � L L L 2 1 1 − · 100 ou � � � �-1� � L L 2 1 � � �� � � �� · 100 As vendas e os lucros identificados com o número 1 (V1, L1) são da- dos iniciais do cálculo das variações percentuais (∆%); já os identifica- dos com o número 2 (V2, L2) são os dados finais. Por exemplo, se o lucro é de R$ 10,00 e passa a ser de R$ 30,00, o valor de L1 é 10 e o valor de L2 é 30. Desse modo, as ∆% são as diferenças relativas dos dados analisa- dos em relação aos seus respectivos valores iniciais – como demonstra o cálculo que segue –, ou seja, o valor do lucro inicial em comparação ao valor do lucro final: ∆%L = � ��R$� R$� R$� 30 00 10 00 10 00 , , , = =�R$� R$� 20 00 10 00 , , 2 = 200% Como feito nas seções anteriores, para o caso de apenas um pro- duto, cujo preço de venda (P) seja constante para quaisquer quan- tidades de venda, torna-se possível simplificar toda essa operação, conforme demostra o exemplo a seguir, que considera a venda como o valor da receita R. 1º passo: Sendo: L = R – C ou L = MC · Q, com MC constante para quaisquer valores de Q R = P · Q, com P constante para quaisquer valores de Q Então: GAO = �� L �L� � � ��� R� �R� � � � � � � 2 1 2 1 1 1 − − = � MC�� �Q � �PE� MC�� �Q � �PE� � � � P�� �Q �P � �Q � � � � � � � � � � �( ) �( ) � 2 1 2 1 1 �� � 1 = � Q � �PE �Q � �PE � � � Q �Q � � 2 1 2 1 1 1 − − − − ∴ (Continua) 136 Gestão e controle de custos GAO = � Q PE� Q �PE �Q �PE � Q �Q �Q � 2 1 1 2 1 1 � � �� � � � = � Q PE� �Q � �PE �Q �PE � Q �Q �Q � 2 1 1 2 1 1 � � � � � ∴ GAO = � Q � �Q �Q �PE � Q �Q �Q � 2 1 1 2 1 1 − − − ∴ GAO = Q � �Q �Q �PE 2 1 1 − − · �Q �Q �Q 1 2 1− ∴ GAO = Q �Q �PE 1 1− Como o L1 e o L2 apresentam o mesmo valor de MC e de PE e os valores de R1 e R2 apresentam o mesmo valor de P, o GAO é alterado apenas pela variação da Q1, Q2 e PE: GAO = �� L �L� � � � � �� R� �R� � � � � � � � � � 2 1 2 1 1 100 1 100 � � � �� � � �� � � � � �� � � �� � = � Q � �Q �Q �PE � Q �Q �Q � 2 1 1 2 1 1 − − − No entanto, como a diferença da Q2 em relação ao valor da Q1 ocorre tanto na razão da percentagem de acréscimo do lucro quanto na de acréscimo da venda, tem-se que, ape- sar da variação do valor Q2 alterar os valores dessas percen- tagens, ele mantém sempre o valor de GAO. Como demonstra a simplificação feita, o que altera o valor do GAO entre duas vendas é o valor da venda inicial (Q1). Assim, uma vez definido o valor de Q1, o valor de GAO é constante, independentemente do valor que assuma Q2 (negativo, zero, igual ao PE etc.): GAO = �� L �L� � � � � �� R� �R� � � � � � � � 2 1 2 1 1 100 1 100 � � � �� � � �� � � � � �� � � �� � = Q �Q �PE 1 1− (Continua) Custos para planejamento e controle 137 Dado esse fato, tem-se que, assumindo que o valor Q1 é o valor QP (quantidade planejada), então o GAO nada mais é que o valor inverso do MS: Sendo: Q1 = QP; MS = Q� � �PE �Q� P P − Então: MS–1 = Q �Q �PE P P − Portanto: GAO = MS−1 Com isso, tem-se que a relação entre GAO e MS é inver- samente proporcional, isto é, quando a MS sobe, o GAO cai e vice-versa. 2º passo: Sendo: PE = GF MC Qp ≠ PE Então: GAO = Q �Q � �GF MC � P P − = �Q � Q MC� �GF MC � P P � � GAO = �Q � � P 1 . MC Q � MC� �GFP � � �∴ GAO = Q � MC Q � MC� �GF P P � � � Caso o QP seja igual ao do PE, o produto entre QP e MC será igual ao do GF. Assim, o denominador do GAO será zero, invia- bilizando o cálculo, uma vez que um número real não pode ser dividido por zero. 3º passo: Sendo: MC = P – GVu Por fim, obtém-se a fórmula usualmente utilizada para o cálculo do GAO: GAO = Q � P� �GV Q � P� �GV � �GF P P u u � �� � � �� � � � � Um número inverso significa a inversão de uma razão. Por exemplo, o valor inverso da razão 2/3 é 3/2. Quanto à representação da razão inversa utilizando “-1”, considere o seguinte exemplo: se a variável α é igual a 2/3, logo, a razão in- versa de α é igual α –1, portanto, α –1 = 3/2. Saiba mais 138 Gestão e controle de custos Tendo como base o desenvolvimento aqui realizado, o GAO é um valor que pode ser obtido por meio de quatro formas diferentes de cálculos: GAO = �� L �L� � � � � �� R� �R� � � � � � P� P� 2 2 1 100 1 100 � � � �� � � �� � � � � �� �� �� � = Q �Q �PE P P − = MS − 1 = Q � � P� �GV Q � � P� �GV � �GF P P u u � �� � � �� � � É importante relembrar que essas formas simplificadas para GAO somente são válidas para análises com apenas um produto que apre- sente valores de P e GVu constante (ou seja, MCu constante) para quais- quer quantidades de venda. Dito isso, convém retornar ao exercício da confecção para demonstração da eficácia dessas fórmulas. Uma confecção com margem de segurança de 65%* produz 200 camisas por mês. Para produzir uma camisa é necessário 1,5 m de tecido, sendo o preço do tecido de R$ 10,00 por metro. O aluguel do imóvel usado pela confecção, mais a depreciação das máquinas, é de R$ 2.100,00 por mês, e a comissão paga aos vendedores é de 10% sobre o valor de venda da camisa. Considerando esses dados, informe o GAO se o preço de venda por camisa for de R$ 50,00, tendo em vista uma alteração de 200 camisas para 250. * Ver o exemplo da margem da segurança (MS) presente na seção 6.2 – Mar- gem de segurança. Solução: Sendo: Q1 = QP = 200 camisas Q2 = 250 camisas Gasto fixo do período: R$ 2.100,00/mês Gasto variável unitário: R$ 20,00/camisa (ver exemplo GCR da seção 6.1 – Grau de comprometimento da receita). QE = PE = 70 camisas (ver exemplo GCR da seção 6.1 – Grau de comprometi- mento da receita). (Continua) Custos para planejamento e controle 139 RP= P · QP = R$ 50,00/camisa · 200 camisas/mês = R$ 10.000,00/mês R2 = P · Q2 = R$ 50,00/camisa · 250 camisas/mês = R$ 12.500,00/mês CP = GF + GVu · QP= R$ 2.100,00/mês + R$ 20,00/camisa · 200 camisas/mês ∴ CP = R$ 6.100,00/mês C2 = GF + GVu . Q2 = R$ 2.100,00/mês + R$ 20,00/camisa · 250 camisas/mês ∴ C2 = R$ 7.100,00/mês LP = RP – CP = R$ 10.000,00 – R$ 6.100,00 = R$ 3.900,00 L2 = R2 – C2 = R$ 12.500,00 – R$ 7.100,00 = R$ 5.400,00 1ª opção de cálculo: GAO = � � � � � � � � � � � � � �� � � � L L R R P P 2 2 1 100 1 100 � � � �� � � ��� � � � �� � � ��� = R$ R$ R$ R$ 5 400 00 3 900 00 1 100 12 500 00 10 000 . , � . , � � � �� . , . , � � � � � � � � 000 1 100� � � � �� � � � � � � � = 38 4615 25 0000 , % , % ≅ 1,53846 2ª opção de cálculo: GAO = Q �Q �PE P P − = 200 200 70� �− = 200 130� ≅ 1,53846 3ª opção de cálculo: GAO = MS − 1 = 1 1�MS � � = 1 65� % �= 1 0 65� , ≅ 1,53846 4ª opção de cálculo: GAO = Q � P� �GV Q � P� �GV � �GF� P P u u � �� � � �� � � � = 200 50 00 20 00 200 50 00 20 00 2 1 � � R$ � �R$ � � R$ � �R$ � �R$ � �� � � �� � � , , , , . 000 00, � � = R$ �R$ 6 000 00 3 900 00 . , . , ∴ GAO ≅ 1,53846 Resposta: o GAO é de aproximadamente 1,53846, ou seja, o incremento de 1% no valor da venda impacta em um crescimento no valor total do lucro na ordem de 1,53846%. 140 Gestão e controle de custos O valor do GAO (1,53846) provém do fato de que sua fórmula é uma razão entre o incremento percentual do lucro e o incremento percen- tual da venda. GAO = 1,53846 = 1 53846 1 , � = %�de�acréscimo�do�lucro� %�de�acréscimo�da�venda = 1 53846 1 , �%� % Portanto, se o valor da % de acréscimo da venda aumentar para 25% (isto é, se ele for multiplicado por 25), para manter a proporciona- lidade com o denominador, o valor % de acréscimo do lucro também precisa ser multiplicado por 25: GAO = 1 53846 25 1 25 , �� � �� ⋅ ⋅ = 38 4615 25 , � = %�de�acréscimo�do�lucro� %�de�acréscimo�da�venda = 38 4615 25 , �%� % Sendo exatamente esses os valores observados na opção 1, ou seja, nessa faixa avaliada, um incremento de 25% na venda resulta em 38,4615% de incremento no lucro. Antes de encerrar esta seção, cabe ressaltar que, dada a natureza informacional do GAO, esse indicador também pode ser analisado me- diante o uso de derivadas, conforme a demonstração que segue a título de curiosidade: GAO = � % % L � �L� L� R� � �R� R� �� � � � � 2 1 1 2 1 1 100 100 � � � � ∴ GAO = ∆ ∆ �%�L �%�R Sendo preço (P) um valor constante no cálculo da receita (R), então: GAO� L � �L� L� P Q� � �P� Q� P� Q� � L � �L� L� � � � � � � �� � � � � � � � � � 2 1 1 2 1 1 2 1 1 PP �Q� � �Q� P� Q� � � � � � ( )2 1 1 = L � �L� L� Q� � ��Q� �Q� � � � � � 2 1 1 2 1 1 − − ∴ GAO = ∆ ∆ �%�L �%�Q Ao reestruturar essa relação, tem-se: GAO = L � �L� L� �� � � 2 1 1 − · Q� Q� � �Q� �1 2 1− = L � �L� Q� � ��Q� � � � 2 1 2 1 − − · Q� L� � � 1 1 ∴ GAO = ∆ ∆ L Q · Q� L� � � 1 1 Derivando a razão ∆L/∆Q e considerando Q1 = QP, obtém-se: Uma refinaria de açúcar constatou que sua margem de segurança é de 42%. Com base nesse dado, informe o valor do grau de alavancagem operacio- nal e explique seu significado. Atividade 3 (Continua) Custos para planejamento e controle 141 GAO = lim�q�� �� 0 · ∆ ∆ L q · Q� L� P� P� = dL dq · Q� L� P� P� ∴GAO = f ’ (Q) Q L P P � � � f ’ (Q) é a derivada primeira da função lucro (∴ lucro marginal → LMg), uma vez que é estudo do comportamento do lucro em relação à quantidade. Desse modo, o exemplo da confecção pode ser resolvido por meio do seguinte procedimento: L = R – C ∴ L = P · Q – (GF + GVu · Q) = P · Q – GF – GVu · Q ∴ L = P · Q – GVu · Q – GF = (P – GVu) · Q – CF ∴ L = f(Q) = MCu · Q – CF ∴ L’ = f(Q) = 1 · MCu · Q 1 -1 – 0 = 1 · MCu · Q 0 → 1 · MCu · 1 ∴ L’ = f(Q) = MCu Sendo: GAO = � � �f Q · Q� L� P� P ; LP = MC� �Q� CF u P� � Então: GAO = 30,00 · 200 30 00 200 2 100 00R � � R$ , $ . ,� � = R R $ . , $ . , 6 000 00 3 900 00 ∴ GAO = R$ 1,53846 Para quem ainda não teve a oportunidade de estudar derivadas, esse procedimento talvez pareça um pouco estranho, apesar de sua re- solução ter sido feita no passo a passo. Por isso, lembre-se de que essa demonstração é apenas uma curiosidade. O conteúdo que antecede esse procedimento por derivada mais do que atende às necessidades da gestão de custos abordadas neste capítulo. 6.4 Custo meta, custo padrão e custo real Vídeo Os indicadores gerenciais que foram citados neste capítulo – MC, PE, GCR, MS e GAO –, entre outras finalidades, também são instrumentos fortemente utilizados para elaboração de planejamentos estratégicos. Eles servem para verificar a possibilidade da manutenção de estrutu- ras já consolidadas ou, ainda, são utilizados para testar a possibilidade de novos empreendimentos (produtos e/ou mercados). Esses artefatos permitem que simulações sejam feitas sobre as consequências das dis- 142 Gestão e controle de custos tintas flutuações que o mercado pode impor à empresa ao longo de um período. Para tanto, necessitam de dados confiáveis sobre receitas e gastos (fixos e variáveis) para a realização de seus cálculos. Com relação ao comportamento da receita, as empresas normalmente recorrem aos fundamentos presentes na ciência econômica e na estatística inferen- cial. Quanto à questão dos gastos, a contabilidade é, indiscutivelmente, a fonte mais qualificada. Segundo Marion (2018) e Padoveze (2009), a contabilidade é a lin- guagem dos negócios; foi edificada ao longo da história de acordo com as demandas da humanidade por informações úteis para o controle do patrimônio. Cada técnica utilizada pela contabilidade para coleta de dados, processamento e divulgação de informações foi lapidado segundo as necessidades decisórias que proviam com o amadureci- mento da sociedade. Assim, os artefatos contábeis apresentam uma sólida justificativa em ser como são, como partidas dobradas, regime de competência, custeios etc. Eles permitem que a informação contábil seja qualificada como fidedigna, íntegra e completa às necessidades decisórias de seus usuários. Portanto, sem a presença dos confiáveis dados contábeis, nenhuma ferramenta ou analista pode ser eficaz no processo da gestão dos custos. Há muitos elementos contábeis que são igualmente importantes. Contudo, devido à forte aderência que apresentam com os indicadores citados anteriormente, nesta seção, o foco é a relação presenteentre custo meta, custo padrão (corrente e ideal) e custo real. A fim de compreender melhor esses custos, convém continuar com o cenário do planejamento estratégico e acrescentar a ele o aspecto da classificação dos mercados, segundo a microeconomia. Para a econo- mia, o mercado de atuação de uma empresa pode ser definido entre duas possibilidades: mercado competitivo e não competitivo. Segundo Mankiw (2013, p. 64), um mercado competitivo é aquele que “há tantos compradores e vendedores que cada um deles tem impacto insignifi- cante sobre o preço de mercado”. Já os mercados não competitivos, conforme Pindyck e Rubinfeld (2013), seriam aqueles que têm um de- sequilíbrio significante entre compradores e vendedores, de modo que uma das partes detém um nível maior de poder para influenciar, consi- deravelmente, o preço dos produtos que são transacionados. Custos para planejamento e controle 143 O caso extremo do mercado competitivo seria a concorrência per- feita; já o extremo do mercado não competitivo, o monopólio (apenas um vendedor para muitos compradores) ou o monopsônio (apenas um comprador para muitos vendedores). Obviamente, o mundo dos negó- cios não é regido pelos casos extremos, assim, o mercado de atuação de uma empresa normalmente é uma possibilidade entre a condição de concorrência perfeita e o monopólio (ou monopsônio). Desse modo, há casos em que as empresas têm maior poder de mercado e, por isso, uti- lizam ferramentas que definem qual preço irão praticar – por exemplo, mark-up 7 . Contudo, há casos de empresas com menor poder, as quais precisam identificar qual preço o mercado definiu como adequado aos produtos que lhe são ofertados. Esse último é um cenário útil para ilus- trar as distinções entre custo meta, padrão e real. Como visto nos mercados competitivos, as empresas não definem o preço de seus produtos; elas capturam, por meio de pesquisas de campo, o valor que seu público está disposto a pagar. Com base nesse dado, o planejamento estratégico da organização define o valor do lu- cro que considera adequado para remunerar os custos de oportunida- des e riscos que são pertinentes ao projeto analisado, seja para atender questões de rentabilidade, seja para atingir os objetivos de expansão de mercado. Tendo como base esses dados, a empresa define o valor máximo de custo que um produto pode ter para que ele possa ser lan- çado ou para que seja mantido ativo no catálogo de venda. Segundo Martins (2003), esse custo limite é conhecido como custo meta, custo alvo ou target costing. O custo meta representa uma linha demarcatória na qual os gastos da empresa não podem ultrapassar sem comprome- ter a viabilidade comercial do produto ou, conforme o caso, a própria continuidade da entidade. Uma vez estabelecido o valor do custo meta, há a necessidade da apuração sobre qual é o valor de custo que a empresa tem como pa- drão em suas operações. Se for acima do custo meta, o projeto é inviá- vel; se for abaixo, ele é viável. Quanto mais baixo esse custo, dado o fato de o preço ser constante na análise, mais eficaz é a empresa como lócus da geração de riqueza. Com esse cenário, uma empresa busca constantemente métodos que lhe possibilite utilizar seus recursos da maneira mais eficiente possível, de modo a alcançar, segundo sua rea- lidade operacional, o menor gasto possível. Isto é, um padrão ótimo Artefato contábil que, ao partir dos gastos operacionais e da margem de lucro desejada, estabelece, por meio do custeio por absorção, um fator de multiplicação que define o valor do preço de venda que uma empresa deve praticar (MARTINS, 2003). 7 Para uma empresa continuar operando, é necessário apresentar um valor mínimo de lucro que, ao menos, se equipare às taxas normalmente pagas por outros investimentos de igual risco. Caso contrário, os donos serão tentados a interromper as operações da entidade para reinvestir esse capital em em- preendimentos mais rentáveis. Saiba mais lócus: lugar. Glossário 144 Gestão e controle de custos para medir sua eficiência na gestão dos gastos, portanto, um valor que seja o custo padrão de suas atividades. O custo padrão (ou standard costing), muitas vezes, é confundido com o custo meta, um erro no mínimo grosseiro, considerando suas distintas finalidades. Conforme Martins (2003), o custo padrão é um procedimento qualificado que informa o menor gasto que é possível de ser alcançado por uma empresa, no curto e no longo prazo. Em outras palavras, ele permite a avaliação da eficiência de uma empresa ao esta- belecer um valor para o controle dos gastos incorridos. É o resultado de um estudo minucioso que considera tanto elementos teóricos quanto questões pragmáticas da realidade da empresa. Na verdade, o custo padrão, quando corretamente implementado em sua forma e extensão, não apresenta apenas um valor de referência para os dispêndios, mas dois grupos de valores: custo padrão corrente e custo padrão ideal. O custo padrão corrente representa a realidade de uma empresa no momento atual (corrente) de suas atividades. Trata-se do estudo so- bre a eficiência da entidade na gestão dos custos, considerando tanto aspectos do potencial teórico no uso dos recursos quanto as limita- ções contemporâneas da empresa nesse uso. Nesse sentido, Martins (2003, p. 315) define esse custo como o valor que a empresa fixa como meta para o próximo período para um determinado produto ou serviço, mas com a diferen- ça de levar em conta as deficiências sabidamente existentes em termos de qualidade de materiais, mão de obra, equipamentos, fornecimento de energia etc. É um valor que a empresa conside- ra difícil de ser alcançado, mas não impossível. Já o custo padrão ideal é um valor que, apesar de ainda ser prag- mático, é altamente teórico, um cenário de eficiência máxima na gestão do custo. Trata-se de um valor que deve ser considerado como uma meta de longo prazo, uma condição utópica que condiciona a empre- sa a buscar continuamente o aperfeiçoamento. Martins (2003, p. 315) define o custo padrão ideal como “o valor conseguido com o uso dos melhores materiais possíveis, com a mais eficiente mão de obra viável, a 100% da capacidade da empresa, sem nenhuma parada por qualquer motivo, a não ser as já programadas em função de uma perfeita manu- tenção preventiva etc.”. Para elucidar esses conceitos, acompanhe o exemplo a seguir, o qual foi simplificado para atender de maneira didática à pauta estudada. Não se deve confundir o conceito de custo estimado com o de custo padrão. O custo estimado é, como diz o próprio nome, uma estimativa realizada sobre os dis- pêndios de uma empresa. Desse modo, trata-se de uma análise realizada por meio de artefatos estatísticos, que considera, portanto, valores médios dos gastos passados para estabelecer o custo que é provável para o período corrente. Atenção Custos para planejamento e controle 145 Uma empresa está avaliando se deve vender em uma região que há demanda de 2.000 unidades de produtos por mês a um preço de R$ 50,00 por unidade. A empresa analisa esse cenário e considera que o lucro mínimo aceitável para essa operação é de R$ 10,00 por produto, independentemente da quantidade de venda. O único gasto dessa empresa é o valor mensal de R$ 10.000,00, que representa o custo com a folha de pagamento da equipe de produção, na qual todos os membros são mão de obra direta. A equipe de produção é esforçada, porém, sem experiência e, além disso, seus membros apenas concluíram o ensino fundamental. Dado esse fato, a equipe consegue produzir por mês, com esforço, apenas 320 unidades de produto. Agora, se a equipe receber um treinamento de 20 horas (que só poderá ser ministrado daqui a seis meses), ela será capaz de produzir, em condições normais de trabalho, 500 unidades por mês. Se eles frequentarem um curso técnico de quatro anos, a capacida- de produtiva passa a ser de 800 unidades/mês. Com base nessas informações, indique os valores docusto meta e do custo padrão dessa empresa. Solução: Custo meta = Preço de venda – Lucro desejado Custo meta = R$ 50,00 – R$ 10,00 Custo meta = R$ 40,00/unidade Custo padrão (CP) = Custo�de�produção� folha /mês� Produção/mês � � CPHoje = R$� 00/mês� �unidades/mês 10 000 320 . , = R$ 31,25/unidade CPTreinamento = R$� ,00/mês� �unidades/mês 10 000 500 . = R$ 20,00/unidade CPTécnico = R$� 00/mês� �unidades/mês 10 000 1 000 . , . = R$ 10,00/unidade Resposta: O custo meta é de R$ 40,00 por unidade. O custo padrão corrente é de R$ 31,25 por unidade. O custo padrão ideal daqui a seis meses com treinamento é de R$ 20,00 por unidade. O custo padrão ideal daqui a quatro anos com curso técnico é de R$ 10,00 por unidade. 146 Gestão e controle de custos Ao analisar a resposta obtida no exemplo, se o valor do custo pa- drão fosse maior do que R$ 40,00 por unidade (valor do custo meta), o projeto teria sido classificado como inviável. Mas, como o valor padrão corrente foi de R$ 31,25, além de ser viável, o projeto ainda apresentou um lucro extra de R$ 8,75 por unidade. Agora, ser forem consideradas as possibilidades de melhorias, no médio prazo, o custo padrão corren- te pode ser alterado para R$ 20,00 por unidade (custo ideal para daqui a seis meses) e, no longo prazo, para R$ 10,00 por unidade (custo ideal para daqui a quatro anos) 8 . Portanto, o custo meta é o custo máximo a que uma empresa pode chegar para continuar no mercado, já o cus- to padrão é o custo mínimo a que uma empresa pode chegar se for eficiente na gestão de seus gastos. Uma vez estabelecido o valor do custo padrão, aprovado o projeto e iniciada a fase de produção, tem-se a necessidade da contabilização do custo real. O custo real de um produto basicamente implica duas fa- ses. Primeiramente, há a mensuração de todos os gastos incorridos no período da análise e, na sequência, há a apropriação desses dispêndios aos produtos movimentados. Para tanto, a contabilidade dispõe de mé- todos de custeio para cumprir essa tarefa, os quais, segundo Martins e Rocha (2015), são: custeio por absorção (parcial, parcial modificado, pleno), custeio com base em atividades e custeio variável. Uma empresa pode se valer de um ou mais critérios de custeio, tudo depende de suas necessidades informacionais. E, encerrando a linha lógica, cujo elemento de base é o planejamento estratégico, tem-se que o custo padrão precisa ser confrontado com o valor obtido no custo real – em verdade, esse é o objetivo essencial do custo padrão. Caso o valor do custo real supere o valor do custo padrão, medidas corretivas precisam ser aplicadas para que o custo real retorne ao valor estabele- cido como adequado. Caso contrário, todo o cenário estabelecido nas análises de viabilidade elaboradas pelos gestores estará comprometi- do e a própria continuidade da empresa estará em risco. O custo real é o valor que informa a realidade dos dispêndios de uma empresa dentro do período de análise. Ele permite comparar se a gestão de custos da entidade está operando abaixo do valor máximo permitido (respeitando o limite do custo meta), se está sendo eficiente (operando dentro do custo padrão corrente) e, obviamente, se está buscando apri- moramento contínuo (se aproximando do custo padrão ideal). Obviamente, esse exemplo tem vários problemas se for comparado com o mundo real. Entre outros, ele não considera gasto algum além da folha de pagamento, o volume de venda não interfere na determinação do lucro desejado por unidade e a folha não sofre alterações com a qualificação da equipe. Todavia, isso não compromete seu objetivo, que é apresentar a lógica dos conceitos estudados. Desse modo, se todos os pro- blemas citados fossem sanados, a única coisa que mudaria é que a complexidade gerada com elementos que não são objeto do estudo dificultaria o entendimento do que realmente importa, isto é, o entendimento do que significa custo meta e padrão (corrente e ideal). 8 Os Capítulos 3, 4 e 6 da obra Métodos de custeios comparados: custos e margens analisados sob diferentes perspectivas apresentam de maneira clara, respectivamente, os conceitos sobre custos fixos e variáveis, custos diretos e indiretos e, por fim, o custeio variável. Uma leitura obrigatória para quem deseja aplicar com segurança as análise do custo-volume-lucro. MARTINS, E.; ROCHA. W. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2015. Livro Custos para planejamento e controle 147 Antes de encerrar, deixando agora de lado o cenário do planeja- mento estratégico, convém expor o alerta de Martins (2003, p. 316-317) de que um dos maiores erros que uma pessoa pode cometer ao discur- sar sobre custo padrão é defender que esse substitui a necessidade da contabilização do custo real. Nesse sentido, o autor destaca: Custo-padrão não é uma outra forma, método ou critério de con- tabilização de custos (como Absorção e Variável), mas sim uma técnica auxiliar. Não é uma alternativa, mas sim um coadjuvante. A instalação do Custo-padrão não significa a eliminação de Cus- tos a Valores Reais Incorridos (Custo Real); pelo contrário, só se torna eficaz na medida em que exista um Custo Real, para se extrair, da comparação de ambos, as divergências existentes. Por fim, cabe ressaltar que sem o custo padrão corrente, os indica- dores gerenciais que foram citados neste capítulo – MC, PE, GCR, MS e GAO – não seriam possíveis de serem elaborados com um nível míni- mo de segurança. Sem esse artefato contábil, faltariam dados sólidos quanto aos valores de gastos fixos e variáveis que deveriam ser consi- derados como adequados nos inúmeros cálculos feitos nesses indica- dores, uma dúvida que estaria presente tanto nas análises correntes (as de curto prazo) quanto nas simulações de médio e longo prazo. Algo impensável para a rotina de uma empresa em mundo cada vez mais globalizado e competitivo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, foram abordados os indicadores analíticos que emer- gem do critério contábil conhecido como custeio variável ou direto. O custeio variável é um procedimento destinado à separação dos gastos em elemen- tos fixos e variáveis, com a apropriação desses últimos aos produtos comer- cializados pela empresa. No desenvolvimento da pauta, foi utilizada uma percepção mais flexível do método, isto é, uma percepção mais próxima da corrente gerencial. As análises feitas ocorreram em função do cenário conhecido como custo-volume-lucro, no qual tem-se o estudo sobre como o volume das vendas pode impactar o resultado dos custos e, consequente- mente, o valor do lucro do período analisado. Nesse sentido, foram abordadas e explicadas as condições de equilíbrio (ponto de equilíbrio) e desequilíbrio (lucro e prejuízo). Tendo em vista esse ponto, foram estudados indicadores de margem de segurança, grau de com- prometimento da receita e grau de alavancagem operacional. No desenvol- vimento de cada um desses indicadores, suas respectivas fórmulas foram 148 Gestão e controle de custos desmembradas segundo suas essências e reestruturadas nas diferentes for- mas que costumam ser abordadas. Esse procedimento buscou desmistificar a visão equivocada que infelizmente muitos alunos têm de que um mesmo indicador pode ser calculado por diferentes fórmulas e, desse modo, para um mesmo cenário, gerar diferentes valores conforme a fórmula usada. Por fim, na última seção, buscou-se uma reflexão sobre a importância da contabilida- de no processo de geração desses indicadores, considerando a relevância da presença dos custos meta, padrão (corrente e ideal) e real. REFERÊNCIAS CHEROBIM, A. P. M. S. LEMES JR., A. B.; RIGO, C. M. Administração financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras – aplicações e casos nacionais. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. GOLDRATT, E. M.; COX, J. A meta: um processo de aprimoramento contínuo. 39. ed. São Paulo: Educator, 1997. MANKIW, N. G. Princípios de microeconomia. São Paulo: Cengage Learning, 2013.MARION, J.C.; RIBEIRO, O. M. Introdução à contabilidade gerencial. São Paulo: Saraiva, 2011. MARION, J. C. Contabilidade empresarial: instrumentos de análise, gerência e decisão. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2018. MARTINS, E. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MARTINS, E.; ROCHA, W. Métodos de custeios comparados. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015. PADOVEZE, C. L. Controladoria básica. 2 ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009. PINDYCK, R.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 8 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. Custos empresariais. Curitiba: InterSaberes, 2016. SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Decisões financeira e análises de investimentos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. GABARITO 1. 1º passo: Aplicar a fórmula do GCR. GCR = Receita�� Receita� Equilíbrio Planejada �= R� R� E P 2º passo: Encontrar o valor das receitas (R = preço × quantidade). GCR = R� R� E P �= P� �Q� P �Q� E P ⋅ ⋅ = R$�12,50� �15.200 R$�12,50� �42.222 ⋅ ⋅ 3º passo: Obter o valor do GCR. GCR = R R $� . , $ � . , 190 000 00 527 772 00 = 0,36 = 36% O grau de comprometimento da receita é de 36%. Custos para planejamento e controle 149 2. Existem três possibilidades de cálculo para a margem de segurança (MS): a. MS = R� R� R� P E P − b. MS = Q� �Q� �Q� P E P �− c. MS = MC� �� ��Q� GF MC� ��Q� u P u P �� � � � ���� � � � � Contudo, a que atende melhor ao enunciado é a alternativa c. Desse modo: MS = MC� � Q� GF MC� �Q� R$� � � Ru P u P � � � � � � �� � � � �� � � � , � $� .50 00 8 000 125 0000 00 50 00 8 000 , � , �R$� � � ∴ MS = R$ � � R R$ � 400 000 00 125 000 00 400 000 00 . , � $� . , � . , − = R R$ � $� . , � . , 275 000 00 400 000 00 = 0,675 = 67,75% 3. Considerando que existem três possibilidades de cálculo para o GAO: a. GAO = ����� L ��L� ��� �� ������ R� ��R� ��� �� �� � �� �� 2 1 2 1 1 1 − − b. GAO = Q �Q �PE 1 1− , ou seja, GAO = MS −1 c. GAO = Q � �MC Q �� �MC� ��GF P P �.� .� − A que atende melhor ao enunciado é a alternativa b. Desse modo: GAO = MS − 1 = 1 1�MS � �= 1 42� % �= 1 0 42� , ≅ 2,38 ∴ Nesse cenário de MS, o GAO é de 2,38. Isso implica que, a cada variação de 1% no valor de venda, a variação no valor do lucro será de 2,38%. Provavelmente, você já deve ter escutado que é preciso cortar os custos para continuar operando. Mas será que essa linha de raciocínio, tão comum no mercado, é a abordagem correta? Este livro tenta responder a essa questão, apresentando uma reflexão sobre aspectos teóricos e práticos da gestão de custos, esmiuçando a essência do que vem a ser esse processo. Você vai entender a importância da contabilidade para a gestão de custos e a necessidade de compreender as terminologias que identificam os gastos de uma empresa, além de conhecer os métodos de apropriação dos custos e a lógica contábil utilizada para o acúmulo dos gastos operacionais. Desse modo, você será capaz de compreender dois momentos distintos no processo de gestão de custos: a percepção contábil financeira e a percepção contábil gerencial e, assim, ter um olhar mais sistêmico sobre o processo de gestão de custos. G ESTà O E C O N TRO LE D E C USTO S ERN A N I JO à O SILVA | G UILH ERM E TEO D O RO G A RBREC H T Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6576-9 9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 7 6 9 Código Logístico 59145 Página em branco Página em branco