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Módulo Envelhecimento - Problema 2 - Osteoporose Fisiopatologia, Diagnóstico, Tratamento

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Thaís Pires 
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Problema 2 
1. Conhecer a osteoporose e os fatores associados a quedas no idoso 
 
Osteoporose – se refere a uma condição onde há PERDA DE MASSA ÓSSEA, sendo, portanto, uma alteração 
quantitativa do tecido ósseo, mantendo as características qualitativas dele 
 Durante a infância e a adolescência, há um acúmulo muito rápido de massa óssea, sendo o pico dessa 
massa atingido ao fim da terceira década de vida, que é quando tende a se manter relativamente estável 
na vida adulta (exceto nas mulheres após a menopausa) – nas últimas fases da vida, tanto homens como 
mulheres iniciam uma perda óssea / Esse processo de ganho de massa óssea ao longo da vida sofre 
interferência da nutrição, atividade hormonal, atividade física → depois de atingir o pico de massa óssea, 
i.e., fim da 3ª década, a quantidade dessa variável é determinada pelo valor máximo atingido subtraído das 
perdas ósseas subsequentes / Muito importante nesse processo de PICO DE MASSA ÓSSEA são os fatores 
GENÉTICOS, que, por exemplo, determinam picos muito maiores em NEGROS do que em ASIÁTICOS E 
BRANCOS – enquanto o fator genético determina esse pico máximo, os fatores AMBIENTAIS terão influência 
direta na PERDA SUBSEQUENTE!!! 
 
 Etiologia – o principal fator etiológico é a DEFICIÊNCIA GONADAL DE ESTEROIDES, principalmente 
aquela que ocorre após a menopausa, justificando a maior perda de massa óssea em mulheres e, 
consequentemente, maior incidência de fraturas osteoporóticas / Nos homens, a testosterona também tem 
papel importante no remodelamento ósseo, porém o ESTRADIOL gerando a partir da aromatização 
periférica da testosterona é o esteroide gonadal essencial que medeia a PRESERVAÇÃO DA MASSA ÓSSEA 
→ homens em terapia de privação de andrógenos por CA de próstata estão em risco aumentado de perda 
óssea e fratura 
Um fator que não possui diferenciação entre os sexos é a CORTICOTERAPIA, uma vez que os glicocorticoides 
induzem a osteoporose 
O fator nutricional também é importante para atingir o pico de massa óssea e minimizar a perda subsequente 
– ingestão adequada de CÁLCIO e VIT D 
 
 Patogênese – o processo de remodelamento ósseo é um reflexo da atividade dos osteoclastos 
associada a dos osteoblastos → a perda óssea da osteoporose pode ser resultante de um aumento na 
atividade dos osteoclastos, diminuição da atividade dos osteoblastos OU um combinação desses dois → 
indivíduos jovens com pouca massa óssea provavelmente experimentaram pouca formação óssea, i.e., 
pouca atividade osteoblástica, enquanto a osteoporose pós-menopausa é um reflexo da reabsorção 
acelerada! 
 Embora não seja completamente entendido esse processo de reabsorção óssea causada pela 
deficiência de esteroides, estima-se um envolvimento do AUMENTO DA LIBERAÇÃO DE CITOCINAS, como a 
IL-6, pela células ósseas em deficiência de estrogênio, que aumenta a sensibilidade dos osteoclastos ao 
RANKL, o que culmina em uma hiperatividade dos OSTEOCLASTOS 
Thaís Pires 
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O sistema de remodelação óssea é regulado pelo SISTEMA RANKL/RANK/OSTEOPROTEGERINA – o ligante 
do RANKL produzido pelos osteoblastos liga-se ao receptor do RANK dos osteoclastos → essa ligação 
determina a transformação do PRECURSO OSTEOCLASTO → OSTEOCLASTO ATIVO – nesse processo de 
ligação, a OSTEOPROTEGERINA que é produzida pelos osteoblastos é responsável pela INIBIÇÃO DA 
LIGAÇÃO RANKL-RANK, o que impede a reabsorção óssea 
 Nos indivíduos com osteoporose, verifica-se 
 
A patogênese da perda óssea 
relacionada com a senescência é menos 
conhecida ainda, porém fatores como a 
deficiência relativa de cálcio consequência 
da DIMINUIÇÃO NA CAPACIDADE DE 
ABSORÇÃO desse mineral pelo intestino e 
da MAIOR EXCREÇÃO URINÁRIA, 
corroboram para que haja uma maior 
ingestão oral de Ca, senão predomina um 
equilíbrio negativo! Associada a essa 
ingesta de cálcio, há uma deficiência de 
vitamina D, que está relacionada com a 
absorção do mineral → lembrar que já existe uma deficiência de absorção de cálcio intrínseca aos 
mecanismos de senescência intestinal, então a deficiência de vit D soma a esse processo! 
 
 Manifestações Clínicas – é assintomática até o momento que produz FRATURAS E DEFORMIDADES, 
sendo as típicas da osteoporose localizadas na coluna, no quadril e no punho (Fratura de Colles) – a de 
punho é mais frequente nas mulheres após menopausa, enquanto as de vértebras e quadril são comuns aos 
dois sexos 
Os corpos vertebrais podem ser esmagados, resultando em diminuição da estatura, ou podem formar uma 
cunha no sentido anterior, predispondo a perda da estatura associada a cifose (corcunda da viúva) 
A complicação da osteoporose com maior MORBIMORTALIDADE é a fratura de quadril, com aumento súbito 
da incidência após 80 anos – isso é devido a vários fatores, principalmente a tendência de PERDA DE OSSO 
TRABECULAR > CORTICAL e tudo isso associado a uma DIMINUIÇÃO DA FUNÇÃO MOTORA (fibras rápidas) 
E VISUAL, resultando em quedas mais frequentes 
 
 
 
 
Thaís Pires 
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Diagnóstico Osteoporose – nas fases iniciais, não há clínica significativa para o diagnóstico de OP, porém 
importante realizar o exame físico e anamnese para o diagnóstico ETIOLÓGICO 
 
 Exames Laboratoriais – geralmente são normais na OP primária tipo 1 e tipo 2, porém esses exames 
são importantes para estabelecer a presença de fatores secundários determinantes de perda de massa óssea 
• Hemograma, 
• Velocidade de hemossedimentação (VHS), 
• Cálcio sérico, 
• Fósforo sérico, 
• Proteína total, 
• Albumina, 
• Enzimas hepáticas, 
• Creatinina, eletrólitos, 
• Glicemia de jejum, 
• Dosagem de cálcio na urina de 24 h 
• Dosagem de Vitamina D sérica (25-OH) 
Se houver história clínica ou achados de exame físico condizentes com causas secundárias, outros exames 
podem ser realizados: hormônio tireoestimulante (TSH) e paratormônio (PTH) intacto sérico, cortisol 
urinário livre, marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo, discriminados mais adiante; estudo do 
equilíbrio acidobásico, eletroforese de proteínas séricas, anticorpos (AC) antiendomísio, antigliadina e 
antitransglutaminase, aspiração de medula óssea. 
 
 Biomarcadores Ósseos – são os produtos da degradação óssea liberados para a circulação ou para a 
urina, i.e., traduzem o TURNOVER ÓSSEO → nenhum é ESPECÍFICO DA OP, portanto, não fazem diagnóstico 
sozinhos – a velocidade desse fenômeno pode ser determinada pela ATIVIDADE ENZIMÁTICA DE CÉLULAS 
FORMADORAS E REABSORVEDORAS e pela medida dos COMPONENTES DA MATRIZ ÓSSEA liberados na 
circulação durante a remodelação 
 
Esses biomarcadores possuem uma boa correlação em relação a PREDIÇÃO DE FRATURAS, ou seja, altos 
níveis de marcadores de reabsorção estão associados maior risco de fratura de quadril e vértebras 
 Obs: a variabilidade dos marcadores varia com o RITMO CIRCADIANO, por isso devem ser medidos 
na mesma hora do dia! 
 
Radiografias Convencionais – a sensibilidade e especificidade dos RX para determinar baixa massa óssea 
são BAIXAS e, na ausência da fratura vertebral, não pode diagnosticar OP precoce, i.e., SÓ DETECTA SE JÁ 
HOUVER O DANO!!! Já se houver fratura por baixo impacto, independente da massa óssea, o pct é 
considerado como osteoporótico!!! 
Thaís Pires 
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Os RX só fazem diagnóstico quando a perda de massa óssea atingiu cerca de 30% ou quando há tem fratura 
de baixo impacto instalada → DIAGNÓSTICO TARDIO – sua utilização se dá como EXAME COMPLEMENTAR 
para estabelecer a presença de fraturas vertebrais 
 
 Técnicas para medir a densidade óssea 
Permitem avaliar a PERDA ÓSSEA, O RISCO DE FRATURA e MONITORAR O TRATAMENTO 
 Ultrassonometria Óssea – não se conhece os seus parâmetros físicos muito bem, mas mede 
VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO (SOS) e a atenuação do som em CALCÂNEO e TÍBIA (BUA), que são unidos 
e formam a medida RESISTÊNCIA ÓSSEA = STIFFNESS 
 
 Densitometria Óssea – capaz de medir a QUANTIDADE DE OSSO (conteúdo