Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM 
 REDAÇÃO ACADÊMICA E PROFISSIONAL 
 
DISCIPLINA: TIPOS E GÊNEROS TEXTUAIS 
PROFESSORA: Tatiana Jardim 
MÓDULO 2 
APOSTILA 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1. A ORGANIZAÇÃO DOS GÊNEROS................................................................ 3 
RESUMO .............................................................................................................. 3 
FICHAMENTO ...................................................................................................... 5 
RELATÓRIO ......................................................................................................... 6 
REDAÇÃO ESCOLAR DISSERTATIVA-ARGUMENTATIVA ............................. 8 
RESENHA ............................................................................................................ 9 
ARTIGO CIENTÍFICO ......................................................................................... 10 
2. ESTUDO ORIENTADO (AUTOAVALIATIVO) ............................................... 11 
REFERÊNCIAS .................................................................................................. 14 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
1. A ORGANIZAÇÃO DOS GÊNEROS 
 
Neste módulo, serão apresentados os exemplares dos gêneros trabalhados 
neste curso e suas especificidades estruturais e linguísticas. Tal demonstração tem o 
objetivo de levá-los a compreender que um gênero é uma construção inerente a uma 
esfera, a um campo de atividade e a seus propósitos comunicativos. Sobre isso, o 
filósofo da linguagem Mikhail Bakhtin (2011) afirma que cada esfera de atividade vai 
produzir seus gêneros. Então, isso indica que os homens se organizam por campos 
de atuação e que o uso da língua por meio de textos produz gêneros que atendam às 
necessidades de comunicação e de ação desses campos. Portanto, conhecer e 
reconhecer esses gêneros é fundamental para que possamos nos inserir e transitar 
em diferentes áreas. 
 Vamos às demonstrações!! 
 
 
RESUMO 
Gênero que tem o objetivo de sintetizar o conteúdo de um texto, de uma obra 
etc. É um gênero que tem variações. Observe abaixo. 
 
RESUMO INFORMATIVO 
É uma variação de resumo que apresenta, obviamente, uma condensação das 
ideias principais do trabalho realizado e também o acréscimo dos objetivos, da 
fundamentação teórica e dos resultados encontrados em uma pesquisa. Seu modo 
de organização é o expositivo, por isso a linguagem é impessoal e mostra o viés 
de objetividade. Antecede a exposição trabalhos científicos em geral. Segue um 
exemplar. 
 
 
 
 
 
4 
 
 
RESUMO: Conceber a língua como forma de ação, como lugar de interação em que 
são compartilhados sentidos oriundos da intersubjetividade, é assumir que há em 
todo enunciado marcas linguísticas que denunciam a presença do locutor. Entre tais 
marcas, está a modalização que, em sentido amplo, indica o grau de 
comprometimento do locutor com seu enunciado. Assim, neste trabalho, analisamos 
a manifestação da modalização epistêmica, relacionada ao eixo das crenças e dos 
saberes, no gênero textual horóscopo. Para fundamentar a análise, recorremos à 
Teoria da Enunciação de Benveniste (2005), à Teoria da argumentação na língua 
de Ducrot (1984, 1987 e 1989) e à perspectiva sociorretórica de Bazerman (2006) 
para abordar a noção de gênero textual. Verificamos que, no gênero textual em 
questão, a modalização epistêmica funciona como um atenuador do conteúdo do 
enunciado e do conteúdo de todo o texto, além de orientar os enunciados para 
determinados sentidos. É possível, ainda, afirmar que a categoria discursiva 
colabora para o funcionamento do gênero, pois expressa noções inerentes ao 
conhecimento, à crença do locutor em relação a certo conteúdo, e o gênero textual 
analisado só o é porque está baseado no que determinado indivíduo conhece ou 
acredita conhecer acerca dos astros. 
 
(GONÇALVES, Tatiana Jardim. O que dizem os astros? Uma análise da 
modalização epistêmica no gênero textual horóscopo/ Publicação disponível em: 
http://www.pgletras.uerj.br/linguistica/linguagem08.html) 
 
 
 
RESUMO DESCRITIVO 
É um tipo de resumo que, obviamente, apresenta as ideias principais de um 
texto e também o detalhamento do que é exposto em uma obra. Por isso, há a 
incidência de adjetivos, de verbos de ligação e de expressões que realcem a 
enumeração, o detalhamento das coisas. O modo de organização deste tipo de 
resumo é, portanto, o descritivo. É uma variação de resumo que requer uma leitura 
atenta do texto original ou da obra, já que só é possível enumerar se houver 
observação. Segue um exemplar. 
O livro 1984 de George Orwel é uma narrativa que trata do domínio do poder 
totalitário nas vidas das pessoas. No livro, o personagem principal, Winston Smitlh, 
vive entre o medo e a vontade de se libertar de um tipo de poder que controla corpos 
e mentes. Um dos recursos mais agressivos desse sistema é a Novafala, língua 
criada pelo totalitarismo para impedir os indivíduos de se expressarem 
voluntariamente. Além disso, O personagem passa a ter um romance com Júlia, 
jovem que encontra formas de burlar este sistema para ter algumas experiências 
desejadas. O romance nos leva a refletir sobre os sistemas que nos rodeiam e nos 
achatam. 
 
5 
 
FICHAMENTO 
 
Gênero que se organiza em tópicos com as ideias principais de um texto. 
Retira-se do texto somente o que é interessante para um trabalho de pesquisa ou para 
estudos em geral, por isso é um gênero excelente para fins de aprendizado. Além 
disso, o fichamento permite que você tenha acesso ao conteúdo de uma obra sem ter 
que, necessariamente, retomá-la. É, pois, um gênero que comporta praticidade. O 
fichamento pode ser feito com os trechos do texto ou com as palavras do 
próprio autor, mas sempre em tópicos. Apresenta-se a referência da obra, do 
artigo, do livro e organiza-se os tópicos em conformidade com a leitura. Segue um 
exemplar, que é fichamento de uma página do capítulo Da subjetividade na linguagem 
do livro Problemas de Linguística Geral I de Émile Benveniste. 
 
BENVENISTE, Émile. Da Subjetividade na linguagem. In: Problemas de 
Linguística Geral I: Trad. Eduardo Guimarães. Campinas: São Paulo, 3. ed., 2005 
● É na linguagem e pela linguagem que o homem se constitui como “sujeito”; porque 
só a linguagem fundamenta na realidade, na sua realidade que é a do ser, o conceito 
de “ego”. 
 
● A subjetividade de que tratamos aqui é a capacidade do locutor para se propor 
como “sujeito”. (...) Ora, essa “subjetividade”, quer a apresentemos em 
fenomenologia ou em psicologia, como quisermos, não é mais que a emergência 
no ser de uma propriedade fundamental da linguagem. (...) Encontramos aí o 
fundamento da “subjetividade” que se determina pelo status linguístico da “pessoa”. 
(p. 286) 
 
 
 ● A consciência de si mesmo só é possível se experimentada por contraste. Eu não 
emprego eu a não ser dirigindo–me a alguém, que será na minha alocução um tu. 
(...). A linguagem só é possível porque cada locutor se apresenta como sujeito, 
remetendo a ele mesmo como eu no discurso. (p. 286) 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
RELATÓRIO 
 
Como o próprio nome indica, este gênero é da ordem da narração. Em termos 
gerais, apresenta o relato de fatos, da execução de determinadas tarefas, ações, 
etapas de um trabalho ou de uma pesquisa. É recorrente a presença dos modos de 
organização narrativo e descritivo, portanto, encontramos muitos verbos 
indicadores de ação e de percursos, adjetivos, advérbios de tempo, de lugar e 
de modo. É um gênero solicitado nos diferentes níveis profissionais, a depender 
das tarefas que o profissional execute, no meio acadêmico, nas escolas. Observe um 
exemplar de um relatório de atividade supervisionada, solicitado no meio acadêmico 
para fins de comprovação de participação em atividades extracurriculares. 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE 
INSTITUTO DE LETRASPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DE LINGUAGEM – 
MESTRADO 
LINHA DE PESQUISA: Teoria e Análise Linguística 
RELATÓRIO DE ATIVIDADE SUPERVISIONADA 
ALUNA: Tatiana Jardim Gonçalves 
ORIENTADORA: xxx 
ATIVIDADE: Minicurso “Modalidade e Evidencialidade”: Gramática e Discurso 
 
Resumo: Em cumprimento às exigências do programa de pós-graduação em 
Estudos de Linguagem, este relatório tem o objetivo de fazer uma exposição acerca 
da atividade mencionada no título. 
 
O minicurso intitulado: Modalidade e Evidencialidade: gramática e 
discurso foi ministrado pela Professora Doutora Marize Mattos Dall’Aglio-
Hattnher da Universidade Estadual Paulista entre os dias 29.06.2011 e 
01.07.2011 na Universidade Federal Fluminense. Sob a perspectiva da 
Linguística Funcional, o tema central do minicurso, foi a modalidade. 
No primeiro dia do minicurso, a professora fez uma explanação sobre a 
dificuldade de tratar o tema, mesmo tendo um referencial teórico definido. 
Ressaltou a complexidade do tema devido à difícil delimitação. 
Foi traçado um panorama acerca dos estudos da modalidade, que vem 
desde a era clássica. As primeiras considerações sobre a modalidade, atribuídas 
a Aristóteles, estavam ligadas à lógica. Denominadas aléticas ou aristotélicas, 
buscavam verificar a verdade do conteúdo das proposições. Posteriormente, 
verificou-se que as proposições poderiam ser necessariamente ou 
possivelmente verdadeiras. Nesse ponto, foram incluídas essas duas noções 
sobre o tema. 
7 
 
Posteriormente, a professora abordou a problemática da modalidade no 
âmbito da linguística e expôs alguns pontos de vista, algumas considerações 
concernentes a isso. A primeira delas, uma abordagem sintática de Ross (1969), 
caracteriza os valores epistêmicos como intransitivos e os valores deônticos 
como transitivos. Nessa mesma linha, os trabalhos de Hofmann (1966), 
Newmeyer (1970) e Kayne (1975) também atribuem diferentes estruturas 
sintáticas às orações modalizadas. 
As abordagens da semântica e da pragmática também expostas no 
curso. Esses pontos de vista, como mencionou a professora no minicurso, foram 
necessários para responder a algumas questões que a abordagem sintática não 
contemplava. Para corroborar tal ponto de vista foram citados Parret (1976), que 
considerava a necessidade de se recorrer a uma semântica ou até a uma 
pragmática das modalidades, Coracini (1991) para quem as modalidades são 
verdadeiras estratégias retórico-argumentativas e Brandão (1993) que, numa 
perspectiva da Análise do Discurso, assevera que a língua, por ser discurso 
decorrente de uma interação, não é neutra nem inocente, visto que advém de 
uma intencionalidade, então a língua é lugar privilegiado da manifestação da 
persuasão, da argumentação e da modalização. Foram mencionadas, ainda, 
pela professora as abordagens da Linguística Textual de Meyer (1980), Givón 
(1984) e da Semiótica Greimas (1976), Coquet (1976), Rengstorf (1976), Barros 
(1991). 
[...] 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
REDAÇÃO ESCOLAR DISSERTATIVA-ARGUMENTATIVA 
 
 É um gênero em que se mesclam dissertação (exposição) e argumentação. 
Há a apresentação de um ponto de vista em relação a uma temática e a posterior 
defesa do mesmo. Na conclusão, há a retomada das ideias apresentadas e debatidas 
ou um resumo das mesmas. Em termos linguísticos, há a recorrência de marcas 
linguísticas de argumentação e de marcas linguísticas de impessoalidade. 
Observe um exemplar. 
Pré-Conceito 
Desde a pré-história, o homem sempre se utilizou do conhecimento inovador 
para evoluir. O fogo, a faca, a escrita, os meios de transporte, de comunicação 
(rádio, tv, internet), entre outros, foram marcos tecnológicos, cada qual na sua 
época, que facilitaram o processo de evolução da espécie humana. Portanto, é 
inegável que essas tecnologias trouxeram benefícios à humanidade e, nesse 
contexto linear, tendem a progredir infinitamente. Entretanto, sempre houve e ainda 
há pessoas que fizeram e fazem mau uso de tais instrumentos, o que alimenta o 
medo e a insegurança de parte da sociedade diante do novo. 
Aqueles que são contrários ao desenvolvimento tecnológico sustentam suas 
crenças com base em fatos negativos que afetaram profundamente a humanidade, 
como, por exemplo, as consequências nefastas do regime nazista na Alemanha. 
Não se pode desprezar a possibilidade de um revés no uso da ciência e da 
tecnologia, visto que, em última instância, têm o poder de causar o extermínio da 
própria humanidade, assim como ocorreu, em menor proporção, com a bomba 
atômica em Hiroshima. Todavia, prender-se a isso seria ter uma visão pessimista 
do progresso, tal qual teve a personagem do episódio "O velho do Restelo", do livro 
"Os Lusíadas", de Camões. 
Já os que defendem o uso da ciência e tecnologia, em uma visão mais 
otimista, encaram-no como meio de superação dos limites humanos. Esse olhar 
encontra respaldo no fato de que todos os avanços tecnológicos promovidos pela 
ciência, em qualquer área, sempre contribuíram para que o ser humano 
transpusesse suas barreiras pessoais ou do meio em que vive. Como exemplo mais 
antigo, tem-se a elementar descoberta do fogo, e, na sociedade atual, a utilização 
da Inteligência Artificial (IA). Prova disso é o uso da IA nas escolas para melhoria 
do processo de ensino-aprendizagem, na medicina para diagnósticos mais rápidos 
e eficazes, entre outras áreas, conforme recente matéria publicada no portal de 
notícias "G1". 
Portanto, a evolução da humanidade por meio da ciência e tecnologia, 
atualmente denominada de revolução transumanista, ainda que utopicamente, é 
algo inerente a sua condição, faz parte da história da sociedade e é um "caminho 
sem volta". Apesar da possibilidade de ser empregada com finalidade diversa, ela 
(a revolução transumanista) não deve ser vista pelo lado negativo da teoria 
darwinista, em que só os mais fortes sobrevivem, mas sim pelo lado positivo, 
científico, que denota a evolução da espécie humana. Será que a humanidade teria 
sobrevivido se o homem, à época, tivesse se prendido unicamente nos malefícios 
do fogo? 
Disponível em: https://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/redacoes/pre-
conceito.htm 
 
9 
 
RESENHA 
Gênero que mescla os modos de organização expositivo e o argumentativo, 
pois há a exposição sucinta do conteúdo de um livro, de um filme ou de uma obra e 
os apontamentos ou intervenções daquele que está produzindo o texto. São 
recorrentes as marcas linguísticas que indicam a apreciação, o julgamento do 
produtor do texto, os verbos no presente do indicativo e as marcas de 
impessoalidade. 
FARACO, C. A.; ZILLES, A. M. (Org.). Para conhecer norma linguística. São Paulo: 
Contexto, 2017. 224 p. 
Por Xoán Carlos Lagares (Universidade Federal Fluminense – UFF, Instituto de 
Letras. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil) 
 
 Os autores deste livro, que faz parte da coleção Para Conhecer, da edi 
tora Contexto, são linguistas com uma ampla trajetória de reflexão sobre questões 
relativas à norma e à variação linguística, assim como sobre suas implicações no 
ensino de língua portuguesa, autores de trabalhos publicados em obras individuais 
e coletivas. Conjuntamente, organizaram o livro Pedagogia da variação (Parábola, 
2015), que propõe reflexões relevantes sobre como incorporar a heterogeneidade 
da língua nos processos de ensino-aprendizagem, a partir de uma perspectiva de 
educação linguística comprometida com a igualdade e a diversidade. 
 De alguma maneira, este livro sobre norma linguística escrito em parceria, com 
uma clara vocação didática, é o necessário complemento dessa reflexão sobre 
variação e ensino. De nosso ponto de vista, uma pedagogia da variação, que 
introduza a valorização da diversidade linguística em aulas de língua portuguesa, 
só pode ser efetiva se acompanhada de uma reflexão mais apurada sobre o 
processo histórico de construção da norma-padrão e o lugar que esse modelo delíngua ocupa entre as nossas práticas linguísticas. Esse é também o melhor 
antídoto contra um ensino destinado apenas a transmitir uma vulgata reduzida da 
tradição normativa, totalmente identificado com modelos arbitrários de língua e 
concentrado na transmissão de descontextualizadas e com frequência, muito 
problemáticas “dicas para não errar” no uso oral e escrito do português. Numa obra 
anterior (A norma culta. Desatando alguns nós. Parábola: 2008), Carlos Alberto 
Faraco chamava essa tradição (que se expressa não apenas no sistema de ensino, 
mas também através da mídia, em consultórios gramaticais e livros de “autoajuda 
linguística”) de “norma curta”, fazendo um jogo de palavras com o termo “norma 
culta” e o fenômeno do rotacismo, que é alvo de severas críticas sociais do ponto 
de vista desse tipo de norma. Esses agentes normativos constituem o que Marcos 
Bagno (2000), outro autor crítico da tradição normativa que (ainda) vigora no Brasil, 
chama de “comandos paragramaticais”. 
[...] 
Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/bakhtiniana/article/view/37791/2
7029 
10 
 
ARTIGO CIENTÍFICO 
 
 Gênero que visa à demonstração de um percurso de pesquisa. Sua 
estruturação compreende: resumo, introdução, desenvolvimento (dividido em 
seções), metodologia, discussão de resultados e considerações finais. É um gênero 
produzido no meio acadêmico para divulgação do conhecimento das diferentes áreas, 
porém deveria ser mais lido por todos os indivíduos da sociedade já que os 
conhecimentos ali expostos dizem respeito a todos. 
 
*Devido aos limites de espaço que um material como este impõe, deixarei o link de 
um exemplar de artigo científico da área de Educação para que observem a 
estruturação e as particularidades linguísticas. 
 
Artigo: Existir é Ordinário: mapas de resistências nos currículos e na docência 
Autores: Alexandra Garcia, Allan de Carvalho Rodrigues 
 
Link para acesso ao artigo 
https://seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/84915 
 
 
Vimos essas especificidades, mas não é demais lembrar que os gêneros não 
são formas engessadas. Os gêneros possuem suas particularidades e regularidades 
estruturais e linguísticas para que o projeto comunicativo seja atendido, no entanto, 
em sua composição podem entrar outros elementos e outros modos de organização 
do discurso. O importante é entender o gênero textual como um comportamento para 
usarmos os recursos linguísticos no intuito de praticá-lo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
2. ESTUDO ORIENTADO (AUTOAVALIATIVO) 
 
Ao longo do curso, vocês verão de forma detalhada os percursos da redação 
dissertativa-argumentativa, mas agora será apresentada uma proposta de leitura e 
análise do gênero redação dissertativa-argumentativa. 
Já vimos que a redação dissertativa-argumentativa é um gênero em que há a 
exposição acerca de uma temática, uma tomada de posição e a argumentação acerca 
deste posicionamento. É um texto que apresenta tese e argumentos. 
 TESE é o ponto de vista acerca do tema. A TESE é, portanto, uma afirmação 
a ser comprovada. Ex.: Se alguém afirma: é fundamental repensar e morte precisa ser 
aprovada no Brasil; temos uma tese, um ponto de vista 
 A TESE é sustentada, é defendida com argumento (s). 
 ARGUMENTO é a razão, a justificativa, a explicação, a prova que afirma ou nega 
um fato. É o recurso empregado para convencer alguém de algo. Ex.: A pena de 
morte, no Brasil, inibiria certos crimes, pois todo ser humano, por pior que seja, tem o 
instinto de preservação, ou seja, não quer morrer. A estrutura básica da redação 
dissertativa-argumentativa é a seguinte: 
 
 
Segue abaixo uma redação retirada de http://educacao.uol.com.br/bancodere
dacoes/ (Banco de redações UOL). É uma redação de um aluno como você, que fez 
ou fará Enem, vestibular, concursos etc. A proposta foi: Disciplina, ordem e 
autoridade favorecem a educação? Você pode consultar o site para ver a proposta, 
as dicas etc. A redação abaixo recebeu nota 9,5. 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO 
É o momento inicial do 
texto em que é 
apresentado o tema e 
o ponto de vista a 
respeito do mesmo. 
 
É o momento do texto em que 
se justifica o ponto de vista 
apresentado na introdução. São 
apresentadas as razões, os 
argumentos para a defesa do 
nosso ponto de vista. 
É, como o nome 
indica, o momento 
final do texto. Nela, 
você pode reafirmar, 
recapitular, retomar 
as ideias 
apresentadas ao 
longo do texto. 
http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/
http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/
https://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/propostas/disciplina-ordem-e-autoridade-favorecem-a-educacao.htm
https://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/propostas/disciplina-ordem-e-autoridade-favorecem-a-educacao.htm
12 
 
 
A educação militar e o respeito à individualidade 
 
 Instituições de ensino que utilizam a disciplina militar vêm se destacando pelo bom 
desempenho nos vestibulares com questões objetivas. A apresentação desses 
resultados é fator predominante para muitos apoiarem irrestritamente esse método de 
ensino. Entretanto, há certa discussão quanto ao uso da rigidez militar na educação 
primária e secundária, pois existem alegações de que essa não respeita a 
individualidade dos alunos. 
 O uso da disciplina é necessário na formação de pessoas. Pessoas que são 
ensinadas a respeitar a hierarquia a partir de seus primeiros anos de vida podem 
tornar-se cidadãos conscientes de seus deveres e direitos no futuro. Além disso, ser 
disciplinado ajuda o aluno consideravelmente em seu rendimento escolar, pois o 
prepara a ter um bom desempenho no cumprimento de tarefas. 
 Por outro lado, o uso da rigidez em excesso na disciplina militar pode causar 
prejuízos à individualidade do aluno. O estabelecimento de uma mesma tarefa para 
todos de um determinado grupo não leva em conta características intelectuais e físicas 
individuais, causando constrangimento e desmotivação àquele que falhar. Com isso, 
a tentativa de padronização imposta por esse método tende a bloquear o 
desenvolvimento de diversas competências e qualidades do aprendiz. 
 O uso equilibrado da disciplina na formação escolar traz, portanto, resultados 
positivos na educação dos alunos. Contudo, é necessário que a liberdade do aluno de 
expressar sua criatividade seja respeitada. Sem levar-se em conta este fator, corre-
se o risco de que essas instituições estejam formando pessoas que, embora capazes 
de cumprir tarefas, não entendem o motivo de estas serem cumpridas. 
(Disponível em: https://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/redacoes/a-educacao-militar-
e-o-respeito-a-individualidade.htm) 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE ANÁLISE 
1. O conectivo destacado no primeiro parágrafo indica a ideia de adversidade. É um 
recurso usado pelo produtor do texto para introduzir seu ponto de vista, sua tese. Qual 
é a tese? 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
13 
 
2. Cite um argumento usado para defender tal ponto de vista. 
_______________________________________________________________ 
 
 
3. O terceiro parágrafo traz uma outra perspectiva. A marca linguística que introduz 
isso é: 
a) hierarquia b) por outro lado c) além disso d) com isso 
 
 
4. A conclusão de um texto dissertativo-argumentativo deve reafirmar, retomar o que 
foi dito ou até propor uma solução para a questão polêmica apresentada. Na 
conclusão do texto, que postura o autor adota? Ele reafirma, retoma o que foi dito 
anteriormente? Explique. 
__________________________________________________________________ 
__________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
REFERÊNCIAS 
BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. São 
Paulo: EditoraWMF Martins Fontes, 2011, p.262-306. 
 
PEREIRA, Cilene da Cunha; NEVES, Janete dos Santos Bessa. Ler, falar, escrever. 
Práticas discursivas no ensino médio: uma proposta teórico-metodológica. Rio de 
Janeiro: Lexikon, 2012.

Mais conteúdos dessa disciplina