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Alessandra Daiana Schinaider
Érik Álvaro Fernandes 
Leandro Salatti dos Santos
(Orgs.)
GERENCIAL
Contabilidade
CONTABILIDADE 
GERENCIAL
AlessAndrA dAiAnA schinAider
Érik ÁlvAro FernAndes
leAndro sAlAtti dos sAntos
(orgs.)
1ª edição
JAneiro | 2020
Universidade La Salle Canoas | Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS
CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 | ead@unilasalle.edu.br
C759 Contabilidade gerencial / Alessandra Daiana Schinaider, Érik Álvaro Fernandes, Leandro Salatti dos 
Santos (orgs.). – Canoas, RS : Universidade La Salle EAD, 2020.
122 p. : il. ; 30 cm. – (Gestão e negócios)
Bibliografia.
1. Contabilidade. 2. Contabilidade gerencial. 3. Métodos quantitativos. 4. Análise contábil. 
5. Custo. I. Schinaider, Alessandra Daiana. II. Fernandes, Érik Álvaro. III. Santos, Leandro 
Salatti dos. IV. Série.
 CDU: 657.05
Bibliotecário Samarone Guedes Silveira - CRB 10/1418
Gestão Universidade
Gestão EaD
Reitor
Diretora de Graduação
Diretor de Marketing e Relacionamento
Procuradora Jurídica
Assessor de Assuntos Interinstitucionais e Internacionais 
Chefe de Gabinete
Coordenador da Área de Educação e Cultura 
Coordenador da Área de Gestão e Negócios 
Coordenadora da Área de Inovação e Tecnologia 
Coordenador dos Cursos de Adm., Processos Ger e Logística. 
Coordenadora do Curso Gestão de Recursos Humanos
Coordenador dos Cursos Gestão Com., Gestão Fi n. e Marketing
Coordenadora do Curso de Pedagogia
Coordenadora do Curso de Serviço Social
Coordenadora do Curso de Letras
Coordenador do Curso de Engenharia da Produção
Coordenador do Curso de Análise e Desenv de Sistemas. 
Prof. Dr. Paulo Fossati - Fsc
Cleiton Bierhals Decker
Michele Wesp Cardoso
Prof. Dr. Jefferson Marlon Monticelli
Prof. Dr. Renaldo Vieira de Souza
. 
Prof. Dr. Daniel Silva Achutti
Profª. Drª Ingridi Vargas Bortolaso
Prof. Me. Carlos Eduardo dos Santos Sabrito
Profª. Drª. Denise Macedo Ziliotto
Profª. Me. Patrícia Coelho Motta de Souza
Prof. Dr. Paulo Roberto Ribeiro Vargas 
Profª. Drª Hildegard Susana Jung
Profª. Drª. Michelle Bertoglio Clos
Profª. Drª. Lucia Regina Lucas da Rosa
Prof. Dr. José Rogério Vidal
Profª. Drª. Tatiana Vargas Maia
Prof. Me. Rafael Pieretti de Oliveira
Prof. Me. Mozart Lemos de Siqueira
Diretor
Coordenadora Pedagógica
Coordenador de Produção
Michele de Mattos Kreme
Coordenações Acadêmicas
Equipe de Produção EaD
Anderson Cordova Nunes
Arthur Menezes de Jesus
Bruno Giordani Faccio
Daniela dos S. Cardoso
Daniele Balbinot
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Évelyn Rocha de Araujo 
Gabriel Esteves de Castro
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Vice-Reitor, Pró-Reitor de Pós-grad.,
Pesq. e Extensão e Pró-Reitor de Graduação
Pró-Reitor de Administração 
Diretor da Educação a Distância
Diretor de Extensão e Pós-Graduação Lato Sensu
Diretora de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu
Diretor Administrativo
Assessor de Inovação e Empreendedorismo
Prof. Dr. Mario Augusto Pires Pool
Prof. Dr. Jonas Rodrigues Saraiva 
Coordenador da Área de Direito e Política 
Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis
Coordenador do Curso de Educação Física
Coordenadora do Curso de História
Prof. Dr. Renato Ferreira Machado 
Prof. Me. Sílvio Denicol Júnior
Prezado estudante,
A equipe de gestão da EaD LaSalle sente-se honrada em entregar a você este material 
didático. Ele foi produzido com muito cuidado para que cada Unidade de estudos possa 
contribuir com seu aprendizado da maneira mais adequada possível à modalidade que 
você escolheu para estudar: a modalidade a distância. Temos certeza de que o conteúdo 
apresentado será uma excelente base para o seu conhecimento e para sua formação. Por 
isso, indicamos que, conforme as orientações de seus professores e tutores, você reserve 
tempo semanalmente para realizar a leitura detalhada dos textos deste livro, buscando 
sempre realizar as atividades com esmero a fim de alcançar o melhor resultado possível 
em seus estudos. Destacamos também a importância de questionar, de participar de todas 
as atividades propostas no ambiente virtual e de buscar, para além de todo o conteúdo aqui 
disponibilizado, o conhecimento relacionado a esta disciplina que está disponível por meio 
de outras bibliografias e por meio da navegação online.
Desejamos a você um excelente módulo e um produtivo ano letivo. Bons estudos!
Gestão de EaD LaSalle
APRESENTAÇÃO
APRESENTANDO OS ORGANIZADORES
Alessandra Daiana Schinaider
Atua na empresa Bonsai Consultoria, credenciada pelo Sebrae, prestando consultoria 
nas áreas de Inovação, Marketing e Vendas e Gestão de Pessoas. Atuou no programa 
Agentes Locais de Inovação (SEBRAE/CNPq), com o objetivo de difundir a cultura de 
inovação nas Empresas de Pequeno Porte do setor de indústria, comércio e serviços da 
Região Metropolitana de Porto Alegre. Pós-graduada em Gerenciamento de Projetos 
pela FAMEV. Personal e Professional Coach e Leader Coach pela Sociedade Brasileira 
de Coaching. Mestra em Desenvolvimento Rural (PGDR), pela Universidade Federal do 
Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui graduação em Administração pela Universidade 
Federal de Santa Maria - Campus Palmeira das Missões/RS (2015). Foi Destaque 
Acadêmica Bacharel em Administração pela UFSM. Em 2016, teve dois artigos que 
receberam Menção Honrosa ao Prêmio Professor Sérgio Escorsim do 29º Congresso 
Internacional de Administração. Tem interesse nas áreas de Desenvolvimento Humano, 
Coaching e Liderança, Empreendedorismo, Planejamento Estratégico, Gestão da 
Inovação, Consciência Ambiental, Valores Humanos Motivacionais, Desenvolvimento 
Rural Sustentável.
Érik Álvaro Fernandes 
Discente de Doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 
Mestre em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) 
da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Bacharel em Administração (2013) e 
Licenciado em Matemática (2006), ambos pela Universidade Estadual de Londrina 
(UEL). Tem experiência de 2 anos no ensino superior em instituições privadas, lecionando 
nas disciplinas de Teoria Geral da Administração, Administração da Produção, Gestão 
Logística e de Materiais, Administração de Marketing, Empreendedorismo, Gestão de 
Sistemas de Informação, Estatística e Ética e Responsabilidade Socioambiental. Atuou 
como tutor EaD do curso de Gestão Pública da UEL e Coordenador de Tutoria EaD 
do curso de Gestão Pública da UFRGS. Atua como Capacitador Técnico e Educador 
Social no Núcleo Comunitário e Cultural Belém Novo, desenvolvendo o projeto Centro 
de Recondicionamento de Computadores do Zenit - Parque Científico e Tecnológico da 
UFRGS.
Contabilidade Gerencial
Leandro Salatti dos Santos
Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Luterana do Brasil - ULBRA (1992), 
Especialização em Contabilidade Avançada pela Fundação Getúlio Vargas - FGV (1997), 
MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral - FDC (2001) e Mestre em 
Economia, com ênfase em Controladoria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
- UFRGS (2005). Professor por mais de 15 anos, das disciplinas de Contabilidade Geral e 
Introdutória, Contabilidade de Custos, Fundamentos de Gestão Financeira e Auditoria nas 
Universidades Univates, UCS e Unilasalle. Atualmente atua como professor conteudista 
do programa de Ensino a Distância - EAD da Universidade La Salle.
Seja bem-vindo à disciplina de Contabilidade Gerencial. Neste livro iremos estudar 
os temas que envolvem a natureza da Contabilidade Gerencial; lucro empresarial e 
variação de preços; alavancagem operacional, financeira e combinada; informaçõescontábeis para decisões especiais; aplicação de métodos quantitativos na Contabilidade 
Gerencial; orçamento operacional, financeiro e de capital; níveis de mensuração do 
resultado: por cliente, por unidade de negócio, grupos de produtos; análise divisional/
preço de transferência interna; decisões com base em custos: lançamentos ou exclusão 
de produtos; atividades não rotineiras; e a formação do preço de venda.
Ao longo de nossa caminhada, vamos compreender as operações contábeis de uma 
empresa; o uso de métodos quantitativos no auxílio para tomada de decisões mais 
assertivas; o desenvolvimento de relatórios contábeis; a avaliação de resultados e custos 
da contabilidade gerencial; e a capacidade de desenvolver a formação do preço de venda 
de produto/serviço de uma empresa.
Na Unidade 1 (Caracterização da Contabilidade Gerencial), você irá entender o sistema 
da contabilidade gerencial através de conceitos importantes da área. Na Unidade 2 
(Aplicação de métodos quantitativos na Contabilidade Gerencial), você irá conhecer os 
métodos quantitativos aplicados na contabilidade. Na Unidade 3 (Análise dos resultados 
contábeis), você irá compreender as etapas de uma análise de relatórios contábeis 
aplicados no gerenciamento de um negócio. E, por fim, na Unidade 4 (Custos: decisões 
estratégicas na contabilidade), você irá conhecer os métodos de custos que podem ser 
aplicados no processo gerencial e que podem afetar nas decisões estratégicas da empresa.
Bons estudos!
APRESENTANDO A DISCIPLINA 
Sumário
UNIDADE 1
Caracterização da Contabilidade Gerencial ..............................................................................................................9
Objetivo Geral ............................................................................................................................................................9
Objetivos Específicos ................................................................................................................................................9
Questões Contextuais .................................................................................................................................................9
1.1 Contabilidade Gerencial: Conceitos e Aplicações ................................................................................................ 10
1.1.1 Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira: Principais Diferenças ...............................................................12
1.1.2 Contador Gerencial ..................................................................................................................................................14
1.2 Lucro Operacional ................................................................................................................................................. 18
1.2.1 Cálculo ....................................................................................................................................................................19
1.3 Alavancagem ......................................................................................................................................................... 22
1.4 Tomada de Decisão ............................................................................................................................................... 25
Síntese da unidade ...................................................................................................................................................27
Referências ...............................................................................................................................................................28
UNIDADE 2
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial ..........................................................................31
Objetivo Geral ..........................................................................................................................................................31
Objetivos Específicos ..............................................................................................................................................31
Questões Contextuais ...............................................................................................................................................31
2.1 Métodos Quantitativos: Conceitos e Tipologias ................................................................................................... 32
2.1.1 Estatística Descritiva ...............................................................................................................................................35
2.1.2 Teoria da Probabilidade ...........................................................................................................................................36
2.1.3 Estatística Inferencial ou Amostragem .....................................................................................................................36
2.1.4 Tipologias dos Métodos Quantitativos ......................................................................................................................38
2.2 Orçamento ............................................................................................................................................................. 40
2.2.1 Orçamento Operacional ...........................................................................................................................................42
2.2.2 Orçamento Financeiro .............................................................................................................................................44
2.2.3 Orçamento de Capital ..............................................................................................................................................45
2.3 Métodos Quantitativos: Aplicação Prática ........................................................................................................... 46
2.3.1 Matriz de Decisão....................................................................................................................................................47
2.3.2 Teste de Hipóteses ..................................................................................................................................................48
2.3.3 Regressão Linear ....................................................................................................................................................50
2.3.4 Programação Linear ................................................................................................................................................53
Síntese da unidade ...................................................................................................................................................55
Referências ...............................................................................................................................................................56
UNIDADE 3
Análise dos Resultados Contábeis ...........................................................................................................................57
Objetivo Geral ..........................................................................................................................................................57
Objetivos Específicos ..............................................................................................................................................57
Questões Contextuais ...............................................................................................................................................57
3.1 Introdução ............................................................................................................................................................. 58
3.2 Os Níveis de Apuração de Resultados ..................................................................................................................59
3.2.1 Finalidades da Contabilidade por Responsabilidade .................................................................................................60
3.2.2 Departamentalização ...............................................................................................................................................61
3.2.3 Gastos Controláveis e Gastos não Controláveis ........................................................................................................63
3.3 Análise dos Resultados Divisionais ...................................................................................................................... 65
3.4 Análise dos Preços de Transferência Interna ....................................................................................................... 67
3.4.1 Preço de Transferência com Base no Custo .............................................................................................................68
3.4.2 Preço de Transferência com Base no Preço de Mercado ..........................................................................................70
3.4.3 Diferença Entre os Métodos de Custos e de Mercado ..............................................................................................72
Síntese da unidade ...................................................................................................................................................80
Referências ...............................................................................................................................................................81
UNIDADE 4
Decisões Estratégicas na Contabilidade .................................................................................................................83
Objetivo Geral ..........................................................................................................................................................83
Objetivos Específicos ..............................................................................................................................................83
Questões Contextuais ...............................................................................................................................................83
4.1 A Abordagem de Custos no Processo Decisório das Empresas .......................................................................... 84
4.1.1 Terminologias Utilizadas na Contabilidade de Custos ...............................................................................................85
4.2 Classificação dos Custos ...................................................................................................................................... 90
4.2.1 Direcionadores de Custos ........................................................................................................................................91
4.2.2 Comportamento dos Custos Fixos ............................................................................................................................92
4.2.3 Métodos de Custeio .................................................................................................................................................93
4.2.4 Custeio Variável ou Direto ........................................................................................................................................94
4.2.5 Margem de Contribuição .........................................................................................................................................96
4.2.6 Análise Custo-Volume-Lucro..................................................................................................................................102
4.3 Formação do Preço de Venda ............................................................................................................................. 110
4.3.1. Formação do Preço de Venda a Partir dos Custos ..................................................................................................111
4.3.2 Aplicação de Markups ..........................................................................................................................................113
4.3.3 Markup Aplicado sobre o Método de Custeio por Absorção ....................................................................................113
4.3.4 Markup Aplicado sobre o Metodo de Custeio Variável ............................................................................................118
Síntese da unidade .................................................................................................................................................119
Referências .............................................................................................................................................................121
Caracterização da Contabilidade 
Gerencial
Prezado estudante,
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram 
organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo 
completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e 
tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos 
propostos para essa disciplina.
OBJETIVO GERAL 
Entender o sistema da Contabilidade gerencial através de conceitos importantes 
da área.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
• Compreender a natureza da Contabilidade Gerencial;
• Entender o conceito e cálculo do lucro operacional e as variações de preço em uma 
empresa;
• Diferenciar os tipos de alavancagem: operacional, financeira e combinada;
• Analisar informações contábeis para auxiliar na tomada de decisão na Contabilidade 
Gerencial.
QUESTÕES CONTEXTUAIS
1. O que é a Contabilidade Gerencial?
2. Qual sua aplicabilidade perante às organizações?
3. Como se dá o cálculo do lucro operacional?
4. O que é alavancagem e quais os tipos aplicados às organizações?
5. De que forma a contabilidade pode auxiliar no processo decisório?
unidade 
1
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes10
1.1 Contabilidade Gerencial: Conceitos e Aplicações
Diretamente associada à tomada de decisão, a Contabilidade Gerencial configura 
o processo de identificação, mensuração, análise e comunicação de informações 
financeiras à administração, visando a assertividade das decisões e o desenvolvimento 
da organização.
Figura 1.1 – Tomada de Decisão.
Fonte: Freepik (2019).
Voltada essencialmente ao público interno da organização, a Contabilidade 
Gerencial surgiu com o propósito de subsidiar os níveis tático e estratégico, direcionando-
os no que tange ao controle e tomada de decisão.
Para Atkinson et al. (2000, p. 32), trata-se da “identificação, mensuração, 
comunicação e análise dos diferentes eventos econômicos das empresas”. Sua relevância, 
nesse sentido, está atrelada à geração e gerenciamento de informações, de desempenho 
e performance.
No que tange ao desenvolvimento histórico da Contabilidade Gerencial, Padoveze 
(1999), a partir da International Federation of Accountants, destaca a existência de quatro 
estágios, mencionados e detalhados no Quadro 1.1.
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 11
Quadro 1.1 – Estágios da Contabilidade Gerencial.
Estágio Período Objetivo
1 Anterior à 1950 Determinação do custo e controle financeiro.
2 1965 (aproximado) Fornecimento de informação para o controle e planejamento gerencial.
3 1985 (aproximado) Redução do desperdício de recursos usados nos processos organizacionais.
4 1995 (aproximado) Geração ou criação de valor através do uso efetivo dos recursos.
Fonte: Padoveze (1999, p. 2).
Como pode ser observado no Quadro 1.1, os estágios evolutivos referentes à 
Contabilidade Gerencial se deram a partir de 1965, de modo que, anteriormente, o foco 
era apenas a determinação do custo e do próprio controle financeiro.
Ainda, segundo a International Federationof Accountants (2000), a cada evolução 
da Contabilidade Gerencial percebe-se um novo conjunto de condições e exigências das 
quais as organizações são expostas. Atualmente, a Contabilidade Gerencial é vista como 
parte integral do processo de gestão, capaz de agregar valor ao processo gerencial e 
nortear as decisões nos níveis tático e estratégico.
Utilizada também para fins comparativos, a Contabilidade Gerencial dá condições 
para que as empresas analisem seu desempenho perante a concorrência e formule suas 
próprias estratégias de desenvolvimento, permitindo a construção de uma perspectiva 
de médio e longo prazo.
Assim, e de maneira abrangente, as funções da informação gerencial contábil, 
segundo Atkinson et al. (2000), podem ser condensadas em:
A International Federation of Accountants (IFA) se caracteriza como 
a organização global da profissão contábil, composta por mais de 175 
organizações associadas e atuante em 130 países. 
Saiba mais em: http://gg.gg/fqimk.
SAIBA MAIS
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes12
• Controle Operacional - informação sobre a eficiência e qualidade das tarefas 
executadas;
• Controle Administrativo - informação sobre o desempenho de gerentes e unidades 
operacionais;
• Controle Estratégico - informação sobre o desempenho financeiro, tais como 
movimento do mercado, percepções e preferências dos clientes, inovações 
tecnológicas, entre outros.
1.1.1 Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira: 
Principais Diferenças
A Contabilidade Gerencial e a Contabilidade Financeira são pilares essenciais à 
boa administração. Embora compartilhem das mesmas bases teóricas, cada qual possui 
características próprias, compatíveis com seu escopo e dimensão.
Figura 1.2 – Contabilidade Gerencial versus Contabilidade Financeira.
Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2019).
Julgada como essencial ao bom desenvolvimento das organizações, 
independentemente de seu porte ou ramo de atuação, a Contabilidade 
Gerencial se difere da Contabilidade Financeira em diversos aspectos - que 
serão explorados no tópico seguinte.
DESTAQUE
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 13
Segundo Iudícibus (2008), a principal diferença entre a Contabilidade Gerencial 
e a Financeira está no público-alvo. Enquanto a Contabilidade Gerencial restringe-se ao 
público interno e dedica-se a apoiar o processo decisório; a Contabilidade Financeira 
visa, principalmente, o público externo, atendendo a legislação societária e fiscal.
 Outro ponto a ser destacado é o período das análises. Enquanto a Contabilidade 
Gerencial possibilita uma perspectiva de futuro, norteando as próximas ações e 
estratégias da empresa, a Financeira concede uma visão histórica, restringindo-se aos 
fatos passados.
De maneira concreta, a Contabilidade Financeira é norteada por uma série de 
determinações legais e estruturais, e seu principal produto são os relatórios contábeis, 
entre os quais: Balanço Patrimonial, Demonstrativo de Resultado do Exercício - (DRE) 
e Demonstrativo de Fluxo de Caixa - (DFC). A Contabilidade Gerencial, por outro 
lado, considera toda e qualquer informação (interna e externa) que auxilie na tomada 
de decisão e delineamento de estratégias, como orçamentos, relatórios de desempenho, 
relatórios de custos, contabilidade por responsabilidade, entre outros.
Demarcadas por diferentes conceitos e pela própria legislação, estas vertentes 
da contabilidade apresentam uma série de especificidades. O Quadro 1.2 apresenta uma 
visão geral destas especificidades.
Quadro 1.2 – Diferenças entre Contabilidade Financeira e Contabilidade Gerencial.
Contabilidade Financeira Contabilidade Gerencial
Usuários Público Externo – governo, acionistas, credores etc.
Público Interno – administradores, gerentes e 
demais colaboradores.
Objetivo Reportar o desempenho financeiro da organização. 
Fomentar a tomada de decisão e o direcionamento 
estratégico da organização.
Temporalidade Histórica. Corrente.
Tipo de 
Informação Financeiras, somente.
Financeiras, processuais, tecnológicas, de 
desempenho, de clientes, de fornecedores, de 
parceiros, entre outras.
Natureza da 
Informação
Objetiva, auditável, confiável, 
consistente e precisa. Subjetiva, válida, relevante e acurada.
Frequência de 
Relatórios
Periodicamente, conforme o 
relatório exigido.
Periodicamente, conforme a necessidade da 
organização.
Restrições Princípios contábeis. Necessidades gerenciais.
Fonte: Coronado (2006); Crepaldi (2012); Iudícibus (2008); Padoveze (1999).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes14
Conceituada a Contabilidade Gerencial e compreendidas as diferenças entre suas 
vertentes, abordaremos a seguir o Contador Gerencial.
1.1.2 Contador Gerencial
De maneira geral, cabe ao contador “pesquisar, analisar e discernir a par de muito 
bom senso, todo o sistema de informações econômico-financeiro e patrimonial das 
Entidades”. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2019, p. 2). Importante 
mencionar que o rol de atribuições, bem como a definição dos princípios contábeis e sua 
respectiva abrangência, estão circunstanciados na Resolução n. 560, de 28 de outubro 
de 1983, do Conselho Federal de Contabilidade que, por sua vez, apoiou-se no Decreto-
lei n° 9.295, de 27 de maio de 1946 (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 
1983).
No que tange, especificamente, à Contabilidade Gerencial, Marion e Ribeiro 
(2015) afirmam que:
O contador gerencial é definido pela International Federation of 
Accountants como: profissional que identifica, mede, acumula, 
analisa, prepara, interpreta e relata informações (tanto financeiras 
quanto operacionais) para uso da administração de uma empresa, nas 
funções de planejamento, avaliação e controle de suas atividades e para 
assegurar o uso apropriado e a responsabilidade abrangente de seus 
recursos. (MARION; RIBEIRO, 2015, p. 25).
Dadas as afirmações anteriores, observa-se significativa distinção entre o papel 
do contador e do contador gerencial, principalmente quanto ao tipo de informação 
manuseada e analisada por estes profissionais.
A profissão de Contador, tal como a criação do Conselho Federal de 
Contabilidade, foi instituída e regulamentada em 1946, por meio do Decreto-
Lei n. 9.295, assinado pelo então Presidente da República, Eurico Gaspar 
Dutra.
Fonte: Brasil (1946). Disponível em: http://gg.gg/fqioh.
DESTAQUE
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 15
Figura 1.3 – Contador Gerencial: informações.
Fonte: Freepik (2019).
Também chamado de Controller, o Contador Gerencial é conhecido como 
imprescindível ao bom desenvolvimento das organizações. Isso porque, a informação 
por ele compartilhada tem o poder de direcionar as ações da empresa e permitir que os 
resultados almejados sejam alcançados (FREITAS; LUNKES, 2010). Assim, é importante 
que o profissional responsável pela Contabilidade Gerencial seja regido pela ética e bom 
senso, destacando-se por sua competência, confidencialidade e credibilidade.
Corroborando à ideia mencionada, Garrison, Noreen e Brewer (2013) reafirmam 
a ética como norteadora do trabalho e reiteram que o Contador Gerencial deve se 
comprometer com os seguintes quesitos: a) manter um alto nível de competência 
profissional; b) tratar questões sensíveis com confidencialidade; c) manter a integridade 
pessoal; e d) divulgar informações de maneira confiável.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes16
Figura 1.4 – Contador Gerencial: ética como norteadora do trabalho.
Fonte: Pixabay (2019).
Nesse contexto, os autores Garrison, Noreen e Brewer (2013) citam a Declaração 
da Prática Profissional Ética (Statement of Ethical Professional Practice), adotada 
pelo Institute of Management Accountants, dos Estados Unidos, que detalha as 
responsabilidades éticas dos contadores gerenciais.
De maneira abrangente e, além da ética, tem-se como características de um 
Contador Gerencial, segundo Cardoso et al.(2010):
• Alta qualificação;
• Profundo conhecimento dos princípios contábeis;
• Conhecimento de tecnologias sofisticadas;
• Padrão de exigência;
• Domínio de operações virtuais;
• Desburocratização;
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 17
• Equipe de trabalho de alta confiança;
• Automotivação;
• Poder de negociação;
• Persuasão;
• Coragem;
• Alta produtividade;
• Poder de democratização;
• Comunicação assertiva;
• Comprometimento. 
Em resumo, espera-se um profissional qualificado, de maneira teórica e prática, 
preciso e que aja em defesa dos interesses da empresa, suprindo a necessidade de 
informação dos gestores e participando ativamente do processo decisório.
Caracterizada a figura do Contador Gerencial, ou Controller, abordaremos o 
Lucro Operacional no próximo tópico.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes18
1.2 Lucro Operacional
Segundo Endeavor (2015, p. 1), “conhecer o lucro operacional da sua empresa 
é ter a dimensão exata da rentabilidade que ela oferece com as suas operações”. Isso 
porque, para se chegar a este resultado é preciso excluir todas as despesas inerentes à 
operação ou manutenção da organização.
Figura 1.5 – Lucro Operacional.
Fonte: Freepik (2019).
Trata-se, segundo o Decreto n. 9.580, de 22 de novembro de 2018 (BRASIL, 2018), 
do resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa 
jurídica. Em outros termos, o Lucro Operacional é o lucro que vem, exclusivamente, da 
operação da empresa, descontando o rol de despesas relativas à organização.
O Lucro Operacional também é conhecido como LAJIR (lucro antes dos 
juros e imposto de renda) ou EBIT (earnings before interest and taxes).
Fonte: Endeavor (2015).
DESTAQUE
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 19
A importância de sua mensuração, segundo Crepaldi (2012), está na capacidade de 
avaliar a geração de receita da empresa, considerando o peso e relevância das despesas. 
Diante disso, apresenta-se a estruturação e exemplificação do cálculo.
1.2.1 Cálculo
Para calcular o Lucro Operacional, devemos conhecer essencialmente três 
valores principais: o lucro bruto, as despesas operacionais e as receitas operacionais, 
especificados a seguir:
• Lucro bruto, primeiramente, é o resultado das vendas realizadas pela empresa;
• Despesas operacionais são aquelas relacionadas à atividade primária da empresa, 
como devoluções, descontos e impostos;
• Receitas operacionais constituem-se de outras receitas que não estejam 
diretamente ligadas à atividade principal da empresa, como aluguel de imóveis, 
por exemplo.
De maneira detalhada, apresenta-se o seguinte cálculo:
Quadro 1.3 – Cálculo Detalhado.
Receita Operacional Bruta 
(-) Deduções da Receita Bruta
Devoluções de Vendas
Descontos sobre Vendas
Impostos diretos sobre Vendas (ICMS, PIS/ COFINS, ISS)
(=) Receita Operacional Líquida
(-) Custos da Mercadoria Vendida ou Serviços Prestados
(=) Lucro Operacional Bruto
(-) Despesas Operacionais
Despesas Comerciais
Despesas Administrativas
Despesas Operacionais
(+) Receitas Operacionais
(=) Lucro Operacional Líquido
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes20
Vejamos um exemplo:
Analisando o desempenho de sua empresa no mês de outubro, Vivian encontra as 
seguintes informações:
• Foram vendidos R$ 10.000,00 em peças de informática;
• Devolvidos R$ 200,00 em produtos vendidos;
• Concedidos R$ 300,00 em descontos; e
• Pagos R$ 2.000,00 em impostos.
Resultado:
Receita Operacional Bruta R$ 10.000,00
(-) Deduções da Receita Bruta
Devoluções de Vendas R$ 200,00
Descontos sobre Vendas R$ 300,00
Impostos diretos sobre Vendas R$ 2.000,00
Receita Operacional Líquida R$ 7.500,00
Para avançarmos, considere que o Custo da Mercadoria Vendida é de R$ 1.500,00.
Resultado:
Receita Operacional Líquida R$ 7.500,00
(-) Custos da Mercadoria Vendida ou Serviços 
Prestados R$ 1.500,00
Lucro Operacional Bruto R$ 6.000,00
Custo da Mercadoria Vendida, ou CMV, como é popularmente conhecido, é a 
soma das despesas para produzir e armazenar determinada mercadoria, até 
que a venda seja realizada.
Fonte: Endeavor (2017).
SAIBA MAIS
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 21
Ao analisar as despesas, Vivian somou os valores referentes a remuneração dos 
colaboradores, aluguel, energia, internet e demais despesas e chegou ao total de R$ 
2.000,00.
Também calculou as receitas operacionais não ligadas à atividade operacional 
da empresa. Neste caso, o aluguel de um imóvel (ativo não circulante/imobilizado), 
calculado em R$ 1.000,00.
Resultado:
Lucro Operacional Bruto R$ 6.000,00
(-) Despesas Operacionais R$ 2.000,00
(+) Receitas Operacionais R$ 1.000,00
Lucro Operacional Líquido R$ 5.000,00
O Lucro Operacional Líquido da empresa de Vivian, portanto, foi de R$ 5.000,00.
Figura 1.6 – Cálculo do Lucro Operacional.
Fonte: Freepik (2019).
A par das informações necessárias, pode-se replicar o cálculo para qualquer 
organização, independentemente do segmento ou porte. No tópico seguinte, falaremos 
sobre os diferentes tipos de alavancagem.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes22
1.3 Alavancagem
Alavancar, segundo o Dicionário Houaiss (2019, online), pode ser entendido como 
“dar impulso a; agir a favor de; favorecer o desenvolvimento de; fazer avançar; fomentar, 
promover, incentivar”.
Figura 1.7 – Alavancagem: senso comum.
Fonte: Freepik (2019).
Tratando-se da contabilidade, especialmente, o termo alavancar remete à 
alavancagem. Esta medida, no entanto, consiste na utilização de recursos de terceiros 
em prol do aumento do lucro sobre o capital próprio.
Figura 1.8 – Alavancagem: princípios contábeis.
Fonte: Freepik (2019).
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 23
Para Dantas (2005), a alavancagem utilizada pelas empresas, representa o uso 
de recursos externos, tomados a um custo fixo. Esses recursos são provenientes, em sua 
grande maioria, de empréstimos, financiamentos ou derivativos.
O objetivo principal, através da alavancagem, é investir um pequeno esforço, em 
detrimento de ganhos consideráveis e exponenciais.
Baseada em sua formatação, a alavancagem divide-se em três tipos: operacional, 
financeira e combinada.
Na alavancagem operacional, o recurso utilizado não aumenta os custos fixos 
da empresa. O recurso é utilizado, por exemplo, para compra de maquinário ou outros 
ativos que impactem no aumento da produção e/ou vendas, de forma que as receitas 
sejam superiores aos custos fixos e variáveis.
A mensuração do impacto, todavia, é realizada a partir do Grau de Alavancagem 
Operacional (GAO) estruturado conforme abaixo:
Figura 1.9 – Grau de Alavancagem Operacional.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
A alavancagem financeira, por outro lado, é a capacidade da empresa utilizar 
encargos financeiros fixos para aumentar os efeitos do acréscimo do lucro operacional 
sobre o lucro líquido (BRAGA, 1992). Ou seja, é o aumento do lucro líquido em relação 
às despesas financeiras.
A mensuração de seu impacto é calculada a partir do Grau de Alavancagem 
Financeira (GAF), resultante da seguinte equação:
Figura 1.10 – Grau de Alavancagem Financeira.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
do Lucro ou Resultado Operacional
do Volume de Vendas
%
%
GAO=
do Lucro Líquido
do Lucro ou Resultado Operacional
%
%
GAF=
do Lucro Líquido
do Volume de Vendas
%
%
GAC=
do Lucro ou Resultado Operacional
do Volume de Vendas
%
%
GAO=
do Lucro Líquido
do Lucro ou Resultado Operacional
%
%
GAF=
do Lucro Líquido
do Volume de Vendas
%
%
GAC=
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes24
A alavancagem combinada, por fim, pressupõe que todas as empresas possuem 
custos operacionais fixos e estão sujeitas aos efeitos da alavancagem operacional 
(VIEIRA et al., 2016).
O Grau de Alavancagem Combinada (GAC), apresentado abaixo, mensuraos 
efeitos dos custos fixos totais sobre o lucro líquido, em virtude das variações nas vendas.
Figura 1.11 – Grau de Alavancagem Combinada.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Com grandes chances de potenciar o lucro, a alavancagem deve ser utilizada 
com cautela e baseada em uma análise criteriosa sobre o movimento da empresa e suas 
projeções operacionais e de faturamento.
Cada tipo de alavancagem apresenta seus próprios riscos, variando de acordo 
com a natureza do recurso. 
Mas, atenção, nem todas as empresas estão aptas a realizar este movimento.
Entendidos dois dos principais conceitos contábeis (Lucro Operacional e 
Alavancagem) retornaremos ao objetivo principal da Contabilidade Gerencial: o auxílio 
à tomada de decisão.
do Lucro ou Resultado Operacional
do Volume de Vendas
%
%
GAO=
do Lucro Líquido
do Lucro ou Resultado Operacional
%
%
GAF=
do Lucro Líquido
do Volume de Vendas
%
%
GAC=
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 25
1.4 Tomada de Decisão
Segundo Daft (1999 apud PRÉVE et al., 2010), a tomada de decisão consiste em 
identificar problemas e oportunidades e, então, resolvê-los. Assim, citam duas categorias 
para as decisões organizacionais: decisões não programadas e decisões programadas.
Figura 1.12 – Tipos de decisões.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Decisões não programadas são aquelas cujos problemas não são bem 
compreendidos, carentes de estruturação e com tendência singular, fora dos 
procedimentos sistêmicos e rotineiros. (PRÉVE et al., 2010).
Decisões programadas, por outro lado, têm seus problemas compreendidos e 
fortemente estruturados e, normalmente, não fogem à rotina organizacional.
Segmentadas em três níveis, as decisões organizacionais podem ser: operacionais, 
táticas ou estratégicas, variando conforme o nível organizacional e a necessidade de 
mobilização.
Para todos os níveis hierárquicos e todos os tipos de decisões, um fator torna-se 
determinante: a informação.
Decisões
Organizacionais
Decisões não
Programadas
Decisões
Programadas
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes26
Figura 1.13 – Informação.
Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2019).
No contexto em que se aplica, a informação contábil tende a auxiliar a gestão 
organizacional, fornecendo insumos para que esta tome decisões assertivas e eficazes. 
Corroborando a ideia apresentada, Lacerda (2006, p. 42) afirma “que o papel da 
Contabilidade Gerencial é gerar informações ao empresário, para que este tome decisões 
mais acertadas em tempo hábil”.
Utilizando-se de relatórios contábeis e mensurando a efetividade dos recursos 
internos e externos à organização, a Contabilidade Gerencial promove a melhoria 
contínua de diversas áreas, especialmente no que se refere ao aperfeiçoamento de 
recursos. Impactando, por conseguinte, no aumento da rentabilidade, redução de custos 
operacionais e mudanças tecnológicas.
Para Dutra (2009), ao utilizar-se da Contabilidade Gerencial, o gestor terá todas 
as condições necessárias para trabalhar em prol da lucratividade, agregando valor aos 
administradores, sócios e acionistas.
Conclui-se, portanto, que a Contabilidade Gerencial e seus respectivos relatórios, 
análises e direcionamentos, cabem a qualquer nível hierárquico e a qualquer organização. 
Valendo-se de fontes internas e externas, tais informações tendem a garantir maior 
segurança às decisões tomadas, sobretudo no que se refere ao delineamento de estratégias 
e a otimização de recursos.
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 27
SÍNTESE DA UNIDADE
• A Contabilidade Gerencial configura o processo de identificação, mensuração, 
análise e comunicação de informações financeiras à administração, visando a 
assertividade das decisões e o desenvolvimento da organização;
• Voltada ao público da organização, tais como administradores, gestores e demais 
colaboradores, a Contabilidade Gerencial surgiu com o propósito de subsidiar a 
tomada de decisão, principalmente nos níveis tático e estratégico;
• O Lucro Operacional consiste no lucro que vem, exclusivamente, da operação da 
empresa, descontadas as despesas operacionais;
• Por alavancagem, entende-se a utilização de recursos de terceiros, com vistas ao 
aumento do lucro sobre o capital próprio. Seus tipos são: operacional, financeira 
e combinada;
• Tratando-se especificamente do processo decisório, a Contabilidade Gerencial 
pode auxiliar a partir de relatórios, baseados em fontes internas e externas, 
visando a melhoria contínua e a otimização de recursos.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes28
REFERÊNCIAS
ATKINSON, A. A.; BANKER, R. D.; KAPLAN, R. S.; YOUNG, S. M. Management accounting. 
2. Ed. New Jersey: Prentice-Hall, 2000.
BRAGA, R. Fundamentos e técnicas de Administração Financeira. São Paulo: 
Atlas, 1992.
BRASIL. Decreto-Lei n. 9.295, de 27 de maio de 1946. Cria o Conselho Federal de 
Contabilidade, define as atribuições do Contador e do Guarda-livros, e dá outras 
providências. 1946. Disponível em: http://gg.gg/fqivn. Acesso em: 31 out. 2019.
BRASIL. Decreto n. 9.580, de 22 de novembro de 2018. Regulamenta a tributação, a 
fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de 
Qualquer Natureza. 2018. Disponível em: http://gg.gg/fqivp. Acesso em: 27 out. 2019.
CARDOSO, R. L.; RICCIO, E. L.; MENDONÇA NETO, O. C.; OYADOMARI, J. C. Entendendo 
e explorando as competências do contador gerencial: uma análise feita pelos profissionais. 
ASAA - Advances in Scientific and Applied Accounting, v.3, n.3, p. 353-371, 2010. Disponível 
em: http://gg.gg/fqivu. Acesso em: 1 nov. 2019.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Maiores informações sobre a profissão 
contábil. 2019. Disponível em: http://gg.gg/fqivy. Acesso em: 30 out. 2019.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC Nº 560/83. Dispõe sobre as 
prerrogativas profissionais de que trata o artigo 25 do Decreto-lei nº 9.295, de 27 de maio de 
1946. 1983. Disponível em: http://gg.gg/fqiw0. Acesso em: 30 out. 2019.
CORONADO, O. Contabilidade gerencial básica. São Paulo: Saraiva, 2006.
CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 6. Ed. São Paulo: 
Atlas, 2012.
DANTAS, J. A. B. Influências das medidas econômicas na competitividade industrial das 
médias e grandes empresas do setor alimentício dos estados da Bahia, Pernambuco Ceará, 
Paraíba e Rio Grande do Norte. Tese (Doutorado em Estratégias Empresariais). Universidade 
Federal da Paraíba. João Pessoa, 2001.
DICIONÁRIO HOUAISS. Alavancar. 2019. Disponível em: http://gg.gg/fqiwc. 
Acesso em: 26 out. 2019.
DUTRA, R. G. Custos: uma abordagem prática. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2009.
ENDEAVOR. CMV: seu produto vendido também tem um custo, você está prestando atenção 
nisso? 2017. Disponível em: http://gg.gg/fqiwi. Acesso em: 31 out. 2019.
Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 29
ENDEAVOR. Lucro operacional: o que é e como calcular? 2015. Disponível em: 
http://gg.gg/fqiwl. Acesso em: 22 out. 2019.
FREITAS, C. L.; LUNKES, R. J. O perfil do controller ou contador gerencial na tomada 
de decisão: um estudo no setor hoteleiro de Florianópolis. Anais do XVII Congresso 
Brasileiro de Custos. Belo Horizonte, 2010. Disponível em: http://gg.gg/fqiwp. Acesso em: 
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GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W.; BREWER, P. C. Contabilidade Gerencial. Porto Alegre: 
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INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS. International management 
accounting practice. 2000. Disponível em: http://gg.gg/fqiws. Acesso em: 20 out. 2019.
IUDÍCIBUS, S. Contabilidade Gerencial. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2008.
LACERDA, J. B. A contabilidade como ferramenta gerencial na gestão financeira das 
micros, pequenas e médias empresas (MPMEs): necessidade e aplicabilidade. Revista 
Brasileira de Contabilidade, Brasília: CFC, n. 160, p.39-53, jul./ago. 2006. Disponível em: 
 http://gg.gg/fqix0. Acesso em: 27 out. 2019.
MARION, J. C.; RIBEIRO, O. M. Introduçãoà Contabilidade Gerencial. São Paulo: 
Saraiva, 2015.
PADOVEZE, C. L. O papel da contabilidade gerencial no processo empresarial de 
criação de valor. 1999. Caderno de Estudos, São Paulo, n. 2, 1999. Disponível em: 
http://gg.gg/fqix4/1. Acesso em: 20 out. 2019.
PRÉVE, A. D.; MORITZ, G. O.; PEREIRA, M. F. Organização, Processos e Tomada de 
Decisão. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC, 2010. Disponível 
em: http://gg.gg/fqix8. Acesso em: 25 out. 2019.
VIEIRA; K. V.; NOGUEIRA, T. C. S.; MOREIRA, M. C.; COSTA, G. Z.; SANTOS, D. F. L. 
Alavancagem e Desempenho Financeiro: uma análise comparativa. Revista de Administração 
e Contabilidade, Feira de Santana, v. 8, n. 3, p. 28-42, 2016. Disponível em: http://gg.gg/fqixc. 
Acesso em: 25 out. 2019.
Aplicação de Métodos Quantitativos 
na Contabilidade Gerencial
Prezado estudante,
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram 
organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo 
completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e 
tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos 
propostos para essa disciplina.
OBJETIVO GERAL 
Permitir o conhecimento aos alunos dos métodos quantitativos aplicados na 
contabilidade.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
• Entender a importância e quais são os principais métodos quantitativos aplicados 
na Contabilidade Gerencial;
• Compreender conceitos e a diferença de orçamento operacional, financeiro e de 
capital;
• Aplicar os métodos quantitativos nas empresas de forma assertiva.
QUESTÕES CONTEXTUAIS
1. O que são métodos quantitativos?
2. Quais métodos são aplicados à Contabilidade Gerencial?
3. Em que consiste o orçamento?
4. Quais os tipos de orçamento contemplados pela Contabilidade Gerencial?
5. De que forma ocorre a aplicação dos métodos quantitativos?
unidade 
2
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes32
2.1 Métodos Quantitativos: Conceitos e Tipologias
Nas ciências e nos estudos, em geral, há o emprego de duas grandes perspectivas 
de coleta e análise de dados: os chamados métodos quantitativos e qualitativos. Cada 
um deles compreende um conjunto de ferramentas específicas para lidar com diversas 
situações de pesquisa do cotidiano.
Nesta Unidade vamos focar exclusivamente nos métodos quantitativos, mas é 
importante que você saiba que há outras possibilidades. Portanto, os métodos quantitativos 
buscam realizar a análise de dados através da quantificação das informações coletadas 
e do tratamento delas por meio de técnicas estatísticas (PEREIRA, 2014). Com isso, 
evitam-se os famosos “achismos” ao apresentar dados concretos que corroboram ou 
refutam determinada afirmação sobre a posição da organização.
Figura 2.1 – Métodos quantitativos.
Fonte: Freepik (2019).
Na contabilidade, a utilização desse tipo de método tende a facilitar o trabalho do 
planejamento estratégico, pois retiram-se inferências objetivas dos conjuntos de dados. 
Em posse desse tipo de informação, a organização pode se antecipar aos concorrentes, 
prever mudanças no mercado e até projetar e simular decisões. Inclusive, a constante 
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 33
integração entre a contabilidade e a estatística têm sido chamada de contabilometria, 
a qual procura produzir informações relevantes para o desenvolvimento da gestão 
(PEREIRA, 2014). Outro ponto que pode ser ressaltado no uso dos métodos quantitativos 
é a possibilidade de diminuir os aspectos subjetivos da decisão, como, evitar os desvios 
de interpretação de eventos econômicos, entre outros.
Vale lembrar que o contexto organizacional geralmente apresenta recursos 
escassos, o que implica na necessidade de se atingir a eficiência e a eficácia. Como a 
contabilidade é uma das atividades relacionadas a gestão organizacional, ela também 
deve ser conduzida de modo a buscar esses efeitos e resultados. Assim, ela também está 
condicionada a aplicação de métodos quantitativos, como forma de lidar com a tomada 
de decisão sob condições de incertezas, aprimorando o processo de gestão.
Sobre as condições de tomada de decisão, é importante frisar que a decisão tomada 
sob uma condição de certeza não apresenta qualquer problema, pois há total clareza do 
contexto e do que precisa ser feito, levando a uma decisão acertada sobre a situação que 
se interpõe. Porém, no caso de se tomar a decisão sob a condição de incerteza é que reside 
a maior utilidade dos métodos quantitativos ao atuar na redução justamente da incerteza.
Figura 2.2 – Incerteza na tomada de decisão.
Fonte: Freepik (2019).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes34
Nestas condições, não há um único curso de ação a ser tomado, mas sim vários 
cursos que denotam possibilidades futuras. Cada uma dessas possibilidades fica 
representada por uma probabilidade de ocorrência, e ao tomador da decisão, cabe a 
tarefa de optar pelo caminho que traga mais benefícios para a empresa. Nesse sentido, 
a contabilidade pode oferecer melhores leituras da realidade da organização devido ao 
seu acesso aos dados da empresa e do mercado. Essa situação fica ainda mais evidente 
em empresas de menor porte, que não contam com uma área exclusiva de análise de 
mercado.
Por tudo que foi evidenciado, percebemos que o caminho que constrói os métodos 
quantitativos na Contabilidade Gerencial é pautado na estatística e, dela utiliza muitas 
ferramentas analíticas como as médias, o desvio padrão, os coeficientes de variação, 
entre outras.
Figura 2.3 – Cálculos e definições de estratégias.
Fonte: Freepik (2019).
Por sua vez, o estudo estatístico pode ser dividido em três frentes: a estatística 
descritiva; a teoria da probabilidade e a estatísticas inferencial ou de amostragem.
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 35
2.1.1 Estatística Descritiva
Esse tipo de estatística tem como objetivo o emprego de técnicas para sumarizar 
e apresentar, de forma sintética, um conjunto de dados. Geralmente, os dados coletados 
e agrupados acabam não dizendo nada quando olhamos para eles, por isso, a aplicação 
destas técnicas de organização e sistematização são fundamentais para extrair 
informações úteis dos dados.
Figura 2.4 – Dados.
Fonte: Freepik (2019).
Para exemplificar, imagine o censo populacional (pesquisa sobre as características 
da população de um determinado país). Se colocássemos uma tabela contendo a altura de 
todas as pessoas pesquisadas, veríamos um monte de números e seria até difícil conseguir 
dizer algo sobre essa população. Porém, se extraíssemos a média desses dados, veríamos 
um único número (sumarização) e poderíamos dizer que essa população tem em média 
a altura dada por esse número. Assim, outras pessoas entenderiam que podem haver 
pessoas altas ou baixas, mas que em geral elas ficam próximas à média encontrada, 
sendo essa uma forma de descrever a altura da população pesquisada (PEREIRA, 2014).
Por fim, vale ressaltar que os dados sumarizados podem ser visualizados de duas 
formas: por um número representativo ou por imagens representativas. Os números 
representativos podem ser expressos na unidade dos dados colhidos (altura em metros, 
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes36
média em metros) ou vislumbrados através de representações de proporção (altura em 
metros e agrupamentos semelhantes em porcentagem). No caso de representação por 
imagem, produzem-se os gráficos em diferentes formatos e tamanhos, de modo que a 
figura resultante desse processo já expressa a informação obtida através da sumarização 
dos dados.
2.1.2 Teoria da Probabilidade
Ela fundamenta a estatística inferencial, pois fornece a base teórica para o estudo 
dos eventos aleatórios e da possibilidade de se prever as ocorrências. Nestas condições, 
estudamos as probabilidades de umdeterminado evento ocorrer dada a possibilidade de 
uma repetição. Essa teoria é bastante usada na Teoria da Decisão, pois pauta a decisão 
a partir da probabilidade de um determinado evento ocorrer ou não (PEREIRA, 2014).
2.1.3 Estatística Inferencial ou Amostragem
Fazendo uma analogia com a culinária, quando quer saber se uma receita ficou 
boa, você pega uma colher, serve um pouco e prova. Ao descobrir se aquele pouco está 
bom ou não, você logo conclui sobre o resto da receita.
Figura 2.5 – Amostragem na Cozinha.
Fonte: Freepik (2019).
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 37
Logo, é esse o movimento feito na estatística inferencial, onde através de uma 
amostra se chega a conclusões sobre a população. Um exemplo clássico dessa situação 
são as pesquisas eleitorais, onde elegem um conjunto de pessoas aleatoriamente para 
questionar sobre as eleições e a apresentam no noticiário como sendo a representação da 
opinião de toda a população.
Para que se possa extrapolar as conclusões da amostra para a população, 
é necessário tomar certos cuidados que evitam a contaminação da análise. Nesse sentido, 
é importante dizer que mesmo seguindo rigorosamente esses cuidados, sempre haverá 
um grau de incerteza, mas que esse pode ser reduzido a ponto de garantir que o que 
ocorre na amostra, realmente ocorre na população (PEREIRA, 2014).
Portanto, a estatística inferencial diminui o trabalho que teria aquele que deseja 
pesquisar uma grande população, ao tentar obter os dados de cada uma das pessoas, 
ou mesmo, aquela empresa que deseja fazer o controle de qualidade sobre a grande 
produção diária, mas que é impossível medir cada um dos produtos, além de ser bem 
oneroso fazer isso do ponto de vista financeiro.
Figura 2.6 – Controle de Qualidade.
Fonte: Freepik (2019).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes38
Assim, percebemos que não tem como falarmos em método quantitativo, sem 
referir a estatística e ao estudo sistematizado de dados ou amostras de dados, bem como 
sobre a forma clara e objetiva de visualização e demonstração desses dados. Dessa 
forma, a estatística busca trabalhar com conjuntos de dados para produzir informações 
relevantes para o planejamento estratégico e a tomada de decisão, e sua aplicação na 
contabilidade gera uma sinergia interessante entre ambas.
2.1.4 Tipologias dos Métodos Quantitativos
Neste tópico apresentamos alguns métodos quantitativos que podem ser utilizados 
na Contabilidade Gerencial. Cada um deles pode ser empregado em diferentes contextos, 
mas no fundo são traduções da realidade organizacional em números, de modo a facilitar 
o processo de tomada de decisão (PEREIRA, 2014).
Figura 2.7 – Métodos quantitativos: tipologias.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Matrizes de Decisões: trata-se uma forma de abordar o processo decisório de 
forma sistemática. Na matriz, as linhas representam o conjunto de alternativas que 
podem ser escolhidas, enquanto que as colunas representam os cenários possíveis aos 
quais o decisor não tem qualquer controle. O cômputo de cada cruzamento de uma 
alternativa e um cenário gera a matriz decisória.
Matrizes de Decisões
Teste de Hipóteses
Regressão Linear
Programação Linear
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 39
Teste de Hipóteses: busca verificar se os dados obtidos são compatíveis com uma 
determinada hipótese ou são contrários a ela. Geralmente as hipóteses são formuladas a 
partir dos parâmetros de uma ou mais populações e o método visa apoiar ou refutar essa 
hipótese, a partir das evidências obtidas dos dados amostrais.
Regressão Linear: uma coisa é saber que existe uma associação entre duas 
variáveis, outra, bem diferente, é afirmar que há uma relação de causa e efeito entre elas. 
Quando se quer demonstrar esse último, recorre-se ao método de regressão linear, onde 
uma das variáveis é independente, enquanto que a outra é dependente. Em suma, ela é 
bastante usada de duas formas: quando se deseja fazer previsões (prever valor de uma 
a partir do valor da outra), ou quando se deseja verificar o poder de influência de uma 
variável (quanto uma influencia o comportamento da outra).
Programação Linear: quando se deseja trabalhar com o princípio da otimização 
utiliza-se a programação linear. Em geral, estão relacionados a distribuição eficiente de 
recursos para atender um objetivo. O resultado pode ser um conjunto de valores, mas 
geralmente privilegiam-se o maior lucro ou menor custo.
Portanto, o uso dos métodos quantitativos na Contabilidade Gerencial, se abre em 
várias possibilidades de coleta e análise de dados e no uso de técnicas para determinadas 
finalidades.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes40
2.2 Orçamento
Orçamento, segundo o Dicionário Houaiss (2019, online), pode ser definido como 
“o ato ou efeito de orçar, de calcular, de estimar”. Seu conceito e aplicação pode referir-
se à:
• Avaliação ou cálculo aproximado de custo (obra, empreendimento, serviço etc.);
• Cálculo da receita e da despesa;
• Cálculo da partilha de um imóvel sujeito a processo divisório.
Figura 2.8 – Orçamento.
Fonte: Freepik (2019).
Na contabilidade, especificamente, o orçamento é conhecido como um conjunto 
de medidas que tem como propósito a execução de metas e objetivos, implementados 
pela administração da empresa e seus respectivos gestores. Compartilhando objetivos e 
propósitos, sua relação com a Contabilidade Gerencial, foco desta Unidade, se estabelece 
no caráter orientativo e direcionador de sua atuação - ambos ligados ao processo decisório 
e apoio à gestão.
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 41
Para Padoveze (2012, p. 263), trata-se do “sistema de mensuração econômica do 
planejamento das operações da empresa para um determinado período, em nível global e 
setorial, com o objetivo de coordenar e controlar essas operações e o resultado planejado”.
Sua execução, segundo Padoveze (2012), está diretamente associada ao processo 
de planejamento estratégico, estruturado conforme a figura a seguir.
Figura 2.9 – Planejamento Estratégico & Orçamento.
Fonte: Adaptado de Padoveze (2012, p. 25).
No que tange às características do orçamento, Padoveze (2012) destaca que:
[...] a) trata-se de um sistema formal que atinge toda a hierarquia da 
empresa; b) reproduz as estruturas operacionais - existentes e planejadas; 
c) subordinado à estrutura contábil, de planos de contas e centros de 
custos, despesas e receitas; d) incorporado ao sistema de informação 
contábil; e) organizado anualmente e dividido impreterivelmente em 
12 meses; f) consolidado a partir de um orçamento das demonstrações 
contábeis básicas. (PADOVEZE, 2012, p. 26).
Estruturado de acordo com o modelo de gestão organizacional e o perfil do 
negócio, o orçamento deve ser adequado às necessidades da empresa, de forma que suas 
limitações e particularidades sejam respeitadas. 
O Planejamento Estratégico ou Planejamento Empresarial, como também 
é conhecido, consiste numa metodologia gerencial que possibilita o 
direcionamento da organização (KOTLER, 1975).
DESTAQUE
Planejamento
Estratégico
Planejamento
Operacional ou
Tático
Planejamento de 
curto prazo ou
programação
Execução Controle
Orçamento
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes42
Além disso, diferentes tipos de planejamento são mencionados no rol bibliográfico 
da contabilidade. Dentre os quais destacam-se: o operacional, o financeiro e o de capital, 
explorados no subtópico seguinte.
Figura 2.10 – Tipos de orçamento.
Fonte: Freepik (2019).
2.2.1 Orçamento Operacional
O orçamento operacional ou orçamento de operações - como também é conhecido 
- é uma ferramenta de gestão cujo objetivo é apresentar uma visão geral dos custos de 
funcionamento do negócio.
Segundo Zdanowicz (2001), o orçamento operacional tende a auxiliar no processo 
decisório,uma vez que evidencia os mais diversos custos e receitas provenientes das 
atividades da empresa. Sua estrutura, nesse sentido, compreende os seguintes orçamentos:
• Orçamento de vendas;
• Orçamento do estoque final;
• Orçamento de fabricação;
• Orçamento de custos dos materiais;
• Orçamento de mão de obra;
Financeiro Op
er
ac
ion
al
Capital
ORçamento
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 43
• Orçamento dos custos indiretos de fabricação; e
• Orçamento de despesas departamentais.
Figura 2.11 – Orçamento Operacional.
Fonte: Freepik (2019).
Envolvendo toda a organização e suas respectivas operações - ligadas à produção 
ou não -, o orçamento operacional compreende as diferentes estruturas hierárquicas 
da empresa, respondendo pelas áreas administrativa, comercial e de produção 
(PADOVEZE, 2012).
Um dos pontos mais relevantes sobre o orçamento operacional, segundo Padoveze 
(2012), consiste na previsão de vendas – utilizada para adiantar-se às demandas do 
mercado e projetar possíveis cenários. Para tanto, é necessário considerar, além das 
informações internas, todo o contexto o qual a empresa encontra-se inserida, analisando 
a concorrência, as políticas econômicas e o movimento dos stakeholders.
O termo Stakeholder foi criado pelo filósofo Robert Edward Freeman, em 
1963. Stakeholder, segundo o autor, é “qualquer grupo ou indivíduo que 
pode afetar ou ser afetado pela realização dos objetivos da organização 
(FREEMAN, 1984, p. 25).
GLOSSÁRIO
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes44
2.2.2 Orçamento Financeiro
Para Frezatti (2009), o orçamento financeiro traduz em valores monetários tudo 
aquilo que foi orçado na etapa operacional. Sua estruturação, assim como o orçamento 
operacional, se compõe de diferentes orçamentos, conforme a seguir:
• Orçamento de investimentos;
• Orçamento de financiamentos;
• Orçamento de caixa;
• Projeção das demonstrações financeiras; e
• Análise financeira das projeções.
Seu objetivo, segundo Padoveze (2012), é discriminar as receitas e despesas, 
conforme sua origem, e realizar a previsão de entradas e saídas, considerando sobretudo 
a delimitação de períodos.
Figura 2.12 – Orçamento Financeiro.
Fonte: Freepik (2019).
Ainda, segundo Padoveze (2012), a utilização desta ferramenta possibilita uma 
maior proatividade por parte das empresas, visto que estas conseguem antecipar-se às 
demandas por recursos financeiros. Sua atitude, diante disso, deve ser pautada pela 
cautela e atenção ao gerenciamento do fluxo de caixa.
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 45
2.2.3 Orçamento de Capital
O orçamento de capital é o processo de avaliação, classificação e seleção dos 
investimentos de longo prazo a ser realizado pelas empresas. O objetivo deste processo é 
quantificar os recursos e mensurar os riscos envolvidos, analisando os possíveis retornos 
e incrementos ao caixa da empresa.
Figura 2.13 – Orçamento de Capital.
Fonte: Freepik (2019).
Segundo Padoveze (2012), o orçamento de capital auxilia sobremaneira o processo 
decisório, haja vista que o investimento em determinado ativo deve considerar uma série 
de informações e projeções.
Importante frisar que, apenas os investimentos permanentes são considerados 
pelo orçamento de capital. Investimentos temporários, ainda que de natureza financeira, 
não são considerados e tratados por esta ferramenta.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes46
2.3 Métodos Quantitativos: Aplicação Prática
Para avançarmos no assunto, vamos apresentar algumas aplicações práticas para 
ilustrar o uso dos métodos quantitativos na Contabilidade Gerencial.
Figura 2.14 – Métodos quantitativos: aplicação.
Fonte: Freepik (2019).
Vale ressaltar que há mais métodos do 
que os aqui expostos e, portanto, cabe ao 
aluno se aprofundar nesse assunto. Para 
isso, leia o livro “Métodos Quantitativos 
Aplicados à Contabilidade”, de Adriano 
Toledo Pereira, que está incluído nas 
referências.
SAIBA MAIS
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 47
2.3.1 Matriz de Decisão
A matriz de decisão é uma ferramenta que ajuda a organizar e a calcular as 
alternativas, indicando qual é o melhor caminho a ser tomado. De posse das probabilidades 
de ocorrência dos eventos é possível estabelecer um estudo sistemático que conduz a 
uma melhor tomada de decisão (PEREIRA, 2014). Vamos ao exemplo: uma empresa 
de contabilidade quer fazer uma estratégia para obter novos clientes, e por isso, buscou 
observar o comportamento de entrada dos clientes. O estudo histórico dos dados permitiu 
estabelecer as probabilidades elencadas na tabela a seguir:
Tabela 2.1 – Estudo de novos clientes.
NOVOS CLIENTES MENSAIS
Demanda Mês 0 1 2 3
Probabilidade 0,3 0,4 0,2 0,1
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Temos a informação de que cada novo cliente custa R$ 3 mil, mas quando ele 
entra, faz um aporte inicial de R$ 5 mil e, portanto, ele gera um lucro inicial de R$ 
2 mil. Por outro lado, cada cliente que durante o processo desiste, custa R$ 1 mil. 
Além disso, pela análise histórica sabe-se que um contador pode atender conforme as 
situações: não poder atender nenhum cliente (0), ou no máximo (3), considerando os 
valores intermediários (1) e (2). A tabela de ganhos obtidos com cada situação pode ser 
construída da seguinte forma:
a. Cada cliente que veio e foi atendido, o escritório ganha R$ 2 mil (lucro);
b. Cada cliente que veio e não pôde ser atendido, o escritório perde R$ 1 mil 
(desistência);
c. Cada contador que tem espaço para atender um novo cliente e este não vêm perde 
R$ 2 mil (lucro que deixa de ganhar); e, por fim,
d. Cada valor da alternativa é calculado multiplicando o valor da célula pela sua 
probabilidade de ocorrência.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes48
Tabela 2.2 – Matriz de Decisão do Problema.
Novos Clientes 0 1 2 3 Valor da 
AlternativaProbabilidade 0,3 0,4 0,2 0,1
Contador 
consegue 
atender
0 0 -1 mil -2 mil -3 mil -1.100,00
1 -2 mil 2 mil 1 mil 0 400,00
2 -4 mil 0 4 mil 3 mil -100,00
3 -6 mil -2 mil 2 mil 6 mil -1.600,00
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Pela matriz de decisão da situação da contabilidade, a melhor alternativa é aquela 
que dá um retorno de R$ 400,00. Nessa situação, a empresa deve manter um contador 
com a agenda livre para poder atender uma nova empresa por mês.
É importante frisar que, inicialmente, sem os cálculos, parece ser interessante 
obter todo mês três empresas e manter o atendente livre para as três, mas dado que isso 
ocorre somente em 10% das vezes, o resultado é desastroso, sendo a alternativa que leva 
a maior perda de dinheiro (R$ 1.600,00).
Pelo exemplo, percebemos como a intuição pode levar a uma decisão equivocada 
sobre a situação que se dispõe. Por isso, é fundamental o tratamento com métodos 
quantitativos.
2.3.2 Teste de Hipóteses
O teste de hipóteses busca estudar sistematicamente se duas populações 
apresentam ou não determinado componente estatístico. Ainda que sejam situações 
diferentes de amostragem, é possível com acurácia determinar se essas populações 
podem ser consideradas iguais ou se diferem significativamente (PEREIRA, 2014). 
Vamos ao exemplo: um grande escritório contábil está querendo abrir uma filial 
e, após um longo estudo, chegou-se a conclusão que duas cidades podem receber essa 
unidade organizacional. Nestas condições, o custo de abrir a unidade em cada uma delas 
é o que deve guiar a tomada de decisão. Apesar disso, é fato que cidades com custos 
diferentes geralmente apresentam rendas distintas também e, para evitar uma decisão 
equivocada, o escritório colheu duas amostras diferentes em cada uma das cidades, 
obtendo os seguintes dados:
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 49
Na primeira amostra foram pesquisadas 35 empresas dentre as quais a média foi 
de R$ 5.000,00em custos, com um desvio-padrão de R$ 670,00. Na segunda amostra, 
com 40 empresas, foi verificada uma média de R$ 5.350,00 em custos, com desvio padrão 
de R$ 690,00. Nestas condições, a pergunta a ser respondida é: a média dos custos das 
cidades são iguais ou não? 
Assim:
• Hipótese Nula (H0): m1 = m2
• Hipótese Alternativa (H1): m1 ≠ m2
d = o valor da diferença encontra em análises já realizadas, mas como não foi 
mencionado nada sobre isso, admitimos ele como sendo d = 0
Zcal =
 (X1 + X2 – d
 √ s2 + s2 1 2 n1 n2
 (
Zcal =
 (5.000 – 5.350) – 0
 √ 6702 35 690240+
Zcal =
– 350
 √ 448.900 35 + 476.10040
Zcal =
 √ 12.825,71 + 11.902,50 
Zcal =
 
157,25
 
Zcal = – 2,23
 
– 350
– 350
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes50
Tomando a tabela Z que geralmente vem nos anexos de qualquer livro de 
estatística, juntamente com outras tabelas utilizadas nos cálculos, temos que com 95% 
de significância, o valor de Z é de 1,96 e o valor calculado de Z é de -2,23 o que significa 
que ele é menor, logo está na área de rejeição da hipótese nula e aceitação da hipótese 
alternativa. Convertendo para a realidade do problema, com 95% de confiança, podemos 
admitir que a média de custos entre elas é diferente e, portanto, para a empresa uma 
cidade é mais vantajosa que a outra. Refinamentos devem ser feitos para escolher em 
qual delas deve-se abrir o negócio.
Pelo exemplo, percebemos o quão útil é essa ferramenta que faz parte do rol de 
métodos quantitativos. Dessa forma, pudemos averiguar com certa exatidão se a situação 
era aquilo que se supunha.
2.3.3 Regressão Linear
Tomando um conjunto de variáveis, às vezes é importante saber se uma delas 
apresenta algum tipo de relação com outra, por exemplo, o quanto a diminuição dos 
custos de produção pode impactar no volume de vendas. Uma das formas de observar 
isso é com o uso da regressão linear (PEREIRA, 2014). 
Vamos ao exemplo: uma empresa preocupada com o impacto ambiental de sua 
produção resolveu determinar a quantidade de lixo gerado. Esse estudo é importante uma 
vez que ela deseja aproveitar o bom momento do mercado e aumentar sua produção para 
800 toneladas. Apesar disso, o que tem preocupado a empresa é o fato de conseguirem 
lidar com até 70 toneladas de lixo. A empresa deseja aumentar a produção sem nenhum 
investimento ambiental, porém se for necessário vai se reestruturar para atender a 
demanda. Considere as fórmulas e o quadro de dados a seguir.
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 51
Quadro 2.3 – Quadro de dados e Cálculos Estatísticos Preliminares.
n Xi (produto ton.) Yi (lixo ton.) Xi . Yi Xi2 Yi2
01 251 22 5522 63001 484
02 260 23 5980 67600 529
03 263 23 6049 69169 529
04 265 25 6625 70225 625
05 270 24 6480 72900 576
06 275 26 7150 75625 676
07 300 27 8100 90000 729
08 312 29 9048 97344 841
09 333 29 9657 110889 841
10 345 31 10695 119025 961
Total 2874 259 75306 835778 6791
Média 287,4 25,9
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Sxx = ∑ X 2 –
 ( (
 
i
∑ X i 2
n
Sxy = ∑ X –. . (
 (
 
i i
∑ X i ( (∑ Y i
n
Y
a
Sxy
Sxx=
y = a . x + b
a .–iY iXb =
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes52
Sxx = ∑ X 2 –
 ( (
 
i
∑ X i 2
n
Sxx = 835778 –
 ( (
 
2874
10
2
Sxx = 835778 –
 
8259876
10
Sxx = 9790,4
Sxx = 835778 –
 
825987,6
Sxy = ∑ X –. . (
 (
 
i i
∑ X i ( (∑ Y i
n
Y
Sxy = 75306 –
 
2874 ∙ 259
10
Sxy = 75306 –
 
744366
10
Sxy = 75306 –
 
7443,6
Sxy = 869,4
 
a
Sxy
Sxx=
a 869,4
9790,4
=
a 0,0888=
a .–iY iXb =
25,9 – 0,0888 ∙ 287,4b =
25,9 – 25,5215b =
0,3785b =
y = a . x + b
y = 0,0888x + 0,3785
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 53
Aplicamos agora o valor desejado de produção para obter o valor de lixo que será 
produzido.
Logo, a produção de 800 toneladas produzirá 71,42 toneladas de lixo. Nestas 
condições será necessária uma reestruturação, uma vez que a empresa está preparada 
para lidar com 70 toneladas apenas.
Neste exemplo, que vimos anteriormente, foi possível compreender como é 
possível usar a regressão linear entre os dados para fazer previsões sobre o futuro, e 
tomar a decisão de modo mais acertado. Procure e estude outros exemplos de regressões.
2.3.4 Programação Linear
A programação linear é empregada especialmente para os casos onde é necessário 
a otimização, maximização ou minimização, as quais são acompanhadas de restrições 
que precisam ser consideradas no momento do cálculo (PEREIRA, 2014). 
Vamos ao exemplo: imagine que uma empresa produz o produto X, que rende R$ 
150,00 de lucro por unidade, e o produto Y, que rende R$ 100,00 de lucro por unidade, 
ambos ao dia. Além disso, são necessários o dobro de horas de trabalho para fazer o 
produto X em relação a Y, enquanto que este último consome quatro vezes mais horas 
de máquinas do que o produto X para ficar pronto. Assim, percebemos que a empresa 
atua com certas restrições:
• Por exigência do sindicato da categoria, os colaboradores podem exercer apenas 
30 horas de trabalho diário.
• As máquinas que desenvolvem os aparelhos representam 40 horas de trabalho 
diário.
• São vendidas pela empresa, no máximo, 15 unidades diárias do aparelho X.
Diante disso, a empresa busca a maximização dos lucros diários e, por isso, quer 
saber quais as quantidades diárias de cada um dos produtos. Para resolver esse problema 
y = 0,0888 ∙ 800 + 0,3785
y = 71,04 + 0,3785
y = 71,42
CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes54
vamos utilizar a técnica da programação linear, e por isso, devemos expressar a equação 
do lucro e de restrições.
lucro total diário = 150x + 100y
Restrições:
2x + y≤30 horas (horas de trabalho)
x + 4y≤40 horas (horas das máquinas)
x≤15 unidades (venda diária máxima)
O primeiro passo para resolver o problema é desenvolver o gráfico considerando 
todas as restrições apresentadas:
Figura 2.15 – Análise gráfica do problema.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
O lucro máximo corresponde ao ponto marcado no gráfico. Nesse ponto, as 
coordenadas são 10 para o eixo x e 9 para o eixo y. Em posse desses valores, vamos 
aplicá-los na equação do lucro, obtendo o lucro máximo.
lucro máximo diário = 150·10+100·9
lucro máximo diário = 1500 + 900 = 2400
Portanto, o valor máximo que se poderá obter de lucro é R$ 2.400,00. Neste 
exemplo, pode-se observar como a programação linear contribui para a otimização da 
situação, buscando o melhor ponto ao se considerarem todas as restrições ao qual a 
empresa está sujeita.
y
x
40
40
30
10 Lucro Máximo
diário
Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 55
SÍNTESE DA UNIDADE
Os métodos quantitativos possibilitam a análise de dados a partir de uma 
perspectiva racional e estatística. Na Contabilidade, especificamente, os métodos 
quantitativos tendem a facilitar a execução do planejamento estratégico, uma vez que sua 
atuação permite analisar os concorrentes, adiantar-se às mudanças do mercado e simular 
cenários. No que se refere aos tipos utilizados pela Contabilidade Gerencial, destacam-
se: Matrizes de Decisões; Teste de Hipóteses; Regressão Linear; e Programação Linear. 
Todas, vale ressaltar, são passíveis de desdobramentos teóricos e aplicações práticas.
O orçamento é um conjunto de medidas cujo propósito é a execução das metas 
e objetivos, implementados pela administração da empresa e seus respectivos gestores. 
Nesse contexto, diferentes tipos de planejamento são mencionados no rol bibliográfico 
da Contabilidade. Dentre os quais destacam-se: o operacional, o financeiro e o de capital. 
CONTABILIDADEGERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes56
REFERÊNCIAS
CORONADO, O. Contabilidade gerencial básica. São Paulo: Saraiva, 2006.
CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2012.
FREEMAN, R. E. Strategic management: a stakeholder approach. London: Pitman, 1984.
FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 5. Ed. São Paulo: 
Atlas, 2009.
DICIONÁRIO HOUAISS. Orçamento. 2019. Disponível em: http://gg.gg/ft7bs. Acesso em: 2 
nov. 2019.
KOTLER, P. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 1975.
PADOVEZE, C. L. Contabilidade Gerencial. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2012.
PEREIRA, A. T. Métodos Quantitativos Aplicados à Contabilidade. Curitiba: Intersaberes, 2014.
ZDANOWICZ, J. E. Orçamento operacional: uma abordagem prática. 2. Ed. Porto Alegre, 
Sagra, 2001.
Análise dos Resultados Contábeis
Prezado estudante,
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram 
organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo 
completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e 
tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos 
propostos para essa disciplina.
OBJETIVO GERAL 
Demonstrar ao aluno as etapas de uma análise de relatórios contábeis aplicados no 
gerenciamento de um negócio.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
• Compreender os níveis de mensuração dos resultados;
• Analisar as operações realizadas de forma divisional;
• Analisar o uso do preço de transferência interna como parte dos instrumentos 
gerenciais das empresas.
QUESTÕES CONTEXTUAIS
1. Qual é a importância da alocação de gastos, resultados e até de investimentos 
por centros de responsabilidade?
2. Quais são as principais técnicas de alocação dos resultados divisionais em 
empresas de gestão descentralizada?
3. O que são e como se pode definir os preços de transferência interna?
unidade 
3
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos58
3.1 Introdução
Ao longo da evolução dos mercados e do processo de internacionalização das 
empresas, muito se tem discutido sobre as vantagens e desvantagens dos movimentos de 
centralização e da descentralização dos modelos de gestão.
Nesta Unidade, você poderá refletir um pouco mais sobre as formas e técnicas 
contábeis, que podem auxiliar na mensuração do desempenho gerencial em ambientes 
de gestão descentralizada.
É certo que a evolução da tecnologia e dos sistemas de registro contábil trouxeram 
muitas alternativas para a acumulação de custos. Cada um com as suas características e 
com suas particularidades. O objetivo central desta Unidade é dar elementos suficientes 
para que você associe os conhecimentos adquiridos ao longo do curso aos objetivos 
gerenciais de mensuração dos resultados.
Vamos estudar um pouco mais sobre as diferenças entre os tradicionais centros 
de custos, centros de responsabilidade, centros de resultados e centros de investimento.
Também aprofundaremos o conceito de preços de transferência e suas variações, 
procurando trazer um pouco dos conceitos da Contabilidade de Custos para o contexto 
da Contabilidade Gerencial. Em muitas situações, a utilização de um método ou de outro 
pode gerar variações nos incentivos que os gestores possuem para alcançar resultados 
superiores. Usar o método mais adequado, em última análise, pode significar a chave do 
sucesso para uma organização, seja ela de que porte for.
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 59
3.2 Os Níveis de Apuração de Resultados
Em diferentes níveis de organização ou de especialização, as empresas, em geral, 
necessitam apurar resultados de suas linhas de produtos, regiões de atuação, divisões 
internas, centros de responsabilidade, e assim por diante. A complexidade e o nível de 
detalhamento que se deve considerar depende, de forma muito particular, do sistema de 
gerenciamento que a própria organização deseja implementar.
Para que estas necessidades sejam atendidas, os sistemas contábeis foram sendo 
aprimorados ao longo do tempo, sendo possível efetuar os registros dos fatos contábeis 
de tal forma que obter múltiplas visões de um mesmo resultado não fosse algo difícil. Os 
sistemas de ERP (sigla da expressão em inglês Enterprise Resource Planning, ou em 
uma adaptação para o conceito usado no Brasil, Sistema de Gestão Empresarial) atendem 
muito bem estas questões e já existem versões acessíveis para empresas de qualquer 
porte.
Uma das formas mais tradicionais de se apurar resultados é pela visão 
departamental. Neste sistema, cada departamento recebe um código de identificação, 
normalmente denominado Centro de Custos. Ao associar-se este código à Conta 
Contábil, os gastos passam a ser segregados por departamentos e, assim, se pode apurar 
os resultados de forma segregada. Este conceito foi ampliado, passando de Centros 
de Custos para Centros de Responsabilidade. A Contabilidade por Responsabilidade 
é um sistema que reconhece os vários centros de responsabilidade de uma empresa, 
organizados de forma a refletir os planos e atividades de cada um desses centros, 
associando as receitas e custos que tenham relação direta com estes mesmos planos e 
atividades (HORNGREN, 2000).
Na matéria disponível no site Infowester, você vai encontrar um resumo das 
principais características dos sistemas de ERP e a lista de alguns destes 
sistemas. Há versões adaptadas para a maioria dos setores de atuação e das 
empresas. O link está aqui: http://gg.gg/fquej.
SAIBA MAIS
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos60
3.2.1 Finalidades da Contabilidade por Responsabilidade
As boas práticas de gestão dependem de sistemas de mensuração que sejam 
capazes de controlar e avaliar o desempenho dos gestores, com o objetivo central 
de desenvolver e motivar as equipes a atingir resultados superiores. Neste contexto, 
a Contabilidade por Responsabilidade exige uma perfeita identificação dos níveis de 
responsabilidade e de autoridade de cada departamento, segregando os gastos em duas 
categorias: gastos controláveis e gastos não controláveis.
Não basta implementar um sistema de contabilização que aproprie os gastos 
por Centros de Custos ou Centros de Responsabilidade, sem se preocupar com a real 
responsabilidade dos envolvidos com estes gastos.
Figura 3.1 – Centros de Responsabilidade.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Também é importante que se compreenda que um sistema de Centros de 
Responsabilidade não é uma forma diferente de se apurar os custos dos produtos, 
mercadorias ou serviços. Um sistema de Centros de Responsabilidade é uma forma 
alternativa de se alocar os gastos que compõem os custos em divisões, departamentos, 
atividades, e assim por diante. Esta alocação se dá através do sistema de custos das 
organizações, mas não representa uma nova forma de se apurar estes mesmo custos.
A Contabilidade Setorial, por divisão, por produto ou por qualquer outra 
subdivisão que se deseje implementar, visa essencialmente a:
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 61
1. definir as decisões, planos de ação e recursos necessários para a sua execução;
2. comunicar os resultados financeiros destas decisões e planos;
3. acompanhar o desempenho e motivar os gestores a manter atenção aos resultados 
esperados;
4. medir as variações entre os planos e os resultados reais alcançados; e
5. reconhecer e premiar os desempenhos superiores.
3.2.2 Departamentalização
Na Contabilidade de Custos, o conceito da departamentalização é utilizado desde 
a sua origem, como um mecanismo eficiente de se alocar os custos indiretos aos produtos, 
mercadorias e serviços prestados. Apesar de ser uma aproximação da realidade, esta 
técnica permite alocar custos não identificados de forma direta, por um critério mais 
justo do que as práticas tradicionais de rateio. Além disto, pode-se usar a alocação por 
departamentos para estabelecertaxas de distribuição dos custos indiretos de uma forma 
mais adequada aos produtos que passam por um ou por outro departamento.
Para que se entenda de uma forma mais ampla, departamentos para a contabilidade 
de custos são unidades administrativas, representadas por homens ou máquinas, na 
maioria dos casos, que desenvolvem atividades de mesma natureza (MARTINS, 2003).
Dada a sua utilidade, este mesmo conceito foi ampliado na Contabilidade por 
Responsabilidade, para incluir a alocação de custos comerciais e administrativos em 
centros de custos específicos e, a partir deles, gerar visões gerenciais dos resultados.
3.2.2.1 Centro de Custos
Conceitualmente, os centros de custos são o menor segmento de atividade, ou 
área de responsabilidade, em que se pode acumular custos (HORNGREN, 2000). Há 
uma relação indireta entre departamentos e centros de custos, porém, o que os diferencia 
é a obrigatoriedade de se determinar um responsável para os departamentos, o que não 
ocorre com os centros de custos. Pode-se dizer, portanto, que um departamento sempre 
terá um centro de custos correspondente, porém nem todo centro de custos irá representar 
um departamento. Como dito anteriormente, em muitas aplicações da contabilidade de 
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos62
custos, adotada pela contabilidade por responsabilidade, os centros de custos podem 
representar uma subdivisão do departamento, podendo ir ao nível de uma atividade ou 
de uma máquina específica.
Figura 3.2 – Estrutura de Centros de Custos.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
3.2.2.2 Centro de Lucros
Em muitas organizações, além de se acumular os custos em Centros de 
Responsabilidade, a contabilidade se dedica a alocar as receitas geradas pela venda de 
produtos, mercadorias ou serviços, nos centros de responsabilidade correspondentes. 
Ao se optar por esta técnica, os centros de custos passam a ser denominados como 
Centros de Lucros ou Centros de Resultado. Dada a sua amplitude, em muitos casos 
se associa aos Centros de Lucros às divisões, regiões, linhas de produtos etc., de uma 
mesma organização em unidades.
Diretoria
Industrial
Diretoria
Comercial
Diretoria
Administrativa
Gerência de
Qualidade
Máquina 1
Máquina 2
Gerência de
Montagem
Almoxarifado
Linha de
Montagem
Gerência de
Engenharia
Pesquisa
Projeto
Beta
Gerência
Região Norte
Equipe de
Vendas A
Equipe de
Vendas B
Gerência
Região Sul
Equipe de
Vendas A
Contabilidade
Finanças
Recursos
Humanos
Cia Modelo
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 63
Figura 3.3 – Estrutura de Centros de Lucro.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
3.2.2.3 Centro de Investimentos
Por fim, os Centros de Investimentos são, em última avaliação, Centros de Lucro, 
cuja análise de desempenho não é medida apenas sobre os resultados obtidos do confronto 
entre receitas e despesas, mas também é analisado o capital investido em determinado 
projeto. Esta técnica difere da técnica contábil utilizada na Contabilidade Societária 
tradicional, mas pode ser um recurso extremamente útil para se acompanhar e gerenciar 
projetos mais complexos, e que demandem avaliações periódicas de rentabilidade.
3.2.3 Gastos Controláveis e Gastos não Controláveis
Gastos Controláveis são aqueles que estão sob a responsabilidade de uma pessoa 
em um determinado nível da organização, enquanto os Gastos não Controláveis são 
aqueles que estão sob a responsabilidade de uma pessoa de nível superior na organização. 
Em última análise, pode-se dizer que todos os gastos são controláveis em algum nível da 
empresa, mesmo que sejam alocados em vários departamentos e/ou atividades.
Veículos
Novos
Veículos
Usados Acesssórios
Modelos 
2019
Sedans
Nacionais
Importados
Pickups
SUV
Som
Automotivo
Películas
Complementos
Concessionária
Modelo
Modelos
Hatch
Utilitários
Leves
Modelos
2020
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos64
Tabela 3.1 – Discrição de Gastos Controláveis e gastos não Controláveis.
Diretoria de Comercialização UnidadeZona Sul
Unidade 
Centro
Unidade
Zona Norte
Total 
Mês 1
Gastos Diretos
Despesas com Pessoal
Encargos Sociais 
Benefícios
Aluguel de Imóveis
Energia Elétrica
Publicidade
10.000,00
6.500,00
3.500,00
3.500,00
650,00
3.000,00
12.000,00
7.800,00
4.200,00
1.200,00
520,00
2.300,00
7.000,00
4.550,00
2.450,00
2.700,00
640,00
7.000,00
29.000,00
18.850,00
10.150,00
7.400,00
1.810,00
12.300,00
Subtotal (Gastos Controláveis) 27.150,00 28.020,00 24.340,00 79.510,00
Gastos Alocados
Administração Central
Processamento de Folha
Propaganda Corporativa
2.500,00
350,00
1.500,00
3.000,00
370,00
1.500,00
2.000,00
250,00
1.500,00
7.500,00
970,00
4.500,00
Subtotal (Gastos não Controláveis) 4.350,00 4.870,00 3.750,00 12.970,00
Total Geral 31.500,00 32.890,00 28.090,00 92.480,00
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 65
3.3 Análise dos Resultados Divisionais
Há inúmeras formas de se avaliar o desempenho de uma pessoa, assim como há 
tantas outras para se avaliar o desempenho das organizações, mas dificilmente iremos 
abrir mão dos resultados econômicos como uma das principais medidas de desempenho 
de qualquer tipo de empresa.
Nas empresas organizadas em divisões, a medição do resultado econômico é um 
dos pontos de maior atenção, pois é através dele que se avaliará a performance de cada 
um dos gestores e de cada divisão. Um erro nesta mensuração pode comprometer o 
resultado de toda a organização.
Da mesma forma, baseadas nos resultados econômicos é que as organizações 
costumam tomar decisões e estabelecer objetivos. Neste ponto, a preocupação é de que o 
resultado reflita adequadamente todos os itens que são objetos de decisão e controle do 
gestor divisional ou de seus subordinados.
Como vimos anteriormente, o resultado divisional pode ser registrado por meio 
da contabilidade, utilizando os centros de responsabilidade ou por centros de resultado 
das unidades de negócio. Para Frezatti et al. (2009), a contabilização por unidades de 
negócio ou áreas de responsabilidade tem por objetivo registrar, também, as operações 
internas realizadas entre as divisões, permitindo apuração dos custos e mensuração do 
resultado das mesmas.
A apuração do resultado pela contabilidade divisional pode trazer vantagens para 
a empresa, conforme destacou Jiambalvo (2009):
a. melhores informações, o que leva a decisões de melhor qualidade; 
b. resposta rápida às mudanças; 
c. maior motivação para os gerentes; 
d. se uma empresa tem uma estratégia de diversificação, a estrutura da divisionalização 
facilita o trabalho de especialistas e peritos de diferentes atividades; 
e. as divisões estarão atentas às pressões para um melhor desempenho competitivo. 
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos66
Jiambalvo (2009) também faz algumas considerações sobre as desvantagens que 
este método de apuração pode causar, sendo que as mais relevantes podem ser resumidas 
da seguinte forma: 
a. a descentralização pode resultar em uma onerosa duplicação de atividades; 
b. unidades organizacionais, que em determinados momentos cooperavam entre si, 
podem passar a competir umas com as outras, com desvantagens gerais para a 
empresa; 
c. inexistência de um sistema completamente satisfatório para assegurar que cada 
centro de lucro, ao melhorar seus próprios lucros, estejam melhorando os lucros 
da empresa; 
d. os gerentes de subunidades podem buscar objetivos pessoais que sejam 
incompatíveis com os objetivos da empresa como um todo.
Além das desvantagens descritas, controlar o resultado dos centros de 
responsabilidade pode acarretar dificuldades na hora de se avaliar as 
operações realizadas entre estes centros, tornando delicada e complexa a 
precificação dos bens e serviços entre as divisões.
DESTAQUE
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 67
3.4 Análise dos Preços de Transferência Interna
A descentralizaçãoe a estruturação das organizações em Centros de 
Responsabilidade trouxeram outros desafios para os sistemas contábeis. A correta alocação 
de receitas e despesas para a apuração dos resultados divisionais, implicam, em muitos 
casos, na determinação de preços de transferência interna de subprodutos, serviços e 
outros insumos que podem ser produzidos em uma divisão em benefício de outra.
Este conceito passou a ser discutido de forma mais profunda a partir dos anos 
1990, momento em que as economias mundiais passaram a se desenvolver de forma 
globalizada. Além do aumento da concorrência, as organizações passaram a ter acesso a 
novas tecnologias e sistemas de informação muito mais sofisticados.
Figura 3.4 – Insumos podem ser utilizados por várias divisões de uma organização.
Fonte: Pixabay (2019).
No princípio, os preços de transferência interna eram definidos com base no 
valor de custo dos produtos, mercadorias e serviços que eram transferidos. Esta técnica 
cumpriu parte dos seus objetivos, mas à medida que os sistemas de informação evoluíram, 
as organizações passaram a adotar métodos que melhor refletissem a real contribuição 
de cada divisão para o resultado global da organização.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos68
Este avanço possibilitou avaliar o resultado de cada centro de responsabilidade 
como se fossem organizações independentes, garantindo que os objetivos operacionais 
e gerenciais fossem atingidos.
3.4.1 Preço de Transferência com Base no Custo
Como já foi dito, este foi o método pioneiro na apuração e apropriação dos 
preços de transferência interna. Por ter sido o primeiro, também é o mais aplicado nos 
sistemas gerenciais, até os dias de hoje. Este método possui algumas desvantagens, mas 
essencialmente reflete adequadamente o quanto custa determinado insumo, sendo que 
alguns autores defendem o método como a melhor forma de se construir vantagens 
em mercados competitivos. Ao transferir os insumos entre as várias divisões de uma 
organização pelo seu preço de custo, nenhum concorrente terá acesso aos mesmos 
insumos por um preço melhor, e isto permite à organização estabelecer preços de venda 
dos produtos acabados, mercadorias e serviços, menores do que seus concorrentes 
diretos.
No entanto, destaca-se que, mesmo sendo o preço de custo um conceito 
relativamente simples de se compreender, temos várias formas de mensuração para estes 
custos e cada uma destas formas pode servir para um objetivo específico da organização.
Tomando por base os custos, as formas mais usuais de se calcular e fixar o preço 
de transferência interna são: o Custo Efetivo ou Real; o Custo Padrão; os Custos Padrão, 
acrescidos de uma Margem de Lucro interna; e o Custo Variável.
3.4.1.1 Custo Efetivo ou Custo Real
Este método de mensuração pressupõe que a determinação do preço de 
transferência interna deve se dar em função dos custos efetivamente incorridos pela 
organização para produzir, comercializar bens ou prestar serviços. Apesar de ser lógico 
e baseado em dados contábeis da própria organização, este método sofre críticas de 
Existem vários métodos para o cálculo do preço de transferência a ser 
praticado entre as divisões, sendo que o método mais antigo é o preço de 
transferência com base no custo efetivo.
DESTAQUE
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 69
muitos especialistas, por não avaliar corretamente os gestores, principalmente quando 
há ineficiências em etapas anteriores da cadeia de produção. Ao transferir os insumos 
pelos seus custos efetivos, a organização pode ser prejudicada no mercado, justamente 
pelas ineficiências não eliminadas.
3.4.1.2 Custo Padrão
O Custo Padrão sofre menos críticas do que o Custo Real do ponto de vista de gestão, 
porém, pode conter os mesmos riscos. Se os padrões forem construídos buscando estabelecer 
custos realistas, competitivos e aceitos pelas divisões que irão consumir estes insumos, 
este pode ser um método bastante eficiente de mensuração dos resultados divisionais. 
Por outro lado, se o custo padrão for ajustado constantemente, isto pode dificultar a sua 
administração, como também pode desincentivar o centro de responsabilidade vendedor 
em melhorar a sua própria eficiência ou os seus custos. A instabilidade na apuração dos 
resultados divisionais dificulta a identificação dos pontos de melhoria e o acompanhamento 
dos respectivos planos de ação.
3.4.1.3 Custo Padrão Acrescido de uma Margem de Lucro
O Custo Padrão acrescido de uma Margem de Lucro representa uma variação 
do método baseado no custo padrão, pois ao acrescentar a margem de lucro desejada 
(markup) sobre o custo-base ele representa mais uma tentativa de aproximação ao preço 
de mercado, sem as dificuldades de se fazer levantamentos constantes de preço.
A fixação de um preço de transferência a partir de um custo padrão acrescido de 
uma margem tem a vantagem de propiciar um espírito mais empresarial entre os centros 
de responsabilidade, fornecedores e os centros de responsabilidade clientes, mesmo que 
ainda seja uma aproximação da realidade.
A respeito da impropriedade desse tipo de preço de transferência, Padoveze 
(1993) argumentou que transferir ao custo efetivo pode ser um critério, mas 
é o menos recomendado, tendo em vista que a unidade pode praticar custos 
maiores ou indevidos, comprometendo, com esta ineficiência, todos os 
resultados das demais divisões em favor do seu próprio resultado.
DESTAQUE
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos70
Sendo um método de aproximação, a sua aplicação também sofre críticas pela 
dificuldade de se estabelecer o valor mais adequado para esta margem de lucro. Padoveze 
(1993), de outra parte, afirmou que este método busca aspectos adicionais de motivação 
entre os centros de responsabilidade, pois a incorporação de uma margem de lucro ao 
custo, acrescenta o aspecto motivacional que falta aos métodos do Custo Padrão e do 
Custo Real. Com este mecanismo o que se busca é o incentivo para que a unidade 
transferidora tenha a margem padrão de lucro como resultado global da companhia.
3.4.1.4 Custo Variável
No contexto de preço de transferência, os Custos Variáveis são, às vezes, usados 
como sinônimos de custos incrementais ou marginais. Os custos marginais são os custos 
de alternativas diferentes, associados com um adicional da unidade de produção. 
Em outras palavras, há um montante de gastos que independem do volume 
que venha a ser produzido. Mesmo que a empresa paralise as suas atividades por um 
determinado período de tempo, estes gastos permanecerão, assim como, se a empresa 
dobrar a intensidade de seu ritmo normal de produção, estes gastos permanecerão 
inalterados. Alguns autores defendem a linha de que estes gastos não sejam alocados 
ao longo da cadeia de produção, permanecendo em seus centros de responsabilidade 
de origem. Por outro lado, todos os gastos que tenham relação direta com os níveis de 
produção da empresa, maior ou menor, passariam a compor os Preços de Transferência 
destes insumos.
3.4.2 Preço de Transferência com Base no Preço de Mercado
Além dos Preços de Transferência baseados em custo, é bastante usual termos 
sistemas de Contabilidade Gerencial baseados em pesquisas de mercado. São métodos 
mais trabalhosos e que, às vezes, são de difícil aplicação, principalmente quando se 
Esta é uma forma de se eliminar a alocação de ineficiências ao longo da 
cadeia de produção, mantendo os gastos fixos sob a responsabilidade dos 
gerentes que os controlam.
DESTAQUE
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 71
está procurando um insumo muito específico ou que não se tenha uma referência clara 
de equivalência técnica. Mesmo assim, os preços de mercado são uma medida bastante 
justa para se avaliar o desempenho de gestores.
Nessa forma de se apurar os preços de transferência interna, o ponto de partida é 
o conceito amplamente aceito que é o mercado quemdetermina o quanto está disposto a 
pagar por aquele produto, mercadoria ou serviço. É exatamente por isto que o método é 
o mais recomendado por muitos autores.
O preço de mercado fornece uma estimativa independente do valor do produto ou 
serviço transferido internamente, permitindo apurar de forma mais realista, como cada 
centro de responsabilidade contribui para a formação do lucro total de uma empresa.
Sob a ótica dos centros de responsabilidade, a unidade que fornece determinado 
insumo internamente, estaria deixando de ter a oportunidade de vender para o mercado 
externo e, por isto, deve ser remunerada adequadamente pela unidade que está recebendo 
este mesmo insumo.
3.4.2.1 Transferências pelo Preço Negociado
É uma variação mais elaborada das transferências pelo preço de mercado. Por esse 
modelo, as unidades podem pesquisar no mercado o preço do insumo, produto ou serviço 
em questão e compará-lo com os preços internos, ou seja, a unidade consumidora tem 
liberdade para decidir entre a compra do material no mercado ou da unidade fornecedora.
O intuito aqui não é forçar a compra de insumos no mercado se há disponibilidade 
interna, mas propiciar que a unidade consumidora tenha os mecanismos necessários 
para negociar e chegar, em comum acordo, sobre o preço de transferência a ser utilizado.
Este mecanismo força a busca de eficiência e, em determinadas situações, alguns 
custos de expedição ou de comercialização podem ser evitados pela divisão fornecedora, 
o que aumenta a sua competitividade em relação aos demais concorrentes externos. 
Essas economias são, geralmente, deduzidas quando se acerta o preço de transferência.
Como já ocorre em outros métodos, na ausência de preços de mercado, algumas 
empresas permitem às unidades envolvidas na compra e venda dos insumos, produtos 
ou serviços, negociar livremente os preços de transferência. Entretanto, o preço de 
transferência negociado e as decisões de produção podem refletir as habilidades 
relativas da negociação de ambas as partes, ao invés das considerações econômicas 
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos72
envolvidas. Considerando que há este risco, cabe a alta administração estar atenta a 
eventuais distorções, garantindo que os preços de transferência reflitam adequadamente 
a lucratividade das unidades envolvidas e, sobretudo, a obtenção de um melhor resultado 
consolidado para a organização.
A prática de se negociar os preços de transferência entre unidades é muito comum 
em grandes conglomerados. Para que este mecanismo funcione de forma satisfatória, as 
divisões devem conhecer as regras básicas estabelecidas para estas negociações. Assim, 
os preços de transferência não precisam ser fixados pela administração central. 
Uma das razões para que as unidades tenham autonomia de negociação é que 
a principal função do gerenciamento de linha é justamente estabelecer os preços de 
venda e realizar compras pelo menor custo possível. Outra razão é o fato de que são as 
divisões, ou unidades de negócio, que possuem as melhores informações a respeito do 
mercado e dos custos, estando, assim, mais capacitadas para alcançar preços razoáveis.
3.4.3 Diferença Entre os Métodos de Custos e de Mercado
Para que possamos entender de uma forma mais objetiva as diferenças entre os 
dois caminhos utilizados para a definição dos preços de transferência, vamos tomar 
como exemplo hipotético, uma empresa que esteja organizada em três divisões:
1. Uma unidade Produtora;
2. Uma unidade Montadora;
3. Uma unidade Distribuidora;
A unidade Produtora adquire as matérias-primas e componentes do mercado, 
processa e transfere os itens na forma de Kits denominados A, B, C e D, para a unidade 
Montadora.
Contudo, mesmo que o objetivo seja se chegar a um consenso sobre os 
preços de transferência, impasses podem vir a existir. Esses desacordos 
devem ser evitados ao máximo, pois, normalmente, tomam muito tempo das 
gerências e dos executivos envolvidos na sua solução.
DESTAQUE
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 73
A unidade Montadora recebe estes Kits, os monta e transfere os produtos acabados 
para a unidade Distribuidora, a qual os vende e entrega aos clientes finais.
Neste exemplo numérico, vamos adotar o método do preço de transferência com 
base nos Custos Efetivos (ou Custo Real) na primeira construção. Logo em seguida, 
vamos analisar a mesma situação pelo método do preço de transferência com base nos 
Preços de Mercado, para podermos analisar as suas vantagens e desvantagens, logo a 
seguir.
Os resultados e as diferenças que serão apresentados neste exemplo bastante 
simples, irão se repetir para os demais métodos, considerando apenas as suas 
particularidades de vantagens e desvantagens.
3.4.3.1 Método de Preço de Transferência pelo Custo Efetivo (ou Custo Real) 
Como já vimos, neste método os produtos e serviços são transferidos pelo valor 
dos custos reais incorridos em cada processo de produção, conforme demonstrado nas 
tabelas a seguir.
A Tabela 3.2 apresenta os custos incorridos na Unidade Produtora para produzir 
os Kits A, B, C e D, transferindo a totalidade dos Kits produzidos para a Unidade 
Montadora, pelo seu Custo Real de produção.
Tabela 3.2 – Custos da Unidade Produtora.
Unidade Produtora Custos dosComponentes
Custo Adic.
na Produção
Custo Real 
de Produção
Kit A
Kit B
Kit C
Kit D
5.020,00
5.484,00
1.050,00
1.272,00
250,00
646,00
170,00
208,00
5.270,00
6.130,00
1.220,00
1.480,00
Custo Total 12.826,00 1.274,00 14.100,00
Preço de Transferência - 14.100,00
Resultado da Unidade Produtora -
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos74
Recebidos os Kits na Unidade Montadora, cabe a esta montá-los e agregar os seus 
próprios custos, conforme demonstrado na Tabela 3.3.
A última etapa desta cadeia simplificada de produção e vendas, é a recepção dos 
Kits na Unidade Distribuidora e a sua venda para os clientes finais, o que faremos pela 
totalidade dos itens disponíveis para simplificação do exemplo numérico.
Agora considere que em nosso exemplo hipotético, a empresa esteja sujeita a 
impostos incidentes sobre as vendas de aproximadamente 27% e que deseje uma margem 
de lucro bruta de 60% sobre o preço de custo dos Kits produzidos. 
Tabela 3.3 – Custos da Unidade Montadora.
Unidade Montadora Custos dosKits
Custo Adic.
na Montagem
Custo Real 
de Produção
Kit A
Kit B
Kit C
Kit D
5.270,00
6.130,00
1.220,00
1.480,00
680,00
1.940,00
94,00
186,00
5.950,00
8.070,00
1.314,00
1.666,00
Custo Total 14.100,00 2.900,00 17.000,00
Preço de Transferência - 17.000,00
Resultado da Unidade Montadora -
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Tabela 3.4 – Custos da Unidade Distribuidora.
Unidade Distribuidora Custos dosKits
Custo Adic.
na Distribuição
Custo Real 
de Produção
Kit A
Kit B
Kit C
Kit D
5.950,00
8.070,00
1.314,00
1.666,00
800,00
2.100,00
120,00
240,00
6.750,00
10.170,00
1.434,00
1.906,00
Custo Total 17.000,00 3.260,00 20.260,00
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 75
Neste cenário o preço de venda de cada Kit seria precificado conforme demonstrado 
na Tabela 3.5, a seguir.
Neste momento, não se preocupe com a metodologia de cálculo do preço de 
venda. Vamos abordar este tema na Unidade 4 do e-book. Apenas observe a lógica da 
sua formação.
Por último, considere que a empresa tenha despesas administrativas de 5% e 
despesas comerciais de 12%, ambos em relação a Receita Líquida consolidada.
Neste cenário, a demonstração dos resultados divisionais teria a forma 
demonstrada na Tabela 3.6.
Tabela 3.5 – Preço de Venda dos KIts pela Unidade Distribuidora.
Unidade Distribuidora Custos Real de Kits
Margem de 
Lucro s/ Custo
Mark UP dos
Impostos
Preço de
Venda
Kit A
Kit B
Kit C
Kit D
5.950,00
8.070,00
1.314,00
1.666,00
800,00
2.100,00
120,00
240,00
6.750,00
10.170,00
1.434,00
1.906,00
15.410,96
23.219,183.273,97
4.351,60
Custo Total 20.260,00 13.506,67 12.489,04 46.255,71
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Tabela 3.6 – Resultados Divisionais apurados pelo Método do Custo Real.
Demonstração do
Resultado Divisional
Unidade
Produtora
Unidade de
Montadora
Unidadede 
Distribuidora
Resultado
Consolidado
Análise
vertical
Receita Bruta das Vendas
(-) Imposto S/ Vendas
-
-
-
- -
46.255,71
12.489,04 -
46.255,71
12.489,04
137,0%
-37,0%
Receita Líquida das Vendas - - 33.766,67 33.766,67 100,0%
(-) Custo das Vendas - - 20.260,00 - 20.260,00 -60,0%
Lucro Bruto - - 13.506,67 13.506,67 40,0%
(+) Preço de Transf Interna 14.100,00 17.000,00 - 31,100,00 92,1%
(-) Custo de Transf Interna - 14.100,00 - 17.000,00 - - 31.100,00 -92,1%
(-) Despesas Administrativas - - - 1.688,33 - 1.688,33 -5,0%
(-) Despesas Comerciais - - - 4.052,00 - 4.052,00 -12,0%
Lucro Líquido Antes do IR/CS - - 7.766,33 7.766,33 23,0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos76
Veja que ao transferir os insumos pelos seus exatos preços de custo, as unidades 
que formam as primeiras etapas não possuem resultados financeiros. Suas receitas e seus 
custos se equivalem e se anulam. Com isto, somente a Unidade Distribuidora é capaz de 
apresentar resultados, sejam eles positivos ou negativos, dando a falsa impressão de que 
é a única Unidade capaz de contribuir para o resultado da companhia.
Do ponto de vista contábil, este é o método de alocação que melhor representa 
os custos de transferência e por isto mesmo, é o mais adotado pelos profissionais da 
contabilidade. Porém, do ponto de vista gerencial, há uma deficiência importante no 
método. Ao não alocar os preços de transferência por seus equivalentes de mercado, 
os gerentes das Unidades Produtora e Montadora não possuem medidas financeiras de 
avaliação do seu desempenho e podem não buscar resultados superiores, justamente por 
não serem medidos no processo de apuração dos resultados divisionais.
3.4.3.2 Método de Preço de Transferência pelo Preço de Mercado
Agora consideremos o mesmo exemplo hipotético, tomando por base o critério de 
Preços de Transferência com base no Preço de Mercado. Nesta hipótese, vamos admitir 
que os Kits A, B, C e D possam ser comprados livremente pelas Unidades e que haja 
disponibilidade no mercado, em volume suficiente para suprir as necessidades de 
produção da empresa.
Veja que neste método, se desconsiderados os efeitos tributários, já é possível 
apurar resultados na Unidade Produtora que, neste exemplo hipotético, é positivo. Em 
Tabela 3.7 – Custos, Preços de Mercado e Resultados da Unidade Produtora.
Unidade
Produtora
Custo dos
Componentes
Custo Adic
na Produção
Custo Real
de Produção
Preço de Venda 
Mercado
Kit A
Kit B
Kit C
Kit D
5.020,00
5.484,00
1.050,00
1.272,00
250,00
646,00
170,00
208,00
5.270,00
6.130,00
1.220,00
1.780,00
7.560,00
8.842,50
1.919,25
2.040,75
Custo Total 12.826,00 1.274,00 14.100,00 20.362,50
Preço de Tranferência 20.362.50
Resultado da Unidade Produtora (Antes dos Efeitos Tributários) 6.262,50
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 77
condições normais de mercado, as Unidades sempre buscarão ter custos menores do que 
os preços praticados na comercialização dos insumos que vier a produzir, e esta meta 
deve ser bem ajustada para que a empresa possa auferir o maior ganho possível, sem 
prejudicar a qualidade dos bens e serviços que venha a produzir.
Outro aspecto importante a considerar é que, ao adotar o método de Preços de 
Transferência pelo Preço de Mercado, a Unidade Produtora irá reter o seu próprio 
resultado, transferindo os Kits para a Unidade Montadora por seu preço de livre 
negociação.
Da mesma forma como acontece com a Unidade Produtora, ao se adotar os Preços 
de Mercado para avaliar os preços de transferência, a Unidade Montadora passa a ter 
resultados financeiros mensuráveis e o desempenho dos seus gerentes pode ser medido. 
Por fim, chegamos aos custos da Unidade Distribuidora, a qual recebe os Kits por 
seu preço de mercado e agrega os seus próprios custos, mantidos sem alteração para fins 
deste exercício.
Tabela 3.8 - Custos, Preços de Mercado e Resultados da Unidade Montadora.
Unidade
Montadora Preço de Mercado
Custo Adic
na Montagem
Custo Total de 
Montagem
Preço de Venda 
Mercado
Kit A
Kit B
Kit C
Kit D
7.560,00
8.842,50
1.919,25
2.040,75
680,00
1.940,00
94,00
186,00
8.240,00
10.782,50
2.013,25
2.226,75
9.292,50
12.150,00
2.803,50
3.069,00
Custo Total 20.362,50 2.900,00 23.262,50 27.315,00
Preço de Tranferência 27.315,00
Resultado da Unidade Produtora (Antes dos Efeitos Tributários) 4.052,50
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos78
Mantendo-se as demais condições do exemplo inalteradas, os resultados 
divisionais deste exemplo hipotético passam a ser os seguintes:
Aqui, na tabela anterior, temos materializado o principal ponto de divergência 
entre os especialistas no tema. Ao se adotar os Preços de Mercado para os Preços de 
Transferência, as empresas podem perder competitividade. Veja que ao transferir os 
insumos pelos seus custos reais (situação inicial do nosso exemplo hipotético), a empresa 
chegava a última etapa de comercialização com uma receita bruta de R$ 46.255,71 e uma 
margem bruta das vendas de 40%, conforme estabelecido pela empresa.
Tabela 3.9 - Custos da Unidade Distribuidora pelo Método do Preço de Mercado.
Unidade
Distribuidora Custo dos Kits
Custo Adic na 
Distribuição
Custo Total de 
Produção
Kit A
Kit B
Kit C
Kit D
9.292,50
12.150,00
2.803,50
3.069,00
800,00
2.100,00
120,00
240,00
10.092,50
14.250,00
2.923,50
3.309,00
Custo Total 27.315,00 3.260,00 30.575,00
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Tabela 3.10 - Resultados Divisionais apurados pelo Método do Preço de Mercado
Demonstração do Resultado 
Divisional
Unidade de
Produtora
Unidade de
Montadora
Unidade de
Distribuidora
Resultado 
Consolidado
Análise 
Vertical
Receita Bruta das Vendas - - 69.805,94 69.805,94 137,0%
(-) Impostos S/ Vendas - - 18.847,60 18.847,60 -37,0%
Receita Líquida das Vendas - - 50.958,33 50.958,33 100,0%
(-) Custos das Vendas - - 30.575,00 30.575,00 -60,0%
Lucro Bruto - - 20.383,33 20.383,33 40,0%
(+) Preço de Trans Interna
(-) Custo de Transf Interna
(-) Despesas Administrativas
(-)Despesas Comerciais
20.362,50
14.100,00
-
-
27.315,00
23.262,50
-
-
-
-
2.547,92
9.115,00
47.677,50
37.362,50
2.547,92
6.115,00
93,6%
-73,3%
-5,0%
-12,0%
Lucro Líquido Antes do IR/CS 6.262,50 4.052,50 11.720,42 22.035,42 43,2%
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 79
Já ao adotar o método dos Preços de Mercado para o custeio das transferências 
internas, a empresa precisará comercializar os mesmos produtos de tal forma que a 
Receita Bruta atinja o valor de R$ 69.805,94, para que a empresa cumpra o mesmo 
critério de obter uma margem bruta na Unidade Distribuidora de 40% sobre o valor 
líquido das vendas.
Apesar de, em uma primeira análise, termos um Lucro Líquido superior neste 
segundo cenário, a formação do preço de venda nesta situação de transferência dos 
custos à preços de mercado, pode inviabilizar a comercialização do mesmo volume e do 
mesmo mix de produtos.
Veja que a empresa já alcançava um Lucro Líquido de 23% sobre as vendas líquidas 
e, ao precificar seus produtos por este novo método, passa a almejar um Lucro Líquido 
de 43,2% sobre a nova receita líquida. Caso os concorrentes tenham uma situação de 
custos mais atrativa, a empresa pode ter dificuldade em manter os mesmos volumes de 
venda, cobrir seus custos operacionais e se manter competitiva no mercado onde esteja 
atuando.
Este tipo de situação, apesar de formada a partir de um exemplo hipotético, é 
bastante comum e requer muita atenção dos administradores. Se, por um lado temos 
mecanismos gerenciais maisapurados quando utilizamos o preço de mercado na tarefa 
de avaliar os gerentes divisionais, por outro, corremos riscos de superavaliar o preço de 
venda do produto final utilizando este mesmo critério.
Nesta Unidade abordamos as questões relacionadas aos preços de 
transferência interna sob a ótica do controle gerencial, porém é importante 
que o aluno saiba que estes mecanismos podem ter efeitos tributários, 
principalmente quando se trata de transferência de insumos entre países.
Desde 1º de janeiro de 1997, está em vigor a Lei n. 9.430/96, de 27 de 
dezembro de 1996, que trata do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. 
A seção V desta mesma Lei trata das regras tributárias aplicáveis aos preços 
de transferência, nas operações de importação e exportação que envolvam 
subsidiárias de empresas brasileiras. Desde esta data, o Brasil passou a fazer 
parte do rol dos países que controlam os preços nas operações de importação 
e exportação de bens e serviços, entre empresas do mesmo grupo econômico.
As instruções normativas que regulamentam o assunto do ponto de vista 
fiscal, podem ser acessadas no Site da Secretaria da Receita Federal: 
http://gg.gg/fqvc5.
SAIBA MAIS
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos80
SÍNTESE DA UNIDADE
Nesta Unidade, você conheceu um pouco mais sobre os mecanismos de 
centralização e descentralização dos modelos de gestão. 
O avanço dos sistemas informatizados, permitiu a proposição de métodos de 
mensuração de resultados bastante adaptados à proposição estratégica de cada empresa. 
Uma das formas bastante usual é a contabilização dos gastos, organizados por Centros 
de Responsabilidade, os quais podem ter relação direta, ou não, com os departamentos 
de uma determinada organização.
São variações dos Centros de Responsabilidade:
• Os Centros de Custos;
• Os Centros de Lucro; e
• Os Centros de Investimento.
Além da organização dos gastos em unidades de responsabilidade, as companhias 
necessitam de ferramentas para apurar os resultados divisionais, com o objetivo principal 
de cobrar dos seus gerentes, níveis superiores de desempenho. É neste ponto que surge 
a discussão sobre os preços de transferência interna. Nesta Unidade, vimos algumas de 
suas características, sendo que as principais técnicas se dividem em dois grandes grupos:
• Os preços de transferência baseados em custo; 
• Os preços de transferência baseados no preço de mercado.
Há uma grande variedade de métodos para a alocação dos preços de transferência 
baseados em custo, sendo que nesta unidade nos concentramos nas técnicas do:
• Custo Efetivo;
• Custo Padrão;
• Custo Padrão acrescido de uma Margem de Lucro; e o
• Custo Variável.
Por fim, exploramos um pequeno exemplo numérico sobre a diferença entre as 
duas técnicas, alertando para os cuidados que devem ser tomados do ponto de vista 
gerencial ao se adotar um dos dois caminhos.
Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 81
REFERÊNCIAS
FREZATTI, F.; ROCHA, W.; NASCIMENTO, A. R.; JUNQUEIRA, E. R. Controle gerencial: 
uma abordagem da contabilidade gerencial no contexto econômico, comportamental e 
sociológico. São Paulo: Atlas, 2009.
HORNGREN, C. T.; FOSTER, G.; DATAR, S. M. Contabilidade de custos. Rio de Janeiro: 
LTC, 2000. 
HORNGREN, C. T.; SUNDEM, G. L.; STRATTON, W. Contabilidade gerencial. 12. Ed. São 
Paulo: Pearson, 2004.
JIAMBALVO, J. Contabilidade Gerencial. Rio de Janeiro: LTC, 2009.
MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 9. Ed. São Paulo: Atlas, 2003.
PADOVEZE, C. L. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. 
São Paulo: Atlas, 1993.
Decisões Estratégicas na Contabilidade
Prezado estudante,
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram 
organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo 
completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e 
tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos 
propostos para essa disciplina.
OBJETIVO GERAL 
Desenvolver o aprendizado do aluno sobre os custos envolvidos nas operações 
gerenciais, que podem afetar nas decisões estratégicas das empresas.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
• Compreender as decisões baseadas em custos de lançamento ou de exclusão de 
produto;
• Entender os custos envolvidos nas atividades não rotineiras;
• Assimilar o processo de formação do preço de venda de um produto e/ou serviço 
de uma empresa.
QUESTÕES CONTEXTUAIS
1. De que forma a Contabilidade de Custos deve apoiar o processo de tomada de 
decisão das empresas?
2. O que são gastos, custos, despesas, perdas, desperdícios e investimentos?
3. Como as técnicas de mensuração e de apropriação de custos podem interferir 
nas decisões de lançamento ou exclusão de um produto?
4. Como se dá o processo de formação do preço de venda de um produto ou 
serviços de uma empresa?
unidade 
4
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos84
4.1 A Abordagem de Custos no Processo Decisório 
das Empresas
Como já vimos nas Unidades anteriores, a evolução dos sistemas informatizados 
possibilitou o avanço das técnicas de administração e as informações de custos também 
passaram a apoiar os gestores em suas funções de planejamento, controle e tomada de 
decisões. A Contabilidade de Custos também passou a se dedicar à análise e interpretação 
das informações quantitativas, e mais recentemente, com o desenvolvimento da pesquisa 
operacional e do emprego de técnicas estatísticas mais sofisticadas, tem contribuído 
para que as informações sejam prestadas mais rapidamente e para que problemas antes 
considerados, de certo modo, difíceis sejam mais facilmente resolvidos.
Figura 4.1 – A Contabilidade de Custos como ferramenta de planejamento, 
controle e de apoio ao processo de tomada de decisões.
Fonte: Freepik (2019).
Em resumo, observamos que a Contabilidade de Custos nasceu da Contabilidade 
Financeira na época da Revolução Industrial, e a sua principal função naquela época era 
a de registrar os custos que permitiam avaliar os inventários e não a de fazer dela um 
instrumento da administração. Esta visão ainda está presente em boa parte das empresas 
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 85
ao redor do mundo e limita a utilização da contabilidade de custos como ferramenta de 
apoio ao processo de gestão, mas aos poucos podemos identificar que o seu potencial 
vai se somando aos conceitos de administração. A contabilidade gerencial vai ganhando 
espaço no ambiente empresarial.
Nesta Unidade, vamos explorar um pouco mais da Contabilidade de Custos com 
foco no processo decisório, mas antes é necessário relembrar alguns termos e conceitos 
mais elementares.
4.1.1 Terminologias Utilizadas na Contabilidade de Custos
Inicialmente, algumas confusões não podem ser feitas com os termos utilizados 
pela contabilidade para identificar as parcelas que compõem os desembolsos e provisões 
de um determinado período. Neste processo de registro é comum utilizar termos como: 
gastos, custos, despesas, perdas e investimentos.
4.1.1.1 Gastos
Na terminologia contábil, gastos são quaisquer consumo de bens ou serviços, 
independentemente de sua função ou destinação. Oliveira e Perez Junior. (2000, p. 30) 
afirmam que “os gastos ocorrem a todo momento e em qualquer setor de uma empresa, 
seja ela comercial, seja industrial, seja prestadora de serviços”. 
É comum confundir os gastos com desembolsos. São termos e conceitos distintos. 
O que é gasto? São os recursos financeiros, dinheiro, para adquirir os bens e serviços. 
Em outras palavras, os gastos são os bens e serviços que serão consumidos, e que foram 
obtidos por um desembolso passado, presente ou futuro.
Martins (2003, p. 24) ressalta que “o termo gasto, representa um conceito bastante 
amplo e que se aplica a todos os bens e serviços adquiridos”. Assim podemos ter gastos 
com matérias-primas, gastos com comissões,gastos com energia elétrica e assim por 
diante.
A partir do entendimento do que são gastos, surge a necessidade de começar 
a qualificar um pouco mais o consumo destes recursos e, partindo do conceito mais 
amplo, observa-se que os gastos podem assumir a forma de custos, despesas, perdas, 
desperdícios ou investimentos.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos86
4.1.1.2 Custos
Ao qualificar os gastos por sua natureza de consumo, nota-se que os custos são 
“todos os gastos relativos aos bens e serviços (recursos) consumidos na produção de 
outros bens”. (OLIVEIRA; PEREZ JUNIOR., 2000, p. 30). O mesmo conceito se aplica 
à prestação de serviços, ou seja, todo o bem ou serviço consumido para a prestação 
de outros serviços, serão classificados pela contabilidade de custos como custos dos 
serviços prestados.
São exemplos bastante comuns de gastos classificados como custos, as matérias-
primas consumidas no processo de produção, as embalagens dos produtos prontos, 
a mão de obra aplicada diretamente na produção de bens e serviços, salários de gerentes 
e supervisores de produção, energia elétrica consumida no processo produtivo e assim 
por diante.
De acordo com a NBCTG16 (R2) Estoques, de 22/12/2017, do Conselho 
Federal de Contabilidade - CFC, “[...] o valor de custo do estoque deve incluir 
todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos 
incorridos para trazer os estoques a sua condição e localização atuais”. 
(CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2017, p. 3). 
A mesma norma detalha ainda as parcelas que devem compor os Custos de 
Aquisição dos Estoques e os Custos de Transformação dos Estoques. 
Saíba mais sobre a NBCTG16 (R2) acessando o link: http://gg.gg/fwywf.
SAIBA MAIS
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 87
4.1.1.3 Despesas
Enquanto os custos estão associados à produção de bens e serviços, as despesas 
são gastos consumidos nas atividades de geração de receitas, administração e manutenção 
dos negócios da empresa.
4.1.1.4 Perdas
Apesar de serem comuns, porém indesejáveis, as perdas são gastos involuntários 
ou anormais, que não geram novos produtos ou serviços.
As perdas, especificamente, podem ocorrer por consequência dos projetos de 
produção, mesmo que não tenham ocorrido falhas ou erros ao longo do processo produtivo. 
São exemplos de perdas involuntárias, as aparas resultantes do processo de corte de 
tecidos, chapas metálicas e outras matérias-primas que dependem deste processo para 
se incorporar ao produto pronto e que dificilmente se chegará a um aproveitamento de 
100% da matéria-prima utilizada. Outro exemplo típico de perda é a evaporação normal 
de insumos utilizados em sua forma líquida, tais como: tintas, vernizes e solventes.
Mesmo que sejam normais e previsíveis, estes componentes de perda devem 
ser medidos e informados pela Contabilidade de Custos, para que a gerência busque, 
de forma constante e permanente, a sua otimização. Novos projetos, equipamentos e 
processos de produção podem obter reduções neste tipo de gasto indesejável, o que 
naturalmente irá melhorar a eficiência e a competitividade da empresa.
Agora, é importante que o aluno observe que, muitas vezes, as perdas são 
incorporadas ao custo de produção por sua baixa relevância em relação ao custo total. 
Não se pode condenar este tipo de simplificação, mas ao fazê-lo, a empresa pode estar 
perdendo a oportunidade de melhorar o seu próprio desempenho. Outro erro comum é 
classificar como custos, os gastos com mão de obra em períodos de greve. Da mesma 
forma, é incorreto classificar como custo, as perdas decorrentes de falhas anormais de 
“Resumidamente, despesas são gastos ocorridos nas áreas administrativas, 
financeiras e comerciais, ou seja, fora da fábrica, com o objetivo de gerar 
receitas ou manter a atividade geradora de receitas”. (OLIVEIRA; PEREZ JR., 
2000, p. 33).
DESTAQUE
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos88
máquinas e outros dispositivos. Estes gastos são perdas do período e que assim devem 
ser comunicadas para a administração, pois dependem de ações imediatas e decisões 
específicas para a sua solução.
4.1.1.5 Desperdícios
Na mesma linha dos gastos indesejáveis, temos os desperdícios. Diferentemente 
das perdas, os desperdícios são os “gastos incorridos no processo produtivo ou de geração 
de receitas e que possam ser eliminados sem prejuízo da qualidade ou da quantidade de 
bens, serviços ou receitas geradas”. (OLIVEIRA; PEREZ JUNIOR., 2000, p. 36).
Aqui temos um dos principais fatores de perda de competitividade das empresas. 
No momento econômico contemporâneo, manter desperdícios é sinônimo de obter 
prejuízos como resultado. Quando se atua em mercados competitivos, dificilmente a 
empresa poderá repassar para os preços de venda os desperdícios que vierem a ocorrer 
em seu próprio processo de produção. São exemplos comuns de desperdícios os gastos 
com estoques excessivos, bem como movimentações desnecessárias destes estoques, 
retrabalho decorrentes de defeitos de fabricação, relatórios gerenciais produzidos sem 
qualquer finalidade e/ou gerados com atrasos que inviabilizam a sua utilização, excesso 
de cargos de gestão e supervisão e assim por diante. 
No vídeo disponível pelo link 
http://gg.gg/fwywz, você poderá 
conhecer um pouco mais das 
iniciativas do sistema SESI/SENAI 
na preparação e desafios da 
indústria no contexto dos projetos 
da Indústria 4.0. No bate-papo, 
Marcelo Prim, Gerente Executivo 
de Inovação e Tecnologia, e Felipe 
Morgado, Gerente-executivo de Educação Profissional e Tecnológica do 
SENAI, falam sobre o programa SENAI 4.0, que desenvolve projetos, ações 
e soluções decisivos para a competitividade das empresas brasileiras.
VÍDEO
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 89
4.1.1.6 Investimentos
Por fim, temos os investimentos, que diferenciam-se dos custos e despesas 
unicamente pela sua vida útil ou utilização no processo produtivo em momento futuro 
ao período de apuração considerado no processo de contabilização dos gastos.
Martins (2003, p. 25) diz que “todos os gastos que são estocados nos Ativos 
da empresa para baixa ou amortização quando de sua venda, de seu consumo, de 
seu desaparecimento ou de sua desvalorização são especificamente chamados de 
investimentos”.
Portanto, os investimentos podem ser de naturezas diversas e o seu conceito 
vai um pouco além do que normalmente identificamos como ativos imobilizados. 
As matérias-primas, por exemplo, são gastos temporariamente classificadas como 
investimentos do circulante, no caso, estoques. As ações adquiridas de outras empresas 
também podem ser investimentos circulantes, se destinadas à venda em um curto 
espaço de tempo, ou permanentes se a intenção for a participação de longo prazo no 
capital social da empresa adquirida.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos90
4.2 Classificação dos Custos
Outro aspecto bastante relevante para o tratamento dos custos na contabilidade 
gerencial é entender como estes custos se comportam e como podem ser associados aos 
produtos ou serviços produzidos em determinado período. 
Quanto ao seu objetivo, por exemplo, podemos classificar os custos em Custos 
Diretos e Custos Indiretos. Esta é uma classificação de extrema importância e que 
depende de uma análise criteriosa e detalhada de cada unidade de custo que se observe 
em um produto ou serviço. Os custos diretos são aqueles que se pode identificar de forma 
clara e que podem ser apropriados de forma direta ao produto ou serviço que se esteja 
analisando. Já os custos indiretos são aqueles em que esta identificação não épossível 
e que dependem de outros métodos de alocação, tais como os tradicionais rateios ou os 
métodos mais sofisticados, como a alocação por direcionadores de custos. 
Além do agrupamento dos custos diretos e indiretos, podemos classificar os 
mesmos custos em fixos ou variáveis,e aqui temos outra variável de extrema utilidade 
para a Contabilidade Gerencial. Muitas vezes, as empresas se deparam com a necessidade 
de decidir pela manutenção de um determinado produto ou a sua exclusão do seu 
portfólio,e nesta situação um dos elementos a se verificar é justamente o montante de 
custos fixos que o produto sob análise esteja absorvendo. Veremos estes aspectos um 
pouco mais adiante, ainda nesta Unidade.
Os custos fixos são todos os custos que existirão mesmo que a empresa não 
produza uma única peça ou serviço. Apesar de sua natureza estar relacionada a 
produção de bens ou serviços, os custos fixos não dependem da existência de atividade 
operacional. A obsolescência de máquinas, o aluguel do prédio de uma unidade fabril 
e os custos de pessoal relacionados à estrutura de gestão da fábrica, são exemplos 
clássicos de custos fixos.
Portfólio - substantivo masculino que indica o agrupamento, ou listagem, 
dos produtos ou serviços oferecidos por uma empresa, para divulgação. 
Também pode se referir ao conjunto de trabalhos de um artista para 
divulgação, uma pasta, ou a carteira de ações de um investidor (economia). 
São sinônimos de portfólio: pasta, carteira.
GLOSSÁRIO
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 91
Os custos variáveis, por sua vez, são aqueles que mudam “em proporção direta às 
mudanças no nível do direcionador de custos”. (HORNGREN, 2004, p. 37). Mas o que 
são direcionadores de custos?
4.2.1 Direcionadores de Custos
Nas atividades do dia a dia, os gestores são solicitados a focar todos os seus 
esforços para coordenar e controlar as atividades de fabricar produtos ou serviços, 
dedicando menos atenção para os produtos e serviços em si. Um gestor de fábrica 
precisa saber como as atividades rotineiras, tais como a manutenção e as falhas de uma 
máquina, podem afetar os custos, assim como associá-los com as atividades de produção 
é essencial para poder ter controle sobre eles.
Uma das formas de tornar possível o controle dos custos é identificar, em primeiro 
lugar, as atividades de uma organização e na sequência, determinar as medidas que melhor 
as representam. Para Horngren (2004, p. 36), “qualquer medida de produção que gera custos 
(isto é, causa o consumo de recursos onerosos) é chamada de direcionador de custos”. No 
quadro 4.1, vemos alguns exemplos de custos e seus direcionadores mais usuais.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos92
Quadro 4.1 – Exemplos de Custos e seus Direcionadores.
Função na Cadeia de Valor e exemplos de Custos Exemplos de Direcionadores de Custos
Pesquisa e Desenvolvimento
Salários do pessoal de pesquisa de mercado e 
custos das pesquisas de mercado
Número de Propostas de novos produtos
Salários dos engenheiros de produtos e processos Complexidade dos produtos propostos
Produção
Remuneração da mão de obra Horas de mão de obra aplicada
Salários de Supervisores Número de pessoas supervisionadas
Remuneração do pessoal de manutenção Número de horas aplicadas na manutenção
Depreciação de máquinas e suprimentos Número de horas-máquina utilizadas
Energia Elétrica Quantidade de quilowatts-hora
Marketing
Custos de propaganda Número de anúncios efetuados
Salários do pessoal de marketing e gastos com 
viagens
Receita gerada em cada linha de produto
Distribuição
Remuneração do pessoal de logística Volume de produtos movimentados em 
unidades
Gastos com transporte e depreciação dos veículos Peso e volume dos produtos transportados
Fonte: Adaptado de Horngren (2004, p. 37).
4.2.2 Comportamento dos Custos Fixos
Por simplificação nesta etapa de estudos, estamos vendo os Custos Fixos como 
algo imutável, porém esta regra só é verdadeira dentro de alguns limites, o que os autores 
costumam definir como faixa relevante. Para que você entenda melhor este conceito, 
pense no custo de aluguel de uma fábrica. Este é um custo facilmente classificado 
como fixo, dado que ele não se altera em níveis superiores ou inferiores de produção. 
Porém, se nos depararmos com um aumento significativo do nível de pedidos de um 
determinado produto, que exija a ampliação dos espaços disponíveis para a produção, 
seremos forçados a contratar um novo aluguel, o qual irá aumentar o custo total, assim 
como se conseguirmos um desconto com o locador, o custo poderá ser reduzido em um 
determinado período de tempo. Esta característica dos Custos Fixos é bastante comum 
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 93
e causa um efeito de crescimento em degraus, conforme podemos observar no exemplo 
do Gráfico a seguir
Gráfico 4.1 – Crescimento dos Custos Fixos dentro de Faixas Relevantes.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
4.2.3 Métodos de Custeio
Na Contabilidade de Custos você já teve a oportunidade de aprofundar os métodos 
mais conhecidos de acumulação de custos, de avaliação dos estoques e quanto aos 
métodos de custeio. Em especial, quanto aos métodos de custeio, Crepaldi (2002, p. 217) 
afirma que “existem dois métodos básicos de custeio: Custeio por Absorção e Custeio 
Variável ou Direto, e eles podem ser usados com qualquer sistema de acumulação de 
custos”.
O Custeio por Absorção é o método aceito pela legislação tributária e amplamente 
utilizado no meio contábil por ser derivado da aplicação dos princípios fundamentais de 
contabilidade.
Nesta etapa de estudos, assumindo que você já esteja bem familiarizado com o 
método de custeio por absorção, vamos aprofundar um pouco mais o método de Custo 
Variável, uma vez que ele guarda vários conceitos úteis para a Contabilidade Gerencial.
10
0
20 30 40 50 60 70 80 90
5
10
15
20
25
30
35
Volume de Produção Unidades
Cu
st
o 
de
 A
lu
gu
el
 e
m
 R
$
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos94
4.2.4 Custeio Variável ou Direto
Fundamentalmente, o método de Custeio Variável se distingue do método de 
custeio por absorção, por apropriar os custos fixos como se despesas fossem, não 
incorporando tais custos ao custo final dos produtos.
Crepaldi (2002, p. 222) destaca que:
[...] partindo do princípio de que os custos da produção são, em geral, 
apurados mensalmente e de que os gastos imputados aos custos devem 
ser aqueles efetivamente incorridos e registrados contabilmente, esse 
sistema de apuração de custos depende de um adequado suporte do 
sistema contábil, na forma de um plano de contas que separe, já no 
estágio do registro dos gastos, os custos variáveis e os custos fixos de 
produção, com adequado rigor.
Figura 4.2 – Esquema básico do Sistema de Custeio Variável.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Embora existam muitas controvérsias entre a utilização dos métodos de Custeio 
por Absorção e o Custeio Variável, é sabido que o custeio variável proporciona condições 
melhores de análise em diversas situações de múltiplas escolhas. Segundo Crepaldi 
(2002), a defesa do método do Custeio Variável para fins gerenciais, repousa em três 
argumentos principais:
Despesas
Resultado
do Período
Custos
Custos Fixos Custos variáveis
Produto A Produto B Produto C
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 95
1. Os custos fixos, por sua própria natureza, existem de forma independente dos 
volumes de produção e de suas variações, dentro de uma faixa de relevância. Os 
custos fixos, neste aspecto, podem ser entendidos como gastos necessários para 
que a empresa tenha condições de produzir e não um custo do produto em si.
2. Por não estarem vinculados de forma direta a um produto, os custos fixos passam 
a ser alocados por meio de rateios que nem sempre guardam relação direta com 
os produtos que o recebem. Dada a sua relativa arbitrariedade, os rateios tem a 
capacidade de inverter a lógica de rentabilidade dos produtos, por uma simples 
alteração em seus direcionadores e critérios de alocação.
3. Por fim, o valor dos custos fixos a ser distribuído para cada um dos produtos de 
um determinado período, depende do volume de produçãodeste mesmo período. 
Assim, as decisões gerenciais, baseadas unicamente em custo, podem sofrer 
interferência pelo volume de produção e, pelo simples fato de que se aumentar o 
volume de um produto específico é possível que exista a alteração da rentabilidade 
dos demais produtos produzidos no mesmo período.
Ao se adotar o método de Custeio Variável para fins gerenciais, a empresa passa 
a ver a Demonstração do Resultado do Exercício com uma pequena alteração de forma, 
ou seja:
Demonstração de resultado do exercício (DRE) 
pelo custeio direto/variável 
RECEITA DE VENDAS 
( - ) Custo Variável dos Produtos Vendidos
( = ) LUCRO BRUTO
( - ) Despesas Variáveis de Vendas
( = ) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO TOTAL
( - ) Custos Fixos 
( - ) Despesas Fixas de Vendas 
( = ) LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos96
4.2.5 Margem de Contribuição
Conceitualmente, a Margem de Contribuição é a diferença entre uma receita 
auferida e os custos e despesas variáveis vinculados a ela. Em última análise, a margem 
de contribuição representa o valor que irá cobrir os Custos Fixos e Despesas Fixas da 
empresa, proporcionando a condição (ou não) de apurar lucro neste mesmo período.
Deste conceito, derivam duas fórmulas fundamentais:
1. Margem de Contribuição Total
MC = RV - CV
Atenção: as empresas podem adotar qualquer método de custeio para fins 
de avaliação interna e de decisões gerenciais, porém sempre deverá manter 
a escrituração contábil em ordem e de acordo com a legislação societária e 
fiscal vigente. Por esta obrigação legal impor às empresas um único método 
de custeio, o Custeio por Absorção, a adoção do método de custeio variável 
pode significar um gasto adicional que a empresa precisa avaliar antes de 
duplicar os esforços de registro e mensuração. Dependendo do porte e da 
complexidade da carteira de produtos, a empresa pode ser obrigada a ter as 
duas abordagens, independentemente dos gastos administrativos adicionais.
DESTAQUE
Auferida: adjetivo
Que se auferiu, que foi conseguido ou recebido como resposta; conseguido, 
colhido: despesas auferidas do empréstimo.
Sinônimos de Auferida
Auferida é sinônimo de: obtido, conseguido, colhido, recebido, adquirido. 
Fonte: Dicionário On-Line da Língua Portuguesa (2019, online.).
GLOSSÁRIO
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 97
Onde:
MC = Margem de Contribuição em R$.
RV = Receita das Vendas em R$.
CV = Custos (e Despesas) Variáveis em R$.
2. Margem de Contribuição Unitária
Onde:
MCU = Margem de Contribuição Unitária em R$.
RV = Receita das Vendas em R$.
CV = Custos (e Despesas) Variáveis em R$.
U = Unidades Produzidas no Período.
Imagine uma empresa que, por simplificação, produza e comercialize um único 
produto, e que em determinado período tenha obtido os seguintes dados físicos e financeiros:
Receitas das Vendas RV R$ 600.000,00
Custos e Despesas Variáveis CV R$ 300.000,00
Quantidade Produzida U UN 100,00
Nestas condições a empresa terá:
1. Margem de Contribuição Total de
MC = RV - CV
MC = R$ 600.000,00 - R$ 300.000,00
MC = R$ 300.000,00
MCU = (RV - CV) 
 U
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos98
2. Margem de Contribuição Unitária de:
Note que, apesar de muito simples, esta forma de apurar a contribuição unitária só 
é possível por termos os Custos e Despesas Variáveis segregados nos registros contábeis 
e, a partir disso, surge a possibilidade de se apurar a margem de contribuição por 
produto, por segmento, por mercado, e assim por diante. Em outras palavras, a Margem 
de Contribuição Total da empresa será a soma das margens de contribuição totais por 
produto. 
A Margem de Contribuição é um instrumento gerencial bastante útil para a tomada 
de decisão nas situações em que se decide pela implementação ou pela eliminação de 
algum produto ou linha de produtos. Naturalmente, o que se espera é que todos os 
produtos tenham uma margem de contribuição positiva, uma vez que é a partir dela que 
a empresa terá condições de suportar os seus custos e despesas fixas.
Em situações muito particulares, a empresa pode optar por operar com margens 
de contribuição muito baixas, ou até mesmo negativas, mas esta é uma situação que não 
pode perdurar por muito tempo. 
Também é importante considerar que, em algumas situações, a decisão de ampliar 
uma linha de produtos com margens de contribuição melhores em detrimento de outras, 
pode não ser possível por outros fatores limitantes, tais como a capacidade máxima de 
produção de uma máquina ou o tamanho do mercado potencial. Nem sempre a Margem 
de Contribuição será o único fator de decisão, mas sem ela, é muito difícil efetuar uma 
análise financeira adequada para suportar este tipo de análise.
MCU = (RV - CV) 
 U
MCU =  600.000,00 - 300.000,00 
  100.000,00 
MCU = 3,00
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 99
Por exemplo, considere uma empresa que tenha em seu catálogo de produtos 
três linhas semelhantes, produzidas de forma uniforme, e que atendam três mercados 
distintos. Ao fechar um determinado mês, a empresa obteve os seguintes resultados:
Tabela 4.1 – Margem de Contribuição Unitária por Produto.
Linha de Produtos
Premium Regular Popular
Pesquisa e Desenvolvimento 900,00 760,00 660,00
(-) Custos Variáveis Unitários
Matéria Prima 250,00 195,00 160,00
Embalagens 35,00 21,00 18,00
Mão de Obra Direta 220,00 180,00 170,00
(-) Despesas Variáveis Unitárias
Impostos 225,00 190,00 165,00
Comissão de Vendas 50,00 40,00 30,00
Assistência Técnica 30,00 20,00 15,00
Total dos Custos e Despesas Variáveis 810,00 646,00 558,00
Margem de Contribuição Unitária Em R$
 Em %
90,00
10,0%
114,00
15,0%
102,00
15,5%
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Neste exemplo hipotético, o que temos é a avaliação da margem de contribuição 
unitária em duas dimensões. A primeira em R$ e a segunda em % da receita de vendas. 
Um aspecto importante a considerar é que inegavelmente a linha premium, apesar de ter 
um preço de venda maior que as demais, é a que menos contribui, tanto em R$ quanto 
em % para a formação do resultado final da companhia. Por outro lado, apesar da linha 
regular ter uma margem de contribuição inferior à margem de contribuição da linha 
popular, a linha regular contribui com um valor de R$ 114,00 por unidade, enquanto que 
a linha popular só contribui com R$ 102,00 por unidade vendida.
Esta é uma situação relativamente comum e que deve ser considerada pelos 
gestores na análise das margens de contribuição.
Agora consideremos que neste mesmo período a empresa tenha vendido as 
quantidades expressas na tabela a seguir, obtendo os resultados constantes desta mesma 
tabela.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos100
Tabela 4.2 – Margem de Contribuição Total por Produto.
Linha de Produtos
Premium Regular Popular Total
Quantidades Vendidas no Período 100 150 200 450
Receita das Vendas 90.000,00 114.000,00 132.000,00 336.000,00
(-) Custos Variáveis Totais
Matéria Prima 25.000,00 29.250,00 32.000,00 86.250,00
Embalagens 3.500,00 3.150,00 3.600,00 10.250,00
Mão de Obra Direta 22.000,00 27.000,00 34.000,00 83.000,00
(-) Despesas Variáveis Totais
Impostos 22.500,00 28.500,00 33.000,00 84.000,00
Comissão de Vendas 5.000,00 6.000,00 6.000,00 17.000,00
Assistência Técnica 3.000,00 3.000,00 3.000,00 9.000,00
Total dos Custos e Despesas Variáveis 81.000,00 96.900,00 111.600,00 289.500,00
Margem de Contribuição Total Em R$
 Em %
9.000,00
10,0%
17.100,00
15,0%
20.400,00
15,5%
46.500,00
13,8%
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Com esta distribuição das vendas, a empresa consegue obter a Margem de 
Contribuição Total de 13,8% das vendas, o que equivaleà R$ 46.500,00. Nesta mesma 
configuração, a receita total das vendas atinge o montante de R$ 336.000,00.
Por hipótese, considere que, ao serem informados do resultado obtido, os acionistas 
tenham solicitado aos gerentes desta mesma companhia, ações que permitissem melhorar 
o volume total das vendas, mantendo o total de unidades vendidas nas três linhas de 
produto, ou seja, o volume total de vendas deve ser mantido em 450 unidades.
Em uma primeira análise, os gerentes propuseram reduzir as vendas das linhas 
Regular e Popular em 50 unidades, acrescentando 100 unidades à linha de produtos 
Premium, apresentando aos acionistas a nova projeção de resultados, conforme 
demonstrado na tabela a seguir.
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 101
Tabela 4.3 – Margem de Contribuição Total por Produto conforme proposta da gerência.
Linha de Produtos
Premium Regular Popular Total
Quantidades Vendidas no Período 200 100 150 450
Receita das Vendas 180.000,00 76.000,00 99.000,00 355.000,00
(-) Custos Variáveis Totais
Matéria Prima 50.000,00 19.500,00 24.000,00 93.500,00
Embalagens 7.000,00 2.100,00 2.700,00 11.800,00
Mão de Obra Direta 44.000,00 18.000,00 25.500,00 87.500,00
(-) Despesas Variáveis Totais
Impostos 45.000,00 19.000,00 24.750,00 88.750,00
Comissão de Vendas 10.000,00 4.000,00 4.500,00 18.500,00
Assistência Técnica 6.000,00 2.000,00 2.250,00 10.250,00
Total dos Custos e Despesas Variáveis 162.000,00 64.600,00 83.700,00 310.300,00
Margem de Contribuição Total Em R$
 Em %
18.000,00
10,0%
11.400,00
15,0%
15.300,00
15,5%
44.700,00
12,6%
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Veja que, apesar de atender ao pedido dos acionistas, aumentando as receitas 
totais da empresa de R$ 336.000,00 para R$ 355.000,00, um aumento de 5,7% no total 
das receitas sem a necessidade de se aumentar o volume total de vendas, a proposta 
dos gerentes causa uma redução da margem de contribuição de R$ 46.500,00 para R$ 
44.700,00, o que naturalmente causará uma redução do lucro da companhia.
Não esqueça: esta análise só pode ser feita uma vez que se disponha dos dados 
relativos aos custos e despesas variáveis de cada uma das linhas de produtos. 
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos102
4.2.6 Análise Custo-Volume-Lucro
Derivada da análise de Margem de Contribuição, as relações de custo, volume 
e lucro visam estabelecer as relações entre custos e receitas em diferentes níveis de 
atividade, encontrando de forma algébrica ou na forma gráfica, os pontos em que a 
empresa irá operar com rentabilidade e a partir de que limite os resultados financeiros 
poderão ficar comprometidos. Este estudo também oferece condições de determinar 
o nível de operações, verifica a obtenção do lucro desejado e, ainda, pode ajudar na 
escolha do mix de produtos mais adequado, em contraponto ao que já foi visto na análise 
da Margem de Contribuição.
Uma forma simples de se entender estes objetivos é conhecer as perguntas que o 
método pretende responder, ou seja, objetivamente o estudo das relações custo-volume-
lucro responde às seguintes questões:
• Dada a existência de uma estrutura de custo e preço, qual volume de operações é 
necessário para se obter um lucro de “x” valor?
• Se os preços são reduzidos em “x” percentual, qual o acréscimo do volume 
necessário para se manter o mesmo nível de lucro?
• Se os custos variáveis são reduzidos pela aquisição de uma máquina automática 
(entretanto, com o aumento dos custos fixos), como isso afetará o lucro de “z” 
valor, admitindo-se que o nível de operações permanecerá constante no futuro?
• Se os custos variáveis aumentam por um percentual “x”, qual será o lucro, 
considerando que o volume aumentará pelo percentual “z”?
O aumento das receitas sempre é um objetivo presente nas companhias 
de qualquer porte e os gerentes são rotineiramente pressionados para 
encontrar maneiras de aumentar as receitas das vendas. Sem informação 
financeira confiável, a empresa pode tomar a decisão de re-distribuir as 
quantidades de vendas, entre as linhas de produto, e não perceber que pode 
estar comprometendo a rentabilidade da empresa no momento da decisão. O 
objetivo central da contabilidade gerencial é justamente evitar que decisões 
de caráter emocional sejam tomadas sem a análise financeira de suas 
consequências.
DESTAQUE
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 103
Como qualquer método de análise, a relação custo-volume-lucro não responde 
a todas as questões gerenciais de uma empresa, mas é bastante útil para as decisões de 
alternativas de preços, custos, composição das vendas e seleção das linhas de produtos.
4.2.6.1 Ponto de Equilíbrio
Resumidamente, o Ponto de Equilíbrio é o ponto em que o total das receitas se 
equipara com os totais dos custos e despesas, fixas e variáveis, ou seja, não existe lucro 
nem prejuízo. 
Existem, pelo menos, quatro formas de se calcular o Ponto de Equilíbrio. Vamos 
ver juntos?
4.2.6.2 Ponto de Equilíbrio Contábil
É o ponto em que, contabilmente, não haverá lucro nem prejuízo; supõe-se que a 
produção é igual às vendas.
Onde:
PEC = Ponto de Equilíbrio Contábil em Unidades.
CF = Custo Fixo Total em R$.
DF = Despesa Fixa Total em R$.
MCU = Margem de Contribuição Unitária em R$.
Assumindo os mesmos dados que utilizamos em outro exemplo desta Unidade, 
e assumindo que a empresa tenha um montante de Custos e Despesas Fixas de R$ 
300.000,00, teríamos:
Receitas das Vendas RV R$ 600.000,00
Custos e Despesas Variáveis CV R$ 300.000,00
Quantidade Produzida U UN 100,00
Custos e Despesas Fixas CF R$ 300.000,00
PEC = (CF - DF) 
 MCU
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos104
Ao nível de produção de 100.000 unidades, a empresa estará operando exatamente 
em seu ponto de equilíbrio contábil, ou seja, a este nível de vendas a empresa não terá 
qualquer lucro contábil e também não haverá prejuízo a ser registrado no período.
4.2.6.3 Ponto de Equilíbrio na Forma Gráfica
Outra forma de se demonstrar o ponto de equilíbrio é plotar os seus elementos 
contábeis e os volumes de vendas, na forma como estão expressos no gráfico a seguir. 
No eixo vertical, colocamos os elementos financeiros e a forma como se comportam em 
diferentes volumes de vendas, as quais são expressas no eixo horizontal em unidades 
físicas.
Gráfico 4.2 – Ponto de Equilíbrio Contábil.
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
PEC = (CF - DF) 
 MCU
PEC =  300.000,00  = 100.000 Un
  3,00 
100 200 250 200 400
Valor ($)
PE
150.000
125.000
(Quantidade)
CF + DF
CV + DV
Lucro
Prejuízo
CT + DT
RT
}
}
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 105
Note que o ponto de equilíbrio (PE) representa o ponto de inflexão entre as 
receitas totais e os gastos totais. Neste ponto, o resultado é nulo, sendo que abaixo dele, 
em qualquer ponto do gráfico, a empresa estará operando em uma faixa de prejuízo e, 
acima, em uma faixa de lucro.
4.2.6.4 Ponto de Equilíbrio Econômico
Na apuração do ponto de equilíbrio econômico, acrescentamos aos Custos e 
Despesas Fixas, o montante de Lucro que os acionistas entendam suficiente para 
remunerar o custo do capital. Nesta situação, haverá lucro contábil no ponto de equilíbrio, 
o qual se supõe ser o mínimo desejado como retorno do capital investido, também 
conhecido como custo de oportunidade.
Onde:
PEE = Ponto de Equilíbrio Econômico em Unidades.
CF = Custo Fixo Total em R$.
DF = Despesa Fixa Total em R$.
LD = Lucro Desejado em R$.
MCU = Margem de Contribuição Unitária em R$.
Seguindo o nosso exemplo, e assumindo que os acionistas tenham estabelecido um 
lucro contábil mínimo de R$ 30.000,00, teríamos um Ponto de Equilíbrio Econômico de:
Aproveitando para relembrar os conceitos que já vimos ao longo desta 
Unidade, veja que mesmo na situação deausência de vendas, ponto de 
receita igual a zero, a empresa terá um montante de custos e despesas fixas, 
sendo este o ponto de prejuízo máximo da organização.
DESTAQUE
PEE = (CF - DF) + LD
 MCU
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos106
Receitas das Vendas RV R$ 600.000,00
Custos e Despesas Variáveis CV R$ 300.000,00
Quantidade Produzida U UN 100,00
Custos e Despesas Fixas CF R$ 300.000,00
Lucro Mínimo Desejado LD R$ 30.000,00
Note que, agora, a empresa passa a ter a necessidade de operar em um nível de 
produção e de vendas 10% superior ao ponto de equilíbrio contábil. Para que a empresa 
atinja o ponto de equilíbrio econômico, é necessário que a organização produza e venda, 
no mínimo, 110.000 unidades.
4.2.6.5 Ponto de Equilíbrio Financeiro
Por último, temos o Ponto de Equilíbrio Financeiro, o qual expressa o ponto em que 
haverá o equilíbrio operacional do caixa da empresa. Este ponto de equilíbrio serve para 
determinar o nível de receitas necessário para a cobertura dos desembolsos operacionais 
de uma empresa, e para efetuar o cálculo devemos excluir os gastos que não representam 
desembolsos financeiros no período de apuração. Estes gastos devem ser excluídos dos 
custos e despesas fixas totais, como é o caso da depreciação. A depreciação, em particular, 
representa a amortização por perda de utilidade, desgaste ou obsolescência, de gastos 
efetuados em períodos anteriores e que não representa, necessariamente, um novo 
desembolso futuro.
PEE = (CF - DF) + LD
 MCU
PEE =  300.000,00 + 30.000,00  = 110.000 Un
  3,00 
PEF = (CF - DF) - GND
 MCU
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 107
Onde:
PEF = Ponto de Equilíbrio Financeiro em Unidades.
CF = Custo Fixo Total em R$.
DF = Despesa Fixa Total em R$.
GND = Gastos não Desembolsáveis em R$.
MCU = Margem de Contribuição Unitária em R$.
Complementando o nosso exemplo, e assumindo que a empresa apresente uma 
depreciação mensal de R$ 30.000,00, teríamos um Ponto de Equilíbrio Financeiro de:
Receitas das Vendas RV R$ 600.000,00
Custos e Despesas Variáveis CV R$ 300.000,00
Quantidade Produzida U UN 100,00
Custos e Despesas Fixas CF R$ 300.000,00
Gastos Não Desembolsáveis GND R$ 30.000,00
Aqui temos duas observações relevantes a fazer. Em primeiro lugar, note que o 
Ponto de Equilíbrio Financeiro é atingido com o volume de 90.000 unidades, o que é 
inferior ao Ponto de Equilíbrio Contábil. Pode se inferir que, nesta situação, a empresa 
irá operar na faixa de prejuízo contábil. O segundo aspecto a considerar é que, mesmo 
operando por um certo período na faixa de prejuízo, a empresa ainda poderá honrar seus 
compromissos financeiros sem maiores dificuldades. 
Apesar de estarmos trabalhando com números e situações hipotéticas, estas 
situações são bastante comuns em momentos de maior dificuldade econômica, o que 
pode ser suportado e administrado por algum tempo, enquanto se aguarda a retomada 
do nível de atividade ideal.
PEF = (CF - DF) - GND
 MCU
PEF =  300.000,00 - 30.000,00  = 90.000 Un
  3,00 
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos108
4.2.6.6 Margem de Segurança
Um dos princípios fundamentais de contabilidade, que se aplica a muitas situações 
do cotidiano empresarial, é o Princípio da Prudência. Neste sentido, independentemente 
do método de cálculo adotado pela empresa para o ponto de equilíbrio que deseja, é 
recomendável que, além do ponto de equilíbrio, a empresa determine uma Margem 
de Segurança, que nada mais é do que a diferença entre o volume previsto (ou real) 
de produção e vendas e o volume teórico do ponto de equilíbrio. Para a definição da 
margem de segurança que se pretende ter, a empresa pode determinar o montante pelo 
qual as vendas podem cair, sem que atinja a área de prejuízo. Como é uma medida 
arbitrária, cabe aos gestores conhecer os limites do mercado onde atuam e determinar, 
com segurança, qual será a Margem de Segurança operacional em que pretendem atuar.
A margem de segurança é um percentual que pode ser calculado tanto em 
quantidades, quanto em relação a receita da empresa em determinado período.
Onde:
MS = Margem de Segurança em %.
Q = Quantidade total em Unidades.
Q = Quantidade no Ponto de Equilíbrio em Unidades.
R = Receita total em R$.
R = Receita no Ponto de Equilíbrio em R$.
Retomando o nosso exemplo hipotético, vamos assumir que a empresa adote 
o Ponto de Equilíbrio Contábil para gerir o seu nível ideal de atividade e que esteja 
operando com a produção e vendas em 150.000 unidades, obtendo uma receita total de 
R$ 900.000,00. Nesta situação, poderíamos dizer que a empresa opera com uma margem 
de segurança de 33,3%.
MS = (Q
t - Qe) x 100
 Qt
MS = (R
t - Re) x 100
 Rt
t
e
t
e
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 109
Receitas Total das Vendas Rt R$ 900.000,00
Receitas no PEC Re R$ 600.000,00
Quantidade Total Qt UN 150.000
Quantidade no PEC Qe UN 100.000
MS = (Q
t - Qe) x 100
 Qt
PEE = 
(150.000 - 100.000) x 100 = 33,3%
 150.000
MS = (R
t - Re) x 100
 Rt
PEE = 
(900.000,00 - 600.000,00) x 100 = 33,3%
 900.000,00
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos110
4.3 Formação do Preço de Venda
Uma das tendências dos mercados competitivos tem sido a impossibilidade das 
empresas serem capazes de impor seus preços ao mercado. Esta forma de estabelecer 
os preços de venda só ocorre em situações muito particulares, tais como os casos de 
monopólio, ou seja, ser o único fornecedor de um bem/serviços para um determinado 
mercado; participar de um oligopólio, que em determinadas situações configura crime; 
ou ter liderança total do mercado, impondo sua marca de tal forma que o consumidor 
imagina só existir esta marca como alternativa de compra. 
Também pode ocorrer a possibilidade de imposição do preço de venda ao 
mercado, quando tivermos produtos novos, recém lançados e sem similares no mercado 
relevante. Contudo, esta é uma situação temporária e, a não ser que o produto seja de 
difícil desenvolvimento ou cópia. 
Com a concorrência cada vez mais acirrada, a formação de preços não depende 
somente dos custos incorridos sobre os bens/serviços oferecidos. Na verdade, os custos 
acabam sendo um dos fatores que ajudam a controlar os lucros que se deseja obter e é 
um dos elementos a serem gerenciados com enorme cuidado. Quando o mercado exige 
reduções de preço, cabe às empresas buscarem formas inovadoras de reduzir os seus 
custos ou, no limite, sacrificar os seus lucros para continuar atuando neste mercado.
Figura 4.3 – Definição de Preços de Venda de Produtos - Mercado como Parâmetro.
Fonte: Freepik (2019).
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 111
4.3.1 Formação do Preço de Venda a Partir dos Custos
Como já vimos, o pressuposto básico para esta técnica é de que o mercado esteja 
disposto a absorver os preços de venda determinados pela empresa, que, por sua vez, são 
calculados em cima de seus custos reais ou estimados. 
Sabemos que isso nem sempre pode acontecer, ficando, então, eventualmente 
invalidado tal procedimento. 
De qualquer forma, é necessário que os gestores façam o cálculo do preço de venda 
teórico, baseado em seus próprios custos, tendo em vista que, por meio dele, a empresa 
poderá ter um parâmetro inicial ou padrão de referência para análises comparativas. 
Além disso, diversas outras situações podem exigir a utilização dos procedimentos 
de formação de preços de venda a partir do custo, tais como:
• Estudos de marketing e/ou de engenharia à introdução de novos produtos;
Acirrado: adjetivo
Que se conseguiu acirrar; que foi provocado;que se instigou; açulado.
Que revela agressividade por ter sido estimulado de alguma forma; que teve 
sua hostilidade incitada.
Que foi levado a sentir raiva; irritado.
Que foi estimulado a se comportar, proceder ou responder; excitado.
Que trata seus propósitos com veemência; que cumpre seus objetivos com 
retidão; obstinado.
Etimologia (origem da palavra acirrado). Part. de acirrar.
Sinônimos de Acirrado
Acirrado é sinônimo de: supercilioso, irritado, incomplacente, excitado, 
açulado, obstinado, austero, implacável, inexorável, inflexível, inquebrantável, 
intransigente. 
Fonte: Dicionário On-Line da Língua Portuguesa (2019, online).
GLOSSÁRIO
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos112
• Acompanhamento dos preços e custos dos produtos atuais;
• Novas oportunidades de negócios;
• Decisão de aceitação de pedidos especiais e/ou por encomenda;
• Análise de preços de produtos de concorrentes.
A formação do preço de venda envolve inúmeros fatores para a sua composição, 
sendo que os mais comuns envolvem:
• A composição dos custos da empresa, como já foi dito;
• A demanda do mercado onde a empresa atua e eventualmente efeitos de 
sazonalidade da demanda;
• A ação de concorrentes que venham a redefinir estratégias de precificação para 
domínio do mercado;
• A influência dos governos e incidências tributárias sobre o produto em questão;
• Os objetivos pretendidos pela própria organização, entre outros.
A atuação diferenciada dos gestores nestes, e em outros fatores, quando tomadas 
em cada empresa individualmente, tornam a tarefa de estabelecer os preços de venda 
bastante complexa, mas necessária para a manutenção da saúde financeira de qualquer 
empresa.
Diferentes segmentos adotam diferentes métodos de precificação e, normalmente, 
abrangem os métodos baseados em custos (mais comuns e populares), baseado nas 
decisões das empresas concorrentes (também conhecido como método de imitação), 
método baseado nas flutuações de mercado e o método misto, que nada mais é do que 
uma combinação de todos os outros.
Resumidamente, o preço de venda deve ser suficiente para cobrir todos os custos 
de produção e/ou serviços, todas as despesas do período e a margem de lucro. Mesmo 
que a empresa não possa simplesmente repassar as variações de custo para o preço, 
monitorar a sua formação é fundamental para que as empresas possam tomar as decisões 
corretas no sentido de manter sua rentabilidade estável.
Surge daí a necessidade de se aprender como se pode formar o preço de venda a 
partir dos custos e demais elementos de resultado de uma empresa.
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 113
4.3.2 Aplicação de Markups 
Objetivamente, o markup é um índice que, aplicado sobre os gastos de produção e 
de comercialização de um determinado produto ou serviço, permite a obtenção do preço 
de venda através de um índice, multiplicador ou divisor.
Genericamente, o markup pode ser empregado de diferentes formas, sendo que as 
duas principais estão baseadas no método de custeio a ser adotado.
4.3.3 Markup Aplicado sobre o Método de Custeio por Absorção
Neste caso, o markup tem como objetivo principal cobrir os custos, as despesas 
operacionais, os custos financeiros e o lucro desejado, tais como:
• Custo dos produtos vendidos;
• Despesas administrativas;
• Despesas comerciais;
• Despesas financeiras; e
• Margem de lucro desejada. 
O cálculo do Markup tanto pode se dar por um multiplicador, quanto por um 
divisor, sendo que as duas formas são válidas.
Mark-up ou Markup é um termo expresso na língua inglesa, sem uma tradução 
específica para o português, usado em economia para indicar quanto, do 
preço, do produto está acima do seu custo de produção e distribuição. 
Significa a diferença entre o custo de um bem ou serviço e seu preço de 
venda. Pode ser expresso como uma quantia fixada ou como percentual. O 
valor representa a quantia efetivamente cobrada sobre o produto a fim de 
obter o preço de venda.
Mais informações e exemplos de cálculo do Markup podem ser obtidas pelo 
link da Fundação Instituto de Administração: http://gg.gg/fwzpi.
SAIBA MAIS
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos114
Como já vimos anteriormente, considerando a complexidade de alocação de 
gastos indiretos no método de custeio por absorção, a técnica de se efetuar os cálculos de 
markup sobre este método de custeio sofre algumas críticas relevantes dos especialistas. 
Pela imprecisão dos rateios dos gastos indiretos, os gestores podem tomar decisões 
erradas quanto à precificação dos produtos e serviços, quando tomadas individualmente.
De qualquer forma, vamos demonstrar o passo a passo deste método de cálculo. 
O método consiste no cálculo em duas etapas: o markup I, incorpora ao preço de 
venda todos os custos, despesas operacionais e a margem de lucro ao preço de venda, 
enquanto o markup II, acrescenta a este preço, todos os impostos incidentes sobre a 
venda.
Passo 1 - Somatório dos percentuais de todos os custos, despesas operacionais e 
da margem de lucro pretendida pela empresa em relação às vendas líquidas dos impostos. 
Considere por hipótese os dados a seguir:
Tabela 4.4 – Participação dos gastos operacionais sobre as Vendas em %.
% da Receita Líquida
Custos dos Produtos 60%
Despesas Comerciais 15%
Despesas Administrativas 10%
Despesas Financeiras 2%
Total de Gastos 87%
Margem de Lucro Desejada 13%
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Passo 2 - Obtenção da participação dos gastos totais (estamos utilizando o critério 
de custeio por absorção) sobre as vendas, sem impostos. Para executar essa etapa, basta 
tirar de 100% a margem de lucro pretendida, considerada como % da receita líquida. 
Markup (Multiplicador) = Preço de Venda
 Gastos Totais
Markup (Divisor) = Gastos Totais
 Preço de Venda
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 115
Assim, o preço de venda sem impostos equivale a 100% (-) a margem de lucro pretendida 
de 13%, resultando em uma participação de 87% dos gastos operacionais em relação à 
receita líquida unitária.
Passo 3 - Para a obtenção do markup I como multiplicador para se chegar ao 
preço de venda sem impostos, basta tomar o preço de venda sem impostos, que equivale 
a 100% (a), dividido pela participação dos gastos na receita líquida total, que no nosso 
exemplo (Passo 2) equivale a 87% (b).
Markup I (Multiplicador = (a / b) 1,1494 
Markup I (Divisor) = (b / a) 0,8700
Passo 4 - Identificação dos percentuais dos impostos sobre as vendas, para 
obtenção do markup II, como multiplicador ou divisor. Novamente, considere por 
hipótese os dados a seguir.
Tabela 4.5 – Impostos sobre Vendas em %.
% sobre a Receita Líquida
ICMS 18,00%
PIS 0,65%
COFINS 3,00%
Total de Gastos 21,65%
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Passo 5 - Obtenção do quanto representam as vendas, excluídos os impostos, em 
relação à venda com os respectivos impostos. Agora, o preço de venda com impostos passa 
a representar os 100% (a), sendo subtraídos os impostos sobre a venda de 21,65% (b), temos 
a representatividade do preço de venda, líquido dos impostos de 78,35% [(a) - (b)].
Passo 6 - Obtenção do markup II, a fim de se obter o preço de venda com impostos, 
pronto para a emissão de listas de preços de venda e documentação fiscal. 
Preço de venda com impostos equivalem a 100% (a) e o preço de venda sem 
impostos equivale a 78,35% (b).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos116
Markup II (Multiplicador = (a / b) 1,2763
Markup II (Divisor) = (b / a) 0,78350
Passo 7 - Por fim chegamos ao cálculo do markup total, que pode ser obtido pela 
multiplicação dos dois markup intermediários:
Markup I x Markup II = Markup Total
1,1494 x 1,2763 = 1,4670
Considerando os nossos dados hipotéticos, e aplicando o método de markup como 
multiplicador, teríamos a aplicação do markup total sobre o montantedos gastos unitários 
+ margem de lucro desejada, para a formação do preço de venda, ou seja, um produto que 
tenha um gasto unitário total + a margem de lucro desejada de R$ 6,00, deveria ser vendido 
por: R$ 6,00 x 1,4670 = R$ 8,80 por unidade. Este é o preço de venda necessário para que 
se possa cobrir todos os impostos incidentes sobre a venda, custos, despesas operacionais 
e por fim, termos o lucro pretendido de 13% sobre a receita líquida.
Vejamos o mesmo exemplo partindo do preço de venda calculado pelo método de 
markup, abatendo-se os impostos, custos e despesas operacionais, chegando na margem 
de lucro pretendida que, considerando os dados de nosso exemplo hipotético, deve ser 
necessariamente de 13% sobre a receita líquida unitária.
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 117
Tabela 4.6 – Margem de Contribuição Unitária por Produto.
Valores 
em RS
% da 
 Rec. Liq.
Preço Unitário de Vendas 8,80 127,63%
(-) ICMS 18,00% - 1,58 -22,97%
(-) PIS 0,65% - 0,06 -0,83%
(-) COFINS 3,00% - 0,26 -3,83%
Preço Líquido Unitário 6,89 100,00%
(-) Custo Unitário 60% - 4,14 -60,00%
(-) Despesas Comerciais 15% - 1,03 -15,00%
(-) Despesas Administrativas 10% - 0,69 -10,00%
(-) Despesas Financeiras 2% - 0,14 -2,00%
Lucro Líquido Unitário 0,90 13,00%
Fonte: Elaborado pelo autor (2019).
Sabendo-se a estrutura de custos e despesas unitárias de um determinado produto, 
o método se aplica da mesma forma para qualquer valor em R$. No método de custeio 
por absorção, essa apuração não é tão simples e, além da dificuldade com os rateios, 
temos ainda a necessidade de apurar e distribuir os gastos indiretos de fabricação, que 
só é feito no final do período. 
Oliveira e Perez Junior (2000) abordam a mesma dificuldade, indagando:
• como encontrar o custo unitário do produto (CPV) no dia a dia, já que ele contém 
uma parcela do custo fixo total?
• como encontrar as despesas operacionais por unidades?
• como as oscilações no volume de produção e seus efeitos no custo fixo unitário 
não são consideradas?
• como considerar os vários rateios necessários para alocar os custos fixos aos 
departamentos e destes aos produtos já que estes trazem consigo muitas 
distorções?. (OLIVEIRA; PEREZ JUNIOR, 2000, p. 222-223).
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos118
Uma forma de se contornar esta dificuldade é utilizar os dados contábeis do 
período imediatamente anterior. Este procedimento é uma aproximação da realidade e 
pode funcionar de forma adequada em períodos de estabilidade econômica. Fora desta 
condição, as variações na composição dos custos podem provocar erros e inviabilizar a 
sua utilização.
4.3.4 Markup Aplicado sobre o Metodo de Custeio Variável
A metodologia do markup na formação do preço de venda também pode ser 
aplicada com o método de custeio variável. Neste caso, a única diferença relevante é o 
fato de se desprezar os custos e despesas fixas, na composição dos custos. Com isto, as 
dificuldades encontradas no custeio por absorção são neutralizadas e a empresa passa a 
definir com que margem de contribuição deseja operar.
Metodologicamente, o passo a passo de cálculo é o mesmo do tópico anterior, por 
isto não vamos repetir a sistemática de cálculo aqui.
Para efetuar o cálculo do Markup I basta substituir o montante dos gastos totais 
(em %) pelo montante de gastos variáveis (custos + despesas variáveis), também em %, e 
executar a mesma sequência de cálculos. Ao final, você vai encontrar o fator (multiplicador 
ou divisor) que determina o Preço de Venda para que se obtenha uma determinada 
Margem de Contribuição. Vale aqui relembrar que a Margem de Contribuição é aquela 
que deve ser suficiente para cobrir todos os custos e despesas fixas da companhia, além 
de garantir o nível de rentabilidade desejado pela administração. Por esta característica, 
fica evidente que o % de margem de contribuição deverá ser significativamente maior do 
que a margem de lucro pretendida no método de custeio anterior.
É importante que você exercite esses conceitos e que tenha segurança no momento 
de aplicar qualquer um dos dois métodos.
Markup (Multiplicador) = Preço de Venda
 Gastos Variáveis
Markup (Divisor) = Gastos Variáveis
 Preço de Venda
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 119
SÍNTESE DA UNIDADE
Nesta Unidade passamos pela terminologia e pelos principais conceitos da 
contabilidade de custos, definindo e reforçando o que são:
• Gastos;
• Custos;
• Despesas;
• Desperdícios; e 
• Investimentos.
Também estudamos com mais detalhe o comportamento dos custos e suas 
classificações em:
• Custo Diretos;
• Custos Indiretos;
• Custos Fixos; e
• Custos Variáveis.
Estes são conceitos fundamentais para a Contabilidade Gerencial e suportam 
toda a aplicação do método de custeio variável como instrumento de gestão e como 
ferramenta para o cálculo da margem de contribuição unitária e todas as análises dela 
derivadas.
Entre essas análises, estudamos um pouco sobre o que significa o ponto de 
equilíbrio e aprendemos a calcular o:
• Ponto de Equilíbrio Contábil;
• Ponto de Equilíbrio Econômico;
• Ponto de Equilíbrio Financeiro; e
• Conceito de Margem de Segurança.
CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos120
Por fim, abordamos os conceitos da Formação do Preço de Venda e a sua 
complexidade. Aprendemos um pouco mais sobre a metodologia de markup e aprendemos 
a aplicar esta metodologia sobre o método de custeio por absorção e sobre o método de 
custeio variável, alertando o aluno para as dificuldades que a alocação dos gastos gerais 
de fabricação impõem ao método de custeio por absorção, neste particular.
Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 121
REFERÊNCIAS
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE-CFC. NBCTG16 (R2) - Estoques, 2017. 
Disponível em: http://gg.gg/fwzuw. Acesso em: 12 nov. 2019.
CREPALDI, S. A. Curso Básico de Contabilidade de Custos. 2. Ed. São Paulo: Atlas, 2002.
DICIONÁRIO ON-LINE DA LÍNGUA PORTUGUESA. Acirrado. 2019. Disponível em: http://
gg.gg/fwzv4. Acesso em: 12 nov. 2019.
HORNGREN, C. T.; SUNDEM, G. L.; STRATTON, W. Contabilidade gerencial. 12. Ed. São 
Paulo: Pearson, 2004.
MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 9. Ed. São Paulo:Atlas, 2003.
OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H. Contabilidade de Custos para não contadores. São 
Paulo: Atlas, 2000.
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