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Alessandra Daiana Schinaider Érik Álvaro Fernandes Leandro Salatti dos Santos (Orgs.) GERENCIAL Contabilidade CONTABILIDADE GERENCIAL AlessAndrA dAiAnA schinAider Érik ÁlvAro FernAndes leAndro sAlAtti dos sAntos (orgs.) 1ª edição JAneiro | 2020 Universidade La Salle Canoas | Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 | ead@unilasalle.edu.br C759 Contabilidade gerencial / Alessandra Daiana Schinaider, Érik Álvaro Fernandes, Leandro Salatti dos Santos (orgs.). – Canoas, RS : Universidade La Salle EAD, 2020. 122 p. : il. ; 30 cm. – (Gestão e negócios) Bibliografia. 1. Contabilidade. 2. Contabilidade gerencial. 3. Métodos quantitativos. 4. Análise contábil. 5. Custo. I. Schinaider, Alessandra Daiana. II. Fernandes, Érik Álvaro. III. Santos, Leandro Salatti dos. IV. Série. CDU: 657.05 Bibliotecário Samarone Guedes Silveira - CRB 10/1418 Gestão Universidade Gestão EaD Reitor Diretora de Graduação Diretor de Marketing e Relacionamento Procuradora Jurídica Assessor de Assuntos Interinstitucionais e Internacionais Chefe de Gabinete Coordenador da Área de Educação e Cultura Coordenador da Área de Gestão e Negócios Coordenadora da Área de Inovação e Tecnologia Coordenador dos Cursos de Adm., Processos Ger e Logística. Coordenadora do Curso Gestão de Recursos Humanos Coordenador dos Cursos Gestão Com., Gestão Fi n. e Marketing Coordenadora do Curso de Pedagogia Coordenadora do Curso de Serviço Social Coordenadora do Curso de Letras Coordenador do Curso de Engenharia da Produção Coordenador do Curso de Análise e Desenv de Sistemas. Prof. Dr. Paulo Fossati - Fsc Cleiton Bierhals Decker Michele Wesp Cardoso Prof. Dr. Jefferson Marlon Monticelli Prof. Dr. Renaldo Vieira de Souza . Prof. Dr. Daniel Silva Achutti Profª. Drª Ingridi Vargas Bortolaso Prof. Me. Carlos Eduardo dos Santos Sabrito Profª. Drª. Denise Macedo Ziliotto Profª. Me. Patrícia Coelho Motta de Souza Prof. Dr. Paulo Roberto Ribeiro Vargas Profª. Drª Hildegard Susana Jung Profª. Drª. Michelle Bertoglio Clos Profª. Drª. Lucia Regina Lucas da Rosa Prof. Dr. José Rogério Vidal Profª. Drª. Tatiana Vargas Maia Prof. Me. Rafael Pieretti de Oliveira Prof. Me. Mozart Lemos de Siqueira Diretor Coordenadora Pedagógica Coordenador de Produção Michele de Mattos Kreme Coordenações Acadêmicas Equipe de Produção EaD Anderson Cordova Nunes Arthur Menezes de Jesus Bruno Giordani Faccio Daniela dos S. Cardoso Daniele Balbinot Érika Konrath Toldo Évelyn Rocha de Araujo Gabriel Esteves de Castro Gabriel da Silva Sobrosa Guilherme P. Rovadoschi Ingrid Rais da Silva Jorge Fabiano Mendez Nathália N. dos Santos S.. Patrícia Menna Barreto Tiago Konrath Araujo Prof. Dr. Cledes Casagrande - Fsc Vitor Benites Profª. M.ª Cristiele Magalhães Ribeiro Prof. Dr. Mario Augusto Pires Pool Prof. Me. Márcio Leandro Michel Profª. Dr.ª Patricia Kayser Vargas Mangan Patrick Ilan Schenkel Cantanhede Prof. Dr. José Alberto Miranda Vice-Reitor, Pró-Reitor de Pós-grad., Pesq. e Extensão e Pró-Reitor de Graduação Pró-Reitor de Administração Diretor da Educação a Distância Diretor de Extensão e Pós-Graduação Lato Sensu Diretora de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu Diretor Administrativo Assessor de Inovação e Empreendedorismo Prof. Dr. Mario Augusto Pires Pool Prof. Dr. Jonas Rodrigues Saraiva Coordenador da Área de Direito e Política Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis Coordenador do Curso de Educação Física Coordenadora do Curso de História Prof. Dr. Renato Ferreira Machado Prof. Me. Sílvio Denicol Júnior Prezado estudante, A equipe de gestão da EaD LaSalle sente-se honrada em entregar a você este material didático. Ele foi produzido com muito cuidado para que cada Unidade de estudos possa contribuir com seu aprendizado da maneira mais adequada possível à modalidade que você escolheu para estudar: a modalidade a distância. Temos certeza de que o conteúdo apresentado será uma excelente base para o seu conhecimento e para sua formação. Por isso, indicamos que, conforme as orientações de seus professores e tutores, você reserve tempo semanalmente para realizar a leitura detalhada dos textos deste livro, buscando sempre realizar as atividades com esmero a fim de alcançar o melhor resultado possível em seus estudos. Destacamos também a importância de questionar, de participar de todas as atividades propostas no ambiente virtual e de buscar, para além de todo o conteúdo aqui disponibilizado, o conhecimento relacionado a esta disciplina que está disponível por meio de outras bibliografias e por meio da navegação online. Desejamos a você um excelente módulo e um produtivo ano letivo. Bons estudos! Gestão de EaD LaSalle APRESENTAÇÃO APRESENTANDO OS ORGANIZADORES Alessandra Daiana Schinaider Atua na empresa Bonsai Consultoria, credenciada pelo Sebrae, prestando consultoria nas áreas de Inovação, Marketing e Vendas e Gestão de Pessoas. Atuou no programa Agentes Locais de Inovação (SEBRAE/CNPq), com o objetivo de difundir a cultura de inovação nas Empresas de Pequeno Porte do setor de indústria, comércio e serviços da Região Metropolitana de Porto Alegre. Pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela FAMEV. Personal e Professional Coach e Leader Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching. Mestra em Desenvolvimento Rural (PGDR), pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui graduação em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria - Campus Palmeira das Missões/RS (2015). Foi Destaque Acadêmica Bacharel em Administração pela UFSM. Em 2016, teve dois artigos que receberam Menção Honrosa ao Prêmio Professor Sérgio Escorsim do 29º Congresso Internacional de Administração. Tem interesse nas áreas de Desenvolvimento Humano, Coaching e Liderança, Empreendedorismo, Planejamento Estratégico, Gestão da Inovação, Consciência Ambiental, Valores Humanos Motivacionais, Desenvolvimento Rural Sustentável. Érik Álvaro Fernandes Discente de Doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Bacharel em Administração (2013) e Licenciado em Matemática (2006), ambos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem experiência de 2 anos no ensino superior em instituições privadas, lecionando nas disciplinas de Teoria Geral da Administração, Administração da Produção, Gestão Logística e de Materiais, Administração de Marketing, Empreendedorismo, Gestão de Sistemas de Informação, Estatística e Ética e Responsabilidade Socioambiental. Atuou como tutor EaD do curso de Gestão Pública da UEL e Coordenador de Tutoria EaD do curso de Gestão Pública da UFRGS. Atua como Capacitador Técnico e Educador Social no Núcleo Comunitário e Cultural Belém Novo, desenvolvendo o projeto Centro de Recondicionamento de Computadores do Zenit - Parque Científico e Tecnológico da UFRGS. Contabilidade Gerencial Leandro Salatti dos Santos Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Luterana do Brasil - ULBRA (1992), Especialização em Contabilidade Avançada pela Fundação Getúlio Vargas - FGV (1997), MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral - FDC (2001) e Mestre em Economia, com ênfase em Controladoria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (2005). Professor por mais de 15 anos, das disciplinas de Contabilidade Geral e Introdutória, Contabilidade de Custos, Fundamentos de Gestão Financeira e Auditoria nas Universidades Univates, UCS e Unilasalle. Atualmente atua como professor conteudista do programa de Ensino a Distância - EAD da Universidade La Salle. Seja bem-vindo à disciplina de Contabilidade Gerencial. Neste livro iremos estudar os temas que envolvem a natureza da Contabilidade Gerencial; lucro empresarial e variação de preços; alavancagem operacional, financeira e combinada; informaçõescontábeis para decisões especiais; aplicação de métodos quantitativos na Contabilidade Gerencial; orçamento operacional, financeiro e de capital; níveis de mensuração do resultado: por cliente, por unidade de negócio, grupos de produtos; análise divisional/ preço de transferência interna; decisões com base em custos: lançamentos ou exclusão de produtos; atividades não rotineiras; e a formação do preço de venda. Ao longo de nossa caminhada, vamos compreender as operações contábeis de uma empresa; o uso de métodos quantitativos no auxílio para tomada de decisões mais assertivas; o desenvolvimento de relatórios contábeis; a avaliação de resultados e custos da contabilidade gerencial; e a capacidade de desenvolver a formação do preço de venda de produto/serviço de uma empresa. Na Unidade 1 (Caracterização da Contabilidade Gerencial), você irá entender o sistema da contabilidade gerencial através de conceitos importantes da área. Na Unidade 2 (Aplicação de métodos quantitativos na Contabilidade Gerencial), você irá conhecer os métodos quantitativos aplicados na contabilidade. Na Unidade 3 (Análise dos resultados contábeis), você irá compreender as etapas de uma análise de relatórios contábeis aplicados no gerenciamento de um negócio. E, por fim, na Unidade 4 (Custos: decisões estratégicas na contabilidade), você irá conhecer os métodos de custos que podem ser aplicados no processo gerencial e que podem afetar nas decisões estratégicas da empresa. Bons estudos! APRESENTANDO A DISCIPLINA Sumário UNIDADE 1 Caracterização da Contabilidade Gerencial ..............................................................................................................9 Objetivo Geral ............................................................................................................................................................9 Objetivos Específicos ................................................................................................................................................9 Questões Contextuais .................................................................................................................................................9 1.1 Contabilidade Gerencial: Conceitos e Aplicações ................................................................................................ 10 1.1.1 Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira: Principais Diferenças ...............................................................12 1.1.2 Contador Gerencial ..................................................................................................................................................14 1.2 Lucro Operacional ................................................................................................................................................. 18 1.2.1 Cálculo ....................................................................................................................................................................19 1.3 Alavancagem ......................................................................................................................................................... 22 1.4 Tomada de Decisão ............................................................................................................................................... 25 Síntese da unidade ...................................................................................................................................................27 Referências ...............................................................................................................................................................28 UNIDADE 2 Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial ..........................................................................31 Objetivo Geral ..........................................................................................................................................................31 Objetivos Específicos ..............................................................................................................................................31 Questões Contextuais ...............................................................................................................................................31 2.1 Métodos Quantitativos: Conceitos e Tipologias ................................................................................................... 32 2.1.1 Estatística Descritiva ...............................................................................................................................................35 2.1.2 Teoria da Probabilidade ...........................................................................................................................................36 2.1.3 Estatística Inferencial ou Amostragem .....................................................................................................................36 2.1.4 Tipologias dos Métodos Quantitativos ......................................................................................................................38 2.2 Orçamento ............................................................................................................................................................. 40 2.2.1 Orçamento Operacional ...........................................................................................................................................42 2.2.2 Orçamento Financeiro .............................................................................................................................................44 2.2.3 Orçamento de Capital ..............................................................................................................................................45 2.3 Métodos Quantitativos: Aplicação Prática ........................................................................................................... 46 2.3.1 Matriz de Decisão....................................................................................................................................................47 2.3.2 Teste de Hipóteses ..................................................................................................................................................48 2.3.3 Regressão Linear ....................................................................................................................................................50 2.3.4 Programação Linear ................................................................................................................................................53 Síntese da unidade ...................................................................................................................................................55 Referências ...............................................................................................................................................................56 UNIDADE 3 Análise dos Resultados Contábeis ...........................................................................................................................57 Objetivo Geral ..........................................................................................................................................................57 Objetivos Específicos ..............................................................................................................................................57 Questões Contextuais ...............................................................................................................................................57 3.1 Introdução ............................................................................................................................................................. 58 3.2 Os Níveis de Apuração de Resultados ..................................................................................................................59 3.2.1 Finalidades da Contabilidade por Responsabilidade .................................................................................................60 3.2.2 Departamentalização ...............................................................................................................................................61 3.2.3 Gastos Controláveis e Gastos não Controláveis ........................................................................................................63 3.3 Análise dos Resultados Divisionais ...................................................................................................................... 65 3.4 Análise dos Preços de Transferência Interna ....................................................................................................... 67 3.4.1 Preço de Transferência com Base no Custo .............................................................................................................68 3.4.2 Preço de Transferência com Base no Preço de Mercado ..........................................................................................70 3.4.3 Diferença Entre os Métodos de Custos e de Mercado ..............................................................................................72 Síntese da unidade ...................................................................................................................................................80 Referências ...............................................................................................................................................................81 UNIDADE 4 Decisões Estratégicas na Contabilidade .................................................................................................................83 Objetivo Geral ..........................................................................................................................................................83 Objetivos Específicos ..............................................................................................................................................83 Questões Contextuais ...............................................................................................................................................83 4.1 A Abordagem de Custos no Processo Decisório das Empresas .......................................................................... 84 4.1.1 Terminologias Utilizadas na Contabilidade de Custos ...............................................................................................85 4.2 Classificação dos Custos ...................................................................................................................................... 90 4.2.1 Direcionadores de Custos ........................................................................................................................................91 4.2.2 Comportamento dos Custos Fixos ............................................................................................................................92 4.2.3 Métodos de Custeio .................................................................................................................................................93 4.2.4 Custeio Variável ou Direto ........................................................................................................................................94 4.2.5 Margem de Contribuição .........................................................................................................................................96 4.2.6 Análise Custo-Volume-Lucro..................................................................................................................................102 4.3 Formação do Preço de Venda ............................................................................................................................. 110 4.3.1. Formação do Preço de Venda a Partir dos Custos ..................................................................................................111 4.3.2 Aplicação de Markups ..........................................................................................................................................113 4.3.3 Markup Aplicado sobre o Método de Custeio por Absorção ....................................................................................113 4.3.4 Markup Aplicado sobre o Metodo de Custeio Variável ............................................................................................118 Síntese da unidade .................................................................................................................................................119 Referências .............................................................................................................................................................121 Caracterização da Contabilidade Gerencial Prezado estudante, Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina. OBJETIVO GERAL Entender o sistema da Contabilidade gerencial através de conceitos importantes da área. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Compreender a natureza da Contabilidade Gerencial; • Entender o conceito e cálculo do lucro operacional e as variações de preço em uma empresa; • Diferenciar os tipos de alavancagem: operacional, financeira e combinada; • Analisar informações contábeis para auxiliar na tomada de decisão na Contabilidade Gerencial. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. O que é a Contabilidade Gerencial? 2. Qual sua aplicabilidade perante às organizações? 3. Como se dá o cálculo do lucro operacional? 4. O que é alavancagem e quais os tipos aplicados às organizações? 5. De que forma a contabilidade pode auxiliar no processo decisório? unidade 1 CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes10 1.1 Contabilidade Gerencial: Conceitos e Aplicações Diretamente associada à tomada de decisão, a Contabilidade Gerencial configura o processo de identificação, mensuração, análise e comunicação de informações financeiras à administração, visando a assertividade das decisões e o desenvolvimento da organização. Figura 1.1 – Tomada de Decisão. Fonte: Freepik (2019). Voltada essencialmente ao público interno da organização, a Contabilidade Gerencial surgiu com o propósito de subsidiar os níveis tático e estratégico, direcionando- os no que tange ao controle e tomada de decisão. Para Atkinson et al. (2000, p. 32), trata-se da “identificação, mensuração, comunicação e análise dos diferentes eventos econômicos das empresas”. Sua relevância, nesse sentido, está atrelada à geração e gerenciamento de informações, de desempenho e performance. No que tange ao desenvolvimento histórico da Contabilidade Gerencial, Padoveze (1999), a partir da International Federation of Accountants, destaca a existência de quatro estágios, mencionados e detalhados no Quadro 1.1. Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 11 Quadro 1.1 – Estágios da Contabilidade Gerencial. Estágio Período Objetivo 1 Anterior à 1950 Determinação do custo e controle financeiro. 2 1965 (aproximado) Fornecimento de informação para o controle e planejamento gerencial. 3 1985 (aproximado) Redução do desperdício de recursos usados nos processos organizacionais. 4 1995 (aproximado) Geração ou criação de valor através do uso efetivo dos recursos. Fonte: Padoveze (1999, p. 2). Como pode ser observado no Quadro 1.1, os estágios evolutivos referentes à Contabilidade Gerencial se deram a partir de 1965, de modo que, anteriormente, o foco era apenas a determinação do custo e do próprio controle financeiro. Ainda, segundo a International Federationof Accountants (2000), a cada evolução da Contabilidade Gerencial percebe-se um novo conjunto de condições e exigências das quais as organizações são expostas. Atualmente, a Contabilidade Gerencial é vista como parte integral do processo de gestão, capaz de agregar valor ao processo gerencial e nortear as decisões nos níveis tático e estratégico. Utilizada também para fins comparativos, a Contabilidade Gerencial dá condições para que as empresas analisem seu desempenho perante a concorrência e formule suas próprias estratégias de desenvolvimento, permitindo a construção de uma perspectiva de médio e longo prazo. Assim, e de maneira abrangente, as funções da informação gerencial contábil, segundo Atkinson et al. (2000), podem ser condensadas em: A International Federation of Accountants (IFA) se caracteriza como a organização global da profissão contábil, composta por mais de 175 organizações associadas e atuante em 130 países. Saiba mais em: http://gg.gg/fqimk. SAIBA MAIS CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes12 • Controle Operacional - informação sobre a eficiência e qualidade das tarefas executadas; • Controle Administrativo - informação sobre o desempenho de gerentes e unidades operacionais; • Controle Estratégico - informação sobre o desempenho financeiro, tais como movimento do mercado, percepções e preferências dos clientes, inovações tecnológicas, entre outros. 1.1.1 Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira: Principais Diferenças A Contabilidade Gerencial e a Contabilidade Financeira são pilares essenciais à boa administração. Embora compartilhem das mesmas bases teóricas, cada qual possui características próprias, compatíveis com seu escopo e dimensão. Figura 1.2 – Contabilidade Gerencial versus Contabilidade Financeira. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2019). Julgada como essencial ao bom desenvolvimento das organizações, independentemente de seu porte ou ramo de atuação, a Contabilidade Gerencial se difere da Contabilidade Financeira em diversos aspectos - que serão explorados no tópico seguinte. DESTAQUE Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 13 Segundo Iudícibus (2008), a principal diferença entre a Contabilidade Gerencial e a Financeira está no público-alvo. Enquanto a Contabilidade Gerencial restringe-se ao público interno e dedica-se a apoiar o processo decisório; a Contabilidade Financeira visa, principalmente, o público externo, atendendo a legislação societária e fiscal. Outro ponto a ser destacado é o período das análises. Enquanto a Contabilidade Gerencial possibilita uma perspectiva de futuro, norteando as próximas ações e estratégias da empresa, a Financeira concede uma visão histórica, restringindo-se aos fatos passados. De maneira concreta, a Contabilidade Financeira é norteada por uma série de determinações legais e estruturais, e seu principal produto são os relatórios contábeis, entre os quais: Balanço Patrimonial, Demonstrativo de Resultado do Exercício - (DRE) e Demonstrativo de Fluxo de Caixa - (DFC). A Contabilidade Gerencial, por outro lado, considera toda e qualquer informação (interna e externa) que auxilie na tomada de decisão e delineamento de estratégias, como orçamentos, relatórios de desempenho, relatórios de custos, contabilidade por responsabilidade, entre outros. Demarcadas por diferentes conceitos e pela própria legislação, estas vertentes da contabilidade apresentam uma série de especificidades. O Quadro 1.2 apresenta uma visão geral destas especificidades. Quadro 1.2 – Diferenças entre Contabilidade Financeira e Contabilidade Gerencial. Contabilidade Financeira Contabilidade Gerencial Usuários Público Externo – governo, acionistas, credores etc. Público Interno – administradores, gerentes e demais colaboradores. Objetivo Reportar o desempenho financeiro da organização. Fomentar a tomada de decisão e o direcionamento estratégico da organização. Temporalidade Histórica. Corrente. Tipo de Informação Financeiras, somente. Financeiras, processuais, tecnológicas, de desempenho, de clientes, de fornecedores, de parceiros, entre outras. Natureza da Informação Objetiva, auditável, confiável, consistente e precisa. Subjetiva, válida, relevante e acurada. Frequência de Relatórios Periodicamente, conforme o relatório exigido. Periodicamente, conforme a necessidade da organização. Restrições Princípios contábeis. Necessidades gerenciais. Fonte: Coronado (2006); Crepaldi (2012); Iudícibus (2008); Padoveze (1999). CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes14 Conceituada a Contabilidade Gerencial e compreendidas as diferenças entre suas vertentes, abordaremos a seguir o Contador Gerencial. 1.1.2 Contador Gerencial De maneira geral, cabe ao contador “pesquisar, analisar e discernir a par de muito bom senso, todo o sistema de informações econômico-financeiro e patrimonial das Entidades”. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2019, p. 2). Importante mencionar que o rol de atribuições, bem como a definição dos princípios contábeis e sua respectiva abrangência, estão circunstanciados na Resolução n. 560, de 28 de outubro de 1983, do Conselho Federal de Contabilidade que, por sua vez, apoiou-se no Decreto- lei n° 9.295, de 27 de maio de 1946 (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 1983). No que tange, especificamente, à Contabilidade Gerencial, Marion e Ribeiro (2015) afirmam que: O contador gerencial é definido pela International Federation of Accountants como: profissional que identifica, mede, acumula, analisa, prepara, interpreta e relata informações (tanto financeiras quanto operacionais) para uso da administração de uma empresa, nas funções de planejamento, avaliação e controle de suas atividades e para assegurar o uso apropriado e a responsabilidade abrangente de seus recursos. (MARION; RIBEIRO, 2015, p. 25). Dadas as afirmações anteriores, observa-se significativa distinção entre o papel do contador e do contador gerencial, principalmente quanto ao tipo de informação manuseada e analisada por estes profissionais. A profissão de Contador, tal como a criação do Conselho Federal de Contabilidade, foi instituída e regulamentada em 1946, por meio do Decreto- Lei n. 9.295, assinado pelo então Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra. Fonte: Brasil (1946). Disponível em: http://gg.gg/fqioh. DESTAQUE Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 15 Figura 1.3 – Contador Gerencial: informações. Fonte: Freepik (2019). Também chamado de Controller, o Contador Gerencial é conhecido como imprescindível ao bom desenvolvimento das organizações. Isso porque, a informação por ele compartilhada tem o poder de direcionar as ações da empresa e permitir que os resultados almejados sejam alcançados (FREITAS; LUNKES, 2010). Assim, é importante que o profissional responsável pela Contabilidade Gerencial seja regido pela ética e bom senso, destacando-se por sua competência, confidencialidade e credibilidade. Corroborando à ideia mencionada, Garrison, Noreen e Brewer (2013) reafirmam a ética como norteadora do trabalho e reiteram que o Contador Gerencial deve se comprometer com os seguintes quesitos: a) manter um alto nível de competência profissional; b) tratar questões sensíveis com confidencialidade; c) manter a integridade pessoal; e d) divulgar informações de maneira confiável. CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes16 Figura 1.4 – Contador Gerencial: ética como norteadora do trabalho. Fonte: Pixabay (2019). Nesse contexto, os autores Garrison, Noreen e Brewer (2013) citam a Declaração da Prática Profissional Ética (Statement of Ethical Professional Practice), adotada pelo Institute of Management Accountants, dos Estados Unidos, que detalha as responsabilidades éticas dos contadores gerenciais. De maneira abrangente e, além da ética, tem-se como características de um Contador Gerencial, segundo Cardoso et al.(2010): • Alta qualificação; • Profundo conhecimento dos princípios contábeis; • Conhecimento de tecnologias sofisticadas; • Padrão de exigência; • Domínio de operações virtuais; • Desburocratização; Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 17 • Equipe de trabalho de alta confiança; • Automotivação; • Poder de negociação; • Persuasão; • Coragem; • Alta produtividade; • Poder de democratização; • Comunicação assertiva; • Comprometimento. Em resumo, espera-se um profissional qualificado, de maneira teórica e prática, preciso e que aja em defesa dos interesses da empresa, suprindo a necessidade de informação dos gestores e participando ativamente do processo decisório. Caracterizada a figura do Contador Gerencial, ou Controller, abordaremos o Lucro Operacional no próximo tópico. CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes18 1.2 Lucro Operacional Segundo Endeavor (2015, p. 1), “conhecer o lucro operacional da sua empresa é ter a dimensão exata da rentabilidade que ela oferece com as suas operações”. Isso porque, para se chegar a este resultado é preciso excluir todas as despesas inerentes à operação ou manutenção da organização. Figura 1.5 – Lucro Operacional. Fonte: Freepik (2019). Trata-se, segundo o Decreto n. 9.580, de 22 de novembro de 2018 (BRASIL, 2018), do resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica. Em outros termos, o Lucro Operacional é o lucro que vem, exclusivamente, da operação da empresa, descontando o rol de despesas relativas à organização. O Lucro Operacional também é conhecido como LAJIR (lucro antes dos juros e imposto de renda) ou EBIT (earnings before interest and taxes). Fonte: Endeavor (2015). DESTAQUE Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 19 A importância de sua mensuração, segundo Crepaldi (2012), está na capacidade de avaliar a geração de receita da empresa, considerando o peso e relevância das despesas. Diante disso, apresenta-se a estruturação e exemplificação do cálculo. 1.2.1 Cálculo Para calcular o Lucro Operacional, devemos conhecer essencialmente três valores principais: o lucro bruto, as despesas operacionais e as receitas operacionais, especificados a seguir: • Lucro bruto, primeiramente, é o resultado das vendas realizadas pela empresa; • Despesas operacionais são aquelas relacionadas à atividade primária da empresa, como devoluções, descontos e impostos; • Receitas operacionais constituem-se de outras receitas que não estejam diretamente ligadas à atividade principal da empresa, como aluguel de imóveis, por exemplo. De maneira detalhada, apresenta-se o seguinte cálculo: Quadro 1.3 – Cálculo Detalhado. Receita Operacional Bruta (-) Deduções da Receita Bruta Devoluções de Vendas Descontos sobre Vendas Impostos diretos sobre Vendas (ICMS, PIS/ COFINS, ISS) (=) Receita Operacional Líquida (-) Custos da Mercadoria Vendida ou Serviços Prestados (=) Lucro Operacional Bruto (-) Despesas Operacionais Despesas Comerciais Despesas Administrativas Despesas Operacionais (+) Receitas Operacionais (=) Lucro Operacional Líquido Fonte: Elaborado pelo autor (2019). CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes20 Vejamos um exemplo: Analisando o desempenho de sua empresa no mês de outubro, Vivian encontra as seguintes informações: • Foram vendidos R$ 10.000,00 em peças de informática; • Devolvidos R$ 200,00 em produtos vendidos; • Concedidos R$ 300,00 em descontos; e • Pagos R$ 2.000,00 em impostos. Resultado: Receita Operacional Bruta R$ 10.000,00 (-) Deduções da Receita Bruta Devoluções de Vendas R$ 200,00 Descontos sobre Vendas R$ 300,00 Impostos diretos sobre Vendas R$ 2.000,00 Receita Operacional Líquida R$ 7.500,00 Para avançarmos, considere que o Custo da Mercadoria Vendida é de R$ 1.500,00. Resultado: Receita Operacional Líquida R$ 7.500,00 (-) Custos da Mercadoria Vendida ou Serviços Prestados R$ 1.500,00 Lucro Operacional Bruto R$ 6.000,00 Custo da Mercadoria Vendida, ou CMV, como é popularmente conhecido, é a soma das despesas para produzir e armazenar determinada mercadoria, até que a venda seja realizada. Fonte: Endeavor (2017). SAIBA MAIS Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 21 Ao analisar as despesas, Vivian somou os valores referentes a remuneração dos colaboradores, aluguel, energia, internet e demais despesas e chegou ao total de R$ 2.000,00. Também calculou as receitas operacionais não ligadas à atividade operacional da empresa. Neste caso, o aluguel de um imóvel (ativo não circulante/imobilizado), calculado em R$ 1.000,00. Resultado: Lucro Operacional Bruto R$ 6.000,00 (-) Despesas Operacionais R$ 2.000,00 (+) Receitas Operacionais R$ 1.000,00 Lucro Operacional Líquido R$ 5.000,00 O Lucro Operacional Líquido da empresa de Vivian, portanto, foi de R$ 5.000,00. Figura 1.6 – Cálculo do Lucro Operacional. Fonte: Freepik (2019). A par das informações necessárias, pode-se replicar o cálculo para qualquer organização, independentemente do segmento ou porte. No tópico seguinte, falaremos sobre os diferentes tipos de alavancagem. CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes22 1.3 Alavancagem Alavancar, segundo o Dicionário Houaiss (2019, online), pode ser entendido como “dar impulso a; agir a favor de; favorecer o desenvolvimento de; fazer avançar; fomentar, promover, incentivar”. Figura 1.7 – Alavancagem: senso comum. Fonte: Freepik (2019). Tratando-se da contabilidade, especialmente, o termo alavancar remete à alavancagem. Esta medida, no entanto, consiste na utilização de recursos de terceiros em prol do aumento do lucro sobre o capital próprio. Figura 1.8 – Alavancagem: princípios contábeis. Fonte: Freepik (2019). Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 23 Para Dantas (2005), a alavancagem utilizada pelas empresas, representa o uso de recursos externos, tomados a um custo fixo. Esses recursos são provenientes, em sua grande maioria, de empréstimos, financiamentos ou derivativos. O objetivo principal, através da alavancagem, é investir um pequeno esforço, em detrimento de ganhos consideráveis e exponenciais. Baseada em sua formatação, a alavancagem divide-se em três tipos: operacional, financeira e combinada. Na alavancagem operacional, o recurso utilizado não aumenta os custos fixos da empresa. O recurso é utilizado, por exemplo, para compra de maquinário ou outros ativos que impactem no aumento da produção e/ou vendas, de forma que as receitas sejam superiores aos custos fixos e variáveis. A mensuração do impacto, todavia, é realizada a partir do Grau de Alavancagem Operacional (GAO) estruturado conforme abaixo: Figura 1.9 – Grau de Alavancagem Operacional. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). A alavancagem financeira, por outro lado, é a capacidade da empresa utilizar encargos financeiros fixos para aumentar os efeitos do acréscimo do lucro operacional sobre o lucro líquido (BRAGA, 1992). Ou seja, é o aumento do lucro líquido em relação às despesas financeiras. A mensuração de seu impacto é calculada a partir do Grau de Alavancagem Financeira (GAF), resultante da seguinte equação: Figura 1.10 – Grau de Alavancagem Financeira. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). do Lucro ou Resultado Operacional do Volume de Vendas % % GAO= do Lucro Líquido do Lucro ou Resultado Operacional % % GAF= do Lucro Líquido do Volume de Vendas % % GAC= do Lucro ou Resultado Operacional do Volume de Vendas % % GAO= do Lucro Líquido do Lucro ou Resultado Operacional % % GAF= do Lucro Líquido do Volume de Vendas % % GAC= CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes24 A alavancagem combinada, por fim, pressupõe que todas as empresas possuem custos operacionais fixos e estão sujeitas aos efeitos da alavancagem operacional (VIEIRA et al., 2016). O Grau de Alavancagem Combinada (GAC), apresentado abaixo, mensuraos efeitos dos custos fixos totais sobre o lucro líquido, em virtude das variações nas vendas. Figura 1.11 – Grau de Alavancagem Combinada. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Com grandes chances de potenciar o lucro, a alavancagem deve ser utilizada com cautela e baseada em uma análise criteriosa sobre o movimento da empresa e suas projeções operacionais e de faturamento. Cada tipo de alavancagem apresenta seus próprios riscos, variando de acordo com a natureza do recurso. Mas, atenção, nem todas as empresas estão aptas a realizar este movimento. Entendidos dois dos principais conceitos contábeis (Lucro Operacional e Alavancagem) retornaremos ao objetivo principal da Contabilidade Gerencial: o auxílio à tomada de decisão. do Lucro ou Resultado Operacional do Volume de Vendas % % GAO= do Lucro Líquido do Lucro ou Resultado Operacional % % GAF= do Lucro Líquido do Volume de Vendas % % GAC= Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 25 1.4 Tomada de Decisão Segundo Daft (1999 apud PRÉVE et al., 2010), a tomada de decisão consiste em identificar problemas e oportunidades e, então, resolvê-los. Assim, citam duas categorias para as decisões organizacionais: decisões não programadas e decisões programadas. Figura 1.12 – Tipos de decisões. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Decisões não programadas são aquelas cujos problemas não são bem compreendidos, carentes de estruturação e com tendência singular, fora dos procedimentos sistêmicos e rotineiros. (PRÉVE et al., 2010). Decisões programadas, por outro lado, têm seus problemas compreendidos e fortemente estruturados e, normalmente, não fogem à rotina organizacional. Segmentadas em três níveis, as decisões organizacionais podem ser: operacionais, táticas ou estratégicas, variando conforme o nível organizacional e a necessidade de mobilização. Para todos os níveis hierárquicos e todos os tipos de decisões, um fator torna-se determinante: a informação. Decisões Organizacionais Decisões não Programadas Decisões Programadas CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes26 Figura 1.13 – Informação. Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2019). No contexto em que se aplica, a informação contábil tende a auxiliar a gestão organizacional, fornecendo insumos para que esta tome decisões assertivas e eficazes. Corroborando a ideia apresentada, Lacerda (2006, p. 42) afirma “que o papel da Contabilidade Gerencial é gerar informações ao empresário, para que este tome decisões mais acertadas em tempo hábil”. Utilizando-se de relatórios contábeis e mensurando a efetividade dos recursos internos e externos à organização, a Contabilidade Gerencial promove a melhoria contínua de diversas áreas, especialmente no que se refere ao aperfeiçoamento de recursos. Impactando, por conseguinte, no aumento da rentabilidade, redução de custos operacionais e mudanças tecnológicas. Para Dutra (2009), ao utilizar-se da Contabilidade Gerencial, o gestor terá todas as condições necessárias para trabalhar em prol da lucratividade, agregando valor aos administradores, sócios e acionistas. Conclui-se, portanto, que a Contabilidade Gerencial e seus respectivos relatórios, análises e direcionamentos, cabem a qualquer nível hierárquico e a qualquer organização. Valendo-se de fontes internas e externas, tais informações tendem a garantir maior segurança às decisões tomadas, sobretudo no que se refere ao delineamento de estratégias e a otimização de recursos. Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 27 SÍNTESE DA UNIDADE • A Contabilidade Gerencial configura o processo de identificação, mensuração, análise e comunicação de informações financeiras à administração, visando a assertividade das decisões e o desenvolvimento da organização; • Voltada ao público da organização, tais como administradores, gestores e demais colaboradores, a Contabilidade Gerencial surgiu com o propósito de subsidiar a tomada de decisão, principalmente nos níveis tático e estratégico; • O Lucro Operacional consiste no lucro que vem, exclusivamente, da operação da empresa, descontadas as despesas operacionais; • Por alavancagem, entende-se a utilização de recursos de terceiros, com vistas ao aumento do lucro sobre o capital próprio. Seus tipos são: operacional, financeira e combinada; • Tratando-se especificamente do processo decisório, a Contabilidade Gerencial pode auxiliar a partir de relatórios, baseados em fontes internas e externas, visando a melhoria contínua e a otimização de recursos. CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes28 REFERÊNCIAS ATKINSON, A. A.; BANKER, R. D.; KAPLAN, R. S.; YOUNG, S. M. Management accounting. 2. Ed. New Jersey: Prentice-Hall, 2000. BRAGA, R. Fundamentos e técnicas de Administração Financeira. São Paulo: Atlas, 1992. BRASIL. Decreto-Lei n. 9.295, de 27 de maio de 1946. Cria o Conselho Federal de Contabilidade, define as atribuições do Contador e do Guarda-livros, e dá outras providências. 1946. Disponível em: http://gg.gg/fqivn. Acesso em: 31 out. 2019. BRASIL. Decreto n. 9.580, de 22 de novembro de 2018. Regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. 2018. 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Influências das medidas econômicas na competitividade industrial das médias e grandes empresas do setor alimentício dos estados da Bahia, Pernambuco Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Tese (Doutorado em Estratégias Empresariais). Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2001. DICIONÁRIO HOUAISS. Alavancar. 2019. Disponível em: http://gg.gg/fqiwc. Acesso em: 26 out. 2019. DUTRA, R. G. Custos: uma abordagem prática. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2009. ENDEAVOR. CMV: seu produto vendido também tem um custo, você está prestando atenção nisso? 2017. Disponível em: http://gg.gg/fqiwi. Acesso em: 31 out. 2019. Caracterização da Contabilidade Gerencial | UNIDADE 1 29 ENDEAVOR. Lucro operacional: o que é e como calcular? 2015. Disponível em: http://gg.gg/fqiwl. Acesso em: 22 out. 2019. FREITAS, C. L.; LUNKES, R. J. O perfil do controller ou contador gerencial na tomada de decisão: um estudo no setor hoteleiro de Florianópolis. Anais do XVII Congresso Brasileiro de Custos. 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OBJETIVO GERAL Permitir o conhecimento aos alunos dos métodos quantitativos aplicados na contabilidade. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Entender a importância e quais são os principais métodos quantitativos aplicados na Contabilidade Gerencial; • Compreender conceitos e a diferença de orçamento operacional, financeiro e de capital; • Aplicar os métodos quantitativos nas empresas de forma assertiva. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. O que são métodos quantitativos? 2. Quais métodos são aplicados à Contabilidade Gerencial? 3. Em que consiste o orçamento? 4. Quais os tipos de orçamento contemplados pela Contabilidade Gerencial? 5. De que forma ocorre a aplicação dos métodos quantitativos? unidade 2 CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes32 2.1 Métodos Quantitativos: Conceitos e Tipologias Nas ciências e nos estudos, em geral, há o emprego de duas grandes perspectivas de coleta e análise de dados: os chamados métodos quantitativos e qualitativos. Cada um deles compreende um conjunto de ferramentas específicas para lidar com diversas situações de pesquisa do cotidiano. Nesta Unidade vamos focar exclusivamente nos métodos quantitativos, mas é importante que você saiba que há outras possibilidades. Portanto, os métodos quantitativos buscam realizar a análise de dados através da quantificação das informações coletadas e do tratamento delas por meio de técnicas estatísticas (PEREIRA, 2014). Com isso, evitam-se os famosos “achismos” ao apresentar dados concretos que corroboram ou refutam determinada afirmação sobre a posição da organização. Figura 2.1 – Métodos quantitativos. Fonte: Freepik (2019). Na contabilidade, a utilização desse tipo de método tende a facilitar o trabalho do planejamento estratégico, pois retiram-se inferências objetivas dos conjuntos de dados. Em posse desse tipo de informação, a organização pode se antecipar aos concorrentes, prever mudanças no mercado e até projetar e simular decisões. Inclusive, a constante Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 33 integração entre a contabilidade e a estatística têm sido chamada de contabilometria, a qual procura produzir informações relevantes para o desenvolvimento da gestão (PEREIRA, 2014). Outro ponto que pode ser ressaltado no uso dos métodos quantitativos é a possibilidade de diminuir os aspectos subjetivos da decisão, como, evitar os desvios de interpretação de eventos econômicos, entre outros. Vale lembrar que o contexto organizacional geralmente apresenta recursos escassos, o que implica na necessidade de se atingir a eficiência e a eficácia. Como a contabilidade é uma das atividades relacionadas a gestão organizacional, ela também deve ser conduzida de modo a buscar esses efeitos e resultados. Assim, ela também está condicionada a aplicação de métodos quantitativos, como forma de lidar com a tomada de decisão sob condições de incertezas, aprimorando o processo de gestão. Sobre as condições de tomada de decisão, é importante frisar que a decisão tomada sob uma condição de certeza não apresenta qualquer problema, pois há total clareza do contexto e do que precisa ser feito, levando a uma decisão acertada sobre a situação que se interpõe. Porém, no caso de se tomar a decisão sob a condição de incerteza é que reside a maior utilidade dos métodos quantitativos ao atuar na redução justamente da incerteza. Figura 2.2 – Incerteza na tomada de decisão. Fonte: Freepik (2019). CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes34 Nestas condições, não há um único curso de ação a ser tomado, mas sim vários cursos que denotam possibilidades futuras. Cada uma dessas possibilidades fica representada por uma probabilidade de ocorrência, e ao tomador da decisão, cabe a tarefa de optar pelo caminho que traga mais benefícios para a empresa. Nesse sentido, a contabilidade pode oferecer melhores leituras da realidade da organização devido ao seu acesso aos dados da empresa e do mercado. Essa situação fica ainda mais evidente em empresas de menor porte, que não contam com uma área exclusiva de análise de mercado. Por tudo que foi evidenciado, percebemos que o caminho que constrói os métodos quantitativos na Contabilidade Gerencial é pautado na estatística e, dela utiliza muitas ferramentas analíticas como as médias, o desvio padrão, os coeficientes de variação, entre outras. Figura 2.3 – Cálculos e definições de estratégias. Fonte: Freepik (2019). Por sua vez, o estudo estatístico pode ser dividido em três frentes: a estatística descritiva; a teoria da probabilidade e a estatísticas inferencial ou de amostragem. Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 35 2.1.1 Estatística Descritiva Esse tipo de estatística tem como objetivo o emprego de técnicas para sumarizar e apresentar, de forma sintética, um conjunto de dados. Geralmente, os dados coletados e agrupados acabam não dizendo nada quando olhamos para eles, por isso, a aplicação destas técnicas de organização e sistematização são fundamentais para extrair informações úteis dos dados. Figura 2.4 – Dados. Fonte: Freepik (2019). Para exemplificar, imagine o censo populacional (pesquisa sobre as características da população de um determinado país). Se colocássemos uma tabela contendo a altura de todas as pessoas pesquisadas, veríamos um monte de números e seria até difícil conseguir dizer algo sobre essa população. Porém, se extraíssemos a média desses dados, veríamos um único número (sumarização) e poderíamos dizer que essa população tem em média a altura dada por esse número. Assim, outras pessoas entenderiam que podem haver pessoas altas ou baixas, mas que em geral elas ficam próximas à média encontrada, sendo essa uma forma de descrever a altura da população pesquisada (PEREIRA, 2014). Por fim, vale ressaltar que os dados sumarizados podem ser visualizados de duas formas: por um número representativo ou por imagens representativas. Os números representativos podem ser expressos na unidade dos dados colhidos (altura em metros, CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes36 média em metros) ou vislumbrados através de representações de proporção (altura em metros e agrupamentos semelhantes em porcentagem). No caso de representação por imagem, produzem-se os gráficos em diferentes formatos e tamanhos, de modo que a figura resultante desse processo já expressa a informação obtida através da sumarização dos dados. 2.1.2 Teoria da Probabilidade Ela fundamenta a estatística inferencial, pois fornece a base teórica para o estudo dos eventos aleatórios e da possibilidade de se prever as ocorrências. Nestas condições, estudamos as probabilidades de umdeterminado evento ocorrer dada a possibilidade de uma repetição. Essa teoria é bastante usada na Teoria da Decisão, pois pauta a decisão a partir da probabilidade de um determinado evento ocorrer ou não (PEREIRA, 2014). 2.1.3 Estatística Inferencial ou Amostragem Fazendo uma analogia com a culinária, quando quer saber se uma receita ficou boa, você pega uma colher, serve um pouco e prova. Ao descobrir se aquele pouco está bom ou não, você logo conclui sobre o resto da receita. Figura 2.5 – Amostragem na Cozinha. Fonte: Freepik (2019). Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 37 Logo, é esse o movimento feito na estatística inferencial, onde através de uma amostra se chega a conclusões sobre a população. Um exemplo clássico dessa situação são as pesquisas eleitorais, onde elegem um conjunto de pessoas aleatoriamente para questionar sobre as eleições e a apresentam no noticiário como sendo a representação da opinião de toda a população. Para que se possa extrapolar as conclusões da amostra para a população, é necessário tomar certos cuidados que evitam a contaminação da análise. Nesse sentido, é importante dizer que mesmo seguindo rigorosamente esses cuidados, sempre haverá um grau de incerteza, mas que esse pode ser reduzido a ponto de garantir que o que ocorre na amostra, realmente ocorre na população (PEREIRA, 2014). Portanto, a estatística inferencial diminui o trabalho que teria aquele que deseja pesquisar uma grande população, ao tentar obter os dados de cada uma das pessoas, ou mesmo, aquela empresa que deseja fazer o controle de qualidade sobre a grande produção diária, mas que é impossível medir cada um dos produtos, além de ser bem oneroso fazer isso do ponto de vista financeiro. Figura 2.6 – Controle de Qualidade. Fonte: Freepik (2019). CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes38 Assim, percebemos que não tem como falarmos em método quantitativo, sem referir a estatística e ao estudo sistematizado de dados ou amostras de dados, bem como sobre a forma clara e objetiva de visualização e demonstração desses dados. Dessa forma, a estatística busca trabalhar com conjuntos de dados para produzir informações relevantes para o planejamento estratégico e a tomada de decisão, e sua aplicação na contabilidade gera uma sinergia interessante entre ambas. 2.1.4 Tipologias dos Métodos Quantitativos Neste tópico apresentamos alguns métodos quantitativos que podem ser utilizados na Contabilidade Gerencial. Cada um deles pode ser empregado em diferentes contextos, mas no fundo são traduções da realidade organizacional em números, de modo a facilitar o processo de tomada de decisão (PEREIRA, 2014). Figura 2.7 – Métodos quantitativos: tipologias. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Matrizes de Decisões: trata-se uma forma de abordar o processo decisório de forma sistemática. Na matriz, as linhas representam o conjunto de alternativas que podem ser escolhidas, enquanto que as colunas representam os cenários possíveis aos quais o decisor não tem qualquer controle. O cômputo de cada cruzamento de uma alternativa e um cenário gera a matriz decisória. Matrizes de Decisões Teste de Hipóteses Regressão Linear Programação Linear Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 39 Teste de Hipóteses: busca verificar se os dados obtidos são compatíveis com uma determinada hipótese ou são contrários a ela. Geralmente as hipóteses são formuladas a partir dos parâmetros de uma ou mais populações e o método visa apoiar ou refutar essa hipótese, a partir das evidências obtidas dos dados amostrais. Regressão Linear: uma coisa é saber que existe uma associação entre duas variáveis, outra, bem diferente, é afirmar que há uma relação de causa e efeito entre elas. Quando se quer demonstrar esse último, recorre-se ao método de regressão linear, onde uma das variáveis é independente, enquanto que a outra é dependente. Em suma, ela é bastante usada de duas formas: quando se deseja fazer previsões (prever valor de uma a partir do valor da outra), ou quando se deseja verificar o poder de influência de uma variável (quanto uma influencia o comportamento da outra). Programação Linear: quando se deseja trabalhar com o princípio da otimização utiliza-se a programação linear. Em geral, estão relacionados a distribuição eficiente de recursos para atender um objetivo. O resultado pode ser um conjunto de valores, mas geralmente privilegiam-se o maior lucro ou menor custo. Portanto, o uso dos métodos quantitativos na Contabilidade Gerencial, se abre em várias possibilidades de coleta e análise de dados e no uso de técnicas para determinadas finalidades. CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes40 2.2 Orçamento Orçamento, segundo o Dicionário Houaiss (2019, online), pode ser definido como “o ato ou efeito de orçar, de calcular, de estimar”. Seu conceito e aplicação pode referir- se à: • Avaliação ou cálculo aproximado de custo (obra, empreendimento, serviço etc.); • Cálculo da receita e da despesa; • Cálculo da partilha de um imóvel sujeito a processo divisório. Figura 2.8 – Orçamento. Fonte: Freepik (2019). Na contabilidade, especificamente, o orçamento é conhecido como um conjunto de medidas que tem como propósito a execução de metas e objetivos, implementados pela administração da empresa e seus respectivos gestores. Compartilhando objetivos e propósitos, sua relação com a Contabilidade Gerencial, foco desta Unidade, se estabelece no caráter orientativo e direcionador de sua atuação - ambos ligados ao processo decisório e apoio à gestão. Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 41 Para Padoveze (2012, p. 263), trata-se do “sistema de mensuração econômica do planejamento das operações da empresa para um determinado período, em nível global e setorial, com o objetivo de coordenar e controlar essas operações e o resultado planejado”. Sua execução, segundo Padoveze (2012), está diretamente associada ao processo de planejamento estratégico, estruturado conforme a figura a seguir. Figura 2.9 – Planejamento Estratégico & Orçamento. Fonte: Adaptado de Padoveze (2012, p. 25). No que tange às características do orçamento, Padoveze (2012) destaca que: [...] a) trata-se de um sistema formal que atinge toda a hierarquia da empresa; b) reproduz as estruturas operacionais - existentes e planejadas; c) subordinado à estrutura contábil, de planos de contas e centros de custos, despesas e receitas; d) incorporado ao sistema de informação contábil; e) organizado anualmente e dividido impreterivelmente em 12 meses; f) consolidado a partir de um orçamento das demonstrações contábeis básicas. (PADOVEZE, 2012, p. 26). Estruturado de acordo com o modelo de gestão organizacional e o perfil do negócio, o orçamento deve ser adequado às necessidades da empresa, de forma que suas limitações e particularidades sejam respeitadas. O Planejamento Estratégico ou Planejamento Empresarial, como também é conhecido, consiste numa metodologia gerencial que possibilita o direcionamento da organização (KOTLER, 1975). DESTAQUE Planejamento Estratégico Planejamento Operacional ou Tático Planejamento de curto prazo ou programação Execução Controle Orçamento CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes42 Além disso, diferentes tipos de planejamento são mencionados no rol bibliográfico da contabilidade. Dentre os quais destacam-se: o operacional, o financeiro e o de capital, explorados no subtópico seguinte. Figura 2.10 – Tipos de orçamento. Fonte: Freepik (2019). 2.2.1 Orçamento Operacional O orçamento operacional ou orçamento de operações - como também é conhecido - é uma ferramenta de gestão cujo objetivo é apresentar uma visão geral dos custos de funcionamento do negócio. Segundo Zdanowicz (2001), o orçamento operacional tende a auxiliar no processo decisório,uma vez que evidencia os mais diversos custos e receitas provenientes das atividades da empresa. Sua estrutura, nesse sentido, compreende os seguintes orçamentos: • Orçamento de vendas; • Orçamento do estoque final; • Orçamento de fabricação; • Orçamento de custos dos materiais; • Orçamento de mão de obra; Financeiro Op er ac ion al Capital ORçamento Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 43 • Orçamento dos custos indiretos de fabricação; e • Orçamento de despesas departamentais. Figura 2.11 – Orçamento Operacional. Fonte: Freepik (2019). Envolvendo toda a organização e suas respectivas operações - ligadas à produção ou não -, o orçamento operacional compreende as diferentes estruturas hierárquicas da empresa, respondendo pelas áreas administrativa, comercial e de produção (PADOVEZE, 2012). Um dos pontos mais relevantes sobre o orçamento operacional, segundo Padoveze (2012), consiste na previsão de vendas – utilizada para adiantar-se às demandas do mercado e projetar possíveis cenários. Para tanto, é necessário considerar, além das informações internas, todo o contexto o qual a empresa encontra-se inserida, analisando a concorrência, as políticas econômicas e o movimento dos stakeholders. O termo Stakeholder foi criado pelo filósofo Robert Edward Freeman, em 1963. Stakeholder, segundo o autor, é “qualquer grupo ou indivíduo que pode afetar ou ser afetado pela realização dos objetivos da organização (FREEMAN, 1984, p. 25). GLOSSÁRIO CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes44 2.2.2 Orçamento Financeiro Para Frezatti (2009), o orçamento financeiro traduz em valores monetários tudo aquilo que foi orçado na etapa operacional. Sua estruturação, assim como o orçamento operacional, se compõe de diferentes orçamentos, conforme a seguir: • Orçamento de investimentos; • Orçamento de financiamentos; • Orçamento de caixa; • Projeção das demonstrações financeiras; e • Análise financeira das projeções. Seu objetivo, segundo Padoveze (2012), é discriminar as receitas e despesas, conforme sua origem, e realizar a previsão de entradas e saídas, considerando sobretudo a delimitação de períodos. Figura 2.12 – Orçamento Financeiro. Fonte: Freepik (2019). Ainda, segundo Padoveze (2012), a utilização desta ferramenta possibilita uma maior proatividade por parte das empresas, visto que estas conseguem antecipar-se às demandas por recursos financeiros. Sua atitude, diante disso, deve ser pautada pela cautela e atenção ao gerenciamento do fluxo de caixa. Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 45 2.2.3 Orçamento de Capital O orçamento de capital é o processo de avaliação, classificação e seleção dos investimentos de longo prazo a ser realizado pelas empresas. O objetivo deste processo é quantificar os recursos e mensurar os riscos envolvidos, analisando os possíveis retornos e incrementos ao caixa da empresa. Figura 2.13 – Orçamento de Capital. Fonte: Freepik (2019). Segundo Padoveze (2012), o orçamento de capital auxilia sobremaneira o processo decisório, haja vista que o investimento em determinado ativo deve considerar uma série de informações e projeções. Importante frisar que, apenas os investimentos permanentes são considerados pelo orçamento de capital. Investimentos temporários, ainda que de natureza financeira, não são considerados e tratados por esta ferramenta. CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes46 2.3 Métodos Quantitativos: Aplicação Prática Para avançarmos no assunto, vamos apresentar algumas aplicações práticas para ilustrar o uso dos métodos quantitativos na Contabilidade Gerencial. Figura 2.14 – Métodos quantitativos: aplicação. Fonte: Freepik (2019). Vale ressaltar que há mais métodos do que os aqui expostos e, portanto, cabe ao aluno se aprofundar nesse assunto. Para isso, leia o livro “Métodos Quantitativos Aplicados à Contabilidade”, de Adriano Toledo Pereira, que está incluído nas referências. SAIBA MAIS Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 47 2.3.1 Matriz de Decisão A matriz de decisão é uma ferramenta que ajuda a organizar e a calcular as alternativas, indicando qual é o melhor caminho a ser tomado. De posse das probabilidades de ocorrência dos eventos é possível estabelecer um estudo sistemático que conduz a uma melhor tomada de decisão (PEREIRA, 2014). Vamos ao exemplo: uma empresa de contabilidade quer fazer uma estratégia para obter novos clientes, e por isso, buscou observar o comportamento de entrada dos clientes. O estudo histórico dos dados permitiu estabelecer as probabilidades elencadas na tabela a seguir: Tabela 2.1 – Estudo de novos clientes. NOVOS CLIENTES MENSAIS Demanda Mês 0 1 2 3 Probabilidade 0,3 0,4 0,2 0,1 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Temos a informação de que cada novo cliente custa R$ 3 mil, mas quando ele entra, faz um aporte inicial de R$ 5 mil e, portanto, ele gera um lucro inicial de R$ 2 mil. Por outro lado, cada cliente que durante o processo desiste, custa R$ 1 mil. Além disso, pela análise histórica sabe-se que um contador pode atender conforme as situações: não poder atender nenhum cliente (0), ou no máximo (3), considerando os valores intermediários (1) e (2). A tabela de ganhos obtidos com cada situação pode ser construída da seguinte forma: a. Cada cliente que veio e foi atendido, o escritório ganha R$ 2 mil (lucro); b. Cada cliente que veio e não pôde ser atendido, o escritório perde R$ 1 mil (desistência); c. Cada contador que tem espaço para atender um novo cliente e este não vêm perde R$ 2 mil (lucro que deixa de ganhar); e, por fim, d. Cada valor da alternativa é calculado multiplicando o valor da célula pela sua probabilidade de ocorrência. CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes48 Tabela 2.2 – Matriz de Decisão do Problema. Novos Clientes 0 1 2 3 Valor da AlternativaProbabilidade 0,3 0,4 0,2 0,1 Contador consegue atender 0 0 -1 mil -2 mil -3 mil -1.100,00 1 -2 mil 2 mil 1 mil 0 400,00 2 -4 mil 0 4 mil 3 mil -100,00 3 -6 mil -2 mil 2 mil 6 mil -1.600,00 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Pela matriz de decisão da situação da contabilidade, a melhor alternativa é aquela que dá um retorno de R$ 400,00. Nessa situação, a empresa deve manter um contador com a agenda livre para poder atender uma nova empresa por mês. É importante frisar que, inicialmente, sem os cálculos, parece ser interessante obter todo mês três empresas e manter o atendente livre para as três, mas dado que isso ocorre somente em 10% das vezes, o resultado é desastroso, sendo a alternativa que leva a maior perda de dinheiro (R$ 1.600,00). Pelo exemplo, percebemos como a intuição pode levar a uma decisão equivocada sobre a situação que se dispõe. Por isso, é fundamental o tratamento com métodos quantitativos. 2.3.2 Teste de Hipóteses O teste de hipóteses busca estudar sistematicamente se duas populações apresentam ou não determinado componente estatístico. Ainda que sejam situações diferentes de amostragem, é possível com acurácia determinar se essas populações podem ser consideradas iguais ou se diferem significativamente (PEREIRA, 2014). Vamos ao exemplo: um grande escritório contábil está querendo abrir uma filial e, após um longo estudo, chegou-se a conclusão que duas cidades podem receber essa unidade organizacional. Nestas condições, o custo de abrir a unidade em cada uma delas é o que deve guiar a tomada de decisão. Apesar disso, é fato que cidades com custos diferentes geralmente apresentam rendas distintas também e, para evitar uma decisão equivocada, o escritório colheu duas amostras diferentes em cada uma das cidades, obtendo os seguintes dados: Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 49 Na primeira amostra foram pesquisadas 35 empresas dentre as quais a média foi de R$ 5.000,00em custos, com um desvio-padrão de R$ 670,00. Na segunda amostra, com 40 empresas, foi verificada uma média de R$ 5.350,00 em custos, com desvio padrão de R$ 690,00. Nestas condições, a pergunta a ser respondida é: a média dos custos das cidades são iguais ou não? Assim: • Hipótese Nula (H0): m1 = m2 • Hipótese Alternativa (H1): m1 ≠ m2 d = o valor da diferença encontra em análises já realizadas, mas como não foi mencionado nada sobre isso, admitimos ele como sendo d = 0 Zcal = (X1 + X2 – d √ s2 + s2 1 2 n1 n2 ( Zcal = (5.000 – 5.350) – 0 √ 6702 35 690240+ Zcal = – 350 √ 448.900 35 + 476.10040 Zcal = √ 12.825,71 + 11.902,50 Zcal = 157,25 Zcal = – 2,23 – 350 – 350 CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes50 Tomando a tabela Z que geralmente vem nos anexos de qualquer livro de estatística, juntamente com outras tabelas utilizadas nos cálculos, temos que com 95% de significância, o valor de Z é de 1,96 e o valor calculado de Z é de -2,23 o que significa que ele é menor, logo está na área de rejeição da hipótese nula e aceitação da hipótese alternativa. Convertendo para a realidade do problema, com 95% de confiança, podemos admitir que a média de custos entre elas é diferente e, portanto, para a empresa uma cidade é mais vantajosa que a outra. Refinamentos devem ser feitos para escolher em qual delas deve-se abrir o negócio. Pelo exemplo, percebemos o quão útil é essa ferramenta que faz parte do rol de métodos quantitativos. Dessa forma, pudemos averiguar com certa exatidão se a situação era aquilo que se supunha. 2.3.3 Regressão Linear Tomando um conjunto de variáveis, às vezes é importante saber se uma delas apresenta algum tipo de relação com outra, por exemplo, o quanto a diminuição dos custos de produção pode impactar no volume de vendas. Uma das formas de observar isso é com o uso da regressão linear (PEREIRA, 2014). Vamos ao exemplo: uma empresa preocupada com o impacto ambiental de sua produção resolveu determinar a quantidade de lixo gerado. Esse estudo é importante uma vez que ela deseja aproveitar o bom momento do mercado e aumentar sua produção para 800 toneladas. Apesar disso, o que tem preocupado a empresa é o fato de conseguirem lidar com até 70 toneladas de lixo. A empresa deseja aumentar a produção sem nenhum investimento ambiental, porém se for necessário vai se reestruturar para atender a demanda. Considere as fórmulas e o quadro de dados a seguir. Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 51 Quadro 2.3 – Quadro de dados e Cálculos Estatísticos Preliminares. n Xi (produto ton.) Yi (lixo ton.) Xi . Yi Xi2 Yi2 01 251 22 5522 63001 484 02 260 23 5980 67600 529 03 263 23 6049 69169 529 04 265 25 6625 70225 625 05 270 24 6480 72900 576 06 275 26 7150 75625 676 07 300 27 8100 90000 729 08 312 29 9048 97344 841 09 333 29 9657 110889 841 10 345 31 10695 119025 961 Total 2874 259 75306 835778 6791 Média 287,4 25,9 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Sxx = ∑ X 2 – ( ( i ∑ X i 2 n Sxy = ∑ X –. . ( ( i i ∑ X i ( (∑ Y i n Y a Sxy Sxx= y = a . x + b a .–iY iXb = CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes52 Sxx = ∑ X 2 – ( ( i ∑ X i 2 n Sxx = 835778 – ( ( 2874 10 2 Sxx = 835778 – 8259876 10 Sxx = 9790,4 Sxx = 835778 – 825987,6 Sxy = ∑ X –. . ( ( i i ∑ X i ( (∑ Y i n Y Sxy = 75306 – 2874 ∙ 259 10 Sxy = 75306 – 744366 10 Sxy = 75306 – 7443,6 Sxy = 869,4 a Sxy Sxx= a 869,4 9790,4 = a 0,0888= a .–iY iXb = 25,9 – 0,0888 ∙ 287,4b = 25,9 – 25,5215b = 0,3785b = y = a . x + b y = 0,0888x + 0,3785 Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 53 Aplicamos agora o valor desejado de produção para obter o valor de lixo que será produzido. Logo, a produção de 800 toneladas produzirá 71,42 toneladas de lixo. Nestas condições será necessária uma reestruturação, uma vez que a empresa está preparada para lidar com 70 toneladas apenas. Neste exemplo, que vimos anteriormente, foi possível compreender como é possível usar a regressão linear entre os dados para fazer previsões sobre o futuro, e tomar a decisão de modo mais acertado. Procure e estude outros exemplos de regressões. 2.3.4 Programação Linear A programação linear é empregada especialmente para os casos onde é necessário a otimização, maximização ou minimização, as quais são acompanhadas de restrições que precisam ser consideradas no momento do cálculo (PEREIRA, 2014). Vamos ao exemplo: imagine que uma empresa produz o produto X, que rende R$ 150,00 de lucro por unidade, e o produto Y, que rende R$ 100,00 de lucro por unidade, ambos ao dia. Além disso, são necessários o dobro de horas de trabalho para fazer o produto X em relação a Y, enquanto que este último consome quatro vezes mais horas de máquinas do que o produto X para ficar pronto. Assim, percebemos que a empresa atua com certas restrições: • Por exigência do sindicato da categoria, os colaboradores podem exercer apenas 30 horas de trabalho diário. • As máquinas que desenvolvem os aparelhos representam 40 horas de trabalho diário. • São vendidas pela empresa, no máximo, 15 unidades diárias do aparelho X. Diante disso, a empresa busca a maximização dos lucros diários e, por isso, quer saber quais as quantidades diárias de cada um dos produtos. Para resolver esse problema y = 0,0888 ∙ 800 + 0,3785 y = 71,04 + 0,3785 y = 71,42 CONTABILIDADE GERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes54 vamos utilizar a técnica da programação linear, e por isso, devemos expressar a equação do lucro e de restrições. lucro total diário = 150x + 100y Restrições: 2x + y≤30 horas (horas de trabalho) x + 4y≤40 horas (horas das máquinas) x≤15 unidades (venda diária máxima) O primeiro passo para resolver o problema é desenvolver o gráfico considerando todas as restrições apresentadas: Figura 2.15 – Análise gráfica do problema. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). O lucro máximo corresponde ao ponto marcado no gráfico. Nesse ponto, as coordenadas são 10 para o eixo x e 9 para o eixo y. Em posse desses valores, vamos aplicá-los na equação do lucro, obtendo o lucro máximo. lucro máximo diário = 150·10+100·9 lucro máximo diário = 1500 + 900 = 2400 Portanto, o valor máximo que se poderá obter de lucro é R$ 2.400,00. Neste exemplo, pode-se observar como a programação linear contribui para a otimização da situação, buscando o melhor ponto ao se considerarem todas as restrições ao qual a empresa está sujeita. y x 40 40 30 10 Lucro Máximo diário Aplicação de Métodos Quantitativos na Contabilidade Gerencial | UNIDADE 2 55 SÍNTESE DA UNIDADE Os métodos quantitativos possibilitam a análise de dados a partir de uma perspectiva racional e estatística. Na Contabilidade, especificamente, os métodos quantitativos tendem a facilitar a execução do planejamento estratégico, uma vez que sua atuação permite analisar os concorrentes, adiantar-se às mudanças do mercado e simular cenários. No que se refere aos tipos utilizados pela Contabilidade Gerencial, destacam- se: Matrizes de Decisões; Teste de Hipóteses; Regressão Linear; e Programação Linear. Todas, vale ressaltar, são passíveis de desdobramentos teóricos e aplicações práticas. O orçamento é um conjunto de medidas cujo propósito é a execução das metas e objetivos, implementados pela administração da empresa e seus respectivos gestores. Nesse contexto, diferentes tipos de planejamento são mencionados no rol bibliográfico da Contabilidade. Dentre os quais destacam-se: o operacional, o financeiro e o de capital. CONTABILIDADEGERENCIAL | Érik Álvaro Fernandes56 REFERÊNCIAS CORONADO, O. Contabilidade gerencial básica. São Paulo: Saraiva, 2006. CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2012. FREEMAN, R. E. Strategic management: a stakeholder approach. London: Pitman, 1984. FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2009. DICIONÁRIO HOUAISS. Orçamento. 2019. Disponível em: http://gg.gg/ft7bs. Acesso em: 2 nov. 2019. KOTLER, P. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 1975. PADOVEZE, C. L. Contabilidade Gerencial. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2012. PEREIRA, A. T. Métodos Quantitativos Aplicados à Contabilidade. Curitiba: Intersaberes, 2014. ZDANOWICZ, J. E. Orçamento operacional: uma abordagem prática. 2. Ed. Porto Alegre, Sagra, 2001. Análise dos Resultados Contábeis Prezado estudante, Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina. OBJETIVO GERAL Demonstrar ao aluno as etapas de uma análise de relatórios contábeis aplicados no gerenciamento de um negócio. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Compreender os níveis de mensuração dos resultados; • Analisar as operações realizadas de forma divisional; • Analisar o uso do preço de transferência interna como parte dos instrumentos gerenciais das empresas. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. Qual é a importância da alocação de gastos, resultados e até de investimentos por centros de responsabilidade? 2. Quais são as principais técnicas de alocação dos resultados divisionais em empresas de gestão descentralizada? 3. O que são e como se pode definir os preços de transferência interna? unidade 3 CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos58 3.1 Introdução Ao longo da evolução dos mercados e do processo de internacionalização das empresas, muito se tem discutido sobre as vantagens e desvantagens dos movimentos de centralização e da descentralização dos modelos de gestão. Nesta Unidade, você poderá refletir um pouco mais sobre as formas e técnicas contábeis, que podem auxiliar na mensuração do desempenho gerencial em ambientes de gestão descentralizada. É certo que a evolução da tecnologia e dos sistemas de registro contábil trouxeram muitas alternativas para a acumulação de custos. Cada um com as suas características e com suas particularidades. O objetivo central desta Unidade é dar elementos suficientes para que você associe os conhecimentos adquiridos ao longo do curso aos objetivos gerenciais de mensuração dos resultados. Vamos estudar um pouco mais sobre as diferenças entre os tradicionais centros de custos, centros de responsabilidade, centros de resultados e centros de investimento. Também aprofundaremos o conceito de preços de transferência e suas variações, procurando trazer um pouco dos conceitos da Contabilidade de Custos para o contexto da Contabilidade Gerencial. Em muitas situações, a utilização de um método ou de outro pode gerar variações nos incentivos que os gestores possuem para alcançar resultados superiores. Usar o método mais adequado, em última análise, pode significar a chave do sucesso para uma organização, seja ela de que porte for. Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 59 3.2 Os Níveis de Apuração de Resultados Em diferentes níveis de organização ou de especialização, as empresas, em geral, necessitam apurar resultados de suas linhas de produtos, regiões de atuação, divisões internas, centros de responsabilidade, e assim por diante. A complexidade e o nível de detalhamento que se deve considerar depende, de forma muito particular, do sistema de gerenciamento que a própria organização deseja implementar. Para que estas necessidades sejam atendidas, os sistemas contábeis foram sendo aprimorados ao longo do tempo, sendo possível efetuar os registros dos fatos contábeis de tal forma que obter múltiplas visões de um mesmo resultado não fosse algo difícil. Os sistemas de ERP (sigla da expressão em inglês Enterprise Resource Planning, ou em uma adaptação para o conceito usado no Brasil, Sistema de Gestão Empresarial) atendem muito bem estas questões e já existem versões acessíveis para empresas de qualquer porte. Uma das formas mais tradicionais de se apurar resultados é pela visão departamental. Neste sistema, cada departamento recebe um código de identificação, normalmente denominado Centro de Custos. Ao associar-se este código à Conta Contábil, os gastos passam a ser segregados por departamentos e, assim, se pode apurar os resultados de forma segregada. Este conceito foi ampliado, passando de Centros de Custos para Centros de Responsabilidade. A Contabilidade por Responsabilidade é um sistema que reconhece os vários centros de responsabilidade de uma empresa, organizados de forma a refletir os planos e atividades de cada um desses centros, associando as receitas e custos que tenham relação direta com estes mesmos planos e atividades (HORNGREN, 2000). Na matéria disponível no site Infowester, você vai encontrar um resumo das principais características dos sistemas de ERP e a lista de alguns destes sistemas. Há versões adaptadas para a maioria dos setores de atuação e das empresas. O link está aqui: http://gg.gg/fquej. SAIBA MAIS CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos60 3.2.1 Finalidades da Contabilidade por Responsabilidade As boas práticas de gestão dependem de sistemas de mensuração que sejam capazes de controlar e avaliar o desempenho dos gestores, com o objetivo central de desenvolver e motivar as equipes a atingir resultados superiores. Neste contexto, a Contabilidade por Responsabilidade exige uma perfeita identificação dos níveis de responsabilidade e de autoridade de cada departamento, segregando os gastos em duas categorias: gastos controláveis e gastos não controláveis. Não basta implementar um sistema de contabilização que aproprie os gastos por Centros de Custos ou Centros de Responsabilidade, sem se preocupar com a real responsabilidade dos envolvidos com estes gastos. Figura 3.1 – Centros de Responsabilidade. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Também é importante que se compreenda que um sistema de Centros de Responsabilidade não é uma forma diferente de se apurar os custos dos produtos, mercadorias ou serviços. Um sistema de Centros de Responsabilidade é uma forma alternativa de se alocar os gastos que compõem os custos em divisões, departamentos, atividades, e assim por diante. Esta alocação se dá através do sistema de custos das organizações, mas não representa uma nova forma de se apurar estes mesmo custos. A Contabilidade Setorial, por divisão, por produto ou por qualquer outra subdivisão que se deseje implementar, visa essencialmente a: Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 61 1. definir as decisões, planos de ação e recursos necessários para a sua execução; 2. comunicar os resultados financeiros destas decisões e planos; 3. acompanhar o desempenho e motivar os gestores a manter atenção aos resultados esperados; 4. medir as variações entre os planos e os resultados reais alcançados; e 5. reconhecer e premiar os desempenhos superiores. 3.2.2 Departamentalização Na Contabilidade de Custos, o conceito da departamentalização é utilizado desde a sua origem, como um mecanismo eficiente de se alocar os custos indiretos aos produtos, mercadorias e serviços prestados. Apesar de ser uma aproximação da realidade, esta técnica permite alocar custos não identificados de forma direta, por um critério mais justo do que as práticas tradicionais de rateio. Além disto, pode-se usar a alocação por departamentos para estabelecertaxas de distribuição dos custos indiretos de uma forma mais adequada aos produtos que passam por um ou por outro departamento. Para que se entenda de uma forma mais ampla, departamentos para a contabilidade de custos são unidades administrativas, representadas por homens ou máquinas, na maioria dos casos, que desenvolvem atividades de mesma natureza (MARTINS, 2003). Dada a sua utilidade, este mesmo conceito foi ampliado na Contabilidade por Responsabilidade, para incluir a alocação de custos comerciais e administrativos em centros de custos específicos e, a partir deles, gerar visões gerenciais dos resultados. 3.2.2.1 Centro de Custos Conceitualmente, os centros de custos são o menor segmento de atividade, ou área de responsabilidade, em que se pode acumular custos (HORNGREN, 2000). Há uma relação indireta entre departamentos e centros de custos, porém, o que os diferencia é a obrigatoriedade de se determinar um responsável para os departamentos, o que não ocorre com os centros de custos. Pode-se dizer, portanto, que um departamento sempre terá um centro de custos correspondente, porém nem todo centro de custos irá representar um departamento. Como dito anteriormente, em muitas aplicações da contabilidade de CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos62 custos, adotada pela contabilidade por responsabilidade, os centros de custos podem representar uma subdivisão do departamento, podendo ir ao nível de uma atividade ou de uma máquina específica. Figura 3.2 – Estrutura de Centros de Custos. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). 3.2.2.2 Centro de Lucros Em muitas organizações, além de se acumular os custos em Centros de Responsabilidade, a contabilidade se dedica a alocar as receitas geradas pela venda de produtos, mercadorias ou serviços, nos centros de responsabilidade correspondentes. Ao se optar por esta técnica, os centros de custos passam a ser denominados como Centros de Lucros ou Centros de Resultado. Dada a sua amplitude, em muitos casos se associa aos Centros de Lucros às divisões, regiões, linhas de produtos etc., de uma mesma organização em unidades. Diretoria Industrial Diretoria Comercial Diretoria Administrativa Gerência de Qualidade Máquina 1 Máquina 2 Gerência de Montagem Almoxarifado Linha de Montagem Gerência de Engenharia Pesquisa Projeto Beta Gerência Região Norte Equipe de Vendas A Equipe de Vendas B Gerência Região Sul Equipe de Vendas A Contabilidade Finanças Recursos Humanos Cia Modelo Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 63 Figura 3.3 – Estrutura de Centros de Lucro. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). 3.2.2.3 Centro de Investimentos Por fim, os Centros de Investimentos são, em última avaliação, Centros de Lucro, cuja análise de desempenho não é medida apenas sobre os resultados obtidos do confronto entre receitas e despesas, mas também é analisado o capital investido em determinado projeto. Esta técnica difere da técnica contábil utilizada na Contabilidade Societária tradicional, mas pode ser um recurso extremamente útil para se acompanhar e gerenciar projetos mais complexos, e que demandem avaliações periódicas de rentabilidade. 3.2.3 Gastos Controláveis e Gastos não Controláveis Gastos Controláveis são aqueles que estão sob a responsabilidade de uma pessoa em um determinado nível da organização, enquanto os Gastos não Controláveis são aqueles que estão sob a responsabilidade de uma pessoa de nível superior na organização. Em última análise, pode-se dizer que todos os gastos são controláveis em algum nível da empresa, mesmo que sejam alocados em vários departamentos e/ou atividades. Veículos Novos Veículos Usados Acesssórios Modelos 2019 Sedans Nacionais Importados Pickups SUV Som Automotivo Películas Complementos Concessionária Modelo Modelos Hatch Utilitários Leves Modelos 2020 CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos64 Tabela 3.1 – Discrição de Gastos Controláveis e gastos não Controláveis. Diretoria de Comercialização UnidadeZona Sul Unidade Centro Unidade Zona Norte Total Mês 1 Gastos Diretos Despesas com Pessoal Encargos Sociais Benefícios Aluguel de Imóveis Energia Elétrica Publicidade 10.000,00 6.500,00 3.500,00 3.500,00 650,00 3.000,00 12.000,00 7.800,00 4.200,00 1.200,00 520,00 2.300,00 7.000,00 4.550,00 2.450,00 2.700,00 640,00 7.000,00 29.000,00 18.850,00 10.150,00 7.400,00 1.810,00 12.300,00 Subtotal (Gastos Controláveis) 27.150,00 28.020,00 24.340,00 79.510,00 Gastos Alocados Administração Central Processamento de Folha Propaganda Corporativa 2.500,00 350,00 1.500,00 3.000,00 370,00 1.500,00 2.000,00 250,00 1.500,00 7.500,00 970,00 4.500,00 Subtotal (Gastos não Controláveis) 4.350,00 4.870,00 3.750,00 12.970,00 Total Geral 31.500,00 32.890,00 28.090,00 92.480,00 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 65 3.3 Análise dos Resultados Divisionais Há inúmeras formas de se avaliar o desempenho de uma pessoa, assim como há tantas outras para se avaliar o desempenho das organizações, mas dificilmente iremos abrir mão dos resultados econômicos como uma das principais medidas de desempenho de qualquer tipo de empresa. Nas empresas organizadas em divisões, a medição do resultado econômico é um dos pontos de maior atenção, pois é através dele que se avaliará a performance de cada um dos gestores e de cada divisão. Um erro nesta mensuração pode comprometer o resultado de toda a organização. Da mesma forma, baseadas nos resultados econômicos é que as organizações costumam tomar decisões e estabelecer objetivos. Neste ponto, a preocupação é de que o resultado reflita adequadamente todos os itens que são objetos de decisão e controle do gestor divisional ou de seus subordinados. Como vimos anteriormente, o resultado divisional pode ser registrado por meio da contabilidade, utilizando os centros de responsabilidade ou por centros de resultado das unidades de negócio. Para Frezatti et al. (2009), a contabilização por unidades de negócio ou áreas de responsabilidade tem por objetivo registrar, também, as operações internas realizadas entre as divisões, permitindo apuração dos custos e mensuração do resultado das mesmas. A apuração do resultado pela contabilidade divisional pode trazer vantagens para a empresa, conforme destacou Jiambalvo (2009): a. melhores informações, o que leva a decisões de melhor qualidade; b. resposta rápida às mudanças; c. maior motivação para os gerentes; d. se uma empresa tem uma estratégia de diversificação, a estrutura da divisionalização facilita o trabalho de especialistas e peritos de diferentes atividades; e. as divisões estarão atentas às pressões para um melhor desempenho competitivo. CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos66 Jiambalvo (2009) também faz algumas considerações sobre as desvantagens que este método de apuração pode causar, sendo que as mais relevantes podem ser resumidas da seguinte forma: a. a descentralização pode resultar em uma onerosa duplicação de atividades; b. unidades organizacionais, que em determinados momentos cooperavam entre si, podem passar a competir umas com as outras, com desvantagens gerais para a empresa; c. inexistência de um sistema completamente satisfatório para assegurar que cada centro de lucro, ao melhorar seus próprios lucros, estejam melhorando os lucros da empresa; d. os gerentes de subunidades podem buscar objetivos pessoais que sejam incompatíveis com os objetivos da empresa como um todo. Além das desvantagens descritas, controlar o resultado dos centros de responsabilidade pode acarretar dificuldades na hora de se avaliar as operações realizadas entre estes centros, tornando delicada e complexa a precificação dos bens e serviços entre as divisões. DESTAQUE Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 67 3.4 Análise dos Preços de Transferência Interna A descentralizaçãoe a estruturação das organizações em Centros de Responsabilidade trouxeram outros desafios para os sistemas contábeis. A correta alocação de receitas e despesas para a apuração dos resultados divisionais, implicam, em muitos casos, na determinação de preços de transferência interna de subprodutos, serviços e outros insumos que podem ser produzidos em uma divisão em benefício de outra. Este conceito passou a ser discutido de forma mais profunda a partir dos anos 1990, momento em que as economias mundiais passaram a se desenvolver de forma globalizada. Além do aumento da concorrência, as organizações passaram a ter acesso a novas tecnologias e sistemas de informação muito mais sofisticados. Figura 3.4 – Insumos podem ser utilizados por várias divisões de uma organização. Fonte: Pixabay (2019). No princípio, os preços de transferência interna eram definidos com base no valor de custo dos produtos, mercadorias e serviços que eram transferidos. Esta técnica cumpriu parte dos seus objetivos, mas à medida que os sistemas de informação evoluíram, as organizações passaram a adotar métodos que melhor refletissem a real contribuição de cada divisão para o resultado global da organização. CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos68 Este avanço possibilitou avaliar o resultado de cada centro de responsabilidade como se fossem organizações independentes, garantindo que os objetivos operacionais e gerenciais fossem atingidos. 3.4.1 Preço de Transferência com Base no Custo Como já foi dito, este foi o método pioneiro na apuração e apropriação dos preços de transferência interna. Por ter sido o primeiro, também é o mais aplicado nos sistemas gerenciais, até os dias de hoje. Este método possui algumas desvantagens, mas essencialmente reflete adequadamente o quanto custa determinado insumo, sendo que alguns autores defendem o método como a melhor forma de se construir vantagens em mercados competitivos. Ao transferir os insumos entre as várias divisões de uma organização pelo seu preço de custo, nenhum concorrente terá acesso aos mesmos insumos por um preço melhor, e isto permite à organização estabelecer preços de venda dos produtos acabados, mercadorias e serviços, menores do que seus concorrentes diretos. No entanto, destaca-se que, mesmo sendo o preço de custo um conceito relativamente simples de se compreender, temos várias formas de mensuração para estes custos e cada uma destas formas pode servir para um objetivo específico da organização. Tomando por base os custos, as formas mais usuais de se calcular e fixar o preço de transferência interna são: o Custo Efetivo ou Real; o Custo Padrão; os Custos Padrão, acrescidos de uma Margem de Lucro interna; e o Custo Variável. 3.4.1.1 Custo Efetivo ou Custo Real Este método de mensuração pressupõe que a determinação do preço de transferência interna deve se dar em função dos custos efetivamente incorridos pela organização para produzir, comercializar bens ou prestar serviços. Apesar de ser lógico e baseado em dados contábeis da própria organização, este método sofre críticas de Existem vários métodos para o cálculo do preço de transferência a ser praticado entre as divisões, sendo que o método mais antigo é o preço de transferência com base no custo efetivo. DESTAQUE Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 69 muitos especialistas, por não avaliar corretamente os gestores, principalmente quando há ineficiências em etapas anteriores da cadeia de produção. Ao transferir os insumos pelos seus custos efetivos, a organização pode ser prejudicada no mercado, justamente pelas ineficiências não eliminadas. 3.4.1.2 Custo Padrão O Custo Padrão sofre menos críticas do que o Custo Real do ponto de vista de gestão, porém, pode conter os mesmos riscos. Se os padrões forem construídos buscando estabelecer custos realistas, competitivos e aceitos pelas divisões que irão consumir estes insumos, este pode ser um método bastante eficiente de mensuração dos resultados divisionais. Por outro lado, se o custo padrão for ajustado constantemente, isto pode dificultar a sua administração, como também pode desincentivar o centro de responsabilidade vendedor em melhorar a sua própria eficiência ou os seus custos. A instabilidade na apuração dos resultados divisionais dificulta a identificação dos pontos de melhoria e o acompanhamento dos respectivos planos de ação. 3.4.1.3 Custo Padrão Acrescido de uma Margem de Lucro O Custo Padrão acrescido de uma Margem de Lucro representa uma variação do método baseado no custo padrão, pois ao acrescentar a margem de lucro desejada (markup) sobre o custo-base ele representa mais uma tentativa de aproximação ao preço de mercado, sem as dificuldades de se fazer levantamentos constantes de preço. A fixação de um preço de transferência a partir de um custo padrão acrescido de uma margem tem a vantagem de propiciar um espírito mais empresarial entre os centros de responsabilidade, fornecedores e os centros de responsabilidade clientes, mesmo que ainda seja uma aproximação da realidade. A respeito da impropriedade desse tipo de preço de transferência, Padoveze (1993) argumentou que transferir ao custo efetivo pode ser um critério, mas é o menos recomendado, tendo em vista que a unidade pode praticar custos maiores ou indevidos, comprometendo, com esta ineficiência, todos os resultados das demais divisões em favor do seu próprio resultado. DESTAQUE CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos70 Sendo um método de aproximação, a sua aplicação também sofre críticas pela dificuldade de se estabelecer o valor mais adequado para esta margem de lucro. Padoveze (1993), de outra parte, afirmou que este método busca aspectos adicionais de motivação entre os centros de responsabilidade, pois a incorporação de uma margem de lucro ao custo, acrescenta o aspecto motivacional que falta aos métodos do Custo Padrão e do Custo Real. Com este mecanismo o que se busca é o incentivo para que a unidade transferidora tenha a margem padrão de lucro como resultado global da companhia. 3.4.1.4 Custo Variável No contexto de preço de transferência, os Custos Variáveis são, às vezes, usados como sinônimos de custos incrementais ou marginais. Os custos marginais são os custos de alternativas diferentes, associados com um adicional da unidade de produção. Em outras palavras, há um montante de gastos que independem do volume que venha a ser produzido. Mesmo que a empresa paralise as suas atividades por um determinado período de tempo, estes gastos permanecerão, assim como, se a empresa dobrar a intensidade de seu ritmo normal de produção, estes gastos permanecerão inalterados. Alguns autores defendem a linha de que estes gastos não sejam alocados ao longo da cadeia de produção, permanecendo em seus centros de responsabilidade de origem. Por outro lado, todos os gastos que tenham relação direta com os níveis de produção da empresa, maior ou menor, passariam a compor os Preços de Transferência destes insumos. 3.4.2 Preço de Transferência com Base no Preço de Mercado Além dos Preços de Transferência baseados em custo, é bastante usual termos sistemas de Contabilidade Gerencial baseados em pesquisas de mercado. São métodos mais trabalhosos e que, às vezes, são de difícil aplicação, principalmente quando se Esta é uma forma de se eliminar a alocação de ineficiências ao longo da cadeia de produção, mantendo os gastos fixos sob a responsabilidade dos gerentes que os controlam. DESTAQUE Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 71 está procurando um insumo muito específico ou que não se tenha uma referência clara de equivalência técnica. Mesmo assim, os preços de mercado são uma medida bastante justa para se avaliar o desempenho de gestores. Nessa forma de se apurar os preços de transferência interna, o ponto de partida é o conceito amplamente aceito que é o mercado quemdetermina o quanto está disposto a pagar por aquele produto, mercadoria ou serviço. É exatamente por isto que o método é o mais recomendado por muitos autores. O preço de mercado fornece uma estimativa independente do valor do produto ou serviço transferido internamente, permitindo apurar de forma mais realista, como cada centro de responsabilidade contribui para a formação do lucro total de uma empresa. Sob a ótica dos centros de responsabilidade, a unidade que fornece determinado insumo internamente, estaria deixando de ter a oportunidade de vender para o mercado externo e, por isto, deve ser remunerada adequadamente pela unidade que está recebendo este mesmo insumo. 3.4.2.1 Transferências pelo Preço Negociado É uma variação mais elaborada das transferências pelo preço de mercado. Por esse modelo, as unidades podem pesquisar no mercado o preço do insumo, produto ou serviço em questão e compará-lo com os preços internos, ou seja, a unidade consumidora tem liberdade para decidir entre a compra do material no mercado ou da unidade fornecedora. O intuito aqui não é forçar a compra de insumos no mercado se há disponibilidade interna, mas propiciar que a unidade consumidora tenha os mecanismos necessários para negociar e chegar, em comum acordo, sobre o preço de transferência a ser utilizado. Este mecanismo força a busca de eficiência e, em determinadas situações, alguns custos de expedição ou de comercialização podem ser evitados pela divisão fornecedora, o que aumenta a sua competitividade em relação aos demais concorrentes externos. Essas economias são, geralmente, deduzidas quando se acerta o preço de transferência. Como já ocorre em outros métodos, na ausência de preços de mercado, algumas empresas permitem às unidades envolvidas na compra e venda dos insumos, produtos ou serviços, negociar livremente os preços de transferência. Entretanto, o preço de transferência negociado e as decisões de produção podem refletir as habilidades relativas da negociação de ambas as partes, ao invés das considerações econômicas CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos72 envolvidas. Considerando que há este risco, cabe a alta administração estar atenta a eventuais distorções, garantindo que os preços de transferência reflitam adequadamente a lucratividade das unidades envolvidas e, sobretudo, a obtenção de um melhor resultado consolidado para a organização. A prática de se negociar os preços de transferência entre unidades é muito comum em grandes conglomerados. Para que este mecanismo funcione de forma satisfatória, as divisões devem conhecer as regras básicas estabelecidas para estas negociações. Assim, os preços de transferência não precisam ser fixados pela administração central. Uma das razões para que as unidades tenham autonomia de negociação é que a principal função do gerenciamento de linha é justamente estabelecer os preços de venda e realizar compras pelo menor custo possível. Outra razão é o fato de que são as divisões, ou unidades de negócio, que possuem as melhores informações a respeito do mercado e dos custos, estando, assim, mais capacitadas para alcançar preços razoáveis. 3.4.3 Diferença Entre os Métodos de Custos e de Mercado Para que possamos entender de uma forma mais objetiva as diferenças entre os dois caminhos utilizados para a definição dos preços de transferência, vamos tomar como exemplo hipotético, uma empresa que esteja organizada em três divisões: 1. Uma unidade Produtora; 2. Uma unidade Montadora; 3. Uma unidade Distribuidora; A unidade Produtora adquire as matérias-primas e componentes do mercado, processa e transfere os itens na forma de Kits denominados A, B, C e D, para a unidade Montadora. Contudo, mesmo que o objetivo seja se chegar a um consenso sobre os preços de transferência, impasses podem vir a existir. Esses desacordos devem ser evitados ao máximo, pois, normalmente, tomam muito tempo das gerências e dos executivos envolvidos na sua solução. DESTAQUE Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 73 A unidade Montadora recebe estes Kits, os monta e transfere os produtos acabados para a unidade Distribuidora, a qual os vende e entrega aos clientes finais. Neste exemplo numérico, vamos adotar o método do preço de transferência com base nos Custos Efetivos (ou Custo Real) na primeira construção. Logo em seguida, vamos analisar a mesma situação pelo método do preço de transferência com base nos Preços de Mercado, para podermos analisar as suas vantagens e desvantagens, logo a seguir. Os resultados e as diferenças que serão apresentados neste exemplo bastante simples, irão se repetir para os demais métodos, considerando apenas as suas particularidades de vantagens e desvantagens. 3.4.3.1 Método de Preço de Transferência pelo Custo Efetivo (ou Custo Real) Como já vimos, neste método os produtos e serviços são transferidos pelo valor dos custos reais incorridos em cada processo de produção, conforme demonstrado nas tabelas a seguir. A Tabela 3.2 apresenta os custos incorridos na Unidade Produtora para produzir os Kits A, B, C e D, transferindo a totalidade dos Kits produzidos para a Unidade Montadora, pelo seu Custo Real de produção. Tabela 3.2 – Custos da Unidade Produtora. Unidade Produtora Custos dosComponentes Custo Adic. na Produção Custo Real de Produção Kit A Kit B Kit C Kit D 5.020,00 5.484,00 1.050,00 1.272,00 250,00 646,00 170,00 208,00 5.270,00 6.130,00 1.220,00 1.480,00 Custo Total 12.826,00 1.274,00 14.100,00 Preço de Transferência - 14.100,00 Resultado da Unidade Produtora - Fonte: Elaborado pelo autor (2019). CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos74 Recebidos os Kits na Unidade Montadora, cabe a esta montá-los e agregar os seus próprios custos, conforme demonstrado na Tabela 3.3. A última etapa desta cadeia simplificada de produção e vendas, é a recepção dos Kits na Unidade Distribuidora e a sua venda para os clientes finais, o que faremos pela totalidade dos itens disponíveis para simplificação do exemplo numérico. Agora considere que em nosso exemplo hipotético, a empresa esteja sujeita a impostos incidentes sobre as vendas de aproximadamente 27% e que deseje uma margem de lucro bruta de 60% sobre o preço de custo dos Kits produzidos. Tabela 3.3 – Custos da Unidade Montadora. Unidade Montadora Custos dosKits Custo Adic. na Montagem Custo Real de Produção Kit A Kit B Kit C Kit D 5.270,00 6.130,00 1.220,00 1.480,00 680,00 1.940,00 94,00 186,00 5.950,00 8.070,00 1.314,00 1.666,00 Custo Total 14.100,00 2.900,00 17.000,00 Preço de Transferência - 17.000,00 Resultado da Unidade Montadora - Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Tabela 3.4 – Custos da Unidade Distribuidora. Unidade Distribuidora Custos dosKits Custo Adic. na Distribuição Custo Real de Produção Kit A Kit B Kit C Kit D 5.950,00 8.070,00 1.314,00 1.666,00 800,00 2.100,00 120,00 240,00 6.750,00 10.170,00 1.434,00 1.906,00 Custo Total 17.000,00 3.260,00 20.260,00 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 75 Neste cenário o preço de venda de cada Kit seria precificado conforme demonstrado na Tabela 3.5, a seguir. Neste momento, não se preocupe com a metodologia de cálculo do preço de venda. Vamos abordar este tema na Unidade 4 do e-book. Apenas observe a lógica da sua formação. Por último, considere que a empresa tenha despesas administrativas de 5% e despesas comerciais de 12%, ambos em relação a Receita Líquida consolidada. Neste cenário, a demonstração dos resultados divisionais teria a forma demonstrada na Tabela 3.6. Tabela 3.5 – Preço de Venda dos KIts pela Unidade Distribuidora. Unidade Distribuidora Custos Real de Kits Margem de Lucro s/ Custo Mark UP dos Impostos Preço de Venda Kit A Kit B Kit C Kit D 5.950,00 8.070,00 1.314,00 1.666,00 800,00 2.100,00 120,00 240,00 6.750,00 10.170,00 1.434,00 1.906,00 15.410,96 23.219,183.273,97 4.351,60 Custo Total 20.260,00 13.506,67 12.489,04 46.255,71 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Tabela 3.6 – Resultados Divisionais apurados pelo Método do Custo Real. Demonstração do Resultado Divisional Unidade Produtora Unidade de Montadora Unidadede Distribuidora Resultado Consolidado Análise vertical Receita Bruta das Vendas (-) Imposto S/ Vendas - - - - - 46.255,71 12.489,04 - 46.255,71 12.489,04 137,0% -37,0% Receita Líquida das Vendas - - 33.766,67 33.766,67 100,0% (-) Custo das Vendas - - 20.260,00 - 20.260,00 -60,0% Lucro Bruto - - 13.506,67 13.506,67 40,0% (+) Preço de Transf Interna 14.100,00 17.000,00 - 31,100,00 92,1% (-) Custo de Transf Interna - 14.100,00 - 17.000,00 - - 31.100,00 -92,1% (-) Despesas Administrativas - - - 1.688,33 - 1.688,33 -5,0% (-) Despesas Comerciais - - - 4.052,00 - 4.052,00 -12,0% Lucro Líquido Antes do IR/CS - - 7.766,33 7.766,33 23,0% Fonte: Elaborado pelo autor (2019). CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos76 Veja que ao transferir os insumos pelos seus exatos preços de custo, as unidades que formam as primeiras etapas não possuem resultados financeiros. Suas receitas e seus custos se equivalem e se anulam. Com isto, somente a Unidade Distribuidora é capaz de apresentar resultados, sejam eles positivos ou negativos, dando a falsa impressão de que é a única Unidade capaz de contribuir para o resultado da companhia. Do ponto de vista contábil, este é o método de alocação que melhor representa os custos de transferência e por isto mesmo, é o mais adotado pelos profissionais da contabilidade. Porém, do ponto de vista gerencial, há uma deficiência importante no método. Ao não alocar os preços de transferência por seus equivalentes de mercado, os gerentes das Unidades Produtora e Montadora não possuem medidas financeiras de avaliação do seu desempenho e podem não buscar resultados superiores, justamente por não serem medidos no processo de apuração dos resultados divisionais. 3.4.3.2 Método de Preço de Transferência pelo Preço de Mercado Agora consideremos o mesmo exemplo hipotético, tomando por base o critério de Preços de Transferência com base no Preço de Mercado. Nesta hipótese, vamos admitir que os Kits A, B, C e D possam ser comprados livremente pelas Unidades e que haja disponibilidade no mercado, em volume suficiente para suprir as necessidades de produção da empresa. Veja que neste método, se desconsiderados os efeitos tributários, já é possível apurar resultados na Unidade Produtora que, neste exemplo hipotético, é positivo. Em Tabela 3.7 – Custos, Preços de Mercado e Resultados da Unidade Produtora. Unidade Produtora Custo dos Componentes Custo Adic na Produção Custo Real de Produção Preço de Venda Mercado Kit A Kit B Kit C Kit D 5.020,00 5.484,00 1.050,00 1.272,00 250,00 646,00 170,00 208,00 5.270,00 6.130,00 1.220,00 1.780,00 7.560,00 8.842,50 1.919,25 2.040,75 Custo Total 12.826,00 1.274,00 14.100,00 20.362,50 Preço de Tranferência 20.362.50 Resultado da Unidade Produtora (Antes dos Efeitos Tributários) 6.262,50 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 77 condições normais de mercado, as Unidades sempre buscarão ter custos menores do que os preços praticados na comercialização dos insumos que vier a produzir, e esta meta deve ser bem ajustada para que a empresa possa auferir o maior ganho possível, sem prejudicar a qualidade dos bens e serviços que venha a produzir. Outro aspecto importante a considerar é que, ao adotar o método de Preços de Transferência pelo Preço de Mercado, a Unidade Produtora irá reter o seu próprio resultado, transferindo os Kits para a Unidade Montadora por seu preço de livre negociação. Da mesma forma como acontece com a Unidade Produtora, ao se adotar os Preços de Mercado para avaliar os preços de transferência, a Unidade Montadora passa a ter resultados financeiros mensuráveis e o desempenho dos seus gerentes pode ser medido. Por fim, chegamos aos custos da Unidade Distribuidora, a qual recebe os Kits por seu preço de mercado e agrega os seus próprios custos, mantidos sem alteração para fins deste exercício. Tabela 3.8 - Custos, Preços de Mercado e Resultados da Unidade Montadora. Unidade Montadora Preço de Mercado Custo Adic na Montagem Custo Total de Montagem Preço de Venda Mercado Kit A Kit B Kit C Kit D 7.560,00 8.842,50 1.919,25 2.040,75 680,00 1.940,00 94,00 186,00 8.240,00 10.782,50 2.013,25 2.226,75 9.292,50 12.150,00 2.803,50 3.069,00 Custo Total 20.362,50 2.900,00 23.262,50 27.315,00 Preço de Tranferência 27.315,00 Resultado da Unidade Produtora (Antes dos Efeitos Tributários) 4.052,50 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos78 Mantendo-se as demais condições do exemplo inalteradas, os resultados divisionais deste exemplo hipotético passam a ser os seguintes: Aqui, na tabela anterior, temos materializado o principal ponto de divergência entre os especialistas no tema. Ao se adotar os Preços de Mercado para os Preços de Transferência, as empresas podem perder competitividade. Veja que ao transferir os insumos pelos seus custos reais (situação inicial do nosso exemplo hipotético), a empresa chegava a última etapa de comercialização com uma receita bruta de R$ 46.255,71 e uma margem bruta das vendas de 40%, conforme estabelecido pela empresa. Tabela 3.9 - Custos da Unidade Distribuidora pelo Método do Preço de Mercado. Unidade Distribuidora Custo dos Kits Custo Adic na Distribuição Custo Total de Produção Kit A Kit B Kit C Kit D 9.292,50 12.150,00 2.803,50 3.069,00 800,00 2.100,00 120,00 240,00 10.092,50 14.250,00 2.923,50 3.309,00 Custo Total 27.315,00 3.260,00 30.575,00 Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Tabela 3.10 - Resultados Divisionais apurados pelo Método do Preço de Mercado Demonstração do Resultado Divisional Unidade de Produtora Unidade de Montadora Unidade de Distribuidora Resultado Consolidado Análise Vertical Receita Bruta das Vendas - - 69.805,94 69.805,94 137,0% (-) Impostos S/ Vendas - - 18.847,60 18.847,60 -37,0% Receita Líquida das Vendas - - 50.958,33 50.958,33 100,0% (-) Custos das Vendas - - 30.575,00 30.575,00 -60,0% Lucro Bruto - - 20.383,33 20.383,33 40,0% (+) Preço de Trans Interna (-) Custo de Transf Interna (-) Despesas Administrativas (-)Despesas Comerciais 20.362,50 14.100,00 - - 27.315,00 23.262,50 - - - - 2.547,92 9.115,00 47.677,50 37.362,50 2.547,92 6.115,00 93,6% -73,3% -5,0% -12,0% Lucro Líquido Antes do IR/CS 6.262,50 4.052,50 11.720,42 22.035,42 43,2% Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 79 Já ao adotar o método dos Preços de Mercado para o custeio das transferências internas, a empresa precisará comercializar os mesmos produtos de tal forma que a Receita Bruta atinja o valor de R$ 69.805,94, para que a empresa cumpra o mesmo critério de obter uma margem bruta na Unidade Distribuidora de 40% sobre o valor líquido das vendas. Apesar de, em uma primeira análise, termos um Lucro Líquido superior neste segundo cenário, a formação do preço de venda nesta situação de transferência dos custos à preços de mercado, pode inviabilizar a comercialização do mesmo volume e do mesmo mix de produtos. Veja que a empresa já alcançava um Lucro Líquido de 23% sobre as vendas líquidas e, ao precificar seus produtos por este novo método, passa a almejar um Lucro Líquido de 43,2% sobre a nova receita líquida. Caso os concorrentes tenham uma situação de custos mais atrativa, a empresa pode ter dificuldade em manter os mesmos volumes de venda, cobrir seus custos operacionais e se manter competitiva no mercado onde esteja atuando. Este tipo de situação, apesar de formada a partir de um exemplo hipotético, é bastante comum e requer muita atenção dos administradores. Se, por um lado temos mecanismos gerenciais maisapurados quando utilizamos o preço de mercado na tarefa de avaliar os gerentes divisionais, por outro, corremos riscos de superavaliar o preço de venda do produto final utilizando este mesmo critério. Nesta Unidade abordamos as questões relacionadas aos preços de transferência interna sob a ótica do controle gerencial, porém é importante que o aluno saiba que estes mecanismos podem ter efeitos tributários, principalmente quando se trata de transferência de insumos entre países. Desde 1º de janeiro de 1997, está em vigor a Lei n. 9.430/96, de 27 de dezembro de 1996, que trata do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. A seção V desta mesma Lei trata das regras tributárias aplicáveis aos preços de transferência, nas operações de importação e exportação que envolvam subsidiárias de empresas brasileiras. Desde esta data, o Brasil passou a fazer parte do rol dos países que controlam os preços nas operações de importação e exportação de bens e serviços, entre empresas do mesmo grupo econômico. As instruções normativas que regulamentam o assunto do ponto de vista fiscal, podem ser acessadas no Site da Secretaria da Receita Federal: http://gg.gg/fqvc5. SAIBA MAIS CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos80 SÍNTESE DA UNIDADE Nesta Unidade, você conheceu um pouco mais sobre os mecanismos de centralização e descentralização dos modelos de gestão. O avanço dos sistemas informatizados, permitiu a proposição de métodos de mensuração de resultados bastante adaptados à proposição estratégica de cada empresa. Uma das formas bastante usual é a contabilização dos gastos, organizados por Centros de Responsabilidade, os quais podem ter relação direta, ou não, com os departamentos de uma determinada organização. São variações dos Centros de Responsabilidade: • Os Centros de Custos; • Os Centros de Lucro; e • Os Centros de Investimento. Além da organização dos gastos em unidades de responsabilidade, as companhias necessitam de ferramentas para apurar os resultados divisionais, com o objetivo principal de cobrar dos seus gerentes, níveis superiores de desempenho. É neste ponto que surge a discussão sobre os preços de transferência interna. Nesta Unidade, vimos algumas de suas características, sendo que as principais técnicas se dividem em dois grandes grupos: • Os preços de transferência baseados em custo; • Os preços de transferência baseados no preço de mercado. Há uma grande variedade de métodos para a alocação dos preços de transferência baseados em custo, sendo que nesta unidade nos concentramos nas técnicas do: • Custo Efetivo; • Custo Padrão; • Custo Padrão acrescido de uma Margem de Lucro; e o • Custo Variável. Por fim, exploramos um pequeno exemplo numérico sobre a diferença entre as duas técnicas, alertando para os cuidados que devem ser tomados do ponto de vista gerencial ao se adotar um dos dois caminhos. Análise dos Resultados Contábeis | UNIDADE 3 81 REFERÊNCIAS FREZATTI, F.; ROCHA, W.; NASCIMENTO, A. R.; JUNQUEIRA, E. R. Controle gerencial: uma abordagem da contabilidade gerencial no contexto econômico, comportamental e sociológico. São Paulo: Atlas, 2009. HORNGREN, C. T.; FOSTER, G.; DATAR, S. M. Contabilidade de custos. Rio de Janeiro: LTC, 2000. HORNGREN, C. T.; SUNDEM, G. L.; STRATTON, W. Contabilidade gerencial. 12. Ed. São Paulo: Pearson, 2004. JIAMBALVO, J. Contabilidade Gerencial. Rio de Janeiro: LTC, 2009. MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 9. Ed. São Paulo: Atlas, 2003. PADOVEZE, C. L. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 1993. Decisões Estratégicas na Contabilidade Prezado estudante, Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você, com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina. OBJETIVO GERAL Desenvolver o aprendizado do aluno sobre os custos envolvidos nas operações gerenciais, que podem afetar nas decisões estratégicas das empresas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Compreender as decisões baseadas em custos de lançamento ou de exclusão de produto; • Entender os custos envolvidos nas atividades não rotineiras; • Assimilar o processo de formação do preço de venda de um produto e/ou serviço de uma empresa. QUESTÕES CONTEXTUAIS 1. De que forma a Contabilidade de Custos deve apoiar o processo de tomada de decisão das empresas? 2. O que são gastos, custos, despesas, perdas, desperdícios e investimentos? 3. Como as técnicas de mensuração e de apropriação de custos podem interferir nas decisões de lançamento ou exclusão de um produto? 4. Como se dá o processo de formação do preço de venda de um produto ou serviços de uma empresa? unidade 4 CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos84 4.1 A Abordagem de Custos no Processo Decisório das Empresas Como já vimos nas Unidades anteriores, a evolução dos sistemas informatizados possibilitou o avanço das técnicas de administração e as informações de custos também passaram a apoiar os gestores em suas funções de planejamento, controle e tomada de decisões. A Contabilidade de Custos também passou a se dedicar à análise e interpretação das informações quantitativas, e mais recentemente, com o desenvolvimento da pesquisa operacional e do emprego de técnicas estatísticas mais sofisticadas, tem contribuído para que as informações sejam prestadas mais rapidamente e para que problemas antes considerados, de certo modo, difíceis sejam mais facilmente resolvidos. Figura 4.1 – A Contabilidade de Custos como ferramenta de planejamento, controle e de apoio ao processo de tomada de decisões. Fonte: Freepik (2019). Em resumo, observamos que a Contabilidade de Custos nasceu da Contabilidade Financeira na época da Revolução Industrial, e a sua principal função naquela época era a de registrar os custos que permitiam avaliar os inventários e não a de fazer dela um instrumento da administração. Esta visão ainda está presente em boa parte das empresas Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 85 ao redor do mundo e limita a utilização da contabilidade de custos como ferramenta de apoio ao processo de gestão, mas aos poucos podemos identificar que o seu potencial vai se somando aos conceitos de administração. A contabilidade gerencial vai ganhando espaço no ambiente empresarial. Nesta Unidade, vamos explorar um pouco mais da Contabilidade de Custos com foco no processo decisório, mas antes é necessário relembrar alguns termos e conceitos mais elementares. 4.1.1 Terminologias Utilizadas na Contabilidade de Custos Inicialmente, algumas confusões não podem ser feitas com os termos utilizados pela contabilidade para identificar as parcelas que compõem os desembolsos e provisões de um determinado período. Neste processo de registro é comum utilizar termos como: gastos, custos, despesas, perdas e investimentos. 4.1.1.1 Gastos Na terminologia contábil, gastos são quaisquer consumo de bens ou serviços, independentemente de sua função ou destinação. Oliveira e Perez Junior. (2000, p. 30) afirmam que “os gastos ocorrem a todo momento e em qualquer setor de uma empresa, seja ela comercial, seja industrial, seja prestadora de serviços”. É comum confundir os gastos com desembolsos. São termos e conceitos distintos. O que é gasto? São os recursos financeiros, dinheiro, para adquirir os bens e serviços. Em outras palavras, os gastos são os bens e serviços que serão consumidos, e que foram obtidos por um desembolso passado, presente ou futuro. Martins (2003, p. 24) ressalta que “o termo gasto, representa um conceito bastante amplo e que se aplica a todos os bens e serviços adquiridos”. Assim podemos ter gastos com matérias-primas, gastos com comissões,gastos com energia elétrica e assim por diante. A partir do entendimento do que são gastos, surge a necessidade de começar a qualificar um pouco mais o consumo destes recursos e, partindo do conceito mais amplo, observa-se que os gastos podem assumir a forma de custos, despesas, perdas, desperdícios ou investimentos. CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos86 4.1.1.2 Custos Ao qualificar os gastos por sua natureza de consumo, nota-se que os custos são “todos os gastos relativos aos bens e serviços (recursos) consumidos na produção de outros bens”. (OLIVEIRA; PEREZ JUNIOR., 2000, p. 30). O mesmo conceito se aplica à prestação de serviços, ou seja, todo o bem ou serviço consumido para a prestação de outros serviços, serão classificados pela contabilidade de custos como custos dos serviços prestados. São exemplos bastante comuns de gastos classificados como custos, as matérias- primas consumidas no processo de produção, as embalagens dos produtos prontos, a mão de obra aplicada diretamente na produção de bens e serviços, salários de gerentes e supervisores de produção, energia elétrica consumida no processo produtivo e assim por diante. De acordo com a NBCTG16 (R2) Estoques, de 22/12/2017, do Conselho Federal de Contabilidade - CFC, “[...] o valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques a sua condição e localização atuais”. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2017, p. 3). A mesma norma detalha ainda as parcelas que devem compor os Custos de Aquisição dos Estoques e os Custos de Transformação dos Estoques. Saíba mais sobre a NBCTG16 (R2) acessando o link: http://gg.gg/fwywf. SAIBA MAIS Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 87 4.1.1.3 Despesas Enquanto os custos estão associados à produção de bens e serviços, as despesas são gastos consumidos nas atividades de geração de receitas, administração e manutenção dos negócios da empresa. 4.1.1.4 Perdas Apesar de serem comuns, porém indesejáveis, as perdas são gastos involuntários ou anormais, que não geram novos produtos ou serviços. As perdas, especificamente, podem ocorrer por consequência dos projetos de produção, mesmo que não tenham ocorrido falhas ou erros ao longo do processo produtivo. São exemplos de perdas involuntárias, as aparas resultantes do processo de corte de tecidos, chapas metálicas e outras matérias-primas que dependem deste processo para se incorporar ao produto pronto e que dificilmente se chegará a um aproveitamento de 100% da matéria-prima utilizada. Outro exemplo típico de perda é a evaporação normal de insumos utilizados em sua forma líquida, tais como: tintas, vernizes e solventes. Mesmo que sejam normais e previsíveis, estes componentes de perda devem ser medidos e informados pela Contabilidade de Custos, para que a gerência busque, de forma constante e permanente, a sua otimização. Novos projetos, equipamentos e processos de produção podem obter reduções neste tipo de gasto indesejável, o que naturalmente irá melhorar a eficiência e a competitividade da empresa. Agora, é importante que o aluno observe que, muitas vezes, as perdas são incorporadas ao custo de produção por sua baixa relevância em relação ao custo total. Não se pode condenar este tipo de simplificação, mas ao fazê-lo, a empresa pode estar perdendo a oportunidade de melhorar o seu próprio desempenho. Outro erro comum é classificar como custos, os gastos com mão de obra em períodos de greve. Da mesma forma, é incorreto classificar como custo, as perdas decorrentes de falhas anormais de “Resumidamente, despesas são gastos ocorridos nas áreas administrativas, financeiras e comerciais, ou seja, fora da fábrica, com o objetivo de gerar receitas ou manter a atividade geradora de receitas”. (OLIVEIRA; PEREZ JR., 2000, p. 33). DESTAQUE CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos88 máquinas e outros dispositivos. Estes gastos são perdas do período e que assim devem ser comunicadas para a administração, pois dependem de ações imediatas e decisões específicas para a sua solução. 4.1.1.5 Desperdícios Na mesma linha dos gastos indesejáveis, temos os desperdícios. Diferentemente das perdas, os desperdícios são os “gastos incorridos no processo produtivo ou de geração de receitas e que possam ser eliminados sem prejuízo da qualidade ou da quantidade de bens, serviços ou receitas geradas”. (OLIVEIRA; PEREZ JUNIOR., 2000, p. 36). Aqui temos um dos principais fatores de perda de competitividade das empresas. No momento econômico contemporâneo, manter desperdícios é sinônimo de obter prejuízos como resultado. Quando se atua em mercados competitivos, dificilmente a empresa poderá repassar para os preços de venda os desperdícios que vierem a ocorrer em seu próprio processo de produção. São exemplos comuns de desperdícios os gastos com estoques excessivos, bem como movimentações desnecessárias destes estoques, retrabalho decorrentes de defeitos de fabricação, relatórios gerenciais produzidos sem qualquer finalidade e/ou gerados com atrasos que inviabilizam a sua utilização, excesso de cargos de gestão e supervisão e assim por diante. No vídeo disponível pelo link http://gg.gg/fwywz, você poderá conhecer um pouco mais das iniciativas do sistema SESI/SENAI na preparação e desafios da indústria no contexto dos projetos da Indústria 4.0. No bate-papo, Marcelo Prim, Gerente Executivo de Inovação e Tecnologia, e Felipe Morgado, Gerente-executivo de Educação Profissional e Tecnológica do SENAI, falam sobre o programa SENAI 4.0, que desenvolve projetos, ações e soluções decisivos para a competitividade das empresas brasileiras. VÍDEO Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 89 4.1.1.6 Investimentos Por fim, temos os investimentos, que diferenciam-se dos custos e despesas unicamente pela sua vida útil ou utilização no processo produtivo em momento futuro ao período de apuração considerado no processo de contabilização dos gastos. Martins (2003, p. 25) diz que “todos os gastos que são estocados nos Ativos da empresa para baixa ou amortização quando de sua venda, de seu consumo, de seu desaparecimento ou de sua desvalorização são especificamente chamados de investimentos”. Portanto, os investimentos podem ser de naturezas diversas e o seu conceito vai um pouco além do que normalmente identificamos como ativos imobilizados. As matérias-primas, por exemplo, são gastos temporariamente classificadas como investimentos do circulante, no caso, estoques. As ações adquiridas de outras empresas também podem ser investimentos circulantes, se destinadas à venda em um curto espaço de tempo, ou permanentes se a intenção for a participação de longo prazo no capital social da empresa adquirida. CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos90 4.2 Classificação dos Custos Outro aspecto bastante relevante para o tratamento dos custos na contabilidade gerencial é entender como estes custos se comportam e como podem ser associados aos produtos ou serviços produzidos em determinado período. Quanto ao seu objetivo, por exemplo, podemos classificar os custos em Custos Diretos e Custos Indiretos. Esta é uma classificação de extrema importância e que depende de uma análise criteriosa e detalhada de cada unidade de custo que se observe em um produto ou serviço. Os custos diretos são aqueles que se pode identificar de forma clara e que podem ser apropriados de forma direta ao produto ou serviço que se esteja analisando. Já os custos indiretos são aqueles em que esta identificação não épossível e que dependem de outros métodos de alocação, tais como os tradicionais rateios ou os métodos mais sofisticados, como a alocação por direcionadores de custos. Além do agrupamento dos custos diretos e indiretos, podemos classificar os mesmos custos em fixos ou variáveis,e aqui temos outra variável de extrema utilidade para a Contabilidade Gerencial. Muitas vezes, as empresas se deparam com a necessidade de decidir pela manutenção de um determinado produto ou a sua exclusão do seu portfólio,e nesta situação um dos elementos a se verificar é justamente o montante de custos fixos que o produto sob análise esteja absorvendo. Veremos estes aspectos um pouco mais adiante, ainda nesta Unidade. Os custos fixos são todos os custos que existirão mesmo que a empresa não produza uma única peça ou serviço. Apesar de sua natureza estar relacionada a produção de bens ou serviços, os custos fixos não dependem da existência de atividade operacional. A obsolescência de máquinas, o aluguel do prédio de uma unidade fabril e os custos de pessoal relacionados à estrutura de gestão da fábrica, são exemplos clássicos de custos fixos. Portfólio - substantivo masculino que indica o agrupamento, ou listagem, dos produtos ou serviços oferecidos por uma empresa, para divulgação. Também pode se referir ao conjunto de trabalhos de um artista para divulgação, uma pasta, ou a carteira de ações de um investidor (economia). São sinônimos de portfólio: pasta, carteira. GLOSSÁRIO Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 91 Os custos variáveis, por sua vez, são aqueles que mudam “em proporção direta às mudanças no nível do direcionador de custos”. (HORNGREN, 2004, p. 37). Mas o que são direcionadores de custos? 4.2.1 Direcionadores de Custos Nas atividades do dia a dia, os gestores são solicitados a focar todos os seus esforços para coordenar e controlar as atividades de fabricar produtos ou serviços, dedicando menos atenção para os produtos e serviços em si. Um gestor de fábrica precisa saber como as atividades rotineiras, tais como a manutenção e as falhas de uma máquina, podem afetar os custos, assim como associá-los com as atividades de produção é essencial para poder ter controle sobre eles. Uma das formas de tornar possível o controle dos custos é identificar, em primeiro lugar, as atividades de uma organização e na sequência, determinar as medidas que melhor as representam. Para Horngren (2004, p. 36), “qualquer medida de produção que gera custos (isto é, causa o consumo de recursos onerosos) é chamada de direcionador de custos”. No quadro 4.1, vemos alguns exemplos de custos e seus direcionadores mais usuais. CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos92 Quadro 4.1 – Exemplos de Custos e seus Direcionadores. Função na Cadeia de Valor e exemplos de Custos Exemplos de Direcionadores de Custos Pesquisa e Desenvolvimento Salários do pessoal de pesquisa de mercado e custos das pesquisas de mercado Número de Propostas de novos produtos Salários dos engenheiros de produtos e processos Complexidade dos produtos propostos Produção Remuneração da mão de obra Horas de mão de obra aplicada Salários de Supervisores Número de pessoas supervisionadas Remuneração do pessoal de manutenção Número de horas aplicadas na manutenção Depreciação de máquinas e suprimentos Número de horas-máquina utilizadas Energia Elétrica Quantidade de quilowatts-hora Marketing Custos de propaganda Número de anúncios efetuados Salários do pessoal de marketing e gastos com viagens Receita gerada em cada linha de produto Distribuição Remuneração do pessoal de logística Volume de produtos movimentados em unidades Gastos com transporte e depreciação dos veículos Peso e volume dos produtos transportados Fonte: Adaptado de Horngren (2004, p. 37). 4.2.2 Comportamento dos Custos Fixos Por simplificação nesta etapa de estudos, estamos vendo os Custos Fixos como algo imutável, porém esta regra só é verdadeira dentro de alguns limites, o que os autores costumam definir como faixa relevante. Para que você entenda melhor este conceito, pense no custo de aluguel de uma fábrica. Este é um custo facilmente classificado como fixo, dado que ele não se altera em níveis superiores ou inferiores de produção. Porém, se nos depararmos com um aumento significativo do nível de pedidos de um determinado produto, que exija a ampliação dos espaços disponíveis para a produção, seremos forçados a contratar um novo aluguel, o qual irá aumentar o custo total, assim como se conseguirmos um desconto com o locador, o custo poderá ser reduzido em um determinado período de tempo. Esta característica dos Custos Fixos é bastante comum Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 93 e causa um efeito de crescimento em degraus, conforme podemos observar no exemplo do Gráfico a seguir Gráfico 4.1 – Crescimento dos Custos Fixos dentro de Faixas Relevantes. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). 4.2.3 Métodos de Custeio Na Contabilidade de Custos você já teve a oportunidade de aprofundar os métodos mais conhecidos de acumulação de custos, de avaliação dos estoques e quanto aos métodos de custeio. Em especial, quanto aos métodos de custeio, Crepaldi (2002, p. 217) afirma que “existem dois métodos básicos de custeio: Custeio por Absorção e Custeio Variável ou Direto, e eles podem ser usados com qualquer sistema de acumulação de custos”. O Custeio por Absorção é o método aceito pela legislação tributária e amplamente utilizado no meio contábil por ser derivado da aplicação dos princípios fundamentais de contabilidade. Nesta etapa de estudos, assumindo que você já esteja bem familiarizado com o método de custeio por absorção, vamos aprofundar um pouco mais o método de Custo Variável, uma vez que ele guarda vários conceitos úteis para a Contabilidade Gerencial. 10 0 20 30 40 50 60 70 80 90 5 10 15 20 25 30 35 Volume de Produção Unidades Cu st o de A lu gu el e m R $ CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos94 4.2.4 Custeio Variável ou Direto Fundamentalmente, o método de Custeio Variável se distingue do método de custeio por absorção, por apropriar os custos fixos como se despesas fossem, não incorporando tais custos ao custo final dos produtos. Crepaldi (2002, p. 222) destaca que: [...] partindo do princípio de que os custos da produção são, em geral, apurados mensalmente e de que os gastos imputados aos custos devem ser aqueles efetivamente incorridos e registrados contabilmente, esse sistema de apuração de custos depende de um adequado suporte do sistema contábil, na forma de um plano de contas que separe, já no estágio do registro dos gastos, os custos variáveis e os custos fixos de produção, com adequado rigor. Figura 4.2 – Esquema básico do Sistema de Custeio Variável. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Embora existam muitas controvérsias entre a utilização dos métodos de Custeio por Absorção e o Custeio Variável, é sabido que o custeio variável proporciona condições melhores de análise em diversas situações de múltiplas escolhas. Segundo Crepaldi (2002), a defesa do método do Custeio Variável para fins gerenciais, repousa em três argumentos principais: Despesas Resultado do Período Custos Custos Fixos Custos variáveis Produto A Produto B Produto C Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 95 1. Os custos fixos, por sua própria natureza, existem de forma independente dos volumes de produção e de suas variações, dentro de uma faixa de relevância. Os custos fixos, neste aspecto, podem ser entendidos como gastos necessários para que a empresa tenha condições de produzir e não um custo do produto em si. 2. Por não estarem vinculados de forma direta a um produto, os custos fixos passam a ser alocados por meio de rateios que nem sempre guardam relação direta com os produtos que o recebem. Dada a sua relativa arbitrariedade, os rateios tem a capacidade de inverter a lógica de rentabilidade dos produtos, por uma simples alteração em seus direcionadores e critérios de alocação. 3. Por fim, o valor dos custos fixos a ser distribuído para cada um dos produtos de um determinado período, depende do volume de produçãodeste mesmo período. Assim, as decisões gerenciais, baseadas unicamente em custo, podem sofrer interferência pelo volume de produção e, pelo simples fato de que se aumentar o volume de um produto específico é possível que exista a alteração da rentabilidade dos demais produtos produzidos no mesmo período. Ao se adotar o método de Custeio Variável para fins gerenciais, a empresa passa a ver a Demonstração do Resultado do Exercício com uma pequena alteração de forma, ou seja: Demonstração de resultado do exercício (DRE) pelo custeio direto/variável RECEITA DE VENDAS ( - ) Custo Variável dos Produtos Vendidos ( = ) LUCRO BRUTO ( - ) Despesas Variáveis de Vendas ( = ) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO TOTAL ( - ) Custos Fixos ( - ) Despesas Fixas de Vendas ( = ) LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos96 4.2.5 Margem de Contribuição Conceitualmente, a Margem de Contribuição é a diferença entre uma receita auferida e os custos e despesas variáveis vinculados a ela. Em última análise, a margem de contribuição representa o valor que irá cobrir os Custos Fixos e Despesas Fixas da empresa, proporcionando a condição (ou não) de apurar lucro neste mesmo período. Deste conceito, derivam duas fórmulas fundamentais: 1. Margem de Contribuição Total MC = RV - CV Atenção: as empresas podem adotar qualquer método de custeio para fins de avaliação interna e de decisões gerenciais, porém sempre deverá manter a escrituração contábil em ordem e de acordo com a legislação societária e fiscal vigente. Por esta obrigação legal impor às empresas um único método de custeio, o Custeio por Absorção, a adoção do método de custeio variável pode significar um gasto adicional que a empresa precisa avaliar antes de duplicar os esforços de registro e mensuração. Dependendo do porte e da complexidade da carteira de produtos, a empresa pode ser obrigada a ter as duas abordagens, independentemente dos gastos administrativos adicionais. DESTAQUE Auferida: adjetivo Que se auferiu, que foi conseguido ou recebido como resposta; conseguido, colhido: despesas auferidas do empréstimo. Sinônimos de Auferida Auferida é sinônimo de: obtido, conseguido, colhido, recebido, adquirido. Fonte: Dicionário On-Line da Língua Portuguesa (2019, online.). GLOSSÁRIO Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 97 Onde: MC = Margem de Contribuição em R$. RV = Receita das Vendas em R$. CV = Custos (e Despesas) Variáveis em R$. 2. Margem de Contribuição Unitária Onde: MCU = Margem de Contribuição Unitária em R$. RV = Receita das Vendas em R$. CV = Custos (e Despesas) Variáveis em R$. U = Unidades Produzidas no Período. Imagine uma empresa que, por simplificação, produza e comercialize um único produto, e que em determinado período tenha obtido os seguintes dados físicos e financeiros: Receitas das Vendas RV R$ 600.000,00 Custos e Despesas Variáveis CV R$ 300.000,00 Quantidade Produzida U UN 100,00 Nestas condições a empresa terá: 1. Margem de Contribuição Total de MC = RV - CV MC = R$ 600.000,00 - R$ 300.000,00 MC = R$ 300.000,00 MCU = (RV - CV) U CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos98 2. Margem de Contribuição Unitária de: Note que, apesar de muito simples, esta forma de apurar a contribuição unitária só é possível por termos os Custos e Despesas Variáveis segregados nos registros contábeis e, a partir disso, surge a possibilidade de se apurar a margem de contribuição por produto, por segmento, por mercado, e assim por diante. Em outras palavras, a Margem de Contribuição Total da empresa será a soma das margens de contribuição totais por produto. A Margem de Contribuição é um instrumento gerencial bastante útil para a tomada de decisão nas situações em que se decide pela implementação ou pela eliminação de algum produto ou linha de produtos. Naturalmente, o que se espera é que todos os produtos tenham uma margem de contribuição positiva, uma vez que é a partir dela que a empresa terá condições de suportar os seus custos e despesas fixas. Em situações muito particulares, a empresa pode optar por operar com margens de contribuição muito baixas, ou até mesmo negativas, mas esta é uma situação que não pode perdurar por muito tempo. Também é importante considerar que, em algumas situações, a decisão de ampliar uma linha de produtos com margens de contribuição melhores em detrimento de outras, pode não ser possível por outros fatores limitantes, tais como a capacidade máxima de produção de uma máquina ou o tamanho do mercado potencial. Nem sempre a Margem de Contribuição será o único fator de decisão, mas sem ela, é muito difícil efetuar uma análise financeira adequada para suportar este tipo de análise. MCU = (RV - CV) U MCU = 600.000,00 - 300.000,00 100.000,00 MCU = 3,00 Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 99 Por exemplo, considere uma empresa que tenha em seu catálogo de produtos três linhas semelhantes, produzidas de forma uniforme, e que atendam três mercados distintos. Ao fechar um determinado mês, a empresa obteve os seguintes resultados: Tabela 4.1 – Margem de Contribuição Unitária por Produto. Linha de Produtos Premium Regular Popular Pesquisa e Desenvolvimento 900,00 760,00 660,00 (-) Custos Variáveis Unitários Matéria Prima 250,00 195,00 160,00 Embalagens 35,00 21,00 18,00 Mão de Obra Direta 220,00 180,00 170,00 (-) Despesas Variáveis Unitárias Impostos 225,00 190,00 165,00 Comissão de Vendas 50,00 40,00 30,00 Assistência Técnica 30,00 20,00 15,00 Total dos Custos e Despesas Variáveis 810,00 646,00 558,00 Margem de Contribuição Unitária Em R$ Em % 90,00 10,0% 114,00 15,0% 102,00 15,5% Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Neste exemplo hipotético, o que temos é a avaliação da margem de contribuição unitária em duas dimensões. A primeira em R$ e a segunda em % da receita de vendas. Um aspecto importante a considerar é que inegavelmente a linha premium, apesar de ter um preço de venda maior que as demais, é a que menos contribui, tanto em R$ quanto em % para a formação do resultado final da companhia. Por outro lado, apesar da linha regular ter uma margem de contribuição inferior à margem de contribuição da linha popular, a linha regular contribui com um valor de R$ 114,00 por unidade, enquanto que a linha popular só contribui com R$ 102,00 por unidade vendida. Esta é uma situação relativamente comum e que deve ser considerada pelos gestores na análise das margens de contribuição. Agora consideremos que neste mesmo período a empresa tenha vendido as quantidades expressas na tabela a seguir, obtendo os resultados constantes desta mesma tabela. CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos100 Tabela 4.2 – Margem de Contribuição Total por Produto. Linha de Produtos Premium Regular Popular Total Quantidades Vendidas no Período 100 150 200 450 Receita das Vendas 90.000,00 114.000,00 132.000,00 336.000,00 (-) Custos Variáveis Totais Matéria Prima 25.000,00 29.250,00 32.000,00 86.250,00 Embalagens 3.500,00 3.150,00 3.600,00 10.250,00 Mão de Obra Direta 22.000,00 27.000,00 34.000,00 83.000,00 (-) Despesas Variáveis Totais Impostos 22.500,00 28.500,00 33.000,00 84.000,00 Comissão de Vendas 5.000,00 6.000,00 6.000,00 17.000,00 Assistência Técnica 3.000,00 3.000,00 3.000,00 9.000,00 Total dos Custos e Despesas Variáveis 81.000,00 96.900,00 111.600,00 289.500,00 Margem de Contribuição Total Em R$ Em % 9.000,00 10,0% 17.100,00 15,0% 20.400,00 15,5% 46.500,00 13,8% Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Com esta distribuição das vendas, a empresa consegue obter a Margem de Contribuição Total de 13,8% das vendas, o que equivaleà R$ 46.500,00. Nesta mesma configuração, a receita total das vendas atinge o montante de R$ 336.000,00. Por hipótese, considere que, ao serem informados do resultado obtido, os acionistas tenham solicitado aos gerentes desta mesma companhia, ações que permitissem melhorar o volume total das vendas, mantendo o total de unidades vendidas nas três linhas de produto, ou seja, o volume total de vendas deve ser mantido em 450 unidades. Em uma primeira análise, os gerentes propuseram reduzir as vendas das linhas Regular e Popular em 50 unidades, acrescentando 100 unidades à linha de produtos Premium, apresentando aos acionistas a nova projeção de resultados, conforme demonstrado na tabela a seguir. Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 101 Tabela 4.3 – Margem de Contribuição Total por Produto conforme proposta da gerência. Linha de Produtos Premium Regular Popular Total Quantidades Vendidas no Período 200 100 150 450 Receita das Vendas 180.000,00 76.000,00 99.000,00 355.000,00 (-) Custos Variáveis Totais Matéria Prima 50.000,00 19.500,00 24.000,00 93.500,00 Embalagens 7.000,00 2.100,00 2.700,00 11.800,00 Mão de Obra Direta 44.000,00 18.000,00 25.500,00 87.500,00 (-) Despesas Variáveis Totais Impostos 45.000,00 19.000,00 24.750,00 88.750,00 Comissão de Vendas 10.000,00 4.000,00 4.500,00 18.500,00 Assistência Técnica 6.000,00 2.000,00 2.250,00 10.250,00 Total dos Custos e Despesas Variáveis 162.000,00 64.600,00 83.700,00 310.300,00 Margem de Contribuição Total Em R$ Em % 18.000,00 10,0% 11.400,00 15,0% 15.300,00 15,5% 44.700,00 12,6% Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Veja que, apesar de atender ao pedido dos acionistas, aumentando as receitas totais da empresa de R$ 336.000,00 para R$ 355.000,00, um aumento de 5,7% no total das receitas sem a necessidade de se aumentar o volume total de vendas, a proposta dos gerentes causa uma redução da margem de contribuição de R$ 46.500,00 para R$ 44.700,00, o que naturalmente causará uma redução do lucro da companhia. Não esqueça: esta análise só pode ser feita uma vez que se disponha dos dados relativos aos custos e despesas variáveis de cada uma das linhas de produtos. CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos102 4.2.6 Análise Custo-Volume-Lucro Derivada da análise de Margem de Contribuição, as relações de custo, volume e lucro visam estabelecer as relações entre custos e receitas em diferentes níveis de atividade, encontrando de forma algébrica ou na forma gráfica, os pontos em que a empresa irá operar com rentabilidade e a partir de que limite os resultados financeiros poderão ficar comprometidos. Este estudo também oferece condições de determinar o nível de operações, verifica a obtenção do lucro desejado e, ainda, pode ajudar na escolha do mix de produtos mais adequado, em contraponto ao que já foi visto na análise da Margem de Contribuição. Uma forma simples de se entender estes objetivos é conhecer as perguntas que o método pretende responder, ou seja, objetivamente o estudo das relações custo-volume- lucro responde às seguintes questões: • Dada a existência de uma estrutura de custo e preço, qual volume de operações é necessário para se obter um lucro de “x” valor? • Se os preços são reduzidos em “x” percentual, qual o acréscimo do volume necessário para se manter o mesmo nível de lucro? • Se os custos variáveis são reduzidos pela aquisição de uma máquina automática (entretanto, com o aumento dos custos fixos), como isso afetará o lucro de “z” valor, admitindo-se que o nível de operações permanecerá constante no futuro? • Se os custos variáveis aumentam por um percentual “x”, qual será o lucro, considerando que o volume aumentará pelo percentual “z”? O aumento das receitas sempre é um objetivo presente nas companhias de qualquer porte e os gerentes são rotineiramente pressionados para encontrar maneiras de aumentar as receitas das vendas. Sem informação financeira confiável, a empresa pode tomar a decisão de re-distribuir as quantidades de vendas, entre as linhas de produto, e não perceber que pode estar comprometendo a rentabilidade da empresa no momento da decisão. O objetivo central da contabilidade gerencial é justamente evitar que decisões de caráter emocional sejam tomadas sem a análise financeira de suas consequências. DESTAQUE Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 103 Como qualquer método de análise, a relação custo-volume-lucro não responde a todas as questões gerenciais de uma empresa, mas é bastante útil para as decisões de alternativas de preços, custos, composição das vendas e seleção das linhas de produtos. 4.2.6.1 Ponto de Equilíbrio Resumidamente, o Ponto de Equilíbrio é o ponto em que o total das receitas se equipara com os totais dos custos e despesas, fixas e variáveis, ou seja, não existe lucro nem prejuízo. Existem, pelo menos, quatro formas de se calcular o Ponto de Equilíbrio. Vamos ver juntos? 4.2.6.2 Ponto de Equilíbrio Contábil É o ponto em que, contabilmente, não haverá lucro nem prejuízo; supõe-se que a produção é igual às vendas. Onde: PEC = Ponto de Equilíbrio Contábil em Unidades. CF = Custo Fixo Total em R$. DF = Despesa Fixa Total em R$. MCU = Margem de Contribuição Unitária em R$. Assumindo os mesmos dados que utilizamos em outro exemplo desta Unidade, e assumindo que a empresa tenha um montante de Custos e Despesas Fixas de R$ 300.000,00, teríamos: Receitas das Vendas RV R$ 600.000,00 Custos e Despesas Variáveis CV R$ 300.000,00 Quantidade Produzida U UN 100,00 Custos e Despesas Fixas CF R$ 300.000,00 PEC = (CF - DF) MCU CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos104 Ao nível de produção de 100.000 unidades, a empresa estará operando exatamente em seu ponto de equilíbrio contábil, ou seja, a este nível de vendas a empresa não terá qualquer lucro contábil e também não haverá prejuízo a ser registrado no período. 4.2.6.3 Ponto de Equilíbrio na Forma Gráfica Outra forma de se demonstrar o ponto de equilíbrio é plotar os seus elementos contábeis e os volumes de vendas, na forma como estão expressos no gráfico a seguir. No eixo vertical, colocamos os elementos financeiros e a forma como se comportam em diferentes volumes de vendas, as quais são expressas no eixo horizontal em unidades físicas. Gráfico 4.2 – Ponto de Equilíbrio Contábil. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). PEC = (CF - DF) MCU PEC = 300.000,00 = 100.000 Un 3,00 100 200 250 200 400 Valor ($) PE 150.000 125.000 (Quantidade) CF + DF CV + DV Lucro Prejuízo CT + DT RT } } Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 105 Note que o ponto de equilíbrio (PE) representa o ponto de inflexão entre as receitas totais e os gastos totais. Neste ponto, o resultado é nulo, sendo que abaixo dele, em qualquer ponto do gráfico, a empresa estará operando em uma faixa de prejuízo e, acima, em uma faixa de lucro. 4.2.6.4 Ponto de Equilíbrio Econômico Na apuração do ponto de equilíbrio econômico, acrescentamos aos Custos e Despesas Fixas, o montante de Lucro que os acionistas entendam suficiente para remunerar o custo do capital. Nesta situação, haverá lucro contábil no ponto de equilíbrio, o qual se supõe ser o mínimo desejado como retorno do capital investido, também conhecido como custo de oportunidade. Onde: PEE = Ponto de Equilíbrio Econômico em Unidades. CF = Custo Fixo Total em R$. DF = Despesa Fixa Total em R$. LD = Lucro Desejado em R$. MCU = Margem de Contribuição Unitária em R$. Seguindo o nosso exemplo, e assumindo que os acionistas tenham estabelecido um lucro contábil mínimo de R$ 30.000,00, teríamos um Ponto de Equilíbrio Econômico de: Aproveitando para relembrar os conceitos que já vimos ao longo desta Unidade, veja que mesmo na situação deausência de vendas, ponto de receita igual a zero, a empresa terá um montante de custos e despesas fixas, sendo este o ponto de prejuízo máximo da organização. DESTAQUE PEE = (CF - DF) + LD MCU CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos106 Receitas das Vendas RV R$ 600.000,00 Custos e Despesas Variáveis CV R$ 300.000,00 Quantidade Produzida U UN 100,00 Custos e Despesas Fixas CF R$ 300.000,00 Lucro Mínimo Desejado LD R$ 30.000,00 Note que, agora, a empresa passa a ter a necessidade de operar em um nível de produção e de vendas 10% superior ao ponto de equilíbrio contábil. Para que a empresa atinja o ponto de equilíbrio econômico, é necessário que a organização produza e venda, no mínimo, 110.000 unidades. 4.2.6.5 Ponto de Equilíbrio Financeiro Por último, temos o Ponto de Equilíbrio Financeiro, o qual expressa o ponto em que haverá o equilíbrio operacional do caixa da empresa. Este ponto de equilíbrio serve para determinar o nível de receitas necessário para a cobertura dos desembolsos operacionais de uma empresa, e para efetuar o cálculo devemos excluir os gastos que não representam desembolsos financeiros no período de apuração. Estes gastos devem ser excluídos dos custos e despesas fixas totais, como é o caso da depreciação. A depreciação, em particular, representa a amortização por perda de utilidade, desgaste ou obsolescência, de gastos efetuados em períodos anteriores e que não representa, necessariamente, um novo desembolso futuro. PEE = (CF - DF) + LD MCU PEE = 300.000,00 + 30.000,00 = 110.000 Un 3,00 PEF = (CF - DF) - GND MCU Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 107 Onde: PEF = Ponto de Equilíbrio Financeiro em Unidades. CF = Custo Fixo Total em R$. DF = Despesa Fixa Total em R$. GND = Gastos não Desembolsáveis em R$. MCU = Margem de Contribuição Unitária em R$. Complementando o nosso exemplo, e assumindo que a empresa apresente uma depreciação mensal de R$ 30.000,00, teríamos um Ponto de Equilíbrio Financeiro de: Receitas das Vendas RV R$ 600.000,00 Custos e Despesas Variáveis CV R$ 300.000,00 Quantidade Produzida U UN 100,00 Custos e Despesas Fixas CF R$ 300.000,00 Gastos Não Desembolsáveis GND R$ 30.000,00 Aqui temos duas observações relevantes a fazer. Em primeiro lugar, note que o Ponto de Equilíbrio Financeiro é atingido com o volume de 90.000 unidades, o que é inferior ao Ponto de Equilíbrio Contábil. Pode se inferir que, nesta situação, a empresa irá operar na faixa de prejuízo contábil. O segundo aspecto a considerar é que, mesmo operando por um certo período na faixa de prejuízo, a empresa ainda poderá honrar seus compromissos financeiros sem maiores dificuldades. Apesar de estarmos trabalhando com números e situações hipotéticas, estas situações são bastante comuns em momentos de maior dificuldade econômica, o que pode ser suportado e administrado por algum tempo, enquanto se aguarda a retomada do nível de atividade ideal. PEF = (CF - DF) - GND MCU PEF = 300.000,00 - 30.000,00 = 90.000 Un 3,00 CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos108 4.2.6.6 Margem de Segurança Um dos princípios fundamentais de contabilidade, que se aplica a muitas situações do cotidiano empresarial, é o Princípio da Prudência. Neste sentido, independentemente do método de cálculo adotado pela empresa para o ponto de equilíbrio que deseja, é recomendável que, além do ponto de equilíbrio, a empresa determine uma Margem de Segurança, que nada mais é do que a diferença entre o volume previsto (ou real) de produção e vendas e o volume teórico do ponto de equilíbrio. Para a definição da margem de segurança que se pretende ter, a empresa pode determinar o montante pelo qual as vendas podem cair, sem que atinja a área de prejuízo. Como é uma medida arbitrária, cabe aos gestores conhecer os limites do mercado onde atuam e determinar, com segurança, qual será a Margem de Segurança operacional em que pretendem atuar. A margem de segurança é um percentual que pode ser calculado tanto em quantidades, quanto em relação a receita da empresa em determinado período. Onde: MS = Margem de Segurança em %. Q = Quantidade total em Unidades. Q = Quantidade no Ponto de Equilíbrio em Unidades. R = Receita total em R$. R = Receita no Ponto de Equilíbrio em R$. Retomando o nosso exemplo hipotético, vamos assumir que a empresa adote o Ponto de Equilíbrio Contábil para gerir o seu nível ideal de atividade e que esteja operando com a produção e vendas em 150.000 unidades, obtendo uma receita total de R$ 900.000,00. Nesta situação, poderíamos dizer que a empresa opera com uma margem de segurança de 33,3%. MS = (Q t - Qe) x 100 Qt MS = (R t - Re) x 100 Rt t e t e Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 109 Receitas Total das Vendas Rt R$ 900.000,00 Receitas no PEC Re R$ 600.000,00 Quantidade Total Qt UN 150.000 Quantidade no PEC Qe UN 100.000 MS = (Q t - Qe) x 100 Qt PEE = (150.000 - 100.000) x 100 = 33,3% 150.000 MS = (R t - Re) x 100 Rt PEE = (900.000,00 - 600.000,00) x 100 = 33,3% 900.000,00 CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos110 4.3 Formação do Preço de Venda Uma das tendências dos mercados competitivos tem sido a impossibilidade das empresas serem capazes de impor seus preços ao mercado. Esta forma de estabelecer os preços de venda só ocorre em situações muito particulares, tais como os casos de monopólio, ou seja, ser o único fornecedor de um bem/serviços para um determinado mercado; participar de um oligopólio, que em determinadas situações configura crime; ou ter liderança total do mercado, impondo sua marca de tal forma que o consumidor imagina só existir esta marca como alternativa de compra. Também pode ocorrer a possibilidade de imposição do preço de venda ao mercado, quando tivermos produtos novos, recém lançados e sem similares no mercado relevante. Contudo, esta é uma situação temporária e, a não ser que o produto seja de difícil desenvolvimento ou cópia. Com a concorrência cada vez mais acirrada, a formação de preços não depende somente dos custos incorridos sobre os bens/serviços oferecidos. Na verdade, os custos acabam sendo um dos fatores que ajudam a controlar os lucros que se deseja obter e é um dos elementos a serem gerenciados com enorme cuidado. Quando o mercado exige reduções de preço, cabe às empresas buscarem formas inovadoras de reduzir os seus custos ou, no limite, sacrificar os seus lucros para continuar atuando neste mercado. Figura 4.3 – Definição de Preços de Venda de Produtos - Mercado como Parâmetro. Fonte: Freepik (2019). Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 111 4.3.1 Formação do Preço de Venda a Partir dos Custos Como já vimos, o pressuposto básico para esta técnica é de que o mercado esteja disposto a absorver os preços de venda determinados pela empresa, que, por sua vez, são calculados em cima de seus custos reais ou estimados. Sabemos que isso nem sempre pode acontecer, ficando, então, eventualmente invalidado tal procedimento. De qualquer forma, é necessário que os gestores façam o cálculo do preço de venda teórico, baseado em seus próprios custos, tendo em vista que, por meio dele, a empresa poderá ter um parâmetro inicial ou padrão de referência para análises comparativas. Além disso, diversas outras situações podem exigir a utilização dos procedimentos de formação de preços de venda a partir do custo, tais como: • Estudos de marketing e/ou de engenharia à introdução de novos produtos; Acirrado: adjetivo Que se conseguiu acirrar; que foi provocado;que se instigou; açulado. Que revela agressividade por ter sido estimulado de alguma forma; que teve sua hostilidade incitada. Que foi levado a sentir raiva; irritado. Que foi estimulado a se comportar, proceder ou responder; excitado. Que trata seus propósitos com veemência; que cumpre seus objetivos com retidão; obstinado. Etimologia (origem da palavra acirrado). Part. de acirrar. Sinônimos de Acirrado Acirrado é sinônimo de: supercilioso, irritado, incomplacente, excitado, açulado, obstinado, austero, implacável, inexorável, inflexível, inquebrantável, intransigente. Fonte: Dicionário On-Line da Língua Portuguesa (2019, online). GLOSSÁRIO CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos112 • Acompanhamento dos preços e custos dos produtos atuais; • Novas oportunidades de negócios; • Decisão de aceitação de pedidos especiais e/ou por encomenda; • Análise de preços de produtos de concorrentes. A formação do preço de venda envolve inúmeros fatores para a sua composição, sendo que os mais comuns envolvem: • A composição dos custos da empresa, como já foi dito; • A demanda do mercado onde a empresa atua e eventualmente efeitos de sazonalidade da demanda; • A ação de concorrentes que venham a redefinir estratégias de precificação para domínio do mercado; • A influência dos governos e incidências tributárias sobre o produto em questão; • Os objetivos pretendidos pela própria organização, entre outros. A atuação diferenciada dos gestores nestes, e em outros fatores, quando tomadas em cada empresa individualmente, tornam a tarefa de estabelecer os preços de venda bastante complexa, mas necessária para a manutenção da saúde financeira de qualquer empresa. Diferentes segmentos adotam diferentes métodos de precificação e, normalmente, abrangem os métodos baseados em custos (mais comuns e populares), baseado nas decisões das empresas concorrentes (também conhecido como método de imitação), método baseado nas flutuações de mercado e o método misto, que nada mais é do que uma combinação de todos os outros. Resumidamente, o preço de venda deve ser suficiente para cobrir todos os custos de produção e/ou serviços, todas as despesas do período e a margem de lucro. Mesmo que a empresa não possa simplesmente repassar as variações de custo para o preço, monitorar a sua formação é fundamental para que as empresas possam tomar as decisões corretas no sentido de manter sua rentabilidade estável. Surge daí a necessidade de se aprender como se pode formar o preço de venda a partir dos custos e demais elementos de resultado de uma empresa. Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 113 4.3.2 Aplicação de Markups Objetivamente, o markup é um índice que, aplicado sobre os gastos de produção e de comercialização de um determinado produto ou serviço, permite a obtenção do preço de venda através de um índice, multiplicador ou divisor. Genericamente, o markup pode ser empregado de diferentes formas, sendo que as duas principais estão baseadas no método de custeio a ser adotado. 4.3.3 Markup Aplicado sobre o Método de Custeio por Absorção Neste caso, o markup tem como objetivo principal cobrir os custos, as despesas operacionais, os custos financeiros e o lucro desejado, tais como: • Custo dos produtos vendidos; • Despesas administrativas; • Despesas comerciais; • Despesas financeiras; e • Margem de lucro desejada. O cálculo do Markup tanto pode se dar por um multiplicador, quanto por um divisor, sendo que as duas formas são válidas. Mark-up ou Markup é um termo expresso na língua inglesa, sem uma tradução específica para o português, usado em economia para indicar quanto, do preço, do produto está acima do seu custo de produção e distribuição. Significa a diferença entre o custo de um bem ou serviço e seu preço de venda. Pode ser expresso como uma quantia fixada ou como percentual. O valor representa a quantia efetivamente cobrada sobre o produto a fim de obter o preço de venda. Mais informações e exemplos de cálculo do Markup podem ser obtidas pelo link da Fundação Instituto de Administração: http://gg.gg/fwzpi. SAIBA MAIS CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos114 Como já vimos anteriormente, considerando a complexidade de alocação de gastos indiretos no método de custeio por absorção, a técnica de se efetuar os cálculos de markup sobre este método de custeio sofre algumas críticas relevantes dos especialistas. Pela imprecisão dos rateios dos gastos indiretos, os gestores podem tomar decisões erradas quanto à precificação dos produtos e serviços, quando tomadas individualmente. De qualquer forma, vamos demonstrar o passo a passo deste método de cálculo. O método consiste no cálculo em duas etapas: o markup I, incorpora ao preço de venda todos os custos, despesas operacionais e a margem de lucro ao preço de venda, enquanto o markup II, acrescenta a este preço, todos os impostos incidentes sobre a venda. Passo 1 - Somatório dos percentuais de todos os custos, despesas operacionais e da margem de lucro pretendida pela empresa em relação às vendas líquidas dos impostos. Considere por hipótese os dados a seguir: Tabela 4.4 – Participação dos gastos operacionais sobre as Vendas em %. % da Receita Líquida Custos dos Produtos 60% Despesas Comerciais 15% Despesas Administrativas 10% Despesas Financeiras 2% Total de Gastos 87% Margem de Lucro Desejada 13% Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Passo 2 - Obtenção da participação dos gastos totais (estamos utilizando o critério de custeio por absorção) sobre as vendas, sem impostos. Para executar essa etapa, basta tirar de 100% a margem de lucro pretendida, considerada como % da receita líquida. Markup (Multiplicador) = Preço de Venda Gastos Totais Markup (Divisor) = Gastos Totais Preço de Venda Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 115 Assim, o preço de venda sem impostos equivale a 100% (-) a margem de lucro pretendida de 13%, resultando em uma participação de 87% dos gastos operacionais em relação à receita líquida unitária. Passo 3 - Para a obtenção do markup I como multiplicador para se chegar ao preço de venda sem impostos, basta tomar o preço de venda sem impostos, que equivale a 100% (a), dividido pela participação dos gastos na receita líquida total, que no nosso exemplo (Passo 2) equivale a 87% (b). Markup I (Multiplicador = (a / b) 1,1494 Markup I (Divisor) = (b / a) 0,8700 Passo 4 - Identificação dos percentuais dos impostos sobre as vendas, para obtenção do markup II, como multiplicador ou divisor. Novamente, considere por hipótese os dados a seguir. Tabela 4.5 – Impostos sobre Vendas em %. % sobre a Receita Líquida ICMS 18,00% PIS 0,65% COFINS 3,00% Total de Gastos 21,65% Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Passo 5 - Obtenção do quanto representam as vendas, excluídos os impostos, em relação à venda com os respectivos impostos. Agora, o preço de venda com impostos passa a representar os 100% (a), sendo subtraídos os impostos sobre a venda de 21,65% (b), temos a representatividade do preço de venda, líquido dos impostos de 78,35% [(a) - (b)]. Passo 6 - Obtenção do markup II, a fim de se obter o preço de venda com impostos, pronto para a emissão de listas de preços de venda e documentação fiscal. Preço de venda com impostos equivalem a 100% (a) e o preço de venda sem impostos equivale a 78,35% (b). CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos116 Markup II (Multiplicador = (a / b) 1,2763 Markup II (Divisor) = (b / a) 0,78350 Passo 7 - Por fim chegamos ao cálculo do markup total, que pode ser obtido pela multiplicação dos dois markup intermediários: Markup I x Markup II = Markup Total 1,1494 x 1,2763 = 1,4670 Considerando os nossos dados hipotéticos, e aplicando o método de markup como multiplicador, teríamos a aplicação do markup total sobre o montantedos gastos unitários + margem de lucro desejada, para a formação do preço de venda, ou seja, um produto que tenha um gasto unitário total + a margem de lucro desejada de R$ 6,00, deveria ser vendido por: R$ 6,00 x 1,4670 = R$ 8,80 por unidade. Este é o preço de venda necessário para que se possa cobrir todos os impostos incidentes sobre a venda, custos, despesas operacionais e por fim, termos o lucro pretendido de 13% sobre a receita líquida. Vejamos o mesmo exemplo partindo do preço de venda calculado pelo método de markup, abatendo-se os impostos, custos e despesas operacionais, chegando na margem de lucro pretendida que, considerando os dados de nosso exemplo hipotético, deve ser necessariamente de 13% sobre a receita líquida unitária. Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 117 Tabela 4.6 – Margem de Contribuição Unitária por Produto. Valores em RS % da Rec. Liq. Preço Unitário de Vendas 8,80 127,63% (-) ICMS 18,00% - 1,58 -22,97% (-) PIS 0,65% - 0,06 -0,83% (-) COFINS 3,00% - 0,26 -3,83% Preço Líquido Unitário 6,89 100,00% (-) Custo Unitário 60% - 4,14 -60,00% (-) Despesas Comerciais 15% - 1,03 -15,00% (-) Despesas Administrativas 10% - 0,69 -10,00% (-) Despesas Financeiras 2% - 0,14 -2,00% Lucro Líquido Unitário 0,90 13,00% Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Sabendo-se a estrutura de custos e despesas unitárias de um determinado produto, o método se aplica da mesma forma para qualquer valor em R$. No método de custeio por absorção, essa apuração não é tão simples e, além da dificuldade com os rateios, temos ainda a necessidade de apurar e distribuir os gastos indiretos de fabricação, que só é feito no final do período. Oliveira e Perez Junior (2000) abordam a mesma dificuldade, indagando: • como encontrar o custo unitário do produto (CPV) no dia a dia, já que ele contém uma parcela do custo fixo total? • como encontrar as despesas operacionais por unidades? • como as oscilações no volume de produção e seus efeitos no custo fixo unitário não são consideradas? • como considerar os vários rateios necessários para alocar os custos fixos aos departamentos e destes aos produtos já que estes trazem consigo muitas distorções?. (OLIVEIRA; PEREZ JUNIOR, 2000, p. 222-223). CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos118 Uma forma de se contornar esta dificuldade é utilizar os dados contábeis do período imediatamente anterior. Este procedimento é uma aproximação da realidade e pode funcionar de forma adequada em períodos de estabilidade econômica. Fora desta condição, as variações na composição dos custos podem provocar erros e inviabilizar a sua utilização. 4.3.4 Markup Aplicado sobre o Metodo de Custeio Variável A metodologia do markup na formação do preço de venda também pode ser aplicada com o método de custeio variável. Neste caso, a única diferença relevante é o fato de se desprezar os custos e despesas fixas, na composição dos custos. Com isto, as dificuldades encontradas no custeio por absorção são neutralizadas e a empresa passa a definir com que margem de contribuição deseja operar. Metodologicamente, o passo a passo de cálculo é o mesmo do tópico anterior, por isto não vamos repetir a sistemática de cálculo aqui. Para efetuar o cálculo do Markup I basta substituir o montante dos gastos totais (em %) pelo montante de gastos variáveis (custos + despesas variáveis), também em %, e executar a mesma sequência de cálculos. Ao final, você vai encontrar o fator (multiplicador ou divisor) que determina o Preço de Venda para que se obtenha uma determinada Margem de Contribuição. Vale aqui relembrar que a Margem de Contribuição é aquela que deve ser suficiente para cobrir todos os custos e despesas fixas da companhia, além de garantir o nível de rentabilidade desejado pela administração. Por esta característica, fica evidente que o % de margem de contribuição deverá ser significativamente maior do que a margem de lucro pretendida no método de custeio anterior. É importante que você exercite esses conceitos e que tenha segurança no momento de aplicar qualquer um dos dois métodos. Markup (Multiplicador) = Preço de Venda Gastos Variáveis Markup (Divisor) = Gastos Variáveis Preço de Venda Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 119 SÍNTESE DA UNIDADE Nesta Unidade passamos pela terminologia e pelos principais conceitos da contabilidade de custos, definindo e reforçando o que são: • Gastos; • Custos; • Despesas; • Desperdícios; e • Investimentos. Também estudamos com mais detalhe o comportamento dos custos e suas classificações em: • Custo Diretos; • Custos Indiretos; • Custos Fixos; e • Custos Variáveis. Estes são conceitos fundamentais para a Contabilidade Gerencial e suportam toda a aplicação do método de custeio variável como instrumento de gestão e como ferramenta para o cálculo da margem de contribuição unitária e todas as análises dela derivadas. Entre essas análises, estudamos um pouco sobre o que significa o ponto de equilíbrio e aprendemos a calcular o: • Ponto de Equilíbrio Contábil; • Ponto de Equilíbrio Econômico; • Ponto de Equilíbrio Financeiro; e • Conceito de Margem de Segurança. CONTABILIDADE GERENCIAL | Leandro Salatti dos Santos120 Por fim, abordamos os conceitos da Formação do Preço de Venda e a sua complexidade. Aprendemos um pouco mais sobre a metodologia de markup e aprendemos a aplicar esta metodologia sobre o método de custeio por absorção e sobre o método de custeio variável, alertando o aluno para as dificuldades que a alocação dos gastos gerais de fabricação impõem ao método de custeio por absorção, neste particular. Decisões Estratégicas na Contabilidade | UNIDADE 4 121 REFERÊNCIAS CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE-CFC. NBCTG16 (R2) - Estoques, 2017. Disponível em: http://gg.gg/fwzuw. Acesso em: 12 nov. 2019. CREPALDI, S. A. Curso Básico de Contabilidade de Custos. 2. Ed. São Paulo: Atlas, 2002. DICIONÁRIO ON-LINE DA LÍNGUA PORTUGUESA. Acirrado. 2019. Disponível em: http:// gg.gg/fwzv4. Acesso em: 12 nov. 2019. HORNGREN, C. T.; SUNDEM, G. L.; STRATTON, W. Contabilidade gerencial. 12. Ed. São Paulo: Pearson, 2004. MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 9. Ed. São Paulo:Atlas, 2003. OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H. Contabilidade de Custos para não contadores. São Paulo: Atlas, 2000. Se você encontrar algum problema nesse material, entre em contato pelo email eadproducao@unilasalle.edu.br. Descreva o que você encontrou e indique a página. Lembre-se: a boa educação se faz com a contribuição de todos! CONTRIBUA COM A QUALIDADE DO SEU CURSO Av. Victor Barreto, 2288 Canoas - RS CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 ead@unilasalle.edu.br