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FARMÁCIA HOSPITALAR E 
GESTÃO
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI
Reitor: 
Prof. Me. Ricardo Benedito de 
Oliveira
Pró-Reitoria Acadêmica: 
Maria Albertina Ferreira do 
Nascimento
Diretoria EAD: 
Prof.a Dra. Gisele Caroline 
Novakowski
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Diagramação:
Alan Michel Bariani
Thiago Bruno Peraro
Revisão Textual:
Fernando Sachetti Bomfim
Marta Yumi Ando
Produção Audiovisual:
Adriano Vieira Marques
Márcio Alexandre Júnior Lara
Osmar da Conceição Calisto
Gestão de Produção: 
Aliana de Araujo Camolez
© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114
 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo 
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
 Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não 
vale a pena ser vivida.”
 Cada um de nós tem uma grande res-
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, 
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica 
e profissional, refletindo diretamente em nossa 
vida pessoal e em nossas relações com a socie-
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente 
e busca por tecnologia, informação e conheci-
mento advindos de profissionais que possuam 
novas habilidades para liderança e sobrevivên-
cia no mercado de trabalho.
 De fato, a tecnologia e a comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, 
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e 
nos proporcionando momentos inesquecíveis. 
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino 
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de 
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes 
atuantes.
 Que esta nova caminhada lhes traga 
muita experiência, conhecimento e sucesso. 
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR
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UNIDADE
01
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 5
1. FARMÁCIA HOSPITALAR E ATENDIMENTO DE SAÚDE ..................................................................................... 6
1.1 BREVE HISTÓRICO ............................................................................................................................................... 6
1.2 CONCEITO DE FARMÁCIA HOSPITALAR ........................................................................................................... 7
1.3 ATIVIDADES DA FARMÁCIA HOSPITALAR ....................................................................................................... 7
1.4 LOCALIZAÇÃO ..................................................................................................................................................... 7
1.5 PAPEL DO FARMACÊUTICO HOSPITALAR ....................................................................................................... 8
1.6 OBJETIVOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR .......................................................................................................... 8
1.7 DIRETRIZES DA FARMÁCIA HOSPITALAR ....................................................................................................... 9
1.7.1 GESTÃO ............................................................................................................................................................... 9
1.7.2 DESENVOLVIMENTO DE AÇÕES INSERIDAS NA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE ..................................... 10
FARMÁCIA HOSPITALAR NO 
CONTEXTO DA SAÚDE
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FARMÁRCIA HOSPITALAR E GESTÃO
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1.8 MANIPULAÇÃO OU FARMACOTÉCNICA HOSPITALAR ...................................................................................11
1.8.1 MANIPULAÇÃO MAGISTRAL E OFICINAL ......................................................................................................11
1.8.2 PREPARO DE DOSES UNITÁRIAS ...................................................................................................................11
1.8.3 PREPARO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL ........................................................................................................11
1.8.4 PREPARO DE DROGAS ANTINEOPLÁSICAS E RADIOFÁRMACOS ..............................................................11
1.8.5 CUIDADO AO PACIENTE ................................................................................................................................. 12
1.8.6 GESTÃO DA INFORMAÇÃO, INFRAESTRUTURA FÍSICA E TECNOLÓGICA ................................................ 12
1.8.7 RECURSOS HUMANOS (RH) .......................................................................................................................... 12
2. GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS ................................................................................................................... 12
2.1 SELEÇÃO ............................................................................................................................................................. 13
2.2 CONTRATAÇÃO ................................................................................................................................................... 13
2.3 AVALIAÇÃO.......................................................................................................................................................... 13
2.4 EDUCAÇÃO CONTINUADA OU CAPACITAÇÃO ................................................................................................. 14
3. GESTÃO PELA QUALIDADE ................................................................................................................................. 15
4. PARTICIPAÇÃO DO FARMACÊUTICO NAS COMISSÕES MULTIDISCIPLINARES .......................................... 18
4.1 PARTICIPAÇÃO EM COMISSÕES ...................................................................................................................... 19
CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 24
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INTRODUÇÃO
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o hospital é parte integrante de uma 
organização médica e social que tem como principal objetivo prestar assistência à população em 
caráter curativo e preventivo, além de funcionar como um centro de formação e de investigação 
(XAVIER, 2010). 
Por outro lado, a desospitalização é uma tendência mundial, pois já existe a consciência 
de que o leito hospitalar é para a fase aguda de uma doença, e não para pacientes crônicos. Na 
atualidade, os grandes hospitais do País têm equipes trabalhando para que o paciente permaneça 
o menor tempo possível no leito. Os planos de saúde também apontam essa solução como a mais 
viável para pacientes crônicos.
Diante dessa realidade, os pacientes atendidos em hospitais estão em estado mais grave, 
cujo quadro envolve maior complexidade e, portanto, tratamentos mais complexos. Logo, ações 
para o uso correto de medicamentos são cada vez mais necessárias. 
Entende-se por gestão em saúde o processo técnico, político e social capaz de integrar 
recursos e ações para a produção de resultados. Nesse novo contexto, a farmácia hospitalar 
também está passando por mudanças, pois a busca pela e� ciência exige a incorporação rápida de 
novos conceitos e práticas de gestão. 
A atuação da farmácia hospitalar assume, com isso, dois aspectos cruciais para o hospital: 
um deles é a gestão de processos, participando das comissões decisórias e produção de indicadores 
de qualidade; o outro aspecto, nas fases da assistência farmacêutica propriamente dita, envolve 
seleção, armazenamento, distribuição e controle de uso de medicamentosas. 
Para isso, a farmácia hospitalar deve observar as ações desenvolvidas e o per� l dos 
pacientes atendidos.A execução de suas atividades deve garantir a efetividade e a segurança no 
uso dos medicamentos e produtos para a saúde.
Na Unidade I, discutiremos a Farmácia Hospitalar e seu papel no atendimento de saúde, 
focando seus aspectos legais e estruturais. 
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1. FARMÁCIA HOSPITALAR E ATENDIMENTO DE SAÚDE
O avanço tecnológico da indústria farmacêutica e da área da saúde exige uma avaliação 
criteriosa da segurança, efetividade e custo. O farmacêutico atua no sentido de assegurar uma 
assistência farmacêutica integral que atenda ao per� l assistencial do hospital e às necessidades 
individuais do paciente. 
Para obter a integralidade do cuidado, a farmácia executa as atividades logísticas 
tradicionais e realiza ativid ades assistenciais e técnico-cientí� cas. 
O Serviço de Farmácia Hospitalar (doravante, SFH) é o ordenador da assistência 
farmacêutica no hospital, e sua estrutura deve estar de acordo com a complexidade do atendimento 
prestado por ele. 
O SFH deve observar e providenciar as exigências das entidades de saúde e órgãos 
reguladores, bem como as políticas e convenções da empresa em que atua. Suas ações visam a 
contribuir para um ambiente que tenha � exibilidade, agilidade, criatividade, e� ciência, equidade 
e participação social (SILVA; PROVIN; FERREIRA, 2018). 
1.1 Breve Histórico
As práticas de Farmácia Hospitalar datam da época dos gregos, romanos e árabes. 
Na Idade Média, a medicina e a farmácia desenvolveram-se juntas, sob a responsabilidade de 
religiosos dos conventos, nas boticas e nos hortos de plantas medicinais (BRASIL, 1994). 
A primeira farmácia hospitalar de que se tem registro data de 1752, em um hospital 
da Pensilvânia, Estados Unidos, onde foi apresentada a primeira proposta de padronização de 
medicamentos. 
No Brasil, as farmácias hospitalares mais antigas foram instaladas nas Santas Casas 
de Misericórdia e Hospitais Militares, onde o farmacêutico manipulava os medicamentos 
dispensados aos pacientes internados, obtidos de um ervanário do próprio hospital.
No século XIX, a botica mudou a nominação para “farmácia” e assumiu grande 
importância nos hospitais da época, onde os medicamentos eram fornecidos de forma individual 
para o tratamento dos pacientes e eram preparados por meio de receitas magistrais nas quais se 
usavam drogas importadas e/ou produtos de herbário. Esse atendimento se dava tanto para os 
indivíduos hospitalizados quanto para o tratamento ambulatorial.
Nas décadas de 1920 e 1930, o avanço da engenharia química estabeleceu as bases da 
moderna indústria farmacêutica, permitindo a expansão da produção de remédios. Essa nova 
realidade permitiu o tratamento de doenças para as quais não havia expectativa de cura e de 
muitas patologias que, antes, demandavam internação para tratamento (SIMONETTI; NOVAES; 
AFONSO, 2009). 
A industrialização do medicamento permitiu o acesso ao fármaco pronto. Isso desencadeou 
uma crise na pro� ssão farmacêutica, que, até então, era entendida como manipuladora/
preparadora de medicamentos. O mesmo aconteceu com o farmacêutico de hospital. 
Os hospitais de pequeno e médio portes passaram a ter estoques de medicamentos 
industrializados, tornando desnecessária a presença do farmacêutico, que só foi mantido nas 
instituições de grande porte. 
Nesse novo contexto, as farmácias das unidades hospitalares que faziam manipulação 
ativa de medicamentos se transformaram em depositários/estocadores passivos de fármacos 
industrializados. 
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A consequência do uso indevido dos medicamentos começou a se re� etir nos pacientes: 
reações adversas, falhas terapêuticas, aumento do tempo de internação e dos custos de atendimento. 
Essa realidade exigiu o retorno do farmacêutico, não mais como “produtor” de medicamentos, 
mas como detentor do conhecimento de estabilidade, farmacocinética, farmacodinâmica, ou 
seja, como expert em medicamentos. 
Na década de 1940, com o crescimento dos hospitais, a farmácia hospitalar assume papel 
cada vez mais importante, tornando-se um serviço imprescindível para o funcionamento dessas 
estruturas (DANTAS, 2011). 
Em 1965, surgiu, nos EUA, o conceito de assistência farmacêutica, resgatando o papel do 
farmacêutico na terapia do paciente. Paralelamente a isso, propõe-se a farmácia clínica, cuja meta 
é o uso racional dos medicamentos. Com isso, o farmacêutico passa a ter atribuições junto aos 
medicamentos e às atividades clínicas voltadas ao paciente. 
Em 1975, a disciplina de Farmácia Hospitalar é inserida no currículo do curso de Farmácia 
da Universidade Federal de Minas Gerais (GOMES; REIS, 2001; NOVAES et al., 2009). 
Em 1995, foi criada a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (doravante, SBRAFH), 
contribuindo intensamente para a dinamização da pro� ssão e para o desenvolvimento da 
produção técnico-cientí� ca nas áreas de assistência farmacêutica hospitalar.
1.2 Conceito de Farmácia Hospitalar
É uma unidade clínico-assistencial, técnica e administrativa da unidade hospitalar, onde 
se processam as atividades relacionadas à assistência farmacêutica, dirigida exclusivamente por 
farmacêutico, compondo a estrutura organizacional do hospital e integrada funcionalmente às 
demais unidades administrativas e de assistência ao paciente (BRASIL, 2010). 
A responsabilidade técnica da farmácia hospitalar é atribuição do pro� ssional 
farmacêutico, devidamente inscrito no Conselho Regional de Farmácia de sua jurisdição, nos 
termos da legislação vigente (BRASIL, 2010). 
1.3 Atividades da Farmácia Hospitalar 
A organização estrutural da farmácia depende, diretamente, do tipo de atendimento 
assistencial da instituição, do número de leitos, das atividades da farmácia e dos recursos 
� nanceiros, materiais e humanos disponíveis. 
1.4 Localização 
A farmácia deve estar situada em local de livres acesso e circulação, tanto para atender 
à distribuição de medicamentos como para receber a eles e aos demais produtos farmacêuticos 
adquiridos para consumo. 
A área física deve dispor de espaço su� ciente para o desenvolvimento das atividades 
em execução. O espaço necessário é dimensionado de acordo com o tipo de hospital (geral 
ou especializado), o número de leitos, a localização geográ� ca, o tipo de assistência prestada 
pelo hospital, a política de compras implantada no hospital (mensal, trimestral, anual, entrega 
programada, por estoque mínimo) e os tipos de atividades realizadas na farmácia.
A farmácia também recebe a visita de técnicos e fornecedores, o que justi� ca que sua 
localização deva ser em ponto estratégico para facilitar a troca de informações.
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A planta física deve ser aprovada pela vigilância sanitária e deve observar a legislação 
vigente. A construção deve observar as recomendações para áreas de armazenamento (estocagem, 
distribuição) e boas práticas de manipulação (fracionamento, preparo de injetáveis, nutrição 
parenteral e quimioterápicos). 
1.5 Papel do Farmacêutico Hospitalar 
Segundo Silva (2011), a atuação da farmácia hospitalar se preocupa com os resultados 
da assistência prestada ao paciente como um todo, e não apenas com a provisão de produtos e 
serviços. 
Como unidade clínica, o foco de sua atenção é o paciente, nas suas necessidades, e o 
medicamento como instrumento.
Na atuação em unidades hospitalares, o farmacêutico tem oportunidade de: 
- Interagir com o prescritor, promovendo a prescrição e o uso racional de medicamentos.
- Acessar prontuários dos pacientes, monitorando e acompanhando a farmacoterapia do 
paciente, identi� cando reações adversas e outras ocorrências no uso do medicamento.
- Atuar nas comissões interdisciplinares.
- Participar das atividades de educação continuada, envolvendo pacientes e pro� ssionaisde saúde.
- Participar de estudos e pesquisas clínicas.
- Controlar a produção, a aquisição e a qualidade dos medicamentos usados no hospital. 
1.6 Objetivos da Farmácia Hospitalar
Componente Objetivo
Gerenciamento Prover estrutura organizacional e infraestrutura que 
viabilizem as ações da farmácia.
Seleção de 
Medicamentos
Defi nir os medicamentos indispensáveis para suprir as 
necessidades do hospital, segundo critérios de efi cácia 
e segurança, observando qualidade, comodidade, 
posológicos, custo e especifi cações técnicas. 
 
 
 
 
 
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Programação Defi nir quantidade dos medicamentos a serem adquiridos, 
tendo em vista o estoque, os recursos e os prazos 
disponíveis. 
Aquisição Suprir a demanda do hospital, observando qualidade e 
custo. 
Armazenamento Assegurar a qualidade dos produtos em estoque e fornecer 
informações sobre as movimentações realizadas. 
Distribuição Distribuir medicamentos e correlatos em condições 
adequadas, com garantia de qualidade do processo.
Segmento 
farmacoterapêutico
Acompanhar o uso de medicamentos prescritos a cada 
paciente. 
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Farmacotécnica Fracionar medicamentos ou elaborar preparações 
magistrais e ofi cinais para atender medicamentos 
prescritos, observando a segurança e a qualidade. 
Ensino e pesquisa Participar da formação de recursos humanos para a farmácia 
e hospital, visando a produzir informação e conhecimento 
para o aprimoramento das condutas e práticas vigentes.
Quadro 1 – Objetivos da Farmácia Hospitalar. Fonte: Adaptado de Dantas (2011).
1.7 Diretrizes da Farmácia Hospitalar 
As diretrizes reúnem elementos necessários à efetiva implementação de ações capazes de 
promover a melhoria das condições de assistência à saúde da população, otimizando resultados 
clínicos, econômicos e os relacionados à qualidade de vida dos usuários. As diretrizes estão 
indicadas na Portaria nº 4.283, de 30 de dezembro de 2010 (BRASIL, 2010), e são apresentadas 
na Figura 1.
Figura 1 – Diretrizes da Farmácia Hospitalar segundo a Portaria nº 4283/2010. Fonte: A autora.
1.7.1 Gestão
Essas diretrizes têm como objetivos: 
- Garantir o abastecimento, dispensação, acesso, controle, rastreabilidade e uso racional 
de medicamentos e de outras tecnologias em saúde.
- Assegurar o desenvolvimento de práticas clinicoassistenciais que permitam monitorar a 
utilização de medicamentos e outras tecnologias em saúde.
Componente Objetivo
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- Melhorar a relação entre custo, benefício e risco dos processos assistenciais e tecnologias.
- Desenvolver ações de assistência farmacêutica, que devem estar articuladas e 
sincronizadas com as diretrizes institucionais. 
- Participar, de forma ativa, no aperfeiçoamento contínuo das práticas da equipe de saúde.
As sugestões para adequação são: 
a) prover estrutura organizacional e infraestrutura física que viabilizem ações com 
qualidade, utilizando modelo de gestão sistêmico, integrado, coerente e adequado às 
bases da moderna administração, observando qualidade, resolutividade e custo da 
assistência. Deve haver aferição por meio de indicadores dos re� exos positivos para o 
usuário, estabelecimentos e sistema de saúde.
b) na seleção de medicamentos, considerar a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais 
(doravante, RENAME) vigente e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do 
Ministério da Saúde. 
c) promover programa de educação permanente para farmacêuticos e auxiliares.
d) incluir a farmácia hospitalar no plano de contingência do estabelecimento.
e) observando a complexidade do estabelecimento, o farmacêutico deve ser habilitado 
para participação efetiva nas comissões que tenham interface com a assistência 
farmacêutica hospitalar: Farmácia e Terapêutica, Comissão de Controle de Infecção 
Hospitalar, Comissão de Ética em Pesquisa, Comissão de Gerenciamento de Resíduos de 
Serviços de Saúde, dentre outras 
Para o acompanhamento das atividades da farmácia em hospitais, recomenda-se a adoção 
de indicadores de gestão, logísticos, de assistência ao paciente e de educação. 
1.7.2 Desenvolvimento de ações inseridas na atenção integral à saúde
Além das atividades logísticas tradicionais e visando à integralidade do cuidado, a 
farmácia deve desenvolver, de forma interdisciplinar, ações assistenciais e técnico-cientí� cas que 
contribuam para a qualidade, para o uso racional de medicamentos e de produtos à saúde e 
para a humanização da atenção ao usuário. Todas as ações do farmacêutico hospitalar devem ser 
registradas para avaliação de seu impacto na promoção do uso seguro e racional de medicamentos 
e de outros produtos para a saúde. Dentre as atividades que podem ser desenvolvidas, destacam-
se:
- Gerenciamento de tecnologias. São elas: quali� cação de fornecedores; armazenamento; 
distribuição; dispensação e controle dos medicamentos/produtos para a saúde/produtos 
de higiene e saneantes usados pelos pacientes; fracionamento e preparo de medicamentos. 
- Distribuição e dispensação: o farmacêutico deve priorizar a implantação de um sistema 
racional de distribuição de medicamentos e produtos para a saúde, visando a processos 
que garantam a segurança do paciente e o uso racional do medicamento. 
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Recomenda-se o sistema de distribuição individual ou unitário. Para garantir segurança 
na avaliação farmacêutica das prescrições, o sistema deve ser realizado antes do início da 
dispensação ou da manipulação. 
Priorizam-se aquelas que contenham antimicrobianos e medicamentos potencialmente 
perigosos, observando-se a concentração, viabilidade, compatibilidade físico-química e 
farmacológica dos componentes, dose, forma farmacêutica, via e horários de administração. 
Os cálculos necessários ao atendimento ou manipulação dos itens prescritos (observando-
se a aplicação dos fatores de conversão, correção e equivalência, quando aplicáveis) devem ser 
registrados, apostos e assinados pelo farmacêutico.
1.8 Manipulação ou Farmacotécnica Hospitalar 
1.8.1 Manipulação magistral e oficinal
Esse procedimento permite a personalização da terapêutica, uso de sistemas seguros 
de dispensação de medicamentos (individual ou unitário) e racionalização de custos. Se 
recomendada, realizá-la de acordo com os dispositivos legais que regulam a matéria.
1.8.2 Preparo de doses unitárias
A unitarização de doses compreende o fracionamento de medicamentos líquidos, 
sólidos e injetáveis. Esses processos contribuem para a redução de custos. Devem ser registrados 
para garantir a rastreabilidade e contemplar um plano de prevenção de trocas ou misturas de 
medicamentos em atendimento à legislação vigente.
1.8.3 Preparo de nutrição parenteral
A manipulação de nutrição parenteral compreende operações inerentes à preparação 
(avaliação farmacêutica, manipulação, controle de qualidade, conservação e orientações para 
o transporte). Se o hospital terceirizar a produção, cabe ao farmacêutico realizar o controle 
de qualidade para garantir a integralidade e a conservação dos preparados até o momento da 
administração ao paciente. A equipe multipro� ssional de terapia nutricional deve monitorar o 
uso da nutrição parenteral e proceder aos registros de forma sistematizada, tanto de suas ações 
quanto de suas intervenções.
1.8.4 Preparo de drogas antineoplásicas e radiofármacos
A manipulação desses fármacos exige a análise prévia das prescrições à manipulação, a 
adequação aos protocolos clínicos com observação das doses máximas diárias e cumulativas, 
focando a biossegurança e o uso seguro pelo paciente.
Nas atividades de manipulação, o farmacêutico deve sanar as dúvidas diretamente com 
o prescritor e manter registro sistematizado de todas as ocorrências e análises realizadas, dosproblemas identi� cados e das intervenções. Ademais, deve monitorar os pacientes em uso desses 
medicamentos e noti� car queixas técnicas e eventos adversos.
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1.8.5 Cuidado ao paciente
Sua � nalidade é contribuir para a promoção da atenção integral à saúde, à humanização do 
cuidado e à efetividade da intervenção terapêutica. Para isso, a farmácia hospitalar deve promover 
o uso seguro e racional de medicamentos e das outras tecnologias em saúde, obtendo como 
resultado a redução de custos decorrentes do uso indevido de medicamentos e minimização do 
tempo de hospitalização. Essa atividade pressupõe o acesso do farmacêutico ao próprio paciente 
e familiar, prontuário, resultados de exames e demais informações que devem ser obtidas por 
meio do diálogo com a equipe assistente. Para � ns legais e de resgate histórico, as informações 
relevantes para a tomada de decisão da equipe multipro� ssional, bem como sugestões de conduta 
no manejo da farmacoterapia, devem ser registradas e assinadas. 
1.8.6 Gestão da informação, infraestrutura física e tecnológica
As infraestruturas física e tecnológica são essenciais para as atividades da farmácia 
hospitalar e devem ser mantidas em condições adequadas de funcionamento e segurança.
A infraestrutura física é exigida de acordo com as exigências das atividades farmacêuticas 
desenvolvidas, devendo estar de acordo com as normas legais vigentes.
1.8.7 Recursos humanos (RH)
Os recursos humanos da farmácia hospitalar são formados por farmacêuticos e auxiliares. 
O número de pro� ssionais deve ser o necessário para o pleno desenvolvimento de suas atividades, 
observando-se a complexidade do hospital, os processos desenvolvidos, o grau de informatização 
e mecanização, o horário de funcionamento e a segurança para o trabalhador e para os usuários. 
Para isso, deve-se considerar a gestão de recursos humanos. 
2. GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS
Para que a farmácia hospitalar atinja a excelência dos serviços prestados, é necessário 
que haja pro� ssionais em número su� ciente e com per� l adequado para cada função a ser 
desempenhada. 
A seguir, discutiremos as etapas que devem ser observadas na contratação de pessoal de 
acordo com a gestão de recursos humanos. 
Na gestão pela qualidade, aumenta-se a produção quando há incentivo ao desenvolvimento 
pro� ssional com vistas à maior motivação e satisfação no trabalho. 
A motivação e a satisfação para o trabalho podem ser obtidas quando: (i) os colaboradores 
vivenciam os processos de adaptação, orientação e integração; (ii) obtêm-se estímulo às relações 
interpessoais, educação e treinamento; (iii) a empresa analisa e avalia pessoas e equipes, � cando 
atenta à remuneração, reconhecimento e participação, além de segurança e bem-estar. 
O primeiro passo para se obter sucesso é o recrutamento e seleção. Se, nessa etapa, ocorrer 
uma boa condução, as empresas conseguem agregar pessoas competentes aos seus quadros, 
obtendo-se melhora na qualidade dos serviços prestados e na imagem da empresa perante a 
sociedade. 
A gestão de recursos humanos compreende quatro etapas: 1) seleção de pessoal; 2) 
contratação; 3) avaliação; 4) educação continuada. 
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2.1 Seleção 
O recrutamento e a seleção são passos importantes para a qualidade do serviço. Se 
e� cientes, agregam qualidade ao serviço; se não adequados, isso pode gerar alta rotatividade de 
pessoal, com aumento desnecessário de custo. Sugere-se que o processo seja realizado por um 
psicólogo organizacional em conjunto com o farmacêutico responsável pela área que oferta a 
vaga.
São processos de seleção: concurso público; processo seletivo simpli� cado; entrevista 
com técnico de RH, com chefe de departamento ou com outros gerentes; estágio ou treinamento 
introdutório. 
A quali� cação do candidato deve estar de acordo com as tarefas a serem desempenhadas. 
Para isso, os recursos humanos têm uma descrição do cargo. Descrever um cargo signi� ca 
relacionar o que o ocupante faz, como ele faz, sob quais condições ele faz e por que ele faz. Trata-
se de um resumo do conteúdo e das principais responsabilidades do cargo.
Na análise de um cargo, é necessário detalhar quais conhecimentos, habilidades e atitudes 
são exigidos dos ocupantes de forma a que possam desempenhá-lo adequadamente.
Da descrição do cargo, deve constar: título do posto de trabalho; descrição de tarefas e 
responsabilidades; requisitos para quali� cação: formação, experiência, capacitação, certi� cados de 
aperfeiçoamento, conhecimento de idiomas, capacidade de raciocínio; requisitos físicos; e outros 
necessários ao desempenho da função. A estrutura de cargos pode in� uenciar positivamente a 
motivação, o desempenho e a satisfação com o trabalho dos que os ocupam. 
Como técnicas de seleção, indicam-se: entrevistas; prova ou teste de conhecimento ou 
capacidade na área; testes psicométricos; testes de personalidade; técnicas de simulação. 
Independentemente da forma escolhida para seleção, devem-se deixar claros todos os 
deveres e responsabilidades do contratado, seus direitos e benefícios, além das exigências da 
empresa: produtividade, habilidades organizacionais e interpessoais (comunicação, conduta, 
identi� cação e normas da empresa) e como se dá o controle de riscos ocupacionais. Esclarecer 
quais são as expectativas com relação ao trabalho é importante tanto para a pessoa a ser contratada 
como para o suprimento da vaga. Quanto mais adequada a pessoa estiver ao per� l do cargo, 
maior é a chance de resultado positivo para todos os envolvidos. 
Se o candidato for aprovado para o cargo, procede-se à segunda etapa: a contratação. 
2.2 Contratação
A contratação é o ato formal de admissão do pessoal na empresa. Deve ser realizada em 
conformidade com a legislação vigente que regulamenta as relações de trabalho e de acordo com 
a estrutura administrativa do contratante. 
Após a admissão do colaborador, sua integração é feita com um treinamento introdutório, 
durante o qual o colaborador recebe orientações a respeito de sua função e toma ciência das 
normas e procedimentos da empresa.
2.3 Avaliação
A avaliação pode ser realizada para efeitos de admissão, demissão, promoção, aumento 
salarial, dentre outros. A avaliação é uma etapa importante no aprimoramento do pessoal e na 
reavaliação de técnicas ou de processos. Ela deve ser realizada regularmente, e o trabalhador tem 
de estar ciente dela.
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Nas instituições públicas, a avaliação é realizada no estágio probatório, e o prazo depende 
de cada instituição. No sistema privado, a maioria é formal entre o líder do setor e o trabalhador. 
O gerenciamento do desempenho das pessoas na organização e, consequentemente, da 
farmácia hospitalar deve ser realizado por meio de instrumentos estruturados, que permitam a 
autoavaliação e a avaliação pela equipe. 
O foco da avaliação é a comprovação da competência e necessidades de aprimoramento, 
apresentando como meta a melhoria contínua. A comprovação da competência é um processo 
interno para demonstrar a habilidade (perícia) de um colaborador para executar determinadas 
tarefas, observando o foco na pessoa. Consideram-se: 
- as competências técnicas: aplica-se o conhecimento para obtenção de resultados, 
identi� cando e resolvendo problemas relacionados à função e demonstrando constante 
abertura ao aprendizado.
- competências diferenciadoras: o colaborador é decidido e arrojado? Toma iniciativas e 
sempre percebe as mudanças como oportunidades? Atua com reconhecida � exibilidade?
- competências comportamentais: estabelece relação de reciprocidade e colaboração 
com as pessoas e está aberto tanto à comunicação como à troca de conhecimentos e 
experiências. 
2.4 Educação Continuadaou Capacitação
Nessa etapa, promove-se a gestão do conhecimento como um processo articulado e 
intencional, destinado a sustentar ou a promover o desempenho global da organização com base 
no conhecimento.
Um programa de qualidade observa sempre o desenvolvimento humano, pois os 
colaboradores são a essência de qualquer empresa. Acredita-se que, quanto mais a empresa 
consegue o comprometimento dos colaboradores, maior será o desempenho pro� ssional, 
tornando-se a empresa mais produtiva. 
A educação e o treinamento dos pro� ssionais são a base de sustentação e de manutenção 
do sistema de garantia da qualidade. A educação está voltada para a mente das pessoas, enquanto 
seu autodesenvolvimento e o treinamento estão voltados para as habilidades nas tarefas a serem 
executadas. O treinamento deve incluir orientação ao pro� ssional sobre a importância de sua 
atividade e sobre como contribuir para o alcance dos objetivos da qualidade. 
A capacitação é estruturada de forma que seja uma educação continuada. Procura 
aproximar o indivíduo ao per� l ideal da organização. Pode ser acadêmica, pessoal e/ou social. 
Deve ser resultante de avaliação e ter propósitos mensuráveis. Para tanto, tem de ter um programa 
que assegure: 
- Capacitar conforme resultados da avaliação.
- Retreinar colaboradores que permaneceram por longo tempo sem executar tarefas.
- Capacitar para atualização cientí� ca e tecnológica.
- Recerti� cação regular da competência.
- Promover o desenvolvimento integral do indivíduo.
O farmacêutico deve manter registros por escrito das abordagens realizadas, 
independentemente de as ações serem treinamentos internos, discussões de rotinas, procedimentos 
operacionais padrão ou participação em atividades elaboradas por outros serviços do hospital. 
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Para assegurar a saúde física e mental e com as condições de saúde e bem-estar das 
pessoas, além das atividades do serviço e pessoal/social, o farmacêutico tem de estar atento à saúde 
ocupacional, que está relacionada às condições ambientais de trabalho. Nessa área, considera-se 
a ergonomia no trabalho, que está relacionada tanto ao entendimento das interações entre os 
seres humanos e outros elementos ou sistemas como à aplicação de teorias, princípios, dados e 
métodos a projetos a � m de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do setor. 
A ergonomia pode ser física, cognitiva e organizacional. 
- Ergonomia física: está relacionada às características da anatomia humana, 
antropometria, � siologia e biomecânica, em sua relação com a atividade física. Considera 
a postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos, distúrbios 
musculoesqueléticosrelacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e 
saúde.
- Ergonomia cognitiva: relaciona-se aos processos mentais, sendo relevante o estudo 
da carga mental de trabalho (percepção, memória, raciocínio e resposta motora), que é 
afetada pela interação entre seres humanos e outros itens inerentes ao trabalho: tomada de 
decisão, desempenho especializado, interação homem/computador, stress e treinamento.
- Ergonomia organizacional: refere-se à otimização dos sistemas sócio-técnicos, 
incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Incluem-se as 
comunicações, projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em 
grupo, projeto participativo, trabalho cooperativo, cultura organizacional, organizações 
em rede, teletrabalho e gestão da qualidade. 
3. GESTÃO PELA QUALIDADE 
A gestão pela qualidade pode ser de� nida como a rápida percepção das necessidades 
dos clientes, objetivando a satisfação, a adequação ao uso dos produtos e a homogeneidade dos 
resultados do processo. É uma ferramenta global de gestão, cujo alvo é a melhoria contínua de 
todas as atividades hospitalares. 
Os padrões de qualidade gerenciais envolvem todos os colaboradores do hospital 
(direção, supervisão, administração, lideranças, colaboradores). Apresentam como focos a gestão 
e a melhoria contínua, controle e prevenção de infecção e de riscos, segurança e administração 
das instalações e equipamentos, educação continuada, quali� cação de recursos humanos e gestão 
da informação. 
São padrões de qualidade centrados nos pacientes:
- implantar o acesso e manutenção da assistência.
- conhecer os direitos, necessidades e expectativas dos clientes e seus familiares.
- orientar os pacientes e seus familiares. 
A assistência centrada no paciente é uma decisão do hospital, que indica uma equipe 
interdisciplinar para se encarregar: (i) de estabelecer o plano terapêutico a cada paciente; (ii) 
de acompanhar os tratamentos para avaliação dos resultados terapêuticos; (iii) de observar os 
efeitos adversos; e (iv) de orientar os clientes acerca dos tratamentos quando da alta hospitalar. 
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A equipe deve adotar a gerência participativa como modelo de gestão, pois, mesmo com 
formação e objetivos distintos, os integrantes da equipe devem ser incentivados a manifestar suas 
ideias e opiniões e a participar das decisões, compartilhar informações e ter postura de liderança, 
de consenso e de negociação. 
Entre os padrões que devem ser analisados e desenvolvidos, destaca-se a total satisfação 
dos clientes: conhecer suas necessidades presentes e futuras; antecipar suas carências e 
di� culdades; avaliá-los sistematicamente; buscar interação e parceria; e esforçar-se para superar 
suas expectativas. 
Na farmácia hospitalar, os farmacêuticos são obrigados a garantir que os serviços 
prestados sejam fornecidos com alta qualidade. O papel da farmácia na obtenção de padrões de 
qualidade implica adotar as boas práticas farmacêuticas como regra. São obrigações legais do 
farmacêutico fornecer medicamentos, correlatos e serviços, além de garantir a qualidade dos 
produtos farmacêuticos usados no hospital. 
Nesse sentido, a avaliação e a conferência dos produtos recebidos e/ou fornecidos 
são cruciais para minimizar os riscos de um possível erro e para permitir a implantação de 
procedimentos que garantam sua eliminação. 
A mensuração de resultados desejados só é possível quando os recursos e as atividades 
são gerenciados como um processo. Todas as atividades da farmácia devem ser desenhadas como 
um processo operativo, que conduz a um produto ou serviço, a um processo de suporte (apoio 
aos processos operativos) ou a um processo estratégico. 
A garantia da qualidade deve se basear em ações planejadas por meio da normatização 
e certi� cação dos processos, bem como da constância das rotinas e da desburocratização. Os 
processos para a qualidade na farmácia envolvem: (i) avaliação de clientes e fornecedores; (ii) 
planejamento, desenvolvimento, avaliação, aperfeiçoamento e controle dos processos; (iii) assim 
como integração, implantação de rotinas, melhorias e quebra de barreiras entre as áreas. 
 O gerenciamento deve-se basear em fatos práticos e aplicáveis à rotina diária do serviço. 
Dentre eles, podemos destacar: 
• Orientação sobre as informações a serem fornecidas aos pacientes.
• Estruturação do espaço físico.
• Funções e atribuições farmacêuticas e do pessoal de apoio. 
• Orientação sobre as atividades associadas à distribuição, administração e controle dos 
protocolos de tratamento na farmácia, no hospital, no home care ou na casa do paciente.
• Orientação sobre as atividades de aquisição, produção, manipulação e fracionamento de 
medicamentos.
• Orientação sobre as atividades de prescrição e do uso racional de medicamentos.
• Orientação sobre as atividades de farmacovigilância e sobre as atividades associadas à 
promoção da boa saúde, prevenção de doenças e estabelecimento de metas sanitárias. 
Na farmácia hospitalar, a execução de produtos ou serviços deve conhecer as ações que 
dependem de decisão baseada em informações quegarantam as melhores decisões, exigindo 
autonomia para decidir, iniciativa e respaldo para as ações delegadas. Os processos desenhados 
devem identi� car os meios de avaliação e a frequência de revisão dos processos. 
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Todos os envolvidos no processo devem receber divulgação. Isso exige que haja uma 
sistematização dos meios de comunicação para garantir a integridade das informações, além da 
velocidade e constância do � uxo de informações para que se assegure a transparência do serviço.
A melhoria contínua deve ser a meta de todos os envolvidos no processo. Para tal, é 
necessário que todos estejam comprometidos e conscientes daquilo que é certo, que tenham 
atitude preventiva e noção do custo, principalmente da falta de qualidade, da rejeição e do 
retrabalho. Somada a isso, deve-se desenvolver a prática de não aceitação do erro. 
O programa brasileiro de qualidade para instituições de saúde é denominado Acreditação 
Hospitalar. A Organização Nacional de Acreditação (doravante, ONA) de� ne acreditação como 
um método de avaliação e certi� cação, que busca, por meio de padrões e requisitos previamente 
de� nidos, promover a qualidade e a segurança da assistência no setor de saúde. 
Para obter o certi� cado da acreditação, o hospital deve atender aos padrões de� nidos pela 
ONA, que são reconhecidos internacionalmente. A adesão ao programa de qualidade é realizada 
pela unidade de saúde que tem interesse na certi� cação. Além disso, a adesão é voluntária e 
reservada, não tendo caráter � scalizatório.
A ONA de� ne que a acreditação é um programa educação continuada das organizações 
prestadoras de serviços de saúde, sendo o programa revisto periodicamente para estimular a 
melhoria contínua.
Por não ter caráter prescritivo, a metodologia de acreditação da ONA não traz 
recomendações especí� cas sobre ferramentas, técnicas, processos ou linhas metodológicas a 
serem seguidas pelas organizações que se submetem à avaliação.
Podem se inscrever para obter o certi� cado de acreditação: hospitais, ambulatórios, 
laboratórios, serviços de pronto atendimento, home care, serviços oncológicos, serviços de 
Medicina hiperbárica, serviços de Hemoterapia, serviços de Nefrologia e terapia renal substitutiva, 
serviços de diagnóstico por imagem, radioterapia e Medicina nuclear, serviços odontológicos, 
serviços de processamento de roupas para a saúde, serviços de dietoterapia, serviços de 
manipulação, serviços de esterilização e reprocessamento de materiais. 
A certi� cação é concedida à instituição que atender aos critérios de segurança, incluindo 
aspectos estruturais e de gestão. A metodologia da ONA acredita em três níveis, o que permite o 
desenvolvimento de segurança dos processos, a gestão integrada e a evolução das organizações. 
NÍVEL CRITÉRI OS
VALIDADE DO 
CERTIFICADO
Nível 1 
Acreditado
A organização de saúde cumpre ou supera, em 70% ou 
mais, os padrões de qualidade e segurança defi nidos 
pela ONA. 
São avaliadas todas as áreas de atividades da instituição, 
incluindo aspectos estruturais e assistenciais.
2 anos
Nível 2
Acreditado Pleno
A organização precisa atender a dois critérios:
1) cumprir ou superar, em 80% ou mais, os padrões de 
qualidade e segurança.
2) cumprir ou superar, em 70% ou mais, os padrões da 
ONA de gestão integrada, com processos ocorrendo de 
maneira fl uida e plena comunicação entre as atividades
2 anos
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Nível 3 
Acreditado com 
Excelência
A organização precisa atender a três critérios:
1) cumprir ou superar, em 90% ou mais, os padrões de 
qualidade e segurança.
2) cumprir ou superar, em 80% ou mais, os padrões de 
gestão integrada.
3) cumprir ou superar, em 70% ou mais, os padrões da 
ONA de excelência em gestão, demonstrando cultura 
organizacional de melhoria contínua com maturidade 
institucional.
3 anos
Quadro 2 - Níveis de acreditação de acordo com a ONA. Fonte: A autora.
Para saber se a instituição está apta para ser acreditada, os responsáveis devem entrar em 
contato com a ONA, que procederá às orientações necessárias. 
4. PARTICIPAÇÃO DO FARMACÊUTICO NAS COMISSÕES 
MULTIDISCIPLINARES
Desde 1994, a Organização Mundial da Saúde apregoa que o farmacêutico é o pro� ssional 
da saúde com melhor per� l para a condução de todas as ações destinadas à melhoria do acesso 
e promoção de uso racional de medicamentos, que pode participar ativamente da prevenção de 
doenças e da promoção da saúde junto a outros membros da equipe. Nesse cenário, o pro� ssional 
deve apresentar as seguintes habilidades: 
a) busca do conhecimento, por meio da educação permanente e percebendo que sempre 
se tem algo a aprender. Ter consciência de que as ações de saúde devem ser baseadas em 
informações con� áveis, que possibilitem intervenções adequadas e oportunas para que as 
reais necessidades e a utilização dos medicamentos sejam fundamentadas em evidências. 
Nesse sentido, pode-se atuar em estudos, pesquisa e ensino.
b) (auto)con� ança, a qual se estabelece com respeito, e não com subordinação. Se você for 
um pro� ssional comprometido com as pessoas e com o conhecimento, terá autocon� ança 
e, por decorrência, obterá a con� ança dos seus pacientes. 
c) respeito. Devemos ser respeitados como pessoas, o que se obtém pela forma como 
abordamos os pacientes e os colaboradores. Para isso, temos de ser cordiais, dar atenção 
e observar o tom de voz. Ademais, devemos ser pro� ssionais com trabalho ético e em 
conformidade com o que se espera da função a ser desempenhada. Ilustre-se com 
o trabalho em conjunto, o relacionamento com a equipe, a postura pro� ssional, a 
comunicação e a administração de con� itos. 
d) poder de decisão, desenvolvendo os processos de escolha e de decisão.
NÍVEL CRITÉRI OS
VALIDADE DO 
CERTIFICADO
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e) abandonar as vaidades individuais, desenvolvendo uma visão voltada à comunidade, 
e não a si mesmo. 
4.1 Participação em Comissões
A participação em comissões pelo farmacêutico pode se dar de duas formas: obrigatória 
ou por nomeação (ou convite), conforme apresentado no Quadro 3. 
Obrigatória Por nomeação ou convite
Comissão de Farmácia e 
Terapêutica.
Comissão de Licitação e Parecer 
Técnico.
Comissão de Controle de 
Infecção Hospitalar.
Equipe multidisciplinar em 
Terapia Nutricional.
Comissão de Terapia 
Antineoplásica.
Comissão de Segurança do 
Paciente.
Comissão de Avaliação de Tecnologias.
Comissão de Ética em Pesquisa.
Comissão de Resíduos Sólidos de 
Saúde.
Comissão de Educação Permanente.
Comissão de Gerenciamento de Riscos 
Hospitalares.
Quadro 3 - Participação do farmacêutico hospitalar em comissões internas do hospital. Fonte: A autora.
Os conceitos e atribuições do farmacêutico hospitalar nas comissões estão apresentados 
a seguir. 
- Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT): seleciona os medicamentos que melhor 
atendam às necessidades terapêuticas dos pacientes que utilizam aquele hospital. Nessa comissão, 
as atribuições do farmacêutico são (CRF/SP, 2019): 
• Participar da elaboração da política de medicamentos da instituição, incluindo seleção e 
dispensação de medicamentos.
• Estipular critérios para obtenção de medicamentos que não constam da padronização.
• Participar da elaboração de protocolos de tratamento elaborados por diferentes serviços 
clínicos.
• Investigar a utilização de medicamentos na instituição.
• Avaliar interações de medicamentos dos pontos de vista farmacodinâmico e 
farmacocinético.
• Avaliar incompatibilidades físico-químicas entre os componentes utilizados.
• Participar ativamente da educação permanente dirigida à equipe de saúde e assessorar 
todas as atividades relacionadas à promoção do uso racional.
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Essa comissão tem caráter multidisciplinar e é composta por representantes de diversas 
especialidades médicas e pro� ssionais de enfermagem, de � sioterapia e de farmácia, além de 
serviços normativos, como o de controle de infecção e grupo de suporte nutricional. 
É, obrigatoriamente, formalizada por meio de um documento legal e de um regimento 
que normaliza seu funcionamento. Se a comissão for analisar algum assunto especí� co, pode 
recorrer à orientação de especialistas ou formar grupos técnicos de apoio. 
- Comissão de Licitação e Parecer Técnico: nos órgãos públicos, as compras de materiais 
e medicamentos devem obedecer à Lei Federal nº 8.666/1993. 
Nos processos licitatórios, o farmacêutico hospitalar pode: 
• Elaborar editais de compras e especi� cação técnica.
• Participar de licitações e aquisições por meio de avaliação técnica. 
• Colaborar de forma decisiva na quali� cação de fornecedores. 
- Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH): A portaria GM/MS nº 2.616/98 
considera importante a atuação do farmacêutico hospitalar na prevenção e controle das infecções 
hospitalares.
As principais atribuições dessa comissão são: 
• Participar da elaboração do guia de utilização de antimicrobianos e do manual de 
germicidas.
• Observar os indicadores de controle de infecção e sensibilidade dos antimicrobianos, 
consumo e taxa de letalidade. 
• Monitorar as prescrições de antimicrobianos.
• Veri� car a ocorrência de resistência microbiana e estabelecer rotina de dispensação de 
antimicrobianos.
• Auxiliar no controle de custos.
• Elaborar relatórios de consumo. 
- Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional: essa equipe é responsável pelo suporte 
nutricional de pacientes internados. Suas competências principais são:
• Participar da elaboração de materiais educativos sobre nutrição parenteral.
• Observar os indicadores de controle.
• Monitorar as prescrições.
• Veri� car a ocorrência de queixas técnicas.
• Auxiliar no controle de custos.
• Elaborar relatórios de consumo.
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- Comissão de Terapia Antineoplásica: essa comissão envolve médicos, enfermeiros e 
farmacêuticos ligados ao tratamento de pacientes com câncer. Compete ao farmacêutico: 
• Atuar no suporte e farmacoterapia.
• Participar do processo de quali� cação de fornecedores.
• Garantir a qualidade das preparações. 
- Comissão de Avaliação de Tecnologias: essa comissão monitora e acompanha o 
desenvolvimento tecnológico dos produtos para saúde, equipamentos e medicamentos.
- Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos: a Resolução CNS nº 
466/2012 não determina quais pro� ssionais devem compor o Comitê de Ética em Pesquisa 
(doravante, CEP). A participação do farmacêutico contribui para a avaliação dos projetos de 
pesquisa, principalmente quando eles envolvem a utilização de novos medicamentos. 
- Comissão de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde: os participantes dessa 
comissão têm como zelar pelo adequado gerenciamento dos resíduos resultantes das atividades 
técnicas desenvolvidas nos serviços de atendimento do hospital, atendendo às normas sanitárias 
e de saúde ocupacional. 
- Comissão de Educação Permanente. São atribuições dos membros dessa comissão: 
• Exercer atividades de ensino por meio de programas educacionais e de formação, 
contribuindo para o desenvolvimento de recursos humanos. 
• Promover ações de educação para o uso racional de medicamentos, produtos para saúde 
e domissanitários aos membros da equipe de saúde. 
• Oferecer informações educativas aos pro� ssionais da saúde do hospital.
• Articular parcerias interinstitucionais, acadêmicas e comunitárias. 
- Comissão de Gerenciamento de Riscos Hospitalares: desenvolve ações de 
gerenciamento de riscos hospitalares, tais como detecção de reações adversas a medicamentos, 
queixas técnicas, problemas com produtos para saúde, domissanitários, kits diagnósticos e 
equipamentos.
- Comissão de Segurança do Paciente: atua na identi� cação, monitoramento, análise, 
noti� cação e prevenção dos riscos relacionados à ocorrência de eventos adversos que resultam em 
dano à saúde, garantindo assistência segura e de qualidade ao paciente. Os membros se reúnem 
mensalmente para analisar as ocorrências, realizar noti� cações de eventos adversos à Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e propor medidas para redução de sua ocorrência. 
A comissão é formada por uma equipe multidisciplinar, e os seus membros são indicados pela 
Diretoria Técnica do Hospital.
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A importância dos medicamentos na atenção à saúde é crescente, mas parece 
sofrer barreiras advindas da má gestão e do equivocado pensamento daqueles 
gestores que entendem que a distribuição de medicamentos pode prescindir dos 
serviços farmacêuticos.
Nos Estados Unidos, experiências desenvolvidas por operadoras de planos de 
saúde mostraram que cada dólar investido em assistência farmacêutica gerou 
uma economia de 6 dólares em internações hospitalares e em cirurgias. 
Sabe-se que a ausência desses serviços pode desencadear problemas de várias 
naturezas, como prejuízos à saúde dos cidadãos e aos cofres públicos e privados, 
decorrentes de problemas relacionados ao uso dos medicamentos. 
 Tal visão justifi ca a necessidade de uma boa organização do sistema de assistên-
cia farmacêutica e de cuidado farmacêutico, pois essas ações contribuirão para 
minimizar os prejuízos sociais e monetários decorrentes do atendimento de saú-
de inadequado e do uso não racional de medicamentos.
A Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (SBRAFH) 
publica os Padrões Mínimos para Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde da 
SBRAFH, que contêm referenciais técnicos, legais, estruturais e funcionais, além 
das atribuições essenciais dos serviços de forma a contribuir na execução das ati-
vidades que assegurem, minimamente, as condições de segurança e de qualidade 
necessárias ao paciente hospitalizado.
O objetivo desse conteúdo é tornar-se um referencial para a 
qualifi cação permanente dos profi ssionais e dos estudantes de 
farmácia e para o aprimoramento dos serviços de assistência 
farmacêutica nos hospitais, clínicas e demais serviços de saúde 
brasileiros. Para conhecer o conteúdo, acesse o link <http://www.
sbrafh.org.br/site/public/docs/padroes.pdf>
Saiba mais sobre o processo para avaliação de acreditação a 
partir da norma orientadora número 4, disponível em <https://
www.ona.org.br/uploads/NO_4_-_AVALIACAO_PARA_A_
ACREDITACAO.pdf>
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Sugerimos a leitura dos conteúdos apresentados como complemento ao que dis-
cutimos nesta Unidade I. Seguem: 
- Comissão de Farmácia e Terapêutica, disponível por meio do 
link <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/134/
encarte_farmAcia_hospitalar_pb81.pdf>
- Gestão de Pessoas na Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde, 
disponível em <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/
pdf/127/encarte_farmacia_hospitalar.pdf>
Indicamos o vídeo sobre o dia a dia do farmacêutico hospitalar, 
apresentado pela primeira vez na X Jornada de Farmácia Hospitalar 
(Novos Caminhos para os Desafi os de Hoje), disponível em <https://
www.youtube.com/watch?v=b8uRJGCCuos> 
E sobre como funciona a farmácia hospitalar, acesse <https://www.
youtube.com/watch?v=5rjQjwmpVSE>
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Nesta Unidade I, resgatamos o histórico da Farmácia Hospitalar e como ela se tornou 
imprescindível ao atendimento de saúde por meio de sua participação no controle de custos e por 
atuar na segurança do paciente de forma efetiva. 
Para isso,esclarecemos o conceito dessa área de atuação da Farmácia e apresentamos seus 
objetivos e os requisitos necessários para a estruturação, pois essas ações são a base de sustentação 
do serviço. 
Discutimos, também, conceitos básicos de recursos humanos, pois essa parte da gestão 
é essencial para se conseguir sucesso. Nesse sentido, elencamos as etapas para contratação do 
pessoal e sugerimos a leitura de um encarte elaborado pelo Conselho Federal de Farmácia. 
Para fecharmos a unidade, apresentamos as comissões obrigatórias e aquelas de que o 
farmacêutico pode ser convidado a participar, evidenciando as atividades que deve desempenhar. 
Lembramos que a participação em comissões permite a inserção do farmacêutico de 
forma efetiva na equipe multidisciplinar, permitindo-lhe se inteirar dos processos. Na área dos 
medicamentos, isso passa a ser um referencial por meio do estabelecimento de protocolos clínicos 
e diretrizes terapêuticas, propiciando o melhor acesso à farmacoterapia baseada em evidências 
e estabelecendo o equilíbrio entre a demanda e os recursos, proporcionando ao paciente um 
atendimento de qualidade e segurança. 
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UNIDADE
02
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 27
1. ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA EM HOSPITAIS ............................................................................................... 28
1.1 CONCEITO DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA ................................................................................................ 28
1.2 ETAPAS DO CICLO DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA .................................................................................. 28
1.3 SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS ......................................................................................................................... 29
1.4 PROGRAMAÇÃO E AQUISIÇÃO .......................................................................................................................... 31
2. ARMAZENAMENTO .............................................................................................................................................. 33
2.1 CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO E ESTABILIDADE DOS MEDICAMENTOS .......................................... 35
2.2 ATIVIDADES DO ARMAZENAMENTO .............................................................................................................. 36
2.3 EQUIPAMENTOS PARA ARMAZENAMENTO .................................................................................................. 36
2.4 FORMAS DE ARMAZENAMENTO .................................................................................................................... 38
ESTRUTURA FÍSICA E OPERACIONAL DA 
FARMÁCIA PARA O CUIDADO FARMACÊUTICO
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FARMÁRCIA HOSPITALAR E GESTÃO
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2.5 ESPECIFICAÇÕES DA ÁREA DE ARMAZENAMENTO...................................................................................... 38
3. DISTRIBUIÇÃO ...................................................................................................................................................... 39
3.1 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS .....................................................................................40
3.2 TIPOS DE SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS ....................................................................40
3.2.1 SISTEMA COLETIVO .......................................................................................................................................40
3.2.2 SISTEMA INDIVIDUALIZADO 24 HORAS ..................................................................................................... 41
3.2.3 SISTEMA INDIVIDUALIZADO POR TURNO ................................................................................................... 42
3.2.4 SISTEMA INDIVIDUALIZADO POR HORÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO ........................................................ 42
3.2.5 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO EM DOSES UNITÁRIAS (S.D.M.D.U.) ........................................................... 43
3.2.6 FARMÁCIAS SATÉLITES ................................................................................................................................ 44
4. CONCILIAÇÃO MEDICAMENTOSA OU FARMACÊUTICA .................................................................................. 45
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................48
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INTRODUÇÃO
O gerenciamento inadequado e o uso incorreto de medicamentos e de outras tecnologias 
em saúde acarretam sérios problemas à sociedade e aos sistemas de saúde público e privado, 
gerando aumento da morbimortalidade, elevação dos custos diretos e indiretos e prejuízos à 
segurança e à qualidade de vida dos usuários (BRASIL, 2010). 
A Política Nacional de Medicamentos (doravante, PNM), instituída pela Portaria do 
Ministério da Saúde nº 3.196/1998 (BRASIL, 1998), é parte integrante e indispensável para a 
execução das ações da assistência à saúde da população. Essa política apresenta as seguintes 
� nalidades: garantir as necessárias segurança e e� cácia à qualidade dos medicamentos; 
promover o uso racional dos medicamentos e sua produção; fomentar a produção pública de 
medicamentos e o acesso da população àqueles considerados essenciais a partir da Relação 
Nacional de Medicamentos (RENAME). A Organização Mundial de Saúde, em 2002, de� niu que 
medicamentos essenciais são aqueles que atendem as necessidades prioritárias de saúde de uma 
população. 
Nesse contexto, a assistência farmacêutica integra as diretrizes da Política Nacional de 
Medicamentos e é considerada uma das atividades prioritárias da assistência à saúde, pois o 
medicamento é de fundamental importância e tem grande impacto sobre a capacidade resolutiva 
do que envolve a saúde.
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1. ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA EM HOSPITAIS 
O gerenciamento de estoques e de tecnologias atinge diretamente o custo dos estoques e 
a disponibilidade de itens, quesitos críticos para a prestação dos serviços de saúde. 
1.1 Conceito de Assistência Farmacêutica
De� nida como 
[...] um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da 
saúde, tanto individual como coletiva, tendo o medicamento como insumo 
essencial e visando ao acesso e ao seu uso racional. Este conjunto envolve a 
pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem 
como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia 
de qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua 
utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da 
qualidade de vida da população (BRASIL, 2004).
1.2 Etapas do Ciclo de Assistência Farmacêutica
O ciclo da assistência farmacêutica apresenta seis etapas (Figura 1), sendo que o resultado 
de uma etapa é o ponto de partida da outra etapa e, portanto, a execução incorreta de uma delas 
compromete o resultado esperado. 
Figura 1 – Etapas do ciclo da assistência farmacêutica. Fonte: Santos (2001).
 
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a) SELEÇÃO: processo de escolha de medicamentos, baseado em critérios epidemiológicos, 
técnicos e econômicos, estabelecidos por uma Comissão de Farmácia e Terapêutica 
(doravante, CFT) para garantir a disponibilização de medicamentos seguros, e� cazes e 
custoefetivos, com objetivo de racionalizar o uso de medicamentos, harmonizar condutas 
terapêuticas, direcionar o processo de aquisição, produçãoe políticas farmacêuticas. 
b) PROGRAMAÇÃO: essa etapa re� ete-se no abastecimento e acesso ao medicamento. 
Consiste em estimar quantidades a serem adquiridas para atendimento a determinada 
demanda dos serviços por determinado período de tempo dos produtos de� nidos 
na etapa de seleção, que devem ser listados por nome genérico, forma farmacêutica e 
apresentação. 
c) AQUISIÇÃO: realizada para suprir necessidades de medicamentos em quantidade, 
qualidade e menor custoefetividade, além de manter a regularidade do sistema de 
abastecimento. Ocorre a partir de um conjunto de procedimentos administrativos por 
meio dos quais se efetiva o processo de aquisição dos medicamentos, observando uma 
programação estabelecida. 
d) ARMAZENAMENTO: é o conjunto de procedimentos técnicos e administrativos cuja 
� nalidade é assegurar as condições adequadas de recepção, armazenamento, conservação 
e controle de estoque e� caz. Deve garantir a disponibilidade dos medicamentos em todos 
os locais de atendimento ao usuário.
e) DISTRIBUIÇÃO: é o suprimento de medicamentos às unidades de saúde, em 
quantidade, qualidade e tempo oportunos. Deve garantir rapidez e segurança na entrega, 
e� ciência no controle e informação.
f) UTILIZAÇÃO: formada por três fases consecutivas - prescrição, dispensação e uso. 
A prescrição é elaborada por um pro� ssional autorizado por meio de um documento 
formal e escrito. É na prescrição que o pro� ssional de� ne o medicamento a ser usado 
pelo paciente, com a respectiva dosagem, duração do tratamento e intervalo de uso. A 
dispensação é o ato pro� ssional farmacêutico que consiste em disponibilizar os itens 
prescritos. Por � m, o uso é realizado com apoio ou não de um pro� ssional habilitado. 
1.3 Seleção de Medicamentos
O lançamento contínuo, a multiplicidade de produtos farmacêuticos e a escassez de 
recursos � nanceiros exigem que se estabeleçam prioridades na seleção de medicamentos seguros, 
e� cazes e que atendam às reais necessidades da população, obtendo-se benefícios terapêuticos e 
econômicos como resultados. 
A seleção de medicamentos é um processo dinâmico, contínuo, multidisciplinar e 
participativo com o objetivo de selecionar medicamentos e os correlatos necessários para uso na 
instituição e fornecidos pelo mercado, adotando-se critérios de e� cácia, segurança, qualidade e 
custo, propiciando condições para o uso seguro e racional de medicamentos (ROSA; GOMES; 
REIS, 2003). 
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A seleção de medicamentos possui como objetivos:
1. Promover o uso racional de medicamentos.
2. Assegurar o acesso aos fármacos seguros, efetivos e com qualidade. 
3. Minimizar custos do tratamento.
4. Realizar controle do uso dos medicamentos e estudos de utilização de medicamentos.
5. Selecionar com critérios cientí� cos e econômicos.
6. Padronizar condutas terapêuticas baseadas em evidências cientí� cas.
7. Desenvolver mecanismos de gestão de risco que assegurem segurança e e� ciência do 
plano terapêutico e que garantam qualidade na assistência.
A seleção de medicamentos é realizada pela CFT, uma equipe multidisciplinar composta 
por médicos, enfermeiros, farmacêuticos, administradores e demais pro� ssionais envolvidos no 
uso de medicamentos e correlatos. Na seleção de antimicrobianos e germicidas, deve haver a 
participação da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (doravante, CCIH). 
A CFT é um órgão assessor da diretoria técnica ou clínica, com caráter consultivo, 
deliberativo e multidisciplinar, que serve como linha o� cial de comunicação entre o corpo clínico 
e o serviço de farmácia hospitalar. A nomeação deve ser realizada por meio de instrumento legal.
As atribuições da CFT são as que seguem:
1. Estabelecer normas e procedimentos para a seleção.
2. Estabelecer normas de conservação, prescrição, dispensação e administração dos 
medicamentos padronizados.
3. Realizar análises de uso e da qualidade dos medicamentos. 
4. Regular o uso de medicamentos de uso restrito por risco de emprego; necessidade de 
diagnóstico especializado; custo, com avaliação prévia para uso. 
5. Elaborar, revisar e monitorar protocolos de tratamento. 
6. Regular a atividade promocional dentro da instituição. 
7. Realizar a seleção de antimicrobianos e germicidas em conjunto com a CCIH.
8. Padronizar medicamentos pelo princípio ativo.
9. Elaborar, revisar e atualizar o Guia Terapêutico da instituição, com critérios de inclusão 
e exclusão bem de� nidos. 
Os critérios para a seleção de medicamentos são:
1. Selecionar medicamentos com níveis elevados de evidência de segurança e e� cácia 
clínicas. 
2. Eleger medicamentos de menor toxicidade relativa e maior comodidade posológica.
3. Resguardar a qualidade, minimizando o custo do tratamento/dia e o custo da duração 
do tratamento.
4. Evitar a inclusão de medicamentos associados.
5. Escolher, dentre medicamentos de mesma ação farmacológica, um representante 
de cada categoria química ou com característica farmacocinética e/ou farmacológica 
diferente e com vantagem no uso terapêutico.
6. Priorizar formas farmacêuticas que possibilitem fracionamento e adequação à faixa 
etária.
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1.4 Programação e Aquisição
Para a programação da aquisição dos itens selecionados, é necessário conhecer a política 
de compras da instituição. Em instituições públicas, as normas para aquisição estão estabelecidas 
na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que estabelece como devem ser realizadas as licitações. 
Na programação, realiza-se a gestão de estoques. Essa análise é contínua e dinâmica das 
variações sofridas em um período de tempo, bem como das suas causas e efeitos. A partir do 
estudo da demanda, é possível, com certo grau de con� abilidade, detectar a tendência futura e 
prever o seu desempenho provável. 
A gestão diária de estoques permite ganhos, tais como e� ciência, redução de falhas e 
custos, rapidez, con� abilidade e capacidade de rastreamento. 
Nas farmácias hospitalares, a gestão de estoques é ferramenta fundamental para a 
e� ciência de prestação dos serviços farmacêuticos, pois uma ruptura dos níveis de estoque pode 
determinar a interrupção das atividades assistenciais ou compras emergenciais, o que demandaria 
maiores custos de aquisição. 
O farmacêutico tem como obrigações o estabelecimento e a manutenção de padrões que 
assegurem a qualidade em vários focos: quali� cação de fornecedores, especi� cação correta dos 
produtos, decisões técnicas no que concerne às aquisições, controle dos estoques, armazenamento 
e uso seguro de todos os fármacos e insumos. 
A avaliação de fornecedores deve basear-se em dois passos: 
1. Veri� car a capacidade de o fornecedor prover insumos e serviços dentro dos requisitos 
de qualidade exigidos; 
2. Desempenho do fornecedor durante a realização da compra, do recebimento, do uso 
e no pós-venda. 
A cadeia de suprimentos apresenta quatro princípios que o farmacêutico deve observar 
para obter sucesso, como mostrados no Quadro 1. 
Princípio Atividade Requisitos
1º Planejamento
Levantamento dos recursos fi nanceiros 
disponíveis, estabelecimento 
das necessidades de consumo, 
planejamento de inventários, avaliação 
das necessidades de distribuição de 
materiais e verifi cação da capacidade 
de todos os serviços.
• Tomada de decisões.
• Confi gurar a cadeia de 
suprimentos.
• Planejar a capacidade de 
atendimento.
• Gerenciar a padronização de 
produtos.
2º Abastecimento
Aquisição, recebimento, inspeção, 
armazenamento e dispensação dos 
produtos.
• Administração de bancos de 
preços.
• Avaliação da qualidade, a 
certifi cação de fornecedores.
3º Execução
Ações de solicitação e recepção 
de materiais, produção e teste 
dos produtos, armazenamento, 
embalagem e dispensação.
• Avaliação da necessidade de 
mudanças no sistema, mobiliário, 
equipamentos.
• Melhoria da qualidade dos 
serviçosproduzidos.
• Agendamento de compras.
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4º Dispensação ou 
fornecimento
Implantação e manutenção de 
pedidos.
• Manutenção de base de dados de 
medicamentos e clientes.
• Criação de rótulos e embalagens 
específi cas.
• Consolidação de prescrições e 
dispensação de produtos.
Quadro 1 - Princípios, atividades e requisitos de cada etapa da cadeia de suprimentos. Fonte: A autora.
Os processos de compras têm por � nalidade suprir as necessidades do hospital, 
observando quantidade certa, momento certo, qualidade necessária e preço oportuno. Essa ação 
tem um papel estratégico na autonomia � nanceira da instituição. O Quadro 2 apresenta quatro 
sistemas de compras e como eles se realizam.
Sistema de compras Como se realiza
Sistema de compras a três cotações. A partir de um número mínimo de três cotações de preço. 
Sistema de preço objetivo. Realizada a partir do conhecimento prévio do preço justo, 
o que permite a negociação. 
Sistema de duas ou mais aprovações. Estabelece-se que, no mínimo, duas pessoas estejam 
envolvidas em cada decisão de escolha do fornecedor. 
Sistema de documentação escrita. Faz-se uma documentação escrita do processo de 
compras, que fi ca anexada ao pedido, o que permite, na 
segunda assinatura, revisar cada fase de negociação e 
esclarecer qualquer dúvida posterior. 
Quadro 2 - Sistemas de compras e como elas se realizam. Fonte: A autora.
As compras ou contratação de serviços em órgãos públicos são realizadas por meio do 
processo administrativo denominado licitação. 
 A licitação tem princípios legais básicos a serem respeitados. A licitação é disciplinada 
por lei (Lei  nº 8666/1993), a qual estabelece critérios objetivos de seleção das propostas de 
contratação mais vantajosas ao interesse público.
Não existe licitação secreta; todas devem ser publicadas na mídia ou de forma interna, 
o que depende do tipo de processo e de sua importância. Não se pode favorecer ou excluir 
fornecedores; todos têm direito igual. 
O edital de compra mostra aos participantes os bens, produtos ou serviços que serão 
adquiridos, assim como as regras para a aquisição. Os critérios para quali� cação dos fornecedores 
devem ser especi� cados no edital e visam ao cumprimento do contrato. As regras não podem ser 
alteradas durante o processo de licitação. O julgamento das propostas deve considerar parâmetros, 
como qualidade, rendimento do produto, preços, prazos de pagamento e entrega. 
A modalidade de licitação escolhida depende dos valores envolvidos no processo, 
de� nidos pela legislação. Podem ser: 
Princípio Atividade Requisitos
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- Carta convite: usada para valores menores, com prazo de cinco dias para recebimento 
das propostas. Permite a contratação de fornecedores cadastrados ou não. A abertura dos 
envelopes pode ser feita a partir da apresentação mínima de três propostas. 
- Tomada de preços: só podem participar fornecedores previamente cadastrados até três 
dias antes da data marcada para a licitação. As tomadas devem ser noticiadas na imprensa 
de forma resumida, com referência ao local de retirada do edital completo. A abertura das 
propostas só pode ser marcada quinze dias após a publicação do edital. 
- Concorrência: para contratos de maior valor. A publicação do edital deve ser feita em 
jornais de grande circulação e no Diário O� cial, pelo menos, trinta dias antes da data de 
abertura das propostas. Essa modalidade possui as fases de quali� cação e de classi� cação 
de fornecedores.
- Pregão: os editais são publicados pela Internet, no Diário O� cial e nos jornais de grande 
circulação. Pode ser utilizado para qualquer valor estimado. As propostas devem ser 
entregues à comissão de licitação. A de menor preço e as ofertas de preço até 10% superior 
são selecionadas para os lances verbais. Nesse processo, também podem ser abertas as 
propostas de preço antes da classi� cação dos fornecedores para exame da documentação 
da melhor proposta, deixando a fase de habilitação para depois da classi� cação e do 
julgamento das propostas. O vencedor do pregão é aquele que apresentou o menor preço 
e foi posteriormente habilitado. 
- Dispensa: é uma solicitação feita ao ordenador da despesa, em casos de calamidade, 
guerra, valores dentro dos limites legais, ausência de interessados após duas tentativas de 
aquisição de produtos quando exclusivos.
A aquisição de medicamentos é fundamental como suporte às ações de saúde. Considera 
os itens preconizados na seleção e avaliados na programação e na política de compras da 
instituição (BRASIL, 2006).
As análises necessárias estão disponíveis no encarte Gestão de Compras em Farmácia 
Hospitalar, do Conselho Federal de Farmácia, disponível no link http://www.c� .org.br/sistemas/
geral/revista/pdf/137/encarte_farmAcia_hospitalar_85.pdf. 
2. ARMAZENAMENTO
As boas práticas de armazenamento dos medicamentos são indispensáveis para preservar 
a qualidade e a e� cácia dos mesmos, além de reduzir perdas. Cabe ao armazenamento manter a 
qualidade garantida pelos fabricantes. 
A área de recepção, armazenamento e dispensação da farmácia hospitalar é denominada 
Central de Abastecimento Farmacêutico (doravante, CAF), cuja che� a deve ser exercida por 
farmacêutico já que a legislação especí� ca exige tal responsabilidade pela guarda de medicamentos.
O local destinado para estocagem de medicamentos deve ter área, construção e localização 
adequadas para facilitar a manutenção, limpeza e operação, com espaço su� ciente para estocagem 
racional dos medicamentos. Deve ser exclusiva para esse � m e, se possível, permitir adequações 
futuras. 
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As Boas Práticas de Estocagem, do Ministério da Saúde (BRASIL, 1990), recomendam que 
ela contenha as seguintes áreas internas:
 
• de recepção e de recebimento.
• de quarentena. 
• de expedição. 
• de estocagem geral. 
• de estocagem de medicamentos termolábeis.
• de estocagem de medicamentos controlados. 
• de estocagem de imunobiológicos.
• de administração. 
instalações sanitárias para os funcionários da área de estocagem (com chuveiro) e para os 
funcionários administrativos.
Trate-se, a seguir, de cada uma delas.
- Área de recepção: deve ser de fácil acesso para fornecedores/entregadores, mas separada 
das outras áreas da CAF, porque a mercadoria só pode ser armazenada e dispensada após ser 
o� cialmente recebida e conferida. Deve ser dimensionada para proteger os produtos e depende 
da realidade de cada hospital - número de produtos, volume de compras e dos produtos. 
No ato do recebimento, os produtos devem ser examinados quanto à integridade das 
embalagens e se estão de acordo com o pedido - fornecedor, quantidade, preço, condições de 
pagamento, conferência de lotes e prazo de validade. 
De acordo com as Boas Práticas de Distribuição, as seguintes informações devem constar 
obrigatoriamente das notas � scais: razão social do fornecedor, data de emissão e designação 
dos produtos farmacêuticos, com nome genérico e/ou comercial, número do lote, quantidade 
fornecida, forma farmacêutica, nome e endereço do fornecedor com CNPJ, número de autorização 
de funcionamento e de licença estadual, preços unitário e total, além do valor total da nota. 
Em relação à validade dos lotes, a Comissão de Farmácia Terapêutica deve delimitar o 
prazo para recebimento, pois isso depende da realidade da localização do hospital. 
O recebedor/conferente deve assinar o canhoto da Nota Fiscal, evidenciando nome, data 
da entrega e carimbo. Se constatada qualquer irregularidade - embalagens violadas, manchadas, 
molhadas ou úmidas, o farmacêutico deve avaliar e tomar as medidas cabíveis. 
- Área de quarentena: toda CAF deve ter uma área para guarda de produtos retidos comproibição de seu emprego, em observação, interditados ou sob suspeita. 
- Área de expedição: outra área que deve ser separada da estocagem é a de expedição. 
Na atualidade, o pessoal do CAF entrega os produtos no setor solicitante, mas isso não exclui a 
necessidade de se ter um local apropriado para separar e deixar à disposição os produtos a serem 
entregues. 
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- Área de estocagem geral: as recomendações gerais apresentadas a seguir são aplicáveis 
a todos os medicamentos. Recomenda-se que, para o armazenamento, observem-se as 
características de cada produto a ser armazenado. As exceções são os medicamentos termolábeis 
e os controlados pela Portaria 344/98. 
Os medicamentos termolábeis são aqueles que não podem sofrer variações excessivas de 
temperatura. As medições de temperatura devem ser efetuadas, pelo menos, em dois períodos 
por dia e registradas em planilha própria, por escrito. Esses registros devem � car disponíveis para 
auditoria e � scalização sanitária e pro� ssional. Os aparelhos usados (geladeira, freezer) devem 
dispor de sistemas de alerta que possibilitem detectar defeitos no equipamento para pronta 
reparação. 
Os medicamentos controlados pela Portaria 344/98 devem obedecer à legislação vigente, 
que exige o armazenamento em armário fechado, cuja chave deve � car de posse do farmacêutico 
responsável. 
A área de armazenamento é um aspecto importante do sistema de controle de 
medicamentos. Em qualquer local que houver estoque de medicamento, exige-se controle 
ambiental adequado (temperatura, luz, umidade, sanitização, segurança, ventilação e segregação). 
Para o bom funcionamento do setor, a organização é fundamental. Para isso, consideram-
se o acesso aos medicamentos, � exibilidade do arranjo físico, uso adequado do espaço, minimizar 
a necessidade de equipamentos para movimentação e as perdas por deterioração ou desvio dos 
produtos, além da garantia dos requisitos mínimos de segurança individual e coletiva. 
2.1 Condições de Armazenamento e Estabilidade dos Medicamentos 
Os fatores que afetam a estabilidade dos medicamentos podem ser intrínsecos ou 
extrínsecos.
Os fatores intrínsecos são de competência da indústria farmacêutica e estão relacionados 
ao processo de fabricação do medicamento. São procedimentos, métodos, técnicas, equipamentos, 
envase, embalagens, princípios ativos, princípios inativos (conservantes, corantes, aromatizantes), 
interações entre fármacos e solventes, pH do meio, tamanho das partículas, alteração nos aspectos 
físicos e incompatibilidades.
Os fatores extrínsecos estão relacionados às condições ambientais e devem ser 
monitorados. Entre eles, destacam-se: 
a) Temperatura: é a responsável direta pelo maior número de alterações e/ou deteriorações 
nos medicamentos. Temperaturas fora do padrão pré-estabelecido aceleram a indução de 
reações químicas e a decomposição dos medicamentos, alterando sua e� cácia. Para o 
controle de temperatura, é necessário o uso de termômetros nas áreas de estocagem, com 
registros diários em mapas de controle. 
A temperatura deve considerar as condições de armazenamento do produto: ambiente de 
15 a 30º C, sob refrigeração de 2 a 8º C, congelado de -5 a -20º C. 
b) Umidade: o alto índice de umidade no ambiente pode afetar a estabilidade dos 
medicamentos (dependendo da sua forma), favorecendo também o crescimento de 
fungos e bactérias no produto, causando possíveis reações químicas. A umidade relativa 
do ar em ambientes de armazenamento não pode ultrapassar 70%. 
c) Luminosidade: o ambiente de armazenamento deve ter iluminação natural adequada 
ou iluminação arti� cial com lâmpadas � uorescentes. A incidência de raios solares acelera 
reações químicas, alterando a estabilidade dos medicamentos.
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d) Manuseio e transporte: fator crítico dos medicamentos uma vez que o manuseio 
inadequado altera a qualidade. Devem-se usar equipamentos e carros adequados para 
que o transporte garanta a integridade do produto. 
e) Ventilação: a circulação do ar no ambiente de armazenagem é importante para 
conservar bem os produtos. Em temperaturas naturais, a estocagem deve ter espaçamento 
adequado entre os produtos, e o local deve ter janelas ou elementos vazados que facilitem 
a ventilação natural. Em ambientes com temperaturas abaixo ou acima da temperatura 
ambiente (câmaras e estufas), faz-se necessária uma boa distribuição dos medicamentos 
para que ocorra a circulação correta do ar (quente ou frio).
2.2 Atividades do Armazenamento 
O armazenamento é o conjunto de procedimentos técnicos e administrativos que envolve 
seis grandes atividades, quais sejam:
- Recebimento de medicamentos: examinar e conferir os medicamentos detalhadamente, 
observando as informações contidas nas embalagens dos produtos, bem como seu 
documento de solicitação.
- Estocagem: organização dos medicamentos em espaço pré-estabelecido a � m de se 
obterem segurança e rapidez na dispensação.
- Segurança: proteção do medicamento armazenado, em especial contra danos físicos, 
adulterações, furtos e roubos.
- Conservação: manter a estabilidade dos medicamentos a � m de preservar as 
características físico-químicas dos medicamentos.
- Controle de estoque: registro de entrada, saída e estocagem de medicamentos.
- Dispensação: medicamentos devem chegar ao paciente com a garantia de condições 
adequadas e de manutenção de suas características. 
2.3 Equipamentos para Armazenamento 
A estocagem dos medicamentos depende da dimensão, do volume dos produtos, do 
espaço disponível, das condições de conservação exigidas para cada item e das recomendações 
do fabricante. 
Figura 2 - Alguns exemplos de símbolos que devem ser observados nas embalagens de medicamentos para realizar 
o armazenamento de acordo com o fabricante. Fonte: Deposit Photos (2020).
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O empilhamento dos medicamentos deve obedecer às recomendações dos fabricantes 
quanto ao limite de peso e quantidade de volumes a serem empilhados (normalmente, essa 
informação consta da caixa). Os produtos empilhados devem sê-lo feito conforme orientação do 
fabricante. 
Ao empilhar caixas de papelão, deve-se observar se os cantos estão alinhados para que 
haja adequada distribuição do peso. 
Figura 3 - Empilhamento de caixas de papelão no armazenamento. Fonte: Setha Embalagens (2020).
Os principais equipamentos que podem ser utilizados para armazenar medicamentos 
são:
- Estrados/Pallets: são plataformas horizontais de tamanhos variados e de fácil manuseio. 
Podem ser de plástico, borracha e alumínio. Não se recomendam estrados de madeira, 
pois podem ser úmidos e mofar. Se for necessário usar um desses, eles devem ser 
impermeabilizados por pintura com tinta impermeável. 
Figura 4 - Empilhamento correto em pallets. Fonte: Setha Embalagens (2020).
- Prateleiras: são um meio mais econômico e simples, usadas para produtos leves 
e estoques reduzidos. As prateleiras devem ser mantidas a um metro de distância das 
paredes e do teto a � m de se evitarem zonas de calor e facilitar a circulação interna do ar. 
A mesma recomendação que se fez para o estrado de madeira deve ser observada quanto 
às prateleiras de madeira.
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Figura 5 – Prateleiras. Fonte: A autora.
- Armários: são recomendados para o armazenamento de medicamentos de controle 
especial pela Portaria 344/98, que devem ser mantidos fechados e com chave. Para que 
o armazenamento seja e� ciente, os medicamentos devem ser distribuídos de maneira 
facilitada para seu acesso, identi� cação, manuseio e controle.
2.4 Formas de Armazenamento 
A distribuição dos produtos deve ser clara para facilitar as operaçõesde inventário e 
balanços. 
- Ordem alfabética: observa-se o nome  genérico do produto e permite ao operador 
estabelecer uma sequência na tomada de pedidos e na contagem.
- Forma farmacêutica: organiza os itens por forma farmacológica do produto. Isso 
contribui à racionalização do espaço e evita erros na contabilização e no despacho do 
produto.
- Grupo terapêutico: esse modelo organiza os medicamentos por seus grupos terapêuticos. 
É muito utilizado e auxilia no controle de inventários, pois cobre um amplo número de 
produtos de uma mesma classe.
- Alfanumérico: usa um sistema de sinalizações nas áreas, prateleiras e estrados. É 
indicado para grandes quantidades. 
2.5 Especificações da Área de Armazenamento
- Área física: deve ser projetada de acordo com a demanda. 
- Localização: deve ser estratégica em relação às unidades de saúde que serão abastecidas. 
Além disso, deve facilitar o abastecimento e a provisão de insumos e serviços aos pacientes, 
contando com meios de transporte internos e externos adequados, em quantidade e 
qualidade à atividade de forma a preservar a integridade dos medicamentos e demais 
produtos para a saúde, bem como a saúde dos trabalhadores (BRASIL, 2010).
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- Estrutura física externa: deve contar com espaço: (i) su� ciente para a manobra dos 
caminhões que farão a entrega dos produtos; (ii) com plataforma para carga e descarga; 
(iii) cobertura para evitar a incidência direta de luz ou chuva sobre os produtos durante 
a descarga; (iv) altura correspondente à base da carroceria de um caminhão, o que 
corresponde a aproximadamente 1 metro; (v) rampas que facilitem a locomoção dos 
carrinhos. Por � m, as portas externas devem ser confeccionadas em aço. 
- Edifício: deve ser isento de rachaduras, pinturas descascadas, in� ltrações etc. Os 
arredores devem estar limpos e não devem existir fontes de poluição ou contaminação 
ambientais próximas. 
Quanto à estrutura física interna: 
- Piso: deve ser plano, de fácil limpeza e resistente para suportar o peso dos produtos e a 
movimentação dos equipamentos.
- Paredes: de alvenaria, cor clara, laváveis e isentas de in� ltrações e umidade.
- Portas: esmaltadas ou de alumínio, contendo fechadura e/ou cadeado.
- Teto: de preferência, de laje. Devem-se evitar telhas de amianto, porque absorvem muito 
calor.
- Sinalização interna: as áreas e estantes, além dos locais dos extintores de incêndio, 
precisam ser identi� cadas.
- Instalações elétricas: devem ser mantidas em bom estado, evitando-se o uso de 
adaptadores. O quadro de força deve � car externo à área de estocagem, e as � ações devem 
estar em tubulações apropriadas. 
Outras recomendações igualmente importantes são:
- A área de armazenamento deve ser restrita somente para colaboradores do setor, 
previamente treinados para a segurança local e pro� ssional.
- Os colaboradores devem usar uniformes para facilitar a identi� cação.
- Não é permitido comer ou fumar na área de estocagem. 
- Os produtos devem ser armazenados por grupos (medicamentos, correlatos, germicidas, 
controlados pela Portaria 344/98, dentre outros). 
- A segurança do local deve impedir roubos, adulterações ou incêndio. 
3. DISTRIBUIÇÃO
Na unidade hospitalar, a distribuição e a utilização ou uso ocorrem simultaneamente. 
A distribuição consiste no fornecimento de medicamentos e insumos às unidades de saúde, 
observando-se qualidade e tempo. A utilização depende da prescrição dos medicamentos a serem 
dispensados e de sua administração pelo serviço de enfermagem. Esse processo é denominado 
Sistema de Distribuição e deve ser adotado de acordo com a realidade do hospital. Salientamos 
que a Vigilância Sanitária não admite o sistema coletivo em virtude do risco que ele oferece aos 
pacientes. 
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3.1 Sistemas de Distribuição de Medicamentos 
A dispensação de medicamentos no hospital é realizada por meio de uma prescrição 
médica prévia, e a estrutura da farmácia deve estar apta para preparo e dispensação dos 
medicamentos prescritos em tempo hábil para a correta terapêutica do paciente. O sistema de 
distribuição deve atender todas as áreas onde são usados medicamentos e correlatos. 
Quanto ao conceito, Sistema de Distribuição de Medicamentos é o ato da entrega racional 
de medicamentos, prestando-se informações sobre eles, características farmacodinâmicas, 
análise da posologia, veri� cação de interações com medicamentosas e/ou alimentos, estabilidade 
das drogas, indicação e contraindicação terapêuticas. 
Os objetivos dos sistemas de distribuição são:
- Distribuir os medicamentos de forma ordenada, racionalizando a dispensação e a 
administração.
- Diminuir erros de medicação e os custos com medicamentos.
- Prestar informações sobre medicamentos.
- Aumentar a segurança para o paciente e o controle sobre os medicamentos, com acesso 
do farmacêutico às informações sobre o paciente. 
Segue o � uxo geral de um sistema de distribuição:
3.2 Tipos de Sistemas de Distribuição de Medicamentos
3.2.1 Sistema coletivo 
É um sistema em que os pedidos de medicamentos à farmácia são feitos por meio da 
transcrição da prescrição médica pela enfermagem. Esses pedidos não são feitos em nome dos 
pacientes, mas, sim, em nome dos setores. Cada setor tem um estoque para atendimento. A rotina 
operacional do sistema coletivo está apresentada no Quadro 3. 
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Rotina operacional do sistema coletivo
Medico Prescreve os medicamentos para os diversos pacientes nas folhas de 
prescrições médicas.
Enfermagem Transcreve prescrição médica para o Formulário de Solicitação de 
Medicamentos em nome do setor.
O funcionário da Enfermagem envia o formulário à farmácia.
Farmácia Separa os itens pedidos e envia-os ao setor para repor o estoque.
Quadro 3 - Rotina operacional do sistema coletivo de distribuição de medicamentos. Fonte: A autora.
As vantagens do sistema coletivo são: (i) disponibilidade de medicamentos na unidade, o 
que facilita o uso imediato dos medicamentos; (ii) diminui os pedidos à farmácia; (iii) diminui as 
tarefas a serem executadas pela farmácia.
Por outro lado, as desvantagens do sistema coletivo são: (i) erros de transcrição da 
prescrição médica; (ii) omissões e trocas de medicamentos; (iii) aumento do gasto com 
medicamentos por incapacidade de a farmácia controlar o uso e a conservação dos medicamentos; 
(iv) desvio de medicamentos (em torno de 30%); (v) mau acondicionamento de medicamentos; 
(vi) falta de controle do prazo de validade e das condições de armazenamento; (vii) devolução de 
medicamentos sem identi� cação à farmácia; (viii) aumento do potencial de erros de administração 
de medicamentos 
3.2.2 Sistema individualizado 24 horas 
Sistema no qual os pedidos de medicamentos são feitos especi� camente 
para cada paciente (24 horas) de acordo com a segunda via da prescrição médica. 
Esse sistema está mais orientado para a farmácia do que o anterior visto que se busca um melhor 
controle dos medicamentos. A rotina desse sistema está evidenciada no Quadro 4.
Rotina operacional do sistema individualizado 24 horas
Medico Prescreve na folha de prescrição médica (PM) em duas vias.
Enfermagem Anota os horários de administração dos medicamentos: 1ª via – prontuário do 
paciente; 2ª via – farmácia.
Farmácia Farmacêutico: Avalia a 2ª via da PM e libera para separação. 
Auxiliar de farmácia: separa os medicamentos e embala-os em sacos plásticos 
individuais, identifi cados com os dados do paciente. 
Farmacêutico: confere os medicamentos embalados. 
Farmácia e 
Enfermagem 
Realiza dupla checagem por meio de conferência com 1ª via do prontuário. 
Assina as vias e devolve para a farmácia. 
Enfermagem Organiza os medicamentos e soros nas gavetas por paciente/ leito e armáriosde soros.
Quadro 4 - Rotina operacional do sistema individualizado 24 horas de distribuição de medicamentos. Fonte: A 
autora.
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Cabe observar que, nesse sistema, o farmacêutico:
- Controla o estoque e registra as receitas de psicotrópicos e entorpecentes de acordo com 
a legislação vigente. 
- Realiza � scalizações periódicas nas unidades. 
- Analisa o per� l farmacoterapêutico do paciente, levando em conta possíveis interações, 
não padronizados ou dúvidas de prescrição.
- Supervisiona a reposição dos medicamentos de uso esporádico (se necessário), 
medicamentos da portaria 344 (psicotrópicos), entorpecentes e armário de reservas dos 
soros (soluções de grande volume - S.G.V.).
As vantagens do sistema individualizado 24 horas são: (i) diminuição dos estoques nas 
unidades assistenciais; (ii) facilidade de devolução à farmácia; (iii) redução potencial de erros de 
medicação; (iv) reduz tempo do pessoal da enfermagem quanto às atividades com medicamentos; 
(v) redução de custos com medicamentos; (vi) controle mais efetivo sobre medicamentos; (vii) 
aumento da integração do farmacêutico com a equipe de saúde.
Por outro lado, as desvantagens do sistema individualizado 24 horas são: (i) incremento 
das atividades desenvolvidas pela farmácia; (ii) necessidade de plantão na farmácia hospitalar; 
(iii) permite erros potenciais de medicação; (iv) exige investimento inicial; (v) necessidade de 
plantão na farmácia hospitalar. 
3.2.3 Sistema individualizado por turno
Esse sistema é processado da mesma forma como o sistema individualizado 24 horas. A 
diferença é que, aqui, os medicamentos são enviados de forma individualizada de acordo com o 
turno de enfermagem. 
Exemplo: a enfermagem faz os seguintes turnos: manhã (das 7 às 13 horas), tarde (das 
13 às 19 horas) e noite (das 19 às 07 horas do dia seguinte). A farmácia separará a medicação 
prescrita de acordo com os horários de forma que a enfermagem de cada turno receba somente 
os medicamentos inerentes ao seu turno de trabalho. 
3.2.4 Sistema individualizado por horário de administração 
A rotina de separação dos medicamentos é a mesma do sistema individualizado 24 horas. 
A diferença reside no fato de que, aqui, as medicações são separadas por horário de administração. 
Em termos de segurança para o paciente, essa forma de dispensação não lhe oferece 
nenhuma garantia, demandando muito trabalho para a farmácia. 
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Figura 6. Modelo de dispensação por prescrição individual. Fonte: Brasil (1994).
3.2.5 Sistema de distribuição em doses unitárias (S.D.M.D.U.)
A farmácia hospitalar que adota esse sistema de dispensação fornece uma quantidade 
ordenada de medicamentos preparados de acordo com a prescrição médica e prontos para 
administração ao paciente. Toda medicação injetável é preparada na farmácia hospitalar, assim 
como os medicamentos sólidos e líquidos são nela fracionados. A enfermagem recebe exatamente 
a dose prescrita para o paciente. 
No preparo, o farmacêutico avalia a prescrição (identi� cando se o medicamento, a via e 
a dose são compatíveis), identi� ca o diluente e as embalagens corretas para os medicamentos. 
Ademais, identi� ca corretamente o destinatário do medicamento preparado, minimizando os 
erros de troca de paciente ou de medicamento. 
A adoção desse sistema permite: 
• A veri� cação dos erros de medicação.
• Fidelidade das doses.
• Como o farmacêutico realiza a avaliação da prescrição e do preparo, isso facilita a 
identi� cação de interações medicamentosas, reações adversas e outras causas no uso do 
medicamento.
• O acondicionamento dos medicamentos observa as características do fármaco.
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• Proporciona à administração hospitalar um sistema de distribuição de medicamentos 
� nanceiramente viável. 
• O farmacêutico torna-se essencial na equipe de saúde. 
• Proporciona melhor segurança, rastreabilidade e identi� cação dos medicamentos.
• Racionaliza o processo de distribuição, eliminando os estoques periféricos e reduzindo 
custos. 
O sistema de distribuição por dose unitária apresenta vantagens para vários setores do 
hospital conforme apresentado no Quadro 5. 
Vantagens da dose unitária
Hospital - maior prestígio e controle na correta utilização dos medicamentos e respectivos 
gastos, permitindo a redução destes.
- disponibilidade de informações relevantes para a gestão hospitalar e apuramentos 
estatísticos.
- atendimento com qualidade.  
Medico segurança de que as ordens farmacoterapêuticas são cumpridas com exatidão.
Enfermagem - disponibilidade para as tarefas para as quais se está vocacionado, resultando na 
melhora dos cuidados prestados ao paciente.
- dignifi cação e realização profi ssionais.
Paciente - qualidade dos cuidados recebidos. 
- disponibilidade da enfermagem no seu cuidado e humanização. 
Farmácia - consegue intervenção mais ativa no processo terapêutico e efetua troca de 
informação de forma rápida e completa com outros profi ssionais.
- maior tempo para tarefas técnicas, proporcionando-lhe maior realização e 
dignifi cação profi ssionais.
Quadro 5 - Vantagens do sistema de distribuição por dose unitária para os diversos setores do hospital. Fonte: A 
autora.
Como desvantagem, exige investimento inicial para o aumento das necessidades de 
recursos humanos e infraestrutura da farmácia hospitalar. 
3.2.6 Farmácias satélites 
No hospital, existem setores com atendimento de urgência e emergência – pronto-
socorro, prontoatendimento, centro cirúrgico, unidade de terapia intensiva e outros –, em que 
os pacientes apresentam características especí� cas, e a rotina tem � uxo diferenciado de uma ala 
hospitalar. 
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Farmácia Satélite é uma farmácia que � ca localizada no próprio setor da dispensação 
(centro cirúrgico, pronto-socorro, prontoatendimento, Unidade de Terapia Intensiva – UTI) 
com as � nalidades de estocar adequadamente os medicamentos e materiais, dispensar de forma 
imediata e proporcionar uma assistência farmacêutica efetiva e direta de forma que o paciente 
seja prontamente atendido (CAVALLINI; BISSON, 2002).
Justi� cativas para implantação de Farmácia Satélite: 
A implantação dessas unidades se justi� ca quando a unidade, mesmo usando estoques 
elevados de materiais e medicamentos, não mantém um controle efetivo. O consumo de itens 
é alto; o custo unitário do que é consumido é alto; há desperdícios e existem itens que exigem 
cuidados especiais no armazenamento e no controle. 
Critérios de escolha do setor para implantar a Farmácia Satélite: 
O setor possui estoque elevado de � os de sutura, agulhas, seringas, soros e outros; consumo 
excessivo de materiais; alto custo unitário dos materiais (válvulas cardíacas, cateteres, implantes, 
clips de aneurisma e outros); armazenamento inadequado de materiais e medicamentos; 
necessidade de assistência farmacêutica efetiva. 
Quanto às vantagens da Farmácia Satélite, no uso de materiais e medicamentos, há: 
(i) racionalização do uso: (ii) redução do desperdício; (iii) ausência de estoques nas salas de 
atendimento; (iv) redução da contaminação cruzada; (v) interação entre equipe multipro� ssional; 
(vi) controle e acesso à produtividade por meio de relatórios periódicos.
As farmácias satélites atendem individualmente, possibilitando maior agilidade na 
dispensação de materiais e medicamentos hospitalares.
4. CONCILIAÇÃO MEDICAMENTOSA OU FARMACÊUTICA
É considerada uma ferramenta estratégica para a segurança do paciente pelos principais 
programas de qualidade em saúde, sendo atividade descrita pelos manuais de acreditação 
hospitalar como tendo o objetivo de aumentar a segurança do paciente.Entre as causas de erros de medicação em hospitais, podemos destacar algumas confusões 
que ocorrem quando medicamentos são suspensos ou introduzidos ou quando prescrições 
anteriores são transcritas. Essas discrepâncias podem ser justi� cadas pela situação clínica ou não 
justi� cadas por omissão, duplicação, erros de doses ou potenciais interações. Tais ocorrências 
podem ter como resultado danos adicionais e evitáveis aos pacientes. 
Para evitar que tal ocorra, orienta-se que se proceda à conciliação medicamentosa, uma 
prática que objetiva a harmonização dos planos terapêuticos dos pacientes, desde a admissão até 
à alta, incluindo todas as mudanças de nível assistencial. 
A conciliação medicamentosa é um processo que consiste na obtenção de uma lista 
completa e precisa dos medicamentos de uso habitual do paciente e posterior comparação com 
a prescrição em todas as transições de cuidado (admissão, alta hospitalar ou transferência entre 
unidades de internação). Quando discrepâncias são encontradas, elas podem ser consideradas 
erros de medicação. 
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Encontre mais informações sobre a área de armazenamento no 
ebook Boas Práticas de Estocagem, do Ministério da Saúde. Apesar 
de ser uma publicação de 1990, ainda é documento válido para 
dimensionamento e organização da área. Está disponível no link 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd05_05.pdf>
Fabíola Sulpino Vieira, em seu artigo Qualifi cação dos serviços 
farmacêuticos no Brasil: aspectos inconclusos da agenda do 
Sistema Único de Saúde ( <https://www.scielosp.org/article/
rpsp/2008.v24n2/91-100/> ), refl ete e chega à conclusão de que o 
acesso a medicamentos essenciais é fundamental para a melhora 
e manutenção do estado de saúde da população, e que o uso 
inadequado de medicamentos torna-se um risco, interferindo na qualidade de vida 
e aumentando custos à saúde. 
Com isso, confi gura-se a necessidade da promoção do uso racional de medica-
mentos, garantindo aos pacientes o medicamento correto nas doses adequadas 
pelo tempo necessário e menor custo possível, tanto para o próprio paciente quan-
to para a comunidade. 
O uso racional de medicamentos só se tornará realidade se o farmacêutico assu-
mir e cumprir os seus papéis de: (i) garantir medicamentos com maior efi cácia, 
segurança, efetividade e razão de custo-efetividade; (ii) preservar a qualidade no 
recebimento e armazenamento; e (iii) orientar os pacientes quanto ao uso.
O uso correto e seguro de medicamentos e a possibilidade de 
rastreabilidade são, na atualidade, uma forma de caracterizar a 
segurança do atendimento de saúde tanto para o paciente como 
para os profi ssionais envolvidos. Sugerimos a leitura do conteú-
do disponibilizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) so-
bre a Rastreabilidade de Medicamentos, elaborado pelo farma-
cêutico Nilson Gonçalves Malta. O link é o <http://www.cff.org.
br/sistemas/geral/revista/pdf/129/pb79_encarte_farmacia_hospitalar.pdf>
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O vídeo Por dentro do hospital - o caminho do medicamento, 
disponibilizado pelo Hospital Albert Einstein, permite-nos ter 
uma visão global dos processos desenvolvidos em uma unidade 
hospitalar, desde o recebimento até o paciente. Cabe atentar-se 
para a operacionalização dos processos da farmácia com o uso de 
tecnologias. O vídeo está disponível no link <https://www.youtube.
com/watch?v=lmrHWiZL5mU>
Para você visualizar como se desenvolve o trabalho do 
farmacêutico em uma farmácia satélite, assista ao vídeo Atuação do 
farmacêutico hospitalar nos processos de controle de dispensação 
de medicamentos no Centro Cirúrgico ( <https://www.youtube.com/
watch?v=zyC0eNAH89w> ). Esse vídeo foi enviado para a SBRAFH 
por ocasião do concurso de vídeo visando ao Título de Especialista 
em Farmácia Hospitalar de 2015. 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O armazenamento e a distribuição dos medicamentos são etapas da cadeia logística e 
fazem parte da assistência farmacêutica. 
O armazenamento é a etapa do ciclo da assistência farmacêutica que visa a garantir a 
qualidade e a guarda segura dos medicamentos nas organizações da área da saúde.
A qualidade dos medicamentos é garantida quando se observam condições adequadas de 
conservação (características indicadas para as instalações de armazenagem, layout dos locais de 
distribuição cuidados no recebimento, métodos de localização dos itens e tipos de distribuição), 
somadas a um controle de estoque e� caz e à disponibilidade garantida dos medicamentos em 
todos os locais de atendimento aos usuários. É imprescindível que as organizações de saúde 
estabeleçam e monitorem critérios que assegurem que os medicamentos estão sendo recebidos, 
estocados e controlados de maneira e� caz e correta. 
A distribuição ocorre em todos os níveis de atendimento e, se não há con� ança entre o 
usuário e o responsável pela distribuição, torna-se a maior área de con� itos dentro do hospital, 
pois envolve vários grupos de pro� ssionais – farmácia, enfermagem, médicos, administração e 
outros –, além de propiciar a criação de estoques periféricos. A distribuição correta e racional 
de medicamentos deve garantir rapidez na entrega, sem atrasos, nas quantidades e produtos 
corretos, na qualidade desejada e com transporte que observa as características de segurança. 
A movimentação deve ser monitorada por sistema de informação con� ável, atualizado e 
parametrizado. 
Independentemente do processo a ser realizado, exige-se a manutenção de procedimentos 
escritos e o seguimento de normas de� nidas em que o controle e a avaliação são realizados a 
partir de indicadores de desempenho e qualidade. 
Por � m, reforce-se que todos os envolvidos devem estar comprometidos com o uso 
racional de medicamentos e com a prevenção de erros. 
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UNIDADE
03
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 52
1. PREPARO DE MEDICAMENTOS ......................................................................................................................... 53
1.1 REGULAMENTAÇÃO ............................................................................................................................................ 53
1.2 REQUISITOS ....................................................................................................................................................... 53
1.2.1 FUNCIONALIDADE ........................................................................................................................................... 53
1.2.2 EQUIPAMENTOS.............................................................................................................................................. 53
1.2.3 PESSOAL ENVOLVIDO ..................................................................................................................................... 53
1.2.4 PARAMENTAÇÃO MÍNIMA ............................................................................................................................. 54
1.2.5 ÁREA FÍSICA .................................................................................................................................................... 54
1.3 EQUIPAMENTOS ................................................................................................................................................ 55
1.4 RÓTULOS ............................................................................................................................................................. 56
FARMACOTÉCNICA HOSPITALAR E 
PREPARO DE MEDICAMENTOS
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI
ENSINOA DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FARMÁRCIA HOSPITALAR E GESTÃO
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1.5 SEGURANÇA ........................................................................................................................................................ 57
1.6 GARANTIA DA QUALIDADE ................................................................................................................................ 57
1.7 VALIDAÇÃO DO PROCESSO ............................................................................................................................... 57
1.8 DOCUMENTAÇÃO E REGISTROS ....................................................................................................................... 57
2. FRACIONAMENTO DE MEDICAMENTOS SÓLIDOS E LÍQUIDOS .................................................................... 57
2.1 DEFINIÇÃO DE FRACIONAMENTO .................................................................................................................... 57
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................................................................58
2.3 RESPONSABILIDADE ................................................................................................................................................ 58
2.4 VANTAGENS ........................................................................................................................................................58
2.5 TÉCNICAS DE FRACIONAMENTO DE MEDICAMENTOS SÓLIDOS ..............................................................58
2.5.1 MEDICAMENTOS ACONDICIONADOS EM BLÍSTER OU ENVELOPE ........................................................ 58
2.5.2 MEDICAMENTOS EM EMBALAGENS SEM INVÓLUCRO UNITÁRIO (EMBALAGEM MÚLTIPLA) ............ 59
2.6 FRACIONAMENTO DE MEDICAMENTOS LÍQUIDOS ......................................................................................60
2.7 CONTROLE DE QUALIDADE ............................................................................................................................... 61
3. MISTURAS INTRAVENOSAS ............................................................................................................................... 62
4. PREPARO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL ........................................................................................................... 62
4.1 DEFINIÇÃO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL ........................................................................................................ 63
4.2 OBJETIVOS DA PREPARAÇÃO CORRETA ......................................................................................................... 63
4.3 EQUIPE MULTIDISCIPLINAR DE TERAPIA NUTRICIONAL ........................................................................... 63
4.4 COMPLICAÇÕES DECORRENTES DO USO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL ................................................... 64
4.5 FONTES DE CONTAMINAÇÃO .......................................................................................................................... 64
4.6 FORMULAÇÕES DE NP ...................................................................................................................................... 64
4.7 RESPONSABILIDADE DO FARMACÊUTICO ..................................................................................................... 64
4.8 ÁREA DE PREPARO ........................................................................................................................................... 64
4.9 EQUIPAMENTOS ............................................................................................................................................... 66
4.10 LIMPEZA E DESINFECÇÃO .............................................................................................................................. 66
4.11 MOBILIÁRIO ...................................................................................................................................................... 67
4.12 ETAPAS DO PREPARO ...................................................................................................................................... 67
4.13 PRESCRIÇÃO ....................................................................................................................................................68
4.14 MATERIAIS NECESSÁRIOS ............................................................................................................................68
4.15 LOCAL ................................................................................................................................................................68
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4.16 CONTROLE DE QUALIDADE .............................................................................................................................68
4.17 IDENTIFICAÇÃO ................................................................................................................................................68
4.18 CONSERVAÇÃO ................................................................................................................................................. 69
4.19 INFORME DE ATIVIDADES .............................................................................................................................. 69
4.20 ADMINISTRAÇÃO ............................................................................................................................................ 69
5. PREPARO DE MEDICAMENTOS ANTINEOPLÁSICOS ...................................................................................... 69
5.1 RISCOS NO PREPARO DE DROGAS CITOSTÁTICAS ........................................................................................ 70
5.2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) ...................................................................................... 70
5.3 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC) ........................................................................................71
5.4 CONTROLE DE EXPOSIÇÃO ...............................................................................................................................71
5.5 TRATAMENTO DE RESÍDUOS CITOSTÁTICOS ...............................................................................................71
5.6 RECOMENDAÇÕES ESPECÍFICAS ....................................................................................................................71
6. PREPARO DE RADIOFÁRMACOS ........................................................................................................................71
CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 75
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INTRODUÇÃO
A maioria dos medicamentos usados no hospital é fornecida em doses padrão e em um 
sistema individualizado preparado pela enfermagem. O sistema de dose unitária é preparado 
na farmácia. Nos dois casos, o preparo de medicamentos pode abranger procedimentos simples 
(como uma diluição) ou pode requerer cálculos complexos e muitas manipulações. 
A manipulação em locais inadequados ou por pro� ssionais inexperientes está associada a 
riscos de contaminação. Erros no preparo ou administração, incompatibilidade ou instabilidade 
pelo emprego de diluentes incorretos ou armazenamento inadequado, estão associados à perda 
da e� cácia, aumento de toxicidade e cristalização e formação de aerossóis pelos antimicrobianos, 
induzindo à irritação e hipersensibilidade, além de aumentar a resistência bacteriana no ambiente. 
Por exigências ética e jurídica, a manipulação de fármacos deve seguir os princípios das 
Boas Práticas de Manipulação em Farmácia, conforme a RDC ANVISA nº 67/2007 (BRASIL, 
2007). Essa resolução determina que, para realizaratividades de manipulação, a farmácia deve 
dispor de áreas para as atividades administrativas, de armazenamento, controle de qualidade, 
dispensação e salas exclusivas para a pesagem e para a manipulação propriamente dita. 
Nesta Unidade III, discutiremos a farmacotécnica hospitalar e seus requisitos estruturais 
e legais.
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1. PREPARO DE MEDICAMENTOS 
1.1 Regulamentação
O farmacêutico deve realizar a avaliação farmacêutica da prescrição antes da manipulação. 
Se houver dúvidas ou necessidade de adequação, deve entrar em contato com o pro� ssional 
prescritor. Todos os procedimentos devem ser registrados no prontuário do paciente.
Esse cuidado é necessário, pois, para todos os efeitos legais, a farmácia responde pela 
avaliação das prescrições quanto à concentração, compatibilidade físico-química dos componentes, 
dose, via de administração, manipulação, apresentação, qualidade e acondicionamento, bem 
como por informações insu� cientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. 
Após o preparo, o farmacêutico é responsável pela manutenção da qualidade dos 
medicamentos até sua entrega ao paciente e por orientar e treinar os pro� ssionais envolvidos no 
transporte dos medicamentos para assegurar a qualidade. 
1.2 Requisitos 
Na implantação de uma central de manipulação, alguns requisitos devem ser observados.
1.2.1 Funcionalidade
Para garantir que as solicitações sejam atendidas da forma mais ágil e com o menor 
custo possível, sem comprometimento da qualidade � nal do produto ou do serviço oferecido, 
devem-se considerar a demanda, a área física disponível e o � uxo de pessoas e materiais. As 
áreas controladas devem ter acesso limitado. Os processos de digitação, confecção de rótulos e 
registros devem ser feitos fora da área controlada.
1.2.2 Equipamentos
A escolha depende do espaço físico disponível, das características da unidade hospitalar 
e das especialidades médicas (oncologia/hematologia clínicas, unidades de tratamento intensivo, 
hospital pediátrico) que in� uenciam o tipo de manipulação necessária. 
Os equipamentos devem ser instalados de forma a facilitar a operação, a limpeza e a 
manutenção. Devem ser calibrados periodicamente de acordo com recomendações do fabricante. 
Tais procedimentos, assim como as manutenções preventivas, devem ser registrados em livro 
próprio para esse � m. O manual do equipamento deve estar disponível para veri� cação de sua 
e� ciência e uniformidade.
1.2.3 Pessoal envolvido
O farmacêutico é o pro� ssional responsável por assegurar a aplicação do melhor 
procedimento técnico; por isso, deve supervisionar todas as atividades e garantir que o pessoal 
de apoio esteja adequadamente treinado para o desempenho delas. Para tanto, deve manter 
programa de treinamento para manipuladores e pessoal da higienização, incluindo todos os 
procedimentos da unidade de acordo com a abrangência da sua atividade. 
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1.2.4 Paramentação mínima
A paramentação é requerida de acordo com as exigências da área de manipulação e dos 
produtos manipulados. A regra é que se devem utilizar uniformes limpos para circulação nas 
áreas controladas, toucas, máscaras, botas ou propés e luvas cirúrgicas estéreis de uso único. 
Os uniformes devem ser confeccionados com tecido que libere o mínimo de material 
particulado. Recomenda-se o uso de capotes com punhos elásticos. Durante o preparo, as luvas 
podem ser enxaguadas frequentemente com álcool a 70% e devem ser trocadas a cada duas horas.
Medicamentos Máscara Luva Gorro Capote Propés Óculos 
Antimicrobianos 
e hormônios 
100% fi ltração 
com carvão 
ativado
Cirúrgica – dois 
pares
Sim Sim Sim Sim
Injetáveis em 
geral 
Triplo fi ltro Cirúrgica – um 
par
Sim Sim Sim Sim
Líquidos e 
sólidos 
Procedimento Procedimento Sim Avental Não Não 
Medicamentos 
citostáticos 
100% fi ltração 
com carvão 
ativado
Cirúrgica – dois 
pares
Sim Sim Sim Sim
Nutrição 
Parenteral 
Triplo fi ltro Cirúrgica – um 
par
Sim Sim Sim Sim
Quadro 1 - Relação de paramentos necessários para manipulação e classe/forma farmacêutica preparada. Fonte: A 
autora.
1.2.5 Área física
A estrutura física deve observar as seguintes especi� cações: 
a) Se mantiver produtos em estoque, fazer controle de temperatura e umidade do 
ambiente.
b) Os ambientes devem ser protegidos contra a entrada de aves, animais, insetos, roedores 
e poeiras.
c) Os ambientes devem possuir superfícies internas (pisos, paredes e teto) lisas, sem 
rachaduras, resistentes aos saneantes, que não desprendam partículas e devem ser 
facilmente laváveis, desinfetadas com álcool 70% no início e no � nal de cada operação. 
d) As áreas e instalações devem ser adequadas e su� cientes ao desenvolvimento das 
operações, dispondo de todos os equipamentos e materiais de forma organizada e 
racional, objetivando evitar os riscos de contaminação, misturas de componentes e 
garantir a sequência das operações. Deve ser limpa diariamente, mas no momento em 
que não houver qualquer operação sendo realizada. 
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e) Os ralos devem ser sifonados e fechados. Nas áreas de manipulação, limpeza e 
higienização, está vedada a existência de ralos. 
f) A iluminação e a ventilação devem ser su� cientes para que a temperatura e a umidade 
relativa não deteriorem os produtos farmacêuticos e correlatos tampouco a precisão e o 
funcionamento dos equipamentos.
1.3 Equipamentos 
A área de fracionamento de medicamentos sólidos e líquidos deve ser separada da 
distribuição. Deve conter uma pia exclusiva para lavagem das mãos e um refrigerador para 
guardar os frascos de medicamentos abertos. O único equipamento necessário é uma seladora 
para envelopar os dosadores orais em sacos plásticos depois do fracionamento. 
Além das recomendações anteriores, para o preparo de injetáveis, nutrição parenteral e 
medicamentos citostáticos, exige-se o uso de cabines com � uxo de ar controlado (capelas).
 
Medicamentos Tipo de cabine
Antimicrobianos e 
hormônios 
Vertical 
Injetáveis em geral Horizontal 
Líquidos e sólidos Não 
Medicamentos citostáticos Vertical 
Nutrição Parenteral Horizontal 
Quadro 2 - Relação entre classe de medicamento a ser preparado e tipo de cabine de � uxo laminar exigido. Fonte: 
A autora.
As cabines de � uxo laminar ou capelas são equipamentos usados para promover uma 
atmosfera de ar com quantidade mínima de partículas se comparadas com a atmosfera do ambiente. 
Para isso, o ar é puxado com o auxílio de um motor e passa através de � ltros HEPA (� ltros de 
alta e� ciência, com capacidade de reter 99,97% das partículas maiores que 0,3 micrômetros de 
diâmetro), forçado por ventiladores. Esse ar pode chegar até à superfície da bancada da cabine de 
forma horizontal ou vertical a ela (Figura 1). 
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Figura 1 - Cabines para preparo de soluções injetáveis de acordo com o � uxo de ar e uso no preparo de soluções 
injetáveis. Fonte: Gastaldi et al. (2009).
Para evitar a dispersão de aerossóis no ambiente controlado, recomenda-se que o 
funcionamento das cabines de � uxo laminar seja ininterrupto (24 horas) para se evitar re� uxo 
quando elas são religadas. 
1.4 Rótulos
Os rótulos têm como propósito primário a divulgação de informações especí� cas ao 
usuário dos medicamentos. 
Os rótulos devem: 
- aderir � rmemente à embalagem e estar posicionados de modo a possibilitar a leitura 
quando o medicamento estiver sendo administrado. 
- possuir tamanho su� ciente para permitir inspeção visual do medicamento contido na 
embalagem.
Além disso, os rótulos devem conter: nome do paciente, nome da(s) substância(s), leito/
clínica, concentração, prontuário, veículopara reconstituição ou infusão, data da preparação, 
via, tempo e horário de administração, validade (mês e ano), rubrica do manipulador, lote e data 
de fabricação, indicação de conservação e emprego de equipos especiais (se necessário), além 
de indicações especiais, como: “misture bem antes de usar”, “não mastigar” etc. As embalagens 
pequenas podem apresentar, no rótulo, apenas o número do prontuário, nome da substância, 
concentração e nome do paciente, mas devem ser a� xadas em um cartão com todas as informações 
adicionais necessárias.
Não se permitem: (i) rotulagem com uso de lápis ou caneta; (ii) sobreposição de rótulos; 
(iii) rasuras ou ilegibilidade; (iv) alteração por outrem que não o pessoal do serviço de farmácia, 
habilitado para tal.
Fluxo horizontal
Medicamentos injetáveis, excluindo-se 
antimicrobianos, hormônios e nutrição 
parenteral.
Fluxo vertical
- Antimicrobianos e hormônios.
- Medicamentos citostáticos. 
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1.5 Segurança
Os visitantes e pessoas não treinadas não devem ter acesso às áreas de manipulação. Se 
necessário o acesso para manutenção de equipamentos ou quaisquer outros � ns, a pessoa que o 
fará deverá ser instruída sobre os procedimentos de paramentação, higiene e acompanhada por 
pessoal autorizado.
1.6 Garantia da Qualidade
Para assegurar a qualidade das formulações, a farmácia deve possuir um sistema de 
qualidade bem documentado e monitorado, que incorpore e descreva todas as práticas de 
manipulação.
1.7 Validação do Processo
A validação e o registro anual dos procedimentos assépticos garantem o preparo de 
produtos estéreis de qualidade aceitável. 
1.8 Documentação e Registros
Todo o processo de manipulação deve ser devidamente registrado para permitir o 
rastreamento dos produtos manipulados nos casos de desvios de qualidade. A documentação é 
exclusiva do serviço de farmácia, devendo ser posta à disposição da � scalização durante eventual 
inspeção sanitária.
2. FRACIONAMENTO DE MEDICAMENTOS SÓLIDOS E LÍQUIDOS 
A Associação Americana de Farmacêuticos Hospitalares de� ne o fracionamento 
de medicamentos como o ato de dispor das doses de medicamentos prescritos de forma 
individualizada e garantir a identi� cação do medicamento até ele chegar ao paciente. Deve-se 
proteger o medicamento contra os agentes do meio ambiente e da deterioração causada pelo 
manuseio, assegurando que ele seja utilizado com rapidez, segurança e comodidade. 
Podem ser fracionados comprimidos, cápsulas e drágeas, pois representam o maior 
volume de produtos a serem fracionados, e a exigência técnica não é muito so� sticada.
Pós, líquidos, pomadas, colírios e injetáveis devem ser fracionados somente sobre 
condições especiais por um pro� ssional habilitado, com todo o aparato técnico e de embalagens 
que sejam necessárias. São consideradas formas farmacêuticas estéreis e, no fracionamento, é 
necessário que se mantenha essa qualidade. 
2.1 Definição de Fracionamento
Processo de manipulação de produtos farmacêuticos acabados, que tem por objetivo 
principal otimizar a distribuição de medicamentos por dose individual/unitária, devidamente 
embalados e identi� cados, garantindo-se a qualidade do produto até a administração ao paciente. 
Compreende a reembalagem do fármaco produzido por determinado laboratório farmacêutico.
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O objetivo geral é o de fornecer medicamentos nas menores unidades possíveis de 
dispensação e corretamente identi� cados (nome genérico, concentração, lote e validade) para o 
sistema de distribuição de medicamentos por dose individual ou unitária. 
2.2 Objetivos Específicos
• Fracionar os medicamentos nas menores unidades de dispensação, sem lhes alterar a 
qualidade.
• Reembalar os fármacos em recipientes adequados às suas características.
• Identi� car corretamente os produtos: nome genérico, concentração, número do lote e 
validade.
• Controlar a validade dos produtos a serem dispensados.
• Suprir o setor de distribuição de medicamentos por dose individual ou unitária.
2.3 Responsabilidade 
O processo de reembalagem deve ser de direta responsabilidade do farmacêutico, o qual 
deverá instituir medidas de controle de modo a garantir um produto que possa ser utilizado com 
segurança e e� cácia.
2.4 Vantagens
• Administração do medicamento correto e dentro do prazo de validade adequado.
• Diminuem-se as perdas de medicamentos nas unidades de internação.
• Diminuição de trocas de medicamentos (identi� cação pela cor, tipo de blíster etc.).
• Minimiza custos por perdas.
• Facilita o controle de custos do tratamento.
2.5 Técnicas de Fracionamento de Medicamentos Sólidos 
2.5.1 Medicamentos acondicionados em blíster ou envelope
São fracionados sem serem retirados da embalagem original. Como são mantidas as 
condições do fabricante, a validade da dose unitária é a mesma do fabricante. 
Segue como proceder: 
• Sem lhes retirar o invólucro original, individualizar os medicamentos por meio de cortes 
com tesoura.
• Reembalagem em sacos plásticos.
• Selagem individual.
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• Identi� cação com etiquetas autocolantes.
• Acondicionamento em quantidades padrão (de acordo com rotina do serviço). 
• Armazenamento ou envio para a dispensação. 
Os medicamentos sólidos, em blíster ou envelope, podem ser apresentados pelo fabricante 
de duas formas: 
1. Blíster inteiro, com uma única identi� cação de lote e validade. Nesse caso, é necessário 
individualizar e colocar uma etiqueta por comprimido (Figura 2).
2. Em dose unitária, com indicação de lote e validade por comprimido (Figura 3). Se for 
assim, é só separar os comprimidos e armazená-los. 
Figura 2 - Exemplo de fracionamento de medicamentos sólidos em blíster não unitarizado. Fonte: A autora.
Figura 3 - Exemplo de fracionamento de medicamentos sólidos em blíster fornecido em dose unitária pelo fabri-
cante. Fonte: A autora.
2.5.2 Medicamentos em embalagens sem invólucro unitário (embalagem múltipla)
Como esses medicamentos são retirados da embalagem do fabricante, é necessário 
recalcular a validade do medicamento fracionado. 
Na atualidade, usa-se o cálculo de validade reduzida (“25% do prazo de validade restante, 
não excedendo seis meses” ou “a data de validade não pode exceder 25% do tempo compreendido 
entre a data de fracionamento e da validade � nal do fabricante).
Por exemplo:
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Segue como proceder: 
a) Usar luva (trocar a cada produto que for fracionar), máscara de procedimento e gorro.
b) Usar bandejas plásticas ou de aço, previamente cobertas com compressas esterilizadas.
c) Colocar na bandeja os comprimidos, cápsulas ou drágeas que for reembalar.
d) Usar uma pinça para introduzir o medicamento a ser fracionado na embalagem de 
fracionamento.
e) Realizar o fechamento dos produtos na máquina seladora:
• Identi� cação com etiquetas autocolantes.
• Acondicionamento em quantidades padrão (de acordo com a rotina do serviço).
• Armazenamento ou envio para a dispensação.
2.6 Fracionamento de Medicamentos Líquidos
Para o fracionamento de medicamentos líquidos, pode-se adquirir o dosador oral 
fornecido por vários fabricantes. 
Alerta-se para não se usarem seringas para esse � m. Os dosadores orais apresentam o 
bico maior que o das seringas, e assim ocorre para não permitir a infusão endovenosa desses 
medicamentos. 
A Figura 4 apresenta um modelo de dosador oral, e a Figura 5 apresenta a técnica para 
uso do dosador oral. 
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Figura 4 - Modelo de dosador oral (há disponível com capacidade de volume para 5 mL, 10 mL e 20 mL). Fonte: 
PrimeCirúrgica (2020).
Figura 5 - Técnica para fracionamento de medicamentos líquidos para uso oral, sendo usado dosador oral. Fonte: 
Giromed Cirúrgica (2020).
2.7 Controle de Qualidade
Para o controle de qualidade de medicamentos fracionados, exige-se: 
• Registro de fracionamento.
• Observação pós-reembalagem.
• Supervisão farmacêutica.
• Considerar as Boas Práticas de Fabricação (GMP).
Todas as operações devem estar registradas, devendo-se confeccionar um Livro de 
Registro de Fracionamento, no qual se anotam: descrição completa do produto (nome, dose e 
forma farmacêutica); fabricante, número de lote do fabricante e da farmácia; prazo de validade 
do fabricante e da farmácia; número de unidades fracionadas; nome do funcionário que realizou 
o procedimento; assinatura do farmacêutico responsável. Deve-se guardar uma etiqueta junto 
aos dados registrados. 
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3. MISTURAS INTRAVENOSAS
O preparo de produtos estéreis é importante para o sistema de controle de medicamentos. 
Ao dispensar medicamentos injetáveis, a farmácia tem a responsabilidade de assegurar que todos 
os produtos: (i) são preparados com a composição exata; (ii) têm a terapêutica apropriada ao 
paciente; (iii) são isentos de contaminantes biológicos, tóxicos ou partículas; (iv) são identi� cados 
e dispensados de forma adequada. 
A centralização do preparo de medicamentos intravenosos melhora a qualidade do 
produto � nal, pois observa vários passos de controle, centralizando a responsabilidade pelo 
preparo, controle e dispensação de misturas parenterais, padronizando a rotulagem das soluções 
preparadas e garantindo uma condição ambiental ideal para a manipulação (STORPIRTIS et al., 
2008). 
Tipos de administração intravenosa ou endovenosa: 
a) IV direta (bolus) – administrado com uso de uma seringa conectada ao dispositivo 
de acesso venoso. 
b) infusão intermitente – a solução é administrada por curtos períodos de tempo, 
seguidos de períodos sem infusão. 
c) infusão contínua – a solução é administrada de forma ininterrupta ou gradativa; com 
isso, evitam-se picos de concentração e promove-se a manutenção do acesso venoso.
4. PREPARO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL 
A nutrição parenteral (doravante, NP) consiste na administração via endovenosa de 
todos os nutrientes necessários à sobrevida. 
O Conselho Federal de Farmácia, por meio do Decreto-lei nº 85.878/81 (BRASIL, 1981), 
estabelece normas sobre o exercício da pro� ssão de farmacêutico e delimita que o preparo de 
nutrição parenteral é exclusivo do farmacêutico. Por sua vez, a Resolução nº 247/93 (BRASIL, 
1993) destaca as responsabilidades e atribuições do farmacêutico no preparo de soluções 
parenterais. 
A organização de um serviço para manipulação de nutrição parenteral e medicamentos 
injetáveis está regulamentada pela Portaria MS/ SNVS nº 272/1998 (BRASIL, 1998), que determina 
o Regulamento Técnico para a Terapia de Nutrição Parenteral. 
O preparo de soluções parenterais para uso no suporte nutricional não oferece riscos 
ocupacionais e ambientais, mas, pelo fato de sua via de administração ser a endovenosa, sua 
manipulação exige condições especí� cas e controladas, principalmente, pela necessidade de 
esterilidade, apirogenicidade e ausência de partículas. 
O suporte nutricional é importante para o paciente debilitado, pois oferece ao organismo 
doente condições ótimas ao sucesso da farmacoterapia, das intervenções cirúrgicas e de outros 
recursos terapêuticos. 
O farmacêutico é o responsável pela avaliação da prescrição, manipulação, controle de 
qualidade, conservação e transporte da nutrição parenteral e exige estreito acompanhamento do 
paciente.
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4.1 Definição de Nutrição Parenteral
Segundo a portaria 272, trata-se de
[...] solução ou emulsão, composta basicamente de carboidratos, aminoácidos, 
lipídios, vitaminas e minerais, estéril e apirogênica, acondicionada em recipiente 
de vidro ou plástico, destinada à administração intravenosa em pacientes 
desnutridos ou não, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a 
síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas (BRASIL, 1998).
4.2 Objetivos da Preparação Correta
Minimizar ou eliminar a frequência, a gravidade e o tipo de complicações relacionadas à 
administração, além de garantir a e� cácia, uso e custo e� ciente. 
4.3 Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional 
A nutrição parenteral deve ser indicada, prescrita, preparada e acompanhada por 
membros da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional, composta por médico, farmacêutico, 
enfermagem e nutricionista.
Médico Avalia o paciente e prescreve os tipos e quantidade dos nutrientes requeridos 
pelo paciente de acordo com seu estado mórbido.
Farmacêutico Avalia a prescrição médica; manipula as soluções; 
realiza controle de qualidade; conserva as soluções até o momento da 
administração; responsabiliza-se pelo transporte até chegar ao paciente.
Enfermagem Administra solução preparada no paciente.
Nutricionista Realiza a avaliação das necessidades calóricas do paciente.
Quadro 3 - Competência dos membros da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN). Fonte: A autora.
Para a execução, supervisão e avaliação permanente em todas as etapas da TNP, é condição 
formal e obrigatória a constituição de uma equipe multipro� ssional.
Por se tratar de procedimento realizado em pacientes sob cuidados especiais e para 
garantir a vigilância constante do seu estado nutricional, a EMTN para NP deve ser constituída 
de, pelo menos, 1 (um) pro� ssional de cada categoria, com treinamento especí� co para tal 
atividade, a saber: médico, farmacêutico, enfermeiro e nutricionista.
A EMTN deve possuir um coordenador técnico-administrativo e um coordenador 
clínico, ambos integrantes da equipe e escolhidos pelos seus componentes.
O coordenador técnico-administrativo deve, preferencialmente, possuir título de 
especialista reconhecido na área de Terapia Nutricional.
O coordenador clínico deve ser médico e preencher, pelo menos, um dos critérios a 
seguir relacionados: ser especialista em Terapia Nutricional com título reconhecido ou possuir 
Mestrado, Doutorado ou livre docência em área relacionada à Terapia Nutricional.
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4.4 Complicações Decorrentes do Uso de Nutrição Parenteral 
- Embolia pulmonar ou distress respiratório, relacionado à presença de precipitados de 
fosfato cálcico.
- Erros nos cálculos de concentração e quantidades dos componentes.
- Alterações metabólicas ou eletrolíticas.
- Flebite no acesso venoso devido à osmolaridade da solução. 
- Complicações infecciosas relacionadas à quebra de técnica de assepsia durante a 
preparação.
- Complicações relacionadas à falta/excesso de componente ou perda de estabilidade 
deles no período de conservação.
4.5 Fontes de Contaminação 
- Preparo das soluções.
- Inserções repetidas de cateteres centrais. 
- Uso de cateteres bilaterais ou de múltiplo lúmen. 
- Inabilidade na manutenção de assepsia do sítio de inserção do cateter. 
4.6 Formulações de NP
As formulações de NP podem ser magistrais de alta complexidade devido aos componentes 
usados: aminoácidos, carboidratos, lipídios, eletrólitos, vitaminas e oligoelementos. 
Os componentes da formulação podem ser: 
2:1 - aminoácidos, carboidratos, eletrólitos, vitaminas ou oligoelementos. 
3:1 - aminoácidos, carboidratos, lipídios, eletrólitos, vitaminas ou oligoelementos.
4.7 Responsabilidade do Farmacêutico
- Revisão dos requerimentos prescritos (aporte calórico, volume, macro e micronutrientes): 
está adequado ao paciente? Observar taxas habituais de aporte e requerimento e/ou 
situações especiais.
- Compatibilidade dos componentes. 
4.8 Área de Preparo 
A área de preparo ou manipulação deNP está descrita na Portaria 272/98 (BRASIL, 1998). 
A farmácia destinada à preparação de NP deve ser localizada, projetada e construída de forma a 
se adequar às operações desenvolvidas e a assegurar a qualidade das preparações, possuindo, no 
mínimo, os seguintes ambientes:
a) Área de manipulação ou de insumos.
b) Sala de higienização dos produtos farmacêuticos e correlatos.
c) Sala de manipulação.
d) Vestiários.
e) Área de armazenamento.
f) Área de dispensação.
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A área física de todas as áreas apresentadas deve atender às seguintes especi� cações: as 
portas e as superfícies de todas as áreas apresentadas devem ser projetadas para permitir completa 
limpeza. As superfícies de todo o local devem ser lisas e impermeáveis para evitar acúmulo de 
partículas e micro-organismos, apresentando revestimento de material resistente aos agentes 
sanitizantes e com cantos arredondados. Exige-se proteção para evitar contaminações por micro-
organismos, insetos ou aves e não pode apresentar tubulações aparentes.
a) Área de manipulação ou de insumos: deve ter dimensões que facilitem, ao máximo, 
a limpeza, a manutenção e as operações. Nesse local, é realizada a higienização dos 
medicamentos, correlatos e descarte das embalagens dos materiais usados na manipulação.
Essa área deve ser contígua à área de manipulação da NP, com passagem de dupla porta 
para a entrada dos materiais usados na manipulação ou para a saída dos produtos 
preparados, garantindo condições de segurança e não contaminação.
b) Sala de manipulação: o acesso só é permitido aos manipuladores e deve ser feito 
exclusivamente por meio de antecâmara ou vestiário de barreira. Deve ser independente 
e exclusivo para esse processo, dotado de pressão positiva e com � ltros de ar para retenção 
de partículas e micro-organismos, garantindo-se os graus recomendados. 
Dessa área, exige-se controle do nível de contaminação ambiental do ar, seguindo 
procedimento escrito e com registros dos resultados.
c) Vestiários ou antecâmaras: devem ser em forma de câmaras fechadas, apresentando, 
de preferência, dois ambientes para mudança de roupa. Devem ser ventilados, dotados de 
ar � ltrado com pressão inferior à da área de manipulação e superior à da área externa. As 
portas devem apresentar um sistema de travas e de alerta visual e/ou auditivo para evitar 
a abertura simultânea das duas portas. Os lavatórios devem ter provisão de antisséptico, 
e as torneiras devem ter comandos para uso sem contato das mãos e com recurso para a 
secagem delas.
d) Área de armazenamento: deve assegurar a estocagem ordenada de produtos 
farmacêuticos, correlatos e materiais de embalagem.
A conservação da NP pronta para transporte deve atender às condições estabelecidas 
no item Conservação e transporte e ter asseguradas as condições exigidas, mediante 
veri� cações e monitoração devidamente registradas.
No caso de soluções fornecidas por terceiros, recomenda-se fazer uma checklist de 
controle dos parâmetros avaliados, cujos registros devem ser mantidos em arquivo por 
cinco anos. 
e) Área de dispensação e controle de qualidade: usada para garantir a correta dispensação 
da NP conforme as exigências do sistema adotado. É o local onde se realizam atividades 
de inspeção � nal e acondicionamento da NP para transporte.
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4.9 Equipamentos 
Os equipamentos usados no preparo de soluções injetáveis devem garantir a 
apirogenicidade e a esterilidade do produto � nal preparado. Para isso, a tecnovigilância exige que: 
- Os equipamentos devem ser localizados, projetados, instalados, adaptados e mantidos de 
forma a estarem adequados às operações a serem realizadas. Devem visar à minimização 
dos riscos de erro e permitir que os mesmos sejam efetivamente limpos e assim mantidos 
para evitar a contaminação cruzada e a presença de partículas em virtude de poeiras ou 
sujidade. 
- Os equipamentos de lavagem e limpeza devem ser escolhidos e utilizados de forma que 
não constituam fontes de contaminação.
- Elabore-se plano de limpeza e controle de funcionamento do � uxo de ar e dos 
equipamentos que estiverem em uso. A limpeza deve ser realizada antes e depois do uso. 
- Os equipamentos devem ser validados e periodicamente veri� cados e calibrados 
conforme especi� cações e procedimentos escritos e devidamente registrados. Essa 
veri� cação deve ser feita por pessoal treinado, empregando-se procedimentos escritos, 
com orientação especí� ca e limites de tolerância de� nidos.
A periodicidade da calibração deve ser estipulada em função da frequência de uso do 
equipamento e dos registros das veri� cações desses equipamentos. As etiquetas com datas 
referentes à última e à calibração seguinte devem estar a� xadas no equipamento.
A calibração dos equipamentos só deve ser executada por pessoal capacitado, utilizando 
padrões rastreáveis à Rede Brasileira de Calibração, com procedimentos reconhecidos 
o� cialmente, no mínimo, uma vez ao ano. 
Exige-se que todos os equipamentos devem ser submetidos à manutenção preventiva (de 
acordo com um programa formal) e corretiva quando necessário, obedecendo a procedimentos 
operacionais escritos com base nas especi� cações dos manuais dos fabricantes. O pro� ssional 
responsável pelo setor deve manter registros das manutenções preventivas e corretivas realizadas 
e deixá-las à disposição dos órgãos o� ciais para eventual averiguação. 
É recomendável que o sistema de � ltração de ar do � uxo laminar não seja desligado 
ao término do trabalho, a menos que, após a sua parada, sejam providenciadas a limpeza e a 
desinfecção do gabinete, devendo, daí, o equipamento permanecer ligado por um período de, no 
mínimo, 1 hora antes do início do trabalho de manipulação.
4.10 Limpeza e Desinfecção
Programas e procedimentos operacionais de limpeza e desinfecção das áreas, instalações, 
equipamentos e materiais devem estar disponíveis ao pessoal responsável e operacional.
Os produtos usados na limpeza e desinfecção não devem se contaminar com substâncias 
tóxicas, químicas, voláteis e corrosivas às instalações e aos equipamentos de manipulação.
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4.11 Mobiliário
Na área de manipulação, o mobiliário deve conter o mínimo e estritamente necessário, 
além de dever ser construído com material liso, impermeável, facilmente lavável, que não libere 
partículas e que seja passível de desinfecção. 
4.12 Etapas do Preparo
O farmacêutico é o responsável pela preparação da NP. A preparação da NP (que envolve 
a avaliação farmacêutica da prescrição, a manipulação, o controle de qualidade, a conservação 
e o transporte da NP) exige responsabilidade e supervisão direta do farmacêutico, devendo ser 
realizada, obrigatoriamente, na farmácia habilitada para esse � m especí� co. 
A avaliação farmacêutica da prescrição da NP quanto à sua adequação (concentração, 
compatibilidade físico-química de seus componentes e dosagem de administração) deve ser 
realizada pelo farmacêutico antes do início da manipulação. Qualquer alteração na prescrição 
que se � zer necessária em função da avaliação farmacêutica deve ser discutida com o médico da 
equipe, que é o responsável por sua alteração formal.
Os produtos farmacêuticos e correlatos adquiridos para o preparo da NP devem ser 
registrados no Ministério da Saúde e acompanhados do Certi� cado de Análise emitido pelo 
fabricante, garantindo a sua pureza físico-química e microbiológica bem como o atendimento às 
especi� cações estabelecidas. 
Os produtos farmacêuticos produzidos devem atender às Normas de Boas Práticas de 
Fabricação de Soluções Parenterais de Grande Volume e/ou de Produtos Farmacêuticos.
Os produtos farmacêuticos e correlatos para preparação da NP devem ser previamente 
tratados para garantira sua assepsia externa e inspecionados visualmente quanto à presença de 
partículas.
A manipulação da NP deve ser realizada em área classi� cada como de grau A ou B (classe 
100), circundada por área de grau B ou C (classe 10.000) de acordo com as Boas Práticas para 
Fabricação e Controle de Produtos Farmacêuticos.
A manipulação da NP deve ser realizada com técnica asséptica, seguindo-se procedimentos 
escritos e validados.
A formulação padronizada de NP deve ter estudos de estabilidade previamente realizados 
para de� nir seu prazo de validade. A formulação padronizada adicionada de qualquer outro 
produto por expressa prescrição médica transforma-se em uma preparação extemporânea.
A NP deve ser acondicionada em recipiente atóxico, apirogênico e compatível físico-
quimicamente com a composição do seu conteúdo. O recipiente deve manter a esterilidade e 
apirogenicidade do seu conteúdo durante a conservação, transporte e administração e deve ter 
registro no Ministério da Saúde.
A NP deve ser rotulada com identi� cação clara do nome do paciente, composição e 
demais informações legais e especí� cas, tanto para a segurança de sua utilização como para a 
garantia da possibilidade de seu rastreamento.
Após a manipulação, a NP deve ser submetida à inspeção visual para que se veri� quem a 
ausência de partículas, precipitações, separação de fases e alterações de cor. Ademais, devem ser 
veri� cadas a clareza e a exatidão das informações do rótulo.
De cada NP preparada, devem ser reservadas amostras para avaliação microbiológica 
laboratorial e contraprova. A conservação deve-se dar sob refrigeração de 2º C a 8º C durante 7 
dias após o seu prazo de validade.
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4.13 Prescrição
Deve ser diária. Não se deve aceitar transcrição, pois isso aumenta o risco de erros. 
Sempre se deve comparar com a prescrição do dia anterior. Recomenda-se impresso próprio 
para a prescrição de NP ou que seja informatizada.
4.14 Materiais Necessários 
- Equipos de transferência adaptados à bolsa selecionada.
- Bolsa � nal da NP - usar bolsas de EVA (menor permeabilidade ao oxigênio). - Capa 
fotoprotetora para soluções com vitaminas. 
- Seringas e agulhas (eletrólitos, vitaminas e oligoelementos). 
- Equipo de infusão de acordo com a bolsa.
4.15 Local
Cabine de � uxo laminar classe 100. Deve-se cuidar para que não ocorra contaminação 
por corrente de ar ou por movimentos durante a manipulação.
4.16 Controle de Qualidade
No controle de qualidade, realizam-se os controles visual, gravimétrico, físico-químico e 
microbiológico.
- Controle visual: usar luz para visualizar a presença de partículas brancas ou pretas na 
solução.
- Controle gravimétrico: avaliar o peso � nal da bolsa, pois cada elemento tem um peso. 
- Controle físico-químico: medir a concentração � nal de glicose em amostras aleatórias. 
- Controle microbiológico: tirar alíquotas de amostra e fazer controle (bactérias e fungos). 
50 ml em Agar sangue e fazer controle da capela, da área de preparo e do manipulador.
4.17 Identificação
As etiquetas devem conter:
• Identi� cação do paciente: nome, atendimento, setor e leito. 
• Identi� cação da composição da nutrição: conteúdo calórico, volume total.
• Conteúdo de cada um dos componentes-base (aminoácidos, glicose, lipídios) – gramas 
ou volume � nal. 
• Conteúdo de cada um dos aditivos: eletrólitos (mEq), indicando os cátions (Na) e ânions 
(Cl). 
• Polivitaminas: volume usado. 
• Oligoelementos: volume usado. 
• Via de administração. 
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• Velocidade de administração. 
• Data de administração e validade. 
• Condições de conservação até à administração.
4.18 Conservação
Imediatamente após o preparo e durante todo e qualquer transporte, a NP deve ser 
mantida sob refrigeração (2ºC a 8ºC), exceto nos casos de administração imediata.
4.19 Informe de Atividades
Re� etir a carga de trabalho e as características das nutrições elaboradas. Elaborar 
indicadores de produção para apresentar à che� a imediata.
4.20 Administração
A NP deve ser retirada da geladeira 2 horas antes da administração, e a enfermagem deve 
ser orientada para aguardar que a solução atinja a temperatura ambiente antes de administrá-la. A 
bolsa deve ser homogeneizada e protegida da luz (principalmente se contiver vitaminas) durante 
a administração. O tempo máximo para administração da solução prescrita é de 24 horas. 
5. PREPARO DE MEDICAMENTOS ANTINEOPLÁSICOS
Em Oncologia, o farmacêutico é o principal instrumento para a qualidade da 
farmacoterapia. Suas atribuições excedem a simples dispensação da prescrição médica ou a 
manipulação propriamente dita (ANDRADE, 2009).
 Desde a década de 1990, o Conselho Federal de Farmácia, por meio da Resolução 
288/96 (BRASIL, 1996), estabeleceu como função privativa do farmacêutico a manipulação de 
medicamentos citotóxicos. 
Em 1998, a Portaria nº 3535/98, do Ministério da Saúde (BRASIL, 1998), determina que 
todo serviço de alta complexidade no tratamento do câncer, cadastrado pelo Sistema Único de 
Saúde (SUS), deve contar com farmacêutico para a manipulação de quimioterápicos. Em 2004, 
a ANVISA publicou a Resolução 220/04 (BRASIL, 2004), que regulamenta, a nível nacional, o 
funcionamento dos serviços de terapia antineoplásica, instituindo a equipe multidisciplinar em 
terapia antineoplásica (doravante, EMTA). 
Na atualidade, a qualidade da assistência em oncologia se baseia na multidisciplinaridade. 
A EMTA deve ser composta pelos seguintes pro� ssionais: médico oncologista, médico 
hematologista, cirurgião oncológico, enfermeiro, farmacêutico, nutricionista, psicólogo, 
assistente social e � sioterapeuta. 
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5.1 Riscos no Preparo de Drogas Citostáticas
As drogas citostáticas possuem potencial carcinogênico, mutagênico e/ou teratogênico. 
Podem contaminar o manipulador por contato direto (irritação de pele, olhos e mucosas), 
ulceração e necrose de tecidos (drogas vesicantes). 
O manuseio correto dessas drogas tem como objetivo prevenir e/ou minimizar os riscos 
envolvidos no manuseio das drogas citostáticas. Os riscos de exposição na manipulação podem 
ocorrer pela geração de aerossóis, derrames e contaminações.
No preparo, os riscos de exposição podem ocorrer na retirada de solução do frasco-
ampola, na reconstituição do medicamento, na abertura de ampolas e na retirada de ar da seringa 
que contém o medicamento. 
Figura 6 - Fontes de contaminação no preparo de drogas citostáticas. Fonte: A autora.
5.2 Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
A exposição dos pro� ssionais envolvidos nas diversas fases da terapia antineoplásica pode 
ser controlada com a correta utilização dos equipamentos e EPIs disponíveis. Mesmo com o uso 
correto de EPIs, o pessoal envolvido na manipulação deve ser submetido a avaliações médicas. 
Recomendam-se os seguintes EPIs: 
- Vestimenta (macacão ou avental) confeccionada em material impermeável, fechada na 
frente, com mangas longas e punhos elásticos. 
- Botas plásticas com solado antiderrapante ou propés de plástico.
- Óculos de proteção panorâmica. 
- Respirador com � ltro classe P3 (alta e� ciência). 
- Luvas de látex isentas de talco (powder free) – 2 pares sobrepostos.
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5.3 Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) 
- Capela de � uxo laminar classe II, tipo B2 (apresenta � uxo unidirecional vertical, 100% 
de exaustão externa do ar e 0% de recirculação interna do ar).
- Lava-olhos (pode ser substituído por solução � siológica a 0,9%), contanto que se 
manuseie o acidente como queimadura química (irrigação contínua por, no mínimo, 15 
minutos e procurar ajuda médica o mais rápido possível). 
- Coletor rígidopara resíduos (caracterizado pela NT de 1/09/99). 
5.4 Controle de Exposição
Os pro� ssionais devem observar: 
• Condições de preparo com uso de técnica adequada, uso de cabine de segurança biológica 
e EPIs. 
• Toda a cadeia de processos, desde o armazenamento, recebimento, transporte, 
manipulação propriamente dita, dispensação, administração, geração e descarte de 
resíduos de produtos até medidas em caso de derramamento e extravasamento. 
• Correta utilização das informações inerentes aos medicamentos utilizados e sua 
adequação às condições terapêuticas. 
5.5 Tratamento de Resíduos Citostáticos 
Devem ser descartados como lixo químico, o que deve ser feito por empresa autorizada 
e especializada. 
5.6 Recomendações Específicas 
• A central de preparo de quimioterapia deve ser de acesso restrito ao pessoal responsável 
pela manipulação. 
• Proibido beber, comer e aplicar cosméticos. 
6. PREPARO DE RADIOFÁRMACOS 
A radiofarmácia é o ramo da ciência farmacêutica que se ocupa da pesquisa e 
desenvolvimento, produção, controle de qualidade, garantia da qualidade e demais aspectos 
relacionados aos radiofármacos (CRF/SP, 2019). 
Os radiofármacos são compostos que têm em sua composição um radionuclídeo, mas 
sem ação farmacológica. São usados em Medicina Nuclear para diagnóstico e terapia de várias 
doenças (EUROPEAN PHARMACOPEIA, 2005). 
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As características físico-químicas do radiofármaco determinam a sua farmacocinética, 
ou seja, a sua � xação no órgão-alvo, metabolização e eliminação do organismo. As características 
físicas do radionuclídeo determinam a aplicação do composto em diagnóstico ou terapia 
(OLIVEIRA et al., 2006).
As preparações radiofarmacêuticas são empregadas na prática de Medicina Nuclear em 
exames de diagnóstico e em terapêutica. Devem, por isso, reunir uma série de características 
para assegurar que as doses de radiação que o paciente recebe sejam as mínimas possíveis e que 
o resultado obtido seja o esperado (OLIVEIRA et al., 2006).
Com o objetivo de proteger a saúde dos pacientes, dos pro� ssionais envolvidos e da 
comunidade, os Serviços de Medicina Nuclear devem atender aos requisitos e parâmetros de 
instalação e funcionamento estabelecidos pela RDC ANVISA nº 38/2008. 
O Conselho Federal de Farmácia, por meio da Resolução CFF nº 486/2008, dispõe sobre 
as atribuições do farmacêutico na área de radiofarmácia. O farmacêutico é responsável pela: 
a) aquisição e controle de insumos.
b) preparação e fracionamento de doses. 
c) marcação com radioisótopos de gerador ou precursores.
d) marcação de células sanguíneas e controle de qualidade em ambiente hospitalar. 
As áreas de manipulação de materiais radioativos devem ser projetadas levando em 
consideração os aspectos relacionados à radioproteção, condições de limpeza e esterilidade. Os 
requisitos mínimos para a manipulação de radiofármacos são estabelecidos pela RDC ANVISA 
nº 63/2009 (BRASIL, 2009). 
Uma das recomendações mais usadas em todo o mundo para reduzir erros e pos-
síveis danos ao paciente na administração de medicamentos é adotar os Cinco 
Certos da Administração de Medicamentos: 
1. Paciente certo: garantir que o paciente a ser medicado é o correto – verifi car a 
pulseira de identifi cação obrigatória a todo paciente internado.
2. Medicamento certo: certifi car-se de que a medicação é a certa para aquele 
paciente.
3. Via certa: oral, sublingual, tópica etc. Enfi m, confi rmar o uso correto do medi-
camento.
4. Dose certa: evitar superdosagem ou infradosagem, acertando a dose indicada.
5. Hora certa: aplicar o medicamento nos horários previstos.
Indica-se que conhecer os 5 certos e implantar sistemas e procedimentos para se 
atingi-los é mais barato e vantajoso para os hospitais do que administrar os preju-
ízos causados por algum tipo de falha nessas condutas.
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Diante do que foi apresentado, cabe garantir que o preparo de medicamentos é 
um procedimento complexo, que exige conhecimentos específi cos. 
Na atualidade, na maioria dos estabelecimentos de saúde, esse procedimento é 
considerado como rotina de enfermagem por ser considerado uma tarefa simples, 
sendo atribuído, indistintamente, a auxiliares, técnicos ou enfermeiros.
Tal visão sobrecarrega a enfermagem, pois, além de se prestarem atenção e cui-
dado ao paciente e ao corpo clínico, somam-se às atividades de preparo de me-
dicamentos, o que pode fazer com que nem todos os itens de preparo sejam ob-
servados. 
A gestão voltada à segurança do paciente tem percebido que o manejo inade-
quado de medicamentos compromete sua qualidade, com consequências para o 
atendimento e para a resolução dos problemas de saúde da população.
1. O preparo de NP é uma área de atuação exclusiva de 
farmacêuticos. Para ampliar sua visão sobre o tema, sugerimos 
ler o encarte da revista Pharmacia Brasileira, do Conselho 
Federal de Farmácia: Nutrição Parenteral Total – da produção 
à administração, disponível no link <http://www.cff.org.br/
sistemas/geral/revista/pdf/122/encarte_farmAcia_hospitalar_
pb72.pdf>
2. Além da sugestão anterior, o encarte Farmacêutico em Oncologia: interfaces 
administrativas e clínicas, também do Conselho Federal de Farmácia, discute a 
Oncologia no âmbito farmacêutico. 
3. Por último, para ter uma noção sobre radiofármacos, sugerimos 
acessar o artigo:
OLIVEIRA, R. et al. Preparações radiofarmacêuticas e suas 
aplicações. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, São 
Paulo, v. 42, n. 2, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S1516-93322006000200002&lng=e
n&nrm=iso>
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Os temas abordados nesta Unidade III são muito importantes e muito cobrados 
em concursos. Por isso, tem-se vasto material sobre os temas. Sugerimos os 
elencados a seguir, que vêm com seus respectivos links. 
a) Sobre sistema informatizado para fracionamento de 
medicamentos sólidos, acesse <https://www.youtube.com/
watch?v=Afz0gtZeGTs>
b) Sobre sistema informatizado para reembalagem de 
medicamentos, acesse <https://www.youtube.com/watch?v=gyK_
Q71hY4s&t=45s>
c) Sobre como realizar o fracionamento de medicamento líquido, 
acesse <https://www.youtube.com/watch?v=Zoy3uuYi6ms>
d) Sobre a atuação do farmacêutico na Oncologia, acesse <https://
www.youtube.com/watch?v=ihtgGys1n5U>
e) E sobre o preparo de quimioterápicos, acesse a parte 1 em 
<https://www.youtube.com/watch?v=QgefrO63sw0> e a parte 2 em 
<https://www.youtube.com/watch?v=M34Ql6ubh38>
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Na atualidade, a segurança do paciente tem sido debatida no âmbito mundial e tem 
recebido várias interpretações, dentre as quais a de que segurança consiste na redução do risco e 
danos desnecessários até um mínimo aceitável, associados à assistência em saúde. 
Para garantir a qualidade dos medicamentos injetáveis, alguns detalhes devem ser 
observados: na reconstituição/diluição de medicamentos, deve-se veri� car o prazo de estabilidade 
pós-reconstituição/diluição. 
O preparo de medicamentos pela enfermagem pode comprometer sua qualidade, pois 
tal ato, quando realizado na unidade de enfermagem, pode-se dar sem as condições de atenção, 
avaliação das especi� cidades de cada droga, condições ambientais de esterilidade, entre outros 
interferentes. Devido aos horários padrões e à adequação ao número elevado de tarefas que os 
enfermeiros desempenham, pode ser que eles preparem o medicamento com muita antecedência 
com relação ao horário em que será administrado ou pode ser que preparem os medicamentos 
sem observarem os protocolos de diluição. Esses são aspectos que di� cultam a prevenção do erro 
e a garantiada segurança na terapia medicamentosa. A e� cácia terapêutica, dessa forma, � ca 
comprometida. 
Diante dessa realidade, propõe-se que a Farmácia Hospitalar assuma o preparo de 
medicamentos para que se forneçam as doses unitárias de acordo com o prescrito para cada 
paciente. 
Como vantagem, obtém-se o uso racional de medicamentos, promove-se a e� cácia da 
terapêutica, minimizam-se erros no preparo e padronizam-se procedimentos de preparo.
Salientamos que o preparo oferece vantagens assistenciais na medida em que minimiza 
os riscos de efeitos adversos e aumenta a participação do farmacêutico na terapia do paciente, 
integrando-o à equipe assistencial. Isso sem levar em conta as vantagens econômicas pela 
otimização do uso de recursos materiais e de pessoal e por tornar o sistema de informação de 
consumo de medicamentos mais real no aprazamento das contas hospitalares. 
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UNIDADE
04
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 78
1. ATIVIDADES CLÍNICAS DA FARMÁCIA COM FOCO NO PACIENTE .................................................................. 79
1.1 FARMÁCIA CLÍNICA ............................................................................................................................................ 79
1.2 ATENÇÃO FARMACÊUTICA ................................................................................................................................ 79
1.3 SEGUIMENTO FARMACOTERAPÊUTICO ..........................................................................................................80
1.4 FARMACOVIGILÂNCIA .......................................................................................................................................80
1.5 ASSISTÊNCIA DOMICILIAR (HOME CARE) ....................................................................................................80
2. CONCILIAÇÃO DE MEDICAMENTOS OU CONCILIAÇÃO FARMACÊUTICA .....................................................80
3. USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS ............................................................................................................... 81
3.1 USO RACIONAL DE ANTIMICROBIANOS ......................................................................................................... 82
3.1.1 CAUSAS DO USO INADEQUADO DE ANTIMICROBIANOS ........................................................................... 82
AÇÕES PARA O CUIDADO E 
SEGURANÇA DO PACIENTE
PROF.A MA. JANETE LANE AMADEI
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FARMÁRCIA HOSPITALAR E GESTÃO
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3.1.2 COMO INSTITUIR POLÍTICA DE USO RACIONAL DE ANTIMICROBIANOS? ............................................. 83
3.1.3 TÉCNICAS DE RACIONALIZAÇÃO DO USO DE ANTIMICROBIANOS ......................................................... 83
4. SEGURANÇA DO PACIENTE ...............................................................................................................................84
4.1 PAPEL DO FARMACÊUTICO NA PRÁTICA DE SEGURANÇA DO PACIENTE .................................................84
5. ERROS DE MEDICAÇÃO ......................................................................................................................................85
5.1 TIPOS DE ERROS DE MEDICAÇÃO ...................................................................................................................85
5.1.1 ERROS DE PRESCRIÇÃO ................................................................................................................................85
5.1.2 ERROS DE DISPENSAÇÃO .............................................................................................................................86
5.1.3 ERROS DE OMISSÃO .......................................................................................................................................86
5.1.4 OUTROS ERROS .............................................................................................................................................86
6. CUIDADO FARMACÊUTICO E SEGURANÇA DO PACIENTE ............................................................................. 87
6.1 O PAPEL DO FARMACÊUTICO NO CUIDADO DO PACIENTE .......................................................................... 87
6.2 ASPECTOS LEGAIS E ECONÔMICOS DO CUIDADO FARMACÊUTICO ..........................................................88
7. O FARMACÊUTICO E O CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (IH) ............................................................89
7.1 CONCEITOS BÁSICOS PARA O CONTROLE DE INFECÇÃO .............................................................................90
7.2 CONCEITO DE INFECÇÃO HOSPITALAR ......................................................................................................... 91
7.3 VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DAS IH ........................................................................................................... 91
7.4 CONTROLE DE IH .............................................................................................................................................. 91
8. SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS E TECNOLOGIAS EM SAÚDE - PAPEL DO 
FARMACÊUTICO NA INFORMÁTICA DO HOSPITAL ............................................................................................. 92
9. ENSINO, PESQUISA E EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE ....................................................................... 93
CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 95
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INTRODUÇÃO
O aumento das atividades clínicas do farmacêutico ocorreu por dois motivos: 
primeiramente, o fenômeno da transição demográ� ca e epidemiológica observado na sociedade 
e a polimedicação decorrente dessa longevidade exigem atenção de um pro� ssional especializado; 
em segundo lugar, a morbimortalidade relativa às doenças e agravos não transmissíveis e à 
farmacoterapia é crescente e apresenta repercussão no volume de atendimentos e nos custos do 
sistema de saúde. 
Na atualidade, o farmacêutico atua no cuidado direto ao paciente ao promover o uso 
racional de medicamentos e das tecnologias em saúde. Essa nova realidade rede� ne a prática 
farmacêutica, partindo das necessidades dos pacientes, família, cuidadores e sociedade.
Essa prática acontece em hospitais, ambulatórios, unidades de atenção primária à saúde, 
farmácias comunitárias, instituições de longa permanência, domicílios, dentre outros.
Esse contexto resgatou o farmacêutico como assistente de saúde, pois a atuação clínica 
reaproxima-o do paciente e dos processos decisórios da terapia medicamentosa e da equipe 
multidisciplinar. 
Nesta Unidade IV, discutiremos as atividades clínicas e as ações desenvolvidas por 
farmacêuticos hospitalares no cuidado farmacêutico com foco na segurança do paciente – 
atividades clínicas, conciliação medicamentosa, uso racional de medicamentos e antimicrobianos, 
segurança do paciente, erros de medicação e cuidado farmacêutico. 
Finalizamos com o papel do farmacêutico na informática e na educação continuada. 
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1. ATIVIDADES CLÍNICAS DA FARMÁCIA COM FOCO NO PACIENTE
Na atualidade, além das atividades logísticas - seleção, aquisição, armazenamento, 
controle de estoque e distribuição, que garantem o acesso aos medicamentos prescritos –, 
a Farmácia Hospitalar também desempenha atividades clínicas para possibilitar a prática e o 
uso racional de medicamentos. Dentre as atividades clínicas, destacam-se a farmácia clínica, a 
atenção farmacêutica, o seguimento farmacoterapêutico e a farmacovigilância(SILVA, 2012). 
1.1 Farmácia Clínica
Segundo o Comitê de Farmácia Clínica da Associação Americana de Farmacêuticos 
Hospitalares, essa área pode ser de� nida como
A ciência da saúde cuja responsabilidade é assegurar, mediante aplicação de 
conhecimentos e funções, que o uso do medicamento seja seguro e apropriado, 
necessitando, portanto, de educação especializada e interpretação de dados, 
motivação pelo paciente e interação multipro� ssional (CRF/SP, 2019).
Para exercer a farmácia clínica, o farmacêutico precisa conhecer conteúdos especí� cos, 
fazer interpretação de dados, ter motivação pelo paciente e interação multipro� ssional. 
São requisitos para implantação e sucesso da farmácia clínica no hospital: 
- gestão com a visão de que o farmacêutico contribui para o uso racional de medicamentos 
e evita riscos e danos ao paciente.
- serviço de farmácia bem estruturado e com processos seguros nas atividades de seleção, 
aquisição, armazenamento, controle e distribuição dos medicamentos. 
- sistema e� ciente de distribuição de medicamentos, que garanta o acesso dos pacientes 
ao medicamento no horário, dose, via e intervalos corretos. 
1.2 Atenção Farmacêutica
A atenção farmacêutica pode ser desenvolvida em qualquer nível de atenção de saúde. 
É de� nida, pelo Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica (OPAS, 2002), como um modelo 
de prática farmacêutica, desenvolvido no contexto da assistência farmacêutica. Compreende 
atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e corresponsabilidades na 
prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde de forma integrada à equipe de saúde.
Essa interação deve envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitadas as suas 
especi� cidades biopsicossociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde. Ocorre por 
interação direta do farmacêutico com o usuário, visando a uma farmacoterapia racional e à 
obtenção de resultados de� nidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. 
São atividades da atenção farmacêutica: a educação em saúde; a promoção do uso racional 
de medicamentos; a orientação farmacêutica; a dispensação de medicamentos; a entrevista 
farmacêutica; o seguimento e acompanhamento farmacoterapêuticos; o registro das atividades e 
a avaliação dos resultados. Atua na adesão a medicamentos e na detecção de eventuais problemas 
relacionados aos medicamentos durante o tratamento. 
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1.3 Seguimento Farmacoterapêutico
 É o suporte das atividades da farmácia clínica e da atenção farmacêutica. Nesse processo, 
o farmacêutico é responsável pelas necessidades do paciente relacionadas ao medicamento 
por meio da detecção, promoção e resolução de problemas. Deve ser sistemático e contínuo, 
realizado com a colaboração do paciente e/ou cuidador, juntamente com os pro� ssionais de 
saúde envolvidos no cuidado.
1.4 Farmacovigilância
É a ciência relativa à detecção, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos 
ou outros problemas relacionados aos medicamentos - queixas técnicas, erros de medicação, 
interações medicamentosas, reações adversas a medicamentos e uso o� -label.
1.5 Assistência Domiciliar (Home Care) 
As atribuições do farmacêutico na assistência domiciliar são regulamentadas pela 
Resolução nº 386/2002 do CFF. Nesse serviço, o farmacêutico: (i) presta orientações para o uso, 
indicações, interações (medicamentosas e/ou alimentares), efeitos colaterais, medicamentos 
via sondas (enterais e nasoenterais), guarda, administração e descarte de medicamentos para a 
equipe multidisciplinar e para o paciente e seus familiares; e (ii) gerencia o armazenamento para 
garantir que o medicamento e os produtos para a saúde cheguem ao domicílio do paciente de 
forma segura e com qualidade (OPAS, 2002). 
2. CONCILIAÇÃO DE MEDICAMENTOS OU CONCILIAÇÃO 
FARMACÊUTICA
A conciliação de medicamentos tem demonstrado grande impacto na prevenção de 
eventos adversos relacionados aos medicamentos.
É um procedimento de revisão da terapia medicamentosa, usado pelo paciente como 
meio efetivo de obter o máximo de benefício de seus medicamentos, identi� cando os problemas 
relacionados a eles e reduzindo o desperdício. É um método desenvolvido para racionalizar o uso 
de medicamentos e tem como objetivo diminuir a ocorrência de erros de medicação quando o 
paciente muda de nível de assistência à saúde (internação em unidade hospitalar; transferência 
dentro do hospital para outro setor ou clínica ou para outra unidade; alta hospitalar; atendimento 
ambulatorial).
A proposta da conciliação é evitar ou minimizar erros de transcrição, omissão, duplicidade 
de terapia e interações medicamentosas.
O processo consiste na obtenção de uma lista completa dos medicamentos que o paciente 
está utilizando, incluindo os não prescritos ou provenientes de terapias alternativas, comparando 
com aqueles prescritos durante as consultas ambulatoriais, a admissão hospitalar, as transferências 
ou na alta hospitalar.
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3. USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS 
Para a OMS, o uso racional de medicamentos (doravante, URM) ocorre quando pacientes 
recebem os medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às 
suas necessidades individuais, por um período adequado e pelo menor custo para si e para a 
comunidade. É considerado um dos elementos-chave recomendados pela OMS para as políticas 
de medicamentos. 
A Política Nacional de Medicamentos (PNM) do Brasil (BRASIL, 1998) foi aprovada pela 
Portaria do Ministério da Saúde n° 3.916, em 30 de outubro de 1998, com o objetivo de garantir as 
necessárias segurança, e� cácia e qualidade do medicamento, além da promoção do uso racional e 
do acesso da população aos medicamentos considerados essenciais. 
A PNM de� ne o uso racional de medicamentos como 
[...] o processo que compreende a prescrição apropriada; a disponibilidade 
oportuna e a preços acessíveis; a dispensação em condições adequadas; e 
o consumo nas doses indicadas, nos intervalos de� nidos e no período de 
tempo indicado de medicamentos e� cazes, seguros e de qualidade (ESHER; 
COUTINHO, 2017). 
Os motivos para o uso não racional de medicamentos são: 
- Compulsão pelo uso de medicamentos.
- “Necessidade” de prescrever algo.
- Comodidade e sensação de “dever cumprido” por parte do prescritor (“atende às 
necessidades” de pacientes crônicos ou poliqueixosos).
- Expectativas, crenças e fantasias de prescritores, consumidores e dispensadores a 
respeito dos medicamentos.
- Desconhecimento dos aspectos farmacológico-clínicos que embasam a prescrição.
- Publicidade da indústria farmacêutica.
Por conseguinte, as consequências do uso não racional de medicamentos são: 
- Progressão da patologia.
- Latrogenia.
- Aumento da incidência de efeitos adversos por uso inadequado de doses, vias, intervalos 
de administração e/ou tempo de tratamento.
- Aumento do tempo de tratamento.
- Aumento dos custos.
- Não adesão do paciente ao tratamento e, portanto, insucesso terapêutico.
No entanto, há estratégias para o uso racional de medicamentos, quais sejam: 
- Estimular o uso de medicamentos essenciais, que são aqueles que servem para atender 
às necessidades de assistência à saúde da maioria da população. Devem estar disponíveis 
a todo momento, nas quantidades adequadas e nas formas farmacêuticas requeridas. 
- Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas.
- Regulamentação da publicidade e propaganda dos medicamentos.
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- Promover o acesso aos medicamentos por meio da disponibilidade (tipo de produto, 
quantitativo e tipo de serviço necessário e ofertado), acessibilidade geográ� ca (localização 
de serviço e do usuário), aceitabilidade (expectativa do usuário e características reais 
do produto),capacidade aquisitiva (preço x capacidade de pagamento), qualidade de 
produtos e serviços. 
3.1 Uso Racional de Antimicrobianos
Antimicrobianos são substâncias naturais ou sintéticas que agem sobre micro-organismos, 
inibindo o seu crescimento ou causando a sua destruição. 
A abordagem para o URM no Brasil iniciou-se pelo Ministério da Saúde, o qual, por 
meio da Portaria 930/1992, estabeleceu a obrigatoriedade do Programa de Racionalização de 
Antimicrobianos dentro das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar. 
3.1.1 Causas do uso inadequado de antimicrobianos 
- Decisão incorreta de que o paciente possui infecção clínica.
- Falta de assessoramento do laboratório de microbiologia ou interpretação errônea do 
antibiograma.
- Falta de conhecimento dos patógenos prevalentes nas diversas síndromes infecciosas.
- Desconhecimento do padrão de sensibilidade atualizado dos patógenos encontrados na 
comunidade.
- Ignorância das propriedades farmacocinéticas dos antimicrobianos.
- Autossu� ciência dos conhecimentos médicos no diagnóstico e tratamento das doenças 
infecciosas.
- Crença de que “se pode fazer algum bem, é improvável que cause danos”.
- Uso de antimicrobianos de amplo espectro ao invés de drogas de menor espectro, com 
igual ou maior efetividade.
- Uso por tempo prolongado.
- Tratamento por via intravenosa quando, na verdade, a via oral é igualmente e� caz.
- Uso de combinação de drogas quando a monoterapia apenas seria o su� ciente.
- Falha em reavaliar a terapia empírica quando o micro-organismo e o antibiograma são 
conhecidos.
- Falha na correção da dose e no intervalo de administração de acordo com as funções 
renal e hepática do paciente.
- Falha na escolha inicial da terapia empírica, baseando-se nos germes e no padrão de 
sensibilidade conhecidos em determinada unidade hospitalar.
- Instituição de terapia empírica inadequada para patógenos “problema” no ambiente 
hospitalar quando eles, na verdade, são altamente improváveis. 
- Exemplo de professores ou colegas com prestígio técnico ou testemunho de colegas.
- Extrapolação indevida de estudos especí� cos para diferentes populações.
- Ação persuasiva da propaganda da indústria farmacêutica.
- Pressão da comunidade para a prescrição de drogas, a qual exige “o melhor tratamento” 
e, com isso, indicam-se antimicrobianos de amplo espectro e alto custo.
- Doses inapropriadas (crença de que “maiores dose e tempo é ainda melhor”).
- Uso de múltiplos antimicrobianos.
- Pro� laxia inapropriada.
- Dados limitados e con� itantes (a maioria faz mais de 48h).
- Custo e falta de disponibilidade de exames complementares.
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- Insu� ciência de formação técnica nos cursos de Medicina. 
- Falta de reciclagem dos médicos quanto ao diagnóstico e tratamento de infecções 
comunitárias e hospitalares.
- Pressão da indústria farmacêutica.
3.1.2 Como instituir política de uso racional de antimicrobianos?
- Otimizar o uso de ATM na pro� laxia cirúrgica e/ou a escolha e duração da terapia 
antimicrobiana empírica.
- Desenvolver protocolos para o uso de ATM (guidelines).
- Melhorar a forma de prescrever ATM por meio da educação.
- Restrição do uso de ATM.
- Monitorar e promover feedback das taxas de resistência antimicrobiana.
3.1.3 Técnicas de racionalização do uso de antimicrobianos 
Podem ser realizadas com medidas educativas ou restritivas. Cabe salientar que as 
medidas restritivas têm maior impacto a curto prazo em relação às medidas educativas.
Como medidas educativas, citem-se:
- Aulas, conferências, treinamentos em grupo ou individuais, impressos, elaboração de 
protocolos.
- Consulta à especialista.
Como medidas restritivas, citem-se: 
- Uso de formulário de restrição.
- Delimitar antimicrobianos de uso restrito.
- Exigir justi� cativa médica para uso por escrito.
- Implantar alertas e suspensão pelo computador.
- Estabelecer um sistema de suporte decisional. 
- Realizar rodízio de antimicrobianos.
- De-escalonamento de ATM de acordo com antibiograma.
Princípios básicos do uso adequado de antimicrobianos
- Abordagem clínica do paciente.
- Diagnóstico etiológico.
- Escolha do antimicrobiano.
- Pro� laxia antimicrobiana. 
- Momento correto para administração do ATB.
- O padrão de suscetibilidade do provável agente infectante deve ser previsível, e o local 
da infecção, acessível ao ATB. 
- Pro� laxia antimicrobiana (usar pelo menor tempo possível). 
- Lembrar de situações especiais do paciente: idade, gestação, lactação, insu� ciência renal, 
insu� ciência hepática, alergia anterior.
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4. SEGURANÇA DO PACIENTE 
A segurança do paciente é um dos seis atributos da qualidade do cuidado e, com 
a � nalidade de oferecer uma assistência segura, tem adquirido grande importância para os 
pacientes, famílias, gestores e pro� ssionais de saúde. Os incidentes associados ao cuidado de 
saúde, dentre eles, os eventos adversos (incidentes com danos ao paciente), representam elevadas 
morbidade e mortalidade nos sistemas de saúde. 
A OMS, demonstrando preocupação com a situação, criou a World Alliance for Patient 
Safety (Aliança Mundial pela Segurança do Paciente) com o objetivo de organizar os conceitos 
e as de� nições sobre segurança do paciente e propor medidas para reduzir os riscos e diminuir 
os eventos adversos. A Aliança propõe que a segurança do paciente corresponde à redução, ao 
mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado ao cuidado da saúde. 
No Brasil, por meio da Portaria GM/MS nº 529/2013 (BRASIL, 2013), criou-se o 
Programa Nacional de Segurança do Paciente (doravante, PNSP) com o objetivo de contribuir 
para a quali� cação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território 
nacional. As ações do PNSP articulam-se com os objetivos da Aliança Mundial. 
No mesmo ano, a RDC/ANVISA nº 36/2013 (BRASIL, 2013a) institui ações para a 
segurança do paciente em serviços de saúde. A normativa regulamenta a implantação dos Núcleos 
de Segurança do Paciente, a obrigatoriedade da noti� cação dos eventos adversos e a elaboração 
do Plano de Segurança do Paciente.
A Portaria GM/MS nº 1.377, de 9 de julho de 2013 (BRASIL, 2013b), e a Portaria nº 2.095, 
de 24 de setembro de 2013 (BRASIL, 2013c), aprovam os protocolos básicos de segurança do 
paciente.
4.1 Papel do Farmacêutico na Prática de Segurança do Paciente 
O uso de medicamentos sempre é lembrado por seus riscos iminentes. Para se garantir 
que um medicamento seja administrado com segurança, existem diversas ações que podem ser 
executadas pelo farmacêutico e pela equipe de enfermagem. 
Ao farmacêutico, cabem a atenção durante a prescrição de medicamentos, checagem 
da via de administração, alergias, limite de doses para diversos per� s de pacientes, interações 
medicamentosas e demais informações. O pro� ssional pode participar de visitas multidisciplinares, 
auditar as prescrições quanto à reconciliação medicamentosa e orientar os pacientes quando da 
alta hospitalar.
A não observação desses aspectos pode aumentar o número de erros nos serviços de 
saúde, trazendo graves consequências para pacientes, organizações hospitalares e sociedade 
(ASHP, 1993). 
Os erros de medicação são considerados os maiores motivos de dano a pacientes 
internados e podem ocorrer em qualquer um dos estágios envolvidos, desde a prescrição até à 
administração do medicamento (LOMBARDI et al., 2016).
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5. ERROS DE MEDICAÇÃO 
Erros de medicação acarretam custos humanos, econômicos e sociais, além de acarretarem 
potencial de risco aos pacientes. São de� nidos como qualquer evento evitável que, de fato ou 
potencialmente, pode levar ao uso inadequado de medicamento que se encontra sob o controle 
de pro� ssionais de saúde, do paciente ou do consumidor.O erro pode estar relacionado à prática pro� ssional, produtos usados na área de saúde, 
procedimentos, problemas de comunicação, incluindo prescrição, rótulos, embalagens, nomes, 
preparação, dispensação, distribuição, administração, educação, monitoramento e uso de 
medicamentos. 
Os fatores que in� uenciam nos erros de medicação são: características dos pacientes; 
despreparo dos pro� ssionais de saúde - de� ciência na formação graduada e na educação 
continuada dos diferentes pro� ssionais; sistemas de atendimento à saúde sobrecarregados; 
polifarmácia; uso de preparações injetáveis; automedicação. 
As causas dos erros de medicação podem ser: informação relacionada ao paciente ou 
ao medicamento; comunicação relacionada aos medicamentos; rotulagem, embalagem e nome 
dos medicamentos; dispensação, armazenamento e padronização dos medicamentos; aquisição, 
uso e monitoramento de dispositivos para administração dos medicamentos; fatores ambientais 
(iluminação, ventilação); educação e competência dos pro� ssionais e/ou dos pacientes; 
gerenciamento de risco e processos de qualidade. 
As maneiras pelas quais se podem prevenir os erros de medicação são: estabelecimento 
de comunicação escrita, ao invés da verbal; prescrição eletrônica; validação da prescrição médica 
pelo farmacêutico; padrões para preparação e administração de medicamentos; estabelecimento 
de um sistema de distribuição adequado à prevenção de erros; automação. 
Algumas estratégias de prevenção são: desenvolvimento de sistemas de noti� cação 
e análise de erros de medicação, com identi� cação de causas e elaboração de estratégias de 
prevenção; sensibilização dos pro� ssionais quanto à noti� cação de erros de medicação. 
5.1 Tipos de Erros de Medicação 
5.1.1 Erros de prescrição 
- Escolha incorreta do medicamento (erros de indicação, contraindicação, alergias 
conhecidas). 
- Prescrição incorreta da dose dos medicamentos. 
- Prescrição incorreta da velocidade de infusão do medicamento. 
- Prescrição incorreta da forma de apresentação do medicamento. 
- Prescrição ilegível, incompleta, omissão da via de administração do medicamento ou 
desatualizada. 
As maneiras pelas quais se podem prevenir os erros de prescrição são: padronizar 
prescrições de medicamentos; evitar uso de abreviações; destacar alergias conhecidas; implantar 
sistema eletrônico de prescrição de medicamentos com recursos de apoio à decisão clínica; 
disponibilizar local adequado para a prescrição de medicamentos; documentar o cálculo das 
doses de medicamentos de alto risco no prontuário do paciente; incluir um farmacêutico clínico 
na equipe multidisciplinar, que veri� que a adequação da prescrição e a dose do medicamento. 
NÃO SE DEVE DISPENSAR mediante prescrições com letra ilegível ou rasuradas. Quando 
houver dúvida, procure esclarecê-la com o médico prescritor ou enfermeiro da unidade. 
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5.1.2 Erros de dispensação 
Ocorre por distribuição incorreta do medicamento prescrito ao paciente.
As maneiras como se podem prevenir os erros de dispensação são: armazenamento 
adequado e estruturado; identi� cação completa e clara de todos os medicamentos utilizados na 
instituição; desenvolver e implementar programas de educação centrados nos princípios gerais 
da segurança do paciente, que incluam informações sobre o uso de novos medicamentos. 
5.1.3 Erros de omissão
Não administração de um medicamento prescrito para o paciente; ausência de registro 
de administração/execução de medicação; compatibilidade medicamentos; orientação paciente/
cliente; direito de recusar. 
As maneiras de como se prevenirem erros de omissão são: certi� car-se de que as 
informações estão documentadas corretamente; seguir cuidadosamente os protocolos 
institucionais de administração de medicamentos; registrar corretamente a administração do 
medicamento conforme as regras da instituição e imediatamente após sua execução. 
5.1.4 Outros erros 
• Erro de horário: é a administração do medicamento fora do intervalo de tempo 
estabelecido pela instituição ou pela prescrição. 
• Erro de administração não autorizada de medicamento ou de medicamento não prescrito. 
• Paciente errado.
• Medicamento errado. 
• Medicamentos prescritos “se necessário” devem ter clara sua indicação (por exemplo: se 
dor, se febre, se vômito ou outros). 
• Erro de dose: administração de dose maior ou menor do que a prescrita.
• Extra ou duplicação de medicamentos. 
• Erros de apresentação: é a administração de um medicamento em apresentação diferente 
da prescrita. 
• Erro de preparo: medicamento incorretamente formulado ou manipulado antes da 
administração (reconstituição ou diluição incorretas; associação de medicamentos 
com incompatibilidade físico-química; armazenamento incorreto do medicamento; 
identi� cação incorreta do fármaco; escolha inapropriada dos acessórios de infusão).
• Erro de administração.
• Erro de monitoração: falha em rever um esquema prescrito para a devida adequação ou 
detecção de problemas; falha em monitorar dados clínicos e laboratoriais antes, durante 
e após a administração de um medicamento para avaliar a resposta do paciente à terapia 
prescrita. 
• Erro em razão da não aderência do paciente e família: é o comportamento inadequado do 
paciente ou cuidador quanto à sua participação na proposta terapêutica. 
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Além dos erros descritos, cabe discutir as falhas técnicas no uso de medicamentos, pois 
elas comprometem a segurança do paciente: 
• Assepsia no preparo e na administração. 
• Técnica de administração do medicamento.
• Administração por via diferente da prescrita.
• Local errado de administração.
• Velocidade de infusão incorreta. 
• Associação de medicamentos incompatíveis.
• Falha nos equipamentos ou problemas nos acessórios da terapia de infusão.
• Medicamentos deteriorados ou com data de validade expirada ou com integridade física 
comprometida.
Algumas estratégias de prevenção são: desenvolver sistemas de noti� cação e análise 
de erros de medicação, com identi� cação de causas e elaboração de estratégias de prevenção; 
sensibilização dos pro� ssionais no que se refere à noti� cação de erros de medicação. 
6. CUIDADO FARMACÊUTICO E SEGURANÇA DO PACIENTE 
Do ponto de vista sanitário, o manejo inadequado dos medicamentos pode gerar 
resultados danosos tanto para o paciente como para as estruturas de saúde. 
Segundo a Associação Farmacêutica Americana, o cuidado farmacêutico é uma prática 
pro� ssional centrada no paciente e orientada por resultados. Ele é necessário para promover a 
saúde, prevenir doenças, avaliar, monitorar, iniciar e modi� car a medicação e, assim, garantir a 
segurança e a efetividade na terapêutica farmacológica (BRANDÃO, 2011).
Esse modelo de prática orienta a provisão de uma variedade de serviços farmacêuticos 
ao paciente, sua família e comunidade por meio da ação integrada do farmacêutico com 
a equipe multipro� ssional de saúde. O modelo é centrado no paciente e visa à promoção, 
proteção, recuperação da saúde e prevenção de agravos, bem como à resolução de problemas da 
farmacoterapia e ao uso racional dos medicamentos. 
Os farmacêuticos que assumem o cuidado como seu modelo de prática pro� ssional têm 
a responsabilidade de atuar para atender a todas as necessidades de saúde do paciente no seu 
âmbito pro� ssional. 
6.1 O Papel do Farmacêutico no Cuidado do Paciente 
Os aspectos atuais da terapia medicamentosa exigem, cada vez mais, a prática da atenção 
farmacêutica. A Política Nacional de Medicamentos de� ne a atenção farmacêutica como o modelo 
de prática farmacêutica, desenvolvido no contexto da assistência farmacêutica, compreendendo 
atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e corresponsabilidades na 
prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde de formaintegrada à equipe de saúde. 
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Prestar atenção farmacêutica não se limita ao atendimento dos pacientes internados, 
externos ou a comunidades locais. É um tema que envolve o relacionamento direto, pessoal, 
pro� ssional e responsável com cada paciente, em atendimento individual e único para assegurar 
que o uso do medicamento seja e� ciente, garantindo-se segurança na terapia e qualidade de vida 
(BRASIL, 1998). 
Nesse novo contexto pro� ssional, em que o paciente é o foco da terapia, o farmacêutico 
assume papel fundamental na equipe interdisciplinar e na comunidade (VIEIRA, 2007).
Ao dar as informações e orientações necessárias para o restabelecimento da saúde, 
o farmacêutico deixa de ser um comerciante de medicamentos e se torna um apoio para o 
paciente, reassumindo o papel de assistente da saúde perante a sociedade. Espera-se que, com o 
tempo, os pacientes exijam essa atenção pro� ssional por perceberem os benefícios de tais ações 
(BOVO; WISNIEWSKI; MORSKEI, 2009). Além de uma mudança operacional da pro� ssão, isso 
representará alteração importante na forma como deve se dar a formação pro� ssional para o 
futuro (ARAÚJO et al., 2008). 
6.2 Aspectos Legais e Econômicos do Cuidado Farmacêutico
O sistema de saúde é uma complexa combinação de processos, de tecnologias e de 
interações humanas, que pode trazer benefícios, mas que também envolve riscos de ocorrência 
de eventos adversos. Essa ocorrência apresenta múltiplos fatores e está associada aos processos 
existentes e à atuação da equipe multidisciplinar (médicos, farmacêuticos, enfermagem e outros). 
A dispensação de medicamentos e correlatos pela farmácia hospitalar pressupõe a 
existência de uma prescrição médica individualizada e atualizada, com validade de acordo com o 
de� nido pela Comissão de Farmácia e Terapêutica do hospital. Para sua avaliação/validação, deve-
se observar o que a lei preconiza para as prescrições médicas ou receitas em geral, apresentado a 
seguir.
As Portarias GM/MS nº 3.916/98 (BRASIL, 1998) e SVS/MS nº 344/98 (BRASIL, 1998a) 
de� nem prescrição como o ato de de� nir o medicamento a ser consumido pelo paciente, 
apresentando dosagem, duração do tratamento e orientação de uso, praticado por pro� ssional 
legalmente habilitado.
A prescrição médica constitui-se em um documento legal pelo qual se responsabilizam 
o prescritor (médico), quem dispensa o medicamento (farmacêutico) e quem o administra 
(enfermagem), estando todos sujeitos às legislações de controle e vigilância sanitária 
(THOMPSON, 2009; WHO, 2009). 
O Código de Ética Médica, no capítulo II do art. 39, esclarece que as prescrições devem ser 
apresentadas de forma clara e legível. A Lei 5.991/73 (BRASIL, 1973) estabelece requisitos para a 
sua elaboração, devendo conter: nome genérico do medicamento, posologia, forma farmacêutica, 
duração do tratamento, quantidade, identi� cação do prescritor, assinatura e data. 
A Portaria n. 2.693 de 2003, em seu artigo 3º, estabelece que a prescrição de medicamentos 
nas unidades do SUS deve ser escrita em caligra� a legível, à tinta, datilografada ou digitada, 
observando-se a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas o� ciais, indicando a posologia 
e a duração do tratamento. Deve, ainda, conter o nome completo do paciente, a denominação 
genérica dos medicamentos prescritos, data de emissão, nome e assinatura do prescritor e sua 
inscrição no conselho de classe correspondente. São vedadas as prescrições ou noti� cações 
ilegíveis ou com rasuras, que podem induzir a erro ou à troca de medicação ou em código. A 
prescrição exerce papel fundamental no tratamento medicamentoso por ser instrumento que 
contribui ao uso correto de medicamentos (MASTROIANNI, 2009). 
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A análise de prescrição pode contribuir para uma avaliação preliminar da qualidade 
da terapia na medida em que evidencia falhas que comprometem o tratamento e favorecem o 
aparecimento de reações adversas e falhas terapêuticas, prejudicando todo o esforço realizado.
No exercício pro� ssional, ainda se discute se o farmacêutico pode questionar prescrição 
médica adequada/inadequada já que se subentende que isso não deve ser realizado. 
O Código Civil, em seu Título IX (“Da Responsabilidade Civil”), capítulo I, prescreve: 
Da Obrigação de Indenizar 
Artigo 927 – Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187) causar dano a outrem, 
� ca obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente 
de culpa, nos casos especi� cados em lei, ou quando a atividade normalmente 
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos 
de outrem (BRASIL, 2002).
Diante disso, o farmacêutico, sob o argumento de que o medicamento foi “fornecido 
como prescrito”, não poderá alegar inocência quando de terapia indevida ou ine� ciente advinda 
de uma prescrição mal feita ou não avaliada. É de sua responsabilidade essa avaliação, pois ele 
possui capacitação técnica para tal e, em caso de dúvida, deve questionar e tomar as providências 
cabíveis por ser coautor da terapia do paciente. 
Por outro lado, devem-se discutir os custos do cuidado farmacêutico, pois a gestão correta 
desses custos é uma preocupação dos gestores. 
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por meio da 
publicação Assistência Segura: Uma Re� exão Teórica Aplicada à Prática (BRASIL, 2017), adverte 
que os erros em serviço de saúde são intoleráveis sob os pontos de vista político e � nanceiro, 
devido, principalmente, às suas consequências e custos, e não pela sua frequência ou gravidade 
intrínseca. 
Carvalho (2007) esclarece que estudos realizados nos Estados Unidos estimaram que, 
quando os farmacêuticos participam ativamente da revisão das prescrições e da orientação a 
pacientes, ocorre diminuição dos gastos de saúde na ordem de 3,6 bilhões de dólares ao ano. 
Outro estudo apresentado pelo autor demonstra que 60% das intervenções do farmacêutico no 
tratamento representaram redução de custos para os serviços de saúde. 
7. O FARMACÊUTICO E O CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (IH)
A infecção hospitalar apresenta-se como um sério problema dentro da assistência 
hospitalar, com grande impacto epidemiológico e consequências tanto do ponto de vista humano 
quanto econômico. Com isso, todo cuidado prestado ao paciente deve ser avaliado e planejado 
para se evitar ou diminuir a transmissão de infecções. 
Em 1998, o Ministério da Saúde emitiu a Portaria nº. 2.616 (BRASIL, 1998), que dispõe 
sobre a obrigatoriedade do programa de controle das infecções hospitalares.
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7.1 Conceitos Básicos para o Controle de Infecção
- Reservatório: local com potencial número de germes.
- Fonte de infecção. Pessoas: funcionários, visitantes e clientes; fômites ou objetos 
inanimados (material e equipamentos médicos); alimentos; animais artrópodes.
- Hospedeiro: é um organismo que abriga outro em seu interior ou o carrega sobre si. A 
palavra deriva do Latim hospitator e signi� ca “visita”, “hóspede”.
- Colonização: crescimento e multiplicação de um micro-organismo em superfícies 
epiteliais do hospedeiro, sem expressão clínica ou imunológica. 
- Infecção: danos decorrentes da invasão, multiplicação e ação de produtos tóxicos de 
agentes infecciosos no hospedeiro, ocorrendo interação imunológica.
- Portador: indivíduo que alberga um micro-organismo especí� co, sem apresentar 
quadro clínico atribuído ao agente e que serve como fonte potencial de infecção.
- Virulência: é a capacidade de um bioagente produzir casos graves ou fatais. Relaciona-
se à produção de toxinas e à sua capacidade de multiplicação no organismo parasitado.
- Patogenidade: é a capacidade de o agente infeccioso, uma vez instaladono organismo 
do homem ou de outros animais, produzir sintomas em maior ou menor proporção 
dentre os hospedeiros infectados.
- Microbiota:
a) Transitória: compreende micro-organismo adquirido por contato direto com 
o meio ambiente e que contamina a pele temporariamente, pois não está aderido 
aos receptores cutâneos, não sendo considerado colonizante. Pode ser facilmente 
removido com uso de água e sabão ou degermante. 
b) Permanente: é composta por micro-organismos que aderem aos receptores 
cutâneos, permanecendo na pele por longo período de tempo. São de difícil 
remoção mecânica.
- Desinfecção:
a) Baixo nível: são destruídas as bactérias em forma vegetativa, alguns vírus e 
alguns fungos. O Mycobacterium tuberculosis, os esporos bacterianos, o vírus da 
Hepatite B (HBV) e os vírus lentos sobrevivem. 
b) Médio nível ou nível intermediário: além dos micro-organismos destruídos 
na desinfecção de baixo nível, são atingidos o Mycobacterium tuberculosis, a 
maioria dos vírus (inclusive o HBV) e a maioria dos fungos. Ainda sobrevivem o 
Mycobacterium intracelulare, os esporos bacterianos e os vírus lentos. 
c) Alto nível: resistem apenas alguns tipos de esporos bacterianos mais resistentes 
e os vírus lentos.
- Antissepsia: é o conjunto de medidas propostas para inibir o crescimento de micro-
organismos ou removê-los de um determinado ambiente, podendo ou não os destruir. 
Para isso, usam-se antissépticos ou desinfetantes.
- Assepsia: é o conjunto de medidas usadas para impedir a penetração de micro-
organismos em um ambiente isento deles.
- Esterilização: é o processo usado para promover a eliminação completa ou destruição 
para um aceitável nível de segurança de todas as formas de micro-organismos presentes: 
vírus, bactérias, fungos, protozoários, esporos. 
- Degermação: é a diminuição do número de micro-organismos patogênicos ou não, 
após a escovação da pele com água e sabão.
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7.2 Conceito de Infecção Hospitalar 
Segundo a legislação, infecção hospitalar “[...] É aquela adquirida após a admissão do 
paciente e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada 
com a internação ou procedimentos hospitalares” (BRASIL, 1998). 
Para ser considerada como hospitalar, a infecção: 
1. Não deve estar presente ou em incubação por ocasião da admissão. 
2. Se estiver em incubação ao tempo da admissão, deve estar relacionada à prévia 
hospitalização na mesma instituição. 
3. Se estiver presente na admissão, deve estar temporalmente associada à prévia 
hospitalização ou a um procedimento realizado em instituição de saúde. 
Não são consideradas infecções hospitalares:
1. Infecção associada à complicação ou extensão de infecção já presente na internação, 
a não ser que exista um novo patógeno ou sintomas que sugiram fortemente a aquisição 
de nova infecção.
2. Exceto por poucas situações referidas nas de� nições a seguir, não há tempo especí� co, 
durante ou após a hospitalização, que funcione como dado para determinar se uma 
infecção é hospitalar ou comunitária. 
Assim, cada infecção deve ser considerada por evidências que a correlacionem com a 
hospitalização.
7.3 Vigilância Epidemiológica das IH
São fatores que in� uenciam no desenvolvimento das IH: 
Agente etiológico: resistência antimicrobiana, virulência, inóculo.
Fatores ambientais: fontes de infecção – pacientes infectados ou portadores, superlotação 
de pacientes em uma determinada área, objetos e superfícies contaminados. 
 Suscetibilidade do paciente: algumas condições/fatores predispõem os pacientes às 
infecções por micro-organismos oportunistas, como extremos de idade, doenças crônicas, 
neoplasias, imunossupressão, desnutrição, intervenções diagnósticas e terapêuticas. 
Resistência microbiana: uso de antimicrobianos.
7.4 Controle de IH 
Esse controle é realizado pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (doravante, 
CCIH), que é um órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição de saúde (no caso, a 
direção do hospital) e também de execução das ações de controle das infecções hospitalares. 
A equipe que compõe a CCIH pode apresentar membros consultores e membros 
executores. 
Os membros consultores são responsáveis pelo estabelecimento das diretrizes do 
Controle de Infecção Hospitalar. Entre eles, encontram-se representantes dos serviços médicos, 
Enfermagem, Farmácia, laboratório de Microbiologia e Administração. 
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Os membros executores da CCIH são os membros do Serviço de Controle de Infecção 
Hospitalar (SCIH) e são encarregados da execução das ações programadas de controle de infecção 
hospitalar.
Nesse contexto, o farmacêutico é o pro� ssional capacitado para avaliar as prescrições, 
propor o URM e praticar a atenção farmacêutica, oferecendo informação e orientação sobre a 
utilização dos mesmos.
As competências da Farmácia na CCIH (segundo a Portaria nº 2.616/1998) são: 
1. Participar na promoção do uso racional de antimicrobianos, germicidas e matérias 
médico-hospitalares.
2. De� nir, em conjunto com a CFT, políticas de utilização de antimicrobianos, germicidas 
e artigos médico-hospitalares. 
3. Cooperar com o setor de treinamento e/ou responsabilizar-se pelo treinamento de 
funcionários e pro� ssionais no que diz respeito ao controle de IHs.
A Resolução nº 300/97, do CFF, indica que o farmacêutico deve manter-se membro 
permanente da CCIH, exercendo as funções de sua competência. Dentre elas, participar ativamente 
da seleção dos antimicrobianos e dos agentes antissépticos, desinfetantes e esterilizantes a serem 
padronizados no hospital, em conjunto com a Comissão de Farmácia e Terapêutica da instituição. 
8. SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS E 
TECNOLOGIAS EM SAÚDE - PAPEL DO FARMACÊUTICO NA 
INFORMÁTICA DO HOSPITAL 
Por ser conhecedor de todo o processo do uso de medicamentos dentro do hospital, a 
participação do farmacêutico no processo de informatização do hospital é fundamental para a 
segurança do paciente, devendo participar ativamente na escolha de novas tecnologias. 
Dentre as atividades do farmacêutico na informática hospitalar, destacam-se: 
- Identi� car e selecionar sistemas disponíveis no mercado.
- Desenvolver padrões de vocabulários de terminologias relacionadas à decisão clínica 
para melhorar a segurança e o uso de rotinas. 
- Trabalhar no desenvolvimento de programas dos sistemas informatizados para entender 
os recursos disponíveis e suas limitações.
- Analisar os sistemas de uso de medicamentos para encontrar vulnerabilidades e propor 
estratégias de prevenção de erros de medicação. 
- Realizar treinamentos em sistemas de informática.
- Visualizar riscos e aspectos negativos do uso de tecnologias no processo de uso de 
medicamentos. 
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9. ENSINO, PESQUISA E EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE
Visando à adoção de práticas seguras na assistência e cuidado, os hospitais devem 
proporcionar ações de educação permanente para farmacêuticos e auxiliares. Em contrapartida, 
a farmácia hospitalar deve promover ações de educação permanente dos pro� ssionais que atuam 
no hospital no que concerne às atividades por eles desenvolvidas.
Os sistemas seguros se baseiam na introdução de diferentes tipos de medidas 
direcionadas não só a prevenir os erros, mas também a torná-los visíveis, detec-
tando-os e interceptando-os antes que atinjam os pacientes.
Por mais simples que sejam e por mais rotineiros que possam parecer, eles po-
dem signifi car a exata diferença entre a vida e a morte, entre a causa de um dano 
e sua prevenção. 
Desde 2005, a World Health Organization’s World Alliance for 
Patient Safety tem trabalhado no Project to Develop an International 
Classifi cation for Patient Safety (ICPS). O grupo de trabalho contacom especialistas internacionais de diversas áreas relacionadas 
à saúde, informática, legislação e pacientes/consumidores. As 
publicações relacionadas ao ICPS podem ser encontradas no 
site da WHO: <http://www.who.int/patientsafety/ taxonomy/
publications/en/index.html>
O CFF publicou um encarte sobre erros de medicação junto com 
a Revista Pharmacia Brasileira, de janeiro/fevereiro de 2010 
( <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/124/encarte_
farmaciahospitalar.pdf> ). Sugere-se sua leitura. O material está 
escrito em linguagem simples e contempla os conceitos básicos 
sobre erros de medicamentos. 
Outra sugestão é acessar a Cartilha para promoção do uso racional 
de medicamentos, elaborada pelo Ministério da Saúde e disponível 
em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_
promocao_uso_racional_medicamentos.pdf>
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O vídeo Papel do farmacêutico no contexto de segurança do paciente 
(disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=vXUV_
zZMxIo> ) complementará os conteúdos discutidos.
 
Você sabe a importância do papel do farmacêutico clínico no 
processo de segurança do paciente dentro de um hospital? O 
vídeo Segurança do Paciente: episódio 4 - Farmacêutico Clínico 
(do Hospital Albert Einstein e disponível em <https://www.youtube.
com/watch?v=0md7XThxWSs> ) explica como os farmacêuticos 
clínicos atuam na prevenção de erros.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O farmacêutico tem um per� l analítico, ligado aos controles necessários para utilização 
de medicamentos e, ao se pensar de forma assistencial, tem um per� l cuidado, focado no paciente 
e no medicamento, sem perder o controle necessário do ponto de vista logístico e da legislação.
Os programas de qualidade para hospitais são denominados acreditação hospitalar. A 
acreditação hospitalar é uma certi� cação semelhante ao ISO, mas exclusiva para instituições de 
saúde. Isso quer dizer que é um sistema de avaliação voluntário da qualidade e segurança para 
serviços de saúde, voltado à melhoria contínua, sem a � nalidade de � scalização. Esses programas 
focam o processo medicamentoso racional, em que a atuação do farmacêutico hospitalar é 
indispensável. 
Na atualidade, os gestores percebem que uma terapêutica racional aumenta a qualidade 
da assistência e diminui custos hospitalares. 
Na atuação clínica, o farmacêutico participa de várias etapas desse processo (avaliação de 
prescrição, seguimento farmacoterapêutico dos protocolos clínicos e interações medicamentosas, 
conciliação medicamentosa, cuidado do paciente).
Na realidade, para promover a segurança do paciente, a ideia é sistematizar as práticas 
assistenciais para evitar danos futuros por meio da incorporação de uma cultura de segurança, de 
ferramentas de gestão de risco e desenvolvimento e fortalecimento de protocolos de segurança. 
A gestão de segurança do paciente só acontecerá no dia a dia dos pro� ssionais de saúde 
a partir do momento em que incorporarem e entenderem que as mudanças estão baseadas na 
redução das chances de um incidente acontecer.
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ENSINO A DISTÂNCIA
REFERÊNCIAS
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