Prévia do material em texto
DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ( BIBLIOGRAFIA: a partir de 2018 Mauro Schiavi Carlos Henrique Bezerra Leite (tem no SIA atualizado) Sérgio Pinto Martins Amauri Mascaro Nascimento Gustavo Filipe Barbosa Garcia (resumido) CLT, CF, CPC ) AULA 1 – 07/08/2019 INTRODUÇÃO AO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1. CONCEITO: O Direito Processual do Trabalho integra, como parte fundamental, o sistema de composição dos conflitos quanto à jurisdição estatal e à ação, o processo e o procedimento judicial destinado a solucionar as controvérsias oriundas das relações de trabalho em suas duas configurações maiores – os conflitos individuais e os coletivos. Tudo com base no ordenamento jurídico que o disciplina com leis, jurisprudência, doutrina e atos internos dos órgãos da Justiça do Trabalho (Amauri Mascaro Nascimento). As prerrogativas do direito material do trabalho são resguardadas por meio do Direito Processual do Trabalho no caso de litígio entre empregado e empregador, que estabelece regras e princípios que instrumentalizam os trâmites para a solução. 2. AUTONOMIA: A teoria monista defende a unidade do direito processual, compreendendo que ele seria governado por normas que não diferem substancialmente a ponto de justificar o desdobramento com autonomia do direito processual do trabalho (e dos demais). Já a teoria dualista sustenta a diversidade de setores de modo que o direito processual do trabalho seria um ramo do direito dotado de autonomia integral, embora se correlacione com outros ramos do direito. Possui método próprio, doutrina homogênea, princípios específicos e regras próprias. Em outras palavras, Há duas teorias que discutem se o direito processual do trabalho é disciplina autônoma (corrente monista) ou ligada ao direito material (corrente dualista). A primeira entende que o Direito Processual é um consectário único, sendo os direitos processuais penal, civil e trabalhista ramos dessa grande área. Já a segunda entende que o Direito Processual do Trabalho é cientificamente autônomo por possuir doutrinas, regras e jurisprudências específicas. Prevalece a perspectiva dualista, aplicando-se outros ramos, como o processo civil, de forma subsidiária. 3. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: A) CONSTITUIÇÃO DE 1934 (Era Vargas): primeira a prever, no texto constitucional brasileiro, a Justiça do Trabalho (JT) no artigo 122, mas ainda não integrava o Poder Judiciário, estando ligada ao Poder Executivo. B) CONSTITUIÇÃO DE 1937: dispôs sobre a competência da JT (Art. 139). C) CONSTITUIÇÃO DE 1946: previsão da JT como integrante do Poder Judiciário (art. 94, V). D) CONSTITUIÇÃO DE 1988: prevê os Tribunais e os Juízes do Trabalho como órgãos do Poder Judiciário. - Artigo 144 da CRFB – redação da EC 45/2004 -competência da Justiça do Trabalho. - Artigo 92 e 111-A da CRFB – explicitam o TST como órgão da JT (EC 92/2016). AULA 2 – 08/08/2019 PRINCÍPIOS NORTEADORES DO PROCESSO DO TRABALHO 1. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO: ** princípio basilar do processo do trabalho. Trata-se da existência da crença de que há uma parte mais vulnerável que precisa ser protegida. Essa proteção está presente na lei e deve, também, estar presente na orientação e no juízo de valor do juiz. Exemplo: O Artigo 844 da CLT traz as conseqüências quando uma das partes falta a audiência. Quando a parte autora falta (empregado, na maioria das vezes), a conseqüência jurídica será o arquivamento do processo (extinção do processo sem resolução do mérito). Antes da Reforma Trabalhista, o ajuizamento da nova ação não possuía ônus financeiro. Atualmente, é exigido o pagamento de custas processuais para ajuizar nova demanda. Quando a parte ré falta (normalmente, o empregador), a conseqüência é a revelia e confissão como regra geral. Em outras palavras, por meio do referido princípio, busca-se compensar a desigualdade existente na realidade socioeconômica entre empregado, geralmente, o reclamante, e empregador, via de regra, o reclamado, com uma desigualdade jurídica em sentido oposto (Américo Plá Rodrigues). Advém da própria razão de existir do processo do trabalho, o qual busca instrumentalizar a efetivação dos direitos materiais reconhecidos no direito do trabalho, visando amenizar a real desigualdade não raras vezes presentes entre empregado e empregador, que costumam ser as partes de uma ação trabalhista. 2. PRINCÍPIO DO JUS POSTULANDI - Artigo 791 ao 839, “a”, da CLT Salvo exceções, admite-se que as partes exerçam pessoalmente sua capacidade postulatória e dê defesa no âmbito da Justiça do Trabalho, ou seja, a própria parte, empregado ou empregador pode postular em juízo sem a presença de advogado. O advogado deve ser constituído pelo instrumento do mandato (procuração). A prerrogativa pode não ser aconselhável para todos porque o trabalhador pode ter prejuízos processuais por não possuir conhecimento técnico específico. EXCEÇÕES AO JUS POSTULANDI: Nesses casos, a participação do advogado é obrigatória: a) Súmula 425 do TST: ** · Ação cautelar · Mandado de segurança · Ação rescisória · Recursos para o TST b) Artigo 855–B do TST– Reforma Trabalhista: Acordo extrajudicial homologado pelo juiz (jurisdição voluntária). Nesse, as partes firmam um acordo nos termos da lei e optam por levar ao poder judiciário pra que o juiz chancele ou não. A vantagem é coisa julgado, não havendo possibilidade de rediscussão. No acordo extrajudicial, é obrigatória a presença de advogado para cada parte (com procuração constituída nos autos). 3. PRINCÍPIO DA CELERIDADE: Desdobramento do princípio constitucional da razoável duração do processo – artigo 5º, LXXVII da CRFB Uma vez que os créditos trabalhistas possuem natureza alimentícia, deve-se buscar resguardar a real celeridade processual nos termos da lei. O artigo 765 da CLT determina que os magistrados tenham liberdade na condução dos processos que tramitam perante a Justiça do Trabalho, resguardando tanto quanto possível sua máxima agilidade. AULA 3 –14 /08/2019 PRINCÍPIOS – continuação 4. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE: aplicação subsidiária e supletiva do processo civil ao processo do trabalho. Artigo 769 da CLT - Aplicação das normas do direito processual comum ao direito processual do trabalho desde que: · A CLT seja omissa sobre a determinada matéria e · Haja compatibilidade entre as normas aplicáveis com as que regem o ordenamento trabalhista. A CLT prevalece quando dispuser de dispositivo acerca de determinada matéria. Quando não tratar, aplica-se o direito processual comum de forma subsidiária de supletiva no caso de compatibilidade. Não é possível aplicar norma de direito processual comum mais favorável à parte quando a lei específica trabalhista tratar da mesma matéria. Ou seja, mesmo que a norma trabalhista seja menos favorável, esta será aplicada. 5. PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL: Deriva do princípio da primazia da realidade. O juiz do trabalho possui liberdade nos termos da lei no direcionamento do processo (artigo 765 da CLT) com o objetivo de apurar a verdade real, inclusive determinando diligências que entender necessárias ao esclarecimento dos fatos e indeferir as que considerar inúteis e protelatórias. - O juiz não é parte do processo, no entanto, a própria CLT dá liberdade para determinar diligência. 6. PRINCÍPIO DO DISPOSITIVO: o Poder Judiciário está inerte e é acionado pela parte ofendida por meio da ação. Em outras palavras, compete à parte interessada e legítima, como regra geral, a provocação da tutela jurisdicional por meio da justiça do trabalho. A parte lesada em seus direitos possui a faculdade de buscar se resguardar por meio da provocação do Poder Judiciário. 7. PRINCÍPIO INQUISITIVO/EXPOSITIVO: Uma vez que o Poder Judiciário é provocado, o juiz deve seguir as regras do processo, conduzir com diligência máxima e utilizar todos os meios cabíveis em lei para que o processo seja célere (condução da ação). Dito de outro modo, o processo começa por iniciativa da parte e, então, uma vez ajuizada a demanda, o magistrado assume o dever de prestar a contraprestação jurisdicionalconforme o ordenamento jurídico. 8. ( TRT )PRINCÍPIO DA IRRECORRIBILIDADE IMEDIATA DAS DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS: ( Vara do Trabalho ) Decisões interlocutórias são aquelas sem julgamento do mérito da demanda, mas refere-se à decisão de incidentes processuais. No processo civil, para cada decisão interlocutória cabe reanálise pelo TJ por meio de agravo de instrumento. No entanto, a CLT não prevê tal reanálise em razão do princípio da celeridade, ou seja, só prevê recurso ordinário da sentença. Há outros caminhos para reapreciação da decisão, no entanto, não será por agravo de instrumento. Ou seja, diferente do processo civil, o direito processual do trabalho não admite recurso específico para impugnar decisões interlocutórias, salvo raríssimas exceções – artigo 893 da CLT. 9. PRINCÍPIO DA ORALIDADE: possibilidade de determinados atos processuais ocorrerem de forma oral. Exemplo: admissão de contestação verbal na audiência de conciliação. No entanto, aconselha-se a contestação escrita para que haja completude de informações ditas de forma desejada conforme a intenção de quem contesta. Isso porque o secretário que reduz a termo pode não redigir nos exatos sentidos que a parte quer transmitir. O referido princípio é aplicado, também, com as provas que, muitas vezes, não são documentais, mas por meio de testemunhas e depoimento oral das partes. No processo do trabalho, admite-se a oralidade em vários atos processuais, autorizando-se, por exemplo, a apresentação de defesa oral. Outros exemplos presentes na CLT: artigos 846, 847, 848 e 850. 10. PRINCÍPIO DA CONCILIAÇÃO: Não há a figura do conciliador na Justiça do Trabalho. Na ação judicial trabalhista, o juiz é investido na função de conciliar: ocorre, normalmente, no começo da audiência e outra antes de proferir a sentença, após as alegações finais. E outras palavras, é a busca do magistrado em procurar solução conciliatória nos dissídios que tramitam perante a Justiça do Trabalho, os quais devem ser sujeitos à conciliação - artigo 764 da CLT. - A qualquer tempo, as partes podem realizar acordo nas casas, no trabalho nos sindicatos. É possível inclusive, extrajudicialmente, realizar acordo e juntar no processo para homologação OBS: Há outros princípios aplicáveis, como por exemplo: princípios da ampla defesa, contraditório, devido processo legal, concentração os atos em audiência. - Ampla defesa: direito de apresentar as provas até o final: a defesa não pode ser mitigada. Normalmente, se esbarra quando o juiz recusa provas. - Contraditório: contestação. - Devido processo legal: em nome da celeridade e da liberdade do princípio inquisitivo na condução do processo, por vezes, o juiz atropela procedimentos. No entanto, deve seguir o devido processo legal. MEIOS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS TRABALHISTAS 1. AUTODEFESA (autotutela): Ocorre quando a própria parte procede à defesa de seu interesse impondo sua vontade a outra. Como regra geral, não é permitido resolver conflito trabalhista por meio da autotutela, ou seja, por meio da violência , ameaça e cometimento de ilegalidades e arbitrariedades. - O único meio de autotutela admitido é o direito constitucional à greve legal e legítima (meios pacíficos, comunicações prévias, sem interromper serviços essenciais). 2. AUTOCOMPOSIÇÃO: as partes envolvidas nas discussões trabalhistas se utilizam dos meios legais para criar o pacto de solução de conflitos, tais como acordos e convenções coletivas de trabalho (negociações) – de forma pacífica, sem imposição da solução por um terceiro. 3. HETEROCOMPOSIÇÃO: as partes não conseguiram resolver o conflito por si sós, sendo necessária terceira pessoa não participante da relação de trabalho para solucionar a lide (juiz do trabalho por meio da jurisdição estatal ou árbitro). Obs: A doutrina discute sobre a arbitragem na esfera trabalhista, sendo certo que o entendimento majoritário é no sentido de que se restringe ao âmbito coletivo. AULA – 21/08/2019 COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA – CCP - É instituto específico do Direito Processual do Trabalho, não existindo em outro ramo. - A própria lei utiliza a sigla CCP, sendo admitido o uso. - O legislador incluiu um capítulo na CLT a fim de não judicializar todas as demandas trabalhistas. Trata-se de forma de solução de conflitos pela via administrativa por meio de comissão formada por trabalhadores e, em igual número, empregadores no âmbito das empresas ou dos sindicatos que julgarão os conflitos – sem participação de advogados. Uma vez criada, todo trabalhador com litígio, demandas e divergências, antes de ajuizar na Justiça, devia submeter a causa à CCP. Quando o regramento veio à tona pelo artigo 625-B da CLT, a crítica girou justamente em torno da lesão ao princípio do acesso à justiça previsto no artigo 5º, XXXV, da CF. Ademais, a CCP passou a não ser vista como órgão proferidor de decisões justas, considerando que os empregados nem sempre se pronunciam de acordo com a ética e a justiça por receio de perderem seus empregos, já que julgam os conflitos dos colegas, o que gera também constrangimento. Viola, também, o princípio da proteção. O STF em 2009 decidiu, liminarmente, sem julgar o mérito das ADI´s, que os empregados podem ajuizar ação diretamente ao Poder Judiciário, sem condicioná-los à passagem pela CCP. Após julgar o mérito das ADI´s, o Supremo decidiu que os artigos acerca da CCP são legais e constitucionais. No entanto, o artigo 625-B da CLT deve ser interpretado conforme a Carta Magna, entendendo a referida Comissão de forma facultativa. Convém mencionar que as partes ficam vinculadas à decisão da CPP e não poderiam rediscutir no Poder Judiciário (eficácia liberatória). No entanto, o meio considerado mais seguro é o acordo extrajudicial homologado pelo juiz. Tendo efeito de coisa julgada, não se pode discutir. RESUMO: A CCP possibilita a solução extrajudicial do conflito individual trabalhista. Empresas e sindicatos podem instituir CCP de composição paritária, com representantes dos empregados e empregadores na tentativa de conciliar conflitos nos termos da lei. FRISA-SE: O STF - por meio do julgamento das ADI´s 2139, 2160 e 2237- decidiu em julho de 2018 que a passagem pela CCP não é obrigatória e sim facultativa, dando interpretação conforme ao artigo 625-b da CLT ante o artigo 5º, XXXV, da CF, que estabelece a garantia constitucional fundamental do processo à justiça. ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO Estabelecida na Constituição Federal de 1988. Nem sempre foi assim e, no nascedouro, não fazia parte do Poder Judiciário. Em matéria trabalhista, antes da EC nº45/2004, a Justiça do Trabalho só era competente para tratar de matérias trabalhistas estritamente. A referida emenda ampliou a matéria competente e, ainda, organizou a estrutura – ver artigo 111-A da CLT. Há três graus de jurisdição. O terceiro grau de jurisdição, a instância especial é composta pelo TST – Tribunal Superior do trabalho, composto por 27 ministros divididos em turmas e seções (SD1, SD2 e SDC). A função básica do órgão é uniformizar jurisprudência por meio de súmulas e OJ (esta última sem caráter vinculante, mas orientador). Ademais, é última instância recursal para ações que tramitam perante a Justiça do Trabalho. Algumas demandas podem chegar ao STF quando afrontarem à Constituição Federal. O TST enfrenta questões trabalhistas de caráter infraconstitucional (o STJ é corte que enfrenta questões infraconstitucionais não trabalhistas. “É irmão do STJ”). O segundo grau de jurisdição é o TRT – Tribunal Regional do Trabalho. Não necessariamente coincide com o espaço geográfico do estado. No entanto, no caso do Rio de Janeiro, só há o TRT da 1ª região. Julga os recursos das ações trabalhistas de 1ª instância o desembargado. O juiz do trabalho de 2ª instância está nesse patamar por merecimento ou antiguidade. Ressalta-se o quinto constitucional também aplicado nesse sentido. O JUIZ DO TRABALHO de 1ª instância é considerado ÓRGÃO da Justiça do Trabalho e atua nas Varas do Trabalho. Não existem juizadosespeciais do trabalho. Todas tramitarão nesta estrutura mencionada, modificando apenas os procedimentos. As ações se iniciam, majoritariamente, na 1ª instância (dissídio coletivo e ação rescisória iniciam-se no TRT). Os ÓRGÃOS AUXILIARES da Justiça do Trabalho são os servidores públicos, que alimentam o sistema (Analistas e Técnicos de diversas áreas, Controladoria, Setor de Distribuição de Ações, Oficiais de Justiça do Trabalho). Exercem função de apoio e integram o Poder Judiciário Trabalhista – artigos 710 e ss da CLT As SECRETARIAS DAS VARAS são comandas pelos juízes do Trabalho estão dispostas nos artigos 711, 712 e 718 da CLT - oficial de justiça, contadoria, distribuidores (artigos 713 a 715 da CLT) OBSERVAÇÕES: · O Juiz do Trabalho compõe a Justiça Federal. · Em função da extinção das juntas de conciliação e julgamento (EC nº24/99), a jurisdição trabalhista no 1º grau passou a ser exercida pelo juiz do trabalho, que exerce suas funções nas Varas do Trabalho. · MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO: Não é órgão da Justiça do Trabalho, integra o Ministério Público, exerce função essencial à Justiça (art. 127 da CF). O procurador do trabalho atua na defesa dos direitos humanos e fundamentais da ordem social pertinentes às relações de trabalho. Tutela direitos metaindividuais em que as lesões aos direitos apresentem conotação coletiva – art. 129 da CF. AULA 5 –22/08/2019 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO ** COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA: - Define-se em razão da lide objeto da petição inicial. - Na Justiça do Trabalho a competência é definida em função da matéria e tem como fundamento constitucional o artigo 114 da CF/88 com redação alterada pela EC 45/2004 que ampliou sobremaneira a competência material da JT. Estudar, principalmente, o inciso IV. - OBSERVAÇÕES: 1. Ações previdenciárias (acidentárias) decorrentes de acidentes de trabalho não se encontram na esfera de competência material da Justiça do Trabalho, sendo a Justiça Comum competente para processar e julgar ação acidentária proposta pelo empregado acidentário em face do INSS. 2. Súmula Vinculante nº 22 do STF: Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ações de indenização por danos morais e materiais envolvendo acidente de trabalho. 3. Súmula Vinculante nº 23 do STF: Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve por trabalhadores da iniciativa privada. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO LUGAR/TERRITORIAL– artigo 651 da CLT **: REGRA GERAL: LOCAL DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EXCEÇÃO 1: Viajante comercial (§1º) – A CLT diz que viajante comercial é aquele que trabalha sem lugar fixo. Será o local onde se situa a sede ou local da empresa a que esta figura está subordinada. Não existindo, será competente e a Vara da localidade onde o empregado tenha domicílio ou na localidade mais próxima. EXCEÇÃO 2: Competência das varas do trabalho para processar a julgar lides ocorridas em agência ou filial situada no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional em sentido contrário (§2º). EXCEÇÃO 3: Empresas que promovam atividades fora do local de celebração do contrato - §3º - assegura-se ao trabalhador optar ajuizar a ação no foro da celebração do contrato ou no da prestação de serviços. Exemplo: motoristas de ônibus de linhas intermunicipais, feiras agropecuárias, circo etc. A pessoa que trabalha como empregada num circo tem vários locais de prestação de serviços, não sendo viajante comercial. Este pode escolher o local de prestação de serviços ou de local do contrato par ajuizar a ação. OBSERVAÇÃO: Foro de eleição é a oportunidade de as partes combinarem por meio de cláusula contratual qual é o lugar competente para ajuizar a ação. Na forma da doutrina, não se admite foro de eleição no Direito Processual do Trabalho, pois a competência é definida por lei. Nessa perspectiva, o contrato pode, apenas, reforçar o que a lei define. No entanto, ressalta-se que a CLT não proíbe eleição de foro, sendo essa concepção de caráter doutrinário acatada nas decisões judiciais e concursos. Ressalta-se que somente a união pode estabelecer regras de Direito do trabalho, sendo possível interpretar que não é possível pactuar o foro por meio de lei municipal ou estadual ou mesmo convenção. AULA 6 –28/09/2019 PARTES E PROCURADORES TERMINOLOGIA DA CLT - Reclamação trabalhista / reclamação >Dominação da ação Reclamante – parte autora Reclamado – parte ré - Dissídio coletivo: Suscitante – autor Suscitado – réu - Inquérito judicial para apuração de falta grave: Requerente – autor Requerido – réu CAPACIDADE PROCESSUAL - Capacidade de ser parte: todas as pessoas, pois são titulares de personalidade jurídica (artigo 1º e 2º do CC). - Capacidade de Estar em juízo: a partir dos 18 anos. - Entre 16 aos 18 anos, por ser relativamente incapaz, será assistido até os 16 anps, será representado. Art. 793 da CLT Art. 843, §§ 1º e 3º da CLT Art. 402 da CLT Art. 72 do CPC Art. 75 do CPC Art. 87 do CPC Art. 76 §ú da lei 11.101 Art. 87 da lei 13146/15–Estatuto da Pessoa com deficiências CAPACIDADE POSTULATÓRIA “Advogado” Art. 103 do CPC Art. 791, §1º , da CLT Art. 839, a e b da CLT JUS POSTULANDI:**Possibilidade de o trabalhador litigar sem advogado. Em outras palavras, a própria parte pode ajuizar ou se defender por si ou contratar advogado. OBS1: ADI 1127/DF, STF OBS2: Exceções ao jus postulandi – Súmula do TST e art. 855 da CLT MANDATO – artigo 5º da lei 8906/94 (Estatuto da OAB) - Representação técnica por advogado – depende do instrumento do mandato, que é a procuração ad judicia. OBS: Súmula 456 do TST, Art 112 do CPC, Art. 104 do CPC, Art. 76 do CPC, OJ 395,SDI-1 OJ 200 DA SDI-1 do TST Art. 791,§3º da CLT HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA - Artigo 791-A da CLT – RT Há honorários contratuais e sucumbenciais. Os primeiros são pactuados entre as partes (cliente e advogado). O advogado tem liberdade para cobrar o valor que quiser, respeitando a tabela da OAB. A consultoria e apresentação de solução para o caso concreto são cobrados dentro da esfera de honorários contratuais. O advogado elabora um contrato para tratar das clausulas de prestação de serviço, dizendo quais atos são acobertados pelos atos, que não se garante o êxito, os valores, a possibilidade de cobrar do cliente somente no êxito, ou seja, não cobrar por nenhum ato, apenas a porcentagem no final da ação a partir do êxito e não há cobrança no início. Advocacia pro bono: exercício da advocacia gratuita em alguns casos. A lei determina que os honorários sucumbenciais hoje devem ser pagos ao advogado vencedor da reclamação trabalhista. Os honorários são regulados atualmente pela Reforma Trabalhista, estabelecendo direitos ao advogado vencedor. Quem paga é a parte perdedora ao advogado vencedor no processo. DANO PROCESSUAL - Art. 793 – A ao 793-D a CLT – Reforma Trabalhista AULAS 7 e 8 –04 e 05/09/2019 JUSTIÇA GRATUITA Artigo 790, §3º e 4º da CLT – Reforma trabalhista A gratuidade de justiça é a isenção das custas processuais e emolumentos. O benefício da gratuidade de justiça poderá ser concedido em duas hipóteses: a) Salário igual ou inferior a 40% do limite máximo de benefícios do RGPS. Atualmente, o benefício máximo pago pelo INSS é R$5600. O desempregado se encaixa nesse critério. b) Ausência comprovada de recursos para arcar com as custas do processo: a declaração não é documento suficiência, sendo preciso comprovar a hipossuficiência., mostrando que não é possível arcar sem prejuízo do próprio sustento. Na maioria dos casos, beneficia a parte autora das reclamações que, normalmente, é o trabalhador. No entanto, a lei não veda que o empregador conquiste o benefício, se comprovar hipossuficiência. É possível que, durante o processo, mude a situação econômica do autor, sendo possível requerer ao Poder Judiciário não apenas no início do processo, mas em qualquer fase e grau de jurisdição (1ª e 2ª instância).Sendo pleiteado na fase recursal, precisa ser requerido dentro do prazo do Recurso. É possível que a gratuidade seja concedida pelo juiz em apenas alguns atos ou em todo o processo. OBSERVAÇÕES: - Isentos do pagamento das custas processuais – artigo 790- A da CLT: União, Estados, DF, Municípios, autarquias e fundações públicas que na explorem atividade econômica. São os entes da fazendo pública que não pagam as custas processuais. - A gratuidade de justiça significa o não pagamento das custas processuais. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA A assistência judiciária é o patrocínio gratuito da causa oferecido pelo Estado a quem não possui recursos para arcar com advogado. Cabe ao Estado prestar assistência judiciária gratuidade e integral aos que comprovarem insuficiência de Recursos – artigo 5º, LXXIV, CRFB. A Instituição responsável por cumprir o referido artigo é a Defensoria Pública dos Estados e da União. Na Justiça do Trabalho, a assistência judiciária gratuita será prestada pelo SINDICATO da categoria profissional, inclusive para aquele que não esteja associado ao sindicato – artigos 14 e 18 da lei 5584/70. É preciso comprovar a hipossuficiência, ou seja, renda até 2 salários mínimos conforme esta lei. No entanto, aplica-se o artigo 790, §3º e 4º da CLT. O salário do advogado é pago por meio do recolhimento da contribuição sindical. Com a Reforma, a contribuição passou a ser facultativa, enfraquecendo a atuação sindical. Muitos advogados, inclusive, foram dispensados do sindicato pela falta de recursos para pagar seu salário. Isso enfraquece o direito constitucional da assistência judiciária. OBSERVAÇÕES: Súmulas 463 do TST – Tuma declaração de hipossuficiência é documento hábil para que a assistência judiciária seja prestada. ATOS, TERMOS, PRAZOS E NULIDADES ATOS PROCESSUAIS: CONCEITO: São espécies de atos jurídicos eu observam a constituição, desenvolvimento e extinção da relação processual. Podem ser praticados pelas partes, pelo juiz ou pelos órgãos auxiliares da justiça. Exemplos: distribuição da reclamação, juntada, notificação, penhora, etc. COMUNICAÇÃO DOS ATOS – NOTIFICAÇÃO - intimações e citações. REGRA GERAL DE CITAÇÃO INICIAL DA PARTE RECLAMADA: - Por meio de carta via correio (contendo petição inicia e designação de audiência). Presume-se, relativamente, que 48h depois a parte ré terá recebido a notificação. - Se a parte reclamada pro fazenda pública, a notificação da citação deve ocorrer por Oficial de Justiça. IMPORTANTE: Ao ser ajuizada uma reclamação trabalhista, a mesma será distribuída a respectiva Vara do Trabalho. O servidor da Secretaria remeterá ao reclamado a notificação via postal, com a designação da audiência para, pelo menos, 5 dias depois, ocasião em que demandado apresentará, caso deseje, sua defesa ( artigo 81 da CLT). SÚMULA 16 DO TST * - presume-se recebida a notificação 48h após a postagem nos correios, sendo essa uma presunção relativa que admite prova em contrário. 1º Ajuizamento da PI 2º Distribuição para a Vara do trabalho. 3º O servidor recolher uma cópia da PI e um documento que designa a data da audiência para, no mínimo, 5 dias posterior às 48h – prazo da notificação via postal. 4º Em 48h conforme Súmula do TST, deve chegar ao remetente, que é o pólo passivo. - A audiência será designada 5 dias após a presunção de notificação via postal da parte ré: 48h. - Ressalta-se que os atos processuais são contados em dias corridos e prazos são contados em das úteis. Artigo 770 da CLT – Os atos processuais podem ocorrer em dias úteis – 6h às 20h, incluindo o sábado. Nesse sentido, notificação, audiência e penhora podem ocorrer nesse período, excluindo-se os domingos e os feriados. Artigo 189 da CLT – os atos processuais trabalhistas são públicos, salvo exceções: segredo de justiça (por interesse particular ou interesse social envolvido). TERMO Muitos atos processuais precisam ser reduzidos a termo, que é a materialização dos atos, ou seja, a documentação escrita para compor o processo. Ex: a contestação verbal deverá ser reduzida a termo em 5 dias. PRAZOS PROCESSUAIS Artigo 775 da CLT – contagem em dias úteis (RT), excluem-se sábados, domingos e feriados. Exclui-se, também, o dia do inicio e inclui-se o dia do vencimento. É possível que um feriado municipal ou estadual gere suspensão do prazo por reconhecimento do próprio Tribunal local ou o advogado por juntar aos autos a lei que institui o feriado e solicitar a referida suspensão. 05/09 – 5ª feira: Hoje tenho a notícia da publicação de uma sentença. Tenho 8 dias úteis para apresentar recurso. CONTAGEM: 05/09 - exclusão da data comunicação do ato da (notificação) Início do prazo: 06/09 (6ª é dia útil) Termo final: 17/09 (3ª) Antes da Reforma Trabalhista, os prazos eram contatos em dias corridos. Atualmente, aumentou-se o número de dias para o advogado praticar determinado ato NULIDADES - Artigo 794 ao 798 da CLT - Nem todo ato viciado no processo do trabalho é passível de nulidade. A nulidade é vício grave, que pode conter nulidade absoluta ou relativa. Em outras palavras, pode possuir presunção relativa de reversibilidade ou não. - Um ato processual para ser anulado deve gerar prejuízo a uma das partes, seja a reclamante ou a reclamada. Se não gerar prejuízo, não será anulado. - A parte que origina o vício não pode contestá-lo (nem os atos correlatos), ou seja, se a nulidade foi causada por uma parte, não pode ela suscitar a nulidade. - As partes não podem “enrolar” sobre a manifestação dos atos viciados. Uma vez que a parte tenha ciência do vicio deve manifestá-lo na primeira oportunidade que tiver de fazê-lo nos autos. - O juiz do trabalho deve definir quais são os efeitos da nulidade no processo, se a nulidade atingirá somente o ato ou os posteriores. Nunca atingirá os atos anteriores. Em outras palavras, a nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele dependam ou sejam conseqüência. -O juiz ao decidir sobre a nulidade que a parte entende ser assim, vai proferir uma decisão interlocutória. Dessa decisão não cabe agravo de instrumento. - Se puder a nulidade ser suprida por um ato ou mesmo pela repetição daquele ato sem qualquer nulidade, não se reconhecerá a nulidade. - Quando a nulidade for relativa, o interessado em alegá-la deve fazê-lo na primeira oportunidade que tiver de falar no processo, sob pena de haver preclusão. AULAS 10 e 11 – 11 e 12/09/2019 DISSÍDIOS INDIVIDUAIS CONCEITO DE DISSÍDIO INDIVIDUAL: Caracterizam-se pela existência de pretensão pessoal do litigante. Assim, mesmo que haja mais de um postulante, haverá um dissídio individual. Caracteriza-se pela natureza individual do conflito, ainda que haja litisconsórcio ativo. Em outras palavras, envolve pleitos em que se busca resguardar direitos de um trabalhador, intransponíveis, pessoais, adquiridos por um trabalhador. É possível haver litisconsórcio ativo (ação plúrima): É possível que várias pessoas ajuizem a ação com mesmo objeto e pedido, buscando solucionar dissídios individuais. Materializam-se nas reclamações trabalhistas. DISSÍDIOS INDIVIDUAIS X DISSÍDIOS COLETIVOS Os dissídios coletivos são ações ajuizadas pelos sindicatos, federações ou confederações para a defesa dos interesses de seus filiados., podendo ter origem no TRT. Em outras palavras, dissídios coletivos são ações propostas por sindicatos, que podem, na sua atribuição sindical conferida pela lei e pela constituição, ajuizar ação pleiteando direitos coletivos. PROCEDIMENTOS PARA DISSÍDIO INDIVIDUAL: Há uma justiça do trabalho que trata sobre qualquer assunto ligado ao artigo 114 da CF, não havendo divisão (juizados), lei específica para determinado procedimento como ocorre nos processos cíveis. Nesse sentido, a Justiça do trabalho contempla formas de tramitação diferenciada dependendo do tipo de ação. A CLT traz o procedimento geral, que é o procedimento ordinário. Ademais, trouxe o legislador infraconstitucional em 2000 um trâmite mais célere e simples, na CLT, o procedimento sumaríssimo,quando as causas envolverem valores inferiores a 40 salários mínimos. APLICA-SE O PROCEDIMENTO ORDINÁRIO POR ELIMINAÇÃO: 1º Analisar se há procedimento especial, especificado pelo CPC ou pela CLT, como mandado de segurança, que é cabível na Justiça do trabalho. Como há lei específica, aplica-se este procedimento especial. O mesmo ocorre com inquérito policial parar apurar falta grave e consignação em pagamento. Quando as ações têm procedimento próprio, aplicam-se as leis próprias. 2º Analisar o valor da causa: Sendo ação comum da JT, reclamação trabalhista, olha-se ao valor da causa. Se for inferior a 2 salários mínimos, será o sumário em teoria. Sendo valor até 40 salários mínimos, será o procedimento sumaríssimo. 3º Quando não se encaixar em nenhuma das hipóteses anteriores, aplica-se o procedimento ORDINÁRIO. Obs: Na CLT estão os procedimentos sumário e ordinário. RESUMO: - ORDINÁRIO: quando não incidem no caso outros tipos de procedimento (sumário, sumaríssimo e especial) – REGRA GERAL. - SUMARÍSSIMO: valor da causa até 40 salários mínimos. - SUMÁRIO: valor da causa de até 2 salários mínimos, conforme lei 5584/70. - ESPECIAL: procedimentos específicos por regras próprias. IMPORTANTE: ** Quando for parte da ação ente que integre a Fazenda Pública (envolve autarquias municipais, estaduais e federal, bem como terceirizadas) no pólo passivo, independente do valor da causa, o procedimento será ORDINÁRIO. Independente do número de pessoas que estiverem no pólo passivo, se a Fazenda Pública estiver presente, seguirá o rito ordinário – independentemente do valor da causa. Observação: Fazenda Pública tem prazo em dobro para recorrer e prazo quadruplicado para contestar. FASES DO PROCESSO: I- POSTULATÓRIA: Trata-se do exercício de postular, sendo a primeira etapa do procedimento. É a distribuição de petição inicial. II- CONCILIATÓRIA: Oportunidade que as partes têm de conciliar dentro do processo. Executada pelo juiz do trabalho que, obrigatoriamente, deve propor a conciliação em, pelo menos, dois momentos: no começo e no final da conciliação. A conciliação, na prática, ocorre com uma simples pergunta, um cumprimento de formalidade. No entanto, não atingiu o espírito da lei e do arcabouço principiológico, que é de fato tentar promover a conciliação. Há cursos que ministram técnicas que favorecem o estabelecimento de acordo. III- INSTRUTÓRIA: Trata-se da formação de provas na audiência de instrução e julgamento. Há depoimento pessoa das partes, oitiva de testemunhas, apresentação de laudo pericial. IV- DECISÓRIA: Passada a frase instrutória, o juiz profere decisão e sentença. No entanto, pode não ocorrer nessa data, havendo agendamento para próxima audiência a fim de promover a leitura de sentença, saindo as partes notificadasnessa fase IV da data desse próximo ato. V- RECURSAL: Oportunidade de as partes insurgirem contra a decisão, se preenchidos os pressupostos recursais, a ser apreciado pelo TRT. VI- EXECUTÓRIA: Trata-se da execução da decisão trabalhista. Muitas vezes, a ação está sendo apreciada no TST e já está sendo executada, por exemplo, na Vara de Friburgo. Princípio da concentração dos atos em audiência nas fases II, III e IV em teoria. No entanto, admite-se o fracionamento. Normalmente, ocorre a conciliatória e a instrutória separadamente. PETIÇÃO INICIAL - PODE SER ESCRITA OU VERBAL – nos termos da lei. Na hipótese de ajuizamento de petição inicial verbal, a parte tem o prazo de 5 dias para reduzir a termo o que foi verbalizado. Normalmente, as pessoas que não têm acesso a advogado ou conhecimento de direito fazem petição verbal. - REQUISITOS: De acordo com a CLT, a petição deve ter FATOS e PEDIDOS. Aplica-se subsidiariamente o artigo 319 do CPC (endereçamento, pedidos, valor da causa). A CLT não obriga os FUNDAMENTOS jurídicos em razão do jus postulandi dos leigos que ajuízam ação sem advogado. No entanto, quem possui conhecimento técnico deve colocar a fundamentação, pois faz parte de sua habilidade técnica, até porque se aplica subsidiariamente o CPC nos Fundamentos para o advogado. Ressalta-se que dependendo do direito trabalhista, a fundamentação pode ser mais curta ou longa. Para tratar de salário, por exemplo, a Constituição possui regramento próprio, não havendo necessidade de exposições longas. No entanto, no dano moral trabalhista, vale à pena investir espaço maior da petição para fundamentar, incluindo doutrina e jurisprudência para convencer o interlocutor. Tudo isso porque, em relação a certas temáticas, o ordenamento jurídico não é claro. Artigos 786 e 787 da CLT Artigo 840, §1º, CLT – observar requisitos do artigo 319 do CPC – aplicado subsidiariamente. AULAS 12 - 12/09/2019 - exercícios em dupla AULAS 13 - 18/09/2019 - PETIÇÃO INICIAL - A petição inicial, para ser distribuída, deve atender a requisitos principais. - A CLT não determina no artigo 840 a Exposição de Motivos, ou seja, a Fundamentação. Isso se justifica porque se admite o ius postulandi: nem todo empregado conhece seus direitos para fundamentá-los. Havendo capacidade postulatória do advogado, cabe a fundamentação, uma vez que se aplica subsidiariamente o CPC no Processo do Trabalho (artigo 319 do CPC), que assim exige. - Até 2017, não havia previsão expressa na CLT que dizia que todos os pedidos deviam trazer um valor certo na petição inicial. Nesse período, eram comuns os pedidos genéricos. Após a Reforma Trabalhista, é preciso especificar o pedido, sendo certos, determinados e liquidados, ou seja, com indicação de valor quando possível (ex: reconhecimento do vínculo de emprego não é possível, mas percepção de 50 horas extras no valor de X reais de cada hora é). - O valor da causa impacta no pagamento das custas e honorários de sucumbências. Quanto mais alto o pedido, mais alto o valor das custas. O valor das custas é de 2 porcento do pedido. - AULAS 14 - 19/09/2019 Obrigatoriamente, reclamante e reclamado devem estar presentes na audiência. Ausente uma das partes, temos conseqüências jurídicas diferentes – o que reflete o princípio da proteção - Artigo 844 da CLT ** Se o reclamante/autor da ação (normalmente, o trabalhador) faltar à audiência sem motivo justificado nos termos da lei, a conseqüência jurídica será o arquivamento do processo – modalidade de extinção sem resolução do mérito. A Reforma Trabalhista estipulou que, nesse caso, deve o reclamante arcar com as custas do processo sob pena de não poder ajuizar nova demanda com o mesmo objeto. Quando o reclamado/réu, normalmente, empregador faltar a audiência, sem motivo justificado por lei, as conseqüências jurídicas serão revelia e confissão quanto às matérias de fato. A Reforma Trabalhista determinou que, estando presente o advogado e apresentando respectiva defesa, ainda que ausente o preposto pode não haver os efeitos da revelia. AP1 ATÉ AQUI QUIZ DE REVISÃO PARA A PROVA: 1. Como saberemos se determinada matéria, objeto de ação judicial, pode ser matéria de apreciação da Justiça do Trabalho: ARTIGO 114 DA CF – regra de competência material EC 45 – ampliou a competência Ações que envolvam direito de greve – SIM Ações sobre representação sindical e entre sindicatos – SIM Habeas corpus – SIM Danos morais – SIM Ações oriundas das relações de trabalho, tendo no polo passivo entes da administração pública direta – SIM – ocorre nos casos de terceirização. Ações que envolvam servidores públicos contraentes da Administração Pública direta – NÃO! – A ação tramitará na Justiça Comum. Ações que envolvem recolhimento de contribuições previdenciárias – NÃO é verba trabalhista, mas previdenciária. Ações referentes à dívida de locação do imóvel – NÃO. Ações referentes à dívida trabalhista envolvendo moradia , como fruto do pagamento do salário in natura. – SIM 2. Como saberemos as regras de competência territorial e qual Vara será competente: RG: onde exerce a atividade econômica – artigo 651 da CLT Sendo viajante comercial, será o local onde se situa a agência ou filiala qual está subordinado ou domicílio ou localidade mais próxima na impossibidiade da primeira situação. 3. FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS: AUTOCOMPOSIÇÃO, HEREOCOMPOSIÇÃO: AUTOTUELA (a única admitida é a greve, as próprias partes utilizarão as próprias forças para impor o resultado pretendido). - LOCKAUT: paralisação das atividades pelo empregador,a afim de forçar as condições de trabalho. É forma de autotutela não admitida. 4. IUS POSTULANDI: a parte exerce a própria capacidade psotulatória, ajuíza ação ou se defende sem advogado. Exceções aos ius postulandi: recurso para o TST, ação cautelar, mandado de segurança e ação rescisória – Súmula 425.Ademais,o acordo exttrajudicial homologado pelo juiz conforme a Reforma Trabalhista. Nessas 5 hipóteses, precisa de advogado. 5. Exemplo da CLT que se constata o princípio da proteção. ARTGIO 844 DA CLT** 6. Ação trabalhista cujo valor da causa é de 100 mil reais tramitará sob o rito ordinário. Os 4 procedimentos são: sumaríssimo (até 40 salários mínimos), sumário (até 2 salários mínimos), especial ( aquilo que tem rito próprio, ação cautelar, consignação em pagamento) e ordinário. 7. Uma reclamação trabalhista em face do Estado do RJ por força de terceirização do serviço tramitará sob o rito ordinário independentemente do valor. 8. PREPOSTO: representa a empresa na audiência. A validade de suas alegações é vinculante em audiência. O preposto não precisa ser empregado consoante Reforma Trabalhista. 9. Conseqüências da ausência das partes na audiência; 10. Se o ato viciado não inquinar manifesto prejuízo às partes litigantes, não será anulado. 11. PRAZO PARA CONTESTAÇÃO: até a data da audiência, não há prazo fixo. 12. PRINCÍPIOS PRÓPRIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO: Anotações das aulas de Direito Processual do Trabalho ministradas pela Professora Paula Farsoun– UNESA Milena Rezende de Moraes – milena.psi@hotmail.com