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ATENDIMENTO INICIAL AO TRAUMA

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ATENDIMENTO INICIAL AO TRAUMA
- Trauma é qualquer força externa que resulte em lesão que cause alteração estrutural e/ou fisiológica no organismo.
· Hora de ouro do trauma: tempo entre a ocorrência da lesão e a atenção definitiva. Período dourado não necessariamente tem que levar 1 h (pode ser mais ou menos tempo, a depender do pct).
- Quanto mais tempo o pct for mantido no local, maior será o potencial de perda de sangue e morte.
· MORTALIDADE TRIMODAL
· Mortes imediatas: ocorrem nos primeiros minutos após o trauma, como consequência de lesões potencialmente letais. A forma de evitar esse tipo de morte é prevenindo o trauma, principalmente através de políticas de prevenção de acidentes.
· Mortes precoces: ocorrem nas primeiras horas que se seguem ao trauma. Sua prevenção se faz através de atendimento inicial rápido e eficiente.
· Mortes tardias: ocorrem dias após o trauma, como consequência de complicações do acidente ou do tratamento, como cirurgias. Evita-se esse tipo de morte com atendimento inicial e atendimento intra-hospitalar eficientes.
PRIORIDADES
1. Avaliação da cena
2. Reconhecer a existência de incidentes com múltiplas vítimas ou com vítimas em massa (IVM): a prioridade muda de destinar todos os recursos aos doentes mais graves para dirigí-los ao maior número possível de doentes (fazer o melhor para o maior número de pessoas).
3. Atenção se volta para a avaliação de cada doente. Deve-se dar ênfase à sequência: (a) condições que podem resultar em perda da vida, (b) condições que possam resultar em perda de um membro, (c) todas as outras condições que não coloquem em risco a vida ou um membro.
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA
- A avaliação do PHTLS é baseada na filosofia “tratar à medida que encontrar”, em que o tto é iniciado assim que cada ameaça à vida é identificada ou o mais breve possível.
- Para traumatizados graves, o tempo na cena deve ser limitado a 10 minutos ou menos.
- Uma vez ao lado do doente, o socorrista se apresenta a ele e pergunta seu nome. Uma etapa seguinte razoável é perguntar ao doente “O que aconteceu com você?”
A – AIRWAY (VIAS AÉREAS)
- A via aérea do doente é rapidamente examinada para garantir que esteja permeável (aberta e limpa) e que não haja perigo de obstrução.
- Se a via aérea estiver comprometida, esta deverá ser aberta, inicialmente por métodos manuais (elevação do mento ou tração da mandíbula em doentes traumatizados) e a remoção de sangue, substâncias orgânicas e corpos estranhos deve ser realizada, conforme necessário. Ocasionalmente, quando há equipamento e tempo disponíveis, o tto da via aérea pode progredir para meios mecânicos (cânula oro ou nasofaríngea, dispositivos supraglóticos e intubação endotraqueal ou métodos transtraqueais).
· Estabilização da coluna cervical:
- Existe a suspeita de que todo doente traumatizado com lesão contundente significativa apresenta lesão medular até que esta seja definitivamente descartada.
- Deve-se garantir que a cabeça e o pescoço do doente sejam manualmente mantidos em posição neutra (estabilizados).
- Os procedimentos para manutenção da via aérea devem ser realizados ao mesmo tempo em que a coluna é estabilizada.
B – BREATHING (VENTILAÇÃO)
- O pescoço e o tórax do doente devem ser expostos para avaliar adequadamente a distensão de veias jugulares, a posição da traqueia e a movimentação da parede torácica. A ausculta deve ser realizada para se confirmar o fluxo de ar nos pulmões. A inspeção visual e a palpação poderão detectar lesões da parede do tórax capazes de comprometer a ventilação. A percussão do tórax também pode identificar anormalidades.
1. Verificar se o doente está ventilando.
2. Se não estiver ventilando (apneia), iniciar imediatamente o procedimento de ventilação assistida com dispositivo bolsa-máscara-válvula e suplementação de oxigênio.
3. Verificar se a via aérea está desobstruída, prosseguindo com a ventilação assistida e preparar-se para inserir uma cânula oro ou nasofaríngea, dispositivo supraglótico, intubação ou outros meios de proteção mecânica da via aérea.
4. Se o doente estiver ventilando, verificar se a saturação de O2 é maior que 90%.
- Ao avaliar o estado ventilatório do doente traumatizado, tanto a profundidade quanto a frequência ventilatória devem ser abordadas um doente pode respirar com uma frequência ventilatória normal de 16 ventilações/min., porém apresentar grande diminuição da profundidade. Em contrapartida, um doente pode ter profundidade ventilatória normal, porém apresentar aumento ou redução da frequência ventilatória.
C – CIRCULAÇÃO E HEMORRAGIA
· CONTROLE DA HEMORRAGIA
- A avaliação primária não pode avançar a menos que a hemorragia esteja controlada.
- 3 são os tipos de hemorragia externa:
· Capilar: causada por abrasões que lesionam pequenos capilares localizados abaixo da pele. Geralmente, é diminuída ou até mesmo controlada antes da chegada da equipe do pré-hospitalar.
· Venosa: provém de camadas mais profundas e é, em geral, controlada mediante uma pressão direta moderada no local. De modo geral, não é uma ameaça à vida, a menos que a lesão seja grave ou a perda sanguínea não seja controlada.
· Arterial: a hemorragia mais importante e mais difícil de ser controlada. Caracterizada por sangue na cor vermelho intenso que jorra da ferida. Mesmo uma ferida perfurante pequena e profunda em uma artéria pode produzir hemorragia com risco à vida.
- A hemorragia pode ser controlada nas seguintes maneiras:
· Pressão direta: aplicar pressão com um curativo (p. ex., gaze) ou compressas cirúrgicas diretamente sobre a lesão e realizando pressão manual local.
· Torniquetes: são muito eficazes no controle da hemorragia grave e devem ser utilizados se a pressão direta ou o curativo compressivo não controlarem a hemorragia de uma extremidade.
- Se houver suspeita de hemorragia interna, o tórax, o abdome, a pelve e os membros inferiores devem ser expostos, inspecionados e palpados rapidamente para identificar possíveis sinais de lesão.
· PERFUSÃO
· Pulso
- É avaliado quanto à presença, qualidade e regularidade.
- Essa rápida verificação revela se o doente apresenta taquicardia, bradicardia ou ritmo cardíaco irregular.
- Na avaliação primária, a determinação exata da frequência cardíaca não é necessária. Deve-se obter uma estimativa bruta desta frequência e o exame prossegue para outras avaliações. 
· Tempo de enchimento capilar
- É verificado ao pressionar o leito ungueal e soltá-lo a seguir. Observa-se o tempo de retorno do sangue para o leito ungueal após a liberação da pressão (tempo de enchimento).
- É uma ferramenta para estimar o fluxo sanguíneo através da parte mais distal da circulação.
- Tempo de enchimento capilar > 2 s poderá indicar que os leitos capilares não estão recebendo perfusão adequada.
- Sempre deve ser usado em conjunto com outros achados do exame físico (p. ex., pressão arterial).
· Pele
· Cor: pele rosada indica boa perfusão tecidual. A pele fica pálida qnd o sangue é desviado de uma área. Coloração azulada indica oxigenação incompleta.
- A pigmentação da pele dificulta a percepção de uma anormalidade na cor. O exame da cor do leito ungueal e das membranas mucosas ajuda a superar esse desafio: lábios, gengivas ou nas extremidades dos dedos (mudanças na coloração aparecem primeiro neles).
· Temperatura: a temperatura normal da pele é morna. Pele fria indica perfusão diminuída, independente da causa.
- Avalia-se a temperatura da pele ao tocar o doente com o dorso da mão.
· Umidade: pele seca indica boa perfusão. A pele úmida está associada ao choque e à perfusão diminuída.
D – DISFUNÇÃO NEUROLÓGICA
- O objetivo é determinar o nível de consciência (NC) do doente e verificar o potencial para hipóxia.
- Há 4 possibilidades de causa de rebaixamento do NC:
(1) Hipóxia
(2) Lesão do SNC
(3) Intoxicação por álcool ou drogas
(4) Distúrbio metabólico (diabetes, convulsão, parada cardíaca)
- Utiliza-se a escala de coma de Glasgow (GCS).
- Avaliam-se também as pupilas quanto ao tamanho e simetria.
E – EXPOSIÇÃO/AMBIENTE
- Deve-se remover as roupas do doente traumatizado

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