Prévia do material em texto
UNIDADE II TÓPICOS INTEGRADORES II - NUTRIÇÃO 2 Sumário Para início de converSa ..................................................................................... 3 o SiSTema diGeSTÓrio ............................................................................................ 4 anatomia e Função do Trato Gastrointestinal (TGi) ............................................................ 4 Sistema nervoso mioentérico ................................................................................................ 6 movimentos do Trato Gastrointestinal .................................................................................. 6 digestão no Trato Gastrointestinal ......................................................................................... 7 Secreções do Trato Gastrointestinal ..................................................................................... 8 Secreção de muco ................................................................................................................... 10 absorção no Trato Gastrointestinal ....................................................................................... 11 Função endócrina do Trato digestório .................................................................................. 11 o SiSTema endÓcrino ............................................................................................. 12 3 TÓPicoS inTeGradoS ii - nuTriÇÃo unidade ii Para início de converSa Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) a nossa II unidade da disciplina Tópicos Integradores II - Nutrição. Gostaria de contar mais uma vez com seu comprometimento, ele será essencial para seu sucesso acadêmico e/ou profissional. orienTaÇõeS da diSciPlina Nesta II unidade, vou abordar o conteúdo de fisiologia do trato gastrointestinal e das glândulas (sistema endócrino). Então, com este Guia de Estudos você será capaz de entender a função e importância de cada órgão e hormônio que faz parte desse processo. Antes de iniciar nossos estudos gostaria de lembrar a importância da leitura do seu livro-texto, assista também a nossa videoaula, pois ela foi elaborada com o objetivo de facilitar seu aprendizado. Quero apenas orientar que você terá atividades relacionadas a este material de estudo e, caso você precise tirar alguma dúvida, sinalize o seu tutor, ele estará a sua disposição para lhe auxiliar no que for preciso. Preparado(a)? Vamos então para nossa viagem pelo vasto mundo da fisiologia humana do trato digestório e das glândulas anexas! Bom estudo! PalavraS do ProFeSSor Caro(a) estudante, vamos então iniciar o estudo sobre a fisiologia digestiva humana. Assunto importantíssimo para compreensão de como o alimento é utilizado no organismo, desde a mastigação, absorção, metabolismo e excreção e a importância que as glândulas exercem no processo digestório. Conteúdo de grande importância para vida pratica do profissional nutricionista. Vamos dar continuidade! 4 o SiSTema diGeSTÓrio A principal função do sistema digestório é a digestão, absorção, metabolismo e excreção dos alimentos que são ingeridos, sejam líquidos ou sólidos. Os alimentos por sua vez, como abordado no GUIA I dessa disciplina, são necessários para que o corpo possa obter todas as moléculas essenciais à construção das células e tecidos corporais, além de ser a primeira fonte de energia necessária para a realização de todas as funções celulares. Todo esse processo digestivo e absortivo é realizado através do Trato Gastro Intestinal (TGI), que é a grosso modo um longo tubo por onde o alimento é empurrado, digerido e absorvido. anatomia e Função do Trato Gastrointestinal (TGi) O trato gastrointestinal está representado na figura 1. Como já discutido no GUIA I dessa disciplina, ele tem início na boca, local onde começa o todo processo digestório por meio da mastigação. O alimento, depois de mastigado pelos dentes, é deglutido com o auxílio da língua e saliva vai para a faringe, este local é o ponto de encontro entre nariz e boca e pode ser considerado como o começo tanto do tubo digestório e quanto das vias aéreas. É importante relembrar que é na boca onde ocorre a secreção de saliva que dupla função: serve como lubrificante do alimento no esôfago e também tem funções digestórias, já que contem a enzima alfa amilase salivar responsável pelo início da digestão de amido. A faringe se divide em 2 partes: laringe (que tem como função a condução do ar pelas vias aéreas do sistema respiratório) e esôfago. Em cima da laringe existe uma musculatura denominada epiglote ou glote, que se fecha cada vez que se engole algo, seja sólido ou líquido. Como a glote fecha a entrada da laringe, o alimento naturalmente cai no esôfago, que é um longo tubo que não tem funções apenas de conduzir o alimento ao estômago. Figura 1: Anatomia do sistema digestório Fonte: LINK 5 O estômago é um órgão reservatório e digestório, ou seja, tem função de armazenar e digerir o alimento. No estômago temos a presença de uma enzima, a pepsina, responsável por iniciar a digestão das proteínas. O estômago também auxilia a digestão realizada no duodeno que é uma pequena parte inicial do intestino delgado, onde se realiza cerca de 80% da digestão. Como é pequeno, o duodeno não tem capacidade de receber grandes quantidades de alimento; então o estomago armazena o alimento que chega pelo esôfago e o libera aos poucos para que o duodeno. Após passar pelo estômago, o bolo alimentar vai para o intestino que se divide em 2 partes: intestino delgado e intestino grosso. O intestino delgado por sua vez se subdivide em duodeno, jejuno e íleo. Como dito anteriormente, o duodeno é responsável pela maior parte da digestão pela presença de diversas enzimas que são liberadas pelo pâncreas e próprio intestino delgado. Já no jejuno e no íleo ocorre o restante da absorção dos alimentos. O intestino grosso se subdivide em cólon ascendente, transverso e descendente, sigmoide, reto e anus. O intestino grosso tem a função de absorção de água e eletrólitos, além de formação do bolo fecal e condução para excreção. Uma análise histológica da parede do trato gastrointestinal mostra que todo ele, desde o esôfago até o reto, possui as mesmas camadas (figura 2). Em um corte podemos ver a camada mais externa a serosa, composto por tecido colágeno que tem como função a proteção do TGI. Logo após temos a camada serosa, se observam 2 camadas musculares: a longitudinal e a circular, que possui função de realizar os movimentos do trato digestório, que serão discutidas posteriormente. Nessa camada há a presença de neurônios especiais do plexo ou sistema nervoso miontérico. Essas células nervosas são responsáveis pela estimulação das camadas musculares e dos movimentos do Trato gastrointestinal. Na submucosa, há presença de mais neurônios, que formam nessa região o chamado plexo nervoso de Meissner. Essas células nervosas controlam as secreções das glândulas da camada mais íntima do Trato gastrointestinal, a MUCOSA. A mucosa está na luz do TGI e é responsável por abrigar as glândulas secretoras do TGI. No intestino, principalmente no delgado, podemos ver inúmeras vilosidades da mucosa, que garante uma grande superfície de absorção dos nutrientes. Figura 2: histologia da parede do TGI Fonte: LINK. 6 Sistema nervoso mioentérico Caro(a) estudante, como já foi dito no tópico acima, o trato gastrointestinal possui uma extensa rede de nervos e corpos celulares neurais contidos na parede do próprio TGI, desde o esôfago até o ânus, chamado de sistema nervoso mioentérico (sistema nervoso intrínseco do trato gastrointestinal). Essa rede neural é capaz de gerar impulsos regulares que percorrem o TGI levando a movimentos peristáltico. O sistema mioentérico forma o que podemos chamar de ondas lentas, que são pequenas despolarizaçõesque ocorrem com frequência constante. Essas ondas lentas permitem ao TGI responder a vários estímulos químicos ou mecânicos. Por exemplo, uma pancada no abdome pode levar a pessoa a evacuar, porque o estímulo mecânico ativa o sistema mioentérico e esse responde gerando potências espontâneos que levam ao peristaltismo ao longo do TGI, podem estar por sua vez, chegar ao reto. Fique aTenTo! O Sistema nervoso simpático e parassimpático é responsável pelo controle das funções digestórias. O sistema nervoso parassimpático, por meio do nervo vago, estimula o trato gastrointestinal a promover o aumento dos movimentos peristálticos e das secreções, ao longo de todo o TGI, ou seja, pode-se afirmar a digestão e absorção dos alimentos tem como responsável para o sistema nervoso parassimpático. Porém, o sistema nervoso simpático tem como principal função, inibir as secreções digestórias e movimentos peristálticos, pois inibeos neurônios do mioentérico. Fica a dica O sistema nervoso simpático desvia a circulação sanguínea para os músculos, diminuindo o fluxo de sangue e O do TGI, o que claramente leva a uma dificuldade no processo digestivo. Por isso que atividade física e digestão não combinam e não devem ocorrer ao mesmo tempo. movimentos do Trato Gastrointestinal O trato gastrointestinal secreta muitas enzimas e produz movimentos próprios para realizar a digestão. Esses movimentos são importantes para que o alimento percorra todo o TGI, independentemente de qualquer fator externo, como a posição do corpo e a gravidade e, que possa ser corretamente digerido. Existe 2 tipos de movimentos: o peristaltismo e os movimentos segmentares. 7 ??? A) Peristaltismo: Responsável por empurrar o alimento ao longo do TGI, desde o esôfago até o reto. Podemos resumir o peristaltismo como fortes contrações que estreitam o espaço do TGI e, com isso, levam os alimentos líquidos ou sólidos de uma região para outra. Esses movimentos peristálticos geralmente acontecem em ondas que percorrem o TGI, isso garante que mesmo que estejamos deitados ou sentados, o alimento sempre seja levado nessa direção. B) Movimento de mistura ou segmentar: É ele que promove a mistura do bolo alimentar. O movimento segmentar é mais fraco e localizado do que o peristáltico, e tem como função melhorar ao máximo o processo digestório. você Sabia? O vômito é uma situação especial onde o peristaltismo ocorrer em sentido contrário. Quando algo lesivo chega até o estomago ele, pode ocorrer o vômito, que se caracteriza exatamente por um movimento peristáltico invertido, do estomago à boca. digestão no Trato Gastrointestinal Para reSumir No GUIA 1 desta disciplina abordamos brevemente sobre bioquímica dos alimentos que ingerimos. Para a fisiologia do sistema digestório é necessário que seja relembrado aqui novamente esse tópico. Os alimentos podem ser classificados como nutrientes e micronutrientes. Os nutrientes são biomoléculas quimicamente classificadas em 3 grupos principais: carboidratos, lipídeos e proteínas. Eles geram a energia para o funcionamento das células e tecidos. Para realizar atividades diárias o corpo humano gasta cerca de 2000 calorias que são geradas a partir especialmente dos carboidratos e dos lipídeos. Além disso, é a partir dessas biomoléculas, especialmente as proteínas, que todo o corpo é formado, desde diferentes partes de nossas células, como a membrana plasmática, até tecidos, como o tecido muscular e o tecido ósseo. Já os micronutrientes são substâncias que precisamos ingerir em pequenas quantidades. Eles não geram energia, mas participam de vários processos fisiológicos das células e tecidos, como em reações enzimáticas e na síntese de substâncias essenciais. Os principais exemplos são as vitaminas e os minerais, como Mg,Na,P,Zn,Ca, K, P outros. 8 Secreções do Trato Gastrointestinal Como dito anteriormente, além de realizar movimentos próprios, o TGI secreta várias substâncias para a digestão dos alimentos. Essas secreções são enzimas responsáveis por quebrar cada nutriente do TGI. Para melhor entendimento será descrito cada parte do TGI e, que as secreções e enzimas estão relacionadas a digestão. • Boca: A boca é a parte inicial do trato gastrointestinal e também local de processos importantes para a digestão. O primeiro desses processos é o da mastigação, responsável pelo trituramento dos alimentos, sem esse processo a deglutição não seria possível a deglutição. Para isso é necessária a lenta e correta mastigação do alimento, caso contrário, pode acarretar em lesões no esôfago e estô- mago, além de uma digestão menos eficiente. Durante esse processo da mastigação, a parótida e as glândulas salivares secretam saliva, que con- tém uma enzima chamada amilase salivar. A amilase salivar é responsável pela digestão de carboi- dratos, mais especificamente, o amido. Após o alimento ser triturado e sofrer a ação da amilase é formado o bolo alimentar que é deglutido. A língua é responsável por nos fazer engolir o alimento, ela empurra o alimenta no sentido da faringe. Além disso, a língua possui papilas gustativas que, junto com o olfato, permite reconhecer os sabores dos alimentos. A faringe, é então apenas uma via de passagem para o alimento chegar no esôfago. • Esôfago: O esôfago é um longo tubo que desemboca no estômago e que não tem função de digestão. No esôfago começa o peristaltismo, essencial para o alimento chegar no estômago. Apesar de não ter função digestória, o esôfago secreta muco. O muco é composto por várias substâncias, carboidratos e proteínas, e terá sua função detalhada mais adiante. • Estômago: Tem grande capacidade de receber e armazenar alimentos. A mucosa do estômago é basicamente formada por 3 tipos de células. Cada uma dessas células é responsável por uma das funções do estômago: as células oxínticas, que secretam ácido clorídrico (HCl), as células pépticas, que secretam pepsinas, enzimas capazes de digerir proteínas, e as células da mucosa que secretam muco. O ácido clorídrico é responsável pela ativação das enzimas, já que elas são ativas apenas em meio bastante ácido. O pepsinogênio (forma inativa) então é transformado pelo ácido clorídrico em pepsina é a enzima ativada. Além disso, o HCl permite a (hidrólise) das pontes proteicas e sua desnaturação, o que facilita a ação da pepsina. A ação do HCl e das pepsinas possibilitam o início da digestão da maior parte das proteínas que chegam ao estômago. Então, o estômago secreta pequenas quantidades de caseinase, que participa da digestão da caseína do leite, e lípase gástrica para a digestão de lipídeos. Mas, estas duas enzimas citadas por último, não tem grande importância digestória. O bolo alimentar ao sofrer as ações gástricas é transformado em quimo. Fique aTenTo! A maior parte da digestão não é realizada no estômago, e sim na primeira porção do intestino delgado, o duodeno, porém, aos poucos é que o alimento chega até ele. Assim, a principal função do estômago é armazenar o bolo alimentar para que ele passe aos poucos para o duodeno e possa ser digerido. Sem a função de estômago pouco alimento poderia ser digerido por vez, o que poderia causar a desnutrição. 9 • Duodeno: Como dito antes, é uma pequena porção inicial do intestino delgado, o duodeno tem esse, pois seu tamanho é cerca de 12 dedos. Ele é responsável pela digestão da maior parte dos alimentos que ingerimos. No duodeno agem secreções de três órgãos: intrínsecas - do próprio duodeno, do pâncreas e do fígado para transformar o quimo do estômago em quilo, que é o resultado final da digestão e estará pronto para ser absorvido. O fígado produz a bile, ele é ligado ao duodeno e pode lançar suas secreções no mesmo. A bile é formada por de bilirrubina, que são restos metabólicos hepáticos da degradação de hemoglobina, colesterol, do metabolismo hepático dosesteroides e por sais biliares, compostos por proteoglicanos. A bile e a bilirrubina são liberadas no duodeno para poderem ser excretados através do trato gastrointestinal. Já os sais biliares têm grande adstringente (faz com que os lipídeos possam ser dissolvidos na água) sobre os lipídeos, favorecendo a digestão e absorção dos mesmos. Além de toda atividade digestória, também se pode afirmar que ocorre uma pequena parte da absorção dos alimentos no duodeno. A bile é formada por metabólitos hepáticos, ela é produzida continuamente. Para evitar que seja jogada diretamente no duodeno, principalmente quando este não tenha alimentos, a bile produzida é armazenada em uma bolsa que fica junto ao fígado chamada de vesícula biliar. Através de um controle hormonal ela se contrai e libera a bile. Quando alguns componentes da bile se cristalizam, formam o conhecido cálculo biliar. Que por sua vez, pode impedir a chegada da bile no duodeno, o que prejudica a digestão, tanto pela falta dos sais biliares, quanto o funcionamento do fígado. O pâncreas, através de sua parte exócrina, os ácinos é responsável pela secreção do suco pancreático diretamente no duodeno, através de um canal de ligação como podemos ver na figura 1. Esse suco contém enzimas para digestão de proteínas, carboidratos e lipídeos. Podemos citar a quimiotripisina, tripsina e elastase responsável pela degradação de proteínas, peptídeos, amilase pancreática que degrada o amidos e os sacarídeos de forma geral, lipase pancreática degradam os lipídeos e ácidos graxos e demais enzimas se encontram na TABELA 1. Ao analisar a tabela verifica-se que todas as enzimas necessárias para a digestão dos macronutrientes, proteínas, carboidratos e lipídeos estão presentes no suco pancreático. Além disso, o suco pancreático contém grandes quantidades de bicarbonato de sódio, que reage com o ácido que veio do estômago, elevando e neutralizando o pH, o que protege o duodeno e é fundamental para a digestão, já que aqui as enzimas só atuam em meio alcalino. Tabela 1 – Enzimas do Suco Pancreático enzima Substrato Quimotripsina Proteínas Peptídeos e aminoácidos Tripsina Proteínas Peptídeos e aminoácidos Elastase Proteínas Peptídeos e aminoácidos Ribonuclease RNA Ac. nucleicos Desoxiribonuclease DNA Ac. nucleicos Amilase Amido Sacarídeos Esterase Esteroides e Colesterol Lipase Lipídeos Av. graxos 10 Como dito anteriormente, o duodeno secreta o suco intrínseco duodenal contendo enzimas para a digestão das partículas menores dos nutrientes, as quais já sofreram a ação do suco pancreático. Este suco contém: carboxipeptidase, dipeptidases, aminopeptidases, sacarase, maltase entre outras que pode ser vista na TABELA 2, que são enzimas para digestão de dissacarídeos, peptídeos e ácidos graxos. Tabela 2 – Enzimas secretadas pelo duodeno enzima Substrato Produto Carboxipeptidase Peptídeos Aminoácidos Dipeptidase Peptídeos Aminoácidos Aminopeptidase Peptídeos Aminoácidos Nucleotidases Nucleotídeos Bases Sacarase Sacarose Glicose e frutose Maltase e Dextrinase Maltose e isomaltose Glicose Lactase Lactose Glicose e galactose Lipase Monoglicerídeos Ácidos graxos Secreção de muco Durante todo o trajeto do trato gastrointestinal, ocorre a liberação de muco. O muco é formado por proteínas, polissacarídeos e tem como função proteger a parede da mucosa do trato gastrointestinal durante a passagem do alimento. Essa camada de mucoide o impede o contato direto do bolo alimentar com a parede do TGI. Como citado o muco reveste todo o TGI, porém, ele tem especial importância no estômago. Isso porque o muco protege o estômago do atrito dos alimentos, e também do ácido clorídrico produzido no próprio estômago. O Ph do estômago é ácido podendo chegar a 1,5, sendo assim, bem corrosivo e lesivo a qualquer tecido, dessa forma, o estômago tem uma camada bem grossa de muco com a função de proteção a corrosão pelo HCl. É nesse muco estomacal que há a presença de íons bicarbonato, que tem como função de auxiliar nesse trabalho de proteção, e também ajuda a neutralizar o pH do meio gástrico. Qualquer problema na produção e manutenção desse muco leva a irritação gástrica conhecida como gastrite ou lesão conhecida como ulcera. A bactéria Helicobacter Pylori é principal causa da gastrite. Essa bactéria tem a capacidade de penetrar no muco e levar o ácido clorídrico a alcançar a mucosa do estômago. A maioria das pessoas apresentam esta bactéria, porém, por alguma desordem ou queda do sistema imunológico pode levar a sua proliferação, e assim causando gastrite. Causa para esse quadro pode ser o uso abusivo de álcool, pois ele solubiliza e retira a camada de muco gástrico, o que pode levara formação de úlceras e gastrites. A administração de drogas como os anti-inflamatórios não esteroides podem inibir a produção de muco estomacal também levando ao mesmo quadro anteriormente citado. 11 absorção no Trato Gastrointestinal Para melhor entender o processo de absorção dos nutrientes no TGI, vamos seguir após o duodeno, onde terminou todo o processo digestivo dos alimentos. A partir daí tudo o que temos é absorção e excreção. • Jejuno e Íleo: O alimento quando chega ao jejuno e ao íleo, já foi completamente digerido e transformado nas biomoléculas essenciais: aminoácidos, ácidos graxos e monossacarídeos. Neste ponto do intestino, no jejuno e íleo, ocorre toda a absorção das biomoléculas e a maior parte da absorção de água, vitaminas e sais minerais, que são os micronutrientes. Todas as substâncias absorvidas vão para capilares que estão em toda a volta do intestino delgado. A absorção se dá de forma ativa e ocorre em uma longa superfície, pois o intestino humano tem em média de 5 a 6 metros de extensão. Além disso, há a presença de vilosidades por toda a mucosa entérica o que aumenta ainda mais a superfície de absorção. Todos os nutrientes são absorvidos nos capilares e esses nutrientes são todos desviados para a veia porta hepática e, posteriormente, conduzidos ao fígado, podendo ser usados para uso imediato, especialmente glicose e aminoácidos, ou para serem armazenadas no próprio fígado (como aminoácidos e glicogênio) ou em células especializadas, como as células adiposas que são as células que armazenam gordura. • Intestino Grosso: É a parte final do intestino, o intestino grosso tem como principal função a de absorver pequenas quantidades dos minerais, como Ca e Na, e água, que por sua vez não foram absorvidos no jejuno e no íleo. Vale ressaltar que a maior parte da absorção aconteceu no jejuno e íleo. Além disso, cabe ao intestino grosso a condução do bolo fecal formado. Na porção final do intestino grosso temos o reto e o ânus que funciona como um músculo constritor (esfíncter) onde o bolo fecal é por fim excretado. Função endócrina do Trato digestório Ao longo do TGI são liberados vários hormônios que são essenciais ao controle das secreções e movimentos do próprio trato. Assim, apesar de serem hormônios e, portanto, poderem ter efeitos a distância ao caírem na corrente sanguínea, os hormônios do TGI atuam muito especificamente no próprio TGI, por isso são estudados aqui nesse GUIA de estudo. Esses principais hormônios são: a) Gastrina: Hormônio secretado pela porção antral do estômago. Quando a alimentação contém proteína e esta atinge o estômago, o mesmo secreta gastrina que vai agir nas células oxínticas e promover a produção e liberação de ácido clorídrico e ativa o pepsinogênio em pepsina. b) Secretina: Hormônio secretado pelo duodeno e tem ação no pâncreas, promovendo a produção e liberação do suco pancreático, que por sua vez age favorecendo a digestão no duodeno. Mas, sua ação principal é promover a liberação dos íons bicarbonato, responsáveis pela neutralização do pH entérico. A secreção de secretina inicia-se quando o alimento atinge o estômago. c) Colicistoquinina (CCK): Éliberada por glândulas da mucosa duodenal e vai agir, no estômago, no fígado e no pâncreas. 12 ??? As funções da CCK secretada pelo duodeno são: · Promove a liberação da bile, pois promove a contração da vesícula biliar. · Junto com a secretina, promove a liberação do suco pancreático e dos íons bicarbonato no pâncreas. · Inibe o esvaziamento gástrico. A CCK é liberada sempre que o duodeno recebe alimentos, impedindo dessa forma que muito alimento chegue ao duodeno de uma só vez. Assim, a CCK estimula o estômago a armazenar o quimo para que ele chegue lentamente ao duodeno. · Peptídeo Inibitório Gástrico (GIP): Esse hormônio tem a mesma função da CCK, só que é liberado em menor quantidade e é menos importante. Também é liberado pelo duodeno. o SiSTema endÓcrino PalavraS do ProFeSSor Prezado(a) estudante, acredito que até o momento você está compreendendo todo o conteúdo explanado, caso tenha surgido alguma dúvida, não perca tempo e envie uma mensagem para seu tutor. Gostaria também de lembrar a importância de você desenvolver sua autonomia na construção do seu aprendizado, é importante que você faça novas pesquisas em sites, livros, artigos e etc. Sabendo que o conhecimento está em constante evolução é primordial você está sempre atualizado! Agora vamos continuar nossos estudos, você vai conhecer o Sistema Endócrino, conto com sua atenção! O sistema endócrino é formado por diversos tecidos e glândulas que tem como função principal secretar substâncias químicas que são responsáveis pelo controle da maioria das funções biológicas. Essas substâncias secretadas são denominadas de “hormônios (hormao = excitar)” que tem a função de atuarem nos tecidos alvos ligando-se a receptores específicos. você Sabia? Hormônio é uma substância química liberada nos líquidos internos do corpo por uma célula ou por um grupo de células e que tem a função de controlar outras células do corpo. Os hormônios podem ser divididos em gerais e locais. Como exemplos de hormônios locais relacionados a digestão temos a secretina, liberada pela parede duodenal e levada pelo sangue até o pâncreas, estimulando a produção de uma secreção pancreática aquosa e alcalina. Temos também a colecistocinina, que é liberada pelo intestino delgado, levando a contração da vesícula biliar e que por sua vez promove a liberação de enzimas pelo pâncreas. As glândulas secretoras são conhecidas como glândulas endócrinas e seus produtos de secreção são veiculados pela corrente circulatória. Assim dizemos que os hormônios são os responsáveis pela manutenção do equilíbrio e perfeito funcionamento do organismo, conhecido como homeostase. 13 Fique aTenTo! A função do sistema endócrino é regulada por mecanismo de retro-controle ou “feedback”. Este pode ser positivo ou negativo. O “feedback” é denominado “feedback positivo”. Quando a concentração de um hormônio é baixa e há necessidade de a glândula libera-lo para que possa ser desenvolvida uma determinada atividade fisiológica. Já o “feedback negativo” ocorre quando a concentração do hormônio liberado por uma glândula atinge uma concentração acima do ideal levando a um bloqueio da secreção deste hormônio bloqueando este circuito de ação. O sistema endócrino é constituído por: hipotálamo, hipófise ou glândula pituitária, glândula tireoide, glândulas paratireoides, glândulas suprarrenais ou adrenais glândula pineal, ilhotas de langerhans (pâncreas endócrino), gônadas (gone = semente) (glândulas sexuais). Porém, neste guia de estudos iremos abordar apenas a glândula da tireoide e paratireide e ilhotas de langerhans (pâncreas endócrino). GLÂNDULA TIREÓIDE: Essa glândula controla o metabolismo do organismo. Os hormônios tireoidianos estimulam o consumo de oxigênio da maioria das células do corpo, ajuda na regulação do metabolismo dos carboidratos e dos lipídeos e é imprescindível para o crescimento e maturação normais. A glândula não é essencial para a vida, porém, sua ausência acarreta menor resistência ao frio, lentidão física e mental e nas crianças pode levar ainda ao retardamento mental e nanismo. Por outro lado, o excesso de secreção tireoidiana produz, stress, desgaste corporal, taquicardia, tremores e liberação excessiva de calor. A função da glândula da tireoide é regulada pelo hormônio tiro-estimulante (TSH) da hipófise anterior. Os principais hormônios secretados pela glândula tireoide são: tiroxina (T4), triiodotironina (T3) e calcitonina. Fonte: LINK. 14 GLÂNDULAS PARATIREÓIDES: São quatro pequenas glândulas que estão localizadas na face posterior da tireoide, normalmente dentro da cápsula que reveste os lobos da tireoide. Algumas vezes situam-se no interior da tireoide. Cada paratireoide está envolta por uma cápsula de tecido conjuntivo. O hormônio secretado pelas paratireoides é o Paratormônio. A função desse hormônio é de regular o nível de íons cálcio e fosfato no plasma sanguíneo. Quando os níveis de cálcio diminuem estimula as paratireoides a liberar o paratormônio, esse por sua vez, age sobre as células do tecido ósseo, levando a um aumento do número de osteoclastos promovendo a absorção da matriz óssea calcificada. A elevação do cálcio plasmático prime a produção de paratormônio. Além de elevar o cálcio, o paratormônio reduz a taxa de íon fosfato no plasma. Este efeito ocorre em consequência do aumento da perda de fosfato na urina. O paratormônio diminui a absorção de fosfato do filtrado glomerular pelos túbulos do néfron levando assim a uma maior eliminação de cálcio. Figura 3: Glândula da tireoide e paratireoide. Fonte: LINK. ILHOTAS DE LANGERHANS: Estas estruturas constituem a parte endócrina do pâncreas e formam aglomerados arredondados de células, imersos no tecido pancreático exócrino. Cada ilhota é constituída por uma série de cordões formados por células poligonais ou arredondadas e se localizam em um local bem vascularizado. Envolvendo a ilhota e separando-a do tecido pancreático restante, existe uma fina cápsula de fibras reticulares. Pelo menos quatro peptídeos com atividade hormonal são librados pelas Ilhotas de Langerhans do pâncreas. Dois desses hormônios, a insulina e o glucagon que têm importantes funções na regulação do metabolismo carboidratos, proteínas e gorduras. A insulina tem ação anabólica, ou seja, aumentando o depósito de glicose, ácidos graxos e aminoácidos no organismo, já o glucagon tem ação catabólica, mobilizando a glicose, os ácidos graxos e os aminoácidos, dos depósitos para a corrente sanguínea. Quase todos os tecidos têm a capacidade de metabolizar a insulina, porém mais de 80% da insulina liberada é normalmente degradada no fígado e nos rins. O excesso de insulina pode causar hipoglicemia. A deficiência de insulina no organismo, por sua vez, leva a hiperglicemia promovendo grandes alterações bioquímicas no organismo humano. 15 ??? Fonte: LINK. você Sabia? Ao ingerir uma refeição, o nível de glicose no sangue se eleva, fazendo com que o pâncreas libere a insulina responsável por captar a glicose do sangue e levá-la para dentro das células. No fígado, a glicose será armazenada sob a forma de glicogênio, processo denominado glicogênese. Com isso, a glicose circulante diminui. Já durante o jejum, o nível de glicose no sangue diminui e o pâncreas promove a liberação de glucagon que é responsável por inibir a glicogênese e, ao mesmo tempo, estimular a glicogenólise no fígado, ou seja, transformar glicogênio em glicose, sendo essa direcionada para o sangue. PalavraS FinaiS Então, querido(a) aluno(a), o que achou? Temos ainda um belo caminho pela frente. Neste Guia de Estudos você teve a oportunidade de relembrar o funcionamento do sistema digestório. Não esqueça, é de grande importância a leitura da bibliografia recomendada, focar nos capítulos da fisiologia do sistema digestório eendócrino, para aprofundar mais o assunto abordado neste Guia. Até a próxima unidade e bons Estudos! 16 reFerênciaS biblioGráFicaS - WAITZBERG, D. L. Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na Prática Clínica. 3ª ed. São Paulo: Atheneu, 2009. - MAHAN, L. K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentos, Nutrição & Dietoterapia. 11ªed. Roca, 2011. _GoBack Para início de conversa O SISTEMA DIGESTÓRIO Anatomia e Função do Trato Gastrointestinal (TGI) Sistema Nervoso Mioentérico Movimentos do Trato Gastrointestinal Digestão no Trato Gastrointestinal Secreções do Trato Gastrointestinal Secreção de Muco Absorção no Trato Gastrointestinal Função Endócrina do Trato Digestório O SISTEMA ENDÓCRINO