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Edição n 286 - Maio de 2016 - 1 A QUALIDADE NO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL COMPORTAMENTO: Todos têm aptidão para liderar Ano XXV | Maio de 2016 | Edição 286 2 - Revista BQ - Banas Qualidade Os valores-p não me assustam. Análise de Dados Destemida Analisar dados com o Minitab Statistical Software é fácil e agora Minitab 17 está disponível em Português. Um Assistente integrado guia você durante todo o processo, desde a escolha da ferramenta correta até a realização da sua análise e interpretação dos seus resultados. Você conhece o seu negócio. 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Telefone: +55(11) 3742.4838 comercial@edila.com.br Assinaturas Telefone: +55(11) 9915.8240 assinaturas@edila.com.br Assinatura digital Anual (12 edições) : R$ 140,00 Bianual (24 edições) : R$190,00 A Revista Banas Qualidade - DIGITAL é publicada pela Quality Innovation Estratégia Empresarial Ltda. com sede em São Paulo/SP - Brasil. A publicação não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos aqui emitidos por seus articulistas e colunistas. ISSN - 1676-7845 Ano XXV - Edição 286 Maio de 2016 Hayrton R. do Prado Filho hayrton.prado@epse.com.br Desrespeito aos consumidores Mais uma vez está provado: a empresas brasileiras não têm o menor respeito aos consumidores. O Procon-SP divulgou os setores mais reclamados e o índice de soluções das empresas, que servem como parâmetro para os consumidores conhecerem os fornecedores mais reclamados e como eles atendem as demandas de seus clientes. O Ranking Estadual contém os 50 fornecedores (empresas ou grupo de empresas) que mais geraram reclamações fundamentadas, ou seja, demandas de consumidores que, não solucionadas em fase preliminar de atendimento, geraram a abertura de processo administrativo. Ao todo foram registrados 1.050.352 atendimentos entre consultas, orientações, carta de informações preliminares e reclamações. Destes, 60.949 geraram reclamações fundamentadas, sendo 46% no Procon-SP e 64% nos Procons municipais no interior, litoral e grande São Paulo. Em 2015 o grupo composto pelas empresas de telecomunicações liderou novamente o ranking como as empresas mais reclamadas, ocupando os quatro primeiros lugares. entre. Desde a criação do ranking estadual há quatro anos (2012), o segmento vem liderando as principais reclamações dos consumidores. A América Móvil conglomerado que reúne; Claro, Net e Embratel liderou o Ranking Estadual de reclamações fundamentadas dos Procons que integram o Sistema Estadual de Defesa do Consumidor com um total de 5.883 reclamações ao longo do ano de 2015. O Grupo Claro / Net / Embratel lidera o ranking de reclamações do estado com 5.883, 9,6% de todas as reclamações registradas no estado. Em segundo lugar temos o Grupo Vivo / Telefônica com 3.901, seguido da Sky Brasil Serviços Ltda. com 2.731. Em quarto lugar a Tim Celular S/A com 2.351 registros e em quinto o Grupos Pão de Açúcar (Pão de Açúcar/Extra/Pontofrio.Com/Casasbahia.Com/Casas Bahia/Ponto Frio) com 2.349. Um dos destaques no ranking é o Grupo Unimed, que subiu do 42º lugar no ano passado para o 8º lugar este ano, devido a problemas na gestão da carteira da Unimed Paulistana que deixou de atender seus clientes. Em 2014 foram 223 reclamações e em 2015, 1.497. Entre os varejistas, o destaque fica para o Grupo Pão de Açúcar, único entre os dez líderes do ranking, que apresentou um aumento de 67% de reclamações em relação ao ano anterior, passando de 1.402 em 2014 para 2.349 em 2015. O setor de telecomunicações mais uma vez lidera o ranking: quatro das cinco empresas ou grupos mais reclamados pertencem a esse segmento. O que chama a atenção é o aumento que algumas empresas apresentaram no número de reclamações em relação à 2014. A Nextel Telecomunicações Ltda teve aumento de 170%, de 235 para 634. A Sky teve aumento de quase 100%, passou de 1.367 para 2.731. Tim e Claro também tiveram aumentos expressivos, 68% e 57% respectivamente. No ranking das empresas que menos atendem as demandas dos consumidores o Grupo Unimed é o destaque negativo, com o índice de 94,46% de reclamações não atendidas, apesar de TAC firmado entre a empresa e Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual de São Paulo, Procon-SP e ANS. Editorial mailto:redacao@edila.com.br http://www.banasqualidade.com.br/ mailto:redacao@edila.com.br mailto:hayrton@uol.com.br mailto:christine.banas@edila.com.br mailto:comercial@edila.com.br mailto:assinaturas@edila.com.br mailto:hayrton.prado@epse.com.br http://pontofrio.com/Casasbahia.Com/Casas 4 - Revista BQ - Banas Qualidade 03 EDITORIAL 04 SUMÁRIO 06 INSIDE Por dentro da notícia 09 Em Foco A ISO 9001:2015 - Abordagem do Risco 10 SEIS SIGMA Aplicação do Lean Seis Sigma na gestão de Serviços de Saúde 14 GESTÃO Indicador, para que te quero? 20 COMPORTAMENTO Todos têm aptidão para liderar 26 OPINIÃO De quem é a culpa dos problemas das empresas 30 LOGÍSTICA O uso das Boas Práticas pelos Agentes de Cargas interessados na certificação OEA 34 CAPA A Qualidade no setor da Construção Civil 46 MASP Problemas com fornecedores? MASP neles! 51 PELO MUNDO 52 ESTATÍSTICA A sinergia entre as ferramentas do Lean Six Sigma 62 METODOLOGIA Pesquisando a salmonella em águas tratadas 68 FERRAMENTAS Sistemas de Gestão Ambiental I 72 CONFORMIDADE As latas de aço para embalagem de produtos 78 NORMALIZAÇÃO As lâmpadas de LED são obriigadas a serem fabricadas conforme as normas técnicas 82 METROLOGIA Monitorando o consumo de água em prédios 92 CARTAS Sumário Edição n 286 - Maio de 2016 - 5 Publicações Exclusivas Em plataforma digital interativa Nós levamos a informação onde ela precisa estar. www.banasqualidade.com.br www.revistanormas.com.br Pu bl ic aç õe s co m c on su lta a be rt a - c liq ue n a ca pa http://www.banasqualidade.com.br/ http://www.revistanormas.com.br/ 6 - Revista BQ - Banas Qualidade Inside - inside - inside - inside - inside - inside - inside - inside- inside - inside - inside - inside Consultorias de gestão terão uma norma especifica para suas atividades As consultorias de gestão têm o potencial de ajudar as empresas a voar .. . se forem usadas corretamente. Um novo padrão de desenvolvimento tem como objetivo ajudar as empresas de consultorias e seus cl ientes a alcançarem o melhor de seus projetos de consultoria. Inovação, design organizacional, otimização, formação profissional, são apenas algumas das soluções que as empresas de consultorias de gestão podem utilizar para ajudar as organizações a terem uma melhor performance. Os serviços de consultoria para a industria e governos, cresceram mais de 1 000% nos últimos anos. Com um poderoso papel a desempenhar no mundo dos negócios e do governo, influenciando em decisões importantes e absorvendo um pedaço cada vez maior do orçamento de uma organização, a indústria de consultoria agora enfrenta as mais altas expectativas, requisitos mais rigorosos e uma maior evidência de um retorno sobre o investimento. A próxima norma ISO 20700 - Diretrizes para serviços de consultoria de gestão, tem como objetivo ajudar as empresas de consultorias e seus clientes a melhorar a transparência e o entendimento em seus projetos de consultoria, a fim de alcançar melhores resultados de negócios. Ela está atualmente em desenvolvimento e acaba de atingir a fase de Projeto de Norma Internacional (DIS), ou seja, membros da ISO terão a oportunidade de votar e comentar sobre o texto antes de ir para a redação final e publicação. A norma irá oferecer orientações de práticas recomendadas para ambas as partes, assegurando a todos sobre o que é necessário para se ter um processo de consultoria eficaz e eficiente, quais os seus objetivos e as suas próprias responsabilidades. Isto irá permitir às organizações, obterem melhores resultados de suas consultorias e para as consultorias, por A norma ISO 20700 deverá ser publicada no início de 2017. http://www.iso.org/iso/home/news_index/ news_archive/news.htm?refid=Ref2060 Norma Anti-suborno recebe luz verde O suborno é um problema grave de nossos tempos, custando vidas e corroendo economias em todo o mundo. Uma nova norma ISO em desenvolvimento, com foco no combate à corrupção, acaba de receber um forte voto de confiança, caminhando para a fase final antes da publicação. De acordo com o Banco Mundial, cerca de US $ 1 trilhão em subornos são pagos a cada ano, prejudicando as economias e contribuindo para a pobreza em todo o mundo. Muito tem sido feito pela legislação e acordos internacionais para combater o problema, mas ainda continua a ser http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid=Ref2060 Edição n 286 - Maio de 2016 - 7 Inside - inside - inside - inside - inside - inside - inside - inside- inside - inside - inside - inside uma preocupação significativa. Não é de admirar, então, que a versão preliminar de um novo padrão ISO em desenvolvimento, que visa ajudar as organizações a lutar contra a corrupção, recebeu 91% de votação de confiança pelos membros da ISO envolvidos na sua criação. A norma ISO 37001 - Anti-suborno - sistemas de gestão, é projetada para ajudar as organizações a implementarem medidas eficazes para prevenir e combater a corrupção e instaurar uma cultura de honestidade, transparência e integridade. Enquanto ela não pode garantir que o suborno não irá ocorrer, ela pode fornecer as ferramentas e sistemas para reduzir significativamente os riscos e ajudar as organizações a lidarem com o combate ao suborno de forma eficaz e eficiente. Implementação da ISO 37001 também irá fornecer garantias entre os investidores e outras partes interessadas, mostrando que a organização dispõe de um sistema eficaz para gerir o risco de suborno. http://www.iso.org/iso/home/news_index/ news_archive/news.htm?refid=Ref2069 Gerenciamento de registros na era digital A imagem do gerenciamento de registros está mudando. Com a ascensão do conteúdo digital, e a nossa crescente dependência sobre ele, alterações quanto a forma como gerimos os nossos registros são inevitáveis. Ajuda está a caminho com a norma ISO 15489-1 que acaba de ser publicada. A estratégia de gerenciamento de registros tem que levar em conta o quadro geral. Isso envolve a compreensão do contexto em que operam, a natureza do negócio, os riscos e os requisitos associados ao negócio. A boa notícia é que é possível projetar sistemas e aplicar regras para que os registros sejam feitos e mantidos corretamente - sejam eles dados, documentos ou até mesmo conteúdo de mídia social - resultando em uma série de benefícios de aumento de negócios. A criação e gestão de registros tem sido sempre importante - desde os tempos antigos aos dias de hoje. As principais razões para a manutenção de registros não mudaram: a prestação de contas, o negócio eficiente, a proteção dos direitos e prerrogativas e a capacidade de reconstruir o passado. Agora, a rápida mudança para o mundo digital e on-line tem simplesmente introduzido razões adicionais para criar, capturar e gerenciar bem os registros: a mudança para o negócio orientado a dados, as iniciativas de governos mais transparentes, serviços compartilhados e de colaboração e a maior ênfase na responsabilidade corporativa. As expectativas para a segurança da informação também estão se tornando cada vez mais importantes para as partes interessadas dentro e fora das fronteiras organizacionais. http://www.iso.org/iso/home/news_index/ news_archive/news.htm?refid=Ref2072 Segurança e saude no trabalho O stress no trabalho é um problema social significativo - expectativas maiores, o aumento da concorrência e mudanças rápidas na tecnologia e tendências são formas de pressão sobre os trabalhadores , podendo alterar o seu papel completamente. Este tipo de estresse pode resultar em consequências graves para a saúde e bem-estar A Organização Internacional do Trabalho (OIT) escolheu o estresse no trabalho como o tema do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. Há muito que pode ser feito para prevenir e gerir tais stresses, incluindo os programas de bem-estar eficazes e reduzir quaisquer riscos para a saúde e a segurança que possam ocorrer como resultado do trabalho das pessoas. http://www.iso.org/iso/home/news_ index/news_archive/news.htm?refid=Ref2071 http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid=Ref2069 http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid=Ref2072 http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid+Ref2071 8 - Revista BQ - Banas Qualidade Inside - inside - inside - inside - inside - inside - Febre do lítio: o petróleo branco Em meio à nuvem negra que paira sobre a indústria de mineração global, há um ponto brilhante e esperançoso: o lítio. 4Este ano parece ser chave para a decolagem da produção desse metal, indispensável para o funcionamento de muitas baterias de carros elétricos e outros dispositivos de alta tecnologia, incluindo iPhones. Por isso, enquanto os produtores de petróleo lamentam seus infortúnios e as empresas de mineração tentam sobreviver ao naufrágio dos mercados, o setor de lítio vive bons momentos. O preço do lítio importado da China dobrou em dois meses, entre novembro e dezembro de 2015, atingindo US$ 13.000 por tonelada, de acordo com a revista The Economist. Parte da euforia tem a ver com o anúncio do empresário Elon Musk no início deste mês sobre seu desejo de expandir a produção dos carros elétricos Tesla. Para produzir 500.000 veículos por ano, basicamente a empresa precisará absorver toda a produção de lítio no mundo. E esse é apenas um dos concorrentes do mercado de carros elétricos, sem mencionar os produtores de pilhas para computadores e outros dispositivos eletrônicos, que também precisam garantir boas fontes de lítio. Na América Latina, há razões para olhar com muito interesse essa corrida: três nações localizadas em uma espécie de "triângulo de ouro" do lítio concentram reservas importantes do metal. Argentina, Bolívia e Chile estão na mira da indústria mineira. Os três países agrupam cerca de 60% das reservas conhecidas de lítio, de acordo com estudos realizados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em Inglês). Isso levou a revista norte-americana Forbes a declarar há alguns anos que a área é a "Arábia Saudita do lítio", em uma referência à abundância de petróleo no país do Oriente Médio. h t t p : / / w w w . b b c . c o m / p o r t u g u e s e / noticias/2016/04/160422_litio_bolivia_if PBE Veicular chega ao oitavo ciclo com adesão de todas as montadoras O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), chega ao seu oitavo ciclo com participação recorde desde a sua criação, todas as montadoras e importadoras aderiram e, com isso, 90% dos carros comercializados no País trarão a informação de eficiência de consumo e emissão de gases, tanto poluentes como de efeito estufa (CO2). A princípio, a regra já atinge 795 modelos e versões. Ao longo do primeiro semestre do ano, outros 131 modelos e versões serão incluídos, fechando 2016 com 926 veículos enquadrados no programa. Este ano, a principal novidade é que a classificação da emissão de gases poluentes passa a ser exibida também por meio de letras, como já ocorre com a avaliação do consumo e a eficiência do veículo em km por litro de combustível, o que facilita o entendimento do consumidor. Outra novidade do oitavo ciclo é a entrada dos veículos leves a diesel (picape, SUV e fora de estrada), que estarão etiquetados a partir do dia 1º de maio, e a inclusão de duas novas categorias: picape e os microcompactos (veículos com até seis metros de comprimento). http://www.inmetro.gov. br/noticias/verNoticia.asp?seq_noticia=3852 http://www.inmetro.gov.br/noticias/verNoticia.asp?seq_noticia=3252 http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/16022_litio_bolivia_if Edição n 286 - Maio de 2016 - 9 Em Foco A ISO 9001:2015 Abordagem do Risco Por Dr Nigel H Croft Hoje em dia, as organizações operam em contextos cada vez mais imprevisíveis e complexos tornando-se fundamental abordar a questão do risco de uma forma consciente, planejada e sistematizada. Embora a ISO 9001:2015 não exija que a organização tenha um sistema de gestão de risco (seguindo, por exemplo, a norma ISO 31000), a “mentalidade de risco” deve estar presente em todas suas decisões e ações, tanto ao nível estratégico como operacional. Isto eliminou a necessidade da ISO 9001:2015 ter uma clausula separada sobre “ações preventivas” – na realidade tudo que uma organização faz deve ser no sentido de evitar não conformidades nos seus processos, produtos e serviços. A organização deve perguntar constantemente para si mesmo: “O que poderia dar errado?” “Qual seria a probabilidade disto acontecer?” “Quais seriam as consequências potenciais?” e “Como deveremos tratar este risco”? A forma de abordar risco vai depender do contexto em que a organização opera. Para empresas fornecendo produtos e serviços simples, sem grandes implicações em termos de segurança ou financeiros, pode ser suficiente uma análise e priorização das suas atividades, de maneira a evitar problemas que poderiam afetar a satisfação do cliente. Para empresas atuando em áreas mais críticas espera- se uma abordagem mais abrangente (usando analises tipo FMEA, HAZOP, HACCP ou até metodologias estatísticas sofisticadas como simulações tipo Monte Carlo). A norma ISO 31010 oferece várias opções para analises de risco que poderiam ser aplicáveis em determinados contextos. A ISO 9001:2015 também reforça a necessidade de pensar do lado positivo - não somente evitando as coisas ruins, mas aproveitando as oportunidades para fazê- las melhores - uma nova tecnologia, uma matéria-prima mais barata, o concorrente com problemas, por exemplo. Por isso, a ISO 9001:2015 exige que a organização analise os “riscos e oportunidades” de forma equilibrada, para que seu sistema possa alcançar os resultados pretendidos. Dr Nigel H Croft Presidente do Conselho; APCER Brasil 10 - Revista BQ - Banas Qualidade Seis Sigma Aplicação do Lean Seis Sigma na gestão de serviços de saúde O Lean Seis Sigma deve ser empregado em todo o sistema e não apenas aos setores de atendimento direto aos clientes. Edição n 286 - Maio de 2016 - 11 Por Cristina Werkema Hospitais e laboratórios de medicina diagnóstica são muito similares a fábricas: altos volumes estão envolvidos, os mesmos procedimentos são repetidos de modo regular e os processos são muito dependentes de equipamentos. Portanto, vários métodos usados na otimização de fábricas também funcionam – e muito bem – em hospitais e laboratórios. Além disso, é natural aplicar o programa na área da saúde porque é usualmente necessário alcançar níveis de qualidade Seis Sigma ou superiores. Vale lembrar que, em 2001, o Institute of Medicine, nos Estados Unidos, tratou das questões ligadas à qualidade e estabeleceu seis metas para a saúde: “o atendimento deve ser seguro, eficaz, com foco no paciente, oportuno, eficiente e justo”. É importante ressaltar que muitas das métricas dos projetos Lean Seis Sigma estão associadas à qualidade do atendimento e não a ganhos financeiros. Isso ocorre porque os profissionais da área da saúde são muito mais motivados por questões associadas à segurança dos pacientes e à qualidade dos serviços prestados do que por resultados financeiros. No entanto, o Lean Seis Sigma deve ser aplicado em todo o sistema e não apenas aos setores de atendimento direto aos clientes. Também é válido destacar que a aplicação de técnicas estatísticas já é algo histórico em testes clínicos realizados pela indústria farmacêutica, o que facilita a disseminação do Lean Seis Sigma nesse setor. As principais categorias de projetos Lean Seis Sigma na área da saúde são: 1. Aumentar o número de admissões. 2. Reduzir o tempo de espera para atendimento. 3. Aumentar a eficiência de processos. 4. Reduzir o uso inadequado de materiais. 5. Reduzir deficiências. 6. Melhorar a alocação de recursos humanos. 7. Melhorar a utilização de instalações e equipamentos. Instituição The Johns Hopkins Hospital Mayo Clinic NewYork- Presbyterian Hospital Início do Lean Sigma 2004 2006 2004 Número de Belts Green Belts: > 75 Master Black Belts: 4 Mais de 400 pessoas já participaram do programa. Green Belts: > 200 Black Belts: > 26 Master Black Belts: 4 Exemplo de projeto Redução do desperdício de sangue para menos de 2% das unidades processadas, gerando um aproveitamento de mais de 2.500 unidades e um ganho financeiro superior a quinhentos mil dólares. Redução de 45 para 3 dias do tempo de ciclo entre o contato inicial do paciente com o Rochester Transplant Center e a primeira consulta. Redução da variância no tempo de internação em 13% no campus de Cornell e em 26% no campus de Columbia. Objetivos do Lean Seis Sigma Melhorar a segurança, qualidade e eficiência do sistema de atendimento do hospital; criar uma cultura de melhoria contínua; compartilhar amplamente os resultados e lições aprendidas. Melhorar e demonstrar qualidade, segurança, serviço e valor. Aumentar a receita; aumentar o rendimento e a eficiência dos departamentos de internação e emergência. 12 - Revista BQ - Banas Qualidade Nos Estados Unidos, muitas empresas da área da saúde, incluindo grandes hospitais, estão aplicando o Lean Seis Sigma. A revista iSixSigma Magazine, em uma de suas edições (1), apresentou como destaque de capa uma matéria sobre o assunto. Nessa reportagem são apresentados os casos de três hospitais, cujos pontos principais destacamos na figura da página anterior. No Brasil, alguns exemplos de projetos na área da saúde foram apresentados pelo Hospital do Câncer na Conferência Six Sigma, promovida pelo IBC no período de 20 e 21/09/2006: A Reduzir o tempo de espera e aumentar a capacidade de atendimento na central de quimioterapia. BReduzir o tempo de espera de pacientes para atendimento no ambulatório de curativos. CAdequar as datas de pagamentos às entradas de caixa. DAumentar a produtividade do processo de criobiologia. EAdequar o consumo, estoque e reposição de materiais usados no centro cirúrgico. FAgilizar a preparação e digitação de todos os atendimentos de posse do faturamento. Para um aprofundamento no tema da aplicação do Lean Seis Sigma na área da saúde sugerimos a leitura do excelente livro intitulado Improving Healthcare Quality and Cost with Six Sigma (2). Essa é uma obra fácil de ler, abrangente e repleta de exemplos e estudos de caso. Referências 1. Schmidt, Elaine. “Healing Healthcare”. iSixSigma Magazine, v.4, n.1, pp. 24-31, January/February 2008. 2. Trusko, Brett E.; Pexton, Carolyn; Harrington, H. James; Gupta, Praveen. Improving Healthcare Quality and Cost with Six Sigma (Upper Saddle River: Financial Times Press, 2007), 472p. Cristina Werkema é proprietária e diretora do Grupo Werkema e autora das obras da Série Seis Sigma Criando a Cultura Lean Seis Sigma, Design for Lean Six Sigma: Ferramentas Básicas Usadas nas Etapas D e M do DMADV, Lean Seis Sigma: Introdução às Ferramentas do Lean Manufacturing, Avaliação de Sistemas de Medição, Perguntas e Respostas Sobre o Lean Seis Sigma, Métodos PDCA e DMAIC e Suas Ferramentas Analíticas, Inferência Estatística: Como Estabelecer Conclusões com Confiança no Giro do PDCA e DMAIC e Ferramentas Estatísticas Básicas do Lean Seis Sigma Integradas ao PDCA e DMAIC, além de oito livros sobre estatística aplicada à gestão empresarial, área na qual atua há mais de vinte anos. cristina@ werkemaconsultores.com.br. http://werkemaconsultores.com.br/ Edição n 286 - Maio de 2016 - 13 14 - Revista BQ - Banas Qualidade Indicador, para que te quero? Edição n 286 - Maio de 2016 - 15 Gestão Apesar de ser óbvio afirmar que não devemos fazer medições com o propósito de obter medições, essa é uma prática muito comum nas empresas, já que o uso de computadores e sistemas de informação facilitou muito a medição, coleta e armazenamento de dados Por Eduardo Moura Medir o desempenho é fundamental para melhorá-lo. Por isso é raro encontrar uma empresa que não se guie por algum tipo de medição. Seria como um carro sem velocímetro e sem medidor de combustível, ou um avião sem painel de comando. É verdade que o fato isolado de medir o desempenho não assegura o sucesso, pois de pouco valem os indicadores do painel se as coordenadas de destino estiverem incorretas ou se o piloto estiver embriagado. Mas uma vez cumpridos tais requisitos básicos, a questão de decidir quais indicadores medimos e que uso fazemos da informação é algo simplesmente vital. Apesar de ser óbvio afirmar que não devemos fazer medições com o propósito de obter medições, essa é uma prática muito comum nas empresas, já que o uso de computadores e sistemas de informação facilitou muito a medição, coleta e armazenamento de dados que depois nunca se transformam em informação útil efetivamente utilizada. Porque uma coisa que os computadores ainda não fazem é questionar se tudo o que medimos é realmente necessário, e se de fato estamos medindo somente o que é suficiente. Sem conceitos claros e definições corretas sobre o quê medir e que uso dar às medições, é muito provável que estejamos cometendo um erro duplo: acumulando muitos dados desnecessários e ao mesmo tempo não contando com informação relevante. Por isso não é nada raro encontrar empresas que têm seu sistema de informação saturado de dados, mas que são incapazes de responder corretamente à simples pergunta “quais dos nossos produtos mais contribuem para a lucratividade do negócio?”. Isto porque, na triste realidade da absoluta maioria das empresas, o paradigma do Reino dos Custos tem levado seus súditos a dividirem o sistema de negócios em pequenos feudos e sub-feudos, e a partir daí todos são vistos como contribuintes igualmente importantes para a nobre tarefa de acumular e reportar dados minuciosos cujo fim supremo é calcular um Indicador-Rei chamado “Custo do Produto” o qual, como déspota insano, acaba levando todos a tomar as piores decisões. Portanto, consideremos seriamente a definição dada por Goldratt quanto ao uso estratégico das medições, isto é, o “para quê” de um sistema de indicadores de desempenho (quadro ao lado). É interessante destacar alguns pontos chave embutidos nessa brilhante frase: Cabe às partes intervir para melhorar o sistema. Enquanto durar o processo evolutivo do sistema, toda intervenção de melhoria sempre será sobre um ponto ou parte específica do mesmo, e nunca sobre o sistema como um todo. Toda melhoria requer uma ação efetiva de mudança, ou seja, introduzir algum elemento novo na praxis do sistema. É preciso ir além de discursos ou intenções, e reconhecer que resultados expressivamente melhores requerem um esforço intelectual intenso para definir a filosofia correta, um trabalho analítico profundo para estabelecer a visão estratégica 16 - Revista BQ - Banas Qualidade acertada e uma disciplina fanática para executar as táticas corretas, e que tudo isso transformará radicalmente o status quo. Embora as ações de melhoria sejam sempre pontuais, a definição das mesmas deve sempre ser feita a partir de uma perspectiva sistêmica, reconhecendo que isso requer a subordinação das partes ao objetivo global. Isso significa que, em um dado momento, somente uma das partes (a restrição do sistema) estará trabalhando no máximo da sua capacidade, ou, em outras palavras, que todas as demais partes estarão trabalhando abaixo da sua capacidade (isto é, com capacidade extra disponível para apoiar o trabalho na restrição do sistema). O que implica que a informação vital para a melhoria do sistema como um todo será apenas aquela que diz respeito à maximização do desempenho da restrição do sistema. O que nos libera do trabalho exaustivo e infrutífero de acumular dados sobre todas as partes e com isso perder o foco do que é realmente essencial. Estabelecer um sistema de indicadores que seja verdadeiramente eficaz não é tarefa que as partes possam fazer isoladamente, mas sim é responsabilidade não- delegável da alta gerência. Se adotarmos tais premissas, reconheceremos as seguintes virtudes de um indicador de desempenho sadio: É prático e fácil de obter: o tempo de ciclo coleta- análise-decisão-ação é curto, e preferivelmente realizado no próprio “gemba”. Tem efeito produtivo no curto prazo e efeito cultural no largo prazo: leva às ações corretas para a melhoria global do sistema e estabelece o comportamento correto e coerente das pessoas. É relevante: é fácil estabelecer a “ponte” entre o indicador e algum aspecto vital de desempenho do sistema. Tudo isso leva a concluir que, a menos que a alta direção realize um esforço intencional de avaliar criticamente e revisar seu sistema de indicadores de desempenho, com base em Edição n 286 - Maio de 2016 - 17 Gestão paradigmas administrativos mais adequados à realidade atual dos negócios, com grande chance estará condenando a empresa a um desempenho muito aquém do seu verdadeiro potencial, pois as medições tradicionais, com enfoque essencialmente financeiro e fundamentadas no paradigma de alocação de custos, além de não apresentarem as qualidades acima, sistematicamente levam as pessoas a fazer o que é prejudicial ao sistema. Um exemplo prático, para não ficar apenas no plano conceitual: é comum o uso do indicador “taxa de utilização de ativos”, que leva os recursos produtivos a operarem continuamente, a fim de “diluir o custo fixo” (parar a produção é tabu). O resultado típico é que, não havendo vendas que desovem a produção extra, o inventário aumenta, e com ele o custo total, incluindo o custo de manter produto que não vende ou descartar produto que se tornou obsoleto. Que é o resultado oposto ao que se buscava originalmente. Mas, como tais consequências estouram distantes no tempo e no espaço em relação à decisão anteriormente tomada de continuar produzindo para aumentar a taxa de utilização do ativo, acrescentando- se ainda o fato de que cada parte é avaliada isoladamente, sem uma visão sistêmica que revele a interação das mesmas, a vida segue adiante e tais perdas crônicas acabam sendo absorvidas, planejadas e vistas como “normais”. Um belo dia tal empresa implementa Lean Manufacturing e muda para o sistema puxado, produzindo apenas o que o mercado está pedindo. Os inventários se reduzem drasticamente, e eventualmente, não havendo puxada do mercado, não há POLÍTICAS, PRÁTICAS E TAREFAS DE AJUSTE COERENTES CONTRADIC. Po lít ic a de R el aç õe s In te rp es so ai s C ód ig o de É tic a M an ut en çã o de F un da çõ es Fu nd o U ni fic ad o do s Fu nc io ná rio s Av al ia çã o de d es em pe nh o 36 0 gr au s Si st em a de a te nç ão a c rít ic as e s ug es tõ es Si st em a de re co nh ec im en to a e qu ip es e in di ví du os Fó ru m d e In ov aç ão Po lít ic a de S us te nt ab ilid ad e Am bi en ta l N ão a va lia m os o s ge re nt es C rô ni ca s jo rn ad as d e H or as E xt ra s Honestidade e Transparência ⓿ Respeito às pessoas ⓿ ⓿ ⓿ ⓿ ⓿ ⓿ ⓿ Inovação e Excelência ⓿ ⓿ Compromisso com o Meio Ambiente ⓿ ⓿ ⓿ ⓿ Política formal atual ⓿ Política/prática formal, nova ⓿ Política informal, atual Que políticas e práticas confirmam (ou contradizem) nossos valores? (à parte dos processos empresariais já padronizados?) VALORES 18 - Revista BQ - Banas Qualidade necessidade de produzir, e a linha pára. Além disso, mesmo quando há puxada do mercado, como agora a linha de produção está sincronizada com o sistema kanban, nenhum recurso trabalhará num ritmo maior à capacidade do gargalo da linha ou acima da velocidade de puxada do mercado. Tudo isso torna a empresa muito mais enxuta, mais ágil, mais flexível e responsiva ao mercado, ou seja: melhor. Porém, em tal empresa foram mantidos os indicadores financeiros tradicionais. Resultado: os números indicam que o custo de produção aumentou! (já que o custo da “mão de obra”, o “custo” das horas paradas e demais custos fixos agora são rateados a uma quantidade menor de unidades produzidas). Concluindo, é possível afirmar que uma forma de validar a solidez e profundidade de um processo de mudança, é observar o que aconteceu com o sistema de indicadores que guiam as decisões do negócio: se não houve mudança nos indicadores, então nada realmente mudou. Cultura organizacional “Falar é fácil; fazer é que são elas” é um ditado popular que também se aplica ao desafio de consolidar uma cultura organizacional forte, onde todos vivam e compartilhem os mesmos valores. Recomendo uma ferramenta simples, mas que tem demonstrado ser muito efetiva para apoiar um esforço coerente de consolidação da ideologia empresarial. Infelizmente é muito comum encontrar nas organizações uma considerável distância entre o que os valores declaram e o que as pessoas vivem na prática. Penso que isso ocorre não porque a alta direção seja incompetente mas porque, por um lado, não tem implementado um conjunto coerente de políticas e práticas especificamente projetadas com a finalidade de traduzir e confirmar os valores no dia-a- dia de trabalho, e também, por outro lado, porque eventuais práticas contraditórias aos valores não foram minuciosamente identificadas e erradicadas. Para tal fim, concebi e venho utilizando em várias empresas o que denominei de “matriz da ideologia empresarial”. A figura seguinte fornece um exemplo prático e revela a estrutura dessa matriz: Nas linhas da matriz estão os valores, pois esses são a base fundamental da cultura organizacional. As colunas contêm as políticas e práticas, separadas em dois grupos: coerentes com os valores e contraditórias com os mesmos. A cor vermelha das “bolinhas” de relação indica novas políticas e práticas a serem criadas, enquanto que as de cor preta mostram as já existentes. Note que neste exemplo (real), há muitas bolinhas vermelhas, indicando que se as novas políticas e práticas não forem implementadas, a empresa não contará com suficientes mecanismos que sinalizem e de fato confirmem às pessoas que os valores são mesmo uma realidade na empresa, e não meros discursos ou intenções. Além disso, a matriz também alerta que se as atuais práticas contraditórias não forem eliminadas, elas acabaram falando muito mais alto que qualquer declaração de valor, correndo-se o risco de colocar as mesmas em total descrédito. A partir daí, é fácil estabelecer um plano de ações necessárias e suficientes para consolidar a cultura organizacional na prática. Eduardo Moura é diretor da Qualiplus Excelência Empresarial – emoura@qualiplus.com.br GestãoGestão ouseja:melhor.Por%C3%A9m mailto:emoura@qualiplus.com.br Edição n 286 - Maio de 2016 - 19 20 - Revista BQ - Banas Qualidade Todos têm aptidão para liderar Edição n 286 - Maio de 2016 - 21 Comportamento Muito se fala sobre se a liderança pode ser aprendida, quem tem e quem não tem aptidão para ser líder, o que é um líder, quais as suas características ? 22 - Revista BQ - Banas Qualidade Por Ernesto Berg Muito se fala sobre se a liderança pode ser aprendida, quem tem e quem não tem aptidão para ser líder, o que é um líder, quais suas características, e muitas outras questões que são dirigidas a mim nas palestras e cursos que ministro sobre esse tema. Os questionamentos têm certa razão de ser porque muita informação desencontrada existe a respeito e, em vez de elucidar, serve mais de pedra de tropeço do que de ajuda. Portanto, é hora de fazer três perguntas: 1Todos nós podemos ser líderes? Muitos afirmam que a liderança é algo que já nasce com o indivíduo e quem não a possui não tem como adquiri- la. Essas pessoas tomam como exemplo grandes líderes carismáticos que existiram ao longo da história como Jesus Cristo, Júlio César, Napoleão, Lincoln, Gandhi, Nelson Mandela e outros semelhantes. É certo que líderes como esses são raros e não se formam em bancos escolares ou cursos de verão. Eles têm uma forte personalidade carismática que foge aos padrões usuais do comportamento humano. Prefiro deixar aos psicólogos, sociólogos e historiadores a tarefa de estudá-los e tentar explicá-los. Meu intuito é enfocar a liderança exclusivamente no âmbito das organizações. Sob essa ótica, todos podem tornar-se líderes, embora em graus diferentes. 2 Liderança pode ser ensinada e aprendida? Ao contrário do que se acreditava no passado, pesquisas minuciosas e a própria prática gerencial do dia a dia comprovaram que a liderança é passível de ser ensinada, adquirida e desenvolvida. Nesse processo o treinamento desempenha papel vital e insubstituível. No entanto, é preciso ressaltar que nem todos aprendem com a mesma facilidade, pois isso varia de pessoa a pessoa. Enquanto alguns assimilam rapidamente os conceitos e ideias sobre liderança, extraindo resultados práticos imediatos e duradouros, outros o fazem mais lentamente e de forma parcial, atingindo, com isso, resultados menores. Mas todos, sem exceção, terão uma real melhoria de desempenho de liderança em relação ao que eram antes, desde que sejam adotadas e seguidas as práticas apropriadas. 3 E os líderes circunstanciais? Existem pessoas que, por motivo do conhecimento que possuem ou de alguma habilidade especial, podem exercer uma liderança provisória. É o que aconteceu no metrô de Nova Iorque há alguns anos, quando a perna de uma mulher ficou presa entre a plataforma de embarque e o vagão do metrô, sujeita a ser decepada a qualquer momento pelo peso do vagão. Por requerer uma ação urgente, o desespero foi geral, pois ninguém sabia o que fazer. Naquele momento surgiu Patrick Kinsella, atendente de guichê da companhia de metrô; ele mandou que todos, ao seu comando empurrassem para o lado oposto - ao mesmo tempo-, o vagão que prendia a perna da senhora. Assim, mais de uma centena de pessoas (entre eles engenheiros, executivos, donas de casa, professores etc.) ao comando de Kinsella fizeram o incomum esforço de mover o vagão por apenas alguns centímetros, mas o suficiente para que algumas pessoas puxassem a perna da senhora e a livrasse de tê-la amputada pelo peso da enorme estrutura que a prendia. Num momento de crise, um pacato funcionário do metrô, foi o líder de mais de uma centena de pessoas porque sabia o que fazer na situação mais crucial, agrupando-as em um esforço conjunto. Terminado o processo, Kinsella saiu de cena, deixou de ser o comandante da operação, e voltou a ser novamente um cidadão comum. Esse é um exemplo de Edição n 286 - Maio de 2016 - 23 Comportamento liderança circunstancial que todos nós, eventualmente, poderemos exercer, por termos alguma habilidade específica imprescindível num dado momento, independente de nossa posição social, cultura ou formação profissional. As quatro características do líder Estudos realizados pelos especilaistas Warren Bennis e Burt Nanus com quase cem líderes (homens e mulheres) dos mais variados campos de atividades, revelaram quatro características comuns a todos eles: 1 Alta dose de criatividade. (Efeito Clio) Clio era a musa da criatividade na mitologia grega. Líderes mostram grande capacidade criativa, enxergando ângulos e possibilidades muito além da condição habitual da maioria das pessoas. 2 Grande capacidade de motivar pessoas e desenvolver-lhes o potencial. (Efeito Pigmaleão) Na mitologia grega Pigmaleão esculpiu uma estátua de mulher tão linda que, de tanto admirá- la, ele acabou se apaixonando por ela. Então a deusa Vênus acabou premiando Pigmaleão dando vida à estátua. Trazendo para o campo organizacional, o efeito Pigmaleão significa que as expectativas dos gestores afetam o desempenho dos subordinados, porque os chefes, inconscientemente, se comportam de acordo com as expectativas que têm na capacidade (ou não) dos liderados. Estes, por sua vez, acabam correspondendo a essa expectativa – positiva ou negativa -, devido ao tratamento que recebem do chefe. 24 - Revista BQ - Banas Qualidade Comportamento 3 Considerável concentração em fazer o trabalho bem feito. (Efeito Wallenda) Karl Wallenda foi um famoso equilibrista e artista de circo que costumava caminhar sobre um cabo de aço entre dois prédios, sem nenhuma proteção por baixo. Aos 73 anos de idade resolveu fazer sua última travessia entre dois prédios de 10 andares, na cidade de Porto Rico. Por infortúnio, ele despencou durante a apresentação e faleceu. Wallenda afirmava que não tinha medo de cair, porque concentrava- se ao máximo em fazer uma travessia perfeita na corda bamba. Em outras palavras, ele se concentrava em fazer o trabalho bem feito, em vez de se concentrar em não cair. Infelizmente, em Porto Rico, por ser sua última apresentação, Wallenda mostrou-se pela primeira vez receoso, e o seu pensamento predominante foi o de não cair, o que abalou sua confiança e propiciou a queda. Líderes focam sua atenção no trabalho bem feito, em vez de se preocuparem em não errar. 4 Crença inabalável nos resultados positivos, sem receio de possíveis fracassos. (Efeito Fênix) Ainda na mitologia grega, Fênix era um pássaro que morria por entrar em autocombustão, mas logo em seguida renascia das próprias cinzas, revitalizado. Líderes verdadeiros acreditam sempre no sucesso dos empreendimentos, mesmo que ocorram quedas e fracassos momentâneos pois, quando isso acontece, imediatamente se põem de pé e continuam o trajeto em direção aos objetivos fixados. Riscos da liderança De fato, liderança não é um trabalho fácil. Ela está carregada de demandas, complexidades, expectativas e ambiguidades que a maioria das pessoas não imagina que existam quando decide trilhar o caminho da liderança. Além disso, se você não tem a intenção de assumir riscos, a liderança não é para você. É impossível evitar riscos e, ao mesmo tempo, esperar que você progrida. O progresso sempre implica em enfrentar riscos. Se quisermos ser líderes, devemos frequentemente nos perguntar: “Por que eu embarquei nessa de ser um líder, chefe, gerente, diretor (ou o que for)?” Se a resposta for: “Para preencher meus próprios interesses, ou para fazer meus sonhos se tornarem realidade”, então você pretende ser líder pelos motivos errados, porque está ali pelas recompensas, o que irá diminuir a sua importância como líder. Acabará criando a cultura de que tudo – ou quase tudo - depende de você, e isso não é liderança, mas ilusão e autopromoção. A grande diferença entre verdadeiros líderes e falsos líderes, é que os verdadeiros líderes assumem um cargo não pelo que possam ganhar, mas pelo que possam dar. Pense nisso. Ernesto Berg é consultor de empresas, professor, palestrante, articulista, autor de 14 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão, administração de conflitos- berg@quebrandobarreiras.com.br mailto:berg@quebrandobarreiras.com.br Edição n 286 - Maio de 2016 - 25 26 - Revista BQ - Banas Qualidade De quem é a culpa dos problemas das empresas Edição n 286 - Maio de 2016 - 27 Opinião Um país ainda tão marcado pela pobreza como o Brasil tem que colocar foco nos fatores críticos para o sucesso das gerações futuras. E quais seriam esses pilares? Por Dennis Giacometti No Brasil, 64% das empresas encerram as atividades antes de completarem seis anos; e apenas uma, em cada cem, chega aos 50 anos de forma saudável. Reconhecido mundialmente como país de empreendedores, o Brasil se destaca por apresentar elevada taxa de mortalidade empresarial precoce. No momento de encerrar as atividades, como acontece em outras situações da vida, há que achar um culpado que, claro, nunca é o próprio empreendedor, sempre “outro”. Na maioria das vezes, a culpa do fracasso é do governo! Será então que não somos corresponsáveis pelo atual estado da indústria nacional? Se essa maneira de pensar for verdadeira, como explicar o fato de que em quase todos os segmentos econômicos existem, no mínimo, três empresas nacionais de sucesso, independente das ciclotimias naturais do capitalismo? Como essas empresas conseguem perpetuar-se em cenários tão adversos como os relatados pela maioria dos empresários brasileiros? Jogam na zona cinzenta, para enfrentar, por exemplo, o poder da burocracia? Bem possível… Arriscam-se nas ginásticas fiscais e contábeis para fugir do fisco? Hipótese, evidentemente, cada vez menos provável, em razão da implacabilidade dos órgãos reguladores e gestores do setor. Então, em que se baseia a capacidade de superação permanente dessas organizações acostumadas a enfrentar cenários difíceis e desafios? Uma análise criteriosa baseada na experiência revela que o principal fator de diferenciação dessas empresas de sucesso é o Trabalho do Conhecimento. Seus acionistas e CEOs, de modo consciente ou intuitivo, investem em conhecimento. Isso ocorre de diferentes maneiras, em função dos recursos financeiros que cada um destina para esse fim. Quem não dispõe de recursos para a gestão do conhecimento, para a montagem de unidades de inteligência ou para a realização de onerosos estudos de mercado, viagens internacionais inspiradoras e outras iniciativas do gênero, recorre a eventos e congressos realizados por aqui, a muita leitura e até mesmo a pequenos estudos de mercado para ficar mais próximo das tendências de seu setor. Investir no conhecimento, porém, não é tudo. Na verdade, essas “soluções” representam apenas um por cento do esforço para se manter na liderança. O restante tem a ver com a capacidade dessas organizações para transformar o conhecimento em prática inovadora. Além de contribuir para antecipar as oportunidades e riscos do mercado, a gestão do conhecimento precisa se transformar em vórtice da inovação. Essa é a sua missão crítica. Inovação não só na área de produtos e serviços, processos internos, mas principalmente na forma como os colaboradores desenvolvem a interdependência entre as áreas para criar um ambiente propício ao avanço das práticas evolutivas. Somente assim será possível sair da mesmice, “do inferno chinês” (que amanhã será vietnamita, indiano, tailandês etc.) e consequentemente da briga única e exclusiva por preço. As empresas brasileiras precisam ser obstinadas com a inovação, com a ousadia, com a diferenciação de suas marcas. Devem gerir o tempo de tal 28 - Revista BQ - Banas Qualidade Gestão forma que possam pensar na reformulação do “galinheiro” nos próximos cinco ou seis anos, em vez de ficar correndo atrás dos frangos soltos 15 horas por dia. A interação dos empresários com os governos também exige inovação e criatividade, para tentar vencer os principais obstáculos que o setor público coloca diariamente à atividade das empresas. Nesse sentido, vale tentar lembrar de atitudes diferenciadas que teriam sido tomadas pelas principais entidades que representam a indústria no país nos últimos 20 anos. Alguém se arrisca a elencar cinco ações geniais? Ações que impactaram positivamente a agenda dos governantes? Alguém conhece o sonho da Fiesp, por exemplo, para 2025 e sabe qual seria o seu projeto Brasil com base na perspectiva da evolução industrial de São Paulo? Até onde sabemos, na realidade, não existe nem uma referência que sirva de inspiração, já que o Brasil não possui um projeto para navegar no atual cenário mundial tão complexo e competitivo. Há mais coisas para qualificar do que sonha a nossa vã “filosofia”. Um projeto para o Brasil não deve ser confundido com programas de governo apresentados pelos presidenciáveis a cada quatro anos e que depois ficam na gaveta. A questão é como criar uma identidade que diferencie o país no presente cenário de nações altamente competitivas. Algo que transcenda as ciclotimias naturais do capitalismo, que eleja quatro ou cinco áreas potenciais de desenvolvimento sustentável por 20 ou 30 anos, acima das demandas por incentivos ao consumo ou aos investimentos. Um país ainda tão marcado pela pobreza como o Brasil tem que colocar foco nos fatores críticos para o sucesso das gerações futuras. E quais seriam esses pilares? Para estimular a inovação, seria necessário criar um centro de altos estudos que reunisse o maior número possível de profissionais práticos e teóricos, com o objetivo de facilitar a definição e a forma de implementação destes grandes diferenciais que tornarão possível uma mudança qualitativa do Brasil. Se o país colocasse tempo, energia e recursos no Trabalho do Conhecimento, em dois anos, no máximo, conseguiria definir as grandes linhas mestras para acelerar seu desenvolvimento econômico, social e político. Cabeças brilhantes e pensantes não nos faltam. Na dúvida, o Brasil poderia até “copiar” a China, os Emirados Árabes, a Suécia ou outros países que já fizeram mudanças qualitativas. Isso já seria suficiente. Dennis Giacometti é sócio presidente da Giacometti Comunicação e da Zhuo – Gestão, Inovação e Estratégia de Marca. Edição n 286 - Maio de 2016 - 29 30 - Revista BQ - Banas Qualidade O uso de Boas Práticas pelos Agentes de Cargas interessados na Certificação OEA Neste artigo comentamos especificamente sobre o uso de boas práticas pelos Agentes de Cargas (ou Freight Forwarders) interessados ou já certificados como Operadores Econômicos Autorizados (OEA) conforme a Instrução Normativa RFB nº 1598 de dezembro de 2015. Edição n 286 - Maio de 2016 - 31 Logística Por Daniel Gobbi Costa Inicialmente para estas empresas é necessário a realização de uma avaliação completa em suas práticas de Segurança, baseando-se em gerenciamento de riscos e medidas de Segurança apropriadas a sua característica de atuação. Em seguida deverá ser implementado e mantido critérios de segurança que garantam o processo de melhoria contínua das boas práticas utilizadas. Ainda como parte introdutória, devemos reconhecer que um Agente de Carga normalmente não desempenha um papel significativo nos aspectos físicos do armazenamento, carregamento, transporte e distribuição de mercadorias, mas desempenha um papel muito importante no manuseio da informação, especialmente a que é transmitida entre os transportadores, as Aduanas e as outras partes da Cadeia Logística. Neste sentido - e antes de mais nada - o papel do Agente de Carga é também o de educar e motivar os outros membros da Cadeia Logística, para que estes participem de programas de Supply Chain Security, tais como o de Operador Econômico Autorizado (OEA). Abaixo estão apresentados alguns critérios mínimos, que devem ser considerados pelas empresas de Agenciamento de Cargas para a obtenção e manutenção de seus controles internos: 1Parceiros Comerciais O termo “Parceiros Comerciais” inclui todos os prestadores de serviço dentro da Cadeia Logística, os quais podem ser considerados os transportadores internacionais, nacionais e outras empresas conforme suas obrigações. As empresas de Agenciamento de Cargas deverão implementar procedimentos para o estudo de novos parceiros e para a manutenção dos atuais, com avaliações que vão além dos requisitos financeiros, e devem ser definidos indicadores de segurança. As empresas deverão cooperar para identificar quais informações específicas - sobre quais fatores, práticas ou riscos - são relevantes para os processos. Cabe registrar que as empresas de agenciamento de cargas deverão assegurar que seus parceiros, por contrato, se comprometam a seguir as recomendações de Segurança internacional. 2Segurança dos processos As empresas de agenciamento de cargas devem, juntamente com os importadores e exportadores, definir instruções para a segurança nos locais de carregamento, inspeção e lacração apropriada das embalagens e unidades de cargas (containers e baús), visando a manutenção da integridade dos processos. Essas empresas deverão também solicitar aos seus parceiros comerciais que seja realizada uma inspeção no veículo e na unidade de carga (“inspeção de sete pontos”), antes dos mesmos serem carregados. É fundamental o fechamento com lacre das unidades de Carga, para a manutenção da Segurança da Cadeia Logística. Estes lacres deverão obedecer (ou exceder) a norma ISO 17712 para lacres de Alta Segurança. 3Controles de acesso físico O controle de acesso físico deverá ser capaz de impedir a entrada, não acompanhada ou não autorizada, às instalações da empresa. É necessário que se mantenha o controle de acesso dos funcionários e visitantes, para proteção dos ativos da empresa. Os pontos de acesso deverão possuir controle de identificação positiva para todos no momento de entrada. Os empregados e fornecedores de serviço somente devem ter acesso às áreas da empresa onde tenham necessidade legítima de trabalho. Para os funcionários e visitantes a empresa deverá 32 - Revista BQ - Banas Qualidade implementar e manter procedimentos para a entrega, devolução e modificação dos dispositivos de acesso, tais como chaves, cartões de proximidade, etc. Visitantes deverão apresentar uma identificação com foto no momento de ingressar nas instalações da empresa, deverão ser acompanhados todo o tempo e exibir em local visível sua identificação temporária. 4Recrutamento,Manutenção e Desligamento de pessoal A empresa deverá implementar e manter processos para avaliar os candidatos com possibilidades de emprego, e realizar verificações periódicas dos empregados atuais. Ao término do contrato de serviço, a empresa deverá providenciar a retirada da identificação do colaborador e eliminar a permissão de acesso às instalações e aos sistemas, para os funcionários que foram desligados da empresa. 5Confiabilidade da Informação Medidas deverão ser implementadas para garantir que as informações transmitidas pelas empresas de agenciamento de cargas sejam coerentes e de ótima qualidade (sendo completas e claras), com o objetivo de que autoridades possam maximizar o uso de ferramentas de classificação para liberação da mercadoria, ou para a designação de um exame físico. Os procedimentos serão definidos para assegurar que toda informação fornecida pelo importador, exportador, embarcador, etc., que seja utilizada para a liberação das mercadorias, esteja legível e protegida contra modificações, perda ou introdução de dados errados. Em compliance com a Legislação Aduaneira, o Agente de Cargas deverá orientar que seu cliente (importador ou exportador) realize os reportes correspondentes e - quando for o caso - dos itens faltantes ou sobrantes ou das anomalias das quais tenha conhecimento. 6Segurança física das instalações As instalações onde são realizados o manuseio e o arquivamento de documentos - assim como os possíveis locais usados para realizar a entrada ou saída de mercadorias internacional - deverão possuir barreiras físicas e elementos de identificação, para garantir contra o acesso não autorizado. 7Segurança da Informação (TI) As empresas de agenciamento de cargas deverão implementar ferramentas para identificar o abuso dos sistemas de computação, e detectar o uso inapropriado e a manipulação indevida (ou mesmo alteração) das informações comerciais. Deverão ser tomadas medidas para proteger a informação eletrônica, inclusive informando aos empregados sobre a necessidade de proteger suas senhas e o acesso aos computadores. 8Capacitação em Segurança e conscientização sobre ameaças As empresas deverão implementar e manter um programa de conscientização para reconhecer e criar consciência sobre as ameaças em cada ponto da Cadeia Logística. Edição n 286 - Maio de 2016 - 33 Logística Os empregados deverão conhecer os procedimentos estabelecidos pela empresa para considerar uma situação e como denunciá-la. Deverá ser oferecida capacitação específica para ajudar os empregados a manter a integridade da mercadoria, reconhecer conspirações internas e proteger os controles de acesso. Concluímos este artigo afirmando que, os critérios mínimos aqui apresentados, estão sendo desenvolvidos especialmente com o objetivo de identificar grupos de empresas que possuam práticas seguras e efetivas, desenhadas para melhorar o desempenho da Cadeia Logística e mitigar a possibilidade de que esta possa ser contaminada por agentes ilícitos. As medidas de segurança de uma Cadeia Logística segura reduzem os riscos de roubo, perdas e contrabando de mercadorias e, quando não aplicadas, poderão facilitar a introdução de elementos perigosos no fluxo do processo. Daniel Gobbi Costa: Graduado em Administração de Empresas e habilitação em Comércio Exterior, com especialização nas áreas de Logística, Qualidade e Gerenciamento de Projetos. Atua desde 2007 em atividades de Auditoria/Consultoria nas áreas Logística e de Comércio Exterior participando de projetos de implementação e manutenção de controles internos, agora como Sócio/Responsável nas empresas Alliance Consultoria e Treinamento Empresarial (www.allcompliance. com.br) e Innova Consultoria Empresarial e Qualificação Executiva (www.innova-bpc.com. br). dgobbi@allcompliance.com.br Uma boa informação é a essência da percepção da necessidade onde a expectativa foi atingida. TRANSMISSÃO VIA INTERNET TRADUÇÃO SIMULTÂNEA WEBCASTING REDES APLICATIVOS 55 11 3959-1199 comercial@avsc.com.br | avsc.com.brTÉCNICOS CERTIFICADOS INTERNACIONALMENTE SISTEMA INTERATIVO PESQUISA DE QUALIDADE http://com.br/ http://www.innova-bpc.com/ mailto:dgobbi@allcompliance.com.br mailto:comercial@avsc.com.br http://avsc.com.br/ 34 - Revista BQ - Banas Qualidade A Qualidade no setor da construção civil Edição n 286 - Maio de 2016 - 35 A indústria da construção civil é muito importante, qualquer que seja o parâmetro que se utilize: volume de inversão, capital circulante, número de pessoas empregadas, utilidades dos produtos, etc. Assim, sobre ela são depositados os anseios e as expectativas de um produto de qualidade para o consumidor e para os construtores. Buscar a qualidade tornou-se uma necessidade para os profissionais atuantes nos diversos setores da engenharia civil e arquitetura 36 - Revista BQ - Banas Qualidade Normalmente, a produção na construção civil envolve o planejamento; o projeto; a aplicação de materiais fabricados e componentes fora do canteiro de obras e a de execução propriamente dita. Depois de terminada a obra segue-se a etapa de uso, que contempla as atividades de operação e a de manutenção. Em consequência, o nível de satisfação do usuário e o desempenho do edifício dependem muito da qualidade das quatro primeiras etapas, em especial das etapas de planejamento e projeto, ou seja, a observância aos aspectos e níveis de qualidade de um projeto, pode ser determinante para obtenção de um excelente produto final. As falhas podem ter suas origens em qualquer uma das atividades inerentes ao processo chamado de construção civil, ou seja, a concepção, a execução e a utilização da obra. Paralelamente a isto, pode-se também visualizar o problema como uma consequência de ações humanas, tais como a falta de capacitação técnica do pessoal envolvido no processo (tanto na etapa de concepção como nas de execução e de manutenção), utilização de materiais de baixa qualidade, de causas naturais ligadas ao envelhecimento dos materiais componentes das edificações e de ações externas, tais como choques, ataques químicos, físicos e biológicos relativos ao ambiente. A publicação da NBR 15575 representou tecnicamente as necessidades da sociedade brasileira no que se refere à aquisição de imóveis, levando em conta o estágio técnico e socioeconômico do Brasil. A norma também tem como característica estabelecer as responsabilidades de cada um dos responsáveis por uma edificação: construtores, incorporadores, projetistas, fabricantes de materiais, administradores condominiais e os próprios usuários. Sendo uma norma de desempenho, estabelece os parâmetros técnicos para vários requisitos importantes de uma edificação, como desempenho acústico, desempenho térmico, durabilidade, garantia e vida útil, e determina um nível mínimo obrigatório para cada um deles. Seu maior diferencial é estabelecer como metodologia o conceito de desempenho da edificação, alinhado às tendências internacionais, em complemento às antigas normas prescritivas. A abordagem de desempenho está ligada ao comportamento que se espera de uma edificação quando em uso, dentro de determinadas condições, tendo como foco as necessidades de seus usuários ao longo do seu tempo de vida útil. Essa norma, sob o título geral Edificações habitacionais – Desempenho, contém as seguintes partes: Parte 1: Requisitos gerais; Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais; Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos; Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas – SVVIE; Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas; e Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários. Importante saber que as normas de desempenho são estabelecidas buscando atender aos requisitos dos usuários, que, no caso dessa norma, referem- se aos sistemas que compõem edificações habitacionais, independentemente dos seus materiais constituintes e do sistema construtivo utilizado. Seu foco está nos requisitos dos usuários para o edifício habitacional e seus sistemas, quanto ao seu comportamento em uso e não na prescrição de como os sistemas são construídos. A forma de estabelecimento do desempenho é comum e internacionalmente pensada por meio da definição de requisitos (qualitativos), critérios (quantitativos ou premissas) e métodos de avaliação, os quais permitem a mensuração clara do seu atendimento. As normas Por Hayrton Rodrigues do Prado Filho Edição n 286 - Maio de 2016 - 37 prescritivas estabelecem os requisitos com base no uso consagrado de produtos ou procedimentos, buscando o atendimento aos requisitos dos usuários de forma indireta. Por sua vez, as normas de desempenho traduzem os requisitos dos usuários em requisitos e critérios, e são consideradas complementares às normas prescritivas, sem substituí-las. A utilização simultânea delas visa atender aos requisitos do usuário com soluções tecnicamente adequadas. No caso de conflito ou diferença de critérios ou métodos entre as normas requeridas e essa norma, deve-se atender aos critérios mais exigentes. A abordagem dessa norma explora os conceitos que muitas vezes não são considerados em normas prescritivas específicas, por exemplo, a durabilidade dos sistemas, a manutenibilidade da edificação e o conforto tátil e antropodinâmico dos usuários. Todas as disposições contidas nessa norma aplicam- se aos sistemas que compõem edificações habitacionais, projetados, construídos, operados e submetidos a intervenções de manutenção que atendam às instruções específicas do respectivo manual de uso, operação e manutenção. Os requisitos do usuário relativos à segurança são expressos pelos seguintes fatores: segurança estrutural; segurança contra fogo; segurança no uso e na operação. Os requisitos do usuário relativos à habitabilidade são expressos pelos seguintes fatores: estanqueidade; desempenho térmico; desempenho acústico; desempenho lumínico; saúde, higiene e qualidade do ar; funcionalidade e acessibilidade; conforto tátil e antropodinâmico. Os requisitos do usuário relativos à sustentabilidade são expressos pelos seguintes fatores: durabilidade; manutenibilidade; impacto ambiental. Além disso, a avaliação de desempenho busca analisar a adequação ao uso de um sistema ou de um processo construtivo destinado a atender a uma função, independentemente da solução técnica adotada. Para atingir esta finalidade, na avaliação do desempenho é realizada uma investigação sistemática baseada em métodos consistentes, capazes de produzir uma interpretação objetiva sobre o comportamento esperado do sistema nas condições de uso definidas. Em função disso, a avaliação do desempenho requer o domínio de uma ampla base de conhecimentos científicos sobre cada aspecto funcional de uma edificação, sobre materiais e técnicas de construção, bem como sobre os diferentes requisitos dos usuários nas mais diversas condições de uso. Recomenda-se que os resultados desta investigação sistemática, que orientaram a realização do projeto, sejam documentados por meio de registro de imagens, memorial de cálculo, observações instrumentadas, catálogos técnicos dos produtos, registro de eventuais planos de CAPA 38 - Revista BQ - Banas Qualidade expansão de serviços públicos ou outras formas, conforme conveniência. Os requisitos de desempenho derivados de todos os requisitos dos usuários podem resultar em uma lista muito extensa; neste sentido é conveniente limitar o número de requisitos a serem considerados em um contexto de uso definido. Dessa forma, nas Seções 7 a 17 são estabelecidos os requisitos e critérios que devem ser atendidos por edificações habitacionais. Por exemplo, cabe ao fornecedor de sistemas caracterizar o desempenho de acordo com essa norma. Convém que fabricantes de produtos, sem normas brasileiras específicas ou que não tenham seus produtos com o desempenho caracterizado, forneçam resultados comprobatórios do desempenho de seus produtos com base nessa norma ou em normas específicas internacionais ou estrangeiras. Ao contrário das normas tradicionais, que prescrevem características dos produtos com base na consagração do uso, as normas de desempenho definem as propriedades necessárias dos diferentes elementos da construção, independentemente do material constituinte. No primeiro caso, deve-se utilizar o produto em atendimento às suas características. No segundo, deve-se desenvolver e aplicar o produto para que atenda às necessidades da construção. Para que se atinja e se mantenha o desempenho pretendido durante o prazo de vida útil de projeto, a norma estabelece incumbências para incorporadores, construtores, projetistas, usuários e outros. Suprime algumas indefinições que existiam, como, por exemplo, a responsabilidade sobre os levantamentos necessários em terrenos com passivo ambiental. A NBR 15575 estabelece que, para edificações ou conjuntos habitacionais com local de implantação definido, os projetos devem ser desenvolvidos com base nas características geomorfológicas do local, avaliando-se convenientemente os riscos de deslizamentos, enchentes, erosões e outros. Devem ainda ser considerados riscos de explosões oriundas do confinamento de gases resultantes de aterros sanitários, solos contaminados, proximidade de pedreiras e outros, tomando-se as providências necessárias para que não ocorram prejuízos à segurança e à funcionalidade da obra. Os projetos devem ainda prever as interações com construções existentes nas proximidades, considerando- se as eventuais sobreposições de bulbos de pressão, efeitos de grupo de estacas, rebaixamento do lençol freático e desconfinamento do solo em função do corte do terreno. Do ponto de vista da segurança e estabilidade ao longo da vida útil da estrutura, devem ser consideradas as condições de agressividade do solo, do ar e da água na época do projeto, prevendo-se, quando necessário, as proteções pertinentes à estrutura e suas partes. Além disso, o setor da construção possui, atualmente, 645 NBRs/NMs indispensáveis; 251 Regulamentos Técnicos; e 54 Projetos de NBRs e NMs em discussão. Reformas de edificações É de extrema importância a conscientização de proprietários quanto à responsabilidade sobre obras nas edificações, pois, normalmente, nos regulamentos internos dos prédios, algumas providências importantes devem ser consideradas. Todas as reformas e construções realizadas por moradores que afetem a estrutura, vedações ou quaisquer instalações devem ser comprovadamente documentadas e comunicadas ao síndico do condomínio antes de seu início, contendo a descrição dos serviços a serem executados. A NBR 16280 de 03/2014 – Reforma em edificações – Sistema de gestão de reformas Edição n 286 - Maio de 2016 - 39 – Requisitos estabelece os requisitos para os sistemas de gestão de controle de processos, projetos,execução e segurança, incluindo meios principalmente para: prevenções de perda de desempenho decorrente das ações de intervenção gerais ou pontuais nos sistemas, elementos ou componentes da edificação; planejamento, projetos e análises técnicas de implicações da reforma na edificação; alteração das características originais da edificação ou de suas funções; descrição das características da execução das obras de reforma; segurança da edificação, do entorno e de seus usuários; registro documental da situação da edificação, antes da reforma, dos procedimentos utilizados e do pós-obra de reforma; e supervisão técnica dos processos e das obras. Esta norma se aplica, exclusivamente, às reformas de edificações. O tema “reforma de edificações” assume relevância na sociedade à medida que, com a existência de demanda, do crescimento das cidades e urbanização de novas regiões, passa a ser atividade a ser disciplinada na sua forma de gestão. O envelhecimento das obras construídas impõe determinados processos, por segurança, perda de função ou qualidade que devem ser conduzidas com base em requisitos bem definidos. Mudanças econômicas e culturais trazem necessidades que podem levar a processos de alteração das construções. Contudo, estas transformações devem preservar a segurança das edificações, seus usuários e o entorno por ela impactados. Obviamente, em toda atividade existe a presença do elemento “risco” que, nas análises de gestão, deve ser tratado adequadamente. As edificações cumprem funções de serviço definidas em projeto. Contudo, ao longo do tempo de serviço, existirão necessidades de ajustes, adequações a novas demandas e até mesmo recuperação de suas propriedades técnicas. O valor agregado às edificações, seja econômico ou social, normalmente é evidenciado por características que sustentam as atividades humanas de forma estruturada, passando por gerações e fazendo história. Os serviços de reforma devem atender a um plano formal de diretrizes, que contemple: a preservação dos sistemas de segurança existentes na edificação; a apresentação de toda e qualquer modificação que altere ou comprometa a segurança da edificação ou do seu entorno à análise da incorporadora/construtora e do projetista, dentro do prazo decadencial (legal) e, após esse prazo, um responsável técnico designado pelo responsável legal deve efetuar a análise; os meios que protejam os usuários das edificações de eventuais danos ou prejuízos decorrentes da execução dos serviços de reforma e sua vizinhança; a descrição dos processos de forma clara e objetiva, atendendo aos regulamentos exigíveis para a realização CAPA 40 - Revista BQ - Banas Qualidade das obras e sua forma de comunicação; quando aplicável, o registro e a aprovação nos órgãos competentes e pelo condomínio, exigidos para sua execução; a definição dos responsáveis e suas atribuições em todas as fases do processo; a previsão de recursos para o planejamento da reforma: materiais, técnicos, financeiros e humanos, capazes de atender às interferências nos diferentes sistemas da edificação e prover informações e condições para prevenir ou mitigar os riscos; a garantia de que a reforma não prejudica a continuidade dos diferentes tipos de manutenção as edificações, após a obra. O plano de reforma deve ser elaborado por profissional habilitado por apresentar a descrição de impactos nos sistemas, subsistemas, equipamentos e afins da edificação, e por encaminhar o plano ao responsável legal da edificação em comunicado formal para análise antes do início da obra de reforma. O plano deve atender às seguintes condições: o atendimento às legislações vigentes e normas técnicas pertinentes para realização das obras; o estudo que garanta a segurança da edificação e dos usuários, durante e após a execução da obra; a autorização para circulação, nas dependências da edificação, dos insumos e funcionários que realizarão as obras nos horários de trabalho permitidos; a apresentação de projetos, desenhos, memoriais descritivos e referências técnicas, quando aplicáveis; o escopo dos serviços a serem realizados; a identificação de atividades que propiciem a geração de ruídos, com previsão dos níveis de pressão sonora máxima durante a obra; a identificação de uso de materiais tóxicos, combustíveis e inflamáveis; a localização e implicações no entorno da reforma; o cronograma da reforma; os dados das empresas, profissionais e funcionários envolvidos na realização da reforma; a responsabilidade técnica pelo projeto, pela execução e pela supervisão das obras, quando aplicável, deve ser documentada de forma legal e apresentada para a nomeação do respectivo interveniente; o planejamento de descarte de resíduos, em atendimento à legislação vigente; o estabelecimento do local de armazenamento dos insumos a serem empregados e resíduos gerados; as implicações sobre o manual de uso, operação e manutenção das edificações, conforme a NBR 14037, e na gestão da manutenção, conforme a NBR 5674, quando aplicável. Fluxo de gestão de obra de reformas de edificações O plano de reforma deve ser elaborado por profissional habilitado por apresentar a descrição de impactos nos sistemas, subsistemas, equipamentos e afins da edificação, e por encaminhar o plano ao responsável legal da edificação em comunicado formal para análise antes do início da obra de reforma. O Edição n 286 - Maio de 2016 - 41 plano deve atender às seguintes condições: atendimento às legislações vigentes e normas técnicas pertinentes para realização das obras; estudo que garanta a segurança da edificação e dos usuários, durante e após a execução da obra; autorização para circulação, nas dependências da edificação, dos insumos e funcionários que realizarão as obras nos horários de trabalho permitidos; apresentação de projetos, desenhos, memoriais descritivos e referências técnicas, quando aplicáveis; escopo dos serviços a serem realizados; identificação de atividades que propiciem a geração de ruídos, com previsão dos níveis de pressão sonora máxima durante a obra; identificação de uso de materiais tóxicos, combustíveis e inflamáveis; localização e implicações no entorno da reforma; cronograma da reforma; dados das empresas, profissionais e funcionários envolvidos na realização da reforma; a responsabilidade técnica pelo projeto, pela execução e pela supervisão das obras, quando aplicável, deve ser documentada de forma legal e apresentada para a nomeação do respectivo interveniente; planejamento de descarte de resíduos, em atendimento à legislação vigente; estabelecimento do local de armazenamento dos insumos a serem empregados e resíduos gerados; implicações sobre o manual de uso, operação e manutenção das edificações, conforme NBR 14037, e na gestão da manutenção, conforme a NBR 5674, quando aplicável. As adequações técnicas ou reformas em áreas privativas da edificação que afetem a estrutura, as vedações ou quaisquer sistemas da unidade ou da edificação devem atender aos requisitos do item 5.1 e ser comprovadamente documentadas e comunicadas ao responsável legal da edificação antes de seu início. Caso não seja autorizado pelo responsável legal, o trânsito nas áreas comuns do edifício dos insumos e funcionários, que atuarão na obra, deve ser apresentada justificativa técnica ou legal ao solicitante. Estruturas de concreto A maior parte dos defeitos verificados nas construções decorre de erros de projeto, sendo essencial que sejam direcionados maiores esforços no sentido de melhorar a qualidade dos projetos, em especial, o projeto estrutural, dada a sua significativa importância. Quem contrata projetos, muitas vezes, parte do enfoque custo ou preço, deixando a qualidade em segundo plano. Outras vezes, o fator condicionante é o prazo, que acaba sendo o objetivo primordial, resultando em sérios prejuízos para a eficiência das estruturas, pois impossibilita os projetistas de buscarem a melhor solução. Uma das formas encontradas para conseguir a melhoria da qualidade dos projetos estruturais é através da implantação de um sistema de garantia da qualidade, atuando paralelamente ao CAPA 42 - Revista BQ - Banas Qualidade desenvolvimento dos projetos, sempre cumprindo a norma técnica específica e suas correlatas. Na verdade, para ser eficiente, o sistema de garantia da qualidade deve atuar em todas as fases do processo construtivo − planejamento, projeto, produção de materiais e componentes, execução, utilização e manutenção. Dessa forma, um projeto bem elaborado deve conferir segurança às estruturas e garantir um desempenho satisfatório em serviço, além de aparência aceitável. Assim, devem ser observadas as exigências com relação à capacidade resistente, bem como às condições em uso normal e, principalmente, às especificações referentes à durabilidade. Muitas vezes, os requisitos de segurança são satisfatoriamente atendidos, ao passo que as exigências de bom desempenho em serviço e durabilidade são deixadas em segundo plano. Em relação à durabilidade, essa questão está intimamente relacionada à qualidade das estruturas, ressaltando-se a necessidade de adotar critérios apropriados ainda na fase de projeto, de modo a garantir, com grau apropriado de confiabilidade, que as estruturas apresentem desempenho satisfatório em serviço e resistam adequadamente aos agentes externos sem mostrar sinais precoces de deterioração. Percebe-se que há uma nítida relação entre os seguintes aspectos: agressividade ambiental, durabilidade e qualidade das estruturas. O estudo da agressividade ambiental visa conhecer o comportamento das estruturas e dos seus materiais componentes (concreto e aço) em face dos ataques por agentes externos agressivos presentes no meio ambiente, de modo que possam ser tomadas as respectivas medidas preventivas de proteção, com o intuito de assegurar que as estruturas apresentem durabilidade. A garantia da durabilidade, por sua vez, contribui de forma considerável para garantir a qualidade das estruturas, visto que ambos os parâmetros estão intimamente relacionados. Durante muito tempo, o concreto foi considerado um material extremamente durável, opinião esta baseada em obras muito antigas ainda em bom estado de conservação. Entretanto, a deterioração relativamente precoce de estruturas recentes remete aos porquês das patologias do concreto, resultantes de uma somatória de fatores, dentre os quais, citam-se: erros de projeto e de execução, inadequação dos materiais, má utilização da obra, agressividade do meio ambiente, falta de manutenção e ineficiência ou ausência de controle da qualidade na construção civil. A NBR 6118 de 04/2014 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento estabelece os requisitos básicos exigíveis para o projeto de estruturas de concreto simples, armado e protendido, excluídas aquelas em que se empregam Edição n 286 - Maio de 2016 - 43 concreto leve, pesado ou outros especiais. Para a elaboração desta norma, foi mantida a filosofia da edição anterior da NBR 6118 (historicamente conhecida como NB-1) e das NBR 7197, NBR 6119 e NB-49, de modo que a esta norma cabe definir os critérios gerais que regem o projeto das estruturas de concreto, sejam elas de edifícios, pontes, obras hidráulicas, portos ou aeroportos etc. Assim, ela deve ser complementada por outras normas que estabeleçam critérios para estruturas específicas. Esta norma aplica-se às estruturas de concretos normais, identificados por massa específica seca maior do que 2 000 kg/m³, não excedendo 2 800 kg/m³, do grupo I de resistência (C20 a C50) e do grupo II de resistência (C55 a C90), conforme classificação da NBR 8953. Entre os concretos especiais excluídos desta Norma estão o concreto massa e o concreto sem finos. Ela estabelece os requisitos gerais a serem atendidos pelo projeto como um todo, bem como os requisitos específicos relativos a cada uma de suas etapas. Não inclui requisitos exigíveis para evitar os estados limites gerados por certos tipos de ação, como sismos, impactos, explosões e fogo. Para ações sísmicas, consultar a NBR 15421; para ações em situação de incêndio, consultar a NBR 15200. No caso de estruturas especiais, como de elementos pré-moldados, pontes e viadutos, obras hidráulicas, arcos, silos, chaminés, torres, estruturas offshore, ou estruturas que utilizam técnicas construtivas não convencionais, como formas deslizantes, balanços sucessivos, lançamentos progressivos e concreto projetado, as condições desta norma ainda são aplicáveis, devendo, no entanto, ser complementadas e eventualmente ajustadas em pontos localizados por Normas Brasileiras específicas. A simbologia adotada nesta norma, no que se refere às estruturas de concreto, é constituída por símbolos base (mesmo tamanho e no mesmo nível do texto corrente) e símbolos subscritos. Os símbolos base, utilizados com mais frequência nesta norma, encontram-se estabelecidos em 4.2 e os símbolos subscritos, em 4.3. A simbologia geral encontra-se estabelecida nesta seção e a simbologia mais específica de algumas partes desta norma é apresentada nas seções pertinentes, de forma a simplificar a compreensão e, portanto, a aplicação dos conceitos estabelecidos. As grandezas representadas pelos símbolos constantes desta norma devem sempre ser expressas em unidades do Sistema Internacional (SI). As estruturas de concreto devem atender aos requisitos mínimos de qualidade classificados em 5.1.2, durante sua construção e serviço, e aos requisitos adicionais estabelecidos em conjunto entre o autor do projeto estrutural e o contratante. Os requisitos de qualidade de CAPA 44 - Revista BQ - Banas Qualidade uma estrutura de concreto são classificados, para os efeitos desta norma, em três grupos distintos, relacionados em 5.1.2.1 a 5.1.2.3. A capacidade resistente consiste basicamente na segurança à ruptura. O desempenho em serviço consiste na capacidade da estrutura manter-se em condições plenas de utilização durante sua vida útil, não podendo apresentar danos que comprometam em parte ou totalmente o uso para o qual foi projetada. A durabilidade consiste na capacidade de a estrutura resistir às influências ambientais previstas e definidas em conjunto pelo autor do projeto estrutural e pelo contratante, no início dos trabalhos de elaboração do projeto. A solução estrutural adotada em projeto deve atender aos requisitos de qualidade estabelecidos nas normas técnicas, relativos à capacidade resistente, ao desempenho em serviço e à durabilidade da estrutura. A qualidade da solução adotada deve ainda considerar as condições arquitetônicas, funcionais, construtivas (ver NBR 14931), estruturais e de integração com os demais projetos (elétrico, hidráulico, ar-condicionado e outros), explicitadas pelos responsáveis técnicos de cada especialidade, com a anuência do contratante. Todas as condições impostas ao projeto, descritas em 5.2.2.2 a 5.2.2.6, devem ser estabelecidas previamente e em comum acordo entre o autor do projeto estrutural e o contratante. Para atender aos requisitos de qualidade impostos às estruturas de concreto, o projeto deve atender a todos os requisitos estabelecidos nesta norma e em outras complementares e específicas, conforme o caso. As exigências relativas à capacidade resistente e ao desempenho em serviço deixam de ser satisfeitas, quando são ultrapassados os respectivos estados limites (ver Seções 3 e 10). As exigências de durabilidade deixam de ser atendidas quando não são observados os critérios de projeto definidos na Seção 7. Para tipos especiais de estruturas, devem ser atendidas as exigências particulares estabelecidas em normas brasileiras específicas. Por fim, deve ser citada a NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção que, em seu item 18.3.1, diz que são obrigatórios a elaboração e o cumprimento de um Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT) nos estabelecimentos com 20 trabalhadores ou mais, contemplando os aspectos desta NR e outros dispositivos complementares de segurança. Esse programa deve incluir os seguintes documentos: memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e operações, levando-se em consideração riscos de acidentes e de doenças do trabalho e suas respectivas medidas preventivas; projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as etapas da execução da obra; especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas; cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT; layout inicial do canteiro da obra, contemplando, inclusive, previsão do dimensionamento das áreas de vivência; e programa educativo contemplando a temática de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, com sua carga horária. Edição n 286 - Maio de 2016 - 45 CAPA O item 18.3.2 da NR 18 determina que o PCMAT deve ser elaborado e executado por profissional legalmente habilitado na área de segurança do trabalho. Para fins de aplicação da NR 18, o profissional legalmente habilitado é aquele que possui habilitação exigida pela lei. Desta forma, para elaborar o PCMAT, o profissional deve ser um profissional dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). E quem é o responsável pela implementação do PCMAT? O item 18.3.3 da NR 18 estabelece que a implementação do PCMAT nos estabelecimentos é de responsabilidade do empregador ou condomínio. O PCMAT é uma carta de intenções contendo as medidas que visem às condições ideais do meio ambiente do trabalho em uma obra, devendo ser amplamente analisado durante sua implantação e alterado quando conveniente e/ou necessário. Estas alterações devem ser encaradas de forma natural, tendo em vista as mais variadas formas possíveis de situações que, durante a construção, tendem a ocorrer. Entre as possíveis alterações, estão as mudanças no cronograma, o surgimento de novas tecnologias e equipamentos, mudanças de projeto e alterações na relação mão de obra e equipamento. Deve ser ressaltado que a NR 18 exige em vários de seus itens a obrigatoriedade do cumprimento das normas técnicas. Entre elas estão incluídas a NBR 5418 – Instalações elétricas em atmosferas explosivas; a NBR 7500 – Identificação para o transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento de produtos; a NBR 9518 – Equipamentos elétricos para atmosferas explosivas – requisitos gerais; a NBR 11725 – Conexões e roscas para válvulas de cilindros para gases comprimidos; a NBR 11900 – Extremidades de laços de cabo de aço; a NBR 12790 – Cilindro de aço especificado, sem costura, para armazenagem e transporte de gases a alta pressão; a NBR 12791 – Cilindro de aço, sem costura, para armazenamento e transporte de gases a alta pressão; a NBR 13541 – Movimentação de carga – laço de cabo de aço – especificação; a NBR 13542 – Movimentação de carga – anel de carga; a NBR 13543 – Movimentação de carga – laços de cabo de aço – utilização e inspeção; a NBR 13544 – Movimentação de carga – sapatilho para cabo de aço; e a NBR 13545 – Movimentação de carga – manilhas. Devem ser tomados cuidados na contratação do profissional que elaborará o PCMAT. Em primeiro lugar, ele deve ser um profissional dos SESMT com experiência em construção, capaz de entender as especificidades daquela obra. O PCMAT deve ser apresentado a todos os trabalhadores, demonstrando sua importância e, principalmente, sua função de estabelecer os procedimentos de segurança. Nenhum PCMAT terá sucesso na sua implantação se não for absorvido e compreendido por todos. Os cuidados com a segurança serão lembrados e destacados em campanhas contínuas, na Semana Interna de Prevenção de Acidente de Trabalho (Sipat) e durante a implantação do PCMAT. A cada início de uma etapa de construção nova, ele deve ser destacado e relembrado. A qualificação de um empregado é como a carteira de habilitação de um motorista, ou seja, um empregado somente pode desempenhar certas tarefas e serviços se for qualificado – com certificado que o comprove – assim como um motorista somente pode dirigir um veículo automotor se possuir carteira de motorista. Enfim, a importância da qualidade no setor da construção civil é sentida por todos, pois as edificações e as obras de engenharia e arquitetura, sejam elas com as mais diversas funções e portes, estão obrigatoriamente presentes no cotidiano das pessoas. As casas, os edifícios, as escolas, as estações de ônibus ou metrô, as vias de acesso, os locais de trabalho, os locais de diversão (cinemas, teatros, parques), as barragens, as hidrelétricas geradoras de energia, enfim não se consegue imaginar a vida sem uma obra de engenharia. 46 - Revista BQ - Banas Qualidade MASP Problemas com fornecedores? MASP neles! Claudemir Y. Oribe: mestre em administração de empresas PUC Minas/ Fundação Dom Cabral, sócio consultor da Qualypro, claudemir@qualypro. com.br Problemas são inevitáveis nas relações entre clientes e fornecedor. De fato, a ampliação da cadeia de suprimentos é um caminho para a redução de custos devido à especialização e ao ganho de escala. A terceirização veio para ficar. No entanto, esse fenômeno pode acarretar problemas que, invariavelmente, adentram nos processos e se manifestam nos produtos e serviços, deixando os clientes insatisfeitos. Quando isso ocorre, a primeira reação é culpar o fornecedor, exigir solução imediata e ressarcimento de todos os prejuízos. A coisa não é assim tão simples. Os fornecedores têm todos os motivos do mundo para evitar qualquer responsabilidade. E não se trata apenas dos custos envolvidos. Trata-se de proteger sua marca para não macular sua reputação, o que seria muito pior em longo prazo. Além disso, o processo de aquisição e qualificação daquilo que é adquirido possui mais furos do que um queijo suíço. Pronto! Estão reunidos todos os ingredientes para um interminável jogo de empurra-empurra. Quando um problema complexo e grave precisa ser resolvido, nem todos vão ajudar, ao contrário, alguns podem até tentar sabotar a tentativa. E nem é preciso ir muito longe para ver sinais disso: objeções, resistência, medo, inveja e disputas de poder podem ser encontradas na própria empresa. Assim, o ideal seria que o fornecedor participe dos processos de análise e solução dos problemas e, para neutralizar receios, é preciso estruturar um raciocínio que proporcione confiança e poder de convencimento, coisa que o MASP possui de sobra. Em primeiro lugar é preciso abandonar a ideia de que alguém precisa ser culpado. A questão fundamental que precisa ser respondida é como o problema aconteceu: quais as causas e como elas atuaram para que o problema ocorresse. O fornecedor envolvido deve ser chamado a contribuir para elucidar os fatos, fornecendo informações que ajudem a compreender e comprovar a sequencia de eventos. Essa explicação causal só pode ser respondida por meio de dados comprobatórios, analisando aqueles colhidos das causas e do problema para determinar a correlação. Opiniões divergem. Fatos e dados convergem. As opiniões servem apenas como ponto de partida e devem ser abandonadas á medida em que o projeto avança. Dessa forma, o convencimento da origem da causa raiz precisa ser, não apenas descoberta, mas resistir a todas as hipóteses de refutação. Ou seja, é preciso provar não apenas que a causa raiz é aquela, mas também que não é outra. Não há como cumprir essa condição sem analisar o problema em profundidade, com um olhar numa escala de ampliação que permita ver o invisível, ouvir o inaudível e sentir o que é insensível para descobrir causas imperceptíveis e que talvez nem ele mesmo tenha conhecimento. Outra maneira de convencer fornecedores é por meio de experimentos controlados que provocam o problema quando a causa é inserida no sistema. O “ver para crer” funciona se uma simulação fiel da realidade funcionar exatamente como o problema real e diante dos próprios olhos. Agindo dessa forma, acusações, falácias e atribuição de culpa, que só provocam atritos e perdas de tempo, cedem espaço para a confiança, o profissionalismo e a objetividade, que reforçam as relações de parceria e pavimentam os laços do futuro. Diante disso, resolver o problema parece ser o menor dos benefícios. Então, quando tiver um problema com fornecedores, MASP neles! http://com.br/ Edição n 286 - Maio de 2016 - 47 48 - Revista BQ - Banas Qualidade O aproveitamento de águas do banho e de máquinas de lavar A procura por soluções voltadas ao melhor aproveitamento dos recursos hídricos, a fim de diminuir o impacto ambiental, cresceu no Brasil nos últimos dois anos em função da crise hídrica Edição n 286 - Maio de 2016 - 49 Meio Ambiente O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) desenvolveu um manual para reutilização de águas cinza (denominação dada às águas usadas no banho e na lavagem de roupas). Essas águas podem ter diversos usos não potáveis, em função dos produtos adicionados durante a sua utilização, e a publicação lista uma série de boas práticas para o manejo em ambiente doméstico. “Para não colocar a saúde das pessoas em risco, o manual apresenta os cuidados recomendados ao seu uso a partir de soluções simples que não requerem construções, instalação de equipamentos especiais ou mesmo reformas residenciais”, explica Wolney Castilho Alves, pesquisador do IP e coordenador do manual. Segundo o instituto, a procura por soluções voltadas ao melhor aproveitamento dos recursos hídricos, a fim de diminuir o impacto ambiental, cresceu no Brasil nos últimos dois anos em função da crise hídrica. A elevação no nível dos reservatórios por conta das chuvas do início do ano, no entanto, não deve ser encarada como uma oportunidade para abandonar ações sustentáveis de redução de consumo, como o aproveitamento de água de chuva, por exemplo, mas sempre tendo em conta os cuidados necessários ao seu uso. Para a utilização correta das águas cinza, informa Wolney Castilho, o usuário deve observar a presença de sabão, amaciantes, corantes, resíduos de sujeiras e gordura que prejudiquem o uso pretendido, causando manchas em pisos, paredes e pintura de veículos. O pesquisador recomenda ainda atenção na possibilidade de partículas presentes na água aderirem a superfícies como pisos porosos, e de restos de alvejantes (principalmente à base de cloro) causarem danos no caso de rega de plantas. O volume de águas cinza a ser coletado dependerá dos tipos de uso e do espaço disponível na residência para armazenamento. A quantidade necessária para suprir os usos está diretamente ligada ao número de bacias sanitárias, às áreas de piso e paredes a serem limpas ou às áreas de irrigação. Para uma lavagem de oito quilos de roupas, por exemplo, o volume de água consumido fica em torno de 100 litros, o que é suficiente para 16 descargas de bacia sanitária; um banho de chuveiro elétrico com a duração de oito minutos pode consumir de 24 a 40 litros de água, o bastante para quatro a seis descargas. O volume de água a ser armazenado deve ser decidido pelo morador em função do espaço disponível na residência, dos recursos para a compra dos recipientes e da facilidade de transporte entre os cômodos. Os recipientes de armazenamento (bombonas e baldes) recomendados pelo manual são produtos comuns vendidos no mercado. Antes de escolha dos recipientes, o usuário deve avaliar sua qualidade. Grande parte deles é fabricada em plástico, material que não é agredido pelas águas cinza; no caso de modelos metálicos, eles podem sofrer corrosão. Um reservatório para armazenar águas cinza deve, caso seja grande, ter uma saída de fundo (torneira) para facilitar seu esvaziamento e limpeza, ser resistente ao peso da água (quando cheio) e a pequenas quedas e impactos e, talvez o mais importante atualmente, ser estanque, ou seja, não ter vazamentos e ser mantido sempre bem fechado. Há também a necessidade de manter a água armazenada protegida do acesso de insetos. “Boa parte dos focos de dengue são encontrados em recipientes para armazenar água nas residências; é preciso tomar uma série de cuidados a fim de evitar a proliferação dos mosquitos”, ressalta Luciano Zanella, pesquisador do IPT e um dos autores do manual. As águas coletadas da etapa de lavagem de tecidos muito sujos podem ter coloração cinza escuro ou chumbo, e tendem a ficar cada vez mais escuras com o passar do tempo. Essas águas podem 50 - Revista BQ - Banas Qualidade Meio Ambiente 12 horas de armazenamento, aproximadamente; por outro lado, as águas do enxágue e de centrifugação das lavadoras podem ser armazenadas por mais tempo, situação que se repete com as águas da etapa de lavagem de roupas menos sujas e com as águas de banhos sem muitos resíduos. As pesquisadoras do IPT Jordana Rodrigues de Castro e Rayana Santiago de Queiroz colaboraram no projeto com a execução de testes de laboratório para avaliar as técnicas simples que evitassem a exalação de odores nas águas armazenadas. Para eliminar ou diminuir cheiros desagradáveis, recomenda-se a mistura de 5 mL de água sanitária para cada litro de água cinza armazenada no caso de águas de cor cinza escura, que estão muito carregadas de sujeiras. Mesmo que as águas cinza tenham a aparência de água limpa, os pesquisadores alertam para uma série de usos não permitidos: não beber, não utilizar para tomar banho ou dar banho em animais domésticos, não molhar plantas comestíveis (exceto árvores frutíferas) e tampouco usar para a rega no caso de os produtos adicionados à lavagem de roupas terem cloro em sua fórmula. Para acessar o manual, clique no link http:// w w w . i p t . b r / d o w n l o a d . php?filename=1334-Manual_ p a r a _ a p r o v e i t a m e n t o _ emergencial_de_aguas_cinza_ do_banho_e_da_maquina_ de_lavar.pdf O conceito de Startups, moda no empreendedorismo viralizada por todos os cantos, tem funcionado muito bem para pequenos negócios que não necessitam de grandes investimentos iniciais. Geralmente, apresentam custo operacional baixo e uma equipe modesta que, muitas vezes, é o próprio empreendedor que está no cargo- chave do negócio. “Esses empreendimentos, em sua maioria, são baseados em um conceito de risco inicial para atender necessidades pontuais e desenvolve-se um produto minimamente viável, que vai melhorando através dos feedbacks que o mercado lhe proporciona”, explica Amauri Nóbrega, especialista em gestão estratégica. Nóbrega acredita que a tecnologia pode ser utilizada como motor para alavancar o negócio, com o fim de prover sustentabilidade. “A tecnologia deve impulsionar o negócio e não ser o próprio negócio, pois ela é, atualmente, facilmente copiada e a sua vantagem competitiva pode evaporar com facilidade”. Para o especialista em gestão estratégica, o sucesso em 100% dos casos tem como proposta básica simplificar a vida dos clientes e, nos casos mais inovadores, criar uma necessidade já com uma solução para a mesma. “Um exemplo disso é o iPod. É um tipo de produto que foi criado sem que tivéssemos a necessidade e hoje é algo que mudou o conceito de alguns mercados envolvidos”, ilustra Amauri Nóbrega. Por fim, para se obter um negócio sustentável, ou seja, que não esgote seus próprios recursos e consiga se manter firme no mercado, Nóbrega recomenda a procura de uma oportunidade em um mercado que tenha um potencial de crescimento rápido e configure uma excelente proposta de valor com uma estratégia formatada. “Contrate as pessoas certas capazes de tirar a estratégia do papel, busque uma solução que supere os concorrentes e utilize sempre a tecnologia para potencializar ou simplificar”, aconselha o especialista. Segundo o consultor, é possível dar o start inicial seguindo esses passos, no entanto, posteriormente, é recomendável que se encontre um parceiro que some recursos ao negócio. Quais os caminhos para ter um negócio sustentável ? Edição n 286 - Maio de 2016 - 51 Pelo Mundo Jeannette Galbinski: Doutora em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Master of Science em Qualidade e Confiabilidade pelo Technion Institute of Technology. Graduada em Estatística pela USP, com especialização em Administração Industrial pela FundaçãoVanzolini. Master Black Belt e consultora internacional especialista na implementação de Ferramentas e Sistemas da Qualidade e projetos de Seis Sigma. Norma ISO 14004:2016 publicada A Norma ISO 14004:2016 - Sistemas de Gestão Ambiental - Diretrizes gerais sobre a implementação, foi publicada recentemente. Ela ajuda as organizações a tirarem o máximo proveito do seu sistema de gestão ambiental e fornece apoio às organizações para a implementação de um SGA. É projetada para complementar a ISO 14001. http://www.iso.org/iso/ home/news_index/news_archive/ news.htm?refid=Ref2052 Aprovado DIS da ISO 45001 – Saúde e Segurança Ocupacional Foi aprovada a DIS da ISO 45001. Ela foi projetada para ajudar as organizações de todos os tamanhos e indústrias a reduzir acidentes de trabalho e doenças em todo o mundo. Ela é baseada nos elementos comuns encontrados em todas as normas de sistemas de gestão ISO, garantindo um nível de compatibilidade com as novas versões da ISO 9001 e ISO 14001. Agora a ISO 45001 está em fase de votação. Se o resultado for positivo, é estimado que a norma seja publicada até o início de 2017. http://www.iso.org/iso/home/ news_index/news_archive/news. htm?refid=Ref2012 Ranking de Reclamações 2015 O Procon-SP divulgou os setores mais reclamados e o índice de soluções das empresas. São 50 empresas que mais geraram reclamações no ano de 2015. No total, foram 1.050.352 atendimentos, sendo 60.949 reclamações, 46% no Procon-SP e 64% nos Procons municipais no interior, litoral e grande São Paulo. O segmento de Telecomunicações é o líder do ranking desde 2012. A Empresa Claro / Net / Embratel é a primeira do ranking, com 5.883 reclamações. Em segundo lugar está o Grupo Vivo / Telefônica, com 3.901 reclamações, seguido da Sky com 2.731. Em quarto lugar está a Tim, com 2.351, e o quinto o Grupo Pão de Açúcar 2.349. O Grupo Unimed subiu do 42º lugar para o 8º, devido a problemas na gestão da carteira da Unimed Paulistana que deixou de atender seus clientes, subindo de 223 reclamações em 2014 para 1.497. http://www.procon.sp.gov.br/pdf/ ranking_2015.pdf Revisão ISO 22000 – Gestão da Segurança Alimentar A ISO 22000 está sendo revisada pra garantir que permaneça relevante para os dias de hoje. O objetivo do grupo de revisão é esclarecer e comunicar conceitos fundamentais nos termos mais simples a fim de produzir um padrão que seja compreensível e fácil de implantar nas empresas. A Norma está em estágio de Draft. A reunião de comentários com parceiros internacionais deverá ser realizada em junho em Copenhague, Dinamarca. Vamos acompanhar. ISO 37001 - Norma anti-suborno Um novo padrão ISO no desenvolvimento de combate a corrupção está em fase final. A Implementação da ISO 37001 irá fornecer garantias entre os investidores e outras partes interessadas que a organização dispõe de um sistema eficaz para gerir o risco de suborno. A versão final da norma ISO 37001 está prevista para ser publicada ainda este ano. http://www.iso.org/iso/ news.htm?refid=Ref2069 http://www.iso.org/iso/ http://www.iso.org/iso/home/ http://www.procon.sp.gov.br/pdf/ http://www.iso.org/iso/ 52 - Revista BQ - Banas Qualidade A sinergia entre as ferramentas do Lean Six Sigma Edição n 286 - Maio de 2016 - 53 O presente artigo demonstra como poderemos observar a sinergia do uso de ferramentas estatísticas para análise do comportamento de um processo Por Marcelo Rivas Fernandes CENÁRIO 1: O gráfico abaixo apresenta o tempo de cada operador para produzir uma determinada peça com as mesmas características: O que poderíamos interpretar? Se considerarmos a especificação para os tempos de produção da peça entre 9 e 11 minutos teremos os seguintes indicadores de capacidade do processo: Estatística 54 - Revista BQ - Banas Qualidade Os valores de performance global (overall) Ppk=0,30 são os mesmos que os valores da capacidade individual (within) Cpk=0,30. Isso ocorre porquê não há distinção entre a forma de operar o processo pelos operadores. Poderemos dizer no conceito da Teoria das Restrições que a soma do Ótimo Local não sobrepõe o Ótimo Global. Continuando o estudo dos dados para o teste de igualdade de variância considerando um risco alfa de 5% teremos: Op3 Op2 Op1 1,751,501,251,000,750,50 Op er ad or es 95% Bonferroni Confidence Intervals for StDevs Test Statistic 3,76 P-Value 0,152 Test Statistic 1,04 P-Value 0,360 Bartlett's Test Levene's Test Test for Equal Variances for Tempo By Rivas Na tomada de decisão do teste de hipótese de Igualdade de Variância assumiremos a hipótese nula: H0: p > alfa: Não há uma diferença significativa na variação do tempo dos operadores. (IQ1=1,11, IQ2=1,16 e IQ3=1,10) Edição n 286 - Maio de 2016 - 55 Podemos ainda observar que não há uma diferença significativa no tempo médio de produção da peça por cada operador: O teste da ANOVA apresenta um valor de p (0,910) significativamente maior do que alfa (0,05) comprovando o baixo deslocamento das médias e neutralizando a variação Sinal (dentro) x Ruído (entre) os subgrupos. Na tomada de decisão do teste de hipótese assumiremos então a hipótese nula: H0: p > alfa: Não há uma diferença significativa na média do tempo dos operadores: (M1=9,87, M2=9,75 e M3=9,80) 554943373125191371 12 10 8 Observation In di vi du al V al ue _ X=9,809 UCL=12,627 LCL=6,992 554943373125191371 4 2 0 Observation M ov in g R an ge __ MR=1,059 UCL=3,461 LCL=0 1 1 I-MR Chart of Tempo By Rivas Analisando o controle estatístico dos dados deste processo verificamos que o mesmo encontra- se com poucos pontos afetados pela amplitude móvel e com os dados individuais estáveis. Conclusão: Observamos que no cenário 1 o processo não possui uma diferenciação entre a forma de trabalhar pelos três operadores, pois a média e a variação dos tempos de operação são similares. Estatística 56 - Revista BQ - Banas Qualidade CENÁRIO 2: O gráfico abaixo apresenta o tempo de cada operador para produzir uma determinada peça com as mesmas características: O que poderíamos interpretar? Interpretação: Cada operador possui uma variabilidade (IQ1=1,26, IQ2=4,97 e IQ3=10,34) e um tempo médio (M1=9,94, M2=11,10 e M3=12,10). Neste exemplo podemos observar claramente um padrão de operação que possui médias e s t a t i s t i c a m e n t e similares. Entretanto a repetitividade da operação por cada operador está gerando variação em seus tempos individuais. Analisando a igualdade de variância do nosso novo exemplo temos o seguinte resultado: Op3 Op2 Op1 9876543210 Op er ad or es 95% Bonferroni Confidence Intervals for StDevs Test Statistic 45,65 P-Value 0,000 Test Statistic 9,71 P-Value 0,000 Bartlett's Test Levene's Test Test for Equal Variances for Tempo 3 By Rivas O exemplo demonstra uma variação existente no tempo de cada operador sinalizando a falta de igualdade de variância no processo. Na tomada de decisão do teste de hipótese assumiremos a hipótese alternativa sendo: Ha: p < alfa: Há uma diferença significativa na variação do tempo dos operadores. (IQ1=1,26, IQ2=4,97 e IQ3=10,34) Op3Op2Op1 20 15 10 5 Operadores Te m po 3 Boxplot of Tempo 3 By Rivas Edição n 286 - Maio de 2016 - 57 Podemos ainda observar que não há uma diferença significativa no tempo médio de produção da peça por cada operador: O teste da ANOVA apresenta um valor de p (0,910) s i g n i f i c a t i v a m e n t e maior do que alfa (0,05) comprovando o baixo deslocamento das médias e neutralizando a variação Sinal (dentro) x Ruído (entre) os subgrupos. Na tomada de decisão do teste de hipótese assumiremos então a hipótese nula: H0: p > alfa: Não há uma diferença significativa na média do tempo dos operadores: (M1=9,87, M2=9,75 e M3=9,80) 554943373125191371 20 10 0 Observation In di vi du al V al ue _ X=11,05 UCL=22,11 LCL=-0,01 554943373125191371 15 10 5 0 Observation M ov in g Ra ng e __ MR=4,16 UCL=13,59 LCL=0 6 5 7 7 7 7 7 7 7 7 77 7 7222 1 2 22 22 222 2 22 22 2222 I-MR Chart of Tempo 3 By Rivas Analisando o controle estatístico do processo verificamos que o mesmo encontra-se com diversos pontos que sinalizam uma tendência caracterizada pela variação de diferentes tempos de trabalho de cada operador. Conclusão: Observamos que no cenário 2 o processo possui tempos médios similares, porém com uma variação significativa por cada operador requerendo, neste caso uma necessidade de treinamento. Estatística 58 - Revista BQ - Banas Qualidade CENÁRIO 3: O gráfico abaixo apresenta o tempo de cada operador para produzir uma determinada peça com as mesmas características: O que poderíamos interpretar? Op3Op2Op1 35 30 25 20 15 10 Operadores Te m po 2 Boxplot of Tempo 2 By Rivas Cada operador possui uma variabilidade (IQ1=1,40, IQ2=2,57 e IQ3=1,40) e um tempo médio (M1=9,72, M2=19,67 e M3=30,12). Neste cenário observamos que existe uma alta repetitividade da operação exercida por cada operador. Entretanto, há uma diferença significativa nos tempos médios de produção caracterizada por uma falta de padrão único. Analisando a igualdade de variância do nosso novo exemplo temos o seguinte resultado: Op3 Op2 Op1 2,001,751,501,251,000,750,50 Op er ad or es 95% Bonferroni Confidence Intervals for StDevs Test Statistic 3,21 P-Value 0,200 Test Statistic 3,49 P-Value 0,037 Bartlett's Test Levene's Test Test for Equal Variances for Tempo 2 By Rivas Observe que não existe diferença na variação dos tempos dos operadores perfazendo a igualdade de variância do processo. Na tomada de decisão do teste de hipótese assumimos a hipótese nula sendo: H0: p > alfa: Não existe uma diferença significativa na variação do tempo dos operadores (IQ1=1,40, IQ2=2,57 e IQ3=1,40) Edição n 286 - Maio de 2016 - 59 Vamos analisar a ANOVA: O b s e r v e , entretanto, que o teste da ANOVA apresenta um valor de p (0,000) menor do que alfa (0,05) c o m p r o v a n d o o acentuado deslocamento das médias e afetando o Ruído (entre) os subgrupos. Logo, na formulação do teste de hipótese assumiríamos a hipótese alternativa sendo: Ha: p<alfa: há diferença significativa na média do tempo dos operadores: 554943373125191371 30 20 10 Observation In di vi du al V al ue _ X=19,84 UCL=23,89 LCL=15,79 554943373125191371 12 8 4 0 Observation M ov in g R an ge __ MR=1,52 UCL=4,98 LCL=0 1 1 1111 11111 11 1 111 111 6 1111 111 111111 1111 1 11 2 22 11 2 I-MR Chart of Tempo 2 By Rivas Analisando o controle estatístico do processo verificamos também que o mesmo encontra- se com diversos pontos que sinalizam uma tendência caracterizada pelas médias dos diferentes tempos de trabalho dos operadores. Conclusão: Observamos que no cenário 3 o processo possui uma diferença significativa na média do tempo de cada operador, porém com variações similares requerendo uma necessidade de padronização. Estatística 60 - Revista BQ - Banas Qualidade RESUMO: Com relação à sinergia entre as metodologias Lean, Six Sigma e Teoria das Restrições deveremos estar atentos às melhorias que nos propomos a desenvolver. Observe, na cadeia de valor, se existe alguma etapa do processo a qual está sobrecarregada pela demanda entregue pelas etapas anteriores. Neste caso estaremos tratanto de um gargalo e em nada irá adiantar se as melhorias forem empregadas para: a) aumentar a demanda em etapas anteriores, sem antes ter corrigido “o gargalo”. b) Aumentar o tempo de disponibilidade em etapas posteriores e gerando ociosidade sem antes ter corrigido “o gargalo”. Enfim, devemos observar que todas as metodologias existentes se complementam com as suas características e peculiaridades na busca da melhoria dos processos. Quando elas trabalham em um contexto único de análise proporcionam benefícios maiores do que utilizadas isoladamente. Marcelo Rivas Fernandes é master black belt formado pela Lean Six Sigma Academy, diretor e consultor da Six Sigma Solutions, instrutor de treinamentos da metodologia Lean Six Sigma, professor de Teoria das Restrições e Método da Corrente Crítica em Projetos (CCPM) do Curso de MBA em Gestão de Projetos, professor do curso de MBA em Lean Manufacturing no Senai CIMATEC, palestrante do Congresso Internacional Six Sigma Brasil, Opex Brasil, e Six Sigma Summit. Para maiores informações acesse o site: www.sixsigmasolutions.com.br ou então o perfil do linkedin: https://www.linkedin. com/in/acessarperfilmarcelorivas SINAL = RUÍDO H0:p > (PARA ANOVA e IGUALDADE DE VARIÂNCIA) = (subgrupos iguais) SINAL < RUÍDO H0:p > ANOVA) ; Ha:p < IGUALDADE DE VARIÂNCIA) ≠ (treinar operadores) SINAL > RUÍDO Ha:p < ANOVA); H0: p > IGUALDADE DE VARIÂNCIA) ≠= (padronizar processo) Estatística http://www.sixsigmasolutions.com.br/ https://www.linkedin/ Edição n 286 - Maio de 2016 - 61 Softwares de Gestão e Qualidade do mercado 2016 62 - Revista BQ - Banas Qualidade Pesquisando a salmonella em águas tratadas Edição n 286 - Maio de 2016 - 63 Metodologia As doenças de veiculação hídrica são causadas principalmente por microrganismos patogênicos de origem entérica. A presença de microrganismos entéricos patogênicos, como a Salmonella, em água é um risco potencial para a saúde. Apesar da pesquisa de Salmonella spp não ser utilizada como indicador pelas legislações vigentes para controle de qualidade da água, sua avaliação se torna importante para estudos epidemiológicos devido ao grande número de sorotipos existentes A procura por soluções voltadas ao melhor aproveitamento dos recursos hídricos, a fim de diminuir o impacto ambiental, cresceu no Brasil nos últimos dois anos em função da crise hídrica Por Leticia de Alencar Pereira Rodrigues, Rita de Cássia Esteves Ataide, Maria Marlene dos Santos Cardoso e Ione Pinheiro dos Santos A água pode ser contaminada no ponto de origem, durante a sua distribuição e, principalmente, nos reservatórios particulares, sejam eles de empresas ou domiciliares [1]. Dados revelam que milhões de pessoas, principalmente crianças, morrem anualmente por doenças relacionadas à água no mundo todo. No entanto, o acesso à água limpa é um direito humano básico. No Brasil, o custo gerado para o tratamento de doenças transmitidas ou causadas por águas contaminadas, segundo o Ministério da Saúde, é equivalente a US$ 2,7 bilhões por ano [2]. Salmonella é um grupo bacteriano que pode causar gastrenterites, sendo encontrada, em geral em alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite, água entre outros. Existem atualmente mais de 2.400 sorotipos de salmonela dos quais mais da metade pertence à subespécie entérica. A bactéria é frequentemente encontrada no trato intestinal de animais, domésticos e selvagens, sendo muito comum em frangos e ovos [3]. A Salmonella spp é de fundamental importância em saúde pública pelo fato de algumas cepas serem patogênicas ao ser humano e de representar um dos parâmetros de determinação dos padrões microbiológicos de reconhecimento mundial para alimentos [4]. No Brasil, dados epidemiológicos da Anvisa sobre surtos ocorridos entre os anos de 1999 a 2008, relataram 6.062 surtos de DTAs, provocando 117.330 doentes com 64 óbitos, sendo que na maior parte dos surtos, a bactéria responsável foi Salmonella spp [5]. Apesar da pesquisa de Salmonella spp. não ser utilizada como indicador pelas legislações vigentes para controle de qualidade da água, sua avaliação se torna importante para estudos epidemiológicos devido ao grande número de sorotipos existentes. A detecção de Salmonella sp é uma técnica laboratorial que pode levar até 7 dias quando a análise é realizada pela metodologia tradicional, sendo necessários quatro dias para obtenção de resultado negativo confirmatório neste método [6]. 64 - Revista BQ - Banas Qualidade Para o controle das contaminações por Salmonella spp. se faz necessário um diagnóstico rápido e preciso. Atualmente o método mais utilizado é o microbiológico convencional, sendo uma técnica demorada e trabalhosa, sendo necessário mais de cinco dias para a emissão de um resultado, dificultando o monitoramento da contaminação bacteriológica na cadeia produtiva do alimento, e ainda desfavorecendo a adoção de medidas emergenciais para conter a liberação de lotes que possam estar contaminados. A necessidade de métodos rápidos e menos laboriosos de detecção tem levado a avanços significativos no desenvolvimento de pesquisa nesta área. [7] A importância e precisão da utilização de ensaios imunológicos para fins de diagnóstico estão na diversidade de anticorpos formados para um mesmo antígeno e que podem ser escolhidos, no caso dos anticorpos monoclonais. Esta diferenciação ocorre devido aos vários tipos de imunoglobulinas formadas [8]. O primeiro imunoensaio para Salmonella sp foi realizado em 1977 e, desde então, vários ELISA têm sido desenvolvidos, usando-se tanto anticorpos policlonais como monoclonais para detectar a maioria dos sorovares de Salmonella sp. Com o desenvolvimento da tecnologia de produção de anticorpos monoclonais, trabalhos utilizando essa metodologia surgiram mostrando uma maior sensibilidade na detecção deste microrganismo. Nove anticorpos monoclonais capazes de detectar Salmonella sp viva em alimentos foram produzidos posteriormente [9]. Não houve significância nas reações cruzadas com outras bactérias. Dois “kits” comerciais receberam o “status” de oficiais pela AOAC (Association of Official Analytical Chemists), desde 1989. Em comparação com o método convencional, o tempo total é reduzido em 2 dias e a análise estatística dos dados não tem indicado diferenças significativas [10]. Porém, o principal problema relatado por todos os métodos, que não o convencional, é o aparecimento de resultados falso-positivos e/ ou falso- negativos [11]. De acordo com os mesmos autores, resultados falso-negativos no teste ELISA podem ser eliminados utilizando-se um anticorpo monoclonal de alta especificidade [9]. Este estudo teve por objetivo comparar dois métodos analíticos modificados, o método oficial estabelecido pelo Standard Methods for the Examination of Water and, 2012, 22° edição (SMEWW) e o método rápido com sistema de análise qualitativa imunoenzimática automatizada (VIDAS® Salmonella) - AOAC 2011.03. As análises foram realizadas no Laboratório de Microbiologia do Senai Lauro de Freitas. A coleta da água para pesquisa foi da torneira com frasco estéril e preservado. A análise realizada de Salmonella sp foi avaliada em 100mL de amostra filtrada, em filtro estéril de nitrato de celulose de 0,45 μm. Edição n 286 - Maio de 2016 - 65 Metodologia Foram coletados 15 amostras com 200mL de água da torneira com preservante tiossulfato de sódio. Sendo que para cada série de 5 frascos foram utilizados números de células em diluições diferentes (10-8; 10-9; 10-10) para a fortificação da amostra. Na fortificação foi utilizada a fase estacionária de Salmonella Abaetetuba ATCC 35640 em 3 níveis diferentes de concentrações do microrganismo na sua fase estacionária (1 UFC/mL; 9 UFC/ mL e 85 UFC/mL). Cada série foi filtrada duas vezes, onde 5 membranas foram colocadas em 5 caldos SX2 e as outras 5 foram divididas para colocar cada metade em Caldo Selenito-Cistina e Caldo Rappaport. No enriquecimento as amostras foram incubadas a temperatura de 42 ± 1ºC pelos seguintes períodos 24 e 48 h. Em seguida foram seguidas as etapas dos métodos tradicional e VIDAS. Após incubação, transferiu-se 0,5 mL do tubo de caldo SX2 para a barrete do kit VIDAS SLM. As barretes foram aquecidas no bloco VIDAS HEAT & GO, a 131 ± 0,5°C por 15 ± 1 min, para inativação do antígeno e logo após resfriadas a temperatura ambiente. Em seguidas foram introduzidas no suporte analítico das barretes do equipamento e os cones do kit (fase sólida) inseridos no bloco de cones, para início os ensaios pelo VIDAS com duração de 48 minutos. Após o período de incubação, os tubos com caldo SX2, foram estriados na superfície de placas de ágar Rambach, MLCB, XLD e ChromID Salmonella (SM2), que foram posteriormente incubadas de forma invertidas a 36 ± 1ºC por 18 a 24 horas. Após período de incubação foi verificado o desenvolvimento de colônias típicas de Salmonella. As provas bioquímicas para confirmação foram feitas conforme metodologia tradicional. Após o período de incubação, os tubos com caldo Rapapport e caldo Selenito-Cistina, foram estriados na superfície de placas de ágar Rambach, MLCB, XLD e ChromID Salmonella (SM2), que foram posteriormente incubadas de forma invertidas a 36 ± 1ºC por 18 a 24 horas. Após período de incubação foi verificado o desenvolvimento de colônias típicas de Salmonella. Em Rambach as colônias típicas apresentam- se de cor vermelha. Alguns sorovares podem se apresentar com coloração rosa claro, cor de pêssego ou amarelas (cor de gema). No MLCB negras, convexas, lisas e brilhantes, com bordas regulares. No XLD apresentam-se transparentes, cor de rosa escuro, com ou sem centro preto. Cepas fortemente produtoras de H2S podem produzir colônias grandes e brilhantes com centro preto, ou mesmo inteiramente pretas. Em ChromID Salmonella (SM2) apresentam colônias violetas/malva. Foi realizado o reisolamento de colônias típicas em ágar ChromID Salmonella (SM2). Foram selecionadas duas colônias típicas de cada placa para confirmação preliminar nos tubos de Caldo Uréia, Ágar LIA e Ágar TSI. Com o auxílio de uma alça de inoculação, foi removida uma porção da massa de células, do centro da colônia típica que foi semeada em caldo uréia e inoculada através de picada profunda, estriando na superfície inclinada do bisel dos tubos inclinados de Ágar LIA e Ágar TSI. Reação típica de Salmonella sp em TSI: rampa alcalina (vermelha) e fundo ácido (amarelo), com ou sem produção de H2S (escurecimento do ágar). Reação atípica e, TSI, que não deve ser descartada se as demais reações em LIA se apresentarem típicas: rampa e fundo ácidos (amarelos), com ou sem produção de H2S. Reação típica de Salmonella sp em LIA: fundo e rampa alcalinos (púrpura, sem alteração da cor do meio), com ou sem produção de H2S (escurecimento do meio). Reação atípica em LIA, que não deve ser descartada se as demais reações em TSI se apresentarem típicas: fundo amarelado com rampa alcalina, com ou sem produção de H2S. No caldo Uréia a cor do meio permanece inalterada. Salmonella é urease negativa. Para o teste de reação 66 - Revista BQ - Banas Qualidade sorológica frente ao anti- soro polivalente "O” foi preparada uma suspensão com 1 mL de solução salina 0,85% diretamente no ágar TSI. Sobre a superfície da placa de Huddleson foi depositado separadamente, uma gota de solução salina 2% e uma gota do soro anti-Salmonella polivalente "O", diretamente do frasco. Em seguida, acrescentou-se a cada uma delas uma gota da suspensão obtida em ágar TSI. Com movimentos circulares, foi realizada a leitura com iluminação sobre fundo escuro em 5 a 10 minutos. Os resultados obtidos apresentaram presença de aglutinação somente na mistura cultivo + anti-soro; Todas as colônias testadas para Salmonella apresentaram reações típicas nas provas bioquímicas e reação sorológica positiva frente ao anti-soro polivalente "O". Os dois métodos apresentaram a mesma quantidade de tubos positivos com 24 h incubação, enquanto que com 48 h o método VIDAS®-SLM apresentou um maior número de tubos positivos na concentração de 1 UFC/mL e 9 UFC/mL (diluição 10-9 e 10-10 respectivamente, da fase estacionária). Todas as amostras positivas no método VIDAS®-SLM foram confirmadas conforme método tradicional. Os resultados estão na tabela 01 e 02. Analisando os dados acima, é possível dizer que o método VIDAS®-SLM é capaz de detectar contaminações com cerca de 1 UFC/mL; 9 UFC/mL e 85 UFC/mL na fase estacionária. Ou seja 100% de concordância com o método tradicional modificado. Avaliando os resultados do presente estudo pode-se afirmar que o caldo SX2 é capaz de manter as células viáveis de Salmonella por tempo superior a 24 h a 42 ± 1ºC, em função da sua alta especificidade e inibição de flora competidora. Conforme tabela 3, o método VIDAS para identificação de Salmonella sp produziu uma sensibilidade de 100% e uma especificidade de 100% em relação à fortificação após 48 h de incubação na diluição de 10-9. Os dados apresentados demonstram a eficácia do método VIDAS. Não é possível fazer testes de sensibilidade e especificidade, de um método em relação ao outro, pois tratam-se de métodos modificados. Mas foi feita a comparação com a quantidade de amostras fortificadas com Salmonella. A sensibilidade (S) de um método está relacionada com Diluições da fase estacionária Número de tubos positivos Método VIDAS Método Tradicional 10 ⁻⁸ 5 tubos 5 tubos 10 ⁻⁹ 4 tubos 4 tubos 10 ⁻¹⁰ 1 tubo 1 tubo Tabela 01: Quantidade de tubos positivos para o método tradicional e VIDAS®-SLM para o período de incubação de 24 h Teste de exatidão Salmonella sp Sensibilidade 100% Especificidade 100% Taxa de erro falso positivo 0% Taxa de erro falso negativo 0% Tabela 03: Teste de exatidão do método VIDAS®-SLM na diluição 10¯⁹ da fase estacionária em relação à fortificação dos tubos com 48h de incubação Diluições da fase estacionária Número de tubos positivos Método VIDAS Método Tradicional 10 ⁻⁸ 5 tubos 5 tubos 10 ⁻⁹ 5 tubos 4 tubos 10 ⁻¹⁰ 2 tubos 1 tubo Tabela 02: Quantidade de tubos positivos para o método tradicional e VIDAS®-SLM para o período de incubação de 48 h Edição n 286 - Maio de 2016 - 67 Metodologia a capacidade de um método de não apresentar resultados falso-negativos (FN) e, a especificidade (E), com sua capacidade de não apresentar resultados falso-positivos (FP). Sensibilidade e especificidade dos métodos foram avaliadas conforme BEUMER et al., (1991). Os resultados indicam que o método VIDAS®-SLM constitui uma promissora técnica de detecção rápida de Salmonella em amostras de água em função da sua maior sensibilidade na detecção de baixas concentrações do microrganismo alvo quando a incubação do enriquecimento for durante 48 h. Além disso, possui resultados semelhantes ao tradicional quando incubado por 24 h. O método VIDAS®-SLM apresentou uma correlação de resultados muito grande em relação à metodologia tradicional modificada (SMEWW) de detecção e isolamento de Salmonella spp. em água, com a vantagem de ser mais rápido e de alta sensibilidade, diminuindo o tempo do resultado de 4 para 2 dias. Para uma nova técnica ser aceita e utilizada com confiança é necessário que seja pelo menos tão boa ou superior ao método anterior. O ensaio imunológico aqui descrito parece satisfazer este requerimento, portanto, oferece a possibilidade de ser utilizado em amostras de água. Referências [1] Germano PML, Germano MIS. Higiene e vigilância sanitária de alimentos. São Paulo: Varela; 2003. [2] Adeodato S. O consumo consciente da água. Bio Nutr Saúde. 2006;1:2. [3] American Academy of Pediatrics. Salmonella Infections. In: Pickering LK, ed. 2006 Red Book: Report of the Committee on Infectious Diseases. 27th ed. Elk Grove Village, IL: American Academy of Pediatrics; 2006. [4] Tavechio, A. T. Comparação fenotípica e genotípica entre cepas de Salmonella enterica subsp. enterica sorotipo 1,4,[5],12:i:- e de Salmonella Typhimurium. 2006. 114f. Tese (Doutorado em Ciências) - Secretaria de Estado da Saú- de de São Paulo, São Paulo, 2006. [5] BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação de Vigilância das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar. Analise Epidemiológica de Surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos no Brasil. 2008. Disponível em:. Acesso em: 30 Ago. 2009. [6] Bennett, A.R., Greenwood, D., Tennant, C., Banks, J.G., Betts, R.P. Rapid and definitive detection of Salmonella in foods by PCR. Letters in Applied Microbiology, v. 26, p. 437-441, 1998. [7] Daiani P.R, Ana P B, João P M, Francielle B, Ana C M C, Alessandra B R. Detecção de Salmonella spp. em águas de lavagem de carcaças de frango utilizando o método de reação em cadeia da polimerase (PCR). Revista Saúde e Pesquisa, v. 4, n. 1, p. 35-39, jan./abr. 2011 - ISSN 1983-1870. [8] Harlow, E.; Lane, D. Antibodies: a laboratory manual. 2.ed. New York : Cold Spring Harbor Laboratory, p.453 1988. [9] Tapchaisri, P., Wangroongsarb, P., Panbangred, W., et al. Detection of Salmonella contamination in food samples by dot-ELISA, DNA amplification and bacterial culture. Asian Pac J Allergy Immunol, v.17, n.1, p.41-51, 1999. [10] D’aoust, J.Y., Sewell, A., Greco, P. Detection of Salmonella in dry foods using refrigerated pre-enrichment and enrichment broth cultures: Interlaboratory study. J AOAC Int, v.76, n.4, p.814-821, 2003. [11] Beumer, R.R.; Brinkman, E.; Rombouts, F.M. Enzyme-linked immunoassays for the detection of Salmonella sp: a comparison with other methods. International Journal of Food Microbiology, Amsterdam, v112, p.363-374, 1991 Leticia de Alencar Pereira Rodrigues, Rita de Cássia Esteves Ataide, Maria Marlene dos Santos Cardoso e Ione Pinheiro dos Santos são funcionários do Senai Lauro de Freitas (BA) - leticiap@fieb.org.br; rcestev@fieb.org.br; marlene@ fieb.org.br; ipinheiro@fieb.org.br http://2.ed/ mailto:leticiap@fieb.org.br mailto:rcestev@fieb.org.br mailto:ipinheiro@fieb.org.br http://fieb.org.br/ 68 - Revista BQ - Banas Qualidade Ferramentas Sistemas de Gestão Ambiental I Nesta edição vamos continuar analisando os vários Sistemas de Gestão e quais os benefícios em implementá-los. Nas edições anteriores discutimos sobre o Sistema de Gestão da Qualidade (ISO 9001) Nesta edição vamos iniciar a análise do Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001), Mas, para entendermos mais profundamente os objetivos, premissas,... de um Sistema de Gestão Ambiental , precisamos conhecer um pouco da sua história. Tudo começo muito tempo atrás.... *Anos de 1950 Nos anos de 1950, julgava se que os recursos naturais eram infinitos, não havia nenhuma preocupação em preservá- los. E da mesma forma, não havia nenhuma preocupação com a geração de resíduos. *Anos de 1960 Nos anos de 1960, com o aumento da população e do consumo, iniciou se a preocupação com a utilização sem controle destes recursos naturais. Os primeiros regulamentos começam a ser criados. Resumindo: Visão com relação ao meio ambiente nos anos de 1950 e 1960: • Regulamentação mínima • Pouco reconhecimento dos resíduos perigosos *Anos de 1970 Nos anos de 1970, aconteceram vários acidentes ambientais graves : • Contaminação da Baía de Minamata (Japão) • Explosão na Indústria Química ICMESA (Itália) • Incidente do Love Canal (EUA) E algumas conferências foram realizadas e programas criados: • Conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano – CMMAD, resultando na Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente, no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e na Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNMAD). • Programa Anjo Azul (Alemanha), produtos que não ultrapassavam o nível pré estabelecido de impacto ambiental eram identificados com um selo. • Realização de Estudos de Impacto Ambiental – EIA (EUA), pré requisito para aprovação de e m p r e e n d i m e n t o s potencialmente poluidores. • Leis e regulamentações (EUA) – Lei do Ar Puro, Lei da Água Pura, Lei de Recuperação e Conservação de Recursos, Lei Abrangente Ambiental de Responsabilidade, Limpeza e Responsabilização, Lei da Água Potável Segura, Lei de Controle de Substâncias Tóxicas, Lei de Mineração e Recuperação do Solo. • Conceito de ´ D e s e n v o l v i m e n t o Sustentável´ Surgiu também a preocupação com o problema da destruição progressiva da camada de ozônio. *Anos de 1980 Nos anos 80, mais eventos foram realizados para discussão dos problemas ambientais : • Programa Global Change • Relatório da Comissão Edição n 286 - Maio de 2016 - 69 Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento – Relatório Brundtland • Convenção da Basileia • Protocolo de Montreal • Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas Mas, problemas ambientais graves continuaram acontecendo: • Vazamento de produtos tóxicos - Union Carbide – Bhopal (India) • Explosão de reator nuclear – Chernobyl (Ucrânia) • Vazamento de petróleo – Petroleiro Exxon Valdez (Alasca) • Liberação de material radioativo – Clinica de Tratamento de Câncer (Brasil) • Incêndio com vazamento de inseticida contaminando o Rio Reno (Suíça) Resumindo: Visão com relação ao meio ambiente nos anos de 1970 e 1980 : • Pensamento reativo: Apenas cumprimento das normas • Controle no final dos processos (End of Pipe) • Multas por danos ambientais. *Anos de 1990 Nos anos 90, acentuou se a preocupação com a otimização dos recursos, uso de fontes alternativas e disposição de recursos : • Global Environmental Facility – Nações Unidas e Banco Mundial • Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – Rio 92, produzindo os documentos Agenda 21 (plano de ação), Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (27 princípios), Convenção sobre a Mudança do Clima e a Convenção da Biodiversidade. • Protocolo de Quioto • Rio Plus 5 (Rio+5) E observou-se um aumento de eventos climáticos anormais, como aumento da intensidade e frequência de furacões e tufões. *Anos 2000 A partir dos anos 2000, as questões ambientais começaram a fazer parte mais diretamente das ações dos governos : • Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+10 • 15º Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas – COP15, resultando no Acordo de Copenhague. 70 - Revista BQ - Banas Qualidade • Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes • Protocolo do Equador Resumindo: Visão com relação ao meio ambiente a partir dos anos de 1990 : • Pensamento proativo: Desempenho superior às normas • Produção mais limpa • Contabilização dos custos ambientais E os eventos climáticos anormais continuaram a ocorrer, ondas fortes de calor, furacões, como o Katrina, seca severa, como na Amazônia e no Sudeste, entre outros. Normas Ambientais Entre os anos de 1980 e 1990, visando o tratamento dos impactos adversos causados pelas atividades econômicas / produtivas, alguns países começaram a elaborar normas ambientais específicas : • BS 7750 (Reino Unido) • EMAS (Europa) E finalmente, em 1993, a ISO criou o Comitê Técnico 207 (TC 207) para análise e elaboração de uma norma internacional ambiental. Série ISO 14000 A primeira versão da ISO 14001 surgiu em 2004 : • ISO 14001:2004 – Sistema de Gestão Ambiental – Requisitos com Orientações para Uso E várias outras normas relacionadas foram criadas para ajudar na proteção ambiental, na prevenção da poluição e na implementação de forma eficaz de um Sistema de Gestão Ambiental. Recentemente, 2015, a ISO 14001 passou por uma revisão : • ISO 14001:2015 – Requisitos com Orientações Para Uso E sua estrutura também obedece o Anexo SL, conforme comentamos nas matérias anteriores relacionadas com o Sistema de Gestão da Qualidade, ISO 9001:2015. Os benefícios com a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental são imensos para todas as partes interessadas : 1. Clientes • Confiança na sustentabilidade do produto • Credibilidade na empresa • Incentivo à reciclagem dos produtos 2. Funcionários • Maior segurança • Melhor condição de trabalho • Conscientização ambiental 3. Meio Ambiente • Conservação dos recursos naturais • Utilização de recursos renováveis • Racionalização do uso das matérias primas e insumos • Diminuição da poluição • Preocupação com o ecossistema 4. Comunidade • Redução da poluição • Maior segurança • Atendimento à legislação relacionada 5. Empresa • Controle dos impactos ambientais • Melhoria da imagem • Melhoria na competitividade • Otimização de recursos • Menor risco de multas / penalidades • Reconhecimento do mercado • Novos clientes E muitos e muitos outros. Na próxima edição discutiremos os requisitos da ISO 14001:2015. Aguardem !!!! Roberta Pithon: Graduada em Qualidade, em Sistemas Integrados de Gestão e em Gestão Empresarial. Mestranda em Engenharia Mecânica – Unicamp. CQE, CQA, CMQ/OE, CSSGB, CSSBB, CSSYB, CQT, CQPA e CQIA pela ASQ. Lead Auditor ISO 9001, ISO/TS 16949, ISO 14001 e OHSAS 18001. Professora de Graduação e Pós Graduação de disciplinas da Qualidade e de Sistemas de Gestão. Sócia-diretora, consultora, instrutora e auditora da Excelint Gestão Empresarial. roberta@excelint.com.br mailto:roberta@excelint.com.br Edição n 286 - Maio de 2016 - 71 72 - Revista BQ - Banas Qualidade As latas de aço para embalagens de produtos Edição n 286 - Maio de 2016 - 73 Completamente recicláveis e contendo uma série de diferentes produtos, incluindo alimentos com baixos teores de sal e açúcar, diet e light, as latas de aço podem conter, desde produtos delicados como balas e biscoitos finos até produtos de uso industrial Conformidade Da Redação A embalagem de aço é, tecnicamente, uma das melhores formas de se acondicionar produtos. Convenientes, duráveis, livre de conservantes químicos proporcionam uma alimentação saudável e rápida a qualquer hora e em qualquer lugar, evitando o desperdício e protegendo adequadamente a integridade de seu conteúdo no transporte e comercialização. Completamente recicláveis e contendo uma série de diferentes produtos, incluindo alimentos com baixos teores de sal e açúcar, diet e light, as latas de aço podem conter, desde produtos delicados como balas e biscoitos finos até produtos de uso industrial, como os óleos lubrificantes e tintas navais. Quando se pensa no transporte de longa distância ou em condições críticas, por exemplo, a embalagem de aço é a primeira a ser cogitada por sua resistência mecânica. Além de serem embalagens ecologicamente corretas, pois são feitas de metal 100% reciclável, a litografia fornece um excelente facing de prateleira possuindo a propriedade de transformar latas de aço em brindes colecionáveis para o consumidor. A história da lata começou em 1795 quando as tropas de Napoleão estavam sendo arrasadas mais pela fome e doenças relacionadas do que pelo combate. As conquistas militares e expansão colonial requeriam a invenção de algum recipiente capaz de transportar comida sem apodrecer, foi quando o governo francês ofereceu um prêmio de 12.000 francos para quem inventasse um método de conservar comida. Depois de 15 anos de experiências, um parisiense chamado Nicholas Appert obteve sucesso na preservação de comida, vedando as garrafas com rolhas e imergindo as garrafas em água fervente. Appert supôs que como no vinho, exposição ao ar estragava a comida. Assim, a comida colocada num recipiente que vedava a entrada do ar, ficaria fresca e com boa qualidade. E isso funcionou. Em meados do ano de 1830 as latas de conserva de tomates, sardinhas e ervilhas começaram a aparecer no mercado, tendo se popularizado em quase um século mais tarde com o aperfeiçoamento do enlatamento. Segundo Rogério Parra, chefe do Laboratório de Embalagem e Acondicionamento do IPT (rparra@ipt.br), o aço é uma liga metálica à base de ferro. Várias composições de aço são utilizadas para fabricação de latas. A liga MR, que possui relativamente poucos elementos residuais, é utilizada para vegetais e carnes. A liga L é utilizada para produtos mais corrosivos. A liga N, que possui nitrogênio na composição, torna a chapa com mais resistência mecânica, é utilizada em domos de aerossóis. O liga D é a mais fácil de dobrar, indicada para latas com design mais exigentes. “A chapa de aço nua escurece facilmente pela oxidação da superfície. Originalmente, esta chapa era revestida com estanho por imersão a quente para que o estanho desse a proteção ao aço. Esta é a chamada folha-de-flandres. Durante a Segunda Guerra, foi desenvolvido um processo eletrolítico de deposição, o que produz uma camada de estanho mais fina e uniforme. Um processo semelhante pode ser utilizado também para depositar cromo”, explica ele. Parra diz que a camada de cromo ou estanho impede mailto:rparra@ipt.br 74 - Revista BQ - Banas Qualidade a oxidação da chapa de aço e também impede que, por exemplo, uma bebida enlatada retire ferro do aço e fique com gosto ruim. A espessura da camada de cromo ou estanho pode ser diferente em cada lado da chapa de aço dependendo da agressividade do que será envasado na lata ou do ambiente em que esta lata ficará exposta. Ele exemplifica: uma lata de pêssegos da Grécia viaja em um contêiner e, sem o revestimento adequado, o calor e a umidade farão com que a lata chegue ao Brasil com pontos de corrosão no lado externo. Para uma lata de molho de tomate, que parte do interior paulista para a capital, deve se ter uma proteção melhor no lado interno porque a acidez do molho é a maior preocupação. A camada de estanho oferece melhor resistência à corrosão que o cromo. Mas a camada de cromo possui melhor resistência ao calor, permite melhor litografia, adere melhor a outros revestimentos e resiste ao ataque de produtos que contenham enxofre. No entanto, a placa cromada não solda tão facilmente quanto a estanhada, o que é importante para a formação da lata. Ela requer o uso de um elemento intermediário de fusão ou, então, a remoção da camada de cromo na região de solda. No entanto, a eficiência desta camada protetiva tem um limite. Daí a necessidade de vernizes e revestimentos internos e externos. Estes revestimentos protegem a lata de corrosão, reação com o produto envasado e abrasão. Existe uma grande variedade de revestimentos: oleorresinas, alquídicos, vinílicos, acrílicos, fenólicos, epóxi-amínicos, polibutadienos, organo-vinílicos ou epóxi-fenólicos. O revestimento a utilizar é definido pelo conteúdo e pelos processos ao qual a lata será submetida. Por exemplo, para uma lata para vegetais é mais adequado um revestimento a base de oleorresinas. Revestimentos vinílicos são mais flexíveis, mas não resistem ao calor. Epóxi-fenólicos possuem boa adesão e alta resistência química. Organo- vinílicos são flexíveis a ponto de resistirem aos dobramentos e estiramentos da folha de aço quando da formação da lata. Atualmente, há a possibilidade da aplicação de poliéster para substituir a camada de verniz, o que além da proteção, permite um ótimo efeito decorativo. O fundo de uma lata de espuma de barbear sem um revestimento polimérico provavelmente irá manchar a pia do banheiro. A NM 42 de 04/2001 – Folha- de-flandres e chapa não- revestida em folhas e bobinas de simples e dupla redução estabelece os requisitos mínimos a que devem atender a folha-de-flandres eletrolítica e a chapa não revestida, em folhas e ELEMENTOS Análise de corrida (máximo) (%) Tipo D Tipo L Tipo MR Carbono Manganês Fósforo Enxofre Silício (a, b) Cobre Níquel Cromo Molibdênio Outros elementos residuais 0,12 0,60 0,020 0,05 0,020 0,20 0,13 0,60 (a) 0,015 0,05 0,020 0,06 0,04 0,06 0,05 0,02 0,13 0,60 (a) 0,020 0,05 0,020 0,20 a) De comum acordo entre produtor e comprador, podem ser combinados outros valores b) Quando se encomenda aço de corrida contínua acalmado ao silício, este elemento pode aumentar até 0,080% c) Quando se encomenda aço de corrida contínua acalmado ao alumínio, o silício máximo pode aumentar em 0,030%, a menos que o comprador o proíba expressamente. d) Quando se encomenda de aço corrida contínua acalmado ao alumínio, o teor total normalmente excede a 0,020% Tabela 1: Composição Química do aço por tipo Edição n 286 - Maio de 2016 - 75 Conformidade bobinas de simples e dupla redução empregadas na fabricação de latas, tampas metálicas, filtros de óleo para automóveis e outros usos. O aço usado na produção da chapa não revestida deve ser fabricado por qualquer processo que assegure um material adequado às características do produto final. O aço deve atender aos requisitos de composição química de acordo com seu tipo, descritos na tabela 1. O aço se classifica, de acordo com seu uso, em: – Aço tipo D – Metal base de aço resistente ao envelhecimento, acalmado com alumínio e tratado para adquirir excelentes características de embutimento. É usado principalmente para partes submetidas a embutimento muito profundo e para aplicações em que seja necessário evitar a formação de estrias e de marcas superficiais devidas ao alongamento do material ao deformar- se, ou onde sejam exigidas propriedades direcionais especiais. – Aço tipo L – Metal base de aço baixo em metalóides e elementos residuais que são selecionados Espessura nominal (mm) Massa Teórica M (kg/100m²) 0,15 0,16 0,17 0,18 0,19 0,20 0,21 0,22 0,23 0,24 0,25 0,26 0,27 0,28 0,29 0,30 0,31 0,32 0,33 0,34 0,35 0,36 0,37 0,38 0,39 0,40 0,41 0,42 0,43 0,44 0,45 0,46 0,47 0,48 0,49 0,50 0,51 0,52 0,53 118 126 133 141 150 157 165 173 180 188 196 204 212 220 228 236 244 251 260 267 275 282 291 298 306 315 323 330 338 345 354 362 370 377 386 393 400 408 416 NOTA: A massa teórica é calculada adotando-se uma massa teórica média igual a 7,85kg por metro quadrado e por milímetro de espessura Tabela 2: Espessura nominal e massa teórica da chapa não revestida e da folha de flandres frequentemente para a folha de flandres destinada a latas de produtos alimentícios fortemente corrosivos. Os elementos residuais como fósforo, silício, cobre, níquel, cromo e molibdênio são restritos aos limites mínimos praticamente possíveis. – Aço tipo MR – Metal base de aço, similar em teor de metalóides ao tipo L, mas com menos restrições quanto ao teor de elementos residuais como cobre, níquel e cromo, entretanto, o fósforo se mantém em nível baixo. É usado para a maioria das aplicações de folhas de flandres para enlatar alimentos moderadamente corrosivos. Importante observar que a massa da chapa não revestida e da folha de flandres, determinada com uma precisão de 2 g, deve ser a estabelecida na tabela 2, de acordo com a sua espessura. As espessuras nominais da chapa não revestida e da folha de flandres devem ser as estabelecidas na tabela 2 da presente norma. A tolerância admissível na espessura da chapa não revestida e da folha de flandres em bobinas é de + 8,5% da espessura nominal em 98% do comprimento da bobina. As tolerâncias superiores admissíveis tanto para a largura como para o comprimento poderão ser reduzidas mediante 76 - Revista BQ - Banas Qualidade acordo prévio. As larguras para as folhas e para as bobinas devem ser múltiplas de 2, sendo a largura mínima de 560 mm. A tolerância admissível na largura das folhas e bobinas é de + 3,2 mm para a superior e zero para a inferior. A tolerância admissível no comprimento das folhas é de + 3,0 mm para a superior e zero para a inferior. No caso de folha de flandres com revestimento diferencial, a marcação deve ser realizada de forma individual, tanto em folhas como em bobinas e realizada da seguinte maneira: a menos que exista outro acordo entre fabricante comprador, a marcação da folha de flandres com revestimento diferencial deve ser feita na face de maior revestimento e esta deve ser a face superior no amarrado ou o exterior da bobina. O sistema de marcação deve ser de aspecto somente visual e não deve afetar a espessura do estanho. Nos rótulos da embalagem devem constar, pelo menos, as seguintes informações: nome do fabricante; identificação do lote; designação da massa de revestimento, no caso da folha de flandres; peso líquido e bruto do amarrado ou bobina; grau de encruamento; aspecto superficial; quantidade de folhas contidas no amarrado e, no caso de bobinas, a quantidade de metros. Conformidade A única publicação brasileira sobre: • Certificação, Avaliação e Inspeção de Conformidade • Informações de como Implantar normas • Normas nacionais e internacionais • Detalhes da ISO 9001 e 14001 Digital www.revistanormas.com.br Nós levamos a informação onde ela precisa estar. http://www.revistanormas.com.br/ Edição n 286 - Maio de 2016 - 77 GU IA CONSULTORIAS 2016 Gestão de Pessoas Gestão da Inovação Gestão Empresarial Gestão de Processos Excelência Empresarial Ferramentas Gerenciais Lean Manufacturing Six Sigma Qualidade Meio Ambiente Sustentabilidade Sistemas de Gestão Segurança e Saúde Responsabilidade Social Treinamentos • abertos • in company Auditorias Certificações Estatísticas Pesquisas 78 - Revista BQ - Banas Qualidade As lâmpadas LED são obrigadas a ser fabricadas conforme as normas Edição n 286 - Maio de 2016 - 79 O uso das lâmpadas LED (Light Emitting Diodes) vem aumentando muito, devido ao seu baixo consumo de energia, vida útil mais longa e menor impacto ambiental. Contudo, elas devem atender aos requisitos mínimos com foco no desempenho energético, segurança elétrica e compatibilidade eletromagnética, conforme especificado nas normas técnicas Por Mauricio Ferraz de Paiva Com grande diversidade de modelos, esse tipo de lâmpada possui características específicas que o diferencia dos produtos que estão no mercado há mais tempo. Os LED são componentes eletrônicos que geram luz com baixo consumo de energia, ou seja, antes de comprar, confira nas embalagens o fluxo luminoso em lumens (lm) - quantidade de luz emitida; a potência em Watts (W) - consumo de energia elétrica; e a eficiência luminosa (lm/W) - relação do fluxo luminoso com a potência. Assim, podem durar, dependendo do modelo, pelo menos 25 vezes mais do que as lâmpadas incandescentes e quatro vezes mais do que as fluorescentes compactas. Entretanto, o tempo (em horas de funcionamento) estimado na embalagem não significa o tempo que ela vai levar para queimar e sim o período que a lâmpada passará a funcionar com mais ou menos 70% da capacidade luminosa original. Alguns fatores não relacionados com a qualidade do produto podem afetar sua durabilidade, como oscilações da rede elétrica ou mau contato no ponto de instalação e o não cumprimento dos requisitos técnicos disponibilizados nas normas em sua fabricação. Basicamente, no mercado, existem dois tipos de LED: as de baixa potência, utilizadas para sinalização, árvores de Natal, decorações e situações que demandam baixa luminosidade, e as de alta potência, que emitem mais luz, podendo ser utilizadas para iluminação de ambientes que exijam maior luminosidade. As de alta potência podem variar em relação ao tipo de distribuição luminosa da lâmpada, que pode ser não direcional ou direcional. As não direcionais são lâmpadas de iluminação geral, tal como eram as incandescentes. O foco é aberto e a distribuição de intensidade luminosa é uniforme em todo o entorno, possuindo um ângulo que pode variar entre 0° e 135°, simetricamente em torno do eixo vertical. As direcionais têm o facho de luz dirigido, correspondendo a um cone com ângulo de abertura de 120° - produzido por um refletor que direciona a luz. Além dessas, existem as LED tubulares com o foco luminoso equivalente ao da fluorescente tubular. As lâmpadas LED costumam ter tonalidades de cores que podem ser identificadas nas embalagens como temperaturas de co, expressas em Kelvin (K). Essas temperaturas não estão associadas diretamente à quantidade de calor gerado pela lâmpada. A luz emitida passa por uma sequência de cores, que vai do vermelho ao laranja e daí para amarelo, branco e azul, tal como acontece com a ponta de um maçarico, por exemplo. A NBR IEC 62031 de 05/2013 – Módulos de LED para iluminação em geral – Especificações de segurançaespecifica os requisitos gerais e de segurança para módulos de diodos emissores de luz (LED): módulos de LED sem dispositivo de controle integrado para operação sob tensão, corrente e potência constantes; módulos de LED com dispositivo de controle integrado para uso com alimentação c.c. até 250 V ou alimentação ca até 1.000 V em 50 Hz ou 60 Hz. A primeira edição de uma norma para Normalização 80 - Revista BQ - Banas Qualidade segurança de módulos de LED para iluminação em geral reconhece a necessidade de ensaios pertinentes para esta nova fonte de luz elétrica, às vezes chamada de iluminação de estado sólido. A ABNT IEC/PAS 62612:2013 – Lâmpadas LED com dispositivo de controle incorporado para serviços de iluminação geral – Requisitos de desempenho especifica os requisitos de desempenho para lâmpadas LED com dispositivo de controle incorporado, com tensão de alimentação até 250 V, juntamente com os métodos de ensaio e condições requeridas, previstas para uso doméstico e iluminação geral similar, tendo potência nominal de até 60 W; tensão nominal de até 250 V ca ou cc; bases da lâmpada de acordo com NBR IEC 62560. Os requisitos desta norma referem- se apenas aos ensaios de tipo. A NBR IEC 62560:2013 – Lâmpadas LED com dispositivo de controle incorporado para serviços de iluminação geral para tensão > 50 V — Especificações de segurança especifica os requisitos de segurança e intercambialidade, juntamente com os métodos de ensaio e condições necessárias para demonstrar a conformidade de lâmpadas LED, com meios integrados para um funcionamento pleno (lâmpadas LED com reator incorporado), previstas para uso doméstico e iluminação geral similar, tendo: potência nominal de até 60 W; tensão nominal de > 50 V até 250 V; bases de acordo com a Tabela 1, disponível na norma. A NBR16205-1 de 08/2013 – Lâmpada LED sem dispositivo de controle incorporado de base única - Parte 1: Requisitos de segurança especifica os requisitos de segurança e intercambialidade, juntamente com os métodos de ensaio e condições necessárias para demonstrar a conformidade de lâmpadas LED sem reator incorporado, destinados para iluminação em geral, com: potência nominal até 60 W; tensão nominal até 120 V cc sem ondulação. A NBR 16205- 2 de 08/2013 – Lâmpadas LED sem dispositivo de controle incorporado de base única - Parte 2: Requisitos de desempenho especifica os requisitos de desempenho para lâmpadas LED sem dispositivo de controle incorporado de base única, previstas para propósitos de iluminação em Edição n 286 - Maio de 2016 - 81 geral, com potência nominal até 30 W e tensão nominal até 50 V ca/cc. Enfim, uma lâmpada incandescente de 60 W, que permaneça ligada quatro horas por dia, consome 7,2 kWh ao mês. Uma casa de cinco cômodos tem, em média, dez lâmpadas incluindo a garagem e a área de serviço. Levando-se em conta o custo de R$ 0,50/ kW serão R$ 14,40 a pagar. Em comparação com uma lâmpada fluorescente compacta Lâmpadas Incandescente Fluorescente Compacta LED PREÇO Em média R$2 4 a 6 vezes mais cara Em média, 35 vezes mais cara, mas com o ganho de escala, o preço tende a cair cada vez mais. DURABILIDADE Baixa, 1000 horas Em média, dura 8 horas a 10 vezes que a Lâmpada incandescente Em média, dura 50 vezes mais EFICIÊNCIA Baixa, gasta mais energia com calor do que com luz(desperdício de energia) Em media 4 vezes mais econômica Em média, 8 vezes mais eficiente TECNOLOGIA Serviu a humanidade durante muito tempo, mas é considerada já ultrapassada É a tecnologia viável hoje do ponto de vista da relação custo-beneficio Extremamente inovadora, Prêmio Nobel de Física 2014 IMPACTO AMBIENTAL Nenhum, se for dado o tratamento adequado aos seus componentes. Vidro e alumínio podem ser reciclados Contém mercúrio e, ainda que o nível desse metal seja pequeno, representa um risco ambiental no descarte Nenhum INDUSTRIA Apenas uma fábrica em funcionamento Maior parte da produção mundial vem da China Setor nacional em plena expansão equivalente (15 W) o consumo é de 1,8 kWh/mês. No mesmo exemplo, seriam gastos R$ 3,60 com esta iluminação. Já com uma lâmpada LED de 8 W a economia é de 90% em comparação com a incandescente. Na mesma casa, o custo com a iluminação seria de R$ 1,92. Apesar do custo inicial de uma lâmpada LED ainda ser alto em relação às demais, o tempo de duração é dez vezes maior, o que compensa a troca e a manutenção. Desde que foram lançadas, Normalização as lâmpadas LED têm evoluído em relação a uma característica que é chamada IRC (Índice de Reprodução de Cor). Nesse índice, a referência é a luz do sol, que é considerada 100%. Inicialmente, as lâmpadas LED apresentavam entre 60% e 65% de IRC; atualmente estão entre 85% e 90%, com tendência a subir. Com a evolução do processo de construção do LED, estes componentes passaram a emitir luzes em cores diferentes, mesmo tendo uma carcaça transparente. Além disso, surgiram os LED capazes de reproduzir várias cores, sendo assim, um mesmo componente poderia criar centenas ou até milhares de cores diferentes. Claro que para isso, a tecnologia no componente evoluiu muito, mas o modo de funcionamento continuou quase o mesmo. Através de um controle de alta precisão na corrente elétrica, o LED consegue emitir tonalidades de cores diferentes, o que se tornou um fator muito importante para as novas tecnologias que têm aderido este pequenino item da eletrônica. Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria - mauricio.paiva@ target.com.br http://target.com.br/ 82 - Revista BQ - Banas Qualidade Monitorando o consumo de água em prédios Edição n 286 - Maio de 2016 - 83 Um sistema de monitoramento do consumo de água e detecção de vazamentos facilmente acoplável à instalação hidráulica de qualquer prédio. Integra hidrômetros com telemetria (monitoramento da vazão) com sensores para monitoramento do nível nos reservatórios e caixas de água Por Antonio Santos Sánchez, Eduardo Henrique Borges Cohim e Ricardo de Araújo Kalid A Região Metropolitana de Salvador enfrenta um contexto de escassez hídrica. As projeções da demanda de água para anos futuros [1], unidas ao esgotamento e poluição dos mananciais tradicionais, preveem um cenário provável em que deverá ser melhorada a eficiência do uso da água no médio urbano, ou então deverá recorrer-se a mananciais alternativos como o aproveitamento de água de chuva [2], sistemas de reuso ou inclusive dessalinização de água de mar ou poços salobras [3]. Na atualidade, esta região importa 60% da água que consome desde a barragem de Pedra do Cavalo, situada em uma região distante 110 km. Ainda, o sistema de distribuição de água é muito ineficiente e perde-se 50% desta água por vazamentos na rede urbana [4] A água é um recurso cada vez mais escasso e mais valorizado. No estado de Bahia, o reajuste tarifário médio tem sido de um 10% a cada ano [5]. Nesse estado, qualquer prédio de grande ou médio porte que consuma mais de 50 m3 por mês paga atualmente R$ 26,154 por cada m³ de água fornecida. As despesas com água representam uma parte importante dos gastos de operação de grandes prédios. Usando o exemplo da Escola Politécnica da UFBA, isto supõe uma despesa anual de R$ 168 mil só com água [6]. Uma parte importante da água consumida em grandes prédios (faculdades, prédios administrativos, hospitais, shopping centers, etc.) é perdida por vazamentos no próprio prédio. Gretas nos reservatórios inferior e superior podem provocar perdas de água por infiltrações. Vazamentos nas próprias tubulações, na casa de bombas, e sobre tudo nos aparelhos hidrossanitários podem ser responsáveis pela maior parte do consumo de água de um prédio. Nos últimos anos, o aumento do custo da água tem provocado o desenvolvimento de aparelhos hidrossanitários mais eficientes, de baixo consumo, que têm sido adotados pelos grandes consumidores. Infelizmente, a velocidade de adoção destes novos aparelhos tem sido maior em grandes prédios privados do que nos públicos. No caso de prédios públicos, um consumo excessivo de água representa um gasto desnecessário de verbas que poderiam ser aplicadas em outras áreas prioritárias. Literalmente, dinheiro público que vai para o ralo. Conscientes disto, entidades públicas como a UFBA – Universidade Federal da Bahia e os organismos do CAB – Centro Administrativo da Bahia estão monitorando o consumo de suas unidades mediante a leitura diária dos hidrômetros. Os próprios funcionários realizam a leitura diária dos hidrômetros e a colocam no site AGUAPURA, de acesso público, onde qualquer pessoa pode acompanhar a evolução do consumo de água das distintas unidades governamentais. Este simples monitoramento tem gerado durante os últimos anos uma cultura de preocupação pelo uso racional da água e sobre tudo têm conseguido incrementar a detecção de 84 - Revista BQ - Banas Qualidade vazamentos não visíveis e reduzir o tempo de reparo dos mesmos. Como consequência, têm se conseguido significativas economias com as despesas gastas em água [7]. Embora, este sistema tem suas limitações e poderia ser melhorado mediante o uso de novas tecnologias, de forma a automatizar o processo e melhora a precisão das medidas do consumo de água. Ainda há um grande potencial de economia de água a ser explorado mediante sistemas de monitoramento e soluções tecnológicas avançadas como as que este projeto pretende desenvolver. Pretende-se desenvolver um sistema tecnológico confiável, robusto e de baixa necessidade de manutenção, que monitore o consumo de água, detecte vazamentos e consumos anormais indicando o setor do prédio onde estes estão localizados. Este sistema deve permitir uma rápida detecção dos vazamentos ou de problemas no funcionamento da rede hidráulica do prédio. O usuário deve ser informado imediatamente de qualquer problema na rede mediante alerta SMS no celular, ou mail. Este problema pode consistir em um elevado consumo, transbordamento de um reservatório, alagamento ou falha nas bombas. Adicionalmente, devem ser gerados relatórios sobre consumo de água contendo: consumo de cada setor do prédio, nível de vazamentos estimado, funcionamento do sistema hidráulico de recalque, perfil diário de consumo. Na Escola Politécnica da UFBA está sendo desenvolvido um protótipo com estas características. Como passo prévio antes de aplicá-lo em grandes prédios da região, foram realizados testes de alguns de seus componentes por separado em prédios da UFBA e do CAB. Neste trabalho, este protótipo será descrito e, seguidamente, serão apresentados os resultados do monitoramento do sistema hidráulico destes prédios. Em particular, será avaliada a conveniência de monitorar o nível do reservatório superior e sua utilidade na detecção de vazamentos, avaliação do nível de perdas de um prédio, e outras informações que podem ser obtidas. No mercado, já há disponíveis soluções tecnológicas para o monitoramento do consumo de água, visando o acompanhamento do consumo e a detecção rápida de eventuais vazamentos. Estes sistemas estão baseados na sua totalidade em hidrômetros com telemetria. Em casos especiais (redes de água urbana) são usados sensores de ruídos com data-logger ou telemetria. A solução existente no mercado, para prédios, baseia-se exclusivamente em hidrômetros que enviam suas leituras por telemetria para um site de internet. O cliente recebe um relatório semanal ou mensal, além de uma senha para acessar a qualquer instante o site com as leituras. O consumo de água é comparado com o histórico de consumo do cliente e, caso as leituras indicarem um consumo de água anormalmente elevado, supõe- se que pode haver vazamentos e o cliente recebe uma alerta. A inovação proposta é integrar um sistema de hidrômetros com telemetria (monitoramento da vazão) com um sistema de sensores para monitoramento do nível nos reservatórios e caixas de água. Os dados destes sensores são enviados para um site de internet, desde onde ambos o cliente e o responsável pela manutenção do prédio podem acompanhar o monitoramento. Em caso de qualquer falha no sistema (transbordamento de reservatórios, um consumo anormalmente elevado, etc) o sistema envia mensagens de alerta para o celular ou e-mail dos usuários (síndico, técnico de manutenção, etc.). Este sistema ainda pode ser ampliado com outros tipos de sensores (de pressão e de ruídos). Para monitorar o consumo de água de um prédio, o mais interessante é monitorar o hidrômetro principal de Edição n 286 - Maio de 2016 - 85 entrada. Embora, pode-se usar vários hidrômetros para monitorar uma parte de um prédio ou inclusive um único banheiro. A Figura 1 mostra hidrômetro com data-logger. O sistema proposto monitora a vazão de água que é consumida no prédio todo (monitorando o hidrômetro de entrada) e também a vazão de cada setor do prédio ou andar, o que se denomina “medição setorizada”. Na medição por telemetria, cada hidrômetro possui um gerador de pulso que emite um sinal que se corresponde com a leitura. Este sinal é depois enviado por radiofrequência para um coletor de dados, que pela sua vez envia esta informação para um servidor de internet. Os avanços em telemetria dos últimos anos têm abaratado esta tecnologia já consolidada, aplicando-a na medição individualizada de água. Embora, até os hidrômetros de maior precisão possuem limitações na detecção de pequenas vazões devidas a vazamentos. Uma das inovações que pretende ser desenvolvida por este projeto é o uso de válvulas de impulsos hidráulicos a montante dos hidrômetros. Estas válvulas aumentam o desempenho dos hidrômetros reduzindo o problema da sub- medição (pequenas vazões de água, produzidas por vazamentos, que não são registradas pelo hidrômetro). A Figura 2 mostra uma destas válvulas, fabricadas em Israel pela A.R.I. Flow Control Accessories Ltd., que já estão sendo testadas na Escola Politécnica da UFBA. Mediante o uso destas válvulas de impulsos a montante dos hidrômetros a precisão das leituras do consumo de água é sensivelmente incrementada. Com estas válvulas, os hidrômetros conseguem detectar pequenas vazões devidas a vazamentos que de outra forma passariam inadvertidas. Vários autores têm relatado casos de estudo em que a precisão da leitura do hidrômetro foi incrementada em até 10% com o uso das válvulas UFR [8-11]. Em paralelo com o monitoramento dos hidrômetros, propõe- se monitorar o nível dos reservatórios e caixas de água. Uma sonda de nível submersa como a mostrada na Figura 3 registra a cada instante o nível de água no reservatório e envia a leitura por telemetria. O sistema permite monitorar vários tanques de água ao mesmo tempo. O monitoramento do reservatório superior do prédio (tanque de distribuição) é de particular interesse. O consumo de água em cada instante é provocado pela demanda de água dos ocupantes do prédio acrescentado por pequenos vazamentos constantes mais eventuais grandes vazamentos. O tanque superior vai esvaziando-se e, ao chegar a um nível mínimo, o comando-boia liga a bomba que recalca água desde o reservatório inferior. Em prédios em que a pressão da rede é suficiente não são necessárias bombas e a entrada 86 - Revista BQ - Banas Qualidade de água no tanque superior é quase constante. Em ambos os casos, o monitoramento do nível permite acompanhar o consumo de água de uma maneira instantânea detectando eventuais vazamentos e anomalias no correto funcionamento do sistema de distribuição. Este sistema tem sido testado preliminarmente em grandes prédios da Região Metropolitana de Salvador, como ilustra a Figura 4. As informações dos diferentes sensores são enviadas para um servidor. Um esquema do sistema hidráulico, personalizado para cada prédio, é disponibilizado num site de internet. As informações em tempo real aparecem mostradas num entorno amigável e visualmente atrativo, que o usuário identifica como seu prédio. Estas informações são: a vazão de cada hidrômetro, os níveis dos reservatórios, a pressão da rede de água na entrada do prédio, e ainda o volume total consumido no mês e uma estimativa da conta de água. O monitoramento do nível do tanque de distribuição permite conhecer de forma fácil e precisa o perfil de consumo do prédio, isto é, a curva de demanda de água em cada hora do dia. Este perfil de consumo caracteriza o normal funcionamento do sistema hidráulico do prédio. Comparando este perfil com o consumo em tempo real, o que é feito automaticamente mediante um algoritmo simples, pode-se detectar rapidamente qualquer anomalia (um consumo elevado e imprevisto). Desta forma, o sistema on-line pode ser programado para mandar automaticamente uma mensagem de alerta por vazamento, ao mail ou ao celular do cliente. Num estágio mais avançado deste sistema, o usuário do sistema poderia até comandar uma válvula desde seu celular ou computador, e fechar remotamente o registro de água de um setor do prédio em caso de vazamento. A Figura 5 a seguir esquematiza a arquitetura do sistema proposto. Teste em campo Durante períodos de entre uma e quatro semanas, foi instalado uma sonda de nível no reservatório superior em vários prédios de Salvador. Em paralelo com a sonda submersa, um medidor de pressão atmosférica compensava as leituras da sonda de nível (sonda de pressão hidrostática). As fontes de incerteza na medição usando este sistema são: a precisão do sensor capacitivo de pressão, a variação do volume de água com a temperatura e a variação da pressão atmosférica. Para minimizar o erro devido à Figura 5 – Arquitetura geral do sistema: integração dos sensores e transmissão da informação para o usuário. Edição n 286 - Maio de 2016 - 87 variação da temperatura de água, a sonda leva incorporado um sensor de temperatura RTD de platina com precisão de ±0,1°C que compensa automaticamente as leituras de pressão hidrostática. A maior fonte de incerteza resultou a variação da pressão atmosférica, cuja contribuição ao erro de leitura foi de ±5 mm após fazer a compensação com um medidor de pressão atmosférica de precisão ±0,05 kPa. A precisão final deste sistema de medição de nível foi avaliada em ±6 mm para colunas de água dentre 0 e 3m. A resolução deste sistema medidor, definida como a medida do menor incremento mensurável, é de 1,5mm. A sonda e o medidor atmosférico foram programados para coletar dados de forma automática a cada 5 minutos. No sistema proposto, estas leituras automáticas de nível seriam transmitidas por telemetria para um servidor. Embora, nesta experiência, os dados em vez de transmitidos foram registrados num data-logger. Após finalizar a leitura de cada reservatório, o medidor era retirado e os dados descarregados no computador para serem analisados. Para a elaboração dos perfis de consumo de água, os registros de nível (um a cada 5 minutos) foram integrados em períodos de uma hora e posteriormente transformados em volume de água consumida. A conversão entre variação de nível do reservatório e volume de água foi realizada mediante um programa informático que realiza operações algébricas levando em conta os intervalos em que a bomba está ligada (entradas de água no reservatório) e a área do reservatório (relação nível/volume). Desta forma, foram elaborados os perfis de consumo de água para cada prédio, que mostram o volume de água consumida em cada uma das 24h do dia. Foram elaborados perfis de consumo para cada um dos dias em que o medidor foi instalado, fossem eles dias úteis ou feriados. Ainda, foi testado o medidor de nível no reservatório inferior de alguns prédios, com o objetivo de avaliar sua estanqueidade, isto é, avaliar a existência de perdas de água por infiltração através das paredes do tanque. O critério seguido foi que durante o período em que a válvula de entrada do reservatório está fechada e a bomba parada o nível deve permanecer constante. A elevada resolução do medidor (1,5mm) permite detectar com clareza se o nível está num valor estável ou se pelo contrário está descendo lentamente devido a vazamentos através de gretas no concreto das paredes. Os prédios escolhidos foram a Escola Politécnica da UFBA e uma dúzia de edifícios administrativos do CAB. Estes prédios possuem uma tipologia similar: prédios públicos com grande ocupação durante um horário definido (segunda a sexta) e que permanecem vazios durante a noite e dias festivos. O consumo de água de todos estes prédios é monitorado pelo sistema AGUAPURA, mediante leituras diárias do hidrômetro de entrada. As figuras 3 e 4 mostram um dos prédios monitorados, com destaque nos três pontos de interesse: hidrômetro principal, reservatório inferior e reservatório superior de distribuição. Foi constatado que o monitoramento do nível do reservatório superior permite caracterizar o funcionamento do sistema hidráulico do prédio, em particular o enchimento de reservatórios e o funcionamento da bomba (número de partidas e paradas, comando-boia, etc). Mediante a instalação de sensores de nível com registrador de dados, foi avaliado o funcionamento do sistema hidráulico de mais de uma dúzia de edifícios. Para todos estes prédios foram traçadas curvas do nível dos reservatórios. A Figura 6 mostra uma destas curvas, que representa uma “radiografia” do funcionamento do reservatório e da qual podem ser extraídas interessantes conclusões. 88 - Revista BQ - Banas Qualidade Figura 3 – Instalação dos sensores no sistema hidráulico de um prédio já existe: exemplo da Escola Politécnica. Os pontos de medição escolhidos foram o hidrômetro principal de entrada, o reservatório inferior (R.L.) e o reservatório superior (R.S.) Na Figura 6, observam-se três bombeamentos durante os finais de semana e até sete por dia útil. A gráfica indica que o número de bombeamentos é adequado, embora a boia de comando poderia ser regulada para reduzir o numero de partidas/paradas da bomba, incrementando sua vida útil. Quando aplicado ao reservatório inferior, o medidor de nível permite avaliar sua estanqueidade. Enquanto a bomba está parada e a entrada do reservatório está fechada, um descenso do nível da água representaria perdas de água por infiltração através das paredes do tanque. A Figura 7 mostra a curva de variação do nível de um reservatório cuja entrada de água está fechada. Os trechos descendentes representam partidas da bomba enquanto os trechos horizontais indicam nível estável com ausência de vazamentos Durante a instalação do medidor de nível no reservatório superior dos prédios também são realizadas medições de suas dimensões, o que permite relacionar as variações de nível da água com o volume consumido. O cálculo do volume de água consumida em cada intervalo de tempo permite a elaboração dos perfis diários de consumo de água do prédio (Figuras 8 e 9). As curvas correspondem ao volume de água consumido em cada hora, Figura 4 – Vista do prédio em que está sendo testando o protótipo na atualidade. A Escola Politécnica conta com uma população equivalente (alunos e funcionários) de 1000 pessoas por dia. O consumo médio em 2014 foi de 19,8 m³/dia, isto é, mais de 7 milhões de litros de água por ano (12). Edição n 286 - Maio de 2016 - 89 durante um dia útil (Figura 8) e um feriado (Figura 9), num grande prédio do CAB – Centro Administrativo da Bahia. Inserir metrologia10 Das figuras 8 e 9 podem ser extraídos dois resultados de interesse: Primeiro, o perfil de consumo de água do prédio. A demanda diária de água no prédio segue um padrão bem definido, característico de um prédio administrativo que permanece praticamente desocupado das 20:00 às 5:00 horas. Nos dias de expediente, o consumo entre as 11:00 e as 17:00 horas atinge o valor máximo de 1700 litros/hora. Nas horas em que o prédio está vazio, o consumo cai para 120-180 litros por hora. Este consumo se deve a eventuais acionamentos dos aparelhos hidro-sanitários pelos vigilantes noturnos, e a pequenos vazamentos de água no prédio. Segundo, uma avaliação do nível de perdas do prédio. O monitoramento do nível de água no reservatório superior permite estabelecer para este prédio umas perdas mínimas de 100 litros por hora, devidas a pequenos vazamentos em tubulações, torneiras e bacias sanitárias. Este patamar de perdas de água por vazamentos corresponde a 72 m3 por mês. Este volume de água, perdido em pequenos vazamentos no sistema hidráulico do prédio, tem um custo de R$ 24.300,00 por ano. Com relação ao custo do protótipo, a Tabela 1 apresenta o valor do sistema básico e de cada elemento por separado. O custo é composto por um valor fixo que corresponde ao sistema que recebe as leituras dos sensores e as transmite para a internet e também gera as alarmes automaticamente, e um valor variável que depende do número de sensores instalados (isto é, do número de pontos monitorados). Por exemplo, para um sistema que monitore 1 reservatório e 1 hidrômetro, o custo total seria 1.000 (sistema básico) + 6.000 (custo 1 reservatório) + 400 (custo 1 hidrômetro) = R$ 7.400,00. Enfim, o monitoramento do nível do reservatório superior de um prédio oferece uma informação complementar às leituras do hidrômetro de entrada (a montante do reservatório), e dos hidrômetros dos diferentes setores do prédio (a jusante do reservatório). Em conjunto, ambos o medidor de nível e o hidrômetro permitem realizar o balanço hídrico do prédio e caracterizar o consumo, identificando eventuais vazamentos. O monitoramento simultâneo de nível e vazão realizada por este novo sistema oferece uma série de vantagens para a gestão do consumo de água em prédios. Este sistema adequa-se muito bem em instalações hidráulicas já existentes, nem necessidade de obras adicionais ou modificações. Ainda, é idôneo para o tipo de instalações mais modernas que o estão surgindo no mercado recentemente: sistemas de aproveitamento de água de chuva, de reuso de águas servidas, sistemas de automação predial. O uso de válvulas de impulsos a montante dos hidrômetros incrementa a precisão das leituras do consumo de Figura 8 – Perfil de consumo de água em dia útil Figura 9 – Perfil de consumo de água em dia feriado 90 - Revista BQ - Banas Qualidade água em 10% [8-11]. Com este acréscimo na precisão na leitura, é possível detectar e quantificar vazamentos de água em qualquer sector de um prédio. A velocidade de detecção de vazamentos aumenta sensivelmente em relação a sistemas que monitoram unicamente a leitura diária do hidrômetro de entrada como, por exemplo, o sistema AGUAPURA em funcionamento em vários prédios públicos da Bahia. Pode-se detectar um vazamento em questão de horas, sem ter que aguardar um relatório semanal ou mensal. Ainda mais interessante do que o aumento na velocidade na detecção é o fato de não precisar de um grande vazamento para o sistema detectar uma anomalia no consumo. Pequenos vazamentos (que podem supor um grande prejuízo ao final do mês) são também detectados. Vazamentos nos reservatórios são também detectados, o que não acontece se monitorarmos unicamente os hidrómetros. A medição conjunta de vazão e nível permite caracterizar o funcionamento do sistema hidráulico do prédio, em particular o enchimento de reservatórios e o funcionamento da bomba (número de partidas e paradas, comando-boia, etc.). Esta informação é muito valiosa para os responsáveis pela manutenção e pode evitar problemas de queima de bombas, perda de água e alagamento por extravazão de reservatórios, entre outros. O monitoramento do nível dos reservatórios permite uma estimativa precisa do volume de água perdida por vazamentos, indicada pelo consumo noturno ou em horários em que o prédio está vazio. Ter uma estimativa confiável do volume de água (e o dinheiro) que está sendo desperdiçado é um resultado valioso para o cliente, que pode assim realizar uma análise econômica para investir em pesquisa de vazamentos ou em modernizar sua instalação hidrossanitária. O monitoramento do nível dos reservatórios também permite a elaboração de um perfil diário de consumo, baseado no descenso do nível do reservatório superior de distribuição. Este descenso do nível pode ser monitorado em intervalos de até 1 segundo. O perfil de consumo construído com este método é muito mais confiável que o construído mediante monitoramento exclusivo do hidrômetro de entrada, que é o que oferecem os sistemas convencionais disponíveis no mercado. A razão é que o descenso de nível indica a água realmente consumida nesse instante enquanto o volume de água que atravessa o hidrômetro pode estar destinado a encher o reservatório. Desta forma, o hidrômetro pode estar registrando passagem de água mesmo com o prédio vazio. Referências [1] Salvador City Council “Estudo de Aproveitamento dos Mananciais de Salvador – Estudo de Demandas”, (2010) Plano Municipal de Saneamento Básico. Available at: http://www. infraestrutura.salvador.ba.gov. br/consultapublica/arquivos/ VOLUME_II-PMSB_Sv-06-12.pdf [2] A.S. Sánchez, E. Cohim, R.A. 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Portal de Metrologia com importantes infor- mações sobre a metrologia industrial, laboratórios credenciados, novos produtos e serviços do mer- cado, matérias escritas pelos maiores es- pecialistas do tema e notícias do Brasil e do mundo. http://snis.gov.br/PaginaCarrega http://dx.doi/ http://co.za/downloads/UFR_IWA.pdf http://dx.doi.org/10.1061/ mailto:sanchezbahia@gmail.com mailto:edcohim@gmail.com mailto:ricardo.kalid@gmail.com http://www.banasmetrogia.com.br/ 92 - Revista BQ - Banas Qualidade Escreva para o Editor Hayrton do Prado através do Email: hayrton.prado@epse.com.br Estabelecendo metas Erik Penna – São Paulo – SP Uma pesquisa da Universidade de Scranton, na Pensilvânia – Estados Unidos, revelou que apenas 8% das pessoas conseguem cumprir a meta desejada. Você deve conhecer algumas pessoas que reclamam de não conseguir atingir alguns objetivos na vida. Eu mesmo conheço várias e descobri que a maioria não conquista os objetivos porque não os possuem de forma clara em sua mente. Já as pessoas que estabelecem metas, normalmente alcançam melhores resultados na vida pessoal e profissional. E se, no planejamento dessas metas, você fizer uso do sistema SMART (palavra que, em inglês, significa esperto, inteligente), vai observar que as chances de êxito aumentam ainda mais. O sistema S.M.A.R.T. define que, na elaboração das metas, devem ser observadas cinco características (cujas iniciais em inglês dão nome ao sistema). Veja a seguir: – Specific (Específica): O primeiro passo é especificar, ou seja, descrever com detalhes o seu desejo. Por exemplo: não adianta dizer que a meta é comprar um carro novo, isso é muito vago, afinal, um carro novo pode ser um Fusca ou uma Ferrari. Portanto, descreva a marca, o modelo, o ano, a potência do motor, os opcionais, quantas portas deve ter e até a cor que lhe agrada mais. Isso evita ambiguidades, sendo, portanto, fundamental para você saber exatamente o que está buscando. – Measurable (Mensurável): Em alguns casos, o sonho não acontece porque pedimos errado. Um exemplo disso ocorreu quando eu questionei um amigo sobre suas metas para o ano e ele me respondeu que a meta era ter mais dinheiro. Na mesma hora, eu tirei um real do bolso entreguei a ele e disse que ele, então, já tinha atingido a meta, pois já possuía mais dinheiro. Ele riu, percebeu o erro e entendeu a necessidade de mensurar, medir e quantificar o que desejava. Exemplo: eu quero 50 mil reais a mais do que eu tinha no final do ano passado, na minha conta corrente, até o dia 30 de dezembro deste ano. – Attainable (Atingível): A meta precisa ser desafiadora e possível de ser atingida, pois, se ela for muito fácil, desestimula a atitude e, se for impossível, também não estimula a mobilização adequada. Encontrar este equilíbrio é um desafio para empresas, gestores e pessoas que buscam se aperfeiçoar. – Relevant (Relevante): Lembre- se de que, ao estabelecer uma meta, é importante que ela tenha relevância e que, ao ser alcançada, gere prazer e satisfação. O esforço precisa realmente valer a pena para quem conquista. – Time based (Temporal): É preciso também estabelecer uma data limite para a meta. Normalmente, quando se diz: “um dia pago essa conta”; “um dia ainda vou te visitar”, ou “um dia desses iremos nos casar”, costuma não acontecer, pois não foi colocado um prazo para sua realização e, assim, não acontece mesmo. Se você deseja mesmo realizar suas metas e ser mais respeitado, aconselho-o a escrever num papel todos esses dados, pois não correrá o risco de se esquecer dos seus objetivos. E, pode estar certo, seu esforço e seu comprometimento serão maiores. Depois de traçado o alvo por escrito, fixe estas informações em um lugar onde possa avistá-las diariamente ou com certa frequência. Assim, feliz da vida, vai concluir que, de fato, funciona mesmo. Sala de aulas vazias Luiz Gonzaga Bertelli – São Paulo - SP Um dos maiores intelectuais e pensadores romanos, Sêneca dizia, no início da era cristã, que a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda a vida. Passados dois mil anos, a frase continua atual, mas a ideologia ainda é desrespeitada. A educação vem sofrendo, nos últimos anos, cortes de recursos, em razão da crise econômica, o que compromete o futuro do país. Uma grande parcela da juventude vem se afastando de cursos superiores pela dificuldade de acompanhar as aulas – como consequência da má formação no ensino básico, ou mesmo por não ter condições de arcar com as pesadas mensalidades do ensino privado, motivados pelos crescentes índices de desemprego entre os jovens. Segundo o Censo da Educação mailto:hayrton.prado@epse.com.br Edição n 286 - Maio de 2016 - 93 Cartas Superior, relativo a 2014, o número de universitários que abandonam seus cursos tem superado o total que conclui a graduação. Naquele ano, formaram-se no país um milhão de pessoas. No entanto, 1,2 milhão de alunos trancou a matrícula, incluindo estudantes dos ensinos presenciais e à distância. A situação é mais grave nas universidades particulares: as interrupções no curso representam 86% do total. Esse adiamento na qualificação da juventude traz um impacto negativo para o mercado de trabalho, que exige, cada vez mais, jovens capacitados. Com isso, sem formação adequada, eles encontram mais dificuldades para se engajarem no mundo corporativo. Os prejuízos são grandes. Tanto para os jovens e suas famílias, quanto para o desenvolvimento do país. A tendência não é nada animadora. As faculdades privadas devem amargar pelo menos mais dois anos de queda no número de novos alunos. No ano passado, o Brasil teve 2 milhões de novas matrículas, uma redução de 12% em relação a 2014. Só no estado de São Paulo serão 207 mil estudantes a menos em 2015 e 2016, de acordo com cálculos do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior este ano. A principal causa teria sido a redução do número de vagas do Fies, sistema de financiamento estudantil do governo federal. Uma das formas de se capacitar para o mercado de trabalho com fonte de renda, que auxilia no pagamento das mensalidades escolares, é o estágio (para quem está cursando ensino médio, técnico ou superior e tem 16 anos ou mais) ou a aprendizagem (para quem possui entre 14 a 24 anos, cursando os ensinos fundamental, médio ou concluído o ensino médio). O CIEE, que há 52 anos tem como principal objetivo qualificar e inserir jovens no mercado de trabalho por meio da capitação prática, está aberto para os jovens que queiram se especializar sob a égide desses programas. Assim, eles garantem uma melhor formação profissional, renda para não interromper os estudos, além da oportunidade de ser efetivado no final do contrato. A Loja da qualidade • Ebooks • Jogos Empresariais & Dinâmicas • Livros Importados • Livros Nacionais • Kits para Implantação de ISO 9001 • Kit para Implantação de ISO 14001 • Revistas em Quadrinho especiais • Coletâneas exclusivas • DVDs de Treinamento • Pôsteres de Incentivo • Publicidade • Assinaturas Tudo pelo sistema PagSeguro. www.qualistore.com.br http://www.qualistore.com.br/ 94 - Revista BQ - Banas Qualidade Conteúdo em todos os lugares. A forma de consumir conteúdo esta mudando. Usando o feedback de nossos leitores, a Banas Qualidade tem disponibilizado suas publicações em novas ferramentas de leitura, sempre com o objetivo de levar a informação onde ela precisa estar. Nossos leitores agora podem acessar nossas publicações exclusivamente Online, baixar seu conteúdo, e utilizar recursos extras como: falar com articulistas, fazer Link direto com as matérias originais e com isto ter mais conteúdo complementar, fazer link com anunciantes, produtos e serviços, fazer busca por palavras, distribuir as publicações na rede da empresa, enviar para amigos ou distribuir nas redes sociais. Online | On Mobile www.banasqualidade.com.br Total interatividade Ferramentas de busca Publicações exclusivas Recursos inéditos Rede de sites Edição n 286 - Maio de 2016 - 95 Conteúdo em todos os lugares. A forma de consumir conteúdo esta mudando. Usando o feedback de nossos leitores, a Banas Qualidade tem disponibilizado suas publicações em novas ferramentas de leitura, sempre com o objetivo de levar a informação onde ela precisa estar. Nossos leitores agora podem acessar nossas publicações exclusivamente Online, baixar seu conteúdo, e utilizar recursos extras como: falar com articulistas, fazer Link direto com as matérias originais e com isto ter mais conteúdo complementar, fazer link com anunciantes, produtos e serviços, fazer busca por palavras, distribuir as publicações na rede da empresa, enviar para amigos ou distribuir nas redes sociais. Online | On Mobile www.banasqualidade.com.br Total interatividade Ferramentas de busca Publicações exclusivas Recursos inéditos Rede de sites http://www.banasqualidade.com.br/ 96 - Revista BQ - Banas Qualidade Quando sua empresa diz não ao trabalho infantil, muita gente pode dizer sim para sua marca. Invista nas crianças e adolescentes do Brasil e tenha o selo de reconhecimento da Fundação Abrinq. Seja uma Empresa Amiga da Criança. 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