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Edição n 286 - Maio de 2016 - 1
A QUALIDADE 
NO SETOR DA 
CONSTRUÇÃO 
CIVIL
COMPORTAMENTO: 
Todos têm aptidão 
para liderar
Ano XXV | Maio de 2016 | Edição 286
2 - Revista BQ - Banas Qualidade
Os valores-p não me assustam.
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Edição n 286 - Maio de 2016 - 3
Revista Banas Qualidade
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Editor: Hayrton do Prado
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A Revista Banas Qualidade - DIGITAL
é publicada pela Quality Innovation Estratégia 
Empresarial Ltda. com sede em São Paulo/SP - Brasil.
A publicação não se responsabiliza pelas opiniões e 
conceitos aqui emitidos por seus articulistas e colunistas. 
ISSN - 1676-7845
Ano XXV - Edição 286
Maio de 2016
Hayrton R. do Prado Filho
hayrton.prado@epse.com.br
Desrespeito aos consumidores
Mais uma vez está provado: a empresas brasileiras não têm o menor respeito aos consumidores. O Procon-SP divulgou os setores mais reclamados e o índice de soluções das empresas, que servem 
como parâmetro para os consumidores conhecerem os fornecedores mais 
reclamados e como eles atendem as demandas de seus clientes. O Ranking 
Estadual contém os 50 fornecedores (empresas ou grupo de empresas) 
que mais geraram reclamações fundamentadas, ou seja, demandas de 
consumidores que, não solucionadas em fase preliminar de atendimento, 
geraram a abertura de processo administrativo.
Ao todo foram registrados 1.050.352 atendimentos entre consultas, 
orientações, carta de informações preliminares e reclamações. Destes, 
60.949 geraram reclamações fundamentadas, sendo 46% no Procon-SP e 
64% nos Procons municipais no interior, litoral e grande São Paulo.
Em 2015 o grupo composto pelas empresas de telecomunicações liderou 
novamente o ranking como as empresas mais reclamadas, ocupando os 
quatro primeiros lugares. entre. Desde a criação do ranking estadual há 
quatro anos (2012), o segmento vem liderando as principais reclamações 
dos consumidores.
A América Móvil conglomerado que reúne; Claro, Net e Embratel liderou o 
Ranking Estadual de reclamações fundamentadas dos Procons que integram 
o Sistema Estadual de Defesa do Consumidor com um total de 5.883 
reclamações ao longo do ano de 2015. O Grupo Claro / Net / Embratel lidera o 
ranking de reclamações do estado com 5.883, 9,6% de todas as reclamações 
registradas no estado. Em segundo lugar temos o Grupo Vivo / Telefônica 
com 3.901, seguido da Sky Brasil Serviços Ltda. com 2.731. Em quarto lugar 
a Tim Celular S/A com 2.351 registros e em quinto o Grupos Pão de Açúcar 
(Pão de Açúcar/Extra/Pontofrio.Com/Casasbahia.Com/Casas Bahia/Ponto 
Frio) com 2.349.
Um dos destaques no ranking é o Grupo Unimed, que subiu do 42º lugar 
no ano passado para o 8º lugar este ano, devido a problemas na gestão da 
carteira da Unimed Paulistana que deixou de atender seus clientes. Em 2014 
foram 223 reclamações e em 2015, 1.497. Entre os varejistas, o destaque 
fica para o Grupo Pão de Açúcar, único entre os dez líderes do ranking, que 
apresentou um aumento de 67% de reclamações em relação ao ano anterior, 
passando de 1.402 em 2014 para 2.349 em 2015.
O setor de telecomunicações mais uma vez lidera o ranking: quatro das 
cinco empresas ou grupos mais reclamados pertencem a esse segmento. 
O que chama a atenção é o aumento que algumas empresas apresentaram 
no número de reclamações em relação à 2014. A Nextel Telecomunicações 
Ltda teve aumento de 170%, de 235 para 634. A Sky teve aumento de quase 
100%, passou de 1.367 para 2.731. Tim e Claro também tiveram aumentos 
expressivos, 68% e 57% respectivamente. No ranking das empresas que menos 
atendem as demandas dos consumidores o Grupo Unimed é o destaque 
negativo, com o índice de 94,46% de reclamações não atendidas, apesar de 
TAC firmado entre a empresa e Ministério Público Federal, Ministério Público 
Estadual de São Paulo, Procon-SP e ANS.
Editorial
mailto:redacao@edila.com.br
http://www.banasqualidade.com.br/
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4 - Revista BQ - Banas Qualidade
03
EDITORIAL
04
SUMÁRIO
06
INSIDE
Por dentro da notícia
09
Em Foco
A ISO 9001:2015 - Abordagem do Risco
10
SEIS SIGMA
Aplicação do Lean Seis Sigma na gestão 
de Serviços de Saúde
14
GESTÃO
Indicador, para que te quero?
20
COMPORTAMENTO
Todos têm aptidão para liderar
26
OPINIÃO
De quem é a culpa dos problemas 
das empresas
30 
LOGÍSTICA
O uso das Boas Práticas pelos 
Agentes de Cargas interessados 
na certificação OEA
34
CAPA
A Qualidade no setor da Construção Civil
46
MASP
Problemas com fornecedores? MASP neles!
51
PELO MUNDO
52
ESTATÍSTICA
A sinergia entre as ferramentas do 
Lean Six Sigma
62
METODOLOGIA
Pesquisando a salmonella em águas tratadas
68
FERRAMENTAS
Sistemas de Gestão Ambiental I
72
CONFORMIDADE
As latas de aço para embalagem de produtos
78
NORMALIZAÇÃO
As lâmpadas de LED são obriigadas a serem 
fabricadas conforme as normas técnicas
82
METROLOGIA
Monitorando o consumo de água em prédios
92
CARTAS
Sumário
Edição n 286 - Maio de 2016 - 5
Publicações Exclusivas
Em plataforma digital interativa
Nós levamos a informação onde ela precisa estar.
www.banasqualidade.com.br
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6 - Revista BQ - Banas Qualidade
Inside - inside - inside - inside - inside - inside - inside - inside- inside - inside - inside - inside
Consultorias de gestão terão uma norma 
especifica para suas atividades
As consultorias de gestão têm o potencial 
de ajudar as empresas a voar .. . se forem 
usadas corretamente. Um novo padrão 
de desenvolvimento tem como objetivo 
ajudar as empresas de consultorias e seus 
cl ientes a alcançarem o melhor de seus 
projetos de consultoria.
Inovação, design organizacional, 
otimização, formação profissional, são apenas 
algumas das soluções que as empresas de 
consultorias de gestão podem utilizar para 
ajudar as organizações a terem uma melhor 
performance. Os serviços de consultoria para 
a industria e governos, cresceram mais de 1 
000% nos últimos anos.
Com um poderoso papel a desempenhar no 
mundo dos negócios e do governo, influenciando 
em decisões importantes e absorvendo um 
pedaço cada vez maior do orçamento de uma 
organização, a indústria de consultoria agora 
enfrenta as mais altas expectativas, requisitos 
mais rigorosos e uma maior evidência
de um 
retorno sobre o investimento.
A próxima norma ISO 20700 - Diretrizes para 
serviços de consultoria de gestão, tem como 
objetivo ajudar as empresas de consultorias 
e seus clientes a melhorar a transparência e o 
entendimento em seus projetos de consultoria, a 
fim de alcançar melhores resultados de negócios.
Ela está atualmente em desenvolvimento e 
acaba de atingir a fase de Projeto de Norma 
Internacional (DIS), ou seja, membros da ISO 
terão a oportunidade de votar e comentar 
sobre o texto antes de ir para a redação final e 
publicação.
A norma irá oferecer orientações de 
práticas recomendadas para ambas as partes, 
assegurando a todos sobre o que é necessário 
para se ter um processo de consultoria eficaz 
e eficiente, quais os seus objetivos e as suas 
próprias responsabilidades. Isto irá permitir às 
organizações, obterem melhores resultados 
de suas consultorias e para as consultorias, por 
A norma ISO 20700 deverá ser publicada no 
início de 2017.
http://www.iso.org/iso/home/news_index/
news_archive/news.htm?refid=Ref2060
Norma Anti-suborno recebe luz verde
O suborno é um problema grave de 
nossos tempos, custando vidas e corroendo 
economias em todo o mundo. Uma nova 
norma ISO em desenvolvimento, com foco no 
combate à corrupção, acaba de receber um 
forte voto de confiança, caminhando para a 
fase final antes da publicação.
De acordo com o Banco Mundial, cerca de US 
$ 1 trilhão em subornos são pagos a cada ano, 
prejudicando as economias e contribuindo para a 
pobreza em todo o mundo. Muito tem sido feito 
pela legislação e acordos internacionais para 
combater o problema, mas ainda continua a ser 
http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid=Ref2060
Edição n 286 - Maio de 2016 - 7
Inside - inside - inside - inside - inside - inside - inside - inside- inside - inside - inside - inside
uma preocupação significativa.
Não é de admirar, então, que a versão preliminar 
de um novo padrão ISO em desenvolvimento, 
que visa ajudar as organizações a lutar contra a 
corrupção, recebeu 91% de votação de confiança 
pelos membros da ISO envolvidos na sua criação.
A norma ISO 37001 - Anti-suborno - sistemas de 
gestão, é projetada para ajudar as organizações 
a implementarem medidas eficazes para prevenir 
e combater a corrupção e instaurar uma cultura 
de honestidade, transparência e integridade. 
Enquanto ela não pode garantir que o suborno 
não irá ocorrer, ela pode fornecer as ferramentas 
e sistemas para reduzir significativamente os 
riscos e ajudar as organizações a lidarem com o 
combate ao suborno de forma eficaz e eficiente.
Implementação da ISO 37001 também irá fornecer 
garantias entre os investidores e outras partes 
interessadas, mostrando que a organização 
dispõe de um sistema eficaz para gerir o risco de 
suborno.
http://www.iso.org/iso/home/news_index/
news_archive/news.htm?refid=Ref2069
Gerenciamento de registros na era digital
A imagem do gerenciamento de registros 
está mudando. Com a ascensão do conteúdo 
digital, e a nossa crescente dependência 
sobre ele, alterações quanto a forma como 
gerimos os nossos registros são inevitáveis. 
Ajuda está a caminho com a norma ISO 
15489-1 que acaba de ser publicada.
A estratégia de gerenciamento de registros 
tem que levar em conta o quadro geral. Isso 
envolve a compreensão do contexto em que 
operam, a natureza do negócio, os riscos e 
os requisitos associados ao negócio. A boa 
notícia é que é possível projetar sistemas e 
aplicar regras para que os registros sejam 
feitos e mantidos corretamente - sejam eles 
dados, documentos ou até mesmo conteúdo 
de mídia social - resultando em uma série de 
benefícios de aumento de negócios.
A criação e gestão de registros tem sido 
sempre importante - desde os tempos antigos 
aos dias de hoje. As principais razões para 
a manutenção de registros não mudaram: 
a prestação de contas, o negócio eficiente, 
a proteção dos direitos e prerrogativas e a 
capacidade de reconstruir o passado. Agora, 
a rápida mudança para o mundo digital 
e on-line tem simplesmente introduzido 
razões adicionais para criar, capturar e 
gerenciar bem os registros: a mudança para 
o negócio orientado a dados, as iniciativas 
de governos mais transparentes, serviços 
compartilhados e de colaboração e a maior 
ênfase na responsabilidade corporativa. As 
expectativas para a segurança da informação 
também estão se tornando cada vez mais 
importantes para as partes interessadas 
dentro e fora das fronteiras organizacionais.
http://www.iso.org/iso/home/news_index/
news_archive/news.htm?refid=Ref2072
Segurança e saude no trabalho
 
O stress no trabalho é um problema social 
significativo - expectativas maiores, o aumento da 
concorrência e mudanças rápidas na tecnologia 
e tendências são formas de pressão sobre os 
trabalhadores , podendo alterar o seu papel 
completamente. Este tipo de estresse pode 
resultar em consequências graves para a saúde 
e bem-estar A Organização Internacional do 
Trabalho (OIT) escolheu o estresse no trabalho 
como o tema do Dia Mundial da Segurança e 
Saúde no Trabalho. Há muito que pode ser feito 
para prevenir e gerir tais stresses, incluindo 
os programas de bem-estar eficazes e reduzir 
quaisquer riscos para a saúde e a segurança que 
possam ocorrer como resultado do trabalho das 
pessoas. http://www.iso.org/iso/home/news_
index/news_archive/news.htm?refid=Ref2071
http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid=Ref2069
http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid=Ref2072
http://www.iso.org/iso/home/news_index/news_archive/news.htm?refid+Ref2071
8 - Revista BQ - Banas Qualidade
Inside - inside - inside - inside - inside - inside - 
Febre do lítio: o petróleo branco 
Em meio à nuvem negra que paira sobre 
a indústria de mineração global, há um 
ponto brilhante e esperançoso: o lítio. 4Este 
ano parece ser chave para a decolagem 
da produção desse metal, indispensável 
para o funcionamento de muitas baterias 
de carros elétricos e outros dispositivos de 
alta tecnologia, incluindo iPhones. Por isso, 
enquanto os produtores de petróleo lamentam 
seus infortúnios e as empresas de mineração 
tentam sobreviver ao naufrágio dos mercados, 
o setor de lítio vive bons momentos. O preço 
do lítio importado da China dobrou em dois 
meses, entre novembro e dezembro de 2015, 
atingindo US$ 13.000 por tonelada, de acordo 
com a revista The Economist.
Parte da euforia tem a ver com o anúncio do 
empresário Elon Musk no início deste mês sobre 
seu desejo de expandir a produção dos carros 
elétricos Tesla. Para produzir 500.000 veículos 
por ano, basicamente a empresa precisará 
absorver toda a produção de lítio no mundo.
E esse é apenas um dos concorrentes do 
mercado de carros elétricos, sem mencionar 
os produtores de pilhas para computadores e 
outros dispositivos eletrônicos, que também 
precisam garantir boas fontes de lítio.
Na América Latina, há razões para olhar 
com muito interesse essa corrida: três nações 
localizadas em uma espécie de "triângulo de 
ouro" do lítio concentram reservas importantes 
do metal. Argentina, Bolívia e Chile estão na mira 
da indústria mineira. Os três países agrupam cerca 
de 60% das reservas conhecidas de lítio, de acordo 
com estudos realizados pelo Serviço Geológico 
dos Estados Unidos (USGS, na sigla em Inglês). 
Isso levou a revista norte-americana Forbes a 
declarar há alguns anos que a área é a "Arábia 
Saudita do lítio", em uma referência à abundância 
de petróleo no país do Oriente Médio.
h t t p : / / w w w . b b c . c o m / p o r t u g u e s e /
noticias/2016/04/160422_litio_bolivia_if
PBE Veicular chega ao oitavo ciclo 
com adesão de todas as montadoras 
O Programa Brasileiro de Etiquetagem 
Veicular (PBEV), coordenado pelo Instituto 
Nacional de Metrologia, Qualidade e 
Tecnologia (Inmetro), chega ao seu oitavo 
ciclo com participação recorde desde a sua 
criação, todas as montadoras e importadoras 
aderiram e, com isso, 90% dos carros 
comercializados
no País trarão a informação 
de eficiência de consumo e emissão de gases, 
tanto poluentes como de efeito estufa (CO2). 
A princípio, a regra já atinge 795 modelos 
e versões. Ao longo do primeiro semestre 
do ano, outros 131 modelos e versões serão 
incluídos, fechando 2016 com 926 veículos 
enquadrados no programa.
Este ano, a principal novidade é que a 
classificação da emissão de gases poluentes 
passa a ser exibida também por meio de letras, 
como já ocorre com a avaliação do consumo 
e a eficiência do veículo em km por litro de 
combustível, o que facilita o entendimento 
do consumidor. Outra novidade do oitavo 
ciclo é a entrada dos veículos leves a diesel 
(picape, SUV e fora de estrada), que estarão 
etiquetados a partir do dia 1º de maio, e a 
inclusão de duas novas categorias: picape e os 
microcompactos (veículos com até seis metros 
de comprimento). http://www.inmetro.gov.
br/noticias/verNoticia.asp?seq_noticia=3852
http://www.inmetro.gov.br/noticias/verNoticia.asp?seq_noticia=3252
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/16022_litio_bolivia_if
Edição n 286 - Maio de 2016 - 9
Em Foco
A ISO 9001:2015 
Abordagem 
do Risco
Por Dr Nigel H Croft
Hoje em dia, as organizações operam em contextos cada vez 
mais imprevisíveis e complexos 
tornando-se fundamental 
abordar a questão do risco 
de uma forma consciente, 
planejada e sistematizada. 
Embora a ISO 9001:2015 
não exija que a organização 
tenha um sistema de gestão 
de risco (seguindo, por 
exemplo, a norma ISO 31000), 
a “mentalidade de risco” deve 
estar presente em todas suas 
decisões e ações, tanto ao nível 
estratégico como operacional. 
Isto eliminou a necessidade da 
ISO 9001:2015 ter uma clausula 
separada sobre “ações 
preventivas” – na realidade 
tudo que uma organização 
faz deve ser no sentido de 
evitar não conformidades nos 
seus processos, produtos e 
serviços. A organização deve 
perguntar constantemente 
para si mesmo: “O que 
poderia dar errado?” “Qual 
seria a probabilidade disto 
acontecer?” “Quais seriam as 
consequências potenciais?” 
e “Como deveremos tratar 
este risco”? 
A forma de abordar risco vai 
depender do contexto em que 
a organização opera.
Para empresas fornecendo 
produtos e serviços simples, 
sem grandes implicações 
em termos de segurança ou 
financeiros, pode ser suficiente 
uma análise e priorização das 
suas atividades, de maneira a 
evitar problemas que poderiam 
afetar a satisfação do cliente. 
Para empresas atuando em 
áreas mais críticas espera-
se uma abordagem mais 
abrangente (usando analises 
tipo FMEA, HAZOP, HACCP ou 
até metodologias estatísticas 
sofisticadas como simulações 
tipo Monte Carlo). A norma ISO 
31010 oferece várias opções 
para analises de risco que 
poderiam ser aplicáveis em 
determinados contextos. 
A ISO 9001:2015 também 
reforça a necessidade de 
pensar do lado positivo - não 
somente evitando as coisas 
ruins, mas aproveitando as 
oportunidades para fazê-
las melhores - uma nova 
tecnologia, uma matéria-prima 
mais barata, o concorrente 
com problemas, por exemplo. 
Por isso, a ISO 9001:2015 exige 
que a organização analise os 
“riscos e oportunidades” de 
forma equilibrada, para que 
seu sistema possa alcançar os 
resultados pretendidos.
Dr Nigel H Croft
Presidente do Conselho; APCER 
Brasil
10 - Revista BQ - Banas Qualidade
Seis Sigma
Aplicação do 
Lean Seis Sigma 
na gestão de 
serviços de saúde
O Lean Seis Sigma deve 
ser empregado em todo o 
sistema e não apenas aos 
setores de atendimento 
direto aos clientes.
Edição n 286 - Maio de 2016 - 11
Por Cristina Werkema
Hospitais e laboratórios de medicina diagnóstica são muito similares 
a fábricas: altos volumes 
estão envolvidos, os mesmos 
procedimentos são repetidos 
de modo regular e os processos 
são muito dependentes de 
equipamentos. Portanto, vários 
métodos usados na otimização 
de fábricas também funcionam 
– e muito bem – em hospitais 
e laboratórios. Além disso, é 
natural aplicar o programa 
na área da saúde porque é 
usualmente necessário alcançar 
níveis de qualidade Seis Sigma 
ou superiores. Vale lembrar que, 
em 2001, o Institute of Medicine, 
nos Estados Unidos, tratou das 
questões ligadas à qualidade 
e estabeleceu seis metas para 
a saúde: “o atendimento deve 
ser seguro, eficaz, com foco no 
paciente, oportuno, eficiente e 
justo”.
É importante ressaltar 
que muitas das métricas dos 
projetos Lean Seis Sigma 
estão associadas à qualidade 
do atendimento e não a 
ganhos financeiros. Isso 
ocorre porque os profissionais 
da área da saúde são muito 
mais motivados por questões 
associadas à segurança dos 
pacientes e à qualidade dos 
serviços prestados do que 
por resultados financeiros. No 
entanto, o Lean Seis Sigma 
deve ser aplicado em todo 
o sistema e não apenas aos 
setores de atendimento direto 
aos clientes.
Também é válido destacar 
que a aplicação de técnicas 
estatísticas já é algo histórico 
em testes clínicos realizados 
pela indústria farmacêutica, o 
que facilita a disseminação do 
Lean Seis Sigma nesse setor.
As principais categorias de 
projetos Lean Seis Sigma na 
área da saúde são:
1. Aumentar o número de 
admissões.
2. Reduzir o tempo de espera 
para atendimento.
3. Aumentar a eficiência de 
processos.
4. Reduzir o uso inadequado 
de materiais.
5. Reduzir deficiências.
6. Melhorar a alocação de 
recursos humanos.
7. Melhorar a utilização de 
instalações e equipamentos.
Instituição The Johns Hopkins Hospital Mayo Clinic
NewYork-
Presbyterian Hospital
Início do 
Lean Sigma 2004 2006 2004
Número 
de Belts
Green Belts: > 75
Master Black Belts: 4
Mais de 400 pessoas já 
participaram do programa.
Green Belts: > 200
Black Belts: > 26
Master Black Belts: 4
Exemplo
de projeto
Redução do desperdício de 
sangue para menos de 2% 
das unidades processadas, 
gerando um aproveitamento 
de mais de 2.500 unidades e 
um ganho financeiro superior 
a quinhentos mil dólares.
Redução de 45 para 3 dias do 
tempo de ciclo entre o 
contato inicial do paciente 
com o Rochester Transplant
Center e a primeira consulta.
Redução da variância no 
tempo de internação em 13% 
no campus de Cornell e em 
26% no campus de Columbia.
Objetivos do Lean Seis 
Sigma
Melhorar a segurança, 
qualidade e eficiência do 
sistema de atendimento do 
hospital; criar uma cultura de 
melhoria contínua; 
compartilhar amplamente os 
resultados e lições 
aprendidas.
Melhorar e demonstrar 
qualidade, segurança, serviço 
e valor.
Aumentar a receita; 
aumentar o rendimento e a 
eficiência dos departamentos 
de internação e emergência.
12 - Revista BQ - Banas Qualidade
Nos Estados Unidos, muitas 
empresas da área da saúde, 
incluindo grandes hospitais, estão 
aplicando o Lean Seis Sigma. 
A revista iSixSigma Magazine, 
em uma de suas edições (1), 
apresentou como destaque 
de capa uma matéria sobre o 
assunto. Nessa reportagem são 
apresentados os casos de três 
hospitais, cujos pontos principais 
destacamos na figura da página 
anterior.
No Brasil, alguns exemplos de 
projetos na área da saúde foram 
apresentados pelo Hospital 
do Câncer na Conferência Six 
Sigma, promovida pelo IBC no 
período de 20 e 21/09/2006:
A Reduzir o tempo de espera e aumentar a capacidade 
de atendimento na central de 
quimioterapia.
BReduzir o tempo de espera de pacientes para 
atendimento no ambulatório 
de curativos.
CAdequar as datas de pagamentos às entradas de caixa.
DAumentar a produtividade do processo de criobiologia.
EAdequar o consumo, estoque e reposição de materiais 
usados no centro cirúrgico.
FAgilizar a preparação e digitação de todos os 
atendimentos de posse do 
faturamento.
Para um aprofundamento 
no tema da aplicação do Lean 
Seis Sigma na área da saúde 
sugerimos a leitura do excelente 
livro intitulado Improving 
Healthcare Quality and Cost with 
Six Sigma (2). Essa é uma obra 
fácil de ler, abrangente e repleta 
de exemplos e estudos de caso.
Referências
1. Schmidt, Elaine. 
“Healing Healthcare”. iSixSigma 
Magazine, v.4, n.1, pp. 24-31, 
January/February 2008.
2. Trusko, Brett E.; Pexton, 
Carolyn; Harrington, H. James; 
Gupta, Praveen. Improving 
Healthcare Quality and Cost with 
Six Sigma (Upper Saddle River: 
Financial Times Press, 2007), 472p.
Cristina Werkema é proprietária 
e diretora do Grupo Werkema 
e autora das obras da Série 
Seis Sigma Criando a Cultura 
Lean Seis Sigma, Design for 
Lean Six Sigma: Ferramentas 
Básicas Usadas nas Etapas D e 
M do DMADV, Lean Seis Sigma: 
Introdução às Ferramentas do 
Lean Manufacturing, Avaliação 
de Sistemas de Medição, 
Perguntas e Respostas Sobre o 
Lean Seis Sigma, Métodos PDCA 
e DMAIC e Suas Ferramentas 
Analíticas, Inferência Estatística: 
Como Estabelecer Conclusões 
com Confiança no Giro do 
PDCA e DMAIC e Ferramentas 
Estatísticas Básicas do Lean Seis 
Sigma Integradas ao PDCA e 
DMAIC, além de oito livros sobre 
estatística aplicada à gestão 
empresarial, área na qual atua 
há mais de vinte anos. cristina@
werkemaconsultores.com.br.
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Edição n 286 - Maio de 2016 - 13
14 - Revista BQ - Banas Qualidade
Indicador, 
para que 
te quero?
Edição n 286 - Maio de 2016 - 15
Gestão
Apesar de ser óbvio afirmar que não devemos fazer medições com o 
propósito de obter medições, essa é uma prática muito comum nas 
empresas, já que o uso de computadores e sistemas de informação 
facilitou muito a medição, coleta e armazenamento de dados
Por Eduardo Moura
Medir o desempenho é fundamental para melhorá-lo. Por isso é 
raro encontrar uma empresa 
que não se guie por algum tipo 
de medição. Seria como um 
carro sem velocímetro e sem 
medidor de combustível, ou um 
avião sem painel de comando. 
É verdade que o fato isolado 
de medir o desempenho não 
assegura o sucesso, pois de 
pouco valem os indicadores do 
painel se as coordenadas de 
destino estiverem incorretas ou 
se o piloto estiver embriagado. 
Mas uma vez cumpridos tais 
requisitos básicos, a questão 
de decidir quais indicadores 
medimos e que uso fazemos 
da informação é algo 
simplesmente vital.
Apesar de ser óbvio afirmar 
que não devemos fazer 
medições com o propósito 
de obter medições, essa é 
uma prática muito comum 
nas empresas, já que o 
uso de computadores e 
sistemas de informação 
facilitou muito a medição, 
coleta e armazenamento de 
dados que depois nunca se 
transformam em informação 
útil efetivamente utilizada. 
Porque uma coisa que os 
computadores ainda não 
fazem é questionar se tudo 
o que medimos é realmente 
necessário, e se de fato 
estamos medindo somente o 
que é suficiente. Sem conceitos 
claros e definições corretas 
sobre o quê medir e que uso dar 
às medições, é muito provável 
que estejamos cometendo um 
erro duplo: acumulando muitos 
dados desnecessários e ao 
mesmo tempo não contando 
com informação relevante.
Por isso não é nada raro 
encontrar empresas que têm 
seu sistema de informação 
saturado de dados, mas que 
são incapazes de responder 
corretamente à simples 
pergunta “quais dos nossos 
produtos mais contribuem para 
a lucratividade do negócio?”. 
Isto porque, na triste realidade 
da absoluta maioria das 
empresas, o paradigma do 
Reino dos Custos tem levado 
seus súditos a dividirem o 
sistema de negócios em 
pequenos feudos e sub-feudos, 
e a partir daí todos são vistos 
como contribuintes igualmente 
importantes para a nobre tarefa 
de acumular e reportar dados 
minuciosos cujo fim supremo 
é calcular um Indicador-Rei 
chamado “Custo do Produto” 
o qual, como déspota insano, 
acaba levando todos a tomar 
as piores decisões.
Portanto, consideremos 
seriamente a definição dada 
por Goldratt quanto ao uso 
estratégico das medições, 
isto é, o “para quê” de um 
sistema de indicadores de 
desempenho (quadro ao lado). 
É interessante destacar alguns 
pontos chave embutidos nessa 
brilhante frase:
Cabe às partes intervir para 
melhorar o sistema. Enquanto 
durar o processo evolutivo do 
sistema, toda intervenção de 
melhoria sempre será sobre 
um ponto ou parte específica 
do mesmo, e nunca sobre o 
sistema como um todo.
Toda melhoria requer uma 
ação efetiva de mudança, ou 
seja, introduzir algum elemento 
novo na praxis do sistema. É 
preciso ir além de discursos ou 
intenções, e reconhecer que 
resultados expressivamente 
melhores requerem um esforço 
intelectual intenso para definir 
a filosofia correta, um trabalho 
analítico profundo para 
estabelecer a visão estratégica 
16 - Revista BQ - Banas Qualidade
acertada e uma disciplina 
fanática para executar as 
táticas corretas, e que tudo 
isso transformará radicalmente 
o status quo.
Embora as ações de melhoria 
sejam sempre pontuais, a 
definição das mesmas deve 
sempre ser feita a partir de 
uma perspectiva sistêmica, 
reconhecendo que isso requer 
a subordinação das partes ao 
objetivo global. Isso significa 
que, em um dado momento, 
somente uma das partes (a 
restrição do sistema) estará 
trabalhando no máximo da 
sua capacidade, ou, em outras 
palavras, que todas as demais 
partes estarão trabalhando 
abaixo da sua capacidade 
(isto é, com capacidade 
extra disponível para apoiar 
o trabalho na restrição do 
sistema). O que implica que 
a informação vital para a 
melhoria do sistema como um 
todo será apenas aquela que 
diz respeito à maximização do 
desempenho da restrição do 
sistema. O que nos libera do 
trabalho exaustivo e infrutífero 
de acumular dados sobre todas 
as partes e com isso perder 
o foco do que é realmente 
essencial.
Estabelecer um sistema 
de indicadores que seja 
verdadeiramente eficaz não é 
tarefa que as partes possam 
fazer isoladamente, mas 
sim é responsabilidade não-
delegável da alta gerência.
Se adotarmos tais premissas, 
reconheceremos as seguintes 
virtudes de um indicador de 
desempenho sadio:
É prático e fácil de obter: 
o tempo de ciclo coleta-
análise-decisão-ação é curto, e 
preferivelmente realizado no 
próprio “gemba”.
Tem efeito produtivo no 
curto prazo e efeito cultural 
no largo prazo: leva às ações 
corretas para a melhoria global 
do sistema e estabelece o 
comportamento correto e 
coerente das pessoas.
É relevante: é fácil 
estabelecer a “ponte” entre o 
indicador e algum aspecto vital 
de desempenho do sistema.
Tudo isso leva a concluir que, 
a menos que a alta direção 
realize um esforço intencional 
de avaliar criticamente e revisar 
seu sistema de indicadores de 
desempenho, com base em 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 17
Gestão
paradigmas administrativos 
mais adequados à realidade 
atual dos negócios, com grande 
chance estará condenando a 
empresa a um desempenho 
muito aquém do seu verdadeiro 
potencial, pois as medições 
tradicionais, com enfoque 
essencialmente financeiro e 
fundamentadas no paradigma 
de alocação de custos, além de 
não apresentarem as qualidades 
acima, sistematicamente levam 
as pessoas a fazer o que é 
prejudicial ao sistema.
Um exemplo prático, para 
não ficar apenas no plano 
conceitual: é comum o uso do 
indicador “taxa de utilização 
de ativos”, que leva os recursos 
produtivos a operarem 
continuamente, a fim de “diluir 
o custo fixo” (parar a produção 
é tabu). O resultado típico é 
que, não havendo vendas que 
desovem a produção extra, o 
inventário aumenta, e com ele 
o custo total, incluindo o custo 
de manter produto que não 
vende ou descartar produto 
que se tornou obsoleto. Que 
é o resultado oposto ao que 
se buscava originalmente. 
Mas, como tais consequências 
estouram distantes no tempo 
e no espaço em relação à 
decisão anteriormente tomada 
de continuar produzindo para 
aumentar a taxa de utilização 
do ativo, acrescentando-
se ainda o fato de que cada 
parte é avaliada isoladamente, 
sem uma visão sistêmica que 
revele a interação das mesmas, 
a vida segue adiante e tais 
perdas crônicas acabam sendo 
absorvidas, planejadas e vistas 
como “normais”.
Um belo dia tal empresa 
implementa Lean 
Manufacturing e muda para o 
sistema puxado, produzindo 
apenas o que o mercado está 
pedindo. Os inventários se 
reduzem drasticamente, e 
eventualmente, não havendo 
puxada do mercado, não há
POLÍTICAS, PRÁTICAS E TAREFAS DE AJUSTE
COERENTES CONTRADIC.
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Honestidade e Transparência ⓿
Respeito às pessoas ⓿ ⓿ ⓿ ⓿ ⓿ ⓿ ⓿
Inovação e Excelência ⓿ ⓿
Compromisso com o Meio 
Ambiente ⓿ ⓿ ⓿
⓿ Política formal atual
⓿ Política/prática formal, nova
⓿ Política informal, atual
Que políticas e práticas 
confirmam (ou contradizem) 
nossos valores? (à parte dos 
processos empresariais já 
padronizados?)
VALORES
18 - Revista BQ - Banas Qualidade
necessidade de produzir, 
e a linha pára. Além disso, 
mesmo quando há puxada do 
mercado, como agora a linha 
de produção está sincronizada 
com o sistema kanban, nenhum 
recurso trabalhará num ritmo 
maior à capacidade do gargalo 
da linha ou acima da velocidade 
de puxada do mercado.
Tudo isso torna a empresa 
muito mais enxuta, mais ágil, 
mais flexível e responsiva ao 
mercado, ou seja: melhor. Porém, 
em tal empresa foram mantidos 
os indicadores financeiros 
tradicionais. Resultado: os 
números indicam que o custo 
de produção aumentou! (já que 
o custo da “mão de obra”, o 
“custo” das horas paradas e 
demais custos fixos agora são 
rateados a uma quantidade 
menor de unidades produzidas).
Concluindo, é possível 
afirmar que uma forma de 
validar a solidez e profundidade 
de um processo de mudança, é 
observar o que aconteceu com 
o sistema de indicadores que 
guiam as decisões do negócio: 
se não houve mudança nos 
indicadores, então nada 
realmente mudou.
Cultura organizacional
“Falar é fácil; fazer é que são 
elas” é um ditado popular que 
também se aplica ao desafio 
de consolidar uma cultura 
organizacional forte, onde 
todos vivam e compartilhem os 
mesmos valores. Recomendo 
uma ferramenta simples, mas 
que tem demonstrado ser muito 
efetiva para apoiar um esforço 
coerente de consolidação da 
ideologia empresarial.
Infelizmente é muito comum 
encontrar nas organizações 
uma considerável distância 
entre o que os valores 
declaram e o que as pessoas 
vivem na prática. Penso que 
isso ocorre não porque a alta 
direção seja incompetente mas 
porque, por um lado, não tem 
implementado um conjunto 
coerente de políticas e práticas 
especificamente projetadas 
com a finalidade de traduzir e 
confirmar os valores no dia-a-
dia de trabalho, e também, por 
outro lado, porque eventuais 
práticas contraditórias 
aos valores não foram 
minuciosamente identificadas e 
erradicadas.
Para tal fim, concebi e venho 
utilizando em várias empresas 
o que denominei de “matriz da 
ideologia empresarial”. A figura 
seguinte fornece um exemplo 
prático e revela a estrutura 
dessa matriz:
Nas linhas da matriz estão 
os valores, pois esses são a 
base fundamental da cultura 
organizacional. As colunas 
contêm as políticas e práticas, 
separadas em dois grupos: 
coerentes com os valores e 
contraditórias com os mesmos.
A cor vermelha das “bolinhas” 
de relação indica novas políticas 
e práticas a serem criadas, 
enquanto que as de cor preta 
mostram as já existentes. Note 
que neste exemplo (real), há 
muitas bolinhas vermelhas, 
indicando que se as novas 
políticas e práticas não forem 
implementadas, a empresa 
não contará com suficientes 
mecanismos que sinalizem e 
de fato confirmem às pessoas 
que os valores são mesmo uma 
realidade na empresa, e não 
meros discursos ou intenções.
Além disso, a matriz 
também alerta que se as 
atuais práticas contraditórias 
não forem eliminadas, elas 
acabaram falando muito mais 
alto que qualquer declaração 
de valor, correndo-se o risco 
de colocar as mesmas em 
total descrédito.
A partir daí, é fácil estabelecer 
um plano de ações necessárias 
e suficientes para consolidar 
a cultura organizacional na 
prática.
Eduardo Moura é diretor da 
Qualiplus Excelência Empresarial 
– emoura@qualiplus.com.br
GestãoGestão
ouseja:melhor.Por%C3%A9m
mailto:emoura@qualiplus.com.br
Edição n 286 - Maio de 2016 - 19
20 - Revista BQ - Banas Qualidade
Todos 
têm aptidão 
para liderar
Edição n 286 - Maio de 2016 - 21
Comportamento
Muito se fala 
sobre se a 
liderança pode 
ser aprendida, 
quem tem e 
quem não tem 
aptidão para ser 
líder,
o que é um líder, 
quais as suas 
características ?
22 - Revista BQ - Banas Qualidade
Por Ernesto Berg
Muito se fala sobre se a liderança pode ser aprendida, quem 
tem e quem não tem aptidão 
para ser líder, o que é um líder, 
quais suas características, e 
muitas outras questões que são 
dirigidas a mim nas palestras e 
cursos que ministro sobre esse 
tema. Os questionamentos têm 
certa razão de ser porque muita 
informação desencontrada 
existe a respeito e, em vez de 
elucidar, serve mais de pedra 
de tropeço do que de ajuda. 
Portanto, é hora de fazer três 
perguntas:
1Todos nós podemos ser líderes?
Muitos afirmam que a 
liderança é algo que já nasce 
com o indivíduo e quem não a 
possui não tem como adquiri-
la. Essas pessoas tomam como 
exemplo grandes líderes 
carismáticos que existiram ao 
longo da história como Jesus 
Cristo, Júlio César, Napoleão, 
Lincoln, Gandhi, Nelson 
Mandela e outros semelhantes.
É certo que líderes como 
esses são raros e não se formam 
em bancos escolares ou cursos 
de verão. Eles têm uma forte 
personalidade carismática que 
foge aos padrões usuais do 
comportamento humano.
Prefiro deixar aos psicólogos, 
sociólogos e historiadores 
a tarefa de estudá-los e 
tentar explicá-los. Meu 
intuito é enfocar a liderança 
exclusivamente no âmbito das 
organizações. Sob essa ótica, 
todos podem tornar-se líderes, 
embora em graus diferentes.
2 Liderança pode ser ensinada e aprendida?
Ao contrário do que se 
acreditava no passado, 
pesquisas minuciosas e a 
própria prática gerencial 
do dia a dia comprovaram 
que a liderança é passível 
de ser ensinada, adquirida e 
desenvolvida. Nesse processo 
o treinamento desempenha 
papel vital e insubstituível. No 
entanto, é preciso ressaltar 
que nem todos aprendem com 
a mesma facilidade, pois isso 
varia de pessoa a pessoa.
Enquanto alguns assimilam 
rapidamente os conceitos 
e ideias sobre liderança, 
extraindo resultados práticos 
imediatos e duradouros, outros 
o fazem mais lentamente e de 
forma parcial, atingindo, com 
isso, resultados menores. Mas 
todos, sem exceção, terão uma 
real melhoria de desempenho 
de liderança em relação ao que 
eram antes, desde que sejam 
adotadas e seguidas as práticas 
apropriadas.
3 E os líderes circunstanciais?
Existem pessoas que, por 
motivo do conhecimento 
que possuem ou de alguma 
habilidade especial, podem 
exercer uma liderança 
provisória. É o que aconteceu 
no metrô de Nova Iorque há 
alguns anos, quando a perna de 
uma mulher ficou presa entre 
a plataforma de embarque e o 
vagão do metrô, sujeita a ser 
decepada a qualquer momento 
pelo peso do vagão. Por 
requerer uma ação urgente, 
o desespero foi geral, pois 
ninguém sabia o que fazer.
Naquele momento surgiu 
Patrick Kinsella, atendente de 
guichê da companhia de metrô; 
ele mandou que todos, ao seu 
comando empurrassem para o 
lado oposto - ao mesmo tempo-, 
o vagão que prendia a perna da 
senhora. Assim, mais de uma 
centena de pessoas (entre eles 
engenheiros, executivos, donas 
de casa, professores etc.) ao 
comando de Kinsella fizeram 
o incomum esforço de mover 
o vagão por apenas alguns 
centímetros, mas o suficiente 
para que algumas pessoas 
puxassem a perna da senhora 
e a livrasse de tê-la amputada 
pelo peso da enorme estrutura 
que a prendia.
Num momento de crise, um 
pacato funcionário do
metrô, 
foi o líder de mais de uma 
centena de pessoas porque 
sabia o que fazer na situação 
mais crucial, agrupando-as 
em um esforço conjunto. 
Terminado o processo, Kinsella 
saiu de cena, deixou de ser o 
comandante da operação, e 
voltou a ser novamente um 
cidadão comum.
Esse é um exemplo de 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 23
Comportamento
liderança circunstancial que 
todos nós, eventualmente, 
poderemos exercer, por 
termos alguma habilidade 
específica imprescindível num 
dado momento, independente 
de nossa posição social, cultura 
ou formação profissional.
As quatro 
características do líder
Estudos realizados pelos 
especilaistas Warren Bennis e Burt 
Nanus com quase cem líderes 
(homens e mulheres) dos mais 
variados campos de atividades, 
revelaram quatro características 
comuns a todos eles:
1 Alta dose de criatividade. (Efeito Clio)
Clio era a musa da criatividade 
na mitologia grega. Líderes 
mostram grande capacidade 
criativa, enxergando ângulos 
e possibilidades muito além da 
condição habitual da maioria 
das pessoas.
2 Grande capacidade de motivar pessoas e 
desenvolver-lhes o potencial. 
(Efeito Pigmaleão)
Na mitologia grega Pigmaleão 
esculpiu uma estátua de mulher 
tão linda que, de tanto admirá-
la, ele acabou se apaixonando 
por ela. Então a deusa Vênus 
acabou premiando Pigmaleão 
dando vida à estátua. Trazendo 
para o campo organizacional, o 
efeito Pigmaleão significa que 
as expectativas dos gestores 
afetam o desempenho dos 
subordinados, porque os 
chefes, inconscientemente, 
se comportam de acordo 
com as expectativas que têm 
na capacidade (ou não) dos 
liderados. Estes, por sua vez, 
acabam correspondendo a 
essa expectativa – positiva 
ou negativa -, devido ao 
tratamento que recebem do 
chefe.
24 - Revista BQ - Banas Qualidade
Comportamento
3 Considerável concentração em fazer 
o trabalho bem feito. 
(Efeito Wallenda)
Karl Wallenda foi 
um famoso equilibrista 
e artista de circo que 
costumava caminhar sobre 
um cabo de aço entre dois 
prédios, sem nenhuma 
proteção por baixo. Aos 
73 anos de idade resolveu 
fazer sua última travessia 
entre dois prédios de 10 
andares, na cidade de 
Porto Rico. Por infortúnio, 
ele despencou durante a 
apresentação e faleceu. 
Wallenda afirmava que 
não tinha medo de cair, 
porque concentrava-
se ao máximo em fazer 
uma travessia perfeita na 
corda bamba. Em outras 
palavras, ele se concentrava 
em fazer o trabalho bem feito, 
em vez de se concentrar em 
não cair. Infelizmente, em 
Porto Rico, por ser sua última 
apresentação, Wallenda 
mostrou-se pela primeira vez 
receoso, e o seu pensamento 
predominante foi o de não cair, 
o que abalou sua confiança 
e propiciou a queda. Líderes 
focam sua atenção no trabalho 
bem feito, em vez de se 
preocuparem em não errar.
4 Crença inabalável nos resultados positivos, sem 
receio de possíveis fracassos. 
(Efeito Fênix)
Ainda na mitologia grega, 
Fênix era um pássaro que morria 
por entrar em autocombustão, 
mas logo em seguida renascia 
das próprias cinzas, revitalizado. 
Líderes verdadeiros acreditam 
sempre no sucesso dos 
empreendimentos, mesmo que 
ocorram quedas e fracassos 
momentâneos pois, quando isso 
acontece, imediatamente se 
põem de pé e continuam o trajeto 
em direção aos objetivos fixados.
Riscos da liderança
De fato, liderança não é 
um trabalho fácil. Ela está 
carregada de demandas, 
complexidades, expectativas 
e ambiguidades que a maioria 
das pessoas não imagina que 
existam quando decide trilhar 
o caminho da liderança. Além 
disso, se você não tem a 
intenção de assumir riscos, 
a liderança não é para você. 
É impossível evitar riscos e, 
ao mesmo tempo, esperar 
que você progrida. O 
progresso sempre implica 
em enfrentar riscos.
Se quisermos ser líderes, 
devemos frequentemente 
nos perguntar: “Por que 
eu embarquei nessa de ser 
um líder, chefe, gerente, 
diretor (ou o que for)?”
Se a resposta for: “Para 
preencher meus próprios 
interesses, ou para fazer 
meus sonhos se tornarem 
realidade”, então você 
pretende ser líder 
pelos motivos errados, 
porque está ali pelas 
recompensas, o que irá 
diminuir a sua importância 
como líder. Acabará criando a 
cultura de que tudo – ou quase 
tudo - depende de você, e isso 
não é liderança, mas ilusão e 
autopromoção.
A grande diferença entre 
verdadeiros líderes e falsos líderes, 
é que os verdadeiros líderes 
assumem um cargo não pelo que 
possam ganhar, mas pelo que 
possam dar. Pense nisso.
Ernesto Berg é consultor de 
empresas, professor, palestrante, 
articulista, autor de 14 livros, 
especialista em desenvolvimento 
organizacional, negociação, gestão 
do tempo, criatividade na tomada de 
decisão, administração de conflitos- 
berg@quebrandobarreiras.com.br
mailto:berg@quebrandobarreiras.com.br
Edição n 286 - Maio de 2016 - 25
26 - Revista BQ - Banas Qualidade
De quem é a culpa 
dos problemas 
das empresas 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 27
Opinião
Um país ainda tão marcado pela 
pobreza como o Brasil tem que colocar 
foco nos fatores críticos para o sucesso 
das gerações futuras. 
E quais seriam esses pilares?
Por Dennis Giacometti
No Brasil, 64% das empresas encerram as atividades antes 
de completarem seis anos; e 
apenas uma, em cada cem, 
chega aos 50 anos de forma 
saudável. Reconhecido 
mundialmente como país de 
empreendedores, o Brasil 
se destaca por apresentar 
elevada taxa de mortalidade 
empresarial precoce.
No momento de encerrar 
as atividades, como acontece 
em outras situações da vida, 
há que achar um culpado 
que, claro, nunca é o próprio 
empreendedor, sempre 
“outro”. Na maioria das 
vezes, a culpa do fracasso é 
do governo! Será então que 
não somos corresponsáveis 
pelo atual estado da indústria 
nacional?
Se essa maneira de pensar 
for verdadeira, como explicar 
o fato de que em quase todos 
os segmentos econômicos 
existem, no mínimo, três 
empresas nacionais de sucesso, 
independente das ciclotimias 
naturais do capitalismo? Como 
essas empresas conseguem 
perpetuar-se em cenários tão 
adversos como os relatados 
pela maioria dos empresários
brasileiros?
Jogam na zona cinzenta, para 
enfrentar, por exemplo, o poder 
da burocracia? Bem possível… 
Arriscam-se nas ginásticas fiscais 
e contábeis para fugir do fisco? 
Hipótese, evidentemente, cada 
vez menos provável, em razão 
da implacabilidade dos órgãos 
reguladores e gestores do 
setor. Então, em que se baseia 
a capacidade de superação 
permanente dessas organizações 
acostumadas a enfrentar 
cenários difíceis e desafios?
Uma análise criteriosa 
baseada na experiência 
revela que o principal fator de 
diferenciação dessas empresas 
de sucesso é o Trabalho do 
Conhecimento. Seus acionistas 
e CEOs, de modo consciente 
ou intuitivo, investem em 
conhecimento.
Isso ocorre de diferentes 
maneiras, em função dos 
recursos financeiros que cada 
um destina para esse fim. Quem 
não dispõe de recursos para 
a gestão do conhecimento, 
para a montagem de unidades 
de inteligência ou para a 
realização de onerosos 
estudos de mercado, viagens 
internacionais inspiradoras e 
outras iniciativas do gênero, 
recorre a eventos e congressos 
realizados por aqui, a muita 
leitura e até mesmo a pequenos 
estudos de mercado para ficar 
mais próximo das tendências 
de seu setor.
Investir no conhecimento, 
porém, não é tudo. Na 
verdade, essas “soluções” 
representam apenas um por 
cento do esforço para se 
manter na liderança. O restante 
tem a ver com a capacidade 
dessas organizações para 
transformar o conhecimento 
em prática inovadora. Além 
de contribuir para antecipar 
as oportunidades e riscos 
do mercado, a gestão do 
conhecimento precisa se 
transformar em vórtice da 
inovação. Essa é a sua missão 
crítica.
Inovação não só na área 
de produtos e serviços, 
processos internos, mas 
principalmente na forma como 
os colaboradores desenvolvem 
a interdependência entre as 
áreas para criar um ambiente 
propício ao avanço das 
práticas evolutivas. Somente 
assim será possível sair da 
mesmice, “do inferno
chinês” 
(que amanhã será vietnamita, 
indiano, tailandês etc.) e 
consequentemente da briga 
única e exclusiva por preço.
As empresas brasileiras 
precisam ser obstinadas com a 
inovação, com a ousadia, com a 
diferenciação de suas marcas. 
Devem gerir o tempo de tal 
28 - Revista BQ - Banas Qualidade
Gestão
forma que possam pensar na 
reformulação do “galinheiro” 
nos próximos cinco ou seis 
anos, em vez de ficar correndo 
atrás dos frangos soltos 15 
horas por dia.
A interação dos empresários 
com os governos também exige 
inovação e criatividade, para tentar 
vencer os principais obstáculos que 
o setor público coloca diariamente 
à atividade das empresas. Nesse 
sentido, vale tentar lembrar de 
atitudes diferenciadas que teriam 
sido tomadas pelas principais 
entidades que representam a 
indústria no país nos últimos 20 anos.
Alguém se arrisca a elencar 
cinco ações geniais? Ações que 
impactaram positivamente 
a agenda dos governantes? 
Alguém conhece o sonho da 
Fiesp, por exemplo, para 2025 
e sabe qual seria o seu projeto 
Brasil com base na perspectiva 
da evolução industrial de São 
Paulo? Até onde sabemos, 
na realidade, não existe nem 
uma referência que sirva de 
inspiração, já que o Brasil não 
possui um projeto para navegar 
no atual cenário mundial tão 
complexo e competitivo. Há 
mais coisas para qualificar 
do que sonha a nossa vã 
“filosofia”.
Um projeto para o Brasil 
não deve ser confundido 
com programas de governo 
apresentados pelos 
presidenciáveis a cada quatro 
anos e que depois ficam na 
gaveta. A questão é como 
criar uma identidade que 
diferencie o país no presente 
cenário de nações altamente 
competitivas. Algo que 
transcenda as ciclotimias 
naturais do capitalismo, que 
eleja quatro ou cinco áreas 
potenciais de desenvolvimento 
sustentável por 20 ou 30 anos, 
acima das demandas por 
incentivos ao consumo ou aos 
investimentos.
Um país ainda tão marcado 
pela pobreza como o Brasil tem 
que colocar foco nos fatores 
críticos para o sucesso das 
gerações futuras. E quais seriam 
esses pilares? Para estimular a 
inovação, seria necessário criar 
um centro de altos estudos 
que reunisse o maior número 
possível de profissionais 
práticos e teóricos, com o 
objetivo de facilitar a definição 
e a forma de implementação 
destes grandes diferenciais 
que tornarão possível uma 
mudança qualitativa do Brasil.
Se o país colocasse tempo, 
energia e recursos no Trabalho 
do Conhecimento, em dois 
anos, no máximo, conseguiria 
definir as grandes linhas 
mestras para acelerar seu 
desenvolvimento econômico, 
social e político. Cabeças 
brilhantes e pensantes não 
nos faltam. Na dúvida, o Brasil 
poderia até “copiar” a China, 
os Emirados Árabes, a Suécia 
ou outros países que já fizeram 
mudanças qualitativas. Isso já 
seria suficiente.
Dennis Giacometti é sócio 
presidente da Giacometti 
Comunicação e da Zhuo – 
Gestão, Inovação e Estratégia 
de Marca.
Edição n 286 - Maio de 2016 - 29
30 - Revista BQ - Banas Qualidade
O uso de Boas Práticas 
pelos Agentes de 
Cargas interessados na 
Certificação OEA
Neste artigo comentamos especificamente sobre o uso de boas práticas 
pelos Agentes de Cargas (ou Freight Forwarders) interessados ou já 
certificados como Operadores Econômicos Autorizados (OEA) conforme a 
Instrução Normativa RFB nº 1598 de dezembro de 2015.
Edição n 286 - Maio de 2016 - 31
Logística
Por Daniel Gobbi Costa
Inicialmente para estas empresas é necessário a realização de uma avaliação 
completa em suas práticas 
de Segurança, baseando-se 
em gerenciamento de riscos 
e medidas de Segurança 
apropriadas a sua característica 
de atuação. Em seguida deverá 
ser implementado e mantido 
critérios de segurança que 
garantam o processo de 
melhoria contínua das boas 
práticas utilizadas.
Ainda como parte 
introdutória, devemos 
reconhecer que um Agente 
de Carga normalmente 
não desempenha um papel 
significativo nos aspectos 
físicos do armazenamento, 
carregamento, transporte e 
distribuição de mercadorias, 
mas desempenha um papel 
muito importante no manuseio 
da informação, especialmente 
a que é transmitida entre os 
transportadores, as Aduanas 
e as outras partes da Cadeia 
Logística. Neste sentido - e 
antes de mais nada - o papel do 
Agente de Carga é também o 
de educar e motivar os outros 
membros da Cadeia Logística, 
para que estes participem 
de programas de Supply 
Chain Security, tais como 
o de Operador Econômico 
Autorizado (OEA).
Abaixo estão apresentados 
alguns critérios mínimos, que 
devem ser considerados pelas 
empresas de Agenciamento 
de Cargas para a obtenção e 
manutenção de seus controles 
internos:
1Parceiros Comerciais
O termo “Parceiros 
Comerciais” inclui todos os 
prestadores de serviço dentro 
da Cadeia Logística, os quais 
podem ser considerados os 
transportadores internacionais, 
nacionais e outras empresas 
conforme suas obrigações. As 
empresas de Agenciamento de 
Cargas deverão implementar 
procedimentos para o estudo 
de novos parceiros e para a 
manutenção dos atuais, com 
avaliações que vão além dos 
requisitos financeiros, e devem 
ser definidos indicadores 
de segurança. As empresas 
deverão cooperar para 
identificar quais informações 
específicas - sobre quais 
fatores, práticas ou riscos - são 
relevantes para os processos.
Cabe registrar que as 
empresas de agenciamento de 
cargas deverão assegurar que 
seus parceiros, por contrato, 
se comprometam a seguir as 
recomendações de Segurança 
internacional.
2Segurança dos processos
As empresas de 
agenciamento de cargas 
devem, juntamente com os 
importadores e exportadores, 
definir instruções para a 
segurança nos locais de 
carregamento, inspeção 
e lacração apropriada das 
embalagens e unidades de 
cargas (containers e baús), 
visando a manutenção da 
integridade dos processos.
Essas empresas deverão 
também solicitar aos seus 
parceiros comerciais que seja 
realizada uma inspeção no 
veículo e na unidade de carga 
(“inspeção de sete pontos”), 
antes dos mesmos serem 
carregados.
É fundamental o fechamento 
com lacre das unidades de 
Carga, para a manutenção da 
Segurança da Cadeia Logística. 
Estes lacres deverão obedecer 
(ou exceder) a norma ISO 17712 
para lacres de Alta Segurança.
3Controles de acesso físico
O controle de acesso físico 
deverá ser capaz de impedir a 
entrada, não acompanhada ou 
não autorizada, às instalações 
da empresa. É necessário que se 
mantenha o controle de acesso 
dos funcionários e visitantes, 
para proteção dos ativos da 
empresa. Os pontos de acesso 
deverão possuir controle de 
identificação positiva para 
todos no momento de entrada.
Os empregados e 
fornecedores de serviço 
somente devem ter acesso 
às áreas da empresa onde 
tenham necessidade legítima 
de trabalho.
Para os funcionários e 
visitantes a empresa deverá 
32 - Revista BQ - Banas Qualidade
implementar e manter 
procedimentos para a entrega, 
devolução e modificação 
dos dispositivos de acesso, 
tais como chaves, cartões de 
proximidade, etc.
Visitantes deverão 
apresentar uma identificação 
com foto no momento de 
ingressar nas instalações 
da empresa, deverão ser 
acompanhados todo o tempo 
e exibir em local visível sua 
identificação temporária.
4Recrutamento,Manutenção e 
Desligamento de pessoal
A empresa deverá 
implementar e manter 
processos para avaliar os 
candidatos com possibilidades 
de emprego, e realizar 
verificações periódicas dos 
empregados atuais.
Ao término do contrato de 
serviço, a empresa deverá 
providenciar a retirada da 
identificação do colaborador e 
eliminar a permissão de acesso 
às instalações e aos sistemas, 
para os funcionários que foram 
desligados da empresa.
5Confiabilidade da Informação
Medidas deverão ser 
implementadas para 
garantir que as informações 
transmitidas pelas empresas de 
agenciamento de cargas sejam 
coerentes e de ótima qualidade 
(sendo completas e claras), com 
o objetivo de que autoridades 
possam maximizar o uso de 
ferramentas de classificação 
para liberação
da mercadoria, 
ou para a designação de um 
exame físico. Os procedimentos 
serão definidos para assegurar 
que toda informação fornecida 
pelo importador, exportador, 
embarcador, etc., que seja utilizada 
para a liberação das mercadorias, 
esteja legível e protegida contra 
modificações, perda ou introdução 
de dados errados.
Em compliance com a 
Legislação Aduaneira, o Agente 
de Cargas deverá orientar que 
seu cliente (importador ou 
exportador) realize os reportes 
correspondentes e - quando 
for o caso - dos itens faltantes 
ou sobrantes ou das anomalias 
das quais tenha conhecimento.
6Segurança física das instalações
As instalações onde são 
realizados o manuseio e o 
arquivamento de documentos - 
assim como os possíveis locais 
usados para realizar a entrada 
ou saída de mercadorias 
internacional - deverão possuir 
barreiras físicas e elementos 
de identificação, para garantir 
contra o acesso não autorizado.
7Segurança da Informação (TI)
As empresas de 
agenciamento de cargas 
deverão implementar 
ferramentas para identificar 
o abuso dos sistemas de 
computação, e detectar o uso 
inapropriado e a manipulação 
indevida (ou mesmo alteração) 
das informações comerciais.
Deverão ser tomadas 
medidas para proteger a 
informação eletrônica, inclusive 
informando aos empregados 
sobre a necessidade de 
proteger suas senhas e o 
acesso aos computadores.
8Capacitação em Segurança e conscientização sobre 
ameaças
As empresas deverão 
implementar e manter um 
programa de conscientização 
para reconhecer e criar 
consciência sobre as ameaças em 
cada ponto da Cadeia Logística. 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 33
Logística
Os empregados deverão 
conhecer os procedimentos 
estabelecidos pela empresa para 
considerar uma situação e como 
denunciá-la.
Deverá ser oferecida 
capacitação específica para 
ajudar os empregados a manter 
a integridade da mercadoria, 
reconhecer conspirações 
internas e proteger os 
controles de acesso.
Concluímos este artigo 
afirmando que, os critérios 
mínimos aqui apresentados, 
estão sendo desenvolvidos 
especialmente com o 
objetivo de identificar 
grupos de empresas que 
possuam práticas seguras e 
efetivas, desenhadas para 
melhorar o desempenho da 
Cadeia Logística e mitigar 
a possibilidade de que esta 
possa ser contaminada 
por agentes ilícitos. As 
medidas de segurança de 
uma Cadeia Logística segura 
reduzem os riscos de roubo, 
perdas e contrabando de 
mercadorias e, quando não 
aplicadas, poderão facilitar 
a introdução de elementos 
perigosos no fluxo do 
processo.
Daniel Gobbi Costa: Graduado 
em Administração de Empresas 
e habilitação em Comércio 
Exterior, com especialização nas 
áreas de Logística, Qualidade e 
Gerenciamento de Projetos. Atua 
desde 2007 em atividades de 
Auditoria/Consultoria nas áreas 
Logística e de Comércio Exterior 
participando de projetos de 
implementação e manutenção de 
controles internos, agora como 
Sócio/Responsável nas empresas 
Alliance Consultoria e Treinamento 
Empresarial (www.allcompliance.
com.br) e Innova Consultoria 
Empresarial e Qualificação 
Executiva (www.innova-bpc.com.
br). dgobbi@allcompliance.com.br
Uma boa informação é a essência da percepção
da necessidade onde a expectativa foi atingida.
TRANSMISSÃO VIA INTERNET
TRADUÇÃO SIMULTÂNEA
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34 - Revista BQ - Banas Qualidade
A Qualidade 
no setor da 
construção 
civil
Edição n 286 - Maio de 2016 - 35
A indústria da construção civil é muito 
importante, qualquer que seja o parâmetro 
que se utilize: volume de inversão, capital 
circulante, número de pessoas empregadas, 
utilidades dos produtos, etc. Assim, 
sobre ela são depositados os anseios e as 
expectativas de um produto de qualidade 
para o consumidor e para os construtores. 
Buscar a qualidade tornou-se uma 
necessidade para os profissionais atuantes 
nos diversos setores da engenharia civil e 
arquitetura
36 - Revista BQ - Banas Qualidade
Normalmente, a produção na construção civil envolve o planejamento; 
o projeto; a aplicação de 
materiais fabricados e 
componentes fora do canteiro 
de obras e a de execução 
propriamente dita. Depois de 
terminada a obra segue-se a 
etapa de uso, que contempla as 
atividades de operação e a de 
manutenção.
Em consequência, o nível 
de satisfação do usuário e 
o desempenho do edifício 
dependem muito da qualidade 
das quatro primeiras etapas, 
em especial das etapas de 
planejamento e projeto, ou 
seja, a observância aos aspectos 
e níveis de qualidade de um 
projeto, pode ser determinante 
para obtenção de um excelente 
produto final. As falhas podem 
ter suas origens em qualquer 
uma das atividades inerentes 
ao processo chamado de 
construção civil, ou seja, a 
concepção, a execução e a 
utilização da obra.
Paralelamente a isto, pode-se 
também visualizar o problema 
como uma consequência de 
ações humanas, tais como a 
falta de capacitação técnica do 
pessoal envolvido no processo 
(tanto na etapa de concepção 
como nas de execução e de 
manutenção), utilização de 
materiais de baixa qualidade, 
de causas naturais ligadas ao 
envelhecimento dos materiais 
componentes das edificações 
e de ações externas, tais como 
choques, ataques químicos, 
físicos e biológicos relativos ao 
ambiente.
A publicação da NBR 15575 
representou tecnicamente as 
necessidades da sociedade 
brasileira no que se refere à 
aquisição de imóveis, levando 
em conta o estágio técnico 
e socioeconômico do Brasil. 
A norma também tem como 
característica estabelecer as 
responsabilidades de cada 
um dos responsáveis por 
uma edificação: construtores, 
incorporadores, projetistas, 
fabricantes de materiais, 
administradores condominiais 
e os próprios usuários.
Sendo uma norma de 
desempenho, estabelece os 
parâmetros técnicos para vários 
requisitos importantes de uma 
edificação, como desempenho 
acústico, desempenho térmico, 
durabilidade, garantia e vida útil, 
e determina um nível mínimo 
obrigatório para cada um 
deles. Seu maior diferencial é 
estabelecer como metodologia 
o conceito de desempenho 
da edificação, alinhado às 
tendências internacionais, em 
complemento às antigas normas 
prescritivas. A abordagem de 
desempenho está ligada ao 
comportamento que se espera 
de uma edificação quando em 
uso, dentro de determinadas 
condições, tendo como foco as 
necessidades de seus usuários ao 
longo do seu tempo de vida útil.
Essa norma, sob o título 
geral Edificações habitacionais 
– Desempenho, contém as 
seguintes partes: Parte 1: 
Requisitos gerais; Parte 2: 
Requisitos para os sistemas 
estruturais; Parte 3: Requisitos 
para os sistemas de pisos; 
Parte 4: Requisitos para os 
sistemas de vedações verticais 
internas e externas – SVVIE; 
Parte 5: Requisitos para os 
sistemas de coberturas; e Parte 
6: Requisitos para os sistemas 
hidrossanitários. Importante 
saber que as normas de 
desempenho são estabelecidas 
buscando atender aos 
requisitos dos usuários, que, 
no caso dessa norma, referem-
se aos sistemas que compõem 
edificações habitacionais, 
independentemente dos seus 
materiais constituintes e do 
sistema construtivo utilizado. 
Seu foco está nos requisitos 
dos usuários para o edifício 
habitacional e seus sistemas, 
quanto ao seu comportamento 
em uso e não na prescrição 
de como os sistemas são 
construídos.
A forma de estabelecimento 
do desempenho é comum e 
internacionalmente pensada 
por meio da definição de 
requisitos (qualitativos), 
critérios (quantitativos ou 
premissas) e métodos de 
avaliação, os quais permitem 
a mensuração clara do seu 
atendimento. As normas 
Por Hayrton Rodrigues do Prado Filho
Edição n 286 - Maio de 2016 - 37
prescritivas estabelecem os 
requisitos com base no uso 
consagrado de produtos ou 
procedimentos,
buscando o 
atendimento aos requisitos dos 
usuários de forma indireta. 
Por sua vez, as normas de 
desempenho traduzem os 
requisitos dos usuários em 
requisitos e critérios, e são 
consideradas complementares 
às normas prescritivas, sem 
substituí-las.
A utilização simultânea delas 
visa atender aos requisitos 
do usuário com soluções 
tecnicamente adequadas. No 
caso de conflito ou diferença 
de critérios ou métodos entre 
as normas requeridas e essa 
norma, deve-se atender aos 
critérios mais exigentes. A 
abordagem dessa norma 
explora os conceitos que muitas 
vezes não são considerados em 
normas prescritivas específicas, 
por exemplo, a durabilidade dos 
sistemas, a manutenibilidade 
da edificação e o conforto tátil e 
antropodinâmico dos usuários.
Todas as disposições 
contidas nessa norma aplicam-
se aos sistemas que compõem 
edificações habitacionais, 
projetados, construídos, 
operados e submetidos a 
intervenções de manutenção 
que atendam às instruções 
específicas do respectivo 
manual de uso, operação e 
manutenção. Os requisitos 
do usuário relativos à 
segurança são expressos pelos 
seguintes fatores: segurança 
estrutural; segurança contra 
fogo; segurança no uso e na 
operação.
Os requisitos do usuário 
relativos à habitabilidade são 
expressos pelos seguintes 
fatores: estanqueidade; 
desempenho térmico; 
desempenho acústico; 
desempenho lumínico; 
saúde, higiene e qualidade 
do ar; funcionalidade e 
acessibilidade; conforto 
tátil e antropodinâmico. Os 
requisitos do usuário relativos à 
sustentabilidade são expressos 
pelos seguintes fatores: 
durabilidade; manutenibilidade; 
impacto ambiental.
Além disso, a avaliação de 
desempenho busca analisar a 
adequação ao uso de um sistema 
ou de um processo construtivo 
destinado a atender a uma 
função, independentemente 
da solução técnica adotada. 
Para atingir esta finalidade, 
na avaliação do desempenho 
é realizada uma investigação 
sistemática baseada em 
métodos consistentes, 
capazes de produzir uma 
interpretação objetiva sobre o 
comportamento esperado do 
sistema nas condições de uso 
definidas. Em função disso, 
a avaliação do desempenho 
requer o domínio de uma 
ampla base de conhecimentos 
científicos sobre cada aspecto 
funcional de uma edificação, 
sobre materiais e técnicas de 
construção, bem como sobre 
os diferentes requisitos dos 
usuários nas mais diversas 
condições de uso.
Recomenda-se que os 
resultados desta investigação 
sistemática, que orientaram a 
realização do projeto, sejam 
documentados por meio de 
registro de imagens, memorial 
de cálculo, observações 
instrumentadas, catálogos 
técnicos dos produtos, registro 
de eventuais planos de 
CAPA
38 - Revista BQ - Banas Qualidade
expansão de serviços 
públicos ou outras formas, 
conforme conveniência.
Os requisitos de desempenho 
derivados de todos os requisitos 
dos usuários podem resultar 
em uma lista muito extensa; 
neste sentido é conveniente 
limitar o número de requisitos 
a serem considerados em um 
contexto de uso definido. 
Dessa forma, nas Seções 7 a 17 
são estabelecidos os requisitos 
e critérios que devem ser 
atendidos por edificações 
habitacionais.
Por exemplo, cabe ao 
fornecedor de sistemas 
caracterizar o desempenho 
de acordo com essa norma. 
Convém que fabricantes 
de produtos, sem normas 
brasileiras específicas 
ou que não tenham seus 
produtos com o desempenho 
caracterizado, forneçam 
resultados comprobatórios do 
desempenho de seus produtos 
com base nessa norma 
ou em normas específicas 
internacionais ou estrangeiras.
Ao contrário das normas 
tradicionais, que prescrevem 
características dos produtos 
com base na consagração do 
uso, as normas de desempenho 
definem as propriedades 
necessárias dos diferentes 
elementos da construção, 
independentemente do 
material constituinte. No 
primeiro caso, deve-se utilizar 
o produto em atendimento 
às suas características. No 
segundo, deve-se desenvolver 
e aplicar o produto para que 
atenda às necessidades da 
construção.
Para que se atinja e se 
mantenha o desempenho 
pretendido durante o prazo de 
vida útil de projeto, a norma 
estabelece incumbências para 
incorporadores, construtores, 
projetistas, usuários e outros. 
Suprime algumas indefinições 
que existiam, como, por 
exemplo, a responsabilidade 
sobre os levantamentos 
necessários em terrenos com 
passivo ambiental.
A NBR 15575 estabelece 
que, para edificações ou 
conjuntos habitacionais com 
local de implantação definido, 
os projetos devem ser 
desenvolvidos com base nas 
características geomorfológicas 
do local, avaliando-se 
convenientemente os riscos 
de deslizamentos, enchentes, 
erosões e outros.
Devem ainda ser considerados 
riscos de explosões oriundas 
do confinamento de gases 
resultantes de aterros 
sanitários, solos contaminados, 
proximidade de pedreiras 
e outros, tomando-se as 
providências necessárias para 
que não ocorram prejuízos à 
segurança e à funcionalidade 
da obra.
Os projetos devem ainda 
prever as interações com 
construções existentes nas 
proximidades, considerando-
se as eventuais sobreposições 
de bulbos de pressão, 
efeitos de grupo de estacas, 
rebaixamento do lençol freático 
e desconfinamento do solo em 
função do corte do terreno. Do 
ponto de vista da segurança e 
estabilidade ao longo da vida 
útil da estrutura, devem ser 
consideradas as condições 
de agressividade do solo, 
do ar e da água na época do 
projeto, prevendo-se, quando 
necessário, as proteções 
pertinentes à estrutura e suas 
partes. Além disso, o setor da 
construção possui, atualmente, 
645 NBRs/NMs indispensáveis; 
251 Regulamentos Técnicos; e 
54 Projetos de NBRs e NMs em 
discussão.
Reformas de edificações
É de extrema importância a 
conscientização de proprietários 
quanto à responsabilidade sobre 
obras nas edificações, pois, 
normalmente, nos regulamentos 
internos dos prédios, algumas 
providências importantes 
devem ser consideradas. Todas 
as reformas e construções 
realizadas por moradores que 
afetem a estrutura, vedações 
ou quaisquer instalações 
devem ser comprovadamente 
documentadas e comunicadas 
ao síndico do condomínio 
antes de seu início, contendo a 
descrição dos serviços a serem 
executados.
A NBR 16280 de 03/2014 
– Reforma em edificações – 
Sistema de gestão de reformas 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 39
– Requisitos estabelece os 
requisitos para os sistemas 
de gestão de controle de 
processos, projetos,execução 
e segurança, incluindo 
meios principalmente para: 
prevenções de perda de 
desempenho decorrente das 
ações de intervenção gerais 
ou pontuais nos sistemas, 
elementos ou componentes 
da edificação; planejamento, 
projetos e análises técnicas 
de implicações da reforma 
na edificação; alteração das 
características originais da 
edificação ou de suas funções; 
descrição das características da 
execução das obras de reforma; 
segurança da edificação, do 
entorno e de seus usuários; 
registro documental da 
situação da edificação, antes 
da reforma, dos procedimentos 
utilizados e do pós-obra 
de reforma; e supervisão 
técnica dos processos e das 
obras. Esta norma se aplica, 
exclusivamente, às reformas de 
edificações.
O tema “reforma de 
edificações” assume relevância 
na sociedade à medida que, 
com a existência de demanda, 
do crescimento das cidades e 
urbanização de novas regiões, 
passa a ser atividade a ser 
disciplinada na sua forma de 
gestão. O envelhecimento 
das obras construídas impõe 
determinados processos, por 
segurança, perda de função 
ou qualidade que devem ser 
conduzidas com base em 
requisitos bem definidos.
Mudanças econômicas e 
culturais trazem necessidades 
que podem levar a processos 
de alteração das construções. 
Contudo, estas transformações 
devem preservar a segurança 
das edificações, seus usuários e 
o entorno por ela impactados. 
Obviamente, em toda atividade 
existe a presença do elemento 
“risco” que, nas análises 
de gestão, deve ser tratado 
adequadamente.
As edificações cumprem 
funções de serviço definidas
em projeto. Contudo, ao longo 
do tempo de serviço, existirão 
necessidades de ajustes, 
adequações a novas demandas 
e até mesmo recuperação de 
suas propriedades técnicas. O 
valor agregado às edificações, 
seja econômico ou social, 
normalmente é evidenciado por 
características que sustentam 
as atividades humanas de forma 
estruturada, passando por 
gerações e fazendo história.
Os serviços de reforma devem 
atender a um plano formal 
de diretrizes, que contemple: 
a preservação dos sistemas 
de segurança existentes na 
edificação; a apresentação de 
toda e qualquer modificação 
que altere ou comprometa a 
segurança da edificação ou 
do seu entorno à análise da 
incorporadora/construtora e 
do projetista, dentro do prazo 
decadencial (legal) e, após esse 
prazo, um responsável técnico 
designado pelo responsável 
legal deve efetuar a análise; os 
meios que protejam os usuários 
das edificações de eventuais 
danos ou prejuízos decorrentes 
da execução dos serviços de 
reforma e sua vizinhança; 
a descrição dos processos 
de forma clara e objetiva, 
atendendo aos regulamentos 
exigíveis para a realização 
CAPA
40 - Revista BQ - Banas Qualidade
das obras e sua forma de 
comunicação; quando aplicável, 
o registro e a aprovação nos 
órgãos competentes e pelo 
condomínio, exigidos para 
sua execução; a definição dos 
responsáveis e suas atribuições 
em todas as fases do processo; 
a previsão de recursos para 
o planejamento da reforma: 
materiais, técnicos, financeiros 
e humanos, capazes de atender 
às interferências nos diferentes 
sistemas da edificação e prover 
informações e condições para 
prevenir ou mitigar os riscos; a 
garantia de que a reforma não 
prejudica a continuidade dos 
diferentes tipos de manutenção 
as edificações, após a obra.
O plano de reforma deve 
ser elaborado por profissional 
habilitado por apresentar 
a descrição de impactos 
nos sistemas, subsistemas, 
equipamentos e afins da 
edificação, e por encaminhar 
o plano ao responsável legal 
da edificação em comunicado 
formal para análise antes do 
início da obra de reforma. O 
plano deve atender às seguintes 
condições: o atendimento às 
legislações vigentes e normas 
técnicas pertinentes para 
realização das obras; o estudo 
que garanta a segurança da 
edificação e dos usuários, 
durante e após a execução 
da obra; a autorização para 
circulação, nas dependências 
da edificação, dos insumos e 
funcionários que realizarão as 
obras nos horários de trabalho 
permitidos; a apresentação de 
projetos, desenhos, memoriais 
descritivos e referências 
técnicas, quando aplicáveis; o 
escopo dos serviços a serem 
realizados; a identificação 
de atividades que propiciem 
a geração de ruídos, com 
previsão dos níveis de pressão 
sonora máxima durante a 
obra; a identificação de uso de 
materiais tóxicos, combustíveis 
e inflamáveis; a localização 
e implicações no entorno 
da reforma; o cronograma 
da reforma; os dados das 
empresas, profissionais e 
funcionários envolvidos 
na realização da reforma; 
a responsabilidade técnica 
pelo projeto, pela execução 
e pela supervisão das obras, 
quando aplicável, deve ser 
documentada de forma legal e 
apresentada para a nomeação 
do respectivo interveniente; 
o planejamento de descarte 
de resíduos, em atendimento 
à legislação vigente; o 
estabelecimento do local de 
armazenamento dos insumos a 
serem empregados e resíduos 
gerados; as implicações sobre 
o manual de uso, operação e 
manutenção das edificações, 
conforme a NBR 14037, e 
na gestão da manutenção, 
conforme a NBR 5674, quando 
aplicável.
Fluxo de gestão de obra de 
reformas de edificações
 
O plano de reforma deve 
ser elaborado por profissional 
habilitado por apresentar 
a descrição de impactos 
nos sistemas, subsistemas, 
equipamentos e afins da 
edificação, e por encaminhar 
o plano ao responsável legal 
da edificação em comunicado 
formal para análise antes do 
início da obra de reforma. O 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 41
plano deve atender às seguintes 
condições: atendimento às 
legislações vigentes e normas 
técnicas pertinentes para 
realização das obras; estudo 
que garanta a segurança da 
edificação e dos usuários, 
durante e após a execução 
da obra; autorização para 
circulação, nas dependências 
da edificação, dos insumos e 
funcionários que realizarão as 
obras nos horários de trabalho 
permitidos; apresentação de 
projetos, desenhos, memoriais 
descritivos e referências 
técnicas, quando aplicáveis; 
escopo dos serviços a serem 
realizados; identificação de 
atividades que propiciem 
a geração de ruídos, com 
previsão dos níveis de pressão 
sonora máxima durante a 
obra; identificação de uso de 
materiais tóxicos, combustíveis 
e inflamáveis; localização e 
implicações no entorno da 
reforma; cronograma da 
reforma; dados das empresas, 
profissionais e funcionários 
envolvidos na realização da 
reforma; a responsabilidade 
técnica pelo projeto, pela 
execução e pela supervisão 
das obras, quando aplicável, 
deve ser documentada de 
forma legal e apresentada para 
a nomeação do respectivo 
interveniente; planejamento 
de descarte de resíduos, em 
atendimento à legislação 
vigente; estabelecimento do 
local de armazenamento dos 
insumos a serem empregados e 
resíduos gerados; implicações 
sobre o manual de uso, 
operação e manutenção 
das edificações, conforme 
NBR 14037, e na gestão da 
manutenção, conforme a NBR 
5674, quando aplicável.
As adequações técnicas ou 
reformas em áreas privativas 
da edificação que afetem a 
estrutura, as vedações ou 
quaisquer sistemas da unidade 
ou da edificação devem 
atender aos requisitos do item 
5.1 e ser comprovadamente 
documentadas e comunicadas 
ao responsável legal da 
edificação antes de seu início.
Caso não seja autorizado pelo 
responsável legal, o trânsito nas 
áreas comuns do edifício dos 
insumos e funcionários, que atuarão 
na obra, deve ser apresentada 
justificativa técnica ou legal ao 
solicitante.
Estruturas de concreto
A maior parte dos defeitos 
verificados nas construções 
decorre de erros de projeto, 
sendo essencial que sejam 
direcionados maiores esforços 
no sentido de melhorar a 
qualidade dos projetos, em 
especial, o projeto estrutural, 
dada a sua significativa 
importância. Quem contrata 
projetos, muitas vezes, 
parte do enfoque custo ou 
preço, deixando a qualidade 
em segundo plano. Outras 
vezes, o fator condicionante 
é o prazo, que acaba sendo o 
objetivo primordial, resultando 
em sérios prejuízos para a 
eficiência das estruturas, pois 
impossibilita os projetistas de 
buscarem a melhor solução.
Uma das formas encontradas 
para conseguir a melhoria 
da qualidade dos projetos 
estruturais é através da 
implantação de um sistema de 
garantia da qualidade, atuando 
paralelamente ao 
CAPA
42 - Revista BQ - Banas Qualidade
desenvolvimento dos 
projetos, sempre cumprindo a 
norma técnica específica e suas 
correlatas. Na verdade, para ser 
eficiente, o sistema de garantia 
da qualidade deve atuar em 
todas as fases do processo 
construtivo − planejamento, 
projeto, produção de materiais 
e componentes, execução, 
utilização e manutenção.
Dessa forma, um projeto 
bem elaborado deve conferir 
segurança às estruturas e 
garantir um desempenho 
satisfatório em serviço, além 
de aparência aceitável. Assim, 
devem ser observadas as 
exigências com relação à 
capacidade resistente, bem 
como às condições em uso 
normal e, principalmente, às 
especificações referentes à 
durabilidade.
Muitas vezes, os 
requisitos de segurança são 
satisfatoriamente atendidos, 
ao passo que as exigências de 
bom desempenho em serviço 
e durabilidade são deixadas 
em segundo plano. Em relação 
à durabilidade, essa questão 
está intimamente relacionada 
à qualidade das estruturas, 
ressaltando-se a necessidade 
de adotar critérios apropriados 
ainda na fase de projeto, de 
modo a garantir, com grau 
apropriado de confiabilidade, 
que as estruturas apresentem 
desempenho satisfatório 
em serviço e resistam 
adequadamente aos agentes 
externos
sem mostrar sinais 
precoces de deterioração.
Percebe-se que há uma nítida 
relação entre os seguintes 
aspectos: agressividade 
ambiental, durabilidade e 
qualidade das estruturas.
O estudo da agressividade 
ambiental visa conhecer 
o comportamento das 
estruturas e dos seus materiais 
componentes (concreto e 
aço) em face dos ataques por 
agentes externos agressivos 
presentes no meio ambiente, de 
modo que possam ser tomadas 
as respectivas medidas 
preventivas de proteção, com 
o intuito de assegurar que 
as estruturas apresentem 
durabilidade. A garantia da 
durabilidade, por sua vez, 
contribui de forma considerável 
para garantir a qualidade das 
estruturas, visto que ambos os 
parâmetros estão intimamente 
relacionados.
Durante muito tempo, o 
concreto foi considerado 
um material extremamente 
durável, opinião esta baseada 
em obras muito antigas ainda 
em bom estado de conservação.
Entretanto, a deterioração 
relativamente precoce de 
estruturas recentes remete 
aos porquês das patologias do 
concreto, resultantes de uma 
somatória de fatores, dentre os 
quais, citam-se: erros de projeto 
e de execução, inadequação 
dos materiais, má utilização da 
obra, agressividade do meio 
ambiente, falta de manutenção 
e ineficiência ou ausência 
de controle da qualidade na 
construção civil.
A NBR 6118 de 04/2014 
– Projeto de estruturas de 
concreto – Procedimento 
estabelece os requisitos básicos 
exigíveis para o projeto de 
estruturas de concreto simples, 
armado e protendido, excluídas 
aquelas em que se empregam 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 43
concreto leve, pesado ou outros 
especiais. Para a elaboração 
desta norma, foi mantida a 
filosofia da edição anterior 
da NBR 6118 (historicamente 
conhecida como NB-1) e das 
NBR 7197, NBR 6119 e NB-49, 
de modo que a esta norma 
cabe definir os critérios gerais 
que regem o projeto das 
estruturas de concreto, sejam 
elas de edifícios, pontes, 
obras hidráulicas, portos ou 
aeroportos etc. Assim, ela deve 
ser complementada por outras 
normas que estabeleçam 
critérios para estruturas 
específicas.
Esta norma aplica-se às 
estruturas de concretos 
normais, identificados por 
massa específica seca maior do 
que 2 000 kg/m³, não excedendo 
2 800 kg/m³, do grupo I de 
resistência (C20 a C50) e do 
grupo II de resistência (C55 a 
C90), conforme classificação da 
NBR 8953. Entre os concretos 
especiais excluídos desta 
Norma estão o concreto massa 
e o concreto sem finos.
Ela estabelece os requisitos 
gerais a serem atendidos pelo 
projeto como um todo, bem 
como os requisitos específicos 
relativos a cada uma de suas 
etapas. Não inclui requisitos 
exigíveis para evitar os estados 
limites gerados por certos 
tipos de ação, como sismos, 
impactos, explosões e fogo. 
Para ações sísmicas, consultar 
a NBR 15421; para ações em 
situação de incêndio, consultar 
a NBR 15200.
No caso de estruturas 
especiais, como de elementos 
pré-moldados, pontes e 
viadutos, obras hidráulicas, 
arcos, silos, chaminés, torres, 
estruturas offshore, ou 
estruturas que utilizam técnicas 
construtivas não convencionais, 
como formas deslizantes, 
balanços sucessivos, 
lançamentos progressivos 
e concreto projetado, as 
condições desta norma ainda 
são aplicáveis, devendo, no 
entanto, ser complementadas 
e eventualmente ajustadas em 
pontos localizados por Normas 
Brasileiras específicas.
A simbologia adotada nesta 
norma, no que se refere às 
estruturas de concreto, é 
constituída por símbolos base 
(mesmo tamanho e no mesmo 
nível do texto corrente) 
e símbolos subscritos. Os 
símbolos base, utilizados com 
mais frequência nesta norma, 
encontram-se estabelecidos 
em 4.2 e os símbolos subscritos, 
em 4.3. A simbologia geral 
encontra-se estabelecida nesta 
seção e a simbologia mais 
específica de algumas partes 
desta norma é apresentada nas 
seções pertinentes, de forma 
a simplificar a compreensão 
e, portanto, a aplicação dos 
conceitos estabelecidos. As 
grandezas representadas 
pelos símbolos constantes 
desta norma devem sempre 
ser expressas em unidades do 
Sistema Internacional (SI).
As estruturas de concreto 
devem atender aos requisitos 
mínimos de qualidade 
classificados em 5.1.2, durante 
sua construção e serviço, 
e aos requisitos adicionais 
estabelecidos em conjunto 
entre o autor do projeto 
estrutural e o contratante. Os 
requisitos de qualidade de 
CAPA
44 - Revista BQ - Banas Qualidade
uma estrutura de concreto 
são classificados, para os 
efeitos desta norma, em três 
grupos distintos, relacionados 
em 5.1.2.1 a 5.1.2.3.
A capacidade resistente 
consiste basicamente na 
segurança à ruptura. O 
desempenho em serviço 
consiste na capacidade da 
estrutura manter-se em 
condições plenas de utilização 
durante sua vida útil, não 
podendo apresentar danos que 
comprometam em parte ou 
totalmente o uso para o qual 
foi projetada.
A durabilidade consiste na 
capacidade de a estrutura 
resistir às influências ambientais 
previstas e definidas em 
conjunto pelo autor do projeto 
estrutural e pelo contratante, 
no início dos trabalhos de 
elaboração do projeto. A solução 
estrutural adotada em projeto 
deve atender aos requisitos 
de qualidade estabelecidos 
nas normas técnicas, relativos 
à capacidade resistente, ao 
desempenho em serviço e à 
durabilidade da estrutura.
A qualidade da solução 
adotada deve ainda considerar 
as condições arquitetônicas, 
funcionais, construtivas (ver 
NBR 14931), estruturais e de 
integração com os demais 
projetos (elétrico, hidráulico, 
ar-condicionado e outros), 
explicitadas pelos responsáveis 
técnicos de cada especialidade, 
com a anuência do contratante.
Todas as condições impostas 
ao projeto, descritas em 
5.2.2.2 a 5.2.2.6, devem ser 
estabelecidas previamente 
e em comum acordo entre o 
autor do projeto estrutural e o 
contratante.
Para atender aos requisitos 
de qualidade impostos às 
estruturas de concreto, o 
projeto deve atender a todos 
os requisitos estabelecidos 
nesta norma e em outras 
complementares e específicas, 
conforme o caso. As exigências 
relativas à capacidade resistente 
e ao desempenho em serviço 
deixam de ser satisfeitas, 
quando são ultrapassados os 
respectivos estados limites (ver 
Seções 3 e 10).
As exigências de durabilidade 
deixam de ser atendidas 
quando não são observados os 
critérios de projeto definidos 
na Seção 7. Para tipos especiais 
de estruturas, devem ser 
atendidas as exigências 
particulares estabelecidas em 
normas brasileiras específicas.
Por fim, deve ser citada a NR 
18 – Condições e Meio Ambiente 
de Trabalho na Indústria da 
Construção que, em seu item 
18.3.1, diz que são obrigatórios 
a elaboração e o cumprimento 
de um Programa de Condições 
e Meio Ambiente de Trabalho 
na Indústria da Construção 
(PCMAT) nos estabelecimentos 
com 20 trabalhadores ou mais, 
contemplando os aspectos 
desta NR e outros dispositivos 
complementares de segurança.
Esse programa deve incluir 
os seguintes documentos: 
memorial sobre condições e 
meio ambiente de trabalho 
nas atividades e operações, 
levando-se em consideração 
riscos de acidentes e de doenças 
do trabalho e suas respectivas 
medidas preventivas; projeto 
de execução das proteções 
coletivas em conformidade 
com as etapas da execução 
da obra; especificação técnica 
das proteções coletivas e 
individuais a serem utilizadas; 
cronograma de implantação 
das medidas preventivas 
definidas no PCMAT; layout 
inicial do canteiro da obra, 
contemplando, inclusive, 
previsão do dimensionamento 
das áreas de vivência; 
e programa educativo 
contemplando a temática 
de prevenção de acidentes e 
doenças do trabalho, com sua 
carga horária.
Edição n 286 - Maio de 2016 - 45
CAPA
O item 18.3.2 da NR 18 
determina que o PCMAT deve 
ser elaborado e executado 
por profissional legalmente 
habilitado na área de 
segurança do trabalho. Para 
fins de aplicação da NR 18, 
o profissional legalmente 
habilitado é aquele que possui 
habilitação exigida pela lei. 
Desta forma, para elaborar o 
PCMAT, o profissional
deve ser 
um profissional dos Serviços 
Especializados em Engenharia 
de Segurança e em Medicina do 
Trabalho (SESMT).
E quem é o responsável pela 
implementação do PCMAT? O 
item 18.3.3 da NR 18 estabelece 
que a implementação do 
PCMAT nos estabelecimentos 
é de responsabilidade do 
empregador ou condomínio. O 
PCMAT é uma carta de intenções 
contendo as medidas que visem 
às condições ideais do meio 
ambiente do trabalho em uma 
obra, devendo ser amplamente 
analisado durante sua 
implantação e alterado quando 
conveniente e/ou necessário.
Estas alterações devem ser 
encaradas de forma natural, 
tendo em vista as mais variadas 
formas possíveis de situações 
que, durante a construção, 
tendem a ocorrer. Entre as 
possíveis alterações, estão as 
mudanças no cronograma, 
o surgimento de novas 
tecnologias e equipamentos, 
mudanças de projeto e 
alterações na relação mão de 
obra e equipamento.
Deve ser ressaltado que 
a NR 18 exige em vários de 
seus itens a obrigatoriedade 
do cumprimento das normas 
técnicas. Entre elas estão 
incluídas a NBR 5418 – 
Instalações elétricas em 
atmosferas explosivas; a 
NBR 7500 – Identificação 
para o transporte terrestre, 
manuseio, movimentação e 
armazenamento de produtos; 
a NBR 9518 – Equipamentos 
elétricos para atmosferas 
explosivas – requisitos gerais; a 
NBR 11725 – Conexões e roscas 
para válvulas de cilindros 
para gases comprimidos; a 
NBR 11900 – Extremidades 
de laços de cabo de aço; a 
NBR 12790 – Cilindro de aço 
especificado, sem costura, para 
armazenagem e transporte 
de gases a alta pressão; a NBR 
12791 – Cilindro de aço, sem 
costura, para armazenamento 
e transporte de gases a 
alta pressão; a NBR 13541 – 
Movimentação de carga – laço 
de cabo de aço – especificação; 
a NBR 13542 – Movimentação 
de carga – anel de carga; a 
NBR 13543 – Movimentação de 
carga – laços de cabo de aço 
– utilização e inspeção; a NBR 
13544 – Movimentação de carga 
– sapatilho para cabo de aço; e 
a NBR 13545 – Movimentação 
de carga – manilhas.
Devem ser tomados 
cuidados na contratação do 
profissional que elaborará o 
PCMAT. Em primeiro lugar, ele 
deve ser um profissional dos 
SESMT com experiência em 
construção, capaz de entender 
as especificidades daquela obra.
O PCMAT deve ser 
apresentado a todos os 
trabalhadores, demonstrando 
sua importância e, 
principalmente, sua função de 
estabelecer os procedimentos 
de segurança. Nenhum PCMAT 
terá sucesso na sua implantação 
se não for absorvido e 
compreendido por todos.
Os cuidados com a segurança 
serão lembrados e destacados 
em campanhas contínuas, na 
Semana Interna de Prevenção 
de Acidente de Trabalho (Sipat) 
e durante a implantação do 
PCMAT. A cada início de uma 
etapa de construção nova, 
ele deve ser destacado e 
relembrado.
A qualificação de um 
empregado é como a carteira 
de habilitação de um motorista, 
ou seja, um empregado 
somente pode desempenhar 
certas tarefas e serviços se for 
qualificado – com certificado 
que o comprove – assim como 
um motorista somente pode 
dirigir um veículo automotor se 
possuir carteira de motorista.
Enfim, a importância 
da qualidade no setor da 
construção civil é sentida por 
todos, pois as edificações 
e as obras de engenharia e 
arquitetura, sejam elas com 
as mais diversas funções e 
portes, estão obrigatoriamente 
presentes no cotidiano das 
pessoas. As casas, os edifícios, 
as escolas, as estações de 
ônibus ou metrô, as vias de 
acesso, os locais de trabalho, 
os locais de diversão (cinemas, 
teatros, parques), as barragens, 
as hidrelétricas geradoras de 
energia, enfim não se consegue 
imaginar a vida sem uma obra 
de engenharia.
46 - Revista BQ - Banas Qualidade
MASP
Problemas com fornecedores? 
MASP neles!
Claudemir Y. Oribe: mestre em 
administração de empresas PUC Minas/
Fundação Dom Cabral, sócio consultor 
da Qualypro, claudemir@qualypro.
com.br
Problemas são inevitáveis nas relações entre clientes e fornecedor. De fato, 
a ampliação da cadeia de 
suprimentos é um caminho para 
a redução de custos devido à 
especialização e ao ganho de 
escala. A terceirização veio para 
ficar. No entanto, esse fenômeno 
pode acarretar problemas que, 
invariavelmente, adentram nos 
processos e se manifestam nos 
produtos e serviços, deixando os 
clientes insatisfeitos. Quando isso 
ocorre, a primeira reação é culpar 
o fornecedor, exigir solução 
imediata e ressarcimento de 
todos os prejuízos. A coisa não é 
assim tão simples.
Os fornecedores têm todos os 
motivos do mundo para evitar 
qualquer responsabilidade. E 
não se trata apenas dos custos 
envolvidos. Trata-se de proteger 
sua marca para não macular sua 
reputação, o que seria muito 
pior em longo prazo. Além 
disso, o processo de aquisição 
e qualificação daquilo que é 
adquirido possui mais furos do 
que um queijo suíço. Pronto! Estão 
reunidos todos os ingredientes 
para um interminável jogo de 
empurra-empurra.
Quando um problema 
complexo e grave precisa ser 
resolvido, nem todos vão ajudar, 
ao contrário, alguns podem até 
tentar sabotar a tentativa. E nem 
é preciso ir muito longe para ver 
sinais disso: objeções, resistência, 
medo, inveja e disputas de poder 
podem ser encontradas na 
própria empresa. Assim, o ideal 
seria que o fornecedor participe 
dos processos de análise e 
solução dos problemas e, para 
neutralizar receios, é preciso 
estruturar um raciocínio que 
proporcione confiança e poder 
de convencimento, coisa que o 
MASP possui de sobra.
Em primeiro lugar é preciso 
abandonar a ideia de que alguém 
precisa ser culpado. A questão 
fundamental que precisa ser 
respondida é como o problema 
aconteceu: quais as causas e 
como elas atuaram para que o 
problema ocorresse. O fornecedor 
envolvido deve ser chamado 
a contribuir para elucidar os 
fatos, fornecendo informações 
que ajudem a compreender 
e comprovar a sequencia de 
eventos. Essa explicação causal 
só pode ser respondida por 
meio de dados comprobatórios, 
analisando aqueles colhidos 
das causas e do problema para 
determinar a correlação.
Opiniões divergem. Fatos e 
dados convergem. As opiniões 
servem apenas como ponto de 
partida e devem ser abandonadas 
á medida em que o projeto avança. 
Dessa forma, o convencimento 
da origem da causa raiz precisa 
ser, não apenas descoberta, mas 
resistir a todas as hipóteses de 
refutação. Ou seja, é preciso 
provar não apenas que a causa 
raiz é aquela, mas também que 
não é outra. 
Não há como cumprir essa 
condição sem analisar o problema 
em profundidade, com um olhar 
numa escala de ampliação que 
permita ver o invisível, ouvir o 
inaudível e sentir o que é insensível 
para descobrir causas imperceptíveis 
e que talvez nem ele mesmo tenha 
conhecimento.
Outra maneira de convencer 
fornecedores é por meio de 
experimentos controlados que 
provocam o problema quando 
a causa é inserida no sistema. O 
“ver para crer” funciona se uma 
simulação fiel da realidade funcionar 
exatamente como o problema real e 
diante dos próprios olhos.
Agindo dessa forma, acusações, 
falácias e atribuição de culpa, que 
só provocam atritos e perdas 
de tempo, cedem espaço para a 
confiança, o profissionalismo e 
a objetividade, que reforçam as 
relações de parceria e pavimentam 
os laços do futuro. Diante disso, 
resolver o problema parece ser 
o menor dos benefícios. Então, 
quando tiver um problema com 
fornecedores, MASP neles!
http://com.br/
Edição n 286 - Maio de 2016 - 47
48 - Revista BQ - Banas Qualidade
O aproveitamento de águas do 
banho e de máquinas de lavar
A procura por soluções voltadas ao melhor aproveitamento dos recursos 
hídricos, a fim de diminuir o impacto ambiental, cresceu no Brasil nos 
últimos dois anos em função da crise hídrica
Edição n 286 - Maio de 2016 - 49
Meio Ambiente
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) desenvolveu um 
manual para reutilização de 
águas cinza (denominação 
dada às águas usadas no banho 
e na lavagem de roupas). Essas 
águas podem ter diversos usos 
não potáveis, em função dos 
produtos adicionados durante
a sua utilização, e a publicação 
lista uma série de boas práticas 
para o manejo em ambiente 
doméstico.
“Para não colocar a saúde 
das pessoas em risco, o 
manual apresenta os cuidados 
recomendados ao seu uso a 
partir de soluções simples que 
não requerem construções, 
instalação de equipamentos 
especiais ou mesmo reformas 
residenciais”, explica Wolney 
Castilho Alves, pesquisador do 
IP e coordenador do manual.
Segundo o instituto, a 
procura por soluções voltadas 
ao melhor aproveitamento 
dos recursos hídricos, a fim de 
diminuir o impacto ambiental, 
cresceu no Brasil nos últimos 
dois anos em função da crise 
hídrica. A elevação no nível 
dos reservatórios por conta 
das chuvas do início do ano, no 
entanto, não deve ser encarada 
como uma oportunidade para 
abandonar ações sustentáveis 
de redução de consumo, como 
o aproveitamento de água de 
chuva, por exemplo, mas sempre 
tendo em conta os cuidados 
necessários ao seu uso.
Para a utilização correta das 
águas cinza, informa Wolney 
Castilho, o usuário deve 
observar a presença de sabão, 
amaciantes, corantes, resíduos 
de sujeiras e gordura que 
prejudiquem o uso pretendido, 
causando manchas em pisos, 
paredes e pintura de veículos.
O pesquisador recomenda 
ainda atenção na possibilidade 
de partículas presentes na água 
aderirem a superfícies como 
pisos porosos, e de restos de 
alvejantes (principalmente à 
base de cloro) causarem danos 
no caso de rega de plantas.
O volume de águas cinza 
a ser coletado dependerá 
dos tipos de uso e do espaço 
disponível na residência para 
armazenamento. A quantidade 
necessária para suprir os usos 
está diretamente ligada ao 
número de bacias sanitárias, 
às áreas de piso e paredes a 
serem limpas ou às áreas de 
irrigação. Para uma lavagem 
de oito quilos de roupas, por 
exemplo, o volume de água 
consumido fica em torno de 100 
litros, o que é suficiente para 16 
descargas de bacia sanitária; 
um banho de chuveiro elétrico 
com a duração de oito minutos 
pode consumir de 24 a 40 
litros de água, o bastante para 
quatro a seis descargas.
O volume de água a ser 
armazenado deve ser decidido 
pelo morador em função 
do espaço disponível na 
residência, dos recursos para 
a compra dos recipientes e da 
facilidade de transporte entre 
os cômodos. Os recipientes de 
armazenamento (bombonas 
e baldes) recomendados pelo 
manual são produtos comuns 
vendidos no mercado.
Antes de escolha dos 
recipientes, o usuário deve 
avaliar sua qualidade. Grande 
parte deles é fabricada em 
plástico, material que não é 
agredido pelas águas cinza; no 
caso de modelos metálicos, 
eles podem sofrer corrosão.
Um reservatório para 
armazenar águas cinza deve, 
caso seja grande, ter uma 
saída de fundo (torneira) para 
facilitar seu esvaziamento e 
limpeza, ser resistente ao peso 
da água (quando cheio) e a 
pequenas quedas e impactos 
e, talvez o mais importante 
atualmente, ser estanque, ou 
seja, não ter vazamentos e ser 
mantido sempre bem fechado.
Há também a necessidade 
de manter a água armazenada 
protegida do acesso de insetos.
“Boa parte dos focos de 
dengue são encontrados em 
recipientes para armazenar 
água nas residências; é preciso 
tomar uma série de cuidados a 
fim de evitar a proliferação dos 
mosquitos”, ressalta Luciano 
Zanella, pesquisador do IPT e 
um dos autores do manual.
As águas coletadas da etapa 
de lavagem de tecidos muito 
sujos podem ter coloração 
cinza escuro ou chumbo, e 
tendem a ficar cada vez mais 
escuras com o passar do 
tempo. Essas águas podem 
50 - Revista BQ - Banas Qualidade
Meio Ambiente
12 horas de armazenamento, 
aproximadamente; por outro 
lado, as águas do enxágue e 
de centrifugação das lavadoras 
podem ser armazenadas por 
mais tempo, situação que se 
repete com as águas da etapa 
de lavagem de roupas menos 
sujas e com as águas de banhos 
sem muitos resíduos.
As pesquisadoras do IPT 
Jordana Rodrigues de Castro 
e Rayana Santiago de Queiroz 
colaboraram no projeto com 
a execução de testes de 
laboratório para avaliar as 
técnicas simples que evitassem 
a exalação de odores nas águas 
armazenadas. Para eliminar ou 
diminuir cheiros desagradáveis, 
recomenda-se a mistura de 5 
mL de água sanitária para cada 
litro de água cinza armazenada 
no caso de águas de cor cinza 
escura, que estão muito 
carregadas de sujeiras.
Mesmo que as águas cinza 
tenham a aparência de água 
limpa, os pesquisadores 
alertam para uma série de usos 
não permitidos: não beber, 
não utilizar para tomar banho 
ou dar banho em animais 
domésticos, não molhar 
plantas comestíveis (exceto 
árvores frutíferas) e tampouco 
usar para a rega no caso de 
os produtos adicionados à 
lavagem de roupas terem cloro 
em sua fórmula.
Para acessar o manual, 
clique no link http://
w w w . i p t . b r / d o w n l o a d .
php?filename=1334-Manual_
p a r a _ a p r o v e i t a m e n t o _
emergencial_de_aguas_cinza_
do_banho_e_da_maquina_
de_lavar.pdf
O conceito de Startups, moda no empreendedorismo viralizada por todos 
os cantos, tem funcionado muito bem para 
pequenos negócios que não necessitam de 
grandes investimentos iniciais. Geralmente, 
apresentam custo operacional baixo e uma 
equipe modesta que, muitas vezes, é o 
próprio empreendedor que está no cargo-
chave do negócio. “Esses empreendimentos, 
em sua maioria, são baseados em um conceito 
de risco inicial para atender necessidades 
pontuais e desenvolve-se um produto 
minimamente viável, que vai melhorando 
através dos feedbacks que o mercado lhe 
proporciona”, explica Amauri Nóbrega, 
especialista em gestão estratégica.
Nóbrega acredita que a tecnologia pode ser 
utilizada como motor para alavancar o negócio, 
com o fim de prover sustentabilidade. “A 
tecnologia deve impulsionar o negócio e não 
ser o próprio negócio, pois ela é, atualmente, 
facilmente copiada e a sua vantagem 
competitiva pode evaporar com facilidade”.
Para o especialista em gestão estratégica, 
o sucesso em 100% dos casos tem como 
proposta básica simplificar a vida dos 
clientes e, nos casos mais inovadores, criar 
uma necessidade já com uma solução para 
a mesma. “Um exemplo disso é o iPod. É 
um tipo de produto que foi criado sem que 
tivéssemos a necessidade e hoje é algo que 
mudou o conceito de alguns mercados 
envolvidos”, ilustra Amauri Nóbrega.
Por fim, para se obter um negócio 
sustentável, ou seja, que não esgote seus 
próprios recursos e consiga se manter firme 
no mercado, Nóbrega recomenda a procura 
de uma oportunidade em um mercado que 
tenha um potencial de crescimento rápido e 
configure uma excelente proposta de valor 
com uma estratégia formatada. “Contrate as 
pessoas certas capazes de tirar a estratégia 
do papel, busque uma solução que supere os 
concorrentes e utilize sempre a tecnologia 
para potencializar ou simplificar”, aconselha o 
especialista. Segundo o consultor, é possível 
dar o start inicial seguindo esses passos, no 
entanto, posteriormente, é recomendável 
que se encontre um parceiro que some 
recursos ao negócio.
Quais os caminhos para ter um negócio sustentável ?
Edição n 286 - Maio de 2016 - 51
Pelo Mundo
Jeannette Galbinski: Doutora em Engenharia de Produção pela Escola 
Politécnica da Universidade de São Paulo. Master of Science em Qualidade 
e Confiabilidade pelo Technion Institute of Technology. Graduada em 
Estatística pela USP, com especialização em Administração Industrial 
pela FundaçãoVanzolini. Master Black Belt e consultora internacional 
especialista na implementação de Ferramentas e Sistemas da Qualidade e 
projetos de Seis Sigma. 
Norma ISO 14004:2016 
publicada
 
A Norma ISO 14004:2016 - Sistemas 
de Gestão Ambiental - Diretrizes 
gerais sobre a implementação, 
foi publicada recentemente. Ela 
ajuda as organizações a tirarem o 
máximo proveito do seu sistema 
de gestão ambiental e fornece 
apoio às organizações para a 
implementação de um SGA. É 
projetada para complementar a 
ISO 14001. http://www.iso.org/iso/
home/news_index/news_archive/
news.htm?refid=Ref2052
Aprovado DIS da ISO 
45001
– Saúde e Segurança 
Ocupacional
 
Foi aprovada a DIS da ISO 
45001. Ela foi projetada para 
ajudar as organizações de todos 
os tamanhos e indústrias a 
reduzir acidentes de trabalho 
e doenças em todo o mundo. 
Ela é baseada nos elementos 
comuns encontrados em todas 
as normas de sistemas de gestão 
ISO, garantindo um nível de 
compatibilidade com as novas 
versões da ISO 9001 e ISO 14001. 
Agora a ISO 45001 está em fase 
de votação. Se o resultado for 
positivo, é estimado que a norma 
seja publicada até o início de 2017.
http://www.iso.org/iso/home/
news_index/news_archive/news.
htm?refid=Ref2012
Ranking de Reclamações 2015
 
O Procon-SP divulgou os setores 
mais reclamados e o índice de 
soluções das empresas. São 50 
empresas que mais geraram 
reclamações no ano de 2015. 
No total, foram 1.050.352 
atendimentos, sendo 60.949 
reclamações, 46% no Procon-SP 
e 64% nos Procons municipais no 
interior, litoral e grande São Paulo. 
O segmento de Telecomunicações 
é o líder do ranking desde 2012. A 
Empresa Claro / Net / Embratel é 
a primeira do ranking, com 5.883 
reclamações. Em segundo lugar 
está o Grupo Vivo / Telefônica, 
com 3.901 reclamações, seguido 
da Sky com 2.731. Em quarto lugar 
está a Tim, com 2.351, e o quinto 
o Grupo Pão de Açúcar 2.349. O 
Grupo Unimed subiu do 42º lugar 
para o 8º, devido a problemas 
na gestão da carteira da Unimed 
Paulistana que deixou de atender 
seus clientes, subindo de 223 
reclamações em 2014 para 1.497. 
http://www.procon.sp.gov.br/pdf/
ranking_2015.pdf
Revisão ISO 22000 – Gestão da 
Segurança Alimentar
A ISO 22000 está sendo revisada pra 
garantir que permaneça relevante 
para os dias de hoje. O objetivo 
do grupo de revisão é esclarecer e 
comunicar conceitos fundamentais 
nos termos mais simples a fim 
de produzir um padrão que seja 
compreensível e fácil de implantar 
nas empresas. A Norma está 
em estágio de Draft. A reunião 
de comentários com parceiros 
internacionais deverá ser realizada 
em junho em Copenhague, 
Dinamarca. Vamos acompanhar.
ISO 37001 - Norma anti-suborno 
 
Um novo padrão ISO no 
desenvolvimento de combate a 
corrupção está em fase final.
A Implementação da ISO 37001 
irá fornecer garantias entre os 
investidores e outras partes 
interessadas que a organização 
dispõe de um sistema eficaz para 
gerir o risco de suborno. A versão 
final da norma ISO 37001 está 
prevista para ser publicada ainda 
este ano. http://www.iso.org/iso/
news.htm?refid=Ref2069
http://www.iso.org/iso/
http://www.iso.org/iso/home/
http://www.procon.sp.gov.br/pdf/
http://www.iso.org/iso/
52 - Revista BQ - Banas Qualidade
A sinergia 
entre as 
ferramentas 
do Lean 
Six Sigma
Edição n 286 - Maio de 2016 - 53
O presente artigo demonstra como poderemos observar a sinergia do 
uso de ferramentas estatísticas para análise do comportamento de um 
processo
Por Marcelo Rivas Fernandes
CENÁRIO 1: 
O gráfico abaixo apresenta o tempo de cada operador para produzir uma determinada peça 
com as mesmas características: O que poderíamos interpretar? 
Se considerarmos a especificação para os tempos de produção da peça entre 9 e 11 minutos 
teremos os seguintes indicadores de capacidade do processo: 
Estatística
54 - Revista BQ - Banas Qualidade
Os valores de 
performance global 
(overall) Ppk=0,30 são 
os mesmos que os 
valores da capacidade 
individual (within) 
Cpk=0,30. Isso ocorre 
porquê não há distinção 
entre a forma de operar 
o processo pelos 
operadores. Poderemos 
dizer no conceito da 
Teoria das Restrições 
que a soma do Ótimo 
Local não sobrepõe o 
Ótimo Global.
Continuando o estudo dos dados para o teste de igualdade de variância considerando um risco 
alfa de 5% teremos:
Op3
Op2
Op1
1,751,501,251,000,750,50
Op
er
ad
or
es
95% Bonferroni Confidence Intervals for StDevs
Test Statistic 3,76
P-Value 0,152
Test Statistic 1,04
P-Value 0,360
Bartlett's Test
Levene's Test
Test for Equal Variances for Tempo
By Rivas
 Na tomada de decisão 
do teste de hipótese 
de Igualdade de 
Variância assumiremos 
a hipótese nula:
H0: p > alfa: Não 
há uma diferença 
significativa na 
variação do tempo dos 
operadores.
(IQ1=1,11, IQ2=1,16 e 
IQ3=1,10)
Edição n 286 - Maio de 2016 - 55
Podemos ainda observar que não há uma diferença significativa no tempo médio de produção da 
peça por cada operador:
O teste da ANOVA 
apresenta um 
valor de p (0,910) 
significativamente 
maior do que alfa 
(0,05) comprovando 
o baixo deslocamento 
das médias e 
neutralizando a 
variação Sinal (dentro) 
x Ruído (entre) os 
subgrupos. Na tomada 
de decisão do teste de 
hipótese assumiremos 
então a hipótese nula: 
H0: p > alfa: Não há 
uma diferença significativa na média do tempo dos operadores: 
(M1=9,87, M2=9,75 e M3=9,80)
554943373125191371
12
10
8
Observation
In
di
vi
du
al
 V
al
ue
_
X=9,809
UCL=12,627
LCL=6,992
554943373125191371
4
2
0
Observation
M
ov
in
g 
R
an
ge
__
MR=1,059
UCL=3,461
LCL=0
1
1
I-MR Chart of Tempo
By Rivas
 Analisando o controle 
estatístico dos dados 
deste processo 
verificamos que o 
mesmo encontra-
se com poucos 
pontos afetados pela 
amplitude móvel 
e com os dados 
individuais estáveis.
Conclusão: Observamos que no cenário 1 o processo não possui uma 
diferenciação entre a forma de trabalhar pelos três operadores, pois a média e a variação dos 
tempos de operação são similares.
Estatística
56 - Revista BQ - Banas Qualidade
CENÁRIO 2: 
O gráfico abaixo apresenta o tempo de cada operador para produzir uma determinada peça com 
as mesmas características: O que poderíamos interpretar?
Interpretação: Cada 
operador possui uma 
variabilidade (IQ1=1,26, 
IQ2=4,97 e IQ3=10,34) 
e um tempo médio 
(M1=9,94, M2=11,10 
e M3=12,10). Neste 
exemplo podemos 
observar claramente 
um padrão de operação 
que possui médias 
e s t a t i s t i c a m e n t e 
similares. Entretanto 
a repetitividade da 
operação por cada 
operador está gerando 
variação em seus 
tempos individuais. 
Analisando a igualdade de variância do nosso novo exemplo temos o seguinte resultado:
Op3
Op2
Op1
9876543210
Op
er
ad
or
es
95% Bonferroni Confidence Intervals for StDevs
Test Statistic 45,65
P-Value 0,000
Test Statistic 9,71
P-Value 0,000
Bartlett's Test
Levene's Test
Test for Equal Variances for Tempo 3
By Rivas
 O exemplo demonstra 
uma variação existente 
no tempo de cada 
operador sinalizando 
a falta de igualdade de 
variância no processo. 
Na tomada de decisão 
do teste de hipótese 
assumiremos a hipótese 
alternativa sendo:
Ha: p < alfa: Há uma 
diferença significativa 
na variação do tempo 
dos operadores. 
(IQ1=1,26, IQ2=4,97 e 
IQ3=10,34)
Op3Op2Op1
20
15
10
5
Operadores
Te
m
po
 3
Boxplot of Tempo 3
By Rivas
 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 57
Podemos ainda observar que não há uma diferença significativa no tempo médio de produção 
da peça por cada operador:
O teste da ANOVA 
apresenta um 
valor de p (0,910) 
s i g n i f i c a t i v a m e n t e 
maior do que alfa (0,05) 
comprovando o baixo 
deslocamento das 
médias e neutralizando 
a variação Sinal (dentro) 
x Ruído (entre) os 
subgrupos. Na tomada 
de decisão do teste de 
hipótese assumiremos 
então a hipótese nula: 
H0: p > alfa: Não há uma diferença significativa na média do tempo dos operadores: 
(M1=9,87, M2=9,75 e M3=9,80)
554943373125191371
20
10
0
Observation
In
di
vi
du
al
 V
al
ue
_
X=11,05
UCL=22,11
LCL=-0,01
554943373125191371
15
10
5
0
Observation
M
ov
in
g 
Ra
ng
e
__
MR=4,16
UCL=13,59
LCL=0
6
5
7
7
7
7
7
7
7
7
77
7
7222
1
2
22
22
222
2
22
22
2222
I-MR Chart of Tempo 3
By Rivas
 
Analisando o controle 
estatístico do processo 
verificamos que o 
mesmo encontra-se com 
diversos pontos que 
sinalizam uma tendência 
caracterizada pela 
variação de diferentes 
tempos de trabalho de 
cada operador.
Conclusão: Observamos que no cenário 2 o processo possui tempos médios similares, porém 
com uma variação significativa por cada operador requerendo, neste caso uma necessidade de 
treinamento.
Estatística
58 - Revista BQ - Banas Qualidade
CENÁRIO 3: 
O gráfico abaixo apresenta o tempo de cada operador para produzir uma determinada peça 
com as mesmas características: O que poderíamos interpretar?
Op3Op2Op1
35
30
25
20
15
10
Operadores
Te
m
po
 2
Boxplot of Tempo 2
By Rivas
 Cada operador possui uma 
variabilidade (IQ1=1,40, 
IQ2=2,57 e IQ3=1,40) 
e um tempo médio 
(M1=9,72, M2=19,67 e 
M3=30,12). Neste cenário 
observamos que existe 
uma alta repetitividade 
da operação exercida 
por cada operador. 
Entretanto, há uma 
diferença significativa 
nos tempos médios de 
produção caracterizada 
por uma falta de padrão 
único.
Analisando a igualdade de variância do nosso novo exemplo temos o seguinte resultado:
Op3
Op2
Op1
2,001,751,501,251,000,750,50
Op
er
ad
or
es
95% Bonferroni Confidence Intervals for StDevs
Test Statistic 3,21
P-Value 0,200
Test Statistic 3,49
P-Value 0,037
Bartlett's Test
Levene's Test
Test for Equal Variances for Tempo 2
By Rivas
 
Observe que não existe 
diferença na variação 
dos tempos dos 
operadores perfazendo 
a igualdade de variância 
do processo. Na tomada 
de decisão do teste de 
hipótese assumimos a 
hipótese nula sendo:
H0: p > alfa: Não 
existe uma diferença 
significativa na 
variação do tempo dos 
operadores
(IQ1=1,40, IQ2=2,57 e 
IQ3=1,40)
Edição n 286 - Maio de 2016 - 59
Vamos analisar a ANOVA:
O b s e r v e , 
entretanto, que o 
teste da ANOVA 
apresenta um valor 
de p (0,000) menor 
do que alfa (0,05) 
c o m p r o v a n d o 
o acentuado 
deslocamento das 
médias e afetando 
o Ruído (entre) os 
subgrupos. Logo, 
na formulação do 
teste de hipótese 
assumiríamos 
a hipótese alternativa 
sendo: Ha: p<alfa: há diferença significativa na média do tempo dos operadores: 
554943373125191371
30
20
10
Observation
In
di
vi
du
al
 V
al
ue
_
X=19,84
UCL=23,89
LCL=15,79
554943373125191371
12
8
4
0
Observation
M
ov
in
g 
R
an
ge
__
MR=1,52
UCL=4,98
LCL=0
1
1
1111
11111
11
1
111
111
6
1111
111
111111
1111
1
11
2
22
11
2
I-MR Chart of Tempo 2
By Rivas
 
Analisando o controle 
estatístico do 
processo verificamos 
também que o 
mesmo encontra-
se com diversos 
pontos que sinalizam 
uma tendência 
caracterizada pelas 
médias dos diferentes 
tempos de trabalho 
dos operadores.
Conclusão: Observamos que no cenário 3 o processo possui uma diferença significativa na média 
do tempo de cada operador, porém com variações similares requerendo uma necessidade de 
padronização.
Estatística
60 - Revista BQ - Banas Qualidade
RESUMO:
Com relação à sinergia entre as metodologias 
Lean, Six Sigma e Teoria das Restrições 
deveremos estar atentos às melhorias que nos 
propomos a desenvolver. Observe, na cadeia 
de valor, se existe alguma etapa do processo 
a qual está sobrecarregada pela demanda 
entregue pelas etapas anteriores. Neste caso 
estaremos tratanto de um gargalo e em nada 
irá adiantar se as melhorias forem empregadas 
para: 
a) aumentar a demanda em etapas 
anteriores, sem antes ter corrigido “o gargalo”.
b) Aumentar o tempo de disponibilidade 
em etapas posteriores e gerando ociosidade 
sem antes ter corrigido “o gargalo”.
Enfim, devemos observar que todas as 
metodologias existentes se complementam 
com as suas características e peculiaridades na 
busca da melhoria dos processos. Quando elas 
trabalham em um contexto único de análise 
proporcionam benefícios maiores do que 
utilizadas isoladamente.
Marcelo Rivas Fernandes é master black belt 
formado pela Lean Six Sigma Academy, diretor 
e consultor da Six Sigma Solutions, instrutor de 
treinamentos da metodologia Lean Six Sigma, 
professor de Teoria das Restrições e Método 
da Corrente Crítica em Projetos (CCPM) do 
Curso de MBA em Gestão de Projetos, professor 
do curso de MBA em Lean Manufacturing no 
Senai CIMATEC, palestrante do Congresso 
Internacional Six Sigma Brasil, Opex Brasil, e 
Six Sigma Summit. Para maiores informações 
acesse o site: www.sixsigmasolutions.com.br ou 
então o perfil do linkedin: https://www.linkedin.
com/in/acessarperfilmarcelorivas
 SINAL = 
RUÍDO
H0:p >  (PARA ANOVA e IGUALDADE 
DE VARIÂNCIA)
= 
(subgrupos iguais)
 SINAL < 
RUÍDO
H0:p > ANOVA) ; Ha:p < 
IGUALDADE DE VARIÂNCIA)
≠ 
(treinar operadores)
 SINAL > 
RUÍDO
Ha:p < ANOVA); H0: p > 
IGUALDADE DE VARIÂNCIA)
≠= 
(padronizar processo)
Estatística
http://www.sixsigmasolutions.com.br/
https://www.linkedin/
Edição n 286 - Maio de 2016 - 61
Softwares 
de Gestão 
e Qualidade 
do mercado
2016
62 - Revista BQ - Banas Qualidade
Pesquisando a 
salmonella em 
águas tratadas
Edição n 286 - Maio de 2016 - 63
Metodologia
As doenças de veiculação hídrica são causadas principalmente por 
microrganismos patogênicos de origem entérica. A presença de 
microrganismos entéricos patogênicos, como a Salmonella, em água é 
um risco potencial para a saúde. Apesar da pesquisa de Salmonella spp 
não ser utilizada como indicador pelas legislações vigentes para controle 
de qualidade da água, sua avaliação se torna importante para estudos 
epidemiológicos devido ao grande número de sorotipos existentes A procura 
por soluções voltadas ao melhor aproveitamento dos recursos hídricos, a fim 
de diminuir o impacto ambiental, cresceu no Brasil nos últimos dois anos em 
função da crise hídrica
Por Leticia de Alencar Pereira Rodrigues, Rita de Cássia Esteves Ataide, Maria Marlene dos Santos 
Cardoso e Ione Pinheiro dos Santos
A água pode ser contaminada no ponto de origem, durante a sua 
distribuição e, principalmente, 
nos reservatórios particulares, 
sejam eles de empresas ou 
domiciliares [1]. Dados revelam 
que milhões de pessoas, 
principalmente crianças, 
morrem anualmente por 
doenças relacionadas à água 
no mundo todo.
No entanto, o acesso à água 
limpa é um direito humano 
básico. No Brasil, o custo gerado 
para o tratamento de doenças 
transmitidas ou causadas por 
águas contaminadas, segundo 
o Ministério da Saúde, é 
equivalente a US$ 2,7 bilhões 
por ano [2].
Salmonella é um grupo 
bacteriano que pode causar 
gastrenterites, sendo 
encontrada, em geral em 
alimentos de origem animal, 
como carnes, ovos, leite, 
água entre outros. Existem 
atualmente mais de 2.400 
sorotipos de salmonela dos 
quais mais da metade pertence 
à subespécie entérica. A 
bactéria é frequentemente 
encontrada no trato intestinal 
de animais, domésticos e 
selvagens, sendo muito comum 
em frangos e ovos [3]. 
A Salmonella spp é de 
fundamental importância 
em saúde pública pelo fato 
de algumas cepas serem 
patogênicas ao ser humano 
e de representar um dos 
parâmetros de determinação 
dos padrões microbiológicos 
de reconhecimento mundial 
para alimentos [4]. No Brasil, 
dados epidemiológicos da 
Anvisa sobre surtos ocorridos 
entre os anos de 1999 a 2008, 
relataram 6.062 surtos de 
DTAs, provocando 117.330 
doentes com 64 óbitos, sendo 
que na maior parte dos surtos, 
a bactéria responsável foi 
Salmonella spp [5].
Apesar da pesquisa de 
Salmonella spp. não ser 
utilizada como indicador 
pelas legislações vigentes 
para controle de qualidade da 
água, sua avaliação se torna 
importante para estudos 
epidemiológicos devido ao 
grande número de sorotipos 
existentes. 
A detecção de Salmonella sp 
é uma técnica laboratorial 
que pode levar até 7 dias 
quando a análise é realizada 
pela metodologia tradicional, 
sendo necessários quatro dias 
para obtenção de resultado 
negativo confirmatório neste 
método [6]. 
64 - Revista BQ - Banas Qualidade
Para o controle das 
contaminações por Salmonella 
spp. se faz necessário um 
diagnóstico rápido e preciso. 
Atualmente o método mais 
utilizado é o microbiológico 
convencional, sendo uma 
técnica demorada e trabalhosa, 
sendo necessário mais de 
cinco dias para a emissão de 
um resultado, dificultando 
o monitoramento da 
contaminação bacteriológica na 
cadeia produtiva do alimento, e 
ainda desfavorecendo a adoção 
de medidas emergenciais para 
conter a liberação de lotes
que 
possam estar contaminados.
A necessidade de métodos 
rápidos e menos laboriosos 
de detecção tem levado a 
avanços significativos no 
desenvolvimento de pesquisa 
nesta área. [7] 
A importância e precisão 
da utilização de ensaios 
imunológicos para fins 
de diagnóstico estão na 
diversidade de anticorpos 
formados para um mesmo 
antígeno e que podem ser 
escolhidos, no caso dos 
anticorpos monoclonais. Esta 
diferenciação ocorre devido aos 
vários tipos de imunoglobulinas 
formadas [8]. O primeiro 
imunoensaio para Salmonella 
sp foi realizado em 1977 e, desde 
então, vários ELISA têm sido 
desenvolvidos, usando-se tanto 
anticorpos policlonais como 
monoclonais para detectar 
a maioria dos sorovares 
de Salmonella sp. Com o 
desenvolvimento da tecnologia 
de produção de anticorpos 
monoclonais, trabalhos 
utilizando essa metodologia 
surgiram mostrando uma maior 
sensibilidade na detecção 
deste microrganismo. Nove 
anticorpos monoclonais 
capazes de detectar Salmonella 
sp viva em alimentos foram 
produzidos posteriormente 
[9]. Não houve significância nas 
reações cruzadas com outras 
bactérias. 
Dois “kits” comerciais 
receberam o “status” de 
oficiais pela AOAC (Association 
of Official Analytical Chemists), 
desde 1989. Em comparação 
com o método convencional, 
o tempo total é reduzido em 
2 dias e a análise estatística 
dos dados não tem indicado 
diferenças significativas [10]. 
Porém, o principal problema 
relatado por todos os métodos, 
que não o convencional, é o 
aparecimento de resultados 
falso-positivos e/ ou falso-
negativos [11]. De acordo 
com os mesmos autores, 
resultados falso-negativos 
no teste ELISA podem ser 
eliminados utilizando-se um 
anticorpo monoclonal de alta 
especificidade [9]. 
Este estudo teve por objetivo 
comparar dois métodos 
analíticos modificados, o 
método oficial estabelecido 
pelo Standard Methods for 
the Examination of Water and, 
2012, 22° edição (SMEWW) 
e o método rápido com 
sistema de análise qualitativa 
imunoenzimática automatizada 
(VIDAS® Salmonella) - AOAC 
2011.03. 
As análises foram realizadas 
no Laboratório de Microbiologia 
do Senai Lauro de Freitas. A 
coleta da água para pesquisa foi 
da torneira com frasco estéril e 
preservado. A análise realizada 
de Salmonella sp foi avaliada 
em 100mL de amostra filtrada, 
em filtro estéril de nitrato de 
celulose de 0,45 μm. 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 65
Metodologia
Foram coletados 15 amostras 
com 200mL de água da torneira 
com preservante tiossulfato 
de sódio. Sendo que para 
cada série de 5 frascos foram 
utilizados números de células 
em diluições diferentes (10-8; 
10-9; 10-10) para a fortificação 
da amostra. Na fortificação foi 
utilizada a fase estacionária 
de Salmonella Abaetetuba 
ATCC 35640 em 3 níveis 
diferentes de concentrações 
do microrganismo na sua fase 
estacionária (1 UFC/mL; 9 UFC/
mL e 85 UFC/mL). 
Cada série foi filtrada duas 
vezes, onde 5 membranas 
foram colocadas em 5 caldos 
SX2 e as outras 5 foram divididas 
para colocar cada metade em 
Caldo Selenito-Cistina e Caldo 
Rappaport. No enriquecimento 
as amostras foram incubadas a 
temperatura de 42 ± 1ºC pelos 
seguintes períodos 24 e 48 h. 
Em seguida foram seguidas as 
etapas dos métodos tradicional 
e VIDAS. Após incubação, 
transferiu-se 0,5 mL do tubo de 
caldo SX2 para a barrete do kit 
VIDAS SLM. As barretes foram 
aquecidas no bloco VIDAS 
HEAT & GO, a 131 ± 0,5°C por 
15 ± 1 min, para inativação do 
antígeno e logo após resfriadas 
a temperatura ambiente. Em 
seguidas foram introduzidas no 
suporte analítico das barretes 
do equipamento e os cones 
do kit (fase sólida) inseridos 
no bloco de cones, para início 
os ensaios pelo VIDAS com 
duração de 48 minutos. 
Após o período de incubação, 
os tubos com caldo SX2, 
foram estriados na superfície 
de placas de ágar Rambach, 
MLCB, XLD e ChromID 
Salmonella (SM2), que foram 
posteriormente incubadas de 
forma invertidas a 36 ± 1ºC por 
18 a 24 horas. Após período 
de incubação foi verificado o 
desenvolvimento de colônias 
típicas de Salmonella. As provas 
bioquímicas para confirmação 
foram feitas conforme 
metodologia tradicional. 
Após o período de incubação, 
os tubos com caldo Rapapport 
e caldo Selenito-Cistina, foram 
estriados na superfície de placas 
de ágar Rambach, MLCB, XLD 
e ChromID Salmonella (SM2), 
que foram posteriormente 
incubadas de forma invertidas 
a 36 ± 1ºC por 18 a 24 horas.
Após período de incubação foi 
verificado o desenvolvimento 
de colônias típicas de 
Salmonella. Em Rambach as 
colônias típicas apresentam-
se de cor vermelha. Alguns 
sorovares podem se apresentar 
com coloração rosa claro, cor 
de pêssego ou amarelas (cor 
de gema). No MLCB negras, 
convexas, lisas e brilhantes, 
com bordas regulares. No XLD 
apresentam-se transparentes, 
cor de rosa escuro, com ou sem 
centro preto. Cepas fortemente 
produtoras de H2S podem 
produzir colônias grandes e 
brilhantes com centro preto, 
ou mesmo inteiramente pretas.
Em ChromID Salmonella 
(SM2) apresentam colônias 
violetas/malva. Foi realizado o 
reisolamento de colônias típicas 
em ágar ChromID Salmonella 
(SM2). Foram selecionadas duas 
colônias típicas de cada placa 
para confirmação preliminar 
nos tubos de Caldo Uréia, Ágar 
LIA e Ágar TSI. Com o auxílio 
de uma alça de inoculação, foi 
removida uma porção da massa 
de células, do centro da colônia 
típica que foi semeada em 
caldo uréia e inoculada através 
de picada profunda, estriando 
na superfície inclinada do bisel 
dos tubos inclinados de Ágar 
LIA e Ágar TSI. 
Reação típica de Salmonella 
sp em TSI: rampa alcalina 
(vermelha) e fundo ácido 
(amarelo), com ou sem produção 
de H2S (escurecimento do 
ágar). Reação atípica e, TSI, 
que não deve ser descartada 
se as demais reações em LIA 
se apresentarem típicas: rampa 
e fundo ácidos (amarelos), 
com ou sem produção de H2S. 
Reação típica de Salmonella sp 
em LIA: fundo e rampa alcalinos 
(púrpura, sem alteração da cor 
do meio), com ou sem produção 
de H2S (escurecimento do 
meio). Reação atípica em LIA, 
que não deve ser descartada 
se as demais reações em TSI 
se apresentarem típicas: fundo 
amarelado com rampa alcalina, 
com ou sem produção de 
H2S. No caldo Uréia a cor do 
meio permanece inalterada. 
Salmonella é urease negativa. 
Para o teste de reação 
66 - Revista BQ - Banas Qualidade
sorológica frente ao anti-
soro polivalente "O” foi 
preparada uma suspensão 
com 1 mL de solução salina 
0,85% diretamente no ágar 
TSI. Sobre a superfície da placa 
de Huddleson foi depositado 
separadamente, uma gota de 
solução salina 2% e uma gota do 
soro anti-Salmonella polivalente 
"O", diretamente do frasco. 
Em seguida, acrescentou-se a 
cada uma delas uma gota da 
suspensão obtida em ágar TSI. 
Com movimentos circulares, 
foi realizada a leitura com 
iluminação sobre fundo escuro 
em 5 a 10 minutos. Os resultados 
obtidos apresentaram presença 
de aglutinação somente na 
mistura cultivo + anti-soro;
Todas as colônias testadas 
para Salmonella apresentaram 
reações típicas nas provas 
bioquímicas e reação sorológica 
positiva frente ao anti-soro 
polivalente "O". 
Os dois métodos 
apresentaram a mesma 
quantidade de tubos positivos 
com 24 h incubação, enquanto 
que com 48 h o método 
VIDAS®-SLM apresentou 
um maior número de tubos 
positivos na concentração de 
1 UFC/mL e 9 UFC/mL (diluição 
10-9 e 10-10 respectivamente, 
da fase estacionária). Todas 
as amostras positivas no 
método VIDAS®-SLM foram 
confirmadas conforme método 
tradicional. Os resultados estão 
na tabela 01 e 02.
Analisando os dados acima, 
é possível dizer que o método 
VIDAS®-SLM é capaz de 
detectar contaminações com 
cerca de 1 UFC/mL; 9 UFC/mL e 
85 UFC/mL na fase estacionária. 
Ou seja 100% de concordância 
com o método tradicional 
modificado. 
Avaliando os resultados 
do presente estudo pode-se 
afirmar que o caldo SX2 é capaz 
de manter as células viáveis de 
Salmonella por tempo superior 
a 24 h a 42 ± 1ºC, em função 
da sua alta especificidade e 
inibição
de flora competidora.
Conforme tabela 3, o método 
VIDAS para identificação de 
Salmonella sp produziu uma 
sensibilidade de 100% e uma 
especificidade de 100% em 
relação à fortificação após 48 
h de incubação na diluição de 
10-9. Os dados apresentados 
demonstram a eficácia do 
método VIDAS. 
Não é possível fazer testes de 
sensibilidade e especificidade, 
de um método em relação 
ao outro, pois tratam-se de 
métodos modificados. Mas 
foi feita a comparação com 
a quantidade de amostras 
fortificadas com Salmonella. 
A sensibilidade (S) de um 
método está relacionada com 
Diluições da fase 
estacionária
Número de tubos positivos
Método VIDAS Método Tradicional
10 ⁻⁸ 5 tubos 5 tubos
10 ⁻⁹ 4 tubos 4 tubos
10 ⁻¹⁰ 1 tubo 1 tubo
Tabela 01: Quantidade de tubos positivos para o método tradicional e VIDAS®-SLM para o período de incubação de 24 h
Teste de exatidão Salmonella sp
Sensibilidade 100%
Especificidade 100%
Taxa de erro falso positivo 0%
Taxa de erro falso negativo 0%
Tabela 03: Teste de exatidão do método VIDAS®-SLM na diluição 10¯⁹ da fase estacionária em relação à fortificação dos tubos com 48h de 
incubação
Diluições da fase 
estacionária
Número de tubos positivos
Método VIDAS Método Tradicional
10 ⁻⁸ 5 tubos 5 tubos
10 ⁻⁹ 5 tubos 4 tubos
10 ⁻¹⁰ 2 tubos 1 tubo
Tabela 02: Quantidade de tubos positivos para o método tradicional e VIDAS®-SLM para o período de incubação de 48 h
Edição n 286 - Maio de 2016 - 67
Metodologia
a capacidade de um método 
de não apresentar resultados 
falso-negativos (FN) e, a 
especificidade (E), com sua 
capacidade de não apresentar 
resultados falso-positivos (FP). 
Sensibilidade e especificidade 
dos métodos foram avaliadas 
conforme BEUMER et al., (1991). 
Os resultados indicam 
que o método VIDAS®-SLM 
constitui uma promissora 
técnica de detecção rápida de 
Salmonella em amostras de 
água em função da sua maior 
sensibilidade na detecção 
de baixas concentrações do 
microrganismo alvo quando a 
incubação do enriquecimento 
for durante 48 h. Além disso, 
possui resultados semelhantes 
ao tradicional quando incubado 
por 24 h. 
O método VIDAS®-SLM 
apresentou uma correlação 
de resultados muito grande 
em relação à metodologia 
tradicional modificada 
(SMEWW) de detecção e 
isolamento de Salmonella spp. 
em água, com a vantagem 
de ser mais rápido e de alta 
sensibilidade, diminuindo o 
tempo do resultado de 4 para 
2 dias. Para uma nova técnica 
ser aceita e utilizada com 
confiança é necessário que 
seja pelo menos tão boa ou 
superior ao método anterior. 
O ensaio imunológico aqui 
descrito parece satisfazer 
este requerimento, portanto, 
oferece a possibilidade de ser 
utilizado em amostras de água.
Referências 
[1] Germano PML, Germano MIS. 
Higiene e vigilância sanitária de 
alimentos. São Paulo: Varela; 
2003. 
[2] Adeodato S. O consumo 
consciente da água. Bio Nutr 
Saúde. 2006;1:2. 
[3] American Academy 
of Pediatrics. Salmonella 
Infections. In: Pickering LK, 
ed. 2006 Red Book: Report of 
the Committee on Infectious 
Diseases. 27th ed. Elk Grove 
Village, IL: American Academy 
of Pediatrics; 2006. 
[4] Tavechio, A. T. Comparação 
fenotípica e genotípica entre 
cepas de Salmonella enterica 
subsp. enterica sorotipo 
1,4,[5],12:i:- e de Salmonella 
Typhimurium. 2006. 114f. Tese 
(Doutorado em Ciências) - 
Secretaria de Estado da Saú- de 
de São Paulo, São Paulo, 2006. 
[5] BRASIL. Secretaria 
de Vigilância em Saúde. 
Coordenação de Vigilância 
das Doenças de Transmissão 
Hídrica e Alimentar. Analise 
Epidemiológica de Surtos de 
Doenças Transmitidas por 
Alimentos no Brasil. 2008. 
Disponível em:. Acesso em: 30 
Ago. 2009. 
[6] Bennett, A.R., Greenwood, 
D., Tennant, C., Banks, J.G., 
Betts, R.P. Rapid and definitive 
detection of Salmonella in 
foods by PCR. Letters in Applied 
Microbiology, v. 26, p. 437-441, 
1998.
[7] Daiani P.R, Ana P B, João 
P M, Francielle B, Ana C M C, 
Alessandra B R. Detecção de 
Salmonella spp. em águas de 
lavagem de carcaças de frango 
utilizando o método de reação 
em cadeia da polimerase (PCR). 
Revista Saúde e Pesquisa, v. 4, 
n. 1, p. 35-39, jan./abr. 2011 - ISSN 
1983-1870. 
[8] Harlow, E.; Lane, D. 
Antibodies: a laboratory manual. 
2.ed. New York : Cold Spring 
Harbor Laboratory, p.453 1988. 
[9] Tapchaisri, P., 
Wangroongsarb, P., 
Panbangred, W., et al. Detection 
of Salmonella contamination 
in food samples by dot-ELISA, 
DNA amplification and bacterial 
culture. Asian Pac J Allergy 
Immunol, v.17, n.1, p.41-51, 1999. 
[10] D’aoust, J.Y., Sewell, 
A., Greco, P. Detection of 
Salmonella in dry foods using 
refrigerated pre-enrichment 
and enrichment broth cultures: 
Interlaboratory study. J AOAC 
Int, v.76, n.4, p.814-821, 2003. 
[11] Beumer, R.R.; Brinkman, E.; 
Rombouts, F.M. Enzyme-linked 
immunoassays for the detection 
of Salmonella sp: a comparison 
with other methods. 
International Journal of Food 
Microbiology, Amsterdam, v112, 
p.363-374, 1991
Leticia de Alencar Pereira 
Rodrigues, Rita de Cássia Esteves 
Ataide, Maria Marlene dos Santos 
Cardoso e Ione Pinheiro dos Santos 
são funcionários do Senai Lauro de 
Freitas (BA) - leticiap@fieb.org.br; 
rcestev@fieb.org.br; marlene@
fieb.org.br; ipinheiro@fieb.org.br
http://2.ed/
mailto:leticiap@fieb.org.br
mailto:rcestev@fieb.org.br
mailto:ipinheiro@fieb.org.br
http://fieb.org.br/
68 - Revista BQ - Banas Qualidade
Ferramentas
Sistemas de Gestão
Ambiental I
Nesta edição vamos continuar analisando os vários Sistemas de 
Gestão e quais os benefícios 
em implementá-los. 
Nas edições anteriores 
discutimos sobre o Sistema de 
Gestão da Qualidade (ISO 9001)
Nesta edição vamos iniciar a 
análise do Sistema de Gestão 
Ambiental (ISO 14001), Mas, 
para entendermos mais 
profundamente os objetivos, 
premissas,... de um Sistema 
de Gestão Ambiental , 
precisamos conhecer um 
pouco da sua história.
Tudo começo muito tempo 
atrás....
*Anos de 1950
Nos anos de 1950, julgava se 
que os recursos naturais eram 
infinitos, não havia nenhuma 
preocupação em preservá-
los. E da mesma forma, não 
havia nenhuma preocupação 
com a geração de resíduos.
*Anos de 1960
Nos anos de 1960, com o aumento 
da população e do consumo, iniciou 
se a preocupação com a utilização 
sem controle destes recursos 
naturais. Os primeiros regulamentos 
começam a ser criados.
Resumindo:
Visão com relação ao meio 
ambiente nos anos de 1950 e 1960:
• Regulamentação mínima
• Pouco reconhecimento dos 
resíduos perigosos
*Anos de 1970
Nos anos de 1970, aconteceram 
vários acidentes ambientais 
graves :
• Contaminação da Baía de 
Minamata (Japão)
• Explosão na Indústria 
Química ICMESA (Itália)
• Incidente do Love Canal 
(EUA)
E algumas conferências foram 
realizadas e programas criados:
• Conferência da Organização 
das Nações Unidas sobre 
o Meio Ambiente Humano 
– CMMAD, resultando na 
Declaração de Estocolmo 
sobre o Meio Ambiente, 
no Programa das Nações 
Unidas para o Meio 
Ambiente (PNUMA) e na 
Comissão Mundial para 
o Meio Ambiente e o 
Desenvolvimento (CNMAD).
• Programa Anjo Azul 
(Alemanha), produtos que 
não ultrapassavam o nível 
pré estabelecido de impacto 
ambiental eram identificados 
com um selo.
• Realização de Estudos 
de Impacto Ambiental – 
EIA (EUA), pré requisito 
para aprovação de 
e m p r e e n d i m e n t o s 
potencialmente poluidores.
• Leis e regulamentações 
(EUA) – Lei do Ar Puro, 
Lei da Água Pura, Lei de 
Recuperação e Conservação 
de Recursos, Lei 
Abrangente Ambiental de 
Responsabilidade, Limpeza 
e Responsabilização, Lei da 
Água Potável Segura, Lei 
de Controle de Substâncias 
Tóxicas, Lei de Mineração e 
Recuperação do Solo.
• Conceito de 
´ D e s e n v o l v i m e n t o 
Sustentável´
Surgiu também a preocupação 
com o problema da destruição 
progressiva da camada de 
ozônio.
*Anos de 1980
Nos anos 80, mais eventos 
foram realizados para discussão 
dos problemas ambientais :
• Programa Global Change
• Relatório da Comissão 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 69
Mundial para o 
Meio Ambiente e 
Desenvolvimento
– 
Relatório Brundtland
• Convenção da Basileia
• Protocolo de Montreal
• Painel Intergovernamental 
sobre Mudanças Climáticas
Mas, problemas ambientais 
graves continuaram 
acontecendo:
• Vazamento de produtos 
tóxicos - Union Carbide – 
Bhopal (India)
• Explosão de reator nuclear 
– Chernobyl (Ucrânia)
• Vazamento de petróleo – 
Petroleiro Exxon Valdez 
(Alasca)
• Liberação de material 
radioativo – Clinica de 
Tratamento de Câncer (Brasil)
• Incêndio com vazamento 
de inseticida contaminando 
o Rio Reno (Suíça)
Resumindo:
Visão com relação ao meio 
ambiente nos anos de 1970 e 1980 :
• Pensamento reativo: Apenas 
cumprimento das normas
• Controle no final dos 
processos (End of Pipe)
• Multas por danos ambientais.
*Anos de 1990
Nos anos 90, acentuou se a 
preocupação com a otimização 
dos recursos, uso de fontes 
alternativas e disposição de 
recursos :
• Global Environmental 
Facility – Nações Unidas e 
Banco Mundial
• Conferência das 
Nações Unidas sobre 
o Meio Ambiente e o 
Desenvolvimento – Rio 92, 
produzindo os documentos 
Agenda 21 (plano de ação), 
Declaração do Rio sobre Meio 
Ambiente e Desenvolvimento 
(27 princípios), Convenção 
sobre a Mudança do 
Clima e a Convenção da 
Biodiversidade.
• Protocolo de Quioto
• Rio Plus 5 (Rio+5)
E observou-se um aumento de 
eventos climáticos anormais, 
como aumento da intensidade e 
frequência de furacões e tufões.
*Anos 2000
A partir dos anos 2000, 
as questões ambientais 
começaram a fazer parte mais 
diretamente das ações dos 
governos :
• Conferência Mundial 
sobre Desenvolvimento 
Sustentável – Rio+10
• 15º Conferência das Partes 
sobre Mudanças Climáticas 
– COP15, resultando no 
Acordo de Copenhague.
70 - Revista BQ - Banas Qualidade
• Convenção de Estocolmo 
sobre Poluentes Orgânicos 
Persistentes 
• Protocolo do Equador
Resumindo:
Visão com relação ao meio ambiente 
a partir dos anos de 1990 :
• Pensamento proativo: 
Desempenho superior às normas 
• Produção mais limpa
• Contabilização dos custos 
ambientais
E os eventos climáticos 
anormais continuaram a 
ocorrer, ondas fortes de calor, 
furacões, como o Katrina, seca 
severa, como na Amazônia e no 
Sudeste, entre outros.
Normas Ambientais
Entre os anos de 1980 e 1990, 
visando o tratamento dos 
impactos adversos causados 
pelas atividades econômicas 
/ produtivas, alguns países 
começaram a elaborar normas 
ambientais específicas :
• BS 7750 (Reino Unido)
• EMAS (Europa)
E finalmente, em 1993, a ISO 
criou o Comitê Técnico 207 (TC 
207) para análise e elaboração 
de uma norma internacional 
ambiental.
Série ISO 14000
A primeira versão da ISO 14001 
surgiu em 2004 :
• ISO 14001:2004 – Sistema 
de Gestão Ambiental – 
Requisitos com Orientações 
para Uso
E várias outras normas 
relacionadas foram criadas para 
ajudar na proteção ambiental, 
na prevenção da poluição e 
na implementação de forma 
eficaz de um Sistema de Gestão 
Ambiental.
Recentemente, 2015, a ISO 
14001 passou por uma revisão :
• ISO 14001:2015 – Requisitos 
com Orientações Para Uso
E sua estrutura também 
obedece o Anexo SL, conforme 
comentamos nas matérias 
anteriores relacionadas 
com o Sistema de Gestão da 
Qualidade, ISO 9001:2015.
Os benefícios com a 
implementação de um Sistema 
de Gestão Ambiental são 
imensos para todas as partes 
interessadas :
1. Clientes
• Confiança na 
sustentabilidade do 
produto
• Credibilidade na 
empresa
• Incentivo à reciclagem 
dos produtos
2. Funcionários
• Maior segurança
• Melhor condição de 
trabalho
• Conscientização 
ambiental
3. Meio Ambiente
• Conservação dos 
recursos naturais
• Utilização de recursos 
renováveis
• Racionalização do uso 
das matérias primas e 
insumos
• Diminuição da poluição
• Preocupação com o 
ecossistema
4. Comunidade
• Redução da poluição
• Maior segurança
• Atendimento à 
legislação relacionada
5. Empresa
• Controle dos impactos 
ambientais
• Melhoria da imagem
• Melhoria na 
competitividade
• Otimização de recursos
• Menor risco de multas / 
penalidades
• Reconhecimento do 
mercado
• Novos clientes
E muitos e muitos outros.
Na próxima edição 
discutiremos os requisitos da 
ISO 14001:2015.
Aguardem !!!!
Roberta Pithon: Graduada em 
Qualidade, em Sistemas Integrados 
de Gestão e em Gestão Empresarial. 
Mestranda em Engenharia 
Mecânica – Unicamp. CQE, CQA, 
CMQ/OE, CSSGB, CSSBB, CSSYB, 
CQT, CQPA e CQIA pela ASQ. Lead 
Auditor ISO 9001, ISO/TS 16949, ISO 
14001 e OHSAS 18001. Professora 
de Graduação e Pós Graduação 
de disciplinas da Qualidade e de 
Sistemas de Gestão. Sócia-diretora, 
consultora, instrutora e auditora da 
Excelint Gestão Empresarial.
roberta@excelint.com.br
mailto:roberta@excelint.com.br
Edição n 286 - Maio de 2016 - 71
72 - Revista BQ - Banas Qualidade
As latas de aço 
para embalagens 
de produtos
Edição n 286 - Maio de 2016 - 73
Completamente recicláveis e contendo uma série de diferentes produtos, 
incluindo alimentos com baixos teores de sal e açúcar, diet e light, 
as latas de aço podem conter, desde produtos delicados como balas e 
biscoitos finos até produtos de uso industrial
Conformidade
Da Redação
A embalagem de aço é, tecnicamente, uma das melhores formas 
de se acondicionar produtos. 
Convenientes, duráveis, livre 
de conservantes químicos 
proporcionam uma alimentação 
saudável e rápida a qualquer 
hora e em qualquer lugar, 
evitando o desperdício e 
protegendo adequadamente a 
integridade de seu conteúdo no 
transporte e comercialização.
Completamente recicláveis 
e contendo uma série de 
diferentes produtos, incluindo 
alimentos com baixos teores de 
sal e açúcar, diet e light, as latas 
de aço podem conter, desde 
produtos delicados como balas 
e biscoitos finos até produtos 
de uso industrial, como os 
óleos lubrificantes e tintas 
navais. Quando se pensa no 
transporte de longa distância 
ou em condições críticas, por 
exemplo, a embalagem de aço 
é a primeira a ser cogitada por 
sua resistência mecânica.
Além de serem embalagens 
ecologicamente corretas, 
pois são feitas de metal 100% 
reciclável, a litografia fornece um 
excelente facing de prateleira 
possuindo a propriedade de 
transformar latas de aço em 
brindes colecionáveis para o 
consumidor. A história da lata 
começou em 1795 quando as 
tropas de Napoleão estavam 
sendo arrasadas mais pela fome 
e doenças relacionadas do que 
pelo combate. As conquistas 
militares e expansão colonial 
requeriam a invenção de algum 
recipiente capaz de transportar 
comida sem apodrecer, foi 
quando o governo francês 
ofereceu um prêmio de 12.000 
francos para quem inventasse 
um método de conservar 
comida.
Depois de 15 anos de 
experiências, um parisiense 
chamado Nicholas Appert 
obteve sucesso na preservação 
de comida, vedando as garrafas 
com rolhas e imergindo as 
garrafas em água fervente. 
Appert supôs que como no 
vinho, exposição ao ar estragava 
a comida. Assim, a comida 
colocada num recipiente que 
vedava a entrada do ar, ficaria 
fresca e com boa qualidade. E 
isso funcionou.
Em meados do ano de 1830 as 
latas de conserva de tomates, 
sardinhas e ervilhas começaram 
a aparecer no mercado, 
tendo se popularizado em 
quase um século mais tarde 
com o aperfeiçoamento 
do enlatamento. Segundo 
Rogério Parra, chefe do 
Laboratório de Embalagem 
e Acondicionamento do IPT 
(rparra@ipt.br), o aço é uma 
liga metálica à base de ferro. 
Várias composições de aço 
são utilizadas para fabricação 
de latas. A liga MR, que 
possui relativamente poucos 
elementos residuais, é utilizada 
para vegetais e carnes. A liga L 
é utilizada para produtos mais 
corrosivos. A liga N, que possui 
nitrogênio na composição, 
torna a chapa com mais 
resistência mecânica, é utilizada 
em domos de aerossóis. O 
liga D é a mais fácil de dobrar, 
indicada para latas com design 
mais exigentes.
“A chapa de aço nua escurece 
facilmente pela oxidação da 
superfície. Originalmente, 
esta chapa era revestida com 
estanho por imersão a quente 
para que o estanho desse 
a proteção ao aço. Esta é a 
chamada folha-de-flandres.
Durante a Segunda Guerra, 
foi desenvolvido um processo 
eletrolítico de deposição, o 
que produz uma camada de 
estanho mais fina e uniforme. 
Um processo semelhante pode 
ser utilizado também para 
depositar cromo”, explica ele.
Parra diz que a camada de 
cromo ou estanho impede 
mailto:rparra@ipt.br
74 - Revista BQ - Banas Qualidade
a oxidação da chapa de aço 
e também impede que, por 
exemplo, uma bebida enlatada 
retire ferro do aço e fique com 
gosto ruim. A espessura da 
camada de cromo ou estanho 
pode ser diferente em cada lado 
da chapa de aço dependendo 
da agressividade do que será 
envasado na lata ou do ambiente 
em que esta lata ficará exposta.
Ele exemplifica: uma lata de 
pêssegos da Grécia viaja em um 
contêiner e, sem o revestimento 
adequado, o calor e a umidade 
farão com que a lata chegue ao 
Brasil com pontos de corrosão 
no lado externo. Para uma 
lata de molho de tomate, que 
parte do interior paulista para 
a capital, deve se ter uma 
proteção melhor no lado interno 
porque a acidez do molho é a 
maior preocupação.
A camada de estanho oferece 
melhor resistência à corrosão 
que o cromo. Mas a camada 
de cromo possui melhor 
resistência ao calor, permite 
melhor litografia, adere melhor 
a outros revestimentos e 
resiste ao ataque de produtos 
que contenham enxofre. No 
entanto, a placa cromada não 
solda tão facilmente quanto a 
estanhada, o que é importante 
para a formação da lata. Ela 
requer o uso de um elemento 
intermediário de fusão ou, 
então, a remoção da camada de 
cromo na região de solda.
No entanto, a eficiência 
desta camada protetiva tem 
um limite. Daí a necessidade 
de vernizes e revestimentos 
internos e externos. Estes 
revestimentos protegem a 
lata de corrosão, reação com o 
produto envasado e abrasão. 
Existe uma grande variedade 
de revestimentos: oleorresinas, 
alquídicos, vinílicos, acrílicos, 
fenólicos, epóxi-amínicos, 
polibutadienos, organo-vinílicos 
ou epóxi-fenólicos.
O revestimento a utilizar é 
definido pelo conteúdo e pelos 
processos ao qual a lata será 
submetida. Por exemplo, para 
uma lata para vegetais é mais 
adequado um revestimento 
a base de oleorresinas. 
Revestimentos vinílicos são 
mais flexíveis, mas não resistem 
ao calor. Epóxi-fenólicos 
possuem boa adesão e alta 
resistência química. Organo-
vinílicos são flexíveis a ponto 
de resistirem aos dobramentos 
e estiramentos da folha de aço 
quando da formação da lata.
Atualmente, há a possibilidade 
da aplicação de poliéster para 
substituir a camada de verniz, o 
que além da proteção, permite 
um ótimo efeito decorativo. O 
fundo de uma lata de espuma de 
barbear sem um revestimento 
polimérico provavelmente irá 
manchar a pia do banheiro.
A NM 42 de 04/2001 – Folha-
de-flandres e chapa não-
revestida em folhas e bobinas 
de simples e dupla redução 
estabelece os requisitos 
mínimos a que devem atender a 
folha-de-flandres eletrolítica e a 
chapa não revestida, em folhas e 
ELEMENTOS
Análise de corrida (máximo) (%)
Tipo D Tipo L Tipo MR
Carbono
Manganês
Fósforo
Enxofre
Silício (a, b)
Cobre
Níquel
Cromo
Molibdênio
Outros elementos residuais
0,12
0,60 
0,020
0,05
0,020
0,20
0,13
0,60 (a)
0,015
0,05
0,020
0,06
0,04
0,06
0,05
0,02
0,13
0,60 (a)
0,020
0,05
0,020
0,20
a) De comum acordo entre produtor e comprador, podem ser combinados outros valores
b) Quando se encomenda aço de corrida contínua acalmado ao silício, este elemento pode aumentar 
até 0,080%
c) Quando se encomenda aço de corrida contínua acalmado ao alumínio, o silício máximo pode 
aumentar em 0,030%, a menos que o comprador o proíba expressamente.
d) Quando se encomenda de aço corrida contínua acalmado ao alumínio, o teor total normalmente 
excede a 0,020%
Tabela 1: Composição Química do aço por tipo
Edição n 286 - Maio de 2016 - 75
Conformidade
bobinas de simples e dupla 
redução empregadas 
na fabricação de latas, 
tampas metálicas, filtros 
de óleo para automóveis e 
outros usos. O aço usado 
na produção da chapa 
não revestida deve ser 
fabricado por qualquer 
processo que assegure 
um material adequado 
às características do 
produto final. O aço deve 
atender aos requisitos 
de composição química 
de acordo com seu tipo, 
descritos na tabela 1.
O aço se classifica, de 
acordo com seu uso, em:
– Aço tipo D – Metal 
base de aço resistente 
ao envelhecimento, 
acalmado com alumínio 
e tratado para adquirir 
excelentes características 
de embutimento. É 
usado principalmente 
para partes submetidas 
a embutimento muito 
profundo e para aplicações 
em que seja necessário 
evitar a formação de estrias 
e de marcas superficiais 
devidas ao alongamento 
do material ao deformar-
se, ou onde sejam exigidas 
propriedades direcionais 
especiais.
– Aço tipo L – Metal base de 
aço baixo em metalóides 
e elementos residuais 
que são selecionados 
Espessura 
nominal (mm)
Massa Teórica 
M (kg/100m²)
0,15
0,16
0,17
0,18
0,19
0,20
0,21
0,22
0,23
0,24
0,25
0,26
0,27
0,28
0,29
0,30
0,31
0,32
0,33
0,34
0,35
0,36
0,37
0,38
0,39
0,40
0,41
0,42
0,43
0,44
0,45
0,46
0,47
0,48
0,49
0,50
0,51
0,52
0,53
118
126
133
141
150
157
165
173
180
188
196
204
212
220
228
236
244
251
260
267
275
282
291
298
306
315
323
330
338
345
354
362
370
377
386
393
400
408
416
NOTA: A massa teórica é calculada adotando-se 
uma massa teórica média igual a 7,85kg por 
metro quadrado e por milímetro de espessura
Tabela 2: Espessura nominal e massa 
teórica da chapa não revestida e da 
folha de flandres
frequentemente para a folha 
de flandres destinada a latas 
de produtos alimentícios 
fortemente corrosivos. Os 
elementos residuais como 
fósforo, silício, cobre, níquel, 
cromo e molibdênio são 
restritos aos limites mínimos 
praticamente possíveis.
– Aço tipo MR – Metal base 
de aço, similar em teor de 
metalóides ao tipo L, mas com 
menos restrições quanto ao 
teor de elementos residuais 
como cobre, níquel e cromo, 
entretanto, o fósforo se 
mantém em nível baixo. É usado 
para a maioria das aplicações de 
folhas de flandres para enlatar 
alimentos moderadamente 
corrosivos.
Importante observar que a 
massa da chapa não revestida 
e da folha de flandres, 
determinada com uma precisão 
de 2 g, deve ser a estabelecida 
na tabela 2, de acordo com a 
sua espessura. As espessuras 
nominais da chapa não revestida 
e da folha de flandres devem 
ser as estabelecidas na tabela 2 
da presente norma.
A tolerância admissível 
na espessura da chapa não 
revestida e da folha de flandres 
em bobinas é de + 8,5% da 
espessura nominal em 98% 
do comprimento da bobina. 
As tolerâncias superiores 
admissíveis tanto para a largura 
como para o comprimento 
poderão ser reduzidas mediante 
76 - Revista BQ - Banas Qualidade
acordo prévio. As larguras 
para as folhas e para as bobinas 
devem ser múltiplas de 2, sendo 
a largura mínima de 560 mm.
A tolerância admissível na 
largura das folhas e bobinas 
é de + 3,2 mm para a superior 
e zero para a inferior. A 
tolerância admissível no 
comprimento das folhas é 
de + 3,0 mm para a superior e 
zero para a inferior. No caso 
de folha de flandres com 
revestimento diferencial, a 
marcação deve ser realizada 
de forma individual, tanto 
em folhas como em bobinas 
e realizada da seguinte 
maneira: a menos que exista 
outro acordo entre fabricante 
comprador, a marcação da folha 
de flandres com revestimento 
diferencial deve ser feita na 
face de maior revestimento e 
esta deve ser a face superior 
no amarrado ou o exterior da 
bobina.
O sistema de marcação deve 
ser de aspecto somente visual 
e não deve afetar a espessura 
do estanho. Nos rótulos da 
embalagem devem constar, pelo 
menos, as seguintes informações: 
nome do fabricante; identificação 
do lote; designação da massa 
de revestimento, no caso da 
folha de flandres; peso líquido e 
bruto do amarrado ou bobina; 
grau de encruamento; aspecto 
superficial; quantidade de folhas 
contidas no amarrado e, no caso 
de bobinas, a quantidade de 
metros.
Conformidade
A única publicação brasileira sobre:
• Certificação,
Avaliação e Inspeção de Conformidade
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• Normas nacionais e internacionais
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Edição n 286 - Maio de 2016 - 77
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78 - Revista BQ - Banas Qualidade
As lâmpadas LED 
são obrigadas a 
ser fabricadas 
conforme as 
normas
Edição n 286 - Maio de 2016 - 79
O uso das lâmpadas LED (Light Emitting Diodes) vem aumentando muito, 
devido ao seu baixo consumo de energia, vida útil mais longa e menor 
impacto ambiental. Contudo, elas devem atender aos requisitos mínimos 
com foco no desempenho energético, segurança elétrica e compatibilidade 
eletromagnética, conforme especificado nas normas técnicas
Por Mauricio Ferraz de Paiva
Com grande diversidade de modelos, esse tipo de lâmpada possui 
características específicas 
que o diferencia dos produtos 
que estão no mercado há 
mais tempo. Os LED são 
componentes eletrônicos 
que geram luz com baixo 
consumo de energia, ou seja, 
antes de comprar, confira nas 
embalagens o fluxo luminoso 
em lumens (lm) - quantidade 
de luz emitida; a potência em 
Watts (W) - consumo de energia 
elétrica; e a eficiência luminosa 
(lm/W) - relação do fluxo 
luminoso com a potência.
Assim, podem durar, 
dependendo do modelo, pelo 
menos 25 vezes mais do que 
as lâmpadas incandescentes 
e quatro vezes mais do que as 
fluorescentes compactas.
Entretanto, o tempo (em 
horas de funcionamento) 
estimado na embalagem não 
significa o tempo que ela vai 
levar para queimar e sim o 
período que a lâmpada passará 
a funcionar com mais ou menos 
70% da capacidade luminosa 
original. Alguns fatores não 
relacionados com a qualidade 
do produto podem afetar sua 
durabilidade, como oscilações 
da rede elétrica ou mau contato 
no ponto de instalação e o não 
cumprimento dos requisitos 
técnicos disponibilizados nas 
normas em sua fabricação.
Basicamente, no mercado, 
existem dois tipos de LED: as de 
baixa potência, utilizadas para 
sinalização, árvores de Natal, 
decorações e situações que 
demandam baixa luminosidade, 
e as de alta potência, que 
emitem mais luz, podendo ser 
utilizadas para iluminação de 
ambientes que exijam maior 
luminosidade. As de alta 
potência podem variar em 
relação ao tipo de distribuição 
luminosa da lâmpada, que pode 
ser não direcional ou direcional.
As não direcionais são 
lâmpadas de iluminação 
geral, tal como eram as 
incandescentes. O foco é aberto 
e a distribuição de intensidade 
luminosa é uniforme em todo o 
entorno, possuindo um ângulo 
que pode variar entre 0° e 135°, 
simetricamente em torno do 
eixo vertical.
As direcionais têm o facho de 
luz dirigido, correspondendo 
a um cone com ângulo de 
abertura de 120° - produzido por 
um refletor que direciona a luz. 
Além dessas, existem as LED 
tubulares com o foco luminoso 
equivalente ao da fluorescente 
tubular.
As lâmpadas LED costumam 
ter tonalidades de cores que 
podem ser identificadas nas 
embalagens como temperaturas 
de co, expressas em Kelvin 
(K). Essas temperaturas não 
estão associadas diretamente à 
quantidade de calor gerado pela 
lâmpada. A luz emitida passa 
por uma sequência de cores, 
que vai do vermelho ao laranja e 
daí para amarelo, branco e azul, 
tal como acontece com a ponta 
de um maçarico, por exemplo.
A NBR IEC 62031 de 05/2013 – 
Módulos de LED para iluminação 
em geral – Especificações 
de segurançaespecifica 
os requisitos gerais e de 
segurança para módulos de 
diodos emissores de luz (LED): 
módulos de LED sem dispositivo 
de controle integrado para 
operação sob tensão, corrente 
e potência constantes; módulos 
de LED com dispositivo de 
controle integrado para uso 
com alimentação c.c. até 250 V 
ou alimentação ca até 1.000 V 
em 50 Hz ou 60 Hz. A primeira 
edição de uma norma para 
Normalização
80 - Revista BQ - Banas Qualidade
segurança de módulos de 
LED para iluminação em geral 
reconhece a necessidade de 
ensaios pertinentes para esta 
nova fonte de luz elétrica, às 
vezes chamada de iluminação 
de estado sólido.
A ABNT IEC/PAS 62612:2013 – 
Lâmpadas LED com dispositivo 
de controle incorporado para 
serviços de iluminação geral 
– Requisitos de desempenho 
especifica os requisitos de 
desempenho para lâmpadas 
LED com dispositivo de controle 
incorporado, com tensão 
de alimentação até 250 V, 
juntamente com os métodos de 
ensaio e condições requeridas, 
previstas para uso doméstico e 
iluminação geral similar, tendo 
potência nominal de até 60 W; 
tensão nominal de até 250 V 
ca ou cc; bases da lâmpada de 
acordo com NBR IEC 62560. Os 
requisitos desta norma referem-
se apenas aos ensaios de tipo.
A NBR IEC 62560:2013 – 
Lâmpadas LED com dispositivo 
de controle incorporado 
para serviços de iluminação 
geral para tensão > 50 V — 
Especificações de segurança 
especifica os requisitos de 
segurança e intercambialidade, 
juntamente com os métodos 
de ensaio e condições 
necessárias para demonstrar 
a conformidade de lâmpadas 
LED, com meios integrados 
para um funcionamento pleno 
(lâmpadas LED com reator 
incorporado), previstas para 
uso doméstico e iluminação 
geral similar, tendo: potência 
nominal de até 60 W; tensão 
nominal de > 50 V até 250 V; 
bases de acordo com a Tabela 1, 
disponível na norma.
A NBR16205-1 de 08/2013 – 
Lâmpada LED sem dispositivo 
de controle incorporado de 
base única - Parte 1: Requisitos 
de segurança especifica os 
requisitos de segurança e 
intercambialidade, juntamente 
com os métodos de ensaio e 
condições necessárias para 
demonstrar a conformidade 
de lâmpadas LED sem reator 
incorporado, destinados para 
iluminação em geral, com: 
potência nominal até 60 W; 
tensão nominal até 120 V cc 
sem ondulação. A NBR 16205-
2 de 08/2013 – Lâmpadas LED 
sem dispositivo de controle 
incorporado de base única 
- Parte 2: Requisitos de 
desempenho especifica os 
requisitos de desempenho para 
lâmpadas LED sem dispositivo 
de controle incorporado de 
base única, previstas para 
propósitos de iluminação em 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 81
geral, com potência nominal até 
30 W e tensão nominal até 50 V 
ca/cc.
Enfim, uma lâmpada 
incandescente de 60 W, que 
permaneça ligada quatro horas 
por dia, consome 7,2 kWh 
ao mês. Uma casa de cinco 
cômodos tem, em média, dez 
lâmpadas incluindo a garagem 
e a área de serviço. Levando-se 
em conta o custo de R$ 0,50/
kW serão R$ 14,40 a pagar. Em 
comparação com uma lâmpada 
fluorescente compacta 
Lâmpadas Incandescente Fluorescente Compacta LED
PREÇO Em média R$2 4 a 6 vezes mais cara
Em média, 35 vezes 
mais cara, mas com o 
ganho de escala, o 
preço tende a cair 
cada vez mais.
DURABILIDADE Baixa, 1000 horas
Em média, dura 8 
horas a 10 vezes que 
a Lâmpada 
incandescente
Em média, dura 50 
vezes mais
EFICIÊNCIA
Baixa, gasta mais 
energia com calor do 
que com 
luz(desperdício de 
energia)
Em media 4 vezes 
mais econômica
Em média, 8 vezes 
mais eficiente
TECNOLOGIA
Serviu a humanidade 
durante muito 
tempo, mas é 
considerada já 
ultrapassada
É a tecnologia viável 
hoje do ponto de 
vista da relação 
custo-beneficio
Extremamente 
inovadora, Prêmio 
Nobel de Física 2014
IMPACTO 
AMBIENTAL
Nenhum, se for dado 
o tratamento 
adequado aos seus 
componentes. Vidro 
e alumínio podem 
ser reciclados
Contém mercúrio e, 
ainda que o nível 
desse metal seja 
pequeno, representa
um risco ambiental 
no descarte
Nenhum
INDUSTRIA Apenas uma fábrica
em funcionamento
Maior parte da 
produção mundial 
vem da China
Setor nacional em 
plena expansão
equivalente (15 W) o consumo 
é de 1,8 kWh/mês. No mesmo 
exemplo, seriam gastos R$ 3,60 
com esta iluminação. Já com uma 
lâmpada LED de 8 W a economia 
é de 90% em comparação com a 
incandescente. Na mesma casa, 
o custo com a iluminação seria 
de R$ 1,92. Apesar do custo inicial 
de uma lâmpada LED ainda ser 
alto em relação às demais, o 
tempo de duração é dez vezes 
maior, o que compensa a troca 
e a manutenção.
Desde que foram lançadas, 
Normalização
as lâmpadas LED têm evoluído 
em relação a uma característica 
que é chamada IRC (Índice de 
Reprodução de Cor). Nesse 
índice, a referência é a luz do 
sol, que é considerada 100%. 
Inicialmente, as lâmpadas LED 
apresentavam entre 60% e 65% de 
IRC; atualmente estão entre 85% 
e 90%, com tendência a subir.
Com a evolução do processo 
de construção do LED, estes 
componentes passaram a emitir 
luzes em cores diferentes, 
mesmo tendo uma carcaça 
transparente. Além disso, 
surgiram os LED capazes de 
reproduzir várias cores, sendo 
assim, um mesmo componente 
poderia criar centenas ou até 
milhares de cores diferentes.
Claro que para isso, a 
tecnologia no componente 
evoluiu muito, mas o modo 
de funcionamento continuou 
quase o mesmo. Através de 
um controle de alta precisão 
na corrente elétrica, o LED 
consegue emitir tonalidades de 
cores diferentes, o que se tornou 
um fator muito importante para 
as novas tecnologias que têm 
aderido este pequenino item da 
eletrônica.
Mauricio Ferraz de Paiva é 
engenheiro eletricista, especialista 
em desenvolvimento em sistemas, 
presidente do Instituto Tecnológico 
de Estudos para a Normalização e 
Avaliação de Conformidade (Itenac) 
e presidente da Target Engenharia 
e Consultoria - mauricio.paiva@
target.com.br
http://target.com.br/
82 - Revista BQ - Banas Qualidade
Monitorando 
o consumo de 
água em prédios
Edição n 286 - Maio de 2016 - 83
Um sistema de monitoramento do consumo de água e detecção 
de vazamentos facilmente acoplável à instalação hidráulica 
de qualquer prédio. Integra hidrômetros com telemetria 
(monitoramento da vazão) com sensores para monitoramento 
do nível nos reservatórios e caixas de água
Por Antonio Santos Sánchez, Eduardo Henrique Borges Cohim e Ricardo de Araújo Kalid
A Região Metropolitana de Salvador enfrenta um contexto de 
escassez hídrica. As projeções 
da demanda de água para 
anos futuros [1], unidas ao 
esgotamento e poluição 
dos mananciais tradicionais, 
preveem um cenário provável 
em que deverá ser melhorada 
a eficiência do uso da 
água no médio urbano, ou 
então deverá recorrer-se a 
mananciais alternativos como 
o aproveitamento de água de 
chuva [2], sistemas de reuso ou 
inclusive dessalinização de água 
de mar ou poços salobras [3].
Na atualidade, esta região 
importa 60% da água que 
consome desde a barragem de 
Pedra do Cavalo, situada em 
uma região distante 110 km. 
Ainda, o sistema de distribuição 
de água é muito ineficiente e 
perde-se 50% desta água por 
vazamentos na rede urbana [4]
A água é um recurso cada vez 
mais escasso e mais valorizado. 
No estado de Bahia, o reajuste 
tarifário médio tem sido de 
um 10% a cada ano [5]. Nesse 
estado, qualquer prédio de 
grande ou médio porte que 
consuma mais de 50 m3 por 
mês paga atualmente R$ 
26,154 por cada m³ de água 
fornecida. As despesas com 
água representam uma parte 
importante dos gastos de 
operação de grandes prédios. 
Usando o exemplo da Escola 
Politécnica da UFBA, isto supõe 
uma despesa anual de R$ 168 
mil só com água [6].
Uma parte importante da 
água consumida em grandes 
prédios (faculdades, prédios 
administrativos, hospitais, 
shopping centers, etc.) é 
perdida por vazamentos no 
próprio prédio. Gretas nos 
reservatórios inferior e superior 
podem provocar perdas de água 
por infiltrações. Vazamentos 
nas próprias tubulações, na 
casa de bombas, e sobre tudo 
nos aparelhos hidrossanitários 
podem ser responsáveis pela 
maior parte do consumo de 
água de um prédio. Nos últimos 
anos, o aumento do custo 
da água tem provocado o 
desenvolvimento de aparelhos 
hidrossanitários mais eficientes, 
de baixo consumo, que têm 
sido adotados pelos grandes 
consumidores. Infelizmente, a 
velocidade de adoção destes 
novos aparelhos tem sido maior 
em grandes prédios privados 
do que nos públicos. 
No caso de prédios públicos, 
um consumo excessivo de 
água representa um gasto 
desnecessário de verbas 
que poderiam ser aplicadas 
em outras áreas prioritárias. 
Literalmente, dinheiro público 
que vai para o ralo. Conscientes 
disto, entidades públicas como 
a UFBA – Universidade Federal 
da Bahia e os organismos do 
CAB – Centro Administrativo 
da Bahia estão monitorando 
o consumo de suas unidades 
mediante a leitura diária dos 
hidrômetros. Os próprios 
funcionários realizam a leitura 
diária dos hidrômetros e a 
colocam no site AGUAPURA, de 
acesso público, onde qualquer 
pessoa pode acompanhar 
a evolução do consumo de 
água das distintas unidades 
governamentais. Este simples 
monitoramento tem gerado 
durante os últimos anos 
uma cultura de preocupação 
pelo uso racional da água e 
sobre tudo têm conseguido 
incrementar a detecção de 
84 - Revista BQ - Banas Qualidade
vazamentos não visíveis e 
reduzir o tempo de reparo dos 
mesmos. Como consequência, 
têm se conseguido 
significativas economias com 
as despesas gastas em água 
[7]. Embora, este sistema tem 
suas limitações e poderia ser 
melhorado mediante o uso de 
novas tecnologias, de forma 
a automatizar o processo 
e melhora a precisão das 
medidas do consumo de água. 
Ainda há um grande potencial 
de economia de água a ser 
explorado mediante sistemas 
de monitoramento e soluções 
tecnológicas avançadas como 
as que este projeto pretende 
desenvolver. 
Pretende-se desenvolver um 
sistema tecnológico confiável, 
robusto e de baixa necessidade 
de manutenção, que monitore 
o consumo de água, detecte 
vazamentos e consumos 
anormais indicando o setor 
do prédio onde estes estão 
localizados. Este sistema deve 
permitir uma rápida detecção 
dos vazamentos ou de 
problemas no funcionamento 
da rede hidráulica do prédio.
O usuário deve ser informado 
imediatamente de qualquer 
problema na rede mediante 
alerta SMS no celular, ou mail. 
Este problema pode consistir 
em um elevado consumo, 
transbordamento de um 
reservatório, alagamento 
ou falha nas bombas. 
Adicionalmente, devem ser 
gerados relatórios sobre 
consumo de água contendo: 
consumo de cada setor do 
prédio, nível de vazamentos 
estimado, funcionamento do 
sistema hidráulico de recalque, 
perfil diário de consumo. 
Na Escola Politécnica da 
UFBA está sendo desenvolvido 
um protótipo com estas 
características. Como passo 
prévio antes de aplicá-lo em 
grandes prédios da região, 
foram realizados testes de 
alguns de seus componentes 
por separado em prédios da 
UFBA e do CAB. Neste trabalho, 
este protótipo será descrito 
e, seguidamente, serão 
apresentados os resultados 
do monitoramento do sistema 
hidráulico destes prédios. 
Em particular, será avaliada a 
conveniência de monitorar o 
nível do reservatório superior 
e sua utilidade na detecção 
de vazamentos, avaliação do 
nível de perdas de um prédio, e 
outras informações que podem 
ser obtidas.
No mercado, já há disponíveis
soluções tecnológicas 
para o monitoramento do 
consumo de água, visando o 
acompanhamento do consumo 
e a detecção rápida de 
eventuais vazamentos. Estes 
sistemas estão baseados na 
sua totalidade em hidrômetros 
com telemetria. Em casos 
especiais (redes de água 
urbana) são usados sensores 
de ruídos com data-logger ou 
telemetria. A solução existente 
no mercado, para prédios, 
baseia-se exclusivamente em 
hidrômetros que enviam suas 
leituras por telemetria para 
um site de internet. O cliente 
recebe um relatório semanal 
ou mensal, além de uma 
senha para acessar a qualquer 
instante o site com as leituras. O 
consumo de água é comparado 
com o histórico de
consumo 
do cliente e, caso as leituras 
indicarem um consumo de água 
anormalmente elevado, supõe-
se que pode haver vazamentos 
e o cliente recebe uma alerta. 
A inovação proposta é 
integrar um sistema de 
hidrômetros com telemetria 
(monitoramento da vazão) 
com um sistema de sensores 
para monitoramento do nível 
nos reservatórios e caixas de 
água. Os dados destes sensores 
são enviados para um site de 
internet, desde onde ambos 
o cliente e o responsável pela 
manutenção do prédio podem 
acompanhar o monitoramento. 
Em caso de qualquer falha no 
sistema (transbordamento de 
reservatórios, um consumo 
anormalmente elevado, etc) 
o sistema envia mensagens 
de alerta para o celular ou 
e-mail dos usuários (síndico, 
técnico de manutenção, etc.). 
Este sistema ainda pode ser 
ampliado com outros tipos 
de sensores (de pressão e de 
ruídos). 
Para monitorar o consumo 
de água de um prédio, o mais 
interessante é monitorar 
o hidrômetro principal de 
Edição n 286 - Maio de 2016 - 85
entrada. Embora, pode-se 
usar vários hidrômetros para 
monitorar uma parte de um 
prédio ou inclusive um único 
banheiro. A Figura 1 mostra 
hidrômetro com data-logger.
O sistema proposto 
monitora a vazão de água que 
é consumida no prédio todo 
(monitorando o hidrômetro de 
entrada) e também a vazão de 
cada setor do prédio ou andar, 
o que se denomina “medição 
setorizada”. Na medição por 
telemetria, cada hidrômetro 
possui um gerador de pulso 
que emite um sinal que se 
corresponde com a leitura.
Este sinal é depois enviado 
por radiofrequência para um 
coletor de dados, que pela 
sua vez envia esta informação 
para um servidor de internet. 
Os avanços em telemetria dos 
últimos anos têm abaratado 
esta tecnologia já consolidada, 
aplicando-a na medição 
individualizada de água. 
Embora, até os hidrômetros 
de maior precisão possuem 
limitações na detecção de 
pequenas vazões devidas a 
vazamentos. 
Uma das inovações que 
pretende ser desenvolvida por 
este projeto é o uso de válvulas 
de impulsos hidráulicos a 
montante dos hidrômetros.
Estas válvulas aumentam o 
desempenho dos hidrômetros 
reduzindo o problema da sub-
medição (pequenas vazões 
de água, produzidas por 
vazamentos, que não são 
registradas pelo hidrômetro). 
A Figura 2 mostra uma destas 
válvulas, fabricadas em Israel 
pela A.R.I. Flow Control 
Accessories Ltd., que já estão 
sendo testadas na Escola 
Politécnica da UFBA.
Mediante o uso destas 
válvulas de impulsos a montante 
dos hidrômetros a precisão 
das leituras do consumo 
de água é sensivelmente 
incrementada. Com estas 
válvulas, os hidrômetros 
conseguem detectar pequenas 
vazões devidas a vazamentos 
que de outra forma passariam 
inadvertidas. Vários autores 
têm relatado casos de estudo 
em que a precisão da leitura do 
hidrômetro foi incrementada 
em até 10% com o uso das 
válvulas UFR [8-11]. 
Em paralelo com o 
monitoramento dos 
hidrômetros, propõe-
se monitorar o nível dos 
reservatórios e caixas de água. 
Uma sonda de nível submersa 
como a mostrada na Figura 3 
registra a cada instante o nível 
de água no reservatório e envia 
a leitura por telemetria.
O sistema permite monitorar 
vários tanques de água ao 
mesmo tempo.
O monitoramento do 
reservatório superior do prédio 
(tanque de distribuição) é de 
particular interesse. O consumo 
de água em cada instante é 
provocado pela demanda de 
água dos ocupantes do prédio 
acrescentado por pequenos 
vazamentos constantes mais 
eventuais grandes vazamentos.
O tanque superior vai 
esvaziando-se e, ao chegar a um 
nível mínimo, o comando-boia 
liga a bomba que recalca água 
desde o reservatório inferior. 
Em prédios em que a pressão 
da rede é suficiente não são 
necessárias bombas e a entrada 
86 - Revista BQ - Banas Qualidade
de água no tanque superior 
é quase constante. Em ambos 
os casos, o monitoramento 
do nível permite acompanhar 
o consumo de água de 
uma maneira instantânea 
detectando eventuais 
vazamentos e anomalias no 
correto funcionamento do 
sistema de distribuição.
Este sistema tem sido 
testado preliminarmente em 
grandes prédios da Região 
Metropolitana de Salvador, 
como ilustra a Figura 4.
As informações dos 
diferentes sensores são 
enviadas para um servidor. Um 
esquema do sistema hidráulico, 
personalizado para cada 
prédio, é disponibilizado num 
site de internet. As informações 
em tempo real aparecem 
mostradas num entorno 
amigável e visualmente 
atrativo, que o usuário identifica 
como seu prédio.
Estas informações são: a 
vazão de cada hidrômetro, 
os níveis dos reservatórios, a 
pressão da rede de água na 
entrada do prédio, e ainda o 
volume total consumido no 
mês e uma estimativa da conta 
de água. 
O monitoramento do nível do 
tanque de distribuição permite 
conhecer de forma fácil e precisa 
o perfil de consumo do prédio, 
isto é, a curva de demanda de 
água em cada hora do dia. Este 
perfil de consumo caracteriza 
o normal funcionamento do 
sistema hidráulico do prédio. 
Comparando este perfil com 
o consumo em tempo real, o 
que é feito automaticamente 
mediante um algoritmo simples, 
pode-se detectar rapidamente 
qualquer anomalia (um 
consumo elevado e imprevisto). 
Desta forma, o sistema on-line 
pode ser programado para 
mandar automaticamente 
uma mensagem de alerta por 
vazamento, ao mail ou ao 
celular do cliente. 
Num estágio mais avançado 
deste sistema, o usuário do 
sistema poderia até comandar 
uma válvula desde seu celular 
ou computador, e fechar 
remotamente o registro de 
água de um setor do prédio 
em caso de vazamento. A 
Figura 5 a seguir esquematiza 
a arquitetura do sistema 
proposto.
Teste em campo
Durante períodos de entre 
uma e quatro semanas, foi 
instalado uma sonda de nível no 
reservatório superior em vários 
prédios de Salvador. Em paralelo 
com a sonda submersa, um 
medidor de pressão atmosférica 
compensava as leituras da 
sonda de nível (sonda de 
pressão hidrostática). As fontes 
de incerteza na medição usando 
este sistema são: a precisão do 
sensor capacitivo de pressão, 
a variação do volume de água 
com a temperatura e a variação 
da pressão atmosférica. Para 
minimizar o erro devido à 
Figura 5 – Arquitetura geral do sistema: integração dos sensores e transmissão da informação para o usuário.
Edição n 286 - Maio de 2016 - 87
variação da temperatura de 
água, a sonda leva incorporado 
um sensor de temperatura 
RTD de platina com precisão 
de ±0,1°C que compensa 
automaticamente as leituras de 
pressão hidrostática. A maior 
fonte de incerteza resultou a 
variação da pressão atmosférica, 
cuja contribuição ao erro de 
leitura foi de ±5 mm após fazer a 
compensação com um medidor 
de pressão atmosférica de 
precisão ±0,05 kPa. 
A precisão final deste sistema 
de medição de nível foi avaliada 
em ±6 mm para colunas de 
água dentre 0 e 3m. A resolução 
deste sistema medidor, definida 
como a medida do menor 
incremento mensurável, é de 
1,5mm. 
A sonda e o medidor 
atmosférico foram 
programados para coletar 
dados de forma automática 
a cada 5 minutos. No sistema 
proposto, estas leituras 
automáticas de nível seriam 
transmitidas por telemetria 
para um servidor. Embora, nesta 
experiência, os dados em vez de 
transmitidos foram registrados 
num data-logger. Após finalizar 
a leitura de cada reservatório, o 
medidor era retirado e os dados 
descarregados no computador 
para serem analisados. 
Para a elaboração dos 
perfis de consumo de água, os 
registros de nível (um a cada 
5 minutos) foram integrados 
em períodos de uma hora e 
posteriormente transformados 
em volume de água consumida.
A conversão entre variação 
de nível do reservatório e 
volume de água foi realizada 
mediante um programa 
informático que realiza 
operações algébricas levando 
em conta os intervalos em que 
a bomba está ligada (entradas 
de água no reservatório) e a 
área do reservatório (relação 
nível/volume). Desta forma, 
foram elaborados os perfis de 
consumo de água para cada 
prédio, que mostram o volume 
de água consumida em cada 
uma das 24h
do dia. Foram 
elaborados perfis de consumo 
para cada um dos dias em que 
o medidor foi instalado, fossem 
eles dias úteis ou feriados. 
Ainda, foi testado o medidor 
de nível no reservatório 
inferior de alguns prédios, 
com o objetivo de avaliar sua 
estanqueidade, isto é, avaliar 
a existência de perdas de água 
por infiltração através das 
paredes do tanque. O critério 
seguido foi que durante o 
período em que a válvula de 
entrada do reservatório está 
fechada e a bomba parada 
o nível deve permanecer 
constante. A elevada resolução 
do medidor (1,5mm) permite 
detectar com clareza se o 
nível está num valor estável 
ou se pelo contrário está 
descendo lentamente devido a 
vazamentos através de gretas 
no concreto das paredes. 
Os prédios escolhidos 
foram a Escola Politécnica da 
UFBA e uma dúzia de edifícios 
administrativos do CAB. Estes 
prédios possuem uma tipologia 
similar: prédios públicos com 
grande ocupação durante um 
horário definido (segunda a 
sexta) e que permanecem 
vazios durante a noite e dias 
festivos.
O consumo de água de todos 
estes prédios é monitorado 
pelo sistema AGUAPURA, 
mediante leituras diárias do 
hidrômetro de entrada. As 
figuras 3 e 4 mostram um dos 
prédios monitorados, com 
destaque nos três pontos 
de interesse: hidrômetro 
principal, reservatório inferior 
e reservatório superior de 
distribuição.
Foi constatado que o 
monitoramento do nível do 
reservatório superior permite 
caracterizar o funcionamento 
do sistema hidráulico do 
prédio, em particular o 
enchimento de reservatórios 
e o funcionamento da bomba 
(número de partidas e paradas, 
comando-boia, etc). Mediante 
a instalação de sensores de 
nível com registrador de dados, 
foi avaliado o funcionamento 
do sistema hidráulico de mais 
de uma dúzia de edifícios.
Para todos estes prédios 
foram traçadas curvas do nível 
dos reservatórios. A Figura 6 
mostra uma destas curvas, que 
representa uma “radiografia” do 
funcionamento do reservatório 
e da qual podem ser extraídas 
interessantes conclusões.
88 - Revista BQ - Banas Qualidade
Figura 3 – Instalação dos sensores no sistema hidráulico de um prédio já existe: exemplo da Escola Politécnica. Os pontos de 
medição escolhidos foram o hidrômetro principal de entrada, o reservatório inferior (R.L.) e o reservatório superior (R.S.)
Na Figura 6, observam-se 
três bombeamentos durante 
os finais de semana e até sete 
por dia útil. A gráfica indica que 
o número de bombeamentos 
é adequado, embora a boia de 
comando poderia ser regulada 
para reduzir o numero de 
partidas/paradas da bomba, 
incrementando sua vida útil. 
Quando aplicado ao 
reservatório inferior, o medidor 
de nível permite avaliar sua 
estanqueidade. Enquanto a 
bomba está parada e a entrada 
do reservatório está fechada, 
um descenso do nível da água 
representaria perdas de água 
por infiltração através das 
paredes do tanque.
A Figura 7 mostra a curva 
de variação do nível de um 
reservatório cuja entrada de 
água está fechada. Os trechos 
descendentes representam 
partidas da bomba enquanto 
os trechos horizontais indicam 
nível estável com ausência de 
vazamentos
Durante a instalação 
do medidor de nível no 
reservatório superior dos 
prédios também são realizadas 
medições de suas dimensões, 
o que permite relacionar as 
variações de nível da água com 
o volume consumido. O cálculo 
do volume de água consumida 
em cada intervalo de tempo 
permite a elaboração dos perfis 
diários de consumo de água do 
prédio (Figuras 8 e 9). As curvas 
correspondem ao volume de 
água consumido em cada hora, 
Figura 4 – Vista do prédio em que está sendo testando o protótipo na atualidade. A Escola Politécnica conta com 
uma população equivalente (alunos e funcionários) de 1000 pessoas por dia. O consumo médio em 2014 foi de 
19,8 m³/dia, isto é, mais de 7 milhões de litros de água por ano (12).
Edição n 286 - Maio de 2016 - 89
durante um dia útil (Figura 8) 
e um feriado (Figura 9), num 
grande prédio do CAB – Centro 
Administrativo da Bahia.
Inserir metrologia10
Das figuras 8 e 9 podem ser 
extraídos dois resultados de 
interesse: 
Primeiro, o perfil de consumo 
de água do prédio. A demanda 
diária de água no prédio segue 
um padrão bem definido, 
característico de um prédio 
administrativo que permanece 
praticamente desocupado das 
20:00 às 5:00 horas. Nos dias 
de expediente, o consumo 
entre as 11:00 e as 17:00 horas 
atinge o valor máximo de 1700 
litros/hora. Nas horas em que 
o prédio está vazio, o consumo 
cai para 120-180 litros por 
hora. Este consumo se deve a 
eventuais acionamentos dos 
aparelhos hidro-sanitários 
pelos vigilantes noturnos, e a 
pequenos vazamentos de água 
no prédio. 
Segundo, uma avaliação do 
nível de perdas do prédio. O 
monitoramento do nível de 
água no reservatório superior 
permite estabelecer para este 
prédio umas perdas mínimas 
de 100 litros por hora, devidas 
a pequenos vazamentos em 
tubulações, torneiras e bacias 
sanitárias. Este patamar de 
perdas de água por vazamentos 
corresponde a 72 m3 por mês. 
Este volume de água, perdido 
em pequenos vazamentos no 
sistema hidráulico do prédio, 
tem um custo de R$ 24.300,00 
por ano. 
Com relação ao custo do 
protótipo, a Tabela 1 apresenta 
o valor do sistema básico e de 
cada elemento por separado.
O custo é composto por um 
valor fixo que corresponde ao 
sistema que recebe as leituras 
dos sensores e as transmite 
para a internet e também gera 
as alarmes automaticamente, e 
um valor variável que depende 
do número de sensores 
instalados (isto é, do número 
de pontos monitorados). Por 
exemplo, para um sistema 
que monitore 1 reservatório 
e 1 hidrômetro, o custo total 
seria 1.000 (sistema básico) + 
6.000 (custo 1 reservatório) + 
400 (custo 1 hidrômetro) = R$ 
7.400,00.
Enfim, o monitoramento do 
nível do reservatório superior 
de um prédio oferece uma 
informação complementar 
às leituras do hidrômetro 
de entrada (a montante 
do reservatório), e dos 
hidrômetros dos diferentes 
setores do prédio (a jusante 
do reservatório). Em conjunto, 
ambos o medidor de nível e o 
hidrômetro permitem realizar 
o balanço hídrico do prédio 
e caracterizar o consumo, 
identificando eventuais 
vazamentos. 
O monitoramento 
simultâneo de nível e vazão 
realizada por este novo 
sistema oferece uma série de 
vantagens para a gestão do 
consumo de água em prédios. 
Este sistema adequa-se muito 
bem em instalações hidráulicas 
já existentes, nem necessidade 
de obras adicionais ou 
modificações. Ainda, é idôneo 
para o tipo de instalações mais 
modernas que o estão surgindo 
no mercado recentemente: 
sistemas de aproveitamento 
de água de chuva, de reuso de 
águas servidas, sistemas de 
automação predial.
O uso de válvulas de impulsos 
a montante dos hidrômetros 
incrementa a precisão das 
leituras do consumo de 
Figura 8 – Perfil de consumo de água em dia útil
Figura 9 – Perfil de consumo de água em dia feriado
90 - Revista BQ - Banas Qualidade
água em 10% [8-11]. Com 
este acréscimo na precisão 
na leitura, é possível detectar 
e quantificar vazamentos de 
água em qualquer sector de um 
prédio.
A velocidade de detecção 
de vazamentos aumenta 
sensivelmente em relação 
a sistemas que monitoram 
unicamente a leitura diária 
do hidrômetro de entrada 
como, por exemplo, o sistema 
AGUAPURA em funcionamento 
em vários prédios públicos da 
Bahia. Pode-se detectar um 
vazamento em questão de 
horas, sem ter que aguardar um 
relatório semanal ou mensal.
Ainda mais interessante do 
que o aumento na velocidade 
na detecção é o fato de 
não precisar de um grande 
vazamento para o sistema 
detectar uma anomalia 
no consumo. Pequenos 
vazamentos (que podem supor 
um grande prejuízo ao final do 
mês) são também detectados.
Vazamentos nos reservatórios 
são também detectados, o que 
não acontece se monitorarmos 
unicamente os hidrómetros.
A medição conjunta de vazão 
e nível permite caracterizar 
o funcionamento do sistema 
hidráulico do prédio, em 
particular o enchimento de 
reservatórios
e o funcionamento 
da bomba (número de partidas 
e paradas, comando-boia, 
etc.). Esta informação é muito 
valiosa para os responsáveis 
pela manutenção e pode 
evitar problemas de queima 
de bombas, perda de água e 
alagamento por extravazão de 
reservatórios, entre outros.
O monitoramento do nível 
dos reservatórios permite uma 
estimativa precisa do volume de 
água perdida por vazamentos, 
indicada pelo consumo noturno 
ou em horários em que o prédio 
está vazio. Ter uma estimativa 
confiável do volume de água 
(e o dinheiro) que está sendo 
desperdiçado é um resultado 
valioso para o cliente, que 
pode assim realizar uma análise 
econômica para investir em 
pesquisa de vazamentos ou 
em modernizar sua instalação 
hidrossanitária.
O monitoramento do nível 
dos reservatórios também 
permite a elaboração de um 
perfil diário de consumo, 
baseado no descenso do nível 
do reservatório superior de 
distribuição. Este descenso do 
nível pode ser monitorado em 
intervalos de até 1 segundo. O 
perfil de consumo construído 
com este método é muito mais 
confiável que o construído 
mediante monitoramento 
exclusivo do hidrômetro de 
entrada, que é o que oferecem 
os sistemas convencionais 
disponíveis no mercado. A 
razão é que o descenso de 
nível indica a água realmente 
consumida nesse instante 
enquanto o volume de água 
que atravessa o hidrômetro 
pode estar destinado a encher 
o reservatório. Desta forma, 
o hidrômetro pode estar 
registrando passagem de água 
mesmo com o prédio vazio. 
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dos Mananciais de Salvador – 
Estudo de Demandas”, (2010) 
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[8] S. Yaniv “Reduction of 
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[12] A.S. Sánchez 
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Pluviais na Escola Politécnica da 
UFBA”, Universidade Federal da 
Bahia, Salvador (2014), 284p. 
http:/ /dx.doi.org/10.13140/
RG.2.1.4148.8084
Antonio Santos Sánchez é da 
Universidade Federal da Bahia- 
sanchezbahia@gmail.com; Eduardo 
Henrique Borges Cohim é da State 
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92 - Revista BQ - Banas Qualidade
Escreva para o Editor Hayrton do Prado através do Email: hayrton.prado@epse.com.br
Estabelecendo metas
Erik Penna – São Paulo – SP
Uma pesquisa da Universidade 
de Scranton, na Pensilvânia 
– Estados Unidos, revelou 
que apenas 8% das pessoas 
conseguem cumprir a meta 
desejada. Você deve conhecer 
algumas pessoas que reclamam 
de não conseguir atingir alguns 
objetivos na vida. Eu mesmo 
conheço várias e descobri 
que a maioria não conquista 
os objetivos porque não os 
possuem de forma clara em sua 
mente.
Já as pessoas que estabelecem 
metas, normalmente alcançam 
melhores resultados na vida 
pessoal e profissional. E se, no 
planejamento dessas metas, 
você fizer uso do sistema 
SMART (palavra que, em inglês, 
significa esperto, inteligente), 
vai observar que as chances de 
êxito aumentam ainda mais. 
O sistema S.M.A.R.T. define 
que, na elaboração das metas, 
devem ser observadas cinco 
características (cujas iniciais em 
inglês dão nome ao sistema). 
Veja a seguir:
– Specific (Específica): O 
primeiro passo é especificar, ou 
seja, descrever com detalhes 
o seu desejo. Por exemplo: 
não adianta dizer que a meta 
é comprar um carro novo, isso 
é muito vago, afinal, um carro 
novo pode ser um Fusca ou 
uma Ferrari. Portanto, descreva 
a marca, o modelo, o ano, a 
potência do motor, os opcionais, 
quantas portas deve ter e até a 
cor que lhe agrada mais. Isso 
evita ambiguidades, sendo, 
portanto, fundamental para 
você saber exatamente o que 
está buscando.
– Measurable (Mensurável): 
Em alguns casos, o sonho não 
acontece porque pedimos 
errado. Um exemplo disso 
ocorreu quando eu questionei 
um amigo sobre suas metas 
para o ano e ele me respondeu 
que a meta era ter mais dinheiro. 
Na mesma hora, eu tirei um real 
do bolso entreguei a ele e disse 
que ele, então, já tinha atingido 
a meta, pois já possuía mais 
dinheiro. Ele riu, percebeu o erro 
e entendeu a necessidade de 
mensurar, medir e quantificar 
o que desejava. Exemplo: eu 
quero 50 mil reais a mais do que 
eu tinha no final do ano passado, 
na minha conta corrente, até o 
dia 30 de dezembro deste ano.
– Attainable (Atingível): A meta 
precisa ser desafiadora e possível 
de ser atingida, pois, se ela for 
muito fácil, desestimula a atitude 
e, se for impossível, também 
não estimula a mobilização 
adequada. Encontrar este 
equilíbrio é um desafio para 
empresas, gestores e pessoas 
que buscam se aperfeiçoar.
– Relevant (Relevante): Lembre-
se de que, ao estabelecer uma 
meta, é importante que ela 
tenha relevância e que, ao 
ser alcançada, gere prazer e 
satisfação. O esforço precisa 
realmente valer a pena para 
quem conquista.
– Time based (Temporal): É 
preciso também estabelecer
uma data limite para a meta. 
Normalmente, quando se diz: 
“um dia pago essa conta”; “um 
dia ainda vou te visitar”, ou “um 
dia desses iremos nos casar”, 
costuma não acontecer, pois 
não foi colocado um prazo para 
sua realização e, assim, não 
acontece mesmo.
Se você deseja mesmo realizar 
suas metas e ser mais respeitado, 
aconselho-o a escrever num 
papel todos esses dados, 
pois não correrá o risco de se 
esquecer dos seus objetivos. E, 
pode estar certo, seu esforço 
e seu comprometimento serão 
maiores. Depois de traçado 
o alvo por escrito, fixe estas 
informações em um lugar onde 
possa avistá-las diariamente ou 
com certa frequência. Assim, 
feliz da vida, vai concluir que, de 
fato, funciona mesmo.
Sala de aulas vazias
Luiz Gonzaga Bertelli – São Paulo 
- SP
Um dos maiores intelectuais e 
pensadores romanos, Sêneca 
dizia, no início da era cristã, que 
a educação exige os maiores 
cuidados, pois influi sobre toda 
a vida. Passados dois mil anos, 
a frase continua atual, mas a 
ideologia ainda é desrespeitada. 
A educação vem sofrendo, 
nos últimos anos, cortes de 
recursos, em razão da crise 
econômica, o que compromete 
o futuro do país. Uma grande 
parcela da juventude vem se 
afastando de cursos superiores 
pela dificuldade de acompanhar 
as aulas – como consequência da 
má formação no ensino básico, 
ou mesmo por não ter condições 
de arcar com as pesadas 
mensalidades do ensino privado, 
motivados pelos crescentes 
índices de desemprego entre os 
jovens.
Segundo o Censo da Educação 
mailto:hayrton.prado@epse.com.br
Edição n 286 - Maio de 2016 - 93
Cartas
Superior, relativo a 2014, o número de 
universitários que abandonam seus cursos 
tem superado o total que conclui a graduação. 
Naquele ano, formaram-se no país um milhão 
de pessoas. No entanto, 1,2 milhão de alunos 
trancou a matrícula, incluindo estudantes dos 
ensinos presenciais e à distância. A situação é 
mais grave nas universidades particulares: as 
interrupções no curso representam 86% do total.
Esse adiamento na qualificação da juventude 
traz um impacto negativo para o mercado 
de trabalho, que exige, cada vez mais, 
jovens capacitados. Com isso, sem formação 
adequada, eles encontram mais dificuldades 
para se engajarem no mundo corporativo. Os 
prejuízos são grandes. Tanto para os jovens e 
suas famílias, quanto para o desenvolvimento 
do país.
A tendência não é nada animadora. As 
faculdades privadas devem amargar pelo 
menos mais dois anos de queda no número de 
novos alunos. No ano passado, o Brasil teve 2 
milhões de novas matrículas, uma redução de 
12% em relação a 2014. Só no estado de São 
Paulo serão 207 mil estudantes a menos em 2015 
e 2016, de acordo com cálculos do Sindicato das 
Mantenedoras de Ensino Superior este ano. A 
principal causa teria sido a redução do número 
de vagas do Fies, sistema de financiamento 
estudantil do governo federal.
Uma das formas de se capacitar para o 
mercado de trabalho com fonte de renda, 
que auxilia no pagamento das mensalidades 
escolares, é o estágio (para quem está 
cursando ensino médio, técnico ou superior 
e tem 16 anos ou mais) ou a aprendizagem 
(para quem possui entre 14 a 24 anos, 
cursando os ensinos fundamental, médio 
ou concluído o ensino médio). O CIEE, que 
há 52 anos tem como principal objetivo 
qualificar e inserir jovens no mercado de 
trabalho por meio da capitação prática, 
está aberto para os jovens que queiram se 
especializar sob a égide desses programas. 
Assim, eles garantem uma melhor formação 
profissional, renda para não interromper 
os estudos, além da oportunidade de ser 
efetivado no final do contrato.
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