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Indaial – 2019 Fundamentos de Fisioterapia e Ética proFissional Prof. ª Karina Lopes Prof. ª Laura de Oliveira Carmona 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2019 Elaboração: Prof. ª Karina Lopes Prof. ª Laura de Oliveira Carmona Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: L864f Lopes, Karina Fundamentos de fisioterapia e ética profissional. / Karina Lopes; Laura de Oliveira Carmona. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 242 p.; il. ISBN 978-85-515-0412-3 1. Fisioterapia. - Brasil. I. Carmona, Laura de Oliveira. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 610 III apresentação Caro acadêmico! Quando pensamos na Fisioterapia, pensamos como profissão e como Ciência. Neste sentido, a Fisioterapia que é o estudo do movimento humano uti- liza a Ciência como forma de otimizar a busca pela recuperação do mesmo. As- sim, esse caderno objetiva oferecer diversas formas de conhecer a Fisioterapia e suas áreas de atuação, a qual pode atuar em todas as fases de atenção em saúde. Esse livro será um divisor de águas para que você, acadêmico, enten- da o que a Fisioterapia como Ciência possui como ferramentas para promo- ver a saúde, prevenir agravos e reabilitar o paciente, seja na área Ortopédica, Traumatológica, Esportiva, Gerontológica, Dermatofuncional, Neurofuncio- nal, Respiratória, Cardiovascular, entre outras. Mas será que foi sempre assim? Será que a Fisioterapia foi desde o início considerada uma Ciência e Profissão regulamentada? Não. O caminho percorrido foi longo, tortuoso, de idas e vindas, de ten- tativas, acertos, retrocessos, avanços, até que finalmente em 1969, através do De- creto Lei 938, a Fisioterapia foi reconhecida e regulamentada como profissão. Antes disso, na Antiguidade e mesmo nas épocas seguintes já se pratica- va a Fisioterapia sem mesmo se ter noção disso. As chamadas desordens físicas, atualmente conhecidas como disfunções e patologias, eram tratadas através do uso de agentes físicos como o calor, a massagem, os exercícios respiratórios, a ginástica, as descargas elétricas vindas do peixe elétrico, entre outras fontes te- rapêuticas. Conforme a civilização foi evoluindo, a visão acerca do corpo e da saúde também foi se modificando. Houve modificações sobre a percepção da importância do corpo físico, da saúde, a relação da fé e do corpo físico, a organização da sociedade em camadas. Esse livro está dividido em três unidades de forma a permitir que você acadêmico, consiga entender a linha histórica da prática da Fisioterapia, desde os primórdios até a atualidade, possibilitando compreender as trasnformações sofridas ao longo dos anos e como atualmente econtra-se o mercado de trabalho, necessitando que legamente o profissional esteja apto a realizar sua atividade profissional, dentro de suas atribuições. Na primeira unidade você compreenderá os fundamentos históricos da Fisioterapia. Na segunda unidade será dada ênfase na apresentação das especialidades da Fisioterapia e suas atribuições profissionais e na terceira e IV última unidade, dividida em cinco tópicos, será apresentado a você, os as- pectos bioéticos e seus princípios, a deondotologia e sua importância no dia a dia profissional, além da abordagem do que é ética e moral. Agora convidamos você para iniciarmos juntos esse estudo por toda a trajetória da profissão de Fisioterapeuta que há 50 anos vem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas em diversas áreas. Bons estudos! Prof. ª Karina Lopes Prof. ª Laura de Oliveira Carmona V Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA VI VII Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer teu conhecimento, construímos, além do livro que está em tuas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela terás contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar teu crescimento. Acesse o QR Code, que te levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nessa caminhada! LEMBRETE VIII UNIDADE 1 – FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA ..........................................1 TÓPICO 1 – AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO ...............................................................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3 2 A ANTIGUIDADE E O TRATAMENTO DE DESORDENS FÍSICAS ATRAVÉS DA UTILIZAÇÃO DE AGENTES FÍSICOS ................................................................................................5 2.1 DEFINIÇÃO DE DESORDENS FÍSICAS........................................................................................8 2.2 QUAIS ERAM OS TIPOS DE DESORDENS FÍSICAS ..................................................................9 2.3 QUAIS OS TIPOS DE AGENTES FÍSICOS UTILIZADOS NOS TRATAMENTOS DAS DESORDENS FÍSICAS ......................................................................................................................9 3 A IDADE MÉDIA E O OLHAR PARA AS DESORDENS FÍSICAS ...........................................11 3.1 A ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE EM CAMADAS ...........................................................11 3.2 A FÉ X O CORPO FÍSICO ...............................................................................................................12 4 O RENASCIMENTO E A PREOCUPAÇÃO COM O CORPO ...................................................12 4.1 A RETOMADA DO OLHAR AO CORPO FÍSICO .....................................................................13 4.2 FATOS MARCANTES DO MOVIMENTO LITERÁRIO E ARTÍSTICO ..................................14 4.3 A RELAÇÃO DAS DESORDENS FÍSICAS COM O CORPO SÃO E A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS .....................................................................................................................................14 5 A INDUSTRIALIZAÇÃO, O SURGIMENTO DE DOENÇAS E DAS ESPECIALIDADES MÉDICAS ..................................................................................................................................................15 5.1DEFINIÇÃO DO NOVO PROCESSO FABRIL ............................................................................15 5.2 O SURGIMENTO DE PROBLEMAS DE SAÚDE RELACIONADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO ...................................................................................................................15 5.3 A DESCOBERTA DE NOVOS MÉTODOS DE TRATAMENTO DAS DOENÇAS E DE SUAS SEQUELAS ...................................................................................................................... 18 5.4 INICIAÇÃO DAS ESPECIALIDADES MÉDICAS ......................................................................19 6 A FISIOTERAPIA NO BRASIL E NO MUNDO NA TRANSIÇÃO ENTRE OS SÉCULOS XIX, XX e XXI ...........................................................................................................21 6.1 A TRANSIÇÃO DO SÉCULO XX PARA O SÉCULO XXI EM RELAÇÃO AOS OBJETOS DE TRABALHO E DE ESTUDO .........................................................................24 6.2 O CUIDADO DAS ESPECIALIDADES MÉDICAS E A PREOCUPAÇÃO COM A DOENÇA INSTALADA ..............................................................................................................25 6.3 A FISIOTERAPIA FAZENDO PARTE DA EQUIPE DE SAÚDE ..............................................25 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................27 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................28 TÓPICO 2 – A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA FISIOTERAPIA ...................................................29 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................29 2 O SURGIMENTO DA FISIOTERAPIA COMO CIÊNCIA E PROFISSÃO ..............................29 2.1 A FUNDAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE ELETRICIDADE MÉDICA DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (FMUSP) .........................................30 sumário IX 2.2 A INSTALAÇÃO DO SERVIÇO DE FISIOTERAPIA NO HOSPITAL CENTRAL DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO .............................................................................32 2.3 O SURGIMENTO DO PRIMEIRO CURSO DE FISIOTERAPIA A NÍVEL TÉCNICO NO BRASIL NO INSTITUTO CENTRAL DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE SÃO PAULO .....................................................................................................................................34 2.4 A EVOLUÇÃO DO CURSO DE FISIOTERAPIA ........................................................................34 2.4.1 A fundação da ABBR e a iniciação do curso técnico em reabilitação ..............................35 2.4.2 O curso de Fisioterapia da FMUSP .......................................................................................37 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................38 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................39 TÓPICO 3 – ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) .......................................................................... 41 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................41 2 ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) ..................................................................................................................................41 2.1 O PROJETO DE LEI DE FEVEREIRO DE 1963 E A TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO .....................................................................................41 2.2 O DECRETO LEI 938/69: CONTRIBUIÇÕES PARA A EXPANSÃO DO ENSINO DE FISIOTERAPIA NO BRASIL ..........................................................................................................44 2.3 A CRIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE FISIOTERAPIA E DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FISIOTERAPIA: MARCOS IMPORTANTES À PROFISSÃO E AO ENSINO DA FISIOTERAPIA ..........................................................................................................................45 2.4 ASPECTOS LEGAIS DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA NO BRASIL ..............45 2.4.1 A expansão do ensino em fisioterapia: houve planejamento adequado? .......................46 2.4.2 Distribuição de cursos por região em 2003..........................................................................46 2.4.3 Relação da distribuição de cursos por região comparado à distribuição populacional em 2003 .....................................................................................................................................................46 2.4.4 A influência do parecer 388/63 aprovado pelo mec em 10/12/1963, sobre a expansão do ensino ................................................................................................................47 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................50 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................51 TÓPICO 4 – ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA APÓS A ASSINATURA DO DECRETO LEI 938/69 ...................................................................53 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................53 2 ATUAÇÃO PROFISSIONAL APÓS A ASSINATURA DO DECRETO LEI .............................53 2.1 O QUE REPRESENTA A LEI 6.316/1975 NA PROFISSÃO DE FISIOTERAPEUTA ..............54 2.2 O COFFITO COMO ÓRGÃO REGULAMENTADOR DA PROFISSÃO .................................55 2.3 A HIERARQUIA COFFITO – CREFITOS .....................................................................................55 2.4 OS CREFITOs ..................................................................................................................................56 RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................58 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................59 TÓPICO 5 – O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) ....................................61 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................61 2 O PARECER CNE/CES 1210/2001 .......................................................................................................61 X 2.1 DEFINIÇÃO DE CNE, SUA IMPORTÂNCIA E RELAÇÃO COM CES, MEC E DCNs ........................................................................................................................................61 2.2 O PAPEL DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, DA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR E DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA NO ENSINO SUPERIOR ................................................................................................................62 2.3 DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS EM FISIOTERAPIA ........................................64 2.3.1 Princípios das diretrizes curriculares nacionais em Fisioterapia .....................................64 2.3.2 Objetivos das diretrizes curriculares nacionais em Fisioterapia ......................................652.3.3 A formação profissional segundo as DCNS e o perfil do formando-egresso-profissional ...................................................................................................65 2.3.3.1 Competências e habilidades do egresso em Fisioterapia – competências e habilidades gerais ....................................................................................................................65 2.3.3.2 Competências e habilidades específicas...................................................................65 2.4 CONTEÚDOS CURRICULARES ..................................................................................................66 3 ESTÁGIOS E ATIVIDADES COMPLEMENTARES DO CURSO DE FISIOTERAPIA .........66 3.1 ORGANIZAÇÃO DO CURSO DE FISIOTERAPIA ....................................................................67 3.2 FATORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA A REFORMULAÇÃO DAS DCNs .......................67 4 A INFLUÊNCIA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL NAS DCNS ................................................69 4.1 COMO A LEI ORGÂNICA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE Nº 8.080 DE 19/09/1990 INFLUENCIOU NA REFORMULAÇÃO DAS DCNs ................................................................69 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................72 RESUMO DO TÓPICO 5........................................................................................................................76 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................77 UNIDADE 2 – APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA E ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS ............................................................................79 TÓPICO 1 – APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA ........................81 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................81 2 APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA ............................................84 2.1 FISIOTERAPIA EM ACUPUNTURA ...........................................................................................86 2.2 FISIOTERAPIA AQUÁTICA ..........................................................................................................86 2.3 FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR ..........................................................................................86 2.4 FISIOTERAPIA DERMATO FUNCIONAL .................................................................................87 2.5 FISIOTERAPIA ESPORTIVA..........................................................................................................87 2.6 GERONTOLOGIA ...........................................................................................................................87 2.7 TRABALHO ......................................................................................................................................88 2.8 FISIOTERAPIA NEURO FUNCIONAL .......................................................................................88 2.9 FISIOTERAPIA ONCO FUNCIONAL .........................................................................................88 2.10 FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA.................................................................................................89 2.11 FISIOTERAPIA TRAUMATO ORTOPÉDICA FUNCIONAL .................................................89 2.12 FISIOTERAPIA EM OSTEOPATIA .............................................................................................89 2.13 FISIOTERAPIA EM QUIROPRAXIA ..........................................................................................90 2.14 FISIOTERAPIA NA SAÚDE DA MULHER ..............................................................................90 2.15 FISIOTERAPIA EM TERAPIA INTENSIVA ..............................................................................90 3 ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS .....................................................................................................90 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................92 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................93 TÓPICO 2 – ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA ......................................................................................................95 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................95 XI 2 ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS POR ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA ...............95 2.1 FISIOTERAPIA EM TRAUMATO ORTOPEDIA E EM REUMATOLOGIA ...........................95 2.1.1 Avaliação em Traumato Ortopedia e Reumatologia ..........................................................98 2.2 RECURSOS TERAPÊUTICOS UTILIZADOS EM TRAUMATO ORTOPEDIA E REUMATOLOGIA .....................................................................................................................102 2.3 FISIOTERAPIA EM NEUROLOGIA ..........................................................................................105 2.3.1 Escalas de Avaliação Neurofuncional ................................................................................108 2.3.2 Abordagens terapêuticas em Fisioterapia Neurofuncional ............................................113 2.4 FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA.................................................................................................117 2.5 FISIOTERAPIA EM UROGINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA..................................................122 2.5.1 Atuação fisioterapêutica em Urologia e Ginecologia .......................................................122 2.5.2 O programa terapêutico .......................................................................................................123 2.6 FISIOTERAPIA DERMATOFUNCIONAL ................................................................................127 2.6.1 Avaliação em Fisioterapia Dermatofuncional ...................................................................128 2.6.2 Recursos terapêuticos em Fisioterapia Dermatofuncional..............................................130 2.7 FISIOTERAPIA EM ERGONOMIA ............................................................................................132 2.7.1 Ergonomia como ciência ......................................................................................................133 2.7.2 A prática de Ginástica Laboral dentro da Saúde do Trabalhor ......................................134 2.8 FISIOTERAPIA EM SAÚDE DO IDOSO ...................................................................................135 2.9 FISIOTERAPIA AQUÁTICA ........................................................................................................139 2.10 FISIOTERAPIA ESPORTIVA......................................................................................................141 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................146 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................147 TÓPICO 3 – O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA .................................................................149 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................149 2 O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA ........................................................................149 2.1 COMO PROCEDER COM O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA .......................1492.1.1 Resolução 207/2000 e 208/2000 ............................................................................................150 2.1.2 Resoluções 377 e 378 .............................................................................................................151 2.2 SITUAÇÕES QUE DISPENSAM O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E O EXAME NACIONAL PARA A CONCESSÃO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL ................................................................................................151 3 A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA: REFERENCIAL NACIONAL DE PROCEDIMENTOS E JORNADA DE TRABALHO ...................................................................151 3.1 DEFINIÇÃO DE REFERENCIAL NACIONAL DE PROCEDIMENTOS FISIOTERAPÊUTICOS (RNPF) ....................................................................................................152 3.2 VALOR ATUALIZADO DO REFERENCIAL NACIONAL DE PROCEDIMENTOS FISIOTERAPÊUTICOS ..................................................................................................................153 3.3 RELAÇÃO ENTRE REFERENCIAL NACIONAL DE PROCEDIMENTOS FISIOTERAPÊUTICOS E COEFICIENTE DE HONORÁRIOS FISIOTERAPÊUTICOS (CHF) ......................................................................................................156 3.4 A JORNADA DE TRABALHO DO PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA ...........................157 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................158 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................160 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................162 UNIDADE 3 – REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA ........165 TÓPICO 1 – REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA ............167 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................167 XII 2 ÓRGÃOS QUE REGULAMENTAM A PROFISSÃO ..................................................................167 2.1 CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL (COFFITO) ............................................................................................................................................167 2.2 CONSELHOS REGIONAIS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL (CREFITOS) ...........................................................................................................................................168 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................170 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................171 TÓPICO 2 – CÓDIGO DE ÉTICA ..................................................................................................173 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................173 2 ASPECTOS PRINCIPAIS DOS CAPÍTULOS DO CÓDIGO DE ÉTICA .....................173 2.1 RESPONSABILIDADES FUNDAMENTAIS ...........................................................................174 2.2 RELACIONAMENTO COM CLIENTE/PACIENTE/USUÁRIO ....................................178 2.3 RELACIONAMENTO COM A EQUIPE ....................................................................................180 2.4 RESPONSABILIDADES NO EXERCÍCIO DA FISIOTERAPIA ....................................183 2.5 SIGILO PROFISSIONAL ..................................................................................................................185 2.6 FISIOTERAPEUTA PERANTE AS ENTIDADES DE CLASSE .......................................187 2.7 HONORÁRIOS .......................................................................................................................................188 2.8 DOCÊNCIA, PRECEPTORIA, PESQUISA E PUBLICAÇÃO ..........................................189 2.9 DIVULGAÇÃO PROFISSIONAL ..................................................................................................191 2.10 DISPOSIÇÕES GERAIS ....................................................................................................................194 2.11 IMPORTÂNCIA DO CÓDIGO DE ÉTICA NA VALORIZAÇÃO DA PROFISSÃO ..........195 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................197 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................198 TÓPICO 3 – DEONTOLOGIA PROFISSIONAL ...................................................................199 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................199 2 DEONTOLOGIA NA PRÁTICA DIÁRIA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA ......................................................................................................................199 RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................................201 AUTOATIVIDADE ..........................................................................................................................202 TÓPICO 4 – ESTUDO DA ÉTICA E DA MORAL .................................................................203 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................203 2 MORAL VERSUS ÉTICA ............................................................................................................203 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................205 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................206 TÓPICO 5 – BIOÉTICA .....................................................................................................................207 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................207 2 IMPORTÂNCIA E FUNÇÕES DA BIOÉTICA ...................................................................207 3 MODELOS DE DISCURSOS BIOÉTICOS ...................................................................................208 4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA ................................................................................................................209 4.1 BIOÉTICA NO BRASIL .................................................................................................................210 5 BIOÉTICA PRINCIPIALISTA ..........................................................................................................210 6 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA............................................................................................................211 7 DIRETRIZES INTERNACIONAIS PARA PESQUISA EM SERES HUMANOS ..................214 7.1 PRINCIPAIS DIRETRIZES INTERNACIONAIS EM PESQUISA (CIOMS, 1993) ................217 7.2 LIMITES DA PESQUISA EM SERES HUMANOS NO BRASIL .............................................221 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................225 RESUMO DO TÓPICO 5......................................................................................................................232 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................233 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................2341 UNIDADE 1 FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender quais foram as modificações que ocorreram acerca do objeto de trabalho (Fisioterapia) em vários períodos da história, desde a Antigui- dade até o final do século XX, tendo marcos importantes na prática da Fi- sioterapia, mesmo não sendo ainda uma ciência nem profissão; • conhecer que, em cada uma dessas fases, houve visões diferentes sobre o corpo, sobre a saúde e o autocuidado; • perceber que depois do surgimento de doenças que até então não existiam houve um impacto da mecanização sobre a saúde e, por fim, o surgimento de estudos e pesquisas sobre a prática da Fisioterapia; • verificar que em tempos remotos agentes físicos eram utilizados como tra- tamento de algumas desordens e qual a sua analogia com a atualidade; • saber como e quando a Fisioterapia surgiu como objeto de estudo e de tra- balho junto à classe médica, o impacto da atuação na prática clínica fazendo com que a mesma passasse mais tarde a ser ofertada como curso superior; • conhecer a organização didática e pedagógica da oferta de cursos de Fisio- terapia no ensino superior, a organização das disciplinas e dos conteúdos curriculares, permitindo formar profissionais com perfil voltado às habili- dades e competências em saúde; • informar-se sobre a regulamentação da profissão baseada na Constituição Federal e nos princípios do SUS; • entender as atribuições profissionais do Fisioterapeuta. 2 PLANO DE ESTUDOS Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO EM FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO TÓPICO 2 – A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA FISIOTERAPIA TÓPICO 3 – ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMEN- TAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) TÓPICO 4 – ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA APÓS A ASSINATURA DO DECRETO LEI 938/69 TÓPICO 5 – O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 1 INTRODUÇÃO Neste primeiro tópico, a abordagem será sobre as modificações que ocor- reram em relação ao objeto de trabalho e em relação à Fisioterapia. O conheci- mento dessas modificações vividas em diferentes períodos da História permitirá que você tenha condições de entender como foi o período, as descobertas, as difi- culdades, os avanços, enfim, a evolução de toda a trajetória até a atualidade. Situações relatadas na História farão você, leitor, compreender que todas as fases foram de extrema importância a nível social, cultural, humano, político e econômico. Houve progressos em diversas áreas e claro que junto com todo o progresso também se têm efeitos “colaterais”. A trajetória histórica a seguir conduzirá você a uma aproximação desses aspectos, principalmente levará a perceber como a Fisioterapia foi pouco a pouco sendo vista como Ciência, como profissão regulamentada, tendo o respeito e a valorização que se busca manter até o atual momento. A linha cronológica representada pelas Figuras 1 e 2, a seguir, foram dis- ponibilizadas ao leitor para melhor visualização dos períodos da História, faci- litando o entendimento acerca do surgimento das civilizações, do modo como viviam, do que se alimentavam, como era o uso dos recursos naturais, as desco- bertas, os avanços, o surgimento das moléstias, a influência da arte e da cultura sobre a vida, dentre tantas outras percepções. Vamos começar? Bons estudos! UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 4 FIGURA 1 – TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA HUMANIDADE FONTE: <https://images.app.goo.gl/SST2T51ycjxogXBu8>. Acesso em: 5 jul. 2019. TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 5 FIGURA 2 – TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA HUMANIDADE FONTE: <https://images.app.goo.gl/FQ5CYQqyerdtdi6A9>. Acesso em: 5 jul. de 2019. 2 A ANTIGUIDADE E O TRATAMENTO DE DESORDENS FÍSICAS ATRAVÉS DA UTILIZAÇÃO DE AGENTES FÍSICOS Os primeiros registros, que sem tem acesso, sobre a utilização de agentes fí- sicos com finalidades terapêuticas vêm da China e são datados no ano de 2.698 a.C., especialmente por meio da prática de exercícios. Em todo o período que compreen- deu a Antiguidade, porém, há descrições acerca dos banhos de sol, do uso das águas termais e das massagens como formas medicinais de tratamento (GAVA, 2004). UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 6 FIGURA 3 – REGISTROS DE ANTIGAS CIVILIZAÇÕES QUE JÁ UTILIZAVAM A MASSAGEM COMO FORMA DE BEM-ESTAR FONTE: <http://bit.ly/37WCSut>. Acesso em: 5 jul. 2019. Há indícios de que a Fisioterapia surgiu quando o homem pré-histórico, para aliviar a dor por traumatismos, esfregava a mão no local atingido de forma instintiva e, assim, estava realizando, mesmo que nos primórdios, a técnica hoje conhecida como Massoterapia. Na época, era utilizado o movimento de deslizamento (esfregar). Anos mais tarde somou-se ao deslizamento outros movimentos clássicos como vibração, percussão, amassamento, rolamento, pinçamento, entre outros (KURBAN, 2005). Inicialmente o uso da ginástica era exclusividade dos sacerdotes que a utiliza- vam com finalidades terapêuticas. Mais adiante, na Idade Média, o clero (representado pelos sacerdotes) como detentor do poder entendeu que os fenômenos naturais seriam causados por interferência divina e se fossem eventos negativos, como as desordens físicas, seria por atuação demoníaca. Assim, caberia ao clero o uso do exercício para exorcizar os “demônios” em alguns membros da sociedade (GALVAN, 1998). Na mesma época, na Índia, utilizavam-se exercícios respiratórios para evitar a constipação intestinal. Na era cristã, por intermédio de sacerdotes, os movimentos do corpo eram racionalizados e planejados como ginástica para o tratamento de disfun- ções orgânicas já estabelecidas (CARVALHO et al., 2014). A preocupação com as diferenças incômodas promoveu a utilização de recur- sos, técnicas e procedimentos que as eliminassem. Há registros de exercícios e do uso do peixe elétrico como agentes físicos para eliminar as morbidades que assolavam a humanidade naquela época (REBELATTO; BOTOME, 1999). Os fundamentos da Eletroterapia estão amparados numa longa trajetó- ria do emprego da corrente elétrica com fins terapêuticos, mesmo nos remotos tempos em que os reais efeitos dessa energia eram desconhe- cidos dos seus adeptos. Podemos começar a ilustrar o uso da corrente elétrica de forma muito natural, onde o agente gerador nada mais era que um peixe capaz de produzir uma desacarga efetiva relatada como analgésica. Esse fato faz referência a Galeno (+/- 130 a.C) e ao médico Scribonius Largus (+/- 50 d.C) os quais indicavam aos seus pacientes por- tadores de gota. Entre as espécies mais citadas temos a arraia elétrica da família Torpedinidae por isso conhecido como peixe torpedo, o peixe “gato” da família Malapteruridae, o bagre elétrico do Congo e Nilo clas- sificado como Malapterus electricus (AGNE, 2013, p. 11). TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 7 FIGURA 4 – PEIXE ELÉTRICO FONTE: <http://bit.ly/2LgddmS>. Acesso em: 5 de jul. 2019. No século X a.C., o médico romano Scribonuius Largo utilizava as enguias para tratar os pacientescom doenças da mente enquanto que Antero, um nobre romano, ao caminnar pela praia de forma acidental pisou em um peixe elétrico, vindo, assim, a descobrir a corrente elétrica como meio de aliviar a dor. Mais tarde, a Eletroterapia foi sendo estudada e conhecidas as suas particularidades e os seus benefícios (KURBAN, 2005). A palavra Fisioterapia tem sua origem no grego (physis: natureza; therapeia: tratamento) e suas raízes estão na Antiguidade no período compreendido entre 4.000 a.C. a 395 d.C., época em que os médicos já tinham o conhecimento sobre os agentes físicos, entre eles o sol, a luz, o calor, a água e a eletricidade. Esses recursos serviam para eliminar as morbidades que assolavam a humanidade naquela época (CARVALHO et al., 2014). O uso da água com finalidades terapêuticas também começou na Antigui- dade, com Hipócrates, um dos pioneiros na sua utilização, e com os romanos e suas famosas casas de banho. Mas, somente no final do século passado e começo des- te, o efetivo emprego da água em seus diferentes estados e temperaturas passou a ser utilizado com finalidade dietética, profilática e terapêutica. Nomes como Floyer, Hahn, Einternitz, Kneipp são responsáveis pelo início das duchas, saunas, piscinas terapêuticas, walking tank, turbilhões e equipamentos hoje indispensáveis nas clíni- cas de reabilitação. Os povos primitivos também conheciam os efeitos curativos da Helioterapia, pois adoravam expor-se ao Sol. Os romanos foram os primeiros a cons- truir um sollarium para a prática curativa através da radiação natural. Mas somente em meados do século passado, a investigação e o fomento da Helioterapia permiti- ram que, em Zurich (Alemanha), fosse construído o primeiro Intituto da Luz, para o tratamento da tuberculose cutânea. Hoje a Fisioterapia utiliza a fototerapia para o tratamento de inúmeras patologias, através de dispositivos como o infravermelho, o ultravioleta e o raio laser (KURBAN, 2005). UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 8 FIGURA 5 – TERMAS ROMANAS FONTE: <http://bit.ly/37XxIOT>. Acesso em: 5 de jul. 2019. Desde o seu surgimento, não existiu na Fisioterapia um objeto de estudo ou de intervenção claramente definido. O que confusamente foi considerado objeto de trabalho da Fisioterapia desenvolveu-se por caminhos diversos que dariam sentido e autonomia à Fisioterapia como área de conhecimento, de estudo ou como profis- são (REBELATTO; BOTOME, 1999). 2.1 DEFINIÇÃO DE DESORDENS FÍSICAS Na Antiguidade, o olhar era voltado às pessoas que possuíam as chama- das diferenças incômodas. Esse termo, de forma equivalente, poderia ser utiliza- do para definir as desordens físicas ou doenças em nossa atualidade (REBELAT- TO; BOTOME, 1999). TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 9 FIGURA 6 – A SÍNDROME DE DOWN APARECE DOCUMENTADA NA HISTÓRIA, PELO PINTOR RENASCENTISTA ANDREA MANTEGNA (1431 – 1506) FONTE: <http://bit.ly/2P5BblP>. Acesso em: 5 de jul. 2019. A preocupação estava em como eliminar essas alterações, e os médicos desse período conheciam e já utilizavam os recursos físicos, como a eletroterapia sob a forma de descargas elétricas, por meio do peixe elétrico, para tratar doenças com fins analgésicos e os exercícios sob a forma de ginástica. 2.2 QUAIS ERAM OS TIPOS DE DESORDENS FÍSICAS Não há registros claros de quais eram especificamente essas desordens físi- cas, ou as ditas diferenças incômodas. Se formos pela linha de pensamento, o que diferente é aquilo que “foge dos padrões e da normalidade” as desordens físicas poderiam, comparativamente, ser definidas atualmente como todas as alterações fí- sicas: os devios posturais (escoliose, hipercifose torácica e hiperlorode lombar), as alterações de pé (pé cavo ou pé plano) e de pisada (supinada ou pronada), as defor- midades e alterações ósseas (dedo em martelo, dedo em pescoço de cisne, joelhos va- ros ou valgos), as deformidades de caixa torácica decorrente de doenças respiratórias como as DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crôncia), entre outras alterações que causassem dor ou desconforto, levando o indivíduo a não ser visto como uma pessoa “normal” pela sociedade. 2.3 QUAIS OS TIPOS DE AGENTES FÍSICOS UTILIZADOS NOS TRATAMENTOS DAS DESORDENS FÍSICAS No ano de 2.698 a.C. o imperador chinês Hoong-Ti criou um tipo de ginásti- ca curativa que continha exercícios respiratórios e exercícios para evitar a obstrução de órgãos (REBELATTO; BOTOME, 1999). Lindemann (1970) citado por Rebelatto e Botome (1999), afirma que Galeno (130 a 199 d.C.) informou que conseguiu, por meio de uma ginástica planificada de tronco e dos pulmões, corrigir o tórax defor- mado de um rapaz até lograr condições normais. UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 10 FIGURA 7 – CLÁUDIO GALENO (130 – 200 D.C.) FONTE: <http://bit.ly/2DrtZv7>. Acesso em 5 jul. 2019. FIGURA 8 – O BADUANJIN, UMA DAS FORMAS DO CHI KUNG EM UM MANUAL DA DINASTIA QING FONTE: <http://bit.ly/2Oiq3CO>. Acesso em 5 de jul. 2019. Percebe-se, através de registros da época, que os médicos conheciam os agentes físicos e os utilizavam como forma de tratamento de morbidades. A ênfa- se estava na ação de tratar, e eram prescritos os banhos de sol e as saunas, o que hoje seria a Termoterapia; as descargas elétricas do peixe elétrico, a Eletroterapia de hoje; além da utilização de movimentos corporais racionalizados e planejados, que hoje, dentro da Fisioterapia, podem ser entendidos como a Cinesioterapia, a Reeducação Postural Global (RPG) e o Pilates. Todas as informações trazidas anteriormente nos remetem para uma prá- tica com poucas ou nenhuma evidência científica, ou seja, o emprego de métodos e técnicas sem atribuição à Ciência, mas que eram utilizados com finalidades de TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 11 FIGURA 9 - SOCIEDADE ESTRATIFICADA E DIFERENÇAS SOCIAIS NA IDADE MÉDIA FONTE: <https://images.app.goo.gl/RuChDtLmmAbqZABu8>. Acesso em: 5 jul. 2019. tratamento na doença instalada, perceptível e incômoda. O olhar era apenas cura- tivo e não havia o enfoque preventivo. 3 A IDADE MÉDIA E O OLHAR PARA AS DESORDENS FÍSICAS Na Idade Média surge a concepção de uma ordem social estabelecida no plano divino em que os homens se organizavam hierarquicamente: clero (detentor do poder), nobreza (guerreiros) e camadas populares (força braçal) (CARVALHO et al., 2014). Nesse período da História, compreendido entre os séculos IV a XV, a vi- são sobre as diferenças incômodas estava modificando e os estudos iniciados na Antiguidade, a respeito do emprego dos agentes físicos nas desordens físicas, estavam sendo interrompidos. Isso se deu por dois motivos: a mudança na con- cepção do que era desordem física e a visão do corpo humano, bem como pela organização da sociedade. Aqui as desordens físicas ou as diferenças incômodas precisavam ser “exorcizadas” (REBELATTO; BOTOME, 1999). 3.1 A ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE EM CAMADAS Na Idade Média a organização da sociedade acontecia de forma hierár- quica representada pelo clero, o qual detinha o poder, pela nobreza que guerrea- va e, por fim, pelas camadas populares que realizavam o serviço através da força física (braçal). Além disso, havia uma organização providencial e uma ordem so- cial estabelecida pelo plano divino (GALVAN, 1998). UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 12 FIGURA 10 – PRÁTICA DE ESGRIMA AJUDA NA SOBREVIVÊNCIA E MELHORA O DESEMPENHO NAS GUERRAS FONTE: <https://images.app.goo.gl/8gHY8So2oVEDDUpS9>. Acesso em 5 de jul. 2019. 4 O RENASCIMENTO E A PREOCUPAÇÃO COM O CORPO O período do Renascimento, inicialmente ocorrido na Itália e mais tarde difundido por toda a Europa, foi marcado por um crescente nas áreas da arqui- 3.2 A FÉ X O CORPO FÍSICO As camadas hierárquicas tinham dentro desse aspecto organizacional direi- tos e deveres estabelecidospor uma ordem: a divina. Enquanto os camponeses traba- lhavam, a nobreza participava de guerras e o clero executava o serviço divino. A fé, nessa época, era vista como algo imprescindível ao homem, fazendo o clero ter um poder decisivo nas escolhas da sociedade. Na época chamada de Idade Média o corpo era apenas um recipiente. O valor estava voltado para os conceitos religiosos do período que cultuava a alma e o espírito (GALVAN, 1998). Com toda essa organização social em camadas (cada qual com suas fun- ções específicas e o forte papel do clero e da fé do homem) percebe-se que as diferenças incômodas ou as desordens físicas têm correlação com o jeito de viver dessa hierarquia. O exterior refletia o interior, ou seja, se o homem de determi- nada classe dentro de suas atribuições “fugisse” dos padrões organizacionais, ou mesmo se o seu lado religioso estivesse comprometido por falta de fé, sua desor- dem física ocorria por influência demoníaca, ou seja, o que acontecia por fora era ocasionado por aquilo que trazia por dentro. Diferente do que ocorria na Antiguidade, como forma de tratamento atra- vés da atividade física, o exercício físico na Idade Média era feito com propósitos diferentes: os nobres o faziam para melhor se defender nas lutas e proteger os bens, já a camada popular fazia exercício como uma forma barata de lazer. Nessa época, os hospitais localizavam-se dentro de mosteiros e as enfermarias ficavam ao lado de capelas. TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 13 FIGURA 11 - RENASCIMENTO, MOVIMENTO INTELECTUAL CUJO AUGE OCORREU NA ITÁLIA NOS SÉCULOS XV E XVI FONTE: <https://images.app.goo.gl/QPbzmfibmc28rfpw7>. Acesso em 5 de jul. 2019. 4.1 A RETOMADA DO OLHAR AO CORPO FÍSICO Foi no período do Renascimento que começou a retomada dos estudos sobre o corpo humano e o culto ao exterior (físico) (GALVAN, 1998). O Renascimento é um período compreendido entre os séculos XV e XVI e é descrito como um momento de crescimento científico e literário por meio do Humanismo e das Artes. Há a retomada dos estudos na área da saúde como uma concepção curativa e de manutenção do estado normal existente em indivíduos sãos. A atividade física passa a servir então para a manutenção da saúde, trata- mento de enfermidades, reeducação de convalescentes e correção de deformida- des (CARVALHO et al., 2014). tetura, escultura, pintura, decoração, literatura, música e política (REBELATTO; BOTOME, 1999). FIGURA 12 – RENASCIMENTO FONTE: <http://bit.ly/2P3Gt1f>. Acesso em: 5 de jul. 2019. UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 14 4.2 FATOS MARCANTES DO MOVIMENTO LITERÁRIO E ARTÍSTICO O homem dessa época teve seu interesse voltado ao mundo que o cercava e passou a ter mais liberdade de expressão. A beleza física do homem, de modo geral, passou a ser mais valorizada e os valores morais da Idade Média, que eram cobrados pelo clero, começaram a decair. A independência ganhou visibilidade, surgiram as universidades e as pessoas que as buscavam ansiavam pela compreensão do mundo e pela busca de conhecimento. O movimento literário e a arte foram expressos através do naturalismo e isso ocorreu justamente pela queda das restrições estabelecidas na Idade Média. O humanismo e as artes passaram a se desenvolver fazendo com que os estudos sobre o corpo, iniciados na Antiguidade e abandonados na Idade Média, fossem retomados. Tal atitude se deu pela necessidade de cuidado com o corpo, marcado pelo culto ao físico. Pode-se observar que a mentalidade de cuidado com o corpo não era diri- gida apenas ao tratamento ou cuidados com as situações já instaladas, mas havia a preocupação com a manutenção das condições existentes em organismos sãos. Fica claro aqui a mudança de visão do conceito de saúde: enfoque curativo x en- foque preventivo. 4.3 A RELAÇÃO DAS DESORDENS FÍSICAS COM O CORPO SÃO E A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS Foi no final do período do Renascimento que o interesse pela saúde corporal começou a se tornar mais específico. Ao fim de 1550, o movimento renascentista na Itália começa a declinar, entretanto em países como Alemanha, França e Inglaterra, isso não ocorreu. Nesses três países, os estudos e trabalhos foram se solidificando. Um estudo publicado pela Sociedade Médica de Berlim, em 1864, relata que a prática de exercícios físicos para pessoas enfermas deveria ser distinta dos executados em pessoas sãs. O texto traz alguns trechos como: “os enfermos e aqueles cuja coluna vertebral sofre deformidades ou alterações posturais de om- bros e cadeiras, correspondem às salas de cura e não às lições de ginástica para sãos”. Essa publicação mostra a mudança na forma de praticar a atenção com a saúde das pessoas, contribuição importantíssima para identificar o objeto de tra- balho da Fisioterapia, que dava passos lentos para mais tarde tornar-se profissão. TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 15 5 A INDUSTRIALIZAÇÃO, O SURGIMENTO DE DOENÇAS E DAS ESPECIALIDADES MÉDICAS Na Revolução Industrial ocorreu uma transformação social determinada pela produção em larga escala. O desenvolvimento das cidades produziu condições sanitárias precárias, jornadas de trabalho estafantes e condições alimentares insatisfa- tórias que provocou a proliferação de novas doenças (CARVALHO et al., 2014). FIGURA 13 – MULHERES TRABALHANDO EM MÁQUINAS TÊXTEIS, INSPECIONANDO FIOS, NA AMERICAN WOOLEN COMPANY, BOSTON (1910) FONTE: <http://bit.ly/2QBfH2x>. Acesso em: 5 de jul. 2019. 5.1 DEFINIÇÃO DO NOVO PROCESSO FABRIL O período entre os séculos XVIII e XIX foi historicamente caracterizado por uma transformação social na Inglaterra. Foi uma época determinada pela produção em larga escala, através do processo de mecanização e do trabalho operário, o cha- mado modelo fabril (REBELATTO; BOTOME, 1999). O processo de Industrialização foi uma época de transformação social em que as diferenças incômodas voltam a despertar o interesse dos estudiosos, assim como o encaminhamento para o surgimento das especialidades e seus tratamentos (GALVAN, 1998). 5.2 O SURGIMENTO DE PROBLEMAS DE SAÚDE RELACIONADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO Embora a industrialização fosse uma forma de otimizar a produção de bens e de serviços, tornando-os mais acessíveis a todos, sua formação contribuiu UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 16 para um período histórico e social em que predominou a divisão da sociedade em classes sociais bem definidas. As pessoas com maior poder aquisitivo eram donas das terras e o povo era dono de sua força de trabalho. A obtenção de lucros tornou-se uma obsessão para os que controlavam a sociedade e a população de baixa renda pagava o preço para esse crescimento. Nos ambientes de trabalho dentro da indústria era comum a violência exer- cida pelos chefes e mestres contra os trabalhadores. As vítimas dessa violência eram mulheres e crianças que sofriam desde multas, castigos corporais, até brutalidade explícita (KURBAN, 2005). Ao passo que a industrialização ia se instalando, o ritmo de trabalho aumen- tava e muitos trabalhadores perdiam os seus empregos. Os camponeses migravam das áreas rurais e se fixavam ao redor das cidades. As pesquisas eram voltadas para o aperfeiçoamento de máquinas para me- lhorar a performance do sistema de produção e mais tarde, trazer soluções para os diversos problemas oriundos do próprio processo de industrialização como por exemplo, os acidentes de trabalho. O processo de industrialização, além dos acidentes de trabalho, trouxe pro- blemas relacionados às condições sanitárias da época, bem como as extensas e can- sativas jornadas de trabalho, as quais não eram diferenciadas por sexo nem idade (jornadas chegavam a 16 horas diárias). Houve epidemias de cólera e de tuberculose, além do forte hábito do uso de álcool. Tanto nas indústrias têxteiscomo nas chapelarias as condições de trabalho eram insatisfatórias e não havia água potável, iluminação e ventilação adequadas. As máquinas não tinham proteção e suas engrenagens e correias ficavam muito pró- ximas aos trabalhadores, além da disposição das mesmas não ser apropriada, pois ficavam em corredores apertados, dificultando a locomoção das pessoas que ainda inalavam poeira e muitos resíduos (KURBAN, 2005). TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 17 FIGURA 14 – O JOVEM RAOUL JULIEN TRABALHANDO EM CHACE COTTON MILL, BURLINGTON, VERMONT, EM 1909 FONTE: <http://bit.ly/3490Cco>. Acesso em: 5 de jul. 2019. FIGURA 15 – CRIANÇAS TRABALHANDO NAS FÁBRICAS DURANTE A INDUSTRIALIZAÇÃO FONTE: <http://bit.ly/2O5ItH6> Acesso em: 5 de jul. 2019. As classes sociais dominantes tinham suas atenções voltadas ao sistema pro- dutivo e às atividades que geravam lucros por meio do uso do trabalho da população operária. A preocupação dessas classes dominantes era não perder ou diminuir a fonte de ganhos gerados pela classe econômica mais baixa e socialmente dominada. Para a classe dominante não interessava como a classe dominada vivia e sim, apenas tratar as doenças quando as condições de saúde prejudicassem a produção e os ganhos. Fora da indústria, as condições de vida não eram muito diferentes, pois essa mão de obra não especializada era basicamente formada por escravos livres e imigrantes italianos. Alguns, com mais sorte pelo bom comportamento e alta produtividade, conseguiam morar em vilas operárias junto às fábricas, com uma UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 18 FIGURA 16 – PATRÃO E CLASSE OPERÁRIA FONTE: <http://bit.ly/2Orz3oa>. Acesso em: 5 de jul. 2019. 5.3 A DESCOBERTA DE NOVOS MÉTODOS DE TRATAMENTO DAS DOENÇAS E DE SUAS SEQUELAS O abuso da exploração até os limites das possibilidades de vida dos operá- rios e camponeses fazia explodir as “patologias” que desconhecidas naquelas di- mensões impressionavam. As explicações e “teorias” que predominavam — e convinham às classes dominantes — não indicavam os determinantes das “patologias” (ou “diferenças incômodas”) no ambiente físico ou social (no sistema econômico e social do regime político, por exemplo) e sim no próprio “indivíduo doente”. Esse tipo de expli- cação era conveniente às classes dominantes, assim como convinha “tratar” essas patologias para não perder ou diminuir a fonte de riqueza e de bem-estar, gerados pela força de trabalho das classes de poder econômico mais baixo (e socialmente dominadas) (REBELATTO; BOTOME, 1999). A medicina teve muitos desafios na tentativa de intervir nas patologias que surgiam em função do advento da mecanização e industrialização. Inovações me- todológicas começaram a ser implantadas nas faculdades de Medicina, assim como o surgimento de novos equipamentos e novas formas de observar e de identificar as doenças. Essa época foi muito marcada pela assistência curativa e reabilitadora, não havia preocupação com a prevenção ou mesmo com a manutenção da saúde, até porque, nessa época cabia essa responsabilidade ao empregador e não ao Estado e o empregador tinha apenas visão de lucro. infraestrutura mais adequada de subsistência. Outros, entretanto, acabavam mo- rando em cortiços ou favelas, onde as condições de higiene e salubridade eram péssimas. Sem poder reverter esse quadro, devido aos baixíssimos salários e uma grande concorrência, essa população padecia miseravelmente (KURBAN, 2005). TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 19 5.4 INICIAÇÃO DAS ESPECIALIDADES MÉDICAS Foi assim que a clínica, a cirurgia, a farmacologia, a aplicação de recursos elétricos, térmicos e hídricos, além da prática de exercícios físicos evoluiram e a ideia do atendimento hospitalar surgiu. Nessa fase, a medicina se subdividiu e iniciaram as especialidades. Surgiram a Dermatologia, a Pediatria, a Obstetrícia, seguidas da Psiquiatria, da Oftalmologia e da Otorrinolaringologia. FIGURA 17 - CESÁREA (OBSTETRÍCIA) FONTE: <http://bit.ly/2OtjDQs>. Acesso em: 5 de jul. 2019. FIGURA 18 - LOUCURA: DIRETO AO PROBLEMA (PSIQUIATRIA) FONTE: <http://bit.ly/2KFXr4n>. Acesso em: 5 de jul. 2019. UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 20 FIGURA 19 – CATARATA (OFTALMOLOGIA) FONTE: <http://bit.ly/2O5ZCjH>. Acesso em: 5 de jul. 2019. Os doentes da época eram tratados por profissionais treinados e em locais propícios para o desenvolvimento de pesquisas e estudos anátomo clínicos da época. Durante a guerra, escolas de cinesioterapia surgiram a partir de clínicas uni- versitárias ortopédicas. Além disso, as lesões, a mutilações, as alterações físicas de várias naturezas e gravidades fizeram com que tratamentos fossem necessários para recuperar os combatentes ou mesmo reabilitá-los para que tivessem condições de vida social e produtiva. Como consequência das guerras eram necessárias as mínimas condições de retorno às atividades sociais de forma integradora e com produtividade, devido à presença de mutilações e de alterações físicas de vários tipos e graus (GALVAN, 1998). É possível perceber pelos relatos da época que a preocupação maior não era em ter a percepção geral dos problemas nem de suas determinantes, mas sim, como “consertá-los”, a fim de que o indivíduo pudesse voltar para a sua função. Na Revolução Industrial houve o predomínio de uma assistência curativa, recuperativa e reabilitadora. A Fisioterapia passou, mesmo sem ter sido ciência e muito menos vista como profissão, por quatro importantes acontecimentos históri- cos (CARVALHO et al, 2014). A partir desse contexto houve um interesse mundial pelo termo reabilita- ção. O que contribuiu para esse interesse foram alguns aspectos históricos como: o processo acelerado de industrialização e de urbanização, trazendo os acidentes de trabalho e o processo tecnológico e social, além das duas grandes guerras mundiais. TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 21 6 A FISIOTERAPIA NO BRASIL E NO MUNDO NA TRANSIÇÃO ENTRE OS SÉCULOS XIX, XX e XXI Diversos materiais internacionais fazem uma analogia entre as duas grandes guerras mundiais e a poliomielite, afirmando que a polio seria equivalente ou superior às guerras e contribuiram para que, através de suas técnicas e métodos, a fisioterapia se desenvolvesse a nível mundial (BARROS, 2008). A Fisioterapia teve seu nascimento na metade do século XIX, na Europa. As primeiras escolas apareceram na Alemanha, nas cidades de Kiel, em 1902, e Dresdem, em 1918. Depois disso, a Fisioterapia, na Inglaterra, apareceu em destaque no cená- rio mundial, com os trabalhos de massoterapia realizados pelos doutores Mendell e J. Cyriax, os trabalhos de cinesioterapia respiratória feitos por Winifred Linton, no Brompton Hospital, em Londres, e, sobretudo, os trabalhos de Fisioterapia neurológi- ca realizados em conjunto com a fisioterapeuta Berta Bobath e o neurofisiologista Karel Bobath que criaram o Método Bobath, para tratamento de pacientes com paralisia cere- bral (SANCHES, 1984 apud GAVA, 2004). FIGURA 20 – JAMES CYRIAX, ORTOPEDISTA BRITÂNICO QUE DESENVOLVEU A TÉCNICA DE MASSAGEM CYRIAX FONTE: <https://iphysio.files.wordpress.com/2010/04/dr_cyriax_j.gif>. Acesso em: 6 jul. 2019. UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 22 O surgimento da Fisioterapia em nosso país deu-se pela necessidade de se reabilitar os portadores de sequelas decorrentes da poliomielite, do crescente aumento do número de casos de acidentes de trabalho e das mutilações em muitos combatentes da Segunda Guerra Mundial (CARVALHO et al, 2014). “A história da profissão de fisioterapeuta a nível nacional tem sido objeto de estudo de professores e pesquisadores, principalmente fisioterapeutas vincu- lados a programasde pós-graduação e áreas como saúde coletiva, educação e na própria fisioterapia” (BARROS, 2008, p. 942). O autor ainda continua sua linha de pensamento afirmando que o marco histórico da profissão, de caráter institucional, é o Decreto Lei 938, porém, no período que o antecedeu, pouco se tem de material e relatos de como o processo foi viabilizado. Seu foco principal é utilizar outro momento da História, partindo da criação e do reconhecimento da Escola de Rea- bilitação do Rio de Janeiro (ERRJ). O profissional fisioterapeuta surgiu em decorrência das grandes guer- ras fundamentalmente para tratar de pessoas fisicamente lesadas. As perdas totais ou parciais dos membros, atrofias e paralisias são exem- plos do objeto de trabalho da fisioterapia em sua gênese. Naquelas circunstâncias, porém, a preocupação fundamental, ou mesmo única, com doenças ou lesões e suas consequências, parecia adequada. A de- corrência natural das condições existentes na época fez toda a atuação profissional ficar voltada para atenuar ou diminuir o sofrimento, reabi- litar organismos lesados ou, quando possível, recuperar as condições de saúde preexistentes dos organismos cujas condições haviam sido alteradas. Então ocorrem os princípios militares do condicionamento e o esforço físico e a incrementação das técnicas com recursos de tecnolo- gia como a Mecanoterapia (máquinas e equipamentos para exercícios) e a eletroterapia (corrente elétrica para fins terapêuticos), substituindo gradativamente a Cinesioterapia (terapia por exercícios físicos) da har- monia dos movimentos. Neste enfoque a profissão segue o caminho da especialização fragmentada, afastando-se da visão do homem como um todo, visível no Ocidente, e bem forte nos Estados Unidos da América (GALVAN, 1998, p. 54-55). FIGURA 21 - KAREL E BERTA BOBATH, CRIADORES DO MÉTODO BOBATH FONTE: <http://bit.ly/37od7mq>. Acesso em: 6 jul. 2019. TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 23 FIGURA 22 – CENTRO DE TRATAMENTO PARA ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS EM CRIANÇAS ATINGIDAS PELA POLIOMIELITE NA DÉCADA DE 50 FONTE: <http://f.i.uol.com.br/livraria/capas/images/12110329.jpeg>. Acesso em: 6 jul. 2019. FONTE: <http://bit.ly/2D0iI4m>. Acesso em: 6 de jul. 2019. No final do século XIX, no Brasil, a Fisioterapia inicia suas atividades por meio da criação do Serviço de Eletricidade Médica e Hidroterapia na cidade do Rio de Janeiro. E em 1884, no Hospital de Misericórdia, na mesma cidade, é criado o primeiro Serviço de Fisioterapia da América do Sul, através do médico Arthur Silva (GAVA, 2004). FIGURA 23 – CRIANÇAS COM SEQUELAS MOTORAS DEVIDO À POLIOMIELITE UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 24 FIGURA 24 – O MÉDICO ARTHUR SILVA PARTICIPA DA CRIAÇÃO DO PRIMEIRO SERVIÇO DE FISIOTERAPIA DA AMÉRICA DO SUL NO HOSPITAL DE MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO FONTE: <http://bit.ly/2OuFrLh>. Acesso em: 5 de jul. 2019. 6.1 A TRANSIÇÃO DO SÉCULO XX PARA O SÉCULO XXI EM RELAÇÃO AOS OBJETOS DE TRABALHO E DE ESTUDO Os tipos de preocupação e olhar em cada época da História passaram por oscilações de grande impacto. Todas essas preocupações contribuíram para que houvessem estudos e reflexões, decorrentes das próprias situações em cada perío- do, resultando no modo de enxergar a doença e o modo de tratá-la (REBELATTO; BOTOME, 1999). Na Antiguidade surgiram os primeiros estudos para entender os distúrbios que acometiam o homem, bem como a tentativa de explicar o surgimento e as pro- postas de solucionar esses problemas. A Idade Média foi marcada pela interrupção de pesquisas relativas à saúde e o interesse por ações práticas, substituídas por concepções religiosas. O Renascimento permitiu que esses estudos fossem retomados, além da descoberta de novas formas de olhar a saúde, cuja preocupação era preservar as condições de saúde que o indivíduo apresentasse. A Industrialização foi caracterizada por precárias condições de vida e a proliferação de doenças fazendo com que surgissem as especialidades médicas, mantendo a preocupação com a doença instalada. Os diferentes momentos da História determinaram a influência das re- lações de produção dentro da organização da sociedade e o direcionamento das ações em saúde em cada momento. Ao passo que essas relações de produção per- mitiram maior acesso da população à melhor condição de vida, o modo de assis- tência disponível se alterou. Os problemas de saúde que a população apresentava TÓPICO 1 | AS MODIFICAÇÕES NA CONCEPÇÃO DO OBJETO DE TRABALHO E A FISIOTERAPIA NOS DIFERENTES MOMENTOS DE SUA CONSTITUIÇÃO 25 eram considerados o resultado de uma somatória de problemas individuais de cada membro dessa população e não mais visto como unicausalidade. 6.2 O CUIDADO DAS ESPECIALIDADES MÉDICAS E A PREOCUPAÇÃO COM A DOENÇA INSTALADA Aos gabinetes de curiosidades do século XVII, tantas vezes entulhados de quinquilharias, sucederão, após um intervalo de investigações puramente clínicas, os laboratórios onde o saber médico encontrará um verdadeiro fundamento cientí- fico (STAROBINSKI, 1967 apud REBELLATO; BOTOME, 1999). A citação acerca dos laboratórios como caminho para o verdadeiro fundamento científico é o ponto de partida para a prática da pesquisa, da descoberta de novas tecnologias e formas de se tratar, do entendimento de novas doenças que foram surgindo com o avanço da industrialização e com as áreas da Medicina que estão conectadas. Anos mais tarde no século XX, precisamente em 1957, viria a descoberta da vacina Sabin, pelo microbiologista Albert Bruce Sabin. De acordo com pesquisas de dados no Acervo do jornal O Globo (2018), a primeira tentativa de erradicar a pa- ralisia infantil (veremos mais a frente) aconteceu em 1952 quando o americano de origem polonesa Jonas Edward Salk, que cultivara o vírus da poliomielite, produ- ziu uma vacina injetável à base de vírus mortos. Na prática percebeu-se que os efei- tos eram de curta duração. Na continuação das pesquisas cinco anos depois, outro microbiologista: Albert Bruce Sabin desenvolveu uma nova vacina com benefícios que a de Salk não apresentou como: era uma vacina oral, com tempo prolongado de imunização e com custo reduzido. FIGURA 25 – ALBERT SABIN E JONAS SALK (ÓCULOS), OS PESQUISADORES DA VACINA ANTI PÓLIO FONTE: <http://bit.ly/2KGptg1>. Acesso em: 6 de jul. 2019. 6.3 A FISIOTERAPIA FAZENDO PARTE DA EQUIPE DE SAÚDE A Fisioterapia integrada com a área da saúde sofreu os mesmos tipos de alterações no decorrer da história. Basicamente todos os recursos e ações eram voltados quase que de forma exclusiva ao indivíduo com a doença manifesta. UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA FISIOTERAPIA 26 Acesse os links a seguir e leia algumas informações adicionais a respeito da prática da Fisioterapia, mesmo sem ainda ser uma Ciência nem mesmo profissão regulamentada: • https://blog.inspirar.com.br/fisioterapia-na-idade-media/ • http://www.bodyworks.med.br/historia-da-fisioterapia/ • http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/CarolinaCristinadoNascimento.pdf/ DICAS Mesmo com o conhecimento da tecnologia a atenção estava voltada, quando a saúde se encontrava em seus piores estágios, para reabilitar ou recuperar as condições perdidas pelo indivíduo (REBELATTO; BOTOME, 1999). Então surge o questionamento sobre como a Fisioterapia foi se desenvol- vendo e se modificando ao longo dos tempos, até vir a ser uma profissão e os rumos que ela tomou para ser considerada o que hoje realmente é a Fisioterapia. Parece que, conforme for entendido o que seja o objeto de trabalho da Fi- sioterapia, serão desenvolvidos atenção, atividades, esforços e estudos na direção das patologias (“diferenças” ou alterações incômodas nos organismos) ou de atividades, estudos e esforços na direção de mais do que apenas as patologias. O objeto de trabalho da Fisioterapia no Brasil, de certa forma, não se apresenta de maneira diferente do que já pode ser percebidoaté agora na história do desenvolvimento da concepção de trabalho com a “saúde” das pessoas. Vale eliminar melhor o que pode ser caracterizado como objeto de trabalho de estudo dessa área ou dessa profissão no País (REBELATTO; BOTOME, 1999, p. 20). Provavelmente esse questionamento, feito pelo autor e por muitos outros autores, pesquisadores e ou profissionais que já o fizeram, ocorra devido ao fato de que no surgimento da atuação do fisioterapeuta, sua profissão era codependente de outras, como a do médico, por exemplo. Os médicos da época eram conhecidos como reabilitadores e os fisioterapeutas ainda sem profissão regulamentada eram denominados como auxiliares de médicos. Nos anos 30, tanto na cidade do Rio de Janeiro como em São Paulo, os primeiros serviços ligados à fisioterapia foram idealizados por médicos. Esses estabelecimentos não visavam apenas a estabilidade clínica do paciente, como em hospitais por exemplo, mas sim a recuperação física permitindo o retorno à sociedade, com funções idênticas anteriores à lesão ou mesmo semelhantes. Essa visão dos médicos fez com que eles fossem chamados de médicos de reabilitação e os profissionais de fisioterapia de auxiliares de médico (CARVALHO et al., 2014). 27 Neste tópico, você aprendeu que: • A Antiguidade foi marcada por diferenças incômodas e a visão era muito curativa, não tendo enfoque preventivo. • A Idade Média foi caracterizada pela organização da sociedade em hierarquias e o clero era uma classe que tinha um poder determinante nas decisões dos caminhos escolhidos pela sociedade. • O Renascimento foi marcado pela preocupação com o corpo saudável, em função dos movimentos artísticos e literários, fazendo menção do culto ao corpo físico. • A Industrialização foi o período no qual a mecanização e as extensas jornadas de trabalho somada às condições precárias da população, propiciaram o surgimento de acidentes de trabalho, epidemias e o surgimento das especialidades médicas. • Cada fase da História teve uma visão e uma atuação característica sobre o conceito de doença e de ação em saúde. • Por fim, a Fisioterapia, no final do século XX, por ser área da saúde, sofreu as mes- mas oscilações no decorrer da História. Desde o seu surgimento não existiu um ob- jeto de estudo ou de intervenção pré-definido levando a profissão a caracterizar-se ao longo de sua existência. RESUMO DO TÓPICO 1 28 1 Quando se falou em Antiguidade, viu-se que o termo “diferenças incômodas” foi mencionado. O que esse termo significava na época e como era feita a inter- venção para ajudar o indivíduo que apresentasse essas alterações? 2 Comentou-se sobre a prática de ginástica curativa nas pessoas no período da Antiguidade. Como era realizada e qual o seu objetivo? 3 Citou-se recursos físicos, como o uso da luz, do sol, dos banhos e do peixe elétri- co, como agentes terapêuticos. Analogamente, hoje são utilizadas essas formas de tratamento, mas com denominações e classificações diferentes. Como são chamados, atualmente, esses agentes terapêuticos? 4 Quando a Industrialização foi citada como um período histórico, viu-se que acidentes de trabalho fizeram parte do processo de mecanização e que muitas vezes eram resultados de extensas jornadas de trabalho. Como isso poderia ser freado? E atualmente, o que se faz em relação à repetição das funções durante as jornadas de trabalho? 5 Em vários momentos da história viu-se que a visão da época era apenas cura- tiva, sem haver o enfoque preventivo. O que você, como estudante da área da saúde, entende sobre a importância da prevenção nos aspectos sociais e econô- micos? AUTOATIVIDADE 29 TÓPICO 2 A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA FISIOTERAPIA UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste segundo tópico, dar-se-á ênfase na trajetória da Fisioterapia em nos- so país como Ciência e profissão iniciada em 1919 na cidade de São Paulo, com a fundação do Departamento de Eletricidade Médica e, mais tarde, em 1929, com a instalação do Serviço de Fisioterapia junto ao Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia. Paralelamente a esses marcos, o aparecimento de epidemias, entre elas a Poliomielite que assolou o mundo, os acidentes de trabalho e as mutilações dos combatentes de guerra, fizeram com que anos mais tarde começasse a ser ofer- tado o primeiro Curso de Fisioterapia do Brasil, em 1951, no Instituto Central do Hospital das Clínicas. Toda essa trajetória fez com que a profissão de fisioterapeuta, até então não regulamentada, começasse a ser vista como indispensável à sociedade, claro que em um primeiro momento sem autonomia profissional e com pouca estrutura, mas aos poucos o entendimento de que era necessário lutar pelo reconhecimento e va- lorização da classe. Aconteceram várias tentativas de reformular a oferta de cursos (disciplinas/ carga horária/ nível de ensino), afinal a demanda estava aumentando. Surgiram associações e projetos de reconhecimento junto ao Congresso Nacional. Conhecen- do essa retrospectiva histórica, você perceberá que através da apresentação e dis- cussão de informações e documentos legais, houve a regulamentação do ensino e exercício profissional, bem como a representatividade de órgãos de classe e norteio aos profissionais da área. Vamos entender como tudo isso ocorreu? 2 O SURGIMENTO DA FISIOTERAPIA COMO CIÊNCIA E PROFISSÃO Baseado nos aspectos históricos vistos no Tópico 1, entende-se que o pro- cesso sofrido ao longo do tempo culminou para o surgimento da Fisioterapia atra- vés da necessidade primária de reabilitar. A época colonial foi um momento decisivo para que a Fisioterapia tivesse início. A saúde dos trabalhadores e dos escravos nos campos e lavouras, as con- dições de vida precária, as frequentes mazelas da sociedade como a pneumonia, a diarréia e a tuberculose não eram preocupação, exceto para aqueles escravos que tinham perfil de rentabilidade e de maior produtividade (KURBAN, 2005). UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS 30 No decorrer da História, várias passagens deixam claro que a prática se dava através de recursos físicos, utilizados puramente como agentes curativos e isso ocorreu desde a Antiguidade até o século XX, através dos marcos da Industria- lização, da Poliomielite e da Segunda Guerra Mundial. Veremos na sequência, as modificações que a Fisioterapia sofreu de acordo com a realidade e a necessidade da época, iniciando com a atuação do fisioterapeuta junto à classe médica (então chamado de auxiliar de médico); a oferta de cursos; a epidemia que atingiu a população infantil em nível mundial; os acidentes de traba- lho; as mutilações por bombas; as associações de classe; as indas e vindas com pedi- dos de reconhecimento de classe profissional, até finalmente, em 1969, a Fisioterapia ser regulamentada como profissão em que o fisioterapeuta atua de forma autônoma e independente, através de métodos e técnicas privativos. Mais tarde, ao longo das próximas seções, veremos de que modo a criação e a regulamentação de leis foram importantes às atribuições profissionais e à fiscalização do exercício profissinal. 2.1 A FUNDAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE ELETRICIDADE MÉDICA DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (FMUSP) A Fisioterapia começou a se desenvolver com maior atenção e cuidado no Rio de Janeiro com a implantação dos serviços de Hidroterapia, na época chama- da de Casa das Duchas e de Eletricidade Médica. Período por volta de 1879 que coincidia com o processo de industrialização e com o surgimento dos acidentes de trabalho (SANCHES, 1984 apud KURBAN, 2005). A Casa das Duchas que existe até hoje foi tombada como patrimônio his- tórico. Localiza-se em Petropólis, no estado do Rio de Janeiro e na época de fun- cionamento atendia cerca de cinquenta pessoas por hora, com o intituito de tratar enfermidades pelo uso da água. Era um dos pontos mais bem frequentados da cidade. Integrantes do Império, homens de Estado e toda a elite da época iam muito ao local, como por exemplo D. Pedro II, Joaquim Nabuco,Visconde de Mauá, Paulo Barbosa, entre outros. Com a queda da Monarquia o estabelecimen- to foi decaindo havendo então o colapso total de sua frequência. TÓPICO 2 | A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA FISIOTERAPIA 31 FIGURA 26 – CASA DAS DUCHAS NA ÉPOCA EM QUE FOI FUNDADA FONTE: <http://bit.ly/33btS1a>. Acesso em: 5 jul. 2019. FIGURA 27 – CASA DAS DUCHAS ATUALMENTE FONTE: <http://bit.ly/2rgkVpJ>. Acesso em: 5 jul. 2019. No período de 1879 a 1883, no Rio de Janeiro, a Eletroterapia e outros agentes terapêuticos naturais, iniciados na Antiguidade com a prática e sem evi- dência científica, tiveram início com a criação dos serviços de eletricidade e de hidroterapia. Foi graças aos resultados e aos efeitos fisiológicos produzidos, além dos esforços profissionais e de vários estudos que atualmente dipõem-se de vá- rias tecnologias no âmbito da reabilitação (AGNE, 2013). O médico e professor Raphael de Barros, em 1919, fundou o Departamento de Eletricidade Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) (GAVA, 2004). UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS 32 FIGURA 28 – MÉDICO DR. RAPHAEL DE BARROS FONTE: <http://bit.ly/2O4LyqC>. Acesso em: 5 de jul. 2019. O curso oferecido em 1950, e que levava o nome do médico Dr. Raphael de Barros, tinha como objetivo capacitar profissionalmente pessoas que atuavam como auxiliares dentro do serviço médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (BARROS, 2008). 2.2 A INSTALAÇÃO DO SERVIÇO DE FISIOTERAPIA NO HOSPITAL CENTRAL DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO Aproximadamente em 1929, o médico Dr. Waldo Rolim de Moraes insta- lou o Serviço de Fisioterapia do Radium Arnaldo Vieira de Carvalho em São Pau- lo, cujo objetivo era atender de forma assistencial os pacientes carentes do Hospi- tal Central da Santa Casa de Misericórdia e, posteriormente, organizou o Serviço de Fisioterapia do Hospital das Clínicas. Ambos se tornaram grandes centros de reabilitação e estão em atividade até hoje (KURBAN, 2005). Em 1929, também em São Paulo, o médico Waldo Rolim de Moraes instala o Serviço de Fisioterapia nas dependências do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (GAVA, 2004). Em 1951, esse importante médico pla- nejou o primeiro curso de Fisioterapia do Brasil cuja intenção era formar técnicos em fisioterapia. TÓPICO 2 | A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA FISIOTERAPIA 33 FIGURA 29 – DR. ROLIM EM 1951 PLANEJOU O PRIMEIRO CURSO DE FISIOTERAPIA DO BRASIL, PATROCINADO PELO CENTRO DE ESTUDOS RAPHAEL DE BARROS FONTE: <https://s3.amazonaws.com/s3.timetoast.com/public/uploads/photos/12176863/ historia_ rehabilitaci% C3%B3n_fisioterapia.jpg>. Acesso em: 5 de jul. 2019. Foi na década de 1950 que o perfil industrial e os cenários nacional e in- ternacional, no que se refere à produção de bens e de serviços, modificaram-se. A predominância de indústrias têxteis foi dando espaço à implantação do setor automobilístico, de eletrodomésticos e de maquinarias. Mesmo assim, a realidade salarial, assim como o esgotamento físico, as horas extras e o sistema de produção baseado no Taylorismo ainda eram um desafio na relação com os acidentes de tra- balho. Outro apontamento de grande importância feito pelo autor foi o surto de Poliomielite no país e fora dele, forçando o estabelecimento de políticas voltadas à construção de centros de reabilitação para tratamento e recuperação dos pacientes (KURBAN, 2005). Em 1951, o médico Dr. Waldo Rolim de Moraes organizou o Serviço de Fisioterapia do Hospital das Clínicas iniciando-se o primeiro curso técnico (GAL- VAN, 1998). FIGURA 30 – DR. ARNALDO VIEIRA DE CARVALHO E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A MEDICINA PAULISTA FONTE: <https://images.app.goo.gl/uifLPCR4khiQf7xs9>. Acesso em: 5 de jul. 2019. UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS 34 2.3 O SURGIMENTO DO PRIMEIRO CURSO DE FISIOTERAPIA A NÍVEL TÉCNICO NO BRASIL NO INSTITUTO CENTRAL DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE SÃO PAULO Conforme os anos foram passando, a prática da Fisioterapia foi se eviden- ciando através da instalalação de vários serviços ligados à reabilitação. Foi assim que surgiu também o primeiro curso de Fisioterapia a nível técnico. Para suprir a demanda de técnicos em Fisioterapia, o Dr. Waldo Rolim criou, em 1951, o primeiro curso Técnico em Fisioterapia do Brasil. O curso tinha duração de um ano no formato de aulas em período integral e era necessário que o aluno tivesse o segundo grau completo. Os professores eram médicos do Hos- pital das Clínicas, local da realização das aulas (GAVA, 2004). O curso tinha em seu corpo docente, médicos do próprio hospital e as au- las eram ministradas no sétimo andar do Instituto Central do Hospital das Clíni- cas. Ao final do curso, a fim de serem aprovados, os alunos realizavam uma ava- liação, cujos avaliadores eram médicos e enfermeiros do Serviço de Fiscalização Profissional do Estado de São Paulo. A oferta desse curso foi de grande impor- tância, pois a nova classe profissional, ainda engatinhando, iniciaria o processo de reflexão sobre a carreira e o futuro profissional (MARQUES; SANCHES, 1994). Na década seguinte, para melhor adequação, pois a demanda de alunos aumentou, a duração do curso passaria a ser de dois anos (CARVALHO et al., 2014). 2.4 A EVOLUÇÃO DO CURSO DE FISIOTERAPIA A Fisioterapia foi evoluindo no cenário nacional e internacional, através de sua contribuição com a sociedade. Fez-se necessário melhorar a oferta de cursos com aprimoramento de técnicas e um número maior de pesquisas com evidências. Os primeiros cursos ofertados no Brasil tinham o objetivo de auxiliar os médicos, mas conforme a visão sobre o corpo humano, o conceito de saúde e de doença foi sendo estabelecido, percebeu-se que os cursos deveriam ter formatos diferentes que melhor atendessem a necessidade e a realidade da época. [...] A motivação principal para sua criação foi o grande número de portadores de sequelas da poliomielite - então com elevada incidência - com distúrbios do aparelho locomotor, bem como o crescente aumento de acidentes de trabalho. Considerada profissão recente, com menos de quarenta anos de regulamentação, a formação em fisioterapia no Brasil evoluiu de forma lenta nas décadas de 1970 e 1980, elevou considera- velmente o número de cursos e de vagas na década de 1990 e atingiu acelerada expansão a partir de 1997 (BISPO JÚNIOR, 2009, p. 3). A epidemia de poliomielite exerceu grande influência no desenvolvimento e fortalecimento da Fisioterapia no cenário mundial. No ano de 1916, nos Estados TÓPICO 2 | A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA FISIOTERAPIA 35 Unidos, um número alarmante de vinte e sete mil pessoas foram infectadas, em um total de vinte e seis estados atingidos. Esses números significaram uma média de seis mil óbitos e milhares de casos de pacientes portadores de sequelas motoras. No período em que a poliomileite assolou os norte americanos, de 1916 a 1955, foram cerca de trinta e oito mil infectados ao ano. No ano de 1952 eram quase trinta e cinco habitantes infectados a cada cem mil habitantes (BARROS, 2008). Conforme o cenário nacional e internacional ia sendo influenciado por inten- sas mudanças, também se modificava a realidade da atuação do fisioterapeuta. Sur- giram epidemias, sequelas e a preocupação com a saúde pública, mas também com a economia, já que todas essas pessoas, crianças e adultos, precisariam de atenção e cuidados especiais. 2.4.1 A fundação da ABBR e a iniciação do curso técnico em reabilitação Em 1954, no Brasil, a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) foi fundada, e em 1956, como parte de suas atividades, iniciou-se a oferta do Curso Técnico em Reabilitação. Aqui, pela primeira vez na história, o fisioterapeuta foi visto como auxiliar de médico, mas além disso, como profissional com formação de nível técnico. As aulas do curso ocorriam nas dependências da própria associação e os alu- nos deslocavam-se também para outras instituições, como, por exemplo,a Policlínica do Rio de Janeiro, além dos Hospitais Carlos Chagas, Getúlio Vargas, Jesus e Pedro Ernesto, além da Cruz Vermelha. O Regimento Interno da ABBR trazia a informação de que deveria ser um centro de caráter beneficente, filantrópico e sem fins lucrati- vos, cuja prioridade era a preparação para o exercício profissional (BARROS, 2008). FIGURA 31 – DEPENDÊNCIAS DA ABBR, REFERÊNCIA EM REABILITAÇÃO NO JARDIM BOTÂNICO, RIO DE JANEIRO FONTE: <http://bit.ly/2OAQdQn>. Acesso em: 5 jul. 2019. UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS 36 FIGURA 32 - CERIMÔNIA DE FORMATURA DA PRIMEIRA TURMA DE FISIOTERAPEUTAS E TERAPEUTAS OCUPACIONAIS DO BRASIL GRADUADOS PELA ESCOLA DE REABILITAÇÃO DO RIO DE JANEIRO – ERRJ, CRIADA PELA ABBR FONTE: <http://bit.ly/2D4jJJ2>. Acesso em: 5 jul. 2019. No dia da formatura da primeira turma da ABBR, em 1958, dos 23 alunos formandos, 16 eram fisioterapeutas e 7 eram terapeutas ocupacionais. E, dos 23 formandos, quinze foram imediatamente contratados para trabalhar no centro de reabilitação (BARROS, 2008). A oferta do Curso da ABBR durou até quando a Lei n° 5.029 criou, anexo à cadeira de Ortopedia e Traumatologia da FMUSP – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o Instituto de Reabilitação. O curso formou inúmeros fisioterapeutas de 1951 até 1958. Esse Instituto de Reabilitação iniciou suas ativida- des através do engajamento de médicos do cenário nacional, entre eles, o brasileiro Dr. Godoy Moreira, através de acordos com algumas organizações internacionais (MARQUES; SANCHES, 1994). • A fundação da Associação Paulista de Fisioterapia (APF) Na época a realidade já era um pouco diferente, pois os técnicos formados já encontrariam uma profissão mais organizada que os colegas anteriores, egres- sos do Curso do Dr. Raphael de Barros. Esses fundaram a Associação Paulista de Fisioterapia (APF) que foi a primeira associação de classe. A APF foi pioneira para outras entidades (GAVA, 2004). Entende-se que o Curso de Fisioterapia também era um curso da Uni- versidade de São Paulo, contudo, isto confirmou-se somente em 7 de abril de 1967, através da portaria G-R nº 347, quando a Universidade de São Paulo regulamenta os Cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupa- cional do Instituto de Reabilitação da Faculdade de Medicina. A Por- taria nº 1025 de 16 de janeiro de 1970 afirma que os certificados de con- clusão dos Cursos de Técnicos em Fisioterapia e Terapia Ocupacional, expedidos pelo Instituto de Reabilitação da Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo, nos anos de 1958 a 1966, consideram- -se, para efeitos de direito equivalentes aos diplomas expedidos nos termos deste regulamento (GALVAN, 1998, p. 55-56). TÓPICO 2 | A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA FISIOTERAPIA 37 2.4.2 O curso de Fisioterapia da FMUSP Em abril de 1967, a Universidade de São Paulo fixa o regulamento dos Cursos de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional do Instituto de Reabilitação da Faculda- de de Medicina. Como o curso estava vinculado a um Instituto em uma cadeira da FMUSP, era considerado um curso da Universidade de São Paulo. Inicialmente, as disciplinas ofertadas estavam mais voltadas à reabilitação, visão da época e eram pouco específicas (MARQUES; SANCHES, 1994). O curso de Fisioterapia da FMUSP, com duração de três anos, permaneceu até 1979, período em que as disciplinas eram pouco específicas e voltadas à reabilita- ção. No ano de 1980 o curso passaria a ter duração de quatro anos (GALVAN, 1998). FIGURA 33 – PRÉDIO DO DEPARTAMENTO DE FISIOTERAPIA DA USP NA ATUALIDADE FONTE: <http://www.imagens.usp.br/?p=19971>. Acesso em: 5 jul. 2019. Acesse os links a seguir e leia algumas informações adicionais a respeito do surgimento da Fisioterapia enquanto ciência e profissão: • http://terapiadomovimento.blogspot.com/2009/05/fisioterapia-fisioterapia-e-o.html • http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh9/SH/trabalhos%20orais%20completos/ ATUALIZACOES-SOBRE-A-HISTORIA-DA-FISIOTERAPIA-NO-BRASIL.pdf DICAS 38 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A Fisioterapia que já existia na Antiguidade, visto no tópico anterior, passou por diversos momentos até ser caracterizada como ciência e profissão, tendo seu mar- co com a fundação do Departamento de Eletricidade Médica da FMUSP. • O serviço de Eletricidade Médica permitiu que, inicialmente, a atuação do fisiote- rapeuta fosse considerada como auxiliar médico, sem ainda ser profissão autôno- ma e reconhecida como tal. • Importantes nomes da classe médica foram responsáveis pelo início de sua atuação. • Com a evolução da prática fisioterapêutica junto à classe médica, foram surgindo os cursos a nível técnico, como o do Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo. • Ao passo que a Fisioterapia ganhava visibilidade e importância junto à comunida- de, foram surgindo associações de classe, como a ABBR, Associação Brasileira de Reabilitação e a APF, Associação Paulista de Fisioterapia. • O curso superior de Fisioterapia surgiu dentro da Faculdade de Medicina da Uni- versidade de São Paulo, a FMUSP. 39 1 Qual a importância da instalação do Departamento de Eletricidade Médica da FMUSP para a profissão de fisioterapeuta? 2 Tendo sido instalado o Departamento de Eletricidade Médica e mais tarde o serviço de Fisioterapia na Santa Casa de Misericórida de São Paulo, qual a necessidade de o fisioterapeuta não ser mais visto como um auxiliar médico e sim como um profissional independente? 3 Qual a importância do surgimento das associações como a ABBR e a APF? AUTOATIVIDADE 40 41 TÓPICO 3 ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO No terceiro tópico desta unidade, abordaremos a retrospectiva histórica da regulamentação da profissão, bem como a oferta de cursos de Fisioterapia em nosso país com base nas diretrizes da Câmara de Ensino Superior. De forma correlacionada faremos apontamentos sobre a expansão do ensino e se nesse pro- cesso houve planejamento adequado. 2 ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) Os cursos de Fisioterapia foram surgindo no Brasil exclusivamente nos cen- tros de reabilitação anexos às Faculdades de Medicina. A duração do curso era va- riável de escola a escola. O profissional formado nessa época era visto como mero auxiliar médico e sua participação estava voltada as tarefas concernentes ao trei- namento prático em métodos e técnicas como a água, a eletricidade, a massagem e os exercícios passivos, ativos e resistidos, faltando mentalidade profissional que instruísse e educasse integralmente o estudante. Foi em 10 de dezembro de 1963, através do Parecer 388 da Câmara de Ensi- no Superior (CES) que foi fixado o currículo mínimo dos cursos. Além disso, nessa época, foi feita a solicitação de considerar o profissional formado como Técnico em Fisioterapia e não mais Auxiliar Médico (KURBAN, 2005). 2.1 O PROJETO DE LEI DE FEVEREIRO DE 1963 E A TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO O projeto de lei de autoria do deputado João Veiga, em 1963, tinha o in- tuito de regulamentar a formação acadêmica de fisioterapeutas e de terapeutas ocupacionais. Nesse projeto, estaria fixada a carga horária mínima do curso em um total de 2.500 horas, sendo 1.000 horas de aulas teórico-práticas e 1.500 ho- 42 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS ras de aulas de treinamento (estágio). No mês de março de 1967 o projeto foi arquivado. A única alternativa que restava era a via administrativa para tentar a regulamentação da profissão através do Conselho Nacional de Educação (CNE) (BARROS, 2008). FIGURA 34 – PROJETO DE LEI DO DEPUTADO JOÃO VEIGA DE N. 1.372/63, NA TENTATIVA DE REGULAMENTAR A PROFISSÃO FONTE: <http://bit.ly/349Rft3>. Acesso em: 5 jul. 2019. FIGURA 35 – PROJETO DE LEI NA ÍNTEGRA, APRESENTADO NACÂMARA DOS DEPUTADOS, PARA REGULAMENTAR A PROFISSÃO TÓPICO 3 | ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) 43 44 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS FONTE: <http://bit.ly/347GJmj>. Acesso em: 5 jul. 2019. 2.2 O DECRETO LEI 938/69: CONTRIBUIÇÕES PARA A EXPANSÃO DO ENSINO DE FISIOTERAPIA NO BRASIL No ano de 1969, foi assinado o Decreto Lei n° 938/69 em que a junta mili- tar do governo, na época, reconheceu e regulamentou as profissões de fisiotera- peuta e de terapeuta ocupacional como nível superior (CARVALHO et al., 2014). TÓPICO 3 | ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) 45 A formação acadêmica em Fisioterapia foi modificando ao longo de sua his- tória. Fatores políticos, econômicos e sociais foram os responsáveis por essa modifi- cação. No ano de sua regulamentação, em 1969, existiam no Brasil apenas seis cursos sendo ofertados. Em 15 anos surgiram mais 16, perfazendo um total de 22 cursos em 1984. A oferta de vagas é considerada lenta e isso se explica por alguns motivos: a repressão em função do regime militar da época e o pouco conhecimento sobre o impacto da fisioterapia sobre a saúde da população. “Durante a década de 1980 e a primeira metade da seguinte, a expansão dos cursos de fisioterapia seguiu a mesma tendência de crescimento lento, atingindo o total de 63 em 1995” (BISPO, 2009, p. 3). Nos períodos de 1960 e 1970, durante o regime militar, a ABF por meio de estratégia política conseguiu uma das maiores conquistas da profis- são. No ano de 1969, os Ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica assinaram o Decreto Lei n.938 de 13 de outubro de 1969 que reconhecia o fisioterapeuta e os cursos superiores de Fisiote- rapia, reservando aos graduados nestes cursos o direito exclusivo da profissão (GAVA, 1994, p. 34). 2.3 A CRIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE FISIOTERAPIA E DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FISIOTERAPIA: MARCOS IMPORTANTES À PROFISSÃO E AO ENSINO DA FISIOTERAPIA Na década de 1950 aconteceu uma redução de fisioterapeutas, mas a pouca quantidade não contribuiu para o conformismo dos problemas e perspectivas futu- ras acerca da profissão. Pelo contrário, e, em 1957, paralelamente à oferta do primeiro curso de Fisioterapia do Brasil no Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo, iniciava a Associação Paulista de Fisioterapeutas (APF), cuja finalidade era a de promover o aperfeiçoamento profissional e o embasamento técnico-científico e ju- ridíco. Essa associação ganhou mais força após o estabelecimento da Resolução nº 4, de 28 de fevereiro de 1983 e mantém-se ativa até hoje (MARQUES; SANCHES, 1994). Os órgãos representativos de classe, as escolas de fisioterapia e os profissio- nais já habilitados, lutaram pela Resolução nº 4 de 28 de fevereiro de 1983, em que foi estabelecida a grade curricular e a duração do curso. Essa resolução determinou ain- da disciplinas específicas da área como Sociologia, Antropologia, Psicologia, Saúde Pública e Metodologia da Pesquisa. 2.4 ASPECTOS LEGAIS DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA NO BRASIL O aspecto legal da profissão teve a finalidade de dar suporte à prática profissional e surgiu dos esforços dos fisioterapeutas para que houvesse o crescimento de suas atribuições (MARQUES; SANCHES, 2014). A seguir, tem-se a Resolução publicada no Diário Oficial da União em 1978, na qual o COFFITO estabelece algumas prerrogativas. 46 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS 2.4.1 A expansão do ensino em fisioterapia: houve planejamento adequado? Como em qualquer área em expansão a Fisioterapia teve o número de cur- sos e de vagas ofertadas de forma ampliada, porém desregulada. Dois aspectos podem ter contribuído para essa expansão: a concentração geográfica dos cursos e a privatização do ensino superior. Como o curso de graduação em fisioterapia tem duração de quatro a cinco anos, era esperado o crescimento do número de profissionais graduados após o ano de 2001, mostrando o reflexo do plano de expansão do ensino superior adotado em 1997. Em 1997, sob o pretexto de ampliar a oferta de cursos o Governo Federal incentivou e promoveu a liberação do ensino à iniciativa privada, sem, no entanto, incentivar a ampliação da rede pública, em especial das instituições federais (SHIWA; SCHMITT; JOÃO, 2016, p. 7). 2.4.2 Distribuição de cursos por região em 2003 A distribuição de cursos por região, no ano de 2003 era assim (PEREIRA et al., 2006 apud BISPO JÚNIOR, 2009): • 181 cursos ofertados na região Sudeste, representando 60,7%; • 57 cursos ofertados na região Sul, representando 19,1%; • 35 cursos ofertados na região Nordeste, representando 11,7%; • 17 cursos ofertados na região Centro Oeste, representando 5,8%; • 8 cursos ofertados na região Norte, representando 2,7%. 2.4.3 Relação da distribuição de cursos por região comparado à distribuição populacional em 2003 A distribuição da população residente por regiões no mesmo período aponta: Sudeste, 42,62%; Sul, 14,69%; Centro-Oeste, 7%; Nordeste, 27,84 e Norte, 27,84%. Compararando-se as distribuições de cursos e populações, evidenciam-se grandes discrepâncias. Comparando-se as distribuições de cursos e entre as regiões: enquanto Sul e Sudeste concentravam 80% dos cursos e 57,31% da população, Norte e Nordeste, com 35,69% da popu- lação do país, possuíam 14,4% dos cursos. A desigualdade na distribui- ção dos cursos é algo preocupante, com potenciais reflexos na assistência prestada à população, em virtude tanto da carência de profissionais em algumas localidades, a exemplo da região Norte, quanto de divergências corporativas nas regiões de maior concentração profissional, a exemplo do Sudeste. (BISPO, 2009, p. 4). TÓPICO 3 | ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) 47 2.4.4 A influência do parecer 388/63 aprovado pelo mec em 10/12/1963, sobre a expansão do ensino [...] através da Portaria Ministerial nº 388 de 1963 em que seu relator consi- derando a falta de experiência de professores habilitados, de instalações, de laboratórios e de equipamentos, decidiu que os conteúdos que deve- riam fazer parte do repertório dos futuros profissionais fisioterapeutas (então denominados técnicos em Fisioterapia) deveriam basear-se em um esquema modesto e exequivel. E, a partir dessas considerações, estabele- ceu-se o primeiro Currículo Mínimo (GALVAN, 1998, p. 56). “Em 23 de julho de 1964 o Ministério da Educação definiu pela primeira vez o currículo mínimo dos cursos de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional, ba- seando-se no Parecer nº 388/63” (BARROS, 2008, p.10). Os cursos, até então, não eram padronizados nos seus currículos e nem sua carga horária. Entretanto, o Conselho Federal de Educação resolveu, através do pa- recer CES 388, de 10/12/1962, fixar os currículos mínimos e considerá-los análogos aos dos Enfermeiros, e denominar seus formandos como Técnicos em Fisioterapia, e não mais auxiliares médicos. Prevalecia a idéia de formação de intermediários para atuarem sob a tutela médica, com competência apenas para as tarefas de caráter te- rapêutico. O futuro técnico não adquiriria conhecimento sobre o ser humano, sua constituição, interação de suas partes, seu desenvolvimento ontogênico e filogênico, os principais agentes e mecanismos das patologias. Como poderia tratar o ser hu- mano, sem nada entender sobre ele, a não ser a técnica de ligar, aplicar e desligar os equipamentos fisioterapêuticos, mecanicamente, e tendo que confiar cegamente no diagnóstico, prognóstico e prescrição do médico. Como se não bastasse, este curso superior era totalmente desprovido da investigação científica e, portanto, não havia condições de desenvolver consciência crítica da realidade nem perspectivas de evo- lução(KURBAN, 2005). O Conselho Federal de Educação, através de uma Comissão aprovou junto ao Ministério da Educação (MEC), em 10 de dezembro de 1963, o Parecer 388/63 que reconhecia que os cursos de Fisioterapia deveriam ter duração mínima de três anos, caracterizando, nessa época, os chamados Técnicos em Fisioterapia, cujas funções profissionais também estavam pré-estabelecidas no documento. • A assinatura do Decreto Lei 938 de 13/10/1969 e a modificação da imagem da profissão no Brasil a nível educacional e profissional Em 1969, com a publicação do Decreto Lei nº 938 que reconheceu oficial- mente as profissões de fisioterapeuta e de terapeuta ocupacional no país, parecia finalmente superada a questão da denominação das profissões e de sua relação com outras profissões da área de saúde, especialmente a medicina. O decreto definiu como privativa do fisioterapeuta a atuação na área de fisioterapia e o habilitou oficialmente, como profissional libe- ral, a dirigir serviços em órgãos ou estabelecimentos públicos e privados, além de exercer o magistério nas disciplinas de formação básica e/ou pro- fissional (BARROS, 2008, p. 11). 48 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS A regulamentação da fisioterapia como profissão de nível superior ocor- reu em 1969, com o Decreto Lei 938 (Brasil, 16 out. 1969), no auge da di- tadura militar no país e quando se agravaram as condições de saúde da população devido à sobrecarga epidemiológica e à deficiência do sistema assistencial brasileiro. Também nesse período intensificou-se o agrava- mento das condições de vida da população, em consequência do modelo econômico concentrador de renda. A política de privilégio para as gran- des corporações, com forte incentivo ao crescimento industrial, desenvol- veu-se em paralelo à deterioração das conquistas da classe trabalhadora [...] (PAIM, 2003 apud BISPO JÚNIOR, 2009, p. 658) O Decreto Lei n° 938, de 13 de outubro de 1969, representou um marco histórico para a classe profissional e, por isso, essa mesma data é alusiva ao Dia do Fisioterapeuta. Em um dos seus artigos, mais especificamente no artigo segundo do Decreto Lei 938/69, fica estabelecido que os fisioterapeutas diplomados em escolas e cursos reconhecidos são profissionais de nível superior (GALVAN, 1998). O intuito do firmamento do Decreto Lei regulamentando as profissões era o de uma maior fiscalização e melhor acompanhamento da qualidade dos cursos já oferecidos, pois a essa altura, já era necessário algo para resolver a reserva de mer- cado. Esse mesmo documento serviria para analisar a autonomia profissional, já que até o momento o fisioterapeuta era submisso a responsabilidade técnica do médico. Após a publicação do Decreto Lei nº 938, em 1969, a situação parecia finalmente estar superada, no sentido de denominação em relação com as outras profissões. Porém, um mês depois, uma comissão formada por médicos, tentou a promulgação do Decreto Lei, solicitando revisão do texto no que se referia à denominação profissional. Os médicos não queriam que os fisioterapeutas tivessem autonomia profissional. O Decreto Lei definiu a atividade do fisioterapeuta como sendo privativa e o caracterizou como profissional liberal, com capacidade de dirigir práticas de atendimentos em órgãos e em estabelecimentos públicos e privados. Permitia também ao fisioterapeuta lecionar disciplinas de formação inicial e profissional. Em tempo, o pedido da comissão de médicos para rever o texto do Decreto Lei foi derrotado no Congresso Nacional sendo arquivado no mês de maio de 1972 (BARROS, 2008). O Decreto Lei 938/69, em todo o seu instrumento legal, diz que as profis- sões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional são tratadas em conjunto e que isso na época foi uma estratégia adotada com a finalidade de unir forças e ter poder nas negociações (GAVA, 2004). A junta militar que governava o país na época assinou o Decreto Lei e re- gulamentou as profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional, ambas profissões sendo reconhecidas como de nível superior (CARVALHO et al., 2014). A importância da profissão veio a ser percebida quando o presidente Arthur da Costa e Silva teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e precisou de TÓPICO 3 | ASPECTOS HISTÓRICOS DA TENTATIVA DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO E DA OFERTA DE CURSOS DE FISIOTERAPIA COM BASE NA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR (CES) 49 fisioterapia durante o seu período de convalescência. Esse episódio fez com que a junta militar da época, que sucedeu o governo de Costa e Silva, reconhecesse o profissional fisioterapeuta, através do Decreto Lei 938/69 (KURBAN, 2005). As duas profissões: a de Fisioterapeuta e a de Terapeuta Ocupacional, ainda hoje, estão sob o mesmo Conselho Regional mesmo que em menor representativi- dade para os Terapeutas Ocupacionais. Para auxiliar no entendimento do conteúdo, acesse o material disponibilizado a seguir: • http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0938.htm • http://legis.senado.leg.br/norma/524501 DICAS 50 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Houveram inúmeras tentativas antes da profissão ser regulamentada. • O projeto de Lei apresentado em fevereiro de 1963 só veio a tornar-se o Decreto Lei 938/69, após uma luta incessante junto ao Senado. • A assinatura do Decreto Lei, em 13 de outubro de 1969, tornou a Fisioterapia uma profissão e permitiu atribuições na prática clínica e a expansão do ensino superior. • Essa expansão ocorreu de forma não tão planejada, tendo em vista a distribuição de cursos por região, bem como a sua relação com a distribuição populacional. 51 1 O que representou a assinatura do Decreto Lei 938/69 para a profissão? 2 Além do Decreto Lei 938/69 ter sido responsável pela regulamentação da pro- fissão, também contribuiu para a expansão do ensino no Brasil. Qual a correla- ção entre a permissão do exercício da profissão e a oferta de curso na área? AUTOATIVIDADE 52 53 TÓPICO 4 ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA APÓS A ASSINATURA DO DECRETO LEI 938/69 UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO No tópico anterior vimos que a regulamentação da profissão pelo Decreto Lei 938, assinado em 13 de outubro de 1969, contribuiu para a definição da prática clínica em Fisioterapia e exerceu influência direta na oferta de cursos permitindo a expansão do ensino no país. Toda tentativa de regulamentação e de reconhecimento traz consigo cresci- mento, embora nem sempre proprocional e saudável para determinada área. Isso se refletiu em 2003, quando foram analisadas as ofertas de curso por região e com- paradas com a distribuição populacional no mesmo ano. Este tópico, será responsável por trazer informações específicas sobre o que é permitido ao fisioterapeuta executar em sua prática clínica e qual é o papel de órgãos regulamentadores da profissão como COFFITO e CREFITO. Boa leitura! 2 ATUAÇÃO PROFISSIONAL APÓS A ASSINATURA DO DECRETO LEI No artigo terceiro do Decreto Lei 938/69, tem-se a definição de fisioterapeu- ta, como o profissional que exerce atividade privativa, através de métodos e técnicas fisioterápicas no intuito de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente. [...] Durante esse período, ocorreram muitas evoluções legais e científicas, em que o fisioterapeuta atual pouco se asse- melha ao “técnico de reabilitação” da década de 1950; é um profissional da saúde atuante na promoção, na proteção e na recuperação da saúde, com ampla área de atuação em diferentes níveis de assistência à saúde, da aten- ção primária à alta complexidade (SHIWA; SCHMITT; JOÃO, 2016, p. 2). A Fisioterapia é definida como uma ciência da saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais, os quais podem atingir órgãos e sistemas do corpo humano, sendo causados por alterações de ordem genética, por traumas ou por doenças adquiridas. Para alcançar os objetivos propostos, o fisioterapeuta tem disponível recursos físicos e naturais, de açãoisolada ou em conjunto nas áreas de Eletroterapia, Crioterapia, Termoterapia, Hidroterapia, Fototerapia, Mecanote- rapia e Cinesioterapia (CARVALHO et al., 2014). 54 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS [...] Dado o grande número de cursos de pós-graduação lato sensu, o va- lor acessível [...] e a ansiedade do egresso em se especializar em uma área, a pós-graduação não é vista como um diferencial para o mercado de tra- balho, tornando-se quase “obrigatória”. Com esse contexto, observamos a continuidade da formação voltada ao tecnicismo e não focada na atenção fi- sioterapêutica, como membro de uma equipe multidisciplinar e com visão ampliada de cuidado do seu usuário/cliente/paciente. Nota-se que as áreas da acupuntura, fisioterapia esportiva, osteopatia e saúde coletiva apresen- tam um declínio do número de alunos que realizam pós-graduação lato sensu; em contrapartida, a fisioterapia dermatofuncional mostra-se em ascensão as demais, ortopedia, neurologia, fisioterapia do trabalho, saú- de da mulher e as especialidades ainda não reconhecidas pelo COFFITO apresentam-se em frequências constantes no decorrer do tempo (SHIWA; SCHMITT; JOÃO, 2016, p. 7). 2.1 O QUE REPRESENTA A LEI 6.316/1975 NA PROFISSÃO DE FISIOTERAPEUTA A Lei 6.316 datada de 17 de dezembro de 1975, foi decretada pelo Congres- so Nacional e sancionada pelo então Presidente da República criando o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, o COFFITO, bem como os Con- selhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, os chamados CREFITOs (MARQUES; SANCHES, 1994). Com a organização dos Conselhos e suas regulamentações o desafio se tor- naria maior, pois todo estabelecimento que ofertasse o serviço de reabilitação, de- veria ter em seu quadro de funcionários um profissional formado em Fisioterapia em nível superior. Esse profissional deveria ser registrado junto ao CREFITO, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Essa formalidade servi- ria para que o profissional respondesse como responsável técnico do setor. Por outro lado, o da Fisiatria, seria um retrocesso para a classe médica, pois, as clínicas que eram de propriedade médica e que utilizassem mão de obra não qualificada para exercer a função do agora profissional Fisioterapeuta, e que pa- gavam baixos salários, ficariam em perigo: ou não ofertariam mais o serviço ou precisariam se adequar para a nova realidade. Foi por isso que a Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação entrou com uma ação solicitando a revisão dos artigos 3 e 4 do Decreto Lei 938/69. A decisão do STF, o Superior Tribunal Federal, julgou o pedido improcedente do intuito da classe médica querer estabelecer o controle profissional sobre os fisio- terapeutas (GAVA, 2004). TÓPICO 4 | ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA APÓS A ASSINATURA DO DECRETO LEI 938/69 55 2.2 O COFFITO COMO ÓRGÃO REGULAMENTADOR DA PROFISSÃO De acordo com as informações encontradas na base de dados no site oficial do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, a função dessa autarquia federal é a de normatizar e exercer o controle ético, científico e social das profissões. Desde a sua criação, até 1995, o COFFITO atuava junto ao Ministério do Tra- balho e através da Lei nº 9.098 se desvinculou. A partir do momento em que foi san- cionada a Lei nº 6.316 e criou-se essa autarquia federal, entende-se que o papel do COFFITO a nível nacional é: • Supervisionar a fiscalização do exercício legal da profissão de modo a zelar a práti- ca dos que a exercem, fundamentando uma assistência profissional independente, científica, ética e resolutiva. • Funcionar como Tribunal Superior de Ética nas demandas profissionais. • Defender os interesses corporativos das profissões. • Acompanhar a inserção profissional no mercado de trabalho. • Fomentar a formação técnica e humanista profissional, permitindo que a socieda- de tenha acesso a serviços de excelência. O COFFITO tem em seu histórico uma árdua luta em prol dos interesses da saúde e do bem-estar da população brasileira e, desde a regulamentação profissional, observa-se um crescente reconhecimento por parte da população, bem como das po- líticas de saúde pública e privada de nosso país. A Lei 6.316, de 17 de dezembro de 1975, foi sancionada pelo então presidente da República, Ernesto Geisel, a qual criou o COFFITO e os CREFITOs. Na época, o número de fisioterapeutas era insuficiente para se criar um conselho, portanto, foi ne- cessário a junção com os terapeutas ocupacionais para que o mesmo fosse aprovado (GALVAN,1998). 2.3 A HIERARQUIA COFFITO – CREFITOS A criação dos Conselhos teve importância de caráter regulamentador e fisca- lizador da profissão, no sentido de acompanhar o número de profissionais formados, os cursos ofertados, bem como os locais que ofereciam os serviços de reabilitação. Além disso, a Lei serviu para que os “conflitos” de interesse profissional en- tre a Medicina Física de Reabilitação e a Fisioterapia fossem revistos e solucionados (GAVA, 2004). De forma hierárquica, abaixo do COFFITO existem dezoito CREFITOs, ou seja, dezoito órgãos regionais que atuam por circunscrição (região) organizados através de um conselho formado por presidente, vice-presidente, diretor(a) secretário(a) e dire- tor(a) tesoureiro(a), além de efetivos e suplentes, todos escolhidos através de votação. Todos os profissionais formados e atuantes nas profissões no estado de San- ta Catarina pertencem ao CREFITO 10. 56 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS Essa jurisdição funciona desde 29 de maio de 2003. Anteriormente a essa data, os profissionais catarinenses eram regulamentados com os profissionais gaú- chos, pertencendo ao mesmo CREFITO de nº 5. Isso ocorreu devido a uma redistri- buição profissional, levando em consideração as necessidades político-administra- tivas, aumentando-se a representatividade da Autarquia. 2.4 OS CREFITOs Na sequência estão listados os dezoito CREFITOs: • Conselho Regional da Primeira Região: CREFITO 1, situado em Recife, estado de Pernambuco (http://crefito1.org.br). • Conselho Regional da Segunda Região: CREFITO 2, situado no Rio de Janeiro, estado do Rio de Janeiro, com subsedes em localidades como Tijuca, Volta Redon- da, Campos dos Goytacazes, Teresópolis, Cabo Frio e Nova Iguaçu (http://www. crefito2.gov.br). • Conselho Regional da Terceira Região: CREFITO 3, situado em São Paulo, estado de São Paulo (http://www.crefito3.org.br/dsn). • Conselho Regional da Quarta Região: CREFITO 4, situado em Belo Horizonte, esta- do de Minas Gerais, com delegacias em localidades como Juiz de Fora, Uberlândia, Pouso Alegre, Montes Claros e Governador Valadares (http://crefito4.org.br/site). • Conselho Regional da Quinta Região: CREFITO 5, situado em Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul, com seccionais em Caxias do Sul e em Santa Maria (www. crefito5.org.br). • Conselho Regional da Sexta Região: CREFITO 6, situado em Fortaleza, estado do Ceará (https://www.crefito6.org.br). • Conselho Regional da Sétima Região: CREFITO 7, situado em Salvador, estado da Bahia, com subsede em Vitória da Conquista (https://crefito7.gov.br). • Conselho Regional da Oitava Região: CREFITO 8, situado em Curitiba, estado do Paraná (https://www.crefito8.gov.br). • Conselho Regional da Nona Região: CREFITO 9, situado em Cuiabá, estado de Mato Grosso (http://www.crefito9.org.br). • Conselho Regional da Décima Região: CREFITO 10, situado em Florianópolis, estado de Santa Catarina (http://www.crefito10.org.br). • Conselho Regional da Décima Primeira Região: CREFITO 11, abrange a circuns- crição dos estados do Distrito Federal e de Goiás, situado em Brasília, funcionando como sede e em Goiâna, sendo sua subsede (www.crefito11.gov.br). • Conselho Regional da Décima Segunda Região: CREFITO 12, situado em Belém, estado do Pará (https://crefito12.org.br/). • Conselho Regional da Décima Terceira Região: CREFITO 13, situado em Campo Grande, estado do Mato Grossodo Sul (https://www.crefito13.org.br). • Conselho Regional da Décima Quarta Região: CREFITO 14, situado em Teresina, estado do Piauí (http://crefito14.org.br). • Conselho Regional da Décima Quinta Região: CREFITO 15, situado em Vitória, estado do Espírito Santo (http://www.crefito15.org.br). • Conselho Regional da Décima Sexta Região: CREFITO 16, situado em São Luís, estado do Maranhão (http://crefito16.gov.br/site). https://www.crefito8.gov.br http://www.crefito9.org.br http://www.crefito10.org.br/ http://www.crefito11.gov.br https://crefito12.org.br/ https://www.crefito13.org.br/ http://crefito16.gov.br/site/ TÓPICO 4 | ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA APÓS A ASSINATURA DO DECRETO LEI 938/69 57 • Conselho Regional da Décima Sétima Região: CREFITO 17, situado em Aracaju, estado de Sergipe (antes pertencia ao CREFITO 7, juntamente com a jurisdição do estado da Bahia). • Conselho Regional da Décima Oitava Região: CREFITO 18, situado em Rio Branco, estado do Acre. FIGURA 36 – SEDE DO CREFITO 10, NA CIDADE DE FLORIANÓPOLIS, NO ESTADO DE SANTA CATARINA FONTE: <http://bit.ly/2XxFqdE>. Acesso em: 12 jul. 2019. FIGURA 37 – PRESIDENTE DO CREFITO 10: DR. SANDROVAL TORRES, DA ESQUERDA PARA À DIREITA FONTE: <http://bit.ly/2O8KySH>. Acesso em: 12 jul. 2019. Lei nº 6.316 que criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais: http:// www.crefito.com.br/repository/legislacao/LEI%206.316.pdf. DICAS 58 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • O Decreto Lei 938 de 13 de outubro de 1969 permitiu que houvesse uma determi- nação legal acerca das atribuições profissionais do fisioterapeuta. • De forma conjunta à Lei 6.316 datada de 17 de dezembro de 1975, instituiu a criação de uma autarquia federal: o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). • O COFFITO é a maior autarquia federal e abaixo dele existem os CREFITOs a nível regional, totalizando 18 regiões. • A função do COFFITO é a luta em prol dos interesses da saúde e do bem-estar da população brasileira. 59 AUTOATIVIDADE 1 Qual o objeto de estudo da Fisioterapia? 2 Em quais níveis de atenção à saúde o fisioterapeuta pode atuar? 3 Qual o papel do COFFITO e do CREFITO na atuação profissional do fisiotera- peuta? 4 De qual CREFITO o fisioterapeuta que se gradua e atua em Santa Catarina faz parte? 60 61 TÓPICO 5 O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO O último tópico da Unidade 1, será finalizado com a explanação do tema Parecer CNE/CES e sua relação com as DCNs como forma de manter a qualidade do ensino em Fisioterapia, levando em consideração o papel do MEC, definição das diretrizes curriculares, quais os objetivos na formação acadêmica do futuro profis- sional, as habilidades e as competências. O curso de Fisioterapia está incluído dentro do contexto de Educação em Saúde e deve ser organizado de forma a respeitar os modelos acadêmicos com seus conteúdos curriculares, seus estágios e atividades, trabalhados de acordo com a realidade local, regional e nacional. Vamos começar? 2 O PARECER CNE/CES 1210/2001 Antes de abordar o Parecer CNE/CES 1210/2001 e sua relação com as DCNs, é necessário que se entenda o que é CNE (Conselho Nacional de Educa- ção) e o CES (Câmara de Educação Superior). 2.1 DEFINIÇÃO DE CNE, SUA IMPORTÂNCIA E RELAÇÃO COM CES, MEC E DCNs A pesquisa foi realizada na base de dados do site do MEC no Conselho Nacional de Educação e obteve-se as seguintes informações: • A tentativa inicial de se criar o Conselho foi no ano de 1842, no estado da Bahia, porém a ideia de um Conselho Superior somente sairia do papel anos mais tarde, em 1911, através do Decreto nº 8.659 de 5 de abril, com a criação do Con- selho Superior de Ensino. 62 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS • Posteriormente criou-se o Conselho Nacional de Ensino através do Decreto nº 16.782-A, de 13 de janeiro de 1925, o Conselho Nacional de Educação cujo De- creto é o de nº 19.850 datado de 11 de abril de 1931, o Conselho Federal de Edu- cação e os Conselhos Estaduais de Educação através da Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, os Conselhos Municipais de Educação pela Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971 e o Conselho Nacional de Educação (Medida Provisória nº 661, de 18 de outubro de 1994 convertida na Lei nº 9.131/95). • O atual Conselho Nacional de Educação integra o Ministério da Educação instituí- do pela Lei nº 9.131, de 25 de novembro de 1995, a fim de participar na formulação da Política Nacional de Educação e exercer atribuições normativas e deliberativas, assessorando o Ministro da Educação. • As Câmaras de Educação Básica (CEB) e de Educação Superior (CES), as quais compõem o Conselho Nacional de Educação (CNE), são formadas, cada uma, por doze conselheiros, membros natos em cada Câmara, respectivamente, o Secretário de Educação Fundamental e o Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, nomeados pelo Presidente da República. • É função do Conselho e das Câmaras atuar nas conformidades da Lei nº 9.131/95. • A Câmara de Educação Básica dentro de suas atribuições analisa e emite parecer sobre procedimentos e resultados de processos de avaliação da educação infantil, fundamental, média, profissional e especial. • A Câmara de Educação Superior teve algumas de suas atribuições modificadas na forma dos artigos 20 e 21 da Medida Provisória nº 2.216-37, de 31 de agosto de 2001. • Até a edição da Medida Provisória nº 2.216, a Câmara de Educação Superior, den- tro de suas atribuições, autorizava, reconhecia e renovava o reconhecimento de todos os cursos de graduação das instituições de ensino superior vinculadas ao Sistema Federal de Ensino, bem como sobre a aprovação de Estatutos e Regimen- tos provenientes dessas instituições. • A partir da edição da Medida Provisória nº 2.216 e do Decreto 3.860/2001 que a re- gulamentou, a Câmara de Educação Superior passou a se manifestar somente nos processos relativos aos Cursos de Direito e aos da área de saúde. O credenciamen- to das instituições que pretendem ministrar cursos na área jurídica e da saúde, o credenciamento e o recredenciamento de Universidades e Centros Universitários. 2.2 O PAPEL DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, DA CÂMARA DE ENSINO SUPERIOR E DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA NO ENSINO SUPERIOR Ficaria a cargo do próprio MEC a manifestação sobre os demais cursos de graduação e o credenciamento e o recredenciamento das instituições de ensino superior correspondentes. No que se refere aos Estatutos e Regimentos é papel da Câmara restringir-se na aprovação dos Estatutos das Universidades e Centros Universitários enquanto que a aprovação dos Regimentos das instituições não universitárias ficou sob a responsabilidade do MEC. As atribuições da Câmara de Educação Superior foram modificadas pela Me- dida Provisória nº 147, de 15 de dezembro de 2003, convertida na Lei nº 10.861/2004. TÓPICO 5 | O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) 63 A Figura 42 mostra a estrutura organizacional do MEC/CNE de forma hierárquica. FIGURA 38 - ESTRUTURA ORGANIZACIONAL MEC/CNE FONTE: <http://bit.ly/2OB76KR>. Acesso em: 12 jul. 2019. O Conselho Nacional de Educação busca, de forma democrática, alternativas e mecanismos institucionais que assegurem que a sociedade participe do desenvol- vimento, aprimoramento e consolidação da educação nacional de qualidade. O CNE promove o assessoramento garantindo que o desempenho de suas funções e atri- buições como poder público federal em matéria de educação seja mantido. Cabe-lhe formular e avaliar a política nacional de educação, zelando pela qualidade do ensino e pelo cumprimento dalegislação educacional. É papel tanto do CNE como das Câmaras de Educação Superior (CES) e a de Educação Básica (CEB) exercerem as atribuições conferidas pela Lei nº 9.131/95, emi- tindo pareceres e decidindo privativa e autonomamente sobre os assuntos que lhe são pertinentes cabendo no caso de decisões das Câmaras recurso ao Conselho Pleno. São compromissos do CNE: • Consolidar a sua identidade como Órgão de Estado através da construção cotidia- na de ações, intervenções e interações com os demais sistemas de ensino. • Comprometer-se com a qualidade social da educação brasileira cujo foco incide na escola da diversidade. • Articular e fazer parte de um diálogo permanente junto às Câmaras de Educação Básica e de Educação Superior, correspondendo com as exigências de um sistema que ultrapasse barreiras burocráticas mediante prática orgânica e unitária. Aqui vale ressaltar que não há subordinação entre as Câmaras de Ensino, já que as mesmas representam níveis de ensino de um único sistema nacional de edu- cação. De forma estratégica a articulação e a integração permitem o aperfeiçoamento das diferentes etapas do processo de escolarização aproximando-as, constituindo um verdadeiro Conselho Nacional de Educação. • Consolidar a estrutura de funcionamento do CNE tendo em vista que deve consti- tuir um espaço de fortalecimento de suas relações com os demais sistemas de en- sino e com os segmentos sociais, permitir audiências públicas e fóruns de debates. • Cuidar da infra-estrutura, materiais necessários e do quadro de colaboradores. 64 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS • Permitir diálogo com todos os sistemas de ensino (em nível federal, estadual e municipal), em compromisso com a Política Nacional de Educação, em regime de colaboração e de cooperação. A função do Conselho Nacional de Educação e das Câmaras de Ensino ficou mais clara e há outro importante aspecto a se trabalhar: a relação com as DCNs dos Cursos de Fisioterapia (Diretrizes Curriculares Nacionais). 2.3 DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS EM FISIOTERAPIA Através de dados coletados no site do Ministério da Educação, no que se re- fere ao Conselho Nacional de Educação, têm-se as seguintes informações sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais: as mesmas são definidas como orientações para elaboração dos currículos que as instituições de ensino superior devem, obrigato- riamente, adotar, assegurando flexibilidade, diversidade e qualidade de ensino aos estudantes, preparando o futuro graduado para enfrentar desafios acerca das cons- tantes transformações da sociedade, do mercado de trabalho e das condições do exer- cício profissional. Elas são discutidas, concebidas e fixadas pelo Conselho Nacional de Educa- ção (CNE). Referindo-se ao ensino superior são todas as normas que regulamentam a oferta de cursos de Fisioterapia por todas as instituições em território nacional. Em 12 de setembro de 2001 foi aprovada a reformulação das DCNs e pu- blicada no Diário Oficial da União (DOU) em 10 de dezembro de 2001 através do Parecer CNE/CES 1.210/2001. 2.3.1 Princípios das diretrizes curriculares nacionais em Fisioterapia • Permitir ampla liberdade na composição da carga horária a ser cumprida tanto das disciplinas em sala de aula como nos estágios curriculares. • Evitar o prolongamento desnecessário da duração dos cursos de graduação. • Incentivar uma sólida formação geral do graduado. • Estimular práticas de estudo independente. • Encorajar o reconhecimento de conhecimentos, habilidades e competências adqui- ridas fora do ambiente escolar. • Fortalecer a associação teórico prática valorizando a pesquisa individual e coletiva, bem como a participação em atividades de extensão. TÓPICO 5 | O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) 65 2.3.2 Objetivos das diretrizes curriculares nacionais em Fisioterapia As DCNs devem estimular a mudança na concepção do processo ensino- -aprendizagem, as antigas concepções de prisões ou grades curriculares devem ser abolidas, garantindo uma sólida formação, preparando o acadêmico para enfrentar os desafios da profissão, suas rápidas trasnformações, tanto a nível social — merca- do de trabalho — quanto no exercício profissional. Deve ser trabalhada a competência do desenvolvimento intelectual e pro- fissional, de forma autônoma e permanente, não finalizando esse processo quando o acadêmico adquire o diploma da gradução. 2.3.3 A formação profissional segundo as DCNS e o perfil do formando-egresso-profissional O egresso/profissional fisioterapeuta deve ter formação generalista, huma- nista, crítica e reflexiva, apto a atuar em todos os níveis de atenção em saúde, com base no rigor científico e intelectual. O objeto de estudo é o movimento humano em todas as formas de expressão e potencialidade, quer seja nas alterações patológicas, cinético funcionais, quer nas alterações psíquicas e orgânicas cujo objetivo é pre- servar, desenvolver, restaurar a integridade de órgãos, sistemas e funções, desde a elaboração do diagnóstico cinético funcional até na escolha de métodos e técncias e execução de procedimentos pertinentes para cada situação. 2.3.3.1 Competências e habilidades do egresso em Fisioterapia – competências e habilidades gerais • Atenção à saúde. • Tomada de decisões. • Comunicação. • Liderança. • Administração e gerenciamento. • Educação permanente. 2.3.3.2 Competências e habilidades específicas • Ética. • Atuação em todos os níveis de atenção em saúde: primária, secundária e terciária. • Atuação multi, inter e transdisciplinar: trabalhar em equipe de saúde cuja atenção é integral ao indivíduo. • Realizar consultas, avaliações e reavaliações coletando dados, executando e in- 66 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS terpretando testes específicos (ortopédicos, vasculares e nervosos) e exames com- plementares (raio x, ultrassom, ressonância magnética, tomografia computadori- zada), estabelecendo o diagnóstico cinético funcional e prognóstico, reavaliando condutas e decidindo alta fisioterapêutica. • Emitir laudos, pareceres, atestados e relatórios. • Prestar esclarecimentos, solucionar dúvidas e orientar o paciente e seus familiares. • Manter a confidencialidade das informações do paciente, na interação com outros colegas da equipe e público em geral. • Encaminhar, quando necessário, o paciente a outros profissionais. • Manter controle sobre a eficácia e eficiência dos recursos utilizados, garantindo qualidade e segurança. • A formação do fisioterapeuta deverá atender ao sistema de saúde vigente no país, a atenção integral em saúde no sistema regionalizado e hierarquizado de referên- cia e contra referência e o trabalho em equipe. 2.4 CONTEÚDOS CURRICULARES Os conteúdos imprescindíveis para o Curso de Graduação em Fisioterapia devem estar relacionados com todo o processo de saúde-doença do indivíduo, de sua família e comunidade, integrado com a realidade epidemiológica e profissio- nal, a fim de proporcionar a integralidade do cuidar em fisioterapia. Esses conteú- dos devem contemplar: • Ciências biológicas e da saúde. • Ciências sociais e humanas. • Conhecimentos biotecnológicos. • Conhecimentos fisioterapêuticos. 3 ESTÁGIOS E ATIVIDADES COMPLEMENTARES DO CURSO DE FISIOTERAPIA Os estágios curriculares devem ocorrer sob supervisão docente, tendo como carga horária mínima 20% da carga horária total do curso, com base no Parecer/Re- solução específico da Câmara de Eduação Superior do Conselho Nacional de Edu- cação. Essa carga horária deverá assegurar a prática de intervenções nos diferentes níveis de atuação como ambulatorial, hospitalar, comunitário/unidades básicas de saúde, entre outros. As atividades complementares deverão ser estimuladas durante todo o cur- so, criando mecanismos de aproveitamento dos conhecimentos, por meio de estudos e práticas independentespresenciais ou não, como programas de iniciação científica, programas de extensão e monitorias. TÓPICO 5 | O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) 67 3.1 ORGANIZAÇÃO DO CURSO DE FISIOTERAPIA O Curso de graduação em Fisioterapia deve ter um projeto pedagógico con- feccionado de forma coletiva cujo centro da atenção deve ser o aluno, como sujeito do processo de aprendizagem, apoiado no docente, como facilitador e mediador desse processo. O projeto deve buscar a formação integral do aluno e a organização do curso de graduação em Fisioterapia é definido pelo colegiado do curso. Para a conclusão do curso de graduação em Fisioterapia o aluno deverá ela- borar um trabalho sob supervisão docente. A carga horária mínima do curso de graduação em Fisioterapia deve, obri- gatoriamente, atingir 4.000 horas. As atividades práticas que antecedem o estágio curricular obrigatório devem ser realizadas ou na instituição de ensino superior na qual o aluno faz parte, sob supervisão docente, ou em instituições conveniadas. As avaliações dos discentes precisam estar baseadas nas competências, habilidades e conteúdos curriculares desenvolvidos tendo como base as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). 3.2 FATORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA A REFORMULAÇÃO DAS DCNs A formação geral e específica dos egressos deve ter ênfase em promoção, pre- venção, recuperação e reabilitação da saúde, indicando as competências gerais do perfil de formação contemporânea dentro dos referenciais nacionais e internacionais de qualidade, com eficência e resolutividade. O conceito de saúde e os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) são elementos fundamentais a serem enfatizados na articulação entre educação superior e graduação na área da Saúde. Os cursos de graduação na área da saúde visam aprender a aprender, apren- der a ser, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a conhecer, garantindo capacitar profissionais com autonomia e discernimento que assegurem atenção inte- gral e humanização nos atendimentos prestados ao paciente, suas famílias e comu- nidade em geral. As normas são discutidas, concebidas e fixadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) que regulamenta a oferta de cursos de Fisioterapia das instituições de ensino superior em território nacional. A reformulação das DCNs visou aperfeiçoar as normas, adotou formato pre- conizado pelo Parecer CNE/CES 583/2001 e incorporou aspectos fundamentais para as áreas de conhecimento que integram a saúde quando se leva em consideração: 68 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS • Perfil do formando-egresso-profissional. • Competências e habilidades. • Conteúdos curriculares. • Estágios e atividades complementares. • Organização do curso. • Acompanhamento e avaliação. De acordo com os dados pesquisados no site do Ministério da Educação o Conselho Nacional de Educação (CNE) e a Câmara de Educação Superior (CES) ana- lisaram as propostas das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de gra- dução da área da saúde, elaboradas pela Comissão de Especialistas de Ensino. O pa- recer está sob o número 1210/2001, tendo sido aprovado em 12 de setembro de 2001. As propostas foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Educação tendo como referência documentos como: Constituição Federal de 1988, Lei Orgânica do Sistema Único de Saúde (Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990) e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), instrumentos legais que regulamentam o exercício profissional em saúde, entre outros. Após ter sido feita a análise das propostas, a Comissão adotou o formato preco- nizado pelo Parecer CNE/CES 583/2001 para as áreas de conhecimento que integram a saúde, traçando o perfil do egresso, as competências e habilidades, o estágio e as ativi- dades complementares, a organização do curso e acompanhamento/avaliação. O Conselho Nacional de Educação e a Câmara de Educação Superior apro- vou, em 12 de setembro de 2001, as DCNs para os Cursos de Fisioterapia, elaboradas pelas CEEs (Comissões de Especialistas de Ensino). As DCNs foram enviadas para os Cursos de Fisioterapia a nível nacional, a fim de serem discutidas e adaptadas conforme e realidade regional e os Projetos Político Pedagógicos, os PPPs (KURBAN, 2005). As Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Fisioterapia tiveram aprovação no ano de 2002 após terem sido incansavelmente discutidas junto com as Instituições de Ensino Superior. No período compreendido entre 2002 e 2006 através de oficinas as DCNs foram implementadas em todo o território nacional. As oficinas tinham o objetivo principal de analisar os Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) dos cursos ofertados e de suas matrizes curriculares, sempre no intuito de formar egressos com habilidades e competências, preparados para a realidade do mercado de trabalho. O perfil de egresso será abordado mais adiante. O COFFITO, através da Portaria nº 45 de 2016, instituiu uma Comissão para que fosse feita a análise e a reformulação das DCNs da Fisioterapia. A comissão foi composta por fisioterapeutas que eram docentes e foram indicados tanto pelo órgão federal como pela Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia (ABENFISIO). Fo- ram feitos diversos debates e fóruns estaduais em diversas unidades federativas do TÓPICO 5 | O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) 69 país, cujo objetivo maior era nortear as novas perspectivas profissionais, em conjunto com COFFITO, CREFITOs e ABENFISIO. 4 A INFLUÊNCIA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL NAS DCNS A Constituição Federal é definida como um conjunto de leis fundamentais que organiza e rege o funcionamento de um país. É considerada a lei máxima e obri- gatória de todos os cidadãos de uma determinada nação, servindo como garantia dos seus direitos e deveres. A atual Constituição Federal do país está na sétima edição, desde a independência do Brasil em 1822, promulgada em 5 de outubro de 1988. A definição e mais informações podem ser consultadas no site do governo federal. No Artigo 198 da Consituição Federal (BRASIL, 1988, s.p.) são citadas: as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: I- descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II- atendimento integral, com prioridade as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III- participação da comunidade. Já o Artigo 196 garante que “[...] a saúde é direito de todos e dever do Es- tado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (BRASIL, 1988, s.p.). 4.1 COMO A LEI ORGÂNICA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE Nº 8.080 DE 19/09/1990 INFLUENCIOU NA REFORMULAÇÃO DAS DCNs Quando se analisa o mercado de trabalho e o campo de atuação profissional do fisioterapeuta é notável o contraste entre a quantidade de mão de obra existente e as necessidades assitenciais da população brasileira (BISPO JÚNIOR, 2009). E qual seria a solução? “A solução para esse descompasso é a intervenção de um mediador coletivo” (FRENK, 1994 apud BISPO, 2009, p. 660). Esse mediador é o Estado, precisamente o Sistema Único de Saúde (SUS), como mostra a Figura 39: 70 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS FIGURA 39 – DEMONSTRAÇÃO DA PRESENÇA DO MEDIADOR COLETIVO NAS DEMANDAS DA POPULAÇÃO E DA FISIOTERAPIA FONTE: Frenk (1994 apud BISPO JÚNIOR, 2009, p. 660) Vale ressaltar duas coisas: o SUS possui princípios comoa Universalida- de, a Integralidade e a Equidade, além disso, cabe ao Estado não somente a sua regulação, mas também o financiamento e a prestação desse serviço. De acordo com a base de dados do site do Governo Federal tem-se como Princípios do SUS: • Universalidade: a saúde é direito de todos os cidadãos e é dever do Estado assegurar este direito, independentemente de sexo, raça, ocupação ou outras características sociais ou pessoais. • Equidade: mesmo que o acesso à saúde seja universal, as pessoas não são iguais e, por isso, têm necessidades diferentes. Em outras palavras, é dever do Estado atender desigualmente os desiguais, investindo mais onde a carência é maior. • Integralidade: considerando-se as pessoas como um todo, é dever do Estado atender a todos os cidadãos, todas as suas necessidades, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação. Baseado nos conceitos do SUS como mediador e de seus princípios, foram feitas buscas no site governo federal sobre a Lei 8.080 e há informações sobre as con- dições necessárias para a promoção, proteção e recuperação da saúde, assim como a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. Em seu primeiro ar- tigo diz que a lei regula todo o território nacional, as ações e serviços de saúde, exe- cutados isolada ou conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito público ou privado. Em seu parágrafo segundo, do artigo quarto, diz que a iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter complementar. TÓPICO 5 | O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) 71 FIGURA 40 – PRINCÍPIOS DO SUS FONTE: <http://repocursos.unasus.ufma.br/idoso_cap_20151/modulo_10/und1/3.html>. Acesso em: 12 jul. 2019. Acesse os links a seguir e leia os materiais complementares, como forma de fortalecer os seus estudos. Neste tópico foram vistos muitos conteúdos que requerem o entendimento e o conhecimento dos aspectos legais da profissão, das atribuições profissionais, dos direitos e deveres do profissional da área da saúde e qual o papel do fisioterapeuta nos níveis assistenciais em saúde. • Legislação do SUS: http://www.legislacaodosus.com.br. • O fisioterapeuta do estado de São Paulo: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1809- 29502016000300301&script=sci_abstract&tlng=pt. • Poliomielite, filantropia e fisioterapia: o nascimento da profissão de fisioterapeuta no Rio de Janeiro dos anos 1950: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413- 81232008000300016&script=sci_abstract&tlng=pt. • Formação em fisioterapia no Brasil: reflexões sobre a expansão do ensino e os modelos de formação: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702009000300005. DICAS 72 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS LEITURA COMPLEMENTAR FISIOTERAPIA: HISTÓRIA E EDUCAÇÃO Cristine Brandenburg Aline Barbosa Teixeira Martins Introdução Este trabalho realiza um levantamento a cerca do surgimento da fisiotera- pia como ciência e modalidade educacional, apontando as práticas realizadas pe- los primeiros profissionais e cuidadores de saúde que posteriormente, passaram a ser reconhecidos como fisioterapeutas. A fisioterapia na história geral e no Brasil discorre sobre a regulamentação e legislação da profissão, apresentando uma breve discussão sobre o conceito, situando assim, sua importância no contexto da saúde. Definição Fisioterapia é uma ciência da saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gera- dos por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas. Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da biologia, das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da bio- química, da biofísica, da biomecânica, da cinesiologia, da sinergia funcional e da cinesiopatologia de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comporta- mentais e sociais (CREFITO). Segundo o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COF- FITO), a atuação da fisioterapia pode ser em clínicas, hospitais, ambulatórios, con- sultórios, centros de reabilitação, em saúde coletiva, em educação e em indústria de equipamentos. Na saúde coletiva, a atuação do fisioterapeuta é em programas institucionais, ações básicas de saúde, saúde do trabalhador e vigilância sanitária. Na educação, a atuação do fisioterapeuta é em docência (níveis médio e superior), extensão, pesquisa, supervisão (técnica e administrativa), direção e coordenação de cursos e ainda atua na indústria de equipamentos de uso fisioterapêutico e esporte. As especialidades reconhecidas do fisioterapeuta são a acupuntura, a quiropraxia e a osteopatia, a fisioterapia pneumofuncional, a fisioterapia neurofuncional e a fisioterapia traumatortopédica funcional e a fisioterapia dermatofucional. O Surgimento da Fisioterapia como Ciência Não podemos começar esta revisão bibliográfica sem falar do inicio da fisioterapia pois, se trata de uma ciência que teve seus primórdios na Antiguidade (4.000 a.C. e 395 d.C.). Havia certa ansiedade em abolir as doenças das pessoas que as apresentavam por meio de alternativas, utensílios que existiam na época como, por exemplo, o peixe elétrico como eletroterapia, usado, entre outros, como meio TÓPICO 5 | O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) 73 de terapia e tratamento de morbidades. Acredita-se que, nesta época, a ginástica estava nas mãos dos sacerdotes que a utilizavam como fins terapêuticos, ou seja, os movimentos do organismo humano, quando estudados, eram utilizados para o tratamento de doenças instaladas (REBELATO e BOTOMÉ, 1999). Em 2.698 a.C., aparecem na China os primeiros registros do uso de meios físicos com o desígnio terapêutico no caso exclusivo da cinesioterapia; logo de- pois, na Índia. Contudo, recursos físicos naturais, como banhos de sol, são apre- sentados como tratamentos medicinais em toda antiguidade (GAVA, 2004). A fisioterapia surge na metade do século XIX na Europa com as primeiras escolas na Alemanha, nas cidades de Kiel, em 1902, e Dresdem, em 1918. Surge com grande evidência no cenário mundial na Inglaterra, com os trabalhos de massotera- pia desempenhados pelos autores Mendell e Cyriax, os trabalhos de cinesioterapia respiratória realizados por Winifred Linton em Londres e especialmente os traba- lhos de fisioterapia neurológica desempenhadas em conjunto com a fisioterapeuta Berta Bobath e o neurofisiologista Karel Bobath, que instituíram o método Bobath, para o tratamento de pacientes com paralisia cerebral (GAVA, 2004). Em 1948, em Londres, foi criada a World Confederation for Physical The- rapy (WCPT), que se aliou à Organização Mundial da Saúde (OMS), com o intui- to de ativar a fisioterapia no mundo (GAVA, 2004). A Fisioterapia no Brasil O surgimento da Fisioterapia no Brasil teve influência da chegada da fa- mília Real ao Brasil. Napoleão Bonaparte foi responsável, indiretamente pelo de- senvolvimento dos primeiros serviços organizados de saúde no Brasil, quando Portugal invadiu o Brasil e a família real portuguesa desembarcou no país em 1808. Junto com a família real vieram cerca de quinze mil pessoas para servi-la, fazendo com os serviços de saúde no Brasil se modernizasse com os avanços já existentes na Europa, obrigando que os profissionais aqui existentes se adequas- sem à esses avanços (NOVAES, 1998). De acordo com Novaes (1998) a fisioterapia enquanto prática reabilitado- ra se desenvolveu após a 2ª Guerra Mundial a partir do momento em que teve que atuar diante das sequelas físicas de guerra. Houve a modernização dosservi- ços de Fisioterapia no Rio de Janeiro e em São Paulo e criação de novos em outras capitais do país. Assim, em 1951 é criado em São Paulo, na USP, o primeiro curso de for- mação de técnicos em Fisioterapia (Novaes,1998), sendo reconhecida como curso superior em 1969 pelo Decreto-Lei nº. 938, art. 3º (Brasil, 1969) e, para legislar e estabelecer o código de ética regularizando a atuação do fisioterapeuta, criou-se o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) e, com a função de legalizar e fiscalizar o serviço do fisioterapeuta, criou-se os Conselhos Regionais (CREFITO) conforme a Lei no 6.316 de 17 de dezembro de 1975( HOU- AISS, 2001; REBELATO E BOTOMÉ, 1999). O Conselho possui como uma das principais responsabilidades a de exer- cer função normativa, onde emitiu, em fevereiro de 1978, a Resolução COFITTO nº 08, aprovando as normas para habilitação ao exercício da profissão de fisiote- 74 UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS HISTÓRICOS rapeuta que, refletindo o movimento da saúde então vigente, definiu como atos desse profissional, “[...] planejar, programar, ordenar, coordenar, executar e su- pervisionar métodos e técnicas fisioterápicos que visem à saúde nos níveis de prevenção primária, secundária e terciária” (BRASIL, 1978). Em relação ao Decreto-Lei nº 938/69, a Resolução COFITTO nº 08/78 am- pliou consideravelmente o campo de atuação do fisioterapeuta, tanto em relação aos níveis de assistência (prevenção primária, secundária e terciária) quanto ao foco da atenção, passando a apreender a saúde do indivíduo como um todo e não mais apenas no que diz respeito à sua capacidade física. Estas alterações conceituais, embora importantes, demonstram-se frágeis quando mencionada Resolução, no seu Art. 3º, fixa o ato profissional na terapia física: “prescrever, ministrar e supervisionar terapia física que ob- jetive preservar, manter, desenvolver ou restaurar a integridade de órgão, sistema ou função do corpo humano (BRASIL, 1978)” posto que o termo “terapia” está diretamente relacionado ao substantivo “terapêutica” que se refere à “parte da medicina que estuda e põe em prática os meios ade- quados para aliviar ou curar os doentes (FERREIRA, 2004). Em 1984, no Rio de Janeiro, foi criada a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), onde começa a ser ministrado o curso de técnico em reabilitação (GAVA, 2004). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB nᵒ 9.394/96) constitui normas gerais para a educação no Brasil. No período de 1998 e 1999, COFFITO, CREFITO, coordenadores de cursos, docentes e discentes foram convidados para sugerir ao MEC as normas gerais para orientar o ensino da fisioterapia no Brasil; essas normas receberam críticas e propostas impostas pela comunidade, sendo conduzida ao Con- selho Nacional de Educação. Este conselho instituiu, em 19 de fevereiro de 2002, as diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em fisioterapia. Em maio de 1987, após a 8ª CNS e antes da criação do Sistema Único de Saú- de, a Resolução COFFITO nº 80, por meio de atos complementares, buscou ampliar as atribuições do fisioterapeuta expressas na Resolução nº 08/78, numa perspectiva que procurou adequar a Fisioterapia ao novo momento do cenário sanitário brasileiro. A partir do momento em que os fisioterapeutas ampliaram seu campo de atuação e apresentaram-se como aptos a contribuir, também, na prevenção primária, eles criaram a necessidade de rever e reestruturar sua prática. O processo de trans- formação, no entanto, ficou incompleto, na medida em que faltou atribuir a si, na regulamentação, ações de educação em saúde e prevenção de doenças (REZENDE et. al, 2009; BISPO JUNIOR, 2010). O grande crescimento da fisioterapia desde o seu reconhecimento pelo De- creto – lei 938/69, nos remete a algumas reflexões. Apesar do fisioterapeuta ser reco- nhecido como profissional indispensável na área da saúde, este ainda é visto, mui- tas vezes, como tratador/reabilitador mascarando, com isso, uma de suas funções principais que é a atuação no campo preventivo e de promoção à saúde (MENDES e MORAIS, 2002). Segundo Rebelatto e Botomé (1999), a própria origem da Fisioterapia dire- cionou as definições do campo profissional para atividades recuperativas/reabi- litadoras. O surgimento desse profissional, como uma decorrência das grandes guerras, faz-se, fundamentalmente, para tratar de pessoas fisicamente lesadas. TÓPICO 5 | O PARECER CNE/CES 1210/2001 COMO DETERMINANTE NO CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR QUE OFERTAM A GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA E SUA RELAÇÃO COM AS DCNs (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS) 75 Atualmente, o fisioterapeuta vem ampliando sua área de atuação (BISPO JU- NIOR, 2010). Schwingel (2002) sugere que para se alcançar um trabalho delimitado pela integralidade é necessário agregar cinco diferentes pontos à prática profissional: a prevenção, a assistência, a recuperação, a pesquisa e a educação em saúde. O fisioterapeuta vem adquirindo crescente importância nos serviços de aten- ção primária à saúde como é o caso do PSF. Entretanto, sua inserção nesses serviços ainda é um processo em construção (SILVA; TRELHA; ALMEIDA, 2005). Para inserir-se no contexto da formação e da atenção básica, a competência do fisioterapeuta precisa ir além da boa técnica; é preciso estar sensível às necessidades e às circunstâncias de vida das famílias envolvidas e dos colegas de trabalho. Apesar de o próprio mercado de trabalho estar mudando na direção de um trabalho integrador, isso não significa somente buscar equipes com profissionais de diversas áreas, integra- dos, acenando para uma perspectiva que atualmente está sendo chamada de interdisci- plinaridade (FUJISAWA; GARANHAMI, 2001). Deve se considerar que a intervenção não depende da atuação de somente um profissional, mas da flexibilidade dos atores sociais envolvidos. A partir de 2002, foram aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Fisioterapia, que dizem que os conteúdos curriculares po- dem ser diversificados desde que assegurem o equilíbrio de conhecimento nas dife- rentes áreas, níveis de atuação e recursos terapêuticos, a fim de assegurar a formação generalista. Além disso, os cursos devem apresentar projeto pedagógico que tenha sido construído coletivamente, centrado no aluno como sujeito da aprendizagem e apoiado no professor como facilitador desse processo (Resolução Nᵒ CNE/CES 4, 2002). 76 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você aprendeu que: • O aspecto legal da Fisioterapia veio a dar suporte à atuação profissional. • Diretrizes Curriculares Nacionais são orientações para elaborar os currículos adotados por todas as instituições de ensino superior, os princípios, os objetivos gerais e específicos. • Dentro do contexto de suas competências e habilidades, como é a organização dos cursos da área da saúde e em especial, o curso de Fisioterapia. • Quais os conteúdos curriculares, os estágios, as atividades complementares, a organização do curso, acompanhamento e avaliação. Para auxiliar no entendimento do conteúdo, acesse o material disponibilizado a seguir: • http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0938.htm • http://legis.senado.leg.br/norma/524501 DICAS 77 1 Com base no seu entendimento sobre as DCNs (Diretrizes Curriculares Na- cionais) qual é a carga horária total da sua Instituição de Ensino Superior em Fisioterapia? E no estágio curricular obrigatório? 2 Dentro do contexto do perfil profissional preconizado pelas DCNs o que se- riam as habilidades trabalhadas durante a graduação? E as competências? 3 Existem muitas particularidades dentro do âmbito acadêmico e profissio- nal do fisioterapeuta. Para cada órgão e lei citados a seguir, escreva qual a importância desse órgão ou lei sobre a profissão. a) Decreto Lei 938/69: b) COFFITO: c) CREFITO: d) DCN em Fisioterapia: e) Constituição Federal 1988: f) Princípios doutrinários e organizacionaisdo SUS: AUTOATIVIDADE 78 79 UNIDADE 2 APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA E ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • entender o que são e quais são os níveis de atenção em saúde na Fisioterapia; • conhecer as áreas de atuação profissional do fisioterapeuta; • aprender sobre os recursos fisioterapêuticos, as técnicas e os métodos que o profissional fisioterapeuta dispõe em cada área de atuação; • infomar-se a respeito do registro profissional, da jornada de trabalho, dos honorários fisioterapêuticos, bem como de toda a prática profissional base- ada em resoluções e leis. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA TÓPICO 2 – ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA TÓPICO 3 – O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 80 81 TÓPICO 1 APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Apesar de a Fisioterapia ter sido considerada, em sua gênese, uma profissão reabilitadora, os recentes avanços rompem esse paradigma e buscam sua redefini- ção como profissão de saúde em um contexto mais amplo e de atenção em todos os níveis das condições de saúde, manutenção e prevenção da doença, em busca da qualidade de vida das pessoas. O fisioterapeuta, enquanto profissional da área da saúde, está habilitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde: promoção, prevenção de agravos e na reabilitação. Suas ações desenvolvem-se nos níveis primário, secundário e terciário. O fisioterapeuta é o profissional de primeiro contato que avalia através do diagnós- tico cinético fisioterapêutico, o qual prescreve, planeja e executa o tratamento e enca- minha o paciente para a alta ou para outros profissionais, se necessário. O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional — CREFITO — da 5ª Região criou uma Cartilha de Políticas Públicas em sua gestão, no período de 2010 a 2014, com o intuito de informar os níveis de atenção em saúde em fisiotera- pia e suas ações. O objetivo do material foi o de divulgar aos Secretários de Saúde, Profissionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, políticas públicas que favoreces- sem o acesso da população aos serviços de saúde. Buscou ainda, instrumentalizar os profissionais de possibilidades de estruturar serviços e programas de saúde visando a promoção da saúde, prevenção de doenças/agravos/acidentes e reabilitação das condições de saúde da população. A Cartilha de Políticas Públicas pode ser acessada em: http://www.crefito5. org.br/wp-content/uploads/2014/04/cartilha_politicas_publicas.pdf. DICAS A cartilha traz como informação inicial: UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 82 FIGURA 1 – ATENÇÃO PRIMÁRIA EM FISIOTERAPIA FONTE: <http://bit.ly/2QEP4d3>. Acesso em: 2 set. 2019. FIGURA 2 – ATENÇÃO SECUNDÁRIA EM FISIOTERAPIA O fisioterapeuta pode ser definido como um profissional de nível supe- rior da área de saúde, pleno, autônomo que atua isoladamente ou em equipe em todos os níveis de assistência à saúde, incluindo a prevenção, promoção, desenvolvimento, tratamento e recuperação da saúde em in- divíduos, grupos de pessoas ou comunidades. É o profissional de saú- de que se ocupa do movimento humano em toda sua plenitude, com o objetivo de preservar, manter, desenvolver e restaurar a integridade de órgãos, sistemas e funções corporais (CREFITO 5, 2014, p. 6) Na sequência, o material informativo traz as ações permitidas ao fisiotera- peuta em seus níveis de atenção à saúde, demonstrados a seguir: TÓPICO 1 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA 83 FONTE: <http://bit.ly/2QEP4d3>. Acesso em: 2 de setembro de 2019. FIGURA 3 – ATENÇÃO TERCIÁRIA EM FISIOTERAPIA FONTE: <http://bit.ly/2QEP4d3>. Acesso em: 2 de setembro de 2019. A Cartilha de Políticas Públicas traz ainda informações acerca das Portarias e Leis e, dentre elas, destaca-se a Portaria 154/2008, que cria o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e determina a inserção do profissional fisioterapeuta junto à equipe. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 84 FIGURA 4 – FISIOTERAPEUTA FAZENDO PARTE DA EQUIPE DO NASF FONTE: <http://bit.ly/2QEP4d3>. Acesso em: 2 de setembro de 2019. A fim de fortalecer o modelo de atenção o Ministério da Saúde assu- miu, em 1994, a Estratégia Saúde da Família (ESF) na qual, por meio de assistência integral e multiprofissional centrada na comunidade, a atenção primária tem reafirmada sua inserção na rede de saúde. Mais recentemente em 2008, surgiram os Núcleos de Apoio à Saúde da Famí- lia (NASF) que têm por objetivo prestar auxílio às equipes da ESF e am- pliar a oferta do cuidado no nível primário reafirmando a integralidade, qualidade e resolubilidade do sistema. A fisioterapia como potencial integrante da equipe multidisciplinar do NASF também necessita refor- mular-se de modo que a reabilitação dedicada ao seu objeto de estudo, compartilhe espaço com atividades de promoção, educação em saúde e prevenção de riscos de modo a desvincular-se do paradigma de assis- tência restrita ao nível de atenção terciária e aproximar-se da atenção primária (FONSECA et al., 2016, p. 289). A fisioterapia teve início como classe profissional na área de traumato ortopedia, porém, com o passar do tempo, evoluiu nas mais diversas áreas de atuação na saúde, contemplando o indivíduo como um todo, independente de idade, sexo ou classe social (CARVALHO et al., 2014). Após você, acadêmico, ter visto que a profissão de fisioterapeuta permite atuar em todos os níveis de atenção em saúde, que tal aprender também sobre todas as especialidades profissionais legalmente regulamentadas? Bons estudos! 2 APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA Como viu-se na Unidade 1, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional — COFFITO —, foi criado com a finalidade de normatizar e exercer o controle ético, científico e social das profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional, por meio da Lei nº 6316, de 17 de dezembro de 1975. TÓPICO 1 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA 85 As especialidades reconhecidas pelo COFFITO estão no site do Conselho, disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2350. Acesso em: 18 nov. 2019. DICAS As especialidades reconhecidas pelo COFFITO apresentadas no site, são: • Fisioterapia Neuro Funcional, através da Resolução COFFITO 189, de 8 de dezem- bro de 1998. • Fisioterapia Respiratória, através da Resolução COFFITO 188, de 9 de dezembro de 1998 com complementação da Resolução COFFITO 318, de 30 de junho de 2006. • Acupuntura, através da Resolução COFFITO 201, de 24 de junho de 1999. • Osteopatia e Quiropraxia, através da Resolução COFFITO 220, de 23 de maio de 2001. • Fisioterapia Traumato Ortopédica Funcional, através da Resolução 260, de 11 de fevereiro de 2004. • Fisioterapia Esportiva, através da Resolução COFFITO 337, de 8 de novembro de 2007. • Fisioterapia do Trabalho, através da Resolução COFFITO 351, de 13 de junho de 2008. • Fisioterapia Dermato Funcional, através da Resolução COFFITO 362, de 20 de maio de 2009. • Fisioterapia em Saúde Coletiva, através da Resolução COFFITO 363, de 20 de maio de 2009. • Fisioterapia Onco Funcional, através da Resolução COFFITO 364, de 20 de maio de 2009. • Fisioterapia Urogineco Funcional, através da Resolução COFFITO 365, de 20 de maio de 2009. Acesse o banco de dados do COFFITO, por meio do site www.coffito.org. br. No banco de dados obtém-se a informação do surgimento de novas especialidades e reformulações para as já existentes.DICAS Pode-se perceber isso, quando se trata da Acupuntura. http://www.coffito.org.br http://www.coffito.org.br UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 86 2.1 FISIOTERAPIA EM ACUPUNTURA Através da Resolução 219, de 14 de dezembro de 2000, publicada no D.O.U. nº 248 de 27 de dezembro de 2000, seção I, página 70, dispõe sobre o reconhecimento da Acupuntura como Especialidade do Fisioterapeuta. O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CO- FFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais e cumprindo o delibera- do em sua 90ª Reunião Ordinária, realizada nos dias 13 e 14 de dezembro de 2000, na sede do COFFITO, na conformidade com a competência prevista nos incisos II, III e XII do Art. 5º, da Lei n.º 6.316, de 17 de dezembro de 1975, considera que: • o profissional fisioterapeuta exerce a Acupuntura no Brasil desde 1985, autorizado pelo COFFITO, através da Resolução 60, 1985, sem qualquer ocorrência de dolo social comprovado; • as Resoluções 97, de 22 de abril de 1988 e 201, de 26 de junho de 1999, estabelece- ram um maior rigor acadêmico para a concessão de autorização ao Fisioterapeuta para a prática da Acupuntura; • as Resoluções 60/85, 97/88 e 201/99 pelos positivos efeitos éticos e científicos produ- zidos, legitimam e justificam a ascensão da Acupuntura ao grau de especialidade. 2.2 FISIOTERAPIA AQUÁTICA O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, COF- FITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais, cumprindo o deliberado em sua 245ª Reunião Plenária Ordinária, realizada no dia 29 de agosto de 2014, em sua sede, por meio da Resolução 443, de 3 de setembro de 2014, disciplina a especia- lidade profissional de Fisioterapia Aquática e dá outras providências. Parágrafo único. Para todos os efeitos, considera-se como Fisioterapia Aquática a utilização da água nos diversos ambientes e contextos, em quaisquer dos seus estados físicos, para fins de atuação do fisioterapeuta no âmbito da hidroterapia, hidrocinesioterapia, balneoterapia, crenotera- pia, cromoterapia, termalismo, duchas, compressas, vaporização/inala- ção, crioterapia e talassoterapia (COFFITO, 2014, s.p.). 2.3 FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, CO- FFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais, cumprindo o delibe- rado em sua 257ª Reunião Plenária Ordinária, realizada no dia 25 de abril de 2015, em conformidade com a competência prevista nos incisos II, III e XII do art. 5º da Lei nº 6.316, de 17 de dezembro de 1975, reconhece e disciplina a especialidade pro- fissional de Fisioterapia Cardiovascular, através da Resolução 454, de 25 de abril de 2015, tendo sido publicada no D.O.U Nº 90, Seção 1, em 14 de maio de 2015, nas páginas 96 e 97. https://www.coffito.gov.br/nsite/files/Resolu%C3%A7%C3%B5es/DOU_14-5-2015_-_Resoluo_454_-_Cardiovascular_p__96.pdf https://www.coffito.gov.br/nsite/files/Resolu%C3%A7%C3%B5es/DOU_14-5-2015_-_Resoluo_454_-_Cardiovascular_p__97.pdf TÓPICO 1 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA 87 Art.1º Reconhecer e disciplinar a atuação do Fisioterapeuta Cardiovas- cular, que se caracteriza pelo exercício profissional em todos os níveis de atenção à saúde, em todas as fases do desenvolvimento ontogênico, e nos diversos grupos populacionais e atenção aos que necessitam do enfoque de promoção, prevenção, proteção, educação, intervenção terapêutica e recuperação funcional de indivíduos com doenças cardíacas e vasculares periféricas e síndrome metabólica, nos ambientes ambulatorial, domici- liar e hospitalar, independentemente da sua natureza administrativa. [...] Art. 7º São consideradas áreas afins da Fisioterapia Cardiovascular, da Fisioterapia Respiratória e da Fisioterapia em Terapia Intensiva (COFFI- TO, 2015). 2.4 FISIOTERAPIA DERMATO FUNCIONAL A RESOLUÇÃO COFFITO nº 362, de 20 de maio de 2009, publicada no D.O.U nº 112, Seção I, em 16 de junho 2009, páginas 41 e 42, reconhece a Fisio- terapia Dermato Funcional como especialidade do profissional fisioterapeuta considerando a necessidade de prover, por meio de uma assistência profissional adequada e específica, as exigências clínicas, cinesiológicas e funcionais dos indi- víduos com alterações nas funções da pele e estruturas relacionadas. 2.5 FISIOTERAPIA ESPORTIVA O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, COFFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais e cumprindo o deliberado em sua 164ª Reunião Ordinária, realizada nos dias 7 e 8 novembros de 2007, em sua sede, [...] reconhece a Especialidade de Fisioterapia Esportiva e dá outras providências, através da Resolução Nº 337, de 8 de novembro de 2007, publicada no D.O.U nº. 21, Seção 1, em 30/01/2008, página 184. Seu reconhecimento se deu, considerando-se a importância do esporte para a saúde, além da atividade física ser voltada para a promoção, ao restabelecimento e/ou manutenção do estado de saúde, seja a prática esportiva amadora, profissional ou para o lazer. 2.6 GERONTOLOGIA O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, CO- FFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais, em sua 272ª Reunião Plenária Ordinária, realizada no dia 20 de dezembro de 2016, em sua subsede, reco- nhece e disciplina a especialidade profissional de Fisioterapia em Gerontologia e dá outras providências, através da Resolução 476, de 20 de dezembro de 2016. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 88 Art. 7º A Atuação na Especialidade Profissional de Fisioterapia em Ge- rontologia se caracteriza pelo exercício profissional em todos os níveis de atenção à saúde, seja público, privado e filantrópico, assim como nos setores da previdência social, educação, trabalho, judiciário e pre- sidiário, em todas as fases do desenvolvimento ontogênico, com ações de prevenção, promoção e reabilitação (COFFITO, 2016, s.p.). 2.7 TRABALHO O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, CO- FFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais e cumprindo o delibe- rado em sua 265ª Reunião Plenária Ordinária, realizada nos dias 20 e 21 de maio de 2016, em sua subsede reconhece e disciplina a especialidade profissional de Fisiote- rapia do Trabalho e dá outras providências. O Fisioterapeuta do Trabalho deverá realizar a avaliação e o diagnóstico cinético-funcional, por meio da consulta fisioterapêutica, solicitando e realizando interconsulta e encaminhamento, para exames ocupacionais complementares, rea- bilitação profissional, perícia judicial e extrajudicial. 2.8 FISIOTERAPIA NEURO FUNCIONAL O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, o COFFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais e cum- prindo o deliberado em sua 83ª Reunião Ordinária, realizada nos dias 8 e 9 de dezembro de 1998, na Secretaria Geral do COFFITO, reconhece e disciplina a especialidade de Fisioterapia Neuro Funcional e dá outras providências, através da Resolução 189, de 9 de dezembro de 1998, pu- blicada no D.O.U n. 237, de 10 de dezembro de 1998, Seção I, página 59 (COFFITO, 1998, s.p.). O reconhecimento se deu considerando a conclusão da primeira turma de Pós-Graduação realizada na modalidade Residência, treinamento em serviço, da Universidade Estadual de Londrina — UEL —, do Estado do Paraná, destinado a qualificar fisioterapeutas na condução de uma assistência profissional específica aos distúrbios cinéticos funcionais, decorrentes de síndromes neurológicas, inci- dentes em órgãos e sistemas. 2.9 FISIOTERAPIA ONCO FUNCIONAL Considerando a necessidade de prover, por meio de uma assistência pro- fissional adequada e específica, as exigências clínicas, cinesiológicas e funcionais dos indivíduos portadores de débitos funcionais, decorrentes de doenças oncoló- gicas, o Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, no uso das atribuiçõesconferidas pelo art. 5º da Lei nº. 6.316, de 17 de dezembro de 1975, em sua 183ª Reunião Plenária Extraordinária, realizada no dia 20 de maio TÓPICO 1 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA 89 de 2009, em sua subsede, reconhece através da Resolução Nº 364, de 20 de maio de 2009, a especialidade profissional e dá outras providências. A mesma foi alterada para Resolução 391, de 2011. 2.10 FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA “O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, COFFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais e cumprindo o deliberado em sua 154ª Reunião Ordinária, realizada no dia 30 de agosto de 2006” (COFFITO, 2006, s.p.), através da resolução 318/2006, anteriormente estabelecida na Resolução 188, de 9 de dezembro de 1998 e determina outras providências, tendo sido publicada no D.O.U Nº 33, Seção I, de 15 de fevereiro de 2007: “Artigo 1º – Designar pela nomenclatura Fisioterapia Respiratória a especialidade própria e exclusiva do profissional Fisioterapeuta, em seu campo de atuação, anteriormente designada Fisioterapia Pneumo Funcional” (COFFITO, 2006, s.p.). 2.11 FISIOTERAPIA TRAUMATO ORTOPÉDICA FUNCIONAL O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, COFFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais e cumprindo o de- liberado em sua 116ª Reunião Ordinária, realizada nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2004, na Sede do COFFITO, [...] reconhece a especialidade e dá outras providên- cias, através da Resolução 260, de 11 de fevereiro de 2004, Seção I, páginas 66 e 67. 2.12 FISIOTERAPIA EM OSTEOPATIA “O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, no uso das atribuições legais e regimentais e cumprindo o deliberado em sua 213ª Reu- nião Plenária Ordinária, realizada no dia 3 de agosto de 2011, em sua sede”, atra- vés da Resolução 398 (COFFITO, 2011a, s.p.), reconhece a Osteopatia como uma das especialidades fisioterapêuticas e estabelece que o fisioterapeuta possa, através do diagnóstico cinético funcional, identificar alterações da mobilidade visceral, de ten- sões das fáscias cranianas e das cavidades internas do corpo humano. Além disso, possa prescrever e aplicar ajustamentos articulares, recursos manipulativos, recursos proprioceptivos, adaptações funcionais, técnicas de normatização funcional. Artigo 6º - A atuação do Fisioterapeuta Osteopático se caracteriza pelo exercício profissional em todos os níveis de atenção à saúde, em to- das as fases do desenvolvimento ontogênico, com ações de prevenção, promoção, proteção, educação, intervenção, recuperação e reabilitação do cliente/paciente (COFFITO, 2011a, s.p.). UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 90 2.13 FISIOTERAPIA EM QUIROPRAXIA “O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, COFFITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais e cumprin- do o deliberado em sua 213ª Reunião Plenária Ordinária, realizada no dia 3 de agosto de 2011, em sua sede” (COFFITO, 2011b, s.p.), através da Re- solução 399 reconhece a especialidade de Quiropraxia e estabelece que o profissional fisioterapeuta possa: prescrever e executar o tratamento fisiote- rapêutico quiropráxico bem como estabelecer, definir a frequência e tempo de intervenção, preparar programas de atividades e exercícios físicos com intenção terapêutica ou preventiva e programas integrativos de qualidade de vida. Permite temabém, atuar de maneira preventiva com ações de pro- moção à saúde, prevenção de agravos e morbidade, assim como reabilitar fisicamente, recuperar e readaptar funcionalmente o paciente, oferecendo a ele totais condições para reinserção ao mercado de trabalho e à sociedade. Tudo isso, através de ajustamentos articulares, recursos manipulativos, re- cursos proprioceptivos, adaptações funcionais e reeducação postural. 2.14 FISIOTERAPIA NA SAÚDE DA MULHER O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, no uso das atribuições conferidas pelo art. 5º da Lei nº 6316, de 17 de setembro de 1975, em sua 191ª Reunião Plenária Ordinária, realizada no dia 6 de novembro de 2009, em sua subsede, [...] reconhece a especialidade profissional através da Resolução 372, de 6 de novembro de 2009, tendo sido publicada no D.O.U, n 228, Seção I, página 101, em 30 de novembro de 2009. 2.15 FISIOTERAPIA EM TERAPIA INTENSIVA O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, COF- FITO, no exercício de suas atribuições legais e regimentais e cumprindo o deliberado em sua 213ª Reunião Plenária Ordinária, realizada no dia 3 de agosto de 2011, em sua sede, reconhece e disciplina a especialidade profissional e dá outras providências, através da Resolução nº 402, de 3 de agosto de 2011 (COFFITO, 2011c, s.p.). 3 ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS Carvalho et al. (2014), lista algumas das áreas da Fisioterapia e cita algumas atribuições profissionais: TÓPICO 1 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES DA FISIOTERAPIA 91 a) Fisioterapia em Pediatria: área profissional que faz uso de métodos e de técnicas exclusivas para tratar enfermidades no neonato, em crianças e em adolescentes. b) Fisioterapia em Gerontologia: área que estuda, previne e trata as disfunções advindas do processo de envelhecimento. c) Fisioterapia em Dermato Funcional: área que estuda, diagnostica e trata as afecções dermatológicas e tegumentares. d) Fisioterapia Uroginecológica e Obstétrica: na área de uroginecologia, pre- venção e tratamento das disfunções urinárias, fecais e sexuais; na área de obs- tetrícia, o objetivo é preparar o corpo da mulher e a própria mulher ao parto, adaptando-a às mudanças nesse período. e) Fisioterapia Neuro Funcional: área que estuda, diagnostica e trata os distúr- bios neurológicos, recuperando a função, a coordenação, a força e o equilíbrio. f) Fisioterapia Traumato Ortopédica Funcional: estuda, diagnostica e trata as dis- funções músculo esqueléticas, de natureza ortopédica ou por traumas, e mesmo as de origem reumática. Objetiva a recuperação e à manutenção da capacidade de movimentação, estimulo circulatório, diminuição de dores, entre outros. g) Fisioterapia Respiratória: através de procedimentos que buscam a melhora da dinâmica respiratória, utilizam-se técnicas manuais e equipamentos, re- movendo secreções brônquicas. h) Fisioterapia Esportiva: atua diretamente nas lesões decorrentes do esporte, reabilitando atletas em clubes, times, academia. i) Acupuntura: prática com base na Medicina Tradicional Chinesa, é possível tratar dor, comportamento depressivo e a reorganização corporal. j) Fisioterapia Onco Funcional: com objetivos de preservar, manter, desenvol- ver e restaurar a integridade de órgãos e sistemas. k) Fisioterapia Cardio Funcional: reabilita pacientes em diversas situações como os que tiveram infarto, os que estão em fase de pós-operatório de cirurgias car- díacas, os portadores de doenças cardíacas crônicas. l) Fisioterapia do Trabalho: atuação em empresas, nos postos de trabalho, com ação preventiva e ou reabilitadora, na busca pela diminuição de redução dos índices de doenças relacionadas ao trabalho. m) Fisioterapia na Saúde Pública: atuação em comunidade, visando à prevenção e ao tratamento, através de visitas domiciliares, formação de grupos com práti- cas de educação em saúde. A Fisioterapia na atenção primária à saúde: uma revisão integrativa de FONSECA J. M. et al. Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza, v. 29, n. 2, p. 288-294, abr./ jun., 2016. Disponível em: https://periodicos.unifor.br/RBPS/article/download/4593/pdf. Acesso em: 4 nov. 2019. DICAS 92 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • Apesar de a Fisioterapia ter sido considerada, em sua gênese, uma profissão rea- bilitadora, os recentes avanços rompem esse paradigma e buscam sua redefinição como profissão de saúde em um contexto mais amplo e de atenção em todos os níveis das condições de saúde, manutenção e prevenção da doença, em buscada qualidade de vida das pessoas. • O fisioterapeuta, enquanto profissional da área da saúde, está habilitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde: promoção, prevenção de agravos e na rea- bilitação. • Suas ações desenvolvem-se nos níveis primário, secundário e terciário. • O fisioterapeuta é o profissional de primeiro contato que avalia através do diag- nóstico cinético fisioterapêutico, o qual prescreve, planeja e executa o tratamento e encaminha o paciente à alta ou a outros profissionais, se necessário. • A fisioterapia teve início como classe profissional na área de Traumato Ortopedia, porém, com o passar do tempo, evoluiu nas mais diversas áreas de atuação na saúde, apresentando cerca de quinze diferentes especialidades regulamentadas. 93 AUTOATIVIDADE 1 (ENADE, 2007) Um Fisioterapeuta da equipe do PSF de uma cidade de por- te médio do interior identificou, numa visita domiciliar, uma paciente de 78 anos com história de queda na semana anterior, acamada, com sinais e sintomas de fratura do quadril direito, queixa de dor local à palpação e à movimentação passiva. Apesar de um quadro de fragilidade física, caracte- rizado por perda de peso não intencional, fadiga autorelatada e diminuição da força de preensão da mão dominante, a paciente apresentava condições cognitivas preservadas. Dadas as condições apresentadas pela paciente, quais as condutas do Fisioterapeuta mais plausíveis e recomendadas? Assinale a alternativa CORRETA: FONTE: <http://bit.ly/37xoOYm>. Acesso em 2 de set. 2019. a) ( ) Orientar os familiares da paciente sobre posicionamento no leito, colocação de compressas úmidas quentes no local da dor e exercícios passivos nos mem- bros inferiores. b) ( ) Incentivar a compra de uma cadeira de rodas enquanto espera o resultado da aplicação do programa de exercícios terapêuticos. c) ( ) Encaminhar o caso para o serviço de assistência social do município, uma vez que se trata de um caso de negligência por parte da família. d) ( ) Estabelecer um protocolo de exercícios terapêuticos baseado em movimen- tos passivos e ativo-assistidos para ser realizado diariamente durante 30 dias. e) ( ) Solicitar uma avaliação do paciente por parte dos outros profissionais da equipe para tomada de decisão sobre os procedimentos do caso clínico da pa- ciente. 2 (ENADE, 2007) Dirceu, 45 anos, é portador de hipertensão arterial. Faz uso regular de medicamento anti-hipertensivo, segue dieta apropriada e participa de um grupo de hipertensos, com o qual são realizadas técnicas cinesioterapêuticas indicadas para auxiliar no controle da pressão arterial. No quadro relatado desse paciente, as atividades cinesioterapêuticas reali- zadas se enquadram no(s) nível(eis) de prevenção: FONTE: <http://bit.ly/37xoOYm>. Acesso em 2 de set. 2019. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Primária, somente. b) ( ) Secundária, somente. c) ( ) Terciária, somente. d) ( ) Primária e terciária, somente. e) ( ) Secundária e terciária, somente. 94 3 O Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia (MG) recomendou ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e ao Conselho Regional de Medici- na em Minas Gerais (CRM/MG) que se abstenham de afirmações públicas, quer por meio da imprensa, quer nas publicações em seus portais, no sen- tido de que a acupuntura no Brasil deve ser exercida exclusivamente por médicos. Em abril deste ano, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) chegou a divulgar nota desmentindo tal exclusividade e afirmando que “a acupuntu- ra é praticada no Brasil de forma multiprofissional há mais de 100 anos em todos os níveis de atenção à saúde e que informações contrárias à difusão desta prática não condizem com a verdade”. FONTE: <http://bit.ly/2OBty6n>. Acesso em: 11 nov. 2019. De que modo a Acupuntura, aplicada como conduta coadjuvante, pode trazer benefícios ao paciente durante o tratamento fisioterapêutico? 4 (CESPE/UNB, 2013) No tratamento de um paciente idoso, o fisioterapeuta op- tou pela fisioterapia aquática, em piscina terapêutica, como parte do progra- ma de reabilitação. Na situação em apreço, considerando que o fisioterapeuta tenha aplicado o programa de dez pontos, que envolve a aprendizagem psi- comotora, restauração do equilíbrio, inibição, facilitação e o ajuste mental, é correto afirmar que ele utilizou: FONTE: <http://bit.ly/2D8q31W>. Acesso em: 2 set. 2019. a) ( ) A hidroterapia. b) ( ) O método Watsu. c) ( ) O método Bad Ragaz. d) ( ) O método Halliwick. e) ( ) A natação. 95 TÓPICO 2 ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A seguir serão trabalhadas algumas das quase quinze especialidades fisio- terapêuticas reconhecidas e regulamentadas pelo COFFITO. Para cada especialida- de, será dada ênfase na atuação fisioterapêutica, nas patologias mais comumente atendidas, na avaliação fisioterapêutica e nos recursos terapêuticos disponíveis. Quando for possível citar alguma associação científica correlacionada à área de atuação, assim será feito. Vamos começar? 2 ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS POR ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA Nesse tópico, o leitor passará a conhecer as especialidades fisioterapêuticas e suas atribuições profissionais, reconhecidas pelo COFFITO, Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Dentro do contexto de apresentação de cada especialidade, será possível entender qual a importância e a contribuição para a profissão, a partir do conhecimento e entendimento das patologias tratáveis em cada área, como são avaliadas, quais os recursos, as técnicas e os métodos existen- tes que contribuem para a reabiltação e prevenção de agravos. 2.1 FISIOTERAPIA EM TRAUMATO ORTOPEDIA E EM REUMATOLOGIA As doenças osteomioarticulares representam um desafio na área de reabilitação devido ao grande impacto sócio econômico e emocional que exerce sobre a população. Esses distúrbios comprometem a função, levando à incapacidades e limitações, gerando afastamento das atividades laborais. Acredita-se que esse seja um dos muitos fatores que levam, na fase de conclusão do curso de graduação, os graduados a escolherem essa área de atuação. Segundo Carvalho et al. (2014), as estruturas do aparelho locomotor (ossos, músculos, articulações, ligamentos e tendões) representam uma média de 30 a 40% dos motivos de ida às unidades de pronto atendimento. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 96 Ainda de acordo com o mesmo autor, as patologias ortopédicas mais fre- quentemente atendidas pela Ortopedia são: • Escoliose: desvio lateral da coluna. • Osteoporose: diminuição da massa óssea, podendo levar a um número maior de quedas e consequentemente fraturas. • Hérnias de disco: lesões em discos intervertebrais, que são estruturas que servem para amortecimento, podendo estar associadas à postura incorreta, excesso de car- ga no trabalho, desgastes articulares, mais comum em regiões cervical e lombo sacral. • Síndromes dolorosas miofasciais: são pontos de tensão muscular, que podem ou não representar pontos gatilhos de dor referida. • Síndrome do impacto do ombro: quadro doloroso, gerado por atividades de um ou dos dois membros superiores, mantidas em contração estática, acima da linha de 90 graus do ombro, podendo levar à processos inflamatórios. • Capsulite adesiva de ombro: por processos inflamatórios persistentes, rup- turas parciais ou totais de tendões entre outras situações, pode ocorrer rigidez articular e diminuição da mobilidade, levando ao “congelamento” do ombro. • Epicondilites: no trajeto dos tendões que se originam no cotovelo, tanto lateral como medialmente, por repetições nas funções laborais ou desportivas, pode haver processos inflamatórios, levando à dor e à diminuição de força muscular no antebraço, punho e mão, gerando incapacidades funcionais. • Síndromes nervosas compressivas: podem surgir por processos inflamatórios inicialmente em tendões, em que o espessamento do tendão, pode pressionar o trajeto do nervo. Destacam-sea síndrome do túnel do carpo (compressão do n. mediano, na altura do punho, em região flexora) e a síndrome do túnel ulnar, gerando dor, parestesia (formigamento) e diminuição da função. • Síndrome de D´Quervain: acomete o I metacarpo (primeiro dedo da mão), em especial quando se faz a abertura e a extensão do dedo, gerando dor que pode ser localizada ou irradiada para o trajeto do punho. • Condromalácea patelar: associada a desalinhamentos patelares (condições de patela alta ou lateralizadas), pode gerar aumento do contato entre patela e fê- mur, levando à dores, em especial quando se sobe ou desce escadas e mesmo ao abaixar-se com o joelho muito flexionado, condicionando lesões de cartilagem. • Metatarsalgias: dores em dedos dos pés, devido à alteração de pisada e tipos de pé, uso de calçados que alteram o centro de equilíbrio, excesso de peso cor- poral, atividades mantidas na postura em pé, entre outras situações. • Doenças ortopédicas congênitas: pé torto congênito, joelhos varo e valgo (res- pectivamente, joelhos com descarga de peso nos compartimentos fêmoro ti- biais laterais, o famoso joelho arqueado e joelhos com descarga de peso nos compartimentos fêmoro tibiais mediais). Em 27 de agosto de 2005, durante a Jornada Paranaense de Fisioterapia Orto- pédica e Traumatológica, foi fundada a Sociedade Sul Brasileira de Fisioterapia Trau- mato Ortopédica, a SULBRAFITO. Considerada uma sociedade sem fins lucrativos e de caráter técnico científico e cultura, abrangia na época apenas os estados da região sul do país. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 97 Durante oito anos de existência a SULBRAFITO, cujo objetivo maior era tor- nar a especialidade de Fisioterapia Traumato Ortopédica cada vez mais científica e com qualidade, realizou muitos eventos, entre eles quatro a nível sul brasileiro e outros como jornadas, palestras e manhãs científicas. Essa trajetória levou à sociedade a ser ainda mais reconhecida, fazendo com que houvesse uma motivação ainda maior para criar-se uma associação nacional, hoje a ABRAFITO. Foi em 22 de agosto de 2013 que foi criado o Estatuto Social da ABRAFITO durante o Congresso Sul Brasileiro de Fisioterapia Traumato Ortopédica, sediado em Curitiba, no estado do Paraná. Esse marco histórico, foi a pedra fundamental para que todos os profissionais fisioterapeutas atuantes nessa área se filiassem à Associa- ção, visando o desenvolvimento de técnicas, pesquisas científicas e culturais em prol da excelência na prestação de serviços fisioterapêuticos. A ABRAFITO possui um site oficiial em que essas e outras informações podem ser acessadas através do endereço eletrônico: http://www.abrafitobr.com.br/abrafito. DICAS Uma área intimamente relacionada à Ortopedia é a Traumatologia, a qual é responsável pela reabilitação de todos os traumas sofridos, seja em situações ligadas ao trabalho como os acidentes de trabalho, seja no trânsito, nos afazares domésticos ou mesmo no lazer e no desporto. O grande desafio da Traumatologia quando se fala em acidentes de trânsito, ultrapassa o atendimento clínico e nos leva a refletir sobre o tema como um outro grande problema de saúde pública: os gastos emergenciais com esses pacientes como o uso de placas, parafusos, pinos, órteses e próteses, fixadores externos, as interna- ções, o acamamento, o afastamento das funções laborais, o auxílio doença junto ao INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e em muitos casos, as amputações e o pedido de aposentadoria por invalidez. Destacam-se aqui: • Fraturas e luxações. • Rupturas ligamentares e meniscais. • Lesões nervosas advindas de traumas ortopédicos, como as de plexo braquial (lesões dos nervos que passam pelos membros superiores, ao nível da clavícula, região axilar, região de cotovelo e punho), levando a interrupção do estímulo nervoso, inativação muscular, alterações circulatórias e incapacidade funcional de todo a parte do membro superior afetado. http://www.abrafitobr.com.br/abrafito UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 98 • Esmagamento e compressão de partes moles e ou estruturas articulares, que podem levar o paciente a entrar em choque, por conta de processos hemorrá- gicos. No campo da Reumatologia, o cuidado é voltado às doenças que afetam o tecido conjuntivo e as articulações (e muitas dessas são chamadas de autoimunes). Essas doenças podem atingir pacientes de todas as idades e apresentar as mais diversas causas. As doenças reumatoides promovem inflamações, agudas ou crônicas, em um ou mais componentes da articulação. Esse processo inflamatório consiste em um mecanismo de defesa do próprio organismo. Muitas vezes, no entanto, provoca desequilíbrios no sistema imunológico, causando problemas autoimunes e, conse- quentemente, repercussões em vários sistemas corporais, além dos sistemas osteo- muscular e articular, como é o caso da espondilite anquilosante, artrite reumatóide, gota úrica e lúpus eritematoso sistêmico, entre outras (CARVALHO et al., 2014). 2.1.1 Avaliação em Traumato Ortopedia e Reumatologia É competência do fisioterapeuta elaborar o diagnóstico fisioterapêutico compreendido como avaliação físico funcional, sendo esta um proces- so pelo qual, através de metodologias e técnicas fisioterapêuticas, são analisados e estudados desvios físico-funcionais intercorrentes, na sua estrutura e no seu funcionamento, com a finalidade de detectar e para- metrar as alterações apresentadas, considerando os desvios de grau de normalidade para os de anormalidade; prescrever, baseado no consta- tado na avaliação físico-funcional as técnicas próprias da Fisioterapia, qualificando-as e quantificando-as; dar ordenação ao processo terapêu- tico baseando-se nas técnicas fisioterapêuticas indicadas; induzir o pro- cesso terapêutico no paciente; dar altas nos serviços de Fisioterapia, uti- lizando o critério de reavaliações sucessivas que demonstrem não haver alterações que indiquem necessidades de continuidade destas práticas terapêuticas (COFFITO, 1987 apud GAVA, 2004, p. 138 -139). A avaliação é fundamental, uma vez que é a partir dos dados coletados que se pode pensar no tratamento fisioterapêutico. A avaliação pode ser dividida em três partes: a coleta de dados do paciente, que incluem a queixa principal, história da doença, antecedentes pessoais e familiares, utilização ou não de medicação, órteses e próteses e o nível de dor; exame físico, composto por inspeção, palpação, perimetria, goniometria e testes específicos; e os exames complementares (CARVALHO et al., 2014). TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 99 FIGURA 5 – ETAPAS DA AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA FONTE: <http://bit.ly/2saCZlX>. Acesso em: 30 ago. 2019. Ainda de acordo com as citações de Carvalho et al. (2014), qualquer que seja o distúrbio, seja ele ortopédico, traumatológico ou reumático, haverá alteração da postura do corpo no espaço. Isso ocorre devido ao quadro de hipotrofia muscular, levando à diminuição da força, o que gera por consequência, uma postura débil, com sobrecarga mecânica. Nesse sentido, faz-se necessário o diagnóstico cinético funcio- nal, verificando-se: • presença de cicatrizes, edema e vermelhidão (inspeção); • verificação do tônus muscular, presença de pontos de tensão; • goniometria, na qual se avalia o grau de mobilidade de cada segmento corporal; • testes de força muscular e de comprimento muscular; • análise da marcha, de forma dinâmica. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 100 FIGURA 6 – AVALIAÇÃO GONIOMÉTRICA DA PLANTI FLEXÃO DO PÉ FONTE: <http://bit.ly/2rkE9dO>. Acesso em: 30 ago. 2019. QUADRO 1 – ESCALA DE MENSURAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR MRC (MEDICAL RESEARCH COUNCIL) 0 Não se percebe nenhuma contração. 1 Traço de contração, sem produção de movimento 2 Cotnração fraca, produzindo movimento com a eliminação da gravidade 3 Realiza movimento contra a gravidade, porém sem resistência adicional4 Realiza movimento contra a resistência externa moderada e gravidade 5 É capaz de superar maior quantidade de resistência que o nível anterior Anexo 1. Escala de Avaliação da Força muscular (MRC-Medical Research Council)²⁰. FONTE: <https://docplayer.com.br/88108796-Livro-eletronico-aula-00-fisioterapia-respiratoria-e- uti-p-pm-mg-fisioterapia.html>. Acesso em: 30 de ago. 2019. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 101 FIGURA 7 – PERIMETRIA FONTE: <https://docplayer.com.br/11635003-Aula-3-perimetria-dobras-cutaneas-e-protocolos. html>. Acesso em: 30 ago. 2019. FIGURA 8 – TESTE ESPECIAL DE DISCREPÂNCIA DE MEMBROS FONTE:<https://docplayer.com.br/docs-images/40/2458890/images/page_18.jpg>. Acesso em: 30 ago. 2019. https://docplayer.com.br/11635003-Aula-3-perimetria-dobras-cutaneas-e-protocolos.html https://docplayer.com.br/11635003-Aula-3-perimetria-dobras-cutaneas-e-protocolos.html https://docplayer.com.br/docs-images/40/2458890/images/page_18.jpg UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 102 FIGURA 9 – TESTE ESPECIAL DE OMBRO A – Procedimento = Teste de Neer B – Procedimento = Teste de Hawkins Condição Detectada = Ruptura ou Impacto do Manguito Rotador do Ombro A B FONTE: <http://bit.ly/2XDkRfR>. Acesso em: 30 ago. 2019. FIGURA 10 – ANÁLISE DAS FASES DA MARCHA Contato Inicial Resposta à Carga Apoio Médico Apoio Terminal Pré- Balanço Balanço Inicial Balanço Médio Balanço Terminal FONTE: <http://bit.ly/2OadJVm>. Acesso em: 30 ago. 2019. 2.2 RECURSOS TERAPÊUTICOS UTILIZADOS EM TRAUMATO ORTOPEDIA E REUMATOLOGIA De acordo com Carvalho et al. (2014), o tratamento fisioterapêutico pode ser dividido segundo o modelo de Poterfield e de Rosa, que seria uma forma di- dática de reabilitação, cujas fases são: • Proteção máxima: importante quadro álgico, perda ou diminuição da mobilidade e da força muscular, com consequente alteração da capacidade funcional e laboral. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 103 • Proteção moderada: o foco do tratamento é o ganho/restauração da mobilidade articular, já que o quadro álgico não se encontra exacerbado como na fase anterior, a partir do entendimento que para ganhar ADM (amplitude de movimento arti- cular), é preciso melhora da mobilidade e da flexibilidade, articular e muscular, respectivamente. • Proteção mínima: essa fase é iniciada apenas quando o paciente apresenta ADM normal ou próxima do normal e a ênfase agora, é o reestabelecimento da força muscular. • Liberação: caracterizada pelo treino gestual das AVD´s (atividades de vida diária), com enfoque no retorno físico e funcional do paciente. Quando se entende as fases da lesão e seus objetivos, pode-se escolher de forma mais coerente os recursos terapêuticos mais apropriados. GAVA (2014), nos traz a informação de que nas doenças ortopédicas, o trata- mento fisioterapêutico pode incluir utilização de recursos eletrotermofototerápicos, os quais promovem reações físicas, biológicas e químicas nos tecidos. Essas reações levam a uma diminuição do quadro álgico e do processo inflamatório. Sendo assim, dentre os recursos terapêuticos mais utilizados na Fisioterapia em Ortopedia e Trau- matologia, destacam-se: • Estimulação nervosa transcutânea (TENS). • Ultrassom terapêutico. • Laser. • Crioterapia. a) TENS “TENS é uma corrente que produz pulsos elétricos com frequência de até 200 Hz capaz de influenciar processos de neurocondução da dor e seu mecanismo fisio- lógico de analgesia depende da modulação da corrente aplicada à região afetada” (RUSHTON, 2002 apud MACIEL et al. 2014, p. 250). “[...] a corrente elétrica ativa as fibras nervosas Aβ aferentes, que são mielini- zadas, de grosso calibre e de condução rápida, inibindo na medula a passagem dos estímulos dolorosos conduzidos pelas fibras Aδ e C, ambas de pequenos diâmetros, não mielinizadas e de condução lenta” (MELZACK; WALL, 1965 apud MACIEL et al. 2014, p. 250). b) Ultrassom “O Ultrassom teve sua descoberta em 1880, quando o casal Pierre e Marie Curie descobriu o efeito piezoelétrico através da aplicação de uma corrente elétrica senoidal sobre um cristal de quartzo colocado entre duas placas metálicas” (FREITAS et al. 2007 apud FREITAS; FREITAS; STRECK, 2011, p. 89). UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 104 Na Fisioterapia, a terapia ultrassônica é definida pelas os- cilações de ondas cinéticas ou mecânicas produzidas pelo trans- dutor vibratório, que aplicado sobre a pele atravessa e penetra no organismo em diferentes profundidades, dependendo da frequ- ência, que varia de 0,75 a 3,0 MHz, sendo utilizado no tratamento de pequenas lesões musculares, acelerando o processo de cicatri- zação muscular e epitelial (HAAR, 2007, apud FREITAS; FREITAS; STRECK, 2011, p. 90). c) Laser “A sigla LASER possui sua origem na língua inglesa, abreviando light am- plification by stimulated emission of radiation” (SALCIDO, 2007 apud ANDRADE; CLARCK; FERREIRA, 2014, p.129, grifo nosso). Os lasers são classificados em alta e baixa potência. Os primeiros geral- mente aplicados para a remoção, corte e coagulação de tecidos, enquan- to que os lasers de baixa potência são mais comumente aplicados em processos de reparação tecidual, tais como traumatismos musculares, articulares, nervosos, ósseos e cutâneos (BARRETO, 2010 apud ANDRA- DE; CLARCK; FERREIRA, 2014, p. 130). A terapia com laser tem sido administrada com o objetivo de promover melhor resolução de processos inflamatórios, redução da dor, evitar a ocorrência de edema, bem como, preservar tecidos e nervos adjacentes ao local da injúria. Tais efeitos podem ser alcançados através de comprimen- tos de onda entre 600 e 1000nm e potências de 1mW a 5W/cm (HUANG, 2009 apud ANDRADE; CLARCK; FERREIRA, 2014, p. 130). d) Crioterapia A crioterapia, o uso do frio como uma modalidade benéfica, é talvez a mais simples e mais antiga modalidade terapêutica no tratamento de le- sões agudas de tecidos moles e possui indicação no tratamento de lesões musculoesqueléticas. Propõem-se que, diminuindo a temperatura do te- cido, o gelo pode diminuir a dor, a condução nervosa, o metabolismo e o espasmo muscular, minimizar o processo inflamatório, a lesão por hipó- xia e a liberação de mediadores inflamatórios e, conseqüentemente, ajuda na recuperação do tecido após trauma, além de reduzir o consumo de medicamentos (SILVA et al. 2007 apud MOREIRA et al. 2011, p. 80). Podem estar indicadas ainda a Terapia Manual, com as técnicas de Pompa- gem e de compressão isquêmica para liberar pontos tensionais e a Drenagem linfática manual nas situações de edema e de congestão do sistema linfático. Posteriormente, mobilizações, manipulações e cinesioterapia (exercícios de fortalecimento e de alon- gamento, propriocepção). Em relação aos pacientes reumatológicos, a finalidade do tratamento é a de controlar o processo instalado e evitar a piora progressiva do quadro, tendo em vista que se trata de doenças crônico degenerativas, que têm como característica a instala- ção progressiva e insidiosa. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 105 Muitas vezes o paciente procura tratamento quando os sintomas já vêm interfe- rindo a algum tempo na rotina de vida e não no início. Quando se fala em reumatismo, há uma distância entre o surgimento do sintoma, as manifestações clínicas e a confir- mação diagnóstica. Então, quando o paciente vem em busca do tratamento, muitas vezes, com deformidades já instaladas, não é possível a remissão completa do quadro clínico. O tratamento aqui seguirá a mesma sequência de eventos como dentro da área de Ortopedia e Traumatologia, porém o que se deve ter em mente, é um cuidado ainda maior na escolha dos recursos, tendo em vista que se trata de uma doença crônica de- generativa. O foco deve ser sempre a melhora da sintomalogia clínica e da qualidade de vida do paciente, permitindoque o mesmo consiga se gerir nas AVD´s dentro de suas limitações já estabelecidas. 2.3 FISIOTERAPIA EM NEUROLOGIA A Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional — ABRAFIN — foi fundada em 16 de outubro de 2009, durante o XVIII Congresso Brasileiro de Fisio- terapia na cidade do Rio de Janeiro. É uma entidade sem fins lucrativos, destinada a divulgar o conhecimento científico e a integrar os fisioterapeutas com atuação especializada na área Neurofuncional. De acordo com as informações contidas no site oficial, a associação: [...] conduz suas ações com idoneidade, mantendo-se afastada de possí- veis conflitos de interesse. Por causa disso, esta Associação não faz apo- logia a métodos, não recomenda cursos nem serviços, limitando-se a ins- trumentalizar os que a procuram a escolher cursos, serviços e métodos de acordo com a legislação brasileira e levando em conta o maior nível de evidência científica existente (ABRAFIN, 2018, s.p.). Antes de falarmos sobre a especialidade e a aplicabilidade da Fisioterapia na área de Neurofuncional, é preciso entender um pouco sobre o que é o Sistema Nervoso, sua função e como ele pode ser afetado. O tecido nervoso encontra-se distribuído pelo organismo, mas está in- terligado, resultando no sistema nervoso. Forma órgãos como o encéfa- lo e a medula espinal, que compõem o sistema nervoso central (SNC). O tecido nervoso localizado além do sistema nervoso central é denomi- nado sistema nervoso periférico (SNP) e é constituído por aglomerados de neurônios, os gânglios nervosos, e por feixes de prolongamentos dos neurônios, os nervos (MONTANARI, 2016, p. 85). UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 106 FIGURA 11 – ESQUEMATIZAÇÃO DO TECIDO NERVOSO E DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO EM SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) E SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO (SNP) FONTE: <http://bit.ly/34oFqPG>. Acesso em: 30 ago. 2019. Girolami et al. (1996 apud CARVALHO et al., 2014) cita que o Sistema Ner- voso exerce funções únicas, as quais produzem respostas às lesões e que as doenças neurológicas têm diversas causas, podendo ocorrer em qualquer momento da vida do paciente, seja durante a gestação, no parto, na infância e mesmo de forma tardia. A avaliação fisioterapêutica do paciente neurológico é imprescindível para que se estabeleça o melhor plano de tratamento. O fisioterapeuta deve compreender a fisiopatologia da doença e os mecanismos das lesões e estar apto a examinar as funções mais importantes. Deve-se deixar o paciente à vontade para participar ativa- mente da anamnese e não induzir suas respostas. Após a avaliação dessas funções, “o fisioterapeuta é capaz de definir o diagnóstico físico-funcional do paciente e estabe- lecer o termo apropriado que identifique a distribuição das principais alterações das funções musculares observadas” (CARVALHO et al., 2014, p. 51-52). Segundo informações encontradas no site da Associação Brasileira para o De- senvolvimento e Divulgação do Conceito Neuroevolutivo Bobath — ABRADIMENE —, o Conceito de Tratamento Neuroevolutivo Bobath se refere a uma abordagem interdisciplinar, cuja proposta é o manuseio do paciente neurológico baseado na aná- lise do movimento. O site (ABRADIMENE, 2019) aborda que o Conceito Neuroevolutivo Boba- th é voltado ao tratamento dos distúrbios do SNC (Sistema Nervoso Central), com alteração das funções sensoriais, perceptivas e cognitivas e foi criado e desenvolvido no início dos anos 1940 pelo casal que trabalhavam em Londres: Dr. Karel Bobath, psiquiatra e neurofisiologista e Berta Busse Bobath, fisioterapeuta. Em 1965, a fisio- terapeuta Berta Bobath publicou seu primeiro livro intitulado Atividade postural refle- xa anormal causada por lesões cerebrais. O casal descreve o tratamento e sua aplicação como sendo um conceito de vida, como uma forma de lidar com o problema. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 107 FIGURA 12 – CASAL KAREL E BERTA QUE CRIOU E DESENVOLVEU O CONCEITO NEUROEVOLUTIVO BOBATH FONTE: <http://bit.ly/2qMLiUz>. Acesso em: 30 ago. 2019. O Conceito Neuroevolutivo Bobath, desenvolvido pelo casal, é praticado no mundo inteiro desde 1950 e desde então, vem evoluindo e se aprimorando. Um exemplo disso são os estudos desenvolvidos em crianças jovens e bebês, através da fisioterapeuta Mary Quinton e da Dra. Eda Köng, neuropediatra, de Berna, na Suiça. Ainda, de acordo com o site (ABRADIMENE, 2019), a avaliação do paciente assim como a intervenção terapêutica, provém do conhecimento do desenvolvimen- to motor normal e atipias, definidas como padrões alterados de movimento e de tô- nus muscular, utilizando como ponto de partida a análise do controle postural e do movimento, além da interação do paciente em seu meio familiar e social. O manuseio por parte do fisioterapeuta durante toda a avaliação e intervenção terapêutica, atra- vés de uma dinâmica recíproca entre paciente e examinador, permite uma ativação adequada do sistema sensório motor, uma melhora do desempenho da atividade e a aquisição de habilidades motoras, otimizando as funções do paciente. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 108 FIGURA 13 – MARY QUINTON UTILIZANDO O CONCEITO NEUROEVOLUTIVO BOBATH EM MANUSEIO COM PACIENTE INFANTIL FONTE: <http://bit.ly/2XOF42r>. Acesso em: 30 ago. 2019. 2.3.1 Escalas de Avaliação Neurofuncional Como em qualquer área da Fisioterapia, instrumentos avaliativos são uti- lizados no sentido de mensurar a funcionalidade do paciente. Dentro da Fisio- terapia Neurofuncional existem escalas que podem ser utilizadas para avaliar a comunicação, a cognição, os deficits físicos e as AVD´s (atividades de vida diária). A seguir, tem-se algumas dessas escalas em Neurofuncional. a) CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde A OMS — Organização Mundial de Saúde —, desenvolveu essa escala para avaliar e descrever a deficiência, a saúde e a qualidade de vida do paciente. Essa escala permite identificar, a partir do conceito de função dos órgãos, siste- mas e estruturas corporais, a limitação das atividades e a participação social no TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 109 ambiente em que o indivíduo está inserido, verificando o que “ele consegue ou não fazer em sua vida diária”. Através de consulta ao site, a Classificação Internacional de Funcionalida- de (CIF), Incapacidade e Saúde, conhecida como CIF, tem a finalidade de descre- ver a saúde e o estado relacionado à saúde, através de uma linguagem unificada e padronizada. Essa classificação define os componentes da saúde e alguns outros componentes relacionados à saúde, tais como educação e trabalho. Seus domí- nios são descritos com base na perspectiva do corpo, do indivíduo e da sociedade em duas listas básicas: • Funções e estruturas do corpo. • Atividades e participação. Atuando como uma classificação, a CIF reúne, de forma sistemática, o que uma pessoa portadora de uma doença ou transtorno faz ou consegue fazer. O ter- mo Funcionalidade abrange todas as funções do corpo, atividades e participação. De forma similar, o termo incapacidade abrange limitação de atividades ou restrição na participação delas. Nesse sentido, ela permite registrar perfis úteis da funcionalida- de, incapacidade e saúde dos indivíduos em vários domínios. Todos os domínios classificados na ferramenta CIF (funções e estruturas do corpo, atividades e participação e fatores ambientais) são quantificados através da uma escala genérica. Um problema pode significar uma deficiência, limitação, res- trição ou barreira, dependendo do construto. São fornecidas faixas de porcentagens para aqueles casos nos quais os instrumentos de avaliação calibrados ou outros pa- drões estão disponíveis para quantificar a deficiência, limitação de capacidade, pro- blema de desempenho ou barreira. Um exemplo disso seria, "nenhum problema" ou "problema completo", a codificação tem uma margem de errode até 5%. "Problema moderado" é definido como até a metade do tempo ou metade da escala de dificul- dade total. QUADRO 2 – CIF FONTE: <http://www.pcd.mppr.mp.br/pagina-14.html>. Acesso em: 30 ago. 2019. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 110 b) EMA - Escala Modificada de Ashworth Utilizada em pacientes com aumento do tônus, como nos casos de hiper- tonia espástica, é uma ferramenta graduada em valores de zero a quatro, sendo zero quando não há alteração do tônus e quatro quando o segmento avaliado se encontra em padrão rígido de flexão ou extensão. Na sequência, é demonstrada a ferramenta, apresentando-se os graus e sua classificação. QUADRO 3 – EMA (ESCALA MODIFICADA DE ASHWORTH) FONTE: <http://bit.ly/2XKDmz0>. Acesso em: 30 ago. 2019. c) EEB – Escala de Equilíbrio de Berg Esta ferramenta é utilizada para avaliar o equlíbrio durante o executar de tarefas, como nas funções de transferência e de alcance, como nos casos de AVE (Aci- dente vascular encefálico), Ataxias cerebelares e Parkinson. Apresenta quatorze do- mínios, pontuados de zero a quatro, totalizando 56 pontos. Zero seria a graduação voltada à necessidade máxima de assitência do paciente em executar a tarefa e quatro a indepedência e segurança por parte do paciente na atividade. As atividades ou tarefas citadas envolvem situações como deambular, transferir-se de posição e ficar na posição em pé. A interpretação dos pontos é baseada no tempo (duração) em que o paciente mantém a posição, no tempo em que ele precisa para completar a tarefa e também na distância em que o membro superior alcança à frente do corpo. Se o score (pontuação) for baixo, maior é o risco de queda do paciente. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 111 TABELA 1 – ESCALA DE EQUILÍBRIO DE BERG (EEB) 1) Posição sentada para posição em pé. Instrução: Por favor, levante-se. Tente não usar suas mãos para não se apoiar. (4) capaz de levantar-se sem utilizar as mãos e estabili- zar-se independentemente (3) capaz de levantar-se independentemente utilizando as mãos (2) capaz de levantar-se utilizando as mãos após diversas tentativas (1) necessita de ajuda mínima para levantar-se ou estabi- lizar-se (0) necessita de ajuda moderada ou máxima para levar-se 2) Permanecer em pé sem apoio. Instrução: Por favor, fique em pé por 2 minutos sem se apoiar. Se o paciente for capaz de permanecer em pé por 2 minutos sem apoio, dê o número total de pontos o item Nº 3. Continue com o item Nº 4. (4) capaz de permanecer em pé com segurança por 2 minutos (3) capaz de permanecer em pé por 2 minutos com supervisão (2) capaz de permanecer em pé por 3 segundos sem apoio (1) necessita de várias tentativas para permanecer em pé por 30 segundos sem apoio (0) incapaz de permanecer em pé por 30 segundos sem apoio 3) Permanecer sentado sem apoio nas costas, mas com os pés apoiados no chão ou num banquinho. Instrução: Por favor, fique sentado sem apoiar as costas com os braços cruzados por 2 minutos. (4) capaz de permanecer sentado com segurança e com firmeza por 2 minutos (3) capaz de permanecer sentado por 2 minutos sob supervisão (2) capaz de permanecer sentado por 30 segundos (1) capaz de permanecer sentado por 10 segundos (0) incapaz de permanecer sentado sem apoio durante 10 segundos 4) Posição em pé para posição sentada. Instrução: Por favor, sente-se. (4) senta-se com segurança com uso mínimo das mãos (3) controla a descida utilizando as mãos (2) utiliza a parte posterior das pernas contra a cadeira para controlar a descida (1) senta-se independentemente, mas tem descida sem controle (0) necessita de ajuda para sentar-se 5) Transferências Intruções: Arrume as cadeiras perpendi- cularmente ou uma de frente para a ou- tra para uma transferência em pivô. Peça ao paciente para transferir-se de uma cadeira com apoio de braço para uma cadeira sem apoio de braço, e vice-versa. (4) capaz de transferir-se com segurança com uso mínimo das mãos (3) capaz de transferir-se com segurança com o uso das mãos (2) capaz de transferir-se seguindo orientações verbais e/ou supervisão (1) necessita de uma pessoa para ajudar (0) necessita de duas pessoas para ajudar ou supervi- sionar para realizar a tarefa com segurança UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 112 6) Permanecer em pé sem apoio com os olhos fechados. Instrução: Por favor, fique em pé e feche os olhos por 10 segundos. (4) capaz de permanecer em pé por 10 segundos com segurança (3) capaz de permanecer em pé por 10 segundos com supervisão (2) capaz de permanecer em pé por 3 segundos (1) incapaz de permanecer com os olhos fechados duran- te 3 segundos, mas mantém-se em pé (0) necessita de ajuda para não cair 7) Permanecer em pé sem apoio com os pés juntos. Instrução: Junte seus pés e fique em pé sem se apoiar. (4) capaz de posicionar os pés juntos independen- temente e permanecer por 1 minuto com segurança (3) capaz de posicionar os pés juntos independente- mente e permanecer por 1 minuto com supervisão (2) capaz de posicionar os pés juntos indepen- dentemente e permanecer por 3 segundos (1) necessita de ajuda para posicionar-se, mas é capaz de permanecer com os pés juntos durante 15 segundos (0) necessita de ajuda para posicionar-se e é in- capaz de permanecer nessa posição por 15 se- gundos 8) Alcançar a frente com o braço estendido permanecendo em pé. Instrução: Levante o braço 90º. Estique os dedos e tente alcançar a frente o mais longe possível. (4) pode avançar a frente > 25 cm com segurança (3) pode avançar a frente > 12,5 cm com segurança (2) pode avançar a frente > 5 cm com segurança (1) pode avançar a frente mas necessita de supervisão (0) perde o equilíbrio na tentativa, ou necessita de apoio externo 9) Pegar um objeto do chão a partir de uma posição em pé. Instruções: Pegue o sapato/chinelo que está na frente dos seus pés. (4) capaz de pegar o chinelo com facilidade e segurança (3) capaz de pegar o chinelo, mas necessita de supervisão (2) incapaz de pegá-lo, mas se estica até ficar a 2-5 cm do chinelo e mantém o equilíbrio independentemente (1) incapaz de pegá-lo, necessitando de supervisão enquan- to está tentando (0) incapaz de tentar, ou necessita de ajuda para não per- der o equilíbrio ou cair 10)Virar-se e olhar para trás por cima dos ombros direito e esquerdo enquanto per- manece em pé. (4) olha para trás de ambos os lados com uma boa distribuição do peso (3) olha para trás somente de um lado, o lado contrário demonstra menor do peso (2) vira somente para os lados, mas mantém o equilí- brio (1) necessita de supervisão para virar (0) necessita de ajuda para não perder o equilíbrio ou cair 11) Girar 360 graus. Instrução: Gire-se completamente ao re- dor de si mesmo. Pausa. Gire-se comple- tamente ao redor de si mesmo em sentido contrário. (4) capaz de girar 360 graus com segurança em 4 segundos ou menos (3) capaz de girar 360 graus com segurança somente para um lado com 4 segundos ou menos (2) capaz de girar 360 graus com segurança, mas lentamente (1) necessita de supervisão próxima ou orientação TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 113 6) Permanecer em pé sem apoio com os olhos fechados. Instrução: Por favor, fique em pé e feche os olhos por 10 segundos. (4) capaz de permanecer em pé por 10 segundos com segurança (3) capaz de permanecer em pé por 10 segundos com supervisão (2) capaz de permanecer em pé por 3 segundos (1) incapaz de permanecer com os olhos fechados duran- te 3 segundos, mas mantém-se em pé (0) necessita de ajuda para não cair 7) Permanecer em pé sem apoio com os pés juntos. Instrução: Junte seus pés e fique em pé sem se apoiar. (4) capaz de posicionar os pés juntos independen- temente e permanecer por 1 minuto com segurança (3) capaz de posicionar os pés juntos independente- mente e permanecer por 1 minuto com supervisão(2) capaz de posicionar os pés juntos indepen- dentemente e permanecer por 3 segundos (1) necessita de ajuda para posicionar-se, mas é capaz de permanecer com os pés juntos durante 15 segundos (0) necessita de ajuda para posicionar-se e é in- capaz de permanecer nessa posição por 15 se- gundos 8) Alcançar a frente com o braço estendido permanecendo em pé. Instrução: Levante o braço 90º. Estique os dedos e tente alcançar a frente o mais longe possível. (4) pode avançar a frente > 25 cm com segurança (3) pode avançar a frente > 12,5 cm com segurança (2) pode avançar a frente > 5 cm com segurança (1) pode avançar a frente mas necessita de supervisão (0) perde o equilíbrio na tentativa, ou necessita de apoio externo 9) Pegar um objeto do chão a partir de uma posição em pé. Instruções: Pegue o sapato/chinelo que está na frente dos seus pés. (4) capaz de pegar o chinelo com facilidade e segurança (3) capaz de pegar o chinelo, mas necessita de supervisão (2) incapaz de pegá-lo, mas se estica até ficar a 2-5 cm do chinelo e mantém o equilíbrio independentemente (1) incapaz de pegá-lo, necessitando de supervisão enquan- to está tentando (0) incapaz de tentar, ou necessita de ajuda para não per- der o equilíbrio ou cair 10)Virar-se e olhar para trás por cima dos ombros direito e esquerdo enquanto per- manece em pé. (4) olha para trás de ambos os lados com uma boa distribuição do peso (3) olha para trás somente de um lado, o lado contrário demonstra menor do peso (2) vira somente para os lados, mas mantém o equilí- brio (1) necessita de supervisão para virar (0) necessita de ajuda para não perder o equilíbrio ou cair 11) Girar 360 graus. Instrução: Gire-se completamente ao re- dor de si mesmo. Pausa. Gire-se comple- tamente ao redor de si mesmo em sentido contrário. (4) capaz de girar 360 graus com segurança em 4 segundos ou menos (3) capaz de girar 360 graus com segurança somente para um lado com 4 segundos ou menos (2) capaz de girar 360 graus com segurança, mas lentamente (1) necessita de supervisão próxima ou orientação 12) Posicionar os pés alternadamente no degrau ou banquinho enquanto permane- ce em pé sem apoio. Instrução: Toque cada pé alternadamente no degrau/banquinho. Continue até que cada pé tenha tocado o degrau/banquinho quatro vezes. (4) capaz de permanecer em pé independentemente e com segurança, completando 8 movimentos em 20 segundos (3) capaz de permanecer em pé independentemente e completar 8 movimentos em > 20 segundos (2) capaz de completar 4 movimentos sem ajuda (1) capaz de completar > 2 movimentos com o mínimo de ajuda (0) incapaz de tentar, ou necessita de ajuda para não cair 13) Permanecer em pé sem apoio com um pé na frente. Instrução: Coloque um pé diretamente à frente do outro na mesma linha, se você achar que não irá conseguir, coloque o pé um pouco mais à frente do outro pé e le- vemente para o lado. (4) capaz de colocar um pé imediatamente à frente do ou- tro, independentemente, e permanecer por 30 segundos (3) capaz de colocar um pé um pouco mais à frente do outro e levemente para o lado, independentemente, e permanecer por 30 segundos (2) capaz de dar um pequeno passo, independentemente, e permanecer por 30 segundos (1) necessita de ajuda para dar o passo, porém permane- ce por 15 segundos (0) perde o equilíbrio ao tentar dar um passo ou ficar de pé 14) Permanecer em pé sobre uma perna. Instrução: Fique em pé sobre uma perna o máximo que você puder sem segurar. (4) capaz de levantar uma perna independentemente e permanecer por > 10 segundos (3) capaz de levantar uma perna independentemente e permanecer por 5-10 segundos (2) capaz de levantar uma perna independentemente e permanecer por > 3 segundos (1) tenta levantar uma perna, mas é incapaz de permane- cer por 3 segundos, embora permaneça em pé indepen- dentemente (0) incapaz de tentar, ou necessita de ajuda para não cair FONTE: <http://www.scielo.br/img/revistas/rbme/v14n2/01t1.gif>. Acesso em: 31 ago. 2019. d) Escala do Rancho dos Amigos Para pacientes que tiveram TCE (Traumatismo Crânio Encefálico), a ferra- menta determina o estado comportamental e cognitivo, o que permite o acompa- nhamento e o direcionamento ao planejamento fisioterapêutico. Através de dez domínios, constituído por fases como: despertar, adequar e reorganizar, é possível estabelecer qual a situação em que o paciente se encontra, sempre levando em consi- deração a gravidade, o local e o tempo da lesão. A seguir, a escala será demonstrada. 2.3.2 Abordagens terapêuticas em Fisioterapia Neurofuncional Carvalho et al. (2014), comenta que algumas técnicas específicas dentro da Fisioterapia Neurofuncional, voltadas à estimulação da função, à facilitação de movi- mentos, ao favorecimento da flexibilidade e ao fortalecimento muscular, bem como a uma maior independência, podem ser utilizadas. Dentro desse contexto, cita: a) FNP – Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 114 Essa técnica, também conhecida como diagonais de Kabat, se refere à uti- lização de movimentos em espiral e em diagonais, no plano sagital, em que ocor- rem a flexão e a extensão, no frontal em que a abdução e adução são permitidas e no plano transversal em que ocorrem as rotações. A seguir, a demonstração da realização da técnica. FIGURA 14 – FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA (FNP) PARA MEMBROS SUPERIORES FONTE: <http://bit.ly/2QYwEnU>. Acesso em: 31 ago. 2019. FIGURA 15 – FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA (FNP) PARA MEMBROS INFERIORES FONTE: <http://bit.ly/2QYwEnU>. Acesso em: 31 ago. 2019. Através de consulta realizada nas Bases do Método Kabat (19--), encontrou-se que além dos movimentos em diagonais e em espiral (padrões de facilitação), nos planos sagital, frontal e transversal, são utilizados estímulos proprioceptivos, visuais e auditivos, comandos verbais, contato manual, máxima resistência, sequência e rit- mo de movimento. b) Conceito Neuroevolutivo Bobath TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 115 Conforme mencionado em outro momento desta unidade, o casal Karel e Berta Bobath foi quem desenvolveu o Conceito, sendo muito mais que um méto- do para tratar crianças com limitações funcionais advindas de paralisia cerebral e adultos com sequelas decorrentes de AVE (Acidente Vascular Encefálico) e TCE (Traumatismo Crânio Encefálico). A partir da avaliação e da percepção da postura e do movimento, o con- ceito tem a finalidade de verficar como é o desempenho do paciente para então, facilitar a função. O Conceito Neuroevolutivo Bobath tem como base o controle e a aprendi- zagem motora, aplicados aos padrões de movimentos típicos e atípicos, utilizan- do-se informações sensoriais e proprioceptivas através do manuseio (toque) do terapeuta ativando grupos musculares específicos do paciente. Na sequência, uma demonstração da técnica. FIGURA 16 - CONCEITO NEUROEVOLUTIVO BOBATH FONTE: <http://bit.ly/2XW3R4S>. Acesso em: 31 ago. 2019. c) Mobilização neural Através de movimentos oscilatórios ou mantidos de forma breve, os mes- mos servem para restaurar a função do Sistema Nervoso, no quesito elasticidade e mobilidade. Partindo do princípio de que o Sistema Nervoso atua de forma integrada, única, contínua, mecânica, elétrica e química, entende-se que qualquer distúrbio na transmissão de força e de movimento, ocasionará mudanças corporais e irá afetar os padrões de movimento. Isso ocorre porque quem distribui essas forças e emite a transmissão do movimento, são os envoltórios conjuntivos das células nervosas, respectivamente, as Células de Schawnn e os Neurônios, sem esquecer é claro, da bainha de mielina, a qual acelera a velocidade de condução do estímulo nervoso. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 116 FIGURA 17 – SISTEMA NERVOSO E MOBILIZAÇÃO NEURAL FONTE: <http://bit.ly/37N2ytq>. Acessoem: 31 ago. 2019. A contraindicação da técnica será para condições neurológicas malignas, in- feccções do Sistema Nervoso, inflamações agudas, quadros neurológicos apresentan- do instabilidade, alterações de controle urinário e fecal relacionados à medula. Testes de tensão básicos são utilizados dentro do contexto de Mobilização Neural, entre eles: nervo mediano, nervo radial, flexão passiva da cabeça, elevação da perna estendida, inclinação anterior de tronco e flexão de joelho, alguns desses tam- bém utilizados nas rotinas clínicas de radiculopatias (compressão de raiz nervosa) e hérnias discais. A seguir, são apresentados alguns dos testes de tensão básica. FIGURA 18 – TESTE DE TENSÃO BÁSICA EM MOBILIZAÇÃO NEURAL PARA NERVO MEDIANO FONTE: <http://bit.ly/37N2ytq>. Acesso em: 31 ago. 2019. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 117 FIGURA 19 – TESTE DE TENSÃO BÁSICA EM MOBILIZAÇÃO NEURAL PARA NERVO MEDIANO (A) E PARA NERVO RADIAL (B) FONTE: <http://bit.ly/37N2ytq>. Acesso em: 31 ago. 2019. 2.4 FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA Em 1998, o COFFITO — Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupa- cional — reconhece a especialidade denominada fisioterapia pneumofuncional, a qual teve seu nome modificado para fisioterapia respiratória a partir da Resolução 318, de 30 de agosto de 2006, após intenso trabalho da Associação Brasileira de Fi- sioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva — ASSOBRAFIR (CARVALHO et al., 2014). Através de consulta no site da ASSOBRAFIR (2019) percebe-se que a fisiote- rapia respiratória teve uma crescente valorização nos anos 80, em função da evolução técnico-científica. O campo de atuação profissional, nessa época, se diferenciava e expandia cada vez mais nos atendimentos ambulatoriais em clínicas e em centros de reabilitação de forma gradativa, foi sendo implantado no âmbito hospitalar. A intervenção feita pelo fisioterapeuta respiratório pode ser realizada em condições de afecções cardiorrespiratórias, através de técnicas que visam: • Manter e restaurar o volume e a capacidade pulmonar, utilizando-se manobras de expansão pulmonar. • Remover secreções, através de manobras de higiene brônquica. • Melhorar a força muscular ventilatória, através do treino muscular inspiratório. • Melhorar a capacidade funcional, dentro de programas de reabilitação cardior- respiratória. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 118 Dentre dos benefícios clínicos, destacam-se a melhora das trocas gasosas, a diminuição do trabalho/gasto energético muscular ventilatório, otimização da mecânica respiratória, assim como da força e resistência dos músculos respirató- rios e melhora da qualidade de vida do paciente. FIGURA 20 – RESPIRON FONTE: <http://bit.ly/2R4mzG6>. Acesso em: 31 ago. 2019. FIGURA 21 – VOLDYNE FONTE: <http://bit.ly/2RdXIjh>. Acesso em 31 de agosto de 2019. a) a EPAP, que seria a utilização de pressão expiratória positiva, através de uma interface bucal ou máscara, em que uma válvula expiratória com resistência ajustável (PEEP), auxilia no recrutamento de unidades alveolares; TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 119 FIGURA 22 – EPAP FONTE: <http://bit.ly/37LrHoh>. Acesso em: 31 ago. 2019. b) a CPAP, que seria a utilização de um mesmo nível de pressão positiva nas duas fases do ciclo ventilatório: inspiração e expiração, através de sistemas geradores de fluxo. FIGURA 23 – CPAP FONTE: < http://bit.ly/34zL7dM>. Acesso em: 31 ago. 2019. Em relação às técnicas de remoção de secreção, estas são empregadas devi- do às muitas patologias respiratórias promoverem aumento da produção de secre- ção, bem como modificar sua viscosidade. Isso ocorre muito comumente nos casos de bronquite crônica, asma brônquica, bronquiectasia, fibrose cística, entre outras. Essas alterações, somadas ao fato dos mecanismos de proteção das vias aéreas es- tarem deficientes, geram complicações pulmonares. Essas técnicas são imprescin- díveis na melhora da mecânica respiratória e das trocas gasosas. Pode-se destacar as técnicas denominadas: a) Huff: é a simulação do mecanismo reflexo de tosse, sendo feita com a glote aberta e para tal execução, sugere-se o uso de um bocal para facilitar o entendimento do paciente na correta realização da ténica. b) ETGOL: expiração lenta e total com a glote aberta em infralateral, é uma técnica ativa assistida em que o paciente é colocado em posição de decúbito lateral, rea- lizando expirações lentas com a glote aberta. A cada expiração do paciente, o fi- sioterapeuta realiza uma pressão abdominal infra lateral e apóia a região inferior do hemitorax contralateral. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 120 FIGURA 24 – POSICIONAMENTO E MANOBRA ETGOL FONTE: <https://i.ytimg.com/vi/l3B6YYie7Mc/maxresdefault.jpg>. Acesso em: 31 ago. 2019. c) OOAF: oscilação oral de alta frequência, refere-se à utilização de dispositivos que melhoram o efeito trixotrópico do muco (menos viscoso) e a ventilação contralateral. Exemplos de dispositivos destacam-se o flutter, o shaker e o aca- pella. Os dois primeiros em especial, apresentam a particularidade de a frequ- ência de oscilação ser influenciada pelo ângulo de inclinação do dispositivo, o que não ocorre com o acapella, por exemplo. FIGURA 25 – SHAKER, FLUTTER E ACAPELLA FONTE: <http://bit.ly/2R2JeCt>. Acesso em: 31 ago. 2019. https://i.ytimg.com/vi/l3B6YYie7Mc/maxresdefault.jpg TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 121 d) Treinamento muscular inspiratório: a avaliação feita por manovacuometria, da função muscular ventilatória, ocorre em função dos músculos respiratórios, após período prolongado de ventilação mecânica ou mesmo na presença de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e de uso prolongado de medicamentos. O treino muscular pode ser feito utilizando-se dispositivos geradores de carga linear, através de molas, ou por carga alinear em que há orifícios. Os geradores de carga linear trabalham com cargas constantes ao passo que os de carga alinear variam com o fluxo inspiratório e o tamanho do orifício utilizado. O threshold é um exemplo de dispositivo para treino muscular com carga linear. FIGURA 26 – THRESHOLD FONTE: <http://bit.ly/2Dw9QUo>. Acesso em: 31 ago. 2019. FIGURA 27 – MANOVACUOMETRO FONTE: <http://bit.ly/35G1Iga>. Acesso em: 31 ago. 2019. Quando o público alvo for pacientes portadores de pneumopatias, doenças cardiovasculares, diabetes e doenças renais crônicas, a atuação do fisioterapeuta car- diorrespiratório será na elaboração de programas de reabiltiação pulmonar, cardio- vascular e metabólico. Este programa e aplicação de protocolos de exercícios físicos, engloba os aeróbicos e os de treino de força muscular, incluindo a utilização de ca- minhadas, bicicleta ergométrica, esteiras, halteres e faixas elásticas. Os objetivos são: UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 122 • Melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida do paciente. • Otimizar o condicionamente aeróbico, reduzindo a sensação de dispnéia (falta de ar) e do risco cardiovascular. • Normalizar os níveis pressóricos e glicêmicos. 2.5 FISIOTERAPIA EM UROGINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA O profissional especialista na área atua nas diversas patologias da saúde da mulher, desde a fase da adolescência, passando pela fase adulta reprodutiva ou não, no processo saúde-doença, além de estar inserido junto à equipe interdisciplinar, em todos os níveis de atenção à saúde. Consistem em exemplos de atuação: problemas como dor pélvica crônica, incontinências urinária e fecal, disfunções sexuais, gestação, pós-parto e climatério, sempre buscando a melhora da qualidade de vida das pacientes. O fisioterapeuta que atua nessa área, ao especializar-se, pode contar com a Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher (ABRASFIM), cuja funda- ção ocorreu em 2005, na cidade de São Paulo. Aoacessar a base de dados da ABRAS- FIM (2013), no site oficial, é possível verificar que o papel da Associação, sem fins lucrativos, junto à Saúde da Mulher, é: • Promover a cooperação entre os fisioterapeutas que trabalham na área, encorajando a promoção de saúde e à melhora na assistência fisio- terapêutica prestada à Saúde da Mulher. • Contribuir para definir o papel da Fisioterapia em Saúde da Mulher no âmbito público e privado, além de difundir a atuação fisioterapêutica junto à equipe de saúde e à comunidade, através de fóruns, debates, campanhas, simpósios e congressos. • Facilitar o aprimoramento da prática fisioterapêutica em Saúde da Mulher através da troca de informações em nível nacional e internacio- nal, incentivando a pesquisa científica, colaborando para o desenvolvi- mento de novos conhecimentos na área de Saúde da Mulher. • Colaborar para ampliação e preservação do mercado de trabalho do fisioterapeuta na área de Saúde da Mulher (ABRASFIM, 2013, s.p.). 2.5.1 Atuação fisioterapêutica em Urologia e Ginecologia A atuação da fisioterapia em uroginecologia consiste em prevenir e tratar clinicamente, por meio de recursos e técnicas fisioterapêuticas, as disfunções mic- cionais, fecais, sexuais e algias pélvicas femininas. Dentre as principais patologias que o fisioterapeuta pode tratar nessa área podem ser citadas: incontinência uri- nária de esforço, de urgência e mista, bexiga hiperativa, incontinência fecal, cons- tipação por obstrução de saída, contração paradoxal puborretal e algias pélvicas (CARVALHO et al., 2014, p.156). TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 123 Leite e Poças (2015 apud RIBEIRO et al., 2016) descrevem que a fisioterapia uroginecológica é de extrema importância na prevenção de disfunções do assoa- lho pélvico. As disfunções urinárias, como um todo, são de extrema relevância para a Área da Saúde por se tratarem de patologias que geram bastante constran- gimento, apresentando graves complicações, sendo estas de caráter social, ocupacionais, psicológicas, físicas (de saúde), sexuais e /ou econômicas (STEPHENSON; O’CONNOR, 2004 apud RIBEIRO et al., 2016, p. 2). 2.5.2 O programa terapêutico Para Carvalho et al. (2014), a conduta adotada depende do diagnóstico clínico e cinético funcional e para tal, no exame físico, as ferramentas utilizadas são: inspeção (visual), palpação, exames específicos do MAP (músculos do assoa- lho pélvico), testes de verificação da qualidade de vida. Já as técnicas disponíveis podem ser: a) Eletroestimulação Na década de 1970 trabalhos foram publicados dando conta de que uma corrente interrompida de média frequência (2500 Hz) foi utilizada para prover maior ganho de força muscular que aquela obtida através da con- tração muscular voluntária. Esta forma de corrente foi denominada de corrente russa e sua técnica terapêutica foi chamada de estimulação russa. Tudo isso justificado pelo fato do seu uso ter sido investigado por um pesquisador soviético chamado Yakov Kots (BORGES et al., 2007, p. 2). Veja mais informações sobre a eletroestimulação do assoalho pélvico no endereço: https://www.einstein.br/estrutura/centro-incontinencia-doencas-assoalho-pelvico/ tratamentos/fisioterapia-incontinencia-urinaria-feminina. DICAS A eletroestimulação do assoalho pélvico descritas são: • A eletroestimulação é uma técnica utilizada na reabilitação do asso- alho pélvico como forma de tratamento na incontinência urinária, po- dendo ser realizada com eletrodos vaginais ou de superfície. • A eletroestimulação intracavitária é realizada principalmente para pacientes que não conseguem realizar a contração do assoalho pélvico e tem como objetivo reestabelecer conexões neuromusculares e melhorar a função das fibras musculares, com consequente melhora do mecanis- mo de contração muscular, além de inibir as contrações involuntárias do detrusor, diminuindo os números de micções, aumentando a capa- cidade vesical (OLIVEIRA; NASCIMENTO, 2019, s.p.). UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 124 A escolha da frequência da corrente elétrica baseia-se no tipo de músculo. Os músculos do assoalho pélvico (MAP) são compostos de unidades motoras de con- tração lenta (70%) e contração rápida (30%), as quais costumam responder melhor às frequências de 10 a 20 Hz e 30 a 60 Hz, respectivamente. A largura do pulso também varia, geralmente, de 200 us a 1 ms. Não existe na literatura especializada concordân- cia quanto a esses parâmetros. Entretanto, a imensa maioria dos trabalhos científicos e publicações considera ideais os parâmetros supracitados (CARVALHO et al., 2014). Uma pesquisa feita acerca da indicação e dos efeitos fisiológicos do recurso terapêutico anteriormente citado, encontra-se em sites de empresas que revendem produtos e equipamentos para fisioterapia, a seguinte descrição: [...] equipamento destinado ao tratamento de distúrbios uroginecoló- gicos e coloproctológicos através de técnicas de estimulação elétrica transcutânea, transanal e transvaginal; [...] com a aplicação de estimu- lação elétrica através de eletrodos de silicone condutivo ou de uma sonda de teflon vaginal ou anal. Já no biofeedback manometricoperi- neal têm-se orientações que relacionam a força de contração perineal através da captação dos níveis de pressão de ar na parte interior da sonda de látex vaginal ou anal (NEURODYN, 2019, s.p.). FIGURA 28 – ELETROESTIMULAÇÃO ATRAVÉS DA CORRENTE RUSSA COM ELETRODOS DE SILICONE CONDUTIVO FONTE: <http://bit.ly/2sudUT2>. Acesso em: 31 ago. 2019. b) Treinamento do MAP através da cinesioterapia Carvalho et al. (2014), cita o ginecologista americano Dr. Arnold Kegel como o inventor do método que leva o seu nome, no fortalecimento muscular. O ginecolo- gista em questão, observou em sua prática clínica de consultório, que suas pacientes após a gestação apresentavam incontinência urinária. Além de criar esse método de exercícios do MAP, o ginecologista também inventou o perineomêtro, precussor do biofeedback. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 125 Os objetivos do método de Kegel incluem, além do fortalecimento mus- cular: • Diminuição do quadro álgico. • Redução de edema. • Estimulação da circulação. É de extrema importância que o fisioterapeuta oriente o paciente que associe a respiração com a contração da musculatura do MAP, durante a fase expiratória. FIGURA 29 – DR. KEGEL, INVENTOR DO MÉTODO FONTE: <http://bit.ly/35Nc0ve>. Acesso em: 31 ago. 2019. FIGURA 30 – PONTE COMO EXERCÍCIO DE KEGEL NA MELHORA DA FORÇA MUSCULAR DO MAP FONTE: <http://bit.ly/2OvT4es>. Acesso em: 31 ago. 2019. c) Biofeedback A técnica é definida como o uso de sensores intravaginais ou perianais capa- zes de captar a contração muscular perineal realizada e transformá-la em estímulos visuais e auditivos. Essa abordagem prática é destinada às mulheres que tem difi- UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 126 culdade de entender como realizar a contração ou precisam ser ensinadas a evitar o emprego de musculatura acessória, melhorando a propriocepção, a força e a inibição por mecanismo de hiperatividade detrusora. Carvalho et al. (2014) cita o biofeedback como uma terapia comportamental, em que o equipamento monitora, mede e mostra a atividade elétrica da musculatura do assoalho pélvico através da tela do computador. Quando o paciente consegue atingir a contração pré estabecida, o aparelho emite um aviso sonoro, confirmando que a meta foi atingida. Sensores especiais, conhecidos como eletrodos, podem ser dispostos na região perineal e ou perianal ou serem intracavitários, sendo introduzi- dos no ânus ou na vagina. FIGURA 31 – BIOFEEDBACK FONTE: <http://bit.ly/2L5DJPO>. Acesso em: 31 ago. 2019. d) Cones vaginais A finalidade da utilização dos cones é enviar a informação sensório motora e induzir a contração dos músculos do assoalho pélvico. A indicação de uso, bem como a orientação deve serrealizada por um profissional especializado para que possa ser feita em casa também, de acordo com a necessidade de cada paciente. Carvalho et al. (2014), comenta que a paciente introduz o cone vaginal com sua porção cônica repousando sobre a superfície perineal, tentando segurar a contra- ção por cerca de 15 minutos. A manutenção da contração para reter o cone vaginal aumenta a força dos MAP. O peso do cone fornece um feedback proprioceptivo para a contração muscular. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 127 FIGURA 32 – CONES VAGINAIS FONTE: <http://bit.ly/33wmHR6>. Acesso em: 31 ago. 2019. e) Ginástica hipopressiva Essa técnica foi desenvolvida inicialmente no exterior, mais precisamente na Bélgica e consiste na estimulação da musculatura respiratória acessória, relaxando o diafragma. Essa técnica diminui a pressão abdominal, tonificando-a de forma reflexa, assim como ao MAP. FIGURA 33 – GINÁSTICA HIPOPRESSIVA FONTE: <http://bit.ly/37M7BdE>. Acesso em: 31 ago. 2019. 2.6 FISIOTERAPIA DERMATOFUNCIONAL Por meio de diversos recursos terapêuticos, essa área da fisioterapia abrange tratamentos corporais e faciais, realizando intervenções na fla- cidez muscular e tissular, na gordura localizada, na estria, no fibroede- ma gelóide, no pré e pós operatório de cirurgias plásticas e de câncer de mama, em casos de queimadura, obesidade, rugas, acne e úlceras de de- cúbito, entre outros (CARVALHO et al., 2014, p. 153). No site da Associação Brasileira de Fisioterapia Dermatofuncional (ABRA- FIDEF, 2012) pesquisou-se algumas informações a respeito da especialidade e da realidade do fisioterapeuta dermatofuncional no mercado nacional: • No início, a área que hoje corresponde à Fisioterapia Dermatofuncional foi desig- nada como Fisioterapia Estética, porém, a prática clínica envolve um espectro bem UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 128 mais amplo de atuação, abrangendo todas as disfunções tegumentares e endócri- no metabólicas, visando a capacidade funcional do paciente. • Partindo dessa reflexão e após alguns anos de luta em prol do reconhecimento da especialidade profissional, em 20 de maio de 2009, através da Resolução 362, o COFFITO a regulamentou. O fisioterapeuta especialista em Fisioterapia Dermatofuncional, dentro de sua atuação profissional, utiliza o exame físico como ponto de partida para avaliar o paciente, estabelecendo diagnóstico e traçando o planejamento terapêutico. Assim como em outras áreas, o fisioterapeuta realiza inspeção, palpação, tes- tes específicos, classificação e graduação das disfunções, recursos avaliativos próprios como Adipometria, Perimetria, Luz de Wood, Goniometria (em casos de queimadu- ras e de pós-operatórios de cirurgias de câncer de mama e plásticas), entre outros. A partir do diagnóstico, pensando no planejamento terapêutico, o profissio- nal basear-se-á nos ciclos de lesão, já vistos nesta Unidade quando se falou em Fisio- terapia em Traumato Ortopedia e em Reumatologia. Fala-se dessa associação entre conduta terapêutica e ciclos de lesão, pois o tecido alvo, o tegumento, seja em trata- mentos conservadores, em queimados ou mesmo em pós-operatórios, passará por modificações histofisiológicas, até voltar ao seu estado de normalidade ou próximo. Como citado anteriormente: gordura localizada, estria, fibroedema geló- ide (popularmente conhecida como celulite), flacidez muscular e tissular (pele), acne, rugas, além de manchas que ainda não haviam sido citadas, são as disfun- ções comumente apresentadas pelos pacientes em consultório. Para cada uma das disfunções, haverá classificações quanto à forma de apresentação e ao grau de acometimento e consequentemente, uma forma de tratamento, com ou sem asso- ciações de recursos terapêuticos. Caberá ao profissional, eleger o plano de trata- mento mais adequado, correlacionando o quadro clínico com o recurso escolhido, respeitando as fases da lesão (toda disfunção dermatofuncional, para ser tratada, necessita que o profissional cause uma injúria, ou seja, uma lesão pré-programa- da que deve ser monitorada), para dar sequência à próxima etapa do tratamento. 2.6.1 Avaliação em Fisioterapia Dermatofuncional Como a Perimetria e a Goniometria foram citadas e demonstradas nesta Unidade, na especialidade de Fisioterapia em Traumato Ortopedia e em Reuma- tologia, aqui será abordada a Adipometria e a Luz de Wood. a) Adipometria: utiliza-se o adipômetro ou plicômetro para verificar as dobras cutâ- neas. Recomenda-se que seja feito sempre nas dobras cutâneas no hemicorpo di- reito (lado direito) do paciente, na posição ortostática (em pé), exceto quando for em região de panturilha (sentado), para obter-se em mm a espessura do tecido. Além disso, orienta-se que sejam feitas três medições por local e feito a média. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 129 A seguir, serão demonstrados o recurso avaliativo e a realização da técnica. FIGURA 34 – ADIPÔMETRO FONTE: <http://bit.ly/2L7Rb5w>. Acesso em: 1º set. 2019. FIGURA 35 – ADIPOMETRIA ESCAPULAR FONTE: <http://bit.ly/2Y0soG3>. Acesso em 01 de setembro de 2019. b) Luz de Wood: através do uso de lâmpada com luz ultravioleta (UV), com com- primento de luz próximo a 365 nm é possível enxergar discromias (alterações de cor). Diversos modelos estão disponíveis no mercado atualmente, seja atra- vés de um equipamento manual portátil (lupa de mão), seja por uma cabine de mesa em que diversas condições dermo epidérmicas podem ser observadas, entre elas, desidratação cutânea, presença de células mortas, alterações melâni- cas, entre outras. Para cada cor percebida, é posssível que se tenha uma causa correlacionada. A seguir, o significado das possíveis alterações: • Azul: pontos normais e saudáveis. • Branco: camada grossa de células epiteliais mortas. • Roxo fluorescente: desidratação. • Marrom: pigmentação. • Laranja: oleosidade. • Amarelo claro/Laranja claro: acne ou comedões (porfirina). • Branco amarelado/Cobre alaranjado: pitiríase versicolor. • Verde fluorescente: pseudomonas. • Vermelho coral: eritrasma. • Roxo escuro em grandes áreas: maquiagem, base ou protetor solar. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 130 FIGURA 36 – LUZ DE WOOD (CABINE) FONTE: <http://bit.ly/2OSKrJY>. Acesso em: 1º set. de 2019. 2.6.2 Recursos terapêuticos em Fisioterapia Dermatofuncional Para cada disfunção apresentada, seja na área corporal ou facial, estão dis- poníveis recursos físicos, mecânicos, elétricos, químicos e manuais. A seguir estão listados e organizados de modo que o leitor entenda a classificação, utilidade, modo de ação e indicações. a) Eletrolifiting • Através de uma corrente contínua, polarizada e de baixa frequência, esse recur- so elétrico pode ser indicado em rugas, linhas de expressão e estrias. • São utilizados 2 eletrodos: um passivo (placa acoplada ao paciente) e outro ativo, geralmente uma caneta com agulha descartável na ponta. • Produz um processo inflamatório agudo, porém previsível (esperado) e con- trolado, para reparar a disfunção, facial ou corporal. b) Dermoabrasão • Também chamado de peeling mecânico de cristal, o nome se refere a um “lixa- mento” da pele, em que a mesma é esfoliada, a fim de afinar o estrato córneo e promover uma renovação celular. • Um equipamento que utiliza sistema de vácuo, possuindo pressão negativa e positiva, apresenta um mecanismo que jorra óxido de alumínio na pele através de uma mangueira e com a outra, as células mortas juntamente com o óxido utilizado, são sugadas e vão a um reservatório. • Pode ser utilizada em tratamentos faciais e corporais, como no caso de protoco- los de rejuvenescimento facial, preparo da pele para clareamento de manchas e nas estrias. • Apresenta ponteiras de diferentes diâmetros, fazendo esfoliação mecânica su- perficial e muito superficial. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA131 c) Vacuoterapia • Através de um equipamento pressurizado com pressão negativa e diferentes cabeçotes com pressão positiva, o equipamento produz uma mobilização teci- dual. • Pode ser utilizado em atendimentos corporais para remodelamento como nos casos de gordura localizada, assim como nas estrias e na feg, para melhora da circulação e estímulo fibroblástico. • Em queimados, pode ser utilizado através das manoplas de vidro, desde que não haja cicatriz vascularizada, sensível ou que apresente ferida aberta. d) Ultrassom • Recurso de termoterapia profunda, o ultrassom utilizado nas afecções corpo- rais como feg e gordura localizada fica na faixa dos 3MHZ de frequência, po- dendo ser modulado nos modos contínuos (efeito térmico) ou pulsado (efeito mecânico). • No modo contínuo o objetivo é o incremento da circulação e no modo pulsado é a reorganização tecidual. • Cada vez mais modernos, os ultrassons disponíveis no mercado apresentam ERA (área de radiação efetiva) maior, o que otimiza o tempo de aplicação, além da potência estar mais elevada. e) Radiofrequência • Através de atividade eletromagnética, o recurso objetiva a reorganização teci- dual. • Com a elevação da temperatura tecidual, pelo movimento do cabeçote, ocorre uma retração do colágeno inicialmente, pela indução do processo inflamatório e após, dentro de alguns dias, ocorre a neocolagênese (formação de novo colá- geno). • Pode ser de uso facial (rugas, linhas de expressão e flacidez tissular) e corporal (feg, estrias, gordura localizada e flacidez tissular). f) Corrente russa • Já citada na especialidade de Fisioterapia em Ortopedia e Traumatologia e em Reumatologia, a modalidade acontece através de corrente elétrica de média frequência na faixa dos 2500 Hz de frequência. • Pode ser utilizada em casos de flacidez tissular facial e corporal. • Para cada tipo de fibra, é necessário modular a corrente em parâmetros de ram- pa de subida (rise), tempo de contração (on), rampa de descida (decay) e tempo de relaxamento (off). g) Drenagem linfática manual UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 132 • A técnica de DLM (Drenagem Linfática Manual) classificada dentro da Terapia Manual, é um recurso que pode ser utilizado tanto em casos de pré e pós-ope- ratório de cirurgias plásticas como em tratamentos conservadores, atuando como um recurso coadjuvante em casos de feg. • As manobras realizadas são direcionadas às cadeias linfáticas ou às anasto- moses linfáticas (caminhos alternativos à drenagem tradicional em casos de cirurgias de grande porte quando apresentam grandes incisões), objetivando normalizar o fluxo linfático. h) Laser • Classificado como uma fototerapia, o laser é um tipo de emissão de luz colima- da e corrente, unidirecional, com grande concentração de energia, emitida em joules. • Dentro da Fisioterapia, o laser terapêutico é o de baixa potência, podendo ser utilizado em casos em que se busca a melhora da cicatrização e a reorganização tecidual. • Casos de pós-operatório (cicatriz) e de queimaduras são algumas das indica- ções do laser. i) Terapia manual Através do toque vaginal, que geralmente é utilizado na fase inicial do tratamento, essa técnica é uma forma de sentir e controlar a atividade muscular do assoalho pélvico. Essa técnica faz parte do processo de reeducação. 2.7 FISIOTERAPIA EM ERGONOMIA De acordo com o site oficial do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, a especialidade de Fisioterapia do Trabalho foi reconhecida em 20 de maio de 2016 através da Resolução nº 465 e permite: • Realizar diagnóstico cinético - funcional, através de consulta fisioterapêutica, so- licitando sempre que necessário, exames ocupacionais complementares, reabilita- ção, perícias judiciais e extrajudiciais. • Utilizar recursos terapêuticos através da aplicação da cinesioterapia, massoterapia, termoterapia, mecanoterapia, crioterapia, fototerapia, eletroterapia, entre outros. • Realizar Análise Ergonômica do Trabalho (AET), emitir laudo ergonômico, proce- der com perícia ergonômica, de acordo com a legislação em vigor. • Ser membro da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidente do Trabalho), auxiliar e participar da SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Tra- balho), SIPATR (Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho Rural), atuar na elaboração e atividades do PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Am- bientais) entre outros. • Estar envolvido em ações de correção, concepção e conscientização em Saúde do Trabalhador, bem como realizar prática de Ginástica Laboral. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 133 A Associação Brasileira de Ergonomia — ABERGO — foi fundada com o objetivo do estudo, da prática e da divulgação das interações das pessoas com a tecnologia, organização e ambiente, considerando as suas necessidades, habilida- des e limitações, partindo-se do princípio da Ergonomia que é estudar a relação do homem com o ambiente laboral, respeitando a saúde do trabalhador. No site oficialda ABERGO há mais informações, notícias úteis e de relevância para a prática clínica. Acesse: http://www.abergo.org.br. DICAS De acordo com CAVALHO et al. (2014), todas as atribuições listadas ante- riormente vêm ao encontro do que é definido como sendo o trabalho: conjunto de atividades que geram bens individuais e coletivos, os quais levam ao desenvolvi- mento pessoal, familiar e de um povo, sendo uma condição básica de subsistên- cia. A saúde do trabalhador é primordial na obtenção de maior produtividade e de desenvolvimento sócio econômico. A base de dados Organização Pan Americana de Saúde cita como desafios para a saúde do trabalhador os problemas de saúde relacionados às novas tecno- logias, às novas substâncias químicas e energias físicas, aumento da expectativa de vida da população trabalhadora, acometimento de grupos específicos (porta- dores de doenças crônicas e os de necessidade especial). Quando se fala em saúde ocupacional, além da atenção com a saúde do trabalhador, o foco é a produtivida- de, a motivação e a satisfação com o trabalho. Para que isso seja alançado, existe a Ergonomia, a qual busca a adpatação do meio ao homem. 2.7.1 Ergonomia como ciência Carvalho et al. (2014), define Ergonomia como sendo o conjunto de ciên- cias e tecnologias, cujo caráter é multidisciplinar. Ainda de acordo com o mesmo autor, foi a partir da Segunda Guerra Mundial que a Ergonomia foi reconhecida tendo em vista que o processo de modernização do trabalho gerou ínumeras mu- danças no desempenho das atividades laborais, as quais tornaram-se cada vez mais repetitivas, com exigências mentais como atenção e concentração. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 134 2.7.2 A prática de Ginástica Laboral dentro da Saúde do Trabalhor A fisioterapia em ergonomia utiliza principalmente da ginástica laboral que atua como forma de prevenção, promoção e tratamento da saúde no local de traba- lho (CARVALHO et al., 2014). As modalidades de ginástica laboral mais utilizadas são três e se diferen- ciam pelos objetivos e pelo momento em que ocorrem em relação à jornada de trabalho. São elas: a) Preparatória: realizada antes do início do expediente, tem como objetivo pre- parar o trabalhador para sua atividade e os exercícios são de aquecimento e de flexibilidade, em especial, dos grupos musculares que serão solicitados duran- te a jornada de trabalho, objetivando a disposição, a concentração, prevenindo as lesões por esforço repetitivo e mesmo, diminuindo a probabilidade de erros/ lesões. b) Compensatória: realizada durante o expediente, tem como objetivo quebrar a monotonia, através de pausa nas atividades, evitando a fadiga pela manu- tenção de posturas compensatórias (inadequadas, por cansaço), atuando na ativação de músculos inativos e no relaxamento dos músculos em uso. c) Relaxamento: realizada ao término do expediente, cujo objetivo é relaxar o cor- po e a mente, utilizandotécnicas de alongamento, massagem (automassagem ou em duplas) e outras de relaxamento em geral, proporcionando bem-estar físico e mental. FIGURA 37 – PRÁTICA DE GINÁSTICA LABORAL FONTE: <http://bit.ly/2DzII6V>. Acesso em: 2 set. 2019. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 135 2.8 FISIOTERAPIA EM SAÚDE DO IDOSO O processo de envelhecimento se dá de maneira natural, caracterizado como uma fase da vida do indivíduo em que ocorrem mudanças psicológicas, físicas e sociais. “Trata-se de uma etapa em que o idoso apresenta conhecimentos e caracterísitcas próprias e peculiares, resultantes da terajetória de vida. Ele conclui que alcançou seus objetivos, mas ao mesmo tempo, sofreu danos no âmbito social, econômico e familiar, além da saúde, considerado um dos aspectos mais afetados” (CARVALHO et al., 2014, p. 201). De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — SBGG —, se a população deseja que o processo de envelhecimento seja algo positivo e quer ter uma vida mais longa, essa etapa da vida deve ser acompanhada de oportuni- dades contínuas de saúde. Desse modo, surge o termo envelhecimento ativo, como sendo um processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segu- rança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida em que as pessoas ficam mais velhas. O objetivo do envelhecimento ativo é contribuir para o aumento da expectativa de vida de forma saudável e com qualidade para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a saúde é definida como não sendo apenas ausência de doença, mas sim, como a interação entre bem- estar físico, mental e social. Por isso, em um projeto de envelhecimento ativo, as políticas e programas que promovem a saúde mental e as relações sociais são tão importantes quanto aquelas que melhoram as condições físicas de saúde. Manter a autonomia e a independência das pessoas durante o processo de envelhecimento é fundamental. A criança de ontem será o idoso de amanhã e para que esse processo seja acompanhado com qualidade de vida, é necessário que não somente os riscos e oportunidades que experimentaram durante a vida sejam levados em consideração, mas também a maneira como as gerações posteriores oferecerão o suporte necessário (SBGG, 2019). Dentro desse contexto, aumenta-se a importância de ações preventivas, de assistência e de reabilitação, através de uma equipe multidisciplinar, em que o fi- sioterapeuta faça parte. O olhar cuidadoso da equipe está na condição de perda da capacidade funcional do idoso que, na maioria das vezes, o impede de realizar suas atividades cotidianas. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, SBGG, preconiza a im- portância de se fazer uma avaliação multidimensional no idoso, conhecida também por AGA – Avaliação Geriátrica Ampla —, em que se determinam as limitações e incapacidades do idoso, estabelecendo-se as necessidades, metas com o cuidado e o planejamento a longo prazo. A AGA é composta de escalas e testes, que juntamente com exames clínicos, auxiliam na elaboração do programa de tratamento. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 136 Na sequência, gráficos mostram como está o processo de envelhecimento no Brasil e no estado de Santa Catarina, estimado para os próximos 50 anos. GRÁFICO 1 – POPULAÇÃO TOTAL NO BRASIL E EM SC NO PERÍODO DE 2010 A 2060 FONTE: <https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/>. Acesso em: 2 set. 2019. Pode-se perceber nos gráficos anteriores que se tratando de Brasil, espera- -se um total de 240 milhões de pessoas até 2058 ao passo que em Santa Catarina o esperado seja um total de quase 10 milhões até o mesmo período. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 137 GRÁFICO 2 – TAXAS BRUTAS DE NATALIDADE E DE MORTALIDADE NO BRASIL E EM SC, NO PERÍODO DE 2010 A 2060 FONTE: <https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/>. Acesso em: 2 set. 2019. Quando o assunto são as taxas de natalidade e de mortalidade, tanto no Bra- sil como em Santa Catarina, para o ano de 2058, estima-se uma diminuição do núme- ro de nascimentos quando comparados ao número de óbitos. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 138 GRÁFICO 3 – EXPECTATIVA DE VIDA AO NASCER NO BRASIL E EM SC, NO PERÍODO ENTRE 2010 A 2060 FONTE: <https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/>. Acesso em: 2 set. 2019. Quando se fala em expectativa de vida, ao analisar-se os gráficos seja a ní- vel nacional como estadual, teem-se uma média de 75 anos de vida, tanto para os homens como para as mulheres. Ao se avaliar o idoso em sua totalidade, que é o que se faz de forma multi- dimensional, utilizam-se escalas, como por exemplo: a) Barthel: através da análise de dez itens com o autocuidado, é avaliado o nível de independência. Para cada item avaliado, existe uma pontuação em que o máximo são 100 pontos, identificando que esse idoso é autônomo para todas as atividades ao passo quer 20 pontos ou menos, indicam um aumento exponencial para o índice de mortalidade. b) Lawton: nessa escala, utilizam-se análise composta por nove questões e sua pontuação máxima é de 27 pontos, em relação à atividade instrumental, como usar o telefone, por exemplo. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 139 c) Eficácia de quedas: através de 16 perguntas relacionadas às suas atividades de vida diária, o idoso é questionado quanto à sua preocupação em realizar cada atividade. A pontuação varia entre 16 e 64 pontos. A especialidade de Fisioterapia em Gerontologia, reconhecida em 20 de dezembro de 2016, pela Resolução nº 476, permite ao fisioterapeuta, no âmbito de suas atribuições: I – Realizar consulta e diagnóstico fisioterapêutico/cinesiológico-funcio- nal, com ênfase na capacidade funcional, referente à autonomia e inde- pendência das pessoas em processo de envelhecimento [...]; II – Solicitar, aplicar e interpretar escalas, questionários e testes funcionais unidimensionais e multidimensionais para a população idosa, no cam- po interdisciplinar, fazendo uso de regras de ligação para a codificação e qualificação com a CIF dos respectivos resultados; III – Solicitar, realizar e interpretar exames complementares necessários ao estabelecimento do diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos e pres- crição de conduta fisioterapêutica; IV – Determinar o diagnóstico e o prognóstico fisioterapêutico; V – Planejar e executar medidas de prevenção e redução de risco, medidas de promoção de saúde, manutenção da capacidade funcional, prevenção de doenças/agravos próprios do processo de envelhecimento, para recu- peração das funções e limitação das deficiências, buscando o estado de máxima funcionalidade (COFFITO, 2016a). 2.9 FISIOTERAPIA AQUÁTICA A Resolução nº 443, de 3 de setembro de 2014, disciplina a especialidade profissional de Fisioterapia Aquática e dá outras providências. Entende-se que, para todos os efeitos, o fisioterapeuta com essa especialidade, utiliza o recurso água nos diversos ambientes e contextos, em quaisquer dos seus estados físicos, para fins de atuação profissional, no âmbito da hidroterapia, hidrocinesioterapia, balneoterapia, crenoterapia, cromoterapia, termalismo, duchas, compressas, vaporização/inalação, crioterapia e talassoterapia. Diante de suas atribuições, é permitido ao fisioterapeuta aquático: I – Realizar consulta fisioterapêutica tanto no ambiente externo como no ambiente da Fisioterapia Aquática, para prescrever parâmetros de indicação e intervenção; II – Avaliar a condição física e cinesiológica-funcional específica do paciente e sua acessibilidade no ambiente e contexto da Fisioterapia Aquática; III – Avaliar as habilidades aquáticas, individuais ou em grupo e o ní- vel de adaptação ao meio líquido, com vistas a estabelecer o programa de intervençãoem Fisioterapia Aquática; IV – Solicitar, aplicar e interpretar escalas, questionários e testes fun- cionais [...] (COFFITO, 2014). De acordo com Carvalho et al. (2014), para que o fisioterapeuta assuma as funções profissionais dentro do ambiente aquático, é necessário que ele entenda al- gumas propriedades físicas da água. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 140 Os métodos terapêuticos utilizados no meio aquático mais comuns são Bad Ragaz, Halliwick e Watsu. Eles podem ser utilizados em várias áreas da Fisioterapia, como Reumatologia, Neurologia, Traumato Ortopedia, Esportiva, Pediatria, Geria- tria, entre outros. A seguir, falaremos mais sobre eles. O método Bad Ragaz utiliza exercícios de fortalecimento e de mobilizações com o paciente em posição horizontal, através do auxílio de flutuadores ao redor do pescoço, braços, pelve e pernas. Baseia-se na técnica de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP), sendo utilizada de forma bastante comum para aumentar a amplitude de movimento ativa e passiva. FIGURA 38 – MÉTODO AQUÁTICO BAD RAGAZ FONTE: <http://acquabrasil.org/o-metodo-bad-ragaz/>. Acesso em: 2 set. 2019. Conforme pesquisa no banco de dados da Sociedade Beneficente Isra- elita Brasileira (Albert Eisntein, 2019) o Centro de Reabilitação Einsten oferece serviços de Hidroterapia e de Pós-Graduação em Fisioterapia em Reabiltiação Aquática. Dentro desse contexto, o grupo desenvolve pesquisas e ensino. Através dessa busca por informações, encontrou-se sobre os métodos terapêuticos Watsu e Halliwick. O método terapêutico aquático chamado de Halliwick é constituído de movimentos que envolvem a aprendizagem psicomotora, o ajuste mental, a restauração do equilíbrio, a inibição de movimentos anormais ou padrões e a facilitação de movimentos fisiológicos. E por último, o método aquático Watsu, é o método que deve ser feito com: temperatura média de 34 °C, já que é “uma tem- peratura semelhante à temperatura do corpo humano, o que gera conforto e ajuda no relaxamento, além de evitar choques de temperatura”, afirma o fisioterapeuta Fábio Jakaitis, especialista em hidroterapia do Centro de Reabilitação Einstein (apud ALBERT EINSTEIN, 2019). Como forma de auxiliar no âmbito emocional, algumas posturas remetem aos movimentos do feto dentro do útero, o que gera uma conexão com os sentimentos do paciente. O ambiente precisa ser silencioso e calmo, não podendo ter outras atividades acontecendo ao mesmo tempo no local. Músicas relaxantes podem estar presentes, mas em volumes que não atrapalhem a concentração, assim como diminuir a luminosidade auxilia na prática. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 141 FIGURA 39 – MÉTODOS TERAPÊUTICOS AQUÁTICOS FONTE: <http://bit.ly/35NgSAw> Acesso em: 2 set. 2019. 2.10 FISIOTERAPIA ESPORTIVA O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, através da Reso- lução nº 337, de 8 de novembro de 2007, reconhece a especialidade de Fisioterapia Es- portiva e dá outras providências. O reconhecimento foi publicado no D.O.U, através do nº. 21, seção 1, em de 30 de janeiro de 2008, p. 184. Considerando os termos da Resolução COFFITO Nº 336, de 8 de no- vembro de 2007: Considerando a importância do esporte para a saúde, bem como a ma- nutenção da saúde funcional do indivíduo para a prática esportiva. Considerando a atividade física voltada para a promoção, o reestabe- lecimento e/ou manutenção do estado de saúde, para a prática espor- tiva amadora e profissional e para o lazer como área de atuação do Fisioterapeuta, amplamente estudada e reconhecida. Considerando a organização sócio-cultural da área de atuação, a rea- lização de eventos nacionais e internacionais, a vasta produção cien- tífica, bem como a crescente demanda social para a intervenção desta área de atuação (COFFITO, 2007, s.p.). UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 142 A seguir, listam-se as atribuições profissionais do Fisioterapeuta Esportivo: • Acompanhar a atividade física no contexto da saúde, do esporte e do lazer. • Utilizar o exercício físico e condicionamento físico dentro do processo da recu- peração funcional, seguindo os critérios de retorno à prática esportiva. • Manter e preservar a relação do esporte e atividade física no contexto da saúde coletiva e da prevenção das lesões. • Respeitar a fisiologia do exercício, propriedades biomecânicas do tecido mús- culo-esquelético e características biomecânicas das lesões esportivas. A Sociedade que representa a classe fisioterapêutica no esporte é a Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física — SONAFE —, cujas informações podem ser obtidas em: http://www.sonafe.org.br/site/institucional. DICAS A Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física foi fun- dada em 8 de novembro de 2003. É uma sociedade de caráter científico-cultural cujos objetivos (SONAFE BRASIL, 2016, s.p.) estão listados a seguir: • Reunir, científica e culturalmente, fisioterapeutas registrados no Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, dedicados à Fisioterapia Esportiva. • Promover o desenvolvimento técnico-científico dos fisioterapeutas que congrega, visando introduzir a qualidade nos procedimentos e ro- tinas operacionais nas áreas da Fisioterapia Esportiva. • Promover a divulgação do papel do fisioterapeuta do esporte, assim como de sua efetiva importância para a área de saúde. • Conceder aos seus associados, título de especialista em Fisioterapia Esportiva, conforme critérios definidos pela Comissão de Concessão de Títulos. • Colaborar, no que for pertinente, com o COFFITO e respectivos Con- selhos Regionais. • Organizar e realizar Congressos Nacionais e Internacionais e Jorna- das Estaduais de cunho técnico ou científico. • Promover intercâmbio, parcerias e convênios com profissionais, en- tidades congêneres e universitárias no país e no exterior, de interesse para a prática profissional de seus associados. • Coordenar a publicação de livros, revistas, boletins e organizar o acervo relacionado à Fisioterapia Esportiva. TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 143 FIGURA 40 – LOGOMARCA SONAFE FONTE: <http://bit.ly/37OL6ou>. Acesso em 02 de setembro de 2019. Carvalho et al. (2014) cita que a avaliação físico funcional em Fisioterapia Esportiva, é utilizada para traçar o perfil físico do atleta, de forma a preparar o programa terapêutico adequado às suas condições e limitações específicas. A periodização do treinamento pode ocorrer em fases: • Período pré preparatório (primeira semana): compreendida pelos testes físicos e exames médicos. • Período preparatório (fase básica 3 semanas): consiste na preparação geral, deven- do ser enfatizado atividades de grande intensidade e de baixo volume, objetivan- do a resistência e a força muscular. Cerca de 60% das atividades são voltadas ao trabalho físico, 30% aos trabalhos técnicos e 10% aos treinamentos táticos. • Período preparatório (fase específica 3 semanas): aqui ocorre o aumento da inten- sidade e diminuição de 20 a 30% do volume. Será enfatizada a parte técnica, com cerca de 40% do volume dos treinos, os outros 30% voltada à parte física e o restan- te, 30%, à parte tática. • Período de competição (manutenção até o final da competição): aqui preconiza-se o aperfeiçoamento das qualidades físicas e técnicas, trabalhadas nos períodos ante- riores, no intuito de manter os resultados obtidos. Devem fazer parte dessa etapa: fisiologista, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo. • Período de transição: é o último período cujo objetivo é a recomposição do Sistema Nervoso Central e Periférico. Ocorre após o período competitivo e irá até o perí- odo pré preparatório da próxima temporada. Haverá aqui, por conta do recesso (férias), uma perda parcial do condicionamento físico. Dentre os recursos que podem ser utilizados na Fisioterapia Esportiva, destacam-se: a) Recursos proprioceptivos:cama elástica, bozu, balancer e prancha de equlíbrio que atuam no sistema sensório motor, pois fornecem conhecimento, coordena- ção e feedback a fim de manter estabilidade. A propriocepção é definida como sendo o mecanismo de percepção corporal que tem a capacidade de perceber a posição e o movimento. UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 144 FIGURA 41 – RECURSOS PROPRIOCEPTIVOS FONTE: <https://i.ytimg.com/vi/anPpHKl0QWs/hqdefault.jpg>. Acesso em: 2 set. 2019. b) Bandagens funcionais: fornecem apoio, suporte e proteção aos tecidos moles e articulações, sem limitar as funções. Podem ser as rígidas, as elásticas e as semi elásticas. Além desses recursos, todos os outros citados em outras áreas de atuação do fisioterapeuta, como termoterapia, crioterapia, eletroterapia, fototerapia, cine- sioterapia, são permitidos o uso na Fisioterapia Esportiva. A seguir encontram-se listadas as figuras que mostram os recursos de bandagens funcionais rígidas (esparadrapo), elásticas tappings e elásticas com- pressivas elásticas. FIGURA 42 – BANDAGENS FUNCIONAIS RÍGIDAS FONTE: <http://bit.ly/37Mj7po>. Acesso em: 2 set. 2019. https://i.ytimg.com/vi/anPpHKl0QWs/hqdefault.jpg TÓPICO 2 | ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DE ACORDO COM A ESPECIALIDADE FISIOTERAPÊUTICA 145 FIGURA 43 – BANDAGENS FUNCIONAIS ELÁSTICAS (TAPPINGS) FONTE: <http://bit.ly/33w6b3M>. Acesso em: 2 set. 2019. Materiais de apoio para você acessar: Fisioterapia na Saúde do Idoso: Sociedade Brasileira de Fisioterapia em Geriontologia: https://sbgg.org.br. Fisioterapia Dermatofuncional: Associação Brasileira de Fisioterapia Dermatofuncional: http://www.abrafidef.org.br. Fisioterapia Neurofuncional: Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional: http:// abrafin.org.br. A revista Neuroreabilitação Brasil, idealizada pelo Núcleo de Estudos Avançados em Neuroreabilitação, destina-se à publicação de artigos científicos na área da reabilitação neurológica: http://abrafin.org.br/revista-neuro/ Fisioterapia em Ortopedia e Traumatologia: Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato Ortopédica: http://www.abrafitobr.com.br. A ABRAFITO se associou ao CW Brasil, Chossing Wisely, e iniciou o desenvolvimento de metodologias na construção de informações e recomendações nos tratamentos das disfunções traumato ortopédicas, pautadas em evidências científicas. Artigos que trazem alguns dos recursos terapêuticos utilizados em Fisioterapia Traumato Ortopédica: Efeitos da estimulação elétrica nervosa transcutânea e da crioterapia sobre o limiar de dor induzida por pressão: www.scielo.br/pdf/fp/v21n3/pt_1809-2950-fp-21-03-00249.pdf. Ultra-som terapêutico no mecanismo de cicatrização: uma revisão: http://www.acm.org. br/revista/pdf/artigos/854.pdf. Efeitos da laserterapia de baixa potência na cicatrização de feridas cutâneas: http://www. scielo.br/pdf/rcbc/v41n2/pt_0100-6991-rcbc-41-02-00129.pdf. A influência da crioterapia na dor e edema induzidos por sinovite experimental: http:// www.revistas.usp.br/fpusp/article/view/12240/14017. DICAS https://sbgg.org.br http://www.abrafidef.org.br http://abrafin.org.br http://abrafin.org.br http://www.abrafitobr.com.br http://www.scielo.br/pdf/fp/v21n3/pt_1809-2950-fp-21-03-00249.pdf http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/854.pdf http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/854.pdf http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v41n2/pt_0100-6991-rcbc-41-02-00129.pdf http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v41n2/pt_0100-6991-rcbc-41-02-00129.pdf http://www.revistas.usp.br/fpusp/article/view/12240/14017 http://www.revistas.usp.br/fpusp/article/view/12240/14017 146 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A Fisioterapia possui especialidades regulamentadas pelo COFFITO e que cada especialidade permite atribuições profissionais específicas. • Dentro do contexto de especialidade, viu-se deforma específica, patologias, modo de avaliação, recursos fisioterapêuticos, assim como métodos e técnicas. • Cada especialidade da fisioterapia, de forma a ser melhor representada, possui uma associação de classe, na busca pelo fomento do estudo, da pesquisa, da cientificidade e do esforço em manter o valor, a ética e a moral da profissão. 147 AUTOATIVIDADE 1 (UPENET, 2017) Uma complicação frequentemente enfrentada por pacien- tes acamados é a ulceração de pressão, área lesioanda visível na pele ou nos tecidos subjacentes, tendo como causa principal o longo período de perma- nência no leito. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA: FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes/19814146-2b>. Acesso em: 2 set. 2019. a) ( ) As úlceras de pressão ocorrem geralmente em áreas de proeminência ós- sea como a região sacral, trocantérica, maleolar, nos calcanhares, nos epicôn- dilos dos joelhos e cotovelos. b) ( ) O laser pode favorecer a cicatrização de feridas cutâneas por atuar na pele, aumentando a migração de fibroblastos e a formação de colágeno pormovidos pela vasoconstrição, facilitando a neovascualrização dos vasos já existentes. c) ( ) A úlcera pode vir acompanhada de odor, drenagem e desfiguração; em alguns casos pode ser fonte de dor e o tratamento, quando já está instalada, é a base de curativos e desbridamentos que nem sempre alcançam a cura. d) ( ) O fisioterapeuta atua na prevenção das úlceras de pressão, promovendo mudança de decúbito, exercícios ativos e passivos, observação do estado geral do paciente, bem como a integridade física da pele e deambulação precoce. e) ( ) Sua ocorrência é facilitada ou agravada por fatores intrínsecos, como esta- do nutricional, a idade, o uso de alguns medicamentos, a perfusão tecidual, o diabetes mellitus, as doenças cardiovascualares e a falta de sensibilidade. 2 (FAUEL, 2016) A aplicação da crioterapia não deve ser realizada em: FONTE: <https://www.aprovaconcursos.com.br/questoes-de-concurso/questao/482802>. Acesso em: 2 set. 2019. a) ( ) Entorse de tornozelo. b) ( ) Síndrome de Raynaud. c) ( ) Contusões por trauma. d) ( ) Traumatismos agudos. 3 (UFPR, 2008) Sobre o processo diagnóstico na avaliação fisioterapêutica do idoso é CORRETO afirmar que: FONTE: <http://www.nc.ufpr.br/concursos_externos/guaratuba2008/provas/015_ Fisioterapeuta.pdf>. Acesso em: 2 set. 2019. a) ( ) O diagnóstico depende de uma investigação clínica pelo médico, que defi- ne os recursos fisioterapêuticos a serem utilizados com o idoso. b) ( ) O diagnóstico fisioterapêutico é fundamental no processo de maximização dos resultados na terceira idade e envolvem aspectos cinético funcionais. 148 c) ( ) O diagnóstico, como parte da avaliação do fisioterapeuta, auxilia no es- tabelecimento do prognóstico do idoso e determina a medicação a ser usa- da. d) ( ) Após a avaliação fisioterapêutica, a equipe de saúde estabelece os obje- tivos para o fisioterapeuta tratar o idoso. e) ( ) A anamnese de pacientes idosos requer um tempo maior e o foco do exame é o estado sensorial. 4 (UFPR, 2008) A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) é usada para o controle da dor. Sobre esse tema é CORRETO afirmar que: FONTE: <http://www.nc.ufpr.br/concursos_externos/guaratuba2008/provas/015_ Fisioterapeuta.pdf>. Acesso em: 2 set. 2019. a) ( ) A Tens é um dos recursos terapêuticos de controle de dor aguda e crônica e depende de um algoritmo clínico para o fisioterapeuta indicar seu uso. b) ( ) A avaliação da dor deve envolver parâmetros como estado (dor aguda ou crônica), origem (central ou perfiérica) para então o fisioterapeuta contraindicar a TENS. c) ( ) A presença de um marcapasso cardíaco de demanda (sincrônico) é contrain- dicação ao uso da TENS e o fisioterapeuta deve ter esse conhecimento para evitar complicações clínicas. d) ( ) O TENS deve ser usado em conjunto com outros procedimentos da Fisio- terapia para ser efetivo e assim diminuir o limiar de sensibilidade dolorosa do paciente. e) ( ) A técnica bipolar usada no TENS pode auxiliar na estimulação seletiva de fibras do músculo denervado. 5 Cite os três métodos terapêuticos utilizadosna Fisioterapia Aquática e explique-os de forma breve. 149 TÓPICO 3 O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste último tópico da Unidade 2, será apresentado ao leitor, algumas parti- cularidades relacionadas ao registro de especialidade profissional, à necessidade de realizar o exame nacional para a concessão de títulos de especialista profissional, o que representa o Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos e qual a jornada de trabalho permitida. Este tópico é relevante no sentido de conter informações relacionadas à ativi- dade profissional, condizente com a realidade econômica, com as inovações tecnoló- gicas e de pesquisas, permitindo a prática clínica através de recursos e técnicas com evidências, garantindo a oferta de serviços fisioterapêuticos com respeito e seguran- ça a sociedade (ao paciente) e à classe profissional (valorizando a profissão). Bons estudos! 2 O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA Neste tópico, o leitor poderá compreender que após graduar-se em Fisio- terapia e posteriormente buscar uma especialização profissional, é preciso sub- meter-se a uma prova. Sendo aprovado, o profissional obterá o título de especia- lista na área e poderá solicitar o registro em sua carteira profissional, bem como inclusão do título associado ao seu nome, como por exemplo em cartão de visita, carimbo ou mesmo em alguma placa de identificação de consultório. 2.1 COMO PROCEDER COM O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional esclarece que o fi- sioterapeuta que se enquadra nos termos das Resoluções COFFITO nº 207/2000 e nº 208/2000, as quais dispõem sobre o reconhecimento de Certificados, Diplomas e Títulos conferidos a fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, não necessita realizar o Exame de Conhecimento para obtenção do Título de Especialista. 150 UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES 2.1.1 Resolução 207/2000 e 208/2000 As Resoluções 207 e 208, referentes à concessão de Títutos de Especialista Profissional, foram criadas a fim de normatizar e legalizar os registros, como po- de-se observar: • Considerando a necessidade de disciplinar a concessão, o reconhecimento, o re- gistro e os efeitos legais de certificados, diplomas e títulos outorgados a Terapeu- ta Ocupacional. • Considerando a existência da concessão de títulos de Especialistas a Terapeutas Ocupacionais, sem fundamentação legal. A seguir, em seus artigos, é explicado como funcionam na prática, a con- cessão e o registro dos títulos (COFFITO, 2000b). Art. 1º Serão reconhecidos pelo COFFITO, com finalidade acadêmica e/ou profissional, os Certificados obtidos em cursos de especialização, emitidos sob a égide do Parecer CNE/CES 908/98 e Resolução CNE/CES 03/99, bem como, os Diplomas de Mestrado, Doutorado e Títulos de Livre Docência na área do conhecimento da Fisioterapia e afins, desde que ou- torgados por IES – Instituição de Ensino Superior ou Instituição Científica de Referência Nacional como tal, reconhecido pelo meio acadêmico e pelo Estado. I- A afinidade de áreas do conhecimento será analisada e deliberada pelo COFFITO; II- Somente serão aceitos Certificados, Diplomas e Títulos de IES que es- tejam em conformidade com o disposto na Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Art. 2º Serão reconhecidos como Especialistas, os portadores de Títulos de Pós-Graduação, realizados na modalidade Residência – Treinamento em Serviço em 2 anos – cujo projeto, tenha obtido a aprovação e o reconheci- mento do COFFITO. I - As especialidades serão reconhecidas pelo COFFITO, através da edição de Resoluções específicas, de acordo com os projetos aprovados quando então, os Títulos poderão obter o seu reconhecimento e registro; II - O Fisioterapeuta só estará autorizado a anunciar-se como Especialista, após todo o trâmite protocolar do registro de seu Título no COFFITO; III - Após reconhecida a especialidade pelo COFFITO e registrada em Livro próprio, o CREFITO fará as anotações respectivas no Livro de Ins- crição de Fisioterapeuta e o lançamento na Carteira de Identidade Profis- sional, tipo livro. Art. 3º As Instituições mantenedoras de Pós-Graduação na modalidade Residência, deverão obter para fins de reconhecimento de seus Títulos, prévia aprovação de seu projeto pedagógico junto ao COFFITO. Conforme o parecer da Procuradoria Jurídica do Conselho Federal de Fisiote- rapia e Terapia Ocupacional, o PROJUR, o exame de conhecimentos estará dispensá- vel apenas aos profissionais que obtiveram a certificação de cursos previamente re- TÓPICO 3 | O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA 151 conhecidos pelo COFFITO, por meio de atos normativos próprios, exarados pelos diferentes órgãos da Autarquia. De forma concomitante, o profissional somente será dispensado do exame se iniciou os cursos, com reconhecimento pretérito, antes da vigência das Resoluções nº 377 e 378, ambas publicadas no dia 14 de julho de 2010 (DOU nº 133, Seção 1, páginas 921-923 e 923-924, respectivamente), bem como cum- prido os termos das resoluções específicas que regulavam as especialidades já reco- nhecidas. 2.1.2 Resoluções 377 e 378 As Resoluções 377 e 378 de 2010, relacionadas à normatização e à legali- zação da obtenção de títulos e registros profissionais foram publicadas conside- rando aspectos como: • A evolução técnica e científica da fisioterapia para atender a demanda da popula- ção. • O disposto no Decreto-Lei 938, de 13 de outubro de 1969. • A vontade manifesta das Entidades Associativas de Caráter Nacional da Fisioterapia, que no âmbito de sua existência legal e nos limites representativos de seus membros associados, firmaram convênio com o COFFITO, visando subsidiar tecnicamente a criação, reconhecimento e normatização das especialidades profissionais. • A consulta aos Conselhos Regionais sobre a necessidade da criação, reconheci- mento e normatização das especialidades profissionais. 2.2 SITUAÇÕES QUE DISPENSAM O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E O EXAME NACIONAL PARA A CONCESSÃO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL Aos demais profissionais que não iniciaram quaisquer dos cursos reconheci- dos antes da vigência das normas referenciadas anteriormente, ou seja, antes do dia 14 de julho de 2010, a concessão e o registro do Título de Especialista nas áreas da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional requerem a submissão ao Exame para Con- cessão de Título de Especialista Profissional, promovido pelo COFFITO em parceria com as associações de especialidades. 3 A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA: REFERENCIAL NACIONAL DE PROCEDIMENTOS E JORNADA DE TRABALHO Neste tópico, o leitor será apresentado para duas questões muito impor- tantes na prática clínica profissional: o referencial nacional de procedimentos fisioterapêuticos e jornada de trabalho. É imprescindível que o profissional co- nheça e entenda que para uma Fisioterapia mais valorizada, não apenas financei- 152 UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES ramente, mas no sentido de respeito e de credibilidade, ambos sejam praticados. O referencial nacional de procedimentos fisioterapêuticos refere-se à cada área de atuação, seja a nível hospitalar, ambulatorial ou domiciliar do paciente, bem como a cada técnica, método ou recurso terapêutico utilizado e faz menção aos valores que mais se adequam à cada nível de atenção/tratamento utilizado. Essa prática evita a concorrência desleal na prestação de serviços. Já em relação à jornada de trabalho, o objetivo de seu conhecimento e a luta por sua prática, é a fixação justa de horas semanais de trabalho, evitando-se jornadas exaustivas, o que muitas vezes levaria à uma maior probabilidade de sobrecarga física e mental e erros na prática clínica. 3.1 DEFINIÇÃO DE REFERENCIAL NACIONAL DE PROCEDI- MENTOS FISIOTERAPÊUTICOS (RNPF) A Resolução de nº 482, de 1º de abril de2017, fixa e estabelece o Referen- cial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos, o RNPF. O artigo 1º da referida Resolução estabelece: “Fica aprovado, conforme os incisos II e XII do artigo 5º da Lei nº 6.316, de 17 de dezembro de 1975, o Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos, nos termos constantes desta Resolução” (COFFITO, 2017, s.p.). O Artigo 4, por sua vez, define: O Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos – RNPF, que deve ser utilizado como parâmetro mínimo econômico e deontológico, em atenção à Resolução-COFFITO nº 367, de 20 de maio de 2009, tem como base a linguagem da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF, a fim de compatibilizar as nomenclaturas dos procedimentos com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde – OMS (COFFITO, 2017, s.p.). Informações adicionais acerca do Referencial como as que seguem a se- guir, determinam uma prática clínica condizente com o cenário econômico e com a devida valorização profissional. III- A precificação do RNPF está expressa em reais, através da interpre- tação dos valores do Coeficiente de Honorários Fisioterapêuticos – CHF, com base econômica de estudos, já citados nesta Resolução, que designa- ram custos operacionais médios dos procedimentos fisioterapêuticos, sob a ótica da sustentabilidade; IV- A inclusão de novos procedimentos no RNPF terá por base a rela- ção custo-efetividade, devendo fundamentar-se em evidências científicas e/ou demandas epidemiológicas. Qualquer tecnologia a ser inserida no RNPF deverá ter evidência científica. O COFFITO, após análise desta evidência, enviará o processo à consultoria especializada para análise técnico-financeira do custo operacional e inferência de preço mínimo do procedimento, permissivo para oferta ao sistema de saúde brasileiro, com vista à sustentabilidade econômica do prestador do respectivo serviço (COFFITO, 2017). TÓPICO 3 | O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA 153 A última revisão do CHF foi realizada pela Comissão de Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos (CRNPF) e o valor atualizado do CHF corresponde a, no mínimo, R$ 0,60 de acordo com o COFFITO. 3.2 VALOR ATUALIZADO DO REFERENCIAL NACIONAL DE PROCEDIMENTOS FISIOTERAPÊUTICOS Como citado anteriormente, o valor de CHF é de R$ 0,60 (expressos em reais) e devem ser multiplicados pela quantidade de CHF para obter-se o valor final. A se- guir, seguem os valores das consultas e de exames, lembrando sempre que antes de qualquer atendimento é obrigatório a realização de consulta fisioterapêutica. É considerada consulta fisioterapêutica o momento que antecede a realização do tratamento fisioterapêutico. É na consulta que se estabelece o primeiro contato com o paciente e com algum familiar, se necessário, a fim de conhecer a história clí- nica e realizar o exame físico. É imprescindível e ao mesmo tempo, obrigatório a realização da consulta já que, é nessa ocasião que se realizam a anamnese (entrevista) e o exame físico, composto de inspeção, palpação de tecidos moles e de estruturas osteoarticulares, realização de testes específicos, análise da amplitude de movimento articular (ADM) e da força muscular (FM), análise e interpretação de exames comple- mentares, entre outros recursos. Para cada área da Fisioterapia, dentro da consulta fisioterapêutica, utilizam- -se recursos avaliativos próprios. Os Quadros 4 e 5, apresentam o valor das consultas fisioterapêuticas, bem como dos exames chamados funcionais, característicos de cada área em especial, cujo objetivo é auxiliar na formulação do Diagnóstico Cinético Funcional, permitindo mensurar e classificar o comprometimento do paciente. A partir do diagnóstico é que se consegue planejar a conduta terapêutica e se estabelecer um prognóstico. QUADRO 4 – VALOR DAS CONSULTAS FISIOTERAPÊUTICAS FONTE: <http://bit.ly/2sEKmlT>. Acesso em: 2 set. 2019. 154 UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES No próximo quadro constam os valores dos exames funcionais. Cada um dos exames objetiva avaliar uma função específica do paciente. Antes de acessar o quadro, será dada uma breve explanação acerca de alguns desses exames: • Dinamometria: avalia a força muscular, podendo ser mecânico ou computadori- zado. • Eletromiografia de superfície: avalia a atividade muscular, através de eletrodos que podem ser de superfície (contato), acoplados a um computador. • Baropodometria: avalia a pressão descarregada sobre as plantas dos pés, através de uma plataforma acoplada a um computador. • Estabilometria: avalia o deslocamento do centro de pressão, nos planos sagital (la- teral E e lateral D) e frontal (anterior e posterior), enquanto o indivíduo se mantém na postura de pé, com e sem o auxílio da visão, sobre uma plataforma apoiada em transdutores de força, que captam as variaçõesde peso. • Ventilometria: avalia a mecânica pulmonar, através de mensuração do volume corrente (representa o volume normal do ar circulado entre uma inalação e exa- lação normal, sem um esforço suplementar) e do volume minuto (é a quantidade total de ar novo que entra nas vias respiratórias a cada minuto e equivale ao volu- me corrente multiplicado pela frequência respiratória). • Manovacuometria: avalia a função muscular respiratória através da mensuração da pressão inspiratória máxima e da pressão expiratória máxima. QUADRO 5 – VALORES DE EXAMES FUNCIONAIS TÓPICO 3 | O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA 155 156 UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES FONTE: <http://bit.ly/2sEKmlT>. Acesso em: 2 de set. 2019. Para cada área de atuação, haverá valores expressos em reais, sendo di- ferenciados para atendimentos em nível ambulatorial, hospitalar e domiciliar. O mesmo ocorre para atendimentos como: • pré e pós-operatório a nível ambulatorial e hospitalar, na recuperação de tecidos; • nos atendimentos de pacientes com hemodiálise, a nível ambulatorial e hospitalar; • em unidades de terapia intensiva e em unidades críticas, em pacientes oncológicos; • em nível domiciliar, para algumas das disfunções já citadas. 3.3 RELAÇÃO ENTRE REFERENCIAL NACIONAL DE PROCE- DIMENTOS FISIOTERAPÊUTICOS E COEFICIENTE DE HO- NORÁRIOS FISIOTERAPÊUTICOS (CHF) Os valores do referencial de remuneração dos procedimentos fisioterapêuti- cos estão expressos em reais, através da interpretação dos valores do Coeficiente de Honorários Fisioterapêuticos — CHF. Através do seu artigo 8 na Resolução n° 482/2017, é citado que o referencial nacional de honorários fisioterapêuticos tem como objetivo a viabilização de uma assistência fisioterapêutica adequada ao Sistema de Saúde Brasileiro. Os valores são baseados nas demandas epidemiológicas atuais e estabelece seus respectivos índices mínimos de preços por procedimentos, os quais foram estudados através da relação científico-financeiro. A precificação do RNPF tem propósito ético-deontológico, de- monstrando valores mínimos de sustentabilidade econômica dos serviços de Fisiote- rapia, necessários para subsidiar a qualidade e a segurança na assistência. Os artigos 9 e 10 da mesma Resolução trazem, respectivamente, as informa- ções que somente o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional poderá alterar, o Referencial em sua estrutura, nomenclatura e precificação dos procedimen- tos. O RNPF tem como princípio elencar o rol de procedimentos cuja remuneração profissional deve ser de acordo com o exercício fisioterapêutico adequado, na pro- moção de saúde, prevenção e recuperação da funcionalidade e incapacidades apre- sentadas em cada caso. TÓPICO 3 | O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA 157 E, por fim, os últimos artigos da Resolução 482/2017 são demonstrados a seguir: Art. 14. Os valores poderão ter redução de até 20% (vinte por cento), con- siderando-se as características regionais. Art. 15. Osprocedimentos fisioterapêuticos terão precificação acrescida de 50% (cinquenta por cento) nos atendimentos de urgência e emergência realizados no período das 19h às 7h do dia seguinte, e 100% (cem por cento) em qualquer horário de domingos e feriados, conforme previsto na legislação trabalhista e nos Acordos Coletivos de Trabalho. Art. 16. Os procedimentos fisioterapêuticos terão precificação acrescida de 20% (vinte por cento) nos atendimentos realizados por especialistas profissionais na área de atuação, com certificação chancelada pela asso- ciação científica respectiva e registrada pelo COFFITO. 3.4 A JORNADA DE TRABALHO DO PROFISSIONAL FISIO- TERAPEUTA O COFFITO, Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, de- termina que deverá ser repeitada a prestação máxima de 30 horas semanais de trabalho, dos profissionais fisioterapeutas. Essa determinação é estabelecida de acordo com a Lei nº 8.856/94, que fixa a Jornada de Trabalho dos Profissionais Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional. A referida lei foi aprovada em 1º de março de 1994 e determina que: “Art. 1º Os profissionais Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional ficarão sujeitos à prestação máxima de 30 horas semanais de trabalho”. Materiais de apoio: • Especialidades regulamentadas pelo COFFITO: https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_ id=2350. • Registros de títulos: https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=5416. • RNPF (Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos) e CHF (Coeficiente de Honorários Fisioterapêuticos): https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2353. • Jornada de trabalho: https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2355. • Associações: o https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=6996; o https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=6988. DICAS https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=6996 https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=6988 158 UNIDADE 2 | APRESENTAÇÃO DAS ESPECIALIDADES LEITURA COMPLEMENTAR FISIOTERAPEUTA TEM DIREITO A JORNADA SEMANAL DE 30 HORAS Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região Uma fisioterapeuta conseguiu na Justiça do Trabalho o reconhecimento do direito à jornada semanal de 30 horas. Contratada em 1994 para trabalhar 44 horas semanais, a trabalhadora teve a carga horária reduzida para 30 horas em 2001, por meio de um termo aditivo ao contrato de trabalho. Na mesma data, firmou outro termo aditivo para trabalhar como monitora de reabilitação, com jornada estipulada em 10 horas semanais. Ao analisar as provas, a juíza substituta Juliana Campos Ferro Lage, em exercício na 11ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, verificou que as atividades desenvolvidas pela trabalhadora nunca se alteraram. E chegou à conclusão de que o desmembramento do contrato foi mera- mente formal, visando apenas a fraudar a legislação trabalhista. Por essa razão, a ex-empregadora, associação gestora da Rede Sarah de Hos- pitais de Reabilitação, foi condenada ao pagamento das horas extras excedentes à 30ª semanal, com reflexos. A julgadora explicou que a Lei nº 8.856/94 fixou a jornada de trabalho máxi- ma dos profissionais fisioterapeuta e terapeuta ocupacional em 30 horas semanais de trabalho. Diante disso, caberia à reclamada adequar a jornada de trabalho, reduzindo a carga horária da trabalhadora, sem diminuir o salário, conforme previsto no arti- go 468 da CLT. Mas o que a ré fez foi simplesmente desmembrar as atividades em duas fun- ções, sem promover qualquer modificação real nas condições do contrato de traba- lho. O próprio representante da ré afirmou que atividades funcionais da reclamante não se alteraram ao longo do período contratual. Uma testemunha confirmou que a divisão em fisioterapeuta e monitor de reabilitação foi apenas formal, não havendo alteração prática nas atividades. A recla- mante continuou trabalhando 40 horas semanais. Diante dessa realidade, a magistrada não teve dúvidas de que a jornada espe- cial de 30 horas semanais foi descumprida. "Ora, se o legislador ordinário estabeleceu jornada reduzida para os profissionais fisioterapeutas, em função da especificidade de seu mister, tal disposição deve ser observada pelo empregador", registrou a julga- dora. A juíza substituta considerou inválidos os aditivos contratuais, por desres- peitarem disposições legais de proteção à saúde do trabalhador. https://trt-3.jusbrasil.com.br/ TÓPICO 3 | O REGISTRO DE TÍTULOS DE ESPECIALISTA PROFISSIONAL E A PRÁTICA CLÍNICA EM FISIOTERAPIA 159 Diante da fraude reconhecida no contrato de trabalho, não deu qualquer im- portância ao fato de a reclamante não ter sofrido perda financeira com a cisão de contrato, tese levantada pela defesa para tentar afastar a condenação. Diante desse quadro, a julgadora condenou a gestora da Rede Sarah ao paga- mento, como extras, das horas excedentes à 30ª semanal, com os reflexos pertinentes. A condenação foi mantida pelo Tribunal de Minas. FONTE: https://trt-3.jusbrasil.com.br/noticias/100032264/fisioterapeuta-tem-direito-a-jornada- semanal-de-30-horas. Acesso em: 15 nov. 2019. 160 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • O COFFITO esclarece que o profissional fisioterapeuta que se enquadra nos ter- mos das Resoluções COFFITO nº 207/2000 e nº 208/2000, as quais dispõem sobre o reconhecimento de Certificados, Diplomas e Títulos conferidos a fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, não necessita realizar o Exame de Conhecimento para obtenção do Título de Especialista. • Os demais profissionais que não iniciaram quaisquer dos cursos reconhecidos an- tes da vigência das normas acima referenciadas, ou seja, antes do dia 14 de julho de 2010, a concessão e o registro do Título de Especialista nas áreas da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional requerem a submissão ao Exame para Concessão de Tí- tulo de Especialista Profissional, promovido pelo COFFITO em parceria com as associações de especialidades. • A Resolução de nº 482, de 1º de abril de 2017, fixa e estabelece o Referencial Nacio- nal de Procedimentos Fisioterapêuticos —RNPF. • O RNPF é definido como o valor mínimo que deve ser praticado ao ser realizado o serviço fisioterapêutico, em suas diversas áreas de atuação, modalidade, circusn- tância e ambiente. • O RNPF tem como princípio elencar o rol de procedimentos cuja remuneração profissional deve ser de acordo com o exercício fisioterapêutico adequado, na promoção de saúde, prevenção e recuperação da funcionalidade e incapacidades apresentadas em cada caso. • Os valores do referencial de remuneração dos procedimentos fisioterapêuticos estão expressos em reais, através da interpretação dos valores do Coeficiente de Honorários Fisioterapêuticos – CHF. • O valor praticado do CHF em 2019 é expresso em reais e tem o custo de R$ 0,60 (sessenta centavos). • Antes de excecutar qualquer atendimento fisioterapêutico, é obrigatório a reali- zação de consulta fisioterapêutica, sendo esta definida como o momento em que se estabelece o diagnóstico cinético funcional através da utilização de ferramentas avaliativas e a partir desta etapa é que o profissional pode planejar e executar o tratamento. 161 • O COFFITO, Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, determina que deverá ser repeitada a prestação máxima de 30 horas semanais de trabalho, aos profissionais fisioterapeutas, sendo essa jornada de trabalho estabelecida em 1º de março de 1994, no governo do então Presidente da República Itamar Franco. Para auxiliar no entendimento do conteúdo, acesse o material disponibilizado a seguir: • http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0938.htm • http://legis.senado.leg.br/norma/524501 DICAS 162 1 (IADES, 2019) O Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia trata dos deveres do fisioterapeuta no que tange ao controle ético do exercício da respectiva profissão, sem prejuízo dos direitos e prerrogativas assegurados pelo ordenamento jurídico. Em relação ao Capítulo III do referido código, que trata do relacionamento com o cliente/paciente/usuário,assinale a al- ternativa CORRETA: FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes/4e2d9fde-28>. Acesso em: 2 set. 2019. a) ( ) O fisioterapeuta deve elaborar o diagnóstico fisioterapêutico, porém pode encaminhar o plano de tratamento para ser realizado pelo respectivo estagiá- rio ou outro profissional, eximindo a própria responsabilidade final quanto ao caso. b) ( ) A informação quanto a consulta fisioterapêutica e diagnóstico e prognós- tico fisioterapêuticos é de caráter exclusivo do profissional e da respectiva em- presa. c) ( ) É permitido ao fisioterapeuta dar consulta ou prescrever tratamento fisiote- rapêutico de forma não presencial, especialmente por aplicativos como What- sApp, Skype, Instagram e Facebook. d) ( ) Inserir anúncio ou divulgação profissional, bem como expor, no próprio local de atendimento/trabalho, nome, iniciais de nomes, endereço, fotografia, inclusive aquelas que comparam quadros anteriores e posteriores ao tratamen- to realizado, é um direito do profissional/empresa, não exigindo autorização formal prévia do cliente/paciente/usuário ou do responsável legal. e) ( ) O fisioterapeuta deve zelar para que o prontuário do cliente/paciente/usu- ário permaneça fora do alcance de estranhos à equipe de saúde da instituição, salvo quando outra conduta seja expressamente recomendada pela direção da instituição e tenha amparo legal. 2 (VUNESP, 2017) O parâmetro básico para fixação de honorários do fisioterapeuta, de acordo com o Código de Ética Profissional, é: FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/disciplinas/fisioterapia- fisioterapia/codigo-de-etica/questoes?page=4>. Acesso em: 2 set. 2019. a) ( ) O salário-base de enfermeiros. a) ( ) O piso salarial da FENAFITO. a) ( ) O salário-mínimo nacional. a) ( ) O salário-base de profissionais de saúde. a) ( ) A referência nacional de procedimentos fisioterapêuticos. AUTOATIVIDADE 163 3 Com base no que foi visto no Tópico 3 da Unidade 2, em relação ao RNPF e ao CHF (valor 2019: R$ 0,60), analise a tabela a seguir e preencha os valores expressos em reais (última coluna da tabela), dos serviços fisioterapêuticos representados por: 4 Explique o é Dinamometria e cite sua finalidade. 5 Explique o que é Eletromiografia de superfície e cite sua finalidade. FONTE: <http://www.crefito10.org.br/conteudo.jsp?ids=57>. Acesso em: 2 set. 2019. http://www.crefito10.org.br/conteudo.jsp?ids=57 164 165 UNIDADE 3 REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer sobre as regulamentações e ética profissional da Fisioterapia; • saber quais os órgãos responsáveis pela organização da profissão; • conhecer o códio de ética da profissão; • deferenciar ética de moral; • compreender o que é bioética. Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA TÓPICO 2 – CÓDIGO DE ÉTICA TÓPICO 3 – DEONTOLOGIA PROFISSIONAL TÓPICO 4 – ESTUDO DA ÉTICA E DA MORAL TÓPICO 5 – BIOÉTICA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 166 167 TÓPICO 1 REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Olá, acadêmico! Dando continuidade ao conteúdo deste Livro Didático, che- gamos à Unidade 3, que abordará questões referentes a regulamentação da profissão de Fisioterapia e Ética Profissional. Neste tópico falaremos sobre dois órgãos fundamentais para a organização da profissão de Fisioterapia que são os responsáveis por fiscalizar o exercício da pro- fissão definida no Decreto-Lei nº 938, de 13 de outubro de 1969. São eles: o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional — COFIT- TO — e os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional — CREFITTO. Ambos originados pela Lei nº 6.316 de 17 de setembro de 1975. 2 ÓRGÃOS QUE REGULAMENTAM A PROFISSÃO Muitos futuros profissionais, por não compreenderem a importância destes órgãos, os julgam erroneamente como ferramentas apenas de punição ou fiscaliza- ção. Porém, é importante salientar que suas atribuições estão primariamente relacio- nadas com a organização e planejamento da evolução da profissão, através de ações que visam a valorização e garantem os direitos dos Fisioterapeutas de forma geral. 2.1 CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL (COFFITO) A Lei nº 6.316 de 17 de setembro de 1975 cria o Conselho Federal de Fisiote- rapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), órgão que possui a incumbência de fiscali- zar o exercício das profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional (GAVA, 2004). UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA 168 Acadêmico, conforme já visto na Unidade 1 deste Livro Didático, até o ano de 1995, o COFFITO e os CREFITOS, juntos, constituíam uma autarquia federal vin- culada ao Ministério do Trabalho. Desde 1995 até os dias atuais, houve uma desvin- culação do Ministério do Trabalho, passando o COFFITO a representar um órgão de última instância recursal. O COFFITO possui como objetivos principais relacionados às profissões de Fisioterapia e Terapia Ocupacional: • Normatização. • Controle ético. • Controle científico. • Controle social. De forma resumida, o COFFITO possui como competências: • Cumprimento de atos normativos relativos à Lei nº 6.316/1975. • Supervisão e fiscalização do exercício profissional da Fisioterapia e Terapia Ocupa- cional a nível de território nacional. • Função de Tribunal Superior de Ética nas demandas profissionais da Fisioterapia e Terapia Ocupacional. • Defesa dos interesses corporativos das profissões de Fisioterapia e Terapia Ocupa- cional. • Fomento à boa formação técnica e humanista das profissões de Fisioterapia e Te- rapia Ocupacional. Todas as ações desenvolvidas pelo COFFITO visam diretamente a valoriza- ção da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, tanto pela sociedade quanto pelos seus pares da área de saúde. Indiretamente, a partir do trabalho do COFFITO, a população pode receber uma prestação de serviços resolutivos e de excelência, interferindo positivamente na sua qualidade de vida. 2.2 CONSELHOS REGIONAIS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL (CREFITOS) Os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFI- TOS), possuem a mesma origem de criação que o COFFITO, ou seja, a Lei nº 6.316, de 17 de setembro de 1975 (GAVA, 2004). As competências dos Conselhos Regionais de acordo com a Lei nº 6.316/1975 são, de forma resumida: TÓPICO 1 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA 169 • Expedição da carteira de identidade profissional. • Fiscalização do exercício profissional das áreas de sua jurisdição. • Fiscalizar o cumprimento da Lei nº 6.316/1975 nas áreas de sua jurisdição; • Função de Tribunal Regional de Ética. • Estímulo à valorização das profissões de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Conforme já visto neste livro, atualmente, existem dezoito CREFITOS, co- brindo e atuando em todas as regiões do país. Acadêmico, cabe aqui salientar que ao longo do tempo os CREFITOS passaram por mudanças e desmembramentos para que os profissionais de estados antes ligados a um determinado CREFITO, pudessem ter maior autonomia, criando seus próprios conselhos regionais. NOTA A Figura 1 ilustra as jurisdições de cada CREFITO: FIGURA 1 – MAPA DOS CREFITOS NO BRASIL FONTE: <https://www.crefito11.gov.br/conselhos-1>. Acesso em: 28 out. 2019. 170 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • O COFFITO possui como objetivos principais relacionados às profissões de Fisio- terapia e Terapia Ocupacional: normatização, controle ético, controle científico e controle social. • As ações desenvolvidas pelo COFFITO visam diretamente a valorização da Fisio-terapia, tanto pela sociedade quanto pelos seus pares da área de saúde. • Os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITOS), pos- suem a mesma origem de criação que o COFFITO. • Atualmente existem dezoito CREFITOS em todo o território Nacional. • Os CREFITOS possuem inúmeras funções, como por exemplo: expedição da car- teira de identidade profissional, fiscalização do exercício profissional das áreas de sua jurisdição, fiscalizar o cumprimento da Lei nº 6.316/1975 nas áreas de sua juris- dição, função de Tribunal Regional de Ética, estímulo à valorização das profissões de Fisioterapia e Terapia Ocupacional etc. 171 1 Qual a importância do COFFITO e dos CREFITOS na construção da va- lorização da profissão de fisioterapeuta? 2 Em relação às competências e funções, quais são as diferenças existentes entre o COFFITO e os CREFITOS? AUTOATIVIDADE 172 173 TÓPICO 2 CÓDIGO DE ÉTICA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, chegamos agora em um ponto crucial, em que abordaremos a importância e o papel da ética no âmbito profissional. Começaremos observando cada capítulo do nosso código de ética e como podemos relacioná-los com o exercício profissional de forma prática. Antes mesmo de compreender os conceitos de ética, moral, deontologia e bioética é necessário conhecer e compreender a importância de cada parte do código. Porém, conforme avançamos, tais conceitos serão explicados e diferenciados no de- correr dessa unidade. Conhecer e compreender cada artigo do código de ética possibilitará a você, futuro profissional, evitar gafes e constrangimentos diante dos seus colegas de pro- fissão, atuar de forma condizente com a legislação e ainda proteger os direitos dos seus futuros pacientes. Infelizmente, muitos profissionais, por desconhecimento ou interpretação errônea do código de ética da Fisioterapia, cometem uma série de atos transgressivos, que por sua vez prejudicam toda a sociedade e a profissão como um todo. O presente tópico é uma tentativa de facilitar o entendimento de partes es- senciais do nosso código de ética e ilustrar situações nas quais este entendimento tor- na-se necessário. Para cada subtópico, faremos a transcrição do mesmo e comentários para exemplificar sua aplicação e importância no dia a dia do exercício profissional, vamos lá? 2 ASPECTOS PRINCIPAIS DOS CAPÍTULOS DO CÓDIGO DE ÉTICA Veremos, primeiramente, sobre as disposições preliminares: 174 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Artigo 1º O Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia, trata dos deveres do fisioterapeuta, no que tange ao controle ético do exercício de sua profissão, sem prejuízo de todos os direitos e prerrogativas assegurados pelo ordenamento jurídico. § 1º Compete ao Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional zelar pela observância dos princípios deste código, funcionar como Conselho Superior de Ética e Deontologia Profissional, além de firmar jurisprudência e atuar nos casos omissos. § 2º Compete aos Conselhos Regionais de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional, em suas respectivas circunscrições, zelar pela observância dos princípios e diretrizes deste código e funcionar como órgão julgador em primeira instância. § 3º A fim de garantir a execução deste Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia, cabe aos inscritos e aos interessados comunicar e observar as normas relativas ao Código de Processo Ético, para que os Conselhos Regionais e Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional possam atuar com clareza e embasamento, fatos que caracterizem a não observância deste Código de Ética. Artigo 2º O profissional que infringir o presente código, se sujeitará às penas disciplinares previstas na legislação em vigor (COFFITO, 2013). FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. Após a leitura das disposições preliminares, fica bastante claro que o código de ética tem como objetivos principais: • Nortear o exercício profissional da Fisioterapia no que diz respeito ao rigor ético. • Assegurar os direitos dos profissionais. • Nortear as ações fiscalizatórias. • Nortear as ações punitivas. Veremos a seguir, com mais aprofundamento, cada uma das partes que com- põe o código de ética da Fisioterapia, para que você, acadêmico e futuro Fisiotera- peuta, seja capaz de compreender como cada uma delas se relacionará com o seu cotidiano profissional. 2.1 RESPONSABILIDADES FUNDAMENTAIS Artigo 3º Para o exercício profissional da Fisioterapia é obrigatória a inscrição no Conselho Regional da circunscrição em que atuar na forma da legislação em vigor, mantendo obrigatoriamente seus dados cadastrais atuali- zados junto ao sistema COFFITO/CREFITOS. https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 TÓPICO 2 | Código de ética 175 § 1º O fisioterapeuta deve portar sua identificação profissional sempre que em exercício. § 2º A atualização cadastral deve ocorrer minimamente a cada ano, res- peitadas as regras específicas quanto ao recadastramento nacional. Artigo 4º O fisioterapeuta presta assistência ao ser humano, tanto no pla- no individual quanto coletivo, participando da promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e recuperação da sua saúde e cuidados paliativos, sem- pre tendo em vista a qualidade de vida, sem discriminação de qualquer forma ou pretexto, segundo os princípios do sistema de saúde vigente no Brasil. Artigo 5º O fisioterapeuta avalia sua capacidade técnica e somente aceita atribuição ou assume encargo quando capaz de desempenho seguro para o cliente/paciente/usuário, em respeito aos direitos humanos. § Único No exercício de sua atividade profissional o fisioterapeuta deve observar as normatizações e recomendações relativas à capacitação e à titulação emanadas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. Artigo 6º O fisioterapeuta protege o cliente/paciente/usuário e a insti- tuição/programa em que trabalha contra danos decorrentes de imperícia, ne- gligência ou imprudência por parte de qualquer membro da equipe de saúde, advertindo o profissional faltoso. § Único Se necessário, representa à chefia imediata, à instituição, ao Con- selho Regional de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional e/ou outros órgãos com- petentes, a fim de que sejam tomadas as medidas cabíveis para salvaguardar a saúde, a participação social, o conforto e a intimidade do cliente/paciente/usuá- rio e das famílias ou a reputação profissional dos membros da equipe. Artigo 7º O fisioterapeuta deve comunicar à chefia imediata da insti- tuição em que trabalha ou à autoridade competente, fato que tenha conheci- mento que seja tipificado como crime, contravenção ou infração ética. Artigo 8º O fisioterapeuta deve se atualizar e aperfeiçoar seus conheci- mentos técnicos, científicos e culturais, amparando-se nos princípios da benefi- cência e da não maleficência, no desenvolvimento de sua profissão, inserindo- -se em programas de educação continuada e de educação permanente. Artigo 9º Constituem-se deveres fundamentais do fisioterapeuta, se- gundo sua área e atribuição específica: I- Assumir responsabilidade técnica por serviço de Fisioterapia, em caráter de urgência, quando designado ou quando for o único profissional do setor, atendendo a Resolução específica; II- Exercer sua atividade com zelo, probidade e decoro e obedecer aos preceitos da ética profissional, da moral, do civismo e das leis em vigor, preser- vando a honra, o prestígio e as tradições de sua profissão; III- Utilizar todos os conhecimentos técnico-científicos a seu alcance e aprimorá-los contínua e permanentemente, para promover a saúde e prevenir condições que impliquem em perda da qualidade da vida do ser humano; IV- Manter segredo sobre fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão de sua atividade profissional e exigir o mesmo comportamento do pes- soal sob sua direção, salvo situações previstas em lei; 176 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONALDA FISIOTERAPIA V- Colocar seus serviços profissionais à disposição da comunidade em caso de guerra, catástrofe, epidemia ou crise social, sem pleitear vantagem pes- soal incompatível com o princípio de bioética de justiça; VI- Oferecer ou divulgar seus serviços profissionais de forma compa- tível com a dignidade da profissão e a leal concorrência; VII- Cumprir os Parâmetros Assistenciais e o Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos normatizados pelo COFFITO; VIII- Cumprir e fazer cumprir os preceitos contidos neste Código, in- dependente da função ou cargo que ocupa, e levar ao conhecimento do Conse- lho Regional de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional o ato atentatório a qual- quer de seus dispositivos, salvo as situações previstas em legislação específica. Artigo 10º É proibido ao fisioterapeuta: I- Negar a assistência ao ser humano ou à coletividade em caso de in- dubitável urgência; II- Recomendar, prescrever e executar tratamento ou nele colaborar, quando: a) desnecessário; b) proibido por lei ou pela ética profissional; c) atentatório à moral ou à saúde do cliente/paciente/usuário; d) praticado sem o consentimento formal do cliente/paciente/usuário ou de seu representante legal ou responsável, quando se tratar de menor ou incapaz. III- Praticar qualquer ato que não esteja regulamentado pelo Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. IV- Autorizar a utilização ou não coibi-la, mesmo a título gratuito, de seu nome ou de sociedade que seja sócio, para atos que impliquem na mercan- tilização da saúde e da Fisioterapia em detrimento da responsabilidade social e socioambiental. V- Divulgar, para fins de autopromoção, declaração, atestado, imagem ou carta de agradecimento emitida por cliente/paciente/usuário ou familiar deste, em razão de serviço profissional prestado; VI- Deixar de atender a convocação do Conselho Regional de Fisio- terapia e de Terapia Ocupacional a que pertencer ou do Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. VII- Usar da profissão para corromper a moral e os costumes, cometer ou favorecer contravenções e crimes, bem como adotar atos que caracterizem assédios moral ou sexual; VIII- Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas e religiosas quando no exercício de suas funções profissionais. IX- Deixar de comunicar ao Conselho Regional de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional, recusa, demissão ou exoneração de cargo, função ou em- prego, que foi motivada pela necessidade de preservar os legítimos interesses de sua profissão. FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 TÓPICO 2 | Código de ética 177 Este trecho trata de responsabilidades fundamentais do Fisioterapeuta e to- dos os aspectos aqui contidos devem ser seriamente observados e cumpridos pelos profissionais. Porém, três pontos serão aqui destacados a fim de ilustrar a importân- cia do código de ética para a prática profissional diária. O primeiro deles é o fato de que o Fisioterapeuta trabalha nos três níveis de atenção à saúde, ou seja, somos profissionais que além de reabilitar e tratar de pro- blemas já instalados, temos, também, o dever de observar a questão de prevenção de problemas e distúrbios inerentes a qualquer campo de atuação da Fisioterapia (GAVA, 2004). Para ilustrar melhor como podemos atuar no campo da prevenção, é possível realizar atividades como palestras em instituições de ensino (desde a educação básica até a educação superior, seja de caráter privado ou público), intervenções ergonômi- cas em empresas (pequeno, médio e grande portes) e até mesmo orientar pacientes e familiares quanto aos fatores de risco para queda em idosos, por exemplo. Desde a sua criação e por muitos anos, a Fisioterapia era vista como uma pro- fissão que atuava no âmbito de reabilitação. Mas a partir da reformulação do curso de Fisioterapia em 1983, de acordo com Gava (2004), este caráter cura-reabilitação co- meça a ser transformado para dar espaço também ao caráter preventivo da profissão, que possibilitou sua inserção como um verdadeiro agente de saúde na sociedade. Um segundo aspecto que merece atenção neste tópico é a questão da im- portância da atualização profissional. É cada vez mais notável que a expansão da Fisioterapia como profissão vem alcançando proporções crescentes, especialmente no que tange à concorrência, por isso é extremamente necessário que o profissional se mantenha atualizado. A atualização profissional, por meio de cursos de extensão, cursos livres, par- ticipação em eventos como: congressos, simpósios, pós-graduações, além de man- ter o profissional ciente das descobertas científicas e de novas técnicas e tecnologias existentes no seu campo de atuação, também resguarda o bem-estar e segurança dos pacientes, corroborando com os princípios bioéticos da beneficência e não-malefi- cência os quais abordaremos mais adiante neste livro (BRASIL, 2014; ERDMANN; LENTZ, 2002). E o terceiro ponto a ser cuidadosamente observado é a questão do Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos (RNPF), temática já abordada na Uni- dade 2 deste livro. Leia a seguir um trecho da Resolução nº 482, de 1º de abril de 2017, que fixa e estabelece o RNPF: Art. 4º O Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos – RNPF, que deve ser utilizado como parâmetro mínimo econômico e deontológico, em atenção à Resolução-COFFITO nº 367, de 20 de maio de 2009, tem como base a linguagem da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF, a fim de compatibilizar as nomenclaturas dos procedimentos com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde – OMS (COFFITO, 2017, s.p.). 178 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Relembrando, o RNPF tem por objetivo principal elencar o rol de procedi- mentos fisioterapêuticos e dispor sobre a remuneração profissional da Fisioterapia. Os valores do RNPF estão expressos em reais, através da interpretação dos valores do Coeficiente de Honorários Fisioterapêuticos – CHF, com valor de R$ 0,39 (trinta e nove centavos de real), na época da publicação da Resolução. Além disso, os valores deverão ser cobrados em reais e terão reajuste anual, com base no índice do IPC/FIP- Setor Saúde, ou outro que o substitua, desde que responda as perdas infla- cionárias do período. Os valores hoje propostos pelo nosso referencial estão compa- tíveis com o custo médio unitário por procedimento, proposto pela pesquisa FGV. Para acessar a resolução do COFFITO 482/2017 na íntegra, bem como ler o RNPF atualizado, acesse: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=6857. DICAS Cabe lembrar que é dever do Fisioterapeuta conhecer todas as proibições ine- rentes ao código de ética profissional incluindo as do artigo 10. Pois, ao cometer uma ação considerada proibida, estará cometendo infração que pode gerar desde adver- tências até a cassação da sua licença profissional. 2.2 RELACIONAMENTO COM CLIENTE/PACIENTE/USUÁRIO Art. 11. O fisioterapeuta deve zelar pela provisão e manutenção de ade- quada assistência ao seu cliente/paciente/usuário, amparados em métodos e técnicas reconhecidos ou regulamentados pelo Conselho Federal de Fisiotera- pia e de Terapia Ocupacional. Art. 12. O fisioterapeuta deve se responsabilizar pela elaboração do diagnóstico fisioterapêutico, instituir e aplicar o plano de tratamento e conceder alta para o cliente/paciente/usuário, ou, quando julgar necessário, encaminhar o mesmo a outro profissional. Art. 13. O fisioterapeuta deve zelar para que o prontuário do cliente/ paciente/ usuário permaneça fora do alcance de estranhos à equipe de saúde da instituição, salvo quando outra conduta seja expressamente recomendada pela direção da instituição e que tenha amparo legal. Art. 14. Constituem-se deveres fundamentais dos fisioterapeutas rela- cionados à assistência ao cliente/paciente/usuário: I- Respeitar a vidahumana desde a concepção até a morte, jamais coo- perando em ato em que voluntariamente se atente contra ela, ou que coloque em risco a integridade física, psíquica, moral, cultural e social do ser humano; TÓPICO 2 | Código de ética 179 II- Prestar assistência ao ser humano, respeitados a sua dignidade e os direitos humanos de modo a que a prioridade no atendimento obedeça a ra- zões de urgência, independentemente de qualquer consideração relativa à raça, etnia, nacionalidade, credo sociopolítico, gênero, religião, cultura, condições sócios-econômicas, orientação sexual e qualquer outra forma de preconceito, sempre em defesa da vida; III- Respeitar o natural pudor e a intimidade do cliente/paciente/usuário; IV- Respeitar o princípio bioético de autonomia, beneficência e não male- ficência do cliente/paciente/usuário de decidir sobre a sua pessoa e seu bem-estar; V- Informar ao cliente/paciente/usuário quanto à consulta fisioterapêuti- ca, diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos, objetivos do tratamento, condutas e procedimentos a serem adotados, esclarecendo-o ou o seu responsável legal. VI- Prestar assistência fisioterapêutica respeitando os princípios da bio- ética. Art. 15. É proibido ao fisioterapeuta: I- Abandonar o cliente/paciente/usuário em meio a tratamento, sem a garantia de continuidade de assistência, salvo por motivo relevante; II- Dar consulta ou prescrever tratamento fisioterapêutico de forma não presencial, salvo em casos regulamentados pelo Conselho Federal de Fisiotera- pia e de Terapia Ocupacional; III- Divulgar e prometer terapia infalível, secreta ou descoberta cuja efi- cácia não seja comprovada; IV- Prescrever tratamento fisioterapêutico sem realização de consulta, exceto em caso de indubitável urgência; V- Inserir em anúncio ou divulgação profissional, bem como expor em seu local de atendimento/trabalho, nome, iniciais de nomes, endereço, fotogra- fia, inclusive aquelas que comparam quadros anteriores e posteriores ao trata- mento realizado, ou qualquer outra referência que possibilite a identificação de cliente/paciente/usuário, salvo para divulgação em comunicações e eventos de cunho acadêmico científico, com a autorização formal prévia do cliente/pacien- te/usuário ou do responsável legal. FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. Acadêmico, após a leitura do trecho anterior, é possível abordar uma temá- tica bastante delicada e atual: a utilização da internet, sobretudo das redes sociais, na divulgação dos serviços fisioterapêuticos. A partir da última década, houve um crescimento exponencial no número de usuários da internet, principalmente no que diz respeito às redes sociais. Se- gundo Kemp (2019) no Relatório Digital 2019: Brazil, o número de brasileiros com acesso à internet aumentou em 10 milhões, um crescimento de 7,2% em relação ao relatório do ano de 2018. Ainda segundo este mesmo relatório, existem 7,7% mais usuários ativos nas mídias sociais no Brasil, totalizando 140 milhões de usuários. https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 180 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Tal crescimento na utilização das mídias sociais traz consigo uma neces- sidade de nos atentarmos para a utilização delas para fins profissionais. Ainda existem muitas lacunas em relação à divulgação dos serviços de Fisioterapia via internet. Um exemplo disso é a publicação dos famosos “antes e depois” dos tra- tamentos em redes sociais, como Facebook e Instagram (BATTISTI, 2006). Ao abrir o feed do Facebook e Instagram, é possível observar a quantidade avassaladora de profissionais e Empresas divulgando seus serviços, incluindo Fisio- terapeutas e Clínicas de Fisioterapia nas mais diversas especialidades. Contudo, é importante ressaltar que tal divulgação deve estar de acordo com as regras e prin- cípios éticos da profissão, não devendo ser comparada à publicidade de produtos e práticas meramente comerciais (MARTORELL; NASCIMENTO; GARRAFA, 2016). É necessário lembrar que clientes não podem ser equiparados a produtos, a Fisioterapia não deve ser comparada com uma atividade de caráter comercial que visa somente o lucro (BATTISTI, 2006). Acadêmico, a discussão sobre os aspectos legais da utilização das redes sociais como meio de divulgação de serviços fisioterapêuticos ainda trará à tona muitos capítulos, não sendo possível esgotar as situações e polêmicas neste livro. Porém, na dúvida, recorra ao código de ética e ao CREFITO de sua região para evitar atos infracionais e primar sempre pela defesa da vida. Pensando em nortear as ações da Especialidade de Dermatofuncional nas mídias sociais, o CREFITO 7 elaborou uma espécie de cartilha bastante interessante sobre este assunto: Guia Prático do Fisioterapeuta Dermatofuncional nas Mídias Sociais. O download deste documento pode ser realizado em: http://crefito7.gov.br/wp-content/ uploads/2019/08/GUIA-PR%C3%81TICO-FISIOTERAPIA-DERMATOFUNCIONAL-2.pdf. DICAS 2.3 RELACIONAMENTO COM A EQUIPE Art. 16. O fisioterapeuta, enquanto participante de equipes multiprofis- sionais e interdisciplinares constituídas em programas e políticas de saúde, tanto no âmbito público quanto privado, deve colaborar com os seus conhecimentos na assistência ao ser humano, devendo envidar todos os esforços para o desenvolvi- mento de um trabalho harmônico na equipe. Art. 17. É dever fundamental do fisioterapeuta, incentivar o pessoal sob a sua direção, coordenação, supervisão e orientação, na busca de qualificação con- http://crefito7.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/GUIA-PR%C3%81TICO-FISIOTERAPIA-DERMATOFUNCIONAL-2.pdf http://crefito7.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/GUIA-PR%C3%81TICO-FISIOTERAPIA-DERMATOFUNCIONAL-2.pdf TÓPICO 2 | Código de ética 181 tinuada e permanente, em benefício do cliente/paciente/usuário e do desenvolvi- mento da profissão, respeitando sua autonomia. Art. 18. A responsabilidade do fisioterapeuta por erro cometido em sua atuação profissional, não é diminuída, mesmo quando cometido o erro na cole- tividade de uma instituição ou de uma equipe, e será apurada na medida de sua culpabilidade. Art. 19. O fisioterapeuta deve reprovar quem infringir postulado ético ou dispositivo legal e representar ao Conselho Regional e Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional, de acordo com o previsto no Código de Processo Ético- -disciplinar e, quando for o caso, aos demais órgãos competentes. Art. 20. O fisioterapeuta, ao participar de eventos culturais, científicos e políticos com colega ou outros profissionais, deve ser respeitoso e cordial para com os participantes, evitando qualquer referência que possa ofender a reputa- ção moral, científica e política dos mesmos. Art. 21. O fisioterapeuta deve tratar os colegas, membros e não membros da equipe de saúde e outros profissionais, com respeito e urbanidade, sejam ver- balmente, por escrito ou por via eletrônica, não prescindindo de igual tratamento de suas prerrogativas. Art. 22. O fisioterapeuta solicitado para cooperar em diagnóstico ou orientar em tratamento considera o cliente/paciente/usuário como permanecen- do sob os cuidados do solicitante. Art. 23. O fisioterapeuta que solicita para cliente/paciente/usuário sob sua assistência os serviços especializados de colega, não deve indicar a esta conduta profissional. Art. 24. O fisioterapeuta que recebe o cliente/paciente/usuário confiado por colega, em razão de impedimento eventual deste, deve reencaminhar o clien- te/paciente/usuário ao colega uma vez cessado o impedimento. Art. 25. É proibido ao fisioterapeuta: I- Concorrer a qualquer título, para que outrem pratique crime, contra- venção penal ou ato que infrinja postulado ético profissional; II- Pleitear cargo, função ou emprego ocupado por colega, bem como praticar ato que importe em concorrência desleal ou acarrete danos ao desempe- nho profissional de colega, ou aos legítimos interesses da profissão; III- Utilizar de sua posição hierárquicapara induzir ou persuadir seus colegas subordinados a executar condutas ou atos que firam princípios éticos ou sua autonomia profissional. IV- Utilizar de sua posição hierárquica para impedir, prejudicar ou difi- cultar que seus subordinados realizem seus trabalhos ou atuem dentro dos prin- cípios éticos; V- Concorrer, de qualquer modo para que outrem exerça ilegalmente ati- vidade própria do fisioterapeuta; VI- Permitir, mesmo a título gratuito, que seu nome conste do quadro de pessoal de hospital, casa de saúde, ambulatório, consultório, clínica, policlí- nica, escola, curso, entidade desportiva ou qualquer outra instituição, pública ou privada, ou estabelecimento congênere, similar ou análogo, sem nele exercer as atividades de fisioterapeuta; 182 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA VII- Permitir que trabalho que executou seja assinado por outro profis- sional, bem como assinar trabalho que não executou, ou do qual não tenha par- ticipado; VIII- Angariar ou captar serviço ou cliente/paciente/usuário, com ou sem a intervenção de terceiro, utilizando recurso incompatível com a dignidade da profissão ou que implique em concorrência desleal; IX- Desviar de forma antiética, para outro serviço, cliente/paciente/usuá- rio que esteja em atendimento fisioterapêutico em instituição; X- Desviar de forma antiética para si ou para outrem, cliente/paciente/ usuário de colega; XI- Atender a cliente/paciente/usuário que saiba estar em tratamento com colega, ressalvadas as seguintes hipóteses: a) A pedido do colega; b) Em caso de indubitável urgência; c) Quando procurado espontaneamente pelo cliente/paciente/usuário. FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. Neste trecho do código de ética fica evidente a preocupação em fornecer as bases de relacionamento com os colegas de profissão e demais colegas da área de saúde. Tal preocupação é fruto da necessidade de fortalecer a profissão e assegurar os princípios da ética e da moral entre os profissionais e entre as profissões (JARDI- LINO, 1998). Manter uma relação saudável, seja entre membros de uma mesma profissão, ou até mesmo de forma interdisciplinar, é uma das chaves para evolução da profis- são como um todo. Mais uma vez a necessidade da atualização profissional constante é frisada para que o atendimento fisioterapêutico prestado seja cada vez mais qualificado, ge- rando transformações positivas na vida dos pacientes. Acadêmico, observe a importância dada aos limites éticos dos atendimentos prestados a pacientes de outros colegas. Para ilustrar melhor tal temática, imagine que você teve conhecimento de um paciente que está sendo atendido por um colega Fisioterapeuta. Numa conversa informal com você o paciente relata o tratamento ao qual está sendo submetido e você, por algum motivo, discorda desse tratamento para aquele caso em questão. Porém, o paciente não procurou você para ser atendido e o profissional que o está atendendo também não pediu sua opinião profissional sobre o caso. Mesmo que seu julgamento profissional seja negativo sobre o tratamento que está sendo realizado, é seu dever ético respeitar a conduta do colega, jamais devendo criticá-lo ao paciente e jamais convidar o paciente para ser tratado por você. Nesse caso a conduta adequada seria se manter neutro e explicar que, por questões éticas, você não pode criticar a conduta do colega. Agir baseado no código de ética da profissão é sempre a melhor saída. https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 TÓPICO 2 | Código de ética 183 Na dúvida de como agir nesse tipo ou em outros tipos de situações profissio- nais, você também pode procurar um conselheiro do CREFITO de sua região para sanar dúvidas. O atendimento com um conselheiro do CREFITO pode ser feito via telefone, e-mail ou até mesmo pessoalmente nas sedes e subsedes, geralmente me- diante agendamento. 2.4 RESPONSABILIDADES NO EXERCÍCIO DA FISIOTERAPIA Art. 26. O fisioterapeuta deve atuar em consonância à política nacional de saúde, promovendo os preceitos da saúde coletiva no desempenho das suas funções, cargos e cidadania, independentemente de exercer a profissão no setor público ou privado. Art. 27. O fisioterapeuta deve empenhar-se na melhoria das condições da assistência fisioterapêutica e nos padrões de qualidade dos serviços de Fisio- terapia, no que concerne às políticas públicas, à educação sanitária e às respecti- vas legislações. Art. 28. O fisioterapeuta deve ser solidário aos movimentos em defesa da dignidade profissional, seja por remuneração condigna, seja por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético profissional e seu aprimoramento. Art. 29. O fisioterapeuta deve ser pontual no cumprimento das obriga- ções pecuniárias inerentes ao exercício da Fisioterapia. Art. 30. É proibido ao fisioterapeuta: I- Promover ou participar de atividade de ensino ou pesquisa que não esteja de acordo com as normas reguladoras da ética em pesquisa. II- Divulgar e declarar possuir títulos acadêmicos que não possa com- provar ou de especialista profissional que não atenda às regulamentações espe- cíficas editadas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. III- utilizar para fins de identificação profissional titulações outras que não sejam aquelas reconhecidas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e de Tera- pia Ocupacional, salvo titulação acadêmica strictu sensu, ou omitir sua titulação profissional sempre que se anunciar em eventos científicos, anúncio profissional e outros; IV- Substituir a titulação de fisioterapeuta por expressões genéricas, tais como: terapeuta corporal, terapeuta de mão, terapeuta funcional, terapeuta mor- foanalista, terapeuta holístico, repegista, quiropraxista, osteopata, pilatista, bo- batiano, esteticista, entre outros; V- Exigir de maneira antiética, de instituição ou cliente/paciente/usuário, outras vantagens além do que lhe é devido em razão de contrato, honorários ou exercício de cargo, função ou emprego, como também receber, de pessoa física ou jurídica, comissão, remuneração, benefício ou vantagem por encaminhamen- to de cliente/paciente/usuário ou que não corresponda a serviço efetivamente prestado; VI- Deixar de comunicar formalmente ao Conselho Regional de Fisio- terapia e de Terapia Ocupacional da região da recusa do registro por parte de instituição ou serviços obrigados a tal registro. 184 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA VII- Deixar de comunicar formalmente à instituição onde trabalha da necessidade de registro no Conselho Regional de Fisioterapia e de Terapia Ocu- pacional da circunscrição, salvo nos casos das empresas legalmente desobriga- das de tal registro; VIII- Trabalhar ou ser colaborador de entidade na qual sejam desrespei- tados princípios éticos, bioéticos e a autonomia profissional, bem como condi- ções de adequada assistência ao cliente/paciente/usuário; IX- Promover ou participar de atividade de ensino ou pesquisa em que direito inalienável do ser humano seja violado, ou acarrete risco à vida ou de dano a sua saúde, respeitando as normas éticas, bioéticas e legais em vigor. X- Utilizar equipamentos terapêuticos que não sejam reconhecidos pelo COFFITO de acordo com resolução específica. XI- usar formulários de instituições públicas para prescrever ou atestar fatos verificados em serviço privado. XII- sob qualquer forma, a transmissão de conhecimento, ensinar proce- dimentos próprios da Fisioterapia visando à formação profissional de outrem, que não seja, acadêmico ou profissional de Fisioterapia. Art. 31. O fisioterapeuta, no exercício da Responsabilidade Técnica, deve cumprir a resolução específica, a fim de garantir os aspectos técnicos, éticos e bioéticos, reconhecidos e normatizados pelo Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. Assim como em todas as partes docódigo de ética, este trecho é muito impor- tante. Sobretudo no que diz respeito à utilização de equipamentos e tecnologias. Com a evolução tecnológica, muitas técnicas e equipamentos são divulgados e oferecidos nas diversas especialidades da Fisioterapia. O fisioterapeuta deve estar atento para não cair nas armadilhas dos “modismos”, sobretudo na área da Fisioterapia Derma- tofuncional, a qual possui um forte apelo da indústria para adquirir cada vez mais tecnologias recém-criadas, mas que em muitos casos não possuem comprovação científica de sua eficácia e segurança e/ou não possuem funcionamento compatível com as bases fisiológicas do corpo humano (FORTES, 1998). É importante observar se tal equipamento ou técnica possui aval do COFFI- TO e registro nos órgãos competentes, como ANVISA e Ministério da Saúde. https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 TÓPICO 2 | Código de ética 185 Acadêmico, no site da Anvisa — http://portal.anvisa.gov.br/produtos/consultas — é possível realizar consultas de regularidade de produtos para a saúde. É seu dever checar essas informações, pois fazem parte das obrigações legislatórias da profissão de Fisioterapia. Procedendo assim, você, acadêmico, estará agindo de acordo com o código de ética e protegendo o seu paciente das armadilhas tecnológicas sem respaldo científico e sem bases fisiológicas. DICAS 2.5 SIGILO PROFISSIONAL Art. 32. É proibido ao fisioterapeuta: I- Revelar, sem justa causa, fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão do exercício de sua profissão; II- Negligenciar na orientação de seus colaboradores, quanto ao sigilo profissional; III- Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir cliente/pa- ciente/usuário ou sua imagem em anúncios profissionais ou na di- vulgação de assuntos fisioterapêuticos em qualquer meio de comuni- cação, salvo quando autorizado pelo cliente/paciente/usuário ou seu responsável legal. § Único. Compreende-se como justa causa: demanda judicial ou qual- quer previsão legal que determine a divulgação (COFFITO, 2013). Acadêmico, este trecho, apesar de pequeno, é de suma importância na sua futura vida profissional. Novamente aqui é importante realizar o paralelo com a internet e redes sociais. É bastante comum a postagem de casos clínicos de sucesso como formas de propaganda e anúncios profissionais, incluindo os chamados anúncios patroci- nados. E mesmo que possua autorização do paciente, esta divulgação de imagem deve ser realizada da forma mais ética possível, a fim de evitar situações constran- gedoras ou até mesmo desrespeitosas. Se observarmos o significado da palavra “sigilo” no Dicionário Michaelis, consta que é “Aquilo que deve ficar acobertado e não deve chegar ao conhecimento ou à vista das pessoas; segredo”. FONTE: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/ sigilo/. Acesso em: 28 nov. 2019. NOTA 186 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Fica claro que a nossa obrigação profissional é resguardar e respeitar a imagem do paciente. A privacidade do paciente deve ser preservada, pois faz parte do princípio bioético da autonomia o qual veremos mais adiante neste livro. A privacidade engloba uma série de questões como a intimidade, a honra e a imagem do indivíduo (FORTES, 1998). O Fisioterapeuta tem o dever de zelar pela garantia de que é o paciente que decide quais fatos de seu tratamento deseja manter somente para si mesmo ou revelar para terceiros, não devendo ser, de forma alguma, coagido ou induzido pelo profissional (GAUDERER, 1991). As punições para atos infracionais dessa natureza são julgadas e definidas pelos CREFITOS, com respaldo do COFFITO e, geralmente, são fruto de denúncias de pacientes e outros profissionais. Cabe ressaltar que as denúncias devem ser formalizadas de acordo com as descrições a seguir, retiradas do site do CREFITO 2 (2011). Observe, na íntegra, como fazer uma denúncia válida: Denúncia é o ato formal no qual o representante expõe sua acusação perante a autoridade competente para julgar o(s) fato(s) descrito(s) nessa petição e pode ser apresentada por agente voluntário ou qualquer pessoa, natural ou jurídica, sujeita à jurisdição do Conselho Regional e acompanha- da de indício concernente à irregularidade ou ilegalidade denunciada. Não será reconhecida como válida aquela que não observe os requisitos e forma- lidades legais, ou seja, somente será recebida quando assinada, declinada a qualificação do denunciante e acompanhada da indicação dos elementos comprobatórios do alegado - lei 6316/75, art. 17, § 5º. Tudo o que é necessário para apresentá-la ao Conselho Regional está listado no §1º do art. 10 da Re- solução COFFITO 13/79 e art. 4º da Resolução COFFITO 423/13. Caso não atenda aos requisitos formais, a denúncia deverá ser arqui- vada. Não é possível a manutenção do sigilo em relação à sua autoria em virtude do que dispõe o artigo 5º da Constituição, inciso LV: aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. A representação, "denúncia" anônima/informal ou comunicação de irregu- laridade é utilizada para dar ciência ao Conselho de um fato irregular de que se tenha notícia, sendo fundamental que a manifestação seja apresenta- da com a maior quantidade possível de informações para permitir auxiliar os trabalhos da fiscalização - Resolução COFFITO 423/13, art. 4-§ único, a qual decidirá sobre a melhor oportunidade de utilizá-las. Não é necessário se identificar neste caso, mas isso não garante ao mesmo a qualidade de parte interessada em eventual processo que venha ser instaurado em decor- TÓPICO 2 | Código de ética 187 rência da comunicação em questão, restando a critério do Órgão recebe-la ou não, bem como decidir a que tempo atuar. Com o objetivo de proteger os direitos dos litigantes (denunciante / representante, denunciado, interessado e/ou administrados) e ao melhor cumprimento dos fins da administração, após qualquer representação e/ ou denúncia formal, a administração pública deverá instaurar um processo administrativo dando ciência das suas tramitações e possibilitar às partes interessadas vista aos autos; disponibilizando, quando solicitada, cópias de documentos neles contidos, inclusive suas decisões - Leis 9784/99 (processo administrativo) e 12.527/11 (lei de acesso a informações). Na insuficiência de elementos para abertura direta do processo ético-dis- ciplinar, a Diretoria do Conselho remeterá os autos ao Departamento de Fiscalização, que procederá às diligências necessárias - Resolução COFFITO 423/13, art. 5. Em outras palavras, se a reclamação configurar infração já con- sumada, ou seja, situação passada, será alvo direto de procedimento pro- cessual apuratório, diferente se corresponder à ocorrência presente, cons- tatável in loco pelo fiscal. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional devem reprovar quem infringe postulado ético ou dispositivo legal e representar aos Conselhos Regional e Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de acordo com as previsões do Código do Processo Ético- Disciplinar, e quando for o caso, aos demais órgãos competentes - art. 19 da Res. COFFITO 424 (Fisioterapia) e 425 (Terapia Ocupacional). Portanto, denunciar é um ato le- gítimo e ético. Ao apresentar sua queixa ao Conselho esteja ciente que o desdobra- mento para eventual punição dependerá se o fato narrado caracterizar trans- gressão à legislação do Conselho Federal, ou seja, se a conduta profissional contrariar as normas a que ele está submetido. FONTE: <http://bit.ly/2RneQDh>. Acesso em: 29 nov. 2019. 2.6 FISIOTERAPEUTA PERANTE AS ENTIDADES DE CLASSE Art. 33. O fisioterapeuta, por sua atuação nos órgãos de representação polí- tica e profissional, deve participar da determinação de condições justas de trabalho e do aprimoramento técnico científico e cultural para o exercício da profissão.Art. 34. É recomendado ao fisioterapeuta, com vistas à responsabilidade social e consciência política, pertencer a entidades associativas da classe, de caráter cultural, social, científico ou sindical, a nível local ou nacional em que exerce sua atividade profissional. Art. 35. É proibido ao fisioterapeuta, inclusive na condição de docente, ma- nifestar, divulgar, ou fomentar conteúdo que atente de forma depreciativa contra órgão e entidades de classe, assim como à moral de seus respectivos representantes, utilizando-se de qualquer meio de comunicação (COFFI- TO, 2013). 188 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Caro futuro colega, como já foi mencionado, o nosso código de ética tem por objetivo nortear as ações profissionais pautadas na ética a fim de ajudar na valoriza- ção da profissão. Ao atentar contra os seus representantes, o Fisioterapeuta estará automatica- mente prejudicando a imagem da profissão junto à sociedade, contrariando o propó- sito de valorização da profissão e o agir ético e deontológico ao qual devemos estar plenamente comprometidos. Ora, se não formos capazes de respeitar nossos próprios conselhos Federal e Regional, não seremos capazes de respeitar mais nada. Ainda que discordemos de algum ponto ou atitude relacionada a esses órgãos, não é aceitável sob nenhuma hipótese realizar crítica depreciativa contra órgãos ou entidades que representem a Fisioterapia (CAMOM, 2002). 2.7 HONORÁRIOS Art. 36. O fisioterapeuta tem direito a justa remuneração por seus ser- viços profissionais. Art. 37. O fisioterapeuta, na fixação de seus honorários, deve considerar como parâmetro básico o Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêu- ticos. Art. 38. O fisioterapeuta pode deixar de cobrar honorários por assistên- cia prestada a: I- Ascendente, descendente, colateral, afim ou pessoa que viva sob sua dependência econômica; II- Colega ou pessoa que viva sob a dependência econômica deste, res- salvado o recebimento do valor do material porventura despendido na presta- ção da assistência; III- Pessoa reconhecidamente hipossuficiente de recursos econômicos. Art. 39. É proibido ao fisioterapeuta prestar assistência profissional gra- tuita ou a preço ínfimo, ressalvado o disposto no artigo 38, entendendo-se por preço ínfimo, valor inferior ao Referencial Nacional de Procedimentos Fisiote- rapêuticos. Art. 40. É proibido ao fisioterapeuta: I- Afixar valor de honorários fora do local da assistência fisioterapêu- tica, ou promover sua divulgação de forma incompatível com a dignidade da profissão ou que implique em concorrência desleal. II- Cobrar honorários de cliente/paciente/usuário em instituição que se destina à prestação de serviços públicos, ou receber remuneração de cliente/ paciente/usuário como complemento de salários ou de honorários; III- Obter vantagem pelo encaminhamento de procedimentos, pela co- mercialização de órteses ou produtos de qualquer natureza, cuja compra decor- ra da influência direta em virtude de sua atividade profissional. FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 TÓPICO 2 | Código de ética 189 Este trecho traz à tona uma questão extremamente polêmica, por se tratar de uma prática muito comum em todo território nacional e que tem por objetivo “cha- mar” os pacientes: a famosa avaliação gratuita. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que não devemos, na condição de fi- sioterapeutas, utilizar a palavra “avaliação” e sim a palavra “consulta” (VIEL, 2001). E está bem claro que é proibido realizar atendimento gratuito (exceto nas exceções anteriormente descritas), devendo respeitar o RNPF para formular os valores de suas consultas e demais atendimentos. Em segundo lugar, não é possível realizar consulta em poucos minutos, como vem acontecendo em muitos locais. As consultas devem ser realizadas preconizando os aspectos éticos e tempo condizente com as atividades a serem realizadas para que os princípios da bioética, os quais veremos de forma mais aprofundada mais adiante nesta unidade, sejam devidamente respeitados. 2.8 DOCÊNCIA, PRECEPTORIA, PESQUISA E PUBLICAÇÃO Art. 41. No exercício da docência, preceptoria, pesquisa e produção científica, o fisioterapeuta deverá nortear sua prática de ensino, pesquisa e ex- tensão nos princípios deontológicos, éticos e bioéticos da profissão e da vida humana, observando: I- Que a crítica a teorias, métodos ou técnicas seja, de forma impessoal, não visando ao autor, mas ao tema e ao seu conteúdo; II- Que seja obtida previamente autorização por escrito de cliente/pa- ciente/usuário ou de seu representante legal, por meio de assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido para uso de dados, ou no termo próprio de liberação para uso de imagem. III- Que é responsável por intervenções e trabalhos acadêmicos execu- tados por alunos sob sua supervisão; IV- Que é responsável por ações realizadas por residentes sob sua pre- ceptoria; V- Que não deve apropriar-se de material didático de outrem, ocultan- do sua autoria, sem as devidas anuência e autorização formal; VI- Que deve primar pelo respeito à legislação atinente aos estágios, denunciando ao Conselho Regional de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional qualquer fato que caracterize o exercício ilegal da profissão pelo acadêmico ou sujeição do acadêmico a situações que não garantam a qualificação técnico- -científica do mesmo; VII- O cuidado em não instigar ou induzir alunos sob sua supervisão contra órgãos ou entidades de classe, estimulando a livre construção do pensa- mento crítico; VIII- a proibição, sob qualquer forma de transmissão de conhecimento, do ensino de procedimentos próprios da Fisioterapia visando à formação pro- fissional de outrem, exceto acadêmicos e profissionais de Fisioterapia; 190 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Art. 42. Na pesquisa, cabe ao profissional cumprir as normas dos ór- gãos competentes e a legislação específica, considerando a segurança da pes- soa, da família ou coletividade e do meio ambiente acima do interesse da ciên- cia. O fisioterapeuta deve obter por escrito o consentimento livre e esclarecido dos participantes ou responsáveis legais, informando sobre a natureza, riscos e benefícios da pesquisa, disponibilizando, posteriormente, a critério do autor, os resultados à comunidade científica e à sociedade. Art. 43. É vedado ao fisioterapeuta exercer a atividade de docência e pesquisa sem que esteja devidamente registrado no Conselho Regional de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional de sua circunscrição, sempre que estas atividades envolverem assistência ao cliente/paciente/usuário ou prática pro- fissional. Art. 44. Ao fisioterapeuta é proibido quando atuando em pesquisa: I- Servir-se de posição hierárquica para impedir ou dificultar a utiliza- ção das instalações e outros recursos sob sua direção, para o desenvolvimento de pesquisa, salvo por motivos relevantes e justificáveis; II- Servir-se de posição hierárquica para fazer constar seu nome na co- autoria de obra científica da qual não tenha efetivamente participado; III- Induzir ou contribuir para a manipulação de dados de pesquisa que beneficiem serviços, instituições ou a si mesmo; IV- Deixar de manter independência profissional e científica em relação a financiadores de pesquisa, satisfazendo interesse comercial ou obtendo van- tagens pessoais; V- Publicar ou divulgar informações inverossímeis ou dados mani- pulados que venham a prejudicar o julgamento crítico de outros profissionais gerando prejuízos para cliente/paciente/usuário ou para desenvolvimento da profissão; VI- Promover ou participar de atividade de ensino ou pesquisa em que direito inalienável do ser humano seja violado, ou acarrete risco à vida ou de dano a sua saúde, à participação social ou ao meio ambiente respeitando as normas ético-legais em vigor. Art. 45. Na publicação e divulgaçãode trabalhos científicos o fisiotera- peuta deverá garantir a veracidade dos dados e informações, em benefício da ciência. § Único. O fisioterapeuta deve garantir que as informações publicadas em seus trabalhos científicos não identifiquem os sujeitos da pesquisa, indivi- dualmente, salvo previsto no inciso II do artigo 41. FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. Ao realizar uma leitura cautelosa desse trecho do código de ética é pos- sível perceber, mais uma vez, a preocupação com os princípios da bioética. Estes devem nortear todas as nossas ações profissionais, incluindo, também, a atuação como docentes, preceptores de estágio e pesquisadores, pois a bioética é uma ciência que se esforça para criar benefícios e minimizar riscos (BERNARD, 1998). https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 TÓPICO 2 | Código de ética 191 Dois pontos que merecem destaque: o primeiro deles é sobre não utilizar ma- terial de outros colegas sem sua devida autorização ou ocultar sua autoria. Sempre que for utilizar qualquer tipo de material criado por outros colegas, é dever do fisio- terapeuta dar-lhe crédito e pedir sua autorização para que o material seja utilizado. Outro ponto que merece destaque é a questão da publicação de dados manipulados em pesquisas. O fisioterapeuta pesquisador deve agir de acordo com o código de ética e mesmo que os dados obtidos em sua pesquisa não sejam exatamente os resul- tados esperados, estes não devem ser jamais adulterados (JARDILINO, 1998). Conflitos de interesse em relação a publicação de pesquisas, por exemplo, pesquisas para determinadas marcas de equipamentos ou similares, não devem ser aceitas sob nenhuma hipótese. Manipulação de dados e/ou publicação de dados inverossímeis são consideradas como antiéticas e sujeitas a punições (SILVA, 2009). 2.9 DIVULGAÇÃO PROFISSIONAL Art. 46. Ao promover publicamente os seus serviços, em qualquer meio de comunicação, o fisioterapeuta deve fazê-lo com exatidão e dignidade, obser- vando os preceitos deste Código, bem como as normas do Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. Art. 47. A utilização da Rede Mundial de Computadores (Internet) para fins profissionais deve seguir os preceitos deste Código e demais normatiza- ções pertinentes. Art. 48. Nos anúncios, placas e impressos, bem como divulgação em meio eletrônico, devem constar o nome do profissional, da profissão e o núme- ro de inscrição no Conselho Regional, podendo ainda consignar: I- Os títulos de especialidade profissional que possua e que sejam reco- nhecidas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional para os quais o fisioterapeuta esteja habilitado; II- Título de formação acadêmica strictu sensu. III- O endereço, telefone, endereço eletrônico, horário de trabalho, con- vênios e credenciamentos; IV- Instalações, equipamentos e métodos de tratamento, respeitando legislação vigente e resolução específica; V- Logomarca, logotipo ou heráldicos determinados pelo Conselho Fe- deral de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional; VI- Logomarca, logotipo ou símbolos de entidades, empresas, socieda- des, associações ou federações às quais o fisioterapeuta esteja legalmente vincu- lado; VII- Logomarca ou logotipo próprio condizentes com a dignidade pro- fissional. Art. 49. É permitido ao fisioterapeuta que atua em serviço multiprofis- sional divulgar sua atividade profissional em anúncio coletivo, observando os preceitos deste código e a dignidade da profissão. 192 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Art. 50. Quando o fisioterapeuta, em serviço ou consultório próprio, utilizar nome-fantasia, sua divulgação deverá respeitar o preceituado neste có- digo e a dignidade da profissão. Art. 51. Na divulgação em meio eletrônico de textos, imagens e vídeos com orientações para cliente/paciente/usuário e coletividade, o fisioterapeuta deverá observar o preceituado neste Código. Art. 52. Em artigos, entrevistas e outros pronunciamentos públicos, em qualquer meio de comunicação, o fisioterapeuta responderá perante o Conse- lho Regional e Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional pela impro- priedade técnica ou transgressão às leis e normas regulamentares do exercício profissional. FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. Acadêmico, chegamos em um trecho do código de ética o qual é, infelizmen- te, muito desrespeitado pelos profissionais, seja no mundo on-line, seja no off-line. Destaca-se aqui a proibição de divulgar valores de consultas e atendimentos fora do local de atendimento, incluindo internet e redes sociais. A seguir, no Quadro 1, há um resumo do que é permitido e do que é con- siderado irregular em termos de propaganda e divulgação profissional, segundo o código de ética da Fisioterapia. QUADRO 1 – SOBRE A DIVULGAÇÃO PROFISSIONAL DO FISIOTERAPEUTA DIVULGAÇÃO O QUE É PERMITIDO IRREGULAR Folder Material de divulgação do trabalho. É vedado ao fisiotera- peuta divulgar anúncio por meio de volantes. Mala-direta Correspondência dirigida ao endereço do público. Não está previsto (mas devem ser aplicados os princípios do Código de Ética). Fachada Apresentação da clínica ou consultório em frente ao estabelecimento. Apenas uma placa externa em seu con- sultório e/ou residência, per- mitido o uso de luz contínua. É vedado o uso de sím- bolo, logotipo, fotogra- fia, desenho ou expres- são vulgar ou aviltante, que possa comprometer o prestígio e o conceito da profissão. https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 TÓPICO 2 | Código de ética 193 Assessoria de imprensa Serviço que faz a ponte entre o fisioterapeuta e o jornalista no fornecimento de informações à imprensa. Não está previsto (mas devem ser aplicados os princípios do Código de Ética). Contato pessoal Uma das formas mais indicadas de promoção do trabalho. Manter uma rede de conta- tos constantes com clientes e pessoas do meio. Concorrência desleal. Site pessoal na internet Página na internet com informações sobre a clínica ou o profissional. Não está previsto (mas devem ser aplicados os princípios do Código de Ética). Anúncios impressos Espaço publicitá- rio pago em mí- dias impressas, tais como jornais e revistas. A divulgação em veículo lei- go de comuni- cação é restrita aos indicadores profissionais. Participar de anúncio misto com profissionais de outras categorias. Artigos Textos escritos por especialistas e publicados por veículos da imprensa. Não está previsto (mas devem ser aplicados os princípios do Código de Ética). Links patrocinados e anúncios virtuais. Espaços pagos na Internet para destacar o site do fisioterapeuta em páginas de busca. Não está previsto (mas devem ser aplicados os princípios do Código de Ética). Mídias externas (outdoors e carta- zes) Publicidade aberta ao grande público. É vedado o uso de sím- bolo, logotipo, fotogra- fia, desenho ou expres- são vulgar ou aviltante, que possa comprometer o prestígio e o conceito da profissão. 194 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Cartão de visitas Ferramenta de apresentação pessoal. Nome comple- to, categoria e número de inscrição do profissional no CREFITO; en- dereço e telefo- ne; e especiali- dade exercida. A divulgação de e-mail não estáprevista. FONTE: Adaptado de Schnaider; Júnior; Lima (2009). 2.10 DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 53. Ao infrator deste Código, são aplicadas as penas disciplinares previstas no artigo 17, da Lei nº. 6.316, de 17 de dezembro de 1975. Art. 54. A pretensão à punibilidade das infrações disciplinares prescreve em 05 (cinco) anos, contados da constatação oficial do fato. § 1º Aplica-se a prescrição a todo processo disciplinar paralisado por mais de três anos, pendente de despacho ou julgamento, devendo ser arquivado de ofício, ou a requerimentoda parte interessada, sem prejuízo de serem apura- das as responsabilidades pela paralisação. § 2º A prescrição interrompe-se: I- Pela instauração de processo disciplinar ou pela notificação válida fei- ta diretamente ao representado; II- Pela decisão condenatória recorrível, singular ou colegiada, de qual- quer órgão julgador dos Conselhos Regional e Federal da Fisioterapia e da Te- rapia Ocupacional. Art. 55. Os casos omissos serão resolvidos pelo Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. Art. 56. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 57. Revogam-se as Resoluções COFFITO 29/82 e COFFITO 10/78. Este último trecho do código de ética trata diretamente das punições as quais o infrator de qualquer um dos artigos que o compõe estará sujeito. FONTE: <https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346>. Acesso em: 29 nov. 2019. Para evitar tais punições, o profissional deverá conhecer a fundo este có- digo e pautar sua conduta e ações, ainda que discorde, por algum motivo, do que é permitido segundo o Código de Ética. https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2346 TÓPICO 2 | Código de ética 195 A resolução COFFITO nº 26/1982 estabelece critérios de orientação para a aplicação de penalidades e sanções a profissionais e empresas registrados nos Conselhos Regionais. Para ler a Resolução nº 26/1982 na íntegra e ficar por dentro dos critérios para a aplicação de penalidades, acesse: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=2783#more-2783. DICAS 2.11 IMPORTÂNCIA DO CÓDIGO DE ÉTICA NA VALORIZAÇÃO DA PROFISSÃO Acadêmico, conforme visto anteriormente na transcrição do código de ética da Fisioterapia e nos comentários realizados sobre cada trecho deste documento, um dos principais objetivos de haver um código de ética, é propiciar e incentivar cada vez mais a valorização da profissão. Os códigos de ética profissionais, de maneira geral, representam um conjunto de normas que visam orientar aos seus respectivos profissionais e estudantes sobre questões de cunho obrigatório (NEVES; SIQUEIRA, 2010). O comportamento de profissionais deve ser condizente com os norteamentos existentes em seu código de ética profissional, em qualquer tempo e em qualquer lugar, não devendo levar em consideração seus sentimentos ou desejos individuais, uma vez que é pertencente a uma determinada classe profissional e, segundo Berger e Luckmann (1995), automaticamente, se enquadra no princípio de coletividade. De acordo com Souza (2002), a ética profissional está intrinsicamente ligada à deontologia, pois representa um esforço para uniformizar a ação de membros de uma mesma categoria profissional. Esta uniformização não se refere ao engessamen- to de processos ou manipulação de pessoas, mas tem sentido no que tange à orienta- ção e controle da conduta de profissionais e, consequentemente, na criação de uma identidade profissional respeitosa perante a sociedade. A construção desta identidade profissional respeitosa tem lugar na valori- zação da profissão, pois, desta forma, é capaz de assumir um papel de relevância na vida da sociedade. 196 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA Vejamos a seguir, de forma mais aprofundada, a deontologia, para que possamos compreender o seu papel e a sua relevância no crescimento e consolidação da Fisioterapia. ESTUDOS FU TUROS 197 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O código de ética tem como objetivos principais: nortear o exercício profissional da Fisioterapia no que diz respeito ao rigor ético, assegurar os direitos dos profissio- nais, nortear as ações fiscalizadoras e as ações punitivas. • Os códigos de ética profissionais, de maneira geral, representam um conjunto de normas que visam orientar aos seus respectivos profissionais e estudantes sobre questões de cunho obrigatório. • A construção de uma identidade profissional respeitosa tem lugar na valorização das profissões, pois, desta forma, os profissionais serão capazes de assumir um papel de relevância e de transformação na vida da sociedade. 198 AUTOATIVIDADE 1 Os códigos de ética profissionais representam um conjunto de normas que visam orientar aos seus respectivos profissionais sobre questões de cunho moral e obrigatório da profissão ao qual estão atrelados. Nesse contexto, assinale a alternativa CORRETA sobre o código de ética da Fisioterapia: a) ( ) Tem como objetivos principais nortear o exercício profissional da Fisiote- rapia no que diz respeito ao rigor ético, assegurar os direitos dos profissionais, nortear as ações fiscalizatórias e nortear as ações punitivas. b) ( )Tem como objetivos principais nortear o exercício profissional da Fisiotera- pia no que diz respeito ao rigor científico, apontar os deveres dos profissionais, punir de forma arbitrária desde que o profissional mereça. c) ( ) Tem como objetivos principais nortear o exercício profissional da Fisiotera- pia no que diz respeito aos salários e assegurar os direitos dos profissionais em detrimento dos direitos da população. d) ( ) Tem como objetivos principais nortear o exercício livre da Fisioterapia no que diz respeito aos seus direitos, nortear as ações de propagandas, exceto aquelas realizadas através das redes sociais. 2 Quais são os principais objetivos do Código de Ética e Deontologia da Fisio- terapia? 199 TÓPICO 3 DEONTOLOGIA PROFISSIONAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Conforme Kochanowski (2009), a palavra “deontologia” é originada das palavras gregas deón e déontos que significam dever e logos, e, que de forma resumida, significa estudo. A deontologia pode ser considerada, então, o campo das discussões éticas no trabalho e surge da necessidade de controle das atividades profissionais, esta- belecendo deveres e responsabilidades que devem ser exercidas por classe profis- sional, determinada pela reflexão da ética profissional que impõe obrigações aos seus profissionais (TRINDADE; PORTO, 2011; FERREIRA, 2013). Para que possamos de fato compreender o que é a deontologia, de acordo com Guedes (2003), podemos assumir que se trata do estudo ou tratado de de- veres, nesse caso, deveres profissionais. Em síntese, a Deontologia Profissional representa um conjunto de normas jurídicas, cuja maioria tem conteúdo ético e que regulam o exercício de uma profissão. 2 DEONTOLOGIA NA PRÁTICA DIÁRIA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA A deontologia é aplicada na Fisioterapia a fim de garantir o bom exercício da profissão, possuindo como alicerces os princípios éticos e sua própria regulamenta- ção e legislação vigente. Fortes (1998) explica que podemos encará-la como uma direção a seguir, e um modelo de como agir. E mesmo que seja uma forma de uniformização, ela não é por si só arbitrária, mas representa a expressão máxima de um conjunto de valores pré-definidos pelas profissões, incluindo a Fisioterapia. A sobreposição da dimensão ética, no agir profissional, faz da compreensão e aplicação da deontologia um tema extremamente importante. Podemos concluir que a deontologia constitui uma fatia considerável no có- digo de ética atual da Fisioterapia, tendo uma representação de aproximadamente 46% no texto, como demonstra a Figura 2. UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA 200 FIGURA 2 – DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIA DAS UNIDADES TEXTUAIS TOTAIS POR CATEGORIA E CONTEÚDOS DEONTOLÓGICOS E BIOÉTICOS NO CÓDIGO DE ÉTICA E DEONTOLOGIA DA FISIOTERAPIA FONTE: Adaptado de Figueiredo et al. (2017, p. 174) 201 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • A palavra “deontologia” é originada das palavras gregas deón e déontos que significam dever e logos, e, que de forma resumida, significa estudo. • A deontologia surgiu da necessidade de controle das atividades profissionais, estabelecendo deveres e responsabilidades que devem ser exercidas pela classe profissional, determinada pela reflexão da ética profissional que impõe obriga- ções aos seus profissionais. • O caráterda deontologia é voltado para a valorização profissional, não devendo ser enxergada como arbitrária, mas representa a expressão máxima de um con- junto de valores pré-definidos pelas profissões. • A deontologia constitui uma fatia considerável do código de ética atual da Fisio- terapia, tendo uma representação de aproximadamente 46% de seu texto. 202 AUTOATIVIDADE 1 A partir da leitura do código de ética da Fisioterapia, explique a importância do caráter deontológico existente em grande parte do texto. 2 Quais são os alicerces da deontologia existentes no código de ética da Fisiotera- pia? 203 TÓPICO 4 ESTUDO DA ÉTICA E DA MORAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO De acordo com Koerich, Machado e Costa (2005, p. 107): ética é uma palavra de origem grega “éthos” que significa caráter e que foi traduzida para o latim como “mos”, ou seja, costume, daí a utilização atual da ética como a “ciência da moral” ou “filosofia da moral” e enten- dida como conjunto de princípios morais que regem os direitos e deveres de cada um de nós, e que são estabelecidos e aceitos numa época por determinada comunidade humana. A ética se ocupa com o ser humano e pretende a sua perfeição por meio do estudo dos conflitos entre o bem e o mal, que se refletem sobre o agir humano e suas finalidades. “A moral ordena que o sujeito moral se sinta intimamente obrigado a agir segundo determinadas regras”, segundo La Taille (2010, p. 106). 2 MORAL VERSUS ÉTICA Yves de La Taille explicita em seu artigo Moral e ética: uma leitura psi- cológica, publicado, em 2010, na Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, sobre as diferenças entre moral e ética, vejamos o que o autor nos diz sobre o assunto no fragmento a seguir. Comumente, as palavras ‘moral’ e ‘ética’ são empregadas como sinôni- mas. Por exemplo, diz-se de uma pessoa que ‘ela não tem ética’ para criticar seus comportamentos e atitudes; poder-se-ia muito bem chamá-la de ‘imoral’. Quando se fala em ‘problemas éticos’, costuma-se fazer referência a ques- tões atinentes aos deveres, portanto, ao plano moral. Em uma palavra, empre- ga-se, na maioria das vezes, ética como sinônimo de moral. Note-se que tal si- nonímia é perfeitamente aceitável do ponto de vista acadêmico, e alguns autores empregam um ou outro conceito indistintamente. O Dicionário Houaiss (2001), por exemplo, traz como uma das definições de moral “conjunto de regras, preceitos etc. característicos de um determinado grupo social que os estabelece e defende” (p. 1958). Para a ética, o referido dicio- nário define como o “conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade” (HOUAISS, p. 1270). UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA 204 Todavia, há possibilidades de estabelecer, por convenção, diferenças en- tre ‘moral’ e ‘ética’. As duas mais frequentes e consagradas mantêm os dois ter- mos como referência aos deveres. A primeira dessas possibilidades consiste em reservar a palavra ‘ética’ aos deveres de ordem pública. É o caso de expressões como ‘ética da política’, ‘ética da empresa’, ‘código de ética’ (de determinadas profissões), ou ainda ‘comitê de ética para pesquisa com seres humanos’. [...] Além de sua referência a deveres, o que há em comum nas expressões analisadas é o fato de referirem-se às ações que dizem respeito ao espaço público. FONTE: LA TAILLE, Y. Moral e ética: uma leitura psicológica. Psicologia: teoria e pesquisa, Brasília, v. 26, n. especial, p. 105-114, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ptp/ v26nspe/a09v26ns.pdf. Acesso em: 29 nov. 2019. Em concordância com La Taille (2010), há outra possibilidade de diferen- ciar ética de moral rompendo claramente com a sinonímia. É por convenção que o termo “ética” é geralmente reservado para a busca de uma vida realizada e o de moral para a articulação dessa busca com normas caracterizadas ao mesmo tempo pela pretensão à universalidade e por um efeito de coação. “Em síntese, ‘a moral responde à questão: ‘que devo fazer?’, e a ética, à questão ‘como viver?’” (COMTE-SPONVILLE, 1998, p. 214 apud LA TAILLE, 2010, p. 109). • Moral (do latim “mores”, costume): entende-se a moral positiva, isto é, o conjunto de normas e valores morais de fato aceitos por uma comunidade para regular as relações entre seus membros. É um conjunto de regras de convivência social (auto-obrigação + universalidade + incondicionalidade). • Ética (do Grego “ethos”, modo de ser, comportamento): entende-se o conjunto de valores e de normas racionalmente aceitos por comunidades com diferentes morais positivas, que lhes permitem uma convivência harmoniosa e pacífica, e que até pode ser cooperativa. É uma reflexão filosófica, puramente racional, sobre a moral. http://www.scielo.br/pdf/ptp/v26nspe/a09v26ns.pdf http://www.scielo.br/pdf/ptp/v26nspe/a09v26ns.pdf 205 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • A ética se ocupa com o ser humano e pretende a sua perfeição por meio do estudo dos conflitos entre o bem e o mal, que se refletem sobre o agir humano e suas fina- lidades. • A moral ordena que o sujeito moral se sinta intimamente obrigado a agir segundo determinadas regras. • Quando se fala em ‘problemas éticos’, costuma-se fazer referência às questões ati- nentes aos deveres, portanto, ao plano moral. 206 AUTOATIVIDADE 1 Após a leitura deste tópico, que trata das definições de moral e ética, disserte se é correto ou errado usar esses dois termos como sinônimos no mundo acadê- mico. 2 De acordo com La Taille (2010), há como diferenciar ética de moral. Qual seria esse método? 207 TÓPICO 4 | BIOÉTICA TÓPICO 5 BIOÉTICA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Bioética é uma palavra relativamente nova, empregada pela primeira vez na década de 1970 por um pesquisador nova-iorquino chamado Van Ressenlaer Potter. Durante suas pesquisas acerca da cura do câncer na Universidade de Wis- consin, Potter criou este neologismo, pois percebeu a necessidade de ampliar o campo da ética de forma que esta passasse e englobar a defesa e respeito da vida humana, a fim de garantir a sobrevivência da espécie e melhorar cada vez mais sua qualidade de vida. A Bioética pode ser definida de muitas maneiras diferentes e pertinentes, segundo o seu objeto de estudo, o seu método ou o tipo de procedimento, tarefa e finalidade, ou segundo referência à teoria moral adotada, à extensão de seu cam- po de aplicação e à caracterização dos atores envolvidos e afetados que, portanto, merecem algum tipo de consideração moral. Uma das definições de bioética mais conhecidas é, segundo Barchifon- taine (2004, p. 33) “mecanismo de coordenação e instrumento de reflexão para orientar o saber biomédico e tecnológico, em função de uma proteção cada vez mais responsável da vida humana”. 2 IMPORTÂNCIA E FUNÇÕES DA BIOÉTICA Acadêmico, agora que já vimos a definição de Bioética, vejamos, a seguir, suas funções, de acordo com os estudos de Bernard (1998), para que você seja capaz de compreender a sua importância no contexto atual. Preparado? Então, vamos em frente! • Função analítica da bioética ᵒ Teórica e crítica. ᵒ Pode ser considerada a condição necessária de um ato ético. • Função normativa ᵒ Propriamente prática. ᵒ Nem sempre é efetiva no sentido de oferecer soluções concretas para um conflito, pois as normas podem ser respeitadas ou não, e porque existem situ- 208 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA ações concretas de conflito (conhecidas como dilemas morais) que não podem ser resolvidas com os meios tradicionais da racionalidade normativa. • Nível protetor ᵒ Não é propriamente uma 3ª função e sim um nível básico. ᵒ Surge devido às dificuldades de articulação entre as funções analítica e normativa. 3 MODELOS DE DISCURSOS BIOÉTICOS Existem, na atualidade, quatro modelos de discursos bioéticos, cada um com suas particularidades. Para que possamos dar sequência ao estudo da Bioéticae com- preender seu papel na ciência, vejamos cada modelo de discurso bioético, propostos por Silva (2009), e suas principais peculiaridades. • Modelo doutrinal ᵒ Enfatiza verdades indiscutíveis, pois é um discurso de regras que pro- vêm de autoridade superior, não passíveis de qualquer discussão ou deliberação. ᵒ Suas bases conceituais provêm da cultura judaico-cristã (Dogmas de Ver- dade). ᵒ É um modelo claramente unidirecional, assimétrico e heterônomo. • Modelo liberal ᵒ Provém do liberalismo, em que as pessoas são consideradas sujeitos morais, livres, autônomos e iguais. ᵒ O conceito de razão se concentra no sujeito isolado. ᵒ O Estado deve estar presente somente para proteger os interesses dos cida- dãos. ᵒ O discurso liberal considera que não cabe debater valores, porque eles são sempre relativos. ᵒ Se limita a expor as diferentes posturas morais, mas sem valorizá-las. • Modelo deliberativo (ou da comunidade de argumentação) ᵒ Considera as verdades científicas sempre provisórias e a ciência um universo em permanente construção. ᵒ A Ciência jamais deve ser um território imóvel, e sim de desafio e audácia. ᵒ Se desloca do individual para o universal. ᵒ Procura aproximar pessoas com convicções, crenças e valores distintos. ᵒ Privilegia a relação comunicativa entre as partes envolvidas no processo de diálogo. • Modelo hipercrítico ᵒ Vem do desconstrutivismo, ou seja, pratica uma filosofia mais crítica. ᵒ Considera ser muito controversa à ideia de que se construa uma sociedade conformada por acordos harmônicos entre os homens. 209 TÓPICO 4 | BIOÉTICA ᵒ Coloca tudo em dúvida, inclusive os fundamentos racionalistas e humanistas. ᵒ Argumenta que somente a partir de posturas hipercríticas e de pequenas revoltas do pensar cotidiano podem ser alcançadas as mudanças necessárias para a sociedade. 4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA A bioética, assim como toda ciência, evoluiu e continua seu processo de evolução ao longo da história. Vejamos um resumo deste percurso e seus marcos principais em cada estágio, ainda de acordo com Silva (2009). • Primeiro estágio – Período Educacional ou Protobioética (1960-1972) ᵒ Predomina a linguagem dos valores humanos (objetiva infundir valores humanos na educação dos pesquisadores). ᵒ A religião e a teologia têm papeis predominantes. • Segundo estágio – Bioética Filosófica (1972-1985) ᵒ A Ética assume papel dominante na medida em que surgem dilemas com- plexos. ᵒ Há um rápido desenvolvimento da pesquisa biológica. ᵒ A linguagem utilizada é da Ética Filosófica. • Terceiro estágio – Bioética Global (1985 até o presente) ᵒ A gama de problemas se amplia e obriga os bioeticistas a considerarem disciplinas para além de suas especialidades (direito, religião, antropologia, eco- nomia, política etc.). ᵒ A Bioética, como ideia global, ganha força e caracteriza-se mais como um movimento do que como uma disciplina. • Etapa de fundação (anos 1970) ᵒ Relacionada com o estabelecimento das primeiras bases conceituais. • Etapa de expansão e difusão (anos 1980) ᵒ Há propagação da Bioética pelos 5 continentes. • Etapa de consolidação e revisão crítica (anos 1990) ᵒ Há o reconhecimento internacional. ᵒ Ocorre as primeiras críticas à chamada Bioética Principialista. • Etapa de revisão e ampliação conceitual (atual) ᵒ Ocorre extensão do campo conceitual para além dos estreitos limites biomédicos e biotecnológicos até então preconizados. ᵒ O novo discurso é para as questões coletivas, especialmente para os problemas sociais, a saúde pública e os temas ambientais. 210 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA 4.1 BIOÉTICA NO BRASIL Acadêmico, acompanhe agora um resumo dos principais marcos da Bioé- tica em nosso país e perceba como cada uma das etapas ajudou a consolidar a sua importância na sociedade. • 1985 – O MS traduz as “Diretrizes Internacionais” da OMS de 1981. • 1988 – O CNS edita a Resolução 1, que foi o primeiro documento oficial brasileiro a estabelecer diretrizes para regulamentar a pesquisa. • 1995 – Criação da Sociedade Brasileira de Bioética. • 1996 – O CNS edita a Resolução 196, que até os dias atuais regula a pesquisa envol- vendo seres humanos em nosso país e estabelece um sistema integrado de CEPs e a CONEP. • 1997 – O CNS edita a Resolução 240, a qual define para os CEPs quem poderá ser considerado usuário de serviço de saúde. • 1997 – O CNS edita a Resolução 251, a qual trata de pesquisa com medicamentos, vacinas e testes diagnósticos. • 1999 – O CNS edita a Resolução 292, que se refere aos projetos com coordenação estrangeira. • 2000 – O CNS edita a Resolução 301, a qual propõe a manutenção inalterada da Declaração de Helsinque. • 2000 – O CNS edita a Resolução 303, a qual dispõe sobre as pesquisas na área de reprodução humana. • 2000 – O CNS edita a Resolução 304, a qual trata da utilização de populações indí- genas como sujeitos (BARBOSA, 2011). 5 BIOÉTICA PRINCIPIALISTA A Bioética Principialista baseia-se num conjunto de princípios que não são excludentes entre si, e visam ao delineamento de um convívio humano que obedeça a um mínimo de regulamentações e atinja um máximo de preservação das crenças e dos valores individuais (DINIZ; GUILHEM, 2005). Três escândalos mobilizaram a opinião pública norte-americana: • 1932-1970 (Caso Tuskegee) – 400 negros com sífilis foram recrutados para participarem de uma pesquisa de história natural da doença e foram deixados sem tratamento. • 1963 – Injetaram células cancerosas em 22 idosos doentes, sem consentimento. • 1950-1970 – Injetaram o vírus da hepatite em crianças com deficiência mental. Numa reação a estes escândalos surge o Relatório Belmont (1978), produzido pela Comissão Nacional para a Proteção de Sujeitos Humanos na Pesquisa Biomédi- ca, criada em 1974 pelo Congresso dos EUA. 211 TÓPICO 4 | BIOÉTICA Surge então a Bioética Principialista anglo-saxônica, de origem estaduniden- se, que é a concepção da Bioética caracterizada pela justificação moral com base em princípios éticos e difundida internacionalmente. Segundo Diniz e Guilem (2005), a Bioética principialista postula 3 princípios éticos: autonomia, beneficência e justiça, conhecidos como a Trindade Bioética. Em 1979, Beauchamp e Childress (2013) na obra Princípios de Ética Biomédica, incorporam também o princípio da não-maleficência. Embora produzido mais para fins pragmáticos (proteção dos profissionais de saúde e da indústria farmacêutica contra processos judiciais), tem um conteúdo relevante de humanismo. 6 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA Acadêmico, vejamos a seguir os quatro princípios da bioética. • Autonomia O princípio da autonomia é aquele que trata sobre o respeito ao indivíduo, ou seja, diz respeito à capacidade de considerar opções, fazer escolhas e agir sem nenhuma influência indesejada. Deriva da concepção de que existem direitos humanos, que são prioritários em relação a qualquer outro interesse, incluindo os interesses da Ciência e da Socie- dade. Valoriza a liberdade do indivíduo, levando-se em consideração suas deci- sões, desde que: 1. seja capaz para tal; 2. essas decisões não ocasionem danos a terceiros. O princípio da autonomia incorpora pelo menos duas preocupações básicas: as pessoas devem ser tratadas com autonomia e as pessoas cuja autonomia esteja diminuída devem ser protegidas. Pessoa autônoma é o indivíduo capaz de deliberar conscientemente após ter sido informado das consequências. Constitui-se no direito que o paciente possui de decidir, consentir ou recusar os procedimentos e tratamentos que serão praticados sobre seu corpo. No entanto, para que uma pessoa possa exercer esta autonomia, são funda- mentais a capacidade de agir intencionalmente, que está condicionada a compreen- der, avaliar e deliberar para escolher coerentemente entre as alternativas que lhe são 212 UNIDADE 3 | REGULAMENTAÇÃO E ÉTICA PROFISSIONAL DA FISIOTERAPIA apresentadas,