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2 Tendências do pensamento político pedagógico sobre a educação de jovens e adultos. Entende-se por Educação de Adultos o conjunto de processos e aprendizagem, formal ou não, pelo qual as pessoas consideradas adultas pela sociedade a que pertencem desenvolvem as suas capacidades, enriquecem os seus conhecimentos e melhoram as suas qualificações técnicas ou profissionais ou as reorientam de modo a satisfazerem as suas próprias necessidades e as da sociedade. A Educação de Adultos compreende a educação formal e educação permanente, a educação não formal e toda a gama de oportunidades de educação informal e ocasional existentes numa sociedade educativa multicultural, em que são reconhecidas as abordagens teóricas baseadas na prática. Esta modalidade educacional contribuiu no resgate a cidadania em que homens e mulheres tem acesso com as especificidades e características de cada comunidade e promovendo uma aprendizagem significativa a todos. Em um país onde existe um grande avanço tecnológico e várias iniciativas de desenvolvimento econômico, impera um número significativo de jovens e adultos que não tem acesso à escola. Isto mostra que o analfabetismo é, ainda hoje, um dos obstáculos do exercício da cidadania e influencia na exclusão social nas camadas mais desfavorecidas da sociedade. A visão de mundo de uma pessoa que retorna aos estudos depois de adulta, após um tempo afastada da escola, ou mesmo daquela que inicia sua trajetória escolar nessa fase da vida, é bastante peculiar. Protagonistas de histórias reais e ricos em experiências vividas, os alunos jovens e adultos configuram tipos humanos diversos. São homens e mulheres que chegam à escola com crenças e valores já constituídos e para isto há a necessidade de se aplicar tendências do pensamento político pedagógico que sejam inerentes aos estudantes que estejam participando deste processo de ensino aprendizagem. Os estudantes dessa modalidade trazem consigo uma visão de mundo influenciada por seus traços culturais de origem e por sua vivência social, familiar e profissional, e assim podemos dizer que eles trazem uma noção de mundo mais relacionada ao ver e ao fazer, uma visão de mundo apoiada numa adesão espontânea e imediata às coisas que vê. Os estudantes adultos, pela sua experiência de vida, são plenos do saber sensível. A grande maioria deles é especialmente receptiva às situações de aprendizagem: manifestam encantamento com os procedimentos, com os saberes novos e com as vivências proporcionadas pela escola e os conhecimentos de uma pessoa, que procura tardiamente a escola, são inúmeros e adquiridos ao longo de sua história de vida. Sendo assim, os estudantes adultos chegam à escola com um saber de vida muito grande que podem ser socializados durantes as aulas, que por sua própria natureza, ele se configura como um saber reflexivo, pois é um saber da vida vivida, saber amadurecido, fruto da experiência, nascido de valores e princípios éticos, morais já formados, anteriormente, fora da escola. Portanto podemos inferir que a aprendizagem é considerada um exercício do diálogo na sala de aula, trabalhando assim, a construção da aprendizagem de uma maneira de expressar-se típica da escola. Essa construção requer que o professor esteja atento às práticas discursivas na sala de aula, ou seja, não só ao que o estudante lê e escreve, mas também ao que ele fala, como e quando fala, o que diz e se escuta os seus colegas, pois alguns fatores estão ligados ao sujeito que aprende e devem ser consideradas. As tendências pedagógicas são visões de mundo. Cada uma apresenta as concepções de homem, sociedade e escola de uma maneira, baseada em um contexto histórico. Como proposta de abandono do modelos conservadores de educação dual e alienadora, a teoria marxista afirma que a escola pública deveria preparar o homem para a emancipação e libertação (práxis libertadora) por meio de uma educação intelectual, ligada a instrução tecnológica (bem como a de educação física), ou seja, uma educação unitária, completa, capaz de fazer o indivíduo compreender todo funcionamento do sistema (MARX, 1978). Dito isso, é importante ressaltar que educadores ligados a teorias progressistas apontam que o papel da educação é o de fazer os indivíduos perceberem que são construtores da própria história e da história de sua sociedade. Trata-se de estimular, como característica geral das tendências progressistas o inconformismo e a inquietação, de incentivar o desenvolvimento da capacidade questionadora e a disposição crítica, segundo escreve o educador José Carlos Libâneo (1985). Ademais os educadores devem ter respeito aos saberes socialmente construídos na prática comunitária com que os estudantes das classes populares que chegam à escola, bem como discutidos e relacionados com os conteúdos e o educador deve estar aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, criando possibilidades para sua própria produção e construção, pois ensinar não é transferir conhecimento. Ter consciência do inacabamento do ser é fundamental na formação docente para poder sempre buscar essa conclusão histórica e social do ser. Para isto é importante o respeito à autonomia e à dignidade do ser do educando em busca da curiosidade e inquietação em suas descobertas. Seguindo esse pensamento, a tendência Libertadora, cujo maior expoente nacional é Paulo Freire (1996), afirma que os temas geradores de discussões a serem desenvolvidos pelos alunos em sala de aula devem ser retirados de suas vidas cotidianas. Problemas econômicos, políticos, além de questões sociais devem ser debatidos e estimulados pelo professor em um relacionamento horizontal. Quanto a isso, é possível afirmar que as tendências pedagógicas libertadora e libertária combatem a ideia de autoritarismo no que tange ao sistema e a atuação do professor em sala de aula. Já a tendência Libertária ainda vai mais fundo nessa questão de discussões em grupos, esperando que, a partir da atuação de conselhos, assembleias, associações e sindicatos, aconteça uma transformação na escola e na sociedade. Segundo Sílvio Gallo (1996), uma das palavras chave dessa tendência é justamente a “autogestão” do indivíduo, pois desde jovem o aluno é estimulado a procurar grupos de discussão com fins de crescimento e autonomia. A pedagogia Libertária abrange ainda variadas interpretações, como a anarquista, a psicanalista, a dos sociólogos e professores progressitas, tendo como principais nomes Alexander Neill, Miguel Arroyo e Célestine Freinet. Em tempo, vale ressaltar que entre os anos 1970 e 1980, o filósofo brasileiro Dermeval Saviani desenvolveu um novo conceito, que ficou conhecido como Crítico-Social os Conteúdos (2011). Nesse modelo, além das características gerais das teorias progressistas, o professor se torna um mediador dos saberes a serem ministrados dentro de sala de aula. A escolha dos conteúdos continua sendo relacionada à realidade social dos jovens, bem como os ideais de transformação social. Porém, conforme aponta o nome da tendência, tais conteúdos devem formar o jovem para mundo adulto e para os problemas que ele irá enfrentar, não apenas focando no encaixe no mundo do trabalho, como seria em uma tendência conservadora, mas também a sua participação ativa em uma sociedade democrática. Referências Fragmentos de: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/consideracoes-historicas-sobre-as-teorias-pedagogicas-conservadoras-progressistas.htm FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra. Pp.57-76. 1996. LARROYO, Francisco. História Geral da Pedagogia. ed. São Paulo: Editora Mestre Juo. São Paulo, 2004. LIBÂNEO, José C.; Democratização da Escola Pública a Pedagogia Crítico Social dos Conteúdos. São Paulo, Loiola, 15ª edição, 2005. LUZURIAGA, L. História da Educação e da Pedagogia. 2ª. ed. rev. São Paulo: Editora Nacional. 2010. ROGER, Carl. Liberdade para aprender. Belo Horizonte: Interlivros, 2003. SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 31 ed. Campinas: Autores Associados, 2007.