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Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

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se tratar de direitos patrimoniais disponíveis, 
ou seja, quando o direito tiver expressão monetária, que possa ser exercido livremente 
por seu titular ou questões para as quais o Estado não tenha criado limitações, ainda, 
que esteja fora da proteção do interesse público e que o interessado possa dispor do 
objeto da controvérsia livremente.132 
Definida como um processo privado, em que os interessados buscam auxílio 
de um terceiro neutro ao conflito, para após o devido procedimento, prolatar uma 
decisão, que seria a sentença arbitral.133 
A jurisdição estatal oferece um processo eivado de procedimentos, atos e 
formalidades, já a arbitragem oferece atos mais concentrados, e da decisão final não 
cabe recurso, o que resulta em solução mais célere ao processo, a informalidade 
 
131 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Manual de arbitragem e mediação: 
conciliação e negociação. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. p.144. 
132 GUERRERO, Fernando, L. Os Op. cit., p. 15. 
133 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça 2015. Guia de Conciliação e Mediação Judicial: 
orientação para instalação e CEJUSC. Brasília/DF: Conselho Nacional de Justiça. p. 38. 
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garante às partes uma atuação com maior maleabilidade, inclusive na escolha do 
árbitro que resolverá o conflito.134 
Como característica principal, a arbitragem possui a coercibilidade e 
capacidade de pôr fim ao conflito de forma mais célere que o processo judicial, pois 
não há recurso no seu procedimento, cabendo apenas uma demanda anulatória da 
sentença. A Lei 9.307/96 prevê que o judiciário irá executar as sentenças arbitrais 
como se sentenças judiciais fossem.135 
No tocante às vantagens, antes de iniciada a arbitragem as partes podem 
controlar o procedimento a ser adotado, bem como, a escolha do árbitro além de que, 
a arbitragem é mais sigilosa e célere que o processo judicial.136 
Para empregar a arbitragem é necessário cumprir os mesmos requisitos de 
negócio jurídico, previsto no artigo 104, do código Civil, quais sejam: capacidade das 
partes e direito patrimonial disponível. A arbitragem é fundada nos princípios 
contratuais, por essa razão deve ser observada a função social do contrato.137 
O modelo ainda oferece a modalidade Med-arb, que consiste em um processo 
híbrido, no qual é iniciado com uma mediação, não conseguindo solucionar 
consensualmente, seguirá então para a arbitragem. A modalidade deve estar prevista 
na convenção arbitral.138 
 
2.6 JURISDIÇÃO ESTATAL 
 
A jurisdição estatal é aquela comumente utilizada, através da qual todos os 
operadores do direito já vêm aplicando em busca de solução dos litígios. Respaldada 
pelas garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, 
nos termos do CPC. 
A todos é garantido o acesso à justiça, o direito de obter uma resposta a todas 
as suas pretensões do poder judiciário. Quando proposta uma demanda, haverá a 
formação do processo que é o instrumento da jurisdição, através do qual será possível 
 
134 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit., p.144-146. 
135 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça 2015. Op. cit., 38. 
136 Idem. 
137 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit., p.144. 
138 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça 2015. Op. cit., p. 39. 
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ao juiz dar uma resposta para a situação apresentada, aplicando a lei ao caso 
concreto.139 
A solução do litígio se dará através da sentença judicial, é o chamado “perde-
ganha”. Os litigantes poderão se valer do processo judicial quando não estão 
dispostos a abrir mão de absolutamente nenhum ponto daquela situação, nem se 
façam capazes de negociar. 
O processo judicial possui aspectos objetivos, constituído por atos ordenados 
e previstos em lei, justamente para o alcance desta, o processo possui ainda os 
aspectos subjetivos, que estabelece certa relação entre o juiz e as partes, que pode 
vir a se prolongar no tempo, implicando direitos, deveres, ônus e faculdades.140 
No tocante a prestação jurisdicional, CÂMARA esclarece que: “Incumbe ao 
Judiciário identificar, através de um processo de que participam, cooperativamente, 
todos os interessados, a solução correta da causa que lhe foi apresentada. E dar ao 
processo essa solução correta. Este resultado juridicamente correto, 
constitucionalmente legítimo, do processo, é o resultado da atividade jurisdicional”.141 
O resultado do processo precisa ser juridicamente legítimo, ou seja, o juiz não 
poderá inventar uma solução para a causa, a solução será construída através do 
contraditório, a parte obterá o reconhecimento de um direito que já possui.142 
Neste sentido CÂMARA143 acrescenta que existem as três características 
essenciais da jurisdição: inércia, substitutividade e natureza declaratória, sendo a 
inércia a consequência entre a demanda e o resultado do processo que só será 
exercida mediante provocação, Substitutividade em razão da vedação da autotutela 
produzindo resultados que dispense a atuação das partes; e a natureza declaratória 
no sentido de reconhecer o direito do litigante. 
A jurisdição se faz através da função estatal de solucionar as causas que lhes 
são submetidas, por meio do processo judicial, aplicando a solução juridicamente 
correta, conforme o direito, aplicando a norma jurídica ao caso concreto.144 
 
139 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual civil esquematizado: 
coordenador Pedro Lenza. 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p.179. 
140 Idem. 
141 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civil brasileiro. 4 ed. São Paulo: Atlas, 
2018.p.30. 
142 Idem. 
143 Idem. 
144 CÂMARA, Alexandre Freitas. Op. cit., p. 30. 
37 
 
 
Sendo o instrumento utilizado pela jurisdição para aplicar a lei ao caso concreto, 
deve atender da melhor forma possível a sua finalidade que é fazer valer o direito da 
parte, se moldando à pretensão do direito material que se deve satisfazer, por essa 
razão existem inúmeros tipos de processos, classificados de acordo com a tutela 
postulada.145 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
145GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Op. cit., 180. 
38 
 
 
3 A RESISTÊNCIA AOS MEIOS ALTERNATIVOS DE RESOLUÇÃO DE 
CONFLITOS 
 
O advogado é o primeiro a ser procurado pelo litigante, que apresentará 
dentre as possibilidades aquela que considera a mais adequada aos interesses da 
parte que virá a representar, ainda, a possibilidade deverá trazer vantagens ao próprio 
advogado, por essa razão, a alternativa utilizada será aquela que oferecer maior 
ganho para ambos. 
É nítido que, desde sempre a prática contenciosa foi utilizada para solucionar 
os conflitos, o tempo despendido, acrescido de intensa dinâmica processual refletem 
a ideia do trabalho exercido pelo advogado, razão pela qual faz jus aos honorários 
contratados, além dos honorários sucumbenciais quando vencedor da demanda. 
A formação acadêmica ofertada aos operadores do Direito enfatiza a prática 
contenciosa e adjudicada dos conflitos, de modo que, grande parte dos bacharéis, em 
sua graduação, foram orientados e adquiriram a prática sobre o processo dessa 
maneira, sendo que, muitos nem são capazes de diferenciar a mediação da 
arbitragem.146 
O ensino jurídico romanístico induz a aceitação do magistrado investido nas 
funções jurisdicionais como única autoridade apta a definir as situações apresentadas, 
o que gera a resistência quando se passa a considerar a adesão as formas 
consensuais.147 
No mesmo caminho segue o ensino jurídico brasileiro, que, durante muito 
tempo não se preocupou em oferecer com maior profundidade estudos dedicados aos 
métodos autocompositivos, algo que se facilmente pode ser verificado através da 
análise curricular da maioria dos cursos de Direito,