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Escola CETEB de Jovens e Adultos Brasília-DF, 2011. Língua Portuguesa Elaboração: Ana Paula Porfírio de Souza, Magda Maria de Freitas Querino, Maria Teresa Caballero Brügger e Equipe Técnica do CETEB CURSO: TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS Eixo Tecnológico: Gestão e Negócios Nos termos da legislação sobre direitos autorais, é proibida a reprodução total ou parcial deste documento, por qualquer forma ou meio – eletrônico ou mecânico, inclusive por processos xerográficos de fotocópia e de gravação – sem a permissão expressa e por escrito do CETEB. DOCUMENTO DE PROPRIEDADE DO CETEB TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Sumário unidade 1 – Linguagem, Língua e FaLa LiNguAgEM _______________________________________________________________________ 5 LíNguA E FALA _____________________________________________________________________ 5 LiNguAgEM VErBAL: o SigNo LiNguíSTiCo ___________________________________________ 6 DiMENSão LiNguíSTiCA: iNDiViDuAL E SoCiAL _________________________________________ 8 unidade 2 – ProceSSo da comunicação ELEMENToS DA CoMuNiCAção ______________________________________________________ 11 FuNçõES DA LiNguAgEM ___________________________________________________________ 13 NíVEiS DA LiNguAgEM ______________________________________________________________ 15 unidade 3 – novo acordo ortográFico da Língua PortugueSa ACorDo orTográFiCo DA LíNguA PorTuguESA _______________________________________ 19 unidade 4 – Sintaxe SiNTAxE DE CoNCorDâNCiA, DE rEgêNCiA E DE CoLoCAção ____________________________ 23 rEgêNCiA _________________________________________________________________________ 29 EMPrEgo DA CrASE _______________________________________________________________ 31 EMPrEgo DoS ProNoMES DEMoNSTrATiVoS ________________________________________ 33 CoLoCAção ProNoMiNAL __________________________________________________________ 35 unidade 5 – diScurSo adminiStrativo CoMuNiCAção NA rEDAção ADMiNiSTrATiVA _________________________________________ 41 DiSCurSo ADMiNiSTrATiVo CoNTEMPorâNEo ________________________________________ 42 unidade 6 – documento entre emPreSaS DoCuMENToS ADMiNiSTrATiVoS ____________________________________________________ 49 CArTA EMPrESAriAL ______________________________________________________________ 50 unidade 7 – modaLidadeS adminiStrativaS MoDALiDADES DE CoMuNiCAção oFiCiAL _____________________________________________ 61 reFerênciaS __________________________________________________________________________ 83 Linguagem, Língua e Fala Unidade 1 Técnico em Transações Imobiliárias Objetivos: • Distinguir linguagem, língua e fala. • Identificar a linguagem verbal e o signo linguístico. • Compreender as variações linguísticas. Linguagem A vida social do homem constitui-se a partir da interação que ele estabelece com seus semelhantes. Nessa relação, util iza-se a linguagem como forma de expressão. A linguagem consiste na capacidade de o ser humano expressar seus estados mentais por meio de qualquer sistema organizado de sinais (códigos) em busca de comunicação. os códigos diversos classificam-se em não verbais e verbais. A linguagem não verbal serve-se de códigos representados por cores (semáforos), luzes (farol do mar, à noite), gestos (acenos), mímicas (imitações em geral), desenhos (imagens), ícones (talheres para indicar restaurantes), sons (música orquestrada), entre outros. A linguagem verbal serve-se de palavras (signos linguísticos), faladas ou escritas, por meio das letras do alfabeto, e denomina-se língua. É o principal código utilizado pelos membros de uma determinada comunidade para se comunicarem entre si – código de signos convencionais que expressa a realidade cultural dessa comunidade, conhecido por ela e transmitido para outras gerações. Língua e FaLa A língua é uma criação social, um produto histórico que evolui, acompanhando o processo de desenvolvimento da comunidade que a utiliza: português, francês, inglês, italiano, espanhol etc. É, portanto, um instrumento de comunicação. Ao comunicar-se, o homem expressa seus pensamentos por meios da língua da sua comunidade, de forma pessoal, optando, entre várias possibilidades (vocabulário, estruturas frasais), por aquelas que melhor lhe convenham no momento, realizando um ato de fala. A fala é, assim, a utilização individual da língua com vista à comunicação. É produto da vontade e inteligência do falante que a pode modificar, segundo seu gosto e sentimentos. um fenômeno fonético (composto de sons vocais) que provém de uma atividade psicofisiológica do falante. A representação gráfica da fala é a escrita, nem sempre fiel à fala, mas equivalente. A língua é, assim, um código com estrutura própria, comum a todos os membros de uma determinada sociedade: um fato social. A fala é a realização (sonora ou visual) desse código: um ato individual que depende da vontade e da inteligência do falante; o uso que uma pessoa faz da língua em situação específica. Principais diferenças entre LÍNGUA E FALA Língua Fala Potencial Código com estrutura própria Atualizada realização sonora/ visual desse código 6Unidade 1 Língua Fala Fato social Move-se lentamente Ato individual Move-se rapidamente exercícios I – Escreva V (verdadeiro) ou F (falso), considerando a veracidade dos conteúdos. 1. ( ) A linguagem é um sistema de signos armazenados em nossa memória, um patrimônio extenso à nossa disposição. 2. ( ) A linguagem é a faculdade própria do ser humano para expressar seus estados mentais em busca de comunicação. 3. ( ) o semáforo é um exemplo de linguagem não verbal. 4. ( ) A língua é um sistema de comunicação, uma criação social, utilizado pelos membros de uma determinada comunidade como o principal código de comunicação. 5. ( ) A l íngua é produto da vontade e da inteligência do falante, que a pode modificar, segundo o gosto pessoal, seus sentimentos e sua condição social. 6. ( ) A fala possui natureza transitória. 7. ( ) A língua é um sistema de sinais gráficos que permite a comunicação entre os seres humanos. 8. ( ) A fala é a utilização pessoal do código, denominado língua; é dinâmica e sofre influência de modismos e de outros fatores que condicionam a vida do ser humano. 9. ( ) A comunicação é essencial para manter a união entre os seres humanos e garantir-lhes a sobrevivência no planeta. 10. ( ) Cada falante escolhe, na língua, os meios de expressão de que necessita para se comunicar e confere-lhes natureza sonora, produzindo a fala. II – Relate uma situação em que as linguagens a seguir foram utilizadas. 1. Linguagem não verbal 2. Linguagem verbal III – Complete as lacunas, aplicando os conceitos estudados. os textos da revista Veja são exemplos de linguagem ___________, porque utilizam um código estruturado, denominado ____________________, que é o principal código de comunicação da comunidade linguística. Por se tratar de um emprego individual da língua, o texto é a representação escrita de um ato de _____________. confira suas respostas i – 1(F), 2(V), 3(V), 4(V), 5(F), 6(V), 7(F), 8(V), 9(V), 10(V). ii – 1. resposta pessoal. A situação não verbal relatada não pode ser representada por palavras faladas ou escritas. 2. A situação verbal relatada deve ser representada por palavras faladas ou escritas. iii – ... verbal ... língua ... fala Linguagem verbaL: o Signo LinguíStico os signos que constituem a língua são chamados de signos linguísticos (palavras), que, organizados segundo as regras (gramática) da língua, possibilitam às pessoas expressarem pensamentos, sentimentos, emoções. Para que haja comunicação por meio dos signos linguísticos, é necessário que o emissor (falante) e o receptor (ouvinte) conheçam a forma como esse código se organiza para formar frases (gramática) e o significado desses signos (semântica). Signos linguísticos são, portanto, signos que constituemo código linguístico e que estão à disposição dos falantes para serem atualizados em atos de fala, durante a comunicação, por meio da linguagem verbal. o signo linguístico compõe-se de duas partes: significante e significado. • o significante é o lado material: sons (fonemas) na língua falada e letras (grafemas) na língua escrita, combinados de acordo com as regras (gramaticais) da língua. • o significado é o lado imaterial: a ideia, o conceito existente na mente de cada falante da língua (constituindo a semântica da língua) e que se evoca quando o significante o transmite. 7Unidade 1 Significante fonemas (/á/ /r/ /v/ /o/ /r/ /e/) e letras da palavra árvore. Significado conceito, ideia da palavra árvore: vegetal lenhoso. o signo árvore, por exemplo, relaciona-se com dois dados da memória: uma imagem acústica, correspondente à lembrança de uma sequência de sons (significante) e um conceito, um dado do conhecimento humano sobre o mundo (significado). o significado dos signos linguísticos é um conjunto complexo de informações acumuladas ao longo da história das sociedades humanas, ou seja, utilizar uma determinada palavra da nossa língua é, na verdade, fazer ecoar por meio dela todo um processo histórico de formação de conceitos sobre a vida e o mundo. Assim, o significado do signo árvore ultrapassa o conceito de “vegetal lenhoso”, pois há valores simbólicos e ideológicos que se podem associar a esse signo: símbolo da vida, símbolo da preservação da mata etc. Há ainda, valores só definidos na interlocução: conjunto de sentidos que a palavra árvore assume numa conversa entre donos de madeireiras sobre a extração de mogno etc. o conhecimento de uma língua abrange não apenas a identificação de seus signos, mas também o uso adequado de suas regras combinatórias. Esse conhecimento constitui o que se costuma denominar “competência gramatical” do usuário da língua. Socialmente, a língua é sempre usada na forma de textos. A história das sociedades humanas fez surgirem, ao longo dos tempos, diversos tipos de textos. o conhecimento e o reconhecimento desses tipos textuais, bem como a capacidade de utilizá-los adequadamente, são fundamentais para a participação efetiva na constante interação comunicativa da vida social. os diferentes tipos textuais existem em função das muitas necessidades sociais e, lidar com eles de forma eficiente, tanto na sua leitura quanto na sua produção, constitui a chamada “competência textual’’ do usuário da língua. Há, também, uma profunda e indissociável relação entre os textos e as situações concretas em que são utilizados pelos interlocutores. Além do texto propriamente dito, há, nas situações efetivas de interação verbal, todo um contexto que atua e participa dos efeitos de sentido que se criam. Essas situações de uso efetivo da linguagem constituem o chamado discurso – e o interlocutor hábil aprende a manejar os dados dessas situações a fim de alcançar seus objetivos por meio da linguagem. o significado de um texto, portanto, abrange a interpretação das relações que estabelece com a situação efetiva em que é produzido. Nessa interpretação, devem ser levados em conta aspectos como o perfil social dos interlocutores, o lugar social em que se colocam quando interagem, o contexto social e histórico da sociedade em que o texto é utilizado, os valores ideológicos, as relações do texto com outros textos que circulam pela sociedade (intertextualidade) e outros elementos. Assim, torna-se importante um maior conhecimento dos elementos constitutivos do código verbal: o signo linguístico. exercícios I – Identifique os signos linguísticos que a imagem abaixo representa, no código de trânsito, indicando seus componentes: Signos linguísticos: / Significantes: Componentes: Significados: 8Unidade 1 II – Observe atentamente a situação apresentada nos quadrinhos e responda: de que forma o que nela ocorre nos permite concluir que a linguagem é um meio de ação de um interlocutor sobre o outro? _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ III – Comente situações vivenciadas em que o desconhecimento exato do código linguístico o tenha deixado em situação constrangedora. _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ IV – Conceitue os seguintes termos: Competência gramatical: _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ Competência textual: _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ confira suas respostas i – área escolar Significantes: /á/ /r/ /e/ /a/ – /e/ /s/ /c/ /o/ /l/ /a/r/ Significados: advertência sobre a existência de escola na área; cuidado redobrado. ii – Você deve ter observado que, para provar o falso diagnóstico do paciente, o médico utilizou uma técnica eficaz, ou seja, comprovou a ação de um interlocutor sobre outro por meio da linguagem. iii – resposta pessoal. iV – Competência gramatical: conhecer os signos de uma língua e o uso adequado de suas regras combinatórias. Competência textual: lidar com os diferentes tipos textuais de forma eficiente, tanto na sua leitura quanto na sua produção. dimenSão LinguíStica: individuaL e SociaL A língua é um patrimônio social, um verdadeiro “contrato” que os indivíduos de um grupo estabelecem. individualmente, cada pessoa pode utilizar a língua de seu grupo social de uma maneira particular, que, em alguns casos, configura um estilo personalizado. Mas, por mais original e criativa que seja, a expressão oral e escrita acaba contida no conjunto mais amplo que norteia a Língua Portuguesa. refletir sobre as formas e os usos da Língua Portuguesa deve ser um processo contínuo em nossa vida. A principal finalidade desse processo é aumentar a eficiência na produção e na interpretação dos textos falados e escritos com que se organiza a interação verbal na sociabilidade. Conhecer bem a língua em que se vive e pensa é investir no ser humano que se é – individual e socialmente falando. É aprender a usar a variante mais apropriada à situação de interação verbal que se está vivendo. Falar ou escrever implica observar diferenças na elaboração dos textos. A tal ponto chegarão essas variações que se pode considerar que a língua tem duas modalidades diferentes: a língua 9Unidade 1 falada e a língua escrita. Essas modalidades atendem a necessidades diferentes da vida social e, por isso, devemos conhecê-las bem, a fim de lidar com elas satisfatoriamente. Alguns fatores são responsáveis por essas variações: geográficas, sociais, profissionais e situacionais. • Fatores geográficos Há variações entre as formas que a Língua Portuguesa assume nas diferentes regiões em que é falada. Essas variações regionais constituem os falares e os dialetos. Não há motivo linguístico algum para que se considere qualquer uma dessas formas inferior ou superior às outras. • Fatores sociais o português empregado pelas pessoas que têm acesso à escola e aos meios de instrução formal difere do português empregado pelas pessoas privadas de escolaridade. Cria-se, dessa maneira, uma modalidade de língua – a norma culta (língua-padrão), cujos modelos costumam combinar formas utilizadas por escritores considerados clássicos com outras codificadas em gramáticas prescritivas. A norma culta deve ser adquirida durante a vida escolar e seu domínio é solicitado como forma de ascensãoprofissional e social. • Fatores profissionais o exercício de certas profissões requer domínio de termos específicos. Essas variantes têm seu uso praticamente restrito ao intercâmbio técnico de especialistas. • Fatores situacionais uma pessoa deve conhecer e empregar apropriadamente as variações da língua em situações formais (como um discurso para uma solenidade) e informais (como uma conversa descontraída entre amigos). Em cada uma dessas oportunidades, empregamos formas de língua diferentes, procurando adequar nosso nível vocabular, sintático e textual ao ambiente linguístico em que nos encontramos. A língua, então, admite inumeráveis possibilidades de atos de fala em sua concretização, em seu registro, correspondentes à variação no uso da língua por parte do falante, conforme a situação social, cultural ou regional. exercícios I – Justifique a seguinte afirmação. A língua é um conceito amplo e elástico, capaz de abarcar todas as manifestações linguísticas, individual e coletiva. _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ II – Caracterize as formas de língua solicitadas. 1. Língua falada _____________________________________________ _____________________________________________ 2. Língua escrita _____________________________________________ _____________________________________________ III – Re lac ione adequadamente os fatores responsáveis pelas variações linguísticas. A – Fatores geográficos C – Fatores profissionais B – Fatores sociais D – Fatores situacionais ( ) Emprego de variações linguísticas de acordo com contextos específicos. ( ) Formas variantes que a língua apresenta nas diferentes regiões brasileiras. ( ) Linguagem com termos restritos ao intercâmbio técnico de especialistas. ( ) Modalidades de língua empregadas conforme a escolaridade das pessoas. confira suas respostas i – resposta pessoal. observe se o seu pensamento está coerente com os conceitos estudados. ii – resposta pessoal. Compare seus exemplos com os conceitos estudados. iii – Sequência correta dos fatores relacionados: (D), (A), (C), (B). Processo da Comunicação Unidade 2 Técnico em Transações Imobiliárias Objetivo: • Reconhecer a importância dos elementos de comunicação para uma interação satisfatória. eLementoS da comunicação A comunicação sempre foi uma necessidade do homem. Comunicando-se, ele pôde trocar ideias e experiências com outros membros de seu grupo, o que foi decisivo para a perpetuação da espécie e dos conhecimentos. As comunicações administrativas, por exemplo, formam um sistema de informação estabelecido para favorecer aqueles que trabalham em organizações. Essas organizações se tornam viáveis quando possuem meios apropriados para adquirir informações a respeito de si mesmas e subsistem quando há comunicação interna e externa bem estabelecida. Seus objetivos são cumpridos à medida que os processos eficientes de comunicação as impulsionam na direção do que foi previamente planejado. Elemento indispensável a toda comunicação, a informação é o conteúdo de uma mensagem emitida ou recebida. É o ato de noticiar algo a alguém; dar parecer sobre alguma coisa; conceber por meio de dados. Vale lembrar que, enquanto o dado é uma mensagem sem avaliação, a informação é um dado avaliado para uma situação específica. Daí se afirmar que o desempenho de uma organização depende, também, da capacidade de seu sistema de informação em transformar dados sensoriais em unidades de informação consumíveis e processáveis. A informação, portanto, é imprescindível ao administrador como base para atingir metas e para que possa descobrir e definir áreas problemáticas que impedem a organização de atingir seus objetivos. É por meio dela, também, que são avaliados desempenhos individuais e coletivos, uma vez que a eficiência do trabalho em grupo depende de informações propiciadoras de ajustamentos necessários. Processo de concatenação ou sucessão de fenômenos, de estados ou de mudanças, a comunicação não pode ser atribuída a um único fator, pois no seu processo intervêm vários elementos básicos, entre eles emissor, receptor, mensagem, código, canal, referente. Emissor ou codificador é aquele que, em certo momento, emite mensagem elaborada de acordo com código e regras determinados, para um receptor ou destinatário, tendo em vista produzir reação sobre outrem. Receptor ou decodificador é aquele a quem se dirige a mensagem; aquele que a recebe e a decodifica. Em decorrência, recomenda-se o uso de código fechado, de vocabulário preciso, comum a emissor e a receptor, e simplicidade na estruturação fraseológica. Para que a mensagem possa afetar o receptor, é necessário coerência entre mensagem e comportamento do emissor, credibilidade quanto ao valor das fontes e dos meios, aceitabilidade e compreensibilidade. Mensagem é sinônimo de conteúdo, aquilo que é dito num texto, num discurso; o que passa de significativo na comunicação entre emissor e receptor. É a unidade básica da comunicação, porque gera reações e comportamentos. 12Unidade 2 Código é um conjunto de signos relacionados de tal modo que formam e transmitem mensagens; um conjunto de regras necessárias para a efetivação da comunicação. Canal é o suporte material que possibilita veicular a mensagem ao receptor, através do espaço e do tempo. As informações chegam ao receptor de vários modos: face a face, por cartas, por telefonemas, por jornais, por revistas, por e-mails e, ainda, por outros meios. A escolha de um canal inadequado influencia negativamente a mensagem que se quer transmitir e, consequentemente, corre-se o risco de não se atingir os objetivos almejados. Além desses elementos, outros são de grande valia para um melhor entendimento da comunicação: referente, contexto, feedback, repertório. Referente é o elemento que dá origem à mensagem; inicia o ciclo da comunicação. É um dado da realidade que constituirá a mensagem. Contexto consiste no desenvolv imento circunstancial em que a mensagem é transmitida; envolve a(s) situação(ões) em que a mensagem ocorre. Dele depende o sentido das palavras, visto que a palavra só realiza (atualiza) sua potencialidade em um determinado contexto. Feedback é um processo mediante o qual se controla o resultado do desempenho de uma mensagem sobre o receptor. Possibilita o prosseguimento do fluxo de mensagens e auxilia a fonte a examinar os resultados obtidos na transmissão da mensagem, em relação a seus objetivos iniciais. Repertório é o conjunto dos elementos que possuem significação; um conjunto de signos conhecidos ou assimilados por um indivíduo; uma espécie de reservatório ou estoque de experiências indispensável para que uma mensagem, codificada por um emissor, possa ser melhor compreendida pelo receptor. Para transmitir informações novas de maneira eficaz, ou seja, ampliar o repertório do seu público, o emissor deve trabalhar com uma medida adequada de redundância, diminuindo, portanto, a entropia, mas aumentando a possibilidade de compreensão de sua mensagem. Redundância é o elemento utilizado numa mensagem para reduzir os riscos de ruído. É a informação que se transmite adicionalmente para proporcionar compreensão. É a reiteração de determinadas frases, de explicações, de esclarecimentos adicionais. É desejável, porém, que a redundância não se transforme em aborrecimento e em falta de cuidado com a linguagem. A recepção de uma mensagem fica facilitada quando a própria sintaxe contribui com a introdução de redundância. Assim, a redundância tem o papel de destaque na comunicação, pois dá estrutura ao sistema comunicativo. Nas organizações, ocorrem situações de redundância a todo instante: envia-se correspondência, telefona-se em seguida, torna-se a confirmar por e-mail ou outro canal. Às vezes, comunica-sea viagem do executivo, faz-se a reserva de hotel por e-mail, confirma-se a reserva por telefone e, por fim, telefona-se, novamente, comunicando a hora da chegada. Cuidado! redundância não se confunde com pura repetição. Todo sistema de comunicação está sujeito a erros ou a falhas denominados ruídos. A ocorrência desses distúrbios inviabiliza a comunicação, ou seja, distorce a informação pretendida. É importante ressaltar que, no contexto da comunicação, uma única função não se apresenta como exclusiva, mas, sim, como predominante, considerando o objetivo do emissor ao se manifestar. Vejamos, na carta transcrita a seguir, como se dá esse processo comunicativo. São Paulo, ___ de ________ de______. Dr. Ricardo França Pereira Companhia Coringa Ltda. Prezado Senhor, Oferecemos a V.Sa., nossos serviços profissionais de Administração de Imóveis, visando a auxiliá-lo em todas as etapas da administração do seu bem. Nosso trabalho consiste das seguintes etapas: – Assessoria Administrativa; – Assessoria Jurídica especializada; – Avaliação do imóvel gratuita; 13Unidade 2 – Vistoria anual; – Atendimento Personalizado; – Contato direto por linha telefônica exclusiva; – Relatórios mensais sobre a locação; – Cadastro de Prestadores de Serviços e Parcerias. Informamos a V. S.a que somos especilizados na área de Administração Imobiliária com profissionais formados em Transações Imobiliárias pelo Ceteb e capacitados a atendê-lo com agilidade e eficiência. Atenciosamente, Humberto de Alencar Bastos Diretor Comercial/CRECI no________ Vamos à identificação dos elementos básicos. • Emissor: Humberto de Alencar Bastos • referente: o oferecimento de prestação de serviços de Administração imobiliária • Código: Verbal, a Língua Portuguesa • Mensagem: Toda a informação a respeito do referente • Canal: A escrita (carta) • receptor: Dr. ricardo França Pereira – Companhia Coringa Ltda. exercícios I – Reconheça os elementos da comunicação solicitados na situação apresentada. Vladimir decide comprar um imóvel. Procura uma imobiliária e esta lhe sugere, depois de conhecer os interesses do cliente, um imóvel na planta. o corretor convida Vladimir para uma visita ao lançamento do residencial “Anjos”. Encantado, Vladimir fecha o negócio à vista. 1. Emissor: ________________________________ __________________________________________ __________________________________________ 2. referente: _______________________________ __________________________________________ __________________________________________ 3. Código: _________________________________ __________________________________________ __________________________________________ 4. Mensagem: ______________________________ __________________________________________ __________________________________________ 5. Canal: __________________________________ __________________________________________ __________________________________________ 6. receptor: _______________________________ __________________________________________ __________________________________________ confira suas respostas i – 1. Vladimir 2. intenção de compra. 3. Verbal, a Língua Portuguesa 4. Diálogo ocorrido entre o cliente e o corretor. 5. A fala (voz) 6. Corretor FunçõeS da Linguagem Há diversos portadores de textos que se prestam à realização da comunicação: receitas; regras; jornais; telegramas; rótulos; bilhetes; símbolos; músicas; propagandas; cartões; apostilas; lendas; gráficos; convites; e-mails; anúncios; dicionários; quadros; telegramas; gibis; almanaques; livros; extratos bancários; notas fiscais; módulos; avisos; catálogos; tabelas; cartas; esquemas; bulas; tabelas; boletos; revistas; contas: água, luz, telefone; tabelas; manuais; mapas; documentos; folhetos; quadros. Mas cada um deles tem o seu uso em função de uma situação. Têm-se, então, as chamadas funções da linguagem, que, de acordo com seu referente, expressam seus objetivos. A função emotiva ou expressiva reflete os estados mentais ou emocionais do emissor. É centrada no “eu”. Exemplo. Dentro da noite, com o silêncio em torno de mim, deitado, sem sono, sou um rio, um rio que parou, um rio escondido na sombra de velhas árvores, um rio irmão de alguns que vi em Minas e que tiveram ouro no fundo. Na água imóvel, as imagens da vida se debruçam. (álvaro Moreyra) A função referencial, denotativa ou cognitiva refere-se a informações e a fatos do cotidiano. 14Unidade 2 É centrada no referente ou no assunto a ser transmitido. Exemplo. A expansão do mercado imobiliário torna a corretagem de imóveis uma opção de ganho de capital rápido. Por isso, a profissão de Corretor de Imóveis cresce a cada dia e, na mesma proporção, aumenta também o nível de exigência por parte dos clientes que buscam neste profissional um consultor que possa assessorá-lo em todas as fases da comercialização do imóvel. (Primeira Edição). A função poética tem por objetivo trabalhar o conteúdo de forma artística. É centrada na mensagem. Exemplo. “Eu não tinha este rosto de hoje assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.” (Cecília Meireles) A função fática estabelece a comunicação por meio de recursos linguísticos orais, que visam a iniciar, a prorrogar e a finalizar o contato entre emissor e receptor, além de testar o funcionamento do canal. É centrada no canal. Exemplo. Gerente: – Olá! Que bom vê-lo por aqui! Precisava mesmo falar com você. Corretor: – Ah! Meu querido, diga. Gerente: – Então, como estão as vendas por lá? Corretor: – Tudo bem, sem muitas novidades... Gerente: – Não se esqueça de que este mês precisamos bater nossa meta. Corretor: – Ah! É verdade, precisamos de uma nova estratégia de vendas. Gerente: – Sim? E qual é sua sugestão? Corretor: – Não, eu não tenho sugestões. Ideia é trabalho para o marketing. A função metalinguística utiliza os recursos gráficos da língua para explicar a própria língua. É centrada no código. Exemplo. Vaidade: desejo imoderado que leva pessoas a se enfeitarem para seu próprio prazer ou para atrair admiração. A função apelativa ou conativa tem por finalidade persuadir o leitor. É centrada no receptor. Exemplo. Faça o seguro do imóvel e leve grátis a equipe de manutenção. exercícios Identifique a função dominante no texto apresentado e justifique sua resposta. “Família com renda até R$ 4.900 já pode financiar casa mais cara (Folha.com) – 3/3/11 os novos limites para financiamento de imóveis dentro das regras do FgTS (Fundo de garantia por Tempo de Serviço) começaram a valer nesta quinta-feira. Com isso, sobe também o teto dos imóveis enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida. A Caixa Econômica Federal informou que já trabalha com os novos valores para avaliação de imóveis. A renda familiar máxima para enquadramento nos financiamentos é de r$ 4.900 para regiões metropolitanas de SP, rJ, DF e demais capitais. o mesmo limite passa a ser utilizado também para os municípios com população igual ou superior a 250 mil habitantes. Nas demais regiões do país, o valor é de r$ 3.900. A justificativa para o aumento do teto é proporcionar a equivalência aos valores praticados no mercado imobiliário e pretende cobrir o deficit na habitação popular. Desde 2007 não havia reajuste desses valores. No início de fevereiro, o Conselho Curador do FgTS já havia anunciado a elevação no valor dos imóveis que podem ser financiados com recursos do fundo e que passou a valer agora. NoVoS VALorES o teto para imóveis localizados nas regiões metropolitanas de São Paulo, rio de Janeiro e Distrito Federal passou de r$ 130 mil para r$ 170 mil. Nas demais capitais e municípios com população superior a 1 milhão, foi elevado de r$ 130 mil para r$ 150 mil. Para municípios com população a partir de 250 mil habitantes ou integrantes deregiões metropolitanas, o valor máximo passará de r$ 100 mil para r$ 130 mil. Municípios com população igual ou superior a 50 mil e abaixo de 250 mil habitantes, de r$ 80 mil para r$ 100 mil. Para os demais municípios, o valor segue em r$ 80 mil.” 15Unidade 2 1. Função:____________________________________ __________________________________________ __________________________________________ 2. Justificativa: ________________________________ __________________________________________ __________________________________________ confira suas respostas 1. referencial 2. o texto acima exemplifica a função referencial, denotativa ou informativa da linguagem, em que predomina a informação do fato real, do acontecimento. Ao transmitir a realidade exterior, o emissor o faz objetivamente, sem expressar suas ideias, emitir opiniões ou manifestar emoções sobre o fato. Sua meta é informar, por meio de uma linguagem clara e precisa. Essa função é característica dos textos científicos, didáticos e jornalísticos. níveiS da Linguagem Para efetivar a comunicação, o ser humano utilizou-se de sinais (signos) por meio dos quais buscou exteriorizar sentimentos e pensamentos em todas as situações de vida. os signos utilizados na comunicação fazem parte de sistemas organizados denominados códigos, que podem ser expressos com ou sem palavras. As comunicações realizadas por meio de palavras orais ou escritas exemplificam a linguagem verbal. o código utilizado pelos surdos, o código Morse e o código empregado na sinalização de trânsito são exemplos de linguagem não verbal. A língua é o principal código da comunicação verbal. É o sistema mais completo e natural empregado na comunicação humana, por ser um conjunto de signos convencionais pertencente a todos os indivíduos de uma mesma comunidade. Trata-se, portanto, de um sistema normatizado, de caráter social. De acordo com o uso que se faz das palavras, surgem vários níveis ou registros de linguagem. As pessoas menos favorecidas da sociedade, sem oportunidade de instrução escolar, falam, em geral, a linguagem popular. Essa linguagem caracteriza-se por uma estrutura sintática pobre, por vocabulário reduzido e por “desvios” da norma, tanto de ordem fonética, morfológica quanto sintática. Exemplo. “Tivemu qui verificá os documentu. Tava tudu im ordi.” A linguagem coloquial é empregada na comunicação, principalmente, falada. Caracteriza-se por ser uma manifestação espontânea do falante e, ao mesmo tempo, por demonstrar um certo grau de escolaridade por parte deste. Exemplo. “Me contaram que você está trabalhando naquela empresa famosa.” A linguagem regional é uma variação da linguagem coloquial, utilizada de forma particular em diferentes regiões do país. Exemplo de linguagem utilizada na região do Nordeste. “Ó xente! hoje tem bolo de macaxeira.” A linguagem técnica é utilizada pelas pessoas em situações específicas e está relacionada a grupos profissionais. Assim, no exercício de suas profissões, advogados, médicos, engenheiros, arquitetos, biólogos e outros possuem uma linguagem particular, conhecida, também, por jargão profissional. Exemplo de jargão médico. Na anamnese aplicada ao paciente da empresa, constatou-se ocorrência de cefaleia constante, o que exigiu o recurso da tomografia computadorizada para a detecção do tumor encefálico e a prescrição de imediata cirurgia extirpatória. A linguagem literária é o mais alto nível de linguagem. É utilizada pelos “artistas da palavra” (escritores e outros). As palavras passam a significar muito mais do que o sentido dicionarizado; são exploradas nas suas conotações, nos seus campos semânticos. A sintaxe é sofisticada. Há liberdade de violar, conscientemente, certos preceitos gramaticais, para extrair maior expressividade. 16Unidade 2 Exemplo. “Era por uma dessas noites vagarosas do inverno em que o brilho do céu sem lua é vivo e trêmulo; em que o gemer das selvas é profundo e longo; em que a soledade das praias e ribas fragosas do oceano é absoluta e tétrica...” (A. Herculano) Ao contrário da linguagem popular, a linguagem padrão ou culta é a das pessoas instruídas. Caracteriza-se pela observância às normas gramaticais, pela utilização de vocabulário rico e selecionado, pela adoção de sintaxe elaborada. A linguagem padrão ou culta pode ser formal, empregada em situações formais, cerimoniosas, como, por exemplo, em correspondências oficiais, empresariais, cerimoniais literários, conferências, discursos, atos governamentais, ou informal, empregada em situações pouco formais, mas em que a norma culta deve ser utilizada, como, por exemplo, nas escolas, pelos educadores, em ambientes de trabalho, no atendimento ao público, em comunicações e noticiários de jornais e televisão, em reuniões sociais. Exemplos. Formal – “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.” (Declaração universal dos Direitos Humanos, art. 1o) informal – Explosão de violência urbana afasta jovens das ruas, cria geração enclausurada e obriga instituições de ensino a investir tanto em segurança quanto em ações de cidadania. (revista Educação) A competência linguística está diretamente relacionada ao domínio da língua e ao bom uso que se faz de suas variantes. Apesar de a língua ser a mesma, é preciso fazer uma distinção entre a modalidade falada e a escrita. Esta apresenta um vocabulário mais rico e variado, segue as regras ditadas pela gramática e possui uma sintaxe bem elaborada. Pela possibilidade que oferece de ser relida, repensada e corrigida, exige maior grau de formalidade, de exatidão e de correção. exercícios Reconheça os níveis de linguagem apresentados. 1. o homem vive atualmente um momento difícil, criado pela inversão de valores. ____________________________________________ ____________________________________________ 2. uma das diferenças fundamentais entre o álcool e o fenol é que somente o fenol é capaz de sofrer uma dissociação iônica em solução aquosa, exibindo o seu caráter ácido. ____________________________________________ ___________________________________________ 3. Alô, Pedro? Me parece que já seguiram os livros que você me pediu. Queira confirmar, tá? Tudo bem com você? um abraço. ____________________________________________ ___________________________________________ 4. A luz do sol bate na lua... bate na lua, cai no mar... do mar ascende à face tua, Vem luzir em teu olhar... (Manuel Bandeira) ____________________________________________ ___________________________________________ 5. Nóis tava tudu vortandu da escola, quandu us sordadus introu na favela pra prutegê a gente. ____________________________________________ ___________________________________________ 6. oh, tchê, manda logo o piá trazer-me o chimarrão, com água bem quente e a erva para fazer o mate. ____________________________________________ ___________________________________________ 7. A maioria dos economistas concorda que a estabilidade, como a proporcionada pelo Plano real e pelo ajuste nas contas do governo, é, em si, um bem para as camadas menos favorecidas. ____________________________________________ ___________________________________________ 8. os exames ultrassonográficos da cavidade pélvica da paciente revelam crescimento anormal de tecido heterogêneo no ovário esquerdo, exigindo imediata pesquisa laparoscópica. ____________________________________________ ___________________________________________ 17Unidade 1 9. Sua excelência, o Presidente da república, acaba de adentrar o recinto, onde fará o discurso de abertura do Encontro de Diretores da Rede de Ensino Público Brasileira. ____________________________________________ ___________________________________________ confira suas respostas1. Linguagem culta ou padrão; 2. Linguagem técnica; 3. Linguagem coloquial; 4. Linguagem literária; 5. Linguagem popular; 6. Linguagem regional; 7. Linguagem culta ou padrão; 8. Linguagem técnica; 9. Linguagem culta ou padrão. Novo Acordo ortográfico da Língua Portuguesa Unidade 3 Técnico em Transações Imobiliárias Objetivo: • Conhecer as mudanças ocorridas no vocabulário da Língua Portuguesa. acordo ortográFico da Língua PortugueSa o Novo Acordo ortográfico da Língua Portuguesa é um documento internacional entre os países lusófonos. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, ao fim de uma negociação entre a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras, iniciada em 1980. Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004. o Acordo visa à padronização e à simplificação do sistema ortográfico. Vários aspectos foram fundamentais para a reforma, entre eles a existência de duas ortografias oficiais ser prejudicial ao idioma em um mundo globalizado. A padronização unificará a expressão da Língua em termos científicos e jurídicos, internacionalmente, no estudo do idioma por instituições educacionais em todos os continentes, na linguagem de trabalho por organismos internacionais. Além disso, o governo brasileiro e o português esperam que o idioma, finalmente, torne-se uma das línguas oficiais da organização das Nações unidas (oNu). Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa Alfabeto Nova Regra Exemplos o alfabeto é agora formado por 26 letras. As letras k, w e y foram reintroduzidas no alfabeto. Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano. Trema Nova Regra Exemplos Não existe mais o trema em Língua Portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados. Por exemplo: Müller, mülleriano. Aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça. Acentuação Nova Regra Exemplos Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas. Assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico. obs.: Nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis. 20Unidade 3 Acentuação Nova Regra Exemplos o hiato “oo” não é mais acentuado. o hiato “ee” não é mais acentuado. Enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo. Creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem. Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas. Para (verbo e preposição), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo). obs.: o acento diferencial ainda permanece no verbo “poder” (3a pessoa do Pretérito Perfeito do indicativo – “pôde”) e no verbo “pôr” para diferenciar da preposição “por”. Não se acentua mais a letra “u” nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de “g” ou “q” e antes de “e” ou “i” (gue, que, gui, qui). Argui, apazigue, averigue, enxague, enxaguemos, oblique. Não se acentua mais “i” e “u” tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo. Baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume. É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma Ex.: Qual é a forma da fôrma do bolo? Hífen Nova Regra Exemplos o hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por “r” ou “s”, sendo que estas devem ser dobradas. Antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentção, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, infrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível. obs.: Em prefixos terminados por “r”, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper- -requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc. Hífen Nova Regra Exemplos o hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal. Autoafirmação, autoajuda, autoaprendiagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembrigado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado. obs.: 1: Esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já ex istentes antes: ant iaéreo, antiamericano, socioeconômico etc. obs.: 2: Esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por “h”: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc. Nova Regra Exemplos utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal. Anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-infracionário, anti-imperialista, a arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico. obs.: 1: Esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo terminado com vogal + palavra inciada com vogal diferente = não tem hífen; prefixo terminada com vogal + palavra iniciada com mesma vogal = com hífen. obs.: 2: uma exceção é o prefixo “co”. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal “o”, Não se utiliza hífen. obs.: 3: Com os prefixos “pre” e “re” não se utiliza hífen. 21Unidade 3 Hífen Nova Regra Exemplos Não se usa mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu a noção de composição. girassol, mandachuva, paraquedas, paraquedista, pontapé. obs.: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constitui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc. Nova Regra Exemplos usa-se o hífen na formação de palavra com “ab”, “ob” e “ad” diante de palavras começada por “b”, “d” e “r”. ad-digital, ad-renal, ob-rogar, ab-rogar etc. Observações Gerais O uso do hífen permanece Exemplos Em palavras formadas por prefixos “ex”, “vice”, “soto”. ex-marido, vice-presidente, soto-mestre. Em palavras formadas por prefixos “circum” e “pan” + palavras iniciadas em vogal, M ou N. Pan-americano, circum-navegação. Em palavras formadas com prefixos “pré”, “pró” e “pós” + palavras que tem significado próprio. pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação. Em palavras formadas pelas palavras “além”, “aquém”, “recém”, “sem”. além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto. Observações Gerais Não existe mais hífen Exemplos Exceções Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais). Cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc. água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à-queima-roupa etc. Nova Regra Exemplos Não se usa o hífen na formação de palavras com “não” e “quase”. não agressão, quase delito etc. Com “mal”, usa-se hífen quando a palavra seguinte começar por “vogal”, “h” e “l”. mal-entendido, mal-humorado, mal-limpo etc. usa-se o hífen no prefixo sub quando for seguido de “b” ou “r”. subárea, sub-base, sub-região.Atenção! Para clareza gráfica, se, no final da linha, a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplo: o professor recebeu com alegria os ex- -alunos. exercícios I – Observe as palavras a seguir, considerando a nova ortografia proposta. Identifique as incorretas e corrija-as. 1. Primeiro grupo a) sub-solo f) pseudorrevelação b) sub-diretor g) pseudossábio c) subsíndico h) pseudo-atriz d) sub-gerente i) pseudo-irregularidade e) sub-humano j) pseudo-estilista 22Unidade 3 2. Segundo grupo a) anti-cárie f) multi-mídia b) anti-placa g) multi-tarefa c) anti-inflamatório h) multi-uso d) anti-vírus i) multi-instrumentista e) anti-terrorismo j) extra-classe 3. Terceiro grupo a) auto-ônibus f) subregião b) micro-empresário g) sub-raça c) microorganismo h) megassena d) autosserviço i) mega-empresário e) autorregulamentação j) mega-investidor 4. Quarto grupo a) autoajuda f) autoavaliação b) infraestrutura g) contra-ataque c) contraofensiva h) contracheque d) auto-escola i) contraespionagem e) autoestima j) contraindicação 5. Quinto grupo a) antirracismo f) mini-investimento b) antissequestro g) sub-região c) contrarrevolução h) vice-diretor d) contrarregra i) micro-ondas e) antirreflexo j) vaga-lume 6. Sexto grupo a) herói f) coobrigação b) pára(verbo) g) heróico c) frequente h) vôo d) hotéis i) constroem e) assembléia j) preestabelecer 7. Sétimo grupo a) hiper-realista f) telerreportagem b) extrajudicial g) multi-inseticida c) supra-humano h) ultrarradical d) ante-projeto i) tele-educação e) mini-hélice j) ultrassom 8. Oitavo grupo a) anti-séptico f) hidro-sanitárias b) antepenúltimo g) mini-rádio c) ultravioleta h) pré-médico d) antiortopédico i) predeterminar e) hidroginástica j) carbo-hidrato 9. Nono grupo a) arquirrival f) extra-abdominal b) antepenúltimo g) radiorrelógio c) circum-navegação h) telerrepórter d) pan-americano i) telessena e) extraterrestre j) radiopatrulha confira suas respostas i – 1. a) subsolo f) – b) subdiretor g) – c) – h) pseudoatriz d) subgerente i) pseudoirregularidade e) – j) pseudoestilista 2. a) anticárie f) multimídia b) antiplaca g) multitarefa c) – h) multiuso d) antivírus i) – e) antiterrorismo j) extraclasse 3. a) – f) sub-região b) microempresário g) – c) micro-organismo h) – d) – i) megaempresário e) – j) megainvestidor 4. a) – f) – b) – g) – c) – h) – d) autoescola i) – e) – j) – 5. a) – f) – b) – g) – c) – h) – d) – i) – e) – j) – 6. a) – f) – b) para g) heroico c) – h) voo d) – i) – e) assembleia j) – 7. a) – f) – b) – g) – c) – h) – d) anteprojeto i) – e) – j) – 8. a) antisséptico f) hidrossanitárias b) – g) minirrádio c) – h) – d) – i) – e) – j) carboidrato 9. a) – f) – b) – g) rádio-relógio c) – h) – d) – i) – e) – j) – Sintaxe Unidade 4 Técnico em Transações Imobiliárias Objetivo: • Aplicar corretamente as normas de sintaxe, de concordância, de regência e de colocação. Sintaxe de concordância, de regência e de coLocação Sintaxe é a “parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si e a correta construção gramatical”. (cf. Aurélio) Frase é a unidade mínima da comunicação linguística. optamos por abordar a sintaxe de concordância (similaridade das palavras na frase), a sintaxe de regência (dependência das palavras na frase) e a sintaxe de colocação (colocação adequada das palavras na frase) por constituírem aspectos essenciais para uma redação eficiente. Entende-se por concordância a similaridade de gênero e número entre substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome (concordância nominal) e a similaridade de número e pessoa entre verbo e sujeito (concordância verbal). concordância verbal A norma geral reza que o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. A correspondência|chegou à tarde. suj. 3a pes. sing. v. 3a pes. sing. os Chefes de Departamento|compareceram à reunião suj. 3a pes. pl. v. 3a pes. pl. Decidimos pela aquisição do equipamento. v. 1a pes. pl. (suj. subentendido – nós) o corretor e sua secretária|realizaram visita aos departamentos. suj. comp. 3a pessoa pl. v. 3a pes. pl. Se o sujeito for composto por diferentes pessoas gramaticais, o verbo vai para o plural de acordo com a norma de prevalência. observe: a) A 1a pessoa prevalece sobre as demais: o corretor e eu|chegamos juntos. suj. comp. v. 1a pes. pl. 3a e 1a pes. b) A 2a pessoa prevalece sobre a 3a: o gerente e tu|representareis a instituição. suj. comp. v. 2a pes. pl. 3a e 2a pes. Casos particulares 1. Sujeito simples a) Formado por expressão partitiva (uma porção de, parte de, a maioria de etc.) ou quantidade aproximada, o verbo pode ir para o singular ou para o plural: A maior parte dos acionistas votou favoravelmente à negociação. suj. v. 3a pes. sing. 24Unidade 4 A maior par te dos ac ion is tas votaram favoravelmente à negociação. suj. v. 3a pes. pl. b) Formado por número percentual ou números fracionários, o verbo concorda com o numeral: 20% da população economicamente ativa adquiriram ações do Banco do Brasil. v. 3a pes. pl. suj. 2/3 da clientela encontram-se inadimplentes. suj. v. 3a pes. pl. c) Formado pela expressão “mais de um”, o verbo fica no singular: Mais de um acionista vendeu suas ações. suj. v. 3a pes. sing. Nota – Com expressão repetida ou indicando reciprocidade, o verbo poderá ir para o plural. Mais de um gerente, mais de um supervisor discordaram do expositor. v. 3a pes. pl. suj. Mais de um acionista felicitaram-se mutuamente pelo lucro obtido. suj. v. 3a pes. pl. d) Formado por pronome interrogativo, demonstrativo ou indefinido no plural, seguido da expressão “de nós” ou “de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro pronome ou com nós/vós: Quantos de vós participaram do evento? suj. v. 3a pes. pl. Quantos de vós participasteis do evento? suj. v. 2a pes. pl. Nota – Se o pronome interrogativo ou o pronome indefinido estiver no singular, o verbo fica no singular: Nenhum de nós compareceu ao comício. suj. v. 3a pes. sing. e) Formado por nomes só usados no plural, não precedido de artigo, o verbo fica no singular; precedido de artigo, o verbo fica no plural: Minas gerais localiza-se na região Sudeste. suj. s/ artigo v. 3a pes. sing. os Estados unidos invadiram o iraque. suj. (prec. de artigo) v. 3a pes. pl. Nota – Se o sujeito for título de obra, o verbo pode ficar no singular ou no plural: os Sertões marcou a literatura brasileira.suj. (obra) v. 3a pes. sing. os Sertões marcaram a literatura brasileira. suj. (obra) v. 3a pes. pl. f) Formado por coletivo, o verbo no singular; se o coletivo for seguido de expressão no plural, o verbo pode ir para o plural: A matilha atacou o fugitivo. suj. colet. v. 3a pes. sing. A manada de búfalos corriam na pradaria. suj. colet. + exp.pl. v. 3a pes. pl. g) Formado por número de horas, os verbos “bater”, “dar” e “soar” concordam com o numeral: Soaram as quatro horas quando ele chegou. v. 3a pes. pl. suj. Dava uma hora no relógio da igreja. v. 3a p.s. suj. Nota – Se o sujeito for as palavras “relógio”, “sino”, “carrilhão”, o verbo concorda com esses sujeito: os sinos batem uma hora. suj. v. 3a pes. sing. 25Unidade 4 o carrilhão deu três horas. suj. v. 3a pes. sing. h) Formado por sujeito apassivado pela partícula se (partícula apassivadora), o verbo transitivo direto concorda com o sujeito: Vendem-se ações da Petrobras. v. 3a part. suj. pas. (pl.) pes.pl. apas. Vende-se casa seminova. v. 3a part. suj. pas. (sing.) pes. s. apas. i) Formado por sujeito indeterminado pela partícula se (índice de indeterminação do sujeito), o verbo intransitivo ou transitivo indireto fica sempre na 3a pessoa do singular: Precisa-se de empregados. v. trans. ind. índ. de indet. suj. 3a pes. sing. Vive-se bem nesta cidade. v. intrans. índice de indet. suj. 3a pes. sing. j) Formado por sujeito inexistente, o verbo impessoal fica sempre na 3a pessoa do singular: Verbos impessoais: haver – no sentido de existir fazer – indicando tempo Chover, ventar, nevar etc. (fenômenos da natureza) Exemplos: Há muitos candidatos à vaga de emprego. Faz dez anos que estive aqui. Chove muito naquela região. 2. Sujeito composto a) Posposto ao verbo, este vai para o plural ou concorda com o núcleo mais próximo: Constam a passagem aérea, a hospedagem, a alimentação e o traslado do pacote de viagem. verbo 3a pes. pl. suj. comp., posposto ao verbo Consta a passagem aérea, a hospedagem e a alimentação do pacote de viagem. v. 3a p. s. n. do suj. comp. mais próximo b) Formado por núcleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo pode ficar no singular ou no plural: A alegria e a felicidade brilhava em seu olhar. n. sinônimos v. 3a pes. sing. A alegria e a felicidade brilhavam em seu olhar. n. sinônimos v. 3a pes. sing. c) Formado por núcleos que constituem gradação de ideias, o verbo pode ficar no singular ou no plural: uma hora, um minuto, um segundo custava a passar, na sua agonia da espera. núcleo = gradação de ideias v. 3a pes. sing. uma hora, um minuto, um segundo custavam a passar, na sua agonia da espera. núcleo = gradação de ideias v. 3a pes. pl. d) Formado por verbos no infinitivo, o verbo fica no singular: Chegar atrasado e demorar no vestiário é normal para este operário. suj. formado p/ infinitivo v. 3a pes. sing. Nota – com infinitivos precedidos de artigos ou antônimos, o verbo poderá ir para o plural: 26Unidade 4 o chegar atrasado e o demorar no vestiário são normais para este operário. art. sing. infinitivo art. sing. inf. v. 3a pes. pl. e) Formado por verbos antônimos no infinitivo, o verbo vai para o plural: Chegar atrasado e sair cedo não são admitidos aqui. v. ant. inf. v. 3a pes. pl. f) Formado por componentes do sujeito resumido por pronome indefinido (tudo, nada, ninguém), o verbo fica no singular: os diretores, os supervisores, os funcionários, ninguém faltou ao evento. pron. ind. v. 3a pes. sing. suj. concordância dos verbos “ser” e “parecer” 1o Caso os verbos ser e parecer geralmente concordam com elementos no plural mais próximo. Agora são dez horas. Duas garrafas de vinho são a parte que me cabe na aposta. Aquilo parecem estrelas, mas são planetas. Se, porém, o sujeito for pessoa, o verbo com ele concordará. No circo, o palhaço é as delícias da garotada. 2o Caso o verbo ser fica obrigatoriamente no singular quando se deseja fazer prevalecer a importância do sujeito sobre a do predicativo. Justiça é tudo, justiça é as virtudes todas. 3o Caso Fica no singular ainda o verbo ser quando a ele se seguem termos como muito, pouco, nada, tudo, bastante, mais, menos, bom, demais etc. Um é pouco, dois é bom, três é demais. 4o Caso Quando se usam pronomes pessoais retos, o verbo sempre com ele concorda. O responsável por isto aqui são vocês. Quando, porém, concorrem dois pronomes retos, ou um pronome reto e um pronome de tratamento, o verbo ser concorda com o primeiro. Você não é eu, nem eu sou você. Elas não são nós; nós não somos elas. 5o Caso o verbo ser fica no singular, em qualquer hipótese, sempre que o predicativo é constituído pelo pronome demonstrativo o. Eleições diretas era o que o povo mais queria. 6o Caso Ainda no singular ficará o verbo ser quando o sujeito, no plural, for usado sem determinantes (artigos, pronomes adjetivos, numerais etc.), Greves é próprio de regimes democráticos. Dez por cento, para ele, era uma comissão irrisória. Questões ecológicas será o tema do encontro. 7o Caso o verbo parecer pode relacionar-se de duas maneiras distintas com o infinitivo. Os dias parecem voar. Os dias parece voarem. Se, porém, ao verbo parecer seguir-se infinitivo pronominal, somente variará o infinitivo. As crianças parece queixarem-se do colchão duro. Concordância nominal o fato de o artigo, o pronome, o numeral e o adjetivo concordarem em gênero e número com o substantivo a que se referem denomina-se concordância nominal. observe: 27Unidade 4 As duas novas corretoras mostraram-se muito organizadas. art. num. adj. substantivo adj. o artigo as, o numeral duas, os adjetivos novas e organizadas encontram-se no gênero feminino e no número plural porque se referem ao substantivo “corretoras” (feminino-plural). Adjetivo referindo-se a mais de um substantivo. a) Se anteposto aos substantivos, concorda com o mais próximo: A corretora possuía extraordinária competência e talento. subst. masc. adj. fem. subst. fem. A corretora possuía extraordinário talento e competência. subst. fem. adj. masc. subst. masc. b) Se posposto aos substantivos, há duas possibilidades de concordância. – Com o mais próximo. A corretora possuía talento e competência extraordinária. adj. fem. subst. masc. subst. fem. – Com ambos os substantivos. Se os substantivos forem de gêneros diferentes, prevalece o masculino: A corretora demonstrava segurança e competência extraordinárias. adj. fem. pl.subst. fem. subst. fem. A atriz demonstrava estilo e talento extraordinários. subst. masc. subst. masc. adj. masc. pl. A atriz demonstrava talento e segurança extraordinários. adj. masc. pl. subst. masc. subst. fem. Se o adjetivo funcionar como predicativo do sujeito composto, há duas possibilidades. a) Se posposto aos substantivos, vai para o plural: Sua competência e seu talento eram extraordinários. sujeito composto (2 subst.) adj. pl. masc. b) Se anteposto aos substantivos, poderá ir para o plural ou concordar com o mais próximo: Eram extraordinários seu talento e sua competência. adj. pl. masc. suj. comp. (2 subst.) Era extraordinária sua competência e seu talento. adj. sing. fem. subst. fem. subst. masc. Dois ou mais adjetivos referindo-se a um único substantivo. a) Se se coloca artigo antes dos demais adjetivos, subentende-se o substantivo, que permanece no singular: o governo alemão, o italiano e o francês assinaram o acordo. art. subst. sing. adj. sing. adj. sing. adj. sing. b) Se o substantivo vai para o plural, omite-se o artigo antes dos adjetivos: os governos alemão, italiano e francês assinaram o acordo. subst. pl. adj. sing. adj. sing. adj. sing. casos particulares 1. Anexo, obrigado, mesmo, incluso, quite, leso devem concordar com o substantivo a que se referem: a) Seguem anexas as declarações de renda dos sócios da firma. adj. fem. pl. subst. fem. pl. Seguem, em anexo, as declarações dos diretores. Segue, em anexo, a ficha do funcionário. Nota – A expressão em anexo é invariável. 28Unidade 4 b) Muito obrigada, disse a secretária; obrigado, digo eu, respondeu o diretor. adj. fem. subst. fem. adj. masc. subst. masc. c) Elas mesmas resolveram a questão. pron. subst. fem. adj. fem. d) A hospedagem e a alimentação estão inclusas no preço. subst. fem. subs. fem. adj. fem. e) os filhos estão quites com o serviço militar. subst. pl. adj. pl. f) o filho estava quite com o serviço militar. subst. sing. adj. sing. 2. Alerta, menos são invariáveis: os diretores estavam alerta à variação do câmbio. subst. masc. pl. invariável Aquele banco tem menos tarifas do que os outros. invariável subst. fem. pl. 3. Bastante, caro, barato, meio, longe Como advérbios são invariáveis; como adjetivos, pronomes adjetivos ou numeral (meio) concordam com o substantivo. a) Essas situações são bastante complicadas. adv. b) isto ocorreu bastantes vezes na empresa. pron. adj. pl. subst. pl. c) Aquelas ações custam caro. adv. d) As roupas daquela loja estão caras. subst. fem. pl. adj. fem. pl. e) os pincéis custam barato. adv. f) As locações estão mais baratas. subst. fem. pl. adj. fem. pl. g) os diretores estão meio desconfiados da surpresa. adv. h) É meio-dia e meia (meia hora). numeral i) A firma fica longe do centro da cidade. adv. j) Nosso diretor já viajou por longes terras. adj. pl. subst. pl. 4. É proibido, é necessário, é bom, é preciso a) Sujeito não antecipado de artigo, o verbo e o adjetivo ficam invariáveis: É proibido entrada. Fruta é bom para saúde. Cautela é necessário. b) Sujeito determinado por artigo, pronome, adjetivo, o verbo e o adjetivo concordam com ele: A entrada é proibida ao público. suj. v. adj. fem. sing. (art.+subst. fem. sing.) Esta fruta é boa para a saúde. sujeito v. adj. fem. sing. (pron.+subst. fem. sing.) As novas regras são necessárias ao bom funcionamento da empresa. sujeito adj. fem. pl. (art.+adj.+subst. fem. pl.) 29Unidade 4 5. O mais… possível / os mais… possíveis Nessas expressões, o adjetivo “possível” concorda com o artigo que os inicia: Esses argumentos são o mais elementares possível. adj. sing. art. sing. Esses argumentos são os mais elementares possíveis. adj. pl. art. pl. 6. Só, sós, a sós “Só” como adjetivo concorda em número com o substantivo; como advérbio (= apenas) é invariável; a expressão “a sós” é invariável. o corretor ficou só no recinto. subst. sing. adj. sing. os dois corretores ficaram sós no recinto. subst. pl. adj. pl. Só eles permaneceram no recinto. adv. (apenas) Estamos a sós, pode falar a verdade. adv. regência Denomina-se regência a relação de dependência que se estabelece entre dois termos numa oração. os termos que exigem a presença de outros denominam-se regentes e aqueles que completam-lhes os sentidos, regidos. Regência verbal ocorre quando o termo regente é um verbo. Necessita de sua ajuda. v. regente termo regido Regência nominal ocorre quando o termo regente é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio). observe: Ele tem medo de escuro. subst. rgte. termo reg. Regência Verbal ASPirAr • Transitivo direto quando significa sorver, tragar, inspirar, exige objeto direto. Elas aspiraram o perfume das flores. V.T.D o. D. • Transitivo indireto quando significa pretender, desejar, almejar. o objeto indireto não pode ser substituído por lhe/lhes e, sim, por a ele, a ela, a eles. o supervisor aspira ao cargo de diretor executivo. V.T.i. o. i. ASSiSTir • Transitivo direto quando significa ajudar, prestar assistência, socorrer. o médico assistia o paciente. V.T. o. D. • Transitivo indireto quando significa ver, presenciar, estar presente. o objeto indireto não admite pronome lhe/lhes e, sim, a ele, a ela, a eles. os funcionários assistiram ao filme sobre segurança no trabalho. V.T.i.o. i. • Transitivo indireto quando significa caber, perceber. o objeto indireto admite o pronome lhe(s). Assistia-lhe o direito a ocupar aquele cargo. V.T.i. o. i. 30Unidade 4 • Intransitivo quando significa morar, residir, habitar, seguido de adjunto adverbial de lugar. o papa assiste no Vaticano. V.i. adj. adverbial ESQuECEr E LEMBrAr • Transitivo direto Eles esqueceram os livros em casa. V.T.D. o. D. Vocês lembraram a data do concurso? V.T.D. o. D. • Pronominal + preposição de (ou contração) + objeto indireto Eles se esqueceram dos compromissos. pron. V.T.i. prep. o. i. Lembre-se do aviso. V.T.i. pron. prep. o. i. • Verbo transitivo indireto + objeto indireto + sujeito, significando cair no esquecimento (esquecer) e ocorrer, vir à memória (lembrar). Esqueceram-lhe os compromissos. V.T.i o. i. sujeito Lembraram-me as datas do evento. V.T.i. o. i. sujeito iMPLiCAr • Transitivo direto quando significa acarretar, causar. Este novo contrato implica aumento das atividades. V.T.D. o. D. iNForMAr • Transitivo direto e indireto objeto direto – pessoa; objeto indireto – fato mencionado. informar o diretor de sua decisão. V.T.D.i. o.D. o.i. objeto indireto – pessoa; objeto direto – fato mencionado. informou ao diretor a sua decisão. V.T.D.i. o.i. o.D. ProCEDEr • Intransitivo quando significa ter fundamento, portar-se, provir de. os argumentos dos grevistas não procedem. suj. V.T.i. • Transitivo indireto quando significa realizar, dar início a. o governo deve proceder aos ajustes fiscais. V.T. i. o.i. ViSAr • Transitivo direto quando significa dar visto e mirar. o gerente visou o cheque. V.T.D. o.D. o arqueiro visou o alvo. V.T.D. o.D. • Transitivo indireto quando significa pretender, ter em vista, ter por objetivo. As ações governamentais visam ao bem comum. V.T.i. o.i. Esses objetivos visam à melhoria das ações. V.T.i. o.i. Nota – Em ações iniciadas por pronomes relativos, pronomes interrogativos ou advérbios interrogativos, a preposição regida pelo verbo deve preceder essas palavras: 31Unidade 4 A que cargo você aspira? prep. pron. inter. De quem você se esqueceu? prep. pron. inter. o objetivo a que visa o projeto é conhecido por todos. prep. pron. relativo Regência Nominal Alguns nomes podem apresentar dificuldades de regência, em geral aqueles que admitem mais de uma preposição. relacionaremos alguns, principalmente os mais usados em correspondências. • ADAPTADO – A, PARA Todo manual deve ser adaptado às novas tecnologias. o livro foi adaptado para o teatro. • ALHEIO – A A polícia permanecia alheia aos manifestantes. • ALUSÃO – A Esse texto é uma alusão aos avanços tecnológicos e à engenharia genética. • ANALOGIA – COM, ENTRE os rituais do candomblé estabelecem analogia com os da igreja católica. É evidente a analogia entre o filme e o acontecimento real. • APTO – A, PARA o candidato encontra-se apto ao cargo de supervisor. A secretária mostra-se apta para realizar as tarefas solicitadas. • CONSTITUÍDO – DE, POR o aparelho é constituído de material sintético. A diretoria é constituída por sócios fundadores. • IMBUÍDO – DE, EM os competidores estavam imbuídos de espírito esportivo. imbuído em preceitos legais, o advogado obteve a liberdade do réu. • PASSÍVEL – DE Todo ser humano é passível de falhas. • PROPENSO – A, PARA o diretor mostra-se propenso a conceder o aumento. É um político propenso para grandes causas. • VINCULADO – A Sua empresa é vinculada ao SPC? emPrego da craSe A realização da crase é um caso de regência. Crase é a fusão de duas vogais idênticas. o grafema que representa a crase é o acento grave. A crase ocorre quando o verbo e os nomes (substantivo, adjetivo, advérbio) regem a preposição a e o termo regido exige a presença do artigo a (feminino). o diretor entregou à secretária os documentos para arquivar. No período citado, o verbo entregar rege a preposição a e o substantivo secretária exige o artigo a: o diretor entregou a a secretária os documentos para arquivar. prep. artigo o diretor entregou à secretária os documentos para arquivar. • A crase ocorre também nos seguintes casos. 32Unidade 4 1. Com preposição seguida dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: o diretor manteve-se indiferente àquele tumulto. a(prep.) + aquele(pron. dem.) 2. Com preposição seguida dos pronomes demonstrativos a, as: Sua filosofia de vida é semelhante à dos novos dirigentes. a(prep.) + a(pron. dem.) 3. Diante de expressões femininas que admitem o artigo a. A secretária usa sapatos à Luís xV. Nesse caso, subentende-se a expressão feminina “à moda de Luís xV”. 4. Diante de locuções femininas (adverbiais, prepositivas e conjuntivas): a) locuções adverbiais À tarde, as secretárias prepararam a sala para a reunião do dia seguinte. As transações comerciais foram realizadas às claras. b) locuções prepositivas (a + palavra feminina + de) A nossa firma comprou a do concorrente que estava à beira da falência. c) locuções conjuntivas À medida que os participantes chegavam, recebiam o crachá de identificação. Não há crase nos seguintes casos. 1. Antes de masculino: Saíram a passeio. referem-se a ele. 2. Antes dos pronomes demonstrativos – esta, essa, este, esse, isto, isso: Que falta a esta folha? Já vi outra igual a esta. 3. Antes de verbo: Saíram a resmungar. Alguém esteve a comentar seu gesto. 4. Antes de pronome indefinido: Vou apresentá-lo a uma atriz. Deu a cada criança dois presentes. Notas – Quando uma é numeral, o a que o antecede recebe o sinal da crase: Chegaram à uma hora da tarde, não às duas. Também o a é craseado na locução à uma correspondente a “à uma só vez”. gritaram à uma: basta! responderam à uma: sim! 5. Antes de pronome pessoal: Negaram pousada a ela. isso cabe a você, não a mim. 6. Antes das formas de tratamento – Vossa Senhoria (V. S.a), Vossa Excelência (V. Ex.a), Sua Senhoria (S. S.a), Sua Excelência (S. Ex.a), Vossa Eminência (V. Em.a) etc.: remeto a V. S.a cópias do contrato. Apresentamos a V. Ex.a o novo projeto. 7. Antes de plural indeterminado: Não dê esmola a crianças. Ele não responde a injúrias. Nota – Se aparecer o artigo as, escrevemos às (com acento grave) paraindicarmos a crase de “a + as” (identificador do plural): Não deu esmola às crianças nem aos pais. É avesso às mentiras e aos boatos. 8. Antes de nome de cidade (a menos que esteja determinado): Viajaremos a Fortaleza, em junho. Voltará a Brasília, amanhã. 33Unidade 4 9. Nas locuções com palavras repetidas: Tudo se passou frente a frente, cara a cara. Nossa égua venceu de ponta a ponta. 10. Antes de pronomes relativos que, quem, cuja(o): Esta é a pessoa a quem ofereceram propina. Mande-me a carta a que ela se refere. Nota – Antes do relativo que, a crase só é obrigatória se a fusão à (a + a) resultar de preposição a + a demonstrativo (= aquela): Arquive esta e responda à que recebemos hoje. (responda àquela que recebemos hoje.) a + aquela Para redigir bem, é necessário conhecer o emprego das regências, pois, muitas vezes, o emprego inadequado da regência pode interferir no significado da informação que se deseja transmitir. emPrego doS PronomeS demonStrativoS outro aspecto importante para a redação é o emprego dos pronomes demonstrativos este, esse e aquele. Correlação entre pronomes pessoais, demonstrativos e advérbios de lugar Há uma correlação íntima entre os pronomes pessoais, os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar, no que diz respeito às pessoas gramaticais. Pessoa gramatical Pronome pessoal Pronome demons- trativo Advérbio de lugar falante (primeira) eu/nós este/esta/ isto aqui ouvinte (segunda) tu/vós/ você/vocês esse/essa/ isso aí assunto (terceira) ele/eles aquele/ aquela/ aquilo ali/lá Exemplos: Eu fico com esta camiseta aqui. Tu ficas com essa blusa aí. Você fica com essa lapiseira aí. Ele fica com aquela agenda ali. Emprego específico dos pronomes este, esse e aquele a) Em relação ao espaço (proximidade ou afastamento das pessoas gramaticais) • Este (esta, estes, estas, isto) indica o que está perto da pessoa que fala (o falante – primeira pessoa gramatical): Queres ler este romance que estou folheando? Esta caneta (que tenho na mão) é de fabricação japonesa. Nota – Na correspondência, este (esta, isto, estes, estas) indica o que está perto do remetente: Convidamos V. S.a a comparecer no Departamento de Crédito desta Empresa, a fim de tratar de assunto de seu interesse. Este Banco tem à disposição de seus clientes uma dezena de serviços em todas as grandes cidades deste estado. • Esse (essa, isso, esses, essas) indica o que está perto da pessoa com quem se fala (o ouvinte – segunda pessoa gramatical): Passe-me esse cinzeiro que está sobre a sua mesa. Esse seu modo de agir ainda lhe causará sérios problemas. Nota – Na correspondência, esse (essa, isso, esses, essas) indica o que está perto do destinatário: Solicitamos que nos informe o número de empregados em exercício nesse Departamento. Se V. S.a não encontrar qualquer de nossos produtos nas lojas dessa cidade, telefone-nos imediatamente. • Aquele (aquela, aquilo, aqueles, aquelas) indica o que está perto da pessoa de quem se fala (o 34Unidade 4 Em vista disso (= do que se mencionou acima), resolvemos suspender temporariamente a comercialização do produto. Dessa forma (= em razão do que se diz acima), solicitamos a V. S.as que estudem a possibilidade de... isso que acabei de dizer deve ficar somente entre nós. • Este (isto) indica o que se vai mencionar; é, pois, sinônimo de seguinte: Para compras a crédito, o cliente deve apresentar estes documentos: carteira de identidade, CiC e comprovante de renda. Muitos aceitam tranquilamente esta afirmação: que a felicidade é proporcional à renda. o desejo de todo empregado geralmente é este: receber um bom salário. isto que lhes vou dizer agora é extremamente importante. d) Em relação a dois termos anteriormente citados • Este indica o que se referiu por último; aquele se refere ao mencionado em primeiro lugar: Ao conversar com o gerente e a vendedora, notei que esta se mostrava tranquila, e aquele, excepcionalmente nervoso. o jogo rouba-nos tempo e dinheiro: este (= o dinheiro), talvez o possamos recuperar; aquele (= o tempo) nunca. A mulher é mais tolhida socialmente do que o homem. A este se permitem direitos que se negam àquela. “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e...” (Súmula 545 do STF). Nota – Havendo uma série de três termos, siga a estrutura do exemplo citado. Estiveram presentes à reunião Pedro, rosa e Jorge. Este (= Jorge) representava os vendedores, essa (= rosa), as secretárias, e aquele (= Pedro), a gerência. assunto – terceira pessoa gramatical) e longe do falante e do ouvinte: Aquela gravura que ele tem na mão é antiga. Sabes de quem são aqueles pacotes lá em cima do balcão? Nota – Na correspondência, aquele (aquela, aquilo, aqueles, aquelas) indica o que está longe do remetente e do destinatário: Solicitamos a V. S.a que, na sua próxima viagem a uruguaiana, verifique se há condições de instalarmos uma filial naquele município. b) Em relação ao tempo • Este diz respeito ao tempo atual, que está transcorrendo. Nesta semana, estamos realizando testes com o novo produto. Durante este mês, as lojas promovem suas tradicionais liquidações. Já estamos em março; este ano está passando muito depressa. • Esse diz respeito a um tempo próximo, de preferência passado: Há duas semanas, estivemos em plena campanha política. Nesses dias, ninguém admitia a possibilidade de derrota. Na semana passada, mudamo-nos para nossas novas instalações. Nesse período, nossos serviços sofreram um pequeno descontrole. • Aquele indica um tempo anterior mais afastado: Há 50 anos, estabelecemo-nos em Porto Alegre. Naquela época, eram outros os costumes, outro o modo de pensar e de agir. c) Em relação às ideias de um contexto (parágrafo, período, oração) • Esse (isso) indica o que já se mencionou; é, portanto, sinônimo de citado, referido etc.: Essa medida (= exposta acima) visa a evitar que pessoas inescrupulosas usem o nome de nossa Empresa para... 35Unidade 4 coLocação PronominaL um aspecto importante também na redação é a observância às normas de colocação pronominal. os pronomes oblíquos átonos (me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, os, as, lhes) admitem três possibilidades em relação ao verbo a que se ligam: próclise, antes do verbo; mesóclise, no meio do verbo; e ênclise, depois do verbo. Embora na língua oral haja uma flexibilidade quanto a essa colocação, na língua escrita, o grau de formalidade exige a observância às normas da língua culta. Vejamos algumas dessas normas. Próclise Algumas palavras ou expressões são consideradas atrativas do pronome oblíquo. • Palavras ou expressões negativas (não, nada, ninguém): Ninguém me comunicou o fato. • Advérbios sem pausa (sem o emprego de vírgula): Tão logo me viu, João adentrou o recinto. • Pronomes indefinidos: Alguém se responsabilizou pelos convites. • Pronomes e advérbios interrogativos (início de frase): Quando se mudaram para Paris? • Palavras exclamativas e optativas: Como se parecem! • Conjunções subordinativas Sempre que se fala dele... • gerúndio precedido da preposição em: Em se falando de flores, a rosa é a preferida. • Conjunções coordenativas alternativas: ou se mantêm em silêncio ou serão evacuados do Tribunal. mesóclise Emprega-se apenas no futuro do presente e no futuro do pretérito, desde que não haja a obrigatoriedade da próclise: • Vê-lo-ei no próximo sábado. • Dir-lhes-ia a verdade, se soubesse. • Conceder-nos-ão a licença para utilizar o espaço cultural? Compare: Não o verei no próximo sábado. (Palavra negativa) imediatamente lhes diria a verdade, se soubesse. (Advérbio sem pausa) Quem nos concederá a licença para utilizar o espaço cultural? (Pronome interrogativo) Ênclise Casos em que se deve empregar a ênclise: • Com verbos no início do período: Decidiu-se que as secretáriasparticiparão do evento. • Com verbos no gerúndio (não precedido da preposição em) Devemos cuidar dos idosos, amando-os e respeitando-os. • Com verbos no infinitivo impessoal A criatividade, é preciso desafiá-la e incentivá-la. Colocação dos pronomes em locuções verbais. 1. Verbo principal no infinitivo ou no gerúndio • Sem a obrigatoriedade da próclise (palavras atrativas), emprega-se o pronome após a locução: Vamos encaminhar-lhe o pedido imediatamente. Aquele assunto, estivemos debatendo-o durante horas. 36Unidade 4 • Com palavras que exijam a próclise, pode- -se colocar o pronome antes ou no meio da locução: Antes: Ninguém me permitiu deixar a festa antes do final. No meio: Eles continuam se observando Nota – A norma culta da língua sugere a colocação do pronome no meio da locução, com hífen: os acontecimentos vão-se seguindo naturalmente. 2. Verbo principal no particípio • o pronome não poderá vir depois do verbo: os alunos tinham-se empenhado na realização da tarefa. A turma tinha se posicionado contra o réu. • Se a locução verbal vier precedida da palavra que exija a próclise, o pronome deverá ser colocado antes dela: Todos se haviam comprometido com a causa. exercícios I – Realize a concordância verbal, de acordo com a norma culta. 1. Sua mãe e eu já __________________ a data do casamento. definir – pres. ind. 2. Cinquenta por cento da agenda _________________ sob a responsabilidade dos palestrantes convidados. ficar – fut. ind. 3. Mais de um convidado, mais de um padrinho _______________________ atrasados à cerimônia. chegar – pret. imperf. ind. 4. um por cento dos convidados não _________________ aos eventos. comparecer – pres. ind. 5. Tu e teu noivo __________________ comparecer ao ensaio do casamento. dever – pres. ind. 6. Quantos de vós ________________ os padrinhos do noivo? ser – fut. ind. 7. Muitos de nós ________________ convidados para a reunião da Diretoria. ser – pret. imperf. ind. 8. Nenhum de nós ___________________ responder à pergunta do professor. saber – pret. imperf. ind. 9. os Estados unidos _________________ reunião com o Conselho de Segurança da oNu. convocar – pret. imperf. ind. 10. Minas gerais ___________________ a produção de leite no país. liderar – pres. ind. 11. A junta médica _________________ pela cirurgia imediata. decidir – pret. imperf. ind. 12. _______________ nove horas quando a noiva chegou à igreja. Bater – pret. imperf. ind. 13. o sino ___________________ dez horas quando a cerimônia se encerrou. bater – pret. imperf. ind. 14. ______________-se apartamentos para temporada. Alugar – pres. ind. 15. ______________-se vagas para cozinheiro. oferecer – pres. ind. 16. ___________ muitos candidatos para essa vaga. Haver – pres. ind. 17. __________ muito no inverno europeu. Nevar – pres. ind. 18. Seu irmão e eu __________________ o desenho da logomarca. realizar – pres. ind. 19. Mais de um candidato ________________ prêmio pelo trabalho. receber – pret. imperf. ind. 20. _______________-se de novos modelos de carro para venda. necessitar – pres. ind. 21. ____________ meu amigo, sua irmã, seus primos e avós. chegar – pret. perf. ind. 22. ____________ o assunto o advogado, o promotor e o juiz. discutir – fut. ind. 23. A tristeza e a amargura ______________-se em seu olhar. refletir – pres. ind. 24. A solidariedade e a compaixão ________________-se em suas atitudes. evidenciar – pres. ind. 25. A década de 1990 ____________ seus representantes ilustres. ter – pret. perf. ind. 26. o filho ____________ as delícias dos pais. ser – imperf. ind. 27. Seu sorriso ________________ pérolas raras. ser – pres. ind. 28. A felicidade ____________ os desejos da humanidade. ser – pres. ind. 37Unidade 4 29. Sorrir e chorar ______________ parte da vida. fazer – pres. ind. 30. Dançar balé e cantar ópera _______________ a atividades culturais. corresponder – pres. ind. 31. os livros, os cadernos e a caneta, tudo _____________ sobre a mesa. permanecer – pret. imperf. II – Realize a concordância nominal de acordo com a norma culta. 1. A boneca tinha pernas e braços __________________. (desengonçado) 2. o palhaço apresentava __________________ a perna e o braço. (desengonçado) 3. Era de uma simplicidade e franqueza ______________. (incomparável) 4. Manifestava-lhe apenas uma dignidade e um respeito ___________. (frio) 5. inspirou-se na música italiana e ______________. (francesa) 6. As brincadeiras do palhaço eram _____________ ridículas. (meio) 7. São razões ______________ para que se altere o plano. (bastante) 8. As tabelas estão ______________ ao relatório. (anexo) 9. As tarifas telefônicas estão custando mais _________. (caro) 10. As passagens aéreas estão mais _____________ nesta temporada. (caro) 11. As secretárias, elas ______________ organizaram o arquivo. (mesmo) 12. É _______________ uma solução rápida para a crise. (necessário) 13. As desigualdades sociais por si ____________são motivos de vergonha nacional. (só) III – Realize a regência verbal de acordo com a norma culta. 1. os alunos _______________________ filme sobre roma. assistir (pret. imp. ind.) 2. os advogados ___________________ réu no tribunal. assistir (pret. imp. ind.) 3. o Presidente da república _______________ Brasília. assistir (pres. ind.) 4. os alunos __________________ dia da prova. esquecer (pret. imp. ind.) 5. As secretárias ___________________ compromisso do diretor. lembrar (pret. imp. ind.) 6. ________________ as más lembranças do passado. esquecer (pret. imp. ind.) 7. Essas providências __________________ saneamento da dívida pública. visar (pres. ind.) 8. A desvalorização do real ________________________ aumento da dívida pública. implicar (pres. ind.) 9. o diretor _______________ funcionários _________ suas decisões. informar (pret. perf. ind.) 10. As informações veiculadas pela imprensa não _________________. proceder (pres. ind.) 11. Diante dos fatos, a polícia _________________ prisão do suspeito. proceder (pret. perf. ind.) 12. ___ que _________ esses objetivos? visar (pres. ind.) IV – Realize a regência nominalde acordo com a norma culta. 1. Não se deve fazer alusão _____________________ acontecimentos recentes. 2. o Código Civil foi adaptado ___________________ contemporaneidade. 3. os diretores permaneceram alheios _____________ solicitações dos funcionários. 4. Há uma estreita analogia ___________ a mitologia grega e a realidade da época. 5. A nova lei é constituída ___________ 120 artigos. 6. imbuídos _________________ espírito acadêmico, os estudantes participaram das palestras. 7. Esta minuta é passível ____________ críticas. 8. os coordenadores mostraram-se propensos __________________ mudanças. 9. o supervisor parece apto______________ assumir novas responsabilidades. V – Empregue a crase corretamente. 1. o diretor solicitou ____ secretária que reservasse sua passagem. 2. os funcionários aderiram _____ manifestação por melhores salários. 3. ___ margens do rio, viam-se os casebres alagados. 4. ___ proporção que chovia, os rios da região transbordavam. 5. os candidatos começaram __________ reclamar da dificuldade da prova. 6. o diretor atribui ____ cada secretária uma tarefa. 7. A secretária solicitou uma pasta igual ____ esta. 8. Desejamos ____ V. S.a uma feliz estada na cidade. 9. o supervisor ofereceu ____ vendedoras melhores preços. 10. os congressistas chegaram ____ Natal ____ vésperas do evento. 38Unidade 4 VI – Empregue adequadamente os pronomes demonstrativos. 1. Solange, traga-me _______________ pasta que está sobre sua mesa, por favor. 2. Peça ao Sr. gustavo para trazer-me __________ dossiê que está no arquivo. 3. ___________ loja fará liquidação de seu estoque e aguarda sua presença. 4. ___________ setor de vendas tem condições de atender as nossas necessidades? 5. ___________ semana, as pessoas podem comprar todos os produtos com desconto de 30%. 6. Há dois meses, abrimos nossa filial em Belo Horizonte. _________________ período, contratamos vários operários. 7. Há um século, nascia a nossa Empresa. _____________ época, as condições eram mais difíceis do que hoje. 8. Adotaremos, como medidas de controle do material, a requisição por escrito e a assinatura do chefe do setor. _____________ medidas são necessárias para a economia da firma. 9. Atentem-se para _____________ aviso: a partir de amanhã não será permitido circular nas dependências da Firma sem o crachá de identificação. 10. Compareceram ao Seminário o diretor, o consultor e a secretária: __________________ ocupou-se dos convidados, ___________, da exposição dos dados estatísticos e _______________ dos discursos de abertura e encerramento do evento. VII – Reescreva as frases, colocando, junto ao(s) verbo(s), o pronome indicado entre parênteses. 1. informarei sobre as mudanças ocorridas no Código Civil. (lhes) __________________________________________ __________________________________________ 2. Nada fará mudar de opinião. (me) __________________________________________ __________________________________________ 3. Vendem apartamentos no litoral. (se) __________________________________________ __________________________________________ 4. Tão logo aproximei, reconheceram. (me; me) __________________________________________ __________________________________________ 5. Quando entregarão o presente? (lhe) __________________________________________ __________________________________________ 6. Meninos, protejam de chuva. (se) __________________________________________ __________________________________________ 7. Em realizando o pagamento, o sócio poderá beneficiar do atendimento médico. (se; se) __________________________________________ __________________________________________ 8. Vou contar as novidades da viagem. (lhes) __________________________________________ __________________________________________ 9. Lembrarás de mim quando sentires alegre? (te; te) __________________________________________ __________________________________________ 10. os prédios antigos estão deteriorando, pela falta de conservação. (se) __________________________________________ __________________________________________ confira suas respostas i – 1. definimos 17. Neva 2. ficarão 18. realizamos 3. chegaram 19. recebeu 4. comparece 20. Necessita-se 5. deveis 21. Chegaram / chegou 6. serão/sereis 22. Discutirão / discutirá 7. foram/fomos 23. refletem / reflete 8. soube 24. evidenciam / evidencia 9. convocaram 25. tiveram / teve 10. lidera 26. eram / era 11. decidiu 27. são / é 12. Batiam 28. são / é 13. batia 29. fazem 14. Alugam-se 30. corresponde 15. oferecem-se 31. permanecia 16. Há ii – 1. desengonçados 2. desengonçada 3. incomparável / incomparáveis 4. frios / frio 5. na francesa 6. meio 7. bastantes 8. anexas 9. caro 10. caras 11. mesmas 12. necessária 13. sós 39Unidade 4 iii – 1. assistiram ao 2. assistiram o 3. assiste em 4. esqueceram o 5. lembraram o / lembraram-se do 6. Esqueceram-me as / Esqueceram-lhe as 7. visam ao 8. implica o 9. informou os funcionários de suas... / informou aos funcionários suas... 10. procedem 11. procedeu à 12. A que visam...? iV – 1. aos 2. à 3. às solicitações 4. entre 5. de / por 6. de 7. de 8. às 9. para V – 1. à 2. à 3. Às 4. À 5. a 6. a 7. a 8. a 9. às 10. a / às Vi – 1. essa pasta 2. aquele dossiê 3. Esta Loja 4. Esse 5. Nesta 6. Nesse 7. Naquela 8. Essas 9. este 10. esta / esse / aquele Vii – 1. informar-lhes-ei sobre as mudanças ocorridas no Código Civil. 2. Nada me fará mudar de opinião. 3. Vendem-se apartamentos no litoral. 4. Tão logo me aproximei, reconheceram-me. 5. Quando lhe entregarão o presente? 6. Meninos, protejam-se da chuva. 7. Em se realizando o pagamento, o sócio poderá beneficiar-se do atendimento médico. 8. Vou contar-lhes as novidades da viagem. 9. Lembrar-te-ás de mim quando te sentires alegre? 10. os prédios antigos estão deteriorando-se (estão se deteriorando), pela falta de conservação. Discurso Administrativo Unidade 5 Técnico em Transações Imobiliárias Para isso, detalhamos aqui os princípios da redação oficial. impessoalidade o interesse geral dos cidadãos deve ser levado em conta, em detrimento de percepções particulares. os assuntos comunicados são relativos às atribuições do órgão ou da empresa que emite a correspondência, razão pela qual o tratamento dado aos assuntos deve ser impessoal. Em decorrência disso, a redação deve ser elaborada em nome do público e a linguagem, neste caso, assume também um caráter estritamente impessoal. Na prática, isso quer dizer que, numa correspondência oficial, não se deve usar de intimidades, de gírias ou de tratamento familiar. Para isso, sugerimos algumas precauções. • Evite o uso de linguagem irônica, pomposa ou rebuscada e cheia de estilos pessoais. • Diminua o grau de impessoalidade: use a linguagem em primeira pessoa, seja no singular ou plural (o chamado plural de modéstia). Exemplo: “Apresentamos a Vossa Senhoria o documento”... observação: um exemplo de abuso de impessoalidade é o uso do verbo na terceira pessoa com o pronome “se”. “Dessa forma, solicita-se a Vossa Senhoria...”; • use o padrão culto da língua portuguesa. Formalidade e uniformidade As comunicações oficiais devem sempre obedecer a certas regras de forma: não bastam somente as exigências de impessoalidade e uso do padrão culto de linguagem, é necessário que as comunicações Objetivo: • Conhecer os requisitos necessários à redação administrativa. comunicação na redação adminiStrativa A comunicação que merece cuidados especiais é aquela realizada no âmbito da Administração Pública e das organizações de natureza privada, como empresas, instituições escolares, oNgs, associações, sindicatos, partidos. A redação administrativa obedece a um conjunto de normas preestabelecidasque têm por objetivo a padronização da correspondência que tramita entre órgãos públicos e/ou empresas que tem como função, entre outras, a troca de informações, o reconhecimento de direitos e vantagens, o estabelecimento de obrigações, a comunicação de intenções e a realização de negócios. um texto de boa qualidade, sob o ponto de vista linguístico, é aquele que obedece aos requisitos de correção e objetividade, clareza e concisão, coerência e coesão, visando à comunicação expressiva e consistente daquilo que se pretende. Vale ressaltar que essa obrigatoriedade se aplica não apenas aos textos legais, como leis, decretos, portarias etc., mas também a toda correspondência que circula em órgãos da administração pública e em empresas particulares, tanto interna, quanto externamente. Essas correspondências devem permitir uma única interpretação. Além disso, devem ser estritamente impessoais e uniformes, o que exige o uso de um certo nível de linguagem. É a partir daí que a linguagem do texto oficial se diferencia da linguagem de outros gêneros textuais. 42Unidade 5 obedeçam a formalidades, etiquetas e padrões de tratamento cerimonioso. São marcas dessa formalidade: polidez, cortesia e, principalmente, respeito ao interlocutor, o que implica dizer que o texto deverá observar as peculiaridades e as características de quem vai lê-lo. Além disso, é necessário que as comunicações do poder público obedeçam a um padrão, o qual é obtido, por meio de procedimentos, normas e padrões que facilitem e agilizem o trabalho de elaboração de textos. isso é a uniformização, que será obtida por meio do chamado Discurso Administrativo Contemporâneo, que apresentaremos a seguir. diScurSo adminiStrativo contemPorâneo Do ponto de vista linguístico, a palavra discurso pode ser entendida como um encadeamento de palavras, ou mesmo uma sequência de frases segundo determinadas regras gramaticais e numa determinada ordem, de forma a comunicar um sentido. o conceito de discurso é sinônimo de enunciado e apresenta vários tipos. Por isso, podemos falar de discurso político, literário, teatral, filosófico, cinematográfico etc. Nesse sentido, os discursos desempenham diversas funções, assumem várias modalidades e utilizam diferentes estilos de linguagens. um discurso político, por exemplo, tem estrutura e finalidade muito diferentes do discurso religioso, filosófico, científico ou publicitário. Alguns discursos orientam-se, sobretudo, para a demonstração, outros para a argumentação, outros ainda centram-se principalmente na persuasão. Para efeitos didáticos, apresentamos o gênero administrativo com suas quatro qualidades essenciais e com os dez defeitos mais comuns. QuaLidadeS • Objetividade Ser objetivo é dizer apenas o que precisa ser dito. A objetividade textual traduz-se mediante o uso de linguagem direta, sem rodeios ou preciosismos. Hoje há uma predominância da ordem direta, não se recomenda o uso de parágrafos longos com excessivos entrelaçamentos de incidentes e orações subordinadas que possam causar dificuldades à análise e ao entendimento do interlocutor. • Clareza Ser claro é procurar a expressão certa para dizê-la na ordem exata. A clareza facilita a percepção rápida das ideias expostas no texto. recomenda-se, portanto, o uso de períodos curtos, a ordem direta, a parcimônia na adjetivação, a ausência de ambiguidade (duplicidade de interpretações), rodeios (circulóquios), redundâncias e digressões, recursos que desviam a atenção do receptor sobre o que é essencial. • Concisão Dizer o máximo com o mínimo de palavras. A concisão consiste em transmitir muito com poucas palavras, eliminando-se vocábulos e expressões supérfluos, a adjetivação desmedida, evitando-se, também, períodos extensos e emaranhados. A concisão traz clareza à frase. Para se obter concisão, é importante ter conhecimento do assunto, ter tempo para revisar o texto e retirar dele as ideias secundárias que nada acrescentam. • Harmonia Levar sempre o conjunto das palavras e das frases em consideração. A harmonia está ligada à noção de coerência e coesão. A primeira deve ser entendida como unidade do texto. Podemos obter coerência interligando as ideias de maneira clara e lógica. Já a coesão consiste no entrelaçamento significativo entre declarações e sentenças sequenciais e não, meramente, de afirmações colocadas umas após as outras, pois os parágrafos significam mais do que uma simples sucessão de sentenças. São várias as palavras que, num texto, assumem a função de conectivo ou de elemento de coesão: – As preposições: a, de, para, por etc.; – As conjunções: que, para que, quando, embora, mas, e, ou etc.; 43Unidade 5 – os pronomes: ele, ela, seu, sua, este, esse, aquele, que, o qual, cujo etc.; – os advérbios: aqui, lá, assim, aí etc.; Estes elementos, além de ligarem partes do discurso, estabelecem entre eles certo tipo de relação semântica: causa, finalidade, tempo, conclusão, contradição, condição e outras mais. A escolha do conectivo adequado é, pois, importante, uma vez que determina a direção que se pretende dar ao texto, manifestando as diferentes relações entre os enunciados. Enfim, a escrita não exige que os períodos sejam longos e complexos, mas que sejam completos e que as partes estejam absolutamente conectadas. o redator deve ter clareza do que escreve e, uma vez escrito o enunciado, avaliar se o texto corresponde, exatamente, àquilo que queria dizer, evitando ambiguidades. deFeitoS • Prolixidade um texto prolixo é aquele que fornece informações desnecessárias. É também um texto enfadonho, fastidioso, por ser muito longo, usando mais palavras do que o necessário para a comunicação. A prolixidade é responsável pelos principais problemas de redação hoje em dia, resultado ainda da falsa percepção de que escrever muito é escrever bem. Veja um exemplo: Texto prolixo Analisamos exaustivamente esses itens e constatamos, após longos e laboriosos estudos, que os procedimentos adotados, quanto aos quesitos compras e contratações de serviços, estão consoante a legislação vigente. Texto conciso Os procedimentos, quanto aos quesitos compras e contratações, estão conforme a legislação. Assim, na linguagem administrativa, não há a necessidade de caracterizar e personalizar, com julgamento de valor, o trabalho realizado. Por isso, é desnecessário dizer “analisamos exaustivamente”; “após longos e laboriosos estudos”. A expressão “legislação vigente” é redundante, pois apenas a palavra “legislação” já deixa evidente a vigência do texto. • Subjetividade Esquecer o destinatário ou usar de intimidades. Pelo princípio da impessoalidade, os atos dos agentes públicos obrigatoriamente deverão ter como finalidade o interesse público, e não interesses pessoais, familiares ou de um círculo de pessoas amigas. Essa regra também vale para a linguagem oficial. o conteúdo das comunicações administrativas deve ser objetivo, ou seja, tratar de assuntos que dizem respeito ao interesse público, afinal, o emissor da mensagem está falando por um órgão, e não em nome pessoal. • Linguagem rebuscada imitação de modelos e fórmulas arcaicas. o conhecimento de um grande número de palavras eruditas não implica, necessariamente, o conhecimento da língua. othon Moacir garcia afirma que “se praticamente não se pode pensar sem palavras, é errôneo presumir que, dispondo apenas delas, se disponha igualmente de agilidade mental e de facilidade de expressão, pois é sabido que o comando da língua falada ou escrita pressupõe o assenhoramento de suas estruturas frasais combinado com a capacidade de discernir, discriminar e estabelecer relações lógicas, de forma que as palavras não apenas veiculem ideias ou sentimentos, mas reflitam também a própria atitude mental”. Da mesma forma, garcia (2002) continua, concluindo que “torna-se estulto presumir que basta estudar gramática para saber falar e escreversatisfatoriamente”. Nesse caso, o estilo é que caracteriza a escrita. Estilo é tudo aquilo que individualiza a obra criada pelo homem, como resultado de um esforço mental, de uma elaboração do espírito, traduzindo em ideias, imagens ou formas concretas. Por isso, o apelo a formas previamente estabelecidas pode tornar o texto ridículo. Exemplo: “Dessa forma, pede e espera de V. Ex.a a mais lídima, cristalina e escorreita justiça.” 44Unidade 5 outro exemplo, com uma frase de ladainha: “Sem mais para o momento, mister se faz a análise prévia dos documentos ora apresentados, em cuja identidade confiam os nobres julgadores, a fim de lhe proporcionar, ainda que desprovidos de autoridade legal, o entendimento circunstancial do objeto e também o seu ponto controverso.” • Redundância repetição desnecessária de ideias. A redundância significa a utilização desnecessária, exagerada, repetitiva de palavras numa frase que poderia ser mais curta, pois que teria o mesmo sentido. Segundo o dicionário Aurélio, é a superfluidade das palavras. os exemplos na linguagem comum são inúmeros e utilizados a toda hora: “elo de ligação que faltava” (elo que faltava); “acabamento final” (acabamento)”; “em duas metades iguais” (em duas metades); “há anos atrás” (há anos); “surpresa inesperada” (surpresa). Já a tautologia é um dos vícios de linguagem que consiste em dizer ou escrever a mesma coisa, por formas diversas, parecida com pleonasmo ou redundância. Redundâncias, Pleonasmos e Tautologias Acabamento final individualidade inigualável Exultar de alegria Quantia exata Abusar demais Encarar de frente Nos dias 8, 9 e 10, inclusive Expressamente proibido Comprovadamente certo Superavit positivo Terminantemente proibido Fato real Todos foram unânimes Em duas metades iguais Multidão de pessoas Habitat natural Destaque excepcional Amanhecer o dia Certeza absoluta Sintomas indicativos Criar novos empregos Sugiro, conjecturalmente Há anos atrás retornar de novo Como prêmio extra Vereador da cidade Frequentar constantemente Juntamente com outra alternativa Empréstimo temporário Em caráter esporádico Detalhes minuciosos / pequenos detalhes Compartilhar conosco Conviver junto A razão é porque Surpresa inesperada Passatempo passageiro interromper de uma vez Completamente vazio Novo lançamento De sua livre escolha Colocar algo em seu respectivo lugar Atrás da retaguarda Preconceito intolerante Escolha opcional Planejar antecipadamente Medidas extremas de último caso Manter o mesmo time repetir outra vez / de novo De comum acordo Labaredas de fogo Sentido significativo inovação recente Erário público Voltar atrás Velha tradição (os dicionários ensinam que erário é o tesouro público, por isso, basta dizer somente erário) Abertura inaugural Beco sem saída Despesas com gastos Pode possivelmente ocorrer Discussão tensa Monopólio exclusivo A partir de agora imprensa escrita ganhar grátis Última versão definitiva Sua autobiografia Países do mundo obra-prima principal Sorriso nos lábios Viúva do falecido gritar/ Bradar bem alto goteira no teto Elo de ligação Propriedade característica general do Exército (Só existem generais no Exército) Criação nova 45Unidade 5 Exemplo: Havia um homem entre a multidão a qual (= a multidão) dava gritos histéricos. Havia um homem entre a multidão o qual (= o homem) dava gritos histéricos. Reconstruindo a frase: Exemplo: O consultor imobiliário falou com o diretor em sua sala. O consultor imobiliário falou, em sua sala, com o diretor. O consultor imobiliário falou com o diretor na sala deste. Outros exemplos: O ciúme da mulher levou-o ao suicídio. (Quem era ciumento? O suicida ou a mulher?); Conheci-o quando ainda criança (quem era criança? O sujeito ou o objeto do verbo conhecer?). • Detalhismo Excesso de informações. Como a característica da redação oficial é a concisão, tudo que for além da informação estritamente necessária acaba prejudicando a leitura do texto administrativo. Lembre-se de que esse tipo de texto não é a mesma coisa que um texto literário, em que os detalhes são necessários para a qualidade da obra de arte. isso provém do conservadorismo, que gera o apego a formas arcaicas de comunicação e sem muita aplicabilidade na prática. Essas fórmulas não são modificadas em função da insegurança dos redatores. Por isso, é comum, aquele comportamento: – Se esse texto era escrito desse modo antes, porque vou modificá-lo agora? Comparecer em pessoa Brigadeiro da Aeronáutica; (Só existem brigadeiros na Aeronáutica) Exceder em muito Colaborar com uma ajuda / auxílio Almirante da Marinha; (Só existem almirantes na Marinha) Expectativas, planos ou perspectivas para o futuro Matiz cambiante A seu critério pessoal Continua a permanecer Com absoluta correção / exatidão Demasiadamente excessivo Extraído do sítio <http://oto.blog.br/tautologia-pleonasmo-ou-redundancia/> com alterações. • Ambiguidade uso de frases obscuras. No plano da expressão linguística, devemos então cuidar das seguintes falhas: Ambiguidade provocada pelo pronome relativo que: Exemplo: Havia um homem entre a multidão que dava gritos histéricos. Quem dava gritos histéricos: o homem ou a multidão? Ambiguidade provocada pelo pronome possessivo: Exemplo: o professor falou com o diretor em sua sala. De quem era a sala: do professor ou do diretor? Como eliminar a ambiguidade? Usando a técnica do deslocamento – evita-se o uso do pronome relativo que referindo-se a dois substantivos: Exemplos: Havia um homem entre a multidão que dava gritos histéricos. Havia um homem que dava gritos histéricos entre a multidão. Entre a multidão que dava gritos histéricos havia um homem. Usando a técnica da substituição do relativo – o pronome relativo que tendo como sinônimos: o qual, a qual, os quais, as quais: 46Unidade 5 – Mas o meu chefe é muito tradicional e não vai aceitar essa modificação! – o chefe gosta desse finalzinho: “Colho o ensejo...” – Se eu for muito conciso, o texto vai ficar muito seco! Em razão disso, acaba perpetuando-se uma tendência equivocada em alongar a correspondência. isso se faz por meio de extensas introduções e formas de saudação final piegas, como a que vemos abaixo: – Venho por meio desta...; – Tenho a satisfação...; – Tenho a subida honra...; – É com satisfação... Na expressão “venho por meio desta...”, por exemplo, temos uma espécie de comentário sobre a própria correspondência. ora, se é pela carta, ofício, memorando, e-mail que você está se dirigindo à pessoa, não há necessidade de explicitar o meio/expediente. Quanto à fórmula “tenho a honra/ tenho a subida honra...” nem sempre haverá satisfação ou honra em fazer uma comunicação. Às vezes, o redator não observa a informação e, por isso, temos pérolas como: “Tenho a honra de informar que seu projeto de lei em tramitação nesta comissão foi rejeitado na reunião do dia 20.” Então, como faço para resolver isso? Vá direto ao ponto. Pergunte sempre qual o objetivo da comunicação: informar algo? Solicitar algo? responder a alguém? Em geral, as correspondências oficiais são a formalização de um ato administrativo. Por vezes, a resistência do redator ao uso de um verbo relacionado a esses atos, está na dúvida, como já dito, de saber se isso não vai ficar muito artificial. Por isso, apresentamos abaixo alguns exemplos de excesso de detalhes na redação do texto administrativo, com a sua respectiva correção. Em vez de dizer... Vá direto ao assunto e diga.. Acusamos o recebimento, no dia... último, do presente ofício... Em atenção ao ofício no...., informamos... Chegou aos nossos ouvidos que... Fomos informados que... Como é do conhecimento de V. S.as, apresento-lhes... Apresento a V. S.as... ou Apresentamos a V. S.as... Cumpre dirigir-me a V. S.a para informar... informo a Vossa Senhoria... informamos a V. S.as que... É nossa opinião que... opinamos pela... Em data de ontem, chegou às minhasmãos a carta no... Em atenção à Carta de no ... * Se ele(a) está respondendo,está óbvio que ele(a) recebeu a carta. É-me grato formular a presente com o fim de solicitar a Vossa Senhoria... Solicito a Vossa Senhoria... Em resposta à solicitação de V. S.as em sua missiva... Em resposta ao ofício (carta)... Faça chegar às mãos do Sr... Envie (Entregue) ao sr. Fulano... Fazemos chegar ao prezado amigo nossas desculpas... Desculpamo-nos... Ficamos no aguardo de suas notícias... Aguardamos notícias... Formulamos a presente para solicitar a V. S.as que... Solicitamos a V. S.as que... 47Unidade 5 Há meses, solicitou-nos V. S.a o obséquio de verificar a possibilidade de instalar-se com seus escritórios nesta cidade... Trata-se de uma resposta de ofício. o início da resposta formal. Honra-nos, sobremodo, a carta em nosso poder, em que V. S.a nos solicita informações sobre a posição ... Em atenção ao ofício no...., informamos... Temos a grata satisfação de comunicar-lhes que... Em referência à Carta no.... É desnecessário dizer que nos colocamos a sua disposição... Comunicamos a Vossa Senhoria que... Era o que tínhamos para o momento, adiantando que estamos atentos a qualquer modificação na atual posição e lhe daremos notícias imediatas. Atenc iosamente, ou respe i tosamente, dependendo da autoridade. Sendo o que nos cabe no momento... A tenc iosamente, ou respe i tosamente, dependendo da autoridade. • Oficialismo Excesso de justificativas e referências ao ordenamento institucional. É o abuso de expressões como “salvo melhor juízo”, “de ordem”, “em atenção ao que dispõe o conteúdo...”. • Pedantismo uso de palavras raras (muitas vezes com o sentido alterado), jargão, estrangeirismos, gerundismos etc. o pedantismo também está associado ao uso de palavras e expressões prontas e que, muitas vezes, não carregam sentido nenhum. • Estereótipos uso de lugares-comuns, expressões sem originalidade. o lugar-comum é um dos vícios que mais alimenta a prolixidade e a sua presença, em documentos oficiais e comerciais, é notável. Entende-se por lugar-comum a repetição de frases ou expressões batidas e frequentes que nada acrescentem à mensagem. Denotam, verdadeiramente, pobreza de estilo e falta de imaginação do redator. Veja: – Por intermédio desta, solicitamos... – Sirvo-me desta missiva, para... – Vimos, pela presente, solicitar... – Tem esta a finalidade de apresentar... Se você envia um ofício ou uma carta, é porque tem alguma coisa que comunicar. Toda correspondência tem uma finalidade. Não é necessário, pois, frisar que vai comunicar algo através do ofício ou da carta. Tudo isso é inútil e, além de acarretar perda de tempo e de material, faz muito pouco da inteligência do receptor. Também o fecho dessas correspondências costuma apresentar uma série de lugares-comuns. – N a d a m a i s h a v e n d o a t r a t a r, apresentamos... – Finalizando esta, enviamos... – Sendo o que se nos oferece no momento, subscrevemo-nos... – Sem mais para o presente, apresentamos... Se você assina o ofício ou a carta, é porque nada mais tinha a declarar ou a tratar. Não há necessidade, portanto, de frisar essa falta do que dizer ou acrescentar. Atestados, certidões e declarações costumam apresentar, logo no início, o invariável “para os devidos fins”. Considere o seguinte, a fim de melhor compreender a inutilidade desse lugar-comum: todo documento é passado com alguma finalidade. Não existindo essa, o documento é inútil. A finalidade pode ser geral ou específica. Se geral, não há necessidade de esclarecer “para os devidos fins”; se específica, declara-se qual: para fins de imposto de renda, para fins de recebimento de salário-família etc. 48Unidade 5 Logo, o fecho das comunicações administrativas deverá ser conciso, evitando-se aquele tradicional e piegas fecho de cortesia “Colho o ensejo para renovar a Vossa Senhoria protestos da mais elevada consideração”. Esses fechos, além de não dizerem nada de importante, provocam o desperdício de material e de tempo. Daí a preferência por fechos como “respeitosamente (autoridade de grau hierárquico superior)”, “Atenciosamente (autoridade de grau hierárquico inferior ou igual ao do emissor)”, “Cordialmente”, conforme o modelo do documento. Para os modelos oficiais, usam-se apenas os dois primeiros. • Coloquialismo uso de palavras e expressões coloquiais, gírias etc. Existem outros aspectos que prejudicam a legibilidade e imprimem ao texto um registro coloquial, comum nas situações informais da língua falada, mas inadequado na redação oficial, entre eles podemos citar estes. – uso excessivo de pronomes pessoais, possessivos, dos artigos indefinidos um, uma, e da conjunção que. – Mistura de pronomes de tratamento. – Colocação dos pronomes pessoais átonos mal feita. – regência verbal indevida. – Concordância nominal e verbal equivocada. – uso de fragmentos de frase. – Versões desnecessárias. – Existência de pontuação ou seu uso incorreto. 49Unidade 6 Documento entre Empresas Unidade 6 Técnico em Transações Imobiliárias Objetivo: • Conhecer as normas, que regem o documento empresarial. documentoS adminiStrativoS Orientações gerais • Diagramação – Padrão básico – Tamanho do papel: A4 (29,7cm x 21,0 cm). – Fonte: Arial 12 no texto em geral, 11 nas citações e nas ementas da ordem de Serviço, do Parecer e da Portaria, e 10 nas notas de rodapé. – Nos casos de símbolos inexistentes na fonte Arial, utilizam-se as fontes Symbol e Wingdings. – Numeração das páginas: obrigatória a partir da segunda. – Numeração dos parágrafos: todos numerados, com exceção do primeiro e do fecho. – Espaçamento entre linhas: simples e de 6 pontos após cada parágrafo. – Margem lateral esquerda: no mínimo 3,0 cm de largura. – Margem lateral direita: 1,5 cm. – Margens superior e inferior: 2 cm. – Alínea dos parágrafos: 2,0 cm. – Na correspondência oficial, a impressão pode ocorrer em ambas as faces do papel. Nesse caso, as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares (“margem espelho”). – os textos devem ser impressos na cor preta em papel branco, reservando-se, se necessário, a impressão colorida para gráficos e ilustrações. • Formulários Devem ser mantidos os formulários já existentes, elaborados para assuntos rotineiros. Nada impede, também, que órgãos públicos ou privados criem formulários próprios para rotinas específicas, na medida do possível; neste caso o órgão/a empresa terá cuidado de verificar se já não existe formulário que responda à necessidade, a fim de evitar a criação desnecessária de formulário. o memorando e os outros expedientes adequados servirão, portanto, para as comunicações que não se enquadrem na rotina dos formulários. • Logomarcas Em material de divulgação e assemelhados, não há impedimento para o emprego de logomarcas. • Siglas A sigla é uma espécie de abreviatura, formada de iniciais ou primeiras sílabas das palavras de uma expressão que representa nome de instituição, partido, órgão, departamento, setor etc. Em geral, o uso da sigla deve obedecer ao seguinte critério: na primeira menção, deve-se grafar o nome por extenso com a respectiva sigla entre parênteses, e, a partir de então, fazer referência apenas à sigla. Quanto à flexão e à derivação, aquelas siglas que estão bem incorporadas ao vocabulário do 50Unidade 6 dia a dia das pessoas passam a sofrer flexões de número, com o acréscimo, ao final, de um s minúsculo, como no exemplo a seguir: CPi: Comissão Parlamentar de inquérito. CPis: Comissões Parlamentares de inquérito. Evite, portanto, o uso do apóstrofo: CPi’s. As siglas também podem originar palavras derivadas: PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Peemedebista: membro do PMDB. Algumas siglas provenientes de língua estrangeira mantêm a sua grafia na língua original. Ex.: uFo – unidentified Flying object (objetovoador não identificado); AiDS – Acquired immunological Deficiency Syndrome (síndrome de imunodeficiência adquirida). Quanto à grafia, a sigla não tem ponto abreviativo. Por isso, ela é escrita com caracteres maiúsculos, uma vez que se trata de letras iniciais de nomes próprios. No entanto, escrevem-se apenas com inicial maiúscula as siglas com mais de três letras, lidas como se fossem sílabas: Bradesco, Petrobras, Siderbras, usiminas, Anatel, Prodasen, Cefor, Cenin, Demap. Algumas sílabas têm representada em minúsculo a letra que não constitui inicial de um dos elementos componentes: unB – universidade de Brasília. carta emPreSariaL* Por ser a carta o documento empresarial de maior utilização, dedicaremos uma unidade exclusiva para esse tipo de correspondência. A carta empresarial consta das seguintes partes básicas: cabeçalho, texto e fecho. – o timbre – o índice e o número – a data CABEçALHo – o endereço – a linha de atenção – a referência ou o assunto – o vocativo – a introdução TExTo (corpo da carta) – o desenvolvimento – a conclusão – a despedida (a fórmula de cortesia) – a assinatura – as iniciais FECHo – a indicação de anexos – o aviso de cópias – o pós-escrito – o aviso de segunda folha * Texto adaptado do livro Correspondência Empresarial, de Adalberto Kaspary. Alguns desses elementos citados, tanto no cabeçalho quanto no fecho, são componentes eventuais. O CABEÇALHO o timbre oferece ao leitor, num relance, informações sobre o remetente. o índice indica o setor ou o departamento especializado que está expedindo a carta. Serve de indicação oportuna para o remetente, com vista ao arquivamento dos papéis, como também ao destinatário, que sabe a que setor da empresa dirigir-se, em função do assunto que lhe interessa resolver. 51Unidade 6 Logo após o índice, vem o número de ordem da carta. Como essa numeração é reiniciada a cada ano, ela é seguida do número indicativo do ano: DC/214-2008 (Carta no 214, de 2008, expedida pelo Departamento de Crédito). o índice e o número da carta costumam ser separados por uma diagonal( / ). os dois números, o da carta e o do ano, é recomendável separá-los por um hífen( - ), o que torna mais fácil a leitura do conjunto. o índice e o número da carta podem ser colocados no canto superior esquerdo do papel, na mesma altura da data: DCM/765-2010 ou no canto superior direito do papel. Essa prática atende a um critério de funcionalidade, pois visualiza melhor os dois elementos. DCM/765-2010 A data é a indicação do lugar, do dia, do mês e do ano em que se expede a carta: Brasília, 21 de setembro de 2010. Quando o papel é timbrado, pode-se omitir a indicação do lugar, desde que a carta seja expedida da localidade constante no timbre e que este não apresente vários endereços, como de filiais, sucursais etc. Na correspondência externa, deve-se escrever por extenso o nome do mês (e sempre com inicial minúscula, conforme determinam as normas ortográficas). Deve-se evitar, também, a representação abreviada dos algarismos indicativos do ano: 99, 03 etc. o endereço compreende o nome (pessoa física) ou a razão social (pessoa jurídica) e o endereço propriamente dito do destinatário. No corpo da carta, é colocado junto à margem esquerda do papel, em linhas dispostas em bloco, logo abaixo da posição tradicional do índice e do número da carta, devendo ser idêntico ao constante no envelope: Senhores Meira, Matos & Cia. Ltda. Avenida dos industriários, 857 xxxxx-xxx Soledade – rS Senhor Doutor Sérgio oliveira rua Barata ribeiro, no 673 xxxxx-xxx Copacabana – rJ A disposição dos elementos do endereço obedece a ordem descrita a seguir. 1o – Tratamento e, se for o caso, título profissional do destinatário, quando pessoa física: Senhor(es); Senhor Doutor; Sr. Engo etc., e, no caso de o destinatário ser pessoa jurídica, somente se pode antepor o tratamento Senhor(es) à razão social, se esta for composta dos nomes das pessoas que integram a sociedade; caso contrário, começar-se-á imediatamente pelo nome da empresa: Senhores gomes, Bauermann & Cia. Ltda. Editora Cultural S. A. 2o – Nome ou razão social do destinatário, de forma clara e na grafia adotada pelo respectivo detentor: Sr. Dr. Alberto Saraiva gomes Frigorífico Leão S. A. 3o – Endereço do destinatário, com todas as indicações necessárias: rua, CEP (Código de Endereçamento Postal), localidade etc.: Construtora Barbosa S. A. rua Domingos Crescêncio, 890 xxxxx-xxx Porto Alegre – rS Sr. Dr. Mariano Peixoto Alves Avenida Júlio de Castilhos, 1418 xxxxx-xxx águas de Lindoia – SP 52Unidade 6 Algumas informações importantes. • Atualmente, as indicações que precedem o nome ou a razão social do destinatário – A, À, Ao – foram abolidas: Aurora Turismo S. A. rua Bento gonçalves, 783 xxxxx-xxx Curitiba – Pr • No caso de pessoa física, o tratamento e o título profissional do destinatário devem ficar na primeira linha, reservando-se a segunda para o nome. Desta forma, o leitor sabe que, na segunda linha, encontrará, efetivamente, o destinatário da correspondência: Sra Profa Vera Sampaio Avenida Protásio Alves, 900, ap. 601 xxxxx-xxx Porto união – SC • Há casos em que, no endereço, além do nome do destinatário, aparece o nome do cargo que ocupa na empresa em que exerce suas atividades: Sr. Prof. Antônio Pereira Linhares Diretor da gráfica Mercúrio S. A. rua Coronel Borges do Canto, 779 xxxxx-xxx Juazeiro do Norte – CE • Havendo caixa postal, não se menciona, no endereço, a rua (avenida etc.) do destinatário: Livraria Cultural 5/A Caixa Postal 890 xxxxx-xxx Camaçari – BA • A colocação do CEP (Código de Endereçamento Postal) no endereço interno da carta é muito oportuna; pois, com isso, se têm, agrupados, todos os elementos necessários sobre o destinatário, para o caso de correspondências futuras, evitando-se, assim, perda de tempo com a procura em guias especializados, nem sempre à mão. • No caso em que a correspondência é endereçada para a mesma localidade do remetente, o nome da localidade, com a indicação do estado (em forma de sigla), pode ser substituída pelas expressões Nesta Cidade ou Nesta Capital, conforme o caso. Mesmo assim, no entanto, é indispensável colocar o número do CEP no endereço. • Não há razão para se destacar o nome ou a razão social do destinatário, bem como o nome da localidade. o que interessa para os Correios é a exatidão dos dados do endereçamento, principalmente, do número do CEP. Segundo a praxe, é perfeitamente válida a colocação do endereço do destinatário dentro da carta: por questão de deferência, pois, dá-se um tratamento mais personalizado ao destinatário, e, por organização, a não colocação desse endereço dentro da carta faz, muitas vezes, que se perca a única fonte dessa informação para correspondências futuras. • Atualmente, adota-se a chamada pontuação aberta, isto é, não se pontuam os finais de cada elemento do endereço: Sra Profa Amélia Cordeiro de Mello Diretora do Colégio Pio xii Praça dos girassóis, s/no. – Centro xxxxx-xxx Palmas – To Algumas normas e recomendações da ECT sobre o endereçamento externo – No caso de envelopes com endereçamento digitado, o número correspondente do CEP pode ser a primeira informação da última linha. Podem-se colocar na mesma linha o CEP e o nome da localidade, seguidos da sigla do estado, ou o nome da localidade, seguido da sigla do Estado, numa linha, deixando-se o CEP sozinho ou não na última linha: .................... .................... xxxxx-xxx Brasília – DF ou .................... .................... Brasília – DF xxxxx-xxx – No caso de envelopes endereçados à mão (e somente neste caso), o CEP deve ser anotado nos retângulos a ele destinados. 53Unidade 6 – Não se deve escrever a sigla CEP antes do número respectivo. – Não se devem separar os algarismos do CEP. A forma correta é assim: xxxxx-xxx. – Não se deve sublinhar a última linha doendereço. – É indispensável a colocação do endereço completo do remetente no verso ou em outra área do envelope. A linha de atenção é empregada quando se deseja que a correspondência, dirigida a uma empresa, geralmente de médio porte para cima, seja aberta por determinado funcionário, que deverá encarregar-se do assunto exposto. Pode-se indicar o nome da pessoa e/ou do departamento a que se deseja encaminhar especificamente a correspondência. A linha de atenção pode ser colocada: a) no endereço, após o nome da empresa, abreviadamente ou por extenso: Curtume Salgueiro S. A. At. Sr. Carlos Meireles Avenida Bento gonçalves, 1.100 xxxxx-xxx Montes Claros – Mg b) entre o endereço e o vocativo (ou em qualquer lugar visível), também abreviadamente ou por extenso: irmãos Perim & Cia. Ltda. rua Antônio Broilo, 612 xxxxx-xxx Palmas – To À atenção do Sr. Mário Pericolo Prezados Senhores: ............................................................. Apesar de ser solicitada a atenção de determinada pessoa ou de determinado departamento, a carta é dirigida a uma entidade coletiva (Irmãos Perim & Cia. Ltda.), razão por que o vocativo fica no plural. Não se deve confundir a expressão à atenção de (abreviadamente at.) com outra, aos cuidados de (abreviadamente A/C ou a/c), empregada quando a correspondência é entregue ao destinatário por intermédio de uma entidade: Sr. Eng. Maurício Bastos A/C Construtora Tabajara S. A. rua Luís Mendonça, 957 xxxxx-xxx recife – PE A correspondência acima é dirigida ao Engenheiro Maurício Bastos, sendo-lhe entregue por intermédio da Construtora Tabajara S.A. Trata-se, portanto, de correspondência dirigida à pessoa nominada, e não à empresa, que apenas serve de intermediária ou de ponto de referência na destinação e na entrega do documento. Em vez de se usar a linha de atenção, pode-se, também, dirigir a correspondência diretamente à pessoa ou ao departamento específico, mencionando-se, em seguida, o nome da empresa. Têm-se, assim, duas possibilidades de endereçar a correspondência: a) com a linha de atenção (endereçamento indireto) Metalúrgica Saturno S. A. À atenção do Sr. Pedro Alvarenga – Dep. de Fundição Travessa do ouvidor, 729 xxxxx-xxx Caxias – rJ b) sem a linha de atenção (endereçamento direto) Senhor Pedro Alvarenga Departamento de Fundição Metalúrgica Saturno S. A. Travessa do ouvidor, 729 xxxxx-xxx Caxias – rJ As duas formas de endereçamento são corretas. o emprego de uma ou de outra depende exclusivamente da vontade do remetente ou da orientação adotada pela empresa. A referência ou o assunto é uma síntese do conteúdo da carta. Esse dado é muito útil, tanto para a pessoa que classifica e arquiva a correspondência como para quem a recebe, que, num relance, toma conhecimento do assunto exposto. 54Unidade 6 A palavra epígrafe é utilizada impropriamente por alguns como sinônimo de referência. Epígrafe, na linguagem comum, significa “título ou frase que serve de tema a um assunto”; em bibliografia, tem o sentido de “sentença ou divisa posta no frontispício (página de rosto) de livro, capítulo, princípio de discurso, conto, composição poética etc.”; em técnica de redação legislativa, é a “parte da norma que indica sua natureza (nome), número e data”: Decreto-Lei no 2.227, de 16 de janeiro de 1985. A referência aparece, tradicionalmente, entre o endereço e o vocativo, a igual distância dos dois, junto à margem esquerda ou do meio em direção à margem direita, dependendo do estilo de disposição da carta no papel. A posição do meio em direção à margem direita oferece a vantagem da melhor visualização. Pode vir antecedida, ou não, da abreviatura Ref. Não se usando a abreviatura, é interessante sublinhar os termos da referência. Pode ser apresentada, pois, de duas maneiras: a) precedida da abreviatura ref.: Vilela & Cia. Ltda. Caixa Postal 2.315 xxxxx-xxx Nova Aurora – Pr ref.: Seu pedido no 34-2005 Prezados Senhores: ............................................................... b) não precedida da abreviatura ref. (e sublinhada): indústria de Móveis Nobel Ltda. At. Sr. Clóvis – Dep. Comercial W3 Sul bl. C lj. 57 xxxxx-xxx Brasília – DF Prazo de entrega de móveis Senhores: .............................................................. o vocativo é a saudação de cortesia dirigida ao destinatário antes de entrar no assunto propriamente dito da carta. Por questão de deferência e respeito, recomenda-se não abreviar qualquer dos termos do vocativo. o vocativo compreende o tratamento dado ao destinatário, seguido, se for o caso, de seu cargo, função ou título profissional: – Senhores: Senhor gerente: Senhor Professor: Havendo um relacionamento maior entre remetente e destinatário, consolidado por meio de repetidas e satisfatórias transações, o vocativo pode vir antecedido da palavra prezado: – Prezado Senhor: Prezados Senhores: Ainda num maior grau de afetuosidade entre remetente e destinatário, o vocativo passa a ser individualizado, nominal: – Prezado Senhor ricardo: Em cartas de caráter cerimonioso, dirigidas a autoridades, o vocativo costuma vir antecedido do tratamento convencional (o mesmo acontecendo no endereço): – Excelentíssimo Senhor Ministro: Por ser termo oracional, a rigor, o vocativo deve sempre ser pontuado. Como se continua com novo parágrafo e inicial maiúscula, empregam-se os dois-pontos ( : ). o vocativo deixa de ser pontuado, no entanto, quando, na carta, se emprega a chamada pontuação aberta. o vocativo deve estar em harmonia com o resto da carta; o tom utilizado no vocativo deve corresponder ao utilizado em todo o texto da carta e no fecho. Segue um quadro referente aos tratamentos utilizados na redação empresarial/oficial, para consulta. 55Unidade 6 CARGO TRATAMENTO ABREVIATURA VOCATIVO ENDEREÇAMENTO Presidente da república Vice-Presidente da república Vossa Excelência V. Ex.a Excelentíssimo Senhor Presidente da república ... Excelentíssimo Senhor ... Presidente da república Federativa do Brasil... Chefe do gabinete Civil e Chefe do gabinete Militar da Presidência da república Ministros de Estado Consultor-geral da república Vossa Excelência V. Ex.a Excelentíssimo Senhor ... Sua Excelência o Senhor Ministro de... ou Excelentíssimo Sr. Dr. Fulano de Tal Chefe do ... Membros do Congresso Nacional Embaixadores Procuradores-gerais oficiais generais Professores Catedráticos Vossa Excelência V. Ex.a Excelentíssimo Senhor ... Sua Excelência o Senhor Deputado ... Membro da Câmara ... governadores de Estados e Distrito Federal Presidente e Membros de Assembleias Legislativas Prefeitos Municipais Vossa Excelência V. Ex.a Excelentíssimo Senhor governador, Prefeito etc.: Excelentíssimo Senhor ... governador ... Presidente e Membros do Supremo Tribunal Federal Presidente e Membros do Tribunal Federal de recursos Vossa Excelência V. Ex.a Excelentíssimo Senhor Presidente (ou Membro) do Egrégio (ou Colendo) Tribunal: Excelentíssimo Senhor ... Presidente do Egrégio ... Juízes de Direito Juízes do Trabalho Juízes Eleitorais Juízes Federais Auditores da Justiça Eleitoral Meritíssimo MM. Meritíssimo Senhor Juiz do ... Senhor Juiz do ... Meritíssimo Senhor ... Dr. Fulano de Tal Juiz do ... reitor da universidade Vice-reitor Pró-reitores Vossa Magnificência V. Mag.a Magnífico reitor: Excelentíssimo Senhor reitor: Sua Magnificência o Senhor ... reitor da universidade ... Papa Vossa Santidade V. S. Santíssimo Padre: Sua Santidade o Papa .... Cardeais Vossa Eminência V. Em.a Eminentíssimo ou reverendíssimo Senhor: Sua Eminência reverendíssima Dom .... Cardeal de ... Bispos e Arcebispos Vossa Excelência reverendíssima V. Ex.a rev.ma Excelentíssimo ou reverendíssimo Senhor: Sua Excelência reverendíssima Dom .... Arcebispo de ... Sacerdotes, cléricos e religiosos em geral Vossa reverência Vossa reverendíssima V. rev.a V. rev.ma reverendo Senhor: Sua reverência .... Padre ....reis e imperadores Vossa Majestade V. M. Vossa Majestade: Sua Majestade, o rei .... Príncipes, duques e arquiduques Vossa Alteza V. A. Vossa Alteza: Sua Alteza, o Príncipe .... 56Unidade 6 CARGO TRATAMENTO ABREVIATURA VOCATIVO ENDEREÇAMENTO outras pessoas e demais autoridades, comerciantes, funcionários de igual categoria de quem escreve, chefe de seção, oficiais até coronel, pessoas de cerimônia e profissionais liberais Vossa Senhoria V. S.a Prezado Senhor: Senhor: Senhor .... Coordenador da.... ou Sua Senhoria o Senhor.... Algumas informações – Em comunicações oficiais, aboliu-se o uso do tratamento (DD.) para as autoridades arroladas nessa forma de tratamento. A dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo, sendo desnecessária sua repetida evocação. – A forma de tratamento VoSSA é utilizada quando nos reportamos diretamente ao receptor; SuA, quando, diante de um receptor, nos referimos a uma 3a pessoa. Exemplos: Vossa Excelência parece satisfeito. Senhores congress i s tas : Sua Excelência, o Presidente da república, acaba de fazer um pronunciamento à nação sobre a relevância do tema deste congresso. O TEXTO A introdução tem por objetivo despertar o interesse do leitor, captar sua atenção. A regra, na introdução da carta, é entrar diretamente no assunto, sem expressões e frases inúteis, que nada contribuem para a transmissão eficaz da mensagem. A regra aplica-se, principalmente, àquelas enviadas com o propósito de veicular comunicações sobre o dia a dia da vida dos negócios: – Solicitamos que nos enviem, até ... – informem-nos, por gentileza, ... – Encaminhamos a V. S.a, anexa, a lista ... – Agradecemos suas imediatas providências ... – Estamos interessados em ... Em cartas rotineiras, não há razão para se falar, a cada momento, em honra, satisfação, prazer e outras palavras semelhantes. Elas devem ser reservadas para ocasiões especiais, para a transmissão de mensagens que sejam, realmente, motivo de honra, satisfação, prazer etc.: – Temos a honra de convidar V. Ex.a para comparecer à solenidade ... – Com muita satisfação comunicamos a V. S.as que, a partir desta data, temos à sua disposição um moderno ... – Temos o prazer de enviar-lhe um exemplar do primeiro número da publicação ... – Ficamos muito honrados com o convite para ... – Foi para nós motivo de particular satisfação saber que essa Empresa conquistou o prêmio de ... – Parabéns pelo extraordinário sucesso ... – recebam nossos efusivos cumprimentos pela passagem do cinquentenário de ... o emprego das palavras certas nas ocasiões apropriadas tornam as cartas bem-sucedidas. Vale lembrar, também, que, ainda hoje, há os que iniciam suas cartas com “Em resposta ao seu prezado favor de ...” ou “Temos em mãos seu estimado obséquio de ...”, querendo referir-se a um pedido que a empresa recebeu. Assim falando estamos rebaixando a qualidade de nossos produtos ou serviços, que são adquiridos ou solicitados por “favor”. Em relação à carta que exige resposta, não é necessário repetir os termos daquela a que estamos respondendo: “Em resposta à carta em que V. S.a nos pergunta se temos condições de ...” Basta mencionar o número da carta a que se responde ou, se não o tiver, a data que nela consta: – Em atenção à carta no 306-2008, ... – Em resposta à sua carta de 18 do corrente, ... 57Unidade 6 o desenvolvimento refere-se ao motivo da carta; à exposição clara do assunto ao destinatário. o texto deve referir-se a um só assunto, em torno do qual há de estruturar-se todo o conjunto da mensagem. Se houver necessidade de tratar de diversos assuntos na mesma carta, o ideal é utilizar a chamada carta com tópicos marginados. A conclusão é o parágrafo que encerra o corpo da carta, não se tratando, pois, do fecho de cortesia. Nesse parágrafo, deve-se levar em conta a natureza da carta, que sempre deverá atender a um dos seguintes objetivos. – induzir o leitor a agir, isto é, a fazer aquilo que se deseja dele. ou – Deixar boa impressão sobre o remetente, caso não se pretenda a ação do destinatário. Muitas vezes, o parágrafo de encerramento engloba a fórmula de cortesia da carta, principalmente, em comunicações mais rotineiras. Eis alguns parágrafos de encerramento do texto ou do corpo da carta. – Teremos prazer em proporcionar-lhe quaisquer informações adicionais ou em responder a eventuais perguntas que deseje fazer. – Estamos satisfeitos em contar com sua colaboração. – Sua opinião será de extrema importância. – Para que V. S.a possa se beneficiar desta oferta, sua resposta deverá estar aqui até... – Aproveitamos a oportunidade para reafirmar nossa amizade comercial. – Agradecidos pela pontual solvência desse compromisso, esperamos continuar merecendo sua honrosa preferência. – Não perca esta oferta especial! Solicite ainda hoje uma demonstração, sem compromisso, preenchendo e remetendo a carta-resposta anexa. ou acesse nosso site na Internet: ... – Conte com nossa disposição para qualquer orientação e esclarecimento referentes à sua assinatura. E aceite as nossas boas-vindas. Após esses parágrafos de encerramento, ou outros que cada redator, de acordo com a oportunidade e seu espírito criativo, empregará, vem a fórmula de cortesia. O FECHO o fecho da carta empresarial compreende a despedida (fórmula de cortesia), a assinatura, as iniciais, a indicação de anexos, o aviso de cópias, o pós-escrito e o aviso de folha de continuação. Para finalizar a carta, emprega-se uma fórmula de cortesia, ou seja, a despedida. As fórmulas de despedida habituais restringem-se a algumas poucas expressões, caracterizadas pela sua simplicidade e naturalidade: – Cordialmente, – Atenciosamente, – respeitosamente, A despedida deve concluir a leitura da carta, portanto, é indispensável que ela seja cortês e esteja em harmonia com o tratamento dispensado ao desenvolvimento da carta. Aos vocativos Senhor ou Senhores corresponde a despedida Atenciosamente. Aos vocativos Prezado Senhor ou Prezados Senhores corresponde, na despedida, a fórmula Cordialmente. Deve ser usada quando, de fato, existe um relacionamento mais afetivo entre remetente e destinatário. Algumas despedidas são utilizadas, apenas, em casos especiais, como, por exemplo, em cartas para altas autoridades. Em cartas cerimoniosas dirigidas a altas autoridades (governador, Ministro etc.), deve-se usar, com muita propriedade, na despedida, a fórmula Respeitosamente, uma vez que ela traduz exatamente a atitude cabível (respeito) no trato com esse tipo de pessoas. 58Unidade 6 A assinatura compreende três elementos: o nome digitado de quem assina, seu cargo ou função na empresa, também impresso, e sua assinatura propriamente dita. Na assinatura, convém observar os seguintes pontos. – Não é aconselhável a anteposição de título profissional (doutor, engenheiro etc.) ao nome de quem assina, pois ele o faz em razão, tão somente, da função ou do cargo na empresa. Somente situações especiais (exigências de repartições oficiais, por exemplo) justificam exceção a essa norma. – o traço para assinatura é dispensável. Supõe-se que a pessoa que assina não necessite desse expediente. – o nome da empresa junto à assinatura cabe, apenas, nos papéis sem timbre. – A presença do carimbo só é permitida em certos documentos específicos, principalmente de algumas repartições públicas. – Toda carta expedida deve ter assinatura: carta sem esse requisito não merece consideração e, menos ainda, resposta. A indicação de anexos é importante, devido à necessidade ou à conveniência de juntar algum documento à carta: contrato, recibo, lista de preços, pedido etc. Esses anexos devem ser mencionados na carta, junto à margem esquerda: Anexo: 1 pedido. Anexos: 1 fatura; 2 recibos. Anexa: 1 ficha de inscrição. observe que a palavra anexo, por ser adjetivo, concorda em gênero e número com o que vai anexado. Vale lembrar, ainda, que, apesarde ser(em) mencionado(s) no texto, o(s) anexo(s) deve(m) ser indicado(s) no final da carta, pois isso previne um eventual esquecimento da parte de quem vai envelopar os papéis e alerta o destinatário, de forma imediata e bem visível, de que a carta vem acompanhada de outro(s) documento(s). o aviso de cópias é necessário quando se envia(m) cópia(s) de uma carta a outra(s) pessoa(s) ou a outro(s) departamento(s); indica-se, em cada caso, o destinatário dessa(s) cópia(s). Tal indicação será precedida da abreviatura C/c. C/c: SPC C/c: Sr. Mateus (Departamento de Compras) C/c: Banco do Brasil (Agência Central) o pós-escrito consiste no acréscimo de alguma(s) frase(s) a uma carta depois de ela ter sido composta no seu formato original. Emprega-se, geralmente, a abreviatura P. S. (do latim, post scriptum) para indicar essa circunstância. É colocado ao pé da página, para cobrir um ponto importante omitido no corpo da carta ou para dar ênfase a um aspecto importante da mensagem. Por se tratar de expressão de uso internacional, não se deve substituir sua forma na correspondência por outras, de sentido amplo e/ou aplicação diversa, tais como nota, observação, em tempo ou similar. Em tempo (E. T.), por exemplo, serve, especificamente, para indicar correções, alterações, ressalvas ou acréscimos em atas, certidões etc. o aviso de folha de continuação não pode ser esquecido quando a carta ocupa mais de uma folha. Nesse caso, procede-se da maneira descrita a seguir. a) Abaixo da última linha do texto da primeira folha, coloca-se uma série de pontos, junto à margem direita: .................... b) No canto superior esquerdo da segunda folha, repete-se a série de pontos. Num e noutro caso, não há número fixo de pontos: .................... c) Dois ou três espaços abaixo da linha pontilhada da segunda folha, digita-se o nome do destinatário, o número da folha e a data: .................... Lojas Netuno -2- 24-10-01 Sendo a carta numerada, não há necessidade de se colocar o nome do destinatário na folha de continuação. Procede-se assim: .................... 59Unidade 6 165-01 – 2 Essa indicação também pode ser feita junto às margens direita, o que a torna mais facilmente visualizável: .................... 165-01 – 2 o algarismo após o número da carta indica o número da folha. A folha de continuação deverá ter a mesma qualidade, cor e tamanho da primeira, mas sem timbre. Para uma impressão prévia favorável da parte do destinatário, tem particular importância, além da boa qualidade do papel e do esmero na digitação, a disposição dos diversos elementos da carta no papel. (1) (2) Svrp/895-xxxx (3) Porto Alegre, __ de _________ de _____. Sr. T. A. Beltrão de Castro (4) Diretor da organização Leon Ltda. rua Dr. Bozano, 1100 SANTA MAriA (rS) xxxxx-xxx (5) Prezado Senhor: (6) Desejando divulgá-la entre os dirigentes de nossas empresas públicas ou privadas, reproduzimos a mensagem da CTiS a propósito do Dia da Secretária. (7) “Sem ela, você estaria perdido num mundo de planos e cartas, de cálculos e compromissos, de lembretes e obrigações sociais; sem ela, você teria de multiplicar desculpas, justificar atrasos, corrigir erros e, quem sabe, mudar de profissão. Sua secretária contribui, com esforço, dedicação e lealdade, para o seu êxito. A ela, portanto, você deve um pouco de suas vitórias. Assim, quando mais uma vez se comemora o Dia da Secretária, é você quem deve ter um gesto de amizade para com sua colaboradora infatigável. Ela merece ser lembrada”. (8) Valemo-nos da oportunidade para enviar a V. S.a material de propaganda alusiva a essa data, ano a ano mais lembrada e festejada em todos os escritórios do país. (9) Atenciosamente, (10) régis Pereira Chefe do SvRP 1. Timbre 6. Introdução 2. Índice e número (outras vezes, apenas número) 7. Desenvolvimento 3. Data 8. Encerramento 4. Endereço 9. Despedida 5. Vocativo 10. Assinatura 60Unidade 6 exercícios redija uma carta aos cuidados do Sr. J. A. Cardoso, gerente de Vendas da Construtora Profissional Líder, situada na W3 sul Quadra 907 Bloco B Loja 4, em Brasília, oferecendo seu serviço de venda dos imóveis da construtora. o estilo e a pontuação ficarão a seu critério. confira suas respostas Segue modelo de carta, dentro das especificações escolhidas por nós, para sua orientação. DV/ xx-xx_____________ ___________________ Constutora Profissional Líder At. Sr. J. A. Cardoso – gerente de vendas W3 Sul Quadra 907 Bloco B Loja 4 xxxxx-xxx Brasília – DF Serviço de venda de imóveis Prezado Senhor: Com o início da construção da nova etapa do empreendimento imobiliário, um dos problemas que V. S.a pode estar enfrentando é a falta de corretores para este lançamento. Com muitos anos de experiência na área de venda de imóveis, desejo prestar meus serviços a esta construtora. Possuo mais de 10 anos de experiência no mercado imobiliário, registro no CrECi, vontade e gosto por vendas, capacidade de convencimento, paciência, discrição, raciocínio espacial desenvolvido, boa aparência e dedicação. Para comprovar minha experiência, segue anexo meu currículo. Cordialmente, gerente de Vendas Modalidades Administrativas Unidade 7 Técnico em Transações Imobiliárias Objetivo: • Conhecer as modalidades de comunicação administrativa. modaLidadeS de comunicação oFiciaL* Correspondência oficial é o conjunto de normas regedoras das comunicações escritas, internas e externas, da Administração Federal. Caracteriza-se pela impessoalidade, pelo uso do padrão culto da linguagem, pela clareza, formalidade e uniformidade, atributos esses decorrentes da Constituição, que dispõe, no art. 37: “A Administração Pública direta ou indireta e fundacional, de qualquer dos Poderes da união, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade (...)”. A impessoalidade necessária aos documentos oficiais decorre da ausência de impressões individuais dos comunicantes e do caráter impessoal do universo temático das comunicações, que se restringe a questões referentes ao interesse público. Apesar de o expediente ser assinado ou recebido por um chefe de determinada seção, é sempre em nome do Serviço Público que é feita a comunicação. o emprego do nível culto da linguagem nos atos e nos expedientes oficiais vem da necessidade do próprio caráter público desses atos e expedientes e da sua finalidade. São ações de caráter normativo, ou seja, estabelecem regras para a conduta dos cidadãos, regulam o funcionamento * Texto adptado da obra Conhecimentos sobre Redação Oficial, de Oliveira Lima. dos órgãos, ou ainda, fornecem informações. E só conseguirão seus objetivos se, em sua elaboração, for empregada a linguagem adequada, livre de gíria e de jargão. No que concerne à legalidade e à moralidade, a transparência (clareza) do sentido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são requisitos imprescindíveis à comunicação oficial. É inaceitável que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos e não seja movido pela ética. As correspondências oficiais obedecem a certas regras de formalidade e de padronização, que, juntamente com os outros princípios, possibilitam a imprescindível uniformidade dos textos. Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes pela finalidade do que pela forma: a exposição de motivos, o aviso e o ofício. Para uniformizá-los, adotou-se uma diagramação única, denominada “padrão ofício”, contendo as seguintes partes. tipo e número do expediente o tipo e o número do expediente devem ser seguidos da sigla do órgão que o expede: EM no 145/MEFP Aviso no 145/Sg ofício no 145/DgP Local e data o local e a data em que o expediente foi assinado devem ser digitados por extenso, com alinhamento à direita do texto: Brasília, 28 de fevereiro de 2011. 62Unidade 7 vocativo o vocativo, que invoca o signatário,deve ser seguido de dois pontos ou de vírgula: Excelentíssimo Senhor Presidente da república: Senhora Ministra, Senhor Chefe de gabinete, obs.: Segundo as normas gramaticais, o uso de dois-pontos seria o mais correto, uma vez que, depois da vírgula, não se admite letra maiúscula. texto Nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente deve apresentar em sua estrutura os itens descritos a seguir. • Introdução A introdução apresenta o assunto que motiva a comunicação. Deve ser evitado o uso de frases feitas para iniciar o texto. No lugar de “Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, empregue-se a forma direta: “informo a Vossa Excelência que”, “Submeto à apreciação de Vossa Excelência”, “Encaminho a Vossa Senhoria”. • Desenvolvimento É no desenvolvimento que o assunto é detalhado. Quando o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas cada uma em um parágrafo, o que confere maior clareza à exposição. • Conclusão É na conclusão que se reafirma ou simplesmente se reapresenta a posição recomendada sobre o assunto. numeração dos parágrafos No texto, à exceção do primeiro parágrafo e do fecho, todos os demais parágrafos devem ser numerados, com o número colocado a 2,5cm ou dez toques da borda esquerda do papel, como maneira de facilitar a remissão. Fecho o fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade óbvia de marcar o fim do texto, a de saudar o destinatário. Atualmente, de acordo com a instrução Normativa no 4 da Secretaria de Administração Federal, há dois tipos de fecho para todas as modalidades de comunicação oficial: a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da república: Respeitosamente; b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior: Atenciosamente. As comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras atendem a rito e tradição próprios. Assinatura e identificação do signatário Com exceção das comunicações assinadas pelo Presidente da república, devem trazer digitado o nome e o cargo da autoridade que as expede, logo abaixo do local de sua assinatura, o que facilita a identificação da origem das comunicações. A forma de identificação deve ser a seguinte: (espaço para assinatura) guiDo MANTEgA Ministro da Fazenda diagramação Exposição de motivos, ofício e aviso têm diagramação igual, observando-se: – Margem esquerda Deve ficar a 2,5cm da borda esquerda do papel. – Margem direita Deve ficar a 1,5cm da borda direita do papel. – Tipo e número do expediente Serão colocados horizontalmente, no início da margem esquerda (2,5cm ou dez toques da borda do papel), e verticalmente, a 5,5cm ou 6 espaços duplos (espaço dois) da borda superior do papel. – Local e data Horizontalmente, o término da data deve coincidir com a margem direita, e verticalmente, deve estar a 6,5cm ou sete espaços duplos (espaço dois) da borda superior do papel. 63Unidade 7 – Vocativo Fica a 10cm ou dez espaços duplos da borda superior do papel, horizontalmente, terá o mesmo avanço do parágrafo, isto é, 5cm ou dez toques da margem esquerda (5cm ou vinte toques da borda esquerda do papel). – Parágrafos A alínea paragrafal fica a 2,5cm da margem esquerda do texto, ou seja, a 5cm da borda esquerda do papel; o texto inicia a 1,5cm ou a três espaços simples do vocativo. – Espaço entre os parágrafos o espaço entre os parágrafos do texto será de 1cm ou um espaço duplo (espaço dois). – o fecho será centralizado a 1cm ou um espaço duplo (espaço dois) do final do texto. – identificação do signatário Será colocada a 2,5cm ou três espaços duplos (espaço dois) do fecho. observe o esquema dos expedientes padrão ofício principais. Assinatura e identificação 2,5cm 1cm Fecho 1,5cm 1,5cm Data 6,5cm 10cm 5,5cm Tipo e no 2,5cm 5cm 2,5cm 1,5cm Vocativo TExTo 64Unidade 7 Em linhas gerais, essas normas oficiais aplicam-se às demais correspondências do serviço público, nos estados e nos municípios, com pequenas adaptações e, com menos rigor, às correspondências administrativas. Já disseram olacir e Mariúsca Beltrão, “respeitados os ditames técnicos, variará o texto, segundo seu redator”. Para auxi l iar esses princípios inerentes às comunicações oficiais, seguem alguns modelos com suas respectivas características e padronizações. OFÍCIO Correspondência oficial usada pelas autoridades públicas para tratar de assuntos de serviço ou de interesse da administração. É também utilizado por particulares. Estrutura Título – oFíCio, seguido do número sequencial, sigla do órgão ex- pedidor e a data, digitada com alinhamento à direita. Vocativo – Forma de tratamento. Texto – Exposição do assunto, sendo que, à exceção do primeiro parágrafo e do fecho, todos os demais parágrafos devem ser numerados, como maneira de facilitar a remissão. Fecho – “respeitosamente” ou “Aten- ciosamente”, conforme o caso. Assinatura – Nome e cargo do emitente. Endereçamento – Margem esquerda da 1a página (caso haja outras), a 2,5cm da lateral e a 2cm do final da página. 65Unidade 7 ExEMPLo DE oFíCio 5,5cm 10cm 6,5cm MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL OF. No 34/93-DFA Brasília, 13 de maio de 2002. Senhor Chefe: 1,5cm 5cm Tendo em vista a incapacidade de armazenamento de nosso Almoxarifado, em face do número elevado de mercadorias apreendidas, solicito a V. S.a tomar as providências necessárias no sentido de se autorizar a construção de um depósito anexo para estocagem dos referidos produtos. 2. Levando-se em conta a urgência que o assunto requer e considerando os prazos exigidos por lei num processo licitatório, sugiro que sejam aprovadas as respectivas plantas e que seja feito o encaminhamento a este Departamento para análise dentro de um prazo de, no máximo, 15 (quinze) dias. 3. É imprescindível, também, após consultado o Departamento Financeiro, a apresentação do orçamento previsto para conclusão da obra, para definição da modalidade de licitação, formação e orientação de Comissão. 1cm Atenciosamente, 2,5cm SINVAL PEREIRA RODRIGUES Chefe do Departamento de Fiscalização e Apreensão Ao Senhor JOVIANO JUSTO SÓCRATES Chefe da Divisão de Serviços Gerais Secretaria da Receita Federal/MF 70044-900 – Brasília-DF 2cm 1,5cm1,5cm 66Unidade 7 CIRCULAR Correspondência oficial enviada, simultaneamente, a diversos destinatários, com texto idêntico, transmitindo instruções, ordens, recomendações; determinando a execução de serviços ou esclarecendo o conteúdo de leis, normas e regulamentos. A Circular pode ser apresentada sob a forma de ofício, de memorando, de carta etc. Estrutura Título – CirCuLAr, seguida de número e data. Texto – Desenvolvimento do assunto tratado. Fecho – “Atenciosamente” ou “respeitosamente”, conforme o caso. Assinatura – Nome e cargo do emitente digitado. Endereçamento – Margem esquerda, final da página. EXEMPLO DE OFÍCIO-CIRCULAR l l l 5,5cm l l l l l OFÍCIO-CIRCULAR No ......./........./......... 6,5cm da borda do papel l l 10cm da borda do papel Em .......... de .................... de .......... . – 1,5cm l Senhor dirigente, l 1,5cm l 5cm Com o processo de adaptação administrativa introduzido pela Lei no 8.490/92, ........................................ 2. Em decorrência, e após estudos realizados pela ............. ................................................................................................................. l 1cm l Atenciosamente, l 2,5cm l (espaço para assinatura) (nome, em maiúsculas, e cargo do emitente) Senhor (Nome e cargo do destinatário) (Endereço) l 2cm l Obs.: Caso o ofício-circular tenha mais de uma página, deverá ter sua(s) folha(s) de continuação, conforme o exemplo: l 1cm da borda do papel l (Fl. No ..... do oFíCio-CirCuLAr No ..... SE/gAB, de ...../...../.....). l 2,5cm l (início do texto) 67Unidade 7 MEMORANDO Correspondênciainterna, utilizada entre unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente, na qual se expõe qualquer assunto referente à atividade administrativa. Comunicação, Papeleta e Nota são documentos que têm as mesmas características do Memorando, usados conforme a tradição do órgão. Estrutura Título – MEMorANDo, seguido do número de ordem, sigla de identificação de sua origem e data. Local e data – Digitados com alinhamento à direita. Destinatário – Sr. (cargo que ocupa). Assunto – resumo do teor da comunicação digitado em espaço um. Texto – Exposição do assunto, digitado em espaço dois. Todos os parágrafos devem ser numerados na margem esquerda do corpo do texto, excetuados o primeiro e o fecho. Fecho – “Atenciosamente” ou “respeitosamente”, conforme o caso. Assinatura – Nome e cargo do emitente. ExEMPLo 1 MEMorANDo No ...../...../..... Em ..... de ........................... de ..... .—1,5cm DE: ....................................... (cargo)................................................. PArA: ................................................................................................. ____5cm__________ Encaminho a V. S.a, para exame e pronunciamento, em caráter de urgência, o Processo no .............. | 1cm | Atenciosamente, | 2,5cm | (espaço para assinatura) (nome, em maiúscula, e cargo do emitente) 68Unidade 7 ExEMPLo 2 (Adaptado) MEMorANDo No 19/Di Em 12 de abril de 2008. Sr. Chefe do Departamento de Administração Assunto: Administração. instalação de microcomputadores. | 1cm | Nos termos do “Plano geral de informatização”, solicito a Vossa Senhoria a possibilidade de que sejam instalados três microcomputadores neste Departamento. 2. informo que o ideal seria um equipamento de Monitor Super VgA. Quanto a programas, haverá necessidade de dois tipos: “processador de textos" e “gerenciador de banco de dados”. 3. o treinamento do pessoal para operação dos micros poderia ficar a cargo da Seção de Treinamento do Departamento de Modernização, cuja chefia já manifestou seu acordo a respeito. 4. Devo mencionar, por fim, que a informatização dos trabalhos deste Departamento ensejará uma mais racional distribuição de tarefas entre os servidores e, sobretudo, uma melhoria na qualidade dos serviços prestados. | 1cm | Atenciosamente, | 2,5cm | Carlos Chaves Chefe do Departamento Jurídico 69Unidade 7 REQUERIMENTO instrumento pelo qual o requerente se dirige a uma autoridade particular ou pública para solicitar o reconhecimento de um direito ou a concessão de algo sob o amparo da lei. Por respeito e deferência à autoridade a quem é dirigido, convém que se faça o requerimento na 3a pessoa. Convém lembrar, ainda, que, por serem termos utilizados em requerimento, tecnicamente, residência e domicílio não são sinônimos. residência, segundo orlando gomes, é o lugar onde a pessoa mora habitualmente, com a intenção de permanecer, ainda que se afaste temporariamente. É, portanto, uma relação de fato. Domicílio, em conformidade com Washington de Barros Monteiro, é a sede jurídica (a sede legal) da pessoa, onde ela se presume presente para efeitos de direito. Trata-se, pois, de uma relação jurídica. Estrutura Vocativo – Forma de tratamento, seguida da indicação do cargo da pessoa a quem é dirigido. Texto – o nome do requerente, sua qualificação (nacionalidade, estado civil, idade, residência, profissão etc.), o objeto do requerimento, com a indicação dos respectivos fundamentos legais). Fecho – A fórmula terminal mais usada é: “Nestes termos, pede deferimento”. Local e data Assinatura(s) ExEMPLo 1 (Órgão) (unidade) Senhor ...........................(cargo) ......................................... do(a) ........................(cargo) .............. do Ministério do Planejamento. | 4cm | ....................(nome do favorecido)..................., .................................... (qualificação)............................................................... deste Ministério, em exercício no(a) .............................................................................requer a V. S.a ..................... ............... (objetivo e fundamento legal)........................... |1cm Nestes termos, pede deferimento. |1cm Brasília, ..... de .......................... de ......... . |2,5cm (assinatura) 70Unidade 7 ExEMPLo 2 Excelentíssimo Senhor Secretário da Administração do governo do Estado do rio grande do Sul. FuLANo DE TAL, brasileiro, solteiro, com 26 anos, filho de .................... e de ....................., natural de gramado, neste Estado, residente e domiciliado nesta Capital, na Avenida João Pessoa, 582, ap. 209, requer a Vossa Excelência inscrição no Concurso Público para o Cargo de oficial Administrativo a ser realizado por essa Secretaria, conforme edital divulgado no Diário ofical de 14 do corrente, para o que anexa os documentos exigidos na citada publicação. Nestes termos, pede deferimento. Porto Alegre, 24 de maio de 2010. Fulano de Tal 71Unidade 7 DECLARAÇÃO/ATESTADO Ato verbal ou escrito, afirmativo da existência ou não de um direito ou de um fato. Quanto à estrutura da redação, a declaração é muito semelhante ao atestado, diferindo, apenas, quanto ao objeto. A primeira é sempre expedida em relação a alguém, enquanto o segundo é sempre em favor de alguém. Como medida desburocratizante, o Decreto no 83.936, de 6 de setembro de 1979, mais especificamente nos seus arts. 1o e 2o, aboliu, “nos órgãos e nas entidades da administração federal direta e indireta, a exigência da apresentação dos seguintes atestados: de vida, de residência, de pobreza, de dependência econômica, de idoneidade moral e de bons antecedentes”, restringindo-se, pura e simplesmente, a uma declaração verbal feita a quem o solicitou. Todavia, essa medida não se estendeu às entidades particulares, e algumas continuam utilizando e exigindo esse documento. Estrutura Título – DECLArAção/ATESTADo Texto – inicia-se sempre com a palavra “Declaro” ou “Declaramos” e, em seguida, a exposição do assunto. “Atesto” ou “Atestamos”... Local e data Assinatura – Nome e cargo/função da autoridade que atesta. ExEMPLo 1 (Órgão) (unidade) DECLARAÇÃO I 1,5cm I 5cm Declaro, para fins de prova junto a (ao) ........................, 1,5cm 2,5cm que ........ (nome do favorecido) ......., Matrícula no ...... (cargo ou função) ......, Código ..............., Classe ......................, Referência ........................, foi aposentado(a) conforme Portaria no ......................., publicada no Diário Oficial da União, de ...... (data) ....... e Processo no ............... . l 1cm l Brasília, ..............de...................de....... . l 2,5cm l (espaço para assinatura) (nome, em maiúsculas, e cargo do declarante) 72Unidade 7 ExEMPLo 2 (Órgão) (Unidade) ATESTADO I 1,5cm I 5cm Atesto, para fins de prova junto a(ao) ......................... 1,5cm 2,5cm ............ (entidade particular) ......... que o(a) Sr(a). .........................., ocupante do cargo .........................., para o qual foi nomeado(a) por .................................................................., não responde a processo administrativo. I 1cm I Brasília, ..... de .................... de.......... . I 2,5cm I (espaço para assinatura) (nome, em maiúsculas, e cargo do emitente) 73Unidade 7 RELATÓRIO OFICIAL Documento em que se expõe à autoridade superior a execução de trabalhos concernentes a certos serviços ou a execução de serviços inerentes ao exercício do cargo em determinado período. Estrutura Título – rELATÓrio introdução – Ligeiro histórico do motivo do relatório. Texto – Exposição do assunto. Pode ser dividido em partes, capítulos, títulos e subtítulos, itens e subitens, em que se faz a exposição dos fatos, dos atos e das ocorrências que são causa de relatório escrito, numa linguagem ordenada, simples e objetiva. Fecho– Apreciações subjetivas, sugestões e planos (se couberem) e conclusões. Local e data Assinatura(s) ExEMPLo 1 (Órgão) (unidade) rELATÓrio DA CoMiSSão iNSTiTuíDA PELA PorTAriA No.........de......................de.......................de............... PuBLiCADA No ..........No........... de ........./......../.......... | 1,5cm | 5cm A Comissão acima, especialmente designada por V. S.a para ... — 1,5cm 2,5cm — ...................................................................................................... .................................. (exposição do assunto) ......................................... ............................... (considerações finais ou conclusões).............................. É o relatório que encaminhamos à apreciação de V. S.a | 1cm | Brasília, ..... de ....................... de .......... . | 2,5cm | .......................................... ........................................... (nome e assinatura dos demais membros da comissão) 74Unidade 7 ExEMPLo 2 RELATÓRIO Senhor Diretor-geral: Consoante sua determinação, encaminhada a esta repartição em despacho fonográfico de 5 de junho do corrente ano, passamos a relatar-lhe os acontecimentos ocorridos no dia 1o de junho último, nesta repartição. Encontrávamo-nos cumprindo nossas atribuições funcionais, quando entrou na repartição o cidadão Antônio Borges Ferreira, residente nesta cidade, o qual apenas conhecíamos de vista e que a nós se dirigiu solicitando informações sobre recolhimento de tributos devidos ao Estado. 2. Não estando esta repartição em condições de atender à consulta formulada, comunicamos ao referido Senhor que deveria fazê-la à Exatoria Estadual desta cidade. 3. Com isso não se conformou o referido cidadão, dizendo que nossa repartição nunca estivera tão mal atendida e que era um absurdo que não lhe pudéssemos prestar a informação de que necessitava. 4. Como continuasse a nos provocar, bem como aos demais funcionários, demos as costas a ele, voltando à nossa mesa de trabalho. 5. Ainda ouvimos quando o referido cidadão dizia que iria comunicar o fato às autoridades em Porto Alegre. 6. Procuramos, durante os acontecimentos, manter atitude compatível com o nosso cargo e nos abstivemos de qualquer resposta verbal menos honrosa ao agressor, o que, aliás, foi seguido pelos demais funcionários da repartição. 7. Presenciaram a deprimente cena os Srs. Antônio Ferreira Viana, José Alfeu Soares e Carlos Serres oliveira, que se encontravam tratando de assuntos relacionados com esta repartição. 8. Desta forma, embora desconhecendo as acusações que contra nós foram feitas pelo Sr. Antônio Borges Ferreira, de antemão podemos assegurar serem completamente destituídas de qualquer fundamento. Sendo o que nos competia informar, atendendo à determinação dessa Direção geral, aguardamos com confiança o julgamento imparcial dos fatos pela administração superior. Novo Hamburgo, ...... de .................... de ........... . Carlos Castro Barbosa, Chefe do Serviço de ...... (Adaptado de Português para Concursos, de irajá Andara rodrigues) 75Unidade 7 ATA registro sucinto de fatos, ocorrências, resoluções e decisões de uma assembleia, sessão ou reunião. geralmente é lavrada em livro próprio, devidamente autenticado, com suas páginas rubricadas pela autoridade que redigiu os termos de abertura e de encerramento. Estrutura Título – ATA, seguida do número de ordem da reunião, nome da entidade e data. Texto – Escreve-se tudo seguidamente sem rasuras, emendas ou entrelinhas, em linguagem simples, clara e concisa. Deve-se evitar as abreviaturas, e os números são escritos por extenso. Verificando-se qualquer engano no momento da redação, deverá ser imediatamente retificado, empregando-se a palavra “digo”. Na hipótese de qualquer omissão ou erro depois de lavrada a Ata, far-se-á uma ressalva: “em tempo”: “na linha ______, onde se lê ____________, leia-se ____________”. Local e data Assinatura do relator e de todos os participantes. ExEMPLo 1 ATA DA .................. (no de ordem) .............................. — 1,5cm ........................ (identificação da reunião)....................... do(a) ................(nome da entidade) ............................. | 2cm | 2,5cm — Aos ............................. dias do mês de ............................... do ano de ...................(extenso) ..............., no(a) .................(local) ................. ............................... (presidente dos trabalhos) ........................................ ...................... (pessoas presentes, devidamente qualificadas)............................. ................................. (finalidade da reunião) .......................................... (nada mais havendo a tratar) o .................................................................. ...................................................... declarou encerrada a reunião, da qual eu, ................................................................., na qualidade de secretário(a), lavrei a presente Ata, que dato e assino, após ser assinada pelo ..................................................................... e pelos demais membros presentes. xxxxxxxxxxxxxxxxx. 76Unidade 7 ExEMPLo 2 CoNSELHo ADMiNiSTrATiVo DE DEFESA ECoNÔMiCA Ata da 185a Sessão (Extraordinária) Aos doze dias do mês de março de dois mil e um, nesta cidade do rio de Janeiro, Estado do rio de Janeiro, no nono andar do prédio número cinquenta da Avenida Nilo Peçanha, onde funciona o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), reuniram-se os membros do Conselho, às dezesseis horas, sob a presidência do Conselheiro- -Presidente, Tristão da Cunha, com a presença dos Senhores Conselheiros gratuliano Brito, geraldo de rezende Martins e Hermes da Matta Barcellos, bem como do Procurador-geral, Doutor Vicente Tourinho. Ausente, por motivo justificado, o Conselheiro J. C. de Mendonça Braga. Verificada a existência de “quorum”, foi aberta a sessão. Procedeu-se à leitura e à aprovação da ata da sessão anterior (184a, de 9-3-2001). Em pauta para julgamento o Processo de Averiguações Preliminares no 35, de representação de Victorino Piccinini & Filhos Limitada, do rio grande do Sul, contra águas Minerais Vontobel Ltda. e Empresa de águas Mineral Charrua Limitada, do mesmo Estado. Foi concedida a palavra ao relator, Conselheiro Hermes da Matta Barcellos, que concluiu o seu voto pelo arquivamento do processo, por não haver sido considerado abuso do poder econômico o fato objeto da representação. os demais Conselheiros presentes acolheram o voto do relator, enquanto o Senhor Procurador-geral se manifestou pela abertura de Processo Administrativo. Em seguida, o Conselheiro Hermes da Matta Barcellos apresentou ao Senhor Presidente o seu pedido de exoneração do cargo de Conselheiro do CADE, para encaminhamento ao Excelentíssimo Senhor Presidente da república, por ter sido designado Secretário de Estado do governo do Estado do rio de Janeiro. Despedindo-se, agradeceu o acolhimento amigo de seus pares e a colaboração de todos os funcionários da casa. retomando a palavra o Senhor Presidente, manifestou-se Sua Excelência pela fiel colaboração do Conselheiro que ora se despede, ao mesmo tempo em que exaltou sua personalidade de homem equilibrado e culto. Suas palavras foram endossadas pelos Conselheiros presentes e pelo Senhor Procurador-geral. Nada mais havendo, mandou o Senhor Presidente encerrar a presente sessão. Eu, osmar Bárcia rodrigues, Secretário do Conselho, lavrei a presente, que, depois de lida e aprovada, vai por mim datada e pelo Senhor Presidente assinada. rio de Janeiro (rJ), 22 de março de 2001. Tristão da Cunha, Presidente (Dou de 31-3-2001, p. 2.513) 77Unidade 7 CONTRATO/CONVÊNIO instrumento jurídico em que se firmam direitos e deveres, resultante de um acordo entre duas ou maispessoas ou entidades públicas e particulares para a obtenção de bens e serviços. o termo do contrato poderá ser alterado ou prorrogado, mediante Termo Aditivo, desde que durante a sua vigência. Estrutura Título – TErMo DE CoNTrATo/CoNVêNio Ementa – indicação do número sequencial do instrumento, das partes contratantes e do objeto específico, em resumo. Texto – indicação das partes contratantes, nome e qualificação dos respectivos representantes, legislação pertinente, modalidade de licitação ou, se for o caso, fundamento de dispensa ou de inexigibilidade, finalidade do contrato, número do processo, seguindo-se as cláusulas, as subcláusulas e as condições que foram estabelecidas. Fecho – E, por estarem assim justas e contratadas, assinam o presente instrumento, em ................ vias, de igual teor e forma para todos os fins de direito e de justiça, na presença das duas testemunhas abaixo, que a tudo assistiram. Local e data Assinatura dos contratantes (à direita) e testemunhas (à esquerda), abaixo dos contratantes. 78Unidade 7 Atenção: ESTE DoCuMENTo DEVErá SEr ADAPTADo ÀS CoNDiçõES ESPECíFiCAS DE CADA NEgÓCio. CONTRATO DE CORRETAGEM E EXCLUSIVIDADE PARA VENDA DE IMÓVEL Pelo presente, de um lado, (nome do proprietário do imóvel e qualificação), adiante denominado simplesmente CoNTrATANTE e, de outro lado, (nome e qualificação do Corretor de imóveis), adiante denominado simplesmente CoNTrATADo, têm entre si justo e acertado o que se segue: 1o) – o CoNTrATANTE autoriza o CoNTrATADo a promover a venda do imóvel, de sua propriedade, situado à (endereço do imóvel), pelo preço de r$ __________ (valor p/ extenso) a ser pago da seguinte forma: (especifique a forma de pagamento). 2o) – o presente contrato vigorará pelo prazo de ___ (por extenso) dias, a contar de sua assinatura. 3o) – Pelos serviços ora pactuados, o CoNTrATANTE pagará a percentagem de ___% (por extenso) sobre o preço efetivo da transação, desde que o CoNTrATADo apresente proposta que venha a ser aceita pelo CoNTrATANTE, independente das condições aqui acordadas. 4o) – A comissão será igualmente devida se: a) No prazo de validade do presente contrato, o CoNTrATANTE vier a desistir da transação ou vier a efetivá-la diretamente ou por intermédio de terceiros; b) Mesmo após o vencimento do presente contrato, o CoNTrATANTE efetivar a venda para adquirente apresentado pelo CoNTrATADo. 5o) – Se o CoNTrATADo vier a trabalhar com terceiros, os atos de mediação e de divisão de comissão serão de sua inteira responsabilidade. 6o) – As partes elegem o foro da situação do imóvel para dirimir questões decorrentes do presente contrato, com renúncia expressa de qualquer outro. E, por estarem justas, contratadas, cientes e de acordo com todas as cláusulas e condições do presente Contrato, assinam este instrumento em 02 (duas) vias para um só efeito. (Cidade), ___ de ________________de _____. ______________________________________________ CoNTrATANTE ______________________________________________ CoNTrATADo 79Unidade 7 TERMO ADITIVO o termo aditivo é um documento de estrutura semelhante à do contrato e à do convênio, que tem por objetivo alterar ou prorrogar tais instrumentos jurídicos, conforme modelo abaixo. TERMO ADITIVO Termo Aditivo ao Convênio celebrado entre o Departamento de Políticas Sociais, de Esporte e Lazer, do Ministério do Esporte, a Secretaria de Esporte do Estado de Pernambuco e o Clube Náutico Capibaribe, na forma abaixo. Aos vinte dias do mês de dezembro de dois mil e dois, presentes, no Departamento de Políticas Sociais, de Esporte e Lazer, o Cel. Eric Tinoco Marques, seu Diretor, e o Professor Nilton Agra Vasconcelos galvão, Procurador da Secretaria de Esporte do Estado de Pernambuco e do Clube Náutico Capibaribe, foi celebrado o presente Termo Aditivo ao Convênio celebrado em 20-6-2002 com vistas à inclusão das Cláusulas a seguir: Cláusula Primeira – Fica o Convênio original acrescido das seguintes Cláusulas: .......................................................................................................... Cláusula Décima Segunda – o montante de recursos a ser repassado pelo Departamento de Políticas Sociais, de Esporte e Lazer, previsto nas Cláusulas Primeira e Terceira, fica alterado para r$120.000,00 (cento e vinte mil reais). Cláusula Segunda – Continuam em vigor todos os demais termos do Convênio original. E, para validade e como prova do que ficou convencionado, foi lavrado este Termo, que vai assinado pelos representantes das partes convenentes e por duas testemunhas, para que produza os legítimos efeitos de direito. Brasília, 20 de dezembro de 2002. Eric Tinoco Marques Nilton Agra Vasconcelos galvão Testemunhas: Sidney de Castro Veras Marília Paes Leme de Castro (Dou de 5-1-2003, p. 171) 80Unidade 7 NOTA TÉCNICA A Nota Técnica é uma declaração escrita e oficial do governo ou de qualquer instituição pública ou privada, para prestar esclarecimento ao Órgão/à Entidade Pública, firmando a posição da instituição acerca de determinado fato. Estrutura de Nota Técnica. a) Título/SigLA no ____/ano. b) Vocativo: Senhor + cargo. c) Texto. d) Fecho: emissão do parecer favorável ou contrário. e) Data. f) Assinatura. g) Nome e cargo do signatário. ExEMPLo DE NoTA TÉCNiCA MiNiSTÉrio DA FAZENDA SECrETAriA Do PATriMÔNio DA uNião Nota Técnica SPu no ____/_____ Senhor Secretário, Atendendo à determinação de V. S.a para o exame de Exposição de Motivos, encaminhada ao Ministro de Estado da Fazenda por representantes dos clubes sociais sediados na cidade de Fortaleza/CE, versando sobre a cobrança de receitas patrimoniais, temos a informar o seguinte: • não cabe o acolhimento das alegações dos postulantes; • a legislação não prevê dispensa de cobrança das receitas no caso em tela; • o atendimento da reivindicação seria injusto para outros clubes ao longo da costa brasileira, que pagam suas obrigações regularmente; • os clubes inadimplentes (apenas três) foram várias vezes contatados pela DPU/CE, para que regularizassem sua situação, sem resultado; • as receitas cobradas são justas, consentâneas com o valor da terra ocupada; • isentá-los do recolhimento dessas receitas representaria procedente injusto e prejudial à união. É o parecer. Em ........ de ............... de ....... . FuLANo DE TAL Secretário do Patrimônio da união Anexos – Pareceres técnicos da CgrP e CgLA. 81Unidade 7 TELEGRAMA Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar os procedimentos burocráticos, passa a receber o título de telegrama toda comunicação oficial expedida por meio de telegrafia. Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situações em que não seja possível o uso de correio eletrônico ou de fax e em que a urgência justifique sua utilização. Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos Correios e em seu sítio na Internet. FAX o fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é uma forma de comunicação que está sendo menos usada devido ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para a transmissão de mensagens urgentes e para o envio antecipado de documentos, de cujo conhecimento há premência, quando não há condições de envio do documento por meio eletrônico. Quando se exige o original, ele segue posteriormente pela via e na forma de praxe. Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em certos modelos, deteriora-se rapidamente. os documentos enviados por fax mantêm a forma e a estrutura que lhes são inerentes. É conveniente o envio, juntamente com o documento principal, de folha de rosto, isto é, de pequeno formulário com os dados de identificação da mensagem a ser enviada, conforme exemplo a seguir. [Órgão Expedidor] [Setor do órgão expedidor] [Endereço do órgãoexpedidor] _______________________________________________________________________________________ Destinatário: ___________________________________________________________________________ No do fax de destino: ____________________________________________________________________ Data: ___/___/_____ remetente: ____________________________________________________________________________ Tel. p/ contato: __________________________ Fax/Correio: ___________________________________ eletrônico: _____________________________________________________________________________ No de páginas: esta + ______________________________No do Documento: ____________________ observações: ___________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ E-maIl o correio eletrônico (e-mail), por seu baixo custo e celeridade, transformou-se na principal forma de comunicação para transmissão de documentos. um dos atrativos da comunicação por correio eletrônico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompatível com uma comunicação oficial. 82Unidade 7 No campo Assunto do formulário de correio eletrônico, a mensagem deve ser preenchida de modo a facilitar a organização documental tanto do destinatário quanto do remetente. Para os arquivos anexados à mensagem, deve ser utilizado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre seu conteúdo. Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de confirmação de leitura. Caso não seja possível, deve constar da mensagem pedido de confirmação de recebimento. Nos termos da legislação, para que a mensagem de correio eletrônico tenha valor documental, isto é, para que possa ser aceito como documento original, é necessário existir certificação digital que ateste a identidade do remetente, na forma estabelecida em lei. Chegamos ao final do nosso Curso. Esperamos que os aspectos gramaticais apresentados possam ajudá-lo a redigir melhor. Lembre-se de que essas normas devem ser internalizadas naturalmente e não apenas decoradas. É necessário utilizá-las frequentemente; por isso guarde o caderno em local acessível e consulte-o sempre que necessário. Crie o hábito de realizar consultas a dicionários. Além dos dicionários comuns (Aurélio, Houass), existem dicionários de regência, de sinônimos e antônimos, de etimologia, de verbos e de regimes. Amplie sua habilidade de redigir, construa sua competência de redação própria, tão necessária ao crescimento pessoal e à atividade profissional. reFerênciaS ALMEiDA, Antonio Luiz Mendes de. Atenciosamente – manual prático de redação comercial e oficial. rio de Janeiro: garamond, 1999. ALMEiDA, Napoleão Mendes. Gramática metódica da Língua Portuguesa. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. BrASiL. Presidência da república. Manual de redação da Presidência da República. gilmar Ferreira Mendes et al. Brasília: Presidência da república, 2002. _____. Departamento Nacional de infraestrutura de Transportes. Diretoria Executiva. instituto de Pesquisas rodoviárias. Manual de Sinalização Rodoviária. 3. ed. Publ. iPr 743. rio de Janeiro, 2010. CuNHA, Celso; LiNDLEY CiNTrA, L. F. Nova gramática do português contemporâneo. 4. ed. rio de Janeiro: Lexikon Editora Digital, 2007. goLD, Miriam. Redação empresarial: escrevendo com sucesso na era da globalização. São Paulo: Makron Books do Brasil Editora Ltda., 1999. KASPArY, Adalberto J. Correspondência empresarial. Porto Alegre: Edita, 2002. _____. Redação oficial – normas e modelos. Porto Alegre: Edita, 2002. MEDEiroS, João Bosco. Redação empresarial. São Paulo: Atlas, 2001. Vocabulário ortográfico da Língua Portuguesa. Academia Brasileira de Letras. 5. ed. São Paulo: global, 2009. Site: <www.redacaooficial.com.br>.