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ARTRITE REUMATOIDE. 1. INTRODUÇÃO. • A prevalência é de 1% na população brasileira. • O pico de incidência é de 30 à 50 anos. Acomete mais mulheres. • A membrana sinovial produz o líquido sinovial, que nutre e lubrifica a articulação. 2. FISIOPATOLOGIA. A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória crônica É uma doença autoimune: resposta imune exacerbada e disfuncional contra antígenos próprios Caracterizada por sinovite periférica: inflamação da membrana sinovial que reveste as articulações Os pacientes tem predisposição genética para desenvolver Além de fatores genéticos, há fatores ambientais e de microbioma que interferem Quando não tratada evolui para erosões ósseas com deformidades • Fatores genéticos + fatores ambientais: artrite reumatoide. Fatores ambientais desencadeantes: • Tabagismo: principal fator de risco modificável • Alteração da microbiota intestinal • Infecções • Obesidade Explicação da imagem: • Fenômenos da apresentação antigênica • Ativação de TCD4+ • Produção de auto anticorpos Anti CCP e fator reumatoide • Ativação de linfócitos B pelos linfócitos TCD4 + Alteração genéticas em moléculas que controlam a resposta imune Alteração da barreira imunológica relacionada a fatores ambientais e microbioma perda de auto tolerância em pacientes geneticamente predispostos Ativação aberrante de respostas imunes e natas e adaptativas Isso gera artrite • Citrulinização das proteínas: principalmente no pulmão, modulado pela presença de fumaça de cigarro • Linfócitos TCD4 + migram dos órgãos linfóides secundários para membrana sinovial • Estímulo de monócitos, macrófagos e fibroblastos sinoviais a produzir citocinas inflamatórias • Estímulo inflamatório sustentado gerando sinovite e erosão óssea. 3. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS. • O paciente apresenta dificuldade em mobilizar as mãos pela manhã para abrir torneiras, torcer panos, lavar a louça. Tende a aliviar no decorrer da manhã com movimentação das articulações. • Inicialmente nos punhos, metacarpofalangeanas, interfalangeanas proximais, metatarso falangianas, ombros e joelhos. Artrite: dor (artralgia) + edema Poli artrite: acomete várias articulações Simétrica: tem em ambos os lados. Acomete as duas mãos, os dois pés ou os dois cotovelos Início geralmente é insidioso Pode ter sintomas sistêmicos : fadiga, mal estar, anorexia, febre baixa Rigidez matinal > 30 min: é pior de manhã e melhora com o movimento, pois é uma doenã inflamatória • Após pode acometer tornozelos, cotovelos, interfalangeanas proximais dos pés, coluna, temporomandibulares, coxofemorais, crico aritenoides (rouquidão). • Poupa interfalangeanas distais. Diferente da osteoartrose. 4. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ARTICULARES. A AR geralmente inicia e é mais intensa nas articulações menores, como nas mãos e pés. Depois vai para ombros, cotovelos, joelhos. •Sinovite inflamatória inicial, o edema e a dor são reversíveis. Reversíveis: •Deformidades causadas pela sinovite persistente, como destruição óssea, cartilaginosa, alterações musculares, tendineas e ligamentares. Não reversíveis: • A doença progride mais rapidamente durante os primeiros 6 anos. • O curso da doença não é previsível para cada paciente. Alguns pacientes evoluem com deformidades mais rapidamente, outros não desenvolvem as deformidades. • Quando trata adequadamente não causa deformidades. • A atrofia dos interósseos causa também atrofia da musculatura interóssea, pois tem dor e fica com os tendões bem aparentes. • A AR não acomete interfalangianas distais, é uma lesão de tendão por causa da dor nas interfalangianas proximais. Deformidades nos cotovelos: • Rigidez viciosa: semiflexão com semipronação dos antebraços. Deformidades nos pés e tornozelos: • Inicialmente nas articulações metatarsofalangianas. • Pé plano pelo desabamento do arco anterior. Joelhos: • Faz semiflexão do joelho em posição de repouso para alivio da dor. • Artrite ativa + atitudes viciosas: osteoartrose secundária, relaxamento dos ligamentos e tendões, gerando desvios em valgo ou varo. 5. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS EXTRA ARTICULARES. Nódulos reumatoides subcutâneos: • Geralmente na artrite reumatoide grave. Ocorre em até 30% dos pacientes. • São indolores. • São nódulos moles, diferente da osteoartrose que tem nódulos duros. • Superfícies extensoras articulares, áreas submetidas a pressão. • Pode ocorrer raramente em vísceras: olhos, pulmões e cordas vocais. Os nódulos pulmonares da artrite reumatoide não podem ser diferenciados dos nódulos pulmonares de outras causas sem biópsia. Outras manifestações clínicas extra articulares: • Vasculites : causa úlceras nas pernas. • Derrames pleurais, pericárdicos. • Infiltrado pulmonar. • Pericardite é miocardite. • Aumenta risco cardiovascular. • Aumenta risco de cardiopatia isquêmica quando não tratada. • Linfadenopatia. 6. DIAGNÓSTICO. • O diagnóstico é feito a partir de critérios: 6 ou mais critérios fecham o diagnóstico de artrite reumatoide. 6.1 Clínicos: • Poliartrite, 3 ou mais articulações por mais de 6 semanas. • Simétrico. • Rigidez matinal maior que 1 hora. Exame físico: • Palpar as articulações potencialmente acometidas na artrite reumatoide em busca de dor, edema, calor, deformidades, nódulos reumatoides. • Teste do aperto ou squeeze test: dor referida após o examinador comprimir as articulações metacarpofalangeanas ou metatarso falangianas. 6.2 Sorologia ou auto anticorpos: Fator reumatoide: • É positivo em 70 a 80%: o fator reumatoide negativo não exclui o diagnóstico de artrite reumatoide. Há pacientes com artrite reumatoide com fator reumatoide negativo. • Níveis mais elevados se associam a doença agressiva, nódulos reumatoides e manifestações extra articulares. • Está presente em 5 a 10% das pessoas saudáveis. • Outras doenças: na síndrome de Sjogren 70% dos pacientes apresentam fator reumatoide positivo, 20 a 30% dos pacientes com lúpus apresentam um fator reumatoide positivo. Anticorpo do peptídeo citrulinado cíclico ou anti CCP: • É mais específico do que o fator reumatoide: 90 a 97%. • Aparecimento mais precoce. • É um indicador de prognóstico. • É um exame mais caro por isso geralmente é solicitado fator reumatoide. • O anti CCP não aparece em muitos pacientes, mas quando presente é mais especifico, é porque tem AR. 6.3 Provas inflamatórias: • VHS • PCR 6.4 Alterações radiográficas: • Não há um exame laboratorial ou de imagem que isolado possa confirmar ou descartar o diagnóstico de artrite reumatoide. • A história clínica compatível e erosões radiográficas típicas: pode-se proceder a classificação como artrite reumatoide. Raio x de mãos e pés: • Fator reumatóide e/ou antiCCP positivos. Atrite reumatoide soropositiva: • Fator reumatoide e anti CCP negativos. Artrite reumatoide soronegativa: • É a avaliação inicial básica. Também usado para avaliação da progressão da doença e necessidade de escalonar tratamento. • Manifestações radiológicas: Osteopenia: • Na imagem A, o raio X da mão esquerda mostra um paciente normal. • Na imagem B, o raio X mostra um paciente com artrite reumatoide radiologicamente leve . Tem osteopenia ao redor das articulações metacarpofalangeanas e leve inchaço dos tecidos moles (pontas das setas). Erosões: Simetria: é um importante critério diagnóstico, pois artrite reumatoide deve acometer simetricamente Osteopenia: alteração característica e precoce, inicialmente periarticular e após difusa Aumento das partes moles: alteraçãoprecoce Redução do espaço articular Erosões osseas Cistos ósseos edeformidades: o cisto em quinta metatarso falangiana é muito típico de artrite reumatóide Osteopenia: Passa borracha nas articulações. Está radiotransparente nas metacarpofalangianas. • A inflamação local gera aumento da atividade dos osteoclastos, causando erosão. • Na imagem 2, há erosões nos punhos, metacarpofalangianas, interfalangianas proximais. Desvio ulnar: 6.5 Outras investigações: • Solicitar sorologias para todos os pacientes: excluir infecções virais por HIV, hepatites. Pode haver na artrite reumatoide: • Anemia de doença crônica. • Leucocitose: relação com a atividade da doença. O uso de corticoides no tratamento da artrite reumatoide predispõe a infecções, podendo causar leucocitose. • Trombocitose: relação com a atividade da doença. • No entanto não fazem parte do diagnóstico. 7. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS. Osteoartrite e osteoartrose: • A osteoartrose é desgaste por sobrecarga mecânica que degrada a sinovia. Não é uma artrite autoimune. Os nódulos são duros, pois tem hiperproliferação óssea. • O aumento de volume das articulações na AR é edema, é mole. Não tem hiperproliferação óssea, tem erosão. 8. TRATAMENTO. • Quanto antes iniciar o tratamento melhor, pois evita as deformidades, diminui o risco cardiovascular e é mais fácil controlar a inflamação. • Fazer reavaliação a cada 1 a 3 meses. • A meta é a remissão ou baixa atividade da doença. Primeira linha de tratamento: Metotrexato: • Antagonista do folato. Em doses altas é um imunossupressor. • Tem atividade anti-inflamatória nas doses utilizadas na AR. • É muito eficaz e tem início de ação em 3 a 4 semanas. • Não ingerir álcool. • Associar ácido fólico 10 mg/semana (pode usar 2 comp de 5 mg) para reduzir os EA de náuseas e anemia. • Monitorizar: hemograma completo, creatinina, função hepática. Posologia: • Iniciar com dose 7,5 a 10 mg, 1x por semana. Associar ao ácido fólico. • Aumentar a dose a cada 4 semanas até 25 mg. Metotrexato + outra droga antirreumática modificadora da doença: • A combinação é mais eficaz. • Metotrexato + leflunomida, metotrexato + hidroxicloroquina. Corticoides: • Nas crises e recidivas devem ser utilizados. • Prednisona. • Diminui a inflamação e outros sintomas mais rapidamente. • Melhoram a dor, no entanto, não impedem a progressão da doença e devem ser usados na menor dose e tempo, pois tem muitos EA. • Alguns casos, pode-se usar prednisona 5 mg continua. • Os EA do uso crônico do corticoide ocorrem com o uso > 7,5 mg. Logo, quando o paciente precisa de dose > 7,5 mg de corticoide, associar vitamina D, cálcio e bifosfonados para prevenir osteoporose. • O corticoide deve ser iniciado junto com o metotrexato, pois este começa a fazer efeito após 3 a 4 semanas. • Os analgésicos e AINES podem ser usados nas crises. • Pode fazer injeção intra-articular de corticoides para melhorar sintomas. Iniciar com metotrexato ou outra droga antirreumática modificadora do curso da doença (DMARD) OU ambos associados. As outras drogas são: leflunomida, antimaláricos (cloroquina e hidroxicloroquina), sulfassalazina. Se tiver toxicidade, ausência de resposta em 3 meses ou não atingir o objetivo do tratamento em 6 meses: trocar para droga antirreumática modificadora do curso da doença ou fazer outra combinação de metotrexato + outra droga antirreumática modificadora do curso da doença. Se tiver toxicidade, ausência de resposta em 3 meses ou não atingir o objetivo do tratamento em 6 meses: trocar para medicamentos de segunda linha, como imunobiológicos. Fatores de mau prognóstico: • Baixo nível socioeconômico. • Tabagismo. • Início precoce. • FR e anti CCP altos. • PCR e VHS altos. • Grande número de articulações edemaciadas. • Manifestações extra articulares. • Erosões precoces. 9. RESUMO. Suspeitar de artrite reumatoide: Artrite (dor e edema) em várias articulações (principalmente mãos e pés, poupando interfalangianas distais), simétricas, > 6 semanas Excluir outros diagnósticos: osteoartrose, gota, artrite psoriásica Solicitar FR, anti CCP, PCR, VHS, sorologias, hemograma, TGO, TGP, creatinina Iniciar prednisona em dose baixa para melhorar os sintomas Encaminhar para o reumato