Prévia do material em texto
Elementos da radiologia Aula 5: Equipamento e acessórios de mamogra�a Apresentação Nesta aula, apresentaremos os diferentes componentes e acessórios que integram os equipamentos de mamogra�a. Desse modo, você compreenderá a função de cada um dos componentes apresentados. O principal objetivo desta aula é promover o esclarecimento sobre as etapas da formação das imagens e acessórios utilizados para desenvolver o melhor diagnóstico das mamas. Objetivos Identi�car os diferentes componentes e acessórios que integram os equipamentos de mamogra�a; Reconhecer a função dos componentes e acessórios na formação das imagens mamográ�cas. Primeiras palavras A mamogra�a é uma das modalidades que integram o radiodiagnóstico, que, por sua vez, é de�nido como o setor médico que compreende um conjunto de técnicas de exploração clínicas por meio de formação de imagem diagnóstica. Assim como a maioria das modalidades inseridas no radiodiagnóstico, as mamogra�as utilizam radiação ionizante por meio do princípio físico da transmissão da radiação na formação de suas imagens. Essa técnica é composta pelo seguinte arranjo: fonte, objeto e receptor de imagem. Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online O equipamento de mamogra�a São componentes destinados à produção de estudos radiográ�cos das mamas reproduzidos por equipamentos projetados especialmente para esse propósito. Igualmente como as radiogra�as, podem ser reproduzidas em películas radiográ�cas (estudos analógicos) ou em monitores como uma imagem digital (sistemas CR e DR). Apesar da existência de outras modalidades no diagnostico mamário, a mamogra�a é de�nida como o padrão ouro em diagnóstico e rastreamento de patologias mamárias, desse modo, essa importante modalidade sofre ampla evolução tecnológica, para cada vez mais apresentar melhores resultados diagnósticos em seus estudos Ilustração do mamógrafo e seus componentes. Cabeçote do equipamento Local destinado para acomodação da ampola de raios x. Sua principal função é blindar os feixes de radiação que sairiam para direções divergentes ao diagnóstico, por isso é composto por material de alta densidade (chumbo). Ampola de raios X de mamogra�a Apesar das muitas similaridades observadas quando comparadas a ampola de radiogra�a e a ampola de mamogra�a, existem importantes especi�cidades a �m de personalizar seu funcionamento às necessidades da imagem mamográ�ca. Desse modo, as principais diferenças do tubo de raios X mamográ�co serão apresentados a seguir. Dimensão Devido ao menor tamanho do equipamento de mamogra�a, a ampola de raios X normalmente possuirá dimensão levemente reduzida em relação aos tubos de radiogra�a convencional. Diâmetro do �lamento do cátodo Constituído pelo mesmo material do tubo de radiogra�a geral, devido seu alto ponto de fusão (acima de 3.300º C), contudo, a sua seção transversal varia de 0,3 a 0,1 mm e seu comprimento de 1 a 2 cm. A pequena dimensão do �lamento de mamogra�a proporciona um baixo ponto focal, e, com isso, produção de imagens com melhor índice de detalhamento. Como as patologias de mama possuem baixíssimas dimensões, essa característica contribuirá para que as patologias sejam mais bem demonstradas nas imagens mamográ�cas. Composição do anodo O alvo da ampola de mamogra�a é normalmente confeccionado de molibdênio (Z = 42) e ródio (Z = 45). Assim como o material utilizado na ampola radiográ�ca (tungstênio Z = 74), esses materiais igualmente possuem alto número atômico, ótima condutividade térmica e ponto de fusão aproximado de 2000º C. Para entender melhor os motivos da alteração do material do alvo de mamogra�a, seguem os espectros da radiação quando estas interagem no alvo de tungstênio. Os dois picos de radiação característica do tungstênio Kα e Kβ encontram-se na faixa de 60 a 70 kev. Essa faixa de energia está muito acima do valor necessário para um típico exame de mamografia, enquanto isso, é uma faixa energética muitas vezes utilizada na radiologia geral. Atenção As radiações características contribuem com boa parte dos fótons úteis de um espectro de radiação – notem que o eixo Y representa a contagem de fótons de radiação. Posição do tubo de mamogra�a enquanto em equipamentos antigos os tubos eram posicionados paralelos ao receptor de imagem, nos equipamentos modernos, os tubos �cam inclinados em relação ao receptor de imagem, o que possibilitou uma diminuição signi�cativa da dose no tórax do paciente. Imagem que ilustra a influência da angulação do tubo na radioproteção. Aplicação do efeito anódico para melhor aproveitamento desse efeito, o lado do cátodo deve ser posicionado voltado para o paciente, como a mama na sua porção proximal é mais espessa e densa. Devido esse balanceamento da intensidade da radiação pelas diferentes espessuras da mama, será proporcionada uma maior uniformidade na imagem. Definição de efeito anódico – é a característica que possuem os tubos de radiação, onde a intensidade dos fótons produzidos será maior no lado do cátodo em relação aos fótons do lado do ânodo. Para que esse conceito seja entendido na prática, a porção da mama mais próxima do músculo peitoral deverá estar direcionada para o lado do cátodo da ampola, enquanto a região do mamilo deverá estar posicionada para o lado do ânodo da ampola. Desse modo, a região de maior densidade e espessura receberá mais fótons e a região menos densa e espessa, menor quantidade, o que proporciona a produção de uma imagem mais homogênea. Janela da ampola de mamogra�a Esta região da ampola de mamogra�a pode ser composta por materiais como o berílio (Z = 4) ou composições como o silicato de boro. A substituição do vidro de baixa espessura por esses materiais se justi�ca na necessidade de que não haja atenuação demasiada do feixe; já o espectro de radiação utilizado na mamogra�a é composto por fótons de baixa energia. Rotação do braço do equipamento Por meio do movimento realizado pelo braço do equipamento, é possível a realização de diferentes projeções da radiação em relação às mamas da paciente. O bucky, onde o receptor de imagem está acomodado, acompanha o movimento, de modo que os fótons sempre irão incidir perpendicularmente ao receptor. Os posicionamentos mais utilizados são: crâniocaudal, caudocranial, per�l “D” e “E” e das incidências oblíqua médio lateral. Filtração Na mamogra�a, são compostos por matérias como: molibdênio, tungstênio e ródio. A escolha da combinação entre �ltro e alvo dependerá da tipologia e esperrura da mama, com o objetivo de atender as necessidades de cada paciente; podem ser escolhidas as combinações molibdênio-molibdênio, molibdênio-ródio, ródio-ródio e tungstênio-ródio. Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online ESPESSURA DA MAMA / TECIDO MAMÁRIO ADIPOSO KV (FILTRO) MISTA KV (FILTRO) DENSA KV (FILTRO) < 3 25 / Mo 25 / Mo 26 / Mo 3 - 5 26 / Mo 26 / Mo 27 / Mo 5 - 7 27 / Mo 26 / Rh 27 / Rh > 7 28 / Mo 27 / Rh 29 / Rh Tabela ilustrativa sobre o uso de �ltros de acordo com tipologia e espessura mamária. Características dos �ltros Diferentes dos �ltros de alumínio e cobre que retiram do feixe apenas fótons de baixa energia, os �ltros de ródio e molibdênio têm por característica �ltrar os fótons de alta energia, pois esses fótons prejudicam o contraste das imagens. Atenção Os �ltros de ródio absorvem mais fótons de alta energia do que os de molibdênio. A �ltração adicional e inerente irá eliminar os fótons de baixo poder energético (fótons que contribuem para o aumento da dose no paciente e não agregam na formação das imagens). Estes seriam absorvidos pelas camadas mais super�ciais da mama e contribuir para o aumento da dose de entrada na pele. Atenção A �ltração total, por recomendação da Portaria 453/1998 MS, deve ser equivalente a 0,03 mm de Molibdênio. Colimação Sua utilização se restringe a exames especí�cos, sendo responsável por delimitar o tamanho do campo de irradiação. Essa ação auxilia na redução do efeito penumbra, minimiza a radiação espalhadae, por consequência, melhora o contraste na imagem, além disso, evita que regiões não úteis para o diagnóstico sejam expostas. Filtros com diferentes formas geométricas, sendo as mais comuns: oval ou circular e retangular. Compressor Dispositivo composto por material plástico, o que proporciona transmissão da radiação dentro da faixa útil de energia. Sua principal função é comprimir a mama de maneira uniforme. O compressor possui borda reta, o que permite a fixação da parede torácica assim como os tecidos mamários próximos a essa região. Vantagens obtidas na compressão da mama Esta importante etapa é de extrema importância para a qualidade da imagem obtida na mamogra�a, por isso, a compressão deve ser controlada pelo pro�ssional de modo que a força aplicada esteja entre 11 a 18 kg (25 a 45 libras). As principais vantagens obtidas com uma correta compressão são: Possibilita diminuição da espessura da mama de maneira a torná-la mais uniforme. Redução da espessura da mama após a compressão. Devido à diminuição da espessura da mama, a dose necessária é reduzida, assim como a quantidade de radiação secundária que prejudicariam a qualidade das imagens. Aproximar as estruturas mamárias o mais próximo do receptor de imagens. Melhor �xação da mama para reduzir a possibilidade de movimento e, com isso, prejuízo à nitidez geométrica. Demonstração da mama fixada no equipamento. Permite melhor condição de contraste por permitir uma diminuição dos fatores de exposição. Auxilia na separação de estruturas mamárias que estiverem no mesmo eixo anatômico e, assim, se apresentariam na imagem de maneira superpostas .1 Um típico serviço de radiodiagnóstico deve possuir diferentes tamanhos de compressores para serem utilizados em variadas dimensões de mamas, além disso, existem especí�cos modelos de compressores para propósitos especí�cos de diagnóstico. http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0106/aula5.html Compressores fenestrados utilizados para procedimentos invasivos de biópsia e compressor SPOT quando se deseja melhor compressão de uma região especí�ca da mama e não a mama como um todo. Grade antidifusora A �m de melhorar aspectos relativos às imagens mamográ�cas, o equipamento deve ter grades antidifusoras para que os fótons de radiação espalhada sejam absorvidos e, assim, melhore o contraste da imagem. Atenção As grades utilizadas nestes procedimentos possuem razão entre 4:1 a 5:1 e frequência de grade de 30 linhas por centímetro. Você deverá relembrar os conceitos de razão e frequência de grade na Aula 2. Absorção da radiação espalhada entre a mama e o receptor de imagem. Porta-chassi Estrutura metálica onde é posicionado o receptor de imagem (chassi com �lme, cassete com plate CR e placa de detector de radiação DR) Receptor de imagem colocado no porta-chassi para aquisição das imagens. Controle automático de exposição (CAE) Eles podem ser do tipo câmaras de ionização, tubos fotomultiplicadores ou diodos de estado sólido. Exposímetros Interrompem a exposição em casos de avaliação incorreta e, assim, evita superexposição nas imagens, além de garantir uma padronização na qualidade das imagens obtidas. Os sensores são localizados abaixo do bucky, com o objetivo de determinar a densidade da mama, para que, desse modo, o operador possa determinar os parâmetros radiográ�cos como: energia dos fótons (KV), corrente elétrica (mA), tempo de exposição (s) e tipo de �ltro que será utilizado. A compressão mamária interfere de maneira direta no correto funcionamento do sensor. Modo de operação Os equipamentos de mamogra�a podem atuar em 3 diferentes modos de operação: Automático O aparelho seleciona a tensão (kV) de acordo com a espessura da mama comprimida, dando também a corrente e tempo (mAs) adequado. Semiautomático O operador seleciona o kV de acordo com a espessura da mama comprimida e o aparelho calcula o mAs. Manual O operador seleciona o kV e o mAs. Método de magni�cação Para realização dessa técnica, é necessária a utilização de um acessório chamado plataforma de ampliação, que permite o afastamento e, com isso, a magni�cação de patologias encontradas na mama. Essa ação permite que o médico possa identi�car melhor patologias como: cistos, tumores, pequenas lesões ou microcalci�cações. Para que a magni�cação da imagem não inter�ra na resolução espacial da imagem, é necessário que o tubo de raios X possua um pequeno ponto focal de (0,1 mm). Simulação do método de mamografia com magnificação. Biombo, comando e monitor de visualização das imagens: será neste local que o pro�ssional de radiologia �cará durante a exposição à radiação. Além disso, é neste local que os parâmetros radiográ�cos necessários aos exames serão escolhidos. O monitor estará presente em sistema digital para que as imagens obtidas sejam prontamente observadas pelo pro�ssional. A presença do vidro plumbífero permite a observação total do paciente de maneira segura ao operador. Phantom mamogra�a ACR (colégio Americano de Radiologia) São equipamentos utilizados para avaliar a capacidade de demonstração de patologias típicas mamárias. Os phantons simulam a densidade média da mama de modo que esteja presente em seu interior diversas patologias com diferentes dimensões e densidades. As avaliações quantitativas das patologias observadas determinam a qualidade do sistema mamográ�co como um todo. Posicionamento do phantom ACR no mamógrafo com a imagem teste produzida e o gabarito com as patologias. Tomossíntese mamária Trata-se de uma modalidade de diagnóstico da mama que adquire imagens seccionais por meio da exposição de cortes extremamente �nos (alta resolução) que podem ser visualizados individualmente ou de modo dinâmico. Equipamento de tomossíntese mamária. Através de um equipamento bastante similar ao mamógrafo tradicional, a mama é comprimida enquanto a ampola de raios X realiza uma trajetória angular que dura poucos segundos (entre 10º até 20º). Em cada ângulo da trajetória, diferentes projeções são reproduzidas e, consequentemente, diferentes cortes são obtidos. Devido sua imagem dinâmica, a tomossíntese é capaz de adquirir imagens seccionais, nas várias projeções como: CC (craniocaudal), OML (oblíqua mediolateral), per�l (D e), entre outras. Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online O tubo de raios X parte da posição perpendicular ao receptor de imagem e realiza a mesma angulação para os dois sentidos, para que, assim, o estudo seccional seja reproduzido. Sequência de cortes obtidos em um exame de tomossíntese mamária. A grande vantagem obtida por esse método diagnóstico em relação à técnica mamográ�ca tradicional e que os problemas causados pela sobreposição de estruturas mamárias em uma imagem bidimensional são reduzidos e até eliminados quando avaliados em tomossíntese mamária. Vale lembrar que a modalidade tomossíntese utiliza maiores doses para aquisição das imagens. Desse modo, sempre deve-se levar em consideração o princípio da otimização para escolha da modalidade que será produzida. Esse motivo mantém a mamogra�a como o padrão ouro no diagnóstico e rastreamento de doenças mamárias. Biópsia de mama (mamotomia) guiada por estereotaxia Trata-se de um procedimento invasivo guiado por imagens esteroteráxicas de mamogra�a. Neste procedimento, a paciente pode ser posicionada em decúbito ventral, lateral ou sentada. Será introduzida na superfície da mama uma agulha que fará a coleta dos fragmentos à vácuo para que haja posterior análise. Agulhas, pistola e mesa para procedimentos invasivos por imagens mamográficas. Atividade 1. Após considerar as características patológicas mamárias quanto as suas dimensões, marque a opção correta sobre o fator que in�uencia diretamente a nitidez da imagem em mamogra�a. a) Espessura dos filamentos do catodo (ponto focal). b) Tamanho do ânodo. c) Janela de berílio. d) Valor selecionado de corrente (mAs). e) Valor selecionado de tensão aplicada no tubo (kVp). 2. Marque a opção que melhor de�neo uso do efeito anódico em um procedimento de mamogra�a. a) A porção da mama mais próxima do músculo peitoral deverá estar direcionada para o lado do ânodo. b) A porção da mama mais próxima do músculo peitoral deverá estar direcionada para o lado do cátodo. c) A porção da mama mais próxima do mamilo deverá estar direcionada para o lado do cátodo. d) A região de maior densidade e espessura receberá fótons de menor intensidade. e) A região menos densa e espessa receberá fótons de maior intensidade, o que proporciona a produção de imagem mais uniformes. 3. Em relação ao acessório chamado de plataforma de magni�cação, qual das opções apresentadas a seguir é verdadeira sobre o resultado obtido por esse componente? a) Produz um aumento da razão sinal/ruído da área de interesse em relação à imagem não magnificada. b) Compensar a camada de ar existente entre objeto e receptor de imagem. c) Diminui a distância objeto-receptor de imagem para gerar uma ampliação da imagem. d) Aumenta a distância objeto-receptor de imagem para gerar uma ampliação da imagem. e) Auxilia na filtração dos fótons de radiação de baixo poder energético. Notas Superpostas 1 Nas imagens diagnósticas bidimensionais, todas as estruturas que estiverem no mesmo plano anatômico aparecerão uma sobre a outra. Referências ANTÔNIO JR. Técnicas radiográ�cas. Rio de Janeiro: Rubio, 2006. BONTRANGER, K. L. Tratado de técnica radiológica e base anatômica. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001. BUSHONG, S. C. Ciência radiológica para tecnólogos. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier 2010. Próxima aula Radiologia intervencionista e seus componentes; Radiologia odontológica, ultrassonogra�a e densitometria óssea.; Tomogra�a computadorizada e bomba injetora. Explore mais Assista ao vídeo Mamogra�a. javascript:void(0);