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Urgências urológicas traumáticas – Dr. Felipe 1. TRAUMA RENAL: ❖ INTRODUÇÃO: · Qual a importância da história no atendimento o politraumatizado? · Quais são os mecanismos de trauma mais frequentes para as lesões renais? · Quais são os sinais no exame físico que sugerem trauma renal? Obs.1: Antes de agirmos diante de um trauma devemos = saber a história e o mecanismo do trauma, pois irão interferir diretamente na condução do caso e no tratamento. É preciso saber: foi uma facada, por arma de fogo, queda (e a altura da queda) Como foi o trauma? Obs.: O exame físico é extremamente importante para o diagnóstico e tratamento da lesão. EX.: Um paciente que chega relatando hematúria, esse sintoma clínico pode ser indicativo de lesão renal e também pode indicar lesão de bexiga, mas se esse mesmo paciente relata que sofreu uma queda bateu a região lombar, e apresenta equimose nessa região você irá suspeitar mais de lesão renal do que de lesão na bexiga. ❖ MECANISMO DE TRAUMA: Os traumas renais podem ser por mecanismo FECHADO (Contusões) ou PENETRANTE (lesões por arma de fogo, lesões por arma branca) ❖ HEMATÚRIA: Mais importante indicador de lesão É um Sinal precoce e está Presente em 90% dos casos. Sua intensidade NÃO tem relação com a gravidade do trauma - Você pode ter uma lesão de arterial com sangramento intenso, mas ser uma lesão pequena, ou ter uma lesão grande no rim, mas ter um sangramento bem pequeno ❖ SINAIS: Hematomas das regiões lombares e flancos. Fratura de arcos costais (11 e 12) e vértebras lombares – Toda vez que tem lesão de costela baixa (costelas 11 e 12) você pode ter uma lesão renal, ou se tiver fratura de vertebras lombares também pode lesar o rim. Fratura de bacia também pode lesar o rim ❖ INCIDÊNCIA: Apenas 10% dos traumas abdominais. Penetrantes 10% dos casos, fechado 90% dos casos. Associação com lesão em outros órgãos é frequente em 75% dos traumas fechados. ❖ DIAGNÓSTICO - IMPORTANTE: Quando devemos indicar investigação complementar? É preciso pedir exame complementar para todos os pacientes com queixa de hematúria? NÃO, pedir apenas em alguns casos. Indicações de Estudo Radiológico: › Traumatismo penetrante (flanco ou abdome) com ou sem hematúria. › Traumatismo fechado: — Crianças com história de trauma fechado e hematúria DEVEM ser investigadas, TODAS. — Adultos com hematúria macroscópica (Urina com hematúria visível), DEVEM ser investigados. — Adultos com hematúria microscópica (Hematúria diagnosticada pelo exame de URINA 1), só serão investigados se apresentarem INSTABILIDADE HEMODINÂMICA, ou seja, PAM < 90mmHg. › Lesões por desaceleração. Qual o melhor exame para diagnosticar o trauma renal? TOMOGRAFIA DE ABDOME SUPERIOR (OU UROTOMOGRAFIA) – Gold Standart Outro exame - Urografia excretora: Técnica: › Sala de emergência ou centro cirúrgico › Dose dupla › Fase de reposição volêmica › RX com 10 minutos Interpretação: › Exame de triagem: Normal – afasta lesões graves, › Alterado – Indica outros exames ❖ CLASSIFICAÇÃO TOMOGRÁFICA: GRAU I – Apenas uma equimose no rim, levanta um pouco a cápsula e faz um hematoma renal GRAU II – Faz uma pequena lesão no córtex renal GRAU III – Lesão maior com sangramento que atinge até os cálices renais GRAU IV – Lesão da via excretora renal, ou seja, além de lesão o parênquima renal também lesão o sistema coletor do rim – Neste caso já tem sangue na urina GRAU V – Lesão de artéria ou veia renal (grandes vasos) ou tem avulsão de um pedaço do rim. ❖ TRATAMENTO - Importante: CONSERVADOR (Feito em traumas fechados). Repouso ABSOLUTO – Não levanta para nada. Reposição volêmica. Controle clínico. Controle laboratorial – Hb e Ht seriados › Hb e Ht de entrada, repete depois de 4-6h, repete várias vezes depois de 4-6h. Se o Hb e Ht do paciente não alterar, ou seja, não diminuir, mantem o tratamento conservador, mas se cair o Hb e/ou Ht aí faz o tratamento cirúrgico. › Ex.: Paciente com Hb de entrada de 12, aí repete depois de 4-6h continua 12, depois repete de novo e continua 12 – mantem tratamento conservador. › Ex.: Paciente com Hb de entra de 12, repete o exame e da 10, aí repete e da 8 e a FC começa a aumentar, aí repete e da 7 e a frequência aumenta mais, o paciente está ficando instável, nesse caso deve partir para o tratamento cirúrgico. Controle radiológico: › Urotomografia de controle, repete depois de 7-10 dias e se ainda sobrar algum hematoma repete a tomo depois de alguns meses. Ponderar antibioticoterapia. › Hematomas favorecerem processos infeccioso, então acaba fazendo antibioticoterapia para prevenir processos infecciosos CIRÚRGICO: Indicação absoluta: › Ferimentos penetrantes; › Traumas fechados com instabilidade hemodinâmica ou com lesões associadas. Indicação relativa: › Extravasamento de contraste; › Trombose arterial; › Seguimento desvitalizado; › Estadiamento incompleto. Técnica Cirúrgica – Qual a via de acesso para abordar: › Abordagem por laparotomia › Controle do pedículo renal (Controla a artéria renal logo na saída da aorta, e a veia logo na saída da cava) › Quando possível faz rafia do rim (não tira o órgão) – Dificilmente faz isso › Maioria dos casos quando é feito tratamento cirúrgico é realizado nefrectomia!!! ❖ COMPLICAÇÕES: (Falou que não precisávamos saber) TARDIAS: · Hipertensão · Fístula arterio-venosa · Hidronefrose · Pseudocisto ou formação de cálculos · Pielonefrite crônica · Perda de função renal ❖ MENSAGENS FINAIS - IMPORTANTE: Qualquer suspeita deve ser investigada! Sempre descartar lesões associadas!! O tratamento deve ser o mais conservador possível!!! 2. TRAUMA URETERAL: ❖ INTRODUÇÃO: Lesão ureteral é rara - < 1% das lesões genitourinárias: 80% são causadas por iatrogenia (erro médico) – Em cirurgias é ocorre lesão do ureter. 20% são por causas externas (arma branca, arma de fogo, etc) Comum lesão visceral associada: Delgado (50%), cólon (30%), rim (25%). ❖ POSSIBILIDADES DE LESÕES – QUADRO CLÍNICO: 1 Lesão – extravasamento de urina – para cavidade = Peritonite – ex: Lesão nas costas que atingiu ureter e peritônio posterior, e extravasa urina para a cavidade peritoneal. 2 Lesão – extravasamento de urina – Retroperitoneal = Tumoração e dor local – ex: Lesão nas costas que atinge ureter, mas não atinge peritônio posterior, e a urina fica retida no retroperitônio. 3 Ligadura/ obstrução = Dor lombar ipsilateral – ex: Durante uma cirurgia onde o médico pode acabar suturando o ureter assim acaba obstruindo, paciente começa a apresentar um quadro de Hidronefrose e cólica renal. 4 Fístula urinária = Após procedimento cirúrgico. ex: Saída de urina pela cicatriz. Obs.: 25 a 45% das lesões penetrantes de ureter não apresentam nem micro-hematúria ! ❖ DIAGNÓSTICO: Padrão ouro – Pielografia Ascendente Podem ser utilizados - Tomografia ou Urografia excretora (Raio x com contraste) - Single shot OBS.: Suspeita de fístula, dosar creatinina do líquido. ❖ TRATAMENTO: 1 Cateter uretral – Duplo J Realizado em lesões parciais do ureter, onde é possível identificar as duas pontas da lesão. Mantém o trajeto do ureter o mais seco possível, para poder cicatrizar a lesão. Realizado em: Lesões puntiformes, angulações ureterais, ou transecções parciais 2 Cirurgia aberta – Ureteroanastomose: Realizado em lesões totais do ureter, onde não é possível achar os cotos. Procedimento depende do local da lesão. Extensão de segmento lesado/ perdido. Faz uma anastomose dos cotos de ureter, e depois coloca o cateter duplo J para poder cicatrizar. ❖ COMPLICAÇÕES: Taxa de complicações – 25% Fístula urinaria prolongada (+ frequente) Estenose do local da anastomose 3. TRAUMA DE BEXIGA: ❖ INCIDÊNCIA: Incomum porque fica protegida pelo anel pélvico. Acontece em 1,6% dos traumas abdominais fechados. ❖ TIPOS DE TRAUMA: INTRAPERITONEAL - 38% dos casos: Explosão da cúpula vesical – Lesão mais superior da bexiga, e acaba lesando o peritônio, a urina vai para a cavidade peritoneal e desencadeia um quadro de peritonite. Na maioria dos casos essas lesões são causadas por traumas diretos, o paciente está com a bexiga cheia e acaba sofrendo uma contusãodireta na bexiga, essa urina “explode” para cima (A cúpula é o ponto mais fraco da bexiga) – Por isso nunca viajar de bexiga cheia. EXTRAPERITONEAL - 55% dos casos: Lesão pelas espículas ósseas – Lesão mais inferior, próximo ao esfíncter da bexiga. Este paciente não apresentará peritonite Na maioria das vezes são causados por lesões secundarias como fratura de ossos da bexiga. 85% associada à fratura de bacia. 5 a 10% das fraturas de bacia tem lesão de bexiga. ❖ QUADRO CLÍNICO: Hematúria macroscópica = Sempre que houver fratura de bacia e hematúria associada: SUSPEITAR!!! Paciente relata estar urinando menos e urinando com sangue (Continua urinando, mas como a bexiga está lesada a urina acabando indo para o espaço intraperitoneal ou extraperitoneal e com isso diminui a quantidade de xixi) Outros achados: Dor suprapúbica Incapacidade de urinar Baixo volume urinário Grandes lesões perineais Distensão abdominal Íleo paralitico ❖ DIAGNÓSTICO: Padrão ouro – Cistografia (Raio x com contraste) – Acurácia de 85 a 100% Sinal da chama – o contraste “sobe” pela barriga (intraperitoneal) (fig D) Extraperitoneal – não tem o sinal da chama, mas o contraste extravasa na bacia (fig E) ❖ TRATAMENTO: Extraperitoneal: Conservador. Sondagem vesical por 10 dias – Para a bexiga poder ficar seca e vazia, e assim cicatriza. Antibioticoprofilaxia. Tratamento cirúrgico é opção de exceção. Intraperitoneal: Cirurgia (cistorafia) e reparo. Depois da cirurgia coloca sonda para cicatrizar, também faz antibioticoterapia. 4. TRAUMA DE URETRA: ❖ ANATOMIA: A uretra masculina é dividida em: Uretra anterior – subdividida em uretra peniana e uretra bulbar Uretra posterior – subdividida em uretra membranosa e uretra prostática ❖ ETIOLOGIA: Uretra posterior: Fraturas de bacia Traumas de alta energia Iatrogênica (Etiologia mais comum das lesões de uretra posterior – ex.: erro de sondagem, insufla o cuf antes da sonda chegar à bexiga) Uretra anterior: Trauma perineal: “Queda a cavaleiro” – Trauma de alta intensidade na região do períneo (É a mais comum na uretra anterior) Iatrogênica ❖ QUADRO CLÍNICO: Não tem hematúria, tem URETRORRAGIA (Sangue no meato uretral – não sai sangue com urina, sai apenas do meato uretral) Hematoma de escroto ou perineal Próstata elevada ou deslocada (não palpável ao toque retal) Retenção urinária aguda (globo vesical = bexigoma), incapacidade de esvaziar – Paciente chega com um bexigoma ❖ DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO: Padrão ouro – uretrografia retrógrada (Raio x com contraste) Se conseguir sondar o paciente o tratamento já está feito, porque vai ficar seco e uretra irá cicatrizar. Se não conseguir sondar o paciente deve fazer uma cistostomia (coloca uma sonda percutânea – suprapúbica), aí melhora o processo de hematoma, edema, e quando melhorar isso (por volta de uns 3-4 meses) paciente volta e faz uma reconstrução da uretra (uretroplastia) 5. TRAUMA DE PÊNIS: ❖ ANATOMIA: Corpo esponjoso – Glande e uretra Corpo cavernoso – Duas partes que se comunicam entre si OBS: Único órgão do corpão que não tem osso e quebra – fratura peniana. O que fratura/ quebra é o corpo cavernoso. ❖ ETIOLOGIA: Relação sexual Autopunição Ferimentos penetrantes Mordidas de animais ❖ QUADRO CLÍNICO: Equimose/ Hematoma volumosos restritos à Fáscia de Buck Perda súbita de ereção 10 a 15% tem lesão de uretra associado – uretrorragia ❖ DIAGNÓSTICO: O diagnóstico é clinico (anamnese + ex físico), não necessita de exames complementares Quando há uretrorragia: fazer uma uretrografia ❖ TRATAMENTO – CIRÚRGICO: Desluva o pênis, drena todo o sangue do cavernoso, e faz a rafia do cavernoso. Após a cirurgia a capacidade sexual volta ao normal.