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Prova 2 - Redes e Fluxos

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA
Prova 2 – Análise de Redes e Fluxos
Prof. Dr. Ricardo Castillo
Nome: Carolina Franchini Santiago RA 159643
OBS.: A bibliografia utilizada na prova é a mesma que está presente na ementa da disciplina.
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QUESTÃO 1
A) Em termos de características operacionais o modal rodoviário possui a melhor classificação em comparação com os outros modais, em termos de disponibilidade – o que amplia mais ainda a sua flexibilidade como modal de transporte – tendo em vista a sua presença em quase todos os lugares.
É interessante analisar, ainda, o fato de que a maioria dos modais terem, ao menos, a nota de classificação 1 (melhor pontuação, dentro do contexto) e o único modal que não consegue atingir esta nota é o Ferroviário.
Considerando a dimensão velocidade, o modal aeroviário apresenta a melhor pontuação e em seguida temos o modal rodoviário. A velocidade leva em consideração a rapidez do modal para chegar até o seu destino final, contudo sua indicação é relacionada a grandes e médias distâncias, tendo em vista o custo de utilização deste tipo de modal.
Em seguida, temos a dimensão da disponibilidade e o modal rodoviário apresenta a nota máxima neste quesito. A disponibilidade leva em consideração os locais em que o modal se encontra presente, a sua capilaridade pelo território.
O modal dutoviário é o que apresenta a pontuação máxima em consistência. Nesta dimensão são analisados fatores relacionados à eficiência no cumprimento dos tempos previstos de viagem, já que não enfrenta problemas associados ao intenso tráfego urbano e condições climáticas adversas, por exemplo.
A capacitação presente no modal aquaviário - nota máxima neste ponto - está associada ao fato do modal conseguir trabalhar com variados volumes de cargas e tipos de produtos. 
Por fim, temos a frequência, e fala sobre o número de viagens possíveis por unidade de tempo. Sem dúvidas, o modal que ganha mais destaque é o dutoviário. Este modal, conseguiu notas máximas em dois quesitos, contudo oferece inúmeras restrições relacionadas ao tipo de produto que pode ser transportado por meio de dutos. 
O modal rodoviário é o modal que apresenta maior linearidade de notas, perante os outros modais e isso ajuda a fazer com que ele se destaque na cadeia logística de transporte do país, com predominância de uso superior a 50%, segundo a PNLT. "Os nodais ajudam a explicar a rede geográfica e são tidos, portanto, como a expressão máxima da seletividade espacial do transporte rodoviário de carga pela densidade de fixos e pela frequência, qualidade e intensidade de fluxos." (HUERTAS, 2014).
B) As rodovias, teoricamente, deveriam ser utilizadas para transporte de produtos a curtas distâncias, sendo considerada o modal com maior flexibilidade. Tendo em vista que: não depende de terminais para embarque e desembarque (tanto de pessoas, quanto de certos produtos); pode realizar entregas porta a porta – devido a sua capilaridade; elevada disponibilidade ( está presente em quase todos os lugares); serviços mais diversificados e horários mais amplos; pode arcar com cargas de diversos tamanhos (fracionada e não depende de cargas consolidadas); menor dependência do frete de retorno; acesso livre a uma grande e ampla quantidade de operadores, além de permitir a participação de trabalhadores autônomos e agentes do circuito inferior da economia (considerando o prestador de serviço do TRC). 
Esses são os fatores operacionais que, ao longo dos anos, fizeram com que o modal rodoviário se destacasse perante os outros modais. "A preferência pela rodovia teria sido, portanto, uma resposta à incapacidade revelada pelas outras modalidades de transporte para atenderem às aspirações nacionais, tendo em vista que os sistemas de transporte existentes eram considerados como inadequados, antiquados, ineficientes e absolutamente incapazes de responderem aos anseios nacionais da unificação territorial do país." (GALVÃO, 1996). Historicamente, as ferrovias também foram grandes competidores na utilização de modais como meio de transporte de cargas. Entretanto, a cabotagem e as ferrovias não conseguiram evoluir como um eficiente sistema de transporte – em escala nacional – e essa dificuldade resultou em uma modalidade de transporte não rentável, autossuficiente e não confiável. 
O modal rodoviário é o menos sensível para as economias de escala, já que a sua viabilidade não depende do transporte de grandes volumes de transporte de carga. Uma outra questão está associada ao fato de que as empresas que operam os serviços rodoviários não são responsáveis pelos custos de implantação e manutenção de rodovias – diferentemente do que ocorre com as empresas ferroviárias - tornando o transporte por caminhão viável e eficiente em condições de baixa densidade de tráfego, o "custo é mais socializado", tendo em vista que todos pagam o pedágio.
QUESTÃO 2
Identificar as dimensões analíticas de cada enfoque ajuda a compreender a relação que existe entre cada um deles. O enfoque genético fala sobre uma sucessão de eventos que permitiram tornar real aquilo que temos hoje, dessa forma "[...] os sistemas sucessivos do acontecer social distinguem períodos diferentes, permitindo falar de hoje e de ontem" (SANTOS, 2006). Enquanto isso, o enfoque atual mostra como que o evento se porta nos dias de hoje, sendo tomado a partir de uma consequência da sua evolução histórica, "na era da globalização, mais do que antes, os eventos são, pois, globalmente solidários, pela sua origem primeira, se motor último." (SANTOS, 2006). Neste último trecho, o enfoque atual nasce, inicialmente, pela sua origem, e, posteriormente, pela razão determinante da sua continuação e convivência com outros eventos. Ambas dimensões são indissociáveis pois uma [enfoque genético] ajuda a explicar como que a outra ocorreu/ocorre [enfoque atual], "É assim que o mundo pode ser visto como um caleidoscópio de situações, permitindo encarar, sob esse prisma, uma definição atual dos subespaços e o processo histórico que leva à sua existência e evolução." (SANTOS, 2006) 
A ideia de associar o enfoque genético e o enfoque atual com a ascensão do modal rodoviário e o declínio do modal ferroviário, permite compreender como uma série de eventos condicionantes históricos fizeram com que o investimento nas ferrovias não fosse lucrativo – tendo em vista o contexto de crescimento centralizados em determinadas regiões. Segundo Galvão, 1996, as ferrovias dão maior densidade de tráfego por unidade de área e isto não era viável no Brasil devido ao baixo nível de renda [da maioria da população], excessiva concentração de renda [minoria da população] e o mercado interno reduzido não ajudava na expansão das ferrovias. Uma série de eventos históricos sucederam-se e tornou a ferrovia um modal que, atualmente, possui baixa capilaridade no território nacional, não favorece a integração de mercados regionais e possui topologia extravertida.
Do outro lado, temos o modal rodoviário que lucrou, segundo Galvão, 1996, com o lobby das empresas automobilísticas e arca com menores custos de implementação. Um outro motivo que tornou o modal rodoviário o mais importante do país foi a sua menor dependência em relação às economias de escala e a dissocialização dos agentes que fazem a implementação do modal e a manutenção do modal (socialização dos custos no sistema rodoviário - todos pagam pedágio). 
A relação entre a ascensão de um modal e o declínio do outro dá a entender que "[...] outros acontecimentos, levados pelo mesmo movimento, se inserem outros objetos no mesmo momento. Em conjunto esses acontecimentos reproduzem a totalidade; por isso são complementares e se explicam entre si." (SANTOS, 2006)
QUESTÃO 3
O circuito espacial produtivo e a cadeia produtiva se consolidam no mesmo contexto histórico, contudo, apresentação em sua evolução propósitos distintos envolve inúmeras