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ACNE - DERMATOLOGIA

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Ádila Cristie Matos Martins 	 Curso UNA-SUS, Dermatologia na Atenção Básica
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ACNE 
- É uma das dermatoses mais frequentes na prática clínica
- É responsável por 14% das consultas dermatológicas no país e acomete cerca de 
80% dos adolescentes, persistindo em 53% das mulheres e em 40% dos homens 
em idade adulta
- Sua alta prevalência e comum remissão espontânea por volta dos 20 anos de 
idade, reforça a cultura de um "estado normal" da adolescência
- O atraso no diagnóstico e tratamento da doença pode resultar em grande impacto 
na qualidade de vida do indivíduo, desencadeando ou agravando problemas 
emocionais
- Inicia-se, normalmente, na puberdade e acomete ambos os sexos. Em geral as 
meninas podem desenvolver a acne 1 ano antes da menarca, sendo, portanto, 
mais precoce que nos meninos
- Mulheres também podem apresentar o que se chama de Acne da Mulher Adulta 
(nesse caso, podem não ter tido Acne na adolescência)
PATOGENIA E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
- Diversos fatores levam um indivíduo a desenvolver quadros de acne. No entanto, 
três fatores são essenciais para o surgimento das lesões: 
- hipersecreção sebácea 
- queratinização exacerbada do folículo (hiperceratose intrafolicular)
- presença de bactérias no folículo
- A hipersecreção sebácea associada à obstrução da unidade pilossebácea, devido à 
hiperceratose intrafolicular, provoca o acúmulo de material sebáceo nos folículos, 
criando os chamados comedões (popularmente conhecidos como cravos). A 
bactéria Propionibacterium acnes, frequentemente encontrada nesses folículos, 
colabora com o processo inflamatório subsequente à obstrução
- Outros fatores também podem ser AGRAVANTES da acne, como distúrbios 
emocionais por atuar no córtex cerebral sobre o sistema neuro-endócrino e, 
distúrbios hormonais 
- Em relação aos alimentos, existe um conceito entre leigos de que alimentos 
gordurosos e chocolate agravariam a acne. No entanto, a influência alimentar na 
evolução da acne raramente é observada
- O QUADRO CLÍNICO é bem variado, caracterizado por comedões, pápulas, 
pústulas, nódulos e abscessos. Geralmente as lesões se localizam na face, 
ombros e porção superior do tórax, acompanhadas pelo excesso de oleosidade 
na pele. De acordo com o número e o tipo de lesões, dividi-se a acne, 
esquematicamente, em graus:
- Acne grau I (comedogênica): é a fase inicial da acne caracterizada pela presença de 
comedões (cravos) não-inflamatórios, constituídos de sebo e queratina. Podem ser 
fechados (cravos brancos) ou abertos (cravos pretos)
- Acne grau II (papulopustulosa):  é resultante da inflamação superficial dos 
comedões. Tem presença de comedões abertos, pápulas, com ou sem eritema e 
algumas pústulas. Este grau de acne é o mais variável, desde poucas lesões até 
numerosas, com inflamação intensa. A seborréia está sempre presente
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- Acne grau III (nódulo-cística):  há comedões abertos, pápulas, pústulas e alguns 
nódulos furunculóides. Pode ocorrer a formação de pus. São resultantes de 
inflamações mais profundas dos comedões, quando se somam os nódulos e 
eventualmente pequenos abcessos, possuindo maior probabilidade de formar 
cicatrizes 
- Acne grau IV (conglobata): forma grave de acne no qual, além de pápulas e 
pústulas, tem predomínio de lesões císticas, grandes e confluentes, abcessos e 
fístulas que drenam pus; forma bridas cicatriciais porém não apresentam 
manifestações sistêmicas. É mais frequente em homens e em geral acomete a face, 
pescoço e tórax
- Acne grau V (fulminante/fulminans): extremamente rara. Ocorre quando, a partir de 
um quadro de acne grau III ou IV, surgem subitamente febre, fadiga, mal-estar, 
mialgia, artralgia, leucocitose, aumento de VHS e necrose ou hemorragia de 
algumas lesões. Acomete principalmente região do tronco com lesões líricas 
dolorosas e nódulo císticos confluentes e eventualmente ulceradas, que resultam 
grandes cicatrizes
INVESTIGAÇÃO E DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
- A acne vulgar é bastante característica e em geral de fácil diagnóstico
- A acne, após o período da adolescência, deve ser distinguida das erupções 
acneiformes (como a decorrente do uso de corticosteroides injetáveis)
- A rosácea pode apresentar pápulas foliculares semelhantes à acne, porém, a 
idade, o eritema e a localização centro-facial, permitem, em geral, distinguir as 
duas condições
HIPÓTESES DE SOLUÇÃO E APLICAÇÃO À REALIDADE 
- O tratamento da acne deve ser instituído o mais precoce possível
- O tratamento deverá ser individualizado, baseado no tipo de acne e impacto 
psicossocial produzido. Não deve ser negligenciada, uma vez que os tratamentos 
são eficazes em controlá-la ou mesmo curá-la. Entretanto, o profissional deve estar 
ciente de que isso pode, em certos casos, levar muito tempo e exigir mudanças 
relevantes de estilo de vida, bem como constância de propósito por parte do 
paciente e família
- Em formas leves, o tratamento pode ser apenas local, com inúmeros produtos 
existentes no mercado, isolados ou combinados: ácido salicílico, peróxido de 
Ádila Cristie Matos Martins 	 Curso UNA-SUS, Dermatologia na Atenção Básica
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benzoíla, retinoides (tretinoína, adapaleno), antibióticos (clindamicina e eritromicina) 
e associações de retinóides com antibióticos
CUIDADOS GERAIS
- Toda a orientação para o paciente com acne ou para aqueles que querem apenas 
prevenir o seu surgimento passam por uma higiene adequada da pele com um 
sabonete ou produto de limpeza indicado especialmente para pele acneica ou 
oleosa. Nesse sentido, sabonetes a base de enxofre ou ácido salicílico podem 
ajudar no controle da oleosidade
- A extração manual de comedões abertos (cravos pretos) não é necessária. Há 
melhora temporária, porém, há risco de infecção pelo manuseio das lesões. Os 
comedões fechados (cravos brancos) podem ser abertos com ponta de agulha ou 
de um eletrocoagulador
MEDICAMENTOS TÓPICOS 
- Na acne comedogênica, o tratamento tópico é o mais indicado. Diversos ativos 
estão disponíveis para o tratamento com ótima tolerabilidade
- Destacamos o Peróxido de Benzoíla, presente na RENAME, nas concentrações de 
2,5 e 5% em gel. Este medicamento possui ação comedolítica, antibacteriana e 
bactericida, em especial contra o P. acnes. Pode ser usado nas formas 
comedogênicas e no tratamento da acne grau II. O paciente deve aplicar o gel na 
face à noite e remover pela manhã. Deve ser orientado a evitar a exposição solar. 
Quando, pelo uso diário, ocorrer irritação (vermelhidão, ardor ou descamação 
intensa) deve-se alternar os dias de uso
- Outros medicamentos tópicos utilizados são a tretinoína tópica (0,05%) e o 
adapaleno (0,1%). Todos os retinóides devem ser aplicados à noite e removidos 
pela manhã
- Quando houver um componente inflamatório importante, a associação com 
antibióticos tópicos mostra-se benéfica. Dois antibióticos são os mais utilizados, 
sobretudo na acne grau II: Eritromicina (2 a 4%) e Clindamicina (1 a 2%)
MEDICAMENTOS POR VIA ORAL 
- Quando a resposta ao tratamento tópico é insuficiente, o tratamento sistêmico é 
introduzido
- A primeira indicação é a tetraciclina (ou oxitetraciclina) na dose de 500mg duas 
vezes ao dia. No entanto, essa terapia pode ser substituída por antibióticos 
disponíveis na RENAME como a Doxiciclina (100 mg/dia), Eritromicina (500 mg, 
duas vezes ao dia) ou Sulfametoxazol-trimetoprima (um comprimido 400/80, 
duas vezes ao dia)
- A melhora se dá em geral após 2 meses. Quando houver melhora significativa, 
devem-se reduzir