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XII Conferencia Brasileira sobre Estabilidade de Encostas COBRAE 2017 - 2 a 4 Novembro Florianópolis, Santa Catarina, Brasil © ABMS, 2017 COBRAE 2017, Florianópolis/SC, Brasil. Aspectos construtivos e de projeto que interferem na durabilidade de cortinas atirantadas – casos históricos de descomissionamento Eduardo Azambuja Azambuja Engenharia e Geotecnia Ltda, Porto Alegre, Brasil, eduardo@azambuja.com.br Cleber de Freitas Floriano Azambuja Engenharia e Geotecnia Ltda, Porto Alegre, Brasil, cleber@azambuja.com.br RESUMO: Este artigo discute aspectos construtivos e de projeto de cortinas atirantadas que são essenciais no que confere à durabilidade dessas estruturas. Concentra-se especial atenção aos cuidados com a corrosão nos tirantes e integridade do paramento. São destacados alguns cuidados com o dimensionamento à luz da prática construtiva das cortinas descensionais, ou seja, construídas do topo para o pé com escavações sucessivas. Ilustra-se a discussão com casos de ruínas de cortinas recentemente descomissionadas. Conclui-se destacando a necessidade de se implementar a qualidade dos projetos e das construções e a importância que há na sistematização, no monitoramento e na manutenção de estruturas de contenção dessa natureza. PALAVRAS-CHAVE: Cortinas atirantadas, contenções, durabilidade, corrosão. 1 INTRODUÇÃO Muitas cortinas atirantadas foram construídas com técnicas descensionais desde a década de 70 no Brasil. A grande maioria dessas cortinas seguiu uma lógica construtiva e critérios de projeto e construção que pouco se preocuparam com os quesitos de durabilidade. A consequência de tais práticas foi o envelhecimento precoce dessas estruturas, o que resultou na elevação do risco e, em alguns casos, na ruína das contenções. Considerando que o custo unitário de cortinas atirantadas é superior ao custo unitário de pontes e viadutos, surpreende que os quesitos de durabilidade não estejam em voga, pois estruturas caras precisam ser duráveis para amortizar o investimento. As principais práticas inconformes nas cortinas não estão relacionadas apenas às deficiências construtivas dos tirantes, especialmente na proteção à corrosão, mas também na qualidade construtiva sofrível da face, das juntas, do próprio concreto e do controle das proteções das armaduras. Não obstante, equívocos de projeto também são frequentes, entre os quais a insuficiência de detalhamento, a omissão das etapas construtivas e o dimensionamento da face incompatível com a sua funcionalidade. Durante a inspeção periódica de nove cortinas atirantadas na rodovia ERS-115 em 2011, tais problemas de projeto e construtivos foram identificados e todas as cortinas foram condenadas, uma vez que as patologias e o envelhecimento das estruturas da face e dos tirantes não permitiam auferir a segurança normativa ou estimar a vida útil. O surpreendente é que a idade dessas cortinas estavam entre 20 e 25 anos. Dessas nove cortinas, uma entrou em colapso e teve de ser substituída por outra obra de contenção. Uma outra obra foi descomissionada, isto é uma nova contenção foi implantada à jusante em substituição à cortina. Para uma terceira, um projeto de reforço com grelhas atirantadas foi desenvolvido, mas a obra ainda não foi iniciada. As demais cortinas receberam um programa de medidas paliativas e estão sendo mérito de um protocolo de monitoramento contínuo até que sejam ou reforçadas ou descomissionadas. Este artigo discute aspectos construtivos e de projeto de cortinas atirantadas que são essenciais no que confere à durabilidade dessas estruturas. COBRAE 2017, Florianópolis/SC, Brasil. São destacados alguns cuidados com o dimensionamento à luz da prática construtiva das cortinas descensionais, ou seja, construídas do topo para o pé com escavações sucessivas. Ilustra-se a discussão com o caso de ruína, com os projetos de descomissionamento e reforço, mostrando também os desenvolvimentos das obras correspondentes. Conclui-se destacando a necessidade de se implementar a qualidade dos projetos e das construções, além da importância que há na sistematização, no monitoramento e na manutenção de estruturas de contenção dessa natureza. 2 CORTINAS DESCENSIONAIS As cortinas atirantadas são estruturas muito empregadas em obras prediais urbanas e em obras de estabilização de taludes ou encostas na engenharia viária. Enquanto as obras urbanas privilegiam tirantes temporários, já que as estruturas prediais acabam por proporcionar a vinculação definitiva, as obras viárias costumam contar com tirantes permanentes. A forma construtiva mais empregada para a construção de cortinas atirantadas é o método descensional, onde escavações de bancadas são realizadas para posterior implantação dos tirantes e concretagem de segmentos de painéis sucessivamente, até atingir a profundidade necessária para a estabilidade (figura 1). Recentemente, a NBR-11682 – Estabilidade de Encostas passou a exigir que estruturas atirantadas sejam verificadas semestralmente e que as cargas nos seus tirantes sejam verificadas periodicamente. A verificação semestral é uma inspeção para registrar a condição de manutenção ou a evolução da qualidade estrutural da cortina. Já os testes de tirantes, poucos proprietários tomaram a iniciativa de conduzi-los, apesar de ser um ensaio relativamente simples. Mas o que está por trás dessa preocupação da norma brasileira, é a durabilidade dessas estruturas, tanto dos tirantes, quanto do elemento de face que, na grande maioria das vezes, é uma parede de concreto moldada no local. Essa preocupação com a durabilidade deveria começar com o projeto, seguir durante a construção e continuar com as ações de manutenção e monitoramento. Mas isso acontece, infelizmente, em pouquíssimas situações. A preocupação tem se acentuado porque muitas cortinas construídas na década de 80, 90 e até mais recentes, vêm apresentando patologias graves, sendo que algumas já foram descomissionadas (substituídas por outra estrutura). Neste artigo, serão discutidas as não conformidades que mais interferem na durabilidade das cortinas. Também são apresentados um caso de ruína de uma cortina que foi posteriormente descomissionada, um caso de cortina que foi decomissionada antes da ruína e uma terceira que tem seu descomissionamento já projetado e programado, todas na mesma rodovia e com idade inferior a 20 anos. Figura 1. Sequência construtiva ilustrativa de uma cortina descensional estaqueada. COBRAE 2017, Florianópolis/SC, Brasil. A preocupação com a durabilidade de tirantes e estruturas ancoradas não é nova (ver Pitta, et alli, 2004), mas a prática parece ainda estar distante da sua motivação. 3 NÃO CONFORMIDADES Entende-se como não conformidade aquele problema que advém da: Incoerência entre as prescrições de norma e o que foi executado; Inconsistência entre o que foi projetado ou especificado e o que foi executado; Incoerência entre a finalidade da obra e o que foi executado (durabilidade, capacidade de suporte, etc.); Impropriedade do projeto; Omissão do projeto. A maior parte das não conformidades que aparecem nas cortinas atirantadas está relacionada com a construção ou com a omissão do projeto e são essas que parecem condicionar sua degradação. 3.1. Não conformidades construtivas Na avaliação de várias cortinas com sinistros ou degradação acelerada, foi possível identificar não conformidades contumazes e que são a seguir listadas: Cabeças de ancoragem com recobrimento insuficiente ou com concreto de má qualidade; Tratamento anticorrosivo distinto entre tendões e peças de ancoragem; Peças de ancoragem improvisadas ou inadequadas, introduzindo cortante ou momento fletor nos tendões; Falta de injeção de pasta de cimento na cabeça de ancoragem; Falta de injeção de pasta de cimento no trecho livre; Sistema de proteção contra corrosão nos tendões inadequado para a condição de tirante permanente; Caminho de serviço para o posicionamento das perfuratrizes construído sem critério; Mudança de inclinação dos tirantes devido ao mau posicionamento das perfuratrizes; Diferenças posicionais dos tirantes; Diâmetro de perfuração pequeno, comprometendo o recobrimento mínimo dos tirantes; Ensaios de qualificação/recebimento mal controlados ou negligenciados; Falta de filtros nas juntas de dilatação, permitindo a passagem de solo do tardoz; Juntas de concretagem entre painéis não tratadas ou mal preparadas; Recalques verticais da cortina durante as fases construtivas (para cortinas sem estacas), introduzindo cortante e momento fletor nos tendões; Falta de armadura de punção ou de fissuração superficial junto à cabeça de ancoragem; Recobrimento inadequado das armaduras da face, principalmente no tardoz; Trespasses ou emendas de armaduras da face inadequados. A forma de como cada não conformidade repercute na durabilidade das estruturas atirantadas é discutida com mais detalhes em outra publicação dos mesmo autores (Azambuja e Floriano, 2015). 3.2. Não conformidades nos projetos Não cabe aqui discutir aspectos conceituais, em especial sobre as questões geotécnicas do projeto, como a forma como os tirantes transferem a carga para o terreno, ou a estabilidade da fundação da cortina, já que essas são questões para as quais os geotécnicos devem estar plenamente capacitados a resolver. Discutem-se aqui outras questões que são as relações entre a geotecnia e o projeto da face. Na maioria dos projetos de cortinas, há uma preocupação em se determinar as forças estabilizantes a partir de uma análise pelo equilíbrio limite. Essas forças são delegadas aos tirantes como carga de trabalho (que é uma resistência de cálculo, em última análise). Nesse tipo de abordagem, as ações características que atuam nas faces são calculadas como a soma das cargas de trabalho dividida pela área total de face, ou a carga de trabalho dividida pelo quinhão de área de cada tirante. COBRAE 2017, Florianópolis/SC, Brasil. Porém, outras combinações de ações deveriam fazer parte dos projetos, de forma a atender às prescrições na NBR-6118, a saber: Ações de coação interna por variação da temperatura e retração hidráulica entre a face interna e externa; Carregamento diferenciado dos tirantes durante os ensaios e testes de desempenho; Desarme de tirantes durante os ensaios e testes de desempenho (a mais importante); Carregamentos precoces em fases intermediárias de construção da cortina; Cargas de impacto nas estruturas de proteção no topo das cortinas. Essas ações raramente são consideradas nos projetos dos paramentos, muito menos são observadas as envoltórias de suas combinações. Os limites de utilização previstos pela NBR- 6118 sequer são considerados. De fato, ações indiretas e decorrentes dos ensaios não derrubam as cortinas a curto prazo. Porém, o estado de fissuração decorrente dessas ações, favorece o envelhecimento extemporâneo da face. Outra questão relevante dos projetos de contenções reside na omissão de detalhamentos. Infelizmente muitos projetos são carentes de detalhamentos construtivos e que favorecem a ocorrência de não conformidades. Alguns projetos mostram os tirantes como linhas, preocupando-se em identificar a carga de trabalho, o comprimento ancorado e o comprimento livre, quando muito o diâmetro de perfuração. Os detalhamentos do sistema de proteção à corrosão, dos dispositivos de ancoragem, do sistema de injeções ou de reinjeções de pasta de cimento são omitidos sistematicamente. Em outros casos, o detalhamento apresentado é compatível com um tirante temporário no lugar do permanente. Outros projetos, apesar de geotecnicamente bem desenvolvidos, omitem o detalhamento das estruturas de concreto, não indicando os planos de trespasses, nem as armaduras de fretagem, muito menos a sequência construtiva considerada nas hipóteses de dimensionamento. Omissão frequente, também, é o detalhamento dos acessos e caminhos de serviços, cuja qualidade repercute diretamente no alinhamento e posicionamento dos tirantes. 3.3 Consequências estruturais invisíveis As avaliações estruturais inconsistentes que advêm das inconformidades de projeto e/ou construtivas tornam as cortinas incapazes de suportar solicitações, particularmente momentos fletores. Os maiores momentos fletores manifestam-se tracionando a face posterior da cortina, de forma que a abertura de fissuras nem sempre é observada pela face anterior. Quando a cortina apresenta fissuras durante o serviço ou durante a protensão dos tirantes, os reparos são feitos igualmente na face anterior e os danos maiores sequer são corrigidos. A consequência é que a porta para a corrosão das armaduras principais, que são as posteriores e mais próximas do solo, estará aberta. 4 CORROSÃO SOB TENSÃO Observando os vários casos de cortinas com danos severos, têm-se em comum que a ruptura dos tendões se deu de forma repentina, sem apresentar escoamento, sem que se houvesse a redução de seção no entorno da ruptura. A maioria dos tendões rompeu junto da cabeça de ancoragem e o restante na fronteira do trecho livre com o trecho ancorado (figura 2). Essas evidências são sintomas de um fenômeno denominado de “corrosão sob tensão” (CST), que é peculiar dos aços de alta resistência utilizados como armaduras ativas. Figura 2. Tirantes rompidos por corrosão: à esquerda, junto à cabeça de ancoragem; à direita, na fronteira do trecho livre com o ancorado. Para que se evite esse fenômeno, são utilizadas tensões baixas em tirantes de vergalhões. Entretanto, quando às forças axiais são somadas solicitações de outras origens que não à da protensão, as tensões nas barras podem se aproximar da tensão de ativação do CST. COBRAE 2017, Florianópolis/SC, Brasil. A corrosão sob tensão é um fenômeno de rápido desenvolvimento, e pode gerar a fratura na peça sem aviso. Uma vez que os ingredientes para tal fenômeno estão presentes, então seria lícito especular que, se alguns tirantes já romperam, outros estão sobrecarregados para compensar a perda de elementos estruturais, elevando o nível de tensão e aumentando o risco da ativação da CST. Ou seja: quando alguns tirantes rompem em uma cortina cuja construção foi descuidada, seria oportuno programar o seu descomissionamento. 5 CASOS DE DESCOMISSIONAMENTO Na rodovia ERS-115 que liga os municípios de Taquara e Gramado, existem várias cortinas atirantadas construídas entre 1988 e 1991 pelo método descensional. Todas com patologias graves. 5.1 Cortina do km 28 A maior das cortinas foi construída no km 28 com uma extensão de 130 metros, altura de 13 metros e 307 tirantes dispostos em até 6 níveis. Em fevereiro de 2010, em inspeção periódica, foi observado o destacamento de alguns tirantes e o agravamento de trincas horizontais nas juntas de concretagem. Em janeiro de 2011, a concessionária que administrava a rodovia conduziu a avaliação estrutural de todas as cortinas e, na contenção do km 28, foi identificada a situação mais crítica de instabilidade e deflagrada a contratação de um projeto de reforço (figura 3). Em junho de 2011, um projeto de descomissionamento com emprego de gabiões e fundações em colunas de CCP foi elaborado (Azambuja, 2011). Antes do início das obras desta solução, trincas e deformações se ampliaram na pista e, pouco tempo depois, a rodovia foi interditada, quando 30% dos tirantes estavam rompidos. Uma semana após a interdição ocorreu o início da ruína (figura 4). O projeto foi intempestivamente refeito, pois a condição de instabilidade exigia solução mais célere e com menor risco aos trabalhadores e equipamentos. A solução alternativa criada foi de um aterro com chavegranular descontínua. Figura 3. Seção ilustrativa da cortina e vista do seu paramento já bastante degradado. Figura 4. Cenário catastrófico da cortina do km28: acima, a interdição da rodovia. Abaixo, a ruptura do paramento. COBRAE 2017, Florianópolis/SC, Brasil. A obra foi construída em duas semanas e o trânsito liberado em menos de 30 dias após a interdição e vêm se comportando adequadamente. Figura 5. Seção transversal e frontal da solução de chave descontínua para a estabilização de uma berma de descomissionamento da cortina do km 28. Figura 6. Obras de descomissionamento no km 28: acima, a construção das chaves ortogonais ao plano da cortina; abaixo, a elevação do aterro. 5.2 Cortina do km 38 Em função do acidente ocorrido, outra cortina que possuía as inconformidades semelhantes da cortina do km 28 foi mérito projeto de descomissionamento. Essa cortina, situada no km 38, possuía 13 metros de altura com extensão de 80 metros e um conjunto de 201 tirantes com carga de trabalho de 350 kN. Quando foi recuperada, estava com cerca 22% dos tirantes rompidos e charneiras já visíveis nas juntas horizontais de concretagem (figura 7). Figura 7. Vista do paramento da cortina do km 38. O projeto de descomissionamento consistiu de um muro de gabiões apoiado sobre chave granular contínua e que se dispõe a jusante e justaposto à antiga cortina, de tal sorte que a ela não seja delegada qualquer competência estrutural (Azambuja, 2014). A solução com gabiões se impôs para que o tratamento da fundação com a chave granular não ficasse tão profundo, já que o substrato resistente possui um mergulho maior nesse local (figura 8). A opção em implantar chave contínua está diretamente ligada à condição menos precária de estabilidade dessa cortina. Mesmo assim, a construção foi conduzida com frentes de escavação pequenas, em ponta de aterro, impedindo o desconfinamento da fundação (figura 9). COBRAE 2017, Florianópolis/SC, Brasil. Figura 8. Descomissionamento da cortina do km 38: acima, a seção transversal típica da chave contínua e muro de gabiões; abaixo, a sequência construtiva. Figura 9. Descomissionamento da cortina do km 38: acima a construção da chave granular e início dos gabiões; abaixo, a vista frontal do paramento concluído. 5.3 Cortina do km 35 A cortina do km 35 fica na rodovia ERS-235 que é a continuação da ERS-115 a partir da zona urbana de Gramado. Possui 10 metros de altura, uma extensão de 160 metros e 273 tirantes com carga de trabalho de 350kN (figura 10). Atualmente com 3% dos tirantes rompidos, vem sendo monitorada até que seja construído o projeto de reforço com grelha atirantada. Figura 10. Vista do paramento da cortina do km35. Neste caso, as solução com estruturas de gravidade, como aquelas empregadas nos casos anteriores, não seria recomendável em função da declividade do terreno de jusante, pelas restrições de acesso e pelo fato de que a cortina já se consolidou no turismo local como belvedere de contemplação. Por essa razão, a solução projetada é esbelta, quase um reforço da estrutura existente (figuras 11 e 12). Em linhas gerais, é introduzido o mesmo número de tirantes da cortina original, desonerando os tirantes antigos de carga. A face da cortina antiga atua como elemento de vedação da grelha, portanto com capacidade de suportar as pressões do terreno sem a necessidade de armaduras. Toda a função estrutural do paramento é cumprida pela grelha de concreto armado, sendo que os montantes possuem fundações com estacas curtas no pé. Detalhes sobre a forma de dimensionamento da grelha foram publicados em artigo anterior (Bolina e Floriano, 2014). COBRAE 2017, Florianópolis/SC, Brasil. Figura 11. Seção transversal típica da solução de reforço com grelha atirantada. Figura 12. Vista frontal e seções da grelha atirantada. Como é uma obra urbana em um contexto turístico, foram previstas ações de paisagismo no local. Entre estas, a implantação de um passeio no pé da cortina, com escadas de acesso e espaços de contemplação. Entre os montantes, foram projetadas placas pré-fabricadas para suportar floreiras ornamentais em toda a extensão da cortina (figura 13). Os novos tirantes projetados possuem tratamento por galvanização, além de bainha corrugada no trecho ancorado e dupla bainha lisa no trecho livre. Figura 13. Detalhe da floreira entre montantes da grelha. CONSIDERAÇÕES FINAIS As cortinas atirantadas são estruturas mais sensíveis aos processos de degradação, especialmente no que se refere aos mecanismos de corrosão nos tirantes, mas também quanto à estrutura de seu paramento. As não conformidades construtivas e de projeto são os ingredientes responsáveis por abreviar a vida útil dessas estruturas, sendo que muitas cortinas atualmente estão em rota de ruína com idade menor do que a metade da vida útil que se presume para tais contenções. Os proprietários ou concessionárias que se responsabilizam por esse patrimônio precisam compreender tal vulnerabilidade e conduzir programas especiais de controle de qualidade para projeto, construção, conservação e monitoramento, de forma a evitar a catástrofe que é a sua ruína. REFERÊNCIAS Azambuja, E.; Floriano, C.F. (2015) Durabilidade das cortinas atirantadas. Anais. VIII GEORS – Seminário de Geotecnia do Estado do Rio Grande do Sul. Azambuja Engenharia e Geotecnia Ltda. (2014). Projeto Executivo de Reforço e Recuperação da Cortina Atirantada no km 35 da ERS-235, DAER. Azambuja Engenharia e Geotecnia Ltda. (2014). Projeto Executivo de Reconfiguração Estrutural da Cortina Atirantada do km 38 da ERS-115, DAER. Azambuja Engenharia e Geotecnia Ltda. Projeto Executivo Emergencial de Recuperação da Cortina Atirantada no km 28 da ERS-115 (2011), BritaRodovias. Bolina, F.; Floriano, C.F. (2014). Reabilitação estrutural de cortina atirantada: estudo de caso. I Congresso Brasileiro de Patologia das Construções. Foz do Iguaçu. NBR-5629:2006 - Execução de tirantes ancorandos no terreno, ABNT NBR-6118:2014 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento, ABNT NBR-11682:2009 - Estabilidade de encostas, ABNT Pitta, C.A., Souza, G.J.T., Zirlis, A.C. e Ferreira, J.F.C. (2006) Quanto tempo durarão as cortinas atirantadas executadas a partir da década de 70? 30 anos?, Anais XIII COBRAMSEG, ABMS, v.4, p.2375, Curitiba.