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Carolina Lucchesi | Medicina UNIT 1 Clínicas IV Fases Clínicas do Parto O parto é caracterizado por contrações das fibras miometriais, cujas principais funções são a dilatação cervical e a expulsão do feto através do canal de parto. **Contrações de Braxton llicks: frequência de contrações indolores Dividido em quatro etapas: Quiescência (fase 1 ). Ativação (fase 2). Estimulação (fase 3). Involução (fase 4). Quiescência (Fase 1) É caracterizada por relativa ausência de resposta a agentes que determinam a contratilidade uterina Se inicia com a implantação do zigoto e perdura por quase toda a gestação Ativação (Fase 2) Prepara o útero e o canal cervical para o trabalho de parto e dura aproximadamente 6 a 8 semanas. Caracteriza-se pela descida do fundo uterino Estimulação (Fase 3) Pode ser clinicamente dividida em: Dilatação Expulsão Dequitação Para um adequado trabalho de pano, essas contrações devem apresentar uma frequência regular entre duas e cinco contrações a cada 10 minutos, intensidade de 20 a 60 rnmHg (média de 40 mmHg) e duração entre 30 e 90 segundos (média de 60 segundos) Dilatação Inicia-se com as primeiras contrações dolorosas, cuja principal ação é a modificação da cérvix Esse período começa com as primeiras modificações cervicais e termina com a dilatação completa do colo uterino (10 cm) Essas modificações abrangem: o evaecimento cervical e a dilatação propriamente dita Nas primiparas, ocorrem nessa ordem, sucessivamente: primeiro o esvaecimento, de cima para baixo, e depois a dilatação do orifício externo; nas multiparas, já são simultâneos. O esvaecimento ou apagamento do canal cervical consiste na incorporação do colo à cavidade uterina, terminando com a formação de um degrau ao centro da abobada cervical. Esse processo ativo é decorrente de alterações bioquímicas que levam a fragmentação e a redisposição das fibras colágenas e à alteração na concentração de glicosaminoglicanas. Proximo ao termo ocorre aumento do infiltrado inflamatório no canal cervical. **Em modelos de animais a colagenólise está sob a influência de prostaglandinas (principalmente E2), e de alguns hormônios esteroide placentários A progesterona inibe a invasão e a ativação de polimorfonucleares no estroma cervical, e essa ação anti-inflamatória pode ter relação com seu efeito inibidor sobre o esvaecimento cervical A dilatação do do orifício externo do colo tem como principal finalidade ampliar o canal de parto e completar a continuidade entre útero e vagina **Bolsa das Águas: Espaço entre o polo cefálico e as membranas ovulares (amnion e corion), no qual ficará Carolina Lucchesi | Medicina UNIT 2 Clínicas IV coletado o líquido amniótico, cuja função é auxiliar as contrações uterinas no deslocamento do istmo. A dilatação cervical é representada por uma curva sigmoide dividida em fase latente e fase ativa, sendo esta ultima composta de três subdivisões segundo Friedman: Aceleração: em que a velocidade de dilatação começa a modificar-se e a curva se eleva Dilatação ou Aceleração máxima: quando a dilatação passa de 2 a 3 cm para 8 a 9 cm Desaceleração: que precede a dilatação completa A fase latente apresenta como característica contrações mais eficazes sem, contudo, apresentar modificação significativa na dilatação do cervical De modo geral, segundo Friedman, a fase latente normalmente dura 8 horas. A dilatação nessa fase é em torno de 0,35cm/h. **Será considerada prolongada quando durar mais de 20 horas em primíparas e mais de 14 horas em multíparas A fase ativa normalmente se inicia com dilatação cervical de 4cm e dura em média 6 horas nas primíparas, com velocidade de dilatação de cerca de 1,2cm/h, e 3 horas em nas multíparas, com velocidade de dilatação de 1,5cm/h Diagnóstico de trabalho de Parto Presença de contrações uterinas com ritmo e características peculiares, combinadas a alterações progressivas no colo uterino (evaecimento e dilatação) e à formação da bolsa das águas. Expulsão Na segunda fase do parto o feto é expelido do útero através do canal de parto por meio da ação conjugada das contrações uterinas e das contrações voluntárias dos músculos abdominais (puxos). O canal do parto é totalmente formado, ou seja, o canal cervical totalmente dilatado e a vagina formam uma única cavidade. Assim, o 2º período tem inicio com a dilatação completa e se encerra com a saída do feto. Uma vez completada a dilatação, o útero fica imobilizado pela ação de contenção dos ligamentos largo (lateralmente), redondo (superiormente) e uterossacro (posteriormente); e a resultante de força das contrações miometriais converge sobre o orifício interno do colo do uterino, contra o qual a apresentação fetal é expelida A descida do polo cefálico pelo canal do parto é representada por uma curva hiperbólica e compreende duas fases bem definidas: fase pélvica e fase perineal Fase Pélvica: Caracteriza-se pela dilatação completa do colo uterino e pela apresentação acima do plano +3 de De Lee Fase Perineal: Apresenta a cabeça rodada e em um plano inferior a +3 de De Lee A duração do período de expulsão está condicionada a proporção cefalopélvica e a eficiência contrátil do útero e da musculatura abdominal. Assim, pode durar 30 min nas multíparas e 60 min nas primíparas Dequitação Carolina Lucchesi | Medicina UNIT 3 Clínicas IV Nesse período o útero expele a placenta e as membranas (após o nascimento do feto) Seu descolamento ocorre em virtude da diminuição do volume uterino depois da expulsão fetal, associada as contrações uterinas vigorosas e indolores Descolamento central (Baudelocque-Schultze): quando começa no centro Descolamento Marginal ou Periférico (Baudelocque-Duncan) O descolamento central é mais frequente e apresenta sangramento após a dequitação, com formação de hematoma retroplacentário. O descolamento Marginal, menos comum, tem escoamento de sangue antes da total expulsão da placenta. A dequitação ocorre entre 10 minutos e 1 hora após o parto. Fisiologicamente, sabe-se que ela deve ocorrer dentro de 20 min a, no máximo, 30 min. Involução (Fase 4) É marcada pelo retorno ao estado pré-gravídico com início 1 hora após o nascimento e por uma contração persistente que promove a involução uterina Primeira Hora após o pós–parto Nesse período ocorre a estabilização dos sinais vitais maternos e a hemostasia uterina Caracteriza-se pelos fenômenos de miotamponamento, de trombotamponamento, pela indiferença miouterina e pela contração uterina fixa que a segue A redução do volume uterino causa angulação das artérias uterinas e ovariana, provocando diminuição da perfusão sanguínea Miotamponamento: oclusão dos vasos miometriais (globo vivo de Pinard) Trombotamponamente: Segunda linha de defesa. Tem como característica a formação de trombos nos grandes vasos uteroplacentários Indiferença Miouterina: Contração e relaxamento das fibras miometriais e ocorre na primeira hora pós-parto Contração uterina fixa: Surge depois de 1 hora.