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Puericultura (aleitamento, crescimento, imunização) -

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PUERICULTURA
CONSULTAS
A primeira consulta do RN deve ocorrer na primeira semana de vida OU caso tenha sido classificado como alto risco, nos 3 primeiros dias de vida. Na primeira consulta, deve-se:
· Avaliar o estado de saúde do RN (e da mãe, identificando sinais de depressão pós parto e locus, por exemplo)
· Orientar e incentivar o aleitamento materno exclusivo e orientar ganho ponderal
· Orientar quanto as imunizações
· Identificar fatores de risco ou intercorrências “capput succedanium” é acúmulo de fluído serosanguinelento infraósseo na cabeça do RN decorrente do parto vaginal
· Verificar a realização de triagem neonatal
Periodicidade das consultas:
· Visita domiciliar até 7º dia de nascimento
· 1ª consulta: até 15 dias.
· 2ª consulta: 1 mês de idade.
· intercalar consulta com enfermagem até 1 ano de idade.
O período em que ocorre as maiores taxas de morte neonatal é o neonatal precoce e por isso, requer os maiores cuidados. A principal causa de morte é a prematuridade, seguida pela malformação. 
As duas principais causas de mortalidade pós-neonatal são infecções da criança (pneumonias, diarreias e desidratação, meningite, broqueolite, septicemias) e malformações congênitas.
- Mortalidade infantil: 0-364 dias
- Mortalidade neonatal: 0-27 dias
Neonatal precoce: 0-6 dias
Neonatal tardia: 7-28 dias
- Pós neonatal: 28-364 dias
ALEITAMENTO MATERNO
Constitui uma das questões mais importantes para a saúde humana, principalmente nos primeiros dois anos de vida, pois atende às necessidades nutricionais, metabólicas, imunológicas, além de conferir estímulo psicoafetivo ao lactente.
O leite materno é considerado um alimento perfeito, pois, além de possuir proteínas, lipídios, carboidratos, minerais e vitaminas, contém 88% de água.
Nesse período especial da vida humana, a necessidade calórica por quilograma de peso supera em aproximadamente três vezes a dos adultos, chegando a 120 kcal/kg de peso corpóreo.
Durante o primeiro ano de vida, cerca de 40% das calorias ingeridas são utilizadas para o processo de crescimento e desenvolvimento, caindo para 20% no segundo ano. Podemos observar, então, que o aporte dietético inadequado ao lactente, nesse período de alta velocidade de crescimento, levará à desnutrição proteicoenergética e atraso no desenvolvimento.
O aleitamento materno deve ser iniciado imediatamente após o nascimento, de preferência na primeira hora de vida dentro da sala de parto. As recomendações atuais do Ministério da Saúde (MS), da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) são:
· Aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. Portanto, não é necessário oferecer à criança água, chás, sucos ou qualquer outro alimento durante os seis primeiros meses de vida. Se for oferecido outro alimento à criança durante esse período, o processo de desmame terá sido iniciado;
· Aleitamento materno complementado de seis meses até dois anos de vida. A partir dos seis meses de vida, o leite materno como alimento único se torna insuficiente, e deve ter início a introdução de alimentação complementar. Entretanto, não se recomenda nenhum outro tipo de leite (industrializado, de vaca, soja, cabra, etc.). O leite materno sozinho após os seis meses é insuficiente, porém continua sendo importante, especialmente como fonte de vitamina C (cobre 95% das necessidades), vitamina A (cobre 45% das necessidades), proteínas (cobre 38% das necessidades) e energia (cobre 31% das necessidades), além é claro de fornecer elementos imunológicos para prevenção de doenças;
· O leite materno deve ser mantido, no mínimo, até os dois anos de vida. Existe, atualmente, uma tendência ascendente nas taxas de amamentação no Brasil, mas, ainda, com uma duração aquém da ideal. A duração da amamentação exclusiva é de 1,4 meses e da amamentação complementada é de 14 meses.
DEFINIÇÕES
Aleitamento Materno Exclusivo (AME): A criança recebe apenas leite humano, da própria mãe (diretamente do seio ou ordenhado) ou de outra fonte (ex.: banco de leite), sem outros líquidos ou sólidos à exceção de vitaminas, sais de hidratação e medicamentos (gotas ou xaropes).
Aleitamento Materno Predominante (AMP): Além do leite humano, a criança recebe água, chás, suco de frutas, e outros fluidos/infusões em quantidades limitadas.
Aleitamento Materno Complementado (AMC): Além do leite humano, a criança recebe alimentos sólidos ou semissólidos com o objetivo de complementar o leite materno, mas não o substituir. Os leites de outras espécies (ex.: leite de vaca, leite de cabra) não são considerados alimentos complementares. O termo “suplemento” é usado para água, chás e substitutos do leite materno.
Aleitamento Materno Misto ou parcial (AMM): Além do leite humano a criança recebe outros tipos de leite.
VANTAGENS DO ALEITAMENTO MATERNO
1. Para o Bebê
· Composição Nutricional Ideal: atende completamente às necessidades nutricionais, metabólicas e calóricas do lactente nos primeiros seis meses de vida e é ideal para o sistema gastrointestinal e renal em amadurecimento.
· Prevenção de Doenças
· Redução da mortalidade infantil: estima-se que reduza em média 13% das mortes em crianças abaixo de cinco anos.
· Diminuição da incidência e gravidade das doenças respiratórias e diarreica: a proteção a esta classe de doenças infecciosas é maior quando o aleitamento materno é exclusivo.
· Diminuição das alergias: sibilância recorrente, asma, dermatite atópica.
· Diminuição das doenças
Crônicas: cânceres: leucemias, linfomas e doença de Hodgkin 
Gastrointestinais: doença celíaca, doença de Crohn, retocolite ulcerativa;
Metabólicas: diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2; sobrepeso/obesidade; hipercolesterolemia 
Cardiovasculares: redução da pressão arterial sistêmica.
· Melhor desenvolvimento cognitivo: os mecanismos ainda não foram totalmente esclarecidos; alguns estudiosos acreditam que o leite materno contenha substâncias que melhorem o crescimento/desenvolvimento cerebral, e outros apostam nos aspectos comportamental e emocional positivos do ato de amamentar.
· Desenvolvimento da cavidade oral: estimula o correto desenvolvimento das funções orais, com o adequado crescimento do sistema estomatognático. O uso de chupetas e mamadeiras eleva o palato, e com isso, a cavidade nasal fica menor. As consequências são alterações na respiração nasal, no processo de mastigação/deglutição e prejuízo da fala.
· Fortalecimento do vínculo afetivo mãe-bebê, reduzindo a incidência de maus-tratos.
2. Para a Mãe
· Prevenção da hemorragia pós-parto: aleitamento imediatamente após o nascimento favorece a dequitação placentária, promove a involução uterina, a perda de peso e diminui a hemorragia pós-parto.
· Reflexo de Fergusson: a sucção do mamilo estimula a liberação de ocitocina pela hipófise posterior, hormônio responsável pela contração da musculatura uterina.
· Método Contraceptivo: a amenorreia lactacional prolongada pelo aleitamento materno exclusivo ou predominante evita a anemia e o aparecimento precoce da ovulação, o que condiciona o maior espaçamento gestacional, proporcionando melhores condições de saúde para mãe e filho. A eficácia anticoncepcional somente é alcançada para mães até seis meses após o parto, que estejam em aleitamento materno exclusivo ou predominante, e que estejam em amenorreia. Caso estas três condições estejam satisfeitas, a eficácia anticoncepcional do método da amenorreia lactacional chega a 98%.
· Remineralização óssea: promove melhora da remineralização óssea pós-parto, com redução de fraturas do colo de fêmur no período pós-menopausa.
· Redução do risco de câncer: de mama e ovário. Proteção contra o diabetes tipo 2, um trabalho norte-americano mostrou que mulheres que amamentam têm 15% menos incidência de desenvolver diabetes tipo 2 para cada ano de lactação, independente de outros fatores de risco para a doença.
· Promove perda ponderal: o gasto energético de uma nutriz em aleitamento exclusivo: 704 kcal/dia.
· Economia e eficácia: o leite materno é bom, barato e limpo. Estima-se que o gasto com fórmulas infantis